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MECANISMOS DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS AULA 1 Prof. Alfredo Beckert Neto 2 CONVERSA INICIAL Olá! Seja muito bem-vindo à nossa primeira aula da disciplina de Mecanismos de Instituições Financeiras. Fique bem à vontade para estudarmos juntos. Mantenha sua mente relaxada e aberta aos novos conhecimentos. Esta Rota, tem como objetivo geral demonstrar os conceitos fundamentais que englobam a atividade econômica e os aspectos sobre a intermediação financeira. Por isso, iniciaremos abordando os fundamentos sobre a atividade financeira. Na sequência, faremos uma análise sobre a moeda e sua utilização. Além disso, aprenderemos a respeito de intermediação financeira e seus objetivos, assim como sobre as políticas do governo relacionadas ao tema. Para finalizarmos esta aula, estudaremos a respeito do mercado financeiro – o qual é de extrema importância para a sociedade e para as empresas. Aproveite para parar e refletir durante os pontos que considerar interessantes durante as aulas, pois podemos criar associações e, consequentemente, gerar novas ideias. Desejamos a você um ótimo estudo! CONTEXTUALIZANDO Nos últimos anos, com as mudanças ocorrendo cada vez mais rápido, a complexidade dos negócios e operações do mercado financeiro aumentou devido à globalização, fusões, redução de custos, aumento da competitividade e clientes mais exigentes. Isso fez com que o profissional da área financeira também evoluísse. Você já trabalhou com o mercado financeiro e de capitais? Você pode achar que não, mas com certeza sim, pois tratamos diariamente com bancos, financiamentos e empréstimos. Quando pegamos recursos financeiros emprestado ou quando aplicamos dinheiro na poupança, estamos utilizando e participando diretamente do mercado financeiro. No cenário corporativo, isso não é diferente. Com a globalização, a competição acirrada entre as empresas e a redução das margens de lucro, utilizar o mercado financeiro a seu favor tornou-se uma atividade obrigatória. Por isso, o conhecimento sobre o mercado financeiro e de capitais pode auxiliar os gestores das empresas a tomarem decisões com base em informações e 3 visando o objetivo traçado pela organização. E por que estudar sobre isso? Conhecer como funciona o mercado financeiro e de capitais pode ser a diferença competitiva entre uma empresa e seu concorrente, pois isso pode dar acesso ao capital ou melhor: acesso à rentabilidade por meio de investimentos. Portanto, podemos aumentar o resultado da empresa acessando um capital mais “barato” e maximizando a rentabilidade dos recursos financeiros. Atualmente, o tema é de grande importância para as empresas, pois está diretamente relacionado com a competitividade e, consequentemente, com a perenidade das organizações. Por isso, a própria Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA) possui uma categoria sobre o mercado de capitais em seu site <http://www.anbima.com.br/pt_br/informar/relatorios/mercado-de- capitais/boletim-de-mercado-de-capitais/boletim-de-mercado-de-capitais.htm>. PESQUISE Chegou a hora de pesquisar. Lembre-se de que conhecimento nunca é demais. Vamos buscar como funciona a atividade econômica e o mercado financeiro? E ainda, como surgiram os primeiros bancos? E também, por que será que o tema possui tanta relevância dentro das organizações? TEMA 1 – A ATIVIDADE ECONÔMICA Primeiramente, vamos compreender o que é a atividade econômica. A atividade econômica deriva das relações materiais entre os indivíduos, principalmente aquelas efetuadas dentro dos mercados. Todos nós estamos inseridos nessas relações, pois temos desejos materiais maiores do que os recursos disponíveis. Em outras palavras, nossos desejos materiais podem não ter um limite definido, porém, produzir bens e serviços oferece diversas limitações. Portanto, essa relação entre o desejo, produção, escassez e necessidade de escolha reside na causa da atividade econômica. Pensando ainda nessa relação, podemos considerar a existência de diversos agentes que, justamente, realizam o desejo ou produção dos bens e serviços, criando a conexão entre oferta e demanda. Segundo Tebchirani (2008), os agentes dos sistemas econômicos possuem uma função importante na relação entre oferta e demanda, e estão 4 divididos nos seguintes grupos: famílias, empresas, governos e setor externo. O mesmo autor ainda descreve que podemos considerar as famílias como sendo o potencial de recursos para a realização de atividades produtivas; as empresas produzem com o intuito de suprir a demanda das famílias; o governo utiliza as famílias como fornecedoras de empregados e consome um percentual da produção das empresas com o finalidade de disponibilizar bens e serviços à sociedade; e o setor externo se refere aos agentes de um país realizando transações econômicas com agentes de outros países. Além dos agentes, é importante ressaltar a existência de uma relação inversa entre a demanda de um produto e o seu preço. Existem vários fatores que podem influenciar na demanda de bens, sendo alguns deles: nível de informação do consumidor, o preço, a expectativa de preços futuros e a disponibilidade de capital. É também importante conhecermos sobre os bens e serviços e suas classificações. Portanto, segundo Pereira (2013, p. 20), os bens e serviços podem ser classificados como: De capital: são usados para fabricar outros bens e que não se degradam inteiramente no processo produtivo. Como exemplo temos máquinas, equipamentos e ferramentas. De consumo: de acordo com sua durabilidade são divididos em bens de consumo duráveis (eletrodomésticos e automóveis) e não duráveis (alimentação e roupas). São bens que atendem às necessidades das pessoas. Intermediários: recebem transformações novas com o intuito de se tornarem bens de consumo de capital, como a soja e o minério de ferro. Além disso, existem outros conceitos utilizados que são importantes para nosso conhecimento. Pensando na atualidade, existem três setores principais de atividade econômica: Setor primário: esse segmento consiste, principalmente, na extração de recursos naturais. Além disso, a produção agrícola, a pecuária e pesca também são consideradas atividades desse setor. Seu produto é utilizado como matéria prima para um produto industrializado. Exemplos de bens: soja, carvão, ferro, arroz e madeira. 5 Setor secundário: baseia-se na manufatura de bens primários (advindos do setor primário), gerando produtos industrializados que serão absorvidos pelo setor terciário. Exemplos de bens: veículos e alimentos industrializados. Setor terciário: esse setor é representado pelo fornecimento de serviços e comercialização de mercadorias para as pessoas físicas e jurídicas, ou seja, engloba as atividades de comércio e de prestação de serviço. Temos como exemplos: assessoria jurídica, serviços de saúde, telemarketing, turismo e a venda de mercadorias. Compreendeu a classificação? Bom, agora teremos conceitos parecidos e devemos evitar a confusão. Podemos classificar as instituições como: primeiro setor, representado pelo governo; segundo setor, associado às empresas que buscam o lucro; terceiro setor, baseado nas organizações não governamentais (as ONGs). Além dessas classificações, dentro da atividade econômica existem alguns fatores que são fundamentais para sua realização e que formam a relação trabalho, terra e capital. Conforme Pereira (2013, p. 22), o trabalho é constituído dos indivíduos disponíveis para trabalhar, que são a mão de obra dentro do sistema econômico. Já a terra, se refere aos recursos naturais disponíveis,e o capital pode ser considerado as riquezas acumuladas pela sociedade, sendo que com elas é possível se preparar para a realização das atividades produtivas. Pensando em um país, é importante realizar o acompanhamento de sua economia, inclusive sendo essas informações de grande valia para as pessoas físicas e jurídicas também. Por isso, esse acompanhamento pode ser realizado, por exemplo, por meio da renda gerada e da quantidade de criação de empregos. Uma das principais informações da atividade econômica em um país é o Produto Interno Bruto (PIB). Ele representa o somatório do valor de mercado da produção dos bens e serviços finais produzidos dentro do país em um período pelos residentes e não residentes. Para resumir nosso aprendizado neste tema, temos que a atividade econômica precisa dos agentes que acabam gerando demanda e produção dos bens e serviços, com as famílias determinando o consumo e as empresas a produção. Mesmo assim, todos os agentes podem ser, paralelamente, consumidores ou ofertadores de bens e serviço. Isso acaba gerando a 6 movimentação de recursos financeiros e riquezas entre os agentes da atividade econômica, formando um fluxo circular. Para a realização desse fluxo, é necessária uma ferramenta ou meio que possibilite e facilite essa transferência. Atualmente a moeda realiza essa papel. #ficaadica Como acompanhar a atividade econômica do país: O IBGE fornece em seu site todas as informações relativas ao PIB e economia, com o foco no que foi realizado (no que aconteceu). Acesse: <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/pib/defaultcnt.shtm>. TEMA 2 – MOEDA Quando falamos em moeda, o que vem à sua mente? Moedas de metal? Ou quem sabe, dinheiro? Quer saber, de forma simples, como surgiram os bancos? Vamos lá! Como vimos, para a realização do fluxo entre ofertadores e consumidores, é necessário algo que facilite o processo. Por isso, segundo Pereira (2013, p. 22), “A moeda pode ser definida como um conjunto de ativos financeiros de uma economia que os agentes utilizam em suas transações”. O viver em sociedade associado ao desejo do ser humano resulta em trocas. Os indivíduos que desejavam um produto ou serviço e que possuíam sobras de outro, necessitavam de um possível meio de receber aquilo que desejavam. Pensando na história da humanidade, a forma mais simples e primitiva de comércio era baseada em trocas. Essa prática era chamada de escambo e foi muito utilizada pela humanidade. Por exemplo, se alguém precisava de 20 litros de leite, para obtê-los, forneceria 1 Kg de mel. Claro que, por ser primitivo, com a evolução da sociedade e o aumento do número de trocas, o escambo gerava diversos desafios. Analisando de forma simples, percebe-se que havia o risco de não haver o mútuo interesse em realizar a negociação, pois conforme o exemplo anterior, o vendedor de leite pode não precisar de mel, mas sim de arroz. Além disso, a armazenagem de alguns produtos poderia não ser possível. Ademais, a dificuldade em precificar a troca, ou seja, quantos gramas de mel equivaleriam a 1 litro de leite? Imagine a tabela de trocas que o leiteiro deveria ter: 1 litro de leite = 100 gramas de mel = 2 quilogramas de soja = 1/2 galinha... 7 Note que o fracionamento também é considerado um desafio no escambo, pois muitos produtos não podem ser fracionados sem alterar seu valor. A necessidade de realização da permuta de produção excedente cresceu vertiginosamente e dificultou ainda mais as operações na sociedade. Podemos até citar a Roma Antiga, que em um período utilizou o sal como meio de troca comum – o que inclusive isso gerou o termo “salário”. Quando existe um produto como meio de troca comum, este é chamado de moeda-mercadoria. Seguindo a evolução da sociedade, a atração pelos metais preciosos aumentou e sua aceitação era comum. Com isso, os metais preciosos se transformaram em meio de troca comum. A partir daí, surgiram as primeiras moedas, as quais eram peças de metal que possuíam peso e valores definidos. Além disso, estas eram, de certa forma, certificadas com selos de quem realizou a emissão da moeda. Vale ressaltar aqui que o valor da moeda estava associado ao material com que ela foi cunhada. A moeda cunhada também solucionava diversos problemas encontrados na utilização do escambo, inclusive sua armazenagem. Diante desta facilidade de armazenagem, tivemos o surgimento das casas especializadas em armazenar a reserva de valor, e cobrando por isso. Elas geravam recibos dos valores depositados com a finalidade de retirada futura do recurso. Com o passar do tempo, esses recibos se tornaram meios para a aquisição de bens e serviços, gerando assim o papel-moeda. Refletindo de forma prática, os recibos eram partes de papel, que intrinsicamente não valiam muito (pois não eram feitos de metal precioso), porém, nos recibos existia uma assinatura de alguma organização que garantia ao seu detentor a posse de uma quantidade de ouro ou outro metal precioso, conforme o conceito chamado de lastro-ouro ou padrão-ouro. Isso gerava o valor do recibo, mas também dependia da credibilidade do emissor. Com essa organização, as casas que armazenavam moedas e metais iniciaram a disponibilização de empréstimos de dinheiro, cobrando juros, dando assim origem aos bancos. 8 Ademais, para garantir a credibilidade do emissor da moeda, os governos se transformaram e assumiram o papel de emissores exclusivos, por meio do conceito de banco central. Observe que aquele padrão-ouro (do qual falamos anteriormente), atualmente não é mais utilizado, e que a moeda utilizada por nós continua a não possuir valor intrínseco. Mesmo assim, com a evolução da moeda e percebendo que esta não está mais lastreada em ouro, surgiram novos tipos de moeda, como os cartões de débito e crédito, o vale refeição, o vale transporte e até mesmo as moedas virtuais, como o bitcoin. A evolução da moeda e da economia é incrível. Existem outros conceitos relacionados à moeda. De acordo com Pereira (2013, p. 29), há três razões essenciais que fazem com que as pessoas utilizem a moeda: 1. A necessidade de realização de transações bancárias visando ao atendimento das demandas cotidianas, pois as pessoas precisam manter saldo em caixa e realizar depósitos à vista, necessitando ter dinheiro disponível na conta bancária; 2. Ter liquidez, que em outras palavras significa que as pessoas necessitam ter a moeda para realizar transações; 3. Para realizar especulação, pois como a moeda possibilita a reserva de valor, pode ser utilizada para acúmulo ou especulação. Devemos entender que a moeda sofre os efeitos da inflação ou mesmo da deflação. Explicando de forma simplificada, a inflação reduz o poder de compra da moeda, ou seja, significa que hoje com R$ 50,00 posso comprar 50 pães, mas daqui a 6 meses com os mesmos R$ 50,00 comprarei apenas 40 pães. Como sabemos, o Banco Central (Bacen) possui a responsabilidade de emissão monetária. Normalmente, ele pode agir visando dois objetivos. O primeiro seria financiar o déficit público, ou seja, ele emite moeda para que o governo pague suas dívidas (banco central fiscal ou orçamentariamente dominado). Todavia, isso gera uma consequência, e qual seria? Com o aumento 9 da oferta de moeda, ou seja, mais dinheiro circulando, a inflação pode crescer. O segundo objetivo seria visar a estabilidade da economia, buscando assegurar as metas da inflação (banco central independente). Percebe quanta evolução? Quando você utilizar um app, um caixa eletrônico ou seu cartão de crédito, lembre-se que foi um longo caminho para chegarmos até aqui. #ficaadicaPara saber mais sobre bitcoins acesse: <https://www.bitcoinbrasil.com.br/o- que-e-bitcoin>. TEMA 3 – INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA Agora que já conhecemos sobre a atividade econômica e a moeda, que tal pensarmos na intermediação financeira? Dentro da sociedade, o recurso dos poupadores pode ser aplicado em algo produtivo. Quando isso ocorre, chamamos de investir, ou seja, aumentar a capacidade produtiva com o uso dos valores poupados tanto próprios quanto de terceiros. Sendo assim, temos a fundação da intermediação financeira, baseada em poupadores e investidores. Então, de maneira simples, a intermediação financeira é receber o recurso dos poupadores e remunerá-lo, ou emprestar esse recurso a alguém, recebendo uma remuneração maior, para que deseja consumir ou ampliar a capacidade produtiva. Figura 1: Intermediação financeira Note que todos nós utilizamos esses intermediários. Quem são eles? Os bancos. Na figura anterior, temos duas transações distintas: uma de captação de recurso por meio do intermediário e outra de empréstimo de recurso também 10 do ponto de vista do intermediário. Cada uma das transações possui remunerações diferentes. Claro que quando o banco realiza um empréstimo utilizando o recurso de um poupador, ele cobrará uma taxa de juros maior do que pagará ao poupador. Por exemplo, de forma simples, se um poupador aplica seu dinheiro no banco, o banco oferece pagar 1% a.m. de juros. Até aqui tudo bem. O banco pega o dinheiro do poupador e o empresta para outra pessoa, entretanto, cobrando uma taxa de juros de 3% ao mês. Com isso, essa diferença entre as taxas de juros (de captação e de empréstimo), que seria de 2% é a remuneração do banco por intermediar tal operação financeira. A nomenclatura utilizada para denominar essa remuneração é o spread bancário. Inserido nessa remuneração, normalmente, estão considerados os custos administrativos, de tributos, assim como um prêmio de risco de inadimplência. Percebam que na intermediação financeira os conceitos da matemática financeira são fundamentais, principalmente o de juros compostos. Vale notar também que para ser um poupador é necessário evitar gastar recursos hoje para que se receba mais amanhã. Por exemplo, você prefere receber R$ 1000,00 hoje ou R$ 1100,00 daqui a um mês? Isso está baseado na ideia de que o dinheiro possui valor no tempo, pois R$ 100,00 hoje não valerão o mesmo que R$ 100,00 daqui a um ano devido à uma taxa de juros, que pode ser considerada um fator de correção. Além disso, devemos considerar também a inflação, que consiste no aumento geral dos preços. A título de conhecimento, é interessante saber que, normalmente, o governo define um regime de metas para a inflação. “E quem deve buscar manter a inflação na meta?” É atribuição do Bacen controlar a taxa de inflação seguindo um nível tratado entre os órgãos governamentais para o desenvolvimento do planejamento econômico existente. Compreendeu a intermediação financeira? Vamos agora tratar das duas formas de intermediação: direta e indireta. A forma direta ocorre quando a instituição financeira une os poupadores e investidores em um contato direto, realizando apenas um serviço. Logo, os poupadores e investidores negociarão suas taxas e condições. Já a forma indireta é a mais comum em nosso cotidiano. Ela acontece quando um poupador aplica recursos em um Certificado de Depósito Bancário (CDB) de um banco, desconhecendo quem utilizará aquele recurso, não existindo um contato direto entre o poupador e tomador. 11 Voltando a mencionar o spread dos bancos, é relevante sabermos da existência de um item adicional dentro da composição do spread bancário: é o empréstimo compulsório exigido pelo Bacen. Isso faz com que quanto maior seja o percentual compulsório maior será o spread. E o contrário também é válido: caso o percentual compulsório seja menor, o spread tende a ser reduzido. Além disso, normalmente, os bancos fazem parte do sistema bancário e se comunicam entre si frequentemente, realizando trocas de seus excessos e falta de dinheiro por meio do mercado interbancário. Isso quer dizer que os bancos fazem operações entre si. Um banco empresta dinheiro para outro banco por meio do mercado interbancário. Pense que, se um banco sofre com muitos saques em determinado período, outro banco deve receber muitos depósitos, pois o dinheiro circula e, boa parte, acaba em outras contas bancárias. Portanto, aquele que recebeu os depósitos poderá emprestar para o que teve saques. A taxa de juros praticada no mercado interbancário é a taxa interbancária, que de certo modo, é utilizada como referência para as taxas de juros da economia. Por exemplo, em algumas aplicações bancárias, a remuneração será de 95% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), ou seja, a taxa de juros será baseada na taxa interbancária. Notem que o Banco Central possui influência na intermediação econômica, e por isso, em nosso próximo tema veremos as políticas governamentais no que tange à economia. Outro fato relevante é que a intermediação financeira cria um mercado. Esse mercado é conhecido como o mercado financeiro, último tema de nossa aula. #ficaadica Para saber mais sobre os depósitos compulsórios, leia: <https://www.bcb.gov.br/htms/novaPaginaSPB/compulsorios.asp>. TEMA 4 – POLÍTICAS DO GOVERNO As políticas governamentais da área econômica, conforme Pereira (2013, p. 33), são diretrizes responsáveis que buscam a evolução da economia, sendo 12 a função da autoridade pública essencial para gerir o controle monetário, fiscal, de câmbio e de geração de renda. O governo pode influenciar diretamente na economia de diferentes formas; por exemplo, reduzindo o dinheiro em circulação, ou aumentando a taxa de juros. Isso causa um impacto na economia e em nós, pois nosso acesso ao dinheiro fica mais difícil e custoso. E por que o governo interfere na economia? Normalmente para manter a sociedade estabilizada e para incentivar o crescimento econômico, pois, comumente, isso gera empregos, riquezas e melhor qualidade de vida para a população, inclusive reduzindo problemas sociais. Para isso, o governo realiza diversas políticas. Basicamente, a política monetária realiza o controle da oferta de dinheiro na economia. Ela possui o intuito de criar diretrizes relacionadas ao controle e gestão da circulação da moeda e do crédito, com o intuito de atender as necessidades da economia do país. A política monetária possui uma ampla abrangência e influencia diversos tópicos essenciais como o equilíbrio e expansão econômica, geração de emprego e metas de inflação. Ela pode ser categorizada em restritiva e expansiva. A política monetária restritiva representa a atuação do governo em um conjunto de medidas com o intuito de controlar a liquidez do sistema econômico, de forma a diminuir o crescimento da liquidez (quantidade de moeda) e aumentar o custo dos empréstimos. O governo pode fazer isso de diversas maneiras: Recolhimento compulsório: o Bacen realiza a custódia de uma parcela dos depósitos recebidos das pessoas pelas instituições financeiras. Isso reduz a liquidez da economia. Assistência financeira de liquidez: normalmente o Bacen empresta recursos financeiros aos bancos comerciais. Caso nesses empréstimos o prazo seja reduzido e a taxa de juros elevada, a taxa de juros aplicada na economia terá um aumento, também resultando na redução da liquidez. Venda de títulos públicos: nessa operação, o Bacen retira moeda da economia, pois essa é substituída pelos títulos, resultando na diminuição da liquidez. 