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Conceito de Saúde, História Natural da doença e Níveis de Prevenção Saúde é a ausência de doença. “Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença.” Organização Mundial da Saúde (OMS), adotada em sua Constituição de 1948. “Saúde é o estado do indivíduo cujas funções orgânicas, físicas e mentais se acham em situação normal”. Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. Saúde como direito: “O conceito ampliado de Saúde” “Em sentido amplo, a saúde é a resultante das condições de alimentação, habitação,educação, renda, meio ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade, acesso e posse da terra e acesso aos serviços de saúde.” Sendo assim, é principalmente resultado das formas de organização social, de produção, as quais podem gerar grandes desigualdades nos níveis de vida. (Brasil, 1986) “importância das dimensões econômica, social e política na produção da saúde e da doença nas coletividades” Para Laurell (1997: 86), a saúde é vista como ‘necessidade humana’ cuja satisfação “associa-se imediatamente a um conjunto de condições, bens e serviços que permitem o desenvolvimento individual e coletivo de capacidades e potencialidades, conformes ao nível de recursos sociais existentes e aos padrões culturais de cada contexto específico”. “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação” (BRASIL, 1988) História natural da doença é o nome dado ao conjunto de processos interativos compreendendo “as inter-relações do agente, do suscetível e do meio ambiente que afetam o processo global e seu desenvolvimento, desde as primeiras forças que criam o estímulo patológico no meio ambiente, ou em qualquer outro lugar, passando pela resposta do homem ao estímulo, até às alteração que levam a um defeito, invalidez, recuperação ou morte”. (Leavell & Clark, 1976). Pirâmide de inter-relação hospedeiro, agente, ambiente Hospedeiro ⇒ idade, sexo, constituição corporal, genética e imunológica, nível educacional, estado ocupacional, hábitos e costumes, estado psicológico e de humor, entre outros. Ambiente ⇒ fatores físicos, biológicos, socioeconômicos, culturais, políticos, etc Agente ⇒ fatores biológicos, físicos, mecânicos, genéticos e nutricionais Há uma interação constante e dinâmica entre estes três grupos primários: hospedeiro, agente e ambiente e este interrelacionamento ocorre mesmo em períodos em que acredita-se em uma “saúde perfeita”. Saúde e doença não podem ser vistas como sendo resultado de uma única causa. Saúde e doença não são situações estáticas ou estacionárias. Processo resultante de forças contínuas dinâmicas. Múltiplas causas. Sinergismo. Relações agente-hospedeiro no meio ambiente antes e durante o processo da doença. Níveis de prevenção em saúde ⇒ A prevenção de saúde se define como sendo algo que evita o aparecimento ou situações que possam levar a doença. Para atuar na prevenção em saúde é preciso conhecer os fatores causais das patologias, e com isso intervir. A etiologia é a denominação desse processo. Etiologia e prevenção são aspectos muito relacionados, pois o melhor conhecimento da etiologia indica as melhores alternativas para concretizar a prevenção. A etiologia pode ser relacionada em duas fases: a) Pré-patológica ⇒ fase anterior à resposta biológica inicial do organismo. Para possibilitar melhores oportunidades de prevenção dos agravos à saúde, é importante o conhecimento do complexo causal que lhes dá origem: - Características dos agentes e fatores de risco envolvidos. - Intensidade das exposições - Suscetibilidades do organismo frente às agressões - Situação do ambiente. b) Patológica ⇒ processos que ocorrem no interior do corpo humano e que se sucedem a partir da resposta orgânica inicial. O melhor conhecimento destes mecanismos permite adotar critérios diagnósticos e tratamento condizentes voltados para detectar e interromper o processo já instalado no organismo e, se possível fazê-lo regredir. Classificação das Medidas Preventivas ⇒ São consideradas medidas preventivas todas aquelas utilizadas para evitar as doenças ou suas conseqüências, quer ocorram sob forma esporádica, quer de modo endêmico ou epidêmico. Medidas