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ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS MATERIAIS ANALISTA DO SEGURO SOCIAL – INSS PROFESSOR RENATO FENILI 1 Prezado amigo(a), Espero que o período de estudos tenha sido bastante proveitoso. Eis a programação que seguiremos nesta aula: AULA CONTEÚDO 3 Gestão de Estoques - Parte II (Estoques: planejamento, processos e políticas de administração de estoques; determinação de níveis de estoque, tempo de ressuprimento e estoques de segurança; avaliação de estoques – métodos) Em nosso encontro de hoje, concluiremos o estudo da Gestão de Estoques, já iniciado na última aula. Serão apresentados tópicos bastante diversificados, e muito cobrados em concursos. Tudo pronto? Então, vamos ao trabalho! ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS MATERIAIS ANALISTA DO SEGURO SOCIAL – INSS PROFESSOR RENATO FENILI 2 I. NÍVEIS DE ESTOQUE E SISTEMAS DE REPOSIÇÃO: SISTEMA DE REPOSIÇÃO PERIÓDICA E SISTEMA DE REPOSIÇÃO CONTÍNUA (PONTO DE PEDIDO) Vimos, na aula passada, como o gestor de material pode determinar os dados de previsão de consumo para determinado período. O próximo passo é a efetiva providência do reabastecimento de seus estoques. Há dois sistemas principais de reposição de estoque: periódico e contínuo, cujas caraterísticas principais são abordadas a seguir. Sistema de reposição periódica = Modelo de estoque máximo = Modelo de intervalo padrão = os pedidos para reposição de estoques são feitos periodicamente. A quantidade comprada, somada com a existente em estoque, deve ser suficiente para atender o consumo até a chegada da encomenda seguinte. Guardadas as devidas proporções, é o sistema utilizado por quem vai ao supermercado uma vez por semana, por exemplo. Neste modelo, decorrido um certo período T, verifica-se o que falta para chegar ao Estoque Máximo (Emáx) e faz-se o pedido do Lote de Compra (LC). Sistema de reposição contínua = Sistema de Máximos e Mínimos = sempre que o estoque atingir uma determinada quantidade, um novo pedido de compra é emitido. Esta quantidade é chamada de Ponto de Pedido. Seria semelhante ao “sistema” utilizado por quem vai ao supermercado somente quando a geladeira está ficando vazia. O quadro abaixo nos mostra algumas outras definições importantes sobre a reposição de estoques: CONCEITO DEFINIÇÃO Tempo de Reposição (TR) É o intervalo de tempo entre a emissão do pedido e a chegada do material no almoxarifado. É também conhecido como lead time. = Δt (processamento do pedido + tarefas do ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS MATERIAIS ANALISTA DO SEGURO SOCIAL – INSS PROFESSOR RENATO FENILI 3 CONCEITO DEFINIÇÃO fornecedor + recebimento) Lote de Compra (LC) Quantidade do item de material especificada no pedido de compras Ponto de Pedido (PP) É a quantidade de um determinado produto em estoque que, sempre que atingida, deve provocar um novo pedido de compra. Esta quantidade garante a continuidade do processo produtivo até que chegue o Lote de Compra (durante o Tempo de Reposição) PP = (C X TR) + ES, onde C = consumo médio do item TR = tempo de reposição ES = estoque mínimo ou de segurança Estoque mínimo ou de segurança (ES) É um estoque “adicional”, capaz de cobrir eventuais atrasos no tempo de reposição, cancelamento do Lote de Compra ou aumento imprevisto no consumo. Estoque Máximo (Emáx) É o máximo de itens em almoxarifado. É igual à soma do estoque de segurança com o lote de compra. Emáx = ES + LC São recorrentes as cobranças, em concursos, sobre os sistemas de reposição de estoques – em especial o sistema de reposição contínua (ponto de pedido). Vejamos algumas questões. 