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PRÉ-CLÍNICA: DENTÍSTICA P1 Ewelyn de Freitas Farias 1- PROFESSOR FÁBIO HERMANN AULA 1 Nomenclatura e classificação de cavidades ● Cavidade: natural: cárie, trauma, desgaste. ● Preparo cavitário: cavidade preparada, com brocas, cortes. ● Restauração: restaura a forma do dente, a função e estética dele. Cavidade dentária ● Porção dentária ausente, estrutura removida. ● Etiológica: cárie, desgaste. ● Artificial: preparo cavitário. Preparo cavitário ● Necessário para: ○ Remover tecido cariado, contaminado; ○ Adequar o remanescente dental para uma boa adaptação da restauração; ○ Criar espaço para o material restaurador para não afetar a oclusão. Denominações das cavidades a) De acordo com o número de faces envolvidas ● Simples: afeta 1 face. ● Composta: afeta duas faces. ● Complexa: afeta três faces ou mais. ● Nomenclatura: ○ Oclusal, mesial -> simples; ○ Mesiodistal, mesioclusal -> composta; ○ Mesioclusodistal, mesioclusomesial -> complexa. Componentes das cavidades ● Paredes: nome da face, nome da face para a qual a parede está voltada. ○ Limites internos da cavidade. ● Paredes laterais/circundantes: todas da cavidade, com exceção do assoalho da cavidade, a parede de fundo. ● Paredes circundantes: mesial, vestibular, distal, cervical/gengival, incisal ou oclusal. ● Paredes de fundo: do assoalho da cavidade. ○ Pulpar: perpendicular ao eixo longitudinal do dente, lateral à polpa. ○ Axial: paralela ao eixo longitudinal do dente, lateral à polpa. ● Ângulos: união de paredes. Ângulos ● Tipos: ○ Diedro: união de duas paredes; ○ Triedro: união de três paredes; ○ Cavossuperficial: contorno, margem da cavidade. 1- Diedro: ● 1° grupo: união de duas paredes circundantes. ● 2° grupo: união de uma parede circundante e uma de fundo. ● 3° grupo: união de duas paredes de fundo. ● Recebe o nome das paredes que o formam: ○ Gengivolingual: 1° grupo; ○ Vestíbuloaxial: 2° grupo; ○ Axiopulpar: 3° grupo. 2- Triedro ● Recebem o nome das paredes que o formam. ○ Ex: vestibuloclusolingual. ● Exceções: classe III na proximal dos dentes anteriores, ângulos voltados para a incisal e que são chamados de diedro incisal ou triedro incisal. 3- Cavossuperficial ● Divide a parte interna da externa da cavidade, é a margem, o contorno da cavidade. As cavidades são divididas de acordo com as faces que acometem ● Cada face é chamada de caixa. ● Ex: lesão MOD -> caixa mesial, caixa oclusal, caixa distal. ● Dá precisão à localização da cavidade. A- Classificação de Black ● Classificou em cinco classes as lesões mais prevalentes conforme as suas localizações. 1- Classe I ● Em cicatrículas e fissuras. ● Na oclusal de molares e pré-molares. ● ⅔ oclusais da vestibular de molares inferiores. ● ⅔ oclusais da palatina de molares superiores. ● Palatina de incisivos superiores na região de cíngulo. 2- Classe II ● Nas faces proximais de pré-molares e molares. ● Classe I só para oclusal, se a lesão atingir alguma face proximal também, a lesão será considerada apenas como classe II. 3- Classe III ● Proximal de dentes anteriores, sem atingir o ângulo, restrita a face proximal. 4- Classe IV ● Face proximal de dentes anteriores com remoção do ângulo incisal. ● Comum em trauma. 5- Classe V ● Em vestibular e lingual, palatina de todos os dentes, no terço cervical, em superfície lisa. ● Diferente da classe I, que acomete terço oclusal e em regiões não lisas. Classificação complementar à Black ● Classe I de Sockwell: cavidades em cicatrículas e fissuras, cavidade de ponto na vestibular de dentes anteriores. ● Classe VI de Simon/Simon e Howard: em bordas incisais e pontas de cúspide. ● Essas lesões são as mais incomuns do que as classificadas por Black. B- Classificação de Mount e Hume (1997) ● Classificação para restaurações adesivas. ● Classifica a cavidade de acordo com o local e tamanho: ○ Site: local; ○ Size: tamanho. ● Menos usada que a de Black. Site ● Classe I ○ Em sulcos e fossas oclusais. ○ Em bordas incisais. ○ Em sulco vestibular de molares inferiores, na palatina de molares superiores. ● Classe II ○ Em proximais de anteriores e posteriores. ● Classe III ○ Terço gengival, faces vestibulares e linguais, lesões cervicais. ○ Lesão radicular. Size ● Classe I ○ Abertura mínima, sulco. ● Classe II ○ Abertura média, não perde cúspide. ● Classe III ○ Abertura larga, com comprometimento de cúspide. ● Classe IV ○ Cavidade ampla, maior perda estrutural, perda de cúspide ou incisal. ● Nomenclatura: ○ Cavidade 2.1 - lesão proximal pequena; ○ Cavidade 2.4 - lesão proximal ampla. C- Classificação de Conceição ● Tipo I ○ Na oclusal de molares e pré-molares. ○ Não envolve cúspide. ○ Com envolvimento parcial de cúspide. ● Tipo II ○ Proximal de molares e pré-molares. ○ Sem envolvimento da crista: ■ Vestibulolingual: broca entra por vestibular e sai por palatina ou lingual. ■ Túnel: para preservar a crista marginal, inicia na faceta e preserva a crista marginal. ■ Acesso direto: quando não tem dente proximal, se entra pela lateral. ○ Com envolvimento da crista: ■ Microcavidade: se entra na crista marginal. ■ Composta. ■ Complexa. ● Tipo III ○ Em proximal de dentes anteriores sem acometer o ângulo incisal. ● Tipo IV ○ Em proximais de dentes anteriores com comprometimento do ângulo incisal. ● Tipo V ○ Vestibular e lingual ou palatina de todos os dentes em toda a face, não só na cervical. AULA 2 Princípios de preparo