Inespecíficas e Específicas ⇒ As medidas inespecíficas têm como objetivo de promover o bem estar das pessoas de forma geral, as medidas específicas incluem técnicas próprias para lidar com o dano à saúde em particular. Fases da Prevenção a) Primária ⇒ prevenção da ocorrência da fase patológica, ou seja, evitar agravos à saúde. b) Secundária ⇒ realizadas no período patológico, enquanto a doença ainda está progredindo, visando à prevenção da evolução do processo patológico no organismo. c) Terciária ⇒ As ações se dirigem à fase final do processo patológico e visam desenvolver a capacidade residual do indivíduo, cujo potencial funcional teve diminuição pela doença. Níveis de Prevenção a) Promoção de saúde ⇒ Ações destinadas a manter o bem estar, sem visar a nenhuma doença em particular: Educação sanitária, alimentação e nutrição adequada, habitação adequada, emprego e salários adequados, condições para satisfação das necessidades básicas do indivíduo. b) Proteção específica ⇒ Medidas para impedir o aparecimento de uma determinada afecção, em particular, ou de um grupo de doenças afins: Vacinação, exame pré- natal, fluoretação da água, eliminação de exposição a agentes carcinogênicos. c) Diagnóstico e tratamento precoce ⇒ identificar o processo patológico no seu início antes do aparecimento de sintomas: Exame periódico de saúde, procura de casos entre contatos, auto-exame, intervenções terapêuticas ou cirúrgicas precoces. d) Limitação do Dano ⇒ Consiste em identificar a doença, limitar a extensão das respectivas lesões e retardar o aparecimento de complicações, se não for possível evitá-las por completo: Acesso facilitado a serviços de saúde, tratamento terapêutico ou cirúrgico adequados, hospitalização em função das necessidades. e) Reabilitação ⇒ Objetiva desenvolver o potencial residual do organismo, após haver sido afetado pela doença: Fisioterapia, terapia ocupacional, treinamento do deficiente, adaptações de trabalho para o deficiente, educação do público para aceitação do deficiente, próteses e órteses. Há uma interação constante e dinâmica entre estes três grupos primários: hospedeiro, agente e ambiente e este interrelacionamento ocorre mesmo em períodos em que acredita-se em uma “saúde perfeita” Segundo Deliberato, 2002, é possível estabelecer relações entre o dinamismo da pirâmide de saúde, os períodos de patogênese e pré-patogênese, os estados de saúde e os níveis de prevenção. Promoção/Prevenção “A promoção de saúde busca modificar condições de vida (dignas, adequadas), e, a prevenção orienta-se mais às ações de detecção, controle e enfraquecimento dos fatores de risco ou fatores causais de grupos de enfermidades ou enfermidades específicas” Grécia ⇒ Passa-se alguns séculose na Grécia...... As primeiras explicações racionais..... Hipócrates questionava Ao lado das concepções mágico-religiosas, foi-se desenvolvendo uma outra explicação para a saúde e a doença. “ O que determina a saúde é o modo como as pessoas vivem” “ A doença chamada sagrada não é em minha opinião, mais divina ou mais sagrada que qualquer outra doença, tem uma causa natural e sua origem supostamente divina reflete a ignorância humana” (Hipócrates) Antiguidade..... (2000, 3000 anos atrás) O que determinava saúde e doença? ⇒ Visão mágico religiosa da doença Os maus sofriam punições, algo divino. Em pessoas boas, um espírito malévolo incorporava e causava doença... Se Divindades e Demônios causam doenças, qual a melhor forma de controlar? ⇒ Cultuá-los Grande importância na sociedade ⇒ pajés, sacerdotes ⇒ O apogeu da civilização grega vai representar o rompimento com a superstição e as práticas mágicas e o surgimento de explicações racionais para os fenômenos de saúde e doença. ⇒ Observação das funções do organismo e suas relações com o meio natural (periodicidade das chuvas, ventos, calor ou frio) e social (trabalho, moradia, posição social, etc.) ⇒ A relação com o ambiente é um traço característico da compreensão hipocrática do fenômeno saúde-doença. ⇒ Conhecimentos Hipocráticos: o clima, o solo, a água, o modo de vida e a nutrição Hipócrates refuta a idéia do “sagrado”, traz o conceito de saúde-doença para algo “terreno”/”material