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Mutações gênicas • Introdução O processo de replicação do material genético é extremamente controlado pela célula. Como podemos aprender, a ação da enzima DNA-polimerase é realizada de modo a minimizar erros durante a síntese, porém, mesmo com tamanho controle erros podem acontecer. As modificações geradas no DNA que estejam contidas nos genes são chamadas de mutações gênicas. É importante que não sejam confundidas com as mutações cromossômicas. Essas mutações, quando ocorrem nos genes, gerarão RNAs diferentes dos selvagens, o que pode promover a síntese de proteínas defeituosas. Porém, por outro lado, colaboram também com a variabilidade das espécies, de modo a gerar indivíduos com características peculiares. As causas das mutações são diversas, desde aquelas que ocorrem naturalmente, por erros ao acaso durante a replicação do DNA, até mesmo aquelas induzidas, onde há a participação de um agente mutagênico . • O DNA como molécula estável O DNA é a molécula responsável por armazenar todas as informações hereditárias de uma espécie. Fica acondicionado no núcleo passando por diversos processos no decorrer do ciclo celular, sendo transcrito na forma de RNA e replicado quando a célula entra em divisão. Um conjunto de enzimas atua em cada um desses processos de modo a minimizar possíveis falhas, erros podem acontecer, gerando mudanças no material genético daquela célula. Essas mudanças podem ou não ser hereditárias, depende do tipo de célula a qual a mutação ocorreu. As que ocorrem nas células somáticas não são transmitidas para a prole; (havendo a formação de células naqueles tecidos, que serão diferentes das primordiais, podendo originar células tumorais). Mutações nas células germinativas promovem mudanças no material genético que poderão ser transmitidas às próximas gerações, tendo em vista a forma de reprodução dos eucariotos. O processo de replicação é controlado, a enzima responsável pela polimerização do DNA, a DNA- polimerase, possui um sistema de verificação durante a edição, sendo capaz de verificar possíveis erros durante a replicação diminuindo significativamente o número de mutações em um indivíduo sem excluí-la. • Tipos de polimorfismo Os polimorfismos contribuem para a variabilidade da espécie. Deste modo, eles podem ser classificados de acordo o tipo de modificação que é realizado no DNA. O tipo mais frequente de polimorfismo é o chamado de polimorfismo de nucleotídeo único (SNPs). Esse tipo de polimorfismo é comum e frequentemente está em regiões do genoma que não são transcritas, não impactando, portanto, na formação de RNAs diferentes do selvagem. Entretanto, em alguns casos, podem ocorrer SNPs em éxons de genes, o que pode gerar modificação na proteína formada. Outro tipo de polimorfismo são as inserções e deleções (in/dels), que são caracterizadas pela adição ou retirada de sequências de pares de bases no DNA. Essas mudanças são comuns nos trechos de DNA repetidos denominados microssatélites, o DNA microssatélite é caracterizado por sequências de DNA tandem, que é altamente polimórfico entre os indivíduos . • Mutações gênicas: Causas e tipos As mutações, por sua vez, podem ser classificadas: 1) de acordo com o tipo de mudança promovida no genoma; 2) de acordo com o tipo de mudança promovida na sequência de aminoácidos gerada após a tradução e; 3) quanto à alteração na função da proteína originada. Com relação à mudança promovida no genoma, as mutações podem ser classificadas como substituições, deleções e adições de base. As deleções e adições de base são as mutações que ocorrem quando há a retirada ou a adição, respectivamente, de nucleotídeos no genoma de um indivíduo. Esse tipo de modificação no genoma pode causar erros graves. Caso a retirada/adição dos nucleotídeos ocorra em múltiplos de três, isso gerará a adição ou a perda de aminoácidos após a tradução, entretanto, não haverá mudança na leitura dos códons no RNA mensageiro formado, porém, caso a adição ocorra em número diferente de três, haverá a mudança de todo o padrão de leitura do RNA mensageiro, o que, consequentemente, gerará mudança em toda a sequência polipeptídica formada. A substituição de bases contempla a mudança da base adicionada na sequência de DNA, ou seja, durante a edição da nova fita, ocorre a troca de uma base por outra. Essa modificação pode ser de duas naturezas: as transições ou as transversões de bases. As primeiras são caracterizadas pela troca de bases da mesa natureza química, ou seja, uma purina por outra purina (A à G) ou uma pirimidina por outra pirimidina (T à C). No que se trata das substituições de bases, essas modificações podem gerar impacto direto na sequência de aminoácidos formada. Entretanto, esse tipo de modificação é minimizada por uma das características do código genético que é a redundância (degenerado). A