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Prévia do material em texto

Autor: MILTON CÉSAR TOLEDO DE SÁ 
 
 
 
 
 
 
Manual 
de 
Hidrologia 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1a edição 2005 – 6aedição 2014 
 
 
 
 
 
2 
Toledo, Milton César Toledo. 
 Manual de Hidrologia: Estudo das Águas 
Superficiais e Subterrâneas na Terra. Milton César 
Toledo de Sá – Belo Horizonte: Produção 
Independente. 2005. 
1. Engenharia – Hidrologia 2. Águas Superficiais. 
 
 
 
Autor: Milton César Toledo de Sá 
 
 
 
MANUAL DE HIDROLOGIA 
 
CIÊNCIA DAS ÁGUAS 
 
6a Edição - 2014 
 
 
 
Dados de Catalogação na Publicação 
 
 
 
 
 
 
 
Belo Horizonte, Minas Gerais. Brasil 
E-mail: miltonhidrologia@gmail.com 
 
 
 
 
 
3 
OFERECIMENTO 
 
 
PLANETA ÁGUA 
(Guilherme Arantes) 
 
Água que nasce na fonte serena do mundo 
e que abre o profundo grotão. 
Água que faz inocente riacho 
e deságua na corrente do ribeirão. 
Águas escuras dos rios, 
que levam a fertilidade ao sertão. 
Águas que banham aldeias 
e matam a sede da população. 
Águas que caem das pedras, 
no véu das cascatas, ronco de trovão 
e depois dormem tranqüilas 
no leito dos lagos, no leito dos lagos... 
Água dos igarapés, onde Iara Mãe d’Água 
é misteriosa canção. 
Água que o sol evapora, 
pro céu vai embora, 
virar nuvens de algodão. 
Gotas de água da chuva, 
alegre arco-íris, sobre a plantação. 
Gotas de água da chuva, tão tristes, 
são lágrimas na inundação. 
Águas que movem moinhos 
são as mesmas águas que encharcam o chão 
e sempre voltam humildes, 
pro fundo da terra, pro fundo da terra... 
Terra, Planeta Água... 
Terra, Planeta Água... 
Terra, Planeta Água...
 
4 
APRESENTAÇÃO 
 
Prezado Leitor (a) 
 
Bem-vindo ao Curso de Hidrologia. Esperamos que você tenha uma 
experiência construtiva durante toda a leitura deste livro. Este material tem 
o objetivo de facilitar o seu entendimento com o assunto. Para maiores 
esclarecimentos, envie-nos um E-mail. 
O texto é constituído por capítulos. E, no final de cada um procurou-se 
apresentar a interdisciplinaridade da Hidrologia com o curso. Foi retirado o 
capítulo 8 – Recursos Hídricos, para revisão e atualização. 
O capitulo 1 – Introdução a Hidrologia trata do seu histórico e definições 
diversas. 
O capitulo 2 – Bacia hidrográfica trata do estudo do ciclo hidrológico e 
do balanço hídrico. 
O capitulo 3 – intensidade de chuva define os tipos de chuva, 
pluviometria. E, as principais Equações de chuva IDF. 
Capitulo 4 – Vazão Hidrológica, ou Escoamento Superficial apresenta os 
Medidores de vazão. Estimativa do escoamento superficial. Roteiro da 
metodologia para cálculo da vazão de Hidrológica. 
O capitulo 5 – Infiltração trata da taxa de infiltração e do coeficiente de 
Run-off. Evaporação, apresenta o poder evaporante da atmosfera. 
O capitulo 6 – Erosão e Sedimentação tratam dos tipos de erosão. 
Estimativa da produção de sedimentos por erosão. Força de arrasto da 
água. Velocidade de autodragagem. Medidas preventivas e corretivas de 
erosão urbana. 
O capitulo 7 – Água Subterrânea define o movimento da água 
subterrânea. Rebaixamento de um poço. Intrusão salina. Aqüíferos. 
Apêndice – Manual da Legislação dos Recursos Hídricos. 
 
5 
BIOGRAFIA 
Autor: 
MILTON CÉSAR TOLÊDO DE SÁ. Graduado em Engenharia Civil. Pós-
Graduado em Metodologia do Ensino Superior e Pós em Engenharia dos 
Materiais. 
Sócio da Empresa Bioterra Engenharia - Avaliação de imóveis. Principais 
clientes: ECT-Goiás, ECT-Ba, ECT- Mato Grosso do Sul, ECT-Piauí, IPSEMG, 
UFA, Palácio das Artes e outros. www.bioterraengenharia.blogspot.com 
Professor Universitário de Física, Mecânica dos Fluidos e Hidrologia. 
Pesquisador em terapias holísticas e Xamanismo. 
Parecerista na análise de processos de outorga de uso de água. 
Conselheiro e Diretor do CREA-MG por diversos mandatos. 
Belo Horizonte, MG. 
E-mail: miltonhidrologia@gmail.com 
 
 
 
 
 
 
 
 
6 
 
SUMÁRIO 
OFERECIMENTO 
APRESENTAÇÃO 
AUTOR 
 
ÍNDICE 
CAPÍTULO 1 
 Introdução à Hidrologia.............................................................07 a 38 
CAPITULO 02 
 Bacia hidrografia........................................................................39 a 57 
CAPÍTULO 03 
 Intensidade de chuva.................................................................58 a 80 
CAPÍTULO 04 
 Vazão Hidrológica....................................................................81 a 125 
CAPÍTULO 05 
 Infiltração e Evaporação.........................................................126 a 151 
CAPÍTULO 06 
 Erosão e Sedimentação..........................................................151 a 189 
CAPÍTULO 07 
 Água Subterrânea..................................................................190 a 236 
APÊNDICE 
 Manual da Legislação dos Recursos hídricos.............................237 a 270 
 
7 
 
 
CAPÍTULO I 
INTRODUÇÃO À HIDROLOGIA 
 
 
Apresentação do curso. 
 
Apresentação dos projetos. 
 
Conceito de hidrologia aplicada. 
 
Voltando ao passado. 
 
Onde a chuva cai? 
 
Distribuição da água no planeta. 
 
Hidrografia no mundo: 
 
Hidrografia no Brasil: 
Hidrografia em Minas Gerais, Belo Horizonte. 
 
Campo de atuação da hidrologia. 
Principais órgãos fiscalizadores. 
Imagens auxiliares de topografia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
8 
 
Apresentação do curso; 
 
Objetivos: 
Propiciar a apresentação de todos, e esclarecendo-os da importância e do 
funcionamento do curso. 
 
Abordagens: 
Apresentações dos participantes; 
Importância da assiduidade e pontualidade; 
Como funciona; 
Objetivos do curso; 
Educação - Avaliação; 
Fontes de pesquisa. 
Blog do curso: www.bioterraengenharia.blogspot.com 
E-mail: miltonhidrologia@gmail.com 
 
Critério de avaliação; 
• Elaboração de dois projetos com as seguintes intervenções; 
• Intervenção 1 - Estudo hidrológico para viabilidade de um 
sistema de captação de água, 
• Intervenção 2 - Estudo hidrológico para viabilidade de um 
sistema de drenagem. 
• Construção do Blog do grupo. 
• Aulas expositivas – através do Manual de Hidrologia. 
• Aulas em campo. 
• Resolução de exercícios. 
• Realização de três provas. 
 
Objetivos do curso; 
• Identificação das principais bacias hidrográficas do Brasil/MG 
• Órgãos licenciadores pertinentes à hidrologia. 
• Equação do balanço hídrico.Divisores de água, traçado da bacia 
hidrográfica e seus elementos. 
• Equação de I.D.F., mapa para chuva, infiltração e declividade. 
• Vazão hidrológica e hídrica: principais formulas, mapas e softwere. 
• Desenvolvimento de projetos. 
• Estudo dos fenômenos: infiltração e evapotranspiração. 
• Erosão, sedimentação e Água subterrânea. 
 
 
 
9 
 
Fontes de pesquisa; 
 
Principal 
• PINTO, Nelson Souza. Hidrologia Básica. 2008. ED. Edgar Blucher 
Ltda. S.P., São Paulo 
• TOLEDO de SA, M. César. Manual de Hidrologia, 6 ed. 2014. Belo 
Horizonte, MG. 
• TUCCI, Carlos E.M. Hidrologia – Ciência e Aplicação.4o ed. Ed. ABRH 
– 2012. UFRGS. ISBN: 8570259247 
• 
Complementar 
• Sites:www.ana.gov.br– www.igam.gov.br – www.semad.gov.br – 
www.ufv.br – www.siam.mg.gov.br 
• Blog do Prof. Milton C. Toledo – www.hidro-milton.blogspot.com 
• Blog do Tucci – www.blog.rhama.net 
• Revista eletrônica de recursos hídricos: 
www.abrh.org.br/informaçoes/rerh 
• Site recursos hídricos do Brasil: www.abrh.org.br 
• TUCCI, Carlos E.M. Hidrologia – Ciência e Aplicação . 4o ed. Ed. 
ABRH – 1993. UFRGS. ISBN: 8570259247 
• GARCEZ, LUCAS N. e ALVAREZ, G. Acosta. Hidrologia Básica.2 ed., 
ED. Edgard Blucherltda. 1988 - S.P. 
• SOUZA, Sérgio Menin Teixeira. Deflúvios Superficiais no Estado de 
Minas Gerais. Hidrosistemas e COPASA - MG. 1993. 
 
Conteúdo programático; 
 
• 1.INTRODUÇÃO À HIDROLOGIA: Generalidades.Aproveitamento e 
direcionamento correto da água. A Hidrologia e a Engenharia Civil. 
Órgãos licenciadores e regulamentadores no Brasil,principalmente 
no estado de MG.Principais Bacias, Reservatórios e Rios no Brasil e 
no Mundo. 
• 2.BACIA HIDROGRÁFICA: Ciclo Hidrológico. Roteiro para um Estudo 
Hidrológico. Balanço hídrico.Principais elementos da bacia: Área, 
Classificação,Divisores, Rios, Surgências, Coeficientes da bacia, 
Declividade. 
• 3.INTENSIDADE DE CHUVA: Generalidades. Métodos para 
determinação de chuva: Medidores, Fórmulas empíricas, Softwere, 
Mapas, Série históricas. Tempo de retorno. Tempo de 
concentração. 
 
10 
• 4.VAZÃO HÍDRICA Generalidades. e Métodos para determinar a 
hídrica: Fórmulas empíricas, medidores).Legislações pertinentes. 
Estudo de Caso: Captação de água superficial e outorga. 
• 5. VAZÃO HIDROLÓGICA: Métodos para determinar vazão 
hidrológica. Softwere, mapas, série históricas, publicações-deflúvios 
superficiais no Estado de MG. Drenagem. 
• 6. MEDIDORES DE VAZÃO: Orifícios, vertedouros e canais. Uma 
visão hidrólogica. 
• 7.INFILTRAÇÃO - Generalidades. Fatores que influenciam na 
Infiltração. Variáveis importantes na infiltração. Métodos para 
determinar e taxa de Infiltração. Coef. de Run-off. 
• 8. EVAPOTRANSPIRAÇÃO:Generalidades. Fotossíntese. Credito de 
Carbono. MDL. Métodos para determinar o poder evaporante da 
atmosfera: Fórmulas empíricas eMedidores. 
• 9.EROSÃO - Generalidades.Métodos para determinar a produção de 
sedimentos: Fórmula universal da perda do solo. Medidores. 
Medidas preventivas e corretivas de erosão urbana. 
• 10. ÁGUA SUBTERRÂNEA: Generalidades. Hidrogeologia. Aqüíferos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
11 
Apresentação dos Projetos; 
 
• PROJETO 01: Intervenção - Estudo hidrológico para 
viabilidade de um sistema de captação a fio d’ água, para 
uso de consumo interno ao parque. 
 
• PROJETO 02: Intervenção - Estudo hidrológico para 
viabilidade de um sistema de drenagem: hidráulicas 
existentes no parque - vertedouro triangular, bueiro circular, 
canal, ponte. 
 
• Objetivo principal: Relacionar a teoria com a prática. 
• Componentes: Em grupo de 4 a 5 alunos 
• Postagem no blog em etapas a definir 
• Localização: Parque das Mangabeiras, entrada pela av. 
Bandeirantes em frente o MINAS II. 
• Fontes de pesquisa: Aulas ministradas no curso e livros da área. 
• As etapas de 1 a 3 serão as mesmas para os dois projetos, 
diferenciando somente na etapa 4. 
 
Dados do Parque das Mangabeiras – Bairro da Serra, BH. MG. 
Coordenadas na entrada do parque, pelo Minas II 
• 06/03/13 08:03:12 
• Latitude 19° 56´ 42´´ 
• Longitude 43° 54´ 57´´ 
Altitude 988m. 
Coordenadas no Lago dos Sonhos: 
• 06/03/13 08:30:54 
• Latitude 19° 56´ 44´´ 
• Longitude 43° 54´ 42´´ 
• Altitude 1002m. 
Coordenadas nos Vertedouros: 
• Latitude 19° 56´ 44´´ 
• Longitude 43° 54´ 21´´ 
• Altitude 1050m. 
 
 
 
 
12 
 
ETAPAS DO PROJETO 
 
PROJETO 01 - Estudo hidrológico para viabilidade de um 
sistema de captação de água, 
 
ETAPA 01 – Caracterização da Intervenção 
 
1. Definição dos grupos com nome completo e foto do grupo. 
Montagem do blog com uma página para o projeto. 
2. Tema: Estudo hidrológico para captação a fio d’água. 
3. Finalidade do empreendimento: Uso de água para consumo interno 
do parque. 
4. Órgão licenciador do empreendimento: IGAM e Órgão 
regulamentador da profissão: CREA-MG/CONFEA 
5. Município: Belo Horizonte e Estado Brasileiro: Minas Gerais 
6. Imagem da bacia experimental – Parque das Mangabeiras, baixar da 
internet ou outro similar. 
 
ETAPA 02 – Caracterização do Parque 
 
1. Coordenadas geográficas do local. 
2. Medidas fora e dentro do parque: umidade relativa, nível de 
ruído,Temperatura média. 
3. Fauna e flora. 
4. Tipo de solo e cobertura predominante. 
5. Rio principal: nome, nascente e foz. 
6. Intervenções existentes: Edificações, estruturas hidráulicas. 
 
ETAPA 03 – Caracterização da bacia 
 
1. Definir a Bacia hidrográfica - traçar a sua poligonal. 
2. Determinar sua área – método das quadrículas, E, classificá-la 
quanto a área. 
3. Rio principal existente (talvegue): desenho na bacia, seu 
comprimento, altimetria e sua classificação. 
4. Desenhar o seu perfil longitudinal, na escala. 
5. Calcular suas declividades: estimada, média e equivalente. 
6. Calcular os principais coeficientes da bacia. 
 
 
 
13 
 ETAPA 04 – Cálculo da chuva visando CAPTAÇÃO DE ÁGUA 
 (última etapa) 
 
1. Definir população interna e calcular a demanda de água – vazão 
solicitada. 
2. Determinar se existir, as outorgas e uso insignificantes a montante 
e jusante. Ver portaria do IGAM. 
3. Definir o tempo de retorno (T) e o tempo de concentração (tc). 
4. Calcular a intensidade (i). 
5. Calcular a vazão hídrica. 
6. Aplicando a portaria do IGAM, da Q7,10 e a Equação da 
disponibilidade hídrica, elaborar seu parecer técnico conclusivo 
sobre a disponibilidade hídrica para o empreendimento. 
 
 
PROJETO 02 - DRENAGEM 
 
ETAPA 04 – Cálculo da chuva visando a DRENAGEM 
(última etapa) 
 
1. Definir o tempo de retorno (T) e o Mapa de Rendimento para 
drenagem. 
2. Calcular a vazão hidrológica (de pico). 
3. Calculo das vazões ou capacidades hidráulicas das obras hidráulicas 
existentes: Vertedouro triangular, bueiro circular, canal e ponte. 
4. Elaborar parecer técnico conclusivo sobre as capacidades das obras 
hidráulicas existentes em vista da vazão de enchente local. 
 
 
 
14 
 
Imagem meramente ilustrativa – região do parque 
Etapa 01 
 
 
Imagem meramente ilustrativa 
Etapa 1 
 
 
 
15 
 
Imagem meramente ilustrativa – Bueiro 
Etapa 02 e 04 
 
 
Imagem meramente ilustrativa – vertedouro 
Etapa 02 e 04 
 
 
Imagem meramente ilustrativa – ponte 
Etapas 02 e 04 
 
 
16 
 
Imagem meramente ilustrativa – Canal 
 Etapas 02 e 04 
 
 
 
 
Imagem meramente ilustrativa – Etapa 3 
 
 
17 
 
Imagem meramente ilustrativa – Etapa 3 
 
 
Imagem meramente ilustrativa – Etapa 3 
 
 
 
 
 
18 
 
 
Imagem da Etapa 4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
19 
1. Conceito de hidrologia aplicada 
 
É a ciência que estuda as águas superficiais e subterrâneas, visando 
seu aproveitamento e destinação correta. 
Assunto que trata das águas da terra, sua ocorrência, circulação, 
distribuição, suas propriedades físico-químicas e suas relações com os 
seres vivos. Por este motivo a hidrologia é uma geociência e se 
relaciona com as outras áreas de conhecimento, tais como climatologia, 
meteorologia, geologia, geomorfologia, sedimentologia, geografia e 
oceanografia, entre outras. 
 
2. Uma volta ao passado da ciência 
 
a) Até 1400 DC período da especulação: canal romano de 50 km, 20 
aC. 
b) 1400 – 1600 período de observação: Leonardo da Vinci foi o 
primeiro a propor uma concepção pluvial do CICLO HIDROLÓGICO. 
c) 1600 – 1700 período de medição: o francês Pierre Perrault usou 
instrumentos rudimentares para obter uma série de 3 anos de 
observações de chuva e vazão no rio Sena. 
d) 1700 – 1800 período de experimentação: desenvolvimento da 
hidráulica dos escoamentos permanentes; Teorema de Bernoulli; 
Tubo Pitot, Vazão. 
e) 1800 – 1900 período da modernização: desenvolvimento da 
mecânica dosfluidos, Equação de Darcy – Percolação. 
f) 1900 – 1930 período do empirismo . fórmulas empíricas para 
explicar a variabilidade das precipitações. 
g) 1930 – 1950 período da racionalização: impulso a partir da 
construção de grandes barragens. 
h) Após 1950, período da teorização: desenvolvimentos de modelos 
matemáticos para transformar chuva em vazão. Uso de 
computadores. 
 
 
 
 
20 
3. Onde a chuva cai? 
 
O local de entrada da chuva na superfície da Terra, no solo ou em espelho 
d!água, é de fundamental importância para sua utilização e determinam a 
variabilidade espacial, temporal e geográfica do aproveitamento e 
esgotamento da água no planeta. Convencionou chamar o local ONDE A 
CHUVA CAI de BACIA HIDROGRÁFICA. 
Portanto, a Bacia hidrográfica ou Bacia de drenagem é uma área 
definida topograficamente drenada por um curso de água ou sistema de 
rios descarregando através de uma simples saída ou output. Os limites de 
uma bacia contribuinte são definidos pelos divisores de água ou espigões 
que separam uma das outras bacias adjacentes. 
 
4. Distribuição da água no planeta água. 
 
A água apresenta um importante ciclo na natureza, estando presente na 
atmosfera na forma de vapor, na superfície ou interior do subsolo na forma 
líquida, sendo que neste último promove a formação de lençóis freáticos. 
 
 
21 
 
 
 
Volume de água doce por continente: 
 
Quase toda a água do planeta está concentrada nos oceanos. Apenas uma 
pequena fração (menos de 3%) está em terra e a maior parte desta está 
sob a forma de gelo e neve ou abaixo da superfície (água subterrânea). Só 
uma fração muito pequena (cerca de 1%) de toda a água terrestre está 
diretamente disponível ao homem e aos outros organismos, sob a forma de 
lagos e rios, ou como umidade presente no solo, na atmosfera e como 
componente dos mais diversos organismos. 
 
 
 
 
 
DISTRIBUIÇÃO DA ÁGUA NO PLANETA 
- 97,2% águas dos oceanos e mares 
- 2,15% águas de geleiras e icebergs polares 
- 0,63% águas disponíveis para consumo (8,5 milhões km³) 
 
22 
 
 
Da distribuição; 
- 0,63% águas para consumo 
- 1,5% rios, lagos e cursos d'água 
- 48% água subterrânea até 800m de profundidade 
- 49% água subterrânea abaixo de 800m de profundidade 
- 0,8% água contida no solo (umidade) 
- 0,7% vapor d'água na atmosfera 
 
E NO BRASIL? E A ÁGUA 
- 14% das águas doces do mundo 
- 40% da água consumida é desperdiçada 
- 10% do esgoto gerado é tratado 
- 23,8% não têm água encanada (36 milhões de brasileiros) 
- 51,8% de domicílios urbanos não têm esgoto (16,3 milhões) 
É o componente principal da matéria viva. Constitui de 50 a 90% da massa 
dos organismos vivos. 
 
ESTAMOS TODOS NUM MESMO BARCO 
O nosso planeta Terra é uma pequena e frágil bacia hidrográfica na visão 
macro do nosso sistema solar da via-láctea deste grande Universo. A água 
permanece praticamente a mesma no Planeta devido a gravidade da Terra, 
evapora e volta. 
Com o crescimento populacional e sua organização social, o ser humano foi 
criando domínio de regiões em que pudesse sentir-se seguro e ao mesmo 
tempo pudesse ser o dono delas. A superfície do planeta foi "dividida" em 
espaços para a sobrevivência da sua espécie- os paises e água pelo sua 
grande utilidade foi o marco para fixação do homem nas suas 
proximidades. O progresso de um povo depende diretamente da 
disponibilidade e fartura de água "pura" para o seu uso, vemos no Brasil 
um exemplo claro quando comparamos o Sul com o Nordeste. Cada pais, 
 
23 
em termos de hidrológicos, foi dividido em grandes bacias e cada bacia em 
sub-bacias e assim por diante. No caso do Brasil - grandes nove bacias, 
como podemos ver adiante. 
5. Hidrografia no mundo 
Maiores bacias: Amazônica (7 milhões de km2), do Congo-Zaire(3,5 
milhões de km2), Mississipi-EUA (3,3 milhões de km2). 
Maiores rios: Amazonas-Brasil (Extensão = 6800 km, foz = 
atlântico), Nilo-Egito (6600 km, foz = Mar mediterrâneo), Xi-
Jiang/China (Extensão = 5800 km, foz = Mar da China) 
Maiores lagos de barragens: Itaipu/Brasil, Três gargantas/China, 
Guri/Venezuela 
 
Principais rios do mundo; 
• Londres-Tâmisa, 
• Paris-Sena, 
• Roma-Pó, 
• Lisboa-Tejo, 
• Nova Iorque-Hudson, 
• Buenos Aires-Prata, 
• São Paulo-Tietê, 
• Recife-Capibaribe/Beberibe, 
• Manaus-Negro, 
• Belém-Amazonas, 
• Teresina-Parnaíba, 
• Natal-Potengi, 
• Belo Horizonte-Rio das Velhas, etc. 
 
 
 
 
 
 
 
24 
Hidrografia no Brasil 
Bacias no Brasil 
 Áreas das principais bacias hidrográficas do Brasil 
Bacias Hidrográficas 
Área de 
drenagem (Km2) 
Amazonas 
Total 
Em território brasileiro 
 
6.112.000 
3.900.000 
Tocantins 757.000 
Atlântico Norte/Nordeste 1.013.000 
São Francisco 634.000 
Atlântico Leste 545.000 
Paraná (território brasileiro) 877.000 
Paraguai (território brasileiro) 368.000 
Uruguai (território brasileiro) 178.000 
Atlântico sudeste 224.000 
 
25 
Hidrografia em Minas Gerais 
 
 
26 
Hidrografia do município de Belo Horizonte. 
 
 
 
 
27 
6. CAMPOS DE ATUAÇÃO DA HIDROLOGIA 
 
Hidrologia – É a ciência que trata das águas da terra, sua ocorrência, 
circulação, distribuição, suas propriedades físico-químicas e suas relações 
com os seres vivos. 
 
Além de propiciar a manutenção da vida na terra a água se presta a 
inúmeras atividades humanas, entre as quais destacam-se: 
Agricultura, Geração de energia elétrica, Transporte e abastecimento 
industrial, entre outras. 
Isto faz com que a abundância ou escassez deste recurso seja um 
indicador do progresso econômico e da qualidade de vida. 
 
Campos da hidrologia – ou tipos de intervenções; 
 
Recursos hídricos 
Captação de água 
Irrigação 
Produção de energia 
Abastecimento de água 
Reuso da água, etc. 
 
Saneamento 
Drenagem urbana, rural e de estradas 
Métodos preventivos e controle de enchentes, etc. 
 
 
Perguntas mais freqüente na prática da hidrologia: 
 Qual deve ser a vazão de enchente para o projeto de um vertedor 
de uma barragem? Para um Bueiro de uma estrada? Para a 
Drenagem Pluvial de uma cidade? 
 Qual é o volume necessário para assegurar água para um projeto 
de irrigação? Ou para o abastecimento de uma cidade durante 
as estiagens? 
 
28 
 Que efeito terá os reservatórios, diques, e outras obras no controle 
das cheias de um rio? Estão dimensionados de forma a minimizar os 
riscos de catástrofes associadas a enchentes? 
 
Portanto, procurar responder a estas perguntas, é o objetivo principal do 
curso de hidrologia. 
 
Intervenção: Drenagem de estradas 
 
 
Intervenção: Travessia em bueiro 
 
 
 
29 
Intervenção: Usina hidrelétrica 
Fonte: UH Sto Antonio - Rio Madeira 
 
Intervenção: Vertedouro triangular 
medidor de vazão 
 
 
Intervenção: Bueiro circular 
 
30 
 
Intervenção: Canal 
 
Intervenção: Ponte 
 
 
 
 
31 
 
Intervenção: Proteção de taludes. 
 
 
Intervenção: Irrigação 
 
Canaleta de crista de talude 
 
32 
 
 
 
Intervenção: desertificação com o rebaixo do lençol freático 
 
33 
 
Intervenção: rebaixamento de lençol freático 
 
 
 
Calha de telhado 
 
34 
 
 Através da utilização de princípios da ciência estabelecer as relações que 
determinam a variabilidade espacial, temporal e geográfica do 
aproveitamento e esgotamento da água no planeta. 
 
No planejamento e gerenciamento integrado da bacia hidrográfica em 
drenagem urbana, na geração de energia, no uso do solo rural, nacaptação e abastecimento de água, na irrigação e navegação. 
 
 
Executores; 
Por técnicos devidamente habilitados. Engenheiros, Geógrafos, 
Meteorologistas, etc. 
 
7. A Hidrologia na expansão urbana e legislações pertinentes; 
- Constituição Brasileira de 1.988 
. Agenda 21 
- Plano Diretor 
- Lei de Uso e Ocupação do solo 
- Código de posturas. 
 
8. Principais órgãos fiscalizadores 
 
Profissional: CONFEA/CREAs 
 
ANA/IBAMA – Recursos hídricos e licenciamento ambientalNível 
Federal. 
 
SEMAD = Secretária de Estado de Meio Ambiente e 
desenvolvimento Sustentável. 
 
IEF – Inst. Estadual de Florestas – Atividades agrícolas, 
agropecuárias e florestais. 
 
 
35 
FEAM – Fundação Estadual do Meio Ambiente – Ambiental, 
atividades industriais, minerais e infra-estrutura (extração de areia) 
 
 IGAM – Instituto de Gestão das Águas – relativo ao uso das águas 
– Outorgas para captação. mineradora, travessias, etc.) 
 
Para aprovação de Estudo, Projeto, Licenciamento e Outorgas no 
Estado de M.G, até a presente data, o processo deverá passar pelo: 
 
SEMAD: IEF – POLICIA MILITAR – FEAM – IGAM 
 
 Site do governo do estado de M.G.: 
SIAM: Sistema integrado do Meio Ambiente-
www.siam.mg.gov.br 
 
SEMAD
Secretaria de Estado de 
Meio Ambiente e
Desenvolvimento 
Sustentável
CERH
Conselho Estadual de 
Recursos Hídricos
COPAM
Conselho Estadual de 
Política Ambiental
IGAMFEAMIEF
SISTEMA ESTADUAL DE MEIO AMBIENTE
 
 
 
 
 
36 
 
 
 
•Outorgas superficiais - 8607
•Outorgas subterrâneas - 6748
•Certidões de usos insignifcante - 2782
DEMANDA HÍDRICA POR FINALIDADE Outros
5%
Irrigação
60%
Abastecimento
25%
Industrial
7%Aquicultura
3%
Irrigação Abastecimento Industrial Aquicultura Outros
PANORAMA DAS OUTORGAS NO ESTADO
 
 
 
 
 
 
37 
IMAGENS AUXILIARES DE TOPOGRAFIA; 
 
 
Figura: aerofotogrametria 
 
 
Figura: medidas verticais 
 
38 
 
 
Figura: curvas de nível 
 
 
 
Figura: desenho de perfil vertical a partir das curvas de nível. 
 
 
39 
 
CAPITULO 02 
Bacia hidrográfica 
O ciclo hidrológico e o balanço hídrico. 
Estudo da fisiografia, geomorfologia, geologia e hidrometria. 
Divisores de água. Classificação. Principais elementos da bacia. 
Classificação dos rios. Coeficientes da bacia. Declividade média. 
 
 
Figura: bacia hidrográfica típica - Fonte: www.ana.gov.br 
 
 
Figura: bacia hidrográfica típica 
 
40 
1. Ciclo Hidrológico; 
É o nome dado ao fenômeno global de circulação contínua e distribuição da 
água sobre a superfície terrestre, subsolo, atmosfera e oceanos. Existem 
cinco processos básicos no ciclo hidrológico: condensação, precipitação, 
infiltração, escoamento superficial e evapotranspiração. Estes processos 
são governados basicamente pela radiação solar e pela gravidade 
No ciclo hidrológico a água sempre é a mesma. A Terra possui 
aproximadamente 70% de sua superfície coberta pelos oceanos. 
 
 
 
 
- O ciclo hidrológico - 
 
 
41 
2. Equação do Balanço hídrico; 
Es = P – I – Evt – Vs 
Onde, 
Es = Escoamento superficial ou deflúvio 
P = Precipitação 
I = Infiltração 
Evt = Evaporação e transpiração 
Vs= Volume superficial utilizado ou desviado da bacia 
 
 
 
3. Estudo da fisiografia, geomorfologia, geologia e hidrometria 
Fisiografia: Área da bacia, sistema de drenagem e relevo (montanhosa, 
plana e depressões). 
Geomorfologia: Forma da bacia: estreita, alargada ou arredondada. 
Geologia: tipo de solo da bacia (argiloso, arenoso, rochoso, etc.). 
Hidrometria: Medida de cheias dos cursos de água. 
Os estudos hidrológicos mostram que há uma diferença marcante entre a 
pequena bacia, média e grande bacia de drenagem. Nas bacias pequenas 
as alterações físicas causadas pelo homem na utilização do solo são muito 
representativas. Nas grandes bacias essas alterações físicas são de menor 
 
42 
proporção, tendo como característica principal à condição de 
armazenamento ao longo do talvegue e da própria bacia hidrográfica. 
 
FISIOGRAFIA - ÁREA DA BACIA 
A bacia hidrográfica é caracterizada tipograficamente através do relevo e 
das depressões existentes. O reconhecimento deste relevo é feito utilizando 
as cartas topográficas ou fotografias aéreas (aerofotogramétricas) em 
escalas apropriadas para o projeto em elaboração. Para a cidade de Belo 
Horizonte, além de outros órgãos, esta vista aérea pode ser capturada 
através do site: www.belohorizonte.com.br. 
 
Hidrografia típica 
 
 
43 
 
 
44 
Área da bacia hidrográfica: 
 
A área da bacia pode ser determinada através da planta aerofotogramétrica 
utilizando o método das quadrículas, que subdividindo a superfície total em 
N quadrículas menores e procede ao cálculo destas áreas de depois 
somados ou pelo método de eliminação de áreas de figuras geométricas 
conhecidas, para assim achar a área que sobra. 
 
Planilha para determinação da área da bacia 
 
No de Ordem 
(N) 
Quadrículas 
1 
2 
3 
5 
6 
7 
  das áreas: 
 
Determinar a área da sub-bacia hidrográfica experimental do córrego do 
Visconde do rio branco. Utilizar a planta aerofotogramétrica do local. 
 
45 
 
Parque das Mangabeiras – Poligonal da bacia. Imagem meramente 
ilustrativa 
 
Parque das Mangabeiras – traçado das quadriculas para o cálculo da área 
da mesma – imagem meramente ilustrativa.
 
46 
4. DIVISORES DA BACIA – Individualização das bacias 
A Bacia hidrográfica é necessariamente contornada por um divisor de 
águas ou espigão, assim designado por ser linha de separação que divide 
as precipitações que caem em bacias vizinhas e que encaminham o 
escoamento superficial para um outro sistema pluvial. 
O divisor une os pontos de máxima cota entre as bacias. 
 
 
Divisores de água de sub bacias 
 
 
47 
 
Mais divisores de água 
 
5. CLASSIFICAÇÃO DAS BACIAS 
As bacias pequenas, o efeito das precipitações intensas e de pequena 
duração será muito mais representativo do que nas bacias grandes. Por 
outro lado às bacias grandes só terão efeito das precipitações de grande 
duração. Assim se torna necessário fazer uma classificação em função de 
sua área. 
Bacias pequenas: área ate 4 Km2 
Bacias médias: áreas de 4 Km2 a 10 Km2 
Bacias grandes: áreas maiores que 10 Km2 
Sabe-se que numa bacia grande uma chuva intensa não abrange toda 
área, pois normalmente as chuvas intensas são de pequena duração e nas 
bacias pequenas uma chuva intensa pode cobrir toda a área podendo 
provocar enchentes. Por esta razão o critério de calculo das vazões 
máximas é por faixa de áreas. 
 
 
 
 
48 
 
 
6. PRINCIPAIS ELEMENTOS DE UMA BACIA 
E = espigão ou divisor de águas 
A = área da bacia (há ou Km2) 
L = comprimento do talvegue principal (Km) 
H = diferença de nível do talvegue principal (m) 
d = dec. = Declividade do talvegue principal (m/m). 
tc = tempo de concentração (h) 
C = coeficiente de RUN OFF ou coeficiente de escoamento superficial, 
depende do tipo de vegetação, tipo de solo, topografia (plana ou 
montanhosa). 
 
