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Livro Ciência, inovação e empreendedorismo

Livro acadêmico sobre ciência, inovação e empreendedorismo. Contém 10 capítulos em três partes: pesquisa científica (tipos, métodos, projeto), processos criativos e inovação (conceitos, ferramentas, tríplice hélice, aspectos legais) e empreendedorismo (atitude, modelos e desenvolvimento social).

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Ciência, Inovação e 
Empreendedorismo
Ciência, Inovação e 
Empreendedorismo
Organizado por Universidade Luterana do Brasil
Universidade Luterana do Brasil – ULBRA
Canoas, RS
2018
Patrícia Noll de Mattos
Rodrigo Von Mengden Tomasi
Valesca Persch Reichelt
Conselho Editorial EAD
Ana Patricia Barbosa
Andréa de Azevedo Eick
Astomiro Romais
Claudiane Furtado
Italo Ogliari
Juliane Maria Puhl Gomes
Lourdes da Silva Gil
Luiz Carlos Specht Filho
Maria Cleidia Klein Oliveira
Rafael da Silva Valada
Obra organizada pela Universidade Luterana do Brasil. 
Informamos que é de inteira responsabilidade dos autores 
a emissão de conceitos.
Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida 
por qualquer meio ou forma sem prévia autorização da 
ULBRA.
A violação dos direitos autorais é crime estabelecido na Lei 
nº 9.610/98 e punido pelo Artigo 184 do Código Penal.
Dados técnicos do livro
Diagramação: Jonatan Souza
Revisão: Ane Sefrin Arduim
Este livro apresenta uma abordagem acadêmica ressaltando a impor-tância da pesquisa científica para o processo de inovação e empre-
endedorismo tendo como contributo o fomento de atitudes que possam 
estimular o desenvolvimento da sociedade em diversas áreas de atuação 
como educação, exatas, humanas, saúde entre outras, com base no co-
nhecimento científico.
O livro esta dividido em 10 capítulos que estão subdivididos em três 
grandes partes, de forma que o aprendizado possa ir se complementando 
ao iniciar pela abordagem da ciência como base para o processo de ino-
vação, e finalizando com o fomento à atitude empreendedora, baseada no 
conhecimento científico. Com relação à ciência, serão enfatizados aspec-
tos relacionados aos tipos, às técnicas aos métodos, formas de aplicação, 
análise e uso de tecnologias de apoio à pesquisa.
No que tange à parte da inovação, serão abordados conceitos contem-
porâneos, o processo de criatividade, tipos de ferramentas e aspectos que 
possibilitem a geração de ideias inovadoras e importância da relação da 
tríplice Hélice (Universidade, Indústria e Governo) que possibilita uma rede 
de desenvolvimento tecnológico interagindo aspectos da pesquisa, da ciên-
cia e dos investimentos em inovação e expansão dos negócios com vistas ao 
desenvolvimento da sociedade. Para Terwiesche e Ulrich (2009), a inovação 
pode ser conceituada como um novo encontro entre a necessidade e uma 
solução, e nesse sentido é importante perceber que o conceito de inovação 
passa por um processo contínuo de aperfeiçoamento e precisa ser acom-
panhado com embasamento de pesquisa para que os empreendedores 
possam entender de forma clara e fundamentada o novo e amplo cenário 
de atuação ao qual serão inseridos e que constantemente será modificado 
para atender as necessidades de uma sociedade diversificada e global.
Apresentação
Apresentação v
Por fim, o livro busca mostrar a relação entre os conceitos de ciência, 
inovação e empreendedorismo criando subsídios para que o profissional 
de diversas áreas possa entender cada abordagem e de que forma pode 
interagir com a sociedade na busca da melhoria da qualidade de vida e do 
desenvolvimento do país com atitudes inovadoras empreendedoras alicer-
çadas pelos aspectos do conhecimento científico.
Marie Cristine Fortes Rocha1
1 Doutorado concluído em Gestão com ênfase em captação de recursos para o 
Terceiro Setor (2018- UTAD/PT). Atualmente coordenadora do curso de Administra-
ção EAD e professora de graduação e pós-graduação nas modalidades presencial 
e EAD da Universidade Luterana do Brasil.
 1 Ciência, Inovação e Empreendedorismo ................................1
 2 Desenvolvimento da Pesquisa Científica ..............................22
 3 Métodos e Procedimentos de Pesquisa ................................38
 4 Projeto de Pesquisa Científica ..............................................65
 5 Processos Criativos .............................................................85
 6 Inovação ..........................................................................115
 7 Tipos e Aspectos Legais de Inovação .................................130
 8 Atitude Empreendedora ....................................................149
 9 Modelos de Negócios .......................................................167
 10 Ciência, Inovação e Empreendedorismo para o 
Desenvolvimento da Sociedade .........................................193
Sumário
Ciência, Inovação e 
Empreendedorismo
1 Mestre em Administração com ênfase em Tecnologia e Produção pelo PPGA/
UFRGS. Professor dos cursos de graduação e pós-graduação nas modalidades pre-
sencial e a distância da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA) desde 2004.
Rodrigo von Mengden Tomasi1
Capítulo 1
2 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
Introdução
A Universidade Luterana do Brasil, em seu processo de rees-
truturação pedagógica, realizou uma ampla discussão sobre 
o seu papel na sociedade e a adequação de suas práticas as 
necessidades atuais de todos os envolvidos em seu DNA de 
formação acadêmica e profissional.
Foram avaliados diversos aspectos referentes à pesquisa, a 
extensão e ao ensino, sempre considerando o como influen-
ciamos a sociedade e o quanto é importante considerarmos o 
feedback recebido daquilo que fazemos com total dedicação 
em nossas salas de aula e fora delas.
Esse amplo debate com os mais diferentes stakeholders2 
da Instituição resultou no Plano de Desenvolvimento Institucio-
nal (PDI) para os próximos cinco anos. O documento gerado 
apresenta as estratégias escolhidas para que possamos formar 
profissionais capazes de compreender a realidade social, de-
bater as suas variáveis e qualificar ainda mais o desenvolvi-
mento do país.
Conforme afirmou o Pró-reitor Acadêmico Pedro Hernán-
dez durante a Formação Continuada de Fevereiro de 2018, 
quando o PDI foi entregue a comunidade acadêmica: 
A Ulbra irá buscar fora dos seus muros a realidade da 
comunidade e o resultado deste estudo será a base do 
ensino. Estamos construindo uma aprendizagem signifi-
2 Stakeholders são as partes de alguma forma interessadas ou afetadas pelos proje-
tos, processos e ações de uma instituição, podendo ser pessoas físicas ou jurídicas.
Capítulo 1 Ciência, Inovação e Empreendedorismo 3
cativa e transformadora, em que os alunos serão auto-
gestores do conhecimento e o professor, um orientador. 
Sendo assim, nesse contexto de evidente transformação, a 
disciplina que agora apresentamos foi concebida relacionan-
do três importantes conceitos de necessária compreensão para 
atingir a nova missão institucional: ser comunidade de apren-
dizagem eficaz e inovadora.
Abordaremos o conceito de ciência, de Inovação e de Em-
preendedorismo, iniciando por este capítulo que tem como ob-
jetivo principal apresentar a importância da compreensão dos 
mesmos, bem como sua relação para a formação acadêmica 
e seu alinhamento com o PDI e toda a filosofia da ULBRA. 
Para tal, discutiremos nesta abordagem introdutória a im-
portância da ciência como base para o processo de Inovação 
e, por consequência, o fomento à adequada atitude Empreen-
dedora embasada no conhecimento científico.
Este primeiro capítulo foi dividido da seguinte forma para 
facilitar a compreensão do que se propõe:
1 A importância da ciência
2 A importância da Inovação
3 A importância do Empreendedorismo
4 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
1 A importância da ciência
Parece algo óbvio afirmarmos a existência de relação direta 
da ciência com o universo acadêmico. Porém, será que é tão 
óbvio assim? Você já se perguntou de em que veio o último 
conceito debatido em sala de aula? Ele tem embasamento 
científico, foi concebido de forma empírica, teve a devida tes-
tagem e aplicação avaliada?
Muitas áreas de estudo são denominadas comociência por 
seus integrantes, provavelmente com a intenção de trazer cre-
dibilidade às suas práticas, no sentido de tentar comprovar que 
os métodos utilizados em suas áreas são embasados em co-
nhecimento científico e não apenas em observações diversas.
Neste material, abordaremos o conceito entendendo que 
ciência não diz respeito apenas às ciências exatas, mas tam-
bém àqueles outros domínios do saber que tratam das rela-
ções humanas, da ética, da cultura, da educação, enfim, todo 
o saber nascido do exame sistemático e cuidadoso dos temas 
referentes ao ser humano e a sociedade.
Mas o que é ciência, afinal?
Afirmamos que a ciência não tem a intenção de estabelecer 
verdades absolutas ou de traçar uma compreensão plena da 
realidade, apesar de necessariamente partir do conhecimento 
científico para suas conceituações e teorias.
Conhecimento científico, por sua vez, pode ser denomi-
nado também como conhecimento provado. Ou seja, conhe-
Capítulo 1 Ciência, Inovação e Empreendedorismo 5
cimento derivado de métodos específicos, esses sim variáveis 
para cada área do saber. O método científico demanda re-
gramentos claros para a obtenção dos dados e suas inter-
pretações experimentais, podendo ampliar sua percepção e 
uso de diferentes formas, com coletas de dados, simulações, 
testagens, excluindo de sua prática as opiniões pessoais e os 
possíveis pré- conceitos e preferências.
Conforme Chalmers (1993), “A ciência é objetiva. O co-
nhecimento científico é conhecimento confiável porque é co-
nhecimento provado objetivamente.” Porém, complementa di-
zendo que ao analisar trabalhos de diferentes epistemólogos 
e filósofos da ciência, percebeu que os limites da ciência e o 
significado das suas dimensões sociais e políticas são muito 
mais amplos, ao considerarem a ciência não como uma es-
trutura rígida e fechada, mas como uma atividade aberta que 
está em contínua construção. 
Nessa perspectiva, Rosenthal (1989) apresenta uma série 
de aspectos relativos a ciências que poderiam ser abordados 
nos currículos de diferentes áreas que não apenas as exatas, 
como questões de natureza:
1. Filosófica – que incluiria, entre outros, aspectos éticos do 
trabalho científico, o impacto das descobertas científicas 
sobre a sociedade e a responsabilidade social dos cien-
tistas no exercício de suas atividades;
2. Sociológica – que incluiria a discussão sobre as influên-
cias da ciência e tecnologia sobre a sociedade e dessa 
última sobre o progresso científico e tecnológico; e as 
6 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
limitações e possibilidades de se usar a ciência e a tec-
nologia para resolver problemas sociais;
3. Histórica – que incluiria discutir a influência da atividade 
científica e tecnológica na história da humanidade, bem 
como os efeitos de eventos históricos no crescimento da 
ciência e da tecnologia; 
4. Política – que passa pelas interações entre a ciência e 
a tecnologia e os sistemas público, de governo e legal; 
a tomada de decisão sobre ciência e tecnologia; o uso 
político da ciência e tecnologia; ciência, tecnologia, de-
fesa nacional e políticas globais; 
5. Econômica – com foco nas interações entre condições 
econômicas e a ciência e a tecnologia, contribuições 
dessas atividades para o desenvolvimento econômico e 
industrial, tecnologia e indústria, consumismo, emprego 
em ciência e tecnologia, e 
6. Humanística – aspectos estéticos, criativos e culturais da 
atividade científica, os efeitos do desenvolvimento cien-
tífico sobre a literatura e as artes, e a influência das hu-
manidades na ciência e tecnologia.
A importância da ciência para todas as áreas do conheci-
mento se evidencia facilmente dessa forma, explicitando um 
pouco mais a justificativa da inclusão desta disciplina nos cur-
rículos de todos os cursos.
A ULBRA em seu PDI propõe a articulação de sua Missão 
com a formação de profissionais comprometidos eticamente 
com a sociedade.
Capítulo 1 Ciência, Inovação e Empreendedorismo 7
Conforme o PDI, nestas propostas, as concepções basilares 
(o Conhecimento, a Formação Pessoal, o Empreendedorismo 
e a Empregabilidade), alinhadas aos princípios estratégicos e 
Diretrizes Curriculares Nacionais, emanam o fortalecimento 
da identidade confessional e seu compromisso social e comu-
nitário. A instituição busca promover uma ação pedagógica 
que dinamize o desenvolvimento de competências cognitivas, 
técnicas, pessoais e sociais necessárias a uma inserção social 
ética e a uma atuação profissional emancipatória e transfor-
madora. A prática da indissociabilidade, Extensão, Pesquisa e 
Ensino, é elemento integrante e modernizador dos processos 
de ensino-aprendizagem.
Ilustração: Marcelo Germano - LAC Ulbra EAD. Adaptado de: PDI ULBRA 2017-2022.
8 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
Em complemento a essa proposta, o Relatório da Comis-
são Internacional sobre Educação para o Século XXI postulou 
quatro pilares da educação do futuro: saber conhecer, saber 
fazer, saber ser e saber conviver. Realizando uma analogia en-
tre competências, entendida como a sinergia de conhecimen-
tos, habilidades e atitudes (CHA),3 e os pilares da educação do 
futuro tem-se que: o saber conhecer trata dos conhecimentos, 
o saber fazer, das habilidades e o saber ser e o saber conviver 
representam as atitudes. O saber conhecer refere-se ao pro-
cesso de aprendizagem que nunca está finalizado, um apren-
der a aprender contínuo. O saber fazer refere-se à articulação 
e combinação do preparo técnico, às aptidões pessoais e re-
lacionais. O saber conviver depende da descoberta do outro 
como sujeito e da construção coletiva de projetos comuns. Por 
fim, o saber ser implica agir com ética, responsabilidade e 
compromisso social na relação com a sua realidade.
Dessa forma, podemos inferir que nem sempre se pode 
solucionar problemas com o mesmo tipo de pensamento que 
os criou, sendo necessário “pensar fora da caixa”, ampliar o 
espectro de variáveis e dos fatores que podem auxiliar na to-
mada de decisão e aplicá-los inclusive na abordagem de mé-
todos científicos inovadores.
Assim, justifica-se a escolha da Universidade Luterana do 
Brasil em ser inovadora até em sua missão, e a importância da 
compreensão do conceito de inovação para as mais diversas 
formações profissionais oferecidas na ULBRA. 
3 CARBONE, Pedro Paulo; BRANDÃO, Hugo. P; LEITE, João B. D; VILHENA, Rosa 
M. P. Gestão por competências e gestão do Conhecimento. 2. ed. Rio de Janeiro: 
Editora FGV, 2006.
Capítulo 1 Ciência, Inovação e Empreendedorismo 9
2 A importância da inovação
Da mesma forma que comentamos sobre a obviedade da rela-
ção da ciência com a Universidade, podemos afirmar que é ob-
vio que a inovação é necessária para qualquer área atualmente?
Conforme Simantob (2008),4 a inovação, de uma maneira 
geral, é percebida como essencial para a sobrevivência em um 
cenário cada vez mais competitivo e globalizado, entretanto, 
ainda afirma que poucas organizações exercem algum tipo de 
iniciativa concreta para colocar os princípios da inovação em 
prática. Comenta ainda que existem duas causas principais 
para que isto não ocorra com tanta frequência: a visão ultra-
passada sobre inovação e o desconhecimento de ferramentas 
que ajudam a colocá-la em prática.
Ao contrário do que muitos podem pensar, inovação não é 
um assunto recente. Seu conceito vem sendo estudado e suas 
ferramentas exploradas desde o início do século XX. 
Borchardt e Santos (2014) afirmam que na visão de Barney 
e Hesterly (2008), como também de Carvalho, Santos e Barros 
Neto (2011), a essência do gerenciamento do processo de 
inovação consiste na mobilização e coordenação dos recur-
sos/capacidades (financeiros, físicos, humanos e organizacio-
nais) e atores internos à empresa, bem como dos recursos/ca-
pacidades e atoresexternos à empresa (clientes, fornecedores, 
instituições de pesquisa, instituições de fomento), para neutra-
4 Moysés Simantob, professor da FGV, co-fundador e coordenador do Fórum de 
Inovação, em entrevista para a Fundação Nacional da Qualidade - FNQ. 
10 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
lizar ameaças e, sobretudo, explorar oportunidades alinhadas 
às prioridades estratégicas da empresa.
Ao perceber que a mudança é algo inevitável, as organi-
zações necessitam de uma “análise em profundidade dos va-
lores, crenças e padrões de comportamentos que guiam o dia 
a dia do desempenho organizacional” (MARTINS E MARTINS, 
2002) para definirem se vão se manter como estão, correndo 
o risco de não se adaptarem as mudanças, ou proporem prá-
ticas inovadoras.
Se a cultura de inovação é parte da cultura maior de uma 
organização, para que ela se desenvolva, faz-se necessário li-
dar com aspectos restritivos à cultura nesse contexto (MCLEAN, 
2005).
Para Carvalho, Reis e Cavalcante (2011), 
a resposta às pressões surge na forma de consolidação 
ou adoção de práticas de gerenciamento, como gestão 
de qualidade, planejamento estratégico, gestão financei-
ra, marketing, gestão de projetos, gestão da produção, 
gestão de pessoas e, mais recentemente, gestão da ino-
vação.
Contudo, quando lemos ciência e tecnologia de inovação, 
é comum imaginarmos que se trata de estudos relacionados à 
melhoria da produção de uma grande empresa, construção de 
máquinas modernas ou mesmo a criação de novos programas 
de computadores. Porém, o que pouca gente sabe é que hoje 
em dia, a ciência e tecnologia de inovação, se tornou uma 
Capítulo 1 Ciência, Inovação e Empreendedorismo 11
ferramenta importantíssima na melhoria da qualidade de vida 
dos brasileiros (QUILICI e STADLER, 2004).
Lemos (2000) dispõe que 
dessa forma, noções lineares sobre o processo inovati-
vo como aquelas que o tratavam como resultado das 
atividades realizadas na esfera da ciência, que evoluiria 
unidirecionalmente para a tecnologia, até chegar à pro-
dução e ao mercado já não se colocam mais no centro 
do debate. Adicionalmente, na mesma medida que a ci-
ência não pode ser considerada como fonte absoluta de 
inovações, também as demandas que vêm do mercado 
não devem ser tomadas como o único elemento determi-
nante do processo de inovação.
Interessante observar que temos exemplos de inovação nas 
mais diferentes áreas. Entre eles, as inovações sociais, na área 
da saúde, no poder público, nas tecnologias de comunicação, 
entre diversas outras que viabilizaram as tantas melhorias ex-
perimentadas em nossos dias atuais.
Na educação podemos destacar a invenção da impren-
sa como inovação precursora e atualmente percebemos uma 
grande oferta de tecnologias educacionais inovadoras inse-
ridas nos processos de ensino aprendizagem, aproveitadas 
por instituições que buscam a melhoria contínua através de 
propostas inovadoras baseadas no espírito empreendedor, ou 
seja, em ações executadas por não aceitarem a possibilidade 
de acomodação, por entenderem que devem sempre estar em 
busca de uma situação futura com mais qualidade.
12 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
3 A importância do empreendedorismo
Bom, mas como relacionar agora os três conceitos? De que 
forma o empreendedorismo se encaixa nessa relação propos-
ta?
Segundo Hernandez (2017)5, o conjunto de fatores em 
questão faz com que os recursos humanos a serem formados 
na Ulbra tenham a capacidade de serem agentes de transfor-
mação social, e quando se fala em agentes de transformação 
social, isto significa profissionais capazes de compreender a 
realidade social, de estrutura, de desenvolvimento, de tecno-
logia existentes, e, através da Universidade ou dentro do con-
texto universitário, discutir estas variáveis e saírem profissionais 
capazes de qualificar ainda mais o desenvolvimento do país.
Deve-se buscar entender que o empreendedor nesse con-
texto acadêmico é aquele que inova, é o agente de mudanças. 
Porém, as mudanças que buscamos são aquelas pensadas e 
implantadas através de método científico, de análises comple-
tas e que podem gerar propostas consistentes e duradouras. 
Segundo Gomes (2005)
há muitas definições do termo empreendedor, principal-
mente, porque são propostas por pesquisadores de dife-
rentes campos do conhecimento, que utilizam os princí-
pios de suas próprias áreas de interesse para construir o 
conceito. Duas correntes principais tendem, no entanto, 
5 Fala do Pró-reitor Acadêmico Pedro Hernandez, disponível em: http://www.ulbra.
br/muda-com-voce.
Capítulo 1 Ciência, Inovação e Empreendedorismo 13
a conter elementos comuns à maioria delas. São as dos 
pioneiros do campo: os economistas de corte liberal, que 
associaram empreendedor à inovação, e os psicólogos, 
que enfatizam aspectos atitudinais, como a criatividade 
e a intuição. Em um primeiro momento, os economistas 
identificaram no empreendedorismo um elemento útil à 
compreensão do desenvolvimento. Depois, os compor-
tamentalistas tentaram compreender o empreendedor 
como pessoa. Atualmente, o assunto está em processo 
de expansão para quase todas as disciplinas.
Complementando o conceito, afirma-se no PDI da ULBRA 
que,
[...] tem-se como destaque o enfoque no empreendedo-
rismo, que na organização didático-pedagógica consti-
tui-se como referencial fundamental para que o estudan-
te durante a sua formação universitária, desde o início da 
sua vida acadêmica, para que o docente contribua neste 
processo de forma progressiva e pertinente ao momento 
do currículo no qual o aluno se encontra. E, ao conciliar 
os saberes legitimados pelas práticas sociais com o saber 
produzido pela comunidade científica que sustentam a 
formação de diferentes perfis profissionais, torna-se ne-
cessário aprimorar constantemente as ações na Institui-
ção, visando ao crescimento pessoal e profissional dos 
estudantes, como agentes de suas aprendizagens. (PDI 
2017-2022)
Ou seja, o empreendedorismo se encaixa nesse contexto 
como o impulsionador da pesquisa científica com a finalida-
de de geração de inovação. O empreendedor na Universida-
14 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
de, e também fora dela, deve ser identificado como aquele 
que, interagindo com os demais, aproveita-se de um ambiente 
propicio ao empreendedorismo, à proposição de mudanças, 
à implantação de novas práticas e com abertura para novas 
ideias e sugestões.
Deve-se reconhecer a importância de se promoverem as 
condições ideais para estimular a mentalidade empreendedo-
ra, a inquietação, a busca pela melhoria contínua. Pode-se 
afirmar que o espírito empreendedor tende a ser mais bem de-
senvolvido em ambientes colaborativos, que permitem intera-
ções diversas e ampliação das possibilidades de aprendizado.
Uma das questões centrais que se colocam sobre esse 
tema é a ampliação da capacidade empreendedora, 
a qual, até recentemente, foi associada estritamente à 
qualificação formal de indivíduos (capital humano). Evi-
dencia-se, entretanto, cada vez mais, que tal capacidade 
não se resume ao aprimoramento de pessoas e empresas 
isoladamente, por meio do incremento da dotação de 
trabalhadores qualificados e treinados. Reconhece-se, 
com maior intensidade, que ambientes mais propícios ao 
empreendedorismo são aqueles em que ocorrem proces-
sos interativos e cooperativos de aprendizado e de ino-
vação; daí a importância de se promover a capacitação 
local em inovação e aprendizado de forma coletiva e 
sistêmica. Nesse contexto, assumem novo papel os sis-
temas de relações entre os diferentes atores, cuja densi-
dade e caráter inovador podem favorecer processos de 
crescimento e mudança, em que se desenvolve a ativida-
Capítulo 1 Ciência, Inovação e Empreendedorismo 15
de empreendedora, produtiva e inovadora. (ALBAGLIe 
MACIEL, 2002)
Vivemos em um período marcado pela inovação tecnoló-
gica cuja velocidade da tomada de decisão pode ser funda-
mental para a diferenciação entre sucesso ou fracasso. Não 
podemos perder oportunidades de buscar vantagem compe-
titiva, seja no meio acadêmico, seja no ambiente profissional.
O empreendedorismo deve ser estimulado, porém com o 
devido cuidado de seguir um processo adequado, de análises 
bem feitas, de simulações consistentes, de testagens funda-
mentadas e com critérios objetivos. Voltamos assim ao método 
científico e o destaque de sua importância para a busca do 
embasamento científico como base para o desenvolvimento de 
propostas empreendedoras adequadas.
Resgatando também a inovação, pode-se afirmar que es-
sas propostas empreendedoras com base na ciência, quando 
direcionadas à inovação, tendem a ter mais sucesso no con-
texto atual. 
As mais recentes definições de inovação aceitas global-
mente dividem as atividades de inovação em algumas etapas, 
podendo ser: científicas, tecnológicas, organizacionais, finan-
ceiras e comerciais, desde que conduzam, ou visem conduzir, 
à implementação de inovações. Algumas atividades de inova-
ção são em si inovadoras, outras não são atividades novas, 
mas são necessárias para a implementação de inovações.6 
6 Manual de Oslo, 3. ed., 2005. 
16 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
Relacionando com o empreendedorismo, algumas propos-
tas podem parecer empreendedoras, mas nem todas serão 
apenas por serem novidade no cenário em que foram aplica-
das. É necessário o cumprimento de algumas fases para que 
o processo empreendedor seja realmente efetivo e para que 
possamos afirmar que o mesmo teve a adequada fundamen-
tação anterior à sua implantação.
Encerramos esse capítulo com a necessidade de aprofun-
darmos os três conceitos que formam essa disciplina, a fim de 
podermos utilizar o conhecimento desenvolvido para os estu-
dos necessários em nossas áreas de formação. Sendo assim, 
no próximo capítulo iniciaremos com a ampliação do conceito 
definido como base necessária para nossos objetivos, a Ciên-
cia.
Recapitulando
Neste capítulo, apresentamos os conceitos de Ciência, Ino-
vação e Empreendedorismo, sua relação e os principais cri-
térios para sua diferenciação e compreensão. Destacou-se a 
importância de cada um dos conceitos no contexto atual e 
sua identificação direta com a proposta de formação objetiva-
da pela ULBRA para reforçar o seu papel na sociedade, bus-
cando formar profissionais capazes de impactar na melhoria 
da qualidade de vida e contribuir para o desenvolvimento do 
país. Para tal, discutimos a importância da ciência como base 
para o processo de Inovação e, por consequência, o fomento 
à adequada atitude Empreendedora embasada no conheci-
Capítulo 1 Ciência, Inovação e Empreendedorismo 17
mento científico, utilizando-se de um ambiente adequado e 
propício para tal.
Referências
ALBAGLI, S., MACIEL, M. L. Capital social e empreendedo-
rismo local. Disponível em: <http://www.ie.ufrj.br/rede-
sist/NTF2/NT%20SaritaMLucia.PDF>. Acesso em: 27 set. 
2018.
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18 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
MARTINS, E., MARTINS, N. An organizational culture model to 
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QUILICI, R. F. M., STADLER, C. C. A importância da ciência 
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Novos conceitos e diretrizes. Disponível em: <file:///C:/
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ROSENTHAL, D. B. Two approaches to science – technology 
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-da-inovacao-para-a-sobrevivencia-das-organizacoes>. 
Acesso em: 27 set. 2018.
Atividades
 1) O Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) da ULBRA é:
Capítulo 1 Ciência, Inovação e Empreendedorismo 19
I) Um documento que apresenta as estratégias escolhi-
das pela Universidade para orientar a formação dos 
alunos.
II) A representação de como a ULBRA propõe a articula-
ção de sua Missão com a formação de profissionais 
comprometidos eticamente com a sociedade.
III) A definição do Ministério da Educação, através das Di-
retrizes Curriculares Nacionais, que determinam como 
fortalecer a identidade confessional e seu compromis-
so social e comunitário.
A partir das assertivas acima, escolha a alternativa que re-
presenta de forma correta seu conteúdo: 
a) Apenas a afirmativa I está correta.
b) Apenas a afirmativa II está correta.
c) Apenas a afirmativa III está correta.
d) Apenas as afirmativas I e II estão corretas.
e) Apenas as afirmativas II e III estão corretas.
 2) A importância da ciência para todas as áreas do conheci-
mento se evidencia facilmente. Aspectos relativos a diver-
sas áreas podem ser abordados, como por exemplo: 
a) Filosófica e Sociológica.
b) História.
c) Política e Econômica.
20 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
d) Humanística.
e) Todas as alternativas acima e muitas outras áreas ainda.
 3) O Relatório da Comissão Internacional sobre Educação 
para o Século XXI postulou quatro pilares da educação 
do futuro. Entre eles, qual implica agir com ética, respon-
sabilidade e compromisso social na relação com a sua 
realidade:
a) saber conhecer.
b) saber fazer.
c) saber ser.
d) saber conviver.
e) saber aprender. 
 4) Inovação usualmente é relacionada com melhoria. Toman-
do essa afirmação como verdadeira, por que ainda pou-
cas organizações exercem algum tipo de iniciativa concre-
ta para colocar os princípios da inovação em prática?
 5) Assinale a alternativa que completa a frase corretamen-
te: O ___ na Universidade, e também fora dela, deve ser 
identificado como aquele que, ____ com os demais, apro-
veita-se de um ____ propício ao empreendedorismo, à 
proposição de mudanças, à implantação de ____ práticas 
e com abertura para novas ideias e sugestões.
a) professor, interagindo, negócio, diferentes.
b) empreendedor, interagindo, ambiente, novas.
Capítulo 1 Ciência, Inovação e Empreendedorismo 21
c) professor, avaliando, ambiente, novas.
d) empreendedor, definindo, empreendimento, outras.
e) aluno, estudando, auditório, diferentes.
??????????
Capítulo ?
Desenvolvimento da 
Pesquisa Científica1
1 Possui graduação em Bacharelado em Informática pela Pontifícia Universidade 
Católica do Rio Grande do Sul (1991) e mestrado em Computação pela Universi-
dade Federal do Rio Grande do Sul (1996). Atualmente é professor da Universidade 
do Vale do Rio dos Sinos e professor adjunto com mestrado da Universidade Lute-
rana do Brasil. Tem experiência na área de Ciênciada Computação, com ênfase 
em Software Básico, Projeto de Interfaces, educação a distância e metodologia 
científica.
Patrícia Noll de Mattos1
Capítulo 2
Capítulo 2 Desenvolvimento da Pesquisa Científica 23
Introdução
Iniciamos este capítulo falando sobre ciência, como ela é pro-
duzida e sua relação com a universidade. Além disso, para ex-
plicar como o conhecimento científico é gerado, abordaremos 
também a pesquisa científica.
1 O que é ciência?
Antes de iniciarmos a apresentação sobre o processo de de-
senvolver pesquisa científica, falemos um pouco sobre ciência. 
Atualmente, a ciência é altamente considerada, mencioná-la 
em uma argumentação ou pesquisa, atribui a ela um senti-
mento de confiabilidade ou de mérito associado. É comum 
nos depararmos com anúncios de produtos que asseguram 
que seu efeito foi cientificamente comprovado, insinuando que 
sua afirmação é bem fundamentada. Existe uma crença de 
que a ciência e seus métodos são especiais e que asseguram 
a veracidade das afirmações, que a ciência é sempre exata e 
precisa. Mas será que ela é sempre assim nos diversos ramos 
de saberes?
Segundo FONSECA (2002, p. 11-12), a Ciência é um con-
junto de saberes provenientes da associação de experiências 
práticas com o raciocínio lógico. Essa associação é constituída 
a partir da observação, identificação, descrição e investigação 
experimental, além da aplicação de teorias.
24 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
No entanto, a Ciência não tem a intenção de estabelecer 
verdades absolutas ou de traçar uma compreensão plena da 
realidade. Ela se constitui em verdades provisórias, que faci-
litem a compreensão da realidade presente e permita prever 
acontecimentos futuros, permitindo que intervenções sobre os 
mesmos possam ser realizadas.
Contudo, estamos em constante evolução, novos conhe-
cimentos são agregados aos já existentes, novas experiências 
são vividas, o que nos remete ao fato de que ciência é um 
processo que está sempre em movimento. Na medida em que 
novos conhecimentos forem sendo descortinados, novas pers-
pectivas vão sendo geradas, ampliando-se o conhecimento 
sobre determinada realidade.
