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UNIVERSIDADE FEEVALE CURSO DE ENGENHARIA MECÂNICA DISCIPLINA DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA I RELATÓRIO DE ATIVIDADE PRÁTICA AÇO 1045 CRISTIANO BECK, DOUGLAS ENGLER, GABRIEL DAROS, GUILHERME PEIXE, LUCAS ALIPRANDINI NOVO HAMBURGO, OUTUBRO 2015 1. INTRODUÇÃO Neste trabalho iremos descrever e analisar a metalográfia, assim como os ensaios mecânicos de tração, compressão e dureza do material recebido, recozido, temperado e revenido. Algumas analises a serem feitas são: - Identificar o material recebido; - Determinar a estrutura do material; -Identificar os constituintes do material; -Comparar os resultados obtidos através dos ensaios mecânicos com as informações tabeladas e normatizadas do material. 2. DESENVOLVIMENTO a. Metodologia i. Preparação de amostras ● CORPOS DE PROVA O corpo de prova vem no diametro de material como recebido em barra redonda de seção ½”, com comprimento de 10mm. Foram preparadas 3 amostras de material para metalografia juntamente com 3 amostras semelhantes para o ensaio de dureza: 1. Como recebido: Da mesma maneira que vem do fornecedor, portanto basta que seja cortado no comprimento do corpo de prova. 2. Recozido: O material é aquecido em forno até 730 à 750°C e fica durante tantos minutos quanto for a sua espessura e resfriado à temperatura ambiente para que sejam removidos quaisquer tratamentos térmicos ou mecânicos anteriores. 3. Temperado: O material passa por um processo de têmpera. É aquecido em forno à 850°C por tantos minutos quanto for a sua espessura, posteriormente é resfriado rapidamente em uma bacia com água e por fim é revenido em forno à 250°C por tantos minutos quanto for a sua espessura e resfriado à temperatura ambiente. Para os ensaios de tração e compressão foram preparadas dois corpos de prova: 1. Compressão: Corpo como recebido em barra redonda de Ø12,8 x 25mm 2. Tração: O corpo de prova de tração deve atender a uma especificação da ASTM para que haja interface entre ele e a máquina, conforme o desenho. figura: desenho do corpo de prova ● EMBUTIMENTO Este processo não tem uma influencia tecnica nos testes que serão realizados na amostra posteriormente, porém tem grande utilidade para melhor manusear a amostra durante o processo de lixamento, polimento e teste metalografico. O embutimento na pratica é circundar a amostra de aço que temos com um material chamado de resina termofixa (baquelite) com o auxilio de uma prensa que faz o processo de união entre a amostra e a resina, formando assim uma amostra com formato uniforme. figura: prensa de embutimento ● LIXAMENTO Após realizar o embutimento da amostra (quando tiver necessidade) devemos separar as lixas para realizar o lixamento. As lixas são classificadas de acordo com o tamanho do grão abrasivo, quanto menor o numero que denomina a lixa, mais áspera é e mais material retira da peça lixada. Uma lixa grão 80 é grossa, com grãos grandes, o que a torna áspera e própria para retirada de mais material. Uma lixa grão 1200 é uma lixa fina, grãos pequenos, é pouco áspera e própria para retirada de pouco material. Este procedimento é realizado de forma manual, em uma bancada, com o auxilio de lixas especiais sempre com a amostra e lixa sob água corrente. Para melhor acabamento da amostra é necessário lixar a amostra em movimentos alternados para cada lixa, incrementando o seu tamanho de grão, alternando 90° da posição inicial. É marcado um ponto na amostra para orientar a sua posição inicial, então se lixa em um sentido, até que se obtenha um bom acabamento em um sentido, e, em seguida, a amostra deve ser rotacionada 90°, o processo deve ser repetido até que se obtenha a menor rugosidade possivel na face do metal. figura: marcação de corpo de prova figura: lixamento de amostra ● POLIMENTO O processo se aplica logo após o lixamento para dar um acabamento polido e praticamente espelhado, são utilizados abrasivos menos agressivos, como pasta de diamante ou alumina. O polimento da amostra pode ser realizado manualmente (muito devagar, delicado e trabalhoso) ou com auxilio de um equipamento chamado de politriz que auxilia na velocidade e no acabamento mais uniforme da amostra. figura: máquina politriz figura: operação de polimento ii. Ensaios metalográficos É realizado após o embutimento, lixamento e polimento para que se obtenha o melhor resultado. A