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GERENCIAMENTO DE SERVIÇOS JURÍDICOS
Material Complementar
INTRODUÇÃO
A gestão de serviços para o trabalho jurídico tem importantes peculiaridades que precisam ser 
conhecidas. Na disciplina Gerenciamento de Serviços Jurídicos, tratamos especificamente dos aspectos 
da gestão de serviços para os ambientes de trabalho jurídico, que são três: escritório de advocacia; 
departamento jurídico de empresa; cartório e tabelionato. Nesses três espaços, o gestor de serviços 
jurídicos poderá exercer suas atividades.
Existem vários outros ambientes de trabalho em que essa atividade pode ser exercida, porém o 
conhecimento adquirido para a prática profissional nessas esferas contribuirá decisivamente para 
que o profissional de gestão de serviços jurídicos atue em qualquer outra área, pública ou privada, e 
ainda no terceiro setor, nas organizações não governamentais, em áreas sem fins lucrativos que atuam 
principalmente na organização de serviços em favor de vulneráveis, como crianças, adolescentes, idosos, 
portadores de necessidades especiais ou, ainda, em favor dos animais e da preservação do meio ambiente.
Os saberes necessários para a atuação em escritórios, departamentos jurídicos de empresas, cartórios 
e tabelionatos são suficientes para que o gestor de serviços jurídicos atue com eficiência em qualquer 
outra área e possa levar seu conhecimento e organização para práticas jurídicas e correlatas, sempre 
com qualidade e segurança de atuação.
Vamos, nesta disciplina, abordar especificamente da gestão de serviços jurídicos. O tema foi tratado 
de forma mais abrangente com o objetivo de construir uma visão ampliada sobre o tema, de forma a 
permitir o acesso a conhecimentos imprescindíveis para o exercício da gestão de serviços. O objetivo 
é capacitar o educando para temas e situações específicas da gestão de serviços jurídicos, área que 
requer novos conceitos e práticas de gestão em razão das especificidades do trabalho desenvolvido por 
advogados e colaboradores de departamentos jurídicos e escritórios de advocacia.
Sendo assim, a expectativa é que o aluno tenha conhecimentos gerais e específicos que o habilitem 
a atuar na gestão de escritórios de advocacia, de departamentos jurídicos de empresas de maior porte 
ou, ainda, de cartórios e tabelionatos.
Esse conhecimento é mais um passo na construção profissional em uma área nova, muito promissora, 
necessária e, principalmente, dinâmica e ensejadora de práticas criativas.
Bom trabalho!
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MATERIAL COMPLEMENTAR
1 HISTÓRICO DA ATIVIDADE JURÍDICA PROFISSIONAL NO BRASIL
Em 1827, foram fundadas as primeiras escolas de Direito do Brasil em Olinda e em São Paulo. 
A faculdade de Direito de Olinda foi transferida para Recife e a faculdade de São Paulo permanece 
até hoje no mesmo lugar, Largo São Francisco, no centro da cidade.
Figura 1 – Faculdade de Direito de Recife, em Pernambuco
Figura 2 – Faculdade de Direito no Largo São Francisco, em São Paulo
Os primeiros cursos de Direito no Brasil foram aprovados por um projeto de lei datado em 11 de 
agosto de 1827. Por essa razão, em todo dia 11 de agosto é comemorado o Dia do Advogado, que se 
tornou também o famoso Dia do Pindura.
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GERENCIAMENTO DE SERVIÇOS JURÍDICOS
 Observação
O Dia do Pindura é uma prática dos estudantes de Direito, que, no dia 
11 de agosto, vão almoçar ou jantar em restaurantes e não pagam a conta 
em comemoração à implantação dos cursos jurídicos no Brasil. Como nessa 
mesma data também é comemorado o Dia do Garçom, a tradição manda 
que, ainda que os estudantes não paguem a conta do restaurante, deem 
gorjeta ao garçom.
O objetivo da instalação dos cursos jurídicos no Brasil em 1827 estava relacionado ao processo 
de independência do País, implementado a partir de 7 de setembro de 1822 e que criou o desejo de 
construir uma nação com sua própria cultura e intelectualidade.
Antes da implantação dos cursos jurídicos no Brasil, os filhos das famílias de maior poder econômico 
estudavam Direito na Europa, principalmente na Universidade de Coimbra, fundada em 1290, uma das 
mais antigas e famosas daquele continente.
Muitos estudantes brasileiros frequentaram o curso de Direito da Universidade de Coimbra, porém, 
após a Independência do Brasil, a necessidade de formar advogados e juízes aqui mesmo era grande, razão 
pela qual a fundação de faculdades de Direito foi feita pouco tempo depois do ato de independência.
Das duas primeiras faculdades de Direito do País, Olinda (depois Recife) e São Paulo, saíram 
profissionais que se tornaram famosos na política brasileira, na literatura e na docência, como foi o 
caso de Tobias Barreto, Joaquim Nabuco, Sílvio Romero, Raul Pompéia, Epitácio Pessoa, Graça Aranha, 
Nilo Peçanha, Pontes de Miranda e José Lins do Rego, oriundos da Faculdade de Direito do Recife; 
de São Paulo, os egressos famosos foram Prudente de Morais, Campos Sales, Rodrigues Alves, Afonso 
Pena, Venceslau Brás, Artur Bernardes, Júlio Prestes, Jânio Quadros, Augusto de Campos, Castro Alves, 
Guilherme de Almeida, José de Alencar, Monteiro Lobato, entre outros.
Como podemos perceber, a graduação em Direito propiciava a construção de conhecimento 
necessária para a atuação na política, na vida cultural e na vida profissional, o que em parte explica 
a grande procura que os cursos de Direito sempre tiveram no Brasil. Na atualidade, são mais de mil 
cursos de Direito oferecidos no País, número superior a qualquer outro país do mundo. Isso não 
significa necessariamente uma vantagem, porque a qualidade nem sempre está atrelada à quantidade 
de cursos existentes.
Ao finalizar o curso de Direito, o graduado se torna bacharel e, com essa titulação, está habilitado a 
prestar o exame para ingresso no quadro da Ordem dos Advogados do Brasil ou prestar concurso público 
para as carreiras de magistrado (estadual ou federal), promotor de justiça (estadual ou federal), delegado 
(estadual ou federal), entre outras carreiras públicas que exigem essa formação.
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MATERIAL COMPLEMENTAR
1.1 A Ordem dos Advogados do Brasil – OAB
A Ordem dos Advogados do Brasil é a autarquia federal que tem sob sua responsabilidade a inscrição 
dos bacharéis aprovados em exame específico, a regulação das atividades dos advogados e a fiscalização 
de sua conduta profissional.
A OAB foi criada pelo Decreto n. 19.408, de 18 de novembro de 1930. Em 20 de fevereiro de 1933, o 
Decreto n. 22.478 criou os dispositivos regulamentares para o funcionamento da Ordem dos Advogados 
do Brasil. Esse decreto foi alterado por duas vezes em 1932 pelos Decretos n. 21.592 e n. 22.039. O 
primeiro Código de Ética dos Advogados foi criado em 25 de julho de 1934 pelos membros do Conselho 
Federal da Ordem dos Advogados do Brasil.
Tem sua sede federal em Brasília e representação nas capitais dos estados e nas principais cidades 
do País.
Na atualidade, a Lei n. 8.906, de 1994, dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e sobre a Ordem dos 
Advogados do Brasil. O art. 44 da Lei n. 8.906, de 1994, determina que:
Art. 44. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), serviço público, dotada de 
personalidade jurídica e forma federativa, tem por finalidade:
I – defender a Constituição, a ordem jurídica do Estado Democrático de 
Direito, os direitos humanos, a justiça social, pugnar pela boa aplicação das 
leis, pela rápida administração da justiça e pelo aperfeiçoamento da culturae das instituições jurídicas;
II – promover, com exclusividade, a representação, a defesa, a seleção 
e a disciplina dos advogados em toda a República Federativa do Brasil 
(BRASIL, 1994a).
O inciso I se refere à função institucional da Ordem dos Advogados do Brasil, que age em defesa 
da democracia, do Estado de Direito e de todos os valores que estão garantidos na Constituição 
Federal brasileira. Em todos os anos de sua história, a OAB está à frente da luta pelo retorno do País à 
democracia, bem como na liderança de todos os movimentos políticos que tiveram por objetivo a defesa 
da democracia no Brasil.
No inciso II, a lei se refere a outro importante papel da Ordem dos Advogados do Brasil, que é o de 
representar os advogados, realizar a seleção daqueles que podem ingressar no quadro de membros da 
OAB e cuidar para que as regras éticas sejam cumpridas por todos os membros.
A Ordem dos Advogados do Brasil está organizada em um conselho federal com sede em Brasília, 
em conselhos seccionais localizados nas capitais dos estados brasileiros e em subseções situadas nas 
principais cidades brasileiras. Essa organização garante que os advogados brasileiros estejam sempre 
muito bem representados por seu órgão de classe.
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A Ordem dos Advogados do Brasil organiza, ainda, a Caixa de Assistência dos Advogados, órgão que 
atua para propiciar aos advogados brasileiros proteção social em diferentes momentos de sua vida; 
essa proteção vai desde desconto na compra de livros e medicamentos até auxílio por doença, morte 
ou invalidez. É um importante serviço para os advogados brasileiros, e seu funcionamento é sempre 
destacado de forma muito positiva.
Todos os advogados brasileiros contribuem anualmente com a Ordem dos Advogados do Brasil. 
O não pagamento dessa contribuição poderá resultar na perda do direito ao exercício da advocacia, 
conforme previsto no art. 34, inciso XXIII, do Estatuto da OAB.