É importante que observemos que a Ciência é um proces-
so em movimento, mas que sua produção ocorre a partir do 
método científico, o qual envolve técnicas exatas, objetivas e 
sistemáticas. Nesse contexto, o método científico envolve re-
gras fixas para a formação de conceitos, para a condução de 
observações, para a realização de experimentos e para a va-
lidação de hipóteses explicativas. É com base nele que novos 
saberes vão sendo construídos.
A palavra ciência deriva do latim scientia, cujo significado 
é “conhecimento” ou “saber”. Ela contempla vários conjuntos 
de saberes adquiridos através do estudo ou da prática, segun-
do procedimentos específicos ou métodos científicos.
A curiosidade é um dos ingredientes base para o desenvol-
vimento da Ciência. Ela promove no indivíduo a necessidade 
de saber mais, de observar, de analisar, de refletir sobre o ob-
Capítulo 2 Desenvolvimento da Pesquisa Científica 25
jeto da curiosidade. Através da curiosidade e da observação o 
homem explora a natureza das coisas e conhece o comporta-
mento das pessoas e dos fenômenos.
Um exemplo de conjunto de saberes é o que descreve, or-
dena e compara os fenômenos naturais, ou seja, da natureza 
e seus processos, estabelecendo a relação existente entre eles 
e formulando regras. A esse conjunto de saberes chamamos 
de ciências naturais. Existes outros conjuntos de saberes, como 
as ciências exatas, ciências sociais, ciências contábeis, dentre 
outras.
2 Universidade e a ciência
A maioria dos alunos ingressa na universidade com a intenção 
de cursar um conjunto de disciplinas que compõem o conjunto 
básico dos saberes necessários para atuar em uma determi-
nada área profissional, e entendem que isso é o suficiente, ou 
seja, que aí se encerra o papel da universidade.
Porém, esse compõe apenas um dos pilares da universida-
de, o do ensino. Os outros dois pilares são o da pesquisa e o 
da extensão.
Assim como vimos a constante evolução da Ciência, po-
demos dizer também que ela é sustentada por informação, 
por teorias e regras já pesquisadas em algum momento. A 
universidade, em seu pilar de ensino, tem como função reunir 
as informações e conhecimentos que dão base aos diversos 
saberes. Porém, ela não se estingue apenas no ensino, ela tem 
26 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
o compromisso de educar, de proporcionar aos seus alunos 
não apenas o alcance à informação, mas o desenvolvimento 
de um pensamento crítico, que seja capaz de absorver as in-
formações, promover relações com experiências já vividas e 
com necessidades percebidas, provocando novas descobertas 
e vislumbrando novos caminhos. 
Na universidade, professores elaboram projetos de pes-
quisa e extensão dos quais os alunos podem participar. Os 
alunos podem participar dos projetos de pesquisa através da 
iniciação científica, voluntariamente, ou com bolsa, de acordo 
com os editais publicados pela universidade. Através desses 
projetos, os alunos têm a possibilidade de estudar temas mais 
profundamente ou mesmo novos temas, não abordados em 
sala de aula, além de terem um primeiro contato com o mé-
todo científico.
Os projetos de extensão fazem a ligação dos saberes aca-
dêmicos oriundos do ensino e da pesquisa, com as necessida-
des da comunidade, faz com que se percebam as necessidades 
sociais, culturais, econômicas, dentre outras. Eles proporcio-
nam a interação da universidade com a sociedade, promoven-
do a interação entre a teoria e a prática (FIGUEIREDO, 2015).
3 Conhecimento científico
Desde que nascemos somos levados a conhecer, de forma na-
tural, o que está no nosso cotidiano, ao nosso redor. Seja por 
observação, seja por instigação de nossa família ou meios de 
Capítulo 2 Desenvolvimento da Pesquisa Científica 27
comunicação, vamos recebendo as informações e adquirindo 
uma compreensão sobre as coisas do mundo, sobre o que 
acontece em nosso entorno, nas diversas áreas, humanas, so-
ciais, políticas, econômicas e culturais. Para que exista o ato de 
conhecer, é fundamental a relação entre o sujeito e o objeto. 
O sujeito, no caso que nos interessa aqui, é o ser humano 
que construiu a faculdade da inteligibilidade, construiu um in-
terior capaz de apropriar-se simbólica e representativamente 
do exterior, conseguindo, inclusive, operar de forma abstra-
ta com seus símbolos e representações. O objeto é o mundo 
exterior ao sujeito, que é representado em seu pensamento a 
partir da manipulação que executa com eles. (LUCKESI, 1995, 
p. 16)
Dessa forma, o conhecimento pode ser definido como a 
compreensão inteligível da realidade exterior, formada no in-
terior do homem como um pensamento abstrato, de maneira 
que lhe possa expressar a realidade.
A realidade pode ser descrita de diversas formas, determi-
nadas situações podem ser interpretadas sob diferentes aspec-
tos: religiosos, cotidianos, filosóficos, científicos, dentre outros. 
Para cada ótica, ou aspecto, um tipo de conhecimento é ge-
rado.
Sob a ótica do cotidiano, nasce o senso comum, conhe-
cimento adquirido pelo homem a partir de suas vivências e 
experiências, e da observação do mundo. São conhecimen-
tos empíricos, passados de geração para geração. Trata-se de 
uma herança cultural, não baseada em métodos ou conclu-
28 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
sões científicas, mas na assimilação espontânea de conheci-
mentos úteis para o dia a dia.
É através do senso comum que uma criança aprende o que 
pode ou não comer, o que é seguro ou perigoso e, mesmo, o 
que é justo ou injusto.
Sob outra ótica, o conhecimento científico deve ser basea-
do em observações e observações, que servem para atestar a 
veracidadeou não de determinada teoria. A razão deve estar 
atrelada à lógica da experimentação científica pois, caso con-
trário, se configuraria como conhecimento filosófico.
Segundo GIL (2008), o conhecimento científico é:
 Â Objetivo: descreve a realidade, independente da opi-
nião do pesquisador;
 Â Racional: baseia-se na razão e não em sensações ou 
impressões para chegar aos resultados;
 Â Sistemático: preocupa-se com a construção de um sis-
tema de ideias, organizadas racionalmente, e em incluir 
conceitos parciais em totalidades cada vez mais amplas.
 Â Geral: possui a preocupação com a elaboração de leis 
ou normas gerais, as quais, explicam todos os fenôme-
nos de certo tipo;
 Â Verificável: apresenta sempre a possibilidade de de-
monstrar a veracidade das informações apresentados;
 Â Falível: reconhece a própria capacidade de errar.
Capítulo 2 Desenvolvimento da Pesquisa Científica 29
O conhecimento pode ser encarado como o resultado do 
aprimoramento do senso comum, através da investigação cien-
tífica, com o objetivo de comprová-lo ou refutá-lo. Trata-se de 
um conhecimento passível de demonstração e comprovação, 
objetivo, metódico e sistematizado. Como ele pode ser, através 
do método científico, constantemente testado, reformulado e 
atualizado, o que o atribui o caráter de provisório (FONSECA, 
2002, p. 11).
4 Pesquisa científica
Quando estamos na escola, muitos professores pedem como 
tarefa a realização de uma pesquisa sobre determinado tema. 
Nesse caso, buscamos materiais sobre o tema, escolhemos os 
tópicos mais importantes e montamos um documento ou uma 
apresentação narrando o que descobrimos sobre o assunto. 
Logo, a pesquisa pode ser definida como um conjunto de ati-
vidades orientadas para a busca de um determinado conhe-
cimento.
O que difere esse tipo de pesquisa da pesquisa científica? 
O caráter investigativo e questionador, ou seja, a proble-
matização. Segundo GIL (2008), é pela observação que o ho-
mem adquire grande parte do seu conhecimento. A pesquisa 
científica parte de um problema proposto pelo pesquisador, 
implicando na observação, análise, reflexão crítica, síntese e 
aprofundamento de conceitos sobre determinado tema, com 
base no método científico.
30 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
Dessa forma, o conhecimento científico, obtido a partir da 
pesquisa científica, se baseia na formulação de problemas, ou 
seja, na capacidade de elaborar questões para as quais se vai 
buscar respostas e, nesse processo, elaborar novos questiona-
mentos. 
Para LAKATOS E MARCONI (2010, P. 139), a pesquisa “é 
um procedimento formal, com método de pensamento refle-
xivo, que requer um tratamento científico e se constitui no ca-
minho para conhecer a realidade ou para descobrir verdades 
parciais”.
Segundo GIL (2008, p. 26), a pesquisa pode ser definida 
como “o processo formal e sistemático de desenvolvimento 
do método científico. O objetivo fundamental da pesquisa é 
descobrir respostas para problemas mediante o emprego de 
procedimentos científicos”.
É importante ressaltar que, independente da natureza da 
pesquisa, ao aplicar a metodologia científica, ela contribui 
para a aquisição de novos conhecimentos, na medida em que 
promove reflexão e discussão sobre o assunto pesquisado. Se 
produz novo conhecimento, está produzindo ciência.
DEMO (1987, p.20) menciona que “a ciência propõe-se 
a captar e manipular a realizada assim como ela é. A meto-
dologia desenvolve a preocupação em torno de como chegar 
a isto”.
Segundo GIL (2010), algumas características sociais e inte-
lectuais do pesquisador são fundamentais para a obtenção do 
êxito na pesquisa, são elas:
Capítulo 2 Desenvolvimento da Pesquisa Científica 31
 Â curiosidade
 Â criatividade
 Â conhecimento sobre o que deve ser pesquisado
 Â integridade intelectual
 Â atividade corretiva
 Â sensibilidade social
 Â imaginação disciplinada
 Â perseverança e paciência
Além dessas qualidades, GIL (2010) ressalta a importância 
da construção de um projeto que planeje e norteie a pesquisa.
O desenvolvimento de uma pesquisa pode ser dividido em 
três etapas principais, a de planejamento, a de execução e a 
de divulgação.
A etapa de planejamento consiste na construção do pro-
jeto de pesquisa, através da realização de revisão literária, 
busca do problema, definição da hipótese, objetivos, justifi-
cativa, referencial teórico e definição da metodologia. Uma 
pesquisa bem planejada possui maior probabilidade de ser 
seguida e de se obter êxito.
A etapa de execução corresponde ao desenvolvimento da 
pesquisa, em que se coloca em prática o que foi planejado no 
projeto. Consiste na aplicação dos métodos e técnicas defini-
das na metodologia: realização de experimentos, construção 
de protótipos, realização de entrevistas e dentre outros. 
32 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
Nessa etapa, os resultados são obtidos através da aplica-
ção da metodologia definida no projeto, são analisados, tes-
tados e validados.
A etapa de divulgação consiste em divulgar os achados de 
pesquisa, através da publicação de um relatório final, artigo 
científico, resumos ou apresentação em eventos científicos.
4.1 Tipos de pesquisa, método, natureza e 
abordagem
Iniciaremos esta seção classificando a pesquisa científica 
quanto a seu tipo, como pesquisa pura ou aplicada. A pesqui-
sa pura ou básica, como também é chamada, tem seu foco na 
melhoria de teorias científicas, para melhor prever ou compre-
ender os fenômenos naturais ou de outro tipo. Normalmente, 
esse tipo de pesquisa é puramente teórico e tem a intenção de 
ampliar a compreensão de certos fenômenos ou comporta-
mento, sem procurar tratar ou resolvê-los. 
Pesquisa aplicada, por sua vez, usa pesquisas científicas 
para desenvolver tecnologias ou técnicas com a intenção de 
alterar fenômenos ou comportamentos e intervir nos mesmos. 
A pesquisa pura serve como base para a pesquisa aplicada.
A escolha do método depende do paradigma de pesquisa 
adotado, ou seja, deve ser apropriado ao tipo de estudo que 
se pretende realizar e, principalmente, à natureza do problema 
e ao nível de aprofundamento que se pretende adotar. 
Existem os métodos qualitativos e os métodos quantitativos. 
Capítulo 2 Desenvolvimento da Pesquisa Científica 33
O método qualitativo abrange o paradigma fenomeno-
lógico, voltado à interpretação e descrição; ele preocupa-se 
em descrever a realidade investigada e não com medidas e 
fórmulas matemáticas. Ele é bem empregado em descrever a 
complexidade de determinado problema, analisar a interação 
de certas variáveis, ideal para entender particularidades de 
comportamento de indivíduos, processos, entidades, motiva-
ções de um grupo, interpretar a opinião e as expectativas dos 
indivíduos de uma população. 
O método quantitativo abrange o paradigma positivista, 
voltado à quantificação e mensuração. Ele tem como intenção 
de garantir a precisão dos resultados, através da utilização 
de técnicas estatísticas. Pode ser bem empregado para medir 
relações causa/efeito entre variáveis e avaliar o resultado de 
um sistema ou projeto.
O próximo item que devemos considerar é o nível de pes-
quisa. A pesquisa pode ser classificada como exploratória, 
descritiva ou explicativa. Uma pesquisa pode ser classificada 
individualmente em um desses níveis ou pode associar mais de 
um, dependendo do objetivo do estudo.
A pesquisa exploratória busca compreender um determi-
nado problema ao aprimorar seu conhecimento. Ela propicia 
a obtenção de novos conhecimentos e pode ser planejada de 
forma bastante flexível. Estudos exploratórios são aqueles em 
que não se tem informação sobre determinado tema e se de-
seja conhecê-lo.
A pesquisa descritiva possui como objetivo a descrição 
das características de determinado assunto,podendo ser um 
34 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
fenômeno, população ou grupo (distribuição por idade ou 
sexo, por exemplo). Estudos descritivos são realizados quando 
se deseja descrever as características de determinado tema, 
organizando-o ou classificando-o.
A pesquisa explicativa possui como objetivo analisar, ve-
rificar, avaliar ou explicar um determinado tema, normalmente 
já existente. Ela costuma explicar o porquê ou a razão de um 
determinado conceito ou acontecimento. Estudos explicativos 
são úteis quando se deseja analisar as causas ou consequên-
cias de um determinado tema.
Agora que já estudamos o tipo, o modelo e o nível de sua 
pesquisa, estamos prontos para avaliar as estratégias de pes-
quisa, ou procedimentos que podem ser utilizados no processo 
de investigação.
Recapitulando
Neste capítulo, refletimos sobre o que é ciência e sua relação 
com a universidade, o que é conhecimento científico e pesqui-
sa científica. Vimos os diferentes tipos de pesquisa, método e 
natureza ou nível de pesquisa.
Referências
DEMO, Pedro. Introdução à Metodologia da ciência. 2. ed. 
São Paulo: Atlas, 1987.
Capítulo 2 Desenvolvimento da Pesquisa Científica 35
FIGUEIREDO, Karen. Experiência Universitária: Os três Pila-
res da Universidade. Blog InspirAda. 2015. 
INSPIRADA NA COMPUTAÇÃO. Disponível em: <https://
inspiradanacomputacao.github.io/academia/experiencia-
-universitaria-os-tres-pilares-da-universidade/>. Acesso 
em: abril de 2018.
FONSECA, J. J. S. Metodologia da pesquisa científica. For-
taleza: UEC, 2002. Apostila.
GIL, Antônio Carlos. Métodos e Técnicas de Pesquisa So-
cial. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
______. Como elaborar projetos de pesquisa. 5. ed. São 
Paulo: Atlas, 2010.
LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fun-
damentos de metodologia científica. 7. ed. São Paulo: 
Atlas, 2010.
LUCKESI, Cipriano Carlos; PASSOS, Elizete Silva. Introdução 
à Filosofia. São Paulo: Cortez, 1995.
Atividades
 1) A pesquisa que busca esclarecer a relação entre causa e 
efeito e costuma explicar a razão de ser de um determina-
do conceito ou acontecimento, é caracterizada como:
a) exploratória.
36 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
b) explicativa.
c) descritiva.
d) bibliográfica.
e) experimental.
 2) A pesquisa qualitativa tem como característica:
a) Trabalhar com dados numéricos.
b) Utilizar técnicas de estatística para o tratamento dos 
dados.
c) Utilizar técnicas probabilísticas para obtenção dos da-
dos.
d) Apresentar o comportamento e a interpretação de fa-
tos, acontecimentos e contextos.
e) Ser puramente exploratória.
 3) O desenvolvimento de uma pesquisa pode ser dividido em 
etapas, a saber:
a) exploratória, descritiva e explicativa.
b) qualitativa ou quantitativa.
c) pura ou aplicada.
d) planejamento, execução e divulgação.
e) planejamento, divulgação e execução.
 4) A construção do projeto de pesquisa, através da realiza-
ção de revisão literária, busca do problema, definição da 
Capítulo 2 Desenvolvimento da Pesquisa Científica 37
hipótese, objetivos, justificativa, referencial teórico e de-
finição da metodologia, correspondem a qual etapa do 
desenvolvimento da pesquisa?
a) Exploratória.
b) Pesquisa bibliográfica.
c) Planejamento.
d) Divulgação.
e) Execução.
 5) A pesquisa que busca compreender um determinado pro-
blema ao aprimorar seu conhecimento, além disso, propi-
cia a obtenção de novos conhecimentos e pode ser plane-
jada de forma bastante flexível, é caracterizada como:
a) Exploratória.
b) Explicativa.
c) Descritiva.
d) Bibliográfica.
e) Experimental.
??????????
Capítulo ?
Métodos e 
Procedimentos de 
Pesquisa
1 Possui graduação em Bacharelado Em Informática pela Pontifícia Universidade 
Católica do Rio Grande do Sul (1991) e mestrado em Computação pela Universi-
dade Federal do Rio Grande do Sul (1996). Atualmente é professor da Universidade 
do Vale do Rio dos Sinos e professor adjunto com mestrado da Universidade Lute-
rana do Brasil. Tem experiência na área de Ciência da Computação, com ênfase 
em Software Básico, Projeto de Interfaces, educação a distância e metodologia 
científica.
Patrícia Noll de Mattos1
Capítulo 3
Capítulo 3 Métodos e Procedimentos de Pesquisa 39
Introdução
Este capítulo abordará as principais técnicas e procedimentos 
de pesquisa, sua relação com o tipo e a natureza da pesquisa 
e com os principais métodos de coleta e análise de dados. 
Abordará também o que é método científico e sua diferença 
em relação à técnica. 
1 O que são técnicas e procedimentos de 
pesquisa?
Os métodos descrevem como você desenvolverá sua pesqui-
sa e os procedimentos as ferramentas que você utilizará para 
desenvolvê-la. Porém, antes de você iniciar a escolha dos mé-
todos e procedimentos, é importante o entendimento do que é 
“metodologia de pesquisa”.
O estudo de metodologia de pesquisa nada mais é do que 
o estudo de como fazer pesquisa. Vamos ver a definição de 
metodologia de pesquisa segundo Michel Thiollent, na obra 
Metodologia da pesquisa-ação, 2009: “A metodologia tem 
como objetivo analisar as características dos vários métodos 
disponíveis, avaliar suas capacidades, potencialidades, limita-
ções ou distorções e criticar os pressupostos ou a implicação 
de sua utilização.”
GIL (2008) define o método como o caminho para se che-
gar a determinado fim, e o método científico o conjunto de 
40 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
procedimentos intelectuais e técnicas adotadas para se obter 
conhecimento.
Método pode ser visto como a maneira de proceder, a ma-
neira de ordenar a ação de acordo com certos princípios, ou 
a ordem que se segue na procura da verdade, no estudo da 
ciência, para procurar um fim determinado.
Uma técnica é um procedimento, cujo objetivo é a obten-
ção de um determinado resultado, seja na ciência, na tecno-
logia, na arte ou em qualquer outra área. Consiste em um 
conjunto de regras, normas ou protocolos que se utiliza como 
meio para chegar a certa meta.
Na definição da metodologia você deverá definir o método 
a ser utilizado, de acordo com o tipo de pesquisa e sua nature-
za, ou seja, se a pesquisa é pura ou aplicada; quantitativa ou 
qualitativa; exploratória, descritiva ou explicativa. Além disso, 
precisa definir o aparato instrumental a ser utilizado, ou seja, 
as ferramentas e técnicas que serão necessárias para o desen-
volvimento da pesquisa. Todas essas definições fazem parte do 
planejamento da pesquisa, e já devem estar presentes desde a 
especificação do projeto de pesquisa.
As ferramentas a serem utilizadas, ou seja, as estratégias 
de pesquisa vão ajudar você a definir o plano de ação de sua 
pesquisa, orientando-o nos processos de coleta e análise de 
dados.
Capítulo 3 Métodos e Procedimentos de Pesquisa 41
2 Técnicas e estratégias de pesquisa
Ao escolher a(s) estratégia(s) de pesquisa que você irá utilizar 
em sua pesquisa, você está delineando um plano de ação para 
a mesma. Além disso, a escolha da estratégia de pesquisa irá 
orientar a definição das técnicas de coleta e análise de dados 
a utilizar. A seguir são apresentadas as principais estratégias 
de pesquisa.
2.1 Pesquisa bibliográfica
A maioria das pesquisas iniciam por ela, pois ela permite ao 
pesquisador a utilização de uma série de recursos disponíveis 
sobre um determinado tema.
Através da pesquisa bibliográfica, você pode utilizar diver-
sos recursos disponíveis sobre determinado tema, recorrendo 
a pesquisa já realizadas e conteúdos já publicados em revis-
tas, livros, jornais, monografias, teses, resumos ou artigos em 
anais de congressos e simpósios, dentre outros. Ela contempla 
o referencial teórico já publicado acerca do tema (LAKATOS e 
MARCONI, 2009).
Dependendoda questão de pesquisa, remete à necessida-
de da pesquisa bibliográfica, como no caso de estudos históri-
cos, por exemplo, muitas vezes não há outra forma de realizar 
a pesquisa senão através de fontes secundárias.
É importante, porém, que os dados obtidos através desse 
tipo de pesquisa sejam analisados, que sua profundidade seja 
42 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
averiguada e que sejam comparados com os de outras fontes, 
de forma a garantir sua integridade.
A pesquisa bibliográfica requer uma leitura organizada 
e sistemática dos textos, utilizando-se de técnicas de leitura, 
como anotações, fichas de leitura e fluxogramas.
Assim como qualquer outra estratégia de pesquisa, ela 
deve ser planejada, definindo-se a classe de fontes que serão 
utilizados, quais veículos de publicação e palavras-chave de 
busca.
2.2 Pesquisa documental
A Pesquisa documental lhe permite pesquisar em documentos 
e materiais ainda não analisados e tratados, mas que tenham 
valor científico para o tema estudado. Como exemplos pode-
mos citar os arquivos de órgãos públicos e instituições, cartas, 
memorandos, diários, gravações, dentre outros.
Segundo GIL (2002), o que difere a pesquisa documen-
tal da pesquisa bibliográfica é a natureza das fontes. A pes-
quisa documental utiliza materiais que ainda não receberam 
um tratamento analítico. A pesquisa bibliográfica, por sua vez, 
utiliza-se da contribuição sobre diversos autores sobre deter-
minado assunto.
Por se utilizar de fontes ainda não tratadas, a pesquisa do-
cumental pode tornar-se mais morosa, porém, em muitas situ-
ações, é de grande contribuição, pois pode possuir um conte-
údo bastante rico.
Capítulo 3 Métodos e Procedimentos de Pesquisa 43
2.3 Pesquisa de levantamento
Levantamento ou Survey consiste na interrogação direta do 
comportamento dos sujeitos sob investigação. Esta estratégia 
permite que você colha as informações de um grupo significa-
tivo de pessoas sobre o tema estudado e, em seguida, obtenha 
conclusões acerca dos dados, através da análise quantitativa 
dos dados.
Segundo GIL (2010), “quando o levantamento recolhe in-
formações de todos os integrantes do universo pesquisado, 
tem-se um censo”. Devido à dificuldade, normalmente não 
são pesquisados todos os integrantes de uma população estu-
dada, realizando-se a pesquisa com uma amostra da popula-
ção. Existem técnicas de amostragem que definem parâmetros 
para escolha do local dos participantes, tamanho da amostra, 
tipo de amostragem, garantindo a confiabilidade dos dados 
obtidos para o resultado da pesquisa (GIL, 2010).
Como ele é realizado?
O pesquisador, por meio de conhecimento prévio, adquirido 
através de pesquisa bibliográfica ou outra estratégia, esta-
belece construtores, variáveis e pressupostos que o guiarão 
na construção de seus instrumentos de pesquisa. O principal 
instrumento utilizado é o questionário, podendo ter questões 
abertas ou fechadas. Com o auxílio da internet, é possível a 
utilização de uma série de ferramentas que permite a publica-
ção de pesquisas online, facilitando sua distribuição, tabula-
ção e análise de dados.
44 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
2.4 Estudo de campo
No estudo de campo, a pesquisa é desenvolvida no próprio 
local em que ocorrem os fenômenos ou fatos em estudo, é im-
portante que o pesquisador tenha contato direto com o objeto 
de estudo, realizando a maior parte do trabalho pessoalmente.
As principais técnicas de coleta de dados utilizadas no estu-
do de campo são: observação direta das atividades do grupo 
estudado, observação participante, entrevistas, análise de do-
cumentos, filmagens e fotografias (GIL, 2002).
 Utiliza-se essa técnica quando se tem o objetivo de obter 
informações sobre um problema ara o qual se procura uma 
resposta, comprovação de hipóteses ou descobrir novos fenô-
menos e suas relações.
Ele focaliza uma comunidade de trabalho, estudo, lazer ou 
com qualquer outra finalidade. Trata-se de um grupo ou co-
munidade que possua uma estrutura social, em que há intera-
ção entre seus componentes (GIL, 2002).
2.5 Estudo de caso
Trata-se de uma investigação empírica que averigua um fenô-
meno dentro de seu contexto real. Tem como objetivo aprofun-
dar a descrição de determinada realidade. No estudo de caso, 
o pesquisador realiza uma investigação prática do compor-
tamento do fenômeno estudado dentro de um contexto real, 
desde que estabelecidos alguns limites. 
Capítulo 3 Métodos e Procedimentos de Pesquisa 45
Gil (2008) afirma que o estudo de caso tem sido cada vez 
mais utilizado pelos pesquisadores, uma vez que serve a pes-
quisas de diferentes propósitos, tais como:
 Â explorar situações da vida real, cujos limites não estão 
ainda bem definidos;
 Â descrever a situação do próprio contexto em que se está 
realizando determinada investigação;
 Â explicar as variáveis que causam, determinado fenôme-
no em situações complexas, as quais não possibilitam a 
utilização de levantamentos e experimentos. 
Um estudo de caso pode utilizar diversas estratégias para 
tentar compreender a complexidade de um fenômeno em seu 
contexto, utilizando-se de diferentes fontes de coletas de da-
dos, tais como: documentos, registros em arquivos, entrevistas, 
observação direta, observação participante, dentre outros.
2.6 Pesquisa-ação
Trata-se de uma pesquisa com base empírica que é conce-
bida e realizada de forma associada a uma ação ou reso-
lução de um problema coletivo, no qual os pesquisadores e 
os representantes da situação problema estão envolvidos de 
forma cooperativa e participativa (THIOLLENT, 2009). Para ser 
classificada como pesquisa-ação, é necessário que haja uma 
ação por parte dos implicados no problema sob observação, 
ou seja, que haja uma interferência no contexto tratado.
46 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
Além da participação, essa estratégia pressupõe uma for-
ma de ação planejada por parte do pesquisador e dos partici-
pantes, de cunho social, educacional, técnico ou outro.
São características da pesquisa-ação:
 Â possuir caráter participativo e cooperativo entre pesqui-
sadores e participantes da situação problema;
 Â ter caráter de pesquisa, em que a situação problema 
necessita de investigação para ser elaborada;
 Â ter caráter de ação, através da resolução planejada de 
um problema coletivo.
 Â A pesquisa-ação pode ser construída em quatro fases, 
a saber:
 Â fase exploratória, em que se realiza um diagnóstico para 
identificar problemas e as capacidade de ação e inter-
venção;
 Â fase de pesquisa profundado, a qual ocorre por meio de 
coleta de dados;
 Â fase de ação, a qual corresponde ao planejamento e 
execução das ações, estabelecidas a partir das discus-
sões com os participantes do estudo;
 Â fase de avaliação, em que se obtém o resgate do conhe-
cimento obtido e redirecionam-se as ações.
Diferentes técnicas podem ser utilizadas para coleta de da-
dos como documentação, questionário, entrevistas, dentre ou-
Capítulo 3 Métodos e Procedimentos de Pesquisa 47
tras. A análise de dados pode envolver, tantas técnicas quanti-
tativas, como qualitativas (THIOLLENT, 2009).
2.7 Pesquisa experimental
A pesquisa experimental opera com a manipulação, observa-
ção e controle direto sobre os elementos em experimentação. 
Ela consiste em determinar um objeto de estudo, selecionar 
variáveis capazes de influenciá-las e definir formas de observar 
e controlar o efeito que elas produzem no objeto.
A pesquisa experimental se relaciona diretamente às ciên-
cias naturais e seus avanços científicos. 
Uma das suas características é que seu experimento pode 
ser realizado de diversas formas e pode ser repetido, se tiver a 
intenção de se obter o mesmo resultado.
2.8 Pesquisa ex-post facto
Este tipo de pesquisa estuda fenômenosou fatos que já aconte-
ceram, com a intenção de entendê-los melhor, descobrir como 
e por que ocorreram. Esses fatos ou fenômenos podem estar 
associados a catástrofes, atentados, epidemias, crises econô-
micas, atos de violência, dentre outros.
A coleta de dados pode ocorrer por meio de experimentos, 
manipulando variáveis, muitas vezes reproduzindo situações 
que já aconteceram.
48 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
3 Técnicas de coleta de dados
Após você ter delineado sua pesquisa, definindo o método, 
o tipo e a estratégia de pesquisa), é necessário definir a(s) 
técnica(s) que será(ão) usada(s) para a coleta dos dados. Inde-
pendente do método empregado, toda pesquisa necessita do 
levantamento de dados de diversas fontes.
É importante que, ao definir a(s) técnica(s) a utilizar, que 
você a conceitue, justifique e a descreva. Caso você opte, por 
exemplo, por aplicar questionários, é importante que você o 
conceitue, justifique sua escolha de acordo com a natureza 
da pesquisa a ser desenvolvida, descreva o público-alvo da 
pesquisa, forma de distribuição, análise dos dados e construa 
o instrumento. Todas essas etapas consistem no planejamento 
dos instrumentos a serem utilizados para a coleta dos dados 
da pesquisa.
A seguir serão apresentadas algumas técnicas bastante uti-
lizadas.
3.1 Bibliográfica
Esta técnica permite ao pesquisador acessar a uma vasta fonte 
de informações sobre o tema pesquisado, através de diversas 
fontes e autores. Esta técnica proporciona acesso a toda bi-
bliografia já tornada púbica relacionada ao tema, agregando 
publicações avulsas, boletins, jornais, revistas, livros, relatórios 
de pesquisa, monográficas, teses, dentre outros (LAKATOS; 
MARCONI, 2009).
Capítulo 3 Métodos e Procedimentos de Pesquisa 49
A escolha das fontes depende dos objetivos da pesquisa, 
do tema e natureza da pesquisa. Hoje em dia, muitas fontes 
de pesquisa possuem versão digital e estão disponíveis na in-
ternet. O portal da CAPES é o padrão brasileiro para acesso a 
periódicos científicos, teses e dissertações, acessível através do 
endereço www.periódicos.capes.gov.br.
3.2 Documental
Os documentos constituem em uma importante fonte de pes-
quisa histórica, permite ao pesquisador comprovar documen-
talmente, embasando informações abordadas sobre o tema 
da pesquisa.
A principal característica desta técnica é que a fonte de 
dados consiste em documentos que podem ser obtidos nos 
momentos em que o fato ocorre, podendo ser escrito ou não. 
Esses materiais ainda não receberam tratamento analítico, di-
ferenciando-os das fontes bibliográficas.
Os documentos podem ser escritos, tais como: documen-
tos oficiais, publicações parlamentares, documentos jurídicos, 
documentos administrativos, fontes estatísticas, dentre outros. 
Contudo, os documentos podem ser de outras naturezas, tais 
como fotografias, gravações, vídeos, folclore, dentre outros 
(LAKATOS; MARCONI, 2009).
3.3 Observação
A observação é utilizada para conseguir informações e utiliza 
os sentidos na obtenção de determinados aspectos da realida-
50 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
de. Algumas estratégias de pesquisa a utilizam com frequência 
para a coleta de dados, dentre elas, o estudo de campo.
