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MECANISMOS DE INSTITUIÇÕES 
FINANCEIRAS
AULA 1 
Prof. Alfredo Beckert Neto 
2 
CONVERSA INICIAL 
Olá! Seja muito bem-vindo à nossa primeira aula da disciplina de 
Mecanismos de Instituições Financeiras. Fique bem à vontade para 
estudarmos juntos. Mantenha sua mente relaxada e aberta aos novos 
conhecimentos. 
Esta Rota, tem como objetivo geral demonstrar os conceitos fundamentais 
que englobam a atividade econômica e os aspectos sobre a intermediação 
financeira. Por isso, iniciaremos abordando os fundamentos sobre a atividade 
financeira. Na sequência, faremos uma análise sobre a moeda e sua utilização. 
Além disso, aprenderemos a respeito de intermediação financeira e seus 
objetivos, assim como sobre as políticas do governo relacionadas ao tema. Para 
finalizarmos esta aula, estudaremos a respeito do mercado financeiro – o qual é 
de extrema importância para a sociedade e para as empresas. Aproveite para 
parar e refletir durante os pontos que considerar interessantes durante as aulas, 
pois podemos criar associações e, consequentemente, gerar novas ideias. 
Desejamos a você um ótimo estudo! 
CONTEXTUALIZANDO 
Nos últimos anos, com as mudanças ocorrendo cada vez mais rápido, a 
complexidade dos negócios e operações do mercado financeiro aumentou 
devido à globalização, fusões, redução de custos, aumento da competitividade 
e clientes mais exigentes. Isso fez com que o profissional da área financeira 
também evoluísse. 
Você já trabalhou com o mercado financeiro e de capitais? Você pode 
achar que não, mas com certeza sim, pois tratamos diariamente com bancos, 
financiamentos e empréstimos. Quando pegamos recursos financeiros 
emprestado ou quando aplicamos dinheiro na poupança, estamos utilizando e 
participando diretamente do mercado financeiro. 
No cenário corporativo, isso não é diferente. Com a globalização, a 
competição acirrada entre as empresas e a redução das margens de lucro, 
utilizar o mercado financeiro a seu favor tornou-se uma atividade obrigatória. Por 
isso, o conhecimento sobre o mercado financeiro e de capitais pode auxiliar os 
gestores das empresas a tomarem decisões com base em informações e 
3 
visando o objetivo traçado pela organização. E por que estudar sobre isso? 
Conhecer como funciona o mercado financeiro e de capitais pode ser a diferença 
competitiva entre uma empresa e seu concorrente, pois isso pode dar acesso ao 
capital ou melhor: acesso à rentabilidade por meio de investimentos. Portanto, 
podemos aumentar o resultado da empresa acessando um capital mais “barato” 
e maximizando a rentabilidade dos recursos financeiros. 
Atualmente, o tema é de grande importância para as empresas, pois está 
diretamente relacionado com a competitividade e, consequentemente, com a 
perenidade das organizações. Por isso, a própria Associação Brasileira das 
Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA) possui uma 
categoria sobre o mercado de capitais em seu site 
<http://www.anbima.com.br/pt_br/informar/relatorios/mercado-de-
capitais/boletim-de-mercado-de-capitais/boletim-de-mercado-de-capitais.htm>. 
PESQUISE 
Chegou a hora de pesquisar. Lembre-se de que conhecimento nunca é 
demais. Vamos buscar como funciona a atividade econômica e o mercado 
financeiro? E ainda, como surgiram os primeiros bancos? E também, por que 
será que o tema possui tanta relevância dentro das organizações? 
TEMA 1 – A ATIVIDADE ECONÔMICA 
Primeiramente, vamos compreender o que é a atividade econômica. A 
atividade econômica deriva das relações materiais entre os indivíduos, 
principalmente aquelas efetuadas dentro dos mercados. Todos nós estamos 
inseridos nessas relações, pois temos desejos materiais maiores do que os 
recursos disponíveis. Em outras palavras, nossos desejos materiais podem não 
ter um limite definido, porém, produzir bens e serviços oferece diversas 
limitações. Portanto, essa relação entre o desejo, produção, escassez e 
necessidade de escolha reside na causa da atividade econômica. 
Pensando ainda nessa relação, podemos considerar a existência de 
diversos agentes que, justamente, realizam o desejo ou produção dos bens e 
serviços, criando a conexão entre oferta e demanda. 
Segundo Tebchirani (2008), os agentes dos sistemas econômicos 
possuem uma função importante na relação entre oferta e demanda, e estão 
4 
divididos nos seguintes grupos: famílias, empresas, governos e setor externo. O 
mesmo autor ainda descreve que podemos considerar as famílias como sendo 
o potencial de recursos para a realização de atividades produtivas; as empresas
produzem com o intuito de suprir a demanda das famílias; o governo utiliza as 
famílias como fornecedoras de empregados e consome um percentual da 
produção das empresas com o finalidade de disponibilizar bens e serviços à 
sociedade; e o setor externo se refere aos agentes de um país realizando 
transações econômicas com agentes de outros países. 
Além dos agentes, é importante ressaltar a existência de uma relação 
inversa entre a demanda de um produto e o seu preço. 
Existem vários fatores que podem influenciar na demanda de bens, sendo 
alguns deles: nível de informação do consumidor, o preço, a expectativa de 
preços futuros e a disponibilidade de capital. 
É também importante conhecermos sobre os bens e serviços e suas 
classificações. Portanto, segundo Pereira (2013, p. 20), os bens e serviços 
podem ser classificados como: 
 De capital: são usados para fabricar outros bens e que não se degradam
inteiramente no processo produtivo. Como exemplo temos máquinas,
equipamentos e ferramentas.
 De consumo: de acordo com sua durabilidade são divididos em bens de
consumo duráveis (eletrodomésticos e automóveis) e não duráveis
(alimentação e roupas). São bens que atendem às necessidades das
pessoas.
 Intermediários: recebem transformações novas com o intuito de se
tornarem bens de consumo de capital, como a soja e o minério de ferro.
Além disso, existem outros conceitos utilizados que são importantes para 
nosso conhecimento. Pensando na atualidade, existem três setores principais de 
atividade econômica: 
 Setor primário: esse segmento consiste, principalmente, na extração de
recursos naturais. Além disso, a produção agrícola, a pecuária e pesca
também são consideradas atividades desse setor. Seu produto é utilizado
como matéria prima para um produto industrializado. Exemplos de bens:
soja, carvão, ferro, arroz e madeira.
5 
 Setor secundário: baseia-se na manufatura de bens primários (advindos
do setor primário), gerando produtos industrializados que serão
absorvidos pelo setor terciário. Exemplos de bens: veículos e alimentos
industrializados.
 Setor terciário: esse setor é representado pelo fornecimento de serviços
e comercialização de mercadorias para as pessoas físicas e jurídicas, ou
seja, engloba as atividades de comércio e de prestação de serviço. Temos
como exemplos: assessoria jurídica, serviços de saúde, telemarketing,
turismo e a venda de mercadorias.
Compreendeu a classificação? Bom, agora teremos conceitos parecidos 
e devemos evitar a confusão. 
Podemos classificar as instituições como: primeiro setor, representado 
pelo governo; segundo setor, associado às empresas que buscam o lucro; 
terceiro setor, baseado nas organizações não governamentais (as ONGs). 
Além dessas classificações, dentro da atividade econômica existem 
alguns fatores que são fundamentais para sua realização e que formam a relação 
trabalho, terra e capital. Conforme Pereira (2013, p. 22), o trabalho é constituído 
dos indivíduos disponíveis para trabalhar, que são a mão de obra dentro do 
sistema econômico. Já a terra, se refere aos recursos naturais disponíveis,e o 
capital pode ser considerado as riquezas acumuladas pela sociedade, sendo que 
com elas é possível se preparar para a realização das atividades produtivas. 
Pensando em um país, é importante realizar o acompanhamento de sua 
economia, inclusive sendo essas informações de grande valia para as pessoas 
físicas e jurídicas também. Por isso, esse acompanhamento pode ser realizado, 
por exemplo, por meio da renda gerada e da quantidade de criação de empregos. 
Uma das principais informações da atividade econômica em um país é o 
Produto Interno Bruto (PIB). Ele representa o somatório do valor de mercado da 
produção dos bens e serviços finais produzidos dentro do país em um período 
pelos residentes e não residentes. 
Para resumir nosso aprendizado neste tema, temos que a atividade 
econômica precisa dos agentes que acabam gerando demanda e produção dos 
bens e serviços, com as famílias determinando o consumo e as empresas a 
produção. Mesmo assim, todos os agentes podem ser, paralelamente, 
consumidores ou ofertadores de bens e serviço. Isso acaba gerando a 
6 
movimentação de recursos financeiros e riquezas entre os agentes da atividade 
econômica, formando um fluxo circular. Para a realização desse fluxo, é 
necessária uma ferramenta ou meio que possibilite e facilite essa transferência. 
Atualmente a moeda realiza essa papel. 
#ficaadica 
Como acompanhar a atividade econômica do país: 
O IBGE fornece em seu site todas as informações relativas ao PIB e economia, 
com o foco no que foi realizado (no que aconteceu). Acesse: 
<http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/pib/defaultcnt.shtm>. 
TEMA 2 – MOEDA 
Quando falamos em moeda, o que vem à sua mente? Moedas de metal? 
Ou quem sabe, dinheiro? Quer saber, de forma simples, como surgiram os 
bancos? Vamos lá! 
Como vimos, para a realização do fluxo entre ofertadores e consumidores, 
é necessário algo que facilite o processo. Por isso, segundo Pereira (2013, p. 
22), “A moeda pode ser definida como um conjunto de ativos financeiros de uma 
economia que os agentes utilizam em suas transações”. 
O viver em sociedade associado ao desejo do ser humano resulta em 
trocas. Os indivíduos que desejavam um produto ou serviço e que possuíam 
sobras de outro, necessitavam de um possível meio de receber aquilo que 
desejavam. Pensando na história da humanidade, a forma mais simples e 
primitiva de comércio era baseada em trocas. Essa prática era chamada de 
escambo e foi muito utilizada pela humanidade. Por exemplo, se alguém 
precisava de 20 litros de leite, para obtê-los, forneceria 1 Kg de mel. 
Claro que, por ser primitivo, com a evolução da sociedade e o aumento 
do número de trocas, o escambo gerava diversos desafios. Analisando de forma 
simples, percebe-se que havia o risco de não haver o mútuo interesse em 
realizar a negociação, pois conforme o exemplo anterior, o vendedor de leite 
pode não precisar de mel, mas sim de arroz. Além disso, a armazenagem de 
alguns produtos poderia não ser possível. Ademais, a dificuldade em precificar 
a troca, ou seja, quantos gramas de mel equivaleriam a 1 litro de leite? Imagine 
a tabela de trocas que o leiteiro deveria ter: 1 litro de leite = 100 gramas de mel 
= 2 quilogramas de soja = 1/2 galinha... 
7 
Note que o fracionamento também é considerado um desafio no escambo, 
pois muitos produtos não podem ser fracionados sem alterar seu valor. 
A necessidade de realização da permuta de produção excedente cresceu 
vertiginosamente e dificultou ainda mais as operações na sociedade. Podemos 
até citar a Roma Antiga, que em um período utilizou o sal como meio de troca 
comum – o que inclusive isso gerou o termo “salário”. Quando existe um produto 
como meio de troca comum, este é chamado de moeda-mercadoria. 
Seguindo a evolução da sociedade, a atração pelos metais preciosos 
aumentou e sua aceitação era comum. Com isso, os metais preciosos se 
transformaram em meio de troca comum. A partir daí, surgiram as primeiras 
moedas, as quais eram peças de metal que possuíam peso e valores definidos. 
Além disso, estas eram, de certa forma, certificadas com selos de quem realizou 
a emissão da moeda. Vale ressaltar aqui que o valor da moeda estava associado 
ao material com que ela foi cunhada. A moeda cunhada também solucionava 
diversos problemas encontrados na utilização do escambo, inclusive sua 
armazenagem. Diante desta facilidade de armazenagem, tivemos o surgimento 
das casas especializadas em armazenar a reserva de valor, e cobrando por isso. 
Elas geravam recibos dos valores depositados com a finalidade de retirada futura 
do recurso. Com o passar do tempo, esses recibos se tornaram meios para a 
aquisição de bens e serviços, gerando assim o papel-moeda. Refletindo de forma 
prática, os recibos eram partes de papel, que intrinsicamente não valiam muito 
(pois não eram feitos de metal precioso), porém, nos recibos existia uma 
assinatura de alguma organização que garantia ao seu detentor a posse de uma 
quantidade de ouro ou outro metal precioso, conforme o conceito chamado de 
lastro-ouro ou padrão-ouro. Isso gerava o valor do recibo, mas também dependia 
da credibilidade do emissor. Com essa organização, as casas que armazenavam 
moedas e metais iniciaram a disponibilização de empréstimos de dinheiro, 
cobrando juros, dando assim origem aos bancos. 
8 
Ademais, para garantir a credibilidade do emissor da moeda, os governos 
se transformaram e assumiram o papel de emissores exclusivos, por meio do 
conceito de banco central. 
Observe que aquele padrão-ouro (do qual falamos anteriormente), 
atualmente não é mais utilizado, e que a moeda utilizada por nós continua a não 
possuir valor intrínseco. 
Mesmo assim, com a evolução da moeda e percebendo que esta não está 
mais lastreada em ouro, surgiram novos tipos de moeda, como os cartões de 
débito e crédito, o vale refeição, o vale transporte e até mesmo as moedas 
virtuais, como o bitcoin. A evolução da moeda e da economia é incrível. 
Existem outros conceitos relacionados à moeda. De acordo com Pereira 
(2013, p. 29), há três razões essenciais que fazem com que as pessoas utilizem 
a moeda: 
1. A necessidade de realização de transações bancárias visando ao
atendimento das demandas cotidianas, pois as pessoas precisam manter
saldo em caixa e realizar depósitos à vista, necessitando ter dinheiro
disponível na conta bancária;
2. Ter liquidez, que em outras palavras significa que as pessoas necessitam
ter a moeda para realizar transações;
3. Para realizar especulação, pois como a moeda possibilita a reserva de
valor, pode ser utilizada para acúmulo ou especulação.
Devemos entender que a moeda sofre os efeitos da inflação ou mesmo 
da deflação. Explicando de forma simplificada, a inflação reduz o poder de 
compra da moeda, ou seja, significa que hoje com R$ 50,00 posso comprar 50 
pães, mas daqui a 6 meses com os mesmos R$ 50,00 comprarei apenas 40 
pães. 
Como sabemos, o Banco Central (Bacen) possui a responsabilidade de 
emissão monetária. Normalmente, ele pode agir visando dois objetivos. O 
primeiro seria financiar o déficit público, ou seja, ele emite moeda para que o 
governo pague suas dívidas (banco central fiscal ou orçamentariamente 
dominado). Todavia, isso gera uma consequência, e qual seria? Com o aumento 
9 
da oferta de moeda, ou seja, mais dinheiro circulando, a inflação pode crescer. 
O segundo objetivo seria visar a estabilidade da economia, buscando assegurar 
as metas da inflação (banco central independente). 
Percebe quanta evolução? Quando você utilizar um app, um caixa 
eletrônico ou seu cartão de crédito, lembre-se que foi um longo caminho para 
chegarmos até aqui. 
#ficaadicaPara saber mais sobre bitcoins acesse: <https://www.bitcoinbrasil.com.br/o-
que-e-bitcoin>. 
TEMA 3 – INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA 
Agora que já conhecemos sobre a atividade econômica e a moeda, que 
tal pensarmos na intermediação financeira? 
Dentro da sociedade, o recurso dos poupadores pode ser aplicado em 
algo produtivo. Quando isso ocorre, chamamos de investir, ou seja, aumentar a 
capacidade produtiva com o uso dos valores poupados tanto próprios quanto de 
terceiros. Sendo assim, temos a fundação da intermediação financeira, baseada 
em poupadores e investidores. 
Então, de maneira simples, a intermediação financeira é receber o recurso 
dos poupadores e remunerá-lo, ou emprestar esse recurso a alguém, recebendo 
uma remuneração maior, para que deseja consumir ou ampliar a capacidade 
produtiva. 
Figura 1: Intermediação financeira 
Note que todos nós utilizamos esses intermediários. Quem são eles? Os 
bancos. Na figura anterior, temos duas transações distintas: uma de captação 
de recurso por meio do intermediário e outra de empréstimo de recurso também 
10 
do ponto de vista do intermediário. Cada uma das transações possui 
remunerações diferentes. 
Claro que quando o banco realiza um empréstimo utilizando o recurso de 
um poupador, ele cobrará uma taxa de juros maior do que pagará ao poupador. 
Por exemplo, de forma simples, se um poupador aplica seu dinheiro no banco, o 
banco oferece pagar 1% a.m. de juros. Até aqui tudo bem. O banco pega o 
dinheiro do poupador e o empresta para outra pessoa, entretanto, cobrando uma 
taxa de juros de 3% ao mês. Com isso, essa diferença entre as taxas de juros 
(de captação e de empréstimo), que seria de 2% é a remuneração do banco por 
intermediar tal operação financeira. A nomenclatura utilizada para denominar 
essa remuneração é o spread bancário. Inserido nessa remuneração, 
normalmente, estão considerados os custos administrativos, de tributos, assim 
como um prêmio de risco de inadimplência. 
Percebam que na intermediação financeira os conceitos da matemática 
financeira são fundamentais, principalmente o de juros compostos. Vale notar 
também que para ser um poupador é necessário evitar gastar recursos hoje para 
que se receba mais amanhã. Por exemplo, você prefere receber R$ 1000,00 hoje 
ou R$ 1100,00 daqui a um mês? Isso está baseado na ideia de que o dinheiro 
possui valor no tempo, pois R$ 100,00 hoje não valerão o mesmo que R$ 100,00 
daqui a um ano devido à uma taxa de juros, que pode ser considerada um fator 
de correção. Além disso, devemos considerar também a inflação, que consiste 
no aumento geral dos preços. A título de conhecimento, é interessante saber 
que, normalmente, o governo define um regime de metas para a inflação. “E 
quem deve buscar manter a inflação na meta?” É atribuição do Bacen controlar 
a taxa de inflação seguindo um nível tratado entre os órgãos governamentais 
para o desenvolvimento do planejamento econômico existente. 
Compreendeu a intermediação financeira? Vamos agora tratar das duas 
formas de intermediação: direta e indireta. 
A forma direta ocorre quando a instituição financeira une os poupadores 
e investidores em um contato direto, realizando apenas um serviço. Logo, os 
poupadores e investidores negociarão suas taxas e condições. 
Já a forma indireta é a mais comum em nosso cotidiano. Ela acontece 
quando um poupador aplica recursos em um Certificado de Depósito Bancário 
(CDB) de um banco, desconhecendo quem utilizará aquele recurso, não 
existindo um contato direto entre o poupador e tomador. 
11 
Voltando a mencionar o spread dos bancos, é relevante sabermos da 
existência de um item adicional dentro da composição do spread bancário: é o 
empréstimo compulsório exigido pelo Bacen. Isso faz com que quanto maior seja 
o percentual compulsório maior será o spread. E o contrário também é válido:
caso o percentual compulsório seja menor, o spread tende a ser reduzido. 
Além disso, normalmente, os bancos fazem parte do sistema bancário e 
se comunicam entre si frequentemente, realizando trocas de seus excessos e 
falta de dinheiro por meio do mercado interbancário. Isso quer dizer que os 
bancos fazem operações entre si. Um banco empresta dinheiro para outro banco 
por meio do mercado interbancário. Pense que, se um banco sofre com muitos 
saques em determinado período, outro banco deve receber muitos depósitos, 
pois o dinheiro circula e, boa parte, acaba em outras contas bancárias. Portanto, 
aquele que recebeu os depósitos poderá emprestar para o que teve saques. 
A taxa de juros praticada no mercado interbancário é a taxa interbancária, 
que de certo modo, é utilizada como referência para as taxas de juros da 
economia. Por exemplo, em algumas aplicações bancárias, a remuneração será 
de 95% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), ou seja, a taxa de juros 
será baseada na taxa interbancária. 
Notem que o Banco Central possui influência na intermediação 
econômica, e por isso, em nosso próximo tema veremos as políticas 
governamentais no que tange à economia. 
Outro fato relevante é que a intermediação financeira cria um mercado. 
Esse mercado é conhecido como o mercado financeiro, último tema de nossa 
aula. 
#ficaadica 
 Para saber mais sobre os depósitos compulsórios, leia: 
<https://www.bcb.gov.br/htms/novaPaginaSPB/compulsorios.asp>. 
TEMA 4 – POLÍTICAS DO GOVERNO 
As políticas governamentais da área econômica, conforme Pereira (2013, 
p. 33), são diretrizes responsáveis que buscam a evolução da economia, sendo
12 
a função da autoridade pública essencial para gerir o controle monetário, fiscal, 
de câmbio e de geração de renda. 
O governo pode influenciar diretamente na economia de diferentes 
formas; por exemplo, reduzindo o dinheiro em circulação, ou aumentando a taxa 
de juros. Isso causa um impacto na economia e em nós, pois nosso acesso ao 
dinheiro fica mais difícil e custoso. 
E por que o governo interfere na economia? Normalmente para manter a 
sociedade estabilizada e para incentivar o crescimento econômico, pois, 
comumente, isso gera empregos, riquezas e melhor qualidade de vida para a 
população, inclusive reduzindo problemas sociais. 
Para isso, o governo realiza diversas políticas. Basicamente, a política 
monetária realiza o controle da oferta de dinheiro na economia. Ela possui o 
intuito de criar diretrizes relacionadas ao controle e gestão da circulação da 
moeda e do crédito, com o intuito de atender as necessidades da economia do 
país. 
A política monetária possui uma ampla abrangência e influencia diversos 
tópicos essenciais como o equilíbrio e expansão econômica, geração de 
emprego e metas de inflação. Ela pode ser categorizada em restritiva e 
expansiva. 
A política monetária restritiva representa a atuação do governo em um 
conjunto de medidas com o intuito de controlar a liquidez do sistema econômico, 
de forma a diminuir o crescimento da liquidez (quantidade de moeda) e aumentar 
o custo dos empréstimos. O governo pode fazer isso de diversas maneiras:
 Recolhimento compulsório: o Bacen realiza a custódia de uma parcela
dos depósitos recebidos das pessoas pelas instituições financeiras. Isso
reduz a liquidez da economia.
 Assistência financeira de liquidez: normalmente o Bacen empresta
recursos financeiros aos bancos comerciais. Caso nesses empréstimos o
prazo seja reduzido e a taxa de juros elevada, a taxa de juros aplicada na
economia terá um aumento, também resultando na redução da liquidez.
 Venda de títulos públicos: nessa operação, o Bacen retira moeda da
economia, pois essa é substituída pelos títulos, resultando na diminuição
da liquidez.
13 
A política monetária expansiva, porsua vez, é retratada por diretrizes que 
visam a aumentar a quantidade de moeda em circulação e reduzir o custo dos 
empréstimos, com a redução da taxa de juros. Isso fará, comumente, com que o 
consumo e os investimentos aumentem. Seguindo a lógica inversa da política 
restritiva, o governo utiliza dos seguintes recursos para atuar: 
 Diminuição do recolhimento compulsório;
 Assistência financeira de liquidez: aumento de prazos e redução da taxa
de juros;
 Compra de títulos públicos.
Lembra-se da taxa de juros interbancária? Ela é considerada a taxa de 
juros básica da economia, e o Bacen pode interferir nessa taxa interbancária por 
meio de sua mesa de operações no sistema interbancário. 
O Bacen, por meio do Comitê de Política Monetária do Banco Central (o 
COPOM) estabelece a taxa de juros básica da economia aproximadamente a 
cada 40 dias. Esta taxa também é chamada de taxa SELIC, e ela define a taxa 
interbancária, que será referência para que o Bacen realize a compra e venda 
de dinheiro no mercado interbancário. 
O Bacen possui muita força, e por isso, quando ele deseja fomentar a 
demanda da economia, ele reduz a taxa do mercado interbancário, basicamente 
aumentando o dinheiro disponível nesse mercado ou nos bancos, realizando a 
compra de títulos públicos que estavam em posse dos bancos. Ou ainda, 
reduzindo o percentual compulsório, que é exigido no sistema bancário. O oposto 
também pode ocorrer, caso o Bacen deseje desestimular a demanda na 
economia. É muito comum o Banco Central utilizar essas ferramentas para 
controlar a inflação, pois o aumento da demanda na economia poder aumentar 
a inflação, assim como o desestímulo econômico pode retrair a inflação. 
Seguindo adiante com as políticas do governo, temos a política fiscal, que 
se refere às ações e medidas governamentais com o intuito de corrigir seus 
níveis de gastos e a carga tributária, influenciando a economia, isto é, fazendo a 
gestão e alinhamento das receitas (oriundas dos tributos) e dos gastos 
governamentais a fim de atuar na atividade econômica. Ela é utilizada para 
14 
reduzir as tendências de depressão (recessão acentuada) ou inflação. O 
governo necessita de recursos para pagar suas contas, e quanto maior o 
governo e seus serviços, maiores são seus gastos. Por isso, o governo cobra 
impostos para "bancar" toda esta estrutura. Para analisarmos a arrecadação do 
governo, podemos relacioná-la ao PIB, entendendo que do PIB temos um 
percentual que foi "utilizado" para tributos do governo, pois de tudo o que se 
produz no país, uma parte vai para o governo, para que então, retorne à 
sociedade na forma de serviços e investimentos públicos. 
A política fiscal pode também ser classificada como restritiva e expansiva, 
seguindo a mesma lógica da política monetária. 
A política fiscal restritiva é colocada em prática quando existe uma 
demanda maior que a capacidade produtiva da economia, no chamado "hiato 
inflacionário". Isso consequentemente levará ao aumento da inflação, pois o 
mercado não consegue atender a todos reduzindo os estoques. Para isso, as 
seguintes medidas são implantadas: 
 Redução dos gastos públicos;
 Aumento da carga tributária sobre os bens de consumo, realizando um
desestímulo nesses gastos;
 Incentivando o aumento das importações, reduzindo barreiras e tarifas.
Por outro lado, o governo utiliza a política fiscal expansiva quando existe 
uma demanda menor do que a produção de pleno emprego. De maneira similar, 
isso é chamado de "hiato deflacionário", pois existe grande quantidade de 
estoques, gerando a redução no quadro de colaboradores e de estoques. Por 
isso, para conter esse cenário de desemprego, o governo aplicaria as seguintes 
ações: 
 Elevação dos gastos públicos;
 Redução da carga tributária, como estímulo para o consumo e
investimentos;
 Aumento das tarifas e barreiras para as importações, "protegendo" a
produção nacional.
O governo tem muitas formas de influenciar a economia. Além dessas 
duas políticas (monetária e fiscal), o governo ainda adota a política cambial, entre 
outras. 
15 
A política cambial pode ser considerada o conjunto de medidas e 
orientações visando ao equilíbrio econômico por meio da alteração das taxas de 
câmbio e controle das operações de câmbio. A taxa de câmbio se refere ao valor 
de moedas estrangeiras mensurada na moeda nacional. Por exemplo, um dólar 
é equivalente, agora em março/2017, a aproximadamente R$ 3,15. 
Conforme definição do Banco Central (2016) temos que a política cambial 
"É o conjunto de ações governamentais diretamente relacionadas ao 
comportamento do mercado de câmbio, inclusive no que se refere à estabilidade 
relativa das taxas de câmbio e do equilíbrio no balanço de pagamentos. 
Agora que compreendemos, resumidamente, o cenário econômico, 
vamos conhecer o mercado financeiro inserido nesse contexto. 
#ficaadica 
Para saber quais as taxas em vigência: 
 Taxa DI: <https://www.cetip.com.br/>;
 Taxa SELIC: <http://www.bcb.gov.br/Pec/Copom/Port/taxaSelic.asp>;
 Poupança: <http://www4.bcb.gov.br/pec/poupanca/poupanca.asp>.
TEMA 5 – O MERCADO FINANCEIRO 
Aprendemos anteriormente, de forma sucinta, sobre os aspectos da 
atividade econômica e o que está relacionado a ela, inclusive as políticas 
governamentais. 
Agora, verificaremos o mercado financeiro. Como você deve saber, 
quando falamos em mercado, não é necessário a existência de um lugar 
específico. Ele pode ser virtual, como no caso da internet. Um mercado pode ser 
considerado como um processo em que existam pessoas querendo vender um 
produto ou serviço e pessoas que queiram comprar o que é oferecido. Trazendo 
esse conceito para a realidade financeira, temos que o mercado financeiro 
comercializa ativos financeiros, realizando a operação de intermediação 
financeira. Normalmente, quem compõe o mercado financeiro são poupadores 
(emprestadores) e tomadores de empréstimos. A remuneração pelo empréstimo 
 
 
16 
é conhecida como juros. Esse mercado permite a compra e venda de câmbio, 
valores mobiliários, mercadorias e outros ativos, mas grosso modo, é um 
mercado em que o dinheiro é comercializado. 
Com base na abrangência do mercado financeiro, há uma classificação, 
normalmente de uso didático. 
 
