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Gestão da Cadeia
de Suprimentos
Gestão da Cadeia
de Suprimentos
SCM – Supply Chain
Management1
1 Mestre em Ciências Empresariais, consultor e professor adjunto da Universidade
Luterana do Brasil – ULBRA
Alexandre da Silva Paim1
Capítulo 1
2 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Como estamos? Onde estamos?
Prezado(a) aluno(a):
Neste capítulo, são apresentados conceitos básicos rela-
cionados à logística e gestão da cadeia de suprimentos. Ele
estabelece a base de tudo que será visto ao longo dos restan-
tes 29 capítulos.
São também discutidos os impactos que o conhecimento
desses conceitos pode ter na gestão das empresas.
Desejamos a você, estimado aluno, um ótimo estudo.
1.1 – LOGÍSTICA EMPRESARIAL
A Logística era inicialmente entendida como o processo de
“colocar o produto certo, na hora certa, no local certo e ao
menor custo possível, desde as fontes de matéria-prima até o
produto acessar o consumidor final” (BALLOU, 1999).
Com a evolução da logística no meio empresarial, esse
conceito ficou muito limitado e um novo foi proposto pelo
Conselho de Profissionais de Cadeias de Suprimento (CS-
CMP – Council of Supply Chain Management Professionals1)
. Para essa organização, logística empresarial é
“o processo de planejamento, implementação e controle
do fluxo e armazenagem eficientes e de baixo custo de maté-
rias-primas, estoque em processo, produto acabado e infor-
1 O atual CSCMP substituiu o antigo Conselho de Gestão de Logística (CLM –
Council of Logistics Management).
Capítulo 1 SCM – Supply Chain Management 3
mações relacionadas, desde o ponto de origem até o ponto de
consumo, com o objetivo de atender os requisitos do cliente”
(NOVAES, 2001).
Esse conceito continua abrangendo o fluxo (e armazena-
gem) de materiais desde as fontes de matéria-prima até o con-
sumidor final, mas agora inclui o fluxo de informações. Além
disso, considera não somente a execução (implementação)
desse processo, mas também seu planejamento e controle.
Desse conceito, também fica claro que os objetivos da lo-
gística empresarial envolvem a busca da maior eficiência e do
menor custo.
1.2 – CADEIA DE SUPRIMENTOS (SUPPLY
CHAIN)
A cadeia de suprimento de uma empresa inclui
áreas funcionais, tanto externas como internas,
desde os fornecedores de matérias-primas até
os consumidores finais.
Figura 1 Cadeia de Suprimentos genérica (em vermelho, elementos
internos à empresa).
Fonte: Elaborado pelo autor deste capítulo.
4 Gestão da Cadeia de Suprimentos
O aspecto interno da logística de uma organização em-
presarial envolve a gestão do fluxo dos produtos por meio das
áreas de suprimento, produção e distribuição. Esse aspecto
envolve a cadeia de processos por onde as matérias-primas
fluem, pois elas são adquiridas, transformadas em produtos
acabados e disponibilizadas ao próximo integrante da cadeia
produtiva.
No aspecto externo da organização, a cadeia de supri-
mentos ou supply-chain abrange toda a cadeia de processos
de um produto. Esta abrange as empresas extratoras de maté-
rias-primas, as transformadoras de matérias-primas em produ-
tos acabados, os clientes destas e os consumidores.
Há um fluxo de materiais (ou serviços) que começa com
as compras de materiais nos fornecedores e termina com a
chegada dos produtos acabados (ou serviços) no consumidor.
Há fluxos de informação através de toda a cadeia, desde
as vendas até o planejamento das compras, passando pela
área de suprimentos, a produção e a distribuição. O intercâm-
bio de informação entre todas as atividades da cadeia é cru-
cial para planejar e responder mais rapidamente a mudanças
do mercado.
A cadeia de suprimentos engloba os processos de negó-
cio, as pessoas, a organização, a tecnologia e a infraestru-
tura física que permitem a transformação de matérias-primas
em produtos e serviços intermediários e acabados que são
oferecidos e distribuídos ao consumidor para satisfazer sua
demanda.
Capítulo 1 SCM – Supply Chain Management 5
1.3 – Gestão da Cadeia de Suprimentos (SCM –
Supply Chain Management)
A gestão da cadeia de suprimento (do inglês Supply Chain
Management – SCM) é planejamento, organização e contro-
le das atividades da cadeia de suprimento. Nessas atividades
está implicada a gestão dos fluxos monetários, de produtos
ou serviços e de informação, através de toda a cadeia de su-
primento, com o fim de maximizar o valor do produto/serviço
entregue ao consumidor final, enquanto se diminuem os custos
da organização. A expressão Supply Chain Management foi
introduzida no início de 1980 (LAMBERT; COOPER, 2000).
SCM é conceituada por Goldbach (2003) como “[...] a
gestão de uma rede de organizações mutuamente interdepen-
dentes e conectadas, trabalhando cooperativamente juntas
para melhorar o fluxo de material e informação, bem como
os custos relacionados de matérias-primas do fornecedor ao
consumidor final”.
Entre os benefícios esperados pela implementação da ges-
tão da cadeia de suprimentos, pode-se citar a redução de in-
certezas e riscos na cadeia (TURBAN et al., 2003), o que pode
levar a:
a) redução dos níveis de estoque;
b) diminuição da duração do ciclo de pedido;
c) agilização dos processos comerciais; e
d) melhoria no atendimento ao cliente.
6 Gestão da Cadeia de Suprimentos
O SCM é bem mais abrangente que a logística, envolven-
do também a produção. A gestão da cadeia de suprimentos
inclui atuar tanto dentro dos fornecedores (e.g. qualificando-
-os), como nas áreas de suprimentos, produção e distribuição
da empresa, nos clientes e também no consumidor final (e.g. in-
fluenciando suas escolhas e percepções, se necessário e viável).
Cadeia é uma corrente (cadena em espanhol ou chain em
inglês), ou seja, um conjunto de elementos interligados em sé-
rie (encadeados). Fluxo é aquilo que percorre a cadeia (passa
através desses elementos interligados). No caso de uma cor-
rente de aço com um peso pendurado, ela (a cadeia) é percor-
rida (fluxo) por uma força. Já gestão da cadeia de suprimentos
consiste em atuar sobre cada elemento da cadeia de modo a
obter o “melhor” fluxo. Por melhor pode-se considerar maior,
de menor custo, de maior lucro, de maior qualidade etc.
A ideia mais impactante por trás do SCM é a mesma que
norteia a Teoria das Restrições: o “gargalo” determina o fluxo
do sistema. Isso leva à necessidade de haver uma atuação uni-
ficada em todos os elos da cadeia de modo a tentar equilibrar
o desempenho de todos os elementos para obter o melhor
fluxo de materiais e informações. Isso leva ao surgimento da
figura do gestor de cadeia de suprimentos, que tem autoridade
para atuar em toda a cadeia detendo o comando dos subsis-
temas de suprimento, apoio à produção e distribuição, nos
níveis estratégico, tático e operacional.
Sincronizar os processos da organização em torno da ca-
deia de suprimento é, portanto, fundamental para qualquer
estratégia de SCM. As melhores práticas sobre estruturas or-
Capítulo 1 SCM – Supply Chain Management 7
ganizacionais recomendam a adoção de indicadores de de-
sempenho (KPI, do inglês Key Performance Indicators) para as
distintas áreas funcionais. Mas não basta só medir, é necessá-
rio estabelecer objetivos e identificar as causas no caso de não
atingimento destes (aprendizado organizacional).
No caso das informações, a questão mais importante é
fazer chegar a todos os elementos iniciais da cadeia de su-
primento informações sobre o comportamento do consumidor
final para que possa haver uma resposta mais rápida de toda
a cadeia aos movimentos do mercado e também para evitar o
Efeito Chicote (ver capítulo que trata desse assunto).
O conceito de supply chain ultrapassa os limites da logística,
quebrando as divisões entre suprimento (estudado pela antiga
administraçãode materiais), produção (antiga administração da
produção, hoje administração de processos operacionais) e dis-
tribuição (envolvendo marketing e logística), fazendo com que
todos esses elementos façam parte de uma cadeia em que um
elo se mistura com o outro. A gestão da cadeia de suprimentos
une logística, produção e marketing para a tomada de decisão.
Para obter sucesso, a gestão da cadeia de suprimento de-
pende de que informações claras e confiáveis sejam comuni-
cadas por toda a cadeia.
Uma cadeia de suprimento integrada compartilha a infor-
mação para otimizar os níveis de estoque dos distribuidores e
dos fornecedores e as taxas de produção de modo a maximi-
zar o desempenho da cadeia. Mas, para isso, é necessário de-
finir critérios de avaliação de desempenho e criar indicadores
que permitam sua medição.
8 Gestão da Cadeia de Suprimentos
O tempo de resposta da cadeia de suprimento é uma das
variáveis chave a gerenciar. O tempo de resposta à demanda
consiste no tempo desde o momento em que ocorre mudança
nas preferências do consumidor até o momento em que a ca-
deia identifica essa mudança e faz ajustes nas suas previsões,
replaneja a distribuição e a produção, revisa os pedidos de
matérias-primas e responde às necessidades de transporte.
Algumas recomendações para uma adequada gestão da
cadeia de suprimentos serão abordadas a seguir.
A gestão da empresa deve encarar a cadeia de suprimen-
tos como um todo e não como uma soma de áreas funcionais
com distintos objetivos e com uma visão limitada do impacto
de certas ações nos clientes e fornecedores internos e externos.
A carteira de clientes deve ser segmentada segundo o nível
de serviço que eles realmente necessitam e valorizam. Nem
todos os clientes são igualmente importantes para as empre-
sas, nem todos exigem e valorizam o mesmo nível de serviço.
Estabelecer e dimensionar uma cadeia de suprimento igual
para todos os clientes gera em um resultado extremamente
ineficiente e/ou inadequado para os clientes mais exigentes. É
importante ter em conta que distintos níveis de serviço não im-
plicam distintos níveis de qualidade, se entendemos por quali-
dade atender as expectativas do cliente.
Deve-se focar em gerenciar o fluxo de materiais ou servi-
ços, adequando a cadeia de suprimento (por meio de ajustes
em cada um dos elementos) às necessidades da carteira seg-
mentada de clientes.
Capítulo 1 SCM – Supply Chain Management 9
Deve-se procurar integrar a cadeia de suprimento com
clientes e fornecedores compartilhando informações sobre
planejamento e previsão (forecasting), ou seja, implementando
o planejamento colaborativo (Collaborative Planning).
As compras devem ser gerenciadas de maneira estratégica,
pois tudo que se compra tem diferentes impactos na qualidade
do produto acabado e em seu custo e nem todos os mercados
e fornecedores são iguais.
1.4 – Estrutura organizacional para gestão
sistêmica da logística
Uma pesquisa feita em 2004 pelo Instituto de Pesquisa e Ensi-
no em Logística (IPELOG) do Rio Grande do Sul em empresas
com mais de 500 funcionários identificou que, na maior parte
das empresas, as áreas compreendidas pela logística não es-
tavam sob uma coordenação única, predominando a estrutura
apresentada no organograma mostrado na Figura 2.
Figura 2 Organograma predominante nas empresas.
Fonte: Adaptado de Schlüter; Schlüter (2005).
Os motivos apresentados para a estruturação da empresa,
desse modo, utilizaram os argumentos a seguir.
10 Gestão da Cadeia de Suprimentos
A área financeira precisa manter as compras sob seu con-
trole devido ao impacto enorme que elas têm sobre os fluxos
financeiros da empresa. A área comercial precisa garantir que
os clientes sejam adequadamente atendidos, portanto prefere
manter a distribuição sob seu controle. E a área de produção é
muito complexa e gasta consigo a maior parte dos recursos de
operação (mão de obra, equipamentos, energia, ferramentas
etc.) portanto, necessita de uma diretoria à parte.
A pesquisa também mostrou que os gestores das áreas rela-
cionadas à logística (suprimento, produção e distribuição) identi-
ficaram problemas no fluxo dos produtos decorrentes de objetivos
conflitantes entre as diretorias às quais estavam subordinados.
Um organograma que permite a gestão sistêmica da logís-
tica pode ser visto na Figura 3 conforme proposto por Schlüter
& Schlüter (2005).
Figura 3 Organograma de empresa com comando centralizado da logística.
Fonte: Adaptado de Schlüter; Schlüter (2005).
Capítulo 1 SCM – Supply Chain Management 11
A Diretoria de Logística proposta por Schlüter; Schlüter
(2005) existe em empresas maiores sob o nome de Diretoria
de Supply Chain Management ou Diretoria de Gestão da Ca-
deia de Suprimentos.
Referências Bibliográficas
BALLOU, R. H. Gerenciamento da cadeia de suprimentos. Por-
to Alegre: Bookmann, 1999.
BETCHEL, C.; JAYARAM, J. Supply Chain Management: a stra-
tegic perspective. In: The International Journal of a Logistic
Management, v.8, n.1, p15-34, 1997.
GOLDBACH, M. Coordinating Interaction in Supply Chains -
The Example of Greening Textile Chains. In: SEURING, S. et
al. Strategy and Organization in Supply Chain. Heidelberg:
Physica Verlag, 2003.
LAMBERT, D.; COOPER, M. Issues in Supply Chain Manage-
ment. In: Industrial Marketing Management. v.29, 2000, p.
64-83.
NOVAES, A G. Logística e Gerenciamento da Cadeia de Distri-
buição: Estratégia, Operação e Avaliação. Rio de Janeiro.
Campus, 2001.
SCHLÜTER, G. H.; SCHLÜTER, M. R. Gestão da empresa de
transporte rodoviário de carga e logística: a gestão focada
no resultado. Porto Alegre: Horst, 2005.
TURBAN, E.; RAINER, R. K.; POTTER, R.E. Gerenciamento da
Cadeia de Suprimentos. In:______. Administração da Tec-
12 Gestão da Cadeia de Suprimentos
nologia da Informação. Rio de Janeiro: Campus, 2003,
cap. 10, p. 327-357.
Atividades
1) A partir dos estudos desenvolvidos neste capítulo, marque
(X) somente na resposta verdadeira. A teoria das restrições
afirma que o gargalo determina a capacidade de um sis-
tema. Isso aplicado à gestão da cadeia de suprimentos
(SCM) significa que:
A. ( ) melhorar qualquer elemento da cadeia irá resultar em
melhoria do sistema;
B. ( ) o fornecedor poderá ser um gargalo do sistema;
C. ( ) o cliente (por exemplo, uma rede de supermercados)
não pode ser um gargalo do sistema;
D. ( ) qualquer setor da empresa que for o gargalo irá de-
terminar a capacidade do sistema.
2) A partir dos estudos desenvolvidos nesse capítulo, marque
(X) somente na resposta verdadeira. Com relação à visão
de SCM, como gerenciamento de um fluxo, pode-se afir-
mar que se deve focar o gerenciamento:
A. ( ) apenas no fluxo de materiais;
B. ( ) apenas no fluxo de informações;
C. ( ) apenas no fluxo de dinheiro;
D. ( ) nenhuma das respostas acima.
Capítulo 1 SCM – Supply Chain Management 13
3) A partir dos estudos desenvolvidos neste capítulo, marque
(X) somente na resposta verdadeira. Com relação à SCM,
pode-se dizer que:
A. ( ) é o gerenciamento do departamento de suprimento
(supply) da empresa;
B. ( ) é o gerenciamento dos departamentos de suprimento,
produção e distribuição da empresa;
C. ( ) Além do citado no item B acima, inclui o gerencia-
mento dos fornecedores;
D. ( ) Nenhuma das respostas acima.
4) A partir dos estudos desenvolvidos nesse capítulo, marque
(X) somente na resposta verdadeira. Quais das recomen-
dações a seguir são adequadas para uma boa gestão da
cadeia de suprimentos?
A. ( ) Deve-se estabelecer e dimensionar uma cadeia de
suprimento igual para todos os clientes.
B. ( ) Deve-se compartilhar informações sobre planejamen-
to e previsão com clientes e fornecedores implementan-
do o planejamento colaborativo.
C. ( ) Deve-seprocurar otimizar o desempenho de cada
elemento da cadeia de suprimentos independentemente
dos outros para evitar interferências negativas.
D. ( ) Para evitar o efeito chicote, é importante que todos os
elementos da cadeia de suprimentos tenham estoques o
mais alto possível.
14 Gestão da Cadeia de Suprimentos
5) A partir dos estudos desenvolvidos nesse capítulo, marque
(X) somente na resposta verdadeira. Recomenda-se colo-
car todas as áreas relacionadas à logística subordinada a
que diretoria?
A. ( ) Diretoria de Finanças
B. ( ). Diretoria de Marketing
C. ( ). Diretoria Industrial
D. ( ) Diretoria de Gestão da Cadeia de Suprimentos
Respostas: 1 – B; 2 – D; 3 – D; 4 – B; 5 – D.
Estoques I: Conceito,
Função, Localização na
Cadeia de Suprimentos,
o Efeito “Chicote”1
Estoques I: Conceito,
Função, Localização na
Cadeia...
1 Administrador de Empresas pela UFRGS, professor assistente na Universidade
Luterana do Brasil - ULBRA
Rogério da Silva Filho1
Capítulo 2
16 Gestão da Cadeia de Suprimentos
2.1 – Introdução e Conceito
Com a rápida evolução tecnológica alavancando a Logísti-
ca, empresários perceberam significativas vantagens na sua
aplicação. Assim, passaram a dar maior importância ao fluxo
de materiais, aos tempos de produção, aos tempos de esto-
cagem, ao giro dos estoques, à qualidade dos produtos, à
redução de custos, tendo como benefícios um melhor atendi-
mento aos seus clientes e um melhor gerenciamento dos recur-
sos financeiros. Estendendo esses benefícios, perceberam tam-
bém, que poderiam elaborar um planejamento empresarial
em bases mais sólidas e, consequentemente, terem melhores
possibilidades de ser bem-sucedidos nos seus negócios. Nessa
linha de raciocínio, Dias (2010, p. 1), chama a atenção para
a importância dos investimentos em estoques, quando afirma
“os estoques, em si, não geram retorno; o simples fato de au-
mentar os estoques não provoca aumento de vendas nem de
lucros”. Continuando, o autor refere que “o investimento em
estoques é importante na medida em que os mesmos funcio-
nam como um lubrificante necessário para a produção e o bom
atendimento das vendas”.
Sobre a importância do papel dos estoques na adminis-
tração de materiais, para o sucesso empresarial, os autores
Martins e Campos Alt (2009, p. 167) referem que “hoje to-
das as empresas procuram, de uma forma ou de outra, obter
uma vantagem competitiva em relação a seus concorrentes, e
a oportunidade de atendê-los prontamente, no momento e na
quantidade desejada, é facilitada por meio da administração
eficaz dos estoques”.
Capítulo 2 Estoques I: Conceito, Função, Localização na Cadeia... 17
Entende-se, portanto, que é de vital importância um eficiente
e eficaz gerenciamento dos estoques, dentro da administração
de materiais, a fim de que toda a cadeia de suprimentos possa
atender regularmente às necessidades da produção e vendas.
Nesse ponto, cabe ressaltar uma citação do autor Dias (2010,
p. 1): “descobrir fórmulas, modelos matemáticos de redução de
estoques, com criatividade administrativa, sem um colapso da
produção/vendas e aumento dos custos, é o grande desafio.
Diante desse grande desafio, é muito importante ressaltar a
importância os relacionamentos da área de administração de
materiais com as demais áreas de uma empresa. Assim como
também é importante ressaltar que há caminhos tortuosos
que se apresentam e tornam complexa a administração dos
materiais, na medida em que há diferentes interesses sendo
confrontados ao longo das atividades desenvolvidas na área
de materiais. Esses relacionamentos e os conflitos decorrentes
serão objeto de reflexões nas páginas seguintes.
O Prof. Clécio F. Monte Alto (FGV), conceitua ESTOQUE
“como sendo um conjunto de materiais acumulados, aguar-
dando sua utilização mais ou menos próxima, a fim de atender
regularmente aos usuários, nas quantidades adequadas e den-
tro do tempo requerido, a fim de evitar a descontinuidade de
suas atividades – fins”.
O Prof. Joary Correa (1979) utilizou uma definição muito
prática de Estoque; segundo ele “... definições dos termos mais
frequentemente encontrados na linguagem diária de quem lida
com estoques e materiais, a fim de possibilitar ao leitor, rápido
entendimento da matéria a ser explanada”. Assim, ele definiu
18 Gestão da Cadeia de Suprimentos
ESTOQUE (E) como “a quantidade de material fisicamente
existente no Almoxarifado”.
2.2 Interesses e Relacionamentos da
Administração de Materiais/Logística
Há uma interface contínua e permanente entre os setores/de-
partamentos que integram a Logística, internamente. Ou seja,
o fluxo de materiais, componentes, matérias-primas, produtos
acabados e também o fluxo das informações, que interagem
entre si, dão a dinâmica e formam a logística integrada.
Todas essas interfaces internas, por sua vez, também de-
pendem, para a sua dinâmica própria, das interfaces externas;
melhor dizendo, também a Logística se integra aos outros se-
tores/departamentos fora de sua atuação. São setores/depar-
tamentos que também se valem das informações geradas e
processadas pela Logística, para formarem seus relatórios ge-
renciais que, certamente, servirão para a tomada de decisões
superiores. Ou até mesmo, retornam à Logística para que esta
se autogerencie.
Assim, pode-se citar a Contabilidade, o departamento de
Custos, o Financeiro, a Controladoria, a Engenharia/Projetos,
o Marketing, o Laboratório de Testes e Desenvolvimento de
Materiais.
A seguir estão exemplificadas algumas resultantes e as ca-
racterísticas principais dessas interfaces e alguns conflitos que
podem ser gerados nessa comunicação.
a) A Administração de Materiais e a Contabilidade
Capítulo 2 Estoques I: Conceito, Função, Localização na Cadeia... 19
Ao efetuarmos o registro da chegada dos materiais e mer-
cadorias que são necessárias ao processo produtivo, ou que
poderão ser materiais diversos, solicitados pelos Departamen-
tos – que serão contabilizados como despesas desses Depar-
tamentos – estaremos também, efetuando o lançamento de
várias e importantes informações que alimentarão à Contabi-
lidade. Assim, temos:
O lançamento dos valores de impostos como o ICMS e
o IPI (crédito de impostos).
Parcela de I.R. (Imposto de Renda) nos casos de serviços
contratados junto às empresas terceirizadas.
Alocação direta de valores de despesa com a compra de
qualquer material de consumo ou de equipamento de
ativo fixo, para qualquer área da Empresa.
Classificação das entradas, com base no Plano de Con-
tas da Empresa, visando à alocação correta nos respec-
tivos centros de custos.
Despesas com fretes.
Caso ocorram divergências nessas informações, a Conta-
bilidade, via Relatório Gerencial específico, retorna à Adminis-
tração de Materiais para as correções e providências necessá-
rias à regularização do lançamento.
A partir dos lançamentos contábeis, cada setor da Logística
pode se autogerenciar, pois todas as despesas de cada um
desses setores são contabilizadas separadamente, permitindo,
assim, ao administrador, poder acompanhar e comparar as
20 Gestão da Cadeia de Suprimentos
despesas realizadas com as despesas previstas, e efetuar as
correções necessárias. Vale ressaltar que se pressupõe, nes-
se caso, a utilização de um sistema integrado de informações
(ERP – Enterprise Requirements Planning ou Planejamento das
Necessidades da Empresa), tendo em vista que há, via de re-
gra, um grande volume de informações que são geradas no
momento do recebimento dos materiais e mercadorias. Esse
fato gera a necessidade de serem lançadas informações exa-
tas, precisas e que sejam válidas, para processos de tomada
de decisão dos setores/departamentos que utilizam as mes-
mas, em seus processos e procedimentos.Como consequência natural desse processo, alguns indica-
dores de desempenho podem ser criados a partir das informa-
ções contábeis geradas, por exemplo:
Eficácia das Compras = Valor Líquido das Compras ¸
Valor Líquido das Vendas.
Entende-se por Valor Líquido, o Valor Bruto descontado
dos impostos. No caso das compras, os valores dos impostos
creditados e no caso das vendas, os impostos debitados. Esse
indicador poderá apontar para algumas possíveis anomalias
no processo de aquisição de materiais/mercadorias, pois,
caso essa relação tender a 1, significa que o valor líquido das
aquisições estará se aproximando do valor líquido das vendas,
indicando um alto risco de prejuízo.
Custo das Requisições Atendidas = Valor das Despesas
do Almoxarifado ¸ Número de Requisições Atendidas.
Capítulo 2 Estoques I: Conceito, Função, Localização na Cadeia... 21
Entende-se por valor das despesas do almoxarifado, além
de salários e encargos sociais, as despesas provenientes das
atividades rotineiras desse setor, tais como, energia elétrica,
telefone, materiais de escritório, depreciação ou aluguel, se for
o caso. Lembrando que tanto o valor da depreciação como o
valor do aluguel deverá seguir o critério do rateio, em que a
unidade será R$/m² ocupado. Para a análise das requisições
atendidas, o administrador de materiais deverá definir um pe-
ríodo de tempo que será considerado para efeitos de cálculo.
Esse indicador irá direcionar o administrador de materiais para
o gerenciamento de seus custos e despesas, visando melhor
aplicar os seus recursos, em que a mão de obra se destaca
como um dos principais. Ainda pode-se obter um desdobra-
mento desse indicador, na medida em que for levantado o
total de materiais entregues (tipos de materiais, entende-se có-
digos diferentes de materiais), obtendo-se, assim, o valor da
despesa por item entregue (custo de administração do estoque
por item entregue, podendo ser muito próximo do custo unitá-
rio fixo de materiais).
Custo do Pedido = Valor das Despesas do Departamen-
to de Compras ¸ Número de Pedidos Emitidos.
Seguindo o mesmo raciocínio do valor das despesas do
Almoxarifado, aqui se deve considerar as despesas do Depar-
tamento de Compras e também, definir um período de tempo
que será utilizado na base de cálculo. Esse indicador irá possi-
bilitar o cálculo do custo fixo para a emissão de qualquer pedi-
do feito pelo Departamento de Compras, esteja ele composto
de apenas um item (código), ou vários itens (vários códigos).
Servirá ainda para definir algumas políticas para a emissão
22 Gestão da Cadeia de Suprimentos
dos pedidos de compra (exceto aos que se destinarem à aqui-
sição de componentes para o estoque, pois qualquer sistema
ERP, exige a emissão de pedido de compra, para qualquer va-
lor que venha a ser adquirido).
b) A Administração de Materiais e o Departamento de
Custos
É da maior importância essa interface da Administração de
Materiais com o Departamento de Custos, visto que ambos se
auxiliam mutuamente.
Os preços novos conseguidos no mercado fornecedor irão
servir de base para o custo de reposição dos produtos, e uma
avaliação do estoque poderá ser feita por esse critério. Tam-
bém com base nessa informação, o Departamento de Custos
irá alterar suas listas e tabelas de preços internos, visando apu-
rar ganhos ou perdas dos materiais.
Por outro lado, o Departamento de Custos é uma fonte de
informações preciosa à Administração de Materiais, principal-
mente nas negociações para novas aquisições, ou no estabe-
lecimento de limites de preços para a terceirização (Comprar?
Fazer? ou Terceirizar?). Ou ainda, quando é necessária uma
estrutura de custos para o estudo de alguma possível redução
de preço de algum material (ou produto), no momento em que
se está em processo de desenvolvendo um fornecedor alterna-
tivo, por exemplo.
Com base nessas informações de custo atualizado (reposi-
ção), pode-se analisar a estrutura de custos dos produtos que
compõem a linha de produção, e lá será possível verificar qual
Capítulo 2 Estoques I: Conceito, Função, Localização na Cadeia... 23
o material que é responsável pela maior participação no custo
desses produtos.
Isso levará ao estabelecimento de ações estratégicas, tanto
em nível de política de estoques, como no estabelecimento de
políticas de compras e parcerias com os fornecedores, visando
uma negociação para a sua redução e o consequente ganho
de preço final.
c) A Administração de Materiais e o Departamento Fi-
nanceiro
Essa interface é também uma das mais importantes da
Administração de Materiais, pois impacta diretamente no flu-
xo financeiro das Empresas. Todo o fluxo de caixa tem como
uma das principais saídas de recursos os valores a ser pagos
aos fornecedores (para o fluxo financeiro, fornecedor é toda
a Empresa que vendeu produtos ou prestou serviços aos seus
clientes).
Assim, é de fundamental importância o elenco das seguin-
tes atividades da Administração de Materiais, que irão resultar
em ações no Departamento Financeiro:
Previsão de Compras e Importações: informar valores
comprometidos junto aos fornecedores nacionais, assim
como os valores envolvidos nas transações com fornece-
dores no exterior (importações), considerando as taxas
cambiais vigentes na ocasião da emissão do pedido ao
fornecedor no exterior.
Definição de Prazos de Pagamentos a Fornecedores: in-
dicar quais os prazos de pagamentos que foram nego-
24 Gestão da Cadeia de Suprimentos
ciados com cada fornecedor, tanto nacional como do
exterior, visando à projeção do fluxo de caixa no Depar-
tamento financeiro.
Definição das Formas de Pagamento: indicar se haverá
algum desembolso de valor a título de “entrada” (ge-
ralmente, utilizado para confirmar e garantir o forneci-
mento), ou se haverá pagamentos que devem aguardar
boletos bancários para ser efetuados, ou se devem ser
depósitos bancários em favor do fornecedor, ou cartas
de crédito, troca de títulos de pagamentos, encontro de
contas, ou outra forma de pagamento que o Departa-
mento de Compras tenha definido/negociado com o
seu fornecedor.
Critérios de Reajuste de Preços:
Exatidão dos documentos que formam o processo de
compras cujas cópias devem ser remetidas ao Financei-
ro (ou via sistema integrado de informações).
Solicitação de análises de demonstrativos financeiros e/
ou balanço patrimonial para homologação de novos
fornecedores.
Consultar o Financeiro para assessoria econômica para
a realização de alguma negociação importante.
Da mesma forma, há um elenco de ações do Departamen-
to Financeiro que impactam na Administração de Materiais:
Pagamentos no Prazo Combinado pelo Departamento
de Compras: ou seja, o Departamento Financeiro deve
Capítulo 2 Estoques I: Conceito, Função, Localização na Cadeia... 25
cumprir com as condições que foram negociadas entre
o Departamento de compras e o fornecedor. Caso isso
não ocorra, poderá haver uma interrupção no forneci-
mento, causando graves prejuízos à empresa – cliente.
Procedimento Financeiro do Fornecedor: informar ao
Departamento de Compras se o procedimento financei-
ro de algum fornecedor é tradicional ou especulativo.
Ou seja, o fornecedor utiliza algum outro meio, não es-
clarecido, para concretizar negócios com a sua empre-
sa-cliente. Por exemplo: o fornecedor poderá negociar
o título a ser gerado pelo seu futuro fornecimento, com
um banco, buscando um desconto de duplicata (anteci-
pação de receita). Há muitos casos em que a empresa-
-cliente rejeita esse procedimento, por não aceitar essa
prática com os seus títulos. Geralmente, há uma cláusu-
la, expressa no pedido de compras, salientando a não
aceitação desse procedimento.
Notificação de Divergências: notificar ao Departamento
deCompras sobre alguma divergência de documentos
de Compras X documentos do fornecedor (Nota Fiscal
ou mesmo duplicata, se for o caso). Nesse caso, pode-
rão ser divergências de preços, prazos de pagamento,
critérios de reajuste de preços não combinados/nego-
ciados quando da compra. Cabe ressaltar que, nos ca-
sos em que há um sistema integrado de informações,
essas divergências já serão apontadas quando do rece-
bimento da mercadoria, juntamente com a Nota Fiscal
de origem do fornecedor.
26 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Informar as Taxas de Juros em Vigência no Mercado: a
fim de municiar a Administração de Materiais com da-
dos exatos para otimizar as suas negociações.
Informar ao Departamento de Compras a Disponibili-
dade do Caixa: essa informação irá permitir que o De-
partamento de Compras possa realizar negócios à vista,
para ter ganhos financeiros nas aquisições, se compara-
dos com os ganhos de possíveis aplicações financeiras.
Por todos esses aspectos, a Administração de Materiais e o
Departamento Financeiro operam em sistema integrado, de tal
forma que qualquer modificação nos processos de compras
seja possível de ser vista pelo Departamento Financeiro.
d) A Administração de Materiais e a Controladoria
Mais modernamente, principalmente após a abertura inter-
nacional dos mercados (globalização), as empresas passaram
a concentrar suas informações estratégicas e, mais importante
ainda, a transformar essas informações em indicadores, visan-
do à agilidade na tomada de suas decisões.
Como a Logística integra o elenco de estratégicas das em-
presas, logo as informações geradas pelas áreas que com-
põem a Logística também são transformadas em indicadores.
Esses indicadores, além de servirem de instrumento de ava-
liação da própria eficiência logística, também poderão orien-
tar a empresa para a tomada de decisão estratégica, ou alte-
rando e corrigindo os desvios nos rumos traçados para algum
produto ou serviço.
Capítulo 2 Estoques I: Conceito, Função, Localização na Cadeia... 27
A Controladoria irá gerar relatórios gerenciais que nortea-
rão a empresa para os principais aspectos estratégicos e ne-
gociais dos seus produtos e serviços, a partir das informações
originadas das ações logísticas.
e) A Administração de Materiais e a Engenharia/Projetos
No capítulo seguinte, será estudada a importância dessa
interface da Administração de Materiais, quando serão vistas
as especificações técnicas, a codificação, a catalogação, a
normalização/padronização de materiais e componentes.
No entanto, pode-se também relacionar a Administração
de Materiais com o Departamento de Engenharia (ou de Pro-
jetos), no que se refere ao acompanhamento de algum projeto
específico. Seja ele a construção de máquinas, construção de
grandes equipamentos, ou até mesmo projetos de montagens
de instalações industriais ou comerciais.
Pode-se, nesses casos, destacar algumas atividades impor-
tantes da Administração de Materiais, a saber:
Auxílio no desenvolvimento de fornecedores específicos
para algum componente ou material: tendo por base o
seu cadastro de fornecedores, a Administração de Ma-
teriais poderá usar esse conhecimento para auxiliar a
Engenharia de Projetos a desenvolver novos componen-
tes com fornecedores com os quais já mantém relação
comercial e técnica. E esse fato poderá trazer ganhos,
em relação ao cumprimento do cronograma de desen-
volvimento, bem como de custos do projeto (ou do pro-
duto final em desenvolvimento).
28 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Acompanhamento Junto à Engenharia das Fases do Pro-
jeto: esse acompanhamento tem por objetivo verificar
quais os novos materiais ou serviços são os mais impor-
tantes em cada etapa do projeto, para melhor atender à
demanda exigida pela Engenharia de Projetos, tanto na
qualidade dos materiais, como no prazo previsto para o
abastecimento, visando manter o cumprimento do prazo
de conclusão do projeto.
Definição do custo-objetivo do projeto: isso possibilitar
dar informações referentes aos preços de mercado, vi-
sando cumprir o projeto no que diz respeito ao seu custo
final, visando não extrapolar os valores previstos.
Definir, em conjunto com a Engenharia, qual o elenco
de garantias técnicas que deverão ser exigidas dos for-
necedores: no momento do desenvolvimento de algum
novo produto, o Departamento de engenharia, estabe-
lece as condições de funcionamento e/ou de uso de um
determinado produto. Esse fato traz, como decorrência,
a exigência de determinadas condições técnicas que os
materiais/componentes devem seguir, visando garantir o
funcionamento e o uso do novo produto. A Administra-
ção de Materiais deve saber quais são essas condições
técnicas para que possa exigir de seus fornecedores um
padrão de garantia de qualidade e de funcionamento
desses materiais/componentes. E essas condições técni-
cas deverão estar expressas nos pedidos de compra, ou
em contratos específicos.
Capítulo 2 Estoques I: Conceito, Função, Localização na Cadeia... 29
Participar do Cronograma do Projeto: essa participação
visa dar um conhecimento geral sobre o novo produto
em desenvolvimento, identificando quais os seus mate-
riais principais, tanto pela dificuldade de aquisição, ou
por condições técnicas exigidas, ou ainda, pelo seu cus-
to significativo. E também, identificando a aplicabilidade
e as funções do produto no mercado.
Concluindo, pode-se afirmar que a interface entre a Ad-
ministração de Materiais e o Departamento de Engenharia/
Projetos deve ser a mais próxima e frequente possível, a fim
de serem viabilizados os projetos estratégicos propostos pela
empresa. É um trabalho a quatro mãos, com total integração
e transparência. Como exemplos clássicos dessa interface, po-
dem-se citar os projetos de construção civil, ou ainda grandes
projetos de usinas e instalações de unidades produtivas, ou
ainda produtos de alta tecnologia.
f) A Logística e o Marketing
Essa interface se caracteriza pela troca de informações que
visam estratégias de médio e longo prazo.
Na medida em que o Marketing define novos produtos e
novos nichos de mercado, a Logística tratará de minimizar os
custos para a distribuição/colocação desses novos produtos.
Novas necessidades de transportes internos, áreas de estoca-
gem específica para os novos produtos, novas instalações e
equipamentos para a movimentação de materiais, certamente
serão estudados e viabilizados para que os novos produtos
30 Gestão da Cadeia de Suprimentos
cumpram os cronogramas de produção e cheguem aos novos
mercados nas datas desejadas pelos clientes.
Da mesma forma, as informações geradas pela Logística
desencadearão estudos e estratégias mercadológicas visando
o aumento da participação nos mercados. Assim, podem-se
destacar algumas das principais informações geradas pela Lo-
gística para a Área de Marketing das empresas:
Mercados de atendimentos menos frequentes.
Rotas mais econômicas e mais rápidas para o atendi-
mento.
Clientes com maior frequência de compras.
Sugestões para modificação de produtos, a partir de no-
vos materiais surgidos no mercado.
Prazo médio de atendimento aos clientes.
Constatação de novos concorrentes (novos entrantes).
Com base nessa troca de informações também são toma-
das decisões estratégicas que poderão vir a incrementar a par-
ticipação da Empresa em determinados mercados, ou a sua
entrada em novos nichos de mercado.
g) A Administração de Materiais e o Laboratório
Considera-se aqui, os Laboratórios de pesquisas e análises
de materiais, matérias-primas e produtos acabados.
Em cada fase do processo logístico poderemos nos valer
das informações geradas pelas pesquisas e análises do Labo-
Capítulo 2 Estoques I: Conceito, Função, Localização na Cadeia...31
ratório, que irão nos indicar se os materiais, matérias-primas
e produtos acabados, encontram-se dentro dos padrões de
qualidade exigidos ou não.
Além disso, o Laboratório servirá de apoio à Logística para
os seguintes casos:
Testes e análises de materiais alternativos.
Rastreabilidade de produto (Norma ISO 9000:2008).
Contratipos de materiais e componentes.
Estabelecimento dos padrões de qualidade dos mate-
riais, componentes e matérias-primas.
Acompanhamento do processo produtivo, averiguando
a performance dos materiais no processo, para futuras
ações junto aos fornecedores.
Orientar o tipo de armazenagem para materiais espe-
ciais ou perecíveis
Auditorias em fornecedores para acompanhar e garantir
a qualidade desejada/especificada.
Auditorias técnicas dos materiais estocados, principal-
mente quanto ao tempo de vida de cada um (Prazo de
Validade).
Prospectar e desenvolver novos fornecedores, bem como
indicar novos equipamentos para modernização dos la-
boratórios.
32 Gestão da Cadeia de Suprimentos
2.3 Função da Administração dos Estoques/
Materiais e sua Localização na Cadeia de
suprimentos
Conforme Dias (2010, p. 7), “a função da administração de
estoques é maximizar o efeito lubrificante no feedback de ven-
das e o ajuste do planejamento da produção”.
Os autores Martins e Campos Alt, referindo-se à função
dos estoques, afirmam que:
“os estoques têm a função de funcionar como regulado-
res do fluxo de negócios. Como a velocidade com que
as mercadorias são recebidas unidades recebidas por
unidade de tempo ou entradas – é usualmente diferente
da velocidade com que são utilizadas – unidades con-
sumidas por unidade de tempo ou saídas – há a neces-
sidade de um estoque funcionando como um amortece-
dor (buffer)”. (MARTINS e CAMPOS ALT, 2009, p. 168)
Conforme o autor Dias (2010, p. 7) “sem estoque é im-
possível uma empresa trabalhar, pois ele funciona como um
amortecedor entre os vários estágios da produção até a venda
final do produto”.
Sobre os investimentos em estoques, o autor Dias (p. 7)
enfatiza que “quanto maior o investimento nos vários tipos de
estoque (supondo que ele seja estritamente necessário), tanto
maiores são a capacidade e a responsabilidade de cada de-
partamento”.
Ainda segundo Dias (2010, p. 7), “o objetivo, portanto, é
otimizar o investimento, aumentando o uso eficiente dos meios
Capítulo 2 Estoques I: Conceito, Função, Localização na Cadeia... 33
financeiros, minimizando as necessidades de capital investido
em estoques”.
No caminho para que o objetivo de otimizar o investimento
minimizando as necessidades em estoques, surgem situações
de conflitos em razão de interesses distintos entre as áreas en-
volvidas, de algum modo com os estoques. Ou seja, há um
descompasso entre a necessidade de formação dos estoques e
o capital investido para isso. Assim, o departamento de com-
pras deseja lotes maiores para poder negociar maiores des-
contos, e assim reduzir os preços de matérias primas. A área
de produção também deseja lotes maiores para produzir, pois
irá atender a todos os pedidos da programação, que atendem
os clientes e, desse modo, reduzindo o custo da produção. O
departamento de vendas sempre deseja ter produtos acabados
em estoque para atender, prontamente, os clientes. O trans-
portador deseja ter cargas de produtos de alto consumo, pois
estarão sempre com carga completa, preferencialmente de ida
e volta, desse modo, aumentando os seus lucros. O departa-
mento financeiro, por sua vez, busca reduzir as necessidades
de capital investido em estoque, somente liberando verbas ne-
cessárias para atender os níveis de estoques planejados. Em
meio a todos esses conflitos, cabe à Administração de Mate-
riais buscar a conciliação de todos esses interesses conflitan-
tes. A citação do autor Dias (1986) apresenta a importância
do assunto e a sua extensão:
“A Administração de estoques exige que todas as ativida-
des envolvidas no controle de estoques sejam integradas e
controladas num sistema físico-financeiro, isto é, em quan-
tidades e valores. A Administração de Materiais não se
34 Gestão da Cadeia de Suprimentos
preocupa somente com o fluxo diário de entradas e saídas,
mas a relação lógica entre estes movimentos o que é um
novo sistema de controle na organização”. (DIAS, 1986)
2.4 O Efeito Chicote na Administração dos
Estoques
Conforme Leandro Callegari Coelho, Neimar Follmann, Car-
los Taboada, em seu artigo “O Efeito Chicote na Cadeia de
Abastecimentos – O que é o Efeito Chicote e como redu-
zir seus efeitos sobre sua cadeia de suprimentos” (Matéria
publicada na edição 05 de julho de 2008 da Revista Mun-
do Logística), os estudos do “Efeito Chicote” iniciaram com
Forrester (1958) e desde lá estão presentes na literatura da
Administração de Materiais e Estoques. Daí também o “Efeito
Chicote” passou a ser conhecido como “Efeito Forrester”, em
referência ao seu criador e estudioso do assunto. Seguiram-se
a Forrester, Hau Lee (1997) e Svensson (2005).
Em seu artigo, Coelho et al. (2008) referem o “Efeito Chi-
cote” como
“resultado da discrepância entre a demanda real e a
prevista, unida à intenção das empresas alinharem sua
oferta a essa demanda, sem deixar de atendê-la. Desta
forma, as empresas, por não possuírem a informação
correta de seus clientes, buscam se proteger e garantir
o estoque para uma possível variação nesta demanda”.
(Revista Mundo Logística, julho/2008)
Seguindo na exposição de como se origina o Efeito chicote
nas atividades da gestão de estoques das empresas, os autores
esclarecem:
Capítulo 2 Estoques I: Conceito, Função, Localização na Cadeia... 35
“Porém, como essa demanda prevista muitas vezes não
se concretiza, as organizações acabam com excesso de
produtos em estoque, o que as leva, por exemplo, a
reduzirem suas compras. Ou, numa situação de falta de
estoques, as empresas passariam aumentar seus pedi-
dos, criando aos fornecedores uma falsa impressão de
alta demanda. Independente da situação, esse reflexo
vai sendo passado de cliente para fornecedor, até o fi-
nal da cadeia, estabelecendo o efeito chicote”. (Revista
Mundo Logística, julho/2008)
A seguir, está um quadro ilustrado do Efeito Chicote em
uma rede de suprimentos fictícia, que mostra a forma de como
se origina o Efeito Chicote, em uma adaptação da tabela
apresentada no artigo dos autores já citados que, por sua vez,
foi adaptado de Slack et al. (1999):
Quadro 1 Ilustração do efeito chicote em uma rede de suprimentos fictícia
Mês Fornecedor Montadora Distribuidor Varejista Mercado
Prod. E.In. E.Fi Prod E.In. E.Fin Comp E.In E.Fin Comp E.In E.Fi Demanda
1 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100
2 20 100 60 60 100 80 80 100 90 90 100 95 95
3 196 60 128 128 80 104 104 90 97 97 95 96 96
4 0 128 62 62 104 83 83 97 90 90 96 93 93
5 236 62 149 149 83 116 116 90 103 103 93 98 98
6 0 149 46 46 116 81 81 103 92 92 98 95 95
7 184 46 115 115 81 98 98 92 95 95 95 95 95
8 101 115 108 108 98 103 103 95 99 99 95 97 97
9 18 108 63 63 103 83 83 99 91 91 97 94 94
10 207 63 135 135 83 109 109 91 100 100 94 97 97
Fonte: Adaptado de Slack et al. 1999
36 Gestão da Cadeia de Suprimentos
O quadro foi dividido em dez períodos.
“Em cada período destes foi considerado que o merca-
do determinaria uma demanda real, então o varejista,
com a política de equilibrar seu estoque com a deman-
da, compra o número de unidades que completam a
demanda atual. E assim o distribuidor, a montadora e o
fornecedor fazem o mesmo. Ou seja, todos mantêm em
estoque uma quantidade igual à demanda do período.
O estoque final do período de demanda é igual ao es-
toque inicial do período seguinte. Leva-se em conside-
ração, ainda, que a compra feita é recebidano mesmo
período”. (Revista Mundo Logística, julho/2008)
Segundo Coelho et al. (2008) “a proposta dessa repre-
sentação é mostrar que uma pequena variação de demanda
do mercado pode causar uma grande variação no fornecedor
inicial. A ideia representada é que o fornecedor sempre ten-
tará equilibrar o estoque final do período com a demanda do
mesmo período, pois não possui a informação do mercado,
funcionando, assim, como uma espécie de previsão”.
Coelho et al., afirmam que “segundo WARBURTON (2004),
as ordens de compra dos vendedores para os seus fornecedores
tendem a ter uma variação maior do que a demanda do consu-
midor que iniciou o processo, o que caracteriza o efeito chicote”.
a) Causas do Efeito Chicote
Segundo coelho et al. (2008) “visto o alto custo incorrido
para as empresas devido aos estoques, e sendo o efeito chi-
cote um dos propulsores da variação dos mesmos, busca-se
Capítulo 2 Estoques I: Conceito, Função, Localização na Cadeia... 37
identificar as causas deste efeito”. LEE et al. (2004), cita quatro
causas principais para o efeito chicote, como segue:
Processamento da previsão de demanda.
Jogo da Escassez ou Racionamento.
Acúmulo de pedidos.
Flutuações de preços.
Cada uma dessas causas tem o poder de causar o efeito
chicote. Porém, podem atuar em efeito combinado, o que é
muito provável.
O site indicado abaixo, também apresenta causas e solu-
ções para um melhor gerenciamento do Efeito Chicote, que
estão reproduzidos na tabela a seguir:
Causas Soluções Recomendadas
Informações da
Demanda
- Diminuir o tempo de suprimento dos materiais
- Compartilhar informações ao longo da Cadeia
Processamento em
Lotes
- Reduzir tamanho dos lotes para reduzir o
leadtime de produção
Flutuações de
Preços
- Reduzir promoções, campanhas para desovar
estoques e saldos
Racionamento e
falta de produtos
- Venda conforme histórico/previsão
- Compartilhar informações de capacidade
- Limitar flexibilidade na venda (alterações,
cancelamentos)
Fonte: Adaptado do site http://www.joinville.udesc.br/portal/professores/seibel/
materiais/TEORIA_EFEITO_CHICOTE.pdf
38 Gestão da Cadeia de Suprimentos
REFERÊNCIAS
COELHO, L. Callegari; FOLLMANN, Neimar; TABOADA, Car-
los - Revista Mundo Logística, jul / 2008. Estes autores fa-
zem uma abordagem abrangente sobre o Efeito Chicote, a
partir da qual os alunos poderão entender o seu conceito
e aplicação.
CORREA, Joary – Gerência Econômica de Estoques e Compras.
Rio de Janeiro: Ed. FGV, 1979. O autor aborda os princi-
pais indicadores da gestão de estoques, numa linguagem
leve e conhecida pelos profissionais que atuam na área.
DIAS, Marco Aurélio P. – Administração de Materiais: princí-
pios, conceitos e gestão. São Paulo: Atlas, 2010.