cavitário ● Etapas interrelacionadas para o preparo. ● Temos que respeitar as características do material restaurador. ● Tem a guia de racionalização dos preparos. ● Não removemos só o foco da lesão, mas também a área sombreada da lesão. ● 1° barreira física para chegar na dentina cariada: esmalte. ○ Brocas: corte. ○ Ponta diamantada: desgaste. ● Alta rotação: para tecidos mais duros, pois remove mais facilmente o tecido. ● Baixa rotação: para tecidos menos duros, mais para mais próximo da polpa. ● Alta temperatura no dente: ○ Pode gerar inflamação inflamatória na polpa; ○ Queima a dentina, prejudicando a adesividade com o material restaurador depois. ○ Se usa a refrigeração com água para evitar o aquecimento do dente e efeitos prejudiciais. ● Como a dentina cariada é muito mole, não se usa ponta diamantada, pois não conseguiríamos lixá-la. ○ Melhor a broca, pois tem lâmina e corta, mas sempre com baixa rotação e movimentos intermitentes para evitar o aquecimento do dente. ○ A baixa rotação também não tem a refrigeração, dando um campo seco, tornando a dentina mais fácil de ser removida. ○ Melhor brocas esféricas, pois toca uma maior área de superfície. ● Broca pequena: mais fácil de perfurar a polpa. ● Maior: mais segura, a mais aconselhada e também entra em contato com uma área maior. ○ Broca compatível com a cavidade: a maior que cabe na cavidade. ● O instrumental manual para remover a dentina é o escavador/colher/cureta de dentina. ○ Tem ponta ativa, removendo “lascas” de dentina. ● Se inicia com o escavador para sentir a dentina e depois pode se utilizar a broca. ○ Escavador mais para dentina mais mole, e a broca na dentina infectada, masum pouco mais consistente. ● A dentina desmineralizada fica abaixo da infectada e é mais consistente, podendo ser mantida. Etapas do preparo cavitário 1- Remover o esmalte ● O quanto abrir: o mínimo possível, mas que tenha acesso à dentina cariada. ○ Com alta rotação e broca. 2- Remoção da dentina cariada ● Com escavador de dentina. ● Com baixa rotação e broca esférica. 3- Preparo concluído ● Com cavossuperficial em tecido hígido. ● Dentina resistente, sem ser removida. Características do preparo cavitário ● Dependem de: ○ Material restaurador; ○ Técnica de restauração; ○ Acesso e extensão da lesão; ○ Remanescente dental. ● Amálgama: sua retenção é mecânica, assim as paredes vestibular e lingual devem convergir para oclusal para retê-lo. ● Resina: formato mais arredondado, pois a resina tem adesão. ○ Sem muito formato específico para colocá-la. ● Material indireto: cavidade expulsiva, paredes indiretas para o material sair e entrar da cavidade para os ajustes. Histórico dos preparos 1- Black (1908) ● Estudou e organizou protocolos restauradores. ● Cárie como uma doença rampante, descontrolada, pois não se tinha muito conhecimento sobre a sua etiopatogenia. ● Princípio da extensão preventiva: ○ Remover todas as áreas suscetíveis à cárie. ○ Face oclusal: sulcos, fossas, cicatrículas e fissuras. ○ Extensão proximal subgengival. ○ Preparos amplos no sentido vestibulo-lingual, istmo de ½ a ⅓ da D.I. ○ Ação preventiva, se removia as áreas suscetíveis à cárie e se colocava amálgama para evitar a doença. Hoje não se faz mais restaurações preventivas, mas se previne a doença cárie. ● Teorias que suportam a oposição à técnica de Black: a- Resistência do remanescente - Mondelli (1980) ● Realizou testes de resistência à fratura em dentes com preparos de istmo de ½, ⅓ e ¼. ○ Cavidades: O, MO, MOD, por exemplo. ● Viu que quanto maior o istmo, maior o risco de fratura. Se o preparo comprometer as cristas, reduz mais ainda a resistência. ● Abertura ampla e envolvimento das cristas comprometem a resistência do dente. ● Preparos alternativos - Amquest (1973), Crockett (1975). ○ Afim de se reduzir o uso do amálgama e o tamanho do preparo. 2- Mudança dos princípios restauradores - Buonocore (1955), Bowen (1963) ● Uso de materiais adesivos, unindo a restauração ao dente, preservando mais dente hígido. ● Uso de ácidos, condicionantes. ● Gera um reforço do remanescente dental. ● Compreensão da doença cárie: ○ Conhecimento da etiopatogenia; ○ Crescimento da utilização do flúor; ○ Conhecida como uma doença tratável; ○ Paradigma de promoção de saúde. Princípios gerais do preparo cavitário 1- Forma de contorno ● Define a área de superfície do dente a ser respeitada. ● Margens sinuosas, sem ângulos agudos. ● Deve englobar toda a área da lesão. ● Margens em tecido hígido. ○ O ângulo cavossuperficial para boa adesão deve estar em tecido hígido. ○ Diferente da parede pulpar, quando houver possibilidade de exposição pulpar. Nela, se preserva o tecido que puder e se garante um bom vedamento marginal. ● A forma do contorno depende da extensão do tecido cariado. ● Formas: ponta, linha, shotgun. ● Princípios: não se faz a extensão preventiva, buscando sempre se preservar a maior quantidade de estruturas hígidas. ● Esmalte socavado: oco, sem suporte da dentina, mais friável, mais comprometedor do amálgama. ○ Não deve ser removido, pois está hígido, apenas da suporte à ele com resina e ionômero. ● Técnica para fazer: ○ Uso de alta rotação para romper o esmalte sobre a lesão. ○ Alta rotação sempre refrigerada. ○ Pode ser feita com broca ou ponta diamantada. ○ O ponto de início deve ser o centro da lesão. 