Prévia do material em texto
HISTÓRIA 2CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologiasEduardo Antônio Dimas História para Vestibular Medicina 2ª edição • São Paulo • 2016 hexag SISTEMA DE ENSINO hexag SISTEMA DE ENSINO © Hexag Editora, 2016 Direitos desta edição: Hexag Editora Ltda. São Paulo, 2016 Todos os direitos reservados. Autor Eduardo Antônio Dimas Diretor geral Herlan Fellini Coordenador geral Raphael de Souza Motta Responsabilidade editorial Hexag Editora Diretor editorial Pedro Tadeu Batista Editores Alexandre Rocha Jabur Maluf Guilherme Henrique Fanchioni Felgueiras Luiz Fernando Marietto Revisora Ana Paula Chican de Oliveira Pesquisa iconográfica Camila Dalafina Coelho Programação visual Hexag Editora Editoração eletrônica Arthur Tahan Miguel Torres Bruno Alves Oliveira Cruz Camila Dalafina Coelho Eder Carlos Bastos de Lima Raphael de Souza Motta Capa Hexag Editora Fotos da capa (de cima para baixo) http://www.fcm.unicamp.br Acervo digital da USP (versão beta) http://www.baia-turismo.com Impressão e acabamento Imagem Digital ISBN: 978-85-68999-11-0 Todas as citações de textos contidas neste livro didático estão de acordo com a legislação, tendo por fim único e exclusivo o ensino. Caso exista algum texto, a respeito do qual seja necessária a inclusão de informação adicional, ficamos à disposição para o contato pertinente. Do mesmo modo, fizemos todos os esforços para identificar e localizar os titulares dos direitos sobre as imagens publicadas e estamos à disposição para suprir eventual omissão de crédito em futuras edições. O material de publicidade e propaganda reproduzido nesta obra está sendo usado apenas para fins didáticos, não represen- tando qualquer tipo de recomendação de produtos ou empresas por parte do(s) autor(es) e da editora. 2016 Todos os direitos reservados por Hexag Editora Ltda. Rua da Consolação, 954 – Higienópolis – São Paulo – SP CEP: 01302-000 Telefone: (11) 3259-5005 www.hexag.com.br contato@hexag.com.br CARO ALUNO, O Hexag Medicina é referência em preparação pré-vestibular de candidatos à carreira de Medicina. Desde 2010, são centenas de aprovações nos principais vestibulares de Medicina no Estado de São Paulo e em todo Brasil. Ao atualizar sua coleção de livros para 2016, o Hexag considerou o principal diferencial em relação aos concorrentes: a sua exclusiva metodologia fundamentada em três pontos – período integral, estudo orientado (E.O.) e salas reduzidas. O material didático foi, mais uma vez, aperfeiçoado e seu conteúdo enriquecido, inclusive com questões recentes dos principais vestibulares 2016. Esteticamente, houve uma melhora em seu layout, na definição das imagens e também na utilização de cores. No total, são 61 livros, distribuídos da seguinte forma: § 21 livros de Ciências da Natureza e suas tecnologias (Biologia, Física e Química); § 14 livros de Ciências Humanas e suas tecnologias (História e Geografia); § 07 livros de Linguagens, Códigos e suas tecnologias (Gramática, Literatura e Inglês); § 07 livros de Matemática e suas tecnologias; § 04 livros de Sociologia e Filosofia; § 04 livros “Entre Aspas” (Obras Literárias da Fuvest e Unicamp); § 02 livros “Entre Frases” (Estudo da Escrita – Redação); § 02 livros “Entre Textos” (Interpretação de Texto). O conteúdo dos livros foi organizado por aulas. Cada assunto contém uma rica teoria, que contempla de forma objetiva o que o aluno realmente necessita assimilar para o seu êxito nos principais vestibulares e Enem, dispensando qualquer tipo de material alternativo complementar. Os capítulos foram finalizados com cinco categorias de exercícios, trabalhadas nas sessões de Estudo Orien- tado (E.O.), como segue: § E.O. Teste I: exercícios introdutórios de múltipla escolha, para iniciar o processo de fixação da matéria estudada em aula; § E.O. Teste II: exercícios de múltipla escolha, que apresentam grau médio de dificuldade, buscando a con- solidação do aprendizado; § E.O. Teste III: exercícios de múltipla escolha com alto grau de dificuldade; § E.O. Dissertativo: exercícios dissertativos nos moldes da segunda fase da Fuvest, Unifesp, Unicamp e outros importantes vestibulares; § E.O. Enem: exercícios que abordam a aplicação de conhecimentos em situações do cotidiano, preparando o aluno para esse tipo de exame. A edição 2016 foi elaborada com muito empenho e dedicação, oferecendo ao aluno um material moderno e completo, um grande aliado para o seu sucesso nos vestibulares mais concorridos de Medicina. Herlan Fellini Aulas 9 e 10: Império Bizantino e civilização muçulmana 6 Aulas 11 e 12: Reino Franco e Igreja Católica 26 Aulas 13 e 14: O sistema feudal 42 Aulas 15 e 16: Baixa Idade Média 58 HISTÓRIA GERAL © C ris tin aM ur ac a/ Sh ut te rs to ck Império Bizantino e civilização muçulmana Aulas 9 e 10 7 © C ris tin aM ur ac a/ Sh ut te rs to ck IImpérIo BIzantIno Origens O Império Romano no ano 395 d.C. Fonte: DUBY, Georges. Atlas historique. Paris: Larousse, 1987. p. 34. Fonte: DUBY, Georges. Atlas historique. Paris: Larousse, 1987, p. 34. A morte do imperador Teodósio, em 395 d.C., determinou o fim da unidade do Império Romano que foi dividido entre os seus filhos em duas partes: o Império Romano do Ocidente, com capital em Milão e depois em Ravena, e o Império Romano do Oriente, com sede em Constantinopla. Essa cidade chamava-se anteriormente Bizâncio, uma antiga colônia grega que apresentava grande desenvolvimento econômico e comercial, especialmente em virtude de sua privilegiada e estratégica localização, entre os mares Egeu e Negro. Após a separação, os orientais continuaram chamando-a de Bizâncio – o antigo nome grego –, assim, o Império Romano do Oriente passou a ser chamado Império Bizantino. Economia e sociedade A crise que abalou o Império Romano, a partir do século III, não atingiu igualmente o Ocidente e o Oriente. A queda da produção agrícola, o declínio do comércio e a intensa pressão inflacionária foram fatores caracterís- ticos da parte ocidental do império. O poder imperial, enfraquecido pela sistemática intervenção do exército, tendeu à fragmentação e à descentralização. Por ou- tro lado, a região oriental, dotada de estrutura econô- mica, política e administrativa mais sólida, recebeu o impacto da crise com mais capacidade de absorvê-la. Sua agricultura sofreu um pequeno declínio, mas a ma- nufatura e o comércio mantiveram-se articulados. Não sofreu o êxodo urbano e não passou pela ruralização, que marcavam o Ocidente. As levas bárbaras do Oriente, especialmente os hunos e eslavos, chegaram a ocupar algumas províncias do Império Bizantino, apesar disso, Constantinopla conseguiu manter sua autoridade sobre um conjunto unificado de territórios e povos capazes de sustentar sua riqueza. O imperialismo e sua localização privilegiada como ponto de cruzamento entre dois continentes pos- sibilitaram a Constantinopla usufruir das vantagens da sua posição de vital importância comercial, cultural e diplomática, permitindo-lhe o controle das rotas que li- 8 gavam a Ásia à Europa assim como a passagem do mar Mediterrâneo para o mar Negro. O comércio proporcionou o crescimento da im- portância e o grande enriquecimento de Bizâncio, que se tornou a maior metrópole do Oriente. Centro de im- portantes rotas comerciais, a cidade passou a controlar o intercâmbio de produtos entre o Mar Mediterrâneo e o mar Negro e, especialmente, entre o mar Negro e o estreito de Bósforo. No setor agrícola, predominavam os latifúndios. Raros eram os pequenos lavradores independentes. Rendeiros e servos formavam ogrosso da população agrícola. A Igreja concentrava em suas mãos ampla por- centagem da riqueza agrária, tornando os mosteiros as entidades mais ricas no império. A sociedade era urbanizada. Constantinopla, por exemplo, abrigava um milhão de habitantes. Banquei- ros, mercadores, manufatureiros e grandes proprietários de terras constituíam uma elite extremamente enrique- cida. Vestimentas de lã e seda, entrelaçadas com fios de ouro e prata, dão a medida do grau de ostentação exibido pela opulenta elite bizantina. Nas camadas in- termediárias estavam os trabalhadores urbanos do co- mércio e das manufaturas. No campo, predominavam os servos, proibidos de saírem das terras onde nasceram. Os escravos realizavam trabalhos domésticos. A sociedade bizantina preservou parte das ins- tituições ocidentais, como o uso eventual do latim, estruturas administrativas e alguns costumes sociais. Todavia, houve ali predominância de aspectos culturais gregos e orientais, como a oficialização da língua grega no século VII. Política O Estado beneficiou-se do enriquecimento proporcio- nado pelo comércio, possibilitando seu fortalecimento como uma monarquia centralizada, despótica, teocrá- tica e hereditária. O imperador possuía grandes pode- res políticos, além de ser o chefe do Exército e da Igre- ja, com direito de intervir nos assuntos eclesiásticos (cesaropapismo). A organização estatal era burocrática, possuindo os imperadores bizantinos um grande número de minis- tros, funcionários e auxiliares. O auge do império: Justiniano (527-565 d.C.) Império Bizantino em 565 d.C. Mediolano Império Sassânida Cesareia Germanícia Ancara Amório Icônico Adália Prusa Pérgamo Esmirna Antioquia Mileto Selêucia Antioquia Laodiceia Trípoli Damasco Berito Chipre Edessa Alepo Amida Coloneia Trebizonda Nicomédia Heracleia Sínope Constantinopla Sozópolis Odessos Quérson Silistra Mar NegroNicópolis Adrianópolis Tessalônica Naísso Cízico Abidos Lárissa Tebas AtenasPatras Escupi Viminácio Sírmio Creta Nazaré Jafa Jerusalém Alexandria Mênfis Mar Mediterrâneo Qift Árabes Ávaros Dirráquio Bari Tarento Crotona Messina Nápoles Panormo Sicília Siracusa Sardenha Cartago Sufetula Trípoli Córsega Roma Ancona Salona Ravena Pisa Baleares Visigodos Córdoba Cartagena Tingi Império Bizantino em 565 Império antes do reinado de Justiniano Conquistas de Justiniano 0 200 400 600 800 1000 km Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Império_Bizantino#/media/File:The_ Byzantine_State_under_Justinian_l-pt.svg Fonte: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Império_Bizantino#/media/File:The_Byzantine_State_under_Justinian_l-pt.svg>. O principal imperador bizantino foi Justiniano (527-565). Durante seu governo, o poder imperial atingiu seu auge, sen- do conferidos poderes ilimitados ao imperador, que, por sua vez, ampliou os privilégios do clero e da nobreza. Ampliou 9 © M eis te r v on S an Vi ta le i/W iki me dia C om mo nsas conquistas territoriais, estendendo as fronteiras às Penínsulas Itálica e Ibérica, além da conquista e dominação de territórios no norte da África. Os gastos militares forçaram a elevação dos impostos a níveis insuportáveis. A cobrança dos impostos dependia da eficiência dos funcionários, odiados pela população de Constantinopla. As pressões da arrecadação desencadearam, em 532, um violento levante conhe- cido por Revolta Nika. Os membros dos dois principais partidos políticos, o Verde e o Azul, costumavam frequentar o hipódromo da cidade. Aristocratas legitimistas, que negavam o direito de Justinia- no ao trono, instigaram os partidos à rebelião fazendo numerosas exigências. A princípio, o imperador os atendeu. Mas, esgotados os meios pacíficos para o atendimento das partes, o conflito se tornou violento. Orientado por sua esposa Teodora e respaldado pelos exér- citos comandados pelo general Belisário, Justiniano cercou o hipó- dromo, centro de reunião dos rebelados, massacrando 30 mil pesso- as e pondo fim ao movimento contestador. No governo de Justiniano foi construída a Igreja de Santa Sofia, considerada a mais importante obra da arquitetura bizantina, cuja suntuosidade exprimia a força do poder do Estado personifica- do pelo Imperador. Com o objetivo de expressar as tendências in- trospectivas e espirituais da religião cristã e o poder de Deus como iluminador das almas e dos espíritos, seus arquitetos projetaram um aspecto sóbrio na face externa e, de forma contrastante, decoraram o interior com mosaicos ricamente coloridos, detalhes folheados a ouro, colunas de mármore de cores variadas e pedaços de vidro colo- rido que refletiam os raios solares cintilando como pedras preciosas. A igreja passou a ser o palco da maioria das cerimônias de coroação dos imperadores bizantinos. A publicação do Corpus Juris Civilis ou Código de Jus- tiniano, que serviu de referência a códigos civis de diversas na- ções, foi a grande realização de Justiniano no campo jurídico. O código resultou de uma compilação do Direito Romano e tinha a seguinte subdivisão: § Código – conjunto de leis romanas (síntese de quase dois mil anos de jurisprudência romana); § Digesto – comentários dos grandes juristas sobre essas leis; § Institutas – princípios fundamentais do Direito Romano (ma- nual para uso dos estudantes); e § Novelas – novas leis do período de Justiniano. A Igreja Bizantina Em 380 d.C., antes mesmo da divisão do Império em Ocidente e Oriente, o imperador Teodósio havia decretado o Edito de Tessalônica, que estabelecia a oficialização do cristianismo como religião de Estado do Império Romano. No Oriente, o cristianismo foi integrado à cultura local, incorporando aspectos da realidade bizantina, in- © Ar tu r B og ac ki/ Sh ut te rs to ck © M eh me t C et in/ Sh ut te rs to ck Mosaico com imagem de Justiniano, na basílica de São Vital, em Ravena. Vista parcial do interior da basílica de Santa Sofia. Basílica de Santa Sofia, em Stambul. 10 teiramente diversos da realidade ocidental. Assim, o cristianismo oriental passou a ter características próprias, diferenciando-se cada vez mais do ocidental, com grande ênfase na valorização da espiritualidade. O efeito dessas diferenças foi o surgimento, no Oriente, das divergências doutrinárias: as heresias, o monofisismo e a iconoclastia. Os monofisistas defendiam a natureza unicamente divina de Cristo, negando sua natureza humana, enquanto os iconoclastas pregavam a destruição das imagens e a sua proibição nos templos. Os cristãos orientais denominavam de ícones quaisquer imagens tridimensionais de Cristo ou santos incor- poradas às cerimônias religiosas. Dentre os principais produtores de ícones encontravam-se os monges, que aufe- riam grandes lucros nesse ramo comercial. Isentos de tributação, proprietários de grandes propriedades, exercendo grande influência na sociedade, representavam uma ameaça ao poder central. A corriqueira utilização de ícones nos templos e mesmo nas casas era vista por muitos como uma prática idólatra, ou seja, de adoração de ídolos. Visando enfraquecer o poder dos monges, o imperador Leão III, em 725, proibiu o uso de imagens tridimen- sionais nos templos, determinando sua destruição ou iconoclastia. O papa manifestou-se declarando herética a proibição de imagens, aprofundando os desentendimentos com o imperador e igreja bizantinos. O Cisma do Oriente (1054) O patriarca de Constantinopla era a figura eclesiásti-ca de maior poder no Oriente. Com a conversão dos eslavos ao cristianismo e a prosperidade do império, fortalecia-se sua autoridade. Ele recusava a supremacia do papa sobre sua Igreja, considerando-se o supremo mandatário do povo cristão. Foram várias as características diferenciadoras desenvolvidas pelo patriarca no Oriente. O ritual era ce- lebrado em grego e não em latim. O Estado bizantino controlava a Igreja (cesaropapismo) e algumas crenças e costumes eram rejeitados pela Igreja oriental, como, por exemplo, a existência do purgatório ou a decoração dos templos com imagens tridimensionais de Cristo e de santos. As inúmeras divergências levaram à separação entre as igrejas orientais e ocidentais, em 1054. O cha- mado Cisma do Oriente levou à formação de duas igre- jas distintas: a Igreja Católica Apostólica Romana, dirigida pelo Papa, e a Igreja Cristã Ortodoxa, lidera- da pelo Patriarca de Constantinopla. Decadência do Império Bizantino Além do fortalecimento do poder dos grandes proprietários rurais, do enfraquecimento do poder do imperador e das disputas religiosas, contribuíram para o declínio do Império Bizantino os constantes ataques que Bizâncio passou a sofrer, especialmente das cidades italianas, a partir do século XIII, e das investidas de bárbaros e árabes. Sua posição e riqueza despertavam a cobiça de impérios que surgiram e se fortaleciam. A entrada de Maomé II em Constantinopla, de Jean-Joseph-Benjamin Constant. 11 Pouco depois da morte de Justiniano (565), os lombardos, povo germânico que até então havia sido manti- do no solo onde hoje é a Hungria, tomaram dos bizantinos o ducado de Ravena e marcharam sobre Roma. Ainda nos séculos VII e VIII, os árabes muçulmanos tomaram do Império Bizantino as regiões do norte da África e sul da Península Ibérica. Anexaram, também, o Egito, a Palestina, a Síria e a Mesopotâmia, reduzindo a civilização bizantina a um território sensivelmente menor ao período anterior a Justiniano. Depois de um longo cerco, em 1453, os turcos otomanos, comandados pelo sultão Maomé II, conquistaram a cidade de Constantinopla ou Bizâncio, destruindo o Império Bizantino. Constantinopla tornou-se a capital de outro Estado poderoso, o Império Otomano, passando a se chamar Istambul e permanecendo, até os dias atuais, como a maior e mais importante cidade da República da Turquia. A tomada de Constantinopla foi utilizada como marco da transição da Idade Média para a Idade Moderna. CIvIlIzação muçulmana A Arábia pré-islâmica Fonte: <www.img.mat.br/homepage/ joao_afonso/J.A/Aula18.html>. A Arábia é uma península árida localizada no Oriente Mé- dio. Ao sul, é banhada pelo oceano Índico, a oeste, pelo mar Vermelho e a leste, pelas águas do golfo Pérsico. Ao norte, a Arábia pré-islâmica limitava-se com a Palestina. Até o século VII, os árabes estavam divididos: de um lado, as tribos beduínas, habitando a “Arábia Desértica”, nômades que se dedicavam ao pastoreio e frequentavam os oásis – poços de água em meio aos desertos; de outro, os habitantes da “Arábia Feliz” ou Hedjaz – faixa costeira e fértil ao longo do mar Verme- lho. Viviam da agricultura e do comércio. Existia ali uma localidade importante, Áden, que funcionava como en- treposto de produtos orientais: especiarias, sedas e joias. Bagdá Pérsia Egito PENÍNSULA ARÁBICA Meca Medina Gaza Alexandria Antióquia Mar Mediterrâneo Oceâno Índico M ar Verm elho Golfo Pérsico Fustal (Cairo) Jerusalém Damasco Basra www.img.mat.br/homepage/joao_afonso/J.A/Aula18.html Os diversos povos da Arábia estavam divididos em várias tribos; portanto, não formavam um Estado com unidade política. Mas tinham elementos culturais comuns, como o idioma árabe e certas crenças religiosas. A principal cidade árabe era Meca, onde havia um santuário religioso, Caaba (casa de Deus), que reu- nia as principais divindades de toda a Arábia (mais de 300 ídolos pertencentes às tribos do deserto). Ali estava a Pedra Negra, provavelmente um pedaço de meteori- to protegido por uma tenda de seda preta, na forma de um cubo, que era bastante venerada, pois se acreditava ter sido trazida do céu pelo anjo Gabriel. O santuário ajudou a transformar Meca no cen- tro religioso e comercial dos árabes, já que a cidade era o ponto de encontro de pessoas e de mercadorias de diversas regiões. Origens do islamismo O responsável pela unidade política e religiosa da Pe- nínsula Arábica foi Maomé, criador e divulgador da religião muçulmana. Maomé (Muhammad) nasceu em 570 na cidade de Meca. Seus pais pertenciam a um dos mais pobres clãs da tribo dos coraixitas, os haxemitas. O pai morreu cedo e o menino ficou aos cuidados do avô, que o levou para viver 12 no meio de uma tribo no deserto. Lá, Maomé assimilou as necessidades materiais e espirituais da população do de- serto. Regressou a Meca aos 15 anos de idade e logo en- trou para o comércio de caravanas, orientado pelo tio Abu Taleb. As expedições com caravanas eram muito perigosas, pois podiam ser atacadas a qualquer momento. Por isso, exigiam de seus condutores habilidade militar. Maomé destacou-se como grande caravaneiro. Aos 20 anos em- pregou-se como caravaneiro de Khadidja, rica viúva, pelo menos 10 anos mais velha que ele e com quem se casou. Nas suas viagens, Maomé entrou em contato com povos e religiões diferentes. Esteve várias vezes no Egito, Palestina, Pérsia, regiões onde fervilhava o espírito religio- so. Conheceu principalmente o cristianismo e o judaísmo, sofrendo profunda influência dessas crenças religiosas. Por volta de 610, já com quase 40 anos, Maomé teve sua primeira visão do anjo Gabriel, que lhe teria ordenado “recitar o nome do Senhor” e que “havia um só deus, Alá, e um só profeta, Maomé”. Transformado por essa visão, Maomé convenceu-se de que fora es- colhido para servir como profeta. Depois de converter os parentes, Maomé começou a falar aos coraixitas. No início, todos ficaram impressionados com sua pregação. Mas depois passaram a desprezá-lo e, finalmente, a per- seguir Maomé e seus seguidores. No entanto, as pregações de Maomé foram bem recebidas pelos beduínos, pois prometia-lhes o paraíso com muita água, alimentos em abundância, mulheres e a presença de Alá. Assim, os beduínos começaram a seguir Maomé, enquanto os coraixitas o proibiram de pregar a fé em Alá e o monoteísmo na cidade de Meca. © W iki me dia C om mo ns Caaba No ano de 622, Maomé teria realizado um mi- lagre para provar que era profeta de Alá: “quebrou” a Lua. Provavelmente tratava-se de um eclipse e talvez Maomé conhecesse informações sobre o fato, até por- que manteve muitos contatos com o Oriente onde a as- tronomia era altamente desenvolvida. Perseguido pelos coraixitas, que mandaram as- sassiná-lo, Maomé fugiu para Iatreb (Yathrib), cidade rival de Meca onde já possuía seguidores. Esse evento ficou conhecido como Hégira e é utilizado como mar- co inicial do calendário muçulmano. Em latreb, Maomé conquistou rapidamente prestígio e poder, controlan- do a cidade que passou a ser chamada de Medina al Nabi – a Cidade do Profeta. A jihad ocupa um lugar importante no islamismo e era pregada por Maomé como o “esforço” ou a “luta” que cada pessoa tem de empreender internamente na busca de conseguir a fé perfeita. O Ocidente traduziu erradamente a palavra jihad como “guerra santa”, ou seja, como caminho para a conversão, estabelecendo que o paraíso seria o prêmio para aqueles que morres- sem em nome de Alá, enquanto os sobreviventes pode- riam se deleitar das riquezas materiais obtidasatravés dos saques e pilhagens; no entanto, tal interpretação não está no Alcorão. Após a conquista de Iatreb, o alvo principal pas- sou a ser a cidade de Meca. O crescente número de se- guidores possibilitou a formação de um exército nume- roso que cercou a cidade, preservando apenas a Caaba. Em seguida, Maomé fez um acordo com os coraixitas, estabelecendo a peregrinação a Meca como uma das obrigações da religião muçulmana. A dominação de Meca representou a implantação da unidade política e religiosa da região sustentada pelo islamismo. Meca transformou-se no centro religioso da crença monoteís- ta islâmica. Em 632, Maomé morreu, deixando difundida sua doutrina religiosa. Ao mesmo tempo, a Península Arábi- ca, que era um aglomerado de tribos e clãs dispersos, teve sua unificação política realizada através da unifica- ção religiosa. 13 Expansão islâmica REINO DOS FRANCOS ITÁLIA Politiers Roma IMPÉRIO BIZANTINO Mar Negro ARMÊNIA Mar Cáspio SÍRIA PALESTINA PÉRCIA ÍNDIA Golfo Pérsico ARÁBIA Medina Meca M ar Verm elho EGITO LÍBIATRIPOLITÂNIAMAGREB ESPANHA Mar Mediterrâneo Oceano Índico Oceano Atlântico Expansão até à morte de Maomé, 622-632 Expansão durante o Califado Rashidun, 632-661 Expansão durante o Califado Omíada, 661-750 Limite máximo de penetração árabe na França, 732 Expansão até à morte de Maomé, 622-632 https://almanaque.abril.com.br/mapas/história%20Geral A partir do século VII, em virtude da religião muçulmana e da jihad, enquanto busca da difusão da fé islâmica, os árabes muçulmanos expandiram-se, dominando vasta extensão territorial, que se estendia da Ásia à Europa, passan- do pelo Norte da África. Essa expansão teve origem na unidade política e religiosa implantada por Maomé, no início do século VII, quando foi criado um estado teocrático islâmico. Os fatores que explicam a expansão islâmica são: § o crescimento demográfico, graças à poligamia, e a escassez de terras férteis na Arábia; § a atração que os saques e pilhagens exerciam sobre os árabes; § a decadência do Império Bizantino e do Império Persa; e § o fracionamento da Europa em Reinos Bárbaros frágeis que sucederam o Império Romano. Fases da expansão A morte de Maomé deixou um grande vazio de liderança que, por um curto período, chegou a ameaçar a sobrevi- vência do Islão. Para fazer frente a essa situação, os membros mais influentes dos conselhos municipais das cidades de Meca e Medina decidiram apontar um califa, isto é, um sucessor de Maomé, que deveria concentrar em suas mãos o poder político, militar e religioso. O primeiro califa foi Abu Bekr, sogro de Maomé, e os outros três que o sucede- ram foram também apontados entre seus familiares. As conquistas tiveram início com esses califas de Meca. Sucessivamente, a partir de 634, a Síria, a Palestina, a Ásia Menor, a Mesopotâmia, a Pérsia, o Egito e a Tunísia caíram sob o domínio muçulmano. Alguns anos após estas conquistas, o novo império foi abalado por lutas internas, e o controle do califado passou para as mãos de outra família, os Omíadas, que transferiram a capital para Damasco, na Síria. Sob a lideran- ça dos Omíadas (660-750), os árabes retomaram o processo de expansão conquistando territórios na Ásia central (Índia), Norte da África e Península Ibérica. Os muçulmanos só foram contidos na Europa pelos francos, liderados por Carlos Martel, da dinastia carolíngia, em 732, na Batalha de Poitiers. O domínio árabe sobre a costa do Medi- terrâneo contribuiu para a crise do comércio e a feudalização europeia. Em 750, a dinastia Omíada chegou ao fim, sendo derrotada por uma conspiração interna que inaugurou a di- nastia Abássida (750-1258). A capital passou de Damasco para Bagdá, mudança essa que provocou a primeira divisão do mundo islâmico. Abder Rhaman, pertencente à dinastia Omíada, refugiou-se na Espanha, onde fundou o Emirado 14 de Córdova, no ano 756. Surgia, assim, o primeiro Estado independente dentro do Império Muçulmano. No Marrocos, os idríssidas tomaram o poder e separaram-se do Islã, em 788. Os fatímidas1 fizeram o mesmo no Egito, em 909. Em 1055, Togul Beg, chefe dos turcos seldjúcidas, foi coroado califa em Bagdá. Fi- nalmente, em 1258, os mongóis, vindos de regiões dis- tantes da Ásia, destruíram a cidade de Bagdá. A divisão do Império Islâmico foi uma consequência de sua enorme expansão, obtida em um período muito curto de tempo. As seitas religiosas sunita e xiita contri- buíram para esse fenômeno. A religião muçulmana A doutrina islâmica, muçulmana ou maometana é mar- cada pelo sincretismo religioso. Possui elementos do cristianismo e do judaísmo, de onde provêm suas bases fundamentais. O principal fundamento da religião é o monoteísmo, a crença no Deus único Alá e em seu profeta Maomé. Os fundamentos da religião estão no livro sagra- do – Alcorão ou Corão –, que determina a total sub- missão do homem à vontade de Alá (Islão) e estabelece cinco obrigações para os fiéis: § crer em Alá, único Deus, e no profeta Maomé; § ajudar os pobres e necessitados (zakat); 1. Fatímidas ou fatimitas são uma das designações dadas aos xiitas is- maelitas. Esse nome advém do fato de atribuírem a sucessão legítima de Maomé a Ali, primo de Maomé, casado com Fátima, sua filha; portanto, genro dele também. § praticar o jejum durante o Ramadã; § realizar cinco orações por dia, com a face volta- da para Meca (salat); e § peregrinar a Meca no mínimo uma vez na vida – dispensados os pobres, doentes e viúvas. Um aspecto importante da religião islâmica são as interpretações e os significados que foram sendo agregados à Jihad, que passou cada vez mais a ser in- terpretada como Guerra Santa e vinculada ao expansio- nismo. Foi graças à concepção do jihadismo como “es- forço” de difusão da fé no islamismo que a expansão territorial foi estimulada e as conquistas de vários ter- ritórios pelos árabes mulçumanos foram consumadas. Outra característica importante do islamismo é o sectarismo, com a formação de seitas rivais desde a morte de Maomé, quando ocorreram sérias divergências em relação à liderança religiosa e política dos mulçuma- nos. As principais seitas são xiitas e sunitas. Os pri- meiros aceitam somente o Corão como fonte de verda- de, bem como um chefe político religioso descendente de Maomé. Os sunitas admitem, além do Alcorão, os ensinamentos contidos no Suna, livro de relatos de se- guidores próximos de Maomé, bem como admitem que o chefe possa ser escolhido entre os fiéis que reúnam as virtudes necessárias, segundo a antiga tradição beduína de escolha dos chefes tribais. Os povos que aceitavam a dominação dos mul- çumanos e realizavam comércio com eles poderiam preservar suas crenças religiosas e culturais, desde que pagassem impostos, menores, aliás, do que os cobrados por outros povos, como os persas. Ar go oy a/ W iki me dia C om mo ns A mesquita dos omíadas, mesquita de Umayyadou, Grande Mesquita de Damasco, capital da Síria, considerada o quarto lugar mais sagrado para os muçulmanos, faz parte do Patrimônio Mundial da Unesco. 15 A cultura árabe Os árabes foram os responsáveis pela difusão, no Ocidente, dos conhecimentos adquiridos dos impérios bizantino e persa, de grande florescimento intelectual e artístico e do contato com os chineses, que facilitaram a difusão cultural ensinando técnicas da utilização do papel. Na Astronomia, os muçulmanos traduziram a obra de Ptolomeu, que passou a ser conhecida pelo nome de Almagesto. Na Matemática, desenvolveram a álgebra e a trigonometria, além dos conhecimentos deixados pelos gregos. Propagaram o sistema numérico arábico, cujainvenção provém dos hindus. Na Química, descobriram substâncias como o álcool, o ácido sulfúrico e o salitre. Foram os primeiros a des- crever os processos químicos de destilação, filtração e sublimação. Na Medicina, fizeram importantes descobertas, como o contágio proveniente da água e do solo e o diag- nóstico de doenças como a varíola e o sarampo. O mais famoso médico muçulmano foi Avicena, cuja obra Canon foi o manual médico na Europa até o século XVII. Na Literatura, destacam-se os poemas épicos e de amor e contos de aventura, tais como a coletânea As mil e uma noites e Rubaiat, de Omar Khayan. Nome célebre é o de Averróis, filósofo de Córdova, que traduziu as obras de Aristóteles para a língua árabe e introduziu-as no Ocidente. A arte muçulmana não tinha muita originalidade. Merece destaque, entretanto, a arquitetura de palácios e mesquitas. Graças à dominação da Península Ibérica, ó árabe influenciou a formação da língua portuguesa: arma- zém, sorvete, alcaçuz, azeite etc. 16 E.o. tEstE I 1. (UPF) O islamismo é a religião que mais cresce no mundo contemporâneo. Suas ori- gens remontam ao século VII d.C. e sua ex- pansão foi baseada na Jihad, guerra santa contra outros povos, especialmente os cris- tãos. Entre os séculos VII e VIII, foi constitu- ído o Império Árabe-Muçulmano – que domi- nou a Península Arábica –, os territórios dos atuais Irã e Iraque, todo o norte da África e a Península Ibérica (atuais Portugal e Espa- nha). Nesse processo de expansão, os árabes assimilaram muitos legados culturais de ou- tros povos com os quais conviveram, como as tradições da cultura clássica e oriental. Além disso, fizeram com que valores culturais da Antiguidade Clássica chegassem ao mundo moderno. Isso foi possível porque os árabes: a) conseguiram profetizar os destinos da hu- manidade por meio dos signos do zodíaco. b) difundiram, por intermédio da literatura, a obra mais conhecida dos chineses, que é Mil e uma Noites, reunião de histórias registra- das entre os Séculos VIII e IX, e lidas ainda hoje no mundo ocidental. c) levaram para a Europa, por meio da ocupa- ção da Península Ibérica, antigas técnicas romanas de cultivo, habilidades de arte na representação humana e a perspectiva linear na pintura. d) traduziram e difundiram muitos textos, con- cretizando importantes realizações, a partir do pensamento grego. e) inventaram o papel, a pólvora, a bússola, o astrolábio, os algarismos árabes e a álgebra. 2. (UPE) Maomé pertenceu a um ramo menor do clã dos Quraysh (coraixitas), um dos mais po- derosos de Meca. Foi criado como mercador e casou-se aos 25 anos com uma rica viúva bem mais velha que ele, chamada Khadija. Supõe- se que, nas suas viagens de negócios, Maomé teria entrado em contato com árabes judaicos e cristãos e sido influenciado por eles. (DEMANT, Peter. O mundo muçulmano. 3. ed. São Paulo: Contexto, 2011. p. 25. Adaptado.) Sobre a realidade apresentada no texto, assi- nale a alternativa CORRETA. a) A principal influência que Maomé sofreu do judaís- mo e do cristianismo foi a crença no monoteísmo. b) Maomé não obteve sucesso na tentativa de unificar a península arábica em nome do Islã. c) O profeta Maomé não obteve resistência para empreender a conquista de Meca. d) O comércio, atividade desenvolvida por Mao- mé, não era comum entre os povos árabes do século VII. e) Os árabes, no século VII, não tinham contato com cristãos, só com judeus. 3. (UPE) A civilização bizantina foi muito mais original e criativa que, em geral, lhe credi- tam. Suas igrejas abobadadas desafiam em originalidade e ousadia os templos clássicos e as catedrais góticas, enquanto os mosai- cos competem, como supremas obras de arte, com a escultura clássica e a pintura renas- centista. (ANGOLD, Michael. Bizâncio: A ponte da antiguidade para a Idade Média. Rio de Janeiro: Imago, 2002. p. 9. Adaptado.) Sobre o legado cultural bizantino, assinale a alternativa CORRETA. a) Herdando elementos da cultura grega, os bizantinos desenvolveram estudos sobre a aritmética e a álgebra. b) Negando a tradição jurídica romana, o impé- rio bizantino pautou sua jurisdição no direi- to consuetudinário. c) A filosofia estoica influenciou o movimento iconoclasta, provocando o cisma cristão do Oriente no século XI. d) O catolicismo ortodoxo tornou-se a religião oficial do império após a denominada quere- la das investiduras. e) A catedral de Santa Sofia sintetiza a tradição artística bizantina com seus ícones e mosaicos. 4. (ESPM) Observe a imagem, leia o texto e res- ponda: históriaon.files.wordpress.com Depois da queda do Império Romano do Ocidente (476) Roma caiu num período de obscuridade enquanto Constantinopla per- manecia o farol da civilização e da cultura, sendo constantemente embelezada por mo- numentos magníficos. Um deles, Santa So- fia, obra-prima da arquitetura, erguida no século VI e considerada pelos historiadores de arte como a oitava maravilha do mundo. Em 1453, Constantinopla foi submetida ao domínio de outro povo e o monumento pas- sou por modificações exteriores e interiores. Assinale a alternativa que apresente, respec- tivamente, os responsáveis pela construção e pelas posteriores alterações em Santa Sofia: a) gregos – persas; b) gregos – turcos seljúcidas; c) bizantinos – árabes muçulmanos; d) bizantinos – turcos otomanos; e) francos – hindus. 17 5. (UFTM) Observe a fotografia de 31 de outu- bro de 2010 que registrou peregrinos no cír- culo da Caaba na Grande Mesquita, em Meca, Arábia Saudita. historiaon.files.wordpress.com No islamismo, que conta com milhões de adeptos no mundo contemporâneo, a pere- grinação: a) é sinônimo de guerra santa e deve ser reali- zada por convocação de um aiatolá. b) foi instituída depois da morte de Maomé, para homenagear o fundador do Islã. c) deve ser realizada pelo menos uma vez na vida, pelos fiéis com condições físicas e fi- nanceiras. d) exige grande sacrifício, pois o fiel deve con- servar-se em jejum durante todo o período. e) dificultou a expansão do Islã para além do Oriente Médio, pelas obrigações que impunha. 6. (UESPI) As pregações de Maomé não agrada- ram a grupos importantes, politicamente, da sociedade árabe. Suas concepções e crenças: a) adotavam o monoteísmo e tinham relações com o cristianismo e judaísmo conseguindo adesão de muitos que visitavam Meca. b) eram elitistas, sem preocupação com a situ- ação de miséria da época e a violência das guerras entre as tribos. c) desconsideravam as questões sociais e visa- vam firmar um império poderoso para com- bater os cristãos no Ocidente. d) defendiam a liberdade para todos os povos e prescindiam da adoção de um livro sagrado para orientar as orações. e) tinham relações com a filosofia grega, des- prezando o espiritualismo exagerado e orga- nizando o poder dos sacerdotes. 7. (Unicamp) A longa presença de povos árabes no norte da África, mesmo antes de Maomé, possibilitou uma interação cultural, um co- nhecimento das línguas e costumes, o que facilitou posteriormente a expansão do is- lamismo. Por outro lado, deve-se considerar a superioridade bélica de alguns povos afri- canos, como os sudaneses, que efetivaram a conversão e a conquista de vários grupos na região da Núbia, promovendo uma expansão do Islã que não se apoia na presença árabe. (Adaptado de Luiz Arnaut e Ana Mônica Lopes, História da África: uma introdução. Belo Horizonte: Crisálida, 2005, p. 29-30.) Sobre a presença islâmica na África é correto afirmar que: a) O princípio religioso do esforço de conver- são, a Jihad, foi marcado pela violência no norte da África e pela aceitação do islamis- mo em todo o continente africano. b) Os processos de interação cultural entreára- bes e africanos, como os propiciados pelas relações comerciais, são anteriores ao surgi- mento do islamismo. c) A expansão do islamismo na África ocorreu pela ação dos árabes, suprimindo as crenças religiosas tradicionais do continente. d) O islamismo é a principal religião dos povos africanos e sua expansão ocorreu durante a corrida imperialista do século XIX. 8. (UPE) O Islamismo – religião pregada por Maomé e seus seguidores – tem hoje mais de 1 bilhão de fiéis espalhados pelo mundo, sendo ainda predominante no Oriente Mé- dio, região onde surgiu. Um dos principais fundamentos da expansão muçulmana é a Guerra Santa. A respeito dos muçulmanos, é correto afirmar que: a) a expansão árabe-muçulmana acabou por islami- zar uma série de povos, exclusivamente árabes. b) o povo árabe palestino, atuando na revolução armada palestina, rejeita qualquer solução que não a libertação total do Estado de Israel. c) em Medina, a religião criada por Maomé, embora tenha crescido rapidamente e tenha criado a Guerra Santa – Jihad – não teve ca- ráter expansionista. d) a história do Líbano contemporâneo esteve sempre ligada à busca de um certo equilíbrio entre várias comunidades que compõem o país, especialmente as duas mais importan- tes: muçulmanos e cristãos. e) dentre as muitas facções fundamentalistas islâmicas, em suas divergências internas, o que há em comum entre elas é o repúdio aos valores do mundo ocidental moderno. 9. (Unesp) As caravanas do Sudão ou do Niger trazem regularmente a Marrocos, a Tunes, sobretudo aos Montes da Barca ou ao Cairo, milhares de escravos negros arrancados aos países da África tropical (...) os mercado- res mouros organizam terríveis razias, que 18 despovoaram regiões inteiras do interior. Este tráfico muçulmano dos negros de Áfri- ca, prosseguindo durante séculos e em cer- tos casos até os mais recentes, desempenhou sem dúvida um papel primordial no despo- voamento antigo da África. (Jacques Heers, O trabalho na Idade Média.) O texto descreve um episódio da história dos muçulmanos na Idade Média, quando: a) Maomé começou a pregar a Guerra Santa no Cairo como condição para a expansão da reli- gião de Alá, que garantia aos guerreiros uma vida celestial de pura espiritualidade. b) atuaram no tráfico de escravos negros, do- minaram a África do Norte, atravessaram o estreito de Gibraltar e invadiram a Península Ibérica. c) a expansão árabe foi propiciada pelos lucros do comércio de escravos, que visava abas- tecer com mão de obra negra as regiões da Europa Ocidental. d) os reinos árabes floresceram no sul do conti- nente africano, nas regiões de florestas tro- picais, berço do monoteísmo islâmico. e) os árabes ultrapassaram os Pirineus e manti- veram o domínio sobre o reino Franco, até o final da Idade Média ocidental. 10. (Unesp) Num momento em que o Império Romano do Ocidente havia desmoronado e os Impérios Bizantino e Persa se esfacelavam, os árabes expandiram consideravelmente seus domínios. Em menos de 100 anos o Islã era a religião de toda a costa sul e leste do Mediterrâneo, além de ter se espalhado para a Pérsia, até o vale do Indo, e para a Penín- sula Ibérica. (Cláudio Vicentino e Gianpaolo Dorigo, História para o Ensino Médio) No contexto de tantas conquistas, a civiliza- ção árabe: a) sintetizou criativamente as tradições cultu- rais árabe, bizantina, persa, indiana e grega. b) rejeitou as contribuições culturais originadas de povos que professassem outras crenças. c) submeteu pelas armas os povos conquista- dos e impôs o deslocamento forçado das po- pulações escravizadas. d) perseguiu implacavelmente os judeus, levan- do à sua dispersão pelos territórios da Euro- pa do leste. e) desprezou os ofícios ligados às artes, às ci- ências e à filosofia relegados aos povos con- quistados. E.o. tEstE II 1. (Fuvest) “A Idade Média europeia é insepa- rável da civilização islâmica já que consis- te precisamente na convivência, ao mesmo tempo positiva e negativa, do cristianismo e do islamismo, sobre uma área comum im- pregnada pela cultura greco-romana.” José Ortega y Gasset (1883-1955). O texto acima permite afirmar que, na Euro- pa ocidental medieval: a) formou-se uma civilização complementar à islâmica, pois ambas tiveram um mesmo ponto de partida. b) originou-se uma civilização menos complexa que a islâmica devido à predominância da cultura germânica. c) desenvolveu-se uma civilização que se bene- ficiou tanto da herança ideia-romana quanto da islâmica. d) cristalizou-se uma civilização marcada pela flexibilidade religiosa e tolerância cultural. e) criou-se uma civilização sem dinamismo, em virtude de sua dependência de Bizâncio e do Islão. 2. (UECE) Sobre os fundamentos do Islã ou Is- lame, assinale o correto. a) É uma religião politeísta que surgiu no final do século IV d.C. e tem em Maomé seu prin- cipal mártir. Seu livro sagrado é o Talmude. b) É uma religião monoteísta que surgiu no sé- culo X d.C.. Sua sede religiosa é a cidade de Medina e seu livro sagrado é a Kaaba. c) É uma religião politeísta que surgiu no sécu- lo I d.C.. Sua sede é Jerusalém, Maomé seu fundador e não tem um livro sagrado. d) É uma religião monoteísta que surgiu no sé- culo VII d.C. Seu profeta é Maomé e seu livro sagrado é o Alcorão. 3. (UFRGS) Assinale a alternativa que apresen- ta um dos resultados do entrecruzamento de culturas no Império Bizantino. a) As artes visuais diversificaram-se a ponto de serem eliminadas as características estéticas de inspiração greco-cristã. b) A adoração popular a ícones religiosos gerou crises na Igreja de Bizâncio. c) Elementos clássicos, como a retórica e a lín- gua grega, foram superados em função da interação cultural cosmopolita. d) A arquitetura passou a primar pela simplici- dade, a fim de se adequar à doutrina religio- sa ortodoxa. e) A estrutura jurídica do Império Bizantino não sofreu a influência do direito romano. 19 4. (Unesp) O culto de imagens de pessoas como Santas foi motivo de seguidas controvérsias na história do cristianismo. Nos séculos VIII e IX, o Império bizantino foi sacudido por violento movimento de destruição de ima- gens, denominado “querela dos iconoclas- tas”. A questão iconoclasta: a) derivou da oposição do cristianismo primi- tivo ao culto que as religiões pagãs greco- -romanas devotavam às representações plás- ticas de seus deuses. b) foi pouco importante para a história do cris- tianismo na Europa ocidental, considerando a crença dos fiéis nos poderes das estátuas. c) produziu um movimento de renovação do cristianismo empreendido pelas ordens men- dicantes dominicanas e franciscanas. d) deixou as igrejas católicas renascentistas e barrocas desprovidas de decoração e de os- tentação de riquezas. e) inviabilizou a conversão para o cristianismo das multidões supersticiosas e incultas da Idade Média europeia. 5. (UFPB) O Império Islâmico, um dos maiores da História, formado a partir da unificação dos árabes (630), orientados pelos princí- pios da religião monoteísta do Profeta Mao- mé (falecido em 632), constituiu-se em três fases políticas, durante as quais se funda- ram as bases da Civilização Muçulmana. Sobre a caracterização dessas três fases, ob- serve o mapa a seguir. Considerando as informações apresentadas, analise as afirmativas a seguir. I. O período dos Califas Piedosos (632-661) foi liderado pela aristocracia árabe, ten- do Meca como capital do Império. Nesse período, iniciou-se a expansão para além das fronteiras da Arábia, com a adoção de um modelo de Estado em que, apesar de certa distribuição de terras entre os conquistadores, o principal objetivo era o controle militar e a cobrançade impostos dos povos conquistados. II. O período dos Omíadas (661- 750), li- derado pela aristocracia da Síria, tinha por capital Damasco. Nesse período, as conquistas ampliaram-se até a Penín- sula Ibérica e a Índia, com a conversão das populações locais ao Islã. A época também foi marcada pelo surgimento do xiismo, que, com o sunismo, constituem, até hoje, as duas principais correntes de pensamento da civilização muçulmana. III. O período dos Abássidas (750-1258) foi o último do Império Islâmico unificado, quando, então, se processou, a partir do século X, a descentralização do poder. Essa fase caracterizou-se pelo domínio da aristocracia Persa e por um grande refinamento nos mais diversos aspectos civilizacionais, a exemplo da construção, no Iraque, de uma nova capital, Bagdá. Está(ão) correta(s): a) apenas I b) apenas III c) apenas I e II d) apenas II e III e) I, II e III 6. (PUC-PR) “É bizantino esperar de uma polí- tica bancária que aumenta os depósitos com- pulsórios e que eleva a alíquota do PIS/Cofins uma redução expressiva das taxas de crédi- to. Também o é culpar a Selic e o lucro dos bancos pelos empréstimos caros no Brasil, ignorando as demais causas. A superação da barreira do crédito demanda um diagnóstico realista e a eliminação das bizantinices.” (Roberto Luis Troster, “Folha de S.Paulo”, 03. Ago.2006, p. A3). O autor nos compara, com muita proprieda- de, com o Império Bizantino, onde: a) o povo não era atingido por tributações exa- geradas, causa da paz e equilíbrio sempre presentes naquela sociedade. b) seus habitantes deleitavam-se com discus- sões filosóficas, sutis e que não levavam a nenhuma conclusão. c) as decisões econômicas eram tomadas demo- craticamente. d) havia programas de previdência e aposenta dorias bastante complexos. e) as decisões políticas eram tomadas com grande objetividade e rapidez. 