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Tema: Avaliãção Socioeconómica do Mangal do Rio Matola.
Introdução
A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) define os mangais como um grupo de árvores e arbustos tolerantes ao sal que crescem nas regiões entre-marés das costas tropicais e subtropicais. (Chevallier, 2013).Estes ecossistemas formam uma importante ligação entre os ecossistemas aquáticos e terrestres (Fatoyinbo et al., 2008).
Os mangais, possuem uma série de adaptações que lhes permitem viver em ambientes com larga variação de níveis de maré e de salinidade e em solos instáveis e anaeróbios, sendo por isso uma vegetação muito característica. As principais adaptações são a presença de raízes especializadas (pneumatóforos, raízes escoras, raízes de joelho, etc.), viviparia (capacidade das sementes ou propágulos germinarem parcialmente na planta-mãe, aumentando o seu período de viabilidade até encontrarem um local adequado para o estabelecimento) e as glândulas de exclusão salina. A presença de pelo menos duas destas características determina a classificação das espécies como sendo de mangal verdadeiro ou não (neste caso, espécie associada) (Macamo e Sitoe, 2017).
A área global de mangais foi estimada em 13 776 000 ha, sendo a Ásia o continente com maior área. Moçambique possui a segunda maior área de mangal no continente Africano, e a maior na região oriental de Africa, com uma cobertura estimada em pouco mais de 300 000 ha, variando entre 290 000 e 368 000 ha de acordo com os diferentes estudos . A costa centro possui a área mais extensiva, seguida da costa norte e por fim a região sul (Macamo e Sitoe, 2017).
Na eco-região da África Oriental são encontradas 9 espécies e dentre elas 4 espécies mais comuns são Rhizophora mucronata , Ceriops tagal , Bruguiera gymnorrhiza, Avicennia marina. Espécies adicionais incluem a Sonneratia alba, Heritiera littoralis, Xylocarpus granatum, Lumnitzera racemosa, e Avicennia officinalis (Stringer et al., 2014).
Em Moçambique, encontra-se o terceiro maior número de florestas de mangal da África (depois da Nigéria e Guiné-Bissau), e a maior parte da África Oriental. Essas florestas desempenham um papel fundamental na manutenção de seus estoques pesqueiros, protegendo sua costa longa e exposta contra desastres naturais, armazenando e sequestrando dióxido de carbono (Chevallier, 2013). 
Há indicação de que ocorrem 8 espécies de mangal em Moçambique, ou seja, todas as referidas na eco-região da Africa Oriental, com a excepção da espécie Aviecennia Officinalis. A espécie Pemphis acidula Forst é por vezes citada como uma nona espécie que ocorre em Moçambique, mas ainda existem dúvidas, pois, até então, é considerada como uma espécie associada, e não um verdadeiro mangal (Stringer et al., 2014).
Os mangais fornecem áreas de reprodução, desova e viveiro para uma variedade de espécies marinhas, incluindo peixes, camarões e caranguejos de importância comercial, sendo por isso importantes para a pesca. As florestas de mangais estabilizam e protegem as costas, reduzindo assim o impacto de desastres naturais, como tsunamis e ciclones (Lugendo, 2016).
As florestas de mangal são ecossistemas altamente produtivos, que contribuem para a subsistência local e global, fornecendo uma vasta gama de recursos florestais. As comunidades costeiras usam mangais para suprir necessidades locais, como alimentos, lenha, carvão, madeira, materiais de construção e remédios. (Chevallier, 2013 e Lugendo, 2016). 
A avaliação económica tem sido definida como um processo de agregar valor monetário ou preço a bens e serviços ambientais não comercializados . A avaliação dos serviços ecossistêmicos de mangais é o método de examinar o impacto associado à interação de serviços ecossistêmicos e atividades humanas, que fornece informações adicionais para regulamentações ambientais e gerenciamento sustentável dos recursos (Akanni et al., 2018).