 
Figura: Talvegue 
 
49 
 
7. CLASSIFICAÇÃO DOS RIOS 
Cursos de água da bacia hidrográfica. 
a. Perenes: Contém água durante todo o tempo. 
b. Intermitentes: Escoam durante o período da chuva. 
c. Efêmeros: Existem durante ou imediatamente após a chuva. 
 
 
 
 
 
 
50 
8. COEFICIENTES DA BACIA 
São coeficientes utilizados para comparação entre uma bacia e outra. 
Coeficiente de compacidade (kc) 
É uma medida dograu de irregularidade da bacia, quando comparado com 
o círculo. 
 
Kc = 0,28 x (P / A) 
Onde: 
P = perímetro em Km 
A = área em Km2 
Obs: Bacia circular terá o coeficiente, Kc = 1 
 
Coeficiente de forma (Kf) 
É a relação entre a largura média e o comprimento axial da Bacia (ou do 
rio). 
É dado pela seguinte fórmula: 
 
Kf = A / L
2 
Onde: 
A = área da bacia, em Km2 
 L = comprimento do rio, em km 
Quando Kf for baixo, menos sujeito a enchentes, isto é, deve ao fator de 
que quanto mais longa (L) e estreita, menor a possibilidade de ocorrência 
de chuvas intensas. 
 
Densidade de drenagem (Dd) 
É a maior ou menor densidade de cursos de água existentes na bacia. 
 
Dd = Lt / A 
Onde: 
 Lt = comprimento total dos cursos de água (Km) 
 
51 
A = área (Km2) 
Valores próximos de 1,0 = densidade pobre. 
 
Sinuosidade do rio 
 
S = L / Ltalv. 
Onde: 
 L = comprimento do rio principal, em Km 
Ltalv. = comprimento do talvegue (Km). 
Obs: Próxima de 1,0 = pouca sinuosidade do rio. 
 
9. DECLIVIDADE DA BACIA: ESTIMADA, MÉDIA E EQUIVALENTE 
Controla a velocidade do escoamento superficial que irá influenciar em: 
- Menor Declividade, menor picos de enchentes. 
- Maior ou menor oportunidade de infiltração. 
- Erosão dos solos. 
Método estatístico para obtenção da declividade estimada (Ie) é o método 
das quadrículas associadas a vetores normais as curvas de nível, num 
maior número possível de quadrículas (amostragem). 
 
 
Ie. = ΔH/L 
Ie= Declividade estimada. 
Planilha para planta aerofotogrametrica da sub-bacia experimental. 
 
 
 
52 
N.º ordem Cotas desnível L (m) Dec.(m/m) 
Exemplo 830 – 815 15 180 0,083 
1 
2 
3 
4 
5 
6 
7 
8 
 Dec. = 
De = (Dec./ N) x 100% 
 
Perfil longitudinal do talvegue principal do parque das Mangabeiras. 
Imagem meramente ilustrativa. 
 
53 
ESTUDO DA DECLIVIDADE DO TALVEGUE DO RIBEIRÃO DA SERRA - PARQUE DAS MANGABEIRAS
PLANILHA DE DADOS DO TALVEGUE 
Ponto do talvegue Altitude(m) Distância do divisor "M" L(km)Desnível do trecho, (m)Extensão do trecho,Ln(km)Declividade do trecho,jn (m/km)
Divisor "M" 1300 0 0 0
Curva 1 Nascente 1205 0,4 95 0,4 237,5
Curva 2 1200 0,5 5 0,1 50
Curva 3 1180 0,61 20 0,11 181,8181818
Curva 4 1160 0,81 20 0,2 100
Curva 5 1140 1,19 20 0,38 52,63157895
Curva 6 1120 1,39 20 0,2 100
Curva 7 1100 1,67 20 0,28 71,42857143
Curva 8 1080 1,95 20 0,28 71,42857143
Curva 9 1060 2,25 20 0,3 66,66666667
Curva 10 1040 2,55 20 0,3 66,66666667
Curva 11 1020 2,83 20 0,28 71,42857143
Curva 12 - Intervençao 980 3,08 40 0,25 160
Difereça de nível 320 Soma 1229,568808
Declividade estimada 103,8961039 Média 102,4640674
max 237,5
min 50
declividade média = 102,46 m/km ou 10,24%
declividade estimada = 103,89 m/km ou 10,39 %
declividade equivalente = fórmula apropriada 
 
Planilha do talvegue principal do Parque das Mangabeiras. 
Figura mostrando altimetria ou relevo topográfico. 
 
54 
 
 
As curvas de nível são linhas que unem pontos de igual altitude. A partir 
delas podemos fazer uma interpretação do relevo. POdemos marcar os 
topos das principais elevações, marcar os fundos de vale, vrificar se as 
vertentes são íngremes ou suaves, e até, inferir sobre a forma das 
vertentes. mas o pormenor do mapa topográfico não é suficiente para nos 
dar todos os pormenors e aspectos do relevo. tal pode ser visto na figura 
em cima. Alguns aspectos, como pequenas escarpas ou relevos de dureza 
(elevações que surgem devido à erosão diferencial e que se constituem por 
pequenas elevações) e a forma de pormeno dos vales, poderão não ser 
possveis de verificação a partir de uma mapa topográfico. Um estudo mais 
pormenorizado do relevo implica mapas de escala maior e muito trabalho 
de campo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
55 
Exercícios propostos; 
 
Ex. 1) Converter as seguintes unidades. 
a. 1 ano em segundos = 
b. 1 Km2 em m2 = 
c. 1 Litro em m3 = 
 
Ex. 2) Considere a bacia Hidrográfica do Rio São Francisco. 
 
Dados: 
A = 600.000 km2 
Pa = 1000 mm/ano 
EVTa= 800 mm/ano 
 
Pede-se: 
Qano = ? ( em mm e m
3/s) 
Resp.: 200 mm e 3.805,2 m3/s. 
 
Ex. 3) Você foi chamado para fazer um anteprojeto de uma barragem que 
irá abastecer uma cidade de 100.000 hab. E, uma área a ser irrigada de 
5000 hectares. 
Verifique através do balanço hídrico se a barragem terá condições para 
atender a demanda total com base nos seguintes dados: 
 
Abacia = 300 km
2 
Aespelho = 18 km
2 
Pa = 1300 mm 
Evt = 1000 mm 
Ev = 1500 mm 
Demanda do abastecimento = 150 L/hab/dia 
Demanda anual da irrigação = 9.000 m3/hectare 
 
Ex. 4 – Num determinado ano, os seguintes dados foram observados em 
uma bacia de drenagem: 
P = 850 mm (Precipitação) 
Evt = 420 mm (Evapotranspiração) 
D = 225 mm (Deflúvio ou escoamento superficial) 
Pede-se: a altura correspondente em mm da infiltração (I) 
 
 
 
56 
Ex. 5– Se o deflúvio médio anual de uma bacia de drenagem de 100 km2, 
medida através da saída, é de 1,52 m3\s. Determine o valor 
correspondente em mm. 
(R= 478 mm) (Q = volume\tempo; Q = A.h\T) 
 
Ex. 6 – Qual o volume de água precipitada (em km3) sobre uma bacia de 
435 km2 com uma chuva de 18 mm. 
 
Ex. 7 – Se ocorrer uma chuva de 30 mm durante 90 min sobre uma 
superfície impermeável de 3 km2 , qual será o respectivo deflúvio médio no 
período em m3\s. 
 
Ex. 8 – A evaporação anual de um lago de 15 km2 é de 1500 mm. 
Determine a variação do nível do lago durante um ano, se a precipitação 
foi 950 mm e a contribuição dos tributários foi de 10 m3\s. Sabe-se que 
também naquele ano foi retirada do lago uma vazão media de 5 m3\s para 
irrigação, alem de uma captação de 165 106 m3 para a industria. ( R = o 
nível baixou de - 1,05 m) 
 
Ex. 9 - Neste exercício, serão medidos e calculados os dados referentes à 
Bacia do Rio Salitre (bacia fantasia). 
 
Na Planta Topográfica (Planialtimétrica) fornecida, localize o ponto 
que define a saída da bacia hidrográfica. Destaque os rios (utilize uma 
coloração) e identifique o rio principal. Siga o esquema abaixo: 
 
a - Delimitação topográfica da Bacia do Rio Salitre: com base nas 
curvas de nível, traçar uma linha que englobe os pontos mais altos, 
separando a bacia estudada. 
 
b - Área de drenagem (A): medir a superfície da bacia, usando 
papel milimetrado, planímetro ou AutoCAD. 
 
c - Perímetro (P): medir o comprimento da linha de contorno da 
bacia com auxílio de fios ou AutoCAD. 
 
d - Comprimento do curso principal (L). 
 
e – Comprimento total dos cursos d’água da bacia (Lt): também 
recorrendo aos recursos listados no item anterior - medir o curso 
 
57 
principal. O comprimento total inclui o comprimento do rio 
principal. 
f - Cotas do curso principal:  nascente (h1) =  foz(h2) = 
g – Calcular o coeficiente de compacidade (kc). 
h – Calcular o fator de forma (kf). Kf=A/L²=19,91/7,59²=0,346 
i – Determine a densidade de drenagem da bacia 
j – Calcular a declividade. 
 
 
 
58 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAPÍTULO 03 
 
INTENSIDADE DE CHUVA 
 
Intensidade de chuva 
Fórmula geral para IDF 
Softwere 
Fórmulas particularizadas 
Medidores ou Pluviometria 
Anexos 
 
=
 
59 
A CHUVA QUE CAI 
A matéria prima do estudo da hidrologia é a chuva, seja para esgotá-la 
através de obras de drenagem, seja para o seu aproveitamento. 
Aqui veremos alguns métodos já consagrados na obtenção da chuva, ou 
seja; por Formulas empíricas, através de Medidores tipo pluviômetro e 
Software apropriados. 
Tipos de chuvasCHUVAS CONVECTIVAS OU DE VERÃO
64
 
 
CHUVAS OROGRÁFICAS OU DE RELEVO
65
 
 
CHUVAS FRONTAIS
69
 
 
 
 
60 
FÓRMULAS EMPIRICAS 
 
FÓRMULA GERAL DE IDF – Intensidade, Duração e Frequência. 
 
im = intensidade máxima da precipitação em mm/h 
T = tempo de retorno em anos (frequência da chuva) 
tc = tempo de concentração ou duração da chuva (em min) 
k,a,b,c = parâmetros relativos a localidade 
 
 bt
Ti
c
k
c
a
m


. 
 
Software de cálculo de chuvas intensas: 
Fonte: www.ufv.br/dea/gprh/pluvio 
 
FÓRMULAS ESPECÍFICAS DE IDF 
Cálculo da precipitação para uma determinada região geográfica. A mais 
utilizada no estudo de drenagem de estradas é a do Engenheiro Otto 
Pfafstetter. 
 
Cálculo da precipitação pela equação do engenheiro Otto 
Pfafstetter 
  DcbDaTTP DT  










1log25,0
,
 
Onde, 
D = duração da chuva, em horas 
a,b,c,α,β = parâmetros relativos a localização 
T = tempo de retorno, em anos 
 
61 
 i = intensidade máxima em mm/h = P/D 
P = precipitação, em mm 
 
Sudecap (Horto): Em, mm/h 
 5
0106,0
7098,0
1598,0
18,795




D
T
T
i
 
Onde, 
D = duração da chuva, em minutos 
T = tempo de retorno, em anos 
i = intensidade máxima de chuva, em mm/h 
 
 
 
 
Copasa: Em, mm/h 
 167,32 039,1
155,0
645,4988



D
Ti
 
Onde, 
D = duração da chuva, em minutos 
T = tempo de retorno, em anos 
i = intensidade de chuva, em mm/h 
 
Equação das chuvas de Curitiba: Em, mm/h 
 26 15,1
217,0
5950



D
Ti
 
Onde, 
 
62 
D = duração da chuva, em minutos 
T = tempo de retorno, em anos 
i = intensidade de chuva, em mm/h 
 
Márcia Pinheiro (para RMBH): Em, mm/h 
  PD ai
536,07059,0
76542,0
 
Onde, 
Para T≤ 200 anos e 10 minutos ≤ D ≤ 24 horas 
D = duração da chuva, em horas 
T = tempo de retorno, em anos 
i = intensidade máxima de chuva, em mm/h 
Pa = precipitação média anual pelo mapa de isoetas 
 = parâmetro regional 
 
 
63 
Ex. 01) 
Determinar a intensidade de chuva (mm/h) para um T = 10 anos com 
duração de 30 minutos, na região de Belo Horizonte. Utilizar as fórmulas 
anteriores. 
 
No de Ordem Fórmula/Nome i (= intens., em mm/h) 
1 Curitiba 
2 Pluvio 2.1 
3 Profª.Márcia Pinheiro 
4 Eng. Otto 
 
SOLUÇÃO: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
64 
MÉTODOS DE MEDIÇÃO: 
 
PLUVIOMETRIA ; 
É o estudo para determinar a chuva através de aparelhos de medição. 
Tipos de aparelhos para medição da chuva precipitada; 
• Pluviômetro, 
• Pluviógrafo. 
 
Figura - pluviômetro 
Pluviômetro: a quantidade de chuva precipitada é dada em mm (altura 
de chuva) coletada pelo aparelho, a graduação do aparelho é feita em 
função da área da boca, área de coleta de chuva. 
O mais comum é o Ville de Paris, onde o volume de chuva coletado pelo 
pluviômetro é despejado no cilindro graduado em mm. As leituras são 
feitas de 24 em 24 horas. 
 
Pluviógrafo: apresenta resultado de medição de chuva, duração e 
freqüência grafadas no papel. 
 
65 
Normas de colocação dos medidores: 
a) A superfície do coletor de chuva deve ser absolutamente horizontal e 
ficar a uma distancia de 1,50m do solo. 
b) Caso o lugar for desabrigado, fazer proteção contra ventos (abrigo). 
c) A distancia do obstáculo mais próximo de duas vezes da altura do 
mesmo. 
Lembrando que 1,0 mm de chuva corresponde a 1,0 L/m2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Área de Drenagem (ha) Número Mínimo de Estações Pluviométricas
1
12-40 2
40-80 3
80-200 1 a cada 40 ha
200-1000 1 a cada 100 ha
1000-2000 1 a cada 250 ha
>2000 1 a cada 750 ha
 
66 
 
FLUVIOMETRIA 
ESTAÇÕES FLUVIOMÉTRICAS
• Níveis d´água
• réguas limnimétricas
• limnígrafos
87
 
 
 
RADAR METEOROLÓGICO
88
 
 
 
 
 
67 
 
 
Tempo de retorno ou recorrência (T) 
Como sendo intervalo de tempo durante a qual uma precipitação é 
igualada ou excedida uma vez. A fixação deste período de recorrência 
envolve em si, o conceito de “coeficiente de segurança”. 
 
Os períodos de recorrência mais usuais são: 
T = 10 anos (para obra de drenagem superficial) 
T = 25 anos (para obra de fundo de grota, bueiros tubulares). 
T = 50 anos (para obra de fundo de grota, bueiros retangulares). 
T = 100 anos(para obra de pontes) 
T = 10.000 anos (para obra de barragens) 
Ver os anexos para outros valores de T 
 
Riscos 
É prever o risco desta chuva (ou evento) ocorrer. 
 
R = 1 / T 
 
68 
Exercício 02) 
Calcular o risco esperado ao dimensionamento de uma galeria urbana com 
T= 25anos. 
R = 1 / 25 = 0,04 = 4% de risco. 
E, para uma usina hidroelétrica? Com tempo de retorno de T = 10.000 
anos. 
R = 1 / 10.000 = 0,0001 = 0,01% de risco 
 
 
 
69 
EQUAÇÕES PARA ESTIMAR O TEMPO DE CONCENTRAÇÃO 
Tempo de concentração é a duração mínima da chuva necessária para 
um pico de vazão (máxima) ocorrer num ponto considerado (Output – 
saída). 
 
 
Tempo de concentração 
 
 
Isócrona 
 
Diversas são as formulas de calculo, algumas delas serão apresentadas no 
decorrer do curso. 
George Ribeiro 
   It P
L
c


100
04,0
2,005,1
267,0
 
P=%Vg = relação entre a área coberta de vegetação e área total em % 
tc = tempo de concentração, em horas 
L = comprimento do talvegue, em Km 
 
70 
I = declividade em m/m. 
 
Kirpich – (1940) 
Usada no estudo de drenagem de estradas e áreas urbanas para rios e 
canais. 
 







H
L
t c
3
.57
385,0
 
tc = tempo de concentração, em minutos. 
L = comprimento do talvegue, em Km (ou curso d’água) 
H = desnível do talvegue, em metros. 
 
Método de Dooge 
140 < A < 930 km2 
 
tc = 21,88 . A
0,41. S-0,17 
 
A = Área da bacia, em km2 
S = declividade do talvegue, m/m 
tc = tempo de concentração, em min. 
 
Ventura 
 
tc = tempo de concentração, em horas 
A = área, em Km2 
I = declividade, em m/m 
 
71 
 
Passini 
 
I
LA
t c
. 3
1
.107,0
 
tc = tempo de concentração, em horas 
A = área da bacia, em Km2 
L = comprimento do talvegue, em Km (ou curso d’água) 
I = inclinação, em m/m. 
 
Colins 







I
A
t
A
L
c
.100
2
.65,0
5
1
 
tc = tempo de concentração, em horas 
L = comprimento do talvegue, em Km 
A = área da bacia, em Km2 
I = inclinação, em m/m. 
 
72 
 
Ex. 03) 
Calcular o tempo de concentração (tc) através de todas fórmulas 
apresentadas. Considere uma bacia experimental com as seguintes 
características: 
Percentual de vegetação igual 30 %. 
A = 300 000 m2 
Declividade média da bacia = 15 % 
Comprimento do talvegue = 300 m e desnível = 10 m 
 
Solução: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
73 
ANEXO 01 – Mapa de tipologia para MG – Infiltração, declividade e 
precipitação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
74 
ANEXO 02 – Tabela para tempo de retorno (T) 
 
 
 
 
 
75 
ANEXO 03 – Tabela Eng. Otto e Função generalizada 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ANEXO 04 Mapa de MG – Precipitação + Infiltração + declividade 
 
 
76 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ANEXO 05 – Márcia Pinheiro tabela 
 
7778 
ANEXO 06 – Márcia Pinheiro – Mapa de ISOETAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
79 
ANEXO 07 – IMAGEM DO PLUVIO 2.1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
80 
PROBLEMAS PROPOSTOS 
 
Ex 01) 
 
(a) Determinar a intensidade de chuva, em mm/h, para o Tempo de 
Retorno (T) máximo da tabela abaixo, para um bueiro de tráfego alto. 
Considere, também, a duração constante de 30 min para a chuva. 
Utilize dos seguintes parâmetros: a = 0,169, b = 3,994, c = 0,671, k = 
682,93, para a equação geral de I.D.F. 
(b) Plotar (i x D) para as seguintes durações de chuva: 10, 40, 80, 120 e 
160 min. 
 
Ex 02) 
 
1 – Um bueiro de tráfego baixo deve ser projetado para coletar o 
escoamento resultante de uma chuva com duração (D) e período de 
retorno (T). 
Considere: 
Área drenante totalmente impermeabilizada. 
Coordenadas geográficas : Latitude: 19o55’15” S e Long.: 43o56’16” 
O. 
Duração da chuva de 0,5 h. 
Determine a intensidade da chuva através dos seguintes métodos e 
equações: 
a) Pluvio 2.1 para a IDF. 
b) Mapa de “Tipologias Regionais Homogêneas”. 
 
 
 
 
 
 
81 
 
CAPÍTULO 04 
VAZÃO HIDROLÓGICA ou de PICO 
Métodos para determinar a vazão hidrológica: 
1. Através dos mapas de rendimento específicos: 
a) para uso em captação: Portaria 10/98 do IGAM – mapa de 
rendimento mínimo para 10 anos de tempo de retorno (T). 
b) uso em drenagem – vazão de pico, mapas anexos, todos em 
função do tempo de retorno (T). 
2. Banco de dados: Series históricas – estações fluviométricas (ANA – 
Agencia Nacional das Águas). 
3. Pelas equações do Método racional. 
4. Através de medidores: vertedouro, orifícios, canal, medição a vau. 
5. Softwares relacionados: (WWW.EHR.UFMG.BR) e 
(WWW.UFV.BR/DEA/GPRH) 
Hidrologia aplicada: 
6. Uso insignificante da água no Estado de M.G., DN – CERH-MG – 
09/04 – Art.30. 
7. Eq. Da Vazão: (Portarias do IGAM: 10/98, 07/99 e 49/2010). 
8. Consumo d’agua em função do empreendimento, 
9. Estudo do Barramento quanto a influência da chuva na descarga de 
fundo e vertedouro de emergência. 
10. Estudo hidrológico para Drenagem: canaletas e calha de telhado. 
11. Estudo hidrológico do Dreno profundo. 
12. ANEXOS 
 Manual para elaboração de estudo hidrológico, Tabela do coeficiente de 
Run off, Portaria 10 do IGAM, Deliberação normativa 09 do CERH, Mapas 
de rendimento, Anexo 06 – Consumo de água em função do 
empreendimento. 
 
82 
INTRODUÇÃO 
 
A vazão hidrológica tem origem, fundamentalmente, nas precipitações. Ao 
chegar ao solo, parte da água se infiltra, parte é retirada pelas depressões 
do terreno e parte se escoa pela superfície. 
 
Inicialmente a água se infiltra; tão logo a intensidade da chuva exceda a 
capacidade de infiltração do terreno, a água é coletada pelas pequenas 
depressões. Quanto o nível a montante se eleva e superpõe o obstáculo 
(ou o destrói), o fluxo se inicia, seguindo as linhas de maior declive, 
formando sucessivamente as enxurradas, córregos, ribeirões, rios e 
reservatórios de acumulação. 
 
É, possivelmente, das fases básicas do ciclo hidrológico, a de maior 
importância para o engenheiro, pis a maioria dos estudos hidrológicos está 
ligada ao APROVEITAMENTO da água superficial e à PROTEÇÃO ou 
drenagem contra os efeitos causados pelo seu deslocamento. 
 
À água precipitada pode seguir três cainhos básicos para atingir o curso 
d’água: 
1. o escoamento superficial, 
2. o escoamento sub-superficial, 
3. o escoamento subterrâneo (ou esc. de base). 
Hidrógrafa: Denomina-se hidrógrafa ou hidrograma a representação gráfica 
da vazão que passa por uma seção, ou ponto de controle, em função do 
tempo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
83 
FATORES QUE INFLUENCIAM NO ESCOAMENTO; 
a. Fatores climáticos 
 IDF 
 Precipitação antecedente, chuva anterior/solo saturado, favorece o 
escoamento. 
 
b. Fatores fisiográficos 
 Área 
 Forma da bacia 
 Permeabilidade 
 Infiltração 
 Topografia da bacia (a água segue a linha de maior declive) 
c. Obras hidráulicas construídas na bacia 
 Irrigação 
 Drenagem artificial 
 Barragem, o represamento reduz a vazão. 
 Retificação do rio aumenta a velocidade de escoamento. 
 
Grandezas que caracterizam o escoamento superficial; 
a. Vazão em volume 
b. Coeficiente de deflúvio ou coeficiente de runoff – relacionado à taxa 
de permeabilidade do solo. 
c. Tempo de concentração – e o tempo em que toda a bacia passa a 
contribuir para o out put. 
d. Tempo de retorno ou recorrência – período de tempo médio em que 
um evento e igualado ou superado pelo menos uma vez. NBR – 10 
844/89 
 
 
 
 
84 
DETERMINAÇÃO DA VAZÃO HIDROLÓGICA 
 Vazão pelo Método Racional. Expressões matemáticas. 
 Vazão através de medidores, NBR – 10977 e NBR – 10 396 
 
Vazão pelo Método Racional; 
Para bacias hidrográficas com área menor que 3Km2 (A < 3Km2) 
A vazão de projeto é estimada pela seguinte expressão matemática; 
 
Qp = 0,278.c.i.A 
ou 
Qp = C.i.A / 3,6 
Sendo: 
Qp = Vazão de projeto, em m3/s. 
 C = coeficiente de Run off, tabelado e adimensional. 
 i = intensidade de chuva, em mm/h. 
 A = área da bacia, em Km2. 
 
Para bacias com área entre: ( 3Km2 < área < 10Km2) 
A vazão de projeto é determinada pela seguinte expressão; 
 
Qp = (C.i.A / 3,6).ø 
 
Onde, Ø = coeficiente de retorno ou coeficiente de retardo do escoamento, 
é função da declividade da bacia e de sua área. 
Dado por; 
Ø = 1 / (100.A)1/n 
 
Onde: 
n = 4 - para declividade (dec) abaixo de 0,5%. 
n = 5 - entre 0,5% ≤ dec ≤ 1,0%. 
n = 6 - dec > 1,0%. 
 
 
85 
Bacias com áreas maiores que 10 Km2 (A > 10Km2): 
Método de S.C.S ( Soil conservation Service – US), recomenda a expressão 
abaixo, em função do tamanho da bacia, ou seja; 
 
Qp = (0,278 . A . Pe) / Tc 
Onde, 
Pe = precipitação efetiva, parcela da chuva que transforma realmente 
em escoamento superficial; pois, é subtraído o escoamento de 
base ou infiltrado, em mm. 
 
S = (25400 / CN). 254 
A = área em Km2 
Tc = tempo de concentração em horas. 
Pe = (P – 0,2 . S) / (P + 0,8 . S) 
Sendo: 
P = precipitação total 
S = retenção potencial máxima por infiltração, em mm 
 CN = varia de 0 a 100. Tabelado de acordo com a geologia, relevo 
e revestimento do solo drenante. 
 
A seguir, apresenta-se um roteiro básico para determinação da vazão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
86 
ROTEIRO BÁSICO PARA DETERMINAR A VAZÃO HIDROLÓGICA; 
1) Delimitar a bacia 
2) Calcular a área drenante 
3) Definir com visita “in-loco”, através de amostra do solo e 
fotografias, a granulometria do solo, a cobertura, relevo, cor e 
textura. Para uma posterior definição do coeficiente de Run off a 
ser utilizado, através de tabelas apropriadas da Hidrologia. 
4) Calcular o tempo de concentração 
5) Calcular a declividade do talvegue principal, através das curvas de 
nível. 
6) Calcular a precipitação e a intensidade de chuva através de dados 
históricos e/ou através de formulas empíricas. 
7) Determinar a vazão hidrológica. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
87 
 
MÉTODOS PARA DETERMINAR A VAZÃO ATRAVÉS DE MEDIDORES; 
 
a) Através da Velocidade superficial (Vs) da corrente liquida do rio. 
Precisão de 20 a 25% (Vm = Vs x 0,75). 
b) Através de Vertedouro e Canal 
Vertedouro Triangular isósceles 
A descarga (Q) é dada pela fórmula de Thomson, desenvolvida pelo 
Teorema de Bernoulli. 
Em escala métrica, será; 
 
com c variando de: 
C = 0,6 para H  30 cm e C = 0,65 para H  30cm 
E, 
Fazendo, 0,56 x 2,5 = 1,4 
A equação da vazão simplificada ficará; 
 
 
 
 
 
 
88 
Vertedouro Retangular livre 
Cálculo da DESCARGA (Q) pela Fórmula de Francis, em escala métrica será; 
 
Q = m.b.H3/ 
onde, 
m= 2/3.c.(2g) 
 
Q = 1,92.b.H3/2 
Para, c = 0,65
 
89 
 
Imagem do vertedouro triangular isósceles, em funcionamento. 
Fonte: secundária 
 
Através de Canal 
Canal aberto é um conduto no qual o líquido escoa com uma superfície 
livre sujeita à pressão atmosférica. O escoamento é causado pela inclinação 
do canal e da superfície livre do líquido. 
O escoamento Permanente e Uniforme refere-se à condição na qual a 
profundidade, declividade, velocidade e seção transversal permanecem 
constantes para um dado comprimento de canal (Escoamento normal). 
 
Formula de Manning – 5% de erro. Para calculo da velocidade de 
escoamento da água em canais abertos. 
Fórmula de MANNING nas unidades métricas, para cálculo da DESCARGA 
(Q) é, 
 
  em unidades métricas 
 
 
E, a descarga em unidades inglesas; 
 
 
90 
 
 
onde, 
n = fator de rugosidade 
S = inclinação 
R = A/P = raio hidráulico 
P = Perímetro molhado 
A = Área da Seção transversal 
q = vazão unitária 
b = largura do canal 
 
Valores (n) da fórmula de Manning 
No Natureza das paredes N 
1 Vidro liso 0,010 
1 
Reboco de cimento liso e águas não completamente 
limpas 
0,013 
2 De terra sem vegetação 0,016 
3 
Cimento rugoso, musgo nas paredes e traçado 
tortuoso 
0,018 
4 
De terra, com vegetação rasteira no fundo e nos 
taludes. 
0,025 
5 Rios naturais, cobertos de cascalhos e vegetação. 0,035 
Tabela – Valores de (n) na formula de Manning 
Fonte: Manual de Hidráulica - Azevedo Neto Vol. II. 6a ed. 
 
 
 
91 
Molinete – erro de 5% a 10% - Calcular a velocidade da veia 
liquida da seção transversal de um canal aberto. 
 
 
 
Figura da seção transversal de um rio 
Fonte: secundária 
 
92 
Vazão da água através do rio, 
Sendo, 
Velocidade da água, V20% V80% 
L = largura 
P = profundidade 
 
Expressão matemática da descarga (vazão): 
 
 
 
 
Quando a colocação de vertedouros se torna difíceis, utilizam a medida da 
velocidade da corrente ao longo da profundidade de cada vertical. Esses 
são aparelhos que dispõem de hélices em torno de um eixo horizontal, as 
quais, quando colocadas contra a direção do escoamento, giram e 
 
93 
fornecem o numero de rotações n em um determinado intervalo de tempo. 
A velocidade puntual e dada por 
v = a.n + b, onde a e b são coeficientes de calibração, específicos de cada 
molinete, determinados em laboratório de hidráulica. A medição pode ser 
feita a vau, a barco, a balsa, com carro aéreo ou sobre pontes.O molinete 
permite a medição da velocidade em qualquer ponto da vertical. E usual 
medir-se as velocidades a 20 e a 80% da profundidade. Nesse caso, a 
velocidade media na vertical e tomada como a media aritmética de V0, 2 e 
V0,8. Quando a profundidade e pequena, a velocidade media e tomada igual 
à velocidade puntual V0,6. 
A descarga total, na seção transversal do rio, será a soma de todas as 
descargas setoriais de cada vertical. 
Podemos destacar ainda os seguintes medidores; 
 
 
94 
APLICAÇÕES NA ENGENHARIA 
 
 
1. DRENAGEM SUPERFICIAL – SARJETAS 
Fonte: TUCCI (2001) – Hidrologia 
 
Tem por finalidade dimensionar e detalhar os dispositivos hidráulicos 
capazes de captar e conduzir as águas superficiais e subterrâneas que 
chegam a rodovia, preservando a estrutura da via e dando-lhe destino 
seguro sem erosão, possibilitando assim a operação da via durante as 
precipitações. 
O solo e o concreto desprotegidos resistem a pequenas velocidades; para 
evitar a erosão dos mesmos admite-se as seguintes velocidades máximas: 
• Areia fina  0,4 m/s 
• Argila  1,1 m/s 
• Concreto  4,5 a 5,0 m/s 
A Drenagem superficial se compõe de: Valeta de pé de talude, de aterro, 
sarjeta, Bueiro, Boca de Lobo, Descida de água, etc. 
 
 
Sarjeta de estradas em forma de canal retangular; 
Seja dado um perfil longitudinal e a seção transversal de uma rodovia. 
Determinar o comprimento crítico de uma sarjeta cuja largura máxima de 
drenagem é 1,0 m. A chuva máxima é i = 110 mm/h. Com a inclinação do 
perfil em 0,03 m/m (ou 3 %). 
 
Dimensionamento dos dispositivos de drenagem; 
O estudo hidrológico tem por objetivo o cálculo da vazão (Q) de enchente 
das bacias hidrográficas, para então fazer o dimensionamento hidráulico da 
drenagem. 
 
 
 
 
95 
Sarjeta de concreto: 
São dispositivos destinados a coletar águas superficiais provenientes dos 
taludes e pistas de rolamento, conduzindo-a para fora do corpo da estrada. 
O dimensionamento das sarjetas está relacionado com a determinação de 
seu comprimento crítico, que é definido como o comprimento máximo de 
sua utilização, para que não haja trasbordamento e nem início de erosão. 
A seção mais usual é triangular, porém para corte muito extenso projeta-se 
canal retangular. Evitar sarjetas profundas a qual representa perigo para o 
tráfego, onde acontecem freqüentes acidentes com veículos. 
 
Roteiro para determinação de comprimento crítico de sarjeta; 
Se fizermos a igualdade da vazão da bacia de contribuição e a vazão do 
condutor, determinamos o comprimento máximo que a sarjeta transporta a 
água sem acontecer o trasbordamento. 
 
Q(bacia) = Q(sarjeta) 
 
Da Hidrologia a Vazão da Bacia (de Enchente) é dada pelo método 
Racional, ou seja; 
 
 
onde, 
Q = vazão em m3/s 
C = coeficiente de Run off, tabelado em função da superfície escoante. 
 I = Intensidade de precipitação em mm/h 
A = Área de drenagem em Km2. No caso de sarjetas é o comprimento 
(L) da sarjeta vezes a largura de contribuição. A = L x l (Onde, L = 
comprimento crítico da sarjeta em m e l = largura de contribuição 
em m). De Fenômenos de Transporte a Vazão da Sarjeta é dada 
pela equação da continuidade, ou seja; 
 
96 
 
 
 
onde, 
Q = vazão da sarjeta em m3/s, A = Área da seção transversal da sarjeta 
em m2 
V = velocidade média de escoamento em m/s, dada pela fórmula de 
Manning. 
 
