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2 Geografia para Vestibular Medicina 2ª edição • São Paulo • 2016 hexag SISTEMA DE ENSINO GEOGRAFIA CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologias Vinicius Gruppo Hilário hexag SISTEMA DE ENSINO © Hexag Editora, 2016 Direitos desta edição: Hexag Editora Ltda. São Paulo, 2016 Todos os direitos reservados. Autor Vinícius Gruppo Hilário Diretor geral Herlan Fellini Coordenador geral Raphael de Souza Motta Responsabilidade editorial Hexag Editora Diretor editorial Pedro Tadeu Batista Editor Alessandro Fagundes Lima Alessandra Alves Tuanny Maia Costa Revisor Delano Malta Pesquisa iconográfica Camila Dalafina Coelho Programação visual Hexag Editora Editoração eletrônica Arthur Tahan Miguel Torres Bruno Alves Oliveira Cruz Camila Dalafina Coelho Eder Carlos Bastos de Lima Raphael de Souza Motta Capa Hexag Editora Fotos da capa (de cima para baixo) http://www.fcm.unicamp.br Acervo digital da USP (versão beta) http://www.baia-turismo.com Impressão e acabamento Imagem Digital ISBN: 978-85-68999-09-7 Todas as citações de textos contidas neste livro didático estão de acordo com a legislação, tendo por fim único e exclusivo o ensino. Caso exista algum texto, a respeito do qual seja necessária a inclusão de informação adicional, ficamos à disposição para o contato pertinente. Do mesmo modo, fizemos todos os esforços para identificar e localizar os titulares dos direitos sobre as imagens publicadas e estamos à disposição para suprir eventual omissão de crédito em futuras edições. O material de publicidade e propaganda reproduzido nesta obra está sendo usado apenas para fins didáticos, não represen- tando qualquer tipo de recomendação de produtos ou empresas por parte do(s) autor(es) e da editora. 2016 Todos os direitos reservados por Hexag Editora Ltda. Rua da Consolação, 954 – Higienópolis – São Paulo – SP CEP: 01302-000 Telefone: (11) 3259-5005 www.hexag.com.br contato@hexag.com.br CARO ALUNO, O Hexag Medicina é referência em preparação pré-vestibular de candidatos à carreira de Medicina. Desde 2010, são centenas de aprovações nos principais vestibulares de Medicina no Estado de São Paulo e em todo Brasil. Ao atualizar sua coleção de livros para 2016, o Hexag considerou o principal diferencial em relação aos concorrentes: a sua exclusiva metodologia fundamentada em três pontos – período integral, estudo orientado (E.O.) e salas reduzidas. O material didático foi, mais uma vez, aperfeiçoado e seu conteúdo enriquecido, inclusive com questões recentes dos principais vestibulares 2016. Esteticamente, houve uma melhora em seu layout, na definição das imagens e também na utilização de cores. No total, são 61 livros, distribuídos da seguinte forma: § 21 livros de Ciências da Natureza e suas tecnologias (Biologia, Física e Química); § 14 livros de Ciências Humanas e suas tecnologias (História e Geografia); § 07 livros de Linguagens, Códigos e suas tecnologias (Gramática, Literatura e Inglês); § 07 livros de Matemática e suas tecnologias; § 04 livros de Sociologia e Filosofia; § 04 livros “Entre Aspas” (Obras Literárias da Fuvest e Unicamp); § 02 livros “Entre Frases” (Estudo da Escrita – Redação); § 02 livros “Entre Textos” (Interpretação de Texto). O conteúdo dos livros foi organizado por aulas. Cada assunto contém uma rica teoria, que contempla de forma objetiva o que o aluno realmente necessita assimilar para o seu êxito nos principais vestibulares e Enem, dispensando qualquer tipo de material alternativo complementar. Os capítulos foram finalizados com cinco categorias de exercícios, trabalhadas nas sessões de Estudo Orien- tado (E.O.), como segue: § E.O. Teste I: exercícios introdutórios de múltipla escolha, para iniciar o processo de fixação da matéria estudada em aula; § E.O. Teste II: exercícios de múltipla escolha, que apresentam grau médio de dificuldade, buscando a con- solidação do aprendizado; § E.O. Teste III: exercícios de múltipla escolha com alto grau de dificuldade; § E.O. Dissertativo: exercícios dissertativos nos moldes da segunda fase da Fuvest, Unifesp, Unicamp e outros importantes vestibulares; § E.O. Enem: exercícios que abordam a aplicação de conhecimentos em situações do cotidiano, preparando o aluno para esse tipo de exame. A edição 2016 foi elaborada com muito empenho e dedicação, oferecendo ao aluno um material moderno e completo, um grande aliado para o seu sucesso nos vestibulares mais concorridos de Medicina. Herlan Fellini Aulas 9 e 10: Fatores climáticos 6 Aulas 11 e 12: Climas do Brasil 38 Aulas 13 e 14: Domínios morfoclimáticos e bioma brasileiro 64 Aulas 15 e 16: Geomorfologia do Brasil 94 CLIMATOLOGIA E GEOMORFOLOGIA © so lar se ve n/ Sh ut te rs to ck Fatores climáticos Aulas 9 e 10 7 © so lar se ve n/ Sh ut te rs to ck Clima e tempo Clima e tempo são a mesma coisa? Vejamos. Quan- do em determinado momento do dia dizemos, por exemplo, que está quente e úmido, estamos nos re- ferindo ao tempo, ou seja, às condições atmosféricas ou meteorológicas num tempo determinado. Como sabemos, as condições atmosféricas podem mudar de um instante para outro, e nesse caso o tempo já não será o mesmo. Aqui em São Paulo, no verão, é muito comum o céu estar limpo às duas horas da tar- de e desabar uma grande chuva às quatro. Portanto, o tempo é algo momentâneo ou de curta duração. Tempo são as condições atmosféricas de um deter- minado lugar em um dado momento. No entanto, quando afirmamos que Manaus é uma cidade quente e úmida, estamos nos referindo ao clima dessa cida- de, ou seja, ao seu modo permanente de ser. Manaus é e continuará sendo uma cidade quente e úmida. O clima é algo duradouro, permanente, que não muda de um momento para outro. Clima é a sucessão ha- bitual dos tipos de tempo num determinado lugar da superfície terrestre. Para se tentar estabelecer o clima de um local, é preciso observar os padrões do tempo durante, no mínimo, trinta anos. Resumindo: § Tempo é o estado da atmosfera em determi- nado momento, em um determinado lugar. § Clima é a sucessão habitual de estados de tempos em determinado lugar. Nessa perspectiva, o tempo corresponde a um momento da atmosfera em um determinado lugar, con- siderando as condições de temperatura, umidade, ne- bulosidade, deslocamento do ar (vento). Como essas variáveis são dinâmicas, o tempo sofre constantes mo- dificações, podendo mudar com frequência. Já o clima caracteriza-se pela sequência de tempos observados durante um período longo, no mínimo por 30 anos seguidos. Os elementos que ca- racterizam o tempo, que, por sua vez, determinam um tipo climático, sofrem ações de fatores naturais, como latitude, altitude, massas de ar, maritimidade, conti- nentalidade, correntes marítimas, relevo e vegetação. Esses fatores ao longo de um período influenciam determinada região de uma forma mais constante, o que nos permite dizer que o clima, por exemplo, no deserto do Saara, na África, e no de Atacama, no Chile, é sempre muito seco, ao contrário da Região Amazônica, que é muito úmido. Assim mesmo, preci- samos lembrar que o somatório das variáveis de um clima pode sofrer alteração das massas de ar e na intensidade de suas formações. Dessa forma, podem ocorrer variações no clima de uma região, como maior ou menor pluviosidade, calor ou frio mais intenso, en- tre outras. É importante saber cada vez mais sobre as con- dições do tempo de uma determinada região, cidade ou país. Aparelhos ultraprecisos e o uso de imagens de satélite, apontam as condições do tempo dentro de um certo período. Dessa forma, pode-se prever aformação de furacões, seu deslocamento, chegada de frentes frias, tempestades de neves e períodos de es- tiagem ou de chuvas intensas, geadas etc. Isso permi- te que se tomem atitudes preventivas para minimizar os efeitos de tais fenômenos, além de se poder, com frequência, prever a intensidade com que eles se da- rão. Por exemplo, em 1975, o Brasil teve uma grande quebra na safra de café em virtude de uma geada fortíssima que arrasou os cafezais no Sudeste e áreas do Centro-Oeste. Os prejuízos foram incalculáveis. © V ad ym Za its ev /S hu tte rs to ck Hoje, a ocorrência de geadas é previsível pelos serviços de meteorologia, e o alerta faz com que os agricultores tomem providências para que elas não destruam as plantações. Apesar do aperfeiçoamento da técnica da previsão meteorológica, ainda não se conseguem obter informações e da- dos que permitam fazer previsões de longa duração. 8 a atmosfera O nosso planeta Terra é envolvido por uma camada gasosa chamada atmosfera. Ela é formada por diversas cama- das gasosas que se sobrepõem por quase um mil quilômetros de altitude. Cerca de 97% da massa total da atmos- fera concentra-se nos primeiros 30 quilômetros contados a partir da superfície terrestre, onde a vida se desenvolve. A atmosfera é composta essencialmente por nitrogênio (78%) e oxigênio (21%). Somente 1% é formado por outros gases, entre eles o gás carbônico e vapor de água. À medida que nos afastamos da superfície, a quan- tidade de oxigênio da atmosfera vai diminuindo, deixando o ar rarefeito. Assim, quanto maior for a altitude, mais rarefeito será o ar. As camadas da atmosfera § Termosfera e exosfera – a termosfera está na faixa entre 80 e 400 quilômetros. Elas correspondem às porções mais elevadas da at- mosfera, compostas por camadas sucessivas de partículas chamadas íons, responsáveis por re- fletirem os sinais de rádio ao redor do nosso pla- neta. Por este motivo é que também chamamos a essas duas camadas de ionosfera. Da mesma forma que na estratosfera, a temperatura nessas camadas aumenta conforme se eleva a altitude. § Mesosfera – vai desde os 50 até os 80 quilômetros de altitude. Nesta camada a tem- peratura diminui com a altitude e o ar perma- nece rarefeito. A temperatura pode atingir até 95 ºC negativos, no limite superior. Esse é o ponto mais frio da atmosfera. § Estratosfera – está entre 12 e 50 quilômetros de altura, e sua temperatura é mais ou menos constante dos 12 aos 20 quilômetros de altitude; entre os 20 e os 50 quilômetros de distância da superfície terrestre, ela se torna mais elevada. Nesta faixa, principalmente entre os 22 e os 28 quilômetros de altura, a temperatura sobe graças ao ozônio, bem como por sua propriedade de absorver radiações de onda curta – a famosa radiação ultravioleta do Sol. Ao passo que na superfície da Terra a temperatura média é pouco inferior a 20 ºC, na camada de ozônio, atinge os 50 ºC. § Troposfera – é a camada que se inicia na superfície terrestre e vai, em média, até cerca de 12 quilômetros de altura. Perto dos polos, essa camada está entre 8 a 10 quilômetros de espessura e de 15 a 18 km, no Equador. Nela estão contidos 75% da massa gasosa total da atmosfera. Além disso, na troposfera também estão a quase totalidade dos vapores de água que envolvem o planeta hoje. Por causa disso, a maioria dos fenômenos meteo- rológicos acontece nela (correntes de ventos, nuvens, chuvas, nevascas). Nessa camada, a temperatura diminui assim que a altura aumenta, seguindo a proporção de a cada 180 metros há diminuição de 1 ºC; dessa forma, se estivermos num avião a 10 quilômetros de altura, a temperatura externa será inferior a 40 ºC negativos. Não existe uma divisão precisa em relação à altitude das camadas. Ocorre uma variação decorrente da in- fluência das condições climáticas, estações do ano e latitudes, que variam de região para região em nosso planeta Fonte: <www.estudopratico.com.br>. 9 Aquecimento terrestre O sol fornece a luz e o calor essenciais à vida, mas apenas 51% do total dos raios solares emitidos chegam à su- perfície terrestre. O restante é absorvido pela atmosfera ou refletida pelas nuvens. A quantidade de calor e luz dos raios solares que chegam à Terra é conhecida como insolação. A Terra possui formato semelhante a uma esfera, que, somado ao eixo de inclinação, provoca variações quanto ao recebimento de energia solar. Em situações de equinócio, cuja insolação é igual para ambos os hemisfé- rios, e devido à curvatura da Terra, conforme nos afastamos do Equador em direção aos polos, a mesma quantidade de insolação espalha-se por uma área cada vez maior da superfície terrestre. Nas regiões equatoriais, os raios solares incidem perpendicularmente, enquanto nas áreas polares os raios são mais inclinados; portanto, aquecem e iluminam com menos intensidade. Os raios solares são absorvidos pelas águas e pela terra que liberam uma parte da energia, aquecendo a atmosfera. A esse fenômeno chamamos irradiação. "Buraco" na camada de ozônio Na estratosfera terrestre, situada entre 10 e 50 quilômetros de al- titude, ocorre uma concentração de ozônio (O3), conhecida como camada de ozônio. Esta cama- da é de fundamental importân- cia para a existência de vida no planeta, pois ela desempenha o papel de filtro natural da Terra, na medida em que retém parte dos raios ultravioletas (UV), im- pedindo-os de chegar à superfí- cie terrestre. Em 1982, detectou-se pela primeira vez o desaparecimento de ozônio em áreas sobre a Antártida. Medições sucessivas constataram que a camada de ozônio era cada vez mais rarefeita. Atualmente, esse fenômeno pode ser percebido no polo Sul, Ártico, Chile e na Argentina. Os cientistas apontam os clorofluorcarbonos (CFC) como os maiores responsáveis pela situação. Mas existem outras substâncias que também destroem a camada de ozônio e que não são proibidas como é o caso do tetracloreto de carbono, clorofórmio, dióxido de nitrogênio, entre outros. Os CFC são compostos por cloro, flúor e carbono. Quando chegam à estratosfera, eles são decompostos pelos raios ultravioleta. O cloro resultante reage com o oxigênio, destruindo-o. O cloro liberado volta a atacar as moléculas de oxigênio, recomeçando o ciclo das reações. Cada átomo de cloro do CFC pode destruir 100 mil moléculas de oxigênio. Uma das formas para a diminuição do buraco na camada de ozônio é a não utilização do CFC. O problema é que os CFC são muito estáveis: depois de 139 anos, metade da quantidade liberada no ar ainda permanece na atmosfera. Por isso, eles têm muito tempo para subir até a estratosfera e começar o processo de destruição. Fonte: <https: commons.wikipedia.org>. Absorção e reflexão da radiação solar na atmosfera terrestre. 10 fatores ClimátiCos Latitude De maneira geral, podemos afirmar que quanto mais pró- ximos do Equador, ou seja, quanto menor a latitude, mais altas serão as temperaturas médias. O raciocínio inverso também é verdadeiro: quanto maior a latitude, menores serão as temperaturas médias. Além disso, quanto maior a latitude, maior a amplitude térmica. Por isso, a variação latitudinal é o fato mais importante na diferenciação das zonas climáticas da Terra (polar, temperada e tropical). Zonas térmicas da Terra § Zonas polares: os raios solares atingem a super- fície terrestre de maneira bastante inclinada, por- tanto, as temperaturas são as mais baixas da Terra. § Zonas temperadas: os raios incidem à superfí- cie de forma relativamente inclinada em relação à zona intertropical, desse modo as temperatu- ras são mais amenas. § Zona tropical ou intertropical: áreas que re- cebem luz solar de forma praticamente verticalem sua superfície, durante quase o ano inteiro, produz regiões com temperaturas elevadas, co- nhecida como zona tórrida ou tropical. 0º 23º27' 4. Zona polar do Norte 5. Zona polar do Sul 3. Zona temperada do Sul Círculo polar Ártico Círculo polar Antártico Trópico de Câncer Trópico de Capricórnio Equador 2. Zona temperada do Norte 1. Zona tropical 23º27' 66º33' 66º33' Fonte: <jovemastronomo.wikidot.com/zonas-termicas>. O sol da meia-noite No verão das zonas polares acontece um fenômeno conhecido popularmente como sol da meia-noite. Esse fenômeno está ligado aos períodos claros ininterruptos que acontecem nessas regiões devido ao movimento de rotação da Terra, à inclinação do eixo de rotação e ao movimento de translação. Fonte: <alunoonline.uol.com.br/geografia/movimento-translação.html>. (Adaptado) Esquema das Zonas Térmicas da Terra. Esquema referente às estações no hemisfério Sul. 11 Em dezembro, durante o solstício, o hemisfério sul fica mais iluminado do que o hemisfério norte por causa da inclinação do eixo de rotação da Terra. As re- giões de altas latitudes do hemisfério norte estão rece- bendo menos iluminação. O contrário acontece na zona polar do hemisfério sul, em julho, quando a situação inverte-se. Por causa disso, as regiões polares passam aproxi- madamente oito meses claros e quatro meses na escuri- dão. Em seis desses oito meses “claros”, o Sol fica visível e, durante dois meses, embora haja claridade, não é possí- vel enxergá-lo, pois ele fica abaixo da linha do horizonte. Configuração do relevo e altitude A configuração do relevo continental e suas altitudes in- fluenciam na dinâmica dos elementos do tempo. À medi- da que a altitude aumenta, a temperatura diminui cerca de 1 ºC, em média (a cada 180 m, aproximadamente). Pelo fato de a temperatura ser consequência da irradiação do calor existente na superfície terrestre, as camadas mais baixas são naturalmente mais quentes do que as que se encontram em maiores altitudes. Um bom exemplo de configuração de relevo e massas de ar é a cadeia de montanhas Rochosas na Costa Oeste dos Estados Unidos, que servem como barreira para os ventos úmidos vindos do oceano Pacífico. Na porção ocidental da região há mais precipitação, ao passo que na porção oriental da região a falta de umidade provoca aridez na região. Maritimidade e continentalidade A distribuição das massas líquidas (oceanos) e das mas- sas sólidas (continentes), às vezes, exerce influência muito acentuada na temperatura porque o comporta- mento térmico das rochas (meio sólido) é diferente do comportamento da água (meio líquido). Os continentes aquecem e esfriam mais rapidamente que os oceanos. O resultado disso é que as variações de temperatura (am- plitude térmica) nos primeiros são mais acentuadas que nos segundos, que aquecem e perdem calor mais len- tamente. Nas regiões próximas ao litoral, por exemplo, o calor liberado pelos oceanos ajuda a manter as tem- peraturas mais elevadas durante a noite nas estações mais frias, quando a insolação é menor. Esse fenômeno é conhecido como efeito de maritimidade. Já as regiões afastadas do mar sofrem o efeito de continentalidade: a superfície, por irradiação, perde rapidamente o calor recebido da insolação, por isso registra amplitudes tér- micas maiores. O mar funciona como um verdadeiro regulador térmico devido à sua grande capacidade de aquecimen- to e perda de calor muito mais lento do que as áreas continentais. Essas diferenças de temperatura, entre as massas de águas oceânicas e os continentes, e a velocidade com que dão o aquecimento e o resfriamento são importantíssima para a mecânica de movimentação do ar na atmos- fera e das águas nos oceanos, que recobrem dois terços do planeta. maior temperatura menor temperatura brisa marítma menor pressão brisa terrestre À noite, ocorre um processo inverso ao que se verifica durante o dia: a brisa marítima. 12 Monções Em países do Sul e do Sudeste asiático, como a Índia, o Laos e o Vietnã, a vida e as atividades econômicas, principalmente a cultura de arroz, são muito influenciadas pelos ventos de monções. Tal fenômeno acontece por causa de diferenças de aqueci- mento e resfriamento entre o continente e o oceano Índico, e a con- figuração do relevo. Nessa região, as zonas de alta e baixa pressão invertem-se durante o inverno e o verão. No período de verão do hemisfério norte (principalmente nos meses de junho e julho), o ar sobre o oceano Índico apresenta temperaturas mais baixas que o ar sobre o Sul e o Sudeste asiático. Esse fato torna a região sobre o Índico uma zona anticlinal (de mais pressão), dispersando os ventos carregados de umidade. Nessa época do ano, as chuvas são torren- ciais e causam gigantescas inundações no continente, que apresenta temperaturas menores que a área oceânica. No inverno do hemisfé- rio norte, a situação se inverte: a zona de alta pressão é no continen- te e a de baixa pressão, no oceano, fazendo com que os ventos secos do interior do continente soprem em direção ao oceano. Correntes marítimas As correntes marítimas circulam por todo o globo. Por terem características próprias de temperaturas, salinidade e pressão. Sua presença traz alterações significativas na temperatura do ar, onde elas estão. Assim, se a corrente for fria, haverá queda de temperatura na zona costeira. Por isso, em algumas áreas litorâneas dos continentes, surgem desertos. A corrente de Humboldt na costa chilena e peruana dá origem ao deserto de Atacama; e a corrente de Benguela é responsável pelo deserto do Kalahari, localizado na África Austral. Correntes quentes, por sua vez, são carregadas de umidade e também influenciam o clima. A corrente do golfo ameniza o clima na Grã-Bretanha, no litoral da península escandinava e impede o congelamento do mar do Norte no inverno. Fo nt e: m ei oa m bi en te .c ul tu ra m ix .c om 13 Vegetação A cobertura vegetal tem um papel importante na ques- tão da absorção dos raios solares como também na irra- diação dos mesmos. Quanto mais densa for a vegetação, mais dificuldade haverá para os raios solares chegarem à superfície e de seu calor ser absorvido e retido. A eva- poração da água pelas folhas dos vegetais aumenta a quantidade de vapor na atmosfera. Assim, áreas como a floresta Amazônica, muito densas, têm maior quantida- de de água em suspensão na atmosfera. Se a cobertura vegetal é retirada de uma determinada área, essa con- dição primária altera-se e ocorre mais absorção de calor, com diminuição da quantidade de evaporação. Sistemas atmosféricos De todos os fatores do clima, os sistemas atmosféricos são preponderantes para explicar a dinâmica dos tem- pos e dos climas. Você sabe o que são sistemas atmosféricos? São sistemas formados basicamente pelas mas- sas de ar, seus sistemas de circulação e suas frentes. As massas de ar são partes da atmosfera (gran- de bolsões de ar) que se formam em região de relativa homogeneidade e estão em constante movimento, car- regando as características de temperatura e de umidade de sua região de origem. Uma massa de ar é uma porção extensa e espessa da atmosfera – com milhares de quilômetros quadrados de extensão e até alguns quilômetros de espessura. A temperatura e a umidade são aproximadamente homo- gêneas dentro dessa massa e serão determinadas pelas condições de temperatura, pressão e umidade da região onde ela se originou. As massas de ar deslocam-se, princi- palmente, em função das diferenças de pressão atmosféri- ca e do movimento de rotação da Terra.Apesar de não sentirmos seu peso, a atmosfera exerce uma grande pressão sobre nossos corpos. Numa visão simplificada, podemos comparar o ar com a água. Quanto mais fundo nós mergulhamos numa piscina ou oceano, maior será a pressão da água sobre nós – será sentida com mais intensidade pelos nossos ouvidos. Com o ar acontece a mesma coisa. Quanto mais alto estivermos na superfície da Terra, menor será a pressão do ar, e vice- -versa. Ou seja, em Santos, a pressão atmosférica é maior que em São Paulo, por isso sentimos nossos ouvidos tam- pados quando descemos a serra. Mas não é só a altitude que determina a pressão do ar; a temperatura é outro im- portante componente. Simplificando mais uma vez, pode- mos dizer que quanto mais quente é numa região menor será a pressão do ar naquele local, e vice-versa. As massas de ar sempre deslocam-se dos locais de mais pressão para os de menos pressão, o que pro- duz o encontro delas. Nesse contato, elas não se mis- turam: uma empurra a outra de tal forma que aquela que avança com mais intensidade faz com que a outra retroceda, impondo ao meio ambiente suas caracterís- ticas e seus fatores climáticos. A zona de contato entre duas massas de ar diferentes recebe o nome de frente ou superfície frontal. Frente fria 14 § Frentes frias são os encontros de duas massas de ar, ambas frias, ou de uma fria e outra quente. Como a massa de ar frio é mais densa, portanto, mais pesada, ela obriga o ar quente a subir, provocando a formação de nuvens. Frentes frias deslocam-se no sentido polos-Equador e o deslocamento do ar faz-se das áreas de alta pressão (mais frias) para as áreas de baixa pressão (mais quentes). § Frentes quentes são os encontros de duas massas quentes ou de uma massa fria e outra quente, que empurra a fria. Esse fenômeno ocorre no sentido Equador–polos. A passagem da frente fria provoca queda de temperatura, pois o ar aquecido é deslocado e em seu lugar permanece o ar frio. À medida que o ar esfria, diminui sua capacidade de conter vapor de água, ou seja, diminui seu ponto de saturação – referente à quantidade de vapor de água que o ar pode tolerar; quando ultrapassa essa quantidade, o vapor condensa e ocorrem as chuvas. A quantidade de vapor de água que o ar tolera antes de atingir o seu ponto de saturação vai depender da temperatura. Desse modo, maiores temperaturas significam maior ponto de saturação, e vice-versa. As frentes frias atuam diminuindo as temperaturas e, consequentemente, diminuindo o ponto de saturação da atmosfera, provocando a ocorrência de chuvas na sua passagem. Quanto às chuvas, as fren- tes frias rápidas provocam precipitações do tipo “pancadas”, enquanto as frentes frias lentas provocam precipita- ção de caráter contínuo. Nos mapas, as frentes frias são representadas por uma linha preta com pequenos picos. Frente quente A área de frente quente é mais extensa cuja passa- gem, além de provocar aumento de temperatura, ocasiona intensa nebulosidade. Nos mapas, as frentes quentes são representadas por uma linha preta com “semicírculos”. Jamais podemos confundir uma frente fria com uma massa de ar frio. Uma massa de ar traz consigo as características de sua região de origem. Caso tenha se formado nos polos, ela poderá ser bastante fria; se, nos trópicos, bastante quente. Uma frente fria é uma faixa de transição que separa duas massas de ar com carac- terísticas meteorológicas diferentes, que geralmente é acompanhada de chuvas e trovoadas. Nas zonas de baixas latitudes, próximo ao Equa- dor, o ar aquecido pela radiação solar incidente expan- de-o, tornando-o assim mais leve e possibilitando-lhe ascender para altas altitudes. Configura-se, dessa for- ma, uma área receptora de ventos – zona ciclonal – com baixa pressão atmosférica. Pela variação da radiação solar na superfície da Terra, é possível ver células de baixa pressão ao longo do Equador, formadas pela vinda de ventos da região dos trópicos, os ventos alísios. Essa região, nas imedia- ções da linha do Equador, para a qual são atraídos os alísios, forma-se a Zona de convergência intertropical (ZCIT), que varia sua área de atuação conforme as esta- ções do ano. Na zona de convergência temos formações frequentes de tempestades. O ar aquecido na ZCIT, ao chegar em altas atitu- des, perde calor e é direcionado para uma região com mais pressão atmosférica localizada nas proximidades dos trópicos – por volta das latitudes de 30º de am- bos os hemisférios – em razão de sua pressão interna ter aumentado. Esses ventos correspondem aos ventos contra-alísios, que formarão diversas áreas de alta pres- são nessa faixa latitudinal. Em razão disso, os ventos alísios e contra-alísios constituem um grande circuito 15 de circulação atmosférica baseado nas diferenças de radiação solar, conhecido como célula de Hadley: nos primeiros, dominam as baixas altitudes; nos segundos, as altitudes mais elevadas. Além de originar os alísios, que sopram na dire- ção do Equador, o ar das regiões tropicais movimenta-se também na direção das zonas temperadas, produzindo os ventos de oeste ou ocidentais. Na altura do paralelo 60º, em ambos os hemisférios, aparece uma área de bai- xa pressão, onde o ar oriundo dos trópicos encontra-se com o ar vindo dos polos e, por causa da sua tempe- ratura mais alta, o dos trópicos sobrepõe-se ao polar, caracterizando um movimento ascensional. No outro ex- tremo, o ar frio e denso das altas latitudes polares forma um centro de alta pressão em suas regiões originais e é atraído para as zonas de menos pressão das regiões temperadas. Surgem assim as massas polares. Uma vez que há tendência das massas de ar igualarem-se às pressões das áreas equatoriais e das áreas polares, estabelece-se uma dinâmica atmosféri- ca, ou seja, uma circulação geral de ar quente entre o Equador e os polos – pela alta troposfera – passando pelas zonas de médias latitudes. As áreas frias ou de alta pressão, como as polares, e as subtropicais ou de latitudes médias, são dispersoras de massas de ar e ven- tos e recebem o nome de áreas anticiclonais. As áreas quentes ou de baixa pressão atmosférica, de baixa lati- tude, como as equatoriais, são receptoras de massas de ar e ventos – pela superfície – e adquirem o nome de áreas ciclonais. Fo nt e: w w w .e fe ca de .c om .b r Zona ciclonal e zona anticiclonal. Pressão atmosférica Os ventos alísios sopram das altas pressões subtropicais (20º) e são bem definidos sobre os mares. Atingem sua intensidade máxima entre 10 e 15º N e S, no sentido horizontal, atingindo a altitude entre 16,5 mil e 19,8 mil metros. Na convergência dos alíseos na ZCIT surgem áreas de calmarias. Cinturões de anticiclones de altas pressões (A) subtropicais – nas latitudes médias de 30º (entre 20º e 40º N e S) são semi estacionários quentes. No cen- tro deles sopram ventos fracos e calmos. Essa área é conhecida como “latitude dos cavalos” (os galeões espanhóis jogavam esses animais ao mar, já que não podiam alimentá-los em razão das calmarias existentes na área). Ilustração da pressão atmosférica no globo terrestre. Adaptado de: SIMIELE, Marta Elena. Geoatlas. São Paulo: Ática, 1998. 16 Frentes Polares Ártica e Antártica, são faixas de transição ao longo dos 60º N e sul do Equador, resultantes da convergência dos ventos de Oeste (quentes e úmidos, que sopram anticiclones subtropicais, nas Zonas Tempe- radas), com os ventos de leste (secos e frios provenientes das altas pressões polares). Sobre as latitudes equatoriais, em torno de 66 mil metros de altitude, ocorre a circulação predominantesuperior do Oeste, com o retorno do ar tropical para os polos, feito em espiral: são contra-alíseos sobre latitudes médias de 5 e 15º. Tipos de chuvas Podemos avaliar o grau de umidade do ar em números. Basta dividir a quantidade de vapor contida em certo volume de ar pelo máximo valor admissível. A regra utilizada é: quanto mais alta a temperatura, mais moléculas de vapor de água é possível ter, cujo valor obtido será uma porcentagem que mede a umidade relativa do ar. Em Brasília, no inverno, umidade relativa do ar chega ao limite, 12%. O corpo humano é prejudicado pela falta de umidade. O inverso corresponde a 100%, quando o ar está saturado de umidade e, portanto, precipita. O ar, então, fica à beira de uma mudança em grande escala, pois é incapaz de admitir mais vapor. Representação dos diferentes tipos de chuvas § As chuvas convectivas ou de convecção (I) são típicas da região intertropical, principalmente na Zona Equatorial, e de verão, no interior dos continentes, devido às altas temperaturas. O calor do Sol esquenta o ar que tende a subir e a esfriar enquanto sobe. Assim, o vapor de água contido no ar esfria e precipita. A evaporação também é intensa; portanto, esse ar que sobe carrega muita umidade; se aumentar cada vez mais a quantidade de vapor no ar, aumenta também a instabilidade, isto é, o ar está à beira de atingir o ponto de saturação. A umidade elevada de tal forma atingirá níveis muito altos por volta das 15/16 horas, desencadeando tempestades e aguaceiros. Esta chuva manifesta-se intensamente e é de curta duração, algo como 10 minutos, e é fácil identificá-la, pois decorrem de nuvens brancas, densas e algodoadas, os cúmulos. Quando há muita umidade, o branco torna-se cinza-escuro e a nuvem ganha o nome de cúmulo-nimbo, que verterá sua carga de modo particularmente intenso, acompanhada de tormenta, raios e granizo. As chuvas são ditas de convergência porque as massas de ar sobem com a ajuda de ventos alísios, que convergem para as áreas equatoriais. § As chuvas frontais (II) são resultantes do encontro de duas massas de ar com características diferentes de tempe- ratura e umidade. Desse choque, a massa de ar quente sobe e o ar esfria, aproximando-se do ponto de saturação, originando nuvens e, é claro, chuva. São do tipo chuvisco, a passagem de uma frente quente; e do tipo aguaceiro, de frente fria. Essas precipitações são típicas em áreas de baixa pressão, principalmente nas zonas dos trópicos ou temperadas, onde ocorrem o encontro das massas de ar polares com as massas de ar tropicais. Quando ocorre 17 precipitação pelo ar frio procedente dos polos, caracteriza-se uma frente fria. Entretanto, também poderá ser cau- sada por um processo oposto: uma frente quente e úmida que atropela massas de ar em região fria. § As chuvas orográficas ou de relevo (III) são as que derivam de uma subida forçada do ar, quando, no seu trajeto, apresenta-se uma cadeia de montanhas. Ao subir, o ar esfria, o ponto de saturação diminui, a umidade relativa aumenta e dá-se a condensação e, consequentemente, a formação de nuvens e chuva. Essas chuvas são frequentes nas áreas de relevo acidentado, ao longo de serras, de onde sopram ventos úmidos. A serra do Mar, em São Paulo, é um ótimo exemplo de obstáculo orográfico. Tufões e furacões <e du ca çã o/ no tic ia s.t er ra .co m .b r> Fonte: Concurso público de Montes Claros/MG. Disponível em: <www.infoesco- la.com/meteorologia/tipos-de-chuvas/>. Acesso em: 3 jun. 2010. Tempestades tropicais de grande magnitude são comuns no hemisfério Norte, no fim do verão e no começo do outono, quando ocorrem fortes mudanças no aquecimento das águas dos oceanos e nos continentes. Trata-se de um fenômeno que se forma nas águas quentes (temperatura maior que 27 ºC) dos oceanos tro- picais, apresentando temperaturas altas no seu interior e ventos de mais de 120 km/h girando em sentidos opos- tos nos níveis próximos à superfície e em níveis altos, ou seja, a cerca de 12 km de altura. Esses sistemas de tem- pestades desenvolvem-se de maneira circular e apresentam áreas com diâmetros que podem variar de 450 km a 650 km. No centro, essas tempestades apresentam o “olho”, onde há ventos muito leves e praticamente não há nuvens. 18 No fim da década de 1990, o furacão Mitch de- vastou a América Central e o sul dos Estados Unidos. A intensidade dos ventos desse furacão foi uma das maio- res registradas nos últimos anos, provocando morte e destruição por onde passou. A questão da terminologia é bastante diversa: o ciclone tropical recebe nomes regionais: Baguio, nas Filipinas; Kona, no Havaí; Willie-Willie, na Austrália; Hu- racan, na América Central e no Caribe, que deu origem a furacão, em português e espanhol antigo, e hurricane, em inglês. Em Cuba, prefere-se o termo ciclon. No Pací- fico Sul e Índico é chamado simplesmente de ciclone. No Pacífico Norte ocidental, tufão. Pela tradição da área do Atlântico Norte, no Atlântico Sul seria mais adequado o termo furacão, aceitando-se como sinônimo ciclone, desde que subentendida a variedade tropical. O Planeta vem sofrendo profundas e dramáticas mudanças climáticas há milhões de anos. Alguns fenô- menos, como o das glaciações, parecem cíclicos. Atualmente, podemos destacar fenômenos natu- rais que também alteram o clima do planeta, embora em uma escala muito menor do que os registrados no passa- do. São fenômenos que vêm sendo estudados de forma exaustiva, mas ainda sabemos pouco sobre suas causas. Talvez o mais conhecido deles seja o El Niño, que, depois de destacado, pôde explicar a intensificação de algumas “catástrofes naturais”, como mudanças no regime de chuvas em diversas regiões do globo, que tra- zem enchentes, secas etc. El Niño <h tt ps :/ /s ea le ve l.j pl .g ov > As áreas em vermelho representam regiões quentes, onde ocorre o fenô- meno do El Niño. De tempos em tempos, as águas equatoriais do Pacífico aquecem de maneira anormal, resultando no aparecimen- to do fenômeno El Niño que altera profundamente o clima em escala planetária. Esse aquecimento manifesta-se nos meses de setembro/outubro. Em dezembro, essa porção de água oceânica aquecida chega à costa peruana. Pelo fato de esse fenômeno ocorrer na costa da América do Sul na época do Natal, recebeu o nome de Menino Jesus, El Niño. Para os pescadores peruanos, sua ocorrência é um grande problema, pois o aquecimento das águas não permite que haja ressurgência e, consequentemen- te, diminui a piscosidade na corrente de Humboldt que margeia a costa do Chile e do Peru. O El Niño é responsável por alterações climáticas em várias partes do mundo. Apesar disso, as causas que levam ao seu aparecimento ainda são desconhecidas. Diversas hipóteses, incluindo algumas mirabolantes, já tentaram explicar o fenômeno sem resultado. Em 1982, ocorreu a manifestação mais forte já re- gistrada, tendo sido divulgada com grande alarde pela mí- dia. Em 1983, as temperaturas chegaram a 5,1 ºC acima dos níveis normais nas águas do oceano Pacífico. Estudos mais recentes apontam que a manifestação de 1972- 1973 foi mais ativa que a do começo da década de 1980; Em outubro de 1997, registrou-se novamente o aquecimento das águas equatoriais do Pacífico. Em 1998, ela se apresentava 4 ºC acima dos níveis normais. O El Niño estava de volta com bastante força. Por causa dele, algumas regiões do planeta voltaram a ter o seu regime de chuvas muito alterado. Fortes estiagens e muito calor castigaram os Estados Unidos, o sudeste da África, a Indonésia, a Austrália e a América Central. Por outro lado, índices pluviométricos muito acima do normal provocaram enchentese preju- ízos para a lavoura nos países europeus do Mediterrâ- neo, no oeste da Índia e no sul do Brasil. No Brasil, os efeitos de El Niño foram sentidos em diferentes regiões. O Nordeste foi flagelado por uma forte seca, enquanto o Rio Grande do Sul enfrentava enchentes. Na úmida região Norte choveu muito me- nos do que o esperado, propiciando o aparecimento de grandes incêndios, como o que devastou 15% do esta- do de Roraima. 19 Fo nt e: en os .cp te c.i np e.b r El Niño e seus efeitos sobre o clima. La Niña La Niña também é um fenômeno cíclico, cuja manifesta- ção opõe-se a do El Niño. Acontece quando ocorre um resfriamento maior que o normal das águas do Pacífico, num prazo, em média, a cada dois ou sete anos, e pode durar aproximadamente um ano. Em 1998, os cientistas apontaram um decrésci- mo de 1,9 ºC na temperatura da superfície das águas equatoriais no Pacífico, indicação de enfraquecimento do El Niño e da atividade do La Niña. No Brasil, La Niña alterou o regime de chuvas nordestino e provocou uma primavera atípica na Região Sudeste, com índices pluviométricos maiores do que a média nesse período e temperaturas mais baixas que o normal provocadas pela sucessão de dias nublados ou chuvosos. As áreas em azul representam regiões frias, onde ocorre o fenômeno do La Niña. Nos Estados Unidos, o inverno foi um dos mais rigorosos com temperaturas negativas recordes. A Eu- ropa também sentiu seus efeitos: tempestades de neve alastraram-se pelo continente, provocando avalanches nos Alpes austríacos, além de atingir regiões onde rara- mente neva, como em Paris, na França. Os estudos mais recentes desse fenômeno indi- cam que não há padrões regulares nas consequências causadas por La Niña: há variações nos regimes de chu- vas para mais ou para menos. Fo nt e: < ht tp s: // se al ev el .jp l.g ov > 20 Fo nt e: en os .cp te c.i np e.b r La Niña e seus efeitos sobre o clima. os grandes Climas do planeta Distribuição dos tipos climáticos no mundo. Fonte: <cmpa=2011.omeuforum.net/t14-clima-e-vegetação>. 21 O deslocamento das massas de ar formadas na dinâmica da circulação atmosférica é responsável pela ocorrência simultânea de diversos tipos de tempo atmosférico no planeta. Como as massas de ar não são um elemento es- tático, os tempos obtidos de sua atuação, também não. Apesar disso, a repetição de determinados tipos de tempo atmosférico permite a identificação de grandes climas terrestres. Clima equatorial Tipo de clima localizado entre 5º N e 5º S, ou seja, muito próximo da linha do Equador. As principais áreas de ocorrência são as bacias do Congo e do Amazonas, ilhas do sudeste Asiático e ainda da costa oriental da América Central. As temperaturas médias anuais situam-se entre 24 ºC e 27 ºC, e a temperatura média mensal é sempre superior a 18 ºC – o Sol anda sempre muito próximo do zênite, ponto mais alto na abóbada celeste. A amplitude térmica anual é inferior a 4 ºC, ou seja, as osci- lações são mínimas. As chuvas são abundantes o ano todo. Num mês, raramente são inferiores a 60 mm. São chuvas de convecção, ou seja, oriundas do ciclo da água. Clima tropical A área de ocorrência encontra-se 5º e 30º N e S, destacando-se par- tes da Venezuela e da Colômbia, interior do Brasil, Sudão, porção oriental da África, parte da África do Sul, Norte da Austrália e regiões da América Central. Suas temperaturas são constantes e elevadas ao longo do ano, visto que o Sol se encontra quase sempre próximo do zênite. Por isso, a duração dos dias e das noites não varia muito ao longo do ano. A amplitude térmica anual é superior a do clima equatorial, oscilando entre 15 ºC e 20 ºC. As chuvas são essencialmente de origem convectiva. No en- tanto, nas regiões montanhosas são comuns chuvas de origem oro- gráfica cujos totais anuais e mensais chegam a atingir valores muito elevados; por exemplo, no norte da Índia, numa localidade chamada Cherrapunji, a media anual é de 11,4 mil mm, e em um único mês foram registrados 9,3 mil mm. Situação semelhante verifica-se nas serras próximas do litoral brasileiro. Mesmo assim, de maneira geral, as chuvas anuais nas áreas tropicais ainda são menores que nas re- giões equatoriais. O clima tropical caracteriza-se genericamente pela existên- cia de duas estações ou períodos: a estação mais úmida e a esta- ção seca. 22 Clima desértico A área de ocorrência mais comum situa-se entre os 15º e 45º N e S, coincidindo com as faixas tropicais. São destaques o norte do Méxi- co, o sudoeste dos EUA, todo o norte da África, a Arábia, o Irã, o Pa- quistão, o interior da Austrália, o sudoeste da África do Sul e a faixa formada por Peru e Chile. As temperaturas sofrem grandes oscilações ao longo do dia, superiores a 30 ºC, em função da pequena capacidade do solo de re- ter o calor. As temperaturas médias mensais são elevadas, situando- -se acima dos 35 ºC. As chuvas são fracas ou inexistentes, sendo normalmente inferiores a 150 mm por ano. A precipitação ocorre sempre de forma localizada, com aguaceiros irregulares. Pode ser desastrosa, visto que, como não há vegetação, o escoamento é muito rápido e pouco proveitoso, formando-se torrentes de lama. A maior parte da água que cai evapora em seguida. A aridez, reforçada pela presença de correntes frias que forne- cem pouquíssima umidade para os litorais, é a principal característica do clima desértico. Clima mediterrâneo Sua área de ocorrência está entre 0º e 40º N e S, destacando-se a bacia do Mediterrâneo, a Califórnia, o Centro do Chile, o sul da África do Sul e sul da Austrália As temperaturas são elevadas durante a maior parte do ano, chegando à média de 22 ºC anuais. No inverno, porém, as tempera- turas são suaves. A amplitude térmica anual não é significativa e fica próxima dos 15 ºC, mas a média do mês mais frio nunca é inferior a 5 ºC. As chuvas ocorrem principalmente nos meses de outono e inverno, e a precipitação tem origem frontal associada à passagem das frentes frias. O total anual de precipitação é superior a 500 mm, mas é inferior a 200 mm (média). Podemos afirmar que esse clima tem como características ge- rais um verão quente, seco e prolongado e um inverno suave, chu- voso e curto. 23 Clima temperado continental A principal área de ocorrência está entre 35º e 45º N, no interior dos continentes, em especial no nordeste e norte dos EUA, interior da Península Balcânica, norte da China, interior da Coreia e do Japão e toda a parte centro-leste da Europa. As temperaturas médias anuais são inferiores à do clima tem- perado oceânico ( ±10 ºC). A temperatura média do mês mais quente ultrapassa os 22 ºC e a média do mês mais frio é inferior a 0 ºC, que significa considerável amplitude térmica anual. A a pluviosidade é baixa, se comparada à do clima temperado oceânico. Nas regiões montanhosas é ligeiramente mais elevada. As maiores precipitações concentram-se nos meses de verão, de origem convectiva, e no inverno, sob forma de neve. Clima temperado oceânico A área de ocorrência se encontra entre 40º 65º N e S, com destaque para toda a parte atlântica da Europa, do norte da Espanha até o sul da Es- candinávia, o litoral sul do Chile, extremo sul da Austrália, Nova Zelândia e Tasmânia, litoral noroeste dos EUA e litoral sudoeste do Canadá. As temperaturas médias anuais estão em torno de 20 ºC e a amplitude tér- mica anual é considerável, embora diminuída pela proximidade do mar, que funciona como elemento de equilíbrio térmico. Essas temperaturas baixas são amenizadasna costa atlântica europeia porque o calor da corrente marítima do golfo diminui o impacto do frio na região. As chuvas, geralmente de origem frontal, são abundantes du- rante todo o ano. Não há meses secos. A elevada nebulosidade é característica, em função da alta umidade do ar. Clima subpolar A área de ocorrência situa-se entre 55º e 65º N, onde estão a Suécia, a Finlândia, o norte da Rússia (Sibéria), o Alasca e grande parte do Canadá. Faz a transição do clima continental frio para o clima polar. As temperaturas médias anuais são muito baixas, e a média do mês mais quente não supera os 10 ºC; nos meses mais frios essa média pode atingir –30 °C. As chuvas são escassas e a maior parte das precipitações ocorre sob forma de neve ao longo do ano. 24 Clima polar Esse clima está presente nas latitudes mais elevadas, tanto ao norte quanto ao sul do planeta. As principais áreas de ocorrência são o norte da Sibéria, Alasca, Canadá, toda a Groenlândia, a maior parte da Islândia e a Antártida. As temperaturas são sempre muito baixas, não há uma estação quente. A média do mês mais quente não chega a 10 ºC, e a média do mês mais frio é muito inferior a 0 ºC. A média anual é a mais baixa de todo o mundo. No período que corresponde ao verão, o aquecimento do ar é prejudicado pela inclinação dos raios solares, que diminuem a superfície de insolação na região. As chuvas inexistem, e as precipitações ocorrem sob forma de neve. Clima frio de montanha ou clima de altitude A área de ocorrência desse clima está nas regiões de grande altitude das cadeias montanhosas. Todas as precipita- ções ocorrem sob forma de neve, e as temperaturas chegam, nos pontos mais frios, a –30 ºC; durante o verão não chegam a 10 ºC. o principal fator que determina o frio é o ar rarefeito, em função da altitude. Nas regiões dos picos, a superfície inclinada não é favorável a um aquecimento homogêneo nem à retenção de calor. Assim, a irradiação do calor é bem menor nessas regiões. 