Platão e Sócrates

Platão e Sócrates


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Transmitir ao aluno a noção do pensamento socrático assim como de seu sucessor Platão
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É recomendável que os alunos vejam os vídeos, os slides e o texto em anexo.
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Livros: Filosofia - Série Novo Ensino Médio - Marilena Chauí \u2013 Ática
Vídeos: Matrix
 
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Sócrates e Platão
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Você já se perguntou o que é a realidade? E a verdade? Imagine se você estivesse dormindo, e não conseguisse acordar, como você saberia o que é realidade e o que é sonho?
No capitulo VII da obra República, Platão elabora a alegoria da caverna, como metáfora de uma situação na qual os homens vivem na aparência acreditando ser a realidade. Assim, tudo que vêem, fazem e sentem não passam de sombras. Esta alegoria faz alusão ao advento do pensamento racional. Portanto, estamos diante de um paradoxo: por que Platão, na busca de desenvolver o pensamento racional, usa constantemente os mitos para filosofar?
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Platão propõe em sua teoria a existência de duas dimensões do conhecimento:
sensível e o inteligível. De acordo com esta alegoria, o conhecimento sensível é semelhante a uma caverna onde os homens estão presos às percepções que recebem dos seus sentidos. Para eles isto seria a única verdade possível. Um deles se liberta e sai da caverna. Num primeiro momento sua visão fica ofuscada, pois ele se depara com a luz do sol, em seguida habitua-se à luz reconhecendo o conhecimento inteligível.
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Conhecimento sensível
\u2028É o conhecimento obtido através dos sentidos - visão, audição, olfato, tato e paladar. \u2028Este conhecimento pode ocorrer numa experiência (emperia = experiência) particular de um indivíduo com um objeto, por exemplo, ao comer uma maçã um indivíduo conhece a maçã. Através de seus sentidos ele pode dizer: 'Esta maçã é doce.', 'Esta maçã é macia.', etc.\u2028Num diálogo entre dois indivíduos, pode ocorrer o conhecimento entre ambos. Daí podem surgir proposições do tipo: 'Fulano é uma pessoa educada.', 'Beltrano é muito ansioso.', etc.\u2028É importante observar que nos dois casos supracitados, as proposições são fruto de experiências subjetivas; por isso estas proposições são chamadas de 'opiniões' (doxa)\u2028Vários problemas existem em relação a estas opiniões: \u2028- Para qualquer indivíduo a maçã é doce e macia?\u2028- Para qualquer indivíduo Fulano é uma pessoa educada e Beltrano é ansioso?
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Conhecimento inteligível\u2028
É o conhecimento obtido através do intelecto (pensamento, intuição intelectual).\u2028Uma pessoa leiga (não cientista) sabe da existência das células-tronco através de uma reportagem científica mostrada numa revista ou pela TV, onde a comunidade científica descreve as propriedades das células e os efeitos que elas causam em um organismo. Mesmo sem ter visto uma célula-tronco e nem o modo como ela funciona, damos crédito ao conhecimento a nós passado pela comunidade científica. \u2028Este tipo de conhecimento é objetivo (não subjetivo), ele comum a qualquer pessoa. Os filósofos gregos o denominaram de episteme (opinião verdadeira)\u2028\u2028Os antigos consideravam o conhecimento como identificação, ou seja, conhece-se um objeto porque há semelhança entre os elementos do conhecimento e os elementos dos objetos. 
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Sócrates
Sócrates adoptava sempre pelo diálogo, costumava iniciar uma conversação fazendo perguntas e obtendo dessa forma opiniões do interlocutor, que ele aparentemente aceitava. Depois, por meio de um interrogatório hábil, desenvolvia as opiniões originais da pessoa arguida, mostrando a tolice e os absurdos das opiniões superficiais e levando e presumido possuidor da sabedoria a se desconcertar em face das consequências contraditórias ou absurdas das suas opiniões originais e a confessar o seu erro ou a sua incapacidade para alcançar uma conclusão satisfatória. Esta primeira parte do método de Sócrates, destinada a levar o indivíduo à convicção do erro, é a ironia. Depois, continuando a sua argumentação e partindo da opinião primitiva do interlocutor – desenvolvia a verdade completa. Sócrates deu a esta última parte a designação de maiêutica - a arte de fazer nascer as ideias. É este o método que encontramos amplamente desenvolvido nos diálogos socráticos de Platão. 
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Sócrates não viveu senão pelo diálogo, senão em e pelo contacto com o discípulo, sentia que qualquer obra escrita era incapaz de nos trazer aquilo que nos dá a palavra e o diálogo, em que dois seres vivos comunicam no seio dessa verdade que as suas presenças implicam. Pois é verdadeiramente na presença que o homem se encontra e pode aprender a conhecer-se, na presença, ou mais precisamente nesta compresença que o mestre e o discípulo descobrem aprofundando a mensagem que, através da sua linguagem e pelo seu diálogo, se apresenta pouco a pouco  como uma reminiscência de uma verdade original no interior do qual eles se encontram os dois.
Assim a personagem de Sócrates precisa-se aos nossos olhos não «tal como ele foi» mas tal como ele é, não como alguém a reencontrar através dos documentos múltiplos e sempre demasiadamente ou não suficientemente eloquentes, mas como uma pessoa a descobrir em nós próprios. E é esta «existência» de Sócrates que deve permitir  compreender o sentido da mensagem que Sócrates traz em si mesmo e em nós próprios, o sentido da relação entre o mestre e o discípulo.
        