A observação pode ser realizada de diferentes formas, são 
elas:
Observação não estruturada: consiste em recolher e re-
gistrar fatos da realidade sem que o pesquisador utilize meios 
técnicos sistematizadas (estudos exploratórios sobre o campo 
a ser pesquisado).
Observação estruturada: utiliza instrumentos para a co-
leta de dados ou fenômenos observados. O observador sabe 
o que procura e o que carece de importância (quadros, ano-
tações, escalas).
Observação não participante: o pesquisador presencia o 
fato, mas não participa dele, faz mais o papel de espectador.
Observação participante: o observador se incorpora ao 
grupo, passa a fazer parte ativa do grupo pesquisado.
Observação individual: observação realizada por um 
pesquisador, pode ocorrer inferências ou distorções, mas pode 
intensificar a objetividade.
Observação em equipe: observação em equipe, em al-
guns casos pode ser mais aconselhável do que a individual, 
pois o grupo pode observar a ocorrência por diferentes ângu-
los.
Observação na vida real: observações efetuadas no âm-
bito real, registrando-se os dados à medida que forem ocor-
rendo. Realizar os registros no local.
Capítulo 3 Métodos e Procedimentos de Pesquisa 51
Observação em laboratório: tenta descobrir a ação e a 
conduta que obteve em condições cuidadosamente dispostas 
e controladas.
3.4 Entrevista
A entrevista é uma técnica de coleta de dados utilizada em vá-
rias estratégias de pesquisa, tais como, levantamento e estudo 
de caso. Trata-se de uma excelente técnica para obtenção de 
dados subjetivos, tais como comportamentos, atitudes, opini-
ões etc.
A preparação da entrevista é uma das etapas mais impor-
tantes do seu processo, requer tempo e exige alguns cuidados, 
tais como (LAKATOS; MARCONI, 2009):
 Â o planejamento da entrevista deve ter em vista o objetivo 
a ser alcançado; 
 Â a escolha do entrevistado deve ser alguém que tenha 
familiaridade com o tema pesquisado; 
 Â a oportunidade da entrevista, ou seja, a disponibilidade 
do entrevistado em fornecer a entrevista, que deverá ser 
marcada com antecedência para que o pesquisador se 
assegure de que será recebido; 
 Â as condições favoráveis que possam garantir ao entre-
vistado o segredo de suas confidências e de sua identi-
dade;
 Â a preparação específica que consiste em organizar o ro-
teiro ou formulário com as questões importantes;
52 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
 Â Preparar com antecedência as perguntas a serem feitas 
ao entrevistado e a ordem em que elas devem aconte-
cer;
 Â Submeter a entrevista a um pré-teste, ou seja, procurar 
realizar uma entrevista com alguém que poderá fazer 
críticas;
 Â Não elaborar perguntas absurdas, arbitrárias, ambí-
guas, deslocadas ou tendenciosas;
 Â As perguntas devem ser feitas levando em conta a sequ-
ência do pensamento do pesquisado.
Além de todos os aspectos apresentados acima, é impor-
tante definir o tipo de entrevista que melhor irá atender as 
necessidades do tema, do entrevistador ou entrevistado, que 
pode ser:
Entrevista estruturada: é elaborada mediante questioná-
rio totalmente estruturado, todos os entrevistados respondem 
às mesmas perguntas, permitindo a comparação posterior de 
suas respostas. Como exemplo é possível citar os censos, pes-
quisa de opinião, intenção de votos etc.
Entrevista não estruturada: atende principalmente fina-
lidades exploratórias. O entrevistador introduz o tema e o en-
trevistado tem liberdade para discorrer sobre o tema sugerido. 
Entrevista semiestruturada: constitui-se em uma mescla 
entre a entrevista estruturada e a entrevista não estruturada, 
pois combina perguntas abertas e fechadas. Os entrevistados 
devem seguir um conjunto de questões previamente definidas 
Capítulo 3 Métodos e Procedimentos de Pesquisa 53
no sentido de dirigir a discussão, porém, possuem liberdade 
de discorrer sobre elas.
3.5 Questionário
Os questionários são constituídos por uma série de perguntas 
ordenadas que devem ser respondidas por escrito. Por ser pos-
sível sua distribuição digital, possibilitam atingir um grande nú-
mero de pessoas. Podem ser preenchidos, no próprio local da 
pesquisa, em formulários digitais, cujo link é fornecido, pode 
ser enviado por meio digital ou correio físico.
Junto com o questionário deve-se enviar uma nota ou carta 
explicando a natureza da pesquisa, sua importância, necessi-
dade de obter respostas para o sucesso da pesquisa e o tempo 
que o respondente terá que dispender para respondê-lo. Pos-
sui um índice de retorno bem menor do queas entrevistas, por 
isso, é muito importante chamar a atenção do respondente 
seja no título utilizado da mensagem enviada, como no conte-
údo da carta explicativa (LAKATOS; MARCONI, 2009).
É importante, assim como nas entrevistas, que seja subme-
tido a um pré-teste, ou seja, antes de entregar aos responden-
tes, deve-se aplicar o questionário com algumas pessoas que 
possam fazer uma análise crítica.
Deve-se levar em conta os tipos, a ordem, os agrupamen-
tos de perguntas em sua formulação.
54 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
3.5.1 Tipos de questões
Um questionário pode ser construído com base em vários tipos 
de questões, tais como: questões abertas, questões fechadas e 
questões mistas; quanto ao relacionamento entre as questões, 
podem ser independentes ou dependentes (LAKATOS; MAR-
CONI, 2009).
Questões abertas: permitem ao informante responder li-
vremente, com suas palavras e com a possibilidade de emitir 
opinião. Uma pergunta ou questionamento é apresentado e 
deixa-se um espaço em branco para a resposta, sem qualquer 
tipo de restrição.
Questões fechadas: apresenta-se um questionamento e 
alternativas de resposta, dentre as quais o informante deve es-
colher. Esse tipo de questão facilita o processo de tabulação, 
embora restrinja a liberdade de resposta.
Questões fechadas de escolha simples categórica: o 
respondente deve escolher entre uma das alternativas de res-
posta, que exclui as demais. É importante garantir que qual-
quer que seja a situação ou opinião do informante, tenha uma 
alternativa que se enquadre, mesmo que essa seja “outro”, 
“prefiro não informar” ou “não se aplica”.
Questões fechadas de escolha simples forçada: o in-
formante deve escolher uma das alternativas, sendo a que 
mais se encaixe com sua percepção, escolha ou opinião. As 
alternativas não precisam ser excludentes, mas o informante 
deve escolher uma apenas. Pode ser informado no enunciado 
que apenas uma alternativa deve ser escolhida.
Capítulo 3 Métodos e Procedimentos de Pesquisa 55
Questões fechadas de escolha simples a partir de uma 
escala: o informante deve escolher uma das alternativas, sen-
do a que mais se encaixe com sua percepção, escolha ou 
opinião. O informante deve emitir sua percepção por meio de 
uma escala de intensidade. As respostas sugeridas apresentam 
um grau de intensidade crescente ou decrescente (exemplo: 
concordo plenamente, concordo, não concordo nem discor-
do, discordo e discordo plenamente).
Questões fechadas de múltipla escolha: o informante 
pode selecionar mais de uma das alternativas de resposta for-
necidas.
Questões fechadas de classificação: o informante deve 
classificar as sugestões de resposta com base em um critério 
preestabelecido (exemplo, “Classifique de 1 a 6, da mais im-
portante para a menos importante...”).
Questões mistas: são questões de escolha simples ou múl-
tipla que apresentam, dentre as alternativas de resposta, uma 
questão aberta (exemplo de alternativas: jornal, revista, tele-
visão, indicação de um amigo e outro: indique qual:______).
Quanto à relação de dependência entre as questões, é in-
dependente caso o ato de respondê-la independa da respos-
ta de outras questões. Uma questão é dependente quando 
sua resposta depende de uma ou mais respostas fornecidas 
anteriormente.
56 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
3.6 Escala
Escalas são instrumentos construídos com o objetivo de medir 
a intensidade das percepções, opiniões e atitudes dos respon-
dentes, da forma mais objetiva possível (GIL, 2008). O objeti-
vo das escalas é permitir que se quantifique as respostas, dan-
do uma relação de distância padronizada entre as respostas a 
as análises estatísticas.
Existe mais de um tipo de escala, a saber:
Escala de intensidade: as perguntas são organizadas na 
forma de um mostruário, onde, para cada pergunta, existem 
respostas que variam de três a cinco graus. O mais indica-
do é a utilização de respostas com cinco graus de intensida-
de, evitando a tendência de se escolher o grau intermediário 
(exemplo: aprovo totalmente, aprovo com restrições, não te-
nho opinião definida, desaprova em certos aspectos, desapro-
va totalmente). 
Escala de Likert: apresentam cinco níveis de concordância 
em relação às afirmações acerca do assunto. Sua construção 
segue os seguintes passos:
Seleciona-se um grande número de enunciados ou afir-
mações que manifestem opinião ou atitude com relação ao 
objeto de estudo;
 Solicita-se a um número específico de pessoas que mani-
festem sua concordância ou discordância sobre cada um dos 
enunciados, de acordo com a graduação: concordo plena-
mente (5), concordo (4), indiferente (3), discordo (2) e discordo 
plenamente (1). 
Capítulo 3 Métodos e Procedimentos de Pesquisa 57
3.7 Experimentação
A técnica de experimentação consiste em determinar um ob-
jeto de estudo, selecionar as variáveis que seriam capazes de 
influenciá-lo, definir as formas de controle e de observação 
dos efeitos que a variável produz no objeto. Se processa por 
tentativa e erro, e pode ser realizada em qualquer ambiente.
Trata-se do processo de investigação de pesquisa empírica 
que têm como principal finalidade testar hipóteses que dizem 
respeito a relações de causa e efeito. Ela envolve variáveis 
independentes e dependentes, conforme apresentado a seguir:
Variáveis independentes: consiste em diversas condições 
antecedentes tomadas como relevantes para a ocorrência de 
detemindo evento.
Variável dependente: representa o fato, o efeito, produzi-
do, suspenso ou afetado pela presença, ausência ou variações 
das variáveis independentes.
Técnica por excelencia adotada na pesquisa experimental, 
mas pode ser realizada também no laboratório e na pesquisa 
de campo. Ela normalmente exige a execução de seis passos, 
a saber:
 Â observação - acumula informações sobre os aconteci-
mentos; 
 Â organização - das informações recolhidas; 
 Â procura - de regularidades; 
58 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
 Â hipótese - tentativa de explicação das regularidades en-
contradas; 
 Â experimentação - verifica a hipótese colocada; e
 Â conclusão.
A experimentação poder ser aplica tanto às manifestações 
quantitativas e qualitativas, através das quais os indivíduos e 
seus comportamentos se revelam. Contudo, os aspectos quan-
titativos são mais relevantes, predominando o caráter de me-
dição do método.
4 Técnicas de análise de dados
Nesta seção, trabalharemos com as principais técnicas de aná-
lise de dados de pesquisa. Os dados, após serem coletados, 
devem ser organizados e analisados. Essas técnicas podem ser 
agrupadas de acordo com o tipo de dados a analisar. As téc-
nicas de análise de conteúdo, análise de discurso e análise do-
cumental são específicas para tratamento de dados em texto. 
As técnicas destinadas à análise de dados numéricos tomam 
como base matemática e estatística.
4.1 Análise de Conteúdo
Trata-se de um conjunto de técnicas de análise de comuni-
cações, as quais utilizam procedimentos sistemáticos e objeti-
vos de descrição do conteúdo das mensagens. Elas atuam na 
busca e geração de indicadores, tanto quantitativos quanto 
Capítulo 3 Métodos e Procedimentos de Pesquisa 59
qualitativos, que permitam a inferência dos conhecimentos re-
lativos às condições de produção e recepção da mensagem 
(AZEVEDO; MACHADO; SILVA, 2011). 
A análise de conteúdo é realiza em três etapas, conforme 
apresentado a seguir (BARDIN, 1995).:
pré-análise: consiste na fase de organização das informa-
ções, com objetivo de sistematizar ideias iniciais, de forma a 
conduzir a um esquema preciso do desenvolvimento de ope-
rações sucessivas. É a fase em que se inicia o contato com os 
documentos a serem analizados, a formulação das hipóteses e 
dos objetivos, além da elaboração de indicadoresnecessários 
para a interpretação final.
análise do material: compreende a transformação dos 
dados brutos almejando a compreensão do texto. A organiza-
ção da codificação encolve o recorte (escolha das unidades), 
a enumeração (escolha das regras de contagem) e a classifi-
cação (escolha das categorias. Permite atingir uma representa-
ção do contrúdo ou sua expressão, sucetível a esclarecimentos 
sobre as características do texto, podendo servir de índices;
tratamento de dados: os resultados são submetidos a 
operações que destacaram as informações obtidas. Nessa 
fase, são realizadas as interpretações e propostas as interfe-
rências. Corresponde a tratar os resultados brutos de forma a 
torná-los válidos e significativos. São utilizados procedimentos 
estatísticos com a intenção de produzir quadros de resultados, 
diagramas, figuras, modelos que sintetizam as informações 
fornecidas pela análise, além de conduzir à elaboração de 
conclusões finais.
60 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
4.2 Análise de discurso
Esta técnica reúne a linguagem, o indivíduo e uma situação e/
ou contexto. Pressupõe-se que, através da linguagem, os par-
ticipantes da pesquisa comunicam-se e produzem um objeto 
(discurso) carregado de construções ideológicas. Ela focaliza 
a linguagem na forma como é utilizada em textos sociais, es-
critos ou falados, oriundos de entrevistas, respostas abertas de 
questionários, discussões de grupo e documentos.
Segundo ORLANDI (2009), a análise de discurso se rela-
ciona a questões de linguagem, tendo como contribuição o 
estado de reflexão e interpretação da linguagem do discurso. 
Diferente da análise de conteúdo, que procura responder a 
questão: “o que este texto quer dizer?”, na análise de discurso 
a questão proposta é: “como este texto quer dizer?” Ou seja, 
visa compreender como um objeto simbólico produz sentidos.
4.3 Análise documental
Esta técnica consiste em operações que tem como objetivo ge-
rar uma nova forma de representação do conteúdo contido em 
documentos, com o objetivo de facilitar o acesso ao observa-
dor, de forma a obter o máximo de informação (aspecto quan-
titativo), com o máximo de pertinência (aspecto qualitativo). 
Ocorre a transformação do documento primário (bruto) 
em um documento secundário (representação do primário). A 
análise documental “é uma fase preliminar da constituição de 
um serviço de documentação ou de um banco de dados” (BAR-
DIN, 1995). Correspondem a resumos (considerações sobre o 
documento) ou indexação que permitem classificar elementos 
Capítulo 3 Métodos e Procedimentos de Pesquisa 61
de informação dos documentos, através da classificação por 
palavras-chave, descritores ou índices.
4.4 Análise matemática ou estatística
Através destas técnicas, os dados numéricos são analisados 
através de técnicas estatísticas, as quais podem ser descritivas, 
operando com quantidades, frequências e médias; compara-
tivas, classificatórias etc. Os dados numéricos podem estar re-
presentados por valores numéricos, taxas, quantidades ou ser 
oriundos de questões fechadas de questionários, convertidos 
para dados numéricos.
A estatística possibilita a apresentação dos resultados cien-
tíficos de forma mais cautelosa, uma vez que se referem a 
valores médios, tendências e probabilidades. Essas técnicas 
geralmente estão associadas ao método quantitativo, permi-
tindo uma forma mais precisa descrever os fatos, possibilita a 
sumarização dos mesmos, a tomada de decisão e permite que 
se realizem predições (DENCKER e DA VIÁ, 2001).
Recapitulando
Neste capítulo, você aprendeu o que são procedimentos de 
pesquisa e para que são utilizados, as técnicas de coleta de 
dados que podem ser associadas a eles, bem como formas de 
analisar os dados coletados.
62 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
Referências
AZEVEDO, D.; MACHADO, L.; SILVA, L. V. Métodos e pro-
cedimentos de pesquisa: do projeto ao relatório final. 
São Leopoldo: Unisinos, 2011. 102 p.
BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. Lisboa: Persona, 
1995.
DENCKER, Ada de Dreitas Maneti; DA VIÁ, Sarah Chucid. 
Pesquisa empírica em ciências humanas (com ênfase 
em comunicação). São Paulo: Futura, 2001.
GIL, Antônio Carlos. Métodos e Técnicas de Pesquisa So-
cial. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
______. Como elaborar projetos de pesquisa. 4 ed. São 
Paulo: Atlas, 2002.
______. Como elaborar projetos de pesquisa. 5 ed. São 
Paulo: Atlas, 2010.
LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marian de Andrade. Técni-
cas de pesquisa: planejamento e execução de pesquisas, 
amostragens e técnicas de pesquisa, elaboração, análise e 
interpretação de dados. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2009.
ORLANDI, Eni P. Análise de discurso: princípios e procedi-
mentos. Campinas, SP: Pontes, 2000.
THIOLLENT, Michel. Pesquisa-ação nas organizações. 2.ed. 
São Paulo: Atlas, 2009.
Capítulo 3 Métodos e Procedimentos de Pesquisa 63
Atividades
 1) Sobre os métodos e procedimentos de pesquisa, assinale a 
alternativa INCORRETA:
a) Os métodos descrevem como você desenvolverá sua 
pesquisa.
b) Os procedimentos correspondem às ferramentas que 
você utilizará para desenvolver sua pesquisa.
c) O método como o caminho para se chegar a determi-
nado fim.
d) O método corresponde ao aparato instrumental a ser 
utilizado, ou seja, as ferramentas e técnicas que serão 
necessárias para o desenvolvimento da pesquisa.
e) A pesquisa bibliográfica corresponde a uma estratégia 
de pesquisa.
 2) A estratégia de pesquisa que consiste na interrogação di-
reta do comportamento dos sujeitos sob investigação cor-
responde a:
a) Estudo de caso.
b) Estudo de campo.
c) Pesquisa bibliográfica.
d) Pesquisa documental.
e) Levantamento.
64 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
 3) A estratégia em que a pesquisa é desenvolvida no próprio 
local em que ocorrem os fenômenos ou fatos em estudo 
corresponde a: 
a) Estudo de caso.
b) Estudo de campo.
c) Pesquisa bibliográfica.
d) Pesquisa documental.
e) Levantamento.
 4) São consideradas técnicas de coleta de dados (pode ter 
mais de uma resposta correta):
a) Estudo de caso.
b) Questionário.
c) Estudo de campo.
d) Entrevistas.
e) Observação.
 5) A técnica de análise de dados chamada “Análise de Con-
teúdo” apresenta as seguintes etapas, nessa ordem:
a) Pré-análise, tratamento de dados, análise do material.
b) Tratamento de dados, indexação, condensação.
c) Pré-análise, análise de material, tratamento de dados.
d) Tratamento de dados, condensação, indexação.
e) Identificação, tratamento de dados, indexação.
Projeto de Pesquisa 
Científica1
1 Possui graduação em Bacharelado Em Informática pela Pontifícia Universidade 
Católica do Rio Grande do Sul (1991) e mestrado em Computação pela Universi-
dade Federal do Rio Grande do Sul (1996). Atualmente é professor da Universidade 
do Vale do Rio dos Sinos e professor adjunto com mestrado da Universidade Lute-
rana do Brasil. Tem experiência na área de Ciência da Computação, com ênfase 
em Software Básico, Projeto de Interfaces, educação a distância e metodologia 
científica.
Patrícia Noll de Mattos1
Capítulo 4
66 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
Introdução
Este capítulo tem por objetivo apresentar o que é e para que 
serve um projeto de pesquisa, em que fase da pesquisa ele 
ocorre e quais são seus principais elementos. Além disso, apre-
senta o processo de elaboração de um projeto de pesquisa, de 
forma que o mesmo seja viável e factível.
1 O que é um projeto de pesquisa?
A Pesquisa Científica consiste em um procedimento racional e 
sistemático que tem como objetivo proporcionar respostas aos 
problemas propostos. É através dela que se constrói conheci-
mento, pois ela se desenvolve a partir de conhecimentos exis-
tentes, passa por algumas fases e etapasdesde a formulação 
do problema até a satisfatória validação dos resultados. Ele 
corresponde à etapa de planejamento da pesquisa.
A etapa de planejamento é em que se realiza toda a sis-
tematização da pesquisa, a escolha do tema, delimitação do 
tema e estudo de viabilidade, se definem as etapas a serem 
cumpridas e os recursos necessários. É também em que se de-
finem os objetivos, o que se pretende alcançar e de que forma.
Um bom planejamento da pesquisa garante uma pesquisa 
mais eficiente e com melhores chances de obter bons resulta-
dos.
Capítulo 4 Projeto de Pesquisa Científica 67
2 Estrutura de um projeto de pesquisa
Além da elaboração do conteúdo do projeto, é importante 
que a estrutura do projeto siga as normas prescritas pela as-
sociação brasileira de normas técnicas – ABNT. Com base na 
norma NBR15287:2011, que aborda estrutura o projeto de 
pesquisa e na NBR14724:2011, que fornece estrutura dos tra-
balhos acadêmicos em geral, os quais compreendem elemen-
tos pré-textuais, textuais e pós-textuais.
Os elementos pré-textuais são os que antecedem o texto 
propriamente dito, apresentando informações que identificam 
o trabalho, são eles: capa, folha rosto e sumário.
A tabela a seguir apresenta a estrutura de um projeto de 
pesquisa, seguindo as prescrições da ABNT.
ELEMENTOS
PRÉ-TEXTUAIS
Capa
Folha Rosto
Sumário
ELEMENTOS
TEXTUAIS
1 INTRODUÇÃO
Definição do problema ou oportunidade
Objetivos
Geral – define o propósito da pesquisa
1.2.2 Específicos – operacionalizam o objetivo geral
68 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
Justificativa (oportunidade, viabilidade e importância do projeto)
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Levantar conceitos teóricos, métodos e instrumentos de análise
Rever trabalhos ou aplicações semelhantes em outros conceitos
Descrever, comparar, criticar a literatura sobre o tema
MÉTODOS E PROCEDIMENTOS DE PESQUISA
Delineamento da pesquisa, de acordo com o propósito ou o ob-
jetivo geral estabelecido
Definição do local e dos participantes da pesquisa
Técnicas de coleta de dados
Técnicas de análise de dados
Limitações do método e do estudo
CRONOGRAMA (opcional)
ELEMENTOS
PÓS-TEXTUAIS
Referências
Apêndice(s)
Anexos(s)
Fonte: Desenvolvido pelo autor, com base em Roech, 2009.
A seguir veremos cada um dos elementos presentes nessas 
estruturas.
2.1 Elementos pré-textuais
Capa: a capa contém informações que identificam o traba-
lho, são elas: instituição, nome do autor, título do trabalho 
(subtítulo se houver), local (cidade) da instituição, data (ano 
da entrega).
Folha de rosto: contém os mesmos elementos da capa, 
acrescido dos elementos: natureza (projeto de pesquisa, tra-
balho de conclusão de curso etc.) e objetivo (aprovação em 
Capítulo 4 Projeto de Pesquisa Científica 69
disciplina, grau pretendido, entre outros); nome da instituição 
a que é submetida; área de concentração; nome do orienta-
dor, precedido da palavra “orientador”.
Sumário: é um elemento obrigatório, o qual enumera os 
principais capítulos e seções de uma publicação, na mesma 
ordem e grafia apresentados no documento.
2.2 Elementos textuais
Os elementos textuais compreendem a introdução o desen-
volvimento e a conclusão. Por se tratar de um projeto, fase 
de planejamento da pesquisa, a conclusão não é obrigatória, 
pois a pesquisa ainda está em desenvolvimento. Faz parte dos 
elementos textuais a introdução, o referencial teórico (ou fun-
damentação teórica), métodos e procedimento de pesquisa e 
cronograma (opcional).
A seguir, abordaremos cada um desses elementos.
2.2.1 Introdução
A introdução deve fornecer uma visão geral da pesquisa, apre-
sentando o tema, ou seja, contextualizando a pesquisa, a deli-
mitação do tema (foco que será dado ao tema), a definição do 
problema (questão de pesquisa), os objetivos geral e específico 
e a justificativa, que deve destacar a importância, viabilidade e 
oportunidade do projeto.
70 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
A escolha do tema de pesquisa
O primeiro passo para iniciar uma pesquisa científica é a es-
colha do tema. Para Lakatos e Marconi (2010, p. 26), tema “é 
o assunto que se deseja provar ou desenvolver”.
Segundo Roesch (2009), deve-se observar alguns critérios 
no momento da escolha do tema. Os critérios são:
 Â Que seja relevante para a área a ser estudada, gerando 
informações e dados novos e atualizados;
 Â Que seja viável, considerando o acesso às fontes das 
informações ou dados;
 Â Que considere recursos como: tempo, custo, disponibi-
lidade de bibliografia e de orientação do estudo, sendo 
de interesse do orientador, mas também do pesquisador 
do assunto.
Esses critérios asseguram a viabilidade do projeto e a me-
nor probabilidade de abandono da pesquisa pelo pesquisador.
Segundo Tachizawa e Mendes (2003), a escolha do tema 
para o projeto de pesquisa pode vir do próprio trabalho; do 
momento profissional em que se encontra, da leitura de livros e 
artigos especializados e da utilização da internet. Sendo assim, 
o tema tem vínculo direto com o pesquisador e é importante 
que o mesmo perceba os aspectos relacionados à sua vida.
A revisão literária é uma das principais fontes de escolha 
do tema ou delimitação do mesmo, portanto, ela não deve ser 
iniciada após a definição do tema, mas pode ser o ponto de 
partida para a escolha do mesmo.
Capítulo 4 Projeto de Pesquisa Científica 71
O tema é o assunto pelo qual se deseja realizar a pesquisa. 
Muitas vezes se tem uma ideia da área que se pretende pesqui-
sar. Ao iniciar a revisão bibliográfica sobre a área em questão, 
pode-se chegar à definição do tema. Ainda que o tema já 
tenha sido definido, é necessário delimitá-lo.
A delimitação do tema consiste em delimitar o que se pre-
tende investigar, essa delimitação pode ocorrer sob o ponto de 
vista espacial (amplitude) e temporal (campo de investigação). 
A delimitação define um foco para a pesquisa e quando e em 
que a mesma irá ocorrer. Ela diz respeito a quanto do assunto 
que despertou interesse para pesquisa ter-se-á condições reais 
de cobrir.
Revisão Literária
Através da revisão literária é possível conhecer melhor a área 
de interesse e, com essa intenção, sugere-se iniciar por livros, 
os quais fornecem um conhecimento mais amplo sobre a área. 
Já de posse desse conhecimento, é possível aprofundar um 
pouco mais o conhecimento através de artigos científicos em 
busca de um problema, uma lacuna, ou mesmo algo nunca 
abordado.
O que se busca com a revisão literária?
O que se busca é o que já existe sobre o tema em ques-
tão, também chamado de estado-da-arte. Refere-se ao levan-
tamento do assunto do tema pesquisado. É possível dividi-lo 
em duas etapas, os conceitos básicos e os trabalhos relacio-
nados. Nos conceitos básicos, constam definições, notações, 
modelos, teorias, conceitos necessários para entender em que 
72 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
o trabalho se insere. Devem ser trazidas, também, referências 
para os trabalhos em que os conceitos são introduzidos ou 
melhor trabalhados.
Os trabalhos relacionados consistem em trabalhos já rea-
lizados na área, cujo tema é relacionado ao projeto em ques-
tão. O estudo de trabalhos relacionados auxilia o pesquisador 
a visualizar o que está sendo desenvolvido na área, as lacunas 
existentes no mesmo e o que pode ser melhorado. Contribui 
muitas vezes na procura do problema, ou mesmo em sua jus-
tificativa.
Problema de Pesquisa
O problema de pesquisa consiste em uma questão ou senten-
ça questionadora; uma interrogação que se pretende respon-
der, encontrar uma solução; uma dúvida a ser esclarecida.
Segundo Gil (1995, p. 54), “Na acepção científica, proble-
ma é qualquer questão não solvida e que é objeto de discus-
são, em qualquer domínio do conhecimento”.Segundo Roesch (1995, p. 83), “Um problema é uma situ-
ação não resolvida, mas também pode ser a identificação de 
oportunidades”.
Ele deve possuir uma definição clara e precisa, sem per-
cepções pessoais ou julgamentos morais e ser construído na 
forma de pergunta.
Capítulo 4 Projeto de Pesquisa Científica 73
Hipótese
A hipótese vislumbra possíveis respostas para o problema pro-
posto, envolve uma possível verdade ainda não provada. Tra-
ta-se de uma afirmação que não se sabe a princípio se é ver-
dadeira ou falsa, precisa ser verificada, provada ou refutada.
É uma suposição, a questão para a qual se vai buscar res-
posta do problema através da pesquisa.
Normalmente, na construção da hipótese utilizam-se ex-
pressões condicionais, tais como, se - então.
A definição da hipótese deve seguir alguns critérios, tais 
como:
 Â ser formulada na forma de uma pergunta ou afirmação;
 Â ser delimitada a uma dimensão viável;
 Â ser definida de forma clara e precisa e;
 Â partir de um problema que seja suscetível de solução.
A seguir são apresentados alguns exemplos de hipóteses:
Técnicas de dinâmica de grupo facilitam a interação entre 
os alunos.
A desnutrição determina o rebaixamento intelectual.
Objetivos
Os objetivos da pesquisa correspondem ao que se pretende 
alcançar, para que realizar e para quem. Segundo Lakatos E 
74 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
Marconi (2010, p. 140), “toda pesquisa deve ter um objetivo 
determinado para saber o que se vai procurar e o que se pre-
tende alcançar”.
Eles são divididos em geral e específicos. O objetivo geral, 
se alcançado, dá resposta ao problema (VERGARA, 2007). Se 
a hipótese for bem formulada, o objetivo consiste em provar 
que a mesma é verdadeira. O objetivo geral pode apresentar 
um produto final a ser entregue pela pesquisa.
Os objetivos específicos não devem ser confundidos com 
atividades a serem realizadas. Estudar a bibliografia não é ob-
jetivo específico e sim uma atividade necessária para realizar 
o trabalho.
Os objetivos específicos dividem o objetivo geral em obje-
tivos menores, menos complexos, são subprodutos do objetivo 
geral. O objetivo específico é um detalhamento do objetivo 
geral, quando colocados juntos, chegam ao objetivo geral.
Começam com verbos no infinitivo, tais como, conhecer, 
estudar, propor, elaborar, analisar, avaliar, sugerir, identificar, 
dentre outros.
Justificativa
A justificativa deve mostrar evidências de que vale a pena in-
vestir no problema, que o mesmo é interessante e de que a 
hipótese é viável de ser provada. Deve convencer o leitor da 
necessidade da pesquisa, explicar a relevância da mesma e 
sua contribuição para a área de conhecimento ou sociedade. 
Capítulo 4 Projeto de Pesquisa Científica 75
Convencer o leitor de que o tema é relevante e abrangente o 
bastante para merecer uma investigação científica.
Segundo Lakatos e Marconi (2010, p. 202), a justificativa 
“consiste numa exposição sucinta, porém completa, das ra-
zões de ordem teórica e dos motivos de ordem prática que 
tornam importante a realização da pesquisa”.
O pesquisador deve explicitar os motivos que o levaram a 
definir o problema da pesquisa - pessoal, social, histórico ou 
econômico - e deve contextualizá-lo na realidade atual.
A elaboração da justificativa pode ser guiada pelos seguin-
tes aspectos:
 Â Importância: para quem os resultados poderão ser úteis 
e por quê? Objetivos da empresa, empregado, ambien-
te, dentre outros.
 Â Oportunidade: mudanças na política governamental, 
novas tecnologias, questões econômicas, dentre outros. 
O que a pesquisa traz de novo em termos de conheci-
mento?
 Â Viabilidade: complexidade, custo, tempo, interesse da 
organização, acesso às informações, dentre outros.
 Â Atualidade: contribuição científica e social.
2.2.2 Referencial teórico
O referencial teórico é escrito com base na revisão literária 
realizada. A partir dela, várias bibliografias são pesquisadas, 
76 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
estudadas e analisadas. São levados para o referencial teórico 
do projeto, os aspectos estudados durante a revisão literária 
que sustentam a pesquisa. É importante selecionar quais auto-
res e teorias são fundamentais para a pesquisa.
