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TCC Legitima Defesa

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UNIVERSIDADE PAULISTA DE ENSINO
FACULDADE DE DIREITO, BACHARELADO
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO
RODRIGO JOSÉ GALIAZZI
 LEGITIMA DEFESA: Legitima Defesa na atualidade
Araraquara,
2019
RODRIGO JOSÉ GALIAZZI
LEGITIMA DEFESA: Legitima Defesa na atualidade
Trabalho apresentado a Banca Examinadora da Universidade Paulista de Ensino como requisito para o titulo de Bacharel em Direito.
Orientador: Prof. Dr. Luis Carlos Agudo
Araraquara
2019
Autorizo a reprodução e divulgação total ou parcial deste trabalho, por qualquer meio convencional ou eletrônico, para fins de estudo e pesquisa, desde citada a fonte.
Catalogação na Publicação
Serviço de Biblioteca e Documentação
Faculdade de Direito, UNIP Universidade Paulista
Galiazzi, Rodrigo Jose
LEGITIMA DEFESA: Legitima Defesa na atualidade / Rodrigo; Luis Carlos Agudo
Araraquara, 2019.
Dissertação (Bacharelado) – Faculdade de Direito, UNIP Universidade Paulista.
RODRIGO, LEGITIMA DEFESA: Legitima Defesa na atualidade. Dissertação (Bacharelado) apresentada à Faculdade de Direito, UNIP Universidade Paulista para obtenção do título de Bacharel em Direito.
Aprovado em: 
Banca Examinadora
Prof. Dr. ______________________________ Instituição_________________________
Julgamento____________________________ Assinatura__________________________
Prof. Dr. ______________________________ Instituição_________________________
Julgamento____________________________ Assinatura__________________________
Prof. Dr. ______________________________ Instituição_________________________
Julgamento____________________________ Assinatura__________________________
Prof. Dr. ______________________________ Instituição_________________________
Julgamento____________________________ Assinatura__________________________
AGRADECIMENTOS
	Ao Prof. Dr. Agudo, pelo empenho, dedicação, atenção e apoio durante o processo de definição e orientação, assim como em todo período letivo.
	 
	
 “Procure a sabedoria e aprenda a escrever os capítulos mais importantes de sua história nos momentos mais difíceis de sua vida.“ — (Augusto Cury 3)
RESUMO
AUTOR: Rodrigo Jose Galiazzi, LEGITIMA DEFESA: Legitima Defesa na atualidade. 2019. Dissertação (Bacharelado) – Faculdade de Direito, Universidade Paulista, Araraquara, 2019.
O presente trabalho tem por intuito pesquisar o tema da legítima defesa com breve relato na sua concepção nas mais simples sociedades, utilizando-se do Direito Comparado e partindo de sua evolução histórica e fundamentação passando pela investigação da ocorrência do excesso da legítima defesa(doloso, culposo e por caso fortuito), vamos ainda discorrer sobre o que é, quais os tipos, analisando as vantagens e desvantagens ante situações reais, inclusive citando projeto de lei anticrimes do ministro Sergio Moro que visa alterar a legitima defesa atual. Constatando o uso da legítima defesa contra a lesão a um bem jurídico protegido pelo Estado e o excesso que possa resultar dessa ação. Para tanto, é abordado à visão de diversos autores e suas respectivas teorias para uma melhor compreensão dos fatos e adequação da real situação de autodefesa no ordenamento jurídico, especulando essas diversas possibilidades no uso desse instituto, e determinando os casos de sua legitimidade ou sua ilegitimidade. Conclui-se que o excesso ocorreria ou não a depender do caso concreto, avaliando-se diversos elementos e fatores como o meio utilizado e a proporcionalidade do ato aplicado. A legítima defesa é entendida hoje como a possibilidade de usar a força para repelir um ataque ou ameaça iminente contra si ou outras pessoas. O Código Penal também afirma que a pessoa, seja policial ou cidadão comum, poderá ser punida se praticar "excesso" na legítima defesa. Um exemplo básico desse excesso seria se, para se defender de uma agressão a socos e pontapés, a pessoa que atua em legítima defesa atirasse com uma arma de fogo no agressor. Porém, pode se notar que diante de um exemplo tão quanto subjetivo as vantagens são extraordinárias, mas quando passamos para casos mais complexos diante de escusável medo, surpresa ou violenta emoção o caso passa ser um tanto quanto desvantajoso. Hoje esse trecho do Código Penal não cita explicitamente a atuação da polícia, mas as regras também se aplicam a situações de confrontos travados por policiais. 
Palavras-chave: Trabalho acadêmico. Apresentação. Legitima defesa. Excesso.
ABSTRACT
AUTHOR: Rodrigo Jose Galiazzi, Title Legtima Defense: subtitle without bold. 2019. Dissertation (Bachelor) - Faculty of Law, Paulista University, Araraquara, 2019.
The present work aims to investigate the issue of legitimate defense with a brief report in its conception in the simplest societies, using Comparative Law and starting from its historical evolution and foundation, passing through the investigation of the occurrence of the excess of legitimate defense (willful, guilty and fortuitous case), we will also discuss what it is, what types, analyzing the advantages and disadvantages of real situations, including citing the anticrime bill of the minister Sergio Moro that aims to change the current legitimate defense. Noting the use of legitimate defense against injury to a legal asset protected by the State and the excess that may result from this action. In order to do so, it is approached the vision of several authors and their respective theories for a better understanding of the facts and adequacy of the real situation of self-defense in the legal order, speculating these diverse possibilities in the use of this institute, and determining the cases of its legitimacy or its illegitimacy . It is concluded that the excess would or would not depend on the concrete case, evaluating several elements and factors as the medium used and the proportionality of the applied act. Self-defense is understood today as the possibility of using force to repel an imminent attack or threat against yourself or others. The Criminal Code also states that a person, whether a police officer or an ordinary citizen, may be punished if he / she practices "excess" in self-defense. An example of such an excess would be if, in order to defend himself from an aggression to punches and kicks, the person acting in self-defense fired a firearm at the aggressor. However, it may be noted that in the face of such a subjective example the advantages are extraordinary, but when we move on to more complex cases in the face of excruciating fear, surprise, or violent emotion the case becomes somewhat disadvantageous. Today, this section of the Penal Code does not explicitly mention the actions of the police, but the rules also apply to situations of confrontations between police officers.
Keywords: Academic work. Presentation. Legitimate defense. Excess.
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO............................................................................................................................................10
2 LINHAS GERAIS................................................................................................................................................10
2..1 crime.....................................................................................................................................................11
	2.2 tipicidade.............................................................................................................................................11
	2.3 antijuricidade....................................................................................................................................12
	2.4 estado de necessidade....................................................................................................................12
	2.5 estrito cumprimento
do dever legal.........................................................................................12
	2.6 exercício regular do direito.........................................................................................................12
3 LEGITIMA DEFESA..........................................................................................................................................13
	3.1 evolução histórica............................................................................................................................13
	3.2 evolução histórica no direito brasileiro.................................................................................16
4 CONCEITO DE LEGITIMA DEFESA.........................................................................................................17
	4.1 requisitos de legitima defesa......................................................................................................19
5 PRINCIPAIS ESPÉCIES DE LEGITIMA DEFESA...............................................................................22
	5.1 legitima defesa putativa...............................................................................................................22
	5.2 legitima defesa sucessiva..............................................................................................................22
	5.3 legitima defesa real.........................................................................................................................23
6 O EXCESSO NA LEGITIMA DEFESA........................................................................................................23
	6.1 excesso doloso....................................................................................................................................24
	6.2 excesso culposo.................................................................................................................................26
	6.3 excesso por caso fortuito..............................................................................................................27
7 ATUALIDADE NA LEGITIMA DEFESA..................................................................................................28
	7.1 projeto de lei anticrimes e a legitima defesa policial......................................................28
8 CONCLUSÃO........................................................................................................................................................29
REFERÊNCIAS........................................................................................................................................................30
1 INTRODUÇÃO
	O presente trabalho tem por finalidade trazer diante das excludentes de ilicitude uma reflexão pela base dos estudos da legítima defesa e o excesso, assim como analise diante de escusável medo, surpresa ou violenta emoção, iniciando por uma breve análise histórica da sociedade e do desenvolvimento desse instituto através dos tempos, conceituando sua imposição presente desde as sociedades mais primitivas até as sociedades pautadas nos direitos mais consolidados, trazendo informações sobre os vários autores que discutem sobre a fundamentação e teorias a cerca desse tema na atualidade.
Controversa e evocada diversas vezes nos tribunais, as excludentes de ilicitude, mais especificamente a legítima defesa, como prescrita nos arts. 23 a 25 do Código Penal é o tema estudado neste presente trabalho, que tem o escopo conceituá-la ao se deter nas questões mais controversas que a envolvem, observando as muitas teorias sobre o tema, comparando-as inclusive com a prática penal, por meio de jurisprudências e entendimentos do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.
	A Legítima Defesa é considerada, pelo Código Penal, como excludente de ilicitude. Isso implica dizer que quem age em legítima defesa não comete crime. Vale ressaltar que não é a mesma coisa que dizer que o crime existe, mas não existe pena. Simplesmente não houve crime e, portanto, não há que se falar em pena.
Será importante no decorrer do trabalho expor resumidamente as excludentes de ilicitude e posteriormente mais especificamente a Legitima Defesa, analisando as vantagens e desvantagens ante situações reais.
