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01 Jacques Cousteau da Silva Borges Zanoni Tadeu Saraiva Santos C U R S O T É C N I C O E M S E G U R A N Ç A D O T R A B A L H O Energia e sua conservação FÍSICA Coordenadora da Produção dos Materias Vera Lucia do Amaral Coordenador de Edição Ary Sergio Braga Olinisky Coordenadora de Revisão Giovana Paiva de Oliveira Design Gráfi co Ivana Lima Diagramação Elizabeth da Silva Ferreira Ivana Lima José Antonio Bezerra Junior Mariana Araújo de Brito Arte e ilustração Adauto Harley Carolina Costa Heinkel Huguenin Leonardo dos Santos Feitoza Revisão Tipográfi ca Adriana Rodrigues Gomes Margareth Pereira Dias Nouraide Queiroz Design Instrucional Janio Gustavo Barbosa Jeremias Alves de Araújo Silva José Correia Torres Neto Luciane Almeida Mascarenhas de Andrade Revisão de Linguagem Maria Aparecida da S. Fernandes Trindade Revisão das Normas da ABNT Verônica Pinheiro da Silva Adaptação para o Módulo Matemático Joacy Guilherme de Almeida Ferreira Filho EQUIPE SEDIS | UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE – UFRN Projeto Gráfi co Secretaria de Educação a Distância – SEDIS Governo Federal Ministério da Educação Você ve rá por aqu i... Objetivos 1 Física A01 A Física é a ciência que busca regularidades na natureza. Dentre a quantidade infi nita de fenômenos e processos naturais, buscamos estudar aqueles para os quais encontramos regularidades e algum tipo de conservação. Uma grandeza Física que envolve todos os fenômenos naturais é a energia, por isso ela é tão importante e é por ela que iremos começar nosso estudo de física. Energia é uma palavra que está presente diariamente nos jornais e na TV. É causa de confl ito entre países e por causa dela milhões de pessoas no mundo podem ser afetadas em pouco tempo. Nesta aula você vai conhecer mais de perto o que signifi ca esta palavra, de onde surgiu o conceito de energia e qual sua importância na física. Além disso, você vai estudar processos de transformação que envolvem energia e aprender como calcular a energia nos mais variados processos naturais e técnicos. O que consumimos, quando dizemos que consumimos energia: será energia uma “coisa”, uma “substância” que pode ser consumida? O princípio de conservação da energia nos diz que esta não pode ser criada nem destruída. Então, vamos em frente entender melhor este assunto. Expressar e usar o conceito de energia como medida das transformações. Identifi car as diversas formas naturais e tecnológicas de transformação de energia. Quantificar a grandeza energia nas diversas formas de transformação. 2 Física A01 Para começo de conversa... Tudo o que se transforma envolve energia. Pense no seu corpo. A vida é a constante manutenção dos processos dos nossos sistemas vitais. Para isso precisamos de comida, que é o nosso combustível, ou seja, nossa fonte de energia. Tudo o que vamos fazer depende de alguma forma de energia. A nossa sociedade, hoje, está de tal forma dependente das diversas formas de energia que seria catastrófi co para a humanidade a falta de uma fonte energética de uso universal como a eletricidade ou o petróleo. 3 Física A01 As transformações A natureza está em constante transformação. Nós, como seres naturais, estamos sempre em estado de mudança e dependemos destas mudanças para sobreviver. Precisamos que a luz do sol se transforme em calor, que aconteça a fotossíntese das plantas e que a água do mar se evapore para provocar chuvas. A nossa intervenção sobre a natureza foi se tornando cada vez mais complexa com o passar dos séculos. Desde a revolução das práticas agrícolas até a construção das estações espaciais, os seres humanos tiveram que entender profundamente a natureza das transformações do mundo físico e dos processos que envolvem a manutenção da vida na Terra. Na física, especifi camente, as transformações são parte fundamental do modo como podemos criar nosso entendimento da natureza. É importante saber o que muda nos fenômenos físicos e o que permanece constante. Dê uma olhada ao seu redor. O que você acha? Tudo está mudando ou tudo permanece? Esta é uma questão muito antiga. Na observação dos fatos naturais, é necessário saber discernir muito claramente esse fato no fenômeno estudado. Essa distinção está no alicerce do pensamento físico. Os princípios de conservação, as leis do movimento, tudo, na verdade, começa com a tarefa de identifi car o que é constante dentro de uma quantidade infi nita de processos que acontecem simultaneamente na natureza. No século XIX, foi criado um conceito para expressar quantitativamente as transformações físicas. Esse conceito foi sendo amadurecido à medida que foram descobrindo que algumas transformações eram, de alguma forma, equivalentes. Por exemplo, quando lixamos um pedaço de madeira, o atrito provocado por esse ato produz calor; da mesma forma, o atrito de um meteorito com o ar da atmosfera produz o calor intenso que o faz queimar. As reações químicas, como a combustão, produzem calor. A corrente elétrica produz calor na torradeira e no ferro de passar. A ação dos imãs causa movimento em um motor e o movimento de um motor, por sua vez, gera eletricidade. Medir de alguma forma estas transformações se tornou importante para o desenvolvimento da ciência e da tecnologia. 1 2 Praticando... Praticando... 4 Física A01 Escreva uma redação com o seguinte argumento: Você acorda um dia e recebe a notícia de que tudo que usa petróleo e seus derivados não podem mais funcionar porque um vírus modifi cou as moléculas dos hidrocarbonetos. Descreva detalhadamente como sua vida seria afetada nos primeiros dias sem a energia proveniente do petróleo. Apesar da idéia de que algo se conservava nas transformações ser conhecida dos cientistas de certa forma, ela não tinha uma formulação matemática nem uma defi nição precisa no início do século XIX. O ponto de partida de uma lei geral para a energia foram as experiências de James Joule na década de 1840. O desenvolvimento da termodinâmica e o aparecimento da eletricidade deram o impulso necessário para a formulação do conceito. Joule determinou um equivalente mecânico do calor, o que foi crucial para o entendimento do calor como uma forma de energia. Ele mediu a quantidade de trabalho mecânico realizado ao aquecer certa quantidade de água e fazendo uma equivalência entre as duas medidas. A conclusão de Joule foi que uma caloria (1cal) de calor corresponderia a 4,18 unidades de trabalho mecânico. Esta relação fi cou conhecida como equivalente mecânico do calor. Pode-se também encontrar o equivalente elétrico do calor e o equivalente químico, etc. 1 Caloria = 4,2J Pense e responda: com essa relação estabelecida por Joule, podemos dizer que calor e trabalho são a mesma coisa? 3Praticando... 5 Física A01 Energia mecânica Na mecânica, as transformações estão relacionadas com dois fatores: o movimento da matéria e a sua posição relativa. Vamos explicar melhor. Se um carro se move a 50 km/h e bate em um poste, várias transformações ocorrem; a deformação, o aquecimento, o som e talvez até uma reação química com a combustão da gasolina. Se este mesmo carro se move agora, com velocidade de 100 km/h e bate no poste, o que você pode dizer sobre o poder de transformação envolvido? Aumenta, não é verdade? Obviamente, o “estrago” será bem maior no segundo exemplo. A energia envolvida no movimento de uma massa é chamada energia cinética e é expressa pela seguinte equação: Ec = 1/2 (m.V 2) Na equação, o m representa a massa do corpo e o V a sua velocidade. Observe que, para a mesma massa, a energia cinética aumenta quadraticamente com a velocidade. Se você joga uma bala de revólver na parede com sua mão, possivelmente não vai acontecer nada, mas se ela foratirada pelo revólver, com velocidade bem maior, a energia da bala tem um poder de transformação muito maior também. Pesquise na rede sobre lixo espacial e procure saber sobre os perigos a que um astronauta está exposto ao realizar um passeio fora da nave. Como o lixo espacial pode representar um grande perigo, mesmo que esse lixo não passe de um pingo de água do tamanho de um caroço de azeitona? 6 Física A01 A FORÇA DOS VENTOS PRODUZINDO ELETRICIDADE A energia cinética dos ventos é o que move os geradores eólicos e transforma o movimento das pás do gerador em eletricidade. Este tipo de energia está em pleno desenvolvimento atualmente e muitos países já a usam para substituir a energia gerada pelo petróleo. A energia eólica é uma forma de energia limpa, pois não produz resíduo (gases, radiação, produtos químicos, etc.) e é considerada renovável, pois é gerada pelo vento e enquanto houver sol sobre a Terra e uma atmosfera, haverá vento. Figura 1 – Turbina eólica e Mapa de ventos do Brasil Para obter informações mais completas sobre energia eólica visite o sítio do CRESESB: Fonte: (a) <http://www.cresesb.cepel.br/> (b) <http://www.colegiosaofrancisco.com.br/>. Acesso em: 15 jul. 2009. Energia potencial Quem já brincou de baladeira (estilingue) entenderá muito rapidamente o que é energia potencial. A baladeira é um objeto que permite lançar uma pedra com velocidade bem maior. A energia cinética da pedra é maior quando ela é lançada com a baladeira do que quando ela é lançada com a mão, por quê? De onde vem esta energia? Da borracha da baladeira, não é verdade? Quando comprimido ou esticado, uma mola ganha energia potencial elástica. Energia potencial elástica Estática Comprimida Esticada Ep = (1/2) k.x 2 7 Física A01 A energia potencial é uma energia de posição. O corpo elástico, no caso a borracha da baladeira, tem a propriedade de “guardar” energia à medida que é estirada. Todos nós, que brincamos com isso, sabemos que, quanto mais esticamos a borracha, maior a velocidade com que a pedra será lançada. A energia que a baladeira pode produzir está diretamente ligada à distensão que ela sofre. O mesmo acontece nas molas. Tanto as molas como qualquer corpo elástico tem a capacidade de transformar energia ao ser deformado. Esta forma de energia chama-se energia potencial elástica e pode ser calculada pela expressão: Figura 2 – Utilização da baladeira (estilingue) Figura 3 – Exemplifi cação de uma mola Fo nt e: < ht tp :/ /w w w .e dz u. co m /e dz u- bk p/ 2 0 0 3 -0 2 /G ra lh an do 2 0 0 3 0 2 _a rq ui vo s/ Ju - an -e st ili ng ue -2 .jp g> . A ce ss o em : 1 5 ju l. 2 0 0 9 . Fo nt e: < ht tp :/ /s ta tic .h sw .c om .b r/ gi f/ cr os sb ow -e la st ic -p ot en tia l.g if> . A ce ss o em : 1 5 ju l. 2 0 0 9 , P h E = 0p Nível de referência Ep= m.g.h 8 Física A01 O K da equação é chamado de constante elástica e vai depender das características do corpo. Por exemplo, uma borracha mais grossa pode armazenar mais energia. Em uma mola, o número de voltas e a espessura do arame determinam a energia que a mola pode armazenar. Como não podemos construir duas molas idênticas, cada mola tem seu K. O x da expressão representa o alongamento da mola ou da borracha a partir de seu estado de repouso, ou seja, de uma posição de referência. Outra forma de energia de posição deve-se à propriedade da matéria de atrair outros corpos, a gravidade. Chama-se energia potencial gravitacional. Um objeto qualquer, colocado a certa altura do solo, ao cair, tem a capacidade de mover outros objetos, causar deformação, produzir calor e som, enfi m, tem a possibilidade de gerar trabalho, ou seja, trocar energia com outros. A energia potencial de um corpo de massa m depende exclusivamente da altura em que ele se encontra, medida a partir de um referencial (o mais comum é escolher a superfície da Terra como referencial). Quanto maior a altura, maior a energia potencial do corpo e maior o “estrago” que ele pode realizar ao cair. Para a Física, esse estrago é o trabalho realizado pelo corpo que cai. Figura 4 – Esquema de uma massa abandonada de certa altura Fonte: <http://n.i.uol.com.br/licaodecasa/ensmedio/fi sica/trabener/trabener20.jpg> Está certo que um corpo a uma determinada altura possui energia potencial, mas para ele chegar “lá em cima”, alguém ou alguma outra fonte de energia teve de colocá-lo lá. Assim como para um revólver disparar uma bala com grande velocidade teve que haver uma fonte de energia externa à bala, ou seja, a explosão da pólvora dentro da cápsula. Na baladeira, o garoto tem que puxar a borracha para esticá-la e fazer com que ela ganhe energia potencial elástica. Na natureza, também como na sociedade, não existe almoço grátis. Se você não pagou, alguém pagou por você. Então, para que um corpo modifi que seu estado energético, digamos assim, existem duas formas de fazê-lo: fornecendo calor a este corpo ou realizando trabalho sobre ele. Trabalho, que trabalho é este? F d α 9 Física A01 Trabalho é uma grandeza física através da qual modifi camos a energia de um corpo. Vejamos ainda sobre a baladeira: o garoto segura a baladeira e aplica uma força para puxá-la para trás. Quanto mais ele puxa mais força ele precisa fazer e mais energia potencial elástica fi ca armazenada. Dizemos, então, que o garoto realizou um trabalho sobre a baladeira e que este trabalho está diretamente relacionado com a força aplicada pelo garoto e a distância com que a borracha foi esticada. Uma defi nição geral de trabalho é: W = F.d.cos® O termo (cos®) refere-se à direção entre a força aplicada ao corpo e o deslocamento do corpo. Figura 5 – Esquema de força e trabalho Fonte: <http://www.aulasparticulares.org/Members/admin/imagens/trabalho1.jpg>. Acesso em: 15 jul. 2009. A expressão vale apenas para uma força constante. No caso da mola ou da baladeira não podemos usá-la, pois como sabemos, a força vai mudando à medida em que vamos estirando ou comprimindo a mola. Note uma coisa: quanto maior o trabalho que realizamos ao esticar uma baladeira, maior a energia nela armazenada, correto? Pois bem, podemos mostrar que o trabalho realizado tem exatamente o mesmo valor da energia armazenada no sistema da baladeira. Como dissemos anteriormente, transferimos energia para a baladeira, realizando trabalho sobre a borracha, assim como também transferimos energia a uma pedra ao levantá-la a uma determinada altura. O trabalho que realizamos sobre a pedra é igual ao produto da força que aplicamos para levantá-la pela altura atingida. De modo que o trabalho é: W= (m.g).h 10 Física A01 Conservação da energia mecânica Está vendo a cara de terror da pobre criança na montanha-russa? Se ela conhecesse um pouco mais de física teria pensado melhor sobre subir ou não em um brinquedo tão alto e veloz. Porque a física poderia ajudá-la a decidir se iria ou não, mesmo antes de subir? Pela altura da montanha-russa ela poderia ter uma idéia da velocidade que ela irá atingir, quando estiver próxima ao chão. É que a energia mecânica se conserva. Quando a montanha-russa está no ponto mais alto, ela tem sua energia potencial máxima, porque é a maior altura que ela vai alcançar. (Ep= mgh, lembra?) Fonte: <http://www.funonthenet.in/images/stories/forwards/Roller-oaster/roller-coaster-2.jpg>. Acesso em: 3 nov. 2009. À medida que ela vai descendo, a velocidade vai aumentando, aumentando e aumentando... Daí a carinha de terror da menina (a mãe preferiu fechar os olhos). E a altura vai diminuindo também. De umaforma simples, dizemos que a energia potencial da montanha-russa vai se transformando em energia cinética à medida que ela desce. Em uma situação ideal, em que não houvesse atrito, toda a energia potencial seria transformada em cinética, ou seja, a energia potencial mais a energia cinética se manteriam sempre no mesmo valor. Se conservariam. Este é o princípio da conservação da energia mecânica. Em uma situação ideal (sem atrito ou resistência do ar): Em = Ec+ Ep = constante Estritamente falando, não há conservação da energia mecânica, pois em todos os fenômenos naturais sempre há uma transformação de energia em calor. Este calor deve também entrar nesta conta de energia, pois sabemos que, na natureza, energia não se perde nem se cria. Uma forma de expressar o princípio geral da conservação de energia tem necessariamente que incluir o calor. Esta lei geral da conservação da energia é também conhecida como primeira lei da termodinâmica. Esta lei estabelece que, para variar a energia de um 4Praticando... 11 Física A01 sistema qualquer, podemos fazer duas coisas: uma realização de trabalho ou uma troca de calor. Vamos voltar mais uma vez ao exemplo da baladeira. Quando ela está no seu estado “relaxado”, sua energia potencial é nula, mas quando realizamos um trabalho sobre ela mudamos sua energia. Obviamente, aquecê-la não vai ajudar em nada, mas existe um sistema particular em que podemos ter calor se transformando em trabalho e ao mesmo tempo variando a energia do sistema. É o caso de um gás. Aquecendo-se um gás, podemos fazê-lo realizar trabalho e ainda aumentar sua temperatura. Você vai ter a oportunidade de saber bem mais sobre a primeira lei da termodinâmica nos fascículos seguintes, entretanto, colocamos a seguir a expressão desta lei tão importante para a física: ΔU = Q – W Discuta a seguinte questão: o princípio da conservação da energia diz que nenhuma forma de energia é perdida ou criada. O que, então, pagamos na nossa conta de luz e de gás? Falamos em consumo de energia, mas energia pode realmente ser “consumida”? O governo nos pede para “não desperdiçar” energia. Se ela sempre se conserva, como pode ser desperdiçada? Potência O conceito de trabalho mecânico nasceu com o desenvolvimento da máquina a vapor. Foi James Watt quem teve a idéia de usar uma medida para cobrar dos industriais o aluguel da sua máquina. Este é um fato interessante; Watt não vendia a máquina para as fábricas, ele as alugava e cobrava pela economia de combustível que o industrial teria se alugasse sua máquina. Foi a primeira pessoa a vender um conceito físico. Foi o primeiro a vender energia, mesmo que o conceito ainda não estivesse teoricamente bem descrito. Para ter um parâmetro de medida do trabalho realizado por sua máquina, 12 Física A01 James Watt estabeleceu a unidade de 1 cavalo vapor (CV). Esta unidade foi defi nida da seguinte maneira: seria a quantidade de trabalho realizado por um cavalo para suspender uma carga de 33.000 libras de peso a uma altura de 1 pé em um tempo de 1 minuto. Figura 6 – Representação da defi nição de 1 cavalo-vapor (cv) Fonte: <http://static.howstuffworks.com/gif/horsepower1.gif>. Acesso em: 15 jul. 2009. Transformando estas unidades para valores do Sistema Internacional de Medidas, temos que 1 cv corresponde a 736 W. Embora cv (cavalo-vapor) seja uma tradução de hp (horse- power), estas duas unidades são diferentes. 1CV = 736 W 1HP = 746 W 1CV = 1,01387 HP Estas unidades medem o que chamamos de potência. Sabemos que um carro ou uma moto tem maior potência quando ele pode atingir uma velocidade maior em um tempo menor. O tempo de realização do trabalho – mover a moto a uma certa distância – é importante para a defi nição da potência de uma máquina. P = Trabalho / tempo P= W/t 13 Física A01 Quanto menor o tempo em que o trabalho é realizado, maior é a potência da máquina. A unidade de potência, então, fi cou sendo chamada de Watt em homenagem ao inventor inglês que deu grandes contribuições ao desenvolvimento das máquinas a vapor a todo o proce sso industrial moderno. Como existe a equivalência entre trabalho e energia, a potência nos diz também quanta energia é “consumida” por um aparelho de acordo com o tempo de uso. Por exemplo, se você for comprar um chuveiro, verá que a potência do aparelho vem escrita nele. Digamos que para este aparelho ela seja 4000 W (Watt). Para saber quanta energia ele consome, deveremos saber em quanto tempo de funcionamento. Se ele permanecer ligado 15 minutos, ou seja 1/ 4 de hora, temos: Energia = Potência × tempo E = 4000 W × 1/4 h = 1000 W.h ou 1kW.h kW é a unidade de energia que é cobrada na nossa conta de eletricidade. Dê uma olhada na conta de luz da sua casa e veja quanto custa em reais um banho de 15 minutos com chuveiro elétrico. Se o trabalho é medido em Joule, a energia também deve ser medida em Joule. A conversão da unidade que encontramos acima para Joule é a seguinte: 1 kWh = 3,6 MJ. Veja que 1 MJ ( mega Joule) é igual a 106J. Você viu, nesta aula, que a energia é a grandeza física que mede as transformações. Todos os fenômenos são transformações de alguma forma e a energia está sempre envolvida. Para modifi car a energia de um corpo, podemos realizar trabalho sobre ele ou trocar calor com ele. Na mecânica, duas formas de energia são usadas em condições ideais: a energia cinética e potencial gravitacional. Sempre que desejamos saber algo importante sobre um fenômeno, devemos sempre investigar as formas de energia encontradas e saber a quantidade envolvida. Depois de espaço e tempo, a energia é, provavelmente, a grandeza física que mais os seres humanos usam no seu dia a dia, muitas vezes, mesmo sem saber que a estão usando. Autoavaliação 14 Física A01 1. Uma pedra com massa m = 0,10 kg é lançada verticalmente para cima, com energia cinética Ec= 20J. Qual a altura máxima atingida pela pedra? Pense que, na altura máxima, toda a energia cinética que a pedra possui será transformada em energia potencial. Você pode aplicar o princípio da conservação da energia mecânica para resolver esta questão. 2. Uma esfera de massa m = 2 kg é lançada verticalmente para cima, no vácuo, com velocidade V 0 = 50 m/s. Determine: a) a energia cinética inicial de esfera e a altura máxima que ela atinge; b) a velocidade da esfera quando esta atingir a metade da altura máxima. Esta questão está supondo que não há perdas de energia em forma de calor pelo atrito com o ar, portanto há conservação da energia mecânica e, em qualquer ponto do caminho da pedra, a soma das energias potencial e cinética deve ser constante. 3. Um operário suspende uma tábua de 8,0 kg, do solo ao terceiro andar de um edifício em construção, a 15m de altura. Considerando g = 10m/s 2, qual o valor absoluto do trabalho realizado pela força/ peso da tábua? Lembre que o trabalho é o produto da força aplicada pelo deslocamento sofrido. Nesta questão, supomos que a força aplicada para suspender a tábua deve ser pelo menos igual ao peso (mg) da tábua. 4. Um bloco é lançado com velocidade inicial V 0 sobre uma superfície horizontal e, após percorrer uma distância, atinge o repouso. Nessas condições: a) Houve ou não realização de trabalho? b) Em caso positivo, quais forças realizaram trabalho? Esse trabalho é positivo ou negativo? Consideramos trabalho negativo aquele em que a força tem direção contrária ao deslocamento do corpo, como por exemplo, quando o carro está freando. 15 Física A01 5. Uma partícula com massa de 10 kg encontra-se em repouso, livre da ação de forças de atrito e resistência do ar. Aplica-se à partícula uma força de 30 N de intensidade, durante 10s. Determine: a) a velocidade da partícula após 10s; b) o deslocamento efetuado pala partículanos 10s; c) o trabalho realizado pela força nesse intervalo de tempo. Gabarito 1. 20m 2. a) Ec= 2500 J; hmáx= 125m b) Vc= 35,3 m/s 3. W = 1200J 4. a) sim, houve b) a força de atrito realizou trabalho, e esse trabalho é negativo (resistente) 5. a) 30m/s b) 150m c) 4500J Referências ALVARENGA, B.; MAXIMO, A. Física: ensino médio. São Paulo, Scipione, 2008. v 1. PARANÁ. Física. 3. ed. São Paulo: Ática, 2000. PROFESSORES DO GREF/USP. Física 1: mecânica. São Paulo: EDUSP, 1996. Anotações 16 Física A01 02 Jacques Cousteau da Silva Borges Zanoni Tadeu Saraiva Santos C U R S O T É C N I C O E M S E G U R A N Ç A D O T R A B A L H O O que é pressão? FÍSICA VVVVVVVVVVVVVVVEEEEEEEEEEERRRRSSSÃÃÃÃOOO DDDDOOOO PPPPPPPPPPRRRRRRRRRROOOOOOOOOOFFFFFFFFEEEEEEEEESSSSSSSSSSSSSSSSOORRR Material APROVADO (conteúdo e imagens) Data: ______/______/______ Nome:_________________________ Coordenadora da Produção dos Materias Vera Lucia do Amaral Coordenador de Edição Ary Sergio Braga Olinisky Coordenadora de Revisão Giovana Paiva de Oliveira Design Gráfi co Ivana Lima Diagramação Elizabeth da Silva Ferreira Ivana Lima José Antonio Bezerra Junior Mariana Araújo de Brito Arte e ilustração Adauto Harley Carolina Costa Heinkel Huguenin Leonardo dos Santos Feitoza Revisão Tipográfi ca Adriana Rodrigues Gomes Margareth Pereira Dias Nouraide Queiroz Design Instrucional Janio Gustavo Barbosa Jeremias Alves de Araújo Silva José Correia Torres Neto Luciane Almeida Mascarenhas de Andrade Revisão de Linguagem Maria Aparecida da S. Fernandes Trindade Revisão das Normas da ABNT Verônica Pinheiro da Silva Adaptação para o Módulo Matemático Joacy Guilherme de Almeida Ferreira Filho EQUIPE SEDIS | UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE – UFRN Projeto Gráfi co Secretaria de Educação a Distância – SEDIS Governo Federal Ministério da Educação Você ve rá por aqu i... Objetivos 1 Física A02 Se prestarmos atenção, o conceito de pressão é muito usado no nosso dia a dia: quando colocamos ar no pneu da bicicleta ou do carro, quando o médico mede nossa pressão arterial ou quando alguém abastece o carro com gás natural. Sabemos também de alguns perigos relacionados a este conceito, como explosões de panelas de pressão, compressores, pneus e até botijões de gás. Nesta aula, vamos estudar a pressão e as unidades de medidas mais usadas, como também algumas situações de risco envolvendo altas ou baixas pressões. Entender o conceito de pressão através de várias situações. Conhecer e manipular as unidades de pressão mais usadas. Analisar situações em que o conceito de pressão se aplica. Analisar situações de risco envolvendo pressões elevadas. Libras 2 Física A02 Para começo de conversa... Você já deve ter notado que para “calibrar” o pneu de um carro, em média, colocamos 28 libras. Mas para calibrar o pneu da bicicleta usamos até 120 (PSI). Qual a razão dessa diferença, se o pneu da bicicleta é muito menor que o do carro? Podemos ver, de imediato, que a medida da pressão tem pouco a ver com a quantidade de ar no pneu, já que o pneu do carro poderia conter mais ar que o da bicicleta. Esta unidade de medida se refere à unidade inglesa libra por polegada quadrada (lb/pol2) ou, na sigla em inglês, PSI. 1Praticando... 