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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO-UEMA NÚCLEO DE TECNOLOGIA PARA EDUCAÇÃO-UEMAnet CURSO DE LICENCIATURA EM GEOGRAFIA GEOMORFOLOGIA KARINA SUZANA FEITOSA PINHEIRO LEILA MARIA FEITOSA PINHEIRO APRESENTAÇÃO Caro (a) estudante, Na elaboração deste e-Book da disciplina Geomorfologia, tivemos o cuidado de fornecer noções dos principais conteúdos que são aplicados na Geomorfologia, e que servirão para suprir as necessidades de estudos nesta área de conhecimento. A Geomorfologia é uma ciência que estuda as formas de relevo, sendo essas formas, representações da superfície com diferentes configurações de paisagens morfológicas e dinâmicas da topografia atual. Os conteúdos da disciplina, neste e-Book, foram organizados em quatro Unidades, dos principais assuntos abordados na Geomorfologia iniciaremos na primeira Unidade, com conceitos e classificação da Geomorfologia, dando destaque aos principais pesquisadores na área, com observações, características, conceitos, divisões e, a importância desses estudos como meta na formação acadêmica. Na segunda Unidade, abordaremos os métodos e técnicas da Geomorfologia, sua importância e, a definição do problema como objeto da pesquisa; na terceira Unidade, são apresentadas as teorias geomorfológicas, que nos mostra a definição e classificação de cada cientista e, por último, a quarta Unidade apresenta as unidades estruturais e esculturais da Terra. Os conteúdos da disciplina, aqui abordados, irão contribuir na sua formação como novo profissional ligado as ciências da Terra e no aprofundamento das questões em Geomorfologia. As autoras. UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO, CONCEITOS E DIVISÃO DA GEOMORFOLOGIA Objetivos Compreender a descrição explicativa e um inventário detalhado das formas; Analisar os processos que operam na superfície terrestre. 1 INTRODUÇÃO Sabemos que Geomorfologia é a ciências que estuda as formas de relevo, onde a análise das formas e dos processos fornece conhecimentos sobre os aspectos e a dinâmica da topografia atual, sob as diversas condições climáticas, possibilitando compreender as formas esculpidas pelas forças destruídas pela natureza. O relevo sempre foi notado pelo homem no conjunto de componentes da natureza pela sua beleza, imponência e forma. Também, é antiga a convivência do homem com o relevo, no sentido de lhe conferir grande importância em muitas situações do seu dia a dia como estabelecer melhores caminhos a locomoção, localizar seus cultivos, criar seus rebanhos ou definir os limites dos seus domínios. Com isso, o conhecimento humano na direção da Geomorfologia não ficou apenas em procurar conhecer os tipos de relevo e os processos a eles relacionados. Por isso, procuramos ir sempre mais além, buscando respostas para muitas questões que podem explicar como os processos se articulam entre si, como evoluem os grandes conjuntos de relevo, qual o significado deles no meio ambiente e como controlar ou interferir o funcionamento dos processos geomorfológicos. Iremos estudar nesta Unidade, o conceito de Geomorfologia, a sua história e a divisão para entendermos melhor este ramo da Geografia. 1.1 Histórico Segundo Christofoletti, o século XIX foi a etapa marcante em que foram definidos, de modo mais sistemático, os campos do conhecimento científico que acrescentaram as ciências modernas. Por isso, na Geomorfologia não foi diferente, pois conhecimento já existentes, apenas reportaram conceitos e visões do conjunto das paisagens morfológicas. Vamos passear nos séculos para entendermos melhor o surgimento da Geomorfologia nos tempos de hoje, observe o Quadro 1: Quadro 1 – Surgimento da Geomorfologia e seus autores Ideia Séc. Autor / Período Importância Leonardo da Vinci (1452- 1519) XVI Bernard Palissy (1510- 1590) Compreendeu o antagonismo entre as ações internas, que criam o relevo, e as ações externas, que tentam destrui-lo: o antagonismo entre o escoamento e a vegetação, expressando claramente a ideia de plantar árvores a fim de amenizar a erosão XVIII L.G. du Buat Escreveu Principes d’hydraulique (1779) XVIII Jean Baptiste de Lamarck (1744-1829), Targioni- Tozetti (1712-1784), Desmarest (1725-1815), Benédict de Sausurre (1740- 1799), entre outros Observações numerosas e mais importantes que as dos séculos anteriores. XV Observou que cada vale foi escavado pelo seu rio, além de observar que os cursos fluviais carregavam materiais de uma parte da Terra e os depositavam em outra. Séc. Autor / Período Importância XVIII James Hutton (1726-1797) Reconhecido como o 1º grande fluvialista e como um dos fundadores da moderna Geomorfologia. Observou que as ações na superfície da Terra reduziriam o relevo e permitiriam arrasamento das montanhas, chamando a teoria de "Actualismo" – "o presente é a chave do passado" XIX John Playfair (1748-1819) Elucidou através da obra Illustrations of the Huttonian theory of the Earth (1802) as idéias de seu amigo Hutton. Das observações mais importantes destaca- se: "cada rio consiste em um tronco principal, alimentado por um certo número de tributários, sendo que cada um deles corre em um vale proporcional ao seu tamanho. XIX Abraham Gottlob Werner (1749-1817) Postulava a existência de um oceano universal que teria contido em solução todos os princípios minerais de formação da crosta terrestre (todos os tipos de rochas inclusive as vulcânicas). Séc. Autor / Período Importância XIX Charles Lyell (1797-1875) Entendeu a importância das ideias de Hutton e foi seu grande divulgador. Publicou os Principes of Geology , popularizando o princípio do atualismo, realizando ataque inclemente às correntes catastróficas e fornecendo detalhes dos processos erosivos e denudacionais. XIX Jean Louis Agassis (1807- 1873) Reconheceu a evidência de uma idade glacial durante a qual as geleiras cobriram grande parte da Europa Setentrional. XIX Andrew C Ramsay (1814- 1891) Verificaram a importância da abrasão marinha (Na Grã-Bretanha e China, respectivamente) XIX Alexandre Surrel, George Greenwood, James Dwight Dana e Jukes. Graças as suas contribuições, a corrente fluvialista começou a se impor de modo definitivo. XIX Peschel Em 1869 tentou reunir os princípios do desenvolvimento das formas de relevo de modo sistemático. XIX Ferdinand Von Richtoffen Publicou Fürer fur Forchungsreisende em 1886, sendo mais feliz em sua obra que Peschel. 