Flávio Pansieri (2015, p. 1549-1550) diz que:
Na introdução do livro As Razões da Autonomia da OAB, editado pelo 
Conselho Federal em 1975, José Ribeiro de Castro Filho, então presidente 
da entidade, afirma que a Ordem dos Advogados do Brasil integra a própria 
estrutura do Estado de Direito, com atribuições que só podem ser exercidas, 
precisamente, sob a condição de não sujeição e não vinculação a qualquer 
dos Poderes. “Até porque da lição da História”, ele acrescenta, “deflui 
necessariamente que, em todas as épocas de colapso do Direito, a Ordem 
esteve sempre em crise perante o Poder.” A independência e a autonomia 
da Ordem dos Advogados do Brasil são pressupostos para a consecução da 
finalidade expressa em seu Estatuto, qual seja: a defesa da Constituição, 
do Estado Democrático de Direito, dos direitos humanos, da justiça social, 
da boa aplicação das leis e da rápida administração da Justiça, além do 
aperfeiçoamento da cultura e instituições jurídicas.
(...)
É entidade cuja finalidade é afeita a atribuições, interesses e seleção de 
advogados. Não há ordem de relação ou dependência entre a OAB e qualquer 
órgão público, em razão da finalidade institucional.
De fato, a Ordem dos Advogados do Brasil sempre se colocou ao lado e na liderança da defesa da 
democracia, do Estado Democrático de Direitos, da lei, da ordem e da justiça. Nos momentos mais 
difíceis da história política e social, como na ditadura militar de 1964-1985, conduziu a resistência 
contra o regime de exceção dos militares e também esteve lado a lado com os líderes do movimento, 
que ficou conhecido como Diretas Já. O objetivo da Ordem dos Advogados do Brasil era apenas um: que 
o País tivesse uma Constituição democrática e voltasse a ter eleições diretas para todos os cargos do 
Executivo e do Legislativo.
É preciso ressaltar que a OAB pagou um preço muito alto por seu protagonismo na luta pela liberdade 
democrática e pelo Estado de Direito.
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Em 27 de agosto de 1980, dona Lyda Monteiro da Silva, funcionária da OAB no Conselho Federal, 
na época instalado na cidade do Rio de Janeiro, abriu uma carta endereçada ao presidente da OAB, 
Dr. Eduardo Seabra Fagundes. A carta, sem remetente, continha uma bomba, que explodiu quando o 
envelope foi aberto, causando a morte da funcionária.
Ao enterro de dona Lyda Monteiro da Silva compareceram cerca de 6 mil pessoas, segundo dados do 
portal do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, que transformaram o cortejo de 8 km em 
um ato de repúdio contra a violência da ditadura militar, que, ao tentar calar a OAB e seu presidente, 
matou uma cidadã brasileira no exercício de seu trabalho.
O causador da morte nunca foi encontrado, e, até hoje, o episódio marca profundamente a história 
e a determinação da OAB em repudiar a violência e em defender o verdadeiro Estado Democrático de 
Direito para todos os cidadãos brasileiros.
 Saiba mais
Veja detalhes desse episódio no portal da OAB:
ORDEM DOS ADVOGADOS (OAB). O Estado de exceção. Disponível em: 
<http://www.oab.org.br/historiaoab/estado_excecao.htm#lyda>. Acesso em: 
13 mar. 2018.
Em outros momentos recentes da história política do País, a OAB não hesitou em participar, sempre 
com o propósito de exigir que a Constituição Federal seja integralmente cumprida e que, com isso, sejam 
mantidos a democracia, o direito de participação dos cidadãos na vida pública e, principalmente, a garantia 
de que nenhum cidadão será perseguido por atuar na luta pelo direito, pela democracia e pela livre 
manifestação do pensamento. É preciso que a cidadania brasileira tenha uma instituição independente e 
comprometida com o direito, como a Ordem dos Advogados do Brasil, para se sentir protegida.
1.2 Constituição Federal brasileira e a advocacia
A advocacia é definida pela Constituição Federal brasileira em seu art. 133 como indispensável 
à administração da justiça. Por essa razão, o advogado é considerado inviolável por seus atos e 
manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei.
O professor Sergio Cavalieri Filho (2015, p. 502-503) destaca:
Entende-se por advocacia a atividade profissional realizada pelos advogados 
no exercício da função pública que exercem. Não obstante os muitos 
sentidos da palavra atividade, aqui deve ser entendida como a conduta 
profissional adequada e habitualmente exercida pelos operadores do direito, 
notadamente os advogados, no sagrado mister da administração da justiça.
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Múltiplos são os aspectos da advocacia em razão das inúmeras áreas 
sociais em que atua, uma decorrência da própria função social do 
Direito. Com efeito, sendo o Direito uma ciência social, um sistema de 
normas para disciplinar a vida em sociedade, uma das mais simples às 
mais complexas relações sociais, a advocacia se faz presente em todas as 
áreas onde o Direito atua.
O exercício da advocacia pode ser feito em área pública ou privada e, ainda, no terceiro setor, no 
qual atuam as organizações não governamentais em defesa de interesses coletivos. Em todas essas áreas 
existe espaço para a atuação dos advogados e de suas equipes de estagiários, assistentes e pessoal de 
área de gestão e administração.
Ao comentar o art. 133 da Constituição Federal, Pansieri (2015, p. 1549-1552) ensina:
A fonte etimológica da palavra advogado vem de advocatus, expressão 
latina, resultante da justaposição de ad vocate, ou seja, chamar para junto. 
Na Roma Antiga nasceu o termo advocati causidici, porém no iníciodesse 
período histórico o termo utilizado para aquele que exercia a função de 
defesa era patronus, agregando este à função de defesa em juízo dos 
interesses de seus clientes, mas também se utilizavam os termos orator, 
cognitores e procuradores, cada qual com funções específicas, funções estas 
que na atualidade podem ser todas exercidas pelos advogados.
Na atualidade o sentido nacional do termo advogado/advogada se fixou na 
garantia de representação argumentativa capaz de comprovar fatos, atos ou 
posições que permitam o exercício de direitos ou que impeçam o Estado de 
impor força contra o indivíduo representado, no caso brasileiro, em regra, 
quando em juízo, por um advogado habilitado.
(...)
No Brasil, a advocacia, a figura do advogado e suas instituição de 
representação se misturam como função essencial de administração da 
justiça, seja na garantia da democracia consubstanciada na liberdade e 
igualdade por intermédio da máxima amplitude do contraditório e da ampla 
defesa ou do acesso ao Judiciário, seja como ente fiscalizador dos concursos 
de ingresso na Magistratura e no Ministério Público, ou, ainda, como agente 
oxigenador dos Tribunais por intermédio de vagas reservadas aos advogados 
para a composição dos tribunais, ou como ente legitimado universal para a 
participação do controle de constitucionalidade no Brasil.
Assim, a “advocacia é uma árdua fadiga imposta a serviço da justiça”, mais do 
que uma profissão, a advocacia é um múnus indispensável à administração 
da justiça, revestida de prerrogativas que assistem diretamente à sociedade, 
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permitindo que esta possa se sentir segura por intermédio da atuação do 
advogado que dê guarida à liberdade e seus direitos, seja administrativa, 
judicialmente ou pelo simples e fiel patrocínio dos negócios jurídicos onde a 
figura do advogado se torna imprescindível.
(...)
Nesse diapasão, a inviolabilidade foi concebida a partir de prerrogativas 
que colocam a sociedade, a partir de seus advogados, a salvo das ações 
autoritárias que possam ser realizadas pelo Estado contra qualquer indivíduo, 
o que comumente se observa na sociedade civil e que “muitos confundem a 
defesa das prerrogativas com privilégios corporativos, quando, na verdade, 
trata-se de defesa da cidadania”.
Tais ensinamentos nos levam à construção de várias reflexões sobre o exercício da advocacia. A primeira 
delas é no sentido de que aquilo que aparentemente pode parecer um privilégio dos advogados é, na 
verdade, um direito da sociedade. Somente advogados livres para realizar sua atividade e que não tenham 
receio de ser punidos por seus atos e palavras podem garantir ao cidadão a mais ampla e legítima defesa 
contra as acusações que lhe são feitas pelo Estado ou por outro cidadão.
Realmente, algumas situações podem levar a sociedade a ser ameaçada pela força do poder do 
Estado ou por outros cidadãos. Nesses casos, só a ampla liberdade de exercício da advocacia é que vai 
garantir que os direitos sejam protegidos e preservados. É nesse sentido que a proteção não é para o 
advogado, mas para a prática da advocacia, de forma a garantir à sociedade brasileira que não lhe falte 
alguém com conhecimento e proteção para a defesa de seus direitos.
Por isso, costuma-se dizer que a advocacia é um múnus, ou seja, um encargo, uma obrigação, um 
dever. Um advogado não pode se furtar a exercer sua atividade em benefício de alguém que necessite 
de seus serviços, em especial em situações de urgência ou de risco, por exemplo, quando alguém 
se encontra preso injustamente por um crime que não praticou ou quando alguém está em vias de 
ser preso injustamente por um ato que não praticou, mas que, no entanto, lhe está sendo imputado 
indevidamente. Nessas circunstâncias, o advogado deve agir em defesa da proteção daquele que está 
tendo seus direitos usurpados. Quando isso acontece, toda a sociedade está protegida, porque o direito 
está sendo respeitado.
Garantir o direito do cidadão ao contraditório e à ampla defesa é a forma de concretizar a democracia 
no País e de respeitar os direitos do cidadão. Nenhum cidadão, por pior que tenha sido o ato praticado, 
pode ser condenado ou punido sem ter direito à ampla defesa.
O princípio do contraditório ocorre durante a defesa e consiste no direito que todos têm de se 
defender, de apresentar seus argumentos, provar os fatos que lhe são favoráveis, exibir documentos 
que provem suas alegações, relacionar testemunhas cujos depoimentos possam ser favoráveis para 
esclarecer os fatos, entre outras possibilidades.
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Todos os brasileiros têm garantido pela Constituição Federal o direito de ampla defesa e de se insurgir 
contra a acusação que lhe esteja sendo feita. No fim, o magistrado deverá avaliar os fatos, as acusações 
formuladas e as provas apresentadas para poder tomar uma decisão final sobre o caso concreto.