A elaboração do referencial teórico corresponde à constru-
ção de uma narração escrita com base na seleção e análise 
de fontes de pesquisa relacionadas ao tema. A escrita deve 
ser clara e em linguagem culta e correta. É importante manter 
uma sequência lógica e coesa no texto escrito, fazendo um en-
cadeamento de informações, ligando as ideias trazidas pelos 
diversos autores estudados. A utilização de citações dos auto-
res pesquisados e a referência às fontes de pesquisa utilizadas 
traz credibilidade à narrativa, e garante os direitos dos autores 
com relação as suas obras. Deve-se evitar frases muito longas 
ou parágrafos com apenas uma oração.
A redação do texto deve ser uma interpretação das ideias 
trazidas pelos autores e não uma cópia das mesmas. É impor-
tante manter um posicionamento crítico frente ao texto lido 
(ROESCH, 2009). Porém, em uma redação científica não há 
espaço para a expressão das opiniões do pesquisador sobre 
o tema, ele deve limitar-se à apresentação do que já existe de 
conhecimento reconhecido na área, o posicionamento crítico 
faz-se necessário ao justificar a escolha do posicionamento de 
um autor em detrimento a outro, por exemplo.
Nem todos os textos pesquisados farão parte dos capítulos 
do referencial teórico, o pesquisador deve selecionar argu-
mentos, aspectos, conceitos e teorias que darão sustentação 
ao texto que está sendo escrito.
Capítulo 4 Projeto de Pesquisa Científica 77
2.2.3 Métodos e procedimentos de pesquisa
Os Métodos e procedimentos de pesquisa descrevem a forma 
como se pretende realizar a pesquisa. Algumas perguntas de-
vem ser respondidas nesta etapa:
Como? Quando? Onde?
A intenção é justamente responder a essas questões duran-
te o planejamento dos métodos e procedimentos de pesquisa 
a serem adotados no desenvolver da mesma.
Como a pesquisa será realizada? Quando e em que ela 
ocorrerá?
De acordo com o tipo e intenção da pesquisa, os métodos 
e procedimentos são selecionados.
É importante ressaltar que nessa seção do projeto deve-se 
classificar a pesquisa quanto ao método (quantitativo ou qua-
litativo), quanto à natureza ou objetivo da pesquisa (explora-
tória, descritiva ou explicativa) e quanto aos procedimentos de 
pesquisa (pesquisa bibliográfica, pesquisa documental, estudo 
de caso, estudo de campo, levantamento, dentre outros).
Essa etapa do projeto deve ser o mais detalhada possível, 
para que na fase de execução da pesquisa, esse planejamento 
possa ser colocado em prática.
Técnicas de coleta e análise de dados
Após a escolha do método e da estratégia de pesquisa, é 
importante definir quais técnicas de coleta de dados (biblio-
78 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
gráfica, documental, observação, entrevistas, questionários, 
formulário, experimentação, dentre outros) serão utilizadas na 
pesquisa.
Porém, não basta escolher a técnica, o pesquisador deve 
conceituá-la, justificando a escolha de acordo com o delinea-
mento da pesquisa.
Após a justificativa, deve detalhar como o processo de co-
leta de dados será aplicado na pesquisa. É importante que se 
planeje o período em que ele ocorrerá e em qual local. Se os 
dados forem coletados em uma empresa, é necessário colher 
a autorização da mesma e definir em qual setor serão coleta-
dos.
No caso de pesquisas quantitativas, é necessária a defi-
nição da população e da amostra. A população é o obje-
to de estudo, porém, em geral, as pesquisas trabalham com 
uma pequena parte de uma população (amostra) que possui 
determinadas características semelhantes.É importante que a 
amostra escolhida seja representativa da população que se 
pretende pesquisar, tanto no que diz respeito à quantidade, 
como no que diz respeito às características da amostra.
Se a coleta de dados envolver pessoas, muitas vezes é im-
portante descrevê-las no que diz respeito não apenas à quan-
tidade, mas também no que diz respeito ao grau de conheci-
mento ou experiência, escolaridade, faixa etária, faixa salarial, 
dentre outros. Após os dados terem sido coletados, eles devem 
ser sistematizados e analisados. Nesse momento se faz neces-
sário escolher qual técnica de análise de dados será utilizada 
e justificar sua escolha.
Capítulo 4 Projeto de Pesquisa Científica 79
As técnicas de análise de dados mais utilizadas são a análi-
se de conteúdo (procedimento sistemático e objetivo de descri-
ção do conteúdo das mensagens. Busca a geração de indica-
dores que permitam a inferência de conhecimento), a análise 
de discurso (leva em consideração a linguagem, o indivíduo e 
o contexto. Não é apenas transmissão da informação, mas a 
forma como é transmitida) e a análise documental (documen-
tos e registros reunidos ao longo da pesquisa e que necessitam 
de interpretação. São recursos para verificação e compreen-
são desses dados).
Assim como na seção de métodos e procedimentos de pes-
quisa, a definição dos métodos de coleta e análise de dados 
devem ser bem detalhada, de forma que possam ser direta-
mente aplicados na fase de execução da pesquisa.
2.2.4 Orçamento
Nessa seção opcional, devem ser indicados os recursos mate-
riais, tecnológicos ou humanos necessários para o desenvol-
vimento da pesquisa. Prever todos os elementos necessários 
para a execução da pesquisa, informar a origem dos recursos, 
se próprios ou de terceiros. Definir a necessidade de remune-
ração de serviços pessoais ou serviços de terceiros e o orça-
mento financeiro para a obtenção ou utilização dos recursos 
materiais e tecnológicos.
2.2.5 Cronograma
A elaboração de um cronograma (elemento opcional) de exe-
cução da pesquisa consiste em prever quais as principais ativi-
80 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
dades que devem ser realizadas e quanto tempo é necessário 
para realizá-las. Dependendo da natureza do tema de pesqui-
sa, a distribuição das atividades por tempo de execução pode 
se dar em dias, em semanas, ou em meses. O objetivo da 
construção de um cronograma é cumprir a execução de cada 
atividade no tempo estipulado à mesma.
2.3 Elementos pós-textuais
Em projetos de pesquisa, os elementos pós-textuais são as re-
ferências bibliográficas, os apêndices e os anexos. 
A seção de referências é obrigatória em um projeto, é com-
posta por informações referentes a todos os documentos e/
ou fontes de pesquisa utilizadas na elaboração do projeto. É 
importante sempre que você consulte as normas da ABNT na 
descrição de cada referência bibliográfica.
Os apêndices são elementos opcionais e correspondem a 
conteúdos elaborados pelo próprio autor, com a intenção de 
complementar seu trabalho. São exemplos roteiros de entrevis-
tas, questionários aplicados, dentre outros. É importante que 
ele seja mencionado em alguma parte do documento.
Os anexos também são elementos opcionais e servem para 
complementar o trabalho, porém, eles se diferem dos apên-
dices por serem conteúdos não elaborados pelo autor, tais 
como: cópias de manuais, folders, balancetes, dentre outros.
Ao finalizar o projeto, o pesquisador tem em mãos o plano 
completo da sua pesquisa, bastando colocá-lo em prática.
Capítulo 4 Projeto de Pesquisa Científica 81
Recapitulando
Este capítulo abordou a fase de planejamento da pesquisa, a 
qual ocorre através da elaboração de um projeto de pesqui-
sa. Foram trabalhados aspectos importantes para a escolha e 
o delineamento do tema de pesquisa, dentre eles, a revisão 
literária. Foram abordadas as principais seções que devem es-
tar presentes no projeto de pesquisa, desde a definição da 
pergunta de pesquisa, da hipótese, a definição dos objetivos 
geral e específicos, da justificativa, até a escrita do referencial 
teórico, a definição e descrição de métodos e procedimentos 
de pesquisa, bem como, das técnicas de coleta e análise de 
dados.
Foram apresentadas diretrizes para a escrita do referencial 
teórico e também a importância da definição da hipótese e 
dos objetivos de forma clara e precisa, de forma a obter suces-
so no decorrer da pesquisa.
Referências
GIL, Antônio Carlos. Métodos e Técnicas de Pesquisa So-
cial. São Paulo: Atlas, 1995. 
______. Como elaborar projetos de pesquisa. 5. ed. São 
Paulo: Atlas, 2010.
LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fun-
damentos de metodologia científica. 7. ed. São Paulo: 
Atlas, 2010.
82 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
ROESCH, Sylvia Maria Azevedo. Projetos de estágio e de 
pesquisa em Administração: guia para estágios, traba-
lhos de conclusão, dissertações e estudos de caso. 3. ed. 
5. reimpr. São Paulo: Atlas, 2009.
ROESCH, S. M. A. Projetos de estágio e de pesquisa em 
Administração. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1995.
TACHIZAWA, Takeshy; MENDES, Gildásio. Como fazer mo-
nografia na prática. 8. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2003.
VERGARA, Sylvia Constant. Projetos e relatórios de pesqui-
sa em Administração. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2007.
Atividades
 1) Com relação ao projeto de pesquisa, assinale a alternativa 
correta.
a) Ele corresponde à etapa de planejamento da pesqui-
sa.
b) Ele corresponde à etapa de execução da pesquisa.
c) Ele corresponde à etapa de comunicação da pesquisa.
d) Ele corresponde à etapa de publicação da pesquisa.
e) Ele corresponde à etapa de validação e teste da pes-
quisa.
 2) Com relação à seção de “introdução” em um projeto de 
pesquisa, assinale a alternativa correta.
Capítulo 4 Projeto de Pesquisa Científica 83
a) É um elemento pré-textual.
b) É um elemento textual.
c) É um elemento opcional no projeto de pesquisa.
d) É o mesmo que referencial teórico ou fundamentação 
teórica
e) Ela encerra antes da definição dos objetivos.
 3) Com relação aos objetivos da pesquisa, marque V para 
verdadeiro e F para falso.
a) ( ) É dividido em geral e específicos. 
b) ( ) O objetivo geral deve iniciar por substantivo.
c) ( ) Devem iniciar por verbos no infinitivo.
d) ( ) Os objetivos específicos correspondem a ativida-
des que juntas chegam ao objetivo geral.
e) ( ) Os objetivos específicos correspondem a subpro-
dutos do objetivo geral.
 4) Com relação ao referencial teórico, assinale a alternativa 
correta.
a) Ele corresponde à pesquisa bibliográfica.
b) Ele consiste na união de todas as fontes pesquisadas.
c) Ele é um texto redigido trazendo pedaços de trechos 
dos textos de outros autores.
84 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
d) Ele é um relato da interpretação das ideias e conceitos 
de outros autores, relevantes para a pesquisa.
e) Ele pode ser escrito, na íntegra, com as mesmas pala-
vras utilizadas pelos autores.
 5) Com relação à hipótese, assinale a alternativa correta.
a) Ela corresponde a uma dúvida do pesquisador.
b) Ela corresponde a uma certeza do pesquisador.
c) Ela corresponde a uma suposição a ser comprovada 
ou não pela pesquisa.
d) Ela corresponde a um dos objetivos específicos.
e) Ela é o mesmo que o problema de pesquisa.
Processos Criativos
1 Possui graduação em Bacharelado Em Informática pela Pontifícia Universidade 
Católica do Rio Grande do Sul (1991) e mestrado em Computação pela Universi-
dade Federal do Rio Grande do Sul (1996). Atualmente é professor da Universidade 
do Vale do Rio dos Sinos e professor adjunto com mestrado da Universidade Lute-
rana do Brasil. Tem experiência na área de Ciência da Computação, com ênfase 
em Software Básico, Projeto de Interfaces, educação a distânciae metodologia 
científica.
Patrícia Noll de Mattos1
Capítulo 5
86 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
Introdução
Este capítulo abordará o tema criatividade, o pensamento cria-
tivo e os princípios do processo criativo. Abordará também as 
principais metodologias e técnicas que podem ser utilizadas 
para estimular a criatividade como ingrediente para o proces-
so de inovação.
1 A criatividade
Talvez você esteja se perguntando qual relação pode ter a ci-
ência, que é produzida utilizando-se do método científico e 
este, por sua vez, envolve técnicas exatas, objetivas e sistemá-
ticas, com a criatividade ou o pensamento criativo?
Por sua vez, as pessoas estão mais acostumadas a serem 
dependentes de modelos previamente testados e tidos como 
de sucesso e a viver de forma passiva do que terem iniciativa e 
criatividade. Muitas, inclusive, não possuem espaço para isso 
em seu dia a dia (SOUZA; SILVA, 2011).
Porém, a competitividade presente nos dias atuais, faz com 
que as empresas busquem por soluções inovadoras, porém, 
nem todas oferecem espaço para seu desenvolvimento, ou es-
tímulo à criatividade de seus colaboradores. 
O desenvolvimento da criatividade, bem como, o contexto 
adequado ao seu desenvolvimento, são fundamentais para que 
se tenha inovação. Contudo, a inovação não é um privilégio 
do mundo corporativo e de grandes empresas. A universidade 
Capítulo 5 Processos Criativos 87
é, ou deveria ser, um contexto ótimo para o desenvolvimento 
da criatividade, e como consequência, a geração de ideias 
inovadoras que possam contribuir para a evolução da ciência. 
A necessidade gera curiosidade, e essa, em um ambiente pro-
pício, pode levar à criatividade e a busca por novas soluções.
2 O pensamento criativo
Na antiguidade, pessoas criativas eram vistas como porta-
doras de um dom especial e distinguiam-se das demais. Isso 
claramente atribuía à criatividade uma característica especial, 
que não era atribuída a qualquer um.
Contudo, segundo Fleith e Alencar (2005, p.85), apesar 
de muitas tentativas no sentido de conceituar a criatividade 
e analisando os fatores presentes no ato criativo, foi possível 
perceber que elas se enquadravam em uma das quatro cate-
gorias: pessoa, produto, processo e ambiente:
Pessoa: incluem três aspectos: características cognitivas, 
traços de personalidade e experiências (ter hobby ou ter um 
primeiro filho).
Produto: enfatizam que o produto final deve ser novo, útil e 
com valor para a sociedade.
Processo: acreditam que o desenvolvimento de produtos 
criativos passa por um processo que envolve uma maneira ori-
ginal para a produção de ideias incomuns, transformações de 
ideias já existentes ou uma combinação diferente de ideias.
88 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
Em 1950, o psicólogo J. P. Guilford, considerado o maior 
expoente na pesquisa objetiva em criatividade, aponta que 
“nenhuma pessoa criativa consegue avançar sem experiências 
ou fatos prévios; ninguém cria no vazio ou com o vazio” (GUIL-
FORD, 1950, p.448 citado por LINS; MYATA, 2008, p.459).
O educador Paul Torrance, após ter desenvolvido um teste 
que reduzia a criatividade ao pensamento divergente, e insa-
tisfeito com a pouca amplitude oferecida por seus conceitos, 
realizou pesquisas sistemáticas sobre onze indicadores que 
entendia avaliarem não só o componente cognitivo como o 
emocional da criatividade. Os novos indicadores foram: pre-
sença de emoção, movimento, resistência ao fechamento, fan-
tasia, perspectiva interna, perspectiva incomum, combinações 
de ideias, riqueza de imagens, humor, colorido de imagens e 
títulos expressivos (TORRANCE; BALL, 1980 citado por WE-
CHSLER, 1998, p.2).
A Perspectiva de Sistemas, proposta por Mihalyi Csikszent-
mihalyi em 1988, diz que “mais importante que a pessoa cria-
tiva, ou mesmo que o produto criativo, é preciso pesquisar o 
processo de criação, cerne da pesquisa sistêmica” (PINHEIRO; 
CRUZ, 2009, p.503). 
3 Processo criativo
Segundo Alencar e Fleith (2003, p.6) o modelo de sistemas 
propõe a criatividade como um processo, resultante da união 
de três fatores:
Capítulo 5 Processos Criativos 89
 Â indivíduo (carga genética e experiências pessoais) – seu 
papel no processo consiste em gerar variação pela mo-
tivação proveniente da apropriação de conhecimentos e 
características de personalidade; 
 Â campo (sistema social) – representado por um conjunto 
de especialistas que se encarregam de julgar, premiar 
ou desencorajar pessoas, alicerçados em fatores econô-
micos, técnicos e logísticos presente em sua época;
 Â domínio (cultura) – consiste na parte simbólica que inte-
gra necessidades, retém informações e modela compor-
tamentos para as próximas gerações.
De acordo com Churba (1995), o processo criativo consis-
te na forma como a criatividade ocorre. Segundo o autor, por 
tratar-se de um processo, ele se desenvolve ao longo do tempo 
e pode ser dividido em fases, conforme apresentado a seguir:
Percepção do Problema - Captação de um problema 
aberto, ou seja, em que existem diversas respostas possíveis. A 
formulação do problema deve ser o mais claro possível, para 
que a tarefa seja bem conduzida.
Captação das Informações – Busca de informações, mul-
tidirecional, significativa, ou irrestrita, pois não se sabe que 
informação ou estímulo podem levar ao surgimento de uma 
resposta adequada.
Incubação - Nessa fase todo o material recolhido vai ser 
submetido a um processo inconsciente de trabalho, trata-se 
da fase de reflexão e maturação das informações adquiridas. 
Reflexão, contemplação, maturação e apropriação.
90 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
Iluminação - É o momento privilegiado em que uma ideia 
ou imagem emerge do inconsciente e traz uma resposta pos-
sível ao problema, também pode ser entendido como a fase 
insight.
Avaliação - Analisa-se a ideia, confronta-se com os cri-
térios previamente definidos que delimitam e especificam as 
condições a cumprir. Momento de verificar se a ideia reúne 
os pré-requisitos necessários para dar solução ao problema 
diagnosticado. 
Elaboração - Detalha-se a melhor ideia, previamente ava-
liada, em uma solução possível com o máximo de detalhes. 
Consiste na aplicação dos conhecimentos técnicos, procedi-
mentais e metodológicos com vistas a realizar as conexões ne-
cessárias para torná-la tangível ou aplicável. Modelagem da 
ideia.
Estratégias de realização e verificação - Elabora-se o 
plano ou projeto para a realização da ideia: procura-se alia-
dos, formas de apresentação, momentos e lugares oportunos, 
previsão de críticas, compara-se, estrutura-se para a execu-
ção. A ideia projetada, planificada para ser, posteriormente, 
realizada.
Capítulo 5 Processos Criativos 91
Figura 1 Esquema das sete fases propostas por Churba (1995).
Fonte: elaborado pelo autor.
Ao analisarmos essas fases, é possível perceber uma pro-
ximidade no que se apresenta em um projeto de pesquisa, 
no plano e detalhamento de como a pesquisa/criação será 
realizada.
4 Ferramentas que estimulam a 
criatividade
Sob a ótica de que o desenvolvimento criativo é um proces-
so, qualquer pessoa pode desenvolvê-lo através da utilização 
de técnicas que estimulam o desenvolvimento da criatividade. 
Elas podem ser utilizadas para criar um novo produto ou cam-
panha, melhorar um processo, planejamentos de um marke-
ting digital, planejamento de uma pesquisa, dentre outros.
92 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
A seguir serão descritas algumas dessas técnicas, quando 
você deve utilizá-las e como.
4.1 Associação de ideias
A técnica de associação de ideias parte do princípio de que 
nossa mente possui a característica de cruzar elementos, bus-
cando combinações que geram novas percepções e ideias. Ela 
consiste em uma forma de raciocínio em que umaideia origi-
nal é ligada a outra, gerando uma nova. Através da combina-
ção de objetos, palavras e conceitos, a mente faz associações, 
gerando episódios de criatividade.
Como ela funciona?
Você deve partir de uma ideia inicial (indutora), que o leva-
rá a suscitar uma outra, através de alguma “conexão natural” 
existente entre ambas. A ideia indutora pode ser representada 
tanto por uma palavra, um objeto, uma imagem ou mesmo 
uma emoção, cujo simples aparecimento na sua mente é su-
ficiente para despertar em você uma nova ideia e essa uma 
terceira, e assim por diante
Podemos classificar o processo de associação em quatro 
tipos:
Contiguidade: proximidade que existe entre duas ideias. 
Por exemplo, a palavra mar lembra navio, que, por sua vez, 
lembra marinheiro. A palavra professor lembra aula, que lem-
bra aluno e assim por diante. 
Capítulo 5 Processos Criativos 93
Semelhança: quando duas ideias se superpõem. Por 
exemplo, um gato lembra um tigre.
Sucessão: quando uma ideia segue a outra. Por exemplo, 
um trovão é seguido de uma tempestade; um veneno pode ser 
seguido por morte.
Contraste: quando uma ideia é oposta a outra. Por exem-
plo, preto lembra branco, ódio lembra amor.
Perceber relacionamentos onde ninguém percebeu.
Através das diferentes possibilidades de associações de 
ideias é possível trazer à tona uma ideia criativa para um texto 
publicitário, por exemplo, para uma campanha ou para incitar 
uma pesquisa sobre algum tema.
Exemplo de utilização da técnica
Uma empresa de produção de ovos quer aumentar sua 
linha de produtos e utilizou a técnica de associação de pala-
vras, utilizando como palavra indutora “Água”.
Água, associada a ovo, lembra a casca do ovo. A casca do 
ovo tem uma membrana, ela, por sua vez, é rica em colágeno, 
que é utilizado na cosmetologia e suplementos alimentares.
Água  casca do ovo  membrana  colágeno  cos-
méticos e suplementos
4.2 Brainstorming (tempestade de ideias)
Esta técnica é uma das mais populares para estimular o pensa-
mento criativo e uma das mais clássicas no ramo publicitário. 
94 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
Ela consiste em deixar a mente livre e considerar toda ideia 
que vier à cabeça. Depois, inicia-se o processo eliminatório, 
até chegar ao conceito ideal.
Ela é realizada em dinâmica de grupos, com a intenção 
de encontrar soluções para problemas específicos, desenvolver 
novas ideias e projetos. Ela é aplicada em diversas áreas, tais 
como gestão de pessoas e processo, formação de equipes, 
dentre outros. 
Esta técnica, para ser realizada deve ter um condutor e 
seguir etapas:
Orientação e preparação: esclarecer o problema a ser 
solucionado para os participantes, bem como as regras do 
processo.
Geração de ideias: consiste na etapa de geração de al-
ternativas e ideias livremente, sem pré-julgamentos. Para au-
xiliar no processo, pode ser utilizado post-its, criar listas de 
adjetivos, fazer desenhos, consultar dicionários e utilizar refe-
rências visuais. 
Síntese e aperfeiçoamento: esse é o momento de reunir 
e classificar e filtrar as ideais. Em seguida, crie relações e co-
nexões entre elas!
Avaliação: por fim, devem ser escolhidas uma ou mais 
soluções, de acordo com o objetivo e a viabilidade.
Capítulo 5 Processos Criativos 95
4.3 Brainwriting (registro escrito de ideias) 
Neste método, todas as pessoas podem ter ideias simultane-
amente e são incentivadas a desenvolver as ideias geradas 
pelos outros participantes.
Consiste em reunir seis participantes supervisionados por 
um moderador. Os participantes devem reunir-se em círculos, 
tendo em mãos um formulário divisões. Cada participante 
deve escrever, em um tempo igual ou inferior a cinco minutos, 
três ideias pertinentes à sua demanda, na primeira parte do 
formulário de cada um. A seguir, devem trocar as folhas com 
quem estiver à sua direita e registrar mais três ideias novas ou 
relacionadas com as anteriores, na próxima divisão do papel. 
Ao longo do processo, os participantes são encorajados a ela-
borar as ideias dos demais e, a fim de estimular suas próprias, 
devem ler os registros de todos os outros. Após seis rodadas 
de cinco minutos cada, totalizando 30 minutos, o grupo gera 
108 novas ideias. 
O método apresentado acima, também chamado de “Mé-
todo 635”, corresponde à sua forma original, podendo o nú-
mero de participantes, o tempo para o registro das ideias e a 
quantidade de rodadas serem modificados de forma a enqua-
drar-se melhor no contexto a ser aplicado.
A qualidade da questão formulada, de acordo com a de-
manda apresentada, é chave para o sucesso da prática, resul-
tando em respostas eficazes. 
Trata-se de um método simples de ser realizado e que não 
necessita de muita preparação. Todos participam igualmente, 
96 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
independentemente de serem introvertidos ou não. É um bom 
método a ser utilizado quando existe conflito entre pessoas, 
pois o foco está no problema e não nos participantes.
O moderador deve permitir a comunicação verbal entre os 
participantes apenas entre um ciclo de escrita e outro, não du-
rante os ciclos. Após o último ciclo, ele recolhe os formulários 
e apresenta as ideias ao grupo.
O grupo discute em conjunto cada uma das ideias, reunin-
do as melhores e eliminando as que forem consideradas não 
adequadas.
4.4 Descontinuidade
Consiste em mudarmos alguns hábitos propositalmente, fazen-
do com que nossa mente enxergue o mundo de forma diferen-
te. A rotina acaba por bloquear nossa mente, agindo sempre 
da mesma forma, um comportamento descontínuo nos permi-
te encarar o mundo sob uma nova ótica, incentivando-nos a 
sermos mais criativos.
Podem ser mudanças triviais, como pegar rotas diferentes 
no trânsito para ir para o mesmo local, ir ao trabalho de bici-
cleta ou de trem, correr no parque antes do trabalho etc.
Pensar descontinuidade da mente consiste em incentivar a 
mente a seguir novas linhas de raciocínio.
Algumas empresas criam espaços para seus colaboradores 
descontraírem ou relaxarem durante a jornada de trabalho, 
Capítulo 5 Processos Criativos 97
afastando-se por algum tempo, a fim de livrarem suas mentes 
para incitar a criatividade. 
4.5 Mapa mental
Esta técnica serve para eliminar bloqueios e deixar a mente 
livre. Ela auxilia na organização das ideias, na análise do con-
texto de um problema e estimula a criatividade, uma vez que 
faz com que você identifique os aspectos principais e seus re-
lacionamentos. 
O processo ocorre da seguinte forma:
 Â Escreva o tema central no centro de uma folha;
 Â Desenhe diversas linhas a partir dele e escreva nos seus 
extremos palavras-chave que representem benefícios, 
objetivos, técnicas, princípios, desenvolvimento, dentre 
outros.
 Â Deixe a mente fluir livremente e então vá estabelecendo 
as conexões entre as ideias.
 Â Por fim, analise as conexões criadas.
Trata-se de um recurso gráfico construído na forma de 
um fluxograma. Pode ser utilizado para compilar informações 
oriundas de diferentes fontes, analisar processos completos, 
construir um índice de informações, planejar um livro, dentre 
outros.
Em uma empresa ou organização, com a utilização de ma-
pas mentais é possível conduzir rapidamente uma reunião ou 
98 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
apresentação para o levantamento de pontos que irão ajudar 
em uma análise mais completa.
4.6 Construção de cenários
Esta técnica consiste em inserir um problema ou ideia em dife-
rentes cenários para analisar diferentes contextos e prever di-
versas situações. Os cenários são normalmente utilizados para 
conceber estratégias alternativas de atuação, o que envolve 
frequentemente uma análise SWOT.
A Matriz SWOT promove um diagnóstico estratégico que 
permite estabelecer relaçãoentre os pontos fortes e pontos 
fracos, oportunidade e ameaças. Permite a escolha de uma 
estratégia adequada a partir de uma avaliação crítica dos am-
bientes internos e externos da empresa. Forças (strengths) e 
fraquezas (weaknesses), ambiente internos, controlável. Opor-
tunidades (opportunities) e ameaças (threats), ambiente exter-
no e aos públicos das empresas, não controláveis.
O objetivo é identificar estratégias para criar mais pontos 
fortes e reduzir os pontos fracos da empresa, para maximizar 
as oportunidades e minimizar as ameaças ao negócio. Os seus 
principais passos são:
 Â Identificar o problema.
 Â Detectar as tendências que determinarão o futuro do ne-
gócio.
 Â Construir cenários futuros detalhados em torno de cada 
tendência através de uma análise SWOT.
Capítulo 5 Processos Criativos 99
 Â Resumir cada cenário numa história ou narrativa, defi-
nindo os impactos que terão na sua empresa.
 Â Utilizar cada história ou narrativa como base para de-
senvolver novas estratégias.
Uma análise SWOT pode trazer à organização um con-
junto de informações importantes para a tomada de decisão 
(HOUBEN; LENIE; VANHOOF, 1999).
4.7 Técnica dos seis chapéus
Esta técnica foi desenvolvida por Edward de Bono, estudioso 
do pensamento criativo e inovação. Ela incentiva os partici-
pantes a observar o problema de todos os ângulos e perspec-
tivas, usando o pensamento lateral, Lateral thinking.
Esta técnica identifica seis tipos de pensamento, que deve-
rão ser aplicados individualmente a cada problema. Os seis 
chapéus são uma metáfora para explicar o método: cada vez 
que você veste um deles, pensa de forma diferente. 
Os seis chapéus são descritos a seguir:
 Â Branco: olha para os factos, não fazendo julgamentos.
 Â Vermelho: utilizado para expressar sentimentos e dar 
respostas intuitivas.
 Â Preto: o chapéu mais negativo é utilizado para exami-
nar obstáculos e as razões por que determinada decisão 
não deu certo.
100 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
 Â Amarelo: representa o pensamento optimista, que pro-
cura os benefícios de um projeto.
 Â Verde: utilizado para o pensamento mais criativo, é o 
chapéu das alternativas, das ideias provocadoras e da 
mudança.
 Â Azul: é o chapéu da reflexão, que o ajuda, por exem-
plo, a identificar o chapéu que terá que usar em cada 
momento.
Durante a atividade, os participantes podem trocar de cha-
péus. O importante é que cada pessoa possa visualizar o pro-
blema sob pontos de vista opostos, tais como: branco (fatos) 
x vermelho (emoção); preto (negativo) x branco (positivo); e 
verde (criatividade) x azul (controle) (BONO, 2017). 
4.8 Design thinking
Foi buscando novos caminhos para a inovação que se criou o 
que hoje é conhecido como Design Thinking: uma abordagem 
focada no ser humano, que vê na multidisciplinaridade, cola-
boração e tangibilização de pensamentos e processos, cami-
nhos que levam a soluções inovadoras para negócios.
Design Thinking se refere à maneira do designer de pen-
sar, que utiliza um tipo de raciocínio pouco convencional no 
meio empresarial, o pensamento abdutivo. Nesse tipo de pen-
samento, busca-se formular questionamentos através da apre-
ensão ou compreensão dos fenômenos, ou seja, são formula-
das perguntas a serem respondidas a partir das informações 
coletadas durante a observação do universo que permeia o 
Capítulo 5 Processos Criativos 101
problema. Assim, ao pensar de maneira abdutiva, a solução 
não é derivada do problema: ela se encaixa nele.
Não se podem solucionar problemas com o mesmo tipo de 
pensamento que os criou: abduzir e desafiar as normas em-
presariais é a base do design thinking. É pensando de maneira 
abdutiva que o designer constantemente desafia seus padrões, 
fazendo e desfazendo conjecturas e transformando-as em 
oportunidades para a inovação. É essa habilidade de se des-
vencilhar do pensamento lógico cartesiano que faz com que o 
designer se mantenha “fora da caixa” (VIANNA et al., 2012).
Observar o mundo e gerar novas soluções abdutivamente 
é uma habilidade coletiva, humana, que apenas recentemente 
passou a ser vista como algo que necessita de algum talento 
excepcional.
O pensamento abdutivo significa usar suas experiências e 
conhecimentos para resolver problemas. Já o pensamento de-
dutivo significa imaginar e visualizar um futuro como deveria 
ser, mas ainda não existe.
Quais as características que devemos desenvolver para ser 
um design Thinker?
 Â Ter um senso crítico e ser flexível com mudanças;
 Â Ter empatia pelas atitudes e comportamentos das pes-
soas;
 Â Ser paciente para permanecer em um ambiente hostil 
cheio de problemas, até que as perguntas certas possam 
surgir;
102 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
 Â Consideração pelo colaborativo, aproximar-se do pro-
blema tanto da empresa quanto de seu cliente final.
A seguir vamos ver as fases do processo de Design Thinking, 
bem como alguns dos principais métodos utilizados, para seu 
desenvolvimento ou aplicação.
Ele é composto por três etapas, imersão, ideação e prototi-
pação. A fase de imersão é, por sua vez, dividida em duas eta-
pas: a de imersão preliminar e a de imersão em profundidade 
(VIANNA et al., 2012).
