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Bioquímica I Curso Técnico em Química INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO RIO DE JANEIRO CAMPUS RIO DE JANEIRO Prof. Dr. Marcio Martins Loureiro marcio.loureiro@ifrj.edu.br NÍVEIS DE ORGANIZAÇÃO ESTRUTURAL DAS PROTEÍNAS Sequência de aminoácidos unidos por ligações peptídicas • Nível estrutural mais simples e mais importante Influencia todo o arranjo espacial da molécula Pode variar em 3 aspectos, definidos pela informação genética da célula • Número de AA.; • Seqüência de AA • Natureza dos AA A estrutura primária de uma proteína é destruída por HIDRÓLISE química ou enzimática das ligações peptídicas, com liberação de peptídeos menores e aminoácidos livres ESTRUTURA PRIMÁRIA Ligação peptídica, abreviada como N – C. • As ligações peptídicas ocorrem entre os grupamentos amina e carboxila de aminoácidos adjacentes na estrutura primária, com a saída de uma molécula de água • Apresentam grande mobilidade rotacional, pois as ligações entre o carbono alfa do resíduos do aminoácido e seus radicais carboxila e amina possuem giro livre sobre seus eixos ESTRUTURA PRIMÁRIA ESTRUTURA PRIMÁRIA ESTRUTURA PRIMÁRIA A estrutura de um pentapeptídeo: serilgliciltirosilalanileucina: Ser–Gly–Tyr–Ala–Leu S-G-Y-A-L Extremidade Aminoterminal (N-terminal) Extremidade Carboxiterminal (C-terminal) Ligações peptídicas Cadeias laterais PEPTÍDEOS • Se mais de 50 aa polipeptídeo ou proteína • 2 aas- dipeptídeo, 3 aas- tripeptídeo... • Se menos de 50 aa oligopeptídeo • Os peptídeos podem ser biologicamente ativos Insulina ocitocina EXEMPLOS DE ALGUMAS PROTEÍNAS CONSERVAÇÃO DA ESTRUTURA PRIMÁRIA NAS MAIS VARIADAS ESPÉCIES •Aas invariantes estão sombreados em amarelo • Substituições conservadoras sombreadas em azul • As substituições não conservadas não estão sombreadas • X é um aminoácido não habitual (trimetilisina) Sequência de Aminoácidos do Citocromo C Humano CÁLCULO ESTIMADO DA MASSA DE UMA PROTEÍNA: Média 20 aa: 138 Média proporções: 128 Ligação peptídica: - 1 H2O= 18 Média subtraída: 128- 18= 110 Número de aa de uma proteína x 110= massa molecular da proteína em Da (Daltons) Ex. Hemoglobina tem 574 resíduos 574 x 110= 63.140 Da ou 63 kDa LIGAÇÕES E FORÇAS Covalentes (fortes) • oferecem rotação dos átomos ligados • Cadeia (esqueleto) pode dobrar em muitas formas Não covalentes (fracas) (1/20 da força de covalentes): • Pontes de hidrogênio (H no meio de sanduíche de átomos que atraem elétrons normalmente O ou N) • Pontes iônicas (depende de carga e distância entre grupos) • Atrações Van der Waals (depende da distância entre moléculas) Resultado – ação conjunta de muitas ligações fracas = arranjo forte PROTEÍNAS ESTABILIZADAS POR PONTES DISSULFETO Ligações S-S: Ocorrem entre cadeias laterais de cisteínas adjacentes na proteína enovelada Aumentam estabilidade da estrutura (= grampos atômicos) Podem ocorrer: Dentro de uma cadeia polipeptídica (intra-cadeia) Entre cadeias polipeptídicas diferentes (‘ínter-cadeia’) ex: em dímeros Onde ocorre: Formação de S-S canalizada no reticulo endoplasmático HIDROFOBIA E ESTRUTURA Moléculas hidrofóbicas (incluindo cadeias laterais apolares) (por exemplo em AAs fenilalanina, leucina, valina, triptofano) agrupam no