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O Protocolo de Observação Comportamental (PROC) - avaliação de linguagem e aspectos cognitivos infantis. O PROC foi organizado no sentido de propor uma situação planejada na qual se possa observar por 30 a 40 minutos e registrar em vídeo, a interação de crianças entre 12 e 48 meses com o examinador, envolvendo brinquedos pré-selecionados. O procedimento permite compreender a evolução típica do desenvolvimento da linguagem, do simbolismo e a relação entre tais aspectos do desenvolvimento, mas principalmente, possibilita configurar os níveis evolutivos e modos de funcionamento cognitivo e comunicativo apresentados por crianças com queixas de atrasos ou distúrbios no desenvolvimento (habilidades comunicativas e cognitivas por meio de observação comportamental) da linguagem, mesmo antes do aparecimento formal da oralidade. Teste de Triagem de Desenvolvimento Denver II – TTDD II - verificação do desenvolvimento maturacional da criança. É um instrumento de detecção precoce de possíveis alterações do desenvolvimento infantil que investiga quatro áreas por meio de 125 itens: motor adaptativo-delicado, motor grosseiro, pessoal-social e linguagem. É um teste padronizado que pode ser usado como referência na observação do desenvolvimento das crianças de 0 a 6 anos. No campo linguagem os itens avaliados abarcam produção de sons, capacidade de reconhecê-los, uso e entendimento da linguagem, de acordo com a idade. Conforme instruções do TTDD II, cada uma das áreas avaliadas é classificada como Normal – quando a criança executa atividade prevista para a idade; Cautela – quando a criança não executa ou recusa-se a realizar atividade que já é feita por 75 a 90% das crianças daquela idade; e Atraso – quando a criança não executa ou recusa--se a realizar atividade que já é executada por mais de 90% dos que têm sua idade. O TTDDII é apontado como um instrumento de alta sensibilidade, sendo este um atributo importante para testes de triagem indicados na avaliação de grande número de crianças. O Teste de Linguagem Infantil – ABFW − é um instrumento sistemático, direcionado à avaliação da linguagem de Vocabulário, Fluência e Pragmática, destinado a crianças de 2 a 12 anos de idade. Os autores de um estudo14 avaliaram 20 crianças nascidas prematuras e com baixo peso ao nascimento, de 5 a 6 anos de idade, e a interação destas com as respectivas mães. Concluíram que os participantes apresentaram desempenho abaixo do esperado para a idade cronológica, principalmente nas provas de vocabulário e pragmática. Nas provas de fluência constatou-se que todas as crianças obtiveram desempenho esperado para a idade. Outro estudo15 utilizou apenas o Protocolo de Avaliação da Fluência de Fala, parte do ABFW26, em 14 crianças com idade entre 2 e 3 anos nascidas prematuras e exame neurológico normal. Como resultado, os autores destacaram que as crianças nascidas prematuras apresentaram redução significante da taxa de velocidade de fala, que pode ser indicativa de um atraso de linguagem relacionado ao vocabulário e à fonologia. As crianças prematuras apresentaram também déficit na fluência relacionado à linguagem, não sugestivo de gagueira do desenvolvimento. Desta forma, as crianças nascidas prematuras apresentaram perfil da fluência significantemente defasado em relação às crianças nascidas a termo. Early Language Milestone Scale (ELM) A Escala ELM - Early Language Milestone Scale é utilizada como instrumento de triagem do desenvolvimento da linguagem. A versão em inglês é proposta por um neuropsiquiatria infantil e a versão em português é proposta por fonoaudiólogos. Foi traduzida como Escala de Aquisições Iniciais de Fala e Linguagem, publicada no Brasil avaliando lactentes normais e lactentes surdos. É uma escala aplicável a crianças de 0 a 36 meses de idade, executada rapidamente, com testagem direta da criança ou com questionamento dirigido aos pais. Compreende as áreas auditiva expressiva, auditiva-receptiva e visual. De acordo com Coplan e Gleason, uma pequena proporção de indivíduos normais, fracassa inevitavelmente a Escala ELM quando administrado pelo método de passa/falha. A Escala ELM apresentou alta sensibilidade e especificidade para a população de alto risco de desenvolvimento em relação a outros testes. A Escala ELM é capaz de detectar alterações de linguagem no primeiro ano de vida. ____________________________________________________________________________________________________________ Habilidades Auditivas A primeira habilidade auditiva que a pessoa surda adquire é a detecção auditiva e, consequentemente, deve ser a primeira habilidade a ser trabalhada onde se deve chamar atenção para a presença e ausência do som. O passo seguinte é trabalhar a discriminação auditiva, onde são apresentadas respostas diferenciais diante de características específicas do estímulo sonoro. Diferenciar dois ou mais estímulos sendo eles: sons instrumentais, sons ambientais, sons de fala, discriminação quanto a sua duração, discriminação quanto à intensidade. Posteriormente ou concomitantemente, trabalha-se o reconhecimento auditivo, onde deverá identificar o som, classificando-o e nomeando o que ouviu, repetindo ou apontando o estímulo. Por fim, a última habilidade a ser trabalhada é a compreensão auditiva, na qual é preciso entender os estímulos sonoros sem repetição. Responder perguntas, seguir instruções e recontar histórias. As habilidades auditivas da criança, assim como a linguagem oral, se aperfeiçoam não somente com a idade e com o desenvolvimento, mas, sobretudo, com a prática auditiva. Ouvir deve ser um ato constante e natural, qualquer atividade do cotidiano pode ser aproveitada para estimulação.