25 Classificação climática de Strähler O norte-americano Arthur Strähler usa os conhecimentos sobre a circulação geral da atmosfera para classificar os climas. Ele reconhece a importância do mecanismo das massas de ar e das frentes na caracterização dos tipos de clima. Por isso, sua classificação é denominada dinâmica. Para ele, os principais tipos de climas são: § Climas das latitudes baixas: influenciados por massas de ar quente. § Climas das latitudes médias: influenciados por massas de ar tropicais e polares. § Climas das latitudes altas: influenciados por massas de ar polares. Conheça os vários subtipos em que se dividem cada um desses tipos climáticos, observando o mapa. O clima da Terra: classificação de Strähler Fo nt e: s lid es ha re .c om .b r Classificação climática de Koppen O geógrafo russo Vladimir Köppen adota a climatologia tradicional, chamada de analítica, porque considera se- paradamente os principais elementos que caracterizam os principais tipos de clima, como chuvas e temperatura. Recebeu muitas críticas porque, além de não considerar o mecanismo das massas de ar, sua classificação adota um sistema de letras maiúsculas e minúsculas, que exige a aquisição de uma nova linguagem ou código. Os climas do mundo são divididos em cinco grandes climáticos, representados por letras maiúsculas: tropi- cais úmidos (A), secos (B), mesotérmicos (C), microtérmicos (D) e polares (E). Os subgrupos são diferenciados pela quantidade de chuvas, à exceção dos climas polares. São representa- dos com letras minúsculas e algumas maiúsculas. As subdivisões são definidas pela temperatura e representadas sempre com letras minúsculas. Assim, por exemplo, um clima do tipo Cwa é mesotérmico úmido, com chuvas de verão e verão quente. 26 27 e.o. teste i 1. Observe o gráfico para responder à questão. Distribuição das temperaturas duran- te o ano em três áreas do globo. w w w .e st ud an te s. co m .b r A leitura do gráfico permite afirmar que a linha: a) I é típica de áreas temperadas, como a cida- de do México, por exemplo. b) I caracteriza o ritmo anual do clima tropical de altitude, como Campos do Jordão. c) II é típica de áreas tropicais litorâneas, como Santiago do Chile, por exemplo. d) III caracteriza o ritmo anual do clima sub- tropical, como Buenos Aires. e) III é típica de áreas equatoriais, como Ma- naus, por exemplo. 2. Observe o climograma. <g eo gr afi a/ pr of es so r. bi o. br > A análise do climograma nos permite afir- mar que os dados foram coletados em um lugar de clima: a) temperado continental, com acentuadas am- plitudes térmicas anuais, no hemisfério nor- te. b) tropical de altitude, com invernos bem acen- tuados, no hemisfério norte. c) mediterrâneo, com invernos suaves e chuvo- sos, no hemisfério norte. d) equatorial, com regularidade na distribuição anual das chuvas, no hemisfério sul. e) monçônico, com chuvas torrenciais no ve- rão, no hemisfério sul. 3. Analise o mapa que representa uma anoma- lia climática: corrente quente corrente fria Regiões mais quentes que o normal Regiões mais úmidas que o normalOceano Pacífico Oceano Atlântico Trópico de Câncer Equador Água quente aquecida Regiões mais úmidas que o normal Trópico de Capricórnio Corrente de Humboldt Regiões mais secas que o normal Oceano Índico (David Blanchon. Atlas Mondial de I’eau. Paris: Autrement, 2013. p. 20. Adaptado) Com base nos conhecimentos sobre a dinâ- mica climática mundial, pode-se concluir que se trata: a) da presença de La Niña no oceano Pacífico. b) de mudanças provocadas pelo aquecimento global. c) da ocorrência de furacões no oeste do conti- nente americano. d) do fenômeno El Niño e suas consequências. e) de alterações na circulação dos ventos alísios. 4. (Unes) Durante os meses de julho e agosto, período em que as temperaturas se elevam significativamente, amanhece mais cedo e o Sol se põe apenas por volta das 22 horas. As- sim, das 24 horas do dia, o local permanece iluminado por pelo menos 18 horas, e a noi- te torna-se apenas um fenômeno passageiro. Considerando conhecimentos geográficos so- bre a incidência dos raios solares no planeta ao longo das diferentes épocas do ano, é cor- reto afirmar que o local abordado no texto está representado no mapa pelo número: 3 2 1 4 5 0 3500 7000 km a) 5. b) 2. c) 1. d) 4. e) 3. 28 5. (Unicamp) O esquema abaixo representa a entrada de uma frente fria, uma condição atmosférica muito comum, especialmente nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. Sobre esta condição é correto afirmar que: km 10 5 0 frente fria ar quente em ascenção Cumulonimbus Massa de ar quente Massa de ar frio 400km estaticog1.globo.com a) É típica de inverno, quando massas frias atravessam essas regiões, provocando ini- cialmente uma precipitação e, na sequência, queda da temperatura e tempo mais seco. b) Trata-se da chegada de uma massa quente, que ocorre tanto no verão quanto no inver- no, provocando intensas chuvas, sendo co- muns a ocorrência de tempestades e o au- mento significativo na temperatura. c) O contato entre as massas de ar indica fortes chuvas, de tipo orográficas, que permane- cem estacionadas num mesmo ponto duran- te vários dias. d) As precipitações de tipo convectivas ocor- rem especialmente nos meses de verão, sen- do comum a ocorrência de chuvas de granizo no final da tarde. 6. (Fuvest) Considere as afirmativas, o mapa, o gráfico e a imagem das casas semissoterra- das, na China, para responder à questão. TEMPESTADES DE AREIA VISIBILIDADE> 10km 1 - 10km 0,5 - 1km < 0,5 km áreas não afetadas linha do litoral MONGÓLIA Deserto de Gobi Pequim CHINA Oceano Pacífico 0 240 km PRECIPITAÇÃO ATMOSFÉRICA NA REGIÃO DE PEQUIM média nos períodos (mm) 500 480 460 440 420 400 1970 - 1972 1981 - 1991 1999 - 2008 Science & Vie. Climat 2009. Science & Vie. Climat 2009. I. Tempestades de areia que têm atingido Pequim nos últimos anos relacionam-se a ventos que sopram do deserto de Gobi em direção a essa cidade. II. A baixa pressão atmosférica predomi- nante sobre o deserto de Gobi é respon- sável pela formação de ventos fortes nessa região. III. A diminuição de índices de precipita- ção atmosférica na região de Pequim e o avanço de terras cobertas por areia são indícios de um processo de desertificação. IV. A grande região desértica asiática, da qual faz parte o deserto de Gobi, liga-se à macrorregião formada pelos desertos do Saara e da Arábia. Está correto o que se afirma em: a) I e II, apenas. b) II e III, apenas. c) I, III e IV, apenas. d) II, III e IV, apenas. e) I, II, III e IV. 7. (Unesp)Leia os textos. Em países como Bélgica, França e Portugal a temperatura chegou à casa dos 40 °C e a população precisou buscar maneiras de se re- frescar. Parques, especialmente aqueles com fontes, têm sido o destino de muitos mora- dores. A idosos e crianças tem sido recomen- da-do não sair às ruas nos horários de calor mais intenso para evitar problemas de saúde. (www.terra.com.br, julho de 2010. Adaptado.) A onda de frio na Europa já matou 28 pes- soas. A nevasca que atinge do Reino Unido à Lituânia suspendeu milhares de voos e pre- judicou as viagens de trens. Estradas estão bloqueadas. Na Polônia, os termômetros che- garam a registrar –33 °C. (www.g1.com.br, dezembro de 2010.) O tipo climático onde tradicionalmente se verifica essa grande variação de temperatura entre as estações do ano é o: a) equatorial. b) tropical. c) semiárido. d) polar. e) temperado. 29 8. Considere os climogramas a seguir. Cidade I 35 30 25 ºC 600 400 200 0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Mês m m Tmin(ºC) Tmax(ºC) Prec(mm) Jornaldo Tempo Cidade II Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Mês Tmin(ºC) Tmax(ºC) Prec(mm) 35 30 25 20 15 ºC 600 400 200 m m 0 Jornaldo Tempo (http://jornaldotempo.uol.com.br/previsãodotempo.html/brasil/) Os dados climatológicos representam uma média do período entre 1961 e 1990. A lei- tura e a interpretação dos climogramas per- mitem afirmar que a cidade I: a) sofre os efeitos da continentalidade, o que não ocorre com a cidade II. b) está localizada em mais baixa latitude que a cidade II. c) apresenta maior altitude que a cidade II. d) situa-se junto ao mar, o que não ocorre com a cidade II. e) sofre mais os efeitos dos ventos alísios do que a cidade II. 9. Responda à questão com o apoio das classifi- cações climáticas apresentadas a seguir. geografia/professor.bio.br Apesar de saber que toda classificação é uma simplificação grosseira da realidade, do pon- to de vista didático ela possui um papel im- portante, já que permite um entendimento sistemático do fenômeno classificado. No presente caso, comparando-se as duas classi- ficações, podemos afirmar que a de: a) Koppen é mais antiga do que a de Strahler; no entanto, esta última é mais descritiva e menos dinâmica. b) Koppen é estático-descritiva, pois se baseia na distribuição das chuvas e temperaturas, enquanto a de Strahler apoia-se na dinâmica das massas de ar e de suas frentes. c) Koppen baseia-se nas quantidades e dis- tribuição das chuvas e menospreza a dis- tribuição das temperaturas, enquanto a de Strahler considera os dois elementos como importantes. d) Strahler fundamenta-se na distribuição e quantidade das chuvas e temperaturas e Koppen baseia-se na dinâmica da circulação atmosférica. e) Strahler e Koppen enfatizam as variações do tempo atmosférico, decorrentes da natureza das massas de ar. No entanto, a classificação de Koppen é mais detalhada. 10. (Unesp) O mapa adiante ilustra a localização de duas cidades paulistas: São Paulo e Cam- pos do Jordão. <geografia/professor.bio.br> O Regime térmico apresentado por estas duas cidades contraria a regra geral, segun- do a qual as temperaturas são menores nas latitudes mais altas. Tal fato é explicado pela influência da: a) maritimidade. b) longitude. c) altitude. d) latitude. e) pluviosidade. e.o. teste ii 1. (Unesp) Observe a tabela. Europa: médias de temperatura em janeiro e julho (inverno e verão) Cidade Média de tem- peratura (ºC) em janeiro Média de temperatura (ºC) em julho Copenhague 0,0 16,0 Berlim 2,3 26,6 Atenas 10,8 29,4 Dublin 4,5 15,5 Reikjavik –0,4 11,2 Bucareste 2,8 23,7 Madri 4,5 24,0 30 Cidade Média de tem- peratura (ºC) em janeiro Média de temperatura (ºC) em julho Kiev –6,1 20,4 Liubliana 1,0 20,5 (Calendário Atlante de Agostini, 2001.) Assinale a alternativa que contém o nome atribuído à variação verificada entre as duas séries de dados e as localidades que apresen- tam a maior e a menor variação. a) Variação climática; Liubliana e Atenas. b) Amplitude térmica; Kiev e Dublin. c) Mudança climática; Bucareste e Copenhague. d) Amplitude térmica; Berlim e Reikjavik. e) Variação climática; Madri e Atenas. 2. (Unifesp) “Na zona costeira e litorânea ce- arense, a dinâmica atual é caracterizada pela ocorrência de precipitações elevadas, em torno de 800 e 1500 mm anuais na faixa litorânea, e entre 750 e 1000 mm na área costeira mais interiorizada. (...) A penetra- ção de massas de ar úmidas no estado (...) concentra-se largamente no primeiro semes- tre do ano. Tal fato confere a muitos setores costeiros e litorâneos um comportamento tendendo a aridez durante o segundo semes- tre do ano.” (Sales, 2006.) A oscilação pluvial a que se refere o texto está relacionada à Zona de Convergência In- tertropical que, no segundo semestre: a) permanece estacionada no Ceará. b) migra para o Hemisfério Norte. c) penetra no Ceará. d) migra para o sul do país. e) desvia para o litoral de Pernambuco. 3. (Unifesp) No Brasil, anomalias climáticas, como o aumento exagerado da incidência pluviométrica combinado à ausência de pre- cipitação nos meses de setembro e outubro, ocorrem, respectivamente, nas regiões: a) Sul e Norte do país, devido ao aquecimento do oceano Pacífico. b) Sul e Sudeste do país, devido ao resfriamen- to do oceano Atlântico. c) Centro-Oeste e Sudeste do país, devido à pe- netração da Massa Polar. d) Norte e Nordeste do país, devido às emissões de gases de efeito estufa. e) Nordeste e Centro-Oeste do país, devido ao recuo da Massa Tropical Atlântica. 4. (Fuvest) Adap. Ferreira, 2000. Os climogramas I e II correspondem, res- pectivamente, às áreas assinaladas no mapa com as letras: a) A e B. b) A e D. c) B e C. d) C e D. e) D e A. 5. (UFSCar) Os climogramas referem-se a três localidades de diferentes partes do mundo. w w w .k lic ke du ca ca o. co m .b r/ si m ul ad os 31 A sua análise permite afirmar que: a) na localidade I, o inverno apresenta grande pluviosidade, sendo característico do clima mediterrâneo. b) nas localidades II e III, a amplitude térmica é pequena, característica de climas equatoriais. c) a menor amplitude térmica está na localidade II e a maior amplitude pluviométrica está na localidade I. d) o pequeno volume pluviométrico do inverno, na localidade III, caracteriza o clima monçônico. e) os climogramas das localidadesI e II referem-se a climas do hemisfério norte e o climograma da loca- lidade III, o clima do hemisfério sul. 6. (PUC-RS) Analise os climogramas abaixo, que representam os principais domínios climáticos bra- sileiros, e preencha os parênteses com a legenda correspondente. ( ) tropical ( ) subtropical ( ) equatorial ( ) tropical semiárido A numeração correta, de cima para baixo, é a) 1 – 2 – 4 – 3 b) 1 – 3 – 4 – 2 c) 2 – 3 – 1 – 4 d) 2 – 4 – 1 – 3 e) 3 – 1 – 2 – 4 7. O “fenômeno Catarina”, instabilidade atmosférica que causou destruição no litoral sul de Santa Catarina e norte do Rio Grande de Sul, entre os dias 27 e 28 de março de 2004, animou o debate sobre a interpretação de fenômenos atmosféricos em áreas oceânicas. Sobre tais fenômenos, assi- nale a opção correta. a) Entende-se por furacão as tempestades que se formam em oceanos de águas temperadas e frias, em pontos de baixa pressão atmosférica. b) A baixa latitude do local de formação do “fenômeno Catarina”, associada à presença de correntes ma- rítimas frias, possibilitou a formação de um ciclone tropical. c) A circulação das águas oceânicas no Atlântico sul, no sentido horário, gera a ocorrência de zonas de instabilidade climática, propícias à formação de ciclones. d) A alteração da temperatura das águas oceânicas, em decorrência do fenômeno “La Niña”, possibilitou a formação de áreas anticiclonais, com ventos de grande velocidade. e) O fenômeno, independentemente de ser classificado como furacão, apresentou ventos fortes e tempes- tades, sendo sua ocorrência mais comum nas áreas tropicais do Atlântico norte. 32 8. (Fuvest) A diversidade de vegetação que acontece em cada um dos sistemas indicados no mapa se dá principalmente em relação às diferenças de Fonte: Adapt. HUDSON, 1999 Fonte: Adapt. HUDSON, 1999 a) continentalidade. b) longitude. c) maritimidade. d) idade geológica. e) altitude. 9. “Fenômeno de origem complexa e ainda obscura. Suspeita-se de um componente an- -tropogênico, quantificado pelo aumento da concentração na atmosfera de gases, como o CO2, da queima de combustíveis fósseis, além da emissão espontânea de metano no processo digestivo de vários mamíferos.” Fonte: “Folha de S. Paulo”, Mais, 21/09/2003, p. 5. O texto refere-se ao problema: a) do aquecimento global. b) do buraco na camada de ozônio. c) das chuvas ácidas. d) das correntes marítimas. e) das ilhas de calor. 10. (Unesp) Em classificação da Unesco (2003) sobre a disponibilidade mundial de água per capita, dentre as áreas mais pobres figuram o Kuwait com 10 m3/habitante e Emirados Árabes Unidos com 58 m3/habitante. Assina- le a alternativa que contém o tipo climático e as características da precipitação respon- sáveis pela disponibilidade de água nesses países. a) Árido frio e seco; precipitação escassa e con- centrada. b) Tropical quente e seco; precipitação baixa e bem distribuída. c) Equatorial quente e seco; precipitação eleva- da e mal distribuída. d) Desértico quente e seco; precipitação escas- sa e mal distribuída. e) Monçônico frio e seco; precipitação escassa e concentrada. e.o. teste iii 1. (Fuvest) A tabela adiante indica os valores médios anuais de temperatura e precipita- ção em localidades litorâneas situadas em latitudes equivalentes, porém em margens opostas do Oceano Atlântico. As diferenças climáticas observadas expli- cam-se, nessa faixa, devido, principalmente: América do Sul África latit. (Sul) temp. (ºC) precip. (mm) Recife (Brasil) 08º03’ 26,6 2.457 Santos (Brasil) 23º56’ 23,8 2.080 Luanda (Angola) latit. (Sul) temp. (ºC) precip. (mm) 08º49’ 23,5 376 Swakop- mundi (Namíbia) 22º07’ 15,1 20 geografia/professor.bio.br a) à América do Sul ser banhada por correntes frias e apresentar litoral montanhoso. b) à América do Sul ser banhada por correntes quentes e a África por correntes frias. c) à África ser afetada por correntes oceânicas irregulares do tipo “El Niño”. d) à existência de contrastes de longitude e de salinidade das águas. e) às alternâncias sazonais de correntes frias e quentes na costa africana. 2. (Fuvest) Considere as características a seguir: § Temperaturas médias superiores a 18°C com diferenças sazonais marcadas pelo regime de chuvas. § Amplitude térmica anual inferior a 6°C. § Circulação atmosférica controlada por massas equatoriais e tropicais. § Regimes fluviais dependentes, basicamen- te, do comportamento da precipitação. § Paisagens vegetais dominantes: florestas latifoliadas e savanas. Tais feições ocorrem, predominantemente, em regiões: a) extratropicais de média latitude e elevada altitude. b) intertropicais de baixa latitude e modesta altitude. c) temperadas com forte influência dos oceanos. d) de planícies inundáveis de alta latitude. e) litorâneas de qualquer latitude. 33 3. (Unesp) Observe o mapa do continente africano. Corrente das Canárias Corrente de Benguela 0º Equador Corrente AgulhasClima Equatorial Tropical Tropical de altitude Semi-árido Árido ou desértico quente Mediterrâneo Corrente fria Corrente quente www.estudantes.com.br Assinale a alternativa que explica por que a distribuição das paisagens climatobotânicas praticamente se repete ao norte e ao sul da linha do Equador. a) Atuação das correntes marítimas. b) Posição latitudinal. c) Formação geológica. d) Disposição do relevo em planaltos cristalinos e sedimentares. e) Distribuição pluviométrica irregular. 4. (Fuvest) O rali Paris-Dacar é a maior e mais difícil prova da categoria no mundo. Em 2001, teve sua largada no dia 1ª de janei- ro, em Paris (49°N), e terminou em 21 de janeiro, em Dacar (15°N). Os participantes cruzaram a França, Espanha, Marrocos, Mau- ritânia, Mali e Senegal, em um percurso de 10.739 km. Assinale a alternativa que representa carac- terísticas climáticas das regiões percorridas, durante a prova. 5. (Unesp)De modo geral, os espaços geográfi- cos cujo clima é influenciado pela maritimi- dade apresentam a) menor amplitude térmica anual. b) chuvas escassas e mal distribuídas durante o ano. c) maior amplitude térmica anual. d) menor quantidade de dias chuvosos e de ne- voeiro. e) chuvas escassas concentradas no inverno. e.o. dissertativo 1. (Unesp) Analise o gráfico. Evolução da temperatuda média do globo fim da era glacial 18 17 16 15 14 13 12 10000 8000 6000 4000 2000 0 2000 d.C. te m pe ra tu ra m éd ia ( ºC ) (Jurandyr L. Sanches Ross (org.) Geografia do Brasil, 2001. Adaptado.) Considerando as relações existentes entre condições climáticas, dinâmica hidrológica e distribuição dos biomas no planeta, faça uma comparação do nível médio dos ocea- nos e da distribuição das florestas tropicais e equatoriais nos momentos em que a tempe- ratura média do planeta alcançou um ponto de mínimo e de máximo no período destaca- do pelo gráfico. Assinale a alternativa que representa carac- terísticas climáticas das regiões percorridas, durante a prova. 2. (Unicamp) O mapa abaixo indica a ocorrên- cia de queda de neve na América do Sul. Ob- serve o mapa e responda às questões. Áreas de Precipitação de Neve na América do Sul Equador Trópico de Capricórnio área de ocorrência de precipitação de neve N estaticog1.globo.com 34 a) Que fatores climáticos determinam a distri- buição geográfica da ocorrência de queda de neve na América do Sul? b) Quais são as condições momentâneas de es- tado de tempo necessárias para a ocorrência de precipitação em forma de neve? 3. (Unesp) No mapa estão indicadas as princi-pais correntes marítimas. Leste da Groelândia C. Labrador C. Oyashio C. At lân tic o d o N ort e C. Gu lfs tre am C. Flo rid a C. N. Eq ua to ria l C.C. Equatorial C. Ku rosh io C. C. Equatorial C. S. Equatorial C. Peru C. F al kl an d C. B ra sil C. Agulhas C. Circumpolar A ntártica C. Circumpolar A ntártica C. Equatorial S. C. C. Equatorial C. Pacífico N. C. da Califórnia C. A la sc a Correntes marinhas Corrente Contra corrente Norte Sul (Wilson Teixeira. Decifrando a Terra, 2009. Adaptado) Explique a influência da Corrente do Golfo no Atlântico Norte sobre a Europa Ocidental, e destaque os motivos das cidades de Lon- dres e Paris terem invernos mais amenos do que Montreal e Nova Iorque. 4. (Unifesp) Clima corresponde à sequência cí- clica das variações das condições atmosféri- cas, no decorrer do ano. É essa sequência que nos permite afirmar o tipo climático de algu- ma região. Por influência de alguns fatores, o clima não é o mesmo em todo o planeta. a) Quais são os elementos que compõem o clima? b) Quais os principais fatores modificadores do clima? 5. (Unicamp) O El Niño é um fenômeno at- mosférico-oceânico que ocorre no oceano Pacífico Tropical, e que pode afetar o clima regional e global, porque altera padrões de vento em nível mundial. Desse modo, afeta regimes de chuva em regiões tropicais e de latitudes médias. Com o auxílio da figura a seguir, responda às questões: Anomalia de Temperatura na Superfície do Oceano Pacífico - dezembro de 2009 Equador Peru ChileOceano Pacífico Graus Celsius0 0,5 1 1,5 2 3 (Adaptado de http://enos.cptec.inpe.br/) a) O que acontece com a temperatura das águas do Oceano Pacífico quando ocorre o El Niño? Qual a razão para esse fenômeno ser deno- minado El Niño? b) Nos anos em que esse fenômeno ocorre, qual a consequência para a atividade pesqueira do Peru? Qual a alteração do tempo no Nor- deste Brasileiro? 6. (Fuvest) TRAJETÓRIAS DO CICLONES TROPICAIS DO OCEANO ATLÂNTICO (1980-2005) TRAJETÓRIAS DO FURACÃO GALVESTON (1915) Fo nt e: ht tp :// co mm on s.w iki me dia .or g. Ac es sa do em n ov em br o d e 2 00 8. Ad ap tad o Fo n te : w n n .n h e. n oa a. go v. A d ap ta do . Fonte: http://icommons.wikimedia.org. Acessado em novembro de 2008. Adaptado Os ciclones tropicais formam-se sobre os oceanos, em região onde a água é quen- te e o vapor d’água, abundante. Eles nem sempre evoluem para um furacão, mas suas trajetórias no Atlântico Norte favorecem essa evolução. a) Caracterize os furacões quanto às latitudes e às pressões atmosféricas das áreas em que se originam. b) Identifique as regiões onde os furacões fi- cam enfraquecidos em suas trajetórias. c) Caracterize os impactos sociais e infraestru- turais dos furacões sobre países insulares na área representada. Cite, ao menos, um des- ses países como exemplo. 7. (Unicamp) Recentemente os Estados Unidos da América do Norte sofreram as consequ- ências socioambientais do evento climático conhecido como furacão Katrina. a) Como e por que se forma um furacão? b) Por que os furacões ocorrem comumente nas baixas e médias latitudes do globo terrestre? 35 c) Explique as razões de no hemisfério sul os furacões girarem no sentido horário, en- quanto no hemisfério norte esse desloca- mento (giro) é no sentido anti-horário. 8. (Fuvest) A base de dados climatológicos e os modelos de previsão meteorológica atu- almente existentes podem ser considerados conhecimentos com valor geopolítico e eco- nômico para nações e corporações. a) Explique como é possível, hoje, realizar previ- sões meteorológicas com alto nível de precisão. b) Explique a importância dessas previsões para nações e corporações. 9. (Unesp) Boletim do Tempo para o Brasil Vá- lido para 07 de abril de 2003 - segunda A semana começa com chuva em quase todo o país. A frente fria que há alguns dias está no Sudeste, hoje, deixa o tempo instável e com chuva, chuviscos e trovoadas em SP, RJ, MG, ES, DF, GO, MS e MT. No Norte e Nordeste, devido ao calor e à umidade, há um aumento da nebulosidade e, à tarde, ocorrem panca- das de chuva e trovoadas isoladas. No Sul, uma massa de ar frio de origem polar dei- xa o tempo ensolarado e com temperaturas baixas. O Sol aparece com poucas nuvens na BA, SE e AL. A temperatura mínima fica em torno de 6°C nas serras gaúchas e catarinen- ses, e a máxima atinge 37°C no norte da BA e de RR. (www.infotempo/uol.com.br) A partir das informações sobre o tempo, a) indique quatro elementos do clima; b) explique como a latitude interfere no clima. 10. (Unesp) O El Niño é um importante fenô- meno climático global, decorrente do aque- cimento de grandes quantidades de água do Oceano Pacífico e consequente mudança no regime dos ventos alísios. a) Cite duas consequências deste fenômeno em áreas brasileiras e nos países sul-americanos que praticam a pesca comercial. b) O que é o fenômeno La Niña? e.o. enem 1. Desde a sua formação, há quase 4,5 bilhões de anos, a Terra sofreu várias modificações em seu clima, com períodos alternados de aquecimento e resfriamento e elevação ou decréscimo de pluviosidade, sendo algumas em escala global e outras em nível menor. ROSS. J. S. (Org.) Geografia do Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2003 (adaptado). Um dos fenômenos climáticos conhecidos no planeta atualmente é o EI Niño que consiste: a) na mudança da dinâmica da altitude e da temperatura. b) nas temperaturas suavizadas pela proximi- dade com o mar. c) na modificação da ação da temperatura em relação à latitude. d) no aquecimento das águas do oceano Pacífi- co, que altera o clima. e) na interferência de fatores como pressão e ação dos ventos do oceano Atlântico. 2. Em 1872, Robert Angus Smith criou o termo “chuva ácida”, descrevendo precipitações áci- das em Manchester após a Revolução Indus- trial. Trata-se do acúmulo demasiado de dió- xido de carbono e enxofre na atmosfera que, ao reagirem com compostos dessa camada, for- mam gotículas de chuva ácida e partículas de aerossóis. A chuva ácida não necessariamente ocorre no local poluidor, pois tais poluentes, ao serem lançados na atmosfera, são levados pelos ventos, podendo provocar a reação em regiões distantes. A água de forma pura apresenta pH 7, e, ao contatar agentes poluidores, reage mo- dificando seu pH para 5,6 e até menos que isso, o que provoca reações, deixando consequências. Disponível em: http://www.Brasilescola.com. Acesso em: 18 maio 2010 (adaptado). O texto aponta para um fenômeno atmosférico causador de graves problemas ao meio ambien- te: a chuva ácida (pluviosidade com pH baixo). Esse fenômeno tem como consequência: a) a corrosão de metais, pinturas, monumentos históricos, destruição da cobertura vegetal e acidificação dos lagos. b) a diminuição do aquecimento global, já que esse tipo de chuva retira poluentes da at- mosfera. c) a destruição da fauna e da flora e redução de recursos hídricos, com o assoreamento dos rios. d) as enchentes, que atrapalham a vida do ci- dadão urbano, corroendo, em curto prazo, automóveis e fios de cobre da rede elétrica. e) a degradação da terra nas regiões semiári- das, localizadas, em sua maioria, no Nordes- te do nosso país. 3. Umidade relativa do ar é o termo usado para descrever a quantidade de vapor de água con- tido na atmosfera. Ela é definida pela razão entre o conteúdo real de umidade de uma parcela de ar e a quantidade de umidade que 36 a mesma parcela de ar podearmazenar na mesma temperatura e pressão quando está saturada de vapor, isto é, com 100% de umi- dade relativa. O gráfico representa a relação entre a umidade relativa do ar e sua tempe- ratura ao longo de um período de 24 horas em um determinado local. Umidade relativa Temperatura U m id ad e re la ti va 80% 70% 60% 50% 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 Hora do dia Te m pe ra tu ra ( ºC ) -2 0 2 4 6 8 10 12 14 16 <educacao.globo.com>educação.globo.com Considerando-se as informações do texto e do gráfico, conclui-se que: a) a insolação é um fator que provoca variação da umidade relativa do ar. b) o ar vai adquirindo maior quantidade de va- por de água à medida que se aquece. c) a presença de umidade relativa do ar é dire- tamente proporcional à temperatura do ar. d) a umidade relativa do ar indica, em termos absolutos, a quantidade de vapor de água existente na atmosfera. e) a variação da umidade do ar se verifica no verão, e não no inverno, quando as tempe- raturas permanecem baixas. gabarito E.O. Teste I 1. E 2. A 3. D 4. E 5. A 6. C 7. E 8. B 9. B 10. C E.O. Teste II 1. B 2. B 3. A 4. B 5. E 6. D 7. E 8. E 9. A 10. D E.O. Teste III 1. B 2. B 3. B 4. A 5. A E.O. Dissertativo 1. Durante a Era Glacial (glaciação), com ponto mínimo há cerca de 8 mil anos, a temperatura média da Terra era muito mais baixa, portan- to, grande parte da água estava aprisionada no estado sólido nas geleiras do Ártico, da Antártida e dos Dobramentos Modernos. Com menos água no estado líquido, os rios eram menos caudalosos e o nível do mar, mais bai- xo. Devido às baixas temperaturas e à menor disponibilidade de água, era menor a evapo- ração e os climas eram mais secos. Assim, as florestas tropicais e equatoriais tinham me- nor extensão e encontravam-se fragmentadas em refúgios mais úmidos, como as encostas de serras e as margens dos rios. Trata-se da Teoria dos Refúgios, do professor Aziz Ab Sá- ber. Posteriormente, ocorre uma deglaciação com ponto máximo há 5 mil anos, a tempera- tura média era mais elevada, com degelo par- cial das calotas polares, rios mais caudalosos e com nível do mar mais elevado. Com maior evaporação, o clima ficou mais úmido, favo- recendo a expansão das florestas a partir dos antigos refúgios, dando origem, no caso do Brasil, à Amazônia e à Mata Atlântica. 2. a) A região em destaque no mapa, e que acu- sa precipitação de neve, está inserida em áreas de médias latitudes, apresentando, portanto, tendência a temperaturas mais amenas, à influência de correntes marí- timas frias e massa de ar polar, aliada às elevadas altitudes dessa porção do terri- tório. Outro fator é a elevada altitude da porção do continente Sul-amaricano. b) Para que ocorra a precipitação de neve o tempo deve registrar baixas temperaturas e elevada umidade, condições caracterís- ticas da zona temperada e polar. 3. A Corrente do Golfo se forma na área tropical, no mar das Antilhas, sendo por isso quente, ao se dirigir para as latitudes mais elevadas ela se divide em dois ramos. Um dos ramos chega ao nordeste da Europa, aquecendo a massa de ar que atua sobre esta parte do continente, onde se localizam as cidades de Londres (51º N) e Paris (48º N), permitindo que estas cida- des tenham invernos mais amenos que as ci- dades de Montreal (45º N) e Nova Iorque (40º N) apesar de terem latitudes menores. 4. a) Os principais elementos do clima são a tem- peratura, umidade do ar, pressão atmosféri- ca. b) Os principais fatores do clima são a altitu- de, a latitude, continentalidade maritimi- dade, correntes marítimas e massas de ar. 37 5. a) Em períodos de EL Niño (fenômeno ENSO) as águas superficiais do oceano pacífico passam por um processo anormal de elevação de temperatura, tornado-se mais relativamente quentes. O fenômeno é denominado desta forma porque ocorre próximo ao final do ano, época do Natal, em uma referência ao “Menino Jesus’’. b) A forte redução da atividade pesqueirano Peru e períodos de redução das precipita- ções no Nordeste brasileiro estão associa- dos ao fenômeno El Niño. 6. a) De uma maneira geral os furacões ocor- rem em áreas de transição entre baixas e médias latitudes (entre 20º e 30º), principalmente no hemisfério norte. São áreas que em função da maior incidência de calor solar, durante o verão, apresen- tam baixas pressões atmosféricas. O calor provoca um superaquecimento das águas oceânicas superficiais dando origem às correntes de ar quente convectivas que turbilhonam e originam os furacões. b) A rota constante no mapa mostra uma intensificação do furacão no sentido da costa sul dos EUA, enfraquecendo em di- reção ao interior do território do país, quando as temperaturas e o atrito do solo se alteram e o furacão se transforma numa tempestade tropical (TT). c) Os furacões causam destruição de mora- dias, perdas de vidas, atingem as ativida- des produtivas (da lavoura e das indús- trias), geram desemprego e consideráveis perdas econômicas. Obras públicas como vias de transportes, pontes, barragens correm o risco de destruição. Quanto mais pobre o país, piores são os efeitos da passagem do furacão. Países como o Haiti, a República Dominicana e Cuba são duramente atingidos. 7. a) A origem dos furacões está relacionada a grandes diferenças de pressão atmosfé- rica a partir de águas marinhas quentes que provocam o aquecimento da atmosfe- ra subjacente que forma correntes de ar ascendentes que começam a girar em ve- locidade cada vez maior do centro para as bordas. Sua energia se perde no momento em que ele avança pelo continente (onde as temperaturas são mais baixas). b) As áreas de médias e baixas latitudes são os locais da Terra que os raios de calor atingem com maior incidência, permi- tindo o superaquecimento das águas que resultam nos furacões. c) As diferentes direções que os furacões to- mam (no hemisfério sul no sentido horário e no hemisfério norte no sentido anti-ho- rário) são causadas por um efeito chamado Coriolis, relacionado ao movimento de ro- tação da Terra com formação de centros de alta e baixa pressão atmosférica. 8. a) A crescente disponibilidade de equipa- mentos de sensoriamento remoto, saté- lites meteorológicos, estações de medição terrestres, aéreas e marítimas, favorece a criação de uma rede mundial de cobertu- ra que consegue avaliar as mudanças cli- máticas em tempo real e de forma muito mais acurada. b) As previsões meteorológicas acuradas são importantes no planejamento de ativida- des como agricultura e na prevenção e ela- boração de planos de contingência contra enchentes, aspectos que favorecem o cres- cimento econômico, um menor impacto material e principalmente a preservação da vida em casos de acidentes naturais. 9. a) Elementos do clima: temperatura, umi- dade, pressão atmosférica (massas de ar) eprecipitações (chuvas, chuviscos). b) À medida que aumenta a latitude, dimi- nui a temperatura e aumenta a amplitu- de térmica. 10. a) No Brasil, poderíamos citar como consequ- ência, o excesso de chuvas ocorridas na por- ção Centro-Sul do país, em função da reten- ção da massa polar sobre essa região que, alimentada pela umidade litorânea, provo- cou imensas inundações; ao mesmo tempo, a massa úmida não consegue alcançar as regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste do país e, com isso, prolongam-se as secas. Nos países pesqueiros como o Chile e Peru, a atuação do El Niño desvia ou altera o comportamento da corrente fria de Hum- boldt. Com isso, cai a produção pesqueira, diminuem as exportações de pescado e reduzem-se as rendas desses países. b) Chama-sefenômeno La Niña o resfria- mento das águas do Oceano Pacífico nasmesmas latitudes equatoriais de seu correlato El Niño, provocando, no caso do Brasil, estiagens e maiores períodos de- frio nas regiões Sul e Sudeste do país. E.O. Enem 1. D 2. A 3. A © Li sa nd ro Lu is Tra rb ac h/ Sh ut te rs to ck Climas do Brasil Aulas 11 e 12 39 © Li sa nd ro Lu is Tra rb ac h/ Sh ut te rs to ck A tropicAlidAde As principais características dos climas no Brasil, em virtude de sua posição geográfica, são determinadas pela tro- picalidade. Entre elas, podemos citar as diferenças de insolação recebida pelas várias regiões do país, as elevadas temperaturas na maior parte do território, os regimes pluviométricos (chuva de verão) e o mecanismo das massas de ar em nosso país (domínio de massas de ar quente e úmido). Entretanto, por causa das dimensões continentais de nosso território, essas características apresentam-se de forma diferente de acordo com a área estudada. Brasil: Equador e Trópico de Capricórnio As diferenças de insolação A quantidade de luz solar (insolação) recebida pelas várias regiões do país durante o ano não é uniforme. Nas áreas mais próximas do Equador, essa incidência de luz solar é mais ou menos constante durante todo o ano; por isso há poucas diferenças na duração dos dias e das noites nas quatro estações do ano. Porém, à me- dida que nos aproximamos das regiões subtropicais e temperadas, essas diferenças vão ficando cada vez mais claras: no inverno, as noites são mais longas; no verão, os dias duram mais. Essa é uma das explicações para o horário de verão: quando se adianta uma hora nos relógios dos estados da porção Sul, para que haja melhor aproveita- mento da luz solar, em vez de energia elétrica, economi- zando, assim, energia. Não é adotado na porção Norte, porque não haveria resultados práticos. O que explica essa diferente insolação recebida por todo o território brasileiro é o movimento de trans- lação e suas consequências: os solstícios e equinócios, que configuram as estações do ano. MoviMento de trAnslAção O movimento de translação da Terra compreende à volta ao redor do Sol com os outros planetas. O ano corresponde ao tempo empregado pela Terra para dar a volta completa ao redor do Sol. O ano civil, adotado por convenção, tem 365 dias. Como o ano sideral, ou o tempo real do movimento de translação, é de 365 dias e seis horas, a cada quatro anos temos um ano com 366 dias, chamado bissexto. Uma vez sempre iluminada pelo Sol, por que a insolação não é igual em todos os lugares da Terra du- rante o ano todo? 40 Por duas razões: 1. No movimento de translação, a Terra gira em torno do Sol em uma órbita elíptica. No entanto, o Sol não está situado exatamente no centro dessa elipse. Por essa razão, a Terra não está sempre à mesma distância do Sol, enquanto percorre sua órbita. Movimento de translação da Terra Fonte: <alunoonline.uol.com.br/geografia/movimentos-translação.html>. (Adaptado) 2. Em seu movimento de rotação, o eixo da Terra tem uma inclinação de mais ou menos 23º em relação à perpendicular ao seu plano de órbita. Inclinação do eixo da Terra Fonte: <projetoazul.blogspot.com.br/2012/04/inclinação-da-Terra-em-seu-eixo.html>. Uma das principais consequências do movimento de translação da Terra são as estações do ano, opostas nos dois hemisférios em virtude da inclinação do eixo terrestre. As datas que marcam o início dessas estações determinam a maneira e a intensidade com que os raios solares atingem a Terra. Esses dias recebem o nome de equinócios e solstícios. 41 No dia 21 de junho, os raios solares chegam ver- ticalmente ao paralelo de 23º27’ N (Trópico de Câncer), quando então ocorre o solstício de verão no hemisfério Norte. É o dia mais longo e a noite mais curta do ano, que marcam o início do verão nesse hemisfério. No he- misfério Sul acontece o solstício de inverno, com a noite mais longa do ano, marcando o início da estação fria (inverno) nesse hemisfério. No dia 21 de dezembro, os raios de sol incidem verticalmente sobre o Trópico de Capricórnio (23º27’ S). É o solstício de verão no hemisfério Sul, com o dia mais longo do ano e o início do verão nesse hemisfério. No hemisfério Norte acontece a noite mais longa do ano. É o início do inverno naquele hemisfério. A partir dos solstícios, as diferenças de duração entre os dias e as noites vão diminuindo, até que em determinadas datas ficam exatamente iguais (12 horas), com exceção das regiões polares, porque os raios solares incidem perpendicularmente sobre a linha do Equador. É quando temos o equinócio (palavra que significa noites iguais aos dias), que ocorre nos dias 21 de março (equi- nócio de outono, no hemisfério Sul, e de primavera, no hemisfério Norte) e 23 de setembro (equinócio de prima- vera, no Hemisfério sul, e de outono, no hemisfério Norte). Em razão da posição geográfica ocupada pelo Brasil, não é muito fácil percebermos exatamente as estações do ano e os equinócios e solstícios, principalmente nas regiões próximas ao Equador. Essas duas ocasiões são mais perceptíveis à medida que nos afastamos do Equador (baixa latitude) em direção às altas latitudes. os eleMentos do cliMA do BrAsil O Equador geográfico – o de latitude 0º – não é exatamente o mesmo que o chamado Equador térmico, que corresponde à Zona de Convergência Intertropical – uma faixa que está sempre próxima àquele, que é para onde convergem os ventos alísios. O conjunto de características associadas a ela possui um deslocamento norte–sul ao longo do ano; e sua marcha anual tem, aproximadamente, o período de um ano, alcançando a posição mais ao norte (8º N), durante o verão do hemisfério Norte e, durante o verão do hemisfério Sul, a posição mais ao sul (2º S), no mês de março. Na Zona de Convergência, há diversas células de baixa pressão atmosférica conhecidas como doldrums, que são o centro das áreas ciclonais, onde predominam grandes calmarias, ou seja, praticamente não há ventos. Nessas áreas há um ciclo diário bem definido: a partir do nascer do Sol, a temperatura aumenta cada vez mais assim como a quantidade de vapor de água presente no ar; por volta das 15, 16 ou 17 horas atinge o ponto de saturação por vapor de água. Os resultados são as chuvas convectivas de fim de tarde. Em Belém do Pará, de tão regulares, as chuvas estão incorporadas na rotina dos habitantes. É comum as pessoas marcarem seus encontros ou compromissos para “depois da chuva”. EQUINÓCIO Equador Hemisfério Norte Hemisfério Sul SOLSTÍCIO Equador Trópico de Câncer Círculo Ártico Círculo Antártico Trópico de Capricórnio Fonte: <https: pt.wikipedia.org/wiki/Solstício>. 42 O mecanismo das massas de ar no Brasil As massas de ar constituem elemento determinante dos climas brasileiros porque podem mudar bruscamente o tempo nas áreas onde atuam. O Brasil sofre a influência de praticamente todas as massas de ar que atuam na América do Sul, exceto as que têm origem no oceano Pacífico (oeste), cuja influên- cia é limitada pela cordilheira dos Andes que barra a sua passagem para o interior do continente. O mecanismo das massas de ar no Brasil depen- de da circulação geral da atmosfera na Terra. As massas de ar que inter- ferem nos climas do Brasil Por ter 92% de seu território na zona tropical e estar localizado no Hemisfério sul, onde as massas líquidas (oceanos e mares) ocupam mais espaço do que as mas- sas sólidas (terras), o Brasil é influenciado predominan- temente pelas massas de ar quente e úmido. Massa equatorial continental (mEc) Quente eúmida, com origem na região noroeste do Amazonas, também é conhecida como Amazônia Oci- dental, por onde passa o alto rio Negro. Durante o in- verno, essa massa restringe sua atuação à Amazônia ocidental, que é chuvosa durante todo o ano. No verão ocorre o escoamento de ar quente e úmido em baixos níveis altimétricos, em direção às latitudes mais altas e a leste. Ou seja, durante o verão, a massa equatorial continental exerce influência sobre a Amazônia orien- tal, Meio-Norte (PI e MA), Centro-Oeste, Sudeste e, às vezes, sobre o sertão nordestino, causando chuvas con- vectivas em todas essas áreas do hemisfério Sul. Massa equatorial atlântica (mEa) Quente e úmida, criada no Atlântico equatorial e atuan- te sobretudo nos litorais do Nordeste e litoral amazônico (Pará e Amapá), essa massa contribui com 45% das águas que caem durante o período chuvoso nas proximidades da costa litorânea leste dos estados do Pará e Amapá. A massa equatorial atlântica, ao encontrar com o ar do con- tinente, forma as chamadas linhas de instabilidade (LI), caracterizadas pelos grandes conglomerados de nuvens cúmulo-nimbus (nuvens cinzas que causam chuvas e tro- voadas). São formadas graças à circulação de brisa maríti- ma – por influência da mEa – , podendo prolongar-se para o interior do continente ou até mesmo para o extremo oeste da Amazônia. A mEa é a causadora de precipitações na Amazônia central durante a estação seca (inverno); ao cair da tarde, em virtude da diminuição da temperatura do ar e do acúmulo de vapor de água, ocorrem chuvas convectivas nas áreas dessas linhas. No litoral nordestino, causa chuvas principalmente no período de inverno – de maio a setembro –, época em que a ZCIT se desloca para o norte e a circulação dos ventos alísios se intensifica (so- pram para leste), trazendo mais chuvas. Massa tropical atlântica (mTa) Quente e úmida se forma próxima à latitude 30º S, en- tre o Brasil e a África. Essa massa de ar traz umidade e chuvas para o litoral oriental brasileiro – notadamente entre o “cotovelo” do RN e o norte do RS – ao longo do ano. Grande parte dos maiores índices pluviométricos no litoral é registrado no verão, com exceção do litoral oriental do Nordeste, pois naquela latitude as tempe- raturas variam muito pouco durante o ano, e os alísios sopram com mais força no inverno. A mTa também pe- netra o continente, trazendo chuvas orográficas em di- versos locais, como no planalto da Borborema, na cha- pada Diamantina e nas serras do Mar e da Mantiqueira. Massa tropical continental (mTc) Quente e seca, forma-se no anticiclone tropical na planície do Chaco, na Bolívia. O Chaco é uma região de planícies alagáveis que se estendem pelo norte da Argentina, noro- este do Paraguai, leste da Bolívia (mais seco) e chega ao Brasil, onde recebe o nome de Pantanal – no sudeste do MT e no oeste do MS. A divergência anticiclônica na de- pressão do Chaco praticamente inexiste no verão, quando a atuação desta massa de ar no Brasil se torna nula. No inverno, a mTc penetra no país pelo oeste, atua com mais força sobre o Pantanal e exerce ação admirável em outras regiões, como no noroeste paranaense, Goiás, Tocantins e nas partes restantes do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além de ação periférica em Minas Gerais e oeste paulista. 