Figura 2: Classificações do mercado financeiro 
 
 
 Mercado de crédito: é utilizado para atender necessidades de tomada e 
concessão de crédito de curto e médio prazo. Nele existem duas partes: 
a credora e a devedora. Normalmente a parte devedora são empresas 
que necessitam de capital de giro ou ativos permanentes, ou então são 
pessoas financiando seu consumo. É o mercado que acessamos quando 
precisamos financiar um carro, um imóvel ou ainda nossos gastos com o 
crédito rotativo do cartão de crédito. No mercado de crédito podemos 
apresentar como exemplo diversos produtos: cheque especial, 
empréstimo pessoal, leasing, hot money, desconto de recebíveis, 
operações de compror e vendor. 
 Mercado monetário: é utilizado para negociações de curtíssimo e curto 
prazo, tendo como intuito o controle da liquidez dos meios de pagamento 
da economia. Há diversas ferramentas que o Bacen utiliza para isso. 
Podemos considerar que suas operações envolvem títulos do Tesouro 
Nacional, certificados de depósito interbancários, entre outros produtos. 
Mercado 
Financeiro
Mercado 
Cambial
Mercado 
de Crédito
Mercado 
Monetário
Mercado 
de Capitais
 
 
17 
 Mercado de câmbio: é o mercado que realiza operações de câmbio, ou 
seja, compra e venda de moedas estrangeiras. Nesse mercado, o Bacen 
também pode atuar comprando e vendendo moeda a fim de controlar ataxa de câmbio, por meio de oferta e demanda. 
 Mercado de capitais: é o mercado que realiza operações de valores 
mobiliários (debêntures, ações e outros), gerando liquidez aos títulos 
emitidos por empresas, permitindo o processo de capitalização destas. 
Seu intuito é de criar um fluxo de capital das poupanças da sociedade 
direcionado para a indústria, comércio e demais atividades econômicas. 
Realiza operações de médio, longo e prazo indeterminado. Normalmente, 
possuem um ambiente de comercialização chamado de bolsa de valores. 
 
Alguns autores ainda citam outras classificações do mercado financeiro, 
mas podemos considerar as quatro mencionadas anteriormente como as 
principais. Compreende a abrangência e complexidade do mercado financeiro? 
É importante conhecê-lo, pois como gestor financeiro você deve acessá-lo 
sempre que necessário, tanto para realizar investimentos quanto para captar 
recursos, que são fundamentais para garantir a expansão e perenidade das 
empresas. Lembrando que nós, como gestores financeiros, devemos buscar o 
acesso ao capital de menor custo, pois isso poderá gerar um aumento de 
resultado da organização. 
Verificaremos que esse grupo de instrumentos e instituições atreladas ao 
mercado financeiro formam o sistema financeiro, tema de nossa próxima aula. 
 
TROCANDO IDEIAS 
A área econômica e financeira demanda muita leitura e informação. Por 
isso, na condição de gestores financeiros recomendamos a leitura diária de 
veículos de comunicação sobre economia e finanças, assim como o cadastro em 
blogs de seu gosto para receber atualizações do meio econômico. 
Outro fator importante, é o relatório Focus do Bacen, disponibilizado 
semanalmente por essa instituição. Nele constam projeções da inflação, taxa de 
juros e PIB, fatores que são fundamentais para a análise econômica. É possível 
acessá-lo em: <https://www.bcb.gov.br/pec/GCI/PORT/readout/readout.asp>. 
Lembre-se de que para se gerir qualquer empresa é necessário tomar 
decisões e realizar o planejamento com base em informações. 
 
 
18 
 
SÍNTESE 
Como vimos, para se ter a atividade econômica de forma ativa, é 
necessária a atuação dos agentes econômicos: famílias, empresas, governo e 
setor externo. Para facilitar a troca e movimentação de recursos, a sociedade 
criou a moeda, que evoluiu de diversas formas. Dentro dos grupos de agentes 
existirão os poupadores e os tomadores de empréstimos, necessitando então da 
intermediação financeira para unir essas duas “pontas”. Logo, para controlar 
essas operações financeiras e influenciar diretamente sobre a economia, o 
governo se utiliza de diversas políticas (monetária, fiscal e cambial) para 
estabelecer seus interesses de controle da inflação e equilíbrio econômico. Com 
isso, o mercado financeiro, que comercializa ativos financeiros, além de receber 
influência governamental, pode ser classificado em quatro tipos: mercado 
cambial, mercado monetário, mercado de crédito e mercado de capitais. 
 
REFERÊNCIAS 
BANCO CENTRAL DO BRASIL. Disponível em: <https://www.bcb.gov.br>. 
Acesso em 23: mar. 2017. 
KERR, R. B. Mercado financeiro e de capitais. São Paulo: Pearson Prentice 
Hall, 2011. 
PEREIRA, C. L. Mercado de capitais. Curitiba: InterSaberes, 2013. 
TEBCHIRANI, F. R. Princípios de economia micro e macro. Curitiba: Ibpex, 
2008. 
 
MECANISMOS DE 
INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS
AULA 2 
Prof. Alfredo Beckert Neto 
2 
CONVERSA INICIAL 
Olá! Estamos entrando em nossa segunda rota de conhecimento. Fique 
bem à vontade, se estique e relaxe para que o aprendizado seja ainda melhor! 
Na rota anterior, vimos nossas bases conceituais, desde a atividade 
econômica até o mercado financeiro. Agora, seguiremos em frente. 
Esta rota será fundamental para compreendermos as próximas e, por 
isso, pedimos uma atenção especial a ela. Abordaremos diversos assuntos, 
todos relacionados com o Sistema Financeiro Nacional (SFN). Iniciaremos com 
o estudo de sua estrutura. Depois, conheceremos os órgãos normativos desse
sistema. Além disso, analisaremos tanto as entidades supervisoras, quanto os 
operadores inseridos no SFN. Para finalizar, conversaremos sobre a Comissão 
de Valores Mobiliários (CVM), que é uma entidade supervisora desse sistema. 
Aproveite para parar e refletir durante os pontos que considerar 
interessantes nas aulas, pois podemos criar associações e, consequentemente, 
gerar novas ideias – e isso é ótimo! 
Desejamos a você um excelente estudo! 
CONTEXTUALIZANDO 
Imagine se você pudesse controlar todo o sistema financeiro de um país. 
Seria necessário criar diversos órgãos tanto para normatizar e regular quanto 
para supervisionar, fiscalizar e operar tal sistema, inclusive para cada segmento 
de mercado. É com essa estrutura que o governo consegue realizar todas essas 
atividades e é por meio dela que o governo consegue influenciar a economia 
para atender seus interesses e objetivos. Portanto, conhecer como funciona o 
sistema e as instituições que fazem parte dele significa entender quem dita as 
regras do “jogo” econômico e financeiro. 
PESQUISE 
Conhecimento nunca é demais: vamos pesquisar sobre como o sistema 
financeiro brasileiro está estruturado. Será que a previdência complementar e os 
seguros se encaixam dentro desse sistema? Em caso positivo, todos eles devem 
3 
seguir as regras impostas pelos órgãos normativos. Por isso, é importante 
conhecermos todos os elementos do sistema financeiro nacional. 
TEMA 1 – ESTRUTURA DO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL 
Agora que já conhecemos um pouco mais a economia e o mercado 
financeiro, o que seria o Sistema Financeiro Nacional (SFN)? Segundo Kerr 
(2011), o SFN “é composto pelo conjunto de instituições e instrumentos 
financeiros que atuam no mercado com intuito de intermediar as transações 
entre os agentes econômicos superavitários e agentes econômicos deficitários.” 
Portanto, o SFN é formado de instituições responsáveis pela captação de 
recursos financeiros, distribuição e circulação de valores, assim como pela 
regulação desse processo. Simples assim. 
Para o bom funcionamento do mercado financeiro é necessária uma 
estrutura segura e confiável. Podemos considerar então que a função principal 
do SFN é estruturar o mercado financeiro. 
Conforme vocês imaginam, para atender o sistema, existem inúmeras 
instituições, e conheceremos cada uma delas nesta aula. 
De acordo com Pereira (2013, p. 59), o SFN é um dos segmentos mais 
regulamentados do mundo, pois é função do governo aumentar o volume de 
informação disponível aos participantes, garantindo assim que o sistema 
funcione de maneira adequada, melhorando o controle tanto sobre a oferta 
quanto sobre a demanda da moeda. 
O SFN possui uma estrutura organizada em órgão normativos, entidades 
supervisoras e operadores, conforme estrutura a seguir: 
 
 
4 
Quadro 1: Sistema Financeiro Nacional (SFN) 
 
Fonte: Baseado no site do Banco Central do Brasil. 
 
O Quadro 1 demonstra a estrutura do SFN hierarquicamente organizada 
da esquerda para a direita. Há três níveis de estruturas: órgãos normativos, 
entidades supervisoras e os operadores. Analisando também de forma vertical, 
temos três grandes blocos, um que se refere às atividades de intermediação 
financeira normatizado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), outro 
referente aos seguros privados e, por fim, o bloco que trata da previdência 
complementar. 
É importante saber que quando mencionamos sobre poupança, não nos 
referimos à caderneta de poupança, em que colocamos o dinheiro no banco 
rendendo X% ao mês. Poupança significa a disponibilidade de recursos que 
provêm da parcela não consumida da renda.Qualquer pessoa física ou jurídica 
que tenha uma poupança ou uma disponibilidade financeira pode efetuar um 
investimento, e pode fazer isso por meio dos operadores do mercado financeiro. 
 
 
5 
Em outras palavras: imagine que você é um poupador e que gostaria que 
seu dinheiro gerasse uma renda. Você pode recorrer a uma instituição financeira, 
pois ela aplicaria seu dinheiro com o compromisso de remunerá-lo de acordo 
com uma taxa ou índice. Claro que quem acabará arcando com essa 
remuneração será aquele que precisará do dinheiro emprestado pelo banco. 
Esse banco faz parte da categoria dos operadores do SFN, e ele é 
supervisionado pelo Banco Central, que por sua vez segue as normas do CMN. 
Ademais, podemos classificar o SFN em dois segmentos: normativo e 
operador. O segmento normativo é formado pelos órgãos normativos e entidades 
supervisoras, pois atuam normatizando e fiscalizando o sistema financeiro. Por 
sua vez, o operador é formado pelos operadores que realizam a intermediação 
financeira no SFN. 
 
TEMA 2 – ÓRGÃOS NORMATIVOS DO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL 
Agora que já conhecemos a estrutura do SFN, trataremos dos órgãos 
normativos do SFN. 
Primeiro, vamos definir o que é um órgão normativo. Normalmente, órgão 
normativo, como o próprio nome faz referência, é aquele que regula (cria 
normas) e controla o sistema ou subsistema. 
Há três órgãos normativos no SFN: Conselho Monetário Nacional (CMN), 
Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) e Conselho Nacional de 
Previdência Complementar (CNPC). Vamos detalhar cada um dos conselhos. 
 
Conselho Monetário Nacional (CMN) 
Foi instituído pela Lei n° 4.595, de 31 de dezembro de 1964. Ele é 
considerado o maior poder deliberativo do SFN e possui a função de criar 
diretrizes e normas para que o este funcione de forma adequada. A abrangência 
das funções do CMN engloba a política monetária, fiscal, de crédito, entre outras, 
com o objetivo de gerar o progresso econômico e social do país. Além disso, ele 
deve criar a regulamentação das operações de crédito das instituições 
financeiras e da moeda, assim como do mercado de capitais. Fazem parte 
também de suas atribuições estabelecer as políticas de poupança e 
investimento, supervisionar suas reservas de câmbio e ouro, assim como o 
Bacen e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Segundo Kerr (2011, p. 15), 
dentro de suas competências ainda encontramos a de regular as condições de 
 
 
6 
criação, funcionamento e fiscalização das instituições financeiras. O ministro da 
fazenda é o presidente do CMN, que ainda é composto pelo ministro do 
planejamento, desenvolvimento e gestão e também pelo presidente do Bacen. 
 
Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) 
Foi criado pelo Decreto-Lei n° 73, de 21 de novembro de 1966. Este órgão 
tem como objetivo fixar as diretrizes e normas da política do segmento 
relacionado aos seguros privados, contratos de capitalização e previdência 
complementar aberta. Vamos entender cada um desses pontos. O mercado de 
seguros privados se refere aos serviços de proteção contra riscos. Os contratos 
de capitalização dizem respeito aos negócios em que o contratante deposita 
dinheiro para no futuro receber o que aplicou mais os juros e, ainda, concorrer a 
prêmios. Por fim, a previdência complementar aberta é uma forma de plano de 
aposentadoria, pensão ou poupança, sendo que ela funciona de forma diferente 
do regime geral de previdência. O presidente do CNSP é o ministro da fazenda. 
Além dele, fazem parte do conselho os representantes do Ministério da Justiça, 
do Ministério da Previdência Social, do Banco Central do Brasil e da Comissão 
de Valores Mobiliários, assim como pelo superintendente da Superintendência 
de Seguros Privados. 
 
Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC) 
Instituição criada pelo Decreto n° 7.123, de 3 de março de 2010. Sua 
atribuição é de regulação do regime de previdência complementar gerido pelas 
entidades fechadas de previdência complementar. Esse conselho é destinado a 
regular a previdência fechada, que é direcionada apenas para funcionários de 
organizações. Ela está inserida no segmento dos fundos de pensão, que atua 
com planos de aposentadoria, pensão ou poupança para servidores públicos, 
colaboradores de empresas e integrantes de associações ou entidades de 
classe. O presidente do CNPC é o ministro da previdência social. Além dele, o 
conselho é formado por representantes da Secretaria de Políticas de Previdência 
Complementar, da Superintendência Nacional de Previdência Complementar, da 
Casa Civil da Presidência da República, do Ministério do Planejamento, 
Desenvolvimento e Gestão, do Ministério da Fazenda, das entidades fechadas 
de previdência complementar, dentre outros. 
 
7 
#ficaadica 
Para saber mais sobre os conselhos: 
 CMN: <https://www.bcb.gov.br/?CMN>
 CNSP: <http://www.fazenda.gov.br/institucional/conselho-nacional-de-
seguros-privados>
 CNPC:<http://www.previdencia.gov.br/a-previdencia/orgaos-
colegiados/conselho-nacional-de-previdencia-complementar-cnpc/>.
TEMA 3 – ENTIDADES SUPERVISORAS 
Agora que aprendemos sobre os órgãos normativos, vamos avançar para 
as entidades supervisoras. 
O objetivo das entidades supervisoras é trabalhar para que os integrantes 
do sistema financeiro e os cidadãos cumpram as regras que foram estabelecidas 
pelos órgãos normativos. 
Visualizando a estrutura do SFN, verificamos a existência de quarto 
entidades supervisoras: Banco Central do Brasil, Comissão de Valores 
Mobiliários (CVM), Superintendência de Seguros Privados (Susep) e 
Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc). Diante 
dessas entidades, percebemos que para supervisionar os mercados de moeda, 
crédito, capitais e câmbio existem duas entidades distintas. Por isso, vamos 
saber mais sobre todas elas. 
Banco Central do Brasil (Bacen) 
Criado pela Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964. Pode ser 
considerado o principal executor das orientações do CMN. Além disso, possui 
como responsabilidade garantir o poder de compra da moeda. Como objetivos, 
podemos citar: 
 Administrar a liquidez da economia;
 Gerenciar as reservas internacionais em nível adequado;
 Fomentar a formação de poupança;
 Buscar a estabilidade e realizar a melhoria contínua do sistema financeiro.
 
 
8 
 
Conforme a Lei 4.595, as atribuições do Bacen são: 
 Emitir papel-moeda e moeda metálica; 
 Executar os serviços do meio circulante; 
 Receber recolhimentos compulsórios e voluntários das instituições 
financeiras e bancárias; 
 Realizar operações de redesconto e empréstimo às instituições 
financeiras; 
 Regular a execução dos serviços de compensação de cheques e outros 
papéis; 
 Efetuar operações de compra e venda de títulos públicos federais; 
 Exercer o controle de crédito; 
 Exercer a fiscalização das instituições financeiras; 
 Autorizar o funcionamento das instituições financeiras; 
 Estabelecer as condições para o exercício de quaisquer cargos de direção 
nas instituições financeiras; 
 Vigiar a interferência de outras empresas nos mercados financeiros e de 
capitais; 
 Controlar o fluxo de capitais estrangeiros no país. 
 
Diante de todas esses objetivos e atribuições, percebemos o quão 
importante é o Banco Central para a economia. 
 
Comissão de Valores Mobiliários (CVM) 
A CVM foi criada pela Lei nº 6.385, de 7 de dezembro de 1976, e possui 
como objetivos a fiscalização e normatização, além de disciplinar e desenvolver 
o mercado de valores mobiliários do país. A CVM é uma autarquia em regime 
especial, com personalidade jurídica e patrimônio próprio,vinculada ao 
Ministério da Fazenda e com autoridade administrativa independente. 
Conforme a Lei citada anteriormente, a CVM tem como objetivo: 
 Fomentar a formação de poupança e sua aplicação em valores 
mobiliários; 
 Promover a expansão e o funcionamento eficiente e regular do mercado 
de ações e estimular as aplicações permanentes em ações do capital 
social de companhias abertas sob controle de capitais privados nacionais; 
 
 
9 
 Assegurar o funcionamento eficiente e regular dos mercados de bolsa e 
de balcão; 
 Proteger os titulares de valores mobiliários e os investidores do mercado 
contra: 
 Emissões irregulares de valores mobiliários; 
 Atos ilegais de administradores e acionistas das companhias abertas 
ou de administradores de carteira de valores mobiliários; 
 O uso de informação relevante não divulgada no mercado de valores 
mobiliários. 
 Evitar ou coibir modalidades de fraude ou manipulação destinadas a criar 
condições artificiais de demanda, oferta ou preço dos valores mobiliários 
negociados no mercado; 
 Assegurar o acesso do público a informações sobre os valores mobiliários 
negociados e as companhias que os tenham emitido; 
 Assegurar a observância de práticas comerciais equitativas no mercado 
de valores mobiliários; 
 Assegurar a observância, no mercado, das condições de utilização de 
crédito fixadas pelo Conselho Monetário Nacional. 
 
Além disso, a CVM, elabora informativos, estudos e pesquisas nos quais 
analisa elementos necessários para o estabelecimento de políticas e medidas 
visando a promoção do desenvolvimento do mercado. Ademais, ela poderá 
examinar registros contábeis, livros e documentos de pessoas físicas e jurídicas 
sujeitas à sua fiscalização, e até intimá-las a prestar declarações sob pena de 
multa, assim como requisitar informações de órgãos públicos, apurando 
infrações e aplicando penalidades. A CVM é, portanto, uma entidade com muito 
poder. Por isso, quando atuamos no mercado de capitais, devemos seguir as 
regras determinadas, senão teremos problemas. 
Como os seguros privados e a previdência complementar não são o foco 
do nosso estudo, as atribuições das superintendências relacionadas não serão 
descritas. 
 
Superintendência de Seguros Privados 
Esta superintendência foi criada pelo Decreto-Lei nº 73, de 21 de 
novembro de 1966. É o órgão que tem por responsabilidade o controle e 
 
 
10 
fiscalização dos mercados de seguro, capitalização e previdência privada aberta. 
Além disso, também é uma autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda. 
 
Superintendência Nacional de Previdência Complementar 
Foi instituída pela Lei nº 12.154/2009, com o objetivo de fiscalizar e 
supervisionar todas as entidades fechadas de previdência complementar, assim 
como de efetuar políticas para o regime de previdência complementar. É uma 
autarquia especial vinculada ao Ministério da Previdência Social. 
Você deve estar espantando com a quantidade de entidades, e realmente 
são muitas. Porém, são essas entidades que determinam todo o funcionamento 
do mercado financeiro e de capitais e inclusive as punições aos infratores. Por 
exemplo, para uma empresa listada na Bolsa de Valores que comete 
irregularidades, não cumprindo as regras da CVM e do CMN, a CVM pode 
determinar punições, como multas. Por isso, sempre esteja atento às normas e 
regulamentações que regem o segmento de mercado no qual trabalha. 
 
#ficaadica 
A CVM disponibiliza diversas informações das companhias de capital aberto, 
entre outras: <http://sistemas.cvm.gov.br/?CiaDoc>. 
 
TEMA 4 – OPERADORES 
Agora que já estudamos as entidades supervisoras, avançaremos para os 
operadores do SFN. 
Os operadores são compostos pelas instituições que atendem 
diretamente o público, tendo o papel de intermediário financeiro. São fiscalizados 
pelas entidades supervisoras e normatizados pelos órgãos normativos. 
Nosso enfoque será nas entidades que compõem o segmento de moeda, 
de crédito, de capitais e de câmbio; todavia, é interessante conhecermos os 
operadores relacionados aos mercados de seguros privados e de previdência 
complementar. 
Como operadores regulados pelo CNSP e sob a supervisão da Susep, 
temos três categorias de instituições: seguradoras e resseguradores, entidades 
abertas de previdência e sociedades de capitalização. 
Como operadores do segmento de previdência complementar, podemos 
citar as entidades fechadas de previdência complementar (fundos de pensão). 
 
 
11 
Vamos detalhar os operadores que atuam nos mercados de moeda, de 
capitais, de câmbio e de crédito. Nesse caso, temos duas categorias de 
operadores: aqueles que são supervisionados pela CVM e os que são 
supervisionados pelo Bacen. 
Considerando o mercado de capitais supervisionado pela CVM, existem 
dois tipos de operadores: a bolsa de valores e a bolsa de mercadorias e futuros. 
 
