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RESUMO DE GEOGRAFIA NA EDUCAÇÃO 1 AULA 1 – O QUE É GEOGRAFIA? O espaço geográfico resulta da relação homem natureza através do trabalho que é uma ação consciente pela sobrevivência e é uma prática social, pois envolve a relação homem-homem; é um produto histórico... que apresenta em cada momento as características da sociedade que o produz. Na Grécia antiga os astrônomos descreviam a Terra conhecida da forma matemática como a concebiam. Os viajantes relatavam o mundo a partir dos caminhos percorridos; logo a visão desses pensadores apresentava resultados diferentes. Os elementos que definem a Geografia: O contexto (histórico), o desenvolvimento (técnico) e o posicionamento (político). Diferença entre a Geografia surgida na Grécia e a Geografia que se faz hoje: A geografia surgida na Grécia era resultado dos relatos de viajantes ou dos estudos de matemáticos e astrônomos. Preocupavam-se em descrever o mundo conhecido por eles. Atualmente, a descrição não atende mais aos interesses do homem, que já tem conhecimentos mais amplos e sabe que a organização dos espaços implica o conhecimento das relações sociais, políticas e ideológicas. A importância da Geografia está em saber ler o espaço que se quer compreender. • A Geografia que se faz hoje não é a mesma surgida na Grécia Antiga. • As mudanças no modo de ver a Geografia foram resultado da evolução dos conhecimentos do homem. • A escola precisa se readaptar à nova visão da Geografia. AULA 2 – AS ORIGENS E PRESSUPOSTOS DA GEOGRAFIA A geografia moderna busca articular todos os componentes relativos ao espaço, dentre os quais o homem, a natureza e as diferenças entre lugares e regiões, identificando suas diversas influências e correlações. As condições para a sistematização do saber geográfico - Moraes assinalará alguns pressupostos que favoreceram a formação da Geografia como um saber sistematizado: A ampliação do conhecimento do mundo propiciada pela expansão marítima europeia; A produção de inventários sobre os lugares; A melhoria das técnicas de navegação; As correntes filosóficas do século XVIII, que valorizam a explicação racional do mundo; A formação dos estados nacionais e a necessidade de racionalizar a gestão do território, população e recursos naturais; As teorias evolucionistas, que colocaram em discussão a relação entre natureza e sociedade. Recapitulando, 1 – Para os autores, existe um saber geográfico inserido em nossas ações e formas de conceber o mundo. Foi a partir disso que muitos pensadores da Antiguidade, – astrônomos, filósofos, matemáticos –, começaram a fazer uma interpretação geográfica do mundo. 2 – Essa interpretação geográfica do mundo não obedecia a um critério, ou seja, não levava em conta variáveis comuns. Ora estudava-se a forma da Terra, ora os tipos climáticos. Esse saber ainda era disperso. Moraes (1997) assinalará alguns pressupostos que favoreceram a formação da Geografia como um saber sistematizado. São eles: • A ampliação do conhecimento do mundo propiciada pela expansão marítima européia. • A produção de inventários sobre os lugares realizados em expedições exploratórias e científicas. • A melhoria das técnicas de navegação e, por conseguinte, uma melhora gradual das técnicas cartográficas. • As correntes filosóficas do século XVIII, que valorizaram a explicação racional do mundo, e com isso, valorizaram temas geográficos, especialmente ligados à natureza e seus fenômenos. • A formação dos estados nacionais e a necessidade de racionalizar a gestão do território, população e recursos naturais. • As teorias evolucionistas, que colocaram em discussão a relação entre natureza e sociedade, buscando identificar os efeitos da natureza sobre a sociedade. Em resumo: Alguns fatores favoreceram a sistematização da Geografia. Primeiro, a expansão marítima europeia e a ampliação do conhecimento do mundo. Segundo, inventários realizados por viajantes e cientistas, que reuniram uma série de descrições sobre diferentes lugares e suas principais características. Terceiro, o desenvolvimento do conhecimento técnico, sobretudo no campo da cartografia, que facilitou, inclusive, a expansão marítima. Por fim, mas não menos importante, pode-se considerar as mudanças na forma de pensar e interpretar o mundo, a sociedade, a natureza, que se fez presente, especialmente, na filosofia. Durante muitos séculos, o saber geográfico estava disperso. As conjunturas históricas associadas ao desenvolvimento técnico permitiram uma ampliação da visão de mundo e contribuíram para a sistematização do saber geográfico. AULA 3 – AS PRINCIPAIS CORRENTES DA GEOGRAFIA – PARTE 1 – A GEOGRAFIA TRADICIONAL Humboldt e Ritter tiveram um papel fundamental ao sistematizar o pensamento geográfico, conferindo a Geografia um corpo, dando-lhe, nas palavras de Moraes, uma cidadania acadêmica, agora a geografia era uma disciplina universitária. Assim a geografia seria a síntese dos conhecimentos da Terra, diferenciação entre os lugares e relação homem-natureza – se tornaram a base sobre a qual se construiria a chamada Geografia Tradicional, seus fundadores (Ratzel e Blache). Esta visão tradicional da geografia compreende toda uma forma de conceber a Geografia, sob um determinado ponto de vista teórico-metodológico. A geografia humana positivista, em três fases: a fase determinista (Corrente Tradicional – Ratzel: as sociedades eram vistas como um produto das condições naturais as quais estavam submetidas); a fase possibilista(Blache – em dois pilares: uma suposta neutralidade científica e uma crítica a geografia de Ratzel. Sua análise geográfica é concebida a partir do entendimento de que o homem é como um hóspede da natureza, sendo que em cada lugar onde se hospeda estabelece uma relação singular com o seu meio, desenvolvendo uma cultura que é originária dessa relação) e a fase de superação definitiva do ecologismo (Febvre – Ruptura com o ecologismo, ou seja, passou-se a valorizar a abordagem histórica, levando-se em conta os processos sociais.) AULA 4: A RENOVAÇÃO CRÍTICA DA GEOGRAFIA A nova geografia, ou geografia quantitativa, tinha por princípio básico compreender os processos e inter-relações entre diferentes áreas, a partir de modelos matemáticos. Dentro da geografia tradicional, o neopositivismo, não levava em conta a complexidade da sociedade e as inúmeras variáveis que a compõem. Da mesma forma, o indivíduo é visto com um sujeito a-histórico, e o espaço, como uma espécie de plano, ou melhor, apenas um palco onde as coisas acontecem. A geografia critica baseia seus fundamentos numa crítica profunda aos métodos analíticos de caráter descritivo a-crítico e a-histórico. A geografia humanística valoriza o sujeito e a subjetividade, permite trabalhar com a valorização da relação da criança com o mundo á sua volta, num processo de descoberta de si e do mundo, assim, a valorização dos espaços subjetivos das crianças é um processo fundamental na construção da geografia em sala de aula. AULA 5 – O ESPAÇO GEOGRÁFICO O espaço não é algo estático, fixo, morto, mas sim algo dinâmico, que interage com a sociedade. Isso supera a visão comum do que é espaço, que passa a ser visto como uma categoria de análise da geografia. O espaço acumula tempo, ou seja, ele vai acumulando as marcas de períodos históricos que, com o tempo, vão sendo incorporadas às novas paisagens, às novas dinâmicas que lhes são conferidas. Segundo Milton Santos, o espaço é um conjunto indissociável de sistemas de objetos e sistemas de ações. Para a geografia, a noção de espaço pode representar a distância entre dois lugares, mas pode representar também o conjunto de objetos, de ordem natural, ou não, com os quais a sociedade se relaciona, e a partir dos quais ela se relaciona entre si. Corrêa denominará de organização espacial: (1) Reprodução, ao produzir o espaço, o homem necessita criar as condições para a sua reprodução social. (2) formato de organização espacial, é uma expressão da produção material do homem, resultado de seu trabalho, refletindosobre as características culturais, econômicas e sociais do grupo que a criou. O espaço também é dotado de movimento, ou seja, a sociedade. O espaço incorpora, em sua composição, objetos e ações. A natureza do espaço, como sendo o espaço um conjunto indissociável de sistemas de objetos e sistemas de ações. AULA 6 – A PRODUÇÃO DO ESPAÇO GEOGRÁFICO A organização do espaço é sinônimo de produção do espaço, pois o ato de produzí-lo implica sua organização, a qual ao mesmo tempo que pode ser planejada, pode ser, também, não planejada, mas que reflete a divisão territorial do trabalho, as características naturais e sociais de cada localidade. Meio Natural – é caracterizado pela limitação das técnicas em superar a natureza e dominá-la. Esses limites implicam uma intervenção menos impactante do homem sobre o espaço, e significa, também, que há uma relação mais harmoniosa entre o homem e o meio. Meio Técnico – é a convivência do natural e do artificial na conformação do espaço. As técnicas estão em um estágio autônomo em relação a natureza. O meio técnico-cientifico-informacional– caracteriza-se pela interação entre ciência e técnica. Essa interação tem permitido a intensificação do processo de globalização. Divisão territorial do trabalho – é uma divisão segundo a qual cada área responde por uma determinada parcela da produção. Organização espacial é assim constituída pelo conjunto das inúmeras cristalizações criadas pelo trabalho social. A sociedade concreta cria seu espaço geográfico para nele se realizar e reproduzir, para ela própria se repetir. Para isto, cria formas duradouras que se cristalizam sobre a superfície da terra. A produção do espaço é resultante de conflitos de interesses que, em geral, são resolvidos com base no poder que cada ator possui de determinar seus rumos. Isso significa dizer que a produção do espaço é resultante de relações de poder. Aula 08 - A questão agrária nas últimas décadas, os países desenvolvidos e industrializados, incluindo o Brasil, intensificaram a produção agrícola por meio do avanço intenso da modernização das técnicas produtivas, que lhes permitiu, ao mesmo tempo, economizar mão-de-obra, aumentar a produtividade e obter um enorme volume de produção que não só abastece o mercado interno como é responsável por grande parcela dos produtos que circulam no mercado mundial. Em países como o Brasil, as regiões agrícolas que abastecem o mercado externo foram as que mais se modernizaram. A conseqüência mais direta foi a concentração de terra, que resultou numa acentuação das migrações do campo para a cidade e no inchaço das periferias urbanas. A modernização da agricultura brasileira não significou a modernização das relações sociais de produção e das relações de trabalho, relações essas que perpassam o campo e a cidade. Assim, falar em modernização significa referir-se ao aprimoramento das técnicas, pura e simplesmente, ou seja, significa dizer que a modernização aconteceu na substituição do trabalho humano por máquinas, no uso da biotecnologia para o desenvolvimento de sementes e mudas mais aprimoradas e no uso de insumos ditos modernos (agrotóxicos, corretivos e fertilizantes). a modernização realmente possui duas faces a tão propagada modernização, que produziu efeitos quantitativos maravilhosos para a nossa produção agrícola, manteve, em contrapartida, relações sociais de produção nada modernas, como o subemprego no campo, a baixa produtividade em inúmeras propriedades e a expansão da pobreza rural. A modernização da nossa agricultura ajudou a produzir as metrópoles, industrializou e mundializou a nossa economia nacional, internacionalizou a burguesia nacional, mas prosseguiu também produzindo a exclusão dos pobres na cidade e no campo. Essa exclusão leva à miséria parte expressiva dos camponeses e trabalhadores brasileiros. A PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA BRASILEIRA a modernização agrícola do país teve efeitos positivos, elevando os índices produtivos da nossa agricultura, mesmo que o custo social e ambiental dessa modernização tenha sido alto. O Brasil tem posição importante no mercado mundial como exportador de alguns produtos agropecuários, como soja, suco de laranja, café, açúcar, algodão, gado bovino, suínos e aves, todas praticadas por grandes e modernos estabelecimentos agrícolas. nas últimas três décadas, de investir nas culturas voltadas à exportação, representadas pelo setor do agronegócio, fez com que o país se tornasse dependente da importação de vários produtos, inclusive da cesta básica, como é o caso do trigo e do arroz, e até mesmo os produtos em que ele é campeão de exportações, caso da soja. a opção dos nossos governantes tem sido a de oferecer mais subsídios aos produtos agrícolas voltados à exportação, quase sempre cultivados em latifúndios, que funcionam como empresas agrícolas, em detrimento da produção voltada para o mercado interno, normalmente obtida em médias e pequenas propriedades, pela agricultura familiar. Ao optarem por modernizar parte do campo brasileiro (lembre-se de que a modernização foi excludente porque atendeu, em sua grande maioria, aos grandes proprietários de terra), os governantes brasileiros auxiliaram no aprofundamento de uma questão social que já é histórica: a questão agrária. Modernizaram-se as relações técnicas, enquanto as relações sociais continuaram, em grande parte, tão arcaicas quanto há cem anos. Ou você acha que a existência de bóias-frias (aqueles que não têm garantias empregatícias) e de milhares de sem-terras (aqueles que foram expulsos ou nunca tiveram acesso a ela) é sinônimo de modernas relações sociais de trabalho? nosso país precisa de uma política de desenvolvimento rural que vise uma reforma