face da amostra deve estar livre de riscos, com uma aparência espelhada. Para que os grãos sejam visiveis através do microscópio, se faz um ataque quimico nital, que utiliza ácido nítrico, que é despejado em um recipiente como uma fina lâmina. O corpo fica em contato com o ácido durante 3 segundos e logo deve ser lavado com alcool e seco com ar quente. figura: ataque quimico figura: lavagem com alcool figura: secagem com ar quente A amostra é levada ao microscópio e analisada pelo técnico em relação à um atlas visual que determina como deve ser a aparência da face em foco para cada tipo de material. figura: amostra no microscópio figura: vizualização da superfície iii. Ensaio de dureza É realizado utilizando um durômetro, o equipamento tem uma mesa movel e uma ponta que penetra no corpo de prova, dando um resultado dentro da escala rockwell. A amostra é colocada na mesa e aproximada ao máximo da ponta, foi ajustada a pré carga para 98N(10kgf) e tendo o cuidado para dar um espaço mínimo entre os pontos de penetração e usando uma forma simétrica para obter uma medição em todo o mesmo raio da amostra, iniciamos os ensaios dos materiais como recebido, recozido e compressão , utilizando a carga total de 981N(100kgf) e o penetrador com esfera de aço de 1/16". Já na amostra onde realizamos o tratamento térmico utilizamos a mesma pré carga de 98N(10kgf) porem a carga total foi de 1471N(150kgf) e penetrador com cone de diamante, assim como indicara a tabela de escalas de materiais. iv. Ensaio de tração O ensaio de tração é essencial para se conhecer as propriedades mecânicas de um material, pois é o ensaio que leva uma amostra do material em questão até o limite , sendo possível tirar varias conclusões do experimento. Do ensaio pedemos adquirir as seguintes informações: resistência do material á tração, ductilidade, dureza, modulo de resilencia, tenacidade, modulo de elasticidade, a tensão máxima suportada, a curva de deformação elástica a curva de deformação plástica, tensão a ruptura e tensão de escoamento. figura: corpo de prova fixado ná máquina Um computador controla a máquina utilizada no ensaio. A parte de baixo é fixa enquanto a parte de cima é móvel , esta maquina de Tração Universal também pode ser usada para realizar ensaios de Compressao, flexão, dobramento e cisalhamento. figura: corpos de prova e gráfico em tempo real O ensaio termina quando o corpo de prova se rompe em função da tensão exercida sobre ele. Quando a máquina excede a tensão de escoamento do material ocorre o elongamento do corpo de prova e sua posterior ruptura quando atingida a tensão de ruptura. figura: corpo elongado figura: corpo rompidov. Ensaio de compressão É um ensaio semelhante ao ensaio de tração, mas ao invés de tracionar, comprime o corpo de prova. A garra superior da máquina é substituida por um disco. A amostra é posicionada na máquina e se aproxima o disco até que encoste na peça, em seguida tendo inicio o ensaio. Assim como o ensaio de tração, o de compressão é controlado por um computador que gera o gráfico em tempo real e ao final exibe um relatório que pode ser salvo. 3. RESULTADOS E ANÁLISE a. Metalografia i. Teoria 1. Constituintes a. Austenita: Presente somente acima de 723°, é uma solução sólida de carbono no ferro gama e apresenta uma estrutura de grãos poligonais irregulares b. Ferrita: É ferro no estado alotrópico alfa, contendo em solução traços de carbono, apresenta também uma estrutura de grãos poligonais irregulares; possui baixa dureza e baixa resistencia à tração c. Cementita: É o carboneto de ferro Fe3C contendo 6,67% de carbono. Muito dura e quebradiça, responsável pla elevada dureza e resistência dos aços de alto carbono, assim como pela sua menor ductibilidade. d. Perlita: É a mistura mecanica de 88% de ferrita e 12% de cementita, na forma de lâminas finas, de espessura raramente superior a um milésimo de milimetro, dispostas alternadamente. Suas propriedades mecanicas são intermediárias entre a da ferrita e cementita, dependendo do tamanho das particulas. ii. Metalografias Foram obtidas imagens durante a microscopia das amostras para posterior análise, conforme segue, por amostra. 