_________________Administração de Materiais – uma abor-
dagem Logística. São Paulo: Atlas, 1986.
Este é um dos principais autores dessa área, com abordagens
múltiplas, dentro dos diversos temas de estudos na área de
estoques e compras.
http://www.joinville.udesc.br/portal/professores/seibel/mate-
riais/TEORIA_EFEITO_CHICOTE.pdf, acesso em 02/05/
2014
MARTINS, P. G.; CAMPOS ALT, P. R.– Administração de Mate-
riais e Recursos Patrimoniais, São Paulo: Saraiva, 2009. Es-
tes autores explicam muito claramente as características da
codificação e localização dos materiais nos almoxarifados,
além de explorarem amplamente as atividades de estoques
e compras.
Capítulo 2 Estoques I: Conceito, Função, Localização na Cadeia... 39
EXERCÍCIOS PROPOSTOS
1) Considerando o conceito de ESTOQUE, assinale a alter-
nativa correta:
( a ) É a quantidade disponível no Almoxarifado, aguardan-
do o momento de ser consumida.
( b ) Evita a descontinuidade da produção e/ou das vendas.
( c ) Permite atender prontamente os pedidos dos clientes.
( d ) Permite um melhor planejamento das atividades da
empresa.
( e ) Todas as alternativas anteriores.
2) Considerando os benefícios gerados pelas informações
entre a Administração de Materiais e a Contabilidade, as-
sinale a alternativa incorreta:
( a ) Acompanhar/comparar as despesas previstas e as des-
pesas realizadas pela Administração de Materiais.
( b ) Criar indicadores de desempenho da Administração
de Materiais.
( c ) Informar valores comprometidos junto aos fornecedo-
res nacionais e do exterior.
( d ) Classificar as entradas com base no Plano de Contas
da Empresa.
( e) Lançamento automático dos impostos, no recebimento
das mercadorias.
40 Gestão da Cadeia de Suprimentos
3) Considerando as atividades entre Administração de Mate-
riais e a área de Marketing, assinale a alternativa correta,
a partir das seguintes afirmativas:
(a) A troca de informações visa estabelecer estratégias de
negócios de curto prazo.
(b) A Administração de Materiais informa os novos entran-
tes no mercado.
(c) Informações da Administração de Materiais servem para
estabelecer estratégias mercadológicas para o aumento
da participação no mercado.
(d) Novas instalações para estocagem e novas necessida-
des de transporte internos, somente serão estudadas
para os produtos novos.
( e ) A troca de informações tem o objetivo de estabelecer
estratégias de negócios de médio e longo prazos.
( ) a, c, e ( ) a, b, d ( ) b, c, e ( ) b, d, e ( ) c, d, e
4) Comente qual a função dos estoques quando do conflito
entre o financeiro, a produção e o departamento de ven-
das.
5) Por que a redução dos estoques é um objetivo comum a
gerentes e administradores de materiais?
Capítulo 2 Estoques I: Conceito, Função, Localização na Cadeia... 41
GABARITO: 1e - 2c - 3e -
4. Equilibrar as necessidades da produção, visando o atendi-
mento aos pedidos de cada cliente, minimizando a neces-
sidade de investimento nos estoques.
5. Porque visa diminuir os custos de estocagem (custos de
posse), disponibilizando mais valores a ser investidos em
áreas prioritárias da gestão empresarial. Assim, melhoran-
do a sua competitividade.
Estoques II: Classificação
de Grupos, Identificação
E Codificação de
Materiais, Código de
Barras, RFID1
Estoques II: Classificação de
Grupos, Identificação...
1 Administrador de Empresas pela UFRGS, professor assistente na Universidade
Luterana do Brasil - ULBRA
Rogério da Silva Filho1
Capítulo 3
Capítulo 3 Estoques II: Classificação de Grupos, Identificação... 43
Há um conjunto de funções preliminares na Administração de Materiais, que visa identificar e localizar cada material
dentro do universo de itens que compõem o estoque. Porém,
somente a identificação e localização não são suficientes, visto
que a grande diversificação de itens usados, não só no pro-
cesso produtivo, como também por todos os demais setores e
departamentos da Empresa, obriga o Administrador de Mate-
riais a estabelecer outros parâmetros, critérios e variáveis que
também irão detalhar a identidade de cada um deles.
Esse conjunto das características de cada item irá ajudar e
irá orientar a Gestão de Estoques e a Gestão de Compras, na
medida em que ficará claramente definido o que iremos com-
prar, estocar e consumir.
Assim temos:
Especificação/Descrição dos Materiais
Classificação
Codificação
Catalogação
Normalização
Padronização
Todas essas funções preliminares definem a qualidade que
queremos para as nossas matérias-primas e componentes,
pois seguem previamente as análises, estudos e pesquisas rea-
lizadas pela Engenharia de Produto, em conjunto com o Con-
trole de Qualidade e a Engenharia de Processos. Nessa fase
44 Gestão da Cadeia de Suprimentos
da pesquisa e desenvolvimento, há a participação efetiva da
Administração de Materiais, na medida em que ajuda na pros-
pecção, indicação e orientação de fontes de fornecimento,além de também ter bom trânsito na obtenção de literaturas
técnicas, manuais, catálogos, para que sejam conseguidas as
informações técnicas, comerciais e logísticas, que irão definir
o tipo de material para fazer parte do nosso produto.
3.1 Especificação/Descrição dos Materiais
A especificação de um item irá variar de Empresa para Em-
presa. Por exemplo, uma Empresa que usa laminados como
matéria-prima, para a fabricação de um equipamento cuja es-
pecificação é rigorosa, certamente terá a descrição diferente
de outra Empresa, que usa o mesmo laminado para servir de
suporte e proteção no seu processo. Portanto, a especificação
varia de acordo com o produto de cada Empresa.
Podemos ter, nessa fase, dois tipos de descrição:
3.1.1 Descrição Padronizada
Conforme Dias (1986) “Descrição Padronizada é a descrição
composta pelo Nome Padronizado, acrescido das característi-
cas (Físicas/Aplicação) e de identificação auxiliar”.
O Nome Padronizado é composto pelo Nome Básico e um
Nome Modificador.
Abaixo, o exemplo indicado pelo autor Dias (1986).
Ex.: Nome Básico: Lápis
Capítulo 3 Estoques II: Classificação de Grupos, Identificação... 45
Nome Modificador: Escritório
Nome Padronizado: Lápis Escritório
As características físicas são informações técnicas, como
dimensões, cor, formato, tensão etc.
No exemplo do Lápis Escritório, as suas características físi-
cas poderiam ser: grafite nº 2, de madeira, cilíndrico, diâmetro
8 mm, comprimento 150 mm, preto. Assim, a descrição pa-
dronizada nesse exemplo seria:
“Lápis Escritório com grafite nº 2, preto, de madeira, cilín-
drico, diâmetro 8 mm, comprimento de 150 mm».
3.1.2 Descrição Referencial
São as referências informadas pelos montadores ou fabrican-
tes de peças, que constam em suas publicações técnicas. A
descrição referencial é composta pelas seguintes informações:
Part number / Part-list ou nº do desenho
Nome da peça
Nome do fornecedor
Equipamento a ser aplicado
Exemplificando temos:
0,1 MF capacitor Cerâmico Siemens p/PCI.
46 Gestão da Cadeia de Suprimentos
3.2 Classificação de Materiais
“É uma subdivisão da Especificação/Descrição, em famílias
de componentes de mesmo tipo, mesmo processo de fabrica-
ção e homogêneos, cuja variação técnica é bem pequena”.
(DIAS,1986)
Essas subdivisões são elaboradas e definidas com o obje-
tivo de tornar mais fácil o acesso às informações sobre esses
materiais.
Geralmente, encontramos as famílias de componentes nas
indústrias montadoras (Eletrônica, Automobilísticas, Informáti-
ca). O Departamento de Engenharia de Produto é o responsá-
vel pela criação e atualização dessa classificação, bem como
da sua manutenção. Além dessas famílias de componentes,
também iremos encontrar vários outros materiais de diversos
tipos e finalidades, desde as matérias-primas, até materiais
auxiliares do processo, passando pelos materiais de manuten-
ção, de segurança, combustíveis, gases, materiais de escritório
etc. Todos esses materiais devem ser classificados em grupos e
subgrupos para a sua melhor identificação.
Abaixo, apresenta-se um exemplo de Classificação de Ma-
teriais:
Grupo Título
01 Material Eletro-Eletrônico
02 Combustíveis, Óleos e Graxas
03 Materiais Químicos
04 Rolamentos e Esferas
05 Material de Transformação - Celulose
Capítulo 3 Estoques II: Classificação de Grupos, Identificação... 47
06 Material de Solda
07 Material de Segurança
08 Material de Escritório
09 Parafusos, Porcas, Arruelas
10 Material de Transformação. – Metálicos
Subgrupo Título
01 Material Eletro-Eletrônico
01.01 Transformador até 500 KWA
01.02 Relé, bobina e induzido
01.03 Chaves elétricas
01.04 Fusíveis e Microfusíveis
01.05 Fios e Cabos Elétricos
02 Combustíveis, Óleos e Graxas
02.01 Combustíveis
02.02 Graxas
02.03 Fluidos e Aditivos
03 Materiais Químicos
03.01 Corantes
03.02 Resinas e Colas
03.03 Detergentes
03.04 Desengraxantes
03.05 Gases
04 Rolamentos e Esferas
04.01 Rolamentos de Esferas
04.02 Rolamentos de Rolos Cônicos
04.03 Esferas vários diâmetros
05 Mat. Transf. - Celulose
05.01 Celulose Fibra Longa Branqueada
05.02 Celulose Fibra Curta Branqueada
48 Gestão da Cadeia de Suprimentos
05.03 Celulose de Sizal
05.04 Celulose de Algodão
06 Material de Solda
06.01 Eletrodo
06.02 Máscara p/Soldagem
06.03 Pastas p/Soldagem
3.3 Codificação de Materiais
Há uma regra fundamental que deve ser seguida à risca, quan-
do chegamos na etapa de codificar os materiais, a fim de que
a identificação seja de fácil busca, ou seja:
“Para cada material, corresponde um e somente um
código, e para cada código corresponde um e somente
um material”.
A CODIFICAÇÃO tem por objetivo simplificar controles,
endereçar informações, ter acesso rápido a essas informações,
possibilitar a emissão de relatórios mais concisos, de fácil lei-
tura, manuseio e interpretação. O código deve sintetizar a es-
pecificação do material e por seu meio, poderemos efetuar
comparações entre itens e/ou famílias de itens.
O código de um material nasce quando:
a) se “explode” o produto em componentes e a Enge-
nharia de Materiais/Produtos inicia a sua Especifica-
ção, Classificação e define a seguir a numeração que
deverá ter em função do grupo a que pertence o ma-
terial.
Capítulo 3 Estoques II: Classificação de Grupos, Identificação... 49
b) um usuário do sistema de materiais solicita à Adm.
de Materiais que determinado componente seja esto-
cado, tendo em vista a projeção de consumo que o
mesmo deverá ter, quer em função de novas aplica-
ções que terá, quer por pertencer a algum equipamen-
to recém-adquirido para o processo de produção, ou
mesmo de Manutenção ou Controle de Qualidade.
Evidentemente, a Administração de Materiais irá analisar
as justificativas apresentadas e irá aceitar ou não a sua inclu-
são. Caso seja aceito, receberá um número de acordo com a
classificação que lhe for atribuída.
Por outro lado, o cancelamento (morte) de código de
material deverá ser previsto nas seguintes situações:
c) constatar-se a existência de um código de material
sem estoque físico e potencial e sem possibilidade de
identificação.
d) idem, idem, e sem possibilidade de consumo, visto
tratar-se de material que foi substituído por outro de
nova versão ou de nova especificação técnica.
e) material de uso específico em algum equipamento que
tornou-se sem uso no processo, portanto sem a neces-
sidade de serem mantidas no estoque as suas peças de
reposição.
Em todos os casos vistos acima, tanto na criação de um
código, como do seu cancelamento, deveremos também noti-
ficar ao Departamento de Custos sobre a nossa decisão, a fim
de que também lá, os registros já sejam atualizados.
50 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Ainda sobre o tema da CODIFICAÇÃO, os autores Petrô-
nio Martins e Fernando Laugeni (2006, p. 267) referenciam o
assunto dizendo que “a codificação de materiais mais frequen-
temente adotada é a que classifica os materiais em grupos ou
famílias, subgrupos, classes, números sequenciais e dígitos de
autocontrole. A estrutura de um código de materiais, dentro
desse critério, pode ser expressa de maneira genérica, como o
exemplo a seguir”:
xx. xx. xx.xxx – x
Onde temos:
grupo ou famílias (duas posições)
subgrupo (duas posições)
classe (duas posições)
número sequencial (três posições)
dígito de autocontrole (uma posição)
Exemplo: Chapa de aço laminada SAE 1020 em placas de
0,5m de largura, 1,00 m de comprimento e 2 mm de espessu-
ra - 21. 03. 03. 006 – 8
21 = grupo metais
03 = subgrupo metais ferrosos
03 = classe aço SAE 1020
006 = sequencial 8 = dígito de autocontrole
Capítulo 3 Estoques II: Classificação de Grupos, Identificação... 51
Com a codificação definida, o gestor do estoque poderá
armazená-los/estocá-los organizadamente, de modo que ra-
pidamente possa localizá-los para serem disponibilizados nos
locais de consumo ou produção.
3.4 Sobre o ENDEREÇAMENTO DE MATERIAIS,
os autores citados anteriormente, afirmam o
que segue:
“para uma estocagem e uma recuperação adequada
dos materiais, devem-se identificar os locais onde serão
armazenados. O código de endereçamento do mate-
rial, em sua forma mais complexa, pode ter a estrutura
mostrada abaixo”. (PETRÔNIO, MARTINS E LAUGENI,
FERNANDO, 2006 p. 267)
X. X. X. X. X, onde temos:
Almoxarifado n° ou área de estocagem
Rua n°
Prateleira ou estante n°
Posição vertical
Posição horizontal dentro da posição vertical
Exemplo: 2. 1. 3. 2. 1. – material estocado na área 2
do almoxarifado, na rua n° 1, na prateleira n° 3, 2° local
vertical e 1° box horizontal
A CODIFICAÇÃO e o ENDEREÇAMENTO corretos dos
materiais têm por objetivo localizar mais rapidamente os mes-
52 Gestão da Cadeia de Suprimentos
mos, além de facilitar o seu controle, e ainda agilizar as con-
tagens físicas, por ocasião dos inventários a serem realizados.
Atualmente, visando agilizar mais ainda as atividades de
controle, e melhorar consideravelmente a acurácia (precisão)
dos estoques, é muito comum as empresas se utilizarem dos
códigos de barras. Sobre esse assunto, os autores citados aci-
ma, fazem os seguintes comentários:
“o código de barras para a identificação de produtos
é constituído por uma série de linhas e de espaços de
larguras diferentes. Existem dois padrões reconhecidos
oficialmente: o sistema UPC (Universal Product Code),
adotado nos Estados Unidos e no Canadá, e o sistema
EAN (European Article Numbering). No Brasil, o sistema
EAN Brasil é responsável pela implantação e administra-
ção do Código Nacional de Produtos (Código de Barras
EAN) em todo o território nacional e representa o Brasil
junto ao sistema EAN internacional”.
O código EAN 13 identifica um determinado produto e
está assim identificado, dentro do Código EAN Brasil:
País = 3 primeiros dígitos (Brasil = 789)
Identificação da empresa no EAN Brasil = 4 dígitos
Identificação do Produto no EAN Brasil = 5 dígitos
Dígito de autocontrole = 1 dígito
Quando uma quantidade desse produto é unitizada, em
uma embalagem única, recebe um novo código de 14 dígitos,
denominado DUN-14, dentro do Código EAN Brasil.
Capítulo 3 Estoques II: Classificação de Grupos, Identificação... 53
3.5 Catalogação de Materiais/Cadastro de
Materiais
Na medida em que já dispomos da Especificação, da Classi-
ficação e da Codificação dos Materiais, já teremos condições
de elaborar o Catálogo de Materiais. Esse Catálogo ou Ca-
dastro de Materiais é administrado e atualizado pela Engenha-
ria de Produtos/Materiais, com base em informações colhidas
a partir do Departamento de Materiais e também da Engenha-
ria de Processos.
A partir do momento em que dispomos dos materiais, famí-
lias de itens, e suas codificações, estaremos aptos a elaborar
a sua catalogação. Assim, poderemos ter algumas variações
de acesso a esse catálogo, em que então poderemos buscar
algumas formas de utilização e consultas, como, por exemplo:
Catálogo em ordem alfabética de materiais.
Catálogo em ordem de código.
Catálogo de onde é usado determinado material.
Catálogo de itens por fornecedor.
Catálogo de fornecedor e seus itens.
Catálogo onde, dado o material, localizaremos o seu
código.
Catálogo onde, dado o código, localizaremos o seu
material.
O Catálogo de Materiais ainda poderá ser mais comple-
to, se a ele incluirmos outras informações muito importantes e
54 Gestão da Cadeia de Suprimentos
muito usadas pelos Departamentos de Compras e Contabili-
dade, como, por exemplo:
Origem: se é nacional (N) ou importado (I).
Classificação Fiscal: conforme Tabelas e Manuais da
Contabilidade, sempre com base na legislação vigente.
Procedência: se é Fabricado (F) ou Comprado (C).
Classificação do Estoque: se é A, B, C ou outra.
Número da Homologação: indica qual o documento
que registra todos os dados técnicos e logísticos que
foram considerados quando de sua homologação pela
Engenharia de Produtos/Materiais.
Unidade de Medida: pç, kg, litro (l), m², fd, bloco etc.,
isto é, indica a unidade em que deve ser estocado e
comprado.
3.6 Normalização/Padronização
Durante a fase de pesquisa e testes de amostras, visando a
homologação de determinado item, o Departamento de Enge-
nharia de Produtos/Materiais se vale de Normas específicas de
Materiais. Essas normas podem ser Nacionais ou Internacio-
nais e indicam as especificações sobre materiais. Assim, temos:
ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas
ASTM - American Society for Testing Materials
Capítulo 3 Estoques II: Classificação de Grupos, Identificação... 55
NEMA - National Eletrical Manufacturers Association
DIN - Deutsche Industrie Norm (Norma Alemã para a Indústria)
BSI - British Standards Institution (Instituição das Normas Bri-
tânicas)
ISO - International Organization for Standartization
Segundo Dias (1986), “a partir das orientações constantes
nestas Normas, os materiais são padronizados, visando o con-
trole de sua diversificação, racionalização e casos similares”. A
partir da Normalização e Padronização poderemos ter:
menor imobilização de capital estocado;
menor custo do material;
menor obsoletismo;
maior tempo de vida do item.
3.7 A Identificação por Rádio Frequência (RFID)
O que é a Rádio Frequência? É o termo genérico destinado
para as tecnologias que utilizam a frequência de rádio para
captura de dados. Existem diversos métodos de identificação:
o mais comum é armazenar um número de série que identi-
fique uma pessoa ou um objeto, ou outra informação, em um
microchip. Uma das maiores vantagens é permitir a codifica-
ção em ambientes hostis e em produtos em que o uso de
código de barras não é eficaz.
56 Gestão da Cadeia de Suprimentos
3.7.1 Como funciona? A seguir, está
apresentado um modelo básico de
funcionamento de um sistema RFID.
3.7.2 Componentes do RFID
Um sistema de RFID é basicamente composto por dois com-
ponentes:
Transponder (TAG) – “chip” que se situa no objeto a ser
identificado.
Leitor – que, dependendo da tecnologia usada, pode ser
um dispositivo de captura de dados ou de captura/transmissão
de dados.
Existem duas categorias de TAG RF
Ativos – São alimentados por uma bateria interna e tipi-
camente permitem processos de escrita e leitura.
Passivos – Operam sem bateria, sendo que sua alimen-
tação é fornecida pelo próprio leitor a partir das ondas eletro-
magnéticas.
Capítulo 3 Estoques II: Classificação de Grupos, Identificação... 57
O custo dos RF Tag ativos são maiores que o RF Tag pas-
sivos, além de possuírem uma vida útil limitada de no máximo
10 anos (os passivos têm, teoricamente, uma vida útil ilimitada).
Os Tags passivos geralmente são do tipo só leitura (read-
-only), usados para curtas distâncias.
A seguir, estão mostradas ilustrações dos tags ativos e pas-
sivos.
RF tags ativos
RF tag passivo
58 Gestão da Cadeia de Suprimentos
RF tag passivo
A seguir, estão algumas ilustrações de modelos do Leitor
Capítulo 3 Estoques II: Classificação de Grupos, Identificação... 59
3.7.3 Diagrama de Funcionamento de um
Estoque Utilizando RFID
60 Gestão da Cadeia de Suprimentos
REFERÊNCIAS DO CAPÍTULO .3
DIAS, Marco Aurélio P. – Administração de Materiais – uma
abordagem
Logística – 2ª. Edição, SP, Ed. Atlas, 1986.
MARTINS, Petrônio G. : LAUGENI, Fernando P. – Administração
da Produção.
2ª ed. São Paulo: Saraiva, 2006. Os autores nesta obra da
Administração, trazem vários aspectos sobre a codificação
de materiais, além dos demais assuntos dacadeia de supri-
mentos e da produção.
EXERCÍCIOS DO CAP. 3
1 Explique duas vantagens da codificação de Materiais, na
Gestão de Estoques.
2 Explique duas vantagens da padronização de Materiais, na
Gestão de Estoques.
3 Dada a relação de materiais abaixo, com a sua respectiva
codificação,
1.1.01.0 – Cerveja sem Álcool 350 ml
1.1.02.0 – Cerveja com Álcool 350 ml
1.1.01.0 - Suco de Pêssego de 1 litro
1.1.01.0 - Água Mineral sem Gás 1 litro
Indique qual deverá ser a codificação dos novos itens abaixo.
Capítulo 3 Estoques II: Classificação de Grupos, Identificação... 61
a) Suco de Pêssego de 1/2 litro:________________________
b) Água Mineral sem Gás de 1/2 litro:____________________
c) Cerveja Com Álcool Garrafa 600 ml:___________________
4 Comente duas vantagens do código de barras na identifi-
cação de materiais.
5 Comente duas vantagens da RFID na identificação de ma-
teriais.
GABARITO: 3a = 01.02.01.1 3b = 01.03.01.1
3c = 01.01.02.1
1 a) Localizar mais rapidamente os materiais o que signifi-
ca melhorar o nível de serviço aos clientes. B) Agilizar as
contagens físicas, por ocasião dos inventários buscando o
aumento da acurácia dos estoques.
2 a) menor imobilização de capital estocado, reduzindo as-
sim o custo de estoque.
b) maior tempo de vida do item, o que proporciona um
melhor aproveitamento do item no estoque, pois po-
derá atender aos diversos produtos onde é utilizado.
4 a) rapidez na localização e separação do material no estoque.
b) maior agilidade no atendimento ao cliente, tendo em
vista a sua rápida movimentação, a partir da rapidez
na sua localização no almoxarifado.
62 Gestão da Cadeia de Suprimentos
5 a) permite a codificação dos materiais em ambientes hostis
(ambiente agressivos que podem comprometer a vida útil
do material).
b) permite codificação e mais rápida movimentação dos
materiais, e em pr odutos onde o uso de código de
barras não é eficaz.
Estoques III:
Classificação ABC e XYZ
de Materiais1
1 Administrador de Empresas pela UFRGS, professor assistente na Universidade
Luterana do Brasil - ULBRA
Rogério da Silva Filho1
Capítulo 4
64 Gestão da Cadeia de Suprimentos
4.1 Introdução
Classificação ABC de materiais também é conhecida por “Ad-
ministração por Exceção”, pois consiste em separar os ma-
teriais que fazem parte dos diversos grupos que compõem o
estoque geral, geralmente, em três classes A, B e C, tendo por
base o consumo verificado em um determinado período, e o
seu custo unitário.
Há casos em que são geradas classes adicionais, D e E,
dependendo da quantidade de itens que formam o estoque
geral.
Mas, há ainda uma classe especial, que são os materiais
estratégicos. Ou seja, são materiais que não fazem parte da
classificação ABC tradicional, por se tratar de materiais cujas
características de aquisição (custo, prazo de entrega, origem,
forma de estocagem, fabricação especial, responsabilidade
por sua negociação etc.) se diferenciam dos demais e, por
isso, são analisados de forma diferenciada. A sua forma de
aquisição, estocagem e lotes a serem adquiridos são definidos
pela Alta Administração das empresas, ficando sob responsa-
bilidade dos departamentos de estoque e compras, as etapas
de controle da documentação e a sua operacionalidade.
Depois de identificados os itens estratégicos é que serão
definidos os demais itens que farão parte da classificação ABC
tradicional.
A classificação ABC tem por finalidade definir os itens prin-
cipais do estoque, assim como definir uma orientação para
a gestão desses estoques e compras. Ou seja, visa dar mais
Capítulo 4 Estoques III: Classificação ABC e XYZ de Materiais 65
atenção aos itens de maior valor estocado. A ferramenta da
Administração usada nos sistemas de controle de estoque
para melhor definir a classificação ABC é a Regra de Pareto,
também chamada de “regra 80/20”. Segundo essa regra, de
modo geral, a classificação ABC de materiais seria interpre-
tada conforme segue abaixo. Porém, é muito importante res-
saltar que não há um percentual (ou uma faixa de percentual)
pré-definida para identificar os itens de cada classe. Na práti-
ca, cada empresa vai definir esse percentual, tendo por base a
aplicação dos cálculos, indicados pela metodologia da Regra
de Pareto.
Os autores Petrônio Martins e Campos Alt (2009, p. 211),
referindo-se ao assunto, afirmam que “não existe forma total-
mente aceita para dizer qual o percentual do total dos itens que
pertencem à classe A, B ou C. Os itens da classe A são os mais
significativos, podendo representar algo entre 35% e 70% do
valor movimentado dos estoques, os itens B variam de 10% a
45%, e os itens C representam o restante”.
Dias (2010, p. 75), também referindo esse contexto, diz
que “a definição das classes A, B e C obedece apenas a crité-
rios de bom senso e conveniência dos controles a serem esta-
belecidos. Em geral, são colocados, no máximo, 20% dos itens
na classe A, 30% na classe B e os 50% restantes na classe C”.
Tendo por base a afirmativa do autor Dias acima, pode-se
deduzir que a apresentação da classificação ABC, nesse caso,
poderia ser, por exemplo:
Classe A: 20% dos itens, representam 80% do valor movi-
mentado em estoque.
66 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Classe B: 30% dos itens, representam 15% do valor movi-
mentado em estoque.
Classe C: 50% dos itens, representam 5% do valor movi-
mentado em estoque.
Assim, pode-se confirmar a Regra de Pareto, onde:
O menor número de itens é responsável pelo maior va-
lor estocado (Classe A).
O número médio de itens é responsável pelo médio va-
lor estocado (Classe B).
O número maior de itens é responsável pelo menor va-
lor estocado (Classe C).
O quadro a seguir mostra, de forma simplificada, a
aplicação da Regra de Pareto:
Classe % itens % valor
A menor (<) maior (>)
B médio (M) médio (M)
C maior (>) menor (<)
4.2 Etapas para a Definição da Classificação ABC
a) Coleta de Dados
Consiste na busca dos dados de cada item do estoque. É
uma etapa de forte trabalho de pesquisa e consultas em do-
cumentos, tanto na Contabilidade, como na área de Estoque,
Capítulo 4 Estoques III: Classificação ABC e XYZ de Materiais 67
Suprimentos e Compras. Os dados coletados formam a tabela
abaixo:
(Código) (Unid.) (R$) (R$ ano)
Itens Consumo Anual Vlr. Unit. Vlr. Total Grau
M 1 2.000 1,50 3.000,00 9°
M 2 1.500 2,20 3.300,00 8°
M 3 5.000 1,20 6.000,00 6°
M 4 6.000 3,50 21.000,00 1°
M 5 4.000 2,80 11.200,00 3°
M 6 3.500 2,00 7.000,00 5°
M 7 5.000 2,50 12.500,00 2°
M 8 1.000 2,00 2.000,00 10°
M 9 2.500 1,80 4.500,00 7°
M10 3.000 3,00 9.000,00 4°
A coluna do Valor Total é obtida a partir da multiplicação
do Consumo Anual (em unidades) de cada item, pelo seu valor
unitário (R$).
A coluna Grau é obtida por meio da numeração do valor
maior para o valor menor (ordem decrescente de valor). As-
sim, o maior valor no exemplo é R$ 21.000,00 e, por isso,
foi eleito o primeiro valor (1°). Ou seja, são definidos os itens
mais significativos que foram movimentados no estoque, em
um determinado período de tempo.
Não há uma metodologia específica para a determinação
do período de tempo que deve ser considerado para os cálcu-
los das classes. Na prática, esse período é escolhido em função
dos movimentos dos negócios da empresa. Vale dizer que, em
68 Gestão da Cadeia de Suprimentos
razão desse fato, a classificação ABC obtida deverá ser altera-
da de tempos em tempos, na medida em que os negócios da
empresa sofram acréscimos ou decréscimos nos seus movimen-
tos. Portanto, deve-se escolher um período para análise dos
consumos de materiais, que expresse os negócios da empresa.
b) A Ordenação dos Dados Coletados
Logo após concluída a etapa decoleta dos dados e defi-
nição dos itens mais significativos (Grau), deve-se colocar os
itens em ordem, de acordo com o grau definido na etapa an-
terior. Dessa forma, para cada um irá corresponder um item
específico, com o seu valor total também definido na tabela da
coleta de dados. Esses serão os dados de entrada na tabela de
ordenação dos dados. Para complementar a tabela, devem ser
criadas as colunas do Valor Total Acumulado e dos Percentuais
(%). Assim, será elaborada a próxima tabela, conforme segue:
Grau Item Vlr. Total
Anual
Vlr.Tot.
Acum.
% Classe
1 M4 21.000,00 21.000,00 26,4% A
2 M7 12.500,00 33.500,00 42,2% A
3 M5 11.200,00 44.700,00 56,2% B
4 M10 9.000,00 53.700,00 67,5% B
5 M6 7.000,00 60.700,00 76,4% B
6 M3 6.000,00 66.700,00 83,9% C
7 M9 4.500,00 71.200,00 89,6% C
8 M2 3.300,00 74.500,00 93,7% C
9 M1 3.000,00 77.500,00 97,5% C
10 M8 2.000,00 79.500,00 100,0% C
Capítulo 4 Estoques III: Classificação ABC e XYZ de Materiais 69
Para se obter o Valor Total Acumulado, deve-se proceder à
soma do valor total de cada item, com o seguinte na tabela,
até o último item, quando se saberá o valor total movimentado
no estoque no período definido.
Para o cálculo dos percentuais de cada item, usa-se a Re-
gra de Três Simples, em que 100% corresponde ao Valor Total
Acumulado, e o valor acumulado do item é a variável que se
deseja saber.
Exemplo:
100%------------R$ 79.500,00
X%---------------R$ 21.000,00, onde x = (21.000,00 x 100%)
/ 79.500 = 26,4%
E, assim, procede-se o cálculo para os demais itens.
c) Definição das Classes de Materiais
Para a definição das classes A, B e C, deve-se proceder da
seguinte forma:
1°) Pode-se predefinir os percentuais de itens de cada
classe. Ou seja, a empresa irá definir qual o percentual
de itens do seu estoque irá compor a Classe A, qual per-
centual de itens serão da Classe B, e os restantes serão
da Classe C. Nesse caso, aplica-se o percentual definido
para classe, sobre os itens, lembrando que os itens estarão
ordenados por ordem decrescente de valor. Ou seja, o
primeiro percentual aplicado será o que define os itens da
classe A. O próximo percentual a ser aplicado define os
itens da classe B, e os demais itens restantes irão compor
70 Gestão da Cadeia de Suprimentos
a classe C. No exemplo, foram definidos os seguintes per-
centuais de itens para cada classe: 20% dos itens formam
a classe A, 30% a classe B e 50% a classe C.
Classe % itens % Valor Itens
A 20% 42,2% M4 e M7
B 30% 34,2% M5, M10 e M6
C 50% 23,6% M3, M9, M2, M1 e M8
Na maioria das vezes, o Departamento de contabilidade,
assessorado por auditores independentes, poderá definir os
percentuais dos itens que devem compor cada classe. Princi-
palmente, quando da ocasião do Inventário Geral, para efeito
da elaboração do balanço contábil.
Para a definição dos percentuais de valor de cada classe,
deve-se realizar os seguintes procedimentos:
a) Tão logo sejam definidos os itens da Classe A (no
exemplo M4 e M7), na mesma linha, na coluna do
percentual de valores, estará o percentual acumulado
do valor dessa classe (42,2%).
b) Para a definição do percentual do valor da Classe B (itens
M5, M10, M6), deve-se verificar na linha do item M6 (5°
item) o percentual do valor acumulado (76,4%), e sub-
trair desse percentual o percentual de valor da Classe A
(42,2%), restando, assim, o percentual de 34,2%.
c) Para a classe C, o procedimento é semelhante, porém,
subtraindo dos 100%, o percentual acumulado das
Classes A e B (76,4%), restando, dessa forma, 23,6%.
Capítulo 4 Estoques III: Classificação ABC e XYZ de Materiais 71
2°) Previamente, não indicar percentuais de itens de cada
classe. Nesse caso, deve-se aplicar integralmente o con-
ceito da classificação ABC (Regra de Pareto), onde o me-
nor percentual de itens, que corresponde ao maior percen-
tual de valor, indicará a composição dos itens da Classe
A, os de médio percentual de itens e médio percentual de
valor, os da Classe B, e os restantes, os da Classe C.
Deve-se ter um cuidado especial quando o número de itens
for ímpar. Nesse caso, deve-se começar a definição das clas-
ses pelos itens da Classe C. Aplicando o conceito da classifi-
cação ABC, sabe-se que a maioria dos itens deverá estar na
Classe C. Sendo assim, a metade dos itens, mais um, será
a composição dos itens da Classe C. Os demais itens irão
compor as Classes A e B. E para estes, também sabe-se que o
menor número de itens deverá estar na Classe A. Dessa forma,
os demais itens irão compor a Classe B.
A definição/cálculo do percentual de valor de cada classe
segue o mesmo método já citado na página anterior.
4.3 Gerenciamento e Políticas para Cada Classe
Definidas as classes com seus respectivos percentuais e itens,
deve-se estabelecer formas de gerenciamento e algumas polí-
ticas para esses itens, quer no que se refere às técnicas de ad-
ministração do estoque, quer na administração de suprimentos
e compras. Assim, alguns exemplos de formas de gerencia-
mento, políticas e conclusões, seguem abaixo:
a) Itens da Classe A
Elaborar estratégias para a redução de custos.
72 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Identificar o(s) fornecedor(es) desses itens.
Revisar todos os parâmetros de planejamento, aquisi-
ção, transporte e estocagem desses itens, para formular
novas políticas se for o caso.
Destinar maciço uso de informática no controle desses itens.
Preferencialmente, utilizar estratégias de abastecimento
com base no Just-in-Time, definindo claramente com o
fornecedor o intervalo de tempo de cada ressuprimento.
Monitoramento diário ou semanal da evolução do con-
sumo desses itens.
Efetuar inventário rotativo quinzenal ou mensal, proce-
dendo imediatamente às correções devidas, assim como
revisando os parâmetros que se mostraram alterados.
Estar sempre atento aos itens que fazem fronteira com a
classe B, monitorando, além do seu consumo, também
uma possível elevação de custos, para fazer as corre-
ções em tempo hábil, para que não ocorra a ruptura do
estoque. Alterar a classe do item, se for o caso, assim
como todos os seus parâmetros.
O autor Bertaglia (2003, p. 335) faz algumas recomen-
dações a serem seguidas em cada uma das classes definidas.
Para os itens definidos na Classe A, o autor afirma que “essa
classe, a mais importante, uma vez que consome um volume
bastante alto de capital, exige maior atenção da administração
e no controle dos estoques com relação a estimativas e perdas
em qualquer etapa da cadeia de abastecimento, seja transpor-
te, produção ou armazenagem”.
Capítulo 4 Estoques III: Classificação ABC e XYZ de Materiais 73
b) Itens da Classe B
Elaborar estratégias para a redução de custos.
Identificar os fornecedores desses itens.
Destinar uso médio de informática para esses itens.
Utilizar estratégias de abastecimento Just-in-Time, porém
com intervalo de ressuprimento um pouco mais alonga-
do do que dos itens da classe A.
Monitoramento quinzenal ou mensal da evolução do
consumo desses itens.
Efetuar inventário rotativo bimensal ou trimestral.
Estar sempre atento aos itens que fazem fronteira com
as classes A e C, para fazer as correções necessárias em
tempo hábil, evitando a ruptura do estoque. Alterar a
classe do item, se for o caso, assim como todos os seus
parâmetros.
Para os itens da Classe B, o autor Bertaglia (2003, p. 335)
sugere que “a administração dessa categoria de itens recebe
uma atenção média, com enfoque rotineiro, sem a mesma de-
dicação dada aos itens da Classe A. Esforços adicionais são,
contudo, exercidos quando se efetua estimativa de vendas e de
consumo”.
c) Itens da Classe C
Destinar pouca informática para esses itens.
O intervalo de ressuprimento poderá ser trimestralou
quadrimestral.
74 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Efetuar a contagem física apenas no momento do Inven-
tário Geral da empresa, no final do seu exercício fiscal.
Efetuar a contagem por amostragem desses itens. A
quantidade de itens, bem como a sua representativida-
de no estoque deverá ser definida pela Contabilidade,
em conjunto com o auditor externo que acompanha as
contagens físicas.
Estar atento aos itens que fazem fronteira com a classe
B, monitorando e corrigindo em tempo hábil os desvios
ocorridos, assim como alterar os parâmetros de cada
item e proceder à mudança de classe se for o caso.
Para os itens da Classe C, o autor Bertaglia (2003, p. 335),
refere que “esses itens recebem um esforço pequeno no mo-
mento das estimativas. No entanto, os itens estratégicos, mes-
mo classificados como C, devem receber maior cuidado. Nes-
se caso, uma boa alternativa é manter ou elevar o estoque de
segurança”.
d) Elaboração da Curva ABC
Itens
Vlr. Acum.
Capítulo 4 Estoques III: Classificação ABC e XYZ de Materiais 75
4.4 A Classificação XYZ
A classificação XYZ de materiais tem por finalidade identificar
os itens que são críticos ou imprescindíveis nos processos pro-
dutivos ou nas vendas.
Os autores José Carlos Barbieri e Claude Machline (2009,
p. 73- 79), apresentaram seus estudos sobre a classificação
XYZ, em sua obra “Logística Hospitalar. Segundo esses auto-
res, “alguns materiais, quando faltam, provocam a paralisa-
ção de atividades essenciais e colocam em risco as pessoas,
o ambiente e o patrimônio da organização. Esses são os itens
Classe Z, os mais críticos. São materiais imprescindíveis para
a organização e que, na sua falta, não podem ser substituídos
por outros similares em tempo hábil para evitar transtornos”.
Seguindo em sua apresentação, os autores afirmam que “os
itens da Classe Y apresentam um grau de criticalidade médio,
pois, embora sejam vitais para as atividades da empresa, po-
dem ser substituídos por equivalentes, com relativa facilidade”.
Sobre os itens da Classe X, os autores referem que “os itens
da classe X podem faltar sem acarretar prejuízos ao funciona-
mento da empresa, nem tanto pelo fato de não serem críticos
para as atividades, mas, principalmente, pela possibilidade de
serem substituídos com bastante facilidade”.
a) Características da Classificação XYZ
Abaixo, segue uma adaptação do quadro apresentado
pelos autores Barbieri e Machline, sobre as características da
classificação XYZ:
76 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Classe Características
X
- Baixa criticalidade.
- Faltas não acarretam paralizações, nem riscos à
segurança pessoal, ambiental e patrimonial.
- Elevada possibilidade de usar materiais equivalentes.
- Grande facilidade de obtenção.
Y
- Criticalidade média.
- Faltas podem provocar paradas e colocar em risco
as pessoas, o ambiente e o patrimônio da orga-
nização.
- Podem ser substituídos por outros com relativa fa-
cilidade.
Z
- Máxima criticalidade: imprescindíveis.
- Faltas podem provocar paradas e colocar em risco
as pessoas e o patrimônio da organização.
- Não podem ser substituídos por outros equivalen-
tes ou seus equivalentes são difíceis de obter.
Fonte: Adaptado de Barbieri e Machline, 2009, p. 74
Segundo os autores, “a determinação do grau de criticali-
dade de um determinado material pode ser efetuada por meio
de respostas dadas às seguintes perguntas, feitas para cada
item de material do estoque”:
Esse item é essencial para alguma atividade vital da or-
ganização?
Esse item pode ser adquirido facilmente?
Capítulo 4 Estoques III: Classificação ABC e XYZ de Materiais 77
Esse item possui equivalente(s) já especificado(s)?
Algum item equivalente pode ser adquirido facilmente?
Pelo método de análise dos autores (2009, p. 75), deve ser
elaborado um quadro formado pelos materiais e pelas per-
guntas acima, em que, para cada material, deverá haver uma
resposta para cada uma das perguntas acima citadas.
O quadro abaixo, adaptado dos autores, mostra um exem-
plo de como poderá ser realizada a classificação XYZ, de um
grupo qualquer de materiais:
Item O item é
imprescindível?
O item pode
ser adquirido
facilmente?
O item
possui
equivalente?
O item equivalente
é encontrado
facilmente?
Classe
IMN Não Sim Sim sim X
KLF Sim Sim Sim Sim X
RTC Sim Sim Não -------------- Y
FGH Sim Não Não --------------- Z
PLC Não Não Sim Não Y
Fonte: Adaptado de Barbieri e Machline, 2009, p. 75
b) Combinação das classificações ABC e XYZ
Como explicado nas páginas anteriores, a classificação
ABC, tem por objetivo identificar os itens principais do esto-
que, relacionando os valores investidos em estoque, em cada
classe, a partir da multiplicação do consumo/demanda reali-
zada pelo seu custo unitário. A classificação XYZ tem por obje-
tivo identificar os itens principais do estoque, baseando-se na
sua importância para cada processo em que são utilizados. E
78 Gestão da Cadeia de Suprimentos
a partir disto, pode-se definir estratégias, políticas e objetivos
para a melhoria do nível de serviço. O caminho para identifi-
car essa importância, está baseado nas respostas às perguntas
do quadro acima. Porém, há outro caminho que combina as
classificações ABC e XYZ, estabelecendo, assim, um método
mais eficiente e eficaz na identificação mais detalhada, dos
materiais dessas classes, realizando uma abordagem mais
aprofundada. Afinal, a falta de um parafuso simples poderá
causar uma paralização do processo produtivo, ocasionando
um alto custo, tal qual a falta de um item de valor bem maior.
Os autores Barbieri e Machline (2009, p. 76-77) elaboraram
um quadro demonstrando essa combinação:
Classes X Y Z Frequência
de compra
Semanas
de
Consumo
Estoque
Médio em
Semanas
A ax AY AZ 52 1 1 /2
B bx BY BZ 26 2 1
C cx cy cz 13 4 2
Nível de
Atendimento
desejado
97% 98% +/- 100%
Fonte: Adaptado de Barbieri e Machline, 2009, p. 76
Como pode ser percebido no quadro, os itens que per-
tencem às células AZ, BZ, AY e BY deverão receber atenção
especial, considerando essa ordem de priorização. Dessa for-
ma, haverá a possibilidade de elaborar políticas, estratégias e
objetivos bem mais específicos para esses itens. E isso reduz o
Capítulo 4 Estoques III: Classificação ABC e XYZ de Materiais 79
risco de falta de componentes para os processos que se utili-
zam dos mesmos
REFERÊNCIAS DO CAP. 4
BARBIERI, J. C.: MACHLINE, C. – Logística Hospitalar: Teoria
e Prática. São Paulo: Saraiva, 2009. Esta é uma das princi-
pais bibliografias sobre o estudo da gestão de estoques no
segmento hospitalar. Geralmente, são encontrados estu-
dos em artigos publicados nas revistas técnicas da área da
saúde, porém esses autores fazem uma abordagem muito
completa e em linguagem muito acessível aos leitores.
BERTAGLIA, Paulo Roberto – Logística e Gerenciamento da Ca-
deia de
Abastecimento. São Paulo: Saraiva, 2003. Este autor faz uma
abordagem muito simples e clara sobre o assunto, trazen-
do alguns exercícios que ajudam o leitor na sua prática.
DIAS, Marco Aurélio P. – Administração de Materiais: princí-
pios, conceitos e gestão. São Paulo: Atlas, 2010. Este au-
tor aborda o tema com muita profundidade e demonstra o
tema da classificação ABC de materiais com um exemplo
muito esclarecedor ao leitor.
MARTINS, Petrônio Garcia e ALT, Paulo Renato C. Administra-
ção de Materiais e Recursos Patrimoniais. São Paulo: Sarai-
va, 2009.
80 Gestão da Cadeia de Suprimentos
EXERCÍCIOS DO CAP.4
1. Construa o gráfico da curva ABC da p. 42, considerando
os itens e os valores do exemplo apresentado (p. 5 e 6),
seguindo a ordem apresentada na metodologia de resolu-
ção.2. A afirmativa a seguir foi expressada por um empresário, a
respeito da classificação ABC: “Investimos pesadamente
em informática e hoje temos capacidade ociosa de pro-
cessamento de dados, de modo que não precisamos mais
fazer a classificação ABC, pois poderemos controlar com o
mesmo rigor todos os itens de estoque”.
Qual seria a sua resposta a esse empresário? Comente a
afirmativa e justifique a sua resposta.
(adaptado de Barbieri e Machline, 2009, p. 78).
3. Com base nos dados abaixo, determine:
a) complete o quadro com as duas colunas que faltam;
b) o percentual de itens de cada classe;
c) o percentual de valor de cada classe;
d) os itens que compõem cada classe, sabendo-se que as
classes
A e B juntas devem atingir 50% dos itens.
Capítulo 4 Estoques III: Classificação ABC e XYZ de Materiais 81
Material Pr.Unit. Qtd.cons. Anual
P1 0,50 12.000
P2 1,20 15.000
P3 3,00 8.000
P4 17,00 6.000
P5 8,00 10.000
P6 12,00 6.000
P7 5,00 2.000
P8 2,50 7.000
P9 13,00 2.500
P10 8,50 3.000
P11 3,20 12.000
P12 5,10 4.000
4. Comente qual o objetivo da Classificação ABC dos estoques,
e indique pelo menos dois benefícios dessa classificação.
5. Considerando o estoque de materiais em um hospital,
comente sobre a Importância de dispor de uma eficiente
classificação de materiais nesse Segmento. (adaptado de
Barbieri e Machline, 2009, p. 78).
GABARITO:
1. Seguir as orientações expressas na questão, o que levará a
uma curva no formato de uma elipse (parte de uma elipse).
2. O empresário não conhece os objetivos da classificação
ABC dos materiais em estoque, na medida em que contro-
la todos os itens com o mesmo rigor, o que é contrário ao
82 Gestão da Cadeia de Suprimentos
objetivo da classificação ABC. E, além disso, ainda realiza
pesado investimento em informática, sem ter uma aplica-
ção mais favorável para a gestão dos seus estoques.
3. a) Coluna Valor Total do Consumo e Coluna Grau
b) Classe A = 16,67% Classe B= 33,33% Classe C= 50%
c) Classe A = 40,78% Classe B = 37,73% Classe C =21,49%
d) Classe A = P4 – P5 Classe B = P6 - P11 - P9 - P10.
Classe C = P1 – P12 – P2 – P8 – P7 – P1.
4. a) O objetivo da classificação ABC é identificar os itens de
maior valor nos estoques, observando a combinação de
consumo x custo unitário.
b) Estabelecer políticas distintas para os itens de cada
classe e estabelecer estratégias para gestão de esto-
ques e orientações aos negócios para o departamento
de compras.
5. É de fundamental importância estabelecer as classificações
ABC e XYZ, tendo em vista que a falta de materiais poderá
por em risco a vida de pacientes.
Gestão de Estoques I:
Níveis de Estoques1
1 Administrador de Empresas pela UFRGS, professor assistente na Universidade
Luterana do Brasil - ULBRA
Rogério da Silva Filho1
Capítulo 5
84 Gestão da Cadeia de Suprimentos
As Empresas têm como objetivo final atingir o lucro máximo e, para atingir esse objetivo, ela deverá usar o seu capital,
para que ele não permaneça inativo. O valor (Capital) que
estiver investido no estoque deverá ser também uma alavanca
e um combustível necessários ao bom atendimento à Produção
e ao bom atendimento às vendas.
Os estoques de produtos acabados, matérias-primas, com-
ponentes e o estoque de materiais em processo não são inde-
pendentes.
A função de Gestão de Estoques é maximizar essa alavan-
cagem para tornar o Planejamento da Produção e o Planeja-
mento de Matérias-Primas mais ajustadas às necessidades da
Produção e Vendas, e, por extensão, mais ajustadas à satisfa-
ção dos clientes.
O objetivo, portanto, é otimizar o investimento em es-
toques, minimizando as necessidades de capital inves-
tido. Ficando este nas mãos e sob responsabilidade da Área
Financeira, para melhor dirigir a sua aplicação.
