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DIREITO EMPRESARIAL
INTRODUÇÃO
Porque estudar Direito no curso de Administração?
Você já deve ter se perguntado isso quando olhou a grade do seu curso. Mas porque tenho que estudar direito no curso de administração?
Vou trazer alguns motivos para isso.
O Direito é uma das peças fundamentais para as empresas e comunidade, pois é através desta fonte que se tem a base das informações e conceitos, normas e regras, que norteiam a administração das empresas em geral, tanto privadas, quanto públicas.
Pois, não se pode dizer que não cumpriu porque não é conhecedor de tal lei, pelo contrário, é fundamental que as empresas estejam atentas a todas as normas e regras e suas atualizações para fazer um trabalho ético e a contento para os seus clientes.
Visualizando um pouco mais além do presente, caso as normas que não estão sendo cumpridas hoje, poderá ser cobrada mais tarde com ônus de juros, multas e responsabilização dos administradores e contadores, chegando até as consequências de prisão dos responsáveis. Por isso, não se pode negligenciar o envolvimento com as leis.
E neste sentido pode-se conceitua o Direito como “sistema de normas de conduta imposto por um conjunto de instituições para regular as relações sociais”. Portanto, as leis do direito é que norteiam as regras e normas dos homens na sociedade, para que possa viver em harmonia
Após, conceituado direito, precisa-se abrir o leque para entender como esse sistema funciona na sociedade, como ele interagem, como viabiliza, o que acontece realmente no cotidiano desta área tão relevante para a administração.
FONTES DO DIREITO
Lei 
A principal fonte do direito é a lei. E lei tem a finalidade, segundo Lustosa (apud em ESPULADOR, 2009, p.4): “da harmonia paire, serenamente, sobre a terra... É para isso que existem as leis. O homem é inteligente: inova, modifica, cria... destrói!” e continua afirmando que “Assim como o próprio homem teve de inventar a lei: para reger suas próprias ações ou omissões” e complementa afirmando que o homem inventou “a lei, que no fundo, é instrumento da paz social, da harmonia e felicidade. Eis a essência da lei!”.
Chamamos isso de Princípio da Legalidade. Este princípio é observado em todos os ramos do Direito.
No Direito Público ele aparece no contexto de que só é permitido ao Estado praticar atos previstos em leis. 
EX: o Direito Penal, que é um ramo do Direito Público, tem em seu art. 1º do CP que “Não há crime sem lei anterior que a defina, nem pena sem prévia cominação legal”.
Já do Direito Empresarial é uma ramo do Direito Privado, e de acordo com a legalidade privada, “aquilo que não é proibido em lei, é permitido”. Está previsto na CF, no art. 5º, II que dispõe: “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”.
Há uma hierarquia de valoração quanto às leis. E para isso temos a pirâmide de Kelsen
 Código Civil 
Legislação Comercial extravagante
Doutrina
A doutrina jurídica é o que os juristas, escritores, estudiosos do direito, escrevem sobre as leis e interpretações delas e passam isso para livros e escritas. É de suma importância para o direito esta doutrina, pois traz explicações mais apuradas sobre leis e consegue ampliar o leque de repasse do assunto específico. Portanto, com uma valiosa contribuição, o que já foi até obrigatório.
Jurisprudência
Já jurisprudência, outro ponto importante para entender o direito, são o conjunto das decisões e interpretações das leis feitas pelos tribunais superiores (STF/ STJ), adaptando as normas às situações de fato. 
Súmulas
É o resumo de vários julgamentos de um tribunal sobre determinada matéria, quando as decisões são no mesmo sentido.
Dentro das súmulas temos a vinculante, que tem força de lei, sendo assim ela é diferentemente das demais, porque passa a ser obrigatória não só para os órgãos do Poder Judiciário, mas também para os da administração pública em geral. Dizemos que é quando o Poder Judiciário utiliza seu poder para editar leis. 
Analogia
Conforme previsão do art. 4º da LINDB, quando a lei for omissa o juiz deve decidir de acordo com o a analogia, costumes e os princípios
Entende-se por analogia quando o juiz adapta a um caso concreto não previsto em lei, uma norma que possua o mesmo fundamento.
EX: é o Art. 655 do CCom, que determina que no caso de contrato de dinheiro a risco, ocorrer caso não previsto no Título "Do Contrato de Dinheiro a Risco ou Câmbio Marítimo", procurar-se-á sua decisão por analogia, quando compatível, no Título "Dos Seguros Marítimos", e vice-versa. 
Costumes
Temos também os costumes, que é a reiteração habitual e constante de certos atos, por longo período de tempo, pelo que adquirem força de lei se não contrariar a razão, os bons costumes, a ordem e os interesses públicos, ou seja, o uso reiterado de uma conduta que a tona obrigatória. 
EX: Comércio aberto aos domingos (mercados e lojas)
Princípios
É um conjunto de padrões de conduta presentes de forma explícita ou implícita no ordenamento jurídico. 
Assim como cada ramo do Direito é marcado pela presença de princípios gerais e específicos, no DE não é diferente, são eles que norteiam o DE.
Princípio da Livre Iniciativa: é a garantia de concessão de liberdade a qualquer pessoa que preencha os requisitos legais para o exercício da atividade empresarial.
Princípio da Dignidade da Pessoa Humana: tal princípio exige que a empresa viabilize os ditames da justiça social e prime pela redução das desigualdades regionais e sociais.
Princípio da boa-fé: interpretação dos negócios não dependem mais exclusivamente do conteúdo da contratação, devendo prevalecer também à intenção das partes na hora de contratar.
Princípio da soberania nacional: deve as empresas contribuir para a manutenção da soberania nacional, respeitando, nos negócios internacionais, apenas as normas que não ferem a soberania de nosso país.
Princípio da Propriedade Privada: esta é protegida justamente para que as pessoas possam realizar seus negócios balizados pela segurança jurídica.
Princípio da função social da empresa: Deve respeitar a necessidade de criação de postos de trabalho e respeito ao meio ambiente e ao seu público consumidor.
 Princípio da livre concorrência: todos os exercentes devem respeitar a existência de participantes do mercado, consequência natural na livre iniciativa.
Princípio da Defesa do Consumidor: cabe a todos respeitar os direitos dos consumidores, principalmente os exercentes de atividade empresarial.
Princípio do Tratamento Favorecida à Micro e Pequena Empresa: aparece de modo a incentivar a intensificação da atividade empresarial, respeitando as dificuldade econômicas próprias dos micros e pequenos negócios, exigindo assim tratamento favorecido.
Após uma exposição sobre toda uma base do direto, pode-se concluir que é de fundamental importância para a estrutura de sociedade como estrutura empresarial e física todos os entendimentos do direto e o que cada ponto interfere em nosso dia-a-dia e quais são essas interferências significativas.
Percebe-se que o conhecimento do Direito é fundamental para o administrador de empresas, pois é através dele que se tem a base das normas e regras que norteiam a administração das empresas em geral, tanto privadas, quanto públicas. 
Na administração são as leis que vão direcionar a empresa e as pessoas. O administrador deve ter uma visão ampla do direito para planejar, orientar os direitos e deveres dos seus empregados, fornecedores e clientes.
