Prévia do material em texto
Autora: Profa. Ani Sobral Torres Colaboradores: Profa. Elisangela Monaco de Moraes Prof. Roberto Macias Prof. Fábio Mesquita do Nascimento Desenvolvimento Sustentável Professora conteudista: Ani Sobral Torres Ani Sobral Torres possui doutorado pelo IPEN – Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares da Universidade de São Paulo na área de Sensoriamento Remoto da Atmosfera, mestrado pela Escola Politécnica da USP e graduação em microeletrônica pela Faculdade de Tecnologia de São Paulo. Publicou diversos artigos na área de sensoriamento remoto e monitoração de poluentes na atmosfera e leciona diversas disciplinas em Instituições de Ensino Superior, entre as quais a UNIP – Universidade Paulista. © Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Universidade Paulista. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) T693 Torres, Ani Sobral Desenvolvimento Sustentável. / Ani Sobral Torres. - São Paulo: Editora Sol, 2011. 108 p. il. Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e Pesquisas da UNIP, Série Didática, ano XVII, n. 2-005/11, ISSN 1517-9230. 1.Sustentabilidade 2.Desenvolvimento Sustentável 3.Recursos Naturais I.Título CDU 504.03 Prof. Dr. João Carlos Di Genio Reitor Prof. Fábio Romeu de Carvalho Vice-Reitor de Planejamento, Administração e Finanças Profa. Melânia Dalla Torre Vice-Reitora de Unidades Universitárias Prof. Dr. Yugo Okida Vice-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa Profa. Dra. Marília Ancona-Lopez Vice-Reitora de Graduação Unip Interativa – EaD Profa. Elisabete Brihy Prof. Marcelo Souza Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar Prof. Ivan Daliberto Frugoli Material Didático – EaD Comissão editorial: Dra. Angélica L. Carlini (UNIP) Dra. Divane Alves da Silva (UNIP) Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR) Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT) Dra. Valéria de Carvalho (UNIP) Apoio: Profa. Cláudia Regina Baptista – EaD Profa. Betisa Malaman – Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos Projeto gráfico: Prof. Alexandre Ponzetto Revisão: Leandro Freitas Amanda Casale Sumário Desenvolvimento Sustentável APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................7 INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................7 Unidade I 1 O QUE É DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL? .......................................................................................11 1.1 Relação entre homem e natureza ..................................................................................................11 1.2 As organizações não governamentais – ONGs ........................................................................ 14 2 HISTÓRICO E CONCEITO DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL ................................................. 15 2.1 O desenvolvimento sustentável ..................................................................................................... 15 2.2 As dimensões do desenvolvimento sustentável ...................................................................... 17 2.3 Desenvolvimento sustentável – a expressão entra em cena .............................................. 17 2.4 O novo paradigma da gestão ambiental .................................................................................... 21 Unidade II 3 AS BASES DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL ............................................................................. 27 3.1 A Rio 92 .................................................................................................................................................... 27 3.2 A Agenda 21 ........................................................................................................................................... 29 3.3 A Agenda 21 brasileira........................................................................................................................ 30 3.4 O Protocolo de Kyoto .......................................................................................................................... 31 3.4.1 O Protocolo de Kyoto e os Estados Unidos .................................................................................. 31 3.4.2 Sumidouros de carbono ....................................................................................................................... 32 3.4.3 Sequestro de carbono ........................................................................................................................... 32 3.4.4 Resultado do Protocolo de Kyoto .................................................................................................... 33 3.4.5 Mecanismos de flexibilização ............................................................................................................ 33 3.4.6 Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) .......................................................................... 34 3.4.7 Países pertencentes ao Anexo I do Protocolo de Kyoto .......................................................... 35 3.5 Calor e o Protocolo de Kyoto .......................................................................................................... 35 3.6 O funcionamento do mercado de carbono ............................................................................... 37 3.7 Possíveis consequências do aquecimento global .................................................................... 38 3.8 Consequências do aumento das temperaturas ........................................................................ 38 3.9 A Rio+10 .................................................................................................................................................. 40 4 DESENVOLVIMENTO SUSTENTADO ........................................................................................................... 42 Unidade III 5 O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E SUAS DIMENSÕES SOCIAL E ECONÔMICA ...................................................................................................................................... 51 5.1 A dimensão social do desenvolvimento sustentável ............................................................. 51 5.2 A dimensão econômica do desenvolvimento sustentável .................................................. 52 5.3 A preservação do meio ambiente como princípio da atividade econômica ................ 54 5.4 Recursos naturais ................................................................................................................................. 54 5.5 Preservação dos recursos naturais ................................................................................................ 59 6 AS DIMENSÕES ECOLÓGICA, ESPACIAL E CULTURAL DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL .............................................................................................................. 60 6.1 A dimensão ecológica do desenvolvimento sustentável ..................................................... 61 6.2 A dimensão espacial do desenvolvimento sustentável ........................................................ 62 6.3 A dimensão cultural do desenvolvimento sustentável ......................................................... 62 6.4 A responsabilidade ambiental das empresas............................................................................. 63 6.5 A globalização ........................................................................................................................................ 63 6.6 A responsabilidadesocial corporativa ......................................................................................... 64 Unidade IV 7 EDUCAÇÃO AMBIENTAL................................................................................................................................ 70 7.1 As normas e legislação ambiental ..................................................................................................71 7.2 A norma ISO 14000 ............................................................................................................................. 74 7.3 ISO 14001 ................................................................................................................................................ 75 7.4 A norma SA 8000: o modelo ISO 9000 aplicado à responsabilidade social ................. 77 7.5 As políticas ambientais públicas no Brasil ................................................................................. 78 7.6 A Constituição Federal de 1988 ..................................................................................................... 80 8 A ECONOMIA E O MEIO AMBIENTE .......................................................................................................... 80 8.1 Responsabilidade social e a sustentabilidade ........................................................................... 81 8.2 Desenvolvimento sustentável x recursos naturais .................................................................. 84 7 APRESENTAÇÃO O desenvolvimento sustentável está presente em várias áreas da sociedade e se tornou uma preocupação mundial na atualidade. Sendo assim, possui grande relevância como objeto de estudo neste curso. Na área de tecnologia de informação a preocupação com o desenvolvimento sustentável é crescente, sendo importante para os estudantes adquirirem conhecimento sobre o assunto bem como aplicá-lo no dia a dia. Não se trata apenas de contribuir para a sustentabilidade dos recursos naturais, mas para a melhoria da qualidade de vida da sociedade. Ao utilizarmos produtos na área de tecnologia de informação que contribuam para a preservação de recursos naturais, como menos papel, papel reciclável ou desenvolver sistemas de informação que necessitem de menos recursos e mesmo uso de energia são algumas das formas de promoção do desenvolvimento sustentável. Esta disciplina caracteriza-se pelo estudo dos diferentes aspectos do desenvolvimento sustentável, relacionados a conceitos, requisitos, discussões realizadas para a implantação do desenvolvimento sustentável, bem como estudo dos protocolos e certificações existentes para promovê-lo. Tem como objetivo geral propor uma visão fundamentada no que se refere à possibilidade de se estabelecer relações entre desenvolvimento econômico e desenvolvimento sustentado. Como objetivos específicos desta disciplina, espera-se que você adquira conhecimentos sobre: • o conceito histórico do desenvolvimento sustentável; • conceitos da relação entre homem e natureza; • o desenvolvimento das organizações não governamentais e o desenvolvimento sustentável como um novo paradigma. Espera-se também que você, no curso desta disciplina, possa: • definir e entender as bases do desenvolvimento sustentável, bem como suas dimensões; • entender a importância dos recursos naturais, sabendo diferenciar os renováveis e não renováveis; • entender as normas e legislações ambientais vigentes. INTRODUÇÃO O desenvolvimento sustentável é objeto de estudo de diversas áreas da sociedade e das organizações. Tornou-se uma tendência e preocupação mundial, e áreas como a tecnologia 8 de informação, por exemplo, já têm iniciativas para que o respeito ao meio ambiente e a um desenvolvimento sustentado ocorra. Como estudante, é importante relacionar e conectar o desenvolvimento sustentável com a área de formação, desenvolvendo habilidades e senso crítico para promover uma sociedade melhor, desenvolvendo políticas de sustentabilidade dentro da sua área de atuação também. Imagine que todo o petróleo do mundo tenha sido usado e nada mais restou... Qual seria o impacto disso no nosso dia a dia? E na área de tecnologia de informação? Qual o impacto direto nessa área? Como profissional da área de tecnologia de informação, o que seria possível fazer para tornar o seu ambiente de trabalho mais comprometido com a sustentabilidade? Para responder a essas questões e outras de cunho ambiental, vamos estudar esta disciplina, que foi dividida em quatro unidades que tratam de diferentes temas dentro do contexto de desenvolvimento sustentável. Na unidade I, temos o objetivo de situar o estudante no contexto histórico mundial e situar de onde surgiu a preocupação com o desenvolvimento sustentável e a relação do homem nesse processo. Sendo assim, serão estudados os seguintes tópicos: • A relação entre homem e natureza. • O meio ambiente torna-se um problema. • A problemática ambiental após a Guerra Fria. • O papel das organizações não governamentais. • O desenvolvimento sustentável como novo paradigma. • As dimensões do desenvolvimento sustentável. Na Unidade II, são apresentadas as bases do desenvolvimento sustentável e as principais conferências, protocolos estabelecidos no decorrer das discussões. Entre os temas abordados, estão: • As bases do desenvolvimento sustentável. • Comissão Mundial do Meio Ambiente. • A Agenda 21. • A Agenda 21 brasileira. • O Protocolo de Kyoto. • A economia ambiental. • Eco-economia. • O mercado do carbono. • As consequências do aquecimento global. 9 Na Unidade III, novos conceitos são adicionados e estudados, eles se referem à responsabilidade das organizações na melhoria da qualidade de vida bem como a uma descrição das principais normas e certificações vigentes e alguns tópicos, entre eles: • As empresas e o ambiente externo local. • A responsabilidade empresarial e a legislação ambiental. • A demanda por qualidade de vida. • A singularidade da administração ambiental. • A gestão ambiental nas organizações. • A gestão ambiental. • A família de normas ISO 14.000. • A norma SA 8000. Na Unidade IV, finalmente serão estudados os desafios do desenvolvimento sustentável, bem como a apresentação de ferramentas para a viabilização do mesmo, através da educação ambiental, normas e legislação. Sendo assim, os últimos tópicos a serem estudados são: • Educação ambiental. • Normas e legislação ambiental. • Economia e meio ambiente. • Responsabilidade social e sustentabilidade. • Recursos naturais. • Desafios do desenvolvimento sustentável. 11 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 Unidade I 1 O QUE É DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL? O conceito de desenvolvimento sustentável encontra-se intimamente ligado à busca pelo desenvolvimento econômico e pelo respeito ao meio ambiente. Trata-se de equilibrar o ritmo de crescimento econômico e rever práticas com o objetivo de preservar recursos naturais imprescindíveis para a sobrevivência de gerações futuras. A definição de desenvolvimento sustentável surgiu durante a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, na qual foram discutidos meios de harmonizar o meio ambiente com o desenvolvimento econômico. É necessária uma preocupação com a disponibilidade dos recursos naturais presentes para as gerações futuras, respeitando, ao mesmo tempo, o crescimento e desenvolvimento econômico. A prevenção contra o esgotamento precoce dos recursos naturais depende da consciência de sua importância, bem como de um planejamento estruturado para conservá-los. Antes deestudarmos em mais detalhes o conceito de desenvolvimento sustentável, vamos estudar a relação entre homem e natureza, que levou e desencadeou a preocupação com o desenvolvimento da sustentabilidade nas atividades humanas. 1.1 Relação entre homem e natureza No estudo da existência do planeta Terra, pode-se ter uma ideia da extensão dos períodos das transformações que permitiram a existência do ser humano hoje. Muito foi destruído e criado até chegar ao estágio atual. A ocupação humana teve impacto na biosfera e na disponibilidade dos recursos naturais. Só para se ter uma ideia sobre a transformação da biosfera, segundo Global Change and the Earth System – A Planet Under Pressure, IGBP de 2004: Transformação da biosfera nos últimos 100 anos: • População humana: cresceu de 1,5 para 6,1 bilhões. • Atividade econômica: aumentou 10 vezes de 1950 a 2000. • Maioria dos pesqueiros mundiais: sobre-explorados. 12 Unidade I Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 • Atmosfera: aumento das concentrações de gases estufa. • 40% das reservas conhecidas de petróleo exauridas. A relação do homem com a natureza sempre aconteceu de forma bastante discrepante: de um lado o homem, com toda a sua inteligência gananciosa, tentando alimentar os seus desejos de consumo e conforto; do outro, a natureza, com toda a sua exuberância e riqueza, fonte para todas as ações humanas. Em alguns casos, o homem tem que escolher entre sua sobrevivência e a preservação da natureza, como é o caso do agricultor que tira da terra o alimento que leva à mesa. Neste caso, fica o dilema: a natureza ou o homem? O que preocupa é o desenvolvimento sem limites protagonizado pelo homem em prol dos interesses próprios. Por muitos anos, esse foi o tipo de relação entre o homem e a natureza, até que esta passasse a dar sinais de alerta. Felizmente esse tipo de pensamento foi modificado e, segundo Camargo (2005), a ideia de um novo modelo de desenvolvimento para o século XXI, compatibilizando as dimensões econômica, social e ambiental, surgiu para resolver, como ponto de partida no plano conceitual, o velho dilema entre crescimento econômico e redução da miséria, de um lado, e preservação ambiental de outro. O conflito vinha, de fato, arrastando-se por mais de vinte anos, em hostilidade aberta contra o movimento ambientalista, enquanto este, por sua vez, encarava o desenvolvimento econômico como naturalmente lesivo e os empresários como seus agentes mais representativos. Um dos primeiros problemas ambientais ocorreu com o surgimento das cidades e a satisfação das necessidades dos homens, sempre utilizando os recursos ambientais. A história das cidades e da civilização é longa. Estima-se que as primeiras cidades teriam surgido entre quinze e cinco mil anos atrás. A nossa sociedade tem vivido, atualmente, uma gama de problemas decorrente direta da sua forma de tratar e se relacionar com a natureza. A busca desenfreada pela produção levou o homem a explorar intensamente os recursos disponíveis na natureza esquecendo que grande parte deles, além de não serem renováveis, quando retirados da natureza em quantidades excessivas, deixam na mesma uma lacuna, às vezes irreversível, cujas consequências são sentidas em gerações posteriores, principalmente em relação às mudanças climáticas. Outros problemas ambientais foram trazidos com a Revolução Industrial. Essa Revolução consistiu em um conjunto de mudanças tecnológicas com profundo impacto no processo produtivo nos âmbitos econômico e social. 13 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 A Revolução Industrial teve início na Grã-Bretanha em meados do século XVIII, expandiu-se pelo mundo a partir do século XIX. Ao longo do processo, a era agrícola foi superada, a máquina foi substituindo o trabalho humano. Dessa forma, uma nova relação entre capital e trabalho se impôs, novas relações entre nações se estabeleceram e surgiu o fenômeno da cultura de massa, por exemplo. Devido a uma combinação de fatores, como o liberalismo econômico, a acumulação de capital e uma série de invenções, tais como o motor a vapor, essa transformação foi possível. A partir daí, o capitalismo tornou-se o sistema econômico vigente. O volume de produção aumentou extraordinariamente: a produção de bens deixou de ser artesanal e passou a ser maquino-faturada. Com o advento da Revolução Industrial, as populações passaram a ter acesso a bens industrializados e deslocaram-se para os centros urbanos em busca de trabalho fácil e abundante. Assim também, as fábricas passaram a concentrar centenas de trabalhadores, que vendiam a sua força de trabalho em troca de um salário. Antes da Revolução Industrial, o progresso econômico era sempre lento (levou séculos para que a renda per capita aumentasse sensivelmente) e, após, a renda per capita e a população começaram a crescer de forma acelerada nunca antes vista na história. Por exemplo, entre 1500 e 1780, a população da Inglaterra aumentou de 3,5 milhões para 8,5; já entre 1780 e 1880, ela saltou para 36 milhões, devido à drástica redução da mortalidade infantil. As cidades atraíram os camponeses e artesãos, e se tornaram cada vez mais numerosos e mais importantes com a Revolução Industrial. A maneira como as populações vivem nos países que foram industrializados se alterou drasticamente. Por volta de 1850, na Inglaterra, pela primeira vez em um grande país, havia mais pessoas vivendo em cidades do que no campo. Nas cidades as pessoas mais pobres aglomeravam-se em subúrbios de casas velhas e desconfortáveis, se comparadas com as habitações dos países industrializados hoje em dia. O trabalho do operário era muito diferente do trabalho do camponês: tarefas monótonas e repetitivas. A vida na cidade moderna significava mudanças incessantes. A cada instante, surgiam novas máquinas, novos produtos, novos gostos, novas modas. Sendo assim, era preciso adaptar-se a essas novas mudanças. A partir daí, conferências foram realizadas na tentativa de se desenvolver conceitos e decidir medidas para melhorar a qualidade de vida e tentar manter a sustentabilidade. Surgiram também organizações não governamentais interessadas em defender a causa da sustentabilidade. No texto a seguir, abordaremos esse assunto. 14 Unidade I Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 1.2 As organizações não governamentais – ONGs As organizações não governamentais representam entidades organizadas da sociedade civil, que atuam de forma bastante dinâmica na busca para a solução de vários problemas sociais. Essas organizações possuem um papel muito importante frente à causa que representam. A crescente preocupação das ONGs com os problemas ambientais globais pode garantir que esses não serão engavetados e esquecidos antes que se tome uma iniciativa para solucioná-los. Muitas e eficazes são as iniciativas privadas de luta por questões ambientais administradas por organizações não governamentais. Em algumas áreas, a atuação das ONGs é a única ação existente. Segundo Kirschner (1998) a crise econômica e o crescimento do desemprego que atingiram a Europa na década de 80 contribuíram para que a empresa começasse a ser valorizadapela sua capacidade de salvaguardar o emprego – valor essencial da socialização na sociedade contemporânea. O papel da empresa vai além do econômico: ademais de provedora de emprego, é também agente de estabilização social. A preocupação ambiental, hoje, tem impactos até mesmo na competitividade comercial. Países, cidades ou empresas que têm em seu histórico um leque de ações voltadas para questões ambientais, possuem muito mais chances de fechar bons negócios, enquanto que aquelas que preferem não contribuir para a causa ambiental são vistas de forma pouco positiva pela maioria dos investidores. Percebemos assim que não se trata de simples modismo; ao contrário, a questão ambiental representa uma tendência mundial capaz de mobilizar e unir pessoas e organizações dos mais diferentes tipos ou culturas. Saiba mais Algumas ONGs possuem materiais interessantes que podem ser vistos nos respectivos sites de internet: Greenpeace: <www.greenpeace.org>. SOS Mata Atlântica: <www.sosmatatlantica.org.br/>. 15 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 2 HISTÓRICO E CONCEITO DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL O desenvolvimento sustentável é um dos temas mais discutidos neste momento em todo o mundo, seja pela preocupação econômica que a escassez das energias não renováveis proporciona, ou mesmo pelo despertar da consciência humana a respeito da necessidade de preservação do planeta para as gerações vindouras. A partir do conceito básico de desenvolvimento sustentável, cujo objetivo principal é o de se obter um desenvolvimento que seja ao mesmo tempo eficaz e que não venha a comprometer as gerações futuras, realizamos nosso estudo. 2.1 O desenvolvimento sustentável O desenvolvimento sustentável objetiva uma modalidade de desenvolvimento capaz de acontecer de forma a suprir as necessidades presentes, de modo a não interferir no crescimento das gerações futuras. Para que isso aconteça, é de fundamental importância que se respeite a exploração harmônica dos recursos naturais. É também de fundamental importância a preocupação e percepção de que alguns problemas podem acompanhar essa exploração de recursos naturais e ameaçar a sustentabilidade. Atualmente, a geração de energia, principalmente elétrica, oriunda de fontes renováveis vem despertando o interesse de vários países, por se tratar de uma forma de obtenção mais barata e que não agride o meio ambiente. Por conta das modernas tecnologias que possibilitam maior escala de economia, essa forma “limpa” de obtenção de energia pode se mostrar bastante competitiva. O homem vem explorando os recursos naturais desde a época pré-histórica e depois essa exploração aumentou com a revolução industrial, chegando aos dias atuais. Quando utilizadas para geração de energia, as fontes renováveis auxiliam na diminuição da exploração dos recursos esgotáveis ou não renováveis, pois realizam uma exploração sustentável; assim também, com a exploração harmônica de fontes renováveis, pode-se cuidar de ecossistemas que são impactados negativamente pela geração de substâncias poluentes emitidas no meio ambiente quando são transformados em energias úteis para o homem, como alguns recursos não renováveis, como petróleo, carvão e gás Fazendo-se uma análise sobre recursos naturais, podemos dizer que os recursos não renováveis, além de estarem em processo de esgotamento, são os que mais impactos negativos trazem para a natureza, já que sua exploração exige tecnologias especiais para extração, muitas vezes de alto custo, em virtude das condições de obtenção cada vez mais remotas, além de emitirem mais poluentes. Geralmente, seu transporte também costuma oferecer riscos extras, como, por exemplo, caso do petróleo. Alguns recursos não renováveis, depois de serem utilizados, são ainda uma grande ameaça poluente, como é o caso dos resíduos radioativos provenientes de energia nuclear. Nos dias de hoje, os níveis de 16 Unidade I Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 contaminação por poluentes oferecem grande preocupação; na geração de energia elétrica, as emissões de dióxido de carbono são, quando se utilizam os seguintes recursos, da ordem de: carvão natural, 980 g/kWh; óleo combustível, 818 g/kWh e gás, 430 g/kWh aproximadamente. Esses poluentes gerados contribuem fortemente para o efeito estufa e a destruição da camada de ozônio (ROCHA; ROSSI, 2003). Na tabela abaixo são descritos os níveis de emissões de CO2 no plano mundial desde 1980, com uma projeção para 2020. Tabela 1 – Evolução da emissão de CO2 em milhões de toneladas no período 1980 – 2020 Anos Milhões de toneladas 1980 17.000 1990 20.000 2000 25.000 2010 28.000 2020 37.000 Fonte: Rocha; Rossi (2003, p. 245). As questões ambientais devem estar claramente e integralmente definidas para que se possa alcançar o desenvolvimento sustentável, assim como a contemplação de outras políticas que auxiliem na obtenção do mesmo. Aos órgãos e autoridades públicas compete adotar as medidas mais adequadas para minimizar os efeitos negativos dos transportes no meio ambiente, por exemplo. Cabe a eles também procurar uma melhoria na gestão dos recursos naturais, no combate à pobreza e à exclusão social. Segundo Daniel Bertoli Gonçalves esse conceito, que procura conciliar a necessidade de desenvolvimento econômico da sociedade com a promoção do desenvolvimento social e com o respeito ao meio ambiente, hoje é um tema indispensável na pauta de discussão das mais diversas organizações, e nos mais diferentes níveis de organização da sociedade, como nas discussões sobre o desenvolvimento dos municípios e das regiões, correntes no dia a dia de nossa sociedade (GONÇALVES, 2008). Lembrete O desenvolvimento sustentável é aquele preocupado com a disponibilidade dos recursos naturais hoje para que estejam garantidos para as gerações futuras. 17 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 2.2 As dimensões do desenvolvimento sustentável Existem algumas abordagens para quantas são as dimensões do desenvolvimento sustentável. Embora haja um consenso que exista mais de uma, há discordância sobre o número exato: Lage e Barbieri (2001) citam sete dimensões: ecológica, econômica, social, espacial, cultural, tecnológica e política. Contudo, segundo Ignacy Sachs, as dimensões que abordam o desenvolvimento sustentável são cinco: social, econômica, ecológica, espacial e cultural (SACHS, 2002). A adoção de uma ou outra linha de divisão do desenvolvimento sustentável depende do contexto. Assim, não só os aspectos ecológicos, mas também outros importantes devem ser considerados no contexto das atividades humanas para o desenvolvimento sustentável. É importante frisar que o desenvolvimento sustentável visa conciliar desenvolvimento econômico – que é o desenvolvimento de riqueza material dos países ou regiões, assim como o bem-estar econômico de seus habitantes –; desenvolvimento social – que consiste na evolução dos componentes da sociedade (capital humano) e na maneira como estes se relacionam (capital social) – e preservação ambiental – que é minimizar a utilização dos bens ambientais (recursos naturais), conservando-oso máximo possível. Alguns autores afirmam que todo desenvolvimento é social, acrescentando que sem a alteração do capital social e do humano não há desenvolvimento. Segundo essa corrente, o desenvolvimento social só ocorre quando políticas são estabelecidas para aperfeiçoar as formas como os componentes de um grupo interagem entre si e com o meio externo. Esse grupo pode ser uma pequena comunidade, um centro urbano ou mesmo uma nação. O desenvolvimento social, diferente do econômico, só ocorre se todos os integrantes da sociedade forem beneficiados. Assim, uma determinada comunidade poderá crescer economicamente sem o consequente desenvolvimento social. 2.3 Desenvolvimento sustentável – a expressão entra em cena Em 1983 foi criada a Comissão Mundial Sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento como uma instituição independente. Em 1987 essa comissão produziu um dos mais importantes documentos, o relatório Nosso futuro comum no qual apareceram os primeiros conceitos oficiais e formais sobre desenvolvimento sustentável. O segundo capítulo desse relatório, denominado Em busca do desenvolvimento sustentável, definiu desenvolvimento sustentável como “aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem a suas próprias necessidades”. Foram apresentados dois conceitos chave: • necessidades, sobretudo as necessidades essenciais dos pobres no mundo, que devem receber a máxima prioridade; • noção das limitações que o estágio da tecnologia e da organização social impõe ao meio ambiente, impedindo-o de atender às necessidades presentes e futuras. 18 Unidade I Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 A importância da sustentabilidade em qualquer programa de desenvolvimento foi reconhecida em 1992 na cidade do Rio de Janeiro durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Em um mundo sustentável, uma atividade econômica não deve ser praticada separadamente, porque tudo está inter-relacionado, em permanente diálogo nas diversas esferas do meio ambiente. Separação entre o objetivo e o subjetivo. Cartesiano Preceitos éticos desconectados das práticas cotidianas. Natureza entendida como descontínua, o todo formado pela soma das partes. Seres humanos e ecossistemas separados, em uma relação de dominação. Reducionista, mecanicista, tecnocêntrico. Fatos e valores não relacionados. Figura 1 - Paradigma cartesiano Interação entre o objetivo e o subjetivo. Sustentável Ética integrada ao cotidiano. Natureza entendida como um conjunto de sistemas inter-relacionados, o todo maior que a soma das partes. Seres humanos inseparáveis dos ecossistemas, em uma relação de sinergia. Fatos e valores fortemente relacionados. Orgânico, holístico, participativo. Figura 2 - Paradigma da sustentabilidade 19 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 Nesse novo cenário, os empresários já perceberam que não devem mais ser passivos, e sim aprenderam e estão aptos a participar das mudanças estruturais na relação de forças nas áreas ambiental, econômica e social. Uma nova dimensão ética e política é introduzida, uma que considera como um processo de mudança social o desenvolvimento sustentável, além da democratização dos recursos naturais. O desenvolvimento sustentável, além de equidade social e equilíbrio ecológico, apresenta como terceira vertente principal a questão do desenvolvimento econômico. Existem cinco dimensões do que se pode chamar desenvolvimento sustentável, elas foram apresentadas por Sachs apud Campos (2001): • A primeira é a dimensão social, que é entendida como a criação de um processo de desenvolvimento sustentado por uma civilização com maior equidade na distribuição de renda e de bens, de modo a reduzir o abismo entre os padrões de vida dos ricos e dos pobres. • A dimensão econômica deve ser alcançada através do gerenciamento e alocação mais eficiente dos recursos e de um fluxo constante de investimentos públicos e privados. • A dimensão ecológica deve e pode ser alcançada com o aumento da capacidade de utilização dos recursos, limitação do consumo de combustíveis fósseis e de outros recursos e produtos que são facilmente esgotáveis, redução da geração de resíduos e de poluição por meio da conservação de energia, de recursos e da reciclagem. • A dimensão espacial deve ser dirigida para a obtenção de uma configuração rural-urbana mais equilibrada e uma melhor distribuição territorial dos assentamentos humanos e das atividades econômicas. • A dimensão cultural inclui a procura por raízes endógenas de processos de modernização e de sistemas agrícolas integrados, que facilitem a geração de soluções específicas para o local, o ecossistema, a cultura e a área. A construção do conceito de sustentabilidade é um processo em andamento e longe do final. Foram criados índices de sustentabilidade utilizados na Dow Jones. Tais índices de sustentabilidade fornecem marcas objetivas de nível para os produtos financeiros que são ligados aos critérios econômicos, ambientais e sociais. Existem vários benefícios para as empresas que integram a lista do Dow Jones: • O reconhecimento público da preocupação com a área ambiental e social. • O reconhecimento dos stakeholders importantes, tais como legisladores, clientes e empregados (por exemplo, a obediência a esses índices pode conduzir a uma melhor lealdade do cliente e do empregado). 20 Unidade I Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 É evidente que as empresas estão cuidando dos aspectos sociais e ambientais e muitas delas têm ganho econômico e maior durabilidade a longo prazo, ou seja, o risco do investidor é menor. Além do mais, as empresas perceberam que a sustentabilidade traz melhor relação custo-benefício para os produtos, além de popularidade com os consumidores. Por outro lado, ainda assim, é necessária uma maior difusão do conceito para a disseminação de sua prática entre a população. Saiba mais Maiores informações e uma discussão bastante interessante é apresentada na reportagem indicada abaixo publicada no Jornal O Estado de S. Paulo sobre a prática pela população do conceito de desenvolvimento sustentável no dia em relação a teoria. VIALLI, A. Distância entre discurso e prática. O Estado de São Paulo. 30 out. 2009. Algumas dicas práticas também são encontradas no site do planeta sustentável disponível em: <http://planetasustentavel.abril.com.br/ movimento/> Acesso em: 31 mai. 2011. Desafios do desenvolvimento sustentável Equidade Social Desenvolvimento Sustentável Viabilidade econômica Conservação ambiental Figura 3 - Desafios do desenvolvimento sustentável Observação O desenvolvimento sustentável visa conciliar: • desenvolvimento econômico – que é o desenvolvimento de riqueza material dos países ou regiões, assim como o bem-estar econômico de seus habitantes; 21 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R evisã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 • desenvolvimento social – é a evolução dos integrantes da sociedade (capital humano) e nas formas como eles se relacionam (capital social); • preservação ambiental – que é minimizar a utilização dos bens ambientais (recursos naturais), conservando-os o máximo possível. 2.4 O novo paradigma da gestão ambiental A gestão ambiental pode ser definida como um aspecto funcional da gestão de uma empresa, que desenvolve e implanta as políticas e estratégias ambientais. Atualmente, as instituições estão cada vez mais preocupadas em atingir e demonstrar um desempenho mais satisfatório em relação ao meio ambiente. Neste cenário, a gestão ambiental tem se configurado como uma das mais importantes atividades em qualquer empreendimento. A problemática ambiental envolve também o gerenciamento dos assuntos pertinentes ao meio ambiente, por meio de sistemas de gestão ambiental, da busca pelo desenvolvimento sustentável, da análise do ciclo de vida dos produtos e da questão dos passivos ambientais. Se uma empresa deseja realmente trabalhar com gestão ambiental ela deve passar por uma mudança em sua cultura empresarial e por uma revisão de seus paradigmas. Sendo assim, a gestão ambiental tem se configurado com uma das mais importantes ferramentas relacionadas com qualquer negócio. Por outro lado, ao ser planejada, se uma unidade produtiva dispõe de ferramentas e procedimentos adequados, vai atender os requerimentos relativos à qualidade ambiental. A gestão ambiental pode ser prevista em quatro níveis: Gestão de processos Gestão de resultados Gestão de sustentabilidade Gestão do plano ambiental A avaliação da qualidade ambiental de todas as atividades, máquinas e equipamentos relacionados a todos os tipos de manejo de insumo, matérias- primas, recursos humanos, recursos logísticos, tecnologias e serviços de terceiros, como a exploração, transformação, acondicionamento, transporte e aplicação de recursos, detecção de quadros de riscos ambientais e prospecção de situações de emergência. A avaliação da qualidade ambiental dos processos de produção, pelos seus efeitos ou resultados ambientais, ou seja, emissões gasosas, efluentes líquidos, resíduos sólidos, particulados, odores, ruídos, vibrações e iluminação. A avaliação da capacidade resposta do ambiente aos resultados dos processos produtivos que nele são realizados e que o afetam, através da monitoração sistemática da qualidade da ar, da água, do solo, da flora, da fauna e do ser humano. Avaliação sistemática e permanente de todos os elementos constituintes do plano de gestão ambiental elaborado e implementado, aferindo- o e adequando-o em função do desempenho ambiental alcançado pela organização. Gestão Ambiental Figura 4 - Etapas da gestão ambiental 22 Unidade I Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 De forma geral, todos os instrumentos de gestão ambiental têm como objetivo melhorar a qualidade ambiental e o processo de tomada de decisão. Devem ser aplicados a todas as fases dos empreendimentos e podem ser preventivos, corretivos, de remediação e pró-ativos, dependendo da fase em que são implementados. O que se constata na prática é que a partir de uma adequada política de gestão ambiental as empresas obtêm uma série de benefícios, sejam econômicos ou estratégicos conforme representado nos diagramas a seguir. Benefícios econômicos com a economia de custos Redução do consumo de água, energia e outros insumos; reciclagem, venda e aproveitamento e resíduos, e diminuição de afluentes; redução de multas e penalidades por poluição. Incremento de receita com aumento da contribuição marginal de “produtos verdes” que podem ser vendidos a preços mais altos. Figura 5 - Benefícios econômicos da gestão ambiental Outra vantagem do benefício econômico é o aumento da participação no mercado, em função da inovação dos produtos e da menor concorrência; além da posse de novos produtos que contribuem para a diminuição da poluição. Benefícios estratégicos a partir da melhoria da imagem institucional; renovação da carteira de produtos. Aumento da produtividade; alto comprometimento do pessoal; melhoria nas relações de trabalho; melhoria da criatividade para novos desafios. Melhoria das relações com os órgãos gorvernamentais, comunidade e grupos ambientalistas; acesso assegurado ao mercado externo e melhor adequação aos padrões ambientais. Figura 6 – Benefícios estratégicos da gestão ambiental 23 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 Lembrete A gestão ambiental oferece benefícios econômicos e estratégicos para a organização, respeitando o meio ambiente e melhorando sua imagem institucional. Resumo: Ao final desta unidade, adquiriu-se conhecimento sobre: • o principais conceitos e definições de desenvolvimento sustentável e de suas bases; • a relação entre homem e natureza e a importância do desenvolvimento sustentável para garantirmos um equilíbrio entre a utilização e disponibilidade de recursos naturais. Em adição a isso: • definimos as principais dimensões do desenvolvimento sustentável segundo diversos autores; • estudamos o que são organizações não governamentais; • efetuamos uma discussão sobre o novo paradigma da gestão ambiental e sua comparação com uma gestão cartesiana foi realizada enfatizando aspectos importantes da gestão ambiental atual. Exercícios Questão 1. (ENADE 2008) Quando o homem não trata bem a natureza, a natureza não trata bem o homem. Essa afirmativa reitera a necessária interação das diferentes espécies, representadas na imagem a seguir. 24 Unidade I Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 Artista desconhecido, pintura inspirada nos trabalhos de Giuseppe Arcimboldo. Depreende-se dessa imagem a: A) Atuação do homem na clonagem de animais pré-históricos. B) Exclusão do homem na ameaça efetiva à sobrevivência do planeta. C) Ingerência do homem na reprodução de espécies em cativeiro. D) Mutação das espécies pela ação predatória do homem. E) Responsabilidade do homem na manutenção da biodiversidade. Resposta correta: alternativa E Análise das alternativas: A) Alternativa incorreta. Justificativa: não há, na figura, nenhum indício que permita associar a ação humana à clonagem de animais pré-históricos. Além disso, os animais apresentados na figura existem nos dias de hoje, não são pré-históricos. Também é importante ressaltar que a ciência ainda não conta com tecnologia suficiente para clonar animais já extintos. B) Alternativa incorreta. Justificativa: a imagem, assim como a frase-título da questão, remete a uma profunda integração entre humanos e os diversos organismos que habitam o planeta, passando a impressão de que a ação 25 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr amaç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 devastadora humana sobre os ecossistemas, ao contrário do que afirma a alternativa, tem relação direta com a sobrevivência do planeta. C) Alternativa incorreta. Justificativa: o contexto em que se pode inserir o tema abordado na questão é a relação entre homem e natureza. Logo, não se trata especificamente de manutenção e/ou reprodução de espécies em cativeiro. D) Alternativa incorreta. Justificativa: ao afirmar que o ser humano provoca “mutação das espécies”, a frase afirma que a ação predatória humana tem poder de gerar novas formas de vida. Além de esta ser uma afirmação errada, não se correlaciona ao contexto da questão, que é a reciprocidade característica da relação entre homem e natureza. E) Alternativa correta Justificativa: a figura apresenta, de forma criativa, a necessidade da adoção, por parte do homem, de práticas conscientes que prezem pela manutenção da diversidade nos ecossistemas, caso contrário sua própria manutenção como espécie estará ameaçada. Questão 2. (ENADE 2005) As seguintes afirmações constituem tratamento transversal dado ao tema meio ambiente, exceto: A) Não existe apenas uma crise ambiental, mas uma crise civilizatória, sendo necessária uma profunda mudança na concepção de mundo, de natureza, de poder. B) A problemática ambiental implica, no âmbito social, mudanças no comportamento, na construção de formas de pensar e agir na relação com a natureza. C) A questão ambiental diz respeito, sobretudo, à preservação dos ambientes naturais intocados e ao controle da poluição. D) É preciso criar e aplicar formas cada vez mais sustentáveis de interação entre sociedade e natureza na perspectiva de buscar soluções para os problemas ambientais. E) O crescimento econômico deve estar subordinado a uma exploração racional e responsável dos recursos naturais para garantir a vida das gerações futuras. Resolução deste exercício na plataforma. 