3 Física A02 Procure saber com que pressão é calibrado o pneu de um trator. Discuta a situação com seus colegas. Outra situação interessante, que aparentemente não tem nada a ver com pressão em pneus é a “cama de pregos”. Para explicar a situação, alguém poderia argumentar que o faquir da foto que segue tem um treinamento especial para resistir à dor e parar o sangramento. Mas como explicaria a situação mostrada na fi gura 2? Por que a bexiga suporta ser comprimida sobre os pregos sem estourar? Figura 1 – Homem suportando peso sobre a cama de pregos. Note que a tábua sobre seu corpo também tem pregos Fonte: <http://img248.imageshack.us/img248/6268/405949rl2.jpg>. Acesso em: 3 nov. 2009. P= F/A 4 Física A02 Figura 2 – Bexiga de aniversário sendo comprimida sobre a cama de pregos O conceito de pressão Genericamente, a pressão é o efeito de uma força atuando sobre uma superfície. Note que é diferente, em termos de efeito, você tentar enfi ar um prego em uma tábua pelo lado da cabeça ou pelo lado da ponta. A pressão é expressa matematicamente como a intensidade da força exercida perpendicularmente por um corpo sobre a superfície, dividida pela área de contato entre os dois. P = F/A Eq . (1) Assim sendo, quando aplicamos uma força sobre o prego, a pressão será maior quando a ponta estiver virada para baixo, pois a área de contato entre o prego e a tábua é menor. Pela Equação 1, você nota que se a área diminui, a pressão exercida sobre a tábua aumenta embora a força aplicada seja a mesma. No exemplo da fi gura 3, o sapato com salto mais fi no exercerá maior pressão sobre o chão exatamente por ter uma menor área de contato. Figura 3 – O salto alto do sapato faz uma maior pressão sobre o chão do que o salto mais largo No Sistema Internacional de medidas (SI), a força é medida em Newton e a área em metro quadrado. A unidade de pressão 1 N/m2 chama-se 1 Pascal (Pa). Atmosfera 5 Física A02 Dicas: 1. Para desatolar um carro na areia colocamos o tapete de borracha estendido sob o pneu. 2. Para poder andar com o carro sobre dunas recomenda-se aos motoristas esvaziar um pouco os pneus do carro. Embora seja muito difícil estabelecer o limite exato da atmosfera, considere que existe pelo menos uma camada de ar de 300 km de altura sobre nossas cabeças. 2Praticando... Como você relaciona o conceito de pressão com essas dicas? 3Praticando... Retorne à fi gura 1, observe-a. Tente agora dar uma resposta para a situação da cama de pregos. Ela realmente fura ou é um truque da ciência? Pressão atmosférica O ar atmosférico que nos rodeia tem um peso. Se estivermos sentados sobre uma cadeira agora, podemos pensar que existe sobre a nossa cabeça uma camada de ar que vai até o fi m da atmosfera. O peso dessa camada de ar exerce uma pressão sobre toda a superfície da Terra. Coluna de mercúrio Pressão exercida pela coluna de mercúrio Pressão atmosférica Recipiente com mercúrio Vácuo Mercúrio 6 Física A02 Figura 4 – Esquema da experiência de Torricelli A pressão atmosférica é aquela que “equilibra” uma coluna de mercúrio de 76 centímetros de altura. O resultado desse experimento idealizado por Torricelli (1608- 1647) tornou-se uma medida usual de pressão (mmHg). É nessa unidade que é medida, por exemplo, a nossa pressão arterial. A pressão atmosférica é responsável por fenômenos interessantes e o mais importante deles é a nossa vida na Terra. Nosso corpo está perfeitamente adaptado a essa pressão, apesar de ser bem alta, em torno de 100.000 N/m2 (seria algo como distribuir dez toneladas de concreto em um metro quadrado de piso). Para que possamos ter ideia de com qual intensidade de pressão estamos lidando, usamos as tabelas de conversão como a mostrada abaixo. Tabela 1 – Conversão de unidades de pressão ATM BAR CmHg KgF/cm2 mH 2 O PSI KPA ATM 1 1,01325 75,999981 1,0332274 10,332274 14,695949 101,325 BAR 0,9869232 1 75,00615 1,0197162 10,197162 14,503774 100 CmHg 0,0131578 0,0133322 1 0,0135951 0,135951 0,1933678 1,333224 KgF/cm2 0,9678411 0,980665 73,555906 1 10 14,223343 98,0665 mH 2 O 0,0967841 0,0980665 7,3555906 0,1 1 1,4223343 9,80665 PSI 0,0680459 0,0689475 5,1714918 0,0703069 0,7030695 1 6,894757 KPA 101,325 100 1,333224 98,0665 9,80665 6,8944757 1 7 Física A02 A tabela 1 mostra os fatores de conversãodas unidades de pressão, mas você também pode usar a Internet, espaço no qual existem muitos conversores de unidades físicas on-line. Experimente o link abaixo: <http://www.convertworld.com/pt/>. Quanto à questão da pressão nos pneus... Pense na defi nição de pressão e observe as fi guras a seguir, representando uma vista interna de pneus. Se a pressão nos dois pneus for a mesma, como a área do pneu do carro é maior, a força exercida sobre as paredes do pneu também tem que ser proporcionalmente maior. Para a área bem pequena do pneu da bicicleta, é necessária uma pressão grande para que a força exercida sobre as paredes do pneu seja sufi ciente para manter o pneu infl ado. Figura 5 – Em um pneu mais fi no a pressão pode ser maior, pois a área também é menor, logo uma força menor é execida em suas paredes O mergulho – pressão exercida por fl uidos Assim como o ar da atmosfera exerce uma pressão sobre nosso corpo, qualquer outro fl uido em que estivermos mergulhados também o fará. Simon Stevin (1548/49-1620), físico belga, realizou experimentos de hidrostática e concluiu que um fl uido exerce uma pressão sobre qualquer objeto mergulhado nele, que é proporcional à profundidade e à densidade do líquido. 4Praticando... 8 Física A02 “O Teorema de Stevin diz que a pressão absoluta num ponto de um líquido homogêneo, incompressível, de densidade “d” e numa profundidade “h” é igual à pressão atmosférica (exercida sobre a superfície desse líquido) mais a pressão efetiva e não depende da forma do recipiente:” Pabs = Patm + Pef Pabs = Patm + dgh Qual a pressão no fundo do mar a uma profundidade de 1800 metros? Prédio Na verdade, haverá uma pequena diferença, pois a água salgada é um pouco mais densa que a água potável, então, a pressão será ligeiramente maior na mesma profundidade. É importante notar uma coisa: quando o teorema diz “não depende da forma do recipiente”, implica que a pressão só depende da profundidade e da densidade do líquido, não importando se alguém mergulhou no mar imenso ou num grande tanque de água de um prédio. Se a profundidade for a mesma, a pressão será a mesma. Em nossa tabela de unidades de pressão, existe a unidade metro de coluna d’água (mca) e representa qual a pressão exercida por uma coluna de água. A cada dez metros que um mergulhador desce, a pressão sobre seu corpo aumenta cerca de uma atmosfera. O Brasil é um dos países pioneiros na tecnologia de exploração de petróleo em águas profundas. Profundidades acima de 1000 metros são comuns. Se você pensar que a cada 10 metros de profundidade, dentro da água, a pressão aumenta uma atmosfera (1 atm), imagine o grau de difi culdade para realizar esse trabalho. 9 Física A02 Dica de Segurança O uso de gás natural veicular (GNV) como combustível vem se tornando cada vez mais disseminado no Brasil. Uma das razões é o preço do gás, mais baixo que o de outros combustíveis. Por outro lado, os equipamentos para conversão de um carro são caros e algumas pessoas têm ideias improvisadas para diminuir os custos da conversão. As fi guras que seguem mostram o que aconteceu com um carro cujo proprietário resolveu improvisar os cilindros de armazenamento de gás. Figura 6 – Explosão de botijão de gás em um carro sendo abastecido com gás natural Fonte: <http://zonaderisco.blogspot.com/2008/04/exploso-de-botijo-de-glp-com-gs-natural.html>. Acesso em: 3 nov. 2009. 10 Física A02 Note, na fi gura, que o cilindro de cor rosa (GNV) continua intacto enquanto um botijão de gás de cozinha está aberto ao meio. A causa desse acidente foi o uso de um botijão de gás de cozinha (GLP) acoplado ao cilindro de GNV no carro para armazenar o gás natural. Acontece que o cilindro de gás natural é abastecido a uma pressão de cerca de 200 kgf/cm2 (e a suporta), enquanto o botijão de GLP é usado a uma pressão de apenas 15 kgf/cm2. Por falta de conhecimentos básicos de Física, o proprietário correu risco de morrer e com sorte perdeu apenas o carro. Texto Complementar: Mergulho Acidentes de Mergulho De uma forma geral, esse tipo de acidente não vai produzir grandes lesões. São comuns de acontecer durante o movimento do mergulhador dentro do barco, transporte de material ou equipamentos em locais inadequados para eles. (Lembro do meu curso básico, em que fui advertido pelo meu instrutor a retirar mochila, nadadeira, sapatos e outras coisas do chão, pois poderia causar um acidente). Acidentes de mergulho Barotraumas a) Barotrauma do ouvido médio Descrição/causa: Causado quando a pressão do ambiente e a pressão no interior do ouvido estão em desequilíbrio. No mergulho, estamos sujeitos a uma variação de pressão e, quando afundamos, a pressão aumenta e empurra o tímpano para dentro e o mergulhador sente dor. Caso o mergulhador não equilibre esta pressão (através de manobras específi cas), o tímpano pode se romper. Com a entrada de água fria nos canais semicirculares, pode ocorrer desorientação, náuseas ou vômitos. Resfriados podem impedir a entrada de ar pelas Trompas de Eustáquio e impossibilitar a equalização e, consequentemente, o mergulho. Sinais/Sintomas: dor no ouvido, tímpano irritado, hemorragia no tímpano, rompimento do tímpano. Prevenção: equalizar o ouvido (Exemplo: manobra de Valsalva) 11 Física A02 b) Barotrauma de ouvido externo Descrição/causa: Causado pelo uso de tampões no ouvido externo ou capuz apertado. Isso vai obstruir o ouvido externo e impedirá o equilíbrio da pressão, de forma que o tímpano irá se romper para fora. Sinais/sintomas: dor, hemorragia, rompimento do tímpano. Prevenção: Não usar tampão de ouvido nem capuz muito apertado para mergulhar. c) Barotrauma dental Descrição/causa: Causado pela presença de pequenas bolhas no interior de dentes. Isso não ocorre apenas com dentes cariados, mas também com dentes já obturados. Exemplo: durante a condensação do amálgama podem fi car pequenas bolhas de ar dentro do dente, caso o amálgama não seja bem condensado. Sinais/sintomas: dor muito forte no dente. Prevenção: Que tal procurar um bom dentista? De preferência se ele for mergulhador... d) Barotrauma sinusal Descrição/causa: Causado quando a pressão do ambiente e a pressão no interior dos seios paranasais estão em desequilíbrio. Ocorre devido ao entupimento da entrada do seio por resfriado, muco ou sinusite. Seios principais: frontal, maxilar, esfenoidal. Sinais/sintomas: dor forte nos seios da face, sangramento pelo nariz, sensação de peso na região do seio paranasal. Prevenção: não mergulhar resfriado ou com sinusite. Interromper o mergulho caso algum sinal ou sintoma se manifeste. e) Barotrauma de Máscara Descrição/causa: Causado quando a pressão do ambiente e a pressão no interior do equipamento estão em desequilíbrio. Com este desequilíbrio, a máscara se transforma em uma ventosa, sugando os olhos e os tecidos moles da face, podendo causar de leves a grandes lesões. Sinais/sintomas: eritema nos olhos e na face, sangramento no nariz. 12 Física A02 Prevenção: adicionar ar na máscara através do nariz, equalizar sempre. f) Barotrauma cutâneo/roupa Descrição/causa: Causado por ajuste irregular da roupa de neoprene ou tamanho inadequado da mesma. Formam-se pequenas bolsas de ar entre a roupa e a pele, que funcionam como câmaras de ar e não vão se equilibrar. Sinais/sintomas: equimoses localizadas. Prevenção: escolher a roupa no tamanho ideal, ajustar a roupa de forma correta. g) Barotrauma pulmonar/toráxico Descrição/causa: Ocorre quando o mergulhador prende a respiração e afunda. A pressão externa fi ca maior que a pressão interna, causando desconforto e dor torácica. O que acontece é que o pulmão sofre uma diminuição de volume, que é maior do que a fl exibilidadeda caixa torácica. Manobras para economizar ar podem causar este acidente. Sinais/sintomas: dor no peito durante a descida, tosse. Prevenção: interromper o mergulho e buscar avaliação médica, evitar manobras para economizar ar. h) Cólica dos escafandristas Descrição/causa: Ocorre quando existe presença de gases no estômago ou intestino, o mergulhador sobe e aumenta o volume do gás, causando dor. Sinais/sintomas: dor estomacal ou intestinal. Prevenção: evitar gomas de mascar durante o mergulho, evitar bebidas gasosas (água gasosa, refrigerante). i) Embolia traumática pelo ar Descrição/causa: É um dos problemas mais graves que podem atingir um mergulhador. Ocorre quando o mergulhador respira no fundo, sob pressão, e prende a respiração em apneia e sobe rapidamente à superfície. O pulmão é submetido a uma expansão e a um aumento da pressão interna, causando ruptura dos alvéolos e entrada de ar na pleura. 13 Física A02 Sinais/sintomas: falta de ar, dor no peito, estado de choque, pupilas dilatadas, ausência de refl exos, inconsciência. Prevenção: não inspirar o ar de um equipamento de mergulho no fundo e voltar à superfície sem soltar o excesso de ar resultante da subida. Tratamento: recompressão o mais rápido possível (câmara hiperbárica). j) Intoxicação pelo oxigênio Descrição/causa: Quando respiramos oxigênio em elevadas pressões, este pode prejudicar o aparelho respiratório e o sistema nervoso central, causando problemas físicos e neurológicos. Sinais/sintomas: problemas visuais, tonteira, náusea, zumbido no ouvido, tremor muscular. Prevenção: ao notar algum sinal ou sintoma, interromper o mergulho. Intoxicação pelo gás carbônico Descrição/causa: Ocorre quando o mergulhador faz uso de um cilindro com mistura gasosa contaminada ou quando este produz em excesso de gás carbônico devido ao esforço físico acentuado. Sinais/sintomas: dor de cabeça, falta de ar, palpitação, dormência nas extremidades, salivação acentuada, confusão mental, euforia, convulsão, inconsciência, espasmos musculares. Prevenção: certifi car a boa procedência do ar que está no seu cilindro. Evitar fazer esforço físico acentuado. Doenças descompressivas Descrição/causa: São caracterizadas pela formação de bolhas de nitrogênio intravasculares (dentro dos vasos do sistema circulatório), extravasculares (fora dos vasos e das células) e intracelulares (dentro das células). Em condições hiperbáricas, o sangue do mergulhador vai transportar o nitrogênio, e este vai saturando tosos os tecidos. O fato de você estar 14 Física A02 dentro da tabela e respeitar os limites não vai excluir a possibilidade de ter uma doença descompressiva. Quando você respeita os limites, vai reduzir o risco de adquirir uma doença descompressiva, mas não vai eliminar de vez o risco. Sinais/sintomas: dor osteomusculoarticular (membros superiores e inferiores, lombar, tórax), distúrbios da consciência, vômitos, dores de cabeça, coceira, sensação de queimação no peito. Prevenção: respeitar as tabelas de mergulho. SNAP Descrição/causa: É a Síndrome Neurológica das Altas Pressões. Ocorre no mergulho em grandes profundidades, quando se respira o heliox (mistura de gases com hélio e oxigênio) sob grandes pressões. Sinais/sintomas: sonolência, tonteira, náusea, tremores generalizados, convulsões. Narcose Descrição/causa: É um quadro provocado pela difusão do nitrogênio no sistema nervoso central, quando se respira uma mistura gasosa, além de uma certa profundidade. A partir dos 30m de profundidade, mergulhadores predispostos à narcose (30%) apresentam os primeiros sinais da narcose. Os sinais vão se acentuando, à medida que a profundidade aumenta, sendo que aos sessenta metros, com ar comprimido, todos os mergulhadores apresentam um desempenho defi ciente. Quanto maior a pressão do ambiente, maior será a pressão parcial dos gases na mistura, e isto aumentará o efeito narcótico (efeitos psíquicos, sensitivos e motores). Dessa forma, o mergulho se tornará potencialmente perigoso, podendo levar à morte. Sinais/sintomas: euforia, vertigem, aumento do diálogo interior, diminuição da atenção, raciocínio lento, perda da sensibilidade, desconsideração do perigo iminente. Prevenção: assim que notar os sinais ou sintomas, diminuir a profundidade. 15 Física A02 Hipotermia Descrição/causa: Diminuição da temperatura corporal do mergulhador. Isso ocorre devido ao fato da temperatura da água do mar ser inferior à temperatura do corpo humano. À medida que aumenta a profundidade, maior a diferença de temperatura entre o corpo e a água. Sinais/sintomas: arritmias cardíacas severas, parada cardíaca. Prevenção: usar roupa adequada para mergulho. Apagamento Descrição/causa: Pode ocorrer quando o mergulhador hiperventila repetidamente (aumenta a velocidade e profundidade da respiração), com o objetivo de aumentar a quantidade de oxigênio no sangue e, assim, aumentar o tempo de fundo. A pressão parcial do gás carbônico fi ca baixa, devido à hiperventilação, e não fomenta no mergulhador o desejo de respirar, de forma que ele consome as reservas de oxigênio antes de chegar à superfície, causando o desmaio. Sinais/sintomas: desmaio. Prevenção: evitar manobras de hiperventilação Fonte: <http://www.webnauticos.com.br>. Acesso em: 9 jun. 2008. Nesta aula, vimos que a pressão é uma grandeza física importante justamente porque está presente em muitas situações do nosso dia a dia. Pressão da água nas torneiras, no chuveiro, pressão do botijão de gás, dos pneus da bicicleta e do carro, entre tantas outras. Além disso, pressões elevadas ou pressões muito baixas podem causar danos irreparáveis ao nosso corpo e inclusive a morte, como vimos nos exemplos citados nesta aula. Por isto é preciso conhecer bem esta grandeza e suas unidades de medida para que possamos saber se determinadas pressões são perigosas. A tabela de conversão de pressões que apresentamos na aula é um guia importante para nossa segurança quando lidamos com pressões. Autoavaliação Anotações 16 Física A02 1. Por que o pneu da bicicleta pode ser “calibrado” com 50 psi enquanto o pneu de um carro recebe apenas 30, embora tenha um volume bem maior? 2. A pressão recomendada para um pneu de automóvel é de 30 psi, represente-a em termos de pressão atmosférica? 3. Qual o aumento de pressão (em atm) para cada 10 metros de profundidade que mergulhamos no mar? 4. Se tivermos dois tubos verticais, de 2 metros de altura, por exemplo, cheios de água, sendo um com diâmetro duas vezes maior que o outro. Existe diferença na pressão exercida pela água na parte mais baixa dos tubos? Referências ALVARENGA, B.; MAXIMO, A. Física: ensino médio. São Paulo: Scipione, 2008. v 2. PARANÁ. Física. 3. ed. São Paulo: Ática, 2000. RAMALHO; NICOLAU; TOLEDO. Fundamentos da física. 8. ed. São Paulo: Ed. Morena, 2005. 03 Jacques Cousteau da Silva Borges Zanoni Tadeu Saraiva Santos C U R S O T É C N I C O E M S E G U R A N Ç A D O T R A B A L H O Medindo calor FÍSICA Coordenadora da Produção dos Materias Vera Lucia do Amaral Coordenador de Edição Ary Sergio Braga Olinisky Coordenadora de Revisão Giovana Paiva de Oliveira Design Gráfi co Ivana Lima Diagramação Elizabeth da Silva Ferreira Ivana Lima José Antonio Bezerra Junior Mariana Araújo de Brito Arte e ilustração Adauto Harley Carolina Costa Heinkel Huguenin Leonardo dos Santos Feitoza Revisão Tipográfi ca Adriana Rodrigues Gomes Margareth Pereira Dias Nouraide Queiroz Design Instrucional Janio Gustavo Barbosa Jeremias Alves de Araújo Silva José Correia Torres Neto Luciane Almeida Mascarenhas de Andrade Revisão de Linguagem Maria Aparecida da S. Fernandes Trindade Revisão das Normas daABNT Verônica Pinheiro da Silva Adaptação para o Módulo Matemático Joacy Guilherme de Almeida Ferreira Filho EQUIPE SEDIS | UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE – UFRN Projeto Gráfi co Secretaria de Educação a Distância – SEDIS Governo Federal Ministério da Educação Você ve rá por aqu i... Objetivos 1 Física A03 Todos nós pagamos por energia. É um produto sem o qual não podemos viver. Dentre as formas de energia, pagamos por combustíveis para produzir calor. Veremos aqui como calcular a quantidade de energia necessária ao aquecimento e à mudança de estado de diferentes substâncias. Veremos, também, a quantidade de energia liberada pelos combustíveis, quando queimados, e a importância disso na hora de comprar um combustível. Entender o que ocorre com a água e outros materiais quando aquecidos ou resfriados. Mensurar o calor necessário para aquecer os materiais. Identifi car o que ocorre quando uma substância muda de fase, ou seja, passa de um estado físico para outro. 2 Física A03 Para começo de conversa... Quanto combustível é necessário? Provavelmente, no seu bairro, há uma lavanderia. Elas, as lavanderias, normalmente usam água quente e vapor para lavar, por exemplo, roupas, toalhas e lençóis. Uma das principais coisas que o proprietário da lavanderia quer saber é quanto vai gastar com energia no serviço. Para saber quanto vai gastar com energia, precisa saber também “qual” energia ele vai comprar. Uma lavanderia usa energia para iluminação, para mover máquinas e para aquecer água. São formas diferentes de uso que podem vir de fontes diferentes também. Para mover máquinas e para iluminação, ele certamente usará eletricidade. Para produzir água quente e vapor, ele pode escolher entre usar eletricidade, gás ou outro combustível. A decisão, nesse caso, envolve necessariamente o preço de cada um. É mais barato aquecer água com gás ou com eletricidade? Para saber isso é necessário saber quanto de energia “em forma de calor” é necessário para elevar a temperatura de certa quantidade de água até a temperatura desejada. O conceito de energia tem sua importância exatamente porque podemos encontrar a quantidade necessária para uma determinada tarefa, seja esta energia proveniente de que fonte for. Por exemplo, na lavanderia, provavelmente, vai ser usada uma prancha a vapor para passar a roupa em lugar do ferro elétrico, mas a quantidade de energia necessária será a mesma. 3 Física A03 Medindo o calor Podemos dividir nossa tarefa na lavanderia em duas etapas: 1. Aquecer a água. 2. Transformar água quente em vapor. Para aquecer qualquer substância, é necessário saber a quantidade, em massa, desta substância. Quanto maior a massa da substância, maior a quantidade de calor necessário. Depois, quanto eu desejo aquecer esta substância e que variação de temperatura ela vai sofrer. No caso da lavanderia, será necessário elevar a temperatura da água desde a temperatura ambiente até 100°C (digamos, uma elevação de aproximadamente 75°C). A quantidade de calor necessária será também proporcional à variação de temperatura desejada. Isto é: Q = m. c. ΔT Em que: Q = quantidade de calor; m = massa da substância; c = calor específi co da substância; ΔT = variação de temperatura. Calor Específi co Se fornecermos uma mesma quantidade de energia a 1 grama de água e a um grama de cobre, o cobre se aquecerá mais que a água. Ou de outra forma: em quantidades iguais, o cobre precisa de menos calor que a água para atingir a mesma temperatura. Essa quantidade de calor necessária para elevar a temperatura de 1 grama de uma determinada substância de 1°C chama-se Calor Específi co. 4 Física A03 Atenção: O Calor Específi co é uma grandeza física importante que diz qual é a quantidade de energia térmica envolvida quando uma unidade de massa (g ou kg) de uma substância varia 1ºC (ou 1K). Por exemplo: Calor específi co da água = 1 kcal/g°.C ou 4180 J/kg.K (no Sistema Internacional). Tabela 1 – Calor específi co de algumas substâncias Substância Calor Específi co (cal/g.°C) Água 1,0 Álcool 0,6 Alumínio 0,22 Ar 0,24 Carbono 0,12 Chumbo 0,031 Cobre 0,093 Ferro 0,11 Gelo 0,5 Hélio 1,25 Hidrogênio 3,4 Latão 0,092 Madeira 0,42 Mercúrio 0,033 Nitrogênio 0,25 Ouro 0,032 Oxigênio 0,22 Prata 0,056 Rochas 0,21 Vidro 0,16 Zinco 0,093 Fonte: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Calor_espec%C3%ADfi co>. Acesso em: 20 jul. 2009. Exemplo 1 1Praticando... 