Na realização dos negócios jurídicos, que nada mais são que a expressão da vontade de determinadas pessoas, grupos, empresas, entre outros de deixar documentado uma decisão ou acordo que venha ser feito entre partes, sobre determinado assunto, para resguardar-se de futuros problemas de discussão sobre algum assunto, o administrador deve saber como funciona as contratações, principalmente no que diz respeito ao conhecimento da parte jurídica, para poder agir de acordo com as leis, para garantir o êxito de suas atividades profissionais.O administrador de empresas que não seguir corretamente as normas e regras do direito poderá responder por multas, pagar juros e até ser preso dependendo do tamanho do problema causado por sua irresponsabilidade, pois o administrador não poderá dizer que não cumpriu com suas obrigações porque não é conhecedor da lei.
Assim podemos concluir que todo conhecimento e entendimento que o administrador tiver sobre as normas jurídicas será fundamental para a estrutura da sua empresa. 
O Direito está em tudo e tem grande reflexo na fiscalização ou imposição de condutas, pelo Direito Penal, Direito Econômico, Direito Internacional, Direito Civil, Direito do Trabalho e Direito Empresarial.
 EMPRESARÁRIO
CONCEITO
Art. 966: Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços.
Empresário é definido na lei como o profissional exercente de "atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços" (art. 966, CC). 
CARACTERÍSTICAS 
Para melhor entender o conceito de empresário, bem como analisar os elementos que o caracterizam (atividade econômica, organização, profissionalidade e produção ou circulação de bens ou de serviços), seguir-se-á́ um estudo dividido em cinco grupos:
O exercício de uma atividade;
A natureza econômica da atividade;
A organização da atividade;
A profissionalidade no exercício de tal atividade;
A finalidade da produção ou da circulação de bens ou de serviços.
Atividade
Para sabermos o que é uma atividade, é necessário fazer a distinção entre ato e atividade.
Ato é cada parte de uma peça; significa algo que se exaure, que é completo e alcança o resultado pretendido. Ele atinge a finalidade para a qual foi praticado sem a necessidade de outro ato.
Já́ a atividade é o conjunto de atos coordenados para alcançar um fim comum, o que também se denomina “empresa”. Não é uma mera sequência de atos; é necessária a coordenação, como ocorre, por exemplo, com as linhas de produção de automóveis.
Atividade pressupõe uma habilidade do sujeito que a exerce ou a organiza, assumindo o seu risco econômico.
Na linguagem cotidiana, mesmo nos meios jurídicos, usa-se a expressão "empresa" com diferentes e impróprios significados. Se alguém diz "a empresa faliu" ou "a empresa importou essas mercadorias", o termo é utilizado de forma errada, não técnica. A empresa, enquanto atividade, não se confunde com o sujeito de direito que a explora, o empresário. É ele que fale ("quebra") ou importa mercadorias. Similarmente, se uma pessoa exclama "a empresa está pegando fogo!" ou constata "a empresa foi reformada, ficou mais bonita", está empregando o conceito equivocadamente. Não se pode confundir a empresa com o local em que a atividade é desenvolvida. O conceito correto nessas frases é o de estabelecimento empresarial; este sim pode incendiar-se ou ser embelezado, nunca a atividade. Por fim, também é equivocado o uso da expressão como sinônimo de sociedade. Não se diz "separam-se os bens da empresa e os dos sócios em patrimônios distintos", mas "separam-se os bens sociais e os dos sócios"; não se deve dizer "fulano e beltrano abriram uma empresa", mas "eles contrataram uma sociedade".
Somente se emprega de modo técnico o conceito de empresa quando for sinônimo de empreendimento. Se alguém reputa "muito arriscada a empresa", está certa a forma de se expressar: o empreendimento em questão enfrenta consideráveis riscos de insucesso, na avaliação desta pessoa. Como ela se está referindo à atividade, é adequado falar em empresa. Outro exemplo: no princípio da preservação da empresa, construído pelo moderno Direito Comercial, o valor básico prestigiado é o da conservação da atividade (e não do empresário, do estabelecimento ou de uma sociedade), em virtude da imensa gama de interesses que transcendem os dos donos do negócio e gravitam em torno da continuidade deste; assim os interesses de empregados quanto aos seus postos de trabalho, de consumidores em relação aos bens ou serviços de que necessitam, do fisco voltado à arrecadação e outros.
Econômica
́É a atividade que cria riqueza por meio da produção ou circulação de bens e de serviços.
A atividade econômica tem como fim o lucro. Quem explora a atividade objetiva o lucro, ainda que às vezes experimente prejuízos.
Se o lucro for meio – por exemplo, no caso de uma associação ou fundação na qual o lucro é todo destinado a programas assistenciais –, não é atividade econômica. O bazar realizado por uma igreja visa arrecadar fundos que serão empregados em suas obras; logo, não há lucro, pois a igreja não tem a finalidade de obter lucro na sua atividade principal, que é religiosa.
“Econômica” é uma expressão que aqui está relacionada ao fato de a atividade apresentar “risco”. A atividade é exercida com total responsabilidade do empresário, pois há o risco de perder o capital ali empregado, o que justifica o proveito que ele tem em retirar o lucro decorrente da atividade.
Organização
O empresário é quem organiza a atividade. Ele combina os fatores de produção de forma organizada.
Os fatores de produção são: 
Natureza (matéria-prima); 
Capital (recursos financeiros, bens móveis e imóveis etc.); 
Trabalho (mão de obra); e
Tecnologia (técnicas para desenvolver uma atividade).
O empresário, ao combinar os fatores de produção, cria riquezas e atende às necessidades do mercado.
Pode o empresário contar com auxiliares, mas não há necessidade do concurso do trabalho de pessoas além dele, já́ que é possível ele ter uma firma individual ou uma sociedade em que somente os sócios trabalham (p. ex., uma lavanderia).
A organização da atividade pressupõe um estabelecimento, que será́ estudado adiante (CC, art. 1.142). Estabelecimento é o complexo de bens para o exercício da atividade e, na maioria das vezes, inclui um ponto físico, mas não necessariamente. Por exemplo, um carrinho de pipoca pode ser considerado o estabelecimento de um empresário.
OBS: Cabe esclarecer que “organização” não significa necessariamente “regularização”. Isso porque, um empresário informal ou irregular (sem inscrição na Junta Comercial) poderá́ desenvolver de forma organizada sua atividade em um estabelecimento empresarial.
Profissionalidade
Significa que o empresário é um profissional/expert naquele ofício; faz do exercício da atividade econômica a sua profissão. A profissionalidade do empresário pressupõe: 
Habitualidade (continuidade; atuação contínua do empresário no negocio; não se trata de um negócio pontual, mas frequente); 
Pessoalidade (o empresário é quem está à frente do negócio, diretamente ou por meio de contratados que o representam);
Especialidade (o empresário é quem detém as informações a respeito do negócio; o conhecimento técnico, por exemplo, de como produzir linguiças aromatizadas). 
Toda atividade negocial é de risco, então, poder-se-ia dizer que o empresário é um profissional em correr riscos.
Produção ou circulação de bens ou de serviços
Para compreendermos melhor este ponto, ele será́ dividido em quatro possibilidades:
Produzir bens é sinônimo de fabricar mercadorias. É acrescentar valor a elas por meio de processo de transformação, como ocorre em fábricas de sapatos, padarias, metalúrgicas, montadoras de veículos etc.
Produzir serviços é prestar serviços em geral (exceto intelectuais), como acontece com bancos, seguradoras, locadoras, lavanderias, encadernadoras etc. Trata-se de prestação de serviços em geral, exceto os de caráter intelectual.