Como vimos anteriormente, há conflitos na Logística, e eles,
via de regra, passam pela Gestão de Estoques. A administra-
ção dos estoques deverá conciliar da melhor maneira possível
os objetivos interdepartamentais conflitantes, sem prejudicar a
operacionalidade de toda a Empresa. A Administração de es-
toques exige que todas as atividades envolvidas no controle de
estoques sejam integradas e controladas em um sistema físico-
-financeiro, isto é, em quantidades e valores. A Administração
de estoques não se preocupa somente com o fluxo diário de
Capítulo 5 Gestão de Estoques I: Níveis de Estoques 85
entradas e saídas, mas a relação lógica entre esses movimen-
tos o que é um novo sistema de controle na organização.
Segundo dias (2010, p. 284) “um eficiente sistema de con-
trole é elemento básico em todas as fases de desenvolvimento,
planejamento e administração de empresas comerciais e in-
dustriais”.
Mais adiante, Dias (2010, p. 285) afirma que “para efetuar
um correto Controle de Estoques, é necessário preencher diver-
sos requisitos, que podem variar em função do tipo de empresa
e, primordialmente, do tipo de linha de produção”.
Em sequência, Dias (2010, p. 286) apresenta “dez carac-
terísticas básicas que se adaptam em qualquer condição”. São
elas:
1. “Coordenação adequada e apropriada de todos os seto-
res envolvidos na compra, recebimento, teste, aprovação,
estocagem e pagamento a fornecedores.1
2. Centralização nas compras em um setor de Compras sob
a direção e responsabilidade de um especialista, com roti-
nas de procedimento bem claras e definidas.
3. Utilização de cotações a fornecedores de maneira que
possibilite a maior redução de preços possível na aquisi-
ção de suprimentos.
4. Criação de um sistema interno de conferência, de forma
que todas as operações envolvidas na compra e no consu-
1 Nos EUA, este ciclo é denominado de Logística In Bound.
86 Gestão da Cadeia de Suprimentos
mo de materiais sejam verificadas e aprovadas por pesso-
as autorizadas e de nível adequado.
5. Estocagem de todos os materiais em locais previamente
designados, e sujeitos a supervisão direta.
6. Estabelecer um sistema de inventário rotativo, que possibi-
lite a qualquer momento a determinação do valor de cada
item e o total dos materiais em estoque.
7. Determinação de limites (mínimos e máximos) para cada
item do estoque.
8. Elaboração de um sistema de controle de estoque, de ma-
neira que os fornecimentos se realizem sob requisição dos
setores, conforme as quantidades pedidas e no tempo de-
vido.
9. Desenvolvimento de um sistema de controle que demons-
tre o custo de materiais em cada estágio, desde o almo-
xarifado de matéria-prima até o almoxarifado de produtos
acabados.
10. Emissão regular de relatório de materiais comprados, en-
tregues, saldos, itens obsoletos, devoluções a fornecedores
e registro de toda e qualquer informação que se faça ne-
cessária para uma correta avaliação do desempenho”.
Conforme Dias (2003), “segundo os professores NEUSHEL
e FUULER as deficiências no sistema de controle de estoques
são notadas quando surgem reclamações, tanto de clientes in-
ternos, como dos clientes finais (mercado). Essas reclamações
seriam originadas por alguns fatos, como, por exemplo:
Capítulo 5 Gestão de Estoques I: Níveis de Estoques 87
a) Grandes e frequentes dilatações dos prazos de entrega.
b) Grandes e frequentes dilatações nos tempos de repo-
sição de matérias-primas.
c) Aumento do estoque, no mesmo período em que a
Produção permanece estável e constante.
d) Elevado número de cancelamentos de pedidos dos
clientes, ou devolução de produtos acabados.
e) Variação muito frequente e excessiva nos lotes de pro-
dução.
f) Paradas frequentes de produção por falta de mate-
riais, principalmente nas produções seriadas, causan-
do grande impacto negativo na motivação e ânimo do
pessoal.
g) Falta de espaço para armazenamento.
h) Baixa rotatividade dos estoques.
i)Muitos itens obsoletos estocados.
A alta Administração deverá definir claramente qual a Po-
lítica de Estoques a ser adotada pela Administração de Esto-
ques, para que os objetivos sejam atingidos.
Essas Políticas/Diretrizes são, em geral, as seguintes:
a) Metas da Empresa quanto ao tempo de entrega dos
produtos aos clientes.
b) Definição do número de Depósitos/Armazéns disponí-
veis e quais materiais devem ser estocados em cada um.
88 Gestão da Cadeia de Suprimentos
c) Níveis de flutuação dos estoques.
d) Quando deverá ser realizado uma especulação com
os estoques (compra antecipada com preços baixos ou
aumentar a quantidade a ser comprada para se obter
descontos maiores).
e) Qual a rotatividade dos estoques.
5.1 As Funções Principais do Controle de
Estoque:
Conforme Dias (2003), as principais funções do Controle de
Estoque são:
a) Determinar “o que” deve ser estocado (Número de
itens).
b) Determinar “quando” se deve reabastecer os estoques
(Periodicidade).
c) Determinar “quanto” de estoque será necessário para
um período determinado.
d) Acionar o Departamento de Compras para executar a
aquisição do estoque.
e) Receber, armazenar e atender os materiais estocados
de acordo com as necessidades.
f) Controlar os estoques em termos de valor e quantidade
e fornecer informações sobre a posição dos estoques.
g) Manter inventários periódicos para a avaliação das
quantidades e estado dos materiais estocados.
Capítulo 5 Gestão de Estoques I: Níveis de Estoques 89
h) Identificar e retirar do estoque os itens obsoletos e da-
nificados.
5.2 Termos Usados na Gestão de Estoques
É muito importante a definição dos termos usados na Gestão
de Estoques e muitos autores atribuem uma maior ou menor
extensão a eles. Assim, preferiu-se as definições do Prof. Joary
Correa (1979) em seu Livro: «Gerência Econômica de Estoques
e Compras, Ed. FGV», tendo em vistas serem as denominações
mais conhecidas em micro e pequenas empresas. Obviamen-
te, em muitas empresas de grande porte, essa nomenclatura
também é conhecida. A seguir, estão apresentados os princi-
pais conceitos dos termos usados na Gestão de Estoques.
a) ESTOQUE (E) - é a quantidade de material fisicamente
existente no Almoxarifado. Ou seja, é a quantidade
que está disponível no almoxarifado para a produção,
venda ou consumo de um material.
b) ESTOQUE MÍNIMO (EM) - é a menor quantidade de
material existente no estoque, para prevenir qualquer
situação de emergência, quer provocada por aumento
no consumo, quer por irregularidades no prazo de sua
entrega. Também é conhecido na literatura da área,
como estoque de segurança, estoque de reserva, esto-
que de proteção. Enfim, vários são os seus sinônimos,
porém a finalidade é a mesma na gestão de estoques.
A determinação do Estoque Mínimo será objeto de de-
talhamento no capítulo seguinte, tendo em vista a sua
importância e diversidade da forma como as empresas
90 Gestão da Cadeia de Suprimentos
o calculam. Na prática, cada empresa formula a com-
posição do seu Estoque Mínimo. Ou seja, isso quer
dizer que cada empresa define quais as variáveis que
impactam no cálculo do seu Estoque Mínimo. Muitas
companhias aéreas, por exemplo, empregam fórmulas
complexas para calcular o Estoque Mínimo, pois inci-
dem muitas variáveis físicas que afetam a vida útil dos
materiais, tendo em vista os ambientes em que atuam,
provocando um desgaste mais acelerado de suas ca-
racterísticas de operação e desempenho.
c) CONSUMO (C) - Geralmente, em sistemas integrados
de informação, o cálculo do Consumo está baseado
na média aritmética das saídas de estoque. Um dos
períodos mais usados para a determinação da média
aritmética do Consumo é de seis meses a um ano,
mas poderá ser alterado de acordo com a importância
do item, ou ainda, conforme os negócios da empresa
estão ocorrendo. É importante salientar que, em se tra-
tando de sistemas integrados de informação, esse perí-
odo deverá ser parametrizado no sistema, de tal modo
que o próprio sistema irá efetuar os cálculos da média
do Consumo, seguindo os parâmetros que forem in-
dicados. Ou seja, caso o método de cálculo seja, por
exemplo, a média ponderada do Consumo, além do
período que deve ser considerado no cálculo, também
os fatores de ponderação deverão ser parametrizados.
Convém salientar ainda que, nesse caso, deve-se atri-
buir os fatores de ponderação maiores, aos volumes
dos consumos mais recentes, tendo em vista que estes
representam mais fielmente os negócios da empresa.
Capítulo 5 Gestão de Estoques I: Níveis de Estoques 91
E, por consequência, os menores fatores de pondera-
ção deverão ser aplicados aos volumes de consumos
dos meses mais distantes.
d) PRAZO DE ENTREGA ou TEMPO DE REPOSIÇÃO (TR
) - é o tempo decorrido entre a data da emissão do
Pedido, até a entrada física do material no estoque. É
muito usual ser chamado de LEAD-TIME, por ser com-
posto de vários prazos que influenciam esse tempo de-
corrido. Porém, há uma diferenciação muito importan-
te entre TR e Lead-Time.
Prazo de Entrega (TR) = é o tempo decorrido entre a con-
firmação do pedido ao fornecedor (Ordem de Compra, Auto-
rização de Fornecimento) e a entrega do material ao cliente.
Nesse momento, deve-se considerar as condições de transpor-
te que foram negociadas, pois, caso a condição de entrega
seja FOB (Free on Board = Livre na Plataforma), o frete será
de responsabilidade do comprador. E, nesse caso, a entrega
é considerada no momento em que o transportador do cliente
for retirar a mercadoria na doca/armazém do fornecedor. Se
a condição de entrega for CIF (Cost, Insurance and Freight =
Custo, seguro e frete), o frete será de responsabilidade do for-
necedor. E, nesse caso, a entrega é considerada no momento
em que o fornecedor efetua a descarga da mercadoria no se-
tor de Recebimento do cliente.
Lead-Time: é o período compreendido desde o planeja-
mento das necessidades de materiais, até a entrada física dos
materiais no estoque. Dessa forma, esse período compreende
o tempo de emissão das Requisições de Materiais a ser com-
prados, o tempo de pesquisa e/ou negociação para a coloca-
92 Gestão da Cadeia de Suprimentos
ção das Ordens de Compra, o prazo de entrega do fornecedor
(TR), o tempo do transporte para chegada das mercadorias
no Recebimento, o tempo da inspeção de recebimento, se for
o caso, envolvendo as atividades de conferência dos mate-
riais com as descrições de produtos que constam na(s) nota(s)
fiscal(is) do fornecedor, a comparação dos produtos recebidos
com as Ordens de Compra respectivas, a inspeção de quali-
dade no recebimento com a aprovação dos produtos a serem
transferidos para a área de estocagem/armazenagem.
Assim, o prazo de entrega do fornecedor (TR) está contido
no Lead-Time.
e) QUANTIDADE A PEDIR (Q) - é a quantidade de ma-
terial que deverá ser adquirida. Quando não expres-
samente, o cálculo que define essa quantidade, geral-
mente se adota a fórmula Q = C x TR, onde Q é a
quantidade a ser pedida/comprada, C o consumo no
período verificado e TR o prazo de entrega do fornece-
dor. Chama-se a atenção para o fato de que C (consu-
mo) e o TR devem estar na mesma unidade de tempo
para que a fórmula seja aplicada corretamente. Assim,
se o Consumo for expresso em peças ou unidades por
mês, o TR (geralmente expresso em dias), deverá ser
transformado em Mês, sabendo-se que 30 dias é igual
a um mês (30d = 1 mês).
f) FREQUÊNCIA (F) - é o número de vezes em que o ma-
terial é pedido, em um determinado período de tem-
po.
Capítulo 5 Gestão de Estoques I: Níveis de Estoques 93
g) ESTOQUE MÉDIO (E.M.d.) - é o nível médio de es-
toque, em torno do qual as operações de entradas e
consumo se realizam.
Sua fórmula é: E.Md = (Ei + Ef ) / 2
Ei = EstoqueInicial Ef = Estoque Final
O período a que se refere o Estoque Inicial e o Estoque
Final é o período em que se consideram as entradas e saídas
do estoque, deverá ser definido pelo administrador de mate-
riais. Ele deverá definir um período que expresse os negócios
da empresa.
O período poderá ser mensal, semestral, anual, ou outro
qualquer. E o Estoque Inicial será o estoque existente no almoxa-
rifado no primeiro dia do período considerado. E o Estoque Final
será o estoque existente no último dia do período considerado.
h) PONTO DE REPOSIÇÃO (OU PONTO DE PEDIDO) -
é o nível de estoque que indica a necessidade de um
novo suprimento de material. É expresso pela fórmula:
PR = (C . TR ) + EM
Onde: PR = Ponto de Reposição C = Consumo Médio
Mensal TR = Prazo de Entrega e EM = Estoque Mínimo.
Reforça-se, nesse ponto, a necessidade de ser transforma-
da a unidade do TR de dias para mês, seguindo a mesma
unidade de tempo em que se verifica o consumo. É válida a
transformação da unidade de consumo para a unidade do
TR, porém, deve-se considerar que nos cálculos, em que o
94 Gestão da Cadeia de Suprimentos
consumo é uma variável que interfere no cálculo, que também
deverá ser procedida a transformação para a unidade do TR.
A inclusão do Estoque Mínimo, na fórmula do Ponto de
Pedido, irá depender da política definida pela empresa, pois
poderá haver a opção de não considerar o Estoque Mínimo,
tendo em vista que poderá ser entendido como uma elevação
do nível de estoque, e, em consequência, aumento do custo
de estoque. Em contrapartida, a opção por incluir o Estoque
Mínimo no cálculo do Ponto de Pedido, revela que a empresa
está disposta a ter segurança para melhor manter o nível de
serviço a seus clientes, ou à Produção.
i) PONTO DE CHAMADA - é um determinado nível, ar-
bitrário do estoque, em que é dado um alerta ao De-
partamento Compras, de que o material solicitado já
deve ser entregue. Usualmente, esse nível arbitrário é
expressado por: (C x TR)/2.
j) RUPTURA DE ESTOQUE - dá-se quando o consumo
mensal (C) faz com que o estoque (E) chegue a zero,
porém a necessidade de demanda continua. Ou seja,
quando alguém vai ao Almoxarifado para requisitar
um material, e seu estoque já está zerado. Nesse caso,
percebe-se, que o estoque está zerado, porém conti-
nua ocorrendo a necessidade do consumo.
k) ESTOQUE MÁXIMO (E.Mx.) - é a soma do estoque mí-
nimo, mais o Lote de compra: é expresso pela fórmula:
E.Mx. = E.Min. + L.C. Onde,
E.Min. = Estoque Mínimo e L.C. = Lote de Compra.
Capítulo 5 Gestão de Estoques I: Níveis de Estoques 95
l) ESTOQUE VIRTUAL (E.V.) - é o estoque físico (E), exis-
tente no almoxarifado, acrescido do lote de inspeção
no Recebimento, acrescido ainda de Lote de Material
em Trânsito (se for o caso), mais o saldo de Ordens de
Compra em aberto (Pedidos de Compra ou Autoriza-
ção de Fornecimento). Normalmente, nos cálculos do
Estoque Virtual costuma-se deduzir um percentual de
refugo/rejeição de materiais, tendo em vista o nível de
qualidade aceitável (n.q.a) para cada material.
A fórmula para o cálculo do Estoque Virtual é:
Ev = {Disponível +[Lote de Compra - (% de refugo x Lote
de Compra)] }
Quando o Lote de Compra (L.C.) não está definido, usa-se
calcular a partir das somas dos lotes em inspeção, mais o lote
em trânsito, mais o saldo de Ordens de Compras em aberto
no fornecedor.
O percentual do refugo/rejeição poderá ser informado
pelo setor de Controle de Qualidade, pois lá estão definidos
os níveis de qualidade aceitáveis para cada material (n.q.a).
Caso não esteja disponível essa informação, se poderá efetuar
um cálculo da média aritmética histórica dos refugos ocorridos
de cada material, em cada fornecedor, estabelecendo, dessa
forma, o percentual a ser deduzido no lote do Estoque Virtual.
A importância da definição do Estoque Virtual é significa-
tiva, pois, após o seu cálculo, o resultado deverá ser compa-
rado com o Ponto de Pedido (P.P.), para ser confirmada a real
necessidade de repor ou não o estoque. Assim, se:
96 Gestão da Cadeia de Suprimentos
a) O Estoque Virtual for maior do que o Ponto de Pedido,
não haverá necessidade de reposição imediata do es-
toque. Ou seja, se Ev > PP, não repor o estoque.
b) O Estoque Virtual for menor do que o Ponto de pedi-
do, haverá necessidade de reposição do estoque. Ou
seja, se Ev < PP, repor o estoque.
c) O Estoque Virtual é igual ao Ponto de Pedido, haverá
a necessidade de repor o estoque, tendo em vista que,
no dia seguinte, logo após o cálculo, o estoque estará
reduzido pela quantidade do consumo de um dia. Ou
seja, se Ev = PP, sim, repor o estoque.
Quando o administrador de materiais não realiza esses cál-
culos comparativos entre Ev e PP, corre sério risco de aumentar
desnecessariamente o volume do seu estoque, sem que haja
o corresponde consumo previsto para isso. Portanto, significa
que uma soma de recursos desnecessários, serão empregados
no estoque, em detrimento de um melhor aproveitamento, do
seu valor, pela área financeira da empresa.
m) ROTATIVIDADE OU GIRO DO ESTOQUE (G) = é a re-
lação existente entre o Consumo Médio Mensal e o Es-
toque Médio. Sua fórmula de cálculo é: G = C/E.Md.
A Rotatividade ou Giro de Estoque indica o número de ve-
zes em que o estoque foi renovado (houve giro), no perío-
do considerado. Não há uma unidade de medida específica.
Simplesmente, o seu resultado indica quantas vezes o estoque
girou. Podemos também indicar o resultado, informando o
percentual do valor do estoque que houve em sua renovação.
Capítulo 5 Gestão de Estoques I: Níveis de Estoques 97
Assim, por exemplo, se o Consumo de um material foi de 56
unidades, e o seu Estoque Médio, em um determinado mês,
foi de 80 unidades, o seu Giro de Estoque seria: G = 56/80
= 0,7. A interpretação desse resultado seria:
a) O estoque do item girou 0,7 vezes no período de um mês.
b) O estoque do item foi renovado em 70%.
Segundo Dias (2010, p. 64-65), “o índice de giro pode
também ser obtido através de valores monetários de custo ou
de venda”.
O autor cita como o exemplo os seguintes índices:
a) Produto Acabado = Custo das Vendas/E. Md. de Pro-
dutos Acabados.
b) Matéria-prima = Custo dos materiais utilizados/E.Md.
de matérias-primas.
n) ANTIGIRO OU COBERTURA DE ESTOQUE: é o inver-
so do Giro de Estoque. Ou seja, a sua fórmula pode
ser expressa por:
Antigiro = Estoque Médio/Consumo Médio Mensal.
Ou ainda: Antigiro = 1/Giro do Estoque, pois, sabe-se
que o inverso de um número qualquer “n”, é 1/n.
O Antigiro, também chamado de Cobertura de Estoque,
indica o período pelo qual o Consumo estará atendido (“co-
berto”), sem a necessidade de novas compras.
98 Gestão da Cadeia de Suprimentos
o) ESTOQUE MÁXIMO: o Estoque Máximo (ou Estoque fi-
nal) é obtido a partir da soma do Estoque Mínimo mais o lote
de reposição (ou Lote de Compra). Assim, a sua fórmula é: E.
Máx. = E. Min. + L.C.
5.3 Representação Gráfica dos Níveis de
Estoque
A seguir, estão demonstrados os gráficos dos principais níveis
de estoque:
a) Estoque Mínimo
b) Estoque Médio
Capítulo 5 Gestão de Estoques I: Níveis de Estoques 99
c) Ponto de Pedido
d) Estoque Máximo (= Estoque Final)
e) Curva Dente de Serra para Consumo Igual e Uniforme
Essa curva representa as entradas e saídas de um compo-
nente qualquer do estoque. O gráfico abaixo demonstra os
movimentos de entrada e saída dos materiais:
100 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Segundo Dias (2003), “este ciclo será constante nas se-
guintes condições”:
1. Se não houver alteração no consumo durante o período.
2. Se não existir falha no sistema de alerta a compras provo-
cando uma demora ao solicitar a compra do item em falta.
3. O fornecedor nunca atrasar a sua entrega.
4.Não houver nunca demora/atraso do transportador.
5. Não houver rejeição do lote do fornecedor, pelo Controle
de Qualidade.
Continuando, o autor afirma que “na prática, isso ocorre
com muita frequência”, ou seja:
Há alteração no consumo, eles são variáveis.
Os fornecedores não são confiáveis nos seus prazos de
entrega.
Os transportadores poderão levar mais tempo do que o
normal para fazer a entrega de uma encomenda.
Poderá haver rejeição de algum lote de peças do forne-
cedor.
Portanto, se isso ocorrer, na prática, deveremos prever nos-
so sistema de um mecanismo que diminua esses riscos de o
estoque ficar zerado durante o período normal de consumo
(DIAS, 2003).
Capítulo 5 Gestão de Estoques I: Níveis de Estoques 101
f) A seguir, está o gráfico “Dente de Serra” com a Ruptura
do Estoque, provocada pelos efeitos acima descritos:
Pelo gráfico, percebe-se que o estoque ficou zerado no
ponto D (Ruptura do Estoque), pois houve um atraso na Repo-
sição (R). O lote de reposição foi recebido no momento F. Por-
tanto, a distância EF representa as quantidades que estavam
em falta quando da entrada do lote de Reposição (R). Assim,
é possível deduzir que, mesmo após o estoque ficar zerado, o
consumo ainda continua. Ou seja, ainda há a necessidade de
serem consumidos os materiais. Um exemplo bem conhecido,
é o fato de irmos até uma loja para comprar um produto qual-
quer e o(a) balconista responde que não tem o produto em
estoque, porém está com chegada prevista para os próximos
dias. E, assim, a cada cliente que entra na loja para comprar
o mesmo produto, a resposta será a mesma.
102 Gestão da Cadeia de Suprimentos
A forma encontrada para neutralizar e/ou minimizar esses
efeitos, foi com a utilização do Estoque Mínimo. O gráfico a
seguir, demonstra os movimentos de entrada e saídas de ma-
teriais, agora protegidos pelo Estoque Mínimo:
g) Curva “Dente de Serra com uso do Emin.
Onde: D = Ruptura do Estoque Mínimo
F = chegada do lote de Reposição
EF = quantidade utilizada do Estoque Mínimo que impediu
a ruptura total do estoque
Verifica-se assim que, nessa nova configuração do Consu-
mo, não há a ruptura do estoque, como no gráfico anterior,
de uma vez que o Estoque Mínimo protege o estoque contra as
anomalias que ocorreram. Ou seja, as atividades de produção
e/ou venda não paralisaram por falta de materiais, como de-
Capítulo 5 Gestão de Estoques I: Níveis de Estoques 103
monstrado no gráfico da curva “Dente de Serra com Ruptura
do Estoque”.
REFERÊNCIAS DO CAPÍTULO 5
CORRÊA, Joary. Gerência Econômica de Estoques e Compras.
Rio de Janeiro: FGV, 1979.
DIAS, Marco Aurélio P. – Administração de Materiais – uma
abordagem Logística –São Paulo, Ed. Atlas, 1986.
___________________– Administração de Materiais: princí-
pios, conceitos e gestão. São Paulo: Atlas, 2010.
EXERCÍCIOS
1. Comente o objetivo principal da Gestão de Estoques e cite
alguns exemplos de ferramentas mais usadas para o seu
controle.
2. Explique qual a importância do Estoque Médio.
3. Qual a importância do Estoque Virtual na Gestão de Esto-
ques?
4. Se duas peças têm o mesmo consumo médio mensal,
porém tempos de reposição diferentes, qual peça terá o
maior Ponto de pedido? (DIAS, 2010, p. 67).
104 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Calcule: a) Ponto de Pedido b) Estoque Médio c) Justifique
a necessidade de repor o estoque d) Giro do Estoque e indique
o seu significado e) Cobertura do Estoque e indique o seu sig-
nificado f) Indique 2 disfunções do estoque e suas respectivas
soluções.
Gestão de Estoques:
a Aplicação e a
Importância do Estoque
Mínimo1
Gestão de Estoques: a Aplicação e
a Importância...
1 Administrador de Empresas pela UFRGS, professor assistente na Universidade
Luterana do Brasil - ULBRA
Rogério da Silva Filho1
Capítulo 6
106 Gestão da Cadeia de Suprimentos
6.1 Introdução
Neste capítulo, serão apresentados conceitos e opiniões de
alguns autores sobre o assunto estoque mínimo ou estoque de
segurança. Tendo em vista a larga extensão do assunto, serão
mostradas algumas fórmulas e métodos para o seu cálculo,
o que, obviamente, não se pretende aqui, esgotar o assunto.
Recomenda-se que sejam feitas outras leituras no intuito de
aprofundar o conhecimento nesse importante tema na gestão
dos estoques.
Os autores Saggioro, Lacerda e Arozo (2003, cap. 28, p.
363-373) fazem referências importantes sobre o ambiente, ca-
racterizado de incertezas, em que a gestão de estoques deve
ser praticada. Afirmam os autores:
“erros de previsão de vendas, atrasos no ressuprimento
de materiais, rendimento da produção abaixo do espe-
rado. Esses são problemas comuns que fazem parte do
dia a dia do profissional de logística. Para lidar com
essas incertezas, presentes em praticamente todas as
operações de produção e logística, podem ser utiliza-
dos estoques de segurança”. (SAGGIORO, LACERDA e
AROZO, cap. 28, p. 363).
Em sequência ao assunto, os autores afirmam: “Porém, seu
correto dimensionamento ainda gera muitas dúvidas e diver-
gências. Muitas empresas determinam de maneira inadequada
seus estoques de segurança, pois não se baseiam em medidas
precisas da variabilidade das operações”.
Capítulo 6 Gestão de Estoques: a Aplicação e a Importância... 107
Complementado a sua exposição, os autores afirmam que:
“Isso pode levar a custos desnecessários que frequentemente
não são mensurados”.
No capítulo referido no texto acima, os autores apresentam
os dois extremos, ambos preocupantes, do dimensionamento
inadequado do estoque mínimo ou de segurança. Assim, os
autores referem que:
“se, por um lado, o excesso de estoque de segurança
gera custos desnecessários de manutenção de estoques,
relativos aos custos financeiros (capital empatado) e de
armazenagem, por outro lado o subdimensionamento
do mesmo faz com que a companhia incorra em perdas
de vendas ou pedidos pendentes, gerando um nível de
serviço ao cliente insatisfatório”. (SAGGIORO, LACER-
DA e AROZO, 2003, p. 363)
Dessa forma, enfatizam os autores (2003, p. 363): “a ques-
tão principal referente à formação dos estoques de segurança
é: qual o nível de estoque mínimo que irá garantir o nível de
serviço ao cliente desejado pela empresa?”
Segundo Dias (2010, p. 50-51) “a determinação do esto-
que mínimo é também uma das mais importantes informações
para a administração do estoque. Essa importância está di-
retamente ligada ao grau de imobilização financeira da em-
presa”. Na sequência, Dias (p. 50-51) conceitua o estoque
mínimo, também chamado de estoque de segurança, como “a
quantidade mínima que deve existir em estoque, que se destina
a cobrir eventuais atrasos no ressuprimento, objetivando a ga-
108 Gestão da Cadeia de Suprimentos
rantia do funcionamento, ininterrupto e eficiente, do processo
produtivo, sem o risco de faltas”.
Sobre a importância do estoque mínimo na gestão de es-
toques e sobre o seu dimensionamento, Dias (2010, p. 51)
também destaca os extremos que podem ocorrer quando dos
cálculos para esse dimensionamento. Assim, destaca o autor:
“a importância do estoque mínimo é a chave para o
adequado estabelecimento do ponto de pedido. De ma-
neira utópica o estoque mínimo poderia ser tão alto, que
jamais haveria falta de material em estoque. Entretanto,
desde que a quantidade representada pela margem de
segurança não seja usada e, portanto, fique permanente
no estoque, a armazenagem e os outros custos seriam
elevados. E, ao contrário, estabelecer uma margem de
segurança demasiado baixa acarretaria custos de rup-
tura, que são os custos de não possuir os materiais dis-
poníveis quando necessários, isto é, a perda de vendas,
paralisação da produção, despesas para apressar entre-
gas etc.”. (DIAS, 2010, p. 51)Dias (p. 51), também elenca as causas que ocasionam as
faltas de materiais:
Oscilação no consumo.
Oscilação nas épocas de aquisição (atraso no tempo de
reposição).
Variação na qualidade quando o Controle de Qualida-
de rejeita um lote.
Capítulo 6 Gestão de Estoques: a Aplicação e a Importância... 109
Remessas por parte do fornecedor, divergentes do soli-
citado.
Diferenças de inventário.
6.2 Determinação do Estoque Mínimo
O autor Dias (2010, p. 51) destaca alguns métodos para cal-
cular o Estoque Mínimo. Segundo o autor, pode-se determinar
o Estoque Mínimo através de:
a) fixação de determinada projeção mínima (projeção es-
timativa do consumo);
b) cálculos com base estatística.
Complementando, o autor afirma que: “nestes casos, par-
te-se do pressuposto de que deve ser atendida uma parte do
consumo, isto é, que seja alcançado o grau de atendimento
adequado e definido”.
No primeiro caso, quando se estima uma determinada pro-
jeção do consumo, se admite que as variações tenderão a
ocorrer dentro da estimativa determinada. Para se definir um
percentual de variação do consumo, pode-se usar uma série
histórica, em um determinado período de tempo, e atribuir-se
o percentual de evolução do consumo observado, aplicando o
mesmo percentual para períodos futuros.
Exemplo:
Variação de consumo = 10% (= 4.000 peças)
Período previsto para consumo = 3 meses
110 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Diferença 10% ao mês.
1º. mês = 10%
2º. mês = + 10% (21%)
3º. mês = + 10% (33%)
TOTAL = 33% do consumo mensal (em 3 meses).
No segundo caso, quando se utiliza de cálculos com base
estatística, Dias (2010, p. 54-56), indica os métodos a seguir
demonstrados:
a.) Fórmula Simples
Nesse método de cálculo do Estoque Mínimo, o autor Dias
(2010) utiliza um fator de segurança arbitrário (K) que visa
proteger o estoque contra os riscos de ruptura do estoque.
O fator K também representa, proporcionalmente, o grau de
atendimento que se deseja para um determinado item do es-
toque. Ou seja, ele também poderá ser entendido como um
fator que reduz o estoque mínimo, admitindo um percentual
de risco de ocorrer uma ruptura do estoque. Assim, quando se
define o fator K, também estaremos definindo o grau de aten-
dimento e o percentual de risco inerente a ele. Portanto, se K
for definido em 90%, o grau de atendimento será de 90% e o
risco de ruptura do estoque será 10%. A interpretação do fator
K (grau de atendimento), no exemplo, indica que de 100% das
requisições que forem solicitadas ao almoxarifado, 90 serão
atendidas e 10 correrão o risco de não ter o material requisi-
tado. Uma forma de se evitar/minimizar esse risco, é solicitar
uma antecipação de poucos dias na entrega do fornecedor,
Capítulo 6 Gestão de Estoques: a Aplicação e a Importância... 111
tendo em vista que a possibilidade de ruptura do estoque ocor-
rerá nos últimos três dias do mês, no exemplo descrito (10%
sobre 30 dias).
O autor Dias (2010, p. 54-55) demonstra o método, da se-
guinte forma:
E. Min. = C x K, onde E. Min. = Estoque Mínimo, C = Con-
sumo
K = Fator de segurança arbitrário ( = grau de atendimento)
Se C = 60 e K = 90% (0,90) Somente em 10% das vezes o
estoque estará com chance de ser zerado.
Logo, E. Min. = 60 x 0,90
E. Min. = 54
Na prática e na aplicação do Grau de Atendimento, está
inserido o conceito e a aplicação do Nível de Serviço do Al-
moxarifado, no atendimento aos seus clientes internos. E isso
implica na ideia e no conceito de Confiabilidade.
Quando aplicado no sentido de se correr algum risco na
gestão do Estoque Mínimo, o Grau de Atendimento pode vir
a gerar algumas falhas no serviço de atendimento prestado
pelo Almoxarifado. Como a Confiabilidade está atrelada a
esse fato, alguns autores, entre eles Martins e Laugeni (2006
p. 518), indicam que outro conceito a ser estudado é de Ra-
zão da Falha. Ou seja, a “probabilidade de que um sistema
não dê como resposta aquilo que se espera dele”. Assim, esse
conceito se aplica integralmente ao nível de serviço do almo-
112 Gestão da Cadeia de Suprimentos
xarifado. Segundo os mesmos autores, essa Razão de Falha
pode ser definida de duas maneiras:
a) FR% = n° de falhas ocorridas / n° de tentativas efetuadas
b) FRn = n° de falhas ocorridas / n° de horas da opera-
ção, ou ainda,
FRn = F / TTD – TNO, onde:
FR = n° de falhas no Tempo Total Disponível
TTD = Tempo Total Disponível
TNO = Tempo Não Operacional
Os autores Martins e Laugeni (2006) afirmam que: “essas
falhas ocorridas deverão dar origem a diversas análises para
se buscar solucionar os problemas e, com isso, melhorar o
nível de serviço prestado pelo Almoxarifado”. Ainda segundo
eles, indicando uma possível solução para essas falhas, “uma
das ações que devem ser operacionalizadas e implantadas é
o estabelecimento de indicadores de qualidade, cuja fina-
lidade será a de medir qual o grau de atingimento que cada
variável do serviço a ser prestado, impacta negativa ou positi-
vamente na satisfação dos clientes internos do Almoxarifado”.
Os autores acima citados relacionam algumas situações
que serão objeto de avaliação por parte dos clientes internos,
e que deverão ser transformadas em indicadores e que, por
sua vez, devem ser monitorados ao longo do tempo. São elas:
a) entregar o material errado;
b) entregar a quantidade errada;
Capítulo 6 Gestão de Estoques: a Aplicação e a Importância... 113
c) entregar material sujo ou sem condições de uso;
d) entregar o material fora do prazo previsto/desejado
pelo cliente interno;
e) demorar na entrega do material;
f) entregar material sem identificação clara (ou mesmo
sem identificação);
g) atendimento do pessoal do Almoxarifado é feito sem
cortesia.
Na prática, cada cliente interno responderá sobre qual des-
ses fatores serão os mais importantes e que causam maior
impacto na sua atividade. A gestão de estoques irá atribuir
pesos a cada um dos fatores identificados, o que lhe permitirá
agir sobre eles e estabelecer planos de ação para melhorar o
nível de serviço geral do Almoxarifado. Com isso, a ideia é que
melhore a imagem da prestação de serviço do Almoxarifado,
junto a cada cliente interno na empresa.
b) Método de Raiz Quadrada:
O autor Dias (2003) afirma que “este método considera
o Tempo de Reposição (TR), não variando mais do que a raiz
quadrada do seu valor”.
Exemplo:
114 Gestão da Cadeia de Suprimentos
No entanto, o autor indica algumas situações em que esse
método deverá ser usado:
Quando o consumo durante o TR for pequeno, menor
do que 20 unidades.
Quando o consumo do material for irregular.
Quando a quantidade requisitada ao almoxarifado seja
igual a 1.
c) Método de Percentagem de Consumo
O autor Dias (2010, p. 55-56) explica que “este método
considera os consumos passados, isto é, os dados de consumo
são tabulados, bem como os dias em que ocorre o consumo”.
Abaixo está uma adaptação do quadro do autor Dias
(2010, p. 56) com um exemplo de demonstrativo da evolução
do consumo de um determinado item do estoque, nas condi-
ções citadas acima:
Capítulo 6 Gestão de Estoques: a Aplicação e a Importância... 115
Consumo Médio = 16.920 ¸ 365 ≈ 46 unidades
A seguir comenta-se a apresentação dos dados do quadro
acima:
Na coluna 1, encontram-se os dados referentes aos consu-
mos ocorridos.
Na coluna 2, está indicado o número de dias em que
ocorreu cada consumo. Ou seja, a frequência com que cada
quantidade consumida ocorreu.
Na coluna 3, realiza-se a multiplicação dos dados da co-
luna 1, com os dados da coluna 2, obtendo-se, assim, o pro-
duto dessa multiplicação.
Na coluna 4, faz-se a acumulação das quantidades resul-
tantes da multiplicação, somando-se cada quantidade à ante-rior. Assim, a primeira quantidade acumulada é a repetição da
quantidade do primeiro produto. E, sucessivamente, soma-se o
valor seguinte acumulado, ao valor anterior. Ao final, obtém-se
a quantidade total consumida no período de 365 dias do ano.
A coluna 5 é obtida realizando-se a regra de três simples,
tomando-se por base que a quantidade de 16.920 unidades
representa 100% das quantidades consumidas, calculando-se
o percentual para cada valor acumulado.
Exemplo: se 100% equivale a 16.920 unidades, então,
360 unidades equivalem a 2,12%, e assim sucessivamente.
Com os dados do quadro acima, elabora-se o gráfico con-
siderando-se a relação entre o percentual de acumulação e o
Consumo Diário.
116 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Assim, o cálculo para a determinação para o Estoque Mí-
nimo será:
E. Min. = (C. Máx. - C. Médio) x TR se TR = 10 dias
E. Min. = (70 - 46) x TR
E. Min. = 24 x 10
E. Min. = 240
O Consumo Máximo (70 unidades) é obtido a partir da
premissa de que é a quantidade que apresenta um percentu-
al de consumo razoável, pois as quantidades consumidas de
80 unidades e de 90 unidades foram as que apresentaram
menor frequência de consumo, acumulando um percentual
de 5,91%. Assim, entende o autor, que 70 unidades seria a
quantidade máxima a ser provavelmente consumida, com um
percentual de acumulação de 10,87%.
d) Determinação do Estoque Mínimo/Estoque de Segu-
rança a Partir do Desvio Padrão da Demanda
Observação: a base para os textos e fórmulas que se se-
guem foi o artigo “O trade-off entre o Nível de Serviço e os
Estoques”, elaborado pelo prof. Guilherme Chagas Pereira,
Diretor do IPELOG, publicado na Revista Logística Sistêmica,
abril 2005, n°10.
Segundo o autor, os dois grandes objetivos da Logística de
Estoques são:
Melhoria do Nível de Serviço (NS)
Capítulo 6 Gestão de Estoques: a Aplicação e a Importância... 117
Redução dos Custos Totais de Estoque
Sabe-se que: Nível de Serviço (NS) alto corresponde a um
Custo Total do Estoque alto.
A relação custo x NS = trade-off. Mede-se pelo investi-
mento em E. Min (Estoque de Segurança), para que o Nível de
Serviço (NS) seja = 100%.
Pergunta do Gestor de Estoques: Como fazer para ga-
rantir um atendimento eficaz ao menor custo de estoque?
Resposta: usando a Classificação ABC e o Grau de Aten-
dimento desejado.
O melhor caminho a ser seguido é a aplicação da Classifi-
cação ABC por material e pelo Grau de Atendimento (G.A.) =
Dimensionamento do Estoque.
O Dimensionamento do Estoque a partir do G.A. admi-
te estoque Zero e ainda, mesmo que ocasionalmente, a falta
de algum item/produto, em função de ocorrer uma demanda
além das expectativas.
Assim, esse modelo busca determinar, por meio do desvio-
-padrão da demanda () as quantidades superiores ao Consu-
mo Médio (Cmd), conhecendo-se a probabilidade de ocorrer
esse consumo.
E. Min = x K, onde: = desvio-padrão da demanda (le-
tra grega delta), K = risco assumido (= Grau de Atendimento),
obtido a partir da tabela da distribuição normal de risco).
118 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Então, a fórmula do desvio-padrão da demanda será: n - 1
Onde, X = Consumo Mensal e n = n° de meses de consu-
mo considerado.
Exemplo: dada a tabela de consumo abaixo, e consideran-
do o Grau de Atendimento de 95% (fator = 1,645), determine
o E. Min ou E. Seg.
MÊS Consumo em
unidades
Média de
Consumo
Diferença entre o
consumo e a Média
Diferença ao
Quadrado
1° 300 487 -187 34.969
2° 450 487 -37 1.369
3° 620 487 133 17.689
4° 582 487 95 9.025
5° 530 487 43 1.849
6° 440 487 -47 2.209
∑= 67.110
A média do consumo é = (300+450+620+582+530
+440)/6 = 487
Aplicando os valores obtidos acima, na equação do des-
vio-padrão, teremos:
Substituindo esse valor na equação do E. Min., teremos:
Capítulo 6 Gestão de Estoques: a Aplicação e a Importância... 119
E. Min. = 116 x 1,645
E. Min = 191 unidades.
Nota do Professor: uma consideração que deve ser fei-
ta é de que, para o cálculo da média do consumo, poderão
ser utilizados/definidos outros métodos de cálculo como, por
exemplo, a média ponderada do consumo, quando os percen-
tuais de ponderação deverão ser definidos pelo administrador
do estoque. Ou ainda, pelo método dos mínimos quadrados,
com a utilização da equação da reta Y = a + b.x, onde:
a = valor obtido pela tabulação dos dados equivalentes a
um consumo médio ajustado no período (Coeficiente Linear
da reta).
b = valor obtido pela tabulação dos dados equivalentes
a um incremento periódico a partir do período base definido
(Coeficiente Angular da reta).
x = número de períodos considerados para o cálculo da
previsão.
Vantagens: o autor Pereira (2005, p. 29) relata como van-
tagens do método da determinação do Estoque Mínimo, as
seguintes:
a) definir o que é mais importante;
b) quanto assumir de risco para o produto, dentro da em-
presa e no seu mercado de atuação.
120 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Características: interpretando as afirmativas do autor Pe-
reira (2005, p. 29), as características desse método são as
seguintes:
a) As faltas sempre existirão, quando a demanda for acima
das expectativas, tanto da previsão, quanto do grau de
atendimento estipulado para o produto.
b) Investir em estoque só para atender os picos de vendas
acima das expectativas é perda de competitividade. Isso
reduz o seu capital de giro e o investimento, pois há
recursos financeiros aplicados em materiais sem giro.
Assim, não agrega valor para a empresa.
Conclusões: finalizando, o mesmo autor elenca o que segue:
a) As empresas competitivas avaliam o que é mais impor-
tante e o que não é em termos de estoque.
b) Atendem aos clientes conforme a importância dos pro-
dutos produzidos ou vendidos.
c) Buscam o melhor trade-off logístico nesse caso.
REFERÊNCIAS DO CAPÍTULO 6
DIAS, Marco Aurélio P. – Administração de Materiais – uma
abordagem Logística–São Paulo: Atlas, 1986.
__________________– Administração de Materiais: princípios,
conceitos e gestão. São Paulo: Atlas, 2010. Este autor
apresenta de modo simples os métodos mais comuns de
determinação do estoque mínimo.
Capítulo 6 Gestão de Estoques: a Aplicação e a Importância... 121
MARTINS, Petrônio G. : LAUGENI, Fernando P. – Administração
da Produção.
2ª ed. São Paulo: Saraiva, 2006. Estes autores também trazem
uma abordagem simples sobre os métodos de determina-
ção do estoque mínimo
PEREIRA, Guilherme Chagas. Artigo “O trade-off entre o nível
de serviço e os estoques”. Revista Logística Sistêmica, abril
2005. Este autor aborda com riqueza de detalhes a de-
terminação do estoque mínimo, a partir do desvio padrão
dos consumos realizados, o que traz uma segurança maior
para a gestão de estoques, reduzindo os riscos de faltas.
SAGGIORO, Eduardo; LACERDA, Leonardo; AROZO, Rodri-
go. Gerenciando Incertezas no Planejamento Logístico: o
Papel do Estoque de Segurança. Obra: Logística e Geren-
ciamento da cadeia de Suprimentos, Cap.28, Organizado-
res: FIGUEIREDO, Kleber Fossati; FLEURY, Paulo Fernando;
WANKE, Peter. Atlas: 2003. Estes autores trazem em seu ar-
tigo, uma abordagem bem detalhada das estratégias para
a determinação do estoque mínimo, além de apresentar
detalhes práticos da aplicação desse nível de estoque.
EXERCÍCIOS
1. Dada a tabela de consumo abaixo, e considerando o Grau
de Atendimento de 95% (fator = 1,645), determine o Es-
toque Mínimo. (Emin). Para o cálculo, considere a média
aritmética simples consumo,
122 Gestão da Cadeia de Suprimentos
MÊS Consumo em
Unidades
Média de
consumo
Diferença entre o
Consumo e a Média
Diferença ao
quadrado
1° 350
2° 480
3° 600
4° 580
5° 550
6° 540
7° 610
2. O levantamento do consumofeito no almoxarifado para
um item foi de:
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
320 310 360 290 330 350 380 420 430 410 370 350
Para um grau de atendimento de 90% (fator, 1,282) qual
será o Estoque Mínimo? E para um G.A. de 95% (fator 1,645)?
Analise os resultados e veja o quanto representou a maior
no estoque, 5% a mais de segurança.
(Exercício n°6, autor Marco Aurélio Dias, 2010, p. 68).
3. Explique a finalidade de se determinar o Estoque Mínimo
de um item qualquer, na Gestão de Estoques. Dê um sinô-
nimo de Estoque Mínimo.
4. O Estoque de Segurança é função do consumo médio.
Portanto, quanto maior o consumo médio, maior o esto-
que de segurança. Comente a afirmativa verificando a sua
validade. (Exercício n°18, autores MARTINS, PETRÔNIO g
e LAUGENI, FERNANDO P., 2006. Saraiva, p. 313).
Capítulo 6 Gestão de Estoques: a Aplicação e a Importância... 123
5. Qual o impacto da incerteza do suprimento sobre o esto-
que de segurança?
GABARITO:
1. E. Min. = 149 unidades.
2. a) Para um G.A. 90% = Emin = 501 unidades
b) Para um G.A. 95% = E min = 643 unidades
c) A análise mostra que há um aumento de 142 unida-
des no estoque, para fazer frente a um menor risco.
Ou seja, quanto maior o Grau de Atendimento, maior
deverá ser o estoque mínimo ou de segurança.
3. a) A finalidade do Estoque Mínimo é minimizar as possíveis
faltas de materiais, em razão de aumentos inesperados de
consumo, ou possíveis atrasos no fornecimento.
b) Sinônimo = Estoque de Segurança ou estoque de re-
serva.
4. A afirmativa poderá ser verdadeira ou não, dependendo
do Tempo de Reposição (TR) do fornecedor. Se esse TR
for longo, é provável que o estoque mínimo tenha que ser
aumentado. E, se for curto, poderá ser mantido.
5. A incerteza do suprimento resulta em aumento do estoque
de segurança ou estoque mínimo, pois o risco de faltas
passa a ser maior.
Alexandre da Silva Paim
Capítulo ?
Gestão de Estoques III:
Controle e Avaliação
dos Estoques1
Gestão de Estoques III: Controle e
Avaliação dos...
1 Administrador de Empresas pela UFRGS, professor assistente na Universidade
Luterana do Brasil - ULBRA
Rogério da Silva Filho1
Capítulo 7
Capítulo 7 Gestão de Estoques III: Controle e Avaliação dos... 125
7.1 – Introdução
Controlar o estoque significa controlar os movimentos do con-
sumo, para que não haja um desequilíbrio entre as necessida-
des reais de se investir em estoque e a capacidade financeira
da empresa, com o objetivo de atender às necessidades da
produção ou das vendas. Para que esse equilíbrio seja con-
seguido e mantido ao longo do tempo, alguns métodos são
aplicados aos mais diversos tipos de empresas, nos diversos
mercados em que atuam. A verificação desse equilíbrio, ou
como as operações do estoque estão se desenvolvendo para
atingir esse objetivo, é feita, também a partir de métodos de
avaliação dos estoques, alguns exigidos pela legislação vi-
gente, como é o Método do Custo Médio. Portanto, os mo-
vimentos de entradas e saídas do estoque são registrados na
Contabilidade no Livro n° 2 (Livro Razão). Para um controle
mais apurado, os registros não se limitam apenas às quanti-
dades movimentadas de entrada e saída de materiais e pro-
dutos, mas também os registros dos respectivos documentos,
datas correspondentes, origens (fornecedores) e destinos (áre-
as de atendimento, vendas, assistência técnica dentre outros)
de cada material ou produto. Sobre a finalidade dos registros
do estoque os autores Martins e Campos Alt (2009, p. 216)
afirmam “os registros de estoque têm como objetivo controlar
o volume físico de materiais, como também a quantidade de
capital aplicada.” Continuando em sua análise sobre a ava-
liação dos estoques, os autores afirmam: “normalmente, o in-
ventário físico anual realiza a avaliação do estoque em termos
de preço, proporcionando uma avaliação exata do material
estocado e informações financeiras atualizadas”.