13 A política monetária expansiva, porsua vez, é retratada por diretrizes que visam a aumentar a quantidade de moeda em circulação e reduzir o custo dos empréstimos, com a redução da taxa de juros. Isso fará, comumente, com que o consumo e os investimentos aumentem. Seguindo a lógica inversa da política restritiva, o governo utiliza dos seguintes recursos para atuar: Diminuição do recolhimento compulsório; Assistência financeira de liquidez: aumento de prazos e redução da taxa de juros; Compra de títulos públicos. Lembra-se da taxa de juros interbancária? Ela é considerada a taxa de juros básica da economia, e o Bacen pode interferir nessa taxa interbancária por meio de sua mesa de operações no sistema interbancário. O Bacen, por meio do Comitê de Política Monetária do Banco Central (o COPOM) estabelece a taxa de juros básica da economia aproximadamente a cada 40 dias. Esta taxa também é chamada de taxa SELIC, e ela define a taxa interbancária, que será referência para que o Bacen realize a compra e venda de dinheiro no mercado interbancário. O Bacen possui muita força, e por isso, quando ele deseja fomentar a demanda da economia, ele reduz a taxa do mercado interbancário, basicamente aumentando o dinheiro disponível nesse mercado ou nos bancos, realizando a compra de títulos públicos que estavam em posse dos bancos. Ou ainda, reduzindo o percentual compulsório, que é exigido no sistema bancário. O oposto também pode ocorrer, caso o Bacen deseje desestimular a demanda na economia. É muito comum o Banco Central utilizar essas ferramentas para controlar a inflação, pois o aumento da demanda na economia poder aumentar a inflação, assim como o desestímulo econômico pode retrair a inflação. Seguindo adiante com as políticas do governo, temos a política fiscal, que se refere às ações e medidas governamentais com o intuito de corrigir seus níveis de gastos e a carga tributária, influenciando a economia, isto é, fazendo a gestão e alinhamento das receitas (oriundas dos tributos) e dos gastos governamentais a fim de atuar na atividade econômica. Ela é utilizada para 14 reduzir as tendências de depressão (recessão acentuada) ou inflação. O governo necessita de recursos para pagar suas contas, e quanto maior o governo e seus serviços, maiores são seus gastos. Por isso, o governo cobra impostos para "bancar" toda esta estrutura. Para analisarmos a arrecadação do governo, podemos relacioná-la ao PIB, entendendo que do PIB temos um percentual que foi "utilizado" para tributos do governo, pois de tudo o que se produz no país, uma parte vai para o governo, para que então, retorne à sociedade na forma de serviços e investimentos públicos. A política fiscal pode também ser classificada como restritiva e expansiva, seguindo a mesma lógica da política monetária. A política fiscal restritiva é colocada em prática quando existe uma demanda maior que a capacidade produtiva da economia, no chamado "hiato inflacionário". Isso consequentemente levará ao aumento da inflação, pois o mercado não consegue atender a todos reduzindo os estoques. Para isso, as seguintes medidas são implantadas: Redução dos gastos públicos; Aumento da carga tributária sobre os bens de consumo, realizando um desestímulo nesses gastos; Incentivando o aumento das importações, reduzindo barreiras e tarifas. Por outro lado, o governo utiliza a política fiscal expansiva quando existe uma demanda menor do que a produção de pleno emprego. De maneira similar, isso é chamado de "hiato deflacionário", pois existe grande quantidade de estoques, gerando a redução no quadro de colaboradores e de estoques. Por isso, para conter esse cenário de desemprego, o governo aplicaria as seguintes ações: Elevação dos gastos públicos; Redução da carga tributária, como estímulo para o consumo e investimentos; Aumento das tarifas e barreiras para as importações, "protegendo" a produção nacional. O governo tem muitas formas de influenciar a economia. Além dessas duas políticas (monetária e fiscal), o governo ainda adota a política cambial, entre outras. 15 A política cambial pode ser considerada o conjunto de medidas e orientações visando ao equilíbrio econômico por meio da alteração das taxas de câmbio e controle das operações de câmbio. A taxa de câmbio se refere ao valor de moedas estrangeiras mensurada na moeda nacional. Por exemplo, um dólar é equivalente, agora em março/2017, a aproximadamente R$ 3,15. Conforme definição do Banco Central (2016) temos que a política cambial "É o conjunto de ações governamentais diretamente relacionadas ao comportamento do mercado de câmbio, inclusive no que se refere à estabilidade relativa das taxas de câmbio e do equilíbrio no balanço de pagamentos. Agora que compreendemos, resumidamente, o cenário econômico, vamos conhecer o mercado financeiro inserido nesse contexto. #ficaadica Para saber quais as taxas em vigência: Taxa DI: <https://www.cetip.com.br/>; Taxa SELIC: <http://www.bcb.gov.br/Pec/Copom/Port/taxaSelic.asp>; Poupança: <http://www4.bcb.gov.br/pec/poupanca/poupanca.asp>. TEMA 5 – O MERCADO FINANCEIRO Aprendemos anteriormente, de forma sucinta, sobre os aspectos da atividade econômica e o que está relacionado a ela, inclusive as políticas governamentais. Agora, verificaremos o mercado financeiro. Como você deve saber, quando falamos em mercado, não é necessário a existência de um lugar específico. Ele pode ser virtual, como no caso da internet. Um mercado pode ser considerado como um processo em que existam pessoas querendo vender um produto ou serviço e pessoas que queiram comprar o que é oferecido. Trazendo esse conceito para a realidade financeira, temos que o mercado financeiro comercializa ativos financeiros, realizando a operação de intermediação financeira. Normalmente, quem compõe o mercado financeiro são poupadores (emprestadores) e tomadores de empréstimos. A remuneração pelo empréstimo 16 é conhecida como juros. Esse mercado permite a compra e venda de câmbio, valores mobiliários, mercadorias e outros ativos, mas grosso modo, é um mercado em que o dinheiro é comercializado. Com base na abrangência do mercado financeiro, há uma classificação, normalmente de uso didático. Figura 2: Classificações do mercado financeiro Mercado de crédito: é utilizado para atender necessidades de tomada e concessão de crédito de curto e médio prazo. Nele existem duas partes: a credora e a devedora. Normalmente a parte devedora são empresas que necessitam de capital de giro ou ativos permanentes, ou então são pessoas financiando seu consumo. É o mercado que acessamos quando precisamos financiar um carro, um imóvel ou ainda nossos gastos com o crédito rotativo do cartão de crédito. No mercado de crédito podemos apresentar como exemplo diversos produtos: cheque especial, empréstimo pessoal, leasing, hot money, desconto de recebíveis, operações de compror e vendor. Mercado monetário: é utilizado para negociações de curtíssimo e curto prazo, tendo como intuito o controle da liquidez dos meios de pagamento da economia. Há diversas ferramentas que o Bacen utiliza para isso. Podemos considerar que suas operações envolvem títulos do Tesouro Nacional, certificados de depósito interbancários, entre outros produtos. Mercado Financeiro Mercado Cambial Mercado de Crédito Mercado Monetário Mercado de Capitais 17 Mercado de câmbio: é o mercado que realiza operações de câmbio, ou seja, compra e venda de moedas estrangeiras. Nesse mercado, o Bacen também pode atuar comprando e vendendo moeda a fim de controlar ataxa de câmbio, por meio de oferta e demanda. Mercado de capitais: é o mercado que realiza operações de valores mobiliários (debêntures, ações e outros), gerando liquidez aos títulos emitidos por empresas, permitindo o processo de capitalização destas. Seu intuito é de criar um fluxo de capital das poupanças da sociedade direcionado para a indústria, comércio e demais atividades econômicas. Realiza operações de médio, longo e prazo indeterminado. Normalmente, possuem um ambiente de comercialização chamado de bolsa de valores. Alguns autores ainda citam outras classificações do mercado financeiro, mas podemos considerar as quatro mencionadas anteriormente como as principais. Compreende a abrangência e complexidade do mercado financeiro? É importante conhecê-lo, pois como gestor financeiro você deve acessá-lo sempre que necessário, tanto para realizar investimentos quanto para captar recursos, que são fundamentais para garantir a expansão e perenidade das empresas. Lembrando que nós, como gestores financeiros, devemos buscar o acesso ao capital de menor custo, pois isso poderá gerar um aumento de resultado da organização. Verificaremos que esse grupo de instrumentos e instituições atreladas ao mercado financeiro formam o sistema financeiro, tema de nossa próxima aula. TROCANDO IDEIAS A área econômica e financeira demanda muita leitura e informação. Por isso, na condição de gestores financeiros recomendamos a leitura diária de veículos de comunicação sobre economia e finanças, assim como o cadastro em blogs de seu gosto para receber atualizações do meio econômico. Outro fator importante, é o relatório Focus do Bacen, disponibilizado semanalmente por essa instituição. Nele constam projeções da inflação, taxa de juros e PIB, fatores que são fundamentais para a análise econômica. É possível acessá-lo em: <https://www.bcb.gov.br/pec/GCI/PORT/readout/readout.asp>. Lembre-se de que para se gerir qualquer empresa é necessário tomar decisões e realizar o planejamento com base em informações. 18 SÍNTESE Como vimos, para se ter a atividade econômica de forma ativa, é necessária a atuação dos agentes econômicos: famílias, empresas, governo e setor externo. Para facilitar a troca e movimentação de recursos, a sociedade criou a moeda, que evoluiu de diversas formas. Dentro dos grupos de agentes existirão os poupadores e os tomadores de empréstimos, necessitando então da intermediação financeira para unir essas duas “pontas”. Logo, para controlar essas operações financeiras e influenciar diretamente sobre a economia, o governo se utiliza de diversas políticas (monetária, fiscal e cambial) para estabelecer seus interesses de controle da inflação e equilíbrio econômico. Com isso, o mercado financeiro, que comercializa ativos financeiros, além de receber influência governamental, pode ser classificado em quatro tipos: mercado cambial, mercado monetário, mercado de crédito e mercado de capitais. REFERÊNCIAS BANCO CENTRAL DO BRASIL. Disponível em: <https://www.bcb.gov.br>. Acesso em 23: mar. 2017. KERR, R. B. Mercado financeiro e de capitais. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011. PEREIRA, C. L. Mercado de capitais. Curitiba: InterSaberes, 2013. TEBCHIRANI, F. R. Princípios de economia micro e macro. Curitiba: Ibpex, 2008. MECANISMOS DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS AULA 2 Prof. Alfredo Beckert Neto 2 CONVERSA INICIAL Olá! Estamos entrando em nossa segunda rota de conhecimento. Fique bem à vontade, se estique e relaxe para que o aprendizado seja ainda melhor! Na rota anterior, vimos nossas bases conceituais, desde a atividade econômica até o mercado financeiro. Agora, seguiremos em frente. Esta rota será fundamental para compreendermos as próximas e, por isso, pedimos uma atenção especial a ela. Abordaremos diversos assuntos, todos relacionados com o Sistema Financeiro Nacional (SFN). Iniciaremos com o estudo de sua estrutura. Depois, conheceremos os órgãos normativos desse sistema. Além disso, analisaremos tanto as entidades supervisoras, quanto os operadores inseridos no SFN. Para finalizar, conversaremos sobre a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que é uma entidade supervisora desse sistema. Aproveite para parar e refletir durante os pontos que considerar interessantes nas aulas, pois podemos criar associações e, consequentemente, gerar novas ideias – e isso é ótimo! Desejamos a você um excelente estudo! CONTEXTUALIZANDO Imagine se você pudesse controlar todo o sistema financeiro de um país. Seria necessário criar diversos órgãos tanto para normatizar e regular quanto para supervisionar, fiscalizar e operar tal sistema, inclusive para cada segmento de mercado. É com essa estrutura que o governo consegue realizar todas essas atividades e é por meio dela que o governo consegue influenciar a economia para atender seus interesses e objetivos. Portanto, conhecer como funciona o sistema e as instituições que fazem parte dele significa entender quem dita as regras do “jogo” econômico e financeiro. PESQUISE Conhecimento nunca é demais: vamos pesquisar sobre como o sistema financeiro brasileiro está estruturado. Será que a previdência complementar e os seguros se encaixam dentro desse sistema? Em caso positivo, todos eles devem 3 seguir as regras impostas pelos órgãos normativos. Por isso, é importante conhecermos todos os elementos do sistema financeiro nacional. TEMA 1 – ESTRUTURA DO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL Agora que já conhecemos um pouco mais a economia e o mercado financeiro, o que seria o Sistema Financeiro Nacional (SFN)? Segundo Kerr (2011), o SFN “é composto pelo conjunto de instituições e instrumentos financeiros que atuam no mercado com intuito de intermediar as transações entre os agentes econômicos superavitários e agentes econômicos deficitários.” Portanto, o SFN é formado de instituições responsáveis pela captação de recursos financeiros, distribuição e circulação de valores, assim como pela regulação desse processo. Simples assim. Para o bom funcionamento do mercado financeiro é necessária uma estrutura segura e confiável. Podemos considerar então que a função principal do SFN é estruturar o mercado financeiro. Conforme vocês imaginam, para atender o sistema, existem inúmeras instituições, e conheceremos cada uma delas nesta aula. De acordo com Pereira (2013, p. 59), o SFN é um dos segmentos mais regulamentados do mundo, pois é função do governo aumentar o volume de informação disponível aos participantes, garantindo assim que o sistema funcione de maneira adequada, melhorando o controle tanto sobre a oferta quanto sobre a demanda da moeda. O SFN possui uma estrutura organizada em órgão normativos, entidades supervisoras e operadores, conforme estrutura a seguir: 4 Quadro 1: Sistema Financeiro Nacional (SFN) Fonte: Baseado no site do Banco Central do Brasil. O Quadro 1 demonstra a estrutura do SFN hierarquicamente organizada da esquerda para a direita. Há três níveis de estruturas: órgãos normativos, entidades supervisoras e os operadores. Analisando também de forma vertical, temos três grandes blocos, um que se refere às atividades de intermediação financeira normatizado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), outro referente aos seguros privados e, por fim, o bloco que trata da previdência complementar. É importante saber que quando mencionamos sobre poupança, não nos referimos à caderneta de poupança, em que colocamos o dinheiro no banco rendendo X% ao mês. Poupança significa a disponibilidade de recursos que provêm da parcela não consumida da renda.Qualquer pessoa física ou jurídica que tenha uma poupança ou uma disponibilidade financeira pode efetuar um investimento, e pode fazer isso por meio dos operadores do mercado financeiro. 5 Em outras palavras: imagine que você é um poupador e que gostaria que seu dinheiro gerasse uma renda. Você pode recorrer a uma instituição financeira, pois ela aplicaria seu dinheiro com o compromisso de remunerá-lo de acordo com uma taxa ou índice. Claro que quem acabará arcando com essa remuneração será aquele que precisará do dinheiro emprestado pelo banco. Esse banco faz parte da categoria dos operadores do SFN, e ele é supervisionado pelo Banco Central, que por sua vez segue as normas do CMN. Ademais, podemos classificar o SFN em dois segmentos: normativo e operador. O segmento normativo é formado pelos órgãos normativos e entidades supervisoras, pois atuam normatizando e fiscalizando o sistema financeiro. Por sua vez, o operador é formado pelos operadores que realizam a intermediação financeira no SFN. TEMA 2 – ÓRGÃOS NORMATIVOS DO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL Agora que já conhecemos a estrutura do SFN, trataremos dos órgãos normativos do SFN. Primeiro, vamos definir o que é um órgão normativo. Normalmente, órgão normativo, como o próprio nome faz referência, é aquele que regula (cria normas) e controla o sistema ou subsistema. Há três órgãos normativos no SFN: Conselho Monetário Nacional (CMN), Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) e Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC). Vamos detalhar cada um dos conselhos. Conselho Monetário Nacional (CMN) Foi instituído pela Lei n° 4.595, de 31 de dezembro de 1964. Ele é considerado o maior poder deliberativo do SFN e possui a função de criar diretrizes e normas para que o este funcione de forma adequada. A abrangência das funções do CMN engloba a política monetária, fiscal, de crédito, entre outras, com o objetivo de gerar o progresso econômico e social do país. Além disso, ele deve criar a regulamentação das operações de crédito das instituições financeiras e da moeda, assim como do mercado de capitais. Fazem parte também de suas atribuições estabelecer as políticas de poupança e investimento, supervisionar suas reservas de câmbio e ouro, assim como o Bacen e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Segundo Kerr (2011, p. 15), dentro de suas competências ainda encontramos a de regular as condições de 6 criação, funcionamento e fiscalização das instituições financeiras. O ministro da fazenda é o presidente do CMN, que ainda é composto pelo ministro do planejamento, desenvolvimento e gestão e também pelo presidente do Bacen. Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) Foi criado pelo Decreto-Lei n° 73, de 21 de novembro de 1966. Este órgão tem como objetivo fixar as diretrizes e normas da política do segmento relacionado aos seguros privados, contratos de capitalização e previdência complementar aberta. Vamos entender cada um desses pontos. O mercado de seguros privados se refere aos serviços de proteção contra riscos. Os contratos de capitalização dizem respeito aos negócios em que o contratante deposita dinheiro para no futuro receber o que aplicou mais os juros e, ainda, concorrer a prêmios. Por fim, a previdência complementar aberta é uma forma de plano de aposentadoria, pensão ou poupança, sendo que ela funciona de forma diferente do regime geral de previdência. O presidente do CNSP é o ministro da fazenda. Além dele, fazem parte do conselho os representantes do Ministério da Justiça, do Ministério da Previdência Social, do Banco Central do Brasil e da Comissão de Valores Mobiliários, assim como pelo superintendente da Superintendência de Seguros Privados. Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC) Instituição criada pelo Decreto n° 7.123, de 3 de março de 2010. Sua atribuição é de regulação do regime de previdência complementar gerido pelas entidades fechadas de previdência complementar. Esse conselho é destinado a regular a previdência fechada, que é direcionada apenas para funcionários de organizações. Ela está inserida no segmento dos fundos de pensão, que atua com planos de aposentadoria, pensão ou poupança para servidores públicos, colaboradores de empresas e integrantes de associações ou entidades de classe. O presidente do CNPC é o ministro da previdência social. Além dele, o conselho é formado por representantes da Secretaria de Políticas de Previdência Complementar, da Superintendência Nacional de Previdência Complementar, da Casa Civil da Presidência da República, do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, do Ministério da Fazenda, das entidades fechadas de previdência complementar, dentre outros. 7 #ficaadica Para saber mais sobre os conselhos: CMN: <https://www.bcb.gov.br/?CMN> CNSP: <http://www.fazenda.gov.br/institucional/conselho-nacional-de- seguros-privados> CNPC:<http://www.previdencia.gov.br/a-previdencia/orgaos- colegiados/conselho-nacional-de-previdencia-complementar-cnpc/>. TEMA 3 – ENTIDADES SUPERVISORAS Agora que aprendemos sobre os órgãos normativos, vamos avançar para as entidades supervisoras. O objetivo das entidades supervisoras é trabalhar para que os integrantes do sistema financeiro e os cidadãos cumpram as regras que foram estabelecidas pelos órgãos normativos. Visualizando a estrutura do SFN, verificamos a existência de quarto entidades supervisoras: Banco Central do Brasil, Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Superintendência de Seguros Privados (Susep) e Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc). Diante dessas entidades, percebemos que para supervisionar os mercados de moeda, crédito, capitais e câmbio existem duas entidades distintas. Por isso, vamos saber mais sobre todas elas. Banco Central do Brasil (Bacen) Criado pela Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964. Pode ser considerado o principal executor das orientações do CMN. Além disso, possui como responsabilidade garantir o poder de compra da moeda. Como objetivos, podemos citar: Administrar a liquidez da economia; Gerenciar as reservas internacionais em nível adequado; Fomentar a formação de poupança; Buscar a estabilidade e realizar a melhoria contínua do sistema financeiro. 8 Conforme a Lei 4.595, as atribuições do Bacen são: Emitir papel-moeda e moeda metálica; Executar os serviços do meio circulante; Receber recolhimentos compulsórios e voluntários das instituições financeiras e bancárias; Realizar operações de redesconto e empréstimo às instituições financeiras; Regular a execução dos serviços de compensação de cheques e outros papéis; Efetuar operações de compra e venda de títulos públicos federais; Exercer o controle de crédito; Exercer a fiscalização das instituições financeiras; Autorizar o funcionamento das instituições financeiras; Estabelecer as condições para o exercício de quaisquer cargos de direção nas instituições financeiras; Vigiar a interferência de outras empresas nos mercados financeiros e de capitais; Controlar o fluxo de capitais estrangeiros no país. Diante de todas esses objetivos e atribuições, percebemos o quão importante é o Banco Central para a economia. Comissão de Valores Mobiliários (CVM) A CVM foi criada pela Lei nº 6.385, de 7 de dezembro de 1976, e possui como objetivos a fiscalização e normatização, além de disciplinar e desenvolver o mercado de valores mobiliários do país. A CVM é uma autarquia em regime especial, com personalidade jurídica e patrimônio próprio,vinculada ao Ministério da Fazenda e com autoridade administrativa independente. Conforme a Lei citada anteriormente, a CVM tem como objetivo: Fomentar a formação de poupança e sua aplicação em valores mobiliários; Promover a expansão e o funcionamento eficiente e regular do mercado de ações e estimular as aplicações permanentes em ações do capital social de companhias abertas sob controle de capitais privados nacionais; 9 Assegurar o funcionamento eficiente e regular dos mercados de bolsa e de balcão; Proteger os titulares de valores mobiliários e os investidores do mercado contra: Emissões irregulares de valores mobiliários; Atos ilegais de administradores e acionistas das companhias abertas ou de administradores de carteira de valores mobiliários; O uso de informação relevante não divulgada no mercado de valores mobiliários. Evitar ou coibir modalidades de fraude ou manipulação destinadas a criar condições artificiais de demanda, oferta ou preço dos valores mobiliários negociados no mercado; Assegurar o acesso do público a informações sobre os valores mobiliários negociados e as companhias que os tenham emitido; Assegurar a observância de práticas comerciais equitativas no mercado de valores mobiliários; Assegurar a observância, no mercado, das condições de utilização de crédito fixadas pelo Conselho Monetário Nacional. Além disso, a CVM, elabora informativos, estudos e pesquisas nos quais analisa elementos necessários para o estabelecimento de políticas e medidas visando a promoção do desenvolvimento do mercado. Ademais, ela poderá examinar registros contábeis, livros e documentos de pessoas físicas e jurídicas sujeitas à sua fiscalização, e até intimá-las a prestar declarações sob pena de multa, assim como requisitar informações de órgãos públicos, apurando infrações e aplicando penalidades. A CVM é, portanto, uma entidade com muito poder. Por isso, quando atuamos no mercado de capitais, devemos seguir as regras determinadas, senão teremos problemas. Como os seguros privados e a previdência complementar não são o foco do nosso estudo, as atribuições das superintendências relacionadas não serão descritas. Superintendência de Seguros Privados Esta superintendência foi criada pelo Decreto-Lei nº 73, de 21 de novembro de 1966. É o órgão que tem por responsabilidade o controle e 10 fiscalização dos mercados de seguro, capitalização e previdência privada aberta. Além disso, também é uma autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda. Superintendência Nacional de Previdência Complementar Foi instituída pela Lei nº 12.154/2009, com o objetivo de fiscalizar e supervisionar todas as entidades fechadas de previdência complementar, assim como de efetuar políticas para o regime de previdência complementar. É uma autarquia especial vinculada ao Ministério da Previdência Social. Você deve estar espantando com a quantidade de entidades, e realmente são muitas. Porém, são essas entidades que determinam todo o funcionamento do mercado financeiro e de capitais e inclusive as punições aos infratores. Por exemplo, para uma empresa listada na Bolsa de Valores que comete irregularidades, não cumprindo as regras da CVM e do CMN, a CVM pode determinar punições, como multas. Por isso, sempre esteja atento às normas e regulamentações que regem o segmento de mercado no qual trabalha. #ficaadica A CVM disponibiliza diversas informações das companhias de capital aberto, entre outras: <http://sistemas.cvm.gov.br/?CiaDoc>. TEMA 4 – OPERADORES Agora que já estudamos as entidades supervisoras, avançaremos para os operadores do SFN. Os operadores são compostos pelas instituições que atendem diretamente o público, tendo o papel de intermediário financeiro. São fiscalizados pelas entidades supervisoras e normatizados pelos órgãos normativos. Nosso enfoque será nas entidades que compõem o segmento de moeda, de crédito, de capitais e de câmbio; todavia, é interessante conhecermos os operadores relacionados aos mercados de seguros privados e de previdência complementar. Como operadores regulados pelo CNSP e sob a supervisão da Susep, temos três categorias de instituições: seguradoras e resseguradores, entidades abertas de previdência e sociedades de capitalização. Como operadores do segmento de previdência complementar, podemos citar as entidades fechadas de previdência complementar (fundos de pensão). 