Circular bens é adquirir bens para revendê-los (em regra, sem transformá- -lós). É apenas uma intermediação. É a típica atividade do comerciante (p. ex., lojas de sapatos e de roupas, farmácias etc.).
Circular serviços é realizar a intermediação entre o cliente e o fornecedor do serviço a ser prestado, como o corretor de seguros e o agente de viagens.
Assim, a partir da produção e da circulação, seja de bens ou de serviços, estão se gerandoriquezas.
Frise-se que tais modalidades podem ser desenvolvidas individualmente ou de forma combinada pelo empresário. Hipoteticamente, uma empresa pode produzir e circular bens ao mesmo tempo (como uma fábrica que mantém loja varejista na porta do seu estabelecimento industrial); ou pode circular bens e prestar serviço concomitantemente (por exemplo, uma concessionária que vende veículos e realiza assistência técnica).
ATIVIDADE EMPRESARIAL
Os bens e serviços de que todos precisamos para viver - isto é, os que atendem às nossas necessidades de vestuário, alimentação, saúde, educação, lazer etc. - são produzidos em organizações econômicas especializadas e negociados no mercado. Quem estrutura essas organizações são pessoas com vocação para a tarefa de combinar determinados componentes (os "fatores de produção") e fortemente estimuladas pela possibilidade de ganhar dinheiro, muito dinheiro, com isso. São os empresários.
A atividade dos empresários pode ser vista como a de articular os fatores de produção, que no sistema capitalista são quatro: capital, mão de obra, insumo e tecnologia. As organizações em que se produzem os bens e serviços necessários ou úteis à vida humana são resultado da ação dos empresários, ou seja, nascem do aporte de capital - próprio ou alheio -, compra de insumos, contratação de mão de obra e desenvolvimento ou aquisição de tecnologia que realizam. Quando alguém com vocação para essa atividade identifica a chance de lucrar, atendendo à demanda de quantidade considerável de pessoas - quer dizer, uma necessidade, utilidade ou simples desejo de vários homens e mulheres -, na tentativa de aproveitar tal oportunidade, ele deve estruturar uma organização que produza a mercadoria ou serviço correspondente, ou que os traga aos consumidores.
Estruturar a produção ou circulação de bens ou serviços significa reunir os recursos financeiros (capital), humanos (mão de obra), materiais (insumo) e tecnológicos que viabilizem oferecê-los ao mercado consumidor com preços e qualidade competitivos. Não é tarefa simples. Pelo contrário, a pessoa que se propõe realizá-la deve ter competência para isso, adquirida mais por experiência de vida que propriamente por estudos. Além disso, trata-se sempre de empreitada sujeita a risco. Por mais cautelas que adote o empresário, por mais seguro que esteja do potencial do negócio, os consumidores podem simplesmente não se interessar pelo bem ou serviço oferecido. Diversos outros fatores inteiramente alheios à sua vontade - crises políticas ou econômicas no Brasil ou exterior, acidentes ou deslealdade de concorrentes, por exemplo - podem também obstar o desenvolvimento da atividade. Nesses casos, todas as expectativas de ganho se frustram e os recursos investidos se perdem. Não há como evitar o risco de insucesso, inerente a qualquer atividade econômica. Por isso, boa parte da competência característica dos empresários dotados de vocação diz respeito à capacidade de mensurar e atenuar riscos.
O Direito Comercial cuida do exercício dessa atividade econômica organizada de fornecimento de bens ou serviços, denominada empresa. Seu objeto é o estudo dos meios socialmente estruturados de superação dos conflitos de interesses envolvendo empresários ou relacionados as empresas que eles exploram. As leis e a forma pela qual são interpretadas pela jurisprudência e doutrina, os valores prestigiados pela sociedade, bem assim o funcionamento dos aparatos estatal e paraestatal, na superação desses conflitos de interesses, formam o objeto da disciplina.
A denominação deste ramo do direito ("comercial") explica-se por razões históricas, por tradição, pode-se dizer. É, também, a expressão adotada pela Constituição Federal para identificar este ramo jurídico (art. 22, I).
ATIVIDADE INTELECTUAL
A atividade intelectual difere da atividade empresarial, que está prevista no parágrafo único do art. 966 do Código Civil.
Em regra, as atividades de natureza intelectual ficaram fora do campo da empresa e do Direito Empresarial. Isso foi uma mera opção do legislador considerando que, do ponto de vista organizacional (fatores de produção), econômico (busca de lucros) e de existência de estabelecimento(s), não há diferenças com relação à atividade empresarial.
O vocábulo “intelectual” significa os dotes que vêm do intelecto (inteligência), da mente, e está relacionado à erudição, ao estudo, ao pensar.
Assim, as atividades intelectuais são aquelas que necessitam de um esforço criador que, por sua vez, está na mente do profissional que a realiza, como no caso de médicos, arquitetos etc.
São atividades personalíssimas, por não se admitir, via de regra, a fungibilidade do devedor quanto à sua prestação, ou seja, o devedor não pode ser substituído.
Geralmente as atividades intelectuais são realizadas por profissionais de atividades regulamentadas ou por profissionais liberais (sem vínculos). Porém, isso não é uma regra absoluta, como ocorre com o corretor de seguros, que pode ser um profissional liberal, mas não exerce atividade intelectual, e sim atividade empresarial. O mesmo vale dizer do representante comercial autônomo. Profissional liberal é aquele profissional independente que tem curso universitário. Mas existem casos em que se exerce uma atividade intelectual sem necessariamente se ter um curso universitário, como acontece com artistas e escritores. 
Já́ profissão regulamentada é aquela com previsão legal, ou melhor, com regulamentação pela legislação, como ocorre com os advogados, contadores, economistas, médicos etc. O próprio corretor de seguros que desenvolve atividade empresarial também tem sua atividade regulamentada por lei.
Atividade intelectual não se confunde necessariamente com prestação de serviços, pois esta é uma atividade empresarial, de acordo com a teoria da empresa e o conceito de empresário, estabelecido no caput do art. 966 do Código Civil. Por exemplo, o pedreiro não exerce uma atividade intelectual, mas, sim, uma atividade empresarial de prestação de serviços.
O que aproxima a atividade intelectual da atividade empresarial é que ela também visa o lucro e tem estabelecimento para o desenvolvimento de sua atividade. Mas, a principio, o volume de serviços prestados ou de bens produzidos não descaracteriza a atividade intelectual.
A atividade intelectual, de acordo com o art. 966, caput, do Código Civil, pode ser uma atividade de natureza: científica, literária ou artística.
ATIVIDADE CIENTÍFICA
A atividade de natureza científica está relacionada com quem é pesquisador ou cientista, ou seja, alguém especializado em uma ciência (conhecimentos sistêmicos). As atividades realizadas pelos profissionais de uma das áreas do conhecimento (humanas, exatas e biológicas) podem se enquadrar na atividade intelectual, citando-se, como exemplos, o preparador físico, o fisioterapeuta, o psicólogo, o químico, médico etc. Pode-se dizer que esses são cientistas nas suas respectivas áreas.
ATIVIDADE LIETRÁRIA
Já́ a atividade de natureza literária está relacionada com a expressão da linguagem, ideias, sentidos e símbolos, especialmente por meio da escrita. Nesse sentido, o escritor, o compositor, o poeta, o jornalista etc. são exemplos de profissionais que exercem atividade de natureza literária. O literário é intelectual, mas pode não ser universitário.