7. (ESPM) A obra pode ser considerada autên- tica tradição muçulmana formada pelo con- junto das tradições ou narrativas orais frag- mentadas chamadas “hadiths”. Apresenta os comportamentos do profeta, as maneiras que tinha de comer, de beber, de se vestir, de cumprir os seus deveres religiosos, de lidar com os crentes e os infiéis. (Anne-Marie Delcambre. “Maomé: a palavra de Alá”.) 20 O enunciado deve ser relacionado com: a) Alcorão. b) Rubbayat. c) Suna. d) Zend Avesta. e) Torá. 8. (UFRGS) Após ter sido relegada, em grande parte, ao esquecimento, a obra do pensador grego Aristóteles voltou a ter uma significati- va difusão na Europa Ocidental, em especial a partir do século XII, o que pode ser atribuído: a) à preservação da cultura greco-romna nos mosteiros Medievais e à expansão comercial e urbana na Europa Ocidental, provocando na Igreja Católica o interesse em fundamentar seus ensinamentos e práticas com uma lógica mais concreta e cotidiana. b) à preservação e ao profundo estudo da cul- tura greco-romana realizados pelos muçul- manos em seus centros de cultura, como os da Península Ibérica, onde foram traduzidos para o latim inúmeros manuscritos. c) ao desejo dos povos de cultura germânica de compreender e assimilar a cultura dos anti- gos territórios imperiais. d) à ruralização generalizada que atingiu a Eu- ropa Ocidental, com o fim do urbanismo e das relações comerciais, o que motivou a eli- te cultural a dedicar-se aos estudos teóricos. e) à ruptura religiosa entre os católicos do Oci- dente e os ortodoxos bizantinos, que levou à migração de obras gregas ao Oeste do conti- nente europeu. 9. (UFPB) O Império Bizantino dominou vastas regiões de diferentes etnias, em três conti- nentes (Europa, Ásia e África), sob a égide de um modelo teocrático centralizado, conheci- do como cesaropapismo, no qual o Basileus concentrava, em suas mãos, a chefia suprema do exército, da administração do Estado (Po- der de César) e da religião cristã (Poder de Papa). Por conseguinte, os conflitos de natu- reza política, econômica, social e cultural se manifestavam como questões de religião: as famosas “querelas religiosas” bizantinas. Sobre essas querelas, é correto afirmar: a) O Monofisismo, uma corrente religiosa euro- peia, concebia o caráter unicamente huma- no de Cristo, contrapondo-se ao poder cen- tral e à influência das províncias asiáticas, que defendiam a dupla natureza de Cristo (divina e humana). b) A Questão iconoclasta dividiu o catolicismo entre Católicos, Ocidentais - defensores do culto às imagens tridimensionais e os católi- cos Orientais - contrário à esse culto. c) O Cisma do Oriente (1054) dividiu o Cristia- nismo em duas Igrejas, a Católica Romana e a Cristã Ortodoxa, significando um dos passos decisivos para a afirmação do poder papal na Europa Ocidental e da influência bizantina no leste europeu. d) O Tribunal do Santo Ofício (a Inquisição) servia para garantir a ortodoxia da Igreja e foi criado pelo Basileus como instrumento de controle do poder central sobre as heresias, que explodi- ram primeiramente no Império Bizantino. e) O Arianismo, uma heresia religiosa, foi res- ponsável pela conversão dos povos germâ- nicos (os “Bárbaros”) ao cristianismo, de- fendendo a superioridade dos povos arianos sobre asiáticos e semitas. 10. (UFRGS) O assim denominado Grande Cisma do Oriente foi uma consequência: a) da Reforma Calvinista, que, ao pregar a pre- destinação e o livre-arbítrio, acabou com a unidade da Igreja Católica. b) da Querela das Investiduras, travada entre o Papa e o Imperador, a qual versava sobre a proibição de leigos concederem a posse de cargos na Igreja. c) da emergência do islamismo, que propiciou aos árabes um ponto de união e identidade, mas os separou dos ocidentais. d) do confronto iconoclasta entre a Igreja de Roma e a de Constantinopla, que resultou na cisão entre os ramos grego e romano do catolicismo. e) do conflito religioso que instalou um papa em Avignon e outro em Roma, perturbando por décadas a concórdia interna da Igreja. E.o. tEstE III 1. (UFRGS) Maomé, nascido em Meca, na Ará- bia, insatisfeito com o paganismo geralmente praticado na região, declarou ter visto o anjo Gabriel que lhe apresentara um texto com a ordem de recitá-lo. Considerando-se então o último e maior de todos os profetas, Maomé promoveu a conversão das tribos da Arábia. A era muçulmana caracterizou-se pela: a) divisão das esferas de poder político e de poder religioso, constituindo um Estado lai- co, onde, porém, a Igreja assumia um lugar privilegiado. b) expansão territorial do Islã, que se fez inclusive às custas do Império Persa e do Império Bizan- tino, enfraquecidos por graves crises internas. c) conversão forçada dos povos conquistados à nova religião do Islã, com a proibição dos cul- tos judeus e cristãos e o confisco de terras. d) rejeição total à assimilação da cultura dos povos conquistados e das culturas antigas, em nome da verdadeira compreensão da pa- lavra de Deus. e) proibição das concentrações urbanas, do 21 comércio e do desenvolvimento de novas técnicas de trabalho, considerados contrá- rios aos preceitos do Corão. 2. (UFV) O Império Bizantino se originou do Império Romano do Oriente, reunindo dife- rentes povos: gregos, egípcios, eslavos, semi- tas e asiáticos. Em razão disso, foi preciso criar um eficiente sistema político e admi- nistrativo para dar força e coesão àquele mo- saico de povos e culturas. Sobre o Império Bizantino é INCORRETO afir- mar que: a) a religião fornecia a fundamentação do po- der imperial, mas absorvia grande parte dos recursos econômicos, originando várias cri- ses. b) a intolerância religiosa não deixava espaço de autonomia para que os indivíduos esco- lhessem seus próprios caminhos para asal- vação. c) a estrutura eclesiástica era extensa e muito influente, provocando intensa espiritualida- de popular e várias controvérsias teológicas. d) a fusão entre poder temporal e poder espi- ritual permitia que o Imperador indicasse laicos para postos na hierarquia eclesiástica. e) a importância política do Imperador impediu que o Patriarcado se desenvolvesse indepen- dentemente, tal como o Papado do Ocidente. 3. (PUC-PR) O Império Bizantino ou Romano do Oriente existiu durante a Idade Média, sendo-lhe cronologicamente coincidente. Sobre o tema, assinale a alternativa correta: a) Seu período de maior esplendor e expansão ocorreu sob o governo de Justiniano, que mandou fazer a codificação das leis romanas. b) Sua posição geográfica correspondia às ter- ras da parte ocidental do Império Romano. c) Apresentava excessiva descentralização políti- ca, o que enfraquecia os imperadores (baliseus). d) Reprimiu violentamente a heresia dos cáta- ros, que ameaçava a sua unidade religiosa. e) A força da cultura romana fez com que o latim fosse língua de emprego geral. 4. (PUC-PR) A História do Império Bizantino abrangeu um período equivalente ao da Ida- de Média, apesar da instabilidade social, de- corrente, entre outros fatores: a) dos frequentes conflitos internos originados por controvérsias políticas e religiosas. b) da excessiva descentralização política que enfraquecia os imperadores. c) da posição geográfica de sua capital, Cons- tantinopla, vulnerável aos bárbaros que com facilidade a invadiam frequentemente. d) da constante intromissão dos imperadores de Roma em sua política. e) da falta de um ordenamento jurídico para controle da vida social. 5. (Unesp) Assinale a alternativa correta sobre a civilização muçulmana durante o período medieval. a) Os constantes ataques de invasores árabes, provenientes das áreas do Saara, criaram instabilidade na Europa e contribuíram deci- sivamente para a queda do Império Romano. b) A civilização muçulmana não desempenhou papel significativo no período, em função da inexistência de um líder capaz de reunir, sob um mesmo estado, sunitas e xiitas. c) Os pensadores árabes desempenharam papel importante na renovação do pensamento da Europa Ocidental, uma vez que foram res- ponsáveis pela difusão, via Espanha muçul- mana, do legado greco-romano. d) O distanciamento entre muçulmanos e cris- tãos aprofundou-se com a pregação de Mao- mé, que postulou a superioridade da religião islâmica e negou se a aceitar os tratados de paz propostos pelo Papa. e) A partir do século VIII, a civilização muçulmana passou a ser regida pelo Alcorão, cujas reco- mendações aplicavam-se à vida cotidiana, con- tribuindo para o declínio do Império Otomano. E.o. DIssErtatIvo 1. (UFPR) Considere a seguinte afirmação so bre o termo bizantino: “É essencial lembrar que bizantino não tem conotação étnica, mas civilizacional (...). O termo bizantino foi vulgarizado apenas a partir do século XVI, depois do desmembra- mento do império, que, em vida, se via como herdeiro e continuador do império Romano.” (FRANCO JR., Hilário; ANDRADE FILHO, Ruy de Oliveira. O Império Bizantino. SP: Brasiliense, 1987, p. 7-8) Em que medida o Império Bizantino pode ser considerado herdeiro e continuador do Impé- rio Romano? Estabeleça as diferenças entre esses dois impérios entre os séculos V e VII. 2. (UFJF) Leia o trecho abaixo a responda ao que se pede. Quando Maomé fixou residência em Yatrib, teve início uma fase decisiva na vida do profeta, em seu empenho de fazer triunfar a nova religião. A cidade de Yatrib, que do- ravante seria chamada Medina (cidade do profeta), tornou-se sede ativa de uma comu- nidade da qual Maomé era o chefe espiritual e temporal. a) Que tipo de Estado (forma de governo) foi criado por Maomé na Arábia por volta de 615 22 e, posteriormente, adotado em várias regi- ões conquistadas pelo Islã? b) Cite e analise UMA SEMELHANÇA e UMA DI- FERENÇA entre a religião muçulmana e a re- ligião cristã durante a Idade Média. 3. (Unesp) A Arábia, durante anos, viveu à margem do mundo antigo. A rapidez vertigi- nosa das conquistas não impediu a fraqueza relativa dos espaços ocupados. Demasiada- mente extenso, o império árabe cedo se esfa- celou, mas deixou as marcas da fé. Esclareça o principal objetivo de Maomé ao pregar o islamismo. 4. (UFG) Analise a imagem a seguir. A imagem retrata um ritual religioso reali- zado periodicamente na cidade de Meca, na Arábia, pelos muçulmanos desde o século VII. Diante do exposto, a) identifique o evento retratado e explique o seu significado para a religião muçulmana. b) explique a importância de Meca no processo de unificação da Península Arábica no século VII. 5. (FGV) E, com efeito, concedemos a Moisés o Livro, e fizemos seguir depois dele, os Mensageiros. E concedemos a Jesus, Filho de Maria, as evidências e amparamo-lo com o Espírito Sagrado. E, será que cada vez que um Mensageiro vos chegava, com aquilo pelo que vossas almas não se apaixonavam, vós vos ensoberbecíeis? Então, a um grupo desmentíeis, e a um gru- po matáveis. [...] E, quando lhes chegou um Livro da par- te de AlIah, confirmando o que estava com eles – e eles, antes buscavam a vitória sobre os que renegavam a Fé – quando, pois, lhes chegou o que já conheciam, renegaram-no. Então, que a maldição de Allah seja sobre os renegados da Fé! Alcorão, 2:87 e 89 Tradução do sentido do Nobre Alcorão para a língua portuguesa. NASR, H. (trad.), Complexo do Rei Fahd para imprimir o Alcorão Nobre: Medina, s./d. a) Compare, do ponto de vista doutrinal, a religião muçulmana e as religiões judaica e cristã. b) A Península Arábica no século VI caracteri- zava-se pela dispersão política e religiosa. Como a religião muçulmana favoreceu o processo de constituição de uma unidade político-religiosa na região? c) Durante o século VII, além da expansão islâ- mica, surgiu a divisão entre sunitas e xiitas, que se mantém até os dias de hoje. Quais fo- ram os motivos de tal divisão no século VII? 6. (Unicamp) Tradicionalmente, a vitória dos cristãos sobre os muçulmanos na Batalha de Covadonga, na região da Península Ibérica, em 722, foi considerada o início da chamada Reconquista. Mais do que um decisivo con- fronto bélico, Covadonga foi uma luta dos habitantes locais por sua autonomia. A apro- ximação ideológica desta vitória, feita mais tarde por clérigos das Astúrias, conferiu à batalha a importância de um fato transcen- dente, associado ao que se considerava a mis- são da monarquia numa Hispânia que tomba- ra diante dos seus inimigos. (Adaptado de R. Ramos, B. V. Sousa e N. Monteiro (orgs.), História de Portugal. Lisboa: A Esfera dos Livros, 2009, p. 17-18.) a) Explique o que foi a Reconquista. b) De que maneiras a Batalha de Covadonga foi reutilizada no discurso histórico e político pelos clérigos das Astúrias? 7. (UFG) A história do Mediterrâneo é a histó- ria das migrações populacionais e da circula- ção de valores de culturas distintas. Discorra sobre a Expansão Árabe, a partir da unifica- ção islâmica na Idade Média. 8. (Fuvest) Ao longo da Idade Média, a Europa Ocidental conviveu com duas civilizações, às quais muito deve nos mais variados campos. Essas duas civilizações, bastante diferentes da Ocidental, contribuíram significativamen- te para o desenvolvimento experimentado pelo Ocidente, partir do século XI, e para o advento da Modernidade no século XV. a) Quais foram essas civilizações? b) Indique suas principais características. 9. (Unicamp) A partir do século IX, aumentou a circulação da ciência e da filosofia vindas de Bagdá, o centro da cultura islâmica, em dire- ção ao reino muçulmano instaladono Sul da Espanha. No século XII, apesar das divisões políticas e das guerras entre cristãos e mou- ros que marcavam a península ibérica, essa corrente de conhecimento virou um rio cau- daloso, criando uma base que, mais tarde, constituiria as fundações do Renascimento no mundo cristão. Foi dessa maneira que o Oci- dente adquiriu o conhecimento dos antigos. 23 No quadro pintado pelo italiano Rafael, A es- cola de Atenas (1509), o pintor daria a Aver- róis, sábio muçulmano da Andaluzia, um lugar de honra, logo atrás do grego Aristóteles, cuja obra Averróis havia comentado e divulgado. (Adaptado de David Levering Lewis, God’s Crucible: Islam and the Making of Europe, 570-1215. New York: W. W. Norton, 2008, p. 368-69, 376-77.) a) Identifique no texto dois aspectos da relação en- tre cristãos e muçulmanos na Europa medieval. b) Relacione as características do Renascimen- to cultural europeu à redescoberta dos valo- res da Antiguidade clássica. 10. (UFC) Leia o texto a seguir. Às margens de dois grandes impérios, surgiu um movimento religioso. Em pouco tempo, em nome dessa nova religião, exércitos fo- ram recrutados, países foram conquistados e foi fundado um novo império, que in- cluiu grande parte do território do Império Bizantino e todo o Sassânida, na Pérsia, e estendeu-se da Ásia Central até a Espanha. A partir do texto e dos seus conhecimentos, responda: a) A qual religião o texto se refere? Onde e quando ela surgiu? Quais são os dois grandes grupos em que ela está dividida? b) Indique quatro conflitos do século XX ou XXI nos quais estejam envolvidos países ou populações ligados a essa religião. Escolha um desses conflitos e apresente uma das ra- zões que o desencadeou. E.o. EnEm 1. O ano muçulmano é composto de 12 meses, dentre eles o Ramadã, mês sagrado para os muçulmanos que, em 2001, teve início no mês de novembro do Calendário Cristão, con- forme a figura que segue. Dom Considerando as características do Calen- dário Muçulmano, é possível afirmar que, em 2001, o mês Ramadã teve início, para o Ocidente, em: a) 01 de novembro. b) 08 de novembro. c) 16 de novembro. d) 20 de novembro. e) 28 de novembro. GaBarIto E.O. Teste I 1. D 2. A 3. E 4. D 5. C 6. A 7. B 8. D 9. B 10. A E.O. Teste II 1. C 2. D 3. B 4. A 5. B 6. B 7. C 8. A 9. C 10. D E.O. Teste III 1. B 2. B 3. A 4. A 5. C E.O. Dissertativo 1. O Império Romano foi construído ao longo de séculos, a partir de conquistas militares, com a subordinação de diversos povos. O Im- pério Bizantino nasceu da crise e subdivisão do Império Romano e representou, geografi- camente, sua porção oriental. O Império Bi- zantino sobreviveu à crise graças aos víncu- los econômicos que estabeleceu com diversos povos e regiões orientais. O Império Bizantino manteve a estrutura po- lítica centralizada, com extensa burocracia, e organizou sua estrutura jurídica com base no Direito Romano. 2. a) Estado teocrático/Estado muçulmano. b) Semelhança: O candidato poderá destacar entre outros aspectos: ambas as religiões são monote- ístas e fazem referência ao mesmo Deus; ambas têm um caráter expansionista e ideal de conversão; ambas pregam a des- truição de imagens de religiões pagãs em áreas convertidas; ambas apresentam dis- sensões político-religiosas no seu interior. Diferença: O candidato poderá destacar entre outros aspectos: os calendários (o cristianismo 24 inaugurou um novo calendário e o islamis- mo reformulou o cristão); as localizações geográficas (o centro do império cristão era Roma e o do islã na Arábia); os lugares sa- grados (Meca); Maomé era o último profeta de Jesus, mas não era um ser divino); os di- ferentes livros sagrados (Bíblia e Alcorão). 3. Combater o politeísmo, formar um estado (Islão) com bases teocráticas e conquistar o ocidente (guerras santas), com a conversão dos infiéis. 4. a) Trata-se da peregrinação dos muçulmanos à Meca visitando locais sagrados como a Mesquita Sagrada. A peregrinação é uma das cinco regras dos seguidores do Isla- mismo. Deve-se jejuar no mês do ramadã, ir pelo uma vez na vida a cidade sagrada Meca, entre outros. b) Antes de Maomé, na Arábia Pré-islâmica, não havia unidade política e religiosa. A Arábia estava fragmentada em várias tri- bos que cultuavam diversos deuses. Era o politeísmo religioso. A Caaba era um tem- plo sagrado porque abrigava diversos ído- los como a pedra negra. O templo ficava em Meca, uma cidade que se destacava como centro religioso e econômico. Maomé criou o Islamismo dando unidade política e reli- giosa aos árabes e Meca torna-se o centro político e religioso para esta nova religião. 5. a) Considera-se que a formulação da doutri- na muçulmana pelo profeta Mohamed foi marcada por forte influência do judaísmo e do cristianismo. Enquanto participou das caravanas mercantis, Mohamed co- nheceu outros povos e religiões e perce- bemos elementos que permitem estabele- cer uma ligação, tais como o monoteísmo, a existência de um livro sagrado, a pre- sença do anjo Gabriel como anunciador da vontade divina e a crença em um paraíso. b) Antes do islamismo, os povos árabes es- tavam divididos politicamente em tribos e possuíam vários deuses. Para os muçulmanos, Mohamed é o último profeta / mensageiro de Deus. Do ponto de vista histórico, sua grande realização foi promover a unificação dos povos árabes, do ponto de vista político e religioso. A crença num único Deus e a consequente luta pela imposição dessa ideia a todas as tribos de- ram origem a um processo de centraliza- ção, com a criação do Islã, sob comando do califa, autoridade política e religiosa. c) A divisão está associada às lutas internas pelo poder sobre o Islã, logo após a mor- te do profeta. Para os xiitas, seguidores de Ali, apenas os descendentes diretos de Muhammed poderiam liderar o Islã, en- quanto que, para os sunitas, a liderança caberia a qualquer mulçumano virtuoso. 6. a) Foi uma guerra empreendida pelos cristãos ibéricos contra os muçulmanos na Penínsu- la Ibérica entre os séculos VIII e XV. b) Foi associada à ideologia católica, a partir de uma missão divina e, portanto trans- cendente do rei de defender o cristianis- mo ameaçado pelos infiéis. 7. A consistência e a simplicidade da doutrina islâmica, associada à decadência dos impé- rios persa e bizantino e aos interesses mate- riais dos árabes, foram fatores decisivos ao processo da expansão islâmica ao redor do Mediterrâneo. O contato com os europeus foi de grande va- lia no âmbito da cultura, apesar da presença árabe no Mediterrâneo ter contribuído para a cristalização do feudalismo. 8. a) Bizantina e Islâmica. b) Bizantina: Politicamente, o cesaropapis- mo submetia a igreja ao Estado; a econo- mia era baseada nas atividades mercantis e, em termos culturais, a preservação da cultura greco-romana, a organização do direito (O Corpus Juris Civilis do impera- dor Justiniano). Islâmica: O Estado organizado em bases religiosas após Maomé; a economia era agrária e mercantil; sociedade hierarqui- zada de acordo com a organização políti- co-religiosa; no campo cultural, a arte foi orientada pela religião e destacam-se as contribuições para o Ocidente com Aver- róis na Filosofia, e Avicena na medicina. 9. a) De acordo com o texto, pode-se consi- derar como aspectos da relação entre cristãos e muçulmanos na Idade Média, a transmissão de conhecimentos da An- tiguidade Clássica pelos muçulmanos ao ocidente cristão e presença islâmica na Península Ibérica deu origem à guerra da Reconquista. b) O Renascimento é assim chamado em vir- tude da redescoberta e revalorização das referências culturais da antiguidade clás-sica durante a passagem da Idade Média para a Idade Moderna, destacando-se o racionalismo, o antropocentrismo, o in- dividualismo e o naturalismo. 10. a) Na Península Arábica, às margens de dois grandes impérios, o Bizantino e o Sassâ- nida, surgiu, no século VII da era cristã, o Islamismo. Em nome da nova religião, 25 criou-se um Império, e muitos territórios foram conquistados na Ásia, na África e na Europa. O Islamismo dividiu-se em dois grandes grupos: sunitas e xiitas. b) No mundo contemporâneo, vários conflitos estão associados à religião islâmica: as duas guerras balcânicas (1912-1913); a participação do Império Otomano na Primeira Guerra Mundial; a re- volta das populações árabes, com guerrilhas durante esse mesmo conflito; a guerra da Argélia; o conflito entre palestinos e israelenses, que envolveu frequentemente vários países árabes aliados contra Israel; o conflito entre Paquistão e Índia; a resistência à invasão soviética do Afeganistão; a invasão indonésia do Timor-Leste; a Guerra Irã-Iraque; a guerra civil na Somália; a Guerra do Golfo, em 1991; a guerra na Bósnia e a guerra no Kosovo. No século XXI, presencia- mos: a continuidade do conflito entre palestinos e israelenses e a nova guerra do Iraque. Além desses, vivenciam-se os ataques terroristas da rede Al-Qaeda; a guerrilha islâmica Abu Sayyaf, nas Filipinas; as ações do Grupo Islâmico Armado, na Argélia, e da Irmandade Muçulmana, no Egito; as disputas entre Paquistão e Índia pelo território da Caxemira; os conflitos internos do Afeganistão; os conflitos entre a Chechênia e a Rússia; Boko Haram contra os cristãos, na Nigé- ria; e o Estado Islâmico, na Síria e Iraque. E.O. Enem 1. C © Li sa S ./S hu tte rs to ck Reino Franco e Igreja Católica Aulas 11 e 12 27 © Li sa S ./S hu tte rs to ck Reino FRanco Os povos bárbaros A partir do século I da Era cristã, os bár- baros passaram a ultrapassar as fronteiras romanas, inicialmente por migrações pací- ficas e, posteriormente, por meio de inva- sões militares, ocupando vastas regiões do Império Romano do Ocidente, contribuindo significativamente para sua desintegração, uma vez que faltava a ela unidade política. Rômulo Augústulo, último impera- dor romano, foi deposto, em 476, por Odo- acro, líder hérulo, que decretou o fim do Im- pério Romano do Ocidente, marco utilizado pelos historiadores para determinar o fim da Idade Antiga e o início da Idade Média. O encontro entre romanos e bárba- ros promoveu a fusão dos elementos carac- terísticos das duas culturas, bem como pos- sibilitou a constituição do sistema feudal. À medida que os bárbaros iam ocupando o Império Romano do Ocidente, formavam reinos, que, de maneira geral, não sobreviveram por muito tempo. Des- sa forma, saxões, visigodos, ostrogodos, alamanos, burgúndios e outros povos não resistiram às pressões externas e acabaram dominados ou destruídos. Entre todos, os francos foram os que conseguiram se es- truturar politicamente, ocupando a região da Gália e organizando um reino durante o período que se convencionou chamar de Alta Idade Média europeia. Esse reino for- mou-se e expandiu-se sob o governo das dinastias merovíngia, entre os séculos V a VIII, e carolíngia, nos séculos VIII a X. Dinastia merovíngia (481–751) Originárias do vale do rio Reno, as tribos francas estabeleceram-se na Gália (França). Os francos eram um dos povos bárbaros de origem germânica que invadiram o Império Romano do Ocidente ao longo dos séculos IV e V. Gogos Ostrogodos Constantinopla MACEDÔNIA 378 451 GÁLIA Roma Cartago HISPÂNIA BRITÂNIA Vândalos Visigodos Jun tos Ang los Sax ões Fra nco s Vândalos Hun os Os tro go do s Córsega Sardenha Sicília Anglos, Saxões Francos Godos Visigodos Ostrogodos Hunos Vândalos Fonte: https://wikipedia.org/wiki/Invasões_bárbaras_da_península_Ibérica Invasões bárbaras no século V Fonte: <https://wikipedia.org/wiki/Invasões_bárbaras_da_península_Ibérica>. 28navegadores.blogspot.com.br/2013_04_01_archive.html Os reinos bárbaros Fonte: <28navegadores.blogspot.com.br/2013_04_01_archive.html>. 28 Chefiados por Meroveu, venceram os hunos no fi- nal do século V, na batalha dos Campos Catalúnicos. Mas a dinastia Merovíngia iniciou-se, efetivamente, com seu neto, Clóvis, formada a partir da unificação das tribos francas. Clovis reinou durante os anos de 482 a 511. Nesse perío- do, aliou-se à Igreja católica, oferecendo-lhe proteção mili- tar; em troca, obteve o apoio do papado, o que contribuiu para o fortalecimento da sua autoridade real, tornando efetiva a unificação da Gália e a expansão territorial do reino. Com a morte de Clóvis, em 511, o reino franco foi dividido em quatro partes, entre seus filhos, de acordo com o costume germânico de divisão do poder. Mais tarde, uma nova divisão ocorreu entre os netos de Clóvis. Nesse período, um novo sistema econômico es- truturou-se – o sistema feudal –, com a ruralização da economia e o fortalecimento das relações pessoais que ligavam o rei a seus guerreiros. A fidelidade pessoal ao rei, denominado suserano, era estabelecida mediante ju- ramento de vassalagem, segundo o qual os guerreiros as- sumiam o compromisso de servir ao soberano, fornecen- do apoio militar e contribuições econômicas, pois eram seus vassalos. Em troca, o soberano oferecia proteção e terras ou outros bens, mediante doação de “beneficio”. As constantes doações de terra e o fato de os nobres disporem de um exército fortaleceram os pode- res locais dos senhores e acabaram por enfraquecer o poder dos monarcas merovíngios. Nesse período, ocorreu também o fortaleci- mento de funcionários reais que mantinham o contato direto com os nobres vassalos reais, os majordomus (mordomos do paço ou prefeitos do palácio). Oriundos de famílias nobres, os majordomus passaram a ter o poder de fato. Comandavam o exército real, adminis- travam a divisão de terras e a coleta de impostos, unin- do em torno de si a nobreza. Os reis tinham funções meramente cerimoniais. Pepino de Heristal, majordomus do Reino da Austrásia, conseguiu submeter os outros majordomus, promovendo a centralização do Reino Franco. Mas foi somente com seu sucessor, Carlos Martel, que os major- domus passaram a ser considerados reis. Carlos Martel conquistou prestígio e poder ao liderar os francos na vitória contra os muçulmanos na Batalha de Poitiers, na França, no ano de 732, con- tendo o avanço islâmico sobre a Europa Ocidental. Ao ser considerado pela Santa Sé como o “salva- dor do cristianismo ocidental”, Carlos Martel fortaleceu sua autoridade pessoal, fato aproveitado por seu filho Pepino, o Breve, que, com o apoio do papa Zacarias, destronou o último rei merovíngio Childerico III, no ano de 751, e proclamou-se rei dos francos, iniciando a Di- nastia Carolíngia que perdurou até 987. Dinastia carolíngia (751-987) Pepino, o Breve, destronou o rei merovíngio, sendo reconhecido como o novo Rei dos Francos e sagrado pelo papa Estevão II, em 754. O reconhecimento e a aprovação da Igreja possibilitaram a Pepino inaugurar uma nova dinastia conhecida como Dinastia Carolíngia (reinou de 751 a 768). Pepino iniciou a administração de seu reinado lutando contra os lombardos na Itália. Os territórios que tomou dos lombardos, no centro da Península Itálica, foram cedidos à Igreja, que formou pela primeira vez seu território, aumentando muito o poder do papa, e fortaleceu, ainda mais, a aliança entre a Igreja e o reino franco. Os territórios da Igreja ficaram conhecidos como o Patrimôniode São Pedro. O reinado de Carlos Magno e o Império Carolíngio (768-814) Pepino foi sucedido por seu filho Carlos Magno, em 768, que governou até 814, tornando-se o mais impor- tante rei franco, concedendo seu nome à dinastia Ca- rolíngia. Carlos Magno ampliou as fronteiras do reino franco, anexando a Itália lombarda, a Saxônia, a Frísia e a Catalunha, tornando-se o único rei da Europa cristã. Dis pon íve l em : <h ttp ://v itic ode vag am und o.b log spo t.co m.b r> Carlos Martel na Batalha de Poitiers. Charles Steubem (1788-1856) 29 A expansão foi favorecida pelo apoio da Igreja e da nobreza guerreira, que ganhava terras como prêmio por sua participação nas guerras de conquista. O reino de Carlos Magno tornou-se o maior Império Ocidental, durante o Pe- ríodo Medieval, com a conquista de antigos domínios roma- nos. No Natal do ano 800, Carlos Magno foi coroado pelo papa Leão III Imperador do Império Romano do Ocidente. Carlos Magno não instituiu uma capital fixa para seu império, tomando as decisões do local onde estavam o imperador e sua corte. Com o intuito de estabelecer normas que promovessem a homogeneidade político- -administrativa e, ao mesmo tempo, fossem cumpridas por todos os habitantes dos seus domínios, Carlos Mag- no emitiu uma série de decretos, que, posteriormente, foram reunidos nas Leis Capitulares. Em virtude da extensão de seus domínios, Carlos Magno os dividiu em áreas administrativas chamadas condados e marcas. As primeiras correspondiam aos territórios do interior sob comando de condes, cujas funções primordiais eram produtivas. Os territórios de fronteira eram chamados de marcas e ficavam a cargo dos marque- ses, cuja função primordial era a defesa do império. Em ambas as áreas, os administradores eram responsáveis pela aplicação das leis capitulares e pela arrecadação de impostos. Tanto os condados como as marcas eram fiscalizados pelos missi dominici (mensageiros reais), nobres da confiança do imperador que zelavam pela aplicação das decisões emanadas do poder real, conforme estabelecidas nas leis capitulares. Ascensão do Império Franco Povos tributários à Carlos Magno Fronteiras do império em 814 Território franco em 481 Conquistas de Clóvis (481-511) Conquistas entre 531-614 Consquistas entre 714-768 Conquistas de Carlos Magno (768-814) Territórios dependentes Reino de Siágrio em 486 Reino Visigodo de Tolosa em 507 Croatas DanúbioLíger Sena Ródano Pó Inn Dan úbi o Garona Ebro Reno Elba Oder Vístula Abroditas Veletos Sorábios Tchecos Morávios Ávaros Croatas Sérvios Bretões Nantes Tours Poitiers Bórdeus Toulouse Barcelona Lyon Genebra Pavia Milão Veneza Ravena Spoleto Roma Salzburgo Ratisbona Estrasburgo Metz ReimsParis Córsegos NÊUSTRIA AQUITÂNIA GASCONHA MARCA ESPANHOLA SE PT IM AN IA PROVENÇA BORGONHA SUÁBIA T U R Í N G I A BAVÁRIA CARÍNTIA REINO LOMBARDO 805 796 774 502 788 788 774536 533 536Autun 532 Soisson 486 Vouillé 507 Roncesvales 778 486 507 531 759 778 812 531 810 734 FRÍSIA SAXÔNIA 777-797 Süntel 782 W es er Reno 531 Colônia Fulda Tournai Mos a Tertry Aquisgrano AUSTRÁSIA Fonte: https://wikipedia.org/wiki/Francos Fonte: <htpps://wikipedia.org/wiki/Francos>. O governo de Carlos Magno também foi marcado pelo estímulo imperial ao desenvolvimento cultural. Ocorreu um grande incentivo à cultura e às artes, quando houve um florescimento cultural e intelectual do império, denominado como o Renascimento Carolíngio. © Lo uis -Fé lix Am iel/ Wi kim edi a C om mo ns Carlos Magno 30 Em 806, Carlos Magno fez seu tes- tamento dividindo o Império entre seus filhos, conforme o costume sucessório ger- mânico, mas acabou sendo sucedido por seu filho mais novo, Luís I, o Piedoso, que governou de 814 a 841, mantendo o Império e a estrutura político-administrati- va herdada do pai. A decadência do Império Carolíngio teve início após a morte de Luis I, em 841, quando se iniciou um conflito entre seus fi- lhos pelo trono. Lotário, Carlos e Luís trava- ram várias batalhas, arruinando as finanças e enfraquecendo militarmente o império. Em 843, a disputa foi solucionada com assinatura do Tratado de Verdun, que estabeleceu a divisão do império en- tre os netos de Carlos Magno: Lotário re- cebeu a Lotaríngia, que correspondia aos Países Baixos, Suíça e Norte da Itália; a Luis, o Germânico, coube a parte oriental do Império (Germânia); e a Carlos, O Calvo, coube o território da França. O Tratado de Verdun marcou, segundo as divisões dos períodos da História, o final da Alta Idade Média. A quebra da unidade política e o enfraquecimento militar favoreceram as invasões externas – magiares, árabes e vikings –, levando ao declínio o Império Franco. igReja católica medieval O poder da Igreja A Igreja Católica foi a grande catalisadora dos acontecimentos e da vida medieval; ao mesmo tempo, durante esse período, sua trajetória foi marcada pelo crescimento e desenvolvimento e pelo grande poder que conquistou. A Igreja passou a exercer importante papel em diversos setores da vida medieval, servindo como instrumento de unidade, em virtude das invasões germânicas e da destruição do Império Romano e, mais tarde, diante da fragmen- tação político-administrativa da sociedade feudal. O crescente poder da Igreja Católica na Europa Ocidental durante a Idade Média pode ser explicado pelo acúmulo dos poderes espiritual e temporal. O poder espiritual corresponde ao controle sobre a religião e o monopó- lio da interpretação das Escrituras Sagradas, permitindo o controle ideológico e a interpretação da realidade vigente. O poder temporal era exercido politicamente como resultado do controle da Igreja sobre um número cres- cente de populações que a alimentavam mediante pagamento dos dízimos, de doações e outras ações de fiéis que acreditavam poder obter a salvação abrindo mão de recursos materiais. A Igreja concentrava, ainda, uma grande quantidade de terras em suas mãos, resultando na acumulação de um montante significativo de riquezas materiais. Detinha, também, o controle da vida dos homens, regulando casamentos, normatizando as obrigações matrimoniais; os divórcios, os casos de bigamia, adultério, incesto, entre outros; arbitrava os casos de divisão de Hamburgo FRANÇA ORIENTAL BRITÂNIA HIBÉRNIA ESPANHA ESTADOS DA IGREJA Verdun Estrasburgo Lyon Milão Barcelona Toulouse Bordéus Paris Aix-la-Chapelle MAR DO NORTE OCEÂNO ATLÂNTICO MAR MEDITERRÂNEO Ratisbona Fulda Salzburgo Spoleto Roma Sícilia Córsega Sardenha Parte de Carlos, o Calvo Parte de Lotário Parte de Lúis, o Germânico Fonte: prof-tathy.blogspot.com.br/2009/10/os-francos.html FRANÇA OCIDENTAL Divisão do Império Carolíngio pelo Tratado de Verdum (843) Fonte: <prof-tathy.blogspot.com.br/2009/10/os-francos.html>. 31 heranças; monopolizava os registros paroquiais de ba- tismo, casamentos, falecimentos, enfim, a vida social era normatizada e regrada pela Igreja. Sua atuação dava-se, também, mediante uma série de ações filantrópicas, como a construção e a ma- nutenção de asilos, hospitais, orfanatos e leprosários. A Igreja era responsável pela educação, man- tendo uma série de escolas nos mosteiros, conventos e, mais tarde, nas paróquias. No século XIII, começou a organizar as universidades. Enfim, o poder da Igreja sobre os fiéis era incontestável. Os pecadores deviamcumprir penitências, que variavam de orações e jejuns a peregrinações e participação nas Cruzadas. A exco- munhão – expulsão da comunidade cristã – era a pena mais temida. Aplicava-se o interdito – proibição de se realizarem serviços religiosos – aos domínios dos gover- nantes que estivessem em litígio com a Igreja. Um importante instrumento de manutenção do domínio da Igreja Católica Medieval foi a criação do Tribunal da Santa Inquisição, em 1231, pelo papa Gregório IX. A principal função do Tribunal era julgar e punir as heresias – contestações aos dogmas católicos. As penas variavam de simples penitências ao confisco de bens, além da excomunhão, torturas e morte na fogueira. A dor e o sofrimento eram apontados como formas de aproximação com o sacrifício de Jesus, bem como poderiam estimular o arrependimento e o clamor pela misericórdia divina. É importante lembrar que a Inquisição continuou viva na Idade Moderna como um importante instrumento de dominação político e manutenção do poder instituído. Organização do clero A Igreja contava com uma rígida organização hierárqui- ca. Havia o alto clero e o baixo clero. Aquele, ligado à aristocracia, detinha os cargos de direção; dele faziam parte o papa, os bispos, os abades etc. Este era com- posto de elementos vindos das camadas mais pobres da sociedade. Com a invasão dos bárbaros, a Igreja tinha por incumbência converter esse novo contingente à religião cristã. Para o ministério da conversão, eram designa- dos elementos do clero secular (do latim saeculum, mundo), nome dado ao clero que estava em constante contato com as coisas do mundo e viviam fora dos mos- teiros. Havia também elementos do clero regular (do latim regula, regra), isto é, submetidos a regras, que fi- cavam nos mosteiros sem contato com o que se passava fora de seus muros. Esses mosteiros eram os responsá- veis pela preservação da cultura, além de importantes centros econômicos. O clero regular era constituído por todos os clérigos consagrados da Igreja Católica, que seguiam as regras de uma determinada ordem religiosa, dona de sua própria hierarquia e de títulos específicos. As principais ordens religiosas foram beneditinos, fran- ciscanos, cartuxos, cluniacenses e dominicanos. Clero regular monge cisterciense franciscano cartuxo dominicano Fonte: <www.resumosetrabalhos.com.br/o-nome- -da-rosa-umberto-eco_12.html>. (Adaptado). A Querela das Investiduras (1073-1122) O poder econômico, político e religioso da Igreja des- pertava não só a cobiça de setores da nobreza da socie- dade sobre os seus bens como a daqueles que viam na Igreja um modo de obter alguma ascensão social. Se, de um lado, estabelecia-se uma ferrenha luta política, de © Vi rg il M as ter /W iki me dia Co mm on s Templários condenados à fogueira pela Santa Inquisição. 32 outro, os interesses econômicos possibilitavam a corrupção. Além disso, os cargos eclesiásticos eram cobiçados por seu poder e prestígio, tornando-se alvos de intensas disputas entre clérigos, nobres e soberanos. A prática de nomeação de bispos segundo interesses políticos era muito comum no Sacro Império Romano Germânico, graças à forte submissão dos clérigos aos interesses do Estado, justamente pelo enraizamento da cor- rupção e dos interesses políticos e econômicos em jogo, quando da nomeação ou investidura de cléricos e bispos, por meio da simonia, que era a compra de cargos religiosos. Essas práticas provocavam incômodo nos meios eclesiásticos, principalmente, porque tiravam das mãos da Igreja um importante instrumento de barganha política, ao mesmo tempo em que enfraqueciam seu poder, uma vez submetida a uma interferência externa na nomeação dos seus membros. Havia alguns membros da Igreja mais comprometidos com as práticas religiosas evangelizadoras que estavam insatisfeitos com essa situação. Discussões internas a respeito das práticas de corrupção e comércio de cargos, a simonia, especialmente no Sacro Império Romano Germânico não faltavam. Gente que não tinha o menor compromisso com a religião ocupava importantes cargos eclesiásticos. Procurando atender os anseios daqueles que estavam insatisfeitos com essa situação, bem como e prin- cipalmente ganhar um poder capaz de determinar a nomeação interna dos seus representantes para os cargos eclesiásticos, o papa Nicolau II criou, em 1058, o Colégio dos Cardeais. Os clérigos foram investidos do direito de escolher seus líderes religiosos. Em 1073, Gregório VII, da abadia de Cluny, foi eleito pelos seus pares como papa. Sua primeira atitude foi reafirmar o voto de castidade e determinar a total independência da Igreja em relação ao poder político secular, condenar a nomeação de bispos por reis ou imperadores, bem como destituir todos os clérigos que assumissem cargos nomeados por poderes seculares. A atitude do papa desagradou o imperador do Sacro Império Romano Germânico, Henrique IV, que se re- cusou a cumprir as determinações papais e tentou destituí-lo. O Papa excomungou o imperador, dando origem à Questão ou Querela das Investiduras. Pressionado pelos nobres alemães, interessados na redução do poder do imperador, Henrique IV reviu sua estratégia e foi em peregrinação a Canossa, na Itália, em 1077, na busca da reconciliação com o papa Gregório VII. A aproximação não foi acompanhada pela solução do conflito que só aconteceu em 1122, com a assinatura da Concordata de Worms, já no reinado de Henrique V. Pela Concordata, a investidura espiritual caberia ao papa; ao imperador, caberia a investidura temporal. No entanto, a Concordata de Worms, de fato uma solução paliativa, não foi capaz de solucionar definitivamente a questão. Os atritos acerca da nomeação de bispos no Sacro Império e em outras regiões da Europa continuaram. O recuo do imperador, no entanto, marcou o início da supremacia papal sobre o poder temporal – suprema- cia que se manteria por quase dois séculos. As Cruzadas, que começaram a ser organizadas por essa época, dariam à autoridade do papa o poder temporal que a Igreja ambicionava. 33 e.o. teste i 1. (UEPB) Quanto aos povos germânicos que vieram dar origem aos reinos bárbaros no ocidente europeu medieval, pode-se afirmar corretamente: a) no território do antigo Império Romano, um dos reinos que mais se destacaram no século VII da era cristã foi o dos hicsos. b) a presença dos bárbaros no Império Romano foi um processo que ocorreu gradualmen- te, iniciado muito antes das “invasões”, à medida que eles penetravam nos territórios do Império e passavam a ser utilizados em trabalhos agrícolas, bem como a integrar o exército. c) o renascimento carolíngio inibiu o desenvol- vimento científico e proibiu a recuperação de obras clássicas. d) com as invasões germânicas foi abolido to- talmente o direito consuetudinário devido à adoção do Direito Romano. e) não há registros históricos que apontem a contratação de bárbaros como mercenários para lutar no exército romano. 2. (UECE) Era costume submeter o acusado de cometer um crime a um perigo, para ver se era ou não culpado. Por exemplo, colocar sua mão em água fervendo, ou fazê-lo segurar um ferro em brasa. Acreditava-se que, se inocente, Deus produziria um milagre, não deixando que algum mal acontecesse ao pre- sumível culpado. A Igreja Católica lutou con- tra e procurou extinguir esse costume que era: a) herança do Direito Romano, no qual os acu- sados não tinham direito a uma defesa base- ada em fatos fundamentados. b) uma prática originária dos primeiros cristãos que, apoiados pela Igreja Católica, acredita- vam na intervenção divina como única for- ma de justiça. c) provenienteda tradição bárbara dos povos germânicos, que tinham uma cultura mono- teísta desde antes da chegada do cristianis- mo na Europa. d) uma tradição que, mesmo rejeitada pela Igreja Católica, perdurou na Europa e em outras regiões do mundo até mesmo depois da Idade Média. 3. (PUC-RS) A ordem feudal europeia origina- -se de um lento e diferenciado processo de integração, nos séculos V a IX, entre as es- truturas sociais, políticas e culturais oriun- das da tradição romana e dos povos ditos germânicos. Em algumas regiões, como a parte _________ do continente, predominou a herança romana; em outras, como na área ________, esta herança esteve praticamente ausente no período; já na zona compreen- dida pelo reino dos _________, verificou-se uma síntese mais equilibrada de influências históricas. a) setentrional balcânica – Lombardos b) meridional escandinava – Francos c) setentrional escandinava – Lombardos d) setentrional escandinava – Francos e) meridional balcânica – Francos 4. (UEPB) A questão central que vai atravessar todo o pensamento filosófico medieval é a harmonização de duas esferas: a fé e a razão. Assinale a alternativa correta: a) A partir de Agostinho e da introdução do aristotelismo, a Igreja tem uma teologia e uma filosofia que privilegiam a fé em detri- mento da razão, gerando o conflito entre ci- ência e religião. b) Tomás de Aquino, influenciado pela visão platônica do mundo, demonstrou que o ca- minho de Deus se dá apenas pela intuição. c) O teocentrismo é a concepção segundo a qual o homem é o centro do universo: tudo foi criado para ele. d) Agostinho defende maior autonomia da ra- zão na obtenção de respostas e nega a su- bordinação desta em relação à fé. e) O pensamento de Agostinho, século V, reco- nhecia a importância do conhecimento, mas defendia uma subordinação maior da razão em relação à fé, por acreditar que esta últi- ma pudesse restaurar a condição decaída da razão humana. 5. (UEPA) A ideia de Cristandade na Alta Idade Média da Europa Ocidental supunha a união entre os povos do continente sob a batuta do alto clero católico. Em termos práticos, esta articulação se fundamentava: a) na organização centralizada da administra- ção eclesiástica conduzida pelo alto clero, baseada nas paróquias que dividiam o terri- tório europeu. b) na difusão da chamada “Idade da Fé”, que as- sinalou o domínio do fervor religioso católico encabeçado por lideranças religiosas populares. c) na interferência de reis e nobres na adminis- tração eclesiástica, o que garantiu um pano de fundo político ao domínio ideológico católico. d) nas guerras entre reinos medievais, cujas regras eram estabelecidas pelas lideranças eclesiásticas e, por isso, não afetavam a uni- dade religiosa dos fieis. e) no controle da vida religiosa com os me- canismos de excomunhão e batismo, o que eliminou qualquer possibilidade de formação de movimentos heréticos. 34 6. (UEL) Embora a ideia de transformação seja uma característica da modernidade, nos pe- ríodos anteriores, na Europa, ocorreram di- versas mudanças nos campos político, econô- mico, científico e cultural. Pode-se afirmar que, com o declínio do Império Romano na Europa Ocidental, constituíram-se novas re- lações sociais entre os habitantes desses ter- ritórios, momento que foi denominado pelos historiadores como Período Medieval. Com relação a esse período, considere as afirma- tivas a seguir. I. Carlos Magno libertou o seu império do poderio papal por intermédio de alianças militares realizadas com a nascente no- breza mercantil de Veneza. II. Os camponeses possuíam o direito de dei- xar as terras em que trabalhavam e mi- grar para os burgos pelo acordo consue- tudinário com os suseranos. III. Os chefes guerreiros comandavam seus seguidores no Comitatus por meio de ju- ramentos de fidelidade. Os nobres tam- bém realizavam esse pacto entre si. IV. O grande medo da população era ocasio- nado pelas invasões de bárbaros, pelas epidemias e pela fome. A crença em mi- lagres se propagava rapidamente entre a população. Assinale a alternativa correta. a) Somente as afirmativas I e II são corretas. b) Somente as afirmativas I e IV são corretas. c) Somente as afirmativas III e IV são corretas. d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas. e) Somente as afirmativas II, III e IV são corre- tas. 7. (UFRN) Enfrentando grandes dificuldades desde o século III, o Império Romano do Ocidente fragmentou-se após as invasões dos povos bárbaros e, nesse território, for- maram-se novas sociedades. Os historiado- res consideram esse período como uma nova fase na história da chamada Europa Ociden- tal: a Alta Idade Média, marcada principal- mente: a) pelo poder centralizado nas mãos dos reis, garantindo a estabilidade dos novos Estados que se formaram. b) pela religião cristã, que favoreceu a mescla dos elementos culturais romanos e germânicos. c) pela prosperidade das cidades, lugares prefe- ridos pelos povos germânicos para se fixarem. d) pelo predomínio do regime escravocrata, o qual sustentava uma economia comercial dinâmica. 