1. (CESPE / AGU / 2010) Considerando que certa empresa utilize o sistema de ponto de pedido para atingir a máxima eficiência das reposições de seu estoque; que o consumo diário de determinado item nessa empresa seja de 120 unidades; que o período de reabastecimento do item seja de 2 dias e que o estoque de segurança do item corresponda ao consumo de 1 dia, é correto afirmar que o ponto de pedido do item em questão é de 360 unidades. Pelos dados do enunciado, temos: ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS MATERIAIS ANALISTA DO SEGURO SOCIAL – INSS PROFESSOR RENATO FENILI 4 Consumo = C = 120 unidades/dia Tempo de Reposição = TR = 2 dias Estoque mínimo = Estoque de Segurança = ES = número de unidades consumidas em 1 dia = 120 unidades (lembrando que o estoque mínimo ou de segurança não é dado em função do tempo, mas sim de unidades armazenadas!!). Assim ES = 120 unidades A partir destas informações, podemos achar o Ponto de Pedido (PP): A assertiva está, portanto, certa. Com relação ao sistema de reposição contínua (ponto de pedido), é usual a representação gráfica do nível de estoque através da chamada de curva dente de serra, ilustrada nas próximas questões. 2. (ESAF / SUSEP / 2010 – adaptada) Em um sistema de estoque, a movimentação dos materiais pode ser representada por um gráfico conhecido por “dente de serra”. A chamada “curva dente de serra” nada mais é do que uma representação gráfica inerente ao sistema de reposição contínua de estoques. Seu nome é devido à semelhança de sua representação com os dentes de uma serra, conforme veremos na próxima questão. A afirmativa está correta. ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS MATERIAIS ANALISTA DO SEGURO SOCIAL – INSS PROFESSOR RENATO FENILI 6 estoque jamais cai abaixo de C. Trata-se do Estoque Mínimo ou de Segurança, uma prevenção contra a ruptura de estoque. Logo, pelas explicações relativas ao Nível C, vemos que a assertiva está certa. 4. A-B representa a quantidade a ser pedida na compra do item em questão. A quantidade a ser pedida na compra – o LOTE DE COMPRA – deve ser tal que, quando ocorrer sua efetiva entrega no órgão requisitante, atinge-se o Estoque Máximo. Assim, há de se levar em conta o consumo durante o Tempo de Ressuprimento. Lembre-se que Emáx = LC + ES Portanto, a representação do Lote de Compra é o segmento A-C, e a assertiva está errada. 5. (ESAF / SUSEP / 2010 – adaptada) O ponto de pedido deve coincidir com o momento em que o estoque a ser ressuprido atinge o nível de segurança. O momento em que o estoque atinge o nível de segurança é representado, na curva dente de serra abaixo, por C1. Caso fizéssemos um pedido de compra apenas nesse momento, teríamos que iniciar o consumo de nosso estoque de segurança, até o momento em que o lote de compra fosse efetivamente entregue pelo fornecedor. Esta situação, por ser extremamente arriscada, é evitada a todo custo pelas organizações. Lembre- se, se tudo correr bem, o estoque de segurança nunca será usado. ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS MATERIAIS ANALISTA DO SEGURO SOCIAL – INSS PROFESSOR RENATO FENILI 8 Pelos dados do enunciado, temos: Consumo = C = 30 unidades/mês Tempo de Reposição = TR = 2 meses Estoque mínimo = Estoque de Segurança = ES = número de unidades consumidas em 1 mês = 30 unidades (lembrando que o estoque mínimo ou de segurança não é dado em função do tempo, mas sim de unidades armazenadas!!). Assim ES = 30 unidades A exemplo da questão anterior, devemos estabelecer alguns elementos principais para desenhar uma curva dente de serra. São eles: Nível A =Estoque Máximo. Não é possível, a partir dos dados do enunciado, determinar esse valor. Nível B = Nível do Ponto de Pedido. Para determiná-lo, devemos definir o Ponto de Pedido: Nível C = É o nível referente ao estoque mínimo ou de segurança. Corresponde, como vimos, a 30 unidades. De posse desses dados, um esboço da curva dente de serra seria assim representado: ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS MATERIAIS ANALISTA DO SEGURO SOCIAL – INSS PROFESSOR RENATO FENILI 10 Uma alteração sazonal é uma variação periódica e significativa do volume de consumo, em geral superior a 30% do valor médio. Mas, sendo sazonal, é previsível. E, sendo previsível, não tem relação com o estoque de segurança. Um exemplo seria o consumo de sorvete, no verão, ou o de chocolates, na Páscoa. O enunciado está errado. 9. Com base na situação considerada, é correto afirmar que o ponto de pedido da referida peça é igual a 90 unidades. Já determinamos o ponto de pedido na questão 11, a fim de esboçarmos a curva dente de serra. A questão está correta. 