ATIVIDADE ARTÍSTICA
Por sua vez, a atividade de natureza artística está relacionada com a arte, que é a produção de algo extraordinário com a utilização de habilidades e certos métodos para a realização. Também está relacionada com a expressão de sentidos e símbolos por meio de linguagem não escrita. Exercem atividade de natureza artística o ator e o cantor (que são intérpretes), o desenhista, o fotógrafo, o artista plástico etc.
EXCEÇÃO
Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa.Há uma exceção, prevista no mesmo dispositivo legal, em que o profissional intelectual se enquadra no conceito de empresário. Trata-se da hipótese em que o exercício da profissão constitui elemento de empresa.
Para compreender o conceito legal, convém partir de um exemplo. Imagine o médico pediatra recém-formado, atendendo seus primeiros clientes no consultório. Já contrata pelo menos uma secretária, mas se encontra na condição geral dos profissionais intelectuais: não é empresário, mesmo que conte com o auxílio de colaboradores. Nesta fase, os pais buscam seus serviços em razão, basicamente, de sua competência como médico. Imagine, porém, que, passando o tempo, este profissional amplie seu consultório, contratando, além de mais pessoal de apoio (secretária, atendente, copeira etc.), também enfermeiros e outros médicos. Não chama mais o local de atendimento de consultório, mas de clínica. Nesta fase de transição, os clientes ainda procuram aqueles serviços de medicina pediátrica, em razão da confiança que depositam no trabalho daquele médico, titular da clínica. Mas a clientela se amplia e já há, entre os pacientes, quem nunca foi atendido diretamente pelo titular, nem o conhece. Numa fase seguinte, cresce mais ainda aquela unidade de serviços. Não se chama mais clínica, e sim hospital pediátrico. Entre os muitos funcionários, além dos médicos, enfermeiros e atendentes, há contador, advogado, nutricionista, administrador hospitalar, seguranças, motoristas e outros. Ninguém mais procura os serviços ali oferecidos em razão do trabalho pessoal do médico que os organiza. Sua individualidade se perdeu na organização empresarial. Neste momento, aquele profissional intelectual tornou-se elemento de empresa. Mesmo que continue clinicando, sua maior contribuição para a prestação dos serviços naquele hospital pediátrico é a de organizador dos fatores de produção. Foge, então, da condição geral dos profissionais intelectuais e deve ser considerado, juridicamente, empresário.
Também os outros profissionais liberais e artistas sujeitam-se à mesma regra. O escultor que contrata auxiliar para funções operacionais (atender o telefone, pagar contas no banco, fazer moldes, limpar o ateliê) não é empresário. Na medida em que expande a procura por seus trabalhos, e ele contrata vários funcionários para imprimir maior celeridade à produção, pode ocorrer a transição dele da condição jurídica de profissional intelectual para a de elemento de empresa. Será o caso, se a reprodução de esculturas assinaladas com sua assinatura não depender mais de nenhuma ação pessoal direta dele. Tornar-se-á, então, juridicamente empresário.
EMPRESÁRIO RURAL
Art. 970. A lei assegurará tratamento favorecido, diferenciado e simplificado ao empresário rural e ao pequeno empresário, quanto à inscrição e aos efeitos daí decorrentes.
Art. 971. O empresário, cuja atividade rural constitua sua principal profissão, pode, observadas as formalidades de que tratam o art. 968 e seus parágrafos, requerer inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, caso em que, depois de inscrito, ficará equiparado, para todos os efeitos, ao empresário sujeito a registro.
Atividade econômica rural é a explorada normalmente fora da cidade. Certas atividades produtivas não são costumeiramente exploradas em meio urbano, por razões de diversas ordens (materiais, culturais, econômicas ou jurídicas). São rurais, por exemplo, as atividades econômicas de plantação de vegetais destinadas a alimentos, fonte energética ou matéria-prima (agricultura, reflorestamento), a criação de animais para abate, reprodução, competição ou lazer (pecuária, suinocultura, granja, equinocultura) e o extrativismo vegetal (corte de árvores), animal (caça e pesca) e mineral (mineradores, garimpos).
As atividades rurais, no Brasil, são exploradas em dois tipos radicalmente diferentes de organizações econômicas. Tomando-se a produção de alimentos, por exemplo, encontra-se na economia brasileira, de um lado, a agroindústria (ou agronegócio) e, de outro, a agricultura familiar. Naquela, emprega-se tecnologia avançada, mão de obra assalariada (permanente e temporária), especialização de culturas, grandes áreas de cultivo; na familiar, trabalham o dono da terra e seus parentes, um ou outro empregado, e são relativamente menores as áreas de cultivo. Convém registrar que, ao contrário de outros países, principalmente na Europa, em que a pequena propriedade rural tem importância econômica no encaminhamento da questão agrícola, entre nós, a produção de alimentos é altamente industrializada e se concentra em grandes empresas rurais. 
Por isso, a reforma agrária, no Brasil, não é solução de nenhum problema econômico, como foi para outros povos; destina-se a solucionar apenas problemas sociais de enorme gravidade (pobreza, desemprego no campo, crescimento desordenado das cidades, violência urbana etc.).
Atento a esta realidade (dois grandes modelos de exploração de certa atividade econômica), o Código Civil reservou para o exercente de atividade rural um tratamento específico (art. 971). Se ele requerer sua inscrição no registro das empresas (Junta Comercial), será considerado empresário e submeter-se-á às normas de Direito Comercial. Esta deve ser a opção do agronegócio. Caso, porém, não requeira a inscrição neste registro, não se considera empresário e seu regime será o do Direito Civil. Esta última deverá ser a opção predominante entre os titulares de negócios rurais familiares.
COOPERATIVAS
Art. 982. Salvo as exceções expressas, considera-se empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e, simples, as demais.
Parágrafo único. Independentemente de seu objeto, considera-se empresária a sociedade por ações; e, simples, a cooperativa.
Desde o tempo em que a delimitação do objeto do Direito Comercial era feita pela teoria dos atos de comércio, há duas exceções a assinalar no contexto do critério identificador desse ramo jurídico. De um lado, a sociedade por ações, que será sempre comercial, independentemente da atividade que explora (LSA, art. 2º, § 2º; CC, art. 982). De outro, as cooperativas, que são sempre sociedades simples, independentemente da atividade que exploram (art. 982).
As cooperativas, normalmente, dedicam-se às mesmas atividades dos empresários e costumam atender aos requisitos legais de caracterização destes (profissionalismo, atividade econômica organizada e produção ou circulação de bens ou serviços), mas, por expressa disposição do legislador, que data de 1971, não se submetem ao regime jurídico empresarial.
Quer dizer, não estão sujeitas à falência e não podem requerer a recuperação judicial. Sua disciplina legal específica encontra-se na Lei 5.764/71 e nos arts. 1.093 a 1.096 do CC, e seu estudo cabe ao Direito Civil.
EMPRESÁRIO INDIVIDUAL
O empresário pode ser pessoa física ou jurídica. No primeiro caso, denomina-se empresário individual; no segundo, sociedade empresária.
Deve-se desde logo acentuar que os sócios da sociedade empresária não são empresários. Quando pessoas (naturais) unem seus esforços para, em sociedade, ganharem dinheiro com a exploração empresarial de uma atividade econômica, elas não se tornam empresárias. A sociedade por elas constituída (uma pessoa jurídica com personalidade autônoma, sujeito de direito independente) é que será empresária, para todos os efeitos legais. 