Bolsa de valores 
Conforme a Resolução do CMN nº 2.690, de 2000, a bolsa é composta 
por sociedades anônimas ou associações civis, com o intuito de manter um local 
ou sistema adequado ao encontro de seus membros e à comercialização de 
títulos e valores mobiliários entre eles, sendo em mercado livre e aberto, 
organizado e fiscalizado pela CVM. Além disso, a bolsa de valores possui 
autonomia financeira, patrimonial e administrativa. No Brasil, a BM&FBovespa 
atua mediante a supervisão da CVM. Ela também fornece diversas informações 
interessantes em seu site, inclusive apresenta a cotação e gráficos das ações 
das empresas listadas: (<http://www.bmfbovespa.com.br/pt_br/index.htm>). 
 
Bolsa de mercadorias e futuros 
Constituída por associações privadas civis que possuem como objetivo 
realizar o registro, a compensação e a liquidação física e financeira das 
operações de derivativos realizadas em um sistema eletrônico ou pregão. 
Também possuem autonomia financeira, patrimonial e administrativa, sendo 
supervisionadas pela CVM. 
Trataremos mais detalhadamente sobre a bolsa de valores e assuntos 
relacionados a ela nas próximas aulas. 
 
Corretoras 
São instituições financeiras credenciadas pelo Bacen, pela CVM e pela 
Bolsa. Possuem um papel importante para o usuário do SFN. São empresas 
credenciadas para negociar valores mobiliários em pregão. Elas também podem 
ser caracterizadas como intermediárias especializadas na execução de ordens 
e operações por conta própria e determinadas por seus clientes. Ademais, as 
corretoras prestam serviços como: 
 Assessorar a abertura de capital e emissão de debêntures das empresas; 
 
 
12 
 Intermediar operações de câmbio e renda fixa; 
 Assessorar na seleção de investimentos. 
 
Ademais, as corretoras contribuem para um fundo de garantia mantido 
pelas bolsas de valores, que visa a garantir a seus usuários uma eventual 
reposição de títulos e valores negociados em pregão, assim como atender a 
outros casos que constam na legislação. Normalmente, as corretoras cobram 
taxas e percentuais mais atraentes que os bancos. 
Agora, com relação aos operadores bancos supervisionados pelo Bacen, 
existem diversas categorias, sendo banco múltiplo, comercial, de câmbio, de 
desenvolvimento e de investimento. Trataremos aqui de alguns bancos e outros 
operadores: 
 
Bancos múltiplos 
Foram estabelecidos pela Resolução do CMN nº 2.099, de 1994. São 
instituições financeiras públicas ou privadas e devem ser constituídos com, pelo 
menos, duas carteiras, sendo uma delas de banco de investimento ou comercial. 
 
Bancos comerciais 
Foram estabelecidos pela Resolução do CMN nº 2.099, de 1994. Eles são 
instituições financeiras públicas ou privadas com a finalidadeprincipal de 
disponibilizar recursos para o financiamento de curto e médio prazo dos setores 
de comércio, serviço, indústria e também à população. Ademais, como atividade 
exercida, eles realizam a captação de depósitos à vista ou a prazo. 
 
Cooperativas de crédito 
Instituições financeiras compostas por uma associação de indivíduos que 
desejam prestar serviços financeiros de forma a atender exclusivamente seus 
associados. Em uma cooperativa, os cooperados são ao mesmo tempo donos e 
usuários (clientes) da cooperativa, contribuindo com a sua gestão. Esse é um 
ponto interessante da cooperativa: quando você abre uma conta em um banco, 
você não ganha ações daquele banco, ou seja, você não é dono do banco. Já 
nas cooperativas, quando você abre uma conta, você também se torna 
associado e dono. 
 
 
 
13 
Bancos de investimento 
Instituídos pela Resolução do CMN nº 2.624, de 1999, são instituições 
financeiras privadas especializadas em operações de participação societária de 
caráter temporário, de gerenciamento de recursos de terceiros, assim como de 
financiamento de capital fixo e de giro. 
 
Bancos de desenvolvimento 
Instituídos pela Resolução do CMN nº 394, de 1976, são instituições 
financeiras controladas pelos governos estaduais. Possuem como objetivo 
disponibilizar adequadamente recursos necessário para o financiamento, de 
médio e longo prazo, de projetos que tenham como intuito a promoção do 
desenvolvimento econômico e social do estado. 
 
Bancos de câmbio 
Determinados pela Resolução do CMN nº 3.426, de 2006, eles são 
instituições financeiras autorizadas a negociar tanto operações de câmbio e 
operações de crédito vinculada às de câmbio, quanto financiamentos, operações 
de importação e exportação e adiantamentos sobre contratos de câmbio. Ou 
seja, eles são autorizados a realizar operações que envolvam moedas 
estrangeiras. 
 
Caixa Econômica Federal 
Criada em 1861, está regulada pelo Decreto-lei nº 759, de 12 de agosto 
de 1969. É uma empresa pública vinculada ao Ministério da Fazenda. Assim 
como um banco múltiplo ou comercial, ela realiza operações de depósitos à vista 
e com cadernetas de poupança, priorizando a concessão de empréstimos e 
financiamentos para as áreas de saúde, assistência social, educação, trabalho, 
entre outras. 
 
É importante ressaltar que existem inúmeros operadores supervisionados 
pelo Bacen, mas que não são instituições bancárias. Como exemplo, podemos 
citar: agências de fomento; associação de poupança e empréstimo; companhia 
hipotecária; sociedade de crédito, financiamento e investimento; sociedade de 
crédito imobiliário; sociedade de arrendamento mercantil e sociedade de crédito 
ao microempreendedor. 
14 
As administradoras de consórcios e corretoras são instituições que 
também estão sob supervisão do Bacen. 
Notem que conforme a definição, todos nós temos acesso aos serviços 
financeiros por meio dos operadores. Então, se por acaso você tiver problemas 
com a bolsa de valores, saiba que ela é supervisionada e disciplinada pela CVM 
e, por isso, é possível protocolar reclamações no próprio site da CVM. 
Com isso, concluímos esta apresentação das organizações que compõem 
o SFN e seu funcionamento. É bastante informação, correto? Mas lembre-se que
quando necessitar de informações sobre o SFN, o próprio Bacen disponibiliza 
em seu site. 
TEMA 5 – SISTEMAS E CÂMARAS DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA 
Após conhecermos um pouco mais sobre o SFN, abordaremos um 
assunto menos conhecido, mas essencial para o mercado de capitais: os 
sistemas e câmaras de liquidação e custódia. 
Primeiramente, acreditamos ser importante compreendermos sobre 
liquidação e custódia. 
A liquidação pode ser considerada como o pagamento e/ou a extinção de 
uma dívida (obrigação). Já a custódia possui o significado de guarda e proteção. 
Logo, percebemos que a função dos sistemas e câmaras que abordaremos é a 
de pagamento e guarda de algum ativo. 
Portanto, segundo Pereira (2013, p. 69), o sistema de liquidação e 
custódia objetiva a organização da transferência e liquidação dos títulos públicos 
e privados negociados no mercado financeiro. 
Para entender o papel dessas organizações, imagine que você adquiriu 
ações de uma empresa listada na bolsa de valores. Você recebe essas ações e 
guarda em seu cofre? Não. E se você comprar ouro no banco, você recebe o 
metal e o guarda em um cofre? Também não. Hoje, você paga pelo serviço de 
custódia, ou seja, pela guarda e proteção das suas ações e do ouro. Além disso, 
quem garante que o registro da ação está em seu nome? O sistema de 
liquidação e custódia. Atualmente, você acessando o sistema verificará quantas 
ações possui e de quais empresas. Se quiser vender as ações, a operação 
 
 
15 
também será realizada via sistema. Felizmente estamos bem avançados quanto 
a isso: os sistemas facilitaram e tornaram os processos muito mais rápidos e 
eficientes. A seguir veremos quais são os principais sistemas do mercado 
financeiro. 
 
Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) 
O SELIC é o depositário central dos títulos que formam a dívida pública 
federal interna, e que são emitidos pelo Tesouro Nacional, realizando o 
processamento, emissão, resgate, pagamento e a custódia destes títulos. Por 
isso, quando você compra títulos públicos federais, o SELIC entra em cena para 
realizar o processamento e as outras atividades derivadas da compra. 
Podemos citar que os títulos mais importantes custodiados pelo SELIC 
são: Tesouro IPCA+ (NTNB), Tesouro Prefixado (LTN) e o Tesouro Selic (LFT). 
 
Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos (Cetip) 
A Cetip é a integradora do mercado financeiro, sendo uma empresa de 
capital aberto que disponibiliza serviços de registro, central depositária, 
negociação e liquidação de ativos e títulos, principalmente títulos e valores 
mobiliários de renda fixa. Vale lembrar que ela realiza o processamento daquelas 
transferências bancárias que fazemos no dia a dia – o TED e o DOC – e ainda 
registra os CDBs (Certificado de Depósito Bancário) e títulos de renda fixa, além 
de muitos outros serviços. Quando você aplica recursos em um CDB ou LCI, por 
exemplo, é interessante saber que, para garantir que a corretora ou banco 
registrou em seu nome os títulos que você adquiriu, quem poderá fornecer essa 
informação é a Cetip. Inclusive existe um site que permite uma consulta quanto 
aos registros vinculados ao CPF ou CNPJ: 
<https://www.cetipmeusinvestimentos.com.br/marketing>. 
Diferente do SELIC, os títulos, privados de renda fixa custodiados na Cetip 
são: as debêntures (títulos emitidos por empresas), CDBs (títulos emitidos por 
bancos), LCI e LCA (Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio, emitidos por 
bancos), Letras Hipotecárias e outros. Notem que existem inúmeros produtos no 
mercado financeiro e que muitas vezes não temos conhecimento. Claro que o 
gestor financeiro deve conhecer boa parte deles para que possa realizar 
investimentos (lado esquerdo do balanço patrimonial, ativo, bens e direitos) e 
 
 
16 
captar recursos (lado direito do balanço patrimonial, passivo, obrigações) de 
forma a aumentar o resultado e garantir a perenidade da organização. 
 
Câmara de Ações ou Antiga Companhia Brasileira de Liquidação e 
Custódia (CBLC) 
É a responsável pela liquidação das operações no mercado de ações, 
assim como a compensação, liquidação, custódia e controle de risco para 
mercados à vista, a termo e de opções, sobre os quais conversaremos nas 
próximas aulas. Por isso, trabalha em função da BM&FBovespa. Ela realiza a 
custódia das ações das empresas S/A de capitalaberto, debêntures, certificados 
de privatização, cotas dos fundos imobiliários e outros. Por isso, quando você 
compra ações de uma empresa, quem realizará a custódia dessas ações será a 
Câmara de Ações, e será nela que você deverá consultar se a corretora ou banco 
realizou a compra das ações solicitadas. 
Pensando em compensação, liquidação e resgate de títulos e ações, é 
importante conhecermos uma forma utilizada pelo mercado que determina o 
período da liquidação: o termo D+0, D+1, D+2 e assim por diante. Essa sigla 
representa em quanto tempo o dinheiro estará disponível. Por exemplo, em D+0, 
significa que a partir da minha solicitação de resgate, o recurso estará disponível 
no mesmo dia. Já o D+2, significa que o dinheiro será disponibilizado apenas 
dois dias após minha solicitação. 
Conhecemos nesta aula muitas entidades e nomenclaturas: sim, o 
sistema financeiro é complexo e organizado. Mas não se preocupe, esses 
conceitos são bases para as próximas aulas e nelas estudaremos sobre 
informações e processos que estão ou podem estar mais próximos do nosso 
cotidiano. 
Mesmo assim, observe que o mercado financeiro oferece muitos produtos 
para as duas “pontas”: tanto para quem precisa de capital, quanto para os 
poupadores. Pensando no âmbito corporativo, isso contribui com o 
desenvolvimento das empresas, pois uma empresa que precisa investir, mas 
não possui recursos, pode buscar capital no mercado financeiro. Por outro lado, 
uma empresa que possui caixa e não tem planos de investir esse capital em sua 
própria operação, pode investir neste mesmo mercado financeiro. Como 
sabemos, o dinheiro possui valor no tempo, e mantê-lo parado na conta corrente 
17 
ou no caixa significa deixar de ganhar receitas financeiras. Ele deve ser aplicado 
– ao menos no mercado financeiro.
Diante do que aprendemos, podemos imaginar o tamanho desse mercado 
colossal e do montante movimentado diariamente. Por isso, é necessário que o 
SFN seja muito organizado e estruturado, e forneça segurança e eficiência para 
contribuir com o desenvolvimento econômico do país. 
#ficaadica 
Hoje o Tesouro Nacional possui um app para que qualquer pessoa cadastrada 
possa comprar e vender títulos públicos federais. Para saber mais, acesse 
<http://www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro-direto#menu>. 
TROCANDO IDEIAS 
Caro aluno, não hesite em buscar o conhecimento. Aproveite os 
buscadores de conteúdo e a internet, que nos permite o acesso aos mais 
diversos conhecimentos de forma rápida e eficiente. Além disso, a própria 
internet fornece sistemas gratuitos para acompanhamento dinâmico de 
informações e que realizam análises automáticas. Se ficou com alguma dúvida 
ou querendo saber mais de um determinado assunto, vá buscar esse 
conhecimento. 
Quando necessitar conhecer as normas e funcionamento de alguma 
instituição do SFN, busque a legislação vigente. O próprio site do Banco Central 
do Brasil possui inúmeras informações. Portanto, quando algum banco ou 
instituição oferecer algum produto do mercado financeiro que você não conheça, 
busque a informação, ainda mais que de tempos em tempos surgem novos 
produtos e serviços. 
É importante que você, gestor financeiro, saiba melhor do que ninguém 
em quais produtos investir o seu dinheiro ou o dinheiro da empresa sob sua 
gestão, pois você conhece a fundo os objetivos pessoais e empresariais. Muitos 
gestores acabam pagando e terceirizando essa atividade tão importante. Por 
essa razão, vá em busca do conhecimento para que você não dependa de 
terceiros para investir, ou mesmo para realizar a captação de recursos. 
 
 
18 
 
SÍNTESE 
Como vimos nesta Rota, o Sistema Financeiro Nacional é uma estrutura 
complexa formada por diversas instituições e que possui como objetivo organizar 
e controlar todo o mercado financeiro. Dentre as instituições que formam o SFN, 
temos os órgãos normativos, que criam as normas e diretrizes para o sistema 
funcionar. Abaixo deles, estão as entidades supervisoras, que têm como 
finalidade realizar a supervisão e o controle dos operadores, e verificar se estão 
seguindo as normas determinadas pelos órgãos normativos. Por fim, na 
estrutura do SFN, temos os operadores, que são as instituições que realizam o 
atendimento do público em geral, para que tenham acesso ao mercado 
financeiro. Como operadores, temos as instituições mais populares, que são os 
bancos, a bolsa de valores, as seguradoras, entre outros. Como último assunto 
de nossa aula e que está diretamente ligado ao mercado financeiro, vimos a 
atuação dos Sistemas e Câmaras de Liquidação e Custódia, que, de modo 
sucinto, realizam o registro, compensação, liquidação e custódia de títulos e 
outros ativos. 
 
REFERÊNCIAS 
BANCO CENTRAL DO BRASIL. Disponível em: <https://www.bcb.gov.br>. 
Acesso em: 24 mar. 2017. 
KERR, R. B. Mercado financeiro e de capitais. São Paulo: Pearson Prentice 
Hall, 2011. 
PEREIRA, C. L. Mercado de capitais. Curitiba: Intersaberes, 2013. 
 
MECANISMOS DE INSTITUIÇÕES 
FINANCEIRAS
AULA 3 
Prof. Alfredo Beckert Neto 
2 
CONVERSA INICIAL 
Olá! Seja bem-vindo à nossa terceira rota de aprendizagem. Vamos iniciar 
mais um assunto: “financiamento de empresas e o mercado acionário”. 
Sabemos que as empresas precisam de capital para investir ou mesmo 
para fazer suas operações “girar”. Por isso, nesta rota veremos os aspectos que 
envolvem do financiamento de empresas até sua captação de recursos no 
mercado de capitais, por meio de debêntures e ações. Além disso, esses 
produtos podem ser formas de investimento, tanto para empresas quanto para 
pessoas físicas compradoras. 
Iniciaremos pelo detalhamento sobre o mercado de capitais, para assim 
conversarmos sobre o financiamento de empresas. Depois disso, abordaremos 
as debêntures e ações de empresas. Para finalizar a rota, discutiremos sobre o 
mercado primário e mercado secundário. 
Aproveite para parar e refletir durante os pontos que considerar 
interessantes durante a aula, pois podemos criar associações e, 
consequentemente, gerar novas ideias. 
Desejamos a você um ótimo estudo! 
CONTEXTUALIZANDO 
Sabemos que diariamente o mercado de capitais movimenta bilhões de 
reais no Brasil. Com o aumento da complexidade das operações de capitais 
devido à globalização e à maior competição nos mercados, o maior desafio se 
encontra em proporcionar o acesso às informações e a comercialização dos 
produtos, de forma rápida e eficiente. Porém, isso não é tarefa fácil. E quais 
seriam esses principais produtos do mercado de capitais? 
As debêntures e as ações de empresas. Caso uma empresa necessite de 
capital para realizar sua expansão e investir em suas operações, estes dois 
produtos possibilitam essa captação de capital. O primeiro por meio de títulos de 
dívida, e o outro por meio da venda do capital da empresa. Por outro lado, uma 
pessoa física ou jurídica poderá adquirir essas ações e debêntures como forma 
de investimento, visando tanto à valorização das ações e o recebimento de 
dividendos, como à remuneração de juros das debêntures. Diante disso, é 
interessante que o gestor financeiro conheça todos os produtos existentes no 
 
 
3 
mercado financeiro, tanto de captação de recursos como de investimento, para 
selecionar o mais adequado à sua realidade e aos seus objetivos, favorecendo 
assim sua estratégia e a melhora no resultado da organização. 
 
Pesquise 
Vamos buscar entender sobre como as empresas realizam seu 
financiamento: quais são os produtos mais acessados? E as empresas S.A. de 
capital aberto: como elas realizam a captação de recursos no mercado de 
capitais? Podemos também buscar o porquêde usar o mercado de capitais em 
ambos os lados: captador ou investidor. Isso nos fará compreender um pouco 
mais sobre esse mercado e seus produtos. 
 
TEMA 1 – FINANCIAMENTO DE EMPRESAS 
Imagine que você é o gestor financeiro de uma empresa, e está sendo 
indagado pelo presidente sobre se seria possível captar 10 milhões de reais para 
o desenvolvimento de um novo projeto. Você teria a obrigação de levantar as 
opções que a empresa possui para tal captação, assim como suas 
consequências, custo, prazos e exigibilidades. Percebeu a responsabilidade? 
Esse tipo de necessidade de captação é muito comum nas empresas, pois 
elas precisam investir constantemente, tanto em busca de expansão quanto para 
manter suas operações em funcionamento e capital de giro. 
O gestor financeiro possui dois tipos de recursos para captar: capital 
próprio ou capital de terceiros. Para captar capital próprio, ele terá que convencer 
e provar para os sócios da empresa quanto à necessidade desse capital e, ainda 
dependerá do fato de se estes sócios possuem capital disponível. Quanto ao 
capital de terceiros, o gestor financeiro pode buscar no mercado financeiro, tanto 
de crédito quanto de capitais. Podemos pensar que o capital de terceiros é pior, 
pois a empresa ficará endividada, mas nem sempre é assim, pois os proprietários 
dividem o risco da empresa com terceiros. E lembre-se, a empresa sempre 
estará endividada, tendo como credores os sócios e terceiros, ou você acha que 
os sócios não querem ser remunerados por meio de juros e de outras formas? 
Você, como gestor financeiro, deve compreender que as decisões de 
investimento devem estar associadas às decisões de financiamento e levantar 
possibilidades de captação é fundamental para obter o capital mais próximo dos 
 
 
4 
termos desejados, resultando assim em uma melhor gestão financeira e, 
consequentemente, em melhores resultados. 
Pensando em financiamento com capital de terceiros, o mercado de 
crédito oferece muitos produtos, como operações de compror, vendor, linhas de 
capital de giro, linhas subsidiadas pelo BNDES, financiamentos para exportação 
e importação, entre muitos outros produtos. 
Por outro lado, o mercado de capitais possibilita a captação de recursos 
por meio da emissão de títulos de dívida e a venda de ações da organização, 
resultando assim na diminuição da participação do capital da empresa dos 
acionistas. Normalmente, essas formas são acessíveis e utilizadas por empresas 
de grande porte. No entanto, já existem meios para que organizações menores 
consigam captar recursos com base no mercado de capitais. 
Claro que o gestor deve levar em conta os aspectos que envolvem o custo 
do capital (juros, impostos e taxas), prazos e formas de pagamento, garantias e, 
em alguns casos, o sistema de amortização. 
Existem também outros terceiros que podem facilitar ou até mesmo 
auxiliar no financiamento de empresas: o governo e fornecedores. 
Vamos imaginar que você, como gestor financeiro de uma nova operação, 
necessita levantar capital de acordo com a seguinte estrutura: 
 Capital de giro............................. R$ 900.000,00 
 Obras e máquinas.................... R$ 2.000.000,00 
 Pesquisa e desenvolvimento....... R$ 700.000,00 
 Marketing..................................... R$ 900.000,00 
 