43 Massa polar atlântica (mPa) É a mais famosa de todas. Tem origem no oceano Atlântico, junto ao extremo Sul da Patagônia. É fria e úmida. No verão, por causa das temperaturas muito altas predominantes no continente sul-americano, a massa não consegue penetrar com força no continente, barrada muitas vezes pelo ar quente continental, e dirige-se a norte pelo Atlântico, preferencialmente. Mesmo vindo via oceano, chega enfraquecida ao litoral oriental, onde encontra a mTa, causando chuvas frontais. Às vezes, a mPa consegue vir através do continente no verão, atingindo o Sul e algumas partes do Sudeste brasileiro, causando mais chuvas frontais do que propriamente o frio. No inverno, essa massa penetra a América do Sul pela Patagônia – no Sudeste da Argentina –, donde se encaminha para o Brasil, entrando pelo Rio Grande do Sul. Como vem por terra, a massa chega já bem mais seca que na sua origem e, por ser inverno, é muito mais fria do que no verão. A mPa pode chegar na Amazônia no inverno e causar o fenômeno conhecido por friagem. Fonte: educação.globo.com/geografia Atuação das massas de ar no Brasil – Inverno e verão Chuvas A chuva é um tipo de precipitação não superficial, que ocorre quando o vapor de água na atmosfera atinge seu ponto de saturação. Os outros tipos são a neve e o granizo. Além das precipitações não superficiais, temos as condensações superficiais, que são: o nevoeiro ou a neblina, o orvalho e a geada. A chuva resulta da conjugação de dois fatores: vapor de água, que atinge seu ponto de saturação, e queda de temperatura. mm. 3300 3000 2700 2400 2100 1800 1500 1200 900 600 300 Fonte: INMET 1931/1930 Precipitação média anual 44 Apesar de o País apresentar médias anuais plu- viométricas em torno de mil milímetros, as chuvas não se distribuem de modo uniforme por toda sua extensão. Em algumas áreas, como em trechos da Ama- zônia, no litoral sul da Bahia e no trecho paulista da serra do Mar, chove mais de 2 mil milímetros por ano. É o caso da Amazônia, de Belém (PA), com 2,2 mil mm anuais, e em São Paulo; na área banhada pelo rio Ita- panhaú, em Bertioga, chove mais de 4 mil milímetros. No extremo oposto está o Sertão do Nordeste, com totais bem abaixo da média do país, como nas lo- calidades de Cabaceiras, na Paraíba (331 mm anuais), e Areia Branca, no Rio Grande do Norte (588 mm anuais). Na maior parte do território brasileiro chove anualmente mil e dois mil milímetros. A porção situada abaixo do paralelo 20º S, onde predomina o clima subtropical, é caracterizada pela re- lativa uniformidade das chuvas ao longo do ano. <p re -v es tib ul ar .a rt eb lo g. co m .b r> Temperaturas Em quase 95% de nosso território, temos médias térmi- cas superiores a 18 ºC, como decorrência da tropicalida- de. Observe no mapa Temperatura Média Anual. Entretanto, o comportamento das temperaturas está sujeito à influência de outros fatores além da latitu- de: a altitude, a continentalidade e as correntes marítimas. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), no Brasil a temperatura máxima (43,2 ºC) foi registrada, em 1982, na cidade de Bom Jesus do Piauí, no estado do Piauí; e a mínima (–11,6 ºC), na cidade de Xanxerê, no estado de Santa Catarina, em 25 de julho de 1945. No primeiro caso, latitude e influência do oce- ano pode explicar a ocorrência de altas temperaturas; no segundo, o frio extremo é consequência da conjuga- ção dos fatores latitude (média) e altitude (alta). Temperatura media anual Verão Primavera 5N EQ 5S 10S 15S 20S 25S 30S (a) 75W 70W 65W 60W 55W 50W 45W 40W 35W 5N EQ 5S 10S 15S 20S 25S 30S (b) 75W 70W 65W 60W 55W 50W 45W 40W 35W Inverno Outono 5N EQ 5S 10S 15S 20S 25S 30S 75W 70W 65W 60W 55W 50W 45W 40W 35W (c) 75W 70W 65W 60W 55W 50W 45W 40W 35W (d) 5N EQ 5S 10S 15S 20S 25S 30S 6 8 10 12 14 16 18 20 22 ht tp s:/ /si te s.g oo gl e. co m /si te /e cli ps el un ar 21 22 00 8/ cli m at ol og ia os fAtores do cliMA no BrAsil Diversos fatores podem modificar os elementos que compõem o clima. No caso brasileiro, destacamos a al- titude, a latitude, a continentalidade, a maritimidade e as correntes marinhas, que podem ter maior ou menor influência no clima brasileiro. AltitudeQuanto maior a altitude, mais frio será. Mas somente a influência da altitude, isolada de outros fatores, não é muito marcante no Brasil, porque mais de 95% do rele- vo brasileiro está a menos de 1,2 mil metros de altitude. Campos do Jordão, em São Paulo, e as serras gaúchas e catarinenses, com altitudes acima de 1,2 mil metros são exceções. Esta tabela ilustra diferentes médias térmicas anuais registradas suas altitudes. 45 metros 4800 4000 3100 2400 1600 800 0 <w ww .bu sh cra ftb r.c om > Relação entre a altitude e a temperatura. Fonte: IBGE. Anuário Estatístico do Brasil, 1999. Latitude Esse fator influencia os climas no Brasil porque o ter- ritório brasileiro apresenta quase 40º de variação lati- tudinal. Nas altas latitudes, as temperaturas são mais baixas e as amplitudes térmicas, maiores. Portanto, as cidades próximas à linha do Equador (região Norte) têm amplitudes térmicas menores e temperaturas mais altas do que as cidades do Sul e do Sudeste, em virtude das diferenças de latitude entre elas. Fator latitude e médias térmicas. Fonte: IBGE. Atlas nacional do Brasil, 2000. Continentalidade e maritimidade Quanto menor a distância em relação ao mar, menor a amplitude térmica de uma cidade, porque a proximi- dade do mar torna as temperaturas mais estáveis. Isso ocorre em consequência do “efeito regulador de caráter térmico” que as águas dos oceanos exercem sobre as terras próximas. Por exemplo, a cidade de Santos, em São Paulo, possui menor amplitude térmica do que cidades loca- lizadas no interior do território brasileiro, como as dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Fonte: <professoralexinowatzki.webnode.com.br/climatolo- gia/fatores-do-clima/continentalidade-e-maritimidade>. 46 Correntes marítimas O Brasil sofre influência de duas correntes marítimas quentes: a corrente do Brasil (no sentido sul) e a corrente das Guianas (no sentido norte), que contribuem para os climas quentes. Correntes marítimas que atuam no Brasil CLIMAS CONTROLADOS POR MASSAS DE AR EQUATORIAIS E TROPICAIS Equatorial Úmido Litorâneo Úmido Tropical Tropical Semi-Árido CLIMAS CONTROLADOS POR MASSAS DE AR EQUATORIAIS E POLARES Subtropical Úmido Corrente quente Corrente fria <a sp ec to st er re st re s. bl og sp ot .c om .b r> cliMAs BrAsileiros EQUATORIAL TROPICAL TROPICAL SEMI-ÁRIDO TROPICAL DE ALTITUDE TROPICAL ATLÂNTICO SUBTROPICAL Equador Trópico de Capricornio 65º 45º ESCALA 0 590 km OCEANO ATLÂNTICO <g eo gr af iap ar ap ro fe ss or es .w or dp re ss .co m > Climas brasileiros 47 Clima equatorial O clima equatorial abrange a região Norte brasileira, o norte do Mato Grosso e de Tocantins e, ainda, o oeste do Maranhão. Todo esse espaço é conhecido por Ama- zônia (entre 5º N e 10º S), área que apresenta clima, vegetação e hidrografia típicos de regiões equatoriais. O clima é quente e úmido. Devido aos altos valores de energia solar incidente na superfície amazônica, o com- portamento da temperatura do ar mostra pequena va- riação ao longo do ano. A amplitude térmica sazonal é da ordem de 1º a 2 ºC/ano – a menor do Brasil – sendo que os valores médios se situam entre 24 ºC no mês mais frio e 26 ºC no mês mais quente. Em particular, Be- lém (PA) apresenta temperatura média mensal máxima de 26,5 ºC, no mês de novembro, e temperatura mínima de 25,4 ºC, em março. Manaus (AM), por outro lado, possui seus extremos de temperatura nos meses de se- tembro (27,9 ºC) e abril (25,8 ºC). A exceção é aquela parte mais ao sul (Rondônia e Mato Grosso). A região amazônica possui uma precipitação média de aproximados 2,3 mil mm por ano. Existem algumas diferenças no clima da Amazônia, dividido em equatorial úmido e equatorial subúmido (ou semiúmi- do). Na Amazônia ocidental – mais especificamente noroeste do Amazonas –, onde atua a massa equato- rial continental durante todo o ano, não existe estação seca, e as médias pluviométricas são altas. Na fronteira entre Brasil, Colômbia e Venezuela, o total anual atinge os 3,5 mil mm, e o clima é dito equatorial superúmido. No litoral do Pará e do Amapá, os níveis de precipitação também são altos (cerca de 2,5 mil mm ao ano) e sem período de seca definido, pois há influência das linhas de instabilidade que se formam ao longo da costa lito- rânea durante o período da tarde e são forçadas pela brisa marítima. Nessa área, o clima é equatorial úmido. O período de chuvas ou de forte atividade con- vectiva na região amazônica é compreendido entre os meses de novembro e março, sendo que o período de seca (sem grande atividade convectiva) é entre maio e setembro, chovendo menos de 60 mm. Este último pe- ríodo ocorre numa área que abrange o leste de Rorai- ma (parte mais seca da Amazônia), a região do médio Amazonas – também conhecida como Amazônia cen- tral, onde estão Marabá, Santarém etc. –, o sul do Pará, Rondônia e partes do Acre. Ao sul dela, o inverno é mais seco e, em razão da ação devastadora do homem – garimpagem, desmatamento, queimadas, projetos agropastoris –, a pluviosidade diminuiu cerca de 10% nos últimos tempos. Ao norte amazônico, a estação da primavera é também seca, sendo que lá costuma chover em torno de 2,0 mil mm por ano e o clima é o equatorial semiúmido. Fonte: <profwladimir.blogspot.com.br/2012/09/ mapas-Brasil-clima.html>. (Adaptado) Clima tropical O clima tropical envolve a maior parte da região Centro-Oeste, do Sudeste e partes do Nordeste. As temperaturas médias anuais estão acima de 18 ºC e há uma alternância nítida entre a estação seca (inverno) e a estação chuvosa (verão). Os índices de precipita- ção ficam em torno dos 1,5 mil mm anuais. No verão, predomina a atuação da massa equatorial continental e/ou da massa tropical atlântica, isto é, o verão apre- senta muito calor e muita umidade (chuvas convecti- vas). Em outros casos ocorre o encontro da mEc com a mPa, que chega já muito enfraquecida às regiões de clima tropical típico, mas causa tempestades frontais ao se encontrar com a primeira. Mais de 70% do total das chuvas caem entre novembro e março. No inverno predomina a atuação da massa tropical continental e da massa polar atlântica, que chega já sem umidade à região central do Brasil e o clima é seco. No interior do país sentimos com nitidez o efeito de continentalidade. Em cidades como Brasília ou Cuiabá, o clima costuma 48 ser bem seco em julho, cuja temperatura diurna pas- sa facilmente dos 25 ºC, alcançando até 30 ºC; mas, à noite, a temperatura não raro cai abaixo dos 15 ºC, chegando aos 10 ºC em algumas ocasiões, diminuindo bastante a média diária. Fonte: <profwladimir.blogspot.com.br/2012/09/ mapas-Brasil-clima.html>. (Adaptado) Na área de clima tropical merece destaque tam- bém o Pantanal mato-grossense, por ser uma região de clima muito quente, que apresenta um longo período de estiagem – de abril a setembro. No Pantanal, as médias pluviométricas estão por volta dos 1,2 mil mm anuais, chovendo cada vez menos à proporção que caminha- mos para oeste. Clima semiárido O clima semiárido abraça uma região, cujo limite apresenta algumas variações nos diferentes mapas. É uma porção do território nacional, não totalmente con- tínua, em que as pluviosidades são baixas (no máximo 750 mm/ano) e irregulares. O clima semiárido ocupa um pedaço de terra que adentra o país desde uma estreita faixa de terra litorânea na divisa dos litorais cearense e potiguar (RN). É o clima denominado sertão nordestino,presente em todos os estados dessa área brasileira, com exceção do Maranhão. A região do vale do rio Jequiti- nhonha, no norte mineiro, também é semiárida. Fonte: <profwladimir.blogspot.com.br/2012/09/ mapas-Brasil-clima.html>. (Adaptado) O sertão nordestino é uma região de grande va- riabilidade anual na precipitação. Historicamente, sem- pre foi afetado por grandes secas ou cheias. O clima tropical semiárido do sertão do Nordeste reflete as con- dições de divergência anticiclônica do ar, isto é, gerado- ra de ventos e dispersora de ar. As altas pressões fazem com que a mTa, mEc e mPa, que gerariam instabilidades na região, sejam muitas vezes dissipadas. Há diversas partes no domínio do clima semiá- rido, em que a evaporação da água é superior à quan- tidade que cai em forma de chuva. A desertificação é definida como “a degradação da terra nas zonas áridas, semiáridas e subúmidas secas resultantes de fatores di- versos, tais como as variações climáticas e as atividades humanas”. Esse desgaste apresenta-se como: § empobrecimento dos solos e de recursos hídricos; § danos à vegetação e à biodiversidade; e § redução da qualidade de vida da população afetada. Existem indícios de desertificação em pelo me- nos cinco locais: Gilbués (PI), Irauçuba (CE), Cabrobó (PE), Seridó (RN/PB), Rodelas – Raso da Catarina (BA). Os solos do semiárido, em geral, são rasos, pedregosos e pobres em matéria orgânica. Lá estão as maiores médias térmicas do país (próximo de 26 ºC), chegando a 28 ºC em algumas cidades como em Sobral (CE). A massa tropical atlân- tica atua esporadicamente no inverno, mas costuma chegar já sem muita umidade no sertão. A famosa seca ocorre quando não chove durante longos pe- 49 ríodos de um ano ou mais. Já houve secas de até três anos em algumas cidades sertanejas. As áreas em que menos chove, com 9 a 11 meses secos, fi- cam no “cotovelo” do São Francisco, entre a Bahia e Pernambuco; e na região da Bahia, conhecida como sertão de Canudos, onde chove em média menos de 500 mm/ano. Na maior parte dos verões, ocorre a penetração da massa equatorial continental, que já perdeu grande parte da umidade pelo caminho. Os sertanejos chamam o verão de inverno, porque, irregularmente, a mEc traz chuvas esporádicas à região; além disso, essas águas são decorrência da ação da mEc e amenizam um pouco as temperaturas. Clima tropical úmido Fonte: <profwladimir.blogspot.com.br/2012/09/ mapas-Brasil-clima.html>. (Adaptado) O clima tropical úmido ou tropical atlântico ou, ainda, litorâneo úmido, é próprio da faixa litorânea que vai da divisa do Paraná e de São Paulo até próximo ao “cotovelo” do Rio Grande do Norte. A precipitação média da área é de 2 000 mm/ano. Há o predomínio da massa tropical atlântica ao longo do ano e existe uma estação muito chuvosa e outra, menos. Do Sudeste até o sul da Bahia, as chuvas prevalecem no verão e de Sal- vador ao Rio Grande do Norte, no inverno. Clima tropical de altitude O clima tropical de altitude é o que domina nos planaltos e serras do leste e sudeste do Brasil. Dentre eles estão o planalto Atlântico, que compreende as áre- as das serras do Mar e Mantiqueira, além da região me- tropolitana de São Paulo, conhecida como Grande São Paulo; a escarpa de Botucatu, na borda leste do planal- to ocidental paulista; as regiões da serra da Canastra e serra do Espinhaço, ambas em Minas Gerais. Nessas áreas, as médias térmicas anuais caem para perto de 18 ºC ou até menos, o que se deve tanto à latitu- de um pouco maior dessa área – que costuma sofrer ação intensa da mPa durante o inverno – quanto ao predomínio de regiões de dobramentos antigos relativamente altas. Fonte: <profwladimir.blogspot.com.br/2012/09/ mapas-Brasil-clima.html>. (Adaptado) Em geral, as precipitações são pouco mais acen- tuadas que na região de clima tropical. A região com as maiores médias pluviométricas do Brasil estão na serra do Mar, no estado de São Paulo, e o lugar no qual já foram registrados os maiores índices de precipitação do Brasil é Itapanhaú (próxima à cidade paulista de Mogi das Cruzes), onde já choveu 4 500 mm num único ano. No domínio do clima tropical de altitude, sobre- leva-se a ação da massa tropical atlântica. Além disso, é frequente a ação da massa polar atlântica. O encontro dessas duas traz muitas chuvas à região, sobretudo no verão, quando a mPa faz um caminho quase marinho, chegando carregada de umidade às regiões serranas. 50 Clima subtropical O clima subtropical abrange a parte do Brasil ao sul do Trópico de Capricórnio, que apresenta as menores médias térmicas do país, quase sempre inferiores a 18 ºC no ano. As amplitudes térmicas – diferenças entre a média térmica do mês que se escolhe para análise com a da maior média térmica do ano e do mês de menor média térmica –, são em geral superiores a 10 ºC de diferença do mês mais frio para o mais quente. A massa tropical atlântica atua por todo o litoral do sul do país, principalmente a partir do litoral norte do Rio Grande do Sul, levando bastante chuva durante o ano todo. É importante também a ação da massa polar atlântica e das frentes polares, muito presentes na região no verão, trazendo chuvas e, às vezes, fazendo cair as temperatu- ras. No inverno, a mPa traz chuvas, geadas e até alguns casos de neve, além do frio, é claro. O clima é mais frio nas áreas serranas dos lestes paranaense e catarinense, e nas serras do Rio Grande do Sul; em outras áreas, com altitudes menos expressivas, é mais brando. As precipi- tações estão em torno dos 1 500 mm anuais e são bem distribuídas ao longo do ano. Mais especificamente, no norte do Paraná, as chuvas predominam no verão e, no sul do Rio Grande do Sul, de junho a julho. Fonte: <profwladimir.blogspot.com.br/2012/09/ mapas-Brasil-clima.html>. (Adaptado) 51 e.o. teste i 1. (Unesp) Leia a descrição de quatro grandes tipos climáticos do Brasil e, em seguida, exa- mine o mapa, que representa a divisão re- gional do país em grandes tipos climáticos. 1. Chuvas entre 2 000 e 3 000 mm e ele- vadas temperaturas durante todo o ano, com médias de 26 °C. 2. Regular distribuição das chuvas durante o ano e temperaturas mais amenas, com médias inferiores a 18 °C e esporádica queda de neve. 3. Chuvas escassas e irregulares, com preci- pitações médias de 500 a 700 mm, e tem- peraturas elevadas, com médias de 28 °C. 4. Duas estações bem marcantes: uma chuvo- sa e quente, com 1 200 mm de precipitação e médias térmicas de 24 °C, e outra seca e fria, com 200 mm de chuvas e 17 °C de média térmica. Assinale a alternativa que contém a correta associação entre a descrição climática e sua área de ocorrência. a) 1D; 2B; 3A; 4C. b) 1C; 2A; 3B; 4D. c) 1B; 2D; 3C; 4A. d) 1A; 2C ; 3D; 4B. e) 1C; 2B; 3D; 4A. 2. (Unicamp) A poluição nos grandes centros urbanos, como Curitiba, pode causar de- terminadas doenças como rinite, alergias, asma, problemas de pele e cabelo. Pessoas sensíveis às partículas em suspensão no ar podem desenvolver tais doenças ao respirar o ar poluído dos grandes centros. Durante todo o ano essas doenças podem acontecer, mas é no inverno que ficam mais acentuadas. (Adaptado de Jornal do Estado, Curitiba, 01/06/2009.) Durante o inverno, em Curitiba, é comum a ação da Massa Polar Atlântica, que facilita a ocorrência de problemas respiratórios, pois a) aumenta a umidade relativa do ar e promove a inversão térmica, o que provoca a concentra- ção de poluentes nas partes altas da cidade. b) aumenta a umidade relativa do ar e promove a inversão térmica, o que provoca a concen- tração de poluentes próximo da superfície do solo.c) reduz a umidade relativa do ar e promove um maior aquecimento da parte central da cidade, se comparado à periferia, o que con- centra os poluentes. d) reduz a umidade relativa do ar e promove a inversão térmica, o que provoca a concen- tração de poluentes próximos da superfície do solo. 3. (Unicamp) Se eu pudesse alguma coisa para com Deus, lhe rogaria muita geada nas ter- ras de serra acima, porque a cultura da cana nessas terras, onde se faz o açúcar, tem abandonado ou diminuído a cultura do mi- lho e do feijão e a criação dos porcos; estes gêneros tem encarecido, assim como o tri- go, o algodão e o azeite de mamona; tem introduzido muita escravatura, o que empo- brece os lavradores, corrompe os costumes e leva ao desprezo pelo trabalho de enxada; tem devastado as matas e reduzido a tape- ras muitas herdades; tem roubado muitos braços à agricultura, que se empregam no carreto dos africanos; tem exigido grande número de mulas que não procriam e conso- mem muito milho. (Adaptado de José Bonifácio de Andrada e Silva, Projetos para o Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, p. 181-182.) As geadas são comuns em algumas áreas do Brasil, especialmente nas regiões Sul e em parte do Sudeste brasileiro. As condições que favorecem a ocorrência de geadas são, além do domínio de uma massa fria: a) céu com muitas nuvens, fortes ventos na su perfície do solo e topos dos morros. b) céu sem nuvens, fortes ventos na superfície do solo e topos dos morros. c) céu com muitas nuvens, pouco vento na su perfície do solo e fundos de vale. d) céu sem nuvens, pouco vento na superfície do solo e fundos de vale. 52 4. (Fuvest) Observe os mapas. Os períodos do ano que oferecem as melho- res condições para a produção de energia hidrelétrica no Sudeste e energia eólica no Nordeste são aqueles em que predominam, nessas regiões, respectivamente: a) primavera e verão. b) verão e outono. c) outono e inverno. d) verão e inverno. e) inverno e primavera. 5. (Unesp) O esquema refere-se à formação de um fenômeno climático que, no hemisfério sul, ocorre com maior incidência entre os meses de maio e setembro. Assinale a alternativa que contém a identi- ficação do fenômeno, duas regiões brasilei- ras onde sua ocorrência é mais frequente e a principal dificuldade que provoca aos meios de transporte. a) Precipitação pluvial; Sudeste e Nordeste; es corregamento em rodovias. b) Geada; Nordeste e Norte; dificuldade na na vegação de cabotagem. c) Neblina; Sul e Sudeste; perda de visibilidade. d) Granizo; Sudeste e Centro-Oeste; avalanches em estradas. e) Névoa; Centro-Oeste e Norte; fechamento de aeroportos. 6. (Unifesp)Durante o inverno, pode ocorrer a chamada friagem, por meio da ação da: a) Massa Tropical Atlântica, que diminui as chuvas no Rio Grande do Sul. b) Massa Equatorial Atlântica, que abaixa as temperaturas em São Paulo. c) Massa Equatorial Continental, que aumenta a temperatura no Ceará. d) Massa Tropical Continental, que incrementa as chuvas em Brasília. e) Massa Polar Atlântica, que reduz a tempera tura no Amazonas. 53 7. (Fuvest)Considerando as massas de ar que atuam no território brasileiro e alguns de seus efeitos, analise o quadro a seguir e escolha a associação correta. Massa de Ar Características Principais regiões atingidas Efeitos a) Equatorial Atlântica (mEA) Quente e úmida Litoral Norte e Nordeste Formações de chuvas e au- mento dos ventos b) Equatorial Con- tinetal (mEc) Quente e seca Interior das regiões Nor- te Centro-Oeste e Sul Formação de ventos e diminui- ção da umidade relativa do ar c) Tropical Atlântica (mTa) Quente e úmida Faixa litorânea das regi- ões Norte e Nordeste Formação de chuvas e dimi- nuição de temperaturas d) Tropical Continental (mTa) Quente e seca Sudeste, Sul, parte do Nordeste e Norte Aumento das temperaturas e dos ventos e) Polar Atlân- tica (mEA) Fria e seca Sudest, Sul e Norte Diminuição das temperaturas e da umida-de relativa do ar 8. (Unesp) Leia. O fenômeno dos “rios voadores” “Rios voadores” são cursos de água atmos- féricos, invisíveis, que passam por cima de nossas cabeças transportando umidade e va- por de água da bacia Amazônica para outras regiões do Brasil. A floresta Amazônica fun- ciona como uma bomba-d’água. Ela “puxa” para dentro do continente umidade evapo- rada do oceano Atlântico que, ao seguir ter- ra adentro, cai como chuva sobre a floresta. Pela ação da evapotranspiração da floresta, as árvores e o solo devolvem a água da chuva para a atmosfera na forma de vapor de água, que volta a cair novamente como chuva mais adiante. O Projeto Rios Voadores busca en- tender mais sobre a evapotranspiração da floresta Amazônica e a importante contri- buição da umidade gerada por ela no regime de chuvas do Brasil. A partir da leitura do texto e da observação do mapa, é correto afirmar que, no Brasil, a) cada vez mais, a floresta é substituída por agricultura ou pastagem, procedimento que promove o desenvolvimento econômico, sem influenciar, significativamente, o clima na América do Sul. b) os recursos hídricos são abundantes e os regimes fluviais não serão alterados, apesar das mudanças climáticas que ameaçam modi- ficar o regime de chuvas na América do Sul. c) o atual desenvolvimento da Amazônia não afeta o sistema hidrológico, devido à aplica- ção de medidas rigorosas contra o desmata- mento e danos à biodiversidade da floresta. d) os mecanismos climatológicos devem ser con- siderados na avaliação dos riscos decorrentes de ações como o desmatamento, as queima- das, a abertura de novas fronteiras agrícolas e a liberação dos gases do efeito estufa. e) a circulação atmosférica é dominada por massas de ar carregadas de umidade que, encontrando a barreira natural formada pe- los Andes, precipitam-se na encosta leste, alimentando as bacias hidrográficas do país. 9. (Uepb) Os climogramas a seguir represen- tam dois tipos climáticos que atuam em re- giões do país. O clima representado na figura 1 recebe influência da massa de ar continen- tal equatorial e caracteriza-se por altas tem- peraturas e chuvas abundantes o ano todo. Já o clima representado na figura 2 recebe influência da massa tropical atlântica e ca- racteriza-se por altas temperaturas, chuvas escassas e mal distribuídas. 54 Os climogramas correspondem, respectivamente, aos climas: a) Equatorial e Semiárido b) Equatorial e Subtropical c) Subtropical e Tropical de Altitude d) Tropical Úmido e Subtropical e) Semiárido e Subtropical 10. (Unifesp) Assinale a alternativa com o climograma mais característico do clima subtropical no Brasil. a) b) c) d) e) 55 e.o. teste ii 1. Observe o quadro a seguir: Localização/ Cotas de altitude Amplitude Térmica Áreas próximas do nível do mar entre 800 m a 1.000 m acima de 1.100 m mínima anual de 20ºC e máxima de 38ºC média anual inferior a 18ºC mínima noturna: 6ºC diurna: inferior a 20ºC em qualquer estação Relacionando os dados apresentados no qua- dro aos conhecimentos sobre relevo e clima, é possível identificar estas características gerais no seguinte Estado brasileiro: a) Roraima - as maiores altitudes do relevo bra- sileiro, devido ao embasamento cristalino que caracteriza os Planaltos Residuais Norte- Amazônicos, tornam o clima equatorial mais ameno. b) Minas Gerais - o relevo movimentado con- trasta os climas temperado frio, nos Planal- tos e Serras do Atlântico Leste-Sudeste, e semiárido nas terras baixas da Depressão do São Francisco. c) Acre - a proximidade da Cordilheira dos An- des na fronteira do Brasil com a Bolívia ame- niza oclima no oeste do Estado, embora o clima equatorial da Floresta Amazônica seja predominante no conjunto. d) Santa Catarina, cujas diferenças climáticas extremas entre a Planície Litorânea e os Pla- naltos da Bacia do Paraná são importantes atrativos turísticos em cidades como Blume- nau e Florianópolis. e) Mato Grosso, cuja excepcionalidade climática é o resultado de relevos diferenciados, como os planaltos escarpados na porção ocidental, as planícies e depressões no noroeste e o complexo do Pantanal no extremo oeste. 2. (Unifesp)Encontra-se em uma região úmida que recebe forte influência da Massa Tro- pical Atlântica, recebe muita insolação de- vido à sua localização tropical e sofre com enchentes em épocas de chuvas. Trata-se da cidade de: a) Manaus. b) Salvador. c) Fortaleza. d) Brasília. e) Porto Alegre. 3. (Fuvest) Considere o mapa e o texto a seguir. “A alternância de períodos chuvosos ao Sul e ao Norte da Bacia garante uma alimenta- ção farta e permanente do rio ___(I)___ o ano inteiro, fazendo com que as oscilações do nível das águas apresentem uma amplitu- de bem menor do que ocorreria se ele fosse subordinado a um único regime pluvial. Esse relativo equilíbrio hidrológico decorre do deslocamento anual da massa ____(II)____”. Fonte: Adap. IBGE, 1977. Assinale a alternativa que completa correta- mente o texto. a) (I) Amazonas; (II) Equatorial Atlântica b) (I) Paraguai; (II) Tropical Continental c) (I) Paraguai; (II) Equatorial Atlântica d) (I) Amazonas; (II) Equatorial Continental e) (I) Amazonas; (II) Tropical Continental 4. (Unifesp)Sofre influência do clima tropical, recebe entre 1200 a 2000mm de chuva anu- almente e tem uma estação seca bem defi- nida. Além disso, apresenta um mosaico de vegetação que ocorre em diversas regiões brasileiras. Trata-se: a) da Amazônia. b) do Pantanal. c) do sertão semiárido. d) da Mata Atlântica. e) da Zona da Mata. 5. (Fuvest)Assinale a alternativa que indica o climograma que corresponde a uma cidade localizada aproximadamente a 3° Sul e 60° Oeste. 56 6. (Unesp) No território brasileiro, em sentido norte-sul, em relação à média e à amplitude térmicas, é correto afirmar que: a) as médias térmicas diminuem e as amplitu des aumentam. b) as médias e as amplitudes térmicas dimi- nuem. c) as médias térmicas aumentam e as amplitu des diminuem. d) as médias e as amplitudes térmicas não apresentam variação. e) as médias e as amplitudes térmicas aumentam. 7. Leia o gráfico a seguir para responder a questão. Te m pe ra tu ra s 28 26 24 22 20 18 16 14 12 ºC 400 350 300 250 200 150 100 50 0 Ch uv as mm J F M A M J J A S O N D É mais provável que a estação meteorológica, na qual se fez a medição das chuvas e tempe- raturas, se localize no Brasil em clima: a) tropical úmido, exposto às massas tropicais marítimas do Atlântico Sul. b) tropical em que se alternam nitidamente uma estação seca no inverno e uma estação chuvosa no verão austral. c) tropical semiárido, no qual as massas úmi- das têm dificuldade de penetrar e, portanto, de provocar chuvas. d) subtropical úmido dominado por massas tro- picais marítimas e por constantes invasões das massas polares. e) equatorial, no qual há a convergência dos alísios. 8. (Fuvest) Refletindo sobre o desenho a seguir, em uma área Tropical, podemos inferir que: a) em matas e bosques, a grande oscilação diu- turna da temperatura mantém as nuvens baixas, fazendo com que chova mais. b) em áreas com escassa cobertura vegetal, o ar frio e seco empurra as nuvens para cima, fazendo com que chova menos. c) o ar mais úmido e quente sobre as matas e bos- ques ocasiona maior regularidade pluviométrica. d) as pequenas amplitudes térmicas sobre as plantações produzem uma camada estacio- nária de ar úmido, impedindo a presença de nuvens baixas. e) em áreas com abundante cobertura vegetal, o ar mais frio e rarefeito facilita a descida das nuvens mais pesadas. 9. (Unesp)No Brasil, o Planalto Atlântico obriga a elevação dos ventos vindos do oceano car- regados de umidade. Ao encontrar camadas mais frias de ar, o vapor da atmosfera se con- densa e se precipita em forma de chuva. Es- tas características individualizam as chuvas: a) frontais. b) polares. c) mediterrâneas. d) orográficas. e) térmicas. 10. Natal (RN) e Rio de Janeiro (RJ) apresentam temperaturas médias anuais semelhantes: a) porque possuem o mesmo tipo de clima e em ambas os solos foram originalmente recober- tos por matas. b) porque estão na mesma longitude, predomi- nando os morros recobertos por vegetação, no Rio de Janeiro e as dunas em Natal. c) porque estão ambas no litoral e as duas so- frem a influência amenizadora do oceano Atlântico. d) mas têm climas diferentes porque, estando em latitudes distintas, são submetidas a massas de ar de origens diferentes. e) mas têm climas diferentes porque a cidade do Rio de Janeiro tem temperaturas eleva- das, durante o ano todo, enquanto em Natal as temperaturas máximas estão entre abril e setembro. e.o. teste iii 1. (Fuvest) A observação dos mapas do Estado de São Paulo permite afirmar que, de modo geral, as temperaturas decrescem: Verão Inverno Trópico de Capricórnio 12º 15º 18º 21º 24º 27º Fonte: projetomedicina.com.br a) de sudeste para noroeste sem grandes oscila- ções, exceto no Vale do Paraíba, sempre mais frio que o restante do Estado. b) de oeste para leste com acentuada queda das temperaturas ao sul do trópico de Capricórnio. 57 c) de oeste para leste, excetuando-se o centro, onde há permanentemente uma “ilha” de temperaturas mais elevadas. d) de leste para oeste, excetuando-se o noroes- te onde as temperaturas são sempre superio- res às das demais áreas. e) de noroeste para sudeste, interrompida pela nítida queda de temperatura nas terras ele- vadas do planalto Atlântico. 2. (Unemat) As metrópoles são o ambiente que mais expressam a intervenção humana no meio natural. A figura, a seguir, representa um fenômeno climático cada vez mais co- mum nas grandes cidades. Assinale a alternativa que corresponde ao fenômeno representado na figura. a) Chuvas ácidas b) Inversão térmica c) Ilha de calor d) Smog e) Efeito estufa 3. (Fuvest)“Lá um dia, para as cordas das nas- centes do Paraíba, via-se, quase rente do ho- rizonte, um abrir longínquo e espaçado de re- lâmpago era inverno na certa no alto sertão. As experiências confirmavam que com duas se- manas de inverno o Paraíba apontaria na vár- zea com sua primeira cabeça d’água. O rio no verão ficava seco de se atravessar a pé enxuto. Apenas, aqui e ali, pelo seu leito, formavam-se grandes poços, que venciam a estiagem.” [J. L. do Rego - MENINO DE ENGENHO, cap. 13] O texto anterior faz referência, direta e in- diretamente, a aspectos da paisagem natural observados na sub-região do Sertão Nordes- tino, tais como: a) clima tropical semiárido, predominância de rios intermitentes, com padrão de drenagem exorréica. b) clima tropical úmido a leste e semiárido a oeste, rios perenes e intermitentes, com pa- drão de drenagem endorréica. c) clima tropical, rios predominantemente pe- renes, com padrão de drenagem exorréica. d) clima tropical semiárido a leste e úmido a oeste, rios temporários, com padrão de dre- nagem endorréica. e) clima tropical mais úmido no inverno e mais seco no verão, rios temporários, com padrão de drenagem arréica. 4. (Fuvest) A leitura desta carta sinótica per- mite afirmar que as condições do tempo nas cidades indicadas são, mais provavelmente: 1010 1014 A 1010 1014 1018 A 0 620 km frente fria Fo nt e:p ro fe ss or .b ri o. br /g eo gr afi a a) estáveis, com temperatura em ligeiro de- clínio a fraca probabilidade de chuvas, em Curitiba e Belo Horizonte. b) instáveis, com chuvas esparsas e temperatu- ra em ascensão, em São Paulo e Brasília. c) instáveis, com fortes chuvas, alto teor de umidade e temperatura estável, em Brasília e Manaus. d) instáveis, com céu encoberto, chuvas e tem- peratura em declínio, em São Paulo e Curitiba. e) estáveis, com céu claro, baixo teor de umi- dade e temperatura em ascensão, em Porto Alegre e São Paulo. 5. (Unesp)Observe o mapa a seguir. As áreas assinaladas correspondem ao clima: a) equatorial superúmido. b) subtropical de altitude. c) tropical semiárido. d) tropical alternadamente úmido e seco. e) subtropical úmido. 58 e.o. dissertAtivo 1. (Unicamp)Conforme os estudos de Carlos Augusto de Figueiredo Monteiro (A dinâmica climática e as chuvas do Estado de São Paulo: estudo geográfico em forma de atlas. São Paulo: USP, Instituto de Geografia, 1973), o clima do litoral do Estado de São Paulo resulta da interação de três grandes controles atmosféricos de ordem regional: a circulação secundária, sob a forma dos frequentes embates entre as três massas de ar mais atuantes na região; o oceano, matéria-prima da umidade disponível; e o relevo (Serra do Mar, de orientação SO-NE, que atua como barreira aos ventos úmi- dos predominantes de SE). a) Quais são as três massas de ar mais atuantes no litoral de São Paulo? b) Como o relevo atua para formar as chuvas orográficas? 2. (Unesp)Analise os climogramas dos principais tipos climáticos do Brasil e as fotos que retratam as formações vegetais correspondentes. Identifique o climograma e a respectiva foto que representa a vegetação do cerrado. Mencione duas características da formação vegetal do cerrado e uma característica do clima no qual ela ocorre. 3. (Unicamp)Os climogramas abaixo representam dois tipos climáticos que ocorrem em território brasileiro. Observe-os e responda: a) A que tipos climáticos se referem as figuras 1 e 2, respectivamente? b) Qual a vegetação característica das respectivas regiões? 59 4. (Unicamp)O mapa a seguir representa o es- tado de São Paulo e as médias de temperatu- ra em duas cidades paulistas. Observando o mapa, responda: Médias de Precipitação e Temperatura das cidades de Ubatuba e São Paulo São Paulo UbatubaTrópico de Capricórnio Ubatuba: precipitação média: 2.624,0mm temperatura média: 21,2ºC São Paulo: precipitação média: 1.356,9mm temperatura média: 17,7ºC Fonte: IBGE, Região Sudeste, 1977. p. 667 a) Por que as cidades de São Paulo e Ubatuba, situadas na mesma latitude, apresentam mé- dias de temperatura distintas? b) Na Serra do Mar, durante o verão, ocorrem movimentos de massa, causando prejuízos e perdas humanas. Esses deslizamentos, em grande medida, são desencadeados por in- tensas chuvas orográficas. Explique como se formam as chuvas orográficas. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO OS SERTÕES A Serra do Mar tem um notável perfil em nossa história. A prumo sobre o Atlântico desdobrase como a cortina de baluarte des- medido. De encontro às suas escarpas emba- tia, fragílima, a ânsia guerreira dos Caven- dish e dos Fenton. No alto, volvendo o olhar em cheio para os chapadões, o forasteiro sentia-se em segurança. Estava sobre ameias intransponíveis que o punham do mesmo passo a cavaleiro do invasor e da metrópole. Transposta a montanha - arqueada como a precinta de pedra de um continente - era um isolador étnico e um isolador histórico. Anu- lava o apego irreprimível ao litoral, que se exercia ao norte; reduzia-o a estreita faixa de mangues e restingas, ante a qual se amor- teciam todas as cobiças, e alteava, sobrancei- ra às frotas, intangível no recesso das matas, a atração misteriosa das minas... Ainda mais - o seu relevo especial torna-a um condensador de primeira ordem, no pre- cipitar a evaporação oceânica. Os rios que se derivam pelas suas verten- tes nascem de algum modo no mar. Rolam as águas num sentido oposto à costa. Entra- nham-se no interior, correndo em cheio para os sertões. Dão ao forasteiro a sugestão irre- sistível das entradas. A terra atrai o homem; chama-o para o seio fecundo; encanta-o pelo aspecto formosíssi- mo; arrebata-o, afinal, irresistivelmente, na correnteza dos rios. Daí o traçado eloquentíssimo do Tietê, dire- triz preponderante nesse domínio do solo. Enquanto no S. Francisco, no Parnaíba, no Amazonas, e em todos os cursos d’água da borda oriental, o acesso para o interior se- guia ao arrepio das correntes, ou embatia nas cachoeiras que tombam dos socalcos dos planaltos, ele levava os sertanistas, sem uma remada, para o rio Grande e daí ao Paraná e ao Paranaíba. Era a penetração em Minas, em Goiás, em Santa Catarina, no Rio Gran- de do Sul, no Mato Grosso, no Brasil inteiro. Segundo estas linhas de menor resistência, que definem os lineamentos mais claros da expansão colonial, não se opunham, como ao norte, renteando o passo às bandeiras, a es- terilidade da terra, a barreira intangível dos descampados brutos. Assim é fácil mostrar como esta distinção de ordem física esclarece as anomalias e con- trastes entre os sucessos nos dous pontos do país, sobretudo no período agudo da crise colonial, no século XVII. Enquanto o domínio holandês, centralizan- do-se em Pernambuco, reagia por toda a costa oriental, da Bahia ao Maranhão, e se travavam recontros memoráveis em que, so- lidárias, enterreiravam o inimigo comum as nossas três raças formadoras, o sulista, ab- solutamente alheio àquela agitação, revela- va, na rebeldia aos decretos da metrópole, completo divórcio com aqueles lutadores. Era quase um inimigo tão perigoso quanto o batavo. Um povo estranho de mestiços le- vantadiços, expandindo outras tendências, norteado por outros destinos, pisando, reso- luto, em demanda de outros rumos, bulas e alvarás entibiadores. Volvia-se em luta aber- ta com a corte portuguesa, numa reação te- naz contra os jesuítas. Estes, olvidando o ho- landês e dirigindo-se, com Ruiz de Montoya a Madri e Díaz Taño a Roma, apontavam-no como inimigo mais sério. De feito, enquanto em Pernambuco as tropas de van Schkoppe preparavam o governo de Nassau, em São Paulo se arquitetava o drama sombrio de Guaíra. E quando a restauração em Portugal veio alentar em toda a linha a repulsa ao invasor, congregando de novo os combatentes exaustos, os sulistas frisaram ainda mais esta separação de destinos, apro- veitando-se do mesmo fato para estadearem a autonomia franca, no reinado de um minu- to de Amador Bueno. Não temos contraste maior na nossa histó- ria. Está nele a sua feição verdadeiramente nacional. Fora disto mal a vislumbramos nas cortes espetaculosas dos governadores, na 60 Bahia, onde imperava a Companhia de Jesus com o privilégio da conquista das almas, eu- femismo casuístico disfarçando o monopólio do braço indígena. (EUCLIDES DA CUNHA. Os sertões. Edição crítica de Walnice Nogueira Galvão. 2 ed. São Paulo: Editora Ática, 2001, p. 81-82.) 5. (Unesp) Observe a figura. Identifique e explique o fenômeno repre- sentado. Em que trecho do texto Euclides da Cunha a ele se refere? 6. (Unesp) Observe a tabela. Temperaturas mínimas e máximas em Por- to Alegre e em Rio Branco, no período de 14 a 17 de maio de 2004, em ºC. Temperatura Porto Alegre dias 14 15 16 17 Rio Branco dias 14 15 16 17 Mínima (ºC) 16 14 11 8 23 20 18 16 Máxima (ºC) 19 17 18 18 27 25 28 27 (INPE, 2004.) a) Justifique a queda da temperatura mínima no Rio Grande do Sul e no Acre nos dias con- siderados. b) Com base nas temperaturas mínimas obser- vadas na Região Norte, descreva o fenôme- no climático ocorrido,mencionando o nome pelo qual ele é conhecido. 7. (Unicamp) Os mapas a seguir representam a situação das massas de ar que atuam no Brasil no solstício de verão e no solstício de inverno. Observe e faça o que se pede: Atuação das massas de ar no verão Atuação das massas de ar no inverno mEa mEa mEc mTa mTa mEc mTc mPamEa - Massa Equatorial Atlântica mEc - Massa Equatorial Continental mTa - Massa Tropical Atlântica mTc - Massa Tropical Continental mPa - Massa Polar Atlântica Adaptado de Marcos de Amorim Coelho e Nilce Bueno Soncin. “Geografia do Brasil”. São Paulo: Editora Moderna, 1985, p.48 e 50. Adaptado de Marcos de Amorim Coelho e Nilce Bueno Soncin. “Geografia do Brasil”. São Paulo: Editora Moderna, 1985, p.48 e 50. a) Durante o inverno, por que a massa polar consegue atingir mais facilmente a região amazônica? b) Por que a massa tropical continental é atu- ante no Brasil apenas no verão? c) Na Zona da Mata nordestina, por que as chu- vas concentram-se no solstício de inverno? 8. (Unesp)O mapa a seguir ilustra duas áreas, 1 e 2, que apresentam tipos climáticos bem característicos. 1 2 <p ro fe ss or .b io .b r/ ge og ra fia > a) Defina os tipos climáticos de cada área. b) Teça considerações sobre as características térmicas e pluviométricas de cada área. 9. (Fuvest) Explique as causas da distribuição geográfica do fenômeno a seguir cartografado. BRASIL Isotermas anuais abaixo de 18º de 18º a 20º de 20º a 22º de 22º a 24º acima de 24º <p ro fe ss or .b io .b r/ ge og ra fi a> 10. (Fuvest) Compare os regimes pluviométricos das regiões 1 e 2. 2 1 <p ro fe ss or .b io .b r/ ge og ra fia > 61 e.o. eneM 1. A convecção na Região Amazônica é um im- portante mecanismo da atmosfera tropical e sua variação, em termos de intensidade e posição, tem um papel importante na deter- minação do tempo e do clima dessa região. A nebulosidade e o regime de precipitação determinam o clima amazônico. FISCH, G.; MARENGO, J. A.; NOBRE, C. A. “Uma revisão geral sobre o clima da Amazônia”. Acta Amazônica, v. 28, n. 2, 1998 (adaptado). O mecanismo climático regional descrito está associado à característica do espaço fí- sico de: a) resfriamento da umidade da superfície. b) variação da amplitude de temperatura. c) dispersão dos ventos contra-alísios. d) existência de barreiras de relevo. e) convergência de fluxos de ar. 2. Os seres humanos podem tolerar apenas certos intervalos de temperatura e umidade relativa (UR), e, nessas condições, outras va- riáveis, como os efeitos do sol e do vento, são necessárias para produzir condições con- fortáveis, nas quais as pessoas podem viver e trabalhar. O gráfico mostra esses intervalos e a tabela mostra temperaturas e umidades relativas do ar de duas cidades, registradas em três meses do ano. Gráfico: Adaptado de The Random House Encyclopedias, new rev, 3 ed, 1990. 40 35 30 25 20 15 10 5 0 -5 Te m pe ra tu ra (º C) 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Umidade Relativa (%) Março T(ºC) UR (%) Maio T(ºC) UR (%) Outubro T(ºC) UR (%) Campo Grande Curitiba 25 82 27 72 20 60 19 80 25 58 18 75 Gráfico: Adaptado de The Random House Encyclopedias, new rev, 3 ed, 1990. Com base nessas informações, pode-se afir- mar que condições ideais são observadas em: a) Curitiba com vento em março, e Campo Grande, em outubro. b) Campo Grande com vento em março, e Curi tiba com sol em maio. c) Curitiba, em outubro, e Campo Grande com sol em março. d) Campo Grande com vento em março, Curitiba com sol em outubro. e) Curitiba, em maio, e Campo Grande, em ou- tubro. 3. As figuras a seguir representam a variação anual de temperatura e a quantidade de chuvas mensais em dado lugar, sendo cha- madas de climogramas. Neste tipo de gráfi- co, as temperaturas são representadas pelas linhas, e as chuvas pelas colunas. <p ro fe ss or .b io .b r/ ge og ra fia > Leia e analise. A distribuição das chuvas no decorrer do ano, conforme mostrado nos gráficos, é um parâmetro importante na caracterização de um clima. A esse respeito podemos dizer que a afirmativa: a) está errada, pois o que importa é o total plu viométrico anual. b) está certa, pois, juntamente com o total plu- viométrico anual, são importantes variáveis na definição das condições de umidade. c) está errada, pois a distribuição das chuvas não tem nenhuma relação com a temperatura. d) está certa, pois é o que vai definir as esta- ções climáticas. e) está certa, pois este é o parâmetro que defi- ne o clima de uma dada área. GABArito E.O. Teste I 1. B 2. D 3. D 4. D 5. C 6. E 7. A 8. D 9. A 10. E E.O. Teste II 1. A 2. B 3. D 4. B 5. B 6. A 7. E 8. C 9. D 10. D E.O. Teste III 1. E 2. B 3. A 4. D 5. D 62 E.O. Dissertativo 1. a) As massas de ar mais atuantes no litoral de São Paulo são: massa Tropical atlântica (mTa), a massa Polar atlântica (mPa.) e a massa Equatorial continental (mEc). b) A chuva orográfica (de relevo) acontece quando uma massa de ar quente e úmida se desloca e encontra uma barreira topo- gráfica que forma um obstáculo (serra, montanha, etc.), sendo forçada a ele- varse, ocorrendo queda de temperatura seguida de condensação do vapor d’água - formando nuvens. Quando a massa é forçada a ascender, precipita a barlaven- to, em muitos casos não precipita do ou- tro lado, a sotavento. No caso do litoral paulista, as massas úmidas se originam no oceano Atlântico e encontram a bar- reira cristalina da escarpa de falha da Serra do Mar. 2. O climograma 3 (Cuiabá, MT) relaciona-se com o ecossistema do Cerrado (foto C). O Cerrado é um ecossistema complexo (diver- sidade fisionômica) e com alta biodiversida- de. Na foto, destaca-se o Cerrado com forma de savana com os estratos herbáceo, arbus- tivo e arbóreo representado por árvores tor- tuosas. Muitas espécies estão adaptadas às condições climáticas, por exemplo, raízes profundas para captar água do lençol freáti- co e troncos com cascas grossas para resistir aos frequentes incêndios espontâneos du- rante o período seco. No domínio do Cerrado, o clima é tropical, tropical típico ou tropical continental, quente, com baixa amplitude térmica, chuvas concentradas no verão e in- verno com estiagem (seca). As massas de ar mais influentes são a Equatorial continental (úmida) e a Tropical continental (seca). 