Os sócios da sociedade empresária são empreendedores ou investidores, de acordo com a colaboração dada à sociedade: os empreendedores, além de capital, costumam devotar também trabalho à pessoa jurídica, na condição de seus administradores, ou as controlam; os investidores limitam-se a aportar capital. As regras que são aplicáveis ao empresário individual não se aplicam aos sócios da sociedade empresária - é muito importante apreender isto.
O empresário individual, em regra, não explora atividade economicamente relevante. Em primeiro lugar, porque negócios de vulto exigem naturalmentegrandes investimentos.
Além disso, o risco de insucesso, inerente a empreendimento de qualquer natureza e tamanho, é proporcional às dimensões do negócio: quanto maior e mais complexa a atividade, maiores serão os riscos. Em consequência, as atividades de maior envergadura econômica são exploradas por sociedades empresárias anônimas ou limitadas, que são os tipos societários que melhor viabilizam a conjugação de capitais e segregação de riscos (limitação de perdas). 
Aos empresários individuais sobram os negócios rudimentares e marginais, muitas vezes ambulantes. Dedicam-se a atividades como varejo de produtos estrangeiros adquiridos em zonas francas (sacoleiros), confecção de bijuterias, de doces para restaurantes ou bufês, quiosques de miudezas em locais públicos, bancas de frutas ou pastelarias em feiras semanais etc. 
REQUISITOS
Capacidade Civil
Art. 972. Podem exercer a atividade de empresário os que estiverem em pleno gozo da capacidade civil e não forem legalmente impedidos.
Em relação às pessoas físicas, o exercício de atividade empresarial é vedado em duas hipóteses (relembre-se que não se está cuidando, aqui, das condições para uma pessoa física ser sócia de sociedade empresária, mas para ser empresária individual). A primeira diz respeito à proteção dela mesma, expressa em normas sobre capacidade (CC, arts. 972, 974 a 976); a segunda refere-se à proteção de terceiros e se manifesta em proibições ao exercício da empresa (CC, art. 973).
Para ser empresário individual, a pessoa deve encontrar-se em pleno gozo de sua capacidade civil. Não têm capacidade para exercer empresa, portanto, os menores de 18 anos não emancipados, ébrios habituais, viciados em tóxicos, os que não puderem exprimir a vontade, os pródigos, e, nos termos da legislação própria, os indígenas. 
Destaque-se que o menor emancipado (por outorga dos pais, casamento, nomeação para emprego público efetivo, estabelecimento por economia própria, obtenção de grau em curso superior), exatamente por se encontrar no pleno gozo de sua capacidade jurídica, pode exercer empresa como o maior.
EXCEÇÃO
No interesse do incapaz, prevê a lei hipótese excepcional de exercício da empresa: pode ser empresário individual o incapaz autorizado pelo juiz. O instrumento desta autorização denomina-se alvará. A circunstância em que cabe essa autorização é especialíssima. Ela só poderá ser concedida pelo Judiciário para o incapaz continuar exercendo empresa que ele mesmo constituiu, enquanto ainda era capaz, ou que foi constituída por seus pais ou por pessoa de quem o incapaz é sucessor. Não há previsão legal para o juiz autorizar o incapaz a dar início a novo empreendimento.
O exercício da empresa por incapaz autorizado é feito mediante representação (se absoluta a incapacidade) ou assistência (se relativa). Se o representante ou o assistido for ou estiver proibido de exercer empresa, nomeia-se, com aprovação do juiz, um gerente.
Mesmo não havendo impedimento, se reputar do interesse do incapaz, o juiz pode, ao conceder a autorização, determinar que atue no negócio o gerente. A autorização pode ser revogada pelo juiz, a qualquer tempo, ouvidos os pais, tutores ou representantes legais do menor ou do interdito. A revogação não prejudicará os interesses de terceiros (consumidores, empregados, fisco, fornecedores etc.).
Os bens que o empresário incapaz autorizado possuía, ao tempo da sucessão ou interdição, não respondem pelas obrigações decorrentes da atividade empresarial exercida durante o prazo da autorização, a menos que tenham sido nela empregados, antes ou depois do ato autorizatório. Do alvará judicial constará a relação destes bens.
EMPRESA INDIVIDUAL DE RESPONSABILIDADE LIMITADA
Juridicamente, a "empresa individual de responsabilidade limitada" (EIRELI) não é um empresário individual. Trata-se da denominação que a lei brasileira adotou para introduzir, entre nós, a figura da sociedade limitada unipessoal, isto é, a sociedade limitada constituída por apenas um sócio.
Pode-se afirmar que a EIRELI é um instituto jurídico parecido com uma sociedade limitada, mas tendo apenas uma pessoa. Também se assemelha à figura do empresário individual, no entanto, com responsabilidade limitada deste empresário. Ou seja, a EIRELI é uma mistura do empresário individual e da sociedade empresarial.
Assim, a EIRELI é o instituto pelo qual se possibilita a um empreendedor, individualmente, utilizar-se dos princípios da separação patrimonial e da limitação da responsabilidade para assim desenvolver uma atividade econômica. Lembrando que estes princípios até então eram exclusivos às sociedades, não sendo aplicáveis ao empresário individual.
Isso sempre foi uma forte razão para levar muitas pessoas a constituírem sociedades empresárias em detrimento da figura do empresário individual. Como se sabe, via de regra, uma sociedade é composta de no mínimo duas pessoas. Então, para formar uma sociedade e assim obter a limitação da responsabilidade, o empreendedor se torna sócio de uma sociedade com participação de 99,5% do capital social, convidando outra para ser sua sócia com uma participação de 0,5%, meramente para fins de se compor a sociedade. Formando assim o que se conhece vulgarmente por “sociedade de fachada” ou “sociedade de faz de conta”.
Por isso, pode-se dizer que a EIRELI seria uma espécie de empresário individual com direito a separação patrimonial e limitação de responsabilidade. Obviamente, que não impede que haja a desconsideração da personalidade jurídica (tema que será́ tratado mais adiante), caso ocorra abuso na utilização da empresa. Neste caso, podendo o patrimônio pessoal do empreendedor pagar por dívidas da EIRELI.
REQUISITOS
No que se refere aos requisitos, a EIRELI será́ constituída observando os seguintes critérios (CC, art. 980-A): 
formada por uma única pessoa;
a pessoa natural não pode constituir mais de uma EIRELI.
a pessoa deverá ser a titular da totalidade do capital social; 
o capital não pode ser inferior a 100 vezes o maior salário mínimo vigente no País
o capital deve ser totalmente integralizado (integralizado de fato e de direito, não meramente documental);
o nome empresarial deverá ser formado pela inclusão da expressão “EIRELI” após a firma ou a denominação.
CONSIDERAÇÕES
Não se pode deixar de mencionar que, apesar de a EIRELI não ser uma sociedade limitada, aplicam-se a ela, no que couber, as regras previstas para as sociedades limitadas (CC, art. 980-A, § 6o).
Para efeitos burocráticos e tributários (como no caso do Simples Nacional), a EIRELI poderá́ ser tida como microempresa – ME desde que sua receita bruta anual seja limitada a R$ 360.000,00; ou como empresa de peque- no porte – EPP – caso sua receita bruta anual esteja entre R$ 360.000,00 e R$ 3.600.000,00 (LC n. 123/2006, art. 3o).