 
 
onde, 
V = velocidade em m/s, R = Raio hidráulico = A/P, A = Área da seção 
em m2. 
P = Perímetro molhado em m, S = inclinação em m/m. 
n = fator de rugosidade de Manning, tabelado em função do material de 
revestimento do canal. Para o concreto acabado com 
desempenadeira, n = 0,015. 
Para o comprimento crítico, tem-se; 
Substituindo a equação 04 na equação 03 e igualando a equação 2 com a 
equação 3, teremos; 
 
 
 
97 
 
2. DRENAGEM URBANA: DIMENSIONAMENTO DE BOCA DE 
LOBO 
Fonte: TUCCI (2001) – Hidrologia 
 
Bocas-de-lobo ou coletoras em Drenagem Urbana possui a capacidade de 
engolimento semelhante a um vertedor retangular afogado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 b (soleira) 
 
 
Sentido do fluxo de água na rua 
Figura - boca de lobo simples 
Boca 
de 
Lobo 
 
98 
Boca-de-Lobo tipo Vertedouro; 
 
As vazões do vertedouro retangulares afogados para simular o poder de 
engolimento da boca de lobo são dadas pela seguinte fórmula; 
 
 
 
Onde, 
M = coeficiente que depende de muitas variáveis, tais como tensão 
superficial, viscosidade, massa específica, distribuição da 
velocidade, escoamentos secundários, etc. Em drenagem urbana 
recebe o valor de 1,7. 
B = comprimento da soleira, em metros. 
H = altura da água próxima à abertura da guia, em metros.VELOCIDADE DA ÁGUA ATRAVÉS UMA SEÇÃO TRANSVERSAL DO RIO 
Calculada através da fórmula de Manning e com dados "in loco”. 
 
 
 
 
 VM L = Comprimento típico 
 
Figura - seção longitudinal típica de um rio – determinação da 
velocidade “in loco” 
Fonte: secundaria 
 
99 
 
 
Metodologia aplicada; 
 Num trecho retilíneo do rio marca-se dois pontos com 
espaçamento L entre eles 
 Com as cotas de um e do outro ponto e o espaçamento entre 
eles, determina-se à declividade em metro/metro. 
 Anota-se qual o tipo de material que reveste a superfície do 
perímetro molhado do rio, ou seja, se é grama, solo, concreto, 
etc. 
 Verifica-se, em tabelas especializadas, o fator de rugosidade de 
Manning (n) 
 E, assim, calcula-se a velocidade média da água do rio usando 
a fórmula de Manning. 
 
Formula aplicada; 
Fórmula de MANNING nas unidades métricas, para cálculo da DESCARGA 
(Q) é, 
 
  em unidades métricas 
 
ou, 
para a velocidade média na seção do rio  Q/A = Vm = (1/n). R
2/3.S1/2 
 
 
100 
  em unidades inglesas 
 
Onde, 
n = fator de rugosidade 
S = inclinação 
R = A/P = raio hidráulico 
P = Perímetro molhado 
A = Área da Seção transversal 
q = vazão unitária 
b = largura do canal 
 
101 
 
4. DIMENSIONAMENTO DE DRENOS 
 
QHIDRO = QHIDRA 
 
0,278.C.I.A = k.i.A 
 
Onde, 
C = coeficiente de run-off 
I = intensidade de chuva 
A = e.h 
i = e/L 
k = condutividade hidráulica do material drenante, brita , etc. 
e = largura do dreno 
L = comprimento do dreno 
h = altura do dreno 
Calculo da largura do dreno, e: 
 
e2 = Q.L/k.h 
 
 
Referencia Bibliográfica 
1. Hidrologia – LUCAS NOGUEIRA GARCEZ e GUILLERMO ACOSTA 
ALVAREZ. 
2. Hidrologia – Ciência e Aplicação – TUCCI 
3. Problemas de Mecânica dos Fluidos - GILLS. Col. Schaum 
4. Manual de Hidráulica - AZEVEDO NETO 
5. NBR – 7196 – Projeto e execução de telhado com telhas de 
fibrocimento. 
6. NBR – 10 844/89 – Instalações prediais de águas pluviais 
7. Site: www.ana.gov.br 
8. Fenômenos de Transporte. Milton César Toledo de Sá. 
 
 
102 
ANEXO 01 
MANUAL PARA ELABORAÇÃO DE ESTUDOS HIDROLÓGICOS 
OBJETIVO 
 O presente texto tem por objetivo estabelecer metodologia, procedimentos 
e forma de apresentação de estudos hidrológicos, de modo a fornecer 
subsídios para a determinação das vazões de dimensionamento das 
estruturas hidráulicas. 
 
COLETA DE DADOS 
Dados Básicos 
Deverão ser coletados elementos que permitam a caracterização 
fisiográfica das bacias contribuintes, como plantas topográficas, 
levantamentos aerofotogramétricos, cartas geográficas e outras cartas ou 
mapas disponíveis. 
O estudo deverá apresentar a relação de plantas, cartas e mapas 
utilizados, com indicação das suas características, como tipo, escala, data e 
entidade executante. 
 
Dados Hidrológicos 
Deverão ser coletados estudos existentes e dados disponíveis em órgãos 
oficiais que permitam a caracterização climática, pluviométrica, 
fluviométrica, meteorológica e geomorfológica da região de interesse do 
projeto. 
Serão coletados os dados para elaboração dos fluviogramas das alturas 
d’água nos postos localizados na área em estudo, contendo a localização, 
período e tipo de observação, tipo de aparelho, entidade operadora e 
outras informações pertinentes. 
O estudo deverá apresentar mapa ou planta em escala adequada, 
destacando a rede hidrográfica abrangida pelo projeto, contendo o traçado 
da rodovia, cidades, rios, estradas e ferrovias existentes. 
Serão catalogadas as principais obras hidráulicas existentes ou projetadas 
que possam influir nos estudos hidrológicos, como barragens a montante e 
jusante da rodovia, canalizações e dragagens. 
 
 
103 
ESTUDOS HIDROLÓGICOS E CLIMATOLÓGICOS 
 
Caracterização Física da Área 
O estudo deverá apresentar as principais características da área em estudo, 
como localização, tipo de relevo, ocupação e cobertura do solo e principais 
travessias sobre cursos d’água. 
 
Caracterização do Regime Climático Regional 
O Regime Climático Regional será caracterizado pelos seguintes 
parâmetros, obtidos a partir dos postos pesquisados: 
a) Temperatura máxima; 
b) Temperatura mínima; 
c) Evaporação; 
d) Insolação; 
e) Umidade relativa do ar; 
f) Distribuição do número médio de dias chuvosos por mês com 
precipitações superiores a 5 mm diários. 
 
Estudo das Chuvas Intensas 
O estudo de chuvas intensas tem por finalidade estabelecer as equações 
intensidade – duração – freqüência. 
 As equações existentes de regiões próximas ao traçado da rodovia 
poderão analisadas e incorporadas ao estudo, desde que representem o 
regime de chuvas intensas do local da obra em estudo. 
Deverão ser apresentados os seguintes elementos: 
a) Equações de intensidade - duração – freqüência indicando a fonte, 
localização do posto e período de coleta dos dados; 
b) Gráficos comparativos relacionando a intensidade pluviométrica e a 
duração da chuva para períodos de recorrência de 10, 25, 50 e 100 
anos. 
 
104 
A publicação “Equações de Chuvas intensas do Estado de São Paulo” 
(DAEE/USP), de Magni e Martinez (1999), apresenta as equações de 
chuvas intensas para as diversas regiões do Estado. 
Caracterização do Regime Fluvial 
O estudo deverá apresentar a listagem dos postos fluviométricos da região 
de interesse para o projeto e, sob a forma de histogramas, os seguintes 
elementos da série histórica de vazões: 
a) Vazões médias mensais; 
b) Máximas vazões médias diárias; 
c) Mínimas vazões médias diárias. 
No caso de não se dispor de régua linimétrica, deverá apresentar tabela 
contendo as cotas das máximas cheias observadas na região e o período 
de ocorrência. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
105 
ANEXO 02 – Tabela para o coeficiente de run off 
Comumente ele é chamado de coeficiente de Run-off. E, representara o 
percentual de água que ira infiltrar através do solo, portanto, é função do 
tipo de cobertura do solo, 
C = Vol.E / Vol.T 
Onde, 
Vol.E = Volume efetivo (ou precipitação efetiva), o que restara, 
Vol.T = Volume total (ou precipitação total), o que precipitou. 
 C = coeficiente de run-off. C< 1 - sempre menor do que a unidade, por 
não existir solo com cobertura sem perda de água 
Tabelas para coeficiente run-off ou coeficiente de deflúvio 
As tabelas atendem as seguintes obras de Engenharia: 
a) Engenharia Rodoviária 
b) Obras Urbanas 
c) E, obras com bacias maiores de 10 Km2 
 
a) Engenharia Rodoviária – com bacias ate 10 Km2 – valores 
para “C” 
Tipo de solo e cobertura 
vegetal 
 
Dec ≤ 
5% 
5% ≤ 
Dec. ≤ 
10% 
10% ≤ 
Dec. ≤ 
20% 
Dec. ≤ 
20% 
Rocha de baixa permeabili-
dade 
Veg. rala 0,70 0,75 0,80 0,85 
Idem 
Veg. 
densa 
0,65 0,70 0,75 0,85 
Rocha de média 
permeabili-dade 
Veg. rala 0,60 0,65 0,70 0,75 
Idem 
Veg. 
Densa 
0,55 0,60 0,65 0,70 
Solo de baixa 
permeabilida-de – argiloso 
Veg. Rala 0,50 0,55 0,60 0,65 
 
106 
Idem 
Veg. 
Densa 
0,45 0,50 0,55 0,60 
Idem Florestas 0,40 0,45 0,50 0,55 
Solo de média 
permeabilida-de – argila-
arenoso 
Veg. Rala 0,35 0,40 0,45 0,50 
Idem 
Veg. 
Densa 
0,30 0,35 0,40 0,45 
Idem Florestas 0,25 0,30 0,35 0,40 
Alta permeabilidade – solo 
arenoso 
Veg. Rala 0,20 0,25 0,30 0,35 
Idem 
Veg. 
Densa 
0,15 0,20 0,25 0,30 
Idem Florestas 0,10 0,15 0,20 0,25 
 
107 
b) Engenharia de obras urbana – valores para “C” 
Características da área Mínimo Máximo 
Pátios e estacionamentos0,90 0,95 
Áreas cobertas 0,75 0,95 
Vias concretadas 0,80 0,95 
Vias asfaltadas 0,70 0,95 
Passeios 0,75 0,85 
Vias em calcadas poliédricas 0,70 0,85 
Centros industriais e pesados 0,60 0,90 
Centros industriais leves 0,50 0,80 
Áreas urbanas centrais 0,70 0,95 
Áreas urbanas periféricas 0,50 0,70 
Conjuntos habitacionais densos 0,60 0,75 
Conjuntos prediais 0,50 0,70 
Conjuntos residenciais 0,40 0,60 
Residenciais uni-familiares 0,35 0,50 
Lotes urbanos grandes 0,30 0,45 
Play grounds 0,20 0,35 
Áreas periféricas não urbanizadas 0,10 0,30 
Parques e cemitérios 0,10 0,25 
Terreno rochoso montanhoso 0,50 0,85 
Terreno rochoso plano ou ondulado 0,35 0,65 
Relvado argiloso ondulado e 
montanhoso 
0,25 0,35 
Relvado argiloso suavemente ondulado 0,18 0,22 
Relvado argiloso plano 0,13 0,17 
Relvado arenoso ondulado e 
montanhoso 
0,15 0,20 
Relvado arenoso suavemente ondulado 0,10 0,15 
Relvado arenoso plano 0,05 0,10 
 
108 
Florestas e matas caducifólias 0,30 0,60 
Florestas e matas coníferas 0,25 0,50 
Campos, prados e cerrados 0,35 0,65 
Pomares e chácaras 0,15 0,40 
Encostas com culturas permanentes 0,15 0,40 
Vales com culturas permanentes 0,10 0,30 
 
c) Bacias com áreas maiores de 10 Km2 – Valores para “CN” 
SCC – Soil Conservece Service Norte Americana 
Utilização da 
terra 
Condições da 
superfície 
Solo 
A 
Solo 
B 
Solo 
C 
Solo 
D 
Plantações 
regulares 
Em curva de níveis 67 77 83 87 
Horticultura Em curva de níveis 60 72 81 84 
Pastagens Rala em curva de níveis 47 67 81 88 
Idem 
Normais em curva de 
níveis 
25 59 75 83 
Campos 
permanentes 
Normais 36 60 73 79 
Idem Denso 25 55 70 77 
Florestas Normais 36 60 70 76 
Idem Densa 26 52 62 69 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
109 
ANEXO 03 – Portaria 10 do IGAM 
 
Portaria IGAM nº 010, de 30 de dezembro de 1998. 
 
Altera a redação da Portaria nº 030/93, de 07 de junho de 1993. 
 
(Publicação - Diário do Executivo - "Minas Gerais" -23/01/1999) 
 
 O Diretor Geral do Instituto Mineiro de Gestão das Águas - IGAM, 
no uso das atribuições conferidas pela Lei Estadual nº 12.584, de 17 de 
julho de 1997 e pelo seu regulamento, Decreto nº 40.055 de 17 de 
novembro de 1998, observando dispositivos do Decreto nº 24.643 de 10 
julho de 1934, que editou o Código de Águas, da Lei Federal nº 9.433 de 
08 de janeiro de 1997 e das Constituições da República Federativa do Brasil 
e do Estado de MG, 
 
 considerando: 
 
 1.A necessidade de ordenação dos procedimentos aplicáveis aos 
processos de outorga de uso da água em coleções hídricas sob domínio 
estadual; 
 
 2.A conveniência de homogeneizar as técnicas de apresentação e 
análise dos processos que instruem os requerimentos de outorga; 
 
 3.A importância crescente de que os processos de outorga de usos 
múltiplos sejam precedidos de adequado exame de compatibilidade com as 
disponibilidades hídricas correntes e com as políticas de gestão definidas 
para o setor; 
 
 4.A necessidade de regularização legal dos usos já praticados sem o 
competente instrumento de outorga e, finalmente, 
 
 5.A conveniência de englobar, na mesma regulamentação 
administrativa, os procedimentos aplicáveis à utilização das ocorrências 
hídricas, tanto superficiais quanto subterrâneas, 
 
 RESOLVE: 
 
 Art. 1º - A Portaria nº 030/93, de 07 de julho de 1993, que 
 
110 
regulamenta o processo de outorga de direito de uso de águas de domínio 
do Estado, passa a vigorar com a seguinte redação: 
 
"Art. 1º - Classificar as outorgas a serem concedidas pelo IGAM, 
conforme as modalidades de outorgas, descritas no Anexo I. 
 
Parágrafo Único - Para os casos de usos insignificantes, após o 
cadastro obrigatório, será fornecido pelo IGAM a Certidão de Registro de 
Uso da Água. 
 
Art. 2º - Classificar, conforme Anexo II, as modalidades dos usos ou 
das obras sujeitas a outorga de direito de uso relacionadas aos recursos 
hídricos de domínio do Estado, que devam ser objeto de outorga pelo 
IGAM. 
. 
Art. 3º - Classificar, conforme Anexo III, as destinações da obras, 
serviços e atividades concedidos, autorizados ou permitidos pelo IGAM. 
 
Art. 4º - Determinar que o Requerimento de outorga, para 
quaisquer das atividades caracterizadas no Anexo II, obedeça aos modelos 
de Formulários Técnicos, fornecidos pelo IGAM, respectivamente para as 
águas superficiais e águas subterrâneas, em conformidade com a forma 
legal aplicável a cada caso. 
 
Art. 5º - Determinar que o protocolo de cada Requerimento de 
outorga deve ser precedido do recolhimento, por parte do interessado, ao 
IGAM, dos emolumentos correspondentes aos custos operacionais dos 
processos de outorga de direito de uso de águas do domínio do Estado, a 
ser fixado através de Portaria específica. 
 
Art. 6º - Determinar à Diretoria de Controle das Águas do IGAM, 
que proponha, em ato próprio, modelo de Relatório Técnico, a ser anexado 
pelo interessado em cada Requerimento e Formulário Técnico, de forma a 
possibilitar a caracterização do objeto da outorga e a correta identificação 
das destinações correspondentes à classificação constante do Anexo III. 
 
Art. 7º - Determinar à Diretoria de Controle das Águas, que adote 
critérios aprovados pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos quanto à 
isenção da obrigatoriedade de outorga de direito de uso para acumulações, 
derivações, captações e lançamentos considerados de pouca expressão ou 
insignificantes. 
 
111 
 
§ 1º - Serão considerados de pouca expressão ou insignificantes os 
usos assim definidos pelos Comitês de Bacia Hidrográfica e aprovados pelo 
Conselho Estadual de Recursos Hídricos, tendo em vista a especificidade de 
cada região, quer para mananciais superficiais, quer para aqüíferos 
subterrâneos; 
 
§ 2º - Na ausência dos Comitês de Bacia Hidrográfica, a 
classificação dos usos com vazões de pouca expressão ou insignificantes 
serão definidos pelo IGAM; 
 
§ 3º - Será obrigatório, entretanto, o cadastramento destes usos 
considerados de pouca expressão ou insignificantes, para assegurar o 
controle quantitativo e qualitativo dos usos da água e o efetivo exercício 
dos direitos de acesso à água. 
 
Art. 8º - Determinar à Diretoria de Controle das Águas, que 
proponha as vazões de referência a serem utilizadas, para cálculo das 
disponibilidades hídricas em cada local de interesse, de acordo com o Plano 
Estadual de Recursos Hídricos e com os Planos Diretores de Recursos 
Hídricos de cada Bacia Hidrográfica. 
 
§ 1º - Até que se estabeleçam as diversas vazões de referência na 
Bacia Hidrográfica, será adotada a Q 7,10 (vazão mínima de sete dias de 
duração e dez anos de recorrência), para cada Bacia. 
 
§ 2º - Fixar em 30% (trinta por cento) da Q 7,l0, o limite máximo 
de derivações consuntivas a serem outorgadas na porção da bacia 
hidrográfica limitada por cada seção considerada, em condições naturais, 
ficando garantido a jusante de cada derivação, fluxos residuais mínimos 
equivalentes a 70% (setenta por cento) da Q 7,l0. 
 
§ 3º - Quando o curso de água for regularizado pelo interessado, o 
limite de outorga poderá ser superior a 30% (trinta por cento) da Q 7,l0, 
aproveitando o potencial de regularização, desde que seja garantido um 
fluxo residual mínimo à jusante, equivalente a 50% (cinqüenta por cento) 
da vazão média de longo termo. 
 
I - Em caso de estrutura de regularização passível de licenciamento 
ambiental, deverá ser obrigatoriamente, incluído na solicitação de outorga, 
o seguinte: 
 
112 
 
a)Valores de fluxo a serem liberados à jusante do barramento, 
assim como a definição da estrutura hidráulicade extravasamento capaz de 
garantir a manutenção do fluxo residual mínimo; 
 
 b)Valores acumulados para destinação de outros usos múltiplos no 
reservatório, além daqueles solicitados. 
 
 Art. 9º - Autorizar à Diretoria de Controle das Águas, que adote 
percentuais para fluxos residuais inferiores a 70% (setenta por cento), nos 
casos em que couberem as condições de excepcionalidade para outorgas, 
em situações de interesse público e que não produzirem prejuízos a direitos 
de terceiros. 
 
 Art. 10 - Determinar à Diretoria de Controle das Águas que 
considere também como derivação consuntiva, as vazões dos cursos de 
água, que receberem lançamento de efluentes, estando estas vazões 
comprometidas com a diluição destas cargas de poluentes, distinguindo-se, 
todavia, em classes de poluentes "conservativos" e "não conservativos". 
 
 § 1º - A outorga para lançamento de efluentes ficará condicionada 
ao estabelecido na legislação específica; 
 
 § 2º - Para distinção dos poluentes, serão considerados os 
enquadramentos em classe de uso preponderante dos corpos de água e os 
padrões de lançamento determinados pela legislação ambiental pertinente. 
 
 Art. 11 - Determinar à Diretoria de Controle das Águas que adote 
limitações restritivas e critérios para as outorgas de usos não-consuntivos e 
usos locais das águas de domínio do Estado, consoante disposições 
contidas na legislação específica. 
 
 Art. 12 - Determinar que toda outorga sempre que tecnicamente 
indicada e a critério do IGAM, somente seja concedida, em princípio, se o 
usuário implantar e operar, às suas expensas, equipamentos de 
monitoração de acordo com recomendações da Diretoria Controle das 
Águas do IGAM. 
 
 Parágrafo único - O instrumento de outorga poderá, ainda, exigir do 
outorgado o cumprimento de outras condicionantes indicadas pelo IGAM, 
 
113 
sob pena de suspensão da referida outorga, nos termos do art. 20, inciso I, 
da Lei nº 13.199, de 29 de janeiro de 1999.1[1] 
 
 Art. 13. A outorga de direito de uso de recursos hídricos do Estado 
terá os seguintes prazos máximos: 2[2] 
 
 I- 35 (trinta e cinco) anos, para as Concessões; 
 
 II- 5 (cinco) anos, para as Autorizações; 
 
 III- 3 (três) anos, para as Permissões. 
 
 § 1º A outorga tornar-se-á sem efeito na hipótese do outorgado 
deixar de exercer o direito dela decorrente no prazo de 1 (um) ano, 
contado da data de sua publicação no Órgão Oficial “Minas Gerais” ou do 
término das obras a que se refere o parágrafo seguinte, quando for o caso. 
 
 § 2º Ressalvadas as hipóteses em que, mediante parecer técnico da 
Divisão de Outorgas, devidamente aprovado pelo Diretor de Controle das 
Águas do IGAM, restar comprovada a necessidade de estipulação de prazos 
superiores aos fixados neste parágrafo, ficam estabelecidos os seguintes 
prazos máximos para a execução das obras ordenadas, contados da data 
da publicação da outorga no Órgão Oficial “Minas Gerais”, sob pena de 
perda da eficácia desta: 
 
 I- 30 (trinta) meses, para as Concessões; 
 
 II- 12 (doze) meses, para as Autorizações; 
 
 III- 6 (seis) meses, para as Permissões. 
 
 
1[1]
 A Portaria IGAM nº 06, de 25 de maio de 2000 incluiu o parágrafo único no 
artigo 12 desta Portaria. 
2[2]
 A Portaria IGAM nº 06, de 25 de maio de 2000 deu nova redação ao artigo 
13 desta Portaria, que tinha a seguinte redação original: “Art. 13 - Fixar os prazos 
de validade das outorgas para uso das águas de domínio do Estado, sendo 20 
(vinte) anos para as Concessões, 05 (cinco) anos para as Autorizações e 03 (três) 
anos para as Permissões, tornando-os sem efeito se o usuário deixar de executar 
o seu direito até um ano após a data do título autorizativo e fixar, igualmente, em 
24 (vinte e quatro) meses, 12 (doze) meses e 06 (seis) meses, respectivamente, 
os prazos para a execução das obras ordenadas, salvo casos especiais assim 
classificados pelo IGAM por ocasião do processamento da outorga” 
 
114 
 Art. 14 - Determinar à Diretoria de Controle das Águas do IGAM, 
que organize e mantenha atualizado um cadastro técnico, que possibilite 
acesso aos interessados, contendo as informações disponíveis sobre 
estudos hidrológicos, hidrogeológicos, intervenções em corpos de água 
superficiais ou em aqüíferos subterrâneos, bem como das captações e 
explotações outorgados pelo IGAM." 
 
 Art. 2º - Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. 
 
 Art. 3º - Revogam-se as disposições em contrário. 
 
 Belo Horizonte, 30 de dezembro de 1998. 
 
Sebastião Virgílio de Almeida Figueirêdo 
 
 
 
 
 
 
 
 
115 
Anexo IV 
Modalidade de Outorga 
 
1.CONCESSÃO - Quando obras, serviços ou atividades forem 
desenvolvidas por pessoa jurídica de direito público ou quando se 
destinarem a finalidade de utilidade pública. 
 
2.AUTORIZAÇÃO - Quando obras, serviços ou atividades forem 
desenvolvidas por pessoa física ou jurídica de direito privado e quando não 
se destinarem a finalidade de utilidade pública. 
 
3.PERMISSÃO - Quando obras, serviços ou atividades forem 
desenvolvidas por pessoa física ou jurídica de direito privado, sem 
destinação de utilidade pública e quando produzirem efeitos insignificantes 
nas coleções hídricas. 
 
 
 
Anexo V 
Modalidade do Uso ou das Obras Sujeitos a Outorga 
 
1.Captação ou derivação de água em um corpo de água 
2.Explotação de água subterrânea 
3.Perfuração de poços tubulares 
4.Construção de barramentos ou açudes 
5.Construção de diques ou desvios em corpos de água 
6.Construção de estruturas de lançamento de efluentes em corpos 
de água 
7.Construção de estruturas de recreação às margens 
8.Construção de estruturas de transposição de níveis 
9.Construção de travessias rodo-ferroviárias 
10.Dragagem, desassoreamento e limpeza de corpos de água 
11.Garantia de tirantes mínimos para navegação hidroviária 
12.Lançamento de efluentes em corpos de água 
13.Retificação, canalização ou obras de drenagem 
14.Transposição de bacias 
15.Levantamentos, pesquisas e monitoramento 
16.Outras modificações do curso, leito ou margens dos corpos de 
água
 
116 
Anexo VI Destinações das obras, serviços e atividades concedidos, 
autorizados; 
1.Energia 
1.1- Hidrogeração 
1.2- Refrigeração 
1.3- Outras 
2.Saneamento 
2.1- Captação para consumo humano, industrial, agroindustrial ou 
agropastoril 
2.2- Intercepção, depuração e lançamento de esgotos domésticos 
2.3- Drenagem pluvial 
2.4- Veiculação e depuração de efluentes industriais 
2.5- Veiculação e depuração de rejeitos agroindustriais 
2.6- Veiculação e depuração de rejeitos agropastoris 
2.7- Outras 
3.Agropecuária e Silvicultura 
3.1- Irrigação de culturas e pastagens 
3.2- Dessedentação de animais 
3.3- Produção de pescado e biótipos aquáticos 
3.4- Drenagem e recuperação de áreas agricultáveis 
3.5- Outras 
4.Transporte 
4.1- Garantia de tirantes mínimos para navegação hidroviária 
4.2- Extensão e interconexão hidroviária 
4.3- Transposição de níveis 
4.4- Melhoria de calhas navegáveis 
4.5- Travessia rodo-ferroviárias 
4.6- Outras 
5.Proteção de Bens e Populações 
5.1- Controle de cheias e atenuação de inundações 
5.2- Controle de sedimentos 
5.3- Controle de rejeitos de minerações 
5.4- Controle de salinização 
5.5- Outras 
6.Controle Ambiental e Qualidade de Vida 
6.1- Recreação e paisagismo 
6.2- Controle de pragas e insetos 
6.3- Preservação da vida selvagem e da biota natural 
6.4- Recuperação, proteção e controle de aquíferos 
6.5- Compensação de impactos ambientais negativos 
6.6- Outras 
 
117 
7.Racionalização e Manejo de Recursos Hídricos 
7.1- Transposição de bacia 
7.1- Recargade aqüíferos 
7.2- Perenização de cursos dágua 
7.3- Drenagem e rebaixamento do nìvel dágua em obras civis e 
minerações 
7.4- Outros 
8.Utilização Militar ou de Segurança 
8.1- Proteção de objetivos estratégicos 
8.2- Instalações militares ou de segurança 
8.3- Instalações para uso em trânsito 
9.Destinações Especiais 
9.1- Controle alfandegário e de fronteiras 
9.2- Disposição final de substâncias especiais 
9.3- Experimento científico ou tecnológico 
 
 
ANEXO VII – DELIBERAÇAO NORMATIVA CERH 09. 
 
Deliberação Normativa CERH - MG nº 09, de 16 de junho de 2004. 
 
Define os usos insignificantes para 
as circunscrições hidrográficas no 
Estado de Minas Gerais. 
(Publicação - Diário do Executivo - "Minas Gerais" - 03/07/2004) 
 
O Conselho Estadual de Recursos Hídricos – CERH-MG, no uso de 
suas atribuições legais, e tendo em vista o disposto no inciso VI, art. 41 da 
Lei nº 13.199, de 29 de janeiro de 1999, bem como no § 1º, do art. 19, da 
Lei nº 13.771, de 11 de dezembro de 2000, e 3[1] 
 
Considerando a necessidade de se definir, para as Unidades de 
Planejamento e Gestão de Recursos Hídricos – UPGRH ou circunscrições 
hidrográficas do Estado de Minas Gerais, as acumulações, derivações e as 
captações consideradas insignificantes como parte essencial para aplicação 
 
3[1]
 A Lei Estadual n.º 13.199, de 29 de janeiro de 1999 (Publicação - Diário do Executivo - 
"Minas Gerais" - 30/01/1999) que Dispõe sobre a Política Estadual de Recursos Hídricos, 
;MG - Art. 41 - Ao CERH-MG, na condição de órgão deliberativo e normativo central do 
SEGRH-MG, compete: VI - estabelecer os critérios e as normas gerais para a outorga dos 
direitos de uso de recursos hídricos; 
 
 
118 
dos critérios gerais de outorga, até que os comitês de bacia hidrográfica 
assim o façam, 
 
DELIBERA: 
 
Art. 1º As captações e derivações de águas superficiais menores 
ou iguais a 1 litro/segundo serão consideradas como usos insignificantes 
para as Unidades de Planejamento e Gestão ou Circunscrições 
Hidrográficas do Estado de Minas Gerais. 
 
§ 1º Para as UPGRH – SF6, SF7, SF8, SF9, SF10, JQ1, JQ2, JQ3, 
PA1, MU1, Rio Jucuruçu e Rio Itanhém, serão consideradas como usos 
insignificantes a vazão máxima de 0,5 litro/segundo para as captações e 
derivações de águas superficiais. 
 
Art 2º As acumulações superficiais com volume máximo de 5.000 
m3 serão consideradas como usos insignificantes para as Unidades de 
Planejamento e Gestão ou Circunscrições Hidrográficas do Estado de Minas 
Gerais. 
 
§ 1º Para as UPGRH – SF6, SF7, SF8, SF9, SF10, JQ1, JQ2, JQ3, 
PA1, MU1, Rio Jucuruçu e Rio Itanhém, o volume máximo a ser 
considerado como uso insignificante para as acumulações superficiais será 
de 3.000 m3. 
 
Art. 3º As captações subterrâneas, tais como, poços manuais, 
surgências e cisternas, com volume menor ou igual a 10 m3/dia, serão 
consideradas como usos insignificantes para todas as Unidades de 
Planejamento e Gestão ou Circunscrições Hidrográficas do Estado de Minas 
Gerais. 
 
§ 1º Estão excluídos do critério do caput a captação através de 
poços tubulares, dos quais serão exigidos o instrumento da outorga. 
 
Art. 4º As vazões insignificantes definidas nesta Deliberação não 
são aplicáveis nos casos definidos na Deliberação Normativa CERH nº 07, 
de 04 de novembro de 2002.4[2] 
 
4[2] A Deliberação Normativa CERH nº 07, de 04 de novembro de 2002 
(Publicação - Diário do Executivo "Minas Gerais" - 05/11/2002) Estabelece a 
classificação dos empreendimentos quanto ao porte e potencial poluidor, 
 
119 
 
Art. 5º As definições de usos insignificantes quando determinadas 
pelos comitês de bacia hidrográfica, de acordo com os artigos 36 e 37 do 
Decreto n.º 41.578, de 08 de março de 2001, suspendem a definição dada 
nos artigos anteriores, valendo os valores definidos pelos comitês, em suas 
respectivas áreas de atuação.5[3] 
 
Art. 6º O Instituto Mineiro de Gestão das Águas –IGAM deverá 
efetuar novos estudos para eventuais revisões que se fizerem necessárias 
aos valores fixados nesta Deliberação, bem como para o cumprimento do 
disposto nos artigos 36 e 37 do Decreto n.º 41.758/2001. 
 
§1º A proposta do IGAM deverá ser apresentada ao comitê de 
bacia hidrográfica da respectiva Unidade de Planejamento e Gestão ou 
Circunscrição Hidrográfica para análise, aprovação e encaminhamento ao 
CERH. 
 
Art. 7º Esta Deliberação Normativa entra em vigor na data de sua 
publicação. 
 
Belo Horizonte, 16 de junho de 2004 
 
 
José Carlos Carvalho 
Secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento 
Sustentável 
Presidente do Conselho Estadual de Recursos Hídricos - 
CERH 
 
 
tendo em vista a legislação de recursos hídricos do Estado de Minas Gerais, 
e dá outras providências. 
 
5[3]
 O Decreto Estadual nº 41.578, de 08 de Março de 2001 (Publicação - Diário do 
Executivo - "Minas Gerais" - 09/03/2001) que regulamenta a Lei nº13.199, de 29 de 
janeiro de 1999 ,e dispõe sobre a Política Estadual de Recursos Hídricos;dispõe nos 
respectivos. Dispõe ;Art. 36 - A dispensa de outorga de uso para as acumulações, 
derivações ou captações e os lançamentos considerados insignificantes e para satisfação das 
necessidades de pequenos núcleos populacionais, respeitará os critérios e demais 
parâmetros normativos fixados pelos comitês de bacia hidrográfica, compatibilizados com 
as definições com as definições de vazão remanescente e vazão de referência definidas nos 
respectivos Planos 
 
120 
Diretores.Parágrafo único - Os usos e lançamentos a que se refere este 
artigo deverão ser informados ao IGAM para fins de cadastro e atualização 
do Sistema Estadual de Recursos Hídricos. Art.37-O estabelecimento dos 
critérios e parâmetros normativos pelos comitês de bacia hidrográfica será 
precedido de estudos e proposta técnica a serem realizados pelas 
respectivas agências e, na sua falta, pelo IGAM, observado o disposto no 
artigo 71 deste Decreto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
121 
 
ANEXO VIII – Mapas de rendimento específicos para drenagem; 
 
Tempo de retorno de 10 anos; 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
122 
Tempo de retorno de 20 anos; 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
123 
 
Tempo de retorno de 50 anos; 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
124 
 
Tempo de retorno de 100 anos; 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
125 
 
Tempo de retorno de 500 anos; 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
126 
 
 
 
CAPITULOS 05 
INFILTRAÇÃO e EVAPORAÇÃO 
 
INFILTRAÇÃO 
1. Introdução, 
2. Fatores que influenciam na capacidade de infiltração, 
3. Capacidade de infiltração, 
4. Fórmula de Horton, 
5. Tabela para o coeficiente de run off, 
6. Infiltrômetros. 
 