Importante passo a ser discutido atualmente sobre a legitima defesa é o projeto de lei anticrimes do ministro Sergio Moro que visa alterar a legitima defesa atual, vamos analisar as vantagens e desvantagens deste projeto qual pode afetar de forma significativa não só a legitima defesa como todas as excludentes. Constatando o uso da legítima defesa contra a lesão a um bem jurídico protegido pelo Estado e o excesso que possa resultar dessa ação. 
Por fim, a legítima defesa é entendida hoje como a possibilidade de usar a força para repelir um ataque ou ameaça iminente contra si ou outras pessoas, contudo vale dizer o quão necessário é o cuidado com o excesso, mas não só, pois é muito importante também aprimorar as excludentes diante de escusável medo, surpresa ou violenta emoção, mas de forma mais detalhada, para que não se torne algo tão subjetivo, podendo causar danos e prejuízos a outros direitos inerentes à sociedade.
2 LINHAS GERAIS
Para avaliarmos as excludentes de ilicitude e mais especificamente a legitima defesa, a primeira coisa a se averiguar é a tipicidade da conduta, que consiste na adequação da conduta ao tipo penal, se a conduta se encaixar no tipo penal descrito, temos um fato típico. Só depois de configurada a tipicidade passa-se averiguar a Ilicitude, assim sendo, se uma conduta é considerada atípica nunca será ilícita. Só haverá crime se a conduta além de típica for ilícita e culpável.
Ilicitude é a contradição entre a conduta praticada pelo agente e o ordenamento jurídico, note-se que a ilicitude é mais ampla que a tipicidade, pois já sendo verificado que a conduta corresponde ao tipo penal na tipicidade, na ilicitude se averigua se mesmo sendo típica, não estaria aquela conduta autorizada por outras normas do sistema jurídico. As normas autorizadoras são chamadas excludentes de ilicitude.
É certo que o fato típico sempre tem um caráter indiciário de ilicitude, contudo, havendo a presença de alguma causa excludente de ilicitude, não haverá crime. Partindo deste pressuposto, como todo fato típico em princípio também é ilícito, o ônus de provar a existência de excludente de ilicitude fica a cargo da defesa, bastando à acusação provar a tipicidade que já traz implicitamente a ilicitude.
Parte da doutrina defende que do mesmo jeito que o tipo penal que descreve a conduta do crime, deve respeitar a legalidade estrita, as excludentes de ilicitude submetem-se ao mesmo princípio. Embora haja outra parte que defende a existência de causas supra legais que também são capazes de excluir a ilicitude da conduta.
2.1 CRIME
O conceito de crime é o início da compreensão dos principais institutos do Direito Penal. Embora aparentemente simples, a sua definição completa e pormenorizada apresenta questões complexas que acarretam consequências diversas. Vejamos:
Quanto ao critério material crime é toda ação ou omissão humana que lesa ou expõe a perigo de lesão bens jurídicos penalmente tutelados. Esse critério leva em consideração a relevância do mal produzido. Assim, somente se legitima o crime quando a conduta proibida apresentar relevância jurídico-penal, mediante a provocação de dano ou ameaça de dano.
Quanto ao critério legal, o conceito de crime é fornecido pelo legislador. Contudo, o Código Penal não conceitua crime, mas a Lei de Introdução ao Código Penal o faz: "Considera-se crime a infração penal a que a Lei comina pena de reclusão ou de detenção, quer isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com a pena de multa; contravenção, a infração penal a que a lei comina, isoladamente, pena de prisão simples ou de multa, ou de ambas, alternativa ou cumulativamente."
Quanto ao critério analítico, há várias classificações; dito
isso, Basileu Garcia sustentava que o crime tinha quatro elementos, quais sejam, fato típico, ilicitude, culpabilidade e punibilidade. Outros autores (Nelson Hungria, Aníbal Bruno, Magalhães Noronha etc) adotam a posição tripartida - fato típico, ilicitude, culpabilidade. Outros ( Damásio, Mirabete etc) ainda entendem o crime como o fato típico e ilícito, pois a culpabilidade deve ser excluída da composição do crime, uma vez que se trata de pressuposto de aplicação da pena.
2.2 TIPICIDADE
Tipicidade é a adequação de um ato praticado pelo agente com as características que o enquadram a norma descrita na lei penal como crime.
Trata-se de elemento de fato típico, ou seja, se não houver tipicidade, o fato será considerado atípico, logo, não haverá crime.
As modalidades de tipo são:
Tipo derivado: aquele que deriva do tipo principal ou fundamental. São as chamadas qualificadoras, causas de aumento de pena.
Tipo permissivo: aquele que permite a prática de um ato tipificado. São as excludentes de ilicitude.
2.3 ANTIJURICIDADE
A antijuridicidade é a relação de contrariedade entre o fato e o ordenamento jurídico.
Não basta, para a ocorrência de um crime, que o fato seja típico (previsto em lei).
É necessário também que seja antijurídico, ou seja, contrário à lei penal, que viole bens jurídicos protegidos pelo ordenamento jurídico.
São quatro as causas legais de excludentes de ilicitude, quais sejam: a) legítima defesa; b) estado de necessidade; c) estrito cumprimento do dever legal e d) o exercício regular de direito.
2.4 ESTADO DE NECESSIDADE
Prevê o art. 24: "Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se".
Para alguns doutrinadores o estado de necessidade configura uma faculdade e não um direito, pois a todo direito corresponde a uma obrigação, o que não há em relação àquele que tem lesado o seu bem jurídico por um caso fortuito. Para outros, trata-se de um direito, não contra o interesse do lesado, mas em relação ao estado, que concerne ao sujeito esse direito subjetivo da norma penal.
O estado de necessidade pressupõe um conflito entre titulares de interesses lícitos e legítimos, em que um pode parecer licitamente para que outro sobreviva.
São requisitos do estado de necessidade perante a lei penal brasileira:
a) a ameaça a direito próprio ou alheio;
b) a existência de um perigo atual e inevitável;
c) a inexigibilidade do sacrifício do bem ameaçado;
d) uma situação não provocada voluntariamente pelo agente; e
e) o conhecimento da situação de fato justificante.
2.5 ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER LEGAL
O estrito cumprimento do dever legal, apontado no Código Penal em seu artigo 23, inciso III, corresponde e compreende toda e qualquer obrigação direta ou indiretamente derivada de lei.
Fernando Capez conceitua doutrinariamente, da seguinte forma o "estrito cumprimento do dever legal": "É a causa de exclusão da ilicitude que consiste na realização de um fato típico, por força do desempenho de uma obrigação imposta por lei, nos exatos limites dessa obrigação". Em outras palavras, a lei não pode punir quem cumpre um dever que ela impõe.
2.6 EXERCICIO REGULAR DO DIREITO
O Exercício regular de direito é decorrente do princípio constitucional da legalidade, previsto no artigo 5º, inciso II da Constituição Federal: “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Sendo assim, possibilita ao cidadão o exercício do direito subjetivo, desde que não contrarie a lei vigente.
Na parte específica do Código Penal existem casos específicos de exercício regular de direito, como: a imunidade judiciária (art. 142, I e II, CP); a coação para evitar suicídio ou para a prática de intervenção cirúrgica (art. 146, § 3º, I e II, CP); e o direito de crítica (art. 142, II, CP).
De acordo com Guilherme Nucci é o desempenho de atividade permitida por lei penal ou extra penal, passível de ferir bem ou interesse jurídico de terceiro, mas que afasta a ilicitude do fato típico produzido .
 
3 LEGITIMA DEFESA
	A Legítima Defesa é considerada, pelo Código Penal, como Excludente de Ilicitude. Isso implica dizer que quem age em legítima defesa não comete crime. Não confunda: não é a mesma coisa que dizer que o crime existe, mas não existe pena. Simplesmente não houve crime e, portanto, não há que se falar em pena.
	Art. 25 – Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem.
A legítima defesa deve ser feita com moderação. O ato de defesa deve ser proporcional à gravidade da ameaça ou agressão. A avaliação da gravidade é subjetiva e deverá ser analisada caso a caso. Fica fácil compreender a intenção do legislador quando criamos exemplos hipotéticos exagerados, veja: Mulher de 50 Kg agride homem de 100 Kg, faixa preta de Karatê com tapas. Homem revida com cinco disparos de arma de fogo, matando a agressora. Nesse caso, considerada a distância física entre os agentes e a incapacidade da agressora em causar qualquer dano à vítima, pode-se caracterizar o excesso na legítima defesa.
3.1 EVOLUÇÃO HISTORICA DA LEGITIMA DEFESA NAS SOCIEDADES 
A legítima defesa evoluiu historicamente em conjunto com a manifestação dos sistemas jurídicos e sua extensa evolução social. Ocorrendo sua manifestação de forma primitiva como uma espécie de justiça, ocorrendo repressão pelo processo de vingança privada (Direito pessoal), assumindo posteriormente o caráter de vingança pública. Surge-se assim, o talião, uma forma precária e rudimentar do instituto da legítima defesa, limitando a vingança quanto à essência da punição e à medida do direito material.