10. (CESPE / Câmara dos Deputados / 2012) Considere que um item de determinado estoque seja consumido na média de 15 unidades por mês e que o tempo de reposição desse item seja de dois meses. Nessa situação hipotética, dada a necessidade de se garantir o estoque mínimo para dois meses de consumo, o ponto de pedido será igual a 60. Pelos dados do enunciado, temos: Consumo = C = 15 unidades/mês Tempo de Reposição = TR = 2 meses Estoque mínimo = Estoque de Segurança = ES = número de unidades consumidas em 2 meses = 30 unidades (lembrando que o estoque mínimo ou de segurança não é dado em função do tempo, mas sim de unidades armazenadas!!). Assim ES = 30 unidades Para encontrarmos o ponto de pedido, basta aplicarmos a fórmula: ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS MATERIAIS ANALISTA DO SEGURO SOCIAL – INSS PROFESSOR RENATO FENILI 11 Resposta: certa 11. (ESAF / SUSEP / 2010) Com base nos seguintes dados sobre o consumo de um material qualquer, assinale a opção que indica, corretamente, o ponto de pedido (P) e a quantidade (Q) a ser adquirida em cada pedido: - consumo mensal: 50 unidades. - tempo de reposição: 1,5 mês. - estoque mínimo: 2,0 meses de consumo. a) P = 175 // Q = 75 b) P = 100 // Q = 50 c) P = 100 // Q = 50 d) P = 175 // Q = 50 e) P = 150 // Q = 50 Pelos dados do enunciado, temos: Consumo = C = 50 unidades/mês Tempo de Reposição = TR = 1,5 mês Estoque mínimo = Estoque de Segurança = ES = número de unidades consumidas em 2 meses = 100 unidades (lembrando que o estoque mínimo ou de segurança não é dado em função do tempo, mas sim de unidades armazenadas!!). Assim ES = 100 unidades Para encontrarmos o ponto de pedido, basta aplicarmos a fórmula: Já com relação ao quantitativo a ser adquirido, não há como defini-lo com precisão. O que podemos fazer é apenas definir um quantitativo mínimo que deve ser adquirido, tendo em vista o consumo que ocorre durante o tempo de ressuprimento. Vejamos, assim, o consumo durante o TR: ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS MATERIAIS ANALISTA DO SEGURO SOCIAL – INSS PROFESSOR RENATO FENILI 12 Dessa forma, ao dimensionarmos o nosso lote de compra em 75 unidades, teremos a medida exata para atendermos a demanda durante o tempo de ressuprimento. Qualquer quantitativo menor que este, teremos que iniciar o consumo do estoque de segurança. Analisando as alternativas, vemos que a única que está de acordo com este raciocínio é a A. Resposta: A. 12. (CESPE / ABIN / 2010 – adaptada) A respeito dos sistemas de reposição de estoque, julgue o item a seguir: No sistema de duas gavetas, que consiste na existência de dois recipientes com exatamente a mesma quantidade do mesmo item, o segundo recipiente só é utilizado quando se exaure o conteúdo do primeiro recipiente. O sistema de duas caixas ou de duas gavetas é uma das opções da organização com a finalidade de operacionalizar o método de reposição contínua (ou ponto de pedido). Por ser um método mais “grosseiro” de controle, usualmente é empregado para a gestão de itens de menor relevância econômica (itens da classe “C”, referindo-se à classificação ABC). Ao adotarmos a reposição contínua como política de ressuprimento de estoques de uma organização, fazemos um pedido de compra sempre que o estoque atingir determinada quantidade. Um modo simples de sabermos o exato instante de fazermos este pedido é o seguinte: A gaveta (ou caixa) 1 possui os itens de material responsáveis para atender o consumo durante o período (sem que tenha sido feito o pedido de compra). A gaveta (ou caixa) 2 é menor e apresenta uma quantidade de material suficiente para atender o consumo durante o tempo de reposição, somado ao estoque mínimo. ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS MATERIAIS ANALISTA DO SEGURO SOCIAL – INSS PROFESSOR RENATO FENILI 14 14. (CESGRANRIO / PETROBRÁS / 2011) Em um determinado estoque, o consumo diário de um item de estoque é constante e igual a 30 unidades, incluindo fins de semana e feriados. Sabe- se que o saldo de estoque, no início do dia 1 do mês, era de 500 unidades, e, ao final do dia 30, esse saldo foi de 200 unidades. O gerente de armazenamento perdeu os registros de entrada desse material, mas tem certeza de que foram realizadas duas entradas de quantidades idênticas no mês em questão. Se o ponto de ressuprimento é de 200 unidades, e o tempo de reposição (lead-time) do fornecedor é de 3 dias, conclui-se que houve entradas em estoque nos dias: a) 5 e 19 b) 10 e 20 c) 11 e 25 d) 13 e 23 e) 14 e 26 Primeiramente, vamos listar os dados do enunciado: • Saldo inicial = 500 unidades • Saldo final = 200 unidades • Consumo = 30 unidades/dia (1 mês = 30 dias) • TR = 3 dias • PP = 200 unidades O primeiro passo é o cálculo do estoque de segurança: Agora podemos calcular o Lote de Compra (entrada): ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS MATERIAIS ANALISTA DO SEGURO SOCIAL – INSS PROFESSOR RENATO FENILI 16 II. PLANEJAMENTO E POLÍTICAS DE ADMINISTRAÇÃO DE ESTOQUES: SISTEMAS DE PRODUÇÃO EMPURRADA (TRADICIONAL) E PUXADA (JUST IN TIME) O intuito principal do Gestor de Estoques é a manutenção de um elevado nível de serviço, ou seja, que um percentual elevado das requisições de material a ele dirigidas sejam efetivamente atendidas. Para tanto, há, basicamente, duas opções em termos de políticas de administração de estoques: manutenção de elevados níveis de estoque; ou manutenção de níveis mínimos de estoque, mas sempre que for necessário, o fornecedor externo irá prover uma entrega de material com a devida celeridade (rapidez). A primeira opção (manutenção de elevador níveis de estoque) foi a política que predominou por grande parte do século passado, consolidando o chamado Sistema Tradicional de Abastecimento. A segunda opção, por sua vez, é referente a uma política mais recente, originada no Japão do pós-guerra: é a chamada filosofia just in time. Preliminarmente, pode-se dizer que o Just in Time é uma filosofia degestão de estoque que defende a minimização dos níveis estocados como forma de redução de desperdícios. A Toyota Motor Company, empresa japonesa do ramo automobilístico, foi pioneira na defesa da extinção de estoques, ainda nos anos 50. Assim, o Sistema Toyota de Produção passou a utilizar uma abordagem de trabalho denominada Just-in-Time (JIT), significando fazer “o que é necessário, quando é necessário, e na quantidade necessária”. Dentro do JIT encontramos a ferramenta de controle de estoque chamada de Kanban que, para Shingo (1996), significa “abastecer a unidade fabril, de acordo com os itens necessários, nas quantidades necessárias, no momento necessário, com a qualidade necessária para suprir a linha de montagem final sem perdas e geração de estoques”. Assim, ao passo que o Just in Time é uma abordagem metodológica de trabalho, o kanban é uma ferramenta de controle de estoque, inserida na “filosofia” do Just in Time. ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS MATERIAIS ANALISTA DO SEGURO SOCIAL – INSS PROFESSOR RENATO FENILI 17 O importante é lembrarmos que o Sistema Just-in-Time prima pelo estoque nulo, considerando-o um verdadeiro desperdício de investimentos. O Just-in-Time / Kanban trouxe uma quebra de paradigma com relação ao chamado Sistema Tradicional de Abastecimento. No Sistema Tradicional de Abastecimento, o que importa é a produção de itens de material em cada etapa do processo produtivo, “empurrando-os” para a próxima etapa (= sistema de produção empurrada). O foco, nesse caso, é a previsão da demanda. Já no Just in Time / Kanban, o foco é a demanda efetiva, sendo que esta “puxa a produção” (= sistema de produção puxada). Dependendo da velocidade da produção, os estoques são repostos com maior ou menor rapidez. Os quadros abaixo, baseados em Viana (2000, p. 170), trazem uma comparação ente o Sistema Tradicional de Abastecimento e a dinâmica do Just in Time / Kanban, no que diz respeito à abordagem do estoque e ao relacionamento com fornecedores: ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS MATERIAIS ANALISTA DO SEGURO SOCIAL – INSS PROFESSOR RENATO FENILI 19 A questão está, assim, correta. 