Analisaremos o capital de giro. Essa rubrica é necessária, principalmente, 
para cobrir o ciclo financeiro, ou seja, se vendemos nossos produtos em até 90 
dias para o cliente pagar e pagamos o fornecedor em 60 dias, temos 30 dias de 
necessidade de capital de giro. Caso você consiga financiar esse capital de giro 
a um custo de 2,5% de juros a.m., vale a pena analisar com seus fornecedores 
se consegue negociar um prazo maior, tal como 90 dias, e inclusive, podemos 
oferecer pagar um valor de 1% a mais. Resumindo a ideia, se os fornecedores 
oferecem prazos para pagamento, significa que eles estão “emprestando” capital 
para sua operação, e quanto melhor for a negociação, menos capital de giro será 
necessário. 
5 
Com relação ao governo, devemos analisar a possibilidade de utilização 
de benefícios fiscais, e inclusive de linhas de capital não reembolsáveis. Isso 
poderia reduzir drasticamente a necessidade de capital na rubrica pesquisa e 
desenvolvimento. 
Em resumo, há uma certa complexidade para financiar os investimentos 
e operações das empresas, visto que existem diversas formas e produtos para 
realizar isso. O mercado oferece soluções de curto, médio e longo prazo que 
podem saciar as necessidades das organizações. Todavia, note que o gestor 
financeiro deve conhecer exatamente o montante de capital que necessita para 
seu projeto, pois a falta de capital pode fazer com que o projeto não se 
desenvolva e a sobra de capital financiado pode gerar uma redução nos 
resultados devido à despesa financeira, gerando assim uma menor rentabilidade 
para os sócios e/ou acionistas. 
TEMA 2 – O MERCADO DE CAPITAIS 
Mais uma vez nosso tema é mercado financeiro – mais especificamente, 
mercado de capitais. 
Imagine que você ou sua empresa estão com dinheiro em caixa 
"sobrando", ou seja, sem destinação; por isso, você pensa em investir no 
mercado de capitais. Logicamente, antes de realizar o investimento, é 
necessário conhecer o mercado, seus produtos e como as regras funcionam. Em 
alguns países a cultura de aplicar no mercado de capitais é bem difundida, 
inclusive entre pessoas físicas, como ocorre nos Estados Unidos. Nos últimos 
anos, com o crescente acesso à informação, o Brasil tem visto aumentar a 
procura pela compra de ações pela população em geral. 
Por outro lado, empresas que necessitam de capital para expandir suas 
operações. Podem, por exemplo, verificar a possibilidade de entrada no mercado 
de capitais para captar recursos financeiros. 
O mercado de capitais é o mercado no qual se comercializam valores 
mobiliários, como ações, debêntures, commercial papers, derivativos, opções de 
compra de valores mobiliários, quotas de fundos imobiliários, entre outros 
produtos, que permitem a circulação de capital para custear o desenvolvimento 
econômico. Pode ser definido, conforme BM&FBovespa (2010, p.7), como “um 
sistema de distribuição de valores mobiliários que tem o propósito de 
6 
proporcionar liquidez aos títulos de emissão de empresas e viabilizar o processo 
de capitalização”. 
Esse mercado é constituído pelas corretoras, bolsas, agentes de 
liquidação e custódia de títulos e outras instituições financeiras autorizadas. 
Segundo Pereira (2013, p. 82), os títulos de valores mobiliários são 
caracterizados por alterarem de nominação de um investidor para o outro, sendo 
considerados então como ativos móveis. O autor também menciona que o 
desenvolvimento do mercado de capitais foi impulsionado pela redução no custo 
de captação de recursos, visto que o mercado de crédito oferecia custos mais 
altos em relação ao mercado de capitais; inclusive, em alguns casos o credor se 
transforma em acionista da empresa. 
Ademais, o mercado de crédito permitiu a ascensão do mercado de 
capitais quando não atendeu às necessidades das empresas no que se refere a 
condições em termos de custos, prazos e outras exigências. 
Sendo assim, este mercado incentiva o crescimento da poupança, pois 
quanto maior o nível de poupança, maior será a disponibilidade para investir. Por 
isso, tanto pessoas físicas quanto jurídicas são consideradas como fontes do 
financiamento dos investimentos de uma nação. Com os investimentos, 
desenvolve-se o crescimento econômico, assim como se propicia o aumento de 
renda, gerando uma espécie de ciclo. 
Portanto, quanto mais as empresas crescem, mais recursossão 
necessários, sendo que esses recursos normalmente são captados por meio de 
empréstimos de terceiros, participação dos acionistas e reinvestimento de lucros. 
No mercado de capitais, temos como agente mais importante as 
sociedades anônimas (S.A.) de capital aberto, consideradas emissores. Como 
intermediários, por exemplo, existem os bancos de investimento, 
administradores de carteiras e corretores de mercadorias, de títulos e valores 
mobiliários. 
Neste mercado, os investidores dividem-se em duas categorias: 
• Individuais ou particulares: indivíduos ou empresas que 
atuam diretamente comprando e vendendo no mercado; 
7 
de capitalização, sociedades seguradoras, clubes de investimento e 
entidades de previdência privada. 
Há ainda um outro conceito importante, que é o de mercado de balcão, 
que se refere à comercialização dos valores mobiliários “por fora” da bolsa de 
valores. Ou seja, é o mercado em que são negociadas a compra e venda dos 
títulos e de outros produtos de forma direta, entre o comprador e o emissor ou 
vendedor, ou ainda existindo a intermediação de alguma instituição financeira, 
mas sem operações dentro da bolsa de valores. 
É importante ressaltar que o mercado de capitais, de um modo geral, ou 
seja, na maioria de seus produtos, não oferece ao investidor rentabilidade 
garantida. E como não oferecem garantia de retorno, devem ser considerados 
investimentos de risco. Outro ponto importante no mercado de capitais é que a 
rentabilidade passada não garante rentabilidade futura. Por exemplo, se você 
comprou ações da Petrobrás no mês passado e seu valor subiu 10%, isso não 
garante em nada que no mês seguinte também ocorrerá um aumento, podendo 
inclusive existir a redução do valor. Por isso, esse tipo de aplicação é 
considerado como de renda variável. 
Vale lembrar que o mercado de capitais é supervisionado pela Comissão 
de Valores Mobiliários (CVM) e seus produtos, em grande parte, são negociados 
pelas bolsas de mercadorias e futuros, assim como as bolsas de valores. Por 
isso, para uma organização ou mesmo pessoa física ter acesso ao mercado, são 
seguidas diversas normas e regras, que visam ao bom funcionamento do 
mercado. 
As empresas S.A. normalmente utilizam-se dos principais papéis 
mobiliários para captar recursos: as ações e as debêntures. Abordaremos estes 
dois papéis nos próximos temas. 
• Institucionais: pessoas jurídicas que administram e movimentam 
grandes montantes de capital dentro do mercado financeiro, sendo esse 
capital de outras pessoas. Exemplos: fundos de investimento, sociedades 
8 
TEMA 3 – DEBÊNTURES 
Imagine uma empresa de capital aberto listada na bolsa precisando captar 
recursos no mercado para desenvolver um novo segmento. Essa organização 
pode emitir títulos de dívida de médio e longo prazo. A empresa define as 
condições, juros de remuneração, prazos e coloca os títulos para 
comercialização. Quem tiver interesse nas condições definidas poderá comprar 
esses títulos – simples assim. Claro que esse título oferece risco, visto que a 
empresa poderá não pagar ao comprador no vencimento do título. Por isso, 
existem agências que classificam o risco das empresas, sendo as três principais: 
Standard & Poor's, Fitch e Moody's. 
Contudo, vamos seguir com as definições de debêntures. De acordo com 
Kerr (2011, p. 87), “[...] debêntures são valores mobiliários representativos de 
dívida de médio e longo prazos, com privilégio geral sobre os bens sociais ou 
garantia real sobre determinados bens emitidos por sociedades anônimas no 
mercado de capitais”. É uma emissão de título privado que tem por intuito 
financiar projetos de investimento ou reestruturar e alongar o perfil da dívida da 
organização. 
Para ficar claro, a debênture gera o direito ao comprador de receber uma 
remuneração do emissor (normalmente juros) e, periodicamente ou quando o 
título vencer, receber também o valor investido (principal). Ela pode ser emitida 
por S.A. de capital aberto ou fechado. Ademais, as especificações das 
debêntures constam em sua escritura de emissão, que inclusive poderá citar a 
destinação dos recursos captados. É interessante salientar que as debêntures 
são uma das formas mais antigas de captação de recursos via títulos no Brasil. 
Mesmo assim, ela não é massivamente difundida. 
Cada empresa pode fazer diversas emissões, sendo que cada emissão 
pode ser classificada em séries. Quando mencionamos debêntures da mesma 
série, significa que elas possuem o mesmo valor nominal, assim como 
disponibilizam os mesmos direitos aos titulares. 
Outro ponto interessante é que as debêntures podem ter o prazo de 
vencimento determinado, antecipado ou indeterminado. Como as demais 
informações, o prazo de vencimento e as condições de antecipação do 
vencimento devem constar na escritura de emissão. 
As debêntures podem ser negociadas em mercado de balcão e na bolsa 
de valores. 
9 
Podemos listar algumas vantagens desses títulos: 
 Normalmente possui custos de captação menores para os emissores;
 É uma alternativa aos financiamentos bancários;
 Para o investidor, é um investimento em renda fixa, possibilitando a
previsão do fluxo de caixa e uma boa rentabilidade em comparação com
outros produtos de renda fixa.
Além disso, a empresa pode incluir alguns itens para motivar mais 
compradores, como as debêntures com participação nos lucros e conversíveis 
em ações. 
Portanto, existem diversas categorias de debêntures: conversíveis, 
permutáveis e simples (ou não conversíveis). 
No caso das debêntures conversíveis em ações, se o emissor não pagar 
o que consta na escritura de emissão, a garantia são as próprias ações da
empresa, ou seja, o comprador ficará com ações dessa no valor e formas 
estipuladas na escritura. 
As debêntures não conversíveis ou simples não podem ser convertidas 
em ações da empresa emissora. As debêntures conversíveis, por sua vez, em 
sua escritura possuem cláusulas possibilitando que elas sejam convertidas em 
ações tanto ao término de prazo estipulado quanto a qualquer tempo, caso esteja 
determinado na escritura de emissão. Já as debêntures permutáveis dizem 
respeito aos títulos que podem ser transformados em ações de emissão de outra 
empresa, e não em títulos da empresa que emitiu a própria debênture. 
Além de tudo isso, as debêntures podem ser incentivadas. A Lei nº 
12.431, de 24 de junho de 2011, menciona sobre a incidência do imposto de 
renda nas operações de debêntures de infraestrutura. Esses títulos são emitidos 
por S.A. em que os recursos captados visem à implementação de projetos de 
investimento na área de infraestrutura ou de produção maciça em pesquisa, 
desenvolvimento e inovação, determinados como prioritários pelo Governo 
Federal. 
Ademais, uma debênture pode ser classificada, quanto à sua forma, como 
nominativa ou escritural. As nominativas se referem a certificados emitidos em 
nome do titular, e são registradas em livro próprio retido pela empresa. As 
escriturais, por sua vez, não possuem certificados representativos, e uma 
10 
instituição financeira depositária designada pela empresa mantém em nome do 
titular em conta de depósito. 
Por fim, existe um conceito utilizado no mercado e que é necessário 
conhecermos. São os commercial papers. Segundo Kerr (2011, p. 87), 
commercial papers ou ainda, notas promissórias comerciais, são títulos de dívida 
para obtenção de capital de curto prazo, podendo existir garantias oferecidas 
pela empresa emissora ou não, e sua remuneração pode ser prefixada (mais 
usual) ou pós-fixada. 
#ficaadica 
Caso necessite conhecer o rating de alguma companhia ou governo, pesquise 
na internet. Algunslinks sobre debêntures: 
 <http://www.debentures.com.br>;
 <http://www.portaldoinvestidor.gov.br/menu/Menu_Investidor/valores_
mobiliarios/debenture.html>.
TEMA 4 – AÇÕES 
Agora vamos estudar as ações: aquelas que ou deixam pessoas 
milionárias, ou as fazem perder grande parte de seu patrimônio em poucos dias. 
Pereira (2013, p. 84) comenta que as ações são emitidas por companhias, 
e que são títulos de renda variável que representam a menor fração do capital 
de uma empresa. Diante disso, podemos apresentar um exemplo: caso 
pegássemos todo o capital de uma empresa e dividíssemos nas menores partes 
possíveis, cada parte seria uma ação, e cada parte torna uma pessoa acionista 
(proprietária) da empresa. Essa ação gera para o acionista o direito de participar 
dos resultados da empresa seguindo a proporção da quantidade de ações que 
cada acionista tem. Além disso, quanto mais ações de uma empresa uma pessoa 
tiver, mais influência ela terá nas decisões dessa empresa. 
Além disso, as ações podem ser classificadas em ordinárias (ON) e 
preferenciais (PN, PNA e PNB). Essas siglas são muito comuns e importantes. 
11 
As ações ordinárias, de acordo com Pereira (2013, p. 84), concedem 
direito a voto em assembleias da empresa, sendo que cada ação ordinária 
fornece o direito a um voto. Com isso, quanto maior a quantidade de ações, 
maior a influência nas votações em assembleias. Além disso, as ações ordinárias 
também fornecem o direito na participação dos lucros da empresa. Por outro 
lado, as ações preferenciais, ainda segundo Pereira (2013, p. 84), não fornecem 
o direito a voto, mas em contrapartida cedem prioridade no recebimento de
dividendos, assim como, em caso de distrato da sociedade, no reembolso de 
capital. O autor ainda menciona que há uma regra peculiar: em caso de a 
companhia parar de pagar os dividendos fixos ou mínimos por um prazo 
estabelecido no estatuto e não superior a três exercícios consecutivos, os 
detentores de ações preferenciais passarão a ter direito a voto, e caso a empresa 
retorne o pagamento de dividendos, as ações voltam a não proporcionar direito 
a voto. 
Apenas como um exemplo, é interessante perceber que a Petrobrás está 
listada na bolsa de valores com as denominações PETR3 e PETR4. A PETR3 
se refere a ações ordinárias e a PETR4 são ações preferenciais. Ainda, as ações 
preferenciais podem ser finalizadas pelos números 5 e 6, por exemplo: VALE5 
(PNA), ELET6 (PNB). Além disso, existem as units, que podemos fazer uma 
analogia com “pacotes” de ações, e dentro desses pacotes existem ações 
preferenciais e ordinárias. O código para os pacotes de ações é o número 11, 
como o exemplo: BBTG11. Perceba o quanto o mercado de capitais é preparado 
e organizado. 
As ações podem ser emitidas por sociedades anônimas tanto de capital 
fechado quanto capital aberto. Todas as empresas de capital aberto devem estar 
registradas na CVM, e são obrigadas a disponibilizar inúmeras informações 
econômicas, financeiras e sociais para o mercado. Vale lembrar que, em 
qualquer período, as ações são conversíveis em dinheiro por meio da 
comercialização em bolsa de valores ou em mercado de balcão. 
Agora que já sabemos o que é uma ação, vamos para a “parte boa”: 
conhecer a rentabilidade de uma ação. 
Essa rentabilidade é variável, pois uma parte é composta de dividendos 
(participação nos resultados), assim como benefícios concedidos pela empresa 
– basta ter a posse da ação); outra parte resulta de um possível ganho de capital
na venda da ação. A seguir listamos algumas das remunerações: 
 
 
12 
 Dividendos – São representados pela participação nos resultados por 
meio da distribuição de dividendos em dinheiro, sendo que esse 
percentual de distribuição dos lucros é definido pela empresa. 
Normalmente o lucro de uma empresa é dividido para algumas 
finalidades, como reserva legal, reinvestimentos e pagamento de 
dividendos. Por exemplo: se uma empresa apurou um lucro líquido de 100 
milhões de reais, isso não quer dizer que os acionistas dividirão esse 
montante entre si, mas sim uma parte dele. A Lei das S.A. determina que 
sejam distribuídos ao menos 25% do lucro líquido do exercício. 
 Juros sobre o capital próprio (JSCP) – As organizações podem 
escolher por distribuir resultados de outra forma para seus acionistas. 
Utilizando o pagamento de juros sobre o capital próprio, em vez de 
distribuir dividendos, a empresa remunera os acionistas desde que atenda 
às regras estabelecidas na regulamentação sobre JSCP. Para Pereira 
(2013, p. 85), o JSCP pode oferecer um benefício fiscal sobre os 
dividendos, visto que é uma despesa que pode ser abatida do lucro 
tributável da companhia, e para o acionista tanto o recebimento de 
dividendos quanto o JSCP representam uma remuneração financeira do 
capital investido em ações. 
 Bonificação em ações – Ocorre quando existe um aumento de capital 
de uma companhia por meio de incorporação de reservas e lucros, e 
nesse caso, novas ações são distribuídas gratuitamente para os 
acionistas seguindo a proporção de ações de cada um. 
 Bonificação em dinheiro – De forma mais específica e não muito 
comum, essa bonificação ocorre quando, além dos dividendos, a 
companhia concede aos acionistas uma participação adicional nos lucros 
via bonificação em dinheiro. 
 Direito de subscrição – Representa o direito dos acionistas pela 
aquisição de um novo lote de ações, seguindo a proporção das ações já 
possuídas, com preferência na subscrição. 
 Venda de direitos de subscrição – Pelo fato de o exercício de 
preferência do direito de subscrição não ser obrigatório, o acionista 
poderá vendê-los a terceiros. 
 
 
 
13 
É importante conhecer também o conceito de lote padrão de ações, que 
é composto por 100 ações iguais. Por isso, é muito comum que as ordens de 
compra e venda sigam múltiplos de 100. Isso facilita a negociação das ações e 
gera maior liquidez. Mesmo assim, é possível comprar 70 ou 120 ações, 
entretanto, elas não serão um lote padrão. 
É interessante conhecermos também mais dois conceitos que podem 
alterar o preço da ação, mesmo mantendo o valor da riqueza para o acionista. 
São eles: os desdobramentos (splits) e os agrupamentos de ações (inplits). 
 Desdobramentos – Imagine que o preço de uma ação é de R$150,00. 
Para comprar um lote padrão de 100 unidades será necessário pagar R$ 
15.000,00. Isso pode dificultar a compra por pessoas físicas, 
diferentemente se a ação custasse R$ 20,00, e o lote padrão R$ 2.000,00. 
Por isso, quando o preço da ação está muito alto, podendo dificultar sua 
negociação, pois reduz a quantidade de possíveis compradores, a 
empresa realiza o desdobramento, distribuindo novas ações para cada 
ação em posse do acionista, gerando um aumento na quantidade de 
ações no mercado. Consequentemente, o valor da ação é reduzido na 
proporção do desdobramento. 
 Agrupamentos – Agora que conhecemos os desdobramentos, basta 
invertermos o conceito para chegarmos ao dos agrupamentos. Eles 
normalmente acontecem quando o preço da ação está reduzido, pois em 
alguns casos isso pode causar uma má impressão e aumentar a 
volatilidade. Por isso, como o próprio termo diz, existe um agrupamento 
de ações, ou seja, uma diminuição na quantidade de ações, fazendo com 
que seu preço aumente. 
 
Note que o mercado de capitais possui muitos conceitos a que não 
estamos acostumados. Por isso, é muito importante estudar e compreender seu 
funcionamento antes de iniciar as operações tanto de investimento, 1quanto de 
captação de recursos. Vale lembrar que o mercado acionário é administrado pela 
bolsa de valores. Por isso, em nossas próximas aulas analisaremose 
aprenderemos como a bolsa de valores e suas negociações funcionam. 
 
14 
#ficaadica 
Antes de negociar ações, estude em blogs e nos sites oficiais da 
BM&FBovespa. 
TEMA 5 – MERCADO PRIMÁRIO E SECUNDÁRIO 
Existem vários mercados dentro do mercado de capitais, e muitos termos 
para os descrever. Agora estudaremos os mercados primário e secundário. 
O mercado primário, de acordo com Pereira (2013, p. 83), “existe quando 
o título ou valor mobiliário é lançado pela primeira vez ao mercado, e o emissor
realiza a captação dos recursos pela venda do título”. Por exemplo, quando uma 
empresa fará sua primeira venda de ações ou emissão de debêntures ou ainda, 
emissão de notas promissórias, está caracterizado o mercado primário, pois os 
valores captados pelas vendas serão destinados à companhia. As companhias 
se utilizam do mercado primário para captar os recursos de que necessitam, com 
o intuito de financiar seus projetos de expansão ou outras atividades.
Quanto ao mercado secundário, é por meio dele que acontecem as 
negociações dos títulos adquiridos no mercado primário, proporcionando a 
liquidez necessária. Em outras palavras, o mercado secundário é constituído 
pela negociação dos títulos entre investidores, e não mais pela companhia 
emissora e compradores. Por isso, os títulos são renegociados diariamente no 
mercado de ações ou no mercado de balcão, destacando o papel fundamental 
da bolsa de valores para realizar de forma organizada essas negociações. 
Conforme Kerr (2011, p. 95), o mercado primário tem sua importância para 
a capitalização das companhias, mas é o mercado secundário – a bolsa de 
valores – que possui a função de dar liquidez ao mercado primário. 
É interessante destacar alguns mecanismos que são utilizados no 
mercado secundário, principalmente na bolsa de valores. O tão falado pregão 
eletrônico (Mega Bolsa) se caracteriza pela possibilidade de o investidor realizar 
suas negociações por meio de um dispositivo com acesso à internet. Outro termo 
comum utilizado é o after market, que permite realizar ordens de negócio no 
mercado acionário mesmo depois do encerramento do pregão eletrônico. Além 
desses conceitos, quando ouvir falar de home broker saiba que é o sistema que 
 
 
15 
possibilita ao investidor realizar ordens de compra e venda por meio de um 
dispositivo com internet, ou seja, é um sistema que possibilita o acesso ao 
pregão eletrônico. 
Então, pensando “na prática”, o mercado primário propicia a captação de 
recursos para as empresas, que normalmente visam ao desenvolvimento de 
novos projetos e o capital necessário para sua expansão. Mesmo assim, uma 
companhia atingir o grau de maturidade para acessar o mercado primário é uma 
tarefa que exige um grande esforço, pois além da regulação, a empresa precisa 
publicar informações para que os acionistas tenham acesso, dentre várias outras 
atividades, as quais têm o objetivo de gerar valor para suas ações e despertar o 
interesse de compra nos investidores. 
Por outro lado, no mercado secundário, a negociação ocorre de investidor 
para investidor, sem que os ganhos ou as perdas realizadas com a negociação 
dos títulos afetem a empresa emissora, pois ficam restritos aos investidores, 
tornando o mercado, em parte, especulativo, sem contribuir com o 
desenvolvimento das empresas. Mesmo assim, as companhias emissoras de 
títulos devem desenvolver um bom relacionamento com o mercado e com seus 
acionistas. Inclusive, verifica-se em empresas de capital aberto que 
normalmente existe uma área ou um profissional responsável pelas relações 
com investidores (RI), cujo intuito é ser uma interface ou conexão entre a gestão 
da empresa e os acionistas e seus representantes, e com os demais agentes 
atuantes no mercado de capitais. 
Você, como gestor financeiro deve buscar como objetivo final de suas 
decisões a melhoria e aumento de três itens fundamentais na gestão financeira: 
o aumento do lucro, do caixa e do valor de mercado da empresa (valor das 
ações). 
 
TROCANDO IDEIAS 
O mundo está mudando e as empresas se adaptam a todo momento. Hoje 
algumas empresas e pessoas captam recursos por meio de sites de 
crowdfunding (financiamentos coletivos). 
Quando alguém ou alguma organização possui bons projetos, é possível 
a essas pedirem doações ou realizar uma espécie de “pré-venda” ou vendas de 
brindes com valor para financiar seus projetos. Para saber mais, pesquise na 
internet. 
 
 
16 
E não para por aí: pensando na mesma ideia, nos últimos anos surgiu o 
equity crowdfunding, que é permitido pela CVM. Ele possibilita que investidores 
pessoa física participem do capital de micro e pequenas empresas. Conheça 
mais em <https://eqseed.com/br>. 
Além disso, como sugestão para você conhecer mais os produtos do 
mercado financeiro, recomendamos acessar o site da BM&FBovespa e verifique 
no menu listagem, e no menu produtos, e selecione cada um dos produtos para 
conhecê-los melhor. O link é: <http://www.bmfbovespa.com.br/pt_br/index.htm>. 
Outra informação interessante é que normalmente nos livros consta que 
o home broker necessita de um computador, mas hoje já existem apps para 
smartphones que realizam esse papel, possibilitando a compra e venda de 
títulos. 
 
SÍNTESE 
Nesta Rota de Aprendizagem, vimos que o mercado de capitais possui 
inúmeros produtos, mas sua organização e eficiência transmitem segurança e 
credibilidade para os investidores. Esse mercado é uma alternativa para as 
empresas captarem recursos com o intuito de expansão e manutenção de suas 
operações. 
Um dos títulos que possibilita essa captação de recursos para a empresa 
é a debênture, que é um título privado de dívida da companhia emissora, e em 
sua escritura de emissão constam todas as informações necessárias para o 
investidor, como: remuneração (juros), prazos, formas de pagamento, entre 
outras. Outra forma de uma sociedade anônima captar recursos é por meio da 
emissão e venda de suas ações. Cada ação representa a menor fração do capital 
social da empresa, e fornece direitos no resultado da empresa, assim como em 
votações em assembleias. Quando uma empresa emite ações, ela fará a 
comercialização no mercado primário, pois a negociação ocorre entre 
companhia e investidor. Os recursos captados entrarão no caixa da empresa 
para que ela possa se desenvolver. Todavia, para garantir liquidez ao comprador 
das ações, existe o mercado secundário, que possibilita a negociação das ações 
entre investidores, normalmente por meio da bolsa de valores e do mercado de 
balcão. 
 
 
 
17 
REFERÊNCIAS 
BM&FBOVESPA. Disponível em: 
<http://www.bmfbovespa.com.br/pt_br/index.htm>. Acesso em: 25 abr. 2017. 
CVM – COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS. Disponível em: 
<www.cvm.gov.br>. Acesso em: 25 abr. 2017. 
DEBENTURES.COM.BR. Disponível em: <http://www.debentures.com.br>. 
Acesso em: 25 abr. 2017. 
INTRODUÇÃO ao mercado de capitais. BM&FBOVESPA, 2010: Disponível em: 
<https://corretora.miraeasset.com.br/global/bz/po/downloads/cursosOnline/Intro
du%C3%A7%C3%A3o_ao_Mercado_de_Capitais.pdf>. Acesso em: 25 abr. 
2017. 
KERR, R. B. Mercado financeiro e de capitais. São Paulo: Pearson Prentice 
Hall, 2011. 
PEREIRA, C. L. Mercado de capitais. Curitiba: Intersaberes, 2013. 
PORTAL DO INVESTIDOR. Disponível em: 
<http://www.portaldoinvestidor.gov.br>. Acesso em: 25 abr. 2017. 
 
 
MECANISMOS DE INSTITUIÇÕES 
FINANCEIRAS
AULA 4 
Prof. Alfredo Beckert Neto 
 
 
2 
 
CONVERSA INICIAL 
Olá! Na rota anterior, verificamos em detalhes o mercado de capitais, 
ações e debêntures. Portanto agora, nesta quarta aula, avançaremos para novosassuntos, que serão base para a tomada de decisões dos gestores. 
Esta rota terá um “gostinho especial”, pois aprenderemos sobre a 
BM&FBovespa, a bolsa de valores pela qual nós, pessoas físicas, temos a 
possibilidade de comprar e vender ações e outros produtos. Iniciaremos 
conversando sobre governança corporativa, um conceito fundamental para a 
gestão das empresas. Em seguida, entraremos no assunto sobre a bolsa de 
valores BM&FBovespa, a bolsa de mercadorias, futuros e de valores operante 
no Brasil. Dentro dessa bolsa de valores, existem segmentos de listagem, sendo 
esse um dos nossos tópicos. Além disso, abordaremos as ofertas públicas de 
ações, conceitos fundamentais para as companhias. E para finalizar a rota, 
discutiremos a respeito do Bovespa Mais, um segmento dentro da bolsa de 
valores que permite que empresas menores tenham acesso de forma gradativa 
ao mercado de capitais. 
Perceba a importância dessa aula para qualquer gestor: todas essas 
informações são relevantes para conhecermos como o mercado de capitais está 
operando e, com base nelas, traçar planos de desenvolvimento e captação, e 
assim, tomar as decisões necessárias, pensando sempre na perenidade e 
sustentabilidade da empresa. 
 
CONTEXTUALIZANDO 
Você já deve ter conhecido empresas familiares sendo geridas por 
pessoas da família que muitas vezes não são capacitadas para fazer sua gestão. 
Isso é bastante comum, por isso, a governança corporativa soa como uma 
música para os métodos e processos de gestão de empresas, pois acaba 
forçando a profissionalização dos gestores e a prestação de contas das atitudes 
e decisões. 
E quanto à bolsa BM&FBovespa? Você a conhece? Já comprou ou 
vendeu ações ou outros produtos do mercado financeiro operados por ela? 
Conhecer o mercado acionário e sua bolsa de valores pode abrir novos 
horizontes para pessoas e empresas. Imagine que você é o proprietário de uma 
 
 
3 
empresa que possui como principal concorrente uma empresa listada na bolsa. 
Você pode decidir comprar ações do seu principal concorrente e participar dos 
lucros dele. Pode parecer estranho, mas é possível. E pensando em você como 
pessoa física: imagine que você é correntista de um banco que está listado na 
bolsa. Você pode ser um de seus “donos” e participar dos lucros desse banco 
comprando ações; ou ainda: comprar quotas de um fundo de investimentos 
imobiliários. Interessante, não é? Tudo isso é possível por meio da 
BM&FBovespa. 
 