EVAPORAÇÃO 
1. Introdução, 
2. A rapidez com q a água evapora depende de vários fatores, 
3. Transpiração nos vegetais, 
4. Avaliação da evaporação. 
5. Evaporímetro e coeficiente de cultivo para Irrigação. 
 
LEITURA COMPLEMENTAR 
1. Os ciclos de alguns gases 
2. Fenômenos: Inversão térmica, chuva ácida, efeito estufa e camada 
de ozônio. 
 
 
 
 
 
 
127 
INFILTRAÇÃO 
 
1. INTRODUÇÃO 
O escoamento superficial não representa toda a chuva que cai numa bacia. 
Medindo o escoamento em um rio conclui-seque somente parte da chuva 
transformava-se em vazão, o restante se perdia por transpiração, 
evaporação e infiltração. 
A taxa pela qual a infiltração ocorre depende, outras coisas, da 
permeabilidade do solo ou rocha.. A quantidade total de infiltração também 
depende do tempo disponível que a água tem para penetrar no chão. 
Chuva forte e um rápido escoamento superficial irão reduzir esse tempo, e, 
portanto, decrescer a quantidade total de infiltração. 
Na equação do balanço hídrico aparece o termo que representa a 
Infiltração; 
Es = P – Evt – Inf +-Vol 
2. FATORES QUE INFLUENCIAM NA CAPACIDADE DE 
INFILTRAÇÃO 
- Tipo de solo. A permeabilidade depende da granulometria. 
- Cobertura do solo. Vegetação. 
- Grau de umidade do solo. 
- Temperatura do solo. Interfere na viscosidade da água de percolação. 
- Porosidade, fissuras. 
- Ações mecânicas de animais que escavam o terreno. 
Tabela 1 Capacidade de infiltração 
Solo 
Capacidade de 
infiltração em mm/h 
argilas 0,25 a 2,5 
Siltes 2.5 a 8 
Areais formas 8 a 13 
Areias grosas 13 a 20 
Fonte: Control de Erosion en Zonas Tropicales – Jaime Suarez Diaz. 
Universidade Industrial de Santander, Bucaramanga – Colômbia. 
 
128 
 
3. CAPACIDADE OU TAXA DE INFILTRAÇÃO: 
É a razão máxima, sob dadas condições, que o solo e capaz de absorver 
água. É a razão entre a precipitação, em vazão volumétrica, pela área 
drenante, ou seja: 
fp = V = Q/A (mm/h) 
Sendo, 
- fp = taxa de infiltração, em mm/h 
- Q = Vazão volumétrica = A x V. Em m3/s 
- A = Área drenante, em m2 
- V = velocidade, em m/s 
Exemplo: Determine a taxa de infiltração (em mm/h) do solo, quando no 
mesmo, o volume de água consumida por unidade de tempo (ou vazão em 
volume) vale 0,2 litros/minuto (e, por m2). 
4. Fórmula empírica de Horton (1933) 
a) capacidade instantânea: 
fp = fc + (fo –fc) . ℮(-K . t) 
b) total acumulado no tempo t, forma integral: 
fa = fc.t – [(fo – fc)/k] . [e
(-k.t) - 1] 
Capacidade instantânea de infiltração, como sendo a quantidade máxima 
de água que um solo pode absorver na unidade de tempo e por unidade de 
área horizontal, em mm/h ou mm/dia. 
Onde: 
 Fp = capacidade de infiltração instantânea do solo, no tempo t, 
mm/h 
 fo = valor inicial, depende da umidade inicial do solo, mm/h 
 fc = valor mínimo, depende da permeabilidade do solo, mm/h 
 K = constante característica do solo, do tipo de solo 
 t = intervalo de tempo, em h 
 
129 
Obs.: Estes parâmetros podem ser determinados através de medições 
locais por infiltrômetros ou simuladores de chuva. 
 
 fp (em mm/h) 
 fo 
 
 
 
 
 
 ----------------------------- fc (constante) 
 
 t, tempo em horas 
 
Obs: No inicio da chuva, a capacidade de infiltração é fo diminuindo ate um 
valor constante fc, a medida que o solo vai se tornando saturado. 
Este valor limite e definido pela permeabilidade do subsolo. 
 
 
5. TABELA PARA O COEFICIENTE DE RUN-OFF 
Comumente ele é chamado de coeficiente de Run-off. E, representara o 
percentual de água que ira infiltrar através do solo, portanto, é função do 
tipo de cobertura do solo, 
C = Vol.E / Vol.T 
Onde, 
Vol.E = Volume efetivo (ou precipitação efetiva), o que restara, 
Vol.T = Volume total (ou precipitação total), o que precipitou. 
C = coeficiente de run-off. C<1. Sempre menor do que a unidade, por 
não existir solo com cobertura sem perda de água. 
 
 
130 
 
Tabelas para coeficiente run-off ou coeficiente de deflúvio 
As tabelas atendem as seguintes obras de Engenharia: 
d) Engenharia Rodoviária 
e) Obras Urbanas 
f) E, obras com bacias maiores de 10 Km2 
d) Engenharia Rodoviária – com bacias ate 10 Km2 – valores 
para “C” 
Tipo de solo e cobertura 
vegetal 
 
Dec ≤ 
5% 
5% ≤ 
Dec. ≤ 
10% 
10% ≤ 
Dec. ≤ 
20% 
Dec. ≤ 
20% 
Rocha de baixa permeabili-
dade 
Veg. rala 0,70 0,75 0,80 0,85 
Idem 
Veg. 
densa 
0,65 0,70 0,75 0,85 
Rocha de média 
permeabili-dade 
Veg. rala 0,60 0,65 0,70 0,75 
Idem 
Veg. 
Densa 
0,55 0,60 0,65 0,70 
Solo de baixa 
permeabilida-de – argiloso 
Veg. Rala 0,50 0,55 0,60 0,65 
Idem 
Veg. 
Densa 
0,45 0,50 0,55 0,60 
Idem Florestas 0,40 0,45 0,50 0,55 
Solo de média 
permeabilida-de – argila-
arenoso 
Veg. Rala 0,35 0,40 0,45 0,50 
Idem 
Veg. 
Densa 
0,30 0,35 0,40 0,45 
Idem Florestas 0,25 0,30 0,35 0,40 
 
131 
Alta permeabilidade – solo 
arenoso 
Veg. Rala 0,20 0,25 0,30 0,35 
Idem 
Veg. 
Densa 
0,15 0,20 0,25 0,30 
Idem Florestas 0,10 0,15 0,20 0,25 
 
132 
e) Engenharia de obras urbana – valores para “C” 
Características da área Mínimo Máximo 
Pátios e estacionamentos 0,90 0,95 
Áreas cobertas 0,75 0,95 
Vias concretadas 0,80 0,95 
Vias asfaltadas 0,70 0,95 
Passeios 0,75 0,85 
Vias em calcadas poliédricas 0,70 0,85 
Centros industriais e pesados 0,60 0,90 
Centros industriais leves 0,50 0,80 
Áreas urbanas centrais 0,70 0,95 
Áreas urbanas periféricas 0,50 0,70 
Conjuntos habitacionais densos 0,60 0,75 
Conjuntos prediais 0,50 0,70 
Conjuntos residenciais 0,40 0,60 
Residenciais uni-familiares 0,35 0,50 
Lotes urbanos grandes 0,30 0,45 
Play grounds 0,20 0,35 
Áreas periféricas não urbanizadas 0,10 0,30 
Parques e cemitérios 0,10 0,25 
Terreno rochoso montanhoso 0,50 0,85 
Terreno rochoso plano ou ondulado 0,35 0,65 
Relvado argiloso ondulado e 
montanhoso 
0,25 0,35 
Relvado argiloso suavemente ondulado 0,18 0,22 
Relvado argiloso plano 0,13 0,17 
Relvado arenoso ondulado e 
montanhoso 
0,15 0,20 
Relvado arenoso suavemente ondulado 0,10 0,15 
Relvado arenoso plano 0,05 0,10 
 
133 
Florestas e matas caducifólias 0,30 0,60 
Florestas e matas coníferas 0,25 0,50 
Campos, prados e cerrados 0,35 0,65 
Pomares e chácaras 0,15 0,40 
Encostas com culturas permanentes 0,15 0,40 
Vales com culturas permanentes 0,10 0,30 
 
f) Bacias com áreas maiores de 10 Km2 – Valores para “CN” 
SCC – Soil Conservece Service Norte Americana 
Utilização da 
terra 
Condições da 
superfície 
Solo 
A 
Solo 
B 
Solo 
C 
Solo 
D 
Plantações 
regulares 
Em curva de níveis 67 77 83 87 
Horticultura Em curva de níveis 60 72 81 84 
Pastagens Rala em curva de níveis 47 67 81 88 
Idem 
Normais em curva de 
níveis 
25 59 75 83 
Campos 
permanentes 
Normais 36 60 73 79 
Idem Denso 25 55 70 77 
Florestas Normais 36 60 70 76 
Idem Densa 26 52 62 69 
 
Tipos de solo 
A) solo de pedregulho 
B) solo arenoso 
C) solo siltoso 
D) solo argiloso 
 
 
134 
Exemplo. Consultar nas tabelas anteriores o valor para o coeficiente de 
deflúvio para as seguintes características de obras de Engenharia: 
a) Obra rodoviária. Alta permeabilidade, solo arenoso, vegetação rala e 
declividade média da bacia hidrográfica compreendida em: 5 % a 10 
%. 
b) Via asfaltada urbana. 
c) Horticulturas em curva de níveis, solo argiloso. Para bacia com áreas 
superiores a 10 Km2 
 
 
135 
6. INFILTRÔMETROS 
Os infiltrômetros são tubos cilíndricos curtos, de chapa metálicos, com 
diâmetros variando entre 200 e 900 mm, cravados verticalmente no solo de 
modo a restar uma pequena altura livre sobre este. 
Podem ser utilizados um ou dois tubos concêntricos. No primeiro caso, o 
tubo é colocado no terreno, até uma profundidade maior ou igual à da 
penetração da água durante a duração do ensaio para evitar o erro 
causado peladispersão lateral da água. Durante todo o tempo da 
experiência, mantém-se sobre o solo uma camada de água de 5 a 10 mm 
de espessura. Uma vez conhecida, a taxa de aplicação da água adicionada 
é dividida pela área da seção transversal do tubo e tem-se a capacidade de 
infiltração. 
As indicações fornecidas com o emprego desses aparelhos têm valor 
relativo, devido a diversas causas de erro: 
a) ausência do efeito da compactação produzida pela água da chuva; 
b) fuga do ar retido para a área externa aos tubos; 
c) deformação da estrutura do solo com a cravação dos tubos. 
Os materiais utilizados são: 
 Tubo metálico ou PVC; 
 Martelo para cravação do tubo no solo; 
 Água e solo (terreno). 
Exemplo. Pede-se a taxa de infiltração do solo utilizando o aparelho 
infiltrômetro através de ensaio de campo. 
A água infiltrada no solo deverá ser reabastecida pelo laboratorista; ou 
seja, a VAZÃO que sai deverá ser igual à VAZÃO que entra. 
Este quadro representa o volume de água absorvida pelo solo, utilizando-se 
de um infiltrômetro através de um ensaio de campo, onde pode-se obter o 
os dados abaixo, coletados na bacia experimental do curso. 
 
 
 
 
 
 
 
136 
Hora Tempo (min) Volume (litros) 
10:00 0 - 
10:01 1 0.22 
10:02 1 0.22 
10:03 1 0,19 
10:04 1 0,19 
10:05 1 0,18 
TOTAL 5 1,00 
Quadro do volume de água consumida no solo através do infiltrômetro 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
137 
 
 
 
 
 
 
 
 
EVAPORAÇÃO 
 
1. Introdução, 
2. A rapidez com que a água evapora depende de vários fatores, 
3. Transpiração nos vegetais, 
4. Avaliação da evaporação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
138 
 
1. INTRODUÇÃO 
Medindo o escoamento em um rio conclui-se que somente parte da chuva 
se transformava em vazão, o estante se perdia por transpiração, 
evaporação e infiltração, de acordo com o ciclo hidrológico. 
A evapotranspiração ocorre basicamente em: superfície liquida: Lagos e 
Barragens, da umidade do solo = Bacias Hidrográficas e transpiração dos 
vegetais = florestas 
 
2. A RAPIDEZ COM QUE A ÁGUA EVAPORA DEPENDE DE VÁRIOS 
FATORES 
ÁREA - Um prato cheio de água evaporará mais depressa do que um copo 
de água com a mesma quantidade, porque a água no prato tem maior 
superfície pela qual as moléculas podem escapar. 
TEMPERATURA - Um aumento de temperatura faz as moléculas se 
moverem mais depressa. Portanto elas têm maior energia cinética e 
podem, assim, passar mais facilmente pela camada superficial e escapar. 
PRESSÃO DO AR - As moléculas de água que atravessam a camada 
superficial podem chocar-se com moléculas do ar e recuar para o líquido. O 
ar atua como uma cobertura que se opõe à evaporação. A rapidez de 
evaporação diminui quando a pressão atmosférica aumenta. 
UMIDADE - Quando a água num recipiente fechado não o enche 
completamente, o vapor se acumula no espaço sobre o líquido até que as 
moléculas de vapor evaporem e se condensam com a mesma rapidez. A 
rapidez de evaporação diminui quando a umidade aumenta. 
VENTO - Num dia de ar parado a água evaporada de uma roupa molhada 
fica perto da roupa, aumentando a umidade relativa e impedindo a 
evaporação. O vento leva para longe esse vapor de modo que a roupa seca 
mais depressa. 
 
3. TRANSPIRAÇÃO NOS VEGETAIS 
Perda de água, incorporação no ar atmosférico na forma de vapor, 
decorrentes das ações físicas e fisiológicas dos vegetais. Em grande parte 
feita pelos estômatos foliares, para manter uma temperatura interna ideal, 
semelhante aos seres humanos. 
 
139 
a) As células da folha perdem água pelo processo de transpiração 
devido a fatores externos e internos. 
b) As células da folha ficam hipertônicas puxando água do xilema da 
folha através de osmose (concentração). 
c) O xilema da folha ao perder água fica com menor pressão em 
relação ao xilema do caule, fazendo fluir a coluna de água em sua 
direção. 
d) O xilema do caule com pressão menor faz fluir água do xilema da 
raiz. 
e) O xilema da raiz, mais concentrado, puxa água das células da raiz 
através de osmose (gradiente de concentração). 
Fotossíntese: é o mecanismo pelo qual as plantas clorofiladas produzem 
compostos orgânicos a partir de gás carbônico, água e energia luminosa. A 
fotossíntese executa uma continua ação “purificadora” do ar atmosférico, 
retirando o gás carbônico e liberando o oxigênio, fundamental para a vida 
aeróbia. 
Equação da fotossíntese: 
6 (CO2) + 12 (H2O) + luz e clorofila = C6H12O6 + 6 (O2) + 6 (H2O) 
(Pelo ar) + (Pelo solo) (Para o ar atmosférico) 
A folha absorve o gás carbônico por difusão (concentração diferenciada), 
esse gás penetra nas folhas pelos poros ou estômatos. 
 
4. AVALIAÇÃO DA EVAPORAÇÃO 
O método do balanço hídrico, 
A medição por tanques evaporimetros, 
As formulas empíricas do poder evaporante da atmosfera. 
a. Método do balanço hídrico: 
Considerando-se que os estados de armazenamento de lagos ou 
reservatórios sejam conhecidos e que todas as afluências e defluências 
possam ser medidas em um dado intervalo de tempo, a evaporação pode 
ser calculada por: 
 
140 
E = P + A – D - I - S 
b. Método de medição 
Tanque medidor evaporímetro 
Mede o poder evaporante da atmosfera local, através da evaporação da 
água em mm de altura; isto, numa área conhecida. 
O tanque mais usado é o classe A do U.S. Weather Bureau. 
O abaixamento do nível da água no evaporímetro mede o quociente 
Vol./Área, sendo vol. O volume de água que se evaporou durante o 
intervalo de tempo considerado e A área da seção reta do recipiente. 
Vol. = A.h ou h = vol./A (em mm). Da equação da continuidade: Q = V.A 
= (Vol/t) = V.A 
Nota: Para a cidade de Belo Horizonte, considerando superfícies cinza 
(albedos), a media diária mensal = 3,85 mm/mês. 1998) 
 
c. Método das fórmulas 
Para avaliar o poder evaporante da atmosfera terrestre. 
 
Formula geral – Lei de Dalton 
E = k(e/z) 
Onde, 
E = Evaporação 
k = coeficiente de difusão 
e/z = gradiente de concentração de vapor. 
 
 
 
 
 
 
 
 
141 
Fórmulas específicas 
 
1. ROHWER 
Ev = 0,771(1,465 - 0,0186 x B) (0,44 + 0,118 x W) (po – pa) 
Sendo: 
E = intensidade de evaporação (in/dia). 
B = pressão barométrica (inHg). 
W= velocidade do vento (milha/hora). 
 
2. MEYER 
Ev = C(1+W/10) (po – pa) 
Sendo: 
E = intensidade de evaporação em in/tempo, no caso por dia. 
C = para períodos de 24horas (C= 0,36). 
W= velocidade do vento em milhas/hora. 
po= pressão de saturação do vapor em inHg. 
pa=pressão efetiva do vapor d’água em inHg. 
 
3. URSS 
Ev = 0,15.n (1 + 0,072W) (po – pa) 
Sendo: 
Ev = intensidade de evaporação, em mm/mês. 
 n = número de dias considerado. 
W = velocidade média do vento em m/s, medida a cerca de 2,0 m acima 
da superfície da água. 
po = pressão de saturação do vapor em milibares ( 1bar = 1atm). 
pa = pressão efetiva do vapor de água no ar, em mb. 
Nota: Fator de conversão: 1 atm = 1Kgf/cm2 = 760 mmHg = 10 kPa 
 
 
142 
4. FITZERALD 
Ev = 0,12(1+0,31.W) (po – pa) 
Sendo: 
Ev = intensidade de evaporação, em mm/mês. 
W = velocidade média do vento, em Km/h. 
po = pressão de saturação do vapor em, mm de Hg. 
pa = pressão efetiva do vapor de água no ar, em mm/Hg. 
 
 
5. VERMUELE 
Ev = (1 + 0,75T) (3,94 + 0,0016.h) 
Sendo: 
Ev = intensidade de evaporação, em mm/mês. 
 T = temperatura média anual, em 0C. 
 h = altura pluviométrica anual, em mm. 
 
Exemplo. Calcular o poder evaporante da atmosfera, utilizando-sedas 
principais formulas 
Dados: 
 W = 0,5 m/s (velocidade do vento) 
 po = 0,032 atm 
 pa = 0,031 atm 
T = 22 0C 
 h = precipitação media anual 
 patm = 760 mm de Hg 
 
 
 
143 
5. Evaporimetros e Coeficientes de Cultivo para Irrigação. 
Para se ter a evaporação potencial de superfícies líquidas naturais a partir 
dos dados medidos pelo tanque classe A , deve-se corrigir os dados pelo 
coeficiente de correção do tanque: 
Ep = E x kt 
Onde: Ep = evaporação potencial, E = evaporação do tanque “classe A” 
Kt = coeficiente do tanque (para a região nordeste Kt varia entre 0.6 e 1,0; 
e no semi-árido é comum adotar-se Kt = 0,75) 
As interações entre os parâmetros meteorológicos e as 
características das plantas ou da água disponível no solo. São apresentadas 
tabelas quanto ao limite para o desenvolvimento vegetal, definição dos 
limites para o manejo do solo e condições para colheita, trânsito de 
máquinas e aplicação de agroquímicos. 
 
Coeficiente de cultivo (kc); 
 
 
 
144 
1. Calcular o volume evaporado em uma irrigação de 1 hectare de 
feijão em zona árida sabendo que a lâmina evaporada no tanque 
Classe A é de 6 mm/dia. 
 
Ve = kc.Ep.Airrigação 
 
Ve = kc . (E . kt) . Airrigação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
145 
LEITURA COMPLEMENTAR 
 
6. CICLOS DO CARBONO, NITROGÊNIO, ENXOFRE E OXIGÊNIO. 
 
6.1 CICLO DO CARBONO 
 
 Os decompositores atuam sobre os detritos orgânicos liberando 
CO2, que retorna à atmosfera, reintegrando-se a seu reservatório natural. 
 Detritos orgânicos ainda podem originar os combustíveis fósseis 
que, através da combustão, eliminarão CO2 de volta para a atmosfera. 
 
Fórmulas químicas: 
 
Fotossíntese: CO2 + H2O = > C6H12O6 + H20 + O2 
 
Respiração: C6H12O6 + O2 = > CO2 + H2O + energia 
 
Combustão: combustível + energia + O2 = > CO2 + ...(detritos) 
 
 
146 
 
 
 
 
6.2 CICLO DO NITROGÊNIO 
 
 O ciclo do nitrogênio, assim como o do carbono, é um ciclo gasoso. 
Apesar dessa similaridade, existem algumas diferenças notáveis entre os 
dois ciclos: 
 a atmosfera é rica em nitrogênio (78%) e pobre em Carbono 
(0,032%); 
 apesar da abundância de nitrogênio na atmosfera, somente um 
grupo seleto de organismos consegue utilizar o nitrogênio gasoso; 
 o envolvimento biológico no ciclo do nitrogênio é muito mais 
extenso do que no ciclo do carbono. 
 
 
 
 
 
 
 
147 
 
6.3 CICLO DO ENXOFRE 
 
INTERVENÇÕES ANTRÓPICAS 
 
1. O dióxido de enxofre (SO2) é liberado na atmosfera pela queima de 
combustíveis fósseis. 
2. O SO2 interage com o vapor d’água produzindo gotículas de ácido 
sulfúrico (H2SO4) diluído, o que acarretará a precipitação de chuva 
ácida. 
3. O excremento animal representa um fonte de sulfato reciclado. 
4. A produção primária é responsável pela incorporação do sulfato à 
matéria orgânica. 
 
 
6.4 CICLO DO OXIGÊNIO 
 
 O oxigênio molecular (O2), indispensável à respiração aeróbica, é o 
segundo componente mais abundante da atmosfera, onde existe na 
proporção de cerca de 21%. 
 O oxigênio teria desaparecido da atmosfera, não fosse o contínuo 
reabastecimento promovido pela fotossíntese, principalmente do 
fitoplâncton marinho, considerado o verdadeiro "pulmão" do mundo. 
 O oxigênio pode ser consumido da atmosfera através das seguintes 
vias: 
 
 atividade respiratória de plantas e animais; 
 combustão; 
 degradação, principalmente pela ação de raios 
ultravioleta, com formação de ozônio (O3); 
 combinação com metais do solo (principalmente o 
ferro), formando óxidos metálicos 
 
 
148 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
149 
7. Inversão térmica, chuva ácida, efeito estufa e a camada de 
ozônio. 
 
 
7.1 Inversão térmica 
 
É um fenômeno natural que pode ocorrer em qualquer parte do 
planeta, no entanto, sua ocorrência é maior nos centros urbanoindustriais. 
Costuma acontecer no inverno, nos dias frios. Em situações normais o ar, 
aquecido pela irradiação da superfície, por ficar menos denso (mais leve), 
eleva-se dando lugar ao ar frio, dessa maneira formam-se correntes de 
convecção do ar, que estabelecem uma dinâmica favorável à dispersão de 
poluentes. 
Quando a temperatura próxima ao solo cai abaixo de 4ºC, o ar frio, 
não consegue elevar-se, ficando retido em baixas altitudes. Camadas mais 
elevadas da atmosfera são ocupadas com ar relativamente mais quente. Os 
gases liberados pelas chaminés e veículos, concentram-se nas camadas 
mais baixas, sendo impedidos de dispersar-se em virtude da concentração 
de ar frio. 
Na cidade de São Paulo é muito comum acontecer o chamado 
“efeito tampão”. Quando duas massas de ar de temperaturas diferentes se 
encontram, a massa de ar mais aquecida é obrigada a passar por cima da 
mais fria, formando-se assim um verdadeiro tampão sobre a cidade, 
impedindo os poluentes de circularem, criando uma névoa sobre a cidade. 
 
 
7.2 Chuva ácida 
 
As chuvas são sempre ácidas, pois a combinação de gás carbônico 
(CO ) e água (HO) presentes na atmosfera produz ácido 2 2carbônico (H 
CO ). A elevação exagerada dos níveis de acidez é resultado da ação 
antrópica. 
A chuva ácida é causada pela emissão de poluentes das industrias, 
dos transportes e demais atividades que queimam combustíveis fósseis. Os 
principais responsáveis por esse fenômeno são o dióxido de enxofre (SO) e 
o dióxido de nitrogênio (No ). Esses gases, ao serem lançados na 
atmosfera, se combinam com a água em suspensão, transformando-se em 
ácido com elevada capacidade de corrosão. 
Esse fenômeno tem como impacto a corrosão de monumentos, a 
acidificação das águas e a destruição da cobertura vegetal. 
 
150 
Os países do hemisfério norte mais industrializados são os que mais 
contribuem para emissão desses gases, consequentemente, as chuvas 
ácidas ocorrem com maior intensidade nestes países; destaques para o 
nordeste dos EUA e Europa Ocidental. 
 
7.3. Efeito estufa 
 
O efeito estufa é assim chamado devido a sua semelhança com os 
efeitos de aquecimentos próprios das estufas, cuja cobertura de vidro é 
transparente à luz solar, mas bloqueia a dissipação do calor ali formado. 
Da mesma forma, o efeito estufa é caracterizado pela manutenção 
do calor irradiado pela Terra, que não consegue se dissipar em direção ao 
espaço. acontece porque alguns gases presentes na atmosfera terrestre (os 
“gases-estufa”), como o gás carbônico (CO ), o metano (CH ) e o óxido 
nitroso (NO ), reduzem a taxa de perda do calor terrestre para o espaço. 
Na verdade, o fenômeno nasce quando as radiações de energia 
solar, em ondas longas (radiação infravermelha), ficam presas abaixo do 
limite atmosférico, mantendo o calor terrestre na atmosfera. Ou seja, a 
radiação solar (ondas curtas - ultravioleta), atravessa a atmosfera e chega 
ao planeta, aquecendo-o. A radiação terrestre resultante (ondas longas 
infravermelho), ou ondas de calor, não consegue se devolvida plenamente 
ao espaço, pois os gases-estufa (principalmente CO ), absorvem e emitem 
esta radiação de volta para o planeta, o que permite a manutenção da 
temperatura média do globo em certos níveis. 
 
 
 
 
 
151 
 
 
 
7.4. Buraco na camada de ozônio 
 
O ozônio (O) na baixa atmosfera é extremamente prejudicial, 
principalmente para o desenvolvimento das plantas. Mas em estado puro e 
livre na estratosfera (entre 15 e 30 Km de altitude), ele protege os seres 
vivos da radiação proveniente do 
Sol, filtrando os raios ultravioletas. 
A emissão de clorofluorcarbono (CFC) na atmosfera, resultante da 
utilização de condicionadoresde ar, refrigeração, e no processo de 
fabricação de aerossóis, isopor e solventes, provocando a diminuição das 
moléculas de ozônio, uma vez que o cloro presente no CFC, reage com 
estas, destruindo-as. Como conseqüências da maior incidência da radiação 
solar (ultravioleta) na superfície terrestre. Cita-se o aumento do número de 
casos de câncer de pele, perturbações na visão e diminuição na velocidade 
da fotossíntese dos vegetais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
152 
 
 
 
 
 
 
 
CAP. 06 - EROSÃO E SEDIMENTAÇÃO 
 
1. Erosão, Tipos de erosão, Mecanismos da erosão, Seus efeitos e 
Métodos de obtenção de dados; 
2. Estimativa da produção de sedimentos por erosão – Fórmula 
Universal; 
3. Velocidade de autodragagem ou canalizações auto-limpantes; 
4. Estudos e métodos sobre erosão; 
 
ANEXOS 
1. Ensaios de laboratório para detecção de terrenos erodidos. 
2. Imagens de erosões 
3. Tabelas 
4. Lei 6225/75 – Proteção contra erosão. 
 
 
 
 
153 
EROSÃO, TIPOS DE EROSÃO, MECANISMOS DA EROSÃO, SEUS 
EFEITOS E MÉTODOS DE COLETA DE DADOS; 
 
Erosão 
O intenso processo de urbanização, o acelerado crescimento industrial e a 
expansão da atividade de mineração provocaram em seu conjunto, um 
grande número de intervenções humanas no ambiente, dos mais variados 
tipos e portes. 
A ocupação desordenada de regiões, com o processo de desenvolvimento 
em locais impróprios, o crescimento delas sem planejamentos compatíveis 
com a realidade regional, com ausência de infra-estrutura adequada e 
associados a um solo de formação geológica facilmente desagregável nos 
leva a entender que o ecossistema pelo qual o homem substituiu, diminuiu 
a proteção do solo contra o efeito da energia hídrica, assim como o 
processo de desenvolvimento de um assentamento urbano, em sua 
expressão física, definido pelo conjunto de atividades humanas 
materializado no sistema de sustentação natural, onde dependendo das 
características morfológicas daqueles sistemas, a interação entre ambas 
pode gerar problemas de graves proporções como erosão do solo. 
Ao se analisar o fenômeno erosão, o problema inicial consiste em 
identificar os elementos componentes, com seus valores e suas relações. 
No Brasil e em outros solos tropicais, há um outro problema que, algumas 
vezes, assume maior importância que a erosão, mas que, no entanto, é 
menos considerado: a lixiviação. Por esse processo, as porções de solo 
mais finas, onde estão os componentes que lhe dão fertilidade, são 
removidas e carregadas pela água em seu movimento descendente de 
infiltração. Em terrenos planos de solos muito profundos e permeáveis, 
como os sedimentos arenosos da Amazônia, o material fértil da superfície é 
solubilizado pelas chuvas e arrastado para regiões inacessíveis as raízes. A 
esterilização ocorre não por um transporte horizontal, mas sim vertical, dos 
nutrientes. 
 
154 
 
Tipos de erosão 
Tipos de formas de erosão acelerada mapeada segunda IGA-CETEC, 1978. 
Assim se definem as principais formas de erosão acelerada: 
a) Em Lençol ou Superficial (ou laminar): quando as precipitações 
superam as infiltrações. 
b) Em sulcos: caminho preferencial das águas, não cuidando surge às 
ravinas e as voçorocas. 
a) Erosão em Lençol 
É uma forma de erosão superficial que não chega a modificar muito 
nitidamente o modelado original do relevo. Desenvolve-se em 
conseqüência da remoção dos horizontes superiores do solo, mais rico em 
matéria orgânica. Esta remoção decorre da atuação do escoamento pluvial 
não concentrado em lençol, nas áreas onde a cobertura vegetal foi 
destruída e o gradiente das vertentes favorece o escoamento superficial. 
b) Erosão em Sulcos 
Ocorre de duas formas diferentes: ravinas e voçoroca. 
Ravinas são canais pouco profundos que surgem na superfície dos solos ou 
sobre as rochas argilosas alteradas. Resultam da atuação do escoamento 
superficial concentrado em áreas onde a vegetação foi destruída. Forma-se 
mais facilmente partir de qualquer tipo de incisão ou corte no terreno, tais 
como estradas, trilhas, minerações, etc., sendo que, caso, passa mais 
 
155 
rapidamente para um estágio mais da erosão acelerada, que se inicia 
quando o nível do freático é atingido e a ravina evoluiu como voçoroca. 
As voçorocas são sulcos profundos que evoluem a partir de ravinas, cortes. 
Aterros, estradas, trilhos ou qualquer outro tipo de incisão na superfície dos 
solos que possibilite ao escoamento superficial concentrado atingir o lençol. 
As voçorocas evoluem rapidamente e com um grau acentuado nas 
cabeceiras. 
 
Mecanismos da erosão 
São três os processos: 
a) Desprendimento da partícula (autodragagem); 
b) Transportes de sedimentos; 
c) Depósito ou sedimentação. 
Dado: peso específico médio de sedimentos: Ws = 2650 Kgf/cm
3. 
 
 
 
Seus efeitos 
a) Baixa produtividade dos solos; 
b) Degradação do solo; 
c) Poluição dos mananciais (nascentes); 
d) Enchentes e assoreamento dos rios e lagos; 
e) Redução da vida útil de barragens e usinas hidrelétricas. 
 
156 
 
 
 
 
Métodos de obtenção de dados 
a) Método direto: monitoramento da bacia. 
• Medidas de descarga sólidas com desenvolvimento de série 
história. 
• Levantamento topográfico de reservatório existente. 
b) Método indireto: Fórmulas empíricas para estimar a erosão e o 
transporte sólido. 
 