2- Forma de resistência ● Forma dada à cavidade para que as estruturas remanescentes e restauração resistem às forças mastigatórias e oclusão. ● Exemplo: ○ Maior preservação de dente. ○ Ângulos internos arredondados: para dissipar as forças mastigatórias e da oclusão. ○ Não se deve deixar esmalte socavado: sem suporte dentina. 3- Forma de retenção ● Forma e estratégia dada à cavidade para fazer com que a cavidade retenha a restauração e evite seu deslocamento. ○ Forma, adesividade e o material apropriado interferem na forma de retenção. ● Depende de: ○ Material restaurador; ○ Remanescente dental; ○ Uso de adesivos. ● Tipos: ○ Cavidade autorretentiva: amálgama. ○ Retenção adicional: canaleta, caixa, desgaste adicional. ■ Amálgama. ○ Pinos intradentinários: quase em desuso. ■ Os de vidro são mais usados em dentes tratados endodonticamente. ○ Adesividade: com adesivos. 4- Forma de conveniência ● Etapa que permite o preparo da cavidade e a realização da restauração, o acesso para o preparo e restaurar. ● Ex: ○ Isolamento absoluto; ○ Grampos retratores; ○ Elásticos de afastamento: forma mediata. 5- Remoção de tecido cariado: ● Visa remover todo o tecido cariado que permaneça após as fases prévias do preparo. ● Exceções: a- Cárie muito incipiente: o contorno já libera o tecido cariado. b- Se a lesão for muito grande e estiver aberta: se remove primeiro a dentina cariada e depois se faz o contorno do esmalte. ● Identificação de dentina cariada, lesão ativa: ○ Amarelada, marrom claro; ○ Aspecto úmido; ○ Consistência amolecida, não resistente. ● Lesão inativa: ○ Escura, castanho, preta. ○ Aspecto mais seco. ○ Consistência coriácea (de couro). ■ Pequena resiliência, sem ser totalmente dura, apenas algumas são duras como a dentina normal. ● Técnica para ver a lesão de cárie: ○ Campo seco, bem iluminado. ○ Sentir a dentina com sonda ou escavador. ○ Critério: dureza, consistência. ● Para remover tecido cariado: ○ Campo seco; ○ Broca esférica e baixa rotação; ○ Broca de tamanho compatível com a lesão; ○ Colher de dentina como manual. ● Remoção da dentina tem como objetivos: ○ Remover a dentina cariada e infectada; ○ Diminuir a contaminação da cavidade; ○ Proteger a polpa; ○ Condições favoráveis para o material restaurador atuar bem. ● Remoção total x remoção parcial de dentina: ○ Deve-se remover toda a dentina desorganizada e infectada, exceto quando houver risco de exposição pulpar na parede de fundo. ■ Mais em pacientes mais jovens. ■ Pode se colocar hidróxido de cálcio para proteger a polpa. ■ Deixar a dentina reacional/terciária/esclerótica. 6- Acabamento das paredes de esmalte ● Remover irregularidades e prismas de esmalte socavado junto ao cavossuperficial. ● Melhora o vedamento marginal. ● Pode ser feito com cinzel, recortador, broca, ponta diamantada. 7- Limpeza da cavidade ● Remoção dos detritos do preparo. ● Amálgama: se mantém a smear layer/lama dentinária, pois ela ajuda a vedar a cavidade. ● No caso das resinas, deve-se remover a lama dentinária. ● Lama dentinária: é uma camada fina que fica aderida à dentina, com partículas orgânicas, inorgânicas, óleo das peças, sangue. Ela não é removida com substâncias neutras, mas sim com ácidos. É uma sujeira microscópica. ● Tipos de lama dentinária: ○ Smear on: aquela fora dos túbulos dentinários. ○ Smear in: dentro fora dos túbulosdentinários. ● Cimento ionômero de vidro: necessário remover a smear on. ● Limpeza para materiais não adesivos: água de cal, clorexidina 2%, água oxigenada 3%. ● Limpeza para materiais adesivos: ácidos desmineralizantes, ácido poliacrílico a 25% (remove a smear on), monômeros ácidos (se integra à lama), ácido fosfórico 30% a 40% (tira toda a lama). ● Sempre tentar preservar a ponte de esmalte. ● Cunha e matriz protegendo o dente vizinho na remoção com a alta rotação. 2- PROFESSOR LUCAS AULA - 3 Preparos cavitários para classes I e II para amálgama ● O amálgama é composto por: prata, mercúrio, estanho. ● A fase gama-2 é prejudicial para a resistência do material, por isso, se adiciona cobre e zinco, afim de reduzir a fase gama 2 e aumentar a resistência. ● A forma do preparo cavitário que dá a adesão, retendo o amálgama de forma mecânica. Classe I 1- Localização: ○ Molares e pré-molares: ⅔ oclusais, em cicatrículas e fissuras. ○ Antigamente, em região de cíngulo de dentes anteriores era comum ver a utilização de amálgama. ○ Aquelas lesões oclusais linguais ou palatinas, mas não nas proximais. 2- Instrumentos para preparo: ● Pontas diamantadas tronco cônicas invertidas. ○ Base menor que o topo, formando uma cavidade retentiva. ● Condensadores, brunidores, esculpidores. ● Pontas multilaminadas para o acabamento. ● Pontas de borracha para amálgama para polimento. ○ Abrasividade crescente das cores das borrachas: azul < verde < marrom. 3- Forma de preparo ● Paredes vestibular e lingual convergentes para oclusal, pois isso o uso do instrumento cônico invertido. ● Evitar o comprometimento das paredes circundantes, deve se evitar o alargamento das paredes, apenas seguir o sulco principal. ● As paredes proximais não participam da retentividade, por risco de fratura devido à disposição de seus prismas de esmalte, não se faz elas convergentes. ● Vestibular e lingual devem convergir para oclusal, as proximais devem divergir entre si para oclusal. ● Parede de fundo deve ser plana, paralela à oclusal, não pode ter irregularidades. ● Todas as paredes devem ser lisas, aumentando a resistência para o suporte do amálgama e proteção do dente. 