Diferença entre soberania popular e absolutismo

Diferença entre soberania popular e absolutismo

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DIFERENÇA ENTRE SOBERANIA POPULAR E ABSOLUTISMO 
 
 
1 DIREITO CONSTITUCIONAL 
 
Introdução 
 
O presente trabalho tem por objetivo abordar sobre \u201cA diferença entre Soberania Popular 
e Absolutismo\u201d. O título deste trabalho justifica-se pelo facto de que a soberania estatal não se 
estabeleceu da forma como hoje a conhecemos, eis que experimentou inúmeros conceitos ao 
longo da história. 
 
Por primeiro, será analisado o Absolutismo. É certo que desde os tempos mais remotos a 
sociedade necessitou de uma forma de controle social, entretanto, a primeira concepção de 
soberania do Estado de que se tem notícia foi elaborada pelo jurista francês Jean Bodin, em sua 
obra Les six livres de la republique (Os seis livros da República), em 1576. Esse período ficou 
essencialmente marcado pelo absolutismo, que teve manifestações fortes em países como 
França e Inglaterra. 
 
A derrocada do Antigo Regime Absolutista se deu através de revoluções como a Gloriosa, 
ocorrida na Inglaterra em 1688, e que culminou com a Declaração de Direitos, e a Francesa, de 
1789, com o famoso lema \u201cliberdade, igualdade e fraternidade.\u201d Chega-se, desse modo, ao 
presente, com a ideia do contratualismo defendida pelo filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau, 
em seu célebre livro \u201cO Contrato Social\u201d. 
 
Nesse momento, a soberania saiu das mãos do monarca e passou para as mãos do povo, 
o que se conhece como soberania popular. É esse também o marco inicial da divisão do Estado 
em seus três poderes: Judiciário, Legislativo e Executivo, que antes se concentravam nas mãos 
do monarca. 
 
Ao decorrer do trabalho abordaremos mais de uma forma abrangida sobre absolutismo e 
a soberania popular. 
 
Espera-se que este singelo trabalho possa, de alguma forma, contribuir para a melhor 
compreensão do assunto abordado e pesquisado, formulando uma refutação coerente para a 
seguinte questão: Qual é a diferença entre a soberania popular e absolutismo? 
 
É o que passamos a investigar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DIFERENÇA ENTRE SOBERANIA POPULAR E ABSOLUTISMO 
 
 
2 DIREITO CONSTITUCIONAL 
 
 
Absolutismo 
 
O Absolutismo trata-se de um Estado forte, centralizado e duradouro que tomou a forma 
de monarquia nacional. A França foi o único país onde o absolutismo da Idade Moderna melhor 
se desenvolveu. O processo de formação do Estado centralizado francês teve início com os 
governantes capetíngios, no século X. Foi durante a crise sucessória capetíngia, de 1328, que a 
família Valois assumiu o trono francês, gerando confrontos e disputas com a Inglaterra. Com a 
Guerra dos Cem Anos esses confrontos foram interrompidos. 
Este sistema é originário das mudanças ocorridas no continente ao final da Idade Média, 
onde na maioria das regiões da Europa acontece o fenômeno da centralização política nas mãos 
do rei, auxiliado pela classe burguesa. Os comerciantes e financistas visavam vantagens 
econômicas, como por exemplo o fim de diversos impostos e taxas existentes em regiões de um 
mesmo país em mãos de líderes regionais diferentes. Por outro lado, o monarca naturalmente 
buscava um sistema de governo onde pudesse exercer o máximo de seu poder, sem interferência 
da igreja nem dos senhores locais. 
Deste modo, surge o absolutismo, onde o rei exerce o poder de forma indiscriminada, com 
mínima interferência de outros setores da sociedade, e a classe burguesa apoiadora do monarca 
poderá prosperar com a unificação do poder nas mãos de um indivíduo em que confiam e que 
os auxilia a manter um comércio de proporções nacionais (em certos casos, até internacionais). 
Além disso, os negociantes financiariam os diversos projetos do monarca, e em troca, 
conseguiriam participações substanciais nos negócios do Estado. 
Com o absolutismo o rei concentrava todos os poderes, criando leis sem aprovação da 
sociedade, além de impostos e demais tributos de acordo com a situação ou um novo projeto ou 
guerra que surgisse. Além disso, o monarca interferia em assuntos religiosos, em alguns casos 
controlando o clero de seu país. 
A nobreza que acompanhava o monarca era uma classe exclusivamente parasitária, 
geralmente vivendo na corte do rei, e não tendo ocupação definida, a não ser o apoio irrestrito 
ao rei e o controle militar de certa região a favor do monarca. Qualquer oposição oriunda das 
camadas mais populares podia ser violentamente reprimida pelas forças do rei. Note-se que 
absolutismo e despotismo, apesar de similares, diferem pelo fato de o absolutismo ter uma base 
teórica (Jean Bodin, Thomas Hobbes, Nicolau Maquiavel) e o despotismo ser uma espécie de 
corrupção do absolutismo, onde o monarca age deliberadamente sem qualquer preocupação 
teórica, social, política ou religiosa. 
A prática econômica predominante no período absolutista era a do mercantilismo. A 
característica marcante deste sistema é uma intervenção latente do Estado nos negócios 
financeiros, onde predominava a ideia de que o acúmulo de riquezas proporcionaria 
necessariamente um maior desenvolvimento do Estado. Esse acúmulo de riqueza traria prestígio, 
poder e respeito internacional. O sistema era marcado pela proteção alfandegária, taxando 
altamente os produtos estrangeiros, metalismo, ou seja, acumulação de metais preciosos, pacto 
colonial, onde as colônias eram fechadas ao comércio com outros países que não a metrópole, 
balança comercial favorável, e a industrialização do país. 
DIFERENÇA ENTRE SOBERANIA POPULAR E ABSOLUTISMO 
 