3. a) O gráfico 1 representa o clima tropical de altitude. Trata-se de um clima com duas estações bem definidas, verão chuvoso e inverno seco e frio. O gráfico 2 mostra o clima tropical semiárido sempre quente com baixo índice pluviométrico e chuvas irregulares. b) O clima tropical de altitude aparece nas áreas serranas do Sudeste com Araucárias e Campos de Altitude e o clima tropical semiárido é associado à Caatinga, carac- terizada por espécies xerófitas adaptadas à baixa umidade. 4. a) As médias de temperatura de Ubatuba e São Paulo diferem porque as duas cidades estão situadas em áreas com diferentes altitudes: Ubatuba está localiza ao nível do mar e São Paulo está a cerca de 800 metros de altitude. b) As chuvas orográficas, ou de relevo, ocor- rem na área de influência da Serra do Mar e resultam do avanço de uma massa quente e úmida que se forma no Ocea- no Atlântico: a Massa Tropical Atlântica. Essa massa alcança a região serrana car- regada de umidade na forma de vapor d’água, que sofre processo de condensa- ção ao atingir as áreas mais elevadas e com ar mais frio da Serra do Mar. 5. A ilustração mostra o processo deformação de chuvas orográficas a partir do relevo da Serra do Mar. O vento sopra o ar úmido da massa Tropical Atlântica, que se condensa em altitude após ascender pelas encostas da ser- ra. A referência no texto encontra-se no se- gundo parágrafo: “Ainda mais - o seu relevo especial torna-a um condensador de primeira ordem, no precipitar a evaporação oceânica.” 6. a) Nos estados do Sul e no Acre, a queda de temperatura resulta da entrada da massa Polar atlântica. b) A queda de temperatura brusca no Acre recebe a denominação de friagem. 7. a) Inverno: a diminuição da influência do centro de baixa do Chaco permite que o anticiclone do Atlântico Sul e da Argenti- na avance sobre o continente. Entram nas calhas de relevo e favorecem a ocorrência das friagens na Amazônia. b) Verão: Ciclone formado na depressão baro- métrica do Chaco com baixas pressões (alta temperatura) facilitando a convergência das massas de ar equatorial e atlântica. c) A influência da massa Polar atlântica se faz sentir no litoral nordestino, provo- cando chuvas de inverno. 8. a) 1 - equatorial; 2 - subtropical. b) 1 - quente e úmido, pequena amplitude térmica, alta pluviosidade, chuvas o ano todo. 2 – maior amplitude térmica, chu- vas regulares, sem estação seca definida. 9. Variações de temperatura quanto maior a la titude menor a temperatura. 10. 1 - Regime subtropical com chuvas regulares sem estação seca definida. 2 - Regime tropical com duas estações bem definidas: verão chuvoso, inverno seco. E.O Enem 1. E 2. A 3. B © Ja yS i/S hu tte rs to ck Domínios morfoclimáticos e bioma brasileiro Aulas 13 e 14 65 © Ja yS i/S hu tte rs to ck Os dOmíniOs mOrfOclimáticOs “A classificação morfoclimática reúne grandes combinações de fatos geomor- fológicos, climáticos, hidrológicos, pedológicos e botânicos que, por sua rela- tiva homogeneidade, são adotados como padrão em escala regional.” CONTI, José B.; FURLAN, Sueli A. Geoecologia: o clima, os solos e a biota. Apud: ROSS, Jurandyr L.S. (Org.). Geografia do Brasil. São Paulo: Edusp, 1996. p. 158. Na década de 1960, o geógrafo Aziz Nacib Ab’Saber reuniu as principais características do relevo e do clima das regiões brasileiras para formar, com os demais elementos naturais da paisagem, o que chamou de domí- nios morfoclimáticos. Os domínios morfoclimáticos representam a síntese de vários elementos da natureza, dando um aspecto característico a uma determinada área do território. São eles: domínio amazônico (terras baixas e florestas equa- toriais), domínio do cerrado (chapadões tropicais interiores com cerrados e matas de galeria), domínios dos mares de morros (áreas mamelonares tropical-atlânticas), domínio da caatinga (depressões intermontanas e interplanálticas semiáridas), domínio da araucária (planaltos subtropicais com araucárias) e domínio das pradarias (coxilhas subtropicais com pradarias mistas). Os domínios são formados por fatores naturais, portanto, não possuem fronteiras exatas. Entre eles existem áreas de transição com características comuns aos domínios que separam. Em um domínio podemos reconhecer um bioma predominante, biomas secundários e vários ecossistemas. Por exemplo, no domínio do cerrado, há o predomínio do bioma savânico (cerrado), terrestre, mas aparecem outros biomas, como a caatinga, e ecossistemas, como as matas de galeria ou ciliares. Brasil: domínios morfoclimáticos Amazônico Cerrado Mares de Morros Caatinga Araucárias Pradarias Faixas de transição OCEANO ATLÂNTICO 0 280 km Fo nt e: cu rsi nh op re en em .co m .b r/g eo gr af ia 66 Os biOmas brasileirOs BIOMA AMAZÔNIA BIOMA CAATINGA BIOMA CERRADO BIOMA MATA ATLÂNTICA BIOMA PANTANAL BIOMA PAMPA Fo nt e: w w w. ib ge .g ov .b r O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recur- sos Naturais Renováveis (Ibama), o ministério do Meio Ambiente (MMA) e o Fundo Mundial para a Natureza (WWF-Brasil) fizeram um estudo dos ecossistemas bra- sileiros com a finalidade de verificar como está sendo realizada a conservação desses ecossistemas. Esse levantamento – denominado Estudo de Representatividade Ecológica – levou em consideração a vegetação, a variedade biológica, a biogeografia e a ação do homem e dividiu o Brasil em 49 ecorregiões. “Entende-se por ecorregião um conjunto de comunidades naturais, geograficamente dis- tintas, que compartilham a maioria das suas espécies, dinâmicas e processos ecológicos, e condições ambientais similares, que são fato- res críticos para a manutenção de sua viabili- dade a longo prazo.” Extraído de: DINNERSTEIN, E. Biodiversity of La- tin American and the Caribe – Aconservation asses- sment. WWF/The Word Bank, 1995. p.129. Esse trabalho também deu origem a um mapa que localiza os sete biomas brasileiros – seis terrestres e um envolvendo a região marítima (zonas costeira ou litorânea) –, estabelecendo entre eles três áreas de transição: a mata seca (entre a Amazônia e o cerrado), a mata dos Cocais (entre a floresta Amazônica e a caa- tinga) e a floresta de folhas secas do Nordeste (entre o cerrado e a caatinga). Os biomas brasileiros abrangem várias ecorregi- ões e são assim classificados: § Amazônia (ecorregiões amazônicas); § Mata Atlântica (ecorregiões da área da mata Atlântica); § Caatinga (ecorregiões da caatinga); § Cerrado (ecorregiões do cerrado); § Pantanal (ecorregiões do Pantanal); § Pampas (ecorregiões dos campos); § Biomas costeiros (ecorregiões dos manguezais das restingas e das dunas). 67 As formações florestais A vegetação florestal se caracteriza pela predominân- cia de árvores de grande porte, dividida em dois gran- des grupos: floresta latifoliada – apresenta folhas largas e grandes – é o tipo de vegetação predominante na floresta equatorial (clima quente e úmido), que se encontra na região Norte do Brasil. São exemplos a flo- resta equatorial Amazônica, a mata Atlântica e a mata dos Cocais; e floresta aciculifoliada, que apresenta folhas em forma de agulhas, como os pinheiros. É re- presentante a mata de Araucárias ou mata dos Pinhais. Na Amazônia e na mata Atlântica, as árvores de grande porte aparecem associadas a vários outros meios biológicos, em particular as epífitas – diz-se de um ve- getal que vive apoiado sobre outro, mas sem retirar nu- trientes – como os cipós e as orquídeas. Essas florestas localizam-se em áreas de clima ombrotérmico (ombro, chuvas) e, segundo o IBGE (1992), de temperaturas rela- tivamente elevadas e de ausência de períodos secos, com precipitação abundante e bem distribuída o ano todo. Através da fotossíntese, as árvores absorvem uma grande quantidade de energia solar, criando como consequência a evapotranspiração, isto é, eliminação de água através das folhas, que ascende na forma de vapor. Estima-se que somente na Amazônia a cobertura vegetal seja diretamente responsável por 50% do vapor de água lançado ao ar, que cairá sob a forma de chuvas. Por serem ambientes com elevadas quantidades de matéria orgânica (biomassa), a mata Atlântica e a Amazônia absorvem grandes quantidades de energia solar e devolvem, através de calor, uma quantidade de energia menor que a devolvida por um deserto. Em razão disso, essas florestas contribuem para manter amenas as temperaturas nos trópicos úmidos – sem ex- tremos de frio ou calor. A substituição dessas florestas por pastos e áreas cultivadas, como na Amazônia, ou por lotes residenciais, como acontece na mata Atlânti- ca, causam modificações no microclima dessas regiõese, no caso da Amazônia, pode influenciar o clima até mesmo em escala global. Amazônia A flora Amazônica é a maior floresta tropical do mundo e representa mais de 25% do total dessas florestas. 68 A floresta equatorial Amazônica, também chamada de floresta latifoliada equatorial, é a maior floresta do mundo, cobrindo uma área que passa pelos territórios do Brasil, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia. Possui uma formação higrófila, isto é, adaptada a ambientes úmidos; latifoliada (com folhas grandes e largas); perene (sempre verde); densa (de difícil penetração) e heterogênea (rica em espécies vegetais). A floresta Amazônica é muito diversificada em espécies animais (pequenos mamíferos, insetos, répteis) e vegetais (resinas, óleos, látex, frutas, madeiras, essências aromáticas), das quais boa parte não é sequer catalogada. A umidade não é homogênea em toda região, produzindo, dessa forma, uma variação na fauna e flora conforme as variações da umidade. Por isso mesmo, dizem que não se trata de uma floresta, mas de um mosaico de florestas. Assim, a partir dos vales dos rios em direção à terra firme, pode-se observar: § Mata de igapó ou caaigapó – formação vegetal localizada em terrenos baixos, junto às margens do rio, que permanece alagadas. Vegetação habitualmente encontrada flutuando sobre os rios são as vitórias régias. Encontramos associadas a essa vegetação o extrativismo de peaçava, de palmeiras etc. § Mata de várzea – vegetação localizada em terrenos periodicamente alagados; possui uma composição florística que varia conforme a duração do período em que se encontra alagada, determinada pela altura em relação ao nível das bases dos rios. Quando localizada em áreas mais alagadas, assemelha-se aos igapós; quando em locais mais altos (menos alagados), aproxima-se da vegetação de terra firme. A seringueira, típica dessa formação, tem alto valor para a sociedade por possibilitar a extração de elementos à produção da borracha. Essa planta motivou a ocupação da Amazônia ocidental, no período de extração, que compreendeu de 1890 a 1910; porém, devido à concorrência no continente asiático, nosso produto entrou em decadência. § Mata de terra firme ou caaetê – vegetação situada em terras mais elevadas, portanto não sujeitas a alagamentos, onde se desenvolvem grandes árvores (60/65 metros) como o castanheiro. Por serem muito altos, o dossel (a copa das árvores) retém 95% dos raios solares, tornando o interior da floresta muito escu- ro e úmido. A castanha-do-pará, extraída do ouriço do castanheiro, tem no Brasil seu único produtor mun- dial. Atualmente, extraem-se dessa porção da floresta madeiras-de-lei, como o mogno (uma das madeiras mais contrabandeadas pelo seu alto valor comercial), a peroba, a maçaranduba etc. Esquema ilustrativo dos estratos da floresta Amazônica. A região Amazônica é conhecida como um grande sumidouro de carbono; ou seja, na floresta, grandes quantidades de carbono são absorvidas pelas plantas e transformadas em biomassa, graças à fotossíntese. Mas a fertilidade do solo amazônico é restrita às várzeas (solos aluvionais originários das margens dos rios) ou algumas manchas de terra preta de origem orgânica. As árvores, em geral, apenas vivem sobre os solos, mas não vivem dos nutrientes deles, que comumente são muito pobres. Na realidade, é a própria vegetação que cria um sistema autossustentável: ao longo de um ano, caem cerca de oito toneladas por hectare de folhas, flores, galhos e frutos no chão, que apodrecem em virtude do clima quente e úmido, facilitando a ação microbiana e formação do hú- 69 mus, com nutrientes solúveis em água. Ao chover, esses nutrientes penetram o solo e são absorvidos pelas raí- zes das plantas. Há muitos micro-organismos que vivem junto às raízes, contribuindo para a decomposição da matéria orgânica e para a sua posterior absorção de novo por elas. Com os desmatamentos e as queimadas há uma aceleração dos processos de degradação do solo, assim como perda da biodiversidade nesses locais. Relaciona- dos ao solo, há problemas como a lixiviação – erosão do solo pelas águas das chuvas – e a laterização, que con- siste na ascensão e concentração superficial de óxidos de ferro e alumínio no solo, tornando-os duros. Essa su- bida se deve, regularmente, ao solo desmatado atingido por grandes chuvas, que “lavam” – lixiviam – seus nu- trientes, deixando os materiais mais pesados, como os óxidos de ferro e alumínio para trás. Depois, atingidos pelos raios solares intensos, esses óxidos formam uma crosta avermelhada – uma camada ferruginosa – sobre o solo. O caboclo amazônico ou tapuio denomina essa crosta de “canga” ou “pedra pará”. O potencial biotecnológico da Amazônia atrai muitas transnacionais, que vêm à floresta para contra- bandear, estudar e patentear substâncias dos elementos da flora e da fauna. O objetivo é claro: comercializar e obter lucros no futuro. As populações locais (indígenas e caboclos) são bons conhecedores da natureza e de suas possibilida- des de uso. Na maioria das vezes, as substâncias ati- vas de plantas ou mesmo de animais são descobertas pelas empresas graças aos nativos, que não recebem nada em troca. É a chamada biopirataria. Na década de 1970, por exemplo, descobriu-se na Amazônia que uma determinada cobra produzia um veneno capaz de matar um homem em 60 segundos. A multinacional alemã Bayer furtou algumas delas e as levou para a Europa, com o objetivo de criar um remédio que atu- aria na pressão humana. Esse projeto foi um fracasso, pois a maioria dos animais morreu em virtude do clima europeu. Os exemplares restantes não foram capazes de produzir o mesmo veneno porque necessitavam de elementos retirados da floresta para tal. Outro caso exemplar bem recente de biopirataria é o da fruta cupuaçu e de seu nome, ambos patenteados por uma empresa japonesa. Mata Atlântica Um dos pontos mais controversos relacionados aos aspectos naturais da mata Atlântica é a definição dos seus limites. Não há consenso entre diferentes autores e fitogeógrafos. Num sentido amplo, o termo floresta Atlântica pode se referir ao conjunto de formações florestais extra-amazônicas, que ocupam a porção oriental do país. Também conhecida como floresta latifoliada tro- pical úmida de encosta, sua complexidade vegetacio- nal relaciona-se com a distribuição de umidade trazida pela massa polar atlântica (mPa), conjuntamente com as variações dos tipos de relevo e dos solos. De maneira ampla, sua ocorrência é localizada em ilhas isoladas no interior do Nordeste brasileiro, chegando até o litoral de onde segue até o nordeste-norte do Rio Grande do Sul, ocupando uma faixa de largura bastante variável que percorre toda a costa. Nas regiões Sul e Sudeste, essa faixa se torna mais larga, chegando praticamente até o vale do rio Paraná – adentrando os estados de São Paulo e Minas Gerais. Em sentido restrito, incluem-se apenas as formações florestais que recobrem as serras que acompanham de forma mais ou menos contínua boa parte da costa brasileira, do Rio Grande do Norte ao nordeste do Rio Grande do Sul. Não estão incluídas nesse contexto as florestas estacionais – sujeitas a uma estação seca – dos planaltos mais interiores do Sudeste, Sul, Nordeste e Centro-Oeste. Rica em espécies vegetais, essa floresta litorâ- nea tinha as mesmas características da mata equato- rial, também era higrófila, latifoliada, perene e densa. Apresentava grande quantidade de espécies de árvores com madeiras de lei: pau-brasil, peroba, ipê, jacarandá, jequitibá, entre outras. Com uma área originalmente de 1,36 milhão de km2, a intensa ocupação a quefoi submetida – devastações para plantação de monocul- turas da cana-de-açúcar e café, formação dos maiores conglomerados urbanos, assim como do maior parque industrial do país – pôs a perder grande parte de sua cobertura nativa, que ficou reduzida a apenas 7% de sua área original, dos quais são poucas as reservas mantidas pelo governo. Mesmo assim, a floresta con- tinua muito rica. 70 Originalmente, a mata Atlântica cobria uma grande área localizada sobre uma vasta cadeia montanhosa que acompanha parte do nosso litoral. Hoje, mais de 90% de sua formação original se encontra devastada. A mata Atlântica tem a maior diversidade de es- pécies vegetais por km2 de floresta. Além de possuir uma biodiversidade tão grande quanto à da Amazônia, a Atlân- tica se apresenta em diferentes altitudes e relevo, o que possibilita a adequação da variedade de espécies. O solo possui uma grande quantidade de matéria orgânica que se deposita no horizonte A, formando uma camada de húmus que é rapidamente absorvida pelas plantas. Nas planícies litorâneas se encontram formações de restingas e manguezais, que são de grande importância para os ecossistemas costeiros graças ao fornecimento de nutrien- tes e abrigo a várias espécies marinhas em suas épocas de reprodução – berçário natural –, porém, o turismo preda- tório nesses ecossistemas vêm destruindo-os. Os pontos mais preservados de mata Atlântica original se encontram no sul da Bahia (no Parque Nacional do Monte Pascoal e em seus arredores) e em São Paulo, em alguns trechos de serra pouco acessíveis ou que fazem parte do Parque Es- tadual da Serra do Mar ou outras áreas protegidas, como Cananeia e Jureia. As semelhanças estruturais e florísti- cas observadas entre ambas as florestas, a Amazônica e a Atlântica, são mais evidentes em algumas partes, como no sul da Bahia. Essas parecenças serviram de base para o nome Hileia Sul-baiana, como é apelidada aquela região. Tal atributo tem sido frequentemente apontado como uma evidência das conexões históricas entre ambas; diz- -se, ainda, que essas florestas já estiveram interligadas em algum momento da história da Terra. Quando consideramos a mata Atlântica em sua versão mais abrangente, incluindo áreas que adentram o interior do país, principalmente no Sudeste, o nome mais usado é domínio dos mares de morros. Quanto mais interior mais se reduz a pluviosidade, e a mata Atlântica cede lugar a uma floresta tropical latifoliada semidecídua, menos exuberante e úmida, mas igual- mente destruída pela ação humana. Esse tipo de flo- resta aparece, em particular, no interior paulista, no sul mineiro e no sul carioca. 71 Evolução do desmatamento na mata Atlântica Século XVI Século XXI A mata dos Pinhais ou de Araucária A cobertura vegetal que se espalhava pela região sul do Brasil e em áreas elevadas do planalto da bacia do Paraná é conhecida como mata dos Pinhais, mata de Araucária ou floresta aciculifoliada. Essa floresta constitui uma das mais importantes formações do sul do Brasil não só pela área que outrora ocupava mas também pelo papel que os seus recursos naturais tiveram em sua ocupação. Distribuída na origem pelas regiões planálticas, com altitudes superiores a 500 a 600 m, com uma ocorrência central na área compreendida pelos estados do Rio Grande do Sul, Santa Cata- rina, Paraná e São Paulo, possuindo pequenas penetrações por Minas Gerais (pico da Bandeira) e pelo Rio de Janeiro (Petrópolis). Nas planícies, realizava transição com os campos de pradarias sulinos. Distribui-se, além disso, em países vizinhos ao Brasil, notadamente no nordeste da Argentina e sudeste do Paraguai, cuja área aqui é pouco expressiva. A mata de Araucária, que originalmente se estendia de Minas Gerais à Argentina, predomina no Paraná. É uma formação típica da América do Sul e está entre os ecossistemas mais devastados do Brasil. 72 Caatinga A caatinga é dominada por árvores baixas e arbustos, com destaque para as cactáceas, e é predominante nas áreas do semiárido nordestino. Entre a floresta Amazônica e a mata Atlântica, encontramos as caatingas do Nordeste brasileiro, cuja palavra, em tupi, significa “mata branca”. Sua extensão é de cerca 800 mil km2, equivalente a 11% do território nacional. Como os demais biomas brasileiros, a caatinga também sofre com a intervenção humana. A rigidez climática é conferida, principalmente, pela irregularidade na distribuição de chuvas, no tempo e no espaço – clima semiárido, com médias pluviométricas inferiores aos 800 mm do ano. A caatinga se diversifica por suas manifestações conforme o relevo, os solos e a menor escassez de chuvas. Há a mata seca (formada A mata de Araucária possuía características dife- rentes das duas florestas anteriores. Por ser uma mata muito homogênea e típica de ambientes frios e úmi- dos – clima subtropical –, considerada aciculifoliada, possuía folhas pontiagudas (em forma de agulha) mais resistentes ao frio; floresta aberta, de fácil penetração e com menor número de espécies vegetais. Em razão da exploração econômica da madeira – para produção de papel e móveis –, a mata dos Pinhais está hoje reduzida a menos de 10% (cerca de 20 mil km2) de sua área original. Algumas plantas ficaram famosas por essa de- vastação; o pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia), por exemplo, que forneceu madeira de qualidade, e o pinhão, muito apreciado pela culinária nacional. Tudo foi amplamente destruído pelo homem na ocupação agrícola e pecuária – soja, trigo, videira e milho. Sob a ação do intemperismo físico e químico, o basalto deu origem aos solos férteis de terra-roxa, que é eluvional, isto é, situado sobre a própria rocha matriz – ao contrário do solo dito aluvional das várzeas ama- zônicas, que são transportados pelos rios. Os solos de terra-roxa são muito usados no cultivo de gêneros agrí- colas típicos de climas temperados, como o café; além de férteis, estão em uma região fria, como o noroeste de São Paulo e do Paraná. Hoje, a partir do sul do Paraná, já não há mais esse tipo de solo. 73 especialmente de cactos, bromélias e vegetação her- bácea, como na Paraíba), a arbustiva e até mesmo a arbórea. A maior parte das plantas são xerófilas, com folhas pequenas, adaptadas à semiaridez, pois apre- senta um revestimento – um tecido ou uma película de cera – que não permite a perda de muita água pela evapotranspiração. Também são deciduais (caducifolia- das), suas folhas caem totalmente nas secas, diminuin- do, assim, o metabolismo das plantas, que aguentam mais tempo sem água. Outras plantas apresentam suas folhas na forma de espinhos. Por outro lado, al- gumas espécies do extrato arbóreo, como o juazeiro e o umbuzeiro, possuem raízes longas que buscam água em lençóis freáticos – ampla extensão aquática de ní- vel pouco profundo na superfície do solo, um rio sub- terrâneo, que o homem explora por meio de poços – e conseguem manter suas folhas verdejantes o ano todo. Os solos desse bioma são ricos em sais minerais, mas pobres em húmus – problema comum de lugares com climas áridos e semiáridos – com ressalva para peque- nas manchas férteis nas fronteiras do Rio Grande do Norte e Ceará, do Piauí e Pernambuco, e nas margens do rio São Francisco. Na maior parte, os solos são ra- sos e pedregosos em virtude do intemperismo físico. Nas chapadas, como a de Araripe, entre os estados do Ceará e Pernambuco, ocorrem chuvas orográficas que facilitam o cultivo do solo. Essas áreas mais úmidas – verdadeiros oásis sertanejos – são os brejos onde há maior concentração humana; duas grandes cidades com essas características sãoJuazeiro do Norte e Cra- to, ambas no vale do Cariri (Ceará). Regularmente, as notícias do sertão, sobretu- do pela televisão, vemos imagens de solos rachados e de plantas secas pela falta de água. Todavia, essas imagens podem ser exageradas; as plantas da caatin- ga estão muito bem adaptadas aos períodos de seca. Talvez a perda das folhas deem a falsa impressão de estarem mortas ou “sofrendo” com a falta de chuvas. Além disso, essa vegetação tem uma variedade signifi- cativa de espécies, como as angiospermas e as plantas que produzem flores. Algumas de suas árvores se des- tacam pelo valor da madeira, pela beleza intrínseca ou pelos frutos comestíveis, saborosos e nutritivos: o juá e o umbu, dos juazeiro e umbuzeiro, respectivamente. E mesmo plantas cactáceas (de cactos), como o man- dacaru e a palma, usadas como forragem para o gado. Caatinga Há uma determinação ingênua e passível de refutação no relacionamento entre a pobreza da re- gião nordestina e o clima semiárido, como se ele fosse o responsável pelas mazelas sociais daquela região. Diz-se que a região possui um solo “pobre”, “ruim” para a agricultura. Primeiramente, não existe um solo “bom” ou “ruim”, qualidades atribuídas ao solo por nós mesmos de acordo com os interesses que qualifi- cam essa formação pedológica. Os solos do Nordeste são “ruins” para a produção agropecuária que neces- sitam de muita água e sais minerais. No entanto, são “ótimos” para cultivo de espécies frutíferas, fibras, óle- os vegetais e ceras. O grande problema do Nordeste é a falta de interesse do Estado de intervir com políticas públicas que beneficiem a maior parte da população. Desde o início do século XIX, fala-se em erradicação da seca no Nordeste mediante projetos de irrigação. Destaquemos a Sudene (Superintendência de Desen- volvimento do Nordeste), criada durante o regime mi- litar e ligada diretamente ao governo federal. Projetos de irrigação com as águas do rio São Francisco e de prospecção de água no lençol freático, construção de açudes e abertura de poços levantaram recursos signi- ficativos. Contudo, tais políticas beneficiaram apenas as propriedades consideradas produtivas, deixando à margem a maior parte da população. Cerrado Associada ao clima tropical típico, no Brasil central, está a formação vegetal chamada cerrado. Embora sua área core (nuclear) esteja localizada nos estados de Goiás e 74 Mato Grosso, essa formação vegetal estende de forma contínua ou em “manchas ”para os estados de São Paulo, Minas Gerais, Tocantins, Bahia, Maranhão, Roraima e Amapá. Estima-se que a área nuclear do domínio do cerrado tenha, aproximadamente, 1,5 milhão de km2. Se adicionadas as áreas periféricas encravadas em outros domínios vizinhos e nas faixas de transição, o valor poderá chegar a 1,8 milhão ou 2,0 milhões de km2. No entanto, mesmo com a presença de solos de baixa qualidade agrícola, o cerrado vem sofrendo muito com a ação antrópica. Sua devastação está diretamente relacionada com a expansão da pecuária e da agricultura da soja. O solo é constitu- ído por dois extratos: o inferior, composto por gramíneas, e o superior, composto por pequenas árvores e arbustos retorcidos, plantas resistentes ao fogo. Parte do ciclo natural do cerrado, o fogo, limpa os restos de galhos, folhas secas do solo e algumas gramíneas, deixando o solo acessível para uma nova rodada de germinação na estação chuvosa – principalmente das herbáceas. Esse fenômeno possibilita uma variedade em sua fauna que, no entanto, vem sendo utilizada de maneira intensa e extensa, como um método mais barato de manejo e desmatamento, por criadores de gado e monocultores. No cerrado, bioma predominante na região Centro-Oeste, destacam-se dois estratos: o formado por pequenas árvores retorcidas e arbustos e o composto de uma vegetação rasteira (herbáceas). A vegetação do cerrado não tem uma fisionomia única em toda a sua extensão. É bastante diversificada, apresentando desde formas campestres bem abertas até formas relativamente densas, florestais. Divide-se em cerradão, onde predomina o estrato arbóreo; o cer- rado no sentido restrito, com árvores dispersas; o campo cerrado, com arbustos isolados em meio à vegetação herbácea; e o campo sujo e o campo limpo, onde apa- rece apenas a biomassa herbácea, com gramíneas e pequenos arbustos. A natureza dessa formação vegetal apresenta-se como um mosaico de formas fisionômicas cujas feições são facilmente encontradas. Este mosaico é determinado pelas condições de fertilidade do solo e pelas características queimadas locais. O cerrado arbóreo-arbustivo se caracteriza pela presença de árvores, geralmente tortuosas e espaçadas, com troncos de cortiça espessa. O clima tropical típico apresenta uma estação seca, em média, de três a cin- co meses de duração. Apesar desse aspecto xeromórfi- co, que lembra regiões semiáridas, não há escassez de água nos cerrados, mesmo nas estações mais secas. As plantas desse bioma têm raízes profundas, chegam a 15 75 metros de profundidade e alcançam camadas de solo sempre úmidas. Com isso, mesmo na estação seca, a árvore dispõe de algum abastecimento hídrico. No perí- odo de estiagem, o solo de fato perde umidade na parte superficial, entre (1,5 metro a 2 metros de penetração). Os solos são naturalmente pobres em matéria orgânica. De acordo com a sazonalidade do clima, um longo período de estiagem torna mais lenta a decomposição do húmus, cujas características químicas dão conta de bastan- te acidez – o pH varia de menos 4 a pouco mais de 5. O que se deve, em boa parte, aos altos níveis de alumínio ioniza- do. O processo mediante o qual um átomo ou uma molécu- la de Aø3+ perde ou ganha elétrons para desenvolver íons, tornando-o venenoso à maioria das plantas agrícolas que não suportam as elevadas quantidades desse composto. Níveis elevados de íons de ferro (Fe) e de manganês (Mn) também contribuem para essa toxidez. A correção do pH pela calagem – aplicação de calcário, preferencialmente o calcário dolomítico, carbonato de cálcio e magnésio e adu- bação, com macro e micronutrientes – pode tornar o solo fértil e produtivo para a cultura de grãos ou de frutíferas. Em parte dos cerrados, o solo pode apresenta concreções ferruginosas, formando camadas conhecidas como lateri- tas, de grande concentração de óxidos de ferro e alumínio. A laterita impede a penetração da água de chuva ou das raízes, evitando ou dificultando o desenvolvimento de uma vegetação mais exuberante e da própria agricultura. Em camadas lateríticas espessas e contínuas, há contornos ve- getais mais pobres e mais abertos. O cerrado foi declarado patrimônio natural da hu- manidade em dezembro de 2001 pela Organização das Na- ções Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). As formações complexas São as que apresentam estratos herbáceo, arbustivo e arbóreo, sem predominância de nenhum deles. Pantanal O Pantanal é uma formação complexa, localizada na extensa planície inundável da bacia do rio Paraguai, no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Essa vegetação estende-se para além do território brasileiro até o cha- co paraguaio. Com a separação da antiga Gondwana e o soerguimento dos Andes, formou-se a depressão do Pantanal, que deu origem à bacia do rio Paraguai. No período de cheia dos rios, grande parte da depressão é inundada, à exceção de 20% dela que nunca é atingida, notadamente porque está localizada em áreas mais ele- vadas. Esse fenômeno propicia o aparecimento em mo- saico de formações vegetais do tipo florestas, campos e cerrados. Na região pantaneira existem duas estaçõesclimáticas bem definidas, uma chuvosa e outra seca – clima tropical típico. Caracteriza-se, também, por classes vegetais das quais 20% a 50% dos indivíduos do estrato arbóreo superior perdem as folhas na estação seca. Região conhecida mundialmente por sua bele- za faunística, vem sofrendo com a ocupação humana. Poluentes despejados por mineradoras que atuam nas áreas mais altas, ao seu redor, são drenados pelos rios e levados para o Pantanal. A pecuária e a monocultu- ra instaladas na região também destroem esse paraíso em razão do uso indiscriminado de agrotóxicos que po- luem as águas. Mais recentemente, com a construção da ferrovia que deve ligar o Centro-Oeste brasileiro à Argentina, o fluxo de pessoas e mercadorias aumentará, intensificando as trocas comerciais do Mercosul. A gran- de questão é: essa ferrovia que vai cortar o Pantanal mato-grossense também vai contribuir com a degrada- ção desse ambiente natural? Vista área do complexo do Pantanal Campos sulinos Também conhecido por pampa, campanha gaú- cha ou coxilhas, as pradarias no Brasil são, na verdade, prolongamentos do pampa argentino e 76 uruguaio. Trata-se de uma extensa área com predo- mínio de terras baixas nas quais sobressaem colinas ou ondulações do terreno designado coxilhas. Apre- senta vegetação herbácea composta, principalmen- te, por gramíneas, formando uma imensa pastagem. É o tipo de vegetação mais antigo da região e é provável que seja área remanescente de um clima semiárido que existia na região dos Pampas em tempos pretéritos. Pampa gaúcho As coxilhas aparecem nas planícies do Rio Gran- de do Sul, onde a pecuária e a rizicultura (arroz) são atividades predominantes. Também relevantes são os campos do sul do Mato Grosso do Sul, na região de Ponta Porã, conhecidos por campos de vacaria, surgidos da ação antrópica. Há também campos naturais onde se desenvolve a pecuária: regiões amazônicas do alto rio Negro e ilha de Marajó e em Roraima. Biomas da zona costeira Os principais biomas do litoral estão ligados aos de solos arenosos e salinos bastante danificados pelo ho- mem: os manguezais e os biomas psamófilos. Em virtude da grande extensão de nosso litoral, os ecossistemas que se repetem ao longo da costa apre- sentam espécies diferentes graças à diversidade de ca- racterísticas climáticas e geológicas existentes. Esque- maticamente pode-se dividir o litoral brasileiro e seus principais ecossistemas costeiros em: § litoral amazônico – estende-se da foz do rio Oiapoque ao rio Parnaíba e caracteriza-se por manguezais e matas de várzeas de maré; § litoral nordestino – começa no delta do Par- naíba e vai até o Recôncavo Baiano, onde há mangues, recifes, dunas, restingas e matas; § litoral do Sudeste – vai do Recôncavo Baia- no a São Paulo, área bastante povoada e for- temente industrializada. O litoral de São Paulo é marcado pela presença da serra do Mar, e o ecossistema mais importante é o das matas de restinga, além de mangues. § litoral sul – estende-se do Paraná ao arroio Chuí, no Rio Grande do Sul, trecho que se carac- teriza pelos banhados no litoral gaúcho e pelos mangues no Paraná e em Santa Catarina. Manguezais Numa superfície perto de 20 mil km2, a costa brasileira oferece uma estreita faixa de floresta, o manguezal ou mangue. É composto por um pequeno número de es- pécies arbóreas, desenvolvendo no encontro de águas doces e salgadas, sobretudo nos estuários, baías e na foz dos rios. Trata-se de ambiente com bom abasteci- mento de nutrientes sob os solos lodosos, que compõe uma textura de raízes e material vegetal parcialmente decomposto chamado turfa. As árvores do manguezal apresentam raízes aéreas (pneumatóforas), que, além da fixação, cumprem a função de respiração; são tam- bém plantas halófilas, isto é, tolerantes ao sal. Maguezal, no detalhe as raízes aéreas (Pneumatóficas) Essa formação vegetal é importantíssima para a reprodução da fauna marinha, porque muitos tipos de peixes litorâneos dependem, em sua fase jovem, das fontes alimentares do manguezal. Por encontrarmos uma parcela significativa da população brasileira vivendo na porção litorânea, cerca de 35%, há um intenso processo de urbanização que 77 vem destruindo os manguezais. Para a construção de casas, ruas, prédios e indústrias, aterram-se áreas de mangue e sufoca-se o ecossistema. Basta observar as orlas marítimas densamente urbanizadas como em Santos, no Rio de Janeiro, Salvador, Natal, Recife, entre outras cidades. No Recife, surgiu um movimento cultural nos anos 1990, o mangue beat, cujo objetivo é chamar a atenção para a destruição desse ambiente natural em decorrência do desenfreado processo de urbanização daquela metrópole nordestina. Biomas psamófilos Dunas de areia em Jalapão, Tocantins. Nas dunas, praias e restingas, de solo salgado (halófilo) e arenoso, desenvolve-se uma vegetação herbácea e ar- bustiva. As restingas são cordões arenosos, de formação recente, originados por correntes do mar paralelas à costa. Podem ter formas variadas, como barras e planícies; ambas são montes de areia formados pelo vento nas praias. A escassez de água e de nutrientes torna difícil a adaptação de plantas e animais nesses ambientes. Ara- nhas, lagartos e rãs são os seus habitantes mais comuns. Entre as espécies vegetais destacam-se o capim-da-praia, o capim-da-areia e a salsa-da-praia. As vegetações de transição § Mata dos Cocais – encontra-se entre a floresta equatorial, a caatinga e o cerrado, estendendo-se por uma área de clima tropical que passa pelos estados do Maranhão, Piauí, parte do Ceará e no Rio Grande do Norte. É conhecida como mata de transição por estar na área de contato entre formações vegetais distin- tas, contendo a “mistura” das características dessas formações. Composta por coqueiros, babaçu, oiticica, carnaúba e palmeiras – destes dois faz-se bastante uso industrial. O babaçu é uma palmeira que nasce, em princípio, no Maranhão e no norte do Tocantins, do qual se aproveitam os coquinhos para a produção 78 Outras áreas de transição § Mata seca – na área de transição entre a Amazônia e o cerrado, a floresta apresenta manchas de vegeta- ção comum ao bioma do cerrado; essas manchas contornam porções desse tipo de florestas. § Floresta de folhas secas – área de transição entre o cerrado e a caatinga, apresenta uma vegetação mais rica que a caatinga e um clima mais seco do que o do cerrado. § As matas galerias ou matas ciliares – as matas galerias aparecem, em especial, ao longo dos rios da região de cerrado e da caatinga. Localizado às margens dos rios, o solo é permanentemente úmido, criando condições para o desenvolvimento dessa mata, composta, comumente, por espécies da mata tropical atlântica. Limites das matas ciliares (como pode ser pedido em prova). de óleos comestíveis, chocolates, lubrificantes e até mesmo combustíveis (bioenergia); as folhas, para manufatura de cestas, chapéus etc. Mas seu elemento mais valioso, por enquanto, são as amêndoas, usadas na indústria de sabão, óleo, margarina e de alguns outros produtos quími- cos. A carnaúba é um coqueiro muito comum no Ceará e no Piauí, bem como é conhecida como árvore providência, pois todas as suas partes são aproveitadas. Das folhas se extrai a famosa cera de carnaúba usada na produção de isolantes e lubrificantes, de graxa, de batom etc.; o tronco é empregado na construção de habitações; o fruto e o palmito nos servem de alimentos, as- sim como as raízes, utilizadas como base para remédios; as sementes, torradas e moídas, ser- vem à preparação de bebida. A larga produção de cana-de-açúcar no períodocolonial devastou parcela significativa dessa mata. Carnaúba 79 e.O. teste i 1. (Unicamp) Assinale a alternativa que indica corretamente a localização e uma característica pre- dominante dos domínios morfoclimáticos do Cerrado, da Caatinga e dos Mares de Morros. a) 1, Cerrado, com clima subtropical; 2, Caatinga, com rios perenes; 3, Mares de Morros, com vegetação do tipo savana estépica. b) 1, Caatinga, com clima semiárido; 2, Mares de Morros, com mata atlântica; 3, Cerrado, com vegetação do tipo savana. c) 1, Caatinga, com clima tropical de altitude; 2, Mares de Morros, com rios intermitentes; 3, Cerrado, com mata de araucária. d) 1, Cerrado, com vegetação do tipo savana; 2, Caatinga, com clima semiárido; 3, Mares de Morros, com mata atlântica. 2. (Unesp) Para o geógrafo Aziz Nacib Ab’Sáber, o domínio morfoclimático e fitogeográfico pode ser entendido como um conjunto espacial extenso, com coerente grupo de feições do relevo, tipos de solo, formas de vegetação e condições climático-hidrológicas. Domínios morfoclimáticos brasileiros: áreas nucleares, 1965 N 0 1 200 2 400 km Amazônico Caatingas Faixas de transição Cerrado Araucária Mares de Morros Pradarias (Aziz Nacib Ab’Sáber. Os domínios de natureza no Brasil, 2003. Adaptado.) 80 São características do domínio morfoclimático dos Mares de Morros: a) relevo com morros residuais; solos litólicos; vegetação formada por cactáceas, bromeliáceas e árvores; clima semiárido. b) relevo com topografia mamelonar; solos latossólicos; floresta latifoliada tropical; climas tropical e subtropical úmido. c) relevo de chapadas e extensos chapadões; solos latossólicos; vegetação com arbustos de troncos e galhos retorcidos; clima tropical. d) relevo de planaltos ondulados; manchas de terra roxa; vegetação de pinhais altos, esguios e imponen tes; clima temperado úmido de altitude. e) relevo baixo com suaves ondulações; terrenos basálticos; vegetação herbácea; clima subtropical. 3. De acordo com Indicadores do Desenvolvimento Sustentável 2012, do Instituto Brasileiro de Geo- grafia e Estatística, o Pampa é o segundo bioma com maior índice de desmatamento do país, com cerca de 54% de sua cobertura vegetal removida até 2009. Sobre as causas e as consequências da degradação desse bioma, é correto afirmar: a) Mais de metade da soja produzida no Brasil é cultivada dentro dos limites originais desse bioma, fato que ajuda a explicar o desmatamento. b) O desmatamento vem aumentando a frequência de deslizamentos de terra em suas encostas íngremes, com graves consequências sociais e materiais. c) O elevado índice de desmatamento resulta, principalmente, da exploração de madeiras de elevado valor comercial. d) A pecuária extensiva e a ampliação da área dedicada ao cultivo de arroz figuram entre as principais causas do desmatamento. e) Nos pampas de Santa Catarina, o desmatamento acelerado está associado à perda de fertilidade dos solos e à ocorrência de extensas manchas de arenização. 4. A questão está relacionada ao mapa e ao texto apresentados a seguir. ... é um complexo de vegetação heterogênea, um mosaico de cerrados, florestas e até mesmo ca- atinga. [...] Inúmeros programas nacionais e internacionais de proteção ao ambiente foram ins- taurados para defender esse ecossistema único, frágil e ameaçado, ao mesmo tempo pela pecuária extensiva, pela dispersão de mercúrio e pelos resíduos de pesticidas (utilizados pelos agricultores) carreados do planalto que o domina, e pela exploração de suas matas galeria, o que aumenta a erosão e a sedimentação. (Hervé Théry & Neli Aparecida de Mello. Atlas do Brasil. São Paulo: Edusp, 2005. p. 67-68. Adaptado) O texto refere-se à área do mapa indicada com o número: a) 1. b) 2. c) 3. d) 4. e) 5. 81 5. (Unesp) Mata de terra firme, mata de várzea e igapó são formações vegetais típicas deste bioma. Em razão do processo de uso e ocupação do território brasileiro e das ações dirigidas à preservação dos recursos naturais realizadas nas últimas décadas, este bioma constitui-se também naquele que guarda as maiores extensões de floresta nativa no Brasil, ainda que seu desmatamento não tenha sido completamente cessado. O texto refere-se ao bioma: a) Cerrado. b) Mata Atlântica. c) Pampa. d) Caatinga. e) Amazônico. 6. (Fuvest) Estas fotos retratam alguns dos tipos de formação vegetal nativa encontrados no territó rio nacional. Correlacione as formações vegetais retratadas nas fotos às áreas de ocorrência indicadas nos ma- pas abaixo. a) b) c) d) e) 82 7. Estes rios fazem parte da paisagem e do dia a dia do homem do Nordeste, servindo como fonte de água, áreas de recreação, cultivo de vegetais e criação de animais. O sertanejo apresenta estratégias de sobrevivência du- rante os períodos de estiagem, que são re- sultado direto de suas percepções sobre as variações no fluxo de água desses rios. Estes ambientes fazem parte da cultura do serta- nejo sendo citados em sua produção artísti- ca por grandes escritores como Euclides da Cunha, João Cabral de Melo Neto, José Lins do Rego e Guimarães Rosa. (www.ecodebate.com.br/2012/09/03/reducaode-apps- compromete-rios-e--biomas-brasileirosentrevista- com-o-biologo-elvio-sergio-medeiros) O texto faz referência a dois elementos na- turais de grande importância na região Nor- deste. São eles os rios: a) efêmeros e a paisagem de colinas. b) cársticos e a paisagem de chapadas. c) intermitentes e a paisagem de caatingas. d) de talvegue e a paisagem de cerrados. e) temporários e a paisagem de terras baixas. 8. (Unesp)Leia. Imagens de satélite comprovam aumento da cobertura florestal no Paraná O constante monitoramento nas áreas em recuperação do Programa Mata Ciliar, com o apoio de imagens de satélite, tem demons- trado um aumento significativo da cobertura florestal das áreas de preservação permanen- te, reserva legal e Unidades de Conservação, integrantes do Corredor de Biodiversidade. (www.mataciliar.pr.gov.br) As matas ciliares são: a) florestas tropicais em margens de rios, cujo papel é regular fluxos de água, sedimentos e nutrientes entre os terrenos mais altos da bacia hidrográfica e o ecossistema aquático. O mau uso dessas áreas provoca erosão das encostas e assoreamento do leito fluvial. b) florestas temperadas, cujo papel é de filtro entre o solo e o ar, possibilitando a prática da agricultura sem prejudicar o ecossistema atmosférico. O mau uso dessas áreas provoca erosão do solo e contaminação do ar. c) florestas subtropicais, cuja função é pre- servar a superfície do solo, proporcionando a diminuição da filtragem e o aumento do escoamento superficial. O mau uso dessas áreas provoca aumento da radiação solar e estabilidade térmica do solo. d) coberturas vegetais que ficam às margens dos lagos e nascentes, atuam como regu- ladoras do fluxo de efluentes e contribuem para o aumento dos nutrientes e sedimentos que percolam o solo. O mau uso dessas áreas provoca evaporação e rebaixamento do nível do lençol freático. e) formações florestais que desempenham fun- ções hidrológicas de estabilização de áreas críticas em topos de morros, cumprindo uma importante função de corredores para a fau- na. O mau uso dessas áreas provoca desma- tamento e deslizamento das encostas. 