Roma ⇒ Conceito mais ampliado de saúde/inexistência de cuidado excessivo com o corpo. → Tomada dos Gregos pelos Romanos: Romanos copiadores de Hipócrates (Galeno era seu seguidor) → Romanos evoluíram muito na “gestão” → Aqueduto – criação dos romanos (elaborado para a época - declives para que se depositasse os resíduos sólidos) → Pensam na necessidade de coleta de dejetos humanos Cristianismo ⇒ “A higiene pagã não pode preservar a saúde, De Deus vem toda a cura” (Eclesiásticos:38, 1-9). → O sofrimento, o reconforto, a possível cura, a redenção pagã não pode preservar a saúde” → Houve recrudescimento para a visão Sagrada, já se antagonizando com a teoria miasmática. “Em tempos de epidemia deve-se, sobretudo, evitar o ar corrompido, que pode vir de lugares pantanosos, enlameados e fétidos, de águas e valas estagnadas, de cemitérios, de estábulos de animais de carga. Evite esses lugares!” Emanações de regiões putrefatas (corpos, animais, pessoas doentes..) Estas emanações ficavam no ar, as pessoas tinham contato e ficavam doentes Quem era mais “científico” era adepto da teoria miasmática (mais avançada forma de pensar o processo saúde doença) → O cristianismo afirmava a existência de uma conexão fundamental entre a doença e o pecado. → Como este mundo representava apenas uma passagem para purificação da alma, as doenças passaram a ser entendidas como castigo de Deus, expiação dos pecados ou possessão do demônio. → As práticas de cura deixaram de ser realizadas por médicos e passaram a ser atribuição de religiosos; → No lugar de recomendações dietéticas, exercícios, chás, repousos e outras medidas terapêuticas da medicina clássica, são recomendadas rezas, penitências, invocações de santos, exorcismos, unções e outros procedimentos para purificação da alma, uma vez que o corpo físico, apesar de albergá-la, não tinha a mesma importância; → Como eram poucos os recursos para deter o avanço das doenças, a interpretação cristã oferecia conforto espiritual, e morrer equivalia à libertação. Teoria Miasmática ⇒ Foi tão forte que modulou organizações urbanas (reformas urbanas) Ex: cemitérios altos (“miasmas só sobem”) Ruas Londres Séc XVIII – escuras, estreitas.. A idéia posterior foi a de expansão No Rio de Janeiro pensavam em “ derrubar morros” para os miasmas irem embora. → Embora a natureza comunicável de algumas doenças fosse cada vez mais nítida - como a lepra e a peste, a teoria miasmática ainda persistia como modelo explicativo. → Não havia evidência do elemento comunicável que não aqueles já sugeridos por Hipócrates: uma alteração atmosférica, onde águas estagnadas e matéria orgânica em decomposição corrompiam o ar. → Sob o poder da igreja, foram desautorizadas todas as iniciativas de avanço no conhecimento das causas das doenças e até mesmo de sugestão de qualquer explicação que estivesse além da fé. Aqueles que insistissem enfrentariam os tribunais da Inquisição. Idade média ⇒ Lepra, varíola, difteria, sarampo, influenza, ergotismo, tuberculose, escabiose, erisipela, tracoma e malária Para proteger a saúde ⇒ Os isolamentos, As quarentenas.. → O medo das doenças era constante nos burgos medievais. Dentre as inúmeras epidemias que aterrorizavam as populações (varíola, difteria, sarampo, influenza, ergotismo, tuberculose, escabiose, erisipela etc), a lepra e a peste bubônica foram, sem dúvida, aquelas de maior importância e preocupação. → Caso emblemático, a lepra era tida como manifestação evidente da impureza diante de Deus, e seus portadores deveriam ser condenados ao isolamento, conforme descrição bíblica. Considerados mortos, rezava-se uma missa de corpo presente antes do mesmo seguirem para o leprosário. Aqueles que vagassem pelas estradas deveriam usar vestes características e fazer soar uma matraca para advertir a outros de sua perigosa ameaça. Todo estigma e as consequências de seu diagnóstico fizeram da lepra a doença mais temida nesse período. (Rosen, 1994; Scliar, 2002) Iluminismo/Renasçença ⇒ → Estudos de Anatomia e Fisiologia; → No campo da saúde, passam a ser desenvolvidos estudos de anatomia, fisiologia, e de individualização da descrição das doenças, fundada na observação clínica e epidemiológica; → A