126 Gestão da Cadeia de Suprimentos
A avaliação dos materiais, produtos semiacabados e aca-
bados, que fazem parte do estoque das empresas, tem a sua
publicação após a realização do Balanço Patrimonial e De-
monstração dos Resultados do Exercício (DRE), ao final do
exercício fiscal das empresas. Nas Notas Explicativas do Ba-
lanço, há uma rubrica que informa o método de avaliação
utilizado, e que foram auditados e validados por uma empresa
de auditoria independente. Vale lembrar que o valor dos esto-
ques faz parte do Ativo Circulante das empresas, e que sobre
eles, ao final dos cálculos, há incidência do Imposto de Renda,
sem contar o custo de oportunidade que esses valores ense-
jam. Ainda na verificação dos valores referentes aos materiais
e produtos do estoques, deve-se observar o lançamento no
Passivo de uma rubrica muito importante que se trata da Provi-
são para Obsolescência. Isto é, dos valores dos estoques que
serão (ou foram) perdidos por não poderem ser mais utilizados
nos processos para os quais foram adquiridos. E esse valor
pertence à Administração de Materiais.
Sobre os valores comprometidos com o estoque, os autores
Barbieri e Machline (2009, p. 35) afirmam que “quanto mais
longo for o tempo que os materiais permanecerem dentro da
organização, maior será o montante de capital aplicado em
estoques.” Os autores afirmam também, que “é na rotação
ou no giro dos estoques que reside a possibilidade de ob-
ter lucro para remunerar o capital empregado na prestação
de serviços”. Para finalizar, Barbieri e Machline (2009, p. 35)
concluem que “o estoque médio e o giro dos estoques são
as primeiras informações a serem obtidas do ponto de vista
financeiro para orientar o planejamento e o controle dos su-
primentos de materiais, dentro de uma abordagem logística”.
Capítulo 7 Gestão de Estoques III: Controle e Avaliação dos... 127
7.2 Os Métodos de Controle de Estoque
O autor Dias (2010, p. 114) afirma que “descobrir fórmulas
para reduzir os estoques sem afetar o processo produtivo e sem o
crescimento dos custos é um dos maiores desafios que os empre-
sários estão encontrando”. Sabe-se que o conceito e a prática
do Lote Econômico de Compras (LEC), como ferramenta capaz
de auxiliar na definição do “quanto” pedir, são inconsistentes
nos tempos de inflação e, em consequência, diminuem o volume
de recursos financeiros destinados a investimento em estoque
Modernamente, as empresas não estão preocupadas muito
com o “quanto” de estoque será necessário para atender à pro-
dução e às vendas, e sim com o “quando” deverá haver o ressu-
primento dos estoques, ou “quando” gerar a emissão de ordens
de compra ou de produção. Ou seja, a adoção da filosofia Just-
-in-Time ter a quantidade certa no tempo certo. A ferramenta
mais usada atualmente, além do JIT, é o MRP I (Material Requi-
remnts Planning – Planejamento das Necessidades de Materiais).
Os métodos utilizados no Controle dos Estoques são os
seguintes:
a) Método das Duas Gavetas: é um dos métodos mais
simples de serem aplicados, e também um dos métodos
mais antigos de controle de estoques. É muito utilizado
em micro e pequenas empresas. Certamente, já vimos,
muitas vezes, em lojas de materiais elétricos, materiais
automotivos, materiais utilizados nas confecções (lojas
de “armarinhos” etc.), amostras de peças presas na
frente das gavetas nas prateleiras, para serem facilmen-
te identificadas por clientes e atendentes-balconistas.
128 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Via de regra, essas lojas se utilizam do Método das
Duas Gavetas no controle dos seus estoques.
O funcionamento do sistema é muito simples, pois conside-
ra o Consumo (C) verificado em um certo período, e o Tempo
de Reposição (TR) do material. Ou seja, a quantidade neces-
sária para o atendimento à demanda é definida por: Q = C
x TR. Aquantidade assim definida, é colocada na gaveta que
fica à disposição para venda no balcão, no caso do comércio
(Gaveta A). Igual quantidade fica estocada no almoxarifado,
como uma forma de estoque mínimo ou de segurança (Gaveta
B). Quando a quantidade da Gaveta A é consumida, imedia-
tamente é requisitada a quantidade da Gaveta B. E, ao mesmo
tempo, é disparada uma ordem de compra para repor a Ga-
veta A, que ficará estocada no almoxarifado. E assim, fecha o
ciclo de estoque – venda – reposição – estoque.
Conforme Dias (2010, p. 117), “a grande vantagem desse
método consiste numa substancial redução do processo buro-
crático de reposição do material”.
b) Sistema de Máximos e Mínimos
O sistema de controle de estoque dos máximos e mínimos,
em função das dificuldades para se determinar o Consumo (C),
assim como pelas frequentes variações do Tempo de Reposição
(TR). O seu objetivo maior é controlar o estoque para que não
haja ruptura do estoque (falta de matérias-primas), e também
para que não ocorra um estoque acima do estoque máximo
admitido. Para se evitar a ruptura do estoque, como já vimos
anteriormente no Capítulo 6, utiliza-se o Estoque Mínimo. E o
estoque Máximo é definido por: E. Máx. = E. Min. + Lote de
Compra (reposição). Assim, é possível controlar os movimentos
Capítulo 7 Gestão de Estoques III: Controle e Avaliação dos... 129
do estoque para que não se reduza ao nível abaixo do Estoque
Mínimo (E. Min.) e, tampouco, ultrapasse o nível do Estoque
Máximo (E. Máx.), o que resultaria em excesso de estoque.
Conforme o autor Dias (2010, p. 117), esse sistema con-
siste em:
Determinação dos consumos previstos para o item de-
sejado.
Fixação do período de consumo previsto anteriormente.
Cálculo do Ponto de pedido em função do Tempo de
Reposição do item pelo fornecedor.
Cálculo dos estoques Mínimos e Máximos.
Cálculo dos Lotes de Compra.
O gráfico abaixo demonstra o método dos máximos e mínimos:
Fonte: Adaptação da Figura 2.41 de Dias (2010, p. 117)
Onde: C = Consumo e R = reposição (Lote de Compra).
As reposições são em períodos variáveis, e sempre aconte-
cem quando o nível de estoque chega ao Ponto de Pedido, ou
no estoque Mínimo.
130 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Segundo o autor Dias (2010, p. 118) “a principal vanta-
gem deste método é uma razoável automatização do processo
de reposição, que estimula o uso do lote econômico, em situ-
ações em que ele pode ser usado naturalmente, e abrange os
itens das classes A, B e C”.
c) Sistema de Revisões Periódicas
Segundo Dias (2010, p. 118-119) “esse sistema consiste
na reposição periódica em tempos iguais (períodos de revi-
são)”. Os períodos de revisão são aqueles períodos em que
devem ser feitas as contagens físicas dos estoques (“balanço”
ou inventário físico).
Ainda segundo o autor Dias (2010, p. 118) “a quantidade pe-
dida é igual à necessidade do próximo período, e deve-se definir
o estoque mínimo de tal forma, que previna aumentos anormais
de consumo, e também algum atraso de entrega do fornecedor,
durante o período de revisão e o Tempo de Reposição.
Continuando, afirma o autor: “a análise deve considerar o
estoque existente, o consumo no período, o tempo de reposi-
ção e o saldo de pedidos no fornecedor”.
O autor refere também que a dificuldade desse método é a
determinação do período entre cada revisão, tendo em vista que:
1. Se a periodicidade for baixa entre as revisões, o estoque
médio será baixo, tendo, como consequência, um aumen-
to no custo do pedido e o risco de ruptura do estoque
(faltas de materiais).
2. Se a periodicidade for alta entre as revisões, o estoque
médio será alto, tendo, como consequência, um aumento
no custo de estocagem.
Capítulo 7 Gestão de Estoques III: Controle e Avaliação dos... 131
O autor dias (2010, p. 119) indica algumas sugestões para
minimizar os efeitos desses riscos:
Calcular as revisões para cada material estocado ou
para cada classe de materiais, de acordo com os objeti-
vos operacionais e financeiros da empresa.
Escolher um calendário para as revisões.
A definição desse calendário de revisões é de funda-
mental importância, pois permitirá:
Definir o volume dos materiais a comprar.
Listar os itens de uso comum para serem processados
simultaneamente.
Executar uma compra única.
Efetuar compras e entregas programadas. Optando pela
determinação das periodicidades mais convenientes das
necessidades.
O gráfico a seguir mostra o método:
Fonte: Adaptado de dias (2010, p. 118).
132 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Onde: R = Revisão Q = Quantidade da reposição.
d) O Método MRP (Material Requirements Planning) ou Pla-
nejamento das Necessidades de Material
Segundo Bertaglia (2003, p. 454), “o MRP é um sistema de
informações baseado em computador, introduzido nos Estados
Unidos nos anos 1970, que apresentou um novo mecanismo
para calcular eficientemente que materiais ou componentes
são necessários, quando eles são necessários e em que quan-
tidade mais econômica”.
O autor Dias (2010, p. 119) salienta que as novas condi-
ções de concorrência nos mercados, tendo como plataforma
a globalização, passaram a exigir das empresas uma maior
flexibilidade em seus processos produtivos. Ou seja, na me-
dida em que os consumidores passaram a ser mais exigentes,
pois têm à disposição mais ofertas de diferentes produtos, e/
ou produtos alternativos, ou ainda, os clientes exigem um nível
de serviço mais alto, e fazem pedidos mais frequentes, todas
essas novas condições trazem consigo mais dificuldades para
as indústrias planejarem a sua produção. Há uma comple-
xidade maior das variáveis que devem ser consideradas no
momento do planejamento da produção.
Dias (2010, p. 119) afirma que “os sistemas de Planeja-
mento de Materiais preocupam-se basicamente com o dimen-
sionamento correto dos estoques”. Assim, enfatiza o autor, “um
dos sistemas de planejamento e controle de materiais mais
divulgados é o MRP”.
Em continuidade, o autor Dias (2010, p. 120) define o MRP
como “um sistema que estabelece uma série de procedimentos
Capítulo 7 Gestão de Estoques III: Controle e Avaliação dos... 133
e regras de decisão, de modo a atender às necessidades de
produção em uma sequência de tempo logicamente determi-
nada, para cada item componente do produto final”. Finali-
zando, o Dias afirma: “o sistema MRP é capaz de planejar as
necessidades de materiais a cada alteração na programação
de produção, registros de inventários ou composição de pro-
dutos”.
Os objetivos do MRP, segundo Dias (2010, p. 120) são os
seguintes:
Garantir a disponibilidade de materiais, componentes e
produtos para atendimento ao planejamento da produ-
ção e às entregas dos clientes.
Manter os inventários no nível mais baixo possível.
Planejar atividade de manufatura, de suprimentos e de
programação de entregas.
O MRP tem também a função de criar e manter a infraes-
trutura das informações industriais que inclui:
- Cadastro de materiais
- Estrutura de produto
- Listas de materiais
- Saldo dos estoques
- Ordens de compra e produção em aberto
- Rotinas de processo (Método ou Folha de Montagem)
- Capacidade dos centros produtos
134 Gestão da Cadeia de Suprimentos
A grande vantagem do MRP é que ele permite ver, de forma
rápida, o impacto de qualquer replanejamento, a partir de uma
nova necessidade de vendas, tornando-se flexível para o aten-
dimento ao mercado (satisfação das necessidades dos clientes).
Pode-se saber que itens estão em falta, para que se tomem
ações corretivas; se o estoque está planejado em excesso, a fim
de serem efetuados os cancelamentos e reprogramações dos
pedidos, e com isso manter os estoques em níveis razoáveis.
Segundo Dias (2010, p. 121), os elementosdo MRP são:
Fonte: Adaptação da Figura 2.43 de Dias (2010, p. 21)
Capítulo 7 Gestão de Estoques III: Controle e Avaliação dos... 135
Abaixo, apresenta-se as principais características de cada
um dos elementos do MRP, adaptando o texto do autor dias
(2010, p. 121).
Programa-mestre de Produção: é composto pela car-
teira de pedidos dos clientes e pelas previsões de demanda.
Também é chamado de MPS (Master Production Schedule ) nos
sistemas ERP’s (Enterprise Requirements Planning – Planeja-
mento das Necessidades da Empresa). Uma das variáveis que
devem ser previstas no MPS é o horizonte de planejamento,
que geralmente é de um ano, dividido em meses e semanas.
Listas de Materiais: refletem a composição dos produtos,
ou a estrutura de cada produto, indicando as quantidades que
são utilizadas na elaboração de cada produto. Na literatu-
ra da área de materiais, são conhecidas como “BOM” (Bill
of Materials) ou ainda “BOMP” (Bill of Materials Program). O
autor Dias (2010, p. 121) faz o seguinte comentário sobre
as listas de materiais: “elas contêm as quantidades exatas de
matérias-primas, componentes e sub-rotinas que determinarão
a confecção do produto final”.
O MRP se utiliza das listas de materiais quando realiza os
cálculos das necessidades líquidas para cada um deles, geran-
do, em consequência, as ordens de compras e as ordens de
produção necessárias para o atendimento ao Programa Mes-
tre de Produção (PMP/MPS).
Registros de Inventário: informam os saldos de cada
material no estoque, assim como possibilita a rastreabilida-
de dos documentos que originaram os seus movimentos de
entradas e saídas do estoque. Segundo Dias (2010, p. 121),
136 Gestão da Cadeia de Suprimentos
“os registros de inventário permitem a identificação, em qual-
quer momento, das posições de estoque e pedidos em aber-
to, de modo que se possam obter as necessidades líquidas de
materiais”.
Programa MRP: a partir do Plano Mestre de Produção
(PMP/MPS), quando são definidas as quantidades de cada
produto a serem produzidas, realizando a decomposição des-
sas quantidades em confronto com as quantidades indicadas
nas listas de materiais e dos registros de inventário, finalmente,
calculando as necessidades líquidas de cada material, o pro-
grama MRP é “rodado” nos computadores da área da Admi-
nistração de Materiais. Ou seja, o programa MRP transforma
as quantidades de produto acabado em necessidades de ma-
teriais comprados ou fabricados internamente.
A seguir, está apresentada a estrutura do funcionamento do
programa MRP:
Previsão de Vendas
(- ) Estoque de Produtos Acabados
(= ) Previsão Líquida de Vendas
(ou o Programa Mestre de Produção)
(x ) Lista de Materiais de cada Produto
(= ) Demanda Bruta de Materiais
(- ) Saldo de Materiais no Estoque Físico
(- ) Saldo de Pedidos em Aberto nos Fornecedores
(= ) NECESSIDADES LÍQUIDAS DE MATERIAIS
Capítulo 7 Gestão de Estoques III: Controle e Avaliação dos... 137
Relatórios e Dados de Saída: após “rodado” o progra-
ma MRP, diversos relatórios e informações são disponibilizadas
para o melhor gerenciamento tanto dos materiais comprados,
como os materiais a serem produzidos internamente. Assim,
como exemplo, pode-se citar: relatório das necessidades de
materiais, replanejamento de ordens de compras junto aos for-
necedores, replanejamento das ordens de fabricação/produ-
ção, programação da produção, prioridades de atendimento
às ordens de fabricação/produção, planejamento ou replane-
jamento das capacidades de cada centro produtivo, além de
relatórios de desempenho/eficiência de cada centro produtivo,
dentre outros. Ou seja, as estratégias de produção e de abas-
tecimento poderão ser estabelecidas ou revisadas.
7.3 Os Métodos de Avaliação dos Estoques
A avaliação dos estoques passa, necessariamente, pela apura-
ção dos custos dos materiais. A Contabilidade apura os custos
do estoque dos materiais considerando o seu preço de aqui-
sição, acrescido dos juros, quando o pagamento da fatura for
a prazo, mais os custos do frete, quando este for por conta
do comprador (FOB), e deduzindo-se os impostos, quando a
natureza dos materiais permite o crédito dos mesmos.
Quando os materiais são fabricados internamente, o seu
custo para avaliação do estoque será o custo de sua fabri-
cação.
A fiscalização exercida pelos órgãos reguladores da le-
gislação brasileira, exige que as empresas realizem a ava-
138 Gestão da Cadeia de Suprimentos
liação dos seus estoques pelo método do custo médio. No
entanto, há outros métodos também praticados pelas em-
presas.
Conforme Dias (2010, p. 150), “todas as formas de regis-
tro de estoque objetivam controlar a quantidade de materiais
em estoque, tanto o volume físico quanto o financeiro. Con-
tudo, a avaliação do estoque anual deverá ser realizada em
termos de preço, para proporcionar uma avaliação exata do
material e informações financeiras atualizadas”.
Segundo Dias (2010, p. 150), “há quatro métodos de ava-
liação dos estoques que são os mais usados pelas empresas.
São eles:
a) Custo Médio: considera o custo das entradas dos ma-
teriais, conforme descrito na página anterior. Após cal-
culado, serve de base para calcular o valor das saídas
de estoque. É o método que estabiliza as variações
de preço, e, no longo prazo, considerando um regi-
me de inflação na economia, irá expressar o preço de
mercado (também chamado de preço de reposição).
Portanto, nesse caso, expressa o custo de compra dos
materiais.
A tabela abaixo mostra um exemplo da movimentação de
um estoque, com o cálculo correspondente ao custo médio:
Capítulo 7 Gestão de Estoques III: Controle e Avaliação dos... 139
A fórmula de cálculo está mostrada abaixo:
FÓRMULA: CM = Custo Médio
E = Somatório do Estoque (em R$)
Q = Quantidade em estoque
Pode-se perceber que a saída de 400 unidades é avalia-
da pelo custo médio (R$ 12,50), calculada quando da en-
trada em estoque do lote de 500 unidades, totalizando 800
unidades em estoque, com o valor total correspondente a R$
10.000,00 (dez mil reais), o que resultou em um valor de custo
médio de R$ 12,50 por unidade.
140 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Na medida em que novas entradas de materiais ocorram, o
valor do custo médio será alterado, e a próxima quantidade que
sair do estoque será avaliada pelo novo custo médio calculado.
Conclusão: só se altera o Custo Médio com o valor das
entradas em estoque.
b) Método PEPS (FIFO): é o método em que a avaliação
do estoque é feita seguindo a ordem do Primeiro que
Entra é o Primeiro que Sai (em inglês First In First Out).
Saem os materiais que primeiro deram entrada no es-
toque. Abaixo a tabela que mostra os movimentos e o
cálculo custo do método PEPS:
Pelo quadro, podemos ver que as saídas obedecem ao crité-
rio da primeira entrada, e, na medida em que a quantidade da
saída corresponde à mesma quantidade de entrada, o seu preço
de custo é o mesmo. Só se alterará quando a nova saída perten-
cer (ou corresponder) ao lote de entrada imediatamente seguinte.
Capítulo 7 Gestão de Estoques III: Controle e Avaliação dos... 141
Como pode ser percebido, a primeira quantidade de saída
(300 unidades), foi avaliada pelo custo do primeiro lote que
deu entrada no estoque (R$ 12,00). Como esse primeiro lote
foi esgotado com a primeira saída de material, as quantida-
des subsequentes somente poderiam sair do estoque avaliadas
pelo custo do segundo lote de entrada (100 unidades ao custo
de R$ 16,00), até que esse lote fosse esgotado.
Método UEPS (LIFO): é o método em que a avaliação do es-
toque é feita seguindo a ordem inversa da entrada dos lotes em es-
toque. Ou seja, o Último que Entra é o Primeiro que Sai (em inglês
Last in First Out). Isto é, os materiais que entraram por último no
estoque serãoos primeiros a sair. Ou seja, o estoque atual (saldo)
é avaliado pelo preço das últimas entradas. É o método muito uti-
lizado em períodos de alta da inflação, pois orienta os preços dos
produtos para a venda no mercado. Abaixo, a tabela que mostra
os movimentos e o cálculo do custo pelo método UEPS.
142 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Método do Custo de Reposição: esse método considera
a elevação dos custos no curto prazo, em relação à inflação.
Assim, se a alta dos preços foi projetada em 2%, essa elevação
já deverá ser considerada nos custos. Abaixo segue um exem-
plo que demonstra a aplicação do método.
Preço unitário = R$ 10,00
Alta prevista para os próximos 60 dias = 4,5%
Portanto: R$ 10,00 x 0,045 = R$ 0,45 (acréscimo em R$)
Logo, o preço final será: R$ 10,00 + RS$ 0,45 = R$10,45
que é o preço de reposição.
REFERÊNCIAS DO CAPÍTULO 7
BARBIERI, José Carlos: MACHLINE, Claude. Logística Hospi-
talar: teoria e prática. São Paulo: Saraiva. 2009. Estes au-
tores abordam a avaliação de estoques mostrando o seu
impacto nas finanças das empresas, de um modo simples.
BERTAGLIA, Paulo Roberto. Logística e Gerenciamento da Ca-
deia de Abastecimento. São Paulo: Saraiva. 2003. Este au-
tor também faz uma abordagem simples dos métodos de
avaliação de estoques, o que torna a leitura de fácil enten-
dimento ao leitor.
DIAS, Marco Aurélio P. Administração de Materiais: princípios,
conceitos e gestão. São Paulo: Atlas, 2010. Este autor
aborda com profundidade os métodos de avaliação e con-
trole de estoques, apresentado modelos numéricos para
uma melhor compreensão do leitor.
Capítulo 7 Gestão de Estoques III: Controle e Avaliação dos... 143
MARTINS, Petrônio Garcia; CAMPOS ALT, Paulo Renato. Admi-
nistração de Materiais e Recursos Patrimoniais. São Paulo:
Saraiva, 2009. Estes autores abordam com maios extensão
os tipos de controles de estoques do que os métodos de
avaliação dos estoques. Também trazem exemplos para fa-
cilitar o entendimento do assunto.
EXERCÍCIOS
1. Por que se necessita que os registros no sistema MRP se-
jam atualizados frequentemente? Comente pelo menos
duas de suas consequências (Exercício adaptado de Dias,
2010, p. 141 n°11).
2. Qual o método de avaliação dos estoques em que as sa-
ídas de material, durante um período, são custeadas pelo
último custo de compra? (Exercício adaptado de Dias,
2010, p. 161, n°1).
3. Qual o método de avaliação dos estoques em que o novo
custo unitário é determinado depois de cada compra?
(Exercício adaptado de Dias, 2010, p. 162, n°3).
4. Por que uma alta acurácia é imprescindível para o bom
funcionamento de um sistema informatizado de controle
de estoques?
5. Elabore um quadro para a avaliação do estoque de um
material, realizando os cálculos com base no Custo Mé-
dio. Considere as seguintes premissas (veja o quadro mo-
delo na pág.11):
144 Gestão da Cadeia de Suprimentos
a) Realize três movimentos de entrada no estoque e três
de saída, alternados.
b) Defina as quantidades de entradas e de saídas a seu
critério, assim como os valores unitários das entradas.
c) O Estoque Final deverá ser de 120 unidades.
GABARITO
1. Os registros atualizados permitem a identificação, em
qualquer momento, das posições de estoque e pedidos
em aberto, de modo que se possam obter as necessidades
líquidas de materiais, o que torna possível a emissão de
ordens de compra e de produção sempre atualizadas.
2. UEPS ou LIFO
3. CUSTO MÉDIO
4. Fornece os saldos atualizados em estoque, de tal maneira
que a decisão do administrador de materiais seja a melhor
possível. Também para que outros departamentos possam
ter uma informação, em tempo real, dos movimentos do
estoque o permite, por exemplo, uma certeza para que os
pedidos dos clientes sejam atendidos dentro dos prazos
requeridos.
5. Utilize o quadro da pág. 11 como modelo, porém con-
siderando um estoque final de 120 unidades. Lembre-se
de que somente com as entradas é que o custo médio se
altera .
Alexandre da Silva Paim
Capítulo ?
Gestão de Estoques I;
O Lote Econômico de
Compras1
1 Administrador de Empresas pela UFRGS, professor assistente na Universidade
Luterana do Brasil - ULBRA
Rogério da Silva Filho1
Capítulo 8
146 Gestão da Cadeia de Suprimentos
8.1 Introdução
Segundo Dias (2010, p. 85), “a decisão de estocar ou não
um determinado item é básica para o volume de estoque, em
qualquer momento. Ao tomar tal decisão, há dois fatores a
considerar”:
1°) É econômico estocar o item?
2°) É interessante estocar um item indicado como antie-
conômico a fim de satisfazer a um cliente e, portanto,
melhorar as relações com ele?
Outras dúvidas também podem se originar no momento
da decisão para estocar ou não um item. Pode-se perguntar:
Será esse um item estratégico? Ou ainda, quanto deveremos
comprar ou produzir em cada lote?
O autor Dias (2010, p. 85), afirma que “A resposta à pri-
meira pergunta é obtida através da análise econômica. É evi-
dente que não é econômico estocar um item se isso exceder o
custo de adquiri-lo ou de produzi-lo”.
Porém, referindo-se à segunda pergunta, ele afirma: “re-
presenta uma decisão bem mais difícil, pois não sabemos ava-
liar exatamente qual o valor da satisfação dos clientes. O tem-
po de comprar ou produzir o item pode ser maior que o tempo
que o cliente pode esperar. Nesse caso, a decisão deverá ser
embasada na análise criteriosa item a item, sobre o custo de
comprar ou produzir, pedido a pedido”.
Nesse momento, o item, assim analisado, poderá ser clas-
sificado como estratégico e teremos que estocá-lo. Dessa for-
Capítulo 8 Gestão de Estoques I; O Lote Econômico de Compras 147
ma, esse item deverá ser sempre analisado como exceção, e
deverá ficar fora da classificação ABC, devido a sua importân-
cia estratégica, devendo ser tratado com a máxima acurácia.
8.2 Custos que Formam o LEC e suas Fórmulas
de Obtenção
Existem dois tipos básicos de custos que interferem decisiva-
mente na decisão sobre o quanto devemos comprar ou pro-
duzir. Um tipo é aquele em que os custos são diretamen-
te proporcionais à quantidade de material comprado ou
produzido. São os custos de armazenagem dos materiais,
que incluem espaço, seguro, juros (Custos da Posse), ou
seja, os custos aumentam na medida em que a quantida-
de de material aumenta.
O outro tipo é constituído pelos custos que são in-
versamente proporcionais à quantidade de material. Ou
seja, são aqueles que diminuem na medida em que a
quantidade de material aumenta, com a distribuição dos
custos fixos por quantidades maiores (Custo do Pedido).
Esses custos, de possuir o material e de pedir o material,
formarão o Custo Total do Estoque. Esse custo será o mais
baixo possível, quando a derivada primeira da soma do Custo
do Pedido mais o Custo de Posse, for igual a zero. Isto é, nesse
ponto o Custo Total do Estoque (CTE) será mínimo.
Portanto, CTE será Mínimo quando: d C Ped + d C Posse = 0
Representação Gráfica das Curvas Geradoras do Lote
Econômico de Compras (LEC)
148 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Portanto, o LEC indica a quantidade a ser comprada para
o custo seja mínimo.
O Custo de Armazenagem (CA) é formado pelos custos de
recebimento de materiais, da depreciação da área do almoxa-
rifado (ou dos custos de aluguel quando for o caso), acresci-
do aos custos dos seguros sobre os materiais estocados, mais
juros incidentes sobre o capital investido no estoque, a obso-
lescência dos materiais custos da mão de obra do pessoal do
almoxarifado e os encargos sociais decorrentes, perdas por
deterioração de materiais e, finalmente, perdas por roubos. É
obtido pela multiplicação do Estoque Médio (Q/2) pelo Custo
Unitário Anual de Armazenagem de uma unidade de um ma-
terial qualquer.Ou seja:
CA = Q / 2 x custo unitário de armazenagem (I)
O Custo do Pedido (CP) é formado pelo número de com-
pras realizadas em cada período, ao longo do exercício fiscal
Capítulo 8 Gestão de Estoques I; O Lote Econômico de Compras 149
da empresa. Incluem, desse modo, os custos das atividades
do departamento de compras no desenvolvimento, seleção,
homologação e acompanhamento do desempenho e das ne-
gociações realizadas com os fornecedores. Sua fórmula de ob-
tenção é a seguinte:
CP = C / Q x Custo fixo do pedido (Cf)
Onde, CP = Custo do pedido
C = Consumo anual (n° de compras realizadas)
Q = Quantidade do lote de compra
O Custo Total é obtido por: CT = CA + CP ou, substituin-
do CA e CP pelas suas fórmulas, teremos:
CT = (Q/2 x I ) + (C / Q x Cf).
Quando CA = CP o CT será mínimo. Ou o LEC (Q) será
obtido quando:
Q/2 x I = C/Q x Cf.
Desenvolvendo a fórmula acima, para calcular a quantida-
de do LEC (Q) teremos:
O autor Dias (2010, p. 89) apresenta a fórmula do Lote
Econômico de Compras (LEC = Q), de duas maneiras. Segun-
do o autor, o custo unitário de armazenagem pode ser expres-
so de duas formas. Uma quando é dado em valor unitário (R$
/ unidade estocada), e outra, quando é dado pelo percentual
150 Gestão da Cadeia de Suprimentos
sobre o custo de total armazenagem. As fórmulas indicadas
pelo autor estão mostradas na página seguinte.
Antes, porém o autor Dias (2010, p. 88), desenvolveu a
fórmula para se obter o Custo Total, quando não há falta de
material, conforme segue:
CT = P x C + B (C / Q) + I x (Q/2)
Onde: P = Preço unitário de compra
C = Consumo do item
B = Custo do Pedido
Q = Quantidade do Lote
I = Custo de armazenagem
Efetuando os desenvolvimentos matemáticos, obtém-se as
fórmulas para a determinação do LEC, conforme indica o au-
tor (p. 89)
quando I for dado em R$ / unidade
quando I for dado em percentual
Onde: B = Custo do pedido C = Consumo do item
I = Custo de armazenagem e P = percentual indicado
Quando ocorrer a situação em que há falta de material a
fórmula para o cálculo do LEC, há a inclusão da quantidade
faltante (F) e do respectivo custo da falta (CF). As fórmulas
respectivas seriam:
CT = P x C + B (C / Q) + {I (Q – F)²} / 2Q + (CF – F²) / 2Q.
Capítulo 8 Gestão de Estoques I; O Lote Econômico de Compras 151
Efetuando cálculos para a derivação do CT, pode-se obter
os valores de Q (LEC) e F (quantidade da falta). Assim, as
equações correspondentes seriam:
8.3 Críticas/Avaliações do LEC
Muitos autores têm tratado do assunto sobre o LEC, fazendo
algumas críticas ao método, outros fazendo algumas ponde-
rações e avaliação nem tão críticas assim. Com esse objetivo,
a seguir estão algumas dessas posições.
O autor dias (2010, p. 107-108) faz as suas avaliações,
afirmando que “deve-se ter bastante cuidado e atenção ao
trabalhar com as fórmulas do LEC, onde uma série de fatores
necessita ser observada cuidadosamente.” E enumera as se-
guintes:
Ela procura os custos mínimos, admitindo que os recur-
sos financeiros sejam ilimitados, o que não ocorre na
realidade.
Podem ocorrer situações práticas em que a quantidade
de material determinada pelo LEC seja de um tamanho
tal que cause problema de espaço físico para armazena-
gem, ou seja, o lote econômico não leva em considera-
ção o espaço disponível de armazenagem.
152 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Em economias inflacionárias, existem variações de pre-
ços bastante periódicas; isso significa recalcular todos os
lotes, para todos os itens, sempre que houver variação
de preço, porque a fórmula se baseia na estabilidade do
preço, ou seja, preço fixo.
Assim como ocorre com os preços, a fórmula baseia-se
em uma condição de que o consumo é constante e não
varia no período calculado, normalmente um ano. Essa
condição dificilmente é encontrada na prática; precisa-
mos, portanto, remediar esse problema, dimensionando
corretamente o estoque mínimo ou de segurança.
Outros autores que também fizeram observações e ava-
liações ao LEC foram Martins e Campos Alt (2009, p. 235 e
237). A seguir, algumas afirmações desses autores:
O relacionamento entre o pessoal de compras da em-
presa e os fornecedores dá-se mais em função das par-
cerias estabelecidas e seus interesses recíprocos, do que
em função de eventuais vantagens de compras em lotes
econômicos.
A tendência das empresas é fabricar o estritamente ne-
cessário para o uso imediato. Com base no just-in-time,
o lote ideal é aquele de uma única peça, e não o econô-
mico. A tendência atual é que as empresas invistam na
melhoria de seus esquemas de distribuição, justamente
para que possam trabalhar com menores estoques e,
portanto, menores lotes de compra.
Capítulo 8 Gestão de Estoques I; O Lote Econômico de Compras 153
O modelo do lote econômico pressupõe demanda
constante, durante o intervalo de tempo de estudo e a
avaliação dos custos de carregamento, como o aluguel
da área ocupada pelo item que utiliza critérios de ra-
teios discutíveis, sendo que a avaliação dos custos de
obsolescência, de furtos e roubos e quebras de material
é muito difícil.
O estudo dos lotes econômicos de compra e de fabrica-
ção são tópicos tradicionais do estudo da administração
de materiais. Embora estejam perdendo sua importância
no novo contexto industrial, em que se procura a produ-
ção em lotes cada vez menores, ainda assim fazem parte
do programa de qualquer curso sobre administração de
materiais, pois trazem consigo a preocupação, sempre
presente, de minimização dos custos.
A sua aplicação de forma adequada, com a utilização
dos recursos hoje disponíveis em praticamente qualquer
software de gestão de estoques, que mantém uma base
de dados a ser consultada instantaneamente, permitin-
do o cálculo das quantidades econômicas de compra e
fabricação, dependendo do caso, só traz benefícios às
empresas.
Os autores Barbieri e Machline (2009, p. 160-162) tam-
bém fizeram considerações importantes sobre o lote econômi-
co de compras, com uma visão/foco voltada à administração
de materiais na gestão hospitalar; Assim, afirmam eles que:
As fórmulas do LEC foram obtidas fazendo-se suposi-
ções ideais e que dificilmente ocorrem na realidade,
154 Gestão da Cadeia de Suprimentos
tais como: demanda anual uniforme, preço do produto
constante ao longo do ano, prazo de entrega fixo.
Acrescentando a essas condições ideais, outras mais
condizentes com a realidade como, por exemplo, o cus-
to da falta de materiais, descontos nos preços em decor-
rência das quantidades compradas, a inflação atuando
sobre o preço dos produtos, o resultado são fórmulas
matemáticas muito mais complexas, que dificultam a sua
operacionalidade, principalmente porque os elementos
que entram nessas fórmulas são, em muitos casos, difí-
ceis de serem mensurados de modo rápido e confiável.
A propósito, os críticos mais contundentes afirmam, de
modo irônico, que o único elemento confiável é o alga-
rismo 2 na fórmula do LEC. Por isso, o lote econômico
é muito pouco utilizado como instrumento de gestão,
inclusive nos grandes hospitais que poderiam se valer de
recursos administrativos mais elaborados.
O lote econômico do comprador nem sempre coincide
com o lote mínimo do seu fornecedor externo.
O modelo do LEC usado não considera o custo da fal-
ta (grifo do autor). Em termos objetivos, os custos da
falta ocorrem quando a organização perde oportunida-
des por não dispor do produto no momento em que ele
é demandado. Nos hospitais, a falta de material gera
atrasos nas atividades, perda de qualidade e pode até
pôr em risco a vida de pacientes, caso seja um item clas-
se Z. (ver Cap. 4 – nota deste professor).
Capítulo 8 Gestão de Estoques I; O LoteEconômico de Compras 155
Outro autor que fez algumas observações interessantes
sobre o LEC foi Peter Wanke (2009, cap. 6, p. 194-195). A
seguir apresentam-se as principais considerações feitas pelo
autor citado acima:
O LEC assume que os custos do processamento do pe-
dido são dados do sistema e, portanto, calcula o tama-
nho do lote que vai diluir esse custo sem, no entanto,
incorrer em custos excessivos de manter estoques.
O prática do JIT (Just-in-Time) faz o caminho reverso:
dado que o tamanho de lote ideal é o unitário, a em-
presa deve se esforçar para reduzir os custos de proces-
samento de pedido. À medida que os custos de proces-
samento do pedido diminuem, o tamanho ótimo do lote
calculado pela fórmula do LEC também diminui.
Com relação ao quanto pedir, a metodologia do LEC e
o ressuprimento JIT não constituem abordagem mutua-
mente exclusivas, podendo ser empregadas em conjun-
to para a avaliação e contínua redução nos tamanhos
de lote.
REFERÊNCIAS DO CAPÍTULO 8
BARBIERI, José Carlos: MACHLINE, Claude. Logística Hos-
pitalar: teoria e prática. São Paulo: Saraiva. 2009. Esses
autores abordam o assunto com o foco na administração
de materiais hospitalares, mostrando as dificuldades deste
setor.
156 Gestão da Cadeia de Suprimentos
DIAS, Marco Aurélio P. Administração de Materiais: princípios,
conceitos e gestão. São Paulo: Atlas, 2010. É o autor que
aborda com mais detalhes o tema do LEC, mostrando o
desenvolvimento das fórmulas de cálculo, e as limitações
do método.
MARTINS, Petrônio Garcia; CAMPOS ALT, Paulo Renato. Admi-
nistração de Materiais e Recursos Patrimoniais. São Paulo:
Saraiva, 2009. Também esses autores mostram exemplos
sobre o LEC e também apresentam exemplos de aplicações
e ainda algumas limitações e críticas ao método do LEC.
WANKE, Peter; FLEURY, Paulo F.; FIGUEIREDO, Kleber F. Logís-
tica Empresarial. São Paulo: Atlas, 2009. Esses autores fa-
zem uma abordagem bastante abrangente sobre os aspec-
tos que envolvem a administração e a definição do estoque
mínimo, assim como mostram a forma de gerenciamento
das incertezas que interferem nesses aspectos, e os proble-
mas decorrentes.
EXERCÍCIOS
1. Uma empresa compra 10.000 peças por ano para seu
processo de montagem. Se o preço unitário for de R$ 8,00
e o custo de armazenagem de uma unidade for R$ 0,50
mensais, o custo do pedido for R$ 200,00 e não forem
permitidas faltas, calcule:
a) O Custo Total ótimo
b) O Lote Econômico de Compra
Capítulo 8 Gestão de Estoques I; O Lote Econômico de Compras 157
(Usar as fórmulas da pág. 4 - adaptado de Dias, 2010, p.
109, n° 1)
2. O que é o Lote Econômico?
(exercício extraído de dias, 2010, p. 108, n° 1)
3. Comente pelo menos duas das principais deficiências do
LEC.
(adaptado de Dias, 2010, p. 108, n° 2)
4. O consumo de determinada peça é 20.000 unidades/ano.
O custo de armazenagem é R$ 1,90/unid./ano e o Custo
do Pedido é de R$ 500,00. O preço unitário de compra é
de R$ 2,00. Determine:
a) O Lote Econômico de Compra
b) O Custo Total Anual
(Usar as fórmulas da pág. 4 - Extraído de dias, 2010, p. 89)
5. Usando os mesmos dados do exercício 4, porém agora
admitindo um custo de falta anual de R$ 15,00 unidades/
ano, calcule:
a) O lote econômico de compras com faltas
b) A quantidade faltante
c) O custo total anual
(usar as fórmulas da págs. 4 e 5 )
158 Gestão da Cadeia de Suprimentos
GABARITO
1. a) Q = 816 peças por pedido b) CT = R$ 88.573,00
2. O LEC indica a quantidade a ser comprada para que o
custo total seja mínimo. O custo total é formado pelo custo
de posse (= custo de armazenagem) e o custo do pedido.
3. a) O LEC não considera o espaço físico que a quantidade
determinada poderá vir a ocupar, causando problemas de
localização de materiais e também podendo aumentar os
custos de estoque.
b) O LEC considera que os recursos financeiros são ilimi-
tados, o que na prática não se verifica, pois as empre-
sas gerenciam o seu fluxo de caixa, e nem sempre há
recursos disponíveis para tender à quantidade definida
pelo LEC.
4. a) 3.245 peças por pedido
b) CT = R$ 46.164,00 por ano
5. a) 3.438 peças por pedido
b) Qtd. Faltante = 387
c) CT = R$ 45.807,00 por ano
Alexandre da Silva Paim
Capítulo ?
Gestão de Compras
II: A Negociação em
Compras1
1 Administrador de Empresas pela UFRGS, professor assistente na Universidade
Luterana do Brasil - ULBRA
Rogério da Silva Filho1
Capítulo 9
160 Gestão da Cadeia de Suprimentos
9.1 O que é Negociação?
Negociação é um termo recorrente na Administração de Ma-
teriais. Está presente no dia a dia das atividades ao longo de
toda a cadeia de suprimentos, que em processos negociais
com as áreas internas das empresas, quer em processos ne-
gociais com fornecedores e prestadores de serviços contrata-
dos pelo departamento de compras da empresa. Vários auto-
res se dedicam ao assunto, tendo em vista a sua extensão e
abrangência, haja vista que alguns processos de negociação
comercial (compras versus vendas), poderão trazer como de-
corrência, um possível processo negocial jurídico. Esse, por
sua vez, poderá acarretar destinos de solução diferentes, tendo
em vista as possibilidades da via judicial estatal, ou a via da
mediação, ou ainda a via da arbitragem.
Assim, alguns conceitos e características sobre o assunto
são apresentados neste capítulo.
A negociação é um meio básico de conseguir o que
se quer de outrem. É uma comunicação bidirecional
concebida para chegar a um acordo, quando você e
o outro lado têm alguns interesses em comum e outros
opostos (FISHER; URY; PATON; 1994).
Negociação é o processo de comunicação com o pro-
pósito de atingir um acordo agradável sobre diferentes
ideias e necessidades (ACUFF, 1993 apud MARTINELLI,
2006).
É o processo de buscar a aceitação de ideias, propósitos
ou interesses, visando ao melhor resultado possível, de
Capítulo 9 Gestão de Compras II: A Negociação em Compras 161
tal modo que as partes evolvidas terminem a negocia-
ção conscientes de que foram ouvidas, tiveram oportu-
nidades de apresentar toda a sua argumentação e que
o produto final seja maior que a soma das contribuições
individuais (ANDRADE; ALYRIO; MACEDO; 2007).
É um processo de comunicação interativo que pode
ocorrer quando queremos algo de outra pessoa ou
quando outra pessoa quer algo de nós (SHELL, 2001).
É um processo social utilizado para fazer acordos e re-
solver ou evitar conflitos. É utilizada quando as partes
interessadas desejam estabelecer regras de relaciona-
mento mútuo ou quando desejam mudar as regras de
um acordo já existente (MELLO, 2003).
Todos negociamos sempre
- Todos nós negociamos, pois a negociação é simplesmen-
te um modo muito eficiente de conseguir aquilo que que-
remos.
- Negociamos para resolver nossas diferenças e negocia-
mos por interesse próprio, para satisfazer nossas necessi-
dades (MILLS, 1993 apud MARTINELLI, 2006).
- Negociamos com a família (esposa, filhos, empregada).
- Negociamos o trabalho (chefes, colegas, funcionários for-
necedores, clientes, sindicatos, associações etc.).
- Com a sociedade (professor, síndico, pedreiro, governo
etc.).
162 Gestão da Cadeia de Suprimentos
A negociação bem-sucedida
Uma negociação bem-sucedida não deve ter vencedores
nem perdedores [...] A arte da negociação é baseada na ten-
tativa de conciliar o que é bom para você com o que é bom
para o outro lado. Para chegar a esse ponto, em que ambas
as partes ganham alguma coisa, é preciso estar preparado,
atento e ser flexível (ANDRADE, ALYRIO, MACEDO, 2007).
9.2 O bom negociador: características
- Um bom negociador resolve os conflitos de forma coope-
rativa, produzindo ótimos resultados para todos.- Prepara-se muito, antes, durante e depois da negociação.
- Usa suas habilidades de percepção e observação para
entender melhor os estilos de negociação dos outros.
- É exímio em saber ouvir.
- Concentra-se no que há por trás das posições e interes-
ses, cria opções de ganhos mútuos, utiliza-se de critérios
ou padrões pesquisados e objetivos para gerar confiança
e eliminar dúvidas e receios (ANDRADE, ALYRIO, MACE-
DO, 2007).
- Quando há necessidade de decisão, um bom negociador
decide.
O autor Dias (2010, p. 271) elenca algumas característi-
cas de um bom negociador, que estão descritas a seguir:
Capítulo 9 Gestão de Compras II: A Negociação em Compras 163
Vê a negociação como um processo contínuo e dinâmico,
mesmo após o acordo final e a assinatura do contrato.
Tem a mente aberta.
É atento às suas necessidades pessoais e do seu negócio
e não descuida das necessidades de seu oponente.
É flexível e rápido na definição de metas e interesses
mútuos.
Não contraria o ponto de vista do oponente.
Oferece alternativas criativas que vão ao encontro das
necessidades de seu oponente.
É cooperativo e cria um clima propício para a solução
de problemas, em harmonia.
É competitivo e estimula a eficiência na realização dos
benefícios mútuos desejados.
Compreende que a manipulação de pessoas é incom-
patível com as metas de harmonia resultante da coope-
ração e competição.
Atinge os próprios objetivos e faz contribuições significa-
tivas para o alcance das metas da organização.
9.3 Os Estilos dos Negociadores
a) Controlador:
Tem grande necessidade de realização.
164 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Quando desenvolvem lado positivo, são decididos, ob-
jetivos, eficientes, rápidos e assumem riscos. Entretan-
to, quando desenvolvem o lado negativo, e tornam-se
pessoas difíceis, são críticos, superexigentes, mandões,
impacientes e insensíveis.
São supercompetitivos e pessoas cujas opiniões e pontos
de vista devem sempre prevalecer.
Como negociar com um controlador difícil?
Saiba ser firme sem ser grosseiro. Quem fica intimidado
diante de um controlador dá margem a que ele fique
cada vez mais agressivo ou então passe a desprezar essa
pessoa. Quando você está diante de um desses “trato-
res”, e ele começar a zangar-se ou gritar com você, pare
por um momento, espere que ele diminua ligeiramente o
ataque e faça o seu movimento posicionando-se. Caso
ele o interrompa, diga em voz firme e alta: “Você está
me interrompendo”. Se ele não parar, diga novamente e
continue com a sua argumentação, falando do seu pon-
to de vista e de uma maneira assertiva. Chame-o de uma
forma clara e alta pelo nome. Procure mantê-lo sentado
e sente-se também. Tenha cuidado para que seus mo-
vimentos não sejam interpretados como um ataque. Es-
sas pessoas, quando enfrentadas em seus ataques, mas
sem se sentirem derrotadas, podem fazer aproximações
amigáveis com você. Nesse caso, aproveite a “deixa” e
responda de uma forma amigável. Mantenha o contado
“olho no olho”. De forma alguma procure fazer com
que ela se sinta “por baixo”. A não ser que você queira
entrar em um longo conflito.
Capítulo 9 Gestão de Compras II: A Negociação em Compras 165
O autor Dias (2010, p. 272) também faz alguma referência
a esse estilo de negociador quando afirma que: “toma deci-
sões rápidas, organizado, conciso, objetivo, com sentido de
urgência. Muitas vezes, é considerado insensível. Como ar-
gumento de negociação, deve-se usar tudo que se relacionar
com metas, resultados e ganhos de tempo e dinheiro.
b) Apoiador:
- São o oposto dos controladores.
- Têm como necessidade principal a aceitação, inclusão e
pertencimento.
- Quando desenvolvem o lado positivo, são amáveis, com-
preensivos, bons ouvintes, prestativos e jogam para o
time. Entretanto, quando desenvolvem o lado negativo,
tornam-se supergentis e superagradáveis e precisam e
fazem tudo para serem aceitos por todas as pessoas o
tempo todo.
- Eles procuram fazer com que os outros se sintam amados
e gostados.
- Por não gostarem de ferir as pessoas, evitam conflitos.
- São extremamente dissimulados, ineficientes e não dão as
suas opiniões sinceras.
- Prometem com o único intuito de agradar. Assim, acabam
concordando com coisas que posteriormente não cumprem.
- Portanto, alguém pode fechar aquilo que considera um
ótimo acordo com um apoiador e constatar posterior-
mente que nada foi cumprido.
166 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Segundo Dias (2010, p. 271-272), esse estilo de negocia-
dor “prioriza as pessoas e o trabalho em equipe, agrada aos
outros e faz novos amigos. Às vezes, é considerado incapaz de
cumprir prazos, liderar projetos, visto mais como missionário
do que como executivo e, para causar-lhe impressão, deve-
-se mencionar harmonia, garantia de satisfação e realização
a quatro mãos”.
Como negociar com um apoiador difícil?
- Eles devem se sentir realmente aceitos para emitir suas
verdadeiras opiniões.
- Eles gostam de ser vistos como pessoas em quem você
está interessado. Se for possível, fale sobre aspectos pes-
soais dos supergentis, tal como alguma coisa da família
ou da roupa que estão vestindo. Mas isso deve ser autên-
tico, pois eles são muito perceptivos e estão atentos aos
sinais não verbais.
- Diga que embora esteja bom, sempre existem coisas que
podem ser melhoradas.
- Não permita que se comprometam, irrealisticamente,
com prazos que você sabe de antemão que não podem
ser cumpridos.
- Procure ser específico e amarrar bem as coisas.
- Procure fazer negociações em que fique claro o que
cada um está recebendo de modo que deixe a ambos
satisfeitos.
Capítulo 9 Gestão de Compras II: A Negociação em Compras 167
c) O Catalisador:
- São pessoas orientadas para ideias, cuja necessidade
principal é reconhecimento.
- Quando desenvolvem o lado positivo, possuem qualida-
des bastante apreciadas. São criativos, empreendedores,
persuasivos, estimulantes e entusiásticos.
- Porém, quando desenvolvem o lado negativo, de forma a
se tornarem pessoas difíceis, tornam-se exclusivistas, im-
pulsivos, difíceis de crer e inconstantes.