9. (Unicamp) “...as caatingas são um aliado in- corruptível do sertanejo em revolta. Entram também de certo modo na luta. Armam-se para o combate; agridem. Trançam-se, impe- netráveis, ante o forasteiro, mas abrem-se em trilhas multivias, para o matuto que ali nasceu e cresceu...” (Euclides da Cunha, Os Sertões. Rio de Janeiro: FBN, p. 102.) No texto, ascaatingas são apresentadas como aliadas do sertanejo. Essa vegetação está associada a: a) locais onde a evapotranspiração potencial é maior que a evapotranspiração real durante praticamente todo o ano, gerando grande deficit hídrico, o que resulta em uma ve- getação espinhenta e sem folhas na maior parte do ano. b) locais onde raramente chove, o que determi- na uma vegetação que em nenhuma época do ano apresenta folhas verdes, e que nasce em solos pouco desenvolvidos e férteis. c) locais secos durante seis meses por ano, o que permite a presença da vegetação com folhas durante a maior parte do ano, embora todas as folhas caiam no período de seca. d) locais com precipitação maior que a evapo- transpiração potencial, o que determina um ambiente quase que permanentemente seco ao longo do ano, com poucos dias em que a vegetação apresenta folhas verdes. 10. (Unesp) Analise o mapa, que representa a cobertura vegetal primitiva do estado de São Paulo. 83 Considerando que a distribuição dos domí- nios vegetais varia conforme as condições ambientais do Planeta (temperatura, dispo- nibilidade de água em estado líquido etc.) em cada era geológica, é possível afirmar que, no estado de São Paulo: a) a cobertura vegetal primitiva não foi direta- mente influenciada pelas variações climáti- cas ocorridas no Planeta. b) a cobertura vegetal primitiva era caracteri- zada pela homogeneidade, visto que a vege- tação de mata cobria toda área compreendi- da hoje pelo estado. c) a presença de áreas onde predominavam o domínio vegetal dos cerrados sinaliza a exis- tência de temperaturas mais baixas durante a era geológica anterior à atual. d) condicionantes ambientais locais, como relevo, clima e disponibilidade hídrica, in- fluenciaram na presença de domínios vege- tais cuja principal área de incidência não se encontra no estado, como é o caso da vege- tação de cerrado e de araucária. e) a presença da vegetação de cerrados, de araucária e de palmeiras é prova de que a interferência humana sobre a distribuição da vegetação natural no estado vem das pri- meiras eras geológicas. e.O. teste ii 1. (Unicamp) O mapa a seguir destaca a área de ocorrência dos Pampas, no Brasil. Além de apresentarem solos susceptíveis à erosão, os Pampas se caracterizam:Pampas se caracterizam: a) pela vegetação arbórea, em área de clima temperado, sujeita a processos de voçoroca- mento decorrente da eliminação da cobertu- ra vegetal. b) pela vegetação arbórea, em área de clima sub- tropical, sujeita a processos de arenização de- corrente da eliminação da cobertura vegetal. c) pela vegetação de gramíneas, em área de clima subtropical, sujeita a processos de arenização decorrente da eliminação da cobertura vegetal. d) pela vegetação de gramíneas, em área de clima temperado, sujeita a processos de vo- çorocamento decorrente da eliminação da cobertura vegetal. 2. (Fuvest) Conforme proposta do geógrafo Aziz Ab’Saber, existem, no Brasil, seis domí- nios morfoclimáticos. Assinale a alternativa correta sobre o Domí- nio Morfoclimático das Araucárias. a) A urbanização e a exploração madeireira pe- las indústrias da construção civil e do setor moveleiro tiveram papel central na redução de sua vegetação original. b) O manejo sustentável permitiu a expansão de parreirais em associação com a mata de araucária remanescente, na faixa litorânea. c) As araucárias recobriam as planícies da Cam- panha Gaúcha no sul do país, tendo sido dizimadas para dar lugar à avicultura e à ovinocultura. d) A prática da silvicultura possibilitou a ex- pansão desse domínio morfoclimático para a porção oeste do Planalto Ocidental Paulista. e) A expansão do processo de arenização no sul do país provocou a devastação da cobertura original de araucária. 3. (Fuvest) Considere as afirmações a seguir, relativas à ocupação do Centro-Oeste brasi- leiro, onde originalmente predominava a ve- getação do Cerrado. I. A vegetação nativa do Cerrado encontra- se, hoje, quase completamente dizimada, principalmente em função do processo de expansão da fronteira agrícola, que avan- ça agora na Amazônia. II. O desenvolvimento de tecnologia apro- priada permitiu que o problema da baixa fertilidade natural dos solos no CentroO- este fosse, em grande parte, resolvido. III. O modelo fundiário predominante na ocupação da área do Cerrado imitou aque- le vigente no oeste gaúcho, de onde saiu a maioria dos migrantes que chegaram ao Centro-Oeste nos últimos 30 anos. Está correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) II, apenas. c) III, apenas. d) I e II, apenas. e) I, II e III. 84 4. (Fuvest) I II III IV 0 1000 2000 3000 4000 Precipitação média anual (mm) 15 30 Te m pe ra tu ra m éd ia a nu al ( ºC ) w w w .b lo gd ov es ti bu la r. co m Os biomas do Brasil, cujas condições ambientais estão representadas no gráfico pelas regiões de- marcadas I, II, III e IV, correspondem, respectivamente, a: a) cerrado, caatinga, floresta amazônica e floresta atlântica. b) pampa, cerrado, floresta amazônica e complexo pantaneiro. c) cerrado, pampa, floresta atlântica e complexo pantaneiro. d) caatinga, cerrado, pampa e complexo pantaneiro. e) caatinga, cerrado, floresta atlântica e flores ta amazônica. 5. (Fuvest) O mapa a seguir representa os prováveis limites das formações vegetais de parte do ter- ritório brasileiro à época do descobrimento. As FORMAÇÕES VEGETAIS E O RELEVO do perfil F - G no mapa estão corretamente representados em: Nota: As representações de vegetação estão esquematizadas e sem escala. 0º F 900 km Fonte: Adaptado de IBGE, 2002. 85 a) Domínio das araucárias; domínio tropical atlântico; domínio dos cerrados; domínio equatorial amazônico. b) Domínio dos campos; domínio das araucá- rias; domínio dos cerrados; domínio equato- rial amazônico. c) Domínio dos campos; domínio tropical atlânti- co; domínio pantaneiro; domínio amazônico. d) Domínio das araucárias; domínio do Araguaia- -Tocantins; domínio do cerrado; domínio equa- torial amazônico. e) Domínio dos campos; domínio dos pinhais; domínio do cerrado; domínio das florestas latifoliadas. 8. (Unifesp)Observe o mapa. (M.E.Simielli, “Geoatlas”, 2001.) OCEANO ATLÂNTICO 0º A B 0 490 km (M.E. Simielli, “Geoatlas”, 2001.) A sequência correta de vegetação natural in- dicada pelo perfil AB é: a) Floresta Equatorial, Caatinga, Cerrado e Mangue. b) Mata Atlântica, Mata dos Cocais, Caatinga e Campo. c) Floresta Amazônica, Mata dos Cocais, Caa- tinga e Mata Atlântica. d) Mata dos Cocais, Cerrado, Mata Atlântica e Campo. e) Floresta Amazônica, Cerrado, Mata dos Co- cais e Mata Atlântica. 9. Caracteriza-se pela presença predominante de árvores de pequeno porte espalhadas por uma cobertura descontínua de gramíneas. A partir da aplicação dos resultados das pes- quisas realizadas para corrigir seus solos, essa formação vegetal foi sendo devastada, porque seu território tornou-se área de expansão da produção de grãos para exportação. 6. A questão está relacionada à paisagem vege- tal e às afirmações a seguir. I. A vegetação tem sido destruída há várias décadas, em virtude da especulação imo- biliária em áreas valorizadas do litoral brasileiro. II. Nesse ecossistema, existem importantes fornecedores de nutrientes que favore- cem a reprodução de vida marinha e, con- sequentemente, a atividade pesqueira. III. A vegetação é típica de áreas de águas mais frias onde há forte abrasão mari- nha; ela toma o lugar antes ocupado por terraços e falésias. Está correto somente o que se afirma em: a) I. b) II. c) I e II. d) I e III. e) II e III. 7. Considerandoos domínios morfoclimáticos e fitogeográficos do Brasil, assinale a alternati- va que indica a sequência correta dos domí- nios interceptados pela linha, no sentido S-N. ww w. ge og ra fia pa ra to do s.c om .b r 86 Assinale a alternativa que contém o nome da formação vegetal à qual o texto se refere. a) Floresta Sub-Tropical. b) Caatinga. c) Mangue. d) Cerrado. e) Mata de Araucária. 10. (Unesp) A Amazônia se estende desde a cor- dilheira andina até o Norte brasileiro, reco- berta por um mosaico de formações flores- tais. Fora do território brasileiro, a floresta amazônica é encontrada nos países: a) Suriname, Colômbia, Venezuela, Peru, Bolí- via e Paraguai. b) Equador, Suriname, Venezuela, Colômbia, Peru e Bolívia. c) Guiana Francesa, Suriname, Venezuela, Co- lômbia, Peru e Bolívia. d) Venezuela, Guiana Francesa, Colômbia, Peru, Bolívia e Paraguai. e) Guiana Francesa, Suriname, Venezuela, Equador, Peru e Bolívia. e.O. teste iii 1. (Fuvest) Quando o nível do mar recuou e permaneceu por alguns milênios a uma cen- tena de metros mais baixo do que atualmen- te, o clima regional em seu conjunto era me- nos quente e muito mais seco (...). Havendo muito menos precipitações, os rios eram bem menos volumosos (...). Pelo oposto, durante a ascensão do nível do mar (...), processouse uma retropicalização generalizada da região, com aumento de calor e, sobretudo, dos ní- veis de pluviosidade e umidade do ar. Mais chuvas e teor de umidade (...) provocaram a reexpansão florestal. Fonte: Ab’Saber, 1996. O texto acima descreve o processo de uma região natural brasileira. Identifique-a cor- retamente, relacionando-a ao processo. 2. (Fuvest)Identifique, entre as fotos a seguir, aquela que melhor corresponde a aspectos re- lativos à VEGETAÇÃO, na paisagem descrita por Guimarães Rosa em “Grande sertão: veredas”. “Entre os currais e o céu, tinha só um grama- do limpo e uma restinga de cerrado, de onde descem borboletas brancas...”. Fonte: Adap. Romariz, 1996. 3. Leia o texto a seguir: A utilização deste domínio vegetal ainda se fundamenta em processos extrativistas para obtenção de produtos de origem pas- toril, agrícola e madeireira. Na pecuária, o superpastoreio de ovinos, caprinos, bovinos e outros herbívoros tem modificado a com- posição florística do estrato herbáceo, quer pela época, quer pela pressão de pastejo. A exploração agrícola, com práticas itineran- tes, com desmatamentos e queimadas desor- denados, também tem modificado tanto o es- trato herbáceo como o arbustivo-arbóreo. E a exploração madeireira já tem causado mais danos à vegetação lenhosa do que a própria agricultura “migrante”. Fonte: Adaptado de http://nead.org.br/biblioteca/ pdf/textos1/ 08brasilruraldesenvol pags 66 79.pdf. O texto descreve os impactos ambientais no domínio vegetal: a) do cerrado. b) da caatinga. c) da mata atlântica. d) da Amazônia. e) dos campos. 4. Considere o gráfico apresentado a seguir. BRASIL - Vegetação nativa Desmatamento em relação aos ciclos econômicos Proporção de floresta nativa I II III (% ) 100 80 60 40 20 0 15 00 15 50 16 00 16 50 17 00 17 50 18 00 18 50 19 00 19 50 20 00 Fonte: “Almanaque Abril” - Edição Brasil 2001, p. 164. Os números I, II e III correspondem às se- guintes formações vegetais: a) I - Caatinga, II - Mata Atlântica, III - Flores- ta Amazônica. b) I - Floresta Amazônica, II - Cerrado, III - Mata Atlântica. c) I - Mata de Araucárias, II - Caatinga, III - Cerrado. d) I - Floresta Amazônica, III - Mata de Araucá- rias, III - Cerrado. e) I - Campos, II - Mata de Araucárias, III - Mata Atlântica. 87 5. Observe o mapa. DOMÍNIOS MORFOCLIMÁTICOS BRASILEIROS 1 2 3 4 5 6 7 1 4 4 7 3 5 6 0 440 880 km Oceano Atlântico Fonte: Aziz Ab’Sáber Considere as afirmações seguintes. I. O número 3 refere-se ao domínio dos mares de morros. II. O número 7 refere-se às faixas de transição. III. O número 1 refere-se ao domínio subtropical. IV. O número 4 refere-se ao domínio da caatinga. Estão corretas as afirmações: a) I e III, somente. b) II e III, somente. c) III e IV, somente. d) I, II e IV, somente. e) II, III e IV, somente. e.O. dissertativO 1. (Fuvest)O perfil topográfico, abaixo, apresenta alguns aspectos estruturais da vegetação nativa e do comportamento dos totais anuais de chuva em um segmento que se estende do litoral até os contrafortes da Serra da Mantiqueira. SERRA DA MANTIQUEIRA m chuva (1600 mm) PICO ITAPEVA 2000 1500 1000 500 A 1 2 3 4 5 6 chuvas aumentando (até 2000 mm) VALE DO PARAÍBA DO SUL chuvas fracas (1200 mm) ilha seca na sombra da montanha 7 8 9 10 11 SERRA DO MAR PLANÍCIE COSTEIRA chuvas aumentando (até 4500 mm) chuvas (2500 mm) 12 13 14 15 16 17 18 B OCEANO ATLÂNTICO Kurt Hueck, As florestas da América do Sul, 1972. Adaptado. A B Com base nessas informações e em seus conhecimentos, atenda ao que se pede. a) Das seções numeradas de 1 a 18, considere as que correspondem à Serra do Mar, identificando aquela onde, tendo em vista os fatores naturais, os processos erosivos podem ser mais frequentes e intensos. Justifique. b) Observe que, na encosta escarpada da Serra da Mantiqueira, a estatura da vegetação aumenta em di- reção às partes mais baixas. Identifique duas causas desse fenômeno. Explique. 88 2. Com base no mapa abaixo e em seus conhecimentos, caracterize os Domínios Morfoclimáticos I, III e V. I. Amazônico II. Cerrado III. Mares de morros IV. Caatingas V. Araucárias VI. Pradarias Faixas de transição Do m ín io s Terras baixas florestadas equatoriais Chapadões tropicais interiores com cerrados e florestas-galeria Áreas mamelonares tropical-atlânticas florestadas Depressões intrmontanas e interplanálticas semiáridas Planaltos subtropicais com araucárias Coxilhas subtropicais com pradarias mistas (Não diferenciadas) AB’SABER, Aziz. Os domínios de natureza no Brasil: potencialidades paisagísticas. São Paulo: Ateliê Editorial, 2005. Encarte. Domínios Morfoclimáticos Brasileiros (Áreas Nucleares -1965) a) Domínio I. b) Domínio III. c) Domínio V. 3. (Unicamp) As pradarias mistas representam importante domínio fitogeográfico. Elas ocorrem em uma vasta área dos Estados brasileiros do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, mas também se estendem para o Uruguai e a Argentina. a) Descreva as características morfoclimáticas (relevo e clima) predominantes nas áreas de abrangência das pradarias pampeanas do Estado do Rio Grande do Sul. b) Aproveitando-se das condições naturais das pradarias pampeanas, a pecuária tem destaque nesse domínio, especialmente no sul do Rio Grande do Sul. Descreva as principais características dessa ati- vidade nesse Estado, destacando os tipos de rebanhos predominantes. 4. (Fuvest) Leia o texto de José de Alencar, do romance Til. Cerca de uma légua abaixo da confluência do Atibaia com o Piracicaba, e à margem deste último rio, estava situada a fazenda das Palmas. Ficava no seio de uma bela floresta virgem, porventura a mais vasta e frondosa, das que então contava a província de São Paulo, e foram convertidas a ferro e fogo em campos de cultura. Daquela que borda as margens do Piracicaba, (...) ainda restam grandes matas, cortadas de roças e cafezais. Mas dificilmente se encontram já aqueles gigantes da selva brasileira, cujos troncos enormes deram as grandes canoas, que serviram à exploração de Mato Grosso. Daí partiam pelo caminho d’água as expedições que os arrojadospaulistas levavam às regiões desconhecidas do Cuiabá, descortinando o deserto, e rasgando as entranhas da terra virgem, para arrancarlhe as fezes, que o mundo chama ouro e comunga como a verdadeira hóstia. José de Alencar. Til. Considere o texto e seus conhecimentos para responder: a) O texto acima faz referência ao bioma originalmente dominante no estado de São Paulo. De que bioma se trata e qual é a sua situação atual na região do estado de São Paulo citada no texto? b) Depois de ter-se implantado na região mencionada no texto, para que outras áreas do território do estado de São Paulo se expandiu a cultura do café? c) Indique o bioma dominante no atual estado de Mato Grosso e explique os principais usos da terra nesse estado, na atualidade. 89 5. Analise os dois climogramas, referentes a duas cidades brasileiras, e responda. Climograma 1temperatura (ºC) chuvas (mm) 28 27 26 25 24 23 22 21 20 19 18 17 16 15 14 13 12 400 375 350 325 300 275 250 225 200 175 150 125 100 75 50 25 0 J F M A M J J A S O N D Climograma 2 temperatura (ºC) chuvas (mm) 400 375 350 325 300 275 250 225 200 175 150 125 100 75 50 25 0 28 27 26 25 24 23 22 21 20 19 18 17 16 15 14 13 12 J F M A M J J A S O N D a) Como é o clima em cada uma dessas localida- des e a qual área ou região do país cada um deles corresponde? b) Qual seria a vegetação típica da área com o climograma 1? E qual seria a vegetação cor- respondente ao climograma 2? 6. (Fuvest) Desenho de Percy Lau. IBGE, 1970. a) Identifique a formação vegetal representada e sua área de ocorrência original. b) Considerando ao menos um fator de ordem física, explique por que essa formação tem ocorrências fora de sua área nuclear. c) Identifique três das principais atividades econômicas que promoveram a substituição de tal formação vegetal. 7. (Unicamp) O texto a seguir é referente à descrição de uma determinada formação vegetal. Leia-o com atenção e faça o que se pede. Vegetação localizada na zona intertropical, junto a enseadas, braços de mar e baías cal- mas, podendo avançar para o interior de estuários até onde a água se mantém salo- bra. Sujeita diariamente à ação das marés. Seu porte varia entre arbustivo até arbóreo nos estuários. O sistema radicular, com ra- ízes respiratórias pneumatóforas e raízes escoras, contribui para a fixação dos sedi- mentos. (Adaptado de Helmut Troppmair, “Biogeografia e meio ambiente”. Rio Claro: Edição do Autor, 4a ed., 1995, p. 109). a) Qual a formação vegetal descrita no texto acima? b) Por que o ecossistema dessa formação vege- tal é importante para a manutenção da bio- diversidade? c) Quais as ações antrópicas que estão contri- buindo para a degradação dessa formação vegetal no território brasileiro? 8. (Unicamp)O Brasil é um país de grande ex- tensão territorial, marcado por uma diversi- dade de paisagens naturais que configuram diferentes domínios morfoclimáticos. a) O que são domínios morfoclimáticos? b) O que é uma faixa de transição morfoclimática? c) Cite três domínios morfoclimáticos existen- tes no Brasil. 9. (Unicamp)No Brasil, a mata dos Pinhais co- bria originalmente uma área superior a 100 mil km2 ou 100 milhões de hectares. Atual- mente, calcula-se que sobraram apenas cerca de 300 km2 ou 300 mil hectares desse domí- nio vegetal, ou seja, apenas 0,3% da cober- tura original. (Adaptado de Melhem Adas, “Panorama Geográfico do Brasil”, São Paulo, Moderna, 1998.) a) Qual é a área de ocorrência original desse domínio vegetal? b) Cite pelo menos duas características do do- mínio morfoclimático onde ocorre esse tipo de cobertura vegetal. c) Quais as atividades econômicas que têm sido responsáveis pela devastação da mata dos Pinhais? 90 e.O. enem 1. Então, a travessia das veredas sertanejas é mais exaustiva que a de uma estepe nua. Nesta, ao menos, o viajante tem o desafogo de um horizonte largo e a perspectiva das planuras francas. Ao passo que a outra o afoga; abrevia-lhe o olhar; agride-o e eston- teiao; enlaça-o na trama espinescente e não o atrai; repulsa-o com as folhas urticantes, com o espinho, com os gravetos estalados em lanças, e desdobra-se-lhe na frente léguas e léguas, imutável no aspecto desolado; árvo- re sem folhas, de galhos estorcidos e secos, revoltos, entrecruzados, apontando rijamen- te no espaço ou estirando-se flexuosos pelo solo, lembrando um bracejar imenso, de tor- tura, da flora agonizante… CUNHA, E. Os sertões. Disponível em: http:// pt.scribd.com. Acesso em: 2 jun. 2012. Os elementos da paisagem descritos no texto correspondem a aspectos biogeográficos pre- sentes na: a) composição de vegetação xerófila. b) formação de florestas latifoliadas. c) transição para mata de grande porte. d) adaptação à elevada salinidade. e) homogeneização da cobertura perenifólia. 2. A Floresta Amazônica, com toda a sua imen- sidão, não vai estar aí para sempre. Foi pre- ciso alcançar toda essa taxa de desmatamen- to de quase 20 mil quilômetros quadrados ao ano, na última década do século XX, para que uma pequena parcela de brasileiros se desse conta de que o maior patrimônio na- tural do país está sendo torrado. AB’SABER, A. Amazônia: do discurso à práxis. São Paulo: EdUSP, 1996. Um processo econômico que tem contribuído na atualidade para acelerar o problema am- biental descrito é: a) Expansão do Projeto Grande Carajás, com in- centivos à chegada de novas empresas mine- radoras. b) Difusão do cultivo da soja com a implanta ção de monoculturas mecanizadas. c) Construção da rodovia Transamazônica, com o objetivo de interligar a região Norte ao restante do país. d) Criação de áreas extrativistas do látex das se- ringueiras para os chamados povos da floresta. e) Ampliação do polo industrial da Zona Franca de Manaus, visando atrair empresas nacio- nais e estrangeiras. 3. Disponível em: http://www.ra-bugio.org.br. Acesso em: 28 jul. 2010. A imagem retrata a araucária, árvore que faz parte de um importante bioma brasileiro que, no entanto, já foi bastante degradado pela ocupação humana. Uma das formas de intervenção humana relacionada à degrada- ção desse bioma foi a) o avanço do extrativismo de minerais metá- licos voltados para a exportação na região Sudeste. b) a contínua ocupação agrícola intensiva de grãos na região Centro-Oeste do Brasil. c) o processo de desmatamento motivado pela expansão da atividade canavieira no Nordes- te brasileiro. d) o avanço da indústria de papel e celulose a partir da exploração da madeira, extraída principalmente no Sul do Brasil. e) o adensamento do processo de favelização so- bre áreas da Serra do Mar na região Sudeste. 4. O gráfico a seguir mostra a área desmatada da Amazônia, em km2, a cada ano, no perío- do de 1988 a 2008. km2 30.000 20.000 10.000 0 88 89 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 00 01 02 03 04 05 06 07 08 ano Fonte: MMA As informações do gráfico indicam que: a) o maior desmatamento ocorreu em 2004. b) a área desmatada foi menor em 1997 do que em 2007. c) a área desmatada a cada ano manteve-se constante entre 1998 e 2001. d) a área desmatada por ano foi maior entre 1994 e 1995 do que entre 1997 e 1998. e) o total de área desmatada em 1992, 1993 e 1994 é maior que 60.000 km2. 91 5. A Mata Atlântica, que originalmente se es- tendia por todo o litoral brasileiro, do Ceará ao Rio Grande do Sul, ostenta hoje o triste título de uma das florestas mais devastadas do mundo. Com mais de 1 milhão de quilô- metros quadrados, hoje restam apenas 5% da vegetação original, como mostram as figuras. Adaptado de “Atlas Nacional do Brasil”, IBGE, 1992/http://www.sosmatatlantica.org.br Cobertura original 19 50 -1 96 0 19 60 -1 97 0 19 70 -1 98 0 19 80 -1 99 0 19 90 -2 00 0 Mata Atlântica Adaptado de “Atlas Nacional do Brasil”, IBGE, 1992/http://www.sosmatatlantica.org.br Considerando as características histórico- -geográficas do Brasil e a partir da análise das figuras é correto afirmar que: a) as transformações climáticas, especialmente na Região Nordeste, interferiram fortemente na diminuição dessa floresta úmida. b) nas três últimas décadas, o grau de desen- volvimento regional impediu que a devasta- ção da Mata Atlântica fosse maior do que a registrada. c) as atividades agrícolas, aliadas ao extrati- vismo vegetal, têm se constituído, desde o período colonial, na principal causa da de- vastação da Mata Atlântica. d) a taxa de devastação dessa floresta tem se- guido o sentido oposto ao do crescimento po- pulacional de cada uma das Regiões afetadas. e) o crescimento industrial, na década de 1950, foi o principal fator de redução da cobertura vegetal na faixa litorânea do Brasil, espe- cialmente da Região Nordeste. GabaritO E.O. Teste I 1. D 2. B 3. D 4. E 5. E 6. C 7. C 8. A 9. A 10. D E.O. Teste II 1. C 2. A 3. D 4. E 5. B 6. C 7. A 8. C 9. D 10. C E.O. Teste III 1. E 2. A 3. B 4. B 5. D E.O. Dissertativo 1. a) Das seções numeradas, as 12, 13 e 14 cor- respondem à Serra do Mar. A 14 (Esparpa de Falha da Serra do Mar) apresenta maior vulnerabilidade à erosão pluvial (água da chuva) e fluvial (água de rio) devido à maior declividade, fator que intensifica o escoamento superficial da água. A região também é atingida frequentemente por deslizamentos de terra naturais e inten- sificados pela ocupação desordenada. b) Na escarpa de falha da Serra da Manti- queira, a estatura da Mata Atlântica au- menta na seção 6, isto ocorre, devido à menor declividade, que permite maior infiltração de água, aumenta o intempe- rismo químico e leva à formação de um solo mais desenvolvido, permitindo o desenvolvimento de espécies arbóreas de maior porte. Aspectos climáticos também interferem, visto que as temperaturas também são mais elevadas e favorecem a Mata Atlântica na seção 6, quando com- paradas à seção 5, que apresenta maior declive e solos menos desenvolvidos. 2. a) O Domínio da Amazônia é caracterizado pela dominância de terras baixas (de- pressões, baixos planaltos e planícies fluviais), solos pobres e lixiviados, rios perenes, clima equatorial (quente, úmido e com chuvas abundantes) e floresta la- tifoliada perenefolia amazônica com alta biodiversidade. b) O Domínio dos Mares de Morros é caracte- rizado por planaltos cristalinos com ser- ras e morros arredondados, dominância de clima tropical litorâneo e de altitude, solos variados, rios perenes e com preva- lência da floresta latifoliada perenefólia atlântica com elevada biodiversidade. c) O Domínio da Araucária é caracterizado por planaltos elevados submetidos ao clima subtropical (inverno frio e chuvas bem distribuídas no decorrer do ano), so- los variados e Mata de Araucária (mistura de espécies aciculifoliadas como a Arau- cária e espécies latifoliadas) com impor- tante biodiversidade. 3. a) No pampa gaúcho predomina do pon- to de vista geomorfológico, um planalto com colinas (coxilhas). O clima é o sub- tropical, com invernos rigorosos e verões 92 quentes, amplitude térmica elevada, chu- vas durante todo ano graças à atuação da mPa (massa Polar atlântica: fria e úmida) e mTa (massa Tropical atlântica: quente e úmida). b) Na Campanha Gaúcha, extensas áreas são tradicionalmente destinadas à pecuária (intensiva e extensiva), destacando-se os rebanhos bovino e ovino. Esta atividade foi favorecida pela vegetação de pradarias ou campos com dominância de gramíneas e ervas, pela sua topografia plana e cli- ma mais ameno que em outras regiões do território brasileiro, possibilitando assim a criação de gado de origem europeia. A boa distribuição de chuvas durante o ano também colabora para a renovação das pastagens. 4. O climograma 3 (Cuiabá, MT) relaciona-se com o ecossistema do Cerrado (foto C). O Cerrado é um ecossistema complexo (diver- sidade fisionômica) e com alta biodiversida- de. Na foto, destaca-se o Cerrado com forma de savana com os estratos herbáceo, arbus- tivo e arbóreo representado por árvores tor- tuosas. Muitas espécies estão adaptadas às condições climáticas, por exemplo, raízes profundas para captar água do lençol freáti- co e troncos com cascas grossas para resistir aos frequentes incêndios espontâneos du- rante o período seco. No domínio do Cerrado, o clima é tropical, tropical típico ou tropical continental, quente, com baixa amplitude térmica, chuvas concentradas no verão e in- verno com estiagem (seca). As massas de ar mais influentes são a Equatorial continental (úmida) e a Tropical continental (seca). 5. a) O bioma referenciado no texto é a Mata Atlântica cuja situação atual é de intensa devastação, restando apenas refúgios em áreas e unidades de conservação. b) A cultura cafeeira se expande para o oes- te paulista, ocupando as áreas do Planal- to Ocidental. c) O bioma do atual estado do Mato Grosso é o cerrado, cuja ocupação atual está asso- ciada aos cultivos agropecuários. 6. a) O climograma I corresponde ao clima equatorial, com alta pluviosidade, peque- na amplitude térmica e chuvas regula- res, típico da Amazônia. O climograma II corresponde ao clima tropical, típico da região Centro-Oeste brasileira, com duas estações bem definidas - um período chu- voso (verão) e outro seco (inverno) - e temperaturas médias superiores a 20 °C. b) A vegetação típica da área do climogra- ma I é a Floresta Amazônica ou Equa- torial, enquanto a formação típica do climograma II é o Cerrado. 7. a) Trata-se da Floresta Aciculifoliada ou Mata das Araucárias, típica das áreas ele- vadas das regiões sul e sudeste do Brasil. b) A altitude é uma das características físicas mais marcantes para explicar sua ocorrên- cia fora da área nuclear, em lugares como a Serra da Mantiqueira (região sudeste). c) A produção de papel e celulose, mobília e construção civil, além de atividades agro- pastoris, estão entre as principais ativida- des capazes de destruir esse ecossistema. 8. a) Corresponde aos mangues. b) As localidades onde existem mangues pos- suem características naturais ideais à re- tenção de nutrientes tornando suas águas ricas em alimento, favorecendo a forma- ção de bancos genéticos para a procriação de espécies de peixes e crustáceos. c) As ações antrópicas podem atingir os mangues de forma direta, como aterros para construção civil, que afetam os flu- xos de água e sua dinâmica, e indireta através da emissão de esgotos domésticos ou industriais e deposição de lixo. 9. a) Grandes porções da paisagem natural que apresentam relativa homogeneida- de. Essas áreas, resultam da interação de elementos da natureza (clima, solo, ve- getação, relevo e estrutura geológica) ao longo do tempo. b) As faixas de transição morfoclimática correspondem às faixas existentes entre os domínios delimitados. Essas faixas se caracterizam pela presença de uma paisa- gem heterogênea. c) O Brasil apresenta, em seu território, seis domínios morfoclimáticos. São eles: Amazônico, dos Cerrados, dos Mares de Morros, das Caatingas, das Araucárias e das Pradarias. 10. a) Região sul, planalto meridional e região sudeste na Serra da Mantiqueira. b) Clima subtropical (altitude) e relevo planáltico. c) Extração para fabricação de papel, celulo- se, mobília. E.O. Enem 1. A 2. B 3. D 4. D 5. C© C am eli a V ar se sc u/ Sh ut te rs to ck Geomorfologia do Brasil Aulas 15 e 16 95 © C am eli a V ar se sc u/ Sh ut te rs to ck A dinâmicA geomorfológicA do BrAsil e A relAção do homem no espAço O relevo terrestre corresponde às mais diversas formas encontradas em sua superfície. O mesmo resulta da ação de diferentes forças que agem de formas contínuas e combinadas denominadas agentes do relevo. Essas forças podem ser de natureza endógenas ou internas, tais como o vulcanismo, tectonismo e abalos sísmicos responsáveis pela gênese do relevo, e/ou exógenas ou externas, tais como a ação da temperatura, chuva, ventos, águas correntes, geleiras, seres vivos e antropogênicas, responsáveis pela modificação ou esculturação do mesmo, proporcionando assim um conjunto de formas que se verifica desde o assoalho oceânico até o conjunto de terras emersas (continentais). Dentro de quatro macroestruturas, podemos destacar como principais formas de relevo terrestre as monta- nhas, os planaltos, as planícies e as depressões. CORDILHEIRA MONTANHA VALE COLINA DEPRESSÃO PLANÍCIE PLANALTO Fonte: <webquest.edufor.pt> SERRA Formas de relevo O avanço no campo teórico e metodológico da geomor- fologia tem como objetivo principal explicar os aconte- cimentos pretéritos, presentes e futuros das diferentes dinâmicas morfoesculturais sofridas pela superfície ter- restre ao longo do tempo geológico. Para isso, a geomorfologia recorre ao campo de estudo dos paleoclimas, ou seja, verificações climáticas do passado e suas interferências na estrutura geológica de certa região do globo em sintonia com os climas do presente sem perder de vista as chamadas “mudanças cli- máticas” provenientes do provável aquecimento global. Cabe salientar que, além do importante papel já desenvolvido pela geomorfologia, a mesma vem nos últimos anos adquirindo um conjunto de novas funções e destaque se associada a outras ciências afins, como a Ecologia, Climatologia, Cartografia Moderna etc. Esse fato explica de forma bem coerente sua mais nova de- nominação, Geomorfologia Dinâmica. Brasil: um país de altitudes modestas Quando associamos a idade geológica dos terrenos à inexistência de dobramentos cenozoicos (Andes, Hima- laia etc.) à diversidade climática e à certa estabilidade tectônica, entendemos as altitudes modestas do nosso relevo – o pico da Neblina, na Amazônia ocidental, com 2 993,78 metros de altitude é nosso relevo de maior altitude. Os elementos mais importantes para as trans- 96 formações atuais das formas de relevo brasileiro, à exceção do homem, são os rios, as chuvas e a temperatura, ou seja, intemperismo e erosão. Notamos, por isso, a predominância dos agentes externos sobre os internos, dando ao relevo uma certa estabilidade. Apesar desse perfil altimétrico modesto, não é na planície que o relevo brasileiro vai encontrar sua maior unidade. Novos conceitos de Geomorfologia apontam para o predomínio de planaltos e depressões como unidades maiores. Fonte: <http://geografalando.blogspot.com.br/2013/04/relevo-classificacao-do-relevo_28.html>. Observação! As chamadas cotas altimétricas – hipsométricas – são representadas por linhas que na carta ou mapa denominam-se isoípas ou curvas de nível. Evereste 8 848m K2 8 611m Kanchenjunga 8 586m Lhoste 8 516m Makalu 8 463m Cho Oyu 8 201m Dhaulagiri 8 167m Shishapangma 8 035mm Gasherbrum II 8 035mm Broad Peak 8 047mm Gasherbrum I 8 068mm Annapurna 8 091mm Nanga Parbat 8 125mm Manaslu 8 163mm Os principais cumes do mundo. OS PRINCIPAIS PICOS DO BRASIL Estação medida Valor de altitude divulgada no Anuático Estatístico Brasileiro (AEB) Valor de altitude calculada após a medição (2004) pico da Neblina 3 014,1 metros 2 993,78 metros pico 31 de Março 2 992,4 metros 2 972,66 metros pico das Agulhas Negras 2 787, 0 metros 2 791,55 metros pico Pedra da Mina 2 770,0 metros 2 798,39 metros 97 conceituAndo As formAs de relevo Planalto Planalto em forma de serra (serra da Mantiqueira). As feições morfológicas planálticas são caracterizadas por formas de relevo planas e altas, bem como por duas linhas de declive, onde o processo de decomposição supera o de acumulação; portanto, são formas de re- levo em desgastes, em rebaixamento. Elas podem ser encontradas em qualquer tipo de estrutura geológica e classificados em tectônicos, vulcânicos e de erosão. As mais frequentes formas de variação de planaltos são as do tipo: Relevo cuestiforme © R ud ra N ar ay an M itr a/ Sh ut te rs to ck Frente de Cuesta. Ladakh, Jammu and Kashmir, Índia. Essa estrutura apresenta um relevo com forma dissi- métrica, constituída, de um lado, por um perfil côncavo em declive íngreme e, do outro, por um planalto suave- mente inclinado. Essa forma se desenvolve por erosão diferenciada e apresenta os seguintes elementos topo- gráficos: front, depressão subsequente e reverso. Relevo em chapada Relevo de estrutura geológica tipicamente sedimentar com topo em forma de mesa também denominado re- levo tabuliforme. © A ND RE D IB /S hu tte rs to ck Chapada Diamantina Serra Serra da Mantiqueira Segundo o geógrafo Igor Moreira, as serras são formadas de relevos alongados com topos irregulares, por vezes iso- lados. Em geral, são alinhamentos de montanhas antigas erodidas e mais tarde, falhadas. As irregularidades que apresentam são resultado de movimentos de subida e des- cida de blocos das rochas fraturadas. A denominação ser- ras também pode se referir às áreas de bordas de planalto. Formações planálticas mais desta- cadas na geomorfologia brasileira Os inselberg Do alemão inselber, monte ilha, o termo foi propos- to pelo geógrafo alemão Walther Penck. Segundo o também geógrafo Aziz Ab’Saber, trata-se de um resto 98 de relevo com aspecto geológico cristalino saliente em meio a uma paisagem de depressão semiárida (sertaneja), oriunda de uma longa história erosiva. Essa paisagem é formada pelo intemperismo físico – erosão seletiva. Inselberg, Pedra Azul, MG Mares de morro Essa formação geomorfológica é também denominada de planaltos sul e sudeste de morros, ou mamelonares. Trata-se de um planalto, formado pelo intemperismo químico. Essa estrutura de relevo faz parte do bioma da mata Atlântica. Mares de morros. entre São Paulo e Rio de Janeiro Coxilhas Canela, Rio Grande do Sul Formações cristalinas com bordas mais arredondadas e bem mais suavizadas, se comparadas aos mares de morros, essa estrutura é encontrada na porção do extre- mo meridional do Brasil, onde são comuns os pampas ou as campanhas gaúchas. estudo dos Aspectos geológicos e geomorfológi- cos dAs formAções BAixAs Planície As feições morfológicas de planícies são caracterizadas como formas de relevo planas e baixas com hipsometrias inferiores a 100 m, bem como por duas linhas de aclive onde o processo de acumulação supera a decomposição. São, portanto, formas de relevo em acumulação, como a encontrada em estruturas geológicas sedimentares. Casos mais típicos de planícies: § planície fluvial – encontradas no interior dos continentes cujo processo de acumulação está relacionado à ação dos rios; § planície fluvio-marinha – ocorre em faixas litorâneas; sua formação de sedimentação está relacionada à ação dos oceanos e rios; § planície costeira – ocorre no litoral e é forma- da pela acumulação de sedimentos trabalhados pelo mar. sua estrutura geológica sedimentar também é cenozoica quaternária.Estende-se do Maranhão ao Rio Grande do Sul. § planície do Pantanal – é considerada a mais típica planície do Brasil. Localiza-se na porção oeste do Mato Grosso do Sul, encravada entre o planalto meridional e central. Sua estrutura é geológica recente, datada do cenozoico quater- nário. Saliente-se que, graças ao seu estado de conservação e à rica biodiversidade, o Pantanal é considerado uma das 37 últimas grandes regiões naturais da Terra, com alta diversidade biológica, grandes extensões e baixa densidade populacio- nal humana. § planície Amazônica – de formação geológi- ca cenozoica, localiza-se entre o planalto das 99 Guianas, pela porção setentrional, e o planalto central, ao sul. No domínio amazônico, estende-se nas áreas baixas das margens banhadas pelos rios da região. As demais áreas, que ocupam a maior porção, são cha- madas de baixos platôs amazônicos, são planaltos rebaixados. © m ar ch el lo 74 /S hu tte rs to ck Planície Costeira. Ipanema, Rio de Janeiro. Planície do Pantanal mato-grossense estudo dos Aspectos geológicos e geomorfológicos dAs formAções de depressão A depressão Unidade geomorfológica caracterizada pela superfície rebaixada em relação às demais formas de relevo próximas. Classifica-se como: § depressão relativa – rebaixamento do relevo acima do nível do mar; e § depressão absoluta – rebaixamento do relevo abaixo do nível do mar. Essas unidades foram geradas por processos erosivos ocorridos no contato das extremidades das bacias sedimentares com maciços antigos. Segundo a classificação de Ross, no Brasil há onze unidades de depressões, a segunda forma de relevo mais importante do país. À medida que foram ocorrendo os processos erosivos e de localização, as estruturas de depressões relativas foram recebendo várias denominações: periféricas, marginais, interplanálticas etc. 100 Depressões absoluta e relativa Formação de depressões relativas e relevantes na geomorfologia brasileira § depressão periférica – área deprimida e alongada na zona de contato entre terrenos sedimentares e cristalinos: depressão periférica da borda leste da bacia do Paraná. § depressão marginal – margeia as bordas de bacias sedimentares: depressões sul-amazônica e norte- -amazônica. § depressão interplanáltica – área cuja altitude é inferior em relação a dos planaltos que a circundam depressões sertaneja e do São Francisco, marginal sul-amazônica, sertaneja, do São Francisco e periférica da bacia do Paraná. 101 e.o. teste i 1. (Unesp)O Brasil tem encontro marcado com a tragédia todos os anos na estação chuvosa e não há força terrestre que faça com que as autoridades e as pessoas se preparem para isso. Neste ano, o encontro foi na antes pa- radisíaca região serrana do Rio de Janeiro. Todos os anos, a natureza demonstra com fúria que as conquistas da civilização em muitas áreas são plantinhas frágeis que po- dem ser arrancadas pelas enchentes e pelos deslizamentos das encostas. (Veja, 19.01.2011. Adaptado.) O texto relaciona-se ao problema da destrui- ção da paisagem no Sudeste, frequente em regiões com domínio de: a) mar de morros. b) cuestas carbonáticas. c) inselbergs semiáridos. d) chapadas cristalinas. e) coxilhas subtropicais. 2. (Unesp)Euclides da Cunha em Os Sertões descreve a campanha de Canudos. No esbo- ço geológico do Sertão de Canudos, feito por ele, é possível distinguir a região. Espaço geológico Piauí Goiás Bahia Sergipe Alagoas Ju az eir o Ca bro bó Ca nu do s Mo nt e S an to Qu eim ad as Ge rem oa bo Rio Vaza-Barris Rio das Contas Rio São Francisco Minas Gerais Terreno Paleozoico (Siluriano Superior ou Devoniano) Terreno Cretáceo Terreno Terciário Terreno Metamórfico (gneiss, etc.) (Euclides da Cunha, 1866 - 1909. Os Sertões, cópia de Alfredo Aquino, 1979. Adaptado.) Em seu livro, abordava e enfatizava os ele- mentos geográficos que dificultavam as rotas dos que se dirigiam para Canudos. A descri- ção refere-se: a) à Depressão Sertaneja e Sanfranciscana na região nordestina, no estado da Bahia, da caatinga da bacia hidrográfica do rio São Francisco, de clima nordestino – semiárido. b) ao Planalto Arenítico-Basáltico na região Sul, no estado de Santa Catarina, da vegetação de campos, da bacia hidrográfica do rio Paraná, de clima de altitude – tropical de altitude. c) ao Planalto das Guianas na região Nordeste, da caatinga, da bacia hidrográfica do rio São Fran- cisco e bacias secundárias, de clima equatorial. d) ao Planalto Atlântico na região Sudeste, da mata atlântica, da bacia hidrográfica do rio Paraná e bacias secundárias, de clima árido. e) ao Planalto Central Brasileiro na região Nor- te, da bacia hidrográfica do rio Tocantins, da vegetação de campos, de clima de altitude – tropical de altitude. 3. (Fuvest) Esta foto ilustra uma das formas do relevo brasileiro, que são as chapadas. Fonte: Opção Brasil Imagens. É correto afirmar que essa forma de relevo está: a) distribuída pelas regiões Norte e Centro- -oeste, em terrenos cristalinos, geralmente moldados pela ação do vento. b) localizada no litoral da região Sul e decorre, em geral, da ação destrutiva da água do mar sobre rochas sedimentares. c) concentrada no interior das regiões Sul e Su- deste e formou-se, na maior parte dos casos, a partir do intemperismo de rochas cristalinas. d) restrita a trechos do litoral Norte-Nordeste, sendo resultante, sobretudo, da ação mode- ladora da chuva, em terrenos cristalinos. e) presente nas regiões Centro-Oeste e Nordes- te, tendo sua formação associada, principal- mente, a processos erosivos em planaltos sedimentares. 4. (Unifesp)Observe o mapa. 0º Planaltos Depressão Planícies 870 km (Ross, 2000. Adaptado) Assinale a alternativa que contém as formas de relevo predominantes em cada porção do território brasileiro indicada, de acordo com a classificação de Ross. a) Faixa litorânea: depressões. b) Amazônia Legal: planícies. c) Fronteira com o Mercosul: planaltos. d) Região Sul: planícies. e) Pantanal: planaltos. 102 5. Graben e Horst são formas de relevo associa- das às falhas tectônicas. I - Graben II - Horst Terra - feiçõs ilustradas. UFRGS. 2003. No Brasil, os exemplos para I e II são, res- pectivamente: a) Vale do Itajaí e Serra Geral. b) Vale do Paraíba e Serra do Mar. c) Planície Amazônica e Serra do Cachimbo. d) Vale do São Francisco e Chapada Diamantina. e) Planície Costeira e Serra do Espinhaço. 6. A questão está relacionada ao perfil topográ- fico e ao mapa apresentados a seguir. Altitude (mil metros) Rio Xingu Rio Tocantins Rio Araguaia Rio São Francisco SA. DO ESPINHAÇO Rio Doce Oceano Atlântico 3 2 1 0 (Ferreira, Graça M. L. Atlas geográfico, espaço mundial. São Paulo: Moderna, 2003, p. 10, Adaptado.) 1 2 3 4 5 0 880 km O perfil topográfico apresentado corresponde, no mapa, ao trajeto indicado pelo número: a) 1. b) 2. c) 3. d) 4. e) 5. 7. (Unifesp) O mapa aponta três grandes uni- dades do relevo brasileiro. A B Trópico de Capricórnio 50º 0 440 km (Ross, 1990.) Assinale a alternativa que as identifica cor- retamente no perfil AB e o processo que pre- dominou na sua formação. a) Planaltos, sedimentação; Depressões, dobra- mentos; Planícies, erosão. b) Planícies, dobramentos; Planaltos, sedimen- tação; Depressões, sedimentação. c) Depressões, erosão; Planícies, erosão; Pla- naltos, dobramentos. d) Planícies, sedimentação; Planaltos, erosão; Depressões, erosão. e) Planaltos, erosão; Depressões, sedimenta- ção; Planícies, sedimentação.8. Transitando por estradas de São Paulo ou de outros estados brasileiros, é comum observar- -se o fenômeno apresentado na ilustração. Esse fenômeno recebe a denominação de: a) voçoroca, que é formada a partir de erosão intensa, provocada pelo desmatamento e uso inadequado do solo. b) voçoroca, que ocorre em áreas onde a agri- cultura é praticada sem o uso de máquinas que revolvam o solo em profundidade. c) orogênia, formada pela ação dos lençóis fre- áticos nas rochas do subsolo, que são lenta- mente dissolvidas. d) sulco laterítico, que ocorre em áreas de vár- zeas fluviais, facilmente alagadas durante as cheias dos rios. e) sulco lixiviado, que é formado pelo proces- so de intemperismo físico em áreas de clima tropical com estações bem definidas. 9. (Unesp) Observe o mapa. Altitude em metros 800 e mais 200 100 0 Fonte: www.vestiprovas.com.br 103 Juntando-se as três legendas que represen- tam as mais baixas altitudes do relevo brasi- leiro, é possível afirmar que a maioria dessas terras apresenta: a) altitudes sempre superiores a 800 metros. b) altitudes inferiores a 800 metros. c) planaltos com altitudes maiores que 800 me- tros. d) planícies com altitudes em torno de 800 me- tros. e) altitudes médias superiores a 800 metros. 