CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
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CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE


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CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
PREMISSAS DO CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
O controle de constitucionalidade é a base de todo o Estado de Direito, pois garante a conformação de toda atividade legislativa com o texto constitucional. O controle é, portanto, instrumento de veri\ufb01cação da compatibilidade entre uma lei e a Constituição, de modo que esta, por ser a norma superior do ordenamento jurídico, serve como parâmetro.
CONSTITUCIONALISMO
A CONSTITUIÇÃO não é um privilégio dos tempos modernos.
Ideia da CONSTITUIÇÃO como norma fundamental de um Estado - ou seja, de organização da estrutura e atividades estatais \u2013 é uma realidade histórica de qualquer tempo e lugar.
Em todos os momentos da história, os Estados possuíram uma constituição REAL e VERDADEIRA, ainda que não escrita (formal).
A CONSTITUIÇÃO é anterior ao próprio CONSTITUCIONALISMO
CONSTITUIÇÃO: é a topo da pirâmide normativa de um Estado. O estudo do constitucionalismo implica na análise da CONSTITUIÇÃO com suas formas e objetivos.
CONTITUCIONALISMO: é o movimento social, político e jurídico, a partir do qual emergem as constituições nacionais. André Ramos Tavares conceitua o constitucionalismo sob diferentes concepções:
1.Movimento político-social com origens históricas remotas que pretende limitar o poder arbitrário (separação dos Poderes) e garantir direitos fundamentais;
2. Movimento constitucional que prega a necessidade de elaboração de uma constituição ESCRITA (ou seja, de um documento solene);
3. O constitucionalismo indica os propósitos atuais das constituições nas diferentes sociedades;
4.Em resumo: é a evolução histórica dos Estado, com regras de limitação ao poder autoritário e garantia de direitos fundamentais.
EVOLUÇÃO HISTÓRICA
De forma simplificada, podemos dividir o constitucionalismo em ANTIGO (antiguidade, idade média e moderna) e MODERNO \u2013 sendo o moderno, a partir da Idade Contemporânea. Didaticamente, é preciso analisar o desenvolvimento do constitucionalismo ao longo do tempo: desde a antiguidade até os dias atuais.
1.	PRIMITIVO: surgiu nas primeiras coletividades humanas, as quais eram geralmente ágrafas (sem escrita), regidas por costumes (convicções religiosas). A doutrina majoritária considera os hebreus precursores do constitucionalismo: desenvolveram a noção de que o poder dos governantes estaria limitado pelos poderes do senhor. Os profetas tinham legitimidade para fiscalizar atos do governo que ultrapassassem os limites bíblicos.
2.	ANTIGUIDADE: a noção de constituição como norma fundamental de organização de um Estado já existia em Roma e na Grécia.
GRÉCIA ANTIGA: vigorou uma forma de organização política chamada de polis. As cidades podem ser visualizadas como importantes formas de reconhecimento dos cidadãos, sobretudo nas cidades-Estados gregas, que seguiam o modelo de democracia direta de Atenas.
Nas polis, os cidadãos participavam ativa e diretamente das decisões da comunidade = plena identidade entre governantes e governados. Este período marca a supremacia do Estado sobre a sociedade.
ARISTÓTELES: já apresentava uma divisão das normas em: 
1. normas de organização do Estado (Constituição) e 
2. normas comuns (leis, regras).
ROMA: embora sem Constituições escritas nem controle de constitucionalidade, havia uma valorização do parlamento e algumas sementes de limitação do poder.
3.	IDADE MÉDIA: período marcado por uma profunda fragmentação política, econômica e cultural decorrente do feudalismo: os senhores feudais (nobreza = suseranos e vassalos) exerciam não só o poder econômico, mas também o poder político nos feudos.
Contribuição importante da IDADE MÉDIA: desenvolvimento da ideia de que o REI só seria REI se respeitasse a Lei, a qual nesse momento, não era o diploma escrito: era um conceito amplo, que abarca do direito natural e os costumes. Descumprindo esse conceito, o REI estaria descumprindo as ordens de Deus. Marcado pela prevalência do poder da Igreja.