O advogado é essencial para garantir que os princípios constitucionais sejam respeitados e que cada 
cidadão possa se defender das acusações e provar seus direitos. Caso não consiga, a lei será aplicada 
para punir ou para garantir o direito de outra pessoa, mas o exercício da defesa terá sido realizado, e 
isso, com certeza, torna a sociedade mais protegida.
1.3 Direitos e deveres dos advogados
Só será aceito como advogado, nos quadros da Ordem dos Advogados do Brasil, aquele que possuir 
diploma de graduação em Direito obtido em instituição de ensino oficialmente autorizada e credenciada e 
que tenha sido aprovado no Exame de Ordem, realizado regularmente durante o ano pela OAB.
O bacharel que desejar pertencer aos quadros da OAB não poderá exercer atividade incompatível. 
São definidas como incompatíveis com a advocacia as seguintes atividades:
• Chefe do Poder Executivo e membros da mesa do Poder Legislativo e seus substitutos legais.
• Membros do Poder Judiciário, do Ministério Público, dos tribunais e conselhos de contas, de 
juizados especiais, de justiça de paz, bem como os que exercerem função de julgamento em 
órgãos de deliberação coletiva da administração pública direta ou indiretamente.
• Ocupantes de cargos/funções de direção em Órgãos da Administração Pública direta ou indireta, 
em suas fundações e em suas empresas controladas ou concessionárias de serviço público.
• Integrantes de cargos ou funções vinculados direta ou indiretamente a qualquer órgão do Poder 
Judiciário e os que exercem serviços notariais e de registro.
• Ocupantes de cargos ou funções vinculados direta ou indiretamente à atividade policial de 
qualquer natureza.
• Militares de qualquer natureza que estejam na ativa.
• Titulares de cargos ou funções que tenham competência de lançamento, arrecadação ou 
fiscalização de tributos e contribuições parafiscais.
• Ocupantes de funções de direção e gerência em instituições financeiras, inclusive privadas.
São ainda impedidos de exercer a advocacia:
• Os servidores da administração direta, indireta e fundacional contra a Fazenda Pública que os 
remunere ou à qual seja vinculada a entidade empregadora.
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• Os membros do Poder Legislativo, em seus diferentes níveis, contra ou a favor das pessoas 
jurídicas de direito público, empresas públicas, sociedades de economia mista, fundações públicas, 
entidades paraestatais ou empresas concessionárias ou permissionárias de serviço público.
Como podemos perceber, a advocacia é uma profissão para ser exercida com total independência,razão pela qual ela nem sempre é possível de ser exercida com outra atividade conjugada. O advogado 
precisa de muita concentração e dedicação aos atos que vai praticar, o que o impede de exercer essa 
atividade com outras, como as citadas anteriormente.
A propósito da independência do exercício da advocacia, o art. 31 da Lei n. 8.906 de 1994 determina:
Art. 31. O advogado deve proceder de forma que o torne merecedor de 
respeito e que contribua para o prestígio da classe e da advocacia.
§ 1º O advogado, no exercício da profissão, deve manter independência em 
qualquer circunstância (BRASIL, 1994a).
A regra determina que o advogado atue sempre com independência porque ele deve buscar os 
melhores resultados para seu cliente e para todos aqueles que confiarem nele para proteção de seus 
direitos patrimoniais ou extrapatrimoniais.
O Código de Ética, em seu art. 2°, determina:
Art. 2º O advogado, indispensável à administração da Justiça, é defensor 
do Estado Democrático de Direito, dos direitos humanos e garantias 
fundamentais, da cidadania, da moralidade, da Justiça e da paz social, 
cumprindo-lhe exercer o seu ministério em consonância com a sua elevada 
função pública e com os valores que lhe são inerentes.
Parágrafo único. São deveres do advogado:
I – preservar, em sua conduta, a honra, a nobreza e a dignidade da profissão, 
zelando pelo caráter de essencialidade e indispensabilidade da advocacia;
II – atuar com destemor, independência, honestidade, decoro, veracidade, 
lealdade, dignidade e boa-fé;
III – velar por sua reputação pessoal e profissional;
IV – empenhar-se, permanentemente, no aperfeiçoamento pessoal e 
profissional;
V – contribuir para o aprimoramento das instituições, do Direito e das leis;
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VI – estimular, a qualquer tempo, a conciliação e a mediação entre os 
litigantes, prevenindo, sempre que possível, a instauração de litígios;
VII – desaconselhar lides temerárias, a partir de um juízo preliminar de 
viabilidade jurídica;
VIII – abster-se de:
a) utilizar de influência indevida, em seu benefício ou do cliente;
b) vincular seu nome a empreendimentos sabidamente escusos;
c) emprestar concurso aos que atentem contra a ética, a moral, a honestidade 
e a dignidade da pessoa humana;
d) entender-se diretamente com a parte adversa que tenha patrono 
constituído, sem o assentimento deste;
e) ingressar ou atuar em pleitos administrativos ou judiciais perante 
autoridades com as quais tenha vínculos negociais ou familiares;
f) contratar honorários advocatícios em valores aviltantes.
IX – pugnar pela solução dos problemas da cidadania e pela efetivação dos 
direitos individuais, coletivos e difusos;
X – adotar conduta consentânea com o papel de elemento indispensável à 
administração da Justiça;
XI – cumprir os encargos assumidos no âmbito da Ordem dos Advogados do 
Brasil ou na representação da classe;
XII – zelar pelos valores institucionais da OAB e da advocacia;
XIII – ater-se, quando no exercício da função de defensor público, à defesa 
dos necessitados (OAB, 2015).
O art. 3º convoca o advogado a atuar em benefício de toda a sociedade, além de responder por seus 
deveres perante seus clientes.
Art. 3º O advogado deve ter consciência de que o Direito é um meio de 
mitigar as desigualdades para o encontro de soluções justas e que a lei é um 
instrumento para garantir a igualdade de todos (OAB, 2015).
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O que torna a advocacia indispensável para a administração da justiça é, também, essa dimensão 
pública e social que está expressa no art. 3° do Código de Ética dos advogados. Os advogados devem 
utilizar o direito como instrumento para diminuir as desigualdades sociais, assim como para encontrar 
soluções que sejam justas, porque a lei é um instrumento exatamente para obter essa finalidade, ou seja, 
obter a garantia de que todos serão tratados da mesma forma, com igualdade de direitos e possibilidades.
O advogado não deve se calar e nem se omitir diante das injustiças e desigualdades, em especial 
quando elas estiverem sendo praticadas contra pessoas que não têm como se defender sozinhas, como 
é o caso de crianças e adolescentes, de portadores de necessidades especiais e, até mesmo, dos animais, 
contra os quais estão sendo praticados atos de violência ou de privação.
De igual maneira se espera que os advogados atuem nas situações em que estejam sendo 
desrespeitados os direitos de mulheres, trabalhadores, consumidores e nos casos de desrespeito ao meio 
ambiente, essas são só algumas situações que a advocacia convoca para a atuação e para a luta em 
favor da justiça e da igualdade social.
1.4 Advocacia em escritório e advocacia empresarial
Uma vez graduado em Direito e aprovado no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB, o 
advogado poderá exercer suas atividades em escritório ou em departamento jurídico de empresas.
Quando vários advogados se organizarem para trabalhar juntos, ou seja, em uma sociedade de 
advogados, eles deverão cadastrá-la na Ordem dos Advogados do Brasil e cumprir as determinações 
legais próprias para o funcionamento dessas entidades. São sempre entidades civis e não comerciais, 
por isso existem regras próprias para o seu funcionamento e que deverão ser rigorosamente cumpridas 
por todos.
Não há limite de número de participantes em uma sociedade de advogados, podendo variar de 
escritórios de pequeno porte – com dois ou três advogados –, até escritórios de grande porte – com alto 
número de advogados atuando. Existem escritórios no Brasil com mais de 200 advogados, alguns em 
regime de sociedade e outros como empregados.
O advogado quando é empregado de um escritório ou de uma empresa é tratado em regime de CLT, 
ou seja, tem direitos e deveres garantidos pela Consolidação das Leis do Trabalho e registro em Carteira 
de Trabalho.
Alguns advogados ou escritórios são especializados em uma ou algumas áreas do direito. É comum 
encontrarmos advogados que atuam nas áreas trabalhista e previdenciária, ou família e sucessões ou, 
ainda, empresarial e trabalhista. Outros advogados e escritórios atuam em todas as áreas do direito.
Com o avanço da complexidade das relações pessoais e empresariais, a tendência é que cada vez 
mais os escritórios e advogados se especializem. Isso é o que se pode constatar nos últimos anos, 
principalmente em razão das novas áreas do direito que surgiram, como Direito Esportivo, Direito da 
Proteção de Dados, Direito de Novas Tecnologias, entre outros.
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As empresas podem contratar advogados ou escritórios prestadores de serviços, como também 
manter seu próprio departamento jurídico. Empresas de médio ou grande porte quase sempre têm seu 
próprio departamento jurídico para atender com agilidade às necessidades características de cada área.
A complexidade da sociedade contemporânea tem obrigado as empresas a se aperfeiçoarem 
cada vez mais, atuando em segmentos específicos do mercado. Com isso, as empresas precisam de 
advogados que conheçam profundamente a atividade da empresa e suas necessidades jurídicas a partir 
da especificidade de atuação. Esse é o caso das empresas que produzem tecnologia de informação e 
que prestam serviços de transferência desse saber para seus clientes. Os contratos que elas precisam ter 
com seus clientes é muito diferente de um contrato de locação ou de compra e venda, razão pela qual o 
advogado que vai elaborar essecontrato precisa conhecer com profundidade o tipo de serviço prestado 
pela empresa.
