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UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO FACULDADE DE DIREITO FILOSOFIA DO DIREITO II ANNA CLARA MARQUES MACHADO DA COSTA TRABALHO: “No capítulo 1 da "Introdução à Análise do Direito" Carlos Santiago Nino refere-se aos problemas que envolvem a conceituação e a definição do Direito. Basicamente, ele apresenta dois tipos de definições que são propostas para o conceito de Direito. Que tipos de definições são estes e como são caracterizados por este filósofo do direito? Quais os inconvenientes dos dois tipos de definições apontados pelo autor? Qual destes tipos é mais usado pelos jusnaturalistas e pelo positivismo jurídico?” Rio de Janeiro 2019 Nino, no capítulo I da obra Introdução à Análise do Direito, aduz que a dificuldade em se definir e conceituar o termo “direito” tem origem na “adesão a uma certa concepção sobre a relação entre a linguagem e a realidade, que impede que se tenha uma ideia clara sobre os pressupostos, as técnicas e as consequências que devem ser consideradas quando se define uma expressão linguística”1. Partindo da relação entre a linguagem e a realidade, podemos perceber, através do texto, que existem duas definições para a concepção do termo “direito”, quais sejam: a essencialista e a convencionalista. A concepção essencialista traz a ideia de que existe apenas uma única definição válida para a palavra e que essa definição é “obtida mediante intuição intelectual da natureza intrínseca dos fenômenos denotados pela expressão, e que a tarefa de definir um termo é, por isso, descritiva de certos fatos.2” Os filósofos que defendem a tese essencialista são também universalistas, pois acreditam que é possível estabelecer um conceito universal do direito, obtido por meio de processo intelectual. O conceito de direito independe da experiência, tendo como tema central os direitos fundamentais3. Já a concepção convencionalista, defendida pela filosofia analítica, traz a ideia de que não existe uma única essência para o termo “direito”, mas, sim, várias. A caracterização do conceito do termo “direito” deve passar por uma verificação dos critérios vigentes no uso comum do emprego da palavra a partir da cultura e da sociedade em que o termo é usado. Os adeptos ao convencionalismo defendem o particularismo, pois haverá tantos conceitos de direito quando o número de sociedades. Diferentemente do essencialismo, o tema central do convencionalismo é o direito comunitário, tendo a comunidade como foco ao invés do indivíduo. Entretanto, tanto a concepção essencialista quanto a convencionalista não garantem traços claros e definidos à caracterização do conceito de direito. Isso porque ao defenderem que o termo possui um único conceito, deixam de dar atenção ao uso ordinário da expressão e desprezam o estabelecimento de outros significados dados à palavra e também pelo fato do termo “direito” possuir diversos inconvenientes, como, por exemplo, (i) o fato de apresentar 1 NINO, Carlos Santiago. Introdução à Análise do Direito. WMF Martinsfontes. São Paulo, 2010. P/P 11-12 2 NINO, Carlos Santiago. Introdução à Análise do Direito. WMF Martinsfontes. São Paulo, 2010. P/P 12 3CAMINHA, Marco Aurélio Lustosa. O conceito de Direito. Revista Jus Navigandi, ISSN 1518-4862, Teresina, ano 5, n. 43, 1 jul. 2000. Disponível em: https://jus.com.br/artigos/1. Acesso em: 28 jul. 2019. vários significados que se relacionam entre si, e (ii) ser considerado um termo vago, o que acaba gerando equívocos nas discussões sobre o seu conceito. Outro inconveniente é o fato do termo “direito” possuir uma carga afetiva (favorável ou desfavorável), decorrente da sua relação com valores morais, e provocar e expressar emoções quando utilizado. O fato das pessoas estenderem ou restringirem o uso do termo prejudica seu significado cognoscitivo e causa imprecisão no campo de referência da expressão4. Cada um dos conceitos apresentados é defendido por uma corrente da filosofia do direito. O jusnaturalismo defende que o direito é independente do ser humano, que existe antes mesmo do homem, que o direito é natural, imutável, inviolável e universal. Segundo Antônio Braz Teixeira, “(...) o Direito Natural clássico dos gregos compreende uma concepção essencialista ou substancialista do Direito Natural: a natureza contém em si a sua própria lei, fonte da ordem, em que se processam os movimentos dos corpos, ou em que se articulam os seus elementos constitutivos essenciais. A ordem da natureza é permanente, constante e imutável.”5 Portanto, podemos afirmar que os jusnaturalistas se enquadram ao conceito do termo “direito” apresentado da concepção essencialista. Por sua vez, segundo o positivismo jurídico, o direito é definido com base em elementos mutáveis. Isso porque a autoridade legislativa que o cria bem como os procedimentos utilizados para a sua criação/validação são diferentes em cada período histórico6. Dessa forma, o conceito de “direito” sob a ótica convencionalista é o que melhor se enquadra a essa corrente, isso porque o conceito de direito pode sofrer mutação em decorrência do período em que é aplicado, não havendo uma definição única. 4 NINO, Carlos Santiago. Introdução à Análise do Direito. WMF Martinsfontes. São Paulo, 2010. P/P 17 5 António Braz Teixeira. Sentido e Valor do Direito: Introdução à Filosofia Jurídica, p. 126 6 DIMOULIS, dimitri. Teoria Geral e Filosofia do Direito. Edição 1, Abril 2017. Enciclopédia Jurídica da PUCSP. Disponível em https://enciclopediajuridica.pucsp.br/verbete/84/edicao-1/positivismo-juridico:- significado-e-correntes. Acesso em 29 jul. 2019. /UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO FACULDADE DE DIREITO FILOSOFIA DO DIREITO II ANNA CLARA MARQUES MACHADO DA COSTA TRABALHO: “No capítulo 1 da "Introdução à Análise do Direito" Carlos Santiago Nino refere-se aos problemas que envolvem a conceituação e a definição do Direito. Basicamente, ele apresenta dois tipos de definições que são propostas para o conceito de D... Rio de Janeiro