 
 
 
157 
 
ESTIMATIVA DE PRODUÇÃO DE SEDIMENTOS POR EROSÃO 
ATRAVÉS DA FÓRMULA UNIVERSAL DE PERDA DE SOLO 
 
Método indireto para estimativa da sedimentação ou assoreamento 
produzido pela erosão da bacia hidrográfica. 
Para determinar o potencial de erosão em campos agrícolas tem-se 
desenvolvido uma grande quantidade de equações com base em diversos 
parâmetros que afetam a erosão. 
Dos modelos empíricos, o mais conhecido e’ a equação Universal de Perdas 
do Solo desenvolvida por Smith e Wischemeir (1974). O modelo permite 
avaliar as perdas do solo, incluindo tanto a erosão laminar como a erosão 
em sulcos mediante a Formula Universal da perda de solo, mostrada a 
seguir: 
 
Fórmula Universal da perda do solo por erosão 
 
Qs = R.K.T.L.C.P 
Onde, 
Qs = perda anual do solo por unidade de área (ton/ha ano) 
R = fator de chuva ou índice de erosão pluvial mede a forca erosiva de 
uma determinada chuva, em (J.cm/m2. Hora). 
K = fator de erosibilidade do solo (facilidade do solo em desagregar-se), 
com uma declividade e comprimento de 9%. (ton.m2.hora/ha.J.cm) 
L = fator de comprimento da ladeira ou declive (Adimensional) = A 
razão entre a perda de solo p0ara um comprimento determinado 
pela perda de solo para um comprimento de 22,1 m do mesmo tipo 
de solo. L = (У/22,1)0,3 
T = fator de declividade (adimensional) = A razão da perda para uma 
determinada declividade, pela perda para uma declividade de 9% 
do mesmo tipo de solo. 
 T = (0,43 + 0,30.I + 0,043.I2)/6,613 
 I = declividade em % 
 
158 
C = fator cultivo (adimensional) Mede a influencia do cultivo na erosão 
no manejo e uso do solo = A razão da perda do solo em terreno 
cultivado em condições especificas pela perda correspondente para 
um solo sem cultivo. Tab. 2 – No Anexo. 
P = fator de praticas de conservação do solo (adimensional) = A razão 
da perda do solo com cultivo a nível, em faixas rasas pela perda do 
solo em cultivo em sulcos em declividade. Tab. 3 – Anexos. 
Estudo da formula e suas variáveis; 
 R = Ek. i30’ (fator de chuva ou índice de erosibilidade) 
 Ek = 210,2 + 89 log10. i30’ (J.m
2/cm) (Energia cinética da corrente 
liquida) 
 Ek =11,9 + 8,73 log10. i30’ (J.m
2/mm) 
 i = intensidade de chuva dado em cm/h ou mm/h pelas equações 
IDF (Precipitações). 
 Ftop =fator topográfico combinado = Tx L 
A equação Universal ficara: 
Qs = R.K.Ftop.C.P 
a) Para bacias com declividade < 9% : 
Ftop = [y/ 22,1]
0,3 x [0,43 + 0,30 x I + 0,043 x I2 ]/6,613 
b) Para bacias com declividade ≥ 9% : 
Ftop = [ y / 27,1]
0,3 x [I / 9]1,3 
 y = 0,5 x A /Σ.L , (metade do inverso da Densidade de Drenagem) 
Onde: 
 I = declividade media da bacia, em %; 
 y = Fator de Horton, de infiltração 
 A = área da bacia, em Km2 
Σ.L = comprimento total dos rios, em Km. 
Fórmula geral 
Ftop = (0,0136 + 0,0096 . I + 0,001385 . I
2) . Σ.L 
 
 
159 
DISTRIBUIÇÃO DE SEDIMENTOS NO CURSO D’ÁGUA
1- DISTRIBUIÇÃO VERTICAL DE SEDIMENTOS
262
 
Exercício: 
Estimar, pela formula Universal, a produção de sedimentos anual na Bacia 
Hidrográfica da Pampulha. 
Dados da bacia da Pampulha em 1986, Belo Horizonte -M.G. 
K = 0,25 (siltes residuais de gnaisse), 
C = 1,0 
P = 1,0 
I = 15,8% (Declividade media da bacia) 
Tempo de retorno, T = 2 anos 
Equação da SUDECAP para chuva de projeto 
A = 97,6 Km2 – Área da bacia 
L = 266 m, comprimento da declividade media, perpendicular ao 
talvegue principal. 
2 US$/m3, é o custo médio da dragagem. 
Observado “in loco” = 1931 m3/Km2.ano (Em1984) e 2247 m3/km2.ano 
(Em 1989) 
 
 
 
 
160 
 
VELOCIDADE DE AUTODRAGAGEM 
 
O movimento da água que circula devido a uma corrente, produz o 
desprendimento e o transporte dos materiais, alterando o perímetro 
molhado do caminho. E, serão depositados no lago ou na jusante dos rios. 
Esses sedimentos dependem da coesão dos solos, tamanho do solo e da 
geologia local. 
Para maioria dos casos práticos, utiliza-se o peso específico = ץ
2650Kgf/m3 para os componentes do solo constituído de quartzo. 
Alguns outros relacionam a erosão diretamente com a velocidade da água 
e supõem que existe uma velocidade crítica na qual se inicia o movimento 
das partículas do solo (erosão), conhecido como velocidade de 
autodagragem ou de transporte. 
É importante calcular ou medir as velocidades reais da água na superfície 
de contato solo-água, para assim determinar a potencialidade de 
ocorrência de erosão em cada caso ou obra de engenharia, 
dimensionamento de galerias e tubos não assoreáveis. 
 
Fórmulas empíricas para velocidade crítica ou de transporte 
(autodragagem) 
Richardson e Richardson 
Vc = [ Ks
1/2. (Ss – 1)
1/2. D1/2.y1/6] / μ 
Onde 
Ks = coeficiente que depende da forma das partículas, geralmente = 0,7 
ou calculado pela formula = C/(a. b)1/2 
C = dimensão mínima, b= dimensão intermediária e a = dimensão 
máxima 
Vc = velocidade de transporte 
μ = Rugosidade de Manning 
Ss = peso específico do solo 
D = diâmetro, Y = profundidade 
 
 
161 
Equação de Hjulstrom 
(Tucci-p. 270 - para profundidade de até 1,0 m). 
 
Um critério prático e de uso bastante disseminado para o dimensionamento 
de canalizações autolimpantes, consiste na utilização da velocidade crítica 
para o transporte de sedimentos. 
 Para, 0,001 < D < 0,1 mm 
c = 0,0473.D-0,565 
 Para 0,1 < D < 1,0 mm 
A velocidade critica vale; Vc = 0,197 m/s 
 Para 1,0 < D < 80,0 mm 
Vc = 0,265.D0,591 
Obs.: Portanto se a canalização ou canal for dimensionada para uma 
velocidade superior a esta, então, haverá uma tendência a erosão do leito 
e isso faz com que o canal seja autodragável. 
 
 
162 
Exercício: 
Compare a velocidade critica ou de autodragagem de um canal 
considerando os diversos tipos de solo, de acordo com a tabela da ABNT, 
abaixo; 
 
Tamanho das partículas de acordo com a ABNT 
Fração Limites Velocidade (m/s) 
Matacao De 25 cm a 1,0 m 
Pedra De 7,6 cm a 25 cm 
Pedregulho De 4,8 cm a 7,6 cm 
Areia grossa De 2,0 cm a 4,8 cm 
Areia media De 0,042 mm a 2,0 cm 
Areia fina De 0,05 mm a 0,042 mm 
Silte De 0,005 mm a 0,05 mm 
Argila Inferior a 0,005 mm 
 
 
 
163 
ESTUDOS E MÉTODOS SOBRE EROSÃO 
 
MÉTODOS E TÉCNICAS INVESTIGATÓRIAS DE PROBLEMAS 
EROSIVOS; 
 
Para o enfretamento dos problemas erosivos, faz-se necessário identificar 
os terrenos mais suscetíveis aos processos erosivos, diagnosticar as 
erosões e estabelecer as medidas de controle de natureza preventiva e 
corretiva. 
 Mapeamentos regionais 
Para o diagnostico regional da erosão, é necessário elaborar cartas de 
suscetibilidade aos processos erosivos, dos dados do meio físico como o 
substrato geológico, o relevo e o solo, que irão definir categorias de 
terrenos mais ou menos suscetíveis aos processos erosivos, ante 
determinados tipos de uso e ocupação do solo. 
Essas cartas são importantes para os organismos federais, estaduais e 
municipais estabelecerem planos de prevenção e controle da erosão, no 
âmbito de uma região administrativa, de uma bacia hidrográfica, ou mesmo 
um do território estadual. 
Para a elaboração dos mapas de suscetibilidade, em escalas de nível 
regional (1:50.000 a 1:250.000), é recomendável à realização dos 
seguintes trabalhos: 
 Levantamento e compilação de dados básicos sobre a região, tais como 
plantas topográficas, fotografias aéreas, pedologia, geologia, 
geomorfologia, etc.; 
 Identificação das erosões lineares e depósitos de assoreamento, 
através de interpretação de fotos aéreas e imagens de satélites; 
 Fotointerpretação e mapeamento de campo para o reconhecimento e 
definição dos principais condicionantes dos processos erosivos: 
Geologia (diferenciação litológica); Geomorfologia (tipologia de 
encostas, ruptura de declives, divisores e interfluvios, cabeceiras de 
drenagem, declividades dos terrenos) e Pedologia (principais 
associações pedológicas); 
 
164 
 Elaboração de mapa de uso e ocupação do solo, através de 
fotointerpretação, com a definição das principais categorias de 
ocupação; 
 Compartimentação em áreas homogêneas em relação à predominância 
de processos erosivos; 
 Elaboração de mapa de suscetibilidade a erosão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
165 
Cadastramento de erosões 
O cadastramento das erosões urbanas existentes constitui a primeira etapa 
para o estabelecimento de um plano preventivo e de obras de correção 
para uma cidade. 
O objetivo do cadastramento e estabelecer o nível de criticidade das 
erosões que possibilita a determinação daquelas que são prioritárias para a 
correção. A criticidade das erosões é definida após a análise da ficha de 
cadastro, cujos dados coletados indicam a possibilidade da progressão da 
atividade erosiva, colocando em risco moradias, equipamentos públicos e 
áreas urbanas, ou pelas restrições que pode causar, inibindo o processo de 
desenvolvimento urbano, devido ao seu porte. 
Visando a elaboração de um relatório de diagnostico de erosão urbana de 
um município, os trabalhos de cadastramento são iniciados numa reunião 
técnica, para serem obtidas as seguintes informações principais: 
 Planta de detalhe da área urbana; 
 Caracterização das ocorrências das erosões (localização, acesso, 
imp0ortancia para o município, histórico da ocorrência, mediadas de 
controle realizadas, rede de drenagem da bacia de contribuição, 
eventual projetos realizados, dados hidrológicos, etc.); 
 Tendências e formas da expansão urbana (vetores, loteamentos, 
conjuntos habitacionais); 
 Leis de disciplinamento do uso e ocupação do solo eventualmente 
existente (plano diretor, lei do parcelamento do solo, código de obras, 
etc.); 
 Medidas de combate adotadas e previstas; 
Após a reunião, iniciam-se os trabalhos de campo por uma visita preliminar 
das áreas urbanas afetadas, com o caráter de um reconhecimento prévio 
das erosões indicadas. 
Com o conjunto das informações obtidas, faz-se a programaçãodas 
atividades de cadastramento. 
O primeiro objeto de atenção do cadastramento e a área no entorno da 
erosão, para a caracterização dos locais mais afetados pelo processo 
erosivos. A área de montante, correspondente a área de contribuição 
principal das águas pluviais, e determinada pela posição da erosão e do 
divisor de águas. 
 
166 
A área de jusante pode apresentar informações importantes quanto ao 
transporte e a deposição das terras erodidas que, por um lado, constituem 
o registro do processo erosivo e, por outro, significam o impacto nos 
recurso hídricos na área de jusante. 
A partir do reconhecimento da área, sugere-se a elaboração de dois 
croquis: o primeiro, situando a erosão e sua interação com a área urbana, 
delimitando-se a área da bacia de contribuição das águas pluviais. O 
segundo é determinado pelo levantamento dos dados geométricos da 
erosão, registrando-se as principais características relativas a fenômenos 
que caracterizem a sua dinâmica de evolução, obras instaladas e 
desempenho, que irão possibilitar estabelecer não só o seu nível de 
criticidade. 
Investigações diretas 
As investigações diretas são necessárias para a concepção dos projetos de 
estabilização das erosões, recuperação das áreas degradadas e orientação 
das obras. 
Os principais levantamentos que devem ser realizados são: 
 Levantamento topográfico detalhado da erosão e seus arredores com 
seções e perfis, visando o projeto de terraplanagem, em especial o 
retaludamento ou reaterramento; 
 Caracterização geotécnica dos solos, por meio de ensaios laboratoriais 
para as obras de terra (obras de terraplanagem e compactação de 
aterros); 
 Sondagens a trado e a percussão, para obtenção da profundidade do 
nível de água, espessura dos solos e determinação das condições de 
fundação para o assentamento de obras estruturais. 
Cartas preventivas 
Um instrumento que representa as características do meio físico, 
apontando as limitações e potencialidades dos terrenos para a ocupação 
urbana ante os processos erosivos, e a carta de risco ou carta 
geotécnica. 
 
 
 
167 
RECOMENDAÇÕES PARA URBANIZAÇÃO FUTURA 
Da observação dos problemas mais comuns, relacionados aos processos 
erosivos, recomendam-se as seguintes diretrizes para futuros loteamentos: 
Concepção do projeto 
 Manter desocupadas as cabeceiras e linhas de drenagem natural, 
utilizando-as como áreas verdes; 
 Evitar que o projeto de drenagem conduza as galerias à concentração 
das pluviais nas cabeceiras da drenagem natural, sem a devida 
proteção e dissipação da energia; 
 Traçado viário deve evitar ruas longas situadas perpendicularmente as 
curvas de nível. 
 Evitar concepções de projeto que impliquem movimentos de terra nas 
proximidades das drenagens naturais; 
 Procurar situar as vias principais paralelamente as curvas de nível; 
 Prever, nas extremidades inferiores dos loteamentos, nos locais de 
lançamento das águas pluviais, estruturas de dissipação que impeçam a 
ocorrência de processos erosivos. 
Implantação do loteamento; 
 Os loteamentos devem ser implantados por sub-bacias de drenagem; 
 A implantação deve ser realizada jusante para montante; 
 As obras de terraplanagem devem ser realizadas simultaneamente com 
as obras de drenagem e obras de proteção superficial; 
 Durante a execução das obras, as redes de drenagem deveram estar 
devidamente protegidas contra o assoreamento e a obstrução; 
 Nos movimentos de terra de grande porte, devem-se prever sistemas 
provisórios de drenagem; Evitar a execução das obras de terra e de 
implantação do sistema de drenagem nos períodos chuvosos. 
Manutenção 
 Os sistemas de drenagem devem ser periodicamente inspecionados, 
realizando-se os reparos das partes destruídas e a desobstrução e o 
desassoreamento dos coletores; 
 Os lotes vazios devem ser mantidos com cobertura vegetal; 
 
168 
 As vias de circulação e os demais espaços públicos devem ser mantidos 
limpos, equacionando-se o problema do lixo. 
 
ROTEIRO PARA A CONCEPÇÃO DE UM PROJETO DE 
ESTABILIZAÇÃO E RECUPERAÇÃO DE VOÇOROCAS; 
Para a concepção de projetos, e necessário o levantamento de parâmetros 
básicos que irão direcionar a obra na sua fase executiva. Para a elaboração 
do projeto corretivo, com a realização dos estudos básicos, recomenda-se 
seguir o seguinte roteiro: 
 Obtenção de dados hidrológicos da bacia de contribuição para o 
dimensionamento das obras hidráulicas; 
 Levantamento topográfico em detalhe da boçoroca e seus arredores, 
visando o projeto de retaludamento; 
 Caracterização geotécnica de paramentos de solos, através de ensaios 
laboratoriais para as obras de terra; 
 Medidas de vazão do volume de águas subsuperficiais provenientes de 
surgencias, para o dimensionamento dos drenos profundos; 
 Elaboração do projeto básico de drenagem e de estabilização dos 
taludes resultantes; 
 Estabilização da área recuperada com revegetação e drenagem 
superficial complementar; 
 
169 
MÉTODOS DE CONTROLE DA EROSÃO, CORREÇÃO E MEDIDAS 
PREVENTIVAS; 
O sistema adotado no controle da erosão urbana consiste basicamente de: 
Controle 
 Obras de microdrenagem, constituídas de sarjetas, bocas-de-lobo e 
coletores. 
 Obras de macrodrenagens que são aquelas destinadas à condução das 
águas drenadas do quadro urbano até o lançamento final. Tais obras 
consistem normalmente, de emissários em tubulação de concreto 
armado ou em canais abertos de concreto armado, gabiões ou grama. 
 Obras de extremidades e de estabilização dos vales receptores. 
Comumente são utilizados revestimentos dos talvegues, nos trechos 
críticos, por meios de canais gramados, em concreto armado ou em 
gabiões; redução da declividade natural do escoamento, fixando-a 
através de barragens escalonadas de concreto, de terra com vertedor 
de concreto ou de gabiões; desvio de águas drenadas, circundando os 
trechos mais críticos de montante dos talvegues, com emissários mais 
extensos. 
 Obras de pavimentação destinadas a evitar a erosão laminar e em 
sulcos nas ruas de maior declividade e assegurar a adequada eficiência 
ao sistema de microdrenagem. 
Correção do solo 
A aplicação de medidas corretivas visando a recuperação de solos 
degradados pela erosão continua sendo de viabilidade restrita a situações 
muito peculiares e localizadas. 
 No caso de Erosão superficial ou laminar: pode-se recorrer ao plantio 
de vegetação e a correção da drenagem que deu inicio a formação de 
sulcos para que o ecossistema alcance um novo equilíbrio, repondo a 
fertilidade e produtividade primaria do solo. 
 Erosão em voçorocas: os investimentos corretivos necessários são 
financeiramente possíveis e economicamente justificáveis quando se 
destinam a recuperar terras produtivas altamente valorizadas e de 
pequena extensão. 
De um modo geral, as intervenções são obras de engenharia: 
a) Hidráulica 
 
170 
b) Engenharia de solos 
c) Engenharia Agronômica 
Constituindo-se fundamentalmente de obras: 
 de interceptação e desvio das águas pluviais da voçoroca por meio de 
tubulações que as devolvem a rede de drenagem natural após previa 
dissipação de sua energia erosiva em estruturas especiais; 
 pequenos barramentos em escada, formando pequenas bacias de 
retenção e decantação de sedimentos, destinadas a transformar-se em 
terraços depois de ser assoreadas ou preenchidas com solo ou plantio 
de vegetação visando fixar o solo e reduzir a velocidade das águas não 
interceptadas. 
 
As Medidas Preventivas 
As medidas preventivas, muito mais eficazes e de custo social bem mais 
reduzido, existem em maior numero. As limitações a sua aplicação 
decorrem não de restrições financeiras ou de complexidade técnica,mas 
das dificuldades próprias de as sociedades menos desenvolvidas política e 
socialmente manterem mecanismos legais, institucionais e administrativos 
capazes de ordenar a ocupação e uso do solo, estimular a aplicação de 
técnicas ambientalmente adequadas e impedir as que ponham em risco os 
recursos do patrimônio privado e publico. 
Nas áreas rurais as medidas preventivas resumem-se a utilização de 
praticas conservacionistas. As mais utilizadas são: 
 preparo do solo para plantio em curvas de nível; 
 Terraceamento; 
 estruturas para desvio que terminem em poços para infiltração das 
águas; 
 controle das voçorocas; 
 Preservação da vegetação nativa nas áreas de grande declive e nas 
margens de cursos de água, etc. 
 Por meio da redução das declividades e da criação dos obstáculos aos 
escoamentos sobre as linhas de maior declive, a água tem sua 
velocidade reduzida, o que facilita sua infiltração. 
 
171 
 As praticas vegetativas ocorrem com o aumento da cobertura vegetal 
do solo tais como o reflorestamento, cultivo em faixas e vegetação em 
nível, plantio de gramas em taludes, controle da capinagem (cortar sem 
arrancar), cobertura do solo com palha e folhagem etc. 
 
ANÁLISE DAS PRINCIPAIS CAUSAS DO INSUCESSO DAS OBRAS 
DE ESTABILIZAÇÃO DE VOÇOROCAS URBANAS; 
 Avaliação incorreta da vazão superficial de projeto 
 Dimensionamento insuficiente do vertedouro para a vazão de projeto 
 Dimensionamento insuficiente da estrutura de dissipação de energia 
hidráulica. 
 Colapso da fundação e ombreiras por erosão interna regressiva. 
RECOMENDAÇÕES QUANTO À MANUTENÇÃO DO SISTEMA DE 
PROTEÇÃO CONTRA EROSÃO 
É fundamental que se observe que: 
O período de conservação propriamente dita correspondente à época 
imediatamente após a implantação da obra, será quando serão corrigidos 
defeitos sistemáticos e verificada a eficiência da proteção. Deve abranger 
um ciclo hidrológico anual completo, is to e, no mínimo um período de 
temporada de fortes chuvas e um de estiagem da região. 
Plano geral de manutenção do sistema. 
O talude deverá contar com revisões periódicas da rede de drenagem e da 
proteção superficial, com correção de problemas tais como: 
 extravasamentos com a formação incipiente de sulcos de erosão 
causados por assoreamento, pequenos deslizamentos de montante, 
ocupação do elemento de drenagem com ramas de vegetação e 
problemas assemelhados; 
 falhamento no revestimento protetor ou ocupação por espécies 
daninhas que prejudiquem a vegetação primitiva; 
 descalçamento de elementos de drenagem; 
 formação de sulcos de erosão, tendendo danificar os elementos de 
drenagem; 
 
172 
 danos na proteção superficial, no caso de adoção de revestimento 
como o betuminoso concreto projetado sem ou com tela metálica e 
chumbadores. 
 
 
 
 
173 
Exercício 
Ex. 2) Compare a velocidade critica ou de autodragagem de um canal 
considerando os diversos tipos de solo, de acordo com a tabela da ABNT, 
abaixo; 
 
Tamanho das partículas de acordo com a ABNT 
Fração Limites Velocidade (m/s) 
Matacao De 25 cm a 1,0 m 
Pedra De 7,6 cm a 25 cm 
Pedregulho De 4,8 cm a 7,6 cm 
Areia grossa De 2,0 cm a 4,8 cm 
Areia media De 0,042 mm a 2,0 cm 
Areia fina De 0,05 mm a 0,042 mm 
Silte De 0,005 mm a 0,05 mm 
Argila Inferior a 0,005 mm 
 
 
Um pouco de Geologia! 
 
As partículas resultantes da desagregação de rochas dependem da 
composição da rocha matriz. 
 
P.e. 
 QUARTZO: Siltes e Areias – SiO2 (Silício e Oxigênio) 
 FELDSPATOS: Argilas ‹ 2,0 mm – SiO2 e Al (OH)3 (Caulita, ilita, 
esmectita) 
 
Sua identificação por prospeção do subsolo segue os procedimentos da 
NBR 6484. 
 
174 
 
RECOMENDAÇÕES PARA URBANIZAÇÃO FUTURA 
Da observação dos problemas mais comuns, relacionados aos processos 
erosivos, recomendam-se as seguintes diretrizes para futuros loteamentos: 
 
Concepção do projeto 
 
 Manter desocupadas as cabeceiras e linhas de drenagem natural, 
utilizando-as como áreas verdes; 
 Evitar que o projeto de drenagem conduza as galerias à concentração 
das pluviais nas cabeceiras da drenagem natural, sem a devida 
proteção e dissipação da energia; 
 Traçado viário deve evitar ruas longas situadas perpendicularmente as 
curvas de nível. 
 Evitar concepções de projeto que impliquem movimentos de terra nas 
proximidades das drenagens naturais; 
 Procurar situar as vias principais paralelamente as curvas de nível; 
 Prever, nas extremidades inferiores dos loteamentos, nos locais de 
lançamento das águas pluviais, estruturas de dissipação que impeçam a 
ocorrência de processos erosivos. 
 
Implantação do loteamento; 
 
 Os loteamentos devem ser implantados por sub-bacias de drenagem; 
 A implantação deve ser realizada jusante para montante; 
 As obras de terraplanagem devem ser realizadas simultaneamente com 
as obras de drenagem e obras de proteção superficial; 
 Durante a execução das obras, as redes de drenagem deveram estar 
devidamente protegidas contra o assoreamento e a obstrução; 
 Nos movimentos de terra de grande porte, devem-se prever sistemas 
provisórios de drenagem; 
 
175 
 Evitar a execução das obras de terra e de implantação do sistema de 
drenagem nos períodos chuvosos. 
 
Manutenção 
 
 Os sistemas de drenagem devem ser periodicamente inspecionados, 
realizando-se os reparos das partes destruídas e a desobstrução e o 
desassoreamento dos coletores; 
 Os lotes vazios devem ser mantidos com cobertura vegetal; 
 As vias de circulação e os demais espaços públicos devem ser mantidos 
limpos, equacionando-se o problema do lixo. 
 
 
 
176 
ANEXOS 
 
ENSAIOS EM LABORATÓRIO PARA DETECÇÃO DE TERRENOS 
ERODÍVEIS 
Ensaios de laboratório não são exatamente específicos para a detecção de 
terrenos erodidos embora haja alguns trabalhos que relatam experiências 
com parâmetros mais estudados em relação a resultados de ensaios como 
os de caracterização: Análise granulométrica e Limites de Atteberg, Cone 
de Penetração, Permeabilidade, Compressão Axial, Cilindro Rotatório. 
Os mais específicos são: 
• Inderbitzen, 
• Desagregação. 
Descrição de alguns Ensaios para caracterização da erosão 
Ensaio de absorção de água e perda de massa por imersão 
O índice de absorção (S) é estabelecido com auxílio de um gráfico que 
representa volume de água absorvido por unidade de área da base do 
corpo de prova (q) em função da raiz quadrada do tempo (t), sendo o 
índice de absorção (S) o coeficiente angular do trecho inicial retilíneo. 
Encerrado o ensaio de absorção de água, realiza-se o ensaio de perda por 
um período de 24 horas, determinando-se assim a perda de massa seca (P) 
em percentagem em relação à massa seca inicial da amostra. 
 
 
 
 
 
 
Índice de erodibilidade (e); 
Plotando-se os valores de S (abscissa) e P (ordenada), o índice de erodibilidade proposto por 
Nogami & Villibor (1979) é calculado através da seguinte expressão: E = 52 S/P, onde S e P 
são os valores determinados. O valor de E igual a 1, separa os materiais erodíveis dos não 
erodíveis. Valores abaixo da unidade indicam solos com alta erodibilidade. 
 
177 
Ensaio de penetração de cone 
Este ensaio é baseado na utilização do equipamento de ensaio normalizado 
pela BS 1377:1975 (Head, 1980), porém com algumas alterações. A 
necessidade de se ajustar novos parâmetros para a execução do ensaio 
tornou-se imprescindível, haja vista que para a configuração original do 
equipamento, as medidas de penetração no solo, na condição em que 
seriam estudados, não se tornariam viáveis. 
Vários testes devem ser realizados variando-se a altura de queda e a massado conjunto de penetração, empregando-se amostras de solo compactadas, 
com o grau de compactação variando na faixa de 80 a 85% do Proctor 
Normal. Buscando-se um procedimento reprodutível para medir a 
resistência à penetração tanto das amostras na sua condição de umidade 
natural quanto depois de saturadas. Procura-se estudar o comportamento 
de amostras indeformadas com altura de 40 mm e diâmetro de 73 mm, 
perante a penetração de um cone com ângulo de abertura de 30 e altura 
de 35 mm. Ver figura a seguir. 
Mede-se em cada teste a altura de penetração alcançada pela sua ponta 
em 09 (nove) pontos diferentes na superfície de cada amostra. A Saturação 
é obtida por capilaridade pelo período de 1 hora. Os valores de penetração 
natural e saturada são obtidos através da média dos valores alcançados em 
três repetições, excluindo-se aqueles que apresentem valores de dispersão 
em relação à média acima de 5%. A Figura abaixo mostra o equipamento 
do ensaio de penetração de cone. 
 
 
178 
 
 
Figura - Equipamento de ensaio de penetração de cone 
 
A partir dos valores de penetração nas condições natural (Pnat) e saturada 
(Psat), pode-se definir DP (variação de penetração), conforme a equação a 
seguir apresentada: 
DP = (Psat. - Pnat.) / (Pnat.) = DP (variação de penetação) 
Conclusão: Terrenos mal compactados propiciam uma ação erosiva 
intensa sobre eles. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
179 
Ensaio de compressão simples 
 
Os ensaios de resistência à compressão simples foram realizados em 
corpos de prova na condição de umidade natural e de saturação. Esta 
saturação foi obtida por capilaridade para um período de 3 horas. O 
cisalhamento do corpo de prova foi realizado de acordo com o que 
preconiza a ABNT - NBR 12770 (Determinação da resistência à compressão 
não confinada). 
 
 
180 
Ensaios de permeabilidade 
Na tentativa de visualizarmos alguns fenômenos que ocorrem nas 
voçorocas, pode-se montar modelos na tentativa de obter alguns resultados 
qualitativos sobre a mesma. 
- Bloco indeformado submetido à secagem e saturação: submete-se, um 
bloco coletado da boçoroca a estudar, a ciclos de secagem (lâmpadas de 
aquecimento) e saturamento (gotejamento). As observações poderão 
evidenciar o aparecimento de trincas na superfície após alguns ciclos de 
saturação e secagem, podendo evoluir e se ramificar em tempo 
relativamente curto. 
 
Simulação do fenômeno “piping” em modelo reduzido da encosta 
Monta-se um modelo usando sedimentos da boçoroca a ser estudada com o 
grau de compactação real e umidade próxima à ótima. Na região à 
montante da encosta construísse um reservatório de água que estabelece 
um gradiente hidráulico próximo à 1/3. 
Após um período de aproximadamente 30 horas de percolação verifica se o 
sedimento se liquefez na base do talude, se ocorreu também remoção de 
partículas externas e internas ("piping"). Segue-se a esse fenômeno a 
formação de cavidades, geradas pelo deslocamento do material liquefeito. 
(pipe = transportar, tubo, bombeamento, etc). 
 
Ensaio de teste químico 
Que consiste em se determinar à quantidade meq/1 dos sais de Na,K,Ca,Mg, 
em um extrato de saturação, obtido a partir de uma pasta saturada do solo. 
Relacionando resultados de testes químicos e performance dos sedimentos 
analisada constata-se zonas de características de solos dispersivos ou não 
dispersivos. Conseqüentemente, tal fenômeno também contribui para o 
desenvolvimento de erosão interna nos sedimentos em questão. 
 
181 
Ensaio com cilindro rotativo; 
O Cilindro Rotatório possui duas vantagens principais em relação aos demais 
ensaios de erosão. Em primeiro lugar, submete o corpo de prova durante o 
ensaio a tensões hidráulicas de cisalhamento que é o esforço real que 
produz o fenômeno de erosão. Em segundo, fornece um resultado 
quantitativo da resistência a erosão, ou seja, a "tensão de cisalhamento 
hidráulica critica" definida como aquela que produz o inicio de arraste das 
partículas de solo. 
Os resultados deste ensaio podem ser usados para prever a ocorrência de 
erosão nos casos em que a superfície do solo é solicitada por um fluxo 
d'água como em canais de terra, em taludes de corte ou aterro, em valas de 
drenagem, e também na escolha da dosagem adequada de aditivo 
estabilizador, etc. 
 
O ensaio de Inderbitzen 
Tem por finalidade medir a erosão de uma amostra de solo indeformada ou 
compactada sob diversas condições de vazão, inclinação do topo da amostra 
e umidade. 
O equipamento usado para o ensaio é um plano inclinado com um furo 
central circular, preso em cantoneiras que possibilitam variar seu ângulo de 
inclinação. No furo coloca-se a amostra de solo de 15,24cm de diâmetro e 
4,60cm de altura a ser ensaiada cuja superfície fica no mesmo nível que a 
do plano. Na parte superior da rampa, adapta-se um reservatório que 
proporciona o fluxo da água na superfície do plano. A vazão é mantida 
constante durante cada ensaio. O equipamento é mostrado em anexo. 
A metodologia para execução do ensaio de Inderbitzen faz parte bibliografia 
especializada. 
Realiza-se o maior numero possíveis ensaios de Inderbitzer em amostras 
coletadas nos diferentes horizontes das áreas-teste. Ensaia-se, 
predominantemente nas vazões de 173cm3 /seg e 314cm3/seg, com as 
inclinações de rampa de 44o e 59° e sob as seguintes condições de umidade 
da amostra: na umidade natural (a maior quantidade), após ressecamento 
em estufa a 50° e após embebição. As condições de ressecamento visam 
reproduzir o efeito da insolação no talude e as de embebição o de um clima 
úmido. 
 
182 
Compara-se a susceptïbilidade do solo à erosão conforme avaliada em 
laboratório com a observação qualitativa da erosão dos horizontes de solo 
nas áreas-teste. 
O ensaio de Inderbitzen pode ser, portanto uma boa medida da 
susceptibilidade do solo à erosão. 
 
Ensaio de Desagregação 
O ensaio de desagregação foi idealizado em 1958 pela enga. ANNA 
MARGARIDA FONSECA quando estudava solos para fins de fundação em 
Brasília. 
Consiste em colocar amostras de forma cúbica com cerca de 6cm de lado 
em uma bandeja com água. A amostra fica submersa a 1/3 de sua altura. 
Anota-se o tempo de saturação da amostra, o tempo de início de sua 
fissuração e o tempo de sua desagregação total ou parcial. 
A metodologia para execução do ensaio de desagregação foi constada nas 
RECOMENDAÇÕES PARA PROTEÇÃO DE TALUDES CONTRA EROSAO 
SUPERFICIAL. 
 
 
 
 
 
 
 
183 
IMAGENS DE EROSAO 
 
 
 
 
 
 
 
 
184 
TABELAS 
 
TABELA 1 
Perdas de solo por erosão decorrente de diferentes coberturas vegetais 
(Bertoni, 1985). 
TIPO DE VEGETACAO OU 
CULTIVO 
PERDAS DE SOLO 
(ton/ha ano) 
Mata 0,004 
Café 0,9 a 1,1 
Pastagem 0,4 a 0,7 
Mamona 41,5 
Feijão 38,1 
Mandioca 33,9 
Amendoim 26,7 
Arroz 25,1 
Algodão 24,5 a 33,0 
Soja 20,1 
Batata 18,4 
Cana 12,4 
Milho 12,0 
Milho + Feijão 10,1 
Fonte: Livro Engenharia Ambiental, pág. 137 – Benedito Braga. 
 
185 
TABELA 2 
 
Valores de C (fator cultivo) para cobertura vegetal 
Tipo e altura de cobertura (% da cobertura do solo e o coeficiente “c”) 
 0% 20% 40% 60% 80% 
95-
100% 
Cobertura de pastos 
baixos 
0,45 0,20 0,10 0,042 0,013 0,003 
Cobertura de pastos 
e ervas (0,5m) 
0,36 0,17 0,09 0,038 0,012 0,003 
Arbustos (2 m) 0,40 0,18 0,09 0,040 0,013 0,003 
Árvores (4 m) 0,42 0,19 0,10 0,041 0,013 0,003 
Fonte: Jaime Suarez Diaz – Control de Erosion – pág. 41 
 
TABELA 3 
 
FATOR “P” DE PRÁTICAS DE CONSERVACÃO 
DECLIVIDADE % CULTIVO EM NÍVEL 
EM 
FAIXAS 
TERRAÇOS 
1-2 0,60 0,30 0,12 
3-8 0,50 0,25 0,10 
9-12 0,60 0,30 0,12 
13-16 0,70 0,35 0,14 
17-20 0,80 0,40 0,1621-25 0,90 0,45 0,18 
Fonte: Jaime Suarez Diaz – Control de Erosion – pág. 42 
 
186 
TABELA PARA CLASSIFICAÇÃO DO SOLO ERODIDOS 
251
 
TABELA 
Perdas de solo por erosão decorrente de diferentes coberturas vegetais (Bertoni, 1985).
Fonte: Livro Engenharia Ambiental, pág. 137 – Benedito Braga.
TIPO DE VEGETACAO OU CULTIVO PERDAS DE SOLO (ton/ha ano)
Mata 0,004
Café 0,9 a 1,1
Pastagem 0,4 a 0,7
Mamona 41,5
Feijão 38,1
Mandioca 33,9
Amendoim 26,7
Arroz 25,1
Algodão 24,5 a 33,0
Soja 20,1
Batata 18,4
Cana 12,4
Milho 12,0
Milho + Feijão 10,1
258
 
187 
LEI N° 6.225, de 14 de julho de 1975. 
 
Dispõe sobre discriminação, pelo Ministério da Agricultura, de regiões para 
execução obrigatória de planos de proteção ao solo e de combate à erosão 
e dá outras providências. 
 