Na antiguidade, a legítima defesa se encontrava em seu estado mais simplório, podendo se dizer que se encontrava em um estado embrionário, assim como ocorreu também com os outros demais institutos jurídicos presentes nessa época. Um dos progenitores da regulamentação desse instituto se encontra na figura do Deuteronômio, o qual é o quinto livro da Bíblia que teve como autoria atribuída a Moisés, em um contexto histórico pelo ano de 1473 a.C. No Deuteronômio, a legítima defesa se encontra alocado em dispositivos paralelos ao homicídio involuntário em uma forma arcaica de regulamentação, expostos pelo: Deuteronômio. XIX, 21; XXV, 1; XXV, 2. Sendo expostos os conceitos fundamentais da legítima defesa: “a repulsa, em igualdade ao ataque; o reconhecimento da conduta justificada, e por fim, a necessidade da moderação, como critério avaliador do comportamento do agente.”
Mesopotâmia: O direito mesopotâmico possuía sua origem em uma constituição divina, possuiu na época como um de seus maiores legados o Código de Hamurábi, inspirando-se nas “leis de Moisés e na revelação de preceitos do Decálogo”. Contendo 282 parágrafos, além de seus prólogo e epílogo, continha diversas leis da Assíria Média e escassos fragmentos dos estatutos jurídicos neobabilônicos. Em seus parágrafos o Código de Hamurábi, legislava sobre o direito de defesa e defesa à honra, sendo o sujeito criminoso passível de pena de morte e de repressão de seus atos pela consequência de seus atos infligidos impostos ao próprio sujeito pelo famoso princípio de talião, “olho por olho, dente por dente”.
Israel: O direito israelita é dotado de grandes ideais religiosos com uma concepção mais humana de direito, com a introdução no seu texto normativo as leis religiosas mais conhecidas como Tora, o qual se encontra presente fortes preceitos morais. As leis no direito israelita eram igualitárias em suas camadas sócias, pelo menos na teoria, ainda mais se tratando do setor criminal.
Nesse direito era permitido romper com uma norma legal, ou seja, lesar um bem jurídico tutelado pelo texto normativo. Inibida de culpabilidade quando a vítima se encontra
obrigada a lesar tal bem jurídico visando salvaguardar sua vida, devido à ameaça de morte. Essa situação seria justificada pela Escritura que quer salvar a vida de um homem e não necessariamente pela autotutela de tal sujeito que se encontra em perigo. Porém, a perda de vida de um homem através do cometimento de um uma morte seria considerara crime de qualquer maneira, sendo preferível perder a própria vida do que se cometer um crime tirando a vida de outrem. Tendo em vista que caso um homem atacado mata seu agressor, podendo ser evitado, receberá pena de morte.
Hititas: O código dos hititas era diferenciado dos demais códigos orientais, pela sua especial atenção ao aspecto humano, possuindo uma herança das leis mosaicas. Substituindo dessa forma, o princípio de talião pelo princípio da compensação, sendo a legítima defesa pautada nesse ordenamento, de forma que o ato de matar alguém que expões sua vida em risco se sobre valeria, sendo mais importante a defesa à vida do que a ameaça de morte.
Grécia: A Grécia possuía as leis criminais do Areópago, o qual se tratava de um tribunal ateniense composto por nobres, onde os cidadãos quando lesados poderiam recorrer para os julgamentos de crimes. Diferentemente dos romanos, os gregos não incluíram nitidamente em suas leis a descrição legal da legítima defesa. A defesa era exercida como se fosse dirigida a um inimigo, o qual necessitava proteção própria. Era lícito o uso da legítima defesa contra quem tentasse violentamente roubar no período noturno, como também no diurno que até então não era permitido por outros códigos neste artigo exposto.
A defesa de honra e a defesa de terceiros passam a ser admitidas nesse sistema normativo grego assim como a legítima defesa, contanto que a defesa de terceiros não tivesse o agredido provocado a ofensa.
Egito: Os egípcios dotados de sua antiga cultura proporcionaram uma diferente visão do direito penal, sendo revolucionários ao dar a devida atenção à opinião pública na prevenção e repressão dos delitos. Perante o que concerne a legítima defesa, era baseado em decretos e sentenças dos reis por uma visão alternativa sobre a omissão na legítima defesa de terceiros, o qual discernia que o direito punia todo aquele que deixasse de prestar ajuda a quem estivesse sofrendo agressão, na justificativa de que “os homens deveriam ser guardiões entre si e nessa reciprocidade de deveres encontrariam uma via de fortalecimento e prevenção contra malfeitores”.
Índia: O direito indiano revela-se através da tradição, baseando essencialmente nos direitos civis e criminais para a resolução de litígios. As leis indianas, mais conhecidas como leis de Manu (presentes no livro chamado de Manava-Dharma-Sastra) são extremamente segregacionistas pela disposição de castas dessa sociedade. Essas leis versavam sobre o direito do homem em dever matar quem se põe contra ele, sem meios de escapar, seja quem fosse seu agressor (chefe, criança, velho, brâmane que recebem elevada atenção nas Sagradas Escrituras). O direito de defesa também se estendia a tentativa de morte, o qual não poderia ser atribuído culpa a um homem, se esse matasse alguém que teria cometido uma tentativa de assassinato em público ou lugar privado. Essa ação seria apenas a ira do momento em combate.
Direito Romano: Os textos normativos romanos abordavam já em seu tempo o fato de repelir a violência pela violência seria direito universalmente reconhecido, tendo como fonte a naturalisratio (razão natural). Porém reprimia o uso da vingança privada, sendo considerada ilícita, pois a sociedade passa a ser regularizado por normas estabelecidas pelo direito penal. Um dos exemplos de direitos assegurados por esse texto normativo se encontra na possibilidade de matar o ladrão noturno que comete um furto, pois o causador da morte seria absolvido. Além desses, o direito romano se preocupou em limitar o arcaico conceito da legítima defesa, como o caso contra os ladrões, não sendo permitido senão quando ocorrido furtos em zona rural, onde o poder público é consideravelmente ineficientes perto da oferecida pelas cidades.
Outras possibilidades também foram inseridas no direito romano, sendo uma delas a decisão de Gaio, o qual diz que aquele que mata escravo para salvaguardar sua própria vida não deve sofrer as consequências causadas pela sua morte. E outra como a inseridas pelos textos de Ulpiano e Paolo, os quais versam sobre o instituto da legítima defesa que se aplicava à integridade física (tutela aos bens da vida) desde que incluísse juntamente a proteção à integridade pessoal e ao pudor e, com relação ao patrimônio, quando a agressão a este importasse em perigo pessoal. Respeitando os requisitos que dependem da existência de uma agressão injusta e atual, da possibilidade de revidar a agressão de outra maneira, ou evitada, devendo recorrer à fuga quando possível.
Assim, se torna lícito repelir agressão com a morte sem ser imputado como homicida, por não se tratar de delinquência defender a própria vida. E passa a abranger a defesa de terceiros, em diversos casos de vínculos (militar, hierárquico e militares) indispensáveis entre o defensor e o agredido.
Direito Germânico: O direito germânico, o instituto da legítima defesa não possui elementos caracterizadores iguais os que eram amplamente inseridos pelos romanos, que o legitimavam suas formas de uso. A base do direito germânico era pautada na vingança privada individual (delitos privados) e no chamado perda da paz (delitos públicos), “onde os criminosos eram perseguidos por todos e poderiam ser mortos por qualquer integrante do grupo" (ou dos familiares, defendendo os parentes atacados, vingando o ofendido). O uso da vingança imediata não é o direito da legítima defesa, mas com certeza pode-se dizer que encontra nele seu embrião para iniciar sua evolução até se tornar como se encontra na atualidade.
Assim, a legítima defesa não foi amplamente exposta com uma noção exata nesse ordenamento jurídico, mostrando um atraso em relação à matéria desse instituto. A legítima defesa está ligada ao homicídio involuntário, em suas origens históricas, justificando a redução da pena sem a deterioração do direito de vingança do denominado redentor do sangue. Com a evolução do instituto, esse foi ganhando disciplina mais versátil e conceitos próprios, separando-se da notável forma incipiente de assassinato não punível, enquanto não chegasse a se tornar causa absoluta de impunidade. Um desses conceitos próprios destacados foi o perdão, elemento atribuído por esse ordenamento, que tornou-se forma de solucionar os casos de infrações cometidas sob o império da legítima defesa. Além de se admitir diversos rituais e costumes para se estabelecer se realmente o sujeito seria delinquente ou apenas estaria exercendo seu direito de defesa.
Direito Canônico: O direito canônico tem sua base solidificada na moral, ou seja, em ensinamentos moralistas independentes da vontade do legislador. As suas sentenças são executadas em tribunais seculares, regidos pela relação existente entre Igreja e Estado e os ditames da Igreja a fim de estipular as diretrizes do direito.
O instituto da legítima defesa é intensamente abordado nesse direito, devido à ampla presença de influência teleológica e filosófica em suas teorias, colocando a justiça como um preceito maior a ser defendido. Sendo regulado e definido pelo Corpus Iuris Canonici e pelo Codex, recebendo a denominação de moderameninculpataetutelae.