11 Vamos detalhar os operadores que atuam nos mercados de moeda, de capitais, de câmbio e de crédito. Nesse caso, temos duas categorias de operadores: aqueles que são supervisionados pela CVM e os que são supervisionados pelo Bacen. Considerando o mercado de capitais supervisionado pela CVM, existem dois tipos de operadores: a bolsa de valores e a bolsa de mercadorias e futuros. Bolsa de valores Conforme a Resolução do CMN nº 2.690, de 2000, a bolsa é composta por sociedades anônimas ou associações civis, com o intuito de manter um local ou sistema adequado ao encontro de seus membros e à comercialização de títulos e valores mobiliários entre eles, sendo em mercado livre e aberto, organizado e fiscalizado pela CVM. Além disso, a bolsa de valores possui autonomia financeira, patrimonial e administrativa. No Brasil, a BM&FBovespa atua mediante a supervisão da CVM. Ela também fornece diversas informações interessantes em seu site, inclusive apresenta a cotação e gráficos das ações das empresas listadas: (<http://www.bmfbovespa.com.br/pt_br/index.htm>). Bolsa de mercadorias e futuros Constituída por associações privadas civis que possuem como objetivo realizar o registro, a compensação e a liquidação física e financeira das operações de derivativos realizadas em um sistema eletrônico ou pregão. Também possuem autonomia financeira, patrimonial e administrativa, sendo supervisionadas pela CVM. Trataremos mais detalhadamente sobre a bolsa de valores e assuntos relacionados a ela nas próximas aulas. Corretoras São instituições financeiras credenciadas pelo Bacen, pela CVM e pela Bolsa. Possuem um papel importante para o usuário do SFN. São empresas credenciadas para negociar valores mobiliários em pregão. Elas também podem ser caracterizadas como intermediárias especializadas na execução de ordens e operações por conta própria e determinadas por seus clientes. Ademais, as corretoras prestam serviços como: Assessorar a abertura de capital e emissão de debêntures das empresas; 12 Intermediar operações de câmbio e renda fixa; Assessorar na seleção de investimentos. Ademais, as corretoras contribuem para um fundo de garantia mantido pelas bolsas de valores, que visa a garantir a seus usuários uma eventual reposição de títulos e valores negociados em pregão, assim como atender a outros casos que constam na legislação. Normalmente, as corretoras cobram taxas e percentuais mais atraentes que os bancos. Agora, com relação aos operadores bancos supervisionados pelo Bacen, existem diversas categorias, sendo banco múltiplo, comercial, de câmbio, de desenvolvimento e de investimento. Trataremos aqui de alguns bancos e outros operadores: Bancos múltiplos Foram estabelecidos pela Resolução do CMN nº 2.099, de 1994. São instituições financeiras públicas ou privadas e devem ser constituídos com, pelo menos, duas carteiras, sendo uma delas de banco de investimento ou comercial. Bancos comerciais Foram estabelecidos pela Resolução do CMN nº 2.099, de 1994. Eles são instituições financeiras públicas ou privadas com a finalidadeprincipal de disponibilizar recursos para o financiamento de curto e médio prazo dos setores de comércio, serviço, indústria e também à população. Ademais, como atividade exercida, eles realizam a captação de depósitos à vista ou a prazo. Cooperativas de crédito Instituições financeiras compostas por uma associação de indivíduos que desejam prestar serviços financeiros de forma a atender exclusivamente seus associados. Em uma cooperativa, os cooperados são ao mesmo tempo donos e usuários (clientes) da cooperativa, contribuindo com a sua gestão. Esse é um ponto interessante da cooperativa: quando você abre uma conta em um banco, você não ganha ações daquele banco, ou seja, você não é dono do banco. Já nas cooperativas, quando você abre uma conta, você também se torna associado e dono. 13 Bancos de investimento Instituídos pela Resolução do CMN nº 2.624, de 1999, são instituições financeiras privadas especializadas em operações de participação societária de caráter temporário, de gerenciamento de recursos de terceiros, assim como de financiamento de capital fixo e de giro. Bancos de desenvolvimento Instituídos pela Resolução do CMN nº 394, de 1976, são instituições financeiras controladas pelos governos estaduais. Possuem como objetivo disponibilizar adequadamente recursos necessário para o financiamento, de médio e longo prazo, de projetos que tenham como intuito a promoção do desenvolvimento econômico e social do estado. Bancos de câmbio Determinados pela Resolução do CMN nº 3.426, de 2006, eles são instituições financeiras autorizadas a negociar tanto operações de câmbio e operações de crédito vinculada às de câmbio, quanto financiamentos, operações de importação e exportação e adiantamentos sobre contratos de câmbio. Ou seja, eles são autorizados a realizar operações que envolvam moedas estrangeiras. Caixa Econômica Federal Criada em 1861, está regulada pelo Decreto-lei nº 759, de 12 de agosto de 1969. É uma empresa pública vinculada ao Ministério da Fazenda. Assim como um banco múltiplo ou comercial, ela realiza operações de depósitos à vista e com cadernetas de poupança, priorizando a concessão de empréstimos e financiamentos para as áreas de saúde, assistência social, educação, trabalho, entre outras. É importante ressaltar que existem inúmeros operadores supervisionados pelo Bacen, mas que não são instituições bancárias. Como exemplo, podemos citar: agências de fomento; associação de poupança e empréstimo; companhia hipotecária; sociedade de crédito, financiamento e investimento; sociedade de crédito imobiliário; sociedade de arrendamento mercantil e sociedade de crédito ao microempreendedor. 14 As administradoras de consórcios e corretoras são instituições que também estão sob supervisão do Bacen. Notem que conforme a definição, todos nós temos acesso aos serviços financeiros por meio dos operadores. Então, se por acaso você tiver problemas com a bolsa de valores, saiba que ela é supervisionada e disciplinada pela CVM e, por isso, é possível protocolar reclamações no próprio site da CVM. Com isso, concluímos esta apresentação das organizações que compõem o SFN e seu funcionamento. É bastante informação, correto? Mas lembre-se que quando necessitar de informações sobre o SFN, o próprio Bacen disponibiliza em seu site. TEMA 5 – SISTEMAS E CÂMARAS DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA Após conhecermos um pouco mais sobre o SFN, abordaremos um assunto menos conhecido, mas essencial para o mercado de capitais: os sistemas e câmaras de liquidação e custódia. Primeiramente, acreditamos ser importante compreendermos sobre liquidação e custódia. A liquidação pode ser considerada como o pagamento e/ou a extinção de uma dívida (obrigação). Já a custódia possui o significado de guarda e proteção. Logo, percebemos que a função dos sistemas e câmaras que abordaremos é a de pagamento e guarda de algum ativo. Portanto, segundo Pereira (2013, p. 69), o sistema de liquidação e custódia objetiva a organização da transferência e liquidação dos títulos públicos e privados negociados no mercado financeiro. Para entender o papel dessas organizações, imagine que você adquiriu ações de uma empresa listada na bolsa de valores. Você recebe essas ações e guarda em seu cofre? Não. E se você comprar ouro no banco, você recebe o metal e o guarda em um cofre? Também não. Hoje, você paga pelo serviço de custódia, ou seja, pela guarda e proteção das suas ações e do ouro. Além disso, quem garante que o registro da ação está em seu nome? O sistema de liquidação e custódia. Atualmente, você acessando o sistema verificará quantas ações possui e de quais empresas. Se quiser vender as ações, a operação 15 também será realizada via sistema. Felizmente estamos bem avançados quanto a isso: os sistemas facilitaram e tornaram os processos muito mais rápidos e eficientes. A seguir veremos quais são os principais sistemas do mercado financeiro. Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) O SELIC é o depositário central dos títulos que formam a dívida pública federal interna, e que são emitidos pelo Tesouro Nacional, realizando o processamento, emissão, resgate, pagamento e a custódia destes títulos. Por isso, quando você compra títulos públicos federais, o SELIC entra em cena para realizar o processamento e as outras atividades derivadas da compra. Podemos citar que os títulos mais importantes custodiados pelo SELIC são: Tesouro IPCA+ (NTNB), Tesouro Prefixado (LTN) e o Tesouro Selic (LFT). Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos (Cetip) A Cetip é a integradora do mercado financeiro, sendo uma empresa de capital aberto que disponibiliza serviços de registro, central depositária, negociação e liquidação de ativos e títulos, principalmente títulos e valores mobiliários de renda fixa. Vale lembrar que ela realiza o processamento daquelas transferências bancárias que fazemos no dia a dia – o TED e o DOC – e ainda registra os CDBs (Certificado de Depósito Bancário) e títulos de renda fixa, além de muitos outros serviços. Quando você aplica recursos em um CDB ou LCI, por exemplo, é interessante saber que, para garantir que a corretora ou banco registrou em seu nome os títulos que você adquiriu, quem poderá fornecer essa informação é a Cetip. Inclusive existe um site que permite uma consulta quanto aos registros vinculados ao CPF ou CNPJ: <https://www.cetipmeusinvestimentos.com.br/marketing>. Diferente do SELIC, os títulos, privados de renda fixa custodiados na Cetip são: as debêntures (títulos emitidos por empresas), CDBs (títulos emitidos por bancos), LCI e LCA (Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio, emitidos por bancos), Letras Hipotecárias e outros. Notem que existem inúmeros produtos no mercado financeiro e que muitas vezes não temos conhecimento. Claro que o gestor financeiro deve conhecer boa parte deles para que possa realizar investimentos (lado esquerdo do balanço patrimonial, ativo, bens e direitos) e 16 captar recursos (lado direito do balanço patrimonial, passivo, obrigações) de forma a aumentar o resultado e garantir a perenidade da organização. Câmara de Ações ou Antiga Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) É a responsável pela liquidação das operações no mercado de ações, assim como a compensação, liquidação, custódia e controle de risco para mercados à vista, a termo e de opções, sobre os quais conversaremos nas próximas aulas. Por isso, trabalha em função da BM&FBovespa. Ela realiza a custódia das ações das empresas S/A de capitalaberto, debêntures, certificados de privatização, cotas dos fundos imobiliários e outros. Por isso, quando você compra ações de uma empresa, quem realizará a custódia dessas ações será a Câmara de Ações, e será nela que você deverá consultar se a corretora ou banco realizou a compra das ações solicitadas. Pensando em compensação, liquidação e resgate de títulos e ações, é importante conhecermos uma forma utilizada pelo mercado que determina o período da liquidação: o termo D+0, D+1, D+2 e assim por diante. Essa sigla representa em quanto tempo o dinheiro estará disponível. Por exemplo, em D+0, significa que a partir da minha solicitação de resgate, o recurso estará disponível no mesmo dia. Já o D+2, significa que o dinheiro será disponibilizado apenas dois dias após minha solicitação. Conhecemos nesta aula muitas entidades e nomenclaturas: sim, o sistema financeiro é complexo e organizado. Mas não se preocupe, esses conceitos são bases para as próximas aulas e nelas estudaremos sobre informações e processos que estão ou podem estar mais próximos do nosso cotidiano. Mesmo assim, observe que o mercado financeiro oferece muitos produtos para as duas “pontas”: tanto para quem precisa de capital, quanto para os poupadores. Pensando no âmbito corporativo, isso contribui com o desenvolvimento das empresas, pois uma empresa que precisa investir, mas não possui recursos, pode buscar capital no mercado financeiro. Por outro lado, uma empresa que possui caixa e não tem planos de investir esse capital em sua própria operação, pode investir neste mesmo mercado financeiro. Como sabemos, o dinheiro possui valor no tempo, e mantê-lo parado na conta corrente 17 ou no caixa significa deixar de ganhar receitas financeiras. Ele deve ser aplicado – ao menos no mercado financeiro. Diante do que aprendemos, podemos imaginar o tamanho desse mercado colossal e do montante movimentado diariamente. Por isso, é necessário que o SFN seja muito organizado e estruturado, e forneça segurança e eficiência para contribuir com o desenvolvimento econômico do país. #ficaadica Hoje o Tesouro Nacional possui um app para que qualquer pessoa cadastrada possa comprar e vender títulos públicos federais. Para saber mais, acesse <http://www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro-direto#menu>. TROCANDO IDEIAS Caro aluno, não hesite em buscar o conhecimento. Aproveite os buscadores de conteúdo e a internet, que nos permite o acesso aos mais diversos conhecimentos de forma rápida e eficiente. Além disso, a própria internet fornece sistemas gratuitos para acompanhamento dinâmico de informações e que realizam análises automáticas. Se ficou com alguma dúvida ou querendo saber mais de um determinado assunto, vá buscar esse conhecimento. Quando necessitar conhecer as normas e funcionamento de alguma instituição do SFN, busque a legislação vigente. O próprio site do Banco Central do Brasil possui inúmeras informações. Portanto, quando algum banco ou instituição oferecer algum produto do mercado financeiro que você não conheça, busque a informação, ainda mais que de tempos em tempos surgem novos produtos e serviços. É importante que você, gestor financeiro, saiba melhor do que ninguém em quais produtos investir o seu dinheiro ou o dinheiro da empresa sob sua gestão, pois você conhece a fundo os objetivos pessoais e empresariais. Muitos gestores acabam pagando e terceirizando essa atividade tão importante. Por essa razão, vá em busca do conhecimento para que você não dependa de terceiros para investir, ou mesmo para realizar a captação de recursos. 18 SÍNTESE Como vimos nesta Rota, o Sistema Financeiro Nacional é uma estrutura complexa formada por diversas instituições e que possui como objetivo organizar e controlar todo o mercado financeiro. Dentre as instituições que formam o SFN, temos os órgãos normativos, que criam as normas e diretrizes para o sistema funcionar. Abaixo deles, estão as entidades supervisoras, que têm como finalidade realizar a supervisão e o controle dos operadores, e verificar se estão seguindo as normas determinadas pelos órgãos normativos. Por fim, na estrutura do SFN, temos os operadores, que são as instituições que realizam o atendimento do público em geral, para que tenham acesso ao mercado financeiro. Como operadores, temos as instituições mais populares, que são os bancos, a bolsa de valores, as seguradoras, entre outros. Como último assunto de nossa aula e que está diretamente ligado ao mercado financeiro, vimos a atuação dos Sistemas e Câmaras de Liquidação e Custódia, que, de modo sucinto, realizam o registro, compensação, liquidação e custódia de títulos e outros ativos. REFERÊNCIAS BANCO CENTRAL DO BRASIL. Disponível em: <https://www.bcb.gov.br>. Acesso em: 24 mar. 2017. KERR, R. B. Mercado financeiro e de capitais. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011. PEREIRA, C. L. Mercado de capitais. Curitiba: Intersaberes, 2013. MECANISMOS DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS AULA 3 Prof. Alfredo Beckert Neto 2 CONVERSA INICIAL Olá! Seja bem-vindo à nossa terceira rota de aprendizagem. Vamos iniciar mais um assunto: “financiamento de empresas e o mercado acionário”. Sabemos que as empresas precisam de capital para investir ou mesmo para fazer suas operações “girar”. Por isso, nesta rota veremos os aspectos que envolvem do financiamento de empresas até sua captação de recursos no mercado de capitais, por meio de debêntures e ações. Além disso, esses produtos podem ser formas de investimento, tanto para empresas quanto para pessoas físicas compradoras. Iniciaremos pelo detalhamento sobre o mercado de capitais, para assim conversarmos sobre o financiamento de empresas. Depois disso, abordaremos as debêntures e ações de empresas. Para finalizar a rota, discutiremos sobre o mercado primário e mercado secundário. Aproveite para parar e refletir durante os pontos que considerar interessantes durante a aula, pois podemos criar associações e, consequentemente, gerar novas ideias. Desejamos a você um ótimo estudo! CONTEXTUALIZANDO Sabemos que diariamente o mercado de capitais movimenta bilhões de reais no Brasil. Com o aumento da complexidade das operações de capitais devido à globalização e à maior competição nos mercados, o maior desafio se encontra em proporcionar o acesso às informações e a comercialização dos produtos, de forma rápida e eficiente. Porém, isso não é tarefa fácil. E quais seriam esses principais produtos do mercado de capitais? As debêntures e as ações de empresas. Caso uma empresa necessite de capital para realizar sua expansão e investir em suas operações, estes dois produtos possibilitam essa captação de capital. O primeiro por meio de títulos de dívida, e o outro por meio da venda do capital da empresa. Por outro lado, uma pessoa física ou jurídica poderá adquirir essas ações e debêntures como forma de investimento, visando tanto à valorização das ações e o recebimento de dividendos, como à remuneração de juros das debêntures. Diante disso, é interessante que o gestor financeiro conheça todos os produtos existentes no 3 mercado financeiro, tanto de captação de recursos como de investimento, para selecionar o mais adequado à sua realidade e aos seus objetivos, favorecendo assim sua estratégia e a melhora no resultado da organização. Pesquise Vamos buscar entender sobre como as empresas realizam seu financiamento: quais são os produtos mais acessados? E as empresas S.A. de capital aberto: como elas realizam a captação de recursos no mercado de capitais? Podemos também buscar o porquêde usar o mercado de capitais em ambos os lados: captador ou investidor. Isso nos fará compreender um pouco mais sobre esse mercado e seus produtos. TEMA 1 – FINANCIAMENTO DE EMPRESAS Imagine que você é o gestor financeiro de uma empresa, e está sendo indagado pelo presidente sobre se seria possível captar 10 milhões de reais para o desenvolvimento de um novo projeto. Você teria a obrigação de levantar as opções que a empresa possui para tal captação, assim como suas consequências, custo, prazos e exigibilidades. Percebeu a responsabilidade? Esse tipo de necessidade de captação é muito comum nas empresas, pois elas precisam investir constantemente, tanto em busca de expansão quanto para manter suas operações em funcionamento e capital de giro. O gestor financeiro possui dois tipos de recursos para captar: capital próprio ou capital de terceiros. Para captar capital próprio, ele terá que convencer e provar para os sócios da empresa quanto à necessidade desse capital e, ainda dependerá do fato de se estes sócios possuem capital disponível. Quanto ao capital de terceiros, o gestor financeiro pode buscar no mercado financeiro, tanto de crédito quanto de capitais. Podemos pensar que o capital de terceiros é pior, pois a empresa ficará endividada, mas nem sempre é assim, pois os proprietários dividem o risco da empresa com terceiros. E lembre-se, a empresa sempre estará endividada, tendo como credores os sócios e terceiros, ou você acha que os sócios não querem ser remunerados por meio de juros e de outras formas? Você, como gestor financeiro, deve compreender que as decisões de investimento devem estar associadas às decisões de financiamento e levantar possibilidades de captação é fundamental para obter o capital mais próximo dos 4 termos desejados, resultando assim em uma melhor gestão financeira e, consequentemente, em melhores resultados. Pensando em financiamento com capital de terceiros, o mercado de crédito oferece muitos produtos, como operações de compror, vendor, linhas de capital de giro, linhas subsidiadas pelo BNDES, financiamentos para exportação e importação, entre muitos outros produtos. Por outro lado, o mercado de capitais possibilita a captação de recursos por meio da emissão de títulos de dívida e a venda de ações da organização, resultando assim na diminuição da participação do capital da empresa dos acionistas. Normalmente, essas formas são acessíveis e utilizadas por empresas de grande porte. No entanto, já existem meios para que organizações menores consigam captar recursos com base no mercado de capitais. Claro que o gestor deve levar em conta os aspectos que envolvem o custo do capital (juros, impostos e taxas), prazos e formas de pagamento, garantias e, em alguns casos, o sistema de amortização. Existem também outros terceiros que podem facilitar ou até mesmo auxiliar no financiamento de empresas: o governo e fornecedores. Vamos imaginar que você, como gestor financeiro de uma nova operação, necessita levantar capital de acordo com a seguinte estrutura: Capital de giro............................. R$ 900.000,00 Obras e máquinas.................... R$ 2.000.000,00 Pesquisa e desenvolvimento....... R$ 700.000,00 Marketing..................................... R$ 900.000,00 Analisaremos o capital de giro. Essa rubrica é necessária, principalmente, para cobrir o ciclo financeiro, ou seja, se vendemos nossos produtos em até 90 dias para o cliente pagar e pagamos o fornecedor em 60 dias, temos 30 dias de necessidade de capital de giro. Caso você consiga financiar esse capital de giro a um custo de 2,5% de juros a.m., vale a pena analisar com seus fornecedores se consegue negociar um prazo maior, tal como 90 dias, e inclusive, podemos oferecer pagar um valor de 1% a mais. Resumindo a ideia, se os fornecedores oferecem prazos para pagamento, significa que eles estão “emprestando” capital para sua operação, e quanto melhor for a negociação, menos capital de giro será necessário. 