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA 
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: 
Artigo 1° - O Ministério da Agricultura, dentro do prazo de 180 (cento e 
oitenta) dias, discriminará regiões cujas terras somente poderão ser 
cultivadas, ou por qualquer forma exploradas economicamente, mediante 
prévia execução de planos de proteção ao solo e de combate à erosão. 
Parágrafo Único - A discriminação de terras de que trata este Artigo 
poderá ser renovada anualmente. 
Artigo 2° - Os proprietários de terras localizadas nas regiões abrangidas 
pelas disposições desta Lei, que as explorem diretamente, terão prazo de 6 
(seis) meses para efetivamente dar início aos trabalhos de proteção ao solo 
e de combate à erosão e de 2 (dois) anos para conclui-los, contados ambos 
da data em que a medida for obrigatória. 
Parágrafo Único - Quando se tratar de arrendatário de terras, o prazo de 
conclusão dos trabalhos de que trata este Artigo será de 1 (um) ano, 
mantidas as demais condições. 
Artigo 3° - Qualquer pedido de financiamento de lavoura ou pecuária, 
destinado à aplicação em terras onde for exigida a execução de planos de 
proteção ao solo e de combate à erosão, somente poderá ser concedido, 
por estabelecimento de créditos, oficiais ou não, se acompanhado de 
certificado comprobatório dessa execução. 
§ 1° - Dentro do prazo 90 (noventa) dias, a partir da entrada em vigor 
desta Lei, o Ministério da Agricultura enviará ao Banco Central, para 
distribuição à rede bancária nacional, instruções sobre as medidas exigidas 
nas áreas indicadas no Artigo 1° para serem distribuídas, através das 
carteiras de crédito rural, aos agricultores que delas se utilizem. O 
cumprimento dessas instruções passará a ser exigido pelos Agentes 
Financeiros no ano agrícola seguinte. 
§ 2° - Tratando-se de financiamento específico para custeio de planos de 
proteção ao solo e de combate à erosão, a sua tramitação nos 
 
188 
estabelecimentos de créditos preferirá a quaisquer outros. § 3° - As 
instruções mencionadas (vetado) poderão ser reformuladas pelo Ministério 
da Agricultura, sempre que necessário, objetivando o aperfeiçoamento de 
prática conservacionistas. 
Artigo 4° - O certificado comprobatório de execução dos trabalhos será 
passado por Engenheiro-Agrônomo do Ministério da Agricultura, ou de 
outro órgão federal, estadual ou municipal, ou de iniciativa privada, através 
(vetado) de competência outorgada pelo referido Ministério. 
Parágrafo Único - O certificado deverá conter especificações do sistema 
de proteção ao solo e de combate à erosão, empregado pelo interessado. 
Artigo 5° - O Poder Executivo regulamentará o disposto nesta Lei no 
prazo de 180 (cento e oitenta) dias, a contar de sua publicação. 
Artigo 6° - Ao Departamento Nacional de Engenharia Rural (DNGE), do 
Ministério da Agricultura, através de sua divisão de Conservação do Solo e 
da Água (DICOSA), compete promover, supervisionar e orientar a política 
nacional de conservação do solo. 
Artigo 7° - Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação, 
revogadas as disposições em contrário. 
 
189 
Bibliografia especifica 
 
1. Jaime Suarez Diaz – Control de Erosion en Zonas Tropicales – Ed. 
Universidad Industrial de Santander. 2001. Bucaramanga – 
Colombia. 
2. Benedito Braga – Introdução a Engenharia Ambiental – Escola 
Politécnica da Universidade de São Paulo. 2002. São Paulo – Brasil 
3. Sandra Baptista da Cunha – Avaliação e Perícia Ambiental – Ed. 
Bertrand Brasil. 3a ed. 2002. Rio de Janeir o, Brasil. 
4. Tucci – Drenagem Urbana – ABRH –Rio Grande do Sul. 1995. 
SITES: 
a. www.deflor.com.br 
b. www.ipt.br 
 
190 
 
 
 
 
 
CAPÍTULO 07 
 
ÁGUAS SUBTERRÂNEAS 
 
 
Introdução 
Classificação do subsolo quanto à presença de água 
Água e subsolo 
Movimento da água subterrânea 
Permeabilidade – Permeâmetros 
Aqüífero 
Métodos de localização de água subterrânea – Perguntas e respostas. 
 
Aplicações 
Intrusão salina 
Aqüífero Guarani 
Rebaixamento de poço 
 
 
 
191 
1. INTRODUÇÃO 
 
O Brasil possui 70% do maior lençol de águas do mundo, mas todo esse 
potencial de recarga dos rios esta ameaçada pela contaminado do solo e a 
perfuração excessiva de poços tubulares. Falta de Legislação torna o 
problema critico em Minas Gerais. 
Os primeiros poços de que se tem noticia no Brasil foram abertos em 1846, 
visando abastecer duas fabricas de cerveja, uma em Petrópolis e outra em 
São Paulo. Ainda na primeira metade do século XIX, foram perfurados 
poços tubulares no Nordeste, para combater a seca. De lá para cá, houve 
uma verdadeira corrida às águas do subsolo. Estimativas indicam que, por 
ano, em todo o Pais, são abertos cerca de 10 mil poços tubulares.(Estado 
de Minas 23/03/2003 – Pág. 18 – Tesouro subterrâneo saqueado). 
 
1.1 A distribuição de água no planeta 
De toda a água existente no planeta 97% dela é água salgada. Dos 3% 
restantes, 2% estão nas calotas polares e nas geleiras. Somente 1% da 
água existente no planeta pode ser aproveitada pelo homem, tanto para o 
seu consumo direto quanto para a utilização na agropecuária. 
Destes 1% de água potável a maior parte dela encontra-se no subsolo, e a 
única forma possível de alcança-la é através da perfuração de poços. 
 
 
 
 
192 
• Outorgas superficiais - 8607
• Outorgas subterrâneas - 6748
• Certidões de usos insignificante - 2782
DEMANDA HÍDRICA POR FINALIDADE
Outros
5%
Irrigação
60%
Abastecimento
25%
Industrial
7%Aquicultura
3%
Irrigação Abastecimento Industrial Aquicultura Outros
PANORAMA DAS OUTORGAS NO ESTADO DE MG
293
 
 
 
 
 
193 
1.2 O comportamento do subsolo 
Em síntese, o subsolo é formado por estruturas porosas e estruturas 
impermeáveis. Cada uma delas apresenta diferentes características de 
armazenamento e condução de água. 
Estruturas porosas 
Dentre as estruturas porosas existem aquelas constituídas por materiais 
que permitem a circulação da água por entre os seus poros com facilidade, 
por apresentarem grandes espaços entre os seus grãos (figura 1), e outras 
que são compostas por materiais que absorvem a água, mas a retém entre 
os seus grãos, por apresentarem espaços muito pequenos entre eles, o que 
dificulta a circulação da água em seu meio (figura 2). 
 
 
 
Estruturas impermeáveis 
Composta por materiais impermeáveis, a absorção da água ocorre em 
níveis baixíssimos ou nulos, sendo a característica predominante da 
estrutura impermeável à condução da água através de fendas ou fraturas. 
Como exemplo tem-se as rochas cristalinas, que podem ser constituídas 
por granito, riólito, varvito, siltito, etc. 
 
194 
Fonte: Recursos Hídricos- bloco 4 – Ed. 2000 – Ed. Unicamp.
Material Geológico Tamanho do grão (mm) Porosidade (%)
Condutividade Hidráulica K 
(m/dia)Argilas 0,0005 a 0,002 45 a 60 < 10-2
Argilas aluvionares 0,06 a 2,0 30 a 40 1 a 500
Cascalhos aluvionares 2,0 a 64,0 25 a 35 500 a 10000
Arenito médio 5 a 30 10-4 a 10
Granito grande 0,0001 a 1,0 0,0003 a 0,03
Ardósia pequeno 0,001 a 1,0 10-8 a 10-5
301
 
270
 
 
 
195 
 
 
Esquema ilustrativo de subsolo com Estrutura Impermeável 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
196 
 
 
1.3 A Hidrogeologia 
Os Rios 
Os rios formam parte do ciclo hidrológico - a circulação contínua de água 
entre a terra, o mar e a atmosfera. A nascente de um rio pode ser uma 
fonte na montanha ou um lago, ou uma geleira em fusão. O curso que o 
rio toma a seguir depende da declividade do terreno e dos tipos de rochas 
e formações sobre os quais escoa. Em seu curso superior em terras altas, o
 
197 
rio corre sobre rochas e matacões descrevendo saltos e entalha vales de 
vertentes íngremes em forma de V. Mais a jusante, flui calmamente sobre 
sedimentos e forma meandros divagantes, erodindo lateralmente para dar 
origem a planícies e vales amplos. Ao chegar à costa, o rio pode depositar 
sedimentos para formar um estuário ou um delta. 
 
 
2. Classificação do subsolo quanto à presença de água 
2.1 Classificação do solo 
a) Zona de aeração; 
b) Zona intermediária de Lençol freático; 
c) Zona de saturação ou de água subterrânea; 
d) Mergulho do lençol. 
 
Mergulho do Lençol tem a direção do mergulho da superfície do terreno em 
direção a uma área de pressão mais baixa, tal como um córrego 
(nascente). 
 
2.2 Divisão das rochas quanto a sua permeabilidade 
 Permeável: 0,005 m/dia ≤ V ≤ 1,5 m/dia 
 Impermeável: V ≤ 0,005 m/dia 
 
 
198 
 
 
 
 
199 
MOVIMENTO DA ÁGUA SUBTERRÂNEA 
O movimento da água subterrânea segue as leis da hidrodinâmica, o 
teorema de Bernoulli e a equação da Continuidade, onde a perda de carga 
será devido ao atrito interno da água através da amostra de solo. A lei de 
Darcy (1856) explica esse fenômeno. 
 
3.1 Dedução da Lei de Darcy a partir da equação da 
continuidade; 
Equação da continuidade, 
∆J + g + E . (∂P/∂t) = 0 
Onde: 
g = ganho ou perda interna 
E = energia do sistema 
P = quantidade qualquer 
t = tempo 
J = densidade de fluxo (q/A) 
q = taxa de fluxo. 
 
3.2 Condições de estudo 
Reynolds (1< RE <10) maioria das águas subterrâneas; 
 Fluxo permanente; 
 Unidimensional; 
 Sem fonte ou perda interna. 
 
200 
∆J + 0 + 0 = 0 
(JE - JS) + 0 + 0 = 0 
Logo, 
Jε = Js = J 
E, 
J = Q / A = C.∆P 
Onde: 
C = coeficiente de proporcionalidade entre a Densidade de Fluxo e a Forca 
motriz (P) 
Fazendo, 
C = K 
E, chamando K de condutividade hidráulica do solo, dado pela formula 
abaixo; 
 
K = (p.ρ.g)/μ 
Onde 
p = permeabilidade do solo 
ρ = densidade da água 
g = aceleração da gravidade 
μ = viscosidade dinâmica da água 
Fazendo, 
P = H = chamando-a de carga hidrostática 
Tem-se; 
 
Q = K . A. (ΔH /ΔX) 
 
Lei de Darcy para o fluxo de percolação da água através de um solo com 
condutividade hidráulica K e gradiente hidráulico ∆H. Também aplicada 
 
201 
para os experimentos que medem a percolação da água através de um 
solo, ou seja, os permeâmetros de coluna fixa e o de coluna variável. 
Ou 
 
Q = A.V 
Q / A = V = K.(ΔH /ΔX) 
V = Velocidade de percolação da água subterrânea, em m/s 
 
 
 
202 
Exemplo 
 
Numa sondagem de solo a percussão concomitantemente foi efetuada um 
ensaio de percolação para determinar o coeficiente de percolação, k do 
solo Deve-se manter o furo do solo permanente cheio com água durante 
um intervalo de tempo. Pois, a vazão que entra (água adicionada pelo 
laboratorista) deverá ser igual à vazão que irá percolar no solo. Foi iniciado 
após a saturação do solo. Considere o diâmetro do furo no solo igual 6,35 
cm. 
De acordo com o quadro abaixo, pede-se para determinar o coeficiente de 
permeabilidade k do solo. 
 
Quadro 4 
 
Ensaio a percussão para percolação da água 
Ord Hora Tempo (min) Volume (litro) 
1 11:05 0 - 
2 11:06 1 0,370 
3 11:07 1 0,370 
4 11:08 1 O,320 
5 11:09 1 0,320 
6 11:10 1 0,280 
7 11:11 1 0,290 
8 11:12 1 0,280 
9 11:13 1 0,260 
10 11:14 1 0,250 
11 11:15 1 0,290 
TOTAL - 10 3,030 
Fonte: secundária 
Nota: 
 
203 
Considere: y1 = 50 cm; y2 = 2,0 m e L = 3,0 m 
 
Figura de Sondagem à percussão; 
 
 
 Y1 
 
 Tubo 
 
 Y2 
 h 
 
 
 
 Solo 
 L 
 
 
 
Figura 6 – sondagem para percolação da água Fonte: 
secundária 
Solução; 
Da Lei de Darcy 
Q = k. A.(H/L) 
(3,03.10-3 m3/10.60 seg) = k. [3,14 (6,35.10-2)2 / 4].2,5/3,0 
Resposta; 
k = 1,91.10-3 m/s = 1,91.10-5 cm/s 
Q(vazão 
adicionad
a) 
Q (vazão que 
sai por 
percolação) 
 
204 
AQÜÍFEROS 
 
4.1 Definição 
Rocha que armazena e flui água. Dependerá da porosidade e 
permeabilidade da rocha. 
Os melhores aqüíferos são areias e cascalhos aluvionares. 
 
4.2 Classificação 
Ver figura abaixo sobre os aqüíferos confinados e não confinados. 
 Aqüíferos não confinados; 
 Aqüíferos confinados; 
 Poço artesiano; 
 Superfície piezométrica; 
 Área de recarga e oásis. 
 
Figura de aqüífero 
 
 
 
 
 
205 
2. LOCALIZAÇÃO DE ÁGUA SUBTERRÂNEA 
 
5.1 Métodos geológicos 
 
É o estudo geológico superficial, utilizando fotografias áreas e mapas 
geológicos disponíveis, para mapear os tipos de rochas com suas 
porosidades e condutividade hidráulica. E constatar possíveis aqüíferos 
existentes. 
Material 
Geológico 
Tamanho do 
grão (mm) 
Porosidade 
(%) 
Condutividade 
Hidráulica K 
(m/dia) 
Argilas 0,0005 a 0,002 45 a 60 < 10-2 
Argilas aluvionares 0,06 a 2,0 30 a 40 1 a 500 
Cascalhos 
aluvionares 
2,0 a 64,0 25 a 35 500 a 10000 
Arenito médio 5 a 30 10-4 a 10 
Granito grande 0,0001 a 1,0 0,0003 a 0,03 
Ardósia pequeno 0,001 a 1,0 10-8 a 10-5 
Fonte: Recursos Hídricos- bloco 4 – Ed. 2000 – Ed. Unicamp. 
 
5.2 Métodos Hidrológicos 
 
 Inclui investigações da disponibilidade da água para recarga do aqüífero 
(precipitação, escoamento superficial); 
 Infiltração, indicar rochas impermeáveis; 
 Fontes, mapear a posição do lençol freático em aqüífero. 
 
5.3 Métodos geofísicos 
 
Investigações com maiores detalhes. Por sondagens verticais. 
 
206 
A técnica geofísica mais utilizada é a que mede a resistividade. 
A resistividade do ensaio das rochas é controlada principalmente por seu 
conteúdo em água e sua soluvidade, ou pelo seu conteúdo de minério de 
ferro, quando esta é a predominância. 
Rochas secas possuem uma resistividade, enquanto que rochas contendo 
água possuem uma resistividade baixa, uma vez que a resistividade é 
inversamente proporcional e condutível. Um aumento dos íons na água, 
medido pela soluvidade, leva a uma diminuição correspondente da 
resistividade. 
 
 
 
207 
AS PERGUNTAS MAIS FREQÜENTES PARA PROSPECÇÃO 
 
1) Por que usar pesquisa geofísica/ geológica antes de perfurar 
um poço? 
A figura 1 abaixo, responde esta pergunta: 
a. Os poços 1, 3 e 5 serão secos, pelo fato deles não penetrarem as 
zonas de fraturas da rocha; 
b. Os poços 2, 4 e 6 encontraram tais zonas e portanto produzirão 
água; 
Os poços 2 e 4 são surgentes. A águachega até a superfície, devido as 
respectivas áreas de recarga estarem situadas em maior altitude que os 
poços. 
Esboço de um perfil geológico obtido por geofísica indicando os locais para 
perfuração. 
 
 
Obs: a geofísica e a geologia localizam as zonas de fraturas 
 
2) Quais são os problemas hidrogeológicos que a prospecção 
geofísica pode ajudar a resolver? 
- Localização de camadas e fraturas; 
- Localização de cavernas em regiões calcárias; 
 
208 
- Estimativa da profundidade do aqüífero e do nível hidrostático; 
- Localização de antigos canais de rios que podem armazenar uma 
grande quantidade de água subterrânea; 
- Determinação da extensão lateral, espessura e volume de uma 
formação; 
- Avaliação da porosidade total e das reservas de água de um aqüífero; 
- Medida da velocidade de circulação da camada de água; 
- Determinação da salinização das águas; 
- Comprovação de relações entre aqüíferos; 
- Mapeamento de rios subterrâneos; 
- Localização de fontes termais; 
- Em regiões costeiras, profundidade de contato da água doce com água 
do mar; 
- Na perfuração em sedimentos, a posição aproximada dos filtros de 
revestimento; 
 
3) Quais são os principais métodos usados na prospecção 
geofísica de água subterrânea? 
Mapeamento de subsuperfície em termos de resistividade elétrica das 
rochas. 
O grande progresso tecnológico e científico atualmente faz com que os 
métodos aumentem constantemente em número e qualidade. Aqui 
apresentaremos aqueles de aplicação mais generalizada. 
 
4) Em que consiste uma sondagem elétrica? 
Uma sondagem elétrica consiste em estabelecer a curva de variação com a 
profundidade da resistividade aparente de um terreno através de medidas 
na superfície realizada com ajuda de um dispositivo de quatro eletrodos 
AMNB. A profundidade de investigação pode ser regulada variando as 
distâncias entre A, B da corrente. 
 
209 
 
 
Variação de resistividade com a Profundidade 
 
 Dispositivos Mais Usados 
 
 
 
 
210 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
211 
MÉTODOS ELETROMAGNÉTICOS - FUNDAMENTOS 
Apesar de existir uma grande variedade de métodos eletromagnéticos, 
todos eles têm o mesmo fundamento: se na superfície existe um corpo 
condutor submetido a um campo magnético, este campo induz nele uma 
corrente que por sua vez gera um campo magnético que permite localizá-
lo. 
 
 
Exemplo para o VLF 
 
 
 
TRANSMISSORES DISTANTES ENVIAM O SINAL 1 
O VLF – EM faz uso de transmissores de rádio distantes que enviam 
comunicações para submarinos na freqüência de 15 – 30 KHz. Um receptor 
portátil é usado para medir a componente real "in-phase" do campo 
magnético vertical secundário de condutores (aqüíferos ou minerais, da 
subperfície, relativo ao campo primário horizontal. 
 
212 
FATOS SOBRE A ÁGUA SUBTERRÂNEA 
• Aproximadamente 800 000 poços são perfurados nos Estados Unidos 
anualmente. Isto implica o uso de mais de 19 000 perfuratrizes e 
aproximadamente 8 000 firmas de perfuração. 
• No Brasil não chegamos nem a 10 000 poços por ano. 
A região mais seca do Brasil, Nordeste é onde quase não se perfuram 
poços. 
• Água subterrânea é água que preenche fraturas e outras aberturas em 
camadas de rocha e areia. Cada gota de água que penetra dentro do 
solo move–se para baixo até o lençol freático, que é o nível de água do 
reservatório subterrâneo. Água subterrânea é encontrada em fraturas 
de rocha e areia capazes de reterem água, semelhante a uma esponja 
que retém água. 
• A locação de poços deve ser de preferência feita por especialistas no 
assunto. 
Para identificar áreas onde a probabilidade de sucesso de perfuração é alta, 
é interessante preparar um MAPA DO LOCAL onde deve ser levado em 
conta: 
a. condições de sub-superfície ( a geofísica fornece estes dados ) 
b. tipos de materiais de superfície 
c. vegetação 
d. topografia 
e. água superficial 
f. possíveis fontes de contaminação 
g. facilidade de acesso a usuários 
Obs.: fotografias aéreas, relatórios geológicos, perfis de poços e mapas 
topográficos são úteis em estudar estes fatores. 
 
 
 
213 
Distância mínima de separação de fontes contaminantes. 
Distância (m) 
100 
depósito de lixo, oficina de consertos de carro, 
postos de gasolina, operações industriais 
50 tanques ou piscina de esgotos 
30 
privada, latrina, fossas, currais, plantações 
que usam fertilizantes 
15 tanque séptico 
7 drenagem, casa 
Depois da abertura de um poço, tanto ele como os sistemas de 
bombeamento devem ser desinfetados para que matem microorganismos 
que podem causar doenças (germes e bactérias) que podem se localizar no 
revestimento do poço, areia, solo, na tubulação de bombeamento e na 
água usada na operação de perfuração. 
Dois produtos usados na desinfetação de poços são: 
a) hipoclorito de sódio 
b) hipoclorito de cálcio 
É interessante ter a assistência de um especialista para efetuar a 
desinfecção do poço. Muito cuidado deve ser tomado no uso destas 
substâncias desde que concentrações superiores a 1000 ppm podem ser 
fatais. Obs.: na falta de um especialista usar uma quantidade de 250 
miligramas / litro e deixar pelo menos 24 horas dentro do poço. Bombear o 
poço até desaparecer o odor do produto. 
Efetuar a análise bacteriológica depois de uma semana. 
 
 
214 
LEITURA COMPLEMENTAR 
 
INTRUSÃO SALINA 
É a cunha de água subterrânea salgada, de maior densidade, situada 
debaixo da água subterrânea doce, menos densa, situada abaixo do 
continente. 
Figura da intrusão salina ou cunha 
 
215 
Condições de equilíbrio na intrusão salina 
Aplicando manométrica no ponto X (interface água doce e água salgada), 
têm-se: 
h2 = ƒ(h1) - altura da coluna de água 
p1d = p2 s - pressão da água doce e salgada 
ρd = 1000 Kg/m
3 - água doce 
ρs = 1025 Kg/m
3 - água salgada 
Solução; 
pd.g(h2 + h1) = ρs.g.h2 
h2 = ρd.h1/(ρs – ρd) 
Daí, 
h2 = 40.h1 
 
 
216 
Prevenção e controle de intrusão salina no litoral 
 Manter o lençol freático sempre acima do nível do mar e mergulhando 
para baixo, em direção e corta a taxa de remoção da água subterrânea. 
 Injeção de água doce no subsolo: 
- Coleta do excesso da chuva, impedindo na espera diretamente o 
mar, ela será, então injetada por poços secundários situados entre 
os poços principais de extração e o litoral. 
- Descargas de esgoto. 
 
 
217 
POTENCIAL HIDROGEOLÓGICO DA AMAZÔNIA 
Antonio Carlos F.N.S. Tancredi6 
 
Os recursos hídricos subterrâneos na Região Amazônica são ainda 
pouco estudados. Seu potencial é grande, porém pouco conhecido. 
A ocorrência da água subterrânea pode ser classificada em duas 
principais unidades hidrogeológicas: os aqüíferos de rochas cristalinas e os 
aqüíferos de rochas sedimentares (Figura 1). 
 
 
 
 
 
Figura 1 – Áreas cristalinas e sedimentares da Amazônia 
(adaptado de CUNHA et al, 1994). 
 
 
6
 Presidente da ABAS / Núcleo Pará, Rua Antonio Barreto, 1013 - Umarizal, CEP 66055-
050 - Belém - PA, Fone: 091 223-0983. 
 
218 
AQÜÍFEROS DE ROCHAS CRISTALINAS 
 
O manto de intemperismo é de maneira geral espesso e apresenta 
uma zona com areias argilosas, as vezes com concreções lateríticas; 
contem material friável de agregados de cristais desintegrados e 
fragmentos de rochas. As zonas de rochas fraturadas são alongadas em 
diversas direções e com comprimento de metros a muitos quilômetros. 
Pode estar preenchida com material argiloso mais impermeável ou mais 
grosseiro 
Pesquisas hidrogeológicas com utilização de métodos geofísicos paraa determinação da espessura máxima da camada intemperizada e 
mapeamentos estruturais têm resultado na locação de poços de captação 
com produtividade superior a 70 m3/h nas áreas cristalinas do Escudo Brasil 
Central. 
A porosidade efetiva situa-se de 0,01 a 0,1 e a condutividade 
hidráulica varia de 10-2 m/d a 102 m/d. 
As zonas mais produtivas das águas subterrâneas nas áreas do 
embasamento cristalino localizam-se, de maneira geral, até a ordem de 30 
m de profundidade, diminuindo com o aumento da profundidade, com 
viabilidade até cerca de 60 m. Porém há sistemas de fraturas com 
profundidades maiores, que após estudos de sua distribuição tem mostrado 
grande potencial de armazenamento. 
 
AQÜÍFEROS DAS ROCHAS SEDIMENTARES 
 
Bacia do Tacutu 
Nessa bacia a Formação Boa Vista recobre as demais unidades e 
constitui-se no aqüífero mais importante. O nível hidrostático das águas 
subterrâneas situa-se até a profundidade de pouco mais de 15 m, segundo 
a altitude do local. A espessura máxima desse sistema hidrogeológico situa-
se em torno de 120 m. 
Os principais aqüíferos na bacia do Tacutu na parte brasileira são 
constituídos por cascalhos, areias e arenitos da Formação Boa Vista, Areias 
Brancas e Aluviões Quaternários. Dados de poços tubulares apresentam 
para o coeficiente de transmissividade 300 m2/d e para a condutividade 
hidráulica 33 m/d. 
 
219 
Bacia do Acre 
Na Bacia do Acre a Formação Solimões ocupa a parte superior com 
espessuras que atingem mais de 2 000 m. Os aqüíferos são constituídos 
por camadas arenosas intercaladas a camadas argilosas. Os arenitos do 
Grupo Jaquirana apresentam condições favoráveis de armazenamento da 
água subterrânea, porém situam em maiores profundidades, a partir de 
300 m a 400 m. 
 
Bacia do Solimões 
A Bacia do Solimões apresenta em superfície as rochas do Grupo 
Javari, com as Formações Solimões e Alter do Chão. Os aqüíferos são 
constituídos par areias e arenitos da Formação Solimões e por cascalhos, 
areias e arenitos da Formação Alter do Chão. A espessura desse sistema 
hidrogeológico atinge mais de 2 000 m com grande potencial para 
explotação. 
 
Bacia do Amazonas 
A Bacia do Amazonas apresenta em superfície rochas da Formação 
Alter do Chão que atingem 1 250 m de espessura. Há grande número de 
poços tubulares nessa formação em Manaus e em Santarém com 
profundidade até 204 m em Manaus (espessura máxima nessa localidade) 
e 255 m em Santarém. 
Os aqüíferos são constituídos por cascalhos, areias e arenitos. 
Estudos realizados na região de Santarém indicam que o sistema 
hidrogeológico apresenta 600 m de espessura com 480 m de aqüíferos 
arenosos, os quais estão intercalados a camadas argilosas. As 
transmissividades apresentam valores compreendidos entre 130 m2/d a 790 
m2/d, a porosidade específica de 0,2 e o coeficiente de armazenamento de 
3.10-4 a 4.10-4, indicando grande potencial de produtividade da água 
subterrânea. A reserva total de água subterrânea avaliada em uma área de 
900 km2 dessa região apresentou o valor de 86,78. 109 m3, valor bastante 
expressivo. 
A Formação Alter do Chão, devido sua constituição 
predominantemente arenosa, sua grande espessura, ter grande exposição 
na Bacia do Amazonas e estar em profundidades acessíveis a captação em 
grande parte da Bacia do Solimões constitui-se num dos mais importantes 
sistemas hidrogeológicos da Amazônia. 
 
220 
Bacia da Foz do Amazonas 
 
Na Bacia da Foz do Amazonas, notadamente na Ilha de Marajó, os 
aqüíferos são constituídos por areias, intercalados a argilas, do Grupo Pará, 
com as Formações Tucunaré e Pirarucu. O nível hidrostático da água 
subterrânea, próximo a superfície, situa-se até 6 m de profundidade nas 
parte mais elevadas. Grande parte das águas subterrâneas, principalmente 
na parte central da Ilha de Marajó possui elevadas concentrações de sais 
dissolvidos, com águas doces, salobras e salgadas. Estudos hidrogeológicos 
do IDESP, com aplicação do método de eletrorresistividade delinearam os 
aqüíferos e sua qualidade de água. As transmissividade apresentam valores 
compreendidos entre 50 m2/d a 900 m2/d. 
Um sistema de paleocanais, de constituição arenosa, identificáveis 
em fotografias aéreas ou imagens de radar ou satélites, através da foto 
interpretação hidrogeológica, muitas vezes com feições alongadas, 
apresentam água de melhor qualidade, tendo grande importância na parte 
central da Ilha. 
Em profundidade a partir de 80 m através da eletrorresistividade foi 
identificado camadas com água de melhor qualidade havendo captação 
para abastecimento público. 
As rochas do Grupo Barreiras também constituem importantes 
aqüíferos em áreas do Amapá e Pará. Sua espessura atinge mais de 100 m. 
Os aqüíferos são constituídos por cascalhos, conglomerados, areias e 
arenitos com espessuras variáveis intercalados a camadas argilosas. 
Os aqüíferos do Grupo Barreiras apresentam o maior número de 
poços de captação de água subterrânea da Amazônia, com grande número 
de poços em Belém e na Região Nordeste do Pará e no Amapá. O nível 
hidrostático situa-se até pouco mais de 15 m nas parte mais elevadas do 
terreno; a porosidade específica situa-se em torno de 0,2 e a 
transmissividade atinge valores de mais de 500 m2/d. Em alguns locais 
esses aqüíferos apresentam teores de ferro dissolvido superior a 1 mg/L. 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
CUNHA, P. R. C.; GONZAGA, F. G.; COUTINHO, L. F. C.; FEIJÓ, F.J. 1994. 4 
- Bacia do Amazonas. Bol. Geoc. PETROBRÁS. 8(1): 47-56. 
 
 
 
221 
AQÜÍFERO GUARANI 
 
Descrição do aqüífero Guarani 
O Aqüífero Guarani é um extenso reservatório de águas subterrâneas 
subjacente a quatro países: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Suas 
águas ocorrem preenchendo espaços (poros e fissuras de rochas que se 
convencionaram denominar guarani. As rochas do guarani constituem-se 
de um pacote de camadas arenosas que se depositaram na bacia 
sedimentar do Paraná ao longo do Mesozóico (períodos Triássico, Jurássico 
e Cretáceo Inferior) - entre 200 e 132 milhões de anos. A espessura das 
camadas varia de 50 a 800 metros em profundidades que podem atingir 
1800 metros. Dado o gradiente geotérmico, suas águas podem atingir 
temperaturas elevadas, em geral de 50ºC a 85ºC. 
A arquitetura arqueada para baixo do pacote sedimentar que constitui o 
Aqüífero Guarani é resultante da pressão dos derrames de lavas basálticas 
sobre eles depositados, da ativação de falhamentos e arqueamentos 
regionais e do soerguimento das bordas da bacia sedimentar do Paraná. 
O Aqüífero Guarani é talvez o maior manancial de água doce subterrânea 
transfronteiriço do mundo, estendendo-se desde a Bacia Sedimentar do 
Paraná - Brasil Paraguai e Uruguai - até a Bacia do Chaco - Paraná na 
Argentina, principalmente. Está localizado no centro-leste da América do 
Sul, entre 12º e 35º de latitude sul e entre 47º e 65º de longitude oeste. 
O termo Aqüífero Guarani é a denominação formal dada ao reservatório 
transfronteiriço de água subterrânea doce, formado pelos sedimentos 
fluvio-lacustres do período Triássico (245 - 208 milhões de anos) - 
formações Pirambóia e Rosário do Sul no Brasil, Buena Vista no Uruguai; e 
sedimentos eólicos desérticos do período Jurássico (208 - 144 milhões de 
anos) - formações Botucatu no Brasil, Misiones no Paraguai e Tacuarembó 
no Uruguai e Argentina, (Rocha, 1997). Esta denominação unificadora foi 
dada pelo geólogo uruguaio Danilo Anton em homenagem à nação Guarani 
que habitava essa região nos primórdios do período colonial. Vale salientar 
que este sistema aqüífero foi primeiramente denominado de Aqüífero 
Gigante do Mercosul, por ocorrer nos quatro países participantes do 
referido acordo comercial (Araújo et al.,1995). 
O Aqüífero Guarani tem extensãototal aproximada de 1,2 milhões 
de km², sendo 840 mil km² no Brasil, 225,500 mil km² na Argentina, 
71,700 mil km² no Paraguai e 58,500 km² no Uruguai. A porção brasileira 
integra o território de oito Estados: MS (213.200 km²), RS (157.600 km²), 
 
222 
SP (155.800 km²), PR (131.300 km²), GO (55.000 km²), MG (51.300 km²), 
SC (49.200 km²) e MT (26.400 km²). 
As reservas permanentes de água são da ordem de 45.000 km³ (ou 
45 trilhões de metros cúbicos), considerando uma espessura média 
aqüífera de 250m e porosidade efetiva de 15%, e correspondem à 
somatória do volume de água de saturação do Aqüífero mais o volume de 
água sob pressão. 
As reservas explotáveis do Aqüífero correspondem à recarga natural (média 
plurianual) e foram calculadas em 166 km³/ano: 
1) Além do Guarani, sob a superfície de São Paulo, há outro 
reservatório, chamado Aqüífero Bauru, que se formou mais tarde. 
Ele é muito menor, mas tem capacidade suficiente para suprir as 
necessidades de fazendas e pequenas cidades. 
2) O líquido escorre muito devagar pelos poros da pedra e leva 
décadas para caminhar algumas centenas de metros. Enquanto 
desce, ele é filtrado. Quando chega aqui está limpinho. 
 