Esse direito passa a ser permitido e reconhecido quando há a escassa tutela social da autoridade e a defesa própria se projeta como um direito natural tolerado pela Igreja, apesar de colidir com o preceito máximo da igreja de perdão e caridade, sendo apenas tolerada a morte do agressor em casos em que ocorresse nos limite extremo da legítima defesa. Sendo assim, estabeleceu-se a regulamentação da legítima defesa pelo Decreto de Graciano, e também exposto por Regatillo que a definiu como a “reação violenta individual para defender-se e defender os direitos próprios contra
um agressor que, ao menos materialmente, é injusto”. Apesar de toda essa legitimação, o direito canônico não contemplava ou defendia o direito à defesa a honra, entre outras defesas (defesa de pais contra filhos, de alunos contra professores, de condenados contra os executores da justiça e em raras exceções de patrimônio -como em casos de patrimônios insubstituíveis de relevante valor e irrecuperáveis). Além disso, preocupou-se com os meios de defesa ao impelir injusta agressão, devendo ser de forma moderada e sem excessos, preferindo-se a fuga a resposta à agressão.
3.2 Evolução Histórica da Legítima Defesa no Direito Brasileiro
Ordenações Filipinas: O Brasil, ainda enquanto colônia teve seu direito imposto pela metrópole (Portugal) através das Ordenações Filipinas, os quais já dispunham sobre regulamentação da legítima defesa, esclarecida em seu Livro Quinto no título XXXV e XXXVIII. O título XXXV descrevia a possibilidade excludente de ilicitude, no caso de homicídio em que: “Qualquer pessoa, que matar outra, ou mandar matar, morra por morte natural. Porém se a morte for a sua necessária defensão, não haverá pena alguma, salva se nela exceda a temperança, que deverá, ou poderá ter, porque então será punido segundo a qualidade do excesso”. O título XXXVIII, por sua vez, dispõe sobre a legítima defesa da honra, permitindo que o homem cause a morte à mulher ou ao seu companheiro em flagrante de adultério. Porém nesse ordenamento não havia uma previsão descrita dos excessos como há hoje.
Código Criminal de 1830 (do Império): O Código Criminal de 1830 (do Império), por sua vez já trazia os elementos excludentes de ilicitude e de maneira justificável sobre a forma do artigo 14, parágrafo 1º e parágrafo 2º. O parágrafo 1º, alegava que não existiria crime se fosse com o intuito de evitar mal maior, o que viria a configurar o estado de necessidade. O parágrafo 2º, por sua vez, faz a previsão da legítima defesa quando a agressão atingir a sua pessoa, seus direitos, familiares ou terceiros. Porém para se alegar legítima defesa, o agente deveria preencher os requisitos expostos no código, sendo excludente de responsabilidade ou responder pelo crime sob a forma de pena. Caso houvesse o excesso devido a falta de descrição do código, o sujeito poderia ter sua pena atenuada, conforme previsto no artigo 18.
Código Criminal de 1890 (da República): O Código Penal de 1890 foi concebido pelo decreto nº 847, em 11 de outubro de 1890, o qual estipulava a legitima defesa nos artigos 32 e 34 §2º, que no primeiro mencionava a exclusão da antijuridicidade (ilicitude), e no segundo os seus requisitos. Nesse código não houve a definição sobre o excesso dessa prática, embora outros códigos já o teriam feito antes, como é o caso do italiano, sendo aplicado uma redução de pena. Já as circunstâncias atenuantes previstas por esse código eram dadas através do artigo 42, parágrafos 3º e 6º, caso fosse cometido o crime com excesso.
Código Penal de 1940: O Código Penal de 1940 foi contemplado posteriormente à consolidação das leis penais de 1932 (manteve as mesmas disposições do código anterior) e ao projeto não votado de Virgílio de Sá Pereira de 1935. Esse referido código expõe o estado de necessidade e a legítima defesa respectivamente nos artigos 20 e 21. Sendo, no artigo 21, incluso a menção ao excesso na legítima defesa culposa, porém apenas ao excesso culposo, não se referindo ao excesso doloso. O motivo da menção somente do excesso culposo seria que “se o excesso é conscientemente querido, responde o agente por crime doloso, pouco importando o estado inicial da legítima defesa”, segundo o Ministro Francisco Campos. Repara-se que o excesso foi apenas incluído perante a legítima defesa, continuando sem menção de excesso do estado de necessidade, pelo legislador.
Código Penal de 1969: O Código Penal de 1969 passou a disciplinar de forma mais completa o excesso para qualquer das formas excludentes de ilicitude no artigo 30 e seus parágrafos, sendo em seu caput estabelecido o excesso culposo, no primeiro parágrafo 1º o excesso escusável e, no parágrafo 2º, o excesso doloso, sendo causa de diminuição de pena a justificação do excesso no cometimento do crime. Sendo assim incluso finalmente o excesso doloso e escusável da legítima defesa, especificando que no caso de excesso escusável se este fosse devido o medo, surpresa ou perturbação de ânimo relativa à agressão sofrida, o sujeito ativo (agente) não seria punido.
Código Penal de 1984: Já no Código Penal de 1984, manteve-se a descrição da previsão do excesso no doloso e culposo para todas excludentes de ilicitude, inclusive aquelas postas no artigo 23, parágrafo único. Nesse último código que está vigente até a atualidade, foi excluído o excesso escusável devido ao medo, surpresa ou perturbação de ânimo. Porém é adotado jurisprudencialmente, tendo assim, aplicação desses dispositivos em análises jurídicas.
4. CONCEITO DE LEGITIMA DEFESA
Apesar de se existir todo um processo de evolução histórica da legítima defesa existe aqueles autores que acreditam que, o instituto da legítima defesa inexiste um tempo determinado para sua concepção, ou seja, a legítima defesa como sendo a ordem de se legitimar a impunidade daqueles que praticam um fato em sua própria defesa teria sido reconhecida em todos os tempos, até mesmo entre os bárbaros e sociedades mais simplórias existentes. Se tornando inútil buscar entre os povos as bases vestigiais, pois encontraríamos entre eles, simples formas de reação ao ataque sem relacionamento ao algum com o direito. Dando-se surgimento da legítima defesa ao passo que o Estado apossou o poder de punir (ius puniendi) o agente, causando uma repressão ao delito. Sendo que, se o Estado não aprovasse tal reação contra lesão por injusta agressão, seria indiretamente legitimando a injustiça e obrigando o sujeito sofrer passivamente a agressão.
A legítima defesa expõe um estreito comprometimento com a função social do Direito penal, dependendo intimamente com a ordem social vigente em que se trate do determinando assunto. Sendo em muitos países encontrado nesse instituto uma necessidade racional ou requerida (geboten) da ação defensiva (apenas legitimada a ação defensiva necessária, e que resulte em ser menos lesiva para os interesses do agressor).
Constata-se que a legítima defesa, apresenta um vínculo, onde estão presentes seus limites, com a respectiva ordem social reguladora do Estado. Sendo abordado por Muñoz Conde, que “a legítima defesa é um bom barômetro da sensibilidade democrática de um país.”
Os princípios fundamentais para a concepção da direito da legítima defesa se encontram solidificados em bases de dois princípios essenciais, como o princípio da proteção individual e princípio do prevalecimento do Direito. A justificação para a legítima defesa é dado ao passo que existe uma ação típica, a qual é necessária para impedir ou repelir uma agressão antijurídica, sendo para o particular um direito protetor na convicção jurídica do povo. Não sendo suscetível a legítima defesa os bens jurídicos da comunidade. Por outro lado, o direito a defender terceiros apenas se dá quando o agredido queira ser defendido, pois ao não querer, exclui-se a necessidade de proteção individual, por mais que censurável que possa ser a conduta agressiva. E contra uma tentativa idônea, mesmo punida não existiria legítima defesa para o mesmo não por em perigo qualquer direito individual legal.
No que se concerne ao princípio do prevalecimento do Direito o que se refere à proteção individual não apenas no âmbito da proporcionalidade, mas em princípio de independência de que o dano causado não possa ser considerado maior que o que foi impedido. Sendo a agressão contra os bens jurídicos menos valiosos também se caracterizariam como agressão contra o ordenamento jurídico, sendo aquele que atua em legítima defesa e também se protege simultaneamente.
A agressão, por sua vez, pode se demonstrar como um risco de lesão para os bens do agredido e a ação defensiva como uma
oportunidade para assegurar esses bens, sendo o agredido que irá avaliar se a defesa se mostra mais conveniente para seus próprios interesses ou não. A agressão de uma forma mais simplória se exteriorizaria como sendo uma ameaça de um bem jurídico por uma conduta humana. A legítima defesa apareceria como uma forma do qual através dela se exteriorizaria a máxima racional dos interesses do agredido mediante a força.
Dentre várias teorias da legítima defesa, uma delas é apresentada da seguinte maneira, não sendo apenas como um meio de tutelar os bens, mas também como uma maneira de restabelecer a relação de reconhecimento que possuem o agressor com a vítima. Porém existem outras teorias, elas são: as teorias individualistas (“legítima defesa se referindo à proteção dos interesses jurídicos do agredido isolado”), as teorias supra-individualistas (a agressão consiste em uma quebra de uma expectativa normativa e a reação defensiva não seria uma modificação da expectativa frente ao perigo, mas uma contra afirmação, que protegem bens individuais e a validez empírica do ordenamento jurídico questionado pelo agressor) e o modelo eclético (“combina os aspectos cognitivos e normativos que em uma situação de legítima defesa aparecem intercalados”).
Em suma, a verdadeira natureza jurídica se apresenta no fundamento de que é necessária a defesa de bens jurídicos e também, preserva-se o ordenamento jurídico ao repelir agressão ilícita.