Alguns departamentos jurídicos de empresa são de grande porte, com dezenas de advogados atuando 
em áreas exclusivas (trabalhista, contratos, tecnologia, logística, entre outros) e, não raro, se reportando 
para a matriz e filiais da empresa em outros países. Na atualidade, os advogados têm a necessidade de 
conhecer outros idiomas além da língua nativa, em especial inglês e espanhol.
1.5 Advocacia na atualidade
A primeira impressão que temos quando alguém diz que é advogado ou que está estudando Direito 
é que aquela pessoa sabe processar os outros, ou seja, que é uma profissão que atua no fórum sempre 
para atacar ou defender uma outra pessoa. Puro engano! Essa não é a melhor visão que podemos ter 
na atualidade sobre a advocacia.
Os advogados, historicamente no Brasil, sempre receberam formação processual, ou seja, formação 
para defenderem os direitos de outra pessoa por meio de demandas judiciais. Em volta dos fóruns das 
cidades, sempre existe grande quantidade de escritórios de advocacia, o que fortalece a ideia de que a 
vida dos advogados é no fórum, realizando audiências, consultando processos judiciais e aguardando 
sentenças que serão proferidas por juízes.
Outra ideia recorrente quando pensamos em advogados é que eles são defensores de criminosos 
ou de pessoas acusadas de praticarem alguma modalidade de crime. Nesses casos, imaginamos que 
os advogados estão sempre no tribunal do júri, semelhante àqueles que aparecem nos filmes e que 
defendem seus clientes falando de forma eloquente enquanto caminham de lá para cá. Tudo isso tem 
um fundo de verdade, mas não é toda a verdade.
A formação dos advogados ainda é fortemente focada na solução de conflitos por meio de ações 
judiciais, mas, na atualidade, há forte estímulo para que ocorra mudança nessa formação e para que esses 
profissionais participem mais ativamente da solução de conflitos utilizando mecanismos alternativos, 
como a mediação, a conciliação e a arbitragem.
Esses mecanismos são bastante indicados para sanar questões de menor complexidade, como os 
conflitos de vizinhos, de condomínio, acidentes de automóvel sem vítimas fatais, danos corporais, entre 
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outras muitas hipóteses. Mas a presença de um advogado é imprescindível porque ele é que poderá 
orientar seu cliente para tomar a melhor decisão, ponderar os prós e os contras e decidir pelo acordo 
que contemple com mais justiça seus direitos e interesses.
Além da mediação, da conciliação e da arbitragem, os advogados têm sido cada vez mais 
solicitados para atuar em áreas de desenvolvimento de negócios empresariais. A velocidade do 
desenvolvimento tecnológico tem exigido dos empresários cada vez mais criatividade em seus 
negócios, e, para garantir que essa criatividade esteja em consonância com a lei, é preciso que 
os advogados estejam sempre presentes, orientando, informando e, principalmente, contribuindo 
para a tomada de decisões dos gestores.
Nos últimos tempos, tem crescido a preocupação das empresas em seguir as regras da legislação 
anticorrupção e contra a lavagem de dinheiro. Os fatos apurados pela Operação Lava Jato da Polícia 
Federal, de grande repercussão no Brasil e no mundo, despertaram nas empresas a necessidade 
de mais cuidados em relação a suas práticas de gestão, especialmente para que sejam em estrita 
conformidade com a lei, transparentes e sem causar prejuízo para os acionistas, empregados e para 
a sociedade brasileira.
Como se pode constatar, a área de trabalho dos advogados tem sido cada vez mais ampla, e, por 
essa razão, um profissional com conhecimento em gestão e em direito será muito útil para assessorar os 
advogados em suas tarefas específicas, principalmente na gestão do local de trabalho, seja ele escritório, 
seja departamento jurídico de empresa.
1.6 Responsabilidade dos advogados pelos atos praticados no exercício 
da profissão
A Lei n. 8.906, de 1994, também chamada de Estatuto da Advocacia, determina em seu art. 32 que o 
advogado é responsável pelos atos que, no exercício profissional, praticar com dolo ou com culpa.
Dolo é o ato praticado com intencionalidade, enquanto a culpa é decorrente de imperícia, imprudência 
ou de negligência que causa dano a outra pessoa.
Em ambas as hipóteses, dolo ou culpa, o advogado será responsável por comprovar que o ato 
praticado causou danos, seja ao próprio cliente, a terceiros ou ao poder público, representado pelo 
Judiciário. O advogado será condenado a reparar os danos causados, indenizando os danos materiais e 
imateriais (danos morais) e cumprindo pena nos casos em que o dolo ou a culpa caracterizarem também 
um ilícito penal, como:
• Falsificação de documentos.
• Pagamento de pessoas para que atuem como testemunhas e prestem um falso depoimento.
• Destruição de documentos relevantes para o esclarecimento de um fato.
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• Modificação do local em que foi praticado um crime para confundir a perícia realizada pela 
Polícia Científica.
• Acobertamento de atos criminosos.
• Auxílio à fuga de um criminoso.
• Visitar presos para levar recados de outros sabendo que essas informações têm por objetivo a 
coordenação de ações do crime organizado.
Todas as práticas elencadas, entre muitas outras do gênero, podem levar um advogado a ser 
condenado por ato criminoso e, em decorrência disso, ser obrigado a cumprir pena de cerceamento 
de liberdade.
Na esfera da responsabilidade civil, o advogado pode ser obrigado a indenizar o cliente ou o terceiro 
sempre que suas práticas resultarem em prejuízos. Como exemplos:
• Deixar de comparecer a uma audiência porque não agendou.
• Não apresentar, na data certa, petição para ser protocolada, perdendo o prazo de apresentação do 
pedido de produção de provas ou do recurso determinado por lei.
• Ainda que contratado para interpor uma determinada demanda judicial em nome do cliente, 
deixar de fazê-lo no tempo certo, provocando a perda do direito de agir em juízo com significativo 
prejuízo para o cliente.
• Não efetuar a cobrança da dívida representada por um título de crédito, como um cheque ou nota promissória.
Em todos esses casos, a conduta do advogado, culposa ou dolosa, provocará prejuízos para o cliente 
e, às vezes, até para terceiros, e o advogado terá que indenizar os danos causados.
Em decorrência dessa grande responsabilidade é que os advogados precisam atuar corretamente, 
obedecendo à lei, aos prazos processuais e a todas as condutas inerente à profissão.
A organização do escritório de advocacia e do departamento jurídico é essencial para que não 
ocorram erros por imprudência, imperícia e negligência – hipóteses que caracterizam a culpa –, mas 
a organização também é fundamental para que ninguém possa agir com dolo. A gestão organizada e 
estruturada para a obtenção dos melhores resultados conseguirá prevenir falhas, erros, omissões e até 
mesmo atos dolosos que possam ser praticados por empregados ou prestadores de serviços, protegendo 
as melhores práticas dos escritórios e dos departamentos jurídicos de modo que seus advogados não 
sejam condenados civil ou criminalmente.
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2 OS CARTÓRIOS E TABELIÃES NO BRASIL
Outro importante local de trabalho para os profissionais formados em Gestão de Serviços Jurídicos, 
Notariais e de Registro são os cartórios e os tabelionatos. Vamos compreender um pouco de sua históriae de seu funcionamento no Brasil contemporâneo.
O trabalho de cartorários e de tabeliães está relacionado com a importância que as diferentes 
sociedades ao longo de sua história sempre atribuíram à propriedade.
Ser proprietário de terras para poder plantar e, assim, garantir a subsistência e a troca por outras 
mercadorias sempre foi um objetivo dos diferentes grupos sociais depois que os homens inventaram as 
técnicas de agricultura. Em decorrência disso, deixaram de ser nômades. Adquirir, preservar e transmitir a 
propriedade de geração a geração era prioridade para os grupos familiares, em especial porque, além de 
ser fonte de riquezas, a propriedade da terra estava bastante associada à proteção das famílias, pois nela 
podiam viver, manter-se, reproduzir, criar seus filhos e preservar a longevidade de seu grupo.
A Bíblia, em uma passagem do profeta Jeremias (32: 14-15), refere-se a escrituras para compra e 
venda de imóveis. Repare como está o texto:
14. Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Toma estas escrituras, 
este auto de compra, tanto a selada, como a aberta, e coloca-as num vaso 
de barro, para que se possam conservar muitos dias.
15. Porque assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Ainda se 
comprarão casas, e campos, e vinhas nesta terra (BÍBLIA, [s.d.]).
A passagem retrata bem a preocupação em registrar a compra e tornar o ato público, para todas as 
pessoas saberem quem era o dono da terra, quem tinha o direito de propriedade sobre aquela área.
Pansieri (2015, p. 3140) pesquisou que:
Os precedentes mais remotos do notariado e da atividade registral podem 
ser encontrados na Antiguidade. É sabido que a unidade dos impérios 
mediterrâneos dependia muito da unidade territorial, sendo forte uma 
economia agrícola e um já promissor desenvolvimento urbano. Já se antevia 
na Suméria, Babilônia e Caldeia um crescimento territorial importante, o que 
levou ao estabelecimento de determinados registros de bens e obrigações; 
especialmente os arrendamentos rurais, seja com a finalidade tributária, 
seja como defesa política, pela notoriedade dada a determinados atos. De 
outro lado, o predomínio da economia marítima que se seguiu também 
colaborou com o desenvolvimento, especialmente em Creta, de uma técnica 
rudimentar de registros públicos. O passo seguinte foi dado por gregos e 
romanos. Contudo, no formato em que a conhecemos hoje, a atividade 
notarial e registral é produto da Idade Média.
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No medievo, a partir do século XIII, efetivamente, nascem os registros e as 
atividades notariais para atender uma necessidade pública, até mesmo pelo 
fato de que grande parte da população era analfabeta, e a cultura refugiava-
se nos monastérios. Contudo, na vida civil, os contratos entre particulares, 
os censos e as atividades mercantis exigiam que se elaborassem documentos 
escritos, até mesmo para afastar os litígios sempre frequentes nas relações 
verbais do tráfico negocial e, mesmo, político. Atente-se que os notários não 
sabiam ler nem escrever; todavia, na medida em que vão se especializando 
na grafia da memória, passaram a adquirir conhecimento de direito 
(especialmente os canônicos) e passam a prestar, também, assistência jurídica 
àqueles que os procuravam; mais tarde, vão “conservar “os documentos 
originais que elaboravam, entregando às partes as pertinentes cópias.