5 Física A03 No caso da lavanderia, para o proprietário saber quanto calor vai utilizar, ele deverá saber a massa da água em quilogramas que utilizará na lavanderia, a variação da temperatura que essa água sofrerá, sabendo que a água possui calor específi co de 4180 J/kg.K (no Sistema Internacional). Ele aplicará a fórmula Q = m. c. ΔT e encontrará a quantidade de calor em Joules (J). Depois, o proprietário converterá esse valor em quilowatt.hora, que é a unidade adotada pelas companhias de energia, pela seguinte equivalência: 1kWh = 3,6MJ. Feito isso, ele saberá quanto irá gastar. A água é considerada um bom armazenador de calor (Energia Térmica). Discuta com os seus colegas esta afi rmação, sob o ponto de vista do conceito de calor específi co. Escreva um pequeno texto relatando os principais pontos da discussão com seus colegas e faça um resumo das conclusões a que você chegou sobre a relação entre calor específi co e armazenamento de calor. Calor latente Já temos como saber qual a quantidade de energia necessária para aquecer a água até 100°C. No caso específi co da água, a partir de 100°C, ela começa a ferver. Um fato interessante e importante é que, quando a água entra em ebulição, sua temperatura não varia mais. Enquanto houver água fervendo, a temperatura será de 100°C. Mesmo que aumentemos a chama do fogão, a temperatura não mudará. Para onde vai, então, a energia que o fogo está produzindo? Ela está indo, justamente, “realizar o trabalho” de separar as moléculas de água e transformá-las em vapor. 6 Física A03 Há, portanto, uma quantidade de energia em forma de calor que deve ser fornecida à água quando ela atinge seu ponto de ebulição para realizar a tarefa de evaporar toda a água. Chama-se Calor Latente o calor (energia) necessário para fazer com que uma massa determinada de uma substância mude completamente de estado físico. Existem dois de tipos de calor latente: o Calor Latente de Vaporização e o Calor Latente de Fusão. Por exemplo, para que um grama de gelo a 0ºC se transforme totalmente em água a 0°C, são necessárias 80 calorias, logo o calor latente de fusão do gelo é Lv = 80cal/g e o calor latente de vaporização da água é Lv = 540cal/g. São necessárias 540 calorias para vaporizar 1 grama de água. Tabela 2 – Calor latente de fusão e calor latente de vaporização Substância Lf ·103 (J/kg) Lv ·103 (J/kg) Gelo (água) 334 2260 Álcool etílico 105 846 Acetona 96 524 Benzeno 127 396 Alumínio 322-394 9220 Estanho 59 3020 Ferro 293 6300 Cobre 214 5410 Mercúrio 11.73 285 Chumbo 22.5 880 Potássio 60.8 2080 Sódio 113 4220 Fonte: <http://www.fi sica.ufs.br/CorpoDocente/egsantana/estadistica/otros/fusion/fusion.htm>. Acesso em: 20 jul. 2009. Suponha, então, que seja necessário produzir vapor na lavanderia. O processo deve ser feito em pelo menos duas etapas; primeiro temos que aquecer a água desde a temperatura ambiente até 100°C e, depois, continuar fornecendo calor até que ela evapore completamente. Para isso, são necessárias duas quantidade de calor diferentes para a quantidade de água. Chamaremos estas quantidades de QA, para aquecer e QE para evaporar. QA = m.c. ΔT QE = m.Lv, sendo Lv o calor latente de vaporização da água. Resumindo, vamos precisarde uma quantidade de energia total Q = QA + QE Fica, então, possível saber qual a quantidade de Energia Térmica, em forma de calor, que será necessária. 7 Física A03 Sabendo que cgelo = 0,5 cal/gº.C; cágua = 1,0 cal/gº.C; Lgelo = 80 cal/gº.C, determine a quantidade de calor necessária para que 50g de gelo, a – 10ºC, resultem em água numa temperatura de 80ºC. Solução: Podemos dividir em três etapas o processo de transferência de calor para a substância: 1ª) ΔQ 1 : quantidade de calor necessária para elevar a temperatura de – 10ºC para 0ºC (calor sensível → ΔT ≠ 0; ΔQ 1 = Q1 – 0). 2ª) ΔQ 2 : fl uxo de calor que provoca mudança de fase (calor latente → ΔT = 0; ΔQ 2 = Q2 – Q1). 3ª) ΔQ 3: calor necessário para elevar a 80ºC temperatura da substância (calor sensível → ΔT ≠ 0; ΔQ 3 = Q3 – Q2). Portanto, a quantidade de calor total é: ΔQ = ΔQ1 + ΔQ2 + ΔQ3 ΔQ = mgcgΔTg + mL + macaΔTa ΔQ = 50.0,5 (0 + 10) + 50.80 + 50.1 (80 – 0) ΔQ = 8250 cal Exemplo 2 Calor de Combustão O calor de combustão ou poder calorífi co é a grandeza que expressa a quantidade de energia que pode ser liberada pela combustão da matéria. Embora não seja tão evidente, queimar 1 kg de madeira pode produzir uma quantidade de calor diferente daquele produzido pela queima de 1 kg de gasolina. Os alimentos também produzem energia em quantidades diferentes mesmo se comermos a mesma massa. As dietas são baseadas neste fato; nem todos os alimentos produzem as mesmas “calorias”, o que quer dizer que nos fornecem mais energia que outros. Caloria 8 Física A03 Qual o combustível mais efi ciente para produzir energia? Vamos nos dedicar agora a determinar qual combustível fornece maior quantidade de energia quando é queimado. Quando compramos um combustível, na verdade, estamos comprando energia. Dessa afi rmação, lançamos uma pergunta: será que todos os combustíveis produzem a mesma quantidade de energia? Com o aparecimento dos automóveis Flex, os quais usam gasolina e álcool ao mesmo tempo, as pessoas estão procurando saber qual dos dois combustíveis se torna mais barato na hora de abastecer. A resposta poderia ser simples, pois o preço do álcool na bomba é mais baixo do que o da gasolina. No entanto, quem possui um carro a álcool sabe que o consumo com o álcool é maior. Observemos a razão pela qual isso ocorre. O carro a álcool consome mais combustível, principalmente por motivos químicos. A queima de um combustível é uma reação química que libera energia enquanto está ocorrendo. O fato é que substâncias diferentes liberam quantidades de energia diferentes durante a sua queima. A Física não entra nos detalhes de por que isso acontece, mas existe uma grandeza que expressa essa diferença denominada “Calor de Combustão” ou “Poder Calorífi co”. Este nos diz a quantidade de energia liberada na queima de uma determinada massa de uma substância. Inclusive, essas substâncias podem ser encontradas em nossos alimentos. Caloria é a quantidade de Energia Térmica necessária para elevar a temperatura de 1g de água de 1° C. Provavelmente, todos nós já ouvimos falar de “alimentos calóricos”, que são aqueles que nos engordam mais, ou fomos solicitados a responder, de imediato, se quem tem mais calorias é o chocolate ou a alface. Vejamos do que se trata essa tal “caloria”. Quando ingerimos algum alimento, acontece um processo de “queima” desse alimento em nosso organismo e ENERGIA é liberada para que possamos continuar vivos. Se engordamos, é porque comemos além do necessário para nossas funções e essa energia é armazenada em forma de gordura. Da mesma forma que o nosso organismo, os automóveis precisam de um combustível para se mover. Muito simples, não é? Para saber se o álcool é, realmente, mais barato que a gasolina ou decidir se na lavanderia será usado gás ou eletricidade, temos que saber quanto de energia uma determinada quantidade de um combustível libera e compará-la com os outros. 2Praticando... 9 Física A03 Na tabela, temos valores do calor de combustão dos combustíveis mais usados. Tabela 3 – Calor de combustão dos combustíveis mais usados. Combustível Calor de combustão (kcal/kg) Álcool etílico (etanol)* 6400 Álcool metílico (metanol)** 4700 Carvão vegetal 7800 Coque 7200 Gás hidrogênio 28670 Gás manufaturado 5600 a 8300 Gás natural 11900 Gasolina 11100 Lenha 2800 a 4400 Óleo diesel 10900 Petróleo 11900 Querosene 10900 TNT 3600 * é obtido de cana de açúcar, mandioca, madeira. **é obtido de carvão, gás natural, petróleo. Fonte: <http://fi sica.cdcc.sc.usp.br/GREF/termo02.pdf>. Acesso em: 20 jul. 2009. Qual o conteúdo de energia de um kilograma de gasolina e qual a quantidade de energia em um kilograma de álcool? Qual a sua conclusão sobre o preço destes dois combustíveis? Autoavaliação 10 Física A03 O ponto central desta aula é a maneira utilizada para medir o calor, ou energia térmica. Pagamos por esta energia quando compramos um botijão de gás ou quando pagamos a conta da eletricidade. Os combustíveis derivados do petróleo são muito importantes economicamente na nossa sociedade, e nesta aula aprendemos a medir a quantidade de calor necessário para algumas tarefas básicas, como aquecer e ferver água. Para isso usamos os conceitos de calor específi co e calor latente. Além do que, nos foi dada a possibilidade de calcular a quantidade de energia produzida pelos principais combustíveis, através da grandeza conhecida como calor de combustão. Este é um assunto de interesse não apenas do ponto de vista profi ssional, mas até mesmo para o nosso uso doméstico. 1. Quanto de energia, em Joules e em calorias, é necessário para aquecer 100 litros de água de 25°C até 100°C? 2. Um pedaço de rocha da mesma massa de uma quantidade de água estão ambas expostas ao sol. Notamos que a rocha torna-se mais quente do que a água em pouco tempo. Por que isso acontece? Use o conceito de calor específi co para sua explicação. 3. Sabendo que o calor latente de fusão do chumbo é 6,0 cal/g, determine a quantidade de calor necessária para fundir, a 327ºC, 200 g dessa substância. Referências GRUPO DE REELABORAÇÃO DO ENSINO DE FÍSICA - GREF. Física térmica/óptica /GREF. São Paulo: EDUSP, 1998. PARANÁ. Física. 3. ed. São Paulo: Ática, 2000. Anotações 11 Física A03 Anotações 12 Física A03 05 Zanoni Tadeu Saraiva C U R S O T É C N I C O E M S E G U R A N Ç A D O T R A B A L H O O princípio da transformação calor em trabalho FÍSICA Coordenadora da Produção dos Materias Vera Lucia do Amaral Coordenador de Edição Ary Sergio Braga Olinisky Coordenadora de Revisão Giovana Paiva de Oliveira Design Gráfi co Ivana Lima Diagramação Elizabeth da Silva Ferreira Ivana Lima José Antonio Bezerra Junior Mariana Araújo de Brito Arte e ilustração Adauto Harley Carolina Costa Heinkel Huguenin Leonardo dos Santos Feitoza Revisão Tipográfi ca Adriana Rodrigues Gomes Nouraide Queiroz Margareth Pereira Dias Design Instrucional Janio Gustavo Barbosa Luciane Almeida Mascarenhas de Andrade Jeremias Alves de Araújo Silva José Correia Torres Neto Revisão de Linguagem Maria Aparecida da S. Fernandes Trindade Revisão das Normas da ABNT Verônica Pinheiro da Silva Adaptação para o Módulo Matemático Joacy Guilherme de Almeida Ferreira Filho EQUIPE SEDIS | UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE – UFRN Projeto Gráfi co Secretaria de Educação a Distância – SEDIS Governo Federal Ministério da Educação Você ve rá por aqu i... Objetivos 1 Física A05 ... Como funcionam as máquinas que mudaram a face do mundo, as máquinas térmicas. Quais os princípios que estão associados ao funcionamento destas máquinas e quais as principais conseqüênciasdo seu uso em grande escala, como vemos hoje. A transformação de calor em trabalho mecânico é o principal objeto de estudo da termodinâmica e é isto que você vai ver por aqui. Entender o princípio de transformação de calor em trabalho através do estudo das máquinas térmicas. Entender o conceito de energia interna. Entender o calor como uma forma de energia. Relacionar energia interna, calor e trabalho. Compreender a primeira lei da termodinâmica como uma forma geral do princípio da conservação da energia. 2 Física A05 Energia interna Vimos na aula anterior que os combustíveis possuem energia que é liberada durante sua queima. A quantidade de energia liberada para uma unidade de massa é chamada de poder calorífi co ou calor de combustão. Esta energia química dos combustíveis pode ser em outras formas de energia, entre elas a energia mecânica ou de movimento. Chamamos máquinas térmicas aqueles dispositivos que transformam a energia interna de um combustível em energia mecânica. “Antes de falarmos de uma máquina térmica ‘de gente grande’, vamos começar por um brinquedo que chamaremos de ‘turbina PET’”. Na verdade, é um brinquedo bem simples. Você vai precisar de uma garrafa de refrigerante (PET), um pedaço de arame para o suporte da garrafa e um prego bem quente para fazer um furo na tampa da garrafa. Coloque algumas gotas de perfume ou desodorante dentro da garrafa e coloque a tampa. Aproxime da tampa um fósforo aceso e veja o que acontece. Figura 1 – O princípio básico da propulsão a jato de foguetes e aviões– Fonte: <http://www.feiradeciencias.com.br/sala08/image08/08_29_02.gif>. Acesso em: 29 out. 2008. 3 Física A05 A fi gura 1 mostra um brinquedo construído com garrafa de refrigerante que demonstra o princípio básico da propulsão a jato de foguetes e aviões. A queima de um combustível gera movimento quando expelido pela turbina. A turbina PET é uma demonstração simples de como a energia química se transforma em calor na queima do combustível e é transformada em energia mecânica. A expansão do gás no interior da garrafa produz o movimento. Vamos analisar o processo em etapas: 1. no instante da explosão se produz gás quente à alta pressão; 2. a expansão do gás realiza o trabalho de empurrar o foguete; 3. o gás se resfria depois de realizado o trabalho; 4. a garrafa se aquece no processo; 5. o gás do processo continua mais quente do que antes da explosão. Na termodinâmica, temos sempre que delimitar o sistema que estamos estudando. O que está além dele é a vizinhança do sistema. Este sistema é escolhido de acordo com a nossa conveniência ou de acordo com o fenômeno que queremos estudar. No caso do nosso brinquedo, a mistura de ar e vapor de álcool é o nosso sistema, e a vizinhança abrange a garrafa e o ambiente externo. É no gás onde ocorrem as transformações que estamos interessados em estudar. 1. A explosão da mistura libera uma quantidade de calor (Q). 2. Este calor produz a expansão do ar no interior da garrafa e realiza trabalho (W)WW . 3. Depois da expansão o gás se torna um pouco mais quente do que era antes da explosão. Dizemos que houve uma variação da sua energia interna no processo. 4 Física A05 Esse foguete a álcool, na verdade, é uma máquina térmica um tanto inconveniente, pois voa apenas uma pequena distância, alguém tem de trazê-lo de volta, deve ser abastecido e precisa de uma nova faísca a cada vôo. Uma máquina térmica que seja efi ciente para produzir trabalho tem que ter a capacidade de produzi-lo de forma contínua. O automóvel, por exemplo, realiza processos semelhantes aos do foguete de forma contínua, ou seja, em ciclos. Um bom exemplo de um ciclo termodinâmico onde trabalho é produzido a partir do calor é o ciclo Rankine de uma turbina a vapor. Figura 2 – Ciclo Rankine da turbina a vapor– Fonte: <http://www.ceeeta.pt/images/ctvap.gif>. Acesso em: 29 out. 2008. Na fi gura 2, o vapor é produzido na caldeira. A pressão desse vapor realiza trabalho ao ser expandido na turbina, depois é transformado em água quente no condensador para que possa ser colocado de volta à caldeira para novo aquecimento. Neste ciclo, temos uma caldeira onde a água é aquecida e transformada em vapor superaquecido. Este vapor entra em uma turbina, que é um conjunto de palhetas acoplado a um eixo, produzindo movimento de rotação deste eixo. Ao passar pela turbina, parte da energia interna do vapor é transformada em trabalho. Como o vapor sai da turbina ainda quente, signifi ca que parte do calor recebido na caldeira ainda permanece no vapor como parte de sua energia interna. Energia interna – em um gás a energia interna está diretamente relacionada à sua temperatura. Ela pode ser entendida como a soma de todas as energias mecânicas das partículas do gás. Sempre que há variação de temperatura há variação da energia interna. 5 Física A05 Para poder retornar à caldeira, o vapor deve voltar ao estado líquido e esta tarefa é realizada por um trocador de calor ou condensador que resfria o vapor e transforma-o em água a aproximadamente 90°C. Esta água, por sua vez, é bombeada para o interior CC da caldeira e o ciclo recomeça. Em termos de transformação de energia, podemos dizer que a caldeira fornece uma quantidade de energia térmica à água, em forma de calor, transformando-a em vapor. A energia interna do vapor aquecido é transformada, parte em trabalho e parte é mantida no vapor quente. Podemos escrever, então, sob a forma matemática: Q = W + ΔU Eq. (1) Ou seja, do calor fornecido, parte se converte em trabalho mecânico e parte aquece o gás do processo. Lembra-se da garrafa? Podemos escrever e entender a equação (1) de outra forma: ΔU =U Q –Q W Eq. (2) Dizemos que a variação da energia interna de um sistema pode se dar de duas formas: pela troca de energia em forma de calor ou pela realização de trabalho por este sistema ou sobre este sistema. A equação (2) implica um fato interessante e para o qual não podemos deixar de chamar a atenção de vocês: é a equivalência entre calor e trabalho. Note que na equação eu posso subtrair uma grandeza da outra, pois elas são equivalentes. Durante muito tempo, calor e trabalho eram duas coisas diferentes que não “se comunicavam”; o calor era explicado como um fl uido que existia no interior da matéria e se manifestava como aumento de temperatura. Agora o conceito de energia os torna equivalentes. O que chamamos comumente de calor é, na verdade, uma forma de energia equivalente a qualquer outra. Pela equação, podemos notar que: Se o gás realizar trabalho sobre o ambiente, ele perde energia. Isso faz sentido, já que a energia necessária para realizar o trabalho sobre o ambiente se origina do próprio gás. Se adicionarmos uma quantidade ΔQ de calor ao gás, sua energia interna aumenta Q deste mesmo valor. As idéias expressas acima compõem a formulação da 1ª lei da termodinâmica. 6 Física A05 Primeira lei da termodinâmica – a energia de um corpo pode variar devido à ação de forças externas ou por troca de calor com o ambiente, então esta variação de energia corresponde à soma do trabalho realizado pelas forças externas mais a quantidade de calor obtida do ambiente. É neste sentido que dissemos que a primeira lei da termodinâmica é uma extensão do princípio da conservação da energia mecânica, agora incluindo o calor como uma forma de energia. 1Praticando... Nos comerciais de automóveis ouvimos algumas informações sobre o motor do carro, como: “motor 2.0, de 16 válvulas, comando de válvulas no cabeçote, Motor em V, de 12 cilindros, motor turbo”. Pesquise sobre o motor do automóvel e suas principais peças, procurando entender as expressões citadas acima. Observe como se dá a transformação de calor em trabalho mecânico e como é o mecanismo de manutenção dociclo da máquina. a) Qual a diferença entre o motor de um carro 1.0 e motor de outro que é 2.0? b) Qual a diferença entre um motor de 8 válvulas e outro de 16 válvulas? c) Qual a função do turbo e como ele infl ui no desempenho do carro? Equivalente mecânico do calor: foi demonstrado por Joule que, para que um corpo se aqueça na mesma intensidade de quando fornecemos uma quantidade de calor de uma caloria, seria necessária a realização de trabalho mecânico igual a 4,18 Joules. Responda aqui 7 Física A05 Trabalho realizado por um gás Como vimos anteriormente, nas máquinas térmicas temos que usar um fl uido (normalmente um gás) como substância de trabalho. É este fl uido que vai passar por transformações termodinâmicas, ou seja, variações de pressão, volume e temperatura e produzir trabalho. O que chamamos de estado termodinâmico de um sistema é determinado por estas três variáveis (P,V,T). Nosso estudo consiste em analisar a quantidade de trabalho realizado por um gás em diferentes formas em que este estado termodinâmico pode variar. Kg Pistão Cilindro ºC GásGáG sás 8 Física A05 Trabalho realizado por um gás em uma transformação gasosa A fi gura a seguir é a ilustração de um aparato experimental didático, usado para auxiliar o entendimento das principais transformações gasosas. Ele tem semelhança com uma máquina térmica e isso não é por acaso. É composto de um cilindro, onde está contido um gás, pressionado por um pistão de peso variável; um manômetro para as medidas de pressão, um termômetro para as medidas de temperatura e uma fonte de calor. Nesse arranjo experimental, é possível medir as variáveis pressão, volume e temperatura, adicionar ou retirar calor e, a partir dessas medidas, fazer a relação entre o calor trocado, o trabalho realizado e a variação da energia interna do gás. Veremos aqui a aplicação da 1ª Lei da Termodinâmica às transformações gasosas. Figura 3 – Representação de um arranjo experimental para estudo – das transformações termodinâmicas de um gás As transformações são divididas em isobárica, isotérmica, isovolumétrica e adiabática. Nas máquinas, o processo não acontece de forma tão idealizada, mas esta separação se faz necessária para que possamos, depois, nos aproximar o mais possível do comportamento real das máquinas. 9 Física A05 Trabalho em uma transformação isobárica No arranjo experimental, aquecemos o gás e o deixamos expandir-se livremente à medida que a pressão tende a aumentar. O gás aquece, expande-se e, com um aumento mínimo de pressão, empurra o êmbolo para cima. Há realização de trabalho e a pressão se mantém constante. A pressão do gás pode ser escrita como p= F/A ou F=FF p.A, em que a é a área do cilindro. A variação de volume sofrida na expansão do gás é um ΔV = A. Δl, onde o Δl é o deslocamento do êmbolo durante a expansão. O trabalho realizado pelo gás será, então, W = p. ΔV Eq. (3) Aplicando-se a expressão da primeira lei da termodinâmica, temos então: ΔU = Q – W ΔU = Q – p.ΔV Eq. (4) Na equação (3) podemos achar uma indicação para as perguntas que fi zemos na atividade 1. A pressão do gás no interior do cilindro é um fator importante na quantidade de trabalho realizado, como também a variação de volume sofrida pelo pistão durante a expansão. 2Praticando... Numa transformação isobárica, sob pressão P = 2.105N/m2, um gás variou seu volume desde V 1 = 2.10-4m3 até V 2 = 5.10-4m3. Sabendo que a quantidade de calor trocada pelo gás com uma fonte externa foi ΔQ = 80J, determine: a) O trabalho realizado pelo gás. b) A variação da energia interna do gás. 10 Física A05 Trabalho em uma transformação isotérmica Uma transformação isotérmica é uma situação idealizada na qual uma quantidade de calor é transferida ao gás e mesmo assim sua temperatura permanece constante. Como pode ser isso? Pensando no arranjo experimental e na equação da primeira lei da termodinâmica, podemos ter uma idéia de como isso pode acontecer. Se a temperatura do gás não muda durante o processo, sua energia interna também não muda. ΔU = 0 Dizemos isso porque sabemos que a energia interna é função direta da temperatura do gás e se uma não varia, a outra também não varia. A equação (2) se torna, então, Q = W Esta igualdade implica que toda a energia em forma de calor transmitida ao gás seria necessariamente usada na realização de trabalho para empurrar o pistão durante a expansão. Isso implica em condições bem especiais de realização do experimento; nenhum calor deve ser trocado com o ambiente (para isso o cilindro deve ser perfeitamente isolado), e o processo deve ser realizado tão lentamente de modo que não haja desequilíbrios: partes do gás com temperaturas ou pressões diferentes. Um processo desse tipo é chamado “quase-estático”. V p Figura 4 – Isoterma de um gás ideal – 11 Física A05 Trabalho em uma transformação adiabática Essa transformação ocorre sem que haja troca de calor do sistema com sua vizinhança. Em duas situações podemos ter processos muito próximos da condição adiabática ideal: um sistema termicamente bem isolado e em uma transformação que ocorra em um tempo tão curto o qual não seja sufi ciente para ocorrer troca de calor. Em várias situações práticas consideramos que transformações adiabáticas acontecem. Por exemplo, o momento da explosão da gasolina dentro do motor é considerado uma expansão adiabática, devido à extrema rapidez em que ela ocorre. Dica: supondo o motor de uma motocicleta a 6000 rpm, isso signifi ca 100 rotações por segundo. Obviamente que uma transformação totalmente adiabática também é uma idealização, visto que o motor da motocicleta aquece depois de alguns minutos funcionando, mas considerando algumas rotações, apenas a nossa suposição é perfeitamente válida e útil do ponto de vista de entendimento dos fenômenos. Vocês já se depararam na física com muitas situações consideradas ideais que nos ajudam a explicar/entender fenômenos e construir modelos. Pela primeira lei, se um processo é adiabático Q = 0, temos que: ΔU = – W Então, que sentido tem isso para nós? Suponha o cilindro da nossa experiência e o sistema como sendo o gás em seu interior. Se comprimirmos o gás por meio de uma força externa ao sistema, a energia interna do gás aumenta, pois aumenta sua temperatura. Se o gás comprimido se expande, sua energia interna diminui, como a queda de temperatura. Note que, sendo uma transformação adiabática, todo trabalho é convertido em energia interna e vice-versa. E o sinal negativo? O sinal nos diz que uma variação positiva da energia interna é resultado de um trabalho negativo, ou seja, trabalho realizado sobre o sistema por uma força externa a ele. Por outro lado, uma variação negativa da energia interna (resfriamento) implica que o sistema realizou trabalho sobre a vizinhança, ou seja, trabalho positivo. 