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MAPA - EPROD - PROCESSOS DE FABRICAÇÃO MECÂNICA E METROLOGIA - 2019A4 QUESTÃO 1: Com isso em mente, descreva os processos de fabricação utilizados para produção dos seguintes componentes que compõe o motor acima: bloco, cabeçote, pistão, biela, virabrequim, válvulas e cárter. Lembre-se que uma única peça pode ser fabricada a partir de dois ou mais processos subsequentes. RESPOSTA Bloco: Os blocos de motor são fabricados com o ferro fundido vermicular perlítico EN-GJV-450 ou EN-GJV-500. Em virtude do seu potencial de grafitização mais elevado, em comparação com o ferro fundido cinzento, o vermicular é ligado com cobre e um pouco de estanho, caso necessário. Para este material, que está entre o ferro fundido cinzento e o nodular, é de suma importância que o seu módulo de elasticidade fique mais perto daquele do ferro fundido nodular. O módulo de elasticidade é uma medida relacionada à rigidez do material, aumentando com a elevação da sua temperatura de fusão. Tanto o módulo de elasticidade como o ponto de fusão dependem das relações de força-distância dos átomos no cristal. A ordem de classificação em relação ao módulo de elasticidade entre os materiais de construção é a seguinte: • aço ferrítico: 210 GPa • aço austenítico: 195 GPa • ferro fundido nodular: 170 a 185 GPa • ferro fundido vermicular: 140 a 175 GPa • ferro fundido cinzento: 90 a 155 GPa • alumínio: 70 GPa • magnésio: 40 GPa O módulo no ferro fundido vermicular independe da tensão sobre longas distâncias, de maneira semelhante ao ferro fundido nodular. Já o ferro fundido cinzento possui apenas um módulo de elasticidade E extrapolado na origem Com uma temperatura crescente até 500°C, ele cai para o nível do ferro fundido cinzento. A desoxidação e dessulfuração por magnésio resultam em um aumento da tensão interfacial tanto no ferro fundido nodular como no vermicular. Desta maneira, o material de moldagem fica menos úmido durante o vazamento, o que resulta em uma resistência ao calor. Isso atrasa o começo da solidificação e favorece a formação da microestrutura, como por exemplo, no caso da camisa de cilindro fundida de modo vertical. Na contrapartida, a posição de vazamento horizontal, utilizando a areia natural (areia de moldagem úmida aglomerada com argila) resulta na redução da tensão interfacial, sob a absorção de oxigênio, assim como em uma maior queima do magnésio da caixa do fundo para a caixa superior. Cabeçote: O cabeçote é a parte superior do motor. Normalmente os cabeçotes de motores resfriados a água são fabricados em ferro fundido, e em circunstâncias especiais que exige pouco peso, são fabricados em alumínio. Atualmente, quase todos os motores apresentam as válvulas no cabeçote. No cabeçote dos motores de quatro tempos existe para cada cilindro, uma válvula de descarga, uma válvula de admissão, uma câmara de combustão, um coletor de admissão, um coletor de descarga. O eixo de comando de válvulas pode ser encontrado no cabeçote ou no bloco do motor. Pistão: O pistão fundido é moldado a partir de liga de alumínio fundida, que é preenchida a vácuo em moldes de aço; apenas um mínimo de usinagem é necessária para finalizar o pistão resultante desse processo. O pistão é fechado na parte superior e aberto na inferior. Apresenta ranhuras na parte superior para fixação dos anéis de segmento. Existem dois tipos de anéis de segmento: de vedação e de lubificação. Os anéis de vedação impedem a passagem dos gases de compressão e os queimados para o cárter, mantendo assim, a pressão constante sobre a cabeça do pistão. Os anéis de lubrificação, lubrificam e raspam o excesso de óleo que fica na parede do cilindro, removendo-o para o cárter. Biela: Em forma de haste, serve para transmitir o movimento linear alternativo do pistão para o virabrequim. A biela é fixada nos mancais móveis ou de bielas do virabrequim e não fica em contato direto com o eixo. Entre a biela e o virabrequim são colocados os casquilhos para evitar desgaste do virabrequim. Mesmo assim, essas peças não são justas, existindo entre elas, uma folga, por onde circula o óleo lubrificante. A biela é usinada geralmente na seguinte ordem: 1. Usinagem de desbaste dos olhais: A peça chega à essa operação no material bruto. Com uma retífica, desbasta-se a medida da espessura do olhal maior e menor 2. Separação de capa e corpo: Com uma serra separa-se o corpo da capa da peça 3. Brochamento: Com uma brochadeira, desbastam-se as áreas internas do olhal maior 4. Usinagem dos furos: Nessa operação usinam-se os furos da capa e do corpo, inclusive o furo de desbaste do olhal menor. Também são fresados os topos da capa e é usinada a rosca que irá fixar capa e corpo novamente 5. Acabamento das faces de contato de capa e corpo: Com uma retífica, usinam-se em acabamento as faces de contato da capa e do corpo, para que não se formem faces irregulares que acabariam por prejudicar a usinagem nas operações seguintes 6. Junção da capa e corpo: Com uma apertadeira pneumática, junta-se a capa e o corpo para que sejam usinados em conjunto novamente. Capa e corpo se separam novamente durante a montagem no motor 7. Usinagem de acabamento do olhal maior: Com uma retífica usina-se a medida final, com o acabamento final da espessura do olhal maior 8. Usinagem de desbaste interno dos olhais: Com uma mandriladora, mais uma vez desbasta-se a medida interna dos olhais. 