1.1.	Problema
A destruição das florestas de mangal tem sido a principal causa de perda de ecossistemas nos países em desenvolvimento, e prevê-se que as florestas de mangal desaparecerão nos próximos 100 anos em áreas das regiões subtropicais e tropicais (Lahjie et al., 2019).
A distribuição da população moçambicana também coloca um desafio enorme para a zona costeira. Mais de 60% da população vive na zona costeira e a maior parte depende dos recursos marinhos e costeiros incluindo os mangais (MITADER, 2015).
As maiores cidades como Maputo, Beira, Quelimane e outras como Pemba, estão localizados na zona costeira e coincide com a alta taxa de degradação de mangais em torno desses centros urbanos, onde a demanda de produtos de mangal, tais como carvão, lenha e material de construção é alta. Nestas cidades o mangal tambem é usado para para fins agrícolas, extração de sal e aquacultura. Os mangais também estão a diminuir como resultado da construção de barragens, com a consequente diminuição do fluxo hídrico (MITADER, 2015).
Os bens e serviços ecossistémicos fornecidos pelo mangal, acabam sendo muitas vezes desvalorizados na altura de formulação de políticas púplicas e privadas, ou seja, a falta de conscientização e compreensão dos benefícios dos serviços ecossistémicos do mangal, faz com que estes sejam muitas vezes desvalorizados no momento da tomada de decisão (Sarhan e Tawfik, 2018). 
 1.2	Justificativa
Com esta avaliação será possível demonstrar o valor socioeconómico e importância dos recursos naturais como contributo para as comunidades a nível local assim como regional, para além de promover a utilização sustentável dos ecossistemas dos mangais através de programas de monitorização. Avaliar o valor social e económico dos serviços ecossistêmicos fornecidos pelo mangal, tem sido de extrema importância para a tomada de decisões ambientais.
A avaliacão de bens e serviços do ecossistema de mangal é necessária, uma vez que este, fornece uma vasta gama de benefícios e informações chaves para uma melhor gestão do ecossistema. 
A valoração económica dos bens e serviços do ecossistema de mangal é capaz de mostrar os benefícios de um ecossistema de mangal para as comunidades locais e esta é uma razão importante para gerenciar e proteger os mangais (Sofian, et al., 2019).
Existe um amplo reconhecimento da importância dos ecossistemas costeiros saudáveis, os serviços que eles fornecem aos humanos bem-estar económico e social, e o papel que desempenham na garantia meios de subsistência e sustentar as populações dependentes deles para a sua sobrevivência (Sofian, et al., 2019).
 A avaliação do serviços ecossistêmicos pode desempenhar um papel fundamental na comunicação de argumentos para projetos de conservação costeira e para destacar padrões espaciais e sociais do uso de serviços ecossistêmicos em toda a zona costeira. 
2.	Objectivos 
2.1	Geral 
Avaliar o papel socioeconómico do ecossistema do mangal do Rio Matola
2.2	Específicos
Estimar em termos monetários o valor os produtos extraídos do ecossistemas de mangal do Rio Matola;
Indicar a importância socioeconómica (em termos de renda e emprego) do ecossistema de mangal para as comunidades dos arredores do Rio Matola; 
Indicar as principais prdutos extraídos do ecossistema de mangal e os factores que impulsionam a tal demanda nos arredores do rio Matola.
2.4.	Hipóteses 
Ho: O ecossistema de mangal de Rio Matola não possui valor.
Ha: O ecossistema de mangal do Rio Matola possui valor.
Ho1: O ecossistema de mangal não contribui em termos de renda e emprego para o crescimento das comunidades dos arredores do Rio Matola.