4- Etapas do preparo a- Abertura e contorno: ● Seguindo o sulco principal com o instrumento tronco cônico invertido. b- Resistência ao preparo: ● Ajuste das margens, tornando-as convergentes para a retenção. c- Remoção do tecido cariado: ● Broca com baixa rotação ou escavador de dentina. d- Limpeza da cavidade: ● Importante para a retenção. ● A prata do amálgama é Ag+ e a hidroxiapatita de cálcio do dente tem Ca+ por isso se usa o flúor ou o adesivo para impedir a repulsão de cargas opostas entre dente e o amálgama. ○ O adesivo não é para colar o amálgama ao dente, apenas para diminuir as forças de repulsão das cargas iguais das superfícies. ● O ácido cria microporosidades no esmalte para que o adesivo entre, formando os tags. ● Dentina não deve ser condicionada por mais de 15 segundos para que seu colágeno não colabore, pois isso também se aplica primer. ● Adesivo aplicado ativamente para penetrar, forma a camada híbrida com a restauração. 5- Etapas para o preparo do amálgama a- Condensação ● Comparar o amálgama com condensadores na cavidade. ● Começar com o instrumento na vertical e quando chegar no ângulo cavossuperficial, realizar a condensação com movimentos laterais. b- Pré-brunimento ● Remover o excesso de amálgama, dar a estrutura inicial. c- Escultura ● Se faz as vertentes da estrutura, esculpimento final. d- Brunimento final ● Acabamento para dar mais brilho e diminuir o mercúrio. ● O acabamento é após 24 horas, com as pontas diamantadas e brocas. Classe II ● Cavidade que acomete a proximal de pré-molares e molares. ● Evitar inclinar o instrumento, pois pode deixar as paredes não convergentes para oclusal. Inclinar um pouco apenas nas paredes proximais, deixando-as divergentes. ● Tem a parede cervical/gengival da proximal acometida, sem rebaixar a parede pulpar até a cervical. Entre a cervical e a pulpar tem a parede axial. ● Caixa de aprofundamento nas proximais. ● Usar matriz metálica e cunha para proteger o dente vizinho. ● A cervical deve ser plana. ● A axial deve ser inclinada para oclusal, convergindo para suportar as forças mastigatórias e oclusais. ● Base da cavidade maior que o topo deve ser a forma do preparo cavitário. ● Função da cunha e matriz: evitar que o extravasamento do material. ● Condensação: se adiciona material até nivelar a altura da proximal até a pulpar e depois até o cavossuperficial para a condensação. Slot horizontal ● Mesmo conceito, mas mais conservador, pendendo-se menos tecido hígido. ● Caixa feita abaixo do ponto de contato dos dentes, preservando a crista marginal. ● O instrumento entra horizontalmente. Slot vertical ● Lesão no ponto de contato, ocorrendo o comprometimento da crista marginal, mas sem acometer o sulco principal. ● A retenção do amálgama é mecânica, com preparo retentivo. AULA 4 - RESTAURAÇÃO DE AMÁLGAMA Prof. Thaís Vantagens ● Maior resistência ao desgaste, semelhante ao esmalte. ○ Não desgasta o dente antagonista. ○ Não desgasta tanto quanto a resina. ● Expandiu seu uso no século XIX com Black, sendo o material restaurador mais utilizado até 1960. ● Baixo custo; sendo prático e rápido. ● Indicações: ○ Classes I e II; ○ Cavidades de média extensão; ○ Quando há pouco comprometimento estético; ● Não pode ser utilizado nas classes IV, pois a cavidade não é retentiva. ● Limitações: pelo menos 1,5 mm de espessura para ter boa resistência à fratura; ausência de adesão ao dente; retirada de mais dente hígido para fazer a sua cavidade retentiva; uso de mercúrio é tóxico. ● Quanto mais próximo do esmalte, mais acinzentado deixa o dente. ● O mercúrio orgânico é o mais tóxico, sendo mais absorvido. Na odontologia, utilizamos o mercúrio metálico, que é menos tóxico. ○ Mais perigoso quando inalamos ele. ○ Uso crônico e manipulação contínua podem causar cansaço, depressão, perda de memória. Cuidados ● Usar máscara, evitar derramamento, limpar bem antes da esterilização para não contaminar outros materiais, jaleco de manga longa. ● Um instrumento sujo pode penetrar a mucosa e gerar uma tatuagem por amálgama. ○ Gerando uma lesão macular, lesão iatrogênica, aparecendo nas radiografias devido à constituição metálica do amálgama. Protocolo clínico 1- Verificação dos contatos oclusais ● Verificar as marcações no dente antagonista e deixar a restauração menor do que a marcação, ou maior. O que não pode é deixar ocluir na junção dente-amálgama, pois o amálgama é friável. ● Limpar bem e ver os contatos. 2- Anestesia 3- Isolamento absoluto ● Não é imprescindível, é preferível. ● Materiais: fio dental, tiras de lixa metálica (para amálgama), tira de poliéster (resina); caneta de marcador, lençol de borracha, arcode Young, perfurador de Ainsworth, lubrificante à base de água, grampos, pinça de Palmer, sugador, tesoura reta. ● Preparo da boca: profilaxia, passar o fio dental entre os dentes, se houver algo, usar a lixa. ● Sempre o arco voltado para a frente, a marca fica para fora. ● Se isola o 2° dente depois daquele que se quer trabalhar até o canino do lado oposto. Grampo Usos Características 200 a 205 Molares Grampos com asa 206 a 209 Pré-molares Grampos com asa 210 e 211 Dentes anteriores Grampos com asa 2012 R Para retração gengival Para o lado direito 212 L Para retração gengival Para lado esquerdo ● Marcação do lençol: marcar os quatro quadrantes. ○ Sobre a incisal ou oclusal de cada dente, se estica um pouco o lençol e se marca um ponto bem no centro dessas faces para ser perfurado. 