- Quando têm necessidade de serem super-reconhecidos,
esses aspectos negativos se exacerbam e tornam-se pes-
soas bem difíceis.
- São os chamados ego-inflados. Ocupam todo o espaço.
- Não podem se conter. São os tipos que vendem geladeira
para esquimós.
- Quando fazem um trabalho em conjunto, querem ter to-
dos os méritos, mesmo que as suas contribuições sejam
mínimas.
Sobre esse estilo de negociador, o autor Dias (2010, p.
272) afirma que: “é criativo e entusiasta dos grandes empre-
endimentos. Às vezes, é considerado superficial e irreal. Para
causar impacto junto a ele é preciso apelar para aspectos de
novidade, singularidade, liderança e disponibilidade”.
O que fazer para tratar com um catalisador difícil?
168 Gestão da Cadeia de Suprimentos
- Procure ser objetivo sem ser detalhista.
- Seja firme e esteja preparado para enfrentar as reações de
explosão que são frequentes quando ele está sob tensão.
- Procure dados de realidade e, acima de tudo, tenha pre-
sente o seu foco. É preciso encontrar uma forma de trazê-
-lo para a realidade.
- Procure encontrar formas efetivas de elogiá-lo. É preciso
cuidado para que esse elogio não tenha qualquer tom
irônico, pois poderá botar tudo a perder.
- Se você está em um trabalho de grupo, defina tudo muito
bem definido.
- Seja firme, com pés no chão e não deixe que o seu espa-
ço seja invadido.
d) O Analítico:
- Têm como principal necessidade a segurança.
- Quando desenvolvem o lado positivo, são organizados,
sérios, cuidadosos, pacientes e controlados.
- Entretanto, quando desenvolvem o ladonegativo, tor-
nam-se meticulosos, teimosos, procrastinadores e perfec-
cionistas.
- Sempre querem mais informações e, em função disso,
tornam-se indecisos ou acabam se perdendo em mil de-
talhes.
- Um outro ramo de analíticos difíceis é o dos negativistas.
Capítulo 9 Gestão de Compras II: A Negociação em Compras 169
- É preciso não confundir o analítico saudável que, diante
de uma nova proposta, cuidadosamente, considera as ra-
zões para não se seguir um determinado curso de ação,
do negativista que, por princípio, é contra.
Segundo Dias (2010, p. 272), o negociador com esse es-
tilo de negociar “gosta de fazer perguntas, coletar dados, é
perfeccionista e muito detalhista. Fornecer dados disponíveis,
alternativas para análise, decisões seguras e pesquisas, ajuda-
rá bastante na negociação”.
Como negociar com um analítico negativista?
- Não se deixe abater e não se torne pessimista.
- Construa suas defesas emocionais por meio de um otimis-
mo realista e o manifeste ao negativista.
- Procure contar exemplos que mostrem que já houve casos
de superação da situação.
- Não tente persuadir o negativista, pois isso é praticamen-
te impossível.
- É fundamental as perguntas, o que? Quem? Como?
Quando? Onde?
- Cuidado com os porquês precipitados, pois o negativista
vai saltar para a sua conclusão negativa.
- Não se apresse em conclusões.
e) Os da “Lei de Gerson”: são os negociadores que só
querem levar vantagem, centrados unicamente em
seus próprios interesses e que se valem de todos os
170 Gestão da Cadeia de Suprimentos
meios, inclusive os não éticos, para atingir seus propó-
sitos.
O que fazer? Nesse caso, a primeira coisa a fazer é conhe-
cer as suas alternativas de ação que são: retirada, tornar-se di-
fícil também, na base de responder na mesma moeda; ou seja,
do “olho por olho” e “dente por dente”, ou tentar converter a
situação, inclusive buscando o desfecho ganha/ganha.
Levante as oportunidades existentes, as possibilidades de
satisfazer os seus interesses, necessidades e expectativas e o
quanto você vai ter de pagar, inclusive em termos de desgaste
emocional, ou seja, a relação benefício/custo.
Sempre que se dispõe da possibilidade da retirada, ou seja,
poder dizer para o outro lado, “até logo, não quero mais parti-
cipar deste jogo”; se está em uma situação forte e confortável,
pois é possível estabelecer as condições e regras para se voltar
a negociar, se isso for do interesse do outro lado.
A linha de ação do “olho por olho” acredita que é possível
converter uma situação, por meio da sinalização para o outro
lado de que se ele for agressivo e intolerante, terá uma respos-
ta agressiva e intolerante.
O que não deve-se fazer
- Improvisação e falta de planejamento.
- Descobrir o ponto fraco do oponente e atacá-lo.
- Aplicar truques, macetes e artimanhas.
- Tentar manipular os outros.
Capítulo 9 Gestão de Compras II: A Negociação em Compras 171
- Agredir, dar murros na mesa, intimidar (ANDRADE,
ALYRIO, MACEDO, 2007).
9.4 Posturas do Negociador
Mentiras que distorçam fatos são claramente antiéticas,
além de ilegais.
Omitir certas informações também pode ser antiéti-
co se as informações omitidas resultarem em prejuízo
para o outro.
O processo de persuasão em si, embora possa envol-
ver manipulação, provavelmente não é antiético, uma
vez que tanto um lado como o outro compreendem e
esperam que ocorra manipulação.
A prospecção pode ser antiética se, deliberadamente,
o vendedor tomar clientes de um colega, mas, prova-
velmente, não é antiético um vendedor levar clientes
consigo se mudar para outra empresa.
O uso de informações pessoais sobre um cliente para
forçá-lo a comprar é antiético.
A apresentação de informações inexatas, embora sub-
jetivamente antiética, é objetivamente antiética apenas
se prejudicar o cliente.
O comportamento antiético também pode ocorrer fora
do processo de negociação em si, por exemplo: espio-
nar um concorrente, sabotar os mostruários de produ-
tos do concorrente, trabalhar em um segundo empre-
172 Gestão da Cadeia de Suprimentos
go no tempo pago por outro empregador ou abusar
dos benefícios de viagens e diversões.
9.5 A Matriz de Negociação
Devemos perguntar: Qual é o meu objetivo com essa nego-
ciação?
Algumas respostas:
Ganhar $$$ agora.
Ganhar $$$ agora e depois.
Ganhar $$$ depois.
Construir um relacionamento.
Consertar um relacionamento.
Combinações das respostas anteriores.
Assim, é necessário atentar para a necessidade de compa-
tibilizar vantagens financeiras com relacionamento.
E, também, a postura do negociador deve ser diferente em
cada caso, e a forma de negociar deve ser radicalmente dife-
rente para obtermos o melhor resultado.
Em decorrência dessas posturas, ou procurando definir
cada uma dessas posturas, a Matriz de Negociação será com-
posta por:
Capítulo 9 Gestão de Compras II: A Negociação em Compras 173
Relacionamentos
É mais importante manter ou
construir relacionamentos do que
obter vantagens financeiras.
Cooperação
Alta necessidade de obter vanta-
gens financeiras.
Necessidade de manter os relacio-
namentos.
Indiferença
Nem o relacionamento nem vanta-
ges financeiras são importantes.
Competição
Alta necessidade de obter vanta-
gens financeiras.
Baixa necessidade de manter rela-
cionamentos futuros.
Portanto, sintetizando cada uma das posturas da Matriz de
Negociação, temos que:
COMPETIÇÃO: quando a vantagem financeira é im-
portante e o relacionamento não é.
COOPERAÇÃO: quando a vantagem financeira é im-
portante e o relacionamento também é.
RELACIONAMENTO: quando o relacionamento é mais
importante que a vantagem financeira.
INDIFERENÇA: quando nem a vantagem financeira nem
o relacionamento são importantes.
9.6 Os Tipos de Objetivos da Negociação
a) Objetivos Ideais: você poderia concretizá-los se o seu
adversário estivesse de acordo com o que você pede.
174 Gestão da Cadeia de Suprimentos
b) Objetivos Realistas: o adversário oferece resistência
aos seus argumentos.
c) Objetivos Mínimos: são as prioridades que você quer
atingir no mínimo: há muita luta de ambas as partes
para “rapar o fundo do tacho”.
O autor Dias (2010, p. 322) apresenta quatro objetivos
comuns a todas as negociações, que tenham o sentido comer-
cial. São elas:
Obter um preço satisfatório e razoável.
Obter do fornecedor o cumprimento dos prazos e con-
dições contratuais.
Convencer o fornecedor a dar a máxima cooperação.
Desenvolver uma saudável e continuada relação amis-
tosa com os fornecedores competentes.
9.7 As Etapas da Negociação
O autor Dias (2010, p. 269 – 270) apresenta seis etapas que
devem ser seguidas em um processo negocial. São elas:
1ª Etapa: PREPARAÇÃO: ocorre “quando são estabelecidos
os objetivos reais e os possíveis. É importante fazer a leitura
do comportamento, das intenções e impressões do(s) outro(s)
negociador(es), além de ter e transmitir uma expectativa positiva.
Segundo Schell (2001), “a meta de uma boa preparação
é desenvolver um plano de ação específico para a situação a
ser enfrentada”.
Capítulo 9 Gestão de Compras II: A Negociação em Compras 175
O autor também enfatiza que “o único e mais importante
caminho para tornar-se um negociador eficiente é adquirindo
o hábito da preparação”.
Técnicas de preparação
a) Preparação rápida: é uma rápida passada pelo mapa
da negociação. Ajuda a ter uma ideia do que trata a
negociação e para onde ela pode caminhar.
b) Preparação por prioridades: é útil quando você precisa
se concentrar em apenas certos elementos da nego-
ciação. Pode ser útil concentrar o máximo possível de
tempo de preparação em algumas áreas-chave (téc-nica das perguntas para identificar os elementos mais
relevantes).
c) Preparação completa: preparação abrangente, indica-
da para negociações complexas.
d) Preparação conjunta: encare a negociação como se
fosse uma sessão conjunta de preparação, como uma
reunião de resoluções de problemas.
2ª Etapa: ABERTURA: segundo Dias (2010, p. 270), esta
etapa “serve para reduzir a tensão, consolidar os objetivos e
criar um clima de aceitação; uma conversa descontraída aju-
da. Deve-se, então, esclarecer que se está ali para resolver
um problema, preparando o outro para que seja receptivo e
prestativo. É preciso ainda destacar os benefícios que serão
obtidos no trabalho conjunto”.
176 Gestão da Cadeia de Suprimentos
3ª Etapa: EXPLORAÇÃO: essa etapa se caracteriza, confor-
me Dias (2010, p.270), por verificar “se a necessidade detec-
tada durante a etapa da preparação é verdadeira, por meio de
perguntas objetivas, mas jamais ameaçadoras. Esse processo
estabelece uma reciprocidade psicológica em que as pessoas
tendem a tratar os outros como são tratados por eles. “Mais
adiante, o autor afirma que “essa fase é muito importante,
pois, uma vez obtida anuência do outro, antes de detalharmos
nossos produtos, serviços ou ideias, teremos alcançado 50%
da ação final”.
4ª Etapa: APRESENTAÇÃO: segundo Dias (2010, p. 270),
nesta etapa, “faz-se o relacionamento dos objetivos e expecta-
tivas iniciais com as necessidades da outra parte. Quanto mais
fornecermos condições para que o outro faça a ligação entre
proposição, sentimento e necessidade, mais proveitosa será
essa etapa”.
5ª Etapa: CLARIFICAÇÃO: nessa etapa, o autor Dias (2010,
p. 270) afirma que “as objeções levantadas devem ser vistas
como oportunidades para oferecer mais informações, pois se
a outra parte não tiver qualquer interesse, sequer fará obje-
ções. Consiste em ouvir atentamente as objeções, não aceitan-
do a objeção em si, mas o sentimento e a lógica existentes por
detrás dela, mostrando ao outro que a entendemos”.
6ª Etapa: AÇÃO FINAL: segundo dias (2010, p. 270), “é a
procura de um acordo ou decisão. Vale lembrar que as
pessoas compram um produto ou uma ideia com ajuda
e não com empurrão. O que não quer dizer que ela tome a
Capítulo 9 Gestão de Compras II: A Negociação em Compras 177
decisão sozinha. O negociador que força o outro geralmente
fracassa”.
9.8 As Habilidades do Negociador
Nesse ponto, surge uma dúvida em relação à forma do rela-
cionamento que o negociador se depara: Qual postura ado-
tar? Ser um negociador duro/firme ou suave? A resposta a
essa dúvida pode parecer simples em um primeiro momento:
Ser duro no problema e suave nas pessoas!
Porém, há diferentes papéis que o negociador assume ao
longo do processo decisório, para poder atender a essa res-
posta.
Assim, as habilidades do negociador são divididas em três
categorias:
1. Na Concentração nas pessoas.
2. Caminhar para a solução do problema.
3. Capacidade de Tomar Decisão.
1) Na Concentração nas pessoas, o negociador poderá
assumir os seguintes papéis:
a) ser filósofo – Mantenha a calma, o autocontrole e te-
nha uma perspectiva. Não perca de vista o objetivo.
Dedique o mesmo tempo para preparar e para falar,
conte até dez antes de responder e tenha certeza de
que entendeu o que o outro está propondo. Não se es-
178 Gestão da Cadeia de Suprimentos
queça de ouvir a si mesmo, observando suas reações
para não “entregar” o jogo.
b) ser psicólogo – Coloque-se no lugar dos clientes.
Ouça mais do que fale e faça isso para entender, não
para refutar. Tenha respeito pela outra pessoa, não
censure nem humilhe. Considere as questões levanta-
das e aconselhe-se antes de decidir. Crie uma relação
de confiança e respeito.
2) Caminhar para a Solução do Problema
No sentido de encaminhar uma solução ganha-ganha, o
negociador poderá assumir os seguintes papéis:
a) ser detetive – Tente descobrir o máximo possível de
informações da pessoa com quem está negociando.
Quais são seus interesses e motivações? E suas ne-
cessidades, desejos, preocupações? Utilize perguntas
como: “Ajudem-me a entender suas necessidades”
ou ainda “Por que não?”, “O que haveria de errado
em...?“ e “Pelo que entendi, seus interesses são...”.
b) ser inventor – Em vez de criticar a proposta do outro
ou dizer: “Isso não é o que quero”, tente inventar si-
tuações. Conversem sobre elas para poderem, juntos,
identificar os pontos positivos/negativos da proposta.
Invente cenários para que seja possível encontrar uma
solução que atenda a seus interesses e aos interesses
do outro negociador.
c) ser juiz – Durante a negociação, você precisará ser um
juiz, ou seja, decidir o que é ou não justo no que está
Capítulo 9 Gestão de Compras II: A Negociação em Compras 179
sendo conversado. Esteja aberto aos argumentos, des-
de que válidos, da outra pessoa. Avalie se o que está
sendo dito tem lógica.
3) Capacidade de Tomar Decisão
Essa habilidade compreende os seguintes papéis que o ne-
gociador poderá assumir:
a) ser estrategista – imaginar quais são as ações que a
outra parte pode tomar. É como em um jogo de xadrez:
antes de mexer qualquer peça, você precisa avaliar
o que aquela ação vai influenciar no jogo do outro.
Quais são as peças que ele detém? Qual é a posição
delas, e que tipo de risco representam? Muitas pes-
soas, na ânsia de acabarem logo com a negociação
ou de conseguirem o que querem mais rapidamente,
acabam agindo precipitadamente. Decidem sem se
preocupar com as possíveis reações do outro e se dis-
tanciam dos seus objetivos.
b) ser diplomata – É preciso criar uma ponte para que o
seu adversário possa chegar até você. Você precisa
ser amigável, mas isso não significa que tenha de
aceitar tudo o que o outro propõe.
9.9 A Abordagem Sistêmica na Negociação
Nas negociações, cresce cada vez mais a importância do re-
lacionamento com o ambiente externo, em especial quando se
busca uma negociação estratégica, focada no longo prazo e
no relacionamento entre as pessoas envolvidas no processo. A
180 Gestão da Cadeia de Suprimentos
visão sistêmica pode contribuir de maneira significativa para
tornar as negociações estratégicas, em especial com base na
noção de sistema aberto, que trouxe a ideia do relacionamen-
to de cada sistema com seu ambiente externo e com todos os
sistemas com os quais interage.
A “solução de problemas” exige, de um modo geral, uma
visão holística do tomador de decisões. Dessa forma, a nego-
ciação também exige uma visão sistêmica, a fim de que possa
se tornar uma negociação evolutiva.
Enxergar o processo de negociação de um ponto de vista
sistêmico possibilita identificar os elementos que influenciam
essa negociação, podendo agir sobre eles. Por meio da visão
sistêmica, é possível identificar todos os prováveis elementos
que gerariam uma negociação ganha-ganha, de acordo com
a situação prática vivenciada pelo negociador.
Os elementos que compõem um sistema estão identifica-
dos no processo de negociação, conforme descritos a seguir:
Entradas (estímulos): envolvem os seguintes aspectos:
- Diferenças individuais.
- Valores pessoais dos envolvidos – Interesses comuns – Re-
lacionamento humano – Participação no processo – Uso
da informação e do poder – Comunicação bilateral –
Barganha – Flexibilidade.
Capítulo 9 Gestão de Compras II: A Negociação em Compras 181
Processo
É o transformador das entradas e saídas. A ideia é converter
as entradas em saídas positivas, isto é, em negociação ganha-
-ganha.
Saídas (respostas)
São os resultados do processo de negociação. Envolvem os se-
guintes aspectos: conquista das pessoas – concessões – persu-
asão – satisfação das necessidades – decisão conjunta – acor-
do – solução do conflito – benefícios do conflito – benefíciosduradouros – visão estratégica.
9.10 A Comunicação no Processo Negocial
É uma habilidade de entender e ser entendido e tem a ver com
saber escutar e transmitir ideias, que é a essência de um bom
processo de comunicação e, por consequência, da própria ne-
gociação.
O processo pelo qual a informação é trocada e compreen-
dida por duas ou mais pessoas, normalmente com a intenção
de motivar ou influenciar o comportamento.
A Comunicação Eficaz
Compreende as seguintes ações:
Escolha do canal adequado.
Elaboração do conteúdo da mensagem.
182 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Identificação e redução de ruídos e interferências.
Feedback, onde pode-se confirmar se a decodificação
da mensagem, pelo receptor, deu-se da maneira espe-
rada.
Ruídos de Comunicação
É qualquer evento que ocorra durante o processo de comu-
nicação e que prejudique a compreensão da mensagem que
está sendo transmitida.
a) Barreiras Individuais:
questões interpessoais (incluem problemas com emo-
ções e percepções);
escolha do canal adequado;
questões semânticas (significado das palavras); mensa-
gens inconsistentes entre a comunicação verbal e a não
verbal, que podem confundir o receptor.
b) Barreiras Organizacionais:
diferença de status e poder entre as pessoas envolvidas;
necessidades e objetivos diferentes de um departamento
ou setor para outro;
rede de comunicação inadequada para a tarefa;
inexistência, ou mesmo resistências, para implantação
de canais formais na empresa.
Capítulo 9 Gestão de Compras II: A Negociação em Compras 183
O Modelo AIDA (Mensagem)
A - Atrair a ATENÇÃO da outra parte.
I - Obter o INTERESSE da outra parte no acordo pretendido.
D - Provocar na outra parte o DESEJO de entrar em acordo.
A - Estimular a AÇÃO de encerramento do impasse.
Para aceitar um acordo, a outra parte deve:
Saber da existência da proposta (ATENÇÃO).
Estar suficientemente interessada para prestar atenção
nos detalhes. da proposta (INTERESSE).
Querer obter os benefícios propostos (DESEJOS).
Fechar o acordo (AÇÃO).
A Melhoria na Comunicação
Conhecer bem os próprios objetivos.
- Conhecer o outro lado.
- Pensar antes de falar.
- Preparar antes o que se irá falar.
- Simplificar a mensagem.
- Escolher uma linguagem clara.
- Ter cuidado com brincadeiras.
- Utilizar-se de recursos visuais.
184 Gestão da Cadeia de Suprimentos
- Falar lenta e claramente, de forma que as pessoas enten-
dam.
- Observar o uso de gestos.
- Acompanhar a expressão corporal do receptor para um
feedback.
9.11 As Variáveis Básicas da Negociação
a) Poder:
- É a força que permite impor uma posição sobre a outra,
sem levar em consideração seus méritos relativos.
- É a capacidade de exercer a própria vontade sobre os ou-
tros, sem considerar seus cargos ou autoridades relativos.
- É a capacidade de influenciar outros para fazerem, em
geral, o que talvez não fizessem na ausência dessa influ-
ência.
b) Tempo:
- Deve ser cuidadosamente analisado, verificando-se o
modo de como ele afeta o processo.
- Deve ser ponto de apoio para projetar o negócio e a con-
sequente satisfação dos envolvidos.
- Pode favorecer tanto um lado quanto outro, dependendo
das circunstâncias.
Capítulo 9 Gestão de Compras II: A Negociação em Compras 185
c) Informação:
- É a questão central no processo de negociação: ela pode
abrir a porta do sucesso e afetar a avaliação da realidade
e as decisões tomadas.
- É a força de vida da negociação.
- Está intimamente relacionada com o poder de conhecer
as necessidades próprias e alheias.
- A informação pode mudar o rumo de uma negociação.
REFERÊNCIAS DO CAPÍTULO 9
ANDRADE, Rui; ROVIGATI, MACEDO, Marcelo. Princípios de
negociação: ferramentas e gestão. São Paulo: Atlas, 2007.
DIAS, Marco Aurélio P. Administração de Materiais: princípios,
conceitos e gestão. São Paulo: Atlas, 2010.
FISHER, Roger; URY, William. Como chegar ao Sim: negocia-
ção de acordos sem concessões. RJ: Imago Ed., 1994.
MARTINELLI & ALMEIDA. Negociação: como transformar con-
fronto em cooperação. Editora Atlas, 2006).
(MARTINELLI & GHISI. Negociação: aplicações práticas de
uma abordagem sistêmica. Editora Saraiva, 2006.
SHELL, C. Richard. Negociar é preciso. São Paulo: Elsevier,
2001.
186 Gestão da Cadeia de Suprimentos
EXERCÍCIOS
1. Considerando as habilidades de um negociador, no senti-
do do encaminhamento para a solução do problema, as-
sinale a opção correta.
(a) diplomata (b) psicólogo (c) detetive (d) estrategista.
2. Assinale a opção correta, que identifica o fator Competi-
ção, em uma matriz de negociação:
(a) Relacionamento é importante, e as vantagens financei-
ras também.
(b) Vantagens financeiras são mais importantes que o re-
lacionamento.
(c) Nem o relacionamento nem as vantagens financeiras
são importantes.
(d) Relacionamento é mais importante que as vantagens
financeiras.
3. Assinale a alternativa que NÃO completa a frase: “Plane-
jamos uma negociação para________________________
_____”.
(a) decidirmos a melhor estratégia.
(b) determinarmos as margens de barganha.
(c) munirmo-nos de maior quantidade de informações.
(d) diminuirmos o nível de tensão.
(e) mantermos registros estatísticos.
Capítulo 9 Gestão de Compras II: A Negociação em Compras 187
4. “A inusitada e oportuna recomendação do presidente da
Fiergs para que os empresários gaúchos reduzam o volu-
me de negócios com a Argentina retrata bem o momento
de instabilidade econômica e política do país vizinho. A
preocupação dos exportadores, expressa na advertência
do senhor Heitor Müller, não está centrada apenas na
possibilidade de os compradores perderem a capacidade
de quitar suas dívidas, mas de o governo criar situações
esdrúxulas de bloqueio de remessas para o Exterior. Um
mercado historicamente importante para o Brasil, e, em
especial, para os gaúchos, acaba por se transformar, mais
uma vez, num ambiente inseguro para parceiros comer-
ciais. Não há surpresa na conjuntura criada, porque o
cenário argentino degradou-se com as atitudes previsíveis
que vêm sendo tomadas nos últimos anos por quem go-
verna o país”. (Texto do editorial do jornal Zero Hora – O
Risco Argentina – do dia 06/02/2014, pág.18).
Com base no texto, responda:
a) Identifique aspectos da Visão Sistêmica aplicada ao
texto.
b) Caracterize os elementos da matriz de negociação
presentes no caso. Justifique.
5. Na busca de objetivos em um processo negocial, assinale
a opção correta, com relação à postura do negociador.
(a) Ser duro nas pessoas e suave no problema.
(b) Ser duro nas pessoas e duro no problema.
188 Gestão da Cadeia de Suprimentos
(c) Ser duro no problema e suave nas pessoas.
(d) Ser suave no problema e suave nas pessoas.
GABARITO
1c - 2c - 3e - 5c
4. a) negócios futuros com a Argentina estão com grande
incerteza de continuar como vinham sendo realizados, em
razão de diversas barreiras impostas por aquele país. De-
verá haver um redirecionamento dos negócios de expor-
tação das empresas gaúchas, em razão desse importante
fato. b) percebe-se uma tendência de diminuição nos re-
lacionamentos entre as empresas gaúchas e argentinas.
Além disso, a importância dos aspectos financeiros é pre-
dominante nessa relação.
Alexandre da Silva Paim
Capítulo ?
Gestão de Compras III:
A Administração e as
Aplicações de Compras1
Gestão de Compras III:
A Administração e as...
1 Administrador de Empresas pela UFRGS, professor assistente na Universidade
Luterana do Brasil - ULBRA
Rogério da Silva Filho1
Capítulo 10
190 Gestão da Cadeia de Suprimentos
10.1 Introdução
“A função Comprar é um segmento essencial do Departamen-
to de Materiaisou Suprimentos. Dentre outras atividades, tem
por finalidades:
Suprir as necessidades de materiais ou de serviços
Planejá-las quantitativamente e satisfazê-las no momen-
to certo
Verificar o seu recebimento efetivo confrontando com o
que foi comprado
Providenciar o armazenamento adequado”. (DIAS,
2010, p. 228)
Estendendo a função do departamento de compras, o au-
tor Dias (2010, p. 306) afirma que “a função Compras é de
primordial importância para um correto gerenciamento da
área de Materiais. Em todo o sistema empresarial, para se
manter um volume de vendas satisfatório e um perfil compe-
titivo no mercado e, consequentemente, gerar um volume de
lucro substancial, a minimização de custos deve ser perseguida
e alcançada, principalmente quando se refere aos materiais
utilizados, já que eles representam parcela considerável na es-
trutura do custo global da empresa”.
Nesse ponto, e em complemento às afirmações e ideias
do autor Dias sobre a função do departamento de compras, é
também muito importante considerar que a atuação do pro-
fissional dessa área requer um cuidado todo especial em re-
lação aos valores financeiros que envolvem as negociações
Capítulo 10 Gestão de Compras III: A Administração e as... 191
comerciais dessa área. Cabe salientar, que essa área deve
ser encarada pelos profissionais que nela atual, como uma
Unidade Estratégica de Negócios (UEN) e, como tal, as suas
ações devem gerar lucro para a empresa. Também se tem que
levar em conta que o capital investido na empresa, quer por
seus acionistas ou por seus sócios, deve dar a eles o retorno
esperado. Daí, um motivo a mais (e muito importante), para
que as ações sejam voltadas para a geração de lucro. Quer
por meio da redução de custos obtidos junto aos fornecedo-
res, quer por meio de negociações exitosas, em que a relação
custo x benefício deve ser buscada sempre. Ou seja, as ações
do departamento de compras envolvem negociações, em que
o capital em jogo é o do acionista ou o do sócio da empresa,
e nunca o capital do profissional que atua na área. Daí ser
muito grande a sua responsabilidade no gerenciamento desses
recursos financeiros aplicados pelos acionistas ou sócios.
A esse respeito, os autores Martins e Campos Alt (2009, p.
81) afirmam que “a conhecida função de compras assume pa-
pel verdadeiramente estratégico nos negócios de hoje em face
do volume de recursos, principalmente financeiros, envolvidos,
deixando cada vez mais para trás a visão preconceituosa de
que era uma atividade burocrática e repetitiva, um centro de
despesas e não um centro de lucros”.
Outros aspectos que devem ser considerados na adminis-
tração de um departamento de compras, dizem respeito às
Políticas e Normas existentes e em vigência no departamento,
ao sistema de informações em que os profissionais realizam
as suas ações/transações, e a estrutura organizacional do de-
partamento. Esses três aspectos permitem que o gestor do de-
192 Gestão da Cadeia de Suprimentos
partamento possa estabelecer prioridades de ações, identificar
problemas no fluxo informacional do departamento com os
demais departamentos da empresa, ou com os seus fornece-
dores e também permite identificar os principais cargos com
atuação no departamento, assim como identificar como atu-
am os seus ocupantes. Ou seja, a partir desses aspectos, o
gestor tem a visão geral do departamento, e deve, a partir de
estudos detalhados, estabelecer os seus planos de ação para
o departamento.
Ainda, no que tange à administração do departamento de
Compras, há que se considerar os aspectos éticos que envol-
vem a atuação dos profissionais dessa área. Mas, isso será
objeto de estudo no Capítulo 30.
10.2 Objetivos de um Departamento de
Compras
Dias (2010, p. 306 – 307), apresenta os objetivos básicos
de um departamento de compras, que estão relacionados a
seguir:
a) Obter um fluxo contínuo de suprimentos, a fim de
atender aos programas de produção.
b) Coordenar esse fluxo de maneira que seja aplicado
um mínimo de investimento que não afete a operacio-
nalidade da empresa.
c) Comprar materiais e insumos aos menores preços,
obedecendo a padrões de quantidade e qualidade de-
finidas e adequadas.
Capítulo 10 Gestão de Compras III: A Administração e as... 193
d) Procurar, sempre dentro de uma negociação justa e
honrada, os melhores interesses da empresa.
Percebe-se, a partir dos objetivos propostos pelo autor
Dias, que é de suma importância as ações que visem à redu-
ção dos custos de aquisição dos materiais, considerando-se,
também, que é muito difícil, nos tempos atuais, a obtenção do
lucro a partir do aumento do preço de venda do produto. Ou
seja, em muitos casos e situações de mercado, é muito mais
eficiente a busca do lucro maior a partir da redução dos cus-
tos dos produtos, do que pelo seu maior preço de venda. Nos
casos de alguns segmentos de mercado (bens duráveis, por
exemplo), a participação dos materiais nos custos finais dos
produtos seja próximo aos 80%, acarreta cuidados redobra-
dos nas negociações com os fornecedores. Já no segmento de
bens de capital, esse percentual gira em torno de 50% a 60%,
aproximadamente. Ou seja, a redução de custos deve ser per-
seguida sempre, pelo departamento de compras.
Os autores Martins e Campos Alt (2009, p. 86) referem
o assunto salientando que “os objetivos de Compras devem
estar alinhados aos objetivos estratégicos da empresa como
um todo, visando o melhor atendimento ao cliente interno e
externo. Essa preocupação tem tornado a função compras ex-
tremamente dinâmica, utilizando-se de tecnologias cada vez
mais sofisticadas e atuais como o EDI , a Internet, cartões de
crédito e leilões”
Observação do professor: EDI é a troca eletrônica de da-
dos, sigla que, em inglês, significa Eletronic Data Interchange.
194 Gestão da Cadeia de Suprimentos
10.3 Organização do Depto. de Compras
Segundo Dias (2010, p. 230), “independentemente do por-
te da Empresa, os princípios básicos de organização consti-
tuem-se normas fundamentais para um bom desempenho do
departamento de Compras. Assim, deve-se considerar como
muito importante:
a autoridade para a compra
o registro de compras
o registro de preços
o registro de fornecedores
o arquivo e especificações
o arquivo de catálogos
os registros de estoques e consumo.
A seguir, apresenta-se um exemplo de organograma de
uma área de Compras:
Capítulo 10 Gestão de Compras III: A Administração e as... 195
Fonte: Adaptado de dias (2010, p. 232).
Como se pode perceber, nesse caso, o cargo de maior re-
levância no organograma é o de Gerente de Materiais.
Outro exemplo:
196 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Nesse exemplo, o cargo de maior relevância na área de
materiais é o de Diretor de Suprimentos. Na atualidade, em
função dos negócios globais estabelecidos por grandes em-
presas, o cargo tem sido abordado como Diretor de Logística,
englobando outras áreas que não somente as de materiais e
suprimentos, como também o gerenciamento de Centros de
Distribuição, dentre outras.
Capítulo 10 Gestão de Compras III: A Administração e as... 197
10.4 Normas e Políticas de Compras
As Normas de Compra são instrumentos valiosos para manter
a disciplina em relação aos objetivos definidos pela gestão de
compras.
A partir das normas é que se tornam viáveis a coordenação
e a integração do sistema de compras.
As normas permitem sair de um processo decisório subje-
tivo para a decisão mais científica. Devem esclarecer o que é
verdadeiro e aceito para o sistema e também o que é excluído
do sistema. Há que se determinar os limites de abrangência
e exclusão, a partir das Normas que determinam a verdade e
das normas que eliminem dúvidas.
Cada norma, para ser cumprida, devemerecer ampla dis-
cussão e debates abertos, democráticos, que permitam alcan-
çar o consenso e o comprometimento de todas as pessoas
envolvidas. Nas discussões, é bom ouvir todos os níveis hie-
rárquicos envolvidos. As contribuições mais valiosas nascem
geralmente das pessoas mais inesperadas.
Quanto mais discutida a norma, maior será a consistência
e maior força terá para atingir os objetivos propostos.
Como vantagens das Normas de Compras, podemos citar:
a) Definição de Quem Compra:
Algumas vezes, poderemos encontrar diversos “Departa-
mentos de Compras” espalhados pela Empresa, de modo que
não há controle sobre o que se está comprando. Isso gera
total descontrole de gastos, pois não há uma previsão de va-
198 Gestão da Cadeia de Suprimentos
lores a serem despendidos, e o fluxo financeiro não consegue
ser estabelecido e controlado. Além disso, é difícil localizar o
responsável pela compra, pois o Departamento Financeiro só
dispõe da Nota Fiscal ou da Duplicata a pagar. Os demais do-
cumentos necessários à organização do sistema não existem.
b) Limites de Competência:
É muito importante a definição desses limites, pois definem
quem assina e aprova determinados valores de Compras. As-
sim, não haverá concentração de valores pequenos para que
a Diretoria assine ou aprove.
A seguir, apresenta-se um exemplo de quadro que poderá
ser seguido:
Quadro Limites de Competência da Área de Compras
LIMITES EM U$ COMPETÊNCIA
(Valor total PC) P/ assinar ou
alterar o PC
P/ aprovar a compra
do PC
No Impedimento
Até 1.000 Comprador + Sup.
de Compras
Chefe do
Departamento
Ger. Adm. Financeiro
De 1.000,01
até 3.000,00
Sup. Compras +
Chefe de Compras
Ger. Adm. Financeiro Ger. Técnico + Dir.
Superintendente
Acima de
3.000,01
Chefe de Compras Ger. Adm. Financ. +
Dir. Superintendente
Ger. Técnico ou outro
Ger. ou outro Chefe
Fonte: Próprio autor
c) Definição de Responsabilidades:
Capítulo 10 Gestão de Compras III: A Administração e as... 199
Isso significa, a partir da definição dos limites, quem po-
derá aprovar e dar a última palavra na autorização de uma
compra.
Também ficará claro e estabelecido quem não está seguin-
do as determinações que foram fixadas, por ocasião das dis-
cussões na elaboração da Norma.
d) Divulgação para Toda a Empresa:
Essa divulgação é necessária para se evitar que qualquer
pessoa execute compras em nome da Empresa, podendo le-
sar a Empresa. Além disso, esclarece que o Departamento
responsável por essa atividade é somente o Departamento de
Compras.
A Norma de Compras tem como objetivo:
Definir as diretrizes, política, padronização de proce-
dimentos e estabelecer os limites de competência, no que
se refere às Compras de materiais de todos os grupos,
serviços e transportes destinados a todos os setores da
Empresa.
Também é necessário salientar que as Normas podem, e
devem, ser modificadas, toda a vez que alguma situação nova
se apresentar, ou ainda a abrangência de atuação e responsa-
bilidade do Departamento de Compras for alterada.
e) Definição dos Documentos dos Processos de Compras:
As Normas de Compras também definem quais devem ser
os documentos que fazem parte do processo de compras. É
200 Gestão da Cadeia de Suprimentos
muito importante essa definição, tendo em vista que deve ser
vista como uma garantia dos procedimentos e ações que os
profissionais da área de Compras executam. É bastante co-
mum, tanto em pequenas, médias e grandes empresas, o
processo de auditoria tanto fiscal como contábil e financeira.
E nesses processos, os registros das compras efetuadas, que
geraram créditos dos vários tipos de impostos, bem como os
pagamentos devidos aos fornecedores, serem auditados por
auditores internos, ou auditores independentes (externos), ou
ainda, em casos de empresas multinacionais, por auditores
vindos da empresa-matriz do exterior.
Além desses fatos, a legislação brasileira, exige a guarda
dos documentos dos processos comerciais pelo período de dez
anos. Portanto, há que se ter um controle e arquivamento dos
documentos dos processos de compras, para que se possa
apresentá-los, sempre que houver uma solicitação dos audito-
res, e a qualquer tempo.
Os documentos mais conhecidos/usados, na prática, pelas
empresas, encontram-se a seguir descritos:
1. Solicitação de Compras e Serviços/Requisição de
Compras e Serviços/Solicitação de Cotação
Essa é uma nomenclatura muito utilizada pelas empresas,
muito também em razão dos sistemas de informação geren-
ciais ERP’s que são adotados. (ERP = Enterprise Requirements
Planning ou Planejamento das Necessidades da Empresa). As-
sim, temos como origem das solicitações:
Capítulo 10 Gestão de Compras III: A Administração e as... 201
a) Do MRP – Sistema Integrado – Estoque (MRP = Ma-
terial Requirements Planning ou Planejamento das Ne-
cessidades de Materiais). Usado para as solicitações
de materiais produtivos.
b) Do Ponto de Pedido – Sistema Integrado – Estoque
(também é conhecido nas empresas por INV, que é a
abreviatura de Inventory = estoque). Usado para as
solicitações de materiais não produtivos.
c) Dos Demais Departamentos (Centros de Cus-
tos). Usado para: - Despesas/consumo de cada
departamento/C.C.
- Para investimento – incentivos fiscais - Devem atender ao
plano de investimentos da empresa.
d) Do Kanban (= Cartão em japonês) – originado pela
Produção.
2. Cotações/Ofertas/Propostas/Coleta de Preços
É um documento enviado pelos fornecedores que concor-
rem à venda de algum tipo de material. Sempre devem ser
identificados com timbre ou logotipo da empresa fornecedora.
Será objeto de análises comparativas das propostas de cada
fornecedor, para que seja escolhida a melhor oferta. Ou seja,
aquela que apresenta a melhor relação custo x benefício para
a empresa compradora (cliente).
3. Justificativa Técnica
É o documento emitido e assinado pela área solicitante,
em que a especificação técnica é determinante no processo,
202 Gestão da Cadeia de Suprimentos
dando suporte e justificando o motivo pelo qual o Departa-
mento de Compras efetuou a compra pelo valor mais caro. A
importância desse documento se justifica, tendo em vista que,
nos momentos em que ocorrem as auditorias, havendo a justi-
ficativa técnica, ela por si só, garante a neutralidade e o dire-
cionamento que foi executado pelo comprador; desse modo,
o isentando de possíveis hipóteses de processos fraudulentos,
em que o comprador pudesse ter obtido ganhos pessoais ao
favorecer um determinado fornecedor.
4. Pedido de Compra/Ordem de Compra/Autorização
de Fornecimento
É o documento que autoriza o fornecedor escolhido a en-
tregar e faturar o material adquirido. Representa um contra-
to comercial de compra e venda, portanto regido pelo Códi-
go Comercial brasileiro. Nele, deverão estar contidas todas
as cláusulas que foram negociadas ao longo do processo
de aquisição dos materiais. Caso o formulário utilizado para
esse documento não seja suficiente para expressar todos os
aspectos negociados, terá que ser elaborado um termo aditivo
ao documento ou, até mesmo, um contrato específico, de tal
forma que venha a espelhar todas as condições acordadas
na negociação com o fornecedor. Nesse documento, também
deverá estar explícito qual o foro que deverá dirimir as dúvidas
que vierem a existir, ou ainda escolher algum Tribunal de Me-
diação e Arbitragem para essa finalidade.
5. Documentos Complementares
São outros documentos que poderão ser anexados ao pro-
cesso de compra, e que foram utilizados para um melhor en-
Capítulo 10 Gestão de Compras III: A Administração e as... 203
tendimento do objeto, ou material, a ser adquirido. Assim, po-
derão ser desenhos técnicos, croquis, catálogos (página coma identificação e foto do material desejado) ou amostras físicas
do objeto/material desejado pelo seu solicitante.
Dessa forma, a utilização desses documentos, e a sua
guarda, é de suma importância, pois, a partir deles, é possível
ser realizada a rastreabilidade de todo o processo de compra,
nos casos em que as auditorias necessitem detalhes da aqui-
sição, ou para simples conferência do processo previsto pelas
normas de compra, com o que foi realizado no processo de
aquisição.
e) Política de Suprimentos
É um conjunto de dogmas instituído pela Alta Direção da
Empresa que irá nortear os procedimentos da Área de Supri-
mentos e para ser seguida por todos na Empresa. São lemas da
Empresa, que definem a sua atuação na Área de Suprimentos.
Geralmente, define os princípios pelos quais se baseia a
Empresa em cada uma de suas ações e relacionamentos.
Cada Empresa estabelece a sua política específica e pecu-
liar, interna para suprimentos, porém sempre tem por base o
alinhamento com Planejamento Estratégico da empresa.
Assim, uma política especial poderá dar ênfase, por exem-
plo, aos seguintes fatores:
a) Qualidade, aparência, preço, prazo de entrega.
b) Estoques baixos.
204 Gestão da Cadeia de Suprimentos
c) Comprar de dois fornecedores, no mínimo, de mate-
riais «A».
d) Não comprar mais de 20% do faturamento de um só
fornecedor, ou não comprar 20% do valor total de
compras só de um fornecedor.
e) Comprar à vista todos os itens com valor inferior a R$
50,00.
f) Comprar a prazo todas as compras de grandes valores.
g) Estabelecer reciprocidade com clientes grandes.
h) Comprar bolas de futebol feitas no Presídio, ou com-
prar brindes de fim-de-ano da Liga dos Cegos.
i) Se alguma subsidiária ou coligada fabrica algum item
da linha de produtos, efetuar todas as compras desse
item nessa coligada ou subsidiária.
10.5 A Interface entre a Logística e as Demais
Funções Administrativas
A partir das atividades desenvolvidas no fluxograma logístico,
verifica-se que há uma interface interna, contínua e permanen-
te entre os setores/departamentos que integram a Logística,
com as outras áreas/funções na empresa. Ou seja, o fluxo de
materiais, componentes, matérias-primas, produtos acabados
e também o fluxo das informações, interagindo entre si, dão a
dinâmica e formam a logística integrada.
Capítulo 10 Gestão de Compras III: A Administração e as... 205
No entanto, e a bem da verdade, todas essas interfaces
internas, por sua vez, também dependem, para a sua dinâ-
mica própria, de interfaces externas. Assim, também a Logís-
tica se integra com outros setores/departamentos fora de sua
atuação.
São setores/departamentos que também se valem das in-
formações geradas e processadas pela Logística, para forma-
rem seus relatórios gerenciais, que certamente servirão para a
tomada de decisões superiores. Ou, até mesmo, retornam à
Logística para que esta se autogerencie. São informações que
alimentarão e darão início a alguns outros sistemas de apoio
na administração.
Assim, pode-se citar a Contabilidade, a Contabilidade de
Custo, o Financeiro, a Controladoria, a Engenharia/Projetos,
o Marketing, o Laboratório/Qualidade, a Informática, o Jurídi-
co e a Fabricação/Produção.
A seguir, estão algumas das características resultantes e as
características principais dessas interfaces.
a) A Logística X A Contabilidade
Ao ser efetuado o registro de chegada dos materiais e mer-
cadorias que são necessárias ao processo produtivo, ou não
(poderão ser materiais diversos, solicitados pelos departamen-
tos, que serão contabilizados como despesas desses departa-
mentos), estaremos também efetuando o lançamento de várias
e importantes informações que alimentarão à Contabilidade.
Assim, temos:
206 Gestão da Cadeia de Suprimentos
O lançamento dos valores de impostos como o ICMS e
o IPI (créditos de impostos).
Parcela de I. R. (imposto de renda) nos casos de serviços
contratados a terceiros.
Alocação direta de valores de despesa com a compra de
qualquer material de consumo ou de equipamento de
ativo fixo, para qualquer área da Empresa.
Classificação das entradas, com base no Plano de Con-
tas da Empresa, visando à alocação correta nos respec-
tivos centros de custos.
Despesas com fretes.
Caso ocorram divergências nessas informações, a Conta-
bilidade, via relatório gerencial específico, retorna à Logística
essas divergências, para as correções e providências necessá-
rias à regularização do lançamento.
A partir dos lançamentos contábeis, cada setor da Logística
pode se autogerenciar, pois todas as despesas de cada um
desses setores são contabilizadas separadamente, permitindo,
assim, ao administrador poder acompanhar e comparar as
despesas realizadas com as despesas previstas, e efetuar as
correções necessárias.
Alguns indicadores de desempenho também podem ser
criados a partir das informações contábeis, por exemplo:
Valor bruto das compras/valor bruto das vendas.
Capítulo 10 Gestão de Compras III: A Administração e as... 207
Valor das despesas do Almoxarifado/número de requisi-
ções atendidas.
Valor das despesas do Departamento de Compras/nú-
mero de pedidos emitidos.
b) A Logística e o Departamento de Custos
É da maior importância essa interface da Logística com o
Departamento de Custos, visto que ambos se auxiliam mutu-
amente.
Os preços novos conseguidos no mercado fornecedor irão
servir de base para o custo de reposição, e uma avaliação do
nosso estoque poderá ser feita por esse critério. Também com
base nessa informação, o Departamento de Custos irá alterar
suas listas e tabelas de preços internos, visando apurar ganhos
ou perdas nos materiais.
Por outro lado o Departamento de Custos é uma fonte de
informações preciosa à Logística, principalmente nas negocia-
ções para novas aquisições ou no estabelecimento de limites
de preços para a terceirização (Comprar? Fazer? ou Terceiri-
zar?). Ou ainda, quando necessitamos de uma estrutura de
custos para o estudo de alguma redução no preço de algum
material, ou, ainda, quando estamos desenvolvendo um for-
necedor alternativo.
Com base nessas informações de custo atualizado (repo-
sição), pode-se analisar a estrutura de custos dos produtos
que compõem nossa linha de produção, e lá se verifica qual
o material que é responsável pela maior participação no custo
daqueles produtos.
208 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Isso levará ao estabelecimento de ações estratégicas, tanto
em nível de política de estoques, como política de compras e
parceria com os fornecedores, visando uma negociação para
a sua redução e o consequente ganho no custo final.
c) A Logística e o Departamento Financeiro
Essa interface é também uma das mais importantes da Lo-
gística, pois impacta diretamente no fluxo financeiro das em-
presas. Todo o fluxo de caixa tem como principal saída de
recursos os valores a serem pagos aos fornecedores (para o
fluxo financeiro, fornecedor é toda a empresa que vendeu pro-
dutos ou prestou serviços à empresa-cliente).
Assim, é de fundamental importância o elenco das seguin-
tes atividades da Logística que resultam em ações no Departa-
mento Financeiro:
a) Previsão de compras e importações.
b) Definição de prazos de pagamentos a fornecedores.
c) Definição das formas de pagamento.
d) Critérios de reajuste de preços.
e) Exatidão dos documentos que formam o processo de
compras cujas cópias devem ser remetidas ao Finan-
ceiro (ou via sistema integrado de informações).
f) Solicitação de análises de demonstrativos financeiros
e/ou balanço patrimonial para homologação de no-
vos fornecedores.
Capítulo 10 Gestão de Compras III: A Administração e as... 209
g) Consultar o Financeiro para assessoria econômica
para a realizaçãode alguma negociação importante.
Da mesma forma, há um elenco de ações do Financeiro
que impactam na Logística:
a) Pagamentos no prazo combinado pelo Departamento
de Compras.
b) Informar ao Departamento de Compras qual o proce-
dimento financeiro de algum fornecedor, se é tradicio-
nal ou especulativo.
c) Notificar ao Departamento de Compras sobre alguma
divergência de documentos de Compras X documen-
tos do fornecedor.
d) Informar as taxas de juros em vigência no mercado
a fim de municiar a Logística com dados exatos para
efetuar ótimos negócios.
e) Informar ao Departamento de Compras se a dispo-
nibilidade do caixa permite negócios à vista, para ter
ganhos financeiros com as aquisições.
Por todos esses aspectos, a Logística e o Financeiro operam
em sistema integrado, de tal forma que qualquer modificação
em Compras seja possível de ser vista no Financeiro.
d) A Logística e a Controladoria
Mais modernamente, principalmente após a abertura inter-
nacional dos mercados (globalização), as empresas passaram
a concentrar suas informações estratégicas e, mais importante
210 Gestão da Cadeia de Suprimentos
ainda, a transformar essas informações em indicadores, visan-
do à agilidade na tomada de decisão.
Como a Logística integra o elenco de estratégicas das em-
presas, logo as informações geradas pelas áreas que com-
põem a Logística também são transformadas em indicadores.