Ha1: O ecossistema de mangal contribui em termos de renda e emprego para o crescimento das comunidades dos arredores do Rio Matola.
Área de estudo 
A área de estudo foi nos arredorres do ecossistema de mangal do Rio Matola (Fig. 1).
Figura1. Ilustração da área de estudo, Rio Matola.
3.1. Clima
O clima da região é semi-húmido e com deficiência de chuva no inverno, caracterizado por alternância entre as condiçõessecas, induzidas pela alta pressão sub-continental e as incursões de ventos húmidos do oceano (MAE, 2005). 
Correntes com temperaturas baixas podem trazer tempestades violentas e chuvas torrenciais de curta duração. A temperatura média anual é de aproximadamente 23.7ºC e os que os meses mais frios são os de Junho e Julho e os mais quentes, Janeiro e Fevereiro. A amplitude térmica anual é de 8.8ºC (MAE, 2005).
A humidade relativa média anual é de 80.5%, variando de um valor máximo de 86% em Julho a um valor mínimo de 73.5% em Novembro. A pluviosidade média anual é de 752 mm variando entre os valores médios de 563,6 mm para o período húmido e os 43,6 mm no período seco. O período húmido estende-se de Novembro a Março e o período seco de Abril a Outubro (MAE, 2005).
3.2. Hidrologia 
O Rio Matola, com aproximadamente 6km² desagua na Baía de Maputo, através do estuário do Espírito Santo. Está é uma das bacias hidrográficas que contribui com o seu curso de água para o distrito de Boane (MAE, 2005).
Material e métodos
A pesquisa será realizada no Rio Matola. O objecto de estudo é o ecossistema de mangal e as comunidades dos arredores do mesmo.
Serão feitas entrevistas as comunidades residentes nos arredores da área do ecossistema de mangal do rio Matola. Estas terão como objectivo, recolher dados inerentes a área de estudo, para complementar a informação que será retirada em alguns documentos, a fim de responder aos objectivos do presente estudo (Zulkarnaini e Maria, 2016).
O método de amostragem nesta pesquisa é a técnica de amostragem por conveniência, onde farão parte do processo de entrevista 100 participantes (Zulkarnaini e Maria, 2016).
na qual serão abordadas perguntas abertas, semi-estruturadas mediante uma explicação detalhada sobre os objectivos da pesquisa utilizando em algum momento, a língua local, pois, supõe-se que alguns entrevistados terão dificuldade de percepção da língua portuguesa (Zulkarnaini e Maria, 2016).
Os entrevistados deverão ser membros de comunidades que usam o ecossistema de mangal, para a extracção de recursos do mesmo. A sequência da entrevista dependerá do entrevistado, embora será previamente estabelecido um guião (Zulkarnaini e Maria, 2016).
A análise dos dados incluirá as seguintes variáveis:
Valor Económico Total (TEV) = Medido em terminologia como disposição a pagar (WTP). Esse valor é a soma de todo o valor económico dos benefícios da floresta de mangal, que foram identificados e quantificados (Zulkarnaini e Maria, 2016; Putranto 2018).
Valor de Uso Direto (DUV) = Bens e serviços fornecidos por um recurso que pode ser diretamente utilizado.( Zulkarnaini e Maria, 2016; Putranto 2018).
Valor de Uso Indireto (IUV) = o valor é derivado dos bens e serviços fornecidos por recursos naturais indiretamente utilizados (Zulkarnaini e Maria, 2016; Putranto 2018).
Valor da Opção (OV) = Valor potencial direto ou indireto de um recurso natural que pode ser utilizado no futuro com a suposição de que o recurso não foi destruído ou permanentemente danificado (Zulkarnaini e Maria, 2016; Putranto 2018).
Os dados coletados serão classificados, tabelados e analisados pelo pacote estatístico para Ciências Sociais (SPSS) e posteriormente, estes serão apresentados em forma de tabela (Mojiol et al.,2016).
Orçamento
	Material 
	Quantidade 
	Preço unitário (Mts) 
	Preço total (Mts) 
	Fichas de registro
	5
	50
	250
	Caneta
	2
	10
	20
	Deslocações 
	3x
	50
	150
	
