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03 - Operações com mercadorias - movimentações, apurações e tributos

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Adriano Gomes
Doutor em Ciências Sociais (Responsabilidade 
Social Empresarial) pela Pontifícia Universida-
de Católica de São Paulo (PUC-SP). Mestre em 
Controladoria pela PUC-SP. Pós-graduado em Fi-
nanças Corporativas e de Mercado pelo Centro 
Universitário da FEI-SP. Graduado em Adminis-
tração de Empresas pelo Centro Universitário 
da FEI-SP. Professor em disciplinas financeiras e 
de responsabilidade socioambiental na gradua- 
ção e MBA da Escola Superior de Propaganda e 
Marketing de São Paulo (ESPM-SP). Docente e 
palestrante em diversas instituições, com des-
taque para ESPM, Associação Comercial de São 
Paulo (ACSP), Centro das Indústrias do Estado de 
São Paulo (CIESP), Instituto de Organização Ra-
cional do Trabalho (IDORT), SGS, INTEGRAÇÃO e 
ABIPLA, além de diversos sindicatos representa-
tivos dos setores econômicos brasileiros. Experi-
ência profissional de 16 anos como executivo de 
empresas industriais, comerciais e instituição fi-
nanceira, além de atuar com consultoria empre-
sarial em empresas de médio e grande portes. 
Autor dos seguintes livros: A Empresa Ágil, Ge-
renciamento do Crédito e Mensuração do Risco de 
Vender, Administração para Não Administradores, 
A Responsabilidade e o Social. 
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Operações com mercadorias: 
movimentações, apurações 
e tributos
Os registros das operações 
típicas de uma empresa
Compras e vendas
Para se realizar a contabilização correta das operações de compra e venda 
é indispensável, a priori, falar em tributação. Tributo é gênero, conforme de-
termina o art. 3.º do Código Tributário Nacional (CTN):
Art. 3.º. Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela 
se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada 
mediante atividade administrativa plenamente vinculada. (BRASIL, Lei 5.172/66)
A composição dos tributos no Brasil está dividida em quatro tipos, a saber:
impostos (federais, estaduais e municipais); �
taxas (toda contraprestação de um serviço público); �
contribuições (trabalhistas, sistema “S” � 1, sobre o faturamento e de melhoria);
empréstimo compulsório (conforme prevê o art. 148 da Constitui- �
ção Federal).
Os impostos dividem-se em algumas categorias, conforme segue:
a) quanto à esfera:
federal – Imposto de Importação (II), Imposto de Renda (IR) etc.; �
estadual – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) etc.; �
municipal – Imposto Sobre Serviços (ISS) etc.; �
1 Convencionou-se chamar 
de Sistema “S” o conjunto 
de contribuições as quais 
são repassadas a entidades 
tais como: SENAR – Serviço 
Nacional de Aprendizagem 
Rural, SENAC – Serviço Na-
cional de Aprendizagem 
do Comércio, SESC – Ser-
viço Social do Comércio, 
SESCOOP – Serviço Nacio-
nal de Aprendizagem do 
Cooperativismo, SENAI – 
Serviço Nacional de Apren-
dizagem Industrial, SESI – 
Serviço Social da Indústria, 
SEST – Serviço Social do 
Transporte, SENAT – Ser-
viço Nacional de Apren-
dizagem do Transporte, 
DPC – Diretoria de Portos 
e Costas do Ministério da 
Marinha, INCRA – Instituto 
Nacional de Colonização e 
Reforma Agrária, SEBRAE – 
Serviço Brasileiro de Apoio 
às Micro e Pequenas Em-
presas, Fundo Aeroviário – 
Fundo Vinculado ao Minis-
tério da Aeronáutica.
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Operações com mercadorias: movimentações, apurações e tributos
b) quanto à forma:
diretos – tributam diretamente a renda (IR); �
indiretos – tributam indiretamente o consumo (ICMS); �
c) quanto à incidência:
cumulativos – não há crédito por parte do comprador do imposto �
colocado no preço do produto comprado. Ex.: COFINS2 (Contribuição 
para o Financiamento da Seguridade Social);
não cumulativos – há crédito por parte do comprador do imposto co- �
locado no preço do produto comprado. Ex.: ICMS.
