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EPIdemiologia e PREVENÇÂO DE parasitoses intestinais em crianças de creches

Artigo sobre epidemiologia e prevenção de parasitoses intestinais em crianças (0–6 anos) de creches municipais de Itapuranga‑GO. Avalia fatores de risco por questionários, analisou 54 amostras (sedimentação Hoffman‑Pons‑Janer), prevalência 29,6% — Ascaris 14,8% e Giardia 11,1% e palestra educativa.

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Revista Faculdade Montes Belos (FMB), v. 8, n° 1, 2015, p (1-17), 2014 ISSN 
18088597 
 
EPIDEMIOLOGIA E PREVENÇÃO DE PARASITOSES 
INTESTINAIS EM CRIANÇÃS DAS CRECHES MUNICIPAIS DE 
ITAPURANGA – GO 
 
André Oliveira Silva1, Carla Rosane Mendanha da Cunha2, e Walquiria Lemes de 
Lima Martins3, Liliane de Sousa Silva4, Gabrielle Rodrigues Cunha Silva5, 
Cristiane Karla Caetano Fernandes6. 
 
1 Professor de estágio da Universidade Estadual de Goiás – Campus de Itapuranga-GO; 
2Professora Drª. da Universidade Estadual de Goiás - Campus de Itapuranga-GO, 
Faculdade Montes Belos e Secretária de Saúde do Governo do Distrito Federal. 
3 Professora Universidade Estadual de Goiás – Campus de Itapuranga-GO; 
4 Professora Universidade Estadual de Goiás – Campus de Itapuranga-GO e Programa 
de Pós-graduação em Ciências Farmacêuticas Universidade Federal de Goiás, Goiânia-
GO; 
5 Coordenadora do Curso de Ciências Biológicas da Universidade Estadual de Goiás – 
Campus de Itapuranga-GO; 
6 Professora, Faculdade Montes Belos 
. 
 
 
 
Resumo 
O estudo teve como objetivo avaliar os fatores de risco e a prevalência das parasitoses 
intestinais em crianças, de zero a seis anos de idade, das Creches Municipais de 
Itapuranga - GO. As informações acerca dos fatores de risco foram obtidas junto aos 
responsáveis pelas crianças e profissionais das creches através de questionários. Foram 
analisadas 54 amostras biológicas, pelo método diagnóstico de Sedimentação espontânea 
- Hoffman, Pons e Janer. A incidência dessas parasitoses foi de 29,6%, sendo os parasitos 
mais freqüentes: Ascaris lumbricoides (14,8%), Giardia lamblia (11,1%), Endolimax 
nana (1,8%) e Entamoeba coli (1,8%). Realizou-se, então, uma palestra educativa com 
os pais/responsáveis pelas crianças com o objetivo de informar os resultados dos exames 
e discutir sobre as enteropasitoses, para compreender a importância de hábitos 
alimentares e de higiene saudáveis. Conclui-se que os resultados podem representar um 
problema de saúde pública, fortalecendo a convicção acerca da importância da prevenção 
primária através da melhoria das condições socioeconômicas; maior engajamento dos 
profissionais da área; execução de projetos de educação e promoção em saúde, em 
conjunto com a sociedade Itapuranguense e a sociedade acadêmica. 
 
Palavras-Chaves: Enteroparasitas. Crianças. Creche. Prevenção primária. 
 
 
Abstract 
This study aimed to evaluate the risk factors and prevalence of intestinal parasites in 
children zero to six years old, from nursery schools municipal in Itapuranga-GO. 
Information about risk factors was obtained from the responsible of the children and day 
care professionals through questionnaires. 54 samples were analyzed by biological 
diagnosis Spontaneous Sedimentation method - Hoffman, Pons and Janer. The incidence 
of these parasites was 29,6%, being the most frequent parasites in the survey: Ascaris 
Revista Faculdade Montes Belos (FMB), v. 8, n° 1, 2015, p (2-17), 2014 ISSN 
18088597 
 
lumbricoides (14,8%), Giardia lamblia (11,1%), Endolimax nana (1,8%) and Entamoeba 
coli (1,8%). Held, then an educational talk with responsible with the goal of informing 
the test results and discuss the intestinal parasites, to understand the importance offeed 
habitsand healthy hygienic. We conclude that the results may represent a public health 
problem, strengthening the conviction of the importance of primary prevention through 
improved socioeconomic conditions and execution of education projects and health 
promotion, together with Itapuranguense society and academic society. 
 
 
Key – words: Intestinal Parasites, Children, Day Care, Primary Prevention. 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
1.1 Parasitoses intestinais - Uma 
abordagem geral 
 
Segundo Neves (2005), “a transmissão e 
a manutenção de uma doença na 
população humana são resultantes do 
processo interativo entre o agente, o 
meio ambiente e o hospedeiro humano”. 
 
 
As doenças têm sido classicamente descritas 
como resultantes da tríade epidemiológica: 
agente, hospedeiro e meio ambiente. O 
agente é o fator cuja presença é essencial 
para ocorrência da doença; o hospedeiro é o 
organismo capaz de ser infectado por um 
agente, e o meio ambiente é o conjunto de 
fatores que interagem com o agente e o meio 
ambiente (p. 16). 
 
 
Ferreira, M. U.; Ferreira C. dos S. e 
Monteiro (2000) afirmam que cerca de 
um bilhão de indivíduos em todo mundo 
alberguem Ascaris lumbricoides. E que, 
200 e 400 milhões de indivíduos 
alberguem, respectivamente, Giardia 
duodenalis e Entamoeba histolytica. 
Vários são os mecanismos 
de dispersão deles, dentre as quais 
podemos destacar os seguintes: 
 
 
(...) destino inadequado dos dejetos 
disseminando ovos de Ascaris lumbricoides, 
Trichuris trichiura e Ancilostomídeos no 
ambiente peridomiciliar; ausência ou 
inadequação do sistema de drenagem de 
águas pluviais, contribuindo com o 
desenvolvimento de larvas de 
Ancilostomídeos; ausência ou inadequação 
da higiene doméstica levando à 
contaminação dos alimentos com cistos de 
Giardia lamblia e Entamoeba sp.; deficiente 
ou inadequado abastecimento de água, 
contribuindo com a disseminação da 
infecção por Schistosoma mansoni (PRADO 
et al, 1997?, p. 01). 
 