26 Unidade I Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 27 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 Unidade II 3 AS BASES DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Após a problemática da relação entre homem e natureza, ocorreram conferências, agendas e criação de leis importantes na tentativa de reverter os problemas causados e anteiormente demonstrados. 3.1 A Rio 92 Figura 7 – Logotipo da Rio 92 Com a intenção de introduzir a ideia do desenvolvimento sustentável, um modelo de crescimento econômico menos agressivo para o meio ambiente, foi realizada, também conhecida como ECO-92, de 3 a 14 de junho de 1992,. a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD). A cidade do Rio de Janeiro foi a sede do encontro que reuniu representantes de 175 países e de organizações não governamentais (ONGs) (ESTADÃO, 2007). Essa conferência foi considerada o evento ambiental mais importante do século XX, pois a ECO-92 foi a primeira grande reunião internacional realizada após o fim da Guerra Fria. Entre os compromissos específicos adotados pela ECO-92, podemos incluir três convenções: • sobre mudança do clima, • sobre biodiversidade e • declaração sobre florestas. Documentos foram aprovados durante a conferência, esses com objetivos mais abrangentes e de natureza mais política: Declaração do Rio e a Agenda 21 Ambos enfatizam o conceito fundamental de desenvolvimento sustentável, que combina o progresso econômico e material com a necessidade de uma consciência ecológica. 28 Unidade II Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 As relações entre países ricos e pobres têm sido conduzidas por um novo conjunto de princípios inovadores desde a conferência, como os conceitos de “responsabilidades comuns, mas diferenciadas entre os países”, de “o poluidor paga” e de “padrões sustentáveis de produção e consumo”. Com a adoção da Agenda 21, a conferência estabeleceu, objetivos concretos de sustentabilidade em diversas áreas, mostrando a necessidade de se buscarem novos recursos financeiros para a complementação do desenvolvimento sustentável em uma escala global (SENADO FEDERAL, 1996). Diante de tantas alterações no meio ambiente somadas às ameaças de extinção de muitos recursos naturais atualmente utilizados pelo homem, autoridades de 172 governos e estudiosos do mundo inteiro reuniram-se em 1992, no Rio de Janeiro, para a CNUMAD - Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, conhecida mundialmente como a “Conferência da Terra”. Essa conferência tornou-se, por sua singularidade, um marco na história da humanidade. Seus objetivos básicos giravam em torno da busca por um equilíbrio entre as necessidades ambientais, sociais e econômicas para gerações atuais. Outro objetivo da conferência era a construção de uma espécie de associação mundial que contemplasse os países desenvolvidos e em desenvolvimento para o estudo e compreensão das questões ambientais, interesse e preocupação igualmente comum a todos. Governos e demais setores da sociedade civil também deveriam compor a referida associação. Essa conferência foi popularizada com o título de Rio 92 e conseguiu reunir 108 chefes de estado para aprovação de documentos importantes como a Agenda 21, que consiste em uma declaração da ONU acerca do meio ambiente e o desenvolvimento, para definir quais são os direitos e deveres dos estados. Somente em 2002 a ONU (Organização das Nações Unidas) aprovou A Carta da Terra e comparou sua importância para a humanidade à Declaração Universal dos Direitos Humanos no tocante ao meio ambiente. Desde então, podemos notar muito progresso em relação ao pensamento e postura das pessoas quanto à forma como o meio ambiente está sendo explorado. Nota-se uma urgência em tentar recuperar o tempo perdido e mais ainda em tentar desenvolver nas pessoas uma nova forma de pensar e agir no que se refere às questões ambientais. Ambientalistas, geólogos e os meios de comunicação são alguns exemplos de profissionais profundamente engajados em prol de uma mudança da consciência ambiental dos seres humanos. As escolas têm sido de fundamental importância na educação ambiental das crianças, possibilitando a elas crescer com o compromisso de preservar e ajudar ao seu ecossistema. Dez anos após a Rio 92 Relatório PNUMA 2002 sobre sustentabilidade global diz que apesar dos esforços das empresas, a degradação ambiental do planeta continua a aumentar. Baseado em relatórios de sustentabilidade global de 22 setores, a humanidade já consome 25% mais recursos naturais do que o planeta é capaz de repor. 29 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 Johannesburg 2002: O PII (Projeto de Implementação Internacional) apresenta quatro elementos principais do desenvolvimento sustentável — sociedade, ambiente, economia e cultura. 3.2 A Agenda 21 A Agenda 21 é um dos mais importantes documentos referentes ao meio ambiente e foi gerado na reunião de 178 naçõesna Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CNUMAD), em 1992. As dimensões da sustentabilidade são parte do conteúdo da Agenda 21 global, modelo para que os países a aplicassem e escrevessem também sua agenda 21 nacional e local. Todas essas dimensões que formam parte de um desenvolvimento sustentável são mostradas por pesquisadores e governantes. A Agenda 21 representa um conjunto de requisitos recomendados para uma boa convivência da humanidade com o planeta, e seus 40 capítulos estão divididos em quatro seções. A primeira trata de aspectos sociais e econômicos de desenvolvimento; a segunda, de aspectos ambientais e gerenciamento de recursos naturais; a terceira, do fortalecimento do papel dos principais grupos sociais, e a última, discorre a respeito dos meios de implantação. A Agenda 21, através de seus documentos, visa conciliar métodos de proteção ambiental, justiça social e eficiência econômica. Esses documentos estão estruturados em quatro seções que são subdivididas em 40 capítulos temáticos. Entre os temas tratados na Agenda 21 (SENADO FEDERAL, 1996) podemos citar: • Dimensões econômicas e sociais, com o foco nas políticas internacionais que ajudarão o desenvolvimento sustentável nos países em desenvolvimento e as estratégias de combate à pobreza e à miséria). • As mudanças necessárias a serem introduzidas nos padrões de consumo, as inter-relações entre sustentabilidade e dinâmica demográfica além de medidas e propostas para a promoção da saúde pública e a melhoria da qualidade dos assentamentos humanos. • A questão da conservação e dos recursos para o desenvolvimento, que apresenta os diferentes enfoques para a proteção da atmosfera e para a viabilização da transição energética. • A importância do manejo integrado do solo, da proteção dos recursos do mar e da gestão eco- compatível dos recursos de água doce. • A importância do combate ao desmatamento, à desertificação e a proteção aos frágeis ecossistemas de montanhas; as interfaces entre diversidade biológica e sustentabilidade; a necessidade de uma gestão ecologicamente racional para a biotecnologia. • A importância prioritária que os países devem conferir à gestão, ao manejo e à disposição racional dos resíduos sólidos, dos perigosos em geral e dos tóxicos e radioativos. • Requerimento de medidas para a proteção e promoção de alguns dos segmentos sociais mais relevantes, analisando as ações que objetivam a melhoria dos níveis de educação da mulher, bem como a participação 30 Unidade II Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 da mesma, em condições de igualdade, em todas as atividades relativas ao desenvolvimento e à gestão ambiental. Adicionalmente, são discutidas as medidas e promoção dos direitos e proteção da juventude e dos povos indígenas, das ONGs, dos trabalhadores e sindicatos, da comunidade científica e tecnológica, dos agricultores e do comércio e da indústria (SENADO FEDERAL, 2001) • A água, realmente, é um recurso que precisa de muito respeito por parte do ser humano, já que, muitas vezes, claros exemplos de poluição acontecem por esvaziamentos de hidrocarbonetos ou outros elementos altamente contaminadores usados na indústria. Aspectos contidos na Agenda 21 são de alta preocupação com respeito à preservação desse recurso, por ser escasso em várias partes do planeta, como em algumas cidades do Brasil, e necessário para a geração de energia elétrica. A procura de alternativas de recursos renováveis que substituam as necessidades do uso da água será uma forma de seguir o contido na Agenda 21. A Carta da Terra – preâmbulo Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações (SENADO FEDERAL, 1996). 3.3 A Agenda 21 brasileira A elaboração da Agenda 21 brasileira foi obra do trabalho da Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e da Agenda 21 Nacional (CPDS). Essa comissão foi criada por decreto presidencial de 26 de fevereiro de 1997, conformada pelo Ministério do Meio Ambiente; Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão; Ministério de Ciência e Tecnologia; Ministério das Relações Exteriores; Presidência da República; Fórum Brasileiro das ONGs e Movimentos Sociais; Fundação Getúlio Vargas; Fundação Movimento Onda Azul; Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável; e Universidade Federal de Minas Gerais. Teve como objetivo redefinir o desenvolvimento do País, adicionando o conceito de sustentabilidade, qualificando suas potencialidades e as vulnerabilidades do Brasil no quadro internacional (BEZERRA et al, 2002). Dentro das estratégias para gestão dos recursos naturais estabelecidas na Agenda 21 brasileira, está o estabelecimento de normas e regulamentação para o uso harmônico da energia e promoção de sistemas alternativos de geração energética, transferindo ao consumidor orientações e escolhas feitas nos planos técnicos e científicos. Essas normas são de responsabilidade dos gestores governamentais, através da 31 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 criação de leis para promover o investimento de capitais privados em usinas alternativas, mediante mecanismos econômico-financeiros com incentivos fiscais e/ou econômicos e dar condições para a disseminação dessas tecnologias, suas vantagens, custos, facilidades e dificuldades, na atualidade. 3.4 O Protocolo de Kyoto O Protocolo de Kyoto foi um tratado resultante de uma série de eventos e que culminou com a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (UNFCCC) na ECO-92 no Rio de Janeiro (ESTADÃO, 2007). É baseado em um tratado internacional no qual as nações signatárias assumem compromissos mais rígidos com o objetivo de reduzir a emissão dos gases que provocam o efeito estufa como dióxido de carbono, enxofre etc. Esses gases são considerados, de acordo com a maioria das investigações científicas, como causa do aquecimento global. Em 1997 esse documento foi discutido e negociado em Kyoto no Japão. Foi aberto para assinaturas em 16 de março de 1998 com ratificação em 15 de março de 1999. Entrou em vigor oficialmente em 16 de fevereiro de 2005. No tratado do Protocolo de Kyoto, um calendário é proposto pelo qual os países desenvolvidos têm a obrigação de reduzir a quantidade de gases poluentes em, pelo menos, 5,2% até 2012. Todos os países signatários teriam que colocar em prática planos para reduzir a emissão desses gases entre 2008 e 2012. A ideia é de que a redução das emissões de gases ocorra em diversas atividades econômicas e que os países participantes estejam abertos a cooperarem entre si. Entre essas atividades podemos citar: • melhoria dos setores de energia e transportes,respeitando a sustentabilidade; • estímulo para o uso de fontes de energia renováveis; • priorização dos mecanismos financeiros e de mercado que estejam de acordo com os objetivos da convenção; • gerenciamento de resíduos e controle das emissões de metano; • política agressiva de proteção de florestas e sumidouros de carbono. Se implementado com sucesso, o Protocolo de Kyoto poderia reduzir a temperatura global entre 1,4ºC e 5,8ºC até 2100. Contudo, existe uma discussão dentro da comunidade cientifica na qual se afirma que a meta de redução de 5.2% em relação a 1990 não é suficiente para eliminar o aquecimento global. 3.4.1 O Protocolo de Kyoto e os Estados Unidos Uma polêmica foi gerada em torno da não ratificação do Protocolo pelos Estados Unidos. A justificativa, segundo o presidente George W. Bush era de que os compromissos com as metas do protocolo comprometeriam de forma negativa a economia do país. 32 Unidade II Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 Outro fator levado em consideração, foi o questionamento por parte da Casa Branca sobre o consenso científico de que os poluentes causassem ou não a elevação da temperatura global. Por outro lago, alguns municípios e estados nos EUA, a exemplo do estado da Califórnia, começaram a pesquisar maneiras para reduzir a emissão de gases tóxicos, mesmo sem a assinatura dos Estados Unidos no protocolo, tentando também não diminuir sua margem de lucro com essa atitude e promover a sustentabilidade. 3.4.2 Sumidouros de carbono Em Julho de 2001, na Alemanha, o Protocolo de Kyoto foi referendado ao se abrandar o cumprimento das metas previstas no passado com a criação de sumidouros de carbono. A ideia é que essa proposta possibilitaria que os países que possuem grandes áreas florestadas, as quais absorvem naturalmente o dióxido de carbono, usassem essas áreas como crédito em troca do controle de suas emissões de gases. Outra vertente da proposta é a de que os países desenvolvidos e mais industrializados, maiores emissores de CO2 e de outros poluentes, poderiam transferir parte de suas indústrias mais poluentes para países onde o nível de emissão é baixo ou investir nesses países. Contudo é preciso realizar estudos criteriosos sobre a quantidade de carbono que uma floresta é capaz de absorver para evitar super ou subvalorização de valores pagos por meio dos créditos de carbono. Após a Conferência de Johannesburg, essa proposta tornou-se inconsistente em relação aos objetivos do tratado, a política deve ser deixar de poluir, e não poluir onde há florestas, pois o saldo, desta forma, continuaria negativo para com o planeta. Existem também os céticos com relação ao Protocolo de Kyoto que acreditam que se trata de letra morta, visto que a maioria das nações signatárias não vai conseguir cumprir as metas de redução de poluentes, além da não ratificação de países grandes poluidores como os Estados Unidos. A comunidade europeia, uma das grandes defensoras do Protocolo, não conseguiu ainda cumprir as metas. 3.4.3 Sequestro de carbono Alguns países que não ratificaram o Protocolo de Kyoto, entre eles os Estados Unidos e a Austrália, têm uma política de sequestro de carbono. Trata-se de estocar o excesso de carbono, por prazo indeterminado, na biosfera, no subsolo e nos oceanos. Algumas das medidas citadas a seguir são utilizadas para o sequestro de carbono: • usar repositórios subterrâneos para sequestrar carbono; • estocar a biomassa criada no solo e remover o dióxido de carbono com a vegetação, melhorando o ciclo terrestre natural; 33 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 • dissolução de dióxido de carbono pela fertilização de fitoplâncton e colocando dióxido de carbono a mais de 1000 metros de profundidade; • sequenciar o genoma de micro-organismos para o gerenciamento do ciclo de carbono; • enviar milhares de minissatélites (espelhos) para refletir parte da luz solar, em média 200.000 minissatélites, reduziriam 1% do aquecimento. Esse plano está em andamento e mostra a preocupação dos que se dizem céticos em ajudar a remover uma das causas (embora a considerem insignificante) do aquecimento global. 3.4.4 Resultado do Protocolo de Kyoto Na tabela abaixo são apresentados alguns dos resultados das diferenças de emissões de CFC, um dos principais poluidores, segundo a ONU. Tabela 2 – Resultados das emissões de alguns países em relação ao protocolo de Kyoto: País Diferença entre as emissões de CFC (1990-2004) Objetivo a União Europeia para 2012 Obrigação do tratado 2008-2012 Alemanha -17% -21% -8% Canadá +27% Não assinado -6% Espanha +49% +15% -8% Estados Unidos +16% Não assinado Não assinado França -0.8% 0% -8% Grécia +27% +25% -8% Irlanda +23% +13% -8% Japão +6.5% Não assinado -6% Reino Unido -14% -12.5% -8% Portugal +41% +27% -8% Outros 15 países da UE -0.8% Não assinado -8% 3.4.5 Mecanismos de flexibilização Pelo Protocolo de Kyoto, alguns mecanismos de flexibilização formam arranjos regulamentados que facilitam que as partes (países) incluídas no Anexo B possam atingir limites e metas de redução de emissões de gases do efeito estufa (GEE). Esses instrumentos também têm o propósito de incentivar os países emergentes a alcançar um modelo de desenvolvimento sustentável. São três os mecanismos de flexibilização: • O comércio de emissões que é realizado entre países listados no Anexo B, de maneira que um país, que tenha diminuído suas emissões abaixo de sua meta transfira o excesso de suas reduções para outro país que não tenha alcançado tal condição. 34 Unidade II Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 • O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) é realizado em países que não têm metas de redução de emissões de GEE. • A Implementação Conjunta (IC) que é a implantação de projetos de redução de emissão de GEE entre países que apresentam metas a cumprir (países do Anexo I). Observação Desses mecanismos, apenas o MDL se aplica ao Brasil. 3.4.6 Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) O MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo), é um dos mecanismos de flexibilização criados pelo Protocolo de Kyoto, tem por objetivo auxiliar o processo de redução de emissão de gases do efeito estufa (GEE) ou de captura de carbono (ou sequestro de carbono) por parte dos países do Anexo I (ROCHA, 2003). Seu propósito é prestar assistência às partes não presentes no Anexo I da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CQNUMC, ou, com a sigla em inglês, UNFCCC) para que viabilizem o desenvolvimento sustentável por meio da implementação da respectiva atividade de projeto e contribuam para o objetivo final da Convenção e, por outro lado, prestar assistência às partes do Anexo1 para que cumpram seus compromissos quantificados de limitação e redução de emissões de gases do efeito estufa (ROCHA, 2003). Os países em desenvolvimento podem implementar projetos de redução ou captura de emissão de gases causadores do efeito estufa, obtendo os Certificados de Emissões Reduzidas (CERs). Emitidos pelo Conselho Executivo do MDL, esses certificados podem ser negociados no mercado global. Como os países industrializados possuemcotas de redução de emissão de gases causadores do efeito estufa, estes podem adquirir os CERs de desenvolvedores de projetos em países em desenvolvimento para auxiliar no cumprimento de suas metas (ROCHA, 2003; DENARDI, 2010.) Assim o MDL visa ao alcance do desenvolvimento sustentável em países em desenvolvimento (país anfitrião), a partir da implantação de tecnologias mais limpas nesses países, e a contribuição para que os países do Anexo I cumpram suas reduções de emissão (SOUSA, 2003). Com essa proposta, os projetos de MDL podem ser baseados em fontes renováveis e alternativas de energia, eficiência e conservação de energia ou reflorestamento. Porém, para aprovação de projetos no âmbito do MDL, existem regras claras e rígidas. Esses projetos devem utilizar metodologias aprovadas, ser validados e verificados por Entidades Operacionais Designadas (EODs), e devem ser aprovados e registrados pelo Conselho Executivo do MDL. E ainda, os projetos devem ser aprovados pelo governo do país anfitrião pela Autoridade Nacional Designada (AND), assim como pelo governo do país que comprará os CERs. A Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima, estabelecida em 1999, atua como AND no Brasil. 35 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 3.4.6.1 Categorias de projetos MDL Foram enumerados pelo Conselho Executivo (CE) do MDL os seguintes setores nos quais projetos MDL podem ser desenvolvidos, com base no Anexo A do Protocolo de Kyoto. É importante destacar que uma atividade de projeto MDL pode estar relacionada a mais de um setor. Os projetos MDL devem ser desenvolvidos a partir das seguintes etapa. Concepção do projeto (preparo da nota de ideia do projeto) Concepção do documento de comcepção do projeto (DCP) Obtenção da aprovação do país anfitrião Validação Registro Implementação do projeto Monitoramento Verificação e certificação Emissão dos CERs Figura 8 - Etapas para a concepção de um projeto para MDL 3.4.7 Países pertencentes ao Anexo I do Protocolo de Kyoto São os países que têm metas em relação ao Protocolo de Kyoto Estão divididos em dois subgrupos: (1) aqueles países que necessitam diminuir suas emissões e, portanto, podem tornar-se compradores de créditos provenientes do MDL, como a Alemanha, Japão, Holanda; e (2) os países que estão em transição econômica e por isso podem ser anfitriões de projetos do tipo Implementação Conjunta (que é outro mecanismo do Protocolo de Kyoto), como a Ucrânia, Rússia, Romênia etc. (DENARDI, 2010). 3.5 Calor e o Protocolo de Kyoto O protocolo de Kyoto apresenta uma peculiaridade interessante: ele não exige a mesma meta de todas as nações que assinaram o protocolo. Os países desenvolvidos estão obrigados a perseguir um corte de 36 Unidade II Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 5% das emissões de dióxido de carbono. Já os países em desenvolvimento (Brasil e Índia, por exemplo) têm que diminuir as emissões quanto for possível mas sem limites preestabelecidos. As empresas de países industrializados estão autorizadas a financiar o desenvolvimento “limpo” em países de terceiro mundo. Existem várias áreas e projetos dos países de terceiro mundo que podem ser investidos. Em média, cada 6 dólares investidos nesses projetos permitem à empresa produzir 1 tonelada a mais de dióxido de carbono. Isso pode gerar grandes negócios para as empresas brasileiras, que não irão mais encarar os projetos ambientalistas como uma obrigação que só gera prejuízo. Mesmo fora do Protocolo de Kyoto, muitas empresas nos Estados Unidos estão preocupadas com o perigo que representa o aquecimento global e, dessa forma, já adotam medidas para reduzir suas emissões de dióxido de carbono ou a de seus produtos. Alguns exemplos de empresas são mencionados a seguir: • a General Motors, investiu milhões de dólares no desenvolvimento de veículos movidos a hidrogênio; • a General Eletric, por exemplo, conta com uma divisão de energia eólica; • a American Electric Power, a maior distribuidora de eletricidade do país, decidiu adotar as normas do tratado e comprometeu-se a reduzir suas emissões de dióxido de carbono em 10% até 2006; • desafiando a posição da Casa Branca, o governo do estado de Massachusetts anunciou um plano de diminuir suas emissões em 10% até 2020. Na União Europeia, que é a maior defensora do Protocolo, seus países estabelecem cotas de redução de emissões ainda mais ambiciosas do que as definidas pelo acordo: • a Inglaterra acredita em um índice de redução de 60% até 2050; • a Alemanha quer reduzir suas emissões em 21% até 2012 – contando com o fechamento de indústrias altamente poluentes que ainda restam da antiga parte oriental do país. Apesar da mobilização mundial em torno do controle do dióxido de carbono, é grande a comunidade de cientistas que não acredita na causa. Eles se dividem em dois grupos: • O que considera que o aquecimento global simplesmente não constitui ameaça alguma, sendo apenas mais uma das alterações que ocorrem no clima do planeta de tempos em tempos e que o dióxido de carbono possivelmente tem pouca influência no fenômeno. E mais: caso o aquecimento venha no futuro a alterar substancialmente o clima e a vida na Terra, a humanidade já disporá de tecnologia adequada para anular seus efeitos. Citação:”Estou convencido de que nossos netos terão ferramentas para escolher o clima que desejarem”, (Robert Balling Jr., da Universidade do Arizona, The satanic gases) 37 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 • O segundo grupo de cientistas despreza o Protocolo de Kyoto pois acha que seus resultados, mesmo a longo prazo, serão ínfimos e que os recursos utilizados para reduzir as emissões de dióxido de carbono – algo entre 150 bilhões e 350 bilhões de dólares por ano – seriam muito mais bem empregados no combate a males do mundo moderno, como a pobreza, a fome e as epidemias. No momento, as vozes que se levantam contra o tratado, têm sido abafadas pelas evidências científicas de que é preciso fazer algo pelo planeta antes que seja tarde demais. Lembrete Apesar da mobilização mundial em torno do controle do dióxido de carbono, é grande a comunidade de cientistas que não acredita na causa por falta de comprovação científica segundo seus padrões próprios. 3.6 O funcionamento do mercado de carbono Segundo Rocha, sobre o mercado de carbono: Os instrumentos de crédito e/ou permissão já são utilizados em outros países com relativo sucesso há vários anos. A ideia básica é de que a redução, estabilização e/ou eliminação de um determinado poluente pode ser alcançada através da comercialização de créditos de redução e/ou permissões de emissão entre as empresas poluidoras. Este comércio faz com que as empresas tenham maior flexibilidade no cumprimento das metas ambientais estabelecidas pela legislação vigente. Outra vantagem é que, com a sua utilização, o poder público fica apenas encarregado de definir os objetivos ambientais a serem alcançados, monitorar e penalizar infratores; enquanto que a escolha dos melhores meios para se atingir os objetivos fica a cargo das próprias empresas, que irão sempre buscar a melhorrelação custo/benefício. (ROCHA, 2002) 1. Está prevista no Protocolo de Kyoto a possibilidade de empresas de países industrializados compensarem a poluição que produzem financiando projetos ambientais no terceiro mundo (GODOY, 2007). 2. Em troca do investimento em um projeto limpo, como a ampliação de uma reserva florestal, ela recebe ‘‘créditos” que permitem aumentar suas emissões de dióxido de carbono sem contribuir para que seu país estoure o limite estabelecido pelo Protocolo de Kyoto (GODOY, 2007). 3. Para serem negociados, os projetos têm que ter o aval da ONU. 4. US$ 6 por tonelada de dióxido de carbono é o preço de mercado. 38 Unidade II Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 3.7 Possíveis consequências do aquecimento global Estima-se que o aquecimento global, associado à ação humana, poderia provocar mudanças catastróficas no clima. Entre elas: Consequências do aquecimento global Ficará mais difícil prever quando e onde ocorrerão os furacões e eles devem se tornar mais violentos e devastadores. O derretimento das geleiras representa uma ameaça para as focas que se reproduzem no gelo, e para os ursos polares que se alimentam das focas. Formação de novos desertos em regiões hoje férteis como o que ocorreu na áfrica em mudanças climáticas anteriores. Cidades litorâneas seriam inundadas pela elevação do nível dos oceanos (previsão de 90 cm até o fim deste século) devido ao derretimento das geleiras dos polos. Extinção dos plânctons, base de cadeia alimentar dos oceanos com reflexos negativos em praticamente todas as espécies subaquáticas Figura 9 – Consequências do aquecimento global Saiba mais Um filme que pode propiciar uma inter-relação com os conteúdos da unidade sobre aquecimento global é sugerido: Uma verdade inconveniente. Dir. Davis Guggenheim. Ator: Al Gore. 100 minutos. 2006. 3.8 Consequências do aumento das temperaturas Com a elevação da temperatura, acredita-se que o funcionamento das correntes oceânicas será alterado, elas contribuem para o clima e distribuição de calor dos trópicos pelo planeta impulsionando ou não a formação de gelo nos polos. Um temor, segundo a comunidade científica, é que de o aquecimento global possa desligar esse grande trocador de calor global. 39 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 A seguir, são apresentadas algumas das consequências das mudanças climáticas em diversos continentes: Quadro 1 – Consequências das mudanças climáticas segundo o Greenpeace (2005) Local Mudanças climáticas América Latina • Diminuição das geleiras na América Latina; • maior frequência de secas e enchentes; • crescimento do risco para a vida e para os ecossistemas, além de prejuízos causados por fortes chuvas, enchentes, tempestades e ventos, com a maior intensidade de ciclones tropicais; • comprometimento da segurança alimentar para muitos países latino-americanos, ameaçando a cultura de subsistência em algumas regiões; • aumento na incidência de doenças como a malária, febre amarela e cólera pode ocorrer já que se trata de uma região quente; • aumento da perda da biodiversidade com o desaparecimento de recursos de ecossistemas. América do Norte • Ecossistemas em risco; • em áreas costeiras, aumento da erosão, enchentes e tempestades, particularmente na Flórida e na costa americana do Atlântico, provocado pela elevação do nível do mar; • a malária e a febre amarela, e outras doenças transmitidas por vetores, podem expandir sua área de ocorrência na América do Norte. Austrália e Nova Zelândia • Incêndios e secas se tornarão ainda mais comuns e a água será um assunto chave, sendo mais valorizada em regiões do país que sofrem com a seca; • maior intensidade de chuvas e ciclones tropicais e mudanças regionais específicas na frequência de ciclones, aumentando os riscos para a vida e para os ecossistemas; • muito mais espécies ameaçadas ou extintas, assim como os ecossistemas australianos, particularmente vulneráveis ao aquecimento global, incluindo recifes de corais, habitats áridos e semiáridos no sudoeste e interior da Austrália, além de regiões montanhosas. África • Sensível queda na produção de grãos e consequente redução na segurança alimentar ameaçarão ainda mais populações africanas, já carentes de desenvolvimento sustentável; • considerável aumento do número de transmissores de doenças infecciosas, com prejuízo ainda maior à saúde da população, em uma região que já enfrenta os efeitos da AIDS e da desnutrição; • aumento de secas, enchentes e outros fenômenos naturais acentuando a pressão sob os recursos hídricos, segurança alimentar, saúde e infraestrutura, restringindo o desenvolvimento da África; • destruição de ecossistemas vitais, com o desaparecimento de uma das mais ricas biodiversidades do mundo. Em consequência, várias espécies de plantas e de animais podem desaparecer, com impacto no modo de vida rural, no turismo e nos recursos genéticos. Europa • Até o final do século 21 poderão desaparecer metade das geleiras montanhosas e grandes áreas congeladas; • com o aumento nos padrões de chuva, poderão estar em risco grandes áreas da Europa. O risco de enchentes e erosão em áreas costeiras também deve aumentar, com implicações para o turismo, agricultura e habitats naturais de zonas costeiras; • poderão ocorrer perdas de importantes habitats (regiões úmidas, planícies de regiões árticas e habitats isolados) colocando em risco algumas espécies. 40 Unidade II Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 Ásia • Em diversas áreas temperadas e tropicais da Ásia, podemos dizer que aumentou a incidência de fenômenos naturais como enchentes, secas, incêndios florestais e ciclones tropicais; • Essa incidência de fenômenos naturais pode comprometer a segurança alimentar em muitos países da Ásia, reduzindo a produtividade agrícola; • um fato alarmante será a maior exposição aos vetores de doenças infecciosas, aumentando os riscos para a saúde da população devido a enchentes por exemplo; • as grandes cidades ao longo da costa dos oceanos Pacífico e Índico, serão ameaçadas pela elevação no nível do mar; • o aquecimento global resultará na extinção de muitas espécies de mamíferos e pássaros. A segurança ecológica estará em risco com a elevação do nível do mar, incluindo manguezais e recifes de corais. 3.9 A Rio+10 Conhecida como Rio+10 ou Cúpula da Terra II, foi realizada em 2002 pela ONU, em Johannesburg, na África do Sul, a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável. Um dos principais objetivos dessa conferência foi discutir os avanços alcançados pela Agenda 21 e os outros acordos firmados na Cúpula de 1992, na ECO-92. A partir dessa cúpula, surgiram dois documentos, o Plano de Implementação e a Declaração de Johannesburg. A Declaração de Johannesburg afirma e relembra compromissos firmados entre os países em 37 parágrafos e elenca desafios que foram e são enfrentados pelas diversas nações representadas, reafirmando o compromisso com o desenvolvimento sustentável. Enquanto em alguns pontos o plano parece ter atendido às expectativas, ou pelo menos, dado uma luz à questão, em outros ele foi, no mínimo, vagoao não estipular prazos e metas. Sendo assim, a Cúpula de Johannesburg e o “Plano de Ações” não agradou a todos, principalmente às ONGs ambientais que participaram do evento. O Plano de Ações da Cúpula de Johannesburg firmou o compromisso de restaurar os estoques de peixes nos mares até 2015, mas o texto fala que essa restauração será feita “onde possível”, o que dificulta o monitoramento e a cobrança desse compromisso assumido. De forma geral, na convenção de Johannesburg, temas como energia renovável ainda tiveram um espaço aberto, fundamental para futuras negociações. Johannesburg foi o centro das atenções mundiais para as questões ambientais durante os 10 dias do evento (26 de agosto a 4 de setembro de 2002), no qual foram revigoradas as esperanças de um mundo melhor, com respeito aos direitos humanos básicos, proteção ao meio ambiente utilização equilibrada dos recursos naturais. Entretanto, nessa grande conferência das Nações Unidas, provavelmente uma das últimas do ciclo iniciado em Estocolmo há 30 anos e que teve seu ponto máximo no Rio de Janeiro, em 1992, as 41 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 expectativas de que isso viesse a acontecer foram, em parte, frustradas pelos poucos resultados práticos alcançados em Johannesburg. Muitos países, entre os mais de 150 participantes, apresentaram propostas concretas sobre como colocar em prática as diretrizes da Eco-92 que ainda não saíram do papel, principalmente as questões ligadas à Agenda 21. Mais uma vez, os vários blocos de países defenderam de forma intransigente seus interesses, como o Juscanz (Japão, Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia), que sob a liderança dos norte- americanos, e com o apoio incondicional dos países árabes, grandes produtores de petróleo, boicotaram, entre outras, as propostas do Brasil e da União Europeia sobre energia. Como previsto, a energia foi tratada como tema ícone da Cúpula Mundial para o Desenvolvimento Sustentável. Na batalha pelas energias renováveis, contudo, nem mesmo a aproximação com a União Europeia conseguiu viabilizar a audaciosa e bem recebida proposta brasileira de substituição das matrizes energéticas poluidoras por fontes renováveis de energia em 10% até 2010. O Brasil, antes da conferência, alinhavou metas e prazos para as fontes renováveis de energia juntamente com os demais países da América Latina e do Caribe. Em Johannesburg, o país apresentou a sua proposta de metas para os chamados novos renováveis, ou seja, fontes mais limpas de energia que incluem a energia solar, a eólica, a geotermal, a das pequenas hidrelétricas e a da biomassa. O que se viu é que desde o início da discussão dos temas, a batalha foi grande no grupo G-77/China (77 nações mais a China são participantes). Apesar da resistência, o Brasil se manteve firme na defesa do estabelecimento de uma meta global que aumentasse em 10% a participação das energias renováveis até o ano de 2010. Isso possibilitaria a mitigação dos efeitos causadores das mudanças climáticas e poluição atmosférica, por meio da substituição gradual dos combustíveis fósseis. As negociações em Johannesburg foram longas e difíceis. Para se compreender melhor o clima de pessimismo e dificuldades enfrentadas, é preciso que se entenda o processo no qual se desenvolveram as duas megaconferências da ONU, a Rio-92 e a Rio+10. É necessário examinar a conjuntura geopolítica e mundial em que se deu cada um dos encontros. O encontro Rio-92 ocorreu em um clima que favorecia a cooperação internacional, apenas três anos depois da queda do Muro de Berlim e do fim da Guerra Fria, quando a ideia da cooperação predominava sobre a lógica do conflito. Já a Conferência Rio+10 transcorreu em um cenário oposto, com um mundo marcado cada vez mais pelo conflito e pela desigualdade social crescente, tanto nos países ricos quanto nos países em desenvolvimento, o que minou sobremaneira o resultado final do encontro entre as nações. Tentar comparar as conferências da Rio-92 e da Rio+10 em termos de resultado é um erro, já que os dois eventos se propunham a alcançar objetivos distintos. Enquanto a Rio-92 se pautou na obtenção de um consenso em torno da questão ambiental, o que foi obtido principalmente pela elaboração da Agenda 21, a pauta da Rio+10 era mais modesta, dispondo-se apenas a avaliar os avanços da Agenda 21 nesses dez anos e criar mecanismos que facilitassem medidas efetivas para a sua implementação. 42 Unidade II Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 Segundo Villa Jr. (2010), a declaração de política de 2002, da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada em Johannesburg, afirma que o desenvolvimento sustentável é construído sobre “três pilares interdependentes e mutuamente sustentadores” — desenvolvimento econômico, desenvolvimento social e proteção ambiental. Esse paradigma reconhece a complexidade e o interrelacionamento de questões críticas como pobreza, desperdício, degradação ambiental, decadência urbana, crescimento populacional, igualdade de gêneros, saúde, conflito e violência aos direitos humanos. O Projeto de Implementação Internacional (PII) apresenta quatro elementos principais do desenvolvimento sustentável — sociedade, ambiente, economia e cultura. • A sociedade: uma compreensão das instituições sociais e seu papel na transformação e no desenvolvimento. • O ambiente: a necessidade de conscientização da fragilidade do ambiente físico e os efeitos sobre a atividade humana e as decisões. • A economia: desenvolvimento da sensibilidade aos limites e ao potencial do crescimento econômico e seu impacto na sociedade e no ambiente, com o compromisso de reavaliar os níveis de consumo pessoais e da sociedade. • A cultura: fator geralmente omitido como parte do DS (desenvolvimento sustentável). Entretanto, valores, diversidade, conhecimento, línguas e visões de mundo associados à cultura formam um dos pilares do DS e uma das bases da EDS (educação para o desenvolvimento sustentável). 4 DESENVOLVIMENTO SUSTENTADO Para que, daqui a 40 anos tenhamos o planeta Terra em pleno “desenvolvimento sustentado” ou “desenvolvimento sustentável”, devemos dar já início às tentativas de uso de novas tecnologias e de mudanças de mentalidade. Sem o que, a degradação ambiental colocará o planeta num rumo sem retorno, tornando, de tal modo, de má qualidade a água e o ar,que a raça humana, com a saúde cada vez mais combalida, por esse motivo, começará a ser dizimada irremediavelmente. (PORTUGAL, 1991) Várias trilhas paralelas a serem vencidas simultaneamente compõem os caminhos a serem percorridos. Novas concepções de fontes de energia e de economia de energia deverão ser adotadas. Baseadas nos combustíveis fósseis, as atuais fontes de energia, deverão ser paulatinamente abandonadas e deverão ser fortemente incentivadas as pesquisas de fontes de energia não poluentes como a eólica, a solar e à base de hidrogênio como combustível. O petróleo deverá ser aproveitado para fins mais nobres na petroquímica. Visando economizar energia na iluminação, na calefação, na refrigeração ou na ventilação pura e simples, a arquitetura deverá ser condizente com o clima. 43 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gram aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 Deverá ser realizado o reflorestamento das grandes áreas desmatadas, utilizando-se, para isso, as mesmas espécies vegetais que existiam, a fim de estancar as desertificações que hoje proliferam em diversos pontos do planeta. Deverão ser gradativamente, e no menor tempo, substituídos os clorofluorcarbonos, hoje indispensáveis a muitos setores industriais, porém inimigos mortais da camada de ozônio da atmosfera, pelos hidroclorofluorcarbonos ou outros produtos que não afetem mais o ozônio. Mas que por serem nocivos aos materiais com que fazem contato, demandarão profundas pesquisas de novos materiais resistentes a eles (PORTUGAL, 2001). Por sua vez, as indústrias de transformação deverão buscar tecnologias que reduzam a geração de resíduos e ou promovera reciclagem desses resíduos. A busca pelos biodegradáveis deverá ser constante, e a reciclagem de papéis, vidros e plásticos usados será imprescindível, bem como, a compostagem de lixos orgânicos. O consumo da carne bovina deverá ser um alimento em extinção, ou restrito, haja vista a destruição que se faz das florestas para dar lugar às pastagens, bem como a utilização de grãos na alimentação do gado que, pelo seu valor proteico, deverão alimentar diretamente o homem; a menos que se integre a alimentação do gado com as culturas agrícolas. Deverão ser incentivados os transportes coletivos de massa, sendo sua energia propulsora baseada, de preferência, em energéticos não poluentes; a bicicleta deverá ser amplamente usada. Igualmente, os transportes de cargas terão que ser feitos aproveitando-se ao máximo as possibilidades de navegação por rios e mares e, sempre que possível, combinados com ferrovia e, ainda buscando-se, aí as oportunidades de realização de fretes de retorno. Será indispensável o controle populacional do planeta para que haja alimentos para todos e também para que se possa ter um controle sobre as infraestruturas que estejam suportando ou virão a suportar as necessidades do contingente populacional, evitando, inclusive, a necessidade de crescimento dessas infraestruturas. Deverão ser amplamente popularizadas as fazendas de peixes e crustáceos para auxiliarem na alimentação. Para que não haja desperdícios e não se afete o meio ambiente pelo mau uso de desmatamentos e defensivos agrícolas, as reformas agrárias deverão contar com tecnologia e infraestrutura adequada. Todos os defensivos agrícolas, baseados em formulações químicas, deverão dar lugar, no menor tempo, àqueles baseados em predadores naturais. A racional utilização dos recursos da informática deverá possibilitar, para muitos tipos de trabalho, o mínimo deslocamento do empregado, ensejando a realização de tarefas em suas próprias casas. 44 Unidade II Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 Enfim, nesses curtos quarenta anos que aí vêm, uma profunda mudança comportamental terá que acontecer; será um verdadeiro caminhar na corda bamba que não admitirá dispersão de esforços e planejamentos imperfeitos; mas as ações não poderão ser tomadas em pontos isolados do planeta. As nações onde mais abundam tecnologias e poder econômico terão que instaurar atitudes internacionais de emergência para ajudar aos países carentes, sem se descuidarem de si próprios. A cooperação, a cessão de tecnologias e recursos deverá ser, nesse mister, sem fronteiras, pois, afinal, na nave Terra, todos são passageiros. No Brasil, a forte articulação dos diversos setores envolvidos com os temas mencionados, deve ser empreendida a fim de que se saiba, com certeza, os caminhos a percorrer e os recursos a serem buscados (PORTUGAL, 1991). Observação Uma profunda mudança comportamental é necessária para que tenhamos os benefícios de um desenvolvimento sustentado. Algumas ações importantes para o desenvolvimento sustentável: Estabilizar a população mundial Deverá crescer 50% até 2050: 6,1 bilhões para 9,3 bilhões,sendo 3,2 bilhões nos países pobres. Figura 10 – Densidade populacional, dados de 1995 Melhorar a educação Com a melhoria do nível educacional, reduz-se o crescimento populacional (experiência da ONU), possibilitando a adoção de medidas de longo prazo que, muitas vezes, impõem sacrifícios de curto prazo. 45 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 Tecnologias mais eficientes Tecnologias industriais mais limpas: A geração dos resíduos industriais é reduzida pela utilização mais eficiente das matérias-primas e da energia, com minimização, reaproveitamento e reciclagem dos resíduos. O setor de construção em todo o mundo, segundo algumas estimativas conservadoras, poderia promover a redução da emissão de 1,8 bilhões de toneladas de CO2. Com uma política mais agressiva poder-se-ia promover a redução de mais de 2 bilhões de toneladas. Adotar novo indicador de desenvolvimento O esgotamento e a degradação dos recursos naturais e do meio ambiente não são adequadamente refletidos pelo PIB. Índice de Desenvolvimento Humano – IDH (PNUD): associa fatores como expectativa de vida, grau de alfabetização e mortalidade infantil ao PIB, para evitar erro com a análise isolada do PIB. Figura 11 – Índice de desenvolvimento humano Reformar o sistema tributário Adequar as taxações de impostos a objetivos pontuais: taxar mais o que se quer reduzir (poluição e uso de recursos naturais escassos) e menos o que se quer aumentar (emprego e renda). Significa colocar a economia a favor do desenvolvimento sustentável. 