A principal marca da atividade notarial e registral é fornecida pelo Poder 
Público – partindo da presunção de que os atos praticados pelos “notários” 
expressavam com correção o ato volitivo das partes – que atribuiu aos 
documentos lavrados pelos notários uma especial eficácia entre os atos 
grafados entre as partes sem aquela assistência, pois se presumia neles a 
ignorância em direito. Assim, o Estado “delega” ao incipiente notariado a 
função de “fé pública”, e uma notável validez aos seus atos, que carecia nos 
documentos privados, exemplo de nota, estavam na força executiva dos atos 
notariais, pois esses não necessitavam, em juízo, de um processo declaratório 
prévio. Deste modo, ficava configurado o notariado (e posteriormente, o 
registrador) como um órgão cuja finalidade fundamental era a de evitar 
litígios, isto é, o documento notarial dificilmente produziria uma lide, pois 
estaria redigido por um especialista, e se eventual pleito ocorresse, ele tem 
uma especial eficácia que lhe conferia “fé pública”.
E até hoje ocorre da mesma maneira. Quem tem um documento registrado nos serviços de registro 
possui um documento com fé pública, ou seja, com validade garantida e atestada por alguém que 
recebeu do Estado brasileiro o poder de validar documentos. É o que ocorre em um conflito sobre 
propriedade de terras, por exemplo, ou de sucessão hereditária em família. Quem possuir um documento 
lavrado em registro notarial comprovando a propriedade do imóvel, ou seja, quem possuir uma escritura 
lavrada em tabelionato e registrada nos serviços registrais não terá problema em provar que é o dono, 
que pode exercer o direito de propriedade e exigir que os demais o respeitem.
Em contrapartida, todos conhecemos muitas pessoas que foram desapossadas de sua propriedade, 
casa, terreno, apartamento, porque quando confrontadas sobre a propriedade não puderam provar que 
efetivamente eram donas daquilo, porque não tinham documentos válidos para realizar essa prova.
E assim acontece com todos os atos de vontade, como os contratos. Se uma pessoa pretende que 
o compromisso particular de compra e venda de um imóvel lhe dê alguma garantia, é essencial levar 
o documento ao serviço de registro de títulos e documentos para poder fazer valer seu direito contra 
terceiros que, eventualmente, pretendam provar a propriedade daquele mesmo imóvel.
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No Brasil, os registros imobiliários passaram a ser feitos após o Descobrimento, em 1500, e contaram 
com a colaboração da Igreja Católica para serem realizados. Os padres tinham “fé pública” por serem 
homens que trabalhavam para Deus e, além disso, sabiam ler, escrever e organizar os dados importantes 
para caracterizar a quem pertencia uma determinada propriedade. Assim, no início, eram eles os 
responsáveis pelo registro da documentação referente à propriedade de terras e também referente a 
casamentos, nascimentos, batizados e mortes, de modo a poder garantir a transmissão da propriedade 
para as famílias em que ocorriam as mortes.
Com a implantação da República no Brasil e a consequente separação entre o Estado e a Igreja, o 
Estado assumiu as responsabilidades pelos registros de nascimento, casamento, morte e outros que 
eram realizados pela Igreja Católica no País.
2.1 A Constituição Federal brasileira e os serviços notariais e de registro
A Constituição Federal de 1988 dispõe, no art. 236, que:
Art. 236. Os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter privado, 
por delegação do Poder Público.
§ 1º Lei regulará as atividades, disciplinará a responsabilidade civil e criminal 
dos notários, dos oficiais de registro e de seus prepostos, e definirá a 
fiscalização de seus atos pelo Poder Judiciário.
§ 2º Lei federal estabelecerá normas gerais para fixação de emolumentos 
relativos aos atos praticados pelos serviços notariais e de registro.
§ 3º O ingresso na atividade notarial e de registro depende de concurso 
público de provas e títulos, não se permitindo que qualquer serventia fique 
vaga, sem abertura de concurso de provimento ou de remoção, por mais de 
seis meses (BRASIL, 1988).
Após as determinações da Constituição Federal, a atividade notarial e a de registro foram reguladaspela Lei n. 8.935 de 1994.
Estabelece a Lei n. 8.935 de 1994 no art. 1° que serviços notariais e de registro são os de organização 
técnica e administrativa destinados a garantir publicidade, autenticidade, segurança e eficácia dos atos 
jurídicos.
O art. 3° da mesma lei decreta que notário ou tabelião e oficial de registro ou registrador são profissionais 
de direito, dotados de fé pública, a quem é delegado o exercício da atividade notarial e de registro. Determina 
o art. 4° que os serviços notariais e de registro serão prestados de modo eficiente e adequado.
A lei define o que os notários ou tabeliães e os oficiais de registro ou registradores estão autorizados 
a fazer.
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Repare que depois da Constituição Federal de 1988 e da Lei n. 8.935, de 1994, não se utiliza mais 
a expressão cartório. Essa expressão deixou de ser utilizada e foi substituída por tabeliães e notários.
Outro aspecto importante é que as atividades de notários e oficiais de registro são definidas como 
serviços, o que dá uma noção de que o mais importante agora é atender os usuários com eficiência e 
boa técnica nos moldes de todos os serviços que são prestados no mercado.
Pedroso e Lamanauskas (2015, p. 3-4) ensinam que:
A figura responsável pela serventia é o Tabelião ou Notário e o Oficial de 
Registro ou Registrador Público, profissionais de direito dotados de fé 
pública, aprovados por Poder Público e delegados do Poder Público por 
autoridades competentes.
(...)
Nesse contexto o Estado atua intervindo nos negócios jurídicos particulares 
através dos registros, pois considera que determinados atos produzem 
efeitos que transcendem os interesses das partes e se tornam públicos. 
Tal modalidade de atuação estatal se chama administração pública dos 
interesses privados.
Esta é a estrutura geral e as regras básicas do sistema: caráter privado, 
delegação do Poder Público, lei que disciplina a responsabilidade civil 
e criminal, fiscalização pelo Judiciário, lei federal que estabelece normas 
gerais para a fixação dos emolumentos e concurso público.
O sistema registral está dividido em quatro modalidades, que são:
• registro civil de pessoas naturais;
• registro civil de pessoas jurídicas;
• registro de títulos e documentos;
• registro de imóveis.
Os titulares dos serviços de registro são:
• oficiais de registro de imóveis;
• oficiais de registro de títulos e documentos e civis de pessoas jurídicas;
• oficiais de registro civil das pessoas naturais e de interdições e tutelas.
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O sistema notarial, por sua vez, possui três modalidades de atuação: notas; protesto de títulos; e 
contratos marítimos.
Pedroso e Lamanauskas (2015, p. 5) afirmam que:
Os serviços notariais e de registro possuem duas características: uma 
pública, regrada pelo direito administrativo que advém da delegação pelo 
Poder Público da fé pública, e uma privada, regrada pelo direito privado que 
sujeita as relações do delegado internamente, ou seja, tudo aquilo que diz 
respeito à gestão administrativa, financeira e pessoal da serventia.
Aos notários compete, segundo o art. 6º da Lei n. 8.935, de 1994:
I – formalizar juridicamente a vontade das partes;
II – intervir nos atos e negócios jurídicos a que as partes devam ou queiram 
dar forma legal ou autenticidade, autorizando a redação ou redigindo os 
instrumentos adequados, conservando os originais e expedindo cópias 
fidedignas de seu conteúdo;
III – autenticar fatos (BRASIL, 1994b).
 A lei trata separadamente das incumbências dos tabeliães de notas, de protesto de títulos de 
documentos e de registro de contratos marítimos.
No art. 12, a lei define os oficiais de registro de imóveis, de títulos e documentos e civis das 
pessoas jurídicas, civis das pessoas naturais e de interdições e tutelas como aqueles a quem compete 
a prática dos atos relacionados na legislação pertinente aos registros públicos de que são incumbidos, 
independentemente de prévia distribuição, mas sujeitos os oficiais de registro de imóveis e civis das 
pessoas naturais às normas que definirem as circunscrições geográficas.
2.2 Responsabilidade dos notários e oficiais de registro
Os atos praticados por notários e oficiais de registro são fiscalizados pelo Poder Judiciário por meio 
de um juiz corregedor.
Segundo Pedroso e Lamanauskas (2015, p. 29-30):
O juízo competente zelará para que os serviços notariais e de registros sejam 
prestados com rapidez, qualidade satisfatória e de modo eficiente, podendo 
sugerir à autoridade competente a elaboração de planos de adequação e 
melhor prestação de serviços, observados, também, critérios populacionais, 
publicados regularmente pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e 
Estatística (art. 38 da LNR).
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Importante ressaltar que a atuação do Judiciário deve ser direcionada 
para os aspectos estruturais dos serviços, respeitando a esfera privada e a 
atuação do registrador como profissional jurídico, que tem competência 
para qualificar tanto positivamente quanto negativamente um registro, ou 
seja, o Judiciário não pode interferir na análise jurídica feita pelo registrador, 
que ademais é o responsável civil pelo registro.
O ato de fiscalização chama-se correição, que pode ser ordinária ou 
extraordinária. A correição ordinária ocorre todo ano, ocasião em que 
o juiz corregedor e sua equipe se deslocam à serventia a fim de verificar 
seu andamento, papéis, selos, carimbos e livros. A correição extraordinária 
ocorre quando surge a necessidade de uma fiscalização atemporal, urgente.