 
1.2 Enteroparasitoses e Saúde pública 
 
Diversos autores defendem 
que as parasitoses intestinais são um 
grave problema de saúde pública 
(PREDRAZZANI et al, 1988; LUDWIG 
et al, 1999; FERREIRA; ANDRADE, 
2005; GURGEL et al, 2005; ZAIDEN et 
al, 2008; BUSNELLO; TEIXEIRA-
LETTIERI, 2009). 
Elas são apontadas como um 
indicador do desenvolvimento sócio-
econômico de um país, afetando mais de 
30% da população mundial, 
principalmente, nos países em 
desenvolvimento, devido às precárias 
condições de saneamento básico, o baixo 
nível socioeconômico e a falta de 
orientação educacional (CARRILO et al, 
2005 apud BUSNELLO; TEIXEIRA-
LETTIERI, 2009; GURGEL et al, 2005; 
LUDWIG et al, 1999; KIM et al, 2010). 
Outro fator que favorece a 
disseminação da doença em países em 
desenvolvimen-to são as condições 
climáticas. Neves (2005) afirma que elas 
têm um “importante papel nas taxas de 
infecção, pois em geral, a prevalência é 
Revista Faculdade Montes Belos (FMB), v. 8, n° 1, 2015, p (3-17), 2014 ISSN 
18088597 
 
baixa em regiões áridas e relativamente 
alta onde o clima é úmido e quente, 
condição ideal para a sobrevivência e o 
embrionamento dos ovos”. “No Brasil, o 
clima tropical e subtropical possui 
condições ideais para que o ciclo dos 
parasitas se complete” (BIASI et al, 
2010): 
 
Um exemplo é a tricuríase (Trichuris 
trichiura), apesar de amplamente 
distribuída, é mais prevalente em regiões de 
clima quente e úmido e condições sanitárias 
precárias, que favorecem a contaminação 
ambienta1 e a sobrevivência dos ovos do 
parasito (Neves, 2005, p. 289). 
 
 
As helmintoses com maior incidência em 
humanos são: Ascaridiose (Ascaris 
lumbricoides), Tricuríase (Trichuris 
trichiura), Enterobiose, Ancilostomose 
(Necator americanus e Ancylostoma 
duodenale) e Estrongiloidíase 
(Strongyloides stercoralis). “Dentre as 
protozooses destacam-se pela sua 
importância na infância, a Giardíase 
(Giardia duodenalis) e a Amebíase 
(Entamoeba histolytica)” (SILVA; 
SANTOS; 2001; FERREIRA, M. U.; 
FERREIRA C. DOS S.; MONTEIRO, 
2000). 
 
 Segundo Ludwig, colaboradores 
(1999) e Cotta ([s.d.]), as crianças estão 
mais expostas em função do 
desconhecimento dos princípios básicos 
de higiene e do intenso contato com o 
solo, que funcionacomo um “referencial 
lúdico em torno do qual desenvolvem 
uma série de jogos e brincadeiras. Ao 
brincar no chão elas levam as mãos sujas 
à boca e, muitas vezes, sem que os pais e 
responsáveis percebam, alimentam-se 
sem lavar as mãos”. Há ainda o fato de 
que seu sistema imunológico está menos 
apto a reconhecer e combater estes 
agentes patogênicos. 
Segundo Brasil (2005), 
algumas infecções, tais como por, 
Cryptosporidium parvum e Giardia 
lamblia são responsáveis por diarréia 
persistente com graves conseqüências 
sobre o estado nutricional e 
desenvolvimento físico e mental, 
principalmente das crianças. 
 
1.3 Prevenção primária 
 
De acordo com dados da Companhia de 
Abastecimento de Água do Estado de 
São Paulo - Sabesp, fatores diversos 
contribuem para o processo de 
aparecimento de enteroparasitas entre a 
população, como: 
 
 
Nível de escolaridade das mães e das 
crianças, poder aquisitivo, qualidade das 
moradias, estado nutricional, hábitos 
alimentares, práticas de aleitamento materno 
e hidratação, disponibilidade de serviços de 
saúde e saneamento básico, principalmente, 
aquela com menor poder aquisitivo e nível 
de escolaridade baixo (AFIUNE; 
RIBEIRO; COSTA, 2009, p. 1107). 
 
Os resultados da PNSB (Pesquisa 
Nacional de Saneamento Básico), 
realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro 
de Geografia e Estatística), revelam que: 
 
 
O esgotamento sanitário é o serviço de 
saneamento básico de menor cobertura nos 
municípios brasileiros, alcançando apenas 
52,2% das sedes municipais (IBGE, PNSB, 
2000 apud PEZZI; TAVARES, 2007, p. 
1.042). 
 
 Uecker e colaboradores (2007) 
citados por Busnello; Teixeira-Lettieri 
(2009) concordam que a água não tratada 
é um excelente veículo de transmissão 
desses parasitas e que os problemas de 
saneamento básico têm muita influência 
na presença de 
Revista Faculdade Montes Belos (FMB), v. 8, n° 1, 2015, p (4-17), 2014 ISSN 
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parasitoses intestinais, pois 
são ambientes favoráveis para o 
desenvolvimento e sobrevivência de 
ovos e larvas de parasitas. Para 
corroborar esta idéia, Pupulin e 
colaboradores (1997) citados por 
Afiune; Ribeiro; Costa (2009) afirmam: 
 
 
“A contaminação da água, solo e 
alimentos pelos ovos, cistos ou larvas 
destes parasitos tornam fácil a 
disseminação dos mesmos e de suas 
patologias”. Desta maneira, a 
implantação de sistemas adequados para 
o tratamento de esgoto e encanamento de 
água potável, juntamente com a 
educação sanitária da população, o 
diagnóstico e o tratamento de indivíduos 
infestados contribuem decisivamente 
para a redução da incidência das 
enteroparasitoses (p. 1107). 
 
 
Zaiden e colaboradores (2008) 
confirmam que o equacionamento deste 
problema de saúde pública esbarra na 
necessidade de conhecimento da 
realidade e dos fatores de risco que 
favorecem o surgimento, a manutenção e 
a propagação das parasitoses, dentre os 
quais se destacam as condições de 
moradia e saneamento básico da 
população exposta, os hábitos 
alimentares, de higiene pessoal, de 
contato com o solo e a presença de 
reservatórios no local. 
É nesse contexto que se 
insere o papel do professor de Ciências e 
Biologia que, através do currículo, do 
conhecimento científico acumulado, das 
metodologias disponíveis e da interação 
existente entre professor e aluno; precisa 
conduzi-lo a uma “compreensão da vida 
como manifestação de sistemas 
organizados e integrados, em constante 
interação com o ambiente” (BRASIL, 
2006). 
 
