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Prévia do material em texto

Seleção, correlação, 
capacidade provável de 
produção e transmissão
Profa: Leni Rodrigues Lima
UNIVERSIDADE DE CUIABÁ
FACULDADE DE MEDICINA VETERINÁRIA
MELHORAMENTO GENÉTICO ANIMAL
Introdução
 A seleção é um processo contínuo, em que os
indivíduos de diferentes genótipos são escolhidos para
produzirem descendentes, ou simplesmente, escolha
de indivíduos para a reprodução.
 Os programas de melhoramento genético animal buscam
o aumento no desempenho das características de
interesse econômico por meio de duas ferramentas:
 seleção
 acasalamento
Efeito primário da seleção
 Frequência alélica favorável (aumento do incremento
na característica desejável)
 Frequência dos alelos de efeitos desfavoráveis (letais
ou de baixo incremento na característica)
Seleção
altera suas frequências, que
podem se tornar permanentes
com a fixação ou eliminação de
determinado alelo da população.
novos alelos 
para as 
características 
avaliadas.
X
 Surgimento de novos alelos
Mutação
 Taxa de mutação e a frequência do novo alelo são
consideradas baixas na população
 Muitas vezes, os novos alelos desaparecem na taxa
que surgiram por causa da incompatibilidade com o
ambiente ou simplesmente pelo baixo índice de
multiplicação (reprodução).
 Eficiência da seleção numa população depende de:
 Existência de variação genética entre os indivíduos;
 Frequência alélica na característica de interesse;
 Intensidade de seleção.
 Aumentar a frequência dos alelos desejáveis da
característica significa ter um ganho genético a cada
geração.
 Essa é a medida usada para avaliar a resposta da
população ao processo de seleção.
 O efeito genético aditivo, chamado de valor genético
do animal, é a parte do genótipo que a seleção procura
mensurar e alterar, podendo ser transmitida para a
progênie.
 Há vários métodos de predição do valor genético
 Mais eficiente aquele que promove a maior resposta
ao processo de seleção da característica.
 São baseados nas informações disponíveis dos
animais em seleção.
 Lembrando que:
 Todas as características são controladas por genes
 Transmitidos aos filhos por processo de meiose das
células germinativas
 Então como pode haver indivíduos não aparentados que
são muito semelhantes?
 Proteínas são traduzidas a partir de moléculas de RNA transcritas
de segmentos de DNA.
 As proteínas podem ser codificadas e exercerem funções muito
próximas, mesmo o DNA não tendo a mesma origem (parentesco
ligando os indivíduos).
 Um conceito que representa essa similaridade entre
funções dos alelos é definido como identidade alélica.
 Os alelos podem ser classificados como alelos idênticos
por descendência (ID) e alelos idênticos por estado
(IE).
 Dois alelos são ID se um deles for cópia direta do outro
ou se ambos forem cópias do mesmo alelo de um
ancestral comum.
 Porém se os alelos são bioquimicamente idênticos
(mesma sequência de nucleotídeos) e não estão
associados por descendência, temos a definição de
alelos IE.
Figura 1. Diferença entre alelos idênticos por descendência (ID) e por
estado (IE).
 Conhecida a origem dos alelos, a definição dos critérios
de seleção dependerá dos parâmetros genéticos e dos
recursos disponíveis para avaliação e obtenção das
medidas (tempo e mão de obra, por exemplo).
 Quanto maior o número de características usadas, mais
difícil será encontrar o animal ideal.
 Assim é necessário que o melhorista encontre um
delineador comum entre diminuir a intensidade de
seleção e aumentar os custos para realização da
seleção.
Tipos de seleção mais utilizados em melhoramento
genético animal são:
 Individual ou massal: os melhores animais são
selecionados independentemente de suas famílias ou de
sua linhagem.
 A seleção é realizada com base no valor fenotípico de cada
indivíduo.
 É indicada para características de média a alta herdabilidade e
de fácil mensuração (pode ser realizada na própria fazenda).
Tipos de seleção mais utilizados em melhoramento
genético animal são:
 Seleção pela família: baseia-se nas informações dos
irmãos completos e meios irmãos para estimar o valor
genético do indivíduo em seleção.