Adotando a Teoria Bipartida, o crime é fato típico e antijurídico; nos casos de excludente de ilicitude, o fato típico é existente, mas a antijuridicidade é que é excluída, eliminando o crime. A Legítima defesa tem a natureza jurídica de causa de exclusão de ilicitude.
Conforme o autor Cleber Masson (2015, p.413), “Ilicitude é a contrariedade entre o fato típico praticado por alguém e o ordenamento jurídico, capaz de lesionar ou expor a perigo de lesão bens jurídicos penalmente tutelado. ”
4.1 Requisitos para a Legítima Defesa
Para se determinar uma situação de legítima defesa, alguns pressupostos devem ser verificados para que haja garantias no uso do direito da legítima defesa, dispondo da possibilidade da ação defensiva. Esses elementos podem ser denominados de duas formas, os elementos objetivos ou elementos subjetivos.
Um dos elementos objetivos da legítima defesa é a “agressão atual ou iminente e injusta”, sendo toda ação agressiva dirigida à produção de um resultado lesivo a um bem jurídico, violenta ou não. A omissão não se comporta como uma agressão, pois ela falta em sua composição a causalidade e voluntariedade de realização. O ato agressivo necessariamente tem que ser consciente e voluntário, com o objetivo definido de lesar o bem jurídico. Se decorrer de culpa, movimentos corpóreos em caso que esteja ausente a ação[46], ou por ataque de animais, cumpre invocar o estado de necessidade. Dessa forma, se declara que a ação deve ser atual ou iminente (imediata, prestes a acontecer) e injusta (ilícita, antijurídica, sem amparo da ordem jurídica). Não dando margem para a existência de legítima defesa para a legítima defesa ou qualquer outra causa de exclusão de ilicitude. Tendo em vista uma agressão, que é atual, ilícita e dolosa, não há fundamentos jurídicos para delimitar limites à autonomia pessoal, porém isso não se equivale a permitir reações defensivas desproporcionais, contra ataques ínfimos. A autodefesa deve se restringir somente ao amparo dos bens jurídicos, evitando assim, lesões desnecessárias. Em situações de provocação, só será impedido a legítima defesa se for premeditada ou intencional ou de uma verdadeira agressão.
Outro elemento objetivo seria o de garantir “direito próprio ou alheio”, sendo todo bem jurídico que seu possuidor seja ele próprio ou terceiros (integridade física, saúde, patrimônio, honra). E por último o elemento dos “meios necessários, empregados com moderação”, devendo a legítima defesa ser necessária e moderada, ou seja, indispensável a repulsa, porém sem ultrapassar os limites necessários para se afastar a ação agressiva ilícita (tendo uma proporcionalidade entre agressão e ação defensiva, não deixando se tornar a reação ilícita devido aos excessos, dando a possibilidade de se existir a legítima defesa sucessiva, legítima defesa por parte do inicial agressor). Em uma breve análise, também existem os instrumentos predispostos à defesa (defesa mecânica preordenada), mecanismos que realizam certa atividade de proteção, sendo chamados de ofendículos, ou seja, meros obstáculos instalados, geralmente em residências.
Os elementos subjetivos, por sua vez, são os elemento cognitivo e volitivo, que respectivamente são o conhecimento da agressão e a vontade de defesa. Destacando-se o “animus defendi” do agente e o estado psicológico em que se encontra, ressaltando que nesse caso há causa excludente de culpabilidade para a existência justificante.
Dessa forma, o Estado Democrático de Direito pressupõe uma ordem normativa justa sobre o ordenamento jurídico, garantindo assim, a legítima defesa necessária para sua legalidade, expondo na parte geral do código penal brasileiro, alterado em 1984, o artigo 25 estipula: “Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem.”
Os requisitos vêm a ser o que é necessário para que ocorra a legítima defesa, são eles:
“I- Injusta agressão;
II- Agressão atual ou Iminente;
III- Defesa de direitos próprios ou de terceiros;
IV- Utilização moderada dos meios necessários;
V- Elemento Subjetivo.”
 Injusta agressão: Luiz Regis Prado (2008, p.350) define agressão como: “Toda ação dirigida à produção de um resultado lesivo a um bem jurídico, violenta ou não. A mera omissão não dá lugar a uma agressão, pois carece de causalidade e voluntariedade de realização”.
Com isso, temos como agressão injusta toda ação ilícita com intuito lesivo realizado por um indivíduo contra bem jurídico de terceiro. Daí, sendo impossível pensar-se em legítima defesa contra-ataques de animais, pois somente o ser humano pode praticar uma agressão, salvo se o animal for utilizado como instrumento do crime, na qual são ordenados por alguém para atacar determinada pessoa.
Masson (2012, p.402) traz a definição como: “Agressão injusta é a de natureza ilícita, isto é, contrária ao Direito. Pode ser dolosa ou culposa. É obtida com uma análise, consentindo na mera contradição com o ordenamento Jurídico”.
A agressão para ser injusta não tem que ser obrigatoriamente infração penal, um exemplo muito utilizado doutrinariamente é o furto de uso embora não sendo crime, dá ensejo a legítima defesa, tendo em vista que goza status de agressão injusta.
Também não podemos confundir agressão injusta e provocação injusta. O exímio doutrinador Rogério Greco (2013, p.339) diz o seguinte: “(...) se considerarmos o fato como agressão injusta caberá a arguição da legítima defesa, não se podendo cogitar da prática de qualquer infração penal por aquele que se defende nessa condição; caso contrário, se o entendermos como uma simples provocação injusta, contra ela não poderá ser alegada a excludente em benefício do agente, e terá ele de responder penalmente pela sua conduta”.
Agressão atual ou iminente: Óbvio, mas importante dar destaque que, a agressão injusta deve ser atual ou iminente.
Masson (2012, p.402) traz uma definição muito exemplificativa no qual “atual é a agressão presente, isto é, já se iniciou e ainda não se encerrou a lesão ao bem jurídico. Enquanto iminente diz ser a agressão prestes acontecer, ou seja, aquele que se torna atual em um futuro imediato”. 
A atualidade ou a iminência exclui a agressão futura e a passada da legítima defesa, sendo esta caracterizada como vingança privada, que é rechaçada pelo Direito, tendo em vista que a agressão já passou e não houve legítima defesa, então o que teve seu bem jurídico agredido não pode ir atrás de seu agressor para agredi-lo e alegar legítima defesa, uma vez que não houve atualidade ou iminência.
A agressão futura em regra não é acobertada pela excludente de ilicitude estudada, tendo atualmente uma corrente doutrinária (crescente, mas ainda minoritária) que defende a legítima defesa antecipada (assim denominada), pois é uma agressão incerta, uma promessa de agressão, a posição doutrinária majoritária é que se admitir a legítima defesa futura seria uma espécie de convite para o duelo, desestimulando a pessoa a recorrer para a autoridade pública para a tutela de seus direitos.
Defesa de Direitos Próprios ou de Terceiros: Diante desse requisito, o agente pode defender direitos próprios ou de outrem mesmo que não haja vínculo entre eles. O que irá influenciar aqui é o animus do agente para assim saber se deve agir ele com a finalidade de defender o terceiro ou agredir o agressor, dessa forma destaca-se o elemento subjetivo.
Rogério Greco (2013, p.347) menciona que: “Se for disponível o bem de terceira pessoa, que está sendo objeto de ataque, o agente somente poderá intervir para defendê-lo com a autorização do seu titular. Caso contrário, sua intervenção será considerada ilegítima.” Com essa citação o autor afirma que só é possível a defesa de outrem quando tratar-se de bens jurídicos indisponíveis (vida, integridade física, direitos ligados à personalidade, etc.), quando os bens forem disponíveis deve haver consentimento de seu titular, não havendo, sua intervenção torna-se ilegal.
Também é possível a defesa de terceiros quando este é pessoa jurídica, vejam o que Cleber Masson (2012, p.403) diz a respeito:
“É possível o emprego da excludente para a tutela de bens pertencentes às pessoas jurídicas, inclusive do Estado, pois atuam por meio de seus representantes e não podem defender-se sozinhas. Veja-se o exemplo da pessoa que, percebendo uma empresa ser furtada, luta com o ladrão e o imobiliza até a chegada da força policial.”
Admite-se também a defesa do feto. O art. 2º do Código Civil põe a salvo desde a concepção os direitos do nascituro, cabendo ao terceiro exercer sua defesa, exemplo clássico é o caso que o indivíduo vê uma gestante prestes a praticar o auto aborto e a impede utilizando os meios proporcionais e necessários, internando-a posteriormente em um hospital para que realize o parto com êxito.
Utilização moderada dos meios necessários: Os meios necessários são aqueles que o agente tem a sua disposição que se fazem suficientes para repelir a agressão injusta, atual ou iminente. Tendo em vista a utilização moderada que vem a ser baseada na proporcionalidade de utilização dos meios necessários.