Esses indicadores, além de servirem de instrumento de ava-
liação da própria eficiência logística, também poderão orien-
tar a empresa para a tomada de decisão estratégica, ou alte-
rando e corrigindo os desvios nos rumos traçados para algum
produto ou serviço.
A Controladoria irá gerar relatórios gerenciais que nortea-
rão a empresa para os principais aspectos estratégicos e ne-
gociais dos seus produtos, a partir das informações originadas
das ações logísticas.
e) A Logística e a Engenharia de Produtos/Projetos
A importância dessa interface da Logística é percebida
quando se analisa as especificações técnicas, a codificação,
a catalogação, a normalização/padronização de materiais e
componentes.
No entanto, pode-se, também, relacionar a Logística com
o Departamento de Engenharia de Produtos/Projetos, no que
se refere ao acompanhamento de algum projeto específico.
Seja ele a construção de máquinas, construção de grandes
equipamentos, ou até mesmo projetos de montagens de insta-
lações industriais ou comerciais.
Capítulo 10 Gestão de Compras III: A Administração e as... 211
Pode-se, nesses casos, destacar algumas atividades impor-
tantes:
Auxílio no desenvolvimento de fornecedores específicos
para algum componente ou material.
Acompanhamento junto à Engenharia das fases do pro-
jeto, verificando quais os materiais ou serviços mais im-
portantes de cada etapa.
Definição do custo-objetivo do projeto.
Definir, em conjunto com a Engenharia, qual o elenco
de garantias técnica que deverão ser exigidas aos forne-
cedores.
Participar do cronograma do projeto.
Cumprir os prazos estipulados no cronograma, a fim de
garantir a conclusão do projeto no prazo previsto.
Para concluir, pode-se afirmar que a interface entre a Logís-
tica e Engenharia deve ser a mais próxima e frequente possível,
a fim de serem viabilizados os projetos estratégicos propostos
pela empresa. É um trabalho a quatro mãos, com total integra-
ção e transparência. Como exemplos clássicos dessa interface,
pode-se citar os projetos de construção civil, ou ainda grandes
projetos de usinas e instalações de unidades produtivas.
f) A Logística e o Marketing
Essa interface se caracteriza por troca de informações que
visam estratégias de médio e longo prazo.
212 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Na medida em que o Marketing define novos produtos e
novos nichos de mercado, a Logística tratará de minimizar os
custos para a colocação desses novos produtos. Novas neces-
sidades de transportes internos, áreas de estocagem específi-
ca para os novos produtos, novas instalações e equipamentos
para a movimentação de materiais, certamente serão estuda-
das e viabilizadas para que os novos produtos cumpram os
cronogramas de produção e cheguem aos novos mercados no
período previsto.
Da mesma forma, as informações geradas pela Logística
desencadearão estudos e estratégias mercadológicas visando
o aumento da participação nos mercados. Assim, podemos
destacar algumas das principais informações geradas pela Lo-
gística:
Mercados com atendimentos menos frequentes.
Rotas mais econômicas e mais rápidas para o atendi-
mento.
Clientes com maior frequência de compras.
Sugestões para modificação de produtos, a partir de no-
vos materiais surgidos no mercado.
Prazo médio de atendimento aos clientes.
Constatação de novos concorrentes.
Com base nessa troca de informações, também são to-
madas decisões estratégicas que poderão vir a incrementar a
participação da Empresa em determinados mercados.
Capítulo 10 Gestão de Compras III: A Administração e as... 213
g) A Logística e o Laboratório/Qualidade
Considera-se, aqui, os Laboratórios de pesquisas e análi-
ses de materiais, matérias-primas e produtos acabados.
Em cada fase do processo logístico, pode-se valer das in-
formações geradas pelas pesquisas e análises do Laboratório,
que irão indicar se os materiais, matérias-primas e produtos
acabados, encontram-se dentro dos padrões de qualidade exi-
gidos ou não.
Além disso, o Laboratório servirá de apoio à Logística para
os seguintes casos:
Testes e análises de materiais alternativos.
Rastreabilidade de produto (Norma ISO 9000).
Contratipos de materiais e componentes.
Estabelecimento dos padrões de qualidade dos mate-
riais, componentes e matérias-primas.
Acompanhamento do processo produtivo, averiguando
a performance dos materiais no processo.
Orientar o tipo de armazenagem para materiais espe-
ciais ou perecíveis.
Auditorias em fornecedores para acompanhar e garantir
a qualidade desejada.
Auditorias técnicas dos materiais estocados, principal-
mente quanto ao tempo de vida de cada um.
214 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Prospectar e desenvolver novos fornecedores bem como
indicar novos equipamentos para modernização dos la-
boratórios.
Portanto, essa também é uma interface importantíssima
para que o fluxo logístico não sofra interrupções e, ao mesmo
tempo, esteja atualizado.
h) A Logística e o Jurídico
A interface da Logística com a área Jurídica de uma empre-
sa, geralmente, se caracteriza pela análise de situações gera-
das pelo descumprimento de alguma cláusula contratual entre
a empresa e algum de seus fornecedores, ou transportador/
prestador de serviços. Ou seja, há um contato próximo entre
a área Jurídica com o Departamento de Compras, visando
à solução de algum conflito. A interface com a área Jurídica
também irá ajudar o Departamento de compras a elaborar, de
modo mais efetivo, os contratos de compra e venda que serão
realizados, e que terão uma longa vigência, exigindo cláusulas
muito abrangentes, em que a atuação jurídica passa a ser de
fundamental importância, para a proteção da empresa.
Os autores Martins e Campos Alt (2009, p. 87), afirmam
“que o Departamento de Compras também poderá solicitar a
emissão de pareceres sobre processos de compras”.
i) A Logística e a Informática
A inter-relação da Logística com a área de Informática é
importante na medida em que, modernamente, as empresas
se utilizam, e geram, um grande volume de informações, que
são trocadas tanto internamente como externamente (princi-
Capítulo 10 Gestão de Compras III: A Administração e as... 215
palmente com seus fornecedores), havendo a necessidade de
suporte técnico da Informática, para que o fluxo informacional
nãoseja interrompido, e que expresse fielmente, as transações
realizadas. Ou seja, permita que as informações sejam válidas
para que tomada decisões.
Os autores Martins e Campos Alt (2009, p. 87), indicam
como “entradas” (informações e ações da área da Informática
para a área da Logística) dessa interface as seguintes: “infor-
mações sobre novas tecnologias, assessoria na utilização de
EDI, e-mail, intranets, extranets, software de compra”.
Os autores também indicam como “Saídas” (informações
e documentos da área de Logística para a Informática), as se-
guintes: “informações sobre fornecedores, cópias de solicita-
ções de compras e de pedidos de compra, cópias de contratos
de fornecimento de serviços”.
j) A Logística e a Fabricação/Produção
Essa talvez seja a mais importante das interfaces da área
da Logística, pois, trata-se das informações trocadas com uma
das áreas-fim das empresas. Na verdade, a maioria das ações
da área de compras estão voltadas para atender à Produção,
em todas as suas etapas e processos. Assim, quanto mais pró-
xima for essa interface, melhor será o nível de serviço a ser
prestado pela área de Logística para a Produção.
Martins e Campos Alt (2009, p. 88) indicam como “Entra-
das” dessa interface, o que segue: “necessidades de materiais
e/ou componentes do processo produtivo, informações sobre
estoques disponíveis”.
216 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Como “Saídas”, os mesmos autores citam: “prazos de en-
trega dos pedidos, recebimentos previstos”.
Acrescente-se ainda, que a área da Produção também exi-
ge a realização de vários tipos de serviços, e a área de Com-
pras é solicitada a efetuar a seleção das melhores empresas
para cada tipo de serviço exigido pela Produção.
REFERÊNCIAS DO CAPÍTULO 10.
DIAS, Marco Aurélio P. Administração de Materiais: princípios,
conceitos e gestão. São Paulo: Atlas, 2010. Este autor
aborda com muitos detalhes as situações de compras e
suas estratégias, assim como aspectos éticos que envolvem
os negócios nesta área.
MARTINS, Petrônio Garcia; CAMPOS ALT, Paulo Renato. Ad-
ministração de Materiais e Recursos Patrimoniais. São Pau-
lo: Saraiva, 2009. Estes autores também trazem uma abor-
dagem prática e exemplos que ajudam o leitor a conhecer
mais detalhes desta importante atividade nas empresas.
EXERCÍCIOS
1. Porque a função de compras assume papel tão importan-
te no atual contexto das empresas? (Exercício extraído de
Martins e Campos Alt, 2009, p. 108, n° 1).
2. Qual a importância da função Compras diante das novas
metodologias de distribuição utilizadas nas cadeias de su-
primentos? (Exercício adaptado de Martins e Campos Alt,
2009, p. 108, n° 5).
Capítulo 10 Gestão de Compras III: A Administração e as... 217
3. Indique os fatores que devem ser considerados na análise
geral e estratégica de um departamento de compras.
4. Justifique pelo menos três vantagens de se elaborar as co-
tações de compras, indique pelo menos duas políticas de
compras que poderão ser implantadas a partir das vanta-
gens citadas.
5. Em um processo qualquer de compras, comente como um
comprador poderá justificar a aquisição de um produto/
material, pelo custo mais alto.
6. A função compra está diretamente vinculada aos objeti-
vos da empresa. Justifique e exemplifique essa afirmativa.
(Exercício extraído de Dias, 2009, p. 238, n° 2).
GABARITO
1. Porque é o departamento que tem uma grande atividade
negocial e deve ser visto como uma Unidade Estratégica
de Negócios (UEN).
2. É de suma importância o impacto das compras na cadeia
de suprimentos, tendo em vista que essa área é que deve
providenciar o abastecimento de materiais, produtos se-
miacabados e acabados, para melhorar o nível de serviço
aos clientes.
3. Deve-se analisar as políticas vigentes na área de com-
pras, analisar também o sistema de informações que está
implantado na área, e ainda, analisar a organização do
departamento de compras; isto é, verificar a posição do
218 Gestão da Cadeia de Suprimentos
departamento no organograma da empresa, e também o
organograma da área.
4. Vantagens: a) possibilidade de avaliar o preço geral do
mercado. b) a capacidade de fornecimento de cada for-
necedor. c) extrair elementos para estabelecer uma boa
negociação com os fornecedores.
Políticas: a) desenvolver novos fornecedores.
b) definir estratégias para os negócios atuais e futuros.
5. Apresentando as justificativas técnicas exigidas pelo solici-
tante do material/equipamento/instrumento, que são de-
terminantes na definição de quem comprar (definir o for-
necedor).
6. Os objetivos definidos pela Alta Administração das empre-
sas indicam, para a área de compras, o rumo que devem
ser dados aos negócios, tanto na busca por custos me-
nores, como pela manutenção e/ou melhoria da qualida-
de dos seus produtos e serviços. E esses aspectos devem
constar nas políticas do departamento de compras. Como
exemplo, pode-se indicar que o valor das compras poderá
estar limitado a percentual do valor das vendas, em um
determinado período, principalmente quando em período
de vendas baixas.
Alexandre da Silva Paim
Capítulo ?
Gestão de Compras
IV: Atividades e
Operações de Compras
e a Avaliação de
Fornecedores1
Gestão de Compras IV: Atividades
e Operações...
1 Administrador de Empresas pela UFRGS, professor assistente na Universidade
Luterana do Brasil - ULBRA
Rogério da Silva Filho1
Capítulo 11
220 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Muitas são as operações e atividades de um Departamento de
Compras. Podemos subdividi-las em diversos processos.
1 Pesquisa das Fontes de Fornecimento
A pesquisa das fontes de fornecimento é uma das funções mais
importantes, pois dela dependerá da identificação de merca-
dos supridores e seus fornecedores potenciais, os quais pode-
rão ser posteriormente cadastrados na organização.
Nessa fase, o Departamento de Compras poderá se valer
de muitas alternativas:
a) Questionários Orientados (Q.O.)
É um tipo de pesquisa pouco utilizado, pois objetiva iden-
tificar fontes de fornecimento específicas para determinados
materiais de fabricação específica, pioneira, ou sob projeto
especialmente desenvolvido.
É uma verdadeira pesquisa de mercado e, quando utiliza-
da, deve ser com razoável espaço de tempo para retorno das
informações pelos possíveis fornecedores.
O formulário de Q.O. deve informar a necessidade da Em-
presa em relação ao material e conter dentre outros pontos:
Descrição detalhada do material necessitado.
Desenhos, catálogos, fotos ou qualquer informação adi-
cional.
Quantidade estimada a ser adquirida.
Capítulo 11 Gestão de Compras IV: Atividades e Operações... 221
Aplicação ou uso do material.
Locais onde será usado.
Dados complementares como embalagem pretendida,
data prevista para o recebimento.
Solicitação da capacidade de produção do fornecedor.
Quais as matérias-primas que mais usa.
Possíveis prazos de fabricação do fornecedor.
Custos estimativos do fornecedor.
Após, recebidos todos os questionários remetidos, deve-se
tabular os dados disponíveis e teremos a indicação das possi-
bilidades do mercado em relação ao material pretendido.
b) Guias, Catálogos e Publicações
São fartamente disseminados em qualquer país do mundo.
Estão cada vez mais presentes nas mesas dos compradores.
Para os compradores, a distribuição desse material costu-
ma ser gratuita, visto ser do interesse dos fabricantes que esse
público seja o alvo a ser atingido.
Normalmente, trazem cupons para consultas sobre os pro-
dutos apresentados, a fim de que o comprador receba, tam-
bém sem ônus, maiores informações, visitas técnicas e até
amostras. Esses cupons constituem um cartão de resposta co-
mercial, para postagem direta nos correios,sem necessidade
de selar, pois o selo será pago pelo fabricante (anunciante).
c) Catálogos dos Fornecedores
222 Gestão da Cadeia de Suprimentos
São utilizados com grande frequência nas compras, servin-
do como esclarecimento adicional sobre o produto encomen-
dado. Como exemplos, pode-se citar os catálogos de veículos,
catálogos de equipamentos, catálogo de mobiliário, catálogos
de componentes elétricos/eletrônicos, catálogos telefônicos
(abordando o mercado local).
d) Órgãos Classistas
Essas organizações, congregando determinados fabrican-
tes de mercados específicos, podem prestar significativa ajuda
na seleção de fontes de fornecimento. Como exemplo, pode-
-se citar: FIERGS/FIESP/ABINEE/ SINDIMAQ/CNI/SEBRAE.
e) Visitas Técnicas
Muitas vezes, como atividade tradicional do profissional de
Compras, este necessita efetuar verificações mais aproximadas
nos fornecedores. São as visitas técnicas. Por meio dessas vi-
sitas, a pesquisa de fontes de fornecimento torna-se muito di-
nâmica e pode resultar em importantes observações. As visitas
técnicas devem ser programadas com antecedência, a fim de
que o fabricante possa estar disponível com toda a sua equipe
para prestar todas as informações necessárias.
f) Cadastro de Fornecedores
Constitui-se em uma fonte ordenada e já classificada que
temos no Departamento de Compras. É uma ferramenta com
informações disponíveis rapidamente, porém deverão estar
sempre atualizadas, para efeito de confiabilidade para os usu-
ários. Mais adiante, teremos mais detalhes sobre Cadastro.
Capítulo 11 Gestão de Compras IV: Atividades e Operações... 223
2 O Processo de Aquisição
O processo de aquisição envolve a utilização dos vários docu-
mentos que o compõe, para que, posteriormente, se possam
elaborar relatórios de avaliação que permitam o acompanha-
mento do desempenho, da eficácia e de outros indicadores do
Departamento de Compras. A seguir, estão detalhados os do-
cumentos que fazem parte do processo de aquisição. Sempre
lembrando que esses documentos são de suma importância
para a transparência dos processos, quer junto ao gestor da
área, quer quando solicitados por auditorias.
a) Solicitação de Compra (SC) ou Requisição de Com-
pras (RC):
É um documento que autoriza o comprador a executar a
compra de algum material. O processo de Compras inicia
com a solicitação feita por algum setor/departamento, sobre
um determinado material/equipamento ou serviço.
Evidentemente, a Norma de Compras já estabeleceu quem
está apto a assinar/aprovar a emissão da SC/RC, por isso, o
Departamento de Compras tem a autorização para a efetiva-
ção da Compra.
Cabe salientar que poderá haver outras denominações
para esse documento. Aqui, está sendo utilizada a que mais
usualmente as empresas empregam.
Essa SC/RC pode-se destinar a:
224 Gestão da Cadeia de Suprimentos
a.1 - Materiais Produtivos: é emitida geralmente pelo
Planejamento de Materiais e visa atender ao Plano Mestre de
Produção. Após “rodar” o MRP.
a.2 - Materiais Não produtivos: também poderá ser emi-
tida pelo Planejamento de Materiais, porém tem origem não
no Plano Mestre de Produção, mas sim na demanda indepen-
dente (consumo de materiais indiretos). Também poderá ser
emitida pelo Almoxarifado, quando a ele for designada essa
responsabilidade.
a.3 - Materiais para Projetos/Testes: compreendem os
itens que serão usados para atender aos desenvolvimentos de
novos produtos e tem uma característica básica que é o curto
prazo para sua compra. Geralmente, são solicitados pelo De-
partamento de Engenharia de Produto/Projetos.
a.4 - Materiais Gerais para Empresa: as SC’s/RC’s irão
ser emitidas pelos diversos setores da Empresa (centros de cus-
tos reconhecidos pela Contabilidade), a fim de atender às suas
necessidades de consumo ou de investimento.
a.5 - Solicitação de Serviço de Terceiros: obras em ge-
ral, ou alguma atividade produtiva que se queira agilizar, sen-
do contratadas empresas de reconhecida técnica e experiência
para a realização desses trabalhos.
b) Coleta de Preços:
A coleta de preços, ou cotação de preços, ou orçamento
de proposta de fornecimento, é o documento que o fornecedor
envia ao Departamento de Compras para avaliação das suas
Capítulo 11 Gestão de Compras IV: Atividades e Operações... 225
condições comerciais, para um determinado fornecimento de
material ou serviço. Nela, deverá constar:
Preço unitário.
Prazo de entrega.
Impostos incidentes (ICMS/IPI) com a indicação das alí-
quotas.
Frete: Cif/Fob/Fot/ Ex-Works/Fca.
Índices de reajuste, se for o caso.
Quantidades mínimas/Valores Mínimos de Faturamen-
to, se for o caso.
Validade da proposta.
Custo de embalagem, se for o caso.
Prazo de pagamento.
Taxa de juros para pagamentos a prazo.
Geralmente, para o caso de materiais produtivos, as cole-
tas/cotações de preços são encaminhadas aos fornecedores
homologados e somente a estes, conforme determina a Nor-
ma de Compras.
A coleta de preços é um importante documento, e deve
ficar anexa ao Pedido/Ordem de Compra, para uma possível
inspeção pela Auditoria Interna ou Externa.
As Requisições de Compras (RC)/Solicitações de Compras
(SC), que se destinam aos materiais produtivos, também po-
226 Gestão da Cadeia de Suprimentos
derão conter informações complementares, que irão ajudar
o comprador em suas futuras compras. Por exemplo, últimas
compras, últimos fornecedores, últimos preços obtidos e quan-
tidades compradas, descontos obtidos, dentre outras.
São informações valiosas para que o comprador possa
confrontar a compra atual com as últimas compras e, a partir
daí, estabelecer a suas estratégias de negociação.
c) Escolha da Melhor Oferta:
Após as coletas/cotações recebidas, o comprador irá tabu-
lar todos esses dados e fará a análise de valor. O comprador
deverá efetuar todos os cálculos para definir o menor custo da
compra, visando obter a melhor relação custo x benefício.
Evidentemente, não é só preço que será analisado, nem só
o melhor prazo de entrega, ou a forma de reajuste mais favo-
rável. Antes disso tudo, e se ainda houver uma recomendação
da Área Técnica, indicando os melhores fornecedores em nível
de qualidade, serão analisadas as possibilidades de cada for-
necedor, quanto ao atendimento das especificações técnicas
requeridas. Após esse fator determinante ser analisado, e se
houver mais de um, nessas condições, pode-se estabelecer as
prioridades de negociação comercial. Definidas a tática e a
estratégia de negociação, o comprador estará apto a escolher
de qual o fornecedor comprar.
Mesmo que se tenha somente um fornecedor (monopólio),
ainda assim devem-se estabelecer condições de negociação.
d) Pedido de Compra/Ordem de Compra/Autorização
de Fornecimento:
Capítulo 11 Gestão de Compras IV: Atividades e Operações... 227
Todas essas nomenclaturas identificarão sempre a formali-
zação dos materiais comprados. É um contrato formal e deve
expressar fielmente as condições que foram analisadas e ne-
gociadas. O comprador é o responsável pelas condições e
características de compra. O fornecedor deve estar ciente de
todas as cláusulas e pré-requisitos constantes no formulário do
Pedido de Compra, dos procedimentos para a entrega e rece-
bimento das mercadorias constantes no Pedido de Compra, e
ainda do tipo de controle e exigências de Nível de Qualidade
Aceitável (NQA) usados pela empresa-cliente.
Todas as alterações que ocorrerem durante o período em
que abrange as entregas também deverão ser discutidas e ne-
gociadas, podendo ser gerados aditivos aos Pedidos de Com-
pra. Cumpre salientar que SEMPRE ESSES ADITIVOS DEVEM
SER FEITOS POR ESCRITO e devem também fazer parte do
processo de compra, visando análise futura da Auditoria.
O Pedido de Compradeve alertar o fornecedor para a pro-
priedade de desenhos, croquis e marcas exclusivas, bem como
todas as condições gerais de fornecimento, que podem ter, em
certos litígios, implicações legais.
Atualmente, com os meios utilizados pela tecnologia da
informação, os Pedidos de Compra dispensam o uso de pro-
tocolo de recebimento, pois o próprio documento que foi en-
viado pela tecnologia da informação, pode definir o número
de comunicação, bem como hora, definindo assim o momento
exato em que foi transmitido ao fornecedor.
Um bom Pedido de Compra, além de ter no seu verso as
Condições Gerais de Fornecimento, deverá conter:
228 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Razão Social, CNPJ, endereço completo, inscrição esta-
dual e telefone do fornecedor.
Indicação do número de registro das cotações que ori-
ginaram as condições comerciais apresentadas pelo for-
necedor (preço, prazos, impostos, tipo de frete etc.).
Nome da pessoa que representou o fornecedor no pro-
cesso de negociação (contato).
Quantidade adquirida.
Descrição dos materiais, incluindo algum Part Number
que indique o fornecedor.
Preço unitário negociado.
Impostos incidentes (ICMS/IPI) e suas alíquotas.
Condições de pagamento e indicação das taxas de juros
quando o pagamento for a prazo.
Índice de correção de preços, quando for o caso.
Centro de custo e número da SC/RC que deu origem ao
Pedido de Compra.
Indicação da Transportadora e o tipo de frete (CIF ou
FOB).
Alguma informação importante e determinante do pro-
cesso poderá ser indicado no campo «observações» do
Pedido de Compra.
Capítulo 11 Gestão de Compras IV: Atividades e Operações... 229
Número do Pedido de Compra, seguindo uma ordem
sequencial, geralmente gerada pelo sistema de informa-
ção adotado pela empresa.
Todas essas informações serão utilizadas em relatórios in-
ternos de acompanhamento dos pedidos e servirão também
para que se possa posicionar o usuário sobre o andamento de
sua Solicitação de Compra.
Os Pedidos de Compra, após emitidos, seguirão à rotina
de assinaturas para sua aprovação, conforme os limites de
responsabilidades previstos na Norma de Compras.
e) Confirmação de Pedidos:
Os Pedidos de Compra, tão logo sejam aprovados, deve-
rão ser confirmados aos fornecedores. As confirmações pode-
rão ser verbais (via telefone) com a informação do número do
Pedido de Compra, com posterior envio por correio, ou mais
modernamente por e-mail, extranet, Internet, onde todo o Pe-
dido é transmitido.
f) Acompanhamento do Pedido de Compra (FOLLOW-
-UP):
Todos os Pedidos de Compra emitidos ficam automatica-
mente registrados no sistema integrado, e permitem a emissão
de Relatórios de Acompanhamento.
Esses Relatórios poderão ser priorizados das seguintes ma-
neiras:
f.1 - Por Fornecedor: indicarão todos os Pedidos de Com-
pras de algum fornecedor, que estão em atraso, por ordem de
230 Gestão da Cadeia de Suprimentos
data de vencimento, indicando também os materiais e quanti-
dades adquiridas.
f.2 - Por Material: indicarão todos os materiais em atraso,
por ordem de data de vencimento e ordem de código, além
de indicar o seu fornecedor e o Pedido de Compra correspon-
dentes.
f.3 - Por Data de Vencimento: indicarão a data de venci-
mento, em ordem cronológica, de todos os Pedidos de Com-
pra em atraso. Indicarão também, os fornecedores, e as quan-
tidades adquiridas.
f.4 - Por Pedido de Compra: indicarão em ordem cres-
cente numérica, todos os Pedidos de Compra que estão em
atraso. Também constarão as quantidades, datas de venci-
mento, fornecedores e materiais adquiridos.
Assim, a atividade de acompanhamento dos Pedidos de
Compras, tem por objetivo fazer com que determinado for-
necedor, cumpra o prazo de entrega que foi estabelecido na
negociação e que fez parte do Pedido de Compra. É uma ati-
vidade das mais importantes, pois de nada adianta apenas se-
rem confirmados os Pedidos de Compra sem se verificar todo
o seu desenvolvimento junto ao fornecedor, para se saber das
dificuldades que ele terá ou não, para atendê-los.
É, portanto, de fundamental importância esse acompanha-
mento, pois dele pode depender o sucesso ou não do supri-
mento à Produção, podendo ser evitadas as paralisações por
faltas de materiais.
Capítulo 11 Gestão de Compras IV: Atividades e Operações... 231
O Departamento de Compras deve manter sempre atua-
lizados todos os registros dos Pedidos de Compras, mesmo
quando acontecerem alterações nas condições negociadas,
sejam elas quais forem, principalmente as que interferirem nas
datas de entrega.
Todos os relatórios já mencionados acima devem ser usa-
dos como ferramentas eficazes, para prevenir possíveis desvios
e, com isso, fazer com que o suprimento se antecipe ao futuro
problema.
g) Divergência de Compras/Devoluções de Compras
A abordagem desse tema visa identificar os principais mo-
tivos de divergências que ocorrem no momento em que o ma-
terial é recebido na empresa.
A seguir, estão citados alguns exemplos:
g.1 - Divergências de Preço: são aquelas encontradas
quando se confronta o preço unitário que está indicado no
Pedido de Compras, e o preço que consta na Nota Fiscal de
faturamento. Algumas vezes, o cálculo do reajuste aplicado
pelo fornecedor não confere com a fórmula negociada, geran-
do a diferença de preço verificada. Também poderá acontecer
que, no caso de uma compra com pagamento a prazo, não
constar no Pedido de Compra, o percentual da taxa de juros
a ser aplicada, na ocasião do faturamento, para o prazo de
pagamento acertado.
g.2 - Divergência de Quantidade: essa divergência é a ve-
rificada quando da conferência física do material. Notamos,
232 Gestão da Cadeia de Suprimentos
nesse momento, que a quantidade fornecida poderá apresen-
tar as seguintes diferenças:
Maior que a tolerância permitida: se aceitamos uma va-
riação de + - 10%, qualquer quantidade acima desse li-
mite será objeto de divergência. E deverá ser negociada
com o fornecedor ou a sua devolução, ou um desconto
a ser concedido.
Se, porém, a quantidade for abaixo do limite estabeleci-
do no Pedido de compra, deve-se contatar o fornecedor
para certificarmos de que ele irá entregar o saldo res-
tante, ou não.
Caso confirme que não irá entregar o restante do lote,
deve-se registrar na avaliação do fornecedor, como ponto ne-
gativo, e procedermos de imediato uma nova compra (de pre-
ferência com outro fornecedor) para continuar o atendimento
à Solicitação de Compra feita pelo Planejamento de Materiais.
g.3 - Divergência de Prazo de Pagamento (Condições de
Pagamento)
É verificada quando a condição de pagamento do forneci-
mento não confere com a condição de pagamento negociada.
Por exemplo: na fatura, consta 30 dd (dias da data do fatura-
mento) e no Pedido de Compra 30 dfq (dias fora a quinzena
do faturamento). Deve-se negociar com o fornecedor a corre-
ção do prazo de pagamento, quer por carta de correção fiscal
(Contábil), quer por prorrogação na data de vencimento da
duplicata (também documentada).
Capítulo 11 Gestão de Compras IV: Atividades e Operações... 233
Essas correções devem ser documentadas, pois fazem parte
do processo do Sistema Financeiro e também do Sistema Con-
tábil, portanto, serão registradas na Contabilidade.
g.4 - Divergências de Impostos (IC e IPI)
O comprador eficiente deve sempre estar atento aos im-
postos incidentes nos materiais que está adquirindo. Sempre
que estiver em dúvida, deverá buscar recursos de informações
junto à Contabilidade, para que possa negociar e convencer
o fornecedor de que determinada aplicação de impostos não
está correta, devendo ser corrigida.
Geralmente, essas divergências estão ligadas às alíquotas
que são praticadas erroneamente, isso porque o fornecedornão soube classificar bem o material, segundo o Regulamento
do IPI ou do ICMS, ou não fez a atualização necessária em seu
sistema de informação.
g.5 - Divergências de Especificações Técnicas
Esse tipo de divergência é o verificado na inspeção de re-
cebimento do material, ou até mesmo nos testes práticos, em
que algumas características dos materiais podem ser mais efe-
tivamente avaliadas.
O Controle de Qualidade deverá emitir um Laudo de Re-
jeição, justificando ali todos os motivos técnicos que estão em
desacordo com as especificações – padrão do material.
O Departamento de Compras deverá proceder à devolu-
ção desses materiais, anexando à Nota Fiscal de devolução,
o Laudo Técnico de Rejeição que foi emitido pelo Controle de
Qualidade.
234 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Estes são, em linhas gerais, os principais motivos de di-
vergências que ocorrem nos fornecimentos. A eficácia do
Departamento de Compras é medida também, pelo número
de ocorrências de divergências. Quanto maior esse número,
temos a indicação que o processo de negociação e interfa-
ce com o fornecedor, não está em perfeita sintonia. Não está
havendo, assim, um conhecimento mútuo, bem estreito entre
fornecedor e cliente.
O Departamento de Compras deverá, cada vez mais, bus-
car o aperfeiçoamento dessa relação, visando a um serviço
mais eficiente com o objetivo de suprir bem a Produção.
h) Fretes
Essa é uma atividade muito importante no processo de
Compras, pois é um custo significativo de material, que é im-
putado também ao estoque, na medida em que faz parte da
composição do custo total do material.
O comprador deverá sempre negociar fretes considerando
os volumes que pode oferecer às transportadoras, bem como
o valor de sua mercadoria. A conjugação desses dois fatores
determina um percentual aproximado de 90% do valor do cus-
to do frete.
As negociações de frete sempre devem envolver as trans-
portadoras mais bem qualificadas e equipadas, com frota de
caminhões em perfeito estado, e com mecanismos de apoio
Logístico que ofereçam ao Comprador a garantia do melhor
transporte. Ou seja, menor custo por tonelada (ou cubagem),
menor tempo de entrega e melhor atendimento.
Capítulo 11 Gestão de Compras IV: Atividades e Operações... 235
Algumas das siglas mais usadas, tanto em fretes nacionais
como internacionais (Incoterms – International Comercial Ter-
ms) são as seguintes:
h.1 - FOB (Free on Board): Livre na Plataforma:
Significa que se deve providenciar uma Transportadora
para retirarmos a mercadoria. Isso significa, portanto, que o
frete é de responsabilidade do comprador, e o seu custo será
contabilizado como custo de material.
h.2 - FOT (Free on Truck): Livre no Caminhão:
É muito usado no transporte marítimo, pois a carga des-
carregada do navio é colocada no caminhão. A partir daí, a
responsabilidade pelo frete passa a ser do comprador, sendo
também contabilizada como custo de material.
h.3 - CIF (Cost, Insurance and Freight):
Custo, seguro e frete significa que o fornecedor é o respon-
sável pela contratação do frete. Nesse caso, não há contabili-
zação do custo do frete como custo de material. Na verdade,
esse custo já está embutido no preço do material.
h.4- Ex-Works: significa que o frete é por conta do com-
prador, desde a produção do fornecedor até o caminhão. Será
contabilizado como custo de material.
h.5 - FCA: Free Carrier: é usado nos fretes aéreos. Frete
livre, isto é, por conta do fornecedor.
i) Arquivamento de Compras
236 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Os arquivos do Departamento de Compras deverão con-
templar todos os fornecedores, transportadores e prestadores
de serviço, de modo que em suas pastas constem todos os Pe-
didos de Compras, com seus documentos de processo (RC’s,
cotações, Pedidos de Compras, e outros documentos), bem
como todas as correspondências remetidas e recebidas do for-
necedor.
A ordem dos arquivos deve ser alfabética em cada gave-
ta. Caso algum determinado fornecedor tenha um volume de
pedidos e correspondências muito grande, devem-se ter mais
pastas no arquivo, para este fornecedor, porém numeradas em
ordem crescente (1... 2... 3... 4...).
3 Classificação das Compras
Conforme a importância, a complexidade e aplicação dos
materiais, pode-se estabelecer a classificação das Compras.
Assim, teremos:
3.1 Quanto à Importância dos Materiais, as
Compras poderão ser:
a) Especulativas:
Chama-se especulativa a compra feita em quantidades
maiores do que normalmente são consumidas pela Empresa,
dentro de um período razoável, e feita com a dupla finalidade:
- assegurar o suprimento futuro para o trabalho diário da
Empresa;
Capítulo 11 Gestão de Compras IV: Atividades e Operações... 237
- obter um lucro no caso de revenda.
O comprador deverá obter autorização especial, ou orien-
tação específica, para poder realizar essa compra.
b) Estratégicas:
São compras que também são feitas em lotes maiores que
o normal de consumo, porém podem ser executadas sem a
condição de possível revenda ao mercado.
Em determinados momentos, em que a escassez é iminen-
te, lotes de compras especiais são autorizadas a serem com-
pradas para prevenir essa escassez, de um item estratégico, e
assim não deixarmos a Produção ficar sem abastecimento.
Um exemplo do item estratégico é o papel para a Indústria
gráfica ou para os jornais. Ou ainda, a folha de flandres para
a indústria de latas, ou o aço para a indústria automobilística.
c) Econômicas:
São as compras para as quais se deve observar a melhor
relação custo x benefício, de modo que há a necessidade de
cálculos matemáticos para a sua definição, visando a escolha
da proposta de menor custo. Para essas compras, é necessá-
rio considerar, além dos dados da proposta do fornecedor,
também a incidência dos impostos, em função da origem das
compras, além de outros dados que poderão compor a pro-
posta, como custo da embalagem, lotes mínimos de forneci-
mento, valores mínimos de faturamento, se for o caso.
238 Gestão da Cadeia de Suprimentos
3.2 Quanto à Complexidade, as Compras
podem ser:
a) Simples:
São aquelas em que a especificação do material é familiar
ao comprador, o seu mercado é de fornecedores tradicionais,
e o seu custo final é de fácil cálculo (sem ajuda da matemática
financeira avançada).
b) Complexas:
São aquelas em que os materiais são de alta tecnologia,
o material é escasso e sujeito a regulamentações especiais,
o custo total calculado não é suficiente para a definição da
Compra e, ainda, o Pedido de Compras não é adequado para
expressar claramente a negociação, sendo necessário a elabo-
ração de um contrato para complementar o Pedido.
Essas Compras geralmente necessitam ser feitas com cal-
culadoras financeiras e não com calculadoras simples.
3.3 Quanto à Aplicação dos Materiais, as
Compras podem ser:
a) Produtivas:
São aquelas cujos materiais compõem os produtos finais.
São os materiais diretos (matérias-primas e componentes).
b) Não Produtivas:
São aquelas cujos materiais devem ser adquiridos para o
atendimento geral da empresa, ou ainda destinadas ao pro-
Capítulo 11 Gestão de Compras IV: Atividades e Operações... 239
cesso produtivo (custo indireto de materiais), pois não fazem
parte do produto.
c) Técnicas:
São aquelas realizadas para atender a algum desenho
específico de material, desenvolvido especialmente para um
produto da empresa. Essas compras exigem do comprador um
grau de qualificação maior, pois terá que interpretar o dese-
nho e dirimir algum detalhe técnico, se for o caso.
d) Projetos/Protótipos:
São as compras destinadas a atender os desenvolvimentos
que estão sendo elaborados pelo Departamento de Engenha-
ria de Produto/Projetos. Há protótipos para serem montados
enecessitam de materiais para a sua montagem e conclusão.
Se nas compras rotineiras há prazos médios suficientes para
a elaboração de uma negociação, nas compras para projetos
e protótipos não há esses prazos, e o prazo ótimo passa a ser
o oportuno.
4. Eficácia das Compras
Existem três fatores que condicionaram a Eficácia de Compras:
a) Previsão Adequada dos Estoques
Esse estudo prevê, como já vimos no capítulo da Gestão
de Estoques, a utilização da classificação ABC, dos prazos de
reposição, ponto de pedidos e níveis de estoque planejados.
240 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Ou seja, poderemos trabalhar em Compras, com uma
base bastante sólida de informações, que nos ajudarão a deci-
dir pela melhor opção de compra. Será um indicador decisivo
para nos orientar em busca, sempre, dos melhores negócios.
b) A Prática Sistemática da Análise de Valor
Essa variável é de importância fundamental, pois nos traz
a necessidade de sempre compararmos a utilidade e o custo
do material a ser adquirido para avaliarmos os seus valores e
os possíveis desvios que encontraremos. Significa a compara-
ção custo x benefício, que o material a ser comprado irá nos
proporcionar.
c) Prática Sistemática da Negociação: já abordada de-
talhadamente no Capítulo 9.
5 Cadastro, Seleção e Avaliação de
Fornecedores
51 - Cadastro
Compreende os métodos e rotinas para manter uma ava-
liação permanente dos fornecedores consultados e dos forne-
cedores potenciais.
Para os fornecedores potenciais, deve ser prevista uma
atuação conjunta da Engenharia e do órgão de Material,
com visitas às instalações das quais resultará uma avaliação
financeira e operacional do fornecedor em potencial. Nessas
visitas, se dá uma grande atenção à análise da tecnologia em
Capítulo 11 Gestão de Compras IV: Atividades e Operações... 241
processo, do produto, do controle de qualidade e do Plane-
jamento Geral.
Para os fornecedores ativos, o cadastro propicia condições
para avaliação permanente, destacando-se dentre os diversos
índices de avaliação possíveis, os seguintes, indicados pelo
autor Dias (2010).
Na prática, cada empresa irá estabelecer os seus indica-
dores de controle e avaliação de fornecedores que melhor se
aplique ao seu segmento de negócio. Cabe ressaltar aqui que
um dos segmentos em que há vários indicadores de desempe-
nho para avaliar fornecedores é o automobilístico, pois toda
a cadeia de suprimentos desse segmento segue as exigências
estabelecidas pelas grandes montadoras de veículos.
a) Índice de Capacidade de Fornecimento (ICF)
É o índice obtido pela divisão do número de itens respon-
didos com cotação de preço (NR), pelo número de itens con-
sultados (NCot).
Por meio do ICF, pode-se aferir a existência real de esto-
que no fornecedor consultado. Quanto maior for esse índice,
melhor se caracteriza a classificação cadastral. Quando esse
índice é baixo, duas situações poderão ocorrer:
- O fornecedor não dispõe de estoque.
242 Gestão da Cadeia de Suprimentos
- O fornecedor está mal enquadrado na classe.
b) Índice de Competitividade de Preços (ICP)
É obtido dividindo-se um número de itens efetivamente
comprados (NC) pelo número de itens respondidos com cota-
ção de preços (NR).
Quanto maior esse índice, mais se revela a competitividade
de preço do fornecedor. Se esse índice for muito pequeno, re-
vela baixa competitividade, devendo servir para balizar futuras
consultas, bem como merecer entendimento específico com o
fornecedor, visando melhorar a sua política de preços.
c) Índice de Pontualidade de Entrega (IPE)
É formado pela divisão do número de itens entregues com
atraso (IA), pelo número de itens entregues (IE):
Com esse índice, pode-se manter ou eliminar o fornecedor
do cadastro. O índice poderá ser aprimorado, dividindo-se a
faixa de atraso em períodos, por exemplo: 30 dias, de 30 a 60
dias, de 60 a 90 dias, e mais de 90 dias.
Capítulo 11 Gestão de Compras IV: Atividades e Operações... 243
d) Índice de Qualidade de Entrega (IQE)
É formado pela divisão do número de itens rejeitados (IR)
pelo total de itens entregues (IE).
Com esse item, têm-se uma medida da qualidade do for-
necimento. Dependendo da característica do material para a
operação, esse índice poderá determinar a automática elimi-
nação do fornecedor. A maior ou menor tolerância se dará
em função da importância do material para o suprimento da
organização.
Os autores Martins e Laugeni (2006, p. 294 – 296) afir-
mam que “vários são os critérios utilizados pelas empresas
para avaliarem seus fornecedores. De um modo geral, são
avaliados os seguintes aspectos: custo, qualidade, pontualida-
de, inovação, flexibilidade, produtividade, instalações capaci-
tação administrativa/financeira”.
Os autores (2006, p. 295) citam “um modelo de avaliação
de fornecedores, porém cabe salientar que existem outros mo-
delos utilizados com o mesmo objetivo”.
A seguir, apresenta-se as etapas de um modelo elaborado/
adaptado, a partir dos modelos apresentados por Martins e
Laugeni, e também por Dias (2010):
244 Gestão da Cadeia de Suprimentos
a) Define-se os aspectos a ser avaliados, por exemplo,
Capacidade de fornecimento, competitividade de pre-
ços, pontualidade e qualidade.
b) Verificar/levantar os dados fornecidos pelas cotações
de um fornecedor qualquer, identificando-se, assim: o
número de itens solicitados para cotação, o número
de itens respondidos, o número de itens efetivamente
comprados, o número de itens que foram entregues
em atraso e o número de itens que foram entregues
com defeitos (ou rejeitados pela Qualidade).
c) Utilizar as fórmulas apresentadas pelo autor Dias, que
estão nas páginas anteriormente citadas (ICF, ICP, IPE
e IQE). Serão obtidos os percentuais de cada aspecto
que se quer avaliar.
A partir desse ponto, é necessário atribuir pesos a cada um
dos aspectos, estabelecendo a importância que a empresa dá
a cada um deles (modelo de Martins e Laugeni). São os cha-
mados Fatores de Importância. Exemplo: ICF = 25%; ICP =
30%; IPE = 20% e IQE = 25%
(a soma dos Fatores de Importância deve ser igual a 100%).
d) Multiplicar os percentuais calculados na letra c) des-
se modelo, para cada aspecto, pelos Fatores de Im-
portância respectivos que foram definidos para cada
aspecto. Irá se obter assim, um total de pontos para
cada aspecto (modelo de Martins e Laugeni). O que,
na prática, é a ponderação de cada aspecto avaliado.
Capítulo 11 Gestão de Compras IV: Atividades e Operações... 245
e) Nesse ponto, deve-se elaborar um quadro de avalia-
ção, que deve conter os graus de avaliação de acordo
com a pontuação definida pela empresa. Estabelecen-
do, assim, níveis de aceitação para os fornecedores.
Por exemplo:
Grau de Avaliação Pontuação
Ótimo 90,1 - 110
Muito bom 80,1 - 90
Bom 70,1 - 80
Regular 50,1 - 70
Péssimo < ou = 50
f) Após o cálculo da pontuação de cada aspecto, deve-
-se somar todos os pontos e comparar com a tabela
elaborada. Se, por exemplo, a soma total de um forne-
cedor for 75, ele será avaliado como “Bom”. Se hou-
ver outro fornecedor que tenha participado da concor-
rência e apresente um resultado com pontuação 85,
será avaliado como “Muito Bom”. E assim, realiza-se
o cálculo para rodos os participantes da concorrência
e se apura o melhor fornecedor. Ou seja, define-se
o fornecedor com quem será iniciado o processo ne-
gocial, bem como uma pauta de assuntos que serão
objeto de negociação.
O cadastro de fornecedores determina a forma de conciliar
a disponibilidade de mercado com a demanda da organiza-
ção, com a melhor adequação de preço, prazo, qualidade e
atendimento.
246 Gestão da Cadeia de Suprimentos
REFERÊNCIAS DO CAPÍTULO 11
BARBIERI, José Carlos: MACHLINE, Claude. Logística Hospita-
lar: teoriae prática. São Paulo: Saraiva. 2009. Estes autores
apresentam aspectos de compras no segmento hospitalar.
BERTAGLIA, Paulo Roberto. Logística e Gerenciamento da Ca-
deia de Abastecimento. São Paulo: Saraiva. 2003. Tam-
bém aborda aspectos do planejamento de suprimentos,
possibilitando uma visão estratégica do departamento de
compras e suprimentos em geral.
DIAS, Marco Aurélio P. Administração de Materiais: princípios,
conceitos e gestão. São Paulo: Atlas, 2010. Este autor
aborda os aspectos estratégicos e operacionais da área,
trazendo exemplos que tornam o conteúdo de mais fácil
estudo.
MARTINS, Petrônio Garcia; CAMPOS ALT, Paulo Renato. Ad-
ministração de Materiais e Recursos Patrimoniais. São Pau-
lo: Saraiva, 2009. Estes autores abordam a gestão de com-
pras e as novas formas de comprar, além de apresentarem
algumas estratégias de aquisição.
MARTINS, Petrônio G. : LAUGENI, Fernando P. – Administração
da Produção.
2ª ed. São Paulo: Saraiva, 2006.
Estes autores abordam a estratégia de compras em uma vi-
são de parceria. E apresentam o conceito de comakership, que
é uma estratégia muito adotada por empresas americanas.
Capítulo 11 Gestão de Compras IV: Atividades e Operações... 247
EXERCÍCIOS
1. Comente qual é a importância do ICF na avaliação de um
fornecedor.
2. Justifique a necessidade de serem estabelecidas Normas
para que a atuação do Departamento de Compras seja
bem-sucedida.
3. Explique a diferença entre uma compra especulativa e uma
compra estratégica.
4. Comente os três fatores mais importantes que devem ser
considerados quando da análise geral e estratégica de um
Departamento de Compras.
5. Determine a melhor oferta, com base nos dados abaixo:
Forn. A Forn. B Forn. C
Preço Unitário R$1,15 R$1,10 R$1,20
Taxa de Juros 1,3% a.m. 1,5% a.m. 1,3% a.m.
Prazo de Entrega 30 dias 20 dias 15 dias
Prazo de Pagto. 21DD 14 DD 30 DD
Custo do Frete 3% s/NF R$0,15/pç. -
Tipo do Frete FOB FOB CIF
Origem da N. Fiscal RS SP RS
OBSERVAÇÕES:
a) Lote a ser adquirido = 1300 peças.
b) ICMS no RS = 17%, a ser creditado pela Contabili-
dade Fiscal e de Outros Estados = 12% também a
248 Gestão da Cadeia de Suprimentos
ser creditado pela Contabilidade Fiscal (deduzir nos
cálculos).
c) Usar o critério de juros simples para o cálculo da taxa
de juros real.
d) Para a resolução do exercício, seguir as etapas do mo-
delo elaborado nas págs. 19 e 20.
e) Calcule o ICF, ICP, IPE e IQE sabendo que o fornece-
dor vencedor respondeu 20 itens de um total de 25
solicitados. Sabe-se que foi vencedor em 18 itens, en-
tregou todos os itens, porém entregou 3 com atraso e
teve 5 itens refugados.
f) Classifique o fornecedor vencedor segundo a tabela
abaixo, considerando que os Fatores de Importância
para cada indicador são, respectivamente, 10%, 30%,
25% e 35%. Sabe-se também que os outros dois forne-
cedores apresentam os índices de avaliação indicado
conforme abaixo.
g) Elabore uma pauta para negociação com o fornece-
dor vencedor.
FATORES FAIXA DE PONTUAÇÃO
ÓTIMO 90,1 - 100
MUITO BOM 80,1 - 90
BOM 70,1 - 80
REGULAR 50,1 - 70
PÉSSIMO =< 50
Capítulo 11 Gestão de Compras IV: Atividades e Operações... 249
FORN. 2° COL. FORN. 3° COL.
ICF 82% 83%
ICP 80% 80%
IPE 88% 85%
IQE 80% 78%
GABARITO
1. O ICF (Índice de Capacidade de Fornecimento) permite
avaliar se um determinado fornecedor poderá atender aos
pedidos futuros, ou, caso contrário, possibilita identificar
as razões para o não atendimento a todas as cotações
solicitadas. Também permite identificar os pontos em que
o fornecedor deverá procurar melhorar o seu desempenho
para atender melhor seus clientes.
2. Mostrar os benefícios que as Normas de Compras trazem
para a empresa, limites de sua atuação etc.
3. Apresentar definição e características das compras com a
finalidade de especulação, e as compras estratégicas que
a empresa poderá realizar.
4. Relatar os três fatores que devem ser analisados, quando
do estudo, ou mesmo quando da criação de um departa-
mento de compras.