3/4 do Séc. XIX G de la Noe e E. de Margerie Escreveram em 1888 les formes du terrain . ll bl 89 h l d d b fl h Fonte: Christofolletti 1980 1.2 Os diversos conceitos de Geomorfologia Podemos entender por conceito ou como objeto de estudo as formas de relevo, pois através deles constituímos o estudo da Geomorfologia, que pode ser compreendida e explicada por suas concepções teóricas e caráter prático que fazem com que a Geomorfologia possa ser vista como uma ciência autônoma. Então através de alguns estudiosos podemos conceituar a Geomorfologia como sendo: Geomorfologia significa, etimologicamente, “o estudo da forma da Terra” (geo-terra; morfo – forma; logos – estudo). “(JATOBÁ ; LINS, 1995, p.11). Geomorfologia é a ciênciaque se ocupa das formas da Terra. (MARGARIDA PENTEADO,1974, p.49). Geomorfologia, ciência que estuda as formas de relevo, tendo em vista a origem, estrutura, natureza das rochas, o clima da região e as diferentes forças endógenas e exógenas. (GUERRA, 2001, p.109). “Geomorfologia é uma ciência que tem por objetivo analisar as formas do relevo, buscando compreender as relações processuais pretéritas e atuais”. (CASSETI,2001, p.12). Séc. Autor / Período Importância 3/4 do séc. XIX John Wesley Powell (1834- 1902), Grove Karl Gilbert (1843-1918) e Clarence E. Dutton (1841-1912) Através de suas ideias, conseguiram isolar a Geomorfologia do âmbito Geológico, no qual sempre estivera integrada. XIX James Powell Publicou em 1875 o relatório Exploration of the Colorado River of the West and its tributaries. Foi o precursor da idéia que mais tarde seria denominada por Davis de "Peneplanície" ou nível de base para a erosão. XIX W. M. Davis Definiu: "Ciclo de erosão" e a "erosão normal". É considerado o fundador da Geomorfologia como disciplina especializada. XX Pierre Birot e Jean Tricart Elaboraram trabalhos sob a perspectiva estrutural. XX William Thornbury Escreveu "Regional Geomorphology of the United States (1965), um estudo detalhado da morfoestrutura dos Estados Unidos. XX Ab'Saber (BRASIL - 1960) Propôs a divisão do relevo brasileiro em seis Domínios Morfoclimáticos, colocando em plano secundário o significado estrutural na gênese das formas de relevo. Podemos então entender que independente das questões de autonomia e de origem, a Geomorfologia constitui campo de trabalho científico, que, como as demais ciências, vai exigir, através daqueles que a estudam e atuam, uma preparação adequada para dominar seu conteúdo e utilizá-lo no amplo horizonte e suas aplicações. 1.2 Divisão da Geomorfologia A Geomorfologia pode ser dividida de maneira fácil de entendermos e assim, alcançarmos o conhecimento pleno do que são e representam, uma ou todas as formas de relevo e assim identificando em diferentes escalas espaciais e temporais e explicar como elas evoluem. Figura 1 – Fluxograma da divisão da Geomorfologia Fonte: Elaborada pelas Autoras (2019). Já alguns autores dividem a Geomorfologia de outra maneira, mas destacando também a importância do relevo que pode ser inferido pela atenção que é dada ao seu estudo na elaboração de planos e projetos que necessitam, cada vez mais, explicitar os possíveis impactos ambientais que serão decorrentes de sua implantação. Geomorfologia Geral (Geomorfologia estrutural, climática e litorânea) Geomorfologia Aplicada Geomorfologia Regional Geomorfologia Ambiental Geomorfologia Continental (modelado terrestre) Geomorfologia Submarina (modelado submarino) Figura 2 – Fluxograma de conceitos de outros cientistas sobre Geomorfologia Fonte: elaborada pelas Autoras (2019). 1.4 Objetivo da Geomorfologia Se formos analisar sob o ponto de vista do desenvolvimento das pesquisas, podemos então dizer que o objetivo da Geomorfologia é de fato Estático, pois tem o objetivo de fornecer descrição explicativa e um inventário detalhado das formas, ou seja, uma Geomorfologia Descritiva, através da anatomia das paisagens, pois através da descrição deve fornecer um inventário completo da geometria das formas e da rede de drenagem. Ou dinâmico que analisa os processos que operam na superfície terrestre, através da Geomorfologia Evolutiva através da fisiologia de paisagem demonstrar atividades endógenas e exógenas. Passarge Morfografia Estudo descritivo das formas Morfologia geológica Procura explicar as formas, baseando-se no estudo geológico Morfologia fisiológica Considera as formas de relevo como uma resultante da atuação dos agentes erosivos F. Machatschek Morfologia fisiológica Coloca em evidência os processos exógenos Morfologia genética Explica a história e o desenvolvimento das paisagens morfológicas em conexão com a estrutura geológica Morfologia climática Investiga as relações entre a gênese das formas e as condições climáticas P. Fourmarier Morfologia estrutural Intervenção das forças edificadoras Morfologia escultural Intervenção das forças de destruição, modeladoras 1.5 Relação da Geomorfologia com outras ciências Muitos pesquisadores reafirmam a natureza interdisciplinar da Geomorfologia, todavia poucos são estudos que dão conta dessa interdisciplinaridade. Mas sabemos através da Geografia na sua divisão que através da Geologia, a Geomorfologia pode ser dividida em Geomorfologia Geográfica e Geomorfologia Geológica. Os dados aqui submetidos à análise fornecem claros indícios das conexões epistemológicas entre a Geomorfologia e outras ciências, em especial a Geografia, e evidenciam a contribuição de todas as regiões do globo para a produção do conhecimento geomorfológico, pois caracteriza as formas de uma paisagem, procurando encontrar, em outras áreas, a mesma identidade de formas assinaladas e formas os processos de formação das rochas. Segundo Willian Morris Davis(2000), o geólogo examina o presente para compreender e explicar o passado. O Geomorfólogo só estuda o passado naquilo que possa explicar o presente. Figura 3 – Divisão da Geomorfologia Fonte: elaborada pelas Autoras (2019). Analisando a relação da Geomorfologia com as outras ciências no contexto da forma, descrição, gênese e evolução, onde o clima impõe esses processos, descreve que cada parte das outras ciências tem uma relação característica com a Geomorfologia e seus processos, buscando um equilíbrio dinâmico e apresentando um resultado contínuo. GEOLOGIA GEOGRAFIA GEOMORFOLOGIA GEOMORFOLOGIA GEOGRÁFICA GEOMORFOLOGIA GEOLÓGICA Figura 4 – Processo da Geomorfologia Fonte: elaborada pelas Autoras (2019). 