4- Retirada da dentina cariada 5- Preparo cavitário Proteção pulpar ● Utiliza-se verniz, hidróxido de cálcio, CIV, amálgama com camada híbrida, amálgama adesivo (com camada adesiva). ● Quanto maior o tempo de agitação, menor o tempo de presa. ● Consistência granulosa: aumentar o tempo de agitação. ● A condensação é para compactar bem o amálgama, reduzindo a porosidade e o excesso de mercúrio, preenchendo com excesso para adaptação do ângulo cavossuperficial. ● Usa-se matriz e cunha para classe II. ● Com condensador menor, depois o maior. AULA 5 - SISTEMAS ADESIVOS Adesão aos tecidos dentários ● No início a adesão era restrita ao esmalte. ● Buonocore, 1955: estudos sobre a adesão. ● As resinas não tem uma característica pré-estabelecida para preparos cavitários, preservando mais dente hígido. ● Fusayama, 1980: condicionamento da dentina. Materiais e interações ● Adesão química: por forças de valências primárias e secundárias. ● Adesão mecânica: aprisionamento físico do material na cavidade. Ângulo de contato ● Interfere na capacidade de molhamento/escoamento. ● Maior ângulo: líquido mais viscoso, menor molhamento. ● Melhor escoamento: ○ Sólido que permite o escoamento; ○ Líquido que escoe bem. ● Sólido tem sua energia livre de superfície. ○ Maior energia livre de superfície: melhor escoamento. ○ Sempre favorece a união de dois pontos. ● Líquido: tensão superficial. ○ Reduz seu molhamento. ○ Menor tensão superficial = maior molhamento. Adesão ao esmalte 1- Condicionamento ácido: ● Faz desmineralização parcial; ● Maior energia livre de superfície; ● Torna o esmalte mais “rugoso”, com microporosidades, aumentando a capacidade de molhamento, reduzindo o ângulo de contato; ● Feito com ácido fosfórico 37%; ● Por 30 segundos. 2- Adesivo. 3- Fotopolimerização. 4- Adesivo. ● Bem consolidado a sua boa adesão. Adesão à dentina ● Material mais orgânico que o esmalte. ○ 20% água; 30% colágeno e 50% mineral. ● Tem túbulos com tecido nervoso. ● Ainda há desafios para a consagração da adesão em dentina. ● A dentina varia sua formatação conforme a altura. ○ Dentina mais profunda: maior quantidade de túbulos, mais permeável; ○ Dentina mais superficial: menos túbulos, menos permeável, menos dentina peritubular. Lama dentinária ● Camada superficial de restos do preparo, sobre a dentina, varia de 1 a 5 wm, tem uma fraca união à dentina, sendo uma barreira para a penetração do sistema adesivo. ● Ácidos condicionantes são usados para remover essa lama dentinária. ● O ácido, na dentina, remove proteínas, sobrando água e colágeno. 1- Condicionamento ácido: ● Remove a lama dentinária e os smear plugs. ● Dissolve parcialmente a dentina peri e intertubular. ● Exposição de fibras colágenas. ● Menor a sua energia livre de superfície. 2- Primer: ● Monômeros dissolvidos com solvente. ● Aumenta a energia livre de superfície. ● Tem uma parte hidrofílica e outra hidrófoba. Fatores relacionados e material para a sua aplicação ● Controle da umidade: a presença de umidade é importante para auxiliar na infiltração nos agentes resinosos desmineralizados. A água sustenta as fibras colágenas, tendo o primer hidrofílico. ● Secar a dentina colaba as fibras colágenas. ● A dentina não pode ser seca, já o esmalte deve estar bem seco. ● O primer substitui a água pelo adesivo quando é autocondicionante. ● Nunca contaminar o processo adesivo. ○ Usar sempre isolamento absoluto. ● A água é essencial para a infiltração dos agentes resinosos na zona desmineralizada. 3- Adesivo/resina fluida: ● Levado ao interior dos túbulos com a ajuda do primer e após, polimerização para a formação de TAGS de resina. ● Após o primer, secá-lo bem. ● Camada híbrida: condicionamento ácido -> desmineralização parcial -> aplicação de adesivo para infiltrar no que foi desmineralizado. ○ Ácido resistente. ○ Formado por: tags resinosos + dentina desmineralizada. ● O tag resinoso não significa uma melhor adesão, o que interfere é a sua relação com as fibras colágenas. ● Problema: o adesivo penetra todo o tecido desmineralizado, deixando o colágeno e água expostos, que podem degradar e gerar falhas. ○ Sistema adesivo autocondicionante: o que ele vai condicionando, já vai colocando o primer, tendo menor área sem adesivo. ○ O primer ácido não remove a lama dentinária, apenas a envolve, participando da adesão. 1- Condicionamento ácido total/de 3 passos ● Ácidos fosfórico a 37%. ● Primer. ● Adesivo. ● Não ultrapassar 15 segundos na dentina. ● Começar pelo esmalte, quando der 15 segundos, iniciar a dentina. ● Lavar pelo menos pelo tempo de condicionamento. 2- Secar ● Secar bem o esmalte e deixar a dentina úmida. 3- Primer ● Aplicação ativa por 30 segundos, fazendo o primer penetrar o que foi desmineralizado. 