 
223 
 
 
 
224 
MINERALIZAÇÃO DE ÁGUAS SUBTERRÂNEAS 
 
 
Suely Schuartz Pacheco Mestrinho7 
 
 
Freqüentemente, a qualidade da água subterrânea é utilizada para 
classificação e determinação do respectivo uso. Com o avanço da 
hidrogeoquímica, várias ferramentas têm se revelado úteis para delinear a 
origem e história de determinado tipo de água, em especial, sua 
mineralização. 
A composição da água subterrânea, via de regra, é reflexo da rocha 
através da qual ela percola. Em uma análise tradicional, para explicar a 
mineralização das águas, os processos hidrodinâmicos e de dissolução dos 
minerais são relacionados, assumindo-se condições estacionárias, mas as 
interações químicas entre as espécies aquosas durante o fluxo são 
simplificadas. Na última década, vêm sendo considerados em conjunto, 
com diferentes graus de sofisticação, os processos hidrológicos e químicos. 
Num sistema aqüífero, interagem inúmeras variáveis. Além da água, 
estes sistemas contêm fases minerais, gasosas e organismos. Os processos 
químicos e biológicos que ocorrem nas águas, são influenciados pelo 
ambiente em que ela é encontrada e as mudanças na composição química, 
decorrentes do contato com as rochas, somam-se àquelas conseqüentes da 
infiltração ou do transporte ao longo do fluxo subterrâneo. À parte destes 
fatores naturais, os efeitos da poluição também influenciam a composição 
da água. 
Quando a água subterrânea entra em contato com a rocha, podem 
ocorrer processos de troca iônica, que se desenrolam por difusão 
intersticial na interface sólido-líquido. Durante o transporte, as substâncias 
presentes na água estão sujeitas a reações ácido-base, formação de 
complexos aquosos, dissolução-precipitação e oxidação-redução. As 
reações microbianas exercem significativo impacto sobre a mobilidade dos 
elementos biologicamente ativos. A compreensão destes processos, 
combinados às condições hidrogeológicas, climáticas, entre outras, 
 
7 Instituto de Geociências da Universidade Federal da Bahia. 
Rua Br. Geremoabo s/nc - CEP 40210-190 Fax: (071) 3366779 Tel: (071) 2450868 - 
E-mail suelyspm@atarde.com.br 
 
225 
freqüentemente conduzem a uma melhor avaliação da qualidade da água, 
da correlação água/litologia e da mineralização das águas subterrâneas. 
Neste contexto, será dado enfoque aos aspectos fundamentais 
relacionados ao tema, junto a discussão de exemplos que ilustram as 
variações naturais de composição química das águas subterrâneas. 
 
226 
REBAIXAMENTO DE UM POÇO 
 
Além da descarga lateral em córregos, rios ou fontes, a água subterrânea 
pode ser extraída de poços. O lençol freático ao redor dos poços, os quais 
se bombeiam água, ira baixar, formando um cone de depressão. 
Existe o rebaixamento temporário e o definitivo. 
 
Equação de equilíbrio de poços, para escoamento permanente, ou 
seja, a vazão de entrada e igual à vazão de sadia. 
 
Q = [π.K(H2 – h2)/ ln(R/r)] 
Onde, 
K = permeabilidade hidráulica do solo 
H = altura do nível do lençol freático anterior ao rebaixo 
h = altura do nível do lençol freático após o rebaixo 
R = raio do cone de depressão 
r = raio do poço 
Q = descarga do poço 
 
227 
 
Contribuição por metro linear em DRENO DE REBAIXAMENTO DE 
LENÇOL: 
 
 
Considerando a contribuição de um lado do dreno e a extensão de 1 metro, 
temos pela lei de Darcy, 
 
Q = K . A . I 
onde 
Q = descarga no meio poroso; 
K = coeficiente de permeabilidade; 
A = área da seção normal à direção do fluxo; 
H = altura máxima do lençol, em relação à base do tubo; 
X = distancia entre o tubo e o ponto de altura máxima do lençol; 
I = gradiente hidráulico. 
 
228 
No ponto P( x,y ) na linha de limite do lençol freático sendo rebaixado, 
considerada a largura de 1m, 
A= Y . 1; I = dy / dx . 
Por Darcy, 
Q = K . y . dy / dx ou Q . dx = K . y . dy 
Integrando: 
Q . x = K . y2 / (2 + C) 
Para 
x = 0 , y = d . portanto , 0 = K . d2 / (2 + C) ou C = - K . d2 / 2 . 
Então, 
Q . x = K . ( y 2 / 2 - d 2 / 2 ) 
Quando 
 x = X , y = H . portanto Q = K ( H 2 - d 2 ) / 2 X 
Supondo os valores de d muito inferiores aos de H, admite-se d = 0 para 
simplificar a fórmula anterior para 
Q = K . H 2 / 2 X 
Se houver contribuição dos dois lados do tubo, dobrar Q para cada metro 
de dreno. 
Se o valor de K não puder ser determinado por ensaios, poderá ser 
avaliado pela expressão empírica de Hazen: 
K = 100 d10
 2 
Onde d10 é o diâmetro efetivo expresso em metros, 
ou ainda K pode ser avaliado pela tabela de coeficientes de 
permeabilidade. 
 
 
229 
Determinação do espaçamento entre DRENOS LONGITUDINAIS 
PROFUNDOS: 
 
Ao constatar a necessidade de construção de drenos longitudinais 
profundos, verificar se é preciso projetar UMA ou mais linhas de drenos, o 
que será feito pelo cálculo do espaçamento entre as linhas. O cálculo do 
espaçamento é feito pela fórmula 
 
E = 2 . h .(K / q ) 0,5 
 
onde 
 E = espaçamento entre linhas de drenos, em m; 
 h = altura do lençol freático em m; 
 K = coeficiente de permeabilidade do solo em m / s ; 
 q = contribuição (devida à precipitação) por metro quadrado da 
área de infiltração em m3/s/m2 
A quantidade de água infiltrada deverá ser igual a capacidade drenante dos 
tubos. 
 
 
Chamando: 
E = espaçamento entre os drenos (m); 
H= altura do lençol acima da linha dos drenos após construção (m); 
 
230 
K = condutividade hidráulica do solo ( m / s) ; 
q = contribuição de infiltração por m2 sujeito à precipitação ( m 3 / s 
/ m2 ) . 
I = gradiente hidráulico ( m / m ) ; 
 
Da figura, calculamos: 
Quantidade de água infiltrada: 
Sendo x o comprimento da faixa de 1 m de largura, Ai = 1 . x e a descarga 
proveniente da infiltração nesta faixa é Q = q . Ai ou Q = q . x 
Tratando-se de um meio poroso, por Darcy, Q = K . A . I, 
 
Onde 
A é a área total da seção do dreno, normal ao deslocamento do fluído. 
No ponto P(x,y) , o gradiente hidráulico é I = - dy / dx 
 
Como A = 1 . y, Q = -K . y . dy / dx 
Como a água infiltrada será escoada pelo dreno, igualando as razões. 
q . x = -K . y . dy / dx ou q . x . dx = - K . y . dy 
 
integrando, 
q . x 2 + K . y 2 = C 
 
quando 
x = 0 , y = h ; logo C = K . h 2 
 
então 
q . x 2 + K . y 2 = K . h 2 
 
dividindo ambos os membros por q, e em seguida por K.h2 / q , resulta: 
 
231 
x2 / [(k/q)h2]+ [y2 /h 2 ] = 1 Eq. (A) 
 
fazendo y = 0 , x = L , resultando desta última equação 
L 2 = K . h 2 / q Eq. (B) 
 
232 
Substituindo B em A, 
X2 / L 2 + y 2 / h2 = 1, 
que é a equação de uma elipse onde os semi-eixos são a metade da 
distancia entre os drenos e a altura é igual à altura máxima do lençol 
freático, situando-se no meio da distância entre os drenos. 
Como E = L / 2 , substituindo em B fica 
 
E2 / 4 = K . h2 / q 
 
Donde, finalmente, 
 
E = 2h [ K / q ] 0,5 
 
que é o espaçamento máximo permissível. Isto permite usar qualquer 
número de linhas de drenos, guardando entre si distancias menores que E. 
 
233 
 
CONSELHO NACIONAL DE RECURSOS HÍDRICOS 
RESOLUÇÃO N.o 15 DE 11 DE JANEIRO DE 2001 
 
O Conselho Nacional de Recursos Hídricos-CNRH, no uso de suas 
atribuições e competências que lhe são conferidas pela Lei n° 9433, de 08 
de janeiro de 1997, pelo Decreto n° 2612, de 03 de junho de 1998 e 
conforme disposto no regimento interno, e: 
Considerando que compete ao Sistema Nacional de Gerenciamento de 
Recursos Hídricos-SINGREH coordenar a gestão integrada das águas; 
Considerando que diversos órgãos da Administração Pública Federal e dos 
Estados possuem competências no gerenciamento das águas; 
Considerando que o Município tem competências específicas para o 
disciplinamento do uso e ocupação do solo; 
Considerando que as águas meteóricas, superficiais e subterrâneas são 
partes integrantes e indissociáveis do ciclo hidrológico; 
Considerando que os aqüíferos podem apresentar zonas de descarga e de 
recarga pertencentes a uma ou mais bacias hidrográficas sobrejacentes; 
Considerando que a explotação inadequada das águas subterrâneas pode 
resultar na alteração indesejável de sua quantidade e qualidade; 
Considerando ainda que a explotação das águas subterrâneas possa 
implicar redução da capacidade de armazenamento dos aqüíferos, redução 
dos volumes disponíveis nos corpos de água superficiais e modificação dos 
fluxos naturais nos aqüíferos, resolve: 
Art. 1° - Para efeito desta resolução consideram-se: 
I - Águas Subterrâneas - as águas que ocorrem naturalmente ou 
artificialmente no subsolo. 
II - Águas Meteóricas - as águas encontradas na atmosfera em quaisquer 
de seus estados físicos. 
III - Aqüífero - corpo hidrogeológico com capacidade de acumular e 
transmitir água através dos seus poros, fissuras ou espaços resultantes da 
dissolução e carreamento de materiais rochosos; 
IV - Corpo Hídrico Subterrâneo - volume de água armazenado no subsolo. 
 
234 
Art. 2° - Na formulação de diretrizes para a implementação da Política 
Nacional de Recursos Hídricos deverá ser considerada a interdependência 
das águas superficiais, subterrâneas e meteóricas. 
Art. 3° - Na implementação dos instrumentos da Política Nacional de 
Recursos Hídricos deverão ser incorporadas medidas que assegurem a 
promoção da gestão integrada das águas meteóricas, superficiais e 
subterrâneas, observadas as seguintes diretrizes: 
I - Nos Planos de Recursos Hídricos deverão constar, no mínimo, os dados 
e informações necessários ao gerenciamento integrado das águas, em 
atendimento ao art. 7° da Lei n° 9.433/97. 
II - O enquadramento dos corpos de água subterrânea em classes dar-se-
á segundo as características hidrogeológicas dos aqüíferos e os seus 
respectivos usos preponderantes, a serem especificamente definidos. 
III - Nas outorgas de direito de uso de águas subterrâneas deverão ser 
considerados critérios que assegurem a gestão integrada das águas, 
visando evitar o comprometimento qualitativo e quantitativo dos aqüíferos 
e dos corpos hídricos superficiais a eles interligados. 
IV - A cobrança pelo uso dos recursos hídricos subterrâneos deverá 
obedecer a critérios estabelecidos em legislação específica. 
V - Os Sistemas de Informações de Recursos Hídricos no âmbito federal, 
estadual e do Distrito Federal deverão conter, organizar e disponibilizar os 
dados e informações necessários ao gerenciamento integrado das águas. 
Parágrafo único - Os Planos de Recursos Hídricos deverão incentivar a 
adoção de práticas que resultem no aumento das disponibilidades hídricas 
das respectivas Bacias Hidrográficas, onde essas práticas forem viáveis. 
Art. 4° - No caso de aqüíferos subjacentes a duas ou mais bacias 
hidrográficas, o SINGREH e os Sistemas de Gerenciamento de Recursos 
Hídricos dos Estados ou do Distrito Federal deverão promover a 
uniformização de diretrizes e critérios para coleta dos dados e elaboração 
dos estudos hidrogeológicos necessários à identificação e caracterização da 
bacia hidrogeológica. 
Parágrafo único - Os Comitês de Bacias Hidrográficas envolvidos deverão 
buscar o intercâmbio e a sistematização dos dados gerados para a perfeita 
caracterização da bacia hidrogeológica. 
Art. 5° - No caso dos aqüíferos transfronteiriços ou subjacentes a duas ou 
mais Unidades da Federação, o SINGREH promoverá a integração dos 
 
235 
diversos órgãos dos governos federal, estaduais e do Distrito Federal, que 
têm competências no gerenciamento de águas subterrâneas. 
§ 1° - Os conflitos existentes serão resolvidos em primeira instância entre 
os Conselhos de Recursos Hídricos dos Estados e do Distrito Federal e, em 
última instância, pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos. 
§ 2° - Nos aqüíferos transfronteiriços a aplicação dos instrumentos da 
Política Nacional de Recursos Hídricos dar-se-á em conformidade com as 
disposições constantes nos acordos celebrados entre a União e os países 
vizinhos. 
Art. 6° - O SINGREH, os Sistemas Estaduais e do Distrito Federal de 
Gerenciamento de Recursos Hídricos deverão orientar os Municípios no que 
diz respeito às diretrizes para promoção da gestão integrada das águas 
subterrâneas em seus territórios, em consonância com os planos de 
recursos hídricos. 
Parágrafo único - Nessas diretrizes deverão ser propostos mecanismos 
de estímulo aos Municípios para a proteção das áreas de recarga dos 
aqüíferos e a adoção de práticas de reuso e de recarga artificial com vistas 
ao aumento das disponibilidades hídricas e da qualidade da água. 
Art. 7° - O SINGREH e os Sistemas Estaduais de Gerenciamento de 
Recursos Hídricos dos Estados e do Distrito Federal deverão fomentar 
estudos para o desenvolvimento dos usos racionais e práticas de 
conservação dos recursos hídricos subterrâneos, assim como a proposição 
de normas para a fiscalização e controle das mesmas. 
Art. 8° - As interferências nas águas subterrâneas identificadas na 
implementação de projetos deverão estar embasadas em estudos 
hidrogeológicos necessários para a avaliação de possíveis impactos 
ambientais. 
Art. 9° - Toda empresa que execute perfuração de poço tubular profundo 
deverá ser cadastrada junto aos Conselhos Regionais de Engenharia, 
Arquitetura e Agronomia e órgãos estaduais de gestão de recursos hídricos 
e apresentar as informações técnicas necessárias, semestralmente e 
sempre que solicitado. 
Art. 10 - Os poços jorrantes deverão ser dotados de dispositivos 
adequados para evitar desperdício, ficando passíveis das sanções previstas 
na legislação pertinente os responsáveis que não tomarem as devidas 
providências. 
Art. 11 - Os poços abandonados, temporária ou definitivamente, e as 
 
236 
perfurações realizadas para outros fins deverão ser adequadamente 
tamponados por seus responsáveis para evitar a poluição dos aqüíferos. 
Art. 12 - Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. 
JOSÉ SARNEY FILHO 
RAYMUNDO JOSÉ SANTOS GARRIDO 
Presidente do Conselho Secretário-Executivo 
 
BIBLIOGRAFIA ESPECÍFICA 
1. Recursos Hídricos – Bloco 4 – The Open University. Ed. Da UNICAMP, 
S.P. 2000. 
2. ABAS – Associação Brasileirade Águas Subterrâneas 
3. IGAM – Instituto Mineiro de Gestão das Águas 
4. ANA – Agencia Nacional das Águas 
5. CODEVASF – Companhia de Desenvolvimento do Vale o São Francisco 
6. ABRH – Associação Brasileira de Recursos Hídricos 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
237 
 
 
 
 
 
 
APÊNDICE 
 
MANUAL DA LEGISLAÇÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
238 
LEGISLAÇÃO PERTINENTE 
Estrutura legal e regulatoria e o sistema nacional de gerenciamento de 
recursos hídricos 
 
Constituição Federal de 1988 
Titulo VIII – Da Ordem Social - Capitulo VI – Do Meio Ambiente – Art. 255 
e Art. 20 e Art. 21. 
 
AGENDA 21 
É um amplo programa de ação, com a finalidade de dar efeito prático aos 
princípios aprovados na Declaração do Rio-92 (Conferencia das Nações 
Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento). 
Não tem valor jurídico, contudo contém um roteiro detalhado de ações 
concretas a serem adotadas ate o séc. XXI pelos governos. 
 
Lei 6.938/81 
Art. 2 – a Política Nacional do Meio Ambiente. E, criou o CONAMA – 
Conselho Nacional do Meio Ambiente. 
Alterações – 
 Lei 7.804/89 – Redação da Lei 6.938/81 
 Lei 8.028/90 - Redação da Lei 7.804/89 
 
SISNAMA - O Sistema Nacional do Meio Ambiente 
Criado por exigência da CONSTITUICAO FEDERAL DE 1988 9 (CF/88) 
através do DECRETO LEI 99.355/90. 
Sua estrutura governamental - 
- Conselho do Governo – Órgão Superior 
- CONAMA – Órgão Consultivo 
- SMAM/PR – Ministério do Meio Ambiente 
- IBAMA – Órgão Executor 
 
 
239 
SNGRH – Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos 
Hídricos 
Criado por exigência da CF/88 através da Lei 9.433/97 – Institui a Política 
Nacional de Recursos Hídricos 
Objetivos 
- Conselho Nacional dos Recursos Hídricos - CNRH 
- Conselho de Recursos Hídricos dos Estados 
- ANA – Agencia Nacional de Águas 
- Comitê de Bacia Hidrográfica 
- Órgãos dos Poderes Público Federal, Estadual e Municipal cujas 
competências se relacionam com a gestão de recursos hídricos. 
- Agencias de Águas. 
 
PLANO DIRETOR 
Criado por exigência da CF/88 – Art. 182, Inciso 1 o obriga a sua 
elaboração e adoção em áreas urbanas com população igual ou superior a 
20 000 habitantes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
240 
ASSUNTO DISCIPLINADO POR LEIS ESPECIFICA SOBRE O MEIO 
AMBIENTE, MEIO AQUÁTICO E MEIO TERRESTRE 
 
Meio Ambiente 
- Portaria MINTER número 235/76 – Estabelece os padrões de 
Qualidade do Ar 
- Resolução do CONAMA número 18/86 – Estabelece o PNCPVA - 
Programa Nacional de Controle da Poluição por Veículos 
Automotivos. 
- Resolução do CONAMA numero 05/89 – Estabelece o PRONAR – 
Programa Nacional de Controle da Qualidade do Ar. 
 
Meio Aquático – Assuntos disciplinados pelas seguintes Leis 
- CF/88 nos seus Art. 255, Art. 20 e Art. 21 
- Lei Federal 7.990/89 
- Lei Federal 8.001/90 – Ambas sobre a compensação financeira 
devida aos Estados, Distrito Federal e Municípios pelo resultado 
da exploração de petróleo ou gás natural e recursos hídrico. 
- Lei Federal 4.771/65 – Estabelece os códigos Florestais e de 
Pesca. 
- Lei Federal 6.938/81 
- Resolução do CONAMA número 20/86 – Estabelece nove classes 
de Rios. 
- Lei Federal 7.861/88 – Plano Nacional de Gerenciamento 
Costeiro 
- Lei Federal 5.357/67 – Penalidades para embargues e terminais 
marítimos ou fluviais que lançarem detritos ou óleo em águas 
brasileiras. 
- A grande evolução veio com a Lei Federal 9.433/97 – institui a 
Política Nacional de Recursos Hídricos. 
 
 
 
 
241 
Meio terrestre 
 
Proteção do solo 
- Decreto Lei 94.076/87 – Institui o Programa Nacional de 
Microbacias hidrográficas, sob a supervisão do Ministério da 
Agricultura, visando promover um adequado aproveitamento 
agropecuário. 
 
Fertilizantes 
- Lei Federal 6.894/80 – Dispõe sobre a produção e comercio de 
fertilizantes, corretivos, inoculantes, estimulantes ou 
biofertilizantes destinados à agricultura. 
- Decreto 86.955/82 – Regulamenta a lei anterior. 
Agrotóxicos 
- Lei 7.802/89, Lei básica de controle dos agrotóxicos no Brasil 
(Receituário agronômico). 
- Portaria MA/SNDA 329/85 do Ministério da Agricultura – Proíbe 
o uso de produtos agrotóxicos organoclorados destinados à 
agropecuária. 
- Resolução do CONAMA número 05/85 – Pó da china (penta 
clorofenato de sódio) 
- Resolução do CONAMA número 06/88 – Sobre o inventario de 
resíduos industriais nos Pais. 
 
Resíduos Sólidos 
- Portaria Federal MINTER número 53/79 – Ministério do Interior 
– Estabelece normas para os projetos específicos de tratamento 
e disposição de resíduos sólidos. 
- Resolução do CONAMA 01/86 – Estabelece sobre o 
licenciamento para estudo de impacto ambiental (aterros 
sanitários, etc.) e RIMA. 
 
242 
- Resolução do CONAMA número 05/88 – Licenciamento 
ambiental das obras de sistemas de limpeza urbana. 
(domestica, publica, industrial e hospitalar.). 
- Resolução do CONAMA número 009/87 – Critério para Audiência 
Publica para RIMA. 
- Resolução do CONAMA número 76/88 – Atender a NBR 10.004 
– Resíduos Sólidos Industriais. 
- Portaria normativa – IBAMA numero 1.197/90 – Transportes de 
lixos para o Brasil 
- Resolução CONAMA número 8/91 – Veda a entrada no Brasil de 
lixos... 
 
 
Lei número 8.078/90 – Código de Defesa do Consumidor. 
 
Lei número 7.347/85 – Disciplina a ação civil publica de 
responsabilidade por danos causados ao meio ambiente.(Os profissionais 
com atuação em Perícias Ambientais tenham pleno conhecimento desta 
Lei) 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTO AMBIENTAL 
- Resolução CONAMA 001/86 – Critério do RIMA 
- Resolução CONAMA 009/87 - Audiências Publicas para o RIMA 
- Licença Previa (LP) – Fase preliminar do planejamento da 
atividade, contendo requisitos básicos, observados planos 
municipais, estaduais ou federais de uso do solo. 
- Licença de Instalação (LI) – Autoriza o inicio da implantação. 
- Licença de Operação (LO) – Autoriza o inicio da operação. 
 
 
 
 
 
243 
COMITÊS E AGENCIAS DE BACIAS HIDROGRÁFICAS 
 
A Lei Federal nº 9.433, conhecida como Lei das Águas, instituiu a 
Política Nacional dos Recursos Hídricos e criou o Sistema Nacional de 
Gerenciamento dos Recursos Hídricos. 
Os Comitês de Bacia constituem-se na base do Sistema de Gerenciamento. 
Nestes fóruns são promovidos os debates sobre as questões relacionadas à 
gestão dos recursos hídricos sendo, por esta razão, chamado por muitos de 
Parlamento das Águas, dadas as suas atribuições normativas, consultivas e 
deliberativas. 
Estes Comitês são constituídos por representantes dos poderes públicos, 
dos usuários das águas e das organizações civis com ações desenvolvidas 
para a recuperação e conservação do meio ambiente e dos recursos 
hídricos em uma determinada Bacia hidrográfica. Sua criação formal 
depende de autorização do Conselho Nacional de Recursos Hídricos que 
editou a Resolução nº 5/2000 que estabelece as diretrizes gerais para a 
sua formação e o seu funcionamento, e de decreto da Presidência da 
República. 
Os Comitês de Bacia Hidrográfica têm como objetivo a gestão participativa 
e descentralizada dos recursos hídricos naquele território, utilizando-se da 
implementação dos instrumentos técnicos de gestão, harmonizando os 
conflitos e promovendo a multiplicidade dos usos da água, respeitando a 
dominialidade das águas, integrando as ações de todos os governos, no 
âmbito dos Municípios, dos Estados e da União, propiciando o respeito aos 
diversos ecossistemas naturais, promovendo a conservação e recuperação 
dos corpos d'água, garantindo a utilização racional e sustentáveldos 
recursos para a manutenção da boa qualidade de vida da sociedade local. 
Dentre suas principais competências destacam-se: 
 Arbitrar os conflitos relacionados aos recursos hídricos naquela 
bacia hidrográfica 
 Aprovar o Plano de Recursos Hídricos 
 Acompanhar a execução do Plano e sugerir as providências 
necessárias ao cumprimento de suas metas 
 Estabelecer os mecanismos de cobrança pelo uso de recursos 
hídricos e sugerir os valores a serem cobrados 
 
244 
Definir os investimentos a serem implementados com a aplicação dos 
recursos da cobrança. 
 
Comitês em minas gerais 
A partir de 1995, o órgão gestor do recurso hídricos de Minas Gerais, 
recentemente reformulado e denominado IGAM – Instituto Mineiro de 
Gestão das Águas, passou a empreender ações no sentido de prover o 
Estado de colegiados multisetoriais, os Comitês de Bacias Hidrográficas, 
referidos como instâncias de caráter deliberativo e normativo, conforme a 
legislação especifica existente, objetivando a implementação da gestão 
descentralizada e participativa do recurso hídrico. 
Como resultado, foram criados e aprovados pelo Conselho Estadual de 
Recursos Hídricos – CERH/MG, diversos comitês de Bacias e outros se 
encontram em fase final de criação. 
Respaldo pela Lei Estadual 11.504 de 20/06/94 e da Lei Federal 9.433 de 
08/01/97, ambas instrumentos de instituição das Políticas de Recursos 
Hídricos. 
Fonte: IGAM 
 
245 
CONSELHO NACIONAL DE RECURSOS HÍDRICOS 
RESOLUÇÃO N.o 15 DE 11 DE JANEIRO DE 2001 
 
O Conselho Nacional de Recursos Hídricos-CNRH, no uso de suas 
atribuições e competências que lhe são conferidas pela Lei n° 9433, de 08 
de janeiro de 1997, pelo Decreto n° 2612, de 03 de junho de 1998 e 
conforme disposto no regimento interno, e: 
Considerando que compete ao Sistema Nacional de Gerenciamento de 
Recursos Hídricos-SINGREH coordenar a gestão integrada das águas; 
Considerando que diversos órgãos da Administração Pública Federal e dos 
Estados possuem competências no gerenciamento das águas; 
Considerando que o Município tem competências específicas para o 
disciplinamento do uso e ocupação do solo; 
Considerando que as águas meteóricas, superficiais e subterrâneas são 
partes integrantes e indissociáveis do ciclo hidrológico; 
Considerando que os aqüíferos podem apresentar zonas de descarga e de 
recarga pertencentes a uma ou mais bacias hidrográficas sobrejacentes; 
Considerando que a explotação inadequada das águas subterrâneas pode 
resultar na alteração indesejável de sua quantidade e qualidade; 
Considerando ainda que a explotação das águas subterrâneas pode 
implicar redução da capacidade de armazenamento dos aqüíferos, redução 
dos volumes disponíveis nos corpos de água superficiais e modificação dos 
fluxos naturais nos aqüíferos, resolve: 
Art. 1° - Para efeito desta resolução consideram-se: 
I - Águas Subterrâneas - as águas que ocorrem naturalmente ou 
artificialmente no subsolo. 
II - Águas Meteóricas - as águas encontradas na atmosfera em quaisquer 
de seus estados físicos. 
III - Aqüífero - corpo hidrogeológico com capacidade de acumular e 
transmitir água através dos seus poros, fissuras ou espaços resultantes da 
dissolução e carreamento de materiais rochosos; 
IV - Corpo Hídrico Subterrâneo - volume de água armazenado no subsolo. 
 
246 
Art. 2° - Na formulação de diretrizes para a implementação da Política 
Nacional de Recursos Hídricos deverá ser considerada a interdependência 
das águas superficiais, subterrâneas e meteóricas. 
Art. 3° - Na implementação dos instrumentos da Política Nacional de 
Recursos Hídricos deverão ser incorporadas medidas que assegurem a 
promoção da gestão integrada das águas meteóricas, superficiais e 
subterrâneas, observadas as seguintes diretrizes: 
I - Nos Planos de Recursos Hídricos deverão constar, no mínimo, os dados 
e informações necessários ao gerenciamento integrado das águas, em 
atendimento ao art. 7° da Lei n° 9.433/97. 
II - O enquadramento dos corpos de água subterrânea em classes dar-se-
á segundo as características hidrogeológicas dos aqüíferos e os seus 
respectivos usos preponderantes, a serem especificamente definidos. 
III - Nas outorgas de direito de uso de águas subterrâneas deverão ser 
considerados critérios que assegurem a gestão integrada das águas, 
visando evitar o comprometimento qualitativo e quantitativo dos aqüíferos 
e dos corpos hídricos superficiais a eles interligados. 
IV - A cobrança pelo uso dos recursos hídricos subterrâneos deverá 
obedecer a critérios estabelecidos em legislação específica. 
V - Os Sistemas de Informações de Recursos Hídricos no âmbito federal, 
estadual e do Distrito Federal deverão conter, organizar e disponibilizar os 
dados e informações necessários ao gerenciamento integrado das águas. 
Parágrafo único - Os Planos de Recursos Hídricos deverão incentivar a 
adoção de práticas que resultem no aumento das disponibilidades hídricas 
das respectivas Bacias Hidrográficas, onde essas práticas forem viáveis. 
Art. 4° - No caso de aqüíferos subjacentes a duas ou mais bacias 
hidrográficas, o SINGREH e os Sistemas de Gerenciamento de Recursos 
Hídricos dos Estados ou do Distrito Federal deverão promover a 
uniformização de diretrizes e critérios para coleta dos dados e elaboração 
dos estudos hidrogeológicos necessários à identificação e caracterização da 
bacia hidrogeológica. 
Parágrafo único - Os Comitês de Bacias Hidrográficas envolvidos deverão 
buscar o intercâmbio e a sistematização dos dados gerados para a perfeita 
caracterização da bacia hidrogeológica. 
Art. 5° - No caso dos aqüíferos transfronteiriços ou subjacentes a duas ou 
mais Unidades da Federação, o SINGREH promoverá a integração dos 
 
247 
diversos órgãos dos governos federal, estaduais e do Distrito Federal, que 
têm competências no gerenciamento de águas subterrâneas. 
§ 1° - Os conflitos existentes serão resolvidos em primeira instância entre 
os Conselhos de Recursos Hídricos dos Estados e do Distrito Federal e, em 
última instância, pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos. 
§ 2° - Nos aqüíferos transfronteiriços a aplicação dos instrumentos da 
Política Nacional de Recursos Hídricos dar-se-á em conformidade com as 
disposições constantes nos acordos celebrados entre a União e os países 
vizinhos. 
Art. 6° - O SINGREH, os Sistemas Estaduais e do Distrito Federal de 
Gerenciamento de Recursos Hídricos deverão orientar os Municípios no que 
diz respeito às diretrizes para promoção da gestão integrada das águas 
subterrâneas em seus territórios, em consonância com os planos de 
recursos hídricos. 
Parágrafo único - Nessas diretrizes deverão ser propostos mecanismos 
de estímulo aos Municípios para a proteção das áreas de recarga dos 
aqüíferos e a adoção de práticas de reuso e de recarga artificial com vistas 
ao aumento das disponibilidades hídricas e da qualidade da água. 
Art. 7° - O SINGREH e os Sistemas Estaduais de Gerenciamento de 
Recursos Hídricos dos Estados e do Distrito Federal deverão fomentar 
estudos para o desenvolvimento dos usos racionais e práticas de 
conservação dos recursos hídricos subterrâneos, assim como a proposição 
de normas para a fiscalização e controle das mesmas. 
Art. 8° - As interferências nas águas subterrâneas identificadas na 
implementação de projetos deverão estar embasadas em estudos 
hidrogeológicos necessários para a avaliação de possíveis impactos 
ambientais. 
Art. 9° - Toda empresa que execute perfuração de poço tubular profundo 
deverá ser cadastrada junto aos Conselhos Regionais de Engenharia, 
Arquitetura e Agronomia e órgãos estaduais de gestão de recursos hídricos 
e apresentar as informações técnicas necessárias, semestralmente e 
sempre que solicitado.Art. 10 - Os poços jorrantes deverão ser dotados de dispositivos 
adequados para evitar desperdício, ficando passíveis das sanções previstas 
na legislação pertinente os responsáveis que não tomarem as devidas 
providências. 
 
248 
Art. 11 - Os poços abandonados, temporária ou definitivamente, e as 
perfurações realizadas para outros fins deverão ser adequadamente 
tamponados por seus responsáveis para evitar a poluição dos aqüíferos. 
Art. 12 - Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. 
JOSÉ SARNEY FILHO 
RAYMUNDO JOSÉ SANTOS GARRIDO 
Presidente do Conselho Secretário-Executivo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
249 
OUTORGA 
Usos Múltiplos da Água 
Dentre os recursos naturais, um dos que apresenta os mais variados, 
legítimos e correntes usos, é a água. Atualmente, vários são os usos dados 
a água: 
- Abastecimento público; 
- Consumo industrial; 
- Matéria prima para a industria; 
- Irrigação; 
- Recreação; 
- Dessedentação de animais; 
- Geração de energia elétrica; 
- Transporte; 
- Diluição de despejos, e 
- Preservação da flora e fauna (fonte protéica) 
 
Abastecimento público; 
É o uso mais nobre da água e se manifesta praticamente em todas as 
atividades do homem: manutenção da vida (água para beber), higiene 
pessoal e das habitações, combate a incêndios, entre outras. Desta forma 
todos os usos gerados em cidades, vilas e pequenos núcleos urbanos, para 
fins de abastecimento doméstico, comercial, público e industrial, são 
considerados usos urbanos. 
 