1.6 Geomorfologia e análise ambiental A geomorfologia acompanha aplicações que estão sendo trilhados nos mais expressivos cantos do ambiente, valorizando o estudo da ação de cada processo tem desencadeado melhorias na qualidade de vida e na tentativa de preservação da riqueza que a natureza produz e tem nos deixado. Segundo Guerra e Guerra (2003), a aplicação dos conhecimentos geomorfológicos ao planejamento e ao manejo ambiental, inclui levantamento dos recursos naturais, a análise do terreno, a avaliação das formas de relevo, a determinação das propriedades químicas e físicas dos materiais, o movimento dos processos geomorfológicos, as análises laboratoriais, o diagnóstico ambiental e a elaboração dos mapas de riscos. Tem sido amplamente demonstrado em situações que envolvem enchentes, deslizamentos, erosão dos solos pela água e pelo vento, erosão costeira e deposição, bem como, o intemperismo das rochas utilizados como material de construção civil. E aplicado ao turismo, à exploração de recursos minerais, ao aproveitamento dos recursos hídricos, a produção de energia hidrelétrica, ao saneamento básico, as unidades de Geologia Hidrologia Hidrogeologia Pedologia Vegetação Influência do relevo na formação dos solos Características Morfoclimáticas Influências Padrões e controle da drenagem Evolução geológica e características morfoestruturais Declividade- impedimentos à mecanização. Condições de recarga, escoamento e descarga das águas subterrâneas Balanço morfogênese-pedogênese- riscos de erosão Práticas conservacionistas Influência do relevo na cobertura vegetal conservação, estudo de áreas costeiras, EIA’s – RIMA’s, diagnóstico de áreas degradadas, estudos de movimentos de massa, erosão dos solos, às linhas de transmissão de energia elétrica etc. A análise ambiental viabiliza-se por trabalho interdisciplinar, não existindo uma disciplina que possa ser rotulada como aquela que será sempre a mais importante. A Geomorfologia vem sendo utilizada, cada vez mais, no Planejamento, na medida em que procura compreender as relações entre a ocupação humana, a terra e a água. 1.7 Geomorfologia Urbana Procura compreender a relação existente entre a combinação dos fatores do meio físico (chuvas, solos, encostas, rede de drenagem, cobertura vegetal etc.) e os impactos pela ocupação humana, que induzem e/ou causam a detonação e aceleração dos processos geomorfológicos, muitas vezes assumindo um caráter catastrófico (GOUDIE; VILES, 1997). 1.8 Geomorfologia Rural As atividades praticadas no meio rural (agricultura e pecuária) podem ser as responsáveis diretas por transformações no relevo de uma determinada área, causando não só danos as encostas e planícies, mas também, a partir do transporte dos sedimentos, mudanças na qualidade de água dos rios, lagos e reservatórios, tornando- os mais rasos, podendo chegar, inclusive, ao assoreamento total desses corpos líquidos, etc. Devemos ficar atentos as modificações impostas pela agricultura e as modificações impostas pela pecuária, pois elas necessitam de grande extensão de áreas. 1.9 Geomorfologia Fluvial A Geomorfologia Fluvial abrange o estudo de bacias hidrográficas e estudos dos cursos das águas através das principais características das bacias hidrográficas e dos processos fluviais e as formas resultantes do escoamento das águas. Figura 5 – Estudo das Bacias Hidrográficas Fonte: ttps://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/bacia-hidrografica.htm Através deste estudo da bacia precisamos de alguns elementos que fazem parte da bacia, pois por meio destes poderemos entender melhor o comportamento da Geomorfologia Fluvial. Observe: • Afluente: curso d’água, cujo volume ou descarga contribui para aumentar outro no qual desemboca; • Tributário: o mesmo que rio afluente; • Confluência ou junção: local em que um rio se lança em outro; • Curso: canal de escoamento que se estende desde a nascente até a foz; • Leito: trecho recoberto pelas águas ao se escoarem, sendo sua largura variável, conforme a quantidade de água existente no canal fluvial. Podendo ser leito menor, leito maior e leito de vazante; • Canal fluvial: local por onde escoam as águas fluviais. Os canais apresentam-se em diferentes formas na superfície, podendo ser classificados em: meandrante, anastomosado e reto; • Débito, descarga, vazão: quantidade de água que um rio escoa em um ponto qualquer de seu curso. O débito é medido em metros cúbicos por segundo (m3/s); • Desembocadura ou desaguadouro: ponto em que o rio se lança no mar; Divisor d’água Rio Principal Afluentes Exutório da bacia • Interflúvio, divisor de água ou linha de crista: linha separadora das águas pluviais; • Margens ou várzeas: partes laterais que demarcam o leito fluvial; • Nascente ou cabeceiras: Área onde existem os olhos d’água que dão origem a um curso fluvial; • Rede hidrográfica: conjunto do rio principal e de todos os afluentes e subafluentes; • Talvegue: ponto mais baixo de um vale; • Vale: parte que se estende de um interflúvio a outro, abrangendo o talvegue, o leito, as margens e as vertentes; • Vertentes: laterais dos vales fluviais, desde a margem até o interflúvio. Contudo, o rio é uma corrente continua de água. Mais ou menos caudalosa, deságua no mar ou lago. Geológica e geomorfologicamente, rio é qualquer fluxo canalizado e, por vezes, é empregado para referir-se aos canais destituídos de água. Os rios constituem os agentes mais importantes no transporte dos materiais intemperados das áreas mais altas para as áreas mais baixas. São os maiores agentes geológicos a operar na superfície da crosta. Figura 6 – Imagens de rios e riacho Fonte: https://escola.britannica.com.br/artigo/igarap%C3%A9/483295;http://jom.com.br/viver-bem/estudantes-ajudam-despoluir-o-riacho-paraiso.html, NUGEO,2010 Fig. A Fig. C Fig. B Dentro da fisiografia fluvial podemos citar tipos de leito, tipos de canais que pode se subdividir em canais retilíneos, anastomasados e meandrastes. Tipos de leito: Leito de normal ou vazante - É a parte do canal ocupada durante o escoamento das águas de vazante (baixas), acompanham o talvegue;(Fig. A) Leito menor – está encaixado entre as margens, geralmente bem definidas, onde o escoamento das águas tem frequência suficiente para impedir o crescimento de vegetação ( Fig. B) Leito maior - é regularmente ocupado pelas cheias pelo menos uma vez por ano, já possibilita a fixação e o crescimento de vegetação (Fig. C) Leito maior excepcional - Por onde ocorrem as cheias mais elevadas, enchentes ( nem todas as vezes)(fig. B) Figura 7 – Tipos de leito de um rio Fontehttps://slideplayer.com.br/slide/10224893/ Tipos de canal: Retos ou retilíneos – Aquele em que o rio percorre um trajeto retilíneo, sem desvios significativos em sua trajetória. Sua presença exige a existência de um embasamento rochoso homogêneo que ofereça igualdade de resistência à atuação das águas; Anastomasados – São formados em condição especial, apresentando grande volume de carga sedimentar que, conjugado com as flutuações das descargas, ocasionam múltiplos canais que se subdividem e se reencontram, separados por ilhas assimétricas e barras arenosas. Se