5 Com relação ao governo, devemos analisar a possibilidade de utilização de benefícios fiscais, e inclusive de linhas de capital não reembolsáveis. Isso poderia reduzir drasticamente a necessidade de capital na rubrica pesquisa e desenvolvimento. Em resumo, há uma certa complexidade para financiar os investimentos e operações das empresas, visto que existem diversas formas e produtos para realizar isso. O mercado oferece soluções de curto, médio e longo prazo que podem saciar as necessidades das organizações. Todavia, note que o gestor financeiro deve conhecer exatamente o montante de capital que necessita para seu projeto, pois a falta de capital pode fazer com que o projeto não se desenvolva e a sobra de capital financiado pode gerar uma redução nos resultados devido à despesa financeira, gerando assim uma menor rentabilidade para os sócios e/ou acionistas. TEMA 2 – O MERCADO DE CAPITAIS Mais uma vez nosso tema é mercado financeiro – mais especificamente, mercado de capitais. Imagine que você ou sua empresa estão com dinheiro em caixa "sobrando", ou seja, sem destinação; por isso, você pensa em investir no mercado de capitais. Logicamente, antes de realizar o investimento, é necessário conhecer o mercado, seus produtos e como as regras funcionam. Em alguns países a cultura de aplicar no mercado de capitais é bem difundida, inclusive entre pessoas físicas, como ocorre nos Estados Unidos. Nos últimos anos, com o crescente acesso à informação, o Brasil tem visto aumentar a procura pela compra de ações pela população em geral. Por outro lado, empresas que necessitam de capital para expandir suas operações. Podem, por exemplo, verificar a possibilidade de entrada no mercado de capitais para captar recursos financeiros. O mercado de capitais é o mercado no qual se comercializam valores mobiliários, como ações, debêntures, commercial papers, derivativos, opções de compra de valores mobiliários, quotas de fundos imobiliários, entre outros produtos, que permitem a circulação de capital para custear o desenvolvimento econômico. Pode ser definido, conforme BM&FBovespa (2010, p.7), como “um sistema de distribuição de valores mobiliários que tem o propósito de 6 proporcionar liquidez aos títulos de emissão de empresas e viabilizar o processo de capitalização”. Esse mercado é constituído pelas corretoras, bolsas, agentes de liquidação e custódia de títulos e outras instituições financeiras autorizadas. Segundo Pereira (2013, p. 82), os títulos de valores mobiliários são caracterizados por alterarem de nominação de um investidor para o outro, sendo considerados então como ativos móveis. O autor também menciona que o desenvolvimento do mercado de capitais foi impulsionado pela redução no custo de captação de recursos, visto que o mercado de crédito oferecia custos mais altos em relação ao mercado de capitais; inclusive, em alguns casos o credor se transforma em acionista da empresa. Ademais, o mercado de crédito permitiu a ascensão do mercado de capitais quando não atendeu às necessidades das empresas no que se refere a condições em termos de custos, prazos e outras exigências. Sendo assim, este mercado incentiva o crescimento da poupança, pois quanto maior o nível de poupança, maior será a disponibilidade para investir. Por isso, tanto pessoas físicas quanto jurídicas são consideradas como fontes do financiamento dos investimentos de uma nação. Com os investimentos, desenvolve-se o crescimento econômico, assim como se propicia o aumento de renda, gerando uma espécie de ciclo. Portanto, quanto mais as empresas crescem, mais recursossão necessários, sendo que esses recursos normalmente são captados por meio de empréstimos de terceiros, participação dos acionistas e reinvestimento de lucros. No mercado de capitais, temos como agente mais importante as sociedades anônimas (S.A.) de capital aberto, consideradas emissores. Como intermediários, por exemplo, existem os bancos de investimento, administradores de carteiras e corretores de mercadorias, de títulos e valores mobiliários. Neste mercado, os investidores dividem-se em duas categorias: • Individuais ou particulares: indivíduos ou empresas que atuam diretamente comprando e vendendo no mercado; 7 de capitalização, sociedades seguradoras, clubes de investimento e entidades de previdência privada. Há ainda um outro conceito importante, que é o de mercado de balcão, que se refere à comercialização dos valores mobiliários “por fora” da bolsa de valores. Ou seja, é o mercado em que são negociadas a compra e venda dos títulos e de outros produtos de forma direta, entre o comprador e o emissor ou vendedor, ou ainda existindo a intermediação de alguma instituição financeira, mas sem operações dentro da bolsa de valores. É importante ressaltar que o mercado de capitais, de um modo geral, ou seja, na maioria de seus produtos, não oferece ao investidor rentabilidade garantida. E como não oferecem garantia de retorno, devem ser considerados investimentos de risco. Outro ponto importante no mercado de capitais é que a rentabilidade passada não garante rentabilidade futura. Por exemplo, se você comprou ações da Petrobrás no mês passado e seu valor subiu 10%, isso não garante em nada que no mês seguinte também ocorrerá um aumento, podendo inclusive existir a redução do valor. Por isso, esse tipo de aplicação é considerado como de renda variável. Vale lembrar que o mercado de capitais é supervisionado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e seus produtos, em grande parte, são negociados pelas bolsas de mercadorias e futuros, assim como as bolsas de valores. Por isso, para uma organização ou mesmo pessoa física ter acesso ao mercado, são seguidas diversas normas e regras, que visam ao bom funcionamento do mercado. As empresas S.A. normalmente utilizam-se dos principais papéis mobiliários para captar recursos: as ações e as debêntures. Abordaremos estes dois papéis nos próximos temas. • Institucionais: pessoas jurídicas que administram e movimentam grandes montantes de capital dentro do mercado financeiro, sendo esse capital de outras pessoas. Exemplos: fundos de investimento, sociedades 8 TEMA 3 – DEBÊNTURES Imagine uma empresa de capital aberto listada na bolsa precisando captar recursos no mercado para desenvolver um novo segmento. Essa organização pode emitir títulos de dívida de médio e longo prazo. A empresa define as condições, juros de remuneração, prazos e coloca os títulos para comercialização. Quem tiver interesse nas condições definidas poderá comprar esses títulos – simples assim. Claro que esse título oferece risco, visto que a empresa poderá não pagar ao comprador no vencimento do título. Por isso, existem agências que classificam o risco das empresas, sendo as três principais: Standard & Poor's, Fitch e Moody's. Contudo, vamos seguir com as definições de debêntures. De acordo com Kerr (2011, p. 87), “[...] debêntures são valores mobiliários representativos de dívida de médio e longo prazos, com privilégio geral sobre os bens sociais ou garantia real sobre determinados bens emitidos por sociedades anônimas no mercado de capitais”. É uma emissão de título privado que tem por intuito financiar projetos de investimento ou reestruturar e alongar o perfil da dívida da organização. Para ficar claro, a debênture gera o direito ao comprador de receber uma remuneração do emissor (normalmente juros) e, periodicamente ou quando o título vencer, receber também o valor investido (principal). Ela pode ser emitida por S.A. de capital aberto ou fechado. Ademais, as especificações das debêntures constam em sua escritura de emissão, que inclusive poderá citar a destinação dos recursos captados. É interessante salientar que as debêntures são uma das formas mais antigas de captação de recursos via títulos no Brasil. Mesmo assim, ela não é massivamente difundida. Cada empresa pode fazer diversas emissões, sendo que cada emissão pode ser classificada em séries. Quando mencionamos debêntures da mesma série, significa que elas possuem o mesmo valor nominal, assim como disponibilizam os mesmos direitos aos titulares. Outro ponto interessante é que as debêntures podem ter o prazo de vencimento determinado, antecipado ou indeterminado. Como as demais informações, o prazo de vencimento e as condições de antecipação do vencimento devem constar na escritura de emissão. As debêntures podem ser negociadas em mercado de balcão e na bolsa de valores. 9 Podemos listar algumas vantagens desses títulos: Normalmente possui custos de captação menores para os emissores; É uma alternativa aos financiamentos bancários; Para o investidor, é um investimento em renda fixa, possibilitando a previsão do fluxo de caixa e uma boa rentabilidade em comparação com outros produtos de renda fixa. Além disso, a empresa pode incluir alguns itens para motivar mais compradores, como as debêntures com participação nos lucros e conversíveis em ações. Portanto, existem diversas categorias de debêntures: conversíveis, permutáveis e simples (ou não conversíveis). No caso das debêntures conversíveis em ações, se o emissor não pagar o que consta na escritura de emissão, a garantia são as próprias ações da empresa, ou seja, o comprador ficará com ações dessa no valor e formas estipuladas na escritura. As debêntures não conversíveis ou simples não podem ser convertidas em ações da empresa emissora. As debêntures conversíveis, por sua vez, em sua escritura possuem cláusulas possibilitando que elas sejam convertidas em ações tanto ao término de prazo estipulado quanto a qualquer tempo, caso esteja determinado na escritura de emissão. Já as debêntures permutáveis dizem respeito aos títulos que podem ser transformados em ações de emissão de outra empresa, e não em títulos da empresa que emitiu a própria debênture. Além de tudo isso, as debêntures podem ser incentivadas. A Lei nº 12.431, de 24 de junho de 2011, menciona sobre a incidência do imposto de renda nas operações de debêntures de infraestrutura. Esses títulos são emitidos por S.A. em que os recursos captados visem à implementação de projetos de investimento na área de infraestrutura ou de produção maciça em pesquisa, desenvolvimento e inovação, determinados como prioritários pelo Governo Federal. Ademais, uma debênture pode ser classificada, quanto à sua forma, como nominativa ou escritural. As nominativas se referem a certificados emitidos em nome do titular, e são registradas em livro próprio retido pela empresa. As escriturais, por sua vez, não possuem certificados representativos, e uma 10 instituição financeira depositária designada pela empresa mantém em nome do titular em conta de depósito. Por fim, existe um conceito utilizado no mercado e que é necessário conhecermos. São os commercial papers. Segundo Kerr (2011, p. 87), commercial papers ou ainda, notas promissórias comerciais, são títulos de dívida para obtenção de capital de curto prazo, podendo existir garantias oferecidas pela empresa emissora ou não, e sua remuneração pode ser prefixada (mais usual) ou pós-fixada. #ficaadica Caso necessite conhecer o rating de alguma companhia ou governo, pesquise na internet. Algunslinks sobre debêntures: <http://www.debentures.com.br>; <http://www.portaldoinvestidor.gov.br/menu/Menu_Investidor/valores_ mobiliarios/debenture.html>. TEMA 4 – AÇÕES Agora vamos estudar as ações: aquelas que ou deixam pessoas milionárias, ou as fazem perder grande parte de seu patrimônio em poucos dias. Pereira (2013, p. 84) comenta que as ações são emitidas por companhias, e que são títulos de renda variável que representam a menor fração do capital de uma empresa. Diante disso, podemos apresentar um exemplo: caso pegássemos todo o capital de uma empresa e dividíssemos nas menores partes possíveis, cada parte seria uma ação, e cada parte torna uma pessoa acionista (proprietária) da empresa. Essa ação gera para o acionista o direito de participar dos resultados da empresa seguindo a proporção da quantidade de ações que cada acionista tem. Além disso, quanto mais ações de uma empresa uma pessoa tiver, mais influência ela terá nas decisões dessa empresa. Além disso, as ações podem ser classificadas em ordinárias (ON) e preferenciais (PN, PNA e PNB). Essas siglas são muito comuns e importantes. 11 As ações ordinárias, de acordo com Pereira (2013, p. 84), concedem direito a voto em assembleias da empresa, sendo que cada ação ordinária fornece o direito a um voto. Com isso, quanto maior a quantidade de ações, maior a influência nas votações em assembleias. Além disso, as ações ordinárias também fornecem o direito na participação dos lucros da empresa. Por outro lado, as ações preferenciais, ainda segundo Pereira (2013, p. 84), não fornecem o direito a voto, mas em contrapartida cedem prioridade no recebimento de dividendos, assim como, em caso de distrato da sociedade, no reembolso de capital. O autor ainda menciona que há uma regra peculiar: em caso de a companhia parar de pagar os dividendos fixos ou mínimos por um prazo estabelecido no estatuto e não superior a três exercícios consecutivos, os detentores de ações preferenciais passarão a ter direito a voto, e caso a empresa retorne o pagamento de dividendos, as ações voltam a não proporcionar direito a voto. Apenas como um exemplo, é interessante perceber que a Petrobrás está listada na bolsa de valores com as denominações PETR3 e PETR4. A PETR3 se refere a ações ordinárias e a PETR4 são ações preferenciais. Ainda, as ações preferenciais podem ser finalizadas pelos números 5 e 6, por exemplo: VALE5 (PNA), ELET6 (PNB). Além disso, existem as units, que podemos fazer uma analogia com “pacotes” de ações, e dentro desses pacotes existem ações preferenciais e ordinárias. O código para os pacotes de ações é o número 11, como o exemplo: BBTG11. Perceba o quanto o mercado de capitais é preparado e organizado. As ações podem ser emitidas por sociedades anônimas tanto de capital fechado quanto capital aberto. Todas as empresas de capital aberto devem estar registradas na CVM, e são obrigadas a disponibilizar inúmeras informações econômicas, financeiras e sociais para o mercado. Vale lembrar que, em qualquer período, as ações são conversíveis em dinheiro por meio da comercialização em bolsa de valores ou em mercado de balcão. Agora que já sabemos o que é uma ação, vamos para a “parte boa”: conhecer a rentabilidade de uma ação. Essa rentabilidade é variável, pois uma parte é composta de dividendos (participação nos resultados), assim como benefícios concedidos pela empresa – basta ter a posse da ação); outra parte resulta de um possível ganho de capital na venda da ação. A seguir listamos algumas das remunerações: 12 Dividendos – São representados pela participação nos resultados por meio da distribuição de dividendos em dinheiro, sendo que esse percentual de distribuição dos lucros é definido pela empresa. Normalmente o lucro de uma empresa é dividido para algumas finalidades, como reserva legal, reinvestimentos e pagamento de dividendos. Por exemplo: se uma empresa apurou um lucro líquido de 100 milhões de reais, isso não quer dizer que os acionistas dividirão esse montante entre si, mas sim uma parte dele. A Lei das S.A. determina que sejam distribuídos ao menos 25% do lucro líquido do exercício. Juros sobre o capital próprio (JSCP) – As organizações podem escolher por distribuir resultados de outra forma para seus acionistas. Utilizando o pagamento de juros sobre o capital próprio, em vez de distribuir dividendos, a empresa remunera os acionistas desde que atenda às regras estabelecidas na regulamentação sobre JSCP. Para Pereira (2013, p. 85), o JSCP pode oferecer um benefício fiscal sobre os dividendos, visto que é uma despesa que pode ser abatida do lucro tributável da companhia, e para o acionista tanto o recebimento de dividendos quanto o JSCP representam uma remuneração financeira do capital investido em ações. Bonificação em ações – Ocorre quando existe um aumento de capital de uma companhia por meio de incorporação de reservas e lucros, e nesse caso, novas ações são distribuídas gratuitamente para os acionistas seguindo a proporção de ações de cada um. Bonificação em dinheiro – De forma mais específica e não muito comum, essa bonificação ocorre quando, além dos dividendos, a companhia concede aos acionistas uma participação adicional nos lucros via bonificação em dinheiro. Direito de subscrição – Representa o direito dos acionistas pela aquisição de um novo lote de ações, seguindo a proporção das ações já possuídas, com preferência na subscrição. Venda de direitos de subscrição – Pelo fato de o exercício de preferência do direito de subscrição não ser obrigatório, o acionista poderá vendê-los a terceiros. 13 É importante conhecer também o conceito de lote padrão de ações, que é composto por 100 ações iguais. Por isso, é muito comum que as ordens de compra e venda sigam múltiplos de 100. Isso facilita a negociação das ações e gera maior liquidez. Mesmo assim, é possível comprar 70 ou 120 ações, entretanto, elas não serão um lote padrão. É interessante conhecermos também mais dois conceitos que podem alterar o preço da ação, mesmo mantendo o valor da riqueza para o acionista. São eles: os desdobramentos (splits) e os agrupamentos de ações (inplits). Desdobramentos – Imagine que o preço de uma ação é de R$150,00. Para comprar um lote padrão de 100 unidades será necessário pagar R$ 15.000,00. Isso pode dificultar a compra por pessoas físicas, diferentemente se a ação custasse R$ 20,00, e o lote padrão R$ 2.000,00. Por isso, quando o preço da ação está muito alto, podendo dificultar sua negociação, pois reduz a quantidade de possíveis compradores, a empresa realiza o desdobramento, distribuindo novas ações para cada ação em posse do acionista, gerando um aumento na quantidade de ações no mercado. Consequentemente, o valor da ação é reduzido na proporção do desdobramento. Agrupamentos – Agora que conhecemos os desdobramentos, basta invertermos o conceito para chegarmos ao dos agrupamentos. Eles normalmente acontecem quando o preço da ação está reduzido, pois em alguns casos isso pode causar uma má impressão e aumentar a volatilidade. Por isso, como o próprio termo diz, existe um agrupamento de ações, ou seja, uma diminuição na quantidade de ações, fazendo com que seu preço aumente. Note que o mercado de capitais possui muitos conceitos a que não estamos acostumados. Por isso, é muito importante estudar e compreender seu funcionamento antes de iniciar as operações tanto de investimento, 1quanto de captação de recursos. Vale lembrar que o mercado acionário é administrado pela bolsa de valores. Por isso, em nossas próximas aulas analisaremose aprenderemos como a bolsa de valores e suas negociações funcionam. 14 #ficaadica Antes de negociar ações, estude em blogs e nos sites oficiais da BM&FBovespa. TEMA 5 – MERCADO PRIMÁRIO E SECUNDÁRIO Existem vários mercados dentro do mercado de capitais, e muitos termos para os descrever. Agora estudaremos os mercados primário e secundário. O mercado primário, de acordo com Pereira (2013, p. 83), “existe quando o título ou valor mobiliário é lançado pela primeira vez ao mercado, e o emissor realiza a captação dos recursos pela venda do título”. Por exemplo, quando uma empresa fará sua primeira venda de ações ou emissão de debêntures ou ainda, emissão de notas promissórias, está caracterizado o mercado primário, pois os valores captados pelas vendas serão destinados à companhia. As companhias se utilizam do mercado primário para captar os recursos de que necessitam, com o intuito de financiar seus projetos de expansão ou outras atividades. Quanto ao mercado secundário, é por meio dele que acontecem as negociações dos títulos adquiridos no mercado primário, proporcionando a liquidez necessária. Em outras palavras, o mercado secundário é constituído pela negociação dos títulos entre investidores, e não mais pela companhia emissora e compradores. Por isso, os títulos são renegociados diariamente no mercado de ações ou no mercado de balcão, destacando o papel fundamental da bolsa de valores para realizar de forma organizada essas negociações. Conforme Kerr (2011, p. 95), o mercado primário tem sua importância para a capitalização das companhias, mas é o mercado secundário – a bolsa de valores – que possui a função de dar liquidez ao mercado primário. É interessante destacar alguns mecanismos que são utilizados no mercado secundário, principalmente na bolsa de valores. O tão falado pregão eletrônico (Mega Bolsa) se caracteriza pela possibilidade de o investidor realizar suas negociações por meio de um dispositivo com acesso à internet. Outro termo comum utilizado é o after market, que permite realizar ordens de negócio no mercado acionário mesmo depois do encerramento do pregão eletrônico. Além desses conceitos, quando ouvir falar de home broker saiba que é o sistema que 15 possibilita ao investidor realizar ordens de compra e venda por meio de um dispositivo com internet, ou seja, é um sistema que possibilita o acesso ao pregão eletrônico. Então, pensando “na prática”, o mercado primário propicia a captação de recursos para as empresas, que normalmente visam ao desenvolvimento de novos projetos e o capital necessário para sua expansão. Mesmo assim, uma companhia atingir o grau de maturidade para acessar o mercado primário é uma tarefa que exige um grande esforço, pois além da regulação, a empresa precisa publicar informações para que os acionistas tenham acesso, dentre várias outras atividades, as quais têm o objetivo de gerar valor para suas ações e despertar o interesse de compra nos investidores. Por outro lado, no mercado secundário, a negociação ocorre de investidor para investidor, sem que os ganhos ou as perdas realizadas com a negociação dos títulos afetem a empresa emissora, pois ficam restritos aos investidores, tornando o mercado, em parte, especulativo, sem contribuir com o desenvolvimento das empresas. Mesmo assim, as companhias emissoras de títulos devem desenvolver um bom relacionamento com o mercado e com seus acionistas. Inclusive, verifica-se em empresas de capital aberto que normalmente existe uma área ou um profissional responsável pelas relações com investidores (RI), cujo intuito é ser uma interface ou conexão entre a gestão da empresa e os acionistas e seus representantes, e com os demais agentes atuantes no mercado de capitais. Você, como gestor financeiro deve buscar como objetivo final de suas decisões a melhoria e aumento de três itens fundamentais na gestão financeira: o aumento do lucro, do caixa e do valor de mercado da empresa (valor das ações). TROCANDO IDEIAS O mundo está mudando e as empresas se adaptam a todo momento. Hoje algumas empresas e pessoas captam recursos por meio de sites de crowdfunding (financiamentos coletivos). Quando alguém ou alguma organização possui bons projetos, é possível a essas pedirem doações ou realizar uma espécie de “pré-venda” ou vendas de brindes com valor para financiar seus projetos. Para saber mais, pesquise na internet. 16 E não para por aí: pensando na mesma ideia, nos últimos anos surgiu o equity crowdfunding, que é permitido pela CVM. Ele possibilita que investidores pessoa física participem do capital de micro e pequenas empresas. Conheça mais em <https://eqseed.com/br>. Além disso, como sugestão para você conhecer mais os produtos do mercado financeiro, recomendamos acessar o site da BM&FBovespa e verifique no menu listagem, e no menu produtos, e selecione cada um dos produtos para conhecê-los melhor. O link é: <http://www.bmfbovespa.com.br/pt_br/index.htm>. Outra informação interessante é que normalmente nos livros consta que o home broker necessita de um computador, mas hoje já existem apps para smartphones que realizam esse papel, possibilitando a compra e venda de títulos. SÍNTESE Nesta Rota de Aprendizagem, vimos que o mercado de capitais possui inúmeros produtos, mas sua organização e eficiência transmitem segurança e credibilidade para os investidores. Esse mercado é uma alternativa para as empresas captarem recursos com o intuito de expansão e manutenção de suas operações. Um dos títulos que possibilita essa captação de recursos para a empresa é a debênture, que é um título privado de dívida da companhia emissora, e em sua escritura de emissão constam todas as informações necessárias para o investidor, como: remuneração (juros), prazos, formas de pagamento, entre outras. Outra forma de uma sociedade anônima captar recursos é por meio da emissão e venda de suas ações. Cada ação representa a menor fração do capital social da empresa, e fornece direitos no resultado da empresa, assim como em votações em assembleias. Quando uma empresa emite ações, ela fará a comercialização no mercado primário, pois a negociação ocorre entre companhia e investidor. Os recursos captados entrarão no caixa da empresa para que ela possa se desenvolver. Todavia, para garantir liquidez ao comprador das ações, existe o mercado secundário, que possibilita a negociação das ações entre investidores, normalmente por meio da bolsa de valores e do mercado de balcão. 17 REFERÊNCIAS BM&FBOVESPA. Disponível em: <http://www.bmfbovespa.com.br/pt_br/index.htm>. Acesso em: 25 abr. 2017. CVM – COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS. Disponível em: <www.cvm.gov.br>. Acesso em: 25 abr. 2017. DEBENTURES.COM.BR. Disponível em: <http://www.debentures.com.br>. Acesso em: 25 abr. 2017. INTRODUÇÃO ao mercado de capitais. BM&FBOVESPA, 2010: Disponível em: <https://corretora.miraeasset.com.br/global/bz/po/downloads/cursosOnline/Intro du%C3%A7%C3%A3o_ao_Mercado_de_Capitais.pdf>. Acesso em: 25 abr. 2017. KERR, R. B. Mercado financeiro e de capitais. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011. PEREIRA, C. L. Mercado de capitais. Curitiba: Intersaberes, 2013. PORTAL DO INVESTIDOR. Disponível em: <http://www.portaldoinvestidor.gov.br>. Acesso em: 25 abr. 2017. MECANISMOS DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS AULA 4 Prof. Alfredo Beckert Neto 2 CONVERSA INICIAL Olá! Na rota anterior, verificamos em detalhes o mercado de capitais, ações e debêntures. Portanto agora, nesta quarta aula, avançaremos para novosassuntos, que serão base para a tomada de decisões dos gestores. Esta rota terá um “gostinho especial”, pois aprenderemos sobre a BM&FBovespa, a bolsa de valores pela qual nós, pessoas físicas, temos a possibilidade de comprar e vender ações e outros produtos. Iniciaremos conversando sobre governança corporativa, um conceito fundamental para a gestão das empresas. Em seguida, entraremos no assunto sobre a bolsa de valores BM&FBovespa, a bolsa de mercadorias, futuros e de valores operante no Brasil. Dentro dessa bolsa de valores, existem segmentos de listagem, sendo esse um dos nossos tópicos. Além disso, abordaremos as ofertas públicas de ações, conceitos fundamentais para as companhias. E para finalizar a rota, discutiremos a respeito do Bovespa Mais, um segmento dentro da bolsa de valores que permite que empresas menores tenham acesso de forma gradativa ao mercado de capitais. Perceba a importância dessa aula para qualquer gestor: todas essas informações são relevantes para conhecermos como o mercado de capitais está operando e, com base nelas, traçar planos de desenvolvimento e captação, e assim, tomar as decisões necessárias, pensando sempre na perenidade e sustentabilidade da empresa. CONTEXTUALIZANDO Você já deve ter conhecido empresas familiares sendo geridas por pessoas da família que muitas vezes não são capacitadas para fazer sua gestão. Isso é bastante comum, por isso, a governança corporativa soa como uma música para os métodos e processos de gestão de empresas, pois acaba forçando a profissionalização dos gestores e a prestação de contas das atitudes e decisões. E quanto à bolsa BM&FBovespa? Você a conhece? Já comprou ou vendeu ações ou outros produtos do mercado financeiro operados por ela? Conhecer o mercado acionário e sua bolsa de valores pode abrir novos horizontes para pessoas e empresas. Imagine que você é o proprietário de uma 3 empresa que possui como principal concorrente uma empresa listada na bolsa. Você pode decidir comprar ações do seu principal concorrente e participar dos lucros dele. Pode parecer estranho, mas é possível. E pensando em você como pessoa física: imagine que você é correntista de um banco que está listado na bolsa. Você pode ser um de seus “donos” e participar dos lucros desse banco comprando ações; ou ainda: comprar quotas de um fundo de investimentos imobiliários. Interessante, não é? Tudo isso é possível por meio da BM&FBovespa. Pesquise Vamos buscar esclarecimentos: pesquise na internet informações sobre empresas que implantaram a governança corporativa. Pensando na BM&FBovespa, seria interessante pesquisar sobre os segmentos de listagem existentes. Cada um deles possui requisitos diferentes para que as ações das empresas estejam listadas. TEMA 1 – INTRODUÇÃO À GOVERNANÇA CORPORATIVA (GC) A princípio, a governança corporativa (GC) surgiu para adequar a teoria de agência ou “conflito de agência”, que é a relação entre os proprietários e os gestores de uma organização, e que é tratada pela teoria econômica como uma relação de agência. Nesta relação, os interesses de uma pessoa (sócio ou mandante) são afetados pelas decisões de outra pessoa (gestor ou mandatário), que atua em nome da primeira pessoa. Logo, caracteriza-se como relação de agência quando a propriedade e gestão do negócio estão separadas. Quando temos sócios ou acionistas atuando diretamente na empresa em cargos de direção, também temos um conflito, visto que nem sempre o sócio é o melhor gestor para direcionar a empresa em busca de melhores resultados. A propriedade (sócio ou acionista) anda junto com a gestão (diretor). Por isso, prega-se a separação entre propriedade e gestão, para que não existam conflitos de interesse. Com isso, os donos da companhia delegam a gestão da empresa para um administrador e essa situação também pode causar divergências no entendimento do que é melhor para a empresa para cada grupo. Sendo assim, as práticas de governança corporativa visam superar, justamente essas divergências entre a gestão da empresa e seus proprietários. 4 Portanto, a governança corporativa é um sistema que gere as companhias e que se baseia no relacionamento entre acionistas, diretoria, conselho fiscal, conselho de administração e auditoria independente. Já as boas práticas de GC buscam elevar o valor da empresa, além de auxiliar seu acesso ao capital e contribuir com a perenidade da organização. Ademais, a GC pode ser considerada um modelo de gestão de negócios que busca harmonizar a relação de agência, gerando a diminuição dos riscos e aumentando seus potenciais benefícios. Por meio das práticas de GC é possível formar um grupo de mecanismos que visam a incentivar, monitorar e garantir que o comportamento dos executivos (agente mandatário) esteja de acordo com o interesse dos acionistas (agente proprietário). Segundo o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), a GC é baseada em quatro princípios básicos: Transparência – Fundamenta-se no desejo de apresentar as informações para as partes interessadas, não sendo suficiente dispor apenas as informações obrigatórias requeridas em leis ou regulamento. Além disso, tais informações devem abranger não apenas informações de cunho econômico ou financeiro, mas também sobre outras áreas e fatores que embasem a decisão da gerência e que visem à perenidade da organização. Equidade – Consiste em tratar de forma justa e isonômica todos os sócios e outras partes interessadas (stakeholders), considerando suas necessidades, interesses, direitos, deveres e expectativas. Prestação de contas (accountability) – É a prestação de contas da atuação de cada agente de governança, sendo ela clara, compreensiva, concisa e tempestiva. Cada agente de governança deve assumir as consequências de seus atos e omissões, e também devem atuar com responsabilidade e zelo no que tange às suas atribuições. Responsabilidade corporativa – Todos os responsáveis da GC devem prezar pela viabilidade econômica e financeira das empresas, diminuir os pontos negativos do negócio e elevar os pontos positivos, tendo como base o modelo de negócios e os recursos envolvidos no curto, médio e longo prazo. 5 Segundo o IBGC, a estrutura de gestão de governança corporativa deve seguir o modelo demonstrado na Imagem 1, a seguir: Imagem 1: Estrutura de gestão de governança corporativa do IBCG Fonte: IBGC. De forma resumida, a estrutura segue com os sócios ou acionistas no topo sendo representados pelo conselho de administração e pelo conselho fiscal. O conselho de administração tem o papel de fiscalizar o trabalho da diretoria, assim como determinar as diretrizes e rumos da empresa. Há ainda comitês que podem auxiliar o conselho de administração em alguma área específica. No modelo, também existe a auditoria, tanto interna quanto externa (auditoria independente). E na parte inferior da imagem estão o diretor presidente e os demais diretores, que possuem a árdua tarefa de transformar os anseios do conselho de administração em práticas e resultados. Aqui, cabe comentarmos sobre a nova lei das S.A., a Lei nº 10.303/2001. Ela propiciou um avanço na utilização de práticas de governança corporativa e maior proteção ao acionista minoritário, assim como fortaleceu a CVM nas atribuições de regulação do mercado. Dentre as mudanças, podemos citar algumas: Abertura de capital: na abertura de capital de uma empresa, ela deverá seguir o limite mínimo de 50% de emissões em ações ordinárias. 6 Anteriormente à nova lei, a proporção se faziade um terço de ações ordinárias e o restante de ações preferenciais. Conselho de administração: os acionistas minoritários possuem agora o direito de eleger um representante. Conselho fiscal: é formado por três membros. Um membro é eleito pelos controladores da empresa, outro pelos minoritários e o outro deve ser escolhido de comum acordo ou eleito em assembleia geral. Tag along: é um conceito muito utilizado no mercado acionário, que concede aos acionistas minoritários de ações ordinárias, perante a ocorrência de transferência de controle da companhia, o direito de venderem suas ações pelo preço mínimo de 80% do que for negociado pelos controladores. É importante ressaltar que empresas que possuem as boas práticas de GC funcionando transmitem um menor risco aos olhos dos investidores. TEMA 2 – A BOLSA DE VALORES BM&FBOVESPA Já estudamos sobre diversos títulos e falamos muito sobre os mercados. Agora, vamos abordar os mercados e produtos. Normalmente ouvimos falar muito sobre a bolsa de valores operante no Brasil, a BM&FBovespa. Todos que desejam investir capital devem conhecer seu funcionamento e produtos para, justamente, negociar no mercado de capitais gerando lucros e receitas, ou também prejuízos e perdas. Segundo a própria BM&FBovespa, ela é uma companhia que realiza a gestão dos mercados organizados de títulos, valores mobiliários e contratos derivativos, e ainda presta serviços de registro, compensação e liquidação, atuando, principalmente, como contraparte central garantidora da liquidação financeira das operações realizadas em seus ambientes. Além disso, ela oferece uma grande variedade de produtos e serviços, como a negociação de ações, de títulos de renda fixa, câmbio pronto e contratos derivativos referenciados em ações, ativos financeiros, índices, taxas, mercadorias, moedas, entre outros. O sistema de custódia da Bolsa é completo, pois as negociações são realizadas exclusivamente no meio eletrônico. 7 Contudo, a Bolsa nem sempre foi assim. Antigamente, a negociação de ações ocorria fisicamente nos prédios das bolsas de valores, pelo chamado pregão viva voz. Quem assiste a um desses pregões, em algum filme ou documentário do passado, perceberá a situação de caos que existia com várias pessoas gritando e falando ao mesmo tempo. E o que significa quando os jornais falam da bolsa subindo ou caindo X%? O que os noticiários informam são os dados do Ibovespa (IBOV), que é um índice específico e que não representa toda a bolsa de valores, mas sim um indicador do desempenho médio das cotações dos ativos mais negociados e com maior representatividade no mercado de ações do Brasil. Ele é o resultado de uma carteira teórica de ativos, elaborada de acordo com os critérios estabelecidos em sua metodologia. Para se ter ideia, o IBOV utiliza menos de 100 companhias para seu cálculo, enquanto na Bolsa existem em torno de 350 empresas listadas. Para saber mais, acesse o site da BM&FBovespa. Além disso, é importante ressaltar que existem diversos índices além do IBOV. Por exemplo, temos o IEE, que possui o objetivo de ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de maior negociabilidade e representatividade do setor de energia elétrica. Para verificar todos os índices disponibilizados pela BM&FBovespa, acesse o site da instituição. Se você quiser ter acesso aos produtos da BM&FBovespa, será necessário possuir uma corretora realizando a intermediação entre você e a Bolsa. Vejamos o exemplo de uma ação listada na Bolsa: A PETR3 está inserida em diversos índices: PETROBRAS ON (PETR3) IBOV, IBRA, IBXL, IBXX, MLCX Além disso, quando você vir a cotação das ações PETR3, é necessário compreender o que isso significa. Por exemplo: PETR3 15,60▲ 0,77%. Essa informação demonstra que cada ação da PETR3 tem o preço de R$ 15,60, então para se comprar um lote padrão com 100 ações, investiríamos R$ 1.560,00. Já os 0,77% indicam que o preço da ação subiu 0,77% de um dia para o outro. 8 É interessante também comentarmos sobre os agentes que podem representar papéis no mercado acionário. Existem os: Especuladores: são pessoas que, por meio da bolsa de valores, visam a obter rendimentos no curto prazo, sem muita consideração pela ação comprada, mas sim pelo potencial de ganho no curto prazo. Eles se aproveitam da volatilidade do mercado realizando compra e venda de ações em pequenos períodos. Investidores: são aqueles que buscam nos produtos da bolsa de valores uma forma para obterem rendimentos no longo prazo. Gestores financeiros: são os profissionais atuantes nas empresas e se utilizam do mercado de capitais para captar recursos com prazos e custo viável para realização de seus projetos. Para esses atores realizarem a compra e venda de ações, é emitida uma ordem de compra ou venda por meio do home broker. Existem alguns tipos de ordens de compra e venda de ações: Ordem limitada: nela é possível fixar limites de preços, pois quem envia a ordem pode determinar o limite de valor para venda ou para compra; caso o valor da ação não atinja os valores limites, a negociação não será efetuada. Ordem a mercado: nela, a compra ou a venda será efetuada imediatamente pelo melhor preço. Ordem casada: nessa ordem, a compra é feita utilizando-se recursos de uma venda anterior – o que justifica seu nome – pois para se comprar uma ação é necessário vender outra, por exemplo. Ordem on stop: é utilizada para limitar a perda ou ganho, como um gatilho. Por exemplo: caso o valor de uma ação ultrapasse X, vender. 9 TEMA 3 – SEGMENTOS DE LISTAGEM Já imaginou se todas as empresas, algumas muito grandes e outras médias, cada uma seguindo regras de governança diferentes, estivessem listadas em apenas um segmento? Pensando nisso, a BM&FBovespa criou alguns segmentos para diferenciar as empresas que estão listadas. Com isso, podemos identificar facilmente empresas que atendem alguns requisitos, que podem fazer parte das exigências dos investidores. A BM&FBOVESPA oferece vários segmentos especiais de listagem, que são: Bovespa Mais, Bovespa Mais Nível 2, Novo Mercado, Nível 2 e Nível 1. Todos foram criados pensando no desenvolvimento do mercado de capitais brasileiro, adequando a listagem aos diferentes perfis de empresas. Os segmentos Bovespa Mais serão tratados no último tema desta rota. Para que uma empresa seja listada na bolsa para captar recursos, não é um processo simples. Dentro do site da BM&FBOVESPA há muitas informações sobre como iniciar o processo de entrada na bolsa de valores para captar recursos. Apenas como exemplo, todos os segmentos exigem rígidas regras de governança corporativa que superam as obrigações existentes na Lei das Sociedades por Ações. Essas regras podem atrair mais investidores, visto que garantem os direitos dos acionistas, inclusive minoritários, assim como a divulgação de informações detalhadas para os interessados, reduzindo assim o risco para quem investe. Com o objetivo de aprimorar a governança nas empresas, reduzindo assim o risco para os investidores, a BM&FBovespa realiza diversas pesquisas sobre as melhores práticas utilizadas internacionalmente. Com isso, essas pesquisas auxiliam em propostas que resultam em melhorias para os segmentos especiais. Então, agora que compreendemos as razões dos segmentos, vamos conversar sobre suas particularidades. O Quadro 1 (a seguir) representa um resumo das diferenças entre eles: 10 Quadro 1: Diferenças entre os segmentos da BM&FBovespa Novo Mercado Nível 2 Nível 1 Característicasdas ações emitidas Permite a existência somente de ações ON Permite a existência de ações ON e PN (com direitos adicionais) Permite a existência de ações ON e PN (conforme legislação) Percentual mínimo de ações em circulação (free float) No mínimo 25% de free float No mínimo 25% de free float No mínimo 25% de free float Vedação a disposições estatutárias Limitação de voto inferior a 5% do capital, quórum qualificado e "cláusulas pétreas” Limitação de voto inferior a 5% do capital, quórum qualificado e "cláusulas pétreas” Não há regra Composição do conselho de administração Mínimo de 5 membros, dos quais pelo menos 20% devem ser independentes com mandato unificado de até 2 anos Mínimo de 5 membros, dos quais pelo menos 20% devem ser independentes com mandato unificado de até 2 anos Mínimo de 3 membros (conforme legislação), com mandato unificado de até 2 anos Vedação à acumulação de cargos Presidente do conselho e diretor presidente ou principal executivo pela mesma pessoa (carência de 3 anos a partir da adesão) Presidente do conselho e diretor presidente ou principal executivo pela mesma pessoa (carência de 3 anos a partir da adesão) Presidente do conselho e diretor presidente ou principal executivo pela mesma pessoa (carência de 3 anos a partir da adesão) Obrigação do conselho de administração Manifestação sobre qualquer oferta pública de aquisição de ações da companhia Manifestação sobre qualquer oferta pública de aquisição de ações da companhia Não há regra Demonstrações financeiras Traduzidas para o inglês Traduzidas para o inglês Conforme legislação Reunião pública anual Obrigatória Obrigatória Obrigatória Calendário de eventos corporativos Obrigatório Obrigatório Obrigatório Divulgação adicional de informações Política de negociação de valores mobiliários e código de conduta Política de negociação de valores mobiliários e código de conduta Política de negociação de valores mobiliários e código de conduta Concessão de Tag Along 100% para ações ON 100% para ações ON e PN 80% para ações ON (conforme legislação) Oferta pública de aquisição de ações no mínimo pelo valor econômico Obrigatoriedade em caso de cancelamento de registro ou saída do segmento Obrigatoriedade em caso de cancelamento de registro ou saída do segmento Conforme legislação Adesão à Câmara de Arbitragem do Mercado Obrigatório Obrigatório Facultativo Fonte: Site BM&FBovespa. 11 Vamos agora conhecer um pouco sobre os segmentos e suas diferenças conforme o Quadro 1. A primeira linha consiste nos tipos de ações emitidas, com destaque ao Novo Mercado que só permite ações ordinárias, ou seja, ações com direito a voto. Na segunda linha conheceremos um conceito novo chamado de free float. Ele representa o percentual mínimo da quantidade de ações em circulação no mercado secundário: todos os segmentos exigem que 25% das ações da empresa sejam negociadas no mercado secundário, que estejam em circulação. A terceira linha trata da vedação a disposições estatutárias, em que o Nível 1 não possui regras. Na próxima linha, é citada a composição do conselho de administração, em que o Nível 2 requer no mínimo cinco membros, dos quais pelo menos 20% devem ser independentes com mandato unificado de até 2 anos. A sétima linha se refere às demonstrações financeiras. O Novo Mercado e o Nível 2 exigem demonstrações financeiras traduzidas para o inglês. A décima primeira linha descreve sobre o tag along, e demonstra que o Novo Mercado e o Nível 2 exigem que seja pago 100% do valor negociado pelos controladores para as ações no caso de troca de controlador. E a última linha do quadro menciona a adesão à Câmara de Arbitragem do Mercado, sendo facultativa para o Nível 1 e obrigatória para os demais segmentos. Pensando de modo simples, poderíamos interpretar o Nível 1 como empresas que possuem gestão menos evoluída. O Nível 2 seria o intermediário e o Novo Mercado representa empresas com um grau de desenvolvimento gerencial maior. Agora que compreendemos um pouco mais sobre alguns dos segmentos especiais da BM&FBovespa, percebemos que o nível de governança corporativa implantado na empresa faz diferença, principalmente aos olhos dos investidores. Não adianta abrir o capital de uma organização se não houver pessoas interessadas em comprar as ações. Por isso, a gestão deve ser muito coerente. 12 TEMA 4 – OPA (OFERTA PÚBLICA DE AÇÕES) Você já viu como a BM&FBovespa e a CVM devem fiscalizar o mercado, pois podem existir diversos tipos de “vantagens”, em que alguns com informações privilegiadas podem comprar ações e ver seu capital crescer muito em poucos dias. Tudo isso é monitorado e ações suspeitas serão investigadas. Todas as companhias que desejam ter suas ações listadas na BM&FBovespa e no mercado de balcão necessitam de registro na CVM, e devem seguir todas as exigências necessárias. Desta maneira, na primeira vez que uma companhia insere suas ações na bolsa há a abertura de capital, que é uma oferta pública inicial de ações – a qual em inglês é chamada de IPO (Initial Public Offering). A sigla IPO é muito utilizada pelo mercado brasileiro. Vale lembrar que o IPO representa uma operação de mercado primário, pois o dinheiro captado será destinado ao caixa da empresa emissora. Existe também uma outra oferta pública de ações, a OPA (oferta pública de aquisição de ações), em que um comprador realiza uma oferta e compromisso na aquisição de uma quantidade específica de ações por um valor e prazo determinados. O objetivo da OPA é propiciar a todos acionistas a possibilidade de vender suas ações nos casos, normalmente, de mudança de controlador ou na estrutura societária da empresa. É importante salientar que a OPA pode ser obrigatória ou voluntária, dependendo do caso. Segundo a Lei nº 6.404/1976, as OPAs são obrigatórias em casos como cancelamento de registro de companhia aberta, ou seja, quando uma empresa quer “fechar” seu capital novamente e sair da bolsa de valores, ou quando há aumento de participação do acionista controlador, prejudicando a liquidez de mercado daquelas ações remanescentes ou mesmo na venda do controle acionário. Além disso, a legislação estipula as regras para a realização das OPAs. A OPA voluntária, por sua vez, é realizada sem que normas obriguem a sua realização. O comprador deseja realizar a oferta pública e assim o faz. Além disso, nada impede que exista uma OPA concorrente ocorrendo paralelamente. Além disso, todas as OPAs obrigatórias e as voluntárias que envolverem permuta por valores mobiliários devem ser registradas na CVM. Note como a CVM controla tudo o que acontece para garantir a segurança das operações realizadas. 