12 Física A05 Transformação a volume constante Esta transformação gasosa é facilmente obtida na prática. De modo simples poderíamos colocar uma lata bem tampada no fogo e esperar o resultado. O resultado é que a temperatura do ar dentro da lata vai aumentar gradativamente, assim como a sua pressão. No nosso aparato experimental da fi gura 3 seria o caso de prender o pistão em certa posição e fornecer calor ao gás. Como não há deslocamento do pistão, não há realização de trabalho, logo: Pela equação ΔU =U Q – W– W = 0 Ficamos com ΔU = Q; isso signifi ca que todo o calor fornecido ao sistema será convertido unicamente em energia interna do sistema. No caso do exemplo que mostramos acima, a lata pode explodir se a temperatura do gás subir muito e conseqüentemente a sua pressão. Em uma panela de pressão, por exemplo, é importante que exista a válvula de alívio para que a pressão no interior da panelanão aumente demais e cause um acidente grave. Figura 5 – Danos causados pela explosão de uma panela de pressão– Fonte: <http://www.fotocomedia.com/article.php?story=panela-de-pressao>. Acesso em: 29 out. 2008. 13 Física A05 Na fi gura 5 podemos ver que os dispositivos que trabalham sob pressão devem possuir sistemas de controle para evitar acidentes (note a tampa no telhado). A energia interna do vapor na panela se transforma em trabalho no momento da explosão. Vimos nesta aula que a transformação de calor em trabalho mecânico é o principal objeto de estudo da termodinâmica. Com este estudo, entendemos como funcionam as máquinas que transformaram a maneira de se obter energia, as máquinas térmicas. Aprendemos também quais os princípios que estão associados ao funcionamento destas máquinas. Entendemos o princípio de transformação de calor em trabalho, o conceito de energia interna, o calor como uma forma de energia e como relacioná-los. Autoavaliação 1. Suponha que um gás ideal sofreu uma expansão isotérmica. a) Foi necessário fornecer calor ao gás? b) Sua energia interna variou? c) Qual a relação entre Q eQ W nessa transformação?W 2. Suponha que um gás ideal sofreu uma expansão isobárica. a) Foi necessário fornecer calor ao gás? b) Sua energia interna variou? c) Qual a relação entre Q eQ W nessa transformação?W 3. Suponha que um gás ideal sofreu uma expansão isovolumétrica. a) Foi necessário fornecer calor ao gás? b) Sua energia interna variou? c) Qual a relação entre Q eQ W nessa transformação?W 14 Física A05 4. Suponha que um gás ideal sofreu uma expansão adiabática. a) Foi necessário fornecer calor ao gás? b) Sua energia interna variou? c) Qual a relação entre Q e Q W nessa transformação?W 5. Um sistema, ao passar de um estado para o outro, trocou calor com o meio externo. Determine a quantidade de calor, ΔQ, em joules, trocada entre o sistema e o meio, sabendo que: a) O sistema sofreu uma variação de energia interna ΔU = 320J eJ realizou um trabalho W = 200J.JJ b) O sistema sofreu uma variação de energia interna ΔU = 620J e o meio J externo realizou um trabalho sobre o sistema de –200J.JJ 6. Um sistema termodinâmico recebe 600J sob forma de calor, enquantoJ realiza trabalho de 400J. Nesse caso, a variação de sua energia interna é:JJ a) 200J b) 600J c) 400J d) Nula 7. Durante uma transformação a volume constante, um gás recebe 500J de calor de uma fonte externa. Explique o que acontece com a energia interna e com a temperatura do gás. 8. Um gás perfeito realiza trabalho de 500J sobre o meio externo durante uma transformação adiabática. a) Determine a quantidade de calor trocada com o meio e a variação de energia interna do gás. b) O que acontece com o volume do gás, aumenta ou diminui? 9. Um gás ideal, em um recipiente mantido a volume constante, liberou 80 cal para a sua vizinhança. Podemos afi rmar que:l I – O trabalho realizado pelo gás foi de 80 cal. II – A energia interna do gás variou de 80 cal. III – A temperatura do gás diminuiu. IV – O trabalho realizado pelo gás foi nulo. As afi rmativas corretas são: a) I, II e III b) I, II e IV c) II, III e IV d) I, III e IV 15 Física A05 10. Considere as seguintes afi rmações: I – Um sistema que recebe calor e não realiza trabalho aumenta a sua energia interna. II – Se um sistema realiza um trabalho de 300J enquanto recebeJ 300 cal de calor, tem uma variação de energia interna igual a 960J.JJ III – Se um sistema cede 50 cal em forma de calor e realiza trabalho del 100J, a variação de sua energia interna é deJJ – 300J.JJ As afi rmativas corretas são: a) Apenas I. b) apena II. c) Apenas III. d) Todas. 11. Um gás recebe de uma fonte de calor uma quantidade ΔQ = 9 cal e l fornece 2,54J de trabalho a um meio. Considere J 1 cal = 4,2J.JJ a) Calcule a variação da energia interna do gás. b) A energia interna do sistema aumentou ou diminuiu? Gabarito 5. a) 520J b)J 420J 6. a 8. a) Q = 0 e ΔQ = –500 J b)J T > 0 9. c 10. d 11. a) ΔU = 35,26 J b) ΔU > 0 Referências ALVARENGA, B.; MAXIMO, A. Física: ensino médio. São Paulo, 2008. v 2. PARANÁ. Física. 3. ed. São Paulo: Ática, 2000. 16 Física A05 Anotações Jacques Cousteau da Silva Borges Zanoni Tadeu Saraiva Santos Variáveis elétricas e cuidados com a eletricidade C U R S O T É C N I C O E M S E G U R A N Ç A D O T R A B A L H O FÍSICA07 Coordenadora da Produção dos Materias Vera Lucia do Amaral Coordenador de Edição Ary Sergio Braga Olinisky Coordenadora de Revisão Giovana Paiva de Oliveira Design Gráfi co Ivana Lima Diagramação Elizabeth da Silva Ferreira Ivana Lima José Antonio Bezerra Junior Mariana Araújo de Brito Arte e ilustração Adauto Harley Carolina Costa Heinkel Huguenin Leonardo dos Santos Feitoza Revisão Tipográfi ca Adriana Rodrigues Gomes Margareth Pereira Dias Nouraide Queiroz Design Instrucional Janio Gustavo Barbosa Jeremias Alves de Araújo Silva José Correia Torres Neto Luciane Almeida Mascarenhas de Andrade Revisão de Linguagem Maria Aparecida da S. Fernandes Trindade Revisão das Normas da ABNT Verônica Pinheiro da Silva Adaptação para o Módulo Matemático Joacy Guilherme de Almeida Ferreira Filho EQUIPE SEDIS | UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE – UFRN Projeto Gráfi co Secretaria de Educação a Distância – SEDIS Governo Federal Ministério da Educação Você ve rá por aqu i... Objetivos 1 Física A07 Quais são os tipos de aparelhos elétricos e as grandezas usadas na eletricidade. O que são condutores e isolantes elétricos. O choque elétrico e o conceito de corrente elétrica e seus efeitos sobre o nosso organismo. Como se proteger da corrente elétrica, a partir de sistemas de proteção e aterramento. Conhecer as condições necessárias para que ocorra condução de eletricidade. Conhecer as diferentes variáveis empregadas nos sistemas elétricos de potência. Identificar as formas de transformação de energia que envolvem a eletricidade. Ser capaz de identificar problemas elétricos e conhecer as possíveis soluções. Compreender os efeitos fatais da corrente elétrica pelo organismo, e o que fazer em caso de acidentes com eletricidade. Entender a importância dos sistemas de proteção elétrica e o uso do aterramento nesses sistemas. 2 Física A07 Para começo de conversa... A importância da eletricidade em nossas vidas é um fato inquestionável. Ela ilumina nossas residências, movimenta nossos eletrodomésticos, permite o funcionamento dos mais diferentes aparelhos eletrônicos e aquece o banho nosso de cada dia. Por outro lado, a eletricidade, quando mal empregada, traz imenso perigo com os choques elétricos, algumas vezes fatais, e os curtos-circuitos, causadores de incêndios e danos a equipamentos. A melhor forma de convivermos em harmonia com a eletricidade é conhecê-la bem, tirando-lhe o maior proveito, desfrutando de todo o seu conforto com a máxima segurança. 1Praticando... Sala de estar Sala de aula Banheiro Seu quarto Cozinha 3 Física A07 A energia elétrica e suas transformações Mas, o que é energia elétrica? À primeira vista podemos pensar que a energia elétrica é “algo que fl ui” pelos fi os, comumente chamados de condutores de energia. Mas ninguém consegue observar a energia elétrica “vazando” pela tomada na parede ou “escoando” quando cortamos um fi o energizado. Não é possível encher uma garrafa ou um balde de energia elétrica (como se pensava no século XIX). Também não é possível enxergar, ouvir ou tocar na energia elétrica. Porém, é possível perceber os seus efeitos nos mais diferentes equipamentos elétricos. Isso só é possível porque o homem aprendeu a manipular a energia elétrica para que esta realize trabalho segundoa sua vontade. É nesta realização de trabalho que percebemos a energia elétrica se convertendo em movimento, calor, luz, sons ou transmissões de dados nas telecomunicações. Para compreender melhor, basta imaginar que os equipamentos que utilizam a eletricidade ou têm algo a ver com ela estão presentes nos mais diferentes ambientes de nosso dia a dia. Para lhe ajudar nessa tarefa, complete o diagrama abaixo: 2Praticando... 4 Física A07 Pelo visto, seria impossível viver na sociedade moderna sem o uso da eletricidade! Para facilitar o nosso estudo dos fenômenos elétricos, vamos dividir os equipamentos elétricos em grupos, de acordo com as suas aplicações: Equipamentos resistivos: esses são os equipamentos elétricos que convertem a energia elétrica em energia térmica – Calor. Possuem esse nome devido a seu principal componente: o resistor. São exemplos de equipamentos resistivos o chuveiro elétrico, as lâmpadas incandescentes, o ferro de passar e a torradeira elétrica. Motores elétricos: os motores utilizam da eletricidade para produzir movimento. Suas aplicações vão desde os singelos carrinhos de brinquedos aos grandes motores industriais, passando pelos indispensáveis eletrodomésticos, como o liquidifi cador, a batedeira, o ventilador e outros. Fontes: os equipamentos elétricos precisam de fontes de energia elétrica. As fontes convertem algum tipo de energia em energia elétrica. A energia elétrica pode ser obtida a partir da energia mecânica (como as pás de uma turbina, movimentada pela água ou ventos), da energia química (pilhas e baterias) e demais formas, sendo essas duas formas as mais comuns. Elementos de comunicação e informação: são elementos empregados na transmissão e na guarda de informações, como os telefones residenciais, os celulares, o rádio, a TV, como também os computadores, CDs e pendrives. Faça uma lista dos equipamentos elétricos da sua casa separando-os de acordo com a classifi cação acima. Em seguida, encontre as especifi cações dos aparelhos listados e anote em seu caderno de estudos os valores e símbolos que aparecem. Existe algo comum nas especifi cações por grupos? Determinado tipo possui valores ou simbologias diferentes dos demais? Cada um desses grupos será tratado em detalhes nas aulas a seguir. Agora, o que devemos fazer é compreender quais são as variáveis elétricas, presentes nos equipamentos listados anteriormente. volt 5 Física A07 Tensão Cada aparelho elétrico possui (por força de lei) as suas especifi cações explícitas através de uma placa metálica, selo ou até em alto/baixo relevo na própria carcaça do equipamento. São esses selos que devem expressar os valores de tensão, corrente e potência elétrica (fi gura 1). Em alguns casos, não se encontra o valor da corrente elétrica, sendo apenas a potência e a tensão itens obrigatórios em todos os casos. Figura 1 – Informações técnicas de uma furadeira elétrica Os valores de tensão elétrica vêm sempre seguidos de sua unidade: o volt. Geralmente, encontramos os valores de tensão como sendo 110V ou 220V. Mas cuidado!!! 110− 220V �= 110/220V O símbolo 110 – 220 V signifi ca que o equipamento funciona em tensões entre 110 v e 220 v. Podemos também encontrar valores como 100 – 250 V. Nesse caso, a tensão de operação pode ser qualquer valor entre 100 V e 250 V. Esses são denominados equipamentos bivolt. Já a simbologia 110/220 v nos diz que este equipamento funciona em 110 V ou em 220 V. Dessa forma, o instrumento deve possuir uma chave seletora, com a opção de tensão. Se aparecer apenas um valor de tensão, signifi ca que este funciona apenas com este valor, não podendo ser ligado diretamente em outra tensão. Equipamentos mais robustos, como motores, podem trazer a inscrição 220/380 v ou até 380/440 V. Esses equipamentos são os chamados trifásicos, mas discutiremos isso mais à frente. Em tais equipamentos, as modifi cações de tensão de operação não são feitas por uma chave seletora, mas pela forma como são ligados os seus seis fi os (lembre-se de que os equipamentos da nossa casa usam apenas dois para serem ligados na tomada). Para compreender melhor o conceito de tensão, vamos imaginar a eletricidade como sendo um fl uido que percorre os fi os, como se estes fossem tubulações. Poderíamos dizer que a tensão elétrica é a diferença de energia potencial gravitacional (altura) entre a fonte de energia (início da tubulação) e o receptor dessa energia (equipamento). Funcionaria como uma queda d’água: A unidade Volt é uma homenagem ao italiano Alessandro Volta (1745 – 1827), que desenvolveu vários estudos na área da eletricidade. h V(t) t V(t) t Hertz 6 Física A07 Figura 2 – Diferença de potencial gravitacional em um sistema hidráulico Tomando o exemplo da caixa d’água, quanto maior a diferença de altura, maior será a diferença de energia potencial gravitacional. Assim, maior será a capacidade de transmissão de água pela tubulação, embora a diferença de altura não implique, necessariamente, em movimento de água, pois a água só se movimentara se abrirmos a torneira de um chuveiro, por exemplo. De forma análoga, a Tensão pode ser defi nida como uma diferença de energia potencial elétrica. Quanto maior essa diferença, maior será a capacidade de transmissão de energia elétrica. Lembre-se de que o fato de haver tensão não implica diretamente em ter que haver uma corrente elétrica. Esta surgirá, por exemplo, apenas quando acionarmos um interruptor. Frequência Os valores de tensão elétrica em um sistema elétrico podem ter dois comportamentos. Ela pode ser contínua, ou seja, o seu valor não muda ao longo do tempo. Também pode ser alternada. Como o nome sugere, os valores de tensão vão alternando entre positivos e negativos ao longo do tempo em ciclos regulares. O número de vezes que esses ciclos se repetem em um intervalo de tempo de um segundo é o que chamamos de frequência elétrica, cuja unidade é o Hertz (Hz). Figura 3 – tensão contínua e alternada em função do tempo Em homenagem ao Alemão Heirinch R. Hertz (1877 – 1894) t V(t) 3Praticando... 7 Física A07 A tensão elétrica que chega a nossas casas é do tipo alternada. Ela alterna entre os valores de ± 310 V. Isso signifi ca que a tensão em casa tem um valor de – 310 V, aumenta até atingir o valor + 310 V, passando antes pelo 0V. Em seguida, diminui até o valor de – 310 V e recomeça o ciclo. Utilizamos o valor de 220 V por que esse é o valor efi caz da tensão alternada. Para comportamentos senoidais simétricos, a tensão efi caz equivale à tensão máxima (ou tensão de pico) dividida por √ 2 . Já para tensões contínuas, os valores mais comuns são os 1,5 V das pilhas e os 12 V das baterias automotivas, mas podemos encontrar inúmeros outros valores, como baterias de 4,5 V, 9 V e até 15 V, geralmente empregadas em aparelhos celulares. Ainda existe um semi-tipo de tensão, a DC (tensão Pulsante). É quando temos valores pulsantes de uma tensão contínua. Essa é o tipo de tensão empregada nos sistemas digitais, como computadores (sistema interno). Figura 4 – Tensão DC, ou pulsante Antes de iniciar o próximo capítulo, pesquise e anote em seu caderno de estudos os modelos atômicos que antecederam o modelo atual. Nem sempre a ciência interpretou o átomo como ela o vê hoje. Pesquise nomes de cientistas como Dalton, Rutherford, Thompson e Bohr. Seus nomes batizam os modelos por eles descritos. Coulomb Ampere 8 Física A07 Corrente Elétrica Se há pouco fi zemos uma analogia da tensão elétrica com a diferença de energia potencial gravitacional em um sistema hidráulico, podemos fazer a mesma comparação da corrente elétrica com o fl uxo de água que passa por uma tubulação, porém, o que temos na corrente elétrica é um fl uxo de “elétrons”, por isso o nome correnteelétrica. Elétrons são partículas elementares (indivisíveis) que fazem parte dos átomos, estruturas que compõem toda a matéria. Em homenagem ao Físico francês Charles Coulomb. Figura 5 – Átomo, composição da matéria Existe um átomo para cada tipo de elemento químico, e todos eles possuem um núcleo, constituído por prótons e nêutrons, que possuem carga elétrica positiva e neutra, respectivamente. A unidade de carga elétrica é o Coulomb, representado pela letra C. Os elétrons possuem uma carga elétrica negativa e são responsáveis pelas ligações químicas e também pela corrente elétrica. As forças que atuam no núcleo (forças nucleares forte e fraca) são bem mais intensas que a força elétrica, que “prende” os elétrons em movimentos orbitais ao redor do núcleo atômico. Por isso, arrancar e colocar elétrons no átomo necessita de bem menos energia, se comparado a arrancar prótons e nêutrons. Dessa forma, podemos defi nir a corrente elétrica como sendo um fl uxo semiordenado de elétrons no interior de um determinado material. Semiordenado porque a via na qual os elétrons devem se movimentar não é totalmente livre. Cada elétron possui uma carga elétrica, dada por: e: 1,6 .10–19C. Essa é carga elementar, pois toda carga elétrica deve ser um múltiplo inteiro da carga do elétron, visto que todo corpo carregado eletricamente o é por possuir elétrons em excesso (carregado negativamente) ou elétrons em falta (carregado positivamente). Assim, podemos quantifi car a corrente elétrica, sabendo que a sua unidade é o Ampere (A): Em homenagem ao francês André M. Ampére (1775 – 1836) Fo nt e: < ht tp :/ /n uk e. lu ng ot ev er e. or g/ R ub ric he /V IA PA N IS PE R N A/ >. A ce ss o em : 2 0 ju l. 20 09 . i = n · e Δt 4Praticando... 9 Física A07 Pense e responda: por que não podemos ligar um aparelho 110V na tomada 220? Condutores e Isolantes Alguns materiais apresentam uma resistência maior à condução de eletricidade do que outros. Materiais que apresentam uma resistência à passagem dos elétrons muito alta são conhecidos como materiais isolantes. Como exemplo, temos a borracha, os plásticos em geral, a madeira e outros. A resistência a corrente elétrica é tão alta que é necessária uma diferença de energia potencial elétrica (tensão) muito alta para que esses materiais possam conduzir eletricidade. Como a tensão que utilizamos usualmente é em torno de 220 V, não há perigo desses equipamentos conduzirem eletricidade, por isso os fi os e utensílios como alicates e chaves são revestidos por uma camada plástica isolante. Apenas em uma tensão de milhares de volts que esses revestimentos se tornariam condutores. Os materiais condutores, em geral metais, são capazes de conduzir elétrons em seu interior, mesmo em uma diferença de energia potencial elétrica (Tensão) da ordem de milivolts (mV) ou microvolts (µV). Isso se deve ao fato dos materiais condutores possuírem muitos “elétrons livres”, ou seja, elétrons que não fazem parte das estruturas que formam os metais: a estrutura cristalina. Lembre que falamos que o fl uxo é semiordenado. Isso é devido (também) a essa estrutura cristalina, pois os elétrons livres colidem o tempo todo nessa estrutura. Figura 6 – comportamento do elétron em um estrutura cristalina 5Praticando... 10 Física A07 Mas não se precipite! Mesmo entre os metais existem aqueles que apresentam uma resistência ao movimento dos elétrons maior do que outros. Essa resistência do movimento é quantifi cável, e é defi nida pela razão entre a tensão e a corrente elétrica, sendo chamada de resistência elétrica. Sua unidade é o ohm (Ω). R = V i Os materiais condutores utilizados comumente possuem uma resistência elétrica menor do que 10–4 Ω. Os mais utilizados são o cobre e o alumínio, embora possamos encontrar outros metais em aplicações específi cas, incluindo bronze, ouro e outros. O valor da corrente elétrica expressa nas “plaquinhas” dos equipamentos é de extrema importância para o dimensionamento dos condutores, pois a corrente pode causar danos às instalações elétricas, mas isso fi ca para outra aula, por que não é só com as instalações que devemos ter zelo!!! Agora que você já sabe o que são materiais condutores e isolantes, pesquise em livros e/ou na internet quais são os melhores condutores e os melhores isolantes. Liste em seu caderno de estudo pelo menos dez itens, em ordem crescente de resistência elétrica. Choque elétrico O corpo humano é condutor de eletricidade, por isso, quando o nosso corpo é percorrido por uma corrente elétrica, sofremos os efeitos terríveis de um choque elétrico. Lembre- se de que o choque é provocado pela corrente elétrica, por isso quanto maior a corrente elétrica, maior os efeitos destrutivos da eletricidade sobre o nosso corpo. Uma tensão alta só aumenta a facilidade de haver condução de eletricidade. Em uma tensão de dezenas de milhares de volts não é necessário tocar no condutor, basta aproximar-se e a “faísca” salta em direção a sua mão. Esse é o caso de um acendedor de um isqueiro ou fogão ou de uma vela de motor à combustão interna. Embora a tensão seja altíssima, o efeito sentido é mínimo, pois a corrente possui um valor extremamente baixo. De acordo com a Norma Regulamentadora número 10 (NR 10 – Segurança em serviços com eletricidade), do Ministério do Trabalho, tensões abaixo de 50 V (CA) e 120 V (CC) são inofensivas. Estas são as extra baixas tensões (EBT). Tensões maiores que 50 V e 11 Física A07 menores que 1000 V (CA) e entre 120 V e 1500 V (CC) são denominadas baixa tensão (BT). Defi ne-se a alta tensão como sendo as tensões de valores iguais ou maiores a 1000 V (CA) e 1500 V (CC). Mas lembre-se! A gravidade de um choque depende diretamente da corrente. Mas isso não signifi ca que você tenha de tomar menos cuidado em altas tensões! O aumento da corrente é diretamente proporcional ao da tensão e inversamente proporcional ao da resistência elétrica do corpo humano: Figura 7 – Representação da resistividade do corpo humano O corpo humano possui uma resistência à passagem da corrente elétrica, que muda de acordo com a tensão aplicada, com a frequência da rede e também com a quantidade de líquido presente no corpo. Nas situações típicas de choque elétrico, apresenta-se uma resistência entre 2K Ω e 5K Ω. O efeito trágico dos choques elétricos no corpo humano também depende do trajeto percorrido pela corrente, pois percursos que incluem órgãos vitais são mais danosos. Por exemplo, um choque entre as mãos causa mais estragos que um choque entre os dois pés, já que inclui em seu trajeto o coração e outros órgãos. 12 Física A07 Figura 8 – Passagem da corrente elétrica pelo corpo humano A sensibilidade do organismo à passagem de corrente elétrica inicia em um ponto conhecido como Limiar de Sensação, que é inofensivo e ocorre a uma intensidade de 1mA (CA) e 5mA (CC). Valores um pouco mais altos de corrente já são sufi cientes para provocar contrações musculares. A partir de determinado valor, a corrente alternada excita os nervos, criando o chamado “efeito de agarramento”, impedindo a vítima de soltar-se do circuito. Esse efeito ocorre dentro de uma faixa (6mA a 23mA), sendo mais sensível para as mulheres. Tabela 1 – Efeitos da corrente elétrica no organismo Intensidade (mA ) Perturbações prováveis Estado após o choque Salvamento Resultado Final 1 Nenhuma Normal ––– Normal 1 – 9 Sensação cada vez mais desagradável à medida que a intensidade aumenta. Contrações musculares. Normal Desnecessário Normal 9 – 20 Sensação dolorosa, contrações violentas, perturbações circulatórias. Morte aparente Respiração artifi cial Restabelecimento 20 – 100 Sensaçãoinsuportável, contrações violentas, asfi xia, perturbações circulatórias graves, inclusive fi brilação ventricular. Morte aparente Respiração artifi cial Restabelecimento ou morte >100 Asfi xia imediata, fi brilação ventricular Morte aparente Muito difícil Morte Vários Amperes Asfi xia imediata, queimaduras graves Morte aparente ou imediata Praticamente impossível Morte 13 Física A07 Os efeitos para correntes alternadas de 60 Hz são basicamente os mesmos que os provocados por correntes contínuas. Porém, frequências muito altas praticamente não surtem efeitos no corpo humano, tendo até mesmo diversas aplicações médicas. Por exemplo, o limiar de sensação para uma frequência de 60Hz ocorre em correntes de 1mA. Para frequências de 100 KHz, só perceberíamos logo, quando a corrente atingisse valores de 150 mA. Existem aplicações medicinais nas quais se usam correntes de alta frequência de até 1 A! Tabela 2 – Limiar de sensação em função da Frequência da corrente elétrica Frequência Frequência (Hz) 50-60 500 1.000 5.000 10.000 100.000 Limiar de Sensação (mA) 1 1,5 2 7 14 150 Em caso de emergência! O que fazer quando alguém esta sujeito a um choque elétrico? NUNCA TOQUE DIRETAMENTE A VÍTIMA! Interrompa imediatamente o contato da vítima com a corrente elétrica: desligar o interruptor ou chave elétrica. Caso nãos seja possível, afaste o fi o ou condutor elétrico com um material não condutor bem seco, como um pedaço de pau, cabo de vassoura ou pano grosso. Puxe a vítima pelo pé ou pela mão, sem lhe tocar a pele, usando material não condutor. Lembre-se: pise no chão seco ou superfície isolante, como um tapete, cadeira plástica/madeira ou um pneu. Logo em seguida, aplique os procedimentos de Suporte Básico de Vida: verifi que se há algo obstruindo a respiração e inicie a respiração de socorro, no caso de parada respiratória, e o mesmo para o coração. Normalizados a respiração e os batimentos cardíacos, mantenha-se alerta para reiniciar o socorro, caso a vítima continue inconsciente. Se houver, proteja as áreas de queimadura e imobilize os locais de fratura. Verifi que se a vítima está respirando e procure ajuda médica o mais rápido possível. E cuidado para não cair na mesma situação! Desligue a energia elétrica antes ou use alguma forma de isolamento elétrico. 