4- Adesivo ● Não precisa ser aplicado ativamente. ● Deixar uma espessura menor, aumentando a resistência, pois aumentar a espessura o torna mais sensível à fratura dele mesmo. ● Evitar jato de ar no adesivo evitando espalhar e incorporar cor. Fotoativar ● Por aproximadamente 40 segundos. ● Mais próximo do material restaurador. ● Importante para a longevidade. Sistemas adesivos totais de 2 passos ● Ácido + primer com adesivo. ● Mais barato que o de três passos. ● Condicionar, passar uma camada ativa, mais uma camada não ativa. ● A simplificação reduz o tempo clínico e a sensibilidade técnica. ● Aplica-se o ácido com o primer, não se lava, e seca bem. ● Autocondicionantes podem ser usados em cavidades mais profundas, pois desmineraliza menos para perto da polpa. ● Resistência de união imediata não relacionada à longevidade. AULA 6 - RESINA COMPOSTA Tensões ● Tração: tensão de alongamento/esticar. ● Compressão: tensão de encurtar/comprimir. ● Cisalhamento: mover o corpo por sua superfície, fricção. ● Dentes posteriores sofrem principalmente com forças de compressão. ● Dentes anteriores sofrem principalmente com forças de cisalhamento. Deformação ● Elástica: reversível, o material volta ao seu estado inicial. ● Plástica: irreversível, o material não volta ao seu estado inicial. Forças mecânicas de carregamento ● Estático: carga aumentada lentamente. ● Dinâmica: carga aumentada rapidamente. ● Repetidamente: força colocada diversas vezes, fadiga. Módulo de elasticidade/Rigidez ● É a rigidez do material. ● Omaterial que absorve mais tensão se deforma mais, é o polímero. ○ Quanto mais absorve tensão e se deforma, menos tensão chega no dente. ● Módulo de elasticidade (E)=tensão/deformação. ○ A deformação é inversamente proporcional ao módulo de elasticidade. ● Alto módulo de elasticidade significa que o material é mais rígido. Limite de proporcionalidade ● Proporção entre tensão e deformação. ● Após ele, ocorre a deformação plástica. Polímeros ● Formados por diferentes componentes. ● Produção na produção térmica de radicais livres pela fotoiniciação para ocorrer a polimerização. ● Formado por hidrocarbonetos principalmente. ● Ligação insaturada: quando o átomo não se liga ao número máximo de elétrons que suporta. ● Estrutura insaturada é mais fácil de se ligar. ● Estrutura: ○ Linear: mais flexível. ○ Reticulada: mais rígida. ● Tipos de polimerização: poliadição. Poliadição ● Monômeros com ligações insaturadas se unem a partir de iniciadores. 1- Início/indução ● Gera radicais livres. ● Gera energia externa. ● Exemplo de iniciadores: ○ Peróxido de benzoíla. ○ Canforoquinona. ● Por calor e químico. ● O peróxido de benzoíla se divide na ligação O-O, gerando dois grupos de átomos com radicais livres (têm elétrons sem par). ○ Rompe ligações duplas ou triplas, sobrando um radical livre. ● A canforoquinona consegue reagir com a luz do fotopolimerizador e romper ligações insaturadas, liberando radicais livres para a polimerização. ● Propagação: crescimento linear da cadeia, união dos monômeros. ○ Rápido. ● Término: estrutura mais rígida. ● Quanto maior a quantidade de monômero, maior a contração. Resina composta em dentes posteriores Técnica ● Direta: restauração sobre o dente, feita em uma só sessão. ● Indireta: se faz a moldagem e se envia para o laboratório, depois cimenta a peça. ● Semidireta: preparo para receber a restauração, moldagem, vazamento, confecção da peça no consultório e cimentação, em uma só sessão. Classificação das cavidades devido a localização em dentes posteriores 1-Tipo I: ● Sem envolvimento de cúspide ou com envolvimento parcial. 2- Tipo II: ● Sem envolvimento da crista marginal: ○ Acesso direto ○ Por vestibular lingual. ○ Cavidade tipo túnel (preserva a crista). ● Com envolvimento da crista marginal: ○ Slot vertical: ■ Composta ■ MO, DO. ○ Complexa: envolve mais de três faces. ■ Atinge cúspide, MOD. 3- Tipo V. Indicação para restaurações diretas ● Cárie na oclusal, cárie na proximal, cárie nas proximal e oclusal, cáries em superfícies livres. ● Vantagens: ○ Preparo conservador, acesso à lesão. ○ Estética melhor. ○ Reforço da estrutura dental remanescente. ○ Facilidade de preparo. ○ Menos custo quando comparada às restaurações indiretas. ■ Sem gasto do laboratório. ■ Em uma só sessão. ● Limitações: ○ Sensibilidade técnica. ○ Polimento. ○ Dificuldade de fazer o isolamento absoluto ○ Extensão da área. ○ Pode ocorrer manchamento superficial. ● Diagnóstico: ○ Localização e extensão. ○ Expectativa do paciente quanto à estética e a longevidade. ○ Hábitos nocivos químicos e físicos. ○ Oclusão. ○ Pode manchar superficialmente. Seleção de materiais e técnica Localização da cavidade Extensão Técnica Resina Oclusal Sem comprometer cúspide Direta Microhíbrida/nanoparticu lada/nanohíbrida Oclusal Com comprometimento de cúspide Direta Microhíbrida/nanoparticu lada/nanohíbrida Proximal/Tipo II Sem comprometer cúspide Direta Microhíbrida/nanoparticu lada/nanohíbrida Proximal/Tipo II Com comprometimento de cúspide Direta Microhíbrida/nanoparticu lada/nanohíbrida Envolvendo cúspide, MOD, VL Composta Direta Microhíbrida/nanoparticu lada/nanohíbrida Envolvendo cúspide, Complexa Direta/Indireta Microhíbrida/nanoparticu MOD, VL lada/nanohíbrida ● Se a lesão for muito profunda, em que a cunha empurre a matriz para o dente, pode se fazer a técnica indireta. ● As microparticuladas podem ser utilizadas nas lesões VL, pois têm uma menor resistência ao desgaste, mas são mais estéticas. ● Deve-se manter a maior quantidade de dente hígido possível. ○ Pode manter o esmalte socavado. ○ Tirar apenas o necessário para o acesso ao canal e a sua visualização. Proteção do complexo dentina-polpa ● Hibridização: adesivo, reforço para formar um corpo. ● Cavidades profundas: cimento de ionômero de vidro pode ser utilizada no interior. Protocolo clínico para cavidades tipo I 1- Anestesia; 2- Seleção da cor; 3- Verificar os contatos oclusais; 4- Preparo do dente; 5- Isolamento; 6- Limpeza da cavidade; 7- Adesivo; 8- Inserção da resina composta; 9- Ajuste