10. Considere os mapas a seguir: I II Ross, J., 1996. Nos mapas I e II estão representadas as se- guintes unidades do relevo: a) I - Planaltos e chapadas da Bacia do Paraná. II - Planaltos da Amazônia Oriental. b) I - Planalto Sul Rio-grandense. II - Depressão da Amazônia Ocidental. c) I - Planaltos e Serras do Atlântico E-SE II - Depressão Marginal Sul-Amazônica. d) I - Planaltos e chapadas da Bacia do Paraná. II - Depressão da Amazônia Ocidental. e) I - Planalto Sul Rio-grandense. II - Planaltos da Amazônia Oriental. e.o. teste ii 1. Observe o quadro a seguir: Localização/Co- tas de altitudes Amplitude Térmica Áreas próximas do nível do mar Mínima anual de 20º C e máxima de 30 °C Entre 600 m e 1.000 m Média anual inferior a 10 ºC Acima de 1.100 m Mínimo noturno: 6 ºC Diurna: inferior a 20° C em qualquer estação Relacionando os dados apresentados no qua- dro aos conhecimentos sobre relevo e clima, é possível identificar estas características gerais no seguinte Estado brasileiro: a) Roraima - as maiores altitudes do relevo bra- sileiro, devido ao embasamento cristalino que caracteriza os Planaltos Residuais Nor- te-Amazônicos, tornam o clima equatorial mais ameno. b) Minas Gerais - o relevo movimentado con- trasta os climas temperado frio, nos Planal- tos e Serras do Atlântico Leste-Sudeste, e semiárido nas terras baixas da Depressão do São Francisco. c) Acre - a proximidade da Cordilheira dos An- des na fronteira do Brasil com a Bolívia ame- niza o clima no oeste do Estado, embora o clima equatorial da Floresta Amazônica seja predominante no conjunto. d) Santa Catarina, cujas diferenças climáticas extremas entre a Planície Litorânea e os Pla- naltos da Bacia do Paraná são importantes atrativos turísticos em cidades como Blume- nau e Florianópolis. e) Mato Grosso, cuja excepcionalidade climá- tica é o resultado de relevos diferenciados, como os planaltos escarpados na porção oci- dental, as planícies e depressões no noro- este e o complexo do Pantanal no extremo oeste. 2. Adap. da classificação de J. Ross, 1996. As áreas assinaladas no mapa por X-Y-Z cor- respondem, respectivamente, às seguintes unidades do relevo brasileiro: a) Planaltos Residuais Norte-Amazônicos / Pla- naltos e Chapadas da Bacia do Parnaíba / Planaltos e Chapadas da Bacia do Paraná. b) Depressões Marginais Amazônicas / Depres- são Sertaneja e do São Francisco / Depressão Periférica Sul-Rio-Grandense. c) Planaltos Residuais Norte-Amazônicos / De- pressão Sertaneja e do São Francisco / Cha- padas da Bacia do Paraná. d) Depressões Marginais Amazônicas / Planal- tos e Chapadas da Bacia do Parnaíba / Cha- padas da Bacia do Paraná. e) Planaltos Residuais Norte-Amazônicos / Pla- nalto da Borborema / Depressão Periférica Sul-Rio-Grandense. 3. (Fuvest) I - Domínios Morfoclimáticos II - Unidades do Relevo Brasileiro 900 km 900 km 1 2 3 4 5 6 7 Adap. AB’SABER, 1969 8 9 10 11 Adap. Ross, 1995 104 1. Amazônico 2. Mares de Morros 3. Chapadões e Cerrados 4. Depressões semi-áridas 5. Planaltos de Araucárias 6. Coxilhas e Pradarias 7. Faixas de Transição 8. DEPRESSÕES 9. PLANÍCIES PLANALTOS EM: 10. Bacias Sedimentares 11. Estruturas cristalinas e dobraduras antigas As formas da superfície terrestre e sua di- nâmica podem ser compreendidas se consi- derarmos os inúmeros fatores exógenos (es- culturais) e fatores endógenos (estruturais) que as definem. A partir disso, é possível entender por que a classificação do relevo ou modelado brasileiro pode ser realizada segundo metodologias diversas. Os mapas acima demonstram tal fato. A esse respeito, é correto afirmar que o mapa: a) I prioriza dados geológicos. b) II leva em consideração, com o mesmo peso, dados geológicos e climáticos. c) I e II priorizam dados climáticos. d) I leva em consideração, com o mesmo peso, dados geológicos e altimétricos. e) II prioriza geologia e altimetria. 4. (Fuvest)É muito comum que se faça referên- cia a uma grande porção de terras generi- camente chamada de “planalto brasileiro”. Analisando-a, constata-se que esta denomi- nação é: a) correta, pois apesar das diferentes estrutu- ras geológicas, a unidade desse planalto está na homogeneidade das formas de relevo en- contradas. b) discutível, pois a identidade desse planalto reside no predomínio das baixas altitudes e não nas semelhanças geológicas. c) cientificamente correta, pois sua unidade está relacionada aos processos de formação semelhantes, destacando-se a acentuada ati- vidade tectônica recente. d) correta, pois sua localização em área de cli- ma tropical tornou semelhantes os processos erosivos responsáveis pelas formas de relevo encontradas. e) discutível, pois neste conjunto encontram- -se tanto estruturas geológicas como formas de relevo muito distintas. 5. (Fuvest)Este perfil a seguir representa as formas de relevo e a cobertura vegetal primi- tiva que seriam vistas num trajeto, em linha reta, entre as cidades brasileiras A e B. Elas são, respectivamente: Vegetação do Pantanal Cerrado Campos Mata Tropical Araucária Campos m 1000 800 600 400 200 0 114 km B A Fonte: projetomedicina.com.br a) Florianópolis o Cuiabá. b) Campos do Jordão a Cuiabá. c) Curitiba a Campo Grande. d) Campos do Jordão e Corumbá. e) Curitiba e Corumbá. 6. (Fuvest)Da ação de solapamento realizada pelas ondas do mar na costa brasileira re- sulta uma forma de relevo escarpado, que se apresenta, geralmente, mais vertical nas formações sedimentares que nas cristalinas. São: a) os tômbolos. b) os “pães-de-açúcar”. c) as falésias. d) os canyons. e) os fjords. 7. (Fuvest)No Brasil, as formas de relevo re- presentadas nos blocos-diagrama a seguir incluem os tipos “mar de morros” e “cues- tas”. Eles correspondem, respectivamente, aos números: 1 2 3 4 Fonte: professor.brio.br/geografia a) 1 e 2. b) 1 e 3. c) 3 e 4. d) 2 e 4. e) 4 e 1. 105 8. (Unesp)A figura adiante representa um per- fil esquemático do Planalto Nordestino Bra- sileiro. W E 3 2 1 Serra de Ibiapaba Chapada do Araripe Planalto da Borborema Litoral Rochas cristalinas Rochas sedimentares Fonte: Christofoletti A., Geografia para o mundo atual - 2º grau, C.E.N. Assinale a alternativa que expressa as carac- terísticas e o nome da unidade geográfica indicada como número 3. a) Superfícies pouco elevadas, clima semiári- do, vegetação de caatinga, cultivo do cacau e cana-de-açúcar em grandes propriedades, denominada Agreste. b) Planície litorânea, presença de mangues, cli- ma tropical úmido, resquícios de mata tro- pical, cultivo de cana-de-açúcar e cacau em grandes propriedades, denominada Zona da Mata. c) Área de transição, relevo de chapadas rela- tivamente elevadas, presença de inúmeros rios, cultivo de produtos alimentares e cria- ção de gado leiteiro em pequenas proprieda- des, denominada Agreste. d) Superfícies elevadas, densa hidrografia, cli- ma tropical, resquícios de mata tropical, in- tensa atividade agrícola, denominada Sertão. e) Área deprimida, vastas planuras, clima se- miárido, presença de “brejos”, vegetação de caatinga, criação de gado em grandes pro- priedades, denominada Sertão. 9. (Fuvest-gv) No corte topográfico esquemá- tico a seguir, as seções de números 3 e 4 correspondem respectivamente às seguintes unidades geomorfológicas do relevo paulista: WNW ESE 5 4 3 2 1 Fonte: professor.bio.br/geografia a) Depressão periférica e cuestas arenito-basál- ticas. b) Mar de morros e Serra Geral. c) Planalto arenito-basáltico e depressão per- miana. d) Primeiro planalto e segundo planalto. e) Planalto Atlântico e planalto arenito-basál- tico. 10. (Unesp)Examine o mapa a seguir. I II III V IV Quadro Morfoclimático do Brasil Fonte: Aziz Ab’Saber, 1972 Assinale a alternativa que indica a área que corresponde à zona dos planaltos tropicais. a) I b) II c) III d) IV e) V e.o. teste iii 1. (Fuvest) No perfil esquemático a seguir, as grandes unidades de relevo representadas pelas letras A, B e C são respectivamente: 1000 m A B C Caruaru Oceano Atlântico lesteoeste 500 m rochas sedimentares páleo-mesozóicas rochas cristalinas sedimentos cenozóicos oceano Fonte: professor.bio.br/geografia a) Planalto Central, Depressão Periférica, Pla- nalto Atlântico. b) Planalto da Bacia do Parnaíba, Depressão Sertaneja, Planalto da Borborema. c) Planalto Ocidental, Depressão Periférica, Pri- meiro Planalto. d) Primeiro Planalto, Segundo Planalto, Tercei- ro Planalto. e) Chapadão Central, Depressão do São Francis- co, Serra do Espinhaço. 2. (Unesp) Se você fizer uma viagem de Santos até São José do Rio Preto, passará, respecti- vamente, pelas seguintes unidades geomor- fológicas: a) Baixada Litorânea, Planalto Atlântico, De- pressão Periférica e Planalto Ocidental. b) Falésia, Planalto Brasileiro, Depressão Paleo- zoica e Cuestas. c) Baixada Litorânea, Planalto Ocidental, Pla- nalto Atlântico e Depressão Paleozoica. d) Baixada de Cubatão, Planalto Cristalino, Pla- nalto Meridional e Depressão do Rio Paraná. e) Baixada Litorânea, Planalto Meridional, De- pressão Periférica e Planalto Ocidental Paulista. 106 3. “A classificação do relevo brasileiro em grandes unidades, ou compartimentos, é uma síntese dos processos de construção e modelagem da superfície e das formas resultantes” TERRA; GUIMARÃES; ARAÚJO, 2008, p. 238. Associe as unidades do relevo da coluna 1 com as características equivalentes na coluna 2. (1) Planaltos (2) Depressões (3) Planícies ( ) Áreas rebaixadas, gera- das pelo desgaste erosi- vo das massas rochosas menos resistentes. Em geral, constituem-se por bacias sedimentares. ( ) Bacias de sedimentação recente, formadas por deposições do Período Quaternário, cujas su- perfícies apresentam-se aplainadas e ainda em processo de consolida- ção. ( )De modo geral, caracteri- zam-se como relevos re- siduais e suas estruturas rochosas oferecem maior resistência à erosão. A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: a) 1 – 2 – 3. b) 2 – 1 – 3. c) 3 – 2 – 1. d) 2 – 3 – 1. e) 3 – 1 – 2. 4. O corte topográfico e geológico, mostrado a seguir, representa, grosso modo, um perfil feito por um pesquisador que se deslocou da área costeira para o interior do Brasil, objetivando realizar um estudo integrado do meio ambiente de uma região do país. Nesse corte, estão indicados pelos números 1 e 2 importantes compartimentos regionais de relevo. Rio Parnaíba 2 1 Tabuleiros litorâneos Oceano Terrenos cristalinos Terrenos sedimentares 3000 2000 1000 0 Considerando-se as informações contidas no gráfico, é CORRETO afirmar que esses compartimentos são, respectivamente: a) Chapada do Apodi e Planalto da Borborema. b) Chapada do Araripe e Depressão Sertaneja. c) Planalto de Diamantina e Bacia do Parnaíba. d) Planalto da Borborema e Depressão Sertaneja. e) Chapada do Araripe e Planalto do Meio Norte. 107 e.o. dissertAtivo 1. I. II. Fonte: www.geografiaparatodos.com.br Os domínios morfoclimáticos constituem grandes combinações na associação entre os diversos elementos da paisagem, mas com uma maior influência no relevo e no clima, gerando uma certa uniformidade em escala regional. Com base nas ilustrações e nos conhecimentos sobre os domínios morfoclimáticos brasileiros, identifique • o domínio que está localizado latitudinalmente, abaixo do trópico de Capricórnio, destacando dois dos seus aspectos geográficos: - domínio: - aspectos geográficos: • o domínio morfoclimático, marcado pelas maiores amplitudes térmicas anuais, que recobre ex- tensas superfícies planálticas, citando duas de suas características: - domínio: - características: • os dois tipos de formações vegetais que originalmente fazem a transição do domínio I para o domínio II. 2. O relevo do Planalto Central brasileiro, por sua constituição geológica e geomorfológica, possibilita o aproveitamento dos seus recursos naturais e facilita o desenvolvimento de atividades econômi- cas. Com base nesta afirmação, a) apresente duas características das formas desse relevo; b) explique um tipo de atividade econômica favorecida por essa forma de relevo. 3. (Unesp) Observe o segmento de reta XXX AB traçado no mapa. A sua extensão é de 1.425 km e percorre o rumo Noroeste-Sudeste. Oceano Atlântico 0 250km (Graça Maria Lemos Ferreira, Atlas Geográfico. São Paulo, Moderna, 1998. Adaptado.) B A Mencione as principais bacias hidrográficas e as principais unidades de relevo atravessa- das pelo segmento XXX 4. (Fuvest) PERFIL ESQUEMATICO DO RELEVO DO ESTADO DE SÃO PAULO A B 3 São Paulo 4 5 Santos 2 Ribeirão Preto 1 ONO ESE Fonte: Ab’Saber’, 1954. Adaptado. Ri o Pa ra ná Considere a figura e seus conhecimentos para responder. a) Anote os números de 1 a 5 correspondentes a cada unidade de relevo ou de estrutura geológica. b) Compare as áreas A e B quanto às atividades agrárias espacialmente predominantes, rela- cionando essas atividades a características do relevo. 108 5. (Unicamp) Observe a figura a seguir e res- ponda às questões: Seção Geológica Esquemática do Estado de São Paulo Oeste Leste Planalto Ocidental Cuesta Depressão Periférica Planalto Atlântico Serra do Mar Ri o Pa ra náMetros 1000 500 0 0 50 100 150km Pré-Cambio Carbonífero Permino Triássico Cretáceo Adaptado de Aziz Ab’Saber, 1956. “A terra Paulista”, Boletim Paulista de Geografia, São Paulo, 23: 5-38. a) No perfil geológico-geomorfológico do Esta- do de São Paulo aparece representado o rele- vo de cuestas. O que é um relevo de cuestas e quais as suas principais características? b) O Rio Tietê tem suas nascentes no município de Salesópolis, no reverso da Serra do Mar, a aproximadamente 50 km do litoral, e tem a sua foz no rio Paraná. Quando adentra a Ba- cia Sedimentar do Paraná, o Rio Tietêcorre concordante ao mergulho das rochas desta bacia. Por que, apesar de nascer próximo ao litoral, o Rio Tietê é afluente do Rio Paraná? Como são denominados os rios que têm o mesmo comportamento que o Rio Tietê no trecho da Bacia Sedimentar do Paraná? TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO A retirada da Laguna Formação de um corpo de exército incumbi- do de atuar, pelo norte, no alto Paraguai – Distâncias e dificuldades de organização. Para dar uma ideia aproximada dos lugares onde ocorreram, em 1867, os acontecimen- tos relatados a seguir, é necessário lembrar que a República do Paraguai, o Estado mais central da América do Sul, após invadir e atacar simultaneamente o Império do Brasil e a República Argentina em fins de 1864, encontrava-se, decorridos dois anos, reduzida a defender seu território, invadido ao sul pelas forças conjuntas das duas potências aliadas, às quais se unira um pequeno contingente de tropas fornecido pela República do Uruguai. Do lado sul, o caudaloso Paraguai, um dos afluentes do rio da Prata, oferecia um acesso mais fácil até a 1Fortaleza de Humaitá, que se transformara, graças à sua posição espe- cial, na chave de todo o país, adquirindo, nesta guerra encarniçada, a importância de 2Sebastopol na campanha da Crimeia. Do lado da província brasileira de Mato Grosso, ao norte, as operações eram infinitamente mais difíceis, não apenas porque milhares de quilômetros a separam do litoral do Atlânti- co, onde se concentram praticamente todos os recursos do Império do Brasil, como tam- bém por causa das cheias do rio Paraguai, cuja porção setentrional, ao atravessar regi- ões planas e baixas, transborda anualmente e inunda grandes extensões de terra. O plano de ataque mais natural, portanto, consistia em subir o rio Paraguai, a partir da Repúbli- ca Argentina, até o centro da República do Paraguai, e em descê-lo, pelo lado brasileiro, a partir da capital de Mato Grosso, Cuiabá, que os paraguaios não haviam ocupado. Esta combinação de dois esforços simultâneos teria sem dúvida impedido a guerra de se arrastar por cinco anos consecutivos, mas sua realização era extraordinariamente di- fícil, em razão das enormes distâncias que teriam de ser percorridas: para se ter uma ideia, basta relancear os olhos para o mapa da América do Sul e para o interior em gran- de parte desabitado do Império do Brasil. No momento em que começa esta narrativa, a atenção geral das potências aliadas estava, pois, voltada quase exclusivamente para o sul, onde se realizavam operações de guerra em torno de Curupaiti e Humaitá. O plano primitivo fora praticamente abandonado, ou, pelo menos, outra função não teria se- não submeter às mais terríveis provações um pequeno corpo de exército quase perdido nos vastos espaços desertos do Brasil. Em 1865, no início da guerra que o presidente do Pa- raguai, 3López, sem outro motivo que a am- bição pessoal, suscitara na América do Sul, mal amparado no vão pretexto de manter o equilíbrio internacional, o Brasil, obrigado a defender sua honra e seus direitos, dispôs- -se resolutamente à luta. A fim de enfren- tar o inimigo nos pontos onde fosse possí- vel fazê-lo, ocorreu naturalmente a todos o projeto de invadir o Paraguai pelo norte; projetou-se uma expedição deste lado. Infe- lizmente, este projeto de ação diversionária não foi realizado nas proporções que sua im- portância requeria, com o agravante de que os contingentes acessórios com os quais se contara para aumentar o corpo de exérci- to expedicionário, durante a longa marcha através das províncias de São Paulo e de Minas Gerais, falharam em grande parte ou desapareceram devido a uma epidemia cruel de varíola, bem como às deserções que ela motivou. O avanço foi lento: causas variadas, e sobretudo a dificuldade de fornecimento de víveres, provocaram a demora. Só em ju- lho pôde a força expedicionária organizar-se em 4Uberaba, no alto Paraná (a partida do Rio de Janeiro ocorrera em abril); contava então com um efetivo de cerca de 3 mil ho- mens, graças ao reforço de alguns batalhões que o coronel José Antônio da Fonseca Gal- vão havia trazido de 5Ouro Preto. Não sendo 109 esta força suficiente para tomar a ofensiva, o comandante-em-chefe, Manoel Pedro Drago, conduziu-a para a capital de Mato Grosso, onde esperava aumentá-la ainda mais. Com esse intuito, o corpo expedicionário avançou para o noroeste e atingiu as mar- gens do rio Paranaíba, quando lhe chegaram então despachos ministeriais com a ordem expressa de marchar diretamente para o distrito de Miranda, ocupado pelo inimigo. No ponto onde estávamos, esta ordem tinha como consequência necessária obrigar-nos a descer de volta até o rio 6Coxim e em segui- da contornar a serra de Maracaju pela base ocidental, invadida anualmente pelas águas do caudaloso Paraguai. A expedição estava condenada a atravessar uma vasta região in- fectada pelas febres palustres. A força chegou ao 7Coxim no dia 20 de de- zembro, sob o comando do coronel Galvão, recém-nomeado comandante-em-chefe e promovido, pouco depois, ao posto de bri- gadeiro. Destituído de qualquer valor es- tratégico, o acampamento de Coxim encon- trava-se pelo menos a uma altitude que lhe garantia a salubridade. Contudo, quando a enchente tomou os arredores e o isolou, a tropa sofreu ali cruéis privações, inclusive fome. Após longas hesitações, foi necessá- rio, enfim, aventurarmo-nos pelos pântanos pestilentos situados ao pé da serra; a coluna ficou exposta inicialmente às febres, e uma das primeiras vítimas foi seu infeliz chefe, que expirou às margens do Rio Negro; 8em seguida, arrastou-se depois penosamente até o povoado de Miranda. Ali, uma epidemia climatérica de um novo tipo, a 9paralisia reflexa, continuou a dizi- mar a tropa. Quase dois anos haviam decor- rido desde nossa partida do Rio de Janeiro. Descrevêramos lentamente um imenso cir- cuito de 2112 quilômetros; um terço de nos- sos homens perecera. (VISCONDE DE TAUNAY (Alfredo d’Escragnolle- Taunay). A retirada da Laguna – Episódio da guerra do Paraguai. Tradução de Sergio Medeiros. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. p. 35 a 41.) NOTAS DA EDIÇÃO ADOTADA (1) Humaitá e Curupaiti, situadas às mar- gens do rio Paraguai, constituíam o mais forte obstáculo fluvial no caminho da esqua- dra brasileira para atingir Assunção a partir de Corrientes, na Argentina. Este complexo de empecilhos fluviais foi vencido em 15 de fevereiro de 1868. (Nota do tradutor) (2) Sebastopol, um importante porto mi- litar da Ucrânia, resistiu por onze meses, em 1854, ao ataque da França, Inglaterra e Turquia, durante a guerra da Criméia, que opôs os três países citados à Rússia czarista. (Nota do tradutor) (3) Francisco Solano López (18261870) era filho do ditador Carlos Antonio López, que governou o Paraguai entre 1840 e 1862. Foi educado no Paraguai e na Europa, e, ao re- tornar a seu país, passou a colaborar com o pai, tornando-se logo ministro da Guerra e da Marinha. Subiu ao poder em 1862. Em 1870, foi morto por tropas brasileiras. (Nota do tradutor) (4) A 594 quilômetros do litoral do Atlânti- co. (Nota original do autor) (5) Capital da província de Minas Gerais. (Nota original do autor) (6) Coxim é também o nome dado ao pon- to de confluência dos rios Taquari e Coxim. (Nota do tradutor) (7) 18° 33’ 58” lat. S. – 32° 37’ 18” long. da ilha de Fer (astrônomos portugueses). (Nota original do autor) (8) A 396 quilômetros ao sul do Coxim. Essas duas localidades pertencem à província de Mato Grosso e estão a cerca de 1522 quilô- metros do litoral. (Nota original do autor) (9) Este mal, de natureza palustre, é conhe- cido no Brasil sob o nome de beribéri. (Nota original do autor) 6. (Unesp)Taunay cita no décimo primeiro parágrafo: No ponto onde estávamos,esta ordem tinha como consequência necessária obrigar-nos a descer de volta até o rio Coxim e em seguida contornar a serra de Maraca- ju pela base ocidental, invadida anualmente pelas águas do caudaloso Paraguai. A expedi- ção estava condenada a atravessar uma vas- ta região infectada pelas febres palustres. Identifique na paisagem atual do Brasil os elementos citados pelo autor que estão gri- fados, explicando seus significados. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO OS SERTÕES A Serra do Mar tem um notável perfil em nossa história. A prumo sobre o Atlântico desdobra-se como a cortina de baluarte des- medido. De encontro às suas escarpas emba- tia, fragílima, a ânsia guerreira dos Caven- dish e dos Fenton. No alto, volvendo o olhar em cheio para os chapadões, o forasteiro sentia-se em segurança. Estava sobre ameias intransponíveis que o punham do mesmo passo a cavaleiro do invasor e da metrópo- le. Transposta a montanha - arqueada como a precinta de pedra de um continente - era um isolador étnico e um isolador histórico. Anulava o apego irreprimível ao litoral, que se exercia ao norte; reduzião a estreita fai- xa de mangues e restingas, ante a qual se 110 amorteciam todas as cobiças, e alteava, so- branceira às frotas, intangível no recesso das matas, a atração misteriosa das minas... Ainda mais - o seu relevo especial torna-a um condensador de primeira ordem, no pre- cipitar a evaporação oceânica. Os rios que se derivam pelas suas verten- tes nascem de algum modo no mar. Rolam as águas num sentido oposto à costa. Entra- nham-se no interior, correndo em cheio para os sertões. Dão ao forasteiro a sugestão irre- sistível das entradas. A terra atrai o homem; chama-o para o seio fecundo; encanta-o pelo aspecto formosíssi- mo; arrebata-o, afinal, irresistivelmente, na correnteza dos rios. Daí o traçado eloquentíssimo do Tietê, dire- triz preponderante nesse domínio do solo. Enquanto no S. Francisco, no Parnaíba, no Amazonas, e em todos os cursos d’água da borda oriental, o acesso para o interior se- guia ao arrepio das correntes, ou embatia nas cachoeiras que tombam dos socalcos dos planaltos, ele levava os sertanistas, sem uma remada, para o rio Grande e daí ao Paraná e ao Paranaíba. Era a penetração em Minas, em Goiás, em Santa Catarina, no Rio Gran- de do Sul, no Mato Grosso, no Brasil inteiro. Segundo estas linhas de menor resistência, que definem os lineamentos mais claros da expansão colonial, não se opunham, como ao norte, renteando o passo às bandeiras, a es- terilidade da terra, a barreira intangível dos descampados brutos. Assim é fácil mostrar como esta distinção de ordem física esclarece as anomalias e con- trastes entre os sucessos nos dois pontos do país, sobretudo no período agudo da crise colonial, no século XVII. Enquanto o domínio holandês, centralizan- do-se em Pernambuco, reagia por toda a costa oriental, da Bahia ao Maranhão, e se travavam recontros memoráveis em que, so- lidárias, enterreiravam o inimigo comum as nossas três raças formadoras, o sulista, ab- solutamente alheio àquela agitação, revela- va, na rebeldia aos decretos da metrópole, completo divórcio com aqueles lutadores. Era quase um inimigo tão perigoso quanto o batavo. Um povo estranho de mestiços le- vantadiços, expandindo outras tendências, norteado por outros destinos, pisando, reso- luto, em demanda de outros rumos, bulas e alvarás entibiadores. Volvia-se em luta aber- ta com a corte portuguesa, numa reação te- naz contra os jesuítas. Estes, olvidando o ho- landês e dirigindo-se, com Ruiz de Montoya a Madri e Díaz Taño a Roma, apontavam-no como inimigo mais sério. De feito, enquanto em Pernambuco as tropas de van Schkoppe preparavam o governo de Nassau, em São Paulo se arquitetava o drama sombrio de Guaíra. E quando a restauração em Portugal veio alentar em toda a linha a repulsa ao invasor, congregando de novo os combatentes exaustos, os sulistas frisaram ainda mais esta separação de destinos, apro- veitando-se do mesmo fato para estadearem a autonomia franca, no reinado de um minu- to de Amador Bueno. Não temos contraste maior na nossa histó- ria. Está nele a sua feição verdadeiramente nacional. Fora disto mal a vislumbramos nas cortes espetaculosas dos governadores, na Bahia, onde imperava a Companhia de Jesus com o privilégio da conquista das almas, eu- femismo casuístico disfarçando o monopólio do braço indígena. (EUCLIDES DA CUNHA. Os sertões. Edição crítica de Walnice Nogueira Galvão. 2 ed. São Paulo: Editora Ática, 2001, p. 81-82.) 7. (Unesp) No texto, Euclides da Cunha refere se à Serra do Mar. Observe o mapa. UNIDADES DO RELEVO E ESTRUTURA GEOLÓGICA DO ESTADO DE SÃO PAULO 4 3 2 1 1 2 3 4 baixadas litorâneas e bacias sedimentares planalto cristalino ou oriental depressão periférica planalto arenito-basáltico ou ocidental Fonte: www.geografiaparatodos.com.br Identifique a unidade geomorfológica onde se insere a Serra do Mar, justificando as pa- lavras do autor - “era um isolador étnico e um isolador histórico”. 8. (Unicamp)O mapa a seguir, proposto por Fernando Flávio Marques de Almeida, apre- senta as diferentes unidades geomorfológi- cas do Estado de São Paulo. Unidades Geomorfológicas do Estado de São Paulo Zona das Cuestas Planalto Atlântico Província Costeira Oceano Atlântico X’ X’ A B X X R io Pa ra ná Perfil Topográfico Modificado de IPT, Mapa Geomorfológico do Estado de São Paulo. São Paulo, IPT. 1981. 111 A partir da observação do mapa: a) Identifique as unidades geomorfológicas as sinaladas pelas letras A e B. b) Caracterize as unidades geomorfológicas da Província Costeira e das “cuestas”. c) Indique o tipo de rocha predominante no Planalto Atlântico. 9. Observe a figura a seguir e faça o que se pede: Unidades do Relevo Brasileiro Fonte: Adaptado de ROSS, J.L.S (org). “Geografia do Brasil”. São Paulo: Edusp, 1995, p. 53 23 13 1 12 14 6 4 2 24 20 19 10 25 17 16 15 8 26 3 7 219 18 22 11 27 Fonte: Adaptado de ROSS, J.L.S (org). “Geografia do Brasil”. São Paulo: Edusp, 1995, p. 53 a) Quais as unidades de relevo representadas na figura pelos números 3 e 26? b) Cite duas características físicas de cada uma delas. 10. (Unicamp)“O entendimento do relevo é fun- damental para solucionar os problemas rela- tivos à expansão dos sítios urbanos.” (Jurandyr L. S. Ross, “Geomorfologia, ambiente e planejamento”, São Paulo, Contexto, 1990, p. 18.) Fonte: www.comvest.unicamp.br Considerando a afirmação e a figura ante- rior, responda: a) Quais são as três diferentes formas de relevo apresentadas na figura? b) Que unidades de relevo não são propícias à urbanização? Justifique sua resposta. c) Por que muitos assentamentos humanos fo- ram historicamente desenvolvidos nas vár- zeas dos rios? gABArito E.O. Teste I 1. A 2. A 3. E 4. C 5. B 6. D 7. D 8. A 9. B 10. D E.O. Teste II 1. A 2. A 3. E 4. E 5. E 6. C 7. C 8. E 9. A 10. E E.O. Teste III 1. B 2. A 3. D 4. D E.O. Dissertativo 1. No Brasil, o domínio morfoclimático I encon- tra-se latitudinalmente “abaixo” do Trópico de Capricórnio, visto que apresenta menor latitude. Trata-se do Domínio da Caatinga, marcado por depressões intercaladas por planaltos e inselbergs (morros residuais) submetidos ao clima semiárido com vege- tação de Caatinga. O semiárido apresenta média densidade demográfica e graves pro- blemas socioeconômicos, embora com zonas pontuais de modernização agrícola. O Domínio das Araucárias (II) é caracteri- zado por planaltos com clima subtropical (maior amplitude térmica anual entre o inverno e o verão) e vegetaçãode Mata de Araucária. Grande parte da vegetação foi de- vastada para dar lugar a agropecuária e zo- nas urbanas e industriais. Entre os domínios I e II, existem outros ti- pos de vegetação como o Cerrado e a Mata Atlântica. 2. a) O relevo regional é caracterizado pela presença de formações residuais como as chapadas com pequena variação altimé- trica e alinhamentos serranos. b) A forma de relevo residual: - Não oferece muitos obstáculos às ati- vidades agropecuárias, principalmente quanto à mecanização - Atividades de lazer, turismo e ecoturis- mo em terrenos montanhosos e serranos. 3. As principais bacias hidrográficas atraves- sadas pelo segmento AB são: Paraguai e Pa- raná. O perfil atravessa as unidades de re- levo: Planície do Pantanal Mato-Grossense, Planaltos e Chapadas da Bacia do Paraná (Planalto Ocidental Paulista), Depressão da 112 Borda Leste da Bacia do Paraná (Depressão Periférica), Planaltos e Serras do Atlântico Leste-Sudeste (Planalto Oriental). 4. a) No perfil topográfico do Estado de São Paulo, temos: 1 – Planalto Ocidental 2 – Depressão Periférica 3 – Bacia Sedimentar de São Paulo 4 – Escarpa da Serra do Mar 5 – Planície Flúvio-Marinha b) Na região identificada com A, o Planalto Ocidental Paulista, a suave declividade e topografia plana dos planaltos de areni- tobasalto facilitaram a implantação de culturas de grande escala, que ocupam vastas extensões que variam, desde cul- tivos perenes como a laranja, o café, até culturas temporárias como a cana. Na área B, o Planalto Oriental Paulista, cons- tituído de terrenos cristalinos movimen- tados, com consideráveis inclinações, li- mita a lavoura à proximidade de vales de rios, ou a poucas áreas planas, induzindo principalmente aos cultivos temporários como o plantio de hortifrutigranjeiros e criação do gado leiteiro. 5. a) Trata-se de uma forma de relevo resul- tante de sucessão alternada de camadas rochosas que se inclinam numa determi- nada direção, formando uma linha fron- tal (front) com declividade acentuada e reverso com declive suave. b) O rio Tietê nasce em reverso de relevo so- erguido na Serra do Mar com inclinação para o interior do território, com suas águas escoando em direção à calha do rio Paraná, seu nível de base referencial. São chamados rios consequentes pois atra- vessam as cuestas na direção do mergu- lho das camadas. 6. A “base ocidental” em relação à Cuesta de Maracaju refere-se à Planície e Pantanal Mato Grossense periodicamente inundada pelas cheias na bacia hidrográfica do rio Pa- raguai. A região apresenta clima tropical tí- pico e ocorrência de doenças tropicais como a malária. 7. Trata-se do Planalto Oriental ou Atlântico, caracterizado por rochas cristalinas. A frase “era um isolador étnico e um isolador histó- rico”, presente no texto, refere-se às dificul- dades de transposição da Serra do Mar, uma escarpa de declividade acentuada, variando de 800 a 1000 m de altitude, que isolava ét- nica e historicamente o planalto da baixada santista. 8. a) A) Planalto Ocidental Paulista (Planalto Arenito-Basáltico) B) Depressão Periféri- ca Paulista. b) A Província Costeira caracteriza-se pela sedimentação fluvio-marinha recente, do Período Quaternário. A Zona das “Cues- tas” é formada por derrames basálticos do Mesozoico sobre rochas sedimentares areníticas do Paleozoico, que resultaram na formação de encostas abruptas, deno- minadas “cuestas”, e a presença de mor- ros testemunhos. c) Predominam as rochas cristalinas, arque- oproterozoicas, destacando-se granitos e “gnaisses”. 9. a) Unidade 3: Planaltos e Chapadas da Bacia Sedimentar do Paraná. Unidade 26: Pla- nície do Pantanal (Mato Grossense) b) Unidade 3: Planaltos sedimentares, ro- chas vulcânicas. Unidade 26: Planície fluvial, cheias de- verão 10. a) São elas: - planície. - planaltos. - montanhas. b) Os planaltos: topo relativamente plano, difícil inundação, poucas possibilidades de deslizamentos. c) Áreas de maior risco, desvalorizadas do ponto de vista dos imóveis. Aulas 9 e 10: Geologia 114 Aulas 11 e 12: Geologia do Brasil e exploração mineral 132 Aulas 13 e 14: Geomorfologia 152 Aulas 15 e 16: Solos 176 GEOLOGIA E GEOMORFOLOGIA © m ar ta n/ Sh ut te rs to ck Geologia Aulas 9 e 10 115 © m ar ta n/ Sh ut te rs to ck Aspectos geológicos: origem e evolução dA terrA As estruturAs internAs dA terrA A geologia é o estudo científico da Terra e de outros planetas. Suas principais atividades são: cartografar e classificar as rochas expostas na superfície e no interior da Terra, além de explicar sua origem e destruição. Aspectos gerais da origem e evolução da Terra Considerando que tenha havido uma única explosão, a Ter- ra e os demais astros do Sistema Solar teriam se originado de uma única massa homogênea que se fragmentou em bilhões e bilhões de várias partes sob efeito da explosão. Para a teoria que defende várias explosões, a massa inicial era heterogênea e expandiu-se muito ra- pidamente a partir das explosões. Para outros astrôno- mos, porém, essa massa até poderia ser uniforme, mas, graças à queda brusca da temperatura, após as explo- sões ela teria ficado repleta de fraturas que a fragmen- taram em bilhões de pedaços. Com base nessas hipóteses e reunindo dados for- necidos pelas várias pesquisas realizadas na superfície lunar, os astrônomos elaboraram a Teoria da Acreção (ou acréscimo) para explicar a formação da Terra e dos demais corpos do Sistema Solar. Esses corpos teriam se constituído a partir da agregação de várias partículas que estariam girando ao redor de um Sol primitivo. Com essa aglomeração de partículas houve uma grande elevação da temperatura, para em seguida a Ter- ra ir perdendo a energia para o espaço, processo esse que se desenvolve de fora para dentro. Isso explicaria por que nosso planeta é envolvido por uma espécie de casca sólida e contém no seu inte- rior camadas com elementos em estado de fusão. Atracção gravitica Formação de planetesimais A temperatura aumenta devido: Acreção Colisão de planetesimais Protoplaneta Diferenciação Diferenciação • impacto dos planetesimais • compressão • desintegração radioativa Ilustração da Teoria da Acreção ou Acréscimo Nossa galáxia apresenta provavelmente 15 bilhões de anos; já o planeta Terra data de aproximadamente 4,5 bilhões de anos. Desde sua discutida origem até os dias atuais, nosso planeta tem sofrido constantes meta- morfismos físicos e biológicos. 116 As eras geológicas A história geológica do planeta também é dividida em fases chamadas eras geológicas, divididas em períodos. Observações: O elemento de composição zoica significa “relativo à vida e/ou aos animais”. § Azoica = sem vida. § Proterozoico = vida oculta § Paleozoica = vida antiga primitiva § Mesozoica = vida intermediária § Cenozoica = vida recente Escala geológica Era Período Biologia Geologia Datação (em milhões de anos) Azóica - Inexistência de vida Formação da Terra 4500 a 3800 Pré-cambriana Arqueano ou Arqueozoico Primeiras manifestações de vida Surgimento da crosta: rochas cristalinas, rochas metamórficas concentração de minerais metálicos 3800 a 2500 Algonquiano ou Prote rozoico 2500 a 590 Paleozoica Cambriano Desenvolvimento de vida nos oceanos Rochas sendimentares antigas; formação de grandes jazidas de carvão. 590 a 500 Ordoviciniano Primeiros peixes 500 a 438 Siluriano Primeiras plantas terrestres 438 a 408 Devoniano Surgimento dos anfíbios 408 a 360 CarboníferoPrimeiros répteis 360 a 286 Permiano Difusão dos répteis 286 a 248 Mesozoica Triássico Desenvolvimento dos rép-teis; primeiros mamíferos Rochas sedimentares de idade intermediária; formação de lençóis de petróleo. 248 a 213 Jurássico Domínio dos dinossauros 213 a 144 Cretáceo Decadência e fim dos dinossauros. 144 a 65 Cenozoica Terciário Grandes mamíferos; desenvol- vimento dos primatas; origem dos animais modernos: macaco Australopithecus ancestral do homem Rochas sedimen- tares antigas; moderno. Formação das grandes cadeias de montanhas hoje existentes; rochas sedimentares recentes. 65 a 2 Quaternário Surgimento do homem moderno Ocorrência de gran-des glaciações 2 a hoje 117 Fonte: professordetto.blogspot.com.br Escala geológica ilustrada em forma de espiral. A estruturA dA terrA A superfície da Terra é composta por elementos diferentes: sólidos, líquidos e gasosos. Esses elementos constituem: ATMOSFERA BIOSFERA HIDROSFERA LITOSFERA Fonte: www.diadabiologia.com.br § Litosfera – camada sólida da Terra formada por minerais e rochas, também chamada de crosta terrestre. Para fins econômicos, sua utilização limita-se a poucos quilômetros de profundidade, de onde estão extraí- das algumas riquezas minerais. § Hidrosfera – camada líquida formada por oceanos, mares, rios, lagos subterrâneos e água. Os interesses do homem limitam-se a mais ou menos mil metros de profundidade. § Atmosfera – camada gasosa formada por uma mistura de gases. Desse sistema, a troposfera é a camada mais importante; nela vive o homem e é onde ocorrem quase todos os fenômenos meteorológicos. § Biosfera – é o conjunto de todos os ecossistemas da Terra, ela inclui a biota e os compartimentos terrestres com os quais a biota interage (Litosfera, Hidrosfera e atmosfera). 118 As camadas da estrutura interna da Terra A estrutura da Terra está formada por várias camadas que apresentam diferentes formações químicas (modelo 1) e físicas (modelo 2). 1) Modelo baseado na composição dos materiais do interior da Terra. (A) litosfera ou crosta terrestre 2) Modelo baseado na rigidez dos materiais do in- terior da Terra. (B) magma pastoso Observações: 1. Grau geotérmico – é o aumento de em média 1 ºC para cada 30 ou 40 metros de profundidade. 2. Grau hipsométrico – é a diminuição de 1 ºC em média para cada 180 ou 200 metros de altitude. 3. Fenômeno da isostasia – é o equilíbrio entre a litosfera e a astenosfera. O modelo atualmente aceito da estrutura interna do planeta revela três grandes camadas: a crosta ter- restre (litosfera), o manto e o núcleo (NiFe). Acredita-se que o núcleo da Terra, constituído por níquel e ferro, possua uma divisão entre núcleo externo e núcleo interno. O núcleo externo provavel- mente encontra-se no estado líquido, envolvendo o nú- cleo interno que, por estar submetido a altas pressões, encontra-se no estado sólido, exibindo temperaturas superiores a 5 000 ºC. Dessa forma, a interação entre o núcleo externo e o interno parece ser a principal causa da formação do campo geomagnético da Terra. O manto encontra-se em estado pastoso ou magmático e é responsável por 80% do volume total do planeta. As perturbações geológicas que atingem a crosta, como terremotos e vulcanismos, originam-se da pressão exercida por ele. Para facilitar o entendimento: o que vemos ser expelido pelas erupções vulcânicas, o magma, corresponde ao componente do manto – com- posto essencialmente de silicatos de magnésio. A crosta terrestre pode ser subdividida em duas camadas ou crostas: a crosta oceânica (infe- rior), que recobre toda a superfície do planeta, e a crosta continental ou superior, que ficaria sobre a oceânica. A constituição da oceânica é basáltica, com predomínio de silicatos de magnésio e ferro (SIMA). Sob os oceanos não existe a crosta superior, apenas a crosta inferior, que exibe espessuras que variam de 4 a 8 quilômetros. Na crosta continental predominam silicatos de alumínio (SIAL), cuja es- pessura varia de 30 a 70 quilômetros. É constituída de rochas – granitos, migmatitos, basaltos e rochas sedimentares –, que se assemelham às que afloram na superfície. O que diferencia as rochas de cada subcamada da litosfera é a idade delas. As dos fun- dos oceânicos raramente ultrapassam 250 milhões de anos; as da crosta terrestre podem chegar a 4,5 bilhões de anos. 119 A Terra está em constante movimento. Dinamis- mo esse, composto por duas forças opostas chamadas forças endógenas (internas), que ocorrem no inte- rior do planeta, no núcleo ou no manto, responsáveis pelas estruturas que sustentam as formas superficiais da litosfera; e pelas forças exógenas (externas), que correspondem à ação dos ventos, chuvas, geleiras e ou- tros fenômenos externos, que produzem o desgaste e a modificação (modelagem) constante do relevo. A atual disposição das massas continentais e a movimentação ocorridas na superfície terrestre são denominadas tec- tonismo, relacionam-se intrinsecamente com a dinâmi- ca interna do planeta, ou seja, dizem respeito à Teoria das placas tectônicas. A gênese dAs rochAs São agregados naturais de minerais e formam a parte essencial da crosta terrestre. Podem ter origem orgânica ou inorgânica e apresentam composição química definida. mineral + mineral + mineral = rocha quartzo + feldspato + mica = granito De acordo com sua origem, as rochas classificam-se em: a. magmáticas ou ígneas b. sedimentares c. metamórficas Observações: Grau de abundância das rochas na: Litosfera – predominância das magmáticas e metamórficas com cerca de 95%. Superfície terrestre – predominância das sedimentares com 75% e das magmáticas e metamórficas com 25% do total. Uma rocha pode se transformar em outra do mesmo tipo ou de tipo diferente (observe atentamente o esquema). Ciclo das rochas 120 cArActerizAndo os tipos de rochAs De acordo com sua origem, as rochas são classificadas em três tipos fundamentais: magmáticas ou ígneas, se- dimentares e metamórficas. Rochas magmáticas ou ígneas Ao se formar, o planeta Terra era pouco mais que uma bola de lava. Não havia a litosfera como a conhecemos hoje. O ambiente em que se formaram as rochas mag- máticas foi caracterizado por temperaturas muito ele- vadas, o que permitiu a existência de materiais rochosos em fusão (magma). Essas rochas são, como o próprio nome indica, formadas pela lenta solidificação (crista- lização) do magma pastoso. São também conhecidas como rochas ígneas (do latim ignis, fogo). A maioria dos geólogos acredita que, durante certo tempo, toda a crosta terrestre foi constituída desse tipo de rocha e que todas as restantes originam-se das rochas ígneas. Há uma diferença básica dentro das rochas íg- neas. Desde o início houve aquelas que se resfriaram rapidamente em contato com a atmosfera primitiva do globo. Ainda hoje, o magma lançado de vulcões ativos arrefecem (esfriam) rapidamente em contato com a at- mosfera. Por outro lado, houve uma parte do magma que estava no interior do planeta, um pouco abaixo da superfície, que também se solidificou, de modo muito mais lento, no entanto, do que a parcela em contato direto com a atmosfera. Bastante antigas e resistentes, são exemplos desse tipo de rocha o granito, o diabásio e o basalto. As rochas ígneas podem ser intrusivas ou plutônicas e extrusivas ou vulcânicas. Quanto mais lento for o resfriamento do mag- ma, maiores serão os cristais de rocha – os minerais. As rochas ígneas plutônicas são compostas por cristais de minerais macroscópicos, como o granito, por exemplo, cujo nome diz respeito à suatextura granular; os grãos dos minerais que compõem essa rocha são bem percep- tíveis: quartzo, mica, feldspato entre outros. O granito é o tipo mais comum de rocha intrusiva na Terra. Há rochas que resultam da solidificação rápida do material magmático (lava) quando em contato com a at- mosfera. Nos vulcões, o magma atinge a superfície da crosta e entra em contato com a temperatura ambiente, resfriando- -se rapidamente. Como a solidificação é praticamente ins- tantânea, os cristais não têm tempo para se desenvolverem, uma vez também muito pequenos, invisíveis a olho nu. Diz- -se que têm textura afanítica (sem cristais macroscópicos), cujos constituintes podem ser observados ao microscópio tão somente, ou textura vítrea, cujos minerais não podem ser individualizados nem mesmo se observados ao micros- cópio. Os basaltos são as rochas vulcânicas mais comuns. Re pr od uç ão Basalto Durante sua ascensão à superfície, o magma vai abrindo espaço por entre a litosfera – intrusões magmá- ticas – e pode estacionar junto a câmaras magmáticas próximas à superfície sem alcançá-la. Nessas câmaras, a lava esfria vagarosamente, dando origem às rochas plutônicas. Depois de muito tempo, a erosão e o intem- perismo acabam deixando expostas essas rochas que há milhões ou bilhões de anos eram subterrânea. © Ty ler B oy es /S hu tte rs to ck Granito 121 Fissura Dique ou filão de magma A lava escorre pelo respiradouro lateral Lacólito: massa de magma que empurra as camadas de rocha Sill: deposição do magma entre camadas de rocha Nuvem piroclástica: torrente de lava quente, poeira e gás Cinzas vulcânicas Lava A lava sobe pela chaminé central Câmara magmática extinta Câmara magmática Rocha intrusiva Rocha extrusiva Esquema ilustrando a formação das rochas magmáticas (intrusivas e extrusivas) Rochas sedimentares As rochas da superfície terrestre são continuamente alteradas por agentes naturais, como a água em seus vários estados, os gases atmosféricos, a ação dos se- res vivos e as variações de temperatura. Os produtos resultantes da alteração paisagística, por sua vez, po- derão ser detríticos – pedras soltas, areia, fração fina dos solos –, ou até mesmo dissolverem-se na água. Paralelamente à alteração das rochas, dá-se o proces- so erosivo, que arranca e desloca os materiais rochosos previamente alterados. As rochas sedimentares podem ser desenvolvidas da erosão de rochas preexistentes e da precipitação – processo químico no qual se forma um sólido insolúvel dentro de uma solução química – de substâncias ou, ainda, de material correspondente a conchas e esqueletos de organismos mortos. Fragmen- tos de minerais e rochas, de animais e de vegetais ou de precipitados químicos em soluções aquosas são conhe- cidos como sedimentos, esses detritos são carregados na erosão. As áreas-fonte de sedimentos costumam ser por- ções elevadas da superfície terrestre, que, regularmente se depositam e se acumulam em porções deprimidas da superfície planetária conhecidas como bacias sedi- mentares. Na maior parte das vezes são compostas de rios, lagos, lagoas, praias, fundos oceânicos e dos ar- redores desses locais. As bacias sedimentares tendem a afundar lentamente. Em razão disso, os sedimentos mais novos são depositados sobre os mais antigos, que ficam preservados da erosão que predomina na super- fície do planeta. O resultado é uma pilha de rochas de diferentes idades, desenvolvidas pelas transformações que ocorrem com os sedimentos depois de soterrados. Elas revelam a história da região na etapa do tempo em que houve subsidência (deposição) e acumulação de sedimentos. Como as camadas mais profundas de- positaram-se primeiro, pode-se estabelecer a cronologia dos eventos. Dessa forma é possível traçar a evolução das espécies de animais e plantas ao longo do tempo e saber, por exemplo, quais dinossauros existiram simul- taneamente em uma região: mediante o conhecimento das relações entre as camadas que contém os fósseis que essas formas de vida deixaram. Suponhamos os detritos sendo continuamente depositados em um terreno pantanoso ou no fundo de um lago. Se esse processo de deposição sedimentar arrastar-se por milhares de anos, o peso dos sedimentos 122 que vão se acumulando por cima uns dos outros é cada vez maior, compactando mais e mais os mais antigos. A pressão sob as camadas mais profundas e o conse- quente aumento da densidade também provocam a precipitação de mais substâncias, que dão origem a um material – o carbonato ou sílica –, que solidifica os detri- tos. Esses agrupamentos de sedimentos compactados e cimentados são conhecidos como rochas sedimentares. É bem fácil reconhecer uma rocha sedimentar. É composta de sedimentos e de várias camadas – por isso também denominada rocha estratificada. A mais comum é o arenito, formado de areia empregada em construções e na pavimentação de ruas. Se for pura, é formada apenas do mineral quartzo. Outro tipo de rocha comum é a calcária, formada de conchas, esqueletos de animais e plantas. Os espa- ços entre esses sedimentos são preenchidos por fluidos – água ou óleo –, ou por calcita – carbonato de cálcio cristalizado –, que funcionam como um cimento. Regi- ões onde existem depósitos de rochas calcárias já esti- veram há muito tempo cobertas pelo mar. São bastante abundantes no Brasil e oferecem pouca resistência à ação do vento e da água. © V ib e Im ag es /S hu tte rs to ck Arenito em Paria Canyon-Vermillion Cliffs Wilderness, Arizona, U.S.A. Grandes depósitos de carvão mineral formaram- -se de florestas que morreram e foram cobertas há mi- lhões de anos. Nesses locais não havia oxigênio sufi- ciente para a decomposição dos detritos. Dependendo da profundidade, diferentes tipos de carvão foram com- postos da temperatura e das concludentes transforma- ções químicas. Quanto mais antigos forem mais escuros e melhores serão para pegar fogo. No Brasil, as reservas de carvão encontram-se nos estados de São Paulo, Pa- raná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, apesar de o produto não ser considerado de boa qualidade. Se enterrados em profundidade e temperatura suficientes, materiais provenientes de plantas e animais transformam-se quimicamente em petróleo e gás natu- ral. A decomposição do granito formará o saibro. Se o granito sofrer modificações mais profundas, o resultado é a argila, a branca é usada na fabricação de porcelana, e a vermelha, na fabricação de tijolos e telhas. As rochas sedimentares oferecem informações sobre a história do ambiente em que se encontram. O xisto, por exemplo, é constituído por minúsculos grãos de lama e argila e forma-se exclusivamente em águas calmas ou no fundo do mar. As rochas calcárias, por sua vez, são formadas próximas de recifes de coral ou onde há movimento nas águas que trazem os sedimentos, como praias ou canais de rios. É importante lembrar que onde já existiu um mar em outras eras hoje pode já não mais existir. O Oriente Médio, atualmente tão abun- dante em petróleo, já foi um fundo oceânico em eras geológicas anteriores. Ilustração de Bacia Sedimentar, local de ocorrência das rochas sedimentares 123 Rochas metamórficas © PA TIP AT /S hu tte rst oc k Mármore As rochas metamórficas são rochas resultantes de um processo de alteração das condições originais do ambiente onde se deu sua gênese. São originadas pelas transformações (metamorfismos) sofridas pelas rochas magmáticas, pelas rochas sedimentares ou por outrasrochas metamórficas. Dessas mudanças decorrem novas condições ou al- terações de temperatura e pressão no interior da Terra. A rocha transformada adquire novas características e altera sua composição, formando outros minerais estáveis nas novas condições vigentes. Essas modificações consistem, essencialmente, em reajustes da composição química e da textura das rochas em consequência das novas condi- ções físico-químicas – pressão e temperatura – do meio. Um exemplo comum de rochas metamórficas são os mármores, formados da pressão sobre rochas calcárias que se recristalizam. Os mármores podem ser brancos ou coloridos e apresentam por base grãos de calcita. 