Prévia do material em texto
1 PUC - CAMPINAS CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS, AMBIENTAIS E DE TECNOLOGIAS FACULDADES DE ENGENHARIA AMBIENTAL E ENGENHARIA CIVIL HIDROLOGIA Parte II Cursos : Engenharia Ambiental e Engenharia Civil 2 Professora Sueli Bettine 5. ESCOAMENTO SUPERFICIAL 5.1 HIDROGRAMAS É o resultado da interação de todos os componentes do ciclo hidrológico entre a ocorrência da precipitação e a vazão na bacia hidrográfica, é o gráfico da variação da vazão ao longo do tempo em um dado ponto de observação na bacia (seção de interesse). A FORMA DO HIDROGRAMA depende de um grande número de fatores, os principais são: • relevo (densidade de drenagem, declividade do rio principal, declividade dos terrenos da bacia, capacidade de armazenamento e forma da bacia) : uma bacia com boa drenagem e grande declividade apresenta hidrograma íngreme com pouco escoamento base. Grandes áreas de inundação amortecem o escoamento e regularizam o fluxo. Îfigura d. • cobertura da bacia : a cobertura vegetal retarda o escoamento superficial e aumenta a evapotranspiração. A impermeabilização dos terrenos da bacia aumenta o escoamento superficial e sua velocidade provocanodo picos de cheia elevados. Î figura a . 3 • modificações artificiais no rio: reservatórios na bacia reduzem o pico e distribui o volume Î figura b . • distribuição, duração e intensidade da precipitação: para bacias pequenas (< 500 Km2 ) as precipitações convectivas provocam grandes enchentes (picos elevados e tempos de pico pequenos). Em bacias de grande porte, as precipitações mais importantes são as frontais Î figura c . • solo : condições de umidade do solo anteriores `a precipitação influem no escoamento resultante, mesmo para precipitações de pequeno volume. 5.2 CARACTERÍSTICAS DO HIDROGRAMA Tempo de retardo (t l) (time lag) : intervalo de tempo entre o centro de massa da precipitação e centro de massa do hidrograma. Tempo de pico (tp) : intervalo entre o centro de massa da precipitação e o tempo do pico. Tempo de concentração (tc) : é o tempo necessário para a água precipitada no ponto mais distante da bacia, deslocar-se até a seção principal. Definido como o tempo entre o fim da precipitação e o ponto de inflexão do hidrograma. Tempo de ascensão (tm): tempo entre o início da chuva e o pico do hidrograma. Tempo de base (tb) : tempo entre o início da precipitação e aquele em que a precipitação ocorrida já escoou através da seção principal, ou que o rio volta às condições anteriores à chuva. Tempo de recessão (te) : tempo necessário para a vazão baixar até o ponto C, quando 4 acaba o escoamento superficial. 5.3 SEPARAÇÃO DO ESCOAMENTO SUPERFICIAL Método 1 : extrapole a curva de recessão do ponto C até encontrar o ponto B localizado abaixo da vertical do pico. Ligar pontos ABC, o volume acima desta linha é o escoamento superficial. Método 2 : ligar A e C por uma reta. Método 3 : extrapolar a tendência anterior ao ponto A até encontrar o ponto D , ligar D com C e obtém-se a separação. Determinação do ponto C a) Linsley et al. ( 1975 ) : N = 0,827 . (A **0,2 ) ( A=Km2 e N=dias) b) Verificação visual plotando as vazões numa escala mono - log Î recessão equação exponencial tende a reta na escala log Î a mudança de declividade da reta indica o ponto C. c) Baseado na área da bacia : até 260 Km2 ----- N = 2 dias 1500 Km2 ----- N = 3 dias 5200 Km2 ----- N = 4 dias 13000 Km2 ----- N = 5 dias 26000 Km2 ----- N = 6 dias 5.4 LEIS DO ESCOAMENTO SUPERFICIAL - ( SHERMAN, 1932 ) 1a. Lei - Duas chuvas efetivas de igual duração geram hidrogramas de escoamento superficial de mesmo tempo base. 2a. Lei - Duas chuvas efetivas de igual duração geram hidrogramas de escoamento superficial em que as ordenadas nos tempos correspondentes são proporcionais às respectivas precipitações efetivas. 