agrária efetiva, que fortaleça a agricultura familiar e que incentive todas as atividades que possam gerar trabalho e renda no campo e, por conseqüência, resolva o problema do êxodo rural e do crescimento da pobreza urbana. Mas mesmo todos os resultados sociais mostrados em centenas de anos de história, marcados pela opção da manutenção da concentração das propriedades, da manutenção da opção pela monocultura e pela mecanização do campo, não foram suficientes para elevar a agricultura familiar à categoria de prioritária na economia brasileira, sendo que os planos de formulação de políticas agrícolas são sempre colocados numa posição secundária. Entre as décadas de 1950 e 1980, a monocultura e a mecanização foram estimuladas em todas as políticas governamentais criadas como base para o modelo de desenvolvimento e crescimento econômico. Os resultados nós já citamos: concentração da terra, expulsão dos trabalhadores rurais e aumento da pobreza nas cidades, resultado do movimento migratório rural-urbano. Nas cidades, esses ex-trabalhadores rurais formaram um contingente enorme de trabalhadores urbanos, desempregados ou mal remunerados, que passaram a enfrentar condições de vida lastimáveis nas grandes periferias urbanas. Se a opção desse momento de nossa história tivesse sido realizar a reforma agrária, dando prioridade à agricultura familiar, sobretudo nas décadas em que ainda tínhamos uma população predominantemente rural, A agricultura familiar mostra superioridade e eficiência se comparada à agricultura patronal, à do agronegócio. No entanto, sua importância vai além da produção e da relevância econômica. É, sobretudo, social. é nítida a eficiência da agricultura familiar mesmo quando está em desvantagem em relação à agricultura patronal no que se refere ao acesso aos auxílios governamentais, como, por exemplo, o crédito agrícola. A superioridade da agricultura familiar se expressa no abastecimento alimentar, na distribuição de riqueza e na geração de empregos. Entretanto, as políticas governamentais orientadas pelo ideário neoliberal têm resultado no aniquilamento dos pequenos produtores, no favorecimento da grande produção, na deterioração das condições de vida dos trabalhadores e no aumento da concentração fundiária. a realidade espacial do país, como vimos, é fruto de um longo processode desenvolvimento e está intimamente relacionada à forma como a propriedade da terra vem sendo tratada, desde os primórdios de nossa história. MAS QUAL O VERDADEIRO CARÁTER DA REFORMA AGRÁRIA? Para ser eficiente e efetiva, a reforma agrária, como política governamental, deve se constituir numa política que seja voltada para alterar as bases do atual modelo de desenvolvimento. Deve ser uma política destinada a retomar o crescimento, com garantia de segurança alimentar e que se baseie na agricultura familiar. A luta pela Reforma Agrária deve, sobretudo, pautar-se em questionamentos sobre a modernização agrícola, a qual não é vista como tão bem-sucedida assim, e na criação de alternativas produtivas que sejam mais equilibradas, social, econômica e ambientalmente. Porque a atual lógica produtiva que se segue é ecologicamente insustentável, socialmente perversa e economicamente cara. A reforma agrária deve ser pensada como parte de um conjunto de reformas que abarque os mais diversos setores – financeiro, industrial, tecnológico, educacional etc. – e redirecione o modelo de desenvolvimento, para que este possa ser efetivamente mais democrático, por representar o interesse e a luta dos setores populares. REFORMA AGRÁRIA: POR QUE, COMO E PARA QUEM? 1– É a forma mais barata de gerar emprego e renda para a população excluída da modernização, além de combater os efeitos nefastos da globalização e os efeitos perversos do capitalismo. 2– É necessária para melhorar o perfil da renda no país, na democratização do capitalismo brasileiro, na segurança alimentar e na sustentação de uma nova era de crescimento econômico. Deve ser acompanhada de uma profunda alteração da política agrícola, direcionando-a para o apoio ao SETOR REFORMADO. 3– É um passo na direção da construção de um novo modelo de sociedade no país. A reforma agrária é encarada como um processo amplo que deverá abarcar todo o campo brasileiro e todas as categorias de agricultores. Atualmente existem, espalhados pelo Brasil, inúmeros acampamentos de sem-terras. Essa forma de organização, em que as pessoas passam privações de todos os tipos, representa os anseios de uma parcela significativa da sociedade que vê a possibilidade do acesso à terra como a grande esperança de uma vida melhor. É para isso que elas lutam. Para que a reforma agrária se realize e lhes traga esperanças de uma vida melhor. OS ASSENTAMENTOS DA REFORMA AGRÁRIA A constituição dos assentamentos significa a abertura de novos horizontes de vida e de trabalho, e por isso é fundamental que a política pública acompanhe o sem-terra desde a sua chegada à terra até a sua implantação definitiva. O assentamento é apenas um ponto de partida para novas demandas daqueles que tiveram acesso à terra e procuram nela se viabilizar econômica e socialmente, e o poder público precisa estar presente. Inúmeras experiências de assentamentos rurais, que nada mais são do que experiências de reforma agrária, já realizados no Brasil indicam que é possível fazer uma reforma agrária ampla e irrestrita, e que esta produzirá os frutos sociais esperados pela grande maioria da sociedade brasileira. É necessário que o Estado esteja pronto para assumir seu verdadeiro papel, que é o de realizar efetivamente a reforma agrária, que começa com o acesso à terra e continua na constituição da infra-estrutura necessária ao assentado, para que ele se mantenha nela, tais como políticas de crédito agrícola, acesso à educação e saúde rurais, estradas, energia elétrica etc. Os conflitos e a violência no campo prosseguem, porque há uma luta sem trégua e sem fronteiras travada pelos camponeses e trabalhadores do campo por um pedaço de chão e contra as várias formas de exploração de seu trabalho. Reforma agrária significa transformar a sociedade brasileira, criando um novo projeto de sociedade, que seja mais justo e equilibrado na divisão de suas riquezas, que produza mais trabalho, que seja mais coerente na utilização dos recursos de seu território e do planeta. A reforma agrária no Brasil é uma questão de se fazer justiça com milhares de seus filhos que vivem uma discriminação histórica: a não-possibilidade de acesso ao trabalho, que lhes traga dignidade. Aula 09- A concentração e a dispersão da indústria no Brasil A CONCENTRAÇÃO INICIAL DA ATIVIDADE INDUSTRIAL NO BRASIL A cidade de São Paulo, já nas primeiras décadas do século XX, transformou-se no principal pólo industrial do país. A economia cafeeira de exportação gerou as condições para o seu arranque industrial. Foram vários os fatores que levaram São Paulo a alcançar essa posição: • A localização geográfica estratégica, pois situava-se no nó de ligação entre o leque de ferrovias que se abria para o oeste cafeeiro e o porto de Santos.• O fato de ser o centro dos negócios de exportação e importação e das atividades bancárias, atraindo capitais e empresários investidores. • A chegada dos imigrantes, fato que gerou uma classe operária e também um mercado consumidor numeroso, constituído por trabalhadores italianos e espanhóis. • O crescimento econômico do interior, com o café, que abriu mercado consumidor para os produtos industriais que começaram a ser fabricados. São Paulo, por possuir as condições favoráveis de energia elétrica, transportes, mercado consumidor, mão-de-obra qualificada, tanto na capital quanto nos municípios vizinhos a ela, fez parte do planejamento governamental, na década de 1950, como a área ideal para se criar um grande pólo de desenvolvimento, o qual, posteriormente, iria se irradiar, contagiando outras regiões do país. No pós-guerra, a indústria que já tinha se instalado na cidade de São Paulo ultrapassou os limites do município, fazendo surgir centros industriais de grande porte na vizinhança, ao longo dos eixos rodoviários que substituíram as linhas férreas e que agora atraíam as novas fábricas que estavam se instalando. O seu crescimento industrial foi impulsionado por fatores históricos diferentes dos de São Paulo. No início do século XX, a cidade era a capital do país e abrigava o maior porto marítimo nacional. Contava com mais de um milhão de habitantes, um mercado consumidor apoiado pela aglomeração urbana e pelos atrativos oferecidos pela presença dos órgãos do governo e das empresas estatais. A princípio, como em São Paulo, a indústria localizou-se ao longo das linhas férreas, na zona norte da cidade, enquanto na zona sul a orla litorânea passou a abrigar os bairros residenciais de alta renda. As relações mantidas entre as duas cidades, São Paulo e Rio de Janeiro, estimularam a expansão industrial para o Vale do Paraíba, pelo fato de este se situar entre os dois maiores mercados consumidores do país. Contando ainda com fornecimento de água e energia elétrica, tornou-se uma região privilegiada para a indústria. A cidade de Belo Horizonte forma o terceiro vértice do triângulo e, conseqüentemente, a terceira maior concentração industrial do país. Foi fundada em 1897, como cidade planejada, para abrigar a sede do governo do estado de Minas Gerais, possuindo, assim, uma grande quantidade de funcionários públicos que formam um mercado consumidor. Era destinada a reverter o processo de decadência que se abateu sobre Minas Gerais após o declínio da atividade mineradora. A elite mineira estava direcionando os seus investimentos para a indústria, contando com a ajuda da concessão de incentivos do governo do estado para atrair investimentos industriais privados, o que resultou na industrialização dos arredores da cidade, com indústrias metalúrgicas e químicas. A região Sudeste tornou-se, assim, a região produtora e exportadora de bens industriais para abastecer as demais regiões do país, as quais transformaram-se nos seus mercados consumidores e, ao mesmo tempo, em fornecedores de matérias-primas necessárias. São Paulo transformou-se no principal pólo industrial do país em função da economia cafeeira de exportação, que gerou as condições necessárias para tal. São Paulo foi favorecido pelo fato de se situar no nó de ferroviasque ligavam o oeste cafeeiro ao porto de Santos; de ter sido o centro dos negócios de exportação e importação do café; pela chegada dos imigrantes, que gerou mão-de-obra e mercado consumidor; por possuir condições favoráveis de energia elétrica, transportes, mercado consumidor, mão-de-obra qualificada. São Paulo e Rio de Janeiro passaram a fazer parte do planejamento governamental, na década de 1950, como áreas ideais para se criar um grande pólo de desenvolvimento. Isso foi terrível para a distribuição espacial das indústrias, pois as demais regiões foram prejudicadas em seu desenvolvimento, já que o modelo que o país escolhera para se desenvolver baseava-se num projeto urbano- industrial, sobretudo, concentrado na região Sudeste. A DESCONCENTRAÇÃO DA ATIVIDADE INDUSTRIAL NO BRASIL os fatores que proporcionaram essa desconcentração. Um deles foi a política oficial de distribuição da indústria, adotada a partir da década de 1970, na qual o governo estabeleceu programas de incentivo à industrialização do Nordeste. Para o Centro-Oeste e a Amazônia, foram instalados projetos industriais integrados de mineração e agropecuária, e ainda, a Zona Franca de Manaus. Os governos brasileiros visavam corrigir o problema da acentuada concentração espacial que estava atraindo movimentos migratórios e causando aumento das tensões sociais nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, principalmente. Um outro fator responsável pela desconcentração industrial foi a abertura da economia brasileira à entrada de empresas transnacionais, na década de 1990. Diante desse fato, muitas indústrias instalaram-se no Nordeste, ou para lá se deslocaram em busca de mão-de-obra mais barata, abandonando as áreas onde os salários, por conta da atividade sindical, já estavam mais elevados. Essas indústrias, porém, não estavam preocupadas em racionalizar os custos de produção utilizando-se, para isso, de tecnologias mais avançadas. Estavam trabalhando ainda com o modelo de desenvolvimento arcaico, aquele que predominou nas décadas de 1950 até 1970, o qual, para baratear o custo da produção, utilizava-se da mão-de-obra mais barata. Uma revolução tecnológica vem ocorrendo no campo da eletrônica, da comunicação e dos transportes, gerando uma nova forma de produção e organização sócio espacial, a qual modifica a localização industrial, permitindo a sua instalação em áreas mais distantes das antigas aglomerações urbanas. A DESCONCENTRAÇÃO INDUSTRIAL NO ESPAÇO PAULISTA Nas últimas décadas, a cidade de São Paulo tem sido palco de um nítido processo de dispersão industrial, ou seja, o interior tem apresentado um crescimento industrial e de outras atividades atraídas pela indústria maior do que a capital. o Setor Terciário passa a absorver a força de trabalho expelida das indústrias que se deslocam. A metrópole passa a assumir a característica de aglomeração baseada nos serviços e no comércio. A urbanização gerou mercado consumidor, e a implantação de infra-estrutura energética e de modernas vias de transporte criou novas localidades favoráveis à indústria. A DESCONCENTRAÇÃO DA ATIVIDADE INDUSTRIAL NO BRASIL E A FORMAÇÃO DAS PERIFERIAS INDUSTRIAIS Há muito as demais regiões do país ressentem-se das desigualdades de desenvolvimento econômico em relação ao Sudeste. Diante disso, os governos estaduais reclamam providências junto ao Governo Federal para diminuir o problema. Existem grandes diferenças