oclusal; 10- Acabamento e polimento. Seleção da cor ● Dentes: policromáticos. ● Resina: monocromática. ● Estratificação natural: ○ Dentina é mais opaca, maior croma. ○ Esmalte mais translúcido. ● Matiz: cor. ● Croma: saturação da cor, quantidade de pigmento. ● Valor/luminosidade: reflexão de luz. ○ Maior valor: branco. ○ Menor valor: preto. ● Seleção mais simples do que nos dentes anteriores. ● Antes do isolamento, pois depois o dente fica mais branco e opaco após a secagem. Verificação dos contatos oclusais ● Máxima intercuspidação, posição mais posterior da mandíbula, lateralidade, protrusão, relação cêntrica. ● Tirar os pontos de contato com o dente antagonista na interface resina-adesivo. ● Ângulos internos arredondados. ● Formato mais ovóide. ● Brocas usadas: 245 e 330. ● Com baixa rotação, curetas para remover o tecido cariado. ● Pontas diamantadas: para a remoção da restauração. Abertura ● Abertura menor no esmalte do que na dentina, devido à forma de propagação da cárie. ● Dentina mais externa: infectada. ● Dentina mais interna: contaminada. ○ Remover as duas se não houver risco de exposição pulpar, se houver o risco, remover apenas a dentina infectada. ● Preparo sem bisel, sem desgastar as faces do cavossuperficial. evitando camadas muito finas de resina. ○ Pode ser feito em dentes anteriores. Inserção da resina composta ● Técnica: estratificação natural, minimizar a contração por polimerização. ● Fase pré-gel: contração compensada pela capacidade de deformação -> período intermediário da polimerização. ● No término, qualquer contração pode gerar fraturas. ○ Menor absorção das forças, aumentando a transmissão das forças para o dente. Fatores que podem afetar a interface adesiva ● Estresse de contração de polimerização. ● Técnica incremental diminui o estresse de polimerização. ● Fator C = superfícies da resina aderidas ao dente/superfícies da resina não aderidas ao dente. ● Maior fator C : maior estresse de polimerização. ○ Resina aderida a mais paredes. Inserção classe I ● Estratificação natural. ● Quanto mais profundo na cavidade, maior o tempo de fotopolimerização. ● Evitar a união de cúspides. ● Incrementos até 2 mm. Ajuste oclusal ● Após a inserção, fazer o ajuste para ter o mesmo padrão oclusal inicial. AULA 7 - RESINAS ● Compósito: mistura de diferentes componentes. ○ Matriz orgânica: Bis-GMA, relacionada à contração de polimerização do material. ○ Matriz inorgânica: carga, não atua na contração de polimerização. ○ Modificadores de cor: pigmentos inorgânicos (óxidos metálicos) para darcor e opacidade ao material. ○ Sistema iniciador/ativador: os dimetacrilatos polimerizam por reação de adição. ■ Resinas quimicamente ativadas. ■ Resinas fotoativadas. ● Maior viscosidade do material: maior quantidade de carga que pode ser incorporada, melhorando a resistência, diminuindo a solubilidade e diminuindo a contração. A contração de polimerização depende ● Do peso molecular dos monômeros: maior peso gera uma menor contração, devido a menor quantidade de ligações que fazem. ● Reatividade do monômero: quanto mais reativo, mas ligações vai fazer, aumentando a contração. ● Inibidores: ○ Aumenta a vida útil da resina; ○ Exemplo: hidroquinona. ○ Diminui a polimerização da resina em luz ambiente. ● Quanto maior a viscosidade: ○ Maior quantidade de carga; ○ Pior acabamento e lisura superficial; ○ Mais opaca é o material. Carga ● Deixa as restaurações mais opacas, permitindo ver recidiva e adaptação. Silano/agente de união ● Liga a matriz à carga. ● Dá maior resistência ao desgaste, evitando a exposição de matriz sem carga. ● Aumenta as tensões de contração de polimerização. ● Passível de hidrólise. Tipos de resinas de acordo com o tamanho das partículas de carga ● Microparticulada: ○ Estética; ○ Boa lisura e brilho; ○ Não indicada para dentes posteriores, face palatina de dentes anteriores; ○ Menor resistência mecânica. ● Nanohíbrida: ○ Mais utilizadas; ○ Possuem boas propriedades mecânicas e de lisura; ○ Pode ser utilizada para dentes posteriores e anteriores. ● Nanoparticuladas. Resina Bulkfill ● Pode se utilizar incrementos maiores do que 2 mm. ● Possui maior controle da tensão superficial de polimento. ○ Tem moduladores de polimerização. ● Tem fotoiniciadores específicos, facilitando a chegada de luz na parte mais profunda do incremento maior. ○ Ou que ela seja mais translúcida para chegar luz do fotopolimerizador até a parte mais profunda. a- Bulk fill flow: ● Base para resina convencional, menor quantidade de carga, mais translúcida. ● Boa base para restaurações classe I e II. Radiopacidade ● Facilita a visualização radiográfica da resina. ○ Podemos ver desadaptações, recidivas de cárie. ● As resinas microparticuladas têm uma maior passagem de luz. ● As microhíbridas tem partículas maiores, diminuindo a passagem de luz. ● Pigmentos brancos são usados para deixar a dentina mais opaca. Protocolo clínico para restaurações classe II com resinas compostas 1- Anestesia 2- Escolher a cor 3- Verificação dos contatos oclusais 4- Pré-encunhamento e preparo do dente 5- Isolamento do campo 6- Limpar a cavidade 7- Colocar a matriz 8- Sistema adesivo 9- Inserção da resina composta 10- Ajuste oclusal 11- Acabamento 12- Polimento ● Pré-encunhamento: ○ Protege o dente vizinho. ○ Dá o ponto de contato. ● Deve se usar o recortador de margem para deixar a parede lisa e retirar os prismas de esmalte que poderiam gerar fendas com a resina composta. ● Pode se usar resina para fazer a parede proximal. ○ Fazemos com uma espessura pequena, ocorrendo uma menor contração. Materiais para o preparo de contorno ● Pré-encunhamento. ● Contact pro. ● Matriz metálica parcial + anel metálico + cunha. Encunhamento ● Vértice da cunha sempre voltada para o ponto de contato. ● Inserir de lingual para vestibular. ○ Exceto entre o primeiro e o segundo molar inferior, em que podemos inserir de vestibular para palatina. Contact pro ● Sempre empurrar contra a matriz. Após inserir a resina ● Ver os contatos oclusais. ● Fazer o acabamento e o polimento. Amelogen plus/ultradent ● Há 8 cores para dentina, 3 para esmalte, mais três de efeito e 1 opaca. 