1.4 Prevenção secundária 
 
 O diagnóstico laboratorial das 
enteroparasitoses é realizado através do 
Exame Parasitológico de Fezes (EPF) e 
consiste na pesquisa de diferentes formas 
parasitárias que são eliminadas nas fezes. 
Há o exame macroscópico, o 
microscópico e os métodos qualitativos: 
 
 
O exame macroscópico permite a 
verificação da consistência das fezes, do 
odor, da presença de elementos anormais, 
como muco ou sangue, e de vermes adultos 
ou partes deles. O exame microscópico 
permite a visualização dos ovos ou larvas de 
helmintos, cistos, trofozoítos ou oocistos de 
protozoários. Pode ser quantitativo ou 
qualitativo. Os métodos quantitativos são 
aqueles nos quais se faz a contagem dos ovos 
nas fezes, permitindo, assim, avaliar a 
intensidade do parasitismo. Os mais 
conhecidos são o Método de Stoll-Hausheer 
e o Método de Kato-Katz. Os métodos 
qualitativos são os mais utilizados, 
demonstrando a presença das formas 
parasitárias, sem, entretanto, quantificá-las 
(NEVES, 2005, p. 455). 
 
 
Segundo o Laboratório de Protozoologia 
da Universidade Federal de Santa 
Catarina - UFSC (2002), os métodos 
citados abaixo são utilizados nas 
seguintes situações: 
 Exame direto: pesquisa de 
cistos de protozoários e ovos de 
helmintos; 
 Método de Hoffman, 
Pons, Janer e Método de Faust: pesquisa 
de cistos de protozoários e ovos de 
helmintos; 
 Método de Willis e 
Método de Ritchie: pesquisa de cistos de 
protozoários; 
 Método de Baermann-
Moraes: pesquisa e isolamento de larvas 
de Strongyloides sp. de fezes e de larvas 
de nematóides do solo;
Revista Faculdade Montes Belos (FMB), v. 8, n° 1, 2015, p (5-17), 2014 ISSN 
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 
 Método de Graham: 
utilizado na pesquisa de ovos de 
Enterobius vermicularis; e, 
 Método de Kato - Katz: 
utilizado, principalmente, na pesquisa de 
ovos de Schistosoma mansoni e outros 
helmintos. 
Alguns autores preconizam a 
execução de vários métodos com cada 
amostra fecal, entretanto, Neves (2005) 
defende que “tal procedimento é 
inviável, seja por quantidade insuficiente 
de fezes ou pelo elevado número de 
exames a serem realizados por dia”, 
porém, concorda que “não há um método 
capaz de diagnosticar, ao mesmo tempo, 
todas as formas parasitárias”. E conclui: 
 
A fim de obter mais qualidade no EFP, 
devemos sempre ter em mente que: (1) 
Algumas espécies de parasitos só são 
evidenciadas por técnicas especiais; (2) 
um exame isolado, onde o resultado é 
negativo, não deve ser conclusivo, sendo 
recomendável a sua repetição com outra 
amostra; (3) a produção de cistos, ovos 
ou larvas não é uniforme ao longo do dia 
ou do ciclo do parasito (NEVES, 2005, p. 
456). 
 
No que diz respeito ao número de 
amostras a serem utilizadas por paciente, 
Carli (2001) citado por Zaiden e 
colaboradores (2008) defendem que: 
 
 
A possibilidade de encontrar parasitos nas 
fezes aumenta pelo exame de amostras 
múltiplas, em razão da intermitência da 
passagem de certos parasitos no hospedeiro, 
da eliminação não uniforme dos ovos de 
helmintos, dos diferentes estágios dos 
protozoários e das limitações dos métodos 
de diagnóstico (p. 185). 
 
 
Quanto ao tratamento, o Ministério da 
Saúde indica que uma alternativa são os 
medicamentos descritos no quadro 01, 
porém a escolha da droga, posologia e 
duração do tratamento estão na 
dependência da localização e intensidade 
da infecção e da idade do paciente 
(BRASIL, 2005). 
 
 
Quadro 01: Medicamentos recomendados pelo Ministério da Saúde, no tratamento de 
enteroparasitoses, de acordo com o parasita intestinal. 
Parasita Droga recomendada 
• Ascaris lumbricóides 
• Enterobius vermiculares 
• Necator americanus 
• Ancylostoma duodenale 
• Trichuris trichiura 
Mebendazol e Albendazol 
 
• Schistosoma mansoni 
• Taenia saginata 
• Taenia solium 
• Hymenolepis nana 
Praziquantel 
• Strongyloides stercoralis Tiabendazole Albendazol 
• Entamoeba histolytica 
• Giardia lamblia 
Tinidazol, Secnidazol e Metronidazol 
• Cryptosporidium parvum Espiramicina, Paramomicina e Roxitromicina 
 
Fonte: BRASIL, 2005 
 
Revista Faculdade Montes Belos (FMB), v. 8, n° 1, 2015, p (7-17), 2014 ISSN 
18088597 
 
2. MATERIAIS E MÉTODOS 
 
2.1.1 Seleção da Casuística 
A pesquisa foi realizada no decorrer do 
ano de 2010 e teve como base as crianças 
de zero a seis anos de idade, das Creches 
Municipais de Itapuranga - GO, que são 
a “Creche Pinguinhos do Futuro” e a 
“Creche Criança Cidadã. Bem como, os 
profissionais das creches e os 
responsáveis pelas crianças. 
Ressalte-se que a pesquisa só 
pôde ser realizada a partir das parcerias 
firmadas com a Secretária Municipal de 
Educação que autorizou a realização do 
mesmo nas creches; e Secretaria 
Municipal de Saúde, que disponibilizou 
os frascos coletores e realizou os exames 
parasitológicos de fezes. 
 
2.1.2 Localização da Área de 
Realização do Projeto 
 
O Município de Itapuranga está a uma 
distância de 155 km da capital Goiânia e 
conta com uma população de 25.170 
habitantes, numa área de 1.277,16 km2. 
Possui temperatura média anual em 
torno de 25° C, média máxima anual 38° 
C e média mínima anual 11° C; 95% de 
toda sua área urbana é pavimentada, 98% 
da população é abastecida com água 
tratada, 90% com esgoto sanitário e 98% 
com energia elétrica (IBGE, 2007; 
SANTOS, A. B. dos; ALMEIDA, A. C. 
S.; CUNHA, C. R. M. da., 2009). 
 