46 Unidade II Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 A Noruega, por exemplo, em 1994, aumentou a taxa sobre a emissão de CO2 fóssil e reduziu a taxa sobre o emprego. Outros países como a Espanha (95), Dinamarca, Reino Unido e Finlândia (96), Alemanha e Itália (99), e a França (2000) também reduziram as taxas sobre empregos e criaram taxas sobre emissões de CO2, venda de combustíveis, pesticidas, solventes clorados, baterias, aterros de lixo, e poluição do ar e das águas. A humanidade precisa fazer a transição para uma economia sustentável – que respeite os limites físicos inerentes ao ecossistema mundial e garanta que continue funcionando no futuro (DALY, 2005). Entre os desafios citados para a implementação do desenvolvimento sustentável, temos a adoção de um novo indicador ou índice de desenvolvimento humano que engloba mais parâmetros interessantes. Saiba mais Uma discussão interessante sobre os indicadores de desenvolvimento, especificamente sobre o PIB e suas modificações pode ser encontrada em reportagem publicada no jornal O Estado de S. Paulo. Por Andrea Vialli: VIALLI, Andrea. Um novo PIB em gestação. O Estado de São Paulo. 15 de Maio de 2009. Resumo Nesta unidade foram estudadas as principais conferências realizadas para se discutir o desenvolvimento sustentável numa escola mundial para se propor soluções aos problemas discutidos. Entre elas estão a Rio 92, a Agenda 21 e o Protocolo de Kyoto. Estudamos a economia e a questão do carbono, a produção limpa e as consequências do aquecimento global em diversos continentes. Uma discussão sobre o desenvolvimento sustentado e principais ações que devem sertomadas também foi realizada. Ao final desta unidade, o aluno deve ser capaz de explicar e entender o que ocorreu durante as principais conferências realizadas para se promover o desenvolvimento sustentável, bem como propor soluções a diversos problemas enfrentados para se obter um desenvolvimento sustentado. 47 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 Exercícios Questão 1. (ENADE 2008) Figura 12 Paralelamente à mensagem jocosa, existe, na charge acima, outra mensagem subjacente, que remete ao fenômeno conhecido como: A) Efeito estufa, observado a partir da Revolução Industrial, o qual corresponde ao aumento da temperatura global da Terra. B) Aquecimento global, que pode causar secas, inundações, furacões, desertificação e elevação dos níveis dos oceanos. C) Escurecimento global, que é causado pela presença, na atmosfera, de material particulado oriundo da poluição. D) Mudança sazonal no trajeto das correntes marinhas, que altera o ciclo migratório dos pinguins. E) Aumento do buraco na camada de ozônio, causado pela presença, na estratosfera, de gases utilizados em sistemas de refrigeração. Resposta correta: alternativa B Análise das alternativas: A) Alternativa incorreta. Justificativa: está expressa na figura a ideia do degelo ocorrido nos polos, decorrente do processo de aquecimento global associado ao agravamento do efeito estufa. No entanto, é errado afirmar que tenha se originado a partir da Revolução Industrial, uma vez que o efeito estufa é um fenômeno atmosférico natural existente há milhares de anos. O que se pode corretamente associar à Revolução Industrial é o agravamento desse fenômeno, em virtude da liberação excessiva na atmosfera de gás carbônico por parte de atividades humanas modernas. 48 Unidade II Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 B) Alternativa correta. Justificativa: a ilustração mostra um contexto de degelo ocorrido nos polos, onde sobreviveram apenas os pinguins que se encontram dentro de uma geladeira. A ocorrência deste degelo tem sido atribuída ao aquecimento global, fenômeno agravado por atividades humanas que culminam na liberação excessiva de gás carbônico e outros gases na atmosfera. Secas, inundações, furacões, desertificação e elevação dos níveis dos oceanos são algumas das possíveis consequências associadas ao aquecimento global. C) Alternativa incorreta. Justificativa: de fato, a poluição promovida pelas indústrias e veículos é um fenômeno que tem contribuído em muito para a liberação de material particulado na atmosfera. No entanto, essas partículas em suspensão no ar não têm relação alguma com o aquecimento global, uma vez que a retenção do calor na superfície do planeta é realizada por gases, os chamados “gases de efeito estufa”, dentre os quais se destaca o gás carbônico. D) Alternativa incorreta. Justificativa: estão explícitos na gravura a ocorrência do degelo e o alívio do pinguim por ter adquirido uma geladeira, que irá garantir sua sobrevivência durante o degelo. Portanto, o que se está representando na figura não é a migração dessas aves, e sim a sobrevivência (ou não) a um ambiente que se tornou hostil graças às mudanças climáticas. E) Alternativa incorreta. Justificativa: a camada de ozônio é um filtro terrestre contra o excesso de radiação ultravioleta emitida pelo Sol. Não se pode atribuir à destruição dessa camada o aquecimento global que tem assolado nosso planeta, uma vez que esse aquecimento é resultante do aprisionamento, por parte de gases de efeito estufa, do calor irradiado pela superfície terrestre aquecida pelo Sol. Questão 2. (ENADE 2010) No final do século XX e início do século XXI, começam a ocorrer sérias alterações na atmosfera. A emissão do CO 2, resultante da queima de combustíveis em diversos tipos de motores, contribui de forma especial para o aquecimento global. Surgem, ou intensificam-se, no transcorrer desse período, correntes de pensamento voltadas à preservação do meio ambiente e preocupadas em encontrar formas pelas quais as pessoas possam satisfazer suas necessidades sem comprometerem a qualidade de vida de futuras gerações. Nesse contexto, surge o chamado marketing ambiental, que divulga e promove ações como a substituição de combustíveis fósseis por biocombustíveis. Em relação a esse assunto e quanto à utilização da gasolina e do etanol, avalie as afirmativas a seguir. I. O consumo do etanol é incentivado por ações de marketing ambiental, pois o CO2 emitido pela queima desse biocombustível é mais leve e, logo, menos poluente. 49 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 II. A utilização do etanol deve ser incentivada pelo fato de esse biocombustível, ao contrário da gasolina, não agregar carbono proveniente de material fóssil ao ciclo de carbono que se desenvolve na superfície do planeta. III. O etanol e a gasolina geram praticamente a mesma emissão quantitativa de CO2, resultando, portanto, em prejuízo ambiental semelhante, pois não há diferença química entre o CO2 emitido pela queima da gasolina e aquele emitido pela queima do etanol. IV. O uso do etanol em substituição à gasolina é medida incentivada pelo marketing ambiental devido principalmente às vantagens que pode trazer aos usineiros e à população que vive dos ganhos com a cultura de cana-de-açúcar, já que os benefícios ao meio ambiente são mínimos. É correto apenas o que se afirma em A) I. B) II. C) III. D) I e IV. E) II, III e IV. Resolução deste exercício na plataforma. 50 Unidade II Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 51 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 Unidade III 5 O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E SUAS DIMENSÕES SOCIAL E ECONÔMICA 5.1 A dimensão social do desenvolvimento sustentável Segundo Sachs (1993), a dimensão social do desenvolvimento sustentável tem como objetivo construir uma civilização em que seus integrantes tenham maior equidade na distribuição dos recursos e da renda, para melhoria dos direitos e condições de vida, reduzindo a distância entre padrões de vida. Uma sociedade na qual os integrantes compartem os recursos naturais e na qual todos os produtos se originam dos processos produtivos, deve manter equidade na distribuição de todos esses recursos. O bem comum é a base da dimensão social do desenvolvimento sustentável. Um dos recursos energéticos estudados neste capítulo é a energia elétrica, motivo de muita discussão em todo o mundo, principalmente no Nordeste do Brasil, pela escassez de água, bem como pela falta de políticas que priorizem a solução desse problema. O Brasil registrou, a partir de maio de 2001, uma deficiência no fornecimento de energia elétrica no plano nacional, em virtudedos baixos investimentos no setor elétrico, níveis de precipitações de água inferiores aos normais, erros na condução do sistema e redução dos reservatórios. A ocorrência de racionamento para a melhor utilização foi benéfica em parte, pela educação e conscientização social que promoveu, mas deixou totalmente ou parcialmente sem energia muitas famílias, em geral, de classes menos favorecidas. É importante, pois, contar com outras fontes de geração de energia que permitam suprir as deficiências de geração elétrica. A energia eólica, ou seja, aquela que se utiliza da força dos ventos para gerar energia elétrica, já demonstrou, em muitos países, a importância da sua participação no setor energético. Um empreendimento dessa natureza pode levar a energia elétrica a comunidades que estão afastadas da capital ou a locais de grande potencial turístico, porém distantes das linhas de transmissão; e a energia elétrica poderia ser suprida por geração de fontes como a eólica, que levaria a essas populações não somente o conforto, mas também a geração de emprego e renda. Um exemplo é a usina eólica instalada em Fernando de Noronha – PE, considerada uma reserva natural e ponto turístico dos mais apreciados no Nordeste, para a qual um aerogerador fornece energia elétrica sem necessidade de aceso a redes de transmissão. Com efeito, vê-se que a preocupação principal é com o bem-estar, as condições humanas e os meios utilizados para aprimorar a qualidade dessas condições; deve-se preservar o capital humano e social. Dificilmente se pode mensurar o capital humano, que mesmo estando ligado diretamente às riquezas, é somente parte de um conjunto de fatores da sustentabilidade conformado por necessidades essenciais de uma sociedade, como saúde, educação, habitação, infraestrutura e saneamento básico. 52 Unidade III Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 O principal é diminuir as diferenças entre níveis sociais e obter melhoria das condições de vida das populações. Quanto a maior oferta de serviços, os diferentes níveis sociais terão oportunidade de acesso iguais (VAN BELLEN, 2005). Esses serviços são os básicos: água potável, esgoto e energia elétrica. Os benefícios proporcionados pela energia eólica, por exemplo, seriam possibilitados pelo fornecimento de eletricidade para suprir as demandas do sistema elétrico nacional, interligando povoados que estão fora dessa rede com sistemas autônomos eólicos. Com respeito à água, poderíamos deixar de utilizar esse recurso na geração de energia elétrica, aproveitando-o para o consumo humano. Atualmente, observa-se que o setor energético elétrico no Brasil, pouco a pouco, está superando suas carências, e a utilização de energias não renováveis está sendo mais discutida, dando oportunidade a outras novas fontes de energia, que favorecerão os objetivos da dimensão social. A aceitação de energias novas, como a eólica, tem ocorrido de forma progressiva na sociedade mundial. Na Espanha, por exemplo, pesquisas indicam que entre 75% e 80% da população estão aceitando a instalação de usinas eólicas como as de Perelló, que já receberam mais de 14.000 visitantes turistas, e a geração de emprego por essa indústria já significa, nesse país, 20.000 postos diretos e 60.000 postos indiretos de trabalho (CAMARGO, 2004). 5.2 A dimensão econômica do desenvolvimento sustentável A sustentabilidade econômica pode-se definir como uma progressiva alteração do sistema produtivo e de seus padrões qualitativos e quantitativos, mediante uma gestão eficiente dos recursos, fornecidos por um fluxo regular de investimentos públicos e privados, levando à sociedade a melhoria econômica sustentável (SACHS, 1993). Essa melhoria na gestão eficiente dos recursos refere-se ao aproveitamento sem prejuízo do ecossistema. Esse prejuízo para o meio ambiente poderia acontecer em virtude de desastres ou impactos negativos ao mesmo, ou por prejuízos econômicos, em horizonte de médio ou longo prazo. Segundo Bezerra, Facchina e Ribas (2002), esses investimentos significam geração de emprego e renda, redução da concentração fundiária rural e todas as condições que propiciam moradia para as populações urbana e rural. A energia elétrica é um recurso fundamental na economia dos países, é o energético que movimenta grande parte da indústria e comércio do Brasil, como representado na figura abaixo. Então, a busca por melhoria na geração de energia elétrica é importante, detectando-se a falta de produtividade que incorpora os custos característicos da ineficiência em conversão, transmissão, distribuição e fornecimento da energia elétrica. A sustentabilidade econômica está à procura da criação de mecanismos para novos sistemas produtivos que sejam integrados e de base local, para que estimulem as atividades econômicas, mediante estímulos para que a agricultura, indústria, comércio e setor de serviços gerem melhorias nas condições de vida (LAGE; BARBIERI, 2001). O serviço elétrico brasileiro precisa de constantes iniciativas de investimento de capital estrangeiro e nacional, visando abrir novos negócios; e esses novos negócios são a busca de utilização de novas fontes de geração como a eólica (ventos), biomassa, fotovoltaica (luz solar), entre outras renováveis, que ainda têm percentagens de utilização relativamente baixas. 53 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 Outros 15% Comercial 15% Residencial 27% Indústria 43% Figura 13 - Consumo de energia no Brasil por setores Para se obter a sustentabilidade econômica, é necessária a alocação e distribuição dos recursos naturais dentro de uma escala apropriada. É um mundo, em termos de estoques e fluxos de capital, no qual estão incluídos o capital humano, ambiental ou natural e o capital social. A distribuição estará associada à divisão dos recursos entre as pessoas, e as quantidades que correspondam a cada um dependerão da escala. Assim, segundo Bellen (2005), a teoria econômica tem se abstraído da questão de escala de duas maneiras opostas: dizendo que, por uma parte, o meio ambiente é uma fonte infinita de recursos naturais e também uma fonte infinita de resíduos. Na elaboração de projetos no setor elétrico para ampliações ou instalação de novas fontes de geração de energia, não somente deve-se avaliar os aspectos macroeconômicos em função da eficiência da operação e retorno dos investimentos, mas também alterar ou suplantar os modelos tradicionais que medem crescimento e desempenho da economia com modelos de indicadores que incorporem a variável ambiental. Existe, atualmente, a tendência de avaliar projetos também em função dos impactos ambientais. Diversidade Cultural So ci al Ec on ôm ic o Am bi en ta l Sustentabilidade dos negócios Figura 14 - Tripé da sustentabilidade 54 Unidade III Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 5.3 A preservação do meio ambiente como princípio da atividade econômica A ordem econômica e financeira está alicerçada nos princípios elencados na Constituição Federal Brasileira, no seu Art. 170: A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna,conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: I – soberania nacional; II – propriedade privada; III – função social da propriedade; IV – livre concorrência; V – defesa do consumidor; VI – defesa do meio ambiente VII – redução das desigualdades regionais e sociais; VIII – busca do pleno emprego; IX - tratamento favorecido para as empresas brasileiras de capital nacional de pequeno porte. Vale frisar que tanto o desenvolvimento sustentável social quanto a economia buscam a satisfação das necessidades do homem. 5.4 Recursos naturais O meio ambiente é a fonte principal de toda a matéria-prima utilizada pelo homem para produção dos bens e serviços utilizados em seu cotidiano. O homem está sempre recorrendo à natureza na intenção de que suas necessidades sejam atendidas. Para que esses bens e serviços dos quais todos nós dependemos sejam desenvolvidos, é imprescindível a utilização de recursos naturais. Segundo Barbieri (1997), os recursos naturais, denominados terra nos textos de economia, envolvem elementos ou partes do meio ambiente físico e biológico, como solo, plantas, animais, minerais e tudo o que possa ser útil e acessível à produção da subsistência humana. Os recursos naturais estão tradicionalmente classificados em: • Renováveis – animais, ar, energia solar, água, plantas são exemplos de fontes renováveis de energia. Elas podem ser utilizadas mais de uma vez e reaproveitadas. São fontes que apresentam vantagens e desvantagens em relação às fontes não renováveis de energia. 55 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 Energia eólica Figura 15 – Energia eólica Ondas Figura 16 – Ondas. Obtenção de energia elétrica através de ondas. O movimento das ondas movimenta as turbinas internas a essa serpentina que fica flutuando sobre o oceano e o movimento das turbinas aciona um motor que aciona um gerador de energia. Considerada uma fonte de energia limpa por não gerar gases poluentes, apesar de poluir visualmente o ambiente. Biomassa Figura 17 – Biomassa 56 Unidade III Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 • Não renováveis – minérios, petróleo, carvão mineral, areia, combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás natural) são exemplos de fontes não renováveis de energia. Os combustíveis fósseis são formados a partir de depósitos biológicos ao longo de milhões de anos. Existe um limite finito de combustíveis fósseis na Terra e eles podem eventualmente se esgotar se não forem utilizados com cautela. Uma vez que são utilizados, eles não podem ser reutilizados novamente, por isso são chamados de não renováveis. Gás natural Figura 18 – Gás natural, o mesmo gás que utilizamos para acender o fogo do fogão é proveniente de fósseis que produzem também o petróleo. Outras aplicações para o gás natural seriam no uso como combustível para veículos. Carvão Figura 19 – Carvão O carvão mineral é formado através do seguinte processo: Há 300 milhões de anos, aproximadamente, árvores e outras plantas fotossintetizaram e armazenaram a energia vinda do sol. Plantas mortas caíram em água e lodo que não deixaram elas estragarem e, com 57 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 os anos, pilhas dessas plantas mortas foram se acumulando e, depois de milhões de anos, a lama se tornou rocha e os fósseis de plantas se tornaram carvão. Óleo (ou petróleo) e gás natural são também provenientes de origem biológica. Há milhões de anos animais microscópicos viviam nos oceanos e, assim como hoje, o seu ecossistema dependia do calor e luz do sol e da fotossíntese realizada pelas plantas. Quando morreram, se incrustaram em lama e areia no fundo dos oceanos. Depois de milhões de anos foram enterrados mais profundamente pela lama e areia. A temperatura e a pressão (causada pelo peso dos sedimentos) transformou a lama e areia em rocha e os fosseis animais em óleo e gás natural. O conceito de recursos renováveis está diretamente ligado à possibilidade de ser obtido infinitamente de uma mesma fonte. No caso dos recursos não renováveis, estes possuem a característica de serem finitos, ou seja, caso sejam explorados com continuidade serão esgotados. Na verdade, é possível que todos os recursos se renovem de forma natural, porém, essa renovação poderá demandar muito tempo, em alguns casos até milhões de anos. É importante observar que a renovação de um recurso natural dependerá diretamente do modo com que esse é utilizado. Também não podemos esquecer que os recursos naturais fazem parte de uma grande cadeia, na qual todos são dependentes e interligados. Portanto, se um recurso é utilizado de forma incorreta, essa má utilização poderá interferir negativamente em outros recursos. Por exemplo, a devastação das florestas poderá interferir na renovação dos mananciais de água. Segundo Aguiar (1994), o conceito de meio ambiente é totalizador. Embora possamos falar em meio ambiente marinho, terrestre, urbano etc., essas facetas são partes de um todo sistematicamente organizado onde as partes, reciprocamente, dependem umas das outras e onde o todo é sempre comprometido cada vez que uma parte é agredida. Observem o diagrama a seguir que ilustra os tipos e exemplos de recursos naturais, assim como a importância da variável tempo na renovação ou não destes recursos. 58 Unidade III Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 Alteram-se com o uso Ar, água, espaço, navegabilidade dos rios e lagos, ciclos dos nutrientes, filtro solar e outros serviços ambientais. Esgotam-se com o uso Petróleo, carvão mineral, gás natural e energia nuclear. Não se alteram com o uso Energia direta solar, ventos, marés. Esgotáveis, mas podem ser reutilizados ou reciclados Areia, argila, granito e metais. Alteram-se com o uso Petróleo, carvão mineral, gás natural e energia nuclear. Renováveis Renováveis/Não renováveis Não renováveis Recursos naturais Figura 20 - Recursos naturais e suas classificações Observação Gasolina versus etanol Gasolina: • derivada do petróleo, combustível fóssil; • emite mais poluentes; • fonte não renovável. Etanol • fabricado a partir da cana-de-açúcar; • fonte renovável de energia; • geração inferior de CO2, durante o processamento, as árvores consomem parte do gás carbono produzido. 59 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 Fontes não renováveis: Carvão mineral, petróleo, gás natural e combustível nuclear. Vantagens: • baixo custo de combustíveis; • gera grande quantidade de energia; • fácil geração de energia.Desvantagens: • poluição: geração de CO2 contribui para o aquecimentoglobal e SO2 para chuvas ácidas; • pode se esgotar. Figura 21 – Vantagens e desvantagens das fontes renováveis de energia Fontes renováveis de energia: • vento, ondas, energia solar, biomassa etc. Vantagens: • fonte limpa (não poluidora na maioria dos casos); • fácil disponibilidade e acesso; • pode ser reutilizada. Desvantagens: • muitas vezes dependem do clima; • prejudicam a beleza do ambiente; • quantidade baixa de energia se comparada a outras fontes. Figura 22 – Vantagens e desvantagens das fontes renováveis de energia Observação Recursos naturais renováveis podem ser utilizados mais de uma vez e reaproveitados. Recursos naturais não renováveis se esgotam e não são reaproveitados. 5.5 Preservação dos recursos naturais O Brasil possui uma das maiores e mais ricas biodiversidades do mundo (“a variabilidade de organismos vivos, as interações que existem entre eles e destes com o ambiente. Abrange, ainda, a diversidade dentro de espécies (genética), entre espécies e de ecossistemas” – Convenção Sobre Diversidade Biológica). As 60 Unidade III Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 maiores reservas de água doce do planeta encontram-se em território brasileiro e um terço de toda a floresta tropical que ainda resta no mundo também. A conservação dos recursos naturais consiste em usá-los de forma racional, bem como de forma econômica, ou seja, sem desperdício. Agindo assim, os recursos renováveis não irão desaparecer por seu mau uso e nem os recursos não renováveis serão esgotados. Dessa forma, é possível pensar em um recurso perpétuo? Sim, porém, será necessário que os recursos sejam manejados de forma correta e que o homem não pratique nenhuma ação nociva a eles. Imaginem que para cada árvore arrancada fosse plantada outra em seu lugar; certamente acabaríamos com o problema da devastação das florestas. Da mesma forma, se houvesse uma preocupação maior em não poluir as águas dos rios, jamais sofreríamos com a escassez de peixes. É importante ressaltar, no entanto, que, na natureza, diversas espécies estão sempre em competição e pode ocorrer a extinção “natural” de algumas; não só a competição faz com que isso ocorra, mudanças climáticas, erupções vulcânicas, cheias etc., também podem acarretar a extinção. Da mesma forma que espécies são extintas, outras podem aparecer. É um longo processo de evolução. Os recursos naturais fazem parte de uma paisagem geográfica importante e útil para a sobrevivência do homem. Essa paisagem, quando modificada de forma brusca, poderá desencadear sérios problemas ambientais, chegando a colocar em risco a vida de outros seres vivos e até mesmo a vida dos próprios seres humanos. Os recursos naturais, apesar de serem retirados pelo homem da própria natureza, dificilmente são consumidos em sua forma primitiva. Quase todos sofrem algum tipo de modificação ou beneficiamento antes de serem utilizados, e o segredo da conservação está exatamente na forma como esse beneficiamento é realizado. Se existir uma preocupação com a reposição dos elementos que são retirados do meio ambiente, esses elementos jamais serão extintos e poderão estar disponíveis para as gerações vindouras. Do contrário, se continuarmos com uma exploração desenfreada dos recursos naturais, brevemente estaremos sentindo falta de alguns elementos que pouco tempo atrás encontrávamos em abundância. Os recursos naturais precisam ser vistos de forma sistêmica, em que todos estão de alguma forma ligados uns aos outros. Dessa forma, poderemos compreender que uma exploração indevida poderá vir a comprometer o ecossistema como um todo. 6 AS DIMENSÕES ECOLÓGICA, ESPACIAL E CULTURAL DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Antes de falar nas dimensões do desenvolvimento sustentável, é importante saber que educação ambiental é um ramo da educação, cujo objetivo é a disseminação do conhecimento sobre o ambiente, a 61 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 fim de ajudar a sua preservação e utilização sustentável dos seus recursos. É uma metodologia de análise que surge a partir do crescente interesse do homem em assuntos como o ambiente, devido às grandes catástrofes naturais que têm assolado o mundo nas últimas décadas. A educação ambiental no Brasil assume uma perspectiva mais abrangente; não restringindo seu olhar à proteção e uso sustentável de recursos naturais, mas incorporando fortemente a proposta de construção de uma sociedade sustentável, mais do que apenas um segmento da Educação. A Lei N° 9.795 – Lei de Educação Ambiental, em seu Art. 2°, busca difundir a educação ambiental em todos os processos educativos brasileiros: Art. 2o A educação ambiental é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não formal. 6.1 A dimensão ecológica do desenvolvimento sustentável O capital natural é a fonte primária de recursos utilizados em processos de produção de bens e serviços; deve ser usado tendo-se em mente a minimização e anulação dos danos ocasionados à natureza, porque é a base sobre a qual está assentada a espécie humana. Os âmbitos em que os recursos naturais estão localizados são o solo, o mar e o ar. Os três são poluídos pelos processos industriais, armazenando todos os resíduos tóxicos que afetaram os seres vivos: homens, animais e plantas. Segundo Sachs (1993), a dimensão ecológica se maximiza pelo uso dos recursos potenciais dos ecossistemas, com propósitos socialmente válidos, ocasionando um mínimo de dano e limitando o consumo de combustíveis fósseis e produtos facilmente esgotáveis, substituindo-os por recursos renováveis. A emissão de agentes poluentes e as mudanças no ecossistema ocasionadas pela geração de energia elétrica, por exemplo, são altas. Nesse tipo de geração, os principais causadores de poluição são as usinas termoelétricas, que precisam da combustão de um hidrocarboneto. Os mais utilizados são os derivados do petróleo e gás, como também o carvão mineral; todos liberam gases que impactam negativamente o meio ambiente. Usinas hidrelétricas também ocasionam danos aos ecossistemas, porque elas são causadoras de grandes mudanças nos lugares em que são construídas as barragens e os reservatórios; usinas nucleares não poluem o meio ambiente durante seu funcionamento, porém, depois da vida útil do material radioativo – quando não descartado adequadamente –, podem gerar um grande impacto à natureza. Todo e qualquer risco de um impacto negativo ao meio ambiente deverá ser cuidadosamente analisado e eliminado antes que qualquer exploração de recursos naturais seja iniciada, ainda que se trate de recurso renovável. O ambiente precisa ser priorizado independentemente do volume econômico que esteja em jogo. 62 Unidade III Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 6.2 A dimensão espacial do desenvolvimento sustentável Todo processo produtivo precisa de um espaço físico para desenvolver-se, tanto sobre a terra quanto no mar. De fato, quando há uma boa distribuição dos espaços para as atividades produtivas e econômicas, com as atividadesdos homens, dos animais e das plantas, sem alterar sua condição de vida, pode-se dizer que o equilíbrio espacial existe. Normalmente, quando há uma concentração de atividades econômicas dentro de um centro urbano, quebra-se a passividade e a qualidade de vida dos seres vivos que o habitam. A dimensão espacial deve equilibrar uma melhor distribuição territorial de assentamentos humanos e atividades econômicas (SACHS, 1993). Nos diferentes tipos de geração de eletricidade, observam-se alterações do espaço onde estão localizadas as máquinas e os recursos em geral, que permitem o funcionamento das usinas. O tipo de geração que mais altera o ecossistema é a hidrelétrica, por depender das barragens construídas para reservatórios de água, que permitirão oferecer energia necessária para sua operação. Essas barragens e esses reservatórios ocupam grandes áreas que muitas vezes pertencem a habitats de pessoas, animais ou plantas. 6.3 A dimensão cultural do desenvolvimento sustentável A dimensão cultural, segundo Sachs (1993), encontra-se em um processo de modernização, sem quebra da entidade cultural dentro do contexto do ambiente em que se desenvolvem as atividades econômicas. Busca raízes endógenas dos modelos de modernização, mantendo a diversidade local e capacita a sociedade na base dos valores de tradição e ética, para que sejam transmitidos para todas as gerações. Pode-se dizer que as dimensões são as variáveis que medem a sustentabilidade de todo processo produtivo e asseguram que o significado de desenvolvimento sustentável seja abordado em sua totalidade. Podemos relacionar, também, a dimensão social do desenvolvimento sustentável, que consiste em propiciar um relacionamento mais íntimo com as populações influenciadas por uma determinada produção ou exploração. Isso evita que se gerem ou se ampliem as disparidades sociais oriundas dessas atividades. Também é possível identificar as ameaças existentes a tal desenvolvimento, bem como as possíveis oportunidades das quais as empresas envolvidas podem se beneficiar, beneficiando também as comunidades em que estão inseridas. Observamos que, qualquer que seja a dimensão, mesmo a mais antagônica, que tente explicar a possibilidade de um desenvolvimento sustentável em termos ambientais, todas concordam com o fato de que somente será possível tal desenvolvimento, quando tivermos um ambiente ecologicamente equilibrado, capaz de garantir uma vida de qualidade para as atuais e futuras populações. Considerando tudo isso, é necessário fazer uma análise dos riscos para ponderar a existência de fontes de recursos renováveis, que, ao serem exploradas pelo homem e transformadas em energia, sejam inofensivas ou causem menos danos ao meio ambiente. Esses recursos renováveis são utilizados pelo homem há muitos séculos. Bons exemplos são os ventos, que geram energia eólica utilizada nas embarcações a vela ou nos moinhos verticais para bombear água ou moer grãos de milho. 63 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 Para o aproveitamento das fontes naturais renováveis, transformadas em energia, é necessário levar em consideração um conjunto de condições, para que não ocorram impactos negativos ao meio ambiente. 6.4 A responsabilidade ambiental das empresas O Estado, já há algum tempo, vem se preocupando com as questões relacionadas à preservação e conservação do meio ambiente. Essa preocupação sofreu notável acréscimo de significância nas três últimas décadas, quando passou a ser pauta constante nas agendas de governantes, autoridades, bem como da sociedade civil organizada como um todo. Na esfera das empresas, a preocupação com o meio ambiente é um assunto mais recente ainda na maioria das organizações, apesar de muitos organismos particulares terem adotado esse comprometimento mesmo antes que os órgãos da esfera pública se manifestassem. Hoje, a questão ambiental é um assunto que saiu dos muros das organizações e ganhou espaço nas ruas das cidades, nas escolas, nas mídias, sindicatos e, com muita ênfase, nas empresas privadas, ainda mais neste momento em que tanto se fala em responsabilidade social. As empresas passaram a se ver como parte integrante de um ambiente há muito tempo degradado e que essa degradação brevemente poderá afetá-las, caso não sejam tomadas iniciativas para tentar reverter essa situação. A maioria dos problemas que ocorrem no meio ambiente hoje decorre do uso indevido dos recursos naturais disponíveis na natureza. Para solucioná-los, é necessário o envolvimento das empresas, independente da estratégia escolhida, já que as empresas, além de produzirem bens e serviços, também os comercializam. As empresas, hoje, passam a praticar uma gestão ambiental que pode ser notada de forma global. 6.5 A globalização Muito antes de a palavra globalização adquirir a força que tem hoje, já se falava numa globalização de problemas, como o buraco na camada de ozônio ou o aquecimento global. As empresas já haviam percebido que uma atitude por parte delas seria a solução, ou mesmo a minimização de muitos dos problemas ambientais, que já estavam instalados e começavam a ameaçar a tranquilidade de muitas espécies. As empresas passavam da posição de geradoras de problemas ambientais para assumir o papel de “salvadoras do meio ambiente”. Observem que, além de uma mudança comportamental, ocorreu uma mudança de atitude, feito não muito simples de ser realizado, principalmente se a empresa possuir um histórico de pouca relação com questões ambientais. Porém, uma mudança dessa ordem raramente acontece de forma espontânea, ou seja, na maioria dos casos, influências da sociedade, do governo ou ainda do mercado financeiro, acarretam esse processo de mudança de comportamento. Essa pressão pode ser vista como o “empurrão” que algumas empresas necessitam para aceitar sua responsabilidade frente à quantidade de problemas que nosso planeta enfrenta. 64 Unidade III Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 A preocupação ambiental é também preocupação da classe política, e uma prova disso é a quantidade de leis ambientais aprovadas, atualmente, sem contar com a força das organizações da sociedade civil. Segundo Barbieri (1997), as organizações da sociedade civil que atuam nas áreas ambientais e sociais têm se tornado uma influência poderosa, que se manifesta por meio de denúncias, da formação de opiniões perante o grande público, de pressões políticas nas instâncias legislativas e executivas e de cooperação com as empresas. 6.6 A responsabilidade social corporativa Para que possamos entender como funciona a atuação social das empresas, bem como seu papel efetivo na sociedade contemporânea, precisamos nos remeter ao final do século XX, quando os discursos liberais e democráticos versavam sobre direitos iguais para todos. Os liberais democratas defendiam a garantia a todas as pessoas do desenvolvimento de suas potencialidades. Mas apesar de muitos autores concordarem com o fato de as ideias liberal-democratas realmente terem tido forte influência na mudança das empresas em relação às suas responsabilidades sociais, somente nos anos 40 temos relatos concretos de uma empresa europeia preocupada em não somente obter lucros, mas que também estava ciente de sua necessidade de promover ao seu empregado um bem-estar que tinha início no próprio ambiente de trabalho e que o acompanhava até a sua residência. A preocupaçãodas empresas agora não era o fato de o trabalhador não levar problemas de casa para o trabalho, e sim não deixar que o trabalhador levasse problemas do trabalho para casa. Por isso, as empresas passaram a investir em qualidade de vida, cujo objetivo principal era o de propiciar um ambiente de trabalho leve e harmônico, cujos benefícios pudessem ser sentidos até as casas de seus colaboradores. Segundo Guerreiro Ramos, 1981, “funcionários com qualidade de vida no trabalho são mais felizes e produzem mais”. Quando os problemas ambientais saíram das esferas públicas e passaram a ser de responsabilidade da sociedade como um todo, as empresas precisaram mostrar aos seus empregados que também se sentiam corresponsáveis por tentar diminuir os impactos das ações de degradação da natureza pelo homem. Os empregados, como membros da sociedade, também sentiam essa mesma responsabilidade, porém, como não podiam isoladamente realizar grandes feitos, passaram a cobrar de seus patrões uma posição capaz de torná-los, juntamente com suas empresas, agentes efetivos de mudança. Observem que se trata de um grande sistema, cujas partes estão intimamente ligadas. Se um se degrada, todo o restante será afetado. Esse pensamento modifica o dia a dia das empresas que, empenhadas em contribuir positivamente para a melhoria do planeta, passam a incluir, no elenco de documentos, balanços e relatórios que dão 65 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 conta de sua atuação perante os problemas sociais. Eles explicitam a intensidade com que as empresas vêm contribuindo para a melhoria da sociedade. Uma sugestão para aprofundar seus conhecimentos pode ser encontrada abaixo. Saiba mais Uma discussão sobre a importância de se preservar e o impacto que isso pode gerar no pagamento de taxas ou prejuízos é tratado no artigo abaixo publicado no jornal O Estado de S. Paulo: ATHAYDE, Eduardo. O princípio do preservador-pagador. O Estado de São Paulo, 5 de Junho de 2009. Para refletir Instrumentos de gestão ambiental: comando-controle, autorregulação e econômicos. Comando – requisitos ambientais (legislação, licenças, autorizações, padrões de emissão etc.) Controle – (inspeções, notificações, poder de polícia administrativa para garantir cumprimento). Autorregulações: iniciativas voluntárias que não são objetos de regulação governamental. Ex.: códigos, normas e outros mecanismos. Influenciadas por mercado, imagem etc. Econômicos: questão ambiental resolvida através de mecanismos de mercado. Ex.: usuário-pagador (taxação sobre o uso dos recursos naturais); poluidor-pagador (encargos pela poluição gerada) e permissões comercializáveis. Observação Regulamentação ambiental: ameaça ou oportunidade? Ameaça: geradora, exclusivamente, de custos elevados; impactos negativos sobre a produtividade organizacional e o potencial de geração de emprego e riqueza locais. X Oportunidade: geradora de maior competitividade e retorno social, vinculados à adoção de inovação para o seu cumprimento. 66 Unidade III Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 Gerenciamento estratégico ambiental: Estratégias formuladas para alcançar um determinado objetivo organizacional (operacional, negócio ou corporativo) passam a levar em consideração as demandas socioambientais dos stakeholders e vice-versa. Resumo Ao final desta unidade o aluno deve ser capaz de: • definir as dimensões ecológica, cultural, social, econômica e espacial do desenvolvimento sustentável; • entender a gestão ambiental e a responsabilidade social e ambiental das empresas; • compreender que as organizações que tomam decisões estratégicas preocupadas com a questão ambiental e ecológica terão vantagens competitivas; e ou redução de custos e incremento nos lucros; • diferenciar entre recursos naturais renováveis e não renováveis exemplificando cada um deles. Exercícios Questão 1. (ENADE 2007) Figura 23 67 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 O alerta que a gravura anterior pretende transmitir refere-se a uma situação que: A) Atinge circunstancialmente os habitantes da área rural do País. B) Atinge, por sua gravidade, principalmente as crianças da área rural. C) Preocupa no presente, com graves consequências para o futuro. D) Preocupa no presente, sem possibilidade de ter consequências no futuro. E) Preocupa, por sua gravidade, especialmente os que têm filhos. Resposta correta: alternativa C Análise das alternativas: A) Alternativa incorreta. Justificativa: o desmatamento ocorrido de modo descontrolado em ecossistemas florestais tem efeitos diretos sobre a biodiversidade local, e também gera impactos que se fazem sentir em escala mais ampla, como, por exemplo, na redução da captação de gás carbônico atmosférico. Além disso, essa prática nociva reduz ou até mesmo elimina a oferta de recursos madeireiros, tanto para as populações locais como para as populações urbanas. Portanto, é um erro afirmar que o desmatamento resulta em consequências negativas apenas para os habitantes da área rural. B) Alternativa incorreta. Justificativa: como já discutido na justificativa da alternativa A, os impactos gerados pelo desmatamento não se restringem à área rural. Estes impactos também não são restritos às pessoas de certa faixa etária. É bom salientar que a presença da criança na ilustração faz parte apenas da elaboração metafórica criada para chamar à atenção sobre as consequências futuras do desmatamento. C) Alternativa correta. Justificativa: de fato, o desmatamento é um problema que tem gerado preocupações e fomentado discussões nos diversos setores da sociedade atual, em virtude da gravidade de suas drásticas consequências para o futuro, algumas das quais já listadas na justificativa da alternativa A: redução da biodiversidade, redução da captação de gás carbônico atmosférico e redução da oferta de recursos madeireiros. D) Alternativa incorreta. Justificativa: como já discutido anteriormente, o desmatamento é um problema socioambiental que preocupa pelos seus impactos já registrados atualmente, como também pelos seus efeitos futuros sobre a biodiversidade, aquecimento global e disponibilidade de recursos naturais para as gerações 68 Unidade III Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 vindouras. Esses impactos se acumulam ao longo do tempo, e, a persistir o ritmo atual de degradação, suas consequências serão ainda mais nocivas no futuro. E) Alternativa incorreta. Justificativa: os múltiplos impactos econômicos e ecológicos gerados pelo desmatamento são ameaças potenciais para o futuro da humanidade como um todo. Portanto, este é um problema que merece a atenção de todos os grupos humanos, independente de etnia ou nacionalidade, e não pode se restringir apenas às pessoas que têm filhos. Questão 2. (ENADE 2009) Leia o diagrama, que mostra ser o usufruto dos recursos naturais suporte para as atividadesde turismo praticadas na natureza: Usufruto Recurso Natural Incrementos de valores Programas de preservação ambiental Reintrodução de receitas Geração de Renda Processo Cíclico Atividade de turismo na natureza Lucros individualizados devem ser evitados (escape de dívidas) SaláriosInfraestruturas Figura 24 Com base na leitura, tendo em foco o planejamento ambiental, é correto afirmar que A) A reintrodução de parte da receita no processo administrativo desconsidera a importância da manutenção dos recursos naturais, mas valoriza o incremento de valores econômicos totais. B) O escape de divisas é uma variável imbricada no processo de planejamento representado no diagrama, ao se abordar a relação entre espaço e usufruto dos recursos naturais. C) O planejamento ambiental e o seu processo de gestão organizacional são aplicados para otimizar o desenvolvimento socioeconômico, gerar oportunidades de trabalho e mitigar possíveis impactos na natureza. 69 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 D) O planejamento ambiental minimiza a possibilidade de continuidade das atividades turísticas praticadas na natureza, quando parte dos lucros são reinvestidos. E) Os empreendimentos que usufruem de recursos naturais em suas atividades locais desconsideram a necessidade do incremento de valores no planejamento de programas direcionados ao ambiente. Resposta desta questão na plataforma. 