INGLATERRA: a Magna Carta (1215) é um marco do constitucionalismo inglês.
Considerada uma Constituição porque estabeleceu uma limitação ao poder do Rei, garantindo o direito de propriedade, sobretudo da burguesia. Ainda que seja um pacto (acordo de vontades com outorga de direitos), representa um documento importante de limitação do poder e concessão de direitos fundamentais \u2013 contudo, tratava-se de diretos diretamente direcionados a determinados homens, sem a perspectiva da universalidade.
IDADE MODERNA: contribui com a noção de territorialidade e afirmação da soberania do poder estatal (território com espaço para exercício do poder soberano do Estado).
INGLATERRA: Bill of rights (1689) é exemplo de pacto escrito, direcionado a determinados homens. Juntamente com outros documentos, foi moldando o constitucionalismo inglês, com a progressiva limitação do poder dos governantes e da burguesia.
Os ingleses aprimoraram as ideais de liberdade dos cidadãos, o tribunal do júri, habeas corpus, liberdade religiosa, acesso à justiça e o devido processo legal. O processo de formação do constitucionalismo inglês é peculiar: não é fruto de revoluções, tem caráter historicista. Ao longo da história harmonizou diversas forças (rei, igreja, burguesia), criando um governo equilibrado com o fim do absolutismo. Essa harmonização inspirou Montesquieu. 
CONSTITUCIONALISMO norte- americano: outro ponto importante da evolução na Idade Moderna foram os contratos de colonização. Os peregrinos chegavam aos EUA e não encontrando poder estabelecido, firmavam com os donos da terra contratos por mútuo consenso. Tais contratos trazem a ideia de organização do governo pelos próprios governados. São, portanto, indícios do constitucionalismo americano.
IDADE CONTEMPORÂNEA: a rigor, surge o que se entende por constitucionalismo MODERNO, em sua acepção estrita. Tomou força no séc. XVIII, em que predominavam as constituições escritas como instrumentos para separação do poder e contenção de qualquer poder arbitrário.
Período marcado pelo positivismo do Estado de Direito: as normas constitucionais são SUPERIORES ao próprio poder.
ESTADO ABSOLUTO
Constituição real (ainda que não escrita) que reunião no soberano as funções dos três poderes: legislativo, executivo e judiciário
Obediência irrestrita ao soberano
ESTADO DE DIREITO
Constituição escrita
Separação dos poderes
Garantia de direitos fundamentais
DESLOCAMENTO DA TITULARIEDADE DO PODER
PODER DO SOBERANO
SOBERANIA POPULAR
POVO = titular legítimo do poder
Esta fase possui dois marcos históricos:
1. CONSTITUIÇÃO NORTE-AMERICANA - 1787: a independência dos EUA foi um marco importante de afirmação do constitucionalismo moderno. Com a independência das 13 colônias britânicas, foi elaborada a constituição escrita dos EUA que até hoje está em vigor. O constitucionalismo americano traz importantes contribuições ao constitucionalismo moderno:
Primeira Constituição escrita;
Supremacia e rigidez constitucional;
Ideia de controle de constitucionalidade realizado pelo poder Judiciário;
Presidencialismo como sistema de governo, porque este é a melhor salvaguarda a separação dos poderes;
Reafirmação da democracia representativa: poder emana do povo (soberania popular);
Bicameralismo democrático: povo elege os representantes;
Federalismo: forma de Estado com repartição de competências entre os entes da federação (repartição de poder entre União e Estados- Membros).
Órgão guardião da Constituição: Suprema Corte, responsável pelo controle de constitucionalidade.
2. CONSTITUIÇÃO FRANCESA - 1791: teve como preâmbulo a Declaração dos Direitos do Homem, de 1789. Desenvolveu-se de modo contrário ao constitucionalismo inglês. Criado através de um processo revolucionário, de uma ruptura constitucional através da Revolução Francesa. Foi a revolução liberal burguesa de maior relevância. Contribuição para o constitucionalismo:
Constituição escrita;
Soberania estatal;
Princípio da separação dos poderes, em sua forma tripartite;
Previsão de direitos e garantias