2.1.3 Critérios de Inclusão e Exclusão 
 
Os profissionais incluídos na pesquisa 
foram todos aqueles que estavam 
presente nos dias de entrevista e 
aceitaram participar, mediante assinatura 
do Termo de consentimento livre e 
esclarecido (TCLE). Foram excluídos 
aqueles que não estavam presentes ou 
não assinaram o TCLE. 
As crianças incluídas foram aquelas 
devidamente matriculadas e freqüentes 
nas creches, durante os meses de agosto 
a outubro de 2010, cujos 
pais/responsáveis assinaram o TCLE e 
entregaram as amostras biológicas. 
Excluindo-se aquelas que não estavam 
devidamente matriculadas/freqüentes; 
que os pais/responsáveis não assinaram o 
TCLE ou ainda aqueles que assinaram, 
contudo, não levaram a amostra de fezes 
para realização do exame. 
 
2.1.4. Procedimento Técnico - 
Operacional e Coleta de Dados 
 
As creches foram visitadas para 
avaliação dos fatores relacionados às 
características estruturais e de 
funcionamento que podem corroborar 
como fator de risco para aumento da 
incidência de enteroparasitoses. 
Foi nesse intuito que os profissionais 
responderam um questionário sócio-
econômico único, constituído de 28 
questões objetivas, onde cada um 
respondeu somente as perguntas que 
competiam à sua área de atuação 
profissional. 
Realizou-se uma reunião com os 
pais/responsáveis pelas crianças, para 
esclarecimento sobre os objetivos da 
pesquisa, vantagens e procedimentos 
necessários. Aqueles que assinaram o 
TCLE foram orientados sobre coletar as 
amostras biológicas em frascos estéreis 
(sob estado de conservação adequado) e 
identificados com o nome da criança, 
idade, data e horário da coleta. 
O EPF foi realizado a partir de uma 
amostra fecal por criança, em virtude das 
possíveis dificuldades inerentes à coleta 
e organização de três amostras, prazo 
para execução do trabalho e recursos 
financeiros disponíveis. 
As amostras foram encaminhadas 
imediatamente à equipe de profissionais 
responsáveis pelo Laboratório do 
Hospital Municipal ou do Posto de Saúde 
Central de Itapuranga, para serem 
processadas e analisadas pelo método 
laboratorial padronizado nessa unidade 
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de saúde: Sedimentação Espontânea - 
Hoffman, Pons e Janer (HPJ). 
A reunião dividiu-se em dois momentos: 
No primeiro, os responsáveis 
responderam um questionário sócio-
econômico contendo 30 questões 
objetivas, visando conhecer as 
características do domicílio e hábitos 
alimentares e de higiene da família. 
No segundo momento houve uma 
palestra educativa com a finalidade de 
informar os pais/responsáveis sobre os 
resultados dos exames, enfocando a 
importância da prevenção primária e 
secundária, na tentativa de inseri-los 
como agentes ativos no ato do cuidar. Os 
casos positivos foram orientados a 
comparecer imediatamente ao serviço de 
saúde local para tratamento. 
Os dados foram armazenados em banco 
de dados utilizando-se planilhas do 
software Microsoft Office Excel 2007. O 
banco foi alimentado conforme obtenção 
dos dados que após a digitação foram 
conferidos e corrigidos. 
 
 2.1.5 ASPECTOS ÉTICOS 
 
Todos os participantes do 
estudo foram esclarecidos sobre os 
objetivos, vantagens e desvantagens, 
procedimentos da pesquisa e sobre a 
confidencialidade dos dados e 
informações fornecidas. A eles foi dada 
plena liberdade para se recusarem a 
participar do estudo e permissão para, a 
qualquer tempo, suspender o 
consentimento sobre sua participação, 
sem penalidade alguma e sem prejuízo 
ao seu cuidado, tanto no seu atendimento 
no Sistema Único de Saúde (SUS), 
quanto na vivência e permanência das 
crianças nas creches. Foram informados 
que, quando os resultados fossem 
divulgados, seus nomes não seriam 
mencionados. 
A assinatura do TCLE foi solicitada aos 
participantes antes de ser realizada a 
coleta de dados. Os dados obtidos foram 
utilizados de maneira confidencial, 
obedecendo aos preceitos do Código de 
Ética Médica, para a utilização científica 
de dados de pacientes; e respeitados os 
princípios enunciados na Declaração de 
Helsinque (2000) emendada em 
Edimburgo, Escócia; e, na Resolução nº. 
196/96 do Conselho Nacional de Saúde 
(BRASIL, 1996). 
 
2.2 RESULTADOS E 
DISCUÇÃO 
 
2.2.1 Entrevista com os 
Profissionais/Estrutura, 
Funcionamento e Características das 
Creches Municipais de Itapuranga - 
GO. 
 