estruturais entre os eixos Sul e Nordeste. Ambos contam com um igual número de estabelecimentos industriais, porém o Sul emprega quase o dobro de trabalhadores e realiza uma produção duas vezes maior do que o Nordeste, o que indica uma concentração de capitais muito maior no Sul, que conta com empresas maiores. No Nordeste, predominam milhares de estabelecimentos pequenos e tecnicamente antiquados. No Sul, as empresas mais importantes surgiram de capitais locais, conquistaram o mercado regional e mais tarde o nacional. No Nordeste, as empresas mais importantes são filiais de empresas com matriz no Sudeste ou em outros países. O eixo Sul A expansão industrial no Sul apoiou-se em dois fatores importantes: o primeiro foi a chegada de imigrantes, que já possuíam uma formação técnica e fundaram empresas que se tornaram nacionalmente famosas, como a Hering, por exemplo; o segundo foi a organização de uma economia regional voltada para si mesma, isto, é, para abastecer o mercado regional. Em toda a região Sul, predominam as indústrias tradicionais, voltadas para a fabricação de bens de consumo não-duráveis, como vinho, calçados, chocolates entre outros artigos, dependentes de matérias-primas vegetais ou agropecuárias da própria região O eixo Nordeste Em escala nacional, a implantação de indústrias nas metrópoles nordestinas representou um processo de desconcentração industrial. Porém, na escala regional, o crescimento fabril nessas mesmas cidades teve um efeito contrário: representou uma violenta concentração industrial em relação ao interior. Os incentivos suplementares eram a mão-de-obra barata e abundante e a energia hidrelétrica disponível, proveniente das usinas hidrelétricas implantadas pelo governo na bacia do rio São Francisco. A moderna indústria localizada no Nordeste, que necessita, para seu funcionamento, de elevados investimentos de capital, não é uma indústria nordestina. Veio transferida do Centro-Sul ou até do exterior. O eixo NorteA indústria do eixo Norte localiza-se quase que exclusivamente numa só área, em Manaus. É a chamada Zona Franca que nasceu em 1967, sob a supervisão da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), projeto do governo que visava à criação de um centro industrial no meio da Amazônia. Os produtos não são fabricados no local, apenas montados com peças importadas, por isso essas indústrias são chamadas "maquiadoras". Podemos dizer que programas de incentivo à industrialização das demais regiões do Brasil, adotados pelo governo na década de 1970, acabaram influenciando no deslocamento de vários grupos industriais para novas áreas. A abertura da economia brasileira à entrada de empresas transnacionais e o ingresso do país na chamada Terceira Revolução Industrial também favoreceram esse deslocamento. PRINCIPAIS IMPACTOS TRAZIDOS PELO DESLOCAMENTO DAS INDÚSTRIAS o que existe até agora é apenas uma relativa desconcentração industrial, o início de um processo de descentralização em nosso território, pois a atividade industrial ainda não atingiu um grau de crescimento que permita uma total dispersão, como é o caso dos países desenvolvidos. Nas regiões mais afastadas, o predomínio da indústria de bens de consumo não-duráveis (produtos não-duráveis destinados ao consumidor) tem como consequência a dependência de tecnologia do Sudeste. Em geral, podemos dividir em duas partes os impactos sócio espaciais causados pela mudança de localização das indústrias. Os primeiros são os impactos sofridos pelas áreas de onde as indústrias saíram. A maioria delas entra em processo de decadência, repetindo-se o fenômeno que ocorreu nas antigas áreas canavieiras do Nordeste quando o Ciclo da Cana declinou. O declínio de uma atividade econômica gera desemprego, empobrecimento e fuga de população. Outros impactos são verificados nas novas áreas ou novas cidades para as quais a indústria se deslocou, levando junto uma caótica implantação de inúmeras atividades que superlotam a área, atraem população, derrubam as antigas atividades locais, principalmente o comércio, atraem os vícios do capitalismo, como o tráfico e a prostituição, além da poluição ambiental. Causam, também, o aumento da desigualdade socioeconômica nas áreas estagnadas. Assim, ao se dispersar a concentração industrial, dispersam-se parte dos problemas dessas áreas; por outro lado, ao se concentrar em outro espaço, com o passar do tempo, concentram-se nele também os problemas. Agora temos um processo de desconcentração espacial da indústria, associado a uma crescente concentração do capital. Os impactos locais sofridos pelas áreas de onde as indústriassaíram geram um processo de decadência econômica e causam desemprego, empobrecimento e fuga de população. Isso pode ser verificado, em alguns casos, no aspecto urbano, que se deteriora. Nas áreas que recebem as indústrias deslocadas, há uma caótica implantação de atividades que atraem população e dão origem a problemas como o tráfico e a prostituição e geram poluição ambiental, além do aumento da desigualdade socioeconômica. As consequências da dispersão industrial podem variar. No caso do eixo Nordeste, houve baixa absorção de mão-de-obra local, o que pouco contribuiu para elevar os níveis de vida e emprego da população. As limitações de consumo dessa população direcionam a produção das indústrias para atender aos mercados do Centro-Sul. Com relação à Zona Franca de Manaus, a atual política de abertura econômica do país coloca em risco o projeto, o que representa o aumento da pobreza em Manaus, que não tem alternativas de substituição dos empregos gerados pela indústria. AULA 10 PROCESSO DE TRANSIÇÃO DEMOGRÁFICA OCORRIDO NOS PAÍSES RICOS- Desde o início da humanidade, a escassez de alimentos e as difíceis condições de sobrevivência mantinham elevada a mortalidade, fato que começou a ser modificado com a chegada da modernização agrícola, após a Revolução Industrial. O aumento da produtividade e a utilização de menos mão-de-obra garantiram uma farta distribuição de alimentos e liberaram mão-de-obra do campo para a cidade. O aumento da população nas cidades impôs novos hábitos de higiene individual e coletiva, o que contribuiu para a melhoria das condições médico-sanitárias, diminuindo a proliferação de epidemias e reduzindo drasticamente a mortalidade. Os avanços no campo da medicina (vacinas, antibióticos, pré-natal e outros) também contribuíram para o recuo da mortalidade e para a aceleração do crescimento da população, ou seja, o surto de crescimento faz parte do processo de transição demográfica. A participação cada vez maior da mulher no mercado de trabalho e sua conseqüente saída de casa representam uma segunda causa importante. As mulheres, agora com acesso aos novos métodos anticoncepcionais, podiam optar por famílias menos numerosas, fato que passou a caracterizar não só os países da Europa como também todo o grupo de países ricos. PROCESSO DE TRANSIÇÃO DEMOGRÁFICA QUE VEM OCORRENDO NOS PAÍSES POBRE essa discussão vem ocultando o que realmente está ocorrendo: a finalização do processo de transição demográfica no mundo pobre. A estabilização do crescimento populacional é uma questão de tempo. As principais causas são a modernização da economia e a consequente urbanização. Prova-se, estatisticamente, que entre os grupos de maior escolaridade, e portanto, de maior renda, a natalidade é mais baixa. Em função disso, a forma mais eficaz de controlar a natalidade consistiria na melhor distribuição de recursos entre a população de um país, diminuindo a desigualdade social dos países subdesenvolvidos. Essa população, então com mais recursos, teria mais condições de investir na educação das futuras gerações, o que resultaria numa redução mais rápida da natalidade, acelerando a tendência já comprovada pelos estudos demográficos. A modernização agrícola causou um grande deslocamento de mão-de- obra do campo para as cidades, tanto nos países chamados pós-industriais quanto nos outros, que tiveram industrialização tardia e dependente, como foi o caso do Brasil. Existe, porém, uma diferença muito grande na absorção dessa mão-de-obra. Em ambos os grupos de países, houve modernização agrícola, que gerou deslocamento populacional do campo para as cidades. Nos países pós-industriais, o destino dessa população foi o setor secundário, que se encontrava em expansão e, posteriormente, com a diminuição da absorção da mão-de-obra pelo secundário, ela foi sendo transferida lentamente para o terciário. Nos países de industrialização tardia, o processo não se deu da mesma forma. O setor secundário não tinha a capacidade de absorção de toda a mão-de-obra disponível que veio do campo. Em função disso, uma grande parcela da mesma passou diretamente para o terciário informal, causando um excesso de mão-de-obra, fenômeno conhecido como hipertrofia do terciário. APÓS A REVOLUÇÃO TECNOCIENTÍFICA, COMO FICOU O MERCADO DE TRABALHO? As inovações tecnológicas geram desemprego, pois substituem pessoas por máquinas. O tipo de desemprego que estamos vendo hoje surgiu da combinação de dois fatores: as inovações tecnológicas e as leis trabalhistas conquistadas pela luta sindical, conquistas estas ameaçadas pela economia pós-industrial, pois os elevados custos por trabalhador induzem as empresas a reduzir seus quadros. Com o desemprego no setor formal, temos observado uma explosão de economia informal. Como economia informal contamos o conjunto de atividades organizadas em bases não-capitalistas, que se mantêm à margem da legislação trabalhista e tributária, nas quais os empregados não estão protegidos por leis trabalhistas (remuneração mínima, limites de jornada, condições sanitárias e outros direitos sociais e previdenciários). Incluem-se nesse setor o pequeno comércio familiar ou ambulante, os serviços eventuais realizados por conta própria, as atividades artesanais, oficinas de reparos e pequenas fábricas domésticas de confecções e calçados. São montados muitas vezes sem capital inicial, com tecnologia rudimentar, mão-de-obra de reduzida qualificação, com produtividade muito baixa, constituindo empregos inseguros e mal-remunerados. Os ciclos de prosperidade e recessão da economia de um país e as tendências da moda e do marketing é que determinam a vida ou a morte destas milhares de empresas informais, que constituem o elo mais frágil de economia globalizada. A QUALIFICAÇÃO DA MÃO-DE-OBRA Com a globalização e a abertura do nosso mercado à concorrência externa, a indústria foi obrigada a atingir novos patamares de produtividade, necessitando, para isso, de maior qualificação de sua mão-de-obra. Esta é a chamada Revolução Tecnocientífica, e o seu principal efeito é a valorização da mão-de-obra qualificada e a conseqüente desvalorização da força de trabalho com baixo nível de instrução, que ficou submetida ao subemprego informal ou ao desemprego. A Revolução tecnológica vem exigindo maior qualificação da mão-de-obra, criando cargos mais especializados, enquanto no Brasil, como em outros países pobres, temos uma carência grande no setor educacional. Por este motivo é que os vários textos sobre o assunto apontam como a principal causa do desemprego no Brasil, a falta de qualificação da nossa mão-de-obra para os cargos que vêm sendo criados e, que, diante disso, ela está sendo obrigada a se refugiar nos empregos da economia informal. A população brasileira, que se formou a partir da composição entre os índios, os brancos e os negros, segue o padrão de transição demográfica mundial. Nossa transição demográfica começou após a Segunda Guerra, a exemplo do que aconteceu nos países pobres de maneira geral. Iniciou-se, pela queda da mortalidade, causada pela difusão de práticas médicas – já utilizadas no mundo rico – para o mundo pobre, mesmo com a natalidade elevada. A transição demográfica dos países pobres gerou um novo surto de crescimento demográfico mundial. A estabilização do crescimento populacional é uma questão de tempo. As principais causas são a modernização da economia e a conseqüente urbanização, principalmente o aumento da escolaridade: quanto maior a escolaridade, maior será a renda, e a natalidade, mais baixa. Em concomitância ao processo de transição demográfica tivemos a modernização agrícola, que gerou deslocamento populacional do campo para as cidades. Esse processo se deu de forma diferenciada nos três grupos de países. O avanço tecnológico cada vez mais acelerado exige maior qualificação da mão-de-obra e maior especialização dos cargos. Mas, no Brasil, assim como em outros países pobres, há uma carência educacional, que não possibilita preparar adequadamente as pessoas frente às exigências domercado de trabalho. Por isso, a principal causa do desemprego no Brasil é a falta de qualificação necessária, o que obriga a população a se refugiar nos empregos da economia informal. Aula 11- Deslocamentos populacionais no Brasil de ontem e de hoje Populações geralmente se deslocaram de áreas estagnadas economicamente, que se tornaram repulsoras, para áreas nas quais se implantou um novo atrativo econômico que passou a gerar emprego e renda. O Brasil, pela extensão do seu território e pelos recursos disponíveis, sempre foi um grande atrator de fluxos populacionais. A partir da década de 1980, verificou-se uma inversão do fluxo migratório no Brasil, que antes era de mais entradas e depois passou a ser de mais saídas, instituindo-se numa nova etapa na história das migrações brasileiras, ocasionada pelos seguintes fatores: a crise econômica interna, que não permitia a oferta de empregos, além de representar perda do valor real dos salários; a inflação; a recessão econômica Iniciou-se também, nesse período, um fato grave chamado “fuga de cérebros”, que é a saída de mão-de-obra superqualificada em busca de melhores