Quanto às questões de recuperação de empresas e falência, entendemos que a EIRELI se submete às regras da Lei n. 11.101/2005, a partir de uma aplicação por analogia, pois ainda que seu art. 1o expresse apenas a figura do empresário individual e da sociedade empresária, a EIRELI terá́ por objeto o desenvolvimento de atividade empresarial, essencialmente. Também pode ser acrescido a esse argumento o fato de que as atividades econômicas não sujeitas à Lei n. 11.101/2005 estão excluídas expressamente em seu art. 2o, que por sua vez não exclui a EIRELI.
SOCIEDADE EMPRESÁRIA
Quando as pessoas formam uma sociedade, adotando uma das formas de sociedades disciplinadas no CC, para a produção e/ou circulação de bens ou serviços, com finalidade de lucro, esse tipo de sociedade é classificado como sociedade empresária, conforme disposto no art. 982 do CC:
Art. 982. Salvo as exceções expressas, considera-se empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e, simples, as demais.
Parágrafo único. Independentemente de seu objeto, considera-se empresária a sociedade por ações; e, simples, a cooperativa.
Portanto, as sociedades personificadas,ou seja, as que adquiriam personalidade jurídica pelo registro de seus atos constitutivos no registro próprio, por exercerem atividade econômica típica de empresário, ou seja, produção e circulação de bens e serviços, com finalidade de lucro, são consideradas sociedades empresárias.
As sociedades por ações (S.A.) também denominadas pela lei como companhias, qualquer que seja seu objetivo, são sempre consideradas sociedades empresárias e regem-se por lei especial, no caso, a Lei n° 11.638/07.
Já as cooperativas serão sempre consideradas sociedades simples.
Nas sociedades simples, podem ser admitidos sócios cuja participação consiste apenas na prestação de serviços. O contrato social deve especificar os serviços a que se obriga perante a sociedade, com exclusividade ou não, e sua participação nos resultados (art. 997, V. do CC)
OBS1: SEPARAÇÃO DOS CÔNJUGES
A partir da edição do CC de 2002, a legislação passou a vedar a sociedade empresarial entre cônjuges que sejam casados sob o regime da comunhão universal ou da separação obrigatória de bens.
Dessa forma, o CC visa impedir que a sociedade empresarial possa ser utilizada de forma a prejudicar terceiros que venham a contratar com ela. Isso porque no caso de ser a sociedade formada por cônjuges casados sob o regime da comunhão universal de bens a participação societárias, na prática, não seriam divididas, uma que pertencem a ambos os cônjuges, portanto não haveria sociedades entre eles. Da mesma forma se os cônjuges são casados sob o regime da separação obrigatória de bens, tal fato ocorre porque podem existir controvérsias a respeito da união do casal ou em razão da idade avançada de um deles e isso poderia, futuramente, prejudicar a sociedade ou quem venha a contratar com ela. Assim, somente será autorizada a constituição da sociedade entre cônjuges casados sob o regime de comunhão parcial de bens e separação total obrigatória.
OBS2: INTERFERÊNCIA NO PATRIMÔNIO
Ocorrendo a separação do casal é obrigatório o registro dessa situação juntamente com os atos constitutivos da empresa quer o ato tenha sido realizado em Cartório ou através de sentença judicial. O mesmo ocorre com qualquer outro ato jurídico que venha interferir no patrimônio do empresário, tais como doações, heranças, pactos e declarações antenupciais etc. (art. 979 do CC)
MÉDIA EMPRESA
São consideradas médias empresas, pela legislação tributária, aquelas com receita total de até R$ 78.000.000,00 (78 milhões de reais) no ano-calendário anterior, ou R$ 6.500.000,00 (6 milhões e 500 mil reais) mensais, por mês de atividade (art. 14 da Lei nº 9.718/98).
As médias empresas estão sujeitas, normalmente, a todos os tributos federais, estaduais e municipais, incidentes em suas operações ou resultados.
Para a legislação do IR, a regra geral é a apuração do imposto e da CSL devidos, pelo regime do lucro real, que é determinado com base nos resultados da escrituração contábil da empresa.
Não obstante isso, a média empresa pode apurar o IR e a CSL devidos, pelo regime de lucro presumido.
A pessoa jurídica que optar pela tributação pelo lucro presumido pode ser dispensada da apresentação da escrituração contábil mais complexa (balanço patrimonial), para efeitos fiscais. Ressalte-se, entretanto, que essa escrituração é obrigatória para o empresário e as sociedades em geral, conforme determina os arts. 1179 ss do CC, ou para requerer recuperação judicial (art. 51 da LRF).
Para fins fiscais, a contabilidade pode ser substituída pelo Livro Caixa, no qual deve estar registrada toda a movimentação financeira, inclusive a bancária.
Todavia, está sujeita, como todas as empresas, ao regime do Sistema Público de Escrituração Digital através do qual deve disponibilizar junto à base de dados da Receita Federal informações contábeis, fiscais e trabalhistas.
Ora, essa escrituração do Livro Caixa representa, praticamente, 80% da contabilidade. Portanto, mesmo optando pelo lucro presumido, para fins de planejamento tributário, se esta for a melhor alternativa, a economia tributável só pode ser confirmada pela contabilidade.
É obrigatório também o Livro de Registro de Inventário, no qual devem ser transcritos os estoques das mercadorias, matérias–primas, produtos acabados, produtos semielaborados, etc. 
MICROEMPRESA E EMPRESA DE PEQUENO PORTE
A Constituição Federal, art. 170, inc. IX, prevê̂ tratamento favorecido às empresas de pequeno porte constituídas de acordo com as leis nacionais e que tenham sede e administração no Brasil. O art. 970 do Código Civil também expressa a necessidade de garantia de tratamento diferenciado tanto para o pequeno empresário quanto para o empresário rural, no que se refere à inscrição e a seus efeitos.
A necessidade de tratamento especial para pequenos empresários se dá por varias razões: excesso de carga tributária, burocracia administrativa dos órgãos públicos, complexidade das exigências contábeis, falta de preparo dos empreendedores, insuficiência de capital de giro e linhas de crédito, entre outros. Pesquisas do SEBRAE divulgadas no início de 2014 davam conta de que uma a cada quatro empresas não chegam ao segundo ano de existência; sendo que entre o micro e pequenas empresas, sete a cada 10 não chegam ao quinto ano de funcionamento.
É importante salientar que o Código Civil não distingue microempresa de empresa de pequeno porte, além disso, é tímido no tratamento favorecido ao pequeno empresário. Mas há algumas disposições benéficas, como a prevista no art. 1.179, § 2o, ao prever um tratamento diferenciado ao pequeno empresário (como aquele que opera por meio de microempresa ou empresa de pequeno porte) ao liberá-lo da escrituração contábil e do levantamento de balanços.
9.2. CONCEITO 
Fora do âmbito jurídico, o assistente social uruguaio Carlos Montaño traz um conceito muito interessante para as micro e pequenas empresas. Para o autor, elas são: pequenas, porque têm poucos trabalhadores, reduzida produção, comercialização e alcance no mercado, mesmo geograficamente falando; pouco complexas, pois são centralizadas com pequena divisão de atribuições; relativamente informal, uma vez que não há bem definidos objetivos, normas, recompensas e sanções.
Juridicamente, a distinção entre micro e pequeno empresário deve ser buscada no Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, LC n. 123/2006.
De acordo com a LC n. 123/2006, microempresa (ME) é aquela que possui receita bruta anual de até R$ 360.000,00 por ano (art. 3o, inc. I).