Foram analisados 32 
questionários, respondidos pelos 
seguintes profissionais: 02 
coordenadoras, 01 guarda, 05 
professoras, 05 cozinheiras, 07 
auxiliares de serviços gerais, 10 
assistentes de creche e 02 babás. Todos 
os entrevistados são do sexo feminino, 
exceto o guarda. A maioria deles possui 
de 20 a 39 anos de idade (59,3%). 
Foi observado o seguinte 
perfil dos entrevistados que se 
intitularam assim, segundo a raça: 
indivíduos da raça branca constituíram a 
maioria 13 (40,6%), seguido de moreno 
12 (37,5%) e amarelo 05 (15,6%), 
ninguém se declarou negro e 02 (6,2%) 
não responderam. 
Um dado relevante foi o 
nível de escolaridade variável dos 
profissionais, de acordo com a função 
exercida, além de que somente uma 
pessoa se declarou analfabeta. Não 
obstante, se faz necessário a formação 
continuada dos profissionais, com a 
realização de cursos de capacitação e 
aperfeiçoamento para que os indivíduos 
tenham mais segurança durante as 
atividades, sejam eles guardas, babás, 
cozinheiras ou professoras.
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A formação continuada se 
insere na vida profissional do 
trabalhador com o objetivo de propiciar 
a sua adaptação “às mutações 
tecnológicas, organizacionais ou outras, 
favorecer a sua promoção profissional, 
melhorar a qualidade de emprego e 
contribuir para o seu desenvolvimento 
cultural, econômico e social” (APAVT; 
RCA, 2006). 
Observou-se que a estrutura 
física das duas creches são bastante 
distintas,visto que uma delas foi 
construída a pouco tempo e está bem 
preservada, com pintura nova, possui 
ambientes maiores, bem iluminados, 
arejados e tem uma aparência muito 
bonita. A outra creche já está bem 
desgastada com paredes sujas, pintura 
estragada, móveis antigos, com 
ambientes variáveis em espaçosos ou 
não, com menos claridade e ventilação. 
Em ambas, percebeu-se que o local é 
bem higienizado, com as funções bem 
distribuídas entre os profissionais, que 
são demasiado competentes, atenciosos e 
carinhosos com as crianças. 
A primeira está localizada 
bem distante do centro da cidade e a 
outra é próxima ao centro. Entretanto, o 
foco do trabalho não foi comparar os 
dois ambientes de ensino, mas sim, 
avaliar a prevalência das 
enteroparasitoses de uma forma geral e 
os fatores de risco envolvidos. 
As creches possuem 02 salas 
de aulas, com uma média de 15 a 30 
alunos estudando em cada. Elas 
possuem, respectivamente, 02 e 04 
dormitórios. Esse número pode ser 
considerado alto se levado em conta o 
total de 185 alunos matriculados e 
freqüentes. 
Embora as salas de aulas 
sejam amplas e as crianças tenham à sua 
disposição uma professora e uma 
auxiliar, o acompanhamento e instrução 
de hábitos corretos podem ser 
dificultados pelo grande número de 
alunos por cômodo. Assim, vale ressaltar 
a afirmação de Abraham; Tashima e 
Silva (2007), de que o enteroparasita 
Giardia lamblia é mais freqüente em 
locais onde há aglomerados de pessoas. 
Há mais de seis banheiros 
em cada creche, embora em uma delas 
ele não esteja em estado de conservação 
adequado pela falta de reforma. Em 
ambas, durante o banho, uma média de 
quatro crianças são limpas ao mesmo 
tempo. No dia da visita elas se 
encontravam descalças dentro do 
mesmo. 
No que diz respeito à 
quantidade de sabonetes utilizados 
durante o banho, as respostas dos 
profissionais foram: “um sabonete para 
cada duas crianças” e “um para cada três 
crianças”, entretanto a realidade 
observada não foi de acordo, visto que 
não houve divisão de sabonetes. Uma 
funcionária relatou que só há separação 
de sabonetes “quando a criança tem 
algum probleminha”, ou seja, quando se 
percebe alguma alteração visível no 
organismo da criança, onde há suspeita 
de ser contagioso. O ideal seria que cada 
criança tivesse seu próprio sabonete. 
Observou-se que os bebês do 
berçário chegavam à creche com suas 
próprias roupas e então, vestiam outra 
disponível na creche; destacando que 
esta roupa já é utilizada a anos e que 
todos os dias ela é vestida por uma 
criança diferente à do dia anterior. Este 
pode ser um fator de risco envolvido na 
transmissão de enteroparasitos ou de 
outras patologias. 
Os pátios onde as crianças 
costumam brincar são variados: possui 
grama, terra, azulejo e concreto. 
Percebe-se que em uma das creches as 
crianças estão em contato direto com o 
solo, pelo hábito de andar com os pés 
descalços (conforme observado na 
imagem supracitada); contudo, sabe-se 
que o solo pode estar contaminado com 
enteroparasitas. 
Revista Faculdade Montes Belos (FMB), v. 8, n° 1, 2015, p (9-17), 2014 ISSN 
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Lembrando que, segundo 
Ludwig (1999) e Cotta ([s.d.]), um dos 
motivos da maior incidência de parasitos 
em crianças está relacionado ao intenso 
contato com o solo, que funciona como 
um referencial lúdico; ao brincar no chão 
elas levam as mãos sujas à boca e, muitas 
vezes, sem que os responsáveis 
percebam, alimentam-se sem lavar as 
mãos. 
Na cozinha observou-se o 
seguinte: numa creche ela é espaçosa e 
arejada, porém a outra não possui estas 
características e a iluminação também 
não é boa; já em ambas os refeitórios 
possuem espaço amplo para as crianças 
se acomodarem. 
São servidas mais de três 
refeições por dia nas creches. Verduras 
cruas como repolho, alface e tomate 
fazem parte do cardápio diário das 
crianças. Segundo as coordenadoras, as 
verduras são lavadas usando água e 
vinagre. 
Alguns “pesquisadores 
apontam que para garantir uma boa 
higienização das frutas e verduras deve-
se utilizar: ácido cítrico na concentração 
de 10ml/L de água, vinagre comercial 
(120ml/L), sabonete líquido (12ml/L) e 
permanganato de potássio (24mg/L) de 
molho por 10 minutos” (CANTOS et al, 
2004). 
Observou-se que as 
cozinheiras e auxiliares não utilizavam 
os devidos equipamentos de proteção 
individual durante o preparo do 
alimento, somente avental e toucas; 
luvas e máscaras não foram vistos nos 
dias de visita. 
O estudo dos autores, 
realizado em Uberlândia - MG, com 264 
manipuladores de alimentos de 57 
escolas públicas, evidenciou a 
prevalência de até 17%. Diversos 
parasitas foram diagnosticados: 
ancilostomídeos, Ascaris lumbricoides, 
Strongyloides stercoralis, Hymenolepis 
nana, Taenia sp., Enterobius 
vermiculares, Giardia lamblia e 
Entamoeba histolytica. 
Os entrevistados relataram 
que somente alguns alunos têm o 
costume de lavar as mãos antes das 
refeições. Para a pergunta “As crianças 
costumam lavar as mãos depois de ir ao 
banheiro?”, as respostas foram: “sim” e 
“às vezes”, o que evidencia que nem 
todos possuem este hábito freqüente. 
Ferreira; Andrade (2005) ressaltam a 
necessidade de se lavar adequadamente 
as mãos com sabão e água corrente, por 
ser um importante fator que predispõe as 
pessoas, principalmente crianças, à 
infecção por enteroparasitas. 
Relatou-se que a água 
utilizada para beber é filtrada. Uma 
cozinheira declarou que a água é retirada 
da torneira e colocada no filtro de vela 
para consumo. O abastecimento de água 
para os trabalhos em geral é proveniente 
da rede pública. 
Bellingieri (2004) defende 
que “o filtro é um dos métodos de 
purificar água maisrelevante, pois a água 
é absolutamente pura de germens se a 
vela não oferece falha”, especialmente se 
a água passar por um processo de fervura 
antes. Todavia, “após alguns dias de 
funcionamento a matéria orgânica obtura 
os poros externamente o que diminui o 
fluxo da filtração ou os micróbios 
conseguem passar até o interior”. Ele 
afirma que sem os cuidados de 
manutenção das velas, repetidos 
freqüentemente, a filtração é ilusória. 
Quando perguntados: 
“Algumas das crianças que freqüentam a 
creche já tiveram alguma parasitose?” as 
respostas foram “não” e “não sei”. 
Para uma maior qualidade de 
vida, as crianças recebem a visita do 
profissional dentista (duas vezes ao ano) 
e do nutricionista (semanalmente). 
Entretanto, ainda não foi realizada 
nenhuma campanha de saúde pública 
envolvendo os alunos das creches. 
Mylius e colaboradores 
(2003) ressaltam a importância dos 
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programas de promoção de 
saúde, “a fim de evitar as reinfecções 
pelos parasitas e melhorar a qualidade de 
vida da população, o que se traduz em 
ganho social, econômico e científico 
inestimável para todos”. 
 