 
3 DIREITO CONSTITUCIONAL 
Em grande parte dos países europeus, o sistema escolhido para substituir o Antigo Regime 
foi a República, com outros decidindo por manter a monarquia, mas agora atuando sob a tutela 
de um parlamento eleito popularmente e agindo sob a letra de uma Constituição. 
 
Muitas nações passaram por revoluções burguesas que puseram fim ao Regime 
Absolutista, como a França, com sua revolução de 1789. É importante lembrar que antes de 
serem derrubados pelas revoluções, muitos regimes absolutistas ainda tentaram, diante das 
críticas ao poder ilimitado do rei, reformar-se. Foi o chamado despotismo esclarecido. 
 
 
Poder Absoluto do Rei 
 
Regime absolutista - monarquia em que o rei tinha poderes ilimitados, absolutos. 
Contudo, não se deve confundir absolutismo com despotismo. Embora o conteúdo político de 
ambos seja o mesmo (isso é, o governante tem poderes ilimitados), apenas o absolutismo possui 
justificativas teóricas, formuladas à época de sua emergência, que o legitimam política e 
historicamente. 
Desde a Roma Antiga já existiam governantes com poderes absolutos (príncipe está isento 
da lei e o que apraz ao príncipe vigora como lei). Embora, na prática, tivessem poderes realmente 
ilimitados, ainda existia no Império Romano um arcabouço jurídico que, de certa forma, impunha 
restrições ao exercício absoluto do poder político. Pelo menos em tese, o governante era o 
primeiro cidadão, mas a res publica estava acima dele. 
Essa tradição chegou ao período medieval, quando sofreu uma inflexão que permitiu a 
emergência do absolutismo. Aos poucos, foi se consolidando uma versão que advogava pela 
superioridade (inclusive temporal) do governante, associando-o ao poder divino e, assim, 
eliminando quaisquer outros contra-poderes que limitassem seus desejos. Eis, então, o 
absolutismo, que se difere do simples despotismo pela sua historicidade, pelas ligações que 
mantém com um período específico da história ocidental - e da história europeia, em particular. 
 
Exemplos de Estados Absolutistas 
 
Ao longo da história, com a centralização do Estado Moderno, várias nações passaram a formar 
Estados Absolutistas. Eis alguns exemplos: 
 
França 
Considera-se a formação do Estado francês sob reinado dos reis Luís XIII (1610-1643) e do 
rei Luís XIV (1643-1715) durando até a Revolução Francesa, em 1789. 
Luís XIV limitou o poder da nobreza,