empregos. Dentre eles, cientistas, pesquisadores e professores emigram em vista das precárias condições da pesquisa científica no Brasil A composição da população brasileira reflete a transferência de migrantes de várias nações do mundo. Dentre as principais causas, estavam a busca de melhores condições econômicas e de estabilidade social e política. Esses imigrantes se espalharam por todo o Brasil e foram responsáveis pela construção de uma parte importante de nossa história OS PRINCIPAIS MOVIMENTOS POPULACIONAIS INTERNOS os principais tipos de migrações internas que ocorrem em nosso território. São elas a migração sazonal, também conhecida como transumância ou migração pendular, e o êxodo rural. A transumância é um deslocamento temporário (ida e volta contínua, por isso conhecida como pendular) e está relacionada a uma fase do ano (sazonal) sempre ligada a uma atividade econômica que necessita de mão-de-obra. Como movimentos pendulares incluem-se também aqueles realizados diariamente por milhares de trabalhadores urbanos que vivem nas periferias e trabalham nos grandes centros urbanos. o êxodo rural, que é o deslocamento de populações que abandonam o campo para procurar emprego na cidade. Ele pode ser temporário, quando o migrante, depois de algum tempo trabalhando fora, retorna à sua área de origem; ou pode ser definitivo. A estagnação econômica que ocorreu depois do período da cande açúcar e a extrema concentração das terras nas mãos dos latifundiários transformaram o Nordeste num depósito de mão-de-obra barata para os centros industriais do Sudeste, o maior atrativo populacional do século XX. A imensa maioria dos migrantes nordestinos é de mão-de-obra desqualificada e recebe os piores salários. Dos trabalhadores que formam a economia informal, 35% são migrantes (não só nordestinos) e seu salário médio é 30% menor do que o dos residentes antigos. A maior conseqüência espacial do grande fluxo migratório que ocorreu em direção às cidades industriais do Sudeste foi a formação de aglomerações urbanas situadas na periferia dessas cidades. Essas aglomerações também se espalharam pelos municípios vizinhos, e eles cresceram tanto que se encostaram no município principal, dando origem a um fenômeno urbano chamado “região metropolitana”. A FAMOSA MARCHA PARA O OESTE A partir da década de 1940, iniciou-se a chamada marcha para o interior do país, isto é, uma expansão da fronteira agrícola, pois, estando as terras litorâneas já muito ocupadas, a população passou a buscar novas terras, com custos menores para plantar ou para criar animais. O Governo Federal, então, tentando estimular um movimento populacional para o interior, começou a formar colônias agrícolas, Esse é um fenômeno que, apesar de ter sido mais intenso numa determinada época da história brasileira, ainda ocorre. A principal causa da interiorização da população brasileira foi o encarecimento das terras no litoral, já bastante ocupado, o aumento das exportações brasileiras e a demanda por novas áreas agrícolas. Dentre as conseqüências, temos a grande degradação ambiental que a agricultura de exportação vem causando, principalmente a derrubada das florestas e a contaminação dos rios, a destruição das tribos indígenas e o empobrecimento cada vez maior dos produtores rurais que não contam com a assistência plena do Estado para a sua manutenção nessas áreas. AS FRONTEIRAS AGRÍCOLAS ULTRAPASSAM OS LIMITES DO TERRITÓRIO BRASILEIRO O governo paraguaio loteou terras com preço inferior às brasileiras e deu facilidades de crédito para o plantio e para a comercialização da produção. Até hoje, porém, existem graves conflitos nessa região, em função da venda das mesmas terras a mais de um proprietário, um caso claro de corrupção administrativa por parte do governo paraguaio e dos latifundiários e empresas madeireiras brasileiras. Nesses confrontos, muitos pequenos proprietários perderam as suas terras para os grandes empresários e tiveram de retornar ao Brasil. SITUAÇÃO ATUAL DAS MIGRAÇÕES INTERNAS NO BRASIL o nosso país foi redefinindo a sua história de movimentação populacional, pois novas tendências se configuraram. Se no princípio, no século XIX, tivemos o fluxo imigratório superando o emigratório, no século XX tivemos a inversão dessa situação. A região que outrora fora a maior recebedora dos fluxos migratórios (Sudeste) perde essa categoria. No momento atual, a população brasileira tem buscado mais o interior do país, assim como outros países do continente, configurando-se, assim, maior diversidade migratória no Brasil A grande atração populacional exercida pelo Sudeste em meados do século XX se deu por conta da implantação da indústria, que necessitava, no início, de muita mão-de-obra para o seu funcionamento. Depois, em meados da década de 1960, foi o resultado da política desenvolvimentista voltada para o mercado de exportação, implantada pelos governos militares, que esvaziou o campo e inchou a cidade, fazendo emergir uma questão urbana de difícil solução. O crescimento urbano acelerado e desordenado, e o empobrecimento da população provocaram a deterioração progressiva das condições de vida nas cidades. Aula 12- A urbanização Brasileira Esta é, de fato, uma importante característica do espaço brasileiro atual, a sua imensa URBANIZAÇÃO. Essa urbanização se caracteriza pela ampliação do número de cidades, pela concentração da população nos grandes centros, pela grande importância política e econômica das cidades e, particularmente, das metrópoles, e pela enorme SEGREGAÇÃO SOCIOESPACIAL. A urbanização só ocorre, de fato, quando a população urbana cresce mais que a rural, como resultado da migração campo-cidade. Isso dá idéia de quão rápidas foram as transformações do espaço brasileiro nesse período, com o incremento da industrialização e as mudanças na agricultura. A industrialização brasileira se caracteriza por seu caráter poupador de mão-de-obra, pois se realizou “pulando etapas”, não passando por todas as fases de desenvolvimento por que passaram os países que primeiro fi zeram a Revolução Industrial. Isso fez com que boa parte dos trabalhadores não fosse absorvida, dando origem a um setor terciário vasto e caracterizado pelo SUBEMPREGO. o nível de desemprego tende a se manter sempre elevado, o que se agravou com o aprofundamento dos processos de automação industrial e flexibilização das relações de trabalho, em curso atualmente. Esse fato gerou uma organização do espaço urbano no qual se nota uma nítida segregação sócio espacial, com a discrepância entre luxuosos edifícios e favelas extremamente carentes de serviços e com habitações precaríssimas. Tais questões são agravadas pelo fato de o padrão de urbanização brasileira ser marcado pelo predomínio de grandes cidades e por uma reduzida importância das cidades de pequeno e médio porte, o que se deve, sem dúvida, à concentração espacial da indústria.Dentro da organização espacial brasileira, as grandes metrópoles nacionais têm um papel de destaque, enquanto as cidades de pequeno porte geralmente carecem de serviços e estão subordinadas a uma grande metrópole, principalmente Rio de Janeiro e São Paulo; esta última é a principal cidade do país e uma das maiores do mundo. AS TRANSFORMAÇÕES URBANAS A PARTIR DO SÉCULO XIX A economia e a política foram os principais vetores de estímulo para a fundação de muitas cidades localizadas nas principais regiões econômicas do Brasil, como o Sudeste e o Nordeste. Quanto ao espaço físico, as condições favoráveis de relevo, as boas terras e o clima definiram as características dos lugares. Mais uma vez a cafeicultura e as ferrovias tiveram papel importante na dinamização do país. Ambas foram fatores muito importantes na criação de cidades do Sudeste, que giravam em torno da economia do café e também da cana-de-açúcar. Mesmo com toda a expansão da sua rede urbana, o Brasil chegou às primeiras décadas do século XX tendo uma população predominantemente rural. As mudanças ocorridas na política e no sistema socioeconômico, com a introdução do trabalho livre e assalariado, permitiram ao país adotar uma nova forma de ocupação de seu território. A economia de caráter agroexportador reproduzia relações sociais de trabalho que fixavam o homem ao campo. Foi a economia do café que permitiu a conquista de muitas áreas do interior do país, que fortaleceu as relações sociais do trabalho livre e alargou os mercados internacionais. Foi, portanto, um dos grandes responsáveis pelo crescimento das cidades e pela transformação sócio espacial do país. São Paulo e Rio de Janeiro assumiram a partir daí a posição de liderança no crescimento. A população assalariada favoreceu a organização dos mercados urbanos. Nos novos e antigos centros urbanos acumulavam-se trabalhadores livres, empregados nas atividades industriais e no setor terciário. A industrialização e a modernização da agricultura que acabaram incentivando a migração campo-cidade geraram empregos especializados, expandiram a classe média e aqueceram o consumo urbano, estimulando o comércio e a expansão da prestação dos serviços urbanos. Viver na cidade tornou-se moderno, ao mesmo tempo que permanecer no campo tornou-se sinônimo de atrasado. Os maiores responsáveis por criar esse padrão de modernidade foram os meios de comunicação, que levaram para a população de todo o mundo a idéia de que o modelo urbano oferecia um padrão de vida mais elevado, mais moderno. Esse padrão de vida está baseado nas possibilidades do consumo. A modernidade produziu o outro lado da urbanização. O Brasil se modernizou (e se urbanizou) apoiado na entrada de capitais estrangeiros. Mas as tecnologias importadas para produzir essa modernização não eram adaptadas às nossas condições, e sim à realidade dos países mais desenvolvidos, onde a urbanização já estava estabilizada e o crescimento da oferta de mão-de-obra urbana era lento e gradual. Os trabalhadores menos qualificados para o trabalho urbano acabaram sendo absorvidos pelo setor terciário informal. É o caso dos camelôs e dos prestadores de serviços, como os que fazem consertos de eletrodomésticos, veículos, roupas, calçados etc. A Exclusão Social O Brasil é um país moderno! É verdade. Por suas características econômicas, ele é classificado dessa maneira. Mas fica muito fácil questionar esse conceito quando levamos em conta os indicadores sociais: grande número de desempregados, alto índice de analfabetismo, déficit de moradias, sucateamento da saúde e da educação. Significativa parcela da população vive excluída do acesso às riquezas produzidas no país. O crescimento das regiões metropolitanas é um fato marcante da urbanização brasileira nas últimas décadas. É nas regiões metropolitanas que se diversifica e avoluma a divisão do trabalho, originando uma série de relações econômicas e sociais. Quanto maiores as aglomerações urbanas, maior a sua capacidade de abrigar atividades diferenciadas. Por isso, as metrópoles acabaram se caracterizando como a forma mais aguda do processo de concentração espacial que o capitalismo foi capaz de produzir no século XX. Quanto mais cresce a população e, consequentemente, a demanda por habitação, mais escasso e valorizado se torna esse solo. A alta valorização do solo urbano leva ao fenômeno da verticalização das áreas centrais das grandes cidades, enquanto nas áreas periféricas o que se encontra é um processo de expansão horizontal, geralmente acompanhada de precárias condições de infraestrutura. Enquanto o centro urbano abriga a parcela da população que não encontrou outra opção que não a de permanecer próximo ao trabalho, mesmo que em condições precárias de habitação, a conurbação criada na região metropolitana vai abrigar outros tipos de problemas para os trabalhadores: o do transporte de massa. O trabalhador que se abrigou na periferia passa a enfrentar problemas como o de ônibus insufi cientes, as longas distâncias, os grandes congestionamentos, as horas passadas no trânsito, enfi m, problemas modernos, que trazem ao trabalhador um enorme desgaste na sua condição física e perda de qualidade de vida. As grandes cidades brasileiras têm refl etido no espaço os problemas derivados da aglomeração populacional e da falta de projetos governamentais que ofereçam opções defi nitivas para esses problemas. A história de Juca e André só exemplifi ca uma realidade que é muito comum nas regiões metropolitanas e também nas cidades de menor tamanho. Problemas de habitação, transporte, saneamento básico, educação de qualidade, acesso ao emprego, exacerbam as condições de subvida de milhares de pessoas nas grandes cidades e levam ao aumento da violência urbana. A violência é um sintoma social do espaço urbano e refl ete a falta de oportunidades. PROBLEMAS SOCIAIS X PROBLEMAS AMBIENTAIS: A CIDADE DE HOJE O fenômeno da globalização produziu, ao longo das últimas décadas, novas fontes de riqueza, mas também de pobreza, nas grandes cidades. Ao mesmo tempo que os salários dos trabalhadores industriais tendem a baixar, verifi ca-se, com menor intensidade, uma imigração de gente de baixa renda proveniente de áreas rurais modernas, de áreas rurais tradicionais e de outras áreas urbanas. As grandes cidades se desenvolveram como pólo atrativo a acolher gente pobre e lhes oferecer alguma espécie de ocupação. Os gastos públicos privilegiaram a criação de uma infra-estrutura para atender às necessidades das atividades produtivas, em detrimento da satisfação das necessidades sociais. As grandes obras, como usinas hidrelétricas, rodovias, sistemas ferroviários urbanos, sistemas de telecomunicações, benefi ciaram indiretamente os mais pobres. No subemprego, falta de transportes coletivos de qualidade, falta de infraestrutura básica, como pavimentação, coleta de esgotos, água, luz elétrica, a decadência do