redundância garante que haja mais de um códon para cada um dos 20 aminoácidos existentes, deste modo, pequenas variações nas trincas transcritas podem não gerar impacto na proteína formada, pois o códon formado especifica o mesmo aminoácido. Quando essa mutação ocorre, gerando o mesmo aminoácido, ela tem o nome de mutação silenciosa. Deste modo, podemos classificar as modificações geradas nos aminoácidos traduzidos da seguinte forma: mutação de sentido trocado (missense), mutação sem sentido (nonsense) e mutações silenciosas. As mutações de sentido trocado (missense) são aquelas em a mudança de um nucleotídeo (pontual) promove alteração no aminoácido gerado durante a tradução. Nessa forma de mutação, o indivíduo tem uma modificação no genoma, que pode ser transição ou transversão, e que impacta na tradução, ou seja, há a troca do aminoácido que é referente aquele códon. Além disso, nas mutações de sentido trocado, pode ocorrer a mudança da classe de aminoácido gerado (não-conservativa), ou ainda a manutenção do aminoácido de mesma classe (conservativa). Por outro lado, nas mutações sem sentido (nonsense), a troca na sequência de nucleotídeos no gene promove a inserção de um códon de parada (UGA, UAA, UAG) no RNA mensageiro formado. Uma das características do código genético é a presença de apenas um códon iniciador e um códon de parada, não sendo admitidos múltiplos códons. Logo, nesse tipo de mutação, ocorre a interrupção prematura da tradução. Por fim, as mutações silenciosas são aquelas nas quais não há a alteração do aminoácido traduzido, logo, essas mutações são imperceptíveis do ponto de vista clínico, pois nunca haverá a mudança na proteína formada. A característica de redundância do código genético é o que permite que isso ocorra; pequenas mudanças na sequência de nucleotídeos podem não gerar mudança na ordem dos aminoácidos presentes na cadeia polipeptídica formada, porque o códon alterado especifica o mesmo aminoácido. Mutações silenciosas, por exemplo, não irão causar mudanças na atividade, isso porque não haverá alteração na sequência de aminoácidos na cadeia polipeptídica formada, por outro lado, mutações do tipo sem sentido (nonsense) sempre irão causar proteínas defeituosas, pois haverá a impossibilidade de formação da sequência correta de aminoácidos gerada. Entretanto, as mutações de sentido trocado (misense) podem ou não gerar alterações na funcionalidade das proteínas • Mutações somáticas e germinativas Mutações causadas em células somáticas estão relacionadas com a proliferação de células diferentes das do indivíduo, que apresentarão fenótipo e genótipo variados e originam boa parte dos cânceres. Caso a mutação ocorra em células somáticas em um tecido já adulto e que não esteja em mitose, o impacto gerado será mínimo, uma vez que a mutação não irá se perpetuar. Por outro lado, caso a mutação ocorra em genes chamados“proto-oncogenes”, genes que atuam no controle do ciclo celular, na reparação do DNA danificado ou apoptose haverá a proliferação desenfreada de células com erros de divisão e, consequentemente, haverá o desenvolvimento de um tumor. As mutações nestes alelos promovem uma falha no controle celular e a passagem de erros para as próximas gerações celulares. As mutações em células somáticas não são transmitidas para a prole (próxima geração). • Tipos mutantes As mutações podem promover diversas mudanças fenotípicas. Algumas mutações podem gerar alterações morfológicas dos indivíduos, mudando, assim, as características externas daquela espécie. É o caso do albinismo em fungos do gênero Neurospora, alteração na aparência das asas em moscas Drosophila ou, ainda, o aparecimento de ervilhas anãs. Por outro lado, algumas mutações são tão graves que são incompatíveis com a vida, e quando aparecem ainda na vida intra-uterina, não permitem que o desenvolvimento fetal ocorra, havendo, nestes casos, abortos espontâneos ou morte ainda na vida fetal. Em alguns casos, pode haver uma mutação condicional, ou seja, a mutação carregada pelo indivíduo só é expressa em condições chamadas de restritivas. Por exemplo: um determinado indivíduo pode ter uma mutação para altas temperaturas; logo, ele vive bem em temperaturas amenas, porém, quando a temperatura se eleva, isso leva à morte daquele indivíduo. As mutações podem, ainda, ser classificadas quanto à alteração na função. Deste modo, elas podem apresentar ganho de função ou perda de função biológica. Nas mutações de perda de função, há a formação de proteína disfuncional, ou não há a formação da proteína necessária, ou seja, a proteína é anormal ou ausente. De modo a não possibilitar a atividade proteica correta, esse é o tipo mais comum de resultado a partir de mutações. Já as mutações de ganho de função são aquelas que causam uma super expressão da proteína em questão e isso pode ser prejudicial para o organismo.