 Entre famílias: a família com os melhores animais é
selecionada.
 Dentro de famílias: só os melhores animais da família
são selecionados.
 É indicada para características limitadas ao sexo, à alta e
média herdabilidade ou que o animal precisa ser abatido
para realizar a medição.
Tipos de seleção mais utilizados em melhoramento
genético animal são:
 Seleção pela genealogia: baseia-se nas informações
dos ancestrais para estimar o valor genético do
indivíduo e deve ser indicada para selecionar animais
jovens, cujas características são de alta herdabilidade e
limitadas ao sexo. Deve ser utilizada como método
auxiliar.
 A genealogia deve ser precisa com todas as informações
disponíveis sobre os ancestrais, a fim de aumentar a
acurácia do valor genético do animal sob seleção.
 Seleção pela progênie ou teste de progênie: baseada
nas informações da progênie do animal. Consiste na
comparação da progênie do reprodutor com a de outros
reprodutores.
 É indicada para características de baixa herdabilidade, limitadas
ao sexo e que o animal precisa ser abatido para realizar a
medição.
 Quanto maior o número de filhos usados na avaliação do
reprodutor, maior a acurácia na estimativa do valor genético.
 A eficiência ligada aos acasalamentos ao acaso, à diversidade
ambiental, ao tamanho da progênie avaliada e aos
procedimentos estatísticos que consideram os efeitos não
genéticos.
 Limitações: custo de manutenção e organização; mão de obra
especializada (uso de inseminação artificial); e longo tempo para
conclusão dos testes (ganho genético lento).
Tipos de seleção mais utilizados em melhoramento
genético animal são:
 Seleção em tandem: consiste na seleção de uma
característica, excluindo todas as outras, até que a
primeira atinja o nível de desempenho desejado.
 Posteriormente, outra característica passa a receber a
atenção no processo de seleção.
 A eficiência está ligada às correlações favoráveis
(genéticas e ambientais) entre as características de
interesse.
Respostas à Seleção
 Temos dois tipos: resposta direta e resposta
correlacionada.
 A resposta à seleção é medida através do ganho
genético (ΔG), que é a função do diferencial de seleção
(S, calculado a partir da diferença entre indivíduos
selecionados para pais na próxima geração (ps) e a
média da população (P) e da herdabilidade da
característica (h2).
Respostas à Seleção
 Se assumirmos que a população segue distribuição
normal, a relação entre o diferencial de seleção (S) e o
desvio padrão fenotípico (σp) é denominada de
intensidade de seleção (i).
 Equação:
 A velocidade com que o ganho genético é transmitido
para as próximas gerações é de grande importância, pois
refletirá na lucratividade do sistema de produção, e
constitui o intervalo médio de gerações.
 Esse índice mede a idade média dos pais à época de
nascimento de seus filhos, originando, assim, o ganho
genético anual.
Exercício:
Em uma população de bovinos na raça Nelore, cuja média
de peso ao nascimento é 28 kg e a herdabilidade da
característica peso ao nascimento é de 0,33.
Qual será o Ganho Genético se a média de produção dos
pais da próxima geração for de 30 kg?
Exercício:
Em uma população de bovinos na raça Nelore, cuja média
de peso ao nascimento é 28 kg e a herdabilidade da
característica peso ao nascimento é de 0,33.
Qual será o GanhoGenético se a média de produção dos
pais da próxima geração for de 30 kg?
ΔG= (30-28)*0,33
ΔG= 2*0,33
ΔG= 0,660 kg
 Informações das médias de produções de um mesmo
animal ≠ etapas da sua vida produtiva
 Aumenta a precisão na identificação dos melhores
genótipos da população
 auxiliar no processo de seleção
 Capacidade mais provável de produção (CPP) do
animal.
 Onde:
 R: média do rebanho;
 A: média do animal avaliado;
 n: número de observações (lactações, leitegada, ...)
 r: repetibilidade da carcterística.
 A estimativa do ganho genético de uma característica
de difícil avaliação pode ser realizada por meio da
seleção de uma característica mais fácil de avaliar.