2350 XT/3M Espe ● Há 4 tipos de resinas: ○ Dentina; ○ Corpo; ○ Esmalte; ○ Translúcido. ● Dentina é usada em menor quantidade, mais em terço apical, já a resina de corpo é a mais usada, a de esmalte recobre e a translúcida faz a parte da borda incisal e sua opalescência. AULA 8 - RESTAURAÇÕES EM DENTES ANTERIORES ● Maior exigência do que a restauração em dentes posteriores. ● Resina composta é a de escolha, pois restabelece: ○ Forma; ○ Função; ○ Estética; ○ Resistência; ○ Preservação do dente hígido. ● Utiliza sistema adesivo. Classe III ● Acomete proximal de dentes anteriores, sem acometer o ângulo incisal. ● Etiologia: cárie -> lesão proximal -> envolvimento de dentina. ● Diagnóstico: ○ Exame clínico; ○ Radiografia; ○ Fio dental nas faces proximais; ○ Transiluminador; ○ Afastamento dental. 1- Acesso direto/afastamento dental ● Preservação de estrutura dental sadia. ● Mantém os contatos oclusais. ● Mantém o esmalte vestibular. 2- Acesso por palatina ● Preserva a face vestibular. ● Sem resina na área estética. ● Método mais utilizado. 3- Acesso por vestibular ● Última opção. ● Em lesões envolvendo a face vestibular. ● Substrato de resistência deficiente. ● Apinhamento dental. Protocolo clínico para restaurações em classe III 1- Anestesia 2- Profilaxia 3- Marcação dos contatos oclusais ● Com o papel articulado e pinça de Miller. ● Evitar a oclusal na interface resina-adesivo. 4- Seleção de cores ● Matriz: cor base. ● Croma: saturação. ● Valor: luminosidade. ○ Inversamente proporcional ao croma. ● Escala VITA: Classificação Matiz Croma Valor Prevalência A Marrom/bege 1-4 1 é mais clara que a 4 60-80% B Amarela 1-4 1 é mais clara que a 4 20% C Cinza 1-4 1 é mais clara que a 4 5% D Avermelhado/li lás 1-4 1 é mais clara que a 4 5% ● O croma 1: maior valor e menor croma. ● Croma 4: menor valor e maior croma. ● Translucidez/opacidade: ○ O que o material transmite de luz. ○ Varia conforme o grau de dispersão da luz. ○ Materiais mais opacos para dentina. ○ Intermediário: de corpo. ○ Esmalte: mais translúcido. ● No bordo incisal há opalescência. ○ Reflexão e refração seletiva do esmalte. ○ Ondas menores (azul): são refletidas. ○ Ondas maiores (laranja): são absorvidas. ○ Possível fazer opalescência com a dentina de efeito, pois é bem translúcida. ● Cores especiais: ○ Resina de efeito: ■ Amarela (y); ■ Azul (b); ■ Clear, neutra. ○ Resina de valor: ■ Maior valor: mais branca. ■ Menor valor: mais acinzentada. ● Fluorescência: absorção de energia UV seguida da emissão em um comprimento de onda maior (branco -> azulado). ● Técnica para selecionar a cor: ○ Selecionar a matiz: comparando com a cervical do dente, onde há um maior croma. ○ Testar a variação do croma nos diferentes terços e partes dentários. ○ Definir o valor adequado. ○ Avaliar a translucidez incisal. ○ Sempre sem isolamento, com o dente hidratado e com luz natural. ○ Mapa cromático: distribuição das cores no dente. 5- Seleção do tipo de resina ● Para a palatina não se usa resina microparticulada, mas microhíbrida, nanohíbrida, nanoparticulada, pois têm maior resistência. 6- Isolamento absoluto 7- Afastamento dental 8- Proteger o dente vizinho. 9- Preparo cavitário. ● Acesso/forma de contorno. ○ Com pontas diamantadas de 1011 a 1014, com alta rotação. ○ Abertura pelas faces proximais. ● Remoção do tecido cariado. ○ Com brocas esféricas em baixa rotação. ○ Com escavadores de dentina. ○ Preservar o esmalte vestibular. 10- Confecção de bisel ● Apenas quando necessário. 11- Acabamento das paredes de esmalte da cavidade 12- Proteção pulpar ● Quandonecessário, em cavidades mais profundas. 13- Matriz de poliéster mais cunha 14- Aplicação do sistema adesivo 15- Fotopolimerização 16- Inserção da resina ● Com espátula especiais. ● Pincel de ponta chata. ● Incrementos pequenos. ● Fotoativação. ● Até selar o cavossuperficial. 17- Remover a cunha 18- Remover a matriz 19- Acabamento ● Com pontas diamantadas 3195 F (para face vestibular), 3118F (para palatina). ● Lâmina de bisturi n° 12 para retirar excessos. ● Tira de lixa em S. ● Discos de lixa, pontas de borracha. ○ Taça, disco: para face vestibular. ○ Chama: para face palatina. 20- Tirar o isolamento 21- Ajuste oclusal 22- Checar as faces proximais com o fio dental 23- Verificar a textura superficial ● Na face vestibular. ● Com brocas multilaminadas para simular a superfície dentária. 24- Polimento ● Com discos e pontas abrasivos. ● Com pasta para polimento. ● Usando discos de feltro. 25- Polimento final ● Opcional. ● Após 24 horas, no mínimo. ● Hidratar o dente e restauração para verificar a cor. ● Ver ajustes necessários. 26- Avaliar o resultado final ● Cor; ● Forma; ● Textura; ● Adaptação.