2.2.2 Resultado dos Exames 
Parasitológicos de Fezes das Crianças 
das Creches Municipais de 
Itapuranga - GO. 
 
Das 185 crianças freqüentes 
nas Creches, 90 (48,6%) receberam 
autorização dos responsáveis para 
participar da pesquisa. Todavia, apenas 
54 (29,1%) entregaram o material 
biológico e realizaram o EPF. 
Gráfico 01: Relação entre a quantidade de crianças que freqüentam as Creches Municipais de Itapuranga 
- GO e aquelas que realizaram o EPF. 
 
Fonte: Dados da pesquisa. 
 
Verificou-se que entre as 54 
crianças,há poucas crianças menores de 
dois anos (7,3%), de acordo com o 
quadro 02. O período de permanência 
delas nas creches é: 10 (18,5%) estudam 
somente no período matutino, 01 (1,8%) 
somente no vespertino, 31 (57,4%) em 
período integral e 12 (22,2%) não 
responderam. 
Quadro 02: Idade das crianças das Creches 
Municipais de Itapuranga - GO que participaram da pesquisa. 
Idade n (%) 
< Um 
Ano 03 (5,5) 
Um 
Ano 01 (1,8) 
Dois 
Anos 06 (11,1) 
Três 
Anos 10 (18,5) 
Quatro 
Anos 09 (16,6) 
Cinco 
Anos 18 (33,3) 
Seis 
Anos 07 (12,9) 
 
 
Os EPFs obtiveram 16 
resultados positivos para algum parasita 
intestinal (29,6%). No total 
diagnosticou-se: Ascaris lumbricoides 
em 08 amostras (14,8%), Giardia 
lamblia em 06 (11,1%), Endolimax nana 
1900ral
1900ral
1900ral
1900ral
1900ral
1900ral
1900ral
1900ral
Q
u
a
n
ti
d
a
d
e 
d
e 
cr
ia
n
ça
s
Freqüentes (100%)
Pais assinaram o TCLE (48,6%)
Realizaram o EPF (29,1%)
Fonte: Dados da pesquisa. 
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em 01 amostra (1,8%) e Entamoeba coli 
em 01 amostra (1,8%). 
As associações de duas ou 
mais espécies não ocorreram neste 
trabalho, porém ocorreram em outros, 
como o de Bevilacqua (2009?), com 
crianças de 00 a 06 anos de uma creche 
do município de Taubaté - SP, foram 
diagnosticados indivíduos 
poliparasitados e biparasitados. 
O estudo realizado por 
Carneiro e Souza (2010), no Hospital 
Municipal de Piracanjuba - GO, em 
2.340 pessoas obtiveram resultados 
interessantes. A prevalência foi de 
61,9% para algum parasita, sendo: 
Entamoeba coli teve maior incidência 
(26,1%), Endolimax nana (15,8%), 
Giardia lamblia (15,8%); Entamoeba 
histolytica (1,3%) e Ascaris 
lumbricoides (0,7%), dentre outros. Um 
dado significativo foi a incidência de 
biparasitismo de 20,0% e de 
triparasitismo 12,9%. Alguns 
enteroparasitas coincidiram com este 
estudo, todavia, a incidência foi bem 
diferente, especialmente, no que diz 
respeito a Ascaris lumbricoides. 
O elevado índice de 
resultados negativos (70,3%) foi 
satisfatório, porém remete à possível 
influência do ciclo reprodutivo dos 
parasitos nos resultados, uma vez que foi 
realizada apenas uma coleta de amostra. 
Outra suposição é que outros 
enteroparasitas, especialmente, 
Entamoeba histolytica, que apareceu em 
todos os trabalhos, tenham sido sub 
diagnosticados em virtude do método 
diagnóstico utilizado. 
Quando a análise foi 
realizada em relação ao sexo, foi 
encontrada diferença estatisticamente 
significante entre os grupos (Tabela 01), 
o que não ocorreu com relação à faixa 
etária, visto que a só haviam crianças de 
00 a 06 anos participando do estudo e 
que houveram poucos participantes 
menores de 02 anos. Baptista et al (2006) 
acreditam que a maior prevalência de 
parasitoses intestinais encontrada no 
sexo masculino não parece ter nenhuma 
relação com fatores de predisposição; 
entretanto, no trabalho de Carneiro e 
Souza (2010), no Hospital Municipal de 
Piracanjuba - GO, todos os 
enteroparasitas encontrados foram em 
número maior em pessoas do sexo 
feminino. 
 