124 e.o. teste i 1. Ana lise o corte esquemático (croqui) a seguir, que mostra as camadas internas da Terra. Estrutura interna da Terra 1 2 3 4 km 0 1000 2000 3000 4000 5000 6000 No croqui, a camada identificada com o nú- mero 2 corresponde __________ do planeta. a) à crosta b) à litosfera c) à astenosfera d) ao manto e) ao núcleo 2. Leia o texto a seguir. O problema é que, de tempos em tempos, esse campo enfraquece em uma direção antes de inverter sua orientação. Conforme essas ro- chas, compostas de ferro e outros elementos, vão se solidificando após deixar o interior tórrido da crosta terrestre, os spins acabam tendo uma componente média resultante não nula ao longo da direção desse campo. A questão é que, conforme rochas mais e mais antigas eram estudadas, os geólogos passa- ram a verificar que essa orientação às vezes estava invertida. Disponível em: <http://super.abril.com. br/ universo/735779.shtml>. Acesso em: 20 set. 2013. (Adaptado). Com base nas informações contidas no texto, conclui-se que o fenômeno físico, ao qual ele se refere, associa-se às rochas: a) metamórficas e ao campo gravitacional. b) metamórficas e ao campo magnético. c) ígneas e ao campo magnético. d) ígneas e ao campo gravitacional. e) metamórficas e ao campo elétrico. 3. As rochas metamórficas são aquelas que re- sultam da transformação (metamorfização), em condições de pressão e temperaturas ele- vadas, de rochas preexistentes. São exem- plos desse tipo de rocha: a) ardósia e mármore. b) basalto e micaxisto. c) gnaisse e calcário. d) granito e arenito. 4. Considerando as diferenças de densidade e composição, supõe-se que a estrutura da Ter- ra seja formada por três camadas: a crosta terrestre, o manto e o núcleo. Segundo a com- posição da geosfera é correto afirmar que: a) a crosta terrestre é a parte interna do plane- ta, formada por magma em estado pastoso. b) a parte rochosa, chamada crosta, é constitu- ída por inúmeras partes, chamadas de placas tectônicas. c) o manto ou camada intermediária é compos- ta predominantemente por rochas magmáti- cas, metamórficas e sedimentares. d) a crosta terrestre é constituída por magma, material fluído ou pastoso. e) na parte pastosa ou fluida do núcleo inter- no, predominam dois minerais – o silício e alumínio. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO As rochas, que podem ser divididas em três grandes grupos, estão em constante trans- formação, passando de um tipo a outro, em virtude das dinâmicas interna e externa da Terra. O chamado “Ciclo das Rochas” ilustra as diversas possibilidades de transformação de um tipo de rocha em outro. (Wilson Teixeira et al. (orgs.). Decifrando a Terra, 2009. Adaptado.) Ciclo das Rochas levantamento temperatura e pressão levantamento transporte diagênese fusão temperatura e pressão arrefecimento magma fusão fusão temperatura e pressão rochas Z rochas Y rochas X (www.profpc.com.br. Adaptado) 125 5. (Unesp) A partir do exame da figura, é cor- reto afirmar que as letras X, Y e Z correspon- dem, respectivamente, a: a) metamórficas, sedimentares e ígneas. b) metamórficas, ígneas e sedimentares. c) sedimentares, metamórficas e ígneas. d) sedimentares, ígneas e metamórficas. e) ígneas, sedimentares e metamórficas. 6. O Estado do Paraná apresenta uma geologia com grande variedade de tipos de rochas for- mados em diferentes idades. A figura abaixo apresenta de modo simplificado cinco grupos litológicos. Com base nessa figura, considere as afirmativas a seguir sobre a distribuição no tempo geológico dos tipos de rochas do Paraná: Grupos Litológicos 1 2 3 4 5 Fonte: www.estudavest.com.br 1. O grupo 1 é composto por depósitos sedi- mentares da Era Cenozoica. 2. O grupo 2 constitui as porções do Paraná com as rochas mais jovens, predomi- nan- temente da Era Proterozoica. Esse grupo apresenta as áreas com as maiores eleva- ções do estado e é formado na maior par- te por rochas sedimentares. 3. O grupo 3 é predominantemente cons- tituído por rochas sedimentares da Era Paleozoica, que foram depositadas em di- ferentes tipos de ambientes. 4. O grupo 4 é formado por rochas ígneas vulcânicas. Sua origem se dá por uma su- cessão de derrames de lavas da Era Me- sozoica, que representou um dos mais significativos eventos de vulcanismo do mundo. 5. O grupo 5 é formado por rochas meta- mórficas, cuja gênese do alto grau de me- tamorfismo está associada ao evento de separação dos continentes sul-americano e africano, na Era Mesozoica. Assinale a alternativa correta. a) Somente as afirmativas 1, 2, 3 e 4 são verda- deiras. b) Somente as afirmativas 1, 3, 4 e 5 são verda- deiras. c) Somente as afirmativas 2 e 5 são verdaderas. d) Somente as afirmativas 1, 3 e 4 são verda- deiras. e) Somente as afirmativas 2, 3 e 5 são verda- deiras. 7. As rochas fazem parte da nossa vida: da fun- dação de uma edificação até o seu revesti- mento, como em pias e mesas. Para isso, a natureza oferece uma grande variedade de rochas, cujas características físicas e quími- cas dependem do processo de formação. A imagem demonstra o ciclo de formação das rochas. Observe. O CICLO DAS ROCHAS ROCHAS SEDIMENTARES intemperismo metamorfismo fusão compactação transporte ROCHAS METAMÓRFICAS SEDIMENTOS SOLTOSMAGMA metamorfismo intemperismo transporte intemperismo ROCHAS ÍGNEAS (Vesentini, José William; Vlach, Vânia. Geografia Crítica, 1: O Espaço Natural e a Ação Humana. São Paulo: Ática. 2000. p. 90. Adaptado) Após analisar a imagem verifica-se que: a) a rocha sedimentar é formada pela cimen- tação e compactação dos sedimentos, pro- venientes do desgaste de todos os tipos de rochas. b) as rochas magmáticas são formadas pela transformação de rochas sedimentares e me- tamórficas em ambiente de pouca pressão. c) a rocha metamórfica é formada pela solidifica- ção do magma, proveniente do núcleo terres- tre, cuja composição química e homogênea. d) a rocha sedimentar possui o mesmo processo físico de formação da rocha magmática, pois ambas dependem do resfriamento do magma. 8. Leia e analise as afirmativas a seguir, refe- rentes a temas relacionados a alguns aspec- tos da Litosfera. 1. As rochas ígneas ou plutônicas intru- sivas, como os quartzitos e os gnaisses, formam-se a partir da extrusão e conse- quente consolidação do material magmá- tico, advindo do Manto terrestre. 2. A Crosta sólida do planeta Terra é consti- tuída de uma variedade enorme de mate- riais minerais e rochosos, embora apenas dois desses materiais nela predominem: o alumínio e o silício. 3. Existem, na superfície terrestre, rochas que resultam de transformações quími- cas sofridas por materiais em suspensão existentes nas águas; o sal-gema e a gip- sita exemplificam esses corpos rochosos. 126 4. As rochas metamórficas resultam de transformações sofridas, em sua compo- sição e em sua estrutura, por rochas pree- xistentes, quando entram em contato comrochas magmáticas ou quando submetidas a elevadas pressões e temperaturas. 5. Em um mesmo meio bioclimático, rochas ígneas e rochas sedimentares resultam em relevos iguais porque a erosão inde- pende da qualidade do material rochoso, existente na parte superficial da crosta terrestre e se subordina muito mais às condições climáticas do ambiente. Estão corretas: a) 1 e 4. b) 2 e 5. c) 3, 4 e 5. d) 2, 3 e 4. e) 1, 2, 3, 4 e 5. 9. A crosta terrestre é formada por rochas e minerais. Estas últimas podem ser definidas como agrupamentos de minerais que, por sua vez, são compostos de elementos quími- cos. Analise as proposições sobre as rochas, assinalando F para Falsa e V para Verdadeira. ( ) As rochas ígneas ou magmáticas forma- ram-se a partir do resfriamento e solidi- ficação do magma, material em estado de fusão de que é constituído o manto. ( ) As rochas ígneas foram, originalmente, rochas magmáticas, sedimentares ou me- tamórficas que, pela ação do calor ou pela pressão existente no interior da Terra, adquiriram outra estrutura. ( ) As rochas sedimentares derivam de ro- chas que sofreram a ação de processos erosivos, como atividades realizadas pela água, pelo vento, por reações químicas e físicas e pela ação dos seres vivos. ( ) A areia, o calcário e o arenito são exem- plos de rochas metamórficas. ( ) Originalmente, as rochas metamórfi- cas foram magmáticas, sedimentares ou metamórficas, mas pela ação do calor ou pela pressão existente no interior da Ter- ra, adquiriram outra estrutura. Assinale a alternativa correta. a) V, V, F, F, V b) F, V, F, V, F c) V, F, V, V, V d) F, V, V, V, F e) V, F, V, F, V e.o. teste ii 1. (Upe) Os processos geomorfológicos internos ou exógenos deixam sempre impressas, nas paisagens, as marcas de sua atuação. Eles de- senvolvem, inclusive, um conjunto de feições de relevo característico. Esse fato reveste-se de uma particular importância, quando o pesqui- sador de áreas, como Biologia, Geografia, Geo- logia etc., volta-se à análise de ambientes pre- téritos. Com relação a esse assunto, observe, atentamente, a fotografia reproduzida a seguir e assinale, com base nas evidências morfológi- cas, o processo responsável pela elaboração da paisagem visualizada em primeiro plano. a) Erosão eólica b) Erosão glacial c) Tectonismo ruptural d) Neotectonismo plástico e) Sedimentação fluvial 2. O quadro a seguir apresenta a escala do tem- po geológico. Todas as alternativas apresentam correlações corretas entre os eventos ocorridos no terri- tório brasileiro e sua idade geológica, Exceto. FA N TE RO - ZO IC O Cenozoico Mesozoico Paleozoico Pré-Cambriano a) Cenozoico: invasão marinha sobre amplas áreas continentais interiores, a qual provo- cou a deposição de espessos pacotes de ro- chas calcárias. b) Mesozoico: fragmentação do supercontinen- te Pangeia, a qual iniciou a separação do continente Sul-Americano e Africano, e for- mação das bacias sedimentares petrolíferas da margem continental brasileira. c) Paleozoico: formação de extensas coberturas sedimentares e vulcânicas, que iniciaram o preenchimento das grandes bacias sedimen- tares do Amazonas, do Parnaíba e do Paraná. d) Fanerozoico: ausência de processos de for- mação de cadeias de montanhas no territó- rio brasileiro, que passou a apresentar rela- tiva estabilidade tectônica. e) Pré-Cambriano: formação do embasamento cristalino, que se encontra atualmente ex- posto nos escudos das Guianas, do Brasil- Central e do Atlântico. 127 3. Assinale a alternativa onde encontramos apenas rochas metamórficas: a) gnaisse, mármore, quartzito. b) calcário, carvão, arenito. c) basalto, calcário, carvão. d) granito, basalto, calcário. e) mármore, basalto, carvão. 4. Sobre a origem da Terra e as bases geológicas do território brasileiro, é correto afirmar: a) a era cenozoica caracteriza-se pelo apareci- mento do homem, enquanto os escudos são datados da era pré-cambriana. b) a era mesozoica registrou o aparecimento da vida nos oceanos, enquanto as cadeias de montanhas aparecem na era arquezoica. c) a era azoica não registra vida alguma e as rochas magmáticas são da era paleozoica. d) a era cenozoica registra vida recente, en- quanto a extinção dos grandes répteis ocorre no quaternário. 5. (Fuvest) Observe a escala do tempo geológi- co para identificar os processos naturais que ocorreram, respectivamente, nas eras Paleo- zoica e Cenozoica. Duração relativa das eras geológicas Pré Cambriano Mesozoica Paleozoica Cenozoica Fonte: professor.bio.br/geografia a) Formação de jazidas carboníferas e dobra mentos do tipo alpino-himalaio. b) Oscilações do nível do mar nos últimos perí- odos glaciais e formação das bacias petrolí- feras do Oriente Médio. c) Configuração atual dos continentes e ocea- nos e dobramentos do tipo alpino-himalaio. d) Formação das bacias petrolíferas do Oriente Médio e soterramento das florestas que ori- ginaram o carvão mineral. e) Oscilações do nível do mar nos últimos perí- odos glaciais e configuração atual dos conti- nentes e oceanos. 6. As grandes cadeias de montanhas, como os Alpes ou o Himalaia, tiveram origem: a) na era Mesozoica, quando da fragmentação do antigo continente de Gondwana. b) no Pré-Cambriano, em virtude dos grandes falhamentos ocorridos na crosta terrestre. c) no Paleozoico, quando os continentes come- çaram a tomar as formas atuais. d) há mais de 190 milhões de anos, em conse- quência da movimentação do NIFE, a camada mais interna da Terra. e) há mais de 60 milhões de anos, graças à mo- vimentação das placas tectônicas. 7. Sobre as rochas existentes na natureza, po- demos afirmar: a) as rochas ígneas ou magmáticas são resul- tantes da solidificação do magma no interior da Terra ou da solidificação do magma em forma de lava expelido pelos vulcões. b) o carvão mineral é um exemplo de rocha magmática intrusiva. c) as rochas metamórficas são resultantes da erosão de rochas magmáticas. d) as mudanças de pressão são responsáveis pela transformação de rochas metamórficas em rochas sedimentares. e) as rochas sedimentares se apresentam em camadas, onde as mais baixas são as mais recentes e as de cima são as mais antigas. 8. Há pouco tempo foi inaugurado em Itu - SP o Parque do Varvito para mostrar um pouco da história geológica do local. Assinale a alternativa que apresenta a natu- reza e a origem dessa rocha. a) Rochas sedimentares arenosas formadas em dunas que se depositaram pelo trabalho dos ventos em períodos de climas pretéritos mais secos da era Mesozoica. b) Rochas sedimentares formadas no fundo de anti- gos lagos glaciais, existentes na era Paleozoica. c) Rochas ígneas formadas em climas muito frios, com invernos rigorosos, quando os glaciares deixaram suas marcas no contato com as rochas sedimentares. d) Rochas ígneas vulcânicas que sob a ação do intemperismo deram origem a solos natural- mente férteis na Depressão Periférica Paulista. e) Rochas que se metamorfizaram, tornando-se bastante resistentes e que deram origem aos vários tipos de mármores na região de Itu. 9. Assinale a alternativa que substitui correta- mente A e B no quadro referente à geomor- fologia do território brasileiro. Era Geológica Evento Cenozoica A B Formação dos escudos cristalinos a) sedimentação do Pantanal - Pré-Cambriana. b) formação da “serra” do Mar - Mesozoica. c) formação da bacia sedimentar Paranaica - Paleozoica. d) derrames basálticos - Cenozoica. e) formação de jazidas de carvão - Proterozoica. 128 e.o. teste iii 1. Na era Mesozoica, ocorreu no Brasil um im- portante evento geológico. Trata-se: a) da formação da planície do Pantanal.b) da formação das “serras” do Mar e da Manti- queira. c) da formação dos escudos cristalinos. d) dos derrames basálticos no Sul do país. e) da formação da bacia sedimentar do Paraná. 2. Assinale as características da região em des- taque no mapa. Fonte: professor.bio.br/geografia a) Formada por rochas cristalinas, apresenta as maiores altitudes do país e terras précam- brianas intensamente desgastadas. b) Formadas por cuestas e depressões, é marcada por extensas chapadas de origem sedimentar. c) Relevo complexo, terras cristalinas e meta- mórficas, possui as menores altitudes do país. d) Extensa bacia sedimentar que separa o Com- plexo Amazônico das Guianas, formando uma grande depressão. e) Planalto cristalino formado por rochas ba sálticas, ricas em solos de terra roxa. 3. (Fuvest) No mapa a seguir, as áreas numera- das de 1 a 4 representam as unidades geoló- gico-geomorfológicas da Amazônia Ociden- tal. Relacione tais unidades (de 1 a 4) com as características agrupadas na sequência: 60º O 3 21 4 0º0º 0 400 km Oc ea no Pa cí fi co (Adap. Simielli: 1999) I. Cadeia montanhosa / rochas ígneas e me tamórficas / Cordilheira dos Andes. II. Área cratônica / rochas ígneas e meta mórficas / Planalto das Guianas. III. Bacia intracratônica / sedimentos e ro- chas sedimentares / Planícies e Terras Baixas da Amazônia. IV. Área cratônica / rochas ígneas e meta mórficas / Planalto Brasileiro. Assinale a alternativa correta: a) área 1 - I; área 2 - III; área 3 - II; área 4 - IV b) área 1 - I; área 2 - IV; área 3 - II; área 4 - III c) área 1 - II; área 2 - I; área 3 - IV; área 4 - III d) área 1 - III; área 2 - II; área 3 - I; área 4 - IV e) área 1 - IV; área 2 - II; área 3 - III; área 4 - I 4. A Terra se formou provavelmente a partir de gigantesca massa gasosa pela condensação e decantação progressivas da matéria, produto da ação de forças gravitacionais e de diver- sos processos de transformação energética. I. A idade da Terra, como a dos demais pla- netas do Sistema Solar, é estimada em 4,6 bilhões de anos. II. A idade da Terra está dividida em eras, períodos, épocas e idades. III. O ‘Homo sapiens’ surgiu no intervalo de tempo de menor duração chamado Pré- Cambriano. IV. Os períodos Triássico, Jurássico e Cretá- ceo constituem a era Cenozoica. Assinale a afirmação ou afirmações corretas. a) apenas I. b) apenas I e II. c) apenas I, II e III. d) apenas III e IV. e) apenas IV. e.o. dissertAtivo 1. Caracterize a relação entre geologia e relevo do Planalto Atlântico Brasileiro. 2. Analise o fluxograma. ROCHAS NA SUPERFÍCIE TERRESTRE erosão, transporte Sedimento não consolidadodeposição soerguimento soerguimento soterramento, cimentação metamorfismo I II III metamorfismo fusão soerguimento Com base na análise do fluxograma e em ou- tros conhecimentos sobre o assunto, respon- da. Qual o estágio evolutivo, a definição e os recursos minerais das rochas indicadas pelos números I, II e III na figura anterior. 129 3. (Unicamp) Rocha é um agregado natural composto por um ou vários minerais e, em alguns casos, resulta da acumulação de ma- teriais orgânicos. As rochas são classificadas como ígneas, metamórficas ou sedimentares. a) Quais são os processos de formação das ro- chas metamórficas? b) A Região Sul do Brasil destaca-se na pro- dução de carvão mineral, que é extraído de rochas sedimentares do período Carbonífe- ro. Que condições ambientais permitiram a acumulação desse material orgânico e que processos levaram à posterior formação do carvão mineral? 4. Minerais, rochas e solos são elementos fun- damentais da dinâmica de transformação da Natureza. As questões a seguir versam sobre esses elementos: os fatores de sua formação e interação e a importância de sua conserva- ção. a) Dê exemplo de um tipo de rocha magmática e aponte os principais minerais que a cons- tituem. b) Cite um fator fundamental para a origem das rochas metamórficas. c) Aponte os principais tipos de intemperis- mo; a ação que realizam sobre as rochas e os principais fatores condicionantes de cada um deles. C.I. Tipos de intemperismo: C.II. Ação que produzem: C.III. Principais fatores de cada tipo de in temperismo: d) Indique uma das razões que justificam as preocupações com as condições atuais de conservação dos solos no Estado do Ceará. 5. (Unicamp) Rochas são agregadas naturais de grãos de um ou mais minerais. São formadas por diferentes processos, podendo ser classifica- das como sendimentares, metamórficas e mag- máticas. A partir dessas afirmações, responda: a) Quais são as principais diferenças entre as rochas sedimentares e as magmáticas? b) Como se forma uma rocha metamórfica? c) No Brasil, entre o Jurássico e o Cretáceo, houve o surgimento de vários diques de dia- básio com direção NW, além de campos de derrames basálticos. A que podemos relacio- nar o aparecimento de tais diques e derra- mes basálticos? 6. As rochas sedimentares constituem uma das grandes classes de rochas existentes na crosta terrestre. Em relação à sua formação e identificação, indique: a) Como ocorrem os seus processos de formação. b) Três tipos de rochas sedimentares. 7. Por que certas rochas recebem o nome de ro- chas magmáticas ou vulcânicas? 8. Por que algumas rochas magmáticas são cha- madas de intrusivas e outras de extrusivas? 9. Explique a formação das rochas metamórficas. gAbArito E.O. Teste I 1. D 2. C 3. A 4. B 5. C 6. D 7. A 8. D 9. E E.O. Teste II 1. A 2. A 3. A 4. A 5. A 6. E 7. A 8. B 9. A E.O. Teste III 1. D 2. A 3. A 4. B E.O. Dissertativo 1. Região constituída por rochas cristalinas (magmáticas e metamórficas) de formação antiga (pré-Cambriana), possuindo grande resistência. Esse relevo é caracterizado por uma área bastante desgastada, dobrada e fa- lhada pelos diversos agentes naturais. 2. I. Rochas recentes - sedimentar - petróleo (bacias) II. Rochas intermediárias - metamórficas - minerais metálicos. III. Rochas antigas - cristalinas magmáticas - minerais metálicos. 3. a) As rochas metamórficas resultam da ação do edifício geológico, onde as rochas de camadas superiores exercem pressão so- bre as camadas de rochas inferiores, al- terando quimicamente rochas pré-exis- tentes por pressão e temperatura (grau geotérmico). b) O carvão mineral é formado por altera- ções a partir da decomposição de vege- tais resultantes de alterações climáticas em processo de soterramento. O carvão mineral pode ser classificado geologica- mente a partir do tempo de formação. O carvão mais recente é a turfa, seguido 130 pelo linhito, a hulha e o antracito, mais antigo. No Brasil, o carvão mineral é rela- tivamente recente com baixo teor calóri- co pela presença de cinzas. 4. a) Pode-se destacar o granito, rocha magmá- tica intrusiva, muito abundante na cros- ta terrestre. O granito é constituído por quartzo, feldspato e mica. b) As rochas metamórficas resultam da pres- são e temperatura exercidas pelo edifício geológico. c) Tipos de intemperismo: físico e químico. Ação que produzem: intemperismo físico, promove a desagregação das rochas; in- temperismo químico, altera a decomposi- ção das rochas. Principais fatores de cada tipo de intemperismo: no intemperismo físico ocorrem variações de temperatura e no intemperismo químico a interação química da água com as rochas. d) o modo de ocupação e o uso da terra com manejo inadequado; susceptibilidade à erosão. 5. a) As principais diferenças estão em seus processos de formação. As rochas sedi- mentares resultam da ação de desgaste e deposiçãode grãos de rochas préexisten- tes, sendo também mais friáveis. As mag- máticas, com maior grau de dureza, sur- gem a partir da consolidação de material piroclástico, ígneo, do início da formação da Terra. b) A rocha metamórfica é o produto da transformação de rochas pré-existentes a partir de alterações químicas de suas estruturas, resultantes da pressão do edi- fício geológico e do grau geotérmico, que provocam metamorfismo na rocha. c) O surgimento dos diques de basalto e dia- básio está relacionado ao deslocamento da placa tectônica sul-americana que, ao se descolar afastando-se da placa afri- cana, derivou para oeste, resultando na fragmentação do embasamento cristali- no. O fendilhamento resultante do pro- cesso favoreceu a emergência de rocha liquefeita do interior da Terra, originando os derrames de basalto que solidificados passaram pelo processo de erosão, trans- formando-se no solo terra-roxa nas bor- das da Bacia Sedimentar do Paraná. 6. a) Resultam da deposição de sedimentos ou detritos e rochas preexistentes, alterados por erosão. b) Arenito, calcário, turfa. 7. Devido à sua origem vulcânica (local de for- mação da rocha) 8. Devido à região de solidificação: Intrusivas - interior da Terra. Extrusivas - exterior da Terra. 9. Rochas Pré-existentes magmáticas ou sedi- mentares, quimicamente alteradas por pres- são e temperatura. © P ab lo Hi da lg o - Fo to s5 93 /S hu tte rs to ck Geologia do Brasil e exploração mineral Aulas 11 e 12 133 © P ab lo Hi da lg o - Fo to s5 93 /S hu tte rs to ck Estrutura gEológica do Brasil Introdução Apesar de o território brasileiro possuir uma formação estrutural muito velha, a esculturação do relevo pela erosão e intemperismo é uma constante. À luz dos graus de desenvolvimento da ciência, a grande extensão e imensa diversidade geológica do território brasileiro ge- raram diferentes subdivisões no relevo ao longo do tem- po. Com o intuito de sistematizá-lo, há três disposições que propõem sua divisão em conjuntos heterogêneos mediantes diferentes critérios. A divisão e os critérios foram estabelecidos de acordo com o conhecimento te- órico dos cientistas e de suas limitações, de ordem téc- nica, existentes na época em que cada classificação foi elaborada: Aroldo de Azevedo, nos anos 1940; de Aziz Ab’Saber, nos anos 1960; e Jurandyr Ross, em 1990. caractErizando as macroEstruturas Blocos cratônicos Compõem as estruturas continentais de formação muito antiga pertencentes ao pré-cambriano, quando a Terra era formada por um único bloco denominado Pangeia. A linha vermelha marca a área onde provavelmente ocorreu o início da separação entre África e América do Sul, que gerou as fraturas sobre as quais se assentam as bacias Potiguar, Jatobá e Tucano-Recôncavo, no Norderste brasileiro (acima) Classificação dos blocos cratônicos Escudos cristalinos – primeiros blocos de terras emersas formados de rochas magmáticas e metamórficas. São áreas de estabilidade tectônica que apresentam grande riqueza de minerais metálicos: Escudo Brasileiro, das Guia- nas, Canadense, Escandinavo, Sul-Africano, Siberiano. Plataformas – correspondem às áreas mais baixas da estrutura cristalina: Plataforma Sul-Americana. 134 Bacia sedimentar Argilas Mar Carvão Argilas Silte e argila Areias preenchendo canais de rios Modelos tradicional do ciclo do carvão da Bacia de Illinois, exemplificando a Lei de fácies de Walther (adaptado de Sháw, A,B... 1964. Time in Stratigraphy. McGraw-Hill, New York). As bacias sedimentares começaram a se constituir efetivamente na era Paleozoica. Os territórios que com- põem a América do Sul estavam em altitudes bem mais baixas naqueles tempos – há cerca de 500 milhões de anos. Hoje, nossas bacias correspondem a 64% da es- trutura geológica brasileira – Amazônica, Meio Norte (Maranhão e Piauí) e Paranaica (Paraná) –, formadas inicialmente por depósitos de material marinho. Quan- do o fenômeno da epirogênese provocou o levanta- mento do continente superior ao mar, ficaram emersas e unidas em território contínuo, bem como passaram a ser preenchidas com material continental. A disposição das camadas estratificadas hori- zontalmente em quase todo o Brasil, bem como as pro- fundidades demonstram a antiguidade de nossas bacias sedimentares. É o caso evidente da bacia sedimentar do Amazonas, que se estende por cerca de 200 km por ambas as margens do rio Amazonas, apresentando uma profundidade de 4 km, em alguns trechos, e uma su- perfície de 2 milhões de km2. Essa bacia é um espelho do ato de agentes do relevo – rios, temperatura e chu- vas. Ao longo das margens do rio Amazonas e de seus principais afluentes, as rochas sedimentares são bem atuais, pertencem ao período quaternário da era Ceno- zoica – fases pleistocênica e holocênica. Esses terrenos pleistocênicos e holocênicos representam a verdadeira planície Amazônica e são mais conhecidos como vár- zeas. Quanto mais distantes desses eixos fluviais mais antigos serão os terrenos sedimentares da bacia ama- zônica, ora do período terciário (cenozoico), ora do pa- leozoico (áreas de contato com os escudos cristalinos). A bacia do Paraná sofreu, parcialmente, uma das glaciações pelas quais passou a Terra, a permo-carbo- nífera, correspondente a dois períodos do paleozoico – e foram nesses terrenos que se formaram as jazidas carbo- níferas. Esta bacia também é vista separada em algumas classificações, um terceiro tipo de terreno na estrutura ge- ológica brasileira: os vulcânicos. São assim conhecidos, pois, nessa mesma época de início da formação dos do- bramentos modernos, na era mesozoica, abriram-se fra- turas na bacia sedimentar do Paraná, através das quais subiram lavas básicas – fluidas que percorrem grandes extensões. Foram das macroerupções às formações de rochas extrusivas, como o diabásio e o basalto, que, por ação do intemperismo físico e químico ao longo do tem- po geológico, originou o solo fértil da terra roxa. O are- nito, que já predominava antes da atividade vulcânica, ficou rajado por manchas basálticas, razão do nome do altiplano que abrange o oeste paulista e a maior parte do Paraná: planalto Arenito-Basáltico. 135 Montanhas e escudos cristalinos ou antigos © sa ik o3 p/ Sh ut te rs to ck Cadeias do Himalaia Essas estruturas geomorfológicas podem ser descritas como formas acidentadas de relevo, que apresentam picos elevados, vales profundos e altitudes variadas, geralmente acima de 3000 metros. Um conjunto de montanhas alinhadas em grande extensão e de formação muito alta recebe a denominação de cordilheira. Os principais tipos de montanhas resultam da movimentação das placas tectônicas. Quanto à idade, as montanhas podem ser jovens, do Terciário, Era Cenozoica, assumindo então formas agudas, como os Alpes, na Europa, os Andes, na América do Sul, as Rochosas, na América do Norte, o Himalaia, na Ásia, e a formação do Atlas, na África. As cadeias orogênicas antigas do Brasil são originárias da ação de vários diastrofismos. 1. O diastrofismo Laurenciano, que atuou no nosso território no final do Arqueozoico, deu origem às formações elevadas da Serra do Mar e da Mantiqueira localizadas na faixa Atlântica; 2. O diastrofismo Huronino, do final do Proterozoico, originou a Serra do Espinhaço (MG) e a Chapada Dia mantina (BA); e 3. O diastrofismo Caledoniano, na Era Paleozoica, deu origem ao dobramento antigo do Araguaio-Tocantins. Observação: As montanhas mais velhas, como as do Brasil, têm geralmente formas maciças e topo arredondado. Emboratenham alcançados grandes altitudes no passado, atualmente não ultrapassaram os 3.000 metros, o que não significa que são pequenas. Pelo contrário, são unidades de relevo muito imponentes sem preenchimento e de muita beleza paisagística. 136 A presença das macroestruturas geológicas no território brasileiro No território brasileiro ocorrem apenas dois tipos de estruturas morfoestruturais: escudos cristalinos e bacias sedi- mentares. Estruturas geológicas do Brasil Escudos cristalinos (blocos crátons) Os escudos cristalinos formam as primeiras rochas que afloraram na crosta terrestre. No Brasil, eles perfazem cerca de 36% da estrutura geológica subdivididos em: 32% do arqueozoico, onde se encontra granito – rocha magmá- tica intrusiva – e gnaisse – rocha metamórfica; e 4% do proterozoico, onde se encontram minerais metálicos e predominantemente rochas metamórficas. São áreas caracterizadas pelo elevado grau de impermeabilidade, cujo escoamento superficial supera o processo de infiltração com menos ocorrência de lençóis freáticos, podemos dividi- -los em: escudo guiano e escudo brasileiro, que se subdivide em unidades menores conforme a localização regional: Sul-rio-grandense, Atlântico, Paraguai-Araguaia, Bolivio-mato-grossense, Nordestino-Gurupi e Sul-amazônico. As bacias sedimentares Cobrem uma área de aproximadamente 64% do território nacional e são conceituadas como depressões preenchi- das por detritos ou sedimentos provenientes de áreas mais elevadas. São de formação mais recente – paleozoica- -mezosoica e cenozoica e mais permeáveis cujas condições de infiltração superam o escoamento, tendo mais ocorrência de lençóis freáticos e de combustíveis fósseis – petróleo, carvão mineral e xisto, podemos dividi-las em: bacia Amazônica, bacia do Maranhão e bacia do Paraná. 137 as riquEzas Econômicas do Brasil numa aBordagEm gEológico-Estrutural Minerais metálicos Ferro © A nd riy S ol ov yo v/ Sh ut te rs to ck O ferro é o mais importante recurso mineral da economia brasileira do qual cerca de 70% destina-se à exportação. A maior extração desse produto é em Minas Gerais, numa área denominada Quadrilátero Ferrifero, que compreen- de as cidades de Belo Horizonte, Santa Bárbara, Mariana e Congonhas do Campo. A Serra dos Carajás, no Pará, tem a maior jazida ferrífera do Brasil e do mundo. Ocupa a segunda posição de extração no cenário nacional. Para o escoamento a exploração do ferro de Carajás, criaram-se vários projetos: o porto de Itaqui (MA), hidrelétrica de Tucuruí, estrada de ferro de Carajás. O Maciço de Urucum, no Mato Grosso do Sul, é outro local de extração cuja produção abastece principal- mente o Paraguai, a Argentina e a Bolívia. AS MAIORES >>Ranking das cinco maiores minhas brasileiras em produção anual Em 2009 PARAUAPEBAS 2 4 PA PARACATU 1 S.G. RIO ABAIXO MG 5 3MARIANA NOME DA MINA MINERADORA PRODUTO PRODUÇÃO (T) 1 Morro do Ouro 2 N5* 3 Alegria 4 N4W* 5 Brucutu Kinross Vale Samarco Vale Vale Ouro Ferro Ferro Ferro Ferro 40.522.292 39.710.000 33.405.000 33.380.000 30.323.288 *COMPLEXO CARAJÁS 40 das cem maiores minas brasileiras estão localizadas em Minas Gerais Das dez maiores minas do Brasil Sete estão localizadas em MG Sete pertencem a mineradora Vale Nove produzem ferro 138 Destaque-se. VALORIZAÇÃO DO MINÉRIO Em 2000 o preço da tonelada era de US$ 20 Hoje a tonelada é vendida por US$ 110 O consumo mundial em 2000 era de 400 milhões de toneladas/ano Atualmente apenas a China consome essa quantidade O consumo munidal hoje chega a 1,1 bilhão de toneladas/ano ALGUNS NEGÓCIOS MINERAIS EM MINAS 2000 > Vale compra a Samitri por US$ 536 milhões 2008 > Arcelor Mittal adquire mina do grupo Londog Mining por US$ 800 milhões 2008 > Usiminas compra a mineradora J. Mendes por US$ 2 bilhões 2010 > Vendas da Itaminas para o Consórcio Chinês ECE por US$ 1,2 bilhão CONTEXTO MUNDIAL Apenas três empresas mineradoras detém 70% da comercialização de todo o minério de ferro do mundo, entre elas a brasileira Vale. Fonte: Pesquisa ^ Manganês Produto de grande utilização industrial na composição do aço e na fabricação de pilhas. O Brasil apresenta-se como grande exportador do produto. Merecem destaque as seguintes localidades: § Marabá, Itupiranga e Carajás (PA) § Quadrilátero Ferrífero (MG) § Maciço do Urucum (MS) Os projetos de exportação criados para beneficiar o ferro também são aproveitados no escoamento do manganês. BRASIL E MUNDO: PRINCIPAIS ÁREAS EXTRATIVAS DE MANGANÊS No Brasil % do total nacional No mundo % do total mundial Pará 61,6 China 21,2 Minas Gerais 18,6 Ucrânia 20,3 Mato Grosso do Sul 15,8 África do Sul 13,8 Outros 4,2 Brasil 9,9 A serra do Navio foi uma espécie de enclave ou possessão minero-territorial dos EUA no Brasil. A Icomi, Indústria e Comércio de Minério SA, e a multinacional norte-americana Bethlehen Steel Corp., detiveram os direitos de exploração do manganês da Serra do Navio de 1957 a 2003. A Icomi também controlava a estrada de ferro do Amapá e o porto Santana, em Macapá, responsáveis pelo escoamento da produção para o exterior. No entanto, ao encerrar a concessão da exploração antecipadamente em 1998, as jazidas já estavam esgo- tadas. Restavam apenas resíduos e minérios de baixo teor. Com isso, além da demissão em massa, restou um grande desastre ambiental: o arsênio. Proveniente de rejeitos de manganês, que contaminou o lençol freático, os igarapés e pode chegar até a foz do rio Amazonas, provocando entre outras doenças o câncer. 139 Bauxita A maior jazida encontra-se no vale do rio Trombetas, no município de Oriximiná, no Pará. A bauxita é o principal minério de alumínio utilizado na indústria automobilística e aeronáutica. PRINCIPAIS PRODUTORES DE BAUXITA No Brasil % do total nacional No mundo % do total mundial Pará 88,8 Austrália 35,3 Minas Gerais 10,8 Guiné 15,2 Outros 0,4 Jamaica 10,0 Brasil 9,2 Cassiterita Utilizado como liga para fabricação de aço, folha de flandre e estanho, principalmente. PRINCIPAIS PRODUTORES DE CASSITERITA No Brasil % do total nacional No mundo % do total mundial Amazonas 57,8 China 33,9 Rondônia 42,2 Indonésia 24,3 Peru 11,1 Brasil 8,9 Outros recursos e a posição do Brasil na participação mundial B. Posição e participação do Brasil na produção Mundial Mineral Posição Participação (%) Nióbio 1º 90,9 Ferro 2º 18,3 Manganês 2º 14,8 Bauxita 3º 10,8 Caulim 3º 5,5 Estanho 4º 9,5 Vermiculita 4º 4,2 Grafita 4º 5,0 Magnesia 5º 10,5 Talco 5º 8,0 Zinco 7º 1,6 Cromo 7º 3,7 Fosfatados 8º 2,9 140 PRINCIPAIS MINERAIS METÁLICOS E NÃO METÁLICOS Produção Beneficiada 2000 FERRO (t) MG 138.718.996 PA 43.231.882 Brasil 214.610.000 MANGANÊS (t) PA 1.366.906 MG 604.022 MS 136.901 Brasil 2.192.000 COBRE (t) PA 134.000 GO 15.937 Brasil 149.937 NÍQUEL (t) GO 1.647.938 MG 213.128 Brasil 1.861.116 PRATA (t) PA 15,7 MG 1,8 GO 3,5 Brasil 41 SAL MARINHO (t) RN 4.050.000 RJ 220.000 Brasil 4.460.00 ALUMÍNIO (t) PA 8.553.270 MG 2.307.272 Brasil 13.846.272 ESTANHO (t) AM 16.625 RO 10.768 MG 79 Brasil 27.472 CHUMBO (t) MG 11.611 Brasil 13.400 OURO (t) PA 17.2 MG 16.4 Brasil 63.3 CALCÁRIO (t) MG 25.376.464 SP 18.436.013 Brasil 71.914.433 ÁGUA MARINHA (t) SP 766.557 MG 149.056 Brasil 1.673.704 Combustíveis fósseis O petróleo origina-se da deposição de material orgânico em fendas e depressões ao longo dos tempos geológicos.Nesse ambiente, o petróleo tem sua origem continental das chamadas bacias sedimentares. Pesquisas revelam que o petróleo seria de origem principalmente planctônica, formado por depósitos de organismos animais e vegetais que viveram nas superfícies dos mares, na plataforma continental. Em razão disso pode-se concluir que o petróleo é localizado tanto em áreas continentais, nas bacias sedi- mentares, como em áreas submarinas, denominadas plataformas continentais. A plataforma continental é constituída de um prolongamento da área continental. Aquela tem uma largura de mais ou menos 70 km e uma profundidade máxima de 200 m. É considerada a mais importante economicamen- te para o homem, onde estão localizadas as principais áreas pesqueiras do mundo, além do petróleo e de outros recursos naturais. 141 Associado ao petróleo, o gás natural é um hidrocarboneto encontrado na natureza, uma vez que ambos se formam do mesmo modo. É encontrado também em bolsões gasosos isolados, próximos à superfície terrestre (áreas sedimentares). BRASIL: PRODUÇÃO DE GÁS NATURAL (MILHÕES DE M3) RJ 54% AM 19% BA 9% RN 9% CE-SE/ES-SP 6% AL 3% No Brasil, além de insuficiente, o carvão mineral apresenta baixo teor colorífico, alto teor de umidade, cinzas e sulfeto de ferro. PRODUÇÃO DE CARVÃO NO BRASIL Santa Catarina 62,8% Rio Grande do Sul 36,4% Paraná 0,8% O cinturão carbonífero no Sul do Brasil Fonte: TEIXEIRA, Wilson et ai. (Orqs.). Decifrando a Terra. São Paulo: Oficina de Textos, 1998. p. 474. 142 E.o. tEstE i 1. No cartograma abaixo, as áreas escuras re- presentam as maiores elevações da Terra, formadas a partir de movimentos orogenéti- cos no Período Terciário, cuja ação dos agen- tes erosivos ainda não foi suficiente para provocar grandes desgastes. ROCHOSAS ANDES ATLAS ALPES HIMALAIA Tais estruturas são: a) bacias sedimentares. b) escudos cristalinos. c) dobramentos modernos. d) planaltos sedimentares. e) bacias de afundamentos tectônicos. 2. Placas Tectônicas Placa da América do Norte Placa Juan de Fuca Placa do Pacífico Placa de Nazca Placa Caribenha Placa da América do Sul Placa de Scotia Placa Africana Placa da Antártida Placa Arábica Placa Euroasiática Placa Indiana Placa Australiana Placa das Filipinas Placa da América do Norte Observando a figura, podemos afirmar que. I. Alfred Wegener, meteorologista alemão, levantou a hipótese, no início do século XX, afirmando que, há 220 milhões de anos, os continentes formavam uma úni- ca massa denominada Pangeia, rodeada por um oceano chamado Pantalassa. Essa suposição foi rejeitada pela comunidade científica da época. II. A litosfera encontra-se em movimento, uma vez que é composta por placas tectô- nicas seccionadas que flutuam deslocan- do-se lentamente sobre a astenosfera III. A cordilheira dos Andes é um dobramento recente. Datando do período Terciário da era Cenozoica, surge do intenso entrecho- que das placas do Pacífico e SulAmericana promovendo o fenômeno de obducção. IV. A Dorsal Atlântica estende-se desde a costa da Groenlândia até o sul da Amé- rica do Sul. Os movimentos divergentes entre as placas Africana e Sul- America- na permitiram intensos derramamentos magmáticos originando rochas basálticas que foram incorporadas às bordas das re- feridas placas. Estão corretas. a) I e III, apenas. b) II e III, apenas. c) I, II e III, apenas. d) I, II e IV, apenas. e) I, II, III e IV. 3. A Amazônia, até o Terciário Médio, compor- tava-se como um paleogolfão da fachada pacífica do continente, intercalado entre os terrenos do escudo guianense e o escudo bra- sileiro. Era uma espécie de mediterrâneo de “boca larga”, voltada para o oeste. Quando se processou o desdobramento e soerguimento das Cordilheiras Andinas, restou um largo es- paço no centro da Amazônia, exposto à sedi- mentação flúvio-lacustre e fluvial extensiva. Aziz Nacib Ab’ Saber (1924-2012) Escritos Ecológicos – São Paulo: Lazuli Editora, 2006, paginas 130-131. Adaptado. Glossário: Paleogolfão: ampla reentrância da costa, com grande abertura, constituindo em am- plas baías, constatada em antiga era geoló- gica. As características atuais do domínio morfoclimático amazônico têm sua origem na dinâmica dos processos naturais que ocorreram no passado, conforme explica o geógrafo Aziz Ab’Saber. Sobre esses proces- sos mencionados, avalia-se que: a) contribuíram para a formação das planícies e dos tabuleiros. b) favoreceram a gênese da bacia sedimentar. c) alteraram a direção da drenagem, de leste para oeste. d) atenuaram as características do clima regional. e) provocaram a expansão do cerrado sobre a floresta. 4. Considerando a formação geológica do Rio Grande do Sul, é INCORRETO afirmar que esse estado apresenta: a) formações cristalinas. b) derrames e fissuras basálticas. c) sequência sedimentar antiga. d) dobramentos modernos. e) sedimentação recente. 143 5. As modernas técnicas cartográficas e de sensoriamento remoto permitiram realizar levantamentos mais detalhados sobre as ca- racterísticas fisiográficas (geologia, relevo, solo, hidrografia, clima e vegetação) do Bra- sil. No final da década de 1980, o professor Jurandyr Ross, do Departamento de Geogra- fia da Universidade de São Paulo, propôs uma divisão mais detalhada do relevo brasi- leiro do que as anteriores. Sobre o relevo e as unidades estruturais do território nacional representados na figura abaixo, assinale a alternativa INCORRETA. 