Além do trabalho do Poder Judiciário na fiscalização das atividades notariais e de registro, também 
o Conselho Nacional de Justiça, CNJ, que é um órgão integrante do Poder Judiciário, fiscaliza as práticas 
dos tabeliães e notários, sempre com o objetivo de garantir que elas sejam corretas, transparentes, 
eficientes e tragam os melhores resultados para a sociedade.
É vital asseverar, ainda, que os arts. 22, 23 e 24 da Lei n. 8.935, de 1994, tratam da responsabilidade 
civil e criminal dos notários e oficiais de registro. Quando forem responsabilizados por atos indevidos 
praticados no exercício de suas atividades, deverão indenizar todas as pessoas a quem causarem 
danos materiais e imateriais, e, conforme o ato praticado, os notários e oficiais de registro poderão ser 
responsabilizados criminalmente, inclusive com pena de cerceamento de liberdade.
Como podemos perceber, a responsabilidade dos notários e oficiais de registro é muito grande. 
Eles não devem falhar na execução dos serviços que prestam para os usuários sob pena de terem de 
suportar as consequências dos atos errados que praticarem, tanto no âmbito das consequências civis – 
que se caracterizam pelo pagamento de indenizações àqueles que sofrerem danos decorrentes dos atos 
dos notários e oficiais de registro – como no âmbito das consequências de ordem penal, que poderão 
significar o cerceamento da liberdade.
3 GESTÃO DE SERVIÇOS JURÍDICOS, NOTARIAIS E DE REGISTRO
Conhecer mais detalhadamente o trabalho realizado por advogados, tabeliães e oficiais de registro 
permite chegar a várias conclusões que precisamos analisar. A primeira delas é que, embora não sejam 
operações profissionais semelhantes a uma empresa comercial, como uma loja ou um restaurante, 
por exemplo, são atividades que dependem de organização primorosa para que todas as tarefas sejam 
realizadasno tempo e no modo corretos, de forma a não decepcionar, frustrar ou mesmo prejudicar os 
que dependem dessas práticas.
Organização é, então, o primeiro aspecto fundamental dessas ações.
Contudo, existe outro aspecto muito relevante para as atividades de advogados, tabeliães e 
oficiais de registro: a necessidade do mais estrito cumprimento dos deveres impostos pela lei, ou seja, 
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responsabilidade pelos atos praticados. O desprezo a esse aspecto pode gerar inúmeras consequências 
negativas, em especial prejuízo econômico e perda de credibilidade.
Organização e responsabilidade são, então, os aspectos essenciais que precisam ser garantidos por 
todos aqueles que forem gestores de serviços jurídicos, notariais e de registro.
Na atualidade, existe outro elemento considerado bastante importante para a atividade de advogados, 
tabeliães e notários: o respeito à ética, à transparência das ações e à governança corporativa com 
segurança e credibilidade. Vamos tratar desses três aspectos fundamentais.
3.1 Organização das atividades: mecanismo para conseguir eficiência e 
qualidade no trabalho
Pudemos observar que as atividades de advogados – em escritórios e em departamentos jurídicos –, 
assim como de tabeliães e notários, depende de uma organização exemplar que lhes permita realizar suas 
tarefas no tempo certo e com a qualidade exigida pela lei.
O tempo é um fator determinante para essas atividades. A perda de um prazo processual, do horário 
de uma reunião com o cliente, de um prazo para registro de documento ou para o protesto de um título, 
tudo isso pode representar sérias consequências negativas para os profissionais, com perdas econômicas 
e de credibilidade que, por vezes, são suficientes para decretar o fim da atividade.
Você não acredita? Imagine que um advogado está trabalhando na defesa de um cliente contra 
quem se alega ser devedor de uma dívida no valor de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais). O advogado 
deve apresentar uma contestação contra esse pedido e anexar documentos que provem que a dívida 
já foi inteiramente paga. Mas, no prazo legal para apresentação dessa contestação, ele se esquece, 
perde-se em meio aos trabalhos do escritório e deixa de apresentar a peça processual. O juiz então 
julga o caso e condena o cliente do advogado a pagar o valor, acrescido de juros e correção monetária. 
Como o cliente não contava com a obrigação de ter que efetuar o pagamento que ele já havia 
realizado, não dispõe do valor e tem as mercadorias de sua empresa penhoradas para pagamento da 
dívida, ficando impossibilitado de efetuar as vendas de que necessita para dar conta de seu sustento e 
de suas responsabilidades como empregador. Ao fim, sem recursos financeiros, o cliente vai à falência 
e perde tudo o que possuía. E por qual razão? Pelo fato de o advogado não ter cumprido seu dever. 
Uma clamorosa falha profissional.
Imagine agora que uma empresa está implantando um projeto de moradias em uma área bastante 
arborizada e, para isso, deve apresentar documentos que comprovem que o desmatamento foi realizado 
apenas mediante autorização prévia do setor administrativo de defesa do meio ambiente naquele 
município. Ocorre que o empregado responsável por esse trabalho deixa de realizá-lo no tempo certo, e 
o alvará da administração pública não é expedido. A empresa recebe fiscalização da Secretaria do Meio 
Ambiente e é multada em R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais) porque não pode comprovar que 
desmatou área para a qual estava autorizada. Em razão da multa aplicada, o projeto é suspenso e todos 
os 345 trabalhadores que estavam empregados são demitidos. Como a empresa havia disponibilizado 
recursos para o projeto e teve que desviar esses valores para tentar pagar a multa, deixou de cumprir 
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compromissos com empréstimos bancários e sua falência foi requerida por um credor. Consequências 
terríveis de um erro de gerenciamento de fluxo de atividades.
Inúmeros outros exemplos poderiam ser mencionados para demonstrar que organização de fluxo 
de trabalho é o ponto central da atividade dos advogados, notários e oficiais de registro.
Um gestor de serviços jurídicos, notariais e de registro é o protagonista do processo de criação e 
administração do fluxo de trabalho, devendo certificar-se de que ele tenha procedimentos e prazos 
inflexíveis, necessários para garantir eficiência e qualidade do desempenho.
Para organizar a gestão do fluxo de trabalho, o profissional deverá conhecer muito bem todas as 
tarefas realizadas no ambiente de trabalho, seja do escritório, do departamento jurídico, do tabelião ou 
do registro. Conhecer as tarefas significa entender o que é feito, como é feito e, principalmente, quem 
são os executivos de cada área/setor e quais tarefas eles têm que realizar.
Adquirir esse conhecimento pode demorar um tempo, porém existem recursos para antecipar 
essas etapas, por exemplo, realizar reuniões com os executivos de cada área, visitas às diferentes áreas, 
ler com cuidado os documentos que esclarecem o funcionamento da empresa ou serviço notarial e 
registral e demonstrar interesse por todas as informações que possam ser úteis para a compreensão do 
funcionamento da atividade.
Mudanças organizacionais geralmente são mudanças culturais e, exatamente por isso, levam tempo. 
É preciso ter paciência para implementar mudanças na forma de administração de um escritório, de um 
departamento jurídico ou de serviços notariais e de registro, porém sem perder o foco na eficiência e na 
melhora da qualidade.
Quando uma mudança é assimilada porque o colaborador compreende que ela é melhor para o 
desempenho de seu trabalho, o caminho está pavimentado para que outras possam vir, porque agora 
a equipe confia nas ideias e sugestões do gestor e se mostra culturalmente preparada para mudar de 
procedimentos sempre que demonstrado que o resultado será positivo.
A confiança da equipe no gestor, assim como a confiança nos superiores hierárquicos, é fruto 
de muito trabalho, dedicação e, evidentemente, de bons resultados. Para isso, todas as sugestões de 
melhoria de fluxo de trabalho devem ser justificadas por meio de um projeto em que se possa evidenciar 
o diagnóstico do problema, a solução a ser implementada e a capacitação necessária para que todos 
compreendam a mudança e o novo fluxo que está sendo proposto.
As reações contrárias sempre poderão ser minimizadas por meio de um diálogo franco e amadurecido. 
Mas o que decididamente coopta alguém a participar de uma mudança é compreender suas razões e ser 
ouvido sobre o que pensa a respeito do assunto. Quando isso acontece com frequência e naturalidade, 
a equipe começa a agir realmente como um grupo de soluções e ideias, uma “usina” permanente de 
sugestões que podem trazer avanços contínuos para o fluxo de trabalho.
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Uma equipe motivada para ser criativa e eficiente é o primeiro passo para melhorias na instituição 
que se pretende gerir com maior dinamismo e eficiência. Dialogar ainda é um caminho muito mais 
efetivo que simplesmente ordenar.
Outro aspecto fundamental que o gestor de serviços jurídicos, notariais e de registro deve levar em 
conta é a permanente atualização com a mudança de leis e normas que regulamentam o seu trabalho. 
Existem vários mecanismos de busca de alteração de leis e normas administrativas que poderão ser 
utilizados para essa atualização, de forma que o gestor saiba sempre se houve alguma mudançae 
no que ela consiste. Estar informado é essencial para atuar com eficiência e, no caso de serviços tão 
específicos, como a advocacia, tabelionatos e registros, a informação é elemento vital para o perfeito 
desenvolvimento das atividades de gestão. De nada valerá ser um gestor organizado e com bom 
conhecimento de suas ações se não estiver informado sobre as regras jurídicas que norteiam o trabalho.
Por derradeiro, e ainda a respeito de organização no ambiente de escritórios, departamentos jurídicos 
e serviços notariais e de registro, é preciso reafirmar o valor dos documentos para essas atividades 
profissionais e, na atualidade, a importância dos sistemas tecnológicos para ordenar, arquivar e utilizar 
documentos em meio digital.
Se no passado recente a disposição de documentos eram basicamente obtidos com a compra de 
arquivos com gavetas, nos quais era possível pendurar dezenas de pastas em ordem alfabética ou por 
números, na atualidade podemos ajustar documentos e mantê-los em meio digital, utilizando recursos 
como as “nuvens”, por exemplo.
Seja qual for o sistema de tecnologia de informação escolhido para organizar um banco de dados, 
é preciso atender rigorosamente a todos os meios de segurança da informação para impedir que dados 
relevantes sejam acessados por pessoas que não tenham autorização para isso.