Tabela 01: Resultado do levantamento parasitológico de fezes, de acordo com o sexo, das crianças das 
Creches Municipais de Itapuranga - GO. 
 Sexo 
Parasitos 
Encontrados 
Masculino Feminino Total 
n (% positivo) n (% positivo) n (% positivo) 
Ascaris lumbricoides 07 (12,9) 01 (1,8) 08 (14,8) 
Giardia lamblia 05 (9,2) 01 (1,8) 06 (11,1) 
Endolimax nana 00 (0,0) 01 (1,8) 01 (1,8) 
Entamoeba coli 00 (0,0) 01 (1,8) 01 (1,8) 
 
Total de examinados 31 (22,2) 23 (7,4) 54 (29,6) 
 
No que diz respeito à idade, 
Bevilacqua (2009?) evidenciou maior 
taxa de positividade em crianças com a 
faixa etária entre 02 a 04 anos, pois nesta 
idade, saem da alimentação pastosa e 
passam a ter uma alimentação mais 
consistente, começam a andar e a levar 
com mais facilidade os objetos a boca. E, 
a partir dos 04 anos, ela começa a 
freqüentar parques de areia e ter contato 
próximo com outros colegas. 
Um resultado interessante 
encontrado no trabalho foi que 
evidenciou-se 04 amostras positivas para 
uma creche (7,4%) e 12 amostras 
positivas para a outra (22,2%), ou seja, 
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uma diferença numérica muito grande. 
Todavia, o fator intrigante deste fato é 
que a maior incidência de enteroparasitas 
aconteceu na creche que possui a 
estrutura física mais nova e bem 
preservada, o contrário do que se 
esperava. 
Ficando assim aberto a 
outros estudos para tentar corroborar 
esse resultado tão distinto. Fica evidente 
a urgência de programas de promoção 
em saúde que contemplem as crianças, 
na busca por uma maior qualidade de 
vida das mesmas. Lembrando que, este 
fato não será analisado mais 
detalhadamente em virtude de que o foco 
do trabalho não seja a comparação entre 
os dois ambientes de ensino. 
 
2.2.3 Entrevista com os Pais ou 
Responsáveis pelas Crianças das 
Creches Municipais de Itapuranga - 
GO. 
 
Foram analisados 54 
questionários, dos quais 39 (72,2%) 
foram respondidos pelos próprios pais 
das crianças que participaram da 
pesquisa, 03 (5,5%) pelos avós e 12 
(22,2%) questionários não foram 
respondidos, em virtude do não 
comparecimento dos responsáveis à 
palestra e à entrega do resultado do EPF. 
Os indivíduos entrevistados 
apresentaram a seguinte distribuição 
etária constante do. 
Foi observado o seguinte 
perfil dos pacientes que se intitularam 
assim, segundo a raça: indivíduos da raça 
morena constituíram a maioria 21 
(38,8%), seguido de branco 16 (29,6%), 
negro 04 (7,4%), amarelo 00 (0,0%) e 13 
(24,0%) não responderam. 
O nível de escolaridade da 
maioria dos responsáveis é o ensino 
fundamental completo e incompleto. 
Zaiden (2008), Afiune (2009) e seus 
colaboradores afirmam que a 
escolaridade é um fator indicador de 
maior suscetibilidade às parasitoses, pois 
os responsáveis podem não “possuir o 
conhecimento necessário a respeito da 
doença e sua forma de transmissão para 
se prevenir da mesma”. 
Com relação à renda familiar 
mensal, de cada participante, a 
prevalência segue, onde se observa que, 
a maior parte dos pacientes, cerca de 
46,2% (25) possuem renda de até um 
salário mínimo. Tavares-Dias; Grandini 
(1999) afirmam que a baixa renda 
familiar associada a outros fatores, como 
pouco conhecimento sobre protozoários 
e helmintos, é determinante no contágio 
e transmissão de enteroparasitas. 
Quanto às características do 
domicílio em que residem: 14 (25,9%) 
são próprios, 06 (11,1%) cedidos por 
outros, 21 (38,8%) alugados e 13 
(24,0%) não responderam. Para a 
quantidade de pessoas que dormem em 
cada cômodo as respostas foram: 26 
(48,1%) responderam que dormem duas 
pessoas por cômodo, 12 (22,2%) três 
pessoas, 03 (5,5%) uma pessoa,e 01 
(1,8%) respondeu que dormem quatro 
pessoas por quarto e 12 (22,2%) não 
responderam. 
Quando perguntadas sobre a 
quantidade de banheiros que havia na 
casa, 41 (75,9%) pessoas responderam 
que possuem apenas um banheiro e 13 
(24,0%) não responderam, ninguém 
relatou possuir mais de um banheiro. 
Verificou-se que 25 (46,2%) famílias 
que participaram da pesquisa utilizam 
apenas um sabonete para o banho de 
todos, 13 (24,0%) utilizamum sabonete 
por pessoa, 03 (5,5%) utilizam dois para 
toda a família e 13 (24,0%) não 
responderam; tal atitude pode ser 
determinante na transmissão de 
enteroparasitos. O tipo de instalação 
sanitária (esgoto). 
O abastecimento de água é: 
66,6% (36) de água encanada 
proveniente da rede pública, 9,2% (05) 
de poços artesianos ou cisternas e 24,0% 
(13) não responderam. O lixo é recolhido 
pelo serviço público municipal em 41 
Revista Faculdade Montes Belos (FMB), v. 8, n° 1, 2015, p (13-17), 2014 ISSN 
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(75,9%) dos domicílios e 13 
(24,0%) não responderam, ninguém 
relatou jogar o lixo em lote vago, no rio 
ou queimá-lo; por isso não é possível 
avaliá-lo como fonte de infecção. 
Fontbonne et al (2001) 
verificaram em seus estudos em 
comunidades indígenas que “precárias 
condições de saneamento resultam não 
somente em elevados níveis de 
parasitismo intestinal mas, 
principalmente, na ocorrência de 
poliparasistismo”. 
Quanto aos hábitos 
alimentares e de higiene, o tipo de água 
mais utilizada para beber é a filtrada em 
32 (59,2%) domicílios. Algumas pessoas 
declararam que retiram a água direto da 
torneira e a colocam no filtro, entretanto, 
não se sabe que tipo de filtro é utilizado 
e como é a manutenção do mesmo. 
De acordo com Biscegli et al 
(2009), “o hábito de ingerir água não 
filtrada e não fervida pode ser a causa da 
alta prevalência de giardíase, pois os 
cistos do protozoário são resistentes ao 
processo de tratamento da água”. 
A maioria das crianças, 
61,1% (33), consomem verduras cruas 
em casa, 14,8% (08) não consomem e 
24,0% (13) não responderam; é por este 
motivo que se faz indispensável que os 
alimentos sejam bem higienizadas para 
que não haja contaminação com ovos ou 
cistos de parasitas. A tabela 03 mostra se 
as frutas e verduras consumidas pela 
família têm algum preparo especial. 
“Os cuidados com a 
preparação e a forma de consumo de 
alimentos são fatores que podem 
proteger ou propiciar a ocorrência das 
parasitoses intestinais, uma vez que a 
manipulação incorreta dos alimentos 
pode estar diretamente relacionada à 
contaminação” (Zaiden et al, 2008). 
Tabela 02: Lavagem das frutas e verduras 
servidas no domicílio das crianças das Creches 
Municipais de Itapuranga - GO. 
Modo de 
Higienização 
 
nº. de 
família
s 
 
Porcentage
m 
Lavam com 
água 
filtrada/fervid
a 
 27 50% 
Lavam com 
água sem 
tratamento 
 10 18,5% 
Lavam com 
água + 
vinagre/água 
sanitária 
 02 3,7% 
Não há 
preparo 
especial 
 02 3,7% 
Não 
responderam 
 13 24,0% 
Total 54 100% 
 