1 15 5 5 5 5 5 2 2 2 2 2 3 3 3 3 LEGENDA PLANALTOS EM BACIAS SEDIMENTARES EM ESTRUTURAS CRISTALINAS E DOBRADAS ANTIGAS DEPRESSÕES 1 2 EM ESTRUTURAS SEDIMENTARES EM ESTRUTURAS CRISTALINAS 3 4 PLANÍCIES 5 EM ESTRUTURAS SEDIMENTARES RECENTES Adaptado de ROOS, J.L.S. Relevo Brasileiro: uma nova proposta de classificação. Revista do Departamento de Geografia. São Paulo, no 4, 1990. a) A maioria dos planaltos, também denomi- nados de “formas residuais”, é considerada como vestígios de antigas superfícies erodi- das pelos agentes externos, os quais atuam continuamente nas paisagens. b) Os planaltos e as chapadas da Bacia Sedi- mentar do Paraná englobam terrenos sedi- mentares e de rochas vulcânicas e o seu con- tato com as depressões circundantes é feito por meio do talude continental. c) Nos limites das bacias sedimentares com os maciços antigos, os processos erosivos for- maram áreas rebaixadas, denominadas de depressões. As depressões periféricas são aquelas formadas nas regiões de contato en- tre as estruturas sedimentares e as cristali- nas, como por exemplo, a depressão Sul-Rio Grandense. d) As planícies em estruturas sedimentares re- centes formam as planícies costeiras, tam- bém conhecidas como planícies litorâneas e as planícies continentais situadas no inte- rior do país como, por exemplo, a planície do Pantanal. e) Em sua classificação para as formas do relevo Brasileiro, Jurandyr Ross baseou-se em três critérios: o morfoestrutural, que considera a estrutura geológica; o morfoclimático, que considera o clima e o relevo e o morfoescultu- ral, que considera a ação de agentes externos. 6. Sobre a formação geológica do território bra- sileiro, assinale a alternativa correta: a) O Brasil não apresenta dobramentos moder- nos, mas apresenta vestígios de antigos do- bramentos do Pré-Cambriano. b) As províncias Mantiqueira, Borborema e To- cantins resultam de processos orogenéticos ocorridos no Cenozoico. c) As camadas rochosas da bacia sedimentar do Paraná atestam a ocorrência de extensosder- rames vulcânicos durante o Pré-Cambriano. d) As províncias Guiana Meridional, Xingu e São Francisco figuram entre as principais ba- cias sedimentares brasileiras. e) A Serra do Mar foi formada pelo ciclo oroge- nético ocorrido no Quaternário. 7. Observe a estrutura geológica esboçada a seguir. Fonte: grupocev.com/vestibulares Nesse esboço, a seta está indicando a seguin- te estrutura: a) bacia sedimentar. b) dobra assimétrica. c) fiorde. d) falha geológica. e) domo. 8. Observe a figura abaixo. Dísponivel em: <http://marlivieira.blogspot.com/2010212>. Acesso em: 15 jul. 2011. Sobre o fenômeno representado pela figura, é CORRETO afirmar que se trata de: a) ação de agentes exógenos responsáveis por movimentos orogenéticos que atuam sobre a crosta terrestre. b) formação do relevo terrestre por agentes internos ocorridos predominantemente no Período Devoniano. 144 c) formação de cadeias montanhosas ou cordilheiras em função de movimentos verticais provocados pela diver- gência de placas tectônicas. d) forças tectônicas provocando dobramentos sobre estruturas formadas por rochas magmáticas e sedi- mentares pouco resistentes. 9. “A Terra é um sistema vivo, com sua dinâmica evolutiva própria. Montanhas e oceanos nascem, crescem e desaparecem, num processo dinâmico. Enquanto os vulcões e os processos orogênicos trazem novas rochas à superfície, os materiais são intemperizados e mobilizados pela ação dos ventos, das águas e das geleiras. Os rios mudam seus cursos, e fenômenos climáticos alteram pe- riodicamente as condições de vida e o balanço entre as espécies.” (Cordani e Taioli, In: Almeida e Rigolin, 2008, p. 39) Sobre a dinâmica interna da Terra afirma-se: I. Os _______________________ compreendem os deslocamentos e deformações das rochas que constituem a crosta terrestre. II. Os _____________________ocorrem quando as rochas sofrem uma série de deformações quando submetidas a um esforço proveniente do interior da Terra. III. Os ________________________ ocorrem quando as rochas são submetidas a um esforço interno de grande intensidade no sentido vertical ou inclinado. IV. Os ___________________ é uma montanha que se forma da erupção de material magmático em estado de fusão. Um dos maiores desastres causados por esse fenômeno ocorreu em 1883 em Sonda, no arquipelago da Indonésia, tirando do mapa uma parte da ilha, destruindo cidades e vilas e matando milhares de pessoas. V. Uma das manifestações mais temidas e destruidoras dos movimentos da crosta terrestre são os ________________________, que são causados pela ruptura das rochas provocadas por acomoda- ções geológicas de camadas internas da crosta ou pela movimentação das placas tectônicas. A alternativa que completa corretamente as afirmativas é: a) movimentos tectônicos; dobramentos; falhamentos; vulcões; terremotos. b) terremotos; falhamentos; dobramentos; vulcões; movimentos tectônicos. c) vulcões; falhamentos; terremotos; movimentos tectônicos; dobramentos. d) movimentos tectônicos; falhamentos; dobramentos; terremotos; vulcões. e) terremotos; vulcões; falhamentos; dobramentos; movimentos tectônicos. 10. Observe o mapa a seguir. Terreno Rio Piranhas Terreno GranjeiroLineamento Faixa Piancó-Alto Brígida Terreno São José do Campestre Terreno Alto Paieu Terreno Alto Moxotó Terren o Rio Capiba ribe Terrenos sedimentares Cenozoico Paleo-mesozoico Granitoides/migmatitos A estrutura geológica da Paraíba é constituída por mais de 80% de rochas cristalinas, datadas do Pré-Cambriano, e por dois principais terrenos sedimentares, datados do mesozoico ao cenozoico. Os recursos minerais explorados nos terrenos sedimentares diferem, substancialmente, daqueles explorados nos terrenos cristalinos, visto que a composição geológica é totalmente distinta. Com base no exposto e na literatura sobre o assunto, é correto afirmar. 145 a) No Agreste, localiza-se o maior terreno sedi- mentar do estado, com exploração de calcário voltado, principalmente, para a produção de gesso. b) No Sertão, localiza-se a Bacia Sedimentar do Rio do Peixe, que, além de ter em andamento a exploração de petróleo, é grande produtora de granito para o mercado externo. c) Na Borborema, localizam-se os dois terrenos sedimentares que se destacam pela produção de pedras preciosas e ornamentais, voltadas para o mercado externo. d) No Sertão, situa-se a Bacia Sedimentar do Rio do Peixe, com produção de petróleo e explo- ração de calcário para a produção de gesso. e) Na Zona da Mata, localiza-se o maior terreno sedimentar do estado, com exploração de cal- cário voltado, principalmente, para a produ- ção de cimento. E.o. tEstE ii 1. Com relação à estrutura geológica do territó- rio brasileiro, assinale a afirmativa INCOR- RETA: a) as estruturas muito antigas do embasamento fundamental alternam-se com as estruturas se- dimentares de diferentes períodos geológicos. b) aos terrenos sedimentares estão associadas as jazidas de combustíveis fósseis, como petró- leo e carvão mineral. c) aos terrenos cristalinos estão associadas as jazidas minerais de grande importância eco- nômica, como minério-de-ferro e bauxita. d) os terrenos vulcânicos expandem-se pela maior parte do território, constituindo a base do relevo recente, ainda em processo de for- mação. e) as estruturas geológicas dos dobramentos ter- ciários, formadores de grandes cadeias mon- tanhosas, inexistem no território brasileiro. 2. Tratando das relações entre o relevo e a es- trutura geológica do território brasileiro, é verdadeiro afirmar que: a) as regiões de chapadas e chapadões estão relacionadas às rochas cristalinas e consti- tuem os denominados escudos brasileiros. b) o Planalto do Maranhão-Piauí, marcado por chapadas e “cuestas”, relaciona-se a rochas sedimentares e compõe a chamada bacia do Meio-Norte. c) as depressões sertanejas semi-áridas relacio- nam-se preferencialmente às áreas de domí- nio de rochas sedimentares e vulcânicas. d) os relevos de “cuestas” ocorrem preferen- cialmente em áreas de domínio de rochas cristalinas muito antigas. e) o denominado domínio dos “mares de mor- ros” formou-se por ação de intenso intempe- rismo físico sobre rochas sedimentares. 3. “No subsolo da América do Sul, há um imen- so reservatório de água pura, com mais lí- quido do que o existente em todos os rios do mundo. Essa fonte valiosa precisa ser prote- gida para servir ao futuro.” (“Superinteressante”, julho 1999, p. 62-67.) O texto refere-se ao manancial subterrâ- neo conhecido como “Aquífero Guarani” ou “Aquífero Gigante do Mercosul”. Sobre esse assunto, marque verdadeira (V) ou falsa (F) em cada afirmação a seguir. ( ) A camada de rocha porosa, que armazena a água da chuva, é arenito, de origem eó- lica, da formação Botucatu e pertencente à bacia sedimentar do Paraná. ( ) A camada arenítica está encoberta por ro- chas vulcânicas da formação Serra Geral, estendendo-se por seis estados brasilei- ros, além de parte da Argentina, Uruguai e Paraguai. ( ) O arenito pode ser encontrado até a 1000 metros de profundidade e, quando aflo- ra à superfície, é utilizado para fabricar lajotas e pisos, o que certamente afeta o potencial e a qualidade do aquífero. A sequência correta é: a) V - F - V. b) V - V - F. c) F - F - V. d) F - V - F. e) V - F - F. 4. Considere os mapas apresentados abaixo, para responder à questão. Mapa I Mapa II 0 500 km Fonte: professor.bio.br/geografia Relacione a estrutura geológica brasileira e a exploração econômica dos principais recur- sos minerais nos mapas. a) Mapa I - Rochas cristalinas (ferro, manganês e cassiterit; Mapa II - Rochas sedimentares (petróleo e carvão). b) MapaI - Rochas cristalinas (petróleo e car- vão); Mapa II - Rochas sedimentares (ferro, manganês e cassiterita). c) Mapa I - Rochas sedimentares (bauxita, fer- ro e manganês); Mapa II - Rochas cristalinas (petróleo, carvão e ouro). d) Mapa I - Rochas cristalinas (ferro, manganês e cassiterita); Mapa II - Rochas sedimentares (bauxita, ouro e cassiterita). e) Mapa I - Rochas sedimentares (ferro, ouro e bauxita); Mapa II - Rochas cristalinas (pe- tróleo, carvão e ouro). 146 5. As reservas petrolíferas estão relacionadas a um tipo de formação geológica. Indique, corretamente, esse tipo de formação. a) Escudos cristalinos. b) Bacias sedimentares. c) Dobramentos cenozoicos. d) Placas tectônicas. e) Aluviões quaternários. 6. A extração de minerais metálicos no Brasil, como ferro, bauxita, cassiterita, ouro, den- tre outros, concentra-se principalmente nos estados de Minas Gerais, Goiás, Pará, Mato Grosso e Rondônia. Essa atividade está asso- ciada basicamente às: a) áreas de escudos cristalinos, afetados por movimentos orogenéticos recentes, do perí- odo terciário da Era Cenozoica. b) áreas de dobramentos modernos do ceno- zoico, que ainda não sofreram intensa ação erosiva. c) áreas de bacias sedimentares, que apresen- tam sedimentação no período quaternário da Era Cenozoica. d) áreas de escudos cristalinos, corresponden- tes aos cinturões orogênicos e às intrusões ígneas do período Pré Cambriano. e) áreas de bacias sedimentares, que sofreram extensivos derrames vulcânicos no período Jurássico da Era Mesozoica. 7. Considere o mapa adiante para responder à questão. (Simielli, M.E. - “Geoatlas”, São Paulo, Ática, 2000, p. 83) CONCENTRAÇÕES MINERAIS 920 km Está correta a alternativa. a) Tipo de rocha – Sedimentar. Ocorrência mineral - petróleo/carvão. b) Tipo de rocha – Cristalina. Ocorrência mineral - bauxita/carvão. c) Tipo de rocha – Metamórfica. Ocorrência mineral - petróleo/bauxita. d) Tipo de rocha – Cristalina. Ocorrência mineral - carvão/ferro e) Tipo de rocha - Sedimentar Ocorrência mineral - ferro/bauxita 8. Analise este mapa, em que está representada a distribuição de uma das grandes unidades geológicas da América do Sul: FONTE: SCHOBBENHAUS, Carlos et al. (Coords.). “Geologia do Brasil.” Brasília: Departamento Nacional da Produção Mineral, 1984. Cap. I, p. 10. OCEANO ATLÂNTICO OCEANO PACÍFICO OCEANO ATLÂNTICO 0 1000 km N A partir da análise feita, é CORRETO afirmar que, nas áreas hachuradas nesse mapa, pre- dominam: a) bacias sedimentares paleozoicas e mesozoi- cas, que abrigam importantes jazidas de pe- tróleo e gás, o que as torna áreas alvo de interesse para a exploração econômica. b) escudos e maciços antigos submetidos a in- tensa e prolongada ação erosiva ao longo do tempo geológico. c) cadeias de montanha localizadas em limites de placas litosféricas, que, em razão de seu posicionamento latitudinal, quebram a zo- nalidade climática. d) derrames vulcânicos atualmente modelados em planaltos de topografia pouco acidentada e revestidos por solos de fertilidade elevada. 9. Cerca de uma dezena de bacias sedimentares estão situadas na Amazônia Legal Brasileira, perfazendo quase 2/3 dessa área territorial. Três delas - bacias do Solimões, Amazonas e Paranaíba - são as mais importantes, não só pelo tamanho (juntas ocupam aproximada- mente 1,5 milhão de km2), mas principal- mente pelo seu potencial. Fonte: “Amazônia Legal”, 2003. O texto refere-se à existência, nessas bacias sedimentares, de expressivos depósitos de. a) Níquel e minério de ferro. b) Ouro e diamantes. c) Manganês e estanho. d) Petróleo e gás natural. e) Urânio e tório. 147 10. Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações a seguir, referentes a correspon- dências entre escala geológica do tempo e evolução física da Terra. ( ) Ao período Terciário, durante o Cenozoi- co, corresponde a formação de escudos cristalinos, como o Brasileiro. ( ) O soterramento de florestas de samam- bais e coníferas, durante o Carbonífero, deu origem a jazidas de carvão fóssil. ( ) Ao Mesozoico corresponde o derrame vul- cânico que se encontra na bacia sedimen- tar do Paraná. ( ) No final do Pré-Cambriano, houve a divi- são da Pangeia, constuindo-se os super- continentes de Laurásia e de Gondwana. ( ) Dobramentos modernos, como os Andes e o Himalaia, ocorreram no Cenozoico. A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: a) V - F - V - V - F. b) V - F - F - V - F. c) F - V - V - F - V. d) F - V - V - F - F. e) F - F - F - V - V. E.o. tEstE iii 1. (Ufpe) A região de Carajás é uma das pro- víncias minerais mais importantes do Brasil. Nela, são encontradas expressivas jazidas de ferro, manganês, cobre e bauxita, que tem uma participação destacada na pauta de ex- portações do país. A BAUXITA é utilizada so- bretudo para a produção de: a) material de construção utilizado em viadu- tos e pontes. b) estanho metálico. c) filamento para lâmpadas. d) material para computadores. e) alumínio. 2. Essas unidades geológicas são regiões mui- to antigas, estáveis, do ponto de vista tec- tônico, e compostas por rochas ígneas e se- dimentares metamorfizadas, que afloram e geralmente exibem marcas de deformações pretéritas. A maioria dessas rochas tem uma idade pré-cambriana. A descrição acima re- fere-se aos(às): a) estratos concordantes de rochas sedimenta- res metamorfizadas. b) escudos continentais. c) arcos insulares antigos. d) estruturas tectônicas alpinas. e) plataformas sedimentares. 3. Sobre as grandes estruturas geológicas da Terra, estão CORRETAS as afirmações: I. Os Escudos Cristalinos são dobramentos antigos, surgidos do entrechoque das massas continentais ancestrais. ( ) II. Tectonismo é a denominação geral para a ação sobre a crosta gerada pela pressão dos materiais do magma. ( ) III. As Bacias Sedimentares originaram-se do entrechoque de placas ocorrido no final do período Cretáceo e início do período terciário. ( ) IV. Nos dobramentos antigos (Escudos Cris- talinos), concentram-se os vulcões ativos e extintos e também as grandes fraturas da crosta. ( ) a) I e II b) II e III c) I e III d) III e IV e) I e IV E.o. dissErtativo 1. Explique a formação das bacias sedimentares. 2. Explique como se deu o processo de formação do carvão e do petróleo. 3. Analise a figura e o texto apresentados a seguir. Bacia Sedimentar do Paranám 2000 1000 0 Pantanal mato-grossense Rio Paraná Oceano Terrenos cristalinos Terrenos sedimentares 148 O perfil geológico anterior apresenta, dentre outras unidades geomorfológicas, o relevo da bacia do Paraná, o qual abrange rochas sedimentares, com idades desde o Devoniano até o Cretáceo, e rochas ígneas do Mesozoico. ROSS, Jurandir Luciano Sanches. Os fundamentos da geografia da natureza. In: ROSS, J.L.S. (Org.). Geografia do Brasil. 2. ed. São Paulo: Edusp, 1998. p. 55; 63. [Adaptado]. Tendo em vista a ocorrência de solos mais férteis, originados do arcabouço geológico apresentado: a) indique e descreva a unidade de relevo associada. b) caracterize o tipo de rocha que deu origem a esses solos. c) cite dois produtos agrícolas mais cultivados nesses solos. 4. O Estado do Rio de Janeiro apresenta, em seu litoral, um grande número de restingas: Maçambaba, Saquarema, Itaipu-Piratininga, lpanema-Leblon, Marapendi e Marambaia. Rio de Janeiro Lagoa de Maricá Lagoa de Araruama Lagoa de Jacarepaguá Niterói Lagoa de Saquarema Praia de Saquarema Lago R. de Freitas Restinga de Marambaia Restinga de Marapendi Praia de Itaipu Restinga de Maçambaba Fonte: docslide.com.brA formação de uma restinga está ligada a processos naturais de retificação da costa. Explique o processo de formação de uma restinga. 5. As rochas sedimentares constituem uma das grandes classes de rochas existentes na crosta terres- tre. Em relação à sua formação e identificação, indique: a) Como ocorrem os seus processos de formação. b) Três tipos de rochas sedimentares. 6. (Fuvest) COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO PAULISTA m IV III II I Ri o Pa ra ná Oc ea no A tlâ nt ic o AB 2000 1600 1200 800 400 FONTE: Ab’Saber, IPT, 1981. (NO)B A(SE) a) Identifique as unidades geomorfológicas I, II, III e IV do Estado de São Paulo. b) Escolha uma dessas unidades e explique os processos de sua formação. 7. (Fuvest) ...”Tudo murcha, pois a indústria extrativa (e não transformadora) de minerais não cos- tuma deixar senão um rastro de pó e tristeza...” Carlos Drummond de Andrade, em “O horizonte, a exaustão” a) Caracterize duas áreas nas regiões Sul e Sudeste, quanto à natureza econômica da exploração e ao destino da produção mineral. b) Explique duas consequências da atividade mineradora para o ambiente e a sociedade dessas áreas. 149 E.o. EnEm 1. As plataformas ou crátons correspondem aos terrenos mais antigos e arrasados por mui- tas fases de erosão. Apresentam uma grande complexidade litológica, prevalecendo as ro- chas metamórficas muito antigas (pré-Cam- briano Médio e Inferior). Também ocorrem rochas intrusivas antigas e resíduos de ro- chas sedimentares. São três as áreas de pla- taforma de crátons no Brasil: a das Guianas, a SulAmazônica e a do São Francisco. ROSS, J. L. S. Geografia do Brasil. São Paulo: Edusp, 1998. As regiões cratônicas das Guianas e a Sul Amazônica têm como arcabouço geológico vastas extensões de escudos cristalinos, ri- cos em minérios, que atraíram a ação de em- presas nacionais e estrangeiras do setor de mineração e destacam-se pela sua história geológica por: a) apresentarem áreas de intrusões graníticas, ricas em jazidas minerais (ferro, manganês). b) corresponderem ao principal evento geológi- co do Cenozoico no território brasileiro. c) apresentarem áreas arrasadas pela erosão, que originaram a maior planície do país. d) possuírem em sua extensão terrenos cristalinos ricos em reservas de petróleo e gás natural. e) serem esculpidas pela ação do intemperismo físico, decorrente da variação de temperatura. 2. De repente, sente-se uma vibração que au- menta rapidamente; lustres balançam, ob- jetos se movem sozinhos e somos invadidos pela estranha sensação de medo do impre- visto. Segundos parecem horas, poucos mi- nutos são uma eternidade. Estamos sentindo os efeitos de um terremoto, um tipo de abalo sísmico. ASSAD, L. Os (não tão) imperceptíveis movimentos da Terra. ComCiência: Revista Eletrônica de Jornalismo Científico, no 117, abr. 2010. Disponível em: http:// comciencia.br. Acesso em: 2 mar. 2012. O fenômeno físico descrito no texto afeta in- tensamente as populações que ocupam espa- ços próximos às áreas de: a) alívio da tensão geológica. b) desgaste da erosão superficial. c) atuação do intemperismo químico. d) formação de aquíferos profundos. e) acúmulo de depósitos sedimentares. gaBarito E.O. Teste I 1. C 2. D 3. B 4. D 5. B 6. A 7. A 8. D 9. A 10. E E.O. Teste II 1. D 2. B 3. B 4. A 5. B 6. D 7. A 8. B 9. D 10. C E.O. Teste III 1. E 2. B 3. A E.O. Dissertativo 1. Áreas baixas de deposição de sedimentos- vindos de terrenos mais altos. 2. Combustíveis fósseis a partir da decomposi- ção de animais marinhos - petróleo; e for- mações vegetais - carvão mineral. 3. a) A maior unidade de relevo corresponde aos Planaltos e Chapadas da Bacia Sedi- mentar do Paraná, superfície com altitu- des entre 500 e 1000 metros conforme do perfil, onde predomina a erosão. A super- fície apresenta colinas e as cordas apre- sentam cuestas (frente íngreme, reverso com baixo declive e camadas de rochas inclinadas). b) Os solos mais férteis como a Terra Roxa originaram-se pelo intemperismo de ro- chas vulcânicas (magmáticas ou ígneas extrusivas), como o basalto. c) Trata-se de uma região com agronegócio desenvolvido. Em São Paulo, predomina o cultivo de cana-de-açúcar. Em Mato Gros- so do Sul, destaca-se a produção de soja. 4. A restinga e os cordões litorâneos de modo geral são formados por depósitos de sedi- mentos marinhos por ação das ondas e das correntes marinhas. Enquanto a linha de praia se ajusta à elevação gradual do nível do mar, nas áreas mais deprimidas a água do mar penetra, formando lagunas. 5. a) Resultam da deposição de sedimentos ou detritos e rochas preexistentes, alterados por erosão. b) Arenito, calcário, turfa. 150 6. a) As unidades geomorfológicas do estado de São Paulo são: I. Planície Litorânea ou Costeira II. Planalto Atlântico III. Depressão Periférica IV. Planalto Ocidental Paulista b) Unidade I: a Planície Litorânea ou Costei- ra teve seu processo de formação funda- mentado na deposição de materiais (de- tritos e sedimentos). Unidade II: o Planalto Atlântico apareceu devido ao soerguimento dos escudos cris- talinos, no período Pré-Cambriano. Unidade III: a Depressão Periférica foi esculpida, por erosão regressiva, prin- cipalmente sobre sedimentos da borda da Bacia Sedimentar do Paraná (Planal- to Ocidental Paulista), mas também em contato com o relevo de terrenos crista- linos (Planalto Atlântico). Unidade IV: formou-se pela sobreposição de camadas de arenito e basalto, inclinadas de forma decrescente na direção ocidental. 7. a) Vale do Tubarão SC - carvão mineral para consumo interno; Quadrilátero Ferrífero MG - Fe, Mn exportação consumo interno. b) SC - poluição do Vale do Rio Tubarão E.O. Enem 1. A 2. A © Al ex an de r I sh ch en ko /S hu tte rs to ck Geomorfologia Aulas 13 e 14 153 © Al ex an de r I sh ch en ko /S hu tte rs to ck Geomorfologia é a ciência que estuda as formas su- perficiais dos relevos, a fim de determinar a origem e a evolução deles. A dinâmicA do relevo A crosta terrestre está em constante processo de mo- dificação. Todos os dias, os sismógrafos registram mais de mil pequenos abalos sísmicos que, em sua maioria, não são sentidos por nós, mas constituem uma prova da grande atividade no interior do planeta. É correto dividir os agentes modificadores do relevo terrestre em dois grandes grupos: os agentes estruturais (internos) e os agentes esculturais (ex- ternos). Os estruturais, como o tectonismo, o vulcanismo e os abalos sísmicos, acontecem no interior da Terra e atuam de forma temporária e concentrada. Os esculturais, como o intemperismo, as águas cor- rentes, o mar, o vento, os animais, o homem, modificam ex- ternamente a crosta terrestre e atuam de forma constante. É o contínuo antagonismo das forças internas com as forças externas que moldam e modificam cons- tantemente o relevo terrestre. Agentes internos Os agentes internos, endógenos ou endodinâmicos estruturais, são responsáveis pela formação ou modi- ficação da fisionomia do relevo. Esses agentes internos estão ligados ao movimento das placas tectônicas e aos fenômenos magmáticos. Teoria da tectônica de placas As duas principais explicações sobre a dinâmica do plane- ta – a deriva continental e a teoria das correntes de con- vecção – foram contestadas por cientistas em meados do século XX, provocando novas investigações com o objeti- vo de encontrar mais evidências que comprovassem a pro- posta de Wegener, ou seja, a teoria da deriva continental. O aprimoramentode equipamentos para locali- zação de submarinos, quando a Segunda Guerra Mun- dial terminou, possibilitou melhorar os mapas do fundo oceânico e localizar ambientes com forte atividade ge- ológica, responsáveis pelo deslocamento de terras. Tal descoberta entrava em conflito com o modelo vigente que apresentava a litosfera como sendo uma crosta rí- gida, fixa e contínua. Tornou-se possível identificar que a litosfera é constituída por duas crostas: a oceânica e a continental, que se situam em blocos ou placas que permitem movi- mentos verticais e laterais. Assim nascia a Teoria da Tectônica de Placas rea- firmando a teoria da deriva continental graças ao argu- mento de que a litosfera (crosta continental e oceânica) está dividida em 12 placas tectônicas que flutuam sobre o manto, um substrato pastoso, às vezes mais fluido, que as movimenta. Essas placas não têm a mesma di- mensão nem são fixas. Seus limites são, aproximada- mente, determinados pela presença de linhas de forte atividade sísmica e vulcanismo. Os limites dos continentes não coincidem neces- sariamente com os limites das placas. O deslocamento dessas placas provoca várias deformações e fenômenos em seus contornos: surgimento de cadeias de monta- nhosas, falhamentos, vulcanismos e terremotos. As áre- as geologicamente instáveis da crosta terrestre, como os Andes, as Rochosas e o Himalaia, nada mais são do que locais onde ocorrem colisões ou seccionamentos de placas. Ao se movimentarem na horizontal, as placas tectônicas podem se aproximar (movimentos conver- gentes) ou se afastar (movimentos divergentes). Os movimentos convergentes correspondem ao choque de duas placas tectônicas que se movimentam uma no sentido da outra, como é o caso na Cordilheira dos An- des, na América do Sul, a crosta oceânica situada na placa de Nazca, no oceano Pacífico, movimenta-se de encontro à crosta continental da placa Sul-Americana. A placa de Nazca, cuja densidade é maior e espessura menor em relação à placa Sul-americana, mergulha sob ela em direção ao manto – fenômeno denominado de subducção. Resultado: a crosta continental eleva-se, for- mando uma cadeia de montanhas, a cordilheira. Como o manto encontra-se em temperaturas elevadas, a pla- ca de Nazca funde-se à medida que afunda no manto, tornando-se parte dele e caracterizando uma região de destruição de placas. 154 Falha de Sto. André Na falha de Sto. André, a Placa do Pacifico e a Norte-Americana deslizam ao longo uma da outra - limite conservativo. Ocorrem violentos sismos. Não há erupções vulcânicas. Na Dorsal Médi-Atlântica, o material quente do manto sai pelo rifte, originando crosta oceânica. A Placa Norte-Americana e a Euro-Asiática afastam-se - limite divergente. A actividade vulcânica e sísmica é variável. Crosta continental Litosfera Divergente Fossa Conservativo Direcção do movimento Convergente Indefinido Himalaias Planalto do Tibete A Placa de Nazca move-se em direcção à Sul-Americana - limire convergente. A crosta oceânica, mais pesadam mergulha. Ocorrem violentos sismos, erupções vulvânicas e formação de montanhas. A Placa Indo-Australiana colide com a Europa-Asiática - limite convergente. Os terrenos entre elas são erguidos, formando altas montanhas. Ocorrem violentos sismos. Fo nt e: p ro fe ss or al ex in ow a. w eb no de .c om .b r/ ge ol og ia No movimento divergente, as placas tectônicas, ao se afastarem, formam regiões geradoras de placas. O caso principal desse evento é abertura do oceano Atlântico. O Brasil afasta-se do continente africano em média três centímetros ao ano. Razão disso? No meio do oceano Atlântico, no limite entre as placas Sul-Americana e Africana, há uma abertura na litosfera que faz o assoalho oceânico movimentar-se, fazendo com que o magma, ao se solidificar em função das temperaturas mais baixas do que a do interior da Terra, dê origem a uma nova placa. Como esse processo de ascensão de magma é constante, formam-se cadeias montanhosas submarinas, as Dorsais Meso-Oceânicas. Nesse caso, a Dorsal Mesoatlântica. 155 Placa Norte -Amer icana PlacaEuro-Asiática Dorsal Médio-Atlântica Dorsal Meso-atlântica Ao observar um mapa-múndi físico, é possível constatar que a distribuição das cordilheiras e das áre- as vulcânicas não é caótica ou puramente casual, pelo contrário, obedecem a uma determinada lógica. A maior parte das mais altas cadeias de montanhas do globo está posicionada nas bordas de placas, nos oceanos. Nelas encontram-se as fossas submarinas com 8,5 mil a 11 mil metros de profundidade, as áreas mais profundas dos oceanos, praticamente encostadas nos continentes. As cadeias montanhosas submarinas, estão em meio aos oceanos, quase sempre na metade do caminho en- tre um continente e outro, distribuídas longitudinalmen- te – como meridianos –, cujos picos, às vezes, emergem formando ilhas vulcânicas. Razão de sua denominação: dorsais – de dorso, espinha – meso-oceânicas – no meio dos oceanos. A colisão das placas ou a compressão de suas bor- das deram origem às grandes cordilheiras atuais – Mon- tanhas Rochosas e Andes (no oeste das Américas), Alpes e Himalaia (no sul da Eurásia), Atlas (no norte da África) etc. A maioria das ilhas e arquipélagos representam frag- mentos deixados para trás durante o deslocamento das placas. É o caso das Antilhas, da Nova Zelândia, do arqui- pélago japonês e demais ilhas a leste da Ásia. vulcAnismo É a atividade mediante a qual o material magmático, expulso do interior da Terra, alcança a superfície e dá origem ao relevo vulcânico, geralmente em forma de cone e de altura variável. Os materiais expelidos podem ser sólidos, lí- quidos ou gasosos. Os assoalhos oceânicos, especialmente os das dorsais submarinas, concentram parte significativa dos vulcões do globo. Milha- res de ilhas oceânicas forma- ram-se em razão de atividade vulcânica. A principal região vulcânica da Terra é o anel de dobramentos que cerca o Oceano Pacífico, conheci- do como Círculo de Fogo do Pacífico, da Cordilheira dos Andes às Filipinas, passando pela costa ocidental da Amé- rica do Norte e pelo Japão, onde se encontram cerca de três quartos dos vulcões ati- vos do mundo. PLACA DO PACÍFICO PLACA DE NAZCA PLACA SUL-AMERICANA PLACA AFRICANA PLACA NORTE-AMERICANA PLACA FILIPINA PLACA EURASIÁTICA PLACA INDIANA PLACA ARÁBICA PLACA INDIANA PLACA INDIANA Fo nt e: w w w .t od oe st ud o. co m .b r/ ge og ra fia Círculo de Fogo do Pacífico 156 tectonismo ou diAstrofismo Os abalos sísmicos ou terremotos são movimentos na- turais da crosta terrestre que se propagam por meio de vibrações e são percebidos de maneira direta pelas pes- soas ou por meio de instrumentos especiais, os sismó- grafos. Essa movimentação natural está relacionada: ao desmoronamento de camadas de rochas no interior da Terra – desmoronamentos internos –, às explosões in- ternas ou à acomodação de materiais em razão do vazio após a expulsão do magma do interior – causas vulcâni- cas –, ou, ainda, a causas tectônicas. Os abalos sísmicos relacionados ao tectonismo costumam ser os mais vio- lentos. Há bastante coincidência entre a localização dos terremotos e as áreas vulcânicas e tectônicas, 42% do epicentro deles situam-se no Círculo de Fogo do Pacífico. A intensidade de um terremoto varia de acordo com a distância entre o local de origem do terremo- to (hipocentro ou foco) e o local onde se manifesta na superfície (epicentro), além da heterogeneidade das ro- chas. O epicentro é o ponto da superfícieterrestre verti- cal ao foco de um terremoto. Quanto maior a distância entre o foco e o epicentro menor será a intensidade, bem como quanto mais resistentes as rochas menores serão os danos causados. Os sismógrafos servem para medir a intensidade dos sismos baseando-se na classificação que os efeitos das ondas sísmicas podem provocar. Utilizam-se duas escalas para medir os terremotos: a Escala Richiter mede a quantidade de energia liberada em cada ter- remoto, e a escala Mercalli classifica a intensidade do tremor a partir dos efeitos sentidos pelas pessoas, cons- truções e natureza. Ondas sísmicas Epicentro Hipocentro Epirogênese São movimentos verticais que provocam o rebaixamento ou soerguimento da litosfera. A epirogênese não perturba significativamente a estrutura da crosta, mas pode causar arqueamentos, rebaixamentos ou falhas. O Horst e a Graben são os dois principais tipos de falhamentos. Orogênese São movimentos horizontais que ocorrem nas zonas de contato entre placas tectônicas, afetando as rochas menos resistentes. 157 AbAlos sísmicos São movimentos súbitos da crosta terrestre provocados pelo processo de vulcanismo, tectonismo, por acomodações geológicas ou desmoronamentos de camadas internas da Terra, que produzem ondas vibratórias que se espalham em todas as direções. Se manifestarem na superfície dos continentes, são chamados terremotos, se ocorrerem no fundo dos oceanos, são denominados de maremotos. O local exato onde o abalo sísmico tem origem é denominado hipocentro ou foco. O ponto da superfície situado diretamente acima do foco é denominado epicentro. Os principais locais de ocorrência de abalos sísmicos e o círculo de fogo do Pacífico, nos limites de placas tectônicas. 158 Outro tipo de fenômeno relacionado com os abalos sísmicos, em particular com o maremoto, é a tsunami, fenômeno que provoca o aparecimento de ondas gigantes, longas e velocíssimas (900 km/h); podem atingir 50 metros de altura e avançar quilômetros interior a dentro do continente. Um terremoto de nove graus na escala Richter,com epicentro no oceano Índico atingiu, em dezembro de 2004, o litoral de treze países, deixando um saldo de mortes superior a 200 mil pessoas. Mapa das zonas sísmicas Vladivostok Nordvik Lanzhou Wellington 180 ° 051 ° 021 ° 90° 06 ° 30° 0° 180 ° 150 ° 120 ° 90° 60° 30° 180 ° 150 ° 120 ° 90° 60° 30° 0° 180 ° 150 ° 120 ° 90° 60° 30° 0° 30° 30° 60° 90° 60° 60° 90° 30° 0° 30° 60° Baixa 0 0,2 0,4 0,8 1,6 2,4 3,2 4,0 4,8 5,6 Média Alta Muito alta Fonte: Global Seismic Hazard Program Como se forma um tsunami 159 Agentes externos O relevo terrestre encontra-se em permanente desen- volvimento. Suas formas criadas por agentes internos estão constantemente sofrendo a ação dos chamados agentes externos do relevo, que realizam um trabalho de modelagem da paisagem terrestre. Esse trabalho é contínuo e incessante. As forças exógenas correspon- dem à ação de agentes naturais, como águas correntes, ventos, mares, geleiras, seres vivos e outros. Apesar de essa atividade abranger toda a superfície terrestre, é fundamental entender que, além do trabalho específico de cada um deles, a participação de cada um difere bas- tante de acordo com a área em que atuam. Há dois tipos básicos de desgaste e decompo- sição do relevo, das rochas e dos solos, classificados como: intemperismo físico e intemperismo químico. O físico corresponde às transformações físicas, como a fragmentação, que posteriormente se depositará numa outra região. Em ambientes extremos, como desertos ou áreas congeladas, predomina o intemperismo físi- co. Com as variações térmicas, os corpos dilatam-se e contraem-se em curtos períodos de tempo e acabam fragmentando-se, criando a possibilidade de transporte desses fragmentos pela ação dos ventos ou das águas, o que caracteriza a erosão. O intemperismo químico é caracterizado pela alteração química de rochas ou de solos em soluções aquosas. Apesar de naturalmente destilada, a água das chuvas não é pura. Há gases do ar dissolvidos nela. Entre eles, os mais importantes são o oxigênio e o gás carbônico, que, em contato com a água – notadamente o gás carbônico –, formam ácidos com ações corrosivas, alterando assim quimicamente os mi- nerais que compõem as rochas e solos. O intemperismo químico ocorre em regiões com alto índice pluviométri- co, como as regiões equatoriais, onde ocorrem chuvas mais intensas. A ação biológica também compõe ações intem- péricas. A ruptura de solos e rochas pela força das raízes de uma árvore compõe o intemperismo físico-biológico; as atividades orgânicas de bactérias e fungos, como na decomposição de animais ou vegetais, transformam quimicamente as rochas e os solos e caracterizam o in- temperismo químico-biológico. tipos de erosão Eólica Pode ocorrer de duas maneiras: por deflação e por corrosão. No caso da deflação, o vento faz uma varredura de uma superfície e remove sedimentos soltos. Na corrosão, o vento é pesado e carregado de partículas em suspen- são, por isso atua somente nas partes mais baixas, formando figuras em forma de “cogumelos” ou “taças”. A acumulação eólica, por sua vez, é responsável pela formação de dunas e de loess – sedimento fértil de coloração amarela. As dunas são montanhas de areia formadas pela ação do vento e aparecem em litorais, áreas continentais e desertos. As dunas litorâneas podem ser fixas ou móveis – podem até mesmo soterrar grandes extensões de terra, às vezes, cidades inteiras. © jo se m ar qu es lo pe s/ Sh ut te rs to ck Taça ou cálice, Ponta Grassa, Paraná 160 Pluvial A chuva é um dos agentes erosivos mais ativos. Provoca enchentes e enxurradas. Dependendo do grau de intensi- dade das águas das chuvas, ocorre erosão pluvial do tipo superficial, laminar, de sulcos e de ravinamento. Ilustração esquemática do processo erosivo pluvial com foco para a formação de ravinas. Fluvial A erosão fluvial favorece a formação de planícies e ilhas em foz do tipo delta. As correntes de água transportam materiais que são depositados em outros locais. Grand Canyon é um exemplo de intemperismo físico com gênese fluvial. Glacial É o trabalho de formação do relevo feito pelas geleiras. Ao descer de áreas mais altas para outras mais baixas, o gelo pode causar a abertura de vales normalmente chamados de fiordes. 161 Erosão marinha ou abrasão É o trabalho destrutivo ou construtivo como resultado da ação do mar. Bastante comum nos litorais de costas altas, é causado pela ação das ondas, que vão corroendo as bases e causando desabamentos. O trabalho de acumulação marinha leva à formação de restingas, recifes, tômbolos, lagunas, lagoas e praias – superfícies cobertas de areias e localizadas em costa baixa. O trabalho de destruição marinha provoca o surgi- mento de barreiras e falésias. Formação de falésias Erosão acelerada É decorrente do agravamento dos processos naturais de erosão em razão do mau uso do solo, como o cultivo com técnicas inadequadas. Esse intemperismo é chamado de antrópico. Erosão acelerada pela ação de mineradoras unidAdes geomorfológicAs Principais formas de relevo, relacionadas com a geomorfologia local Planícies Superfícies planas com até 100 metros de altitude, formadas por sedimentação entre planaltos, por exemplo, sem levar em conta a altimetria. Planaltos De origem cristalina ou sedimentar, são superfícies irregulares com mais de 300 metros de altitude, onde predomina o processo de erosão. 162 Depressões Superfícies mais ou menos planas onde predomina o processo de erosão. Depressões relativas ficamacima do nível do mar e abaixo das regiões vizinhas. As de- pressões absolutas ficam no interior dos continentes, abaixo do nível do mar. Montanhas Formadas do tectonismo ou do vulcanismo, são formas de relevo com as maiores altitudes do planeta. Serras São terrenos muito trabalhados pela erosão, cuja alti- tude varia de 600 a 3,0 mil metros de altitude, são for- madas por morros ou cadeia de morros pontiagudos de origem cristalina. Escarpas Terrenos muito íngremes com 100 a 800 metros de al- titude, ocorrem na passagem de áreas baixas para um planalto. Tabuleiros Superfícies com 20 a 50 metros de altitude em conta- to com o oceano, ocupam trechos do litoral nordestino brasileiro. Em geral têm o topo muito plano e declives abruptos na face voltada para o mar, formando as cha- madas falésias ou barreiras. Chapadas Formações de origem sedimentar, constituídas por ca- madas de arenito e com o topo aplainado. Encontram- -se no Planalto Central: a Chapada do Araripe e a Cha- pada do Apodi, no estado do Ceará. Cuestas Formas de relevo assimétricas constituídas por uma su- cessão alternada de camadas, com diferentes resistên- cias ao desgaste, com inclinação formando um declive suave no reverso e um corte abrupto ou íngreme na frente da cuesta. A Ibiapaba, microrregião do Ceará é um exemplo de cuesta. Inselbergue Denominação usada por Bornhardt para identificar as elevações ilhadas em clima semiárido. São como resídu- os da pediplanação, semelhantes aos monodnocks, em climas áridos, quentes, semiáridos e úmidos. relevo submArino Dependendo da profundidade, o relevo submarino tem quatro partes: 163 Plataforma continental É a continuação submersa do continente. Geralmente rasa, não ultrapassa 200 metros de profundidade é rica em recursos naturais, como peixes e combustíveis fósseis. Talude continental É uma queda abrupta que marca a passagem da plataforma continental para a região pelágica. Região pelágica Corresponde ao assoalho oceânico, com formações semelhantes às dos planaltos, das depressões e das cadeias montanhosas. Tem profundidade em torno de 1,0 mil a 5,0 mil metros. Região abissal São regiões com profundidades superiores a 5,0 mil metros, marcadas por densa escuridão, baixa temperatura e gigantesca pressão. É a menos conhecida das partes do relevo submarino. 164 e.o. teste i 1. a b c epicentro ruptura hipocentro ou foco TEIXEIRA et al. Decifrando a Terra. São Paulo: Oficina de Textos, 2000. Sobre a dinâmica geológica apresentada, é correto afirmar que se: a) observa a geração de um sismo por liberação de esforços em uma ruptura. b) evidenciam áreas de subducção com mergu- lho de uma camada sobre a outra. c) percebem camadas que se comprimem e acu- mulam energia no núcleo terrestre. d) destacam diferentes linhas de ruptura que propagam vibrações para a superfície. e) ressalta uma zona de metaforfismo com de- formação de rochas sedimentares químicas. 2. A dinâmica interna e a externa da Terra pro- vocam modificações no relevo terrestre. São considerados, respectivamente, agentes mo- deladores internos (endógenos) e externos (exógenos) da Terra: a) Erosão e intemperismo. b) Águas correntes e vulcanismo. c) Geleiras e vento. d) Vulcanismo e tectonismo. e) Tectonismo e intemperismo. 3. Analise as afirmativas abaixo sobre terremo- tos e tsunamis no Chile. I. O terremoto de 8,2 graus na escala Ri- chter que ocorreu no Chile em abril de 2014 está associado à movimentação das placas tectônicas. II. Um terremoto de fundo oceânico na costa chilena é capaz de gerar um tsunami que, em sua propagação, pode atingir os paí- ses localizados no Pacífico Leste. III. Os terremotos chilenos são ocasionados por duas placas tectônicas em movimento divergente. Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s): a) I, apenas. b) II, apenas. c) I e II, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. 4. Ao processo de aumento do nível do mar, motivado por diminuição das áreas cobertas por geleiras, em face das fases de aqueci- mento global, dá-se a denominação de: a) transgressão marinha. b) eustatismo negativo. c) glaciação. d) tectonismo. 5. As lavas mais antigas estão justamente nas ilhas mais afastadas da Cadeia MédioA- tlântica; por outro lado, as mais jovens são encontradas nas ilhas adjacentes à referi- da Cadeia. Esta ocupa posição mediana no Atlântico, acompanhando paralelamente as sinuosidades da costa da África e da América do Sul. Portanto, o assoalho submarino está em processo de expansão. Esses dados mencionados apoiam a ideia de um importante modelo teórico empregado pela Geografia Física e pela Geologia. Qual alternativa contém esse modelo? a) Uniformitarismo das cadeias oceânicas. b) Teoria da Tectônica Global. c) Modelo da Litosfera Quebradiça. d) Teoria do Quietismo Crustal. e) Migração dos Polos Geográficos. 6. Existem diversos agentes que modelam o re- levo terrestre, provocando as modificações que ocorrem na crosta e as formas que as- sumem essas alterações. Com base nisso, é correto dizer-se que: a) a crosta terrestre sofre modificações intensas através da ação das plantas, que é o mais deter- minante aspecto para a formação dos relevos. b) os elementos astronômicos, como a queda de meteoritos e meteoros, determinam definiti- vamente a formação do relevo terrestre. c) as águas correntes e seu trabalho fluvial não provocam modificações intensas no relevo, já que não representam agentes de erosão e sedimentação. d) a ação de manadas de gados, fruto da am- bição desenfreada de pecuaristas, tem re- presentado um forte modificador do relevo, visto que provoca alterações substanciais através do pisoteio massivo do gado e con- figura-se como um grande desafio ao desen- volvimento sustentável atual. 165 e) os movimentos tectônicos, que provocam dobras e falhas, são os mais duradouros e os que mais profundas alterações determinam nas paisagens. 7. 1 - PERMIANO 225 milhões de anos PANGÉIA 2 - TRIÁSSICO 200 milhões de anos LAURÁSIA GONDWANA 3 - JURÁSSICO 135 milhões de anos 4 - CRETÁCEO 65 milhões de anos 5 - QUATERNÁRIO Presente Legenda Fraturas DISPONÍVEL em: www.telescopionaescola.pro.br. Acesso em: 3 abr. 2014 (adaptado). A partir da análise da imagem, o apareci- mento da Dorsal Mesoatlântica está associa- do ao(à): a) separação da Pangeia a partir do período Permiano. b) deslocamento de fraturas no período Triássico. c) afastamento da Europa no período Jurássico. d) formação do Atlântico Sul no período Cretáceo. e) constituição de orogêneses no período Qua- ternário. 8. A superfície terrestre encontra-se em per- manente evolução. Algumas mudanças que ocorrem são imperceptíveis de observação na escala temporal humana, enquanto outras podem ser facilmente verificadas, como a percebida no desenho esquemático a seguir. Observe-o. Pelas características visualizadas, é CORRETO afirmar que essa encosta está submetida ao seguinte processo físico-geográfico: a) erosão fluvial. b) movimento de massa lento. c) falhamento normal. d) desmoronamento. e) deslizamento. 9. Observe o mapa abaixo. PLACA NORTE-AMERICANA PLACA PACÍFICA PLACA DO CARIBE PLACA EUROASIÁTICA PLACA DAS FILIPINAS PLACA AFRICANA PLACA AUSTRALIANA OU INDO-AUSTRALIANA PLACA ANTÁRTICA PLACA SUL-AMERICANA PLACA DE NAZCA PLACA DE COCOS 0 2400 km N Direção das placas Limites das placas tectônicas Grandes cadeias de montanhas A partir do mapa, é CORRETO afirmar que: a) a divergência das Placas Sul-Americana e Africana é responsável pela expansão do