13 Ademais, existem OPAs diferentes em relação à sua liquidação financeira. A OPA pode ser de: Compra: no caso de o pagamento ser realizado em dinheiro; Permuta: quando o ofertante disponibiliza o pagamento em valores mobiliários; Mista: caso o pagamento possa ser uma parte em dinheiro e outra em valores mobiliários. Ainda existe a oferta pública alternativa, que permite que o alienador escolha a forma de liquidação. Vale ressaltar que a OPA deve ser intermediada por alguma instituição corretora ou distribuidora de títulos e valores mobiliáriosou ainda, instituição financeira com carteira de investimentos, para ser responsável pelas informações destinadas ao mercado e à CVM. Todavia, não considere que realizar uma OPA é simples, pois para isso, no caso da oferta realizada pela própria empresa e pelo acionista controlador, é necessária a elaboração de um laudo de avaliação da companhia em questão. Além disso, todas as condições gerais devem ser descritas em um documento, o instrumento de OPA. Se imaginarmos então que sua empresa resolva comprar uma concorrente em sua totalidade e que se encontra listada na bolsa, ela terá que realizar uma OPA para comprar as ações em free float. Além disso, quando temos 40% das ações em free float, significa que existem 60% de ações que estão em posse de outras pessoas físicas ou jurídicas, inclusive na própria empresa, em sua tesouraria. Portanto a sua organização deverá ainda, negociar com os proprietários desses 60% restantes de ações. TEMA 5 – BOVESPA MAIS Neste último tema conversaremos a respeito do segmento Bovespa Mais. Como já temos muitas informações sobre a bolsa de valores, ficará mais fácil o seu entendimento. Normalmente as empresas listadas nos segmentos que estudamos anteriormente possuem em média faturamento anual maior do que 300 milhões de reais. Pensando nisso, para viabilizar a possibilidade de companhias menores acessarem o mercado de capitais, a BM&FBovespa criou o segmento Bovespa 14 Mais, cujo objetivo é contribuir com o desenvolvimento do mercado acionário brasileiro e incentivar o crescimento de pequenas e médias empresas por meio do mercado de capitais. O Bovespa Mais permite que as empresas entrem no mercado de forma gradativa, o que possibilita que as empresas implementem gradualmente altos padrões de governança corporativa e transparência, pois em paralelo a isso elas serão expostas pela BM&FBovespa para os investidores. Além disso, no Bovespa Mais, as organizações podem realizar captações de recursos mais reduzidas, quando comparadas ao Novo Mercado. Entretanto, são valores satisfatórios para o prosseguimento de projetos de crescimento das empresas. É interessante destacar que o Bovespa Mais pode atrair investidores de alto risco que projetam um maior potencial de desenvolvimento das organizações. Ao refletirmos sobre isso, podemos perceber que as ações de uma empresa menor e sem muita relevância pode dobrar de valor de forma mais rápida caso a empresa expanda ainda mais e apresente melhores resultados. Por outro lado, o risco da empresa de ter dificuldades também é mais alto. Outra diferença deste segmento é que ele possibilita a listagem da empresa sem negociar ações desta. É como se a empresa estivesse em uma vitrine para os investidores. Com isso, eles teriam acesso às informações para seguir a evolução da companhia, todavia, não poderiam comprar ações até o momento do IPO, que pode ser realizado em até sete anos após a listagem, o que significa até sete anos de ajustes e adequações na profissionalização do negócio para que a empresa esteja muito mais preparada para receber novos acionistas e ter suas ações negociadas no mercado primário e secundário. Como a bolsa visa incentivar empresas a entrarem no Bovespa Mais, pois serão novos futuros IPOs, existem isenções de taxas e descontos regressivos, diferentemente dos segmentos Novo Mercado, Nível 1 e 2. Mas não ache que acabamos por aqui. A BM&FBovespa não contente com o Bovespa Mais criou o Bovespa Mais Nível 2. Esse segmento é muito parecido com o Bovespa Mais, contudo existem algumas particularidades e ainda existem diferenças com relação ao Novo Mercado, Nível 1 e 2. Por exemplo, ele permite que as empresas tenham ações preferenciais (PN). Observe o Quadro 2: 15 Quadro 2: Diferenças entre Bovespa Mais e Bovespa Mais Nível 2 Bovespa Mais Bovespa Mais Nível 2 Características das ações emitidas Permite a existência somente de ações ON Permite a existência de ações ON e PN Percentual mínimo de ações em circulação (free float) 25% de free float até o 7º ano de listagem 25% de free float até o 7º ano de listagem Distribuições públicas de ações Não há regra Não há regra Vedação a disposições estatutárias Quórum qualificado e "cláusulas pétreas" Quórum qualificado e "cláusulas pétreas" Composição do conselho de administração Mínimo de 3 membros (conforme legislação), com mandato unificado de até 2 anos Mínimo de 3 membros (conforme legislação), com mandato unificado de até 2 anos Vedação à acumulação de cargos Não há regra Não há regra Obrigação do conselho de administração Não há regra Não há regra Demonstrações financeiras Conforme legislação Conforme legislação Reunião pública anual Facultativa Facultativa Calendário de eventos corporativos Obrigatório Obrigatório Divulgação adicional de informações Política de negociação de valores mobiliários Política de negociação de valores mobiliários Concessão de Tag Along 100% para ações ON 100% para ações ON e PN Oferta pública de aquisição de ações no mínimo pelo valor econômico Obrigatoriedade em caso de cancelamento de registro ou saída do segmento, exceto se houver migração para Novo Mercado Obrigatoriedade em caso de cancelamento de registro ou saída do segmento, exceto se houver migração para Novo Mercado ou Nível 2 Adesão à Câmara de Arbitragem do Mercado Obrigatório Obrigatório Fonte: Site da BM&FBovespa. Note que algumas regras são iguais ou bem similares aos segmentos estudados anteriormente. Os segmentos de listagem do Bovespa Mais ainda possuem poucas empresas listadas, pois são mais recentes. Portanto, você, futuro gestor financeiro, deve sempre planejar o crescimento de um negócio de forma estruturada. Nesse planejamento, deve-se considerar as captações de recursos, inclusive com a venda do capital da empresa, tanto via quotas (para sociedades limitadas) quanto via ações (para sociedades anônimas). Alguns gestores planejam diversas rodadas de venda de capital social até alcançar o IPO na bolsa de valores. Com certeza no planejamento deve-se contemplar, ao menos, até 20 anos à frente. Ao observarmos a história da empresa Bematech, vê-se que desde a criação da 16 empresa até seu IPO, passaram-se em torno de 20 anos, o que indica que isso é possível, pois já foi realizado. #ficaadica Para saber mais sobre o Bovespa Mais acesse o link <http://www.bmfbovespa.com.br/pt_br/listagem/acoes/segmentos-de- listagem/bovespa-mais/>. Conheça também a história de uma das empresas listadas na bolsa: a Bematech: <http://www.bematech.com.br/bematech>. TROCANDO IDEIAS Em todos os temas sobre os quais conversamos tratam da captação de e investimento de recursos, os quais visam a gerar ou a aumentar o lucro da empresa. Note que tudo gira em torno de investir capital e ter um retorno (Capitalismo), como ocorre com um estoque de mercadorias: a empresa a compra, gerencia sua acomodação e vende para ter retorno financeiro. O mercado de capitais também funciona com esse mesmo intuito; compram-se e se vendem ações diariamente. Como gestor, você também terá essa visão (de aumento de resultado), pois se a sua operação for próspera, você deverá auxiliar na decisão de investimentos. Por exemplo: investir em ações, debêntures ou em nossa própria operação? Normalmente, devemos buscar aquilo que fornece a melhor rentabilidade. Como estamos operando nesta formação econômica, precisamos sempre estar atentos a comotudo funciona: produtos e serviços financeiros disponíveis, impostos, capital etc. Outro ponto interessante, é que hoje, com a tecnologia, temos acesso a sistemas que possibilitam o acompanhamento em tempo real de tudo o que acontece no mercado de capitais. Eles são excelentes ferramentas para análise de empresas e ações. É interessante ressaltar que quando uma empresa for captar recursos por meio de empréstimos e financiamentos, existe o custo efetivo total (CET). Nele estão inseridos custos financeiros, como IOF e taxas bancárias, assim como a taxa de juros da operação financeira. Quem precisar saber mais, pode acessar <http://www.bcb.gov.br/pre/bc_atende/port/custo.asp>. 17 Lembre-se: sempre que planejarmos ou buscarmos a solução de um problema, por mais que tenhamos uma solução paliativa de curto prazo, precisamos buscar aquela solução definitiva, que corte o problema pela raiz. SÍNTESE Possuir informações adequadas e no momento certo pode ser um grande diferencial para que os gestores tomem decisões que gerem melhores resultados. Como sabemos, a busca por melhores resultados é e deve ser constante. Por isso, vimos que a governança corporativa é um excelente sistema para melhorar os processos de gestão de uma empresa, apoiando-se em quatro pilares: equidade, prestação de contas, transparência e responsabilidade corporativa. Essa governança é essencial para que as empresas transmitam credibilidade e consigam acessar o mercado de capitais por meio da bolsa de valores. No Brasil, a bolsa operante é a BM&FBovespa, que possibilita o acesso a uma gama de produtos e serviços relacionados ao mercado financeiro de forma organizada e segura. Além disso, a bolsa oferece segmentos de listagem para as ações de empresas, que depende do grau de maturidade na governança corporativa e de alguns outros aspectos. Pensando em fomentar o desenvolvimento do mercado de capitais brasileiro, ela criou segmentos que permitem que empresas menores sejam listadas e, futuramente, realizem o IPO. O IPO é um tipo de oferta pública de ações para quando a emissora está vendendo diretamente suas ações para investidores, que é o que chamamos de mercado primário. A OPA, por sua vez, pode ser considerada em casos de fechamento de capital da empresa, e para quando um comprador quer comprar o controle da empresa. Nesse caso, para garantir a equidade, os acionistas também possuem o direito de vender suas ações – inclusive acionistas minoritários. Podemos ainda destacar quais são os segmentos de listagem na BM&FBovespa: Novo Mercado, Nível 1, Nível 2, Bovespa Mais e Bovespa Mais Nível 2. 18 REFERÊNCIAS BACEN – BANCO CENTRAL DO BRASIL. Disponível em: <http://www.bcb.gov.br/pre/bc_atende/port/custo.asp>. Acesso em: 25 abr. 2017. BEMATECH: Disponível em: <http://www.bematech.com.br/bematech>. Acesso em: 25 abr. BM&FBOVESPA. Disponível em: <http://www.bmfbovespa.com.br/pt_br/index.htm>. Acesso em: 25 abr. 2017. CVM – COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS. Disponível em: <www.cvm.gov.br>. Acesso em: 25 abr. 2017. IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativa. Disponível em: <http://www.ibgc.org.br>. Acesso em: 25 abr. 2017. ÍNDICES da BM&FBOVESPA. BM&FBOVESPA. Disponível em: <http://www.bmfbovespa.com.br/pt_br/produtos/indices/>. Acesso em: 25 abr. 2017. KERR, R. B. Mercado financeiro e de capitais. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011. PEREIRA, C. L. Mercado de capitais. Curitiba: Intersaberes, 2013. MECANISMOS DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS AULA 5 Prof. Alfredo Beckert Neto 2 CONVERSA INICIAL Olá! Seja bem-vindo à nossa quinta Rota de Aprendizagem. Na aula anterior, conhecemos mais sobre governança corporativa e a BM&FBovespa e seus segmentos. Nesta rota teremos vários assuntos que se relacionam com as rotas anteriores. Iniciaremos com os derivativos, para depois partir para o mercado de futuros e o mercado de opções. Por isso, depois de estudarmos esses mercados, analisaremos os produtos de renda fixa, e para finalizar, abordaremos os fundos de investimento e discutiremos sobre BDRs (Brazilian Depositary Receipts). Aproveite para parar e refletir durante os pontos que considerar interessantes nas aulas, pois assim é possível fazer associações e, consequentemente, gerar novas ideias. Bom estudo! CONTEXTUALIZANDO Em um cenário cada vez mais competitivo, conhecer o mercado de derivativos – que por sua vez faz parte do mercado de capitais – é essencial para o gestor financeiro. Diante disso, realizar a gestão adequada de um portfólio de investimentos que traga rentabilidade para uma empresa ou uma pessoa física é fundamental. E em que produtos e mercados deve-se investir? Ações, opções, fundos ou BDRs? Como realizar uma análise para verificar se vale mais a pena investir em um ou em outro? O que fazer quando a empresa precisa garantir o preço do câmbio para realizar uma operação futura, minimizando os riscos de flutuação cambial? Para responder a essas perguntas, precisaremos conhecer cada mercado e produto analisando como é seu funcionamento e sua possível rentabilidade e risco. Isso auxiliará na conquista dos objetivos pessoais ou empresariais, contribuindo com a perenidade e sustentabilidade das organizações. 3 Pesquise Não hesite em utilizar as mais diversas fontes de conhecimento e pesquisa – na internet as informações estão acessíveis em poucos cliques. Para decidir que produto do mercado de capitais atende melhor os seus objetivos, devemos entender os prós e contras de cada um, assim como suas condições de rentabilidade, prazos e liquidez. Atualmente existem muitos blogs e sites (recomendo a assinatura gratuita do newsletter daquele que mais lhe agrada) com informações de grande relevância para o conhecimento de produtos, inclusive para direcionar aqueles que mais fazem parte do perfil desejado. Mas lembre-se, quem poderá tomar as melhores decisões sobre como investir seu próprio capital ou captar recursos para seus próprios projetos é você mesmo. Por isso, você deve sempre buscar o conhecimento. Boa sorte! TEMA 1 – CONCEITO DE DERIVATIVOS Para iniciarmos nosso primeiro tema, conheceremos os derivativos financeiros. Conforme Kerr (2011), são “instrumentos financeiros derivados de outros, denominados ativos-objetos ou ativos subjacentes”. Segundo o autor, isso faz com que os preços dos derivativos dependam – ou derivem – de um ou mais ativos subjacentes. Podemos entender o derivativo como sendo um contrato entre partes, em que o valor é estabelecido por meio das variações do preço de uma variável (ativo-objeto). Essa variável, normalmente, pode ser a taxa de juros, índices de mercado, ações, commodities, câmbio, entre outros. Commodities é o termo em inglês para “mercadorias”. Entretanto, no mercado financeiro designa produtos de origem primária, que não apresentam características e qualidade diferentes entre os produtores ou sua origem. Por isso, normalmente seu preço é determinado pelo mercado: oferta e procura; possuem cotação e formas de negociação mundiais, por meio da bolsa de mercadorias. Podemos citar como exemplos de commodities a soja, o petróleo, o açúcar cristal e o boi gordo. Retornando aos derivativos, esse mercado permite que algumas estratégias de investimento com vistas a limitar prejuízos e fixar taxas possam ser implementadas. Conforme Pereira (2013), esse mercado permite a negociação a prazo de ativos que ainda não estão disponíveis fisicamente. 4 Dentro do mercado de derivativos temoso mercado a termo, mercado de futuros e o mercado de opções. Os mercados de futuros e opções serão tratados em nossos próximos tópicos. Por isso, definiremos agora o que é o mercado a termo, assim como o mercado a vista, que não faz negociação de derivativos, mas é importante entendermos. Mercado a vista De forma simples, o mercado a vista permite a negociação de compra e venda de ativos comercializados em bolsa, em que o prazo de liquidação física e financeira é estabelecido nos regulamentos e procedimentos da operação da Câmara de Liquidação. Por isso, neste mercado a operação é processada no segundo dia útil após a realização do pregão, e a liquidação financeira ocorre no terceiro. Por isso, podemos entender que é o mercado que possui imediata ou quase imediata liquidação, e os preços dos ativos são estabelecidos em pregão. Como exemplo, quando compramos ações por meio do home broker no pregão eletrônico, estamos acessando o mercado a vista. Mercado a termo É o mercado em que as operações possuem prazos, ou seja, de 30, 60 ou 90 dias, e assim por diante, para que ocorra a sua efetiva liquidação, gerando assim um contrato entre a partes compradora e a vendedora; é, portanto, o mercado em que as partes se comprometem com a compra e venda de quantidade e qualidade determinadas de um ativo. Por exemplo: a contratação de compra e venda de um lote padronizado de ouro para ser entregue em 30 dias; isso faz com que as partes do contrato fiquem vinculadas até a liquidação do contrato. A parte compradora do termo levará o contrato até o final do prazo contratado, e paga pelo ativo tratado no contrato e deseja recebê-lo. Já o vendedor deseja levar o contrato até o final e entregar o ativo objeto, assim como receber o pagamento. Comumente, o contrato a termo é caracterizado por ser bem detalhado e também por haver movimentação financeira apenas na liquidação. Contudo, podemos comentar sobre algumas desvantagens desse mercado, como o risco de crédito e a baixa liquidez. É interessante pensarmos em um exemplo simplificado para melhorar a compreensão: imagine um produtor de soja que colherá a safra daqui a alguns meses e tem medo de que, quando for vender seu produto, em cerca de 90 dias, 5 os preços estejam baixos. Com isso, para garantir um preço capaz de manter a margem de lucro desejada, ele busca um comprador que pense o contrário, que os preços subirão e que deseja garantir o preço da matéria-prima para seguir com seu orçamento. Sendo assim, ambos firmam um contrato que prevê o preço de 80 dólares a saca para uma quantidade de 10.000 sacas e data de liquidação em 90 dias. Caso a negociação seja realizada na Bolsa, deve seguir as normas desta. Passados 90 dias, no vencimento do contrato, a saca, à vista, está sendo comercializada por 70 dólares. Com isso, o produtor de soja entregará o café a 80 dólares por saca, conforme o contrato, resultando em um lucro de 10 dólares por saca em relação ao preço atual da saca de soja. Por outro lado, o comprador terá que pagar 80 dólares por saca, sendo que o valor de mercado é de 70 dólares, perdendo 10 dólares por saca. Independentemente do ganho ou perda, os dois conseguiram “travar” os valores das sacas para 90 dias. Apenas como informação, alguns autores consideram o mercado de derivativos um dos mercados integrantes do mercado financeiro, sendo ele separado do mercado de capitais. É importante perceber que o mercado a termo e de futuros possuem uma diferença. Conforme Kerr (2011), os contratos futuros são padronizados, possibilitando a negociação dos contratos no mercado secundário. O autor ainda comenta que essa padronização dos contratos futuros dão a vantagem da negociação em bolsa, porém, a customização dos mercados a termo dispõe de maior flexibilidade nos contratos. Percebeu a importância que os derivativos possuem no mercado para as empresas? Note que com eles é possível que as organizações se protejam das flutuações cambiais ou das commodities. Caso as empresas não tivessem acesso aos derivativos, muitas poderiam quebrar ou entrar em situações complicadas pelo simples fato de ocorrer uma grande flutuação desfavorável nos valores cambiais ou da commodity negociada. Por isso, no próximo tópico, abordaremos sobre o mercado de futuros, que faz parte dos derivativos. Saiba mais • Para conhecer mais sobre commodities, sugerimos acessar <http://www.bmfbovespa.com.br/pt_br/produtos/listados-a-vista-e- derivativos/commodities/>. 6 TEMA 2 – MERCADO DE FUTUROS São muitos os mercados e conceitos. Para iniciarmos os estudos sobre o mercado de futuros, lembre-se que ele é muito similar ao mercado a termo e é um dos mercados dos derivativos. O mercado de futuros é um dos principais mercados em operação com derivativos. É importante pensarmos que esse mercado visa principalmente a criar proteções para os produtores e organizações no que tange às variações dos preços de seus produtos e mesmo de seus investimentos. Esse mercado, portanto, comercializa contratos em que se determina a compra e venda de um ativo por um valor específico em uma data futura. O comprador ou vendedor se comprometerá a comprar ou vender determinada quantia de um ativo por um preço estabelecido em um dia futuro descrito no contrato. É importante salientar que os compromissos criados por meio dos contratos são ajustados a cada dia baseando-se no que o mercado espera do preço futuro daquele ativo. Com isso, se possui a referência para calcular as perdas e ganhos das operações. Pereira (2013, p. 110) menciona sobre algumas vantagens que o mercado de futuros pode oferecer: Alavancagem: o investidor pode assumir posições com um valor maior ao que tem depositado em sua conta na corretora. Operacionalização: existe uma forma simples para se ter acesso às negociações no mercado de futuros, pois por meio de uma corretora, os contratos poderão ser firmados associando ativos financeiros e commodities. Fundamentação da análise: visto que o principal fator de negociação são as commodities, a análise deve se basear nos preços, que estão relacionados à oferta e à demanda. Assim, temos que o contrato futuro é caracterizado por sua padronização elevada, sua alta liquidez, pela negociação transparente na bolsa por meio do pregão e pela possibilidade de encerrar posições com qualquer participante em qualquer tempo devido ao ajuste realizado diariamente nos valores dos contratos. 7 Além disso, podemos comentar sobre algumas desvantagens da operação do mercado futuro: Alta exigência de movimentação financeira, pois existem os ajustes diários; Custo elevado em comparação aos custos dos contratos a termo; Necessidade de depósito de garantias. Muitos perguntam a respeito de como se proteger das oscilações do dólar, de outras moedas e das commodities, principalmente pensando em realizar suas exportações sem se prejudicarem. A resposta é o contrato de hedge, que é um contrato futuro. Para exemplificarmos um contrato futuro e juntamente demonstrarmos essa proteção, vamos imaginar que uma empresa exportadora de etanol necessite suprir sua demanda e precise que seu fornecedor realize a produção do mês de dezembro de 20XX, que seria o equivalente a 100.000 galões para que consiga realizar seus compromissos de exportação. Pensando no dia 12/06/20XX, no mercado futuro, o preço do galão de etanol estava cotado a R$ 9,00 para dezembro de 20XX. Por isso, pensando em evitar o risco de uma elevação no preço do galão do etanol, percebendo que essa cotação possibilita um custo adequado com sua receita de exportação, aempresa adquire 300 contratos com vencimento em dezembro de 20XX, que equivalem a 30.000 litros e garantindo assim uma proteção de parte de sua compra futura. Então, a empresa fixou 30.000 litros a um preço de R$ 9,00 por litro, resultando em um valor de R$ 270.000,00. Esse tipo de negociação é chamado de hedge de compra. Quando o contrato vencer, em dezembro de 20XX, as posições serão finalizadas utilizando-se da média dos últimos cinco dias úteis do preço no mercado à vista. Verificaremos então a situação do valor do litro em dezembro, pois ele pode ser maior, menor ou igual aos R$ 9,00. Com isso, a empresa realiza a liquidação de sua posição em bolsa vendendo os contratos para comprar o etanol. Podemos verificar os cenários na tabela a seguir: 8 Preço em dezembro de 20XX Preço em 12/06/20XX Saldo a receber na bolsa Cenário A R$ 12,00 -R$ 9,00 R$ 3,00 Cenário B R$ 9,00 -R$ 9,00 R$ 0,00 Cenário C R$ 8,00 -R$ 9,00 -R$ 1,00 Com isso, podemos verificar que independentemente do preço de compra do litro do etanol em dezembro, o preço de compra para a empresa exportadora será de R$ 9,00. Apenas para demonstrar o cenário A da tabela anterior, a empresa receberá R$ 3,00 na Bolsa, pagando R$ 12,00 o litro no mercado disponível, resultando assim numa compra de R$ 9,00 por litro. No cenário 3, ela paga R$ 1,00 por litro na Bolsa, entretanto adquire no mercado disponível o litro por R$ 8,00, resultando em uma compra de R$ 9,00 por litro do etanol. Observe que se não houvesse o mercado de futuros, a companhia que obtivesse estoques de um ativo correria um grande risco com as alterações do preço desse ativo. Felizmente o mercado já possui um nível de maturidade elevado e por isso oferece diversos recursos para as companhias. Utilizar essas proteções disponibilizadas pelo mercado de futuros pode salvar uma organização, e você, como gestor financeiro, deve estar atento para diminuir o risco de suas operações. TEMA 3 – MERCADO DE OPÇÕES Muitas empresas e pessoas acreditam que se realizarem operações no mercado de opções, ganharão muito dinheiro. Em alguns casos, são influenciados pelo analista da corretora. Lembre-se: o analista da corretora e o gerente do banco são funcionários de outra empresa, e podem até ser considerados vendedores dessas empresas; por isso, suas recomendações normalmente são boas para as empresas em que trabalham e não para o cliente. Por isso, quanto mais conhecermos dos mercados, mais fácil será direcionar o que melhor atenderá às nossas necessidades pessoais ou da organização em que estamos. O mercado de opções é baseado em contratos que fornecem o direito de compra ou venda de um ativo mediante o pagamento de um prêmio, de forma 9 diferente dos termos e futuros em que se negociam os ativos. Por exemplo: o comprador adquire o direito (prêmio ou preço da opção) de comprar as ações de uma empresa por um preço definido no contrato (preço de exercício) em uma data futura. Quando essa data futura chegar, o comprador pode exercer o seu direito, comprando de fato as ações ou não. De forma simples, o mercado de opções permite a comercialização do direito de comprar ou de vender um ativo por um preço fixado em uma data futura. Para nos familiarizarmos com esse mercado, vamos conhecer alguns termos. O direito de comprar, ou seja, a opção de compra, é normalmente chamada pelo mercado de call. Por outro lado, o direito de vender, que é a opção de venda, é chamado de put. Usualmente, em uma opção temos o ativo-objeto, como ações da Petrobrás, o preço de exercício, uma data de vencimento da opção e o que se paga pela opção (direito), que é o prêmio. Cabe salientar que se negocia um direito e não uma obrigação, permitindo que esse direito seja exercido ou não. De acordo com Kerr (2011, p. 188), existem duas categorias de opções no que tange ao prazo de vencimento. O autor menciona sobre o tipo europeu que permite a realização do direito apenas na data de vencimento e o tipo americano, no qual o direito poderá ser exercido em qualquer momento entre a data de compra e a data de vencimento da opção. É também importante sabermos que o comprador de uma opção é chamado de titular, e o vendedor é denominado lançador. Este sim, possui a obrigação de comprar ou vender a ação quando o titular exercer seu direito. Ademais, vale ressaltar que no mercado de opções o comprador pode ter uma perda de no máximo o prêmio pago pela opção. Já o lançador da opção terá um alto risco, visto que a flutuação das ações é indeterminada. Kerr (2011, p. 188) menciona o seguinte acerca das opções de compra e venda: Opção de compra: gera ao titular o direito de comprar o ativo-objeto pelo preço de exercício, na data de vencimento, lembrando que isso não é uma obrigação. O comprador paga o prêmio ao lançador já na data de compra da opção. 