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Dialogar com Sócrates era submeter-se a uma “lavagem da alma” e a uma prestação de contas da sua própria vida, existem alguns testemunhos que reforçam a ideia que quem que esteja próximo a Sócrates e, em contacto com ele, põe-se a raciocinar, qualquer que seja o assunto tratado, é arrastado pelas espirais do diálogo e inevitavelmente é forçado a seguir adiante, até que, surpreendentemente, ver-se a prestar contas de si mesmo e do modo como vive, pensa e viveu.
Sócrates dialogava com quem o quisesse ouvir, principalmente onde se concentravam um maior número de pessoas, como era o caso da Ágora.	
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A Ironia
«O filósofo ironiza», dizia Sócrates; quase todos os diálogos de Platão refletem em algumas passagem esta ironia que, para Sócrates, acompanhava toda a reflexão séria, a tal ponto que imensas discussões filosóficas se nos apresentam  como verdadeiras cenas de comédia.
Sócrates encontrava-se frequentemente face a temíveis profissionais do saber e da eloquência que nunca se sentiam apanhados desprevenidos, eram mestres que tinham resposta para tudo e que ignoraram a hesitação do escrúpulo e da interrogação da reflexão. Sócrates, ao contrário, era o homem das interrogações, aquele que nunca se deixava enclausurar em nenhum sistema, aquele que se recusava a ter ponto certo o que não era, ou a estiar como problemática aquilo que era perfeitamente certo.
     
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Os interlocutores de Sócrates, como Hípias que sabia fazer tudo, como Protágoras que se dava ares de um professor de virtude, Cálices ou Trasímaco que pensavam puder fundar uma moral e uma política sobre o «direito» do mais forte, não eram irónicos, eram pelo contrário personagens sérias, isto é, personagens que levavam a sério esses assuntos. Mas a sua seriedade era uma falsa seriedade. Era a essa seriedade é que se opunha à ironia socrática. Assim, era a seriedade dos interlocutores de Sócrates que nos devia fazer sorrir, ao passo que a ironia do filósofo devia ser,  ela, levada a sério, pela simples razão de que ela era a verdadeira consciência.  
A ironia de Sócrates consistia em apanhar o homem sério na sua própria armadilha, mostrando-lhe que essa seriedade repousa na ignorância que se ignora.	
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Sócrates foi comparado ora a uma tremelga ora a um moscardo. Justamente como a tremelga paralisa a sua presa, do mesmo modo Sócrates paralisava o interlocutor seguro de si próprio e que não via que o seu saber não era senão um pseudo-saber, uma ignorância que se ignora.
Maêutica
sendo filho de uma parteira, Sócrates costumava comparar a sua atividade com a de trazer