5. Para determinar a melhor oferta, devem ser feitos os cálcu-
los do valor de cada uma das ofertas/cotações recebidas
de cada fornecedor, determinando o custo de cada com-
250 Gestão da Cadeia de Suprimentos
pra (valor total envolvido na compra). Atentar para o
lote de peças a ser comprado (1300 unidades) e atentar
também que os preços ofertados são UNITÁRIOS. Lem-
brar que o ICMS deve ser deduzido do custo da compra,
tendo em vista o seu crédito pela contabilidade fiscal.
a) Será vencedor aquele fornecedor cujos cálculos repre-
sentem o menor custo da compra. As respostas são:
Fornecedor A = R$1.289,70
Fornecedor B = R$1.438,81
Fornecedor C = R$1.311,63
e) ICF = 80% f) Fornecedor A = 81,1 pontos (Muito Bom)
ICP = 90% Fornecedor B = 80,85 pontos (Muito Bom)
IPE = 83,33% Fornecedor C = 82,20 pontos (Muito bom)
IQE = 72,22%
g) Para a elaboração da pauta para negociação, devem
ser considerados os dados da cotação que o forne-
cedor vencedor apresentou, além dos indicadores em
que ele apresenta alguma deficiência, se comparado
com algum dos outros dois fornecedores concorrentes.
Por exemplo, o preço unitário do vencedor não é o
melhor preço.
Alexandre da Silva Paim
Capítulo ?
Previsão I (Forecasting)1
1 Mestre em Ciências Empresariais, especialista em Gestão e Estratégia Empresa-
rial, Engenheiro, consultor e professor adjunto da Universidade Luterana do Brasil
– ULBRA.
Alexandre da Silva Paim1
Capítulo 12
252 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Como estamos? Onde estamos?
Prezado(a) aluno(a):
Neste capítulo, são apresentados os conceitos básicos so-
bre planejamento e previsão, e é apresentada uma classifica-
ção para os métodos usados em previsão.
Após isso, é abordada a questão das séries temporais e sua
estrutura de quatro elementos, sendo cada um deles analisado
em separado e depois unido em exemplo real.
Maior atenção é dada ao componente tendência por ser
mais útil para fazer previsões simplificadas tendo aplicação
imediata em problemas reais.
Logo, neste capítulo, esperamos que você tenha condições
de identificar os componentes de uma série temporal em situ-
ações da vida real.
12.1 Previsão (forecasting)
“Previsão (forecasting) é fundamentalmente o procedimento de
desenvolver modelos que usam informações ou conjuntos de
dados do passado para prever o futuro” (VANDAELE, 1983).
“Um método de previsão é uma abordagem sistemática
de geração de informação a partir do passado para divisar
a ocorrência de eventos futuros. Por ‘sistemático’ entende-se
obedecer um conjunto distinto de processos em uma determi-
nada sequência” (KENDALL e ORD, 1990).
“Um modelo de previsão é uma representação simplifica-
da da realidade, composta de um conjunto de relacionamen-
Capítulo 12 Previsão I (Forecasting) 253
tos, informações históricas desses relacionamentos, e a proje-
ção desses relacionamentos no futuro” (TRYFOS, 1998 apud
CHEN, 2000, p. 5-6).
Um modelo de previsão por séries temporais é uma aborda-
gem para converter informação de valores passados – com uma
sequência ordenada de valores de uma variável observada em
intervalos igualmente espaçados no tempo – em valores futuros.
Kotler (1999) define previsão como a arte de antecipar o
que os compradores, provavelmente, farão sob determinado
conjunto de condições.
Normalmente, queremos prever o futuro desconhecido,
mas às vezes o objetivo é fazer predições sobre diferenças en-
tre pessoas, empresas, ou outros objetos (“cross-sectional”).
Esse campo inclui o estudo e aplicação tanto de métodos de
julgamento quanto quantitativos (estatísticos) (ARMSTRONG e
COLLOPY, 1999).
Demanda de mercado por um produto é o volume total
que seriacomprado por um grupo definido de consumidores,
em determinada área geográfica, em um período de tempo
definido, em um ambiente de mercado definido sob um deter-
minado programa de marketing (KOTLER, 1999).
12.2 Relação da Previsão com o Planejamento
A previsão não deve ser olhada como o fim em si, mas como
um meio de fornecer informações e subsídios para uma to-
mada de decisão com vistas a atingir os objetivos definidos
(MORETTIN, 1981, apud MULLER, 1996).
254 Gestão da Cadeia de Suprimentos
A previsão está preocupada com como será o futuro en-
quanto que o planejamento se preocupa com como deveria
ser. O processo normalmente inicia no planejamento, onde se
elabora um plano como entrada para o processo de previsão
(junto a informações sobre o ambiente) para criar a previsão.
Se a organização não gostar da previsão, devem mudar o pla-
no até que conduza a previsões aceitáveis (ARMSTRONG e
COLLOPY, 1999).
12.3 Métodos de Previsão
Os métodos de previsão são classificados de diferentes ma-
neiras por diferentes pesquisadores. Para Kotler (1999), todas
as previsões são desenvolvidas em uma das três bases de in-
formações: o que as pessoas dizem, o que fazem ou o que
fizeram.
Quadro 1 Técnicas usuais de previsão de vendas.
Baseado em o que
as pessoas:
Métodos
dizem
Pesquisa das intenções dos compradores
Conjunto de opiniões da força de vendas
Opinião de especialistas
fazem Testes de Mercado
fizeram
Análise de séries temporais
Indicadores-guias
Análise estatística da demanda
Fonte: KOTLER, 1999.
Capítulo 12 Previsão I (Forecasting) 255
Nas Pesquisa das intenções dos compradores, são feitas
entrevistas (pesquisa de mercado) com os compradores e nor-
malmente são usadas escalas de probabilidade de compra.
No método de opiniões da força de vendas, os vendedores
são solicitados a fornecer estimativas de vendas. Já no método
da opinião de especialistas, são consultados distribuidores, re-
vendedores, fornecedores, consultores etc. O método Delphi á
bastante usado nesse caso.
Nos Testes de Mercado, o produto é levado ao mercado e
sua reação avaliada.
Nos métodos de Análise de séries temporais, tem-se uma
única variável que muda com o tempo e cujos valores futuros
são de alguma forma relacionados ao seu passado. É um mé-
todo que se baseia em dados históricos e é feito por análise
estatística. Essa análise se baseia na separação dos valores
históricos em quatro componentes: tendência, ciclo, sazonali-
dade e eventos irregulares.
Indicadores-guias é um método em que sãos escolhidos
produtos que apresentam curva de comportamento semelhan-
te de demanda de mercado, como, por exemplo, a venda de
papelão ondulado pode ser usada como indicador-guia do
comportamento das vendas industriais devido ao fato de ser
usado para embalar o que é produzido. O resultado são séries
temporais defasadas no tempo.
A Análise estatística da demanda procura explicar (a partir
de modelos econométricos) a demanda (variável dependente)
por meio da análise estatística das variações dos fatores reais
256 Gestão da Cadeia de Suprimentos
(variáveis independentes) que a afetam. Um dos métodos econo-
métricos mais usados é a Regressão Linear Múltipla, que é uma
extensão da regressão linear simples em que se supõe que uma
variável dependente explicada (e.g. vendas) é linearmente rela-
cionada a um número de outras variáveis independentes expli-
cativas (e.g. PIB, inflação, chuvas etc.). A ideia é que a variação
das variáveis independentes explica e determina o comporta-
mento da variável dependente. Uma extensão desse método são
as Equações Múltiplas onde há um número de variáveis depen-
dentes que interagem entre si através de uma série de equações.
Armstrong e Collopy (1999) separam os métodos de previ-
são em qualitativos e quantitativos.
Os métodos qualitativos (subjetivos, por julgamento) são
provavelmente os mais amplamente usados para previsões im-
portantes (ARMSTRONG e COLLOPY, 1999). Devido a sua
natureza e custo, são usados quase que exclusivamente para
situações de médio e longo alcance, como na formulação de
estratégias, desenvolvimento de novos produtos e tecnologias
e no desenvolvimento de planos de longo prazo (MAKRIDAKIS
et al., 1983, p. 12).
Os métodos quantitativos são procurados principalmente
por ser mais baratos. Se for necessário fazer previsões de
inventário para controlar, por exemplo, 50.000 itens, seria
inviável se apoiar em métodos qualitativos. Outra razão para
preferi-los aos métodos subjetivos é que estes estão sujeito
a viéses como otimismo e autoconfiança excessiva (KAH-
NEMAN, SLOVIC e TVERSKY, 1982 apud ARMSTRONG e
COLLOPY, 1999).
Capítulo 12 Previsão I (Forecasting) 257
Nenhuma das classificações acima pretende ser a definiti-
va, mas facilita o entendimento do leque de opções disponíveis
para aquele que pretende fazer previsões ou fazer uso delas.
Nas últimas décadas, muito tempo tem sido investido em
pesquisa de métodos quantitativos de previsão. Algumas vezes,
essas pesquisas têm apresentado resultados frustrantes para os
pesquisadores, pois acontece de modelos relativamente simples
apresentarem resultados superiores em exatidão a métodos es-
tatísticos mais sofisticados (ARMSTRONG e COLLOPY, 1999).
12.4 Séries Temporais (cronológicas)
Série temporal (cronológica) é a classe de fenômenos cujo
processo observacional e consequente quantificação numérica
gera uma sequência de dados distribuídos no tempo (SOUZA,
1989 apud MULLER, 1996). Comumente, essas observações
ordenadas no tempo são feitas a intervalos iguais.
Convencionou-se que o valor da série no momento t é escrito
como x(t). A letra t indica o período de tempo (t = 1, 2, ..., n) que
tipicamente é dado em horas, dias, meses, trimestres ou anos. O
próximo valor na sequência é x(t+1) e o anterior x(t-1). O valor
previsto para x(t) será escrito (t). Se tivermos uma série anual e
t é o ano 2014 então t+3 será o ano 2017 e t-4 o ano 2010.
São exemplos de séries temporais: os valores diários do
preço das ações de uma empresa na bolsa de valores de São
Paulo; os valores mensais da temperatura na região nordeste
do Brasil; a produção anual de café no estado do Pará; as
quantidades anuais de chuva na cidade de Curitiba; a produ-
ção total anual de aço no Brasil.
258 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Uma série temporal pode ser representada ilustrativamen-
te, por meio de um gráfico de X ou Y em função de t, em um
sistema de eixos cartesianos.
Uma série temporal possui alguns movimentos caracterís-
ticos, denominados de componentes fundamentais, que são:
a) componente tendência (T),
b) componente sazonal (S),
c) componente cíclica (C) e
d) componente aleatória (A).
A componente Tendência (T), também chamada de ten-
dência secular, é um movimento evolutivo que traduz a influ-
ência de fatores que fazem o fenômeno ter a sua intensidade
aumentada ou diminuída com o passar do tempo (períodos
maiores de que um ano). Quando uma série temporal não
apresenta nem tendência ascendente nem descendente ela é
chamada de “série estacionária”.
A componente Sazonal (S) (de estação do ano) é um mo-
vimento oscilatório (movimento cíclico de aumento e diminui-
ção) de curta duração (dentro de um ano). Normalmente, esse
comportamento é associado a variações devidas às estações
do ano, como venda de sorvetes (maior no verão), cobertores
(maior no inverno), tratores (maior no plantio).
A componente Cíclica (C) é também um movimento osci-
latório de longa duração (ciclos de vários anos). Tal compo-
nente indica as fases de expansão e contração das atividades
econômicas, sendo normalmente de duração não fixa. São
Capítulo 12 Previsão I (Forecasting) 259
comuns na economia ciclos longos (períodos de mais ou me-
nos 50anos duração), ciclos médios (períodos de em torno
de 10 anos) e ciclos curtos (períodos de 2 a 7 anos). O pe-
ríodo de um ciclo é o tempo entre dois picos (ou dois vales)
consecutivos.
A componente Aleatória (A), também chamada de com-
ponente irregular (ou randômica), pode ser uma espécie de
ruído que aparece no gráfico da série temporal, sendo devido
à influência de fatores como a imprevisibilidade do comporta-
mento humano ou erros de medição. Também podem ocorrer
mudanças grandes no comportamento da série devido a gran-
des eventos climáticos (secas, enchentes) ou sociais (greves,
eleições, copa do mundo), por exemplo.
A análise de uma série temporal consiste na descrição (ge-
ralmente matemática) das componentes da série temporal, ou
seja, a identificação dos componentes T, S, C e A. Isso é fre-
quentemente chamado de decomposição de uma série tempo-
ral em seus componentes básicos.
Na análise de uma série temporal, normalmente desconsi-
deramos a componente ciclo devido a não ser usual trabalhar
com séries com muitas décadas.
Consideramos que a componente aleatória exista em todas
as séries temporais, devido ao fato de ser praticamente impos-
sível a sua eliminação.
A principal utilização de análise de série temporal é para a
previsão de comportamentos futuros.
260 Gestão da Cadeia de Suprimentos
12.5 Avaliação de Tendências em Séries
Temporais
O problema de detectar a tendência em uma série temporal
pode ser resolvido observando seu gráfico.
O exemplo a seguir apresenta o histórico de vendas de
uma empresa hipotética e o gráfico correspondente.
Ano Vendas
1 200
2 250
3 300
4 350
5 400
Figura 1 Gráfico com tendência linear crescente.
Fonte: Elaborado pelo autor deste capítulo.
Observa-se no gráfico que pode ser inserida uma linha reta
que passa perfeitamente por cima de todos os pontos. Nesse
caso, temos um gráfico com tendência linear crescente, sem
sazonalidade, sem ciclo e sem componente aleatória.
Observando os dados da tabela, pode-se perceber que a
reta deve ter um valor 150 no ano zero (não mostrado), pois
há uma taxa constante de crescimento de 50 unidades por ano.
Isso nos fornece a seguinte equação de previsão de vendas:
Vendas = 50 x ANO + 150
Capítulo 12 Previsão I (Forecasting) 261
Considere agora o caso de outra empresa que tem o histó-
rico de vendas apresentado a seguir.
Ano Vendas
1 177
2 300
3 305
4 290
5 432
Figura 2 Gráfico com tendência linear crescente e componente aleatória.
Fonte: Elaborado pelo autor deste capítulo.
Nesse caso, temos a mesma taxa média de crescimento de
50 unidades por ano, mas há agora uma componente alea-
tória na série, que faz os valores reais não se alinharem per-
feitamente com a reta dada pela equação a seguir, mesmo
que ela represente adequadamente a tendência e a taxa de
crescimento média observada nas vendas da empresa.
Vendas = 50 x ano + 150
Temos então uma série temporal que apresenta duas com-
ponentes: Tendência e Aleatoriedade.
A tendência de uma série não é necessariamente uma li-
nha reta. A Figura 3 apresenta outras funções matemáticas
que podem ser usadas para representar tendências em séries
temporais.
262 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Figura 3 Curvas e respectivas equações para uso em determinação de
tendência.
Fonte: de Matos (2000).
Capítulo 12 Previsão I (Forecasting) 263
Considerando isso, vamos ver outro exemplo de tendência,
dessa vez não linear.
Suponha que o gráfico a seguir apresente o comportamen-
to das vendas de determinado produto ao longo dos anos. O
gráfico foi elaborado com planilha eletrônica e foi incluída
uma linha de tendência do tipo exponencial (usando o Excel,
faz-se o gráfico e pede-se para adicionar linha de tendência).
A equação que representa a tendência exponencial está in-
dicada no gráfico.
Ano Vendas
2000 5
2001 10
2002 9
2003 13
2004 16
2005 18
2006 28
2007 45
2008 54
2009 90
2010 110
Figura 4 Gráfico com tendência exponencial crescente e componente
aleatória.
Fonte: Elaborado pelo autor deste capítulo.
Tem-se então que a série apresenta tendência de cresci-
mento exponencial e componente aleatória.
264 Gestão da Cadeia de Suprimentos
12.6 Avaliação de Sazonalidade em Séries
Temporais
Quando uma série apresenta sazonalidade, o gráfico irá mos-
trar picos e vales que se repetem anualmente, como se fossem
ondas.
O gráfico a seguir apresenta a demanda trimestral por
serviços de um Operador Logístico. Observando-se o gráfico,
percebe-se que é um modelo com tendência linear de cres-
cimento e sazonalidade.
Figura 5 Gráfico (os pontos foram ligados por linhas para facilitar a
visualização) com tendência linear crescente, sazonalidade aditiva e
componente aleatória.
Fonte: Elaborado pelo autor deste capítulo.
Outra questão importante a observar é se o modelo apre-
senta sazonalidade ADITIVA ou MULTIPLICATIVA. Em modelos
Capítulo 12 Previsão I (Forecasting) 265
aditivos, é possível ajustar linhas paralelas nos picos e nos va-
les. Veja isso aplicado na Figura 6.
Figura 6 Gráfico com tendência linear crescente, sazonalidade aditiva e
componente aleatória.
Fonte: Elaborado pelo autor deste capítulo.
As linhas vermelhas são retas paralelas e envolvem bem o
gráfico. Isso demonstra que o gráfico apresenta um modelo
com tendência linear e sazonalidade (padrão de picos e
vales se repete todo ano) aditiva (as duas curvas vermelhas
traçadas são paralelas).
Já o gráfico a seguir apresenta as vendas de produtos de
outra empresa.
Observando-se o gráfico, percebe-se que é um modelo
com tendência linear de crescimento e sazonalidade, mas
266 Gestão da Cadeia de Suprimentos
neste não é possível envolver o gráfico com duas linhas para-
lelas.
Figura 7 Gráficos (à esquerda somente os pontos) com tendência linear
crescente, sazonalidade multiplicativa e componente aleatória. No
gráfico da direita, foram colocadas linhas para facilitar a visualização da
sazonalidade.
Fonte: Elaborado pelo autor deste capítulo.
Na figura a seguir, é apresentado o mesmo gráfico onde
foram colocadas linhas que se afastam. Quando isso ocorre,
tem-se um modelo com tendência linear (ver que linhas ver-
melhas são em forma de reta), e apresenta sazonalidade
(padrão de picos e vales se repete todo ano) multiplicativa (as
duas retas vermelhas traçadas não são paralelas, mas se afas-
tam conforme se percebe pelo fato de a linha azul do início ser
menor que a linha azul do final).
Capítulo 12 Previsão I (Forecasting) 267
Figura 8 Gráfico com tendência linear crescente, sazonalidade
multiplicativa e componente aleatória.
Fonte: Elaborado pelo autor deste capítulo.
O comportamento da série pode apresentar tendência não
linear combinada com sazonalidade, conforme pode ser ob-
servado no gráfico a seguir que apresenta a demanda trimes-
tral por serviços de uma empresa de manutenção.
Figura 9 Gráfico com tendência exponencial crescente, sazonalidade
aditiva e componente aleatória.
Fonte: Elaborado pelo autor deste capítulo.
268 Gestão da Cadeia de Suprimentos
No gráfico a seguir, foram colocadas curvas vermelhas per-
feitamente paralelas envolvendo a série. Percebe-se claramen-
te que é um modelo com tendência exponencial (ver que li-
nhas vermelhas são em forma de curva crescente exponencial),
com sazonalidade (padrão de picos e vales se repete todo
ano) e aditivo (as duas curvas vermelhas traçadas são parale-
las conforme se percebe pelo fato de a linha azul do início ser
do mesmo tamanho que a linha azul do final).
Figura 10 Gráfico com tendência exponencial crescente, sazonalidade
aditiva e componente aleatória.
Fonte: Elaborado pelo autor deste capítulo.
O exemplo a seguir também apresenta sazonalidade,mas
não aditiva.
Capítulo 12 Previsão I (Forecasting) 269
Figura 11 Gráfico com tendência exponencial crescente, sazonalidade
multiplicativa e componente aleatória.
Fonte: Elaborado pelo autor deste capítulo.
Para identificar o tipo de sazonalidade, o gráfico foi envolvido
por duas curvas vermelhas. Pode-se perceber facilmente que é um
modelo com tendência crescente exponencial (linhas vermelhas
são em forma de curva crescente exponencial), sazonal (padrão
de picos e vales se repete todo ano) e multiplicativo (as duas retas
vermelhas traçadas não são paralelas, mas se afastam).
Figura 12 Gráfico com tendência exponencial crescente, sazonalidade
multiplicativa e componente aleatória.
Fonte: Elaborado pelo autor deste capítulo.
270 Gestão da Cadeia de Suprimentos
12.7 Avaliação de Ciclo em Séries Temporais
Para concluir a análise dos elementos das séries temporais, va-
mos examinar o componente ciclo de uma série histórica trimes-
tral. Para isso, foram levantados dados de 24 anos (normalmen-
te, é necessário ter uma série com algumas décadas) da entrada
de turistas argentinos no Brasil e feito o gráfico a seguir.
Figura 13 Gráfico com tendência exponencial crescente (linha de
tendêcia preta grossa), sazonalidade multiplicativa (linha azul fina), ciclo
(linha vermelha grossa) e componente aleatória.
Fonte: Elaborado pelo autor deste capítulo com base em dados dos anuá-
rios estatísticos da EMBRATUR de 1977 a 2002.
Nesse gráfico, foi adicionada uma linha de tendência ex-
ponencial (indicada em preto) com equação gerada pela pla-
nilha Excel. Também foi adicionada uma linha vermelha gera-
da com uma média móvel central de 4 anos.
Observando-se a linha vermelha, percebem-se 4 ciclos (4
picos e vales) com períodos aproximados de 6 a 7 anos.
Capítulo 12 Previsão I (Forecasting) 271
Nessa série, é possível observar os quatro componentes
das séries temporais: tendência de crescimento exponencial,
sazonalidade predominantemente multiplicativa, ciclos de 6 a
7 anos e componente aleatória.
Na próxima figura, pode-se ver o mesmo fenômeno de
vinda de turistas ao Brasil, agora incluídos os anos 2002 até
2010. No gráfico, é possível perceber uma dramática queda
no número de turistas no ano de 2002. Isso ocorreu devido a
uma grave crise econômica na Argentina. Esse comportamen-
to do gráfico não poderia ter sido previsto pelo modelo. Isso é
para lembrar que os modelos não são perfeitos e estão sempre
sugeitos a erros de previsão devidos a variações que não esta-
vam contempladas no modelo.
Figura 14 Gráfico com tendência exponencial crescente, sazonalidade
multiplicativa, ciclo e componente aleatória.
Fonte: Elaborado pelo autor deste capítulo com base em dados dos anuá-
rios estatísticos da EMBRATUR de 1977 a 2010.
272 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Referências Bibliográficas
ARMSTRONG, J. S.; COLLOPY, F. Integration of statistical me-
thods and judgment for time series forecasting: principles
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trado em Engenharia de Produção), UFSC, Santa Catarina.
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New York: New York Academic Press, 1983.
Capítulo 12 Previsão I (Forecasting) 273
Atividades
1) A partir dos estudos desenvolvidos neste capítulo, marque
(X) somente na resposta verdadeira. Dado o gráfico abaixo,
o que se pode dizer dos componentes da série temporal?
A.( ) Apresenta tendência apenas.
B.( ) Apresenta tendência e sazonalidade.
C.( ) Apresenta tendência e ciclo.
D.( ) Apresenta tendência, sazonalidade e ciclo.
2) A partir dos estudos desenvolvidos neste capítulo, marque
(X) somente na resposta verdadeira. Dado o gráfico abaixo,
o que se pode dizer dos componentes da série temporal?
274 Gestão da Cadeia de Suprimentos
A.( ) Apresenta tendência linear crescente.
B.( ) Apresenta tendência linear decrescente.
C.( ) Apresenta tendência exponencial crescente.
D.( ) Apresenta tendência exponencial decrescente.
3) A partir dos estudos desenvolvidos nesse capítulo, marque
(X) somente na resposta verdadeira. Observe o gráfico
abaixo. Com relação aos componentes da série temporal,
pode-se afirmar que:
A.( ) Apresenta componente aleatória apenas.
B.( ) Apresenta componente tendência apenas.
C.( ) Apresenta componente aleatória e tendência
D.( ) Nenhuma das acima é verdadeira.
4) A partir dos estudos desenvolvidos neste capítulo, marque
(X) somente na resposta verdadeira. Observe o gráfico
abaixo. Com relação aos componentes da série temporal,
pode-se afirmar que:
Capítulo 12 Previsão I (Forecasting) 275
A.( ) Apresenta tendência linear e ciclo.
B.( ) Apresenta tendência linear e sazonalidade multiplicativa.
C.( ) Apresenta tendência linear e sazonalidade aditiva.
D. ( ) Apresenta tendência não linear e sazonalidade multi-
plicativa.
5) A partir dos estudos desenvolvidos nesse capítulo, marque
(X) somente na resposta verdadeira. Observe o gráfico
abaixo. Com relação aos componentes da série temporal,
pode-se afirmar que:
A. ( ) Apresenta um modelo com sazonalidade multiplicativa
com tendência linear.
B. ( ) Apresenta um modelo com sazonalidade aditiva com
tendência linear.
C. ( ) Apresenta um modelo com sazonalidade multiplicativa
com tendência exponencial.
D. ( ) Apresenta um modelo com sazonalidade aditiva com
tendência exponencial.
Respostas: 1 – A; 2 – D; 3 – B; 4 – C; 5 – C.
Previsão II (Forecasting)1
1 Mestre em Ciências Empresariais, consultor e professor adjunto da Universidade
Luterana do Brasil - ULBRA.
Alexandre da Silva Paim1
Capítulo 13
Capítulo 13 Previsão II (Forecasting) 277
Como estamos? Onde estamos?
Prezado(a) aluno(a):
Neste capítulo, vemos um modo de avaliar a qualidade de
um método de previsão e como utilizar equações lineares e
não lineares na previsão de demanda.
Abordamos também o método dos mínimos quadrados
para determinação dos coeficientes da reta de ajustamento.
Após isso, é abordada a regressão linear múltipla, um mé-
todo de previsão explicativo. É visto o relatório gerado por
planilha eletrônica, e são extraídos os coeficientes para montar
a equação e para fazer previsões.
Espera-se, com este capítulo, fornecer uma noção do po-
tencial de uso dos métodos explicativos de previsão.
13.1 Avaliação de modelos usados na previsão
de demanda
Muitas técnicas de previsão têm sido usadas nas últimas déca-
das (ARCHER, 1980; UYSAL e CROMPTON, 1985). Na esco-
lha da técnica de previsão, devem ser considerados atributos
como exatidão do método, credibilidade e facilidade de uso
como os principais critérios (MENZER e KAHN, 1994 apud
CHEN, 2000).
Para avaliar a incerteza da previsão, um ou mais períodos
à frente, normalmente, não se recomenda usar a qualidade do
ajustamento da curva como critério. O melhor é usar dados
conhecidos como se estes não o fossem (previsões ex ante ou ex
post), de modo a simular o melhor possível uma situação real de
278 Gestão da Cadeia de Suprimentosprevisão (ARMSTRONG e COLLOPY, 1999). Witt e Witt (1992,
p. 83) salientam que não se deve usar nenhuma informação
adicional que não estivesse disponível até o momento consi-
derado como início do período a ser previsto. Eles apresentam
uma figura para representar essas técnicas de avaliação. Por-
tanto, se desejar fazer previsões para dois anos adiante, deve-se
desconsiderar esses dados na elaboração do modelo e usá-los
para utilização no teste de verificação da exatidão da previsão.
Figura 1 Previsões ex ante e ex post.
Armstrong e Collopy (1999) recomendam que se escolha
uma medida de erro que seja mais relacionada com as de-
cisões profissionais a serem tomadas. O ideal seria que essa
medida permitisse comparar os benefícios obtidos com o au-
mento da exatidão com o custo de obter essa melhoria, mas
frequentemente não é possível identificar essa medida. A sele-
ção de uma medida de erro depende do propósito da análise,
pois, quando se faz comparações de exatidão com um grupo
de séries temporais, é importante controlar a escala, a dificul-
dade relativa de previsão de cada série e o número de previ-
sões a ser examinado.
Capítulo 13 Previsão II (Forecasting) 279
De acordo com Makridakis e Wheelwrigth (1985), a su-
posição básica de qualquer técnica de previsão de séries
temporais (extrapolação, método univariável) é que o valor
observado na série fica determinado por um padrão que se
repete no tempo e por alguma influência aleatória. Isso signi-
fica dizer que mesmo quando o padrão exato que caracteriza
o comportamento da série temporal tenha sido isolado, algum
desvio ainda existirá entre os valores da previsão e os valores
realmente observados. Essa aleatoriedade não pode ser pre-
vista; entretanto, se isolada, sua magnitude pode ser estimada
e usada para determinar a variação ou erro entre as observa-
ções e previsões realizadas.
A exatidão de um método de previsão pode ser mensurada
por meio de muitas medidas de erro, dentre as quais se pode
citar (WHEELWRIGHT; MAKRIDAKIS, 1985) o:
erro percentual absoluto médio (EPAM) =
)
Onde
yi = valor real
i = valor previsto
i = período em questão. No somatório t varia de 1 a n.
n = número de previsões
As barras verticais indicam valor absoluto (sem sinal)
Lewis (1982, p. 40 apud WITT e WITT, 1992, p. 86) coloca
que o erro percentual absoluto médio (EPAM) “é a medida mais
útil na comparação da exatidão de previsões entre diferentes
itens ou produtos uma vez que mede o desempenho relativo”.
280 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Lewis apresenta uma tabela com “valores típicos de EPAM para
dados industriais e de negócios e sua interpretação”.
Tabela 1 Interpretação da qualidade da previsão a partir valores de EPAM
EPAM Qualidade da Previsão
< 10% Altamente exata
10% – 20% Boa
20% – 50% Razoável
> 50% Inexata
Para entender como funciona o cálculo do EPAM, vamos
usar o exemplo de modelo de previsão linear visto no capítulo
anterior, em que uma empresa tem o histórico de vendas apre-
sentado a seguir:
Ano Vendas
1 177
2 300
3 305
4 290
5 432
Figura 2 Gráfico com regressão linear aplicada a dados de vendas.
Fonte: Elaborado pelo autor deste capítulo.
Nesse caso, temos uma tendência linear de crescimento com
uma componente aleatória na série que faz valores reais não se
alinharem perfeitamente com a reta dada pela equação a seguir.
Vendas_previstas = 50 x ano + 150
Vamos então aplicar o modelo matemático linear para fa-
zer previsões de vendas para os anos 1 a 5 para que possamos
Capítulo 13 Previsão II (Forecasting) 281
comparar com o que efetivamente ocorreu. A diferença entre
as vendas previstas e as vendas reais ocorridas é o erro de
previsão do modelo.
ATENÇÃO: o procedimento correto é usar parte dos dados
históricos (aproximadamente 70% a 80% dos dados disponí-
veis) para fazer o modelo (usando regressão linear do Excel,
por exemplo) e usar o restante (30% ou 20% do total) para
testar o modelo calculando EPAM. Suponha que o modelo
que será usado (Vendas_previstas = 50 x ano + 150) foi fei-
to usando regressão linear em dados de anos anteriores aos
apresentados na tabela e que os dados a seguir foram deixa-
dos de lado para testar o modelo.
Para calcular o EPAM, vamos fazer uma tabela para visua-
lizar melhor os resultados intermediários.
Ano Vendas Vendas_
previstas
Erro Erro % Erro %
absoluto
1
177
=50 x 1+150=
200
=177-200=
-23
=-23/177=-0,130=
-13,0%
13,0%
2
300
=50 x 2+150=
250
=300-250=
50
=50/300=0,167=
16,7%
16,7%
3
305
=50 x 3+150=
300
=305-300=
5
=5/305=0,0164=
1,64%
1,64%
4
290
=50 x 4+150=
350
=290-350=
-60
=-60/290=-0,207=
-20,7%
20,7%
5
432
=50 x 5+150=
400
=432-400=
32
=32/432=0,0741=
7,41%
7,41%
6 ---- =50 x 6+150=
450
---- --- ---
Calcula-se o EPAM fazendo a média dos 5 erros percentu-
ais sem sinal calculados:
282 Gestão da Cadeia de Suprimentos
EPAM = (13% + 16,7% + 1,64% + 20,7% + 7,41%) / 5
= 11,9%
Com isso, tem-se que o modelo apresentou um erro médio
de previsão de 11,9%.
Pode-se ver também na tabela que foi calculado um valor
de vendas previsto de 450 unidades para o ano 6.
13.2 Regressão Não linear
Suponha que o gráfico a seguir apresente o comportamento
das vendas de determinado produto ao longo dos anos. O
gráfico foi elaborado com planilha eletrônica e foi incluída
uma linha de tendência do tipo exponencial (opção adicionar
linha de tendência para gráficos do Excel). A equação que re-
presenta a tendência exponencial está indicada no gráfico.
Ano Vendas
2000 5
2001 10
2002 9
2003 13
2004 16
2005 18
2006 28
2007 45
2008 54
2009 90
2010 110
Figura 3 Gráfico com regressão não linear aplicada a dados de vendas.
Fonte: Elaborado pelo autor deste capítulo.
Capítulo 13 Previsão II (Forecasting) 283
Para calcular o valor previsto para 2011 e o EPAM, vamos
fazer uma tabela para visualizar melhor os resultados interme-
diários utilizando a seguinte equação (gerada pelo Excel) da
linha de tendência exponencial apresentada no gráfico:
Vendas_previstas = 3,9346.e0,2969.X
O Excel adota por padrão o primeiro valor do gráfico
como tendo valor x = 1 (correspondente ao ano 2000) e para
os anos seguintes será 2 para o ano 2001, 3 para o ano 2002
e assim por diante.
Para calcular as vendas previstas, é possível usar tanto uma
calculadora como uma planilha eletrônica.
Para calcular as vendas para o ano 1 usando uma calcula-
dora comum, deve-se digitar, na sequência:
1 * 0.2969 eX * 3.9346
Para calcular as vendas para o ano 1 usando uma calcula-
dora HP12C, deve-se digitar, na sequência:
1 ENTER 0.2969 X eX 3.9346 X
Para calcular as vendas utilizando uma planilha Excel, de-
ve-se fazer conforme o modelo a seguir.
O resultado dos cálculos é apresentado na tabela a seguir.
284 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Ano
Vendas
Reais
Vendas_
previstas Erro Erro %
Erro %
absoluto
1 5 5,29 -0,295 -0,0589 5,89%
2 10 7,12 2,88 0,288 28,8%
3 9 9,59 -0,588 -0,0653 6,53%
4 13 12,90 0,0977 0,00751 0,751%
5 16 17,36 -1,36 -0,0852 8,52%
6 18 23,36 -5,36 -0,298 29,8%
7 28 31,44 -3,44 -0,123 12,3%
8 45 42,31 2,69 0,0598 5,98%
9 54 56,93 -2,93 -0,0544 5,44%
10 90 76,62 13,4 0,149 14,9%
11 110 103,10 6,90 0,0627 6,27%
12 138,74
Com isso, tem-se para o modelo um EPAM igual a 11,4%.
13.3 Regressão Linear Simples
Uma equação linear obedece à equação matemática
= a . X + b
Onde a é o coeficiente angular da reta e b é o coeficiente
linear.
Para obter os coeficientes a e b da regressão linear simples,
pode ser usado o método dos mínimos quadrados. As equa-
ções para calcular os coeficientes são
Capítulo 13 Previsão II (Forecasting)285
e
.
Suponha então que uma empresa pretenda utilizar regres-
são linear simples para fazer a previsão de vendas para o pró-
ximo ano considerando o histórico dos últimos 4 anos mostra-
dos na tabela a seguir.
Ano Vendas
1 12
2 43
3 69
4 81
Para calcular os coeficientes da reta, será usada uma tabe-
la auxiliar de cálculo em que x é o ano e y é o valor da venda.
x y x.y x2
1 12 21 1
2 43 86 4
3 69 207 9
4 81 324 16
TOTAL 10 205 629 30
Com os totais, são calculados os coeficientes a e b confor-
me mostrado a seguir.
286 Gestão da Cadeia de Suprimentos
e
A equação da reta ajustada é, portanto: = 23,3 . x - 7
13.4 Regressão Linear Múltipla
Na Regressão Linear Simples, usava-se apenas o valor de x
(representando o passar do tempo) para calcular os valores
previstos para y, mas, na Regressão Linear Múltipla, são usa-
das mais de uma variável x (x1, x2, ..., xn). Nesse caso, teremos
uma equação do tipo
= a1 x1 + a2 x2 +...+ an xn + b
As variáveis x1 a xn são as variáveis independentes (ou expli-
cativas, pois se supõe que possam explicar o comportamento
do fenômeno modelado) e é a chamada variável dependen-
te (ou explicada).
Para fazer uma regressão linear múltipla, é necessário ter
uma série histórica da variável dependente (vendas, por exem-
plo) e séries históricas das variáveis independentes (índice de
preços, PIB, taxa de câmbio, por exemplo). Essas séries são
alimentadas em um programa estatístico ou são inseridas em
uma planilha Excel e é solicitado ao programa que seja feita
a regressão. O resultado é normalmente um relatório com os
Capítulo 13 Previsão II (Forecasting) 287
coeficientes da equação e informações sobre a qualidade da
regressão linear.
Para entender melhor, vejamos um exemplo de aplicação
utilizando a planilha Excel.
Considere que, após feita uma regressão linear múltipla
para prever a demanda de transportes de uma empresa (uti-
lizando dados históricos disponíveis em seu banco de dados),
obteve-se o seguinte relatório gerado pelo Excel em uma pla-
nilha.
Pede-se:
a) a equação linear indicada pelo modelo e
b) cálculo do valor da demanda prevista para o ano
2013 e o EPAM (considerar apenas os anos 2011 e
2012) utilizando os dados da tabela a seguir.
ano INV PRE DEF Demanda
2011 118 255 25 R$ 140.000
2012 98 350 13 R$ 110.000
2013 103 200 22
288 Gestão da Cadeia de Suprimentos
RESUMO DOS RESULTADOS
Estatística de regressão
R múltiplo 0,866858795
R-Quadrado 0,844700653
R-quadrado ajustado 0,746706651
Erro padrão 327,14181
Observações 21
ANOVA
gl F F de significação
Regressão 3 45,38039 0,0046382
Resíduo 17
Total 20
Coeficientes Stat t valor-P
Interseção 10400,00000 14,21453 0,080000
Variável INV 1301,800000 42,99264 0,008182
Variável PRE -52,10000000 -30,65696 0,030000
Variável DEF -238,8000000 -23,41061 0,048400
Reslução
a) Para obter a equação de previsão, é necessário obter
os valores dos coeficientes do relatório emitido pelo
Excel e usá-los conforme segue.
demanda prevista = 1 301,8.INV -52,1.PRE –238,8.DEF + 10 400
b) Para calcular a previsão para 2013, são usados os
dados da tabela e a equação vista em (a).
demanda = 10 400 + 1 301,8.(103) -52,1.(200) -238,8.(22) = 128 811,8
Capítulo 13 Previsão II (Forecasting) 289
Para calcular o EPAM, pode ser usada uma tabela auxiliar
que é mostrada a seguir.
ano INV PRE DEF Demanda Demanda
prevista
Erro Erro % Erro %
absoluto
2011 118 255 25 140 000 144 756,90 -4 756,9 -3,4% 3,4%
2012 98 350 13 110 000 116 637,00 -6 637,0 -6,0% 6,0%
2013 103 200 22 128 811,80
O EPAM calculado é de 4,72%.
Para fazer os cálculos, pode ser usada uma planilha eletrônica
como Excel. Um exemplo disso é apresentado a seguir.
Referências Bibliográficas
ARMSTRONG, J. S.; COLLOPY, F. Integration of statistical me-
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cision Making. Ed. V.H. Dale and M.E. English. Springer,
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290 Gestão da Cadeia de Suprimentos
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mercados. São Paulo: Futura, 1999.
MAKRIDAKIS, S.; WHEELWRIGHT, S. C.; McGEE, V. E. Fore-
casting: methods and applications. 2.ed. Chichester: Wiley,
1983.
MUELLER, A. Uma Aplicação de Redes Neurais Artificiais na
Previsão do Mercado Acionário. 1996. Dissertação (Mes-
trado em Engenharia de Produção), UFSC, Santa Catarina.
VANDAELE, W. Applied Time Series and Box-Jenkins Models.
New York: New York Academic Press, 1983.
Atividades
1) A partir dos estudos desenvolvidos neste capítulo, marque
(X) somente na resposta verdadeira. Uma empresa utiliza
a equação Vendas = 2,5 * ano + 17 para fazer previsões
de vendas. Pede-se calcular o valor previsto para o ano 7.
A.( ) 19,5
B.( ) 17,5
C.( ) 17
D.( ) 34,5
2) A partir dos estudos desenvolvidos neste capítulo, marque
(X) somente na resposta verdadeira.
Capítulo 13 Previsão II (Forecasting) 291
Uma empresa obteve os valores de vendas em R$ milhões
mostrados na tabela abaixo. Pede-se calcular o Erro Percen-
tual Absoluto Médio (EPAM) do modelo de previsão que foi
adotado pela empresa (equação a seguir).
Vendas = 2,5 X PERÍODO – 1
Período
(ano)
vendas (R$)
1 1
2 4,5
3 6
4 8
A.( ) 50%
B.( ) 20,5%
C.( ) 11,1%
D.( ) 12,5%
3) A partir dos estudos desenvolvidos neste capítulo, marque
(X) somente na resposta verdadeira. Dada a equação a
seguir de um modelo explicativo sobre a previsão de ven-
das, calcule o valor previsto para as vendas (VENDAS
previsto) pelo modelo para um ano em que PIB= 20 300
000 e IPC=8000 .
VENDAS previsto = 1 300 000 - 0,1 PIB + 230 IPC
A.( ) 1 110 000
B.( ) 1 300 000
C.( ) -2 300 000
D.( ) 2 300 000
292 Gestão da Cadeia de Suprimentos
4) A partir dos estudos desenvolvidos neste capítulo, marque
(X) somente na resposta verdadeira. Dada a equação a
seguir de um modelo de previsão de vendas, que se pode
dizer dos coeficientes?
VENDAS_previstas = 125 + 20.ANO
A.( ) As vendas previstas aumentam 125 a cada ano.
B.( ) As vendas previstas diminuem 125 a cada ano.
C.( ) As vendas previstas aumentam 20 a cada ano.
D.( ) As vendas previstas diminuem 20 a cada ano.
5) A partir dos estudos desenvolvidos nesse capítulo, marque
(X) somente na resposta verdadeira. Dado o relatório gerado
pelo Excel, qual seria a equação de previsão a ser usada?
Estatística de regressão
R múltiplo 0,473084781
R-Quadrado 0,439796144
R-quadrado ajustado 0,383672161
Erro padrão 0,299752856
Observações 40
ANOVA gl F F de significação
Regressão 2 29,325093 0,000294891
Resíduo 37
Total 39
Coeficientes valor-P
Interseção -99,521 4,79E-09
Variável X1 1,5130 7,75E-07
Variável X2 11,085 0,001642
Capítulo 13 Previsão II (Forecasting) 293
A.( ) previsão = 4,79 + 7,75.X1 + 0,001642.X2
B.( ) previsão = -99,521 + 1,5130.X1 + 11,085.X2
C.( ) previsão = 2 + 37.X1 + 39.X2
D.( ) previsão = 39 + 2.X1 + 37.X2
Respostas: 1 – D; 2 – B; 3 – A; 4 – C; 5 – B.
Movimentação e
Armazenagem de
Materiais1
1 Administrador de Empresas pela UFRGS, professor assistente na Universidade
Luterana do Brasil - ULBRA
Rogério da Silva Filho1
Capítulo 14
Capítulo 14 Movimentação e Armazenagem de Materiais 295
14.1 Introdução
A bibliografia referente ao assunto das atividades de movimen-
tação e armazenagem de materiais explora muito bem essa
área da Administração. Muitos aspectos importantessão abor-
dados pelos diversos autores, e aqui se pretende apresentar os
tópicos comuns estudados por eles.
Dias (2010, p. 164) definindo o setor de almoxarifado afir-
ma que “Almoxarifado, armazém ou depósito, não importa
qual a sua denominação, está diretamente ligado à movimen-
tação e transporte interno de materiais, e não se pode separá-
-lo”. Mais adiante, Dias (p. 164) acrescenta a afirmativa que
o almoxarifado “é um método adequado e inteligente para
estocar a matéria-prima, componentes, materiais em proces-
so, e produtos acabados, com certeza diminui os custos desta
operação, melhora a qualidade dos produtos e agiliza o tra-
balho”. Continuando, o autor reitera que esse método de tra-
tamento dos materiais “reduz o desgaste dos equipamentos de
movimentação e racionaliza os percursos internos, diminuindo
os custos de movimentação”. O melhor desempenho de um
sistema de armazenagem e movimentação de materiais e os
investimentos necessários nesse setor dependem da escolha
adequada do sistema operacional, da capacidade de inves-
timento da empresa e da qualificação do pessoal que atua
no setor. Porém, não há uma receita específica que se possa
adotar e que garanta a sua eficiência. O sistema deverá ser
alinhado às condições específicas de cada empresa, das ca-
racterísticas da área destinada a essa atividade, de aspectos
de armazenagem e movimentação exigidos pelos produtos da
empresa, e também pelas especificações dos matérias, estabe-
296 Gestão da Cadeia de Suprimentos
lecidas pelos fornecedores, com relação à necessidades (cui-
dados e prescrições) de armazenagem e de movimentação.
O autor Dias (2010, p. 165), fazendo referência aos fatores
que interferem na estratégia para a escolha dos equipamentos
que devem ser utilizados no sistema de armazenagem e mo-
vimentação de materiais, recomenda que sejam considerados
fatores importantes tais como:
a) material a ser transportado;
b) custo da implantação do sistema;
c) natureza da produção.
Dias (2010, p. 165) afirma que “os problemas e as ca-
racterísticas de um sistema de Almoxarifado/Depósito estão
relacionadas com a natureza do material movimentado e ar-
mazenado”.
Abaixo, está uma síntese do texto do autor elencando as
características que devem ser consideradas no caso:
a) Características quanto ao Estado Físico
Os materiais dessa categoria são os gases, líquidos, semi-
líquidos, pastosos e sólidos.
Caberá ao profissional da área de almoxarifado/depósito
buscar recursos para atender às exigências de especificações
de armazenagem, que são indicadas pelos fabricantes desses
tipos de materiais. Assim, cabines e salas climatizadas, salas
com temperaturas controladas e até mesmo a alteração de al-
gum tipo de estado físico, visando o aproveitamento de algum
Capítulo 14 Movimentação e Armazenagem de Materiais 297
equipamento específico, deve ser feito para se obter ganhos
de estocagem, eliminando possíveis perdas.
Os líquidos, semilíquidos e pastosos devem ter analisadas
as suas embalagens a fim de se determinar a melhor manei-
ra de manuseá-los. Por exemplo, se são usados tambores ou
bombonas para sua armazenagem, e isso também gerar gran-
de movimentação e operacionalidade, deve-se analisar o seu
consumo sempre, e optarmos por substituir esses tambores por
tanques de grande capacidade, com fornecimentos via cami-
nhões-tanques, em que o abastecimento é por via de válvula
e bomba, eliminando-se, assim, todo o manuseio e desgaste
com equipamentos e mão de obra, além de se obter ganhos
significativos em espaços.
Deve-se salientar também, que os operadores desses tipos
de materiais recebem valores adicionais em seus salários, por
periculosidade e insalubridade, o que requer um profissional
treinado para essas operações e manuseio específicos com es-
ses materiais. Assim, o risco de acidentes fica muito reduzido,
proporcionando que seu aproveitamento seja o máximo possí-
vel. Também deverão ser armazenados em áreas físicas espe-
cialmente preparadas, de tal modo que não estejam sujeitos às
modificações de seu estado físico, provocadas por alterações
ambientais, como altas ou baixas temperaturas.
b) Características quanto ao volume manipulado
O grupo de materiais abordado no item anterior também
se enquadra perfeitamente nessa característica.
298 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Os materiais que são manipulados em grandes quantida-
des e com grande frequência podem estar ligados às múlti-
plas etapas do processo porque passam nas diversas áreas,
indicando, assim, uma análise detida, pois podem ter altera-
das as suas características. Os materiais perecíveis são me-
lhor processados porque o seu tempo em produção é menor.
Porém, quando se considera a quantidade a ser armazenada
e transportada, é preciso levar em consideração, também, os
equipamentos existentes nas outras áreas de operação.
Não é prático duplicar um método quando um material si-
milar é transportado em condições iguais. Dias (2010, p. 165)
faz um alerta sobre isso, quando enfatiza que “a quantidade
manuseada de cada vez, nem sempre é um dado relevante,
pois em certas ocasiões grandes estoques são mantidos imobi-
lizados durante longo tempo, não justificando investimentos em
equipamentos especiais para armazená-los e transportá-los”.
Quanto à eficiência e eficácia de um bom sistema de ar-
mazenagem e movimentação, o autor Dias (p. 165) afirma
que estas podem ser medidas por alguns fatores. A seguir, está
uma síntese dos fatores citados pelo autor:
Redução de mão de obra direta, com a consequente
redução de custo no produto.
Liberação de mão de obra para ser mais bem aproveita-
da em outra atividade.
Melhor aproveitamento do material e dos seus meios de
movimentação.
Capítulo 14 Movimentação e Armazenagem de Materiais 299
Diminuição de perdas de materiais gerados por batidas
e impactos, e também por mau acondicionamento.
Melhora de condição de supervisão sobre o pessoal e
materiais, eliminando boa parte da burocracia de con-
trole.
A economia de Áreas úteis facilita e estimula os planos
de expansão.