Já a empresa de pequeno porte (EPP) é aquela que possui receita bruta anual superior a R$ 360.000,00 até o limite de R$ 3.600.000,00 (art. 3o, inc. II). Por isso, o que vai caracterizar o empresário como micro ou pequeno é a receita bruta que ele auferir em cada ano-calendário. O Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte estabelece um regime jurídico diferenciado e favorável para o micro e peque- no empresário em varias searas, inclusive quanto à burocracia e à diminuição da carga tributária e das obrigações trabalhistas e previdenciárias.
Para concretizar o tratamento diferenciado à ME’s e EPP’s, a LC n. 123/2006, art. 12, criou o Simples Nacional – Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte.
De fato o Simples Nacional trouxe uma simplificação no sistema de como proceder para efeitos de arrecadação. Por este sistema deverá haver o recolhimento mensal via um documento único de arrecadação de uma série de tributos (LC n. 123/2006, art. 13):
 a)	ICMS – Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação; 
b)	ISS – Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza; 
c)	IRPJ – Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica; 
d)	IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados; 
e)	CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido; 
f)	COFINS– Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social; 
g)	Contribuição para o PIS/Pasep; 
h)	CPP – Contribuição Patronal Previdenciária para a Seguridade Social (exceto no caso de algumas atividades de prestação de serviços previstas no § 5o-C do art. 18 da LC n. 123/2006). 
9.3. CLASSIFICAÇÃO
A micro e a pequena empresa podem ser: empresário individual, sociedade empresária, empresa individual de responsabilidade limitada (EIRELI) ou sociedade simples (LC n. 123/2006, art. 3o, caput).
Por último, vale a pena destacar que a micro e a pequena empresa podem ter por objeto a exploração de quaisquer atividades econômicas de caráter empresarial. O objeto também pode ser intelectual (sociedade simples ME ou EPP), haja vista tratar-se de um formato destinado a um regime tributário mais benéfico.
 MEI – Microempreendedor Individual (EI – Empreendedor Individual)
À luz do § 1o do art. 18-A da LC n. 123/2006, considera-se MEI – Microempreendedor Individual – o empresário individual (previsto no art. 966 do Código Civil) que tenha auferido receita bruta no ano-calendário anterior de até R$ 60.000,00 e que seja optante do regime tributário Simples Nacional. Essa figura jurídica também é conhecida por EI – Empreendedor Individual.
No caso de início de atividade, esse limite será de R$ 5.000,00 multiplicados pelo número de meses compreendidos entre o início da atividade e o final do respectivo ano-calendário, considerando as frações de meses como um mês inteiro (LC n. 123/2006, art. 18-A, § 2o).
O MEI foi criado, fundamentalmente, para efeitos de redução da carga tributária e da burocracia aos empreendedores. A legislação citada visa primordialmente regularizar a situação de milhares de empresários irregulares no Brasil, que permanecem nesta condição entre outras razões pelo custo burocrático e tributário, sem prejuízo do tempo necessário para se formalizar perante os órgãos competentes, entre eles a Junta Comercial.
É bom ressaltar que todo o processo de formalização é gratuito, pois há isenção de taxas para inscrição e concessão de alvará para funcionamento. O único custo da formalização é o pagamento mensal de R$ 59,95 referente ao INSS e R$ 5,00 se prestador de serviços (ou R$ 1,00 para comércio e indústria). Esse pagamento deve ser realizado por meio de carnê emitido exclusiva- mente no site do empreendedor.
A propósito, foi criado um site exclusivamente para o MEI: www.portaldoempreendedor.gov.br, no qual se realiza totalmente de forma digital a inscrição do microempreendedor, pois há muita vontade política nessa regularização dos empreendedores. Tem-se notícia de que já são mais de 5 milhões de pessoas inscritas como microempreendedor individual, sendo que o marco de 1 milhão foi comemorado em solenidade com a participação da Presidência da República no dia 7 de abril de 2011.
Nesse portal do empreendedor é encontrada a lista com as atividades que podem ser desenvolvidas por meio da inscrição como microempreendedor individual. A relação é extensa, porém taxativa. Atividades que não estejam lá listadas não podem ser desenvolvidas por essa categoria. Diferentemente, a micro e a pequena empresa podem ter por objeto a exploração de quaisquer atividades econômicas, de caráter empresarial ou intelectual.
Uma vez regularizado, o empreendedor passa a ter cobertura previdenciária para si e para sua família, por meio do auxílio-doença, aposentadoria por idade, salário-maternidade, pensão e auxílio-reclusão, efetuando uma contribuição mensal reduzida de 5% sobre o valor do salário mínimo.
Outro benefício ao MEI é a possibilidade de contratar e registrar até um funcionário com um custo menor (3% para a Previdência Social e 8% de FGTS do salário mínimo por mês, consistindo em um valor total de R$ 59,95, sendo que o empregado contribuirá com 8% do seu salário para a Previdência). Esse benefício permite ao empreendedor desenvolver melhor o seu ne- gócio ao poder admitir até um empregado por um custo mais baixo.
Assim, a norma procura dar um tratamento mais simplificado ao mi- croempreendedor individual, por isso o seu processo de registro deverá ter trâmite especial, preferencialmente eletrônico (LC n. 123/2006, art. 4o, § 1o e CC, art. 968, § 4o), visando mais rapidez na abertura, alteração e baixa do MEI.
Vale ter em conta que, quanto à inscrição do microempreendedor individual, poderão ser dispensados o uso da firma, com a respectiva assinatura autógrafa, o capital, requerimentos, demais assinaturas, informações relativas ao estado civil e ao regime de bens, bem como a necessidade de remessa de documentos, conforme o que dispor o CGSIM – Comitê para Gestão da Rede Nacional para Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios38 (LC n. 123/2006, art. 4o, § 1o, inc. I, e CC, art. 968, § 5o).
Ainda, no que tange à recuperação de empresas e à falência, entendemos que o MEI se submete às regras da Lei n. 11.101/2005, a partir de uma aplicação por analogia, ainda que o art. 1o desta norma expresse apenas a figura do empresário individual e da sociedade empresária, o MEI terá por objeto, funda- mentalmente, o desenvolvimento de atividade empresarial. Acrescente-se a isso o fato de que as atividades econômicas não sujeitas à Lei n. 11.101/2005 estão excluídas expressamente em seu art. 2o, que por sua vez não exclui o MEI.
Não é demais explicitar que ao MEI, por ser empresário individual, não é conferida a separação patrimonial e a limitação de responsabilidade dada à EIRELI e à sociedade empresarial. E, que não é aplicável a desconsideração da personalidade jurídica, justamente porque a responsabilidade do titular é ilimitada.
SOCIEDADES
Com a entrada do CC em 2002, as sociedades em geral passaram a estar contidas no Direito da Empresa (arts. 981 a 1141 CC).
Apenas a Sociedades por ações que continua regida pela Lei das S/A.
Conceito
Conforme dispõe o art. 981 CC: quando 2 ou mais pessoas que vinculam-se por um contrato social, reunindo seus capitais e trabalho, para alcançar determinado objeto comum. 
Assim, o fator fundamental para o sucesso da sociedade é a ampla colaboração e o bom entendimento entre os sócios (affectio societatis). Por esta razão, o CC é bastante rígido nas disposições relativas à admissão de novo sócio, justamente para resguardar o possível bom entendimento entre os sócios fundadores, o que nem sempre é fácil.
A sociedade pose ser constituída por pessoas físicas, ou por pessoas físicas e jurídicas, ou ainda, só por pessoas jurídicas.