14 Física A07 Proteção elétrica O principal meio de proteção elétrico são os sistemas de aterramento. Podemos defi nir as suas funções principais em três: 1) “descarregar” cargas estáticas acumuladas nas carcaças das máquinas ou equipamentos para a terra; 2) facilitar o funcionamento dos dispositivos de proteção (fusíveis, disjuntores, etc.), através da corrente desviada para a terra e 3) proteger o usuário e equipamentos das descargas atmosféricas, através da viabilização de um caminho alternativo para a terra. Cargas estáticas Alguns equipamentos elétricos acumulam cargas estáticas em suas estruturas metálicas. Isso ocorre devido à necessidade de uma tensão de referência para o funcionamento de alguns dispositivos, como computadores e máquinas elétricas. A tensão sobre a carcaça se torna então essa tensão de referência. O problema são as oscilações e desbalanceamento de fases na rede de distribuição de energia elétrica sempre que alguém liga ou desliga um equipamento elétrico. O sistema de energia elétrica sofre perturbações, alterando os seus valores de tensão, que rapidamente se estabilizam. O problema ocorre quando um equipamento de grande porte é acionado, como um grande motor ou uma máquina de solda elétrica. Você deve se lembrar de alguma vez na sua casa as lâmpadas diminuírem o brilho por alguns segundos e depois voltarem ao normal ao ligar-se o micro-ondas, o chuveiro elétrico ou quando há acionamento automático do compressor da geladeira no meio da noite. São essas e outras situações que provocam perturbações, alterando a tensão de referência e acumulando carga na carcaça do seu equipamento. Também são nessas horas que você pode levar um choque ao estar trabalhando em seu computador ou abrindo a geladeira. Nos casos mais graves, danifi ca-se o equipamento em questão, pois essa tensão de referência atingiu valores indesejáveis. Para evitar esse tipo de problema, utiliza-se o aterramento. A tensão de referência passa então a ser a tensão de aterramento. Essa tensão atua já na entrada da sua casa, próximo ao “relógio de Luz”, como também no transformador lá no poste próximo de casa. Em um equipamento aterrado, quando ocorrer perturbação na malha de distribuição, esta alterará a tensão na carcaça metálica. Caso o valor da tensão suba, surgirá uma corrente elétrica no sentido equipamento-Terra. Caso a tensão baixe, surgirá uma corrente no sentido Terra-equipamento. Dessa forma, preserva-se o equipamento e a segurança de quem o opera. 15 Física A07 Dispositivos de proteção Existem dispositivos de proteção, como fusíveis e disjuntores (que serão detalhados em aulas posteriores), que atuam quando a corrente elétrica em um condutor atinge valores não desejáveis. Inicialmente é estabelecida a corrente máxima que pode percorrer um determinado condutor que liga dois pontos distintos. Quando ultrapassado esse valor, o dispositivo de proteção abre o circuito, impedindo que a corrente elétrica continue fl uindo de um ponto 1 para um ponto 2 qualquer. A falha elétrica pode ocorrer em situações que envolvem correntes fl uindo pela terra, como é o caso de um cabo de alimentação que toca o chão ou árvore, ou até mesmo uma vítima de choque elétrico em contato com o solo. Neste caso, o aterramento elétrico é fundamental para o funcionamento desses sistemas. Figura 9 – Falha elétrica em contato direto com o solo e em contato indireta, por intermédio da árvore e do pedestre Em circuitos não aterrados, os sistemas de proteção só irão atuar quando a corrente elétrica atingir valores extremamente altos. O aterramento proporciona uma forma do circuito fechar via terra, com uma baixa resistência relativa, fazendo com que a proteção atue de forma mais efi ciente, mesmo em correntes não tão altas. Este procedimento é essencial, pois um mau aterramento ou a sua não utilização coloca em risco a vida de pessoas e equipamentos. Descargas atmosféricas As nuvens de tempestade têm altura entre 1,5 e 15 km, apresentando temperaturas internas muito diferentes. Na parte inferior, a temperatura é próxima à do ambiente (em 16 Física A07 média 20 graus centígrados), enquanto na parte mais alta pode atingir –50 graus. Este enorme gradiente de temperatura gera ventos muito intensos no interior das nuvens que, por sua vez, provocam a separação de cargas elétricas devido ao atrito entre as partículas de gelo existentes no topo. Assim, a parte inferior das nuvens contém excesso de cargas negativas, enquanto a parte superior, positivas. Por indução, no solo há surgimento de excesso de cargas positivas e se estabelece uma enorme diferença de potencial entre nuvem e solo, podendo atingir milhões de volts. Uma vez vencida a capacidade isolante do ar entre o solo e as nuvens, ocorrem de 30 a 40 descargas elétricas sucessivas de aproximadamente 0,01 segundos que constituem um único raio. As correntes elétricas envolvidas neste processo variam de 10.000 a 200.000 ampères, aumentando a temperatura do ar para até 30.000 graus centígrados, provocando violenta expansão, com ondas de compressão que podem ser audíveis a alguns quilômetros de distância (trovões). As altas correntes e temperaturas são as responsáveis por incêndios, queimaduras e mortes nos acidentes com raios. Quando uma pessoa é atingida diretamente por um raio, geralmente, sofre morte instantânea por carbonização. Todavia, estes casos são raros. Na maioria das vezes, a vítima é atingida indiretamente por estar a uma distância inferiora 100 metros, podendo sofrer parada cardiorrespiratória (35% dos casos). Centenas de pessoas sobrevivem todos os anos, após serem atingidas indiretamente por relâmpagos, mas, infelizmente, muitas fi cam com sequelas graves (60% dos sobreviventes), como problemas cardíacos, alterações mentais e paralisias musculares. Como a corrente elétrica sempre procura escoar pelo caminho que apresenta a menor resistência a sua passagem, os raios normalmente atingem os pontos mais altos de uma região. Assim, a crença de que raios nunca atingem duas vezes o mesmo lugar é falsa. Deve-se, portanto, evitar, durante uma tempestade, locais altos e descampados, piscinas, praias, campos de futebol e árvores isoladas. Diante de tudo isso, vemos que a melhor forma de proteção é o para-raios, ou SPDA (Sistema de Proteção das Descargas Atmosféricas), que consiste geralmente de uma haste metálica fi xada num ponto elevado e aterrada por meio de um fi o condutor espesso. Os SPDA se encontram em diferentes modalidades, pois se faz necessário o uso de diferentes métodos de proteção, dependendo do que se quer proteger e da posição geográfi ca do local. Os métodos mais comuns são o método Eletrogeométrico, o método de Franklin e o método de Faraday. Então o para-raio não “para o raio”, mas na verdade o atrai, fazendo toda a corrente fl uir pela terra. Um sistema de SPDA mal aterrado não será capaz de fazer a enorme corrente do raio se dissipar pela terra, logo, pode trazer danos enormes às instalações do edifício que se tenta proteger, podendo até fazer com que haja “contra-correntes”: a corrente do raio pode “voltar” por outros pontos de aterramento, como o do computador, da antena de TV ou da instalação elétrica de toda a residência. 6Praticando... 17 Física A07 No local onde você mora já caiu algum raio? Provavelmente sim. Nesta atividade, olhe mais atentamente a sua cidade. Existem para-raios? Se existir, procure analisá-los quanto ao estado de conservação e pesquise para avaliar o tipo de para-raio empregado. Se não, quais são os riscos que a falta desse equipamento pode trazer para a comunidade onde você reside? Não se esqueça de anotar tudo em seu caderno de estudo. Leituras complementares NA TRILHA DA ENERGIA. Disponível em: <http://www.eletrobras.com.br/pesquisa_ infanto_juvenil/default.asp>. Acesso em: 20 jul. 2009. No sítio da Eletrobrás (Centrais Elétricas Brasileiras S.A.) você pode encontrar informações atualizadas sobre os processos de geração e transmissão de energia elétrica, como também informações sobre a produção de eletricidade, meio ambiente e fontes alternativas de energia. AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA – ANEEL. Biblioteca. Disponível em: <http:// www.aneel.gov.br/biblioteca/index.cfm>. Acesso em: 20 jul. 2009. Outro lugar interessante na rede é a biblioteca virtual no sítio da ANEEL. Lá você pode encontrar livros, trabalhos acadêmicos, vídeos, etc. Nesta aula, foi possível entendermos que a energia elétrica é apenas mais uma forma de energia, que pode também ser convertida em outros tipos, como energia térmica, mecânica, luminosa. Para entender a eletricidade, é preciso compreender as grandezas elétricas tensão, resistência, frequência e corrente, sendo esta última a responsável pelos choques elétricos, extremamente fatais ao nosso organismo. Como vimos, tensões muito elevadas apenas facilitam o transporte de corrente elétrica, sendo possível haver descargas elétricas entre as nuvens e a terra. Podemos nos proteger dessas descargas com os sistemas de proteção de descargas atmosféricas, constituídos por uma haste metalizada em um ponto alto e um bom aterramento, que aliás é indispensável para se poder manusear certos equipamentos em segurança. LAVADORA limpabem Modelo 2008 120 V – 220 V 60 hz 660 W Autoavaliação 18 Física A07 1. (UFRN-2006) Zelita estava aprendendo na escola as propriedades de condução de eletricidade dos materiais. Sua professora de Ciências disse que materiais usados em nosso cotidiano, como madeira, borracha e plástico são, normalmente, isolantes elétricos, e outros, como papel alumínio, pregos e metais em geral são condutores elétricos. A professora solicitou à Zelita que montasse um instrumento para verifi car experimentalmente se um material é condutor ou isolante elétrico. Para montar tal instrumento, além dos fi os elétricos, os componentes que Zelita deve utilizar são a) pilha e lâmpada. b) capacitor e resistor. c) voltímetro e diodo. d) bobina e amperímetro. 2. (UFRN – 2009) A fi gura abaixo mostra a chapa de especifi cações de uma máquina de lavar roupas. Nessa chapa, estão identifi cadas três grandezas físicas características do equipamento. Essas grandezas são, respectivamente, a) tensão, frequência e potência. b) corrente, frequência e potência. c) tensão, período e corrente. d) corrente, período e voltagem. 3. Qual a importância dos aterramentos elétricos com relação à segurança em eletricidade? Um mal aterramento de um equipamento com carcaça metálica pode provocar choque elétrico? E em caso de haver choque elétrico, o que se deve fazer para salvar a vítima? 19 Física A07 4. Em um laboratório de Física, há um experimento de eletricidade, que faz surgir raios elétricos com tensões de 10000 V. Esses raios podem apresentar algum perigo fatal de choque elétrico, já que possui uma tensão tão elevada? 5. Em determinadas cidades do interior, não há nenhum para-raio instalado. Por isso, em meio a uma tempestade, houve a descarga elétrica de raios, atingindo a torre da igreja no meio da praça, já que este é o ponto mais alto da cidade. Qual a explicação para que a torra seja atingida e não outra estrutura ou mesmo uma pessoa? Referências ALVARENGA, B.; MAXIMO, A. Física: ensino médio. São Paulo: [s.n.], 2008. v 2. CAVALIN, Geraldo; CERVELIN, Severino. Instalações elétricas prediais. 6. ed. São Paulo: Érica, 2001. COTRIN, Ademaro A. M. B. Sistemas de instalações elétricas. 3. ed. São Paulo: Makron Books, 1992. CREDER, Helio. Instalações elétricas prediais. 14. ed. São Paulo: LTC, 1999. GRUPO DE REELABORAÇÃO DO ENSINO DE FÍSICA – GREF. Eletricidade: GREF7. São Paulo: Edusp, 1988. MACINTYRE, A. J.; NISKIER, Julio. Instalações Elétricas. 4. ed. São Paulo: LTC, 2000. MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO - MTE. NR-10: norma regulamentadora 10: Segurança em Instalações e Serviços com Eletricidade. Portaria n.º 598, de 7 dez. 2004. Diário Ofi cial da União, seção 1, 8 dez. 2004. RAMALHO; NICOLAU; TOLEDO. Fundamentos da física. 8. Ed. São Paulo:Ed. Morena, 2005. Anotações 20 Física A07 08 C U R S O T É C N I C O E M S E G U R A N Ç A D O T R A B A L H O Potência Elétrica: O consumo está compatível? FÍSICA Jacques Cousteau da Silva Borges Zanoni Tadeu Saraiva Santos Coordenadora da Produção dos Materias Vera Lucia do Amaral Coordenador de Edição Ary Sergio Braga Olinisky Coordenadora de Revisão Giovana Paiva de Oliveira Design Gráfi co Ivana Lima Diagramação Elizabeth da Silva Ferreira Ivana Lima José Antonio Bezerra Junior Mariana Araújo de Brito Arte e ilustração Adauto Harley Carolina Costa Heinkel Huguenin Leonardo dos Santos Feitoza Revisão Tipográfi ca Adriana Rodrigues Gomes Margareth Pereira Dias Nouraide Queiroz Design Instrucional Janio Gustavo Barbosa Jeremias Alves de Araújo Silva José Correia Torres Neto Luciane Almeida Mascarenhas de Andrade Revisão de Linguagem Maria Aparecida da S. Fernandes Trindade Revisão das Normas da ABNT Verônica Pinheiro da Silva Adaptação para o Módulo Matemático Joacy Guilherme de Almeida Ferreira Filho EQUIPE SEDIS | UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE – UFRN Projeto Gráfi co Secretaria de Educação a Distância – SEDIS Governo Federal Ministério da EducaçãoVocê ve rá por aqu i... Objetivos 1 Física A08 Os mais diferentes conceitos e aplicações da potência elétrica. Como se faz o levantamento da potência instalada em um projeto elétrico, e compará-lo ao consumo real de energia. Identifi car e compreender novos termos relacionados ao consumo energético. Calcular o consumo de uma residência e desenvolver medidas de racionamento de energia. Entender o que é potência elétrica e onde se aplicada. Compreender a importância da potência elétrica para o funcionamento dos equipamentos elétricos. Analisar e calcular a potência elétrica dos eletroeletrônicos e sua relação com o consumo de energia elétrica. 2 Física A08 Para começo de conversa... Os equipamentos elétricos de uma residência possuem diferentes potências elétricas que garantem o seu funcionamento. Existem também os mais diferentes conceitos e aplicações da potência elétrica. São as denominações desses equipamentos que irão defi nir o consumo de sua residência. Você acha que a sua conta de luz é compatível com o que há em sua casa? Qual equipamento consome mais “energia”? Tudo dependerá da potência destes. 3 Física A08 Potência Elétrica Potência é defi nida como sendo a capacidade de realização de trabalho por uma força em um determinado intervalo de tempo. Matematicamente defi nimos como sendo: P = τ Δt Primeiro, lembre-se que o trabalho é a manifestação da energia quando esta passa por transformações. Ou seja, sempre que a energia se transforma de uma forma em outra, temos a realização de trabalho no processo. Por exemplo, quando uma pedra é solta a partir do repouso, esta cai devido à ação de uma força, a força gravitacional. É esta força que realiza trabalho sobre a pedra, fazendo com que a energia potencial se converta em energia cinética, até a pedra atingir o solo. Mas em relação à potência elétrica? E o trabalho “elétrico”? Como você viu anteriormente, existe uma força que atrai cargas de sinais opostos e repelem cargas de mesmo sinal. Esta é a força elétrica. Quando surge o campo elétrico (diferença de energia potencial elétrica) no interior de um condutor, os elétrons começam a tender o seu movimento em único sentido. Dessa forma, observamos que a força elétrica atua sobre os elétrons, realizando trabalho e convertendo a energia potencial elétrica geralmente em energia térmica ou magnética. Logo, quanto maior a diferença de potencial (ddp) elétrico, maior a capacidade de realização de trabalho e, por consequência, de transformação de energia. Também, quanto maior for o valor da corrente elétrica, signifi ca que um certo número de elétrons está demorando um tempo menor para percorrer uma secção transversal de um condutor. Então, a ddp está diretamente proporcional ao trabalho realizado, e a corrente está inversamente proporcional ao tempo do movimento das cargas. Assim, podemos defi nir potência elétrica como sendo: P = τ Δt → V1upslopei → V · i P = V · i A essa potência se dá o nome de potência aparente, e sua unidade é o Volt-Ampèr (VA). 4 Física A08 Potências Ativa e Reativa A potência aparente pode ser ainda dividida em dois outros tipos de potência: a potência ativa e a reativa, que mudam à medida que selecionamos diferentes equipamentos elétricos com aplicações mais especifi cas. Potência Ativa A potência ativa é a parcela da potência aparente transformada efetivamente em potência mecânica, térmica ou luminosa. É também a parcela da potência elétrica que pode ser convertida em “trabalho útil”, ou seja, é a parte da energia elétrica que podemos utilizar no nosso dia a dia e também que pagamos por ela! Os medidores convencionais de consumo de energia elétrica encontrados em nossas casas registram apenas a potência ativa. A parcela de potência reativa não é registrada por esses equipamentos, mas sim por medidores digitais mais sofi sticados, geralmente empregados em estabelecimentos comerciais e residenciais. Alguns elementos possuem apenas potência ativa, ou seja, toda a sua potência é potência útil. Esses são os chamados aparelhos resistivos. Toda a potência elétrica é transformada em calor. Esses são geralmente os aparelhos que mais consomem energia elétrica em uma residência. São eles o chuveiro elétrico, a torradeira, o secador de cabelo e também as lâmpadas incandescentes. A unidade dessa potência elétrica ativa é a unidade convencional da potência mecânica, ou seja, é o Watt (w). Potência Reativa Alguns equipamentos, como motores e transformadores, possuem além da potência ativa, uma parcela de potência reativa. A potência reativa é a parte da potência que não é transformada em um trabalho que possa ser utilizado pelo usuário, mas sim empregada na geração de campo magnético para o funcionamento do próprio equipamento. Imagine um motor elétrico. Este possui uma parcela de potência ativa e outra parcela de potência reativa. Esta última é empregada para gerar um campo magnético no interior do motor, para que assim ele possa girar e movimentar o sistema desejado. Essa parte da potência não serve para nenhuma outra coisa, apenas para esse funcionamento intrínseco da máquina elétrica. Já a parcela da potência ativa é empregada na realização de trabalho, geralmente mecânico. PREATIVA PAPARENTE PATIVA θ 5 Física A08 O mesmo ocorre com um transformador de energia. Parte de sua potência é empregada na geração de campo magnético, para que este possa funcionar, essa é a potência reativa. O restante é potência ativa ou útil, que neste caso é convertida em energia térmica, devido ao próprio aquecimento do transformador. Não existe equipamento que possua apenas a parcela da potência reativa. Ou seja, não existe equipamento que converta toda a potência aparente em potência reativa e nem toda energia elétrica em campo magnético. A unidade da potência reativa e o volt-ampèr reativo (var). Fator de potência As potências reativas e ativas se relacionam para formar a potência aparente. Porém, não é constituída de uma soma direta de valores, mas sim uma soma complexa de valores. Isso é feito porque a potência ativa apresenta um valor Real e a potência reativa apresenta um valor imaginário. Para facilitar a matemática neste tópico, imagine que a potência ativa sempre estará no eixo X, e a reativa no eixo Y. Dessa forma, a potência aparente é dada pela soma vetorial de suas componentes. Figura 1 – Relação entre a potência aparente e as suas parcelas Ativa e Reativa O ângulo μ é chamado de ângulo de fase e o cosseno desse ângulo é fator de potência. Esse fator de potência quantifi ca a parcela de potência reativa na potência total (aparente). Ele é importantíssimo para determinar os parâmetros de uma instalação elétrica. 1Praticando... 6 Física A08 Equipamentos resistivos possuem fator de potência igual a 1,0, já que toda a sua potência é ativa, sendo o ângulo igual a zero. Motores e outros que precisam gerar campo elétrico para funcionarem têm em média fatores de potência que variam entre 0,70 e 0,85. Lembre-se que liquidifi cadores, ventiladores, batedeiras e outros são, na verdade, motores elétricos. Transformadores possuem um fator de potência muito baixo, algo em torno de 0,50 ou menos, já que necessitam gerar grandes quantidades de campo magnético. No Brasil, é determinado pela Agência Nacional Regulamentadora de energia elétrica (ANEEL) que o fator de potência de uma instalação não pode ser inferior a 0,92 (ângulo de fase de 23º), caso contrário são aplicadas multas exorbitantes. Apesar dos medidores convencionais de consumo de energia não mensurarem os valores de potência reativa, ela existe! E alguém tem que pagar por ela. Ultimamente, os medidores analógicos de consumo vêm sendo substituídos por medidores digitais, capazes de medir também a potência reativa.Em sua casa, observe quais são os equipamentos que apresentam uma maior potência. Verifi que se existem indicações se a potência mostrada é apenas a potencia ativa (w), ou se existem indicações de valores de potência aparente (VA). Anote em seu caderno de estudo os valores encontrados e a descrição dos equipamentos. Existe alguma semelhança entre eles? Qual a principal diferença entre os equipamentos de maior potência e os de menor potência? Exemplo 1 7 Física A08 Levantamento de Potência Instalada Potência instalada é a potência elétrica consumida por uma casa, indústria, cidade ou até mesmo um país. Quando falamos que a indústria X tem um potência instalada de 100 Kw, estamos nos referindo ao consumo desta. No caso de usinas geradoras, a potência instalada é a potência gerada por essa usina. Neste tópico, vamos juntos reconstruir a potência elétrica total da sua casa, para isso, esboce a planta da sua casa com as dimensões dos cômodos. Vamos utilizar esses valores para o seu projeto. A potência elétrica total de uma residência deve ser determinada mesmo antes desta ser construída. Para realizar esse feito, os técnicos e engenheiros precisam realizar o levantamento da potência mínima de iluminação e de tomadas em cada cômodo da casa. Esta atividade segue um padrão, que é descrito na norma brasileira de instalações elétricas de baixa tensão (NBR 5410). Para iluminação, deve-se prever pelo menos um ponto de luz em cada ambiente. Caso o ambiente tenha uma área inferior a 6m2, é atribuída uma potência de iluminação de 100VA. Para áreas maiores que 6m2, é atribuído 100VA para os primeiros 6m2 e é acrescido 60VA para cada aumento de 4m2 inteiros. Quanto deve ser a potência utilizada na iluminação de uma sala com 4 metros de comprimento e 5 metros de largura? Solução No total tem-se: 4m × 5m = 20m2 6m2 + 4m2 + 4m2 + 4m2 + 2m2 = 20m2 100VA + 60VA + 60VA + 60VA + 0VA = 280VA Ou seja, para esta sala é atribuída uma potência de 280VA. 2Praticando... 8 Física A08 Agora, como exercício, você ira tomar as dimensões da sua casa e tentar preencher o quadro abaixo: Dependência Dimensões (m2) Potência de Iluminação Sala Copa Cozinha Quarto 1 Quarto 2 Banheiro Área de serviços Total (VA) No caso das tomadas, a regra geral muda um pouco. Primeiramente, determina-se o número de tomadas. Para um cômodo inferior a 6m2, adota-se apenas uma tomada. Acima de 6m2 emprega-se um mínimo de uma tomada para cada 5m ou fração de perímetro. Para a cozinha (ou copa) a regra é outra: uma tomada para cada 3,5m ou fração de perímetro. Lembre-se: esse é o número mínimo de tomadas. Geralmente é adicionado no projeto um número um pouco maior, para evitar a utilização de extensões e tês. A potência aparente de cada tomada é dada pela seguinte regra: Para cozinhas, banheiros, garagens e ambientes semelhantes, atribuir no mínimo 600VA para as três primeiras tomadas e 100VA para as excedentes. 3Praticando... 9 Física A08 Demais ambientes, atribuir 100VA por tomada. Existem as tomadas de uso específi co, como as destinadas, exclusivamente, para o chuveiro elétrico ou para a lavanderia. Neste caso, eles recebem a atribuição da potência do equipamento específi co. De forma semelhante à iluminação, e com as dimensões de sua casa em mãos, preencha o quadro abaixo com as potências das tomadas. Dependência Dimensões Tomadas Quantidade Potência Sala Copa Cozinha Quarto 1 Quarto 2 Banheiro Área de serviços Total (VA) Agora, você está a um passo de concluir o seu projeto! Lembre-se apenas que todas as potências analisadas até agora são potências aparentes, cuja unidade é o Volt-Ampèr (VA). O que é efetivamente consumido em nossa residência e que efetivamente pagamos é a potência ativa, cuja unidade é o Watt (w). Para encontrar a potência ativa a partir da aparente, basta multiplicá-la pelo fator de potência. 