 A imersão preliminar busca o entendimento inicial do 
problema e reenquadrá-lo, caso necessário. A imersão em 
profundidade busca identificar as necessidades dos atores e 
as possíveis oportunidades que podem ser percebidas com o 
entendimento das experiências dos mesmos frente ao proble-
ma. Através dessa etapa podem surgir uma quantidade muito 
grande de informação, sendo necessário que se siga para a 
fase de análise e síntese, em que se objetiva organizar esses 
dados de forma a serem apontados, de forma visível, padrões 
que auxiliem na identificação de oportunidades e desafios. A 
fase de análise serve como apoio para a próxima etapa, a de 
ideação.
Na fase de ideação, busca-se gerar ideias inovadoras de 
forma colaborativa, através de atividades que estimulem a 
criatividade. As ideias geradas são organizadas em função dos 
objetivos do negócio, da viabilidade tecnológica e das neces-
sidades humanas atendidas. Essas ideias são então validadas 
na etapa de prototipação.
Capítulo 5 Processos Criativos 103
Essas etapas não ocorrem, necessariamente, de forma line-
ar. É possível que se iniciem um projeto pela fase de imersão e 
se realize prototipações enquanto ainda se estuda o contexto, 
ou ainda, ao longo de todo o projeto. As seções de ideação 
podem ocorrer durante todo o projeto, sem necessariamente 
terem que ser realizadas em um momento específico.
Figura 2 Esquema representativo das etapas do processo de design 
thinking.
Ilustração: Marcelo Germano - LAC Ulbra EAD. Adaptado de: VIANNA et al., 2012.
4.8.1 Etapa de Imersão
A etapa de imersão é dividida em duas fases: preliminar e em 
profundidade. 
A fase preliminar é o momento em que o problema é 
apresentado, geralmente a equipe ainda não conhece o tema. 
É o momento de estabelecer o propósito e estabelecer limites. 
104 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
Nessa fase, é realizado o reenquadramento, quando a 
equipe de projeto se reúne com os profissionais da empre-
sa que a contratou, por meio de entrevistas individuais ou de 
dinâmicas coletivas com a intenção de ver o problema sob 
outras perspectivas. 
No reenquadramento, faz-se as seguintes perguntas 
(VIANNA et al., 2012):
O que é?
Analisar os problemas ou questões não resolvidas em uma 
empresa sob diferentes perspectivas e diversos ângulos, pro-
curando desconstruir crenças e suposições dos atores, com a 
intenção de quebrar seus padrões de pensamento.
Quando usar?
Para encontrar a solução para um problema, não pode-
mos pensar da mesma forma que pensávamos quando ele 
foi criado, é importante se procuremosoutras abordagens ou 
perspectivas. O reenquadramento deve ser utilizado para um 
ponto de partida para a obtenção de ideias inovadoras, ser-
vindo também como etapa inicial para a melhoria de serviços, 
produtos ou processos.
Como aplicar?
Ele é aplicado através de ciclos de captura, transformação 
e preparação, com a intenção de que os envolvidos consigam 
enxergar o problema sob diferentes olhares. 
Normalmente, a equipe responsável pelo projeto media o 
processo, que pode ocorrer em um único workshop ou mesmo 
Capítulo 5 Processos Criativos 105
durar várias semanas. Devem ser realizados encontros com 
os atores que serão questionados com pequenas tarefas que 
incentivem novos padrões de pensamento.
O que é a fase de captura?
Esta fase consiste na fase de coleta de dados, em que se 
realizam, muitas vezes, entrevistas com os envolvidos ou se 
aplicam exercícios de analogia, encenação e outras dinâmi-
cas, com a intenção de revelar um outro olhar sobre a ques-
tão. Os dados capturados nessa fase serão utilizados na fase 
de transformação.
O que é a fase de transformação?
Esta etapa é realizada pela equipe de projeto que, com 
os dados da fase de captura em mãos, os mapeia e adiciona 
novas perspectivas. Nesta fase, muitas técnicas como mapas 
mentais, jornadas, negação etc., podem ser aplicadas de acor-
do com o objetivo, tipo de cliente e momento do processo.
O que é a fase de preparação?
Nesta fase, são criados materiais de sensibilização de im-
pacto, tendo como base o resultado da fase de transformação, 
com vistas a estimular o interlocutor a refletir. Podem ser levan-
tadas questões que não ficaram claras e escolhidas ferramen-
tas para o próximo ciclo (volta à fase de captura).
Segundo VIANNA et al. (2012), são apresentados quatro 
pontos importantes para se ter sucesso no processo de reen-
quadramento.
106 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
 Â Propiciar um ambiente descontraído em que o cliente é 
convidado a relaxar e a repensar seu trabalho. 
 Â Criar discursos confrontantes e emocionais, recheados 
de exemplos de histórias reais, para facilitar o entendi-
mento do que se propõe. 
 Â Oferecer, ao fim de cada sessão, um material que permi-
ta ao cliente passar a diante (dentro e fora da empresa) 
o que vivenciou e aprendeu nas Sessões Generativas. 
 Â Selecionar um facilitador que consiga atiçar o cliente, 
proporcionar um novo entendimento das questões ini-
ciais e transformar um futuro incerto em algo plausível.
A fase de imersão em profundidade consiste em “identifi-
car comportamentos extremos e mapear seus padrões e neces-
sidades latentes” (VIANNA et al., 2012, p.22). Com essa fina-
lidade, utiliza-se pesquisa qualitativa, de modo que “soluções 
específicas sejam criadas” (VIANNA et al., 2012, p.36), mas 
sem esgotar o conhecimento sobre determinado segmento. 
Na pesquisa primária, os dados são coletados diretamente 
da fonte de informação. Por exemplo, quando se realiza uma 
entrevista para entender o que o indivíduo pensa, sente e faz. 
A pesquisa secundária é realizada com fontes de informação 
que já foram previamente publicadas por terceiros. 
Após a fase de imersão em profundidade, as informações 
coletadas são utilizadas na etapa de “Análise” e “Síntese”, que, 
com o auxílio de algumas ferramentas, procuram obter ideias 
oriundas de intuição, que auxiliem na compreensão dos proble-
mas. Podemos mencionar algumas ferramentas, tais como: 
Capítulo 5 Processos Criativos 107
cartões de insights: cartões que são distribuídos entre os 
grupos com a intenção de estimular insights. Nele, cada um 
expõe suas ideias, que depois são recolhidas e analisadas. 
São reflexões embasadas em dados reais das Pesquisas, trans-
formadas em cartões que facilitam a rápida consulta e o seu 
manuseio. Geralmente, contém um título que resume o acha-
do e o texto original coletado na pesquisa juntamente com a 
fonte. Além disso, podem ter outras informações, como o local 
de coleta, momento do ciclo de vida do produto/ serviço ao 
qual se refere etc.
diagramas de afinidades: consiste na organização e 
agrupamento dos cartões de insights, com base em afinidade, 
similaridade, dependência ou proximidade. Essa organização 
gera um diagrama que contém as áreas macro que delimitam 
o tema trabalhado, suas subdivisões e interdependências. 
mapa conceitual: consiste em uma visualização gráfica, 
construída de forma a simplificar e organizar dados em dife-
rentes níveis de complexidade e abstração. São estruturados 
a partir de conceitos fundamentais e suas relações, visam à 
organização e representação da inteligência (VIANNA et al., 
2012, p.36). 
4.8.2 Etapa da ideação
O foco dessa fase é a geração de ideias inovadoras para 
o tema trabalhado, através do uso das ferramentas da fase 
anterior, com o objetivo de “estimular a criatividade e gerar 
soluções que estejam de acordo com o contexto do assunto 
trabalhado” (VIANNA et al., 2012, p.99). 
108 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
Um grupo interdisciplinar pode contribuir ao juntar diferen-
tes perspectivas, produzindo um resultado mais rico e asserti-
vo. Algumas ferramentas podem ser utilizadas nessa fase, são 
elas: 
brainstorming – é uma técnica para estimular a geração 
de um grande número de ideias em um curto espaço de tem-
po, desenvolvida para explorar a potencialidade criativa de um 
indivíduo ou de um grupo, colocando-a a serviço de objetivos 
pré-determinados. Geralmente ele é realizado em grupo, é um 
processo criativo conduzido por um moderador, responsável 
por deixar os participantes à vontade e estimular a criatividade 
sem deixar que o grupo perca o foco;
workshop de Cocriação – consiste em uma atividade prá-
tica que visa compreender o objetivo pontual da empresa e 
gerar a solução conduzida para a ação, começando com um 
diagnóstico e finalizando com um plano de ação colaborativo. 
É um encontro organizado na forma de uma série de ativi-
dades em grupo com o objetivo de estimular a criatividade e 
a colaboração e fomentar a criação de soluções inovadoras. 
Participam pessoas que podem ter envolvimento direto ou indi-
reto com as soluções que estão sendo desenvolvidas, ou seja, 
o usuário final, os funcionários da empresa que demanda o 
projeto e a equipe mediadora da dinâmica.
matriz de posicionamento – consiste em uma ferramenta 
de análise estratégica das ideias geradas, utilizada na valida-
ção delas em relação aos critérios norteadores, bem como 
às necessidades das Personas criadas no projeto. Esse recurso 
tem como objetivo apoiar a tomada de decisão, a partir da 
Capítulo 5 Processos Criativos 109
comunicação eficiente dos benefícios e desafios de cada solu-
ção, de forma que sejam selecionadas as ideias mais estraté-
gicas para serem prototipadas.
4.8.3 Etapa de prototipação
Esta etapa consiste na produção de versões iniciais (protóti-
pos), de um sistema ou processo com as quais se possa re-
alizar verificações e experimentos, com a intenção de avaliar 
algumas de suas características e funcionalidades, antes que 
seja construído de forma definitiva. 
Sua principal função é auxiliar a validação das ideias ge-
radas, podendo ocorrer ao longo do projeto, em paralelo às 
etapas de “Imersão” e “Ideação”, pois esse é o momento de 
tornar tangíveis as ideias, trazendo-as para o mundo físico. 
A representação da realidade de uma forma simplificada, 
porém física, possibilita sua experimentação, fornecendo infor-
mações valiosas para a equipe de projeto, no que diz respeito 
às soluções projetadas para realização das principais tarefas, 
gerando uma visualização da interação do modelo próximo 
aos usuários. O foco principal desse modelo de projeto é sem-
pre o humano, no centro do processo, seja do ponto de vista 
do usuário, como dos especialistas colaboradores, que serão 
capazesde encontrar soluções inovadoras que coincidam com 
as expectativas e estratégias da empresa contratante. 
A prototipação pode ser construída no papel, ou com o 
auxílio de ferramentas de prototipação (mooc up), os quais 
explorem a parte gráfica ou o processo de interação, depen-
dendo da natureza do problema.
110 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
O sucesso do design thinking não depende apenas do pen-
samento, é preciso que as ideias inovadoras sejam implemen-
tadas e elas “mantenham sua essência durante todo o proces-
so” (VIANNA et al., 2012).
5 Criatividade e inovação
Há algum tempo, muitos associavam a inovação com o in-
cremento de soluções tecnológicas. Chegou-se quase a ter a 
tecnologia como um sinônimo para inovação. Porém, com o 
passar dos anos, a maior parte das corporações ou instituições 
já fazem investimentos em tecnologia, não sendo esse o maior 
diferencial na obtenção de ideias inovadoras e do sucesso no 
mercado competitivo. Ter soluções inovadoras muitas vezes 
envolve novas tecnologias, porém, cada vez mais envolve no-
vas formas de obter soluções com os recursos que já se tem. 
Sob esse aspecto, a criatividade passa a ter um lugar central 
no processo de inovação.
Contudo, é necessário que se promova nas organizações 
um ambiente propício para o desenvolvimento da criativida-
de. É preciso que os colaboradores se sintam instigados a dar 
sugestões, encontrando nas empresas em que trabalham um 
ambiente em que haja discussão de projetos, aceitação de su-
gestões, troca de ideias. Por trás de uma ideia aparentemente 
estranha pode-se encontrar as maiores inovações. 
Capítulo 5 Processos Criativos 111
Recapitulando
Neste capítulo, vimos o conceito de criatividade e de pensa-
mento criativo, vimos que a criatividade é um processo e, como 
tal, pode ser desenvolvido e estimulado através de diversas fer-
ramentas. Foram apresentadas algumas dessas ferramentas, 
dando maior ênfase a de design thinking.
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VIANNA, Maurício et al.. Design thinking : inovação em ne-
gócios. Rio de Janeiro : MJV Press, 2012. 162p.
Atividades
 1) Com base no processo criativo, assinale a alternativa que 
NÃO corresponde a uma de suas fases:
a) Iluminação.
b) Incubação.
c) Percepção do problema.
d) Avaliação.
Capítulo 5 Processos Criativos 113
e) Condensação.
 2) Quais as principais etapas do processo de design thinking?
a) Imersão, análise e síntese.
b) Análise, síntese e ideação.
c) Imersão, ideação e prototipação.
d) Imersão, síntese e prototipação.
e) Análise, imersão e síntese.
 3) Selecione a alternativa que NÃO representa um técnica de 
desenvolvimento de criatividade:
a) Plano de negócio.
b) A técnica dos seis chapéus.
c) Brainstorming.
d) Associação de ideias.
e) Mapa mental.
 4) Sobre o mapa mental é possível afirmar:
I. Técnica que serve para eliminar bloqueios e deixar a 
mente livre.
II. Ela auxilia na organização das ideias, na análise do con-
texto de um problema.
III. Estimula a criatividade, uma vez que faz com que você 
identifique os aspectos principais e seus relacionamen-
tos.
114 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
Está correto o que se afirma em:
a) Apenas na afirmativa I.
b) Apenas na afirmativa II.
c) Apenas nas afirmativas I e II.
d) Apenas nas afirmativas II e III;.
e) Nas afirmativas I, II e III.
 5) Monte um mapa conceitual apresentando as principais 
etapas e fases do processo de design thinking.
Inovação
1 Possui graduação em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande 
do Sul - UFRGS (1997) e Mestrado em Administração com ênfase em Marketing 
pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Var-
gas - EAESP/FGV e Stockholm School of Economics (2001). Concluiu Doutorado 
em Administração com ênfase em Marketing pela EAESP/FGV (2007). Atua como 
professora dos cursos de graduação e pós-graduação nas modalidades presencial 
e a distância da ULBRA – Universidade Luterana do Brasil desde 2006.
Valesca Persch Reichelt1
Capítulo 6
116 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
Introdução
Neste capítulo, falaremos do processo de inovação, seus con-
ceitos, os processos existentes que possibilitam a geração de 
ideias inovadoras, bem como os três principais passos que de-
vem ser seguidos pelo agente transformador, para dar segui-
mento ao surgimento da criação. 
Outro ponto que analisado será o da tríplice Hélice (Uni-
versidade, Indústria e Governo), modelo desenvolvido por 
Henry Etzkovitz na década de 90, que fala da contrapartida 
de todos os envolvidos no processo de desenvolvimento da 
tecnologia, da pesquisa, da ciência e dos investimentos em 
inovação e expansão dos negócios, trazendo benefícios para 
toda a sociedade.
Quando se pensa em inovação, a primeira palavra que 
vem em mente é Tecnologia. Mas a inovação não significa 
apenas isso, ela atinge muito mais áreas do que se imagina. 
Você entende que inovação é bem mais do que isso? 
Não é só trazer ideias tecnológicas, novidades no mundo 
high tech, automatização dos produtos e serviços, mas é tam-
bém incrementar os modelos já existentes de negócios.
Abrange muito menos o conceito de tecnologia do que se 
pensa, como afirmado no Manual de Oslo (1997):
Uma mudança é a remoção da palavra “tecnológica” 
das definições, visto que a palavra evoca a possibilidade 
de que muitas empresas do setor de serviços interpretam 
“tecnológica” como “usuária de plantas e equipamentos 
Capítulo 6 Inovação 117
de alta tecnologia”, e assim não seja aplicável a muitas 
de suas inovações de produtos e processos. (Manual de 
Oslo, 1997, p. 24)
A inovação tem se mostrado um dos grandes trunfos dos 
modelos atuais de negócios e seu sucesso. Saber escolher seus 
produtos, entender o processo de compra, trazer soluções para 
dentro do empreendimento, ajustar pequenos detalhes, dentre 
outras etapas da criação, é extremamente relevante para um 
bom processo de implementação do novo. 
Investir em inovação pode ser o maior diferencial para as 
empresas e para os negócios. Criar um novo processo, pro-
duto ou serviço, ou mesmo otimizar algo já existente está di-
retamente relacionado ao sucesso das empresas. Tudo aquilo 
que criamos, que traz um formato diferenciado para o modelo 
atual, traz benefícios para os negócios.O Manual de Oslo (1997, p. 37) diz que a inovação:
pode também melhorar o desempenho da empresa, pois 
ela faz aumentar sua capacidade de inovar. Por exemplo, 
melhoramentos nos processos de produção podem per-
mitir o desenvolvimento de um novo leque de produtos 
e novas práticas organizacionais podem melhorar a ca-
pacidade empresarial de adquirir e criar novos conheci-
mentos que poderão ser usados para o desenvolvimento 
de outras inovações. 
Existem várias maneiras de se fazer isso, e diversos auto-
res trazem formas de se pensar em inovação como processo, 
como tomada de decisões acertadas, como criação.
118 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
Existem diferenças entre o que é inovar no sentido de trazer 
algo que ainda não existe e o que significa inovar algo que já 
foi criado, agregando valor ao produto ou serviço. Podemos 
definir esses dois tipos de inovação utilizando os seguintes ter-
mos: inovação incremental e inovação radical. 
Inovação Incremental é aquela que possui grau modera-
do de novidade, mas ainda proporciona ganhos significati-
vos. Ocorre continuamente em uma indústria e se constitui de 
ajustes em produtos e processos existentes. Inovação radical é 
aquela que provoca transformações nas regras competitivas, 
no processo produtivo, nos produtos e nos serviços. 
1 Processos existentes na inovação
Existem diversos processos para se inovar, não somente na uti-
lização de técnicas de criação pré-estabelecidas, mas também 
na forma variável em como se dá essa criação, os métodos 
adotados para o surgimento do processo criativo.
Tais processos vão desde a maneira de se compreender 
o processo em si, os seus passos, até o plano traçado para 
reproduzir a ideia. Segundo Bessant e Tidd (2007, p.67), são 
três os processos existentes: 
	A compreensão da oportunidade
	A geração de novas ideias
	O planejamento para a ação 
Capítulo 6 Inovação 119
Eles dizem que são etapas úteis ao desenvolvimento de um 
processo de construção, que traz desafios na implementação 
de melhorias ou no desenvolvimento de um processo ou pro-
duto novo.
De acordo com o Manual de Oslo (1997, p. 21), “a inova-
ção é um processo contínuo”. Ele também cita que:
[...] As empresas realizam constantemente mudanças em 
produto e processo e buscam novos conhecimentos, e 
vale lembrar que é mais difícil medir um processo dinâ-
mico do que uma atividade estática. 
Voltando às etapas definidas por Bessant e Tidd (2007), 
exploraremos mais um pouco seus conceitos.
Primeiramente, eles dizem que a compreensão da opor-
tunidade é o momento de entender o que se busca, como 
essa informação vai se adequar àquele momento oportuna-
mente e como isso trará um resultado satisfatório. Entender a 
problemática da situação e seus objetivos e explorar todos os 
pontos determinantes da estratégia são meios de se chegar ao 
melhor cenário possível da criação ou a sua melhoria, utilizan-
do meios de alcançar a eficácia e a eficiência. Pensar cons-
cientemente o processo para evitar problemas futuros, abrindo 
oportunidades para outros meios que possam ser encontrados 
ao longo do processo criativo, com ideias novas, novos méto-
dos e perspectivas, sem perder o foco do plano central.
Diversas ferramentas são utilizadas para se achar o proble-
ma e solução dentro de um processo. Uma das ferramentas 
mais conhecidas e estudadas é o Diagrama de Pareto, utiliza-
120 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
do para determinar causa e efeito, identificando características 
mais impactantes no processo e seu grau de importância. 
Outro método também importante para a compreensão 
dos fatores determinantes do processo produtivo é o diagrama 
de teia de aranha, que consiste na utilização de uma forma 
gráfica que representa uma ideia central, com ramificações em 
formato de teia, apresentando a relação entre causa e efeito.
Outra etapa de análise do processo é a geração de novas 
ideias, mais conhecido como brainstorm, que é o método de 
surgimento de ideias de diversos componentes de um deter-
minado grupo, que, a partir de todas as ideias surgidas em 
determinado momento, são selecionadas as melhores suges-
tões e aproveitadas na tomada de decisões e no planejamento 
estratégico. 
A reflexão de ideias pode ser estimulada de diferentes for-
mas, provocadas por diferentes métodos e ferramentas. Alguns 
métodos específicos são capazes de desenvolver a criatividade 
e determinar soluções alternativas. São eles:
		Remover ou suspender um pressuposto ou objetivo: 
identificar outra maneira de realizar um projeto, não 
utilizando o mesmo argumento.
		Reverter objetivos ou métodos: testar hipóteses contrá-
rias e verificar como realizar a reversão de determinada 
situação. Observar formas de comportamentos dessas 
hipóteses.
	Exagerar o problema ou objetivo: Pensar no problema 
ou objetivo em diferentes proporções, sendo ele em maior ou 
Capítulo 6 Inovação 121
menor grau de dificuldades, e quais seriam as soluções mais 
sensatas para resolvê-los.
		Distorcer os relacionamentos com causa e efeito: testar 
todas as situações possíveis e saber como aplicá-las em 
diferentes cenários.
		Criar insumos aleatórios: utilização de novos termos, 
fora do padrão, e analisar seu desempenho dentro do 
contexto.
	 Utilizar uma metáfora ou personagem: introduzir um 
novo papel no cenário e verificar o comportamento do 
grupo, gerando algum tipo de consequência à ideia.
Por fim, o planejamento para a ação requer um esforço 
maior, proporcionando a aceitação das ideias e implementa-
ção de soluções, após serem indagadas por um determinado 
grupo. Seria uma espécie de amadurecimento da ideia. Nesse 
caso, dentre uma variedade de ideias, existem aquelas mais 
específicas, que estão de acordo com a proposta inicial, que 
deverão ser refinadas e escolhidas para serem utilizadas. Tais 
considerações serão levadas em conta no momento da imple-
mentação.
O Manual de Oslo (1997, p. 25) também fala das etapas 
que devem ser seguidas para incrementar as atividades de ino-
vação:
As atividades de inovação incluem todas as etapas cientí-
ficas, tecnológicas, organizacionais, financeiras e comer-
ciais que realmente conduzem, ou que pretendem con-
duzir, à implementação de inovações. Algumas dessas 
122 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
atividades podem ser inovadoras em si, enquanto outras 
não são novas, mas são necessárias para a implemen-
tação.
2 Tríplice hélice: Universidade-Indústria-
Governo
Um modelo adotado para ampliar a relação da inovação com 
a sociedade é a aliança entre três setores da sociedade: Uni-
versidade, Indústria e Governo. 
Essa parceria é essencial para a melhoria dos investimentos 
em inovação. Através dela podem-se criar alternativas para 
ampliar os incentivos à inovação, contribuindo para o desen-
volvimento econômico, social e tecnológico, assim como para 
a ampliação da competitividade.
Esse modelo foi desenvolvido por Henry Etzkovitz na déca-
da de 90, unindo o conhecimento científico (setor universida-
de), com o conhecimento tecnológico (indústria). O Gover-
no exerce papel de ampliador do desenvolvimento, levando 
o conhecimento adquirido por essa união para o campo dos 
investimentos. Unir esses três atores é essencial para o bom 
andamento de ideias inovadoras e desafios existentes no cam-
po do desenvolvimento.
A ideia básica da hélice tríplice é que a chave para pro-
mover as condições de produção de inovação é a reunião 
daqueles três atores. As universidades como fonte de co-
nhecimento, indústrias como recursos de implementação 
Capítulo 6 Inovação 123
e o governo para determinar as regras do jogo e também 
aportar recursos. (ETZKOVITZ in VALENTE, 2018)
A pesquisa, a ciência, a tecnologia e o desenvolvimento 
são os principais focos da tríplice héliceda inovação, a base 
que fortalece a união dos setores (Universidade, Indústria e 
Governo).
Até então, a ideia da tríade era simplesmente tratada como 
metáfora, algo totalmente implícito, sem forma determinada. 
Mas esse conceito mudou após a observação de Henry Etzko-
vitz com o modelo da MIT (Massachussets Institute of Techno-
logy), nos Estados Unidos.
De uma metáfora para um modelo, de uma teoria para 
uma prática. Na verdade, a prática já existia antes da 
teoria. Eu extraí a teoria da prática ao analisar o papel 
do Massachussets Institute of Technology (MIT) no estado 
da Nova Inglaterra, nos EUA, nos anos 1930 e 1940. Ali, 
eles já funcionavam de acordo com a hélice tríplice, mas 
não tinham a terminologia, nem uma teoria. Eu apenas 
escrevi essa história no meu livro MIT and the rise of en-
trepreneurial science. Foi daquela análise que eu extraí a 
ideia. (ETZKOVITZ in VALENTE, 2018)
Uma problemática do modelo de tríplice hélice é o tempo 
dispensado por cada um desses agentes, seja na busca por 
aceitação do público, seja pelo tempo que se leva no campo 
da ciência e tecnologia, através de pesquisas que levam um 
certo tempo para serem estudadas e colocadas em prática.
124 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
Figura 1 Modelo da tríplice Hélice de Henry Etzkovitz
Ilustração: Marcelo Germano - LAC Ulbra EAD. Adaptado de: Silva, 2012.
Recapitulando
Neste capítulo, apresentamos o conceito de Inovação, bem 
como os processos existentes em seu contexto. Ficou demons-
trado que a tecnologia não é fator principal da inovação, mas 
sim, a junção de todas as características de um processo ino-
vador como fator principal do desenvolvimento de ideias. Tam-
bém foram apresentados os três processos existentes para se 
inovar, que são: a compreensão da oportunidade (o momento 
de entender o negócio), a geração de novas ideias (o surgi-
mento de ideias e a seleção das melhores) e o planejamento 
para a ação (amadurecimento da ideia).
Outro ponto abordado foi o papel da tríplice Hélice (Uni-
versidade, Indústria e Governo) que se destacaram pela re-
Capítulo 6 Inovação 125
lação entre os principais setores da sociedade, facilitando o 
desenvolvimento dos negócios, em contrapartida, o desenvol-
vimento da sociedade, através da união da tecnologia, da pes-
quisa, da ciência e dos investimentos.
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abr. 2018.
Atividades
 1) Qual das alternativas abaixo NÃO está relacionada à Ino-
vação: 
a) Processo de criação.
b) Geração de ideias.
c) Redução de desempenho.
d) Planejamento de ações.
e) Tecnologia.
 2) Para desenvolver a criatividade e determinar soluções são 
necessários métodos e ferramentas específicas, que estão 
relacionados diretamente a um dos itens abaixo:
a) preparação do plano de negócios.
b) tornar-se um empresário .
c) não assumir riscos.
d) buscar assessoria para empreender.
e) estimular as ideias.
Capítulo 6 Inovação 129
 3) A tríplice Hélice, modelo desenvolvido por Henry Etzkovitz, 
envolve:
a) União-Estados-Munícipios.
b) Escolas-Governo-ONGs.
c) Universidade-Governo-PPAs.
d) Indústria-Governo-ONGs.
e) Universidade-Governo-Indústria.
 4) Quais os principais focos da Tríplice Hélice da inovação: 
a) A pesquisa, os planos de governo, a força sindical.
b) A pesquisa, a ciência e os investidores.
c) A ciência, a tecnologia, a pesquisa e o desenvolvimento.
d) O capitalismo, a burocracia, a gestão governamental.
e) Os empresários, a tecnologia e o desenvolvimento hu-
mano.
 5) Qual o maior problema encontrado na utilização do mo-
delo da tríplice hélice?
a) Tempo dispensado pelos agentes envolvidos (Governo/
Indústria/Universidade).
b) Falta de investimentos de entidades estrangeiras.
c) Foco nos negócios, deixando de lado a pesquisa científica.
d) Empreendedores descompromissados.
e) Grande número de pesquisas a realizar.
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Capítulo ?
Tipos e Aspectos Legais 
de Inovação
1 Possui graduação em Administração pela Universidade Federaldo Rio Grande 
do Sul - UFRGS (1997) e Mestrado em Administração com ênfase em Marketing 
pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Var-
gas - EAESP/FGV e Stockholm School of Economics (2001). Concluiu Doutorado 
em Administração com ênfase em Marketing pela EAESP/FGV (2007). Atua como 
professora dos cursos de graduação e pós-graduação nas modalidades presencial 
e a distância da ULBRA – Universidade Luterana do Brasil desde 2006.
Valesca Persch Reichelt1
Capítulo 7
Capítulo 7 Tipos e Aspectos Legais de Inovação 131
Introdução
Neste capítulo, abordaremos a inovação, seus tipos e princi-
pais aspectos legais na construção de uma marca ou de um 
negócio. Traremos as vantagens que o processo de legaliza-
ção de marcas e patentes proporciona para o inovador, as-
sim como a proteção legal disponibilizada pelo Estado. Serão 
apresentadas as definições de marcas e patentes, a discussão 
da importância da lei de incentivo à inovação e à tecnologia e 
seus principais agentes financiadores.
1 Tipos de inovação
De acordo com o Manual de Oslo (1997) existem alguns tipos 
de inovação. São eles:
		Inovação de serviços: quando a empresa cria um siste-
ma de autoatendimento. Um sistema novo, proporcio-
nando uma nova maneira de se relacionar com o clien-
te. Um exemplo interessante para essa definição seria 
a de um restaurante que vai até a residência de um 
cliente para preparar uma festa, uma recepção para 
amigos e familiares.
		Inovação de produtos: quando é criado um produto 
novo, que traga algum benefício para o usuário, clien-
te. 
		Inovação de processos: quando há a implementação 
de uma função inovadora no processo, como, por 
132 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
exemplo, um controle novo de fluxo de processo, que 
garanta a redução de custo ou de prazo, acelerando 
um atendimento, facilitando os processos internos.
		Inovação de Marketing: quando se cria, por exemplo, 
uma embalagem, agregando valor significativamente. 
Seria como criar uma embalagem mais adequada de 
pizza, que facilite o consumo por parte do cliente. Ou-
tro exemplo seria a criação de vitrines vivas numa loja, 
chamando a atenção dos clientes para o serviço pres-
tado pela loja, percebendo assim, a maneira como o 
cliente está enxergando a empresa. 
		Inovação Organizacional: quando a empresa desen-
volve parcerias com outras organizações, o uso de uma 
nova técnica de realizar uma reunião, por exemplo, 
aproximando os parceiros de negócios. Outro exemplo 
seria a contratação dos serviços de ginástica laboral 
para a empresa, aproximando os funcionários nessa di-
nâmica, revolucionando na maneira de interação entre 
os pares.
Outras definições dos tipos de inovação mais abrangentes 
no Manual de Oslo (1997) são importantes de serem estuda-
das. São elas:
Uma inovação organizacional é a implementação de um 
novo método organizacional nas práticas de negócios da em-
presa, na organização do seu local de trabalho ou em suas 
relações externas (p. 61).
Capítulo 7 Tipos e Aspectos Legais de Inovação 133
Uma inovação de produto é a introdução de um bem 
ou serviço novo ou significativo melhorado no que con-
cerne a suas características ou usos previstos. Incluem-se 
melhoramentos significativos ou especificações técnicas, 
componentes e materiais, softwares, facilidade de uso ou 
outras características funcionais (p. 57).
Uma inovação de processo é a implementação de um 
método de produção ou distribuição novo ou significati-
vamente melhorado. Incluem-se mudanças significativas 
em técnicas, equipamentos e/ou softwares. (p. 58)
A inovação em serviços é organizada de forma menos 
formal, possui natureza mais incremental e é menos tec-
nológica. (p.17)
As inovações de marketing envolvem a implementação 
de novos métodos de marketing, incluindo mudanças no 
design do produto e na embalagem, na promoção do 
produto e sua colocação, e em métodos de estabeleci-
mento de preços de bens e de serviços. (p. 23)
Esses conceitos são distintos, porém eles podem ter carac-
terísticas específicas uns dos outros. A inovação de um produto 
pode ter características de inovação em marketing, por exem-
plo. A única distinção plausível é saber se o que está sendo 
criado é inovação ou não é inovação. Caso a criação ainda 
não exista, ela pode ser considerada inovação. 