estabelece pela existência de disponibilidade da carga do leito, da variabilidade do regime fluvial e existência de contraste topográfico acentuado; Meandrantes ( Meandros) – São aqueles em que os rios descrevem curvas sinuosas, largas, harmoniosas e semelhantes entre si. As condições essenciais para seu desenvolvimento são: as camadas sedimentares de granulação móvel, coerentes, firmes e não soltas; gradientes moderadamente baixos; fluxos contínuos e regulares; cargas em suspensão e de fundo em quantidades mais ou menos equivalentes; Ramificados – Surge quando existe um braço de rio que volta ao leito principal, formando uma ilha. Saiba mais! Os tipos de bacias hidrográficas estão relacionados ao escoamento global (saída de água da bacia), sendo estes classificados como: Exorreicas: as águas das bacias hidrográficas deságuam diretamente no mar. Endorreicas: as águas das bacias hidrográficas deságuam nos lagos, nas areias do deserto, ou se perdem nas depressões cársticas. Arreicas: não há nenhuma estruturação de bacia hidrográfica, como nas áreas desérticas. Criptorreicas: quando as bacias são subterrâneas, como nas áreas cársticas. 1.10 Tipos de Drenagens de uma Bacia Hidrográfica A drenagem fluvial é constituída por um conjunto de cais de canais de escoamento interligados e essa área drenada chamamos de rede de drenagem e essa rede de drenagem não só depende do total e do regime das participações como também da infiltração e da evapotranspiração. Dentrítica Caracteriza-se por ramificações irregulares de cursos de água em todas as direções, com os afluentes formando ângulos variados com o curso principal; sugere a presença de rochas sedimentares. Fonte:https://slideplayer.com.br/slide/293923/ Treliça Caracteriza-se pela presença de tributários principais conspicuamente (notadamente) alongados e retos e aproximadamente paralelos entre si e ao curso principal, sendo que os tributários secundários entram nos tributários principais com ângulo reto. Sugere materiais de resistências diferentes aflorando paralelamente entre si ou estruturas paralelas. Fonte: https://slideplayer.com.br/slide/293923/ Retangular Caracteriza-se pela presença de ângulos retos tanto no curso principal como nos tributários. A principal diferença para o padrão treliça é o não perfeito paralelismo entre os cursos de água, sendo estes, ainda, menos alongados. Esse padrão é diretamente condicionado pelas diáclases e falhas que se cruzam em ângulos retos. Fonte: https://slideplayer.com.br/slide/293923/ Radial Caracteriza-se pelo fato dos cursos de água irradiarem-se a partir de uma área central e nem todos divergem necessariamente entre si, podendo até haver união de rios ou mais rios quando, em função de irregularidades do declive inicial, eles correm obliquamente, um em direção ao outro. Sugere regiões com domos estruturais ou vulcões. Fonte: https://slideplayer.com.br/slide/293923/ Anular Caracteriza-se por uma série de cursos de água que correm mais ou menos paralelos entre si em uma extensão relativamente grande. São típicas de áreas dômicas. Fonte: https://slideplayer.com.br/slide/293923/ Paralelas Caracteriza-se por uma série de cursos de água que correm mais ou menos paralelos entre si em uma extensão relativamente grande. Sugere a existência de declives unidirecionais. Fonte: https://slideplayer.com.br/slide/293923/ Pinado Representa uma modificação do padrão dendrítico. Os maiores cursos são de origem consequente e são controlados pelo declive topográfico regional. Fonte: https://slideplayer.com.br/slide/293923/ Angular Representa uma modificação do padrão retangular e sugere a presença de sistemas de falhas e diáclases com ângulos não retos. Fonte: https://slideplayer.com.br/slide/293923/ Retangular Dentrítico Sugere áreas com rochas homogêneas cortadas por sistemas de fraturas intercruzadas com malhas relativamente grandes. O padrão dendrítico é implantado nos corpos de rochas isolados pelas fraturas enquanto o padrão retangular instala-se nos planos de menor resistência. Fonte: https://slideplayer.com.br/slide/293923/ Centrípeta Representa uma variação do padrão radial e é característico de áreas com declives internos de crateras e caldeiras e onde cristas topográficas bordejam, circularmente, depressões, como no caso de domos brechados e bacias estruturais. Fonte: https://slideplayer.com.br/slide/293923/ Resumo Vimos nesta unidade conceitos, o objetivo e divisão da geomorfologia, significados de palavras que iremos usar muito no decorrer da nossa disciplina. Campo de atuação, divisão da geomorfologia, observamos e estudamos também que através dos conhecimentos geomorfológicos ao planejamento e ao manejo ambiental. Inclui levantamento dos recursos naturais, a análise do terreno, a avaliação das formas de relevo, a determinação das propriedades químicas e físicas dos materiais, o movimento dos processos geomorfológicos, as análises laboratoriais, o diagnóstico ambiental e a elaboração dos mapas de riscos, esses estudo tem sido amplamente demonstrado em situações que envolvem enchentes, deslizamentos, erosão dos solos pela água e pelo vento, erosão costeira e deposição, bem como o intemperismo das rochas utilizados como material de construção civil. Na próxima Unidade, iremos estudar as técnicas que são empregadas no estudo da Geomorfologia e como estas técnicas podem nos ajudar no estudo da Geografia. ATIVIDADE 1 Como você explica a Ciência Geomorfologia? 2 Qual o objeto de Estudo da Geomorfologia? 3 Como a Geomorfologia se divide e qual a sua relação com as outras ciências? REFERÊNCIAS BERTRAND, G. Paisagem e Geografia Física Global: esboço metodológico. Caderno de Ciências da Terra, nº 13. São Paulo, USP. 1969. CHRISTOFOLETTI, Antonio. Geomorfologia. São Paulo: Edgard Blucher, 1986. 188 p. GUERRA, Antônio Teixeira.Dicionário Geológico-Geomorfológico. São Paulo: Edgard Blucher, 1986. 188p. UNIDADE 2 - MÉTODO E TÉCNICAS DA GEOMORFOLOGIA Objetivo Entender a importância do Método e a definição do problema como objeto da pesquisa. 2.1 Introdução Muitos ramos de pesquisa se justificam ser a base essencial na qual se assenta a ocupação humana na superfície da Terra. A Geologia que já foi estudada por vocês coloca o homem sobre litologias e estruturas das crostas terrestres, usando recursos minerais diretamente em suas atividades econômicas e mesma a sua alimentação. A pesquisa geomorfológica envolve uma variedade de técnicas que congregam as atividades de gabinete e de campo. Trabalhos recentes (FLORENZANO, 2008; VENTURI, 2008) dedicam especial atenção à divulgação destas técnicas, enriquecidas na atualidade com a incorporação de novas tecnologias, sobretudo no que se refere ao uso de imagens e das ferramentas de geoprocessamento. 