10 Física A08 Para entender melhor, vamos calcular qual a potência ativa de um equipamento com 1000VA e fator de potência igual a 0,75? PATIVA = PAPARENTE × fp PATIVA = 1000VA× 0, 75 PATIVA = 750W Para a iluminação, utiliza-se um fator de potência igual a 1,00. Para as tomadas utiliza-se um fator de potência de 0,80. Em alguns casos, utiliza-se um fator de potência de 0,70 para as tomadas da cozinha (lembre-se que as maiores partes dos eletrodomésticos são na verdade motores e similares). Dessa forma, pode-se encontrar a potência ativa total de sua residência. Fator de Demanda e Potência Total Você já deve ter uma ideia da potência total da sua casa, e deve estar pensando, será que é realmente isso tudo? Cuidado, porque não é! Na sua casa, NUNCA terá TODAS as lâmpadas ligadas enquanto TODOS os equipamentos estão ligados em TODAS as tomadas com a potência máxima em todas as situações. Por isso, utiliza-se um fator chamado fator de demanda. Este fator determina a proporção dos equipamentos que estão ligados simultaneamente em função da potência total instalada, de acordo com a tabela abaixo: Tabela 1 – Fator de demanda por potência aparente Potência Aparente Fator de demanda 0 – 1000 0,86 1001 – 2000 0,75 2001 – 3000 0,66 3001 – 4000 0,59 4001 – 5000 0,52 5001 – 6000 0,45 6001 – 7000 0,40 7001 – 8000 0,35 8001 – 9.000 0,31 9001 – 10.000 0,27 Acima de 10.000 0,24 Esta tabela também é utilizada para não superdimensionar a sua instalação. 4Praticando... Fator de potência Fp Fd Fator de demanda, de acordo com a tabela 1 11 Física A08 Bem, agora vamos fi nalizar o nosso projeto e saber quanto a sua casa, na planta, deveria consumir! É só preencher mais esse quadro: Potência aparente (VA) Fp Fd Potência Ativa (w) Iluminação x 1,00 Tomadas de uso geral x 0,80 Tomadas de uso específi co Total Agora, você já sabe a potência para qual a sua casa foi dimensionada, tomando por base apenas as dimensões dos cômodos. A essa altura, você já deve ter percebido que certos ambientes de sua residência, não possuem o número mínimo de tomadas ou de pontos de iluminação aqui indicados. Tal fato culmina na constante utilização de extensões e “tês (T )”, que são arranjos perigosos para a instalação elétrica. Bem, é a partir de um projeto como este que os técnicos e engenheiros modelam como será o consumo de uma residência. Mas será que esse consumo idealizado é compatível com o consumo real de uma situação verídica de uso? É isso que analisaremos no próximo tópico. Consumo Real Na aula anterior, uma das atividades pedia para que você coletasse as características elétricas impressas nas chapinhas de alguns dos equipamentos que você possui em casa. Lembra-se? Em casa, você ira repetir essa tarefa, só que desta fez, deverá anotar o valor da potência ativa de todos os equipamentos de sua casa! Exemplo 2 12 Física A08 Além do valor da potência ativa, você deverá tomar nota do tempo diário de uso desses equipamentos. Dessa forma, é possível chegar à potência diária consumida em sua casa, e também calcular o gasto no fi m do mês!!! Vamos tomar o seguinte exemplo: Todos os dias um ferro de passar é utilizado durante 30 min. Sabendo que a potência elétrica deste ferro é de 800w, determine: a) Qual o consumo diário de energia elétrica? b) Qual o consumo mensal? c) Se o kw.h custar R$0,35, quanto deverá ser pago no fi m do mês em função desse ferro de passar? Solução Letra a: A unidade de consumo de energia elétrica é o quilo watt-hora (kw.h) e o seu valor é obtido pelo produto da potência ativa consumida (em kw) pelo tempo de uso (em horas). Lembre-se que 1 kw equivale a 1000w. Dessa forma: Potênica do Ferro ⇒ 800w = 0, 80 kw tempo de uso diario ⇒ 30min = 1upslope2 h Consumo = Pkw · th C = 0, 80 kw · 1upslope2 h =0, 40 kw · h Letra b: Supondo que essa tarefa seja realizada todos os dias do mês, incluindo sábados, domingos e feriados, temos então 30 dias. Já que em um dia de serviço são consumidos 0,40 Kw.h, em um mês teremos: CMENSAL = CDIARIO · nDIAS CMENSAL = 0, 40 kw.h · 30 dias CMENSAL = 12 kwh 5Praticando... 13 Física A08 Agora que já se exercitou e tirou a suas dúvidas, mãos a obra! Você tem televisão em casa? Qual a sua potência? Quantas horas ela fi ca em funcionamento por dia? E por mês? E quanto às lâmpadas? O chuveiro elétrico? O secador de cabelo? Letra c: Para cada kw.h consumido, deve-se pagar a concessionária de energia um valor de R$ 0,35. Logo, no fi m do mês será acrescida a conta de energia: Valor a pagar = R$ 0, 35 kw.h · 12 kwh = R$ 4, 20 Tente não esquecer nenhum equipamento para esse levantamento! Mas ATENÇÃO. Fique atento a alguns pontos importantes: Alguns equipamentos consomem energia elétrica mesmo estando “desligados”. Na verdade, eles estão em stand by, aguardando a ativação e geralmente mostrando a hora em um visor. Nesses casos, são informados dois valores diferentes de potência ativa sendo uma para o equipamento ligado e outro bem menor para o modo stand by. Exemplo 3 14 Física A08 Instrumentos que funcionam com mecanismos paralelos também apresentam duas potências. É o caso do secador de cabelo, que possui uma resistência elétrica (de potência mais alta) e um pequeno motor, semelhante a um ventilador. O mesmo acontece com o forno de micro-ondas. Neste caso, a potência de uso é a soma das duas potências. Para geladeiras e freezer, tome como tempo de uso 12 horas. Estes possuem termostatos que ligam e desligam o sistema de refrigeração. ATENÇÃO: Lembre-se de DESLIGAR os equipamentos da TOMADA para poder vasculhar a carcaça. Cuidado com choques elétricos. Hora de economizar!!! Após essas etapas, você tem em mãos o consumo de energia de acordo com as dimensões de sua casa, e também o consumo real de energia. A questão agora é a seguinte: Esse consumo está compatível? Na sua casa o gasto está maior que o previsto no projeto? Primeiramente é bom verifi car se o consumo mensal está compatível com o valor expresso na conta de energia elétrica. Para isso, basta “ler” o consumo no relógio de luz. O mostrador do relógio está em kW.h. Para facilitar o entendimento, acompanhe o exemplo: A seguir, estão expressas duas medições do medidor: uma no começo do mês e outra no fi m. A partir delas, calcule quantos Kwh foram consumidos no mês. bastante Esse problema é Fábrica de grande porte, com maquinário de alta Potência. Geralmente consomem energia elétrica equivalente a uma cidade pequena, de 30 a 60 mil habitantes. Industrial 15 Física A08 simples: Baste calcular a diferença entre o valor atual e o valor anterior: Consumo = 21.354 – 20.085 = 1.269 Kw.h Não se esqueça que a conta de consumo de energia elétrica inclui outras tarifas, como taxa de iluminação pública e outras. Este exemplo serve apenas para verifi car se não houve um erro de leitura pelo funcionário que realiza tal função. Na própria conta vem expresso o número anterior, o atual e a diferença entre eles. Também está descrito o preço por kW.h consumido, que pode mudar de valor, de acordo com o tipo de consumidor, a tensão de entrega e a faixa de consumo. Os consumidores podem ser de três tipos: Residencial Comercial Industrial E a tensão de entrega pode ser de vários tipos: Monofásica (220V ) Trifásica (380V ) Industrial (13.800V ) Alta Tensão (69.000V ) Esses são valores típicos para o Rio Grande do Norte e boa parte do nordeste, mas podem mudar de uma região para outra. Pode parecer estranho, mas à medida que a tensão de entrega aumenta, diminui-se o preço do kW.h. Ou seja, uma fábrica (tipo industrial), que utiliza-se recebe da concessionária de energia uma tensão de 69.000V, paga para cada kW.h consumido um valor muito inferior ao que você paga em sua residência abastecida com 220V. E olha que uma fábrica desse porte deve consumir energia equivalente a uma cidade pequena, com 25 ou 30 mil habitantes. Para a energia chegar a sua casa, há um número muito maior de perdas de energia elétrica. É necessário o emprego de diversos transformadores, linhas de transmissão, além de envolver mais técnicos para serviços de manutenção, construção e constante adequação do sistema de distribuição. Então, a regra não é: Quem consome mais, paga menor por kW.h. Mas na verdade é quem economiza mais, paga menos por kW.h. Por isso que a fábrica, ou shopping, 6Praticando... 16 Física A08 ou outro consumidor de grande porte paga menos por kW.h, porém, se o shopping consumir muito mais que a fábrica, a tarifa para ele é um pouco maior. É o equivalente a você consumir mais que o seu vizinho, ou colega de classe. Você pode estar pagando R$0,40 por kW.h, enquanto o seu companheiro paga apenas R$0,27 por kW.h, mesmo que ambos sejam consumidores residenciais, abastecidos com 220V, você acaba por pagar mais por consumir demais. Então, é bom parar e pensar em economizar. Lâmpadas fl orescentes são mais econômicas que lâmpadas incandescentes. Lembre-se juntar um pouco de roupa para engomar para utilizar o ferro uma única vez. Desligar a TV e lâmpadas quando não houver ninguém no ambiente. Cuidado com o chuveiro elétrico... Essas são apenas algumas das atitudes que devemos tomar para reduzir o consumo de energia elétrica em nossas residências. É importante economizar, pois tal bem pode se tornar escasso algum dia. Agora que você já é capaz de determinar o consumo da sua residência, ou do seu polo de ensino, quais medidas devem ser tomadas para minimizar os gastos com energia elétrica? Existem tomadas em falta ou em excesso? O uso de “T” e extensões são constantes? Como fazer para evitar isso? Enfi m, registre em seu caderno de estudos o seu planejamento enérgico: substituição de lâmpadas, aumento dos pontos de ligação, troca de equipamentos de consumo excessivos e demais medidas. Leituras complementares COHEN, Zolton. Como economizar energia em casa. Traduzido por HowStuffWorks Brasil. Disponível em: <http://casa.hsw.uol.com.br/como-economizar-energia-em-casa6.htm>. Acesso em: 4 nov. 2009. Artigo interessante que nos ajuda a economizar todas as formas de energia em nossa casa. 17 Física A08 ELETROBRAS. Na trilha da energia: pesquisa infanto juvenil. Disponível em: <http:// www.eletrobras.com.br/pesquisa_infanto_juvenil/default.asp>. Acesso em: 4 nov. 2009. No sítio da Eletrobrás (Centrais Elétricas Brasileiras S.A.) você pode encontrar informações atualizadas sobre os processos de geração e de energia elétrica, como também informações sobre a produção de eletricidade, meio ambiente e fontes alternativas de energia e consumo de energia. AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA – ANEEL. Disponível em: <http://www.aneel. gov.br/biblioteca/index.cfm>. Acesso em: 4 nov. 2009. Outro lugar interessante na rede é a biblioteca virtual no sítio da ANEEL (Agência Nacional de energia Elétrica), lá você pode encontrar livros, trabalhos acadêmicos, vídeos etc. Vimos nesta aula como se faz o levantamento da potência instalada em um projeto elétrico, e como compará-lo ao consumo real de energia. Aprendemos a identifi car e compreender novos termos relacionados ao consumo energético, a calcular o consumo de uma residência e desenvolver medidas de racionamento de energia. Vimos também que a potência é defi nida como sendo a capacidade de realização de trabalho por uma força em um determinado intervalo de tempo e que pode ser de dois tipos: potência ativa - é a parcela da potência aparente transformada efetivamente em potência mecânica, térmica ou luminosa, a potência reativa - éa parte da potência que não é transformada em um trabalho que possa ser utilizado pelo usuário, mas sim empregada na geração de campo magnético para o funcionamento do próprio equipamento. Autoavaliação 18 Física A08 1. Um chuveiro de 2400W, funcionando por 4h por dia durante 30 dias, consome a energia elétrica, em quilowatts-hora,de: a) 288 b) 420 c) 288000 d) 0,28 2. Um chuveiro elétrico de 3,2KW ligado a 110V, consome em 15min: a) 28J b) 0,80kWh c) 2,35kWh d) 3,4kJ 3. Sabemos que é constante a ddp nos terminais de um chuveiro elétrico. Desejando que a água fl ua mais quente, devemos aumentar ou diminuir resistência do chuveiro? Justifi que. 4. Em um ebulidor são encontradas as seguintes especificações do fabricante: 960W; 120V. a) Explique o signifi cado destas especifi cações. b) Qual é a corrente que passa através dele quando está ligada a voltagem adequada? 5. Numa residência são instaladas 10 lâmpadas de 100W, que funcionarão, em média 5 horas por dia. Ao fi nal do mês, à razão de R$0,12 por kWh, o valor da conta será: a) R$ 18,00 b) R$ 40,00 c) R$ 38,00 d) R$ 8,00 19 Física A08 6. Um chuveiro elétrico, ligado em média uma hora por dia, gasta R$ 10,80 de energia elétrica por mês. Se a tarifa cobrada é de R$ 0,12 por quilowatt-hora, então a potencia desse aparelho elétrico é: a) 900W b) 360W c) 3.000W d) 3.700W 7. Um motor elétrico tem uma potência de 5,5 kW, o que corresponde a uma corrente I = 50A. Quanto vale a sua tensão? a) 55V b) 210V c) 90V d) 110V 8. Qual a corrente que passa em uma lâmpada de 60W em uma cidade, em que a tensão na rede elétrica é de 220V? a) 270 mA b) 720 mA c) 100 mA d) 170 mA Referências ALVARENGA, B.; MAXIMO, A. Física: ensino médio. São Paulo: Scipione, 2008. v 2. CAVALIN, Geraldo; CERVELIN, Sevreino. Instalações elétricas prediais. 6. ed. São Paulo: Érica, 2001. COTRIN, Ademaro A. M. B. Sistemas de instalações elétricas. 3. ed. São Paulo: Makron Books, 1992. Anotações 20 Física A08 CREDER, Helio. Instalações elétricas prediais.14. ed. São Paulo: LTC, 1999. GREF. Eletricidade. São Paulo: ed. USP, 1993. MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO - MTE. NR-10: Norma Regulamentadora 10: Segurança em Instalações e Serviços com Eletricidade. Portaria n.º 598, de 7 dez. 2004. Diário Ofi cial da União, seção 1, 8 dez. 2004. NISKIER, Julio; MACINTYRE, A. J. Instalações elétricas. 4. ed. São Paulo: LTC, 2000. RAMALHO; NICOLAU; TOLEDO. Fundamentos da física. 8. ed. São Paulo: Editora Morena, 2005. 09 Jacques Cousteau da Silva Borges Zanoni Tadeu Saraiva Santos C U R S O T É C N I C O E M S E G U R A N Ç A D O T R A B A L H O Ligações elétricas básicas e introdução aos circuitos elétricos FÍSICA Coordenadora da Produção dos Materias Vera Lucia do Amaral Coordenador de Edição Ary Sergio Braga Olinisky Coordenadora de Revisão Giovana Paiva de Oliveira Design Gráfi co Ivana Lima Diagramação Elizabeth da Silva Ferreira Ivana Lima José Antonio Bezerra Junior Mariana Araújo de Brito Arte e ilustração Adauto Harley Carolina Costa Heinkel Huguenin Leonardo dos Santos Feitoza Revisão Tipográfi ca Adriana Rodrigues Gomes Margareth Pereira Dias Nouraide Queiroz Design Instrucional Janio Gustavo Barbosa Jeremias Alves de Araújo Silva José Correia Torres Neto Luciane Almeida Mascarenhas de Andrade Revisão de Linguagem Maria Aparecida da S. Fernandes Trindade Revisão das Normas da ABNT Verônica Pinheiro da Silva Adaptação para o Módulo Matemático Joacy Guilherme de Almeida Ferreira Filho EQUIPE SEDIS | UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE – UFRN Projeto Gráfi co Secretaria de Educação a Distância – SEDIS Governo Federal Ministério da Educação Você ve rá por aqu i... Objetivos 1 Física A09 Como são feitas as ligações de vários aparelhos elétricos para se obter melhor rendimento destes com menor consumo de energia elétrica. Quais os conhecimentos básicos para se fazer a instalação elétrica de uma casa e quais cuidados devemos ter no uso diário da eletricidade em nossas casas e locais de trabalho. Diferenciar as formas de ligação de equipamentos elétricos em termos da tensão elétrica e da corrente elétrica no circuito. Reproduzir de forma reduzida a instalação elétrica de uma residência Saber determinar a resistência equivalente de uma dada associação de resistores. 2 Física A09 Para começo de conversa Os aparelhos elétricos mais simples até os equipamentos eletrônicos mais sofi sticados têm em sua construção uma ideia fundamental: o circuito elétrico. Precisamos fazer circular a corrente elétrica certa em determinado componente para que o aparelho funcione. Na TV, por exemplo, o tubo de imagem precisa de tensões muito elevadas da ordem de 10 mil volts, enquanto outras partes da mesma TV vão precisar somente de alguns milivolts. Isto é possível através da ligação dos componentes elétricos dos circuitos como transformadores, diodos, capacitores, bobinas, transistores etc. em uma determinada confi guração que permite realizar a tarefa que queremos. Figura 1 – Garoto desmonta uma placa de circuitos eletrônicos. Muitas pessoas no mundo sobrevivem hoje do lixo eletrônico rejeitado por países mais ricos Fonte: <http://idgnow.uol.com.br/idgimages/galerias/lixo_eletronico/lixo_eletronico-07.jpg>. Acesso em: 6 nov. 2009. Toda casa deve ter um sistema de proteção da instalação elétrica formado por um ou mais disjuntores (interruptores) que desligam a rede automaticamente caso ocorra um curto circuito. Quando precisamos realizar algum serviço na instalação elétrica da casa desligamos estes disjuntores para realizar o serviço com segurança, pois não há tensão no circuito. Existem situações em que podemos desligar apenas “uma parte da casa” fi cando a outra com eletricidade. Como isto é possível? Como são feitas as ligações dos diversos aparelhos elétricos da nossa casa de modo que seja possível desligar a lâmpada de uma sala sem apagar a da outra? Como é possível ligar várias lâmpadas e todas elas manterem o brilho de quando são ligadas sozinhas? Estas são as respostas que iremos procurar nesta aula. Realizaremos algumas tarefas simples que nos ajudarão a conhecer melhor as ligações elétricas e até realizar alguns trabalhos práticos em nossa casa ou ambiente de trabalho – tudo isso com muita segurança. + Interruptor ligado Bateria fornecendo corrente Lâmpada acesa - 3 Física A09 Circuitos elétricos Um circuito é sempre um percurso fechado. As pistas de corrida da fórmula 1 são comumente chamadas de circuitos, pois os carros realizam um percurso fechado. O circuito elétrico é semelhante, só que em lugar da pista temos os fi os de ligação e em lugar dos carros temos os elétrons da corrente elétrica realizando o percurso fechado. Embora os circuitos possam ser bem pequenos ou extremamente grandes eles devem formar um percurso fechado para a corrente. Qualquer descontinuidade no percurso pode causar desde pequenas falhas em um equipamento até apagões ou blackouts. Figura 2 – A placa-mãe de um computador é um conjunto de componentes elétricos e eletrônicos ligados de modo a formar um grande circuito que deve ser percorrido por uma corrente elétrica A forma mais simples de um circuito elétrico é aquela constituída de uma fonte de tensão (pilha, bateria, tomada da casa, etc.), fi os de ligação e o aparelho que queremos utilizar, (por exemplo, uma lâmpada) e um interruptor, que como o nome já diz serve para interromper a corrente através do circuito. Figura 3 – um circuito elétrico simples mostrando seus componentes básicos Fo nt e: < ht tp :/ /f ar m 2 .s ta tic .fl ic kr .c om /1 1 6 0 /13 5 5 1 5 1 4 6 2 _6 a8 a8 cb 2 1 e_ m .jp g> . A ce ss o em : 6 n ov . 2 0 0 9 . Fo nt e: < ht tp :/ /w w w .e le tr on ic a2 4 h. co m .b r/ C ur so % 2 0 C C / ap ar te 1 /fi g ur as /A 1 Fi g0 2 .g if> . A ce ss o em : 6 n ov . 2 0 0 9 . + -+ - revestimento plástico contatos metálicos do interruptor botão do interruptor anel de vedação (resistente a água) refletor filamento da lâmpada terminal na base da lâmpada pilhas - C conectadas em série mola metálica 4 Física A09 Quando este circuito está fechado, a pilha estabelece um campo elétrico em todo fi o e este é percorrido por uma corrente elétrica. Se alguma parte do circuito for aberta, este campo deixa de existir no fi o e a corrente elétrica também. Quando ligamos qualquer aparelho estamos fechando o circuito para que a corrente elétrica circule por ele. Quando desligamos o aparelho estamos interrompendo o circuito em algum ponto impedindo que esta mesma corrente circule. A eletricidade que chega às nossas casas em Natal/ RN, por exemplo, vem das usinas geradoras de Paulo Afonso, no interior da Bahia. Isto signifi ca que entre a usina e a nossa casa (e nossos aparelhos elétricos, obviamente) existe um circuito fechado por onde a corrente elétrica deve passar. Na verdade, estamos ligados por fi os diretamente com a usina geradora. Quando um caro bate em um poste próximo a nossa casa e interrompe este circuito fi camos sem eletricidade em casa. Um circuito de apenas uma lâmpada é simples, mas tem suas utilidades. Veja abaixo o esquema de uma lanterna. Observe na fi gura 4 o percurso que deve ser feito pela corrente elétrica. Figura 4 – fi gura esquemática de uma lanterna. O mesmo princípio de funcionamento é usado na instalação de lâmpadas em um carro ou em uma casa Fonte: <http://www.feiradeciencias.com.br/>. Acesso em: 6 nov. 2009. 1.5V 1.5V 1.5V 1.5V a) b) 1Praticando... 5 Física A09 Descreva com detalhes o funcionamento da lanterna tendo a atenção voltada para o percurso da corrente. a) Por que não existe corrente elétrica quando a lâmpada “queima”, ou seja, quando seu fi lamento se parte? b) Pesquise sobre a construção das lâmpadas incandescentes e descreva o percurso da corrente elétrica através delas. Ligações em série e em paralelo Um circuito que tenha apenas uma lâmpada é muito limitado se compararmos com uma cidade com todas as suas atividades. Se quisermos acrescentar mais uma lâmpada a este circuito, poderemos fazê-lo de duas maneiras: 1. Ligar a lâmpada em série no circuito, ou seja, colocá-la de forma sequencial à primeira lâmpada (ver fi gura 5a). Esta ligação se caracteriza, em termos práticos, pelo fato de que se a primeira lâmpada “queimar” a segunda não acenderá, pois não existe mais um percurso fechado para a corrente. 2. Ligar a lâmpada em paralelo à primeira, o que signifi ca que esta segunda lâmpada tem um percurso de corrente independente da primeira. Se uma delas queimar, a outra não será afetada. (ver fi gura 5b) Figura 5 – ligações de duas lâmpadas em série e em paralelo. (a) ligação em série (b) ligação em paralelo 2Praticando... 6 Física A09 Características da ligação em série Em uma ligação em série as principais características do ponto de vista das grandezas físicas envolvidas são: a) A corrente elétrica que percorre o circuito é a mesma para todos os seus elementos. b) A tensão total no circuito é dividida entre os elementos do circuito de acordo com suas respectivas potências nominais. As duas condições acima citadas têm consequências importantes na hora de ligarmos os objetos. Vamos partir de um exemplo prático: suponha que você tenha 3 lâmpadas com a seguinte especifi cação (60W-220V). Isto signifi ca que a potência de uma lâmpada será 60W se ela for ligada em uma tensão de 220 volts. Se fi zermos uma ligação em série das três lâmpadas, pelas condições vistas acima, a tensão em cada uma será de 220V/3 = 73,3 volts (aproximadamente) para cada uma. Signifi ca então que elas não fornecerão mais um brilho de uma lâmpada de 60W. 1. O que acontecerá com o brilho das lâmpadas se você ligar 5 delas também em série na tomada da sua casa? 2. O que acontece com a corrente elétrica do circuito quando são ligadas 5 lâmpadas, em vez de três? 3Praticando... 7 Física A09 Características da ligação em paralelo Na ligação em paralelo, como dissemos, procuramos ligar a lâmpada de modo a criar um percurso independente para a corrente. É na verdade um circuito “paralelo” ao da primeira lâmpada. Duas características são fundamentais neste tipo de ligação: a) A tensão a qual os elementos do circuito estão submetidos é a mesma. Isto se dá porque cada elemento do circuito está ligado a um ponto que possui a mesma tensão. No caso das duas lâmpadas, elas estão ligadas respectivamente aos polos positivo e negativo da pilha. (ver fi gura 5b) b) A corrente que circula por cada elemento do circuito depende de sua potência de funcionamento, ou seja, depende das suas necessidades. A corrente total no circuito é a soma das correntes em cada elemento da ligação. Em resumo, se a nossa fonte de tensão for de 220 volts, cada lâmpada que estiver ligada desta forma estará submetida a 220 Volts. Observe na fi gura 05 que se uma das lâmpadas for desligada, não há interrupção da corrente para as outras lâmpadas. A corrente do circuito inteiro será interrompida apenas se o fusível queimar. 1. Se as lâmpadas sempre vão estar submetidas à mesma tensão, podemos ligar quantas lâmpadas quisermos. Certo? Justifi que a sua resposta 2. Quais os problemas que podem acontecer caso você coloque muitos elementos ligados em paralelo no circuito (fi gura 6)? Por quê? + - 4Praticando... 8 Física A09 1. Normalmente, temos nas nossas casas um tipo de componente elétrico que consideramos muito útil, o Tê. Em outras partes do Brasil é também conhecido como Benjamim. Ele permite que liguemos vários objetos em apenas uma tomada. Figura 6 – Três lâmpadas ligadas em paralelo Fonte: <http://www.eletronica24h.com.br/Curso%20CC/aparte1/aulas1/images/elebas10.gif>. Acesso em: 6 nov. 2009. Vamos agora voltar para o nosso exemplo das lâmpadas e fazer os cálculos para saber o que acontece em uma ligação em paralelo de três e cinco lâmpadas iguais. Se a lâmpada tem inscrição 60W-220V a) Qual a corrente que percorre cada lâmpada? I = P/U, i = 60/220 = 0,27 A. b) Qual a corrente total quando ligarmos 3 lâmpadas em paralelo? IT = 0,27 × 3 = 0,8 A seria a corrente total no circuito de 3 lâmpadas. c) Qual a corrente total no circuito quando ligarmos 5 lâmpadas? No circuito com 5 lâmpadas teríamos IT = 0,27 × 5 = 1,35A Observe então que quanto maior o número de aparelhos ligados em paralelo maior a corrente que percorre o circuito. 