Ou seja, deve-se usar o meio necessário que esteja a sua disposição na hora do ocorrido e que seja proporcional à injusta agressão e ao bem jurídico ameaçado. Rogério Greco (2013, p.342) nos mostra um exemplo convincente e exemplificativo sobre a proporcionalidade quando diz:
“Imaginemos o seguinte exemplo: uma criança com 10 anos de idade, ao passar por uma residência localizada ao lado de sua escola, percebe que lá existe uma mangueira repleta de frutas. Não resistindo à tentação, invade a propriedade alheia com a intenção de subtrair algumas mangas, oportunidade em que o proprietário daquela residência e, consequentemente, da mangueira, a avista já retirando algumas frutas. Com o objetivo de defender seu patrimônio, o proprietário, que somente tinha à sua disposição, como meio de defesa, uma espingarda cartucheira, efetua um disparo em direção à aludida criança, causando-lhe a morte. Para que possamos concluir que o proprietário agiu em defesa de seu patrimônio é preciso, antes, verificar a presença de todos os elementos, objetivos e subjetivos. Inicialmente, a primeira pergunta que devemos fazer é a seguinte: o patrimônio é um bem passível de ser defendido legitimamente? Sim. Em seguida nos questionaremos sobre a injustiça da agressão, ou seja, estava aquela criança, mesmo que inimputável, praticando uma agressão injusta ao patrimônio alheio? Por mais uma vez a resposta deve ser afirmativa. Essa agressão era atual? Sim. O agente utilizou um meio necessário? Mesmo que fosse o único que tivesse a sua disposição, não poderíamos considerar como necessário o meio utilizado pelo agente que, para defender o seu patrimônio (Mangas), causou a morte de uma criança valendo-se de uma espingarda. Não há, aqui, proporção entre o que se quer defender e a repulsa utilizada como meio de defesa.”
Elementos Subjetivos: Segundo o conceituado jurista Rogério Greco, para que se possa falar em legítima defesa não basta só a presença de seus elementos de natureza objetiva, expresso no art. 25 do Código Penal. É necessário que, além deles, o agente saiba que atua na condição de animus defendendi, ou seja, na finalidade de defender direito próprio ou de outrem, ou pelo menos, acredite que assim esteja agindo, caso contrário, não se poderá cogitar de exclusão da ilicitude de sua conduta, permanecendo esta, ainda contrária ao ordenamento jurídico.
Suponhamos que José está passando por uma rua escura e desabitada quando visualiza seu algoz Joaquim, rapidamente saca o revólver que carregara consigo e atira, matando Joaquim, só que naquele instante Joaquim estava com a arma apontada pronto para matar João, então devido à falta de animus defendendi, José não poderá alegar legítima defesa de terceiro (no caso João), pois agiu com animus necandi (vontade de matar alguém – dolo de matar).
Nesse sentido, afirma Luiz Regis Prado (2008, p.353): “O agente deve ser portador do elemento subjetivo, consistente na ciência da agressão e no ânimo ou vontade (animus defendi) de atuar em defesa de direito seu ou de outrem”.
5. PRINCIPAIS ESPÉCIES DE LEGITIMA DEFESA
5.1 Legítima Defesa Putativa
A legítima defesa putativa é aquela defesa imaginária que uma pessoa tem sobre outra pessoa e que, quando realiza o ato de se defender contra a outra pessoa, acaba tendo em seu pensamento que realizou a sua legítima defesa, mas que na verdade ele acabou utilizando de sua força em excesso e cometendo um homicídio. Quando B invade a casa de A, e este prevê precipitadamente algum movimento irregular de B, e acaba disparando um tiro em direção do invasor, na concepção de A, foi legítima defesa por que está protegendo a si e seu território, porém, não observou as condições em que B se encontrava naquele local, como poderia estar desarmado no momento que foi ferido. Em outras palavras, A usa de sua força em excesso sem se preocupar com B.
Ao contrário da real, a legítima defesa putativa não existe no mundo concreto, sendo existente apenas na mente do indivíduo. O Agente acredita existir uma agressão atual ou iminente (geralmente é iminente), a direito seu ou de outrem, quando na realidade não existe.
Rogério Greco (2013, p.337) traz uma ótima definição sobre o assunto:
“Fala-se em legítima defesa putativa quando a situação de agressão é imaginária, ou seja, só existe na mente do agente. Só o agente acredita, por erro, que está sendo ou virá a ser agredido injustamente”.
O Código Penal tratou expressamente em seu § 1º do art. 20 que diz:
§ 1º - “É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima. Não há inserção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como crime culposo”.
Cleber Masson (2012, p.407) nos mostra a explicação do parágrafo a seguir:
“O fato típico praticado permanece revestido de ilicitude. Mas, se o erro for escusável (aceitável ou invencível), opera-se a isenção da pena. Em se tratando de erro inescusável (inaceitável ou vencível), porém, não há isenção de pena. Afasta- se o dolo, respondendo o agente por crime culposo, se previsto em lei”.
5.2 Legítima Defesa Sucessiva
Este tipo de defesa acontece quando o agressor realiza uma atitude ilícita perante a vítima, e esta reage praticando atos que ultrapassam os limites da legítima defesa, ação esta que acaba provocando prejuízo ao primeiro agressor e, com isso, acaba realizando um ato para moderar os efeitos daquela ação. Quando A assalta B, esta atitude
acaba sendo legítima, porém ilegal, mas a partir do momento que B utiliza de sua legítima defesa, mas com atitudes excessivas, acaba se modificando em uma ofensiva injusta para com A. A partir do momento que A viu-se em desvantagem com aquela agressão, acaba realizando uma outra atitude para se defender das agressões de B, e efetua outra ação, prejudicando o sujeito A. Em outras palavras, a legítima defesa sucessiva é aquela defesa que parte do agressor em direção a vítima, sendo assim a vítima é prejudicada neste conflito.
Ocorre quando o agressor se defende do excesso do agredido, ou seja, quem inicialmente era vítima passou a ser agressor e quem era agressor passou a ser vítima.
Masson (2012, p.408-409) mostra um conceito bastante didático quando diz:
 “Constitui-se na espécie de legítima defesa em que alguém reage contra o excesso de legítima defesa. Exemplo: ‘A’ profere palavras de baixo calão contra ‘B’, o qual, para calá-lo, desfere-lhe um soco. Em seguida, com ‘A’ já em silêncio, ‘B’ continua a agredi-lo fisicamente, autorizando o emprego de força física pelo primeiro para defender-se. É possível essa legítima defesa, pois o excesso sempre representa uma agressão injusta”.
5.3 Legítima Defesa Real
Legítima defesa real, o próprio nome já diz, é aquela que existe na realidade, que é verídica, que encontra todos os requisitos já mencionados.
Rogério Greco (2013, p.337) ensina da seguinte forma: “Diz-se autêntica ou real a legítima defesa quando a situação de agressão injusta está efetivamente ocorrendo no mundo concreto. Existe, realmente, uma agressão injusta que pode ser repelida pela vítima, atendendo aos limites legais.”
Para ilustrar a afirmativa, trago um hipotético caso penal bem apropriado:
Caio de arma em punho, mediante promessa de atirar, exige de Tício que não o impeça de subtrair-lhe uma pasta repleta de dinheiro. Tício, sem perda de tempo, saca da própria arma e desfere um tiro em Caio que, ferido, morre em seguida.
Aí não há dúvida que esteja bem caracterizada a situação de legítima defesa real em favor de Tício, que reage para evitar a prática de um roubo, em defesa do seu patrimônio (contra a pretendida subtração) e, ao mesmo tempo, da sua liberdade pessoal (contra a ameaça e constrangimento moral).
6. O EXCESSO NA LEGITIMA DEFESA
Quando existe um conflito entre duas pessoas, em que a primeira parte decide agredir fisicamente a vítima, e a reação desta vítima excede o limite do ataque do agressor, causando assim a morte do litigioso, a primeira vítima não poderá mais responder por crime de legítima defesa. Os meios utilizados para a sua defesa contra o ataque do agressor excederam os limites que aquela situação se encontrava, como o primeiro agressor agrediu com um soco contra a vítima, e esta acaba utilizando uma faca para perfurar o agressor, e assim causar a morte deste.
A legítima defesa ocorre quando há o uso moderado de força entre ambas as partes, e assim a pena pelo crime de legítima defesa é muito menor do que um crime de homicídio, até por que na legítima defesa a vida da pessoa estava em risco, e assim teve que utilizar de um meio vital para defender a sua vida.
O instituto da defesa para se considerar legítima necessita apresentar meios legítimos, como o caso dos meios necessários e a moderação em seu emprego, respeitando a regra de proporção, estipulando os limites que deverão conter os excessos na reação que não poderão ser ultrapassados. Evitando que desnecessariamente ocorra uma reação superior aquela para se evitar a injusta lesão, escolhendo meios apropriados para uma reação menos dolosa, esse caso recebe a denominação de vício na dinâmica da ação defensiva, que deixaria de ser uma ação justificada.
O tema do excesso da legítima defesa está positivado no atual Código Penal, presente no artigo 21, §1º, onde estipula que o excesso culposo, o agente responderia por culpa, se o fato se caracterizar como punível. Porém, se o excesso for caracterizado como desejado e consciente, o agente responde por crime doloso, não levando em conta o estado inicial da legítima defesa.
Se sujeito lesionado excede por vontade própria, escolhendo o meio mais prejudicial para o agressor do que aquele realmente possível de menor agressividade para se efetivar a defesa, surgindo uma lógica desproporção, dessa forma o agente será imputado como fato doloso. Todavia, se o excesso decorrer de erro de cálculo quanto à reação, ou quanto a inexata apresentação do perigo, o excesso será imputado como fato culposo.