3a. Lei - O hidrograma de escoamento superficial resultante de uma sequência de N chuvas efetivas de igual duração é composto pela superposição dos hidrogramas de escoamento superficial de cada precipitação efetiva admitida como isolada. 6. TEORIA DO HIDROGRAMA UNITÁRIO HIDROGRAM UNITÁRIO é hidrograma de escoamento superficial direto, numa determinada seção de um curso d’água, proveniente de uma chuva efetiva (excedente) de altura unitária (10 mm) uniformemente distribuída sobre a bacia. 5 6.1 HIDROGRAMA UNITÁRIO NATURAL Para a construção de um H.U. natural as condições necessárias são : Posto fluvimétrico e posto pluviométrico. Etapas: 1. Buscar a chuva crítica e sua duração. Garantir que a chuva tenha ocorrido sobre toda a bacia . Um dos métodos é baseado na área da bacia: Área da bacia Duração da chuva > 2.600 Km2 12 a 24 horas 260 a 2.600 Km2 6 ; 8 ou 12 horas 50 a 260 Km2 2 horas < 50 Km2 1/3 a 1/4 do tempo de concentração da bacia. Q (m3/s) Tempo (horas) 2. Determinação do volume total precipitado sobre a bacia Volume (m3) = Área bacia x Precipitação Total 3. Separação do Escoamento Superficial e do Escoamento Base. C d Q(m3/s) escoamento superficial C B escoamento base A 6 Tb = tempo base Tempo 4. Determinação do Volume Escoado Superficialmente Área sob a figura do hidrograma delimitada pela linha de separação do escoamento base. 5. Determinação da precipitação excedente ou efetiva ( Pe ) Pe = Volume escoado superficialmente Área da bacia hidrográfica 6. Determinação do hidrograma unitário Q ( escom. superf. ) = Q ( H.U.) Pe 10 mm Determinação do Coeficiente de Escoamento Superficial da Bacia C = Volume escoado superficialmente = Pe x Área bacia Volume total precipitado Pt x Área bacia 6.2 HIDROGRAMAS UNITÁRIOS SINTÉTICOS Caso não se disponha de medições de chuva e de vazões na bacia, ou queira-se uma aplicação mais imediata pode-se calcular hidrogramas de escoamento superficial baseando-se na geomorfologia da bacia e sua ocupação; para tanto tem-se os hidrogramas unitários sintéticos de : • SNYDER • CUHP ( Colorado Urban Hydrograph Procedure ) • OAKES • SCS ( Soil Conservation Service ) 7 6.2.1 HIDROGRAMA UNITÁRIO SINTÉTICO DE SNYDER ( 1938 ) tr Q (m3/s) tt = duração da chuva tr = tempo de retardo Qp = vazão de pico Qp tempo de base Qp = 2,75 . Cp . A sendo Qp em m3/s tr A = área da bacia em Km2 tr = tempo de retardo em horas Cp = capacidade de armazenamento da bacia Cp = 0,86 . ( Ct ** 0,46 ) onde : Ct é o coeficiente relacionado com a porcentagem de impermeabilização da bacia ; variando de 0,82 a 1,62 para a região do Vale do Paraíba no Brasil e de 1,8 a 2,2 para região dos montes Apalaches. tr = ( Ct / 1,33 ) . [ ( L x La ) ** 0,3 ] onde : L = comprimento do rio principal desde as cabeceiras até a seção considerada em Km. 8 La = distância que vai da projeção do centro de gravidade da bacia sobre o rio principal até a seção considerada. tr = tempo de retardo em horas t = tr / 5,5 duração da chuva em horas t base = 5 . tr tempo de base em horas O traçado do hidrograma tem por base o hidrograma triangular, e pode ser traçado de maneira mais realista com o cálculo das seguintes larguras do hidrograma: W50 = 2,15 / qp , largura do hidrograma a 50% da vazão de pico. W75 = 1,12 / qp , largura do hidrograma a 75% da vazão de pico; qp = Qp/ A , qp é a vazão específica ou a vazão de pico por unidade de área da bacia. EXERCÍCIOS 1. O hidrograma unitário de uma determinada bacia para uma chuva de 1 hora de duração é de forma triangular com tempo de base de 6 horas e vazão de pico de 30 m3/s localizada na segunda hora. Assim determinar : a) o hidrograma unitário para esta mesma bacia mas para uma chuva de duas horas de duração. b) a área da bacia. 2. Determinar o hidrograma unitário sintético de Snyder para uma bacia com as seguintes características : • Área de drenagem com 250 Km2. • Comprimento do curso d’água principal igual a 17 Km. • Comprimento da projeção do C.G. sobre o rio principal até a seção igual a 5 Km. • Ct sendo igual a 0,9.