9. Usinagem das chavetas de encaixe da bronzina: Com uma fresadora são usinadas as chavetas de encaixe das bronzinas 10. Brunimento doas olhais: Com uma brunidora, é dado o acabamento dos olhais 11. Lavagem: Com uma lavadora de peças, eliminam-se os cavacos, borras e resíduos de óleo da peça 12. Inspeção final: Com auxilio de computadores de alta precisão, as peças são inspecionadas para verificação das medidas finais. Após isso as peças serão montadas no motor. Virabrequim: Também conhecido como árvore de manivelas, bem como ao seu processo de produção. Ele é constituído por diversas partes integralmente confeccionadas por intermédio da metalurgia do pó e com geometria otimizada para a redução de sua massa, podendo estas partes sofrer tratamentos 10 superficiais que possibilitem a eliminação das bronzinas. O produto final é obtido através da montagem destas peças, sendo destinado ao emprego em motores de combustão interna alternativos, e a todas às demais aplicações. Outro processo consagrado de fabricação metalúrgica, mas que não vem sendo empregado nos virabrequins, é a metalurgia do pó, que envolve a compactação de uma mistura de pós e posterior sinterização. As vantagens são: obtenção de componentes próximos de sua forma final; minimização do uso da matéria prima metálica; potencial redução de custos globais de fabricação. Uma desvantagem é a limitação em obter-se geometrias complexas, o que pode ser contornado, no virabrequim, ao construir-se diversas partes separadamente, que depois são montadas. Para produção em larga escala, o processo pode tornar-se economicamente viável devido à economia de material e redução de operações de usinagem após a sinterização. No caso das peças fundidas ou forjadas, estas operações são indispensáveis e numerosas, levando ao desperdício de material e incremento no tempo de fabricação. O virabrequim é um componente dos motores que não tem apresentado evolução técnica significativa. Em comparação, iniciando-se a partir do meio da década de 70, e generalizando-se a partir da década seguinte, a fabricação de bielas por metalurgia do pó consagrou-se plenamente, competindo frontalmente com os açosforjados ou ferros fundidos em diversas classes de motores. Assim, espera-se uma evolução de projetos e processos aplicados ao virabrequim. Vávula: Entretanto, a fabricação de válvulas ocas requer o uso de técnicas de soldagem para obter a vedação entre as partes simétricas compondo uma válvula, ocasionando uma diminuição das propriedades mecânicas da válvula. Geralmente, as válvulas são produzidas pela perfuração de dois corpos principais que depois são soldados por fricção. Normalmente, a presença de solda não é desejada, pois esta aumenta a complexidade dos processos de fabricação de um componente, o custo deste processo e o risco de falhas. Com base em uma análise de tensão de Von Mises, é perceptível que algumas das áreas mais críticas de uma válvula estão localizadas em sua cabeça. Desta maneira, a presença de solda próxima a esta região seria indesejável para o desempenho da válvula. A substituição destas soldas por estágios de forjamento pode ser realizada. No entanto, quando esta forja é realizada por conformação a frio, diversos materiais utilizados na fabricação de válvulas para motores não podem ser usados por conta de sua baixa conformabilidade a frio. No campo das válvulas ocas ultraleves, onde cavidades profundas são necessárias, processos caros de fabricação são comuns, como processamento termomecânico multi- etapas, conformação a frio ou solda a laser. Existem documentos de patente, como EP 0,619,419, o US 5,126,530, e o US 2012/255,175 que revelam válvulas ocas produzidas por uma pluralidade de técnicas de soldagem. Como é de se esperar, todas elas apresentam as desvantagens apontadas acima, nomeadamente baixa resistência mecânica e alta complexidade dos processos envolvidos. Carter: O cárter é a parte inferior do motor. Nos motores de quatro tempos é basicamente o reservatório de óleo lubrificante. A bomba de óleo lubrificante está localizada no cárter. Feito de um material de alumínio hipoeutético, com uma camisa de cilindro executada separadamente, bem como a um processo para a fabricação dele. Cárteres feitos de material de alumínio hipoeutético não são apropriados para configurarem diretamente superfícies de rolamento de cilindro resistentes a desgaste, as quais poderiam, em combinação com anéis de embolo feitos de ferro fundido, ser bastante resistentes a desgaste. Pelo contrário, hoje e usual verter ou prensar camisas de ferro fundido em tais cárteres, a fim de assegurar a resistência a desgaste requerida. Com vista a uma reciclagem dos cárteres fabricados neste tipo, dificulta o emprego de camisas de ferro fundido vertidas, derreter cárteres gastos e reconduzi-los à fabricação de alumínio. Em caso de camisas de ferro fundido prensadas, uma extração dispendiosa das camisas é necessária, antes que seja possível derreter cárteres descartados e reconduzi-los assim ao ciclo de alumínio.