ensino público e a deterioração da assistência médicohospitalar. Estes são só alguns dos problemas urbanos sem solução. A submoradia tem-se caracterizado como um dos problemas urbanos mais graves. Dos anos 1980 para cá, ela se multiplicou nas grandes cidades. Na maioria das vezes, situa-se nas áreas centrais, formando os cortiços, em que famílias inteiras vivem instaladas num único cômodo. Muitas pessoas preferem viver assim a tentar a instalação nas periferias porque os problemas com deslocamento, principalmente, são grandes. Por outro lado, a presença da mão-de-obra nas áreas centrais signifi ca economia para os empregadores, já que os custos com o transporte costumam ser altos. A presença de favelas em áreas centrais também segue as mesmas características. A maioria dos terrenos ocupados por favelas pertence ao Estado, que nos últimos anos tem procurado estabelecer programas de reurbanização das favelas, com o objetivo de fornecer infra-estrutura básica, apesar de a maior parte das favelas existentes no país continuar em situação precária. O Estado brasileiro pouco fez até hoje para resolver os problemasinerentes à urbanização acelerada ocorrida no país. Sua ação se deu apenas no sentido de sacramentar a desordem urbana; ou seja, o Estado, em vez de buscar a solução definitiva para os problemas urbanos, muito mais acentuados nas regiões metropolitanas, aplica seus recursos de forma paliativa, como, por exemplo, urbanizando parte das favelas, titulando terrenos irregulares, ou levando infra-estrutura para loteamentos ilegais. As metrópoles brasileiras expandiram-se de forma acelerada, produzindo e reproduzindo várias formas de segregação espacial. E o Estado? Suas ações foram marcadas por profundas contradições, omissões e desacertos. O Estado tem-se mostrado incapaz de corrigir as distorções da urbanização brasileira. Enquanto isso, os problemas sociais se reproduzem espantosamente nas grandes e também nas médias e pequenas cidades deste país. Aula 13 - O Brasil regional- As tentativas de transformar o Brasil numa economia integrada criaram a necessidade de conhecimento do território, no que diz respeito a estatísticas e recursos naturais. A Natureza, analisada segundo a visão do conceito de Região Natural, era vista como uma espécie de palco perfeito sobre o qual havia a possibilidade de se desenrolarem as atividades humanas. Regionalizar considerando apenas o aspecto natural permitia aos planejadores determinar como e com quais atividades o homem ocuparia e transformaria aquele espaço. O palco natural era uma variável estável e permanente, enquanto regionalizar, levando em conta a história dos homens, era algo instável e recente. Esse era o pensamento da época, influenciado pela escola francesa de Geografia a, que acabou definindo a escolha desse conceito para a primeira regionalização brasileira. Por isso, o interesse do governo em estabelecer uma divisão regional no território, que serviria de base de pesquisa. Houve três divisões: • a primeira dividiu o Brasil em cinco grandes regiões: Norte, Nordeste, Leste, Sul e Centro-Oeste, e utilizou-se o conceito de Região Natural; • a segunda foi baseada em novos conhecimentos sobre o território brasileiro, e utilizou-se um novo conceito de regionalização, o conceito de Regiões Homogêneas; • a terceira dividiu o território brasileiro em Regiões Geoeconômicas: Amazônia, Nordeste e Centro-Sul, e se trata de uma divisão não-oficial, ou seja, não foi elaborada pelo IBGE. As regiões seguem critérios geográficos e econômicos, baseados ainda no conceito de Regiões Homogêneas. O método geográfico de regionalização serve, antes de tudo, para orientar as políticas territoriais do Estado, ou seja, políticas de planejamento. Governos municipais, estaduais e federal delimitam unidades regionais dentro do seu território como forma de racionalizar os investimentos, servindo como instrumento de políticas de planejamento. As Regiões Homogêneas são defi nidas segundo uma combinação de características físicas (ou naturais), demográfi cas (populacionais) e econômicas. Foram levados em consideração os domínios ecológicos, estudados na Aula 5; o comportamento da população, estudado na Aula 9; a estrutura agroindustrial e a rede de transportes, entre outros aspectos. Esse critério de regionalização, baseado no conceito de regiões homogêneas, considerava as atividades econômicas como fundamentais para a diferenciação das áreas, pois era o funcionamento da economia que iria determinar as políticas de investimentos que o governo adotaria. A identificação de áreas consideradas “deprimidas” auxiliava no direcionamento dos investimentos. As regiões de planejamento, naturais ou geoeconômicas, são sempre unidades territoriais sujeitas a programas específicos de intervenção por parte do Estado. São criadas para corrigir desequilíbrios regionais, originados no processo de crescimento econômico de um país. A regionalização com o conceito de Região Natural que, a princípio, exclui o homem como produtor de transformação do ambiente acabou por provocar profundos equívocos em regiões como a da Amazônia brasileira. Por causa desse planejamento equivocado, que priorizou a exploração dos recursos naturais, com a instalação dos megraprojetos liderados pelo grande capital, sem levar em conta as peculiaridades ambientais e, principalmente, sociais, a Região Norte do país transformou-se num palco de muitos problemas. Sobrevêm,então, a dizimação de grande parte da população indígena, a morte de posseiros e pequenos proprietários de terras em função da expansão da grilagem, a intensifi cação das queimadas para aumento das pastagens etc. SITUAÇÃO ATUAL DO BRASIL REGIONAL Apesar desse processo todo, a economia brasileira continua concentrada na Região Sudeste. O Nordeste e a Amazônia continuam sofrendo das mesmas questões sociais, tais como pobreza, desigualdades na distribuição de renda e de terras, conflitos fundiários, baixos salários, desemprego, fome, mortalidade infantil e analfabetismo. As indústrias e os grandes projetos minerais e agropecuários pertencem a empresários do Centro-Sul ou do exterior, que se beneficiam dos recursos, em detrimento da população local. Os produtos fabricados nessas regiões, em geral, são consumidos no Sudeste, porque as populações do Nordeste e da Amazônia não dispõem de sufi ciente poder aquisitivo. A falta de mercado consumidor é o principal obstáculo ao desenvolvimento dessas regiões. Aula 14 - O Brasil regional e o complexo do Centro-Sul A divisão do território brasileiro em regiões geoeconômicas é uma proposta de estudo com base em três grandes unidades territoriais, chamadas complexos regionais: o Centro-Sul, a Amazônia e o Nordeste. Essas três grandes regiões são individualizadas segundo critérios geográficos, baseados também no conceito de Regiões Homogêneas, que consideram os aspectos econômicos, sociais e naturais. O Centro-Sul, que é o complexo a ser estudado nesta aula, é composto pela Região Sudeste, pela Região Sul e por parte das Regiões Centro-Oeste e Norte Em nenhuma das três partes resultantes dessa regionalização, as áreas defi nidas têm seus limites coincidindo com as fronteiras político-administrativas dos estados brasileiros. O que não ocorre com a divisão ofi cial, que, por algumas conveniências, faz com que os limites das regiões coincidam com os limites dos estados, O Centro-Sul destaca-se como o centro econômico do Brasil pela maior população nacional e pela maior parte da produção industrial e agropecuária do país. É a região de economia mais dinâmica, produzindo a maior parte do PIB (Produto Interno Bruto), ou seja, das riquezas nos setores agrário, industrial e de serviços. Mas, apesar da maior dinamicidade, o Centro-Sul possui também as contradições típicas do desigual desenvolvimento socioeconômico brasileiro São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília constituem os três mais importantes centros, onde se concentram as sedes sociais das grandes corporações privadas vinculadas à produção, circulação e distribuição de mercadorias e capitais. O Centro-Sul abriga dois terços dos habitantes do país e concentra a maior parte dos recursos econômicos, da indústria, da agropecuária moderna, dos bancos, do mercado de capitais, do comércio etc. Além disso, também é o centro de pesquisas, tecnologia e de ensino superior, pois nessa região concentra-se a maior parte das universidades do Brasil. É, ainda, onde se localizam os principais portos, rodovias e aeroportos. Tudo isso faz do Centro-Sul uma região concentradora dos recursos econômicos e sociais. O Centro-Sul precisou contar com a ampliação das regiões produtivas e com o aumento do nível tecnológico das mesmas. Foi o que aconteceu com a incorporação de parte do Centro-Oeste na dinâmica econômica do Sudeste. O desenvolvimento da agricultura comercial auxiliou no fortalecimento dos complexos agroindustriais e complementou a economia do Centro-Sul. Os custos dessa expansão é que foram grandes. A cultura da soja e a expansão da pecuária nas áreas de cerrado provocaram perdas ambientais, e a concentração da propriedade da terra provocou conflitos e mortes no campo.Essa atividade visa a atender ao primeiro objetivo desta aula, que é de mostrar como as áreas que compõem o Centro-Sul contribuíram no seu fortalecimento. A Região Sudeste (composta pelos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais) é, de todas as partes que compõem o complexo do Centro-Sul, a mais importante do ponto de vista econômico. Por isso, a expressão de que o “Sudeste é o coração econômico do Brasil” é uma das definições mais recorrentes quando se trata de definir a região. De fato, o Sudeste é a região mais desenvolvida, não só do complexo Centro-Sul, mas de todo o Brasil. Os primórdios da regionalização no Centro-Sul, como você já viu em aulas anteriores, estão relacionados às políticas de investimento voltadas para a consolidação de alguns setores econômicos, como o agropecuário e o industrial, que foram por um longo período concentrados, principalmente nos estados do Sudeste, o que defi niu sua superioridade em relação às demais regiões. A importância histórica dessa região data do desenvolvimento da atividade mineradora, quando o eixo econômico e político do país foi transferido para o Centro-Sul. Após a mineração, o café, no século XIX, valorizou também a área, tanto no vale do Paraíba fluminense como no paulista. No século XX, este produto impulsionou a economia do oeste de São Paulo. Na Era Vargas, essa região encontrou sua vocação industrial. O capital do café e os esforços estatais vão transformá-la em um grande centro industrial, sobretudo nas metrópoles nacionais de São Paulo e Rio de Janeiro, e na regional de Belo Horizonte. A região reunia todas as precondições vitais para permitirem o surgimento de indústrias. Além disso, a região destacava-se como uma área densamente povoada, bem servida de potenciais energéticos e de facilidade de transporte, na qual se concentrava a parcela fundamental da atividade econômica do país: a região paulista-fluminense, que abrangia o centro administrativo nacional e a zona de atividade econômica mais dinâmica da época. São Paulo destacou-se no contexto nacional como o estado de maior concentração industrial, especialmente no tocante à indústria pesada. Atualmente, o interior do estado já desponta como o segundo mercado interno do país. A riqueza de recursos minerais esteve na base do grande desenvolvimento das indústrias siderúrgica e metalúrgica da região, principalmente no estado de Minas Gerais. o Rio de Janeiro, apesar de estagnado na metade dos anos 1990, vem crescendo através de um processo de “renúncia fiscal” e dos novos ramos privatizados, os da telecomunicação e da siderurgia. A economia do Rio de Janeiro, porém, tem sua maior perspectiva no crescimento da indústria do petróleo (extração, construção naval, plataformas, oleodutos e gasodutos, polo gás-químico e novas empresas que ganharam concessão de exploração). O problema do Rio de Janeiro é que sua produção agropecuária é basicamente para o consumo interno e, necessariamente, o estado exige importação de alimentos e insumos agrícolas. Contudo, mesmo com todo esse potencial econômico e produtivo, a Região Centro-Sul convive com profundas contradições e crises. Primeiro, há uma crise social. Nas metrópoles do Sudeste, destaca-se o grave problema da segregação espacial, Mesmo com a redução da migração, a favelização ampliou-se paralelamente à formação de uma enorme periferia urbana, sem infraestrutura básica. Há também uma crise ambiental. Os desmatamentos, a retirada dos mangues, a poluição de importantes fontes de vida, como a Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, os deslizamentos de encostas, os problemas com o lixo, entre outros, são tônicas na vida da região. A industrialização e a exploração econômica acelerada, sem respeito ao meio ambiente, são fatores geradores dessas crises vivenciadas pela mais dinâmica região do país. As diferenças regionais denotam, principalmente, um processo de ocupação desigual, desequilibrado. Essa ocupação, que privilegiou as grandes cidades dos estados com as maiores economias, acabou provocando a criação desse Brasil tão dividido e tão desigual. Mesmo dentro das regiões mais ricas do país, podemos constatar as grandes diferenças socioespaciais, o que demonstra que as políticas de investimentos direcionadas, em sua maioria, para essas regiões, também não conseguiram resolver os seus problemas. Ao contrário, em muitos casos, eles se acentuaram. As grandes cidades brasileiras acabaram recebendo grandes contingentes populacionais de outras regiões do país, pois seus estados de origem não lhes ofereciam melhores oportunidades de vida. Nos maiores