experiência acumulada pelos médicos forneceu elementos para a especulação sobre a origem das epidemias e o fenômeno do adoecimento humano. “localização, especificidade e intervenção” foram valores introduzidos no pensamento médico a partir do Renascimento. Czeresnia (1997: 60-61) Estado Moderno ⇒ • O Leviatã, ou o Estado Moderno - Necessidade de contar o povo (produção) e o exército (poder) • Trabalho, impostos, exércitos, faz com que se tenha interesse em contar pessoas.... • William Petty (1623-1687) Aritmética política • John Graunt (1620-1674) O pai da demografia (quantas pessoas estão nascendo, morrendo, na cidade, no campo?) • Edmund Halley (1656-1742) As tábuas de vida (permitem calcular a expectativa de vida da população) → As políticas nacionais de saúde; → enfermidade e morte prematura levam ao desperdício de recursos humanos; a saúde das pessoas é de extrema importância para a comunidade, logo, não pode ser largada à incerteza da iniciativa individual; → estabelecimento de hospitais e laboratórios; → fundação de maternidades; → atenção à saúde do trabalhador; → necessidades de saúde e distribuição de clínicos e de cirurgiões; → assistência aos pobres. A Revolução Industrial ⇒ • Desenvolvimento urbano • Precárias condições de vida Não há mais ⇒ • Controle do trabalho • Domínio técnico sobre o próprio trabalho Transformação da estrutura social ⇒ • capital e meios de produção (instalações, máquinas, matéria-prima) X trabalho (assalariados) Revolução Industrial ⇒ Aglomerados Humanos: maior deslocamentoda massa da área rural para urbana; Expectativa de vida média em Londres em 1920, 1930 dependia da classe social: Proletariado: 16 Comerciantes , artesãos (classe média): 22 Burguesia: 36 Jornada de trabalho de 16 a 18 horas/dia. Marcos/Atores John Snow (1813-1858) ⇒ Sobre o modo de transmissão do cólera Os miasmas estavam agindo! Entendia-se que o que estava matando as pessoas eram os miasmas – a visão Hegemônica era essa. Snow não pensava assim. John Snow ⇒ Questionava a teoria miasmática. Observou: “um lado da rua morria e outro não” ???? Se contrapôs a toda a publicação científica da época. Seu método foi Brilhante, por isso é considerado o Pai da Epidemiologia: Pegou o mapa, visitou casas e começou a registrar no mapa todos os óbitos por cólera “distribuição espacial da doença”. “havia um pessoa doente, houve vazamento dos dejetos para a fonte e passou a contaminar as pessoas.” Diferença entre as duas companhias de água: 1 antes do Tâmisa passava no centro de Londres Outra depois: taxa de morte por Cólera era muito maior. Primeira aplicação do raciocínio Epidemiológico. "a história das epidemias é um capítulo capital da história geral da humanidade. As epidemias nada mais são do que grandes advertências, elas dizem ao verdadeiro homem de Estado que, na vida de seus administrados, ocorreu um distúrbio que não pode continuar a ser ignorado, sequer por uma política indolente“ • Foi acionado para redigir relatório sobre a epidemia de Tifo Rudolf Virchow ⇒ • Tifo na Silésia Reforma política e descentralização das responsabilidades para os governos locais; investimentos em educação; mudanças econômicas, democratizando o acesso a bens e serviços; reformas na produção agrícola; construção de estradas; obrigatoriedade, para professores e médicos, de falarem a língua da população. Final do século XX • Pasteur e Koch – Microbiologia • Avanços medicamentosos Virchow = Condições de vida → Contraponto → O que interessa é o microorganismo UNICAUSALIDADE ⇒ grande parte do século XX Era bacteriológica ⇒ • Louis Pasteur (1822-1895) • Robert Koch (1843-1910) Enorme avanço para a ciência ⇒ Desenvolvimento e aplicação da imunologia Vacinas/ Entre 1880 e 1898 Febre tifóide, hanseníase, lepra, malária, tuberculose, cólera, erisipela, difteria, pneumonia meningocócica, peste, tétano, difteria, botulismo “Os contagionistas enfatizavam a busca de uma causa verdadeira e específica da doença. Os anticontagionistas, apesar de também estarem tentando precisar a especificidade da doença e sua etiologia, enfatizavam a importância de estudar a predisposição do corpo e do ambiente para o surgimento da doença” (CZERESNIA, 1997, p. 64) Após