Imagine que um serviço notarial ou de registro tenha a responsabilidade de arquivar um testamento 
fechado, que o cliente deseja que fique rigorosamente em sigilo até sua morte e que, no entanto, 
alguém consiga ultrapassar as barreiras de segurança e acessar esses dados. Imagine, agora, que essa 
pessoa é um importante gestor de sistema financeiro e que seu testamento tem detalhes íntimos, que 
ele não deseja ver publicados antes de sua morte. O pedido de indenização por danos morais que o 
prejudicado, autor do testamento, poderá pedir contra o serviço notarial e de registro provavelmente 
será um valor muitas vezes superior àquele que possa ser pago. Um prejuízo de grande monta que pode 
vir a inviabilizar a atividade profissional.
Assim, em tempos de dados organizados e arquivados de modo digital, é fundamental saber escolher 
o melhor sistema para as necessidades profissionais, um que seja seguro e de boa utilização para os 
usuários. Em especial, é preciso capacitar todos os empregados que utilizarão o sistema para que tenham 
conhecimento sobre essa ferramenta e saibam os cuidados para a proteção dos dados. Todos devem ser 
motivados a evitar que o sistema seja invadido por pessoas que não podem ter acesso aos dados ou que 
pretendam utilizá-los de forma indevida.
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Só com muito treinamento e capacitação a cultura de proteção de dados poderá ser construída, da 
mesma forma deve acontecer o estímulo para que os empregados evitem utilizar o equipamento de 
trabalho para outras finalidades, como o uso de redes sociais.
3.2 Gestão de serviços jurídicos e cumprimento da legislação
Vimos que as atividades dos advogados, tabeliães e serviços notariais estão previstas na legislação 
brasileira. Não há nada que eles realizem em seu cotidiano que não esteja fortemente regulado por lei 
ou por ato administrativo.
Isso torna essas atividades totalmente diferentes de outras que conhecemos. Na sala de aula, um 
professor tem que cumprir regras específicas para exercer a docência, mas nem tudo o que ele faz 
depende de autorização da lei ou das normas administrativas. Por exemplo, ele precisa avaliar os alunos, 
mas pode, às vezes, substituir uma prova por um trabalho ou pela entrega de um fichamento de um 
livro. Da mesma forma acontece com o chef de cozinha de um restaurante, ele precisa seguir a legislação 
para praticar suas atividades, mas nada o impede de ser criativo no preparo dos pratos, na escolha das 
sobremesas ou até da sequência como vai servir a refeição para os clientes. Advogados, tabeliães e 
oficiais de registros notariais não podem exercer essa criatividade; devem cumprir rigorosamente a lei e 
os atos administrativos que regulam suas atividades.
O advogado só pode comparecer a uma audiência se for intimado para isso, ou seja, não pode ir 
ao fórum e pretender que o juiz pare o que está fazendo para resolver o caso judicial que deseja ver 
solucionado. Os tabeliães e notários não podem exercer suas tarefas conforme desejem, mas apenas em 
estrito cumprimento da legislação que regula cada atividade, como na lavratura de registro civil, registro 
de casamento, de óbito e escritura de propriedade de imóvel. Para cada ato praticado, há uma norma 
jurídica que deve ser severamente cumprida.
Em razão dessa característica diferencial das atividades jurídicas, notariais e de registro, os profissionais 
dessas áreas precisam ser assessorados continuamente sobre prazos, regras de comunicação com clientes, 
cumprimento de normas, pagamento de custas processuais, agendamento de audiências, de correição 
no tabelião ou no serviço de registro e tudo o mais que diga respeito à atividade que desempenham. 
Não há espaço para equívocos, negligência, erros ou omissões. Tudo deve ser rigorosamente realizado 
em conformidade com a legislação.
Há quem não se adapte a essas atividades profissionais exatamente em razão da preocupação 
excessiva que é preciso ter com o cumprimento das normas jurídicas. No entanto, é exatamente 
essa obrigação de cumprir as normas que confere segurança e credibilidade para essas atividades. 
Existem muitos mecanismos de organização que permitem atuar sem deixar de cumprir nenhuma 
delas. Por essa razão é que organização é fundamental nessas atividades, e um gestor de serviços não 
pode negligenciar com os fluxos nem com as estratégias de atualização, verificação e avaliação dos 
sistemas de administração implantados.
Gestão, nessas áreas, é principalmente regular e avaliar resultados de forma criativa, dinâmica e em 
consonância com o disposto nas normas que regem o setor.
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3.3 Governança, ética, gestão de risco e compliance para a área jurídica
Nos últimos anos, o Brasil e muitos outros países do mundo passaram a dedicar maior atenção para 
a atuação das empresas e, principalmente, começaram a exigir que as atividades corporativas sejam 
marcadas por ética, transparência e responsabilidade com a sociedade.
De forma muito simbólica, o mundo detectou que algumas empresas não agiam com ética em 
suas atividades e praticavam, por exemplo, estratégias para lavagem de dinheiro. Isso favorecia a ação 
dos terroristas, e os atentados de 11 de setembro de 2001 mostraram a todo o mundo as terríveis 
consequências dessa prática. De 2001 para os nossos dias, assistimos a uma dezena de outros atentados, 
como o da França, da Espanha e da Inglaterra, sempre com milhares de vítimas e enormes prejuízos.
Por isso, a sociedade mundial passou a exigir das empresas que tenham maior qualidade ética em 
suas práticas, que se relacionem com seus parceiros de negócios também a partir de indicadores de 
práticas éticas e de transparência. De fato, não adianta uma indústria atuar na preservação do meio 
ambiente e comprar matéria-prima de uma mina de carvão que utiliza trabalhadores em situação 
análoga a de escravos ou mão de obra infantil.
São esses riscos de gestão empresarial que devem ser rigorosamente observados por aqueles que 
têm a responsabilidade de administrar toda e qualquer atividade econômica, inclusive escritórios de 
advocacia, registros notariais e tabeliães.
Nesse sentido, é preciso compreender o conceito de governança corporativa, espaço por excelência 
da atuação ética e transparente.
Governança corporativaé o sistema pelo qual as empresas e demais 
organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os 
relacionamentos entre sócios, conselho de administração, diretoria, órgãos 
de fiscalização e controle e demais partes interessadas. 
As boas práticas de governança corporativa convertem princípios básicos 
em recomendações objetivas, alinhando interesses com a finalidade de 
preservar e otimizar o valor econômico de longo prazo da organização, 
facilitando seu acesso a recursos e contribuindo para a qualidade da gestão 
da organização, sua longevidade e o bem comum (IBGC, 2018).
A governança corporativa é essencial para que as atividades profissionais sejam realizadas com 
qualidade técnica, mas também com qualidade moral e ética. Não é positivo para a sociedade que uma 
empresa tenha grande potencial técnico, mas, ao realizar seu trabalho, pratique atos como corrupção 
de funcionários públicos, concorrência desleal, venda de dados sigilosos para obtenção de resultados 
econômicos, entre outras práticas negativas.
O comportamento ético deve ser incentivado para toda a empresa e, por isso, assume o caráter de 
verdadeira governança. Não é um ou outro dos participantes da organização que decide agir com ética, 
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transparência e bons valores. Ao contrário, a governança corporativa estabelece princípios que deverão 
ser adotados por todos, inclusive por aqueles que prestam serviços para as empresas, os chamados 
prestadores de serviços.
Ética empresarial, na atualidade, é um tema de grande importância e que suscita muitos debates.
Empresas cujos valores são percebidos como positivos pela sociedade tendem 
a ter uma vida longa. Do contrário, tornam-se frágeis, sem competitividade 
e ficam suscetíveis a riscos de imagem e reputação. Os princípios 
éticos devem compor a base da cultura de uma empresa, orientando sua 
conduta e fundamentando sua missão social.
No atual contexto das relações sociais, as atividades empresariais, 
paralelamente à gestão e serviço público, têm mostrado cada vez mais o seu 
potencial de influenciar o desenvolvimento da sociedade – seja pelo impacto 
causado no processo produtivo, seja por sua capacidade de gerar riqueza. E a 
própria sociedade tem sido cada vez mais envolvida nesse processo.
Os valores empresariais devem ultrapassar as determinações do processo 
produtivo da organização e o que acontece entre os limites físicos de 
suas instalações. A consciência de que o impacto das suas atividades 
também vai muito além é o primeiro passo para uma efetiva mudança 
e adequação a uma nova realidade (INSTITUTO ETHOS, 2016).
Governança corporativa com ética é o que garante a credibilidade e a sustentabilidade das empresas 
no mundo contemporâneo. Sustentabilidade é compreendida como um conceito que não se limita, 
embora inclua, às preocupações com o meio ambiente e sua preservação. O termo sustentabilidade aqui 
é aplicado no sentido de atividade empresarial que se previne dos riscos contemporâneos que podem 
afetá-la e colocar a perder a credibilidade, a solvência e a liquidez da organização.
Por essa razão, as instituições contemporâneas trataram de estabelecer normas de conduta em 
verdadeiros códigos de ética que precisam ser seguidos por todos, dos diretores e proprietários a todos 
os funcionários, bem como pelos principais prestadores de serviços.
Além disso, e também com a finalidade de garantir a boa governança corporativa, as empresas 
passaram a organizar departamentos de compliance. Compliance é uma palavra de origem inglesa 
oriunda do verbo to comply, que significa conformidade. Um departamento de compliance ou de 
conformidade é responsável por verificar se a empresa cumpre todas as regras às quais ela está sujeita 
e, principalmente, deve criar a cultura de conformidade, de modo que todos os funcionários se tornem 
verdadeiramente fiscais da adequação da empresa ao regramento e às boas práticas éticas.
O setor de compliance é a área para qual convergem todas as denúncias de práticas indevidas e 
que deve tratá-las com seriedade, profissionalismo e muito cuidado para garantir a veracidade das 
informações, a apuração das irregularidades e as medidas cabíveis para sanar os problemas.