10 Opção de venda: gera ao titular o direito de vender o ativo-objeto pelo preço de exercício, na data de vencimento. Similar às opções de compra, o titular paga um prêmio ao lançador já na data de compra da opção. #ficaadica Para visualizar as opções disponíveis, basta acessar e selecionar a empresa: <http://www.bmfbovespa.com.br/pt_br/servicos/market-data/consultas/mercado- a-vista/opcoes/>. Observe agora um exemplo de uma call: para a ações da Petrobrás, temos a opção de compra PETRB29 de ações ordinárias (ON) PETR3. Essas ações estão sendo comercializadas no mercado pelo valor R$ 16,35. O vencimento da opção ocorrerá no dia 20/02/20XX (tipo europeia). O preço de exercício é de R$ 18,00. Para obter essas opções, o titular pagou um prêmio de R$ 1,00 por ação, considerando que ele comprou uma opção para 1.000 ações, e que desembolsou no dia 17/01/20XX, R$ 1.000,00. Por isso, o titular terá o direito de comprar as ações da PETR3 por R$ 18,00 cada no dia 20/02/20XX. Caso no vencimento da opção o valor das ações estiver R$16,00 cada, não será vantajoso para o titular exercer seu direito de compra, pois ele pagaria R$ 18,00 por ação, sendo que pode comprar no mercado a vista por R$ 16,00. Nesse cenário, quem lucra é o lançador, pois ele recebeu o prêmio e continuou com suas ações. Contudo, se o valor da PETR3 no dia 20/02/20XX estiver em R$ 22,00, o titular exercerá seu direito e comprará as ações por R$ 18,00, obrigando o lançador a vender as ações. Nesse caso, o titular obterá um ganho, pois pagou de prêmio R$ 1,00 por ação, em que podemos considerar então que pagou R$ 19,00 por uma ação que vale R$ 22,00 no mercado a vista, obtendo um ganho de R$ 3,00 por ação. No caso de um put, a operação seria similar, entretanto seria exercido – ou não – o direito de venda de ações de uma empresa. Note que no investimento em opções é possível lucrar mesmo com a desvalorização dos preços das ações, dependendo da estratégia do investidor. 11 Para finalizarmos nosso tema, vamos conhecer, de forma resumida, o que é swap. O termo swap vem do inglês e significa “permuta”. No mercado de capitais, eles são contratos nos quais as partes firmam trocar fluxos de caixa futuros, considerando datas e regras predeterminadas. Existem, normalmente, duas categorias: swaps de moedas e swaps de taxa de juros. TEMA 4 – RENDA FIXA Agora que já vimos sobre a maioria dos derivativos, vamos analisar produtos de renda fixa muito acessados pelas organizações. Como o próprio nome se refere, renda fixa é associada a qualquer investimento que tem suas regras de remuneração definidas – como a forma de cálculo e pagamento da remuneração e os prazos. Vale ressaltar que a previsibilidade é a principal diferença entreinvestimentos de renda fixa e variável. Como o próprio nome se refere, a renda fixa é associada a qualquer investimento que tem suas regras de remuneração definidas, como a forma de cálculo e pagamento da remuneração, assim como os prazos. Esse tipo de investimento possui uma função importante na economia de um país, porque financia projetos na forma de um empréstimo. Nesse caso, o emitente do título capta recursos para financiar seus projetos e o adquirente dos títulos recebe uma remuneração estabelecida no início da aplicação. O mercado de renda fixa é baseado em títulos públicos e privados. Um exemplo de produto de renda fixa são as debêntures – as quais já estudamos anteriormente. Elas são títulos privados de renda fixa, pois estipulam a taxa de remuneração, o prazo e as formas de pagamento. Os bancos oferecem os mais variados produtos de renda fixa, tais como fundos e títulos privados. Entretanto aqui veremos os principais produtos listados na BM&FBovespa. 12 Títulos públicos federais São também chamados de Tesouro Direto; estes são títulos emitidos pelo governo federal com o intuito de captar recursos para financiar os projetos públicos do país. Além disso, esses títulos podem ser comercializados tanto no mercado primário, quando emitidos inicialmente, quanto no secundário. Muitas pessoas perguntam sobre o risco de calote do governo, entretanto, esse risco é muito baixo, pois se o governo não pagar seus credores terá dificuldades de acessar qualquer tipo de capital. O Tesouro Direto é uma parceria do Tesouro Nacional com a BM&FBovespa para a venda dos títulos públicos federais para pessoas físicas via internet. Atualmente, para se investir no Tesouro Direto é muito simples, bastando possuir uma corretora e realizar o cadastro no Tesouro, tudo on-line. Com no mínimo R$30,00 já é possível adquirir títulos públicos. Existem inúmeros tipos dos títulos do Tesouro, sendo os principais: IPCA+: é um título que remunera o investidor com o índice IPCA somado a uma taxa fixa de rendimento, que normalmente gira em torno de 5 a 7% ao ano. Tesouro Prefixado: remunera o investidor com uma taxa anual de juros prefixada, ou seja, já conhecida no momento da compra do título. Tesouro SELIC: remunera o investidor de acordo com a variação da taxa SELIC diária registrada entre a data de liquidação da compra e a data de vencimento do título. Saiba mais Acesse o site do Tesouro Nacional para conhecer melhor a respeito de títulos públicos (Tesouro Direto): <http://www.tesouro.gov.br/web/stn/tesouro- direto#menu>. Como títulos privados de renda fixa, a BM&FBovespa oferece os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), os Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI), as debêntures e as Letras Financeiras (LF). Com exceção das debêntures, pois já as estudamos, vamos conhecer cada um dos outros: CRA: são títulos lastreados em recebíveis advindos de negócios do mercado do agronegócio, que englobam produtores, cooperativas e 13 terceiros, que também se referem a financiamentos ou empréstimos associados à produção, comercialização, industrialização dos produtos, insumos agropecuários e outros. É interessante conhecer que nessas negociações as companhias fornecem seus recebíveis para uma securitizadora, responsável por emitir e disponibilizar os certificados para comercialização no mercado de capitais. Com isso, a companhia consegue antecipar o recebimento de seus recebíveis, descontando uma taxa de remuneração do capital. CRI: similar ao CRA, é um título lastreado em créditos imobiliários, como financiamentos residenciais e comerciais e contratos de aluguel de longo prazo. Possui o propósito de captar recursos destinados ao financiamento das transações do mercado imobiliário. Para o investidor, ele é gerador de um direito de crédito ao investidor. Ele possuirá o direito de receber uma remuneração, normalmente via juros, do emissor. Ao vencimento do título, o investidor receberá de volta o valor investido, o valor do principal. Letras financeiras: possuem o objetivo de captar recursos de longo prazo, sendo o seu vencimento superior a dois anos. São títulos emitidos por instituições financeiras. Para os investidores, essas letras disponibilizam melhor rentabilidade do que outras aplicações financeiras com liquidez diária ou com prazo inferior de vencimento. Além desses títulos, a BM&FBovespa disponibiliza fundos como investimento em renda fixa. Esses fundos são os FIDCs (Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios). Eles representam a junção de recursos, e ao menos 50% do seu patrimônio líquido é destinado para aplicações em direitos creditórios. Os FIDCs são considerados investimento em renda fixa. Ademais, os direitos creditórios são advindos dos créditos que uma companhia possui a receber, podendo ser em cheques, duplicatas e outros. Quando uma empresa realiza uma venda a prazo, via cartão de crédito, estes recebíveis podem ser vendidos para um FIDC na forma de direitos creditórios, fazendo com que a empresa antecipe o recebimento da venda, e em contrapartida cederá uma taxa de desconto para os investidores. Vale lembrar que é de responsabilidade do administrador (instituição financeira), criar o fundo e realizar o processo de captação de recursos por meio da venda de cotas. 14 Lembre-se de que qualquer ganho de capital realizados por meio de investimentos é tributado pela Receita Federal via Imposto de Renda (IR), entretanto alguns investimentos são isentos de IR, tais como a Poupança, LCI (Letras do Crédito Imobiliário) e LCA (Letras do Crédito do Agronegócio). Vale considerar esse aspecto quando realizar a análise de aplicações. TEMA 5 – FUNDOS E BDRS Neste tema, conversaremos a respeito dos outros fundos de investimento, assim como sobre BDRs. Da mesma forma que os bancos, a BM&FBovespa oferece uma listagem de fundos de investimento. Vale lembrar que um fundo de investimento é um condomínio que une recursos de um grupo de investidores (cotistas) e que possui como intuito obter ganhos financeiros por meio da aquisição de uma carteira estruturada por diversos ativos. Ademais, os gestores do fundo recebem uma taxa de administração como forma de remuneração. Os fundos são categorizados dependendo do tipo do ativo principal. Dentre os de renda variável, temos: Fundo de Investimento em Ações (FIA): são fundos que possuem uma carteira baseada em ações. O principal fator de risco para ele é a variação dos preços das ações. Sua renda é oriunda dos rendimentos distribuídos pelas companhias, tais como dividendos e juros sobre o capital próprio. Por exemplo, para alguém que não quer ficar gerindo uma carteira de ações, é possível terceirizar essa atividade fazendo parte de um fundo e pagando a taxa de administração. É importante ressaltar que a BM&FBovespa exige o cumprimento de diversas normas para listar tais fundos. Fundo de Investimento Imobiliário (FII): similar aos demais fundos, ele possui uma carteira que, em sua maioria, é baseada em ativos imobiliários – principalmente imóveis. Sua renda é constituída pelos aluguéis dos imóveis em carteira. É uma relevante opção para quem busca investir em imóveis. Imagine que você vá comprar um imóvel por acreditar que este gerará uma boa rentabilidade nos próximos anos. Entretanto, a primeira dificuldade é o valor do imóvel, que para uma pessoa comprar pode ser alto demais e inviabilizar o investimento. Além disso, se a receita for obtida via aluguel, existe todo o desgaste de procurar inquilino, da degradação 15interna do imóvel, entre vários outros pontos. Por meio do fundo, você pode investir, por exemplo, apenas R$ 10.000,00 e virar cotista de vários imóveis, sem se preocupar com a operação. Cada fundo oferece um prospecto demonstrando seus imóveis e objetivos. Além disso, no caso dos FIIs, não existe a incidência de IR sobre a receita gerada com os aluguéis. Já caso o imóvel fosse alugado via pessoa física, o IR seria devido. Fundo de Investimento em Participações (FIP): é um fundo que destina seus recursos à aplicação em companhias abertas, fechadas e até mesmo em sociedades limitadas, em fase de desenvolvimento. Nesse caso, o fundo participará do processo decisório da organização investida. Exchange Traded Fund (ETF): é conhecido também como ETF de renda variável ou de ações; é um fundo em que sua aplicação é alocada em uma carteira de ações que visa a retornos correspondentes ao desempenho de um índice de referência da BM&FBovespa. É interessante ressaltar que a compra e venda desses fundos é muito simples devido à organização da BM&FBovespa, que permite a compra e venda dos fundos serem realizadas de forma similar à compra e venda de ações. Agora que conhecemos os fundos, vamos conhecer os BDRs ou certificado de depósito de valores mobiliários. Quem nunca pensou em ser acionista das empresas mais influentes do mundo, como Google, Apple e Facebook? A princípio, para isso, seria necessário abrir uma conta em uma corretora dos Estados Unidos, o que seria um grande desafio. Pensando nisso, a BM&FBovespa criou os BDRs Patrocinados (Brazilian Depositary Receipts). Eles são valores mobiliários emitidos no Brasil e que são lastreados por ativos, normalmente ações, emitidos no exterior. A companhia estrangeira deve contratar uma instituição depositária no Brasil para realizar a emissão das BDRs, sendo essa instituição responsável por emiti-los. Essa instituição possui como responsabilidade a garantia de que os BDRs Patrocinados emitidos de fato estejam lastreados nos valores mobiliários emitidos no exterior. Em resumo, quando alguém compra BDRs, significa que indiretamente essas pessoas possui ações de uma companhia com sede em outro país, sem 16 a necessidade de abrir conta em uma corretora estrangeira, e evitar a burocracia existente para realizar a compra de ações em outros países e bolsas. Apenas a título de conhecimento, saiba que há vários níveis de BDRs Patrocinados e de segmentos de listagem das ações. Vale mencionar também que existem ainda os BDRs Não Patrocinados Nível I (BDR NP). Eles também são valores mobiliários emitidos no Brasil por instituições depositárias e são lastreados com valores mobiliários emitidos no exterior (ações de empresas estrangeiras). A grande diferença de um BDR NP é que a instituição depositária emissora do certificado não possui um acordo com a companhia estrangeira emissora dos valores mobiliários objeto do certificado de depósito. Por isso, caso uma empresa brasileira demonstre interesse em adquirir ações de empresas estrangeiras, isso pode ser realizado indiretamente via BDR. Você, gestor financeiro, agora conhece todas essas possibilidades de realização de investimentos. TROCANDO IDEIAS A você, futuro gestor, recomendamos que sua inserção no mercado de capitais seja realizada de forma gradativa. Não busque de imediato a negociação no mercado de derivativos, como as opções. Inicie compreendendo sobre o mercado acionário e realizando operações aos poucos, para entender sua dinâmica. Ao longo do tempo, adquira mais conhecimento e passe a investir em outros produtos, inclusive fundos. Claro que você deve verificar qual é o seu objetivo com os investimentos e buscar aquele que mais atenda suas necessidades e expectativas. Muitas pessoas buscam o Tesouro Direto. Atualmente o acesso a todos eles é simplificado, e muitas vezes se dá por meio de sistemas na internet e por apps. Para se ter ideia, hoje existem apps como o Guia Bolso, que facilita muito a gestão financeira pessoal; há o app do Tesouro Direto, que permite comprar e vender títulos públicos; há ainda os apps das corretoras que possibilitam a compra e venda de ações, tudo de modo fácil e rápido por meio de um smartphone. É um mundo novo e devemos aproveitar a otimização que esses sistemas geram em nosso cotidiano. Vale lembrar também que nós, como profissionais, devemos embasar nossas decisões com informações; com elas, tudo fica mais fácil. 17 SÍNTESE Nesta rota, apresentamos mais mercados relevantes. Abordamos os derivativos, comentando sobre mercado a termo, mercado de futuros e o mercado de opções. Esse último comercializa o direito de compra ou venda de um ativo. Todos possuem particularidades e podem trazer benefícios para a organização. Em seguida, abordamos os produtos de renda fixa, conhecendo seus diversos títulos, e vimos que a previsibilidade é uma de suas vantagens. Além disso, soubemos que existem fundos específicos de investimentos que são comercializados pela BM&FBovespa, e que é possível investir em ações estrangeiras por meio dos BRDs Patrocinados e Não Patrocinados. REFERÊNCIAS BMFBOVESPA. Disponível em: <http://www.bmfbovespa.com.br>. Acesso em: 19 abr. 2017. KERR, R. B. Mercado financeiro e de capitais. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011. PEREIRA, C. L. Mercado de capitais. Curitiba: InterSaberes, 2013. TESOURO DIRETO. Disponível em: <http://www.tesouro.gov.br/web/stn/ tesouro-direto#menu>. Acesso em: 27 abr. 2017. MECANISMOS DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS AULA 6 Prof. Alfredo Beckert Neto 2 CONVERSA INICIAL Querido aluno, você está de parabéns por todas as horas consumidas nos estudos desta disciplina de Mecanismos de Instituições Financeiras. Enfim chegamos à nossa última rota, e acreditamos que deva ser uma satisfação para todos. Portanto, relaxe, pois iremos conversar sobre as consequências de tudo que estudamos até aqui, ou seja, o que devemos fazer com todas as informações e conceitos que aprendemos. E claro, sempre que você pensar em gestão, considere tomadas de decisão, pois essa é a função principal de um gestor. Porém, para que isso ocorra, o gestor precisa estar munido de diversas informações que serão utilizadas como critérios para a tomada de decisão mais assertiva e alinhada com os objetivos da organização. Por isso, iniciaremos a rota estudando a análise fundamentalista e a análise técnica, para então adentrarmos em uma discussão sobre os indicadores para análises de investimento. Depois conversaremos sobre como investir em ações, sendo uma parte mais prática e essencial para operar no mercado de capitais. Para finalizarmos, entenderemos a respeito do investimento em outros produtos do mercado de capitais. Então vamos em frente em nosso último bate-papo. Bons estudos! CONTEXTUALIZANDO Imagine você ser um dos “donos” de um dos maiores bancos do Brasil. Ou então de uma companhia do setor elétrico. Imaginou? Então, isso é possível por meio do mercado de capitais, que permite que as companhias tanto captem recursos do mercado para seus projetos, quanto invistam seu caixa buscando uma rentabilidade ou mesmo realizando investimentos estratégicos. Aliás, é importante sabermos como avaliar um ativo antes de investirmos, pois normalmente não se deve comprar ações da empresa X só porque se “gosta” da empresa. No caso de busca por rentabilidade, é necessário realizar análises para saber se pode ser um bom momento de compra ou de venda daquela ação. Até porque você, como gestor financeiro, não deve expor o dinheiro de outros ou o seu próprio em riscos tão desconhecidos.Além disso, como nós brasileiros não 3 temos o costume de comprar e vender ações, aprender como realizar esse processo é muito importante. PESQUISE Vamos buscar esclarecimentos? Não hesite em utilizar outras fontes de pesquisa como é o caso da internet. O conhecimento está acessível em poucos cliques. Atualmente existem diversos sites e blogs com informações a respeito do mercado de capitais, análise técnica e fundamentalista, e sobre como investir em ações. Você deve desenvolver seu discernimento para absorver aquilo que te interessa, que faz sentido para você e aplicar da melhor forma possível. Por isso, pesquise sobre recursos que podem te auxiliar a realizar as análises e gráficos. Investigue a fundo o que aqueles que nunca investiram em ações devem fazer, ou sobre como iniciar uma carteira de ações. Tudo isso é muito interessante para a entrada no mercado de capitais. “Minha empresa tem um projeto futuro para captar recursos na bolsa via IPO.” Então, caro aluno, busque informações sobre o que é necessário para a realização do IPO. Além disso, acompanhe empresas referência para visualizar como elas trabalham com os investidores. Boa sorte! TEMA 1 – ANÁLISE FUNDAMENTALISTA Você já ouviu falar em análise fundamentalista? Ela é muito conhecida no mundo do mercado de ações. Quando tratamos da análise de investimentos, temos o objetivo de encontrar informações e buscar projetar o futuro. Isso será de extrema importância para tomarmos nossa decisão de compra ou venda de ações. Usualmente, a assertividade e rentabilidade do investimento em ações está ligada diretamente à capacidade de análise do investidor. Por isso, tome cuidado com dicas ou comentários que surgem por aí. Por isso, conforme Kerr (2011, p.99), a análise fundamentalista considera que, como as ações representam a menor fração do capital social de uma companhia, é viável avaliar e descobrir como será o desempenho futuro da empresa, e ainda saber o desempenho das ações e de seu valor futuro. Com outras palavras e visão, Pereira (2013, p.158) menciona que a análise é uma metodologia para determinar o preço justo de uma ação, sendo que isso se fundamenta na expectativa de resultados futuros. 4 Ademais, a análise fundamentalista se baseia, principalmente, nas informações contidas nas demonstrações financeiras, além de outros fatores externos e internos. Por isso, a técnica pressupõe que as ações possuem um valor intrínseco que está associado ao desempenho da companhia, assim como à macroeconomia. Os dados econômicos são importantes na análise, e podemos citar o desenvolvimento do PIB, a taxa cambial, a conjuntura econômica, o mercado de ações e o setor econômico no qual a companhia está inserida. De certa forma, são muitas informações para análise, o que faz com que os analistas fundamentalistas normalmente atuem acompanhando apenas uma empresa ou um segmento econômico. Pereira (2013, p.158) comenta que o preço da ação na bolsa de valores não representa seu preço justo, porque o preço justo é uma avaliação individual, ao passo que a cotação na bolsa é um dado de mercado. É importante, então, sabermos que quando aplicamos em renda variável, não sabemos quanto resgataremos. Então, no mercado de ações devemos verificar qual será nosso ganho de capital, ou seja, quanto a ação valerá quando vendermos. Portanto, se comprarmos uma ação a R$ 10,00 e a vendermos a R$13,00, temos R$ 3,00 de ganho de capital. Contudo, as ações também nos dão o direito de receber dividendos e devemos considerar isso em nossa análise do retorno do investimento em ações. Por isso, alguns autores mencionam que alguns dos principais itens que determinam o preço justo são: A capacidade de gerar resultados e crescimento: consideramos esse item o mais importante, pois, pensando em preço justo, nada mais "justo" que a empresa tenha lucros crescentes e que ela expanda. Para analisar esse desenvolvimento, utiliza-se o método de múltiplos em que, por exemplo, calcula-se o múltiplo utilizando o preço da ação e dividido por algum outro dado, como o lucro da empresa. Em seguida, compara-se as ações similares e verifica-se quais possuem menores múltiplos, sendo essas as subavaliadas e consideradas para compra. Por outro lado, as ações com maiores múltiplos podem ser consideradas superavaliadas. A liquidez da ação: é importante avaliar a liquidez da ação, pois isso aumenta a velocidade de sua compra e venda. Uma ação que possui alta 5 liquidez é comercializada na quantidade procurada de imediato e ainda com o valor aproximado do último preço de mercado. O desempenho da renda fixa: caso o custo de oportunidade da renda fixa aumentar, o preço justo das ações diminui. O contrário também se aplica. A razão para isso é que se existem produtos de renda fixa, com previsibilidade de qual será minha remuneração, e essa remuneração aumenta, eu preferirei investir em renda fixa, pois na renda variável será mais difícil eu garantir um retorno como na renda fixa. Caso o desempenho da renda fixa diminua, consideraremos arriscar mais na renda variável. Alguns autores consideram o prêmio pelo risco como sendo mais um fator determinante para o preço justo. Esse fator é relacionado com a política de dividendos, política de governança corporativa e o risco do negócio. Pensando nas informações utilizadas para a análise fundamentalista, uma das principais análises é a do preço por lucro (P/L) – “P” é o preço da ação na bolsa e “L” é o lucro por ação. Por exemplo, se uma empresa projeta um lucro de 3 milhões de reais para o ano e possui 100.000 ações, o lucro por ação (LPA) será de R$ 30,00 por ação no ano. Caso o valor da ação na bolsa seja de R$ 250,00, logo o P/L será igual a R$ 250,00 divididos por R$ 30,00. Isso resulta em um múltiplo de 8,33 anos. Esse período demonstra que, ao comprar uma ação você levaria 8,33 anos para ter o retorno do investimento. Porém, tenha cuidado. Lembre-se de que esse lucro é da empresa, a remuneração dos acionistas é via dividendos. Para sabermos em quanto tempo teremos o retorno do capital investido, devemos considerar o preço da ação dividido pelo dividendo pago por ação. Existem diversos indicadores considerados na análise fundamentalista, por exemplo: lucro por ação (LPA); payout; dividend yield (DY); índice preço/lucro; preço da ação/valor patrimonial da empresa; dividendo por ação; dentre vários outros que conheceremos nesta Rota no tópico “Indicadores para análises de investimento”. Portanto, na análise fundamentalista avalia-se, principalmente, a saúde financeira das empresas, assim como as projeções de resultados futuros, para que, com isso, seja possível estabelecer o preço justo das ações. 