9 Física A09 a) Pesquise e escreva uma pequena cartilha com o objetivo de ensinar as pessoas na sua comunidade a usar o “Tê” de forma correta. b) Veja a foto e explique porque pode ocorrer um incêndio a partir do uso inadequado deste aparelho. Pense no fato de que à medida que vamos acrescentado elementos em uma ligação em paralelo a corrente total que percorre o circuito deve aumentar. (Use também seus conhecimentos sobre o fenômeno conhecido como “efeito joule”) Figura 7 – ilustração do uso incorreto das ligações elétricas Fonte: <http://static.hsw.com.br/>. Acesso em: 6 nov. 2009. 2. O Tê pode ser perigoso, pois ele permite ligar vários aparelhos em paralelo. Por que não inventaram um Tê em que a ligação entre os aparelhos fosse em série? Será que funcionaria? Justifi que sua resposta. Resistência elétrica noscircuitos Já vimos na aula 07 a defi nição de resistência elétrica como uma oposição à passagem da corrente através de um material. Mesmo os melhores condutores elétricos como ouro e prata oferecem resistência à passagem da corrente. Esta resistência que um material oferece à passagem da corrente elétrica pode ser entendida de forma simplifi cada como associada ao choque dos elétrons em movimento com a estrutura do material. Quanto maior for a quantidade de choques maior será a resistência elétrica. Existem alguns + + + + + + + + + + + + + + + + + + + ++ + + + - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -- - - - A A ©1999 science Joy Wagon 10 Física A09 fatores que fazem com que esta resistência seja maior ou menor. São as características do material a quantidade de elétrons disponíveis e o próprio arranjo das moléculas, ou seja, sua estrutura cristalina e os fatores geométricos que dependem da forma e das dimensões do condutor. Figura 8 – a ilustração representa dois condutores de espessuras diferentes Fonte: <http://www.feiradeciencias.com.br/>. Acesso em: 6 nov. 2009. A grandeza chamada resistividade do material nos informa sobre as características físicas do material em si e pode ser encontrada em tabelas nos livros de física e de engenharia. A resistividade é conhecida pela letra grega ρ (rô). Os fatores geométricos que interferem na resistência elétrica são: comprimento do condutor (L) e área da secção transversal do condutor (A). Observe na fi gura 8 que se a área disponível para a passagem dos elétrons for maior, menor será o número de choque e, consequentemente, menor será sua resistência elétrica. Na prática, implica que fi os mais fi nos oferecem maior resistência à passagem de corrente e fi os mais espessos oferecem menor resistência. Quanto ao comprimento do fi o é fácil ver que em um fi o muito comprido o número de choques entre os elétrons e a estrutura cristalina do material tem a grande chance de aumentar. Desta forma, quanto maior for o comprimento do fi o maior será sua resistência elétrica. A resistência de um fi o condutor pode ser expressa pela equação: R = ρ (L/A) Esta equação nos diz a resistência de um resistor com base no material de que foi fabricado e nas suas características geométricas e não se refere, por exemplo, à temperatura do mesmo. Sabemos que a resistência de um fi o aumenta com o aumento da sua temperatura, por isto é importante em alguns aparelhos eletrônicos manter os circuitos resfriados para garantir o bom desempenho dos aparelhos. O computador é um exemplo de equipamento que precisa de um sistema de refrigeração dos seus circuitos. Nos circuitos simples que estamos estudando, iremos supor que a interferência da temperatura é mínima, como também iremos supor que todos os resistores obedecem 5Praticando... 11 Física A09 à lei de Ohm – uma lâmpada, por exemplo, não obedece à lei de Ohm, sua resistência é diferente se medirmos com ela ligada ou desligada. Esta foi uma introdução para medirmos a resistência elétrica nas ligações em série e em paralelo. Iniciaremos com a idéia de resistência equivalente. Quando colocamos vários aparelhos ligados em série temos que dividir a tensão total entre os diversos aparelhos e por sua vez, a tensão total é a soma da tensão em cada um deles. Logo temos que: UT = U1 + U2 + U3 +.... Un , e por sua vez UT = RT. i , logo teremos que: RT. i = R1.i + R2. i + R3.i + ....Rn.i A corrente é sempre i , pois como vimos, é sempre a mesma em todos os elementos do circuito em série. Colocando-se então i em evidência e realizando a divisão temos: RT = R1 + R2 + R3 + ....Rn. O que está escrito como RT é chamado de resistência equivalente do circuito em série. Ou seja, se ligarmos vários componentes em série em um circuito a resistência deles será somada resultando em uma resistência equivalente sempre maior do que as resistências individuais. Este valor da resistência equivalente defi nirá a quantidade de corrente que passará neste circuito. I = U/Req É por esta razão que quando colocamos vários elementos em um circuito em série, a potência dissipada por estes objetos diminui; corrente menor implica em menor potência. Vocês já viram isto em aulas passadas. Os LED’s são os diodos emissores de luz (da sigla em inglês Light Emitting Diode) parecem com pequenas lâmpadas e estão se tornando comuns nos sinais de trânsito, nas lanternas das motos e em luminárias. A vantagem dos diodos é que eles consomem pouca energia e praticamente não queimam como as lâmpadas. A tensão de trabalho dos diodos é de aproximadamente 1 volt. É possível ligar diodos na tensão de uma casa, ou seja, 220V? Invente um arranjo de diodos que possa ser ligado na tomada de uma casa, usando o que você aprendeu sobre ligações em série. 12 Física A09 Nos circuitos onde os elementos do circuito são ligados em paralelo, o arranjo das ligações é tal que a tensão elétrica nos componentes do circuito é sempre a mesma. Entretanto, a corrente que percorre cada um deles depende da potência em que eles trabalham. A corrente total que circula em um circuito ligado em paralelo é a soma das correntes em cada um dos ramos da ligação. IT = i1 + i2 + i3 + .....in IT = U/ Req Assim, como cada corrente individual é in = U/Rn temos então que U/Req = U/R1 + U/R2 + U/R3 + ..... U/Rn Simplifi cando U obtemos: 1/Req = 1/R1 + 1/R2 + 1/R3 + ..... 1/Rn Usando esta equação veremos que a resistência equivalente do circuito em paralelo é sempre menor do que a menor das resistências ligadas. Quanto mais elementos acrescentarmos no circuito, menor sua resistência se torna. Parece bom, não é? O problema é que à medida que a resistência equivalente do circuito diminui a corrente que o percorre aumenta. Neste caso, quanto mais aparelhos ligamos em paralelo, maior a corrente total no circuito. É, portanto, necessário ter atenção com os fi os e cabos utilizados nas ligações para se ter certeza de que eles suportam a corrente que vai passar por eles. Em nossa casa, temos muitos aparelhos ligados e a maior parte deles é ligada em paralelo. Circuito residencial Vamos a seguir estudar uma aplicação prática do que foi discutido acima a respeito das ligações em série e paralelo. Não existe um exemplo melhor do que a própria instalação elétrica da nossa casa. Vamos estudar uma instalação simplifi cada de uma casa. Primeiramente, vamos destacar alguns pontos principais desta instalação. a) Fonte de energia b) Proteção do circuito c) A forma de ligação dos aparelhos ou elementos do circuito d) Número de circuitos na casa FASE NEUTRO DISJUNTOR Volts 13 Física A09 Figura 9– desenho esquemático de uma instalação elétrica residencial. Fonte: <http://www.educativa.org.br/servicos/imagem/circuito.JPG>. Acesso em: 6 nov. 2009. A fonte de energia da nossa casa é a rede de distribuição da companhia elétrica. Essa eletricidade é produzida em lugar remoto e transportada até a nossa casa por esta rede. No fi nal, o que temos a nossa disposição são dois fi os (em casas maiores pode ser três) um chamado de “fi o fase” (que faz o papel do polo positivo de uma pilha) e o fi o neutro (que representaria o polo negativo da pilha). A tensão elétrica entre estes dois fi os é 220 volts. Dizemos que a diferença de potencial elétrico (ddp) entre os fi os fase e neutro é 220V. Observe que na fi gura 9 os objetos, tomadas e lâmpada estão ligados entre os dois fi os de modo a formarem uma ligação em paralelo no circuito. Este tipo de ligação, como vimos anteriormente nesta aula, implica que estes aparelhos estão recebendo a mesma tensão, cada um (220V). Uma forma prática de saber se um dos elementos de um circuito estão ligados em paralelo é observarse eles estão ligados entre pontos com o mesmo potencial. Para acrescentar mais um objeto ao circuito da casa basta ligá-lo entre os dois fi os fase e neutro. Muito cuidado deve ser tomado com “o quê“ vamos ligar nesta nova tomada. Lembre que à medida que vamos acrescentando elementos em um circuito paralelo, a corrente total que circula por ele aumenta. Aí entra a importância de um sistema de proteção (fusíveis e disjuntores). Observe também na fi gura 9 que logo depois da entrada do fi o FASE, existe um interruptor. Este interruptor é construído para permitir a passagem de corrente até um valor especifi cado. No momento em que a corrente for muito alta, o disjuntor desliga automaticamente. O disjuntor é dimensionado dependendo da corrente que vai passar pelos fi os da instalação e esta corrente por sua vez, depende do que vai ser ligado na casa. Não podemos simplesmente ir comprando coisas e mais coisas e colocando nas tomadas. Chegará um momento em que o disjuntor vai “cair”. Em nosso estado (RN) e em toda a região nordeste do Brasil, esta tensão é 220 volts. Em estados do sul e sudeste onde a rede elétrica e a geração de eletricidade é mais antiga a tensão que chega às casas é 110 Volts. 6Praticando... 14 Física A09 – Então, poderíamos trocar o disjuntor por outro que permitisse a passagem de uma corrente maior, certo? – Não, errado! Na atividade seguinte, você pode investigar porque não é aconselhável fazer isto. Pesquise e apresente o seu parecer sobre não podermos simplesmente substituir o disjuntor que está sempre disparando por um maior? Outra coisa que deve ser observada na fi gura 9 é que o chuveiro elétrico está ligado em um “ramo” separado do circuito principal da casa. Ele é ligado em um circuito que foi construído apenas para ele. Qual a razão disso? Em uma casa comum, o chuveiro é normalmente o aparelho de maior potência elétrica (cerca de 4500W) e isto implica que, quando ligado, a corrente que o atravessa é de quase 20 A. Mesmo ligando todos os aparelhos e lâmpadas de uma casa média não conseguiríamos chegar a esta corrente. Deste modo, é comum fazer um circuito exclusivo para as grandes correntes necessárias para aparelhos de grande consumo como chuveiros, condicionador de ar etc. Este procedimento é principalmente uma forma de proteção, pois grandes correntes podem causar aquecimento dos fi os. Se ligássemos o chuveiro no circuito principal da casa poderiam ocorrer duas coisas: o disjuntor dispararia toda vez que alguém ligasse o chuveiro, ou poderíamos aumentar o disjuntor colocando um que permitisse a passagem de altas correntes. No segundo caso, teríamos necessidade de aumentar muito o diâmetro dos fi os usados na instalação. Ao mesmo tempo aumentaria o risco de curtos circuitos e choques fatais. Vocês já conhecem os efeitos de um choque elétrico no corpo humano, portanto correntes menores são sempre desejáveis. A respeito da instalação dos disjuntores e das tomadas, observe que estes sempre estão ligados ao fi o FASE como forma de interromper o circuito “antes” dos aparelhos elétricos ou da instalação completa. O que acontece é que o interruptor limita o campo elétrico a uma parte do fi o e, consequentemente, não existe TENSÃO elétrica “depois” de um interruptor ou disjuntor desligado. Os disjuntores são ligados em série com o circuito e os interruptores, em série com os aparelhos elétricos. 7Praticando... 15 Física A09 1. Se tivermos 6 lâmpadas de potência nominal 60W ligadas em série a 220V, qual a potência real dissipada por cada uma delas? (dica: a resistência de cada lâmpada pode ser calculada pela potência dela; calcule depois a corrente total no circuito; a potência total consumida deve ser dividida igualmente entre as lâmpadas) 2. Se tivermos que colocar uma proteção de um fusível para ligar 10 lâmpadas (150W-220V) em paralelo, qual deve ser a corrente mínima permitida pelo fusível? 3. Encontre a resistência equivalente de três resistores de chuveiro ligados em série. Sendo a potência de cada resistor 4200W e ligados em 220 volts. 4. Encontre a resistência equivalente a três resistores de chuveiro ligados em paralelo. Sendo a potência de cada resistor 4200W e ligados em 220 volts. Leituras complementares ELETROBRÁS. Na trilha da energia. Disponível em: <http://www.eletrobras.com.br/ pesquisa_infanto_juvenil/default.asp>. Acesso em: 6 nov. 2009. No sítio da Eletrobrás (Centrais Elétricas Brasileiras S.A.) você pode encontrar informações atualizadas sobre os processos de geração e de energia elétrica, como também informações sobre a produção de eletricidade, meio ambiente e fontes alternativas de energia e consumo de energia. AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA – ANEEL. Disponível em: <http://www.aneel. gov.br/biblioteca/index.cfm>. Acesso em: 6 nov. 2009. Outro site interessante na rede é a biblioteca virtual no sítio da ANEEL (Agência Nacional de energia Elétrica), lá você pode encontrar, livros, trabalhos acadêmicos, vídeos etc. Autoavaliação 16 Física A09 Nesta aula, vimos que duas formas de ligação dos aparelhos elétricos podem resultar em efeitos físicos bem distintos. As ligações dos tipos série e paralelo, apesar da simplicidade são a base de muitas aplicações tecnológicas. Os circuitos elétricos mais simples até as mais sofi sticadas placas de circuitos eletrônicos usam estes conceitos simples. Uma das aplicações mais simples das ligações elétricas é na verdade a instalação elétrica de uma casa. Podemos iniciar nosso estudo dos fenômenos elétricos a partir da nossa casa como uma forma prática e útil de relacionar a construção teórica da ciência e suas aplicações tecnológicas. Estudamos como a corrente elétrica se relaciona com a resistência e como esta pode mudar dependendo das características geométricas de um material. A forma como ligamos dois resistores ou duas lâmpadas pode fazer uma grande diferença no desempenho desses dispositivos. 1. Qual a diferença, do ponto de vista das grandezas físicas tensão e corrente nas ligações série e paralelo? 2. Quais as vantagens de uma ligação de lâmpadas em paralelo se compararmos com uma ligação das mesmas lâmpadas em série? 3. Um conjunto de lâmpadas iguais é ligado em série e depois em paralelo. Em qual das duas situações a corrente que percorre o circuito é maior? 4. Em qual dos circuitos da questão anterior a resistência equivalente é maior? 5. Qual a função dos disjuntores numa instalação elétrica? 17 Física A09 Referências ALVARENGA, B; MAXIMO, A. Física: ensino médio, São Paulo, v 2, p 113, 2008. BORGES, J. C. S.; ALBINO JUNIOR, A.; MORAIS, E. S. B. Proposta de demonstração qualitativa das leis de faraday e lenz como ferramenta pedagógica no ensino de leis do eletromagnetismo. In: ENCONTRO DE FÍSICOS DO NORTE E NORDESTE, 26., 2008, Recife. Anais... Recife, 2008. CREDER, Helio. Instalações elétricas prediais. 14. ed. São Paulo: LTC, 1999. GREF. Eletricidade. São Paulo: ed. USP, 1993. MORAIS, Edemerson S. B. de. Adaptação das leituras de Física do GREF. Natal: CEFET- RN, 2007. Apostila da disciplina Física II. RAMALHO; NICOLAU; TOLEDO. Fundamentos da física. 8. ed. São Paulo: ed. Morena, 2005. v 3. Anotações 18 Física A09 Anotações 19 Física A09 Anotações 20 Física A09 10 C U R S O T É C N I C O E M S E G U R A N Ç A D O T R A B A L H O Aplicações do Eletromagnetismo: Motores, Transformadores e geração de energia FÍSICA Jacques Cousteau da Silva Borges Zanoni Tadeu Saraiva Santos Coordenadora da Produção dos Materias Vera Lucia do Amaral Coordenador de Edição Ary Sergio Braga Olinisky Coordenadora de Revisão Giovana Paiva de Oliveira Design Gráfi co Ivana Lima Diagramação Elizabeth da Silva Ferreira Ivana LimaJosé Antonio Bezerra Junior Mariana Araújo de Brito Arte e ilustração Adauto Harley Carolina Costa Heinkel Huguenin Leonardo dos Santos Feitoza Revisão Tipográfi ca Adriana Rodrigues Gomes Margareth Pereira Dias Nouraide Queiroz Design Instrucional Janio Gustavo Barbosa Jeremias Alves de Araújo Silva José Correia Torres Neto Luciane Almeida Mascarenhas de Andrade Revisão de Linguagem Maria Aparecida da S. Fernandes Trindade Revisão das Normas da ABNT Verônica Pinheiro da Silva Adaptação para o Módulo Matemático Joacy Guilherme de Almeida Ferreira Filho EQUIPE SEDIS | UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE – UFRN Projeto Gráfi co Secretaria de Educação a Distância – SEDIS Governo Federal Ministério da Educação Você ve rá por aqu i... Objetivos 1 Física A10 Como a eletricidade e o eletromagnetismo se relacionam e como a matéria se comporta na presença de um campo magnético. Você estudará também as propriedades dos ímãs e das bobinas, bem como entenderá como funciona e como fazer um motor elétrico. Como funcionam os geradores e transformadores e também as leis básicas do eletromagnetismo. Compreender a relação básica entre eletricidade e magnetismo. Compreender as propriedades fundamentais dos ímãs. Desenvolver o conceito de campo magnético. Compreender o funcionamento de sistemas magnéticos: motores e transformadores. Construir um motor elétrico elementar. Conhecer as leis básicas do eletromagnetismo: Leis de Faraday de Lenz. 2 Física A10 Para começo de conversa... Você já teve contato com campos magnéticos antes? Se a resposta foi não, então você irá perceber, nesta aula, que os campos magnéticos estão mais presentes em nosso cotidiano do que imaginamos. Para iniciarmos, pense um pouco e cite alguns elementos que estejam de alguma forma associados aos campos magnéticos. Se não tiver nenhuma ideia, faça uma rápida pesquisa para melhorar a sua compreensão sobre esse assunto, respondendo à seguinte atividade: 1Praticando... 3 Física A10 Cite alguns elementos associados aos campos magnéticos. Se achar necessário, faça uma pesquisa na biblioteca do seu polo ou na internet em sites de pesquisa. Ímãs e campos Algumas civilizações antigas tinham contato com um mineral que possui a capacidade de atrair o ferro. A primeira referência conhecida sobre essa substância é de Tales de Mileto. Em uma de suas viagens à Ásia (na época província da Grécia) para Magnésia (nome da região da Ásia) constatou que pequenas pedrinhas estavam sendo atraídas na ponta de ferro do seu cajado. Então, estudou tal fenômeno e descobriu o início do magnetismo. Tal material foi denominado magnetita, fazendo referência à região da magnésia. Durante muitos séculos, os fenômenos magnéticos permaneciam um mistério, até que no início do século XVII, William Gilbert, autor de “De magnete” (1600; Sobre os ímãs), enunciou as propriedades fundamentais dos ímãs. A magnética é um ímã natural, com propriedades semelhantes aos ímãs encontrados em enfeites de portas de geladeira ou em autofalantes. Tais materiais possuem uma grandeza imperceptível à nossa visão: o campo magnético. Assim como os campos gravitacional e elétrico, nós não podemos enxergar o campo magnético ao redor de um ímã. Podemos apenas perceber os seus efeitos sobre determinadas características do material. Por exemplo, percebemos os efeitos do campo gravitacional porque temos massa e percebemos os efeitos do campo elétrico, como na corrente elétrica, porque esse campo atua sobre cargas. N S N S N S N S N S N S 4 Física A10 Principais características de um ímã Agora, vamos detalhar quais são as principais características de um ímã, como o da imagem abaixo: Figura 1 – ímã em forma de barra Todo ímã possui um polo norte e um polo sul. No caso de um ímã em forma de barra, esses polos se encontram nas extremidades da barra. Mas, o que aconteceria se alguém partir essa barra no meio? Em princípio você pode estar pensando que teríamos um polo norte em uma parte e o polo sul na outra. Mas o que realmente acontece é que quando o ímã é partido, cada pedaço se comporta como um novo ímã com polos norte e sul próprios, mantendo a mesma orientação norte-sul. Figura 2 – Inseparabilidade dos polos magnéticos – por mais que se divida, sempre haverá um polo norte e um polo sul Campo Magnético Mas o que defi ne os polos norte e sul de um ímã? É justamente o comportamento do campo magnético que defi ne quem é norte e quem é sul. Se nós imaginarmos as linhas de campo magnético de um ímã, elas sempre saem do norte e chegam ao sul do ímã, independente do formato do ímã. Figura 3 – ímã em barra e ímã em ferradura. Os vetores representam o sentido do campo magnético 2Praticando... 5 Física A10 Você já deve saber que dois ímãs podem se atrair ou se repelir mutuamente. Basta você lembrar o seguinte: polos iguais se atraem e polos opostos se repelem. No caso de um ímã e um material ferromagnético, só temos a atração. O material ferromagnético não possui polos norte e sul em sua forma natural. Ao aproximarmos o ímã, polos são induzidos pelas linhas de campo, de modo a experimentarem sempre atração. Apesar de cada ímã possuir um campo magnético próprio, todos eles tendem a se alinhar na presença de um campo magnético mais intenso. A bússola, por exemplo, nada mais é que uma pequena agulha magnética, que se orienta pelas linhas de campo que a atravessam. Figura 4 – Alinhamento da bússola com o campo magnético de um ímã em barra Até este ponto você já deve ter compreendido o comportamento do campo magnético de um ímã e a inseparabilidades dos polos. Vamos, no próximo passo, detalhar os campos magnéticos gerados a partir da corrente elétrica. Lembre-se bem dos conceitos de corrente elétrica desenvolvidos nas aulas de eletrodinâmica. Para esta atividade, tenha em mãos pilhas ou uma bateria (9V), um fi o condutor e uma bússola. Posicione a bússola próxima ao fi o, em seguida conecte o fi o condutor aos termais das pilhas. O que foi possível observar nessa situação? Houve movimento relativo entre o ponteiro da bússola e o fi o? Se houve, por quê? i I Campo magnético Mão direita I 6 Física A10 Corrente e geração de campo magnético Durante muito tempo, a eletricidade e o magnetismo eram fenômenos distintos, sem nenhuma ligação comum. Porém, a evolução da ciência mostrou que eletricidade e magnetismo estão intimamente ligados, sendo apenas duas manifestações diferentes de uma mesma teoria, a teoria do eletromagnetismo. Esse denominador comum se apresentou pela primeira vez quando o cientista holandês Hans Christian Orested, acidentalmente, deixou uma bússola próxima a um fi o condutor percorrido por corrente contínua. Ao passar corrente elétrica pelo fi o, a bússola sofreu um desvio em sua direção, mostrando que a passagem da corrente elétrica gerou um campo magnético. O campo magnético gerado por uma corrente elétrica contínua, em determinado ponto do espaço, é proporcional à corrente que atravessa o condutor e inversamente proporcional à distância perpendicular desse ponto até o fi o. Dessa forma, foi possível chegar à conclusão de que toda carga elétrica em movimento gera campo magnético. O sentido desse campo pode ser determinado utilizando um artifício tridimensional: a mão direita. Basta apontar o polegar no mesmo sentido da corrente e fechar a mão, como se fosse segurar o fi o. A trajetória dos outros dedos determina o sentido do campo magnético. Figura 5 – Campo magnético formado por um fi o retilíneo e regra da mão direita Fonte: <http://n.i.uol.com.br/licaodecasa/ensmedio/fi sica/forca03.jpg>. Acesso em: 20 jul. 2009. i 7 Física A10 Dessa forma, temos uma simetria do campo magnético em torno do fi o condutorretilíneo. Esse campo magnético é capaz de interagir com o campo magnético de uma bússola. Como o campo do fi o é bem mais intenso, a agulha da bússola se alinha com as linhas de campo. Foi assim que se descobriu a primeira relação entre eletricidade e magnetismo. Imagine agora que nosso fi o condutor retilíneo será curvado de modo a formar um círculo, que de agora em diante chamaremos de espira. A corrente que percorre a espira também gera um campo magnético, que é mais intenso no centro da espira. O campo neste ponto é maior quanto maior for a corrente elétrica e menor for o raio da espira. As linhas de campo magnético em uma espira se assemelham a um ímã e também obedecem à regra da mão direita. Figura 6 – Campo magnético formado por uma espira circular. A seta indica o vetor campo magnético no centro da espira Nos sistemas magnéticos não se utiliza apenas uma espira para se obter campo magnético, mas sim várias espiras em série, ou seja, um fi o com várias voltas. O campo aumenta à medida que aumentamos o número de voltas. Defi nimos, então, o conceito de bobina. De modo geral, o campo magnético de uma bobina se assemelha a um campo magnético de um ímã permanente. N S N S N S Bobina TerraÍmã 8 Física A10 Figura 7 – Campo Magnético de um ímã, de uma bobina e do nosso planeta. Todos possuem o mesmo comportamento O nosso próprio planeta se comporta como se fosse um ímã gigantesco, gerando o campo magnético que faz com que as bússolas apontem para o norte geográfi co. Mas, na verdade, o planeta está mais para bobina do que para ímã, já que esse campo é gerado devido ao movimento de correntes convectivas de óxido de ferro (magma) no interior do planeta. É como se tivéssemos uma corrente elétrica percorrendo o núcleo pastoso da Terra, gerando o campo que nos orienta e protege de íons vindos do espaço. Importante: o polo norte magnético da Terra é diferente do polo norte geográfi co. Na verdade, o polo norte magnético fi ca próximo ao polo sul geográfi co. Então, quando dizemos que a bússola aponta para o norte, na verdade ela está apontando para o sul magnético que é próximo ao norte geográfi co. Essa aproximação é devido a uma defasagem angular entre o eixo magnético e o eixo geográfi co. Analisamos, aqui, apenas o campo gerado por um fi o retilíneo e por uma bonina (a espira é uma bobina de apenas uma volta). Além dessas, existem muitas outras confi gurações para a geração de campo magnético controlado, como o solenoide, o toroide e outros. 