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Muitas vezes um funcionário comete erros por não ter sido bem orientado, por exemplo, quando 
aceita brindes caros – como um celular ou uma viagem de fim de semana com tudo pago para ele e 
a família – custeados por um fornecedor que tem interesse em continuar prestando serviços para a 
empresa e que, com essa finalidade, tenta cooptar o funcionário responsável pela contratação. Se essas 
práticas eram comuns no passado, na atualidade já não se justificam mais, e o setor de compliance tem 
obrigação de informar a todos sobre como agir nessas ocasiões.
Muitos outros exemplos poderiam ser utilizados para demonstrar que as empresas devem se 
preocupar com a segurança de sua conformidade às regras.
O professor Bernardo Rocha de Almeida (2017, p. 144) ensina:
Compliance é “o conjunto de disciplinas para fazer cumprir as normas legais 
e regulamentares, as políticas e as diretrizes estabelecidas para o negócio e 
para as atividades da instituição ou empresa, bem como para evitar, detectar 
e tratar qualquer atividade ou inconformidade que possa ocorrer”.
Estar em compliance é estar em conformidade com leis e regulamentos 
internos e externos, sendo, acima de tudo, uma obrigação individual de 
todos aqueles que agem em nome de uma pessoa jurídica.
Risco de compliance é o risco de sanções legais ou regulatórias, de perda 
financeira ou de reputação que a pessoa jurídica pode sofrer com resultado 
da falha no cumprimento da aplicação de leis, regulamentos e do Código 
de Ética.
A implementação do compliance visa prevenir comportamentos em 
desacordo com as normas internas da empresa e com as leis aplicáveis, bem 
como orientar os colaboradores em situações de dúvidas/risco, evitando 
que a pessoa jurídica, por intermédio destes colaboradores ou de terceiros, 
venha praticar atos ilícitos.
Como podemos constatar, na atualidade, administrar ou gerir uma área jurídica de escritórios, 
departamentos de empresas, tabeliães ou serviços notariais significa também implementar um 
programa de compliance, ou seja, gerenciar os riscos de práticas que caracterizem corrupção, lavagem 
de dinheiro ou que descumpram alguma regra geral ou específica que afeta a atividade jurídica ou a 
do cliente atendido.
Para elaborar e gerir um programa de compliance, o gestor precisa de muito conhecimento, razão 
pela qual a gestão do conhecimento assume importância cada vez maior na sociedade contemporânea 
e na área jurídica especificamente.
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3.4 Gestão do conhecimento
Produzir, pesquisar, organizar e administrar o conhecimento é tarefa essencial em uma sociedade de 
constantes mudanças como a nossa, para qual cada um de nós deve estar preparado para se atualizar a 
cada momento, porque o conhecimento produzido está sempre em formação e em atualização.
Na área de atividade de gestão de serviços, gerenciar conhecimento e compartilhá-lo entre todos os 
envolvidos no processo corporativo é essencial para garantir os melhores resultados, principalmente em 
setores altamente competitivos em atividade profissional.
Pires, Lopes e Valls (2013, p. 48) assinalam que:
O conhecimento é individual, mas, de alguma forma, esse conhecimento 
estruturado a partirdo modelo mental dos indivíduos que atuam na 
organização passa a integrar os recursos organizacionais, pois foi gerado 
tendo em vista o atendimento das necessidades específicas apresentadas 
pela instituição.
Nonaka e Takeuchi (1997) propuseram um modelo que permite a percepção 
do “trajeto” percorrido pelo conhecimento nas organizações e a forma como 
esse recurso é gerado. O intento dessa teoria da criação do conhecimento 
não é, apenas, mapear os caminhos que levam a organização a produzi-lo, 
mas de maneira muito específica, entender como esse recurso é importante 
e como pode ser apropriado tendo em vista sua retenção e melhoria de 
processos, produtos e serviços.
(...)
Se considerarmos que os escritórios de advocacia são formados por pessoas 
que vendem soluções, habilidades e experiência dos seus advogados, 
criam documentação de precedentes jurídicos e buscam a manutenção 
atualizada da base legislativa e jurisprudencial, logo seremos capazes de 
reconhecer que, embora tais instituições não gerem conhecimento por si 
mesmas, elas o geram por meio daqueles que, por ela e nela, desempenham 
algumas funções. Como afirma Nonaka e Takeuchi (1997), “a criação do 
conhecimento organizacional deve ser entendida como um processo que 
amplia organizacionalmente o conhecimento criado pelos indivíduos, 
cristalizando-o como parte da rede de conhecimentos da organização”. 
Desta forma, vemos nascer o conhecimento, que pode ser entendido como 
um processo organizacional.
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Pires e Amorim (2012, p. 75-76) ressaltam:
Com a intensificação do uso do conhecimento na produção, há um novo 
papel social a ser assumido pelas organizações contemporâneas. Há 
necessidade de soluções ágeis, que se sustentem e que sejam capazes de 
estimular novos conhecimentos para que o ciclo seja completo. Além disso, 
essas soluções precisam ser cada vez mais inovadoras e autênticas, uma vez 
que a complexidade dos problemas é cada vez maior.
(...)
As pessoas são as portadoras do conhecimento. No entanto, a organização 
aparece com um papel protagonista para a criação de mecanismos e 
estruturas que estimulam a criação do conhecimento. O conhecimento 
organizacional é, portanto, resultado da interação desses processos 
organizacionais e competência individual apresentada pelas pessoas.
Assim, na atualidade, gerir conhecimento produzido individual e coletivamente e do qual a instituição 
se apropria para a realização de seus objetivos é uma importante função dos gestores, em especial na 
área de serviços.
A expectativa é que o conhecimento de caráter fundamental para o trabalho da organização 
de serviços seja compartilhado entre os colaboradores com liberdade, porém com um fluxo que 
garanta a criação de novos saberes e a utilização para a obtenção dos melhores resultados para a 
atividade de serviços.
É essencial que o gestor de serviços se prepare para a atividade de administrar e compartilhar 
conhecimentos relevantes produzidos no ambiente de trabalho, assegurando que eles possam ser 
utilizados por todos e acrescidos de novos conteúdos de forma dinâmica e eficiente.
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FIGURAS E ILUSTRAÇÕES
Figura 1
FAC.DIREITO%201.JPG. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar./images/stories/fac.
direito%201.jpg>. Acesso em: 13 mar. 2018.
Figura 2
INFORMACOES_RESTAURAR_SAO_FRANCISCO.GIF. Disponível em: <http://www.direito.usp.br/
faculdade/restaurar/informacoes_restaurar_sao_francisco.gif>. Acesso em: 13 mar. 2018.
REFERÊNCIAS
Textuais
ALMEIDA, B. R. de. Os reflexos da Lei Anticorrupção nos escritórios de advocacia: a importância do 
compliance. O compliance como instrumento de prevenção e combate à corrupção. Porto Alegre: 
Livraria do Advogado, 2017.
BÍBLIA online. [s.d.]. Disponível em: <https://www.bibliaonline.com.br>. Acesso em: 13 mar. 2018.
BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. 
Atos das disposições constitucionais transitórias. 1988. Brasília: 1988. Disponível em: <http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm>. Acesso em: 19 mar. 2018.
___. Lei n. 8.906, de 4 de julho de 1994. Dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos 
Advogados do Brasil (OAB). 1994. Brasília: 1994a. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/Leis/L8906.htm>. Acesso em: 14 mar. 2018.
___. Lei n. 8.935, de 18 de novembro 1994. Regulamenta o art. 236 da Constituição Federal, dispondo 
sobre serviços notariais e de registro (Lei dos Cartórios). 1994. Brasília: 1994b. Disponível em: <http://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8935.htm>. Acesso em: 14 mar. 2018.
CAVALIERI FILHO, S. Programa de responsabilidade civil. 12. ed. São Paulo: Atlas, 2015.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GOVERNANÇA CORPORATIVA (IBGC). Governança corporativa. 2018. 
Disponível em: <http://www.ibgc.org.br/index.php/governanca/governanca-corporativa>. Acesso em: 
13 mar. 2018.
INSTITUTO ETHOS. Valores, transparência e governança. 2016. Disponível em: <https://www3.
ethos.org.br/conteudo/gestao-socialmente-responsavel/valores-transparencia-e-governanca/#.
WqlWIWrwaM8>. Acesso em: 14 mar. 2018.
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ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL (OAB). Código de ética. 2015. Disponível em: <http://www.oabsp.
org.br/novo-codigo-de-etica-oab.pdf?bwr=1>. Acesso em: 15 mar. 2018.
___. O Estado de exceção. Disponível em: <http://www.oab.org.br/historiaoab/estado_excecao.
htm#lyda>. Acesso em: 13 mar. 2018.
PANSIERI, F. Comentários ao artigo 133. In: CANOTILHO, J. J. G. et al. Comentários à Constituição do 
Brasil. São Paulo: Saraiva, 2015 (Série IDP).
PEDROSO, R. LAMANAUSKAS, M. Direito notarial e registral atual. 2. ed. São Paulo: Método, 2015.
PIRES, D. B.; AMORIM, W. A relação entre a gestão do conhecimento e a gestão por competências: um 
estudo a partir das práticas em escritórios de advocacia. Revista de Carreiras e Pessoas. São Paulo, v. 2, 
n. 1, jan./abr. 2012.
PIRES, D. B.; LOPES, J.; VALLS, V. M. Gestão do conhecimento em escritórios de advocacia: sua aplicação 
enquanto ferramenta para a vantagem competitiva. Perspectivas em Gestão do Conhecimento. João 
Pessoa, v. 3, n. 1, jan./jun., p. 48-70, 2013. Disponível em: <http://www.brapci.inf.br/index.php/article/view
/0000013173/1c2df07c5fb133ade67a26b0fc439eec>. Acesso em: 14 mar. 2018.
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