8. (UFRGS) Um dos elementos essenciais nas relações sociais da Idade Média Ocidental foi a instituição da vassalagem, difundida desde o reinado de Carlos Magno, que consistia em: a) um juramento de compra de terras por um vassalo a um senhor, as quais eram trabalha- das por servos. b) uma relação de dependência pessoal que vinculava, por meio de um juramento, um senhor a um subordinado, vassalo. c) uma concessão temporária de terras do rei a funcionários especializados da alta adminis- tração, que exploravam o trabalho dos ser- vos da gleba. d) uma relação contratual entre um senhor e seus servos, que prestavam serviços em tro- ca de proteção. e) um contrato revogável de prestação de ser- viços temporários por parte de um cavaleiro profissional, a serviço de um senhor. 9. (UEPB) Analise as proposições a seguir: I. As transformações ocorridas durante a primeira parte da Alta Idade Média fo- ram fundamentais para a integração de diferentes povos e culturas e responsá- veis por mudanças significativas, como o fim da estrutura política centralizada e o fortalecimento institucional da Igreja Católica. II. Uma das preocupações de Carlos Magno, imperador carolíngio, foi a elevação do nível educacional do clero e o aumento da alfabetização entre os religiosos e ser- vidores que compunham a estrutura ad- ministrativa do Império. III. As relações entre o suserano e o vassalo eram marcadas por noções como fideli- dade, obediência e reciprocidade, isto é, relações de dependência. Está(ão) correta(s) a(s) proposição(ões): a) I, II e III b) Apenas l e II c) Apenas II e III d) Apenas I e III e) Apenas I 10. (PUC-RS) O feudalismo europeu foi resul- tante de uma lenta e complexa integração de estruturas sociais romanas com estruturas dos povos conhecidos como germanos, ocor- rida entre os séculos V e IX. Uma das princi- pais estruturas germânicas que compuseram o feudalismo foi: a) a vila, grande latifúndio que tendia à autos- suficiência econômica. b) o colonato, sistema de trabalho que vincula- va o camponês à terra. c) o burgo, cidade fortificada onde se concen- travam atividades artesanais. d) o comitatus, relação de fidelidade militar en- tre guerreiros e seu chefe. e) o direito codificado, reunião simplificada de leis escritas. 35 e.o. teste ii 1. (UPF) O Medievo tem como marco inicial a migração de povos chamados bárbaros para a Europa Ocidental. Sobre esse processo de migração é incorreto afirmar: a) Suas monarquias estavam baseadas na força militar. b) Os reis “bárbaros” eram proprietários dos reinos comandados por suas dinastias, fracionando-osentre seus herdeiros quando da morte do rei. c) Muitos grupos foram conduzidos a migrar devido à pressão do avanço dos hunos às planícies da Europa Oriental. d) Os contatos anteriores com os romanos haviam estabelecido trocas culturais expressivas, como a ado- ção do arianismo, forma de cristianismo, e a adoção de elementos do direito romano por alguns dos grupos germânicos. e) Sua noção de Estado era sólida, mas a concepção territorial previa mobilidade contínua até o esgota- mento das riquezas de cada região de migração. 2. (Unesp) [Na época feudal] o mundo terrestre era visto como palco da luta entre as forças do Bem e as do Mal, hordas de anjos e demônios. Disso decorria um dos traços mentais da época: a belico- sidade. (Hilário Franco Junior. O feudalismo, 1986. Adaptado.) A belicosidade (disposição para a guerra) mencionada expressava-se, por exemplo: a) no ingresso de homens de todas as camadas sociais na cavalaria e na sua participação em torneios. b) no pacto que reunia senhores e servos e determinava as chamadas relações vassálicas. c) na ampla rejeição às Cruzadas e às tentativas cristãs de reconquista de Jerusalém. d) no empenho demonstrado nas lutas contra muçulmanos, vikings e diferentes formas de heresias. e) na submissão de senhores e vassalos, reis e súditos, ao Islamismo. 3. (Unioeste) HAGAR - Dik Browne A DONA DO CASTELO PEDIU PRA VOCÊ ASSINAR ISTO, HAGAR! O QUE É? O CASTELO É UM MONUMENTO HISTÓRICO... ELA QUER QUE VOCÊ PROMETA NÃO DANIFICÁ-LO! O personagem “Hagar o Horrível” criado por Dik Browne consagrou uma imagem dos povos conhe- cidos como vikings e que tiveram um papel importante na história da Europa Medieval a partir das invasões por eles empreendidas a partir do século IX. Sobre vikings e sua relação com a sociedade feudal, assinale a alternativa INCORRETA. a) Originários da Escandinávia, localizada no extremo norte da Europa, os vikings também eram conhe- cidos como homens do norte, em inglês, northmen. b) O crescimento populacional dos povos que viviam no extremo norte da Europa é uma das razões mais comuns utilizadas pelos estudiosos para explicar as invasões feitas pelos vikings, a partir do século IX, contra a Europa Continental. c) As invasões feitas pelos vikings provocaram uma grave crise no sistema feudal porque enfraqueceram a servidão dos camponeses aos senhores de terras. d) Os vikings se notabilizaram na história pelos saques e pela destruição de aldeias. Seus ataques contri- buíram para a redução da atividade comercial na Europa Medieval. e) No processo das invasões verificou-se que muitos normandos acabaram, com o tempo, adotando o cristianismo e se misturando com as populações de origem romano-germânicas. 4. (Unesp) [Na Idade Média] Homens e mulheres gostavam muito de festas. Isso vinha, geralmente, tanto das velhas tradições pagãs (...), quanto da liturgia cristã. (Jacques Le Goff. A Idade Média explicada aos meus filhos, 2007.) 36 Sobre essas festas medievais, podemos dizer que: a) muitos relatos do cotidiano medieval indicam que havia um confronto entre as festas de origem pagã e as criadas pelo cristianismo. b) os torneios eram as principais festas e rom- piam as distinções sociais entre senhores e servos que, montados em cavalos, se diver- tiam juntos. c) a Igreja Católica apoiava todo tipo de come- moração popular, mesmo quando se tratava do culto a alguma divindade pagã. d) as festas rurais representavam sempre as re- lações sociais presentes no campo, com a en- cenação do ritual de sagração de cavaleiros. e) religiosos e nobres preferiam as festas pri- vadas e pagãs, recusando-se a participar dos grandes eventos públicos cristãos. 5. (UFPR) A presença islâmica na Península Ibérica estende-se desde 711, data da Ba- talha de Guadalete, quando os visigodos são vencidos pelos invasores árabes, até o século XV, quando, em 1492, os reis católicos da Espanha conquistam o reino de Granada, último núcleo muçulmano na Península. Tal convivência entre as culturas ocidental e árabe num mesmo espaço geográfico, du- rante cerca de sete séculos, teve como con- sequência principal: a) a realização de uma síntese cultural que gera, nos séculos medievais, uma cultura peninsular mais pobre do que em qualquer outra parte da cristandade ocidental. b) a interpretação e atualização da cultura clássica na cristandade ocidental através das contribuições dos árabes. c) uma simpatia permanente entre cristãos e árabes que limitou o movimento das Cruza- das na Terra Santa. d) o atraso da Península Ibérica nas ciências ditas experimentais – medicina, astronomia, matemática, cartografia e geografia. e) o desenvolvimento de um estilo artístico nas mesquitas que privilegia as representações de figuras humanas. 6. (UFT) [...] o domínio da fé é uno, mas há um triplo estatuto na Ordem. A lei humana impõe duas condições: o nobre e o servo não estão submetidos ao mesmo regime. Os guer- reiros são protetores das igrejas. Eles defen- dem os poderosos e os fracos [...]. Os servos, por sua vez, têm outra condição. Esta raça de infelizes não tem nada sem sofrimento. Quem poderia reconstituir o esforço dos ser- vos, o curso de sua vida e seus numerosos trabalhos? Fornecer a todos alimento e ves- timenta: eis a função do servo. Nenhum ho- mem livre pode viver sem ele. [...] A casa de Deus que parece una é portanto tripla: uns rezam, outros combatem e outros trabalham. LAON, Adalberon de Apud FRANCO JUNIOR, Hilário. O feudalismo. São Paulo: Brasiliense, 1983, p. 34. Nesse texto, o bispo Adalberon de Laon, por volta do século IX, descreve a integração entre Igreja e poder feudal. Em relação ao poder da Igreja no período medieval é incor- reto afirmar que: a) Com a ruralização da economia, que se esten- deu por toda a Alta Idade Média, a Igreja, an- tes concentrada nas cidades, foi obrigada a se deslocar para o campo, e os bispos e abades se tornaram verdadeiros senhores feudais. b) O domínio da leitura e da escrita era privilé- gio quase exclusivo dos bispos, padres, aba- des e monges. Os membros do clero eram, por isso, as pessoas mais habilitadas para ocupar cargos públicos, exercendo as funções de no- tórios, secretários, chanceleres. c) A Igreja constituiu seu próprio Estado na pe- nínsula Itálica, quando Pepino, o Breve, doou ao papado o patrimônio de São Pedro, forma- do por terras tomadas aos lombardos. Desta forma, o pontífice, que passou a exercer fun- ções de verdadeiro monarca, teve seu poder temporal aumentado de forma considerável. d) Seu raio de ação limitava-se à vida espiritu- al. Ao longo dos séculos, a Igreja não acu- mulou riquezas e nem terras, contudo, pos- suía vassalos e servos – adquiridos graças a doações feitas pelos fiéis que desejavam, por seu intermédio, serem libertados da conde- nação divina. e) Para manter a soberania espiritual, a Igre- ja decretou guerra sem tréguas contra os hereges, considerados todos aqueles que interpretavam os ensinamentos cristãos de maneira diferente do que ela pregava. Para reprimi-los, instituiu a excomunhão e o Tri- bunal do Santo Ofício. 7. (PUC-SP) “A Idade Média não é o período dourado que certos românticos quiseram imaginar, mas também não é, apesar das fra- quezas e aspectos dos quais não gostamos, uma época obscurantista e triste, imagem que os humanistas e os iluministas quiseram propagar.” Jacques Le Goff. A Idade Média explicada aos meus filhos. Rio de Janeiro: Agir, 2007, p. 18 A ambígua imagem da Idade Média que hoje temos deriva, em parte, de representações: a) negativas do período, que destacam a opres- são a que os camponeses eram submetidos, a intolerância da Igreja e as repetidas tem- poradas de fome. 37 b) positivas do período,que destacam o papel relevante que as mulheres tinham na vida social, o avanço tecnológico e o desenvolvi- mento nas artes visuais. c) negativas do período, que destacam a atua- ção do Tribunal da Inquisição, a ausência de mobilizações sociais e o direito divino que justificava o absolutismo. d) positivas do período, que destacam o resgate de valores religiosos oriundos da Antiguida- de Clássica, a arquitetura românica e gótica e as festas populares. e) negativas do período, que destacam a ausên- cia de liberdades políticas, a persistência do politeísmo e de práticas de bruxaria em toda a Europa Ocidental. 8. (UFJF) A partir do século III assiste-se ao longo processo de crise do Império Romano do Ocidente e ao desenvolvimento das insti- tuições feudais, que daria início ao período medieval. Assinale o item que NÃO se enqua- dra nesse contexto. a) A expansão do Império Romano do Ocidente cessou, levando ao decréscimo da obtenção de escravos e riquezas. b) As fronteiras pouco controladas devido à fra- gilidade romana possibilitaram a invasão dos povos bárbaros e a fragmentação territorial do Império. c) O poder político exercido pelas grandes ci- dades se manteve, levando a um crescimento da urbanização e desenvolvimento das insti- tuições comerciais. d) Desenvolveu-se o sistema de colonato atra- vés do qual escravos e plebeus empobrecidos passaram a trabalhar como colonos nas ter- ras dos grandes proprietários. e) Iniciaram-se as relações de suserania e vassa- lagem baseadas em fidelidade e prestação de serviços dos vassalos para com os senhores. 9. (UFRGS) A Alta Idade Média foi um período marcado por sucessivas invasões do mundo cristão. Assinale a alternativa correta com relação a essas invasões. a) Em meados do século VII, após a batalha de Poitiers, o mundo islâmico avançou por todo o sul da França, penetrando no norte italiano. b) Durante vários séculos, os “vikings” ten- taram, sem sucesso, pilhar as ricas cidades cristãs. c) No século IX, os francos derrotaram Clóvis, desintegrando o reino merovíngio. d) Em fins do século IX, sob a pressão crescente das invasões normandas e magiares, surgi- ram na Europa inúmeros castelos privados fortificados. e) Em 843, o Tratado de Verdun unificou o Im- pério Carolíngio, facilitando sua defesa con- tra os ávaros. 10. (Fuvest) A tentativa de reunificação política da Europa ocidental realizada pelo Império Carolíngio na primeira metade do século IX, fracassou devido: a) às contradições entre os ideais do universa- lismo cristão e os do particularismo tribal germânico. b) às invasões dos vikings, muçulmanos e hún- garos, que partilharam o Império entre si. c) à falta de uma estrutura econômica mais só- lida, pois sua produção agrícola insuficiente tornava-o dependente do exterior. d) ao Renascimento Carolíngio, que negava o espírito unitário defendido pelo imperador. e) ao excessivo respeito de Carlos Magno às tra- dições das diversas províncias que compu- nham o Império. e.o. teste iii 1. (PUC-Camp) Valendo-se de sua crescente influência religiosa, a Igreja passou a exer- cer importante papel em diversos setores da vida medieval: a) como, por exemplo, nas Universidades, onde disseminaram o cultivo das línguas nacionais. b) inclusive estimulando o avanço da ciência, sobretudo da medicina. c) impedindo a divulgação de conhecimentos cien- tíficos através do estabelecimento do Index. d) pois, enriquecida com as grandes doações de terras feitas pela burguesia, passou a se omitir, não se preocupando mais com a construção de Igrejas e Mosteiros. e) servindo como instrumento de homogenei- zação cultural diante da fragmentação polí- tica da sociedade feudal. 2. (PUC-Camp) A Igreja Cristã foi a instituição mais importante durante a Idade Média. Esta importância, que já existia nos séculos finais do Império Romano, continuou crescendo na medida em que: a) associada à sociedade bizantina atuou no combate às heresias. b) sua influência política, obtida com o apoio dos alamanos, permitiu-lhe que organizasse um Estado em território conquistado aos saxões. c) conseguiu ter êxito na conversão dos bárba- ros germânicos. d) aumentou seu domínio, através do Colégio dos Cardeais, sobre o Sacro Império Romano- Germânico. e) fortaleceu seu papel no combate ao refor- mismo exigido pelos monges de Cluny. 3. (Fuvest) Sobre as invasões dos “bárbaros” na Europa Ocidental, ocorridas entre os sé- culos III e IX, é correto afirmar que: 38 a) foi uma ocupação militar violenta que, cau- sando destruição e barbárie, acarretou a ruí- na das instituições romanas. b) se, por um lado, causaram destruição e mor- te, por outro contribuíram, decisivamente, para o nascimento de uma nova civilização, a da Europa Cristã. c) apesar dos estragos causados, a Europa conseguiu, afinal, conter os bárbaros, der- rotando-os militarmente e, sem solução de continuidade, absorveu e integrou os seus remanescentes. d) se não fossem elas, o Império Romano não teria desaparecido, pois, superada a crise do século III, passou a dispor de uma estrutura socioeconômica dinâmica e de uma consti- tuição política centralizada. e) os Godos foram os povos menos importantes, pois quase não deixaram marcas de sua pre- sença. 4. (UEL) “O modo de produção feudal, que se desenvolve e atinge seu apogeu na Alta Ida- de Média, é caracterizado essencialmente pela existência das relações servis de produ- ção...” Assinale a alternativa que se identi- fica com a fonte de poder e riqueza no modo de produção a que o texto se refere. a) “ ... Deus quis que, entre os homens, hou- vesse soluta igualdade...” b) “ ... os acontecimentos provam o julgamento de Deus sobre nós...” c) “ ... a luta social desaparece quando os ho- mem vivem em comunhão...” d) “ ... não havia senhor sem terra, nem terra sem senhor...” e) “ ... quando Adão cavava a terra e Eva fiava, onde estavam os senhores... “ 5. (PUC-Camp) Os povos germânicos contribu- íram para a formação do sistema feudal na medida que trouxeram, para a Europa Oci- dental: a) a ideia de poder político local, a estrutura das vilas, do clientelismo e do colonato. b) as bases da organização política, social e judiciária, e os elementos que contribuíram para o fortalecimento do poder da Igreja. c) a prática de economia natural, a imobilidade social, a ausência do Estado e o “comitatus”, com sua noção de reciprocidade. d) o regime de trabalho servil baseado nas obri- gações devidas pelos servos fundamentadas na talha, nas banalidades e nos tributos de casamento. e) os princípios da corveia, o da hospitalidade forçada aos nobres e o clima de insegurança que obrigava as populações a se refugiarem no campo. e.o. disseRtativo 1. (Unicamp) No Natal de 800, o papa Leão III coroou Carlos Magno como Imperador dos Romanos. O Imperador recebeu o antigo tí- tulo de Augusto. a) Caracterize a autoridade de Carlos Magno como Imperador naquele momento. b) Apresente dois aspectos do renascimento ca- rolíngio. 2. (UFPR) Entre os séculos V e VI, as monar- quias romano-germânicas foram se conso- lidando como entidades políticas indepen- dentes nos territórios do extinto Império Romano do Ocidente. Cite alguns exemplos dessas monarquias, apontando as principais características que as vinculam, em termos ideológicos e culturais, à tradição baixo-im- perial romana. 3. (Fuvest) Na passagem da época romana para a época medieval, houve não só rupturas, mas também continuidades. Caracterize essas continuidades no campo da: a) religião. b) língua. 4. (Unifesp) Sabe-se que o feudalismo resultou da combinação de instituições romanas com instituições bárbaras ou germânicas.Indi- que e descreva no feudalismo uma institui- ção de origem a) romana. b) germânica. 5. (UFPR) Durante as manifestações de junho de 2013 no Brasil, circulou pelas redes so- ciais uma imagem semelhante à abaixo: O comando da PM quer saber o trajeto da manifestação. Para ajudá-lo vazamos o seguinte mapa que circulava dentro do movimento: MAR DO NORTE MAR BÁ LTIC O ANGLOS GODOS SUEVOS BURGÚNDIOS VÂNDALOS LOMBARDOS GERMÂNIA SAXÕES Lutécia (Paria) GÁLIA LOMBARDOS JUTOS BRITÂNIA Londres 450 450 450 150 - 200 450 400 375 400 - 500 200 - 375 OSTROGODOS HUNOS Rio Dnieper Rio D on VISIGODOS MAR NEGRO Medionalum (Milão) Verona Ravena 475 425 415 443 Massília (Marselha) ITÁLIA 410 Roma 410 Cosenza Córsega Sardenha Tolosa (Toulouse) 426 429 Sicília Cartago MAR MEDITERRÂNEO 409 Cartago Nova (Cartagena) Gades (Cádiz) Olisipo (Lisboa) ESPANHA 410 ÁFRICA OCEANO ATLÂNTICO Rio Danúbio Adrianópole Tessalônica 395 GRÉCIA Constantinopla ÁSIA Império Romano do Ocidente Império Romano do Oriente Fronteiras entre os dois Impérios Rotas de penetração Nele percebemos que os Vândalos sairão do Leste Europeu em 330 d.C, atravessarão a Europa, cruzando com os Hunos e com os Visigodos, chegarão à África em 419 d.C., de onde partirão para saquear Roma, em 455 d.C. Explique os motivos que levaram esses po- vos a realizarem as movimentações descri- tas no mapa acima, e por que o termo “vân- dalo” adquiriu uma conotação negativa até os dias atuais. 6. (UFJF) Observe a ilustração e leia a citação abaixo. Em seguida, responda ao que se pede. 39 Esta visão dualista do mundo influenciou os romanos, herdeiros culturais dos gregos. A partir destas informações, responda. a) Que povo “bárbaro” invadiu, em duas oportu- nidades, a península grega, sendo derrotado? b) Que relação é possível estabelecer entre a ocupação da Europa pelos “bárbaros” germâ- nicos e a formação do feudalismo? 9. (UFC) Observe o comentário abaixo apresen- tado: “Os Mosteiros eram em primeiro lugar ca- sas, cada uma abrigando sua ‘família’ (...) os mais abundantes recursos convergiam para a instituição monástica, levando-a aos postos avançados do progresso cultural.” (Fonte: DUBY, Georges: “História da Vida Privada” 2: da Europa Feudal à Renascença. São Paulo: Companhia das Letras, 1990, p. 52) Cite as razões de os mosteiros serem considera- dos “postos avançados do progresso cultural”. 10. (UFRN) Em 768, Carlos Magno assumiu a co- roa do reino franco e expandiu consideravel- mente suas fronteiras através de inúmeras guerras de conquista. Parte das terras con- quistadas eram doadas, a título temporário (precarium), aos nobres, que assumiam, em troca, obrigações para com o rei. As práticas carolíngias expostas anterior- mente contribuíram para a formação do feu- dalismo. Caracterize as obrigações criadas entre suseranos e vassalos na época feudal. e.o. enem 1. A lei dos lombardos (Edictus Rothari), povo que se instalou na Itália no século VII e era considerado bárbaro pelos romanos, estabe- lecia uma série de reparações pecuniárias (composições) para punir aqueles que ma- tassem, ferissem ou aleijassem os homens livres. A lei dizia: “para todas estas chagas e feridas estabelecemos uma composição maior do que a de nossos antepassados, para que a vingança que é inimizade seja relega- da depois de aceita a dita composição e não seja mais exigida nem permaneça o desgos- to, mas dê-se a causa por terminada e man- tenha-se a amizade.” ESPINOSA, F. Antologia de textos históricos medievais. Lisboa: Sá da Costa, 1976 (adaptado). A justificativa da lei evidencia que: a) se procurava acabar com o flagelo das guer- ras e dos mutilados. b) se pretendia reparar as injustiças causadas por seus antepassados. c) se pretendia transformar velhas práticas que perturbavam a coesão social. Coroação de Carlos Magno como imperador do Sacro Império Romano-Germânico, em dezembro de 800 d.C., pelo papa Leão III. Fonte: Disponível em: <http://www.suapesquisa.com/história>. Acesso em: 8 out. 2011. Nascida nos quadros do Império Romano, a Igreja ia aos poucos preenchendo os va- zios deixados por ele até, em fins do sécu- lo IV, identificar-se com o Estado, quando o cristianismo foi reconhecido como religião oficial. (...) Estreitavam-se, portanto, as re- lações Estado-Igreja. (...) No Império Caro- língio, a aliança entre os reis e a Igreja foi fundamental para a consolidação de ambos os poderes e, por vezes, a Igreja assumia funções que hoje consideramos ser do Esta- do e este por sua vez interferia nos assuntos religiosos. FRANCO JÚNIOR, Hilário. A Idade Média. Nascimento do Ocidente. São Paulo: Brasiliense, 2001. p.67,71 Sobre as relações entre Estado e Igreja, no período medieval, responda: a) Qual a importância da Igreja Católica na ad- ministração dos reinos e impérios? b) De que maneira o poder régio contribuiu para a expansão da fé cristã? 7. (Unicamp) No contexto das invasões bárba- ras do século X, os bispos da província de Reims registraram: “Só há cidades despovo- adas, mosteiros em ruínas ou incendiados, campos reduzidos ao abandono. Por toda parte, os homens são semelhantes aos peixes do mar que se devoram uns aos outros.” Naquele tempo, as pessoas tinham a sensa- ção de viver numa odiosa atmosfera de de- sordens e de violência. O feudalismo medie- val nasceu no seio de uma época conturbada. Em certa medida, nasceu dessas mesmas perturbações. (Adaptado de Marc Bloch, “A sociedade feudal”. Lisboa: Edições 70, 1982, p. 19.) a) Estabeleça as relações entre as invasões bár baras e o surgimento do feudalismo. b) Identifique duas instituições romanas que contribuíram para a formação do feudalismo na Europa medieval. Explique o significado de uma delas. 8. (Unesp) A oposição entre gregos e bárbaros motivou explicações e reflexões de diversos autores no período clássico da Grécia antiga. 40 d) havia um desejo dos lombardos de se civili- zarem, igualando-se aos romanos. e) se instituía uma organização social baseada na classificação de justos e injustos. 2. Sou uma pobre e velha mulher. Muito igno- rante, que nem sabe ler. Mostraram-me na igreja da minha terra Um Paraíso com har- pas pintado E o Inferno onde fervem almas danadas, Um enche-me de júbilo, o outro me aterra. VILLON. F. In: GOMBRICH, E. História da arte. Lisboa: LTC. 1999. Os versos do poeta francês François Villon fazem referência às imagens presentes nos templos católicos medievais. Nesse contexto, as imagens eram usadas com o objetivo de: a) refinar o gosto dos cristãos. b) incorporar ideais heréticos. c) educar os fiéis através do olhar. d) divulgar a genialidade dos artistas católicos. e) valorizar esteticamente os templos religiosos. gabaRito E.O. Teste I 1. B 2. D 3. B 4. E 5. A 6. C 7. B 8. B 9. A 10. D E.O. Teste II 1. E 2. D 3. C 4. A 5. B 6. D 7. A 8. C 9. D 10. A E.O. Teste III 1. E 2. C 3. B 4. D 5. C E.O. Dissertativo 1. a) A coroação de Carlos Magno como “Im- perador dos Romanos” feita pelo papa Leão III ocorreu após uma aproximação de Magno e da Igreja Católica. Leão III, na verdade, corou Magno como Impera- dor do Sacro Império Romano Germânico. Magno, assim, tornou-se um grande de- fensor e disseminador da fé cristã pelos territórios já existentes e futuramente conquistados no citado Império. b) Durante o governo de Carlos Magno, o Império Carolíngio atravessou uma fase de grande crescimentoe esplendor, em especial nas áreas educacional e artísti- ca. Magno promoveu projeto educacional baseado nas artes liberais, a saber, arit- mética, geometria, astrologia, música, gramática, dentre outras. No campo ar- tístico, influenciada pelas artes romana e grega, a arte carolíngia caracterizou pela feitura das iluminuras e dos relicários. 2. A desintegração do Império Romano do Oci- dente foi acompanhada pela formação dos chamados “Reinos Bárbaros”, de origem ger- mânica. O mais importante foi o Reino Fran- co, a partir do governo de Clóvis. Convertido ao cristianismo e aliado à Igreja Católica, pro- curou reconquistar as antigas áreas do Impé- rio e refazê-lo. Nesse sentido, chocou-se com outros reinos e seus sucessores procuraram conter o avanço dos muçulmanos na Europa. Na mesma época, destacou-se o Reino dos Visigodos na Península Ibérica, também vin- culado ao cristianismo de origem romana e à Igreja Católica. Sucumbiu no início do século VIII, com a invasão dos mouros. 3. a) No campo da religião, o cristianismo, oficializado no Império Romano pelo im- perador Teodósio em 391 através do Edi- to de Tessalônica, sobreviveu à queda de Roma e consolidou-se como religião do- minante na Europa Medieval, sobretudo devido à conversão dos povos bárbaros. O cristianismo constituiu-se como um dos elementos de unidade cultural da Europa Medieval. b) No campo da língua, o latim sobreviveu como língua oficial da Igreja e idioma culto, mesmo deixando de ser idioma cor- rente, pois na Idade Média conviveu com os idiomas bárbaros. 4. a) A servidão feudal, caracterizada pelo vín- culo dos camponeses à terra, teve origem no colonato surgido durante o Baixo Im- pério Romano. b) As relações de suserania e vassalagem en- tre os nobres feudais, têm suas origens no “comitatus”, tradição germânica de alianças militares que estabeleciam laços de fidelidade entre os chefes tribais e seus guerreiros. 5. Os chamados povos bárbaros promove- ram as migrações acima citadas por dois motivos: (1) pressão de outros povos, como os hunos e (2) busca por novas ter- ras férteis no interior do Império Romano. O termo vândalo adquiriu uma conotação 41 negativa devido ao modo de agir do povo vândalo (um dos povos bárbaros), que era extremamente violento. Por isso, agir de ma- neira violenta e contrária ao regime então vigente é visto como atitude vândala. 6. a) O estudante poderá destacar, dentre ou- tras: que a Igreja era um poderoso senhor feudal e, nesta condição, administrava vastos territórios (senhorios e cidades), exercendo a justiça e cobrando impostos. Essa situação refere-se às terras perten- centes à Igreja Católica, na qual trabalha- vam servos, como em um feudo privado. Quanto aos reinos, havia forte relação entre os reis – principalmente os francos – e a Igreja, que interferia na adminis- tração na medida em que muitos conse- lheiros e ministros do Rei eram membros do alto clero. b) O estudante poderá destacar, dentre ou- tros elementos: a formação e envio de religiosos para promover a conversão de pagãos; a organização e participação no movimento cruzadístico para combater os infiéis. Se remontarmos a formação do Reino Franco e de seu primeiro rei, Cló- vis, percebemos a aliança com a Igreja e o combate a outros povos não cristãos como apoio ao Papa. A mesma aliança foi refor- çada pelo líder franco mais importante, o Imperador Carlos Magno, como demons- tra a ilustração acima, coroado no dia de natal do ano 800 pelo próprio Papa. 7. a) As “invasões bárbaras” no séculos IX e X, notadamente as invasões normandas (vi- kings), associadas às invasões sarracenas e magiares, contribuíram para acentuar o processo de ruralização das populações da Europa Ocidental, decorrendo, daí, a con- solidação das relações feudais de produ- ção que já vinham se configurando desde as invasões germânicas no século V. b) As vilas (Villae) propriedades rurais vol- tadas para a autossuficiência e colonato, modalidade de meação que possibilitava a fixação do camponês à terra, através da hereditariedade. 8. a) Os persas no contexto das Guerras Gre- co-Pérsicas ou Guerras Médicas. A pri- meira incursão persa na Grécia foi conduzida por Dario I e a segunda, por Xérxes. Ambos foram derrotados pelos gregos nas Batalhas da Maratona (490 a.C) e de Plateia (479 a.C), respectivamente. b) No contexto da desintegração do Impé- rio Romano, os povos germânicos que se estabeleceram no ocidente integraram aos costumes romanos, costumes como o comitatus (fidelidade dos guerreiros ao um chefe tribal), o beneficium (con- cessão de terras pelos chefes aos seus colaboradores) e as imunidades (auto- nomia dos guerreiros concessionários em seus territórios). Tais costumes cons- tituíram as bases das relações políticas feudais pautadas nas relações feudo- -vassálicas e na consequente descentra- lização do poder político. Contribuíram ainda para a estruturação da economia agrária e amonetária do feudalismo. Os Mosteiros medievais constituíam lo- cais de oração e trabalho. Tornaram-se centros culturais, pois em suas bibliote- cas foram preservadas obras de autores clássicos, fundamentais para a compre- ensão da Cultura greco-romana. 9. Os mosteiros medievais constituíam locais de oração e trabalho. Tornaram-se centros culturais, pois, em suas bibliotecas, foram preservadas obras de autores clássicos, fun- damentais para a compreensão da cultura greco-romana. 10. Suseranos e vassalos estabeleciam laços de reciprocidade mútua, tendo o suserano o de- ver de defender seu vassalo nos tribunais e auxiliá-lo militarmente. O vassalo, por sua vez, deveria completar dotes do suserano e fornecer-lhe recursos humanos e materiais em caso de guerra. E.O. Enem 1. C 2. C © M eg an n/ Sh ut te rs to ck O sistema feudal Aulas 13 e 14 43 © M eg an n/ Sh ut te rs to ck Introdução O feudalismo foi um sistema econômico, político e social que se desenvolveu na Europa durante a Idade Média. Esse sistema começou a se estruturar ao final do Império Romano do Ocidente, no século V, atingiu seu apogeu no século X e praticamente desapareceu ao final do século XV. orIgens do feudalIsmo Desde o final do século IV, o Império Romano já de- monstrava sinais de decadência e desagregação, mas a penetração e os seguidos ataques dos povos germâ- nicos, a partir do século V, desorganizaram a vida do Império, acelerando a crise econômica. Formalmente, costuma-se considerar o ano de 476, data em que os hérulos invadiram Roma, como o fim do Império Romano do Ocidente e o início da cha- mada Idade Média. Da mesma forma, é aceito o ano de 1453, quando os turcos otomanos conquistam Cons- tantinopla, pondo fim ao Império Bizantino, como o tér- mino da Idade Média. Essas datas servem apenas para uma periodização didática da História. A Idade Média, na Europa, caracterizou-se pelo aparecimento de um sistema econômico, político e so- cial denominado feudalismo. Esse sistema foi fruto de uma lenta integração entre algumas características de duas estruturas sociais: a romana e a germânica. Esse processo de integração, que resultou na formação do feudalismo, ocorreu no período histórico compreendido entre os séculos V e IX. Próximo ao fim do Império Romano do Ocidente, os grandes senhores romanos começaram a abandonar as cidades, fugindo da crise econômica e das invasões germânicas. Iam para seus latifúndios no campo, onde passavam a desenvolver uma economia agrária voltada para a subsistência. Uma população de romanos de menos posses, por sua vez, começou a buscar proteção e trabalho nas terras desses grandes senhores. Para utilizaras terras, eram obrigados a ceder ao proprietário parte do que produziam. Essa relação entre o senhor das terras e os que produziam ficou conhecida por colonato. O gran- de número de escravos da época também foi utilizado nas vilas romanas. Com o tempo, tornou-se mais ren- tável libertar os escravos e aproveitá-los sob regime de colonato. Assim, nesses centros rurais conhecidos por vilas romanas, começava a ter origem os feudos me- dievais. Com algumas alterações futuras, esse sistema de trabalho resultou nas relações servis de produ- ção, um dos traços fundamentais do feudalismo. Com a ininterrupta ruralização do Império Ro- mano, o poder central foi perdendo controle sobre os grandes senhores agrários. Aos poucos, as vilas roma- nas tornaram-se cada vez mais autônomas, à medida que o poder político descentralizava-se, permitindo ao proprietário de terras administrar de forma independen- te sua vila. O cristianismo foi outra contribuição funda- mental da civilização romana para a formação do feu- dalismo. Originário do Oriente, o cristianismo enraizou- -se na cultura romana, passando a ser a religião oficial do império, no século IV. No início da Idade Média, a religião cristã já havia triunfado sobre todas as seitas rivais na Europa. Em pouco tempo, a Igreja tornou-se a instituição mais poderosa do continente europeu, deter- minando a cultura do período medieval. O contato dos romanos com os povos de origem germânica promoveu a troca de hábitos e costumes en- tre eles, principalmente num momento de ruralização e de organização de uma economia baseada nas ativida- des agropastoris. As várias tribos germânicas viviam de maneira autônoma, estabelecendo relações apenas quando se defrontavam com um inimigo comum; uniam-se sob o comando de um só chefe. As relações entre o suserano e o vassalo, basea- das na honra, lealdade e liberdade, tiveram suas origens no comitatus germânico. O comitatus era um grupo formado pelos guerreiros e seu chefe com obrigações mútuas de serviço e lealdade. Os guerreiros juravam defender seu chefe, que se comprometia a equipá-los com cavalos e armas. Mais tarde, no feudalismo, essas 44 relações de honra e lealdade deram origem às relações de suserania e vassalagem. A cerimônia na qual os vassalos juravam fidelidade ao suserano derivou da prática da homenagem típica no Império Carolíngio, que, pro- vavelmente, teve sua origem também no comitatus germânico. Do mesmo modo, o direito no feudalismo teve influência germânica. Baseava-se nos costumes e tradições orais e não na lei escrita. Era considerada uma propriedade do indivíduo, inerente a ele em qualquer local que estivesse. Essa forma do Direito, produto dos costumes e da sua prática reiterada e constante e não da autoridade, sem ser resultado de um processo formal de criação das leis, é conhecido como direito consuetudinário. O processo de declínio do comércio, ruralização da sociedade, agrarização da economia e descentralização do poder político teve início no final do Império Romano do Ocidente. A lenta integração entre aspectos da socie- dade romana e da sociedade germânica foi acelerada com as invasões dos séculos VIII e IX. Em 711, os muçulmanos, vindos através do Norte da África, conquistaram a Península Ibérica, a Sicília, a Córsega e a Sardenha, fechando o mar Mediterrâneo à navegação e ao comércio dos europeus. Ao norte, no século IX, os normandos também se lançaram à conquista da Europa. Conquistaram a Bretanha e o Noroeste da França. Penetraram no continente europeu pelos rios, saqueando suas cidades. A leste, os magiares (húngaros), cavaleiros nômades provenientes das estepes euroasiáticas, invadiram a Europa Oriental. A nova vaga de invasões dos séculos VIII a X. Fonte: 28navegadores.blogspot.com.br/2013_04_01_achive.htmlFonte: <28navegadores.blogspot.com.br/2013_04_01_achive.html>. Isolada dos outros continentes, com as vias de comunicação bloqueadas e cercada no seu próprio território, a Europa fragmentou-se. Os constantes ataques e saques criaram uma insegurança geral. As últimas invasões amadureceram as condições para o pleno estabelecimento do sistema feudal. 45 O comércio, com o quase desaparecimento da moeda, regrediu ao patamar da troca direta. Ocorreu a agrarização da economia e as cidades foram despovoadas, completando o processo de ruralização da sociedade. O poder político descentralizou-se em uma multiplicidade de poderes localizados e particularistas. O feudalismo estabeleceu-se em sua plenitude. CaraCterístICas geraIs do feudalIsmo A sociedade feudal A sociedade feudal era estamental, isto é, os indivídu- os nasciam num determinado estamento e dificilmente poderiam ascender a outro; tendiam a permanecer sob a própria condição de nascimento, pois a mobilidade so- cial vertical era quase impossível; mais fácil seria a mo- bilidade no interior do próprio estamento. A sociedade medieval, segundo a divisão clássica, compunha-se dos seguintes estamentos: clero, nobreza e servos. No entanto, cada uma dessas categorias comportava uma série de diferenciações e gradações. De modo geral, o acesso ou não à propriedade ou posse da terra dividia a sociedade feudal em dois estamentos: os senhores e os dependentes. Os senhores feudais eram os proprietários ou os possuidores do feudo. Em geral originários da nobreza e do clero, formavam uma aristocracia domi- nante. A nobreza se subdividia em duques, condes, ba- rões e marqueses. Seu poder vinha do fato de serem proprietários ou de posseiros da terra e da condição de terem um exército. As camadas mais altas da nobre- za guerreira descendiam das antigas famílias germânicas e carolíngias. Havia uma segunda camada mais po- bre da qual faziam parte os cavaleiros; com o passar do tempo, as duas camadas fundiram-se por meio de casamentos. Os nobres orgulhavam-se da vida que levavam, dedicada às batalhas, aos torneios e às caçadas. Os senhores feudais eclesiásticos, vinculados à Igreja Romana, também pertenciam à alta hierarquia do clero. Eram, geralmente, bispos, arcebispos e abades. De fato, o clero constituía a elite intelectual da classe senhorial, responsáveis pela guarda da cultura romana, construtores e difusores da cultura e elaboradores de todo o arcabouço teórico que justificava a sociedade feudal e a identificava com a ordem universal, de origem divina. O estamento dos dependentes, que compreendia a maioria da população medieval, compunha-se de servos e vilões. Os servos não tinham a propriedade da terra, embora, na maioria dos casos, tivessem posse parcial dela, o que justificava o fato de estarem presos a ela. É importante notar que, embora fossem trabalhadores semilivres, o fato de serem donos dos seus instrumentos de trabalho e das sementes etc. e de terem a posse parcial da terra – pequena parcela que cultivavam para sustento próprio –, dava-lhes uma condição particular. Não podiam ser ven- didos fora de suas terras, como se fazia com os escravos, mas não tinham liberdade para abandonar as terras onde nasceram, senão com a autorização do seu senhor. Em número reduzido, havia outro tipo de trabalhador medieval, o vilão. Não estava preso à terra e descendia de antigos pequenos proprietários romanos. Não podendo defender suas Representação de um clérigo, um cavaleiro e um servo da Idade Média. © W ik im ed ia C om m on s 46 propriedades, entregava suas terras em troca de proteção de um grande senhor feudal. Suas formas de prestação de serviço e de pagamentos ao senhor eram muito peculiares, pois desfrutava de privilégios pessoais e econômicos. Recebia tratamento mais brando que os servos e assumia deveres bastante bem definidos com os senhores, de tal forma que sabia exatamente o quefazer ou não. A economia feudal Uma sociedade como a medieval organizava sua produção de bens materiais – relações de produção –de modo bem próprio. A produção da vida social, política e cultural é chamada de modo de produção. Independentemente de sua localização geográfica ou do período de sua existência, toda sociedade organiza e é organizada por um modo de produção que a caracteriza. No feudalismo, as relações de produção eram determinadas pela servidão feudal que determina o modo de produção. As terras eram divididas em domínio senhorial, cuja produção destinava-se ao senhor feudal e manso servil, cujo produto do trabalho pertencia aos servos e as terras comunais, ou seja, pastos e florestas utilizadas tanto pelos senhores como pelos camponeses. Daí retirava-se madeira e frutas. Ao senhor era reservado o direito exclusivo da caça. O feudo, cujas terras não eram contínuas, era a unidade de produção e era composto por muitas faixas descontínuas. O senhorio medieval Manso comum Os produtos retirados dessas terras eram de uso tanto dos servos quanto dos senhores. As terras comunais eram constituídas de pastos para criar animais e de florestas e baldios, onde os camponeses colhiam frutos e raízes, extraíam a madeira e o mel. A caça nas florestas era exclusiva dos senhores. No senhorio, em geral, também havia coleiros para armazenar a colheita; um moinho para triturar os grãos; e fornos para assar os pães. Domínio Senhorial Os produtos dessas terras perteciam exclusivamente ao senhor. Nelas trabalhavam servos e outros camponeses. Ali se produzia tudo o que o senhor necessitava para manter sua família e outros dependentes. Manso servil Terras destinadas aos servos. Nelas os servos produziam o que era necessário para a sua sobrevivência, devendo em troca cumprir uma série de obrigações para com o senhor. Ilustração atual de como poderia ter sido um senhorio medieval. Fonte: historiademestre.blogspot.com.br/2014/10/a-idade-media-e-o-feudalismo.htmlFonte: <historiademestre.blogspot.com.br/2014/10/a-idade-media-e-o-feudalismo.html>. A terra arável era dividida em três partes: o terreno de plantio da primavera, o de plantio do outono e outro que ficava em pousio (descanso). A cada ano invertia-se a utilização dos terrenos de forma que sempre um estivesse em perí- odo de recuperação. Esse sistema surgiu na Europa, no século VIII, e ficou conhecido como sistema dos três campos. Nessa sociedade rural, de economia essencialmente agrária, a propriedade e a posse da terra determi- navam a posição do indivíduo na hierarquia social. A terra era a expressão da riqueza, da influência, da autoridade e do poder. 47 O elemento definidor do modo de produção feudal era a relação de servidão. As terras do feudo eram divididas em duas partes, ambas de propriedade do senhor feudal. Na primeira – domínio senhorial –, os servos trabalhavam três dias da semana, produzindo para o senhor feudal. Na segunda – manso servil –, tra- balhavam para seu próprio sustento e o de sua família, durante outros três dias. Com o tempo, a tendência dos senhores feudais era exigir do servo mais dias de pres- tação de serviço nas suas terras, levando a expropriação do trabalho e dos seus frutos a extremos insuportáveis. Além da obediência e fidelidade por juramento que os servos deviam ao seu senhor, as obrigações nas formas de trabalho e produtos eram as seguintes: § corveia – obrigação de trabalhar nas terras do senhor feudal sem direito ao que era produzido; § talha – obrigação de entregar parte da produ- ção no manso servil ao seu senhor; § banalidades – pagamento de impostos com produtos ou trabalho pelo uso de instrumentos do senhor: ferramentas, moinhos, armazéns; § capitação – pagamento de imposto per capta dos famíliares dos servos; e § mão morta – pagamento de imposto pelos fi- lhos do servo morto para que continuassem ocu- pando as terras fornecidas a seu pai pelo senhor. A produção feudal era agrícola. A terra, portan- to, era sua fonte de riqueza fundamental. O sistema de propriedade da maior parte dos fatores de produção – ferramentas, sementes – recaía sobre os servos, além da pesada carga de tributos que pagavam. O próprio sustento e o da sua família dificultavam as inovações técnicas, não era possível investir na melhoria dos ins- trumentos de trabalho. Some-se a isso a exploração co- munitária da terra. Qualquer nova forma de trabalhá-la devia ser submetida à aprovação de toda a comunidade da aldeia. Se a a produção aumentasse, o senhor das terras cobrava um novo tributo, o que desestimulava a produção de excedentes. O feudo produzia tudo o que necessitava e con- sumia tudo que produzia. Era uma economia autossu- ficiente, organizada apenas para suprir as necessida- des do próprio feudo. O comércio não desapareceu da Europa, mas era retraído e sem relevância econômica. A troca de mercadorias realizava-se semanalmente den- tro do próprio feudo, em um mercado junto de uma Igreja, de um castelo ou na própria aldeia. As trocas ocorriam de bens por bens. O uso de moedas era muito eventual. No período feudal, a Igreja foi a maior proprie- tária de terras. Recebia uma série de doações dos que, após a sua morte, desejavam ser agraciados por Deus, bem como dos fiéis que admiravam o trabalho da Igre- ja e desejavam ajudá-la a continuar o assistencialismo junto aos pobres e doentes. Havia, ainda, o hábito de alguns reis e nobres, vencedores de batalhas e guerras, doarem à Igreja parte das terras confiscadas dos inimi- gos. Com isso, ela se tornou proprietária de quase um terço de todas as terras da Europa ocidental. A política feudal Durante o período feudal não havia um poder central que determinasse as regras sociais, administrativas, po- líticas ou econômicas. Existiram o que se poderia deno- minar um período e um modo de produção, bem como uma série de diferenças entre as diversas regiões da Europa. Em cada feudo, o senhor feudal organizava e administrava independentemente. Havia um rei, cujo poder era meramente formal, notadamente durante os séculos de IX ao XII. No feudo, cada senhor feudal era soberano su- premo. Detinha o monopólio da força como chefe do exército, se bem que esse monopólio não ultrapassasse seu pequeno exército mantido dentro de seus domínios feudais. Temporariamente, quando em estado de guer- ra, havia uma centralização político-militar desses exér- citos sob as ordens e comando do rei. Di sp on ív el e m : < ht tp :// co nf ra n. bl og sp ot .c om .b r> Cerimônia entre o vassalo e seu suserano. 