2.2 Conceito de Métodos e Técnicas de pesquisa geomorfológica Segundo Penteado(1983), os métodos são um conjunto dos meios dispostos convenientemente para alcançar um fim e especialmente para chegar a um conhecimento científico ou comunicá-lo aos outros e as técnicas processos de uma arte ou a sua parte material, ou seja, conhecimento prático. Os métodos podem variar de acordo com os objetivos que a pesquisa está propondo e pode ser classificado como exploratória, descritiva e explicativa e pode ser subdividida em técnicas cartográficas, estatística de geoprocessamento e modelos matemáticos etc. Figura 8 – Quadro geral da Geomorfologia( métodos) 2.3 Métodos na Geomorfologia 2.3.1 Método Indutivo Procede por indução, pelo modo de raciocinar, que consiste em tirar fatos particulares uma conclusão geral, ou observar e descrever processos sem ideias planejada. 2.3.2 Método Dedutivo Procede através da lógica, do experimento, do conhecimento, ou seja, da dedução, de enumerar minuciosamente fatos e argumentos. A Geomorfologia constituí em estabelecer as formas de relevo e verificar se estas coincidem com as existentes. 2.3.3 Método Explicativo ou Genético Consiste da combinação dos Métodos Indutivos e Dedutivos. Como exemplo, muito bom, temos a teoria morfológica de Davis que estudaremos na Unidade três analisa o material (observação), faz uma pergunta, formula uma hipótese, e conduz a uma experiência. Este método reviu e aperfeiçoou as explicações preconcebidas e por fim tirou uma conclusão final – A hipótese que foram submetidas receberão o nome de TEORIA. 2.3.4 Método da abordagem teórica de um problema Procede de análise de fatores envolvidos na solução de problemas, de fatores que podem ser medidos no campo e aplicando fórmulas matemáticas Figura 9 – Abordagem teórica do problema Fonte:Porsani et al. Bras. Geof.vol.24 n.1.São Paulo, jan./mar.2006. 2.3.5 Método e Técnicas em Geomorfologia O método em geomorfologia necessita da abordagem teórica do problema, observações de campo, experimentos, ou seja, campo ou laboratório e métodos empírico quantitativo. 2.3.6 Método de correlação Geomorfológica e Interpretação Paleogeográfica Esse método podemosutilizar os métodos geométricos, pois é possível calcular o volume de um sólido geométrico, ou seja, das rochas, solo, e métodos sedimentológicos que estuda as partículas de sedimentos derivados da erosão de rochas ou de materiais biológicos que podem ser transportados por um fluido, levando em conta os processos hidroclimatológicos, com ênfase à relação água-sedimento, ou outros aspectos geológicos. 2.3.7 Método Qualitativo A Granulometria serve para determinar a distribuição percentual das várias frações granulométricas de um sedimento, sendo importante elemento de diagnose das condições de transporte e sedimentação prevalecente no momento de sua deposição. Figura 10 – Escala granulométrica Fonte: http://www.aprh.pt/rgci/glossario/escala.html lucirene lopes Ampliar a imagem não está dando para fazer a leitura 2.3.8 Método Geocronológico Consiste no estudo da geocronologia relativa, pois por meio dela aplica uma sucessão de acontecimentos sem precisar as durações sucessivas. O Método estratigráfico possui relações geométricas de diversas unidades litológicas, ou seja, permite saber sua sucessão dos dados da pré-história através de artefatos humanos constituem boa forma de datação. Já através da Análise polínica consiste em reconstituir as variações da cobertura vegetal, levando em consideração as oscilações climáticas. O método de Geocronologia absoluta tem a função de fornecer dados precisos do tempo escoado a partir da origem dos acontecimentos geológicos ( você pode relembrar em Geologia). Análise das varvas pró-glaciais (depósitos folhados de sedimentação) Método radioativo (radioisótopos: Carbono 14). 2.3.9 Método Estratigráfico Este método tem a sua estrutura originada pela acumulação de qualquer material, ou seja, precipitação química, floculados, cristais em suspensão do magma e, com isso, formar estratos ou como chamamos também de camadas definidas através de descontinuidade física ou passagens bruscas daestrutura ou quimismo. Figura 11 – Níveis de estratigrafia Fonte: http://homepage.ufp.pt/biblioteca/WebThesaurus/Pages/PageC1.html lucirene lopes Ampliar a imagem. FEITO 2.4 O Campo na Pesquisa Como muitos autores falam Pesquisa científica é um conjunto de procedimentos sistemáticos,baseados no raciocínio lógico, que tem por objetivo encontrar soluções para os problemas propostos mediante o emprego de métodos científicos. A pesquisa de campo se baseia no contato com a realidade, observação e interpretação, examinar, conferir a verdade terrestre. Portanto, no campo utilizamos técnicas e não métodos. Figura 12 – Modelos de processos no relevo Fonte:https://pt.carolchanning.net/obrazovanie/89261-geograficheskie-processy-eto-chto-geograficheskie-processy-i- yavleniya.html Como exemplo temos alguns processos físicos e Geográficos que acontecem pelo mundo e temos sempre que estudá-los. Destacamos: vulcanismo; formação de relevo; formação de solo; circulação atmosférica; desnudação e acumulação; abrasão; criogenia; solifluxão; erosão etc. Alguns exemplos vocês já conhecem, pois estudamos na geologia. Já no laboratório, sim, isso mesmo, precisaremos também de laboratório, pois sem ele não existe pesquisa. Precisaremos aplicar três atividades como planejar, fazer um tratamento das informações e simular situações reais para conseguirmos realizar com êxito todas as informações dadas através do campo. 2.5 Método Gráfico e Cartográficos Por meio dos mapas que fabricamos, temos uma visão de conjunto da região que estamos estudando e pesquisando, ou até mesmo indo a campo para pesquisa, por meio destes são reveladas as orientações e linhas de diretrizes que muitas vezes podem escapar ao observador e nos mapas utilizamos escalas para visualizar melhor nosso estudo em si, que por meio destas podemos observar pequenos vales, dunas voçorocas Observar formas Observar processos que muitas vezes nos escapa a olho nu. Fazemos nossas observações geomorfológicas baseada nas informações obtidas por imagens de satélites e fotografia da área. Figura 13- Limite do município de Afonso Cunha no Maranhão Fonte: NUGEO- Laboratório de Recursos Hídricos- UEMA Resumo Nesta Unidade, estudamos os tipos de métodos e pesquisa que temos na Geomorfologia para ser aplicado no nosso dia-a-dia e como proceder nessas pesquisas. Existe muito mais formas de pesquisa e métodos, mas para começo da nossa jornada você será capaz de distinguir algumas delas apresentadas a você neste e-Book. ATIVIDADE 1 Quais são as características do método histórico? 