Fonte: Dados da pesquisa 
No levantamento sobre o 
hábito das crianças de: lavar as mãos 
antes e depois de ir ao banheiro, andar 
descalço e brincar na terra, verificou-se 
que a maioria delas, segundo os pais, 
lavam as mãos antes de comer (32 = 
59,2%) e depois de ir ao banheiro (31 = 
57,4%), andam descalças em casa (32 = 
59,2%) e brincam com terra (26 = 
48,1%). 
Bloomfield (2001); Tomono 
e colaboradores (2003); Khan (1979) 
citados por Kim e colaboradores (2010) 
declaram que “medidas simples como a 
integração de hábitos de higiene, 
lavagem das mãos e dos alimentos com 
água e sabão, uso de sapatos e cuidados 
com as unhas têm sido eficazes no 
combate às infecções causadas por 
parasitos”. Afirma ainda que a 
infraestrutura sanitária não é eficaz se 
não houver mudanças comportamentais, 
que devem ser adquiridas por meio da 
educação em saúde. 
Os pais declaram que o 
último EPF realizado nas crianças foi: 
25,9% (14) há seis meses, 11,1% (06) há 
mais de um ano, 24,0% (13) há um ano, 
14,8% (08) nunca fizeram e 24,0% (13) 
não responderam. Sobre a criança já ter 
tido “verme”, observou-se que 46,2% 
(25) dos pais responderam que sim. Os 
projetos de educação em saúde são 
fundamentais para incutir nos 
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pais/responsáveis a 
importância da prevenção secundária, 
através de visitas freqüentes ao médico 
para acompanhamento familiar. 
 
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
O nível de incidência de 
parasitas intestinais encontrado nas 
crianças das Creches Municipais de 
Itapuranga - GO pode ser considerado 
alto, visto que grande parte dos 
domicílios e as creches possuem rede de 
esgoto, tratamento de água; e o lixo é 
recolhido pelo serviço público, diferente 
de outros municípios com incidência 
semelhante, porém, sem esta condição 
sanitária. 
É importante ressaltar que: 
(1) o elevado número de crianças 
parasitadas por Ascaris lumbricoides 
(cujo contágio se dá pela ingestão de 
alimentos contaminados) não foi 
encontrado na literatura; e, (2) embora a 
prevalência encontrada tenha sido de 
29,6%, diversos enteroparasitas podem 
ter sido sub-diagnosticados em virtude 
de uma só amostra biológica ter sido 
analisada e; apenas um método 
laboratorial utilizado para este fim. 
Suspeita-se que as possíveis 
causas da incidência encontrada neste 
estudo se 
devem à baixa renda das famílias, nível 
de escolaridade dos responsáveis, baixo 
nível sócio-econômico das famílias, falta 
de instrução em relação aos cuidados 
básicos com os alimentos, água e hábitos 
de higiene, como andar descalço, contato 
freqüente com o solo e 
compartilhamento de sabonetes. 
Nas creches, os fatores de 
risco podem ter sido: número elevado de 
crianças por sala de aula, preparo dos 
alimentos pelos manipuladores e 
compartilhamento de sabonetes durante 
o banho; e, principalmente, precariedade 
de ações em educação em saúde e de 
programas de promoção de saúde. 
Lembrando que o fato de haver diversas 
crianças estudando nas creches em 
período integral (57,4%) pode ser um 
fator de risco para as infecções. 
Os resultados obtidos 
mostram que as condições higiênico-
sanitáriasda moradia, das pessoas e do 
ambiente aos quais as crianças estão 
submetidas podem contribuir de forma 
significativa para uma maior prevalência 
de parasitoses intestinais na faixa etária 
considerada. 
Conclui-se que há uma 
prevalência importante de parasitoses 
intestinais em crianças na faixa etária de 
zero a seis anos. Isso pode representar 
um problema de saúde pública, 
fortalecendo a convicção acerca da 
importância da prevenção primária 
através da melhoria das condições 
socioeconômicas, pelo 
comprometimento do poder público; 
maior engajamento dos profissionais da 
área; e execução dos projetos de 
educação em saúde, onde neste último o 
papel da sociedade acadêmica e, 
especialmente, do professor/biólogo se 
faz essencial. 
Ressalta-se, a necessidade de 
continuação deste trabalho, buscando um 
número maior de participantes na 
realização do Exame Parasitológico de 
Fezes, utilizando-se de três amostras 
biológicas e até mesmo, de dois métodos 
laboratoriais para diagnóstico. 
Tornar-se-ia fundamental a 
aplicação de outras metodologias, 
dinâmicas, técnicas e palestras que 
envolvam pais/responsáveis, 
professores/funcionários, inclusive com 
as crianças da creche, numa abordagem 
particular sobre prevenção primária de 
enteroparasitoses no município de 
Itapuranga - GO. 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
ABRAHAM, R. de S.; TASHIMA, N. 
T.; SILVA, M. A. da. Prevalência de 
enteroparasitoses em reeducandos da 
Revista Faculdade Montes Belos (FMB), v. 8, n° 1, 2015, p (14-17), 2014 ISSN 
18088597 
 
penitenciária “Maurício Henrique 
Guimarães Pereira” dePresidente 
Venceslau - SP. Revista Brasileira de 
Análises Clínicas, São Paulo, v. 39, n. 
01, p. 39-42, 2007. Disponível em: 
<http://www.sbac.org.br/pt/pdfs/rbac/rb
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AFIUNE, L. A. de F.; RIBEIRO, H. de 
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Barra do Garças - MT e a outra em Pontal 
do Araguaia - MT. XI EREGEO - 
Simpósio Regional de Geografia, Jataí, 
p. 1106-1117, 2009. Disponível em: 
<http://www.eregeo.agbjatai.org/anais/t
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2010. 
 
 
BAPTISTA, S. C. et al. Análise da 
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município de Paraíba do Sul, RJ. Revista 
Brasileira de Análises Clínicas, 
Fortaleza, v. 38, n. 04, p. 271-273, 2006. 
Disponível em: 
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