Abastecimento industrial; 
a) participando do processo, mas não entrando em contato com o 
produto, ex: (água para caldeira e refrigeração); 
b) integrando-se ao produto fabricado ( produtos alimentícios e 
industrias de bebidas). Entrando em contato com a matéria prima ou 
produto final, as águas necessitam de elevado grau de pureza; 
 
250 
c) como elemento participativo nos serviços complementares de fábricas 
e indústrias (higiene de operários, limpeza de equipamentos, entre 
outros). 
O item abaixo apresenta alguns consumos específicos de água para fins 
industriais, considerando o tipo de indústria e o seu produto. Trata-se de 
valores médios, sendo extremamente variáveis em função da tecnologia 
empregada. 
 
Tipo de indústria Consumo 
- Laminação de aço 85 m3 por tonelada de aço 
- Refinação do petróleo 290 m3 por barril refinado 
- Indústria têxtil 1000 m3 por tonelada de tecido 
- Couros-Curtumes 55 m3 por tonelada de couro 
- Papel 250 m3 por tonelada de papel 
- Saboarias 2 m3 por tonelada de sabão 
- Usinas de açúcar 75 m3 por tonelada de açúcar 
- Fábrica de conservas 20 m3 por tonelada de conserva 
- Laticínios 2 m3 por tonelada de produto 
- Cervejaria 20 m3 por m3 de cerveja 
- Lavanderia 10 m3 por tonelada de roupa 
- Matadouros 3 m3 por animal abatido 
 
Irrigação 
A irrigação de culturas agrícolas é uma prática utilizada de forma a 
complementar a necessidade de água, naturalmente promovida pela 
precipitação, proporcionando teor de umidade ao solo suficiente para o 
crescimento das plantas. É o uso da água de maior consumo, demandando 
cuidados e técnicas especiais para o aproveitamento racional com o mínimo 
de desperdício. Quando utilizada de maneira incorreta, além de problemas 
quantitativos, a irrigação pode afetar drasticamente tanto a qualidade dos 
solos quanto a dos recursos hídricos superficiais subterrâneos (fertilizantes, 
corretivos e agrotóxicos). Devem ainda, ser observados os aspectos 
biológicos e tóxicos da água. 
 
251 
 
Dessedentação de animais 
Deve ser avaliada a qualidade da água antes da mesma ser utilizada para 
dessedentação de animais. 
 
Recreação e lazer contemplativo; 
Poder ser classificado de duas maneiras distintas: 
a) contato primário ou direto (natação ou surf), 
b) contato indireto ou secundário (esportes náuticos, pesca esportiva, 
lazer contemplativo). 
 
Geração de energia elétrica; 
A energia hidráulica transformada em energia elétrica tem sido um dos 
usos mais freqüentes dos recursos hídricos. As hidrelétricas utilizam 
barragens para regularizar a vazão e criar o desnível necessário à produção 
de energia. 
Deve-se observar que a construção de barragens para regularização de 
vazões causa alterações no regime dos cursos d’água, perdas por 
evaporação da água dos reservatórios, principalmente em regiões semi-
áridas, e diversas alterações no meio físico. 
 
Transporte; 
A comunicação via aquática, no transporte de cargas e pessoas. No Brasil, 
a ampliação deste uso seria adequada devido a grande coleção de águas 
existentes. 
 
Diluição de despejos 
Lançamento de dejetos provenientes de atividades urbanas (residenciais) e 
industriais. Embora este uso não seja classificado com consuntivo, esse uso 
pode resultar em limitações do uso dos corpos de águas para outras 
atividades devido as restrições quanto aos padrões de qualidade 
requeridos. 
 
 
252 
Preservação da flora e fauna (fonte protéica) 
Qualquer um dos usos anteriores, deve pressupor que a utilização dos 
mananciais não altere seus aspectos físicos, químicos e bacteriológicos, de 
forma a não impactar a biota aquática. 
 
ANA 
Ao assumir suas atribuições legais, a ANA - Agencia Nacional de Águas 
passou a responsabilizar-se pela continuidade da análise técnica de 223 
pedidos de outorga, então em tramitação na Secretaria de Recursos 
Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, aos quais viriam a se somar mais 
201 novos pedidos, protocolizados, entre janeiro e dezembro de 2001, na 
própria Agência, totalizando 424 pedidos de outorga. 
A necessidade de priorizar o atendimento, ante tal volume de pedidos de 
outorga, praticamente canalizou os esforços do setor, em processo de 
estruturação, prejudicando o desenvolvimento de atividades de caráter 
estratégico para a elaboração dos procedimentos gerais e específicos da 
outorga. 
Não obstante, foi possível avançar na definição de procedimentos de 
análise para as diversas tipologias de empreendimentos e na 
sistematização dos aspectos formais envolvidos, desde a solicitação até a 
emissão da Resolução específica. 
Os pedidos de outorga de direito de uso de recursos hídricos de domínio da 
União, bem como os atos administrativos que deles resultarem, são 
publicados na imprensa oficial e em pelo menos um jornal de grande 
circulação na região a que se referir. 
Após a tramitação de rotina, é iniciada a análise do pedido, segundo a 
tipologia que, em geral, se baseia nos dados fornecidos pelo requerente, 
que devem contemplar a descrição geral do empreendimento e os estudos 
para a determinação da disponibilidade hídrica. 
São, então, conduzidas análises quanto à demanda e quanto à 
disponibilidade de água do corpo hídrico manancial, a partir do qual será 
feita a captação, tendo em vista as especificidades envolvidas. Já se dispõe 
de rotinas sistematizadas para análise de pedidos de outorga para 
irrigação, abastecimento público, lançamentos de efluentes de 
esgotamento sanitário, uso industrial e obras hidráulicas. 
Entre os desafios ainda a serem enfrentados, inclui-se a sistematização de 
procedimentos do ponto de vista espacial, em vista de as atribuições da 
 
253 
ANA referirem-se aos cursos de água de domínio da União, o que 
pressupõe a adoção de procedimentos análogos e similares para os cursos 
de água das bacias estaduais. 
 
Atribuições: 
a) A Superintendência de Outorga e Cobrança tem como atribuições 
específicas: 
analisar e emitir parecer circunstanciado e conclusivo sobre outorga 
de direito de uso de recursos hídricos em corpos de água de domínio 
da União, inclusive adução de água bruta, paradecisão da Diretoria 
Colegiada; 
b) coordenar a articulação entre os órgãos gestores de recursos hídricos 
sobre critérios e procedimentos de outorga nas bacias hidrográficas 
integradas por rios de domínio da União; 
c) propor o estabelecimento de prazos para a regularização dos usos de 
recursos hídricos de domínio da União, que não sejam amparados por 
correspondente outorga de direito de uso; 
d) propor os termos da resolução conjunta de que trata o art. 23 do 
Decreto no 3.962, de 2000, submetendo à deliberação da Diretoria 
Colegiada após negociação com a Agência Nacional de Energia 
Elétrica - ANEEL; 
e) coordenar a elaboração e propor à Diretoria Colegiados estudos 
técnicos para subsidiar a definição, pelo Conselho. Nacional de 
Recursos Hídricos, dos valores a serem cobrados pelo uso de 
recursos hídricos de domínio da União, com base nos mecanismos e 
quantitativos sugeridos pelos Comitês de Bacia Hidrográfica, na forma 
do inciso VI do art. 38 da Lei nº 9.433, de 1997; 
f) implementar, em articulação com os Comitês de Bacia Hidrográfica, a 
cobrança pelo uso de recursos hídricos de domínio da União. 
 
254 
Cobrança pelo uso de água 
Pergunta mais freqüente.Fonte: www.ana.gov.br 
 
a. O que é a Outorga de Direito de Uso de Recursos Hídricos? 
É o ato administrativo mediante o qual o Poder Público outorgante (União, 
Estados ou Distrito Federal) faculta ao outorgado o uso de recurso hídrico, 
por prazo determinado, nos termos e nas condições expressas no 
respectivo ato. O referido ato é publicado no Diário Oficial da União (caso 
da ANA), ou nos Diários Oficiais dos Estados ou Distrito Federal, onde o 
outorgado é identificado e estão estabelecidas as características técnicas e 
as condicionantes legais do uso das águas que o mesmo está sendo 
autorizado a fazer. 
 
b. Por que a outorga é necessária? 
A água pode ser aproveitada para diversas finalidades, como: 
abastecimento humano, dessedentação animal, irrigação, indústria, 
geração de energia elétrica, preservação ambiental, paisagismo, lazer, 
navegação, etc. Porém, muitas vezes esses usos podem ser concorrentes, 
gerando conflitos entre setores usuários, ou mesmo impactos ambientais. 
 Nesse sentido, gerir recursos hídricos é uma necessidade premente e que 
tem o objetivo de buscar acomodar as demandas econômicas, sociais e 
ambientais por água em níveis sustentáveis, de modo a permitir a 
convivência dos usos atuais e futuros da água sem conflitos. 
 É nesse instante que o instrumento da Outorga se mostra necessário, pois 
ordenando e regularizando o uso da água é possível assegurar ao usuário o 
efetivo exercício do direito de acesso à água, bem como realizar o controle 
quantitativo e qualitativo desse recurso. 
 
c. A quem deve ser solicitada a outorga? 
A Agência Nacional de Águas - ANA é a responsável pela análise dos 
pedidos e emissão de outorgas de direito de uso de recursos hídricos em 
corpos hídricos de domínio da União. 
Em corpos hídricos de domínio dos Estados e do Distrito Federal, a 
solicitação de outorga deve ser feita às respectivas autoridades 
outorgantes estaduais. Atualmente, 22 Unidades da Federação possuem 
Legislações sobre Recursos Hídricos. 
 
255 
 
d. Que usos dependem de outorga? 
· A derivação ou captação de parcela da água existente em um corpo 
d'água para consumo final, inclusive abastecimento público, ou insumo de 
processo produtivo; 
· A extração de água de aqüífero subterrâneo para consumo final ou 
insumo de processo produtivo; 
· Lançamento em corpo de água de esgotos e demais resíduos líquidos ou 
gasosos, tratados ou não, com o fim de sua diluição, transporte ou 
disposição final; 
· Uso de recursos hídricos com fins de aproveitamento dos potenciais 
hidrelétricos; 
· Outros usos que alterem o regime, a quantidade ou a qualidade da água 
existente em um corpo de água. 
 
e. Que usos independem de outorga de direito de uso de recursos 
hídricos? 
· O uso de recursos hídricos para a satisfação das necessidades de 
pequenos núcleos populacionais, distribuídos no meio rural; 
· As derivações, captações e lançamentos considerados insignificantes, 
tanto do ponto de vista de vazão como de carga poluente; 
· As acumulações de volumes de água consideradas insignificantes. 
 
f. Como solicitar uma outorga de direito de uso da água de 
domínio da União? 
 O interessado deverá preencher os formulários correspondentes ao(s) 
uso(s) pretendido(s), anexando a documentação relacionada nesses 
formulários e encaminhar à ANA. 
 
g. Quais os formulários disponíveis para solicitação de outorga? 
 A tabela abaixo apresenta a relação de formulários disponíveis para 
solicitação de outorga de uso da água de domínio da União junto à ANA. 
 
h. Como posso tirar dúvidas sobre o assunto? 
 As dúvidas podem ser tiradas junto à Superintendência de Outorga e 
Cobrança da ANA, onde um corpo técnico habilitado prestará o auxílio 
necessário aos interessados. 
 
 
256 
i. Como se processa a análise da outorga no âmbito da Agência 
Nacional de Águas? 
 O diagrama a seguir apresenta as principais etapas de tramitação de 
processos de outorga no âmbito da Superintendência de Outorga e 
Cobrança da ANA. 
 
j. Por que o Poder Público instituiu a outorga? 
Com a Constituição Federal de 1988 as águas tornaram-se de domínio 
público, tendo sido necessário que o Poder Público estabelecesse um 
instrumento através do qual pudesse autorizar o uso dos recursos hídricos. 
Foi instituída, portanto, a Política Nacional de Recursos Hídricos - Lei nº 
9.433/97 - na qual cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos 
Hídricos e regulamenta o inciso XIX do art. 21 da Constituição Federal. 
São de domínio estadual as águas subterrâneas e as águas superficiais dos 
cursos de água que escoam desde sua nascente até a foz passando apenas 
por um Estado. São de domínio da União as águas dos rios e lagos que 
banham mais de uns estados, fazem limite entre estados ou entre o 
território do Brasil e o de um país vizinho. 
 
k. Quais são as Modalidades de outorga? 
 
AUTORIZAÇÃO - Obras, serviços ou atividades desenvolvidas por pessoa 
física ou jurídica de direito privado e quando não se destinarem à finalidade 
de utilidade pública (prazo máximo de 5 anos). 
CONCESSÃO - Obras, serviços ou atividades desenvolvidas por pessoa física 
ou jurídica de direito público e quando se destinarem à finalidade de 
utilidade pública (prazo máximo de 20 anos). 
PERMISSÃO - Obras, serviços ou atividades desenvolvidas por pessoa física 
ou jurídica de direito privado, sem destinação de utilidade pública e quando 
produzirem efeitos insignificantes nos curso de água (prazo máximo de 3 
anos). 
 
l. Como solicitar a outorga? 
A outorga de direito de uso da água deve ser solicitada por meio de 
formulários próprios do IGAM, que contêm todas as informações 
 
257 
necessárias à avaliação técnica do empreendimento e da disponibilidade 
hídrica. 
 
m. A quem solicitar a outorga? 
As outorgas em águas de domínio do Estado são obtidas junto ao IGAM 
(Lei 13.199/99) 
As outorgas em águas de domínio da União são emitidas pela ANA (Lei 
9.984/2000) 
 
n. Quando se deve pedir a outorga? 
 
Antes da implantação de qualquer empreendimento cujo uso da água 
venha alterar o regime, a quantidade ou a qualidade do corpo de água, 
incluindo, além das captações, acumulações e derivações, os lançamentos 
de efluentes. 
Os usos e/ou intervenções sujeitos a outorga: 
Captação ou derivação de água em um corpo de água; 
Explotação de água subterrânea; 
Construção de barramento ou açude; 
Construção de dique ou desvio em corpo de água; 
Construção de estruturas de lançamento de efluentes em corpo de água;Construção de estrutura de recreação nas margens; 
Construção de estrutura de transposição de nível; 
Construção de travessia rodo-ferroviária; 
Dragagem, desasoreamento e limpeza de corpo de água; 
Lançamento de efluentes em corpo de água; 
 
258 
Retificação, canalização ou obras de drenagem; 
Transposição de bacias; 
Outras modificações do curso, leito ou margens dos corpos de água. 
Documentação necessária para a obtenção da outorga: 
Requerimento assinado pelo requerente ou procurador, juntamente com a 
procuração; 
Formulários fornecidos pelo IGAM; 
Relatório técnico modelo fornecido pelo IGAM; 
Comprovante de recolhimento dos valores relativos aos custos de análise e 
publicações; 
Cópias do CPF/CNPJ e da carteira de identidade do requerente ou 
procurador; 
Cópia do registro do imóvel ou de posse do local onde será efetuada a 
captação, com atualização máxima de 60 dias; 
ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) expedida pelo CREA; 
Documento de concessão ou autorização fornecido pela ANEEL, em caso de 
hidrelétrica ou de termelétrica; 
Documento emitido pelo Comitê de Bacias contendo as prioridades de uso, 
caso existente. 
 
 
 
 
 
 
 
259 
Legislação própria 
 
A Lei Federal no 9.433/97, prevê cinco instrumentos de Gestão do uso das 
águas: 
 
1. Plano Nacional de Recursos Hídricos – documento programático para o 
setor. Trata-se de um trabalho extenuante não só de atualização, mas de 
consolidação dos chamados Planos Diretores de Recursos Hídricos, que são 
elaborados por bacia (ou conjunto de bacias ) hidrográfica; 
 
O planejamento dos recursos hídricos engloba os Planos de 
Recursos Hídricos para a bacia, para o estado e para o país, bem como os 
enquadramentos dos corpos d`água, que vão refletir os requisitos da água 
para atender aos seus diversos usos planejados. Os planos de bacia vão 
alimentar e serem alimentados pelos planos estaduais, num processo 
interativo visando uma compatibilização entre a esfera estadual e a 
abordagem por bacia. 
 
2- Outorga de direito de uso dos recursos hídricos – é um instrumento pelo 
qual o usuário recebe autorização, concessão ou permissão para fazer uso 
da água. 
Constitui o elemento central do controle para o uso racional dos recursos 
hídricos; 
 
A utilização da outorga é fundamental para controlar os usos, 
independentemente de haver outros instrumentos de gestão da demanda. 
O primeiro passo é a elaboração de legislações estaduais adequadas a cada 
situação, com critérios racionais que permitam a otimização do uso da 
água. 
 
O prazo de validade da outorga deve ser pequeno para dar 
oportunidade de uma revisão periódica dos critérios de outorga 
(estimativas de disponibilidade hídrica e demandas). Por outro lado tem 
que ser suficientemente longo para dar certa segurança ao usuário de que 
suas atividades serão duradouras e consequentemente, possibilitar mais 
investimentos e melhores técnicas de utilização. Alguns autores sugerem 4 
anos como sendo um valor razoável. 
 
Segundo a Lei Federal no 9.433/97 este prazo não poderá 
ultrapassar 35 anos. 
 
260 
Em Minas Gerais a Portaria Administrativa IGAM No 010/98, de 30 
de Dezembro de 1998, que altera a portaria No 030/93, de 07 de junho de 
1993, determina que“até que se estabeleçam as diversas vazões de 
referência na Bacia Hidrográfica, será adotada a Q7,10 (vazão mínima de 
sete dias de duração e dez anos de recorrência), para cada bacia” . 
 
Ainda no artigo fixa “em 30% (trinta por cento) da Q7,10, o limite 
máximo de derivações consultivas a serem outorgadas..........., em 
condições naturais ”, ficando garantido a jusante de cada derivação, fluxos 
residuais mínimos equivalentes a 70% (setenta por cento) da Q7,10. 
 
A lei estadual estabelece ainda que os prazos máximos de validade 
das outorgas serão: 
 
i)- trinta anos, para as concessões; 
ii)- cinco anos, para as autorizações; 
iii)- três anos, para as permissões. 
 
Modalidades de Outorga 
 
a)- Concessão – Quando as obras, serviços ou atividades forem 
desenvolvidas por pessoa jurídica de direito público ou quando se 
destinarem a finalidade de utilidade pública; 
 
b)- Autorização – Quando obras, serviços ou atividades forem 
desenvolvidas por pessoa física ou jurídica de direito privado ou quando 
não se destinarem a finalidade de utilidade pública; 
 
c)- Permissão - Quando obras, serviços ou atividades forem desenvolvidas 
por pessoa física ou jurídica de direito privado, sem destinação de utilidade 
pública e quando produzirem efeitos insignificantes nas coleções hídricas. 
 
3- Cobrança pelo uso da água – essencial para criar as condições de 
equilíbrio entre as forças da oferta (disponibilidade de água) e da 
demanda, promovendo, em conseqüência, a harmonia entre os usuários 
competidores; 
 
Conforme a legislação todos os usos sujeitos a outorga sofrerão cobrança. 
Em Minas Gerais a primeira bacia a iniciar a cobrança é a bacia do rio 
Paraíba do Sul. 
 
261 
 
4- Enquadramento dos corpos de água em classes de uso, que permite 
fazer a ligação entre a gestão da quantidade e a gestão da qualidade da 
água. É extremamente importante para se estabelecer um sistema de 
vigilância sobre os níveis de qualidade da água dos mananciais. 
 
O enquadramento de corpos de água deve visar sempre a melhoria 
de suas condições (ou manutenção, no caso de já ter-se atingido boas 
condições ), possibilitando seu uso numa gama cada vez maior de 
aplicações. Deve-se evitar enquadrar rios na classe 4 (inviável para 
consumo), sob pena de se estar avalizando, na prática, usos deletérios. 
Mesmo para os rios que se encontram nessa situação (classe 4), a meta 
deve ser sua recuperação e melhoria. O enquadramento deve sofrer 
revisões periódicas para refletir mudanças da situação e novas metas de 
melhoria, de acordo com a evolução dos usos efetivos e planejados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
262 
AVALIAÇÃO DE IMPACTO AMBIENTAL – AIA 
 
Caracterização Ambiental 
A ausência de um conhecimento prévio das características do meio 
ambiente no qual pretende-se desenvolver alguma atividade, é uma das 
principais causas de desequilíbrio ambiental, uma vez que acarreta uma 
apropriação desordenada dos recursos naturais. 
 
Estudo de Impacto Ambiental 
Conforme instituído pela resolução CONAMA no 001/86, considera-se 
impacto ambiental qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e 
biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou 
energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente, 
afetam: 
. a saúde, a segurança e o bem-estar da população; 
. as atividades sociais e econômicas; 
. a biota; 
. as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; 
. a qualidade dos recursos ambientais. 
Os impactos podem ser diretos ou indiretos, pode manifestar-se a curto ou 
em longo prazo, ser de curta ou longa duração, reversível ou irreversível, 
de natureza cumulativa ou sinérgica. Estas características podem dificultar 
a simples identificação dos impactos sobre o meio ambiente, ainda mais 
quando se pretende qualificar e quantificar estes impactos. 
 
A Função do EIA/RIMA 
No Brasil a AIA foi instituída em 1981 como um dos instrumentos da 
Política Nacional de Meio Ambiente pela Lei Federal no 6.938/81 e sua 
regulamentação através do decreto 88.351/83. No entanto, somente em 23 
de janeiro de 1986, a partir da resolução CONAMA no 001, é que foram 
baixados as primeiras orientações e detalhes para a realização e aplicação 
dos Estudos de Impactos Ambientais – EIA. 
Desta forma, o EIA/RIMA tem como objetivo o estudo da viabilidade 
ambiental de um determinado empreendimento, ou seja, é um instrumento263 
que pretende garantir a qualidade ambiental requerida pela sociedade onde 
se insere a referida ação. 
A elaboração de um EIA passa geralmente pelas seguintes etapas e sub-
etapas: 
 
Etapa I – Diagnóstico Ambiental; 
I.1 Meio Físico; 
I.2 Meio Biótico; 
I.3 Meio Socioeconômico e Cultura (Meio Antrópico). 
 
Etapa II – Prognóstico Ambiental (Evolução do Meio Ambiente) 
II.1 Impactos Ambientais sem o empreendimento; 
II.2 Impactos Ambientais com o empreendimento; 
 
Etapa III – Plano de Controle Ambiental; 
III.1 Programas referidos ao Meio Físico; 
III.2 Programas referidos ao Meio Biótico; 
III.3 Programas referidos ao Meio Antrópico. 
 
Etapa I – Diagnóstico Ambiental; 
I.1 Meio Físico; 
• Aspectos Climáticos; 
• Recursos hídricos; 
• Geologia, geomorfologia e hidrogeologia; 
• Recursos do solo ( pedologia, aptidão agrícola, etc.). 
 
I.2 Meio Biótico; 
• Flora – Vegetação; 
• Fauna. 
 
264 
I.3 Meio Socioeconômico e Cultura (Meio Antrópico). 
• Infra-estrutura regional; 
• Atividades econômicas; 
• Saúde pública; 
• Educação, etc. 
 
Etapa II – Prognóstico Ambiental (Evolução do Meio Ambiente) 
Compreenderá a análise da evolução dos meios físico, biótico, 
socioeconômico e cultural, com a caracterização dos impactos positivos e 
negativos, sem e com o empreendimento. Dar-se-á ênfase aos aspectos 
decorrentes do empreendimento. 
 
Etapa III – Plano de Controle Ambiental; 
São apresentados planos ou programas de controle ambiental a serem 
aplicados para mitigar os impactos identificados na fase anterior, 
considerando os três meios físicos, biótico e antrópico. 
 
265 
 
Licenciamento Ambiental 
Dentre as atividades sujeitas a licenciamento ambiental, por serem 
atividades classificadas como modificadoras do meio ambiente, podemos 
citar entre outras as seguintes: 
 Estradas de rodagem com duas ou mais faixas de rolamento; 
 Ferrovias; 
 Usinas de geração de eletricidade, qualquer que seja a fonte de 
energia primária acima de 10 MW; 
 Aterros sanitários, processamento e destino final de resíduos tóxicos 
ou perigosos. 
Licenciamento ambiental é o procedimento administrativo pelo qual o órgão 
ambiental competente licencia a localização, instalação, ampliação, 
modificação e operação de atividades e empreendimentos utilizadores de 
recursos ambientais considerados efetiva ou potencialmente poluidores ou 
daqueles que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental, 
desde que verificado, em cada caso concreto, que foram preenchidos, pelo 
empreendedor, os requisitos legais exigidos. 
O CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente, através da Resolução 
nº 237, de 19 de dezembro de 1997, definiu os empreendimentos e 
atividades que estão sujeitos ao licenciamento ambiental. Esse 
licenciamento será efetuado em um único nível de competência, 
repartindo-se harmonicamente as atribuições entre o IBAMA – Instituto 
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, em nível 
federal, os órgãos ambientais estaduais e os órgãos ambientais municipais. 
Em linhas gerais, ao IBAMA compete o licenciamento de empreendimentos 
e atividades com impacto ambiental de âmbito nacional ou que afete 
diretamente o território de dois ou mais Estados federados, considerados 
os exames técnicos procedidos pelos órgãos ambientais dos Estados e 
Municípios em que se localizar o empreendimento. Aos órgãos ambientais 
municipais compete o licenciamento de empreendimentos e atividades de 
impacto local e dos que lhes forem delegados pelos Estados através de 
instrumento legal ou convênio. 
Compete aos órgãos ambientais estaduais ou do Distrito Federal o 
licenciamento ambiental dos empreendimentos e atividades cujos impactos 
diretos ultrapassem os limites territoriais de um ou mais Municípios ou que 
estejam localizados em mais de um Município, em unidades de conservação 
 
266 
de domínio estadual ou em florestas e demais formas de vegetação natural 
de preservação permanente. Além disso, pode haver delegação do IBAMA 
para os Estados, por instrumento legal ou convênio. 
Em Minas Gerais, o licenciamento ambiental é exercido pelo COPAM - 
Conselho Estadual de Política Ambiental, por intermédio das Câmaras 
Especializadas, da FEAM –Fundação Estadual do Meio Ambiente, no tocante 
às atividades industriais, minerarias e de infra-estrutura e do IEF – 
Instituto Estadual de Florestas, no tocante às atividades agrícolas, 
pecuárias e florestais. 
As bases legais para o licenciamento e o controle das atividades efetiva ou 
potencialmente poluidoras em Minas Gerais estão estabelecidas na Lei nº 
7.772, de 8 de setembro de 1980 e no Decreto nº 39.424, de 05 de 
fevereiro de 1998, que a regulamenta, compatibilizados com a legislação 
federal. 
Complementar ao Decreto, as deliberações normativas e resoluções do 
COPAM normatizam as condições para o sistema de licenciamento 
ambiental, classificam os empreendimentos e atividades segundo o porte e 
potencial poluidor, estabelecem limites para o lançamento de substâncias 
poluidoras no ar, na água e no solo, de forma a garantir a qualidade do 
meio ambiente e definem os procedimentos a serem adotados pelo 
empreendedor para a obtenção das licenças ambientais. 
Há três tipos de licença: Licença Prévia (LP); Licença de Instalação 
(LI) e Licença de Operação (LO), as quais poderão ser expedidas 
isoladas ou sucessivamente, de acordo com a natureza, características e 
fase do empreendimento ou atividade. 
Para os empreendimentos já existentes em Minas Gerais antes de março de 
1981, quando foi regulamentada a Lei Ambiental do Estado, é adotado o 
chamado licenciamento corretivo, através de convocação e registro. Nesse 
caso, a regularização é obtida mediante a obtenção da Licença de 
Operação, condicionada ao cumprimento de Plano de Controle Ambiental – 
PCA, aprovado pela competente Câmara Especializada do COPAM. 
O licenciamento corretivo é aplicado também aos empreendimentos 
instalados depois de março de 1981, à revelia da Legislação Ambiental, 
com o objetivo de permitir a regularização de suas atividades. 
Os órgãos e entidades da administração estadual, direta e indireta somente 
aprovam projeto de implantação ou ampliação de atividades efetiva ou 
potencialmente degradadoras do meio ambiente após o licenciamento 
ambiental, sob pena de responsabilização administrativa e nulidade de seus 
 
267 
atos. Dessa forma, para a liberação de recursos referentes a concessão de 
incentivos fiscais ou financeiros, a empresa beneficiária deve apresentar a 
licença do COPAM. 
 
Licença Prévia - LP 
A Licença Prévia é requerida na fase preliminar de planejamento do 
empreendimento ou atividade. Nessa primeira fase do licenciamento, a 
FEAM avalia a localização e a concepção do empreendimento, atestando a 
sua viabilidade ambiental e estabelecendo os requisitos básicos a serem 
atendidos nas próximas fases. 
Para a formalização do processo de Licença Prévia são necessários os 
seguintes documentos: 
 requerimento da licença pelo empreendedor; 
 declaração da Prefeitura Municipal declarando que o tipo de 
empreendimento e o local de sua instalação estão de acordo com as 
leis e regulamentos administrativos aplicáveis ao uso ocupação do 
solo; 
 Formulário de Caracterização do Empreendimento – FCE, preenchido 
pelo representante legal; 
 Relatório de Controle Ambiental – RCA, elaborado de acordo com as 
instruções da FEAM, por profissional legalmente habilitado, e 
acompanhado da anotação de responsabilidade técnica; 
 Estudos de Impacto Ambiental – EIA e respectivo Relatório de 
Impacto Ambiental – RIMA, no caso de empreendimentos de 
elevado impacto ambiental, listados no artigo 2º da ResoluçãoCONAMA nº001/86 ou outros, definidos pela FEAM; 
 certidão negativa de débito financeiro de natureza ambiental, 
expedida pela FEAM, a pedido do interessado; 
 para o setor elétrico, documentação especificada na Resolução 
CONAMA nº 006/87; 
 comprovante de recolhimento do custo de análise do pedido de 
licença, de acordo com as Deliberações Normativas nº 01/90 e 
15/96; 
 autorização do IGAM – Instituto Mineiro de Gestão das Águas para 
derivação de águas públicas, quando for o caso; 
 
268 
 autorização do IEF – Instituto Estadual de Florestas para supressão 
de vegetação, quando for caso; 
 cópia da publicação do pedido de Licença Prévia em periódico, 
regional ou local, de grande circulação na área do empreendimento, 
de acordo com a Deliberação Normativa nº.13/95. 
Durante a análise da Licença Prévia pode ocorrer a audiência pública, nos 
termos da Deliberação Normativa nº 12/94, cuja finalidade é expor o 
projeto e seus estudos ambientais às comunidades interessadas, dirimindo 
dúvidas e recolhendo do público, críticas e sugestões. 
A Licença Prévia não concede qualquer direito de intervenção no meio 
ambiente, correspondendo à etapa de estudo e planejamento do futuro 
empreendimento. 
O seu prazo de validade é definido pelo cronograma apresentado pelo 
empreendedor para a elaboração dos planos, programas e projetos, não 
podendo ser superior a 4 anos, conforme dispõe a Deliberação Normativa 
nº 17/96, modificada pela Deliberação Normativa nº 23/97. 
 
Licença de Instalação (LI) 
A Licença de Instalação é a segunda fase do licenciamento ambiental, 
quando são analisados e aprovados os projetos executivos de controle de 
poluição e as medidas compensatórias, que compõem o documento 
denominado Plano de Controle Ambiental. 
A LI gera o direito à instalação do empreendimento ou sua ampliação, ou 
seja, a implantação do canteiro de obras, movimentos de terra, abertura de 
vias, construção de galpões, edificações e montagens de equipamentos. A 
Licença de Instalação concedida especifica as obrigações do empreendedor 
no que se refere às medidas mitigadoras dos impactos ambientais, sendo 
exigido o emprego da melhor tecnologia disponível para prevenir a 
poluição. 
Para a formalização do processo de Licença de Instalação são necessários 
os seguintes documentos: 
 requerimento da licença pelo empreendedor; 
 Plano de Controle Ambiental – PCA, elaborado de acordo com as 
instruções da FEAM, por profissional legalmente habilitado, e 
acompanhado da anotação de responsabilidade técnica; 
 
269 
 certidão negativa de débito financeiro de natureza ambiental, 
expedida pela FEAM, a pedido do interessado; 
 comprovante de recolhimento do custo de análise do pedido de 
licença, de acordo com as Deliberações Normativas nº 01/90 e 
15/96; 
 cópia da publicação da concessão da Licença Prévia e do pedido de 
Licença de Instalação em periódico, regional ou local, de grande 
circulação na área do empreendimento, de acordo com a Deliberação 
Normativa nº 13/95. 
Quando o empreendimento já iniciou as obras de implantação sem haver 
se submetido à avaliação ambiental prévia, é cabível a Licença de 
Instalação, de caráter corretivo, estando o interessado obrigado a 
apresentar os documentos referentes à etapa de obtenção da Licença 
Prévia, juntamente com os relativos à fase de LI. 
O prazo de validade da Licença de Instalação corresponde, no mínimo, ao 
estabelecido pelo cronograma de implantação do empreendimento, não 
podendo ser superior a 6 anos. A LI pode ter seu prazo de validade 
prorrogado por 2 anos, desde que não seja ultrapassado o limite máximo 
de 6 anos. 
 
Licença de Operação (LO) 
Autoriza a operação da atividade ou empreendimento, após a verificação 
do efetivo cumprimento do que consta das licenças anteriores, com as 
medidas de controle ambiental e condicionante determinadas para a 
operação. O prazo de validade da Licença de Operação (LO) deverá 
considerar os planos de controle ambiental e será de, no mínimo 4 (quatro) 
anos e, no máximo 10 (dez) anos. 
 
 
 
 
 
270 
BIBLIOGRAFIA ESPECÍFICA 
 Recursos Hídricos – Bloco 4 – The Open University. Ed. Da 
UNICAMP, S.P. 2000. 
 ABAS – Associação Brasileira de Águas Subterrâneas 
 IGAM – Instituto Mineiro de Gestão das Águas 
 ANA – Agencia Nacional das Águas 
 CODEVASF – Companhia de Desenvolvimento do Vale o São 
Francisco 
 ABRH – Associação Brasileira de Recursos Hídricos

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