O Código Penal estipula diversos dispositivos e formas de atenuação de pena para cada excesso existente. Sobre o excesso culposo, o artigo 30 estabelece: “O agente que em qualquer dos casos de exclusão do crime excede culposamente os limites da necessidade, responde pelo fato, se este é punível a título de culpa”. Sobre o excesso escusável, artigo 30, §1º: “Não é punível o excesso quando resulta de escusável medo, surpresa, ou perturbação de ânimo em face da situação”. Ainda o código estabelece outras formas de atenuação, do excesso doloso: artigo 30, §2º: “Ainda quando punível o fato por excesso doloso, o juiz pode atenuar a pena”.
O resultado do comportamento também pode se mostrar em quatro perspectivas, as quais são: a legítima defesa plena (reconhecido os seus requisitos, ocorre a exclusão da criminalidade devido a falta da antijuridicidade); a reação dolosa (o fato adquire caráter punitivo, porém leva-se em conta a injustiça do ataque e o eminente risco, podendo a pena ser atenuado pelo juiz); o excesso escusável (ação devida a relevante causa subjetiva que influencia de forma incisiva na vontade - medo); a reação excessiva (resulta-se em uma ação culposa, pois é previsível as consequências, se tratando assim de uma punição à titulo culposo).
Os Tribunais brasileiros aceitam o excesso tanto pela imoderação (ir além do meio empregado inicialmente pelo sujeito, agindo imoderadamente, surgindo assim, um excesso), como também o pelo emprego de meios desnecessários (desde a concepção da ação, é usado um meio desnecessário, excluindo a legítima defesa, pois não seria justificável).
O excesso involuntário devido ao erro de tipo escusável, o agente não responderia por dolo ou culpa. Porém no caso de excesso involuntário sobre o erro de tipo inescusável, o agente pode a vir responder por tentativa de homicídio culposo ou até mesmo homicídio culposo, caso o agressor no processo da legítima defesa morra. Há também a culpa imprópria, a qual na verdade se trata de um crime doloso, onde se aplica a pena do delito culposo. Assim, se tem o excesso intensivo (excesso nos meios, na ação ou reação), ou seja, a ação não moderada decorrente de uma ação inicialmente justificada. Dessa forma, o excesso extensivo não respeita os elementos constitutivos da caracterização da legítima defesa, configurando-se em crime doloso ou culposo.
6.1 Excesso doloso
Há uma evidente diferenciação da construção normativa do excesso doloso nos textos normativos de diferentes países. Por exemplo, na França, devido ao excesso cometido, não se é permitido descaracterizar a violência voluntária praticada em estado de legítima defesa (o excesso doloso), incriminando o fato como violência involuntária (caracterizando-se em punição como excesso culposo). Já no Código Italiano não se encontra presente, texto expresso, legislando sobre o excesso doloso, sendo limitado apenas ao artigo 55, o qual prevê o excesso culposo apenas.
O Código Penal Português, por sua vez, estruturou o excesso da legítima defesa sobre a teoria da culpa e estipulou que todos os processos, mesmo que em excesso, que se encontra em relação aos meios de defesa, é pressuposto na condição situacional de legítima defesa e apenas aquele que usa de meios excessivos e não são justificados se encontram nessa situação. Para os portugueses, a máxima de defesa está no uso da força pública, sendo o possível meio de defesa mais indicado, porém esse não exclui a possibilidade da situação de legítima defesa, tratando-se apenas de diversos
tipos de meio.
Há dessa forma diversas teorias e pensamentos a cerca do excesso doloso, encontrando-se alguns autores, nacionais e estrangeiros, entre eles são: Marcelo Fortes Barbosa, que toma como ponto de partida o homem normal para a concepção de ocorrência de excesso; Jiménez Asúa, que diz que a legítima defesa perfeita é aquela que exista proporcionalidade entre a repulsa e o perigo causado pelo atarde, sendo cada situação única, segundo o critério do homem razoável que se vê agredido (autores brasileiros como José Frederico Marques, Edgar de Magalhães Noronha e Damásio Evangelista de Jesus também adotam essa teoria em suas obras, buscando a racionalidade objetivamente e subjetivamente), um exemplo clássico para Sóler desse ponto de vista seria “o uso de armas para repelir uma agressão, considerando-se que o agressor supera em força física o agredido, não altera a proporcionalidade”; Eusébio Gomes diz que “devem se apreciar o uso de armas e o emprego de força física, quando se examinam os requisitos da legítima defesa.”. Já para Nélson Hungria, “o emprego moderado dos meios necessários à defesa do agredido deve ser feito objetivamente, mas sempre caso a caso, segundo o critério de relatividade o um cálculo aproximado”.
O Supremo Tribunal Federal, por meio de recurso extraordinário, vai de acordo com a teoria do exame das condições pessoais e das circunstâncias especiais do caso concreto como dado avaliativo primordial para a estipulação do excesso da legítima defesa. Essa posição coincide com Basileu Garcia, que torna as condições pessoais e circunstâncias especiais em que o agente está presente, a fim de se verificar o real excesso ou a proporcionalidade da defesa.
Para a construção de um posicionamento seguro da conceituação de excesso escusável ou da segurança da denominação entre culposo e doloso ao fato, havia-se estipulado no artigo 30, §1º, a não punição do excesso resultante de escusável “medo, susto ou perturbação de ânimo em face da situação ocorrida, porém essa parte foi retirada da parte Geral do novo Código Penal, apesar de este dispositivo já estar presente nas legislações da Alemanha, França e Portugal. Hungria e Fragoso usam-se desses preceitos para se criar uma teoria pautada na conduta do agente, onde se estipula elementos astênicos e elementos estênicos. Os elementos astênicos seriam o medo, a perturbação, o susto e a surpresa. Os elementos estênicos, seriam aqueles representados pelo ódio, excitação, ciúme e inveja. Respectivamente, se houvesse a influência do primeiro o agente seria passível de punição, enquanto o segundo o excesso seria escusável.
Assim, para Marcello Linhares, seriam quatro posicionamentos a se seguir perante o comportamento, os quais são eles: a legítima defesa plena (tem reconhecido todos os requisitos, se ausentando a antijuridicidade do fato, excluindo-se a ilicitude), a reação dolosa (possui caráter punitivo, tendo injustiça do ataque e a iminência do risco como causas principais do ilícito, podendo o juiz atenuar a pena), a reação (reação dirigida pela causa subjetiva sobre a vontade, não sendo punível - excesso escusável-), a reação excessiva (possui uma possível consequência previsível, compondo uma ação culposa, recebendo pena de crime culposo).
Segundo o Código Penal, “se o excesso é considerado querido, responde o agente por crime doloso, pouco importando o estado inicial de legítima defesa”. Dessa forma, o excesso doloso é visto como apesar de se iniciar o ato com intuito defensivo, se aproveita da legítima defesa, para lesar a pessoa que iniciou a agressão primeiramente. Escolhendo assim, por parte do agredido (devido seu tamanho, força, potência, entre possíveis qualidades), meios desnecessários e desproporcionais ao ataque, desprezando um possível meio menos prejudicial, sendo esta reação desejada pelo agredido, agindo por ódio, vingança entre outras emoções negativas do momento. Caracterizando os elementos volitivos (vontade) e cognitivos (conhecimento) como pré-requisitos da imoderação dolosa (aproveitando-se conscientemente e com vontade sobre a situação para além de se defender, agredir ilegitimamente o agressor inicial).
Dessa forma, o ato doloso deve ser compreendido a partir de sua concepção inicial, ou seja, a partir do primeiro ato excessivo de defesa. Assim, a prática de lesões graves necessárias para a autodefesa está excluída de antijuridicidade, pois são necessárias para a contensão do agressor. Porém ao se estender a ação para o excesso, as lesões provocadas pelo excesso são caracterizadas a titulo de dolo, mas completamente separado das lesões iniciais, respondendo apenas por aquelas provocadas após o início do excesso. Ou seja, a desconsideração da ação como legítima defesa, possui sua concepção no início do excesso, não podendo retroagir os atos anteriores.
6.2 Excesso culposo
O excesso culposo se encontra previsto no parágrafo único do artigo 23 da Lei nº 7.209, onde é estipulado e que o torna passível de punição, abordando outros temas além da legítima defesa, como também o estado de necessidade, estrito comprimento do dever legal e exercício regular de um direito. Há também a disposição por parte do Código Penal de 1940, estipulando: “o agente que excede culposamente aos limites da legítima defesa responde pelo fato, se este é punível, como crime culposo”.
Para Fragoso, a legítima defesa que se caracteriza como excesso culposo, seria aquela em que a pessoa visando defender-se acaba por se defender demais, apesar de sofrer a injusta agressão inicial. A palavra “demais” é entendida como significação de intensiva, referindo-se à espécie dos meios utilizados e o grau de utilização.
Sobre uma investigação mais profunda no que concerne a natureza jurídica do excesso culposo, Battaglini estipula que realmente se caracterizaria como um abuso de direito, pautado na estimativa das proporções entre a ameaça e a reação como o intuito de repeli-la.
Para a maioria dos doutrinadores e decisões jurisprudências, é obrigatória a avaliação da conjuntura dos circunstancias objetivas e subjetivas do caso concreto para se declarar o excesso culposo. Sendo assim, vários autores possuem seus próprios meios de avaliação para se identificar o excesso culposo.