2 Explique o quadro geral da Geomorfologia através dos métodos que está presente em cada quadro. REFERÊNCIAS BERTRAND, G. Paisagem e Geografia Física Global: esboço metodológico. Caderno de Ciências da Terra, n. 13. São Paulo, USP. 1969. CHRISTOFOLETTI, Antônio. Geomorfologia. São Paulo: Edgard Blucher, 1986. 188 p. GUERRA, Antônio Teixeira. Dicionário Geológico-Geomorfologico. São Paulo: Edgard Blucher, 1986. 188p. UNIDADE 3 – TEORIAS GEOMORFOLÓGICAS Objetivo Analisar as principais características da teoria Geomorlógica. 3.1 Introdução No conhecimento geomorfológico encontramos de maneiro oculta a ideia de que o modelado terrestre evolui como resultado da influência exercida pelos processos morfogenéticos. A teoria geomorfológica é considerada o conjunto de conceitos e regras que condicionam todo trabalho científico. Na literatura geomorfológicas, considerando as concepções teóricas que norteiam as pesquisas consideramos quatro tipos principais para o estudo da Geomorlogia que buscam preocupações que são distintas e fatos que surgem com estruturação e significados diferentes. 3.2 Teorias Geomorfológicas 3.2.1 A Teoria do Ciclo Geográfico (Teoria Davisiana) Essa teoria sistematizou a sucessão das formas em um ciclo ideal através do ciclo de erosão ou ciclo geomórfico. Através da teoria Davisiana obtivemos o primeiro modelo evolutivo desenvolvido com base nas áreas temperadas úmidas, considerando que na vida dos seres organizados há funções e aspectos que se sucedem invariavelmente, do nascimento até a morte, a sequência das fases sucessivas pelas quais passa o modelado que podem ser classificadas como designações antropomórficas de juventude, maturidade e senilidade. Observe: Fase da juventude: uma região aplainada, devido a um movimento rápido, tectônico ou estático, e é uniformemente soerguida em relação ao nível de base, ou seja, nível do oceano. Que traz como principal característica os rios que se encaixam a partir da nascente e que procuram estabelecer o perfil de equilíbrio; as bases fluviais se alargam e ocorre por toda parte captura. Nesse tipo de fase ocorre um forte entalhamento dos talvegues; Glossário : talvegues – é a linha variável ao longo do tempo que se encontra no meio da junção mais profunda de um vale ou rio. Disponível em:< http://pt.wikipedia.org/wiki/talvegue Fase da Maturidade: os processos de erosão estão suficientemente desenvolvidos (erosão normal) e como característica principal temos as vertentes que se largam e as declividades diminuem e a sua esculturação faz-se principalmente pelo deslizamento morosos dos detritos; Fase da selinidade: é o último estágio que tem como característica principal o rebaixamento lento dos declives e uma intersecção das vertentes ao longo dos interflúvios. Através dessafase surge uma peneplanície. Figura 14 – Tipos de fases através da evolução de um sistema fluvial Fonte: http://www.funape.org.br/geomorfologia/cap1/index.php A crítica sobre a Teoria Davisiana é de caráter teórico do modelo, pois o ciclo da erosão (erosão normal) agiria da mesma forma em toda a região do globo. Então Davis jamais deu atenção a vegetação e a outros agentes de erosão. 3.2.2 Teoria de Penk Essa teoria propôs, em caso de forte soerguimento crustal, observar uma correspondente incisão do talvegue, que implicaria a aceleração dos efeitos denundacionais em razão do aumento do gradiente de vertente. Foi levado em Glossário: Peneplanície: é uma região quase plana, devido à erosão normal das águas correntes, que desgastaram as elevações e as foram aplanando, como por exemplo, o Alentejo. Este processo também pode aplanar os topos de planaltos, como no caso da Chapada de Araripe, no Brasil, ou Planalto das Cesaredas, em Portugal. (Disponível em:< https://pt.wikipedia.org/wiki/peneplan%c3%adcie). consideração nessa teoria a correspondência, ou seja, o soerguimento, incisão e denudação. A diferença com a Teoria Davisiana é o modo de regressão das vertentes. Em vez de ocorrer o rebaixamento contínuo e generalizado das vertentes, aliada a gradativa diminuição das declividades, verifica-se uma evolução e regressão das vertentes paralelas. Enquanto Davis afirmava que o relevo evolui de clima baixo , Penk acreditava no recuo paralelo das vertentes. Figura 15 – Teoria de Penk Fonte: http://www.funape.org.br/geomorfologia/cap1/index.php Com isso, o modelo de Walter Penk nos mostra que o predomínio do entalhamento do talvegue em relação a denudação é o responsável pelo desenvolvimento de vertentes convexas (aumento do ângulo da vertente) de acordo com a Figura abaixo. Figura 16 – Entalhamento da talvegue PENK DAVIS Fonte: http://www.funape.org.br/geomorfologia/cap1/index.php Já, o equilíbrio entre soerguimento-denudação, com formação de vertentes retilíneas (ocorre a manutenção do ângulo das vertentes). Fonte: http://www.funape.org.br/geomorfologia/cap1/index.php No entanto, o predomínio da denudação sobre o entalhamento do talvegue, que implica na concavização da vertente, ocorre do ângulo da vertente. Saiba mais : de acordo com cada seta temos os signifcados de cada seta para cada soerguimento. Soerguimento Entalhamento Denudação Intensidade Forte Moderada Fraca Predominância do entalhamento do talvegue em relação à denudação, responsável pelo desenvolvimento de vertentes convexas Predominio do entalhamento do talvegue que implica na concavização da vertente, ou seja, redução do no ângulo da vertente Equílibrio entre soerguimento- denudação com formação de vertentes retilíneas, ou seja, 3.2.3 Teoria de Lest C. King/ Pugh Na teoria de King/ Pugh, o recuo acontece a partir de determinado nível de base, iniciando pelo geral, o material resultante responde pelo entalhamento das áreas depressionárias, originando os denominados pedimentos. Enquanto Davis chamava as grandes extensões horizontalizadas na senilidade de peneplanos, King as considerava como pediplanos. Figura 17 – Modelo de Teoria Goemorfológica King Fonte: Valter Casseti,1994 3.2.4 Teoria de Lest C. King A teoria Lest C. King começa pela desagregação mecânica, pois por meio dela ocorre o recuo paralelo das vertentes, cujos detritos, a partir da base em evolução, se estenderiam em direção aos níveis de base, provocando o entulhamento dos mesmos, por atividades torrenciais, originando as bajadas e proporcionando o mascaramento de toda irregularidade topográficas. Figura 18 – Modelo de Lest C. King Fonte: http://www.funape.org.br/geomorfologia/cap1/index.php Pedimento Pediplano peneplanização Pedimento Bajada Saiba mais. Segundo Guerra (2001) Uma bajada consiste de uma série de ventiladores aluviais que se aglutinam ao longo de uma frente de montanha. Esses depósitos em forma de leque formam-se pela deposição de sedimentos dentro de um córrego sobre uma terra plana na base de uma montanha. O uso do termo na descrição da paisagem ou geomorfologia deriva da palavra espanhola bajada, geralmente tendo o sentido de descida ou inclinação. 