 Seleção indireta: utiliza de dados das correlações
genéticas existentes entre as características.
 Por ex.: se a característica X for selecionada, qual será a
mudança na característica Y?
CRy: resposta correlacionada em y quando se
seleciona X;
 CRy: resposta correlacionada em y quando se seleciona
X;
 i: intensidade de seleção;
 hx: acurácia de x;
 hy: acurácia de y;
 rxy: correlação entre X e Y;
 σFy: desvio padrão fenotípico de y.
Algumas considerações devem ser realizadas:
 A seleção de uma característica ignorando uma segunda
poderá implicar alguma mudança nesta, de acordo com o
grau de correlação genética existente entre elas.
 A correlação entre duas características mede a tendência
de variarem numa mesma direção (correlação
positiva) ou em direção oposta (correlação negativa).
Interpretação do coeficiente de correlação:
0,7 a 1,0: as características sofrerão mudanças na mesma
direção;
0,35 a 0,7: as características mudaram, em certo grau, numa
mesma direção;
–0,35 a 0,35: as características mudaram de forma independente;
–0,7 a –0,35: as características mudaram, em certo grau, em
direção oposta;
–1,0 a –0,7: as características sofrerão mudança em direção
oposta.
Correlação próxima de zero: as características não são
correlacionadas (são independentes).
Exercício:
Suponha que uma cabra produziu, em duas lactações
corrigidas (idade, número de ordenha, período de lactação
de 150 dias etc.), 900 e 825 kg de leite e pertence a um
rebanho com média de lactação 600 kg.
Qual a sua capacidade mais provável de produção?
A repetibilidade da característica é 0,4.
Exercício:
Suponha que uma cabra produziu, em duas lactações corrigidas
(idade, número de ordenha, período de lactação de 150 dias
etc.), 900 e 825 kg de leite e pertence a um rebanho com média
de lactação 600 kg.
Qual a sua capacidade mais provável de produção?
A repetibilidade da característica é 0,4.
CPP= 600 + (2 * 0,4) * (862,5 – 600)
1+(2–1)*0,4
CPP= 600 + 0,57 * 262,5
CPP= 600 + 149,62
CPP= 749, 62 kg
 Capacidade mais provável de transmissão (CPT):
apenas trocar o número de repetições (r) da
característica avaliada na capacidade mais provável de
produção (CPP) pela herdabilidade da característica (h2).
 Onde:
 R: média do rebanho;
 A: média do animal avaliado;
 n: número de observações (lactações, leitegada, ...)
 h2: herdabilidade da carcterística;
 r: herdabilidade da carcterística.
Algumas características que são focos do processo de
seleção:
 Características reprodutivas: idade ao primeiro parto, intervalo de
partos e duração da gestação (fêmeas) e perímetro escrotal
(machos).
 Características de crescimento: peso ao nascer, peso à desmama,
peso ao sobreano, peso adulto.
 Características ligada ao produto: índice de quebra, área de olho de
lombo, espessura da lã, marmoreio e espessura de gordura
subcutânea.
 Características morfológicas ou de tipo avaliadas por escores
visuais: precocidade, musculatura e conformação do frigorífico.
 Outras características: resistência a parasitas, temperamento,
eficiência alimentar e produtividade.
Exercício
Se uma vaca produziu, em três lactações corrigidas para
305 dias, 5.000, 5.200 e 5.600 kg de leite e pertence a um
rebanho de média igual a 5.000 kg e que a herdabilidade e
a repetibilidade sejam, respectivamente, 0,45 e 0,4. Qual
será a sua CPT?
Exercício
Se uma vaca produziu, em três lactações corrigidas para
305 dias, 5.000, 5.200 e 5.600 kg de leite e pertence a um
rebanho de média igual a 5.000 kg e que a herdabilidade e
a repetibilidade sejam, respectivamente, 0,45 e 0,4. Qual
será a sua CPT?
CPP= 5000 + (3 * 0,45) * (5266,67 – 5000)
1+(3–1)*0,4
CPP= 5000 + 0,75 * 266,67
CPP= 5000 + 200,00
CPP= 5200,00 kg
Até a próxima aula