48 Os vínculos e a hierarquia entre a nobreza feudal eram estabelecidos pelos laços de suserania e vassala- gem. Um senhor feudal, proprietário de grandes porções de terra, doava uma parcela dela a outro nobre. O doador passava a ser o suserano e o recebedor, o vassalo, relações essas estabelecidas por contrato de direitos e deveres. Entre outras obrigações, o vassalo obrigava-se a pôr seu exército à disposição do suserano, a dar-lhe hospedagem quando e se necessário, a contribuir para o dote e armação de seus filhos. Ao suserano, por seu vez, cabia proteger militarmente o vassalo, garantir a posse do feudo doado, tutelar os herdeiros e a viúva do vassalo depois de morto. Para oficializar a vassalagem havia uma série de cerimônias conhecida como homenagem. O vassalo ajoelhava-se diante do senhor, com a cabeça descoberta e sem espada, punha as mãos entre as mãos do suserano e pronunciava as palavras sacramentais do juramento. Em seguida, o senhor permitia que ele se levantasse, beijava-o e realizava a investidura com a entrega de um objeto simbólico – um punhado de terra, um ramo,uma lança ou chave, que representava a terra enfeudada. Os laços de suserania e vassalagem vinculavam toda a nobreza feudal. Nos últimos anos do século XI, no início das Cruzadas, o feudalismo entrou em paulatina decadência. O Renascimento comer- cial fez com que as estruturas feudais fossem progressivamente modificadas: as cidades ressurgiram, a figura do rei voltou a ganhar progressiva centralização, a cultura teocêntrica foi gradualmente substituída pela antropocêntrica – o homem como centro do Universo. A cultura feudal A cultura feudal caracterizou-se pela visão do homem voltado para Deus e para a vida após a morte, uma cultura teocêntrica, portanto. A moral religiosa condenava o comércio, o lucro, a usura – empréstimo a juros. As artes, as letras, as ciências e a filosofia eram determinadas pela visão religiosa determinada pela Igreja sempre com predominância de temas e inspiração religiosos. O mundo feudal estabeleceu-se de forma rigorosamente hierárquica, na qual a posição superior sempre coube à Igreja, que deteve ascendência econômica e moral durante toda o feudalismo. Seus domínios territoriais e sua cultura suplantavam os da nobreza. 49 e.o. teste I 1. (Espcex) Uma das características que pode- mos reconhecer no sistema feudal europeu: a) é a organização da sociedade feudal em dois grupos bem definidos: os senhores e os es- cravos. b) são os ideais de honra e fidelidade oriundos da sociedade islâmica. c) é a obrigação anual de corveia e o pagamen- to da talha e banalidades como obrigações de servos aos senhores feudais. d) é o dinamismo econômico, voltado para o comércio entre feudos vizinhos. e) são as relações escravocratas de produção. 2. (UFRGS) Sobre o sistema feudal na Idade Média, é correto afirmar que: a) a economia é agrícola e pastoril, descentra- lizada e voltada para o mercado externo. b) a sociedade estrutura-se como uma pirâmi- de, cuja base é formada pelos servos; o meio, pela nobreza; e a parte superior, pelo clero. c) a burguesia é a classe social econômica e po- liticamente mais poderosa. d) a Igreja Católica consolida seu poder após o declínio do feudalismo. e) a suserania e a vassalagem constituem-se em relações políticas entre os servos e os membros do clero. 3. (Espcex) “O feudalismo foi a forma de or- ganização política, social e econômica domi- nante na Europa Ocidental durante a Idade Média.” (AZEVEDO & SERIACOPI, 2007) Abaixo estão redigidas algumas afirmações: I. Os servos da gleba viviam sob o domínio dos senhores feudais. II. Declínio das atividades rurais e fortaleci- mento das atividades comerciais urbanas. III. Sociedade rigidamente hierarquizada, mas com grande mobilidade entre as classes. IV. Poder político fragmentado entre senho- res feudais e o rei. V. Grandes senhores de terras e alto clero ocupavam o topo da sociedade. Assinale a alternativa que lista unicamente características do feudalismo. a) I, II e III. b) II, III e V. c) I, IV e V. d) III, IV e V. e) I, III e V. 4. (Unesp) O cavaleiro é um dos principais per- sonagens nas narrativas difundidas durante a Idade Média. Esse cavaleiro é principal- mente um: a) camponês, que usa sua montaria no trabalho cotidiano e participa de combates e guerras. b) nobre, que conta com equipamentos adequa- dos à montaria e participa de treinamentos militares, torneios e jogos. c) camponês, que consegue obter ascensão so- cial por meio da demonstração de coragem e valentia nas guerras. d) nobre, que ocupa todo seu tempo com a pre- paração militar para as Cruzadas contra os mouros. e) nobre, que conquista novas terras por meio de sua ação em torneios e jogos contra ou- tros nobres. 5. (UEA) A Igreja, em torno de 1030, procla- mou que, segundo o plano divino, os homens dividiam-se em três: categorias: os que re- zam, os que combatem, os que trabalham, e que a concórdia reside na troca de auxílios entre eles. Os trabalhadores mantêm, com sua atividade, os guerreiros, que os defen- dem, e os homens da Igreja, que os condu- zem à salvação. Assim a Igreja defendia, de maneira lúcida, o sistema político baseado na senhoria. (DUBY, Georges. Arte e sociedade na Idade Média, 1997. Adaptado.) Segundo essa definição do universo social, feita pela Igreja cristã da Idade Média, a so- ciedade medieval era considerada: a) injusta e imperfeita, na medida em que as atividades dos servos os protegiam dos ris- cos a que estavam submetidos os demais grupos sociais. b) perfeita, porque era sustentada pelas ativi- dades econômicas da agricultura, do comér- cio e da indústria. c) sagrada, contendo três grupos sociais que deveriam contribuir para o congraçamento dos homens. d) dinâmica e mutável, na medida em que es- tava dividida entre três estamentos sociais distintos e rivais. e) guerreira, cabendo à Igreja e aos trabalha- dores rurais a participação direta nas lutas e empreitadas militares dos cavaleiros. 6. (Espcex) O período conhecido por Idade Média prevaleceu na Europa desde a queda do Império Romano ocidental (Séc. V) até a queda de Constantinopla (Séc. XV). Nesse 50 período, o sistema vigente era o feudal. Leia atentamente os itens abaixo: I. Fortalecimento do poder real e enfraque- cimento dos poderes locais; II. Declínio das atividades comerciais urba- nas e fortalecimento da vida rural; III. Uso generalizado de trabalho escravo no campo; IV. Os nobres estavam obrigados a pagarem aos seus servos uma pequena indenização, que passou a ser conhecida por banalidade; V. Existência de vínculos pessoais entre os nobres mais poderosos e os nobres mais fracos (suserania e vassalagem). Assinale a única alternativa que apresenta todos os itens com características desse pe- ríodo. a) I e II b) II e IV c) III e V d) I e IV e) II e V 7. (Fatec) A partir do ano 1000, a população europeia tem um grande aumento. Este cres- cimento demográfico se relaciona com as tecnologias desenvolvidas naquela época, as quais aumentaram a produção agrícola e melhoraram as condições de saúde e alimen- tação: a charrua, substituindo o arado, a uti- lização do cavalo nas lavouras, e a rotativi- dade de plantações, aproveitando melhor os solos. As populações do período agrupavam- se em aldeias em volta da igreja e do castelo. (Le Goff , Jacques. São Francisco de Assis. Rio de Janeiro: Record, 2007, p. 24. Adaptado) A partir das informações do texto, é correto afirmar que o contexto histórico em questão é o: a) escravismo antigo. b) capitalismo industrial. c) socialismo soviético. d) feudalismo medieval. e) mercantilismo moderno. 8. (Mackenzie) “A Idade Média não existe. Esse episódio de quase mil anos (...) é uma fabrica- ção, uma construção, um mito, quer dizer, um conjunto de representações e de imagens em perpétuo movimento, amplamente difundidas na sociedade, de geração em geração (...)”. Christian Amalvi. “Idade Média”. In: Jacques Le Goff e Jean-Claude Schmitt. Dicionário Temático do Ocidente Medieval. Bauru, SP: EDUSC, 2006, p.537. A respeito do tema, considere as seguintes afirmativas: I. As representações depreciativas do perí- odo remontam às tentativas, principal- mente de humanistas italianos desde o século XIV, de retornar às fontes da Anti- guidade Clássica. II. O século XVIII, com sua revalorização do racionalismo e antropocentrismo, assiste ao dualismo “obscurantismo” – represen- tado pela Idade Média – e as “Luzes” – representadas pelo Iluminismo. III. A visão de uma Idade Média plena de cul- tura e da qual se originou a civilização europeia deve-se, em grande parte, ao sé- culo XIX, com o Romantismo. Assinale: a) se apenas I estiver correta. b) se apenas I e II estiveremcorretas. c) se apenas II e III estiverem corretas. d) se apenas I e III estiverem corretas. e) se I, II e III estiverem corretas. 9. (UFSJ) Assinale a alternativa que apresenta CORRETAMENTE características do feudalis- mo medieval. a) No regime feudal, os monarcas não possuíam poder absoluto e os principais senhores aris- tocráticos tinham considerável autonomia política e econômica nas regiões que con- trolavam. b) No regime feudal, os monarcas possuíam po- der absoluto e os principais senhores aris- tocráticos eram obrigados a pagar pesados impostos ao Estado. c) No regime feudal, era impossível a existên- cia de monarcas e os principais senhores aristocráticos governavam suas regiões sem prestar qualquer serviço a um superior. d) No regime feudal, os monarcas eram eleitos pelos principais senhores aristocráticos e pela burguesia das cidades medievais. 10. (Unesp) “Servir” ou, como também se dizia, “auxiliar”, – “proteger”: era nestes termos tão simples que os textos mais antigos resu- miam as obrigações recíprocas do fiel arma- do e do seu chefe.” (Marc Bloch. A sociedade feudal, 1987.) O mais importante dos deveres que, na so- ciedade feudal, o vassalo tinha em relação ao seu senhor era: a) o respeito à hierarquia e à unicidade de ho- menagens, que determinava que cada vassa- lo só podia ter um senhor. b) o auxílio na guerra, participando pessoal- mente, montado e armado, nas ações milita- res desenvolvidas pelo senhor. c) a proteção policial das aldeias e cidades exis- tentes nos arredores do castelo de seu senhor. d) a participação nos torneios e festejos locais, sem que o vassalo jamais levantasse suas ar- mas contra seu senhor. e) a servidão, trabalhando no cultivo das terras do senhor e pagando os tributos e encargos que lhe eram devidos. 51 e.o. teste II 1. (UFRN) Leia com atenção a definição abai- xo: Capitalismo: sistema econômico e so- cial predominante na maioria dos países industrializados ou em industrialização. Neles, a economia baseia-se na separação entre trabalhadores juridicamente livres, que dispõem apenas da força de trabalho e a vendem em troca de salário, e capitalis- tas, os quais são proprietários dos meios de produção e contratam os trabalhadores para produzir mercadorias (bens dirigidos para o mercado) visando à obtenção de lucro. SANDRONI, Paulo (Org. e sup.). Dicionário de economia. São Paulo: Círculo do Livro, 1992. p. 40. Considerando as características apresenta- das acima, o modelo socioeconômico do feu- dalismo europeu na Idade Média se diferen- cia do modelo capitalista, pois, entre outros elementos: a) as demandas do comércio internacional por produtos agrícolas possibilitaram aos cam- poneses grandes lucros com a venda de ex- cedentes da produção. b) as revoltas camponesas do século XV abo- liram as taxações feudais e favoreceram a adoção do sistema de colonato no regime feudal. c) a maioria da mão de obra era empregada no campo, dedicando-se a uma produção de subsistência e ligando-se por laços servis à classe aristocrática. d) a burguesia urbana enriquecida comprava títulos de nobreza e agravava a exploração da classe camponesa, submetida à servidão. 2. (PUC-SP) Mergulhados numa atmosfera social em que qualquer relação de inferior a supe- rior reveste uma coloração diretamente hu- mana, essas pessoas, para com o senhor, não estão obrigadas apenas às múltiplas rendas ou prestações de serviços que oneram as ca- sas e os campos. Devem-lhe também auxílio e obediência e contam com a sua proteção. Marc Bloch. A sociedade feudal. Lisboa: Edições 70, 1987, p. 278. O texto refere-se às relações: a) entre reis e súditos. b) de servidão. c) entre homens e mulheres. d) de vassalagem. e) entre Deus e os clérigos. 3. (UEPA) As relações servis de produção, vi- gentes na Alta Idade Média da Europa Oci- dental, implicavam um vínculo desigual de obrigações entre senhor e servo. Apesar de vigorar um sistema social estanque e de classes estamentais, em que as pesadas obri- gações do trabalhador adstrito à gleba eram previsíveis e inquestionáveis, algumas bre- chas de liberdade possíveis aos servos ser- viam para contrabalançar o poder dos senho- res como: a) a existência de um laço religioso de obriga- ções sagradas entre senhor e servo, que impe- dia qualquer tipo de excesso da parte dos pri- meiros no caso de punições aos trabalhadores. b) a elasticidade das práticas senhoriais de pa- tronagem e proteção necessárias para apla- car os reclamos e as privações dos servos e de suas famílias. c) a participação nas guerras, ao lado dos senho- res, quando os servos atuavam como guerrei- ros vinculados aos senhores, e assim poderiam tomar parte na divisão das pilhagens. d) a dependência econômica dos senhores relativa às taxas pagas pelos servos pelo uso dos equipa- mentos do feudo, as chamadas “banalidades”. e) o cultivo ou as pastagens nas terras comu- nais, quando os camponeses, livres ou ser- vos, trabalhavam em conjunto e realizavam festas de colheita com sentido religioso. 4. (Unesp) (...) o elemento religioso não li- mitou os seus efeitos ao fortalecimento, no mundo da cavalaria, do espírito de corpo; exerceu também uma ação poderosa sobre a lei moral do grupo. Antes de o futuro cava- leiro receber a sua espada, no altar, era-lhe exigido um juramento, que especificava as suas obrigações. (Marc Bloch. A sociedade feudal, 1987.) O texto mostra que os cavaleiros medievais, en- tre outros aspectos de sua formação e conduta: a) mantinham-se fieis aos comerciantes das ci- dades, a quem deviam proteger e defender na vida cotidiana e em caso de guerra. b) privilegiavam, na sua formação, os aspectos religiosos, em detrimento da preparação e dos exercícios militares. c) valorizavam os torneios, pois neles mostra- vam seus talentos e sua força, ganhando prestígio e poder no mundo medieval. d) agiam apenas de forma individual, realizan- do constantes disputas e combates entre si. e) definiam-se como uma ordem particular dentro da rígida estrutura feudal, mas man- tinham vínculos profundos com a Igreja. 5. (Mackenzie) A História nos mostra que as concepções acerca do trabalho, suas funções e significações se transformaram ao longo do tempo. A esse respeito, leia o texto que se segue: “(...) conforme o esquema trifun- cional indoeuropeu estruturado por Georges Dumézil, a partir do século XI, a sociedade 52 cristã é frequentemente descrita como com- posta de homens que oram (oratores, os clé- rigos), de homens que guerreiam (bellato- res, os guerreiros) e, enfim, de homens que trabalham (laboratores, na época, essencial- mente camponeses). Mesmo que vários tex- tos enfatizem que os laboratores são inferio- res aos oratores e bellatores, o surgimento dos trabalhadores no esquema constitutivo da sociedade exprime a promoção do traba- lho e daqueles que o praticam”. Jacques Le Goff. Dicionário Temático do Ocidente Medieval, v.II, pp.568-569. Pela análise do trecho, é incorreto afirmar que: a) a crise do feudalismo, a partir do século XI, promoveu alterações na mentalidade medie- val acerca do trabalho, uma vez que, mesmo depreciado, reconhecia-se sua importância para a própria existência do mundo feudal. b) mesmo que a Idade Média seja, tradicional- mente, um período de depreciação do traba- lho manual, houve inegáveis mudanças nes- se sentido, principalmente a partir do século XI, como apontado no texto. c) os bellatores, terceira ordem feudal, respon- sáveis pela defesa dos camponeses, determi- navam todas as concepções acerca do traba- lho, uma vez que eram os donos das terras e os responsáveis pela produção agrícola. d) a divisão tradicional da sociedade medieval em trêsordens revela a importância que o trabalho adquiria naquele momento, mas também nos mostra a necessidade de se jus- tificar o domínio sobre os camponeses. e) diferentes civilizações, ao longo da História, necessitam de justificativas e de padrões cul- turais aceitos pelo conjunto da sociedade, com o intuito de garantir o domínio, de cer- tas parcelas, sobre o conjunto da população. 6. (Unioeste) “Walafreus, colono e mordomo, (...) e sua mulher, colona (...), homens de S. Germain, têm filhos (...) Ele detém dois mansos livres (...) de terra arável, seis acres de vinha e quatro de prados. Deve por cada manso uma vaca num ano, um porco no se- guinte, quatro dinheiros pelo direito de uzar o bosque, dois módios (40 litros) de vinho pelo direito de utilizar as pastagens, uma ovelha e um cordeiro (...) Deve corveias, car- retos, trabalho manual, cortes de árvores, quando para isso receber ordens, três gali- nhas e quinze ovos (...)” Poliptico da Abadiade St. Germain. In: FREITAS, Gustavo de. 900 textos e documentos de história. Lisboa: Plátano, 1975, v.1. p.145. O documento acima refere-se à relação entre senhores e servos na Europa medieval. Sobre as relações descritas acima, é correto afirmar que: a) Walafreus e sua família viviam como livres pro- prietários de terras na Abadia de S. Germain. b) as obrigações de Walafreus e sua família referem-se aos deveres que todo suserano tinha com seus vassalos. c) na estrutura do feudo, as terras ou mansos onde Walafreus e sua família viviam repre- sentam o manso senhorial. d) as obrigações de Walafreus e sua família descritas acima referem-se ao pagamento da mão morta. e) Walafreus e sua família tinham como obriga- ção a corveia, ou seja, a prestação direta de serviços nas terra dos seus senhores. 7. (IFSP) Escolha a alternativa que corretamen- te preencha as lacunas. A sociedade feudal era estratifi- cada em ________________, sen- do as relações horizontais entre a _______________, através da_________ e ___________________________. As relações verticais ocorriam entre a _______________ e os ____________________, que tinham vários deveres, como o pagamento de (da) __________. Era uma sociedade de direitos e deveres desiguais, entre desiguais. a) ordens, nobreza, suserania, vassalagem. No breza, servos, corveia. b) classes sociais, realeza, homenagem, con- cessão de terras. Burguesia, comerciantes, impostos. c) castas, elite, endogamia, homenagem. Clas- se brâmane, párias, talha. d) classes sociais, burguesia, exogamia, con- cessão de dotes. Burguesia, operários, im- postos. e) estamentos, realeza, cerimônia de coroação, unção. Igreja, nobres, esmola. 8. (Espcex) Durante o feudalismo na Europa Ocidental, uma série de obrigações submetia servos e vilões aos seus senhores. Uma delas era a banalidade, que consistia na(o): a) prestação de serviços gratuitos no campo do senhor em alguns dias da semana. b) entrega de parte da produção agrícola ou do rebanho do servo ao senhor. c) pagamento de taxas ao senhor pelo uso de instalações do feudo, como o moinho, o for- no, o celeiro, bem como outras instalações. d) pagamento de tributo pela família de um servo morto para que seus herdeiros manti- vessem a posse da terra. e) pagamento de uma taxa ao senhor, corres- pondente ao número de pessoas que o servo mantinha sob sua responsabilidade. 53 9. (Fuvest) “A instituição das corveias variava de acordo com os domínios senhoriais, e, no interior de cada um, de acordo com o estatu- to jurídico dos camponeses, ou de seus man- sos [parcelas de terra].” Marc Bloch. Os caracteres originais da França rural, 1952. Esta frase sobre o feudalismo trata: a) da vassalagem. b) do colonato. c) do comitatus. d) da servidão. e) da guilda. 10. (Unesp) Com a ruralização, a tendência à autossuficiência de cada latifúndio e as crescentes dificuldades nas comunicações, os representantes do poder imperial foram perdendo capacidade de ação sobre vastos territórios. Mais do que isso, os próprios la- tifundiários foram ganhando atribuições an- teriormente da alçada do Estado. (FRANCO, Hilário Jr. O feudalismo. São Paulo: Brasiliense, 1986. Adaptado.) A característica do feudalismo mencionada no fragmento é: a) o desaparecimento do poder militar, provo- cado pelas invasões bárbaras. b) a fragmentação do poder político central. c) o aumento da influência política e financei- ra da Igreja Católica. d) a constituição das relações de escravidão. e) o estabelecimento de laços de servidão e vassalagem. e.o. teste III 1. (Unifesp) Na sociedade feudal, os servos ti- nham a obrigação de: a) Prestar juramento de fidelidade ao senhor das terras e defendê-lo em caso de guerras. b) Pagar tributos ao rei e a todos os nobres que atravessassem as terras em que viviam. c) Aceitar a decisão de seu proprietário de ven- dê-los a outros senhores ou reis. d) Participar de torneios militares e de exibi- ções de cavalaria. e) Trabalhar nas terras do senhor ou dar uma parte de sua produção a ele. 2. (Fatec) Considere a ilustração a seguir. (In: BARBOSA, Elaine Senle, NAZARO JUNIOR, Newton e PÊRA, Silvio Adegas. Panorama da História. Curitiba: Positivo, 2005. vol. 1, p. 121) A partir dos conhecimentos da história do feudalismo europeu, pode-se inferir que, na ilustração: a) as classes sociais relacionavam-se de forma harmoniosa por incorporarem em suas men- tes os princípios elementares do cristianismo. b) as castas sociais poderiam modificar-se ao lon- go do tempo, pois isso dependia fundamental- mente da vontade do poder divino do papa. c) as terras dos feudos eram divididas igual- mente entre os vários segmentos sociais, priorizando-se os que dependiam dela para sobrevivência. d) a organização social possibilitava a mobilida- de, permitindo a ascensão dos indivíduos que trabalhassem e acumulassem riqueza material. e) a estrutura da sociedade era marcada pela ausência de mobilidade, sendo caracterizada por uma hierarquia social dominada por uma instituição cristã. 3. (FGV) “A palavra ‘servo’ vem de ‘servus’ (la- tim), que significa ‘escravo’. No período medie- val, esse termo adquiriu um novo sentido, pas- sando a designar a categoria social dos homens não livres, ou seja, dependentes de um senhor. (...) A condição servil era marcada por um con- junto de direitos senhoriais ou, do ponto de vista dos servos, de obrigações servis.” (Luiz Koshiba, “História: origens, estruturas e processos”) Assinale a alternativa que caracterize corre- tamente uma dessas obrigações servis. a) Dízimo era um imposto pago por todos os servos para o senhor feudal custear as des- pesas de proteção do feudo. b) Talha era a cobrança pelo uso da terra e dos equipamentos do feudo e não podia ser paga com mercadorias e sim com moeda. c) Mão morta era um tributo anual e per capi- ta, que recaía apenas sobre o baixo clero, os vilões e os cavaleiros. d) Corveia foi um tributo aplicado apenas no período decadente do feudalismo e que re- caía sobre os servos mais velhos. e) Banalidades eram o pagamento de taxas pelo uso das instalações pertencentes ao senhor feudal, como o moinho e o forno. 54 4. (UEL) Sobre a religiosidade medieval, é cor- reto afirmar: a) com o fim do Império Romano, o Cristianis- mo, até então perseguido, difundiu-se pela Europa, sendo seus adeptos liberados dos impostos pagos pelos idólatras. b) a prática da bruxaria, então disseminada nos meios clericais, provocou a reação dos crentes e a Revolução Protestante, levando à renovação da experiência cristã. c) o ateísmo foi combatido duramente pela inquisição, tendo comoconsequência o de- saparecimento dos descrentes até o século XVIII. d) a experiência da reclusão foi bastante ca- racterística na vida religiosa do período me- dieval, sobressaindo-se a ordem beneditina, fundada sobre o princípio da vida dedicada à oração e ao trabalho. e) a ativa participação dos leigos na instituição eclesiástica, assim como uma tendência ao enfraquecimento da hierarquia dessa, po- dem ser apontadas como características do período. 5. (UFPEL) Durante a Idade Média europeia, os servos tinham diversas obrigações. Relacio- ne a 2a coluna de acordo com a 1a: 1A COLUNA ( 1 )corveia. ( 2 ) talha. ( 3 ) banalidade. ( 4 ) censo. 2A COLUNA ( ) Presente obrigatório em ocasiões festivas e, principalmente, pagamento pelo uso de instalações como celeiro, moinho, for- no e lagar. ( ) Trabalho forçado no cultivo da reserva senhorial, geralmente em três dias por semana, podendo ser estendido à cons- trução e reparação de pontes e estradas. ( ) Espécie de renda paga pelos vilões ou ho- mens livres. ( ) Pagamento de uma parte da colheita nos campos dos servos ou dos vilões. A ordem que relaciona corretamente a se- gunda coluna, em relação à primeira, é a seguinte: a) 4, 2, 1, 3. b) 1, 2, 3, 4. c) 2, 4, 1, 3. d) 3, 1, 4, 2. e) 4, 3, 2, 1. e.o. dIssertatIvo 1. (Fuvest) No feudalismo, a organização da so- ciedade baseava-se em vínculos de dependên- cia pessoal como os de vassalagem e servidão. Descreva o que eram e como funcionavam, na sociedade feudal: a) a vassalagem. b) a servidão. 2. (UFC) Leia o texto a seguir. A Igreja, arcabouço principal da sociedade, tenta estabelecer uma ordem menos selva- gem e procura convencê-los, antes, a ajudar Deus a manter a paz na terra, do que a se- mear o terror. DUBY, Georges. “Ano 1000, ano 2000: na pista de nosso medos”. São Paulo: Unesp, 1999, p. 98-99. A citação faz referência à relação entre a Igreja Católica e os cavaleiros na Europa cris- tã, por volta do ano 1000. Responda o que se pede a seguir. a) Qual a relação entre o direito de herança prevalecente e o “terror” semeado pelos ca- valeiros? b) Cite os dois movimentos liderados pela Igre- ja que visavam “estabelecer uma ordem me- nos selvagem”. Explique-os. c) Explique como os cavaleiros poderiam “aju- dar Deus a manter a paz na terra”. 3. (UFSCar) A razão de ser dos carneiros é for- necer leite e lã; a dos bois é lavrar a terra; e a dos cães é defender os carneiros e os bois dos ataques dos lobos. Se cada uma destas espécies de animais cumprir a sua missão, Deus protegê-la-á. Deste modo, fez ordens, que instituiu em vista das diversas missões a realizar neste mundo. Instituiu uns - os clé- rigos e os monges - para que rezassem pelos outros e, cheios de doçura, como as ovelhas, sobre eles derramassem o leite da pregação e com a lã dos bons exemplos lhes inspiras- sem um ardente amor a Deus. Instituiu os camponeses para que eles - como fazem os bois, com o seu trabalho - assegurassem a sua própria subsistência e a dos outros. A outros, por fim - os guerreiros -, instituiuos para que mostrassem a força na medida do necessário e para que defendessem dos ini- migos, semelhantes a lobos, os que oram e os que cultivam a terra. (Eadmer de Canterbury, século XI.) 55 a) Identifique o contexto histórico no qual as ideias defendidas pelo autor desse documen- to se inserem. b) Justifique a relação do documento com o contexto histórico especificado. 4. (Unesp) Desde o final do Império Romano até o início da Idade Moderna, pode-se dizer que o continente europeu viveu sob o feuda- lismo ou regime feudal. a) Qual era a base de exploração de mão de obra durante o regime feudal? b) Do ponto de vista econômico e político, como se caracterizava o feudalismo? 5. (UFC) Leia a canção “A SAGRAÇÃO DO CAVALEIRO NO SÉCULO XII” Empunhando Durendal, a cortante, O Rei tirou-a da bainha, enxugou-lhe a lâ- mina, Depois cingiu-a em seu sobrinho Rolando E então o papa a benzeu. O Rei disse-lhe docemente, rindo: “Cinjo-te com ela, desejando Que Deus te dê coragem e ousadia, Força, vigor e grande bravura E grande vitória sobre os Infiéis.” E Rolando diz, o coração em júbilo: “Deus me conceda, pelo seu digno comando”. Agora que o Rei cingiu a lâmina de aço, O duque Naimes vai se ajoelhar E calçar em Rolando sua espora direita. A esquerda cabe ao bom dinamarquês Ogier. (DUBY, Georges, “A Europa na Idade Média”, São Paulo: Martins Fontes, 1988, p 13.) a) Qual o papel da cavalaria na sociedade medieval? b) O que a figura do papa representa no ritual da cavalaria? 6. (UFG) A casa de Deus, que cremos ser uma, está, pois, dividida em três: uns oram, ou- tros combatem, e outros, enfim, trabalham. Bispo Adalbéron de Laon, século XVI, apud Jacques Le Goff. “A Civilização do Ocidente Medieval”. Lisboa: Editorial Estampa, 1984, v.II. p 45-6. Caracterize a sociedade feudal, destacando a relação entre os que “combatem” (nobreza) e os que “trabalham” (servos). 7. (Unesp) “A fome é um dos castigos do peca- do original. O homem fora criado para viver sem trabalhar se assim o quisesse. Mas, de- pois da queda, não podia resgatar-se senão pelo trabalho... Deus impôs-lhe, assim, a fome para que ele trabalhasse sob o império dessa necessidade e pudesse, por esse meio, voltar às coisas eternas.” (Trecho do Elucidarium. Citado no livro A CIVILIZAÇÃO DO OCIDENTE MEDIEVAL) a) Como o texto, escrito durante a Idade Média, justifica a fome? b) Como era organizado o trabalho na proprie dade feudal? 8. (Fuvest) Uma das origens da servidão feu- dal, no Ocidente medieval, remonta à crise do século III da era cristã, que afeta e trans- forma profundamente o Império Romano. Descreva essa crise e estabeleça sua relação com a servidão feudal. 9. Como era dividida a propriedade feudal? 10. (Unesp) Leia atentamente o texto. “Servidão: uma obrigação imposta ao produ- tor pela força e independentemente de sua vontade para satisfazer certas exigências econômicas de um senhor, quer tais exigên- cias tomem a forma de serviços a prestar ou de taxas a pagar em dinheiro ou em espécie.” (Maurice Dobb - A EVOLUÇÃO DO CAPITALISMO) a) A “corveia” e a “talha” estavam entre as “exigências econômicas” dos senhores em re- lação ao servos. Esclareça no que consistiam. b) O que diferencia a servidão da vassalagem? gabarIto E.O. Teste I 1. C 2. B 3. C 4. B 5. C 6. E 7. D 8. E 9. A 10. B E.O. Teste II 1. C 2. B 3. E 4. E 5. C 6. E 7. A 8. C 9. D 10. B E.O. Teste III 1. E 2. E 3. E 4. D 5. D E.O. Dissertativo 1. a) A vassalagem era a submissão de um indi- víduo denominado vassalo a um senhor ou 56 suserano, jurando-lhe fidelidade e trabalho em troca de proteção e um lugar no sistema de produção. As redes de vassalagem esten- diam-se por várias regiões, sendo o rei o suserano mais poderoso. Tinha por base a concessão de um feudo, feita pelo suserano ao vassalo e implicava em fidelidade, leal- dade e reciprocidade entre ambos. b) Servidão feudal, consistia na relação de dependência entre o camponês (servo) preso às terras de um feudo e o senhor feudal. O primeiro devia ao segundo obri- gações, pagas com parte da produção (ta- lha) e trabalho (corveia), entre outras. Em contrapartida, o senhor devia prote- ção ao servo e à família dele. 2. a) Uma vez que apenas o primeiro filho dos senhores feudais herdava o feudo (di- reito de primogenitura), os demais de- veriam buscar outras formas de subsis- tência. Portanto, ser um cavaleiro era o destino de muitos nobres despossuídos. Aproveitando-se da posse das armas, es- ses nobres semeavam o “terror” por meio de constantes guerras e de açõesviolen- tas, como espoliar vilarejos, extorquir camponeses, saquear colheitas, seques- trar senhores em busca de resgate e as- saltar nas estradas. b) Na tentativa de diminuir os conflitos e de se proteger dessas ações, a Igreja Católica instituiu a “Paz de Deus” (pax Dei) e as “Tréguas de Deus” (tregua Dei), em fins do século X e princípios do século XI, vi- sando diminuir a “selvageria” da cavala- ria. O movimento conhecido por “Paz de Deus” ameaçava de excomunhão e puni- ção divina os cavaleiros que atacassem, roubassem ou extorquissem os que não pudessem se defender (eclesiásticos, mu- lheres nobres desacompanhadas, campo- neses e camponesas e desprotegidos em geral). Já as “Tréguas de Deus” proibiam os cavaleiros de guerrear nos dias religio- sos da semana (das noites de quinta-feira até segunda-feira pela manhã - lembran- ça da Paixão de Cristo) e em datas impor- tantes do calendário litúrgico (Advento, Quaresma, Páscoa, Pentecostes). De acor- do com a Igreja, Deus esperava que a or- dem e a paz terrenas refletissem a ordem e a paz celestes. Construiu-se, assim, o discurso de que cada grupo social deve- ria cumprir seu papel: os nobres guerre- avam, o clero orava e os servos trabalha- vam (fórmula celebrada por Adalberon de Laon, no início do século XI). c) Os cavaleiros, por conseguinte, não de- veriam usar das armas para espoliar os pobres, mas para fazer justiça e manter a ordem. Nesse mesmo contexto, foram inauguradas as cruzadas (1095). Perdu- rando até o século XIII, essas expedi- ções militares e religiosas canalizaram para fora do centro da Europa católica as disputas por terras e riquezas que moti- vavam as ações dos cavaleiros, além de servir de justificativa para a coesão da co- munidade católica, unida em oposição a um inimigo externo. Dessa forma, os ca- valeiros tornaram-se “agentes de Deus”, combatendo os infiéis e reconquistando territórios considerados sagrados. O con- trole da violência por meio da cristiani- zação da cavalaria foi fundamental para consolidar o poder da Igreja Católica, as- sim como para manter o sistema feudal. 3. a) As proposições do autor inserem-se no contexto do feudalismo na Europa Oci- dental na Idade Média. b) O documento justifica a organização da sociedade feudal fundamentada no teo- centrismo decorrente do domínio ideoló- gico e cultural exercido pela Igreja católi- ca na Europa Ocidental medieval. 4. a) A servidão, pela qual o camponês preso à terra pagava obrigações a seu senhor em troca de proteção. b) A economia feudal era agrária e autossu- ficiente (base agrícola e de subsistência) e amonetária, sendo o comércio local rea- lizado com base em trocas naturais. Poli- ticamente, o feudalismo caracterizava-se pela descentralização do poder (localis- mo) na medida em que os senhores feu- dais eram autônomos em seus domínios, inexistindo a autoridade do rei. 5. a) A cavalaria era utilizada para combater os inimigos externos da nobreza, como também internamente combatia as revol- tas que ameaçavam a ordem feudal, como foram as revoltas camponesas. Contudo, no discurso elaborado pela Igreja, a fun- ção da cavalaria era de defesa da socieda- de contra os inimigos externos. b) Sendo o papa o representante de Deus na Terra, e o rei, legitimado pela Igreja, a fi- gura do papa representa, no ritual de ca- valaria, o sagrado, o que justifica a guerra como vontade de Deus. Não é por menos que a Igreja (bispo) fica ao lado do rei no tabuleiro de xadrez. 6. A sociedade feudal era estamental, polarizada por senhores e servos e incluindo-se os cléri- gos, os cavaleiros, os ministeriais e os escravos. O papel das classes era definido pela Igre- ja sendo a nobreza senhorial responsável pela proteção dos servos que, por sua vez, 57 constituíam a classe produtora dos recursos necessários à subsistência das demais classes. 7. a) Influenciado pelo teocentrismo medieval, o texto estabelece a fome como um casti- go divino e ao mesmo tempo um estímulo ao trabalho como um meio de redenção aos pecadores. b) O trabalho nos feudos medievais era ca- racterizado pela servidão. Em troca da utilização dos recursos do feudo, os ser- vos deviam obrigações ou tributos como a talha, a corveia e as banalidades. 8. A crise do século III, no Império Romano, teve sua origem na cessação das guerras de conquista, o que provocou a retração do es- cravismo e, consequentemente, a queda da produção agrícola, o êxodo urbano e a for- mação de unidades rurais autossuficientes (vilas). Tentando contornar a falta de mão de obra escrava, os romanos intensificaram uma forma de trabalho compulsório deno- minada colonato, que fixava o camponês à terra, mas lhe reservava parte da produção. O colonato romano daria mais tarde origem à servidão feudal. 9. Posse coletiva de pastos e florestas onde os servos colhiam frutos, cortavam madeira e os senhores caçavam. O manso senhorial: metade da terra cultivada, uma propriedade privada. Manso servil: uma co-propriedade, o servo usava a terra, mas ela pertencia ao senhor. 10. a) Obrigação devida em dias de trabalho e em espécie. b) Servidão está relacionada entre os nobres e os camponeses; já a vassalagem é fruto de compromissos entre os nobres. © ok sm it/ Sh ut te rs to ck Baixa Idade Média Aulas 15 e 16 59 © ok sm it/ Sh ut te rs to ck O prOcessO de decadência dO feudalismO As características do sistema feudal não se mantiveram iguais durante toda a Idade Média. Aos poucos, o que era próprio do feudalismo foi sofrendo modificações e criando um novo sistema, novos modos de vida. Estava sendo gerada uma nova sociedade diferente da feudal. Os conflitos entre a Igreja e o poder temporal cresceram. Ocorre- ram as Cruzadas. As cidades e o comércio renasceram. O poder político foi gradualmente sendo centralizado na pessoa dos reis, constituindo-se as monarquias nacionais. No século XIV, fome, pestes, guerras e rebeliões campo- nesas abalaram ainda mais as já combalidas instituições feudais. Ao mesmo tempo em que abalaram as estruturas do feudalismo, todos esses acontecimentos aceleraram as mudanças que estavam sendo gestadas no seu interior. Profundas transformações, tais como as revoluções na economia, na política e nos costumes, inauguraram um perí- odo que viria a ser chamado de Idade Moderna (séculos XV, XVI, XVII e XVIII), marcada pelo capitalismo comercial, que, de fato, foi inaugurada pelo que se denominou de Revolução Comercial. as cruzadas (1095-1270) © W iki me dia C om mo nsDefinição e fatores As Cruzadas eram expedições de cunho religioso-militar que ocorreram a partir dos últimos anos do século XI, visando combater os inimigos da cristandade. Em razão disso, a Igreja legitimou essas expedições conferindo- -lhes um caráter de respeitabilidade. Oferecia privilé- gios espirituais e materiais aos cruzados. As Cruzadas também agiram como uma forma de aliviar as pressões provocadas pelo aumento populacional das condições de vida sob o feudalismo. Sua principal consequência foi a reabertura do Mediterrâneo ao comércio europeu. Ao lado do fervor religioso1 – o cruzado seria recompensado com o perdão dos pecados por inter- médio das Indulgências –, fatores de ordem sobretudo econômica, bem como sociais e política atuaram como elementos determinantes das Cruzadas. Findas as invasões bárbaras, no século X, a Euro- pa foi envolvida por uma relativa tranquilidade. Com a diminuição das guerras e o quase desaparecimento das epidemias, criou-se um am- biente favorável à estabilidade social, que favore- ceu o crescimento populacional. Foi determinante para esse crescimento a abundância de recursos1. “A todos que partirem e morrerem no caminho, em terra ou mar, ou que perderem a vida combatendo os pagãos, será concedida a remissão dos pe- cados” (Discurso do papa Urbano II, em Clermont, França, no ano de 1095). naturais e inovações técnicas na agricultura. Con- jugados, esses fatores favoreceram uma dieta mais saudável, o que contribuiu para a queda da morta- lidade infantil notadamente. Novas técnicas agrícolas permitiram aumento da produção e excedentes que eram comercializados. Bens produzidos fora da Europa passaram a ser adquiridos. Os mercados bizantinos e muçulmanos também passa- ram a demandar matérias-primas e gêneros alimentí- cios ocidentais. O incremento desse comércio de ambos os lados do Mediterrâneo favoreceu muito as cidades 60 italianas de Veneza e Gênova, que viram suas condições econômicas aumentarem, bem como suas possibilidades de desempenharem um papel importante, quando não fundamental, nas Cruzadas. A sociedade feudal europeia passou a viver mais mobilidade social em virtude da expansão demográfica, cuja consequência imediata foi a expulsão de uma parcela dos camponeses do campo, obrigando-os a buscarem outras formas de ganharem a vida. Paralelamente, a produção do excedente agrícola permitia que os campone- ses vissem no comércio uma alternativa mais compensadora. A vida urbana passou a ser expressão da liberdade em contraposição à vida rural ligada à servidão. Essa situação fez aumentar a população que buscava viver do comércio, das atividades artesanais, sobreviver economicamente, enfim, fora dos feudos. Resultado: incontáveis marginais, divididos entre contestadores e pobres, dispuseram-se a se engajar nas Cruzadas como modo de vida. O contexto político do período criou um ambiente favorável para que os nobres despossuídos ou empo- brecidos engrossassem o contingente de voluntários a atender os desejos da Igreja de lutar contra os heréticos e pagãos como modo de manter seu poder, conquistar novas terras e riquezas e controlar uma população cada vez mais difícil de ser dominada. A todos esses fatores somavam-se as razões religiosas que impregnavam a vida medieval. Havia um senti- mento sincero de resgate da Terra Santa, tanto que houve uma parcela significativa de cruzados que participavam das lutas sem nada ganhar. De fato, as Cruzadas envolveram a sociedade europeia de tal modo, que, em geral, todos seriam beneficiados direta ou indiretamente por essa empresa militar-religiosa que buscava romper o cerco muçulmano em expansão pelo Oriente. Para a Igreja Romana, a conquista dos locais santos da Ásia Ocidental pelas Cruzadas configurava-se instrumen- to de expansão do cristianismo, da supremacia do Papado sobre o Império e da expansão de sua influência religiosa. O Império Bizantino, por sua vez, pressionado por inimigos externos, via nas Cruzadas uma forma de conter o avanço dos turcos sobre seus territórios. As cidades comerciais italianas de Veneza, Pisa e Gênova, que consideravam as Cruzadas um instrumento de reabertura do Mediterrâneo, ambicionavam conquistar entrepostos comerciais na Ásia Ocidental. Por fim, os setores marginais da população europeia buscavam nas Cruzadas um meio de obterem ganhos que lhes possibilitassem sobreviver senão enriquecer. Justificados e legitimados pela Igreja, esses interesses impulsionaram a empresa militar-religiosa que rece- beu o nome de Cruzadas. O movimento teve como causa imediata o bloqueio à peregrinação dos cristãos ao Santo Sepulcro (túmulo de Cristo em Jerusalém), dominado pelos muçulmanos. As Cruzadas do Ocidente: a Guerra de Reconquista Mapa da evolução da reconquista cristã na Península Ibérica Granada Córdoba Castela Aragão Navarra (Francos) Leão Portugal antes 914 914 - 1080 1080 - 1130 1130 - 1210 1210 - 1250 1250 -1480 1480 - 1492 Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/ReconquistaFonte: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Reconquista>. 61 Paralelamente às Cruzadas que investiram para o Orien- te, foram realizadas expedições chamadas Cruzadas do Ocidente, com o objetivo de expulsar os muçulmanos da Península Ibérica e do sul da Itália. Em 711, os árabes muçulmanos haviam conquis- tado e submetido ao seu poder a Península Ibérica, com exceção das Astúrias, onde se formaram os pequenos rei- nos cristãos de Leão, Castela, Aragão e Navarra. Reuni- dos, iniciaram, no século XI, a Guerra de Reconquista. As terras reconquistadas dos muçulmanos foram doadas ao clero, ou incorporadas pela nobreza e explo- radas segundo as regras do sistema feudal de produção. Da Guerra de Reconquista, resultou a formação das mo- narquias nacionais de Portugal e Espanha. Na Itália, os muçulmanos haviam conquistado a Sicilia, a Córsega e a Sardenha, e o Mediterrâneo fora bloqueado à navegação e ao comércio dos europeus. A Guerra de Reconquista na Itália teve início no século X. No entanto, o contato entre cristãos e muçulmanos, ini- cialmente bélico, assumiu lentamente um caráter mer- cantil e resultou na reabertura do Mediterrâneo para os europeus. Entre comerciantes, fossem eles cristãos ou muçulmanos, sempre se encontrava uma forma de acor- do. Em vez de desperdiçar o capital na guerra, preferiam ampliá-lo pelo comércio. As trocas foram ampliadas e diversificadas, facilitando o reatamento das relações en- tre Ocidente e Oriente. As Cruzadas do Oriente Primeira Cruzada (1095-1099) Não eram raras as peregrinações de cristãos ao Santo Sepulcro. Os califas árabes não se opunham às visitas, que acabavam sendo lucrativas paras os muçulmanos. No entanto, na segunda metade do século XI, os turcos domi- naram grande parte da Ásia Ocidental. Na Terra Santa, os turcos expulsaram os cristãos e proibiram suas peregri- nações ao local. Cruzadas Roma Constantinopla Acre Veneza Ratisbona Clermont Vézelay Metz Jerusalém Edessa Tripoli Antioquia Marselha Dominíos muçulmanos, 1095 Primeira Cruzada, 1096-1099 Segunda Cruzada, 1147-1149 Terceira Cruzada, 1189-1192 Quarta Cruzada, 1202-1204 Fonte: pt.slideshare.net/LUCA01NAVARRO/as-cruzadas-set-finalFonte: <pt.slideshare.net/LUCAO1NAVARRO/as-cruzadas-set-final>. Sob o pretexto de libertar a Terra Santa e impedir o avanço muçulmano na Europa Oriental, o Papa Urbano II incentivou a Primeira Cruzada. Fez um apelo no Concílio de Clermont (1095). Organizada pelo monge Pedro, o Eremita, e dirigida por um nobre sem terras, Gautier, Sans Avoir (Sem Vintém) a Primeira Cruzada desdobrou-se na Cruzada dos Mendigos e na Cruzada dos Senhores. 