3.2.5 Teoria do Equilíbrio Dinâmico ( Hack) Essa teoria consiste em mostrar que o relevo é um sistema aberto, mantendo constante troca de energia e matéria com os demais sistemas terrestres, e está vinculado a resistência litológica. Enquanto Penk considerou o modelado como resultado da competição entre o levantamento e a erosão, Hach considera-o como o produto de uma competição entre a resistência dos materiais crustais e o potencial das forças de denudação. Figura 19 – Modelo da Teoria Dinâmica Fonte: http://www.funape.org.br/geomorfologia/cap1/index.php 3.3 Comparativo Geral das Teorias dos ciclos Geográficos Aqui mostramos um quadro segundo Casseti (1994) sobre todas as teorias com suas características e comparativas com cada opinião de cada cientista. Característicasinício rápido Morfológicas Nível Quadro 2 – Comparativo das Teorias Geográficas Figura 20 – Quadro comparativo das Teorias Geográficas Fonte: Valter Casseti (1994). 3.4 Teorias Geomorfológicas: endógenos e exógenos O processo endógeno e exógeno: o relevo resulta do equilíbrio entre o ataque da rocha por um certo número de processos morfoclimáticos (vento, precipitação, temperatura, umidade etc.) e da resistência da rocha aos mesmos processos (conjunto litológico- tectônico-extrutural). Características W M Davis W Penk Lc King/Pugh J T Hack Características Geral do Sistema rápido soerguimento com posterior estabilidade tectônica e eustática Ascensão de massa com intensidade e duração diferente Estabilidade tectônica admitindo compensação isostática logo após o fornecimento de material (predom. de denudação) toda alternância de energia interna ou externa gera alteração no sistema através da matéria. Relação Soerguimento Denudação início da denudação comandada pela incisão fluvial após estabilidade ascencional intensidade de denudação associada ao comportamento crustal denudação concomitante ao soerguimento reação do sistema com alteração do fornecimento de energia (oscilações climáticas) características do Processo Evolutivo evolução morfológica de cima para baixo evolução por recuo paralelo das vertentes evoluçção morfológica por recuo paralelo todos os elementos da topografia estão mutuamente ajustados. Modificam- se na mesma proporção Estágio Final ou Parcial da Morfologia Peneplanização superfície primária (lenta ascensão compensada pela denudação) Não haveria produção de elevação geral da superfície. Pediplanação Não evolui necessariamentoe para aplainamento (equifinalização) O equilíbrio pode ocorrer sob os mais variados panoramas topográficos Noção de nivel de base Nível de base geral vertente evolui em função do nível de base pressupõe a generalização de níveis de base (qualquerponto do rio é considerado NB para os demais à montante) ajustamento sequencial Variáveis que compõem o sistema temporal/estrutural com subordinação da processual processo, tectônica e tempo processo/forma, considerando o fator temporal, admitindo implicações isostática relação formas/processos independentes do tempo Figura 20 – Atuação do relevo nas forças exógenas e endógenas Resumo Você pode observar e entender cada teoria sofre influências das correntes filosóficas de sua época. A concepção davisiana está relacionada com a filosofia bergsoniana, enquanto a do equilíbrio dinâmico sofreu as influências da teoria dos sistemas e do estruturalismo. Você pode observar também que no conhecimento geomorfológico podemos encontrar também, a ideia de que o modelado terrestre evoluiu de acordo com cada pensamento e teoria. Com isso podemos notar sob perspectiva, a paisagem morfológica que percebemos e analisamos é apenas uma etapa inserida em longa sequência de fases, passadas e futuras. Atividade 1 Explique a teoria geomorfológica de Davis. Faça esquema ilustrativo. 2 Explique a teoria geomorfológica de Penk. Faça esquema ilustrativo. 3 Explique a teoria geomorfológica de Link. Faça esquema ilustrativo. 4 Explique a teoria geomorfológica de Hack. Faça esquema ilustrativo. RELEVO Atuação de forças exógenas Relevo da superfície do planeta em seus aspectos genéticos cronológicos e morfológicos e morfométricos e dinâmicos Estrato Geográfico da Terra. Faixa da superfície terrestre que se estende da baixa atmosfera até a parte externa e rígida da terra, que corresponde a litosfera. (JURANDYR ROSS,1991). Conjunto de desnivelamento da superfície do globo. Formas emersas e formas submersas, com dimensões variadas. ( GUERRA, 2001). Atuação de forças endógenas REFERÊNCIAS CASSETI, V. Ambiente e apropriação do relevo. São Paulo: Contexto, 1991. GUERRA, A. T. & GUERRA, A. J. T. Novo dicionário Geológico-Geomorfológico. Bertrand, Rio de Janeiro, 2001. MANUAL TÉCNICO DE GEOMORFOLOGIA. IBGE. Coordenação de Recursos Naturais e Estudos Ambientais. 2. ed. - Rio de Janeiro: IBGE, 2009. UNIDADE 4 – AS GRANDES UNIDADES ESTRUTURAIS E ESCULTURAIS DA TERRA Objetivo Analisar as formas de relevo, relacionando-as com a estrutura e as condições climáticas passadas e atuais. 4.1 Introdução Na Geomorfologia, empregamos a palavra estrutura, que se formos analisar ela possui um significado bastante amplo, não podendo limitá-la para designar apenas a litomassa de uma determinada área. A estrutura tem papel importante no relevo, mas ela, sozinha, não explica as paisagens. Aos fatores estruturais são somados os fatores climáticos, aos quais se acrescenta, ainda, um terceiro conjunto de fenômenos geomorfológicos os processos azonais. As Relação entre fatores estruturais e fatores climáticos determinam, de modo diferentes, o relevo, segundo a escala considerada. Por exemplo, em pequenas dimensões (6ª ordem de grandeza) as influências litológicas predominantes. Uma vertente de arenitos ou siltitos diferente de uma vertente em arenitos num mesmo domínio morfoclimáticos. Nesta Unidade, estudaremos como relacionar uma estrutura, ou seja, uma forma de relevo com condições climáticas. 4.2 Formas de Relevo 4.2.1 Planaltos (Platô) Consideramos como sendo uma extensão de terrenos mais ou menos planos, situados em altitudes variáveis. São superfície pouco acidentada. 