1. Como recebido figura: como recebido 500x Concluímos que o material esta em conformidade com o Aço 1045 como recebido , pois tem a mesma condição sem tratamento térmico de uma amostra conformada. Podemos ver camadas de ferríta e perlita, sobressaindo a ferrita. A equiaxidade dos grãos mostra que não houve trabalho mecânico a frio nessa direção. ( comparação com as informações buscadas do livro Colpert) 2. Recozido figura: recozido 400x Concluímos que o material esta em conformidade com Aço Sae 1045 recozido , pois tem-se a mesma condição sem tratamento térmico de uma amostra conformada. Podemos ver ferrita e perlita, sobressaindo a ferrita, mas com um leve aumento de perlita em comparação ao ensaio do tratamento como recebido. ( comparação com as informações buscadas do livro Colpert) 3. Revenido figura: revenido 500x Concluímos que o material esta em conformidade com Aço Sae 1045 revenido , pois tem-se a mesma condição sem tratamento térmico de uma amostra conformada, apresentando camadas grossas de Martensita. ( comparação com as informações buscadas do livro Colpert) 4. Comprimido figura: comprimido 500x Concluímos que o material esta em conformidade com o Aço 1045 comprimido , pois tem a mesma condição sem tratamento térmico de uma amostra conformada. Podemos ver camadas de ferríta e perlita, sobressaindo a ferrita, mas com um aumento elevado de perlita em comparação aos ensaios anteriores. ( comparação com as informações buscadas do livro Colpert) b. Ensaio de dureza i. Resultados: 1ª Medição 2ª Medição 3ª Medição 4ª Medição 5ª Medição Como recebido 82HRB 85HRB 95HRB 93HRB 96HRB Recozido 88HRB 92HRB 87HRB 92HRB 90HRB Tempera/revenido 59HRC 57HRC 58HRC 56HRC 57HRC Compressão 99HRB 103HRB 108HRB 110HRB 106HRB Tabela: demonstrativo de resultados Os resultados obtidos em cada série de ensaio de dureza teve sensiveis diferenças em função da micro-estrutura de cada material. ● Como recebido: não apresentava uniformidade de grãos, portanto, em cada medição havia diferenças nos constituintes presentes nas áreas, o que causou as divergencias. ● Recozido: o processo de recozimento remove todos os tratamentos anteriores e uniformiza os graos do material; após o recozimento o material teve uma distribuição menos divergente das durezas, o que demonstra uma uniformidade dos micro constituintes ● Tempera/revenido: foi necessário utilizar a escala Rockwell C em função da elevada dureza após o processo de tempera. Houve uniformidade na distribuição de grãos em função do posterior processo de revenimento, o que garantiu uma uniformidade na obtenção dos valores de dureza. ● Compressão: por ter recebido trabalho mecânico durante o ensaio de compressão, houve o encruamento do material, o que confere um incremento de dureza à amostra c. Ensaio de tração i. Resultados figura: grafico obtido no ensaio À partir do gráfico podemos concluir as principais propriedades do material, como a tensão de escoamento, tensão máxima e tensão de ruptura, assim como o alongamento máximo que o material pode receber. ● Tensão de escoamento: 370,15 MPa ● Tensão máxima: 502,94 MPa ● Alongamento na ruptura: 38,73% d. Ensaio de compressão i. Resultados firuga: gráfico obtido no ensaio Novamente, podemos concluir as principais propriedades do material, como a tensão de escoamento, tensão máxima e módulo de elasticidade, assim como o delongamento máximo que o material pode receber. ● Tensão de escoamento: 372,6 MPa ● Tensão máxima: 149,1 kgf/mm² ● Delongamento máximo: 41,95% 4. CONCLUSÃO Com os ensaios realizados no laboratório colocamos em pratica os ensinamentos passados em aula, essa atividade pratica foi de suma importancia para o aprendizado e fortalecimento do conteudo aprendido em aula. Com os ensaios realisado e obtidos seus resultados, concluimos que os mesmos tem muita semelhança com os dados encontrados em livros e tabelas. Pode-se perceber que a metalografia é um ótimo procedimento, que nos proporcionou um breve conhecimento na área de análise das estruturas dos materiais e também suas propriedades , o que possibilita um vasto conhecimento sobre os materiais usados na indústria. Concluimos que com este trabalho tivemos uma pequena amostra sobre a área de estrutura dos metais, isso mostra a grande dificuldade em que os profissionais da mesma tem e que ainda há muito o que se estudar nessa área 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS COLPAERT, Hubertus. Metalografia dos produtos siderúgicos comuns. São Paulo, Sp: Edgard Blucher, 2008. CHIAVERINI, Vicente. Aços - Carbono e Aços Liga São Paulo, SP: Associação Brasileira de Metais, 1971.