62 Na cruzada dos mendigos, após vários saques, pilhagens, fome e pestes, os cruzados conseguiram che- gar a Constantinopla para horror do imperador bizan- tino. Diante daquela multidão de pobres e famintos e temendo pela segurança da capital, embarcou-os para a Ásia, onde foram massacrados pelos muçulmanos. Enquanto isso, os cavaleiros preparavam-se len- tamente sob a supervisão do Papado. De fato tratava- -se de vários exércitos feudais autônomos. Em 1096, a cruzada dos Senhores partiu para Constantinopla, onde receberam o apoio do imperador em troca da promessa de ceder-lhe os territórios que tomassem dos turcos na Ásia Menor e no Norte da Síria. Finalmente, em 1099, avistaram Jerusalém. A cidade estava coalhada de um número muito maior de defensores. Após sangrenta luta, no entanto, os cristãos tomaram Jerusalém. As terras conquistadas aos muçulmanos foram organizadas em Estados Cristãos: o reino de Jerusalém, o principado de Antioquia e os condados de Edessa e Trípoli. Nesses estados, doados a nobres europeus, im- plantou-se uma estrutura essencialmente feudal, com- parável à da Europa medieval. Concomitantemente,fundaram-se novas ordens religiosas, integradas por religiosos soldados: os hos- pitalários, os cavaleiros da Ordem Teutônica e os tem- plários. Esses eram os mais importantes, alojando-se no local do antigo templo de Jerusalém. Em 1140, os muçulmanos passaram à contrao- fensiva e reconquistaram o condado de Edessa. Pres- sionados, os Estados Cristãos recorreram aos europeus. Segunda Cruzada (1147-1149) Em 1147, Luis VII, rei da França, Conrado III, Imperador do Sacro Império, e um grupo formado por europeus do norte – ingleses, flamengos e frísios – organizaram a Segunda Cruzada. Esse terceiro grupo atravessou a Península Ibérica ajudando os cristãos a reconquistarem Lisboa contra os mulçumanos. No entanto, os integran- tes dessa segunda cruzada foram derrotados pelos tur- cos na Ásia Menor, em 1148. Algumas décadas depois, em 1187, o sultão muçulmano, Saladino, reconquistou Jerusalém, causando grande comoção na Europa. Terceira Cruzada (1189-1192) Com a notícia da perda da Terra Santa, o papa passou a preparar a Terceira Cruzada. Fez espalhar a notícia de que as Indulgências seriam estendidas àqueles que, im- possibilitados de participarem pessoalmente, contribu- íssem com bens materiais para financiar o engajamento de outra pessoa. Os três mais importantes soberanos da Europa atenderam ao chamado do papa. Em 1190, Fre- derico Barba Ruiva, do Sacro Império, Felipe Augusto, da França, e Ricardo Coração de Leão, da Inglaterra, lidera- ram a Cruzada dos Reis. Barba Ruiva avançou por terra, venceu os turcos na Ásia Menor, mas morreu acidental- mente ao banhar-se em um rio. Ricardo e Felipe Augusto seguiram por mar. Obtiveram algumas vitorias na Síria, mas Felipe decidiu retornar à França. Ricardo Coração de Leão, apesar de sua coragem e bravura demonstrada nos combates, não conseguiu retomar Jerusalém, mas obteve do sultão Saladino a autorização para que os cristãos pudessem peregrinar até Jerusalém. Quarta Cruzada (1202-1204) Com o ardor religioso já bastante arrefecido, os comer- ciantes de Genova e Pisa, enriquecidos pelo comércio com o Oriente, pretendiam tomar os portos de suas ci- dades rivais. Em 1200, no pontificado de Inocêncio III, foi organizada a Quarta Cruzada financiada por esses mercadores e viciada em suas origens pelo interesse mercantil. Desvirtuada de seus objetivos, tornou-se a pri- meira cruzada contra cristãos. Como condição para seu financiamento, Veneza exigiu a destruição de Zara, cida- de cristã e sua rival mercantil no comércio no Adriático. © W iki me dia Co mm on s Destruída Zara, os cruzados marcharam sobre Constantinopla, cidade cristã ortodoxa – não obediente As Cruzadas eram representadas em diversas obras de arte. 63 ao papa –, capital do Império Bizantino e terminal das rotas comerciais do Oriente. Conquistada, foi fundado ali o Reino Latino de Constantinopla. A Quarta Cruzada assinalou o declínio mercantil de Constantinopla e a as- censão das cidades italianas, que passaram a monopo- lizar o comércio de especiarias no Mediterrâneo. Quinta Cruzada (1217-1221) Tornou-se conhecida como a Cruzada das Crianças. Para justificar as derrotas anteriores, difundiu-se a lenda de que o Santo Sepulcro só poderia ser conquistado por crianças, isentas de pecados. Em 1212, foram reunidas 20 mil crianças alemãs e 30 mil francesas e encami- nhadas para Jerusalém. As que não foram extermina- das, foram aprisionadas ou vendidas como escravas nos mercados do Oriente. Sexta Cruzada (1228-1229) Organizada por André II, rei da Hungria, e comandada por Frederico II, do Sacro Império. Entraram em acordo com o sultão e obtiveram dele a posse de Jerusalém por dez anos. Anos mais tarde, os muçulmanos dominaram a região e o acordo foi rompido. Jerusalém voltou a ser controlada pelos turcos até 1917. Sétima Cruzada (1248-1250) e Oitava Cruzadas (1270) A Sétima e a Oitava Cruzadas foram organizadas entre 1248 e 1270 cujo comando coube a Luís IX, rei da Fran- ça. Ambas malograram. Luis IX morreu vítima da peste, em Tunis, e foi canonizado pela Igreja. As consequências das Cruzadas Fatores que levaram as Cruzadas ao fracasso: caráter superficial da conquista; falta de enraizamento dos con- quistadores no seio da população local; disputas entre cruzados; rivalidades nacionais; e incapacidade da Igre- ja em superá-las. As cruzadas não cumpriram seus objetvos, uma vez que a Europa Ocidental continuou superpovoada e sem condições de absorver essa mão de obra; os salá- rios que não baixaram ficaram estagnados enquanto os preços dos cereais entraram em alta. Sob o ponto de vista econômico, a maior con- quista das Cruzadas foi a reabertura do Mediterrâ- neo à navegação e ao comércio da Europa, que permi- tiu o reatamento das relações entre Ocidente e Oriente, interrompidas pela expansão muçulmana, e contribuiu para acelerar o Renascimento Comercial no Ocidente da Europa. Indiretamente, o malogro das Cruzadas acelerou a decadência do sistema feudal. A conjugação de fatores políticos, econômicos e sociais agravou signifi- cativamente essa situação. Houve enfraquecimento da aristocracia feudal e da servidão como forma de traba- lho, de um lado, e fortalecimento da burguesia comer- cial, de outro, bem como o reaparecimento do comércio que se intensificou com a reabertura do Mediterrâneo, propiciou o renascimento das cidades e com ela o cres- cimento da burguesia mercantil. Em síntese, o Renascimento Comercial e Urbano do Ocidente da Europa, a decadência do feudalismo, o declínio do poder da nobreza e o fortalecimento da bur- guesia foram, direta ou indiretamente, consequências das Cruzadas. A partir do século XI, duas rotas comerciais estabelecem-se como as principais da Europa: ao nor- te, pelos mares Báltico e do Norte; e, ao sul, pelo Mar Mediterrâneo. As feiras de Champagne eram o grande ponto de encontro dos comerciantes, bem como as fei- ras periódicas na Inglaterra, França, Bélgica, Alemanha e Itália foram um grande passo na direção de um co- mércio estável e permanente. Os mercados semanais dos primeiros tempos de feudalismo eram pequenos e negociavam produtos locais. As grandes feiras do sécu- lo XII ao XV comercializavam mercadorias por atacado, originárias de variadas e longínquas regiões, ocupando papel central na revitalização dos mercados. Por fim, talvez, a maior perdedora com as Cru- zadas tenha sido a Igreja. Seus objetivos não foram alcançados, pelo contrário: a tolerância entre cristãos e mulçumanos fortificou-se. A partir do século XIII, as ordens mendicantes – franciscanos e dominicanos – substituíram os ideais cruzadistas pelos missionários. 64 O renascimentO cOmercial A reativação da atividade mercantil na Europa Ocidental a partir do século XI ficou conhecida por Renascimento Comercial. Esse processo não foi linear, sofreu avanços e recuos, mas sua tendência foi a expansão mercantil até a crise geral da sociedade feudal nos séculos XIV e XV. Ao propiciarem as condições para o desenvolvimento incipiente da atividade mercantil, as Cruzadas, con- jugadas às condições intrínsecas ao modo de produção feudal, impulsionaram o que se transformou em Renasci- mento Comercial. A abertura do mar Mediterrâneo pelos cruzados aos mercados da Europa Ocidental restabeleceu as relações entre Ocidente e Oriente e dinamizou as atividades comerciais. A expansão da produção agrícola com o desenvolvimento de novas técnicas – charrua2 – e a ampliação da área destinada à plantação – derrubada de florestas e drenagem de pântanos; o fim dos ataques dos invasores bárbaros (vikings),permitiram que a Europa vivesse um período de relativa paz, experimentasse mais segurança; assistisse ao crescimento da população e se dedicasse ao Renascimento Comercial. O comércio desenvolveu-se principalmente por rotas fluviais e marítimas, em razão das péssimas condições das estradas. Os mares Mediterrâneo, ao sul, e do Norte e Báltico, ao norte, foram os eixos econômicos da Europa entre os séculos XI e XIV. O Mediterrâneo voltou a ser a via principal das atividades mercantis, e as cidades italianas de Veneza, Gênova e Pisa redistribuíam pela Europa os produtos vindos do Oriente. A grande rival de Veneza foi Genova, revendendo produtos orientais, particularmente tecidos. Após o século XII, exportava para o Oriente tecidos de lã confeccionados em Flandres e Florença. Ao norte da Europa, florescia outro eixo comercial importante. Os produtos vindos pelo mar Báltico e do Norte – madeira, peliças, couros, peixe – encontravam na região de Flandres (parte das atuais Holanda e Bélgica) um dinâmico polo comercial, notadamente nas suas principais cidades, Bruges e Antuérpia. Mais tarde, elas serão grandes produtoras de tecidos, especialmente de lã. Principais rotas comerciais da Europa durante o Renascimento Comercial Fonte: slideshare.com.br/slide/1865844Fonte: <slideshare.com.br/slide/1865844>. 2. Espécie de arado puxado manualmente ou por animal. 65 A intensificação do comércio na Europa seten- trional e na Europa meridional resultou no estabeleci- mento de ligações entre as duas regiões. A região de Champagne, no leste da França, passou a ser um ponto de confluência entre Flandres, ao norte, e a Itália, ao sul. Para Champagne, dirigiam-se mercadores de todo o continente o que dinamizava um comércio intenso e diversificado. Ficaram famosas feiras da Europa reali- zadas em Champagne. Como a maior parte das cidades não tinha condições de ter um comércio permanente, as feiras periódicas desempenhavam um papel fundamen- tal graças ao volume de negócios que realizavam ao mesmo tempo em que prepararam as condições para a consolidação de mercados estáveis e permanentes. Além da importância para o comércio, os últimos dias das feiras eram consagrados às transações financei- ras. Até o século XII, a moeda foi se tornando cada vez mais rara. Com o Renascimento Comercial, ela reapa- receu no esterlino, peça de prata inglesa. Em ouro eram cunhados o escudo, da França; o ducado, de Veneza, e o florim, de Florença. No centro da feira, os banqueiros, na época chamados de cambistas, pesavam, avaliavam e trocavam as mais variadas espécies de moedas. Faziam- -se empréstimos, liquidavam-se velhas dívidas, movimen- tavam-se letras de câmbio. A terra deixava de ser a única riqueza na Europa Ocidental. Essa verdadeira revolução econômica enfraquecia a nobreza, ligada à terra, e forta- lecia a burguesia, ligada ao comércio e às finanças. As associações de artesãos e comerciantes A ampliação do mercado consumidor, o progresso das cida- des e o reaparecimento do dinheiro propiciavam um novo mercado para os artesãos mais hábeis, possibilitando-lhes abandonar a agricultura e viver da atividade artesanal. Para defender seus interesses, os artesãos or- ganizaram-se em associações. Todos que trabalhavam em uma mesma atividade, numa determinada cidade, juntavam-se e formavam uma associação denominada corporação de ofício. A indústria artesanal era composta por três ní- veis hierárquicos: o aprendiz, o jornaleiro e o mestre. O aprendiz era iniciado pelo mestre nos segredos do ofício. Após longo período de aprendizagem, viria a ser um mestre. O jornaleiro recebia por jornadas trabalha- das, mas raramente passava a mestre. Por fim, o mestre de artes e ofícios era o proprietário da oficina artesanal. As corporações tinham por objetivo regulamen- tar a profissão, evitando excesso de pessoas no mesmo ofício, controlar a qualidade e o preço do produto, difi- cultando a concorrência, dirigir o aprendizado da profis- são e amparar os artesãos necessitados. Os mercadores também associaram-se para de- fender seus interesses. As hansas ou guildas, no sécu- lo XII, aglutinavam mercadores de diversas cidades. A mais poderosa de todas foi a Hansa Teutônica ou Liga Hanseática, que reuniu cerca de noventa cidades do Norte da Europa. Elas exerciam monopólio sobre o co- mércio por atacado nas cidades incorporadas por elas. O renascimentO urbanO e a fOrmaçãO da burguesia O processo de reurbanização da Europa, caracterizado pelo ressurgimento das cidades, está estreitamente liga- do ao Renascimento Comercial. Esse, sem ser o único, foi sem dúvida, o fator principal do Renascimento Urba- no. Prova disso é o fato de as cidades ressurgirem com mais intensidade onde primeiro renasceu o comércio: Itália e Flandres. Na medida em que o comércio se ampliava, sur- giram cidades na confluência de estradas, na desembo- cadura de rios ou em regiões de declive elevado. Esses © W iki m ed ia Co m m on s Veüe de la Ville de Feurs. Gravura de Louis Boudan. Loire, 1460. Fora das muralhas da cidade, estendiam-se o campo e os pomares. O crescimento constante das cidades, no entanto, levou à ampliação do raio urbano, de modo que se construíram novas muralhas para acolher a população. 66 eram pontos geográficos preferidos pelos mercadores. Ali havia sempre uma igreja ou uma fortificação, de- nominada burgo, que, ao mesmo tempo que protegia, facilitava a defesa aos comerciantes. Nas cidades me- dievais, conhecidas genericamente como burgos, foi-se formando uma nova classe social ligada ao comércio, que passou a ser conhecida como burguesia. As cidades, situadas dentro dos feudos, estavam submetidas à tutela e à autoridade dos senhores feu- dais. Não tinham autonomia nos feudos e deviam à no- breza impostos e obediência. Com o crescimento do co- mércio, o enriquecimento dos comerciantes e as cidades fortalecidas, a burguesia procurou obter sua autonomia administrativa e judiciária, liberdade essa que era funda- mental para continuidade e expansão de seus negócios. Em meio a uma sociedade ainda feudal, o co- mércio e as feiras realizavam-se no interior dos feudos, o que beneficiava à aristocracia feudal a arrecadação de tributos. De um lado, essa aristocracia favorecia o comércio, franqueando os feudos para a realização delas; de outro, travava sua expansão com excessivos pedágios e tributos. Outro obstáculo ao desenvolvimen- to mercantil era a diversidade de moedas, leis, pesos e medidas, que variavam de feudo para feudo. Sem esquecer as próprias relações servis de produção, que constituiam um obstáculo ao desenvolvimento pleno da economia de mercado. Tratava-se de abolir as relações de vassalagem e o direito consuetudinário, bem como unificar o mer- cado, diminuir os impostos, padronizar a legislação, a moeda, os pesos e medidas como condição básica para a expansão da nova economia mercantil e monetária. Para isso, seria necessário subordinar a nobreza e for- talecer o poder centralizador do rei, que poderia impor essas reformas. A formação do Estado Moderno, como expres- são do monopólio do poder e da força, seria, no plano político, a resposta para os novos problemas que trava- vam a expansão do comércio e das cidades. a fOrmaçãO das mOnarquias naciOnais Durante o feudalismo, predominava na Europa a autoridade da nobreza e da Igreja. Aquela impunha uma autori- dade de cunho particularista, controlando apenas seus feudos. A Igreja irradiava sua autoridade de forma universal, espalhando-a por toda a Europa. O Renascimento Comercial e Urbano originou a necessidade de centralizar o poderpara unificar os tributos, as moedas, os pesos, as medidas, as leis e a própria língua. Esses obstáculos ao desenvolvimento do comércio só poderiam ser removidos por um poder que submetesse a nobreza e exercesse autoridade em regiões bem maiores que a de um simples feudo. O instrumento surgiu com a criação do Estado Moderno sob a forma de monarquias nacionais. A formação dessas monarquias ocorreu sob uma luta de interesses, que aliou o rei e a burguesia contra a nobreza e a Igreja. A aliança entre a burguesia e os reis A burguesia, classe recém-formada, ainda não tinha estrutura política para assumir a tarefa de centralizar o poder. Tinha apenas consciência de que os particularismos feudais eram contrários aos seus interesses econômicos. Os reis, por sua vez, também estavam interessados em fortalecer o próprio poder, o que era impossível no interior do complexo sistema de vassalagem do feudalismo. Dependiam do exército de seus vassalos, mas não po- diam contar com essa ajuda contra os privilégios da nobreza feudal. Suas únicas rendas, provenientes dos domínios reais, eram insuficientes para formar exércitos mercenários permanentes, capazes de lutar contra os exércitos de seus vassalos. Na luta pela independência das cidades, houve uma aproximação entre os reis e a burguesia, que evoluiu para uma aliança entre eles, na qual os burgueses forneciam aos reis os capitais necessários para a formação de exércitos mercenários permanentes para lutar contra os senhores feudais e centralizar o poder. 67 A monarquia nacional francesa Foi na França Ocidental, uma das três divisões do Império Carolíngio, segundo o Tratado de Verdun, que surgiu a monarquia nacional. No século X, terminou a dinastia Carolíngia e teve início a dinastia Ca- petíngia, sob a qual se fortaleceria o poder do rei. Na luta pela centralização política e expansão territorial, os reis capetíngios enfrentaram a nobreza e a Inglaterra, dona de vastos territórios ao Norte da França, contando com o apoio das cidades e da burguesia. Os mais importantes reis capetíngios foram Filipe Augusto, Luis IX e Filipe IV, o Belo. Filipe Augusto organizou o sistema de impostos e um exército permanente que conquistou domínios dos reis ingleses na França. No governo de Luís IX, o poder real fortaleceu-se ainda mais. Foi criada uma moeda padronizada para facilitar o comércio, organi- zaram-se tribunais reais para uniformizar a justiça e ampliaram-se os domínios da Coroa. Com Filipe IV, o Belo, o Estado francês entrou em conflito com o papado, uma vez que o rei pretendia cobrar tributos do clero fran- cês. Com a morte do papa Bonifácio VIII, Filipe IV influenciou a elei- ção do novo papa, o francês Clemente V. Em 1309, sob a tutela do poder real, o papado instalou-se na cidade francesa de Avignon até 1377 – período conhecido como o Cativeiro de Avignon. Os filhos de Filipe IV não tiveram herdeiros masculinos, o que pôs fim à dinas- tia Capetíngia, que cedeu a vez para a dinastia Valois, com Filipe VI. A monarquia nacional inglesa A formação da Inglaterra moderna teve início com a conquista da Ilha pelos normandos, em 1066, liderados por Guilherme, o Conquistador, na Batalha de Hastings. A organização eficiente do reino permitiu a Guilherme exercer um poder razoavelmente centralizado. Em 1154, Henrique II deu continuidade a essa política, fundando a dinastia Plantageneta. A Grande As- sembleia reunia-se três vezes por ano; instituíram-se juízes itinerantes; criou-se a prática do júri; inaugurou-se o alistamento militar obrigatório para todos os homens livres; e procurou-se manter a Igreja sob sua autoridade. Com seus filhos Ricardo Coração de Leão e João Sem Terra, a autoridade real enfraqueceu-se. Derrotado nos conflitos com a França e com o papado, em 1215 João Sem Terra foi obrigado pela nobreza inglesa a assinar um documento, a Magna Carta. Nela, a autoridade real fora limitada pelo Grande Conselho, órgão composto por bis- pos, condes e barões. O rei não poderia, por exemplo, aumentar os impostos sem a prévia autorização dos nobres. No século XIII, em oposição ao rei, os barões ingleses oficializaram o Parlamento, oficialmente dividido, no século XIV, em Câmara dos Lordes (nobres e clero) e Câmara dos Comuns (cavaleiros e burgueses). Ao longo dos séculos, o Parlamento usaria seu poder de controlar a receita para aumentar sua influência. Desenvolveu-se, então, a tradição de que o poder de governar não estava apenas com o rei, mas com o rei e o Parlamento juntos. Di sp on íve l e m: <h ttp :// ww w. gu er re iro sd ejo rg e.c om > Ricardo coração de Leão 68 a crise dO séculO XiV e a decadência dO feudalismO A partir do início do século XIV, uma profunda crise tomou conta da Europa. Fome, pestes, guerras e rebeliões camponesas atingiram a essência do sistema feudal já bastante desgastado. Ao fim do século XV, as monarquias nacionais estavam consolidadas, a nobreza enfraquecida e as obrigações feudais contestadas pelas frequentes rebeliões camponesas. A Grande Fome (1315-1317) Antes do ano 1000, a subalimentação na Europa era crônica. Do século XI ao XIII, a farta produção agrícola reduziu muito a fome. Nesse período, a população aumentou. A exploração predatória das novas terras contribuiu para o desgaste da fertilidade do solo, e o desmatamento intenso provocou alterações ecológicas e climáticas. Períodos excessivamente chuvosos alternavam-se com outros extremamente secos, o que, já no início do século XIV, fez di- minuir a produção agrícola e encarecer os produtos. Três anos de péssimas colheitas (1315-1317) produziram uma terrível fome coletiva que provocou a morte de milhões de pessoas. A Peste Negra (1347-1350) Fonte: <www.publico.pt/ciencia/noticia/identificada-bacteria-que-causou-a-peste-negra-na-idade-media-1460136>. A Peste Negra, como ficou conhecida na época, foi uma manifestação epidêmica de peste bubônica transmitida pela pulga do rato. Acredita-se que tenha sido trazida do Oriente por um navio veneziano e dali tenha se propa- gado por toda a Europa. A subnutrição causada pelas crises de fome, associada às precárias condições de higiene nas cidades me- dievais contribuíram decisivamente para a disseminação da doença. O auge da epidemia ocorreu entre os anos de 1347 e 1350. Estima-se que morreram mais de 30% da população europeia. Para se ter uma ideia do que isso significou, a Europa precisou esperar quase 300 anos para voltar a ter a mesma população de antes da crise. Fonte: www.publico.pt/ciencia/noticia/identificada-bacteria- que-causou-a-peste-negra-na-idade-media-1460136 Ilustração da peste bubônica, em edição da Bíblia de Toggenburg, de 1411. 69 A Guerra dos Cem Anos (1337-1453) Por mais que não tenham sido cem anos de guerra con- tínua, a guerra entre a Inglaterra e a França foi uma das manifestações das transformações políticas que estavam ocorrendo no interior dos dois reinos. Foi uma guerra que se deu em períodos durante um século em que as duas monarquias mantiveram-se em estado beligerante. A região de Flandres, no Norte da França, rica em manufaturas e pródiga em impostos, era desejada pela França que pretendia anexá-la aos seus domínios. Os grandes mercadores e artesãos de Flandres não que- riam submeter-se ao domínio francês e mantinham for- tes ligações com a Inglaterra, um dos principais fornece- dores de lã para os teares desses mercadores e artesãos. Outro fator importante dessa guerra foi a disputa por territórios na França. Os reis da Inglaterra eram senhores de grandes feudos na França, o que os tornava vassalos do rei francês. No século XIV, o rei francês não deveria ter em seu ter- ritório um vassalo tão poderoso,bem como o monarca inglês não podia suportar a humilhação de ser vassalo de outro rei. Ao mesmo tempo, havia uma acirrada luta pela sucessão ao trono francês. Em 1328 morrera o último descendente de Felipe IV, o Belo, sem deixar sucessor. Os grandes nobres franceses tinham dois candidatos para o cargo: um nobre da família Valois, de nome Filipe, e Eduardo III, rei da Inglaterra, neto de Filipe IV, por parte de mãe. Os nobres franceses escolheram o membro da família Valois, que recebeu o nome de Filipe VI, escapando, portanto, do domínio inglês.3 O rei inglês não acatou a decisão e partiu para a guerra com a França, em 1337. O palco do conflito foi o território francês. Numa primeira fase, as vitórias foram inglesas. Arqueiros e solda- dos da infantaria impuseram uma dura derrota à pesada e lenta cavalaria francesa na Batalha de Crécy, em 1346. A segunda fase foi marcada pela reação francesa graças ao nacionalismo despertado por uma camponesa que conseguiu organizar um exército e derrotar em várias ocasiões os ingleses: Joana D’Arc. Ao cair prisioneira dos ingleses e borguinhões, foi acusada de feitiçaria e executada na fogueira. Morta, Joana D’Arc transformou-se em heroína, símbolo do patriotismo popular francês. Imbuídos de novo espírito, os franceses continuaram a conquistar vitórias. Em 1453, os ingleses foram definitivamente expulsos da França. As rebeliões camponesas A fome, a peste e as guerras geraram uma abrupta redução da população europeia, o que também significou menos servos trabalhando nos feudos. Acostumada a novos hábitos de consumo criados pelo comércio, no entanto, a no- breza feudal intensificou suas exigências sobre os servos que reagiram: quem não se revoltou fugiu para as cidades. O ano de 1358, foi marcado pelo pipocar de rebeliões camponesas na França semelhantes às rebeliões dos escravos romanos. Conhecidas como jacqueries, em alusão ao nome pejorativo “Jacques Bonhomme”, equiva- lente a joão-ninguém, que os nobres davam aos camponeses, essas rebeliões de camponeses desarmados foram facilmente sufocadas. Em 1381 explodiu na Inglaterra uma revolta camponesa liderada por Wat Tyler, que exigia a abolição da servidão. Não demorou muito para que essa sublevação fosse cruelmente reprimida pelos nobres. 3. Uma assembleia de nobres franceses escolheu Filipe de Valois para o trono com base na Lei Sálica, segundo a qual, desde o início da Idade Média, mulheres não podiam ocupar ou transmitir o trono francês. © Je an Fr ois sa rt/ Wi kim ed ia Co mm on s Iluminura de um manuscrito do século XV represen- tando a Batalha de Crécy, na Guerra dos Cem Anos. 70 e.O. teste i 1. (UEPA) A cidade medieval era dominada por seus campanários: torres e agulhas de igrejas paroquiais, de conventos e, evidentemente, da catedral Romana, de- pois gótica, a igreja do bispo era objeto de todas as atenções [...] a catedral me- dieval nunca era uma construção isolada, ela dominava toda uma circunscrição. [...] Eram muitos os carpinteiros, vidreiros e pintores a participar do embelezamento da catedral. Os ourives e os comerciantes vendiam relicários aos eclesiásticos, além de tapeçarias de seda e incenso destinado a enobrecer a liturgia. (BROUQUET, Sophie Cassagnes. “Novas cidades, novos ricos”. In: História Viva. Ano III, N°34, p.44) A partir da descrição acima sobre a paisagem da cidade medieval e dos estudos históricos que há sobre este período, afirma-se que a catedral: a) desarticulava os poderes episcopais e polí- ticos, porque os fiéis utilizavam-se do espa- ço onde ocorriam os rituais católicos, para fins comerciais, enfraquecendo os vínculos feudo-vassálicos entre o clero, nobreza e os artesãos. b) centralizava as atividades de comércio, agrícola e de construção, promovendo a criação de uma rede de trabalhadores de diversas regiões que, organizadas nas cor- porações de ofícios, depuseram o poder do episcopado romano. c) projetava o poder exercido pelas corpora- ções de ofício que controlavam o trabalho dos artesãos e dos comerciantes, contra- tados no período das edificações das cate- drais, fortalecendo os mestres de obras e os mercadores. d) enfraqueceu o poder dos senhores feudais, ao promover o enriquecimento dos ourives e dos comerciantes que se tornaram a nova classe social consumidora dos produtos da Igreja e dos serviços dos clérigos. e) era objeto de grandes atenções na sociedade medieval, pois não só congregava os religio- sos e os fiéis que para ela se dirigiam, como também atraía todo tipo de profissionais, constituindo-se em um verdadeiro centro cultural, em que relações de caráter religio- so e profissional se inter-relacionavam. 2. (UPF) Nos séculos XIV e XV, a Europa me- dieval vivenciou uma grave crise geral, que abalou profundamente as estruturas da so- ciedade, abrindo espaços para a criação de relações capitalistas no interior dessas so- ciedades europeias, dando início ao que se convencionou chamar de Idade Moderna. Dentre as alternativas abaixo, assinale a que não caracteriza os efeitos da transição da Idade Média para a Idade Moderna. a) A expansão marítima europeia dos séculos XV e XVI, rompendo os estreitos limites do comércio medieval. b) A centralização do poder nas mãos do rei, totalmente diferente do poder pulverizado dos senhores feudais. c) O surgimento de uma nova cultura, mais urbana e laica, em oposição à cultura rural religiosa do período medieval. d) A busca de uma nova espiritualidade, possi- bilitando a ruptura da unidade cristã a par- tir da Reforma Religiosa. e) A ocupação do poder político pela burgue- sia, baseada no crescente enriquecimento econômico dessa classe social. 3. (UEPA) As crenças de navegadores portugueses e espanhóis dos séculos XV e XVI, inspiradas na teologia medieval, de que o Paraíso estava ao alcance dos homens, embora em lugar ainda desconhecido, estimularam as viagens de “des- cobertas” que incorporaram o Novo Mundo ao espaço geográfico das terras conhecidas pelos europeus. As pistas desta mentalidade estão em obras filosóficas e literárias da Antigui- dade Greco-Romana e de autores humanistas, além de novelas de cavalaria. O conteúdo des- tas obras fazia parte do patrimônio intelectual europeu de fins da Idade Média e forneceu o quadro mental a partir do qual foram escritas as obras de viajantes europeus que vieram à América no século XVI. A busca do paraíso ter- restre, quando da expansão marítima europeia voltada para a descoberta de novas rotas de co- mércio com o Oriente, significou: a) a ruptura entre a mentalidade medieval e aquela do Renascimento. b) a permanência de elementos da mentalidade medieval no período inicial do Renascimento. c) a confirmação dos relatos bíblicos, que po- diam ser constatados com as navegações. d) a correspondência entre as crenças euro- peias e os mitos indígenas do Novo Mundo. e) o uso da justificativa religiosa para o financia- mento das navegações pelas Coroas Ibéricas. 4. (UFPR) O Papa Francisco, eleito em março de 2013, chamou atenção novamente para a figura de Francisco de Assis, considerado o fundador da Ordem dos Franciscanos (ou dos Frades Menores) na Baixa Idade Média. Assinale a alternativa que relaciona o con- texto de surgimento dos Franciscanos e sua motivação de ação. 71 a) Com a retração do renascimento comercial e urbano, aumentaram a pobreza e o aban- dono de crianças, que eram recolhidas pelas Ordens Mendicantes, dentre elas a dos Fran- ciscanos, para evitar que fossem recrutadas nas Cruzadas. b) Com o renascimento comercial e urbano, aprofundaram-se a pobreza e as desigual- dades sociais, suscitando o aparecimento de várias Ordens Mendicantes, que pretendiam atuar junto aos necessitados,entre elas a Or- dem dos Franciscanos. c) O renascimento comercial e urbano gerou um empobrecimento da Igreja Católica na Baixa Idade Média, suscitando o aparecimento das Ordens Mendicantes, dentre elas a dos Fran- ciscanos. d) Com o renascimento comercial e urbano, surgem as Ordens Mendicantes, dentre elas a dos Franciscanos, que constituíram uma força de contestação da ordem feudal e do poder econômico da Igreja. e) Com a crescente ruralização e o aumento da pobreza no espaço europeu, surgiram as Or- dens Mendicantes, como a dos Franciscanos, para se tornar a principal instância da Igreja Católica. 5. (PUC-RS) Considere as afirmativas abaixo so- bre o renascimento comercial, ocorrido na Eu- ropa Ocidental durante a Baixa Idade Média. I. A explosão demográfica que se verifica na Europa a partir do século X, devido à que- da na mortalidade e à elevação da natali- dade, foi um dos fatores que favoreceram o aumento das atividades mercantis no período. II. O movimento religioso das Cruzadas, a partir do século XI, contribuiu para a consolidação do renascimento comercial europeu, afastando do Mar Mediterrâneo os árabes e as cidades autônomas do nor- te da Itália. III. As feiras ocorriam na confluência das principais rotas de comércio na Europa, e nelas os senhores feudais, em troca de proteção militar e judicial, costumavam cobrar a capitação – imposto por cabeça – de todos os participantes. Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s): a) I, apenas. b) II, apenas. c) I e III, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. 6. (Unesp) Mais ou menos a partir do século XI, os cristãos organizaram expedições em comum contra os muçulmanos, na Palestina, para reconquistar os “lugares santos” onde Cristo tinha morrido e ressuscitado. São as cruzadas [...]. Os homens e as mulheres da Idade Média tiveram então o sentimento de pertencer a um mesmo grupo de institui- ções, de crenças e de hábitos: a cristandade. (Jacques Le Goff. A Idade Média explicada aos meus filhos, 2007.) Segundo o texto, as cruzadas: a) contribuíram para a construção da unidade interna do cristianismo, o que reforçou o po- der da Igreja Católica Romana e do Papa. b) resultaram na conquista definitiva da Pales- tina pelos cristãos e na decorrente derrota e submissão dos muçulmanos. c) determinaram o aumento do poder dos reis e dos imperadores, uma vez que a derrota dos cristãos debilitou o poder político do Papa. d) estabeleceram o caráter monoteísta do cris- tianismo medieval, o que ajudou a reduzir a influência judaica e muçulmana na Palestina. e) definiram a separação oficial entre Igreja e Estado, estipulando funções e papéis dife- rentes para os líderes políticos e religiosos. 7. (FGV) [A crise] do feudalismo deriva não pro- priamente do renascimento do comércio em si mesmo, mas da maneira pela qual a estru- tura feudal reage ao impacto da economia de mercado. O revivescimento do comércio (isto é, a instauração de um setor mercantil na economia e o desenvolvimento de um setor urbano na sociedade) pode promover, de um lado, a lenta dissolução dos laços servis, e de outro lado, o enrijecimento da servidão. (...) Nos dois setores, abre-se pois a crise social. (Fernando A. Novais, Portugal e Brasil na crise do Antigo Sistema Colonial. p. 63-4) Segundo o autor: a) a crise foi provocada pelo impacto do desen- volvimento comercial e urbano na socieda- de, pois, na medida em que reforça a servi- dão, origina as insurreições camponesas e, quando fragiliza os vínculos servis, provoca as insurreições urbanas. b) a crise do feudalismo nada mais é do que o marasmo econômico provocado pela queda da produção, uma vez que há um número menor de camponeses livres, o que leva à crise social do campo, prejudicando também a nobreza. c) a crise foi motivada por fatores externos ao feudalismo, isto é, o alargamento do mercado pressiona o aumento da produção no campo e na cidade, o que leva à queda dos preços e às insurreições camponesas e urbanas. 72 d) o desenvolvimento comercial e urbano em si não leva à crise, pois o que deve ser levado em consideração é a crise social provocada pelo enfraquecimento dos laços servis, tanto no campo como na cidade. e) as insurreições camponesas e urbanas são as respostas para a crise feudal, pois a servidão foi reforçada tanto no campo como na cida- de, garantindo a sobrevivência da nobreza por meio do pagamento de impostos. 8. (UFRGS) Leia o segmento abaixo. O homem medieval pensa no cotidiano usan- do os mesmos moldes de sua teologia. HUIZINGA, Johan. O outono da Idade Média. São Paulo: Cosacnaify, 2010. p. 375. A base da teologia, no mundo medieval, sus- tenta-se: a) na escolástica. b) no epicurismo. c) no protestantismo. d) no cristianismo primitivo. e) no paganismo. 9. (UFG) Leia o fragmento a seguir. A cidade contemporânea, apesar de grandes transformações, está mais próxima da cida- de medieval do que esta última da cidade antiga. LE GOFF, Jacques. Por amor às cidades. São Paulo: Editora Unesp,1998. p. 25. Nessa passagem, o historiador Jacques Le Goff compara a cidade medieval com a con- temporânea, estabelecendo uma aproxima- ção entre ambas. A característica da cidade medieval que permite tal relação é a: a) exaltação da vida cívica, associada aos jogos e aos espetáculos promovidos por seus go- vernantes. b) laicização da cultura, expressa na arquitetu- ra dos edifícios públicos em contraste com o domínio religioso. c) valorização das atividades de produção e de trocas comerciais, alimentadas por uma eco- nomia monetária. d) afirmação da autonomia política, revelada pela oposição dos citadinos ao poder dos se- nhores feudais. e) segregação social, manifestada na criação de bairros periféricos pobres e violentos. 10. (UEL) No período da Baixa Idade Média, a cidade de Veneza foi progressivamente revi- gorada pelo comércio, o qual produziu ins- tituições políticas autônomas, libertando-se do poder papal. Com base na influência político-econômica das cidades mercantis nesse período, consi- dere as afirmativas a seguir. I. Os senhores feudais detentores dos do- mínios aristocráticos atacaram o poder político das cidades nascentes, pois este os impedia de arrecadar os seus tributos e taxas. II. As guildas e as corporações de ofícios inseriram nos burgos a concorrência ao libertarem o comércio do monopólio e os trabalhadores de seus padrões rígidos de produção. III. As rotas comerciais tornaram-se pontos de confluência de inúmeras culturas e credos, professados por diversos povos, entre os quais judeus, muçulmanos e chi- neses. IV. Na Europa, as cidades de Veneza e Gêno- va eram consideradas portas de entrada de produtos muito valorizados, como es- peciarias e tecidos, advindos do Oriente. Assinale a alternativa correta. a) Somente as afirmativas I e II são corretas. b) Somente as afirmativas I e IV são corretas. c) Somente as afirmativas III e IV são corretas. d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas. e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas. e.O. teste ii 1. (UECE) A peste, a fome e a guerra constituí- ram os elementos mais visíveis daquela que ficou conhecida como a crise do século XIV, na Europa. Como consequência dessa crise ocorrida na Baixa Idade Media: a) o movimento de renascimento urbano foi iniciado e depois interrompido por mais de três séculos, reaparecendo somente na Revo- lução Industrial do século XVIII. b) os camponeses, que estavam em via de con- quistar a liberdade, voltaram a apoiar o sis- tema feudal por mais alguns séculos, como forma de superar a crise. c) o processo de centralização e concentração do poder político nas mãos dos reis,com o apoio da burguesia, intensificou-se até se tornar absoluto no início da modernidade. d) entre as classes sociais, a nobreza foi a me- nos prejudicada pela crise, ao contrário do que ocorreu com a burguesia. 2. (UERN) O florescimento econômico e cultu- ral ocorrido na Europa entre os séculos XI e XIII sofreu sério abalo a partir do século XIV. Nesta época, uma conjunção de fatores levou os europeus a enfrentarem uma profunda crise econômica e social, que transformou o continente em palco de diversas revoltas e lugar de desolação. São fatores que justifi- cam esta grave crise, cuja consequência foi a desagregação feudal: 73 a) As invasões dos povos germânicos e as lutas que marcaram o final do Império Romano e a ocidentali zação da cultura europeia. b) O grande cisma do Oriente, que gerou a Igreja Ortodoxa e dividiu a Europa em Ocidente e Oriente, enfraquecendo-a economicamente. c) A fome, a peste negra e a ocorrência de várias guerras que contribuíram para o desequilíbrio demográ fico e, consequentemente, social da Europa. d) O desmantelamento dos ideais cristãos e pagãos, que sustentaram durante bastante tempo a ordem hierárquica e de trabalho à qual a sociedade feudal se submetia. 3. (FGV-RJ) A partir do século X, mas principalmente do XI, é o grande período de urbanização – prefiro utilizar esse termo mais do que o de renascimento urbano, já que penso que, salvo exceção, não há continuidade entre a Idade Média e a Antiguidade. LE GOFF, Jacques. Por amor às cidades. Conversações com Jean Lebrun. São Paulo: Unesp, 1998, p. 16. A respeito das cidades medievais, após o ano mil, é CORRETO afirmar: a) Tornaram-se centros econômicos e financeiros e vinculados às rotas mercantis e à produção agrária das áreas rurais próximas. b) Eram fundamentalmente sedes episcopais e centros administrativos do Sacro Império Romano Germâ- nico. c) Tornaram-se núcleos da produção industrial que começou a desenvolver-se sobretudo no norte da Itália, a partir do século XI. d) Tornaram-se os principais entrepostos do comércio de escravos africanos desde o início das Cruzadas. e) Apresentaram-se como legado das póles gregas e das cidades romanas da Antiguidade. 4. (UFSM) Analise o mapa e o texto a seguir. A difusão da Peste Negra Oceano Atlântico 1349 13511348 1349 ConstantinoplaVeneza Gênova Damasco 1347 Samarcanda Rota da Seda Bagdá Meca Peregrinação a Meca Oceano Índico 1333 Pequim Oceano Pacífico zonas mais castigadas pela epidemia rota terrestre ou marítima centro de difusão Fonte: Disponível em <http://vascogama.no.sapo.pt/Crise_1383_85/peste_negra.htm>. Acesso em: 15 ago. 2012. (adaptado) Todos os testemunhos concordam em situar a origem da peste na Ásia Central, onde ela existia em estado endêmico. O grande viajante Ibn Batouta, que visitou a Índia Meridional pouco depois de 1342, assinalou-a ali. Em 1347, os próprios mongóis, que sitiavam o estabelecimento mercantil ge- novês em Caffa, no mar Negro, foram atingidos e, por um requinte de crueldade, enviaram vários cadáveres para a cidade através de suas máquinas de guerra. Um navio que partiu de Caffa para a Itália semeou, na passagem, a peste em Constantinopla [...] depois chegou a Gênova: quando se deram conta do mal que transportavam e ordenaram que partisse, era tarde demais. A peste ataca- va a Itália pelos portos. As cidades do interior não souberam organizar nenhuma defesa. Fonte: WOLFF, Philippe. Outono da Idade Média ou Primavera dos Tempos Modernos? São Paulo: Martins Fontes, 1988. p. 15. (adaptado) 74 A análise permite associar a rápida propa- gação da Peste Negra, na Baixa Idade Média europeia, a fatores, como: a) o êxito das navegações ibéricas na abertura do caminho marítimo para as Índias orientais. b) a retomada das peregrinações a Jerusalém após a vitória dos cristãos europeus nas guerras das Cruzadas. c) o aumento do intercâmbio comercial entre a China e os países europeus, intercâmbio esse estimulado e protegido nos domínios do Império Mongol. d) a intensificação das transações econômicas entre o Ocidente europeu, em pleno renasci- mento comercial urbano, e o Oriente, através das cidades italianas e de Constantinopla. e) o dinamismo comercial dos Turcos Otoma- nos, ao transformarem a Constantinopla bi- zantina na Istambul moderna. 5. (UFG) Leia o texto a seguir. O corpo é considerado perigoso: é o lugar das tentações; nele se manifesta o que depende do mal; sobre ele se aplicam os castigos pu- rificadores que expulsam o pecado. Testemu- nha, o corpo denuncia as particularidades da alma por seus traços específicos, mas tam- bém pela maneira pela qual suporta a prova da água ou do ferro em brasa. DUBY, Georges. A solidão nos séculos XI a XIII. In: DUBY, G.; ARIÈS, P. (Orgs.). História da vida privada: da Europa feudal à Renascença. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. p. 515-516. (Adaptado). O dualismo entre corpo e alma era uma ca- racterística da cultura europeia, nos séculos XII e XIII. Com base no texto, esse dualismo expressava-se: a) no desprezo com a higienização do corpo, que era um recurso para encobrir os pecados da alma. b) na prática caritativa com os doentes, que se tornavam exemplo em virtude do sofrimento do corpo. c) no controle do comportamento, que revelava a alma resguardada pelo corpo. d) na hierarquização entre homens e mulheres, que regulava a moral segundo os preceitos bíblicos. e) no exercício do ritual de exorcismo, que ex- pulsava o pecado do corpo. 6. (FGV) Chegam a Jerusalém a 7 de junho de 1099. Jejuam e fazem procissões em redor da cidade, esperando que as suas orações deitem abaixo as muralhas, do mesmo que as trombetas de Josué tinham derrubado as de Jericó. A chegada a Jafa de navios geno- veses, pisanos e venezianos é para eles de um grande auxílio [...] A cidade tão cobiçada é tomada a 15 de julho de 1099. Assistimos, então, à pilhagem e ao massacre sistemático de toda a população. Depois do regresso dos cruzados ao Ocidente, a posse de Jerusalém torna-se precária. Tate, G. “Dois séculos de confronto entre o Oriente e o Ocidente”. In Arneville, M.-B. D’ e outros, As Cruzadas. Trad. Cascais: Pergaminho, 2001, p. 22. O texto acima refere-se à: a) terceira Cruzada e revela os interesses bizan- tinos nessa expedição. b) Reconquista Ibérica e apresenta as motiva- ções religiosas dessa empreitada. c) sétima Cruzada e demonstra a forte presença da monarquia francesa. d) primeira Cruzada e revela a forte religiosida- de da peregrinação armada. e) quarta Cruzada e revela a participação exclu- siva dos fiéis franceses. 7. (UEPB) No contexto bélico medieval, surgi- ram as Cruzadas, expedições militares em- preendidas pelos cristãos e legitimadas pela Igreja, que concediam a seus participantes supostas recompensas espirituais. Sobre es- tas expedições é correto afirmar: a) Em decorrência de terem alcançado todos os seus objetivos, as cruzadas são responsáveis por provocarem grandes transformações no ocidente europeu. b) As Cruzadas fortaleceram o sistema feudal, fortalecendo o poder dos nobres e dificultan- do a centralização política por parte dos reis. c) O espírito cruzadista ficou restrito à nobreza guerreira e à ação dos cavaleiros, porque os pobres eram considerados impuros. d) As Cruzadas possibilitaram aos ocidentais o contato com importantes conhecimentos produzidos pelos muçulmanos, no campo da matemática, da medicina e da astronomia. e) Os comerciantes das repúblicas italianas foram prejudicados com o advento das Cru- zadas, porque estas favoreceram a perma- nência dos árabes, que monopolizavam o comércio no Mediterrâneo. 8. (UFRN) O historiador Jacques Le Goff, ana-lisando o Ocidente europeu na Idade Média, comenta: O conflito entre o tempo da Igreja e o tem- po dos mercadores afirma-se pois em plena Idade Média, como um dos acontecimentos maiores da história mental destes séculos, durante os quais se elabora a ideologia do mundo moderno, sob a pressão da alteração das estruturas e das práticas econômicas. LE GOFF, Jacques. Para um novo conceito de Idade Média: tempo, trabalho e cultura no Ocidente. Lisboa: Estampa, 1979. p. 45. 75 Esse conflito referido pelo autor diz respeito: a) à tensão entre a moral burguesa, que defen- dia o “justo preço” e a moderação do lucro, e os valores clericais, que enalteciam o ócio, como expressão da confiança na Providência. b) à contradição entre a exploração dos servos, a qual sustentava a produção nos domínios feudais, e a concepção de uma sociedade fra- terna defendida pela Igreja. c) às dificuldades de conciliação entre os inte- resses religiosos das Cruzadas e as ambições das cidades italianas, que lucravam com as novas rotas comerciais abertas pelo movi- mento cruzadista. d) à incompatibilidade entre o ponto de vista defendido pela Igreja sobre a economia e as ideias capitalistas da burguesia, a qual gra- dativamente se consolidava. 9. (UFSJ) A partir do século XI, os povoados denominados burgos começaram a crescer pelo desenvolvimento do comércio. Artigos manufaturados, como tecidos, eram produzi- dos, fazendo com que novas cidades surgis- sem e as mais antigas se desenvolvessem. Esses artesãos começaram a se organizar em Corporações de Ofício estruturadas em asso- ciações de: a) artesãos que reuniam todos aqueles que se dedicavam ao mesmo ofício. b) associações de artesãos dos mais diversos ofícios que se uniam com o objetivo de atuar no livre mercado. c) artesãos de diversos ofícios e trabalhadores assalariados que se uniam com o objetivo de atuar no livre mercado. d) camponeses que se reuniam para reivindicar maior participação política nas cidades. 