70 Unidade IV Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 Unidade IV “Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a Humanidade deve escolher o seu futuro... Ou formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros, ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade da vida.” (Leonardo Boff) 7 EDUCAÇÃO AMBIENTAL A educação ambiental tornou-se lei em 27 de Abril de 1999. A Lei n° 9.795 (Lei da Educação Ambiental), em seu art. 2° diz: A educação ambiental é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não formal. Educação ambiental, propostas: • Formar agentes multiplicadores da educação socioambiental. • Envolver os segmentos organizados da sociedade. • Promover a organização social em torno da educação socioambiental. • Executar os processos de informação e formação destinados às crianças nas escolas e adultos nas suas atividades diárias. • Executar, no espaço socioambiental, as ações sugeridas pelos processos de informação e formação. • Construir as interfaces com ONGs, operadores econômicos e iniciativas tendentes a traduzir a educação socioambiental em geração de trabalho e renda, em comoditização, cooperativização e outras práticas de economia e mercado. Art. 1ª da Lei n° 9.795 de abril de 1999 Processo em que se busca despertar a preocupação individual e coletiva para a questão ambiental, garantindo o acesso à informação em linguagem adequada, contribuindo para o desenvolvimento de uma consciência crítica e estimulando o enfrentamento das questões ambientais e sociais. 71 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 7.1 As normas e legislação ambiental Várias são as leis e normas que tratam das questões ambientais, porém abordaremos apenas as mais significativas para este estudo. De acordo com a nova compreensão do direito, a Constituição Federal Brasileira de 1988, pela primeira vez, dedica um capítulo constituído de um artigo ao meio ambiente: Art. 225: Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo- se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. Além da previsão constitucional há, dentre outras leis, a Lei de Política Nacional do Meio Ambiente: Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981 (constituída por 21 artigos): Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências. O Presidente da República Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte lei: Art. 1º – Esta lei, com fundamento nos incisos VI e VII do art. 23 e no art. 235 da Constituição, estabelece a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, constitui o Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama) e institui o Cadastro de Defesa Ambiental. (Redação dada pela Lei nº 8.028, de 1990) Da política nacional do meio ambiente Art. 2º – A Política Nacional do Meio Ambiente tem por objetivo a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar, no País, condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana, atendidos os seguintes princípios: I – ação governamental na manutenção do equilíbrio ecológico, considerando o meio ambiente como um patrimônio público a ser necessariamente assegurado e protegido, tendo em vista o uso coletivo; II – racionalização do uso do solo, do subsolo, da água e do ar; 72 Unidade IV Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 III – planejamento e fiscalização do uso dos recursos ambientais; IV – proteção dos ecossistemas, com a preservação de áreas representativas; V – controle e zoneamento das atividades potencial ou efetivamente poluidoras; VI – incentivos ao estudo e à pesquisa de tecnologias orientadas para o uso racional e a proteção dos recursos ambientais; VII – acompanhamento do estado da qualidade ambiental; VIII – recuperação de áreas degradadas; (Regulamento) IX – proteção de áreas ameaçadas de degradação; X – educação ambiental a todos os níveis do ensino, inclusive a educação da comunidade, objetivando capacitá-la para participação ativa na defesa do meio ambiente. Art. 3º – Para os fins previstos nesta lei, entende-se por: I – meio ambiente, o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas; II – degradação da qualidade ambiental, a alteração adversa das características do meio ambiente; III – poluição, a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente: a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; c) afetem desfavoravelmente a biota; d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos; IV – poluidor, a pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, responsável, direta ou indiretamente, por atividade causadora de degradação ambiental; V – recursos ambientais: a atmosfera, as águas interiores, superficiais e subterrâneas,os estuários, o mar territorial, o solo, o subsolo, os elementos da biosfera, a fauna e a flora. (Redação dada pela Lei nº 7.804, de 1989) 73 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 Dos objetivos da política nacional do meio ambiente Art. 4º – A Política Nacional do Meio Ambiente visará: I – à compatibilização do desenvolvimento econômico social com a preservação da qualidade do meio ambiente e do equilíbrio ecológico; II – à definição de áreas prioritárias de ação governamental relativa à qualidade e ao equilíbrio ecológico, atendendo aos interesses da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios; III – ao estabelecimento de critérios e padrões da qualidade ambiental e de normas relativas ao uso e manejo de recursos ambientais; IV – ao desenvolvimento de pesquisas e de tecnologias nacionais orientadas para o uso racional de recursos ambientais; V – à difusão de tecnologias de manejo do meio ambiente, à divulgação de dados e informações ambientais e à formação de uma consciência pública sobre a necessidade de preservação da qualidade ambiental e do equilíbrio ecológico; VI – à preservação e restauração dos recursos ambientais com vistas à sua utilização racional e disponibilidade permanente, concorrendo para a manutenção do equilíbrio ecológico propício à vida; VII – à imposição, ao poluidor e ao predador, da obrigação de recuperar e/ou indenizar os danos causados, e ao usuário, de contribuição pela utilização de recursos ambientais com fins econômicos. Lei de Crimes Ambientais (Lei n° 9.605/98) A nova Lei de Crimes Ambientais é constituída por 82 artigos reunidos em VIII capítulos. Alguns artigos ainda estão sendo regulamentados. Para efeito desta publicação, foram considerados somente os itens cuja ocorrência tem sido repetitiva no Estado do Acre, segundo os órgãos de fiscalização e administração, bem como os artigos inovadores, entre eles: • o desmatamento não autorizado agora é crime, e o infrator está sujeito a pesadas multas; • a definição de responsabilidade da pessoa jurídica, inclusive a penal, permitindo também a responsabilização da pessoa física autora e coautora da infração; • a possibilidade de substituição de penas de prisão por penas alternativas, como a prestação de serviços à comunidade; • a punição é extinta mediante a apresentação de laudo que comprove a recuperação do dano ambiental; 74 Unidade IV Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 • constatada a prática de crime contra o meio ambiente, a aplicação da pena é imediata. Saiba mais Uma discussão sobre a revisão do Código Florestal no Brasil é encontrada na referência abaixo. Observe a discussão sobre a opinião dos ruralistas versus ambientalistas nesse artigo: ADÁRIO, P.; ASTRINI, M. Um jogo ainda truncado. O Estado de São Paulo. São Paulo, 30 jan. 2009. Disponível em: < http://www.estadao.com.br/ estadaodehoje/20090130/not_imp315340,0.php>. Acesso em: 16 mar. 2011. Lembrete A educação ambiental é de fundamental importância para a propagação do conceito de desenvolvimento sustentável e a aplicação prática do mesmo. Além da legislação em vigor aprovada para proteger o meio ambiente, outro importante fator que contribuiu no processo de desenvolvimento sustentável e proteção ambiental são as normas e certificados de sistemas de qualidade que foram utilizados em organizações. Alguns são apresentados a seguir. 7.2 A norma ISO 14000 A série ISO (International Organization for Standardization) é uma série de normas de padrão internacional para sistemas de qualidade. Trata-se de uma certificação almejada por todas as empresas que procuram oferecer qualidade em seus produtos e serviços. O que certifica uma empresa como uma instituição de qualidade é que se respeitem as normas que indicam requisitos mínimos de gestão, sobre os quais cada empresa escolhe o nível de qualidade em que deseja se situar. Portanto, além de normas e marcas específicas do setor em que atuam, as empresas podem, também, utilizar as normas e o certificado ISO para melhorar a qualidade de sua gestão e de seus serviços. (INTERNATIONAL STANDARTIZATION ORGANIZATION – ISO, 2002) Diante da necessidade de se estabelecerem normas acerca da questão ambiental e sua responsabilidade no âmbito empresarial, a International Organization for Standardization desenvolveu uma série de normas que objetivava padronizar os processos empresariais de retirada dos recursos naturais, bem 75 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 como da punição para aquelas empresas que, por ventura, viessem a causar algum tipo de desequilíbrio ambiental em decorrência de suas atividades. A ISO 14000 vem estabelecer quais são as diretrizes para a área da gestão ambiental, no interior das empresas, ou seja, quais são as responsabilidades ambientais que as mesmas precisam assumir para serem consideradas responsáveis socialmente pelo meio ambiente. Como a ISO 14000 determina o sistema de gestão ambiental de uma empresa, ela será perfeitamente capaz de: 1. avaliar quais as consequências que as atividades de determinada empresa podem trazer para o meio ambiente; 2. atender de forma eficaz à demanda gerada pela sociedade, ou seja, aquilo de que realmente a sociedade necessita; 3. ser aplicada a toda e qualquer atividade que possa implicar diretamente o meio ambiente; 4. reduzir os custos das empresas em relação aos gastos com prevenção de riscos ambientais; 5. ser aplicada na organização como um todo. 7.3 ISO 14001 A ISO 14001 é uma norma de sistema que reforça o enfoque no aprimoramento da conservação ambiental pelo uso de um único sistema de gerenciamento, permeando todas as funções da organização, não estabelecendo padrões de desempenho ambientais absolutos, os princípios enunciados possibilitam o estabelecimento de uma visão integrada da gestão ambiental em uma organização. Embora seus enunciados apresentem um caráter amplo, eles possibilitam o embasamento de linhas de ação integradas, as quais levam à operacionalização de um Sistema de Gestão Ambiental (SEIFFERT, 2005, p. 32). A norma ISO 14001 não exige que todos os padrões e normas sejam executados rigorosamente. Contudo, as organizações devem manter o foco no gerenciamento ambiental buscando sempre atender aos requisitos básicos para se manter na norma. A seguir, é apresentado um diagrama de sistema de gestão ambiental. 76 Unidade IV Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 Melhoria contínua Revisão Geral pela Alta Administração Política Ambiental Verificação e ações corretivas Implementação e operação Planejamento Ambiental Revisão inicial • Manutenção e medição • Não-conformidades, ações corretivas e preventivas • Registros • Auditorias • estrutura e responsabilidade • Treinamento, conscientização e competência • Comunicação • Documentação • Controle operacional • Preparaçãopara uma emergência • Aspectos ambientais • Requisitos legais • Objetivos e metas • Programa de geranciamento ambiental Figura 25 - Diagrama de sistema de gestão ambiental Atualmente, as empresas certificadas pela ISO 14001 agregam valores a seus produtos ou serviços. Dessa forma, elas se tornam mais competitivas no mercado além de contribuir para a preservação do meio ambiente, promovendo o desenvolvimento sustentável com a melhoria continua da gestão ambiental. Uma pesquisa foi realizada pela Price-Waterhouse com 500 grandes empresas já certificadas pela ISO 9000. Como resultado sobre o interesse pela certificação ambiental ISO 14000 obteve-se: • 43,1% das empresas responderam que pretendem obter a certificação ISO 14001; • 45,1% das empresas responderam que o assunto estava em estudo; • 11,8% das empresas (somente) responderam que não se interessavam pelo assunto. Outra pesquisa foi realizada pelo Sebrae nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, porém em 300 empresas de médio e pequeno porte, constataram-se dados contraditórios em relação às grandes empresas: • 70% das empresas não controlam emissões para a atmosfera; • 67% das empresas não têm tratamento de efluentes; • 54% não fazem inventário de geração e destinação de resíduos; • 76% das empresas não se preocupam com treinamento; • 59% das empresas não possuem um responsável por questões ambientais. 77 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 Essa pesquisa reflete a realidade brasileira, de empresas com recursos limitados, que veem a gestão ambiental como algo caro e não atingível a médio e curto prazo. O que se conclui é que é necessário ter criatividade, pois é possível ganhar dinheiro e proteger o meio ambiente mesmo não estando no mercado verde. Pequenas transformações internas podem beneficiar o meio ambiente e se tornarem uma oportunidade de negócio. Um exemplo típico é a reciclagem de materiais que traz grande economia para as empresas, reuso de água, venda de desenvolvimento de novos processos produtivos, além da preocupação com o novo perfil do consumidor que é consciente da questão ecológica. A reciclagem de materiais tornou-se uma atividade e oportunidade econômica para diversas organizações. Surgiram também instituições que reciclam materiais antes sem destino certo após o uso, como equipamentos de informática. Esses centros, como o CEDIR (Centro de Descarte e Reúso de Resíduos de Informática) reciclam materiais eletrônicos. Maiores informações podem ser encontradas em <http://www.cce.usp.br/?q=node/266>. 7.4 A norma SA 8000: o modelo ISO 9000 aplicado à responsabilidade social A SA 8000 foi criada com base nas normas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), na Declaração Universal dos Direitos Humanos e na Declaração Universal dos Direitos da Criança da ONU. Uma das vantagens dessa norma é que ela segue o modelo das normas ISO 9000 e ISO 14000 facilitando sua implementação por empresas que já possuem e conhecem o sistema. O principal objetivo da norma SA 8000 é suprir a necessidade de consumidores mais informados e esclarecidos e que se preocupam como os produtos são fabricados e não somente com a qualidade dos mesmos. Como se trata de uma norma internacional, a mesma oferece a vantagem de padronização dos termos além da consistência em processos tais como auditorias etc. Durante o processo de implementação da norma SA 8000, as organizações devem comprovar que atendem aos requisitos da norma e são submetidas a auditorias por técnicos especializados, normalmente de renomadas entidades independentes. O certificado SA 8000 é concedido apenas para as organizações que cumprem totalmente os requisitos da norma. Entre os requisitos de responsabilidade social da norma, temos os seguintes aspectos: • trabalho infantil – a empresa não deve se envolver com ou apoiar a utilização de trabalho infantil; • trabalho forçado – a empresa não deve se envolver com ou apoiar a utilização de trabalho forçado, nem se deve solicitar dos funcionários fazer “depósitos” ou deixar documentos de identidade quando iniciarem o trabalho com a empresa; 78 Unidade IV Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 • segurança e saúde no trabalho – a empresa deve proporcionar um ambiente de trabalho seguro e saudável e deve tomar as medidas adequadas para prevenir acidentes e danos à saúde; • liberdade de associação e direitos coletivos – a empresa deve respeitar o direito de todos os funcionários de formarem e associarem-se a sindicatos de trabalhadores de sua escolha e de negociarem coletivamente; • discriminação (sexual, raça, política, nacionalidade etc.) – a empresa não deve se envolver ou apoiar a discriminação na contratação, remuneração, acesso a treinamento, promoção, encerramento de contrato ou aposentadoria, com base em raça, classe social, nacionalidade, religião, deficiência, sexo, orientação sexual, associação a sindicato ou afiliação política, ou idade; • práticas disciplinares – a empresa não deve se envolver com ou apoiar a utilização de punição corporal, mental ou coerção física e abuso verbal; • remuneração – a empresa deve assegurar que os salários pagos por uma semana padrão de trabalho satisfaçam pelo menos os padrões mínimos da indústria e devem ser suficientes para atender às necessidades básicas dos funcionários e proporcionar alguma renda extra; • carga horária de trabalho – a empresa deve cumprir as leis aplicáveis e com os padrões da indústria sobre horário de trabalho. As empresas que implantam a SA 8000 demonstram que estão preocupadas com a responsabilidade social em relação aos seus empregados também, seguindo o princípio de praticar dentro de casa o que se quer mostrar para o público de fora da organização, mostrando seriedade. É crescente a preocupação das organizações em demonstrar o seu compromisso social, prova disso é o chamado marketing social que mostra os projetos que a empresa financia ou a qualidade de vida melhorada proporcionada por ela, seja dentro da organização ou na comunidade que a circunda. Entretanto, antes de fazer isso, essas empresas devem realizar uma auditoria nos requisitos da SA 8000 para verificar se realmente aplicam esses princípios em relação a seus empregados. A norma especifica requisitos de responsabilidade social para possibilitar a uma empresa: a) desenvolver, manter e executar políticas e procedimentos com o objetivo de gerenciar aqueles temas os quais ela possa controlar ou influenciar; b) demonstrar para as partes interessadas que as políticas, procedimentos e práticas estão em conformidade com os requisitos dessa norma. Esses requisitos devem se aplicar universalmente em relação à localização geográfica, setor da indústria e tamanho da empresa. 7.5 As políticas ambientais públicas no Brasil Podemos afirmar que na década de 30 o poder público brasileiro começou a se preocupar com questões relacionadas ao meio ambiente. Muitas versões são apontadas para explicar esse tardio envolvimento com um 79 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 assunto tão delicado, porém a que melhor justifica o fato é a que afirma que a abundância de recursos naturais,como água e solo fértil, era tão grande que não se tinha uma noção do quanto já tinha sido explorado. Aliado a isso, tínhamos contra nós, ainda, a exorbitante extensão territorial que dificulta o acesso às áreas já exploradas, bem como os precários instrumentos tecnológicos. Em 1934, foram promulgados importantes documentos referentes à gestão de recursos naturais, são eles: • Código de Caça: dispõe principalmente acerca da proteção à fauna brasileira; • Código Florestal: instituiu as florestas brasileiras como sendo bens de interesse comum a todos os habitantes do país; • Código de Minas: regulamenta todas as atividades de extração de minerais no Brasil; • Código de Águas: regulamenta o uso da água, bem como todo o seu aproveitamento como energia hídrica. Além de leis de regulamentação do uso de recursos naturais, departamentos nacionais como os de Energia Elétrica e de Recursos Naturais (considerado como o mais importante em termos de políticas públicas para o meio ambiente) foram criados nesse mesmo período. Mas, se por um lado o poder público começava a se sensibilizar com as causas ambientais, por outro lado a poluição dos rios e do ar ainda era considerada, pelo próprio governo brasileiro, como sendo produtos naturais e inevitáveis de um país em desenvolvimento, banalizando, assim, toda a problemática já instalada. Esse foi o pensamento até os problemas ambientais se tornarem amplos ao ponto de tomarem dimensões planetárias. Somente em 1980, o Brasil passa a perceber que os problemas ambientais são interdependentes, e, dessa forma, demandam políticas de solução. Ações isoladas já não eram vistas como eficazes e a legislação federal passa a contemplar problemas específicos como degradação do solo, preservação de reservas ecológicas e disposição de resíduos sólidos. A seguir, apresentamos alguns exemplos de legislação ambiental específica: • Lei nº 6.803/1980 sobre diretrizes básicas para o zoneamento industrial nas áreas críticas de poluição; • Lei nº 6.766/1981 que cria as estações ecológicas; • Lei nº 6.902 de 02/07/1981 dispõe sobre a criação de reservas ecológicas e áreas de proteção ambiental. Em 31 de agosto de 1981, a Lei n° 6.938 estabeleceu a nova Política Nacional do Meio Ambiente, cujas mudanças principais dizem respeito à interação das ações públicas governamentais através de 80 Unidade IV Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 uma abordagem sistêmica. É a primeira lei brasileira que menciona a necessidade de uma qualidade ambiental propícia à vida e ao desenvolvimento socioeconômico. Nesse mesmo ano, é criado o Sistema Nacional do Meio Ambiente, que considera o meio ambiente como patrimônio público, cuja proteção deve ser prioritária em vista do uso da coletividade. 7.6 A Constituição Federal de 1988 Essa Constituição representou um imenso avanço em relação às questões ambientais. Ela considerou a conservação do meio ambiente princípio indispensável que deve ser observado em qualquer atividade econômica. Outra novidade apresentada na CF de 1988 foi a incorporação do conceito de desenvolvimento sustentável. Outras importantes novidades apresentadas são: • o estabelecimento do respeito ao meio ambiente; • o estabelecimento de um aproveitamento racional dos recursos naturais; • a inclusão de sítios arqueológicos como elementos do patrimônio cultural. Frise-se que a Constituição Federal de 1988 dedica um capítulo exclusivamente às questões relacionadas ao meio ambiente, o que confirma a importância do assunto. 8 A ECONOMIA E O MEIO AMBIENTE De alguma forma, a economia e o meio ambiente se entrelaçam tornando-se essenciais à sobrevivência da humanidade. As preocupações com o meio ambiente na atualidade exigem do cidadão maior conscientização e mudança de postura. Nesse novo cenário econômico, a postura dos clientes é caracterizada por uma rigidez e uma expectativa de interagir com empresas que tenham ética, boa imagem institucional no mercado e que sejam ecologicamente responsáveis, preocupadas com a preservação do meio ambiente. Devido à globalização da economia e à abertura dos mercados internacionais, o meio ambiente se torna uma preocupação mundial assim como a busca pelo equilíbrio entre homem e natureza, conciliar o progresso com o respeito ao meio ambiente. “O desafio da economia é alocar recursos escassos de maneira a obter o maior beneficio social a partir desses recursos” (MAY; LUTOSA; VINHA, 2000). Com o surgimento das indústrias e da urbanização, ocorreu um aumento nos níveis de poluição ambiental se comparados com os níveis anteriores à era da industrialização, e os danos causados ao equilíbrio do meio ambiente deixaram de ser controláveis. Os problemas só se agravaram, com o êxodo rural (migração de pessoas do campo para a cidade) e com a falta de consciência e informação sobre o futuro das próximas gerações e, num primeiro momento, não havia soluções para amenizar o impacto da poluição causada pelo processo de industrialização. 81 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 As cidades crescem a cada dia, assim como a população, o número de veículos e do uso de recursos naturais acarretam uma degradação do meio ambiente de forma alarmante. Entre os problemas, como já citados em capítulos anteriores, estão a poluição de rios e mares, animais ameaçados de extinção ou extintos, aumento da radiação solar, degradação e perda da qualidade do solo, piora da qualidade de vida e da saúde das pessoas etc. Do ponto de vista econômico, percebe-se que a melhor forma de aperfeiçoar uma economia de mercado é através da competição. Ela proporciona a chance de se achar o que há de melhor no mercado, sendo mão de obra especializada, matéria-prima, tecnologia etc. Percebe-se que a competição de desenvolvimento não ocorre somente entre empresas, mas também entre países e cidades. Um dos atrativos que são oferecidos para promover o desenvolvimento de determinada área é a facilidade de financiamento e incentivos fiscais. Entretanto, é fundamental dinamizar com serviços de planejamento, verbas para pesquisas e convênios com universidades aumentando a chance de sucesso e desenvolvimento da empresa e da economia mundial como um todo. É de fundamental importância que se proteja o capital natural existente, que tem diminuído a cada dia, principalmente para que a economia continue crescendo. Para isso, deve-se aumentar a eficiência no uso dos recursos naturais, visto que a capacidade humana em recriá-los é limitada e os investimentos na mesma não são expressivos. Sob a ótica da sustentabilidade, o mundo ampliou sua análise. Como os recursos naturais estão se esgotando, essa análise é de fundamental importância. Para que uma organização com gestão sustentável seja capaz de prosperar, crescer, lucrar e, ao mesmo tempo, fechar ciclos produtivos de maneira hábil, deverá seguir fielmente os princípios da sustentabilidade econômica, segundo uma definição mais abrangente e ambiciosa, garantindo o mínimo impacto ambiental possível em praticamente todas as etapas de seu processo produtivo: desde a concepção do produto à sua fabricação, e até mesmo no modo como ele será descartado pelo consumidor. As empresas identificam as oportunidades de negócios com base nas preferências e aumento da conscientização dos consumidores, em adição às leis de preservação ambiental que se tornaram mais exigentes. Sendo assim, as empresasbuscam melhorar através da implantação de sistemas de melhoria contínua como os de qualidade total ou gestão da qualidade (certificações ISO 9000 etc.) para multiplicar seus resultados e se preparar para a competitividade no mercado atual. A gestão ambiental mostra sua importância, pois somente a preocupação voltada para a qualidade dos produtos e serviços não está sendo suficiente para manter-se competitivo, é preciso também atenção ao que a empresa está desenvolvendo para com o meio ambiente. 8.1 Responsabilidade social e a sustentabilidade A degradação do meio ambiente é ocasionada pelo processo de desenvolvimento tecnológico e pelas necessidades humanas inerentes e impostas pelo homem no seu desenvolvimento. Embora os recursos 82 Unidade IV Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 naturais e ambientais existam nos países de forma geral e sejam capazes de aumentar o padrão de vida de sua população, o oposto também ocorre. A partir daí, surge a necessidade de sobrevivência das empresas pela adoção de tecnologias ou produtos de menor impacto ambiental, surgindo um novo mercado competitivo. A palavra-chave que surgiu desde então é o marketing ecológico, que se tornou um compromisso e uma obrigação das empresas que se julgam modernas e competitivas, aumentando os lucros de seus negócios e, ao mesmo, tempo alcançando o desenvolvimento sustentável. Um dos fatores de maior sucesso na década de 1990 foi a preservação do meio ambiente, que teve grande penetração de mercado. Surgem conflitos na utilização dos recursos naturais e industriais. A partir da Revolução Industrial, do desenvolvimento de novas tecnologias, associado ao processo de um mercado mundial de grande consumo, surgiram algumas consequências indesejáveis em relação à viabilização e a renovabilidade destes recursos. A preservação ambiental tornou-se uma prioridade no planejamento nacional como fator estratégico por meio de relações sociais. Sendo assim, as sociedades desenvolvem pesquisas e ações no sentido de melhorar e garantir a qualidade de vida da sociedade no futuro. Há que destacar que a preservação do meio ambiente torna-se uma prioridade a ser considerada no planejamento nacional como fator estratégico. O ideal é que a sociedade utilize recursos renováveis de maneira qualitativamente adequada, buscando soluções políticas e economicamente viáveis, respeitando a capacidade de renovação, melhorando a qualidade de vida da população. A sustentabilidade ambiental trata das condições sistêmicas em cujos ciclos naturais, num contexto global, as atividades humanas não devem interferir, tendo como base tudo o que a resiliência do planeta permite e, ao mesmo tempo, não devem empobrecer seu capital natural, que será transmitido às gerações futuras. O desenvolvimento sustentável não se refere somente ao meio ambiente, mas também ao fortalecimento de parcerias duráveis, aumentando a credibilidade da empresa ou instituição em relação à sociedade e seus colaboradores, conciliando as dimensões econômicas, sociais e espaciais. O desenvolvimento sustentável obedece ao duplo imperativo ético da solidariedade com as gerações presentes e futuras, e exige a explicitação de critérios de sustentabilidade social e ambiental e de viabilidade econômica (SACHS, 2002). Dessa forma, percebe-se a importância da integração dos fatores éticos e de solidariedade para diminuir impactos sociais e ambientais melhorando as condições de vida e de crescimento do país. Atualmente, é notável que a responsabilidade social é diretamente relacionada à economia e aos negócios. Com o aumento da competitividade, ocorre um aumento da 83 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 demanda, e a responsabilidade social também é relacionada aos negócios, mostrando maior transparência. Nesse novo contexto, as empresas sentem a obrigação de adquirir e incentivar uma postura mais responsável em suas ações. Dessa forma, ocorre a incorporação de estratégias vinculadas à responsabilidade social como forma de conduzir os negócios da empresa tornando-a parceira e corresponsável pelo desenvolvimento social. Sendo assim, a responsabilidade empresarial passa a possuir não somente características ambientais, mas também, características sociais, indo de encontro às expectativas da sociedade. Essa participação dentro do processo de educação ambiental não deve ocorrer somente por parte de alguns grupos sociais, mas sim desde a infância, deve envolver inclusive setores governamentais, comunidades e países. É fundamental que essa educação esteja acima de questões raciais, religiosas ou de classes sociais. Com essa postura, será possível a conservação da biodiversidade do planeta. A figura a seguir apresenta como os fatores tem impacto uns nos outros. Ela traça uma trajetória entre o desenvolvimento sustentável e os seus fatores que conduzem a qualidade de vida como produto final: Desenvolvimento sustentável. Melhor aproveitamento dos recursos naturais. População educada ambientalmente. Solidariedade humana. Controle social dos recursos. Controle da erosão e de inundações. Diminuição do lixo. Restauração do ar, solo e água. Conservação da camada de ozônio. Diminuição do efeito estufa. Clima estável. Diminuição de enfermidades e mortes. Recuparação das florestas e reciclagem. Maior quantidade e melhor qualidade de matérias-primas. Menor desperdício. Respeito pelo meio ambiente. Menor desigualdade social. Criação de postos de trabalho. Diminuição de guerras e conflitos. Conservação de florestas e outros ecossistemas. Conservação das diversas espécies animais e vegetais. Fertilidade do solo. Aumento da produção de alimentos. Qualidade de vida Aumento da biodiversidade. Eficiência econômica e ecológica. Sustentabilidade. Justiça social. Preservação da vida na Terra. Menos agrotóxicos, menos resíduos tóxicos. Diminuição das queimadas. Recursos para educação, atendimento médico e sanitário, pesquisa e planejamento. Conservação dos ecossistemas. Diminuição de favelasrurais e urbanas. População bem orientada. Ambiente econômico, social e cultural que apoia a vida. Figura 26 – Visão sistêmica do desenvolvimento sustentável 84 Unidade IV Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 8.2 Desenvolvimento sustentável x recursos naturais De acordo com a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD) da Organização das Nações Unidas, desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades presentes sem comprometer a possibilidade de que as gerações futuras satisfaçam às suas próprias necessidades. A ideia deriva do conceito de eco-desenvolvimento, proposto nos anos 1970 por Maurice Strong e Ignacy Sachs, durante a Primeira Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Estocolmo, 1972), a qual deu origem ao Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – PNUMA (SENADO FEDERAL, 1996, 2001). A CMMAD, presidida pela Primeira-Ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland, em 1987, adotou o conceito de desenvolvimento sustentável em seu relatório Our CommonFuture (Nosso futuro comum), também conhecido como Relatório Brundtland. Durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Cúpula da Terra de 1992, o conceito foi definitivamente incorporado como um princípio. O Desenvolvimento Sustentável busca o equilíbrio entre proteção ambiental e desenvolvimento econômico e serviu como base para a formulação da Agenda 21, com a qual mais de 170 países se comprometeram, por ocasião da Conferência Eco-92, no Rio de Janeiro. Trata-se de um abrangente conjunto de metas para a criação de um mundo equilibrado. Por sua vez, a Declaração de Política de 2002 da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada em Johanesburgo, afirma que: O Desenvolvimento Sustentável é construído sobre “três pilares interdependentes mas que se sustentam: • desenvolvimento econômico, • desenvolvimento social e • proteção ambiental. Podemos assim reconhecer a complexidade desse paradigma e a interligação de questões críticas como desperdício, degradação ambiental, decadência urbana, crescimento populacional, igualdade de gêneros, pobreza, saúde, conflito e violência aos direitos humanos. Em suma, o desenvolvimento sustentável possui três bases: - desenvolvimento econômico, desenvolvimento social e preservação ambiental. 85 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 Vale ressaltar que recursos naturais são elementos da natureza com utilidade para o homem, com o objetivo do desenvolvimento da civilização, sobrevivência e conforto da sociedade em geral. Podem ser renováveis, como a água, a energia do Sol e do vento, a flora e a fauna que não estão em extinção, como os peixes e as florestas, ou ainda não renováveis, como o petróleo e minérios em geral. Recursos naturais não renováveis: são aqueles que não são repostos pela natureza rapidamente. Exemplos: ouro, ferro, pedras preciosas, carvão, petróleo, alumínio etc. No plano mundial, predomina o consumo de petróleo, seus derivados e carvão; o consumo de fontes renováveis como eólica (ventos), biomassa (bagaços de cana-de-açúcar ou cascas de milho), solar e outras ainda ocupa escalas inferiores, e será responsabilidade de todas as nações mudar esse esquema, para que haja um avanço na recuperação dos ecossistemas e seja assegurado melhor futuro às próximas gerações. No Brasil, quanto aos níveis de utilização de recursos energéticos, predomina o petróleo, energia seguido da biomassa, hidráulica, gás natural, carvão mineral e urânio, segundo o Ministério de Minas e Energia do Brasil. Petróleo e derivados 38,4% Gás natural 9,3% Carvão mineral 6,4%Urânio 1,2% Hidáulica e eletricidade 15,0% Biomassa 29,7% Figura 27 - Níveis de utilização de recursos energéticos no Brasil Observa-se, na figura anterior, que, no Brasil, até 2005, ainda as fontes mais poluentes estavam na ordem de 55,3% do total das fontes utilizadas para geração de energia, e os recursos renováveis ocupam 44,7% das fontes. Será importante para o País acrescentar as porcentagens de utilização dos recursos renováveis para a diminuição da poluição, gerando energia de fontes sustentáveis. Na geração de energia elétrica, a fonte eólica atualmente é a renovável mais promissora no plano mundial e está ocupando cada vez maiores índices de utilização. O Brasil precisa acompanhar a tendência mundial para reverter esses valores de utilização de fontes. Segundo estudos realizados pelo United Nations Solar Energy Group for Environment and Development (Unseged) as formas de exploração de energias renováveis terão maior crescimento na produção de eletricidade, sendo a previsão de produção de energia global o dobro em 2025 e o triplo em 2050, tudo com relação a 1985. O petróleo, como um dos recursos mais explorados atualmente, encontrava-se em forma natural em algumas regiões terrestres do Oriente Médio havia muitos anos. Civilizações como os sírios e babilônios, há 6000 anos, já o utilizavam para pregar pedras e tijolos. Desde que se perfurou o primeiro poço de petróleo no 86 Unidade IV Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 mundo, no ano de 1859, por Edwin Drake, na Pensilvânia, para sua exploração de forma comercial (PANGTAY, 1998), o petróleo e seus derivados foram os combustíveis predominantes para a geração de energia quando, no final do século XX, se iniciou a instalação dos primeiros geradores e redes de transmissão de eletricidade. Assim, também foi utilizado para outras finalidades, como o uso de motores para fábricas, meios de transporte e outras máquinas que requeriam forças mecânicas acionadas pela combustão desse recurso. Nessa época, pela grande abundância do petróleo, este parecia inesgotável, mas essa fonte de energia não renovável está esgotando-se e o primeiro alerta foi na chamada primeira crise do petróleo, de 1973, momento no qual o acréscimo do preço deste combustível propiciou a retomada de investimentos de fontes de energia renováveis (CARVALHO,2003). Assim, também, é a utilização de elementos radioativos que, mediante processos de fissão nuclear, criam substâncias nocivas não expostas na atmosfera deliberadamente, mas que representam grandes riscos de acidentes de considerável envergadura, como os acontecidos em Fukushima, em 2011 no Japão, devido a falta de água e luz depois de um terremoto, ou em Chernobyl, no ano de 1986, na antiga União Soviética, e em Three Mile Island, em 1979 nos Estados Unidos. Esses acidentes foram um desastre humano e ambiental. Existem outras fontes renováveis, em geral consideradas fontes novas, e que são menos contaminadoras do que os combustíveis fósseis, que liberam grandes quantidades de elementos biológica e geofisicamente significativos, como o carbono, nitrogênio e enxofre, adicionando-se a outros cinco milhões de compostos químicos expostos no ambiente e setenta mil compostos orgânicos sintéticos ao ano gerados na produção comercial (HOLANDA et al, 2002). Considerando tudo isto, é necessário fazer uma análise dos riscos para ponderar a existência de fontes de recursos renováveis que, ao serem exploradas pelo homem e transformadas em energias, sejam inofensivas ao meio ambiente ou que pelo menos impactem insignificativamente. Esses recursos renováveis são utilizados pelo homem há muitos séculos. Bons exemplos são os ventos, que geram energia eólica utilizada nas embarcações à vela ou nos moinhos verticais para bombear água ou moer grãos de milho. Um dos problemas principais é que, assim como o vento, todos os recursos renováveis são muito diluídos, porque possuem uma baixa densidade energética, sendo necessárias grandes superfícies coletoras, bem como o emprego de importantes quantidades de terreno para sua instalação e materiais específicos para a fabricação dos equipamentos. Assim, uma intervenção suficientemente grande para o aproveitamento artificial poderá trazer efeitos adversos na evolução natural do ambiente. Como mencionado anteriormente, para o aproveitamento das fontes naturais renováveis ao serem transformadas em energia, é necessário um conjunto de condições que devem ser levadas em consideração para, assim, não gerar impactos negativos ao meio ambiente. A água é um dos recursos mais sujeitos à escassez nas próximas décadas (apesar de ser um recurso renovável) por conta das muitas atividades do ser humano. Por causa da poluição, este recurso está se esgotando no mundo. Particularmente, é o caso do Ceará ede todo o sertão nordestino do Brasil, que sofre pela escassez, afetando a agricultura, geração de energia e consumo da água potável. A seca é uma tragédia anunciada: sabe-se que deve ocorrer, sem se saber ao certo quando, onde e com que intensidade virá. As grandes centrais hidrelétricas e térmicas são grandes consumidoras desse recurso, sem o qual a geração de energia deixa de existir, o que não acontece na geração eólica e fotovoltaica, já que, para o caso das centrais fotovoltaicas (células de energia solar), o consumo de água é vinte vezes menor do que o das centrais térmicas convencionais, que 87 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 corresponde à água utilizada na lavagem dos módulos para que a transmissão da coberta protetora seja maior; as centrais eólicas não precisam de água (MORAGUES, 1992). Saiba mais Não deixe de ler a reportagem publicada no jornal O Estado de S. Paulo que discute meios e formas que indústrias encontraram para re aproveitar insumos, etc.: VIALLI, A; FRASÃO, L. Indústria reduz custos com reúso. O Estado de São Paulo. 21 Mar. 2009. Disponível em: <http://www.nossasaopaulo.org. br/portal/node/9569> Acesso em: 13 mar. 2011. Outra importante leitura sobre como a sustentabilidade está em pauta pode ser encontrado no link abaixo que trata da lei que exclui as sacolinhas de supermercado: BARBOSA. V. O que diz a nova lei da sacola plástica. Exame. Mai. 2001. Disponível em: <http://geoamb.wordpress.com/2011/05/20/o-que-diz-a- nova-lei-da-sacola-plastica/>. Acesso em: 31 mai. 2011. Enfim, a preocupação com o uso dos recursos naturais e com o respeito ao meio ambiente é um dos principais pontos do desenvolvimento sustentado. Saiba mais Abaixo está a referência de um artigo que compara consumo e meio ambiente é apresentado. Após a leitura reflita: qual é o limite para se parar o processo de crescimento econômico para não comprometer o meio ambiente? VIALLI, A. Consumo x ambiente. O Estado de São Paulo. 14 mai. 2009. Disponível em: <http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/node/9569> Acesso em: 13 mar. 2011. De quem é a culpa? Hoje a maioria dos problemas instalados no meio ambiente decorre do uso indevido dos recursos naturais disponíveis na natureza. Muito antes de a palavra globalização adquirir a força que tem hoje, já se falava numa globalização de problemas, como o buraco na camada de ozônio ou o aquecimento global. 88 Unidade IV Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 Três grandes desafios do desenvolvimento sustentável 1. Garantir a disponibilidade de recursos naturais Recursos População Poluição Alimento 1800 2000 2100 Produção industrial Figura 28 - Limites do crescimento 2. Não ultrapassar os limites da Biosfera para assimilar resíduos e poluição Concentração de CO na atmosfera nos últimos 1.200 anos 380 360 340 320 300 280 260 Co nc en tr aç ão d e CO 2 (P PM V) 800 1000 1200 1400 1600 1800 2000 Anos | | | | | | | | | | | Fonte de dados: Até 1958: medidas tomadas em bolhas de ar aprisionadas em núcleos de gelo na Antártida Após 1958: medidas diretas realizadas na atmosfera pelos laboratórios Mauna Loa e Haway Figura 29 - Concentração de CO na atmosfera. 89 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 3. Reduzir a pobreza no mundo “Muito antes de esgotarmos os limites físicos do nosso planeta ocorrerão graves convulsões sociais provocadas pelo grande desnível existente entre a renda dos países ricos e dos países pobres.”1 Resumo Ao final desta unidade, o aluno deverá ser capaz de: • entender as normas e legislação ambiental vigentes; • entender a importância da educação ambiental; • explicar o balanço entre recursos naturais x desenvolvimento sustentável; • apontar os principais desafios para o desenvolvimento sustentável; • explanar sobre a economia e o meio ambiente, bem como sobre a responsabilidade social e o desenvolvimento sustentável. Chegamos ao final deste curso e espera-se que o aluno seja capaz de responder agora as questões propostas na Introdução deste livro-texto. O que aconteceria se utilizássemos todo o petróleo disponível no planeta? Qual seria o impacto dessa atitude? E a grande questão: Como podemos fazer para evitar que isso aconteça? Nesse ponto, o aluno será capaz de desenvolver conhecimento sólido para responder essas e outras questões relacionadas ao desenvolvimento sustentável. Exercícios Questão 1. (ENADE 2005, com modificações) A globalização dos negócios, a internacionalização dos padrões de qualidade ambiental, a conscientização crescente dos atuais consumidores e a disseminação da educação ambiental nas escolas permitem antever que a exigência futura em relação à preservação do meio ambiente deverá intensificar-se. A evolução do processo de conscientização acerca do problema ambiental seguiu o percurso apresentado no quadro abaixo. Quadro 2 Evolução do processo de conscientização ambiental I - Políticas end-of-pipe. II - O tema das tecnologias limpas. III - O tema dos produtos limpos. IV - O tema do consumo limpo. 