Para Dornelas (2012), infere-se que o processo criativo 
pode ser desgastante, sisudo, burocrático, deve seguir a le-
134 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
gislação pertinente, porém é um processo necessário para se 
obter segurança da propriedade intelectual do negócio. 
Ele diz que:
O processo de criação de uma empresa às vezes é tedio-
so e estressante, mas todo empreendedor deve entender 
a legislação na qual sua empresa está enquadrada, bus-
cando sempre tirar vantagem competitiva desse processo 
(DORNELAS, 2012, p.223). 
Imaginem se a regulamentação de uso de aeronaves não 
tripuladas, mais conhecidas por drones, uma das criações 
mais atuais, não tivesse sido colocada em prática? Qual seria 
o limite de uso dessa tecnologia? Quem seriam os responsá-
veis em caso de acidente? Como ficaria a questão da invasão 
de privacidade? As respostas viriam com a regulamentação 
da invenção. Por isso, é inevitável o uso de legislações para 
evitar questões preocupantes como no caso dos drones. São 
questões importantes que devemos atentar ao criar algo novo. 
 Agora falaremos sobre o sistema de registro de marcas e 
patentes, essenciais para o processo de inovação.
2 Legislação sobre registro de marcas e 
patentes
Muitas pessoas associam os termos marcas e patentes a um 
mesmo significado, considerando-as sinônimos. Mas eles são 
totalmente diferentes, e correlacionam-se. É necessário fazer 
Capítulo 7 Tipos e Aspectos Legais de Inovação 135
uma distinção entre esses dois termos, para que não haja con-
fusão, o que pode acarretar no mau uso do direito. 
Há alguns pontos em comum, entre marcas e patentes, 
dando margem à distorção dos conceitos. É importante que os 
estudantes e profissionais saibam compreender o significado 
desses dois termos no mundo dos negócios.
Para desfazer esse impasse, o manual de marca e o guia 
básico de patente, disponíveis no site do Instituto Nacional de 
Propriedade Intelectual – INPI, definem o que é marca e o que 
é patente, deixando claro a distinção de ambos os termos:
		Marca: tipos de sinais marcários, distintivos ou prin-
cípios legais que regem o direito de marcas e moda-
lidades de busca. Pode ser classificada quanto à sua 
origem como brasileira e estrangeira. Quanto ao seu 
uso pode ser de produtos, de serviços, coletivas e de 
certificação. E quanto à apresentação ela pode ser No-
minativa, Figurativa, Mista e Tridimensional.
		Patente: se você inventou uma nova tecnologia, seja 
para produto ou processo, pode buscar o direito a uma 
patente. A patente também vale para melhorias no uso 
ou fabricação de objetos de uso prático, como utensí-
lios e ferramentas. Ela pode ser uma Patente de Inven-
ção (PI) ou Patente de Modelo de Utilidade (MU). 
Quando se fala em marcas, estamos falando de criação 
intelectual que auxilia os empresários na divulgação de seus 
produtos e serviços e que ajuda a diferenciá-lo da concorrên-
cia.
136 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
Patente é a proteção estatal, outorgada pelo estado, que é 
a proteção jurídica que o Estado reconhece para esses tipos de 
criações, que são as invenções e os modelos de utilidade, ou 
seja, aqueles que possuem direitos de exclusividades decorren-
tes, que são os melhoramentos práticos das invenções. 
Não há patente de marca, ela é meramente um registro. 
Resumindo os conceitos, marca é a criação em si e patente 
é a proteção do Estado.
Outro ponto importante que se deve entendersobre marca 
e patente são seus pontos de convergência. Podem ser elenca-
dos diversos pontos em comum referentes a esses dois termos, 
porém o mais similar deles é que deve haver o registro em um 
órgão governamental, que no Brasil é realizado através do 
INPI – Instituto Nacional de Proteção Industrial. 
Neste caso, o registro no Instituto serve para proteger tanto 
a marca quanto a patente, por meio do Estado brasileiro. Em 
outro caso, existem várias diferenças entre marcas e patentes. 
Uma delas é que a patente entra em domínio público com o 
tempo, a marca não! 
Ela tem uma proteção limitada há 10 anos, e esse prazo 
pode ser renovado a cada década, sucessivamente. 
Enfim, ter um contrato de sigilo, um termo de acordo, um 
registro, uma patente de uma invenção, é imprescindível à 
continuidade do desenvolvimento do processo de inovação. 
Corre-se o risco de se perder a ideia, por não ter colocado a 
termo o insight. Por este motivo é que existem as normas legais 
de registro de marcas e patentes.
Capítulo 7 Tipos e Aspectos Legais de Inovação 137
3 Leis de incentivo à inovação e à 
tecnologia
Não adianta ter uma ideia brilhante, genial, mas não regu-
lamentada. Fica difícil colocá-la em prática dessa forma. A 
lei de incentivo à Inovação, Lei 10.973 de 2004, veio tra-
zer a segurança no mundo jurídico, em relação aos processos 
inovadores, normatizando a maneira de tratar a tecnologia e 
a inovação. Foi criada para promover parcerias estratégicas 
entre universidades, institutos tecnológicos e empresas. Além 
disso, visa estimular a inovação, principalmente nas empresas. 
Outro benefício que a lei de inovação trouxe foi o abati-
mento do imposto de renda para empresas que investissem em 
pesquisa e desenvolvimento. Hoje, muitas empresas brasileiras 
usufruem dos incentivos fiscais concedidos pelo Governo Fe-
deral, que passaram a investir muito mais em desenvolvimento 
tecnológico e inovação no País. 
Essa lei trouxe o incentivo à inovação, à tecnologia e à pes-
quisa científica, proporcionando um estímulo para que empre-
sas e o setor público possam fazer investimentos, acarretando 
em benefícios à sociedade, melhorando assim a qualidade de 
vida dos indivíduos, transformando o conhecimento em rique-
za. As empresas se beneficiam através dos incentivos fiscais, 
assim como as universidades em investimentos em pesquisa 
científica e o governo com a participação de empresas no se-
tor público, angariando investimentos na gestão pública, infra-
estrutura e tecnologia integrada à sociedade.
138 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
Hoje a sociedade emerge no mundo digital, tecnológico, 
e essa lei veio para auxiliá-la através do marco legal da ino-
vação. 
Conforme previsto na Lei 10.973, em seu artigo primeiro, 
ficam estabelecidas medidas que incentivam os diversos cam-
pos da ciência e tecnologia, justificando, assim, a sua criação, 
de acordo com a necessidade de promover um arranjo entre 
os campos de estudo: ciência e tecnologia. Tal previsão jurídi-
ca diz o seguinte: 
Esta lei estabelece medidas de incentivo à inovação e à 
pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo, 
com vistas à capacitação tecnológica e ao desenvolvi-
mento do sistema produtivo nacional e regional do País, 
nos termos seguintes” (Lei 10.973, 2004, art. 1º)
No Brasil, essa lei trata da regulamentação do incentivo 
à inovação, à tecnologia, parcerias entre as empresas, entre 
entidades públicas e privadas, investidores anjos, dentre outros 
envolvidos e interessados em inovar.
Com o crescimento da tecnologia e avanço no mundo glo-
balizado e devido às necessidades da sociedade, que deseja 
um ambiente totalmente novo, aberto à inovação, a atenção 
ficou voltada para os investidores, empresas e governo, que 
são imprescindíveis à progressão do País.
Fala-se muito em investidores anjos, que além de apor-
tar dinheiro nas empresas também prestam consultoria para 
as empresas iniciantes ou uma já existente, mas que tem um 
negócio novo em mente. Esses investidores trazem uma série 
Capítulo 7 Tipos e Aspectos Legais de Inovação 139
de outros recursos, além do financeiro, como o conhecimen-
to de gestão, capital intelectual, relações de parcerias com 
outras empresas e entidades, dentre outras vantagens. O in-
vestimento em Startups tem seus riscos, mas à medida que os 
investimentos são realizados é mais provável que haja bastante 
retorno.
E o que seriam as Startups? São instituições voltadas para o 
lançamento de uma nova empresa, um novo produto ou servi-
ço. Nem todas startups obtêm sucesso, mas é bastante viável 
no mundo dos negócios fazer parte dessa esfera inovadora, 
pois a maioria se sobressai no mercado.
A tradução literal da palavra Startups já dá sinais do seu 
significado, pois possui um sentido de começo, de dar o start, 
o primeiro passo para implementação de algo inovador. No 
Brasil, existe uma associação ligada à promoção do fortaleci-
mento de incentivo à inovação e à tecnologia, a Associação 
Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Ino-
vadores (ANPROTEC), que presta apoio às startups.
A ANPROTEC, em seu site institucional, define claramente 
o termo Startup:
Startup é uma empresa jovem com um modelo de ne-
gócios repetível e escalável em um cenário de incerte-
zas e soluções a serem desenvolvidas. Embora não se 
limite apenas a negócios digitais, uma startup necessita 
de inovação para não ser considerada uma empresa de 
modelo tradicional. (ANPROTEC, 2018)
140 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
Outro conceito bastante utilizado no mundo globalizado 
dos negócios são as empresas incubadoras. Elas utilizam um 
espaço físico dedicado para dar instrução, prática e moder-
nização para novas ideias de negócios. Muitas empresas não 
sabem como gerir um negócio e daí surge a necessidade de 
se inserir numa incubadora de empresas. Fazendo uma breve 
comparação, sabemos que existem as incubadoras que rece-
bem os recém-nascidos e que lá ficam amparados, em um am-
biente ideal para prover suas necessidades neonatais. É bem 
parecido com o que acontece com as empresas incubadas. 
Essas startups têm um acompanhamento constante das incu-
badoras que auxiliam na gestão tecnológica, comercialização 
de produtos e serviços, contabilidade, marketing e assistência 
jurídica. Pesquisas do SEBRAE apontam que mais de 80 % das 
empresas incubadas dão certo e se mantém por mais tempo 
no mercado, atestando assim o sucesso da proposta. 
A Lei 10.973/04, art. III-A, traz o conceito de incubadora 
de empresas, que são espaços de incentivo à produção de 
ideias inovadoras, prestando assistência em diversos ramos 
para as empresas.
Incubadora de empresas: organização ou estrutura que 
objetiva estimular ou prestar apoio logístico, gerencial e 
tecnológico ao empreendedorismo inovador e intensivo 
e conhecimento, com o objetivo de facilitar a criação e 
o desenvolvimento de empresas que tenham como dife-
rencial a realização de atividades voltadas à inovação. 
(BRASIL, 2004)
Capítulo 7 Tipos e Aspectos Legais de Inovação 141
Em seu site, a ANPROTEC define o objetivo das incubado-
ras de empresas:
A incubadora de empresa tem o objetivo de oferecer su-
porte a empreendedores para que eles possam desen-
volver ideias inovadoras e transformá-las em empreen-
dimentos de sucesso. Para isso, oferece infraestrutura e 
suporte gerencial, orientando os empreendedores quan-
to a gestão do negócio e sua competitividade. (ANPRO-
TEC, 2018)
Para se tornar uma empresa incubada, ela deve passar por 
um processo seletivo, em que é avaliado se a ideia é inovado-
ra, se a proposta tem potencial para dar certo.
Outros agentes que auxiliam e dão incentivos à inovação 
e à tecnologia para o desenvolvimento são listados abaixo, 
definidos pela ANPROTEC:
		Os parques tecnológicos constituemum complexo pro-
dutivo industrial e de serviços de base científico-tecno-
lógica. Planejados, têm caráter formal, concentrado e 
cooperativo, agregando empresas cuja produção se 
baseia em P&D. Assim, os parques atuam como pro-
motores da cultura da inovação, da competitividade e 
da capacitação empresarial, fundamentados na trans-
ferência de conhecimento e tecnologia, com o objetivo 
de incrementar a produção de riqueza de uma determi-
nada região.
		Aceleradoras são entidades jurídicas (com ou sem fins 
lucrativos) dedicadas a apoiar o desenvolvimento ini-
142 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
cial de novos negócios inovadores (startups), por meio 
de um processo estruturado, com tempo determinado, 
que inclui a seleção, capacitação, mentorias, oportuni-
dades de acesso a mercados, infraestrutura e serviços 
de apoio, além do aporte de capital financeiro inicial 
(próprio ou de sua rede de investidores), em troca de 
uma possível participação societária futura nos negó-
cios acelerados.”
		Coworking é um modelo de trabalho que se baseia no 
compartilhamento de espaço e recursos de escritório, 
reunindo pessoas que trabalham não necessariamente 
para a mesma empresa ou na mesma área de atuação, 
podendo reunir entre os seus usuários os profissionais 
liberais, empreendedores e usuários independentes. É 
uma alternativa para aumentar a produtividade e fa-
zer novos contatos de negócios através do networking. 
Pessoas e empresas usuárias de coworkings também 
utilizam este modelo de trabalho para estabelecer re-
lacionamentos de negócios em que oferecem e/ou 
contratam serviços mutuamente. Alguns destes relacio-
namentos também visam favorecer o surgimento e o 
amadurecimento de ideias e projetos em grupo.
		As instituições científicas e tecnológicas (ICTs), em seu 
conceito mais amplo, envolvem universidades e institu-
tos de pesquisa públicos e privados que tenham como 
missão institucional, dentre outras, executar atividades 
de pesquisa básica ou aplicada de caráter científico ou 
tecnológico.
Capítulo 7 Tipos e Aspectos Legais de Inovação 143
		Os Programas de aceleração podem ter processos es-
truturados de capacitação, mentorias e, eventualmen-
te, mecanismos de acesso a mercados. Essas iniciativas 
diferenciam-se das aceleradoras, principalmente pelo 
fato de serem conduzidas por entidades que não são 
pessoas jurídicas dedicadas ao processo de acelera-
ção, por não investirem diretamente nas startups e, 
consequentemente, por não assumirem participação 
societária nessas empresas nascentes.
Recapitulando
Neste capítulo, aprendemos que existem diversos tipos de ino-
vação e todos eles justificam a da sua criação. Existem outros 
tipos no estudo sobre inovação, mas abordamos os mais co-
nhecidos e relevantes para o ramo dos negócios, que são a 
Inovação de serviços, de produtos, de processos, de marketing 
e organizacional. Tratamos da abordagem legal sobre o regis-
tro de marcas e patentes, as diferenças de ambos os concei-
tos, deixando claro que patente é a proteção do Estado, assim 
como a marca é um sinal distintivo do negócio. Discutimos a 
importância de lei de incentivo à inovação e à tecnologia, que 
busca através de parcerias com agentes estratégicos da socie-
dade, transformar a relação da pesquisa e do desenvolvimento 
em prol da sociedade.
144 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
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Atividades
 1) De acordo com o Manual de Oslo (1997) existem alguns 
tipos de inovação. Qual dos itens abaixo NÃO pertence à 
definição do autor:
a) Inovação Organizacional.
b) Inovação de custos.
c) Inovação de produtos.
d) Inovação de processos.
e) Inovação de marketing.
 2) Um exemplo de Inovação de Serviços é quando:
a) Um produto novo é lançado no mercado.
b) Uma nova função é implementada numa empresa.
c) A embalagem de um produto é renovada.
d) A empresa cria um sistema de autoatendimento.
Capítulo 7 Tipos e Aspectos Legais de Inovação 147
e) Uma nova parceria é criada.
 3) Em relação à legislação de marcas e patentes, a marca é 
definida como sendo:
a) As melhorias no uso e fabricação de um produto.
b) Algo patenteado para resguardar o seu uso, sem deixar 
cair em domínio público.
c) A criação intelectual que ajuda os empresários na divul-
gação de seus produtos e serviços.
d) A proteção estatal.
e) A proteção jurídica das invenções.
 4) A respeito de patentes, qual item abaixo está INCORRE-
TO:
a) Pode-se patentear uma marca, registrando-a em órgão 
competente.
b) Patente pode ser de Invenção (PI) ou de Modelo de Uti-
lidade (MU).
c) Patente é a proteção estatal, outorgada pelo Estado.
d) Não há patente de marca, ela é apenas um mero registro.
e) A patente entra em domínio público com o tempo.
 5) Qual alternativa abaixo lista, de acordo com a ANPRO-
TEC, alguns dos agentes incentivadores da inovação e da 
tecnologia:
a) As Universidades, as Escolas de Governo, as PPAs.
148 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
b) A União, asStartups, os agentes políticos.
c) As incubadoras de empresas, os empresários e a comu-
nidade
d) Os parques tecnológicos, os Coworkings e as ICTs.
e) A sociedade civil e os programas de aceleração de de-
senvolvimento.
Atitude Empreendedora
1 Possui graduação em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande 
do Sul - UFRGS (1997) e Mestrado em Administração com ênfase em Marketing 
pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Var-
gas - EAESP/FGV e Stockholm School of Economics (2001). Concluiu Doutorado 
em Administração com ênfase em Marketing pela EAESP/FGV (2007). Atua como 
professora dos cursos de graduação e pós-graduação nas modalidades presencial 
e a distância da ULBRA – Universidade Luterana do Brasil desde 2006.
Valesca Persch Reichelt1
Capítulo 8
150 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
Introdução
Este capítulo tem como objetivo apresentar os principais con-
ceitos inerentes ao empreendedorismo, suas características, as 
principais diferenças entre empreender e tornar-se um empre-
sário, bem como delinear o perfil do empreendedor de su-
cesso, que utiliza a oportunidade e a criatividade para gerar 
ideias. Também serão apresentados os principais modelos de 
empreendedorismo, as suas vantagens e desvantagens e, por 
fim, os tipos existentes de empreendedorismo, fundamentais 
para o processo de inovação. 
1 O que é empreendedorismo?
Ser um realizador que produz novas ideias com criatividade 
e imaginação requer muito mais que um mero conhecimento 
técnico ou científico, envolve toda arte de fazer e acontecer 
com motivação e criatividade. O empreendedorismo tem tudo 
a ver com inovação na forma de criar alternativas utilizando a 
tecnologia a seu favor.
Empreender é assumir riscos, colocar em prática uma tarefa 
difícil. Muito empreendedores são meros criadores de empre-
sas, diferentes de verdadeiros empreendedores, que colocam 
à frente dos negócios a abertura para a tecnologia. Pessoas 
assim além de serem empreendedores têm a capacidade de 
utilizar as inovações tecnológicas a favor dos negócios, e sa-
bem utilizar a sua criatividade e atitude empreendedora para 
implementá-las no mundo hoje.
Capítulo 8 Atitude Empreendedora 151
No quadro a seguir podemos ver a evolução do conceito 
de empreendedorismo ao longo do tempo:
Quadro 1 Evolução do termo Empreendedor
Época
Abordagens sobre o tema Empreendedor ao longo 
do tempo
Idade Média
Empreendedor era aquele que gerenciava grandes 
projetos de produção, no entanto não assumia grandes 
riscos.
Século XVII
Empreendedor era aquele que assumia acordos contratuais 
com o governo para realizar algum serviço ou fornecedor 
de produtos. Nesse período, surgem os primeiros indícios 
entre a relação do empreendedor com o ato de assumir 
riscos.
Século XVIII
Diferencia-se o empreendedor do capitalista, evidenciando 
que o indivíduo que assume riscos é diferente do que 
investe capital.
Século XIV/XX
Nesse período, os empreendedores foram frequentemente 
confundidos com os gerentes ou administradores, sendo 
analisados apenas de um ponto de vista econômico, como 
aqueles que organizam empresa, pagam os empregados, 
planejam, dirigem e controlam, as ações desenvolvidas na 
organização, mas sempre em serviço do capitalista.
Fonte: Hisrich e Peters, 2009, p. 12.
Historicamente, as grandes invenções da humanidade sur-
giram em momentos totalmente propícios para isso. Cita-se 
dentre elas a Revolução Industrial, as revoluções tecnológicas 
(criação do telefone, do desktop, da lâmpada elétrica), dentre 
outras invenções que mudaram a forma de se pensar em no-
vos meios de produção, de criação, de se relacionamento com 
pessoas e que influenciaram o papel do empreendedorismo 
no Brasil e no mundo.
152 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
Um dos empreendedores mais conhecidos pela prática da 
gestão da inovação foi o empreendedor Bill Gates, que co-
locou à frente de seus empreendimentos a tecnologia e não 
apenas reuniu esforços para criar uma empresa. Outro em-
preendedor bastante envolvido com a tecnologia e de olho 
em novas formas de se comportar em um mundo totalmente 
inovador foi Henry Ford, que utilizou argumentos lógicos para 
empreender e gerar riqueza não só para ele, mas também 
para todos os que estavam engajados com o desenvolvimento, 
alterando a qualidade de vida dos grandes e pequenos pro-
prietários e também da sociedade.
Desse exemplo partem outros não menos importantes, 
como o surgimento da startup UBER, hoje mundialmente co-
nhecido e bastante utilitário. O dinâmico aplicativo WAZE, 
que realiza busca de informações do trânsito em tempo real 
e repassa essas informações aos seus usuários, dentre outros 
exemplos de inovação.
DORNELAS (2012) percebe bem a importância da inova-
ção para o sucesso dos empreendedores quando diz:
Os empreendedores de sucesso são diferentes: estão 
sempre à procura de novas ideias de negócio e verda-
deiras oportunidades de mercado, ficando atentos a tudo 
que ocorre à volta deles. São curiosos, questionadores, 
não aceitando a primeira explicação dada para os fatos 
ocorridos. Será que é por isso que são criativos e iden-
tificam mais oportunidades que as demais pessoas? Ou 
será que é fato de sempre estarem em busca de novas 
oportunidades os leva a encontrá-las? Na verdade, existe 
Capítulo 8 Atitude Empreendedora 153
um pouco de cada coisa. Novas ideias surgem apenas 
quando a mente a pessoa está aberta para que isso ocor-
ra, ou seja, quando está preparada para experiências 
novas. Assim, qualquer fonte de informação pode ser um 
ponto de partida para novas ideias e identificação de 
oportunidades de mercado. (DORNELAS, 2012, p. 52)
Segundo a pesquisa GEM – Global Entrepeneurship Mo-
nitor (2016), o Brasil é um país com alta taxa de atividade 
empreendedora. O gráfico a seguir demonstra que 36 % da 
população de 18 a 64 anos atuava como empreendedores 
em 2016. Apesar de o gráfico demonstrar uma leve queda em 
relação ao ano anterior, observa-se uma tendência de cresci-
mento no índice de empreendedores no Brasil.
Figura 1 Gráfico do empreendedorismo em 2016.
154 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
A figura a seguir apresenta os principais fatores que in-
fluenciam o processo empreendedor, em suas diversas etapas:
Figura 2 Fatores que influenciam o processo empreendedor.
Ilustração: Marcelo Germano - LAC Ulbra EAD. Adaptado de: Dornelas, 2012, p. 31
Como podemos verificar na figura, o processo empreen-
dedor é influenciado por fatores pessoais, sociológicos, am-
bientais e organizacionais diversos. Os fatores pessoais, mais 
especificamente, são determinados em boa parte pela atitude 
empreendedora.
2 Atitude empreendedora 
Antes de tudo, precisamos entender o que é “empreendedo-
rismo”.
Capítulo 8 Atitude Empreendedora 155
Empreendedorismo é a arte de fazer acontecer com moti-
vação e criatividade, designando pessoas ousadas que bus-
cam novas ideias. Pessoa que assumem riscos, que vê o que 
ninguém vê, aquele que realiza antes de todo mundo.
Existem muitas diferenças entre ser empresário e ser empre-
endedor. Empresário é a condição jurídica do indivíduo que 
vai em um determinado órgão público e registra uma empresa 
no seu nome, enquanto que um empreendedor é um conjunto 
de comportamentos que potencializa rumo aos objetivos.
O termo empreendedor foi popularizado pelo economista 
Joseph Schumpeter em 1950 como sendo uma peça central 
que move todo o desenvolvimento do processo econômico. É 
alguém versátil e ao mesmo tempo capitalista.
Empreendedor é uma pessoa que imagina, desenvolve e 
realiza visões, alguém que inova, que é inquieto, criativo, pla-
nejador e que está sempre de olho no futuro.
O autor Maximiano (2011) traz uma distinção perfeita do 
que é empreendere de ser um empresário:
Ser empresário ou ter uma empresa é diferente de ser 
empreendedor. O empresário representa o lado formal 
do negócio é o conduz no dia a dia. O empreendedor 
representa o lado criativo e, ao mesmo tempo, prático, 
essencial para o nascimento, crescimento e para a sobre-
vivência de um negócio. O empresário tem orientação 
administrativa; o empreendedor tem orientação estraté-
gica. Todo empresário deve ser continuamente empreen-
dedor. (MAXIMINIANO, 2011, p. 4)
156 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
Então, o que podemos esperar do empreendedor?
Em seguida traremos as características dos empreendedo-
res e a definição dos tipos de empreendedorismo.
3 Características do empreendedor
O empreendedor é aquele que possui iniciativa, visão, cora-
gem, firmeza, decisão, atitude de respeito humano, capacida-
de de organização e direção.
Nem todo mundo tem essas características, logo não pode 
ser considerado empreendedor. É apenas um empresário.
DORNELAS (2012) diz que:
o empreendedor de sucesso possui características extras. 
Além dos atributos do administrador, e alguns atributos 
pessoais, que somados a características sociológicas e 
ambientais, permitem o nascimento de uma nova empre-
sa. (DORNELAS, 2012, p. 22-23)
Na visão de Chiavenato (2012), as três características bá-
sicas do empreendedor são a necessidade de realização, a 
disposição para assumir riscos e a autoconfiança. A figura a 
seguir ilustra a inter-relação existente entre essas caracterís-
ticas, que se apresentam na maioria das pessoas com perfil 
empreendedor.
As três características básicas do empreendedor
Capítulo 8 Atitude Empreendedora 157
Figura 3 As três características básicas do empreendedor.
Ilustração: Marcelo Germano - LAC Ulbra EAD. Adaptado de: Chiavenato, 2012, p. 10.
Complementando a visão de Chiavenato (2012), Maxi-
miniano apresenta os principais traços de comportamento do 
empreendedor, conforme a figura a seguir:
Figura 4 Principais traços de comportamento do empreendedor.
Ilustração: Marcelo Germano - LAC Ulbra EAD. Adaptado de: Maximiano, 2012, p. 4.
158 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
Sendo assim, na percepção deste autor os principais traços 
de comportamento observados nos empreendedores são: cria-
tividade, disposição para assumir riscos, otimismo, perseveran-
ça, senso de independência e capacidade de implementação.
4 Perfil dos empreendedores
Pessoas que sabem realizar negócios de maneira possuem um 
espírito empreendedor. Nem todo empresário é empreendedor. 
Precisa possuir qualidades de liderança, determinação, foco e 
inteligência emocional e um faro aguçado para os negócios.
Pode-se afirmar que “a pessoa que assume riscos de come-
çar uma empresa é um empreendedor” (MAXIMIANO, 2011, 
p. 1). Diz que o comportamento do empreendedor traduz o 
sentido da expressão “espírito de empreendedor” (MAXIMIA-
NO, 2011). É ele quem comanda toda a força do projeto, 
utilizando suas qualidades pessoais.
O autor traça o perfil do empreendedor de maneira geral, 
conferindo-lhe quatro traços marcantes:
		Criatividade e capacidade de implementação (É capaz 
de realizar o que outros não realizaram. Implementa 
sem muito esforço e é capaz de criar coisas novas).
		Disposição para assumir riscos (Sabe lidar com as in-
certezas e enfrenta os riscos, com coragem e determi-
nação. Não sente medo de inovar).
Capítulo 8 Atitude Empreendedora 159
		Perseverança e otimismo (Faz um trabalho árduo, sem 
medir esforços. Persiste no que faz).
		Senso de independência (Independem de terceiros para 
realizar a atividade. É autoconfiante).
Existem diversas vantagens e desvantagens em empreender. 
Uma delas, segundo Maximiano (2011) é possuir liberdade de 
decisões por não ser subordinado, assim ele toma as suas pró-
prias decisões. Ainda, Maximiano (2011) diz que quem possui 
capacidade de empreender está atento a novas ideias, tem 
capacidade de captar o novo com facilidade e construir um 
bom negócio. O autor também cita várias desvantagens, dú-
vidas muito comuns na cabeça de quem quer empreender. Ele 
fala que o empreendedor fica cara a cara com as incertezas 
do mundo moderno e tem que ter jogo de cintura para se sair 
dos problemas. 
No quadro abaixo podemos ver mais simplificado todas as 
vantagens e desvantagens citadas por Maximiano (2011):
Quadro 2 Vantagens e desvantagens em empreender
VANTAGENS DESVANTAGENS
	 Autonomia 	 Sacrifício pessoal
	 Desafio 	 Sobrecarga de responsabilidades
	 Controle Financeiro 	 Pequena margem de erro
Fonte: MAXIMIANO, 2011, p. 5.
160 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
5 Tipos de empreendedorismo
Existem diversos tipos de empreendedorismos. Aqui serão 
citados os principais e mais estudados.
 Â Empreendedorismo corporativo
 Â Empreendedorismo de startup
 Â Empreendedorismo de negócios
 Â Empreendedorismo social
O Empreendedorismo corporativo está relacionado às ati-
vidades inerentes às empresas, seja no aspecto inovador ou 
no desenvolvimento e implementação de novos focos de mer-
cado. Normalmente os empreendedores corporativos conse-
guem se sobressair de diversas situações, por ter muita expe-
riência no mundo dos negócios. Esse tipo de empreendedor 
sabe negociar, vender, tem poder de persuasão, lida bem com 
os riscos, possui um networking exemplar e sabe ser convin-
cente quando quer.
Também temos o empreendedorismo de startup, que con-
siste numa nova visão de estratégia para empresas que que-
rem entrar no mundo dos negócios, com uma ideia inovadora, 
buscando espaço no mercado.
As startups podem contribuir bastante para o mercado da 
inovação, através do lançamento de novas propostas de ne-
gócios, ideias lucrativas, desenvolvidas por um determinado 
grupo, em prol de uma diferenciação da ideia, mesmo que o 
projeto possa não se concretizar, pois nesse modelo há a pos-
Capítulo 8 Atitude Empreendedora 161
sibilidade de que o negócio torne-se um fracasso, devido ao 
alto índice de incerteza do mercado atual ou pela tentativa de 
implementação de um empreendimento diferenciado.
Outro tipo de empreendedorismo é o empreendedorismo 
de negócios. Esse tipo destaca-se pelo desenvolvimento de no-
vas empresas, abertura de franquias, cuidado com a gestão 
socioeconômica, elaboração de ideias inovadoras em um pro-
jeto, que dá certo e se torna um negócio lucrativo.
Já o empreendedorismo social refere-se a projetos que 
trazem uma função social. Utilizam-se não apenas de capital 
social, como também do auxílio a outras empresas através de 
benefícios incentivadores, como o aconselhamento empresa-
rial, treinamentos e apoio em diversas atividades focadas no 
social.
O empreendedorismo social ganhou grande destaque 
ultimamente devido ao seu alto grau de importância, 
não só para os empreendedores, mas porque envolve o 
interesse das pessoas além da empresa.
Bessant e Tidd (2009) trazem a definição exata do que é o 
empreendedorismo social quando dizem:
Empreendedor social: busca criar mudanças e valor social, 
em vez de inovação comercial e valor financeiro. Envolve em-
presas do setor privado, organizações do setor público e do 
terceiro setor, a fim de atingir esse objetivo. (BESSANT e TIDD, 
2009, P. 325)
Bessant e Tidd (2009) também explicam que o empreen-
dedorismo social pode ser um excelente aliado do desenvolvi-
162 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
mento sustentável, auxiliando em descobertas e soluções para 
os problemas atuais da humanidade. Dizem que “É mais do 
que preocupação humana básica de se doar aos outros, me-
nos afortunados - é voltar-se para a realização de mudanças 
sustentáveis” (p. 326).
Hoje o empreendedorismo social está cumprindo um pa-
pel de facilitador das grandes empresas, que se beneficiam 
através do incentivo de planosde ações sociais, pela gestão 
participativa da comunidade nos negócios. 