10. (Enem) Queixume das operárias da seda Sempre tecemos panos de seda E nem por isso vestiremos melhor [...] Nunca seremos capazes de ganhar tanto Que possamos ter melhor comida [...] Pois a obra de nossas mãos Nenhuma de nós terá para se manter [...] E estamos em grande miséria Mas, com os nossos salários, enriquece aque- le para quem trabalhamos Grande parte das noites ficamos acordadas E todo o dia para isso ganhar Ameaçam-nos de nos moer de pancada Os membros quando descansamos E assim, não nos atrevemos a repousar. CHRÉTIEN DE TROYES apud LE GOFF. J. Civilização do Ocidente Medieval. Lisboa: Edições 70, 1992. Tendo em vista as transformações socioeco- nômicas da Europa Ocidental durante a Bai- xa Idade Média, o texto apresenta a seguinte situação: a) Uso da coerção no mundo do trabalho arte- sanal. b) Deslocamento das trabalhadoras do campo para as cidades. c) Desorganização do trabalho pela introdução do assalariamento. d) Enfraquecimento dos laços que ligavam pa- trões e empregadas. e) Ganho das artífices pela introdução da remu- neração pelo seu trabalho. e.O. teste iii 1. (FGV) Guerra dos Cem Anos – Denominação dada a uma série de conflitos ocorridos en- tre a França e a Inglaterra no período 1337- 1475. O termo, que vem sendo considerado impróprio, é uma criação moderna dos his- toriadores do século XIX, introduzido nos manuais escolares. (...) Alguns historiado- res têm mesmo proposto que seja utilizada a expressão “cem anos de guerra” e não a tradicional. (Antônio Carlos do Amaral Azevedo, Dicionário de nomes, termos e conceitos históricos apud Luiz Koshiba, História: origens, estruturas e processos) Sobre essa guerra, é correto afirmar que: a) decorreu diretamente da chamada Crise do Século XIV, pois a Inglaterra e a França ti- nham leituras divergentes da paralisia eco- nômica que atingiu a Europa ocidental desde os primeiros anos desse século. b) resultou da imediata reação da França, alia- da dos reinos de Castela e Aragão, à aliança econômica e militar entre a Inglaterra e Por- tugal, iniciando o mais sangrento conflito bélico da Europa moderna. c) desenrolou-se quase toda em território fran- cês, com batalhas entremeadas por tréguas e períodos de paz, e as suas origens se ligam à sucessão do trono francês, também dispu- tado pela Inglaterra. d) derivou da disputa por territórios recém- -descobertos por franceses no norte da Áfri- ca, mas que eram estratégicos para a expan- são da economia inglesa, já produtora de manufaturados. e) desenvolveu-se no contexto das reformas religiosas, obrigando cada nação europeia a se posicionar na defesa ou não do papado, fator principal do conflito bélico entre fran- ceses e ingleses. 76 2. (UFG) Leia o poema a seguir. A morte para todos faz capa escura, E faz da terra uma toalha; Sem distinção, ela nos serve, Põe os segredos a descoberto, A morte libera o escravo, A morte submete rei e papa E paga a cada um seu salário, E devolve ao pobre o que ele perde E toma do rico o que ele abocanha. FROIDMONT, Hélinand. Os versos da morte. São Paulo: Ateliê/Imaginário, 1996. p. 50. [Adaptado]. Este poema do século XII refere-se ao im- pacto das mudanças ocorridas no Ocidente Medieval, relacionadas à expansão urbana e comercial. Tendo em vista esse ambiente, ao transformar a morte em personagem, o poe- ma caracteriza-a com uma atitude: a) moralizadora, que expressa a necessidade de correção dos costumes na vida terrena. b) racionalista, que manifesta a retomada do pensamento aristotélico. c) idealista, que constrói uma imagem sublime do homem como criatura de Deus. d) heroica, que denota o desejo de incentivar a coragem nos homens. e) indulgente, que promove a convivência tole- rante entre cristãos e pagãos. 3. (UFG) Analise a imagem a seguir. SANTIGO MATAMOUROS. Disponível em: <http://www.wga.hu/art/c/carreno/st_james.jpg>. Acesso em: 29 fev. 2012. Desde a Idade Média, São Tiago Maior foi re- tratado de várias formas. Nessa imagem do século XVII, que recorre à Reconquista na Península Ibérica, sua figura é representa- da como Matamouros. Com base na imagem, conclui-se que essa recorrência alude à: a) valorização da cultura islâmica, derivada do contato com os muçulmanos. b) apropriação de personagens bíblicos, utili- zados para legitimar a disputa territorial e religiosa. c) formação de uma matriz cultural ibérica, re- novada pela fusão entre belicismo islâmico e apostolicismo cristão. d) incorporação do princípio muçulmano da Guerra Santa, favorecida pela expansão árabe. e) adoção do ideal muçulmano de martírio, ad- vindo da experiência adquirida nas Cruzadas. 4. (FGV) Leia o documento. Deus criador do universo fixou duas grandes luminárias no firmamento do céu: a luminá- ria maior para dirigir o dia e a luminária me- nor para dirigir a noite. Da mesma maneira, para o firmamento da Igreja universal, como se se tratasse do Céu, nomeou duas grandes dignidades; a maior para tomar a direção das almas, como se estas fossem dias, a menor para tomar a direção dos corpos, como se es- tes fossem as noites. Estas dignidades são a autoridade pontifícia e o poder real. Assim como a Lua deriva a sua luz da do Sol e na verdade é inferior ao Sol tanto em quantida- de como em qualidade, em posição como em efeito, da mesma maneira o poder real deri- va o esplendor da sua dignidade da autori- dade pontifícia: e quanto mais intimamente se lhe unir, tanto maior será a luz com que é adornado; quanto mais prolongar [essa união], mais crescerá em esplendor. Apud Luiz Koshiba, História: origens,estruturas e processos. No documento – escrito pelo papa Inocêncio III, em 1198 – é correto identificar: a) a recuperação de um preceito dos primeiros tempos do cristianismo, que defendia a pu- reza da alma e a pecaminosidade do corpo. b) uma associação entre a estrutura moral dos monarcas e a aprovação dos seus governos pelas autoridades religiosas. c) a condenação de todas as teorias que adota- vam a cosmologia divina sobre a constitui- ção do poder dos líderes da Igreja Católica. d) uma determinada visão sobre as relações hierárquicas entre o poder espiritual e o po- der temporal no mundo medieval europeu. e) os resquícios de uma concepção da Antigui- dade Oriental que reconhecia a supremacia das religiões monoteístas sobre o paganismo. 77 5. (UFSM) Observe o mapa: Expansão do gótico pela Europa Primeira arte gótica - séc. XII Expansão da arte gótica - séc. XIII Fonte: http://www.google.com/imagens (adaptado) Nos começos da Baixa Idade Média europeia, a construção das catedrais góticas tornou-se possível graças ao(à): I. aumento da importância das cidades, transformadas em novos centros dinâmicos da vida eco- nômica, social, cultural e religiosa das populações. II. articulação de várias forças políticas, religiosas e econômicas urbanas, sobretudo as ligadas ao comércio em expansão e às atividades produtivas nas corporações de ofício. III. busca de novas expressões artísticas para expressar o revigoramento do fervor religioso, devido à euforia dos cristãos pelas vitórias das Cruzadas e pela derrota das forças demoníacas causa- doras dos flagelos da Peste Negra. IV. desenvolvimento da engenharia e da arquitetura a partir de inovações técnicas que permitiram construções mais elevadas, paredes menos espessas dotadas de grandes janelas com vitrais multicoloridos, através dos quais a luz do dia penetrava no interior das igrejas. Está(ão) correta(s): a) apenas I. b) apenas II. c) apenas III e IV. d) apenas I, II e IV. e) I, II, III e IV. e.O. dissertatiVO 1. (Unesp) Era uma doença exótica, contra a qual os organismos dos europeus não tinham defesas. Veio da Ásia pela rota da seda. Veja: a epidemia, essa catástrofe, é, portanto, também um dos efei- tos do progresso, do crescimento. (Georges Duby. Ano 1000, ano 2000. Na pista de nossos medos, 1998.) O texto refere-se à peste que atingiu a Europa no século XIV. Indique dois fatores, além da falta de defesa dos organismos dos europeus, que ajudaram na propagação da doença, e explique a as- sociação, feita pelo texto, da peste com o progresso. 78 2. (UFG) Analise as imagens a seguir. JOGO DE XADREZ. Iluminura, século XI. Disponível em: <http://www.corbisimagens.com/stock-photo/rights-managed/IH164151/medieval- illuminated-manuscript-of-two-ladies-playing>. Acesso em: 22 out. 2012. JOGO DE WAR. Disponível em: <http://fotos.noticias.bol.uol.com.br/entretenimento/2012/07/18/veja-jogos- detabuleiro-e-on-line-para-empreendedores.htm#fotoNav=10> Acesso em: 22 out. 2012. As imagens referem-se a dois jogos de tabuleiro: o xadrez, que popularizou-se na Europa a partir do século XI, representando um cenário de batalha medieval, e o War, que foi lançado no mercado mundial em 1959. Com base no exposto, explique como as imagens: a) expressam uma transformação geopolítica da Idade Medieval para a Idade Contemporânea; b) referem-se a uma prática comum às Idades Medieval e Contemporânea. 3. (UFPR) Durante o período das Cruzadas, São Bernardo de Claraval (1090-1153) escreveu: “Mas os soldados de Cristo combatem confiantes nas batalhas do Senhor, sem nenhum temor de pecar por pôr-se em perigo de morte e por matar o inimigo. Para eles, morrer ou matar por Cristo não implica qualquer crime, pelo contrário, traz a máxima glória. (...) Em outras palavras: o sol- dado de Cristo mata com a consciência tranquila e morre com a consciência mais tranquila ainda.” (São Bernardo de Claraval apud COSTA, Ricardo da. Apresentação: A Cruzada Renasceu? BLASCO VALLÈS, Almudena, e COSTA, Ricardo da (coord.). Mirabilia 10. A Idade Média e as Cruzadas. jan.-jun. 2010/ISSN 1676- 5818, p. XIII) No que se refere às Cruzadas no período medieval, determine quem eram esses soldados de Cristo referenciados no trecho acima, quais as motivações para empreender suas batalhas e quais as suas consequências para o mundo ocidental daquele período. 4. (Fuvest) Leia o texto e examine a imagem. A arte gótica reúne e desenvolve os fermentos novos [...] e os organiza em sistema; e esse sistema tem um lugar seguro na mais vasta organização do saber. G. C. Argan. História da arte italiana. Da Antiguidade a Duccio. São Paulo: Cosac & Naif, 2003, v. 1, p. 337. Adaptado. Abadia de Fossanova (Itália), interior, iniciada em 1187 e consagrada em 1208. a) Identifique, a partir da imagem, dois elementos característicos do chamado estilo gótico. b) Do ponto de vista cultural, apresente e explique uma característica do “sistema”, que, segundo o tex- to, “tem um lugar seguro na mais vasta organização do saber”. 79 5. (Fuvest) Nos tempos de São Luís [Luís IX], as hordas que surgiam do leste provocaram ter- ror e angústia no mundo cristão. O medo do estrangeiro oprimia novamente as populações. No entanto, a Europa soubera digerir e integrar os saqueadores normandos. Essas invasões ti- nham tornado menos claras as fronteiras entre o mundo pagão e a cristandade e estimulado o crescimento econômico. A Europa, então terra juvenil, em plena expansão, estendeu-se aos quatro pontos cardeais, alimentando-se, com voracidade, das culturas exteriores. Uma si- tuação muito diferente da de hoje, em que o Velho Continente se entrincheira contra a mi- séria do mundo para preservar suas riquezas. Georges Duby. Ano 1000 ano 2000. Na pista de nossos medos. São Paulo: Unesp, 1998, p. 50-51. Adaptado. a) Justifique a afirmação do autor de que “es- sas invasões tinham (...) estimulado o cres- cimento econômico” da Europa cristã. b) Cite um caso do atual “entrincheiramento” europeu e explique, em que sentido, a Euro- pa quer “preservar suas riquezas”. 6. (UFPR) Leia os seguintes excertos da Magna Carta inglesa de 1215: “12 - Nenhum imposto ou pedido será esta- belecido no nosso reino sem o consenso ge- ral. (...) que tudo se passe da mesma manei- ra no que respeita às contribuições da cidade de Londres (...) 61 - (...) Instituímos e concedemos aos nos- sos barões a seguinte garantia: elegerão vin- te e cinco barões do reino, os quais deverão com todo o seu poder observar, manter e fa- zer cumprir a paz e as liberdades que nós concedemos. (...)” (C. R. C. Davis, Magna Carta, The Trustees of the British Museum, 1963, p. 16-23 apud ESPINOSA, Fernanda. Antologia de textos medievais. Lisboa: Sá da Costa Editora, p. 326-327). A partir dos trechos acima e de seus conheci- mentos sobre a monarquia inglesa na Idade Média, discorra sobre a relação dos nobres e dos burgueses ingleses com a sua realeza e justifique por que a Magna Carta é conside- rada uma precursora das constituições mo- dernas. 7. (UFES) A ocorrência de feiras livres é obser- vada, em cidades brasileiras, desde a época colonial, quando se destacaram a Feira de Santana e as feiras de Sorocaba, Campina Grande, Caruaru, entre outras. Em cidades europeias, esses eventos econômicos e cultu- rais se tornaram comuns, a partir da Idade Média, com o renascimento do comércio e da vida urbana, quando se notabilizaram as fei- ras de Provins e de Troyes, na região de Cham- pagne; as feiras de Bruges e de Antuérpia, na regiãode Flandres; as feiras de Colônia, de Lubeck e de outras cidades que constituíram a Liga Hanseática. Explique: a) dois fatores que contribuíram para o renas- cimento do comércio e da vida urbana, no contexto europeu; b) o significado das corporações de ofícios, que se difundiram, a partir do século XII, nas cidades europeias. 8. (UFG) Leia o texto a seguir. O futebol brasileiro vive ainda no sistema feudal. E é verdade. As federações são feu- dos, e os cartolas, senhores feudais. Embora estejam todos milionários, não têm dimen- são do quanto podem tirar desta galinha de ovos de ouro sem matá-la. Eles querem é ras- par o tacho. JUCA KFOURY CONTRA O FEUDALISMO DA BOLA. 02 out. 2011. Disponível em: <www1.folha.uol.com. br/ ilustrissima/shtml>. Acesso em: 14 mar.2012. No seu comentário, Juca Kfouri faz uma comparação entre o sistema feudal medieval e o futebol contemporâneo, desconsiderando a historicidade do feudalismo. Tendo em vis- ta esta afirmação: a) explique o que fundamenta, no texto, a comparação entre o sistema feudal e a orga- nização do futebol brasileiro. b) Caracterize um elemento do sistema feudal, que foi desconsiderado na comparação apre- sentada. 9. (Unicamp) Godrici de Finchale foi um mer- cador que viveu no século XI, na Baixa Idade Média, no leste da atual Inglaterra. “Quando o rapaz, depois de ter passado os anos da infân- cia sossegadamente em casa, chegou à idade varonil, principiou a aprender com cuidado e persistência o que ensina a experiência do mundo. Para isso decidiu não seguir a vida de lavrador, mas estudar, aprender e exercer os rudimentos de concepções mais sutis. Por esta razão, aspirando à profissão de mercador, co- meçou a seguir o modo de vida do vendedor ambulante, aprendendo primeiro como ganhar em pequenos negócios e coisas de preço in- significante; e, então, sendo ainda um jovem, o seu espírito ousou pouco a pouco comprar, vender e ganhar com coisas de maior preço.” (Adaptado de Reginald of Durnham, “Libellus de Vita et Miraculis S. Godrici”, em Fernando Espinosa, Antologia de textos históricos medievais. 3ª ed., Lisboa: Sá da Costa Editora, 1981, p. 198.) a) Segundo o texto, o ofício de mercador exi- gia uma preparação diferente daquela do la- vrador. Quais eram as diferenças entre esses dois ofícios? 80 b) Cite duas características do renascimento comercial e urbano ocorrido no final do pe- ríodo medieval. 10. (UFBA) A Idade Média, na Europa, foi ca- racterizada pelo aparecimento, apogeu e decadência de um sistema econômico, polí- tico e social denominado “feudalismo”. Esse sistema começou a se estruturar na Europa, ao final do Império Romano do Ocidente (século V), atingiu seu apogeu no século X e registrou-se o seu declínio ao final do sé- culo XV. (MELLO; COSTA, 1994, p. 235). De acordo com o texto e com os conhecimen- tos sobre o sistema econômico e político-ad- ministrativo que caracterizou o feudalismo na Europa, indique uma característica do seu apogeu, no século X, e um fator responsável pelo seu declínio no final do século XV. § Século X — apogeu: § Século XV — declínio: e.O. enem 1. Se a mania de fechar, verdadeiro habitus da mentalidade medieval nascido talvez de um profundo sentimento de insegurança, estava difundida no mundo rural, estava do mes- mo modo no meio urbano, pois que uma das características da cidade era de ser limitada por portas e por uma muralha. DUBY, G. et al. “Séculos XIV-XV”. In: ARIÈS, P.; DUBY, G. História da vida privada da Europa Feudal à Renascença. São Paulo: Cia. das Letras, 1990 (adaptado). As práticas e os usos das muralhas sofreram importantes mudanças no final da Idade Média, quando elas assumiram a função de pontos de passagem ou pórticos. Este proces- so está diretamente relacionado com: a) o crescimento das atividades comerciais e urbanas. b) a migração de camponeses e artesãos. c) a expansão dos parques industriais e fabris. d) o aumento do número de castelos e feudos. e) a contenção das epidemias e doenças. 2. A Idade Média é um extenso período da His- tória do Ocidente cuja memória é construída e reconstruída segundo as circunstâncias das épocas posteriores. Assim, desde o Renasci- mento, esse período vem sendo alvo de di- versas interpretações que dizem mais sobre o contexto histórico em que são produzidas do que propriamente sobre o Medievo. Um exemplo acerca do que está exposto no texto acima é: a) a associação que Hitler estabeleceu entre o III Reich e o Sacro Império Romano Germânico. b) o retorno dos valores cristãos medievais, presentes nos documentos do Concílio Vati- cano II. c) a luta dos negros sul-africanos contra o apartheid inspirada por valores dos primei- ros cristãos. d) o fortalecimento político de Napoleão Bo- naparte, que se justificava na amplitude de poderes que tivera Carlos Magno. e) a tradição heroica da cavalaria medieval, que foi afetada negativamente pelas produções cinematográficas de Hollywood. 3. A Peste Negra dizimou boa parte da popula- ção europeia, com efeitos sobre o crescimen- to das cidades. O conhecimento médico da época não foi suficiente para conter a epi- demia. Na cidade de Siena, Agnolo di Tura escreveu: “As pessoas morriam às centenas, de dia e de noite, e todas eram jogadas em fossas cobertas com terra e, assim que essas fossas ficavam cheias, cavavam-se mais. E eu enterrei meus cinco filhos com minhas pró- prias mãos (...) E morreram tantos que todos achavam que era o fim do mundo.” Agnolo di Tura. The Plague in Siena: An Italian Chronicle. In: William M. Bowsky, The Black Death: a turning point in history? New York: HRW, 1971 (com adaptações). O testemunho de Agnolo di Tura, um sobre- vivente da Peste Negra que assolou a Europa durante parte do século XIV, sugere que: a) o flagelo da Peste Negra foi associado ao fim dos tempos. b) a Igreja buscou conter o medo, disseminan- do o saber médico. c) a impressão causada pelo número de mor- tos não foi tão forte, porque as vítimas eram poucas e identificáveis. d) houve substancial queda demográfica na Eu- ropa no período anterior à Peste. e) o drama vivido pelos sobreviventes era cau- sado pelo fato de os cadáveres não serem enterrados. 4. Os cruzados avançavam em silêncio, en- contrando por todas as partes ossadas hu- manas, trapos e bandeiras. No meio des- se quadro sinistro, não puderam ver, sem estremecer de dor, o acampamento onde Gauthier havia deixado as mulheres e crianças. Lá os cristãos tinham sido sur- preendidos pelos muçulmanos, mesmo no momento em que os sacerdotes celebra- vam o sacrifício da Missa. As mulheres, as crianças, os velhos, todos os que a fraque- za ou a doença conservava sob as tendas, perseguidos até os altares, tinham sido levados para a escravidão ou imolados por 81 um inimigo cruel. A multidão dos cristãos, massacrada naquele lugar, tinha ficado sem sepultura. J. F. Michaud. História das cruzadas. São Paulo: Editora das Américas, 1956 (com adaptações). Foi, de fato, na sexta-feira 22 do tempo de Chaaban, do ano de 492 da Hégira, que os franj* se apossaram da Cidade Santa, após um sítio de 40 dias. Os exilados ainda tre- mem cada vez que falam nisso; seu olhar se esfria como se eles ainda tivessem diante dos olhos aqueles guerreiros louros, pro- tegidos de armaduras, que espelham pelas ruas o sabre cortante, desembainhado, de- golando homens, mulheres e crianças, pi- lhando as casas, saqueando as mesquitas. *franj = cruzados. Amin Maalouf. As Cruzadas vistas pelos árabes. 2a ed. São Paulo: Brasiliense, 1989 (com adaptações). Avalie as seguintes afirmações a respeito dos textos, que tratam das Cruzadas. I. Os textos referem-se ao mesmo assunto - as Cruzadas,ocorridas no período me- dieval -, mas apresentam visões distintas sobre a realidade dos conflitos religiosos desse período histórico. II. Ambos os textos narram partes de con- flitos ocorridos entre cristãos e muçul- manos durante a Idade Média e revelam como a violência contra mulheres e crian- ças era prática comum entre adversários. III. Ambos narram conflitos ocorridos du- rante as Cruzadas medievais e revelam como as disputas dessa época, apesar de ter havido alguns confrontos mi- litares, foram resolvidas com base na ideia do respeito e da tolerância cultu- ral e religiosa. É correto apenas o que se afirma em: a) I. b) II. c) III. d) I e II. e) II e III. 5. Considere os textos a seguir. (...) de modo particular, quero encorajar os crentes empenhados no campo da filosofia para que iluminem os diversos âmbitos da atividade humana, graças ao exercício de uma razão que se torna mais segura e pers- picaz com o apoio que recebe da fé. (Papa João Paulo II. Carta Encíclica Fides et Ratio aos bispos da igreja católica sobre as relações entre fé e razão, 1998) As verdades da razão natural não contradi- zem as verdades da fé cristã. (São Tomás de Aquino-pensador medieval) Refletindo sobre os textos, pode-se concluir que: a) a encíclica papal está em contradição com o pensamento de São Tomás de Aquino, refle- tindo a diferença de épocas. b) a encíclica papal procura complementar São Tomás de Aquino, pois este colocava a razão natural acima da fé. c) a Igreja medieval valorizava a razão mais do que a encíclica de João Paulo II. d) o pensamento teológico teve sua importân- cia na Idade Média, mas, em nossos dias, não tem relação com o pensamento filosófico. e) tanto a encíclica papal como a frase de São Tomás de Aquino procuram conciliar os pen- samentos sobre fé e razão. gabaritO E.O. Teste I 1. E 2. E 3. B 4. B 5. C 6. A 7. A 8. A 9. C 10. C E.O. Teste II 1. C 2. C 3. A 4. D 5. C 6. D 7. D 8. D 9. A 10. A E.O. Teste III 1. C 2. A 3. B 4. D 5. D E.O. Dissertativo 1. Um conjunto de fatores pode ser considera- do para a contribuição da propagação, como a precariedade das condições de higiene nas cidades, a precariedade de hábitos de higie- ne pessoal ou o desconhecimento das causas da doença. O comércio europeu atravessava um momento de grande desenvolvimento, conduzido principalmente por mercadores italianos que passaram a dominar as rotas e portos do mar Mediterrâneo. Na Europa, havia grande efervescência do comércio e da vida urbana. 2. a) As imagens expressam uma transforma- ção geopolítica da Idade Medieval para a Idade Contemporânea na medida em que projetam diferentes ambientes de guer- ra, nos dois jogos. Na primeira imagem, 82 a projeção criada pelo jogo de xadrez alu- de a um cenário de batalha medieval em que se confrontam dois exércitos com as peças tradicionais do jogo (peões, torres, cavalos e reis são destacados na ima- gem). Nesse sentido, o espaço geográfico da batalha travada pelos jogadores está associado a um território restrito, que tinha na Europa seu palco privilegiado. Por sua vez, a segunda imagem alude a um espaço geográfico ampliado, que toma todo planeta como palco de batalha. Essa transformação do espaço, onde a guerra é ambientada, toma como base o “mundo conhecido” para cada um dos períodos. Assim, essa ambiência remete às dife- renças entre o século XI, dominado por conflitos entre as monarquias medievais, e a segunda metade do século XX, que ti- nha na Guerra Fria um de seus principais marcos geopolíticos. b) Pela análise das imagens, pode-se identi- ficar duas práticas comuns, tanto à Idade Média quanto à Idade Contemporânea (o candidato deve apresentar apenas uma prática): § a de guerrear: nas duas imagens, os jo- gos de tabuleiro aludem à utilização do conflito bélico como mecanismo para a resolução de conflitos políticos em suas épocas. Nesse sentido, muito embora as técnicas utilizadas, os ambientes de guerra e as implicações políticas aludidas nos jogos sejam diferentes, o fenômeno da guerra continua sendo um mecanismo utilizado nas duas épocas; § a de jogar: os jogos de tabuleiro repre- sentados indicam que, nos dois períodos, os momentos de descanso e lazer têm nos jogos uma de suas formas de expressão. Nesse sentido, apesar de os jogos serem diferentes, a prática cultural do jogo é co- mum às duas épocas. 3. Os “soldados de Cristo” eram todos os cris- tãos europeus que participaram das Cruza- das, em sua maioria, camponeses, liderados por nobres e reis. Para a massa dos partici- pantes, o verdadeiro motivo era a fé, a luta contra os infiéis muçulmanos e a libertação da Terra Santa; no entanto, havia diversas outras motivações de cunho econômico e po- lítico. As cruzadas foram responsáveis pela abertura do Mediterrâneo ao comércio entre o ocidente e oriente, contribuindo para o re- nascimento comercial e urbano vivido pela Europa durante a baixa Idade Média. 4. a) O estilo Gótico desenvolveu-se na Euro- pa, principalmente na França, durante a Baixa Idade Média, e é identificado como a Arte das Catedrais. Do ponto de vista material, a construção gótica, de modo geral, se diferenciou pela elevação e des- materialização das paredes, assim como pela especial distribuição da luz no es- paço. Tudo isso foi possível graças a duas das inovações arquitetônicas mais impor- tantes desse período: o arco em ponta, responsável pela elevação vertical do edi- fício, e a abóbada cruzada. b) O sistema religioso cristão e sua institui- ção, a Igreja Católica, foram responsáveis pela formação cultural na Idade Média e controladora do saber. Durante a Baixa Idade Média, quando se desenvolveu o estilo gótico, também se desenvolveram as Universidades medievais, controladas por membros do clero. 5. a) As invasões normandas são consideradas as últimas invasões bárbaras sobre a Eu- ropa. Em princípio, geraram destruição e medo. Posteriormente, a Europa viveu um processo de expansão econômica, não apenas com o estabelecimento de rela- ções com as regiões ao norte, de onde os normandos eram originários, mas, prin- cipalmente, em relação ao sul, onde gru- pos de italianos ampliaram o comércio com o oriente, de onde provinham as es- peciarias, fundamental para o desenvol- vimento de feiras e rotas de comércio ao longo da Baixa Idade Média. b) Alguns países europeus têm desenvolvi- do uma política de restrição à entrada de imigrantes, mesmo daqueles que prove- em de antigas áreas coloniais. A situação de crise econômica e de aumento do de- semprego nesses países reforça a xeno- fobia ao identificar no estrangeiro o ele- mento que ocupa um posto de trabalho e, ainda, é responsável por maior gasto dos governos em política social. 6. Durante a Baixa Idade Média, constituíram- -se as monarquias na Europa, muitas vezes denominadas de monarquias nacionais. Um dos momentos mais importantes dessa for- mação, na Inglaterra, foi a elaboração da Magna Carta, no século XIII, quando o rei João, sem terra, pressionado por nobres e membros do alto clero, outorgou o documen- to que garantia direitos e liberdades, que re- presentava a limitação do poder real. Nesse momento, a burguesia é uma classe nascen- te, pouco numerosa e ainda pouco importan- te, mas que tem assegurado o direito ao livre comércio no Reino, com algumas garantias legais. 7. a) Apesar de não ser uma exigência a ser verificada na elaboração da resposta, su- bentende-se que as invasões “bárbaras” 83 ou germânicas marcaram um novo pro- cesso na formação social medieval, en- quanto fenômenos que intensificaram a ruralização no contexto geográfico euro- peu, especialmente noImpério Romano do Ocidente. Enquanto isso, as relações comerciais e a vida urbana mantiveram- -se ativas no Império Romano do Oriente ou Império Bizantino, ou seja, na Ásia Menor e no Oriente Próximo ou Orien- te Médio, bem como no mar Mediterrâ- neo, compreendendo aí as cidades lito- râneas e a outrora denominada Magna Grécia. Assim, independentemente dos pressupostos acima, serão consideradas, positivamente, as citações de fatores e respectivas descrições que expliquem o renascimento do comércio e da vida ur- bana, no contexto europeu, entre outras citações afins ou correlatas: § as peregrinações de cristãos europeus aos Lugares Santos, propiciando o estabeleci- mento de relações comerciais necessárias ao suprimento das necessidades gerais daqueles peregrinos em romaria, impli- cando em relações de trocas de produtos e/ou de produtos por moedas; § as Cruzadas ou Guerra Santa, enquanto iniciativa do cristianismo representado pelo Bispo de Roma, para libertação dos Lugares Santos, que se encontravam sob o controle principalmente dos povos identi- ficados com a fé islâmica. Trata-se de um embate iniciado no final do século XI e que se estendeu até o final do século XIII, contribuindo significativamente para o incremento do intercâmbio comercial e para a própria expansão europeia, inclusi- ve no que concerne ao intercâmbio comer- cial entre as regiões europeias e o Oriente; § a estabilização dos reinos medievais e relativa pacificação, propiciando o incre- mento demográfico e o esgotamento das terras férteis, contribuindo para a mi- gração dos excedentes demográficos em busca de alternativas de sobrevivência nas vilas e nos burgos e disponibilizando mão de obra para as atividades artesa- nais, bem como para as relações de trocas ou intercâmbios comerciais; § enriquecimento da nobreza feudal decor- rente da Guerra Santa ou Cruzadas, in- clusive por meio de saques, propiciando acumulação de riqueza que seria empre- gada na aquisição de produtos disponi- bilizados pelos intercâmbios comerciais, incluindo o gosto pelos artigos de luxo geralmente observados no Oriente; tam- bém se incluem o conhecimento de novos produtos, como as especiarias, que se in- corporaram aos hábitos alimentares e à conservação de alimentos perecíveis; § a própria tradição comercial das cidades da outrora denominada Magna Grécia, no mar Mediterrâneo, destacando-se as cidades da península italiana, que atu- aram como entrepostos e pontos de origem das novas rotas comerciais que se consolidaram no interior da Europa, em cujos entroncamentos se originaram ou se desenvolveram burgos ou cidades como polos comerciais; § quanto à Guerra Santa, deve-se conside- rar que foi por ocasião da Quarta Cruzada que os mercadores europeus das cidades do Mediterrâneo obtiveram o privilégio de fixação de entrepostos comerciais para distribuição de mercadorias provenientes do Oriente para as rotas comerciais ter- restres e fluviais, que adentravam ao in- terior do continente europeu, em direção às feiras que se consolidavam. b) Apesar de não ser uma exigência a ser verificada na elaboração da resposta, é bom lembrar que a associação formal de pessoas com interesses comuns já ocor- ria desde os tempos dos reis de Roma, Numa Pompílio (716-673 a.C.) e Sérvio Túlio (578-526 a.C.), quando se consti- tuíram as clássicas associações ou con- frarias, com caráter religioso, bem como as primeiras corporações de arquitetos e as associações de artes e ofício, congre- gando pessoas segundo habilidades prá- ticas e profissionais mais comuns. Por- tanto, desde a Antiguidade Tardia (cerca de 300-600 d.C.), e durante a Alta Idade Média (476-1000 d.C.), constituíram-se, na península italiana, corporações de artis et officium, congregando artigia- nos, bem como corporações de comer- ciantes. Assim, independentemente dos pressupostos acima, serão consideradas, positivamente, nas respostas, explicações afins ou correlatas que tratem dos aspec- tos essenciais das corporações de ofícios, enquanto organização social urbana para fins de auxílio mútuo e proteção, no con- texto do renascimento do comércio e da vida urbana em ambiente europeu, mor- mente a partir do século XII: § as confrarias religiosas, comuns entre os cristãos, também influenciaram a for- mação de agremiações ou corporações de ofícios, bem como as guildas, nas cidades que renasciam, na Idade Média; § as corporações de ofícios, bem como as guildas, tinham como significado ou im- portância a proteção mútua mediante constituição de um fundo, nos burgos, especialmente contra a predominância da aristocracia feudal, que se impunha nos 84 feudos; enfim, as guildas ou corporações de ofícios tinham como objetivo princi- pal a defesa dos interesses econômicos e profissionais dos trabalhadores que lhes eram associados; § as corporações de ofícios, bem como as guildas, tinham como significado ou im- portância a associação de mestres, que eram donos de oficinas, bem como arte- sãos ou artistas e aprendizes das artes e ofícios; agregavam pessoas das relações familiares ou pessoas outras, desprovidas de status e condições econômicas, como aprendizes de uma profissão; § as corporações de ofícios, bem como as guildas, tinham como significado ou im- portância a reprodução e consolidação do conhecimento, bem como a norma- tização e refinamento das competências e especializações profissionais; cons- tituíram-se guildas de alfaiates, sapa- teiros, ferreiros, açougueiros, artesãos, comerciantes, artistas plásticos entre outros profissionais; - as corporações de ofícios, bem como as guildas, tinham como significado ou importância a asso- ciação de professores e estudantes que, a partir do final do século XII e início do século XIII, constituíram corporações que se denominaram Universitas Magis- trorum, reunindo professores, e Univer- sitas Scholarium, reunindo estudantes, com vistas aos estudos gerais e que pro- piciaram a gênese das Universidades; § também serão considerados, positivamente, os comentários críticos ou ressalvas sobre as supostas diferenças entre corporações de ofícios, enquanto ambientes de aprendiza- gem de uma profissão, diferentemente das guildas, consideradas como corporações de comerciantes, segundo o princípio de que o mestre de uma corporação de ofício é tam- bém um comerciante de sua produção arte- sanal, da mesma forma que o comerciante de uma guilda vem a ser também o mestre de sua oficina de produção artesanal; por- tanto, as duas denominações são equivalen- tes, mesmo porque são muito mais diferen- ciações dialetais ou idiomáticas; § também serão considerados, positiva- mente, as ressalvas sobre as articulações entre corporações de cidades de uma região, constituindo as LIGAS, mormen- te de comerciantes, com a finalidade de protegerem o comércio, ou seja, com a fi- nalidade protecionista tanto das relações comerciais quanto do mercado. 8. a) A comparação entre o sistema feudal e a organização do futebol brasileiro funda- menta-se: na redução do feudalismo a um sistema fechado, autossuficiente e hie- rárquico, o que permite associar o feudo às federações, uma vez que ambos são apreendidos como unidades capazes de produzir riqueza e sustentar relações de poder; na atribuição de riqueza, de poder de mando e de exploração aos senhores feudais e aos cartolas. No caso do senhor feudal, a “massa” explorada é constitu- ída pelos servos; no caso dos cartolas, a “massa” explorada é composta de torce- dores dos vários clubes de futebol. b) Na comparação, são desconsiderados os seguintes elementos que caracterizam o feudalismo (o candidato deve caracteri- zar apenas um): economia com uso res- trito de moeda, baseada na troca e nodom; posse da terra como critério de di- ferenciação dos grupos sociais, sobretudo dos senhores e dos servos; constituição da camada servil pela maior parte da po- pulação camponesa; presença da cavala- ria que, em decorrência da relação feu- dovassálica, cumpre obrigações militares para com os senhores feudais. Pode-se ressaltar, também, o poder ad- quirido pela Igreja Católica durante o período e seu papel como sustentáculo do regime e como grande proprietária de terras e recebedora de benefícios. 9. a) O ofício de lavrador era o ofício tradicio- nal, da maioria dos trabalhadores, pois a economia feudal era essencialmente agrária, que demandava conhecimento de técnicas agrícolas básicas, assim como sobre a terra e os períodos de chuva ou de estiagem. O ofício de mercador era uma exceção. Considera-se que, a partir do sé- culo XI, ele passou a se desenvolver, par- te das transformações que caracterizaram a Baixa Idade Média. O mercador deveria ter conhecimento sobre moedas, sistema de pesos e medidas e as necessidades do pequeno mercado que se formava. b) Durante a Baixa Idade Média, houve a grande expansão do comércio na Euro- pa, parte dele de produtos oriundos do oriente através de mercadores italianos, principalmente a partir das cruzadas. A intensidade do comércio foi fundamental para o desenvolvimento urbano e para a formação da classe burguesa. Nas cida- des, além do comércio, a produção artesa- nal também conheceu grande desenvolvi- mento. É importante ressaltar que, apesar do desenvolvimento urbano e comercial, essa situação era uma exceção, pois ainda predominavam as relações feudais. 10. Século X – apogeu: Características: § vigência das relações de suserania e vas- salagem; 85 § complexa hierarquia feudal, baseada nas relações de dependência entre os diferentes papéis representados pela nobreza; § confirmação do poder figurativo dos reis; § fortalecimento da sociedade estamental, legitimada pela ideologia católica expressa na “Cidade de Deus” de Santo Agostinho. § fortalecimento do feudalismo como modo de produção: terra/servidão/economia fechada e au- tossuficiente. Século XV – declínio: Fatores responsáveis: § crescimento demográfico na Europa Ocidental criando novas demandas de consumo; § renascimento das cidades e ocorrência de lutas visando à autonomia por parte das mais fortes e desenvolvidas; § revolução comercial na área europeia/ mediterrânea, trazendo novas práticas financeiras e comerciais; § mudanças na estrutura social com a formação da burguesia comercial; § guerra dos Cem Anos; § peste Negra; § formação das monarquias nacionais e expansão marítimo-comercial. Vale destacar que essa cronologia e interpretação são tradicionais e podem variar. Muitos historia- dores consideram que, a partir do século XI, a Europa vivenciou o apogeu do feudalismo. Segundo a divisão que adotamos, a questão deve ser enquadrada em duas classificações, Alta e Baixa Idade Média. E.O. Enem 1. A 2. A 3. A 4. D 5. E Aulas 9 e 10: Bandeirismo, mineração e tratados de divisão territorial 88 Aulas 11 e 12: A crise do sistema colonial: revoltas nativas e movimentos emancipacionistas 116 Aulas 13 e 14: Períodos Pombalino e Joanino 136 Aulas 15 e 16: Os processos de independência do Brasil e da América espanhola 156 HISTÓRIA DO BRASIL Di sp on íve l e m: <h ttp :// wa rb ur g.c ha a- un ica mp .co m. br > Bandeirismo, mineração e tratados de divisão territorial Aulas 9 e 10 89 Di sp on íve l e m: <h ttp :// wa rb ur g.c ha a- un ica mp .co m. br > Bandeirismo e expansão territorial Durante o primeiro século do domínio europeu, o mapa da colônia portuguesa manteve-se, em linhas gerais, mais ou menos o mesmo. No entanto, ao longo do início do século XVII até meados do século XVIII, a expansão da pecuária pelo sertão nordestino possibilitou o povoamento de terras até então desconhecidas. Aos poucos as fronteiras foram sendo ampliadas em direção ao interior, ultrapassando o Meridiano de Tordesilhas. O bandeirismo completou esse processo, o qual resultou no espaço continental que caracteriza o Brasil de hoje. Em 1532, com a chegada da expedição de Martim Afonso de Sousa, teve inicio a colonização de São Vicen- te. Instalaram-se, então, alguns engenhos na região litorânea, mas a produção açucareira local não progrediu por dois motivos: a reduzida quantidade de terras para o plantio da cana e as enormes distâncias entre a capitania e os mercados europeus. Logo, alguns dos primeiros colonizadores optaram por abandonar o clima quente e úmido da Baixada Santista para fixarem residência no planalto de Piratininga, onde as condições climáticas eram mais favoráveis aos europeus. Em janeiro de 1554, os jesuítas fundaram o colégio que deu origem à vila de São Paulo de Piratininga. Se, por um lado, a localização geográfica de São Paulo dificultava o contato com a região litorânea, por outro, facilitava o acesso ao interior, denominado de sertão, por caminhos terrestres e pelos rios, pelo Tietê, o mais importante deles, que possibilitava acesso ao rio Paraná, à bacia do Prata e à região de Mato Grosso. A economia da vila baseava-se em algumas plantações, na criação de gado e na extração de um pouco de ouro de lavagem na região de Paranaguá, todas atividades de pequenas proporções. A pobreza da vila de Piratinin- Na virada do século 20, o que era sugestão virou política pública. A partir de 1903, o governo paulista começou a destinar verba pública a obras de arte que apoiassem a concepção mítica dos bandeirantes – na- quele ano surgiram quadros como o de Calixto, por exemplo. Como boa parte dos historiadores “comprou” essa visão engrandecedora dos desbravadores, foi as- sim que eles figuraram nos livros por muito tempo. Nas últimas duas décadas, a análise cuidadosa dos registros de época ajudou a contar outra versão dos fatos. Já há consenso entre os historiadores, por exemplo, sobre os objetivos principais das bandeiras dos séculos 17 e 18. Longe de buscar conscientemen- te a ampliação do território em nome de um suposto nacionalismo, o que os desbravadores tinham como meta era buscar metais preciosos e aprisionar índios. Depois de capturados, os nativos eram vendidos para trabalhar nos canaviais do Nordeste ou usados como mão de obra particular dos paulistas. No seu encalço, os sertanistas andavam enormes distâncias mata aden- tro – Raposo Tavares, por exemplo, percorreu 12 mil quilômetros durante três anos. Disponível em: <revistaescola.abril.com.br>. Acesso em: 28 fev. 2015. © B en ed ito C ali xto /W iki me dia C om mo ns Domingos “Jorge Velho” de Benedito Calixto 90 ga revelava-se nas habitações, quase sempre de taipa e algumas com tetos de palha. A alimentação baseava- -se no milho, na mandioca e no que a floresta oferecia: caça, peixe, raízes, mel de pau e frutas. Os europeus que habitavam a região eram em pequeno número e, em geral, miscigenaram-se com a população indígena, passando a contar com um grande número de mamelucos. A língua falada era principal- mente o tupi-guarani. A capitania apresentava, assim, uma economia sem importância para os propósitos da colonização e das necessidades do capital comercial. A pequena importân- cia econômica somada ao isolamento geográfico resultou num reduzido controle administrativo por parte do gover- no português, o que levou os paulistas a assumirem um forte senso de autonomia. Essa situação criava condições favoráveis para que os indivíduos perseguidos pelas au- toridades portuguesas buscassemrefúgio em São Paulo. No entanto, não é correta a crença do desprezo de Portugal por essa região. Pelo contrário, desde cedo a Coroa portuguesa esteve alerta para a região que mais tarde se tornaria a capitania de São Paulo, pois compreendiam que sua posição geográfica privilegiada conferia-lhe o atributo de “boca do sertão”. Desse modo, ao invés de ver São Paulo como à margem do sistema colonial, hoje está claro para os es- tudiosos sua participação e integração ao sistema colo- nial de exploração, em constante interação com outras regiões do Brasil e com a Metrópole. De acordo com seus objetivos, as bandeiras poderiam ser classificadas de três formas ou ciclos: ciclo de caça ou ouro ou sertanismo de pros- pecção; sertanismo de apresamento; sertanis- mo de contrato. Diferenças entre bandeiras e entradas Muito embora os estudos mais recentes não estabeleçam diferenças entre bandeiras e entradas sertanistas, nem entre bandeirantes e sertanistas, há distinções entre ambas. As bandeiras eram expedições particulares, que podiam, eventualmente receber financiamento das autori- dades; partiam, geralmente, de São Vicente em direção ao interior em busca de metais preciosos, índios e quilom- bos, ultrapassando o Meridiano de Tordesilhas. As entradas eram expedições organizadas pelo governo, que penetravam o interior, partindo, geralmente, de vários pontos do território colonial, como Olinda ou Salvador, em busca de metais preciosos, sem ultrapassar a linha de Tordesilhas. Entradas Bandeiras Organizadas pelo governo. Organizadas geralmente por particulares. Respeitavam o Tratado de Tordesilhas. Não respeitavam o Tratado de Tordesilhas. Partiam de vários pontos do litoral. Partiam geralmente de São Vicente. Os ciclos do bandeirismo “Porto dos escravos” foi como São Vicente ficou conhecida em virtude do grande aprisionamento e escravização de índios pelos habitantes da região que tiravam proveito das animosidades entre os índios locais. Dominavam-nos com mais facilidade e vendiam-nos como escravos para o Nordeste. Esse comércio incentivava os colonos a se em- brenharam cada vez mais pelo sertão em busca de mão de obra escrava. Duas grandes tribos ofereceram bastante resistência à penetração do homem branco: os Tamoios e os Carijós. 