	
	
	
	Total
	
	
	420
Cronograma das actividades
	Actividade /Mês 
	Jun
	Jul
	Ago
	Setp
	Out
	Nov
	Dez
	Revisão bibliográfica 
	
	
	
	
	
	
	
	Ida ao campo
	
	
	
	
	
	
	
	Organização dos 
resultados 
	
	
	
	
	
	
	
	Discussão dos resultados 
	
	
	
	
	
	
	
	Submissão do trabalho 
 final
	
	
	
	
	
	
	
Refêrencias bibliográficas
Akanni A. , J. Onwuteaka , M. Uwagbae , R. Mulwa e I. Elegbede (2018) The Values of Mangrove Ecosystem Services in the Niger Delta Region of Nigeria
Chevallier, R. (2013). Balancing Development and Coastal Conservation: Mangroves in Mozambique. Governance of Africa’s Resources Programme. 64pp.;
Fatoyinbo, T.E, M. Simard, A. Washington-Allen, e H.H. Shugar (2008) Landscape-scale extent, height, biomass, and carbon estimation of Mozambique’s mangrove forests with Landsat ETM+ and Shuttle Radar Topography Mission elevation data. Journal of Geophysical Research Vol. 113, G02S06, doi:10.1029/2007JG000551
Lahjie, A.M., B. Nouval, A.A.  Lahjie, Y.Ruslim, R. Kristiningrum. (2019). Economic valuation from direct use of mangrove forest restoration in Balikpapan Bay, East Kalimantan, Indonesia [version 1; peer review: 2 approved with reservations]. F1000Research
Lugendo, B. (2016) Mangroves, Salt Marshes and Seagrass Beds. Western Indian Ocean. 18 pp.
Macamo, C. e A. Sitoe (2017). Relatório de Governação Ambiental 2016 - Governação e gestão de mangais em Moçambique. 63 pp. Maputo, Centro Terra Viva.
Mahmoud S., e R., Tewfik (2018) The Economic Valuation of Mangrove Forest Ecosystem Services: Implications for Protected Area Conservation .The George Wright Forum. vol. 35 no. 3. pp. 341–349
MEA- Ministerio da Admnistracao Estatal (2005) Perfil do Distrito de Boane- Provincia de Maputo 54pp., Mocambique
MITADER- Ministério Da Terra Ambiente e Desenvolvimento Rural (2015) Estratégia e Planpo De Acção Nacional Para a Restauração De Mangal 2015-2020. 43pp. Mocambique
 Mojiol, A.R. J. Guntabid, W. Lintangah , M. Ismenyah, J. Kodoh, L. K. Chiang, and J. Sompud (2016) Contribution of Mangrove Forest and Socio-economic Development of Local Communities In Kudat Distrit, Sabah, Malaysia, International Journal of Agriculture, Forestry and Plantation, Vol. 2 (February.) ISSN 2462-1757
Putranto, S., N. P. Zamani, H. S. Sanusi, E. Riani, A Fahrudin (2018) Economic valuation and lost value of mangroves ecosystem due to oil spill in Peleng Strait, Banggai and Banggai Islands Regency Central Sulawesi IOP Conf. Series: Earth and Environmental Science. doi :10.1088/1755-1315/176/1/012043;
 Sofian, A. C. Kusmana, A. Fauzi, O. Rusdiana (2019) Ecosystem services-based mangrove management strategies in Indonesia: a review. AACL Bioflux, 16pp. Vol. 12, Issue 1. Bogor, Indonésia
Sitoe, C.T. (2015) Análise da Sustentabilidade do Mangal no Âmbito da Construção de Infraestruturas na Zona Costeira: Caso Costa de Sol. Monografia apresentada como requisito parcial para a obtencção do grau de Licenciatura em Educação Ambiental. Faculdade de Educação. Universidade Eduardo Mondlane. Mocambique
Stringer,C.E., C.C. Trettin, S.J. Zarnoch, e W. Tang In Collaboration With: Mabunda, D.N.R., S. Bandeira, C. Macamo, T., Fatoyinbo, M. Simard, J. Ko, J. Macuacua (2014) The Zambezi River Delta Mangrove Carbon Project: A Pilot Baseline Assessment for REDD+ Reporting and Monitoring Report final, 56pp.
Zulkarnaini and Mariana (2016) Economic Valuation of Mangrove Forest Ecosystem in Indragiri Estuary, International Journal of Oceans and Oceanography ISSN 0973-2667 Vol. 10, Nr. 1 pp. 13-17 Indonesia;
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