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PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Registro: 2017.0000728437
ACÓRDÃO
Vistos, relatados e discutidos estes autos de Agravo de
Instrumento 2164638-26.2017.8.26.0000, da Comarca de
Santos, em que é agravante MARCO ANTONIO RODRIGUES
REBOLA, é agravado MARENABE DISTRIBUIDORA LTDA.
ACORDAM, em sessão permanente e virtual da 13ª Câmara
de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo,
proferir a seguinte decisão: "Deram provimento ao
recurso. V. U." de conformidade com o voto do Relator,
que integra este acórdão.
O julgamento teve a participação dos Exmos.
Desembargadores HERALDO DE OLIVEIRA (Presidente) e
FRANCISCO GIAQUINTO.
São Paulo, 26 de setembro de 2017.
Ana de Lourdes Coutinho Silva da Fonseca
Relatora
Assinatura Eletrônica
Para conferir o original, acesse o site https://esaj.tjsp.jus.br/pastadigital/sg/abrirConferenciaDocumento.do, informe o processo 2164638-26.2017.8.26.0000 e código 6C6B990.
Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por ANA DE LOURDES COUTINHO SILVA DA FONSECA, liberado nos autos em 26/09/2017 às 14:00 .
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TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Agravo de Instrumento 2164638-26.2017.8.26.0000 2
VOTO Nº: 24765
AGRV.Nº: 2164638-26.2017.8.26.0000
COMARCA: SANTOS
AGTE. : MARCO ANTONIO RODRIGUES REBOLA
AGDO. : MARENABE DISTRIBUIDORA LTDA.
EXECUÇÃO Medidas coercitivas atípicas CPC, artigo
139, IV - Pretensão de reforma da r. decisão que deferiu
pedido de suspensão de carteira de habilitação, de
passaporte e de cartões de créditos do executado
Cabimento Hipótese em que as medidas coercitivas
atípicas pleiteadas com fundamento no artigo 139, inciso
IV do CPC mostram-se desproporcionais como forma de se
buscar a satisfação do valor executado e, em última análise,
ferem direito fundamental, constitucionalmente garantido
RECURSO PROVIDO.
Cuida-se de recurso de agravo de
instrumento interposto contra respeitável decisão que
deferiu pedido de suspensão da Carteira Nacional de
Habilitação, de Passaporte e dos Cartões de Créditos dos
executados. Sustenta o agravante, em apertada
síntese, a impossibilidade de medidas coercitivas
atípicas com a finalidade de dar efetividade ao processo
e garantir o pagamento, se desconexas com a cobrança e
violadoras da sua liberdade de locomoção, da sua livre
iniciativa e da impenhorabilidade de seus bens.
Recurso bem processado, com resposta.
É o relatório.
O recurso comporta provimento.
Com efeito, o artigo 139, permite ao juiz
determinar todas as medidas indutivas, coercitivas,
mandamentais ou sub-rogatórias necessárias para
assegurar o cumprimento de ordem judicial, inclusive nas
ações que tenham por objeto prestação pecuniária”.
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Agravo de Instrumento 2164638-26.2017.8.26.0000 3
É certo que referido dispositivo trouxe
inovação ao ampliar as medidas coercitivas à disposição
do juiz para compelir ao cumprimento de uma ordem
judicial e ao estender a sua aplicação às obrigações de
pagar. Contudo, essa previsão legal, que
consagra a atipicidade das medidas coercitivas e sub-
rogatórias, não ao juiz o poder de determinar toda e
qualquer medida, muito menos aquelas que violem direitos
e garantias fundamentais previstas na Constituição
Federal, como o direito de locomoção (CF, art. 5º, XV).
O artigo do Código de Processo Civil,
invocado pelo juiz de primeiro grau, prevê que: Ao
aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins
sociais e às exigências do bem comum, resguardando e
promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a
proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a
publicidade e a eficiência”.
Assim, a aplicação do artigo 139 deve ser
norteada pelos princípios da razoabilidade e da
proporcionalidade.
No caso em exame, as medidas determinadas
pelo d.magistrado de primeiro grau (suspensão do
passaporte, do direito de dirigir e de uso de cartões de
crédito) são desproporcionais como forma de se buscar a
satisfação do débito e, em última análise, ferem direito
constitucionalmente garantido.
Nesse sentido, precedentes desta Eg. 13ª
Câmara de Direito Privado:
“CUMPRIMENTO DE SENTENÇA - Diligências para
efetivação da penhora e pagamento, por meio
do Infojud e Bacenjud que restaram frustradas
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