91 Os filmes americanos que tratam da conquista do Oeste ame- ricano mostram, em geral, colonos brancos enfrentando índios, como se eles fossem bandidos. Da mesma forma, a historiografia oficial no Brasil construiu a representação dos nossos índios como ferozes, prontos para atacar o homem branco sem nenhum motivo, e a dos brancos como civilizados que só queriam proteger os índios. Ora, sabe-se que foram os bandeirantes quem atacaram os índios para lhes tomar as terras e submetê-los ao regime de trabalho escravo, com toda a violência que envolviam essas atitudes. No século XVII, o movimento bandeirante ganhou um novo impulso, revestindo-se de melhor organização e novas características. Bandeirismo de apresamento A atividade de apresamento indígena, com o objetivo de escravizá- -lo, remonta ao início da colonização, em meados do século XVI. Ela faz parte da lógica de exploração colonial numa região sem condições econômicas de utilizar o escravo africano em virtude do seu alto custo, ao mesmo tempo que era uma alternativa econômica para o povoamento vicentino, dadas suas dificuldades financeiras. Essa empreitada de captura dos índios pode ser dividida em duas fases. A primeira vai de meados do século XVI ao início do século XVII. Nesse período, os grupos de apresamento, os sertanistas, mal preparados e inexperien- tes, saíam de São Vicente, alcançaram o povoado de São Paulo e, de lá, partiram para capturar os índios no interior da mata inexplorada e desconhecida. No final do século XVII, essas expedições, denominadas bandeiras, tornaram-se grandes negócios, verdadeiras empresas que envolviam centenas de homens e muitos recursos. Dois fatores foram responsáveis por essa transformação. A iconografia busca representar um paulista “heroicizado”, bem vestido, com botas de couro e munido de armas de fogo, muito diferente do homem que habitava o planalto de Piratininga, afei- to à influência indígena. Disponível em: <multirio.rj.gov.br/historia>. Acesso em: 8 Mai. 2015 A iconografia busca representar um paulista “heroi- cizado”, bem vestido, com botas de couro e munido de armas, muito diferente do homem que habitava o planalto de Piratininga, afeito à influência indígena. Disponível em: <multirio.rj.gov.br/historia>. Acesso em: 8 maio 2015. Di sp on íve l e m: <h ttp :// ww w. re vis ta de his to ria .co m. br > Base para a formação da economia colonial, a captura e a escravização indígena na litogravura de Jean-Baptiste Debret, do século XIX. (Fundação Biblioteca Nacional) 92 O primeiro foi a organização das missões. Os índios missionados encontravam-se aculturados e reunidos em grande quantidade, o que facilitava muito o trabalho das bandeiras, que não precisavam procurar os índios espalhados pelo sertão nem de ter o trabalho de aculturá-los. Nas primeiras décadas do século XVII, várias expedi- ções saíram de São Paulo em direção ao sul do Mato Grosso (Itatim), Paraguai (Guairá) e Rio Grande do Sul (Tape), visando atacar as missões. O segundo fator foi o controle do tráfico negreiro e dos centros de abastecimento de escravos, na África, que passou para o domínio dos holandeses, após 1637, quando o apresamento dos indígenas tornou-se muito cobiçado em razão dos grandes lucros que rendia. Por isso, os índios brasileiros passaram a ser perseguidos de forma intensa. Nesse período, os jesuítas de São Paulo tentaram impedir a saída das expedições, despertando uma reação imediata dos colonos paulistas. Em 1641, tentaram expulsar os jesuítas de São Paulo, fato conhecido como a bo- tada dos padres para fora. Percorrendo extensas regiões à procura de índios para escravizar, os bandeirantes, simultaneamente, abri- ram caminho para a integração e ocupação do interior. Esquema geral das expedições de apresamento (1550-1720) Rio Am azona s Belém Rio Parn aíba Ri o To ca nt in s Ri o Ar ag ui a Ri o Xi ng u Ri o ta pa jós Rio M ad eir a Sertão do Mato Grosso Sertão do Paraupaba Sertão do Piauí Ri o S ão Fr an cis co Sertão do Açu Natal Recife Salvador Rio Paraguaçu Sertão dos Cataguases Rio das Velhas Rio Doce Rio Paraíba São Paulo Rio de Janeiro Santos Rio Tietê Rio Grande Rio Para naíb a Sertão do Goiazes Rio Taquari Rio Pardo Rio Paranapanema Missões do Guaira Missões do Paraguai Rio Iguaçu Sertões dos Patos LagunaRi o U ru gu ai Rio Para ná Assunção Ri o Pa ra gu ai Rio da Prata Ri o Cu ia bá Legenda Expedições de resgate e apresamento dos Guaranis, 1585-1641 (por terra) Expedições de resgate e apresamento dos Guaranis, 1550-1635 (por mar) Expedições de apresamento de outros grupos, sobretudo pós-1640 Expedições de mercenários paulistas nas Guerras do Nordeste, 1658-1720 Rota aproximada da expedição de Raposo Tavares, 1648-51 Rota da expedição de Sebastião Pais de Barros, 1671-1674 Disponível em: <revista.vestibular.uerj.br>. Acesso em: 8 Mai. 2015. N S Disponível em: <revista.vestibular.uerj.br>. Acesso em: 8 maio 2015. 93 O sertanismo de contrato O bandeirismo ou sertanismo de contrato era formado por expedições de caráter militar, contratadas por go- vernantes, donatários e proprietários rurais para captu- rar escravos fugidos das lavouras, arrasarquilombos e submeter populações indígenas hostis. Desse bandeirismo, resultaram o aniquilamento de milhares de índios que resistiam ao avanço da pecu- ária no Sertão nordestino – Ceará, Piauí e Maranhão – e a destruição dos negros aquilombados em Palmares. O sertanismo de contrato assegurou aos grandes proprietários de engenhos e plantações do litoral e aos criadores de gado do Sertão a posse de largas exten- sões de terras, em detrimento dos despossuídos – índios expulsos de suas terras, negros e mestiços sobreviven- tes ao massacre. Os ataques contra Palmares Os quilombos eram agrupamentos de escravos fugi- dos que existiram em várias partes do sertão, desde o século XVI, e uma das muitas formas de rebelião dos cativos. Palmares foi um dos quilombos mais importan- tes, situado ao sul de Pernambuco, no atual estado de Alagoas, numa região caracterizada pela abundância de palmeiras, relevo acidentado e mata tropical fechada. Sua organização data aproximadamente de 1630, du- rou 65 anos e, segundo algumas estimativas, chegou a agrupar 30 mil fugitivos da escravidão. Para os brancos, a existência de um Estado negro, onde não havia escravidão, em meio ao sistema colo- nial escravista, era um incentivo à rebelião e à fuga, um exemplo de que era possível escapar da escravidão, por isso a urgência de fazê-lo desaparecer. O quilombo era uma ameaça real à escravidão, logo, ao sistema colonial. Os holandeses foram os primeiros a tentar des- truir Palmares, atacando alguns mocambos nos anos de 1644 e 1645. Em face da força armada superior à dos atacantes, os negros limitaram-se a mudar suas al- deias de lugar, embrenhando-se ainda mais pelo sertão. Quando os brancos partiam, os mocambos – choças que serviam de moradia para os escravos fugidos – vol- tavam a aparecer nos lugares anteriores. Após a expulsão dos holandeses, várias expedi- ções foram mandadas pelos governantes portugueses contra os quilombolas, sem sucesso. Um governador de Pernambuco, desanimado com os fracassos, chegou a propor paz aos negros, oferecendo-lhes em troca da paz fazendas e engenhos. Em Lisboa, o Conselho Ultramari- no não concordou com tal decisão, aconselhando que fosse tentada mais uma vez a destruição dos rebeldes, contratando, para isso, os bandeirantes paulistas, em virtude da grande experiência adquirida nas andanças pelos sertões e no apresamento dos índios. © /AB r A Coroa contratou, então, um grupo de serta- nistas já fixados em fazendas de gados no sertão da Bahia. Formavam um bando de quase mil homens, ma- melucos e índios, liderados por Domingos Jorge Velho, cuja má fama corria por todo o Nordeste. Eram famosos pela violência, roubos e crimes sem conta, mas servi- ram para a luta dos senhores de terras e do governo contra os palmarinos. Os fazendeiros e o governo português firmaram um acordo com Domingos Jorge Velho, pelo qual ele e seus homens destruiriam o quilombo em troca de ar- mas, munições, alimentos, escravos, terras em sesma- rias, títulos de comendadores para os chefes, além do perdão para todos os crimes cometidos até então. O dia 20 de novembro – data em que se come- mora o Dia da Consciência Negra – relembra a morte de Zumbi dos Palmares, que aconteceu em 1695. 94 Onde ficava o Quilombo dos Palmares Após uma campanha contra os índios Janduís, rebelados no Rio Grande do Norte, em dezembro de 1692, os sertanistas realizaram o primeiro ataque contra Palmares. Foram derrotados, depois de surpreendidos por uma cerca tríplice de 5500 metros, feita com um trançado de vegetação, repleta de armadilhas com estrepes e paus afiados. Os sertanistas organizaram nova expedição com a ajuda governamental, contando com três mil homens e artilharia, e um novo ataque iniciou-se em janeiro de 1694. Comandados por Zumbi e entricheirados na serra da Barriga, os palmarinos resistiram até a morte. Zumbi e alguns companheiros ainda conseguiram romper o cerco e fugir, mas foram capturados e mortos algum tempo de- pois. O grande chefe negro foi decapitado e sua cabeça exposta na praça principal de Recife para servir de exemplo. O bandeirismo de caça ao ouro ou sertanismo de prospecção A expulsão dos holandeses do Nordeste abalou profundamente a economia agrícola colonial. A partir do que haviam aprendido em Pernambuco, os holandeses implantaram a plantation produtora de açúcar e de tabaco nas Antilhas, criando empreendimentos coloniais de tal forma competitivos que Portugal não podia acompanhar seus preços no mercado externo. A concorrência antilhana e a baixa competitividade dos produtores coloniais portugue- ses levaram a economia nordestina à estagnação. Enquanto esperavam uma eventual revitalização, os engenhos nordestinos sobreviviam contando apenas com a mão de obra escrava remanescente, obrigados a se privarem da aquisição de novos escravos fossem eles africanos ou indígenas. A perda do grande mercado comprador de mão de obra indígena provocou o bandeirismo apresador a transferir seus esforços para outro objetivo: a procura de metais preciosos. Portugal, por sua vez, necessitando de outra fonte de renda que compensasse a perda de mercado para seus produtos coloniais e para os lucros com o tráfico de escravos, incentivou o bandeirismo prospector, oferecendo prêmios, privilégios e honrarias àqueles que descobrissem metais preciosos. Na verdade, tanto o governo metropolitano como a população colonial sempre mantiveram a expectativa de encontrar riquezas minerais na América portuguesa. Como não acreditar nessa pos- sibilidade, se ali em Potosi, Alto Peru, a Espanha explorava ouro e prata? 95 Já no século XVI, expedições, como as de Pero Lobo (1531) e de Ga- briel Soares de Sousa (1592), tinham avançado para o sertão em busca de metais preciosos. Deixando o tronco Tietê-Para- ná, os bandeirantes desceram o Rio Paraíba do Sul, alcançando a região do Rio das Velhas, onde, no final do século XVII, seriam descobertas as tão esperadas minas de ouro. Depois de longa tentativa de Fernão Dias e Borba Gato, descobriram as minas de Caeté, Sabará, Vila Rica e Ribeirão do Carmo. Multiplicaram-se a seguir as expedições para a região das “Gerais”, que se povoou rapidamente e consti- tuiu-se no mais importante centro econômico da Colônia no século XVIII. A partir das Minas Gerais, anos mais tarde, a penetração bandeirante encaminhou-se para o Centro-Oeste, em direção a Goiás e Mato Grosso. Lá formam descobertas minas de ouro por Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera. Nova corrente migratória e exploradora foi atraída de São Paulo para aquela região, constituindo, pelas monções1, que saíam de Porto Feliz (SP) pelo rio Tietê até o Mato Grosso, a última grande etapa da pene- tração bandeirante. Expansão territorial: a ocupação do sertão e a conquista do Sul A pecuária e o povoamento do sertão A pecuária nordestina foi diretamente responsável pelo início da expansão territorial brasileira para além dos limi- tes do Tratado de Tordesilhas. A criação do gado tinha dois objetivos: atender as necessidades do engenho circunscritas aos seus limites e fornecer alimentos e couro utilizado na fabricação dos instrumentos de trabalho. As terras disponíveis eram destinadas com exclusividade à indústria açucareira, para que houvesse aumento da produção e, consequentemente, crescimento e incremento do comércio. Em razão disso, o gado foi expulso do engenho para dar lugar à cultura da cana-de-açúcar. A conquista do Sul Na Região Sul, a pecuária esteve diretamente ligada à atividade mineradora, que acabou determinando um grande fluxo populacional para a Região Centro-Oeste e aumentando o mercado consumidor interno.Além disto, houve melhoria dos transportes, vinculada ao abastecimento da região central, bem como necessidade de abrir caminhos que levassem o minério para o litoral de onde seria transportado para a Europa. 1. Na Colônia, as expedições que utilizavam as vias fluviais foram chamadas de monções por se submeterem ao regime dos rios, partindo sempre na época das cheias (março e abril), quando os rios eram facilmente navegáveis, tornando a viagem menos difícil e arriscada. © Jo sé Fe rra z d e A lm eid a J ún ior /W iki me dia C om mo ns Estudo da Partida da Monção. Pintura de Almeida Júnior (1897). 96 A localização do rebanho bovino na Região Sul era em virtude da fertilidade do solo e das grandes pastagens. Esse gado produzia naturalmente e crescia selvagemente, desde a época da destruição das mis- sões jesuíticas no século XVII. Havia um grande reba- nho muar e bovino, que até o século da mineração não despertou quase nenhuma atenção, uma vez sem valor econômico algum. Quase no século XVIII, em razão da necessidade de alimentação e transporte, os rebanhos sulinos passa- ram a se destacar como solução. As mulas adequavam- -se ao transporte, e a carne dos bois, à alimentação. Os colonos criaram várias estâncias, que deram origem a várias cidades (Laguna, Vacaria etc.). Surgiram novos tipos sociais na região como os estancieiros e os peões boiadeiros. No século XVIII, na região gaúcha, a carne de charque passou a ter enorme importância no cenário econômico do Rio Grande do Sul. Por isso, a conquista do Sul, além da presença dos jesuítas, consolidou-se com a atividade agropecuária. Formação de missões jesuíticas O governador-geral Tomé de Sousa trouxe para o Brasil, em 1549, o primeiro grupo de jesuítas, liderados por Manuel de Nóbrega. O principal motivo de sua presença na América era promover a catequese dos nativos. Com este intuito, fundaram vários aldeamentos conhecidos como missões ou reduções, onde educavam e catequi- savam os nativos e deram origem a vários núcleos de povoamento de Norte a Sul do Brasil. Constantemente, os jesuítas entraram em atrito com os colonos, pois não aceitavam a escravidão indí- gena. Apesar disso, eram constantes os ataques de co- lonos, especialemente bandeirantes, aos aldeados, com o objetivo de capturar índios para utilizar como escra- vos. O fato de os índios das missões já serem “aman- sados’, ou seja, aculturados, tornava-os mais cobiçados, em virtude dos melhores preços que atingiam. As primeiras reduções (missões) de espanhóis atacadas pelos bandeirantes ficavam na região do Guai- rá, no atual Estado do Paraná. Chefiadas por Raposo Tavares, contaram com a atuação de Manuel Preto, co- nhecido como “Herói do Guairá”. Os padres espanhóis abandoram a região e fo- ram estabelecer-se em Tape, no Centro do Rio Grande do Sul, e em Itatim, no Sul do Mato Grosso. Essas aldeias je- suítas também foram atacadas e destruídas por Raposo Tavares. Destaque-se que os jesuítas foram os principais responsáveis pela educação colonial até sua expulsão, em 1759, de Portugal e do Brasil, por ordem do Marquês de Pombal, primeiro-ministro do rei D. José I. © /S hu tte rs to ck mineração A descoberta de metais preciosos na América espanhola alimentou o desejo dos portugueses, desde o início da colonização do Brasil, de também encontrar metais preciosos na porção que lhes coube do Novo Mundo. Em razão disso, cedo os portugueses procuraram a tão sonhada riqueza, procura essa que se tronou uma das funções do Governo-Geral. As primeiras jazidas só foram descobertas na última década do século XVII, por volta de 1693, por bandei- rantes paulistas, no território do atual estado de Minas Gerais. Eram jazidas superficiais e o ouro de aluvião era 97 encontrado inicialmente nas margens de rios, razão pela qual se esgotavam rapidamente. Depois do ouro de Minas Gerais, foram realizadas descobertas menos importantes em Mato Grosso (1718) e Goiás (1725). Dessa forma, a atividade mineradora deu impulso à ocupação do interior do Brasil. As regiões mineradoras (1711-1798) Fonte: blogdoenem.com.br/guerra-emboabas-disputa-ouro-brasil/Fonte: <blogdoenem.com.br/guerra-emboabas-disputa-ouro-brasil>. Multidões de pessoas foram atraídas para a região atrás do sonho de enriquecimento rápido e fácil. Aven- tureiros em busca do eldorado cruzavam os sertões e os mares em direção às Minas, que foram rapidamente povoadas. Em curto período de tempo, multiplicaram-se vilas e arraiais, bem como diversificavam-se as atividades: comércio, artesanato, ourivesaria, marcenaria, bares, entre outros. A descoberta das minas, em fins do século XVII e início do século XVIII, além de realizar o antigo sonho lusitano, foi como salvação para a grave crise da economia portuguesa estrangulada pela concorrência antilhana na economia açucareira imposta pelos flamengos (holandeses). Naquela oportunidade, Portugal encontrava-se ainda asfixiado pela intervenção da Inglaterra, ocorrida de- pois da expulsão holandesa do Brasil, em razão do ser obrigado a pagar com ouro brasileiro o déficit de sua balança comercial. Tipos de mina Na região mineradora existiam basicamente dois tipos de áreas de extração: lavras e faisqueiras. As lavras eram grandes áreas de extração, onde as jazidas eram mais profundas e a produção era maior. Nessas minas, empregava-se mão de obra escrava em grande quantidade com o intuito de evitar o contrabando. Os escravos eram obrigados a trabalhar nus ou usando máscaras com pequenos orificíos nos olhos e nas narinas. 98 As faisqueiras eram áreas menores de exploração, onde a extração era feita geralmente por garimpeiros livres ou mineradores pobres, que utilizavam instrumentos rudimentares, como peneiras de madeira conhecidas como bateias e pequenas escavadeiras chamadas almocafres. Organização das minas Com o obejtivo de fiscalizar a extração mi- neral, controlar a arrecadação de impostos e combater o contrabando de ouro no Bra- sil, o Estado português criou a Intendência das Minas, em 1702, com a publicação do Regime dos superintendentes, guardas- -mores e oficiais deputados para as minas de ouro. Cada capitania aurífera deveria ter uma intendência, cujos funcionários eram o superintendente, os guardas- -mores, os guardas-menores e o escrivão. Quando uma jazida era descoberta, o fato deveria ser imediatamente comunicado à Intendência, que deveria organizar a exploração, dividindo a mina em lotes ou datas a serem distribuídas mediante sorteio aos mineradores previamente inscritos, com prioridade para os que possuíssem mais escravos. O descobridor da jazida tinha o direito de escolher o primeiro lote, e o segundo era destinado à Coroa, que posteriormente o leiloava. Caso a descoberta de uma jazida não fosse comunicada às autoridades, o descobridor seria punido por crime de lesa-majestade (traição), com pena de degredo para a África, a mais utilizada como punição aos condenados. Impostos O principal imposto cobrado na região mineradora era o quinto, que correspondia a 1/5 ou 20% de todo o ouro produzido. Merece destaque ainda a capitação, que correspondia a uma taxa – 17 g de ouro por cabeça de es- cravo ao ano – paga pelos mineradores de acordo com a quantidade de escravos que empregava. Como o ouro circulava em pó ou pepitas e a carga tributária era muito alta, eram constantes a sonegação de impostos e o contrabando na região de minas. O ouro era escondido em imagens de santo – que deu origem à expressão “santo do pau oco” –, nas roupas, em paredes ou pisos com fundo falso e até mesmo era engolido ou en- fiado nas partes íntimas pelosnegros que sonhavam em acumular quantidade suficiente para comprar sua alforria. As Casas de Fundição foram criadas por Portugal com o objetivo de combater o contrabando e a sone- gação fiscal, determinando, ainda, que apenas o ouro nela fundido em barras quintadas e seladas poderia circular. Aos mineradores cabia entregar sua produção nas Casas de Fundição, onde o ouro seria fundido e transformado em barras, já descontado o quinto, e recebido um selo real, antes de serem devolvidas. Os que desobedecessem essa determinação poderiam ser punidos com o confisco de seus bens ou o degredo para a África, ou os dois. Na segunda metade do século XVIII, a produção aurífera começou a entrar em declínio com quedas cada vez mais acentuadas, provocando reduções na arrecadação tributária da Metrópole. Di sp on íve l e m: <h ttp :// ww w. re vis ta de his to ria .co m. br > Lavagem de ouro em uma mina, gravura de Johann Moritz Rugendas (século XIX). 99 Para a administração portuguesa, cujo primeiro- -ministro do rei D. José I era o Marquês de Pombal, a queda na arrecadação de impostos era resultado do contrabando e da sonegação praticados no Brasil. De fato era devida principalmente à superficialidade das jazidas, bem como às técnicas de exploração ultrapas- sadas e predatórias. A queda da produção aurífera e, consequente- mente, da arrecadação tributária contrariavam os inte- resses metropolitanos. Em razão disso, Portugal decre- tou, a partir de 1765, a finta, que obrigava a Colônia a enviar anualmente para a Metrópole a quantidade mínima de 100 arrobas (1.500 kg) de ouro. Caso a meta estabelecida não fosse cumprida, a Coroa decre- taria a derrama, que consistia na cobrança violenta do que faltasse, se necessário com invasão de domicílios e confisco de bens dos colonos para atingir a quantidade mínima exigida pela Coroa Lusitana. Extração de diamantes ”Frei Dom Lourenço nunca mais esqueceria daquela tarde, no ano de 1726. Estava quente e ele descansava embaixo de uma árvore, onde alguns garimpeiros joga- vam cartas. O padre espremeu os olhos e custou a acre- ditar: ali estavam homens a pensar que aquelas pedras brilhantes, usadas como fichas, eram cristaizinhos sem importância. Mas D. Lourenço tinha morado 17 anos em Goa, na Índia, um dos princípais centros produtores da- quelas desprezadas “pedrinhas”. E não tinha a menor dúvida: as pedrinhas eram mesmo diamantes! É claro que o esperto padre ficou na dele. Juntou as pedrinhas e voltou para a Europa, ficando muito rico.” SCHIMIDT, Mário Furley. Nova História crítica do Brasil: 500 anos de história mal contada. São Paulo: Nova Geração, 1999. p. 85-86. Daí em diante, a exploração de diamantes de- senvolveu-se paralelamente à da exploração aurífera, o que levou a Colônia portuguesa a se transformar na segunda maior produtora mundial de diamantes, atrás apenas da Índia. Quando se espalhou a notícia da descoberta de jazidas de diamantes na região do rio Jequitinhonha, próxima ao Arraial do Tijuco – atual Diamantina, em Minas Gerais –, a área de exploração passou a atrair uma quantidade enorme de pessoas e ficou muito valorizada. Imediatamente, a Coroa portu- guesa declarou as terras como seu monopólio e passou a controlá-la com mão de ferro. Em 1729, foi criado o Distrito Diamantino a partir de um regimento para os diamantes. Assim como ocorreu com o ouro, foi criada a Intendência dos Diamantes, responsável pela fiscaliza- ção da extração diamantífera. Inicialmente, foi estabelecida no distrito a livre extração, mediante o pagamento do quinto à Coroa. Em 1740, a extração de diamantes passou a ser restrita aos controladores, homens de prestígio que tinham contra- tos de arrendamento com a Coroa. Um dos mais co- nhecidos contratadores foi João Fernandes de Oliveira, companheiro de Chica da Silva, a escrava que se tornou senhora. Já em 1771, durante o governo do primeiro- -ministro Marquês de Pombal, a Coroa passou a contro- lar toda a exploração de diamantes (estanco) por meio da Intendência dos Diamantes. Assim como ocorreu com a extração do ouro, a extração de diamantes entrou em decadência no final do século XVIII, também em razão da exploração preda- tória e do esgotamento das minas. Consequências da mineração As minas esgotaram-se no final do século XVIII e a ati- vidade mineradora entrou em declínio, bem como toda 100 a região, uma vez que não existia uma outra atividade que pudesse substituí-la. Todavia, a mineração provocou profundas transformações e consequências econômicas, sociais, políticas e culturais na Colônia. § Aumento populacional, em razão da descoberta das minas; muita gente, de todos os cantos da colônia, da Europa e da África, foram para a região. § Urbanização, em razão da concentração populacional na região aurífera e depois diamantífera, com a fun- dação de vilas e cidades, como Mariana, Vila Rica, São João Del Rei, Sabará e Congonhas do Campo, onde se desenvolveram atividades tipicamente urbanas de comércio, artesanato, marcenaria etc. § Crescimento e diversificação de um segmento médio na sociedade composto por comerciantes, artesãos, profissionais liberias – médicos, professores, advogados – e ampliação da camada dos homens livres. § Mais mobilidade social: a mineração possibilitou o enriquecimento e a melhoria na vida de muitas pessoas, que ascendiam socialmente. Relatos dão conta de que até mesmo escravos conseguiam comprar sua alforria e sua liberdade com dinheiro acumulado do contrabando de metais e pedras preciosas. § Ativação do mercado interno para abastecer a região mineradora graças ao aumento populacional e à sua demanda, bem como desenvolvimento de rotas comerciais. § Melhoria das estradas com o intuito de favorecer o abastecimento das minas. § Mudança do eixo econômico do Nordeste para o Centro-Sul. § Transferência da capital da Colônia de Salvador para o Rio de Janeiro (1763), trazendo a admi- nistração mais próxima da área mineradora. § Incentivo às artes – barroco –, bem como desen- volvimento cultural da Colônia. § Aumento da opressão fiscal, em razão da mine- ração que fez aumentar os impostos e acirrar a fiscalização administrativa, burocrática e militar por parte da Coroa. § Revoltas, em razão da forte opressão e dos altos impostos, como a Revolta de Vila Rica e a Incon- fidência Mineira. § Conflitos, como a Guerra dos Emboabas en- tre paulistas e forasteiros pelo direito de ex- plorar as minas, das quais os paulistas que- riam exclusividade. tratados de limites Posteriormente ao Tratado de Tordesilhas, de 7 de junho de 1494, Portugal celebrou uma série de outros com países europeus, visando solucionar problemas de fronteiras do Brasil Colonial. Em um panorama geral, a situação passou a ter o seguinte cenário: o Tratato de Tordesilhas foi deixado de lado, uma vez que os bandeirantes, as missões jesuíticas e os criadores de gado não o respeitavam mais. Os es- panhóis, por sua vez, reagiram contra a presença portuguesa nas regiões meridionais (sul), onde tinham inúmeros interesses econômicos. As desavenças entre portugueses e espanhóis no Sul giravam em torno da Colônia do Sacramento, surgidas em 1680, na margem esquerda do rio da Prata. Os portugueses fundaram essa colônia, comprometendo a se- © /W iki me dia Co mm on s Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto, MG: um exemplo da arquitetura barroca. 101 gurança de Buenos Aires, prestes a se tornar vice-reino espanhol. Os espanhóis atacaram Sacramento e aprisio- naram todos os seus ocupantes. Os portugueses reagiram energicamente. Para evitarem maisproblemas, os espanhóis restituíram os danos causados e assinaram o Tratado de Lisboa. A Colônia do Sacramento A Colônia do Santíssimo Sacramento foi fundada em 1680 na margem esquerda do rio da Prata, próxima a Buenos Aires, pelo governador e capitão-mor da capita- nia do Rio de Janeiro, D. Manuel Lobo. O avanço por- tuguês em direção ao Sul, especialmente na região da Bacia do Prata, visava garantir acesso às minas de prata de Potosi, bem como ao comércio no estuário platino. Economicamente, aquela região era muito estratégica para o intenso contrabando que se fazia no estuário do Prata por navios portugueses e navios mercantes ingle- ses, bem como para o escoamento da prata peruana vinda de Buenos Aires e para o efervescente mercado de couros em que se transformara o porto de Sacramento. Tratado de Lisboa (1681) A Espanha reconheceu a Colônia de Sacramento como legítima possessão portuguesa. Tratado de Utrecht (1713) Assinado em 1713, entre Portugal e a França, estabele- cendo que o rio Oiapoque ou Vicente Pinzón seria con- siderado como limite entre o Brasil e a Guiana Francesa. Tratado de Utrecht (1715) Assinado entre Portugal e Espanha, em 1715, na cidade de Ultrech, na Holanda, restabelecia a posse da Colônia de Sacramento a Portugal, que havia sido tomada pelos espanhóis, dentro do contexto da Guerra de Sucessão Espanhola, em 1704. Tratado de Madrid (1750) Embora fundada pelos portugueses, a Colônia de Sa- cramento constituía num perigo iminente para os espa- nhóis, uma vez localizada em seus domínios. Para se de- fender, os espanhóis fundaram a cidade de Montevidéu, deixando Sacramento praticamente sitiada pelas duas margens do rio da Prata dominadas pelos espanhóis. Mas além dos limites impostos pelo Tratado de Tordesilhas havia inúmeros núcleos de colonização por- tuguesa, cujos interesses econômicos eram irrenunciá- veis. Em vista disso, era urgente que espanhóis e por- tugueses buscassem solucionar esses problemas, o que foi feito pela assinatura do Tratado de Madrid, em 1750. Fernando VI, rei da Espanha, e Alexandre de Gusmão, diplomata nascido no Brasil, negociaram o Tratado de Madrid, que estabelecia: § Vigoraria o velho princípio de direito romano do uti possidetis, ita possideatis, ou seja, assim como possuis, continuarás possuindo. Quem possui de fato deve possuir de direito. A pro- priedade da terra foi atribuída a Portugal, seu ocupante de fato. § Portugal, no entanto, aceitaria negociar a Colô- nia de Sacramento, recebendo em troca as terras de colonização portuguesa além de Tordesilhas e uma região denominada Sete Povos das Mis- sões, localizada a noroeste do Rio Grande do Sul, onde existiam aldeamentos guaranis dirigi- dos por jesuítas espanhóis. Portugal aceitou de imediato. § Ficou estabelecido também que, se porventura as duas nações entrassem em guerra na Europa, a paz deveria continuar reinando nas colônias da América. Considerado o mais importante tratado de fron- teiras do período colonial, o Tratado de Madri estabele- ceu um território cujas fronteiras muito se aproximam das atuais. Anularam-se as fronteiras estabelecidas no Tratado de Tordesilhas. Mas também gerou conflitos. Os jesuítas espanhóis da região dos Sete Povos recusaram- -se a acatar o domínio português. Passaram a estimular a resistência indígena na chamada Guerra Guaranítica (1750-1756). 102 Habilidosamente, o Marquês de Pombal serviu-se desse conflito para justificar a expulsão dos jesuítas de Portugal e do Brasil, bem como aproveitou-se da situação para não entregar a Colônia do Sacramento à Espanha. Tratados de limites Os sete povos das missões Fonte: <pt.slideshare.net/os-sete-povos-das-missoes>. Tratado de El-Pardo (1761) Assinado entre Espanha e Portugal, revogou o Tratado de Madri. Em face da vigorosa resistência dos jesuítas espanhóis dos Sete Povos das Missões, Portugal teve muitas dificuldades para ocupar aquela região, recebida em troca da Colônia de Sacramento. Os jesuítas controlavam São Borja, Santo Ângelo, São Lourenço, São Luís, Santo Antônio, São Miguel e São Nicolau, praticamente toda a região dos Sete Povos, e não estavam dispostos a aceitar o domínio português capitaneado por seu adversário, o Marquês de Pombal. De 1754 a 1756, as tropas portuguesas e espanholas atacaram e venceram um grande número de índios na região. Todavia, terminada a luta, o comandante português, Gomes Freire, julgou seguro apoderar-se da área que ainda contava com muitos índios rebelados. Comprometida a delimitação do sul, onde os portugueses não devolveram Sacramento, consequentemente, todo o Tratado de Madri perdera sua validade sendo anulado pelo Tratado de El Pardo. Tratado de Santo Ildefonso (1777) As questões das fronteiras e a demarcação dos seus limites na América portuguesa promoveram hostilidades entre portugueses e espanhóis durante um longo período. No reinado de D. Maria I, os portugueses cederam os Sete Povos das Missões à soberania espanhola, celebrando o acordo que transferia à Espanha o controle exclusivo sobre o rio da Prata. Tratado de Badajós (1801) Os conflitos travados em solo europeu entre Portugal e Espanha surtiram efeitos sobre os seus territórios na Améri- ca e resultaram na assinatura do Tratado de Badajós. Embora ele tenha determinado que a Colônia do Sacramento passaria para a Espanha e tenha se omitido em relação aos Sete Povos das Missões, passado algum tempo, os gaúchos recuperaram a região de Sete Povos, incorporaram-na definitivamente ao Brasil em 1804, com o reconhe- cimento da Espanha. Fonte: pt.slideshare.net/os-sete-povos-das-misses Equador OCEANO ATLÂNTICO Belém São Luís Porto Seguro Vitória São Paulo Curitiba Porto Alegre Salvador Rio de Janeiro AMÉRICA PORTUGUESA TERRAS DA ESPANHA 560 km Tratado de Tordesilhas, 1494 Tratado de Madri, 1750 103 e.o. teste i 1. (Unesp) A partir de 1750, com os Tratados de Limites, fixou-se a área territorial brasileira, com pequenas diferenças em relação a configuração atual. A expansão geográfica havia rompido os li- mites impostos pelo Tratado de Tordesilhas. No período colonial, os fatores que mais contribuíram para a referida expansão foram: a) criação de gado no vale do São Francisco e desenvolvimento de uma sólida rede urbana. b) apresamento do indígena e constante procura de riquezas minerais. c) cultivo de cana-de-açúcar e expansão da pecuária no Nordeste. d) ação dos donatários das capitanias hereditárias e Guerra dos Emboabas. e) incremento da cultura do algodão e penetração dos jesuítas no Maranhão. 2. (Fuvest) Após o Tratado de Tordesilhas (1494), por meio do qual Portugal e Espanha dividiram as terras emersas com uma linha imaginária, verifica-se um “descobrimento gradual” do atual terri- tório brasileiro. Tendo em vista o processo da formação territorial do País, considere as ocorrências e as represen- tações abaixo: Ocorrências: I. Tratado de Madrid (1750); II. Tratado de Petrópolis (1903); III. Constituição da República Federativa do Brasil (1988)/consolidação da atual divisão dos Estados. Representações: A B C D Fronteira atual área externa às terras brasileiras E área incorporada às terras brasileiras área do território nacional 0 1.800 km Folha de S. Paulo, 22/04/2013. Adaptado. Associe a ocorrência com sua correta representação: I II III a) A C E b) B C E c) C B E d) A B D e) C A D 104 3. (UPF) Sobre a mineração que se desenvolveu no Brasil colonial, podemos afirmar: a) Contribuiu para a decadência do ciclo açucareiro, pois os grandes senhores de engenho abandonaram suas lavouras para se dedicarà mineração. b) Contribuiu para o desenvolvimento da produção açucareira, na medida em que gerava capitais para serem investidos nesta atividade agroexportadora. c) Contribuiu para o desenvolvimento do mercado interno, na medida em que criou um importante cen- tro consumidor de produtos de subsistência de outras regiões. d) Não favoreceu em nada o mercado interno, pois os raros produtos de subsistência que não eram pro- duzidos na região eram importados da Europa. e) Não contribuiu em nada para o mercado interno da Colônia, pois a zona de mineração era centro con- sumidor de gêneros de subsistência em proporções insignificantes. 4. (Unesp) O comércio foi de fato o nervo da colonização do Antigo Regime, isto é, para incremen- tar as atividades mercantis processava-se a ocupação, povoamento e valorização das novas áreas. E aqui ressalta de novo o sentido da colonização da época Moderna; indo em curso na Europa a expansão da economia de mercado, com a mercantilização crescente dos vários setores produtivos antes à margem da circulação de mercadorias – a produção colonial era uma produção mercantil, ligada às grandes linhas do tráfico internacional. (Fernando A. Novais. Portugal e Brasil na crise do Antigo Sistema Colonial (1777-1808), 1981. Adaptado.) O mecanismo principal da colonização foi o comércio entre colônia e metrópole, fato que se manifesta: a) na ampliação do movimento de integração econômica europeia por meio do amplo acesso de outras potências aos mercados coloniais. b) na ausência de preocupações capitalistas por parte dos colonos, que preferiam manter o modelo feudal e a hegemonia dos senhores de terras. c) nas críticas das autoridades metropolitanas à persistência do escravismo, que impedia a ampliação do mercado consumidor na colônia. d) no desinteresse metropolitano de ocupar as novas terras conquistadas, limitando-se à exploração ime- diatista das riquezas encontradas. e) no condicionamento político, demográfico e econômico dos espaços coloniais, que deveriam gerar lucros para as economias metropolitanas. 5. (Cesgranrio) Analise os dados relativos ao século XVIII apresentados no quadro a seguir. Os altos preços cobrados nas Minas Mercadorias Valor em São Paulo Valor nas Minas 1 cavalo 10 mil réis 120 mil réis 1 libra de açúcar 120 réis 1.200 réis 1 boi de corte 2 mil réis 120 mil réis FREIRE, Américo e outros. História em curso – O Brasil e suas relações com o mundo ocidental. Rio de Janeiro: FGV, 2008, p. 91. A justificativa das cifras apresentadas é que: a) os preços das mercadorias em São Paulo tornaram-se os menores do Brasil com a urbanização e o povoamento das regiões mineradoras, já que os trabalhadores e, consequentemente, os consumidores migraram para o interior da colônia. b) os preços tornaram-se elevados na região das Minas, devido à necessidade de abastecimento da popu- lação em crescimento, à dificuldade de acesso à região e à pequena disponibilidade de mão de obra, empregada preferencialmente na mineração. c) os preços tornaram-se exorbitantes na área da mineração porque não havia disponibilidade de mão de obra na região mineira, já que a escravidão era proibida e todo e qualquer trabalho deveria ser assala- riado ou contratado. d) os preços elevados dos alimentos e do transporte na região das Minas serviu como atrativo para a manutenção da população que retornava para a área açucareira de Pernambuco e constituiu uma ten- tativa de manter Minas Gerais como polo econômico da colônia. e) o alto valor das mercadorias, com a decadência da mineração, foi mantido pela Corte Portuguesa, aten- dendo aos comerciantes mineiros, como forma de garantir seu poder político e frear o deslocamento da população para São Paulo, onde já corriam boatos sobre a emancipação. 105 6. (UFSM) Mineração na América portuguesa http://4.bp.blogspot.com/_ylHkOkofUss/TFFbbkkiBkl/ AAAAAAAACo8/HBW_UanfHBw/s320/mineracao.jpg Paisagem industrial inglesa http://tuia.com.br/Historia_Geral/ revolucao_industrial.html As duas figuras simbolizam dois processos econômicos que se consolidaram e se expandiram no século XVIII, provocando amplas e irreversíveis modificações nos respectivos ecossistemas. As re- lações históricas entre os dois processos podem ser consideradas: a) meramente cronológicas, pois ambos se desenvolveram nos inícios do século XVIII, época em que se expandia, tanto na Europa quanto nas Américas colonizadas pelos europeus, a utilização do trabalho escravo dos negros africanos devidamente controlados e administrados pelos seus proprietários, os membros da elite branca. b) muito tênues, na medida em que apenas representam dois exemplos isolados de destruição predatória dos ambientes naturais, seja para extrair riquezas minerais em zonas rurais despovoadas, seja para promover a urbanização das cidades industriais afetadas pela poluição, prevenindo os efeitos danosos dessa poluição na vida e na saúde da crescente população. c) significativas, pois, desde a assinatura do tratado de Methuen (1703), o Estado português ficou subor- dinado aos interesses da Inglaterra: como as importações dos ‘panos’ tecidos pelas manufaturas ingle- sas custavam mais caro para Portugal do que as receitas com as exportações de ‘vinhos’ para o mercado inglês, o ouro extraído das regiões mineiras da América colonial lusitana foi amplamente transferido para o mercado inglês, aí contribuindo para sedimentar as precondições para o desenvolvimento da Revolução Industrial. d) de reciprocidade, pois o processo de urbanização das cidades industriais inglesas inspirou o plane- jamento urbano das povoações coloniais americanas que se expandiram para o interior, permitindo antecipar e corrigir problemas como: ocupação intensa e acelerada, traçado das ruas e das praças, integração do setor rural com o urbano, articulação com as demais vilas e cidades e com os portos de escoamento da produção mineira. e) de modernização, pois os novos produtos da moderna tecnologia industrial inglesa puderam ser im- portados pelos proprietários das minas e dos escravos, permitindo incrementar a produção colonial, diminuir os custos e obter maiores lucros, dinamizando a economia e a sociedade da mineração e encaminhando o Estado português para a emancipação da hegemonia da Inglaterra. 7. (Mackenzie) “Os bandeirantes foram romantizados (...) e postos como símbolo dos paulistas e do progresso, associação enobrecedora. A simbologia bandeirante servia para construir a imagem da trajetória paulista como um único e decidido percurso rumo ao progresso, encobrindo conflitos e diferenças.” (Abud, K. Maria. In: Matos, M. I. S. de São Paulo e Adoniram Barbosa) Ainda que essa imagem idealizada do bandeirante tenha sido uma construção ideológica, sua im- portância, no período colonial brasileiro, decorre: a) de sua iniciativa em atender à demanda de mão de obra escrava do Brasil Holandês, durante o governo de Maurício de Nassau. b) de sua extrema habilidade para lidar com o nativo hostil, garantindo sua colaboração espontânea na busca pelo ouro. c) de sua colaboração no processo de expansão territorial brasileira, à medida que ultrapassou o Tratado de Tordesilhas e fundou povoados, garantindo, futuramente, o direito de Portugal sobre essas terras. d) de sua atuação decisiva na Insurreição Pernambucana, que resultou na expulsão dos holandeses do nordeste, em 1654, considerada como o primeiro movimento de cunho emancipacionista da colônia. e) da colaboração dos mesmos na formação das Missões Jesuíticas, cujo objetivo era a proteção e catequi- zação de índios tupis, obstáculo à ocupação do território colonial. 106 8. (Espcex) Diferentemente de outras ativida- des econômicas do Brasil Colônia, a minera- ção foi submetida a um rigoroso controle por parte da metrópole. Neste contexto:a) os Códigos Mineiros de 1603 e 1618 já impe- diam a livre exploração das minas, impondo uma série de condições e restrições. b) as Intendências das Minas criadas pelo Re- gimento de 1702 impuseram um controle absoluto sobre toda a produção mineradora, embora ainda estivessem subordinadas a ou- tras autoridades coloniais. c) a cobrança do quinto foi facilitada com a criação das Casas de Fundição, no final do século XVII, onde o ouro era fundido em bar- ras timbradas com o selo real, embora a cir- culação do ouro em pó ainda fosse permitida. d) foram instalados postos fiscais em pontos estratégicos das estradas, com o objetivo de fiscalizar se o pagamento do quinto havia sido realizado; cobrar impostos sobre a pas- sagem de animais e pessoas e sobre a en- trada de todas as mercadorias transportadas para as Minas. e) a capitação foi um imposto que exigia do mi- nerador o pagamento de uma taxa sobre cada um de seus escravos, do qual ficavam isentos os faiscadores que não possuíam escravos. 9. (UFC) Por aproximadamente três séculos, as relações de produção escravistas predomi- naram no Brasil, em especial nas áreas de plantation e de mineração. Sobre este siste- ma escravista, é correto afirmar que: a) impediu as negociações entre escravos e se- nhores, daí o grande número de fugas. b) favoreceu ao longo dos anos a acumulação de capital em razão do tráfico negreiro. c) possibilitou a cristianização dos escravos, fazendo desaparecer as culturas africanas. d) foi combatido por inúmeras revoltas escra- vas, como a dos Malês e a do Contestado. e) foi alimentado pelo fluxo contínuo de mão de obra africana até o momento de sua ex- tinção em 1822. 10. (Uel) Leia o texto a seguir. Afluente da margem direita do Rio Verme- lho, ao norte de Cambé, próximo ao Distrito da Prata, o Rio Palmeira forma um vale onde a mata nativa ainda concentra reservas. Ali, séculos atrás havia um lago. Era um ponto estratégico com água, peixe, caça e floresta subtropical. Ali, em 1625 foi construída a re- dução jesuítica de San Joseph – o termo mis- são foi adotado pelos portugueses, enquanto espanhóis e pesquisadores preferem redução (Jornal de Londrina, 3 mar. 2013. p.21.) Recentemente no município de Cambé, loca- lizado no norte do Paraná, foram descobertas ruínas de fundações da Redução Jesuítica, que comportou cerca de 200 pessoas, com fácil acesso à água e aos produtos oriundos da floresta. As Reduções ou Missões Jesuíticas no Brasil estão associadas: a) às ações das bandeiras, que buscavam, nas Reduções, mão de obra indígena para a es- cravização. b) às atividades mercantis de minérios e de dro- gas do sertão que abasteciam a metrópole. c) à cristianização facultativa dos indígenas pe- los irmãos jesuítas com o apoio da Santa Sé. d) à libertação dos indígenas do jugo católico, conquistando a autonomia para professarem a sua fé. e) ao desenvolvimento de práticas agrícolas e de pecuária extensiva que vieram a abaste- cer o comércio metropolitano. e.o. teste ii 1. (UEMG) Leia atentamente o trecho selecio- nado, a seguir: “... decadência em que se [achava] o povo das Minas, vexação em que se [via] causada da multidão de negros fugidos e aquilomba- dos que [havia] em todas elas, de que [re- sultavam] os extraordinários casos que con- tinuamente [estavam] sucedendo nos cruéis assassínios e roubos violentos que a cada instante [estavam] fazendo...” Representação da Câmara de Vila Rica ao Rei de Portugal de 31 de agosto de 1743. Arquivo Público Mineiro. Seção Colonial. Có- dice CMOP 49 fl.81. Citada no livro Vassalos Rebeldes, de Carla M.J.Anastasia, Belo Hori- zonte: C/ Arte, 1998. p.130 O aumento da violência nos sertões minei- ros, durante o século XVIII, a que se refere o fragmento acima, é considerado resultado histórico: a) da substituição do trabalho escravo em Mi- nas Gerais pelo trabalho imigrante italiano, após a proibição do tráfico negreiro. b) do declínio da comercialização da cana-de- açúcar no território mineiro, em virtude da concorrência do produto oriundo das Anti- lhas Holandesas. c) das crises de fome e abastecimento pro- vocadas pela corrida do ouro ao território mineiro, constantes fugas de escravos e o aumento da cobrança de impostos sobre os alimentos. d) dos abusos cometidos pelos jagunços contra- tados pelos senhores de engenhos, para ma- tar os negros reconhecidos como assassinos profissionais. 107 2. (FGV) O trabalho escravo nas minas tinha singularidade, era uma realidade bem distin- ta das áreas agrícolas. O complexo meio social lhe permitia maior iniciativa e mobilidade. (Neusa Fernandes, A Inquisição em Minas Gerais no século XVIII. p. 66) Acerca da singularidade citada, é correto afirmar que: a) o Regimento das Minas, publicado em 1702, determinava que depois de sete anos de ca- tiveiro, os escravos da mineração seriam au- tomaticamente alforriados. b) a presença de escravos nas regiões mineiras foi pequena, pois a especialização da explo- ração do ouro exigia um número reduzido de trabalhadores. c) a dinâmica da economia mineira, no decor- rer do século XVIII, comportou o aumento do número das alforrias pagas, gratuitas ou condicionais. d) a exploração aurífera nas Minas Gerais or- ganizava-se por meio de grandes empresas, o que impediu a formação de quilombos na região. e) a preponderância do trabalho livre na mi- neração do século XVIII permitiu melhores condições de vida para os escravos indígenas e africanos. 