Pesquise 
Vamos buscar esclarecimentos: pesquise na internet informações sobre 
empresas que implantaram a governança corporativa. Pensando na 
BM&FBovespa, seria interessante pesquisar sobre os segmentos de listagem 
existentes. Cada um deles possui requisitos diferentes para que as ações das 
empresas estejam listadas. 
 
TEMA 1 – INTRODUÇÃO À GOVERNANÇA CORPORATIVA (GC) 
A princípio, a governança corporativa (GC) surgiu para adequar a teoria 
de agência ou “conflito de agência”, que é a relação entre os proprietários e os 
gestores de uma organização, e que é tratada pela teoria econômica como uma 
relação de agência. 
Nesta relação, os interesses de uma pessoa (sócio ou mandante) são 
afetados pelas decisões de outra pessoa (gestor ou mandatário), que atua em 
nome da primeira pessoa. Logo, caracteriza-se como relação de agência quando 
a propriedade e gestão do negócio estão separadas. 
Quando temos sócios ou acionistas atuando diretamente na empresa em 
cargos de direção, também temos um conflito, visto que nem sempre o sócio é 
o melhor gestor para direcionar a empresa em busca de melhores resultados. A 
propriedade (sócio ou acionista) anda junto com a gestão (diretor). Por isso, 
prega-se a separação entre propriedade e gestão, para que não existam conflitos 
de interesse. Com isso, os donos da companhia delegam a gestão da empresa 
para um administrador e essa situação também pode causar divergências no 
entendimento do que é melhor para a empresa para cada grupo. Sendo assim, 
as práticas de governança corporativa visam superar, justamente essas 
divergências entre a gestão da empresa e seus proprietários. 
 
 
4 
Portanto, a governança corporativa é um sistema que gere as companhias 
e que se baseia no relacionamento entre acionistas, diretoria, conselho fiscal, 
conselho de administração e auditoria independente. Já as boas práticas de GC 
buscam elevar o valor da empresa, além de auxiliar seu acesso ao capital e 
contribuir com a perenidade da organização. Ademais, a GC pode ser 
considerada um modelo de gestão de negócios que busca harmonizar a relação 
de agência, gerando a diminuição dos riscos e aumentando seus potenciais 
benefícios. Por meio das práticas de GC é possível formar um grupo de 
mecanismos que visam a incentivar, monitorar e garantir que o comportamento 
dos executivos (agente mandatário) esteja de acordo com o interesse dos 
acionistas (agente proprietário). 
Segundo o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), a GC é 
baseada em quatro princípios básicos: 
 Transparência – Fundamenta-se no desejo de apresentar as 
informações para as partes interessadas, não sendo suficiente dispor 
apenas as informações obrigatórias requeridas em leis ou regulamento. 
Além disso, tais informações devem abranger não apenas informações de 
cunho econômico ou financeiro, mas também sobre outras áreas e fatores 
que embasem a decisão da gerência e que visem à perenidade da 
organização. 
 Equidade – Consiste em tratar de forma justa e isonômica todos os sócios 
e outras partes interessadas (stakeholders), considerando suas 
necessidades, interesses, direitos, deveres e expectativas. 
 Prestação de contas (accountability) – É a prestação de contas da 
atuação de cada agente de governança, sendo ela clara, compreensiva, 
concisa e tempestiva. Cada agente de governança deve assumir as 
consequências de seus atos e omissões, e também devem atuar com 
responsabilidade e zelo no que tange às suas atribuições. 
 Responsabilidade corporativa – Todos os responsáveis da GC devem 
prezar pela viabilidade econômica e financeira das empresas, diminuir os 
pontos negativos do negócio e elevar os pontos positivos, tendo como 
base o modelo de negócios e os recursos envolvidos no curto, médio e 
longo prazo. 
 
 
 
5 
Segundo o IBGC, a estrutura de gestão de governança corporativa deve 
seguir o modelo demonstrado na Imagem 1, a seguir: 
Imagem 1: Estrutura de gestão de governança corporativa do IBCG 
 
Fonte: IBGC. 
 
De forma resumida, a estrutura segue com os sócios ou acionistas no topo 
sendo representados pelo conselho de administração e pelo conselho fiscal. 
O conselho de administração tem o papel de fiscalizar o trabalho da 
diretoria, assim como determinar as diretrizes e rumos da empresa. Há ainda 
comitês que podem auxiliar o conselho de administração em alguma área 
específica. No modelo, também existe a auditoria, tanto interna quanto externa 
(auditoria independente). E na parte inferior da imagem estão o diretor presidente 
e os demais diretores, que possuem a árdua tarefa de transformar os anseios do 
conselho de administração em práticas e resultados. 
Aqui, cabe comentarmos sobre a nova lei das S.A., a Lei nº 10.303/2001. 
Ela propiciou um avanço na utilização de práticas de governança corporativa e 
maior proteção ao acionista minoritário, assim como fortaleceu a CVM nas 
atribuições de regulação do mercado. 
Dentre as mudanças, podemos citar algumas: 
 Abertura de capital: na abertura de capital de uma empresa, ela deverá 
seguir o limite mínimo de 50% de emissões em ações ordinárias. 
 
 
6 
Anteriormente à nova lei, a proporção se faziade um terço de ações 
ordinárias e o restante de ações preferenciais. 
 Conselho de administração: os acionistas minoritários possuem agora o 
direito de eleger um representante. 
 Conselho fiscal: é formado por três membros. Um membro é eleito pelos 
controladores da empresa, outro pelos minoritários e o outro deve ser 
escolhido de comum acordo ou eleito em assembleia geral. 
 Tag along: é um conceito muito utilizado no mercado acionário, que 
concede aos acionistas minoritários de ações ordinárias, perante a 
ocorrência de transferência de controle da companhia, o direito de 
venderem suas ações pelo preço mínimo de 80% do que for negociado 
pelos controladores. 
 
É importante ressaltar que empresas que possuem as boas práticas de 
GC funcionando transmitem um menor risco aos olhos dos investidores. 
 
TEMA 2 – A BOLSA DE VALORES BM&FBOVESPA 
Já estudamos sobre diversos títulos e falamos muito sobre os mercados. 
Agora, vamos abordar os mercados e produtos. 
Normalmente ouvimos falar muito sobre a bolsa de valores operante no 
Brasil, a BM&FBovespa. Todos que desejam investir capital devem conhecer seu 
funcionamento e produtos para, justamente, negociar no mercado de capitais 
gerando lucros e receitas, ou também prejuízos e perdas. 
Segundo a própria BM&FBovespa, ela é uma companhia que realiza a 
gestão dos mercados organizados de títulos, valores mobiliários e contratos 
derivativos, e ainda presta serviços de registro, compensação e liquidação, 
atuando, principalmente, como contraparte central garantidora da liquidação 
financeira das operações realizadas em seus ambientes. 
Além disso, ela oferece uma grande variedade de produtos e serviços, 
como a negociação de ações, de títulos de renda fixa, câmbio pronto e contratos 
derivativos referenciados em ações, ativos financeiros, índices, taxas, 
mercadorias, moedas, entre outros. 
O sistema de custódia da Bolsa é completo, pois as negociações são 
realizadas exclusivamente no meio eletrônico. 
 
 
7 
Contudo, a Bolsa nem sempre foi assim. Antigamente, a negociação de 
ações ocorria fisicamente nos prédios das bolsas de valores, pelo chamado 
pregão viva voz. Quem assiste a um desses pregões, em algum filme ou 
documentário do passado, perceberá a situação de caos que existia com várias 
pessoas gritando e falando ao mesmo tempo. 
E o que significa quando os jornais falam da bolsa subindo ou caindo X%? 
O que os noticiários informam são os dados do Ibovespa (IBOV), que é um índice 
específico e que não representa toda a bolsa de valores, mas sim um indicador 
do desempenho médio das cotações dos ativos mais negociados e com maior 
representatividade no mercado de ações do Brasil. Ele é o resultado de uma 
carteira teórica de ativos, elaborada de acordo com os critérios estabelecidos em 
sua metodologia. Para se ter ideia, o IBOV utiliza menos de 100 companhias 
para seu cálculo, enquanto na Bolsa existem em torno de 350 empresas listadas. 
Para saber mais, acesse o site da BM&FBovespa. 
Além disso, é importante ressaltar que existem diversos índices além do 
IBOV. Por exemplo, temos o IEE, que possui o objetivo de ser o indicador do 
desempenho médio das cotações dos ativos de maior negociabilidade e 
representatividade do setor de energia elétrica. 
Para verificar todos os índices disponibilizados pela BM&FBovespa, 
acesse o site da instituição. 
Se você quiser ter acesso aos produtos da BM&FBovespa, será 
necessário possuir uma corretora realizando a intermediação entre você e a 
Bolsa. 
Vejamos o exemplo de uma ação listada na Bolsa: 
A PETR3 está inserida em diversos índices: 
PETROBRAS ON (PETR3) IBOV, IBRA, IBXL, IBXX, MLCX 
Além disso, quando você vir a cotação das ações PETR3, é necessário 
compreender o que isso significa. Por exemplo: 
 
PETR3 15,60▲ 0,77%. 
 
Essa informação demonstra que cada ação da PETR3 tem o preço de R$ 
15,60, então para se comprar um lote padrão com 100 ações, investiríamos R$ 
1.560,00. Já os 0,77% indicam que o preço da ação subiu 0,77% de um dia para 
o outro. 
8 
É interessante também comentarmos sobre os agentes que podem 
representar papéis no mercado acionário. Existem os: 
 Especuladores: são pessoas que, por meio da bolsa de valores, visam a
obter rendimentos no curto prazo, sem muita consideração pela ação
comprada, mas sim pelo potencial de ganho no curto prazo. Eles se
aproveitam da volatilidade do mercado realizando compra e venda de
ações em pequenos períodos.
 Investidores: são aqueles que buscam nos produtos da bolsa de valores
uma forma para obterem rendimentos no longo prazo.
 Gestores financeiros: são os profissionais atuantes nas empresas e se
utilizam do mercado de capitais para captar recursos com prazos e custo
viável para realização de seus projetos.
Para esses atores realizarem a compra e venda de ações, é emitida uma 
ordem de compra ou venda por meio do home broker. Existem alguns tipos de 
ordens de compra e venda de ações: 
 Ordem limitada: nela é possível fixar limites de preços, pois quem envia a
ordem pode determinar o limite de valor para venda ou para compra; caso
o valor da ação não atinja os valores limites, a negociação não será
efetuada. 
 Ordem a mercado: nela, a compra ou a venda será efetuada
imediatamente pelo melhor preço.
 Ordem casada: nessa ordem, a compra é feita utilizando-se recursos de
uma venda anterior – o que justifica seu nome – pois para se comprar
uma ação é necessário vender outra, por exemplo.
 Ordem on stop: é utilizada para limitar a perda ou ganho, como um gatilho.
Por exemplo: caso o valor de uma ação ultrapasse X, vender.
 
 
9 
TEMA 3 – SEGMENTOS DE LISTAGEM 
Já imaginou se todas as empresas, algumas muito grandes e outras 
médias, cada uma seguindo regras de governança diferentes, estivessem 
listadas em apenas um segmento? Pensando nisso, a BM&FBovespa criou 
alguns segmentos para diferenciar as empresas que estão listadas. Com isso, 
podemos identificar facilmente empresas que atendem alguns requisitos, que 
podem fazer parte das exigências dos investidores. 
A BM&FBOVESPA oferece vários segmentos especiais de listagem, que 
são: Bovespa Mais, Bovespa Mais Nível 2, Novo Mercado, Nível 2 e Nível 1. 
Todos foram criados pensando no desenvolvimento do mercado de capitais 
brasileiro, adequando a listagem aos diferentes perfis de empresas. Os 
segmentos Bovespa Mais serão tratados no último tema desta rota. 
Para que uma empresa seja listada na bolsa para captar recursos, não é 
um processo simples. Dentro do site da BM&FBOVESPA há muitas informações 
sobre como iniciar o processo de entrada na bolsa de valores para captar 
recursos. 
Apenas como exemplo, todos os segmentos exigem rígidas regras de 
governança corporativa que superam as obrigações existentes na Lei das 
Sociedades por Ações. 
Essas regras podem atrair mais investidores, visto que garantem os 
direitos dos acionistas, inclusive minoritários, assim como a divulgação de 
informações detalhadas para os interessados, reduzindo assim o risco para 
quem investe. 
Com o objetivo de aprimorar a governança nas empresas, reduzindo 
assim o risco para os investidores, a BM&FBovespa realiza diversas pesquisas 
sobre as melhores práticas utilizadas internacionalmente. Com isso, essas 
pesquisas auxiliam em propostas que resultam em melhorias para os segmentos 
especiais. 
Então, agora que compreendemos as razões dos segmentos, vamos 
conversar sobre suas particularidades. O Quadro 1 (a seguir) representa um 
resumo das diferenças entre eles: 
 
 
 
10 
Quadro 1: Diferenças entre os segmentos da BM&FBovespa 
 Novo Mercado Nível 2 Nível 1 
Característicasdas 
ações emitidas 
Permite a existência 
somente de ações ON 
Permite a existência de 
ações ON e PN (com 
direitos adicionais) 
Permite a existência 
de ações ON e PN 
(conforme 
legislação) 
Percentual mínimo 
de ações em 
circulação (free float) 
No mínimo 25% de 
free float 
No mínimo 25% de free 
float 
No mínimo 25% de 
free float 
Vedação a 
disposições 
estatutárias 
Limitação de voto 
inferior a 5% do 
capital, quórum 
qualificado e 
"cláusulas pétreas” 
Limitação de voto 
inferior a 5% do capital, 
quórum qualificado e 
"cláusulas pétreas” 
Não há regra 
Composição do 
conselho de 
administração 
Mínimo de 5 membros, 
dos quais pelo menos 
20% devem ser 
independentes com 
mandato unificado de 
até 2 anos 
Mínimo de 5 membros, 
dos quais pelo menos 
20% devem ser 
independentes com 
mandato unificado de 
até 2 anos 
Mínimo de 3 
membros (conforme 
legislação), com 
mandato unificado 
de até 2 anos 
Vedação à 
acumulação de 
cargos 
Presidente do 
conselho e diretor 
presidente ou principal 
executivo pela mesma 
pessoa (carência de 3 
anos a partir da 
adesão) 
Presidente do conselho 
e diretor presidente ou 
principal executivo pela 
mesma pessoa 
(carência de 3 anos a 
partir da adesão) 
Presidente do 
conselho e diretor 
presidente ou 
principal executivo 
pela mesma pessoa 
(carência de 3 anos 
a partir da adesão) 
Obrigação do 
conselho de 
administração 
Manifestação sobre 
qualquer oferta pública 
de aquisição de ações 
da companhia 
Manifestação sobre 
qualquer oferta pública 
de aquisição de ações 
da companhia 
Não há regra 
Demonstrações 
financeiras 
Traduzidas para o 
inglês 
Traduzidas para o inglês Conforme legislação 
Reunião pública 
anual 
Obrigatória Obrigatória Obrigatória 
Calendário de 
eventos corporativos 
Obrigatório Obrigatório Obrigatório 
Divulgação adicional 
de informações 
Política de negociação 
de valores mobiliários 
e código de conduta 
Política de negociação 
de valores mobiliários e 
código de conduta 
Política de 
negociação de 
valores mobiliários e 
código de conduta 
Concessão de Tag 
Along 
100% para ações ON 
100% para ações ON e 
PN 
80% para ações ON 
(conforme 
legislação) 
Oferta pública de 
aquisição de ações 
no mínimo pelo valor 
econômico 
Obrigatoriedade em 
caso de cancelamento 
de registro ou saída do 
segmento 
Obrigatoriedade em 
caso de cancelamento 
de registro ou saída do 
segmento 
Conforme legislação 
Adesão à Câmara de 
Arbitragem do 
Mercado 
Obrigatório Obrigatório Facultativo 
Fonte: Site BM&FBovespa. 
 
11 
Vamos agora conhecer um pouco sobre os segmentos e suas diferenças 
conforme o Quadro 1. 
A primeira linha consiste nos tipos de ações emitidas, com destaque ao 
Novo Mercado que só permite ações ordinárias, ou seja, ações com direito a 
voto. Na segunda linha conheceremos um conceito novo chamado de free float. 
Ele representa o percentual mínimo da quantidade de ações em circulação no 
mercado secundário: todos os segmentos exigem que 25% das ações da 
empresa sejam negociadas no mercado secundário, que estejam em circulação. 
A terceira linha trata da vedação a disposições estatutárias, em que o Nível 1 
não possui regras. Na próxima linha, é citada a composição do conselho de 
administração, em que o Nível 2 requer no mínimo cinco membros, dos quais 
pelo menos 20% devem ser independentes com mandato unificado de até 2 
anos. A sétima linha se refere às demonstrações financeiras. O Novo Mercado 
e o Nível 2 exigem demonstrações financeiras traduzidas para o inglês. A décima 
primeira linha descreve sobre o tag along, e demonstra que o Novo Mercado e o 
Nível 2 exigem que seja pago 100% do valor negociado pelos controladores para 
as ações no caso de troca de controlador. E a última linha do quadro menciona 
a adesão à Câmara de Arbitragem do Mercado, sendo facultativa para o Nível 1 
e obrigatória para os demais segmentos. 
Pensando de modo simples, poderíamos interpretar o Nível 1 como 
empresas que possuem gestão menos evoluída. O Nível 2 seria o intermediário 
e o Novo Mercado representa empresas com um grau de desenvolvimento 
gerencial maior. 
Agora que compreendemos um pouco mais sobre alguns dos segmentos 
especiais da BM&FBovespa, percebemos que o nível de governança corporativa 
implantado na empresa faz diferença, principalmente aos olhos dos investidores. 
Não adianta abrir o capital de uma organização se não houver pessoas 
interessadas em comprar as ações. Por isso, a gestão deve ser muito coerente. 
 
 
12 
TEMA 4 – OPA (OFERTA PÚBLICA DE AÇÕES) 
Você já viu como a BM&FBovespa e a CVM devem fiscalizar o mercado, 
pois podem existir diversos tipos de “vantagens”, em que alguns com 
informações privilegiadas podem comprar ações e ver seu capital crescer muito 
em poucos dias. Tudo isso é monitorado e ações suspeitas serão investigadas. 
Todas as companhias que desejam ter suas ações listadas na 
BM&FBovespa e no mercado de balcão necessitam de registro na CVM, e 
devem seguir todas as exigências necessárias. Desta maneira, na primeira vez 
que uma companhia insere suas ações na bolsa há a abertura de capital, que é 
uma oferta pública inicial de ações – a qual em inglês é chamada de IPO (Initial 
Public Offering). A sigla IPO é muito utilizada pelo mercado brasileiro. Vale 
lembrar que o IPO representa uma operação de mercado primário, pois o 
dinheiro captado será destinado ao caixa da empresa emissora. 
Existe também uma outra oferta pública de ações, a OPA (oferta pública 
de aquisição de ações), em que um comprador realiza uma oferta e compromisso 
na aquisição de uma quantidade específica de ações por um valor e prazo 
determinados. O objetivo da OPA é propiciar a todos acionistas a possibilidade 
de vender suas ações nos casos, normalmente, de mudança de controlador ou 
na estrutura societária da empresa. É importante salientar que a OPA pode ser 
obrigatória ou voluntária, dependendo do caso. 
Segundo a Lei nº 6.404/1976, as OPAs são obrigatórias em casos como 
cancelamento de registro de companhia aberta, ou seja, quando uma empresa 
quer “fechar” seu capital novamente e sair da bolsa de valores, ou quando há 
aumento de participação do acionista controlador, prejudicando a liquidez de 
mercado daquelas ações remanescentes ou mesmo na venda do controle 
acionário. Além disso, a legislação estipula as regras para a realização das 
OPAs. 
A OPA voluntária, por sua vez, é realizada sem que normas obriguem a 
sua realização. O comprador deseja realizar a oferta pública e assim o faz. Além 
disso, nada impede que exista uma OPA concorrente ocorrendo paralelamente. 
Além disso, todas as OPAs obrigatórias e as voluntárias que envolverem 
permuta por valores mobiliários devem ser registradas na CVM. Note como a 
CVM controla tudo o que acontece para garantir a segurança das operações 
realizadas. 
 
 
13 
Ademais, existem OPAs diferentes em relação à sua liquidação financeira. 
A OPA pode ser de: 
 Compra: no caso de o pagamento ser realizado em dinheiro; 
 Permuta: quando o ofertante disponibiliza o pagamento em valores 
mobiliários; 
 Mista: caso o pagamento possa ser uma parte em dinheiro e outra em 
valores mobiliários. 
 
Ainda existe a oferta pública alternativa, que permite que o alienador 
escolha a forma de liquidação. 
Vale ressaltar que a OPA deve ser intermediada por alguma instituição 
corretora ou distribuidora de títulos e valores mobiliáriosou ainda, instituição 
financeira com carteira de investimentos, para ser responsável pelas 
informações destinadas ao mercado e à CVM. 
Todavia, não considere que realizar uma OPA é simples, pois para isso, 
no caso da oferta realizada pela própria empresa e pelo acionista controlador, é 
necessária a elaboração de um laudo de avaliação da companhia em questão. 
Além disso, todas as condições gerais devem ser descritas em um documento, 
o instrumento de OPA. 
Se imaginarmos então que sua empresa resolva comprar uma 
concorrente em sua totalidade e que se encontra listada na bolsa, ela terá que 
realizar uma OPA para comprar as ações em free float. Além disso, quando 
temos 40% das ações em free float, significa que existem 60% de ações que 
estão em posse de outras pessoas físicas ou jurídicas, inclusive na própria 
empresa, em sua tesouraria. Portanto a sua organização deverá ainda, negociar 
com os proprietários desses 60% restantes de ações. 
 
TEMA 5 – BOVESPA MAIS 
Neste último tema conversaremos a respeito do segmento Bovespa Mais. 
Como já temos muitas informações sobre a bolsa de valores, ficará mais fácil o 
seu entendimento. 
Normalmente as empresas listadas nos segmentos que estudamos 
anteriormente possuem em média faturamento anual maior do que 300 milhões 
de reais. Pensando nisso, para viabilizar a possibilidade de companhias menores 
acessarem o mercado de capitais, a BM&FBovespa criou o segmento Bovespa 
 
 
14 
Mais, cujo objetivo é contribuir com o desenvolvimento do mercado acionário 
brasileiro e incentivar o crescimento de pequenas e médias empresas por meio 
do mercado de capitais. O Bovespa Mais permite que as empresas entrem no 
mercado de forma gradativa, o que possibilita que as empresas implementem 
gradualmente altos padrões de governança corporativa e transparência, pois em 
paralelo a isso elas serão expostas pela BM&FBovespa para os investidores. 
Além disso, no Bovespa Mais, as organizações podem realizar captações 
de recursos mais reduzidas, quando comparadas ao Novo Mercado. Entretanto, 
são valores satisfatórios para o prosseguimento de projetos de crescimento das 
empresas. É interessante destacar que o Bovespa Mais pode atrair investidores 
de alto risco que projetam um maior potencial de desenvolvimento das 
organizações. Ao refletirmos sobre isso, podemos perceber que as ações de 
uma empresa menor e sem muita relevância pode dobrar de valor de forma mais 
rápida caso a empresa expanda ainda mais e apresente melhores resultados. 
Por outro lado, o risco da empresa de ter dificuldades também é mais alto. 
Outra diferença deste segmento é que ele possibilita a listagem da 
empresa sem negociar ações desta. É como se a empresa estivesse em uma 
vitrine para os investidores. Com isso, eles teriam acesso às informações para 
seguir a evolução da companhia, todavia, não poderiam comprar ações até o 
momento do IPO, que pode ser realizado em até sete anos após a listagem, o 
que significa até sete anos de ajustes e adequações na profissionalização do 
negócio para que a empresa esteja muito mais preparada para receber novos 
acionistas e ter suas ações negociadas no mercado primário e secundário. 
Como a bolsa visa incentivar empresas a entrarem no Bovespa Mais, pois 
serão novos futuros IPOs, existem isenções de taxas e descontos regressivos, 
diferentemente dos segmentos Novo Mercado, Nível 1 e 2. 
Mas não ache que acabamos por aqui. A BM&FBovespa não contente 
com o Bovespa Mais criou o Bovespa Mais Nível 2. 
Esse segmento é muito parecido com o Bovespa Mais, contudo existem 
algumas particularidades e ainda existem diferenças com relação ao Novo 
Mercado, Nível 1 e 2. Por exemplo, ele permite que as empresas tenham ações 
preferenciais (PN). Observe o Quadro 2: 
 
 
 
15 
Quadro 2: Diferenças entre Bovespa Mais e Bovespa Mais Nível 2 
 Bovespa Mais Bovespa Mais Nível 2 
Características das ações 
emitidas 
Permite a existência somente 
de ações ON 
Permite a existência de ações 
ON e PN 
Percentual mínimo de ações em 
circulação (free float) 
25% de free float até o 7º ano 
de listagem 
25% de free float até o 7º ano 
de listagem 
Distribuições públicas de ações Não há regra Não há regra 
Vedação a disposições 
estatutárias 
Quórum qualificado e 
"cláusulas pétreas" 
Quórum qualificado e 
"cláusulas pétreas" 
Composição do conselho de 
administração 
Mínimo de 3 membros 
(conforme legislação), com 
mandato unificado de até 2 
anos 
Mínimo de 3 membros 
(conforme legislação), com 
mandato unificado de até 2 
anos 
Vedação à acumulação de 
cargos 
Não há regra Não há regra 
Obrigação do conselho de 
administração 
Não há regra Não há regra 
Demonstrações financeiras Conforme legislação Conforme legislação 
Reunião pública anual Facultativa Facultativa 
Calendário de eventos 
corporativos 
Obrigatório Obrigatório 
Divulgação adicional de 
informações 
Política de negociação de 
valores mobiliários 
Política de negociação 
de valores mobiliários 
Concessão de Tag Along 100% para ações ON 100% para ações ON e PN 
Oferta pública de aquisição de 
ações no mínimo pelo valor 
econômico 
Obrigatoriedade em caso de 
cancelamento de registro ou 
saída do segmento, exceto se 
houver migração para Novo 
Mercado 
Obrigatoriedade em caso de 
cancelamento de registro ou 
saída do segmento, exceto se 
houver migração para Novo 
Mercado ou Nível 2 
Adesão à Câmara de 
Arbitragem do Mercado 
Obrigatório Obrigatório 
Fonte: Site da BM&FBovespa. 
 