6 É importante salientar que existem sites e sistemas que fornecem essa análise para os assinantes. Alguns inclusive, fornecem gratuitamente as informações dos índices e múltiplos. Isso facilita, e muito, a análise financeira e o acompanhamento para qualquer ação listada em bolsa. Apenas para citar um exemplo, existe o GuiaInvest, que realiza essa função. Além disso, em sua versão PRO ele calcula o preço justo das ações, baseado nas informações financeiras existentes daquela ação. TEMA 2– ANÁLISE TÉCNICA Vimos que com a análise fundamentalista você possui base e informações para tomar uma decisão de compra e venda, possibilitando maior assertividade na decisão. Veremos agora uma nova metodologia: a análise técnica. A análise técnica se baseia em um outro tipo de conceito. Ela considera que os preços anteriores da ação possuem influência nos preços futuros,por isso são utilizados para projetar os comportamentos do preço da ação. Basicamente, essa análise não leva em consideração o porquê das alterações de preço, mantendo sua atenção apenas no comportamento dos preços, ou seja, nesta análise não se verificam os indicadores financeiros da empresa. Para analisar os comportamentos das variações dos preços das ações, os analistas utilizam-se, normalmente, de gráficos. Por isso, muitas pessoas chamam a análise técnica de análise gráfica. Os analistas verificam gráficos dos preços anteriores, assim como o volume de ações negociadas. Com isso, buscam implementar regras de comportamento futuro para os preços das ações. De acordo com Kerr (2011, p.100), existem alguns pressupostos para a análise técnica, que são: O valor de mercado de um ativo é estabelecido apenas pela influência da oferta e demanda; A harmonia entre oferta e demanda é determinada por fatores racionais e não racionais; 7 Desprezando algumas pequenas variações, temos que os preços das ações assim como seu valor total de mercado caminham de acordo com tendências que persistem durante um período considerável; As tendências dominantes sofrem mudanças em virtude de alterações nas relações de oferta e demanda. Essas mudanças, independentemente das razões que as motivaram, podem ser detectadas pela movimentação do próprio mercado. Vamos fazer uma comparação simples entre a análise técnica e a fundamentalista. Podemos destacar como uma das principais vantagens da análise fundamentalista, seu desempenho no longo prazo, até porque se consideram projeções financeiras da companhia. Já a análise técnica possui uma resposta mais rápida, sendo o tempo de utilização e aprendizado menores. Por outro lado, como desvantagem da análise fundamentalista temos justamente o alto esforço de tempo e análise demandado do investidor. Já como desvantagem, a análise técnica pode não garantir recomendações consistentes pensando em investimentos mais longos e duradouros. Normalmente, a análise técnica utiliza o gráfico do preço da ação, o gráfico do volume de negócios daquela ação e ainda alguns outros. Ela também considera os preços: de abertura: é o preço do primeiro negócio concretizado no dia, sendo considerado o consenso de mercado depois do período anterior; de mínima: como a própria classificação sugere, é o menor preço da ação negociado durante o período; de máxima: é o maior preço pago pela ação durante o período; de fechamento: é o preço da última negociação da ação realizada no período. É bem relevante, pois é considerado o último consenso no qual o mercado definiu. Além disso, os gráficos, usualmente, oferecem opções de período de tempo. Por exemplo, podemos gerar um gráfico da variação do preço das últimas horas, ou dias ou meses. Quando falamos histórico intra-day, nos referimos às variações com período inferior a um dia. 8 Ademais, a análise técnica pode se utilizar de diversos tipos de gráficos, tais como o de linha, de área, de barras e o candlesticks. Se achar necessário, busque se aprofundar no conhecimento desses gráficos. Para utilizar e conhecer sobre tudo que estamos falando, você pode fazer seu cadastro no Infomoney, que gratuitamente terá informações sobre as análises de ações e seus gráficos. Existem mais dois conceitos importantes para a análise técnica: os suportes e as resistências. Suporte é um patamar, nível ou região de preços, em que os compradores estão em vantagem perante os vendedores. Simplificando, ocorre quando os preços das ações estão caindo até atingirem um nível (suporte) no qual os compradores começam a comprar, aumentando a demanda sobre a oferta. Isso faz com que a tendência de baixa seja parada ou revertida. Quanto à resistência, ela atua de forma similar, mas contrária ao suporte. É o inverso. Caso o preço da ação esteja em tendência de alta, chegará em um nível (resistência) em que os vendedores voltam a atuar de forma mais volumosa, gerando uma oferta maior que a demanda, fazendo com que a tendência de alta seja parada ou revertida. Quando uma resistência é superada, ou seja, as ações ultrapassam o valor da resistência, ela se torna o novo suporte, assim como quando um suporte é rompido ele se torna uma nova resistência. Outro ponto importante para comentarmos sobre análises e que se aplica a qualquer área da gestão, são as análises de tendências. Quais são as novas tendências no mercado de capitais brasileiro? Será que essas são tendências no resto do mundo também? Claro que para descobrir tendências podemos realizar pesquisas longas e custosas, entretanto é possível acessar o Google Trends (<https://www.google.com.br/trends/?hl=pt-PT>), que pode ser utilizado para estudar gratuitamente algumas tendências no Brasil e no mundo. A plataforma é bem simples de se usar e basicamente traz informações sobre o que as pessoas estão pesquisando no Google. Em alguns casos, existem tendências com buscas em ascensão no resto do mundo, mas no Brasil as pesquisas ainda não ocorrem em quantidade. Todavia, se no mundo está em ascensão, talvez seja questão de tempo para ascenderem no Brasil também. E nisso, o gestor já antevê situações e poderá se planejar para atender demandas ou resolver situações futuras. 9 TEMA 3 – INDICADORES PARA ANÁLISES DE INVESTIMENTO EM AÇÕES Como escolher entre uma ação ou outra? Qual irá nos trazer a melhor rentabilidade? É difícil saber, pois não temos “bola de cristal”. Entretanto, podemos minimizar o risco e tomar decisões baseadas em informações. Sabemos que a análise fundamentalista utiliza informações financeiras, entre outras, para determinar o preço justo da ação. Qual tal analisarmos a ação de uma empresa? BBAS3 (ações do Banco do Brasil) são uma boa opção. Analisaremos as informações de um dia qualquer. Observe: Cotações: Último Fechamento ......... R$ 28,92 Máxima (52s) ................... R$ 29,49 Mínima (52s) .................... R$ 12,03 Qtde Negócios (21d) ........ 11.430 Volume Médio (21d) ......... R$ 154,99M Considerando essas informações, entendemos que o 52s significa “nas últimas 52 semanas”; “Qtde. Negócios (21d)” representa o número médio de negócios nos últimos 21 pregões, e “Volume médio (21d)” demonstra o volume médio de negociado nos últimos 21 pregões. Indicadores de mercado: Preço/Lucro (x): 8,5 Preço/Valor Patr. (x): 1,1 Dividend Yield (DY) %: 3,2% Payout %: 27% Valor de mercado $: 80,8B % Mês: 11,58% % Ano: 133,65% Indicadores Financeiros: Lucro por Ação (LPA) $: 3,3965 Valor Patr. Ação (VPA) $: 26,7878 Margem Bruta %: 19% Rentab Patr. Líq (RPL) %: 12,7% Rentab. do Ativo %: 0,6% EV/Ebtida (x): 6,5 ROE: 12,7% 10 O quadro a seguir descreve, sucintamente, o significado dos indicadores apresentados: Quadro 1: Indicadores Preço/Lucro (x) Relação entre o valor de mercado da empresa (preço da ação) dividido pelo lucro dos últimos 12 meses. Esse índice P/L demonstra quantos anos são necessários para o investidor recuperar o capital investido, caso ele recebesse todo o lucro. Preço/Valor Patr. (x) Compara o valor de mercado (preço da ação) com seu valor contábil. Por isso, quanto menor esse índice, mais "barata" é a empresa. Dividend Yield (DY) % É o dividendo pago por ação, dividido pelo preço da ação. Quanto maior for o DY, mais retorno para o investidor. Payout % Representa o percentual do lucro líquido pago em dividendos. Valor de mercado $ É o preço da ação multiplicado pelo número de ações emitidas pela empresa.Valor de mercado Representa o preço da ação multiplicado pelo número de ações emitidas pela empresa. % Mês Representa a variação percentual ocorrida no preço da ação no último mês. % Ano Representa a variação percentual ocorrida no preço da ação no último ano. Lucro por Ação (LPA) $ É a relação entre o lucro (prejuízo) líquido do exercício com o número de ações emitidas pela empresa. Valor Patr. Ação (VPA) $ Representa a divisão do patrimônio líquido da empresa pela quantidade de ações emitidas. Margem Bruta % É a relação (divisão) entre o lucro bruto e a receita líquida da empresa nos relativos aos últimos 12 meses. Rentab Patr. Líq (RPL) % É a relação entre o lucro líquido dos últimos 12 meses e o patrimônio líquido. Rentab. do Ativo % É a relação entre o lucro ou prejuízo do exercício com o ativo total da empresa. EV/Ebtida EV significa Enterprise Value, ou seja, “valor da firma”. Isso significa que o EV representa o valor de mercado da companhia mais a dívida líquida. Já o Ebtida, é o mesmo que LAJIDA (Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização). Alguns chamam o Ebtida de geração de caixa operacional. Ele representa o lucro bruto – despesas operacionais (descontando depreciação, amortização e juros pagos). Por isso, quanto menor o EV/Ebtida, mais atraente a ação se apresenta. Entretanto essa comparação deve ser realizada entre empresas do mesmo setor. (continua) 11 (continuação do Quadro 1) ROE (%) Representa a rentabilidade da empresa para os acionistas. ROE significa Return on Equity, e pode ser calculado como o lucro líquido dividido pelo patrimônio líquido. Normalmente é utilizado o lucro líquido dos últimos 12 meses. Em outras palavras, o ROE mensura a qualidade dos investimentos da empresa para gerar o crescimento de lucros futuros. Fonte: Baseado no GuiaInvest. Vale lembrar que o período dos últimos 12 meses é apenas uma referência. Há vários outros indicadores que são utilizados para analisar e comparar ações. Entretanto, apenas com esses indicadores já se pode ter uma boa noção sobre os preços da ação analisada, principalmente, quando comparada com outras ações do mesmo segmento. Em alguns casos, o preço justo da ação é calculado por meio do método de fluxo de caixa descontado. Essa metodologia de avaliação se baseia na projeção dos lucros futuros da empresa para um determinado período de tempo. Ela é utilizada para realizar o valuation (valoração) da empresa, ou seja, o valor da empresa hoje. É interessante lembrar que o fluxo de caixa representa o conjunto de recebimentos e pagamentos ao longo de um período. Ele representa a situação financeira da empresa, entradas e saídas, e dele se extrai o valor da empresa ou preço justo da ação. Ademais, é um método muito utilizado por investidores e analistas financeiros do mercado acionário. Existe um segmento de ações conhecidas como micros, que são companhias menores, mas com grande potencial de valorização. É interessante verificar se as companhias possuem chances de virem a ter grandes crescimentos, via impulsionadores para seus negócios. A própria fusão e aquisição de empresas pode ser um desses gatilhos. Além disso, é importante verificar o histórico de lucro da empresa. Uma empresa mais sólida possui lucros constantes e crescentes. É mais arriscado investir em uma empresa que possui lucro em um ano, no próximo prejuízo, depois lucro e depois prejuízo novamente. 12 #ficaadica Existem sites que apresentam os indicadores para se realizar a comparação de ações, como o GuiaInvest e o Fundamentus: <http://fundamentus.com.br/index.php>. TEMA 4 – INVESTINDO EM AÇÕES Você já percebeu como muitas pessoas têm medo de investir em ações ou mesmo em outros produtos do mercado financeiro? O único investimento que fazem é na poupança. Você, por outro lado, já conhece os riscos e vantagens de diversos outros investimentos. Pensando em renda variável, as ações das companhias podem ser uma ótima opção. Mas lembre-se, isso depende dos seus objetivos, pois a renda variável, assim como pode gerar altos retornos, também podem causar grandes perdas. Por isso, para operar na bolsa é interessante possuir uma estrutura emocional para não se abalar com as oscilações do mercado. O primeiro passo para se investir em ações é a abertura de conta em uma corretora. Após abrir a conta surgirão várias indicações de investimento, incluindo a compra e venda de diversas ações. Muitos pensam: “O analista da corretora me recomendou comprar a ação X e vender a ação Y. Vou fazer isso!” Cuidado: aqui existe uma grande questão. O analista da corretora, geralmente incentivará o cliente a realizar operações, pois a cada compra ou venda de ação a corretora recebe uma taxa de corretagem. Portanto, tome cuidado. Vamos analisar as taxas de uma corretora: Taxa de custódia: refere-se a o que o próprio nome diz, um valor para que realizem a custódia das ações. Simplificando, seria uma espécie de mensalidade cobrada. Taxa de corretagem: refere-se a uma taxa cobrada a cada compra ou venda de ações. Você pode realizar a comparação no site Bússola do Investidor: <https://www.bussoladoinvestidor.com.br/guia_corretoras/>. Não considere apenas os valores, mas verifique também o home broker, apps e outros serviços oferecidos. Vale lembrar que geralmente as corretoras associadas a grandes bancos cobram taxas mais elevadas. Ademais, altas taxas comprometem sua rentabilidade para valores menores de investimentos. 13 Inclusive, aconselhamos a abertura de uma conta digital para que não seja preciso pagar taxas de TED e DOC. Atualmente, para abrir conta em corretoras é muito simples e pode ser feito de maneira on-line, pela internet. Apenas para exemplificar, estas são algumas das corretoras que existem: XP Investimentos, Clear, Easyinvest, Rico, entre muitas outras. Com a conta aberta na corretora, você deverá transferir recursos para essa nova conta. Com isso feito, você já pode acessar o home broker para realizar suas ordens de compra. Contudo, antes de adquirir ações, realize uma pesquisa e acompanhamento para verificar sua estratégia e rentabilidade esperada com o recurso investido. Utilize-se da análise fundamentalista e técnica se for preciso. Para comprar uma ação o sistema precisará de algumas informações. A primeira delas é qual será o ativo; por exemplo: BBAS3. Em seguida, deverá preencher a quantidade de ações que deseja comprar, assim como o preço limite por ação, a data limite da ordem de compra. O sistema informará o valor total que será bloqueado de sua conta. Existem também ferramentas adicionais como o start e stop. Utilizando- se deles, é possível programar suas ordens de compra e venda para serem enviadas para a bolsa somente quando a ação que pretende comprar ou vender atingir uma cotação igual ou superior, em caso de compra, ou igual ou inferior, em caso de venda. Por exemplo, gostaríamos de comprar a ação VALE5 por R$ 23,00, pois isso demonstra que ela subirá ainda mais. Vamos supor que ela esteja sendo negociada a R$ 22,90. Para simplificar, podemos cadastrar um preço start com um valor intermediário aos dois patamares, no caso R$22,95. Quando o preço do start (“disparo”) for atingido, a ordem de compra da ação a R$ 23,00 será enviada para a BM&FBovespa. Isso facilita a vida do investidor, pois este pode programar as ordens de compra ou de venda com start e stop, sem a necessidade de acompanhar o desenvolvimento diário das oscilações da bolsa para realizar suas ordens. Vale ressaltartambém que sua ordem de compra a R$ 23,00 pode não ser efetivada. Por exemplo, caso as ações cheguem ao valor de R$ 22,96 e comecem a cair, provavelmente sua ordem não será efetivada, caso não aconteça até a data limite estipulada. 14 Para realizar uma venda, basta preencher o ativo, quantidade preço limite e data limite da ordem de venda. Todavia, na venda temos o stop, similar ao start nas aquisições. A partir do momento da compra da ação, o investidor terá o direito de receber os dividendos e JSCP que serão distribuídos futuramente. Esses valores serão depositados diretamente em sua conta. A partir da venda das ações, o investidor não terá mais esse direito. Além das várias opções que o home broker disponibiliza, ele ainda permite que você visualize sua carteira de ações em custódia. Temos que dizer ainda mais uma coisa: quando realizar uma operação de compra e venda, a BM&FBovespa cobrará um valor referente a emolumentos, taxa da bolsa. Portanto, sempre esteja atento quando for calcular a rentabilidade de um investimento, pois devemos considerar todos esses gastos oriundos da operação. Outro detalhe em que o investidor deve estar atento é quanto ao Imposto de Renda. Primeiro ponto é que quem realiza negociações de ações deve fazer a declaração anual do IR. Outro ponto é que existe uma isenção para vendas de até R$ 20.000,00 no mês. Por isso, verifique as regras no link a seguir: <http://blog.bussoladoinvestidor.com.br/imposto-de-renda-em-acoes/>. Não existe valor mínimo para se investir em ações, todavia você deve avaliar quanto terá de custos para realizar a operação de compra e venda para verificar se vale a pena ou não. Além disso, vale salientar que a compra de lotes padrão (100 e seus múltiplos) é mais fácil de negociar. Normalmente recomendamos que se compre lotes de no mínimo R$ 3.000,00 por empresa. Outro ponto importante para se ater é para a criação de metas para o seu recurso aplicado. Quando o investidor as atingir deve sair da operação da bolsa. Lembrem-se que a bolsa é apenas um meio para alcançar objetivos e não um fim. #ficaadica Conheça o aluguel de ações: <http://blog.bussoladoinvestidor.com.br/aluguel- de-acoes-como-funciona/>. 15 TEMA 5 – INVESTINDO EM OUTROS PRODUTOS DO MERCADO DE CAPITAIS Querido aluno, chegamos ao nosso último Tema ao longo de uma grande jornada. Acredito que você possa ter “enjoado” um pouco de tanto ouvir e ler sobre o mercado de capitais. Agora, partindo para a reta final, vamos conversar sobre como investir em outros produtos do mercado de capitais. Antes de mais nada, como já conversamos, gestores devem tomar decisões baseadas em informações alinhadas com o planejamento estratégico e os objetivos da organização. Se você gostaria de investir nos fundos disponíveis na BM&FBovespa que estudamos anteriormente, o processo é muito simples. Lembra-se dos Fundos de Investimento Imobiliário, em Participações, ou ainda os Fundos de Investimento em Ações? Esses fundos possuem uma codificação similar aos códigos das ações, como por exemplo: AEFI11 e FCCQ11, que representa o FIP Conquest: A mecânica para investimentos nesses fundos é similar à do investimento em ações. Primeiramente é necessário escolher e abrir uma conta em uma corretora, caso ainda não possua. Em seguida, transferir recursos financeiros para a conta da corretora e depois, pelo home broker, lançar as ordens de compra e venda dos fundos utilizando os códigos dos ativos. Se você quer realizar investimentos indiretos em ações internacionais, no caso, o BDR. De forma similar aos demais, temos seu código, como o da empresa 3M: Para verificar todos BDRs listados no BM&FBovespa, basta acessar o link. Se você quiser investir em opções de ações, primeiramente, é interessante acessar o link <http://www.bmfbovespa.com.br/pt_br/servicos/market-data/consultas/mercado- a-vista/opcoes/> para visualizar as opções de compra ou venda existentes para a empresa que deseja operar. Existem alguns filtros que facilitarão a pesquisa. 16 Com isso, você encontrará o código do ativo para realizar a operação. Por exemplo: Mas cuidado. O investimento em opções é considerado um dos mais complexos. Por isso, para investir nesse mercado de opções o ideal é que se busque muito mais informações para entender bem a dinâmica. Vimos então que para investir nos vários produtos disponíveis na BM&FBovespa, basta ter uma conta numa corretora, que o acesso será viável. Vale lembrar que as corretoras oferecem produtos de renda fixa que, usualmente, não são oferecidos nas mesmas condições nos bancos em que possuímos conta corrente. Por isso, também vale a pena avaliar esses produtos antes de entrar na renda variável. Como você pode perceber, realizar essas etapas é fácil. O difícil é escolher os investimentos que trarão bons retornos. Diante dessas dificuldades, em alguns casos é interessante assinar ou contratar consultorias financeiras independentes, ou seja, que não possuam vínculos com instituições financeiras e corretoras. Atualmente, existem relatórios on-line, em que para se ter acesso, basta fazer sua assinatura, desde que com valores acessíveis, principalmente se essas informações auxiliarem o investidor a ter melhores retornos. Por isso, é de se pensar que um bom profissional, proativo, que planeja cenários de investimentos e antevê problemas futuros, incluindo a entrada e saída de investimentos nos melhores momentos, gerando assim redução de prejuízos ou aumento nos lucros, pode e deve ser muito valorizado. Imagine que você, tendo iniciado há poucos meses em uma empresa, percebe que poderiam ser implementadas diversas otimizações nos investimentos financeiros da empresa, gerando uma maior rentabilidade: isso seria sensacional. Ou ainda, a empresa necessita captar recursos via mercado de capitais e você poderá colaborar em todo o processo. Seria muito bom! Portanto, um bom gestor está sempre antevendo os problemas e os solucionando, sem deixar que eles surjam de fato. Ademais, ele busca sempre informações e conhecimento para tomar suas decisões. Busque ser esse ótimo gestor. 17 Espero que as aulas tenham adicionado novas reflexões e ampliado a sua visão. Eu me despeço aqui agradecendo a atenção e dizendo que foi uma satisfação promover esta jornada conjunta. Desejo muito sucesso para você, gestor e futuro gestor financeiro. Grande abraço. TROCANDO IDEIAS Caso você tenha visto algum termo ou algo que não ficou muito claro ou que desconheça o significado, busque aprender e descobrir. Hoje vivemos com acesso quase total a diversos tipos de informações, e podemos explorar tudo isso. Quem quer aprender sobre Marte, basta procurar na internet que encontrará desde muitas informações até várias fotos e vídeos. No que tange ao mercado financeiro e de capitais, não é diferente. Sempre busque conhecer! Estamos vivenciando diversas inovações, e uma das novas ondas são as fintechs (financial technology). Todas elas podem otimizar sua vida pessoal ou corporativa pensando no aspecto das finanças e investimentos. Por isso, devemos estar “antenados” com relação a essas novidades tecnológicas. O primeiro exemplo que damos é o banco virtual chamado Banco Original. Como ele não possui agências, seus custos são menores e, consequentemente, ele consegue oferecer melhores taxas e preços. Outra fintech é o Nubank, empresa que fornece cartões de crédito sem anuidade, com atendimento e software (app) diferenciado, entre outros benefícios. Além disso, até as corretoras já partirampara inovações como a Clear, corretora virtual. Por fim, existe a Youse, empresa de seguros que opera de forma diferente das tradicionais, com custos e preços menores. É isso, pessoal: a criatividade aliada à inovação e tecnologia pode facilitar nossas vidas. SÍNTESE Vimos que a análise fundamentalista é uma metodologia para avaliar o preço justo de uma ação, e se baseia em informações financeiras, macroeconômicas e outras. Também verificamos a análise técnica, como uma outra forma de avaliar o preço das ações com base nas movimentações do mercado, as variações dos preços. Para isso, os analistas utilizam gráficos e verificam tendências. Além disso, criam níveis de suporte e resistência. Estudamos ainda que os indicadores para investimento em ações podem auxiliar 18 na análise do preço de uma ação e favorecer em nossa decisão de compra ou venda. Ademais, conversamos sobre como investir em ações, sendo que, um dos passos fundamentais além da análise da ação, está a escolha da corretora. E para finalizar, compreendemos sobre como negociar outros produtos do mercado de capitais na BM&FBovespa. Dentre eles, os fundos de investimentos, BDRs e até opções de ações. REFERÊNCIAS BM&FBOVESPA. Disponível em: <http://www.bmfbovespa.com.br/pt_br/index.htm>. Acesso em: 24 mar. 2017. GUIAINVEST. Disponível em: <https://www.guiainvest.com.br>. Acesso em: 24 mar. 2017. KERR, R. B. Mercado financeiro e de capitais. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011. PEREIRA, C. L. Mercado de capitais. Curitiba: Intersaberes, 2013.