a Segunda Guerra, quando os países industrializados começam a vivenciar uma transição epidemiológica..... “A debilidade do modelo unicausal na explicação de doenças associadas a múltiplos fatores de risco favoreceu o desenvolvimento dos modelos multicausais.” (FIOCRUZ, 2017) MULTICAUSALIDADE = Estudo das populações/COLETIVO Epi (sobre) demo (população) logos (tratado) Duas premissas básicas: • Agravos não se distribuem ao acaso na população; • Conhecer como se distribuem e porquê é possível tomar condutas com vistas a promoção de saúde, prevenção de doenças assim como curativas. ____________________________________________________________________________________ - Como podemos definir a Epidemiologia? Ciência que estuda o processo saúde-doença em coletividades humanas, analisando a distribuição e os fatores determinantes das enfermidades, danos à saúde e eventos associados à saúde coletiva, propondo medidas específicas de prevenção, controle ou erradicação de doenças, e fornecendo indicadores que sirvam de suporte ao planejamento, administração e avaliação das ações de saúde. (Rouquayrol, MZ e Goldbaum, M). • estuda o processo saúde-doença em coletividades humanas; • analisando a distribuição; • fatores determinantes das enfermidades; • propondo medidas específicas de prevenção, controle ou erradicação de doenças; • fornecendo indicadores que sirvam de suporte ao planejamento, administração e avaliação das ações de saúde. - Qual é um dos principios básico da Epidemiologia? Epi (sobre) demo (população) logos (tratado) Duas premissas básicas: Eventos relacionados a saúde (doenças , determinantes, uso de serviços) não se distribuem ao acaso na população / Os fatores que influenciam o estado de saúde se distribuem desigualmente. Conhecer como se distribuem (Há grupos que apresentam mais casos e há grupos que morrem mais por determinada doença) e porquê torna possível condutas/promoção de saúde, prevenção de doenças assim como curativas. - Quais as áreas de atuação compreendidas na epidemiologia? → Ensino/pesquisa; → Avaliação de procedimentos e serviços de saúde; → Vigilância epidemiológica; → Diagnóstico e acompanhamento da saúde das populações. - Quando surgiu a Epidemiologia? Hipócrates (Grécia antiga)-uma nova proposta para pensar o processo saúde doença: este se contrapõe ao raciocínio vigente e difundiu a ideia de que o modo como as pessoas viviam, onde moravam, o que comiam e bebiam (fatores terrenos) eram os responsáveis pelas doenças. Porém, o medico britânico John Snow é apontado como o pai da Epidemiologia. Durante boa parte do século XIX e nos séculos anteriores, a teoria miasmática era a principal forma de explicação das doenças. Porém, quando uma violenta epidemia de cólera atingiu Londres em 1854, Snow lançou mão de método científico e fez uma ampla, inovadora e criteriosa pesquisa, refutando a teoria miasmática. Transmissão Hídrica da Cólera 1. Diagnóstico da situação de saúde (Do que adoece a população?, Do que morre?, Quais são os principais fatores que impactam a qualidade vida das pessoas?, Quem morre, adoece e interna mais? Quando Há maior quantidade de determinada doença? Há certos lugares em que há maior carga de doenças?) 2. Planejamento e Organização dos serviços de saúde (Quais ações o Ministério da saúde deve desencadear nesse início de século XXI?, O Município deve seguir as mesmas ações? As Unidades locais de saúde dos bairros devem organizar seus serviços da mesma maneira?) 3. Avaliação de Programas e serviços (o impacto da ESF tem sido mais significativo em municípios com maior cobertura pela ESF e naqueles com menor IDH. Ex: redução expressiva do número de gestantes sem pré natal) 4. Investigação Etiológica (O que causa as doenças?, O que protege as pessoas de ficarem doentes? Ex: cigarro é uma causa importante do câncer de pulmão) 1. Terapias e procedimentos clínicos (pela lógica faz sentido, mas funciona?) 