meio da molécula (= evita contato com água) Moléculas polares (por exemplo arginina, histidina, glutamina) – ficam lado de fora – podem interagir com água e formar pontes de hidrogênio Ocorre graças à possibilidade de rotação das ligações entre os carbonos a dos aminoácidos e seus grupamentos amina e carboxila. São 2 os tipos principais de arranjo secundário regular: ά- Hélice: • forma mais comum de estrutura secundária regular • formada por 3,6 resíduos de aminoácidos por volta • cadeias laterais dos aminoácidos se distribuem para fora da hélice, evitando assim o impedimento estérico. • principal força de estabilização da ά - hélice é a ponte de hidrogênio. ESTRUTURA SECUNDÁRIA A ALFA HÉLICE • Volta pela direita • Grupo C=O do AA 1 faz pontes de H com grupo N-H do AA 4 ao longo da cadeia • As cadeias laterais ficam para fora • Favorecida por Glu, Ala, Leu, His, Met, Gln, Val, Phe, Lys & Ile. • Pro rompe pontes de H. A ALFA HÉLICE • A maioria das α-hélices são destras • Encontradas em quase todas as proteínas principalmente nas de membrana A ALFA HÉLICE A FOLHA-BETA PREGUEADA • Grupos C=O e N-H formam pontes de H entre fitas vizinhas • Pontes de H são perpendiculares ao eixo das cadeias e aos grupos R • Paralelas ou anti-paralelas paralela antiparalela CURVATURA BETA E ALÇAS • muda a direção da cadeia polipeptídica • A estrutura forma um ângulo de 180º com 4 aminoácidos. O primeiro e o quarto interagem por pontes de hidrogênio • Glicina e prolina são geralmente encontradas nessa estrutura curvatura β Alça Consiste na configuração tridimensional da proteína Determinada e estabilizada por fatores primários como: • Resíduos de prolina interrompem estruturas secundárias regulares, causando dobras na molécula • Impedimento estérico e cadeias laterais muito grandes que precisam se "acomodar" no espaço • Pontes dissulfeto è Ligações covalentes entre radicais sulfidrila de resíduos de cisteína, formando um resíduo de CISTINA • Pontes de hidrogênio • Interações hidrofóbicas è Tendência dos AA com radical "R" apolar de se acomodar no interior de uma estrutura dobrada, "fugindo" do contato com a água • Interações Iônicas è Forças de atração entre AA com radicais "R" carregados com cargas opostas Cadeias polipeptídicas muito longas podem se organizar em DOMÍNIOS, regiões com estruturas terciárias semi-independentes ligadas entre si por segmentos lineares da cadeia polipeptídica ESTRUTURA TERCIÁRIA FORÇAS ESTABILIZADORAS DA ESTRUTURA TERCIÁRIA • forma final tridimensional da cadeia polipeptídica • dobramento e combinação entre estruturas α e β em formas compactas (domínios). ESTRUTURA TERCIÁRIA DOMÍNIOS • Correspondem a seções da estrutura proteica, capazes de executar uma determinada função química ou física, tais como ligação ao substrato ou outro ligante. • São regiões compactas que variam de 30 a 400 resíduos de aminoácidos. • A proteínas podem apresentar um ou mais domínios • Os domínios mantém sua estrutura terciária mesmo quando separados da proteína. ESTRUTURA TERCIÁRIA – CONFORMAÇÃO TRIDIMENSIONAL Maneiras de apresentar: Esqueleto, Fita, Arame, Espaço preenchido 26 EXEMPLOS DE ESTRUTURAS TERCIÁRIAS 27 EXEMPLOS DE ESTRUTURAS TERCIÁRIAS BARRIL ΒETA A proteína GFP foi descoberta pela 1a vez na