Diminuição do grau de obsolescência dos materiais.
Layout fácil de ser acompanhado, não gerando pontos
de engarrafamento, que ocasionam atrasos e demora
na distribuição interna. Principalmente, em grandes áre-
as de depósitos.
Nos almoxarifados de componentes e matérias-primas, ge-
ralmente é usado o sistema de prateleiras para a armazena-
gem e a movimentação é feita pelos corredores laterais e entre
as prateleiras. No caso de peças que estão na parte superior
da prateleira, é recomendado o uso de escadas móveis, em
trilhos fixos, colocados ao longo da extensão das prateleiras, o
que facilita, agiliza e dá segurança para a retirada de peças.
Um outro modo de estocagem dos materiais com caracte-
rística de grandes volumes, seria a utilização de porta-pallets,
com o dimensionamento dos seus vãos, especificamente para
a armazenagem desses materiais.
O aspecto da embalagem a ser utilizada também é de
grande importância, pois dela dependerá a proteção dos ma-
teriais estocados.
300 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Assim, pode-se ter materiais estocados com embalagens
de papelão, de madeira, pallets com caixas de papelão e co-
bertos por um filme de polietileno (streetch) ou em tambores.
Na verdade, o tipo de material irá definir o tipo de emba-
lagem e sua conformação e resistência.
Os materiais inflamáveis (álcool, gasolina, óleos, graxas)
deverão ter um local apropriado para sua armazenagem, visto
que há lei específica para os mesmos. O seu manuseio tam-
bém requer cuidados especiais, sendo objeto de pagamento
de insalubridade e periculosidade. Por isso, o profissional que
opera deve ser bem treinado para ter condições do correto
manuseio, evitando riscose acidentes de trabalho, que podem
ser muito perigosos, dependendo do tipo de material estocado.
Os materiais volumosos, e que por isso mesmo ocupam
grandes espaços, geralmente são enfardados. Nesse grupo,
podemos incluir as celuloses, o algodão, a juta, aparas de
papel, lã, couro, peles, tecidos, resmas de papel, retalhos de
ferro, bagaço de cana. Seu acondicionamento é feito por es-
trados de madeira, para facilitar o transporte de empilhadei-
ras, ou de carros “paleteiros”. Recomenda-se muita cautela
no seu manuseio e técnicas seguras de empilhamento, pois há
informações de acidentes fatais por ausência de segurança na
estocagem.
A escolha do melhor sistema de estocagem de uma empre-
sa é feita em função de:
a) Espaço disponível.
b) Número de itens estocados e seus tipos.
Capítulo 14 Movimentação e Armazenagem de Materiais 301
c) Tipo de embalagem.
d) Velocidade de atendimento necessária.
Existem três classificações básicas de estocagem, segun-
do o autor Dias (2010, p. 196), considerando as operações
industriais de transformação de matérias-primas em produto
acabado. São elas:
1. Estocagem de Matéria-Prima
Algumas matérias-primas são estocadas a céu aberto (ma-
deira, celulose, lingotes de laminação, aço, alguns produtos
químicos), porém a grande maioria é estocada em pratelei-
ras. A decisão de se criar um único local de armazenagem da
matéria-prima, ou armazená-la junto ao ponto de consumo, é
considerada confrontando-se as vantagens de cada um desses
critérios.
“A armazenagem centralizada facilita o controle do In-
ventário, bem como uma melhor supervisão sobre o pessoal.
Também facilita o planejamento da produção, pois está junto
com o estoque e poderá fazer as suas verificações “in loco”.
Essa centralização também permite um melhor controle sobre
as peças ou produtos defeituosos, tornando o ato de rejeição
mais simples” (DIAS, 2010, p. 196).
“A armazenagem descentralizada (próxima ao consumo),
possibilita um inventário mais rápido, por meios visuais, e por
estar localizada junto aos pontos de utilização, minimiza os
atrasos ocasionados por enganos no envio dos materiais a
outros locais que não o de utilização” (DIAS, 2010, p. 196).
302 Gestão da Cadeia de Suprimentos
2. Estocagem Intermediária
“É a estocagem dos materiais já transformados, processados
ou fabricados parcialmente”. São também chamadas de pro-
dutos semiacabados, ou semielaborados. “Quando a arma-
zenagem desses materiais for centralizada, o uso de transpor-
tadores é o mais comum. Porém, quando for descentralizada,
poderá exigir pallets, caixas especiais e prateleiras junto ao
local de trabalho” (DIAS, 2010, p. 197).
3. Estocagem de Produtos Acabados
Segundo Dias (2010, p. 197), “é aquela feita para atender o
usuário, seja o de entrega imediata, seja o das encomendas
sob pedido”.
Atualmente, com o objetivo específico de atender o mais ra-
pidamente possível os pedidos dos clientes, quer sejam outras
empresas (pessoas jurídicas), quer sejam consumidores finais
(pessoas físicas), os produtos acabados são armazenados em
grandes centros de distribuição (CD’s), onde ocupam grandes
áreas de estocagem, e são movimentados por diversos tipos
de equipamentos/veículos para sua melhor e mais rápida mo-
vimentação. Geralmente, estão estocados em porta-paletes,
com espaços regulados de acordo com os tipos de embala-
gens utilizadas, e favorecendo o aproveitamento do espaço
vertical da área de estocagem. Os produtos acabados são,
então, colocados sobre paletes, de tal modo que possibilite o
fácil acesso às empilhadeiras, para a sua colocação ou retira-
da. Sobre essa forma de estocagem dos produtos acabados,
o autor Dias (2010, p. 198), traz um aspecto moderno na
Capítulo 14 Movimentação e Armazenagem de Materiais 303
movimentação desses produtos. Assim, o autor afirma: “estu-
dos foram feitos e hoje temos empilhadeiras com garfos teles-
cópicos ou que colocam e retiram paletes lateralmente com
torre de até 12 m de altura. O sistema evoluiu de tal maneira
que hoje a movimentação dos paletes é feita por equipamen-
tos denominados stacker-crane”. O autor explica o que é um
stacker-crane: “nada mais do que uma ponte rolante que se
movimenta na horizontal e na vertical, ou seja, a estrutura é
guiada por dois trilhos colocados no forro e no piso: a retirada
dos paletes é feita por garfos telescópicos lateralmente.” O
grande benefício desse sistema é o melhor aproveitamento dos
corredores na área de estocagem.
O autor Dias (p. 168) também relata que a evolução dos
sistemas de estocagem é muito rápida, e a cada momento no-
vos sistemas são estudados, também sempre calculando a re-
lação custo x melhor sistema a ser utilizado, ou calculando-se
o custo da implantação/adoção de um novo sistema, frente
às necessidades impostas pela maior rapidez e segurança na
estocagem, movimentação e distribuição dos produtos aca-
bados.
Concluindo esse aspecto da estocagem e movimentação
dos produtos acabados, o autor Dias (2010, p. 199) afirma.
“ao se decidir pelo melhor sistema de movimentação e esto-
cagem de materiais, devem ser considerados os diversos fabri-
cantes de embalagens e equipamentos (empilhadeiras, pale-
tes, porta-paletes, contêineres flexíveis etc.)”.
Os produtos acabados estão em grande número de itens/
produtos estocados, e são localizados, identificados e separa-
304 Gestão da Cadeia de Suprimentos
dos (picking) por sistemas de localização via RFID (rádio fre-
quência) e sistemas de códigos de barras e leitores ópticos
(scanners). Requerem muito controle do seu estoque, exigindo
grande movimentação de equipamentos e pessoal, tanto na
separação como na preparação para a expedição dos lotes,
aos diversos clientes, para atender aos mais diversos pedidos.
Normalmente, também exigem controles de entrega rápida
aos clientes, utilizando-se, para isso, de software dedicados
para esse tipo de gerenciamento, tais como TWS (Transpor-
tation Management System – Sistema de Gerenciamento de
Transportes) ou WMS (Warehouse Management System – Sis-
tema de Gerenciamento de Armazéns).
Além dos paletes e porta-paletes utilizados para o seu me-
lhor acondicionamento, outros tipos também são largamente
utilizados, principalmente, quando os produtos acabados não
ocupam grandes volumes de espaço físico, como é o caso das
pequenas peças ou produtos de pequeno porte. Nesse caso,
são utilizadas caixas plásticas ou metálicas, contêineres de vo-
lumes pequenos (até 1 m³, por exemplo), gaiolas metálicas,
com sapatas que permitem o encaixe umas nas outras, poden-
do favorecer o seu empilhamento.
A identificação das áreas de estocagem, dentro dos centros
de distribuição e/ou grandes armazéns, geralmente são feitas
por placas suspensas, indicando o tipo de produto que está ali
estocado, além das marcações no piso, indicando os limites
de cada área, assim como sinalizando as áreas de movimenta-
ção interna dos veículos, na maioria dos casos, empilhadeiras
movidas a gás, ou elétricas. Também é necessário atender às
sinalizações/marcações de segurança e riscos ambientais, exi-
Capítulo 14 Movimentação e Armazenagem de Materiais 305
gidos por Normas Regulamentadoras (NR’s), específicas para
essas atividades.
Outro aspecto importante a ser considerado, trata-se do em-
pilhamento máximo permitido para cada tipo de produto. Deve-
-se seguir as orientações indicadas pelo fabricante, e que de-
vem, necessariamente, estar impressas nas embalagens de cada
produto (por exemplo, empilhamento máximo 8 unidades).
1.2 Objetivos de uma boa Armazenagem
Os autores Martins e Laugeni (2006, p. 265), relacionam alguns
dos principais objetivos de um bom sistema de armazenagem.
Assim, segue abaixo uma síntese das indicações dos autores:
Permitir o correto funcionamento do sistemaPEPS/FIFO
(Primeiro que Entra é o Primeiro que Sai – em inglês First
In First Out).
A área de estocagem não deve interferir na qualidade
dos materiais.
A estocagem deve ser planejada para não alterar as
características dos materiais e também, para manter a
identificação clara dos itens estocados.
O bom armazenamento ajuda também a diminuir o es-
paço alocado, a estocagem dos materiais e consequen-
temente, os custos relacionados a ela.
Manter um sistema de informações rápido e eficaz para
os clientes.
306 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Quanto à identificação clara da identificação dos mate-
riais, vale salientar que isso traz como benefícios:
A identificação de materiais sem movimentação em um
determinado período.
Materiais semelhantes, porém estocados com descri-
ções diferentes e com códigos de identificação diferen-
te, quando poderiam estar todos sob o mesmo código e
denominação.
Excesso de estoque, provocando ocupação desnecessá-
ria de espaço, onde poderiam ser estocados outros tipos
de materiais/produtos.
1.3 Tópicos a serem Analisados nos
Almoxarifados e Depósitos
a) Mercadorias:
Os itens de maior movimentação, como os de grande peso
e volume, são colocados próximos ao local de embarque para
facilitar o manuseio.
b) Corredores:
As mercadorias sobre prateleiras requerem corredores a
cada duas filas. Os corredores principais e os utilizados para
embarque devem permitir o trânsito de duas empilhadeiras ao
mesmo tempo. A localização é estabelecida em função das
portas de acesso, elevadores etc. Entre as paredes e a linha de
prateleiras, são necessárias passagens de 60 cm de largura,
Capítulo 14 Movimentação e Armazenagem de Materiais 307
para dar acesso às instalações para combate a incêndio, con-
forme determina a Legislação específica.
c) Pilhas de Materiais:
As pilhas devem ter sua altura limitada a um metro abaixo
dos “sprinklers” contra incêndios, instalados no teto. A altura
máxima é de 5 pilhas, devido a limitações dos equipamentos
de elevação e ao custo de área muito alta. Também devem
seguir a orientação dos fabricantes de embalagens quanto ao
limite máximo de empilhamento por embalagem.
d) Portas:
Devem permitir a passagem de empilhadeiras carregadas.
Têm normalmente 2,4 m de altura e igual largura.
e) Piso:
Devem ser de concreto para suportar o peso dos materiais
estocados e o trânsito de empilhadeiras carregadas. O piso
para empilhadeiras elétricas deve ser especial. Geralmente, os
pisos especiais são construídos de modo que venha a suportar
os diferentes tipos de veículos internos que trafegam carrega-
dos e devem ser acabados com uma resina à base epóxi, que
permite que sua superfície fique livre de ondulações ou sulcos,
que possam dificultar o seu tráfego.
f) Área de Embarque:
Deve possuir plataforma de operação, rampas de acesso
dos caminhões e abas para a proteção dos operadores e dos
materiais, em dias de chuva. Deve haver uma zona de circula-
308 Gestão da Cadeia de Suprimentos
ção para carros paleteiros e empilhadeiras para operação de
carregar o caminhão/carreta.
g) Escritórios:
Devem estar localizados próximos aos pontos de embar-
que. Seu tamanho varia de acordo com o número de pessoas
fixas que nele trabalham. Geralmente, possibilitam ampla vi-
são da área de embarque, para melhor controle da operação.
h) Outras Instalações:
Conforme determina a legislação, os Almoxarifados e
Depósitos devem estar equipados com equipamentos contra
incêndio, como extintores, alarmes, sprinklers. A iluminação
deve estar localizada nos corredores e próximos às prateleiras.
Ar condicionado vai depender do tipo de material estocado,
assim como controle de umidade e depósito de combustíveis
inflamáveis. Também os materiais químicos deverão ter local
apropriado.
1.4 Equipamentos de Movimentação
O autor Reinaldo Moura (1997), define a movimentação de
materiais como “a arte e a ciência do fluxo de materiais, en-
volvendo a embalagem, movimentação e estocagem”.
O autor afirma também que “os equipamentos não são
os únicos requisitos necessários na solução de um problema
de movimentação de materiais”. Na realidade, as técnicas e
práticas do estudo do trabalho sugerem:
Eliminar os movimentos.
Capítulo 14 Movimentação e Armazenagem de Materiais 309
Combinar os movimentos com algumas outras funções,
tais como: processo, inspeção, pesagem etc.
Trocar a sequência de atividades para reduzir, eliminar
ou alterar as rotas de movimentos.
Simplificar os movimentos para diminuir o alcance, ex-
tensão ou distâncias a serem percorridas, ou para aper-
feiçoar o método, ou a seleção de equipamentos”.
a) Os tipos Básicos de Equipamentos de Movimentação
de Materiais
Segundo Moura (1989, p. 11), “existem cinco tipos básicos
de equipamentos de movimentação e armazenagem de mate-
riais”:
1) Veículos industriais.
2) Equipamentos de elevação e transporte.
3) Transportadores contínuos.
4) Recipientes e unitizadores.
5) Estruturas de estocagem.
Existem subdivisões de cada um desses tipos. Moura (1989,
p. 11) apresenta os conceitos e as subdivisões respectivas, que
estão elencadas a seguir:
1) Veículos Industriais: são mecanismos equipados com ro-
das e empregadas para mover cargas mistas ou uniformes,
em caminhos variáveis com superfície adequada em que
a função primária é manobrar o transporte (grifo do
310 Gestão da Cadeia de Suprimentos
autor). Exemplos: carrinhos industriais, empilhadeiras, re-
bocadores, poliguindastes, colchões de ar.
2) Equipamentos de elevação e Transporte: são dispositivos
aéreos ou elevados, utilizados para movimentar cargas
variadas, intermitentemente, entre dois pontos, dentro de
uma área limitada pelos trilhos de apoio e guias, em que a
função básica é a transferência (grifo do autor). Exem-
plos: pontes rolantes, guindastes, guindastes giratórios,
elevadores, talhas.
3) Transportadores Contínuos: são dispositivos mecânicos
ou por gravidade, comumente utilizados para transpor-
tar, continuamente, cargas uniformes de um ponto a ou-
tro, sobre trajetória fixa, em que a função primária é o
transporte (grifo do autor). Exemplos: transportadores
de rolos, transportadores de correia, rampas ou calhas,
transportadores aéreos, correntes transportadoras e trans-
portadores pneumáticos.
4) Recipientes e Unitizadores: são dispositivos de uso repeti-
tivo, destinados a conter e proteger o material no ciclo de
movimentação e armazenagem. São exemplos comuns:
caixas, caçambas, paletes, berços, contenedores e paleti-
zadores.
5) Estruturas de Estocagem: são estruturas constituídas por
perfis modulares dispostos de modo a formarem pratelei-
ras, berços e outros dispositivos de sustentação de cargas.
São exemplos comuns: estanterias, estruturas porta-pa-
letes, armazéns estruturais, silos, tanques e reservatórios,
transelevadores.
Capítulo 14 Movimentação e Armazenagem de Materiais 311
REFERÊNCIAS DO CAPÍTULO 14
DIAS, Marco Aurélio P. Administração de Materiais: princípios,
conceitos e gestão. São Paulo: Atlas, 2010.
MARTINS, Petrônio G. : LAUGENI, Fernando P. – Administração
da Produção.
2ª ed. São Paulo: Saraiva, 2006.
MOURA, Reinaldo A. Manual de Movimentação de Materiais.
IMAM, São Paulo, 1989.
MOURA, Reinaldo A. Manual de Logística: Armazenagem e
Distribuição Física. IMAM, São Paulo, v.2, 1997.
EXERCÍCIOS
1. Comente o que precisa ser analisado para se definir a me-
lhor forma de movimentação de um material.
2. Justifique a importância das embalagens no sistema de es-
tocagem de um material.
3. Comente pelo menos dois tipos de equipamentos que você
recomendaria que fossem utilizados na movimentação de
materiais em um supermercado e no almoxarifado de um
atacadista.4. Justifique um sistema de estocagem para:
a) Materiais de uma loja de material elétrico.
b) Materiais de uma loja de produtos químicos.
312 Gestão da Cadeia de Suprimentos
c) Materiais de uma loja de produtos hortifrutigranjeiros.
5. Com base nas afirmativas abaixo, assinale a opção incor-
reta:
( a ) A função básica dos veículos industriais é a manobra
do transporte.
( b ) O empilhamento dos materiais deve considerar a limi-
tação dos equipamentos de elevação de carga.
(c ) Recipientes e unitizadores são dispositivos de uso inter-
mitente para a transferência de materiais de um ponto
a outro da área de movimentação.
(d ) Um dos objetivos de uma boa armazenagem é manter
um sistema de informações rápido e eficaz para os
clientes.
(e ) Os tipos de embalagem utilizadas interferem na forma
de estocagem dos produtos acabados.
GABARITO
1 Com base no texto do capítulo, e em leituras complemen-
tares, o aluno poderá identificar os fatores que devem ser
considerados no momento de se definir a forma de movi-
mentação dos materiais, ao longo do layout estabelecido.
2 Também com base no texto, e em leitura especifica so-
bre a utilização e características das embalagens, o aluno
deverá justificar porque as embalagens são importantes
elementos do sistema de estocagem de uma empresa.
Capítulo 14 Movimentação e Armazenagem de Materiais 313
3 As operações de movimentação em supermercados ou
em almoxarifados de atacadistas são muito conhecidas.
Assim, a partir desse conhecimento, acrescido de leituras
complementares sobre os equipamentos de movimentação
de materiais, o aluno terá condições de propor o uso de
algum desses equipamentos solicitados na questão.
4 Considerando a natureza dos materiais indicados na ques-
tão, o aluno deverá indicar o sistema mais adequado a ser
adotado em cada caso.
5 a .
Modais de Transporte I1
1 Mestre em Ciências Empresariais, consultor e professor adjunto da Universidade
Luterana do Brasil - ULBRA.
Alexandre da Silva Paim1
Capítulo 15
Capítulo 15 Modais de Transporte I 315
Como estamos? Onde estamos?
Prezado(a) aluno(a):
Neste capítulo, é apresentada uma classificação para os
modais de transporte de carga e são abordados em detalhes
os modais aquaviário e aéreo.
São examinados os tipos de veículos e suas capacidades e
velocidades para que você tenha uma noção das peculiarida-
des de cada um desses modais e sua aplicação. São dadas in-
formações sobre portos e aeroportos por serem fundamentais
para entender os problemas logísticos do país.
Também são mostradas as principais passagens marítimas
e tempos estimados de viagem para que você possa ter uma
noção da realidade do setor.
15.1 Modais de transporte
Nos transportes de carga, atualmente, são usados cinco mo-
dais: rodoviário, ferroviário, aquaviário, aeroviário e dutoviário.
O modal aéreo pode ser dividido em internacional (tam-
bém chamada de longo curso) e doméstico (também chamada
de cabotagem).
O modal aquaviário é dividido em navegação marítima,
feita nos mares e oceanos, e a navegação de interior, feita
no interior dos continentes em rios, lagos e canais. As em-
barcações usadas nesses dois tipos de navegação são bem
diferentes.
316 Gestão da Cadeia de Suprimentos
A navegação marítima pode ser dividida em duas: a nave-
gação de longo curso (internacional, ou seja, realizada en-
tre portos de países diferentes) e a navegação de cabotagem
(aquela feita entre os portos do mesmo país).
A navegação de interior pode ser separada em navegação
lacustre (em lagos) e fluvial (feita em rios). Ela é uma navega-
ção predominantemente de “água doce”.
Iremos detalhar então a seguir os modais aquaviário e aéreo.
15.2 Modal Aquaviário
A agência reguladora desse modal é a ANTAQ – Agência Na-
cional de Transportes Aquaviários.
Esse modal tem como características mais importantes o
fato de utilizar veículos (embarcações) que possuem grande
capacidade de carga em termos de peso e volume e baixa
velocidade de deslocamento.
Os custos de tripulação e combustível (variáveis) desse mo-
dal são inferiores aos dos modais rodoviário e ferroviário, mas
as despesas com entrada e saída do navio e as taxas portuá-
rias (ver quadros a seguir) fazem com que esse modal só seja
mais barato para distâncias maiores que 1 500 km.
As despesas com entrada e saída de navios envolvem todo
o processo de chegada e saída do navio do porto e são apre-
sentadas no quadro a seguir.
Capítulo 15 Modais de Transporte I 317
Quadro 1 Componentes das despesas com entrada e saída de navios
Taxas de
Atracação
Pagamentos à administração do porto pela utilização
das instalações de acostagem ou atracação – cais,
píeres ou dolfins de amarração, incluindo-se as
despesas com defensas e amarradores. Essas taxas são
cobradas em função do comprimento do navio e do
tempo em que ele permanece atracado.
Praticagem
Pelos serviços de condução dos navios no canal de
acesso e manobras nas bacias de evolução e atracação
das embarcações em águas restritas do porto, desde o
embarque do prático na barra até a área de fundeio ou
área de atracação e vice-versa. Nesses serviços, devem
ser incluídos o transporte do prático e de autoridades
em lanchas.
Rebocador
Pelos serviços de rebocador para auxílio às manobras
em bacias de evolução e nos canais de acesso e na
atracação e desatracação das embarcações
Agenciamento
Pelos serviços de assistência geral à escala do navio
prestados pela Agência de Navegação, inclusive
requisição de práticos, de rebocadores, de vigias, e,
ainda, coordenação das atividades dos operadores
portuários, relacionamento com a administração do
porto, pagamento de taxas e serviços em nome do
armador.
Outros
Despesas com vigias portuários de portaló, despacho
do navio, tradução de manifestos, despesas de
comunicação, contribuições a entidades de classe
(CNNT e Fenamar), transporte e serviços de táxi para
tripulantes e os não especificados.
Fonte: ANTAQ (2014).
As taxas portuárias surgem após a atracação do navio até
sua desatracação. São custos que ocorrem enquanto o veículo
se encontra parado no porto e são detalhados no quadro a
seguir.
318 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Quadro 2 Componentes das tarifas portuárias
Utilização da
Infraestrutura
Marítima, ou
de acesso e
abrigo do porto
(Inframar) ou
TUP
Pela utilização do acesso marítimo e das águas
abrigadas e profundas das áreas de fundeio, de
evolução e atracação dos navios. Em alguns portos
essas taxas recebem denominação distinta, mas em
geral correspondem às antigas Taxas de Utilização do
Porto (TUP), sendo cobradas por unidade, no caso de
contêineres, ou por tonelada, para as demais cargas.
Utilização da
Infraestrutura
Terrestre -
Infraport
Pela utilização das instalações terrestres para as
operações de carregamento/descarregamento de
mercadorias – cais, acessos terrestres, armazéns e
pátios de trânsito, instalações especializadas e vias
de circulação internas, e, ainda, as benfeitorias e
serviços respectivos, tais como iluminação, drenagem,
abastecimento entre outros.
Equipamentos
Pelo aluguel de equipamentos para movimentação
de cargas: portêineres e transtêineres, stackers e
empilhadeiras, guindastes, caminhões e bogies, para
o caso de contêineres, ou guindastes com grabs,
sugadores, descarregadores ou carregadores ou
outros equipamentos especializados pertencentes
à administração do porto. Nos casos em que as
operações a bordo foram feitas com equipamentos
do próprio navio e, em terra, com equipamentos de
terceiros, esse item não deve constar.
Mão de obra
de terra
Valores pagos para remuneração da mão de
obra de terra utilizada na prestação de serviços
de movimentação de cargasna área do porto
organizado. Nos portos pesquisados, aparecem com
diferentes denominações: capatazias, mão de obra
locada ou movimentação de mercadoria.
Outras tarifas
Valores pagos à administração do porto pela
prestação de serviços diversos nas operações de
carregamento e descarregamento de mercadorias,
não incluídas nos itens acima, tais como transporte
interno, pesagem e outras não especificadas.
Fonte: ANTAQ (2014).
Capítulo 15 Modais de Transporte I 319
Os custos de manuseio ocorrem enquanto o veículo se en-
contra parado no porto e estão associados à movimentação
e armazenamento da carga ou manutenção de embalagens
conforme pode ser visto no quadro a seguir.
Quadro 3 Componentes dos custos de manuseio
Estiva/
Desestiva
Pagamento de mão de obra avulsa para os serviços a
bordo do navio (estivadores), inclusive encargos e leis
sociais e taxa de administração.
Conferentes
Despesas com mão de obra avulsa para os serviços
de conferência das cargas nas operações de
carregamento e descarregamento, inclusive encargos e
leis sociais e taxa de administração.
Consertadores
Despesas com mão de obra avulsa para consertar
sacarias, fardos e outras embalagens, inclusive
encargos e leis sociais e taxa de administração.
Peação/
Despeação
Dispêndios com a mão de obra de trabalhadores avulsos
(em geral de bloco), utilizada na fixação dos contêineres
e outros volumes nas baias e conveses dos navios,
inclusive encargos e leis sociais e taxa de administração.
Rechego
Gastos com mão de obra e equipamentos nos serviços
de ajuntamento das cargas a granel, no final da
descarga, com a limpeza dos porões, e também na
complementação de carregamentos, inclusive encargos
e leis sociais e taxa de administração.
Arrumadores/
Portuários
Despesas com mão de obra avulsa para a execução
de serviços em terra, quando não fornecidas pela
administração portuária, inclusive encargos e leis
sociais e taxa de administração.
Outros
Vistoria de lacres, remoções, transporte de mão de
obra, horas extras, alimentação, água, ambulância e
custos sem especificação.
Administração
Taxas pagas aos sindicatos de mão de obra avulsa
ou ao órgão Gestor de Mão de obra (OGMO) para
administração do fornecimento da mão de obra
avulsa, quando não incluídas nos itens acima.
Fonte: ANTAQ (2014).
320 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Como as características da navegação marítima e da nave-
gação de interior são diferentes, abordaremos cada uma delas
separadamente.
15.2.1 Modal Aquaviário marítimo
Os principais Órgãos que atuam no modal aquaviário são a
ANTAQ (Agencia Nacional de Transporte Aquaviário), o MT
(Ministério dos Transportes), o IMO (International Maritime Or-
ganization) e o TM (Tribunal Marítimo).
Entre as empresas que atuam na navegação, podemos ci-
tar o armador (“arma” o navio com combustível, tripulação,
alimentos etc.), a Agência Marítima, o Despachante Aduanei-
ro, a Comissária de Despachos, o Transitário de Carga (Freight
Forwarder ou Forwarding) e o Cargo Broker.
A Figura 1 apresenta as principais passagens marítimas e
rotas de navegação de navios porta-contêiner e os principais
portos que movimentam contêiner. Duas dessas passagens são
bem conhecidas e foram feitas pelo Homem: o canal de Suez
e o canal do Panamá.
Capítulo 15 Modais de Transporte I 321
Figura 1 Passagens marítimas importantes: (1) canal do Panamá, (2)
estreito de Magalhães e cabo Horn, (3) cabo da Boa Esperança, (4)
Canal de Suez no Egito, (5) estreito de Gibraltar, (6) estreito de Bab-el-
Mandab, (7) estreito de Hormuz, (8) estreito de Malaca.
Fonte: Adaptado de Rodrigue, J.P., Containarization International. Dept. of
Economics & Geography, Hofstra University, 2006.
Os grandes navios de longo curso atracam apenas nos
principais portos (hub ports ou portos concentradores). Estes
são abastecidos de carga (contêineres, no caso) pelo feeder
service, (serviço de abastecimento) que são embarcações me-
nores que operam na cabotagem para apoio ao transporte
marítimo de longo curso levando (ou trazendo) contêineres
para (de) portos menores.
As velocidades típicas de embarcações de navegação
marítima ficam entre 20 km/h e 50 km/h e a velocidade mé-
dia na cabotagem no Brasil é de em torno de 30 km/h.
322 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Se lembrarmos que o perímetro da Terra (uma volta ao mun-
do seguindo ao longo da linha do equador) é 40 000 km e que
países como a China e o Japão estão praticamente do outro
lado do globo (e não é possível seguir o menor caminho devido
aos continentes) tem-se que esses países se encontram a mais
de 20 000 km do Brasil. Considerando as velocidades típicas
dos navios e as distâncias envolvidas (e o fato de poder haver
escalas em mais de um porto) tem-se que uma viagem ao Ja-
pão ou China (ou países próximos) demora de 30 a 60 dias.
Viagens de cargueiros para Europa ou Estados Unidos du-
ram tipicamente de 15 dias a 30 dias.
Os navios possuem capacidades de carga de em torno de
20 000 t até mais de 300 000 t. Vamos ver alguns tipos de
navios e examinar como são dimensionados.
A capacidade de transportar carga de uma embarcação é
dada pelo seu porte. Normalmente, a capacidade dos navios
é indicada em toneladas de porte bruto (TPB ou DWT – dead-
-weight), que é o peso que pode ser transportado em carga,
combustível e equipagem (tripulação + pertences).
Figura 2 Navios graneleiros típicos na hidrovia do lago Guaíba.
Capítulo 15 Modais de Transporte I 323
Na Figura 2, podem ser vistos dois navios que se encon-
tram com pouca ou nenhuma carga, pois se percebe pela pin-
tura (e pela hélice parcialmente fora da água) que estão pouco
afundados na água (calado em torno de 5 m). Um navio com
plena carga afundaria até o nível da água atingir a linha que
separa a cor preta da cor vermelha no casco, atingindo seu
calado máximo (em torno de 12 m para os navios em ques-
tão). Isso ocorre porque o calado máximo permitido para cir-
culação de embarcações na hidrovia do lago Guaíba (porto
de Porto Alegre, RS) é de 17’ (17 pés, ou seja 5,18 m). Assim,
para que possam trafegar pela hidrovia sem encalhar, necessi-
tam vir quase vazios para manter o calado baixo.
O Quadro 4 apresenta a profundidade de alguns portos na
costa brasileira.
Quadro 4 Profundidade de alguns portos marítimos brasileiros.
Porto Profundidade (m)
Santos – SP 12,8
Rio Grande – RS 14
Itaguaí – RJ 14,5 / 18,1
Itaqui – MA 12
Vitória – ES 11,4
Rio de Janeiro – RJ 10 / 13,3
Suape – PE 15
Paranaguá – PR 8,5 / 11,8
Fonte: Paiva (2009)
Os tipos de embarcações são muito variados, mas alguns
são mais usados. Iremos examinar superficialmente suas ca-
racterísticas.
324 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Os navios graneleiros (Bulk Carrier) são especializados no
transporte de granel sólido. Aqueles que transportam trigo e
soja (farelo e grão) costumam variar de 50 000 TPB a 75 000
TPB. Já os que transportam açúcar são de menores dimensões
(de 12 000 TPB a 25 000 TPB).
De acordo com o Lloyd’s Register (órgão classificador inter-
nacional de navios) os navios graneleiros são classificados em
4 grupos de acordo com intervalos de capacidade de carga:
a) Handy-Size de 20 000 TPB a menos de 35 000 TPB
(tem elevada eficiência em termos de consumo de
combustível e de oportunidade de utilização, podem
trafegar nos canais1 do Panamá e de Suez);
b) Handymax de 35 000 TPB a menos de 50 000 TPB
(transporte especializado de minérios e outros granéis);
c) Panamax de 50 000 TPB a menos de 80 000 TPB
(tamanho máximo para passar no canal do Panamá,
calado 12m); e
d) Cape-Size maior que 80 000 TPB (tão grandes que não
conseguem passar nos canais do Panamá e de Suez).
Um navio do tipo Malaccamax é um porta-contêineres
com 300 000 TPB ou 18 000 TEU(tamanho máximo para
passar no estreito de Malaca2, calado 20 m), 470 m de com-
primento e 60 m de boca.
1 Para saber onde ficam os canais do Panamá e de Suez ver Figura 1.
2 Para saber onde fica o estreito de Malaca ver Figura 1.
Capítulo 15 Modais de Transporte I 325
Os navios do tipo carga geral (General Cargo Ship) trans-
portam carga geral seca, normalmente embalada, transporta-
da em volumes individuais (breakbulk) ou paletizada (unitiza-
da). Eles são divididos em porões (usualmente 3 a 5) e decks
(ou andares de carga, tipicamente 3 ou 4).
Embarcações do tipo frigorífico (reefer) também possuem
decks e porões, apenas que são refrigerados.
Navios do tipo tanque (Tanker) transportam granel líquido
e são semelhantes aos de granel sólido, pois possuem divisões
em porões, mas não divisões em decks. Possuem bombas para
carregar e descarregar os produtos. Petroleiros são um exem-
plo de navios tanque.
Os navios RO-RO (Roll-On Roll-Off) são próprios para o
transporte de veículos que entram e saem rodando do mesmo
por meio de rampas na lateral (costado) ou na parte de trás
(popa). São uma espécie de garagem flutuante com muitos
andares e rampas de acesso aos mesmos.
Navios multicarga (Multi-Purpose Ship) são embarcações
versárteis que permitem transportar grãos, carvão, minérios e
produtos siderúrgicos.
Os navios porta-container (Full Container Ship) transpor-
tam todos os tipos de contêiner em seu interior e empilhados
no exterior. Suas capacidades têm continuamente aumentado,
já atingindo a marca de 18 000 TEU (ver Tabela 1).
326 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Tabela 1 Evolução do porte dos navios que trasportam contêiner
PERÍODO GERAÇÃO CAPACIDADE Comp. x Larg. x Calado TIPO DE
NAVIO
1956 – 1970 1a. 1000TEU 135m a 200m x 25m x
10,3m
Carga geral
e petroleiro
convertido
1970 – 1980 2a. 2000TEU 215m x 25m x 11m Porta-contêiner
1985 3a. 4000TEU 215m a 290m x 32m x 12m Panamax
1986 – 2000 4a. 4000 a 5000TEU 275m a 305m x 42m x 14m Post-Panamax
2000 – 2006 5a. 5000 a 9000TEU 335m x 45,6m x 15m Post-Panamax
2007 – 2009 6a. 9000 a 18000TEU 397m x 56,4m x 15,5m Malaccamax
Fonte: Adaptado de ANTAQ (2009).
15.2.2 Modal Aquaviário de Iterior (fluvial e lacustre)
A navegação de interior apresenta as mesmas características
gerais do modal aquaviário, mas apresenta algumas caracte-
rísticas específicas. Uma característica específica negativa é o
fato de que a capacidade de transporte é variável ao longo do
ano em função do nível de água dos rios.
Diferentemente do transporte marítimo, na navegação de in-
terior, as rotas ou vias são fixas, limitando-se às hidrovias. E nem
todos os rios são naturalmente navegáveis. Em alguns, devido
a um desnível observado em alguns trechos, há a necessidade
de construir eclusas (equipamentos que elevam o navio do nível
inferior do rio ou lago para o nível superior, ou vice versa) que
permitam aos navios a transposição desses desníveis. Isso pode
fazer com que sejam necessários investimentos elevados para
tornar as hidrovias navegáveis ao longo de percursos maiores.
A navegação de interior utiliza basicamente balsas, cha-
tas, barcaças, pequenos barcos, bem como navios de médio
Capítulo 15 Modais de Transporte I 327
e grande porte, sempre dependendo das finalidades a que se
destina e do calado máximo permitido. A Figura 3 apresenta
uma embarcação típica usada em navegação interior.
Figura 3 Barcaça usada no transporte de fertilizantes e suas matérias-
primas na hidrovia Guaíba-Lagoa dos Patos no Rio Grande do Sul
A Figura 4 apresenta um comboio de chatas, que é com-
posto por um empurrador e diversas chatas presas umas às
outras de modo a formar um bloco único.
Figura 4 Comboio fluvial mostrando um empurrador e 9 chatas
protegidas com cobertura plástica.
328 Gestão da Cadeia de Suprimentos
A Figura 5 apresenta um comboio menor e suas dimen-
sões. Cada hidrovia tem características como profundidade,
sinuosidade, largura, pontes etc. que irão determinar o tipo de
comboio mais adequado.
Figura 5 Comboio do tipo Sobradinho usado no rio São Francisco
consistindo de um empurrador e 4 chatas. Cada chata tem capacidade de
500 t com calado máximo 2,50 m. O comboio tem capacidade de 2 000 t.
Os comboios podem ter capacidades muito variadas como
mostra a Figura 6, desde comboios pequenos de 2 200 t até
comboios enormes com 22 500 t.
Figura 6 Capacidade de carga de alguns comboios de chatas típicos
usados em rios do Brasil comparados com um comboio típico usado no
rio Mississipi nos Estados Unidos.
Capítulo 15 Modais de Transporte I 329
15.2 Modal Aeroviário
Órgãos Intervenientes nesse modal são a ANAC (Agencia Na-
cional de Aviação Civil), o MA (Ministério da Aeronáutica), a
INFRAERO (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuá-
ria), a IATA (International Air Transport Association), as Compa-
nhias Aéreas e os Agentes de Carga IATA.
As características mais marcantes desse modal são as al-
tas velocidades e a baixa capacidade de carga. A velocidade
típica de aviões a jato é 900 km/h. Quanto à capacidade de
carga, depende do modelo do avião e de quanto de seu espa-
ço é dedicado ao transporte de carga.
Aviões do tipo Full Pax (All Pax) são configurados para
transportar apenas passageiros no deck superior (ver Figura
7) e bagagem no deck inferior (porão). Na eventual sobra de
espaço no deck inferior, este pode ser completado com carga
paga. Um avião do tipo Boeing 747 poderá transportar ape-
nas 14 t (90 m3), no deck inferior, se for configurado como Pax,
já na configuração cargueiro, pode transportar até aproxima-
damente 100 t.
330 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Figura 7 Portas de embarque de carga em um Boeing 747.
Aviões configurados como All Cargo (Full Cargo) transpor-
tam somente carga. A Figura 7 apresenta os pontos de entrada
e saída de carga em um avião a jato Boeing 747 (o “Jumbo”).
As portas superiores (setas vermelhas) permitem o embarque
de carga no deck superior (upper deck) e as portas inferiores
(setas azuis) permitem o embarque de carga no deck inferior
(lower deck).
Tabela 2 Capacidades típicas de carga de aeronaves em toneladas e em m3
Modelo Capacidade
Airbus A380 150 t / 1 100 m3
Antonov 124 115 t / 770 m3
Boeing 747 100 t / 600 m3
MD 11 60 t / 400 m3
Boeing 737 15 t / 90 m3
MD 11 25 t / 150 m3
Fonte: Transportes e Seguros no Comércio Exterior - Samir Keedi/Paulo C. C. de
Mendonça.
As cargas são embarcadas em contêineres aéreos confor-
me mostra a Figura 8.
Capítulo 15 Modais de Transporte I 331
Figura 8 Avião All Cargo sendo carregado com contêineres aéreos.
Aviões configurados como Combi são mistos, ou seja,
transportam no upper deck (andar superior) passageiros na
parte da frente e carga na parte de trás e no lower deck (andar
inferior) transportam bagagem e carga paga.
As capacidades de transporte de carga do avião não de-
pendem apenas dele, mas também do aeroporto de onde
decola. A Figura 9 mostra a distância máxima que o Boeing
747 pode atingir com carga máxima (111 t) e com 80% (89 t)
da carga (menos carga permite levar mais combustível e voar
mais longe) para dois comprimentos de pista. Percebe-se que
o tamanho da pista influencia significativamente na relação
carga versus distância atingível.
332 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Figura 9 Alcance de avião Boeing 747 all cargo a partir do aeroporto
Salgado Filho (Porto Alegre - RS) com a pista atual (circulos verdes A e B)
de 2200 m e após ampliação para 3300 m (circulos vermelhos C e D).
Glossário
AWB (Airway Bill) é como é chamado o conhecimento de
transporte aéreo.
B/L (Bill of Lading) é como é chamado o conhecimento de
transporte marítimo
Barcaças são embarcações de fundo chato, reforçada,
usada para transportargrandes quantidades de cargas, tais
como cimento, carvão, toras, óleo, areia e açúcar. Algumas
barcaças são empurradas ou puxadas por rebocadores. Ou-
tras são propulsionadas por seus próprios motores.
Batelões e chatas são tipos de barcaças usadas principal-
mente em águas paradas, como em baías.
Capítulo 15 Modais de Transporte I 333
Chata é uma barca de fundo chato, para dragagem ou
outros serviços. Embarcação forte, de duas proas, fundo chato
e pequeno calado.
Calado é a distância desde o nível da água até o fundo
externo da embarcação dada normalmente em pés (1pé = 1’
= 0,3048 m)
Canal é o local escavado do rio por onde circulam os
navios.
Eclusas são construções destinadas a fazer embarcações
vencerem desníveis em rios e canais. São grandes reservató-
rios, com comportas, que se enchem e esvaziam para fazer
com que os navios subam ou baixem de um nível de água
para outro. No caso do canal do Panamá, os navios passam
por várias eclusas subindo até o lago Gatum por onde seguem
até próximo ao outro oceano quando passam novamente por
várias eclusas descendo até o nível do mar.
Frete representa o montante recebido pelo armador como
remuneração pelo transporte da carga. O frete marítimo não
deve ser confundido com a tarifa de frete.
334 Gestão da Cadeia de Suprimentos
Tarifa de frete é um valor registrado, pelo armador, em
tarifário. Em geral, a tarifa de frete é representada por um va-
lor em dólares norte-americanos acompanhado da cotação,
que pode ser em tonelada, em metro cúbido ou nessas duas
unidades.
Lastro é água que é colocada em tanques no navio para
compensar a falta de peso da carga quando vazios.
Prático é a pessoa que faz as manobras do barco, para
auxiliar no processo de atracar o navio.
Referências Bibliográficas
ANTAQ (Agência Nacional de Transportes Aquaviários). Meto-
dologia para cálculo dos preços médios dos serviços por-
tuários. Disponível em: <http://www.antaq.gov.br/portal/
DesempenhoPortuario/2009/Metodologia.htmL>. Acesso
em: 29 Jan 2014.
ANTAQ (Agência Nacional de Transportes Aquaviários). Sub-
sídios técnicos para a identificação de áreas destinadas à
instalação de portos organizados ou autorização de termi-
nais de uso privativo em apoio ao plano geral outorgas.
Brasília, 2009.
KEEDI, Samir; de MENDONÇA, Paulo C. C. Transportes e Se-
guros no Comércio Exterior.
INFRAERO. Disponível em: <http://www.infraero.gov.br/>.
Acesso em: 4 Fev 2014.
Capítulo 15 Modais de Transporte I 335
PAIVA, G. C. Hub port : Impactos na competitividade de expor-
tadores e importadores. Fortaleza: ANTAQ, 2009.
RODRIGUE, J.P. Containarization. International Dept. of Eco-
nomics & Geography, Hofstra University, 2006.
Atividades
1) A partir dos estudos desenvolvidos neste capítulo, marque
(X) somente na resposta verdadeira. O custo puro é carac-
terizado por:
A. ( ) “Chatas” são embarcações desenvolvidas para alto
mar, não sendo usual seu uso em lagos e rios.
B. ( ) O Canal de Suez é uma passagem importante para o
comércio internacional e fica na América Central.
C. ( ) Comboios de chatas são compostos por diversas cha-
tas presas umas às outras e movidas por um empurrador.
D. ( ) Navegação de longo curso é toda aquela cuja distân-
cia percorrida (km útil) ultrapassa 1.500 km.
2) A partir dos estudos desenvolvidos neste capítulo, marque
(X) somente na resposta verdadeira. Custo/diferenciação é
caracterizado por:
A. ( ) Cabotagem é toda navegação marítima entre portos
de países diferentes.
B. ( ) Os navios de carga ficam em geral na faixa de 3 000
a 10 000 toneladas.
336 Gestão da Cadeia de Suprimentos
C. ( ) Um navio com calado de 4,5m pode atracar no porto
de Porto Alegre (profundidade em torno de 5,5m).
D. ( ) As velocidades médias dos navios cargueiros ficam
entre 60 km/h e 80 km/h.
3) A partir dos estudos desenvolvidos neste capítulo, marque
(X) somente na resposta verdadeira. Diferenciação/custo é
caracterizado por:
A. ( ) Caso você deseje embarcar uma carga de 5.000 au-
tomóveis para o Oriente Médio em uma única viagem, o
navio mais indicado seria do tipo RO-RO.
B.( ) Conforme se esvazia um navio, seu calado aumenta.
C. ( ) Uma viagem de navio cargueiro do porto de Santos a
um porto na China normalmente leva de 10 a 15 dias.
D. ( ) Uma eclusa é um equipamento para proteger a carga
das intempéries em navios graneleiros.
4) A partir dos estudos desenvolvidos neste capítulo, marque
(X) somente na resposta verdadeira. Flexibilidade de mix de
produtos pode ser caracterizada por:
A. ( ) Combi é um avião que pode transportar tanto carga
civil como militar (carga combinada, daí o nome combi).
B. ( ) O que determina se um avião é cargueiro é o seu po-
rão (lower deck).
C. ( ) Quanto mais combustível um avião levar, mais carga
poderá transportar.
Capítulo 15 Modais de Transporte I 337
D. ( ) Quanto mais longa a pista de um aeroporto, maior
carga pode levar o avião (até atingir sua capacidade
máxima).
5) A partir dos estudos desenvolvidos neste capítulo, marque
(X) somente na resposta verdadeira. Flexibilidade de novos
produtos pode ser caracterizada por:
A. ( ) A agência que regulamenta o transporte aéreo no Bra-
sil é a ANTAQ.
B. ( ) A velocidade média de um avião cargueiro tipo jato é
em torno de 900 km/h.
C. ( ) Caso você deseje embarcar uma carga de 100 t de
frutas para a Europa em um único voo, você poderia
utilizar um avião tipo Full Cargo (desconsiderar volume
e outros fatores).
D. ( ) Um avião cargueiro tipo Boeing 747 pode transportar
em torno de 2000 t de carga em um único voo.
Res postas: 1 – C; 2 – C; 3 – A; 4 – D; 5 – B.
Modais de Transporte II1
1 Mestre em Ciências Empresariais, consultor e professor adjunto da Universidade
Luterana do Brasil – ULBRA.
Alexandre da Silva Paim1
Capítulo 16
Capítulo 16 Modais de Transporte II 339
Como estamos? Onde estamos?
Prezado(a) aluno(a):
Neste capítulo, são abordados dois modais terrestres: o fer-
roviário e o rodoviário.
São apresentados os tipos de veículos e suas capacidades
e velocidades para que você tenha uma noção de como ocor-
rem os transportes via terrestre no Brasil.
Essas noções são importantes para quem trabalha em
qualquer empresa industrial ou presta serviço para elas, pois
todas estão inseridas em uma cadeia de suprimentos que utili-
za transportes terrestres.
Espera-se que, ao terminar este capítulo, você possa iden-
tificar os tipos de veículos mais adequados a diversos tipos de
carga e de entender as limitações e potenciais desses modais.
16.1 Modal Ferroviário
Os órgãos reguladores desse modal são a ANTT (Agencia Na-
cional de Transportes Terrestres) e ANTF (Agencia Nacional de
Transportes Ferroviários).
A seguir, abordaremos as características mais marcantes
desse modal.
O frete ferroviário é mais baixo que o rodoviário para
distâncias maiores que aproximadamente 500 km devido ao
baixo consumo de combustível por tonelada.quilômetro. Para
340 Gestão da Cadeia de Suprimentos
distâncias menores, esse custo fica mais elevado devido à ne-
cessidade de realização de transbordo.
O maior tempo de viagem comparado com o rodoviário
(velocidade média de 25 km/h no Brasil) faz com que haja
necessidade de manter maior estoque nas extremidades.
Essa baixa velocidade faz com que seja indicado para
cargas com baixa relação valor-peso ou valor-volume. É um
modal, portanto, adequado para o transporte de embarques
grandes e homogêneos, principalmente granéis, quando a di-
ferença de frete, em relação ao rodoviário, supera os custos
adicionais em estoques e armazenagem. Os custos de trans-
porte por tonelada.quilômetro são reduzidos conforme se au-
menta o número de unidades de transporte. É pouco usado
para cargas parceladas (aquelas