Preocupações sociais estão cada vez mais no foco das 
grandes instituições, que passaram a se preocupar e se sensi-
bilizar acerca das problemáticas do mundo moderno. Alguns 
negócios atuantes nesse mercado, podem servir como exem-
plo, como a agricultura familiar, as pesquisas das indústrias 
farmacêuticas que proporcionando acessibilidade à medica-
mentos por parte das pessoas mais carentes, dentre outros mi-
lhares de exemplos existentes.
Recapitulando
Neste capítulo, trouxemos o estudo sobre o empreendedoris-
mo, explicitamos a diferença entre ser um empreendedor e 
ser um empresário, exploramos o tema atitude empreendedo-
ra, trouxemos as características inerentes ao empreendedor e 
falamos sobre o perfil do empreendedor, trazendo os quatro 
traços comportamentais deste: criatividade e capacidade de 
implementação, disposição em assumir riscos, Perseverança e 
Capítulo 8 Atitude Empreendedora 163
otimismo e senso de independência. Também abordamos as 
vantagens e desvantagens de empreender e citamos alguns 
tipos de empreendedorismo (empreendedorismo corporativo, 
empreendedorismo de startup, empreendedorismo de negó-
cios e empreendedorismo social).
Referências
BESSANT, John; TIDD, Joe. Inovação e Emprendedorismo. 
Porto Alegre: Bookman, 2009.
CHIAVENATO, Adalberto. Empreendedorismo: Dando asas 
ao espírito empreendedor. Barueri: Manole, 2012.
DEGEN, Ronaldo Jean. Empreendedor. Empreender Como 
Opção de Carreira. 1. ed. São Paulo: Pearson Prentice 
Hall, 2009. 
DOLABELA, Fernando. O segredo de Luísa – uma ideia, uma 
paixão e um plano de negócios: como nasce o empreende-
dor e se cria uma empresa. Rio de Janeiro: Sextante, 2008.
DORNELAS, José Carlos Assis. Plano de Negócios – seu guia 
definitivo. 4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011. 
______. Empreendedorismo: transformando ideias em negó-
cios. 4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012. 
GEM – Global Entrepeneurship Monitor. Empreendedorismo 
no Brasil: 2016. Curitiba: IBQP, 2017.
164 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
HISRICH, Robert D.; PETERS, Michael P. Empreendedorismo 
(Entrepreneurship). 9. ed. Porto Alegre: Bookman, 2009.
MAXIMINIANO, Antônio César Amaru. Administração para 
empreendedores: fundamentos da criação e da gestão 
de novos negócios. 2. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 
2011.
______. Empreendedorismo. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 
2012.
NAKAGAWA, Marcelo. Plano de Negócio – Teoria Geral. Ba-
rueri: Manole, 2011.
Atividades
 1) Empreender é:
a) Não assumir riscos.
b) Ter a capacidade de utilizar as inovações tecnológicas a 
favor dos negócios.
c) Não ser curioso, não questionar, não ser atento às ino-
vações.
d) Fazer as coisas com desmotivação.
e) Ser dependente de outros empreendedores para inovar.
 2) Qual das alternativas abaixo NÃO é uma vantagem de 
empreender?
Capítulo 8 Atitude Empreendedora 165
a) Autonomia.
b) Pequena margem de erro.
c) Desafio.
d) Controle financeiro.
e) N.D.A.
 3) Qual das alternativas abaixo NÃO é um tipo de empreen-
dedorismo:
a) Empreendedorismo corporativo.
b) Empreendedorismos de startup.
c) Empreendedorismo social.
d) Empreendedorismo de sucesso.
e) Empreendedorismo de negócios.
 4) Qual das alternativas abaixo NÃO traz um traço do perfil 
do empreendedor?
a) Criatividade.
b) Disposição em assumir riscos.
c) Capacidade de implementação.
d) Senso de dependência.
e) Perseverança e otimismo.
 5) Qual alternativa NÃO contém características do empreen-
dedor:
166 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
a) Poder de persuasão, controle financeiro, desanimo em 
inovar, dificuldade de realizar tarefas.
b) Empatia, visão linear, sorte, iniciativa.
c) Possui iniciativa, visão, coragem, firmeza, atitude de res-
peito humano, capacidade de organização e direção.
d) Insucesso no que realiza quer realizar, perfeccionismo, 
criatividade em apenas um tipo de negócio.
e) Direcionamento para os negócios menos válidos, firme-
za, má vontade em realizar as atividades de empreende-
dor, por ser difícil de empreender.
Modelos de Negócios
1 Possui graduação em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande 
do Sul - UFRGS (1997) e Mestrado em Administração com ênfase em Marketing 
pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Var-
gas - EAESP/FGV e Stockholm School of Economics (2001). Concluiu Doutorado 
em Administração com ênfase em Marketing pela EAESP/FGV (2007). Atua como 
professora dos cursos de graduação e pós-graduação nas modalidades presencial 
e a distância da ULBRA – Universidade Luterana do Brasil desde 2006.
Valesca Persch Reichelt1
Capítulo 9
168 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
Introdução
Neste capítulo, aprenderemos sobre os modelos de negócios, 
que são formas de estruturar um empreendimento novo. Des-
tacaremos principalmente o modelo intitulado Canvas e o pla-
no de negócios. O Canvas permite uma estruturação bastante 
visual e flexível sobre o negócio que está sendo criado, poden-
do ser utilizado também para novos projetos organizacionais 
dentro de uma empresa já em funcionamento. 
O plano de negócios, por sua vez, trata-se de um docu-
mento estruturado que traz as principais informações relevan-
tes para a abertura de um novo negócio. Os elementos para 
a composição de um plano de negócios são detalhados neste 
capítulo. 
Além disso, serão apresentados três métodos para avalia-
ção de negócios: Método de fluxo de caixa descontado ou 
cash flows; Método de avaliação por fluxos; Método de ava-
liação por valor patrimonial.
1 Modelos de negócios
Os modelos de negócios existentes ajudam o empreendedor a 
organizar a empresa que pretende iniciar como, por exemplo, 
o CANVAS e o plano de negócios. Além disso, serão aborda-
dos métodos de avaliação de negócios.
Para iniciar uma empresa ou trazer para o mercado um 
novo produto ou serviço, é necessário ter um bom modelo de 
Capítulo 9 Modelos de Negócios 169
negócios, bem estruturado e viável para sua implementação. 
Existem diversos modelos de negócios no mundo empresarial, 
desde estruturas mais simples até as mais complexas.
Primeiramente, precisamos saber o que é este tal “Modelo 
de negócios” e entender os conceitos, para ampliar o conhe-
cimento do assunto e saber diferenciar modelo de negócios de 
plano de negócios, que parecem ser a mesma coisa, mas têm 
suas diferenças.
Conforme dito na cartilha Canvas (2013) do SEBRAE, Ser-
viço Brasileiro de apoio às Micro e Pequenas Empresas, um 
modelo de negócios é aquele que “descreve a lógica de cria-
ção, entrega e captura de valor por parte da organização” 
(Cartilha Canvas, 2013, p. 12), ou seja, entende-se que um 
modelo de negócios é o entendimento geral do caminho para 
alcançar sucesso em todas as etapas do surgimento de ideias. 
Tal modelo pode vir em vários formatos, como nos forma-
tos de gravuras, quadros, sistemas, dentre outros formatos uti-
lizados na criação, na recriação e na inovação de um novo 
modelo de negócios.
Também podemos falar das diferenças entre modelo de ne-
gócios e plano de negócios. Esses dois conceitos não podem 
se confundir. Quando se inicia um modelo de negócios, a ten-
dência é que ele se pareça mais com um plano de negócios, 
mas isso não será possível se houver a correta distinção por 
parte de quem está estruturando o modelo.
O modelo de negócios vem primeiro, pois se refere ao 
lançamento das ideias para o posterior desenvolvimento das 
170 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
mesmas. Já o Plano de negócios aproveita esse modelo já es-
tabelecido e põe em prática o planejado.
Essas ferramentas mantêm uma relação entre si durante 
seu desenvolvimento. Elas caminham juntas,são complemen-
tares. Por essa interação entre as duas ferramentas, é possível 
que ambas possam ser modificadas ao longo do seu tempo de 
vida, caso apenas uma delas tenha que ser alterada. 
Destaca-se que o modelo de negócios tem características 
que faz com que eles sejam diferentes e possuam destaque 
entre os demais. Devem possuir as seguintes características:
 Â Pensamento visual (estimular as ideias e interação atra-
vés do uso de imagens, infográficos, rascunhos, diagra-
mas, comunicação, etc.), mais conhecido como visual 
thinking.
 Â Visão sistêmica (possuir a capacidade de tomar decisões 
importantes através de uma dinâmica de olhar o todo, 
entender o cenário, captar as informações que ambien-
te está oferecendo e construir soluções práticas para os 
negócios).
 Â Cocriação (utilizar a participação dos stakeholders no 
processo de criação. Clientes, empresas, startups, estu-
dantes, comunidade, passaram a ter um papel funda-
mental na elaboração de ideias e criação de empresas 
e novos negócios). O Waze, aplicativo de verificação do 
trânsito em tempo real vem utilizando a técnica do cro-
wsourcing, que nada mais é que utilizar da interação do 
público para melhorar seus projetos, recebendo infor-
Capítulo 9 Modelos de Negócios 171
mações importantes sobre o trânsito e atualizando tais 
informações para outros usuários do aplicativo.
 Â Simplicidade e aplicabilidade (dar foco ao processo de 
criação, achar o alvo para determinada criação, trazen-
do a percepção de gaps no processo).
1.1 Modelo canvas
A palavra canvas significa “quadro”, e é isto que esse mode-
lo significa. A ferramenta usa todos os elementos necessários 
quando se quer criar uma empresa ou abrir uma nova frente 
de negócios, dentro uma empresa existente.
Nada mais é que um quadro dividido em blocos que se 
relacionam entre si, e precisam estar sempre em harmonia. 
Ele se parece como a divisão do cérebro, tem duas partes, a 
emocional e a racional. A primeira delas é voltada para a par-
te comportamental, como proposta de valor e relacionamento 
com o cliente. A segunda, voltada para as questões racionais, 
ligadas à operacionalidade da empresa.
172 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
Figura 1 Modelo canvas.
Ilustração: Marcelo Germano - LAC Ulbra EAD. Adaptado de: Tadeu, 2018.
O Canvas, que é um método muito conhecido pelos em-
preendedores na busca por melhores resultados, serve para 
planejar e entender todo o funcionamento dos negócios e seus 
conflitos, através do uso de estratégias eficazes, aprimorando 
e transformando o contexto dos negócios e o processo inova-
dor.
Trata-se de uma ferramenta bastante versátil e flexível, lem-
brando que não substitui um plano de negócios detalhado, 
mas auxilia na visualização do negócio, pois traz uma visão 
holística de todo o processo.
Capítulo 9 Modelos de Negócios 173
Como vou criar uma empresa inovadora? Como vou agre-
gar valor ao meu produto ou serviço? Como vou quebrar as 
barreiras de um negócio ultrapassado? Essas e outras pergun-
tas são inevitáveis quando se utiliza a ferramenta do Canvas 
no processo de criação e inovação.
Ao estruturar o modelo de negócios, outros questionamen-
tos são feitos: 
 Â Quem são meus clientes?
 Â Como alcanço esse cliente?
 Â Quais as necessidades que pretendo atender?
 Â Quais são os serviços que irei oferecer?
 Â Quem devo selecionar e recrutar?
 Â Quais recursos físicos e intelectuais devo alocar para o 
negócio?
 Â Quais despesas teremos e qual meta financeira preten-
do atingir?
Tais questionamentos serão respondidos a partir do mo-
mento que o modelo for definido. 
Abordaremos agora sobre o modelo criado por Alex Os-
terwalder, os nove blocos construtivos do modelo de negócios.
1.2 Nove blocos e funções
Existem nove blocos construtivos do modelo Canvas. Eles ser-
vem para analisar os pontos cruciais para se chegar ao mode-
174 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
lo de negócios ideal. Dessa forma, você chega-se à conclusão 
de quais atitudes deve-se tomar em relação a um novo negó-
cio ou o aperfeiçoamento de um modelo já existente. São eles:
		Segmento de clientes: este é o bloco principal do qua-
dro, em que é feita a seguinte pergunta: quem são os 
clientes, qual o público-alvo. O bloco é utilizado para 
entender o que o cliente deseja, as suas necessidades e 
suas demandas. Para ter foco no problema do cliente, 
pensar qual problema ele tem. O foco é na definição 
do cliente.
		Preposições de valores ou propostas de valores: são 
valores voltados para a percepção e para os benefí-
cios. Na definição de uma solução para um determina-
do problema. O foco é nos benefícios recebidos pelos 
clientes. Tudo o que favorece ao cliente, as suas de-
mandas e necessidades.
		Canais: são formas de poder falar com o cliente e dar 
feedback sobre possíveis problemas que possam surgir. 
Pode ser através de uma entrega física ou virtual, uma 
forma de comunicação direta (Ex: chat, SAC, E-mail), 
uma maneira chegar até ao cliente, em que atendê-lo 
em diferentes situações. Foco na diversidade de intera-
ção.
		Relacionamento com o cliente: maneira de interagir 
com o cliente, seja tal maneira de uma forma mais hu-
manizada, mais automatizada, até mesmo fidelizar o 
cliente, dar descontos, ajudar o cliente a escolher os 
Capítulo 9 Modelos de Negócios 175
produtos, auxiliá-lo desde a venda até o pós venda. 
Foco na estratégia de fidelização do cliente.
		Receitas: tratar do capital financeiro. Saber como obter 
lucro com produtos ou serviços.
		Recursos-chave: são os recursos físicos, humanos, inte-
lectuais e financeiros. Pensar em quais são os principais 
recursos a serem alocados. Quais matérias-primas que 
deve ser utilizada, determinados pontos para execução 
da proposta. Foco na estrutura do negócio.
		Atividades-chave: quais as mais importantes atividades 
para o projeto? Descreve as atividades e quais proces-
sos devem ser seguidos. Foco na operação do negócio.
		Custos: quais os gastos de maior relevância. Elenca os 
principais custos e despesas. Foco nos custos do funcio-
namento do negócio.
		Parceiros-chave: a relação com fornecedores, parcei-
ros, pessoas que ofereçam recursos que você não tem 
ou não produz. Quais parceiros e fornecedores são es-
senciais para a proposta. Foco nas alianças e relações 
de negócio
176 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
Figura 2 Exemplo de modelo de negócios.
Ilustração: Marcelo Germano - LAC Ulbra EAD. Adaptado de: SEBRAE, 2013, p. 39.
Temos, também, as quatro etapas para elaboração do mo-
delo de negócio: O quê? Quem? Como? E Quanto? Veremos 
cada uma delas a seguir.
2 Quatro etapas do modelo de negócio
O Quê: Proposta De Valor
Quem: Clientes, Canais e Relacionamento Com o Cliente
Como: Atividades e Parceiros Principais
Capítulo 9 Modelos de Negócios 177
Quanto: Custos
A figura abaixo, extraída da cartilha Canvas do SEBRAE, 
deixa claro o que faz cada uma das etapas:
Figura 3 Etapas Do Modelo De Negócio.
Ilustração: Marcelo Germano - LAC Ulbra EAD. Adaptado de: SEBRAE, 2013, p. 20.
Em seguida entraremos mais detalhadamente no modelo 
de plano de negócios.
3 Plano de negócios
Diferente do modelo de negócios, o plano de negócios é um 
documento formal, no qual se encontram normas para elabo-
ração do empreendimento ao qual se pretende criar, inovar, 
178 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
ampliar ou até mesmo modificar. Ele é o escopo da empresa, 
negócio ou produto.
O plano de negócios, conhecido por f, bastante difundido 
no mundo, é utilizado para gerir um negócio inovador, para 
dar diferentes caminhos para se gerenciar uma empresa, sen-
do possível alcançar seus objetivos e metas.
Maximiano (2011) conceitua Plano de negócios como sen-
do:
 uma descriçãodetalhada da empresa, de seu funcio-
namento e do que é necessário para sua instalação. É 
como um guia para o próprio empreendedor e instru-
mento de negociação com outras partes interessadas 
– bancos, agências de financiamento, investidores etc. 
(MAXIMINIANO, 2011, p. 223).
Para Degen (2009), o plano de negócio é a descrição, em 
um documento, da oportunidade de negócio que o candida-
to a empreendedor pretende desenvolver, como a descrição 
do conceito do negócio, dos atributos de valor da oferta, dos 
riscos, da forma como administrar esses riscos, do potencial 
do lucro e crescimento do negócio, da estratégia competitiva, 
bem como o plano de marketing e vendas, o plano de opera-
ção e o plano financeiro do novo negócio, com a projeção do 
fluxo de caixa e o calculo da remuneração esperada, além da 
avaliação dos riscos e o plano para superá-lo (DEGEN, 2009, 
p. 208).
Dornelas (2011) diz que o plano de negócio é aquele que 
descreve o empreendimento e o modelo de negócio que o 
Capítulo 9 Modelos de Negócios 179
mantém ativo. O documento no processo de aprendizagem do 
empreendedor, assim como o mantém atrelado ao ambiente 
do negócio ao qual ele se propõe a executar. Ele ainda explicita 
que as partes que compõem o plano de negócio normalmente 
seguem um padrão, facilitando assim o seu entendimento.
Dornelas (2012) ainda argumenta que plano de negócios 
é uma ferramenta de gestão para o planejamento e desenvol-
vimento inicial de uma startup.
Já para Maximiniano (2011), o plano de negócios “é uma 
descrição detalhada da empresa, de seu funcionamento e do 
que é necessário para sua instalação” (MAXIMINIANO, 2011, 
p. 223).
Embora o plano de negócios tenha todas essas funções, 
tem sido muito mais considerado como um excelente instru-
mento de captação de recursos.
Afinal, o que é um plano de negócios? Podemos definir 
um plano de negócios como sendo “documento usado para 
descrever um empreendimento e o modelo de negócios que 
sustenta a empresa” (DORNELAS, 2012, p. 99).
4 Ciclo de vida do plano de negócios
Assim como toda a humanidade, o plano de negócios possui 
um ciclo de vida: ele nasce (surge a ideia), cresce (desenvolve-
-se o projeto) e morre (finaliza-se o ciclo). A ideia é que haja 
um momento de encerramento ou concretização do projeto, 
180 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
como se fosse uma inauguração de uma obra construída por 
uma equipe.
O ciclo de vida segue alguns passos importantes, que de-
vem ser seguidos com cautela. São eles:
	Ideia
	Avaliação da ideia
	Planejamento do projeto
	Implantação das operações
O ciclo de vida do plano de negócios se inicia com o sur-
gimento da ideia e sua finalização se dá com a conclusão do 
projeto. Toda ideia parte de um pressuposto importante para 
o sucesso do projeto. Ela é a fase inicial para descrever todo 
o contexto do projeto. Se essa ideia for brilhante, deve-se tê-la 
guardada a sete chaves. Hoje em dia existem diversos recursos 
para proteção da ideia, que vão desde seu registro ou patente, 
até mesmo utilização de recursos eletrônicos para proteção da 
criação.
Maximiniano (2011) explica que a geração da ideia é um 
momento que é totalmente pertencente ao empreendedor. Diz 
também que “O projeto é o empreendimento integral, desde o 
surgimento da ideia até a abertura da empresa e o início das 
operações” (MAXIMINIANO, 2011, p. 224), ou seja, segue 
uma linha de raciocínio linear, para sua completa execução.
É inegável que o projeto só obterá sucesso se houver um 
plano de negócio impecável. As etapas devem ser seguidas 
coerentemente, passando por todas as fases, que são: o sur-
Capítulo 9 Modelos de Negócios 181
gimento da ideia, a avaliação da ideia, a elaboração do pla-
no de negócios, implantação do plano de negócios em um 
projeto ou mesmo criando um escopo, a implementação do 
negócio e seu início.
Primeiramente, deve-se avaliar a ideia, mas como fazer 
isso? Maximiniano (2011) traz em sua obra algumas formas 
de se avaliar uma ideia.
	Se existe demanda pelo produto ou serviços;
	Qual mercado quer atingir;
	Onde estão os consumidores;
	Quais as vantagens competitivas;
		Qual a estrutura para atender esse potencial consumi-
dor;
	Existência de fornecedores;
		Se é necessário criar um experimento, uma pesquisa 
sobre a criação;
	Quais requisitos legais serão necessários seguir;
	Qual o custo do empreendimento
4.1 Composição do plano de negócios
A estrutura do plano de negócios em nada se parece com 
uma “receita de bolo”, ela não é imutável. Ela pode sofrer 
alterações durante a sua composição, pois possui distinções 
de estruturas de cada tipo de negócio, ou seja, “Não existe 
182 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
uma estrutura rígida e específica para se escrever um plano de 
negócios, pois cada negócio tem particularidades e semelhan-
ças, sendo impossível definir um modelo padrão de plano de 
negócios que seja universal e aplicado a qualquer negócio” 
(DORNELAS, 2012, P. 101).
Para Maximiniano (2011), o plano de negócios deve seguir 
a seguinte estrutura, com as devidas adaptações para cada 
tipo de negócio:
		Descrição do negócio (produto/serviço e mercado/
cliente, missão, nome do produto, porte da empresa, 
localização); 
		Análise de mercado e do ambiente (tendências, ramo 
de negócio, mercado);
		Estratégia (objetivos de desempenho, vantagens com-
petitivas, projeção de desempenho e perspectivas de 
crescimento, indicadores e mecanismos de controle es-
tratégico, iniciativas de responsabilidade social);
		Marketing e Vendas (mercado avo, estratégias de ma-
rketing, preços, distribuição e vendas, esforço promo-
cional);
		Operações (Especificações do produto, modos de ope-
rações, sistema de gestão da qualidade, projeto de 
processo de fornecimento de produtos/serviço, insta-
lações, fornecedores e cadeia de suprimentos, controle 
de estoque);
Capítulo 9 Modelos de Negócios 183
		Estrutura organizacional (estrutura, descrições e ocu-
pantes dos cargos);
		Recursos humanos (mão de obra, competências, pro-
cessos de recrutamento e seleção, treinamento e de-
senvolvimento, política salarial, benefícios e sistema 
motivacional);
		Tecnologia da informação (infraestrutura, definições de 
softwares, site da internet)
		Riscos (identificação dos problemas, mecanismos de 
gestão de riscos e prevenção de perdas);
		Finanças (orçamentos, balanços, projeções, indicado-
res);
		Legislação (legislação e serviços contratados - advoga-
dos, contador);
		Cronograma e orçamento de implantação (planejar 
e executar atividades operacionais, colocadas em um 
cronograma).
Essa estrutura não é exaustiva, ela pode variar de acordo 
com cada tipo de empreendimento. Dornelas (2012) cita em 
sua obra diversos modelos de planos, desde o mais sucinto até 
o mais complexo. Ele descreve diversas estruturas diferencia-
das pelo tamanho do plano. Por exemplo, Plano de negócio 
completo, resumido e operacional. A seguir, uma breve descri-
ção dos tipos de estruturas (DORNELAS 2012, p. 111):
		Plano de negócios Completo: é utilizado quando se 
pleiteia uma grande quantidade de dinheiro ou quan-
184 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
do se necessita apresentar uma visão completa do seu 
negócio.
		Plano de Negócios Resumido: é utilizado quando se 
necessita apresentar informações resumidas a um in-
vestidor, por exemplo, com o objetivo de chamar sua 
atenção para que ele lhe requisite um plano de negó-
cios completo.
		Plano de Negócios Operacional: é muito importante 
para ser utilizado internamente na empresa pelos dire-
tores, gerentes e funcionários. É excelente para alinhar 
os esforços internos em direção aos objetivos estratégi-
cos da organização.
O uso de softwares é muito comum para a criaçãode al-
guns desses planos, porém é mais difícil de serem adaptados. 
Existem diversos benefícios de se utilizar as ferramentas tecno-
lógicas na elaboração de um bom plano como, por exemplo, 
o preenchimento automático que alguns modelos de softwares 
permitem utilizar. O Plano de custos do empreendimento tam-
bém fica facilmente calculável, pela utilização de tais softwares 
amigáveis.
Mas ainda não há uma grande aceitação pelos investido-
res na utilização dessas ferramentas, como afirma DORNE-
LAS (2012): “Muitos investidores não gostam de planos de 
negócios feitos por softwares, pois na maioria das vezes são 
limitados, e o empreendedor se prende à estrutura de plano 
existente na ferramenta, que nem sempre está adequada à sua 
realidade” (2012, p.111-112).
Capítulo 9 Modelos de Negócios 185
Enfim, utilizar ou não um software dependerá do elabora-
dor. Hoje existem no mercado diversos modelos disponíveis de 
softwares como o Easyplan, Business Plan Pro, BizPlan Builder, 
e também existe um portal nacional, o www.planodenegocios.
com.br.
5 Métodos de avaliação de negócios
O valuation do mercado, mensurado por especialistas, identifi-
ca os valores de uma empresa, através de métodos modernos, 
escolhidos pelo dono do negócio. Apenas escolher o método 
não é o suficiente para se obter um resultado satisfatório. É 
preciso ter conhecimentos técnicos sobre o assunto, entender 
o posicionamento atual da empresa frente ao mercado, saber 
que nem sempre o valor será o mais justo para o dono do ne-
gócio. Imagine a seguinte situação: você tem um carro e agora 
quer vendê-lo. O preço que você vai vender o carro, pela lógi-
ca do mercado e a desvalorização do bem, será muito menor 
do que você pagou por ele. Um especialista avalia seu bem e 
dá um diagnóstico, que é o valuation do automóvel, ou a pre-
cificação do carro, e você o vende por aquele valor estimado. 
É assim que funciona nos métodos de avaliação da empresa 
ou de um negócio. O bem sofre uma avaliação quantitativa e 
é dado o preço mais justo possível por aquele produto, negó-
cio, serviço, ou mesmo a melhoria do empreendimento. 
Então, entender o posicionamento da empresa, saber o 
valor justo do produto ou serviço, ter um bom conhecimento 
técnico e entender a posição do negócio no ambiente em-
186 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
presarial, são pontos primordiais para saber qual método se 
adequa melhor à pesquisa do valuation. 
Enfim, já sabemos o que precisamos colocar na balança 
ao escolher o método. Mas quais métodos existem para essa 
análise? 
São eles: Método de fluxo de caixa descontado ou cash 
flows; Método de avaliação por fluxos; Método de avaliação 
por valor patrimonial.
5.1 Método do Fluxo de Caixa Descontado 
(FCD) ou cash flows descontados
É um método que analisa eficiência do mercado de ações. É 
a forma como o empreendedor avalia o posicionamento fi-
nanceiro do mercado e mensura suas ações futuras, com a 
pretensão de gerenciar ganhos de longo prazo. Esse método 
também considera a avaliação do comportamento dos clien-
tes, fornecedores e da concorrência. Também é levado em 
consideração todo o histórico da empresa e dos ganhos atu-
ais, a exemplo do EBTIDA, que muitas empresas utilizam para 
avaliação do desempenho do negócio.
Enfim, o método do fluxo de caixa descontado é um méto-
do que determina o valor da empresa e mensura suas variá-
veis, pensando no cenário à sua frente.
Capítulo 9 Modelos de Negócios 187
5.2 Avaliação por múltiplos
É um método comparativo, que funciona como medidor de 
desempenho da empresa, tendo como referência outros mer-
cados, desde que estes estejam no mesmo patamar daquela.
Empresas de pequeno porte não são beneficiados com a 
utilização deste método, pela dificuldade de achar referências.
5.3 Avaliação por valor patrimonial
É determinado pelo patrimônio total do negócio, utilizando 
somatório de todo poder patrimonial da empresa (estruturas, 
maquinário, ativos financeiros, estoque etc.). Para este cômpu-
to, não se considera patrimônio dívidas e contribuições.
Enfim, todos os métodos de avaliação trazem suas pecu-
liaridades, que auxiliam na mensuração dos negócios, bus-
cando otimizar a maneira de entender o empreendimento e 
seu sucesso. É importante também mensurar os impactos que 
um novo lançamento de um produto ou serviço ou a criação 
de uma nova proposta de negócio pode trazer, ampliando a 
eficácia da empresa.
Recapitulando
Neste capítulo, destinado ao modelo de negócios, foi aborda-
da a importância de se ter um modelo pré-estabelecido e bem 
definido para se iniciar um negócio. Foi apresentado o modelo 
de Canvas, bastante utilizado pelos novos empreendedores, 
188 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
assim como explorado a elaboração de um plano de negócios 
eficiente para o processo de criação e implementação. Foi fei-
ta a distinção de modelo de negócios e plano de negócios, já 
que os conceitos não podem ser confundidos. Foram traçadas 
as características do modelo de negócios (pensamento visu-
al, visão sistêmica, cocriação, simplicidade e aplicabilidade). 
Ainda falando em Canvas, foram identificados os nove blocos 
construtivos do modelo de negócios e suas quatro etapas (O 
quê? Quanto? Pra quem? Como?). Por fim, foram explorados 
os modelos de avaliação do negócio (FCD, múltiplos e valor 
patrimonial).
Referências
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Opção de Carreira.1. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 
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mando ideias em negócios. 4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 
2012. 
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definitivo. 4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011. 
MAXIMINIANO, Antônio César Amaru. Administração para 
empreendedores: fundamentos da criação e da gestão 
de novos negócios. 2. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 
2011.
Capítulo 9 Modelos de Negócios 189
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2012.
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– um caminho para criar, recriar e inovar em modelos de 
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VALENTE, LUCIANO. Hélice tríplice: metáfora dos anos 90 
descreve bem o mais sustentável modelo de sistema de 
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lo.br/sc ie lo.php?scr ipt=sci_ar t tex t&pid=S1984-
-43952010000100002&lng=pt&nrm=is>. Acesso em: 9 
abr. 2018.
Atividades
 1) Um modelo de negócios é aquele que:
a) traz um modelo engessado de negócios.
b) busca não mostrar o que fazer na criação.
c) incentiva o empreendedor a desistir do negócio.
d) copia outros modelos, sem se preocupar com o novo
e) descreve a lógica de criação, entrega e captura de valor 
pela organização.
 2) Qual a alternativa corretaque traz os métodos de avalia-
ção do mercado? 
a) Matriz SWOT, Workflow e Ciclo PDCA.
b) Fluxo de Caixa, Contabilidade Financeira e Desempe-
nho dos Administradores.
c) Fluxo de caixa descontado (FCD), Avaliação por múlti-
plos e Avaliação por valor patrimonial.
Capítulo 9 Modelos de Negócios 191
d) Cash flows Descontados, Avaliação de Desempenho do 
Mercado, Avaliação dos Processos de Vendas.
e) Cash flows, Balance Scorecard, Análise da Matriz SWOT.
 3) Qual alternativa abaixo define melhor a utilidade do uso 
de métodos de avaliação de uma empresa ou um negócio:
a) É a melhor forma de se saber qual ferramenta de marke-
ting deve-se aplicar em um produto ou negócio novo.
B) serve para definir o melhor modelo de empreendedor 
para estar à frente dos negócios.
c) é a forma mais adequada para saber o quanto vale o 
capital intelectual de um negócio.
d) é utilizado para saber o quanto a empresa está faturan-
do no mercado externo.
e) serve para identificar o valor de uma empresa ou negó-
cio, através de métodos quantitativos.
 4) De acordo com o texto, o ciclo de vida do plano de negó-
cios segue etapas de criação. Qual alternativa abaixo traz 
essas etapas?
a) Produção, avaliação, implementação.
b) Começo, meio e finalização.
c) Ideia, avaliação das ideias, planejamento do projeto e 
implantação das operações.
d) Valuation do mercado, criação do processo de avaliação 
e resumo descritivo.
192 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
e) Criação de um cronograma e técnicas de implementa-
ção da estratégia.
 5) Qual modelo de plano de negócios abaixo é “importante 
para ser utilizado internamente na empresa pelos direto-
res, gerentes e funcionários, pois é excelente para alinhar 
os esforços internos em direção aos objetivos estratégicos 
da organização”?
a) Plano de Negócios Operacional.
b) Plano de Negócios Resumido.
c) Plano de Negócios funcional.
d) Plano de Negócios Completo.
e) Plano de Negócios Direcional.
Ciência, Inovação e 
Empreendedorismo para 
o Desenvolvimento da 
Sociedade
1 Mestre em Administração com ênfase em Tecnologia e Produção pelo PPGA/
UFRGS. Professor dos cursos de graduação e pós-graduação nas modalidades pre-
sencial e a distância da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA) desde 2004.
