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LEI DE GAUSS (capítulo 23 do Halliday) Disciplina: FSC 1026 – Física Geral e Experimental III Professora: Paula R. Kern Sala 1314 e-mail: paulafisicakern@gmail.com Superfície gaussiana Carga +2QCarga +Q Em todos os pontos da esfera, chamada de superfície gaussiana: • Os vetores do campo elétrico têm o mesmo módulo, E = kQ/r2, e apontam radialmente para longe da partícula (já que ela é positiva). • As linhas de campo apontam para longe da partícula e têm a mesma densidade (a qual é proporcional ao módulo do campo elétrico). O módulo dos vetores e a densidade das linhas de campo elétrico que atravessam a superfície gaussiana é duas vezes maior, pois a carga é +2Q. Superfície gaussiana Carga +2QCarga +Q A lei de Gauss relaciona os campos elétricos nos pontos de uma superfície gaussiana (fechada) à carga total envolvida pela superfície. Carga -0,5Q Vamos abordar problemas de dois tipos: • Conhecemos a carga e usamos a lei de Gauss para determinar o campo elétrico em um determinado ponto. • Conhecemos o campo elétrico em uma superfície gaussiana e usamos a lei de Gauss para determinar a carga envolvida pela superfície. Fluxo elétrico O fluxo elétrico descreve a quantidade de campo elétrico que atravessa uma superfície. Fluxo elétrico Considere-se uma superfície plana (de área A) e um campo elétrico uniforme: Apenas a componente x (módulo Ex = Ecosθ) atravessa o quadrado; a componente y é paralela ao quadrado e não aparece na lei de Gauss. Um vetor campo elétrico atravessa um pequeno quadrado numa superfície plana. O fluxo elétrico é dado pelo produto do campo que atravessa a superfície pela área envolvida. Outra possibilidade é definir um vetor área que é perpendicular ao quadrado e tem um módulo igual à área do quadrado. Nesse caso, o produto escalar fornece automaticamente a componente do campo que é paralela ao vetor área e atravessa o quadrado. Fluxo elétrico Para determinar o fluxo elétrico total que atravessa a superfície de área A, somamos o fluxo que atravessa todos os pequenos quadrados da superfície: A soma na equação acima é transformada em uma integral reduzindo os pequenos quadrados de área ΔA em elementos de área dA. Assim: (Fluxo total) Fluxo elétrico Como calcular o produto escalar que aparece no integrando? (Fluxo total) - Escrevendo os dois vetores na notação de vetores unitários. - Podemos calcular também na notação módulo-ângulo. Se o campo elétrico é uniforme e a superfície é plana, esse produto é constante e pode ser colocado do lado de fora da integral. (Campo uniforme, superfície plana) Superfície fechada As componentes do campo elétrico atravessam a superfície de dentro para fora ou de fora para dentro? Se o sentido do campo elétrico é para fora da superfície, o fluxo é positivo; se o sentido do campo elétrico é para dentro da superfície, o fluxo é negativo; se o campo elétrico é paralelo à superfície, o fluxo é zero. O vetor área tem sentido (positivo) para fora da superfície fechada. O fluxo total através de uma superfície fechada (a qual é utilizada na lei de Gauss) é dado por: onde a integral é calculada sobre toda a superfície fechada (por isso o símbolo no sinal da integral). O fluxo é uma grandeza escalar. É a quantidade de campo elétrico que atravessa a superfície, e não o campo em si. A unidade é o N.m2/C. Fluxo de um campo uniforme através de uma superfície cilíndrica Fluxo de um campo elétrico não-uniforme através de um cubo Lei de Gauss Duas cargas pontuais, de mesmo valor absoluto e sinais opostos, e as linhas de campo que representam os campos elétricos criados pelas cargas no espaço em torno delas. Quatro superfícies gaussianas são vistas de perfil. Lei de Gauss Superfície 1 – O campo elétrico aponta para fora em todos os pontos da superfície. Se Φ é positivo, a qenv deve ser positiva. Superfície 2 – O campo elétrico aponta para dentro em todos os pontos da superfície. Se Φ é negativo, a qenv deve ser negativa. Lei de Gauss Superfície 3 – A superfície não envolve nenhuma carga, assim o fluxo do campo elétrico é nulo. Todas as linhas que entram pela parte de cima saem pela parte de baixo. Superfície 4 – A carga total envolvida pela superfície é nula, já que as cargas envolvidas têm o mesmo valor absoluto e sinais opostos. O fluxo do campo elétrico através dessa superfície é zero. O número de linhas de campo que entram na superfície pela parte de baixo é igual ao número de linhas que saem pela parte de cima. Lei de Gauss e Lei de Coulomb - A lei de Gauss pode ser usada para determinar o campo elétrico produzido por uma partícula carregada. - Simetria esférica – o campo elétrico tem o mesmo valor E em todos os pontos da superfície da esfera. -Vamos dividir a superfície em áreas elementares dA. O vetor área dA é perpendicular ao elemento de área e aponta para fora da esfera. - A simetria da situação mostra que o campo elétrico E também é perpendicular à superfície da esfera. Lei de Gauss e Lei de Coulomb EdAcos θ = EdAcos00 = EdA O módulo do campo elétrico é igual em todos os elementos de área Área da esfera Mesmo resultado obtido por meio da lei de Coulomb! EXEMPLO 23.04 – Qual é a carga elétrica envolvida pelo cubo gaussiano do exemplo 23.02? UM CONDUTOR CARREGADO Se uma carga em excesso é introduzida em um condutor, a carga se concentra na superfície do