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Materiais Poliméricos III 21/05/15 Prof. Cláudia Fontoura PROPRIEDADES ELÉTRICAS A ideia de associar propriedades elétricas aos polímeros surgiu por volta dos anos 50, através da incorporação de cargas condutoras, como negro de fumo, fibras metálicas ou de carbono. Esses foram chamados de polímeros condutores “extrínsecos”, pois a carga condutora é adicionada. O primeiro polímero condutor, os quais conduzem a corrente elétrica sem a incorporação de cargas condutoras, foi preparado acidentalmente em 1976 no laboratório de Hideki Shirakawa no instituto de tecnologia de Tóquio. Na tentativa de sintetizar um poliacetileno, que é um pó preto, um estudante produziu um filme prateado semelhante a uma folha de alumínio. Revendo a metodologia, ele verificou que havia utilizado uma quantidade de catalisador 1000 vezes maior do que a necessária. HISTÓRICO Na década de 80, os pesquisadores da BASF AG, Naarmann e Theophilou conseguiram incrementar ainda mais a condutividade do acetileno, através de um novo catalisador e orientando o filme por estiramento. Após a dopagem, eles conseguiram uma condutividade de 106 S cm-1, semelhante à do cobre na temperatura ambiente. A descoberta do poliacetileno condutor mostrou que um polímero orgânico pode ser um bom condutor de eletricidade. Em 2000, os pesquisadores Alan J. Heeger, Alan G. MacDiarmid e Hideki Shirakawa dividiram o premio Nobel de química pela descoberta e desenvolvimentos de polímeros condutores. HISTÓRICO A maioria das propriedades elétricas destes isolantes é função da temperatura, fato extremamente importante em sistemas elétricos que devem operar em altas temperaturas. As principais características elétricas de materiais poliméricos são: a) Rigidez dielétrica; b) Resistividade volumétrica; c) Constante dielétrica; d) Fator de potência. PROPRIEDADES ELÉTRICAS DOS POLÍMEROS Indica o grau em que o material é isolante, é medida pela tensão elétrica que o material pode suportar antes de perder as propriedades de isolante. A falha é observada em função da excessiva passagem de corrente elétrica, ocorrendo reações químicas, que acarretam na formação de gases, degradando o material sólido e destruindo o isolamento elétrico. Rigidez Dielétrica Resistividade Volumétrica É a resistência de materiais isolantes à passagem da corrente elétrica entre as faces de uma unidade cúbica (volumétrica) para um determinado material em uma dada temperatura, os polímeros de forma geral oferecem alta resistência, semelhante a algumas cerâmicas. Constante Dielétrica É uma característica relacionada à energia eletrostática que o material pode armazenar. Os polímeros possuem baixas constantes dielétricas, geralmente bem menores que o vidro e cerâmicas. A constante dielétrica, k (ou εr) do material compara a capacidade de armazenamento de cargas do material com aquela do vácuo entre as placas de mesma geometria sob a ação de um campo elétrico aplicado de mesma intensidade e indica quantas vezes a capacidade do sistema foi aumentada com a introdução do dielétrico entre as placas do capacitor. Constante Dielétrica Constante Dielétrica Fator de Potência É uma medida relativa da perda dielétrica do material, quando o sistema age como isolante, e é comumente usada como medida de qualidade do isolante. Está relacionada à rigidez dielétrica a altas temperaturas. Resistência ao arco Propriedades dos materiais isolantes Propriedades Elétricas do ABS O ABS possui boas propriedades dielétricas (isolação elétrica) e estas, praticamente, não são afetadas pela temperatura e umidade, sendo também relativamente constantes em uma ampla faixa de frequências. Propriedades Elétricas da Poliamida (Náilon) As propriedades dielétricas no náilon são boas dentro dos domínios de baixas e médias frequências e tensões. Entretanto, estas propriedades são bastante influenciadas pela variação da umidade relativa, como mostram as figuras. Propriedades Elétricas da Poliamida (Náilon) Propriedades Elétricas da Poliamida (Náilon) Propriedades Elétricas da Poliamida (Náilon) R ig id e z d ie lé tr ic a UR (%) Propriedades Elétricas da Poliamida (Náilon) As propriedades dielétricas do PC são praticamente constantes em intervalos de temperatura e frequência mais amplos que os da maioria dos polímeros. À baixas frequências e dentro de intervalos normais de temperatura de trabalho (20-100 °C) o fator de potência do PC é baixo para um polímero polar (0,0009). À medida que se aumenta a frequência, aumenta também a perda dielétrica e o fator de potência alcança seu valor máximo de 0,012 à frequência de 107 Hz. Figura a seguir... Propriedades Elétricas do Policarbonato