Rodrigo von Mengden Tomasi1
Capítulo 10
194 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
Introdução
Nesse último capítulo, buscaremos esclarecer como os três 
conceitos orientadores de nossa disciplina devem trabalhar em 
conjunto e como podem ajudar o desenvolvimento de nossos 
estudos e de nossa carreira profissional. Nosso objetivo será 
de entender o funcionamento da engrenagem movimentada 
pela ciência, inovação e empreendedorismo em cada área e 
como podemos aplicar esses conceitos em nosso dia a dia.
1 A disciplina como um todo
Durante toda a disciplina apresentamos os conceitos de Ci-
ência, Inovação e Empreendedorismo, iniciando pela impor-
Capítulo 10 Ciência, Inovação e Empreendedorismo para... 195
tância dos mesmos para a formação acadêmica e seu alinha-
mento com o PDI da ULBRA, inserindo a ciência como base 
para o processo de inovação e, por consequência, o fomento 
à adequada atitude empreendedora.
Ao debater o desenvolvimento da Pesquisa Científica, abor-
damos o que é ciência e como desenvolvê-la de forma ética, 
bem como o que é conhecimento científico e como ele se di-
ferencia dos demais conhecimentos; os tipos de pesquisa, suas 
diferentes naturezas e abordagens. Na sequência, os métodos 
e procedimentos de pesquisa foram trabalhados, apresentan-
do o que é método científico e sua diferença em relação à 
técnica. 
Os principais procedimentos de pesquisa, sua relação com 
o tipo e a natureza da pesquisa e com os principais métodos 
de coleta e análise de dados foram incluídos em nosso con-
teúdo, culminando nesse assunto com o projeto de pesquisa 
científica, como se constrói o mesmo, suas principais etapas, 
necessidades e recursos envolvidos.
Relacionamos as duas metades da disciplina com o assun-
to processos criativos, trazendo à tona o tema criatividade, o 
pensamento criativo e os princípios do processo criativo, bem 
como as principais metodologias e técnicas que podem ser 
utilizadas para estimular a criatividade como ingrediente para 
o processo de inovação.
Inovação que foi introduzida para estudo a partir de seus 
principais conceitos, bem como os processos existentes para o 
desenvolvimento da mesma, com especial destaque para a 
chamada tríplice hélice da inovação, envolvendo: universida-
196 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
de – empresas – governo. Na sequência, os tipos e aspec-
tos legais de inovação foram classificados. Além disso, foram 
apresentadas a legislação sobre registro de marcas e patentes, 
bem como as leis de incentivo à inovação.
Continuamos com a atitude empreendedora como ênfa-
se, objetivando explicar os conceitos relacionados e traçar as 
características e perfil do empreendedor, desta forma, preten-
demos incentivar essa atitude nos estudantes deste conteúdo. 
Para viabilizar a prática empreendedora, modelos de negócios 
foram apresentados, buscando auxiliar a organizar a empresa 
que pretende iniciar, como, por exemplo, o Canvas e o plano 
de negócios. Além disso, diferentes métodos de avaliação des-
ses negócios foram propostos para discussão.
Finalmente, com este capítulo de fechamento iremos abor-
dar a importância dos conteúdos trabalhados para a atuação 
profissional, contextualizando os conceitos centrais nas dife-
rentes áreas de formação e relacionando-os entre si. Busca-
remos descrever a aplicação dos conceitos através de alguns 
exemplos práticos aplicados nas diferentes áreas do conheci-
mento, conforme a distribuição proposta pelo Ministério da 
Educação, levando em consideração o conceito de diversida-
de e sua influência em nossos objetivos.
2 O alinhamento esperado
Antes de mais nada, devemos compreender o que quer dizer 
diversidade. Conforme muitas fontes, a palavra está ligada 
Capítulo 10 Ciência, Inovação e Empreendedorismo para... 197
aos conceitos de diferença, oposição, pluralidade, multiplici-
dade, diferentes ângulos de visão ou de abordagem, hetero-
geneidade, comunhão de contrários, intersecção de diferenças 
ou tolerância mútua.
Segundo a UNESCO,
Essa diversidade se manifesta na originalidade e na plu-
ralidade de identidades que caracterizam os grupos e 
as sociedades que compõem a humanidade. Fonte de 
intercâmbios, de inovação e de criatividade, a diversi-
dade cultural é, para o gênero humano, tão necessária 
como a diversidade biológica para a natureza. Nesse 
sentido, constitui o patrimônio comum da humanidade 
e deve ser reconhecida e consolidada em beneficio das 
gerações presentes e futuras. 2
A diversidade está presente de forma evidente em nossa so-
ciedade e, consequentemente, na ULBRA, principalmente por 
sua orientação confessional e filantrópica que permite o acesso 
aos mais diferentes públicos ao Ensino Superior de qualidade.
Thomas3 afirma que a diversidade inclui todos, não é algo 
que seja definido por raça ou gênero. Estende-se à idade, his-
tória pessoal e corporativa, formação educacional, função e 
personalidade. Inclui estilo de vida, preferência sexual, origem 
2 Disponível em: Disponível em: http://unesdoc.unesco.org/
images/0012/001271/127160por.pdf.
3 THOMAS, R. R. Beyond race and gender: unleashing the power of your total work 
force by managing diversity. New York: Amacom, 1991. Citado por NKOMO, S. M.; 
COX Jr., T. Diversidade e identidade nas organizações. In: CLEGG, S.; HARDY, C.; 
NORD, W. Handbook de estudos organizacionais. São Paulo: Atlas, 1999.
198 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
geográfica, tempo de serviço na organização, status de privi-
légioou de não privilégio e administração ou não administra-
ção. 
Considerar a diversidade para tomada de decisão se faz 
cada vez mais necessário para buscar o acerto nas escolhas 
que regem a formação universitária com o direcionamento de 
melhoria da qualidade de vida em sociedade.
Novamente conforme a UNESCO, 
[...] em nossas sociedades cada vez mais diversificadas, 
torna-se indispensável garantir uma interação harmo-
niosa entre pessoas e grupos com identidades culturais a 
um só tempo plurais, variadas e dinâmicas, assim como 
sua vontade de conviver. As políticas que favoreçam a in-
clusão e a participação de todos os cidadãos garantem 
a coesão social, a vitalidade da sociedade civil e a paz. 
Definido desta maneira, o pluralismo cultural constitui 
a resposta política à realidade da diversidade cultural.4
Tentando, então, responder a pergunta de como colocar 
em prática os conceitos principais dessa disciplina, relacionan-
do-os com a realidade de nossos stakeholders, a ULBRA em 
seu PDI aponta que:
A formação do profissional se dá em um cenário mais 
participativo, criativo, integrador, autônomo e flexível, e 
tende a exigir níveis mais aprofundados de formação, a 
fim de desenvolver capacidades de inovar, de produzir, 
4 Disponível em: Disponível em: http://unesdoc.unesco.org/
images/0012/001271/127160por.pdf.
Capítulo 10 Ciência, Inovação e Empreendedorismo para... 199
de solucionar, de aprender, de cooperar e de organi-
zar. Dessa forma, a Universidade, enquanto instituição 
formadora de recursos humanos, deve estar preparada 
para enfrentar os desafios postos pelas transformações 
que surgem cada vez mais rapidamente no âmbito da so-
ciedade e acompanhar a evolução contemporânea que 
define os limites do exercício profissional.5
Após analisarmos todos os conceitos e suas aplicações in-
dividuais, chega o momento de buscarmos a compreensão de 
como podemos aplicar esse conhecimento em cada área de 
atuação de nossas formações.
Para iniciarmos essa abordagem, devemos destacar que 
uma das formas como o Ministério da Educação divide as áre-
as do conhecimento, e será a que utilizaremos como parâme-
tro para nosso estudo, é a partir do conceito ENADE. 
O Conceito Enade é um indicador de qualidade que avalia 
os cursos por intermédio dos desempenhos dos estudantes na 
prova. Seu cálculo e divulgação ocorrem anualmente para os 
cursos com pelo menos dois estudantes concluintes participan-
tes do Exame.
Este conceito mantém relação direta com o Ciclo Avaliativo 
do Enade, sendo os cursos aferidos segundo as áreas de ava-
liação a ele vinculadas. As áreas e eixos tecnológicos de cada 
ano do ciclo são os seguintes:
Áreas - Bacharelados e Licenciaturas:
5 Disponível em: http://www.ulbra.br/upload/fa0c1cd2e347b7e4959972c-
c680467d7.pdf.
200 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
Ano I - Saúde, ciências Agrárias e áreas afins;
Ano II - ciências Exatas, Licenciaturas e áreas afins;
Ano III - ciências Sociais Aplicadas, ciências Humanas e 
áreas afins.
Eixos Tecnológicos:
Ano I - Ambiente e Saúde, Produção Alimentícia, Recursos 
Naturais, Militar e Segurança;
Ano II - Controle e Processos Industriais, Informação e Co-
municação, Infraestrutura, Produção Industrial;
Ano III - Gestão e Negócios, Apoio Escolar, Hospitalidade 
e Lazer, Produção Cultural e Design.
Sendo assim, como os três conceitos podem ser aplicados 
em cada área? Temos exemplos práticos dessas aplicações?
Nas possíveis formações definidas como do ano I, dos Ba-
charelados, Licenciaturas e Tecnológicos nas áreas da Saúde, 
ciências Agrárias, Ambiente e Saúde, Produção Alimentícia, 
Recursos Naturais, Militar e Segurança e áreas afins, podemos 
perceber claramente exemplos práticos de aplicação dos con-
ceitos? Novamente a ciência se destaca com algo facilmente 
perceptível nas pesquisas das áreas, mas e a inovação e o 
empreendedorismo?
Capítulo 10 Ciência, Inovação e Empreendedorismo para... 201
No I Encontro Internacional de Empreendedorismo e Ino-
vação em Saúde,6, Teixeira7 afirmou que “Identificar em que 
sua solução tem maior valor é difícil, porque tem o paciente, 
o médico, o seguro de saúde, o governo e os hospitais. São 
muitos envolvidos nessa área e é preciso apresentar o valor 
dessa solução para todos”.
Exemplo prático:
O Clique Saúde Pelotas é um portal repleto de informações 
sobre o sistema de saúde público da cidade. O sistema foi criado 
pela Saútil, uma empresa de tecnologia que se propõe a criar 
soluções para facilitar o acesso a informações sobre saúde pública, 
além de educar o cidadão sobre prevenção e direitos em saúde.
E de onde surgiu essa ideia? Edgard Morato, Diretor de 
Operações da Saútil, conta que um dos maiores problemas que ele 
pode identificar foi a falta de informação que as pessoas tinham sobre 
o funcionamento do SUS, quais são seus direitos, o que precisam 
fazer para conseguir medicamento, consulta, exames, equipamento, 
etc. Exatamente por isso, muitas pessoas acabavam indo para 
lugares errados em busca de serviços que não eram oferecidos ali. 
Para facilitar a vida dessas pessoas, Edgard e seu sócio, o médico 
Fernando Fernandes, resolveram criar um buscador da saúde.
Fonte: https://endeavor.org.br/inovacao/inovacao-saude-publica/
Conforme Bittencourt, Salles e Alves, a globalização e a 
inserção de novas tecnologias proporcionaram um mercado 
6 Evento realizado no dia 22/11/2018 no auditório Moise Safra, no Hospital Isra-
elita Albert Einstein em São Paulo.
7 Leonardo Teixeira, da empresa de biotecnologia GeneWeave. Disponível em: 
https://revistapegn.globo.com/Startups/noticia/2017/11/6-licoes-de-empreende-
dores-inovadores-da-area-da-saude.html.
202 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
cada vez mais competitivo, dessa forma, cabe às organizações 
se modificarem para sobreviverem diante desse cenário. 
Assim, a inovação (radical ou incremental) passa ser uma 
estratégia utilizada não apenas para o aprimoramento 
do negócio como também, para buscar mudanças re-
lacionadas à criação de valor no desenvolvimento de 
novos produtos. Fato que se consagra também no setor 
do agronegócio, um ramo considerado de baixa capa-
cidade tecnológica, mas de extrema importância para 
a economia brasileira. Dentro desse setor, destaca-se a 
atividade de ovinocultura que, nos últimos anos, passou 
por períodos de progressos e crises. Esse segmento se 
reestrutura atualmente guiado pela inovação de produ-
tos e processos relacionados à sua atividade. (Rev. de 
Empreendedorismo, Inovação e Tecnologia, 3(2): 3-15, 
2016 - ISSN 2359-3539 - Inovação no Agronegócio: 
Um Estudo Sobre o Processo de Desenvolvimento de Pro-
duto. Bruno Anicet Bittencourt, Ana Carolina Salles, Ana 
Paula Alves)
E na área Militar e de Segurança? Temos tido inovações e 
propostas empreendedoras da mesma forma? São baseadas 
em métodos científicos?
Um exemplo bastante atual é o “cercamento eletrônico”. 
A alma do sistema é um programa de computador que faz 
diversos tipos de análises das imagens recebidas. Por exemplo, 
ele consegue diferenciar carros clonados por adesivos colados 
na lataria. Também é possível analisar se automóveis ou motos 
apreendidos em um crime estavam acompanhados por outro 
Capítulo 10 Ciência, Inovação e Empreendedorismo para... 203
veículo, avaliando o número de vezes que eles passaram jun-
tos pelas câmeras. “São muitos benefícios. Pode ser usado no 
controle de transporte ilegal de cargas, também no controle 
do não pagamento do IPVA, combate à sonegação e persegui-
ção a criminosos” – relata o secretário estadual da Segurança 
Pública do Rio Grande do Sul, Cezar Schirmer.8
Já nos parques de Porto Alegre, o cercamento eletrônico 
vai utilizar o conhecimento técnico agregado à capacitação 
de cada órgão que trabalha integrado ao projeto. Segundoa coordenadora do Ceic, Silvana Rechden, o monitoramen-
to ganhou agilidade quando unido ao trabalho da Guarda 
Municipal. “A tecnologia do cercamento eletrônico veio para 
equacionar deficiências que até então existiam.9.” 
Ou seja, com os recursos tecnológicos atualmente dispo-
níveis, os métodos utilizados pela Segurança Pública foram 
adaptados para aumentarem sua efetividade, através de pes-
quisa para coletas de dados detalhados para abastecer o novo 
sistema.
Abordando as Licenciaturas, temos exemplos na nossa Ins-
tituição de novas formas de ensino, como as apresentadas na 
abertura do VI Congresso Internacional de Ensino da Mate-
mática (CIEM), através de exemplos de duas ferramentas de 
aprendizado: o Sistema Integrado de Ensino e Aprendizagem 
8 Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/seguranca/noticia/2016/10/
como-o-cercamento-eletronico-poderia-combater-o-roubo-de-carros-no-
-rs-7676727.html.
9 Disponível em: http://www2.portoalegre.rs.gov.br/portal_pmpa_novo/default.
php?p_noticia=192074&MONITORAMENTO+ELETRONICO+DA+REDENCAO
+E+INTEGRADO+AO+CEIC.
204 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
(SIEMA), desenvolvido por uma parceria entre a ULBRA e a 
Universidade de La Laguna (Espanha), e o eMat, da Rutgers 
University (Estados Unidos). São dois exemplos de emprego da 
tecnologia para a facilitação e reforço da absorção dos conte-
údos ministrados em aula. 
O professor de La Laguna, Lorenzo Moreno Ruiz, expli-
cou que o SIEMA tem o foco na aprendizagem, autoa-
valiação e recuperação de conteúdos. O aluno aprende 
através de uma interface simples e exercícios dinâmicos. 
“É um sistema inteligente, com chats para tirar dúvidas e 
testes online, que pode ser usado em múltiplas platafor-
mas”, pontuou Lorenzo. Já a ferramenta eMat, de acordo 
com o professor Arthur Powell, tem entre os objetivos in-
serir o uso da tecnologia para a resolução de problemas 
matemáticos e fornecer as condições para os alunos de-
senvolverem ideias matemáticas.10
Na produção industrial, temos inúmeros exemplos, entre 
eles: 
A impressão 3D, definida por Machado11 como algo que 
vai mudar a indústria e está próxima dos clientes. Segundo o 
executivo,
10 Disponível em: http://www.ulbra.br/canoas/imprensa/noticia/4325/novas-for-
mas-de-ensinar-matematica-em-pauta.
11 Disponível em: Wikings Machado, diretor da Next47, fundo de investimento da 
Siemens. Disponível em: https://epocanegocios.globo.com/Empreendedorismo/
noticia/2018/05/estamos-apenas-no-comeco-da-transformacao-digital-da-indus-
tria.html.
Capítulo 10 Ciência, Inovação e Empreendedorismo para... 205
é uma tecnologia extremamente útil para a indústria. 
Pense só em um carro importado que tem apenas três 
fornecedores de peças no país. O carro deixa de ser fa-
bricado, mas os fornecedores vão continuar sendo for-
necedores. O custo das peças para algo que já saiu do 
mercado é muito alto. Com a impressão 3D, esse pro-
blema se resolve totalmente e as peças ficam acessíveis 
de novo.
O mesmo define Inovação como uma solução não difun-
dida que resolve um problema real, exemplificando sua inter-
pretação através de práticas de uma empresa com investimen-
tos internacionais, a Tulip, que criou um sistema de sensores, 
monitoramento e sinalização digital da produção, visando 
aumentar a qualidade do processo produtivo e reduzir falhas 
humanas.
Já na área de Gestão e Negócios, os exemplos de em-
preendedorismo aumentam significativamente, mas podemos 
encontrar práticas de sucesso baseadas na ciência também, 
como por exemplo a partir 
da crença de que a gestão é uma ciência e que as deci-
sões de negócios devem ser orientadas por uma análise 
rigorosa dos dados é subjacente à prática e ao estudo de 
negócios — e a explosão do big data reforçou essa ideia. 
Em uma recente pesquisa da EY, 81 % dos executivos 
disseram acreditar que ‘os dados devem estar no centro 
de toda tomada de decisão’, o que levou a EY a procla-
mar, entusiasticamente, que o big data pode eliminar a 
206 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
tomada de decisão “por instinto”. Para gestores, esse é 
um conceito atraente.12
Exemplo prático: 
Suponha que você planeja montar uma fábrica de engarrafamento 
de água mineral. A forma padrão de fazer isso é obter “formas” (tubos 
de plástico espesso em miniatura), aquecê-las, usar a pressão do 
ar para moldá-las até o tamanho final do frasco, esfriar até ficarem 
rígidas e, finalmente, preenchê-las com água. Milhares de fábricas de 
engarrafamento em todo o mundo funcionam dessa maneira.
Parte disso não pode ser feito de outra maneira: quão quente a forma 
deve ficar para esticar; a quantidade de pressão de ar necessária para 
moldar a garrafa; quão rápido a garrafa pode ser resfriada; quão rápido 
a água pode encher a garrafa. Esses dados são determinados pelas leis da 
termodinâmica e da gravidade — e essas leis são imutáveis.
Ainda assim, há diversas coisas que podem mudar. Embora as leis 
da ciência governem cada um dos passos, estes não precisam seguir a 
sequência que domina o engarrafamento há décadas. Uma empresa 
chamada LiquiForm demonstrou isso ao indagar: por que não combinar 
dois passos em um, formando a garrafa com a pressão do líquido nela 
colocado em vez do ar? Essa ideia revelou-se totalmente viável.
Fonte: Harvard Business Review. Disponível em: http://hbrbr.uol.com.
br/gestao-e-mais-que-ciencia/
Um exemplo diferenciado de práticas da ULBRA é o pro-
posto pelos Cursos da área de Design, em que o empreende-
dorismo social fica evidente com o Projeto Social a Partir do 
Design, uma iniciativa de extensão dos cursos de Design da 
12 Martin, Roger e Golsby-Smith, Tony. 2017. Disponível em: http://hbrbr.uol.com.
br/gestao-e-mais-que-ciencia/.
Capítulo 10 Ciência, Inovação e Empreendedorismo para... 207
Ulbra Canoas em parceria coma Fundação Gaúcha de Ban-
cos Sociais. O projeto já está no seu segundo ano e trabalha 
com uma equipe multidisciplinar de professores e alunos que 
propõe a recuperação e melhoria de espaços para institui-
ções de caridade e ONGs, “Nós tentamos deixar esses espa-
ços mais humanizados e com mais cores, além de levar mais 
meios de interação para a comunidade. Reaproveitamos os 
materiais de descarte dos Bancos Sociais e os transformamos 
em novos produtos”, explica a coordenadora do projeto, pro-
fessora Letícia Schiehll.13” Esse projeto se baseia em profundas 
análises de dados de vulnerabilidade social, direcionando as 
ações àqueles que mais precisam na área de atuação da Uni-
versidade.
Enfim, os exemplos de práticas que relacionam os concei-
tos de Ciência, Inovação e Empreendedorismo são inúmeros. 
Podemos perceber que em todas as áreas esses conceitos são 
de extrema importância e que devemos cada vez mais tê-los 
em consideração ao propor qualquer atividade em nossa atual 
ou futura profissão. 
Você conseguiu incluí-los em sua sala de aula? Voltamos 
ao nosso primeiro capítulo, em que debatemos a importância 
de cada conceito para a formação acadêmica e para atingir 
a missão da ULBRA em que você, aluno, é peça fundamental 
para obtermos sucesso: ser comunidade de aprendizagem efi-
caz e inovadora não é apenas uma frase bonita. Buscaremos 
incessantemente desenvolver profissionais que façam a dife-
13 Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-
-73301998000200005#back.
208 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
rença em suas áreas de atuação e que realmente consigam 
melhorar o mundo em que vivemos.
Segundo Goergen14
há universidades de diferentes tipos e estes se definem 
pela sua vocação. Esta vocação define-se, por sua vez, 
a partir do contexto sociocultural na qual ela está en-
volvida, dos objetivos que cada instituição se propõe e 
dos recursos humanos e materiais de que dispõe. Só isto 
seria assunto para longos debates.Para dizê-lo de forma 
muito pragmática e sucinta, cada universidade precisa 
assumir sua história e sua identidade na intersecção com 
o ambiente no qual está inserida.
A Ulbra, atenta às necessidades de formação, contempla 
em sua proposta pedagógica a Aprendizagem por Competên-
cia. E o que são competências? Quais são as relações com a 
proposta pedagógica? Competências é a mobilização do co-
nhecimento em busca de uma resolução prática. Ou seja, é a 
capacidade de resolver desafios. E nesse sentido, nessa mobi-
lização dos recursos cognitivos para resolver um determinado 
problema, a Universidade não usa apenas conhecimento, que 
é saber o que, o como, as informações em relação a sabe-
res, mas também as habilidades. O aluno preciso da técnica. 
Precisa além desse saber o fazer. E, além disso, tudo, o aca-
dêmico precisa da atitude, que é justamente a sua pró-ação. 
O seu fazer referente àquele determinado problema. É o seu 
saber ser. A todo o momento nas disciplinas a Universidade 
14 Disponível em: http://www.ulbra.br/canoas/imprensa/noticia/26151/projeto-
-de-extensao-desenvolve-mobiliario-para-posto-de-saude.
Capítulo 10 Ciência, Inovação e Empreendedorismo para... 209
estará questionando todos os alunos: qual é o significado des-
se conteúdo? Qual é a importância dos dados que foram en-
sinados lá na Análise de Sistemas, que são importantes nesse 
movimento no escritório? Qual é a importância disso para o 
mercado de trabalho?15
Nesse sentido, retornamos à pergunta anterior de como 
colocar tudo isso em prática tendo em vista a diversidade de 
estudantes, professores e profissionais envolvidos na rotina 
universitária e na área de influência da ULBRA?
Afirmamos novamente que a ULBRA entende ser funda-
mental promover as condições ideais para estimular a menta-
lidade empreendedora, a inquietação, a busca pela melhoria 
contínua, de forma a atingir essa diversidade. Reiteramos que 
o espírito empreendedor tende a ser mais bem desenvolvido 
em ambientes colaborativos, que permitem interações diversas 
e ampliação das possibilidades de aprendizado, cenário que, 
como Universidade, estamos comprometidos em desenvolver 
e oferecer a toda comunidade acadêmica.
Por fim, agora que concluímos este material, desafiamos 
você, estudante, a participar desse processo de qualificação 
ao qual a ULBRA se propôs a desenvolver como importante 
instituição influenciadora da sociedade.
Pense em formas de inserir na sua rotina diária o espírito 
empreendedor, a mesma busca incessante pela melhoria con-
tínua apresentada nos conceitos e exemplos desse material, o 
15 Disponível em: http://www.ulbra.br/upload/1116a2e4cd7fa73f06e75456a84
504d6.pdf.
210 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
foco em propostas inovadoras baseadas em todo o conheci-
mento desenvolvido durante sua formação acadêmica. 
Coloque em prática ações que visem o seu desenvolvimen-
to e da sociedade, a partir do conhecimento gerado pelo rigo-
roso e adequado método científico que serve como base para 
fundamentar todas as decisões da Universidade, e esperamos 
que agora também as decisões de sua carreira acadêmica e 
profissional.
Recapitulando
Neste último capítulo, buscamos apresentar exemplos práticos 
de como relacionar os três conceitos orientadores de nossa 
disciplina a partir da proposta de PDI da ULBRA e do conceito 
de diversidade. A importância do funcionamento da engrena-
gem movimentada pela ciência, inovação e empreendedoris-
mo em cada área e a necessidade de propostas colaborativas 
e interativas foram destaque para perceber como o trabalho 
em conjunto e com uma visão mais ampla podem ajudar o 
desenvolvimento de nossos estudos e de nossa carreira acadê-
mica e profissional.
Referências
FERRAZ, Mateus e MARTINS, Cid. Gaúcha ZH Digital. 
05/10/2016 - 09h29min. Atualizada em 05/10/2016 
- 11h28min. Disponível em: <https://gauchazh.clicrbs.
Capítulo 10 Ciência, Inovação e Empreendedorismo para... 211
com.br/seguranca/noticia/2016/10/como-o-cercamen-
to-eletronico-poderia-combater-o-roubo-de-carros-no-
-rs-7676727.html>. Acesso em: 27 set. 2018.
GOERGEN, Pedro. Ciência, sociedade e universidade. Re-
vista CEDES Unicamp. 1998. Disponível em: <http://
www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-
-73301998000200005#back>. Acesso em: 27 set. 
2018.
MACHADO, Wikings. Época Negócio Digital. 2018. Dispo-
nível em: <https://epocanegocios.globo.com/Empreen-
dedorismo/noticia/2018/05/estamos-apenas-no-comeco-
-da-transformacao-digital-da-industria.html>. Acesso em: 
27 set. 2018.
MARTIN, Roger e GOLSBY-SMITH, Tony. 2017. Disponível em: 
<http://hbrbr.uol.com.br/gestao-e-mais-que-ciencia/>. 
Acesso em: 27 set. 2018.
MILBRADT, Karoline. Sala de Imprensa – ULBRA Canoas. 
2018. Disponível em: <http://www.ulbra.br/canoas/im-
prensa/noticia/26151/projeto-de-extensao-desenvolve-
-mobiliario-para-posto-de-saude>. Acesso em: 27 set. 
2018.
PMPA – Prefeitura Municipal de Porto Alegre. Portal Digital. 
26/03/2017 14:41:47. Disponível em: <http://www2.
portoalegre.rs.gov.br/portal_pmpa_novo/default.php?p_
noticia=192074&MONITORAMENTO+ELETRONICO+D
A+REDENCAO+E+INTEGRADO+AO+CEIC>. Acesso 
em: 27 set. 2018.
212 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
THOMAS, R. R. Beyond race and gender: unleashing the pow-
er of your total work force by managing diversity. New York: 
Amacom, 1991. Citado por NKOMO, S. M.; COX Jr., T. 
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GG, S.; HARDY, C.; NORD, W. Handbook de estudos 
organizacionais. São Paulo: Atlas, 1999.
ULBRA. ACS: Assessoria de Comunicação Social. - CANOAS. 
17/10/2013. 16:25 Disponível em: <http://www.ulbra.br/
canoas/imprensa/noticia/4325/novas-formas-de-ensinar-
-matematica-em-pauta>. Acesso em: 27 set. 2018.
______. ACS: Assessoria de Comunicação Social. 2017. Dis-
ponível em: <http://www.ulbra.br/upload/1116a2e4cd7f
a73f06e75456a84504d6.pdf>. Acesso em: 27 set. 2018.
UNESCO. Declaração universal sobre a Diversidade cul-
tural. 2002. Disponível em: <http://unesdoc.unesco.org/
images/0012/001271/127160por.pdf>. Acesso em: 27 
set. 2018.
Atividades
Os exemplos de práticas que relacionam os conceitos de Ci-
ência, Inovação e Empreendedorismo são inúmeros. Podemos 
perceber que em todas as áreas esses conceitos são de extre-
ma importância:
Capítulo 10 Ciência, Inovação e Empreendedorismo para... 213
 1) Identifique na sua área de formação exemplos relevantes 
da relação dos três conceitos aplicados na prática e des-
creva-os.
 2) Na sua área, algum dos conceitos se destaca? Identifique 
o uso desse conceito em sala de aula e apresente ao seu 
professor sua percepção.
 3) Com relação ao conceito de diversidade, analise as asser-
tivas que seguem e assinale a alternativa correta:
 I) A palavra diversidade está ligada aos conceitos de dife-
rença, oposição, pluralidade, multiplicidade, diferentes 
ângulos de visão ou de abordagem, heterogeneidade, co-
munhão de contrários, intersecção de diferenças ou tole-
rância mútua.
 II) A diversidade inclui todos, não é algo que seja definido 
por raça ou gênero.
 III) A diversidade cultural é, para o gênero humano, tão ne-
cessária como a diversidade biológica para a natureza. 
a) Apenas a afirmativa I está correta.
b) Apenas a afirmativa II está correta.
c) Apenas as afirmativas I e II estão corretas.
d) Apenas as afirmativas II e III estão corretas.
e) As afirmativas I, II e III estão corretas.
 4) O que é o conceito ENADE?
214 Ciência, Inovação e Empreendedorismo
a) É uma prova obrigatória a todos os estudantes matri-
culados em cursos do ensino superior.
b) Seu cálculo e divulgação ocorrem anualmente para 
todos os cursos superiores ofertados em Universida-
des.
c) É um indicador de qualidade que avalia os cursos por 
intermédio dos desempenhos dos estudantesem uma 
prova. 
d) É o que define as áreas em que são divididos os cursos 
de graduação pelo MEC.
e) É um exame optativo para qualquer aluno realizar, in-
dependentemente de sua formação.
 5) Identifique aspectos do PDI da ULBRA que podem ser dire-
tamente relacionados com os conceitos de Ciência, Inova-
ção e Empreendedorismo.
Gabaritos 215
Gabaritos
Capítulo 1
1) d
2) e 
3) c
4) Existem duas causas principais para que isto não ocorra 
com tanta frequência: a visão ultrapassada sobre inova-
ção e o desconhecimento de ferramentas que ajudam a 
colocá-la em prática.
5) b
Capítulo 2
1) b
2) d
3) d
4) c
5) a
Capítulo 3
1) d
2) e
216 Gabaritos
3) b
4) b, d, e
5) c
Capítulo 4
1) a
2) b
3) V; F; V; F; V.
4) d
5) c
Capítulo 5
1) e
2) c
3) a
4) e
5) O mapa deve apresentar as principais etapas: imersão, 
ideação e prototipação. Deve apresentar também as 
fases intermediárias, imersão preliminar, imersão em 
profundidade, análise, síntese e a relação entre esses 
componentes. O mapa pode apresentar também su-
gestões de ferramentas a serem trabalhadas nas diver-
sas fases do processo.
Gabaritos 217
Capítulo 6
1) c
2) e
3) e
4) c
5) a
Capítulo 7
1) b
2) d
3) c
4) a
5) d
Capítulo 8
1) b
2) b
3) d
4) d
5) c
218 Gabaritos
Capítulo 9
1) e
2) c
3) e
4) c
5) a
Capítulo 10
1) Resposta depende de cada área de atuação.
2) Resposta depende de cada área de atuação.
3) e
4) c
5) São inúmeros, pois o PDI da ULBRA foi elaborado cla-
ramente sob a ótica de aplicação desses três conceitos, 
sempre considerando o desenvolvimento e a melhoria 
da sociedade.
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