centros urbanos, essas pessoas acabaram se instalando em áreas deficitárias de infraestrutura e suas vidas pouco ou quase nada melhoraram. O poder público não tem sido capaz de equilibrar o desenvolvimento regional, já que as opções de investimentos sempre foram concentradas nas regiões mais dinâmicas do país. AULA 15 - O Brasil regional e o complexo da Amazônia Para discutir o espaço do complexo amazônico, é preciso entender um pouco sobre as distorções criadas a respeito da verdadeira realidade da região. Seus próprios moradores se espantam ao ver que, para melhor explorá-la, os grandes interessados ainda passam a imagem de uma região habitada essencialmente por índios, enquanto há muito tempo existem cidades e uma vida urbana considerável. A Amazônia se tornou fronteira a ser explorada pelo capital após 1970, sob um discurso de que era preciso integrá-la às regiões mais dinâmicas do país e evitar o aprofundamento do desequilíbrio regional existente, conforme você estudou na Aula 14. O projeto de integração acabou implicando uma crescente apropriação dos recursos naturais, que foram transformados em reserva de valor; a busca constante por novas riquezas minerais; os investimentos pontuais de capitais privado e estatal que, para incentivar as correntes migratórias e a ocupação da região, construíram aeroportos, hidrovias, rodovias etc.; a dizimação física e cultural da região, pelo acirramento dos conflitos sociais. Existem várias concepções sobre a Amazônia que iremos desvendar agora: a) a Amazônia como vazio demográfico: A imagem da Amazônia como vazio demográfico foi construída pela dificuldade de garantir a efetiva exploração da região. No entanto, os conflitos que se multiplicaram nos anos 1960 e 1970, devido à expansão da fronteira agrícola entre as populações tradicionais remanescentes – índios, seringueiros e ribeirinhos –, e os “novos colonizadores”, comprovam a ilusão da imagem da Amazônia como vazio demográfico e cultural. b) a Amazônia como reserva de recursos: Essa visão acabou causando muitos danos ambientais à região. A prática cultural de tradição europeia, que vê a floresta como natureza que deve ser derrubada para dar lugar à agricultura, levou à perda de milhões de toneladas anuais dos solos amazônicos e de um patrimônio de biodiversidade inestimável. A visão geopolítica tradicional da Amazônia como um vasto espaço vazio e uma reserva de recursos naturais, refletida no planejamento regional das décadas passadas, foi um erro fundamental, pois desrespeitou a exploração tradicional dos recursos naturais como modelo de desenvolvimento regional na Amazônia. c) A Amazônia como reserva ecológica do planeta: A importância da dinâmica hidrológica da Floresta Amazônica para o planeta e a devastação operada na região pelo modelo de desenvolvimento implementado nos anos 1970, baseado nos grandes projetos, colocou a Amazônia no centro do debate ambiental. d) A Amazônia como região atrasada: Outra visão corrente no imaginário sobre a Amazônia é a de região atrasada. Só que os problemas da Amazônia não são resultado do atraso, e sim do modelo de desenvolvimento calcado na modernização, que em vez de desenvolvê-la econômica e socialmente, apenas possibilitou que “os de fora” pudessem explorar suas riquezas. Os bons resultados dessa exploração pouco ou quase nunca retornaram à Amazônia. A Amazônia, nos últimos trinta anos, tem experimentadouma nova fase do processo atraso-modernização. Das experiências anteriores, permanecem a exclusão social e a dilapidação do patrimônio natural e cultural. O que temos de novo, pós anos 1960, é a captura, que parece definitiva, do espaço regional amazônico pelo Centro-Sul, de suas riquezas que servem ao centro dinâmico do país, já que este responde e se insere mais intensamente no processo de mundialização da economia. Em outras palavras, a Amazônia existe para abastecer, com suas riquezas, o Centro-Sul. POR QUE A AMAZÔNIA SEMPRE FOI VISTA COMO UMA “QUESTÃO NACIONAL”? Na formação histórica do território brasileiro, a Amazônia é uma região periférica, marginal. No contexto nacional, essa visão é decorrente da colonização, quando a Amazônia foi destinada a ser uma reserva futura de recursos naturais e colocada como uma fronteira indomável frente à incapacidade efetiva de exploração. É uma região subordinada aos interesses nacionais, e estes são definidos nos centros hegemônicos do poder nacional, que estão localizados fora da região Norte. Quando a integração da Amazônia ao território brasileiro aconteceu, a região permaneceu nas mãos dos antigos colonizadores, cujo poder se tornara ainda maior, haja vista serem, na época, extremamente débeis as inculações da Amazônia com o Rio de Janeiro, então capital do Brasil. O complexo amazônico é composto pela Região Norte e pela grande floresta amazônica, que é a maior floresta equatorial do mundo, com seus 6,5 milhões de quilômetros quadrados, boa parte localizada em território brasileiro. Para conhecera fundo as particularidades desse espaço, é necessário quebrar os estereótipos que foram construídos, para justificar a necessidade de ocupá-lo e explorá-lo. O complexo amazônico sempre foi visto como uma “questão nacional”, destinado a ser uma reserva futura de recursos naturais e colocado como uma fronteira indomável. Foi sempre subordinado aos interesses nacionais e internacionais, já que os países ricos querem se tornar responsáveis pelo destino a ser dado à Amazônia. Os povos da floresta (povos ribeirinhos, seringueiros, quilombolas, índios, castanheiros, quebradeiras de coco e os atingidos por barragens) têm lutado pelo direito de permanecerem na terra que conquistaram e usufruírem dos recursos naturais para continuarem sobrevivendo. Outro grande desafio é proteger os recursos naturais da Amazônia, já que a degradação avança fortemente, como é o caso do desmatamento que atingiu 14,2% em 2000, contra 0,6% em 1975. Resumo da Aula 18- A representação do espaço na mente humana Fala sobre o espaço das relações dos homens, que ele tem seu próprio modo de vida e ele constrói sua própria história e ele constrói imagens na mente de acordo com o que percebe, que são as representações mentais (mapas mentais) que são as imagens adquiridas no dia a dia. A escola deve considerar que cada criança traz consigo sua experiência e sua realidade. Conforme diz Lowenthal (1985, p. 105), "qualquer pessoa que examine o mundo ao redor de si é, de algum modo, um geógrafo". A escola precisa respeitar a imagem de espaço que cada aluno constrói em sua mente. As pessoas observam o mundo de diferentes pontos de vista. Piaget diz que a criança se considera o centro do universo e que tudo no mundo é vivo e foi criado para ela. Assim, as nuvens andam no céu, a montanha é para ser escalada, tudo tem vida. O desenvolvimento da objetividade perceptiva ocorre lentamente ao longo da vida. Com a passagem da infância para a fase adulta, o homem muda a maneira de ver o espaço. Conforme foi estudado por Piaget, a criança é egocêntrica (centro de todo o interesse) e considera tudo como possuindo vida própria, e isso acontece também com os elementos do espaço. Conforme vai crescendo e até atingir a fase adulta, a criança desenvolve a objetividade perceptiva, e a visão do espaço torna-se diferente Por que se diz que não existe concordância entre o espaço real e o concebido na mente humana? COMENTÁRIO Sabe-se que a mente humana é capaz de criar e imaginar o espaço de acordo com o interesse de cada um. Dessa forma, o espaço real será sempre deformado pela mente do homem que, considerando seus interesses, sua forma de observar, sua própria ideia, acaba construindo um espaço imaginário que não combina com o verdadeiro, mas que é o “seu” espaço. A paisagem é como um ser vivo que evolui com o tempo: ou seja, a visão que construímos também pode evoluir. A criança concebe o espaço de uma forma e, na fase adulta, “vê” esse mesmo espaço de outra maneira. A visão da criança é limitada, muito ligada a seu tamanho, por isso, acha sua praça tão grande, seu bairro imenso, difícil de perceber em toda sua extensão. Costuma brincar dizendo que alguma coisa distante está “lá no fi m do mundo”. Já o adulto vê a insignificância da sua praça ou de seu bairro em relação à cidade, que é obrigado a cruzar, diariamente, do trabalho para casa e vice-versa. As distâncias ficaram menores. O “fim do mundo” não está tão longe assim. O MUNDO PARTICULAR NA ESCOLA O conhecimento desse assunto permite ao professor compreender que cada um tem sua própria percepção de espaço e que fica difícil pensar que todos os alunos estão “vendo” a mesma coisa. Por isso, é importante, nas séries iniciais do Ensino Fundamental, o professor estimular o desenho como forma de favorecer o desenvolvimento de referenciais e orientação espacial. Como diz Rosângela Almeida, "ao desenhar, a criança e o jovem representam seu modo de pensar o espaço" Como foi dito por Piaget, a criança constrói seu conhecimento por meio de suas ações. O desenho vai lhe dar oportunidade de expressar aquilo que tem em mente, representar suas ideias, utilizando-se de símbolos criados por ela própria. Isso lhe permite que compreenda o que desenhou, que seja ela mesma um codificador, para ser depois um decodificador. É no desenho que a criança interpreta o real. Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) enfatizam a necessidade de, nos estudos de Geografia, realizar a “leitura da paisagem”. Considerando que cada aluno fará a “sua leitura” dessa paisagem, o professor deverá guiar e respeitar o modo de ver de cada um. Nos desenhos infantis, é possível observar a proporcionalidade, a localização, a projeção e a simbologia que eles utilizaram. Esses aspectos abrem caminho para o conhecimento dos mapas. É nesse ponto que se iniciam os estudos de Cartografia. Infelizmente, a escola não está atenta para tais aspectos e faz a criança ser um copiador de mapas (decodificador) e um “falso” leitor, porque não foi, antes de tudo, um mapeador (codificador). RESUMO O ser humano tem a capacidade de representar mentalmente os espaços onde vive ou que, ao menos, conhece. Chamamos a essas representações mapas mentais, que pertencem à Geografia das Representações. Vários fatores interferem na concepção de espaço que ele elabora na mente: o modo como observa; a influência da sua cultura ou dos estereótipos que possui; a capacidade da palavra escrita ou falada; os modos como cada geração vê esse espaço; ou ainda, os valores sociais, econômicos e religiosos que possui. Na escola, a criança deve ser estimulada a desenhar o espaço conforme sua percepção porque, dessa maneira, estará criando símbolos, e utilizando-se de habilidades como localização, orientação e proporcionalidade, noções que o professor precisa que ela conheça para o trabalho com os mapas. Se o aluno for inicialmente mapeador, conseguirá, certamente, ser um leitor, no sentido de saber interpretar e ver o que os mapas estão querendo mostrar. Ao lermos a Apostila, pag.51, podemos pensar sobre muitas coisas, mas principalmente sobre: - A Geografia indaga sobre TUDO que diz respeito aos homens e seu meio ambiente pois vem de encontro a uma das principais preocupações do homem: Explicar o mundo em que vive. - Os seres humanos aprendem Geografia, desde que nascem, construindo sua história, no espaço em que vivem, construindo suas relações. - Dependendo das experiências individuais, oser humano constrói, de acordo com SUA PERCEPÇÃO, IMAGENS MENTAIS. - O aluno quando chega à Escola, já traz consigo, suas experiências, seu modo de perceber, vem com sua imagens mentais construídas. - O professor deve respeitar essas imagens mentais trazidas e prosseguir, propondo o desenvolvimento de tais IMAGENS MENTAIS a partir da forma como chegaram. - O estudo dos desenhos das crianças (suas representações de mundo) e conversando com elas, podemos compreender muito sobre suas IMAGENS.... - A partir daí, sem considerar o aluno, desprovido de conhecimento geográfico, pelo fato dele ainda não ter sido apreendido em livros ou na escola, deve-se realmente ORIENTAR a observação para OBJETIVOS, ou seja, fornece meios de busca de informações orientadas, que possam trazer conhecimento sobre o mundo mais amplo em que vivemos, não só o que nos cerca. " A paisagem é como um ser vivo que evolui com o tempo, ou seja, a visão que construímos também pode evoluir. A criança concebe o espaço de uma forma e, na fase adulta, "vê" esse mesmo espaço de outra maneira" APOSTILA, pag.58 "Os Parâmetros curriculares Nacionais (PCN) enfatizam a necessidade de, nos estudos de Geografia, realizar a "leitura da paisagem". Considerando que cada aluno fará a "sua leitura" dessa paisagem, o professor deverá guiar e respeitar o modo de ver de cada um. Nos desenhos infantis, é possível observar a proporcionalidade, a localização, a projeção e a simbologia que eles utilizam. Esses aspectos abrem caminho para o conhecimento doa mapas. É nesse ponto que se iniciam os estudos de Cartografia." Aula 19 - A Cartografia A criança constrói o próprio conhecimento sobre as coisas quando interage com elas, o que significa dizer que a ação é a circunstância que se espera para que haja compreensão. Período sensório-motor – 0 a 18 meses/2 anos Período pré-operatório – 2 a 6/7 anos Período operatório – de 6/7 anos em diante A criança gosta de desenhar e, na representação do espaço, estabelece com ele as relações para a sua compreensão. A Cartografia é a forma de representação do espaço. Cartografia é,o conjunto de estudos e operações científicas, artísticas e técnicas, baseadas nos resultados de observações diretas ou de análise de documentação, visando à elaboração e a preparação de cartas, projetos e outras formas de expressão bem como a sua utilização. Com o desenvolvimento