3. (UFRGS) Observe o mapa abaixo. A anexação de sete reduções guaranis aos domínios lusitanos na América, em 1801, significou a concretização de uma expansão idealizada, pelo menos, desde meados do sé- culo XVIII. A respeito dessa anexação, considere as se- guintes afirmações. I. Foi uma campanha militar coordenada desde Lisboa, que contou com a presença de oficiais de alta patente, dada a impor- tância estratégica do território. II. Representou um significativo impacto demográfico no Rio Grande de São Pedro, diante do acréscimo de milhares de ín- dios à população da capitania. III. Houve, por parte das lideranças indígenas missioneiras, uma participação destacada na conquista, pois sem a sua colaboração tal fato não seria possível. Quais estão corretas? a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas I e II. d) Apenas I e III. e) Apenas II e III. 4. (UFG) No século XVIII, um dos instrumentos utilizados para a extração de ouro em Goi- ás foi a bateia: um prato na forma de cone, com o qual os mineradores executavam um movimento circular, separando o solo prove- niente do leito dos rios e o ouro. A utilização desse instrumento na atividade mineradora: a) demonstrava o interesse pelo desenvolvi- mento técnico da mineração, com inserção de mecanismos de retardamento do processo de decantação. b) demandava mão de obra especializada, ca- paz de estabelecer critérios de contraste entre translucidez aurífera e opacidade da bateia. c) isentava a obrigatoriedade régia da fundição do ouro, ao facilitar a extração do minério, quando exposto ao sol, por meio da refração. d) dispensava a utilização de outros instru- mentos de trabalho, tendo em vista a efici- ência do processo de decantação aplicado ao sistema de extração. e) tornava o trabalho nas minas desgastante, pois havia a exigência constante em produ- zir um processo de centrifugação na bateia. 5. (FGV) Leia o texto sobre as origens de São Paulo. A estratégia da penetração para o sertão, se foi amplamente aproveitada pelos colonos de São Paulo, nasce na prática da conversão jesuítica. (...) Embora por razões opostas, tanto as incursões dos jesuítas, tímidas é verdade, não se embrenhando muito além do núcleo piratiningano,como as bandeiras e as entradas dos colonos tinham um mesmo objetivo: o índio. Amílcar Torrão Filho, A cidade da conversão: a catequese jesuítica e a fundação de São Paulo de Piratininga. Revista USP. São Paulo, n.º 63, 2004. ASUNCION Villa Rica Rio Iguazú Rio Canoas Rio Uru gua y Ri o Pa ra gu ay Rio Paraná Caá Catí Itati S. Tomé S. Borja S. Nicolas S. Luís S. Angel S. Miguel S. Juan Rio Pelotas La Cruz Yapeyú Rio Ibicuí Ri o Ja cu í Torres Jesús, Maria y José Viamao Porto dos Casais (Porto Alegre) Rio Jacu í Rio Ca macua Rio Quaraí Rio Jaguarao Rio Piratini La g. de lo s P ato s La g. Mi rim Rio Ce bo lla ti Rio Grande de San Pedro San Miguel Maldonado MONTEVIDEO Rio NegroRi o U ru gu ay Colonia RIO DE LA PLATA BS. AIRES Adaptado de: MAEDER, Ernesto. Los problemas de limites entre España y Portugal en el Rio de la Plata. Resistencia: Instituto de Investigaciones Geohistóricas, 1986. p. 29. 108 O fragmento apresenta parte das condições que originaram: a) a guerra travada entre a Igreja Católica, a favor da escravização indígena, e os colonos paulistas, defensores do trabalho livre. b) o conflito entre colonos e religiosos pelo controle da mão de obra indígena, presente no entorno de São Paulo. c) a leitura, com forte viés ideológico, que con- siderava desnecessária a exagerada violência dos jesuítas contra os povos indígenas. d) o desvínculo econômico de São Paulo com o resto da colônia, diante da impossibilidade de exploração da mão de obra indígena. e) o fracasso das missões religiosas em São Paulo, pois coube apenas ao Estado portu- guês o controle direto dos indígenas. 6. (Ibmecrj) Com relação às atividades econô- micas desenvolvidas no Brasil Colonial, são feitas as seguintes afirmativas: I. principal atividade econômica do período colonial brasileiro, a produção açucareira estava restrita à região nordeste, em es- pecial, ao litoral pernambucano; II. o chamado “ciclo da mineração” dina- mizou a procura por manufaturados na região das Minas Gerais no decorrer do século XVIII; III. o tabaco, produzido na região sul da colônia (área do atual Rio Grande do Sul) era utili- zado no escambo por escravos africanos. Assinale: a) se apenas a afirmativa I for correta; b) se apenas a afirmativa II for correta; c) se apenas a afirmativa III for correta; d) se as afirmativas I e II forem corretas; e) se todas as afirmativas forem corretas. 7. (Unifesp) As atividades das Bandeiras, du- rante a colonização do Brasil, incluíam: a) Impedir a escravidão negra e indígena. b) Garantir o abastecimento do interior. c) Perseguir escravos foragidos. d) Catequizar os povos nativos. e) Cultivar algodão, cana-de-açúcar e café. 8. (Mackenzie) “De todas as colônias inglesas, a melhor é o reino de Portugal” Dito popular, Portugal - século XVIII, citado por Teixeira, F. M. P., “Brasil História e Sociedade”. Assinale a alternativa que explica, correta- mente, a afirmação anterior. a) As relações econômico-comerciais entre Inglaterra e Portugal estavam baseadas no Pacto Colonial, o que garantia vultosos lu- cros aos ingleses. b) A Inglaterra participava dos lucros da mi- neração brasileira, visto as trocas comerciais favoráveis a ela, estabelecidas com Portugal pelo Tratado de Methuen. c) O declínio do setor manufatureiro em Portu- gal, decorrente do Embargo Espanhol, tor- nou a economia lusa altamente dependente das exportações agrícolas inglesas. d) A Revolução Industrial inglesa foi possível, graças à importação de matéria-prima barata proveniente de Portugal. e) Portugal e Inglaterra eram parceiros no co- mércio com as colônias portuguesas na Ásia, entretanto o transporte era realizado por navios ingleses, o que lhes garantia maior participação nos lucros daí advindos. 9. (PUC-MG) Hoje, fala-se muito da Estrada Real como patrimônio histórico nacional que rememora o passado dos caminhos que levavam e traziam mercadorias e escoavam o ouro que ia ser levado a Portugal. Assinale a afirmativa mais ADEQUADA para definir Es- trada Real. a) Os pontos de descanso e pousada dos tropei- ros, viajantes que seguiam em tropas de bur- ro ou mula cuja viagem era longa, cansativa e extremamente perigosa, já que envolvia carregamentos de ouro real que ia ser levado para as Minas. b) Locais da pastagem de gado e do comércio de mulas e burros que constituíam, na época da mineração, o principal meio de transporte de mercadorias e ouro controlados pelos tro- peiros na região de Minas Gerais. c) As Bandeiras Oficiais, denominadas Entra- das, que estabeleciam a criação de estradas com o selo real, identificadas como proprie- dade do rei de Portugal para a política de posse e ocupação do território brasileiro. d) Os caminhos abertos pelos portugueses como picadas nas matas, que, poucos anos depois, levaram ao surgimento de povoa- mentos urbanos nos seus arredores e onde foram erguidos postos de fiscalização para controlar o escoamento do ouro. 10. (UFPEL) FRONTEIRAS MERIDIONAIS DO BRASIL FERREIRA FILHO, Arhur. História Geral do RS - 1503-1597. Porto Alegre: Globo, 1958. 109 As linhas dos Tratados trecejadas nos mapas representam, respectivamente: a) o Tratado de Santo Ildefonso - quando as missões jesuíticas foram entregues aos por- tugueses pelos espanhóis - e a demarcação do Tratado de Tordesilhas. b) o Tratado de Badajoz (1750) - que deter- minou a criação dos Campos Neutrais - e o Tratado de Madri (1777), que, ao contrário, manteve a Colônia do Sacramento como por- tuguesa. c) o Tratado de Madri - pelo qual os portugue- ses entregaram as missões para os espanhóis em troca da Colônia do Sacramento - e o li- mite meridional do Tratado de Tordesilhas no sul do Brasil. d) O tratado de Santo Ildefonso (1750) - que garantiu a posse da Província Cisplatina para o Império brasileiro - e a representação geo- gráfica dada pelo Tratado de Badajoz (1777), que contrastou com o tratado anterior e an- tecedeu a Guerra Guaranítica. e) a fronteira determinada pelo Tratado de Madri (1750) - que eliminou os limites do Tratado de Tordesilhas - e a demarcação do Tratado de Santo Ildefonso (1777). e.o. teste iii 1. (PUC-MG) O padre jesuíta Antonil (João An- tônio Andreoni), autor do livro “Cultura e Opulência do Brasil por suas Drogas e Mi- nas”, publicado em Lisboa (1710), afirma com severidade os problemas colocados pelo deslocamento do eixo produtivo colonial do nordeste para o sudeste. Em sua crítica, menciona os danos causados pela descoberta do ouro nas Minas Gerais e os desdobramen- tos políticos desse processo. Sobre esse deslocamento da área de produ- ção açucareira para a mineração, assinale a afirmativa CORRETA. a) A economia do açúcar, mesmo após a desco- berta do ouro, continuou a ser a principal receita brasileira no final do século XVIII, já que garantia a economia exportadora. b) A mineração, pelo seu valor agregado, possi- bilitou o financiamento de parte da produção do açúcar nordestino, encalhado pela con- corrência comercial do açúcar das Antilhas. c) Diamantes, ouro e pedras, através do suces- so da economia mineradora, se tornaram os principais produtos das exportações brasilei- ras durante os séculos XVII e XVIII. d) A população escrava da região das minas era procedente do estoque de escravos do nor- deste, visto que a diminuição da produção açucareira elevou o preço do cativo. 2. (Fuvest) Qual destas definições expressa me- lhor o que foram as Bandeiras? a) Expedições financiadas pela Coroa que se propunham exclusivamente a descobrir me- tais e pedras preciosas. b) Movimento de fundocatequético, liderados pelos jesuítas para a formação de uma nação indígena cristã. c) Expedições particulares que apresavam os ín- dios e procuravam metais e pedras preciosas. d) Empresas organizadas com o objetivo de conquistar as áreas litorâneas e ribeirinhas. e) Incursões de portugueses para atrair tribos in- dígenas para serem catequizadas pelos jesuítas. 3. (Fuvest) No século XVIII a produção do ouro provocou muitas transformações na colônia. Entre elas podemos destacar: a) a urbanização da Amazônia, o início da pro- dução do tabaco, a introdução do trabalho livre com os imigrantes. b) a introdução do tráfico africano, a integra- ção do índio, a desarticulação das relações com a Inglaterra. c) a industrialização de São Paulo, a produção de café no Vale do Paraíba, a expansão da criação de ovinos em Minas Gerais. d) a preservação da população indígena, a de- cadência da produção algodoeira, a introdu- ção de operários europeus. e) o aumento da produção de alimentos, a inte- gração de novas áreas por meio da pecuária e do comércio, a mudança do eixo econômico para o Sul. 4. (Unesp) O açúcar e o ouro, cada qual em sua época de predomínio, garantiram para Portugal a posse e a ocupação de vasto ter- ritório, alimentaram sonhos e cobiças, esti- mularam o povoamento e o fluxo expressivo de negros escravos, subsidiaram e induziram atividades intermediárias; foram fatores de- cisivos para o relativo progresso material e certa opulência barroca, além de contribuí- rem para o razoável florescimento das artes e das letras no período colonial. Apesar des- ta ação comum ou semelhante, a economia aurífera colonial avançou em direção própria e se diferenciou das demais atividades, prin- cipalmente porque: a) não teve efeito multiplicador no desenvolvi- mento de atividades econômicas secundárias junto às minas e nas pradarias do Rio Grande. b) interiorizou a formação de um mercado consu- midor e propiciou surto urbano considerável. c) o ouro brasileiro, sendo dependente do mer- cado externo, não resistiu à influência exer- cida pela prata das minas de Potosi. d) representou forte obstáculo às relações favo- ráveis à Metrópole e não educou o colonizado para a luta contra a opressão do colonizador. e) as bandeiras não foram além dos limites ter- ritoriais estabelecidos em Tordesilhas, apesar dos conflitos com os jesuítas e da ação cruel contra os indígenas do sertão sul-americano. 110 5. (Fuvest) Entre as mudanças ocorridas no Brasil Colônia durante a União Ibérica (1580-1640), destacam-se: a) a introdução do tráfico negreiro, a invasão dos holandeses no Nordeste e o início da produção de tabaco no recôncavo Baiano. b) a expansão da economia açucareira no Nor- deste, o estreitamento das relações com a Inglaterra e a expulsão dos jesuítas. c) a incorporação do Extremo-Sul, o início da exploração do ouro em Minas Gerais e a reor- denação administrativa do território. d) a expulsão dos holandeses do Nordeste, a intensificação da escravização indígena e a introdução das companhias de comércio mo- nopolistas. e) a expansão da ocupação interna pela pecuá- ria, a expulsão dos franceses e o incremento do bandeirismo. e.o. dissertativo 1. (Unicamp) Durante o século XVIII, a capi- tania de São Paulo sofreu grandes transfor- mações territoriais e administrativas. Em 1709, nasceu a capitania de São Paulo e das Minas do ouro, abrangendo imenso territó- rio correspondente à quase totalidade das atuais regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, à exceção da então capitania do Rio de Janei- ro e do Espírito Santo. Até 1748, sucessivos desmembramentos formaram as regiões de Minas, Santa Catarina, Rio Grande de São Pe- dro, Goiás e Mato Grosso. O novo capitão-ge- neral, mais conhecido como Morgado de Ma- teus, foi diretamente instruído pelo futuro Marquês de Pombal a ocupar-se da fronteira oeste ameaçada pelos espanhóis e a fomen- tar a produção de gêneros de exportação. (Adaptado de Ana Paula Medicci, “São Paulo nos projetos de império”, em Wilma Peres Costa e Cecília Helena de Oliveira, De um império a outro: formação do Brasil, séculos XVIII e XIX. São Paulo: Hucitec/ Fapesp, 2007, p. 243.) a) Cite duas atividades econômicas que susten- tavam a capitania de São Paulo no século XVIII. b) Considerando a política territorial na Amé- rica Portuguesa nos séculos XVI e XVII, co- mente as mudanças significativas do século XVIII nesse aspecto. 2. (UFMG) Durante a década de 1810, com a Corte Portuguesa no Rio de Janeiro, muitos estrangeiros vieram ao Brasil e elaboraram relatos sobre as populações que viviam no País. Analise este mapa: Ri o Sã o Fr an ci sc o N Goiás M I N A S G E R A I S Tejuco Serro do Frio Vila do Príncipe Sabará Vila do Carmo (Mariana) Vila Rica (Ouro Preto) São João d’ El Rei Rio P araíb a Rio de Janeiro São Paulo Oc ean o Atl ânt ico LOCKHART, James; SCHWARTZ, Stuart. Early Latin America: a história of colonia Spanish America and Brazil. Cambridge: Cambridge University Press, 1983. p. 371; (Adaptado) Leia, estes dois trechos de relatos de viajan- tes europeus sobre quilombos existentes no oeste de Minas Gerais, entre fins do século XVIII e início do século XIX: TRECHO I [...] a região foi descoberta por negros que para ali fugiam de diversas partes da Pro- víncia de Minas. Esses homens tornaram-se ousados e começaram a deixar seus escon- derijos no mato e a levar intranquilidade aos fazendeiros vizinhos. Enviaram-se então soldados em sua perseguição, e a maioria foi capturada. SAINT HILAIRE, Auguste. Wagem Nascente do Rio São Francisco. Belo Horizonte: ltatiaia, 1975. p. 129. TRECHO II Anos atrás, ali onde se encontra a fazenda do Quilombo, formara-se uma pequena re- pública de negros, escravos fugitivos. Ali passaram algum tempo em paz e felicidade, até que, descobertos, foram perseguidos de maneira cruel. Poucos escaparam vivos. ESCHWEGE, Wilhem Ludwig von. Brasil, Novo Mundo. Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, 1996. p.103. A partir da análise do mapa e da leitura dos dois trechos, bem como considerando outros conhecimentos sobre o assunto: a) Explique o que representavam os quilombos para as autoridades e para os escravos na sociedade mineira. b) Cite um motivo que contribuiu para a forma- ção de quilombos na região oeste de Minas Gerais, no século XVIII. c) Indique uma diferença fundamental entre as interpretações sobre os quilombos feitas por Saint-Hilaire e por Eschwege. 111 TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Um exemplo de embaixada alegórica é apre- sentado no vídeo Festa do Rosário dos Ho- mens Pretos do Serro, que começa com a nar- ração da seguinte história. “Dizem que Nossa Senhora tava no meio do mar. Aí vieram os caboclos e lhe chamaram, mas ela não veio não. Depois vieram os ma- rujos brancos, mas ela só balanceou. Aí che- garam os catopês. Eles cantaram, tocaram só com caco de cuia e lata veia. Ela gostou de- les, teve pena deles e saiu do mar”. Trata-se de um mito de reconciliação e in- tegração, bem como de uma compensação simbólica para a experiência histórica de escravidão negra em Minas Gerais. Essa ex- periência é abertamente expressa em muitos textos musicais das congadas. José Jorge de Carvalho. Um panorama da música afrobrasileira. In: Série Antropologia. Brasília: Editora da UnB, 2000. 3. (UnB) A partir do texto acima, julgue o item a seguir. A experiência histórica da escravidão negra mencionada no texto difere da experiência do regime de trabalho vigente na agroindús- tria açucareira nordestina, porque, na região mineradora,a rigidez das instituições e das normas vigentes impedia tanto a eventual al- forria de escravos quanto a mobilidade social. 4. (UFMG) Observe este mapa: Tratados de Limites Tratado de Madri (1750) Tratado de Tordesilhas (1494) Belém São Luís Fortalesa Natal Recife Rio de Janeiro São Paulo Rio Oiap oque Rio Ama zonas Rio S ão Fr ancis co Ri o To ca nt in s Ri o Pa ra ná M er id ia no d e To rd es ilh as AMÉRICA PORTUGUESA OCEANO ATLÂNTICOOCEANOPACÍFICO TERRA DA ESPANHA Rio Ibicuí Castilhos Grande Buenos Aires Montevidéu 0 407 814 km RESENDE, Maria Efigênia Lages; MORAES, Ana Maria. Atlas Histórico do Brasil. Belo Horizonte: Vigília, 1987, p. 35. (Adaptado) Nesse mapa, estão representados os limites territoriais da Colônia Portuguesa na Améri- ca estabelecidos pelo Tratado de Tordesilhas, em 1494, e pelo Tratado de Madri, em 1750. a) Considerando os respectivos períodos histó- ricos, identifique e explique uma diferença que caracteriza o traçado correspondente a cada um desses tratados. Tratado de Tordesilhas: Tratado de Madri: b) Caracterize o contexto em que cada um des- ses tratados foi estabelecido. Tratado de Tordesilhas: Tratado de Madri: 5. (UnB) Em termos de contribuição para o or- denamento territorial, sobressai, na Região de Influência da Estrada Real, o processo de ocupação e de constituição de núcleos pio- neiros de atividade econômica — como fo- ram os polos de mineração —, e a criação e a organização de aldeias, vilas e cidades, muitas das quais incorporavam arruamen- tos, infraestruturas, serviços básicos e téc- nicas construtivas do mais elevado nível tec- nológico, equivalente àquele prevalente no Portugal de correspondente época. G.D. Calaes; G.Ferreira (Eds). A estrada real e a transferência da corte portuguesa. Programa Rumys – Projeto Estrada Real. Rio de Janeiro: CETEM/MCT/ CNPq/CYTED, 2009, p. 36 (com adaptações). A partir das informações acima, julgue os itens seguir. a) No século XVIII, o desenvolvimento da eco- nomia mineradora na região da Estrada Real foi acompanhado de significativos movimen- tos populacionais e culminou com o desloca- mento do eixo administrativo e econômico do Brasil colônia para a região Centro-Sul. É nesse contexto que se pode entender a trans- ferência da capital do Vice-Reinado do Brasil, de Belém para o Rio de Janeiro, em 1763. b) No século XVIII, no Centro-Sul do Brasil Colônia, onde se encontram atualmente as cidades de Goiás e Pirenópolis, surgiu a ca- pitania de Goiás. O modelo de organização urbana e econômica utilizado nas cidades dessa capitania, que esteve na Região de In- fluência da Estrada Real, serviu de base para a criação do Distrito Diamantino, retardatá- rio com relação ao processo de expansão da atividade de extrativismo mineral no Brasil. 6. (Unesp) A pecuária, ao longo de praticamen- te todo período colonial brasileiro, foi uma atividade econômica sempre secundária, mas sempre em expansão, ao contrário do que ocorreu com a agricultura canavieira e com a mineração aurífera. Explique, com relação à pecuária, o porquê destas características. 7. (Unicamp) O aprisionamento de indígenas pelos bandeirantes foi uma forma de obter mão de obra para a lavoura e para o trans- porte. No litoral, o preço dos indígenas era bem menor que o dos escravos negros - o que interessava aos colonos menos abonados. O sistema de apresamento consistia em man- ter boas relações com uma tribo indígena e aproveitar seu estado de guerra quase per- manente com seus adversários, para con- vencê-Ia a Ihes ceder os vencidos, os quais costumeiramente eram devorados em rituais antropofágicos. (Adaptado de Laima Mesgravis. “De bandeirante a fazendeiro”. In: Paula Porta (org.), “História da cidade de São Paulo: a cidade colonial, 1554-1822”. São Paulo: Paz e Terra, 2004. vol. 1. p. 117.) a) O que foram as bandeiras? b) Por que o aprisionamento dos indígenas in- teressava aos bandeirantes e aos colonos? c) O que eram rituais antropofágicos? 112 8. (UFRRJ) “E posto que sejam muitos os currais da parte da Bahia, chegam a muito maior número os de Pernambuco, cujo sertão se estende pela costa desde a cidade de Olinda até o Rio São Francisco (...). Sendo o sertão da Bahia tão dilatado, (...) quase tudo pertence a duas das principais famílias da mesma cidade. (...) Porque a Casa da Torre tem duzentas e setenta léguas pelo Rio São Francisco acima à mão direita, indo para o sul; e indo do dito rio para o norte, chega a oitenta léguas”. (ANTONIL, “Cultura e Opulência por suas Drogas e Minas” - edição fac-similar da edição Princeps de 1711. Recife, Imprensa Universitária da EFPE, 1969, p.184 - 186.) A criação de gado tornou-se uma das atividades econômicas mais importantes da América Portuguesa. a) Cite uma semelhança e uma diferença entre a atividade criatória e a produção açucareira no Brasil Colônia. b) Explique o deslocamento do eixo econômico da Colônia do Nordeste para o Sudeste durante o século XVIII. 9. (UFRJ) Ano de 1730, Comarca do Rio das Mortes de Minas Gerais. Depois de uma série de desaven- ças, Felisberto Caldeira Brant ordenara matar o Dr. Antônio da Cunha Silveira, então ouvidor-geral (representante da justiça régia na localidade). Tendo sobrevivido, o ouvidor tentou prender o seu desafeto, mas sem sucesso: Brant estava protegido por mais de cem escravos armados, e outros tantos homens livres, brancos que viviam a sua devoção, dentro de sua casa. Fonte: Adaptado da “Carta de D. Lourenço de Almeida, governador de Minas, ao Rei, escrita em 1730, queixando-se do procedimento de Felisberto Caldeira Brant”. ARQUIVO HISTÓRICO ULTRAMARINO, COLEÇÃO MINAS GERAIS. Caixa. 17, documento 35, Código 1643. a) Identifique nesses acontecimentos uma passagem que contrarie a ideia, tradicional na historiografia brasileira, da absoluta subserviência dos colonos frente à vontade metropolitana. b) Retire do texto uma passagem que contrarie a ideia, igualmente clássica na historiografia nacional, de uma contínua e insuperável oposição de interesses entre senhores e escravos. 10. (UFG) Leia o fragmento a seguir: [...] pois que sendo menor o número das fábricas de mineirar que ficam ao sul de São Félix, elas renderam ao quinto na Casa Real de Fundição, em 1777, 216 marcos de ouro, e as do norte, 38 marcos. Isso demonstra que, apesar da maior extensão do terreno e o maior número de escravos ocupado no exercício de mineirar, há muito extravio do ouro e a necessidade de empregar a maior vigilância para evitar esse roubo no norte. Relatório do governador José de Vasconcelos. In: PALACÍN, Luís et al. “História de Goiás em documentos”. Goiânia: Ed. da UFG, 2001. p. 97-98. [Adaptado]. O documento acima ressalta as dificuldades da coleta do tributo régio do quinto. No que se refere à mineração na capitania de Goiás colonial e ao controle da extração aurífera: a) explique a razão da diferença de arrecadação do quinto entre as regiões mineradoras do norte e do sul. b) analise a função desempenhada pelas duas Casas Reais de Fundição (Vila Boa e São Félix). e.o. enem 1. Rio Negro Belém Recife Salvador Vitória Rio de Janeiro São Paulo Belo Horizonte Cuiabá Porto Velho Rio Branco Rio Am azona s Ri o Ta pa jó s Ri o Xi ng u Ri o Pa rn aí ba Ri o Sã o Fr an cis co Laguna 0 300milhas 0 500km Laguna Ri o Pa ra ná Ri o Ur ug ua i Fronteira do Tratado de Tordesilhas (1494) Território português conforme o Tratado de Tordesilhas Território português com base no Tratado de Madri (1750) Fronteira do Tratado de San IldefonsoBETHEL, L. História da América. V. I. Sçao Paulo: Edusp, 1997. 113 As terras brasileiras foram divididas por meio de tratados entre Portugal e Espanha. De acordo com esses tratados, identificados no mapa, conclui-se que: a) Portugal, pelo Tratado de Tordesilhas, deti- nha o controle da foz do rio Amazonas. b) o Tratado de Tordesilhas utilizava os rios como limite físico da América portuguesa. c) o Tratado de Madri reconheceu a expansão portuguesa além da linha de Tordesilhas. d) Portugal, pelo Tratado de San Ildefonso, per- dia territórios na América em relação ao de Tordesilhas. e) o Tratado de Madri criou a divisão adminis- trativa da América Portuguesa em Vice-Rei- nos Oriental e Ocidental. 2. O índio era o único elemento então disponí- vel para ajudar o colonizador como agricultor, pescador, guia, conhecedor da natureza tropi- cal e, para tudo isso, deveria ser tratado como gente, ter reconhecidas sua inocência e alma na medida do possível. A discussão religiosa e jurídica em torno dos limites da liberdade dos índios se confundiu com uma disputa entre jesuítas e colonos. Os padres se apresentavam como defensores da liberdade, enfrentando a cobiça desenfreada dos colonos. CALDEIRA, J. A nação mercantilista. São Paulo: Editora 34, 1999 (adaptado). Entre os séculos XVI e XVIII, os jesuítas bus- caram a conversão dos indígenas ao catoli- cismo. Essa aproximação dos jesuítas em re- lação ao mundo indígena foi mediada pela: a) demarcação do território indígena. b) manutenção da organização familiar. c) valorização dos líderes religiosos indígenas. d) preservação do costume das moradias coletivas. e) comunicação pela língua geral baseada no tupi. 3. Os tropeiros foram figuras decisivas na for- mação de vilarejos e cidades do Brasil colo- nial. A palavra tropeiro vem de “tropa” que, no passado, se referia ao conjunto de ho- mens que transportava gado e mercadoria. Por volta do século XVIII, muita coisa era le- vada de um lugar a outro no lombo de mulas. O tropeirismo acabou associado à atividade mineradora, cujo auge foi a exploração de ouro em Minas Gerais e, mais tarde, em Goi- ás. A extração de pedras preciosas também atraiu grandes contingentes populacionais para as novas áreas e, por isso, era cada vez mais necessário dispor de alimentos e pro- dutos básicos. A alimentação dos tropeiros era constituída por toucinho, feijão preto, farinha, pimenta-do-reino, café, fubá e coi- té (um molho de vinagre com fruto cáustico espremido). sem molho com pedaços de carne de sol e toucinho, que era servido com farofa e couve picada. O feijão tropeiro é um dos pratos tí- picos da cozinha mineira e recebe esse nome porque era preparado pelos cozinheiros das tropas que conduziam o gado. Disponível em http://www.tribunadoplanalto. com.br. Acesso em: 27 nov. 2008. A criação do feijão tropeiro na culinária bra- sileira está relacionada à: a) atividade comercial exercida pelos homens que trabalhavam nas minas. b) atividade culinária exercida pelos moradores cozinheiros que viviam nas regiões das minas. c) atividade mercantil exercida pelos homens que transportavam gado e mercadoria. d) atividade agropecuária exercida pelos tropei- ros que necessitavam dispor de alimentos. e) atividade mineradora exercida pelos tropei- ros no auge da exploração do ouro. 4. O mapa a seguir apresenta parte do contorno da América do Sul destacando a bacia ama- zônica. Os pontos assinalados representam fortificações militares instaladas no século XVIII pelos portugueses. A linha indica o Tratado de Tordesilhas revogado pelo Trata- do de Madri, apenas em 1750. Adaptado de Carlos de Meira Mattos. Geopolítica e teoria de fronteiras. Adaptado de Carlos de Meira Mattos. Geopolítica e teoria de fronteiras. Pode-se afirmar que a construção dos fortes pelos portugueses visava, principalmente, dominar: a) militarmente a bacia hidrográfica do Amazonas. b) economicamente as grandes rotas comerciais. c) as fronteiras entre nações indígenas. d) o escoamento da produção agrícola. e) o potencial de pesca da região. GaBarito E.O. Teste I 1. B 2. A 3. C 4. E 5. B 6. C 7. C 8. D 9. B 10. A 114 E.O. Teste II 1. C 2. C 3. E 4. E 5. B 6. B 7. C 8. B 9. D 10. E E.O. Teste III 1. A 2. A 3. E 4. B 5. E E.O. Dissertativo 1. a) A capitania de São Paulo conheceu inten- so desenvolvimento no século XVIII devi- do à mineração. Como o texto destaca, as duas regiões integravam a mesma capita- nia. Pensando na região que atualmente é denominada de São Paulo, destacava-se o comércio de passagem, como a prin- cipal atividade, com destino às regiões mineradoras – inclusive Goiás – tanto de gêneros agrícolas, como de animais pro- venientes do sul. b) Nesse período houve grande preocupação com as redefinições das fronteiras, pois brasileiros ocupavam porções significa- tivas além do limite de Tordesilhas. Ati- vidades mineradoras e de exploração de drogas do sertão na região norte. Diver- sos tratados de limites foram assinados, destacando-se o Tratado de Madri, que mais que duplicou o território brasileiro. 2. a) Para as autoridades, os quilombos repre- sentavam uma subversão à ordem; uma comunidade formada por escravos foragi- dos, propensos ao banditismo, represen- tando constante ameaça aos fazendeiros – vistos como os “homens de bem”. b) Durante todo o século XVIII, devido à mineração, a região conheceu grande crescimento, e a população de escravos se ampliou em escala vertiginosa. Che- gavam escravos novos da África, mas, também, de outras regiões da colônia. As eventuais fugas deram origem a essas comunidades, em locais mais afastados das principais áreas mineradoras ou das principais rotas de comércio que ligavam a região a áreas portuárias a leste. c) Enquanto o primeiro analisa os quilom- bolas como uma ameaça aos fazendeiros da região, o segundo considera que os foragidos viviam isolados em “paz e feli- cidade”, portanto, sem molestar as comu- nidades ou fazendas vizinhas. 3. Incorreto. De uma forma geral, o regime de trabalho, no nordeste açucareiro e na região mineradora, se assemelhava, apoiado na es- cravidão africana; no entanto, nas minas do século XVIII, encontramos novas relações so- ciais, que são exceção, porém novidades dife- renciadas, como a possibilidade de alforria ou mesmo o “negro de ganho”, nas áreas urba- nas. 4. a) Tratado de Tordesilhas: a linha de Tor- desilhas é imaginária e foi estabelecida para dividir o mundo entre Portugal e Espanha; Tratado de Madri: a linha de- marcatória divide as terras de Portugal e Espanha na América e baseia-se no prin- cípio do uti possidetis, que leva em con- sideração a ocupação dessas regiões b) O Tratado de Tordesilhas foi definido em 1494, época em que apenas Portugal e Espanha realizavam a expansão maríti- ma e a conquista de terras fora da Euro- pa. As duas nações eram as grandes po- tencias econômicas europeias. O Tratado de Madri foi definido em 1750, época de apogeu da exploração aurífera no Brasil, que garantia riqueza significativa para Portugal; ao mesmo tempo, a Espanha vivia um período de decadência, com a redução da extração de minérios em suas colônias e com a derrota na Guerra de Su- cessão, encerrada em 1715, que a forçou a fazer diversas concessões. 5. a) Incorreto. – o erro na afirmação está no fato de considerar que a antiga capital do Brasil era Belém. A Capital foi transferida de SALVADOR para o Rio de Janeiro b) Incorreto. – a Estrada Real fez a ligação da região mineradora ao Rio de Janeiro e, portanto, não esta relacionada à ocupa- ção de terras a oeste, como as regiões de Goiás. 6. A estrutura de exploração da colônia baseou--se nos interesses mercantilistas de sua res- pectiva metrópole. Sob esse ponto de vista, Portugal interessou-se pela agricultura em grande escala da cana-de-açúcar e, poste- riormente, pela mineração, fonte de riqueza. Nesse sentido, a pecuária foi uma atividade complementar, destinada ao mercado inter- no e que não representou fonte de lucro para a metrópole. A partir da pecuária, as regiões onde se desenvolveram a agricultura e mine- ração foram abastecidas de animais para o transporte e até mesmo de carne. 7. a) Expedições organizadas pelos paulistas nos séculos XVII e XVIII, para penetração pelo interior do Brasil, visando ao apre- samento de índios, à busca de minerais preciosos e à destruição de quilombos. 115 b) Para os bandeirantes, o apresamento de índios era uma atividade econômica lucrativa. Para os colonos, o preço dos indígenas capturados para servirem de escravos era inferior em relação ao dos escravos negros e sua disponibilidade supria momentos de maior demanda por mão de obra escrava. c) Cerimônias realizadas por alguns grupos indígenas nas quais devoravam seus inimigos com base na crença de que se nutrindo da carne deles, estariam incorporando suas virtudes de guerreiro. 8. a) Semelhança: as duas eram realizadas em grandes propriedades. Diferença: a atividade criatória voltava-se para o mercado interno, enquanto a produção açuca- reira era voltada para a exportação. b) O deslocamento do eixo econômico deveu-se, essencialmente, à exploração mineral no Sudeste e à crise do açúcar no Nordeste. 9. a) Identificar a passagem em que Felisberto Caldeira Brant ordena matar o ouvidor-geral. Pode-se também sublinhar o conflito aberto entre Caldeira Brant e o representante da metrópole e o fato de que o ouvidor-geral não conseguiu impor sua autoridade como representante da Coroa. b) Selecionar o seguinte trecho: “Brant estava protegido por mais de cem negros armados...”. 10. a) A diferença está no fato de o contrabando do ouro ser maior no norte devido às dificuldade de controle para impedir esse extravio. O ouro bruto era mais facilmente contrabandeado. b) A função era fundir o ouro extraído na capitania, retirar a quinta parte para o tributo régio da Metrópole, transformá-lo em barras com o selo da Coroa portuguesa e ampliar o controle da produção para aumentar a arrecadação. E.O. Enem 1. C 2. E 3. C 4. A © Vi to ria no Ju nio r/S hu tte rs to ck A crise do sistema colonial: revoltas nativas e movimentos emancipacionistas Aulas 11 e 12 117 © Vi to ria no Ju nio r/S hu tte rs to ck O sistema cOlOnial em crise © Jo ha nn M ori tz Ru ge nd as /W iki me dia Co mm on s “Animai-vos, Povo baiense, que está para chegar o tempo feliz da nossa Liberdade: o tempo em que to- dos seremos irmãos, o tempo em que todos seremos iguais.” Conteúdo de um dos panfletos distribuídos em Salvador pelos conjurados baianos. A crise do mercantilismo A colonização estruturou-se como empresa mercantil de exploração colonial em benefício da Metrópole. Portan- to, a colonização é presidida pelo capitalismo comercial, cujas práticas são denominadas mercantilismo, coman- dadas e gerenciadas pelos Estados modernos europeus. O absolutismo é a expressão política do Estado moderno, encarnado na figura do rei, comandante da po- lítica econômica mercantilista que tem no sistema colonial uma das alavancas da acumulação primitiva do capital. O mercantilismo entrou em crise no final do século XVIII, contestado pelos teóricos do liberalismo econômico que denunciam o intervencionismo do Es- tado absoluto na vida econômica e pressionado pelo contínuo crescimento do capitalismo industrial europeu – iniciado com a Revolução Industrial, na Inglaterra –, que exigia liberdade de iniciativa e concorrência. Dessa forma, se a política econômica mercantilista, da qual dependia o sistema colonial, estava em crise, significava que todo o sistema atravessava essa crise: metrópole e sistema absolutista. Em pleno século XVIII, Portugal já se encontrava em franca decadência econômica e inteiramente depen- dente do capitalismo inglês. As contradições da colonização Mas a crise do sistema colonial brasileiro resultou, além do colapso do mercantilismo português, das próprias contradições internas da colonização. Não se pode ne- gar que, apesar de seu caráter explorador, a coloniza- ção promoveu o crescimento da Colônia. Para montar a empresa colonial foi obrigada a promover uma série de investimentos. A partir da segunda metade do século XVIII, exa- tamente por ocasião do apogeu da economia minera- dora, as relações e interesses entre a Colônia e a Metró- pole começaram a mostrar todas as suas contradições. O regime de monopólios, a severa fiscalização, a alta tributação revelaram todo o peso suportado pela população colonial, que demonstrou cada vez mais sua impaciência. Na verdade, o surgimento de novas ideias, o Iluminismo, as transformações econômicas ocorridas no interior do sistema mercantil, as mudanças sociais cada vez mais significativas, além do desenvolvimento das colônias criaram as condições para as reivindica- ções pelas mudanças nas relações colônia-metrópole e alimentaram o sonho de liberdade de, pelo menos, parte da população colonial. 118 revOltas nativistas As primeiras rebeliões não se manifestaram com a ideia de conseguir a independência do Brasil, mas eram a expressão dos conflitos de interesses entre os habitantes da Colônia e os portugueses ou reinóis. Essas manifes- tações, chamadas rebeliões nativistas, por serem revoltas dominadas pela população “nativa”, a princípio apenas contestavam aspectos específicos do Pacto Colonial e não a dominação da Metrópole. Elas tinham um caráter regionalista sem nenhuma consciência nacional, uma vez que a ideia de nação foi construída posteriormente, bem como a de Brasil como a expressão do país. Ocorreram entres os anos de 1641 e 1720 e foram, na prática, esfor- ços de contestação contra certos aspectos da exploração colonial. Quando contestaram a dominação portuguesa, fizeram-no regionalmente. Há que se ter claro que a Colônia era formada por várias regiões, com a população dispersa e com vidas inde- pendentes umas das outras. Os latifundiários estavam ligados diretamente aos interesses de Portugal; a grande maio- ria da população não se considerava brasileira nem tinha o sentimento de pertencer a uma pátria ou nação. A existên- cia de uma massa de escravos e de uma parcela significativa de homens livres, desprovidos de qualquer propriedade, a não ser a deles mesmo, era um grande complicador para o sentimento de unidade e de luta por interesses comuns. Somente um século depois, em virtude de certa difusão das ideias liberais, quando a crise do Sistema Co- lonial agravou-se e a situação internacional tornou-se propícia, é que as rebeliões coloniais adquiriram caráter de libertação. Além disso, o agravamento das dificuldades econômicas dos latifundiários, que provocava dificuldades para o conjunto dos setores econômicos da colônia, aliadas ao arrocho da exploração colonial, tornaram-se um grande fomentador da reação colonial. Revoltas nativistas AMAZONAS PARÁ RORAIMA AMAPÁ ACRE RONDÔNIA MATO GROSSO TOCANTINS MARANHÃO PIAUÍ CEARÁ BAHIA PARAÍBA RIO GRANDE DO NORTE ALAGOAS PERNAMBUCO SERGIPE DISTRITO FEDERAL GOIÁS MINAS GERAIS ESPÍRITO SANTO RIO DE JANEIRO SÃO PAULO MATO GROSSO DO SUL PARANÁ SANTA CATARINA RIO GRANDE DO SUL Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste OCE ANOATL ÂNT ICO N 0 250 500km Guerra dos Emboabas 1708 Revolta de Vila Rica 1720 Quilombo dos Palmares 1630-1694 Guerra dos Mascates 1710 Revolta de Beckman 1684 OCEANO ATLÂNTICO OC EA NO P AC ÍF IC O Fonte:www.estudopratico.com.br/revoltas-nativistas-história-do-brasilFonte: <www.estudopratico.com.br/revoltas-nativistas-história-do-brasil>. A aclamação de Amador Bueno (1641) No início do século XVII, as condições econômicas da região de São Vicente eram precárias, sustentando-se basi- camente no apresamento de índios. Os jesuítas eram contrários à escravidão indígena praticada pelos bandeiran- tes, exigindo que a Metrópole a proibisse. As autoridades da Colônia não aceitaram a interdição metropolitana 119 e incentivaram a expulsão dos jesuítas e, em 1641, ocorreu a “botada dos pa- dres fora”. No mesmo ano, os paulistas, incentivados pelos espanhóis que mora- vam na região, tentaram desligar-se de Portugal, aclamando rei Amador Bueno de Ribeira, membro de uma abastada família de origem hispânica. Na verdade, os espanhóis não queriam submeter-se ao novo rei de Portugal, D. João IV, quando receberam a notícia como um duro golpe nas suas pretensões de submeterem aquela re- gião ao domínio de Castela. A notícia da coroação do novo rei foi recebida festivamente tanto em Salvador como no Rio de Janeiro. Em São Paulo, porém, a população reagiu de forma diferente, seja em razão da atitude dos espanhóis de insuflar a população contra Portugal, seja em virtude do desejo dos paulistas em manter o comércio com a região do rio da Prata. Grande número de pessoas dirigiu-se à casa de Amador Bueno, aclamando-o rei de São Paulo. No entanto, graças à obstinada recusa do aclamado, o ânimo da população esfriou e o movimento não chegou a passar de um simples episódio, porém, significativo: era cada vez mais possível con- gregar pessoas contra Portugal. A Revolta de Beckman (1684) Pernambuco e Bahia utilizavam, nas zonas açucareiras, quase a totalidade dos escravos negros chegados ao Brasil. Em razão disso, sempre havia problemas de falta de mão de obra escrava nas diversas unidades produtoras da colônia. No Maranhão, a falta de escravos para as plantações tornou-se um grave problema. A solução encontrada pelos proprietários de terras foi a escravização do indígena. Mas, logo se defrontaram com a resistência dos jesuítas que se opunham à escravização dos índios. Para agravar a situação, em 1653, chegou ao Brasil um novo contin- gente de jesuítas, entre os quais estava o padre Antônio Vieira, engrossando o número de jesuítas no Maranhão e fortalecendo a sua condição de opositores à escravidão indígena. Buscando uma solução para a questão da escassez de braços escravos, a Coroa portuguesa criou a Com- panhia Geral de Comércio do Maranhão, responsável pelo monopólio do comércio de escravos na região pelo pe- ríodo de 20 anos. Ela deveria garantir a entrega, na capitania, de 500 negros escravos por ano. Com essa atitude, o rei pretendia solucionar o problema da mão de obra, bem como agradar os jesuítas, proibindo a escravização dos indígenas. A Companhia do Maranhão deveria, ainda, fornecer aos habitantes do Maranhão gêneros alimentícios importados – bacalhau, vinho, farinha de trigo – e adquirir tudo o que fosse produzido na região, para exportação. Em outras palavras, a finalidade da Companhia era controlar todo o comércio do estado do Maranhão. Mas a Companhia de Comércio do Maranhão não cumpriu suas funções de modo satisfatório: trazia escravos em números insuficientes e caros; seus produtos eram de baixa qualidade e os preços, elevados. A companhia também não oferecia preços satisfatórios para os produtos produzidos pelos colonos. Esses fatores geraram grande desconten- tamento e levaram a uma revolta contra a Companhia de Comércio do Maranhão e contra os jesuítas. © O sc ar Pe rei ra da Si lva /W iki me dia Co mm on s Amador Bueno não aceitou a coroa de rei, foi perseguido pelos paulistas e refugiou-se no Mosteito de São Bento, em São Paulo. Óleo, de Oscar Pereira da Silva. 120 Comandados pelos irmãos Manoel e Tomás Be- ckman e Jorge Sampaio, grandes proprietários de terras auxiliados por outros fazendeiros, os colonos expulsa- ram os jesuítas do Maranhão, fecharam os armazéns da Companhia de Comércio e tomaram o poder na capi- tania. Mas como não tinham um projeto autonomista, solicitaram a intervenção da Metrópole. Lá, a revolta levou à abolição do estanco da Companhia e à nomeação de novo governador para o estado do Maranhão, Gomes Freire de Andrade. Ao chegar, em 1685, determinou a prisão e o enforcamen- to dos líderes da rebelião e a condenação dos demais envolvidos à prisão perpétua ou ao degredo. A Guerra dos Emboabas (1708-1709) A descoberta dos metais preciosos em Minas Gerais e a divulgação dessa notícia na colônia e em Portugal fi- zeram com que milhares de pessoas se dirigissem para a região. Os paulistas ficaram profundamente incomoda- dos com esse grande fluxo de forasteiros para a região, uma vez que atribuíam a si a façanha de descobridores das minas, bem como a de direito exclusivo de explora- ção delas, uma vez que foram encontradas em seu ter- ritório. Os portugueses, no entanto, representantes da Coroa na colônia, acharam-se no legítimo direito desse privilégio e assumiram a exclusividade da exploração das minas. Os paulistas referiam-se aos portugueses com o apelido pejorativo de emboabas, palavra indígena que, segundo alguns autores, significava “aves de pés reco- bertos de penas”. Eles usavam botas ou rolos de pano protegendo os pés, enquanto os paulistas andavam ge- ralmente descalços. Uma série de conflitos armados ocorreu na re- gião, liderados pelo bandeirante paulista Manuel de Borba Gato. Liderados pelo português Manuel Nunes Viana, governador das Minas, os portugueses atacaram os paulistas em Sabará (MG). Um grupo de mais ou menos 300 paulistas enfrentou os portugueses e seus aliados. Mesmo assim, foram derrotados e obrigados a se render. Em fevereiro de 1709, o chefe dos emboabas, Bento do Amaral Coutinho, desrespeitou as normas do tratado de rendição e atacou os paulistas e chacinou-os. O local passou a ser chamado Capão da Traição. O governador geral Antônio Coelho de Carvalho imediatamente interveio e obrigou Nunes Viana a dei- xar a região. Derrotados e vendo parte dos seus dizimados, grande parte dos paulistas retiraram-se da região em di- reção ao interior do sertão. Descobriram novas minas e iniciaram a ocupação dos territórios dos atuais estados de Mato Grosso e Goiás. Dis po nív el em : < ht tp :// ww w. pa no ram io. co m> Consequências da Guerra dos Emboabas: § criação de normas reguladoras da distribuição de lavras entre emboabas e paulistas e cobrança do quinto; § criação da capitania de São Paulo e das Minas de Ouro, ligada diretamente à Coroa, indepen- dente, portanto, do governo do Rio de Janeiro (3 de novembro de 1709); § elevação da vila de São Paulo à categoria de ci- dade (11 de junho de 1711); e § pacificação da região das minas, cujo controle passou a ser administrado pela Metrópole. Borba Gato 121 A Guerra dos Mascates (1710-1711) O conflito denominado Guerra dos Mascastes foi a expressão das diferenças de interesses entre os senhores de engenho cuja maioria morava em Olinda, então sede do poder público da capitania de Pernambuco, e os comer- ciantes do Recife, portugueses na sua maioria, denominados pejorativamente de mascates. A luta entre os