Note que algumas regras são iguais ou bem similares aos segmentos 
estudados anteriormente. 
Os segmentos de listagem do Bovespa Mais ainda possuem poucas 
empresas listadas, pois são mais recentes. 
Portanto, você, futuro gestor financeiro, deve sempre planejar o 
crescimento de um negócio de forma estruturada. Nesse planejamento, deve-se 
considerar as captações de recursos, inclusive com a venda do capital da 
empresa, tanto via quotas (para sociedades limitadas) quanto via ações (para 
sociedades anônimas). Alguns gestores planejam diversas rodadas de venda de 
capital social até alcançar o IPO na bolsa de valores. Com certeza no 
planejamento deve-se contemplar, ao menos, até 20 anos à frente. Ao 
observarmos a história da empresa Bematech, vê-se que desde a criação da 
 
 
16 
empresa até seu IPO, passaram-se em torno de 20 anos, o que indica que isso 
é possível, pois já foi realizado. 
 
#ficaadica 
Para saber mais sobre o Bovespa Mais acesse o link 
<http://www.bmfbovespa.com.br/pt_br/listagem/acoes/segmentos-de-
listagem/bovespa-mais/>. 
 
Conheça também a história de uma das empresas listadas na bolsa: a 
Bematech: <http://www.bematech.com.br/bematech>. 
 
TROCANDO IDEIAS 
Em todos os temas sobre os quais conversamos tratam da captação de e 
investimento de recursos, os quais visam a gerar ou a aumentar o lucro da 
empresa. Note que tudo gira em torno de investir capital e ter um retorno 
(Capitalismo), como ocorre com um estoque de mercadorias: a empresa a 
compra, gerencia sua acomodação e vende para ter retorno financeiro. O 
mercado de capitais também funciona com esse mesmo intuito; compram-se e 
se vendem ações diariamente. Como gestor, você também terá essa visão (de 
aumento de resultado), pois se a sua operação for próspera, você deverá auxiliar 
na decisão de investimentos. Por exemplo: investir em ações, debêntures ou em 
nossa própria operação? 
Normalmente, devemos buscar aquilo que fornece a melhor rentabilidade. 
Como estamos operando nesta formação econômica, precisamos sempre estar 
atentos a comotudo funciona: produtos e serviços financeiros disponíveis, 
impostos, capital etc. 
Outro ponto interessante, é que hoje, com a tecnologia, temos acesso a 
sistemas que possibilitam o acompanhamento em tempo real de tudo o que 
acontece no mercado de capitais. Eles são excelentes ferramentas para análise 
de empresas e ações. 
É interessante ressaltar que quando uma empresa for captar recursos por 
meio de empréstimos e financiamentos, existe o custo efetivo total (CET). Nele 
estão inseridos custos financeiros, como IOF e taxas bancárias, assim como a 
taxa de juros da operação financeira. Quem precisar saber mais, pode acessar 
<http://www.bcb.gov.br/pre/bc_atende/port/custo.asp>. 
 
 
17 
Lembre-se: sempre que planejarmos ou buscarmos a solução de um 
problema, por mais que tenhamos uma solução paliativa de curto prazo, 
precisamos buscar aquela solução definitiva, que corte o problema pela raiz. 
 
SÍNTESE 
Possuir informações adequadas e no momento certo pode ser um grande 
diferencial para que os gestores tomem decisões que gerem melhores 
resultados. Como sabemos, a busca por melhores resultados é e deve ser 
constante. Por isso, vimos que a governança corporativa é um excelente sistema 
para melhorar os processos de gestão de uma empresa, apoiando-se em quatro 
pilares: equidade, prestação de contas, transparência e responsabilidade 
corporativa. Essa governança é essencial para que as empresas transmitam 
credibilidade e consigam acessar o mercado de capitais por meio da bolsa de 
valores. 
No Brasil, a bolsa operante é a BM&FBovespa, que possibilita o acesso a 
uma gama de produtos e serviços relacionados ao mercado financeiro de forma 
organizada e segura. Além disso, a bolsa oferece segmentos de listagem para 
as ações de empresas, que depende do grau de maturidade na governança 
corporativa e de alguns outros aspectos. Pensando em fomentar o 
desenvolvimento do mercado de capitais brasileiro, ela criou segmentos que 
permitem que empresas menores sejam listadas e, futuramente, realizem o IPO. 
O IPO é um tipo de oferta pública de ações para quando a emissora está 
vendendo diretamente suas ações para investidores, que é o que chamamos de 
mercado primário. 
A OPA, por sua vez, pode ser considerada em casos de fechamento de 
capital da empresa, e para quando um comprador quer comprar o controle da 
empresa. Nesse caso, para garantir a equidade, os acionistas também possuem 
o direito de vender suas ações – inclusive acionistas minoritários. Podemos 
ainda destacar quais são os segmentos de listagem na BM&FBovespa: Novo 
Mercado, Nível 1, Nível 2, Bovespa Mais e Bovespa Mais Nível 2. 
 
 
 
 
18 
REFERÊNCIAS 
BACEN – BANCO CENTRAL DO BRASIL. Disponível em: 
<http://www.bcb.gov.br/pre/bc_atende/port/custo.asp>. Acesso em: 25 abr. 
2017. 
BEMATECH: Disponível em: <http://www.bematech.com.br/bematech>. Acesso 
em: 25 abr. 
BM&FBOVESPA. Disponível em: 
<http://www.bmfbovespa.com.br/pt_br/index.htm>. Acesso em: 25 abr. 2017. 
CVM – COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS. Disponível em: 
<www.cvm.gov.br>. Acesso em: 25 abr. 2017. 
IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativa. Disponível em: 
<http://www.ibgc.org.br>. Acesso em: 25 abr. 2017. 
ÍNDICES da BM&FBOVESPA. BM&FBOVESPA. Disponível em: 
<http://www.bmfbovespa.com.br/pt_br/produtos/indices/>. Acesso em: 25 abr. 
2017. 
KERR, R. B. Mercado financeiro e de capitais. São Paulo: Pearson Prentice 
Hall, 2011. 
PEREIRA, C. L. Mercado de capitais. Curitiba: Intersaberes, 2013. 
MECANISMOS DE INSTITUIÇÕES 
FINANCEIRAS
AULA 5 
Prof. Alfredo Beckert Neto 
 
 
2 
 
 
CONVERSA INICIAL 
Olá! Seja bem-vindo à nossa quinta Rota de Aprendizagem. Na aula 
anterior, conhecemos mais sobre governança corporativa e a BM&FBovespa e 
seus segmentos. 
Nesta rota teremos vários assuntos que se relacionam com as rotas 
anteriores. Iniciaremos com os derivativos, para depois partir para o mercado de 
futuros e o mercado de opções. 
Por isso, depois de estudarmos esses mercados, analisaremos os 
produtos de renda fixa, e para finalizar, abordaremos os fundos de investimento 
e discutiremos sobre BDRs (Brazilian Depositary Receipts). 
Aproveite para parar e refletir durante os pontos que considerar 
interessantes nas aulas, pois assim é possível fazer associações e, 
consequentemente, gerar novas ideias. 
Bom estudo! 
 
CONTEXTUALIZANDO 
Em um cenário cada vez mais competitivo, conhecer o mercado de 
derivativos – que por sua vez faz parte do mercado de capitais – é essencial para 
o gestor financeiro. Diante disso, realizar a gestão adequada de um portfólio de 
investimentos que traga rentabilidade para uma empresa ou uma pessoa física 
é fundamental. 
E em que produtos e mercados deve-se investir? Ações, opções, fundos 
ou BDRs? Como realizar uma análise para verificar se vale mais a pena investir 
em um ou em outro? O que fazer quando a empresa precisa garantir o preço do 
câmbio para realizar uma operação futura, minimizando os riscos de flutuação 
cambial? Para responder a essas perguntas, precisaremos conhecer cada 
mercado e produto analisando como é seu funcionamento e sua possível 
rentabilidade e risco. Isso auxiliará na conquista dos objetivos pessoais ou 
empresariais, contribuindo com a perenidade e sustentabilidade das 
organizações. 
 
 
 
3 
Pesquise 
Não hesite em utilizar as mais diversas fontes de conhecimento e 
pesquisa – na internet as informações estão acessíveis em poucos cliques. 
 
Para decidir que produto do mercado de capitais atende melhor os seus 
objetivos, devemos entender os prós e contras de cada um, assim como suas 
condições de rentabilidade, prazos e liquidez. Atualmente existem muitos blogs 
e sites (recomendo a assinatura gratuita do newsletter daquele que mais lhe 
agrada) com informações de grande relevância para o conhecimento de 
produtos, inclusive para direcionar aqueles que mais fazem parte do perfil 
desejado. Mas lembre-se, quem poderá tomar as melhores decisões sobre como 
investir seu próprio capital ou captar recursos para seus próprios projetos é você 
mesmo. Por isso, você deve sempre buscar o conhecimento. 
Boa sorte! 
 
TEMA 1 – CONCEITO DE DERIVATIVOS 
Para iniciarmos nosso primeiro tema, conheceremos os derivativos 
financeiros. Conforme Kerr (2011), são “instrumentos financeiros derivados de 
outros, denominados ativos-objetos ou ativos subjacentes”. Segundo o autor, 
isso faz com que os preços dos derivativos dependam – ou derivem – de um ou 
mais ativos subjacentes. Podemos entender o derivativo como sendo um 
contrato entre partes, em que o valor é estabelecido por meio das variações do 
preço de uma variável (ativo-objeto). Essa variável, normalmente, pode ser a 
taxa de juros, índices de mercado, ações, commodities, câmbio, entre outros. 
Commodities é o termo em inglês para “mercadorias”. Entretanto, no 
mercado financeiro designa produtos de origem primária, que não apresentam 
características e qualidade diferentes entre os produtores ou sua origem. Por 
isso, normalmente seu preço é determinado pelo mercado: oferta e procura; 
possuem cotação e formas de negociação mundiais, por meio da bolsa de 
mercadorias. Podemos citar como exemplos de commodities a soja, o petróleo, 
o açúcar cristal e o boi gordo. 
Retornando aos derivativos, esse mercado permite que algumas 
estratégias de investimento com vistas a limitar prejuízos e fixar taxas possam 
ser implementadas. Conforme Pereira (2013), esse mercado permite a 
negociação a prazo de ativos que ainda não estão disponíveis fisicamente. 
 
 
4 
Dentro do mercado de derivativos temoso mercado a termo, mercado de 
futuros e o mercado de opções. Os mercados de futuros e opções serão tratados 
em nossos próximos tópicos. Por isso, definiremos agora o que é o mercado a 
termo, assim como o mercado a vista, que não faz negociação de derivativos, 
mas é importante entendermos. 
 
Mercado a vista 
De forma simples, o mercado a vista permite a negociação de compra e 
venda de ativos comercializados em bolsa, em que o prazo de liquidação física 
e financeira é estabelecido nos regulamentos e procedimentos da operação da 
Câmara de Liquidação. Por isso, neste mercado a operação é processada no 
segundo dia útil após a realização do pregão, e a liquidação financeira ocorre no 
terceiro. Por isso, podemos entender que é o mercado que possui imediata ou 
quase imediata liquidação, e os preços dos ativos são estabelecidos em pregão. 
Como exemplo, quando compramos ações por meio do home broker no pregão 
eletrônico, estamos acessando o mercado a vista. 
 
Mercado a termo 
É o mercado em que as operações possuem prazos, ou seja, de 30, 60 
ou 90 dias, e assim por diante, para que ocorra a sua efetiva liquidação, gerando 
assim um contrato entre a partes compradora e a vendedora; é, portanto, o 
mercado em que as partes se comprometem com a compra e venda de 
quantidade e qualidade determinadas de um ativo. Por exemplo: a contratação 
de compra e venda de um lote padronizado de ouro para ser entregue em 30 
dias; isso faz com que as partes do contrato fiquem vinculadas até a liquidação 
do contrato. A parte compradora do termo levará o contrato até o final do prazo 
contratado, e paga pelo ativo tratado no contrato e deseja recebê-lo. Já o 
vendedor deseja levar o contrato até o final e entregar o ativo objeto, assim como 
receber o pagamento. Comumente, o contrato a termo é caracterizado por ser 
bem detalhado e também por haver movimentação financeira apenas na 
liquidação. Contudo, podemos comentar sobre algumas desvantagens desse 
mercado, como o risco de crédito e a baixa liquidez. 
É interessante pensarmos em um exemplo simplificado para melhorar a 
compreensão: imagine um produtor de soja que colherá a safra daqui a alguns 
meses e tem medo de que, quando for vender seu produto, em cerca de 90 dias, 
5 
os preços estejam baixos. Com isso, para garantir um preço capaz de manter a 
margem de lucro desejada, ele busca um comprador que pense o contrário, que 
os preços subirão e que deseja garantir o preço da matéria-prima para seguir 
com seu orçamento. Sendo assim, ambos firmam um contrato que prevê o preço 
de 80 dólares a saca para uma quantidade de 10.000 sacas e data de liquidação 
em 90 dias. Caso a negociação seja realizada na Bolsa, deve seguir as normas 
desta. Passados 90 dias, no vencimento do contrato, a saca, à vista, está sendo 
comercializada por 70 dólares. Com isso, o produtor de soja entregará o café a 
80 dólares por saca, conforme o contrato, resultando em um lucro de 10 dólares 
por saca em relação ao preço atual da saca de soja. Por outro lado, o comprador 
terá que pagar 80 dólares por saca, sendo que o valor de mercado é de 70 
dólares, perdendo 10 dólares por saca. Independentemente do ganho ou perda, 
os dois conseguiram “travar” os valores das sacas para 90 dias. 
Apenas como informação, alguns autores consideram o mercado de 
derivativos um dos mercados integrantes do mercado financeiro, sendo ele 
separado do mercado de capitais. 
É importante perceber que o mercado a termo e de futuros possuem uma 
diferença. Conforme Kerr (2011), os contratos futuros são padronizados, 
possibilitando a negociação dos contratos no mercado secundário. O autor ainda 
comenta que essa padronização dos contratos futuros dão a vantagem da 
negociação em bolsa, porém, a customização dos mercados a termo dispõe de 
maior flexibilidade nos contratos. 
Percebeu a importância que os derivativos possuem no mercado para as 
empresas? Note que com eles é possível que as organizações se protejam das 
flutuações cambiais ou das commodities. Caso as empresas não tivessem 
acesso aos derivativos, muitas poderiam quebrar ou entrar em situações 
complicadas pelo simples fato de ocorrer uma grande flutuação desfavorável nos 
valores cambiais ou da commodity negociada. Por isso, no próximo tópico, 
abordaremos sobre o mercado de futuros, que faz parte dos derivativos. 
Saiba mais 
• Para conhecer mais sobre commodities, sugerimos acessar 
<http://www.bmfbovespa.com.br/pt_br/produtos/listados-a-vista-e-
derivativos/commodities/>. 
 
 
6 
TEMA 2 – MERCADO DE FUTUROS 
São muitos os mercados e conceitos. Para iniciarmos os estudos sobre o 
mercado de futuros, lembre-se que ele é muito similar ao mercado a termo e é 
um dos mercados dos derivativos. 
O mercado de futuros é um dos principais mercados em operação com 
derivativos. É importante pensarmos que esse mercado visa principalmente a 
criar proteções para os produtores e organizações no que tange às variações 
dos preços de seus produtos e mesmo de seus investimentos. 
Esse mercado, portanto, comercializa contratos em que se determina a 
compra e venda de um ativo por um valor específico em uma data futura. O 
comprador ou vendedor se comprometerá a comprar ou vender determinada 
quantia de um ativo por um preço estabelecido em um dia futuro descrito no 
contrato. 
É importante salientar que os compromissos criados por meio dos 
contratos são ajustados a cada dia baseando-se no que o mercado espera do 
preço futuro daquele ativo. Com isso, se possui a referência para calcular as 
perdas e ganhos das operações. 
Pereira (2013, p. 110) menciona sobre algumas vantagens que o mercado 
de futuros pode oferecer: 
 Alavancagem: o investidor pode assumir posições com um valor maior 
ao que tem depositado em sua conta na corretora. 
 Operacionalização: existe uma forma simples para se ter acesso às 
negociações no mercado de futuros, pois por meio de uma corretora, os 
contratos poderão ser firmados associando ativos financeiros e 
commodities. 
 Fundamentação da análise: visto que o principal fator de negociação 
são as commodities, a análise deve se basear nos preços, que estão 
relacionados à oferta e à demanda. 
 
Assim, temos que o contrato futuro é caracterizado por sua padronização 
elevada, sua alta liquidez, pela negociação transparente na bolsa por meio do 
pregão e pela possibilidade de encerrar posições com qualquer participante em 
qualquer tempo devido ao ajuste realizado diariamente nos valores dos 
contratos. 
7 
Além disso, podemos comentar sobre algumas desvantagens da 
operação do mercado futuro: 
 Alta exigência de movimentação financeira, pois existem os ajustes
diários;
 Custo elevado em comparação aos custos dos contratos a termo;
 Necessidade de depósito de garantias.
Muitos perguntam a respeito de como se proteger das oscilações do dólar, 
de outras moedas e das commodities, principalmente pensando em realizar suas 
exportações sem se prejudicarem. A resposta é o contrato de hedge, que é um 
contrato futuro. 
Para exemplificarmos um contrato futuro e juntamente demonstrarmos 
essa proteção, vamos imaginar que uma empresa exportadora de etanol 
necessite suprir sua demanda e precise que seu fornecedor realize a produção 
do mês de dezembro de 20XX, que seria o equivalente a 100.000 galões para 
que consiga realizar seus compromissos de exportação. Pensando no dia 
12/06/20XX, no mercado futuro, o preço do galão de etanol estava cotado a R$ 
9,00 para dezembro de 20XX. Por isso, pensando em evitar o risco de uma 
elevação no preço do galão do etanol, percebendo que essa cotação possibilita 
um custo adequado com sua receita de exportação, aempresa adquire 300 
contratos com vencimento em dezembro de 20XX, que equivalem a 30.000 litros 
e garantindo assim uma proteção de parte de sua compra futura. Então, a 
empresa fixou 30.000 litros a um preço de R$ 9,00 por litro, resultando em um 
valor de R$ 270.000,00. Esse tipo de negociação é chamado de hedge de 
compra. 
Quando o contrato vencer, em dezembro de 20XX, as posições serão 
finalizadas utilizando-se da média dos últimos cinco dias úteis do preço no 
mercado à vista. 
Verificaremos então a situação do valor do litro em dezembro, pois ele 
pode ser maior, menor ou igual aos R$ 9,00. Com isso, a empresa realiza a 
liquidação de sua posição em bolsa vendendo os contratos para comprar o 
etanol. Podemos verificar os cenários na tabela a seguir: 
8 
Preço em dezembro 
de 20XX 
Preço em 
12/06/20XX 
Saldo a receber 
na bolsa 
Cenário A R$ 12,00 -R$ 9,00 R$ 3,00 
Cenário B R$ 9,00 -R$ 9,00 R$ 0,00 
Cenário C R$ 8,00 -R$ 9,00 -R$ 1,00
Com isso, podemos verificar que independentemente do preço de compra 
do litro do etanol em dezembro, o preço de compra para a empresa exportadora 
será de R$ 9,00. Apenas para demonstrar o cenário A da tabela anterior, a 
empresa receberá R$ 3,00 na Bolsa, pagando R$ 12,00 o litro no mercado 
disponível, resultando assim numa compra de R$ 9,00 por litro. No cenário 3, ela 
paga R$ 1,00 por litro na Bolsa, entretanto adquire no mercado disponível o litro 
por R$ 8,00, resultando em uma compra de R$ 9,00 por litro do etanol. 
Observe que se não houvesse o mercado de futuros, a companhia que 
obtivesse estoques de um ativo correria um grande risco com as alterações do 
preço desse ativo. Felizmente o mercado já possui um nível de maturidade 
elevado e por isso oferece diversos recursos para as companhias. Utilizar essas 
proteções disponibilizadas pelo mercado de futuros pode salvar uma 
organização, e você, como gestor financeiro, deve estar atento para diminuir o 
risco de suas operações. 
TEMA 3 – MERCADO DE OPÇÕES 
Muitas empresas e pessoas acreditam que se realizarem operações no 
mercado de opções, ganharão muito dinheiro. Em alguns casos, são 
influenciados pelo analista da corretora. Lembre-se: o analista da corretora e o 
gerente do banco são funcionários de outra empresa, e podem até ser 
considerados vendedores dessas empresas; por isso, suas recomendações 
normalmente são boas para as empresas em que trabalham e não para o cliente. 
Por isso, quanto mais conhecermos dos mercados, mais fácil será direcionar o 
que melhor atenderá às nossas necessidades pessoais ou da organização em 
que estamos. 
O mercado de opções é baseado em contratos que fornecem o direito de 
compra ou venda de um ativo mediante o pagamento de um prêmio, de forma 
 
 
9 
diferente dos termos e futuros em que se negociam os ativos. Por exemplo: o 
comprador adquire o direito (prêmio ou preço da opção) de comprar as ações de 
uma empresa por um preço definido no contrato (preço de exercício) em uma 
data futura. Quando essa data futura chegar, o comprador pode exercer o seu 
direito, comprando de fato as ações ou não. 
De forma simples, o mercado de opções permite a comercialização do 
direito de comprar ou de vender um ativo por um preço fixado em uma data 
futura. 
Para nos familiarizarmos com esse mercado, vamos conhecer alguns 
termos. O direito de comprar, ou seja, a opção de compra, é normalmente 
chamada pelo mercado de call. Por outro lado, o direito de vender, que é a opção 
de venda, é chamado de put. 
Usualmente, em uma opção temos o ativo-objeto, como ações da 
Petrobrás, o preço de exercício, uma data de vencimento da opção e o que se 
paga pela opção (direito), que é o prêmio. Cabe salientar que se negocia um 
direito e não uma obrigação, permitindo que esse direito seja exercido ou não. 
De acordo com Kerr (2011, p. 188), existem duas categorias de opções 
no que tange ao prazo de vencimento. O autor menciona sobre o tipo europeu 
que permite a realização do direito apenas na data de vencimento e o tipo 
americano, no qual o direito poderá ser exercido em qualquer momento entre a 
data de compra e a data de vencimento da opção. 
É também importante sabermos que o comprador de uma opção é 
chamado de titular, e o vendedor é denominado lançador. Este sim, possui a 
obrigação de comprar ou vender a ação quando o titular exercer seu direito. 
Ademais, vale ressaltar que no mercado de opções o comprador pode ter 
uma perda de no máximo o prêmio pago pela opção. Já o lançador da opção 
terá um alto risco, visto que a flutuação das ações é indeterminada. 
Kerr (2011, p. 188) menciona o seguinte acerca das opções de compra e 
venda: 
 Opção de compra: gera ao titular o direito de comprar o ativo-objeto pelo 
preço de exercício, na data de vencimento, lembrando que isso não é uma 
obrigação. O comprador paga o prêmio ao lançador já na data de compra 
da opção. 
10 
 Opção de venda: gera ao titular o direito de vender o ativo-objeto pelo
preço de exercício, na data de vencimento. Similar às opções de compra,
o titular paga um prêmio ao lançador já na data de compra da opção.
#ficaadica 
Para visualizar as opções disponíveis, basta acessar e selecionar a empresa: 
<http://www.bmfbovespa.com.br/pt_br/servicos/market-data/consultas/mercado-
a-vista/opcoes/>. 
Observe agora um exemplo de uma call: para a ações da Petrobrás, 
temos a opção de compra PETRB29 de ações ordinárias (ON) PETR3. Essas 
ações estão sendo comercializadas no mercado pelo valor R$ 16,35. O 
vencimento da opção ocorrerá no dia 20/02/20XX (tipo europeia). O preço de 
exercício é de R$ 18,00. Para obter essas opções, o titular pagou um prêmio de 
R$ 1,00 por ação, considerando que ele comprou uma opção para 1.000 ações, 
e que desembolsou no dia 17/01/20XX, R$ 1.000,00. Por isso, o titular terá o 
direito de comprar as ações da PETR3 por R$ 18,00 cada no dia 20/02/20XX. 
Caso no vencimento da opção o valor das ações estiver R$16,00 cada, não será 
vantajoso para o titular exercer seu direito de compra, pois ele pagaria R$ 18,00 
por ação, sendo que pode comprar no mercado a vista por R$ 16,00. Nesse 
cenário, quem lucra é o lançador, pois ele recebeu o prêmio e continuou com 
suas ações. Contudo, se o valor da PETR3 no dia 20/02/20XX estiver em R$ 
22,00, o titular exercerá seu direito e comprará as ações por R$ 18,00, obrigando 
o lançador a vender as ações. Nesse caso, o titular obterá um ganho, pois pagou
de prêmio R$ 1,00 por ação, em que podemos considerar então que pagou R$ 
19,00 por uma ação que vale R$ 22,00 no mercado a vista, obtendo um ganho 
de R$ 3,00 por ação. 
No caso de um put, a operação seria similar, entretanto seria exercido – 
ou não – o direito de venda de ações de uma empresa. 
Note que no investimento em opções é possível lucrar mesmo com a 
desvalorização dos preços das ações, dependendo da estratégia do investidor. 
11 
Para finalizarmos nosso tema, vamos conhecer, de forma resumida, o que 
é swap. 
O termo swap vem do inglês e significa “permuta”. No mercado de 
capitais, eles são contratos nos quais as partes firmam trocar fluxos de caixa 
futuros, considerando datas e regras predeterminadas. Existem, normalmente, 
duas categorias: swaps de moedas e swaps de taxa de juros. 
TEMA 4 – RENDA FIXA 
Agora que já vimos sobre a maioria dos derivativos, vamos analisar 
produtos de renda fixa muito acessados pelas organizações. 
Como o próprio nome se refere, renda fixa é associada a qualquer 
investimento que tem suas regras de remuneração definidas – como a forma de 
cálculo e pagamento da remuneração e os prazos. Vale ressaltar que a 
previsibilidade é a principal diferença entreinvestimentos de renda fixa e 
variável. 
Como o próprio nome se refere, a renda fixa é associada a qualquer 
investimento que tem suas regras de remuneração definidas, como a forma de 
cálculo e pagamento da remuneração, assim como os prazos. Esse tipo de 
investimento possui uma função importante na economia de um país, porque 
financia projetos na forma de um empréstimo. Nesse caso, o emitente do título 
capta recursos para financiar seus projetos e o adquirente dos títulos recebe uma 
remuneração estabelecida no início da aplicação. 
O mercado de renda fixa é baseado em títulos públicos e privados. Um 
exemplo de produto de renda fixa são as debêntures – as quais já estudamos 
anteriormente. Elas são títulos privados de renda fixa, pois estipulam a taxa de 
remuneração, o prazo e as formas de pagamento. 
Os bancos oferecem os mais variados produtos de renda fixa, tais como 
fundos e títulos privados. Entretanto aqui veremos os principais produtos listados 
na BM&FBovespa. 
 