da técnica e a mudança nos modos de produção provocados pela Revolução Industrial, alguns países se projetaram sobre outros. Tornaram-se potências e tentaram expandir suas fronteiras para ampliar o comércio. Isso gerou animosidades e guerras entre eles. Para construir esses mapas, com o objetivo de servir aos exércitos, surgiram várias sociedades cartográficas, a maioria delas sob a tutela dos próprios exércitos nacionais. RESUMO A Cartografia é a ciência e a arte de fazer mapas, utilizando de observações e estudos sobre a Terra. Essa ciência vem evoluindo ao longo dos tempos. É muito antiga, tendo surgido antes mesmo de o homem conhecer a escrita. Na Antiguidade, gregos, romanos, chineses e outros povos traçavam mapas que serviam para descrever a Terra, a fim de navegar ou mostrar a localização das riquezas. A Idade Média foi a época do domínio da religião cristã, o que resultou em mapas mais artísticos que científicos, utilizando símbolos religiosos. O Renascimento foi o momento em que a Humanidade, recuperando os conhecimentos acumulados na Antiguidade e esquecidos na Idade Média, desenvolveu vários instrumentos que favoreceram as grandes navegações e descobertas. O século XVIII, marcado pela transformação dos meios de produção, trouxe novos conhecimentos e técnicas que resultaram em mapas mais precisos e de acordo com as necessidades dos europeus. Finalmente, a Cartografia atual por ser, marcada pela tecnologia, é cada vez mais precisa, utilizando sensoriamento remoto e imagens de satélites, a fim de representar a Terra da forma mais próxima do real. Escreva uma característica para os mapas em cada um dos momentos históricos citados. Antiguidade - os mapas eram somente uma representação dos caminhos que os homens precisavam conhecer e eram feitos da forma como os homens viam esse espaço Idade Média - a presença da Igreja Romana era muito forte e, por isso, os mapas representavam a Terra com símbolos religiosos, trazendo principalmente a ideia do céu, na parte superior, representando o bem Renascimento - faz retornar os conhecimentos geográficos acumulados desde a Antiguidade, o que se reflete em mapas mais precisos, que favoreceram a expansão marítima e comercial com a descoberta de novas áreas Revolução Industrial - trouxe uma série de mudanças para a humanidade e a Cartografia lucrou muito com tais transformações, porque a necessidade de conhecer o interior dos continentes levou à confecção de mapas mais detalhados. Século XX - as guerras e as viagens espaciais alavancaram um desenvolvimento cartográfico mais preciso com a utilização de equipamentos cada vez mais sofisticados. Aula 20 - Uma reflexão sobre a leitura dos mapas Os livros são importantes, eles constituem a base do nosso conhecimento, mas precisamos incentivar o aluno a observar e pensar sozinho sobre as situações que se apresentam. A escola deve ensinar a pensar e, para isso, é preciso promover atividades de observação. É uma situação complicada porque, para observar o mundo e pensar sobre ele, precisamos sair de dentro das salas de aula. Os grandes inventores da humanidade não descobriram seus inventos lendo livros ou teorias; observaram a Natureza e raciocinaram sobre o que viam. A escola, portanto, deve estimular os alunos a desenvolverem a capacidade de pensar e refletir. Esse processo inicia-se, como podemos constatar, com a observação. Como os diferentes momentos históricos contribuíram para alterar a construção dos mapas? RESP. Cada momento da História é marcado por vários acontecimentos, resultado das atitudes e interesses do homem naquele tempo. Os mapas trazem as informações que representam o desenvolvimento, o conhecimento e os interesses do Homem ao longo dos tempos. Eles podem passar essas informações ou omiti-las. Os conhecimentos cartográficos sempre estiveram nas mãos das elites dominantes. RESP. A Cartografia, desde o seu surgimento, mostrou-se importante pela condição de poder representar os espaços, desvendando todas as informações a eles pertinentes. Os governantes precisavam conhecer seus domínios e para isso contratavam os cartógrafos que colhiam as informações necessárias para seus governos e colocavam-nas nos mapas. Essas informações eram de uso exclusivo dos dirigentes, não era do conhecimento do povo. Dessa forma, desde a Antiguidade até os nossos dias, a Cartografia vem servindo aos interesses daqueles que estão no poder. Isso explica porque a maioria das associações cartográficas pertence aos exércitos dos países. RESUMO Um dos objetivos da escola é ensinar o aluno a pensar. Esse é o tipo de cidadão que a sociedade quer para os dias de hoje. Para ensinar a pensar é preciso antes ensinar a observar. A Cartografia é um instrumento para atingir esse objetivo, já que os mapas não são somente a representação da Terra. Eles ocultam em si algumas mensagens que precisam ser decodificadas. Esses códigos são do conhecimento dos dirigentes e dos governantes, mas a população necessita se apropriar deles. Em muitos momentos da História pode-se ver como os conhecimentos de cartografia serviram aos interesses das classes dirigentes. A formação do professor de 1a a 4ª série não é específica para a Geografia e a maioria não domina seus conceitos. É por isso que os conhecimentos cartográficos na escola se limitam a descrever e a copiar os mapas, sem efetivamente poder lê-los. Qual teoria deu origem a GEOPOLÍTICA O termo Geopolítica surgiu no século XX. O responsável por batizar com esse nome foi o cientista político sueco Rudolf Kjellén. Ele se baseou na obra “Politische Geographie” (em português, Geografia Política), de 1897, do geógrafo alemãoFriedrich Ratzel. A geopolítica é uma prática utilizada pelo poder político para disciplinar um determinado território. Nela são analisadas a geografia, a história e as ciências sociais junto com as teorias políticas, que vão desde o Estado até o internacional-mundial. Essa ciência está associada a assuntos que envolvem acordos internacionais, diplomáticos e qualquer conflito entre países, culturas ou disputas por territórios. Aula 21 - A linguagem cartográfica (parte 1) Ao longo de nossos estudos sobre Cartografia, destacamos a necessidade e a importância de o cidadão saber “ler” um mapa. Ora, um mapa é um meio de informação e comunicação. O poder de uma nação não é medido por seu vasto território, pela quantidade de riquezas naturais que possui ou pela força de seu armamento. Mede-se o poderio de uma nação, atualmente, por sua capacidade de se relacionar com o mundo em igualdade de condições e de acompanhar a evolução dos meios de informação e comunicação. O mapa é um meio de informação poderoso, pois os revela todas as potencialidades do espaço. Ao questionar o estudo da Cartografia feito nas escolas, Lacoste afirma: "Vai-se à escola para aprender a ler, a escrever e a contar. Por que não para aprender a ler uma carta?" (p. 55). A carta a que se refere Lacoste significa um mapa, também chamado carta cartográfica. O conhecimento cartográfico, como já foi dito, deveria fazer parte da formação do cidadão. Os currículos escolares, da forma como são idealizados, não contemplam esse estudo, porque é um conhecimento estratégico, que somente interessa a quem precisa dominar e explorar o espaço. O que é um mapa? Um mapa consiste na representação simbólica de um espaço real e utiliza-se de um sistema de símbolos que compõem a linguagem cartográfica. Porque muitas vezes as pessoas leem mapas e não conseguem entender e por que Como representação simbólica da realidade, o mapa precisa ser decodificado para poder ser entendido. 1. Explique por que é necessário iniciarmos o estudo dos mapas “fazendo” os mapas. Resp. Nos estágios iniciais do desenvolvimento da mente humana, a criança se utiliza de símbolos para explicar e representar o espaço que conhece. Esses símbolos são do conhecimento somente dela própria. O mapa é uma representação simbólica na qual o emissor passa a mensagem para o receptor. Só quem foi emissor pode compreender a mensagem codificada e poderá vir a ser um receptor Obs: quando pedimos para crianças criarem nas series iniciais seus mapas elas desenham os símbolos como por exemplos o caminho da escola e o correto seria que fosse desenvolvido este trabalho para series seguintes, pois o mapa que e apresentado nas escolas e o pronto e só serve para memorizar, facilita o trabalho do professor pois já esta pronto, mas não desenvolver a aprendizagem sobre mapas a construção do mapa. RESUMO O estudo da Cartografia é de grande importância nos dias atuais. Quem domina esse conhecimento domina também informações privilegiadas sobre o espaço. A Cartografia é utilizada por todos aqueles que utilizam o espaço para administrar, organizar e fazer negócios. Algumas pessoas são capazes de perceber a mensagem contida nos mapas, por isso cabe à escola a instrumentalização desse recurso junto aos alunos. O conhecimento cartográfico contribui para a formação do cidadão consciente da sua responsabilidade com o espaço onde vive. A escala representa a proporção em que o terreno foi reduzido. Pode ser representada de várias formas, e a sua escolha depende da finalidade a que se destina o mapa. O estudo das escalas implica conhecimento da Matemática e é assunto trabalhado nas séries mais avançadas do Ensino Fundamental. Aos alunos menores basta conhecer o significado da escala no mapa. Aula 22 - A linguagem cartográfica (parte 2) A escola precisa capacitar o aluno para utilizar mapas e plantas, dando-lhe condições de analisá-los. Para a formação do cidadão do século XXI, são necessários o conhecimento e o domínio do espaço. Esse conhecimento é feito respeitando as seguintes etapas: Conhecimento pleno do espaço Representar – decompor- analisar recompor Representar – fazer o desenho, o esquema. • Decompor – identificar e nomear os elementos que compõem a representação. • Analisar – reconhecer as características desses elementos. • Recompor – identificar o papel de cada elemento e sua inter-relação. Recordando os estudos de Piaget sobre o desenvolvimento da mente humana, consideramos que, para compreender e trabalhar com mapas, a criança deverá estar na fase da abstração, porque o mapa é uma forma de representação. O conhecimento do meio onde vive é feito em etapas. Cada criança tem ritmo próprio e uma maneira única de se relacionar com o meio. Esse trabalho, inicialmente, é feito por meio da exploração, seguida da observação e, finalmente, por meio da reflexão. É somente a partir dos seis ou sete anos que a criança percebe seu meio e tenta representá-lo. Vai aos poucos conseguindo a abstração necessária para a compreensão. Perg. Como o estudo do meio pode desenvolver atitudes que contribuem para a formação do cidadão? Resp. O estudo do meio possibilita ao educando o encontro com sua realidade e suas contradições. Esse estudo permite que se desenvolva a capacidade de observar, analisar e criticar; e, a partir dessas habilidades, o aluno constrói a noção de respeito por opiniões diversas da dele, porque esse tipo de análise implica diferentes maneiras de ver o meio, que é o espaço das experiências individuais. Por que os mapas representam a Terra com algumas deformações? Resp. A Terra tem forma arredondada e uma superfície curva; para ser representada em um plano, sofre deformações. O mapeador, de acordo com a finalidade do mapa, escolhe em que figura geométrica vai projetar o globo terrestre, tendo como resultado um mapa com as formas e/ou dimensões dos continentes que não correspondem à realidade. Cartografia – e a Ciência e arte de confeccionar mapas. Escala- Reduz a superfície terrestre ao mapa. Mercator- Importante projeção cilíndrica. Projeção- Modo de ver a Terra a partir de um referencial. Plana - Tipo de projeção feita a partir dos pólos. RESUMO A Geografia, assim como a Cartografia, auxilia o indivíduo a compreender o espaço onde vive, ensinando-o a representá-lo. A criança e todos nós vivemos em diferentes meios que ocupam determinado espaço. Esses meios estão repletos de experiências individuais. Na representação, consideram-se as várias formas de ver o espaço. Segundo os diferentes referenciais da visão, a representação muda. As projeções cartográficas representam as diferentes formas de representar a Terra a partir de diferentes pontos de vista. As principais projeções são: a cilíndrica, a cônica e a plana, mas, em todas, a representação fica deformada. Aula 23 - Localização espacial – Coordenadas geográficas O que é "faixa tropical Zona tropical ou inter tropical: está localizada entre o tropico de câncer e o tropico de capricórnio. É a região mais quente da terra. O que são os Meridianos e Paralelos? Resp. Os paralelos são linhas imaginárias traçadas a partir da linha do equador até os pólos. Vão diminuindo de tamanho e nunca se encontram. Os meridianos são linhas imaginárias que se entrecruzam nos pólos; todos têm o mesmo tamanho. Qual a importância da linha do Equador e do Meridiano de Greenwich? A linha do equador divide a terra em dois polos: norte e sul, já o meridiano de greenwhitc delimita os fusos horários. O que são latitude e longitude? A latitude é a distância ao Equador medida ao longo do meridiano de Greenwich. Esta distância mede-se em graus, podendo variar entre 0º e 90º para Norte(N) ou para Sul(S). A longitude é a distância ao meridiano de Greenwich medida ao longo do Equador. COORDENADAS GEOGRÁFICAS - O sistema de coordenadas da Terra baseia-se na rede de coordenadas cartesianas. No outro sentido também traçamos linhas, considerando que a Terra é uma esfera que mede 360º, como toda circunferência. À linha traçada nametade da esfera, convencionamos chamar linha do equador. Ela divide a Terra em dois hemisférios: HEMISFÉRIO norte ou setentrional e hemisfério sul ou