medusa Aequorea victoria em 1962. O premio Nobel de química 2008 atribuído ao Japonês Osamu Shimomura e aos Americanos Martin Chalfie e Roger Y. Tsien para a descoberta e o desenvolvimento da proteína fluorescente verde, que permite, por exemplo, detectar os primeiros sinais do câncer ou da doença de Alzheimer... Prêmio Nobel 2008 Osamu Shimomura Martin Chalfie Roger Y. Tsien Aquoereavictoria Azul e verde em aquoria EXTRAÇÃO DA PROTEÍNA FLUORESCENTE Aequorina + Ca+2 luz azul GFP E então veio a luz Clonagem e expressão de GFP TRANSCRIÇÃO DE PROTEINAS DE FUSÃO CONTENDO GFP APLICÁVEL A DIVERSOS ORGANISMOS A PALETA DE CORES BIOLÓGICA A PALETA DE CORES BIOLÓGICA ESPECTROS DE EXCITAÇÃO E ABSORÇÃO ESTRUTURA DE GFP ESTRUTURA DO GFP • apenas nas proteínas oligoméricas devido a distribuição espacial de mais de uma cadeia polipeptídica (subunidades da molécula) • mantém unidas por forças covalentes, como pontes dissulfeto, e ligações não covalentes, como pontes de hidrogênio, interações hidrofóbicas, etc. • As subunidades podem atuar de forma independente ou cooperativamente no desempenho da função bioquímica da proteína. ESTRUTURA QUATERNÁRIA 45 ESTRUTURA QUARTENÁRIA ESTRUTURA QUATERNÁRIA DA HEMOGLOBINA ESTRUTURA QUATERNÁRIA: VANTAGENS DA MONTAGEM EM SUBUNIDADES • A síntese de diversas subunidades é mais eficiente que a síntese de apenas uma cadeia longa. • Pode-se corrigir defeitos através da simples substituição de uma subunidade defeituosa por uma funcional, • Confere vantagens à montagem de enzimas, permitindo melhor arranjo tridimensional dos grupos reativos. • Nas enzimas permite a presença de mais de um sítio ativo, uma vez que cada subunidade pode conter um seu sítio ativo. • Ação regulatória. RETÍCULO ENDOPLASMÁTICO RUGOSO (RER) • Consiste num conjunto de cisternas localizadas na periferia do núcleo, que apresentam aspecto rugoso sob microscopia, pois possuem ribossomos aderidos a sua superfície. • Suas principais funções consistem na síntese de proteínas e modificações pós traducionais LOCAIS DE SÍNTESE PROTEICA E DESTINOS FINAIS DAS PROTEÍNAS SINTETIZADAS SEQUÊNCIAS ESPECÍFICAS ENCONTRADAS NAS PROTEÍNAS RECÉM SINTETIZADAS, QUE PODEM SER RECONHECIDAS POR DIFERENTES ENDOMEMBRANAS A MAIOR PARTE DAS PROTEÍNAS MICTOCONDRIAIS SÃO SINTETIZADAS CONTENDO SEQUÊNCIAS ESPECÍFICAS PARA O ENDEREÇAMENTO CELULAR Copyright (c) by W. H. Freeman and Company CHAPERONAS CITOSSÓLICAS TRANSPORTAM PROTEÍNAS PARA OS RECEPTORES DE MEMBRANA MITOCONDRIAL SEQUÊNCIAS ESPECÍFICAS DIRECIONAM PROTEÍNAS PARA O ESTROMA E TILACÓIDES DOS CLOROPLASTOS Copyright (c) by W. H. Freeman and Company SEQUÊNCIAS ALVO C- E N-TERMINAL DIRECIONAM A ENTRADA DE PROTEÍNAS ENOVELADAS NA MATRIZ PEROXISOMAL Copyright (c) by W. H. Freeman and Company PANORAMA GERAL DA VIA DE SECREÇÃO CELULAR CÉLULAS E TECIDOS ESPECIALIZADAS NA SECREÇÃO DE PROTEÍNAS SEQUÊNCIAS SINAL ENCONTRADAS EM PROTEÍNAS ENDEREÇADAS AO RER SÍNTESE DE PROTEÍNAS NA SUPEREFÍCIE DO RER ESTRUTURA DA PROTEÍNA RECONHECEDORA DE SINAL (SRP) TOPOLOGIAS DE ALGUMAS PROTEÍNAS INTEGRAIS SINTETIZADAS NO RER MODIFICAÇÕES PÓS TRADUCIONAIS REALIZADAS NO RER Proteínas recém sintetizadas no RER (membrana e lúmen) sofrem 5 principais tipos de modificações: 1- Formação de pontes dissulfeto 