O exame dos antecedentes da falta de moderação é essencial para a estipulação do excesso culposo no decorrer da legítima defesa, sendo a emoção um dos fatores levados em consideração, apesar de não excludente da imputabilidade. Dessa forma, se houver o excesso acontecido em decorrência desses possíveis estados emotivos, será caracterizado como excesso culposo e não doloso. Imputação a título de culpa, devido à possibilidade de pausa da ação, que viria a ser um excesso, devido à previsão da consequência excessiva da autodefesa. O referido estado de emoção seria antecedente causal da culpa, e não do dolo (igual estipulado pelo Código Penal de 1969, apesar de não ter entrado em vigor, já se era prevista a questão através dos elementos astênicos).
Na posição de Marcello Jardim Linhares, ele descreve regras práticas para a denominação de excesso culposo, os quais essas regras são: a primeira regra, a intenção é simplesmente de lesar e não de causar a morte, porém é causada, respondendo o agente por homicídio culposo; a segunda regra, que expõe que a intenção principal e inicial do agente foi de matar, porém a vítima sai simplesmente ferida, assim o agente responderia apenas por crime de lesão corporal (tem-se a existência ou inexistência de um comportamento culposo, devido a avaliação das reais condições da situação de defesa); a terceira regra, diz que nos fatos culposos se pode aplicar o sistema vigente as regras no concurso de infrações.
6.3 Excesso por caso fortuito
A ideia de caso fortuito é definida por sendo um acontecimento imprevisível e inevitável. O caso fortuito foi incluído por Battaglini nas causas excludentes de culpabilidade. Assim, se constituiria em um caso inteiramente excepcional.
Segundo Bettiol, em casos fortuitos, ou seja, esses acontecimentos
inesperados e anormais, não se podem ser levados em conta pelo agente, uma vez que sai completamente fora da ordem normal das previsões ou de controle, não podendo imputar ou responsabilizar o agente por esse excesso. Damásio Evangelista de Jesus também expões sua opinião, dizendo que “se o excesso deriva de caso fortuito, subsiste a legítima defesa”. A melhor doutrina afirma que o fortuito inicia onde a culpa acaba.
O fortuito ultrapassa, vai além dos limites da culpa, sob a perspectiva penal (stricto sensu), não sendo engajado como culpável, mesmo que perdure a causalidade, podendo acontecer em uma agressão injusta e iminente, um acontecimento inesperado e que não se possa evitar (exemplo: fenômenos meteorológicos), ou seja, se esse fato ocorrer no espaço de tempo em que ocorre a injusta agressão, ocorrerá a legítima defesa.
Sobre esse tema, o Supremo Tribunal Federal, declara que:
“Reconhecendo o excesso de defesa como não culposo e não tendo sido questionado o júri sobre o dolo de tal excesso, fica-se na dúvida quanto ao fato de ter sido a imoderação dolosa ou meramente casual e, como na dúvida prevalece a liberdade, deve ser reconhecido que esse excesso tenha sido resultante de “caso fortuito” ou isento de qualquer culpabilidade, absolvendo-se o acusado.”
A doutrina nacional e seus autores abordam pouquíssimo sobre esse assunto, porém há exceções, como o caso de Bandeira de Mello e Anibal Bruno. No caso de Bandeira de Mello, ele afirma:
“[...]quem se defende não tem que olhar a intenção nem a responsabilidade do agressor. Admite-se, portanto, a legítima defesa tanto contra quem age culposamente, como contra o inimputável – o enfermo mental, a criança, o adulto que comete um erro de fato, essencial, ou um animal. E não é necessário que a agressão seja punível”
E Anibal Bruno expõe a sua opinião da seguinte maneira: "O excesso pode resultar sem dolo nem culpa do agredido, reduzindo-se a um puro fortuito, que não afeta a legitimidade da defesa".
No excesso culposo, o caso fortuito pode se apresentar sem a necessidade dos elementos cognitivos e volitivos, ou seja, respectivamente, a vontade e da consciência do agredido, não podendo devido a essas causas, excluir a legitimidade dessa autodefesa.
7. ATUALIDADE NA LEGITIMA DEFESA
7.1 O Projeto de Lei Anticrime e a legítima defesa policial
	A proposta do projeto consiste em uma alteração do instituto jurídico da legítima defesa, especificamente no artigo 23 e 25 do Código Penal. No artigo 23, foi adicionado o § 2º, o qual possui a seguinte redação:
§ 2º O juiz poderá reduzir a pena até a metade ou deixar de aplicá-la se o excesso decorrer de escusável medo, surpresa ou violenta emoção.
A alteração é fundamentada em uma preocupação antiga da doutrina penal brasileira e ganhou forte realce no Caso Ana Hickmann, no qual o cunhado da artista foi processado por homicídio doloso, por ter matado uma pessoa que invadiu armada o quarto onde estavam hospedados. O entendimento do promotor foi de que teria havido excesso doloso, de forma que não poderia se falar em legítima defesa.
O grande problema da atual redação do artigo é que a legítima defesa ocorre em momentos onde não é possível ponderar calmamente a medida adequada a ser tomada. Assim, a nova redação adiciona fator importante à análise jurídica. 
Com o novo parágrafo, o magistrado poderá avaliar se o autor poderia ter tomado ação diversa no estado emocional que se encontrava e caso entenda que sim, poderá reduzir a pena levando em conta o estado emocional. Não há como punir da mesma forma uma pessoa que se encontra em um estado emocional que dificulta a tomada de decisões e uma pessoa que se encontra em plenas condições de raciocinar e tomar a melhor decisão.
O caso Ana Hickmann ilustra bem esse argumento, imagine estar em um quarto de hotel, quando de repente, surge uma pessoa desconhecida com uma arma na mão. O tempo para tomar uma decisão é curto, o medo e a surpresa tomam conta do autor e a capacidade de raciocínio é alterada por questões alheias a sua vontade.
Cumpre esclarecer que a alteração legislativa não se destina unicamente aos agentes de segurança pública, mas caso o Projeto de Lei Anticrime seja aprovado, será central nos debates jurídicos acerca da legitima defesa de policiais, em complementação às alterações propostas em relação ao artigo 25 do Código Penal, as quais são dirigidas especificamente à agentes de segurança pública e que serão demonstradas a seguir.
Em relação ao artigo 25 do Código Penal, o Projeto de Lei Anticrime propõe que seja acrescentado um parágrafo único nos seguintes termos:
Parágrafo único. Observados os requisitos do caput, considera-se em legítima defesa:
I - o agente policial ou de segurança pública que, em conflito armado ou em risco iminente de conflito armado, previne injusta e iminente agressão a direito seu ou de outrem; e
II - o agente policial ou de segurança pública que previne agressão ou risco de agressão a vítima mantida refém durante a prática de crimes.
Relembra-se também a atual redação do artigo 25 do Código Penal:
Art. 25. Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem.
Observa-se que a proposta apenas complementa o que já está disposto no artigo 25 do Código Penal. Assim, é especificado que as duas situações previstas pelo inciso I e II devem ser consideradas hipóteses de legítima defesa, contanto que sejam respeitados os requisitos do caput.
Ressalta-se a exigência de que os usos moderados dos meios necessários para repelir a injusta agressão se mantém. Ou seja, não há licença para matar.
Porém vale ressaltar que abrindo a possibilidade de mero entendimento do magistrado que estiver analisando o caso, a sociedade ficará a mercê do judiciário, o que pode causar alguns conflitos, o ideal neste caso seria uma margem mais clara sobre o assunto.
Por outro lado a alteração do artigo 25 do Código Penal parece ser completamente desnecessária, tendo em vista que as hipóteses previstas pelos incisos I e II podem ser facilmente enquadradas na atual redação do artigo. O que causa receio é que essas hipóteses sejam analisadas automaticamente como legítima defesa, ignorando-se os requisitos previstos pelo caput do artigo 25 do Código Penal. Talvez seja justamente essa a intenção do legislador em especificar essas duas hipóteses.
É interessante relembrar que foram apresentados projetos de lei que constituem verdadeiras licenças para matar. O Projeto de Lei do Senado nº 352/2017, tinha como proposta acrescentar o seguinte parágrafo único ao artigo 25 do Código Penal e se alinha ao que é proposto pelo atual governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel:
Art. 25(...)
Parágrafo único. A legítima defesa se presume quando o agente de segurança pública mata ou lesiona quem porta, ilegal e ostensivamente, arma de fogo de uso restrito.
Já o Projeto de Lei nº 7105/2014, retirava a necessidade de utilização moderada dos meios necessários para repelir injusta agressão. Além disso, retira também a possibilidade de punir o agente pelo excesso culposo na legítima defesa. Veja-se:
Art. 23(...)
Parágrafo único. O agente, em qualquer das hipóteses deste artigo, responderá pelo excesso doloso.
Art. 25. Entende-se em legítima defesa quem repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem.
Resumidamente, a alteração proposta pelo Projeto de Lei Anticrime não constitui uma licença para matar e nem uma isenção ou redução automática de pena de policial que mata em serviço. Como descrito anteriormente, cumpre ressaltar um forte receio em relação a como o projeto, caso seja aprovado, será interpretado e aplicado pelo Poder Judiciário.
A nova redação do artigo 23 e 25 do Código Penal não excluem a necessária observância dos requisitos previstos pelo caput do artigo 25. A análise de uma possível situação de legítima defesa deve seguir uma análise criteriosa e jamais pode se transformar em um raciocínio de subsunção automática.

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