 
12 
Títulos públicos federais 
São também chamados de Tesouro Direto; estes são títulos emitidos pelo 
governo federal com o intuito de captar recursos para financiar os projetos 
públicos do país. Além disso, esses títulos podem ser comercializados tanto no 
mercado primário, quando emitidos inicialmente, quanto no secundário. 
Muitas pessoas perguntam sobre o risco de calote do governo, entretanto, 
esse risco é muito baixo, pois se o governo não pagar seus credores terá 
dificuldades de acessar qualquer tipo de capital. 
O Tesouro Direto é uma parceria do Tesouro Nacional com a 
BM&FBovespa para a venda dos títulos públicos federais para pessoas físicas 
via internet. 
Atualmente, para se investir no Tesouro Direto é muito simples, bastando 
possuir uma corretora e realizar o cadastro no Tesouro, tudo on-line. Com no 
mínimo R$30,00 já é possível adquirir títulos públicos. 
Existem inúmeros tipos dos títulos do Tesouro, sendo os principais: 
 IPCA+: é um título que remunera o investidor com o índice IPCA somado 
a uma taxa fixa de rendimento, que normalmente gira em torno de 5 a 7% 
ao ano. 
 Tesouro Prefixado: remunera o investidor com uma taxa anual de juros 
prefixada, ou seja, já conhecida no momento da compra do título. 
 Tesouro SELIC: remunera o investidor de acordo com a variação da taxa 
SELIC diária registrada entre a data de liquidação da compra e a data de 
vencimento do título. 
 
Saiba mais 
Acesse o site do Tesouro Nacional para conhecer melhor a respeito de títulos 
públicos (Tesouro Direto): <http://www.tesouro.gov.br/web/stn/tesouro-
direto#menu>. 
 
Como títulos privados de renda fixa, a BM&FBovespa oferece os 
Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), os Certificado de Recebíveis 
Imobiliários (CRI), as debêntures e as Letras Financeiras (LF). Com exceção das 
debêntures, pois já as estudamos, vamos conhecer cada um dos outros: 
 CRA: são títulos lastreados em recebíveis advindos de negócios do 
mercado do agronegócio, que englobam produtores, cooperativas e 
 
 
13 
terceiros, que também se referem a financiamentos ou empréstimos 
associados à produção, comercialização, industrialização dos produtos, 
insumos agropecuários e outros. É interessante conhecer que nessas 
negociações as companhias fornecem seus recebíveis para uma 
securitizadora, responsável por emitir e disponibilizar os certificados para 
comercialização no mercado de capitais. Com isso, a companhia 
consegue antecipar o recebimento de seus recebíveis, descontando uma 
taxa de remuneração do capital. 
 CRI: similar ao CRA, é um título lastreado em créditos imobiliários, como 
financiamentos residenciais e comerciais e contratos de aluguel de longo 
prazo. Possui o propósito de captar recursos destinados ao financiamento 
das transações do mercado imobiliário. Para o investidor, ele é gerador 
de um direito de crédito ao investidor. Ele possuirá o direito de receber 
uma remuneração, normalmente via juros, do emissor. Ao vencimento do 
título, o investidor receberá de volta o valor investido, o valor do principal. 
 Letras financeiras: possuem o objetivo de captar recursos de longo 
prazo, sendo o seu vencimento superior a dois anos. São títulos emitidos 
por instituições financeiras. Para os investidores, essas letras 
disponibilizam melhor rentabilidade do que outras aplicações financeiras 
com liquidez diária ou com prazo inferior de vencimento. 
 
Além desses títulos, a BM&FBovespa disponibiliza fundos como 
investimento em renda fixa. Esses fundos são os FIDCs (Fundos de 
Investimentos em Direitos Creditórios). Eles representam a junção de recursos, 
e ao menos 50% do seu patrimônio líquido é destinado para aplicações em 
direitos creditórios. Os FIDCs são considerados investimento em renda fixa. 
Ademais, os direitos creditórios são advindos dos créditos que uma companhia 
possui a receber, podendo ser em cheques, duplicatas e outros. Quando uma 
empresa realiza uma venda a prazo, via cartão de crédito, estes recebíveis 
podem ser vendidos para um FIDC na forma de direitos creditórios, fazendo com 
que a empresa antecipe o recebimento da venda, e em contrapartida cederá uma 
taxa de desconto para os investidores. 
Vale lembrar que é de responsabilidade do administrador (instituição 
financeira), criar o fundo e realizar o processo de captação de recursos por meio 
da venda de cotas. 
 
 
14 
Lembre-se de que qualquer ganho de capital realizados por meio de 
investimentos é tributado pela Receita Federal via Imposto de Renda (IR), 
entretanto alguns investimentos são isentos de IR, tais como a Poupança, LCI 
(Letras do Crédito Imobiliário) e LCA (Letras do Crédito do Agronegócio). Vale 
considerar esse aspecto quando realizar a análise de aplicações. 
 
TEMA 5 – FUNDOS E BDRS 
Neste tema, conversaremos a respeito dos outros fundos de investimento, 
assim como sobre BDRs. 
Da mesma forma que os bancos, a BM&FBovespa oferece uma listagem 
de fundos de investimento. Vale lembrar que um fundo de investimento é um 
condomínio que une recursos de um grupo de investidores (cotistas) e que 
possui como intuito obter ganhos financeiros por meio da aquisição de uma 
carteira estruturada por diversos ativos. Ademais, os gestores do fundo recebem 
uma taxa de administração como forma de remuneração. Os fundos são 
categorizados dependendo do tipo do ativo principal. Dentre os de renda 
variável, temos: 
 Fundo de Investimento em Ações (FIA): são fundos que possuem uma 
carteira baseada em ações. O principal fator de risco para ele é a variação 
dos preços das ações. Sua renda é oriunda dos rendimentos distribuídos 
pelas companhias, tais como dividendos e juros sobre o capital próprio. 
Por exemplo, para alguém que não quer ficar gerindo uma carteira de 
ações, é possível terceirizar essa atividade fazendo parte de um fundo e 
pagando a taxa de administração. É importante ressaltar que a 
BM&FBovespa exige o cumprimento de diversas normas para listar tais 
fundos. 
 Fundo de Investimento Imobiliário (FII): similar aos demais fundos, ele 
possui uma carteira que, em sua maioria, é baseada em ativos imobiliários 
– principalmente imóveis. Sua renda é constituída pelos aluguéis dos 
imóveis em carteira. É uma relevante opção para quem busca investir em 
imóveis. Imagine que você vá comprar um imóvel por acreditar que este 
gerará uma boa rentabilidade nos próximos anos. Entretanto, a primeira 
dificuldade é o valor do imóvel, que para uma pessoa comprar pode ser 
alto demais e inviabilizar o investimento. Além disso, se a receita for obtida 
via aluguel, existe todo o desgaste de procurar inquilino, da degradação 
 
 
15interna do imóvel, entre vários outros pontos. Por meio do fundo, você 
pode investir, por exemplo, apenas R$ 10.000,00 e virar cotista de vários 
imóveis, sem se preocupar com a operação. Cada fundo oferece um 
prospecto demonstrando seus imóveis e objetivos. Além disso, no caso 
dos FIIs, não existe a incidência de IR sobre a receita gerada com os 
aluguéis. Já caso o imóvel fosse alugado via pessoa física, o IR seria 
devido. 
 Fundo de Investimento em Participações (FIP): é um fundo que destina 
seus recursos à aplicação em companhias abertas, fechadas e até 
mesmo em sociedades limitadas, em fase de desenvolvimento. Nesse 
caso, o fundo participará do processo decisório da organização investida. 
 Exchange Traded Fund (ETF): é conhecido também como ETF de renda 
variável ou de ações; é um fundo em que sua aplicação é alocada em 
uma carteira de ações que visa a retornos correspondentes ao 
desempenho de um índice de referência da BM&FBovespa. 
 
É interessante ressaltar que a compra e venda desses fundos é muito 
simples devido à organização da BM&FBovespa, que permite a compra e venda 
dos fundos serem realizadas de forma similar à compra e venda de ações. 
Agora que conhecemos os fundos, vamos conhecer os BDRs ou 
certificado de depósito de valores mobiliários. 
Quem nunca pensou em ser acionista das empresas mais influentes do 
mundo, como Google, Apple e Facebook? A princípio, para isso, seria necessário 
abrir uma conta em uma corretora dos Estados Unidos, o que seria um grande 
desafio. Pensando nisso, a BM&FBovespa criou os BDRs Patrocinados 
(Brazilian Depositary Receipts). Eles são valores mobiliários emitidos no Brasil e 
que são lastreados por ativos, normalmente ações, emitidos no exterior. A 
companhia estrangeira deve contratar uma instituição depositária no Brasil para 
realizar a emissão das BDRs, sendo essa instituição responsável por emiti-los. 
Essa instituição possui como responsabilidade a garantia de que os BDRs 
Patrocinados emitidos de fato estejam lastreados nos valores mobiliários 
emitidos no exterior. 
Em resumo, quando alguém compra BDRs, significa que indiretamente 
essas pessoas possui ações de uma companhia com sede em outro país, sem 
 
 
16 
a necessidade de abrir conta em uma corretora estrangeira, e evitar a burocracia 
existente para realizar a compra de ações em outros países e bolsas. 
Apenas a título de conhecimento, saiba que há vários níveis de BDRs 
Patrocinados e de segmentos de listagem das ações. Vale mencionar também 
que existem ainda os BDRs Não Patrocinados Nível I (BDR NP). Eles também 
são valores mobiliários emitidos no Brasil por instituições depositárias e são 
lastreados com valores mobiliários emitidos no exterior (ações de empresas 
estrangeiras). 
A grande diferença de um BDR NP é que a instituição depositária 
emissora do certificado não possui um acordo com a companhia estrangeira 
emissora dos valores mobiliários objeto do certificado de depósito. 
Por isso, caso uma empresa brasileira demonstre interesse em adquirir 
ações de empresas estrangeiras, isso pode ser realizado indiretamente via BDR. 
Você, gestor financeiro, agora conhece todas essas possibilidades de realização 
de investimentos. 
 
TROCANDO IDEIAS 
A você, futuro gestor, recomendamos que sua inserção no mercado de 
capitais seja realizada de forma gradativa. Não busque de imediato a negociação 
no mercado de derivativos, como as opções. Inicie compreendendo sobre o 
mercado acionário e realizando operações aos poucos, para entender sua 
dinâmica. Ao longo do tempo, adquira mais conhecimento e passe a investir em 
outros produtos, inclusive fundos. Claro que você deve verificar qual é o seu 
objetivo com os investimentos e buscar aquele que mais atenda suas 
necessidades e expectativas. Muitas pessoas buscam o Tesouro Direto. 
Atualmente o acesso a todos eles é simplificado, e muitas vezes se dá por meio 
de sistemas na internet e por apps. 
Para se ter ideia, hoje existem apps como o Guia Bolso, que facilita muito 
a gestão financeira pessoal; há o app do Tesouro Direto, que permite comprar e 
vender títulos públicos; há ainda os apps das corretoras que possibilitam a 
compra e venda de ações, tudo de modo fácil e rápido por meio de um 
smartphone. É um mundo novo e devemos aproveitar a otimização que esses 
sistemas geram em nosso cotidiano. 
Vale lembrar também que nós, como profissionais, devemos embasar 
nossas decisões com informações; com elas, tudo fica mais fácil. 
17 
SÍNTESE 
Nesta rota, apresentamos mais mercados relevantes. Abordamos os 
derivativos, comentando sobre mercado a termo, mercado de futuros e o 
mercado de opções. Esse último comercializa o direito de compra ou venda de 
um ativo. Todos possuem particularidades e podem trazer benefícios para a 
organização. Em seguida, abordamos os produtos de renda fixa, conhecendo 
seus diversos títulos, e vimos que a previsibilidade é uma de suas vantagens. 
Além disso, soubemos que existem fundos específicos de investimentos que são 
comercializados pela BM&FBovespa, e que é possível investir em ações 
estrangeiras por meio dos BRDs Patrocinados e Não Patrocinados. 
REFERÊNCIAS 
BMFBOVESPA. Disponível em: <http://www.bmfbovespa.com.br>. Acesso em: 
19 abr. 2017. 
KERR, R. B. Mercado financeiro e de capitais. São Paulo: Pearson Prentice 
Hall, 2011. 
PEREIRA, C. L. Mercado de capitais. Curitiba: InterSaberes, 2013. 
TESOURO DIRETO. Disponível em: <http://www.tesouro.gov.br/web/stn/
tesouro-direto#menu>. Acesso em: 27 abr. 2017. 
MECANISMOS DE INSTITUIÇÕES 
FINANCEIRAS
AULA 6 
Prof. Alfredo Beckert Neto 
2 
CONVERSA INICIAL 
Querido aluno, você está de parabéns por todas as horas consumidas 
nos estudos desta disciplina de Mecanismos de Instituições Financeiras. 
Enfim chegamos à nossa última rota, e acreditamos que deva ser uma 
satisfação para todos. Portanto, relaxe, pois iremos conversar sobre as 
consequências de tudo que estudamos até aqui, ou seja, o que devemos 
fazer com todas as informações e conceitos que aprendemos. 
E claro, sempre que você pensar em gestão, considere tomadas de 
decisão, pois essa é a função principal de um gestor. Porém, para que isso 
ocorra, o gestor precisa estar munido de diversas informações que serão 
utilizadas como critérios para a tomada de decisão mais assertiva e alinhada 
com os objetivos da organização. 
Por isso, iniciaremos a rota estudando a análise fundamentalista e a 
análise técnica, para então adentrarmos em uma discussão sobre os indicadores 
para análises de investimento. Depois conversaremos sobre como investir em 
ações, sendo uma parte mais prática e essencial para operar no mercado de 
capitais. Para finalizarmos, entenderemos a respeito do investimento em outros 
produtos do mercado de capitais. 
Então vamos em frente em nosso último bate-papo. Bons estudos! 
CONTEXTUALIZANDO 
Imagine você ser um dos “donos” de um dos maiores bancos do Brasil. 
Ou então de uma companhia do setor elétrico. Imaginou? Então, isso é possível 
por meio do mercado de capitais, que permite que as companhias tanto captem 
recursos do mercado para seus projetos, quanto invistam seu caixa buscando 
uma rentabilidade ou mesmo realizando investimentos estratégicos. Aliás, é 
importante sabermos como avaliar um ativo antes de investirmos, pois 
normalmente não se deve comprar ações da empresa X só porque se “gosta” da 
empresa. No caso de busca por rentabilidade, é necessário realizar análises para 
saber se pode ser um bom momento de compra ou de venda daquela ação. Até 
porque você, como gestor financeiro, não deve expor o dinheiro de outros ou o 
seu próprio em riscos tão desconhecidos.Além disso, como nós brasileiros não 
 
 
3 
temos o costume de comprar e vender ações, aprender como realizar esse 
processo é muito importante. 
 
PESQUISE 
Vamos buscar esclarecimentos? Não hesite em utilizar outras fontes de 
pesquisa como é o caso da internet. O conhecimento está acessível em poucos 
cliques. 
Atualmente existem diversos sites e blogs com informações a respeito do 
mercado de capitais, análise técnica e fundamentalista, e sobre como investir em 
ações. Você deve desenvolver seu discernimento para absorver aquilo que te 
interessa, que faz sentido para você e aplicar da melhor forma possível. Por isso, 
pesquise sobre recursos que podem te auxiliar a realizar as análises e gráficos. 
Investigue a fundo o que aqueles que nunca investiram em ações devem fazer, 
ou sobre como iniciar uma carteira de ações. Tudo isso é muito interessante para 
a entrada no mercado de capitais. “Minha empresa tem um projeto futuro para 
captar recursos na bolsa via IPO.” Então, caro aluno, busque informações sobre 
o que é necessário para a realização do IPO. Além disso, acompanhe empresas 
referência para visualizar como elas trabalham com os investidores. Boa sorte! 
 
TEMA 1 – ANÁLISE FUNDAMENTALISTA 
Você já ouviu falar em análise fundamentalista? Ela é muito conhecida no 
mundo do mercado de ações. 
Quando tratamos da análise de investimentos, temos o objetivo de 
encontrar informações e buscar projetar o futuro. Isso será de extrema 
importância para tomarmos nossa decisão de compra ou venda de ações. 
Usualmente, a assertividade e rentabilidade do investimento em ações está 
ligada diretamente à capacidade de análise do investidor. Por isso, tome cuidado 
com dicas ou comentários que surgem por aí. 
Por isso, conforme Kerr (2011, p.99), a análise fundamentalista considera 
que, como as ações representam a menor fração do capital social de uma 
companhia, é viável avaliar e descobrir como será o desempenho futuro da 
empresa, e ainda saber o desempenho das ações e de seu valor futuro. 
Com outras palavras e visão, Pereira (2013, p.158) menciona que a 
análise é uma metodologia para determinar o preço justo de uma ação, sendo 
que isso se fundamenta na expectativa de resultados futuros. 
 
 
4 
Ademais, a análise fundamentalista se baseia, principalmente, nas 
informações contidas nas demonstrações financeiras, além de outros fatores 
externos e internos. 
Por isso, a técnica pressupõe que as ações possuem um valor intrínseco 
que está associado ao desempenho da companhia, assim como à 
macroeconomia. Os dados econômicos são importantes na análise, e podemos 
citar o desenvolvimento do PIB, a taxa cambial, a conjuntura econômica, o 
mercado de ações e o setor econômico no qual a companhia está inserida. De 
certa forma, são muitas informações para análise, o que faz com que os analistas 
fundamentalistas normalmente atuem acompanhando apenas uma empresa ou 
um segmento econômico. 
Pereira (2013, p.158) comenta que o preço da ação na bolsa de valores 
não representa seu preço justo, porque o preço justo é uma avaliação individual, 
ao passo que a cotação na bolsa é um dado de mercado. 
É importante, então, sabermos que quando aplicamos em renda variável, 
não sabemos quanto resgataremos. Então, no mercado de ações devemos 
verificar qual será nosso ganho de capital, ou seja, quanto a ação valerá quando 
vendermos. Portanto, se comprarmos uma ação a R$ 10,00 e a vendermos a 
R$13,00, temos R$ 3,00 de ganho de capital. Contudo, as ações também nos 
dão o direito de receber dividendos e devemos considerar isso em nossa análise 
do retorno do investimento em ações. 
Por isso, alguns autores mencionam que alguns dos principais itens que 
determinam o preço justo são: 
 A capacidade de gerar resultados e crescimento: consideramos esse 
item o mais importante, pois, pensando em preço justo, nada mais "justo" 
que a empresa tenha lucros crescentes e que ela expanda. Para analisar 
esse desenvolvimento, utiliza-se o método de múltiplos em que, por 
exemplo, calcula-se o múltiplo utilizando o preço da ação e dividido por 
algum outro dado, como o lucro da empresa. Em seguida, compara-se as 
ações similares e verifica-se quais possuem menores múltiplos, sendo 
essas as subavaliadas e consideradas para compra. Por outro lado, as 
ações com maiores múltiplos podem ser consideradas superavaliadas. 
 A liquidez da ação: é importante avaliar a liquidez da ação, pois isso 
aumenta a velocidade de sua compra e venda. Uma ação que possui alta 
 
 
5 
liquidez é comercializada na quantidade procurada de imediato e ainda 
com o valor aproximado do último preço de mercado. 
 O desempenho da renda fixa: caso o custo de oportunidade da renda 
fixa aumentar, o preço justo das ações diminui. O contrário também se 
aplica. A razão para isso é que se existem produtos de renda fixa, com 
previsibilidade de qual será minha remuneração, e essa remuneração 
aumenta, eu preferirei investir em renda fixa, pois na renda variável será 
mais difícil eu garantir um retorno como na renda fixa. Caso o 
desempenho da renda fixa diminua, consideraremos arriscar mais na 
renda variável. 
 
Alguns autores consideram o prêmio pelo risco como sendo mais um fator 
determinante para o preço justo. Esse fator é relacionado com a política de 
dividendos, política de governança corporativa e o risco do negócio. 
Pensando nas informações utilizadas para a análise fundamentalista, uma 
das principais análises é a do preço por lucro (P/L) – “P” é o preço da ação na 
bolsa e “L” é o lucro por ação. Por exemplo, se uma empresa projeta um lucro 
de 3 milhões de reais para o ano e possui 100.000 ações, o lucro por ação (LPA) 
será de R$ 30,00 por ação no ano. Caso o valor da ação na bolsa seja de R$ 
250,00, logo o P/L será igual a R$ 250,00 divididos por R$ 30,00. Isso resulta 
em um múltiplo de 8,33 anos. Esse período demonstra que, ao comprar uma 
ação você levaria 8,33 anos para ter o retorno do investimento. Porém, tenha 
cuidado. Lembre-se de que esse lucro é da empresa, a remuneração dos 
acionistas é via dividendos. Para sabermos em quanto tempo teremos o retorno 
do capital investido, devemos considerar o preço da ação dividido pelo dividendo 
pago por ação. 
Existem diversos indicadores considerados na análise fundamentalista, 
por exemplo: lucro por ação (LPA); payout; dividend yield (DY); índice 
preço/lucro; preço da ação/valor patrimonial da empresa; dividendo por ação; 
dentre vários outros que conheceremos nesta Rota no tópico “Indicadores para 
análises de investimento”. 
Portanto, na análise fundamentalista avalia-se, principalmente, a saúde 
financeira das empresas, assim como as projeções de resultados futuros, para 
que, com isso, seja possível estabelecer o preço justo das ações. 
6 
É importante salientar que existem sites e sistemas que fornecem essa 
análise para os assinantes. Alguns inclusive, fornecem gratuitamente as 
informações dos índices e múltiplos. Isso facilita, e muito, a análise financeira e 
o acompanhamento para qualquer ação listada em bolsa. Apenas para citar um
exemplo, existe o GuiaInvest, que realiza essa função. Além disso, em sua 
versão PRO ele calcula o preço justo das ações, baseado nas informações 
financeiras existentes daquela ação. 
TEMA 2– ANÁLISE TÉCNICA 
Vimos que com a análise fundamentalista você possui base e informações 
para tomar uma decisão de compra e venda, possibilitando maior assertividade 
na decisão. Veremos agora uma nova metodologia: a análise técnica. 
A análise técnica se baseia em um outro tipo de conceito. Ela considera 
que os preços anteriores da ação possuem influência nos preços futuros,por 
isso são utilizados para projetar os comportamentos do preço da ação. 
Basicamente, essa análise não leva em consideração o porquê das 
alterações de preço, mantendo sua atenção apenas no comportamento dos 
preços, ou seja, nesta análise não se verificam os indicadores financeiros da 
empresa. Para analisar os comportamentos das variações dos preços das 
ações, os analistas utilizam-se, normalmente, de gráficos. Por isso, muitas 
pessoas chamam a análise técnica de análise gráfica. 
Os analistas verificam gráficos dos preços anteriores, assim como o 
volume de ações negociadas. Com isso, buscam implementar regras de 
comportamento futuro para os preços das ações. 
De acordo com Kerr (2011, p.100), existem alguns pressupostos para a 
análise técnica, que são: 
 O valor de mercado de um ativo é estabelecido apenas pela influência da
oferta e demanda;
 A harmonia entre oferta e demanda é determinada por fatores racionais e
não racionais;
 
 
7 
 Desprezando algumas pequenas variações, temos que os preços das 
ações assim como seu valor total de mercado caminham de acordo com 
tendências que persistem durante um período considerável; 
 As tendências dominantes sofrem mudanças em virtude de alterações 
nas relações de oferta e demanda. Essas mudanças, independentemente 
das razões que as motivaram, podem ser detectadas pela movimentação 
do próprio mercado. 
 