Portanto, quando um produto é comprado, o vendedor vende, de fato 
e de direito, mercadoria mais impostos. O grande problema é que tais mer-
cadorias carregam impostos indiretos que são pagos, indistintamente, por 
pobres ou ricos, uma vez que não há diferença na hora de desembolsar 
do caixa.
Exemplo
Suponha que uma empresa deseja vender um produto qualquer da se-
guinte forma:
Custo – R$60,00
Lucro – R$22,00
Com tais dados, a empresa deveria vender esse produto por R$82,00 para 
satisfazer sua meta de lucro. Ocorre que para vender tal produto há incidên-
cia de ICMS de 18%. Qual deverá ser o preço?
Preço (P) ?
% ICMS 18%
Custo (C) R$60,00
Lucro (L) R$22,00
Assim, deverá ser um preço tal que subtraia os 18% de ICMS, o custo de 
R$60,00 e reste um lucro de R$22,00, logo:
2 Para empresas optantes 
pelo lucro presumido.
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P – 0,18 . P – R$60,00 = R$22,00
0,82 . P = R$82,00
P = R$100,00
Fica claro, então, que o comprador adquire:
R$18,00 ICMS
R$82,00 Mercadoria
Ou seja, quando uma empresa compra uma matéria-prima, embalagem 
ou mercadoria para revenda por um preço R$100,00, tal valor é composto 
por uma parte que é mercadoria e vai para o estoque e a outra é crédito de 
ICMS que, nesse momento, é ativado como um crédito tributário, portanto 
um direito. Tal crédito será reconhecido no Balanço Patrimonial pela conta 
de ICMS a Recuperar. Portanto, em toda aquisição de matéria-prima, emba-
lagem, insumos de produção e mercadoria para revenda, salvo exceções pre-
vistas em lei que não contemplem o crédito tributário, a empresa terá direito 
ao lançamento de tal valor em sua Contabilidade como ICMS a Recuperar. Os 
lançamentos poderiam ser feitos em três hipóteses:
Exemplo 1: compra de mercadoria totalmente à vista; �
D _ Mercadoria R$82,00
D _ ICMS a Recuperar R$18,00
C _ Caixa R$100,00
Exemplo 2: compra de mercadoria totalmente a prazo; �
D _ Mercadoria R$82,00
D _ ICMS a Recuperar R$18,00
C _ Fornecedor R$100,00
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Exemplo 3: compra parcialmente financiada pelo fornecedor (50%, �
por exemplo).
D _ Mercadoria R$82,00
D _ ICMS a Recuperar R$18,00
C _ Fornecedor R$50,00
C_ Caixa R$50,00
A seguir há a demonstração da situação na forma de Balanço Patrimonial.
Exemplo 1
Ativo Passivo
Caixa -
Estoque R$82,00
ICMS R$18,00 Capital R$100,00
Total R$100,00 Total R$100,00
Exemplo 2
Ativo Passivo
Caixa R$100,00 Fornecedor R$100,00
Estoque R$82,00
ICMS R$18,00 Capital R$100,00
Total R$200,00 Total R$200,00
Exemplo 3
Ativo Passivo
Caixa R$50,00 Fornecedor R$50,00
Estoque R$82,00
ICMS R$18,00 Capital R$100,00
Total R$150,00 Total R$150,00
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Em seguida, a empresa resolve vender seu estoque com uma margem de 
50% e sabe que haverá incidência de 12% de ICMS, uma vez que suas vendas 
são feitas na totalidade para o estado de Minas Gerais. Que preço deverá 
colocar no produto e como ficarão as demonstrações? (Para facilitar, admitir- 
-se-á a compra feita no exemplo 2 e que a venda foi feita totalmente à vista).
Preço (P) ?
% ICMS 12%
Custo (C) R$82,00
% Lucro (L) 50%
Assim, deverá ser um preço tal que subtraia os 12% de ICMS, o custo de 
R$82,00 e reste um lucro equivalente a 50% do preço, logo:
P – 0,12 . P – R$82,00 = 0,50 . P
0,88. P – R$82,00 = 0,50 P
0,38