Propriedades Elétricas do Policarbonato A constante dielétrica independe da temperatura dentro de intervalos normais de trabalho. Até 106 Hz esta propriedade é, também, pouco afetada pela frequência e, acima deste patamar, como é de se esperar dos materiais polares, a constante dielétrica começa a cair. Propriedades Elétricas do Policarbonato Propriedades Elétricas do Policarbonato Na tabela pode-se verificar as principais propriedades elétricas dos tipos comerciais de PC. Como sua absorção de água é muito baixa, suas características de isolamento elétrico são pouco afetadas pela umidade. Propriedades Elétricas do Poliéster (PET e PBT) Os poliésteres termoplásticos apresentam excelentes propriedades dielétricas. Comparados aos outros termoplásticos, eles possuem maior rigidez dielétrica, constante dielétrica consistente e baixo fator de dissipação. Estas propriedades se mantêm constantes sob ampla faixa de temperatura, mesmo em condições de umidade variáveis. Propriedades Elétricas do Poliéster (PET e PBT) As figuras mostram a constante dielétrica e o fator de perda em função da temperatura. O fator de perda ou dissipação é importante, pois indica a quantidade de energia elétrica convertida em calor quando o material é exposto a um campo elétrico alternado. Propriedades Elétricas do Poliéster (PET e PBT) Propriedades Elétricas do Poliéster (PET e PBT) Propriedades Elétricas do Polióxido de Metileno (POM) As propriedades dielétricas da resinas acetálicas podem ser consideradas boas. Sua constante dielétrica varia pouco em uma ampla faixa de frequência (102 a 106 Hz) e sua rigidez dielétrica é bem alta. Propriedades elétricas do POM Propriedades Elétricas da Blenda PC/PBT As blendas PC/Poliéster caracterizam-se como sendo isolantes elétricos moderados, por possuírem uma resistividade volumétrica relativamente baixa, uma constante dielétrica alta e um fator de potência que pode variar em função das condições de ensaio. Essas blendas são polímeros polares com dipolos unidos diretamente à cadeia principal sendo que, o movimento destes dipolos depende da capacidade de movimento dos segmentos da cadeia. Assim, o efeito da polarização dipolar é menos acentuado abaixo da Tg. Por esta razão são isolantes e alta frequência à temperatura ambiente de que superiores à Tg. Propriedades Elétricas da Blenda PC/PBT Propriedades Elétricas da Blenda PPE (PPO)/PS Algumas literaturas mencionam as propriedades dielétricas do PPO modificado, como sendo uma de suas principais características. Por ser um material ligeiramentepolar com elevada Tg e baixíssima absorção de água, as propriedades dielétricas do PPO modificado, praticamente não são afetados pela variação de temperatura, frequência e umidade, dentro dos intervalos normais de trabalho. Propriedades Elétricas da Blenda PPE (PPO)/PS Propriedades Elétricas da Blenda PPE (PPO)/PS Propriedades Elétricas da Blenda PPE (PPO)/PS Propriedades Elétricas da Blenda PPE (PPO)/PS POLÍMEROS CONDUTORES Os polímeros condutores são formados por cadeias contendo duplas ligações C=C conjugadas, permitindo o fluxo de elétrons em condições específicas. Os orbitais π podem, facilmente, receber (redução) ou doar elétrons (oxidação) formando um íon. Esses agentes de carga que efetuam a redução ou a oxidação do polímero, tornando-o, de isolante para condutor são chamados de dopantes, em analogia à dopagem em semicondutores. Estes processos resultam em cargas deslocalizadas ao longo da cadeia polimérica e são neutralizadas através da entrada e saída de cátions ou ânions. A oxidação/redução da cadeia polimérica é efetuada por agentes de transferência de carga (aceptores/doadores de elétrons), convertendo o polímero de isolante em condutor ou semicondutor. Esses agentes são chamados de “dopantes” em analogia com a dopagem dos semicondutores, porém são adicionados em quantidades muito superiores, pois a massa do dopante pode chegar a até 50% da massa total do composto. POLÍMEROS CONDUTORES POLÍMEROS CONDUTORES A condutividade elétrica dos polímeros foi primeiramente explicada com base no “modelo de bandas”, semelhante aos semicondutores inorgânicos. Num cristal, como em um polímero, a interação da cela unitária com todos os seus vizinhos leva à formação de bandas eletrônicas. Os níveis eletrônicos ocupados de mais alta energia constituem a banda de valência (BV) e os níveis eletrônicos vazios de mais baixa energia, a banda de condução (BC). Estes estão separados por uma faixa de energia proibida chamada de bandgap (também chamada de “hiato”), cuja largura determina as propriedades elétricas intrínsecas do material. POLÍMEROS CONDUTORES POLÍMEROS CONDUTORES Aplicações Polímeros Condutores