16. (CESPE / ABIN / 2010) O sistema denominado kanban tem por objetivo controlar e balancear a produção, com eliminação dos desperdícios, e acionar um sistema de reposição de estoque pela indicação dos seguintes fatores: o que, quando e quanto fornecer e produzir. É pertinente relembrarmos o conceito de kanban. Kanban é uma ferramenta de controle de estoque, inserida na filosofia do Just in Time, que tem por objetivo: “abastecer a unidade fabril, de acordo com os itens necessários, nas quantidades necessárias, no momento necessário, com a qualidade necessária para suprir a linha de montagem final sem perdas e geração de estoques”. Ao compararmos a transcrição acima com o enunciado da questão, podemos notar que apenas a “qualidade necessária” não foi levada em consideração pela banca. No entanto, isso não compromete a assertiva, que se encontra, assim, certa. 17. (CESPE / MPS / 2010) A ferramenta de administração denominada just in time é um modelo de gestão de estoques que busca reduzir o desperdício. Devemos apenas recordar das características inerentes ao Just in Time: • Redução de desperdícios; • Estoque nulo; • Aquisição/entrega de materiais apenas quando necessários; • Necessidade de maior agilidade no ressuprimento (tempo de ressuprimento mínimo); • Ciclos curtos e ágeis de produção. A questão está certa. ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS MATERIAIS ANALISTA DO SEGURO SOCIAL – INSS PROFESSOR RENATO FENILI 20 18. (CESPE / TJDF / 2008) O sistema just-in-time é um método de gestão de estoques destinado a reduzir a probabilidade de desabastecimento do setor produtivo em função da maximização dos volumes em estoque. Umavez mais, recorremos às principais características inerentes ao just in time (JIT): • Redução de desperdícios; • Estoque nulo; • Aquisição/entrega de materiais apenas quando necessários; • Necessidade de maior agilidade no ressuprimento (tempo de ressuprimento mínimo); • Ciclos curtos e ágeis de produção. No JIT, a redução da probabilidade de desabastecimento é dada a partir de reposições mais ágeis, com a minimização do Tempo de Ressuprimento. A questão está errada. 19. (CESPE / ANAC / 2009) Sistemas de produção embasados no método just-in-time são intensivos em utilização de espaço físico para estocagem de matéria-prima ou de mercadorias a serem vendidas pela organização. Uma vez mais, devemos ter em mente que o método just in time defende a consecução de estoques mínimos (ou, até mesmo, do estoque nulo). Assim, não há de se falar em utilização intensiva de espaço físico para a armazenagem de itens de material. A questão está errada. ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS MATERIAIS ANALISTA DO SEGURO SOCIAL – INSS PROFESSOR RENATO FENILI 21 20. (CESPE / STF / 2008) Comparando-se os sistemas just-in-time com o tradicional, aqueles envolvem ciclos curtos de produção e requerem flexibilidade para promover alterações de produtos; a indústria tradicional, ao contrário, sempre se beneficiou das economias de escala garantidas pelos longos ciclos. Visando à minimização do tempo de ressuprimento, os pedidos n JIT são frequentes e em menor escala. Isso confere maior celeridade ao processo produtivo, mas perde-se em economia de escala. A assertiva está, portanto, certa. 21. (CESPE / TST / 2008) Ao contrário da abordagem tradicional dos sistemas de produção, just-in-time caracteriza-se como um sistema no qual qualquer movimento de produção somente é liberado na medida da necessidade sinalizada pelo usuário da peça ou do componente em fabricação. O enunciado apresenta, de forma apropriada, a noção de sistema de produção puxada, ou seja, cuja dinâmica é estimulada pela demanda efetiva. A questão está certa. III. MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUE Avaliar um estoque significa estimar quanto capital encontra-se imobilizado em estoque. Esta informação é das mais importantes à cúpula da organização. Afinal, deve haver uma preocupação em garantir que o capital imobilizado em estoques não atinja grandes vultos, mantendo-se de acordo com a política de gestão de materiais da organização. Em adição, é obrigatória a declaração dos valores imobilizados em estoques nos informes de imposto de renda. Preliminarmente, é importante ressaltarmos que a avaliação é feita a partir dos preços dos itens de material que temos em estoque. ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS MATERIAIS ANALISTA DO SEGURO SOCIAL – INSS PROFESSOR RENATO FENILI 22 Um dos modos que temos de avaliar o estoque é através dos inventários físicos (procedimentos de levantamento físico e contagens dos itens de material em uma organização). No entanto, iremos nos aprofundar nos modos de avaliação feitos através de fichas de controle de cada item em estoque. Um modo simples de avaliarmos nosso estoque é chamado de custo de reposição. Trata-se de verificar, no mercado, qual o preço vigente do item de material que temos em estoque. Dado que os preços, em geral, variam de acordo com a inflação, um modo simples de avaliarmos nosso estoque seria aplicar esse índice mensal aos valores de compra dos materiais. Há, no entanto, três métodos de avaliação de estoque mais comumente empregados nas organizações. São eles: As principaiscaracterísticas destes modos de avaliação são apresentadas no quadro abaixo: ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS MATERIAIS ANALISTA DO SEGURO SOCIAL – INSS PROFESSOR RENATO FENILI 23 O tópico “Métodos de Avaliação de Estoques” é cobrado em concursos tanto com relação à parte conceitual, quanto no que concerne aos cálculos matemáticos. Vejamos algumas questões. 22. (CESPE / MPU / 2010) O método FIFO (ou PEPS) prioriza a ordem cronológica da entrada dos itens de estoque, ou seja, o último item a entrar é o primeiro a ser considerado para efeito de cálculo de custo. No método FIFO (ou PEPS), o primeiro item a entrar (mais “antigo”) é o primeiro considerado para efeito de cálculo de custo. O enunciado faz alusão ao LIFO (ou UEPS). A afirmativa está errada. 23. (CESPE / MEC / 2009) Quando adota uma administração de materiais em estoque que privilegia a saída dos materiais que deram entrada mais recentemente, o encarregado de material utiliza o método UEPS. No método UEPS (“último a entrar, primeiro a sair”), a saída do estoque é feita a partir dos itens que deram entrada mais recentemente. A questão está certa. 24. (CESPE / ABIN / 2010) Na avaliação dos estoques pelo custo de reposição, seus valores são atualizados em razão dos preços de mercado. Apesar de ser um método de avaliação de estoque menos usual, o custo de reposição já foi cobrado em concursos. Assim, fique atento! Ao avaliar um estoque a partir de seu custo de reposição, verificamos quais são os preços atuais de mercado relativos a seus itens de material. A questão está certa. ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS MATERIAIS ANALISTA DO SEGURO SOCIAL – INSS PROFESSOR RENATO FENILI 24 25. (CESPE / ANTAQ / 2009) O custo médio é o método de avaliação mais indicado para períodos inflacionários. Em um período inflacionário, podemos considerar que o método UEPS acaba por obter o menor valor possível para o estoque final, uma vez que os itens que deixam o estoque são considerados em seu valor mais recente (na inflação, este “valor mais recente” é maior). Em contrapartida, o custo da mercadoria vendida – CMV (a que sai do estoque) – é o maior possível, acarretando um lucro menor (Lucro = Vendas Líquidas – CMV). Teoricamente, já que estaríamos declarando um lucro menor, este método seria o mais indicado, já que implicaria menor tributação. Com este raciocínio, é possível afirmar que o enunciado está errado. Observação: A análise da banca, nesta questão, chegou apenas ao ponto exposto acima. Assim, em períodos inflacionários, o método de avaliação mais indicado para períodos inflacionários é o UEPS, OK? No entanto, cabe o registro de que o Regulamento do Imposto de Renda veda esta linha de ação. Desta maneira, o custo médio e o PEPS surgem como opções alternativas para períodos inflacionários, de acordo com o citado Regulamento. 26. (CESPE / Câmara dos Deputados / 2012) Em períodos inflacionários elevados e duradouros, o método de avaliação de estoques mais indicado é o PEPS (FIFO). Como vimos, em períodos inflacionários, o método de avaliação de estoques mais indicado é o UEPS (LIFO). A assertiva está errada. ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS MATERIAIS ANALISTA DO SEGURO SOCIAL – INSS PROFESSOR RENATO FENILI 26 Nessa situação, caso haja dispensação de 5 unidades do item, o valor em estoque desse item será de R$ 1.085,00. Para a resolução da questão, o primeiro passo é determinarmos o valor total que temos, inicialmente, em estoque. Para tanto, basta multiplicarmos a quantidade de cada lançamento por seu respectivo preço unitário, somando-se os fatores ao final: Data Quantidade Preço Unitário (R$) Preço Total (R$) 1/5/10 10 25,00 250,00 2/5/10 20 23,00 460,00 3/5/10 20 25,00 500,00 Valor inicial em estoque = R$ 1.210,00 Já que estamos falando de custo médio, o próximo passo é determinarmos o preço unitário médio de um item em estoque (em 04/05). Para tanto, basta dividirmos o valor inicial em estoque (conforme calculado acima) pelo número total de itens em estoque (10 + 20 + 20 = 50 itens): Assim, o valor considerado para um item em estoque é de R$ 24,20. No entanto, o enunciado nos diz que houve a dispensação de 5 unidades do item. Para sabermos o valor residual (=restante) desse item em estoque, após a saída desses 5 itens, basta subtrairmos o valor inicial do valor relativo aos itens em questão: Sendo este valor distinto do apresentado no enunciado, a questão está errada. ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS MATERIAIS ANALISTA DO SEGURO SOCIAL – INSS PROFESSOR RENATO FENILI 28 Visto que o primeiro a entrar é o primeiro a sair, o valor os 200 primeiros itens que saírem do estoque terão o valor de R$ 15,00. Como só saíram 150 itens, todos têm o valor de R$ 15,00. Assim, teremos: X = R$ 15,00 e Y = 150 * R$ 15,00 = R$ 2.250,00. Para acharmos o valor de W, basta subtrairmos de R$ 4.920,00 o valor de Y: W = R$ 4.920,00 – Y = R$ 4.920,00 – R$ 2.250,00 = R$ 2.670,00 Portanto, a assertiva está errada. 31. Pelo método UEPS, o valor de X deve ser igual a R$ 20,00, enquanto que o valor de W deve ser igual a R$ 3.400,00. Devemos apenas lembrar que o UEPS é o método de avaliação de estoque que atribui o valor das últimas entradas às primeiras saídas. Como estamos levando em consideração a ordem cronológica dos lançamentos, só faz sentido a consideração de datas iguais ou anteriores ao dia 10. Assim, teremos: QUANTIDADE; VALOR Entrada 200; R$ 15,00 120; R$ 16,00 Saída 150 Na tabela acima, visto que as entradas são lançadas, da esquerda para a direita, em ordem cronológica, a saída deverá começar no sentido contrário (da direita para esquerda), já que estamos falando de UEPS. Conforme é possível visualizarmos mediante a tabela acima, os 150 itens que estão saindo do estoque ultrapassam o quantitativo da última entrada (a última entrada foi de apenas 120 itens, considerando-se a data até o dia 10). Portanto, dos 150 itens que saem, 120 deles serão ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS MATERIAIS ANALISTA DO SEGURO SOCIAL – INSS PROFESSOR RENATO FENILI 29 contabilizados com o valor da última entrada (R$ 16,00) e os 30 restantes, com a da entrada imediatamente anterior (R$ 15,00). Assim, logo de cara podemos ver que o valor de X não é igual a R$ 20,00. Portanto, a assertiva está errada. Bom, ficaremos por aqui nesta terceira aula. No próximo encontro, estudaremos as compras nas organizações. Espero uma participação ativa no fórum. Forte abraço e bons estudos! ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS MATERIAIS ANALISTA DO SEGURO SOCIAL – INSS PROFESSOR RENATO FENILI 32 8. O estoque mínimo de 30 peças destina-se a absorver as alterações sazonais de demanda. 9. Com base na situação considerada, é correto afirmar que o ponto de pedido da referida peça é igual a 90 unidades. 10. (CESPE / Câmara dos Deputados / 2012) Considere que um item de determinado estoque seja consumido na média de 15 unidades por mês e que o tempo de reposição desse item seja de dois meses. Nessa situação hipotética, dada a necessidade de se garantir o estoque mínimo para dois meses de consumo, o ponto de pedido será igual a 60. 11. (ESAF / SUSEP / 2010) Com base nos seguintes dadossobre o consumo de um material qualquer, assinale a opção que indica, corretamente, o ponto de pedido (P) e a quantidade (Q) a ser adquirida em cada pedido: - consumo mensal: 50 unidades. - tempo de reposição: 1,5 mês. - estoque mínimo: 2,0 meses de consumo. a) P = 175 // Q = 75 b) P = 100 // Q = 50 c) P = 100 // Q = 50 d) P = 175 // Q = 50 e) P = 150 // Q = 50 12. (CESPE / ABIN / 2010 – adaptada) A respeito dos sistemas de reposição de estoque, julgue o item a seguir: No sistema de duas gavetas, que consiste na existência de dois recipientes com exatamente a mesma quantidade do mesmo item, o segundo recipiente só é utilizado quando se exaure o conteúdo do primeiro recipiente. 