Pessoa Física
Pessoa física é o ser natural. É o capaz de direitos e deveres na ordem civil. 
Lembrando que o art. 927, faculta os cônjuges, desde que não tenham casado no regime de comunhão universal de bens ou separação obrigatória de bens contratar sociedade entre si ou com 3ºs.
OBS1: CONTRATO COM TERCEIROS
Essa norma deve ser interpreta com cuidado, pois pode dar impressão, à primeira vista, que as pessoas casadas nesses regimes não poderiam associar-se com terceiros, o que é um evidente absurdo. É claro que essas pessoas podem associar-se com terceiros, desde que em sociedade da qual não faça parte o outro cônjuge.
OBS2:SOCIEDADES ANTERIOR AO CC/2002
As sociedades constituídas por marido e mulher casados em comunhão universal de bens, anteriores a vigência do CC, continuam válidas pelo princípio da irretroatividade da lei, um dos direitos e garantias fundamentais, expressos no art. 5º, XXXVI, da CF.
Assim, por exemplo, a sociedade limitada, já constituída anteriormente à vigência do CC, deve adaptar seu contrato social às novas disposições sobre o tipo de sociedade, no que se refere à responsabilidade, administração, aprovação de contas, etc. conforme determina o art. 2031. Entretanto, podem ser mantidas como sócio marido e mulher casados em comunhão universal, com contrato anterior ao CC, pois esse contrato devidamente inscritoem registro público competente, em data anterior a vigência do CC (11/01/2003), é um ato jurídico perfeito e não pode ser prejudicado pela nova lei.
Pessoa Jurídica
A pessoa jurídica é uma criação do Direito. Portanto, uma entidade abstrata. A associação de duas ou mais pessoas, visando um objetivo comum e que se vinculam por um contrato, constitui a pessoa jurídica. A pessoa jurídica, por ser um ente abstrato, é representada pelos administradores, sócios ou não, aos quais o contrato social atribuir esse poder. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição dos seus atos constitutivos no registro próprio, ou seja, para a sociedade simples, no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, para a sociedade empresária, na Junta Comercial.
A PJ fica obrigada pelos atos praticados por seus administradores, desde que exercidos nos limites de seus poderes expressos em contrato social ou estatuto.
OBS1: PATRIMÔNIO DISTINTOS
Entre os princípios fundamentais da contabilidade, um dos principais é o da entidade, pelo qual a PJ e seu patrimônio são distintos das PF ou PJ de seus sócios e seus respectivos patrimônios particulares.
Esse princípio, o da separação do patrimônio da entidade prevalece tanto para a contabilidade como para o direito.
EX: Ler pg. 32 Livro
OBS2: DESCONSIDERAÇÃO DA PJ 
Existem alguns casos em que a jurisprudência tem desconsiderado a personalidade jurídica da sociedade, em certos casos, para permitir a execução de bens dos sócios, por dívidas, principalmente as trabalhistas, tributárias e previdenciárias. 
Se for em relação à dívidas de direito privado, ou seja, os débitos com fornecedores, prestadores de serviços e instituições financeiras, não cabe essa desconsideração. O risco é parte do negócio.
Classificação
PJ Direito Privado (sociedades, associações, fundações, etc.)
PJ Direito Público (União, Estados, Municípios, Autarquias – INSS – Empresas Públicas – ECT).
PJ Direito Público Externo: Estados Estrangeiros e todas as pessoas que forem regidas pelo Direito Internacional Público.
Sociedade não personificada
Enquanto não inscritos seus atos constitutivos no registro próprio, a sociedade não adquire personalidade jurídica e será regida pelas disposições referentes à sociedade de fato denominada pelo CC de sociedade comum (art. 986 CC). 
Portanto, como a sociedade de fato não está personificada juridicamente, ela não tem capacidade jurídica para adquirir direitos e assumir obrigações. Não é uma pessoa jurídica e, portanto, não é possível separar o patrimônio da sociedade do patrimônio particular dos sócios. 
Sociedade em Comum
Como já disse, é uma sociedade de fato, mas não de direito.
Seus sócios, nas relações entre si ou com terceiro, somente podem provar existência da sociedade por escrito. Não obstante, os terceiros podem provar sua existência de fato, por qualquer modo, isto é, por todos os meios em direitos admitidos. 
Os bens e as dívidas sociais respondem pelo atos de gestão praticados por qualquer dos sócios. Se houver paco que limite os poderes dos sócios, sua eficácia só pode ser alegada contra terceiro que o conheça ou deva conhecer.
Todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações assumidas pela sociedade em comum, que, como já disse, não é personificada. o sócio que contrata em nome da sociedade, por determinação do art. 990 fica excluído do benefício da ordem , previsto no art. 1024 CC.
Portanto, ao sócio que contratou em nome da sociedade de fato não cabe o benefício da ordem, e os credores podem executar diretamente seus bens particulares.
A sociedade comum é de responsabilidade ilimitada. 
Sociedades personificadas
As outras sociedades previstas nos art. 997 a 1141 do CC são sociedades personificadas. A personificação ocorre com a inscrição dos atos constitutivos no registro próprio, tornando-se, de direitos, PJ, dotada de patrimônio próprio, distinto do patrimônio de seus sócios, e com capacidade de assumir direitos e obrigações, e será representada ativa e passivamente pelos seus administradores. 
Desconsideração da Personalidade Jurídica da Empresa 
Como dito antes, PJ é uma entidade com personalidade própria, distinta da de seus integrantes. A partir da aquisição da personalidade jurídica sua responsabilidade passa a ser autônoma uma vez que ela é detentora de direitos e obrigações.
As obrigações por ela contraídas devem ser pagas com a renda e patrimônio próprios. Assim, no caso de cobrança de dívidas, deverão, em princípio, serem penhorados os bens da empresa até o pagamento integral de suas obrigações.
Porém, a autonomia da empresa não pode ser utilizada de forma a causar dano a terceiros. Assim, não pode o empresário, titular de PJ empresarial, desviar a finalidade da empresa, fazendo mau uso da personalidade jurídica para praticar atos de fraude e abusos contra direitos de terceiros. (art. 50 CC).
Desta forma a lei determina a decretação, por parte do Poder Jud. Que a doutrina chama de “desconsideração ou despersonalização da PJ”, onde o juiz pode não considerar a separação do patrimônio da empresa e de seus integrantes, fazendo com que estes passem a ser pessoalmente responsáveis, respondendo com seu patrimônio particular pelas obrigações da entidade. 
Essa medida pode ser aplicada nas situações onde podem ocorrer abuso em relação aos direitos de terceiros, tais como falta e recursos por parte da empresa para pagar indenizações a consumidores (art. 28 CDC), dívidas trabalhistas e previdenciárias, bem como práticas de crimes fiscais ou contra a ordem econômica, crimes que venham a provocar danos ao meios ambiente, etc.
Assim, em procedimentos judiciais referentes a cobranças de débitos da PJ se forem comprovadas as hipóteses de abuso de direito, excesso de poder,, infração à legislação, prática de atos ilícitos ou ocorrência de fatos ilícitos, bem como desrespeito às normas constantes dos constitutivos da empresa, o juiz da causa poderá decretar a desconsideração da personalidade jurídica da entidade passando a responsabilizar pessoalmente os seus integrantes pelo pagamento das dívidas oriundas dessas obrigações determinado, assim, que o patrimônio pessoal do empresário seja afetado por esses débitos. 
 ADMINISTRAÇÃO DA SOCIEDADE

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