4.2.2 Planícies Entendemos como extensão de terrenos mais ou menos planos, onde o processo de agradação supera os de degradação. Figura 21 – Modelo de planalto e planície Fonte: Guerra, 2001 As planícies apresentam superfícies pouco acidentadas, sem grandes desnivelamentos relativos, por vezes suavemente onduladas. Os autores, no passado, classificavam as planícies e os planaltos a partir de sua altitude. As superfícies planas com menos de 200 m eram chamadas de planícies e aquelas com mais de 200 m, de planaltos. Figura 22 – Planície Amazônica junto ao rio Negro, no Amazonas Fonte: http://www.icmbio.gov.br/portal/ultimas-noticias/20-geral/8573-programa-estuda-planicies-alagaveis-na-amazonia rio Planalto típico 4.3 Monte São elevações do terreno, sem se considerar a sua origem, apenas se leva em conta o aspecto topográfico. Acidentes do relevo. Figura 23 – Monte Roraima Fonte: https://www.nattrip.com.br/roteiros/monte-roraima/ 4.4 Pico Segundo Guerra (2001),ponto culminante de uma montanha ou de uma serra. Geralmente de forma aguda. Figura 24 – Pico Fonte: http://dive.visitazores.com/pt-pt/islands/pico 4.5 Cordilheira São cadeias de montanhas ou serras produzidas pelo orogenismo. Figura 25 – Curso de água de origem glacial sobre o planalto Boliviano, vendo-se ao fundo a cordilheira dos Andes Fonte: http://www.savagra.com.br/noticias/-travessia-da-cordilheira-dos-andes Glossário OROGENISMO - é o conjunto de processos que levam à formação ou rejuvenescimento de montanhas ou cadeias de montanhas produzido principalmente pelo diastrofismo, ou seja, pela deformação compressiva da litosfera continental. 4.6 Montanha Grande elevação natural do terreno com altitude superior de 300 metros e constituída por um agrupamento de morros. 4.7 Colina São pequenos montes. É similar as montanhas, concordando apenas no fato de estarem isoladas umas das outras, e com baixas altitudes. Formas derivadas. Ex.: as morainas ou morenas. Figura 26 – Colina Figura 27 – Moraina ou Morenas Fonte: https://www.biobiochile.cl/noticias/2014/09/24/rutas-de-nuestra-geografiaFonte: ttps://umpouquinhodecadalugar.com/2017/09/09/o 4.8 Vale Corredor ou depressão de forma longitudinal em relação ao relevo contíguo, que pode ter, por vezes vários quilômetros de extensão. Figura 28 – Vale do Itajaí em Santa Catarina, em cujo rio desce do Planalto e corre para o Atlântico Fonte: https://pt.slideshare.net/paula.tomaz/relevo-mundial 2.9 Serra Terrenos acidentados com fortes desníveis. Escarpas de blocos falhados Figura 29 – Serra do Rio do Rastro Fonte:http://altamontanha.com/o-que-e-uma-serra/ 4.10 Chapadas Grandes superfícies, por vezes horizontais, e a mais de 600 metros de altitude. Uma sucessão de chapadas ou planaltos denomina-se chapadão Figura 30– Chapada da Diamantina Fonte:https://viagemeturismo.abril.com.br/cidades/chapada-diamantina-2/ 4.11 Estrutura de dados e análise geomorfológica A Relação entre fatores estruturais e fatores climáticos determinam, de modo diferentes, o relevo, segundo a escala considerada. Por exemplo, em pequenas dimensões, no caso grandezas de 6ª ordem sofre as influências litológicas predominantes. Uma vez que a vertente de arenitos ou siltitos difere de uma vertente em arenitos num mesmo domínio morfoclimáticos. O relevo no processo geomorfológico resulta de uma hierarquia de mecanismo, ou seja, processos associados e coordenados num sistema através de uma elaboração do relevo. 4. 12 Processos erosivos nas encostas Depende de declives variados que divergem das cristas ou dos interflúvios, enquadrandoo vale ( Vertente) que pode ser convexas , côncava e retilíneas. O processo erosivo acontece nas zonas dos solos. Podemos também citar como uma transformação dos solos através de processo de retirada de sedimentos, onde acontece através de etapas que vão sendo desgastadas e transportadas e sedimentadas através das rochas ou do próprio solo. Figura 31 – Como acontece os Processos erosivos nas encostas zonas nos solos Fonte: elaborada pelas Autoras (2019) Quando o solo não consegue mais absorver água, os movimentos em superfície ou subsuperfície, ocorre erosão através do escoamento das águas. Portanto, na zona de aeração, a infiltração da água no solo pode ocorrer intensidade menor a taxa de infiltração, mas não ocorre escoamento superficial. Na zona intermediária, o volume de infiltração ocorre menor déficit de umidade do solo, ou seja, o volume infiltrado é consumido no solo, não ocorrendo escoamento superficial e pôr fim, a zona de saturada a intensidade maior da taxa de infiltração ocorre o escoamento superficial. Zona de saturada Zona de Intermediária Zona de aeração Água higroscópica Figura 32 – Taxa de infiltração Fonte:http://www.ufrrj.br/institutos/it/deng/leonardo/downloads/APOSTILA/HIDRO-Cap5-INF.pdf 4.13 Erosividade da chuva Os fatores controladores que podem ocorrer podem ser através da erodibilidade do solo, cobertura vegetal e características das encostas. A chuva tem habilidade em causar erosão por meio da/das: Intensidade – estudos apontam 130 minutos para que ocorra efeitos erosivos, a infiltração diminui com o passar do tempo, ou seja , encharcamento do solo. E o valor crítico a qual começa haver a ersão é mm/h; Energia cinética – está relacionada com intensidade da chuva. É o número total de gotas de um evento chuvoso, como uma grande percentagem das gotas grandes pertence a intensidade entre 50 a 100 mm/h, as maiores energias são encontradas nessas intensidades; Cobertura vegetal – a cobertura vegetal pode, também, reduzir a quantidade de energia que chega ao solo durante uma chuvae, dessa forma, minimiza os impactos das gotas, diminuindo a formação de crostas no solo, reduzindo a erosão; Características das encostas – fatores que afetam a erodibilidade: declividade, comprimento e forma das encostas com declividade de 30° apresentam maior erodibilidade, à medida que aumenta declividade diminui a densidade de ravinas; Textura – algumas frações granulométricas são removidas mais facilmente do que outras. Partículas de 0,1mm de tamanho a 0,3mm são mais susceptíveis a erodibilidade. Tempo (h) Ta xa d e in fil tr aç ão (m m /h ) Figura 33 – Exemplo de ravinas e voçoroca Fonte: https://www.wwf.org.br/?uNewsID=29482 Resumo Nesta Unidade, estudamos a influência dos processos geológicos no desenvolvimento do relevo. Esta disciplina é importante em áreas com forte atividade geológica, onde falhas e dobras podem predeterminar a existência de picos ou vales, ou a existência de baías e promontórios, ou outros afloramentos rochosos mais ou menos resistentes à erosão. Atividade 1 Defina encosta e exemplifique. 2 Através do processo erosivos nas encostas como acontece o ciclo hidrológico? RERERÊNCIAS ARAÚJO, Hélio Mário de; ANDRADE, Ana Claudia da Silva. Geomorfologia Estrutural. São Cristóvão : Universidade Federal de Sergipe, CESAD, 2011.