meridional. RESUMO A localização espacial é possível utilizando-se um sistema formado por linhas imaginárias horizontais, os paralelos, e por linhas verticais, os meridianos. É preciso que a criança esteja na fase da descentração espacial, para compreender o referencial a partir de dois eixos. Os paralelos e os meridianos permitem conhecer as medidas de latitude e longitude. Essas medidas são consideradas a partir do paralelo 0°, a linha do equador e do meridiano inicial 0°, o meridiano de Greenwich. As medidas de latitude e longitude permitem localizar um ponto no mapa. São as coordenadas geográficas. A linha do equador divide a Terra em dois hemisférios – Norte e Sul. O meridiano de Greenwich também divide em dois hemisférios – ocidental e oriental. Aula 24 - Marcando as horas na Terra FUSOS HORÁRIOS Para evitar confusões, adotou-se o sistema de fusos horários, no século XIX. A Terra foi dividida em 24 zonas ou fusos, correspondendo às 24 horas que leva para efetuar seu movimento de rotação. A partir desse movimento, podemos constatar que todos os meridianos passam, em determinado momento, pelo ponto de maior incidência dos raios solares, isto é, pelo meio do dia. Como você explica a marcação dos fusos horários de 15 em 15 graus? Resp. A Terra leva 24 horas para realizar uma volta completa sobre si mesma, ou seja, de 360°. Dividindo-se 360° pelas 24 horas do dia, encontramos 15°, o que significa que a cada hora a Terra gira cerca de 15°. Sugestões de como trabalhar os assuntos com os alunos das séries iniciais do Ensino Fundamental. • mostrar a forma da Terra; • explicar o movimento de rotação da Terra com a consequente formação dos dias e das noites; • mostrar que, pelo movimento de rotação, a hora da Terra vai se modificando; • construir e observar um relógio de Sol; • traçar, no globo terrestre, as faixas dos fusos horários (sem a preocupação com a medição em graus); • brincar com as horas propondo situações problemáticas que exigem raciocínio, utilizando sempre o globo. Somente nas séries mais avançadas deve-se propor questões sem a utilização dos mapas. A sensibilidade do professor é que vai definir o momento e as etapas a serem trabalhadas. RESUMO Os dias e as noites são resultado do movimento de rotação da Terra, que gira sobre um eixo imaginário. A necessidade de marcar o tempo sempre fez parte dos interesses do homem, que, para isso, construiu um relógio utilizando a luz solar. Só no século XIX o homem convencionou como a hora seria organizada na Terra de forma a ser utilizada por todos, evitando, assim, possíveis confusões. Os fusos horários são faixas paralelas com um intervalo de 15 graus traçadas para leste e para oeste do meridiano de Greenwich, o meridiano inicial de 0°, que marca a hora oficial do mundo. Essas faixas de 15° resultam da divisão dos 360° da circunferência da Terra e das 24 horas, que é o tempo que ela leva para fazer uma volta completa sobre si mesma. No Brasil, a hora legal é dada por Brasília; como o país é muito grande, possui quatro horas diferentes em todo o seu território. ATIVIDADE Com base no mapa do Brasil, escreva as horas oficiais das seguintes localidades, considerando que são 12 horas em Brasília (45° W). Belo Horizonte (MG – 45° W) Resp. O Brasil está localizado totalmente no hemisfério ocidental, isto é, a oeste do meridiano de Greenwich. É necessário, portanto, descobrir a diferença entre os fusos. Belo Horizonte – 45°- 45° = 0 – tem a mesma hora de Brasília, 12 horas. Manaus (AM – 60° W) - 60°- 45° = 15°/ 15°= 1 – em Manaus são 11 horas (12-1) Rio Branco (AC – 75° W)- em Rio Branco são 10 horas (12-2) Aula 25 - A Geografia na prática pedagógica A partir do trabalho de leitura, como por exemplo uma historinha que conta sobre as montanhas, atravessou rio... E possível desenvolver trabalhos na sala com relevo do Brasil. Montanha e rio são nomes de acidentes geográficos do RELEVO TERRESTRE. Deve-se aproveitar para explicar o que é o relevo terrestre, como se formou, o que são MONTANHAS e RIOS e apresentar outros acidentes como PLANÍCIE, PLANALTO, AFLUENTE, FOZ, NASCENTE. Esses conceitos precisam ser explicados e entendidos para não se cair no erro de decorá-los. Dependendo da série a que se destinam, pode-se fazer a relação desses acidentes com o relevo do Brasil ou do Rio de Janeiro. Por que se fala em movimento aparente do Sol? Resp. O movimento que, aparentemente, o Sol realiza todos os dias no céu é, na verdade, o movimento da Terra girando em torno do seu eixo e mostrando ao Sol diferentes faces; daí termos os dias e as noites. Um importante assunto para ser discutido é a relação urbano/rural no aspecto da transferência de população entre essas áreas. O movimento migratório mais importante é o que ocorre do campo para a cidade – o chamado êxodo rural. Ele se dá porque o homem do campo vê a cidade como uma área favorável para trabalhar e, erradamente, imagina que as condições de vida são melhores lá. O resultado de todo esse movimento é um esvaziamento de população na área rural e o consequente aumento populacional nas áreas urbanas. Esse acúmulo de população provoca o inchamento das cidades, isto é, a estrutura urbana não consegue acompanhar esse crescimento populacional e entra em colapso. Faltam escolas, hospitais, transportes urbanos, e a rede de abastecimento de água e o sistema de esgoto não atendem toda a população; a falta de habitação faz crescer a favelização. A população, sem essa estrutura social, vive MARGINALIZADA. RESUMO Nos primeiros séculos da História do Brasil, a Educação não privilegiou a formação de cidadãos. Por isso, a leitura era vista como um simples mecanismo. Foram necessários muitos anos para que essa mentalidade mudasse e se passasse a investir mais na leitura crítica e consciente. A Literatura pode e deve ser aproveitada para estudo de todas as disciplinas, inclusive a Geografia. No livro escolhido pôde-se estudar: relações espaciais, movimentos da Terra, orientação, acidentes geográficos, espaço urbano e rural, êxodo rural (com causas e consequências), meios de transporte, clima e solo, além de valores éticos e morais. Essa metodologia permite fazer um estudo de Geografia mais agradável, prático e sem necessidade de decorar. Aula 26 - Desenvolvendo projetos em sala de aula a partir dos temas transversais dos PCN Os temas transversais são amplos e extrapolam o universo temático de uma dada disciplina. A própria ideia de transversalidade sugere que os temas atravessem diferentes campos do saber, não se limitando a um deles. OS PCN E OS TEMAS TRANSVERSAIS A perspectiva adotada pelos PCN na proposição dos temas transversais é a da valorização da democracia e a construção da cidadania. De acordo com os PCN, os princípios de cidadania que devem ser valorizados como norteadores da educação escolar são: – Dignidade da pessoa humana – Igualdade de direitos – Participação – Co-responsabilidade pela vida social O tema pluralidade cultural pode ser abordado pela Língua Portuguesa e pela Geografia. Neste caso, pode-se utilizar textos com temáticas folclóricas, apresentar as áreas em que essas manifestações ocorrem e trabalhar a diversidade cultural do país. O tema saúde pode ser abordado pela Geografia e pelas Ciências. Neste caso, a abordagem se daria a partir de uma discussão sobre poluição e danos à saúde. No caso do tema meio ambiente, pode-se trabalhar com História e Geografia, abordando, por exemplo, a devastação da Mata Atlântica ao longo da história do Brasil. Os temas transversais, propriamente ditos, sugeridos pelos PCN são: Ética (diz respeito à conduta humana, à maneira com que um sujeito age perante o outro ) Os PCN afirmam que, no ambiente escolar, o tema da ética encontra-se, em primeiro lugar, nas relações entre pais, alunos, professores e funcionários – agentes que constituema instituição escolar – estando presente, também, em cada disciplina, uma vez que o saber não é neutro, mas permeado de valores. O tema da ética liga-se profundamente a três aspectos: a consciência do mundo, a consciência de si e a consciência do outro. Os princípios éticos passam tanto pela relação do homem com o meio em que vive como também com as pessoas de seu convívio social e, por conseguinte, com sua própria pessoa, conquanto o ato de agir perante o outro requer uma reflexão acerca de si mesmo. Pluralidade cultural O respeito à diferença é premissa da sociedade democrática. O tema pluralidade cultural visa a tratar exatamente esse aspecto. O ângulo central a ser explorado é a valorização da diferença. A pluralidade cultural liga-se à diversidade de culturas, povos, costumes e tradições existentes em nosso país. Isso implica a necessidade de se estimular e exercitar o direito à diferença, ou seja, garantir que cada manifestação cultural tenha seu espaço, mantendo vivas as tradições dos diferentes povos que compõem a nação brasileira. Este tema ganha importância ao se reconhecer o Brasil como um país bastante plural, do ponto de vista da origem étnica de sua população. Essa origem se evidencia pela existência de múltiplas manifestações culturais, diversos hábitos alimentares, tradições religiosas variadas. Exemplo disso está nas diferenças regionais do Brasil. O gaúcho, o caboclo, o sertanejo e o caipira; o índio, o negro, o português; o imigrante alemão, italiano ou japonês; todos possuem tradições que conformam, na prática e no contato com os diferentes grupos étnicos e culturais, a pluralidade e diversidade cultural do nosso país. Meio ambiente (pode-se trabalhar a ideia de consciência do mundo) O pressuposto dos PCN quanto à questão do meio ambiente é de que a vida na Terra ocorre de forma entrelaçada, em que cada ser possui um ponto de ligação com o outro. Partindo dessa premissa, podemos afirmar, em primeiro lugar, que a questão do meio ambiente permite uma reflexão global sobre o Homem, a Natureza e os desdobramentos dessa relação. Saúde A saúde é um aspecto fundamental da existência humana. Viver em plena saúde não é apenas um direito fundamental de todo e qualquer ser humano, mas um indispensável indicador das condições gerais de vida de um dado grupo social. A saúde diz respeito a uma relação entre o ser e o mundo ao seu redor. O corpo é a micro-dimensão do cosmos. Cuidar de si é parte integrante do cuidar do mundo, visto que a saúde se liga às condições de vida e ao meio ambiente. é sempre bom lembrar que países subdesenvolvidos como o Brasil possuem graves problemas na rede hospitalar pública que, em geral, atende os mais pobres, muito embora sua função original seja atender toda a população). Orientação sexual A orientação sexual é um tema que, em geral, é trabalhado a partir do terceiro ciclo do Ensino Fundamental. Temas locais Os temas locais são sugeridos como uma maneira de aproximar a realidade vivida pelo aluno das questões tratadas em sala de aula. O termo local, no entanto, pode assumir não apenas a dimensão espacial propriamente dita, ou seja, da localidade onde a escola está, mas também a dimensão de familiaridade com o cotidiano dos alunos, como, por exemplo, o serviço de transporte na cidade, a economia local, o trabalho dos pais etc. O mais importante é que tais temas possuam relevância no contexto sociocultural dos alunos. Todos os temas transversais podem ser abordados pela Geografia. Alguns, porém, como meio ambiente, temas locais e pluralidade cultural, parecem ter uma relação mais explícita com essa disciplina. No caso do meio ambiente, o elo com a Geografia se dá a partir da relação entre Homem e Natureza. Essa relação pode ser trabalhada em diversos níveis, desde a maneira com que os povos indígenas se relacionam com o seu meio, até os impactos que a sociedade industrial provoca no meio ambiente. Em sala de aula, pode-se trabalhar a comparação entre as formas com que distintos povos se relacionam com a Natureza, visando, com isso, mostrar que a cultura e a maneira de produzir estão diretamente associados aos impactos provocados na Natureza. Com os temas locais, a aproximação com a Geografia pode se dar a partir de questões ligadas às atividades econômicas locais, ao meio ambiente, à dinâmica populacional e às características socioeconômicas da população. Pode-se solicitar aos alunos que façam um mural onde apresentem as diferentes atividades econômicas locais. Quanto à pluralidade cultural, pode-se estabelecer relação com a Geografia pela diversidade étnica do povo brasileiro, apresentando os diferentes povos que compuseram historicamente a nação brasileira e suas distintas contribuições para a nossa cultura e tradições. Em sala de aula, os alunos podem fazer uma atividade que envolva o conceito de imigração. Pode-se ilustrar com a história dos italianos que vieram para o sul do Brasil. Seria interessante verificar se a cidade onde funciona a escola possui imigrantes, para, a partir daí, se trabalhar esse aspecto local. Resumo Nesta aula, tomamos contato com os temas transversais sugeridos pelos PCN. Vimos que o tema ética liga-se à relação com o outro e à nossa conduta. O tema pluralidade cultural, por sua vez, diz respeito à necessidade de se valorizar as diferenças, particularmente em função de uma diversidade cultural tão vasta como a do Brasil, que sofreu variadas influências em seu processo de formação sócio-histórica. Outro tema é o meio ambiente, que trata de questões ligadas às relações que o Homem estabelece com a Natureza, e seus desdobramentos. O tema saúde também foi apresentado. Ele permite uma correlação entre a busca por uma vida saudável e a relação que o Homem vem tendo com a própria Natureza. Assim, nesse tema discutimos como saúde e meio ambiente estão próximos. Por fim, apresentamos os temas locais. Buscamos mostrar a necessidade de se articular o cotidiano do aluno com o ensino em sala de aula.