2. Denúncia (desigualdades: diferenças sistemáticas entre grupos populacionais em termos de indicadores de saúde/ maior exposição a doenças e agravos) → Maior exposição a doenças e agravos (% de famílias sem acesso a água potável é maior, % de adultos que fumam diariamente é maior nos mais pobres) → Menor cobertura com intervenções preventivas (% de crianças que recebem 6 ou mais intervenções básicas é menor em crianças mais pobres) → Maior probabilidade de adoecer (% de mulheres que engravidamna adolescência é maior quanto menor a renda familiar, % de homens com sintomas psiquiátricos também >) → Menor resistência as doenças ( % de crianças de 20 meses com desnutrição é maior quanto menor a renda familiar) → Menor acesso a serviços de saúde (% de indivíduos que consultaram no último ano é menor) → Pior qualidade da atenção em serviços de atenção primária (% de mulheres que fizeram exame ginecológico durante o pré-natal) → Menor probabilidade de receber tratamentos essenciais (% de doentes que obtiveram todos os medicamentos prescritos na consulta, % de adultos que já perderam todos os dentes) → Menor acesso a serviços de nível secundário e terciário. (mortalidade infantil, mais internações quanto menor a renda (BRASIL, 2003) • As atividades de prevenção vem surtindo os efeitos esperados? • Os tratamentos disponíveis aumentam a sobrevida dos doentes? • As políticas de saúde voltadas para o controle tem sido adequadas? Independente da complexidade do estudo epidemiológico, assim como dos métodos de análise, as respostas baseiam-se em algum tipo de medida de frequência. Ocorrência, distribuição e determinantes das doenças nas populações: • É necessário medir a frequência com que ocorrem os problemas de saúde • Utilizam-se as medidas de incidência e prevalência. Medidas de Frequência de Doenças Incidência ⇒ • Casos novos • “filme” sobre a ocorrência da doença • Medida dinâmica • Como calcular? Prevalência ⇒ • Casos existentes • “fotografia” sobre a ocorrência da doença • Medida estática Compreender e aplicar os conceitos de incidência e prevalência (duas categorias de medidas) PREVALÊNCIA ⇒ examinado num único momento, (estudo transversal) INCIDÊNCIA ⇒ acompanhando pessoas durante um certo tempo (estudo de coorte) • Prevalência pontual ou instantânea ⇒ Frequência de casos existentes em um dado instante de tempo; • Prevalência de período ⇒ Frequência de casos existentes em um período de tempo (Ex: um ano); • Prevalência na vida ⇒ Frequência de pessoas que apresentaram a doença em algum momento desde o nascimento até a realização do estudo. (ex: asma depressão – crônicas recorrentes) Padrão de ocorrência de doenças segundo três vertentes: • Pessoas (quem?) • Tempo (quando?) • Espaço (aonde?) • Compreender e aplicar os conceitos de incidência e prevalência. • Frequências absolutas e frequências relativas. ⇒ Prevalência expressa o número de casos existentes de uma determinada doença em uma determinada população em um dado momento. ⇒ Incidência refere-se à frequência com que surgem novos casos de uma doença, num intervalo de tempo. ⇒ Mortalidade, letalidade e sobrevida - variações do conceito de incidência. • Estes conceitos também se aplicam à mensuração de quaisquer eventos relacionados à saúde, incluindo fatores determinantes como tabagismo e sedentarismo. As medidas de frequência podem ser expressas como frequências absolutas ou relativa. • A prevalência de uma doença e determinada pela sua incidência e duração, assim como pelos movimentos migratórios. • Quanto maior a incidência e duração, maior a prevalência • Elevadas taxas de incidência não implicam em altas proporções de prevalência e, elevadas proporções de prevalência podem se sobrepor a baixos níveis de incidência. • A quantidade de casos existentes de uma ou mais doenças ou problemas de saúde é um dos fatores determinantes da demanda por assistência médica. Prevalência ⇒ planejamento de ações e serviços de saúde, previsão de recursos humanos, diagnósticos e terapêuticos. Incidência ⇒ investigações etiológicas, relações de causa efeito, estudos de prognóstico (sobrevida) DADOS: • Fontes de dados de morbidade: • Prontuários e estatísticas de estabelecimentos de saúde; • Registros da previdência social; • Arquivos médicos de empresas, sindicatos, escolas, creches; • Fichas de consultórios particulares; • Arquivos de alistamento militar; • Registros policiais; • Bancos de dados de pesquisas (PNAD, IBGE, inquéritos especiais(INCA/UFSC)