13. (CESPE / Câmara dos Deputados / 2012) O sistema de duas gavetas para controle de estoques é um método simplificado do sistema de reposições periódicas. ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS MATERIAIS ANALISTA DO SEGURO SOCIAL – INSS PROFESSOR RENATO FENILI 33 14. (CESGRANRIO / PETROBRÁS / 2011) Em um determinado estoque, o consumo diário de um item de estoque é constante e igual a 30 unidades, incluindo fins de semana e feriados. Sabe- se que o saldo de estoque, no início do dia 1 do mês, era de 500 unidades, e, ao final do dia 30, esse saldo foi de 200 unidades. O gerente de armazenamento perdeu os registros de entrada desse material, mas tem certeza de que foram realizadas duas entradas de quantidades idênticas no mês em questão. Se o ponto de ressuprimento é de 200 unidades, e o tempo de reposição (lead-time) do fornecedor é de 3 dias, conclui-se que houve entradas em estoque nos dias: a) 5 e 19 b) 10 e 20 c) 11 e 25 d) 13 e 23 e) 14 e 26 15. (CESPE / EBC / 2011) De acordo com a filosofia de produção just in time, a produção tem início somente após o pedido do cliente, não havendo necessidade de manutenção de estoque disponível de mercadorias para venda. 16. (CESPE / ABIN / 2010) O sistema denominado kanban tem por objetivo controlar e balancear a produção, com eliminação dos desperdícios, e acionar um sistema de reposição de estoque pela indicação dos seguintes fatores: o que, quando e quanto fornecer e produzir. 17. (CESPE / MPS / 2010) A ferramenta de administração denominada just in time é um modelo de gestão de estoques que busca reduzir o desperdício. 18. (CESPE / TJDF / 2008) O sistema just-in-time é um método de gestão de estoques destinado a reduzir a probabilidade de desabastecimento do setor produtivo em função da maximização dos volumes em estoque. ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS MATERIAIS ANALISTA DO SEGURO SOCIAL – INSS PROFESSOR RENATO FENILI 34 19. (CESPE / ANAC / 2009) Sistemas de produção embasados no método just-in-time são intensivos em utilização de espaço físico para estocagem de matéria-prima ou de mercadorias a serem vendidas pela organização. 20. (CESPE / STF / 2008) Comparando-se os sistemas just-in-time com o tradicional, aqueles envolvem ciclos curtos de produção e requerem flexibilidade para promover alterações de produtos; a indústria tradicional, ao contrário, sempre se beneficiou das economias de escala garantidas pelos longos ciclos. 21. (CESPE / TST / 2008) Ao contrário da abordagem tradicional dos sistemas de produção, just-in-time caracteriza-se como um sistema no qual qualquer movimento de produção somente é liberado na medida da necessidade sinalizada pelo usuário da peça ou do componente em fabricação. 22. (CESPE / MPU / 2010) O método FIFO (ou PEPS) prioriza a ordem cronológica da entrada dos itens de estoque, ou seja, o último item a entrar é o primeiro a ser considerado para efeito de cálculo de custo. 23. (CESPE / MEC / 2009) Quando adota uma administração de materiais em estoque que privilegia a saída dos materiais que deram entrada mais recentemente, o encarregado de material utiliza o método UEPS. 24. (CESPE / ABIN / 2010) Na avaliação dos estoques pelo custo de reposição, seus valores são atualizados em razão dos preços de mercado. 25. (CESPE / ANTAQ / 2009) O custo médio é o método de avaliação mais indicado para períodos inflacionários. 26. (CESPE / Câmara dos Deputados / 2012) Em períodos inflacionários elevados e duradouros, o método de avaliação de estoques mais indicado é o PEPS (FIFO). ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS MATERIAIS ANALISTA DO SEGURO SOCIAL – INSS PROFESSOR RENATO FENILI 37 GABARITO 1- C 2- C 3- C 4- E 5- E 6- E 7- E 8- E 9- C 10- C 11- A 12- E 13- E 14- D 15- C 16- C 17- C 18- E 19- E 20- C 21- C 22- E 23- C 24- C 25- E 26- E 27- C 28- C 29- E 30- E 31- E Sucesso!