90 Unidade IV Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 Obs: As políticas end-of-pipe ou de “fim-de-tubo” são baseadas nas tecnologias de mesmo nome, desenvolvidas para o tratamento e controle de resíduos ao final de um processo produtivo. Considere as seguintes ações relacionadas à preservação do meio ambiente: 1 – interferência nos processos produtivos que geram poluição; 2 – tratamento da poluição; 3 – redesenho dos produtos; 4 – reorientação para novos comportamentos sociais; 5 – neutralização dos efeitos ambientais negativos gerados pelas atividades produtivas; 6 – tratamento e/ou reutilização de subprodutos gerados nas atividades produtivas; 7 – procura consciente por produtos e serviços que motivem a existência de processos discutidos pela ótica da conscientização ambiental; 8 – desenvolvimento de produtos sustentáveis. Correlacionando as fases da evolução do processo de conscientização ambiental I, II, III e IV com as ações listadas, tem-se: A) I-1-6; II-4-5; III-3-7; IV-2-8. B) I-2-5; II-1-6; III-3-8; IV-4-7. C) I-2-7; II-3-5; III-1-6; IV-4-8. D) I-3-7; II-2-8; III-4-5; IV-1-6. E) I-4-8; II-2-6; III-1-7; IV-3-5. Resposta correta: alternativa B Análise das alternativas: Análise das correlações entre os processos de conscientização e as ações que visam à proteção do meio ambiente: Fase I – Políticas end-of-pipe: dizem respeito ao desenvolvimento de técnicas de tratamento e controle de resíduos eliminados ao final de processos produtivos, tais como emissões atmosféricas, 91 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gram aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 efluentes líquidos e resíduos sólidos. Para tanto, diversas empresas incorporaram novos equipamentos e instalações nos pontos de descarga dos poluentes, visando reduzir as emissões consideradas nocivas ao meio ambiente. Sendo assim, das ações listadas, as mais condizentes com as tecnologias end-of-pipe são aquelas correspondentes aos números 2 (tratamento da poluição) e 5 (neutralização dos efeitos ambientais negativos gerados pelas atividades produtivas). Fase II – Tecnologias limpas: são aquelas que visam implementar atividades produtivas com mínima eliminação de poluentes, e que, portanto, reduzem a necessidade da adoção das tecnologias end-of-pipe. Dentre as ações descritas, aquelas que melhor se enquadram no contexto dessas tecnologias são aquelas identificadas pelos números 1 (interferência nos processo produtivos que geram poluição) e 6 (tratamento e/ou reutilização de subprodutos gerados nas atividades produtivas). Fase III – Produtos limpos: são aqueles delineados desde o início para que seus processos produtivos não resultem em impactos ambientais, seja na obtenção de matéria-prima ou nas etapas de processamento que levam ao produto final. As ações 3 (redesenho de produtos) e 8 (desenvolvimento de produtos sustentáveis) almejam a obtenção de produtos limpos. Fase IV – Consumo limpo: caracterizado pela seletividade, por parte dos consumidores, na aquisição de produtos sustentáveis e cuja produção não gere impactos ambientais. A adoção generalizada dessa ação pró-ambiental deve ser fomentada pelo incentivo da educação ambiental nos mais diversos setores sociais. Essa ação parte do pressuposto de que o impacto gerado pelos processos produtivos é inversamente proporcional à conscientização ecológica da população. Neste caso, as ações 4 (reorientação para novos comportamentos sociais) e 7 (procura consciente por produtos e serviços que motivem a existência de processos discutidos pela ótica da conscientização ambiental) são aquelas que melhor traduzem esta etapa do processo de conscientização ambiental. Questão 2. (ENADE 2010) Considere que em uma empresa de médio porte de processamento de palmitos, a preocupação com o meio ambiente já estava ocorrendo desde a sua fundação, em 2002, visto que toda a matéria-prima utilizada é de plantações específicas para esse fim. Recentemente, um dos sócios da empresa entrou em contato com uma empresa de certificação para buscar a Certificação ISO 14001. Em relação à situação hipotética apresentada, avalie as afirmativas a seguir. I – Se certificada pela ISO 14001, a empresa será dispensada da fiscalização pela Secretaria do Meio Ambiente. II – A adoção da norma pela empresa é voluntária, mas na implementação pode causar impacto positivo no mercado e na sociedade. III – A certificação ISO 14001 é uma garantia de que os produtos fabricados pela empresa não causam impacto ao meio ambiente. 92 Unidade IV Re vi sã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : L éo - 1 8/ 04 /2 01 1 - 2º R ev isã o: L ea nd ro - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 3 1/ 05 /1 1 IV – A ISO 14001 requer da empresa o estabelecimento de metas e objetivos mensuráveis para as operações que afetam o meio ambiente. É correto o que se afirma em: A) I e II, apenas. B) I e III, apenas. C) II e III, apenas. D) II e IV, apenas. E) I, II, III e IV. Resposta desta questão na plataforma. FIGURAS E ILUSTRAÇÕES Figura 7 RIO92_1.JPG. Largura: 397 pixels. Altura: 347 pixels. Formato JPEG. Disponível em:<http://www. egdesign.com.br/imagens/portfolio/rio92_1.jpg>. Acesso em: 16 abr. 2011. Figura 10 4_M_GLOBALPOPDENS_MD.GIF. Largura: 415 pixels. Altura: 205 pixels. Formato GIF. Disponível em:<http://earthtrends.wri.org/images/maps/4_m_Globalpopdens_md.gif>. Acesso em: 16 abr. 2011. Figura 11 PLANISPHERE-DEVELOPPEMENT-HUMAIN_XL.JPG. Largura: 600 pixels. Altura: 383 pixels. Formato JPG. Disponível em: <http://www.ladocumentationfrancaise.fr/dossiers/banque-mondiale-fmi/img/ planisphere-developpement-humain_XL.jpg>. Acesso em: 12 abr. 2011. Figura 12 Laerte. Brasil. Almanaque de cultura popular. Ano 10, jul. 2008, no 111, p. 34 (com adaptações). Figura 13 ALDABÓ, R. Energia eólica. São Paulo: Artliber, 2002. Figura 15 ONTARIO_WINDFARM_ON_HWY_10.JPG. Largura: 2.590 pixels. Altura: 3.901 pixels: 5,39 MB. Formato JPEG. Disponível em <http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Ontario_windfarm_on_Hwy_10.jpg> Acesso em: 12 abr. 2011. Figura 16 PELAMIS_AT_EMEC.JPG. Largura: 622 pixels. Altura: 383 pixels. Formato JPG. Disponível em: <http:// upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/4b/Pelamis_at_EMEC.jpg> Acesso em: 12 abr. 2011. Figura 17 WOODLAND_BIOMASS_CROP_-_GEOGRAPH.ORG.UK_-_141215.JPG. Largura: 576 pixels. Altura: 383 pixels. Formato JPG. Disponível em: <http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/d0/ Woodland_Biomass_Crop_-_geograph.org.uk_-_141215.jpg> Acesso em: 12 abr. 2011. 93 94 Figura 18 GAS_FLAME.JPG. Largura: 1.320 pixels. Altura: 1.182 pixels. 760 KB. Formato JPEG. Disponível em: <http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Gas_flame.jpg> Acesso em: 12 abr. 2011. Figura 19 COAL_BITUMINOUS.JPG. Largura: 1264 pixels. Altura: 420 pixels. Formato JPG. Disponível em: <http:// commons.wikimedia.org/wiki/File:Coal_bituminous.jpg> Acesso em: 12 abr. 2011. Figura 20 Adaptado de TIVY (1991). Figura 24 OLIVEIRA JÚNIOR, 2003 - Valorização da Função Ambiental e Suporte Relacionada às Atividades de Turismo, Brotas, SP, USFSCAR. (Tese de Doutorado). Figura 25 Adaptado de MAIMON (1996); CAJAZEIRA (1997). Figura 28 MEADOWS, D. H.; MEADOWS, D. L.; RANDERS, J.; BEHRENS III, W. W. The limits to growth & a report for The Club of Rome’s project on the predicament of mankind. New York: Universe Books, 1972. Figura 29 CLUBE DE ROMA. Relatório do Clube de Roma: para uma nova ordem mundial. New York: 1976. REFERÊNCIAS Audiovisuais UMA VERDADE inconveniente. Direção: Davis Guggenheim. Ator: Al Gore. Estados Unidos: 2006. (100 min.). Textuais ADÁRIO, P.; ASTRINI, M. Um jogo ainda truncado. O Estado de São Paulo. São Paulo, 30 jan. 2009. Disponível em: < http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090130/not_imp315340,0.php>. Acesso em: 16 mar. 2011. AGUIAR, R. A. R. Direito do meio ambiente e participação popular. Brasília: Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis. 1994. 95 ALMEIDA, F. O bom negócio da sustentabilidade. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2002. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR ISO 14. 001 Sistema de Gestão Ambiental: diretrizes gerais sobre princípios, sistemas e técnicas de apoio. Rio de Janeiro: ABNT, 1996. ___. NBR ISO 14. 001 Sistema de Gestão Ambiental: Especificações e diretrizes para uso. Rio de Janeiro: ABNT, 1996. BARBIERI, J. C. Desenvolvimento e meio ambiente: as estratégias de mudanças da Agenda 21. 5 ed. Petrópolis/RJ: Vozes, 1997. BARBOSA. V. O que diz a nova lei da sacola plástica. Exame. Mai. 2001. Disponível em <http:// geoamb.wordpress.com/2011/05/20/o-que-diz-a-nova-lei-da-sacola-plastica/>. Acesso em: 31 mai. 2011. BEZERRA, M. C. L., FACCHINA, M. M., RIBAS, O. T. Agenda 21 brasileira – resultado da consulta nacional. Brasília: MMA / PNUD, 2002. 156 p. BRASIL. Constituição (1988). Constituição [da] Republica Federativa do Brasil. Brasília, DF, Senado Federal. Disponível em <http://www.pge.sp.gov.br/centrodeestudos/bibliotecavirtual/dh/volume%20i/ constituicao%20federal.htm>. Acesso em: dez. 2010. ___. Lei n. 6766, de 19 de dezembro de 1979. Dispõe sobre o parcelamento do solo urbano e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L6766.htm>.Acesso em: dez. 2010 ___. Lei n. 6902, de 27 de abril de 1981. Dispõe sobre a criação de Estações Ecológicas, Áreas de Proteção Ambiental e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil/Leis/ L6902.htm>. Acesso em: dez. 2010. ___. Lei n. 7.804, de 18 de julho de 1989. Altera a Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, que dispõe sobre a política nacional do meio ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, a Lei nº 7.735, de 22 de fevereiro de 1989, a Lei nº 6.803, de 2 de julho de 1980, e dá outras providências.Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L7804.htm>. Acesso em: dez. 2010. ___. Lei n. 9.795, de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. Disponível em <http://www.planalto.gov. br/ccivil_03/Leis/L9795.htm>. Acesso em: dez. 2010. ___. Lei n.6803, de 2 de julho de 1980. Dispõe sobre as diretrizes básicas para o zoneamento industrial nas áreas críticas de poluição, e dá outras providências. Disponível em: <http://www.unifap.br/ ppgdapp/legislacao/complemento/Lei6803.htm?OpenDocument>. Acesso em: dez. 2010. 96 ___. Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a política nacional do meio ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências. Disponível em: <http://www. planalto.gov.br/ccivil/Leis/L6938.htm>. Acesso em: dez. 2010 ___. Lei n° 9605, de 12 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9605.htm>. Acesso em: dez. 2010. CAGNIN, C. H. Fatores relevantes na implementação de um sistema de gestão ambiental com base na Norma ISO 14001. Dissertação (Mestrado em Engenharia da Produção) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2000. CAJAZEIRA, M. R. ISO 14001: manual de implantação. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1997. CALLENBACH, E. et al. Gerenciamento ecológico – Eco-manangement: guia do Instituto Elmwood de Auditoria Ecológica e Negócios Sustentáveis. São Paulo: Cultrix, 1993. CAMARGO, A. S. G. de. Análise da operação das usinas eólicas de Camelinho e Palmas e avaliação do potencial eólico de localidades no Paraná. 2005. 206f. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) - Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná, Curitiba. 2005. CAMPOS, L. M. S. SGADA – Sistema de gestão e avaliação de desempenho ambiental: uma proposta de implementação. 2001. Tese (Doutorado em Engenharia da Produção) – Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis. CARVALHO, P. Geração de energia eólica. Fortaleza: Universitária. 2003. CLUBE DE ROMA. III Relatório do Clube de Roma: “para uma nova ordem mundial”.1976. Disponível em: <http://www.clubofrome.org/eng/about/1/>. Acesso em: jan. 2011. COMISSÃO MUNDIAL SOBRE AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO. Nosso Futuro Comum. Rio de Janeiro: FGV, pp.44-50, 1988. CONAMA. Resolução nº 001, de 23 de janeiro de 1986. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 17 fev. 1986. Disponível em: <www.mma.gov.br/por/conama/res/res/86/res0186.html>. Acesso em: 3 dez. 2010. DALY, H. Economics in a Full World. Scientific American. Set. 2005. DENARDI, E.P. O Brasil e o Protocolo de Kyoto. Disponível em: <www.ambientebrasil.org.br/gestão>. Acesso em: fev. 2010. DIAS, R. ZAVAGLIA; T., CASSAR M. Introdução à administração: da competitividade à sustentabilidade. Campinas: Alínea, 2003. 97 DONAIRE, D. Gestão ambiental na empresa. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1999. GODOY, S. G. M. PRADO JÚNIOR, F.A.A. Panorama Mundial do mercado de crédito de carbono. In: OFICINA PENSA, 27 set. 2007. Disponível em <http://www.pensa.org.br/anexos/biblioteca/1712008152238_Panora maMundialdoMercadodeCr%C3%A9ditodeCarbono.pdf>. Acesso em: fev. 2011. GONÇALVES, D. B. Os Impactos no meio ambiente. In: WORKSHOP - IMPACTOS DA EVOLUÇÃO DO SETOR SUCROALCOOLEIRO, 13., 2008, Campinas. Anais... Campinas: 2008. HOLANDA, J. A. P. et al. Energia solar é fonte de descontaminação ambiental. Revista de Ciência e Tecnologia. Funcap. Fortaleza.Ano 4. no 1. p. 32. 2002. GREENPEACE. Relatório sobre mudanças climáticas. 2005. Disponível em: <http://www.ecolnews.com. br/efeitoestufa/impactos.htm>. Acesso em: Jan. 2010. INTERNATIONAL STANDARTIZATION ORGANIZATION – ISO. The desirability and feasilibity of ISO Corporate Social Responsibility Standard. Suíça: ISO, 2002. KIRSCHNER, A. M. A sociologia diante da globalização: possibilidades e perspectivas da sociologia da empresa. Antropolítica. Niterói: EDUFF, n. 4, p. 19-30,1998. LAGE, A. C.; BARBIERI, J. C. Avaliação de projetos para o desenvolvimento sustentável: uma análise do projeto de energia eólica do estado do Ceará com base nas dimensões da sustentabilidade. In: ENCONTRO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO, 25., 2001. Anais. Campinas: ANPAD, 2001. 1 CD-ROM. MACEDO, R. K. de., Gestão ambiental: os instrumentos básicos para a gestão ambiental de territórios e de unidades produtivas. Rio de Janeiro: ABES, AIDIS, 1994. MAIMON, D. Passaporte verde gestão ambiental e competitividade. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1996. MATA, H. T. C. et al. A ética ambiental e o desenvolvimento sustentável. Revista Economia Política, São Paulo: v. 22, n 1, jan. /mar. 2002. MEADOWS, D. L.; MEADOWS, D. H.; RANDERS, J.; BEHRENS, W. W. Limites de crescimento: um relatório para o projeto Clube de Roma sobre o dilema da humanidade. São Paulo: Perspectiva, 1972. MEYER, M. M. Gestão ambiental no setor mineral: um estudo de caso. 2000. Dissertação (Mestrado em Engenharia da Produção) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis. MORAGUES, J.; RAPALLINI, A. Energia eólica. Disponível em: <http://www.iae.org.ar/renovables/ren_ eolica.pdf>. Acesso em: 5 mar. 2007. MOREIRA, A. C. Conceitos de ambiente e de impacto ambiental aplicáveis ao meio urbano. Disponível em: <http://www.usp.br/fau/docentes/depprojeto/a_moreira/producao/conceit.htm>. Acesso em: 21 nov. 2010. 98 NOVAES, W. A década do impasse. Da Rio-92 à Rio+10. São Paulo: Estação Liberdade, 2002. O ESTADO DE S. PAULO. São Paulo: Agência Estado, 15 Set. 2007. PANGTAY, S. C. Petroquímica y sociedad. México D.F.: Fondo de Cultura Economica, 1998. PORTUGAL, G. Desenvolvimento sustentado. 1991. Disponível em <http://www.gpca.com.br/gil/art47. html>. Acesso em: dez. 2010. RAMOS, A. G. A nova ciência das organizações. Uma reconceituação da riqueza nas nações. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1981. ROCHA, A.; ROSSI, L.A. Geração de energia elétrica por fonte eólica – um estudo das cinco dimensões da sustentabilidade. In SOUZA, H. M. SIVLA, P.C.; DUTRA, R. M. Coletânea de artigos energias solar e eólica (Vol. 2). Rio de Janeiro: CRESESB. 2003. ROCHA, M. T.O Aquecimento Global e os instrumentos de mercado para a solução do problema. In: SANQUETTA. C. R.; WATZLAWICK, L. F.; BALBINOT, R.; ZILIOTTO, M. A. B.; GOMES, F.S. As florestas e o Carbono. Curitiba: Imprensa Universitária da UFPR, 2002. ___. Aquecimento global e o mercado de carbono: uma aplicação do modelo CERT. Tese (Doutorado) – Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Universidade de São Paulo. Piracicaba. 2003. SACHS, I. Caminhos para o desenvolvimento sustentável. Rio de Janeiro: Garamond, 2002. ___. Estratégias de transição para o século XXI: desenvolvimento e meio ambiente. São Paulo: Studio Nobel. 1993. ___. Desenvolvimento: includente, sustentável, sustentado. Rio de Janeiro: Garamond, 2004. SCOTTO, G.; CARVALHO, I. C. de M.; GUIMARÃES, Leandro B. Desenvolvimento sustentável. Petrópolis: Vozes, 2007. SENADO FEDERAL. Agenda 21: Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Brasília: Subsecretaria de EdiçõesTécnicas, 1996. ___. Agenda 21: Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. 3.ed. Brasília: Senado Federal, Subsecretaria de Edições, 2001. SEQUINEL, M. C. M. Cúpula mundial sobre desenvolvimento sustentável – Johannesburg: entre o sonho e o possível. Análise Conjuntural, v. 24, n. 11-12, p. 12, nov./dez. 2002. SOCIAL ACCOUNTABILITY INTERNATIONAL – SAI. Social accountability 8000 (SA 8000). USA: SAI, 2001. 99 SOUSA, C. S. de; MILLER, D. S. O Protocolo de Quioto e o mecanismo de desenvolvimento limpo (MDL): as Reduções Certificadas de Emissões (RCEs), sua natureza jurídica e a regulação do mercado de valores mobiliários, no contexto estatal pós moderno. Comissão de Valores Mobiliários – CVM, 2003. SOUZA, M. T. S. Rumo à prática empresarial sustentável. Revista de Administração de Empresas. São Paulo: v. 4, n. 33, pp. 40-52, jul./ago. 1993. SOUZA, N. Desenvolvimento econômico. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1999. TIETENBERG, T.H. Environmental and Natural Resource Economics. MA: Addison-Wesley. 2003. TIVY, J. O. G. Human impact in the ecosystem. Edimburg: Oliver Boyd, 1991. VAN BELLEN, H. M. Indicadores de sustentabilidade: uma análise comparativa. 1.ed. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 2005. 256 p. VEIGA, J. E. Desenvolvimento sustentável: o desafio do século XXI. Rio de Janeiro: Garamond, 2005. VIALLI, A. Consumo x ambiente. O Estado de São Paulo. 14 mai. 2009. Disponível em: <http://www. nossasaopaulo.org.br/portal/node/9569> Acesso em: 13 mar. 2011. ___. Distância entre discurso e prática. O Estado de São Paulo. 30 out. 2009. Disponível em: <http:// www.nossasaopaulo.org.br/portal/node/9569> Acesso em: 13 mar. 2011. VIALLI, A; FRASÃO, L. Indústria reduz custos com reúso. O Estado de São Paulo. 21 Mar. 2009. Disponível em: <http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/node/9569> Acesso em: 13 mar. 2011. VILLA JÚNIOR, N. Sustentabilidade dos recursos naturais e sua tutela legal. Disponível em: <http:// artigos.netsaber.com.br/resumo_artigo_5191/artigo_sobre_sustentabilidade_dos_recursos_naturais_ e_sua_tutela_legal>. Acesso em: dez. 2010. Sites <http://planetasustentavel.abril.com.br/movimento/> <www.sosmatatlantica.org.br> <www.greenpeace.org> Exercícios Unidade I – Questão 1: INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA (INEP). Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) 2008: Formação Geral, caderno 31. Questão 2. Disponível em: < http://download.inep.gov.br/download/Enade2008_RNP/FORMACAO_GERAL.pdf>. Acesso em: 21 mai. 2011. 100 Unidade I – Questão 2: INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA (INEP). Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) 2005: Geografia. Questão 21. Disponível em: < http://www.ufrgs.br/sai/dadosresultados/ExameNacional_DesempenhoEstudantes_ENADE%5CG eografia%5C2005%5CProva.pdf >. Acesso em: 21 mai. 2011. Unidade II – Questão 1: INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA (INEP). Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) 2010: Engenharia, grupo IV, Caderno 8. Questão 15. Disponível em: <http://www.eq.ufc.br/Enade2008.pdf >. Acesso em: 21 mai. 2011. Unidade II – Questão 2: INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA (INEP). Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) 2010: Tecnologia em Gestão Ambiental, Caderno 17. Questão 23. Disponível em: < http://public.inep.gov.br/enade2010/tecnologia_gestao_ ambiental_gabarito_preliminar.pdf>. Acesso em: 21 mai. 2011. Unidade III – Questão 1: INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA (INEP). Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) 2007: Agronomia. Questão 2. Disponível em: < http://download.inep.gov.br/download/enade/2007/provas_gabaritos/prova.agronomia.pdf>. Acesso em: 21 mai. 2011. Unidade III – Questão 2: INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA (INEP). Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) 2009: Turismo, Caderno 2. Questão 23. Disponível em: < http://www.unifacs.br/enade/docs/Provas/TURISMO.pdf >. Acesso em: 21 mai. 2011. Unidade IV – Questão 1: INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA (INEP). Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) 2005: Química. Questão 32. Disponível em: < http://download.inep.gov.br/download/enade/2005/provas/QUIMICA. pdf>. Acesso em: 21 mai. 2011. Unidade IV – Questão 2: INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA (INEP). Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) 2010: Disponível em: < http://enade2010. inep.gov.br/ >. Acesso em: 21 mai. 2011. Glossário Agenda 21 – Foi um dos principais resultados da Rio-92. É um documento que estabeleceu a importância de cada país se comprometer a refletir, global e localmente, sobre a forma pela qual governos, empresas, organizações não governamentais e todos os setores da sociedade poderiam cooperar no estudo de soluções para os problemas socioambientais. Cada país desenvolve a sua Agenda 21 e no Brasil as discussões são coordenadas pela Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e da Agenda 21 Nacional (CPDS). Aquecimento global – Aumento da temperatura média do Planeta, relacionado ao aumento do efeito estufa. A causa estaria nas emissões de gases lançados pelas atividades econômicas, sobretudo 101 o monóxido e dióxido de carbono (principal vilão), óxidos de nitrogênio, metano, CFC. Entre as consequências mais graves, estariam o derretimento de calotas polares e a expansão das moléculas de água do oceano devido ao calor, o que causaria grandes inundações, afundando ilhas e cidades costeiras. Biomassa – Bio = vida; massa = matéria. Termo científico que designa a estimativa do peso total do conjunto organismos vivos de uma área, ou de um determinado nível da cadeia alimentar. Mede-se o peso vivo, ou a matéria seca. A biomassa pode gerar energia por fermentação, como ocorre com biodigestores. Ou então, por combustão, como é o caso da madeira. Biosfera – Conjunto das camadas da esfera terrestre onde há vida. É dividida em três partes: Litosfera, a “crosta” do Planeta, Hidrosfera, parte líquida, isto é, mares, rios, lagos etc. e atmosfera, camada de ar que envolve a Terra. Buraco na camada de ozônio – Redução na camada de ozônio existente na estratosfera. Essa camada é essencial para a vida no Planeta, pois filtra parte dos raios ultravioleta solares, mortíferos para as células. Entre 1965 e 1985, cientistas mediram uma redução de até 50% em áreas da camada sobre a Antártida, o que ganhou o apelido de “buraco na camada de ozônio”. Os principais destruidores do ozônio são o CFC (clorofluorcarbono) e halons. Em 1987, o Protocolo de Montreal deu prazo para reduzir a produção dos CFC. Em 1990, o Protocolo de Londres, previu o banimento estes gases nos países desenvolvidos até o ano 2000. CFC ou Clorofluorcarbono – Família de gases inventados pelo homem, não inflamáveis e de baixa toxicidade, usados por décadas como propelentes de aerossóis, para fabricar espumas, limpeza de equipamentos de precisão e em motores de aparelhos de refrigeração. Nos anos 70, descobriu-se que CFC é o grande vilão do buraco da Camada de Ozônio. Num processo, cujo principal marco é o Protocolo de Montreal, o uso do CFC vem sendo eliminado. A indústria vem desenvolvendo produtos alternativos. Entre estes, estão os HCFC, também prejudiciais à Camada de Ozônio, mas em grau menor. Chuva ácida – Chuva contaminada por poluentes atmosféricos, como os óxidos sulfúricos (de enxofre) e nítricos (de nitrogênio), emitidos, por exemplo, pelas chaminés das indústrias e escapamentos de automóveis. As gotas contaminadas (PH mais baixo) penetram no solo, envenenando-o, o que causa a morte de florestas. Também contaminam rios, lagos e corroem elementos como mármore, ameaçando patrimônios artísticos e arquitetônicos. A chuva ácida pode cair longedas fontes de poluição, já que o vento carrega os poluentes atmosféricos. Coleta seletiva de resíduos (ou lixo) – Separação de vidros, plásticos, metais e papéis pela população para reutilização, ou reciclagem. Sem ela, este processo pode ser impossibilitado. Na coleta seletiva em locais públicos, é usual identificar latões com cores padronizadas: azul para papel, amarelo para metal, verde para vidros, vermelho para plásticos, branco para lixo orgânico. Conferência das nações unidas sobre ambiente humano – Evento realizado pela ONU em Estocolmo, na Suécia, em 1972. Foi a primeira grande conferência que discutiu a importância, para o homem, da preservação do meio ambiente, sendo a precursora da Rio 92, realizada 20 anos depois. 102 Conservação ambiental – O manejo do uso humano da natureza, compreendendo a preservação, a manutenção, a utilização sustentável, a restauração e a recuperação do ambiente natural. A intenção é que possa produzir o maior benefício, em bases sustentáveis, para as atuais gerações, mantendo seu potencial de satisfazer as necessidades e aspirações das gerações futuras e garantindo a sobrevivência dos seres vivos em geral. Desenvolvimento Sustentável (I. sustainable development) – O desenvolvimento sustentável procura integrar e harmonizar as ideias e conceitos relacionados com o crescimento econômico, a justiça, o bem-estar social, a conservação ambiental e a utilização racional dos recursos naturais. Ecossistema – Conjunto integrado de fatores físicos, químicos e bióticos que caracterizam um determinado lugar, estendendo-se por um determinado espaço de dimensões variáveis. Também pode ser uma unidade ecológica constituída pela união do meio abiótico (componentes não vivos) com seres vivos, no qual ocorre intercâmbio de matéria e energia. São as pequenas unidades funcionais da vida (um lago, uma floresta, uma caatinga são exemplos de ecossistemas). Educação ambiental – Educação popular que visa buscar a interação dos aspectos socioeconômicos com o meio ambiente. É uma dimensão do processo educativo voltada para a participação de educadores e educandos na construção de um novo paradigma para um mundo ambientalmente sadio. Eólico – Adjetivo que designa o que se relaciona ao vento. Por exemplo: energia eólica, erosão eólica, entre outros. Efeito estufa – Graças a este fenômeno, há bilhões de anos surgiu a vida na Terra. Alguns gases que compõem a atmosfera, sobretudo o monóxido e o dióxido de carbono, retêm parte do calor dos raios solares. Isto garantiu a temperatura favorável ao surgimento e evolução dos seres vivos. Ocorre que, quanto maior a concentração desses gases, maior a retenção do calor. A partir da Revolução Industrial, começou-se a emitir maior quantidade de gases, proporcionando o aumento do efeito estufa, ou Aquecimento Global. Gestão ambiental – Condução, direcionamento e orientação das atividades humanas visando o desenvolvimento sustentável. Para ser efetiva, deve ser inserida no planejamento e administração da produção de bens e serviços em todos os níveis – local, regional, nacional, internacional, na administração pública e na empresarial. Impacto ambiental – De acordo com a resolução nº 001/86, do Conselho Nacional do Meio Ambiente, impacto ambiental é a alteração das propriedades físico-químicas e biológicas do meio ambiente causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetam a saúde, a segurança, o bem-estar da população, as atividades sociais e conômicas, a biota, as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente e a qualidade dos recursos. Indicadores – Substâncias que indicam algo. No meio ambiente, indicadores ecológicos serão espécies vivas que têm exigências particulares para se desenvolver, cuja presença, ausência, ou morte indicam a ocorrência de determinadas condições. Por exemplo, plantas que só crescem no solo ácido, quando observadas numa área, são indicadoras deste tipo de solo. 103 ISO 14000 – Uma das normas criadas pela ISO (International Standardization Organization), ONG sediada em Genebra (Suíça) que congrega mais de 100 países. O objetivo da organização é estabelecer normas técnicas internacionais visando uniformizar parâmetros de comparação entre as empresas e a ISO 14000 é a série que estabelece um padrão para a gestão ambiental das empresas, com o intuito de reduzir os impactos negativos de suas atividades sobre o meio ambiente. Lixo atômico – Resíduos gerados em usinas nucleares, equipamentos radiológicos, processos da medicina nuclear, entre outros. Contém materiais que permanecem radioativos por centenas ou milhares de anos, que devem ser depositados em condições especiais de isolamento, para evitar danos à saúde ao meio ambiente. No Brasil, a CNEN - Comissão Nacional de Energia Nuclear deve controlar sua geração e disposição final. Lixo industrial – Resíduos sólidos gerados pela indústria. Dependendo da indústria, este lixo conterá materiais que contaminam o solo, o ar ou/e a água. O destino é de responsabilidade das indústrias, sendo controlado pela agência ambiental do Estado. Lixo orgânico ou lixo úmido – Constituído de materiais orgânicos que vão para o lixo, como folhas e galhos plantas ou restos de alimentos. Pode ser transformado em fertilizante, o conhecido composto orgânico. Meio ambiente – Expressão que une dois sinônimos. Tanto “meio” quanto “ambiente” significam o entorno, ou “aquilo que envolve e cerca os seres” (florestas, rios, lagos, ruas etc.). Segundo o Dicionário Aurélio: “o pleonasmo (do grego, superabundância) justifica-se quando confere mais vigor ao pensamento”. Mecanismo de Desenvolvimento Limpo – é um dos mecanismos de flexibilização criados pelo Protocolo de Kyoto, tem por objetivo auxiliar o processo de redução de emissão de gases do efeito estufa ou de captura de carbono (ou sequestro de carbono) por parte dos países participantes. ONGs – São as Organizações Não-Governamentais, instituições privadas que têm uma finalidade pública, sem fins lucrativos. O termo foi usado primeiramente pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1950 para definir toda organização que não dependesse do Governo. Ozônio ou O3 – Gás que, na troposfera (camada da atmosfera onde vivemos), provoca problemas respiratórios, se inalado diretamente, e contribui para o efeito-estufa. Na estratosfera (12 a 50 km de altitude) atua como protetor da vida: forma uma camada que atua como um filtro que impede a passagem de parte das prejudiciais radiações ultravioletas do sol. Reciclagem – Processo pelo qual produtos que eram considerados lixo, ou matéria desperdiçada no sistema de produção, são transformados em novos produtos, por exemplo, papel novo feito de papel usado. Entre outros, dá para reciclar vidros, plásticos, papéis, resíduos orgânicos residenciais e agrícolas (transformam-se em adubo), ferros velhos, óleos de despejos e metais como o chumbo, cobre e zinco. Classificada em reciclagem primária (exemplo: uso de refugos industriais, como aparas de plástico 104 ou papel, para fabricar outros produtos) ou secundária (realizada com resíduos urbanos ou agrícolas pré-consumidos, como é o caso de produtos provenientes da coleta seletiva). Recursos naturais - É qualquer porção de nosso ambiente natural que os seres humanos possam utilizar para promoção do seu bem-estar. Geralmente, os recursos naturais são classificados em dois grandes grupos: os não renováveis (petróleo, carvão e minerais) e os renováveis (flora, fauna, solo, água e ar). Os recursos renováveis são capazes de se autorregenerar. Por exemplo, se determinada espécie animal está ameaçada de extinção devido à caça excessiva, a sua população pode ser aumentada se a caça indiscriminada for evitada. RIO 92 - Conhecida mundialmente como UNCED 92 (United Nations Conference on Environment andDevelopment), foi um grande evento realizado pela ONU na cidade do Rio de Janeiro em junho de 1992. Reuniu líderes governamentais, grupos do setor privado, ONGs e ambientalistas de 170 países, como o objetivo de avaliar como o mundo poderia caminhar para o desenvolvimento sustentável. O resultado do encontro foi a elaboração do documento Agenda 21. Sistema de gestão ambiental (SGA) - Parte integrante do sistema geral de gestão (administração) de uma empresa, o SGA aborda os aspectos da gestão que planejam, desenvolvem, realizam, implementam, controlam e melhoram a política ambiental da empresa, otimizando seus objetivos e metas de redução de impactos (danos) ambientais provenientes de suas atividades. A implementação de um SGA é essencial para a certificação ISO 14001. 105 106 107 108 Informações: www.sepi.unip.br ou 0800 010 9000 Unidade I DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Profa. Daniela Patto Introdução O desenvolvimento sustentável está presente em várias áreas da sociedade e se tornou uma preocupação mundial na atualidade. Esta disciplina se caracteriza pelo estudo dos diferentes aspectos do desenvolvimento sustentável, relacionados a conceitos, requisitos, discussões realizadas para a implantação do desenvolvimento sustentável, bem como estudo dos protocolos e das certificações existentes para promovê-lo. Tem como objetivo geral propor uma visão fundamentada no que se refere à possibilidade de se estabelecer relações entre desenvolvimento econômico e desenvolvimento sustentado. Introdução Como objetivos específicos desta disciplina, espera-se que você adquira conhecimentos sobre: o conceito histórico do desenvolvimento sustentável; os conceitos da relação entre homem e natureza; o desenvolvimento das organizações não governamentais e o desenvolvimento sustentável como um novo paradigma. Além de poder: definir e entender as bases do desenvolvimento sustentável, bem como suas dimensões; entender a importância dos recursos naturais, sabendo diferenciar os renováveis e não renováveis; entender normas e legislações ambientais vigentes. Introdução Como estudante, é importante relacionar e conectar o desenvolvimento sustentável com a área de formação, desenvolvendo habilidades e senso crítico para promover uma sociedade melhor, desenvolvendo políticas de sustentabilidade dentro da sua área de atuação também. Na unidade I, temos o objetivo de situar o estudante no contexto histórico mundial e situar de onde surgiu a preocupação com o desenvolvimento sustentável e a relação do homem nesse processo. Crise ambiental Diariamente, a mídia nos coloca em contato com os problemas ambientais: a poluição gerada pelos automóveis, pelos caminhões e pelas indústrias; destruição da camada de ozônio, derramamento de petróleo de navios e poços de extração, derramamento de produtos químicos por caminhões que se acidentaram nas estradas, vazamento de combustíveis em postos de gasolina etc. Tudo isso traz grandes prejuízos ao meio ambiente. Ainda ouvimos falar de espécies em extinção, principalmente de animais silvestres e selvagens, devido à caça ou à pesca predatória. Crise ambiental Quando isso acontece, geramos um desequilíbrio natural na cadeia alimentar das espécies, fazendo com que outra população cresça em excesso, pois não há predadores, gerando outro problema. O desmatamento, normalmente, é feito para exploração da madeira, ocupação da área para plantio da monocultura que gera mais lucro no momento ou construção de algo que o homem acha mais rentável. Como consequência dessa ação, expulsamos toda a fauna dessa região e acabamos com a flora natural, gerando mais uma vez um desequilíbrio no meio ambiente e, a longo prazo, grande prejuízo também à humanidade. Crise ambiental Temos consciência de que a crise ambiental foi causada pela própria humanidade, seduzida pelo desenvolvimento econômico e pela conquista de riquezas e tecnologias. O homem utilizou os recursos naturais de forma dominadora e predatória ao aumentar o consumo de produtos industrializados, sem se preocupar com as consequências. O progresso e o consumo provocaram impactos negativos, como a geração de resíduos e poluentes lançados na atmosfera e nos rios, em uma quantidade muito maior que a natureza pudesse absorver. Crise ambiental Sob o ponto de vista ambiental, a propaganda, na segunda metade do século XX, era a grande vilã, pois estimulava o consumo excessivo. Já na visão empresarial, ela era uma grande ferramenta, pois promovia o desenvolvimento econômico. Para amenizar a crise ambiental, a humanidade deve quebrar o paradigma do consumismo e alterar o estilo de vida. O homem, desde o início dos tempos, manteve uma relação de troca e equilíbrio com a natureza, que era a base de sua sobrevivência. Crise ambiental Nessa época, plantava-se o que seria consumido e a caça era uma atividade apenas para a sobrevivência. Desde que a humanidade se tornou sedentária, no período Neolítico, passando a viver em aldeias, vilas e cidades; as atividades desenvolvidas por ela geraram impactos crescentes na natureza. Na segunda metade do século XVIII ocorreu a Revolução Industrial, que teve como consequência o fim do respeito do homem pela natureza. Crise ambiental A relação de troca com os recursos naturais acabou e a natureza se tornou um objeto de manipulação e transformação para satisfazer os desejos da humanidade. A Revolução Industrial incentivou a comercialização dos produtos em grandes escalas, aumentando excessivamente o consumo de recursos naturais e, ao mesmo tempo, gerando resíduos provenientes do processo de produção, que poluíram o ar, a água e o solo. A relação de respeito foi substituída pela exploração predatória dos recursos, provocando a crise ecológica. Crise ambiental O desenvolvimento industrial fez com que a população rural começasse a migrar do campo para a cidade em busca de trabalho, aumentando a concentração populacional nas áreas urbanas. Florestas e terras foram transformadas em produtos comerciais para atender à demanda de consumo. Esse processo foi alimentado pela exploração de matérias-primas naturais e consumo de energia não renovável, e ainda gerou resíduos para poluição da mesma área. Assim, podemos afirmar que o estilo de vida resultante, isto é, o de consumo sem responsabilidade social, gerou a crise ambiental. Crise ambiental A crise ambiental nos trouxe inúmeros problemas, como: O aumento do efeito estufa. A maior parte da radiação solar é absorvida pela superfície da Terra e a aquece, sendo refletida pela atmosfera. Uma parcela da radiação infravermelha atravessa a atmosfera e outra é reemitida em todas as direções por moléculas gasosas. O resultado é o aquecimento da superfície do planeta que conhecemos como efeito estufa. Crise ambiental A destruição da camada de ozônio Funciona como um filtro natural às radiações ultravioletas provenientes do sol. Ela age como um escudo protetor e qualquer diminuição nela coloca em risco a vida na Terra. Na década de 1980, os cientistas comunicaram o aparecimento de um “buraco” na camada de ozônio na Antártida. Causada pelo cloro, produzido a partir de gases que eram lançados ao ar em grande quantidade após sua utilização, como gás de refrigeração utilizado em geladeiras e ar-condicionado. Crise ambiental Diminuição da biodiversidade e destruição de ecossistemas Ocorrem com o desmatamento de matas e florestas e com a poluição de rios.Mudanças climáticas Consequências do aumento do efeito estufa, trazendo terremotos, tsunamis, furacões, temperaturas extremas, chuvas torrenciais, entre outras catástrofes. Diminuição dos recursos naturais Florestas foram extremamente reduzidas, várias espécies entraram em extinção, os combustíveis fósseis, como carvão e petróleo, estão se exaurindo, sem falar nas reservas de minérios. Interatividade As alterações climáticas são um dos principais efeitos da crise ecológica. Podemos afirmar: I. O efeito estufa e suas consequências caracterizam um dos múltiplos efeitos da crise ecológica. II. A destruição da camada de ozônio também influencia as mudanças climáticas, contribuindo para o aquecimento global. III. A manipulação da natureza e sua transformação com o objetivo de atender aos interesses da humanidade pode salvar o planeta. IV. Mudanças climáticas, diminuição dos recursos naturais, poluição e perda da biodiversidade são os quatro grandes problemas ambientais enfrentados pelo homem atualmente. Interatividade Estão corretas as afirmativas: a) I e II. b) II e IV. c) I, II e III. d) II, III e IV. e) I, II, III e IV. Crescimento populacional e consequências ambientais Quanto maior o número de pessoas no mundo, maior o consumo. Para esses indivíduos consumirem, deve haver produção e, consequentemente, extração de recursos naturais de forma predatória. A China está passando por um forte processo de industrialização, nos mesmos modelos utilizados por países como Estados Unidos e Inglaterra, causando sérios prejuízos à natureza e afetando todo o planeta. Crescimento populacional e consequências ambientais Os problemas com o crescimento populacional podem ser resolvidos se houver um sistema educacional eficiente, pois há uma relação entre controle de natalidade e grau de escolaridade. Quanto maior o nível educacional em um país, menor é a taxa de nascimentos; consequentemente, quando o nível de escolaridade é baixo, a taxa de nascimentos é maior. Podemos concluir que a crise ecológica é decorrente da evolução da cultura da humanidade, em que a relação do homem com o meio ambiente é de dominação e exploração e não de parceria e complementaridade. Temática ambiental A temática ambiental surgiu na década de 1960, quando ocorreu a crise do petróleo. Pela primeira vez, a humanidade percebeu que os recursos naturais eram finitos: grande parte das florestas já havia sido derrubada, muitos rios do planeta já estavam mortos devido às altas taxas de poluentes, muitos animais corriam o risco de extinção. Nesse cenário, iniciaram as discussões sobre o meio ambiente em fóruns mundiais com o objetivo de comunicar ao mundo que teríamos que mudar de comportamento, que nos levará a uma modificação do estilo de vida, fazendo com que a população viva e consuma de forma sustentável. O que é desenvolvimento sustentável? O conceito de desenvolvimento sustentável se encontra intimamente ligado à busca pelo desenvolvimento econômico e pelo respeito ao meio ambiente. Trata-se de equilibrar o ritmo de crescimento econômico e rever práticas com o objetivo de preservar recursos naturais imprescindíveis para a sobrevivência de gerações futuras. A definição de desenvolvimento sustentável surgiu durante a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, na qual foram discutidos meios de harmonizar o meio ambiente com o desenvolvimento econômico. O que é desenvolvimento sustentável? É necessária uma preocupação com a disponibilidade dos recursos naturais presentes para as gerações futuras, respeitando, ao mesmo tempo, o crescimento e o desenvolvimento econômico. A prevenção contra o esgotamento precoce dos recursos naturais depende da consciência de sua importância, bem como de um planejamento estruturado para conservá-los. Relação entre o homem e a natureza Transformação da biosfera nos últimos 100 anos: População humana: cresceu de 1,5 para 6,1 bilhões. Atividade econômica: aumentou 10 vezes de 1950 a 2000. Maioria dos pesqueiros mundiais: sobre-explorados. Atmosfera: aumento das concentrações de gases estufa. 