condutor; o interior do condutor permanece neutro. A lei de Gauss permite demonstrar um teorema importante a respeito dos condutores: O teorema faz sentido pois: - Cargas de mesmo sinal se repelem, assim, ao se acumularem em uma superfície, se mantêm afastadas o máximo possível umas das outras. UM CONDUTOR CARREGADO A figura mostra um pedaço de cobre, pendurado por um fio isolante, com uma carga em excesso q. Uma superfície gaussiana é colocada logo abaixo da superfície do condutor. O que ocorre nessa situação? - O campo elétrico no interior do condutor deve ser nulo, se não fosse nulo haveria um movimento de cargas no interior do condutor (devido à força sobre os elétrons de condução). - Um campo elétrico interno existe enquanto o condutor está sendo carregado. A carga adicional logo se distribui de tal forma que o campo elétrico interno se anula e as cargas param de se mover (equilíbrio eletrostático). UM CONDUTOR CARREGADO O que ocorre nessa situação? - Se E é zero em todos os pontos do interior do pedaço de cobre, deve ser zero em todos os pontos da superfície gaussiana (que está no interior do pedaço de cobre). - O fluxo elétrico é zero e, de acordo com a lei de Gauss, a carga envolvida pela superfície gaussiana deve ser nula. Assim, o excesso de carga só pode estar na superfície do condutor. UM CONDUTOR CARREGADO Campo elétrico externo Uma superfície gaussiana cilíndrica, engastada perpendicularmente no condutor, envolve parte das cargas. Linhas de campo elétrico atravessam a base do cilindro que está do lado de fora do condutor, mas não a base que está do lado de dentro. (superfície condutora) APLICAÇÕES DA LEI DE GAUSS: SIMETRIA CILÍNDRICA Vamos obter uma expressão para o módulo do campo elétrico a uma distância r do eixo da barra. Em qualquer ponto do espaço E aponta radialmente para longe da barra (a carga é positiva). A figura apresenta uma superfície gaussiana cilíndrica envolvendo parte de uma barra de plástico cilíndrica, de comprimento infinito,com uma densidade linear uniforme de carga positiva λ. APLICAÇÕES DA LEI DE GAUSS: SIMETRIA PLANAR a) Vista em perspectiva. b) Vista lateral de uma pequena parte de uma placa de grande extensão com uma carga positiva na superfície. Uma superfície gaussiana cilíndrica, com o eixo perpendicular à placa e uma base de cada lado da placa, envolve parte das cargas. Vamos obter uma expressão para o módulo do campo elétrico a uma distância r da placa. E aponta para longe da placa (a carga é positiva). APLICAÇÕES DA LEI DE GAUSS: SIMETRIA PLANAR Duas placas condutoras - A carga em excesso fica na superfície das placas. - As cargas se distribuem uniformemente nas duas faces com uma densidade superficial de carga σ1. - Nas proximidades da superfície, E = σ1/ε0. - Como as placas são condutoras, quando as aproximamos, as cargas em excesso de uma placa atraem as cargas em excesso da outra, e todas as cargas em excesso se concentram na superfície interna das placas. E aponta para longe da placa positiva e na direção da placa negativa. Do lado de fora das placas E = 0, pois não existe excesso de carga nas faces externas. EXEMPLO 23.07 – Campo elétrico nas proximidades de duas placas isolantes carregadas paralelas A figura (a) mostra partes de duas placas de grande extensão, isolantes, paralelas, com uma carga uniforme do lado esquerdo. Os valores das densidades superficiais de carga são σ(+) = 6,8 µC/m 2 para a placa positivamente carregada e σ(-) = 4,3 µC/m2 para a placa negativamente carregada. Determine o campo elétrico E (a) à esquerda das placas, (b) entre as placas e (c) à direita das placas. EXEMPLO 23.07 – Campo elétrico nas proximidades de duas placas isolantes carregadas paralelas Para onde aponta o campo elétrico total em cada uma das regiões? APLICAÇÕES DA LEI DE GAUSS: SIMETRIA ESFÉRICA Vamos demonstrar os teoremas das cascas! APLICAÇÕES DA LEI DE GAUSS: SIMETRIA ESFÉRICA Situações equivalentes APLICAÇÕES DA LEI DE GAUSS: SIMETRIA ESFÉRICA Vista em seção reta de uma casca esférica fina, uniformemente carregada, com uma carga total q. A superfície gaussiana S2 envolve a casca. A superfície S1 envolve a cavidade vazia que existe no interior da casca. Quando aplicamos a lei de Gauss à superfície gaussiana S2, para a qual r ≥ R: Logo, o campo é igual ao que seria criado por uma carga pontual q localizada no centro da casca. Está demonstrado o primeiro teorema das cascas! APLICAÇÕES DA LEI DE GAUSS: SIMETRIA ESFÉRICA Gaiola de Faraday APLICAÇÕES DA LEI DE GAUSS: SIMETRIA ESFÉRICA Quando aplicamos a lei de Gauss à superfície gaussiana S1, para a qual r < R: E = 0, pois a superfície não envolve nenhuma carga. E = 0 (campo para r < R) Assim, se existe uma partícula carregada no interior da casca, a casca não exerce nenhuma força sobre a partícula. Está demonstrado o segundo teorema das cascas! APLICAÇÕES DA LEI DE GAUSS: SIMETRIA ESFÉRICA APLICAÇÕES DA LEI DE GAUSS: SIMETRIA ESFÉRICA Toda distribuição de carga esfericamente simétrica, como a distribuição de raio R e densidade volumétrica de carga ρ da figura ao lado, pode ser substituída por um conjunto de cascas esféricas concêntricas. Considera-se que a distribuição de carga é apenas função de r, ou seja, ρ(r) e tem um valor único para cada casca. APLICAÇÕES DA LEI DE GAUSS: SIMETRIA ESFÉRICA Referências - Halliday e Resnick, vol. 3, 10 edição