Vamos fazer uma comparação simples entre a análise técnica e a 
fundamentalista. Podemos destacar como uma das principais vantagens da 
análise fundamentalista, seu desempenho no longo prazo, até porque se 
consideram projeções financeiras da companhia. Já a análise técnica possui 
uma resposta mais rápida, sendo o tempo de utilização e aprendizado menores. 
Por outro lado, como desvantagem da análise fundamentalista temos justamente 
o alto esforço de tempo e análise demandado do investidor. Já como 
desvantagem, a análise técnica pode não garantir recomendações consistentes 
pensando em investimentos mais longos e duradouros. 
Normalmente, a análise técnica utiliza o gráfico do preço da ação, o 
gráfico do volume de negócios daquela ação e ainda alguns outros. Ela também 
considera os preços: 
 de abertura: é o preço do primeiro negócio concretizado no dia, sendo 
considerado o consenso de mercado depois do período anterior; 
 de mínima: como a própria classificação sugere, é o menor preço da ação 
negociado durante o período; 
 de máxima: é o maior preço pago pela ação durante o período; 
 de fechamento: é o preço da última negociação da ação realizada no 
período. É bem relevante, pois é considerado o último consenso no qual 
o mercado definiu. 
 
Além disso, os gráficos, usualmente, oferecem opções de período de 
tempo. Por exemplo, podemos gerar um gráfico da variação do preço das últimas 
horas, ou dias ou meses. Quando falamos histórico intra-day, nos referimos às 
variações com período inferior a um dia. 
 
 
8 
Ademais, a análise técnica pode se utilizar de diversos tipos de gráficos, 
tais como o de linha, de área, de barras e o candlesticks. Se achar necessário, 
busque se aprofundar no conhecimento desses gráficos. 
Para utilizar e conhecer sobre tudo que estamos falando, você pode fazer 
seu cadastro no Infomoney, que gratuitamente terá informações sobre as 
análises de ações e seus gráficos. 
Existem mais dois conceitos importantes para a análise técnica: os 
suportes e as resistências. 
Suporte é um patamar, nível ou região de preços, em que os compradores 
estão em vantagem perante os vendedores. Simplificando, ocorre quando os 
preços das ações estão caindo até atingirem um nível (suporte) no qual os 
compradores começam a comprar, aumentando a demanda sobre a oferta. Isso 
faz com que a tendência de baixa seja parada ou revertida. 
Quanto à resistência, ela atua de forma similar, mas contrária ao suporte. 
É o inverso. Caso o preço da ação esteja em tendência de alta, chegará em um 
nível (resistência) em que os vendedores voltam a atuar de forma mais 
volumosa, gerando uma oferta maior que a demanda, fazendo com que a 
tendência de alta seja parada ou revertida. 
Quando uma resistência é superada, ou seja, as ações ultrapassam o 
valor da resistência, ela se torna o novo suporte, assim como quando um suporte 
é rompido ele se torna uma nova resistência. 
Outro ponto importante para comentarmos sobre análises e que se aplica 
a qualquer área da gestão, são as análises de tendências. Quais são as novas 
tendências no mercado de capitais brasileiro? Será que essas são tendências 
no resto do mundo também? Claro que para descobrir tendências podemos 
realizar pesquisas longas e custosas, entretanto é possível acessar o Google 
Trends (<https://www.google.com.br/trends/?hl=pt-PT>), que pode ser utilizado 
para estudar gratuitamente algumas tendências no Brasil e no mundo. 
A plataforma é bem simples de se usar e basicamente traz informações 
sobre o que as pessoas estão pesquisando no Google. Em alguns casos, 
existem tendências com buscas em ascensão no resto do mundo, mas no Brasil 
as pesquisas ainda não ocorrem em quantidade. Todavia, se no mundo está em 
ascensão, talvez seja questão de tempo para ascenderem no Brasil também. E 
nisso, o gestor já antevê situações e poderá se planejar para atender demandas 
ou resolver situações futuras. 
 
 
9 
 
TEMA 3 – INDICADORES PARA ANÁLISES DE INVESTIMENTO EM AÇÕES 
Como escolher entre uma ação ou outra? Qual irá nos trazer a melhor 
rentabilidade? É difícil saber, pois não temos “bola de cristal”. Entretanto, 
podemos minimizar o risco e tomar decisões baseadas em informações. 
Sabemos que a análise fundamentalista utiliza informações financeiras, 
entre outras, para determinar o preço justo da ação. Qual tal analisarmos a ação 
de uma empresa? BBAS3 (ações do Banco do Brasil) são uma boa opção. 
Analisaremos as informações de um dia qualquer. Observe: 
Cotações: 
Último Fechamento ......... R$ 28,92 
Máxima (52s) ................... R$ 29,49 
Mínima (52s) .................... R$ 12,03 
Qtde Negócios (21d) ........ 11.430 
Volume Médio (21d) ......... R$ 154,99M 
 
Considerando essas informações, entendemos que o 52s significa “nas 
últimas 52 semanas”; “Qtde. Negócios (21d)” representa o número médio de 
negócios nos últimos 21 pregões, e “Volume médio (21d)” demonstra o volume 
médio de negociado nos últimos 21 pregões. 
 Indicadores de mercado: 
Preço/Lucro (x): 8,5 
Preço/Valor Patr. (x): 1,1 
Dividend Yield (DY) %: 3,2% 
Payout %: 27% 
Valor de mercado $: 80,8B 
% Mês: 11,58% 
% Ano: 133,65% 
 Indicadores Financeiros: 
Lucro por Ação (LPA) $: 3,3965 
Valor Patr. Ação (VPA) $: 26,7878 
Margem Bruta %: 19% 
Rentab Patr. Líq (RPL) %: 12,7% 
Rentab. do Ativo %: 0,6% 
EV/Ebtida (x): 6,5 
ROE: 12,7% 
 
 
10 
O quadro a seguir descreve, sucintamente, o significado dos indicadores 
apresentados: 
Quadro 1: Indicadores 
Preço/Lucro (x) 
Relação entre o valor de mercado da empresa (preço da ação) dividido 
pelo lucro dos últimos 12 meses. Esse índice P/L demonstra quantos 
anos são necessários para o investidor recuperar o capital investido, 
caso ele recebesse todo o lucro. 
Preço/Valor Patr. (x) 
Compara o valor de mercado (preço da ação) com seu valor contábil. 
Por isso, quanto menor esse índice, mais "barata" é a empresa. 
Dividend Yield (DY) % 
É o dividendo pago por ação, dividido pelo preço da ação. Quanto 
maior for o DY, mais retorno para o investidor. 
Payout % Representa o percentual do lucro líquido pago em dividendos. 
Valor de mercado $ 
É o preço da ação multiplicado pelo número de ações emitidas pela 
empresa.Valor de mercado 
Representa o preço da ação multiplicado pelo número de ações 
emitidas pela empresa. 
% Mês 
Representa a variação percentual ocorrida no preço da ação no último 
mês. 
% Ano 
Representa a variação percentual ocorrida no preço da ação no último 
ano. 
Lucro por Ação (LPA) $ 
É a relação entre o lucro (prejuízo) líquido do exercício com o número 
de ações emitidas pela empresa. 
Valor Patr. Ação (VPA) $ 
Representa a divisão do patrimônio líquido da empresa pela 
quantidade de ações emitidas. 
Margem Bruta % 
É a relação (divisão) entre o lucro bruto e a receita líquida da empresa 
nos relativos aos últimos 12 meses. 
Rentab Patr. Líq (RPL) % 
É a relação entre o lucro líquido dos últimos 12 meses e o patrimônio 
líquido. 
Rentab. do Ativo % 
É a relação entre o lucro ou prejuízo do exercício com o ativo total da 
empresa. 
EV/Ebtida 
EV significa Enterprise Value, ou seja, “valor da firma”. Isso significa 
que o EV representa o valor de mercado da companhia mais a dívida 
líquida. Já o Ebtida, é o mesmo que LAJIDA (Lucro Antes de Juros, 
Impostos, Depreciação e Amortização). Alguns chamam o Ebtida de 
geração de caixa operacional. Ele representa o lucro bruto – despesas 
operacionais (descontando depreciação, amortização e juros pagos). 
Por isso, quanto menor o EV/Ebtida, mais atraente a ação se 
apresenta. Entretanto essa comparação deve ser realizada entre 
empresas do mesmo setor. 
(continua) 
 
 
 
11 
(continuação do Quadro 1) 
ROE (%) 
Representa a rentabilidade da empresa para os acionistas. ROE 
significa Return on Equity, e pode ser calculado como o lucro líquido 
dividido pelo patrimônio líquido. Normalmente é utilizado o lucro líquido 
dos últimos 12 meses. Em outras palavras, o ROE mensura a 
qualidade dos investimentos da empresa para gerar o crescimento de 
lucros futuros. 
Fonte: Baseado no GuiaInvest. 
 
Vale lembrar que o período dos últimos 12 meses é apenas uma 
referência. 
Há vários outros indicadores que são utilizados para analisar e comparar 
ações. Entretanto, apenas com esses indicadores já se pode ter uma boa noção 
sobre os preços da ação analisada, principalmente, quando comparada com 
outras ações do mesmo segmento. 
Em alguns casos, o preço justo da ação é calculado por meio do método 
de fluxo de caixa descontado. Essa metodologia de avaliação se baseia na 
projeção dos lucros futuros da empresa para um determinado período de tempo. 
Ela é utilizada para realizar o valuation (valoração) da empresa, ou seja, o valor 
da empresa hoje. 
É interessante lembrar que o fluxo de caixa representa o conjunto de 
recebimentos e pagamentos ao longo de um período. Ele representa a situação 
financeira da empresa, entradas e saídas, e dele se extrai o valor da empresa 
ou preço justo da ação. Ademais, é um método muito utilizado por investidores 
e analistas financeiros do mercado acionário. 
Existe um segmento de ações conhecidas como micros, que são 
companhias menores, mas com grande potencial de valorização. É interessante 
verificar se as companhias possuem chances de virem a ter grandes 
crescimentos, via impulsionadores para seus negócios. A própria fusão e 
aquisição de empresas pode ser um desses gatilhos. Além disso, é importante 
verificar o histórico de lucro da empresa. Uma empresa mais sólida possui lucros 
constantes e crescentes. É mais arriscado investir em uma empresa que possui 
lucro em um ano, no próximo prejuízo, depois lucro e depois prejuízo novamente. 
 
 
 
12 
#ficaadica 
Existem sites que apresentam os indicadores para se realizar a comparação de 
ações, como o GuiaInvest e o Fundamentus: 
<http://fundamentus.com.br/index.php>. 
 
TEMA 4 – INVESTINDO EM AÇÕES 
Você já percebeu como muitas pessoas têm medo de investir em ações 
ou mesmo em outros produtos do mercado financeiro? O único investimento que 
fazem é na poupança. Você, por outro lado, já conhece os riscos e vantagens de 
diversos outros investimentos. Pensando em renda variável, as ações das 
companhias podem ser uma ótima opção. Mas lembre-se, isso depende dos 
seus objetivos, pois a renda variável, assim como pode gerar altos retornos, 
também podem causar grandes perdas. Por isso, para operar na bolsa é 
interessante possuir uma estrutura emocional para não se abalar com as 
oscilações do mercado. 
O primeiro passo para se investir em ações é a abertura de conta em uma 
corretora. Após abrir a conta surgirão várias indicações de investimento, 
incluindo a compra e venda de diversas ações. Muitos pensam: “O analista da 
corretora me recomendou comprar a ação X e vender a ação Y. Vou fazer isso!” 
Cuidado: aqui existe uma grande questão. O analista da corretora, geralmente 
incentivará o cliente a realizar operações, pois a cada compra ou venda de ação 
a corretora recebe uma taxa de corretagem. Portanto, tome cuidado. Vamos 
analisar as taxas de uma corretora: 
 Taxa de custódia: refere-se a o que o próprio nome diz, um valor para 
que realizem a custódia das ações. Simplificando, seria uma espécie de 
mensalidade cobrada. 
 Taxa de corretagem: refere-se a uma taxa cobrada a cada compra ou 
venda de ações. 
 
Você pode realizar a comparação no site Bússola do Investidor: 
<https://www.bussoladoinvestidor.com.br/guia_corretoras/>. 
Não considere apenas os valores, mas verifique também o home broker, 
apps e outros serviços oferecidos. Vale lembrar que geralmente as corretoras 
associadas a grandes bancos cobram taxas mais elevadas. Ademais, altas taxas 
comprometem sua rentabilidade para valores menores de investimentos. 
 
 
13 
Inclusive, aconselhamos a abertura de uma conta digital para que não seja 
preciso pagar taxas de TED e DOC. 
Atualmente, para abrir conta em corretoras é muito simples e pode ser 
feito de maneira on-line, pela internet. Apenas para exemplificar, estas são 
algumas das corretoras que existem: XP Investimentos, Clear, Easyinvest, Rico, 
entre muitas outras. 
Com a conta aberta na corretora, você deverá transferir recursos para 
essa nova conta. Com isso feito, você já pode acessar o home broker para 
realizar suas ordens de compra. 
Contudo, antes de adquirir ações, realize uma pesquisa e 
acompanhamento para verificar sua estratégia e rentabilidade esperada com o 
recurso investido. Utilize-se da análise fundamentalista e técnica se for preciso. 
Para comprar uma ação o sistema precisará de algumas informações. A 
primeira delas é qual será o ativo; por exemplo: BBAS3. Em seguida, deverá 
preencher a quantidade de ações que deseja comprar, assim como o preço limite 
por ação, a data limite da ordem de compra. O sistema informará o valor total 
que será bloqueado de sua conta. 
Existem também ferramentas adicionais como o start e stop. Utilizando-
se deles, é possível programar suas ordens de compra e venda para serem 
enviadas para a bolsa somente quando a ação que pretende comprar ou vender 
atingir uma cotação igual ou superior, em caso de compra, ou igual ou inferior, 
em caso de venda. Por exemplo, gostaríamos de comprar a ação VALE5 por R$ 
23,00, pois isso demonstra que ela subirá ainda mais. Vamos supor que ela 
esteja sendo negociada a R$ 22,90. Para simplificar, podemos cadastrar um 
preço start com um valor intermediário aos dois patamares, no caso R$22,95. 
Quando o preço do start (“disparo”) for atingido, a ordem de compra da ação a 
R$ 23,00 será enviada para a BM&FBovespa. 
Isso facilita a vida do investidor, pois este pode programar as ordens de 
compra ou de venda com start e stop, sem a necessidade de acompanhar o 
desenvolvimento diário das oscilações da bolsa para realizar suas ordens. 
Vale ressaltartambém que sua ordem de compra a R$ 23,00 pode não 
ser efetivada. Por exemplo, caso as ações cheguem ao valor de R$ 22,96 e 
comecem a cair, provavelmente sua ordem não será efetivada, caso não 
aconteça até a data limite estipulada. 
 
 
14 
Para realizar uma venda, basta preencher o ativo, quantidade preço limite 
e data limite da ordem de venda. Todavia, na venda temos o stop, similar ao start 
nas aquisições. 
A partir do momento da compra da ação, o investidor terá o direito de 
receber os dividendos e JSCP que serão distribuídos futuramente. Esses valores 
serão depositados diretamente em sua conta. A partir da venda das ações, o 
investidor não terá mais esse direito. 
Além das várias opções que o home broker disponibiliza, ele ainda permite 
que você visualize sua carteira de ações em custódia. 
Temos que dizer ainda mais uma coisa: quando realizar uma operação de 
compra e venda, a BM&FBovespa cobrará um valor referente a emolumentos, 
taxa da bolsa. Portanto, sempre esteja atento quando for calcular a rentabilidade 
de um investimento, pois devemos considerar todos esses gastos oriundos da 
operação. 
Outro detalhe em que o investidor deve estar atento é quanto ao Imposto 
de Renda. Primeiro ponto é que quem realiza negociações de ações deve fazer 
a declaração anual do IR. Outro ponto é que existe uma isenção para vendas de 
até R$ 20.000,00 no mês. Por isso, verifique as regras no link a seguir: 
<http://blog.bussoladoinvestidor.com.br/imposto-de-renda-em-acoes/>. 
Não existe valor mínimo para se investir em ações, todavia você deve 
avaliar quanto terá de custos para realizar a operação de compra e venda para 
verificar se vale a pena ou não. Além disso, vale salientar que a compra de lotes 
padrão (100 e seus múltiplos) é mais fácil de negociar. Normalmente 
recomendamos que se compre lotes de no mínimo R$ 3.000,00 por empresa. 
Outro ponto importante para se ater é para a criação de metas para o seu 
recurso aplicado. Quando o investidor as atingir deve sair da operação da bolsa. 
Lembrem-se que a bolsa é apenas um meio para alcançar objetivos e não um 
fim. 
 
#ficaadica 
Conheça o aluguel de ações: <http://blog.bussoladoinvestidor.com.br/aluguel-
de-acoes-como-funciona/>. 
 
 
 
 
15 
TEMA 5 – INVESTINDO EM OUTROS PRODUTOS DO MERCADO DE 
CAPITAIS 
Querido aluno, chegamos ao nosso último Tema ao longo de uma grande 
jornada. Acredito que você possa ter “enjoado” um pouco de tanto ouvir e ler 
sobre o mercado de capitais. Agora, partindo para a reta final, vamos conversar 
sobre como investir em outros produtos do mercado de capitais. 
Antes de mais nada, como já conversamos, gestores devem tomar 
decisões baseadas em informações alinhadas com o planejamento estratégico 
e os objetivos da organização. 
Se você gostaria de investir nos fundos disponíveis na BM&FBovespa que 
estudamos anteriormente, o processo é muito simples. Lembra-se dos Fundos 
de Investimento Imobiliário, em Participações, ou ainda os Fundos de 
Investimento em Ações? Esses fundos possuem uma codificação similar aos 
códigos das ações, como por exemplo: AEFI11 e FCCQ11, que representa o FIP 
Conquest: 
 
 
A mecânica para investimentos nesses fundos é similar à do investimento 
em ações. Primeiramente é necessário escolher e abrir uma conta em uma 
corretora, caso ainda não possua. Em seguida, transferir recursos financeiros 
para a conta da corretora e depois, pelo home broker, lançar as ordens de 
compra e venda dos fundos utilizando os códigos dos ativos. 
Se você quer realizar investimentos indiretos em ações internacionais, no 
caso, o BDR. De forma similar aos demais, temos seu código, como o da 
empresa 3M: 
 
Para verificar todos BDRs listados no BM&FBovespa, basta acessar o 
link. 
Se você quiser investir em opções de ações, primeiramente, é 
interessante acessar o link 
<http://www.bmfbovespa.com.br/pt_br/servicos/market-data/consultas/mercado-
a-vista/opcoes/> para visualizar as opções de compra ou venda existentes para 
a empresa que deseja operar. Existem alguns filtros que facilitarão a pesquisa. 
 
 
16 
Com isso, você encontrará o código do ativo para realizar a operação. Por 
exemplo:
 
Mas cuidado. O investimento em opções é considerado um dos mais 
complexos. Por isso, para investir nesse mercado de opções o ideal é que se 
busque muito mais informações para entender bem a dinâmica. 
Vimos então que para investir nos vários produtos disponíveis na 
BM&FBovespa, basta ter uma conta numa corretora, que o acesso será viável. 
Vale lembrar que as corretoras oferecem produtos de renda fixa que, 
usualmente, não são oferecidos nas mesmas condições nos bancos em que 
possuímos conta corrente. Por isso, também vale a pena avaliar esses produtos 
antes de entrar na renda variável. Como você pode perceber, realizar essas 
etapas é fácil. O difícil é escolher os investimentos que trarão bons retornos. 
Diante dessas dificuldades, em alguns casos é interessante assinar ou 
contratar consultorias financeiras independentes, ou seja, que não possuam 
vínculos com instituições financeiras e corretoras. Atualmente, existem relatórios 
on-line, em que para se ter acesso, basta fazer sua assinatura, desde que com 
valores acessíveis, principalmente se essas informações auxiliarem o investidor 
a ter melhores retornos. 
Por isso, é de se pensar que um bom profissional, proativo, que planeja 
cenários de investimentos e antevê problemas futuros, incluindo a entrada e 
saída de investimentos nos melhores momentos, gerando assim redução de 
prejuízos ou aumento nos lucros, pode e deve ser muito valorizado. Imagine que 
você, tendo iniciado há poucos meses em uma empresa, percebe que poderiam 
ser implementadas diversas otimizações nos investimentos financeiros da 
empresa, gerando uma maior rentabilidade: isso seria sensacional. Ou ainda, a 
empresa necessita captar recursos via mercado de capitais e você poderá 
colaborar em todo o processo. Seria muito bom! 
Portanto, um bom gestor está sempre antevendo os problemas e os 
solucionando, sem deixar que eles surjam de fato. Ademais, ele busca sempre 
informações e conhecimento para tomar suas decisões. Busque ser esse ótimo 
gestor. 
 
 
 
17 
Espero que as aulas tenham adicionado novas reflexões e ampliado a sua 
visão. Eu me despeço aqui agradecendo a atenção e dizendo que foi uma 
satisfação promover esta jornada conjunta. Desejo muito sucesso para você, 
gestor e futuro gestor financeiro. 
Grande abraço. 
 
TROCANDO IDEIAS 
Caso você tenha visto algum termo ou algo que não ficou muito claro ou 
que desconheça o significado, busque aprender e descobrir. Hoje vivemos com 
acesso quase total a diversos tipos de informações, e podemos explorar tudo 
isso. Quem quer aprender sobre Marte, basta procurar na internet que 
encontrará desde muitas informações até várias fotos e vídeos. No que tange ao 
mercado financeiro e de capitais, não é diferente. Sempre busque conhecer! 
Estamos vivenciando diversas inovações, e uma das novas ondas são as 
fintechs (financial technology). Todas elas podem otimizar sua vida pessoal ou 
corporativa pensando no aspecto das finanças e investimentos. Por isso, 
devemos estar “antenados” com relação a essas novidades tecnológicas. O 
primeiro exemplo que damos é o banco virtual chamado Banco Original. Como 
ele não possui agências, seus custos são menores e, consequentemente, ele 
consegue oferecer melhores taxas e preços. Outra fintech é o Nubank, empresa 
que fornece cartões de crédito sem anuidade, com atendimento e software (app) 
diferenciado, entre outros benefícios. Além disso, até as corretoras já partirampara inovações como a Clear, corretora virtual. Por fim, existe a Youse, empresa 
de seguros que opera de forma diferente das tradicionais, com custos e preços 
menores. É isso, pessoal: a criatividade aliada à inovação e tecnologia pode 
facilitar nossas vidas. 
 
SÍNTESE 
Vimos que a análise fundamentalista é uma metodologia para avaliar o 
preço justo de uma ação, e se baseia em informações financeiras, 
macroeconômicas e outras. Também verificamos a análise técnica, como uma 
outra forma de avaliar o preço das ações com base nas movimentações do 
mercado, as variações dos preços. Para isso, os analistas utilizam gráficos e 
verificam tendências. Além disso, criam níveis de suporte e resistência. 
Estudamos ainda que os indicadores para investimento em ações podem auxiliar 
 
 
18 
na análise do preço de uma ação e favorecer em nossa decisão de compra ou 
venda. Ademais, conversamos sobre como investir em ações, sendo que, um 
dos passos fundamentais além da análise da ação, está a escolha da corretora. 
E para finalizar, compreendemos sobre como negociar outros produtos do 
mercado de capitais na BM&FBovespa. Dentre eles, os fundos de investimentos, 
BDRs e até opções de ações. 
 
REFERÊNCIAS 
BM&FBOVESPA. Disponível em: 
<http://www.bmfbovespa.com.br/pt_br/index.htm>. Acesso em: 24 mar. 2017. 
GUIAINVEST. Disponível em: <https://www.guiainvest.com.br>. Acesso em: 24 
mar. 2017. 
KERR, R. B. Mercado financeiro e de capitais. São Paulo: Pearson Prentice 
Hall, 2011. 
PEREIRA, C. L. Mercado de capitais. Curitiba: Intersaberes, 2013.

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