40% das reservas conhecidas de petróleo exauridas. Relação entre o homem e a natureza A relação do homem com a natureza sempre aconteceu de forma bastante discrepante: de um lado, o homem, com toda a sua inteligência gananciosa, tentando alimentar os seus desejos de consumo e conforto; do outro, a natureza, com toda a sua exuberância e riqueza, fonte para todas as ações humanas. Em alguns casos, o homem tem que escolher entre sua sobrevivência e a preservação da natureza, como é o caso do agricultor que tira da terra o alimento que leva à mesa. O que preocupa é o desenvolvimento sem limites protagonizado pelo homem em prol dos interesses próprios. Relação entre o homem e a natureza Um dos primeiros problemas ambientais ocorreu com o surgimento das cidades. Estima-se que as primeiras cidades teriam surgido entre quinze e cinco mil anos atrás. A nossa sociedade tem vivido com vários problemas decorrentes da forma como se relaciona com a natureza. A busca desenfreada pela produção levou o homem a explorar intensamente os recursos disponíveis na natureza, esquecendo que grande parte deles, além de não serem renováveis, quando retirados da natureza em quantidades excessivas, deixam nela uma lacuna, às vezes irreversível. As consequências são sentidas em gerações posteriores, principalmente em relação às mudanças climáticas. Relação entre o homem e a natureza Outros problemas ambientais foram trazidos com a Revolução Industrial, que consistiu em um conjunto de mudanças tecnológicas com profundo impacto no processo produtivo nos âmbitos econômico e social. Ao longo do processo, a era agrícola foi superada, a máquina foi substituindo o trabalho humano. Devido a uma combinação de fatores, como o liberalismo econômico, a acumulação de capital e uma série de invenções, tais como o motor a vapor, essa transformação foi possível. A partir daí, o capitalismo tornou-se o sistema econômico vigente. Relação entre o homem e a natureza O volume de produção aumentou extraordinariamente: a produção de bens deixou de ser artesanal e passou a ser maquino-faturada. Com o advento da Revolução Industrial, as populações passaram a ter acesso a bens industrializados e se deslocaram para os centros urbanos em busca de trabalho fácil e abundante. Assim também, as fábricas passaram a concentrar centenas de trabalhadores, que vendiam a sua força de trabalho em troca de um salário. Relação entre o homem e a natureza Antes da Revolução Industrial, o progresso econômico era sempre lento e, após, a renda per capita e a população começaram a crescer de forma acelerada nunca antes vista na história. Por exemplo, entre 1500 e 1780, a população da Inglaterra aumentou de 3,5 milhões para 8,5; já entre 1780 e 1880, ela saltou para 36 milhões, devido à drástica redução da mortalidade infantil. Relação entre o homem e a natureza As cidades atraíram os camponeses e os artesãos, e se tornaram cada vez mais numerosos e mais importantes com a Revolução Industrial. A maneira como as populações vivem nos países que foram industrializados alterou drasticamente. Por volta de 1850, na Inglaterra, pela primeira vez em um grande país, havia mais pessoas vivendo em cidades do que no campo. Nas cidades, as pessoas mais pobres se aglomeravam em subúrbios de casas velhas e desconfortáveis, se comparadas com as habitações dospaíses industrializados hoje em dia. Relação entre o homem e a natureza O trabalho do operário era muito diferente do trabalho do camponês: tarefas monótonas e repetitivas. A vida na cidade moderna significava mudanças incessantes. A cada instante, surgiam novas máquinas, novos produtos, novos gostos, novas modas. Sendo assim, era preciso adaptar-se a essas novas mudanças. A partir daí, conferências foram realizadas na tentativa de se desenvolver conceitos e decidir medidas para melhorar a qualidade de vida e tentar manter a sustentabilidade. Surgiram também organizações não governamentais interessadas em defender a causa da sustentabilidade. Interatividade Fatores que podem diminuir o quadro de degradação ambiental são: I. Crescimento desordenado da população sem aumento do nível educacional. II. Redução dos nascimentos e aumento do nível educacional. III. Modificação de comportamentos, atitudes, estilo de vida que poderão se refletir em um consumo sustentável. IV. Restabelecer o respeito na convivência dos seres humanos e outros seres vivos. Interatividade Assinale a alternativa correta: a) I e II. b) II e IV. c) I, II e III. d) II, III e IV. e) I, II, III e IV. Organizações Não Governamentais – ONGs As organizações não governamentais representam entidades organizadas da sociedade civil, que atuam de forma bastante dinâmica na busca para a solução de vários problemas sociais. A crescente preocupação das ONGs com os problemas ambientais globais pode garantir que eles não serão engavetados e esquecidos antes que se tome uma iniciativa para solucioná-los. São muitas e eficazes as iniciativas privadas de luta por questões ambientais administradas por organizações não governamentais. Em algumas áreas, a atuação das ONGs é a única ação existente. História e conceito de DS O desenvolvimento sustentável é um dos temas mais discutidos neste momento em todo o mundo, seja pela preocupação econômica que a escassez das energias não renováveis proporciona, ou mesmo pelo despertar da consciência humana a respeito da necessidade de preservação do planeta para as gerações vindouras. A partir do conceito básico de desenvolvimento sustentável, cujo objetivo principal é o de se obter um desenvolvimento que seja ao mesmo tempo eficaz e que não venha a comprometer as gerações futuras. Desenvolvimento sustentável O desenvolvimento sustentável objetiva uma modalidade de desenvolvimento capaz de acontecer de forma a suprir as necessidades presentes, de modo a não interferir no crescimento das gerações futuras. Para que isso aconteça, é de fundamental importância que se respeite a exploração harmônica dos recursos naturais. É também de fundamental importância a preocupação e a percepção de que alguns problemas podem acompanhar essa exploração de recursos naturais e ameaçar a sustentabilidade. Geração de energia Atualmente, a geração de energia, principalmente elétrica, oriunda de fontes renováveis, vem despertando o interesse de vários países, por se tratar de uma forma de obtenção mais barata e que não agride o meio ambiente. Quando utilizadas para geração de energia, as fontes renováveis auxiliam na diminuição da exploração dos recursos esgotáveis ou não renováveis, pois realizam uma exploração sustentável. Assim, pode-se cuidar de ecossistemas que são impactados negativamente pela geração de substâncias poluentes emitidas no meio ambiente quando são transformados em energias úteis para o homem, como alguns recursos não renováveis, como petróleo, carvão e gás. Geração de energia Os recursos não renováveis, além de estarem em processo de esgotamento, causam mais impactos negativos para a natureza, já que sua exploração exige tecnologias especiais para extração, muitas vezes de alto custo, em virtude das condições de obtenção cada vez mais remotas, além de emitirem mais poluentes. Alguns recursos não renováveis, depois de serem utilizados, são ainda uma grande ameaça poluente, como é o caso dos resíduos radioativos provenientes de energia nuclear. Os poluentes gerados na produção de energia, como dióxido de carbono, dióxido de enxofre etc., contribuem fortemente para o efeito estufa e a destruição da camada de ozônio. Desenvolvimento sustentável As questões ambientais devem estar claramente e integralmente definidas para que se possa alcançar o desenvolvimento sustentável, assim como a contemplação de outras políticas que auxiliem na obtenção dele. Aos órgãos e às autoridades públicas compete adotar as medidas mais adequadas para minimizar os efeitos negativos dos transportes no meio ambiente, por exemplo. Cabe a eles também procurar uma melhoria na gestão dos recursos naturais, no combate à pobreza e à exclusão social. Dimensões do desenvolvimento sustentável Embora haja um consenso que exista mais de uma, há discordância sobre o número exato: Lage e Barbieri (2001) citam sete dimensões: ecológica, econômica, social, espacial, cultural, tecnológica e política. Contudo, segundo Ignacy Sachs, as dimensões que abordam o desenvolvimento sustentável são cinco: social, econômica, ecológica, espacial e cultural (SACHS, 2002). A adoção de uma ou outra linha de divisão do desenvolvimento sustentável depende do contexto. Ref: LAGE, A. C.; BARBIERI, J . C. Avaliação de projetos para o desenvolvimento sustentável : uma análise do projeto de energia eólica do estado do Ceará com base nas dimensões da sustentabilidade. In: ENCONTRO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO, 25., 2001. Anais. Campinas: ANPAD, 2001. 1 CD-ROM. SACHS, I. Caminhos para o desenvolvimento sustentável . Rio de Janeiro: Garamond, 2002. Dimensões do desenvolvimento sustentável Assim, não só os aspectos ecológicos devem ser considerados para o desenvolvimento sustentável. É importante frisar que o desenvolvimento sustentável visa a conciliar: Desenvolvimento econômico – é o desenvolvimento de riqueza material dos países ou regiões, assim como o bem-estar econômico de seus habitantes. Desenvolvimento social – consiste na evolução dos componentes da sociedade (capital humano) e na maneira como eles se relacionam (capital social). Preservação ambiental – minimiza a utilização dos bens ambientais (recursos naturais), conservando-os o máximo possível. Dimensões do desenvolvimento sustentável Desenvolvimento social só ocorre quando políticas são estabelecidas para aperfeiçoar as formas como os componentes de um grupo interagem entre si e com o meio externo. O desenvolvimento social só ocorre se todos os integrantes da sociedade forem beneficiados. Assim, uma determinada comunidade poderá crescer economicamente sem o consequente desenvolvimento social. Dimensões do desenvolvimento sustentável Em 1983, foi criada a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento como uma instituição independente. Em 1987, essa comissão produziu um dos mais importantes documentos, o relatório “Nosso futuro comum”, no qual apareceram os primeiros conceitos oficiais e formais sobre desenvolvimento sustentável. O segundo capítulo desse relatório, denominado “Em busca do desenvolvimento sustentável”, definiu desenvolvimento sustentável como “aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem as suas próprias necessidades”. Dimensões do desenvolvimento sustentável Foram apresentados dois conceitos-chave: necessidades, sobretudo as necessidades essenciais dos pobres no mundo, que devem recebera máxima prioridade; noção das limitações que o estágio da tecnologia e da organização social impõe ao meio ambiente, impedindo-o de atender às necessidades presentes e futuras. A importância da sustentabilidade em qualquer programa de desenvolvimento foi reconhecida em 1992 na cidade do Rio de Janeiro durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Dimensões do desenvolvimento sustentável Em um mundo sustentável, uma atividade econômica não deve ser praticada separadamente, porque tudo está inter- relacionado, em permanente diálogo nas diversas esferas do meio ambiente. Nesse novo cenário, os empresários já perceberam que não devem mais ser passivos, e sim aprenderam e estão aptos a participar das mudanças estruturais na relação de forças nas áreas ambiental, econômica e social. Uma nova dimensão ética e política é introduzida, uma que considera como um processo de mudança social o desenvolvimento sustentável, além da democratização dos recursos naturais. Dimensões do desenvolvimento sustentável O desenvolvimento sustentável, além de equidade social e equilíbrio ecológico, apresenta como terceira vertente principal a questão do desenvolvimento econômico. A construção do conceito de sustentabilidade é um processo em andamento e longe do final. Foram criados índices de sustentabilidade utilizados na Dow Jones. Tais índices de sustentabilidade fornecem marcas objetivas de nível para os produtos financeiros que são ligados aos critérios econômicos, ambientais e sociais. Interatividade Para tornar um produto ambientalmente correto, devemos: I. Dar preferência à matéria-prima virgem, visando à reciclagem futura. II. Prolongar o tempo de vida do produto. III. A matéria-prima pode ser natural ou não. IV. Utilização de materiais que possam provocar a degradação da camada de ozônio e as mudanças climáticas durante o uso. Interatividade Está correta a alternativa: a) I e IV. b) II e III. c) I, II e III. d) I, III e IV. e) I, II, III e IV. Dimensões do desenvolvimento sustentável Existem vários benefícios para as empresas que integram a lista do Dow Jones: O reconhecimento público da preocupação com a área ambiental e social. O reconhecimento dos stakeholders importantes, tais como legisladores, clientes e empregados (por exemplo, a obediência a esses índices pode conduzir a uma melhor lealdade do cliente e do empregado). Dimensões do desenvolvimento sustentável É evidente que as empresas estão cuidando dos aspectos sociais e ambientais e muitas delas têm ganho econômico e maior durabilidade a longo prazo, ou seja, o risco do investidor é menor. Além disso, as empresas perceberam que a sustentabilidade traz melhor relação custo-benefício para os produtos, além de popularidade com os consumidores. Por outro lado, é necessária uma maior difusão do conceito para a disseminação de sua prática entre a população. Gestão ambiental A gestão ambiental pode ser definida como um aspecto funcional da gestão de uma empresa, que desenvolve e implanta as políticas e as estratégias ambientais. Atualmente, as instituições estão cada vez mais preocupadas em atingir e demonstrar um desempenho mais satisfatório em relação ao meio ambiente. Nesse cenário, a gestão ambiental tem se configurado como uma das mais importantes atividades em qualquer empreendimento. Gestão ambiental A problemática ambiental envolve também o gerenciamento dos assuntos pertinentes ao meio ambiente, por meio de sistemas de gestão ambiental, da busca pelo desenvolvimento sustentável, da análise do ciclo de vida dos produtos e da questão dos passivos ambientais. Se uma empresa deseja realmente trabalhar com gestão ambiental, ela deve passar por uma mudança em sua cultura empresarial e por uma revisão de seus paradigmas. Sendo assim, a gestão ambiental tem se configurado com uma das mais importantes ferramentas relacionadas com qualquer negócio. Gestão ambiental Pode ser realizada em quatro níveis: Gestão de processos A avaliação da qualidade ambiental de todas as atividades, máquinas e equipamentos relacionados a todos os tipos de manejo de insumo, matérias-primas, recursos humanos, recursos logísticos, tecnologias e serviços de terceiros, como exploração, transformação, acondicionamento, transporte e aplicação de recursos, detecção de quadros de riscos ambientais e prospecção de situações de emergência. Gestão ambiental Gestão de resultados A avaliação da qualidade ambiental dos processos de produção, pelos seus efeitos ou resultados ambientais, ou seja, emissões gasosas, efluentes líquidos, resíduos sólidos, particulados, odores, ruídos, vibrações e iluminação. Gestão de sustentabilidade A avaliação da capacidade de resposta do ambiente aos resultados dos processos produtivos que nele são realizados e que o afetam, por meio da monitoração sistemática da qualidade do ar, da água, do solo, da flora, da fauna e do ser humano. Gestão ambiental Gestão do plano ambiental Avaliação sistemática e permanente de todos os elementos constituintes do plano de gestão ambiental elaborado e implementado, aferindo-o e adequando-o em função do desempenho ambiental alcançado pela organização. Paradigma da gestão ambiental Por outro lado, ao ser planejada, se uma unidade produtiva dispõe de ferramentas e procedimentos adequados, vai atender os requerimentos relativos à qualidade ambiental. De forma geral, todos os instrumentos de gestão ambiental têm como objetivo melhorar a qualidade ambiental e o processo de tomada de decisão. Devem ser aplicados a todas as fases dos empreendimentos e podem ser preventivos, corretivos, de remediação e proativos, dependendo da fase em que são implementados. O que se constata na prática é que, a partir de uma adequada política de gestão ambiental, as empresas obtêm uma série de benefícios, sejam econômicos ou estratégicos. Benefícios econômicos da gestão ambiental Redução do consumo de água, energia e outros insumos; reciclagem, venda e aproveitamento e resíduos, e diminuição de afluentes; redução de multas e penalidades por poluição. Incremento de receita com aumento da contribuição marginal de “produtos verdes” que podem ser vendidos a preços mais altos. Benefícios econômicos com a economia de custos. Outra vantagem do benefício econômico é o aumento da participação no mercado, em função da inovação dos produtos e da menor concorrência; além da posse de novos produtos que contribuem para a diminuição da poluição. Benefícios estratégicos da gestão ambiental Benefícios estratégicos a partir da melhoria da imagem institucional, renovação da carteira de produtos. Aumento da produtividade, alto comprometimento do pessoal, melhoria nas relações de trabalho, melhoria da criatividade para novos desafios. Melhoria das relações com os órgãos governamentais, comunidade e grupos ambientalistas, acesso assegurado ao mercado externo e melhor adequação aos padrões ambientais. Interatividade Sobre gestão ambiental, podemos afirmar: I. A condução de uma gestão é formada por um conjunto de ações e medidas e regidas por um objetivo e orientação. II. A gestão empresarial busca um retorno satisfatório do investimento, o lucro, com medidas que potencializem os fatores favoráveis e minimizem os fatores desfavoráveis – os custos. III. Para solucionar problemas ambientais, precisamos de ações corretivas, direcionando esforços para fatores que realmente causam poluição das águas. InteratividadeEstá correta a alternativa: a) I. b) II. c) I e II. d) I e III. e) I, II e III. ATÉ A PRÓXIMA! Unidade II DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Profa. Daniela Patto Introdução Vou descrever uma sequência de eventos que promoveram os moldes da sociedade em que vivemos hoje e os danos causados ao meio ambiente. Nossa história revela momentos da capacidade humana de ações brilhantes e outras desastrosas. 2000 a.C.: 27 milhões de pessoas habitam o planeta. Os impactos gerados por suas atividades não provocam prejuízos à natureza. Introdução 1500 d.C.: os portugueses descobrem o Brasil, chegam ao litoral e invadem a praia. Em alguns dias, com o intuito de realizar a primeira missa, faz- se uma gigantesca cruz e abre-se uma clareira. Iniciam a devastação da Mata Atlântica, uma amostra do comportamento predatório que se instalaria em breve. Introdução 1503: inicia-se a comercialização do pau-brasil. 200 mil km2 de Mata Atlântica original são devastados, restando apenas 7%, que continuam ameaçados. 1825: a população humana sobre a Terra chega ao seu primeiro bilhão de habitantes. 1875: o ciclo do pau-brasil foi encerrado, resultando no abandono e na devastação das matas. Introdução 1908: a conservação do meio ambiente passa a ser um tema discutido na política americana (Roosevelt). 1969: o meio ambiente se transformou no principal assunto debatido em programas de TV e por artistas famosos. É publicado nos EUA o primeiro jornal sobre educação ambiental. 1972: “Os limites do Crescimento”, esse é o título do relatório publicado pelo Clube de Roma. Conferência de Estocolmo (1972) Sobre o ambiente reuniu chefes de Estado de 113 países. A conferência gerou a Declaração sobre o Ambiente Humano, um documento que estabelece um plano de ação mundial para melhoria da qualidade de vida dos povos e a preservação ambiental. Todas essas ações estão baseadas na educação ambiental. Conferência de Estocolmo (1972) A educação ambiental é considerada uma etapa crítica no combate à crise ambiental e foi o principal objetivo desse encontro. Essa conferência trouxe muitas controvérsias, países em desenvolvimento acusaram os países industrializados de limitar seu desenvolvimento usando a desculpa da poluição. Brasil se coloca na contramão da história. Conferência de Estocolmo (1972) Considerações sobre a Declaração sobre o Ambiente Humano: O homem tem direito à equidade e a desfrutar do meio ambiente em que vive, preservando os direitos do próximo e das gerações futuras. O ser humano tem o dever de preservar seu planeta, cuidar do ecossistema como um todo: flora, fauna, ar, água e solo. Conferência de Estocolmo (1972) Devemos manter o equilíbrio entre as ações do homem e a natureza, permitindo que ela possa se regenerar e continuar produzindo recursos renováveis. O homem deve exercer maior responsabilidade com suas ações ao meio ambiente. Os países do mundo deveriam adotar o desenvolvimento sustentável, buscando a melhoria contínua dos seus processos. Conferência de Belgrado (1975) Um encontro promovido pela Unesco para formular os princípios e as orientações para o programa de Educação Ambiental (EA). A EA deve ser estudada de forma contextualizada, levando em consideração os problemas regionais e visando a resolver problemas de interesse nacional. O encontro gerou um documento, a Carta de Belgrado, que trata do desenvolvimento do ambientalismo. Conferência de Belgrado (1975) Diante da realidade mundial, a Carta de Belgrado registrou que era necessária a eliminação da pobreza, da fome, do analfabetismo, da poluição e da exploração humana. A humanidade deveria utilizar os recursos naturais de forma que beneficiasse a todos, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida. Conferência de Belgrado (1975) No Brasil não havia nenhum interesse em implantar programas de educação ambiental, a classe política boicotava o assunto. Ecologismo foi ganhando espaço, mas tinha conceitos deturpados, embora relacionado à educação ambiental e à natureza. Pregava o “verde pelo verde” sem levar em consideração aspectos políticos, sociais e econômicos, que estavam intimamente envolvidos. Conferência de Belgrado (1975) O maior problema na implantação da educação ambiental no Brasil foi o isolamento das questões ambientais dos aspectos sociais, econômicos e políticos envolvidos. Sem o conhecimento do todo, é impossível resolver os problemas. Nasce a ideia que, em um futuro próximo, seria chamado de desenvolvimento sustentável. Conferência de Belgrado (1975) Estabelecer uma nova ética nas relações humanas com a natureza, para isso teremos que abrir mão do conforto conquistado. Chama a atenção para a responsabilidade de cada indivíduo perante o todo, se cada um fizer a sua parte, todos serão beneficiados. Economizar água e energia e separar o lixo para a reciclagem já é um começo. Interatividade Nossa geração foi testemunha de um progresso tecnológico que trouxe benefícios a muitas pessoas, mas provocou graves consequências sociais e ambientais. I. Os sete países mais ricos do mundo são responsáveis por 80% da poluição. II. Países ricos cederam tecnologia aos países em desenvolvimento para conter a degradação ambiental. III. A política utilizada era de privatização dos benefícios e socialização dos custos. IV.O Brasil aderiu imediatamente ao desenvolvimento sustentável. Interatividade Assinale a alternativa correta: a) I e III. b) II e IV. c) I, II e III. d) I, II e IV. e) I, II, III e IV. Conferência de Tbilisi (1977) Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental, organizada pela Unesco, em Tbilisi (ex-URSS). Essa reunião foi considerada uma referência no desenvolvimento da Educação Ambiental e até os dias atuais ainda é um marco em sua evolução. O documento gerado nesse encontro foi a Declaração da Conferência Tbilisi sobre Educação Ambiental, cujos trechos comentaremos a seguir. Conferência de Tbilisi (1977) Como já dito na Conferência de Estocolmo, a conservação e a melhoria do meio ambiente para as gerações atuais e futuras são parte do principal objetivo da humanidade. Juntamente com o uso dos avanços da ciência e da tecnologia, a educação precisa desempenhar um papel crucial no desenvolvimento de uma consciência crítica e promover o melhor entendimento dos problemas ambientais. A educação ambiental deve favorecer comportamentos e condutas de respeito à natureza e à utilização de seus recursos por todas as nações. Conferência de Tbilisi (1977) A educação ambiental deve ser dirigida a indivíduos de todas as idades e níveis sociais, na educação escolar e extraescolar. Pode fazer uso dos meios de comunicação, que possuem grande responsabilidade social em informar a população e pode ter uma função educativa também. A EA deveria ser geral e permanente, de forma que se adapte às mudanças provocadas pela evolução rápida do mundo. Deveria ajudar o cidadão a compreender os principais problemas do mundo moderno, proporcionando a ele os conhecimentos técnicos necessários para exercer uma função produtiva. Tendo como objetivo de melhorar a qualidade de vida e conservar o meio ambiente. Conferência de Tbilisi (1977) Não podemos entender uma questão ambiental sem as suas dimensões políticas, econômicas e sociais. Analisar a questão ambiental apenas pelo aspecto “ecológico” seria praticar um reducionismo perigoso, no qual os nossos problemas sociais nãoapareceriam. Esses problemas são criados pelo modelo de desenvolvimento econômico adotado pela maioria dos países e visa à exploração imediata. A EA deverá criar processos de participação da população que possam, efetivamente, perturbar no processo político atual. Conferência de Tbilisi (1977) A educação ambiental deve atingir a toda a população onde ela estiver: nas escolas, na igreja, nas associações comunitárias e esportivas etc. O conhecimento passado deve tratar das dificuldades políticas, econômicas e sociais, culturais e ecológicas daquela comunidade. A EA deverá ensinar a legislação ambiental e os mecanismos de participação da população. Assim, de forma organizada, a comunidade poderá fazer valer seus direitos de cidadãos e ter um ambiente mais equilibrado, garantindo boa qualidade de vida. A EA deverá resgatar e criar valores éticos para o desenvolvimento sustentável. Conferência de Tbilisi (1977) Estamos promovendo a responsabilidade individual e coletiva. Se cada um fizer a sua parte, economizando água e energia, cuidando da reciclagem do seu lixo, evitando o desperdício de recursos e o consumismo, daremos o primeiro passo em direção à sustentabilidade. A frase “induzir a novas formas de conduta” foi considerada subversiva pelos representantes do Brasil no período militar. A abordagem da EA não interessou aos países desenvolvidos, uma vez que limitava seus interesses de crescimento, principalmente e logo a boicotaram. No Brasil, os princípios da Educação Ambiental foram boicotados e ela passou a ser estudada como ecologia, sem contexto e sem utilidade. Conferência de Tbilisi (1977) Se executarmos uma dada atividade de Educação Ambiental, visando a oferecer conhecimento e que possa levar o cidadão a desenvolver certa habilidade, a aquisição dessa habilidade pode sensibilizá-lo e levá-lo a participar de alguma iniciativa. Essa participação traz novos conhecimentos e desenvolve outras habilidades e todos podem ser beneficiados. Conferência de Moscou (1987) O congresso teve como objetivo a discussão: das dificuldades encontradas e dos progressos alcançados pelas nações no campo da Educação Ambiental; e a determinação de necessidades e prioridades em relação ao seu desenvolvimento, desde Tbilisi. O encontro realizou uma análise da situação ambiental global e não encontrou sinais de que a crise houvesse diminuído. Muito pelo contrário: o abismo entre as nações aumentou e os problemas dos modelos de desenvolvimento econômico adotados se espalharam pelo mundo, piorando as perspectivas para o futuro. Conferência de Moscou (1987) As recomendações de Tbilisi (1977) sobre os objetivos e os princípios para a Educação Ambiental devem ser consideradas como bases para o desenvolvimento da EA em todos os níveis, dentro e fora do sistema escolar. Contrariando os donos da educação do mundo, que sempre apostaram no fracasso de Tbilisi como proposta para a EA, dez anos depois, os seus princípios ainda foram confirmados. Rio 92 Mais de 100 chefes de Estado se reuniram para discutir o desenvolvimento econômico sem causar danos ao meio ambiente. Desenvolvimento sustentável como forma para aumentar a conscientização dos povos de que os países desenvolvidos são responsáveis pela maior parte da poluição mundial. Os países em desenvolvimento deveriam ter ajuda financeira para atingir o desenvolvimento sustentável. A Rio-92, também chamada de Cúpula da Terra ou ECO-92, tinha o mesmo objetivo da Conferência de Estocolmo, realizada em 1972. Vinte anos depois dela, estratégias para reduzir a degradação ambiental e preservar o ambiente para as gerações futuras ainda estavam sendo discutidos. Rio 92 O objetivo central era promover o desenvolvimento sustentável, utilizando a educação ambiental como principal ferramenta de conscientização. Desta vez, os representantes de governo concordaram com a importância da questão ambiental. As discussões resultaram nos seguintes documentos: Agenda 21. Convenção da Biodiversidade. Convenção das Mudanças Climáticas. Declaração de princípios sobre florestas. A Declaração do Rio sobre Ambiente e Desenvolvimento. Carta da Terra. Declaração do Rio e a Agenda 21 Ambos enfatizam o conceito fundamental de desenvolvimento sustentável, que combina o progresso econômico e material com a necessidade de uma consciência ecológica. As relações entre países ricos e pobres têm sido conduzidas por um novo conjunto de princípios inovadores desde a conferência, como os conceitos de “responsabilidades comuns, mas diferenciadas entre os países”, de “o poluidor paga” e de “padrões sustentáveis de produção e consumo”. Com a adoção da Agenda 21, a conferência estabeleceu objetivos concretos de sustentabilidade em diversas áreas, mostrando a necessidade de se buscarem novos recursos financeiros para a complementação do desenvolvimento sustentável em uma escala global. Agenda 21 A Agenda 21 consiste em uma declaração da ONU acerca do meio ambiente e o desenvolvimento para definir quais são os direitos e os deveres dos Estados. Somente em 2002, a ONU aprovou a Carta da Terra e comparou sua importância para a humanidade à Declaração Universal dos Direitos Humanos no tocante ao meio ambiente. Desde então, podemos notar muito progresso em relação ao pensamento e postura das pessoas quanto à forma como o meio ambiente está sendo explorado. Nota-se uma urgência em tentar recuperar o tempo perdido e tentar desenvolver nas pessoas uma nova forma de pensar e agir no que se refere às questões ambientais. Agenda 21 A Agenda 21 é um dos mais importantes documentos referentes ao meio ambiente e foi gerado na reunião de 178 nações na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CNUMAD), em 1992. As dimensões da sustentabilidade são parte do conteúdo da Agenda 21 global, modelo para que os países a aplicassem e escrevessem também sua agenda 21 nacional e local. Todas essas dimensões que formam parte de um desenvolvimento sustentável são mostradas por pesquisadores e governantes. Interatividade A educação ambiental deve estar presente dentro e fora das escolas e em todas as etapas da vida do cidadão, iniciando em casa, na primeira infância. I. A EA deve chegar às empresas com programas de sensibilização específicos. II. O cidadão comum não precisa se preocupar com a EA. III. O currículo escolar não precisa passar por uma revisão, ele já é adequado. IV. Os cientistas e os professores devem ter uma formação continuada para preparar a população. Interatividade Assinale a alternativa correta: a) I e II. b) I e IV. c) I, II e III. d) II, III e IV. e) I, II, III. Agenda 21 A Agenda 21 representa um conjunto de requisitos recomendados para uma boa convivência da humanidade com o planeta e seus 40 capítulos estão divididos em quatro seções. A primeira trata de aspectos sociais e econômicos de desenvolvimento; a segunda, de aspectos ambientais e gerenciamento de recursos naturais; a terceira, do fortalecimento do papel dos principais grupos sociais, e a última discorre a respeito dos meios de implantação. A Agenda 21, por meio de seus documentos, visa a conciliar métodos de proteção ambiental, justiça social e eficiência econômica. Agenda 21 Esses documentos estão estruturados em quatro seções que são subdivididas em 40 capítulos temáticos. Entre os temas tratados na Agenda 21, podemos citar: Dimensões econômicas e sociais, com o foco nas políticas internacionaisque ajudarão o desenvolvimento sustentável nos países em desenvolvimento e as estratégias de combate à pobreza e à miséria. As mudanças necessárias a serem introduzidas nos padrões de consumo, as inter-relações entre sustentabilidade e dinâmica demográfica, além de medidas e propostas para a promoção da saúde pública e a melhoria da qualidade dos assentamentos humanos. Agenda 21 A questão da conservação e dos recursos para o desenvolvimento, que apresenta os diferentes enfoques para a proteção da atmosfera e para a viabilização da transição energética. A importância do manejo integrado do solo, da proteção dos recursos do mar e da gestão ecocompatível dos recursos de água doce. A importância do combate ao desmatamento, à desertificação e a proteção aos frágeis ecossistemas de montanhas; as interfaces entre diversidade biológica e sustentabilidade; a necessidade de uma gestão ecologicamente racional para a biotecnologia. Agenda 21 A importância prioritária que os países devem conferir à gestão, ao manejo e à disposição racional dos resíduos sólidos, dos perigosos em geral e de tóxicos e radioativos. Requerimento de medidas para a proteção e a promoção de alguns dos segmentos sociais mais relevantes, analisando as ações que objetivam a melhoria dos níveis de educação da mulher e sua participação em condições de igualdade, em todas as atividades relativas ao desenvolvimento e à gestão ambiental. Adicionalmente, são discutidas as medidas e a promoção dos direitos e proteção da juventude e dos povos indígenas, das ONGs, dos trabalhadores e sindicatos, da comunidade científica e tecnológica, dos agricultores e do comércio e da indústria. Agenda 21 Preocupação com o respeito e preservação da água, por ser um recurso escasso em várias partes do planeta, como em algumas cidades do Brasil, e necessário para a geração de energia elétrica. A procura de alternativas de recursos renováveis que substituam as necessidades do uso da água será uma forma de seguir o contido na Agenda 21. A elaboração da Agenda 21 brasileira foi obra do trabalho da Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e da Agenda 21 Nacional, teve como objetivo redefinir o desenvolvimento do país, adicionando o conceito de sustentabilidade, qualificando suas potencialidades e as vulnerabilidades do Brasil no quadro internacional. Agenda 21 Dentro das estratégias para gestão dos recursos naturais estabelecidas na Agenda 21 brasileira, está o estabelecimento de normas e regulamentação para o uso harmônico da energia e promoção de sistemas alternativos de geração energética, transferindo ao consumidor orientações e escolhas feitas nos planos técnicos e científicos. Essas normas são de responsabilidade dos gestores governamentais, por meio da criação de leis para promover o investimento de capitais privados em usinas alternativas, mediante mecanismos econômico-financeiros com incentivos fiscais e/ou econômicos e dar condições para a disseminação dessas tecnologias, suas vantagens, custos, facilidades e dificuldades, na atualidade. Carta da Terra A Carta da Terra foi baseada em quatro princípios fundamentais que visam a fomentar um modelo de desenvolvimento sustentável de forma ética: Respeitar e cuidar da comunidade. Integridade ecológica. Justiça social e econômica. Democracia, não violência e paz. Somente em 2002, a ONU aprovou a Carta da Terra e comparou sua importância para a humanidade à Declaração Universal dos Direitos Humanos no tocante ao meio ambiente. Protocolo de Kyoto (1997) O Protocolo de Kyoto foi um tratado resultante de uma série de eventos e que culminou com a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (UNFCCC) na ECO-92 no Rio de Janeiro. É baseado em um tratado internacional no qual as nações signatárias assumem compromissos mais rígidos com o objetivo de reduzir a emissão dos gases que provocam o efeito estufa como dióxido de carbono, enxofre etc. Esses gases são considerados, de acordo com a maioria das investigações científicas, como causa do aquecimento global. Protocolo de Kyoto (1997) Em 1997, esse documento foi discutido e negociado em Kyoto, no Japão. Foi aberto para assinaturas em 16 de março de 1998 com ratificação em 15 de março de 1999. Entrou em vigor oficialmente em 16 de fevereiro de 2005. No tratado do Protocolo de Kyoto, um calendário é proposto em que os países desenvolvidos têm a obrigação de reduzir a quantidade de gases poluentes em, pelo menos, 5,2% até 2012. Todos os países signatários teriam que colocar em prática planos para reduzir a emissão desses gases entre 2008 e 2012. Protocolo de Kyoto (1997) A ideia é de que a redução das emissões de gases ocorra em diversas atividades econômicas e que os países cooperem entre si. As principais atividades são: melhoria dos setores de energia e transportes, respeitando a sustentabilidade; estímulo para o uso de fontes de energia renováveis; priorização dos mecanismos financeiros e de mercado que estejam de acordo com os objetivos da convenção; gerenciamento de resíduos e controle das emissões de metano; política agressiva de proteção de florestas e sumidouros de carbono. Protocolo de Kyoto (1997) Se implementado com sucesso, o Protocolo de Kyoto poderia reduzir a temperatura global entre 1,4 ºC e 5,8 ºC até 2100. Contudo, existe uma discussão dentro da comunidade científica na qual se afirma que a meta de redução de 5,2% em relação a 1990 não é suficiente para eliminar o aquecimento global. Uma polêmica foi gerada em torno da não ratificação do Protocolo pelos Estados Unidos. A justificativa, segundo o presidente George W. Bush, era de que os compromissos com as metas do protocolo comprometeriam de forma negativa a economia do país. Protocolo de Kyoto (1997) Outro fator levado em consideração foi o questionamento por parte da Casa Branca sobre o consenso científico de que os poluentes causassem ou não a elevação da temperatura global. Por outro lado, alguns municípios e estados nos EUA, a exemplo do estado da Califórnia, começaram a pesquisar maneiras para reduzir a emissão de gases tóxicos, mesmo sem a assinatura dos Estados Unidos no protocolo, tentando também não diminuir sua margem de lucro com essa atitude e promover a sustentabilidade. Protocolo de Kyoto (1997) Em julho de 2001, na Alemanha, o Protocolo de Kyoto foi referendado ao se abrandar o cumprimento das metas previstas no passado com a criação de sumidouros de carbono. A ideia é que essa proposta possibilitaria que os países que possuem grandes áreas florestadas, as quais absorvem naturalmente o dióxido de carbono, usassem essas áreas como crédito em troca do controle de suas emissões de gases. Outra vertente da proposta é a de que os países desenvolvidos e mais industrializados, maiores emissores de CO2 e de outros poluentes, poderiam transferir parte de suas indústrias mais poluentes para países onde o nível de emissão é baixo ou investir nesses países. Interatividade Seguindo as recomendações da Conferência de Tbilisi para as universidades foi recomendado: I. A análise do potencial atual das universidade para o desenvolvimento da pesquisa. II. Aplicação de um tratamento isolado do problema fundamental da relação entre o homem e a natureza. III. Elaboração de meios auxiliares, como manuais sobre os fundamentos teóricos de proteção ambiental. IV. Conservação ambiental deve ser preocupação para acadêmicos. InteratividadeEstá correta a alternativa: a) I e IV. b) I e III. c) I, II e III. d) I, III e IV. e) I, II, III e IV. Protocolo de Kyoto (1997) Contudo é preciso realizar estudos criteriosos sobre a quantidade de carbono que uma floresta é capaz de absorver para evitar super ou subvalorização de valores pagos por meio dos créditos de carbono. Após a Conferência de Johannesburg (Rio +10), essa proposta tornou-se inconsistente em relação aos objetivos do tratado, a política deve ser deixar de poluir e não poluir onde há florestas, pois o saldo, dessa forma, continuaria negativo para com o planeta. Alguns países que não ratificaram o Protocolo de Kyoto, entre eles os Estados Unidos e a Austrália, têm uma política de sequestro de carbono. Sequestro de carbono Algumas das medidas utilizadas para o sequestro de carbono: usar repositórios subterrâneos para sequestrar carbono; estocar a biomassa criada no solo e remover o dióxido de carbono com a vegetação, melhorando o ciclo terrestre natural; dissolução de dióxido de carbono pela fertilização de fitoplâncton e colocando dióxido de carbono a mais de 1000 metros de profundidade; sequenciar o genoma de micro-organismos para o gerenciamento do ciclo de carbono; enviar milhares de minissatélites (espelhos) para refletir parte da luz solar, em média 200.000 minissatélites, reduziriam 1% do aquecimento. Mecanismos de flexibilização Esses instrumentos também têm o propósito de incentivar os países emergentes a alcançar um modelo de desenvolvimento sustentável. São três os mecanismos de flexibilização: O comércio de emissões é realizado entre países, de maneira que um país, que tenha diminuído suas emissões abaixo de sua meta, transfira o excesso de suas reduções para outro país que não tenha alcançado tal condição. O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) é realizado em países que não têm metas de redução de emissões de GEE. A Implementação Conjunta (IC) é a implantação de projetos de redução de emissão de GEE entre países que apresentam metas a cumprir. Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) Tem por objetivo auxiliar o processo de redução de emissão de Gases do Efeito Estufa (GEE) ou de captura de carbono. Os países em desenvolvimento podem implementar projetos de redução ou captura de emissão de gases causadores do efeito estufa, obtendo os Certificados de Emissões Reduzidas (CERs). Emitidos pelo Conselho Executivo do MDL, esses certificados podem ser negociados no mercado global. Como os países industrializados possuem cotas de redução de emissão de gases causadores do efeito estufa, eles podem adquirir os CERs de desenvolvedores de projetos em países em desenvolvimento para auxiliar no cumprimento de suas metas de Gases do Efeito Estufa (GEE) ou de captura de carbono. Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) Assim, o MDL visa ao alcance do desenvolvimento sustentável em países em desenvolvimento (país anfitrião), a partir da implantação de tecnologias mais limpas nesses países, e a contribuição para que os países cumpram suas reduções de emissão. Com essa proposta, os projetos de MDL podem ser baseados em fontes renováveis e alternativas de energia, eficiência e conservação de energia ou reflorestamento. Porém, para aprovação de projetos no âmbito do MDL, existem regras claras e rígidas. Esses projetos devem utilizar metodologias aprovadas, ser validados e verificados por Entidades Operacionais Designadas (EODs), e devem ser aprovados e registrados pelo Conselho Executivo do MDL. Particularidades O Protocolo de Kyoto apresenta uma peculiaridade interessante: ele não exige a mesma meta de todas as nações que assinaram o protocolo. Os países desenvolvidos estão obrigados a perseguir um corte de 5% das emissões de dióxido de carbono. Já os países em desenvolvimento (Brasil e Índia, por exemplo) têm que diminuir as emissões quanto for possível, mas sem limites preestabelecidos. As empresas de países industrializados estão autorizadas a financiar o desenvolvimento “limpo” em países de terceiro mundo. Particularidades Mesmo fora do Protocolo de Kyoto, muitas empresas nos Estados Unidos estão preocupadas com o perigo que representa o aquecimento global e, dessa forma, já adotam medidas para reduzir suas emissões de dióxido de carbono ou a de seus produtos. Na União Europeia, que é a maior defensora do Protocolo, seus países estabelecem cotas de redução de emissões ainda mais ambiciosas do que as definidas pelo acordo: a Inglaterra acredita em um índice de redução de 60% até 2050. Apesar da mobilização mundial em torno do controle do dióxido de carbono, é grande a comunidade de cientistas que não acredita na causa. Rio+10 Conhecida como Rio+10 ou Cúpula da Terra II, foi realizada em 2002 pela ONU, em Johannesburgo, na África do Sul, a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável. Um dos principais objetivos dessa conferência foi discutir os avanços alcançados pela Agenda 21 e os outros acordos firmados na Cúpula de 1992, na Rio-92. A Declaração de Johannesburgo afirma e relembra compromissos firmados entre os países e os desafios que foram e são enfrentados pelas diversas nações, reafirmando o compromisso com o desenvolvimento sustentável. Porém, o plano foi considerado vago ao não estipular prazos e metas, não agradando a todos, principalmente às ONGs ambientais. Desenvolvimento sustentável Uma profunda mudança comportamental é necessária para que tenhamos os benefícios de um desenvolvimento sustentado. As nações que possuem tecnologias e poder econômico terão que ajudar os países carentes, sem se descuidarem de si próprios. A cooperação e a cessão de tecnologias e recursos deverão ser sem fronteiras, pois, afinal, na nave Terra, todos são passageiros. No Brasil, a forte articulação dos diversos setores envolvidos com os temas mencionados deve ser empreendida a fim de que se saiba, com certeza, os caminhos a percorrer e os recursos a serem buscados. Ações para o desenvolvimento sustentável Estabilizar a população mundial: deverá crescer 50% até 2050. Melhorar a educação: com a melhoria do nível educacional, reduz-se o crescimento. Tecnologias mais eficientes: tecnologias industriais mais limpas. Adotar novo indicador de desenvolvimento: o esgotamento e a degradação dos recursos naturais e do meio ambiente não são adequadamente refletidos pelo PIB. Índice de Desenvolvimento Humano – IDH: associa fatores como expectativa de vida, grau de alfabetização e mortalidade infantil ao PIB. Reformar o sistema tributário: taxar mais o que se quer reduzir e menos o que se quer aumentar. Interatividade Desde 1972, a sociedade mundial discute os problemas ambientais. Podemos afirmar: I. A Conferência de Tbilisi foi um marco, pois elegeu a EA como ponto de partida e solução para crise ambiental. II. O Protocolo de Kyoto foi um sucesso, reduzindo as emissões de países desenvolvidos. III. A Rio +10 foi um sucesso mostrando os avanços da Rio-92. IV. Na Rio-92 foi gerado o documento mais importante, a Agenda 21. Interatividade Assinale a alternativa correta: a) I e II. b) I e IV. c) I, II e III. d) I, II e IV. e) I, II, III e IV. ATÉ A PRÓXIMA! Unidade III DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Profa. Daniela Patto A dimensão social do desenvolvimento sustentável A dimensão social do desenvolvimento sustentável tem como objetivo construir uma civilização em que seus integrantes tenham maior equidade na distribuição dos recursos e da renda, para melhoriados direitos e das condições de vida, reduzindo a distância entre padrões de vida. Uma sociedade na qual os integrantes compartem os recursos naturais e na qual todos os produtos se originam dos processos produtivos deve manter equidade na distribuição de todos esses recursos. O bem comum é a base da dimensão social do desenvolvimento sustentável. A dimensão social do desenvolvimento sustentável A energia elétrica, motivo de muita discussão em todo o mundo, principalmente no Nordeste do Brasil, pela escassez de água, bem como pela falta de políticas que priorizem a solução desse problema. O Brasil registrou, a partir de maio de 2001, uma deficiência no fornecimento de energia elétrica no plano nacional, em virtude dos baixos investimentos no setor elétrico, níveis de precipitações de água inferiores ao normal, erros na condução do sistema e redução dos reservatórios. A dimensão social do desenvolvimento sustentável A ocorrência de racionamento para a melhor utilização foi benéfica em parte pela educação e pela conscientização social que promoveu, mas deixou totalmente ou parcialmente sem energia muitas famílias, em geral, de classes menos favorecidas. É importante, pois, contar com outras fontes de geração de energia que permitam suprir as deficiências de geração elétrica. A energia eólica, ou seja, aquela que se utiliza da força dos ventos para gerar energia elétrica, já demonstrou, em muitos países, a importância da sua participação no setor energético. A dimensão social do desenvolvimento sustentável Um empreendimento dessa natureza pode levar a energia elétrica a comunidades que estão afastadas da capital ou a locais de grande potencial turístico, porém distantes das linhas de transmissão; e a energia elétrica poderia ser suprida por geração de fontes como a eólica, que levaria a essas populações não somente o conforto, mas também a geração de emprego e renda. Um exemplo é a usina eólica instalada em Fernando de Noronha – PE, considerada uma reserva natural e ponto turístico dos mais apreciados no Nordeste, para a qual um aerogerador fornece energia elétrica sem necessidade de aceso a redes de transmissão. A dimensão social do desenvolvimento sustentável Com efeito, vê-se que a preocupação principal é com o bem- estar, as condições humanas e os meios utilizados para aprimorar a qualidade dessas condições; deve-se preservar o capital humano e social. Dificilmente, pode-se mensurar o capital humano, que mesmo estando ligado diretamente às riquezas, é somente parte de um conjunto de fatores da sustentabilidade conformado por necessidades essenciais de uma sociedade, como saúde, educação, habitação, infraestrutura e saneamento básico. A dimensão social do desenvolvimento sustentável O principal é diminuir as diferenças entre níveis sociais e obter melhoria das condições de vida das populações. Quanto maior oferta de serviços, os diferentes níveis sociais terão oportunidade de acesso iguais. Os serviços são os básicos: água potável, esgoto e energia elétrica. Os benefícios proporcionados pela energia eólica seriam possibilitados pelo fornecimento de eletricidade para suprir as demandas do sistema elétrico nacional, interligando povoados que estão fora dessa rede com sistemas autônomos eólicos. Com respeito à água, poderíamos deixar de utilizar esse recurso na geração de energia elétrica, aproveitando-o para o consumo humano. A dimensão social do desenvolvimento sustentável Atualmente, observa-se que o setor energético elétrico no Brasil, pouco a pouco, está superando suas carências e a utilização de energias não renováveis está sendo mais discutida, dando oportunidade a outras novas fontes de energia, que favorecerão os objetivos da dimensão social. A aceitação de energias novas, como a eólica, tem ocorrido de forma progressiva na sociedade mundial. Na Espanha, por exemplo, pesquisas indicam que entre 75% e 80% da população estão aceitando a instalação de usinas eólicas. A dimensão social do desenvolvimento sustentável A sustentabilidade econômica pode-se definir como uma progressiva alteração do sistema produtivo e de seus padrões qualitativos e quantitativos, mediante uma gestão eficiente dos recursos, fornecidos por um fluxo regular de investimentos públicos e privados, levando à sociedade a melhoria econômica sustentável. Essa melhoria na gestão eficiente dos recursos refere-se ao aproveitamento sem prejuízo do ecossistema. Esse prejuízo para o meio ambiente poderia acontecer em virtude de desastres ou impactos negativos ao mesmo tempo, ou por prejuízos econômicos, em horizonte de médio ou longo prazo. A dimensão social do desenvolvimento sustentável Esses investimentos significam geração de emprego e renda, redução da concentração fundiária rural e todas as condições que propiciam moradia para as populações urbana e rural. A energia elétrica é um recurso fundamental na economia dos países, é o energético que movimenta grande parte da indústria e comércio do Brasil (43% indústria, 27% residências, 15% comercial, 15% outros). Então, a busca por melhoria na geração de energia elétrica é importante, detectando-se a falta de produtividade que incorpora os custos característicos da ineficiência em conversão, transmissão, distribuição e fornecimento da energia elétrica. A dimensão social do desenvolvimento sustentável A sustentabilidade econômica está à procura da criação de mecanismos para novos sistemas produtivos que sejam integrados e de base local, para que estimulem as atividades econômicas, mediante estímulos para que agricultura, indústria, comércio e setor de serviços gerem melhorias nas condições de vida. O serviço elétrico brasileiro precisa de constantes iniciativas de investimento de capital estrangeiro e nacional, visando a abrir novos negócios, como a busca de utilização de novas fontes de geração como a eólica (ventos), biomassa, fotovoltaica (luz solar), entre outras renováveis, que ainda têm percentagens de utilização relativamente baixas. A dimensão social do desenvolvimento sustentável Para se obter a sustentabilidade econômica, são necessárias a alocação e a distribuição dos recursos naturais dentro de uma escala apropriada. É um mundo, em termos de estoques e fluxos de capital, no qual estão incluídos o capital humano, ambiental ou natural e o capital social. A distribuição está associada à divisão dos recursos entre as pessoas e as quantidades que correspondam a cada um dependerão da escala. A teoria econômica tem se abstraído da questão de escala de duas maneiras opostas: dizendo que, por uma parte, o meio ambiente é uma fonte infinita de recursos naturais e também uma fonte infinita de resíduos. A dimensão social do desenvolvimento sustentável Na elaboração de projetos no setor elétrico para ampliações ou instalação de novas fontes de geração de energia, não somente deve-se avaliar os aspectos macroeconômicos em função da eficiência da operação e retorno dos investimentos. Mas alterar ou suplantar os modelos tradicionais que medem crescimento e desempenho da economia com modelos de indicadores que incorporem a variável ambiental. Existe, atualmente, a tendência de avaliar projetos também em função dos impactos ambientais. A preservação do meio ambiente como princípio da atividade econômica A ordem econômica e financeira está alicerçada nos princípios elencados na Constituição Federal Brasileira, no seu art. 170: A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa,tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: I. soberania nacional; II. propriedade privada; III. função social da propriedade; A preservação do meio ambiente como princípio da atividade econômica IV. livre concorrência; V. defesa do consumidor; VI. defesa do meio ambiente; VII. redução das desigualdades regionais e sociais; VIII.busca do pleno emprego; IX. tratamento favorecido para as empresas brasileiras de capital nacional de pequeno porte. Vale frisar que tanto o desenvolvimento sustentável social quanto a economia buscam a satisfação das necessidades do homem. Interatividade Nas usinas solares, a energia do sol é captada por painéis solares formados por células fotovoltaicas e transformada em energia elétrica. Nas usinas eólicas, os geradores são acionados por hélices movidas pelo vento e geram energia elétrica. As usinas hidrelétricas utilizam a água acumulada em represas e a queda d'água move turbinas que acionam geradores e geram energia elétrica. Assinale a alternativa com uma característica comum aos três processos de geração de energia elétrica: Interatividade Assinale a alternativa correta: a) Dependem das reservas de combustíveis fósseis. b) Não provocam impacto ambiental. c) Utilizam fontes renováveis de energia. d) Utilizam fontes não renováveis de energia. e) Utilizam as fontes mais poluidoras e utilizadas atualmente. Recursos naturais O meio ambiente é a fonte principal de toda a matéria-prima utilizada pelo homem para produção de bens e serviços utilizados em seu cotidiano. O homem está sempre recorrendo à natureza na intenção de que suas necessidades sejam atendidas. Os recursos naturais estão tradicionalmente classificados em: Renováveis – animais, ar, energia solar, água, plantas são exemplos de fontes renováveis de energia. Elas podem ser utilizadas mais de uma vez e reaproveitadas. Não renováveis – minérios, areia, combustíveis fósseis são exemplos de fontes não renováveis de energia. Os combustíveis fósseis são formados a partir de depósitos biológicos ao longo de milhões de anos. Recursos naturais renováveis As fontes alternativas de energia são hidrelétrica, biomassa, eólica (vento), fotovoltaica (solar), geotérmica. Elas ainda contribuem com apenas 13% do total da demanda energética, mas estão crescendo rapidamente em importância. A energia eólica é a fonte de energia que mais rapidamente cresce em todo o mundo. Devemos privilegiar as fontes renováveis: o custo é mais elevado; os critérios de custos não incluem: danos ambientais; danos à saúde. Recursos naturais renováveis Fontes renováveis utilizam direta ou indiretamente a energia solar. O uso de fontes renováveis que produzam energia limpa é uma das formas de amenizar os impactos ambientais. A participação ainda é pequena: Mundo: 13,3%. Brasil: 44,7%. Recursos naturais renováveis As usinas hidrelétricas utilizam a água acumulada em represas e a queda d'água move turbinas que acionam geradores e geram energia elétrica. As centrais hidrelétricas de grande porte apresentam problemas de impacto ambiental e social: alagamento de grandes áreas. modificação do ecossistema (biodiversidade local). deslocamento da população local. Recursos naturais renováveis A energia hidrelétrica é considerada uma energia limpa: não requer queima de combustível; não polui a atmosfera; não produz resíduos radioativos; é eficiente. Consequências ambientais: Grandes barragens e reservatórios inundam extensas áreas de terra que poderiam ter outras aplicações como cidades, terras produtivas para agricultura, entre outras. Recursos naturais renováveis Produção de energia elétrica com o aproveitamento das variações do nível das marés: Quando a maré começa a subir, abrem-se as comportas, que serão fechadas quando a maré atingir o nível máximo. As comportas permanecem fechadas até que a maré chegue ao nível mínimo. Quando a maré atinge o nível mínimo, as comportas são abertas, ocorrendo o escoamento da água e acionando a turbina. Recursos naturais renováveis Impactos ambientais causados como a mudança na hidrologia de uma baía: O represamento pode afetar a vegetação e a fauna. A barragem restringe a passagem a montante e a jusante dos peixes. Os enchimentos e os esvaziamentos rápidos e periódicos da baía, devido à variação das marés, modificam rapidamente os habitats de aves e outros organismos marinhos. Recursos naturais renováveis É a energia emitida pelo sol devido a reações atômicas que ocorrem em seu interior. A energia solar acompanha características específicas do local e as observações detalhadas são necessárias para avaliar a variabilidade diária e sazonal do potencial de energia solar. A energia solar pode ser utilizada por meio de sistemas solares passivos ou ativos. A energia solar passiva promove resfriamento em períodos quentes e retém o calor em periódicos frios. Recursos naturais renováveis Sistemas ativos de energia solar requerem energia, como bombas elétricas, para circular o ar, a água ou outros fluidos dos coletores solares para locais onde o calor é armazenado. A energia fotovoltaica converte a luz solar em eletricidade. O sistema utiliza células solares, conhecidas como células fotovoltaicas, que são feitas de finas camadas de semicondutores (silício ou gálio) e de componentes eletrônicos em estado sólido com pouca ou nenhuma parte móvel. Recursos naturais renováveis A energia dos ventos é uma abundante fonte de energia renovável, limpa e disponível em muitos lugares. A utilização dessa fonte para a geração de eletricidade, em escala comercial, teve início há pouco mais de 30 anos. Os ventos são produzidos durante o aquecimento irregular da superfície da Terra, criando massas de ar com diferentes temperaturas e densidades. O potencial dessa energia é grande, mas há problemas com o seu uso, pois o vento apresenta variações que dependem do tempo, do lugar e da intensidade. Recursos naturais renováveis Para produção de energia eólica é necessário vento com velocidade estabilizada em 5 m/s ou superior, sendo considerado uma boa prospecção. A direção, a velocidade e a duração do vento podem variar muito, dependendo da topografia local e das diferenças de temperatura na atmosfera. Atualmente, a energia eólica é a forma mais barata de energia alternativa. A eletricidade produzida a partir da energia eólica custa, normalmente, menos que aquela gerada a partir do gás natural e do carvão. Recursos naturais renováveis É a energia recuperada a partir da biomassa, matéria orgânica. Podemos dividir os biocombustíveis em três grupos: lenha, resíduos orgânicos e culturas cultivadas para serem convertidas em combustíveis líquidos: a) a utilização de resíduos como combustível é uma ótima maneira de eliminá-los; b) a lenha que se regenera naturalmente continuará a ser uma importante fonte de energia, especialmente nos países em desenvolvimento. c) o cultivo de culturas para serem convertidas em combustíveis líquidos, atualmente, é considerada uma fonte de energia pobre. Recursos naturais renováveis Se as culturas e os recursos florestais forem geridos de forma adequada para serem sustentáveis, podemos tornar os biocombustíveis mais interessantes. As plantações florestais deverão ser gerenciadas para a sustentabilidade, porque o desmatamento acelera o processo de erosão do solo. A queima de combustíveis derivados de biomassa em geral libera menos poluentes, como dióxido de enxofre e óxidos de nitrogênio, do que a combustão de carvão e gasolina. Recursos naturais renováveis O gás hidrogênio é extraído facilmente da água dos oceanos (fonte inesgotável). Libera grande quantidade de energia e não polui. Forma água na reação. Utilizável em usinas térmicas, motores de automóvel, células a combustível etc. O uso em automóveis ainda é problemático, pois é explosivo, de alto custo e ocupa grande espaço de armazenamento. As pesquisas visam a equipamentos que transformam energia química diretamente em energia elétrica, sem haver combustão. Pode ser gerado do metanol, etanol, gás natural, outros combustíveis ou por eletrólise da água. Interatividade Sobre as fontes de energia renovável, podemos afirmar: I. Fontes de energia renovável são as melhores para desenvolver uma política energética sustentável. II. Fontes renováveis de energia não estão disponíveis em todos os lugares. III. Fontes de energia alternativa são associadas com uma degradação ambiental quase nula. IV. As energias renováveis estão sempre disponíveis quando se precisa delas. Interatividade Assinale a alternativa correta: a) I e IV. b) II e III. c) I, II e III. d) I, II e IV. e) I, II, III e IV. Recursos não renováveis Existe um limite finito de combustíveis fósseis na Terra e eles podem eventualmente se esgotar se não forem utilizados com cautela. Uma vez que são utilizados, eles não podem ser reutilizados novamente, por isso são chamados de não renováveis. Recursos não renováveis Carvão: Resultante da transformação da madeira de florestas soterradas há milhões de anos, sujeitas à ação da pressão, da temperatura e de bactérias. A queima do carvão em fornos e fogões caseiros produz grande quantidade de fuligem e, devido a isso nos países desenvolvidos, é pouco utilizado para esse fim, mas muito utilizado para produção de energia elétrica. O problema da fuligem é facilmente resolvido em usinas elétricas, mas as emissões de dióxido de enxofre, de nitrogênio e de mercúrio necessitam de equipamentos mais sofisticados e caros para controle. Recursos não renováveis A queima do combustível fóssil gera calor e é usado para produzir vapor de alta pressão, empregado para mover as turbinas e produzir eletricidade. A queima do carvão gera uma razão maior entre CO2 e a produção de energia quando comparada a outros combustíveis fósseis. Um dos problemas causados pela mineração em locais com alto índice de chuvas é a drenagem ácida: que ocorre quando as águas das chuvas se infiltram nas rochas abandonadas após a retirada do carvão (entulho). Essa água reage com os minerais de sulfetos, como a pirita (FeS2), geram ácido sulfúrico (H2SO4), que poluem os cursos d’água e lençóis freáticos. Recursos não renováveis Petróleo Mistura de hidrocarbonetos parafínicos, aromáticos e naftênicos de origem controvertida. Teoria atual: soterramento de grandes oceanos. É fonte de matéria-prima para combustíveis, indústrias de produtos químicos, fertilizantes, pesticidas, tintas, plásticos, fibras sintéticas, remédios e outros. Recursos não renováveis O óleo cru precisa ser fracionado por meio de um processo chamado de destilação, que envolve a vaporização da mistura líquida pelo aquecimento, seguido do resfriamento do vapor, condensando-o novamente para o estado líquido. Os diferentes pontos de ebulição dos componentes permitem a separação de várias frações de composições diferentes. O diesel destilado a partir do petróleo possui uma quantidade de enxofre residual maior que a gasolina. O resíduo da destilação possui a maior concentração de enxofre de todas as frações, além de metais pesados como vanádio e níquel. Recursos não renováveis A extração, o refino e a utilização do petróleo e do gás natural causam muitos problemas ambientais como: poluição do ar e da água, chuva ácida e aquecimento global. Gás natural: Constituído de metano misturado com hidrocarbonetos parafínicos (principalmente etano, propano e outros mais pesados), ocorre nas formações geológicas petrolíferas. Até pouco tempo, o gás natural descoberto juntamente com o petróleo era queimado como resíduo, em alguns casos essa prática ainda persiste. Recursos não renováveis O gás natural é considerado como um combustível limpo, pois sua queima produz menos resíduos do que o petróleo e o carvão, causando menos impacto ao ambiente. Pode ser formado junto ao carvão e ao petróleo, sendo muito mais abundante junto ao carvão. Impurezas importantes do gás natural são os compostos de enxofre. O gás natural é praticamente metano puro e é transportado sob pressão para os consumidores em dutos. Recursos não renováveis Uma porção de gás é perdida durante o transporte para a atmosfera. A contribuição para o efeito estufa do vazamento desse gás pode neutralizar as vantagens da queima do gás produzir menos CO2 quando comparado ao carvão e ao petróleo. A água salgada produzida durante a extração do metano é uma preocupação ambiental, pois possui uma mistura de metano e rochas subssuperficiais. Recursos naturais O conceito de recursos renováveis está diretamente ligado à possibilidade de ser obtido infinitamente de uma mesma fonte. No caso dos recursos não renováveis, eles possuem a característica de serem finitos, ou seja, caso sejam explorados com continuidade serão esgotados. Na verdade, é possível que todos os recursos se renovem de forma natural, porém essa renovação poderá demandar muito tempo, em alguns casos até milhões de anos. É importante observar que a renovação de um recurso natural dependerá diretamente do modo como ele é utilizado. Recursos naturais Fontes não renováveis: carvão mineral; petróleo; gás natural; combustível nuclear. Vantagens: baixo custo de combustíveis; gera grande quantidade de energia; fácil geração de energia. Recursos naturais Desvantagens: poluição: geração de CO2 contribui para o aquecimento global e SO2 para chuvas ácidas; pode se esgotar. Fontes renováveis de energia: vento; ondas; energia solar; biomassa etc. Recursos naturais Vantagens: fonte limpa (não poluidora na maioria dos casos); fácil disponibilidade e acesso; pode ser reutilizada. Desvantagens: muitas vezes dependem do clima; prejudicam a beleza do ambiente; quantidade baixa de energia se comparada a outras fontes. Interatividade A maior parte da energia utilizada hoje é proveniente da queima de combustíveis fósseis, os quais são fontes de energia não renováveis e muito poluentes. O Protocolo de Kyoto, acordo internacional que inclui a redução da emissão de gás carbônico (CO2) e de outros gases estufa, demonstra a grande preocupação com o meio ambiente e o excesso de queima de combustíveis fósseis, os quais podem ter como consequência o aumento de efeito estufa (aquecimento global). Interatividade Assinale a alternativa que apresenta apenas combustíveis fósseis (fontes não renováveis de energia): a) Petróleo, carvão e urânio (nuclear). b) Carvão, petróleo e gás natural. c) Biocombustíveis, hidrelétrica e eólica. d) Urânio (nuclear), solar e eólica. e) Carvão, petróleo e etanol. Preservação dos recursos naturais A conservação dos recursos naturais consiste em usá-los de forma racional, bem como de forma econômica, ou seja, sem desperdício. Agindo assim, os recursos renováveisnão irão desaparecer por seu mau uso e nem os recursos não renováveis serão esgotados. Quase todos os recursos naturais sofrem algum tipo de modificação ou beneficiamento antes de serem utilizados e o segredo da conservação está exatamente na forma como esse beneficiamento é realizado. Se existir uma preocupação com a reposição dos elementos que são retirados do meio ambiente, esses elementos jamais serão extintos e poderão estar disponíveis para as gerações vindouras. Educação ambiental É um ramo da educação, cujo objetivo é a disseminação do conhecimento sobre o ambiente, a fim de ajudar a sua preservação e a utilização sustentável dos seus recursos. A educação ambiental no Brasil assume uma perspectiva mais abrangente, não restringindo seu olhar à proteção e ao uso sustentável de recursos naturais, mas incorporando fortemente a proposta de construção de uma sociedade sustentável, mais do que apenas um segmento da educação. A Lei n° 9.795 – Lei de Educação Ambiental, em seu art. 2°, busca difundir a educação ambiental em todos os processos educativos brasileiros: A dimensão ecológica do desenvolvimento sustentável Maximiza-se pelo uso dos recursos potenciais dos ecossistemas, com propósitos socialmente válidos, ocasionando um mínimo de dano e limitando o consumo de combustíveis fósseis e produtos facilmente esgotáveis, substituindo-os por recursos renováveis. A emissão de agentes poluentes e as mudanças no ecossistema ocasionadas pela geração de energia elétrica, por exemplo, são altas. Nesse tipo de geração, os principais causadores de poluição são as usinas termelétricas, que precisam da combustão de um hidrocarboneto. Os mais utilizados são os derivados do petróleo e do gás, como também o carvão mineral; todos liberam gases que impactam negativamente o meio ambiente. A dimensão ecológica do desenvolvimento sustentável Usinas nucleares não poluem o meio ambiente durante seu funcionamento, porém, depois da vida útil do material radioativo – quando não descartado adequadamente –, podem gerar um grande impacto à natureza. Todo e qualquer risco de um impacto negativo ao meio ambiente deverá ser cuidadosamente analisado e eliminado antes que qualquer exploração de recursos naturais seja iniciada, ainda que se trate de recurso renovável. O ambiente precisa ser priorizado independentemente do volume econômico que esteja em jogo. A dimensão espacial do desenvolvimento sustentável Todo processo produtivo precisa de um espaço físico para se desenvolver, tanto sobre a terra quanto no mar. Quando há uma boa distribuição dos espaços para as atividades produtivas e econômicas, com as atividades dos homens, dos animais e das plantas, sem alterar sua condição de vida, pode-se dizer que o equilíbrio espacial existe. Quando há uma concentração de atividades econômicas dentro de um centro urbano, quebra-se a passividade e a qualidade de vida dos seres vivos que o habitam. A dimensão espacial deve equilibrar uma melhor distribuição territorial de assentamentos humanos e atividades econômicas. A dimensão espacial do desenvolvimento sustentável Nos diferentes tipos de geração de eletricidade, observam-se alterações do espaço onde estão localizadas as máquinas e os recursos em geral, que permitem o funcionamento das usinas. O tipo de geração que mais altera o ecossistema é a hidrelétrica, por depender das barragens construídas para reservatórios de água, que permitirão oferecer energia necessária para sua operação. Essas barragens e esses reservatórios ocupam grandes áreas que, muitas vezes, pertencem a habitats de pessoas, animais ou plantas. A dimensão cultural do desenvolvimento sustentável A dimensão cultural encontra-se em um processo de modernização, sem quebra da entidade cultural dentro do contexto do ambiente em que se desenvolvem as atividades econômicas. Busca raízes endógenas dos modelos de modernização, mantendo a diversidade local e capacita a sociedade na base dos valores de tradição e ética, para que sejam transmitidos para todas as gerações. Pode-se dizer que as dimensões são as variáveis que medem a sustentabilidade de todo processo produtivo e asseguram que o significado de desenvolvimento sustentável seja abordado em sua totalidade. A dimensão cultural do desenvolvimento sustentável Observamos que qualquer que seja a dimensão que tente explicar a possibilidade de um desenvolvimento sustentável em termos ambientais, somente será possível tal desenvolvimento quando tivermos um ambiente ecologicamente equilibrado, capaz de garantir uma vida de qualidade para as atuais e futuras populações. É necessário fazer uma análise dos riscos para ponderar a existência de fontes de recursos renováveis, que, ao serem exploradas pelo homem e transformadas em energia, sejam inofensivas ou causem menos danos ao meio ambiente. A responsabilidade ambiental das empresas Na esfera das empresas, a preocupação com o meio ambiente é um assunto mais recente ainda na maioria das organizações, apesar de muitos organismos particulares terem adotado esse comprometimento mesmo antes que os órgãos da esfera pública se manifestassem. A questão ambiental é um assunto que saiu dos muros das organizações e ganhou espaço nas ruas das cidades, nas escolas, nas mídias, nos sindicatos e, com muita ênfase, nas empresas privadas; ainda mais nesse momento em que tanto se fala em responsabilidade social. A responsabilidade ambiental das empresas As empresas passaram a se ver como parte integrante de um ambiente há muito tempo degradado e que essa degradação brevemente poderá afetá-las, caso não sejam tomadas iniciativas para tentar reverter essa situação. A maioria dos problemas que ocorrem no meio ambiente hoje decorre do uso indevido dos recursos naturais disponíveis na natureza. Para solucioná-los, é necessário o envolvimento das empresas, independente da estratégia escolhida, já que as empresas, além de produzirem bens e serviços, também os comercializam. As empresas, hoje, passam a praticar uma gestão ambiental que pode ser notada de forma global. A globalização Muito antes de a palavra globalização adquirir a força que tem hoje, já se falava em uma globalização de problemas, como o buraco na camada de ozônio ou o aquecimento global. As empresas já haviam percebido que uma atitude por parte delas seria a solução, ou mesmo a minimização de muitos dos problemas ambientais, que já estavam instalados e começavam a ameaçar a tranquilidade de muitas espécies. As empresas passavam da posição de geradoras de problemas ambientais para assumir o papel de “salvadoras do meio ambiente”. A globalização Observe que, além de uma mudança comportamental, ocorreu uma mudança de atitude, feita não muito simples de ser realizado, principalmente se a empresa possuir um histórico de pouca relação com questões ambientais. Porém, uma mudança dessa ordem raramente acontece de forma espontânea, ou seja, na maioria dos casos, influências da sociedade, do governo ou ainda do mercado financeiro acarretam esse processo de mudança de comportamento. Essa pressão pode ser vista como o “empurrão” que algumas empresas necessitam para aceitar sua responsabilidade frente à quantidade de problemas que nosso planeta enfrenta. A responsabilidade social corporativa Para que possamos entender como funciona a atuação social das empresas, bem como seu papel efetivo na sociedade contemporânea, precisamos nos remeter ao final do século XX, quando os discursos liberais e democráticosversavam sobre direitos iguais para todos. Os liberais democratas defendiam a garantia a todas as pessoas do desenvolvimento de suas potencialidades. A preocupação das empresas agora não era o fato de o trabalhador não levar problemas de casa para o trabalho, e sim não deixar que o trabalhador levasse problemas do trabalho para casa. A responsabilidade social corporativa Por isso, as empresas passaram a investir em qualidade de vida, cujo objetivo principal era o de propiciar um ambiente de trabalho leve e harmônico, cujos benefícios pudessem ser sentidos até as casas de seus colaboradores. Funcionários com qualidade de vida no trabalho são mais felizes e produzem mais. As empresas precisaram mostrar aos seus empregados que também se sentiam corresponsáveis por tentar diminuir os impactos das ações de degradação da natureza pelo homem. Os empregados também sentiam essa mesma responsabilidade, porém passaram a cobrar de seus patrões uma posição capaz de torná-los, juntamente com suas empresas, agentes efetivos de mudança. Interatividade A energia hidráulica derivada das marés oceânicas pode ser rastreada desde os tempos de Júlio César. I. Ainda é bastante difícil de aproveitá-la, pois as tempestades oceânicas são destrutivas e as águas são corrosivas. II. A energia das marés não causa impactos ambientais. III. Apenas em alguns lugares com geografia favorável. IV. Produz-se energia elétrica quando a água é liberada do reservatório para o oceano. Interatividade Assinale a alternativa correta: a) I e II. b) II e IV. c) I, II e III. d) I, III e IV. e) I, II, III e IV. ATÉ A PRÓXIMA! Unidade IV DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Profa. Daniela Patto Educação ambiental A educação ambiental tornou-se lei em 27 de abril de 1999. A Lei n° 9.795 (Lei da Educação Ambiental), em seu art. 2° diz: A educação ambiental é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não formal. Educação ambiental, propostas: formar agentes multiplicadores da educação socioambiental; envolver os segmentos organizados da sociedade. Educação ambiental Promover a organização social em torno da educação socioambiental. Executar os processos de informação e formação destinados às crianças nas escolas e adultos nas suas atividades diárias. Executar, no espaço socioambiental, as ações sugeridas pelos processos de informação e formação. Construir as interfaces com ONGs, operadores econômicos e iniciativas tendentes a traduzir a educação socioambiental em geração de trabalho e renda, em comoditização, cooperativização e outras práticas de economia e mercado. Educação ambiental Art. 1ª da Lei n° 9.795 de abril de 1999. Processo em que se busca despertar a preocupação individual e coletiva para a questão ambiental, garantindo o acesso à informação em linguagem adequada, contribuindo para o desenvolvimento de uma consciência crítica e estimulando o enfrentamento das questões ambientais e sociais. As normas e legislação ambiental De acordo com a nova compreensão do direito, a Constituição Federal Brasileira de 1988, pela primeira vez, dedica um capítulo constituído de um artigo ao meio ambiente: Art. 225: Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. As normas e legislação ambiental Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981 (constituída por 21 artigos): Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências. Art. 1º – Esta lei, com fundamento nos incisos VI e VII do art. 23 e no art. 235 da Constituição, estabelece a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, constitui o Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama) e institui o Cadastro de Defesa Ambiental (Redação dada pela Lei nº 8.028, de 1990). As normas e legislação ambiental Da política nacional do meio ambiente. Art. 2º – A Política Nacional do Meio Ambiente tem por objetivo a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar, no País, condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana, atendidos os seguintes princípios: I. ação governamental na manutenção do equilíbrio ecológico, considerando o meio ambiente como um patrimônio público a ser necessariamente assegurado e protegido, tendo em vista o uso coletivo; As normas e legislação ambiental II. racionalização do uso do solo, do subsolo, da água e do ar; III. planejamento e fiscalização do uso dos recursos ambientais; IV. proteção dos ecossistemas, com a preservação de áreas representativas; V. controle e zoneamento das atividades potenciais ou efetivamente poluidoras; VI. incentivos ao estudo e à pesquisa de tecnologias orientadas para o uso racional e a proteção dos recursos ambientais; VII. acompanhamento do estado da qualidade ambiental; As normas e legislação ambiental VIII. recuperação de áreas degradadas (Regulamento); IX. proteção de áreas ameaçadas de degradação; X. educação ambiental a todos os níveis do ensino, inclusive a educação da comunidade, objetivando capacitá-la para participação ativa na defesa do meio ambiente. Art. 3º – Para os fins previstos nesta lei, entende-se por: I. meio ambiente, o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas; II. degradação da qualidade ambiental, a alteração adversa das características do meio ambiente; As normas e legislação ambiental III. poluição, a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente: a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; c) afetem desfavoravelmente a biota; d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos; As normas e legislação ambiental IV. poluidor, a pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, responsável, direta ou indiretamente, por atividade causadora de degradação ambiental; V. recursos ambientais: a atmosfera, as águas interiores, superficiais e subterrâneas, os estuários, o mar territorial, o solo, o subsolo, os elementos da biosfera, a fauna e a flora (Redação dada pela Lei nº 7.804, de 1989). Dos objetivos da política nacional do meio ambiente. Art. 4º – A Política Nacional do Meio Ambiente visará: I. à compatibilização do desenvolvimento econômico social com a preservação da qualidade do meio ambiente e do equilíbrio ecológico; As normas e legislação ambiental II. à definição de áreas prioritárias de ação governamental relativa à qualidade e ao equilíbrio ecológico, atendendo aos interesses da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos territórios e dos Municípios; III. ao estabelecimento de critérios e padrões da qualidade ambiental e de normas relativas ao uso e manejo de recursos ambientais; IV. ao desenvolvimento de pesquisas e de tecnologias nacionais orientadas para o uso racional de recursos ambientais; As normas elegislação ambiental V. à difusão de tecnologias de manejo do meio ambiente, à divulgação de dados e informações ambientais e à formação de uma consciência pública sobre a necessidade de preservação da qualidade ambiental e do equilíbrio ecológico; VI. à preservação e restauração dos recursos ambientais com vistas à sua utilização racional e disponibilidade permanente, concorrendo para a manutenção do equilíbrio ecológico propício à vida; VII. à imposição, ao poluidor e ao predador, da obrigação de recuperar e/ou indenizar os danos causados, e ao usuário, de contribuição pela utilização de recursos ambientais com fins econômicos. Lei de crimes ambientais (Lei n° 9.605/98) A nova Lei de Crimes Ambientais é constituída por 82 artigos reunidos em VIII capítulos. Alguns artigos ainda estão sendo regulamentados. Para efeito desta publicação, foram considerados somente os itens cuja ocorrência tem sido repetitiva no Estado do Acre, segundo os órgãos de fiscalização e administração, bem como os artigos inovadores, entre eles: o desmatamento não autorizado agora é crime, e o infrator está sujeito a pesadas multas; a definição de responsabilidade da pessoa jurídica, inclusive a penal, permitindo também a responsabilização da pessoa física autora e coautora da infração; Lei de crimes ambientais (Lei n° 9.605/98) a possibilidade de substituição de penas de prisão por penas alternativas, como a prestação de serviços à comunidade; a punição é extinta mediante a apresentação de laudo que comprove a recuperação do dano ambiental; constatada a prática de crime contra o meio ambiente, a aplicação da pena é imediata. A educação ambiental é de fundamental importância para a propagação do conceito de desenvolvimento sustentável e a aplicação prática deste. As normas e legislação ambiental Além da legislação em vigor aprovada para proteger o meio ambiente, outro importante fator que contribuiu no processo de desenvolvimento sustentável e proteção ambiental são as normas e certificados de sistemas de qualidade que foram utilizados em organizações. ISO 14000. ISO 14001. AS 8000. Interatividade A educação ambiental tornou-se lei em 27 de Abril de 1999. Podemos afirmar: I. Deve estar presente em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não formal. II. Envolve apenas os segmentos organizados da sociedade. III. Busca despertar a preocupação individual e coletiva para a questão ambiental. IV. Busca o desenvolvimento de uma consciência crítica e estimulando o enfrentamento das questões ambientais e sociais. Interatividade Assinale a alternativa correta: a) I e II. b) I e III. c) I, II e III. d) I, III e IV. e) I, II, III e IV. A norma ISO 14000 A série ISO (International Organization for Standardization) é uma série de normas de padrão internacional para sistemas de qualidade. Trata-se de uma certificação almejada por todas as empresas que procuram oferecer qualidade em seus produtos e serviços. Diante da necessidade de se estabelecerem normas acerca da questão ambiental e sua responsabilidade no âmbito empresarial, a International Organization for Standardization desenvolveu uma série de normas que objetivava padronizar os processos empresariais de retirada dos recursos naturais, bem como da punição para aquelas empresas que, por ventura, viessem a causar algum tipo de desequilíbrio ambiental em decorrência de suas atividades. A norma ISO 14000 O que certifica uma empresa como uma instituição de qualidade é que se respeitem as normas que indicam requisitos mínimos de gestão, sobre os quais cada empresa escolhe o nível de qualidade em que deseja se situar. Portanto, além de normas e marcas específicas do setor em que atuam, as empresas podem, também, utilizar as normas e o certificado ISO para melhorar a qualidade de sua gestão e de seus serviços. A norma ISO 14000 A ISO 14000 vem estabelecer quais são as diretrizes para a área da gestão ambiental, no interior das empresas, ou seja, quais são as responsabilidades ambientais que as mesmas precisam assumir para serem consideradas responsáveis socialmente pelo meio ambiente. Como a ISO 14000 determina o sistema de gestão ambiental de uma empresa, ela será perfeitamente capaz de: 1. avaliar quais as consequências que as atividades de determinada empresa podem trazer para o meio ambiente; A norma ISO 14000 2. atender de forma eficaz à demanda gerada pela sociedade, ou seja, aquilo que a sociedade realmente necessita; 3. ser aplicada a toda e qualquer atividade que possa implicar diretamente o meio ambiente; 4. reduzir os custos das empresas em relação aos gastos com prevenção de riscos ambientais; 5. ser aplicada na organização como um todo. A norma ISO 14001 A ISO 14001 é uma norma de sistema que reforça o enfoque no aprimoramento da conservação ambiental pelo uso de um único sistema de gerenciamento, permeando todas as funções da organização, não estabelecendo padrões de desempenho ambientais absolutos, os princípios enunciados possibilitam o estabelecimento de uma visão integrada da gestão ambiental em uma organização. Embora seus enunciados apresentem um caráter amplo, eles possibilitam o embasamento de linhas de ação integradas, as quais levam à operacionalização de um Sistema de Gestão Ambiental. A norma ISO 14001 A norma ISO 14001 não exige que todos os padrões e normas sejam executados rigorosamente. Contudo, as organizações devem manter o foco no gerenciamento ambiental, buscando sempre atender aos requisitos básicos para se manter na norma. Atualmente, as empresas certificadas pela ISO 14001 agregam valores a seus produtos ou serviços. Dessa forma, elas se tornam mais competitivas no mercado, além de contribuir para a preservação do meio ambiente, promovendo o desenvolvimento sustentável com a melhoria contínua da gestão ambiental. Sistema de Gestão Ambiental (SGA) Adaptado de MAIMON (1996); CAJAZEIRA (1997). CAJAZEIRA, M. R. ISO 14001: “Manual de implantação”. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1997. MAIMON, D. “Passaporte verde gestão ambiental e competitividade”. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1996. SGA Uma pesquisa foi realizada pela Price-Waterhouse com 500 grandes empresas já certificadas pela ISO 9000. Como resultado sobre o interesse pela certificação ambiental ISO 14000 obteve-se: 43,1% das empresas responderam que pretendem obter a certificação ISO 14001; 45,1% das empresas responderam que o assunto estava em estudo; 11,8% das empresas (somente) responderam que não se interessavam pelo assunto. SGA Outra pesquisa foi realizada pelo Sebrae nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, porém em 300 empresas de médio e pequeno porte, constatando dados contraditórios em relação às grandes empresas: 70% das empresas não controlam emissões para a atmosfera; 67% das empresas não têm tratamento de efluentes; 54% não fazem inventário de geração e destinação de resíduos; 76% das empresas não se preocupam com treinamento; 59% das empresas não possuem um responsável por questões ambientais. Realidade brasileira Essa pesquisa reflete a realidade brasileira, de empresas com recursos limitados, que vêem a gestão ambiental como algo caro e não atingível a médio e curto prazo. O que se conclui é que é necessário ter criatividade, pois é possível ganhar dinheiro e proteger o meio ambiente mesmo não estando no mercado verde. Pequenas transformações internas podem beneficiar o meio ambiente e se tornarem uma oportunidadede negócio. Um exemplo típico é a reciclagem de materiais que traz grande economia para as empresas, reuso de água, venda de desenvolvimento de novos processos produtivos, além da preocupação com o novo perfil do consumidor que é consciente da questão ecológica. Certificação ambiental Para alcançar a certificação ambiental, uma empresa deve cumprir três exigências básicas expressas na norma ISO 14001, que é a certificadora da série de normas ISO 14000: possuir um Sistema de Gestão Ambiental implantado; cumprir a legislação ambiental no local de instalação, quando aplicável; ter compromisso com a melhoria contínua do seu desempenho ambiental. Certificação ambiental Para obter a certificação ambiental pela norma ISO 14001, devem ser mostrados os compromissos e os princípios gerenciais da empresa em sua política ambiental. Com a implantação dessa política são definidos os objetivos, as metas da empresa e os procedimentos a serem seguidos por todos os colaboradores. Precisam ser criados procedimentos de controle da documentação e deve ser realizado o treinamento do pessoal. Certificação ambiental Em uma fase seguinte, faz-se um diagnóstico ou pré-auditoria que permite identificar os pontos vulneráveis existentes nos procedimentos ambientais da empresa, visando à sua correção. O próximo passo do processo é a certificação efetiva, na qual a empresa deve contratar uma entidade credenciada para emitir o correspondente certificado de conformidade com a norma ISO 14001. Nesta fase, a empresa se submete a uma auditoria ambiental, e deve comprovar sua conformidade com os padrões de qualidade exigidos pela legislação ambiental e pelos manuais de qualidade instituídos e usados pela própria empresa. Certificação ambiental Como a norma requer uma concordância com os requisitos legais aplicáveis, esse é um pré-requisito essencial para certificar uma empresa e essa certificação é restrita a um local físico definido. Com o objetivo de minimizar os impactos causados por suas atividades sobre o meio ambiente, a empresa que busca a certificação pela ISO 14001 compromete-se com a melhoria contínua de suas atividades. Para isso, deverá identificar e aplicar tecnologias adequadas para tratar ou dar o destino adequado a seus resíduos, além de prever que seus produtos ao final de seu ciclo de vida também se tornarão resíduos. Certificação ambiental A ISO 14000 tem como objetivo central um sistema de gestão ambiental que auxilia a empresa a cumprir os compromissos assumidos em benefício do meio ambiente. Como os objetivos decorrentes, as normas criam sistemas de certificação, tanto das empresas como de seus produtos e serviços, que possibilitam distinguir as empresas que atendem à legislação ambiental e cumprem os princípios do desenvolvimento sustentável. Interatividade Sobre a certificação ambiental, podemos afirmar: I. A certificação ambiental é baseada no cumprimento da ISO 14001, exigindo que a empresa tenha bom desempenho ambiental. II. O conceito da melhoria contínua foi inserido nessa norma com o objetivo de estimular a melhoria do sistema de gestão ambiental. III. Existem exigências relacionadas com a segurança do trabalho e a saúde ocupacional de seus colaboradores. Interatividade Assinale a resposta correta: a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas III. d) I e II. e) I, II, III. Auditoria ambiental Nos últimos anos, as auditorias ambientais passaram a ter um papel importante como instrumento de gestão ambiental. Foi observado que a disponibilidade de tecnologias e o monitoramento dos resultados não eram suficientes para alcançar resultados na área. A concorrência internacional exige maior qualidade dos produtos e adequação às exigências ambientais, levando à implantação das normas ISO 14001 e ISO 19000. Auditoria ambiental Devem ser feitas por profissionais que têm conhecimento do assunto a ser auditado e que não estejam envolvidos na atividade. Podem ter escopo variado, precisando da definição de sua abrangência. Devem participar três pessoas com objetivos bem definidos: cliente, auditado e auditor. As auditorias são programadas. Assim, os auditados são avisados com antecedência do objetivo e do escopo, com data e horário dos trabalhos estabelecidos previamente. A norma SA 8000: o modelo ISO 9000 aplicado à responsabilidade social A SA 8000 foi criada com base nas normas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), na Declaração Universal dos Direitos Humanos e na Declaração Universal dos Direitos da Criança da ONU. Uma das vantagens dessa norma é que ela segue o modelo das normas ISO 9000 e ISO 14000, facilitando sua implementação por empresas que já possuem e conhecem o sistema. O principal objetivo da norma SA 8000 é suprir a necessidade de consumidores mais informados e esclarecidos e que se preocupam como os produtos são fabricados e não somente com a qualidade destes. A norma SA 8000: o modelo ISO 9000 aplicado à responsabilidade social Como se trata de uma norma internacional, esta oferece a vantagem de padronização dos termos, além da consistência em processos tais como auditorias, etc. Durante o processo de implementação da norma SA 8000, as organizações devem comprovar que atendem aos requisitos da norma e são submetidas a auditorias por técnicos especializados, normalmente de renomadas entidades independentes. O certificado SA 8000 é concedido apenas para as organizações que cumprem totalmente os requisitos da norma. A norma SA 8000: o modelo ISO 9000 aplicado à responsabilidade social Entre os requisitos de responsabilidade social da norma, temos os seguintes aspectos: trabalho infantil – a empresa não deve se envolver com ou apoiar a utilização de trabalho infantil; trabalho forçado – a empresa não deve se envolver com ou apoiar a utilização de trabalho forçado, nem se deve solicitar dos funcionários fazer “depósitos” ou deixar documentos de identidade quando iniciarem o trabalho com a empresa; segurança e saúde no trabalho – a empresa deve proporcionar um ambiente de trabalho seguro e saudável e deve tomar as medidas adequadas para prevenir acidentes e danos à saúde; A norma SA 8000: o modelo ISO 9000 aplicado à responsabilidade social liberdade de associação e direitos coletivos – a empresa deve respeitar o direito de todos os funcionários de formarem e associarem-se a sindicatos de trabalhadores de sua escolha e de negociarem coletivamente; discriminação (sexual, raça, política, nacionalidade, etc.) – a empresa não deve se envolver ou apoiar a discriminação na contratação, remuneração, acesso a treinamento, promoção, encerramento de contrato ou aposentadoria, com base em raça, classe social, nacionalidade, religião, deficiência, sexo, orientação sexual, associação a sindicato ou afiliação política, ou idade; A norma SA 8000: o modelo ISO 9000 aplicado à responsabilidade social práticas disciplinares – a empresa não deve se envolver com ou apoiar a utilização de punição corporal, mental ou coerção física e abuso verbal; remuneração – a empresa deve assegurar que os salários pagos por uma semana padrão de trabalho satisfaçam pelo menos os padrões mínimos da indústria e devem ser suficientes para atender às necessidades básicas dos funcionários e proporcionar alguma renda extra; carga horária de trabalho – a empresa deve cumprir as leis aplicáveis e com os padrões da indústria sobre horário de trabalho. A norma SA 8000: o modelo ISO 9000 aplicadoà responsabilidade social As empresas que implantam a SA 8000 demonstram que estão preocupadas com a responsabilidade social em relação aos seus empregados também, seguindo o princípio de praticar dentro de casa o que se quer mostrar para o público de fora da organização, mostrando seriedade. É crescente a preocupação das organizações em demonstrar o seu compromisso social, prova disso é o chamado marketing social que mostra os projetos que a empresa financia ou a qualidade de vida melhorada proporcionada por ela, seja dentro da organização ou na comunidade que a circunda. A norma SA 8000: o modelo ISO 9000 aplicado à responsabilidade social Entretanto, antes de fazer isso, essas empresas devem realizar uma auditoria nos requisitos da SA 8000 para verificar se realmente aplicam esses princípios em relação a seus empregados. A norma especifica requisitos de responsabilidade social para possibilitar a uma empresa: a) desenvolver, manter e executar políticas e procedimentos com o objetivo de gerenciar aqueles temas os quais ela possa controlar ou influenciar; A norma SA 8000: o modelo ISO 9000 aplicado à responsabilidade social b) demonstrar para as partes interessadas que as políticas, procedimentos e práticas estão em conformidade com os requisitos dessa norma. Esses requisitos devem se aplicar universalmente em relação à localização geográfica, setor da indústria e tamanho da empresa. Normas sobre o Sistema de Gestão Ambiental – SGA (ISO 14001, ISO 14004, ISO 14005) As primeiras normas tratam do sistema de gestão ambiental. A ISO 14001 é uma especificação para o SGA e foi desenvolvida para utilização na certificação por terceiras partes, embora possa ser também usada internamente para fins de autodeclaração e como cláusula nos contratos da organização. Enquanto a ISO 14004 destina-se ao uso interno da empresa, como suporte para gestão ambiental, e não visa à certificação Normas sobre o Sistema de Gestão Ambiental – SGA (ISO 14001, ISO 14004, ISO 14005) A certificação ambiental é baseada no cumprimento da ISO 14001, mesmo não havendo a exigência de que a empresa já possua o melhor desempenho ambiental possível, nem esteja usando as melhores tecnologias disponíveis. O conceito da melhoria contínua foi inserido nessa norma com o objetivo de estimular a melhoria do sistema de gestão ambiental, depois de assegurar que ele tenha sido implantado plenamente. Ainda que as normas não incluam exigências relacionadas com a segurança do trabalho e a saúde ocupacional de seus colaboradores, nada impede que esses tópicos sejam incorporados ao SGA, antecipando-se à tendência de tratar saúde, segurança e meio ambiente de forma conjunta. Normas sobre as auditorias ambientais – (ISO 14015, ISO 19011) A OHSAS 18001 pode ser adotada para habilitar a empresa à certificação dos três temas abordados. Nesse caso, ao invés de ter uma política ambiental, a empresa passa a possuir uma política de meio ambiente, saúde e segurança. As auditorias ambientais desempenham papel bastante importante no sistema de normas ISO 14000, pois são elas que asseguram a base de credibilidade a todo processo de certificação ambiental, de acordo com a sua concepção. Normas sobre as auditorias ambientais – (ISO 14015, ISO 19011) As auditorias de terceiras partes, visam que uma entidade externa e independente verifique, pela SGA, os compromissos estabelecidos internamente pela empresa e que devem estar escritos em sua política ambiental. A credibilidade é assegurada pelo processo de certificação que inclui um organismo de acreditação, reconhecido internacionalmente, o qual credencia o organismo de certificação (OCC), que por sua vez procede às auditorias nas instalações da organização que pleiteia a certificação ambiental. Normas sobre as auditorias ambientais – (ISO 14015, ISO 19011) Os procedimentos de auditoria para o sistema ISO 14000 (meio ambiente) e ISO 9000 (qualidade) são compatíveis e geraram a norma ISO 19011 – diretrizes para auditoria de Sistemas de Gestão da Qualidade e/ou Ambiental, que substituiu as normas específicas para auditoria ambiental ISO 14010, 14011 e 14012. A ISO 14015 auxilia a empresa a identificar e avaliar os aspectos ambientais e suas consequências nos processos de transferências de propriedades e na definição de responsabilidades e obrigações entre as partes envolvidas. Interatividade Sobre auditoria ambiental, podemos afirmar: I. Auditoria é diferente de fiscalização. II. O mais importante é o cumprimento de padrões específicos, estipulados pela empresa. III. O auditor tem como objetivo identificar a causa do problema. IV. Auditores internos fiscalizam as suas atividades. Assinale a alternativa correta: a) I e II. b) I e IV. c) I, II e III. d) I, III e IV. e) I, II, III e IV. As políticas ambientais públicas no Brasil Podemos afirmar que, na década de 30, o poder público brasileiro começou a se preocupar com questões relacionadas ao meio ambiente. Muitas versões são apontadas para explicar esse tardio envolvimento com um assunto tão delicado, porém a que melhor justifica o fato é a que afirma que a abundância de recursos naturais, como água e solo fértil, era tão grande que não se tinha uma noção do quanto já tinha sido explorado. Aliado a isso, tínhamos contra nós, ainda, a exorbitante extensão territorial que dificulta o acesso às áreas já exploradas, bem como os precários instrumentos tecnológicos. As políticas ambientais públicas no Brasil Em 1934, foram promulgados importantes documentos referentes à gestão de recursos naturais, são eles: Código de Caça: dispõe principalmente acerca da proteção à fauna brasileira; Código Florestal: instituiu as florestas brasileiras como sendo bens de interesse comum a todos os habitantes do país; Código de Minas: regulamenta todas as atividades de extração de minerais no Brasil; Código de Águas: regulamenta o uso da água, bem como todo o seu aproveitamento como energia hídrica. As políticas ambientais públicas no Brasil Além de leis de regulamentação do uso de recursos naturais, departamentos nacionais como os de Energia Elétrica e de Recursos Naturais (considerado como o mais importante em termos de políticas públicas para o meio ambiente) foram criados nesse mesmo período. Se, por um lado, o poder público começava a se sensibilizar com as causas ambientais, por outro lado a poluição dos rios e do ar ainda era considerada, pelo próprio governo brasileiro, como sendo produtos naturais e inevitáveis de um país em desenvolvimento, banalizando, assim, toda a problemática já instalada. Esse foi o pensamento até os problemas ambientais se tornarem amplos ao ponto de tomarem dimensões planetárias. As políticas ambientais públicas no Brasil Somente em 1980, o Brasil passa a perceber que os problemas ambientais são interdependentes, e, dessa forma, demandam políticas de solução. Ações isoladas já não eram vistas como eficazes e a legislação federal passa a contemplar problemas específicos, como degradação do solo, preservação de reservas ecológicas e disposição de resíduos sólidos. A seguir, apresentamos alguns exemplos de legislação ambiental específica: As políticas ambientais públicas no Brasil Lei nº 6.803/1980 sobre diretrizes básicas para o zoneamento industrial nas áreas críticas de poluição. Lei nº 6.766/1981 que cria as estações ecológicas. Lei nº 6.902 de 02/07/1981 dispõe sobre a criação de reservas ecológicas e áreas de proteção ambiental. Em 31de agosto de 1981, a Lei n° 6.938 estabeleceu a nova Política Nacional do Meio Ambiente, cujas mudanças principais dizem respeito à interação das ações públicas governamentais através de uma abordagem sistêmica. É a primeira lei brasileira que menciona a necessidade de uma qualidade ambiental propícia à vida e ao desenvolvimento socioeconômico. A Constituição Federal de 1988 Essa Constituição representou um imenso avanço em relação às questões ambientais. Ela considerou a conservação do meio ambiente princípio indispensável que deve ser observado em qualquer atividade econômica. Outra novidade apresentada na CF de 1988 foi a incorporação do conceito de desenvolvimento sustentável. A Constituição Federal de 1988 Outras importantes novidades apresentadas são: o estabelecimento do respeito ao meio ambiente; o estabelecimento de um aproveitamento racional dos recursos naturais; a inclusão de sítios arqueológicos como elementos do patrimônio cultural. A Constituição Federal de 1988 dedica um capítulo exclusivamente às questões relacionadas ao meio ambiente, o que confirma a importância do assunto. A economia e o meio ambiente De alguma forma, a economia e o meio ambiente se entrelaçam, tornando-se essenciais à sobrevivência da humanidade. As preocupações com o meio ambiente na atualidade exigem do cidadão maior conscientização e mudança de postura. Nesse novo cenário econômico, a postura dos clientes é caracterizada por uma rigidez e uma expectativa de interagir com empresas que tenham ética, boa imagem institucional no mercado e que sejam ecologicamente responsáveis, preocupadas com a preservação do meio ambiente. A economia e o meio ambiente Devido à globalização da economia e à abertura dos mercados internacionais, o meio ambiente se torna uma preocupação mundial, assim como a busca pelo equilíbrio entre homem e natureza, conciliar o progresso com o respeito ao meio ambiente. “O desafio da economia é alocar recursos escassos de maneira a obter o maior benefício social a partir desses recursos”. Com o surgimento das indústrias e da urbanização, ocorreu um aumento nos níveis de poluição ambiental se comparados com os níveis anteriores à era da industrialização, e os danos causados ao equilíbrio do meio ambiente deixaram de ser controláveis. A economia e o meio ambiente Os problemas só se agravaram com o êxodo rural (migração de pessoas do campo para a cidade) e com a falta de consciência e informação sobre o futuro das próximas gerações e, num primeiro momento, não havia soluções para amenizar o impacto da poluição causada pelo processo de industrialização. As cidades crescem a cada dia; assim como a população, o número de veículos e do uso de recursos naturais acarretam uma degradação do meio ambiente de forma alarmante. Entre os problemas estão a poluição de rios e mares, animais ameaçados de extinção ou extintos, aumento da radiação solar, degradação e perda da qualidade do solo, piora da qualidade de vida e da saúde das pessoas. A economia e o meio ambiente Do ponto de vista econômico, percebe-se que a melhor forma de aperfeiçoar uma economia de mercado é através da competição. Ela proporciona a chance de se achar o que há de melhor no mercado, sendo mão de obra especializada, matéria-prima, tecnologia, etc. Percebe-se que a competição de desenvolvimento não ocorre somente entre empresas, mas também entre países e cidades. É de fundamental importância que se proteja o capital natural existente, que tem diminuído a cada dia, principalmente para que a economia continue crescendo. A economia e o meio ambiente Para isso, deve-se aumentar a eficiência no uso dos recursos naturais, visto que a capacidade humana em recriá-los é limitada e os investimentos nesta não são expressivos. Sob a ótica da sustentabilidade, o mundo ampliou sua análise. Como os recursos naturais estão se esgotando, essa análise é de fundamental importância. Para que uma organização com gestão sustentável seja capaz de prosperar, deverá seguir fielmente os princípios da sustentabilidade econômica, garantindo o mínimo impacto ambiental possível em praticamente todas as etapas de seu processo produtivo: desde a concepção do produto à sua fabricação, e até mesmo no modo como ele será descartado pelo consumidor. Responsabilidade social e a sustentabilidade A preservação ambiental tornou-se uma prioridade no planejamento nacional como fator estratégico por meio de relações sociais. Sendo assim, as sociedades desenvolvem pesquisas e ações no sentido de melhorar e garantir a qualidade de vida da sociedade no futuro. Há que destacar que a preservação do meio ambiente torna-se uma prioridade a ser considerada no planejamento nacional como fator estratégico. O ideal é que a sociedade utilize recursos renováveis de maneira qualitativamente adequada, buscando soluções políticas e economicamente viáveis, respeitando a capacidade de renovação, melhorando a qualidade de vida da população. Responsabilidade social e a sustentabilidade A sustentabilidade ambiental trata das condições sistêmicas em cujos ciclos naturais, num contexto global, as atividades humanas não devem interferir, tendo como base tudo o que a resiliência do planeta permite e, ao mesmo tempo, não devem empobrecer seu capital natural, que será transmitido às gerações futuras. O desenvolvimento sustentável não se refere somente ao meio ambiente, mas também ao fortalecimento de parcerias duráveis, aumentando a credibilidade da empresa ou instituição em relação à sociedade e seus colaboradores, conciliando as dimensões econômicas, sociais e espaciais. Interatividade Sobre o Marketing Ecológico, podemos afirmar: I. Promove o aumento dos lucros das empresas. II. É uma obrigação visto que faz parte da legislação. III. O maior incentivo para o uso do Marketing Ecológico é a redução de impostos. Assinale a resposta correta: a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas III. d) I e II. e) I, II, III. ATÉ A PRÓXIMA! Desenvolvimento Sustentável Unidade: I – Questão 2 Resposta correta: alternativa C. a) Alternativa correta. Justificativa: os problemas ambientais que assolam a sociedade moderna não ocorrem por si mesmos como em eras passadas (surgimento e desaparecimento de geleiras, mudanças ambientais globais etc.). Na atualidade, a origem desses problemas está no modo predatório e descontrolado como a sociedade humana moderna explora os recursos ambientais. Assim, é correto afirmar que a crise ambiental que vivenciamos no momento é consequência de uma crise civilizatória, que será debelada apenas com mudanças profundas na concepção do mundo pelas pessoas. b) Alternativa correta. Justificativa: complementando o que foi dito na justificativa da alternativa A, a mudança na concepção do mundo corresponde, em outras palavras, a mudanças no comportamento embasadas em uma nova mentalidade da interação do homem com a natureza. c) Alternativa incorreta. Justificativa: a questão ambiental é muito mais ampla e profunda do que apenas preservação de ambientes naturais intocados e controle da poluição. Uma mudança de postura generalizada do mundo civilizado com relação ao consumismo excessivo e a adoção de procedimentos sustentáveis e conscientes da exploração de recursos é o principal foco da questão ambiental, e isso resultará naturalmente no controle sobre a preservação, a poluição e os múltiplos outros aspectos de igual relevância na problemática ambiental.d) Alternativa correta. Justificativa: como já discutido na justificativa da alternativa C, a busca por práticas sustentáveis é de suma importância para a manutenção de ecossistemas e recursos, sem, no entanto, estagnar o desenvolvimento econômico das nações. e) Alternativa correta. Justificativa: esta sentença resume a proposta do desenvolvimento sustentável: explorar de modo consciente os recursos, de modo a dar continuidade ao desenvolvimento econômico, e, ao mesmo tempo, garantir, para as gerações vindouras, a possibilidade de exploração desses mesmos recursos. Desenvolvimento Sustentável Unidade II – Questão 2 Resposta correta: alternativa B. I. Afirmativa incorreta. Justificativa: o CO2 é um gás que mantém suas propriedades físicas e químicas, seja ele resultante da combustão da gasolina ou do etanol. Portanto, é um erro afirmar que o CO2 produzido pelo etanol é menos poluente por ser mais leve. II. Afirmativa correta. Justificativa: a gasolina é um derivado de petróleo e, portanto, corresponde à matéria orgânica fossilizada, cujos átomos de carbono já não participavam do ciclo natural do carbono de superfície há milhares de anos. A combustão da gasolina nos motores de automóveis libera novamente na atmosfera esses átomos, sob forma de CO2, o que representa um acréscimo extra, danoso ao ambiente. Os carbonos do etanol, por outro lado, fazem parte da biomassa atual e, portanto, sua liberação não é tão danosa quanto no caso da gasolina. III. Afirmativa incorreta. Justificativa: de fato, não há diferença química entre o CO2 produzido pela combustão do etanol e pela combustão da gasolina. No entanto, há uma diferença significativa na quantidade desse gás liberado em cada uma dessas combustões, sendo a quantidade liberada pelo etanol bem inferior à quantidade liberada pela gasolina. IV. Afirmativa incorreta. Justificativa: é um erro afirmar que os benefícios ambientais promovidos pela substituição da gasolina pelo etanol são mínimos. De acordo com dados do site biodieselbr.com (<www.biodieselbr.com>, acesso em: 11 abr. 2011), no período de 2005 a 2008, houve uma emissão líquida de 13 milhões de toneladas de CO2 oriundas da queima do etanol. Se os mesmos veículos que usaram esse etanol tivessem usado gasolina como combustível, a emissão seria de 99 milhões de toneladas. Desenvolvimento Sustentável Unidade III – Questão 2 Resposta correta: alternativa C. a) Alternativa incorreta. Justificativa: o incremento de valores econômicos totais, representado no processo ilustrado no esquema, deve-se justamente à manutenção dos recursos naturais. Portanto, é um erro afirmar que há independência entre esses itens. b) Alternativa incorreta. Justificativa: conforme assinalado no próprio esquema, o escape de divisas deve ser evitado; e não incluído no planejamento, como afirma a alternativa. c) Alternativa correta. Justificativa: no próprio esquema fornecido, existe a informação de que o planejamento foi concebido para ser um processo cíclico. Em outras palavras, as atividades de turismo ambiental geram renda, da qual uma parte é investida em programas de preservação ambiental, que irão garantir a continuidade das atividades de turismo no futuro. Esse processo, indubitavelmente, promove o desenvolvimento socioeconômico e gera oportunidades de trabalho, ao mesmo tempo em que reduz a ocorrência de impactos na natureza. d) Alternativa incorreta. Justificativa: ao contrário do que afirma a alternativa, o planejamento ilustrado garante a sustentabilidade das atividades turísticas, uma vez que boa parte dos recursos financeiros obtidos é investida na manutenção dos recursos ambientais. e) Alternativa incorreta. Justificativa: ao contrário do que afirma a alternativa, o usufruto dos recursos naturais é garantido pelo incremento de valores aplicados nos programas de preservação ambiental, uma vez que é essa preservação que garante a geração de novas receitas. Desenvolvimento Sustentável Unidade IV – Questão 2 Resposta correta: alternativa D. I. Afirmativa incorreta. Justificativa: a ISO 14001 é uma certificação que indica o compromisso da empresa com a preservação do meio ambiente, e a certificação apenas será mantida mediante reavaliações contínuas. Isso não isenta a empresa de ser fiscalizada pela Secretaria do Meio Ambiente. II. Afirmativa correta. Justificativa: a adoção da ISO 14001 não é obrigatória, de modo que é um ato voluntário da empresa a busca por essa certificação. Apesar da necessidade de a empresa passar por um processo constante de reavaliação para manter o certificado, o que acarreta um ônus em função das readequações, existem vantagens para empresa em associar a ISO 14001 à sua imagem. O mercado e a sociedade tendem a valorizar mais uma empresa que tem o selo ISO, e isso certamente irá refletir em seus ganhos financeiros. III. Afirmativa incorreta. Justificativa: a certificação ISO 14001 não é garantia de que os produtos de determinada empresa não causem impactos ambientais. Essa certificação apenas indica o compromisso da empresa em aderir ao modelo de desenvolvimento sustentável por meio da adoção de práticas sustentáveis melhoradas continuamente, pautadas no cumprimento de um plano de metas. IV. Afirmativa correta Justificativa: Como já mencionado anteriormente, para manter a Certificação ISO 14001, e garantir os benefícios decorrentes disso, é necessário que a empresa estabeleça e cumpra um plano de redução de impactos ambientais, o que será constantemente monitorado pelo emissor da certificação. Revisar envio do teste: ATIVIDADE TELEAULA I DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL 3068-50_57501_R_20191 CONTEÚDO Usuário maceilto.almeida @unipinterativa.edu.br Curso DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Teste ATIVIDADE TELEAULA I Iniciado 11/03/19 15:11 Enviado 11/03/19 15:11 Status Completada Resultado da tentativa 0 em 0 pontos Tempo decorrido 0 minuto Autoteste O aluno responde e o resultado do aluno não é visível ao professor. Resultados exibidos Todas as respostas, Respostas enviadas, Respostas corretas, Comentários, Perguntas respondidas incorretamente Pergunta 1 Resposta Selecionada: b. Respostas: a. b. c. d. e. Feedback da resposta: As alterações climáticas são um dos principais efeitos da crise ecológica. Podemos a�rmar: I. O efeito estufa e suas consequências caracterizam um dos múltiplos efeitos da crise ecológica. II. A destruição da camada de ozônio também in�uencia as mudanças climáticas, contribuindo para o aquecimento global. III. A manipulação da natureza e sua transformação com o objetivo de atender aos interesses da humanidade pode salvar o planeta. IV. Mudanças climáticas, diminuição dos recursos naturais, poluição e perda da biodiversidade são os quatro grandes problemas ambientais enfrentados pelo homem atualmente. Estão corretas as a�rmativas: II e IV. I e II. II e IV. I, II e III. II, III e IV. I, II, III e IV. Resposta: B UNIP EAD BIBLIOTECAS MURAL DO ALUNO TUTORIAISCONTEÚDOS ACADÊMICOS 0 em 0 pontos maceilto.almeida @unipinterativa.edu.br 1 Pergunta 2 Resposta Selecionada: d. Respostas: a. b. c. d. e. Feedback da resposta: Fatores que podem diminuir o quadro de degradação ambiental são: I. Crescimento desordenado da população sem aumento do nível educacional. II. Redução dos nascimentos e aumento do nível educacional. III. Modi�cação de comportamentos, atitudes,estilo de vida que poderão se re�etir em um consumo sustentável. IV. Restabelecer o respeito na convivência dos seres humanos e outros seres vivos. Assinale a alternativa correta: II, III e IV. I e II. II e IV. I, II e III. II, III e IV. I, II, III e IV. Resposta: D Pergunta 3 Resposta Selecionada: b. Respostas: a. b. c. d. e. Feedback da resposta: Para tornar um produto ambientalmente correto, devemos: I. Dar preferência à matéria-prima virgem, visando à reciclagem futura. II. Prolongar o tempo de vida do produto. III. A matéria-prima pode ser natural ou não. IV. Utilização de materiais que possam provocar a degradação da camada de ozônio e as mudanças climáticas durante o uso. Está correta a alternativa: II e III. I e IV. II e III. I, II e III. I, III e IV. I, II, III e IV. Resposta: B 0 em 0 pontos 0 em 0 pontos Segunda-feira, 11 de Março de 2019 15h11min44s BRT Pergunta 4 Resposta Selecionada: c. Respostas: a. b. c. d. e. Feedback da resposta: Sobre gestão ambiental, podemos a�rmar: I. A condução de uma gestão é formada por um conjunto de ações e medidas e regidas por um objetivo e orientação. II. A gestão empresarial busca um retorno satisfatório do investimento, o lucro, com medidas que potencializem os fatores favoráveis e minimizem os fatores desfavoráveis – os custos. III. Para solucionar problemas ambientais, precisamos de ações corretivas, direcionando esforços para fatores que realmente causam poluição das águas. Está correta a alternativa: I e II. I. II. I e II. I e III. I, II e III. Resposta: C ← OK 0 em 0 pontos Revisar envio do teste: ATIVIDADE TELEAULA II DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL 3068-50_57501_R_20191 CONTEÚDO Usuário maceilto.almeida @unipinterativa.edu.br Curso DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Teste ATIVIDADE TELEAULA II Iniciado 11/03/19 15:16 Enviado 11/03/19 15:16 Status Completada Resultado da tentativa 0 em 0 pontos Tempo decorrido 0 minuto Autoteste O aluno responde e o resultado do aluno não é visível ao professor. Resultados exibidos Todas as respostas, Respostas enviadas, Respostas corretas, Comentários, Perguntas respondidas incorretamente Pergunta 1 Resposta Selecionada: b. Respostas: a. b. c. d. e. Feedback da resposta: A educação ambiental deve estar presente dentro e fora das escolas e em todas as etapas da vida do cidadão, iniciando em casa, na primeira infância. I. A EA deve chegar às empresas com programas de sensibilização especí�cos. II. O cidadão comum não precisa se preocupar com a EA. III. O currículo escolar não precisa passar por uma revisão, ele já é adequado. IV. Os cientistas e os professores devem ter uma formação continuada para preparar a população. Assinale a alternativa correta: I e IV. I e II. I e IV. I, II e III. II, III e IV. I, II, III. Resposta: B Pergunta 2 UNIP EAD BIBLIOTECAS MURAL DO ALUNO TUTORIAISCONTEÚDOS ACADÊMICOS 0 em 0 pontos 0 em 0 pontos maceilto.almeida @unipinterativa.edu.br 3 Resposta Selecionada: b. Respostas: a. b. c. d. e. Feedback da resposta: Desde 1972, a sociedade mundial discute os problemas ambientais. Podemos a�rmar: I. A Conferência de Tbilisi foi um marco, pois elegeu a EA como ponto de partida e solução para crise ambiental. II. O Protocolo de Kyoto foi um sucesso, reduzindo as emissões de países desenvolvidos. III. A Rio +10 foi um sucesso mostrando os avanços da Rio-92. IV. Na Rio-92 foi gerado o documento mais importante, a Agenda 21. Assinale a alternativa correta: I e IV. I e II. I e IV. I, II e III. I, II e IV. I, II, III e IV. Resposta: B Pergunta 3 Resposta Selecionada: a. Respostas: a. b. c. d. e. Feedback da resposta: Nossa geração foi testemunha de um progresso tecnológico que trouxe benefícios a muitas pessoas, mas provocou graves consequências sociais e ambientais. I. Os sete países mais ricos do mundo são responsáveis por 80% da poluição. II. Países ricos cederam tecnologia aos países em desenvolvimento para conter a degradação ambiental. III. A política utilizada era de privatização dos benefícios e socialização dos custos. IV. O Brasil aderiu imediatamente ao desenvolvimento sustentável. Assinale a alternativa correta: I e III. I e III. II e IV. I, II e III. I, II e IV. I, II, III e IV. Resposta: A 0 em 0 pontos Segunda-feira, 11 de Março de 2019 15h16min47s BRT Pergunta 4 Resposta Selecionada: b. Respostas: a. b. c. d. e. Feedback da resposta: Seguindo as recomendações da Conferência de Tbilisi para as universidades foi recomendado: I. A análise do potencial atual das universidades para o desenvolvimento da pesquisa. II. Aplicação de um tratamento isolado do problema fundamental da relação entre o homem e a natureza. III. Elaboração de meios auxiliares, como manuais sobre os fundamentos teóricos de proteção ambiental. IV. Conservação ambiental deve ser preocupação para acadêmicos. Está correta a alternativa: I e III. I e IV. I e III. I, II e III. I, III e IV. I, II, III e IV. Resposta: B ← OK 0 em 0 pontos Revisar envio do teste: ATIVIDADE TELEAULA III DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL 3068-50_57501_R_20191 CONTEÚDO Usuário maceilto.almeida @unipinterativa.edu.br Curso DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Teste ATIVIDADE TELEAULA III Iniciado 11/03/19 15:21 Enviado 11/03/19 15:21 Status Completada Resultado da tentativa 0 em 0 pontos Tempo decorrido 0 minuto Autoteste O aluno responde e o resultado do aluno não é visível ao professor. Resultados exibidos Todas as respostas, Respostas enviadas, Respostas corretas, Comentários, Perguntas respondidas incorretamente Pergunta 1 Resposta Selecionada: d. Respostas: a. b. c. d. e. Feedback da resposta: A energia hidráulica derivada das marés oceânicas pode ser rastreada desde os tempos de Júlio César. I. Ainda é bastante difícil de aproveitá-la, pois as tempestades oceânicas são destrutivas e as águas são corrosivas. II. A energia das marés não causa impactos ambientais. III. Apenas em alguns lugares com geogra�a favorável. IV. Produz-se energia elétrica quando a água é liberada do reservatório para o oceano. Assinale a alternativa correta: I, III e IV. I e II. II e IV. I, II e III. I, III e IV. I, II, III e IV. Resposta: D Pergunta 2 UNIP EAD BIBLIOTECAS MURAL DO ALUNO TUTORIAISCONTEÚDOS ACADÊMICOS 0 em 0 pontos 0 em 0 pontos maceilto.almeida @unipinterativa.edu.br 5 Resposta Selecionada: b. Respostas: a. b. c. d. e. Feedback da resposta: A maior parte da energia utilizada hoje é proveniente da queima de combustíveis fósseis, os quais são fontes de energia não renováveis e muito poluentes. O Protocolo de Kyoto, acordo internacional que inclui a redução da emissão de gás carbônico (CO2) e de outros gases estufa, demonstra a grande preocupação com o meio ambiente e o excesso de queima de combustíveis fósseis, os quais podem ter como consequência o aumento de efeito estufa (aquecimento global). Assinale a alternativa que apresenta apenas combustíveis fósseis (fontes não renováveis de energia): Carvão, petróleo e gás natural. Petróleo, carvão e urânio (nuclear). Carvão, petróleo e gás natural. Biocombustíveis, hidrelétrica e eólica. Urânio (nuclear), solar e eólica. Carvão, petróleo e etanol. Resposta: B Pergunta 3 Resposta Selecionada: c. Respostas: a. b. c. d. e. Feedback da resposta: Nas usinas solares, a energia do sol é captada por painéis solaresformados por células fotovoltaicas e transformada em energia elétrica. Nas usinas eólicas, os geradores são acionados por hélices movidas pelo vento e geram energia elétrica. As usinas hidrelétricas utilizam a água acumulada em represas e a queda d'água move turbinas que acionam geradores e geram energia elétrica. Assinale a alternativa com uma característica comum aos três processos de geração de energia elétrica: Utilizam fontes renováveis de energia. Dependem das reservas de combustíveis fósseis. Não provocam impacto ambiental. Utilizam fontes renováveis de energia. Utilizam fontes não renováveis de energia. Utilizam as fontes mais poluidoras e utilizadas atualmente. Resposta: C Pergunta 4 0 em 0 pontos 0 em 0 pontos Segunda-feira, 11 de Março de 2019 15h21min38s BRT Resposta Selecionada: c. Respostas: a. b. c. d. e. Feedback da resposta: Sobre as fontes de energia renovável, podemos a�rmar: I. Fontes de energia renovável são as melhores para desenvolver uma política energética sustentável. II. Fontes renováveis de energia não estão disponíveis em todos os lugares. III. Fontes de energia alternativa são associadas com uma degradação ambiental quase nula. IV. As energias renováveis estão sempre disponíveis quando se precisa delas. Assinale a alternativa correta: I, II e III. I e IV. II e III. I, II e III. I, II e IV. I, II, III e IV. Resposta: C ← OK Revisar envio do teste: ATIVIDADE TELEAULA IV DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL 3068-50_57501_R_20191 CONTEÚDO Usuário maceilto.almeida @unipinterativa.edu.br Curso DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Teste ATIVIDADE TELEAULA IV Iniciado 11/03/19 15:29 Enviado 11/03/19 15:29 Status Completada Resultado da tentativa 0 em 0 pontos Tempo decorrido 0 minuto Autoteste O aluno responde e o resultado do aluno não é visível ao professor. Resultados exibidos Todas as respostas, Respostas enviadas, Respostas corretas, Comentários, Perguntas respondidas incorretamente Pergunta 1 Resposta Selecionada: d. Respostas: a. b. c. d. e. Feedback da resposta: A educação ambiental tornou-se lei em 27 de Abril de 1999. Podemos a�rmar: I. Deve estar presente em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não formal. II. Envolve apenas os segmentos organizados da sociedade. III. Busca despertar a preocupação individual e coletiva para a questão ambiental. IV. Busca o desenvolvimento de uma consciência crítica e estimulando o enfrentamento das questões ambientais e sociais. Assinale a alternativa correta: I, III e IV. I e II. I e III. I, II e III. I, III e IV. I, II, III e IV. Resposta: D Pergunta 2 UNIP EAD BIBLIOTECAS MURAL DO ALUNO TUTORIAISCONTEÚDOS ACADÊMICOS 0 em 0 pontos 0 em 0 pontos maceilto.almeida @unipinterativa.edu.br 1 Resposta Selecionada: d. Respostas: a. b. c. d. e. Feedback da resposta: Sobre a certi�cação ambiental, podemos a�rmar: I. A certi�cação ambiental é baseada no cumprimento da ISO 14001, exigindo que a empresa tenha bom desempenho ambiental. II. O conceito da melhoria contínua foi inserido nessa norma com o objetivo de estimular a melhoria do sistema de gestão ambiental. III. Existem exigências relacionadas com a segurança do trabalho e a saúde ocupacional de seus colaboradores. Assinale a resposta correta: I e II. Apenas I. Apenas II. Apenas III. I e II. I, II, III. Resposta: D Pergunta 3 Resposta Selecionada: a. Respostas: a. b. c. d. e. Feedback da resposta: Sobre auditoria ambiental, podemos a�rmar: I. Auditoria é diferente de �scalização. II. O mais importante é o cumprimento de padrões especí�cos, estipulados pela empresa. III. O auditor tem como objetivo identi�car a causa do problema. IV. Auditores internos �scalizam as suas atividades. Assinale a alternativa correta: I e II. I e II. I e IV. I, II e III. I, III e IV. I, II, III e IV. Resposta: A Pergunta 4 0 em 0 pontos Segunda-feira, 11 de Março de 2019 15h29min32s BRT Resposta Selecionada: a. Respostas: a. b. c. d. e. Feedback da resposta: Sobre o Marketing Ecológico, podemos a�rmar: I. Promove o aumento dos lucros das empresas. II. É uma obrigação visto que faz parte da legislação. III. O maior incentivo para o uso do Marketing Ecológico é a redução de impostos. Assinale a resposta correta: Apenas I. Apenas I. Apenas II. Apenas III. I e II. I, II, III. Resposta: A ← OK 0 em 0 pontos Revisar envio do teste: QUESTIONÁRIO UNIDADE I DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL 3068-50_57501_R_20191 CONTEÚDO Usuário maceilto.almeida @unipinterativa.edu.br Curso DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Teste QUESTIONÁRIO UNIDADE I Iniciado 11/03/19 15:08 Enviado 11/03/19 15:09 Status Completada Resultado da tentativa 2,5 em 2,5 pontos Tempo decorrido 0 minuto Resultados exibidos Todas as respostas, Respostas enviadas, Respostas corretas, Comentários, Perguntas respondidas incorretamente Pergunta 1 Resposta Selecionada: a. Respostas: a. b. c. d. e. Feedback da resposta: A gestão ambiental tem se con�gurado com uma das mais importantes ferramentas relacionadas com qualquer negócio. Ela pode ser realizada em quatro níveis. Assinale a alternativa correta. Gestão de processos e gestão de sustentabilidade. Gestão de processos e gestão de sustentabilidade. Gestão de resultados e gestão �nanceira. Gestão do plano ambiental e gestão de pessoal. Gestão de resíduos e gestão social. Gestão de sustentabilidade e gestão social. Resposta: A Comentário: os quatro níveis de gestão ambiental são: gestão de processos, gestão de sustentabilidade, gestão do plano ambiental e gestão de resultados. Pergunta 2 A relação do homem com a natureza sempre aconteceu de forma bastante discrepante: de um lado, o homem, com toda a sua inteligência gananciosa, tentando alimentar os seus desejos de consumo e conforto; do outro, a natureza, com toda a sua exuberância e riqueza, fonte para todas as ações humanas. Qual a situação abaixo pode agravar ainda mais a crise ambiental? Assinale a alternativa correta. UNIP EAD BIBLIOTECAS MURAL DO ALUNO TUTORIAISCONTEÚDOS ACADÊMICOS 0,25 em 0,25 pontos 0,25 em 0,25 pontos maceilto.almeida @unipinterativa.edu.br 1 Resposta Selecionada: d. Respostas: a. b. c. d. e. Feedback da resposta: O desenvolvimento sem limites protagonizado pelo homem em prol dos interesses próprios. O agricultor que tira da terra o alimento que leva à mesa. A humanidade perceber que os recursos naturais são �nitos. Quanto maior o nível educacional em um país, menor é a taxa de natalidade. O desenvolvimento sem limites protagonizado pelo homem em prol dos interesses próprios. O resultado do aquecimento da superfície do planeta que conhecemos como efeito estufa. Resposta: D Comentário: a busca desenfreada pela produção levou o homem a explorar intensamente os recursos disponíveis na natureza, esquecendo que grande parte deles, além de não ser renovável, quando retirada da natureza em quantidades excessivas, deixa nela uma lacuna, às vezes, irreversível. As consequências são sentidas em gerações posteriores, principalmente em relação às mudanças climáticas. Pergunta 3 Resposta Selecionada: e. Respostas: a. b. c. d. e. Atualmente, as instituições estão cada vez mais preocupadas em atingir e demonstrar um desempenho mais satisfatório em relação ao meio ambiente. A problemática ambiental envolve também o gerenciamento dos assuntos pertinentes ao meio ambiente, por meio de sistemas de gestão ambiental,