9 Física A10 Interações com a matéria Como já vimos, o campo magnético depende apenas de grandezas como a corrente e a distância ao fi o ou do raio de uma espira. Porém, existem materiais que possuem a capacidade de concentrar ou de dispersar as linhas de campo magnético. Alguns outros conseguem manter temporariamente a magnetização. Também existem aqueles que não provocam nenhuma infl uência sobre as linhas de campo. Para dar uma olhada nesses materiais, precisamos entender um pouco o funcionamento da matéria. Em aulas anteriores, estudamos que os átomos são constituídos, basicamente, de cargas positivas e cargas negativas. As negativas – elétrons – orbitam o núcleo do átomo. Nas ligações metálicas, os elétrons livres caminham em trajetórias fechadas pelo metal, formando uma espécie de microbobinas. Nesta aula, observamos que toda carga elétrica em movimento gera campo magnético. Dessa forma, a matéria, em particular os metais, é constituída por “dipolos magnéticos”, que são semelhantes a pequenos ímãs no interior dos materiais. A soma do campo magnético de cada um desses dipolos resulta no campo magnético do metal. Geralmente, esses pequenos ímãs estão todos desalinhados, anulando o campo magnético uns dos outros, totalizando um valor fi nal de campo igual a zero. No caso dos ímãs, os dipolos estão todos alinhados, o que proporciona uma soma diferente de zero, dando ao material propriedades semelhantes a um ímã permanente. Em síntese, com relação às propriedades magnéticas, podemos dividir os materiais em três tipos: os ferromagnéticos, os paramagnéticos e os diamagnéticos. Ferromagnéticos Nos materiais ferromagnéticos, os dipolos magnéticos estão inicialmente orientados de forma aleatória e, por isso, o campo magnético total de uma barra de material ferromagnético é zero. Quando a nossa barra é submetida a um campo magnético, ela concentra as linhas de campo, desviando inclusive as que passam pela periferia. Nesse processo, os dipolos magnéticos se alinham no mesmo sentido do campo, aumentando ainda mais a densidade de campo magnético. Quando o campo externo cessa, a nossa barra continua magnetizada, atraindo pequenos metais como clipes e grampos. Esse fenômeno ocorre porque os dipolos não voltam para a sua posição original instantaneamente, desmagnetizando lentamente. A esse efeito dá-se o nome de histerese magnética. O principal exemplo de material ferromagnético é o Ferro. 3Praticando... 10 Física A10 Paramagnéticos Diferentes dos ferromagnéticos, os paramagnéticos praticamente não são atraídos. A concentração de linhas ocorre, embora em menor intensidade. Tais materiais são empregados em processos de autoindução, já que podem interagir com os campos da mesma forma, semelhante aos ferromagnéticos, com a vantagem de não serem atraídos. O principal representante desse grupo é o Alumínio. Diamagnéticos Diferente dos paramagnéticos e ferromagnéticos, os diamagnéticos dispersam as linhas de campo, reduzindo a densidade do campo no interior do metal. São utilizados quando se pretende evitar a ação dos fenômenos magnéticos. O Cobre é um desses materiais. A razão entre o campo magnético (H) gerado e densidade de fl uxo (B) magnético no interior do material é dada por uma constante, chamada de permeabilidade magnética (¹). B = H.¹ A permeabilidade é importante na determinação da faixa de aplicação de um determinado material, principalmente aplicações dos ferromagnéticos. Como esses são os que conseguem concentrar com melhor efi ciência as linhas de campo magnético, são os mais empregados na construção de transformadores, motores e outros equipamentos que exigem uma alta densidade de fl uxo magnético, como veremos nos tópicos seguintes. Para esta atividade, procure observar onde os mais diferentes tipos de materiais magnéticos são aplicados. Por exemplo, que material é utilizado para o funcionamento de um motor elétrico? Lá no “relógio de Luz” tem um disco que movimenta devido aos efeitos do campo magnético, registrando o nosso consumo de energia elétrica. De que tipo de material é esse disco? Existe alguma razão especial para se utilizar fi os de cobre nos enrolamentos dos motores elétricos, além de sua baixa resistividade? + – Estator Ímãs Rotor Bobinas + – 11 Física A10 Construindo um motor A conversão eletromecânica de energia é uma das mais importantes aplicações das teorias do eletromagnetismo, pois esse processo responde pela geração de energia e utilização de motores. A distribuição é outro aspecto importante que veremos em detalhes a seguir. Uma máquina elétrica possui basicamente dois constituintes: um rotor e um estator. O estator é parte fi xa do motor, responsável por gerar o campo magnético que irá incidir sobre o rotor. Em alguns casos, o rotor é alimentado com corrente elétrica, gerando um campo próprio, que irá sempre se opor ao campo do estator. É a força magnética repulsiva dessas partes que faz o motor girar e movimentar o mundo. A essas máquinas dá-se o nome de máquinas síncronas, também chamadas de motor universal. Figura 8 – Elementos básicos de um motor de corrente contínua. Cores diferentes representam polos diferentes Fonte: <http://br.geocities.com/saladefi sica7/funciona/motoreletrico.htm>. Acesso em: 20 jul. 2009. Praticando...4Praticando... 12 Física A10 Para compreender melhor o funcionamento do motor CC, ou máquina síncrona, desenvolva a atividade exposta a seguir, adaptada de Morais (2007). Materiais: Fio de cobre Esmaltado, nº 26 90 cm Fio de cobre rígido, encapado, 1,5 mm 15 cm Imã 1 unid Pilha (1,5 V) 1 unid Conetores (fi os de ligação) 2 unid Procedimentos Para construir um pequeno motor elétrico será necessário 90cm de fio de cobre esmaltado número 26 para fazer uma bobina. Ela será o eixo do motor. Por isso, deixe aproximadamente 3 cm em cada extremidade do fi o. A bobina será apoiada em duas hastes feitas de fi o de cobre encapado rígido, o qual você vai moldar a fi m de que fi que com o formato indicado na fi gura abaixo. Ele deverá posteriormente ser encaixado em um pedaço de madeira. A fonte de energia elétrica será uma pilha comum conectada à bobina através de dois pedaços de fi o ligados às extremidades desencapadas do fi o acima. Figura 9 – Parte fi xa do motor elétrico – Fio rígido 1,5 mm base de madeira contatos para a pilha suporte ímã bobina 13 Física A10 A parte fi xa do motor será constituída de um ímã permanente que será colocado sobre a tábua, conforme a fotografi a abaixo. Dependendo do ímã utilizado, a bobina deve fi car bem próxima do mesmo. Figura 10 – Motor elétrico didático – esquema de montagem Fonte: Morais (2007). Para colocar o motor em funcionamento, não se esqueça de que o esmalte do fi o da bobina é isolante elétrico. Assim, você deve raspá-lo para que o contato elétrico seja possível. Além disso, em um dos lados você deve raspar só parcialmente, deixando uma parte de isolante ao longo do comprimento. Não esqueça que esse motor precisa de um ‘impulso’ inicial para dar a partida. Atenção veja se os contatos elétricos estão perfeitos; observe se a bobina pode girar livremente; se puder, fi xe os fi os de ligação na pilha com fi ta adesiva. Feitos esses ajustes necessários, anote em seu caderno de estudo o ocorrido diante dos fatos: 1. o que acontece quando o ímã é retirado do local? 2. inverta a pilha e refaça as ligações. O que acontece com o sentido de giro do motor? ímã bobina 14 Física A10 Geradores de energia Até aqui, você pode perceber que a corrente circulando na bobina do nosso pequeno rotor nos fornece movimento. A questão é: e quando temos movimento no rotor? É possível realizar o processo inverso e obter corrente? À primeira vista pode parecer estranho, mas a resposta é SIM! Um gerador eletromecânico nada mais é que um motor. Só que agora estamos realizando movimento em seu eixo e obtendo corrente elétrica. Esse movimento pode ser provocado pelas águas de uma barragem (geração hidroelétrica) ou pelo vento (geração eólica) ou até mesmo por vapor de água a alta pressão (termo-nuclear). Para compreender melhor o funcionamento de um gerador, vamos começar por um bem simples, chamado dínamo, geralmente utilizado em bicicletas antigas. Figura 11 – Gerador elementar: dínamo de bicicleta Fonte: Ramalho (2005). Diferente do nosso motorzinho, a parte fi xa é uma bobina e a parte móvel é um ímã. O terminal do eixo do rotor está em contato direto com o pneu da bicicleta, que faz com que o ímã gire nas proximidades da bobina. O movimento do ímã altera a forma como o fl uxo magnético atravessa a bobina. Essa variação do fl uxo magnético através da bobina provoca o surgimento de uma tensão elétrica induzida e, por consequência uma corrente induzida. Esse fenômeno é descrito pela lei de Faraday. 15 Física A10 Sendo assim, sempre que houver uma variação de fl uxo em um circuito magnético, haverá também o surgimento de uma corrente elétrica induzida. Esse é o princípio básico da geração de energia elétrica. Existem três formas para variarmos o fl uxo e assim induzir uma tensão: a) Modifi car o valor do campo magnético. Para isso é necessário modifi car o valor da corrente elétrica que gera o campo. b) Modifi car a área da bobina/espira. Para isso basta inserir ou retirar uma espira de uma região delimitada por campo magnético. c) Modifi car o ângulo entre o campo e a superfície da espira. É só girar uma espira plana onde existe um campo magnético. A geração de energia elétrica está intimamente atrelada à terceira maneira, já que podemos conectar a espira ao eixo do motor e utilizar outra forma de energia para fazê-la girar. As grandes usinas geradoras de energia elétrica funcionam basicamente obedecendo aos mesmos princípios. Lei de Lenz Imagine agora a seguinte situação: Corrente elétrica gera campo magnético. Campo magnético gera fl uxo. Variação de fl uxo gera tensão induzida. Tensão induzida proporciona corrente induzida. O enunciado acima não apresenta erro conceitual, é exatamente o que diz a lei de Faraday. Mas observe com atenção. Se a corrente induzida for no mesmo sentido que a corrente original, isso signifi ca que as duas irão se somar e gerar mais campo, que Lei de Faraday: A variação do Fluxo Magnético (Á) induz em uma bobina uma tensão elétrica induzida (fem) de módulo: |fem| = Δφ Δt 5Praticando... 16 Física A10 geraria mais corrente induzida que se somaria ainda mais gerando mais campo, e mais corrente, e mais campo.... E isso iria ocorrer indefi nidamente ou até os condutores elétricos derreterem com correntes tão altas! Mas, na verdade, isso nunca ocorreu. Tal fenômeno contraria o princípio da conservação da energia, pois nesse caso estaríamos gerando energia do NADA. O que é algo IMPOSSÍVEL. Por isso que o Físico Heinrich Friedrich Emil Lenz enunciou a sua Lei, complementando a de Faraday: Lei de Lenz: A corrente induzida pela variação de fl uxo magnético possui sentido oposto à corrente que originou a variação. fem = −Δφ Δt Observação: Perceba que a fórmula passou a possuir um sinal negativo, indicando que o sentido da tensão induzida é oposto ao da variação de fl uxo magnético. Que tal montarmos uma experiência para verifi car a validade das leis de Faraday e de Lenz em sala de aula? Vamos precisar de um tubo de PVC, outro de cobre ou alumínio com um metro de comprimento, TRE a quatro led’s, 3,0 metros de fi o de cobre esmaltado e um ímã de campo bastante intenso. 17 Física A10 Para a demonstração da lei de Faraday, corte o tubo de PVC em 10 cm de comprimento. Em seguida, envolva a região central do tubo com 3m do fi o de cobre, deixando à mostra as suas extremidades. Feito isso, raspe as extremidades, retirando o esmalte isolante e solde as pontas a um led. Com o ímã no interior do tubo, chacoalhe-o com a mão o mais rápido que você puder e irá perceber que o LED está acendendo, mesmo sem haver pilha alguma. Se preferir, utilize um tubo maior e faça várias bobinas nele, cada uma com suas extremidades ligadas ao respectivo LED. Figura 12 – Tubo de PVC e bobinas com fi o esmaltado – Experimento Lei de Faraday Figura 13 – Tubo de cobre – Experimento lei de Lenz Fo nt e: B or ge s et a l ( 2 0 0 8 ). Fo nt e: B or ge s et a l ( 2 0 0 8 ). Com o cano de cobre (ou de alumínio), vamos observar de forma bastante nítida a lei de Lenz. Para isso, solte inicialmente um prego, clipe ou outro material pelo tubo. Em seguida, basta soltar o ímã no interior do tubo. Não se esqueça de relatar em seu caderno de atividades os fenômenos que foram observados. 18 Física A10 Transformadores no Circuito Outro elemento que depende do campo magnético para seu funcionamento é o transformador. Este elemento é fundamental, pois é o responsável por elevar e baixar a tensão elétrica. Ele está presente no nosso dia a dia mais do que imaginamos. Quando você coloca o seu celular para carregar com a tensão da tomada 220 V, ela pode carregar a bateria de seu celular, de 9V,às vezes menos. Os equipamentos eletrônicos não funcionam com 220V, mas com tensões de 15V, 12V, 5V e alguns até com 1,5V. Apesar desses exemplos, a grande aplicação dos transformadores está mesmo é na distribuição de energia elétrica. Ao sair da usina hidroelétrica, a tensão é elevada para centenas de milhares de volts. O Rio Grande do Norte recebe uma tensão da ordem de 250.000V. Nas subestações, essa tensão é reduzida para 69.000V, e é levada para pontos estratégicos no estado. Em seguida, a tensão é novamente reduzida para 13.800V e entra na rede de distribuição doméstica. Antes de chegar às nossas casas, a tensão é reduzida para 380V em transformadores presos aos postes, gerando o “terra”, que é referência para a tensão de 220V. Figura 14 – Transformador de rua – 13.800 V para 380V Para realizar essa “transformação”, o transformador faz uso do campo magnético. Sua constituição básica é um núcleo de material ferromagnético, que concentra e “canaliza” as linhas de campo e, no mínimo, duas bobinas, uma primária e outra secundária. Voltagem primária Núcleo Espiras (Np) Espiras (Ns) Fluxo magnético Voltagem secundária 19 Física A10 Na bobina primária, é aplicada uma tensão e, por consequência, circula uma corrente elétrica na bobina. Essa corrente gera um campo magnético. O Fluxo magnético circula pelo núcleo ferromagnético, até passar pelo centro da bobina secundária. A variação de fl uxo, devido à alternância do valor da corrente, provocará uma tensão induzida na bobina secundária. Sendo assim, temos tensão e corrente no secundário. Figura 15 – Esquema básico de funcionamento de um transformador Fonte: <http://br.geocities.com/saladefi sica7/funciona/transformador.htm>. Acesso em: 20 jul. 2009. A tensão no secundário é proporcional à razão do número de espiras das duas bobinas. Em outras palavras, se a bobina secundária tiver metade das espiras da primária, essa também possuirá a metade da tensão de entrada. Apesar de se poder realizar a transformação do valor da tensão, não é possível “criar” energia com o transformador. Sendo assim, a potência de entrada do transformador deve ser igual à potência de saída. Ou seja, a corrente diminui proporcionalmente ao aumento da tensão. Dessa forma, temos: NP NS = VP VS = IS IP Em VP · IP = VS · IS Exemplo 1 6Praticando... 20 Física A10 Em aulas anteriores, aprendemos a como detalhar as características dos equipamentos elétricos e qual o sentido Físico das grandezas expressas em suas especifi cações. Nesta atividade, liste pelo menos cinco itens em que haja transformação de tensão/corrente e descreva essa relação matematicamente. Por exemplo, um determinado carregador de celular tem as especifi cações: 3W , 220//9V. Qual é sua potência? Quais os valores de tensão e corrente no secundário? Responda a essas perguntas para todos os itens listados. Em um dado equipamento está especifi cado: 120V – 600W. Você possui um transformador, com 1000 volts no primário, e a tensão local é 200V. Você deve dimensionar o número de espiras no enrolamento secundário e, para saber qual fi o utilizar, encontre o valor da corrente no secundário. Solução: Para saber qual a corrente no secundário, basta utilizar a relação de espiras: NP NS = VP VS 1000 NS = 120V 200V NS = 200V · 1000 120V NS = 1667 E para saber a corrente no secundário, é necessário apenas usar a relação de potência do transformador ou, se preferir, a relação de espiras, já que você possui o número de espiras do secundário. 21 Física A10 Logo, a corrente no secundário é de 2,5 A. Esse valor de corrente é menor que a corrente no primário, já que neste a diminuição da tensão resulta em um aumento da corrente, mantendo constante a potência. Os exercícios que se seguem retomam todo o conteúdo desta aula. Lembre-se dos conceitos fundamentais das propriedades magnéticas e dos elementos dos motores e transformadores. Como você já percebeu, os cálculos são simples, mas também são indispensáveis. Leituras complementares YOUTUBE. Levitação Magnética: mago da física. Disponível em: <http://www.youtube. com/watch?v=ts6o1At7TOk>. Acesso em: 21 jul. 2009. Nesse link é possível visualizar uma importante aplicação do eletromagnetismo, a levitação magnética. TAVARES, Romero. [Física]. Disponível em: <http://www.fi sica.ufpb.br/~romero/>. Acesso em: 21 jul. 2009. SIMULAÇÕES de física básica. Disponível em: <http://www.fi s.unb.br/simulacao/>. Acesso em: 21 jul. 2009. PHYSICS 2000. Disponível em: <http://www.colorado.edu/physics/2000/index.pl>. Acesso em: 21 jul. 2009. As páginas acima trazem os conteúdos desta aula, utilizando animações e vídeos demonstrativos. Nas seções de eletromagnetismo, você encontrará objetos de aprendizagens dinâmicos e interativos. VP · IP = VS · IS PT = VS · IS 500W = 200V · IS IS = 2, 5A ímãS N 1 2 3 4 5 p Autoavaliação 22 Física A10 Nesta aula, estudamos os fenômenos magnéticos, partindo de sua origem. Buscamos compreender quais são as principais características de um ímã e como esse comportamento se assemelha ao comportamento de uma bobina e até mesmo do comportamento do nosso planeta. É a partir desse entendimento de campos que percebemos que a matéria interage de forma distinta em relação aos campos magnéticos, classifi cando, então, os materiais como ferromagnéticos, paramagnéticos e diamagnéticos, sendo o primeiro, elemento fundamental para a construção de motores e transformadores. Inclusive foi possível construir o seu próprio motor, que possui os mesmos princípios de funcionamento de um motor industrial convencional. A partir de nossas atividades, podemos finalmente compreender as leis básicas do eletromagnetismo (Faraday e Lenz). 1. Na fi gura abaixo, o imã, o ponto p e as setas estão no plano da página. N indica o polo norte, e S, o polo sul. Qual a seta que melhor indica o sentido em que aponta a extremidade norte de uma pequena bússola colocada na posição P? figura 1 figura 2 Punta Arenas Natal Havana N S 23 Física A10 2. (UFRN-2005) O estudioso Robert Norman publicou, em Londres, em 1581, um livro em que discutia experimentos mostrando que a força que o campo magnético terrestre exerce sobre uma agulha imantada não é horizontal. Essa força tende a alinhar tal agulha às linhas desse campo. Devido a essa propriedade, pode-se construir uma bússola que, além de indicar a direção norte-sul, também indica a inclinação da linha do campo magnético terrestre no local onde a bússola se encontra. Isso é feito, por exemplo, inserindo-se uma agulha imantada num material, de modo que o conjunto tenha a mesma densidade que a água e fi que em equilíbrio dentro de um copo cheio de água, como esquematizado na fi gura 1. A fi gura 2 representa a Terra e algumas das linhas do campo magnético terrestre. Foram realizadas observações com a referida bússola em três cidades (I, II e III), indicando que o pólo norte da agulha formava, aproximadamente, para a cidade I, um ângulo de 20º em relação à horizontal e apontava para baixo; para a cidade II, um ângulo de 75º em relação à horizontal e apontava para cima; para a cidade III, um ângulo de 0º e permanecia na horizontal. A partir dessas informações, pode-se concluir que tais observações foram realizadas, respectivamente, nas cidades de: a) Punta Arenas (sul do Chile), Natal (nordeste do Brasil) e Havana (noroeste de Cuba). 24 Física A10 b) Punta Arenas (sul do Chile), Havana (noroeste de Cuba) e Natal (nordeste do Brasil). c) Havana (noroeste de Cuba), Natal (nordeste do Brasil) e Punta Arenas (sul do Chile). d) Havana (noroeste de Cuba), Punta Arenas (sul do Chile) e Natal (nordeste do Brasil). 3. (UFRN-2003) A maioriadas máquinas que utilizamos para ampliar nosso conforto ambiental, bem como facilitar a execução de certas tarefas, funcionam tendo como base transformações de energia. Esses equipamentos revelam um certo grau de conexão entre diferentes áreas da Física. Num laboratório de pesquisa de materiais, por exemplo, um tipo de aquecedor, utilizado para realizar tratamento térmico de certas amostras, tem como base de funcionamento a transformação de energia elétrica em energia térmica. A estrutura esquematizada na fi gura a seguir é um aparato comumente utilizado em feiras de ciência para mostrar o processo de transformação de energia elétrica em energia térmica. Esse recipiente não entra em contato com o núcleo de ferro e é capaz de armazenar, por exemplo, pequena quantidade de líquido. Para realizarmos uma demonstração simples do funcionamento desse tipo de aquecedor, coloca-se água no recipiente circular de cobre e, após a ligação da bobina a uma fonte de corrente alternada, verifi ca-se que, se esperarmos o tempo necessário, a água se aquece, ferve e evapora- se completamente. Diante do exposto, explique, fundamentando em leis físicas, o processo de funcionamento do aquecedor, a partir do instante em que a bobina foi ligada à fonte de corrente até a água se aquecer. 25 Física A10 4. (UFRN – 2006) Transformadores de tensão são utilizados em redes de distribuição de energia elétrica, em reguladores de tensão para eletrodomésticos, em eliminadores de pilha e no interior de vários aparelhos eletrônicos. Nas fi guras 1 e 2, reproduzidas abaixo, são mostrados dois transformadores idênticos, em que o número de espiras no enrolamento primário é o dobro do número de espiras no enrolamento secundário. Na fi gura 1, o transformador está ligado à rede elétrica de 220V, 60 Hz, e, na fi gura 2, o transformador está ligado a uma bateria automotiva de 12V. Os valores das medidas das tensões nos terminais dos enrolamentos secundários dos transformadores das fi guras 1 e 2, realizadas com um multímetro digital, são, respectivamente: Justifi que a sua resposta: N S 1000V~ 230V~ 230V~ 230V~ 26 Física A10 5. Observe o desenho abaixo. Ele ilustra a geração e transmissão de energia elétrica em um sistema de distribuição simplifi cado. Existe um elemento neste diagrama que interliga magneticamente os circuitos: geração- transmissão e transmissão-consumo. Cite-o e descreva a importância dele nesse sistema. Figura 16 – Sistema simplifi cado de distribuição de energia elétrica Anotações 27 Física A10 Referências ALVARENGA, B.; MAXIMO, A. Física: ensino médio. São Paulo: [s.n.], 2008. v 2. BORGES, J. C. S.; ALBINO JUNIOR, A.; MORAIS, E. S. B. Proposta de demonstração qualitativa das leis de faraday e lenz como ferramenta pedagógica no ensino de leis do eletromagnetismo. In: ENCONTRO DE FÍSICOS DO NORTE E NORDESTE, 26., 2008, Recife. Anais... Recife, 2008. CREDER, Helio. Instalações elétricas prediais.14. ed. São Paulo: LTC, 1999. FITZGERALD, A. E. Máquinas elétricas. São Paulo: McGraw Hill, 1990 GREF. Eletricidade. São Paulo: EDUSP, 1993. MORAIS, Edemerson S. B. de. Adaptação das leituras de Física do GREF. In: APOSTILA DA DISCIPLINA FÍSICA II – CEFET-RN. Natal, 2007. RAMALHO; NICOLAU; TOLEDO. Fundamentos da física. 8. ed. São Paulo: Ed. Morena, 2005. v 3. Anotações 28 Física A10 fisica_01 fisica_02 fisica_03 fisica_05 fisica_07 fisica_08 fisica_09 fisica_10