2- Enovelamento adequado 3- Adição e processamento de carboidratos 4- Clivagem proteolíticas específicas 5- Montagem em proteínas multiméricas FORMAÇÃO DE PONTES DISSULFETO NO RER CLIVAGEM PROTEOLÍTICA DA PRO-INSULINA NO RER O CORRETO ENOVELAMENTO DE PROTEÍNAS RECÉM SINTETIZADAS É FACILITADO POR DIVERSAS PROTEÍNAS DO RER OLIGOSSACARÍDEOS PRÉ FORMADOS PODEM SER ADICIONADOS A MUITAS PROTEÍNAS NO RER ADIÇÃO E PROCESSAMENTO INICIAL DOS OLIGOSSACARÍDEOS ADICIONADOS EM PROTEÍNAS NO RER Copyright (c) by W. H. Freeman and Company PANORAMA GERAL DA VIA DE SECREÇÃO CELULAR • Consiste num conjunto de cisternas ou sáculos achatados denominados golgiossomos ou dictiossomos (3 a 7 - dependendo do tipo celular) + vesículas de transporte + Vesículas de Secreção. • É composto por 3 regiões distintas: cis (entrada), medial, trans (saída), contendo diferentes conjuntos de enzimas modificadoras. • Dentre as principais funções podemos destacar: 1- Modificação de produtos sintetizados no RER 2- Controle do tráfego de vesículas 3- Manutenção da membrana plasmática 4- Controle da Secreção Celular 5- Produção dos Lisossomos 5- Armazenamento de substâncias COMPLEXO OU APARELHO DE GOLGI Copyright (c) by W. H. Freeman and Company A MODIFICAÇÃO DE OLIGOSSACARÍDEOS ADICIONADOS EM ALGUMAS PROTEÍNAS NO RER É COMPLETADA NO COMPLEXO DE GOLGI Oligosacarideos podem promover enovelamento e estabilidade a glicoproteínas PROTEÍNAS CONTENDO RESÍDUOS DE MANOSE 6- FOSFATO SÃO DIRECIONADAS PARA OS LISOSSOMOS VIA DA MANOSE 6-FOSFATO(M6P) DESNATURAÇÃO DE PROTEÍNAS • Consiste na perda de estrutura tridimensional, capaz de causar perda da função da proteína •.O estado desnaturado da proteína não significa o seu estado completamente desenovelado, pois existem diversos estados parcialmente enovelados ainda pouco compreeendidos. • A estrutura primária é a única não afetada na desnaturação • As proteínas podem ser desnaturadas sob diversas condições tais como: 1- Aquecimento 2 – pH 3- Detergentes 4- Agentes Caotrópicos (Guanidina e Uréia) 5- Alta pressão EXEMPLOS DE AGENTES DESNATURANTES AQUECIMENTO • Desfaz ligações de Hidrogênio e Interações Hidrofóbicas, pois o calor aumenta a energia cinética das moléculas • Se a temperatura for vagarosamente aumentada, a proteína mantêm a sua conformação até uma dada temperatura, onde ocorrer uma abrupta perda de estrutura. pH • Altera o estado iônico das cadeias laterais dos Aminiácidos, alterando a distribuição de cargas, ligações de Hidrogênio e interações eletrostáticas. DETERGENTES •Associam-se com resíduos apolares interferindo nas interações hidrofóbicas • Porções hidrofóbicas do detergente se associam com porções hidrofóbicas das proteínas •Porções hidrofílicas do detergente interagem com água • as porções hidrofóbicas das proteínas não se associam mais entre si, ocorrendo a dissociação proteica. AGENTES CAOTRÓPICOS • Interferem nas interações intramoleculares que estabilizam as proteínas, tais como ligações de hidrogênio, forças de van der Waals e interações hidrofóbicas. • Podem interagir direto na proteína ou alterar o solvente. EFEITOS DA DESNATURAÇÃO NA PROTEÍNA •Diminuição da solubilidade das proteínas • Alteração da capacidade de ligação de moléculas de água • Diminuição da atividade biológica