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De Magistro de Filosofia ano X n. 22 
A IMPORTÂNCIA DO PSICÓLOGO JURÍDICO NAS PRÁTICAS 
DE ADOÇÃO 
 
Aline Magalhães Reis3 
Camila Maiara da Silva Leite4 
Élida Cristiny Cardoso Mendanha5 
 
 
 
RESUMO 
 O estudo em questão pretende demonstrar a importância do psicólogo jurídico nos 
casos de adoção, uma vez que o psicólogo tem a função de analisar as subjetividades 
existentes entre o adotante e o adotado, fato que ultrapassa a literalidade da lei, pois 
apenas os fatos expostos não trarão ao magistrado uma realidade maior do 
comportamento dos envolvidos, apenas trará ao conhecimento deste a vontade de 
Adotar e ser Adotado correlacionando com os parâmetros legais de adoção. 
 
Palavras-chave: Adoção, Direito de Família, Psicologia e Direito, Psicólogo Jurídi 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
 No Brasil o Instituto da Adoção começou com as Ordenações Filipinas e mais 
tarde foi inserida no Código Civil de 1916 em seus artigos 368 a 378. 
 Com o passar dos anos houve grandes transformações sociais que contribuíram 
para que houvessem mudanças significativas no ordenamento jurídico brasileiro e foi 
em 1988 que a Constituição Federal nos trouxe uma nova interpretação no instituto 
família, uma vez que reconheceu novas modalidades afetivas observado o bem estar das 
pessoas em razão dos princípios constitucionais. 
 
3
Graduada em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás. 
4
Advogada, Graduada em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Especialista em Direito 
Processual Civil pela Faculdade Damásio de Jesus. 
5
³Graduada em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Especialista em Direito Processual 
Civil pela Faculdade Damásio de Jesus. 
 
 
 
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Considerada um ato jurídico solene, visto que é necessário o preenchimento de 
alguns requisitos, a adoção ocorre quando alguém estabelece laços de filiação legal e 
afetivo com outrem sem possuir laços sanguíneos. 
Ocorre que em alguns casos a adoção não é algo simples no que diz respeito ao 
emocional, caso em que cada vez mais nota-se a necessidade do direito atuar em 
conjunto com a psicologia e o serviço social de forma multidisciplinar. 
A atuação da psicologia trará benefícios de modo a auxiliar o magistrado quanto 
a sua decisão trazendo uma realidade maior do comportamento dos envolvidos, bem 
como trazendo proteção ao adotado e à família que o recebe. Se houvesse 
acompanhamento posterior junto às novas famílias haveria, certamente, uma melhor 
aplicação do direito, principalmente por ser a Adoção ato irrevogável. 
Este artigo tem como escopo principal trazer uma reflexão acerca de um tema 
tão importante como esse e alertar as pessoas quanto à necessidade de um 
acompanhamento psicológico, tanto com relação ao adotado quanto à família que irá 
recebê-lo, por alguns fatores que serão mais tarde analisados no que diz respeito à 
necessidade da formação de vínculos na vida do menor adotado e a real importância do 
psicólogo jurídico nas práticas de adoção. 
 
 
 
ADOÇÃO 
Conceito de Adoção 
Adoção, segundo Weber (1999, p.100), palavra que vem do latim adoptione, no 
sentido de escolher, considerar, olhar para. No Brasil não se encontra uma definição 
legal para o conceito de adoção, no entanto, há conceitos doutrinários acerca. 
 Diniz (2011, p.21) leciona que: 
 
A adoção é o ato jurídico solene pelo qual, observados os requisitos 
legais, alguém estabelece, independentemente de qualquer relação de 
parentesco consanguíneo ou afim, um vínculo fictício de filiação, 
trazendo para sua família, na condição de filho, pessoa que, 
geralmente, lhe é estranha. 
 
A adoção é sempre um ato jurídico, compete salientar que no instituto da adoção 
não existe qualquer diferença entre filho consanguíneo e o filho adotado, os dois são 
 
 
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exatamente iguais, como preceitua a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 227, § 
6° que elucida que \u201cOs filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção, 
terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações 
discriminatórias relativas à filiação\u201d. 
Sendo assim, a adoção é a ligação jurídica entre as pessoas que não possuem 
laços de sangue com o intento de constituírem o instituto familiar entre elas. Nesse 
sentido Venosa (2011, p. 273) entende que: 
 
A adoção é modalidade artificial de filiação que busca imitar a filiação 
natural. Daí ser também conhecida como filiação civil, pois não 
resulta de uma relação biológica, mas de manifestação de vontade, 
conforme o sistema do código civil de 1916, ou de sentença judicial, 
no atual sistema. 
 
Já Sílvio Rodrigues (1978, p.333) acredita que \u201ca adoção é ato do adotante pelo 
qual ele traz para a sua família e na condição de filho pessoa que lhe é estranha\u201d. 
No exterior subjetivo, Hália Pauliv de Souza (2001, p.24) nos ensina que \u201cA 
adoção envolve vocação, vontade interior de desenvolver a maternidade e a paternidade 
instintivas, pelo real desejo de se ter um filho. Reflete o desejo de constituir família, por 
decisão madura, dialogada e refletida\u201d. 
Nesse sentido Monteiro (2004, p.336) elucida que a adoção é instituto de caráter 
humanitário, logo constitui válvulas preciosas para casamentos estéreis, dando-lhes os 
filhos que a natureza negara, o que se reflete no amparo de criaturas oriundas de pais 
desconhecidos ou sem recursos. 
 
 
A adoção sob enfoque da psicologia 
 São diferentes os focos no que concernem os conceitos de adoção no Direito e 
na Psicologia, uma vez que para a psicologia a adoção trata-se de uma relação marcada 
por laços afetivos, é nesse sentido que Santos, Raspantini, Silva e Escrivão (2003, p.2) 
nos ensinam que \u201ca adoção se fundamenta na premissa de que a integração a uma nova 
família possibilita à criança reconstruir sua identidade a partir do estabelecimento de 
novas configurações parentais\u201d, possibilitando para tanto o \u201cestabelecimento de relações 
parentais entre pessoas que não estão ligadas por vínculos biológicos diretos\u201d segundo 
Levinzon (2006, p.25). 
 
 
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A adoção é um dos mais importantes processos na área da infância e da 
juventude, uma vez que visa à colocação da criança ou adolescente em um lar diferente 
do que já está adaptado, este por sua vez é de forma definitiva e irrevogável. É 
necessário, então, que se tenha conhecimento da lei, bem como a compreensão do 
desenvolvimento emocional do ser humano a partir do início de sua vida, além de 
experiência no estudo social de cada caso, é o que esclarece Mota (2000, p. 136). 
É por isso que os adotantes devem distinguir o que os levam a querer adotar, 
buscando uma melhor elaboração psicológica, pois há diferentes motivos que levam 
uma pessoa a querer adotar, o que pode repercutir diretamente no relacionamento com o 
adotado, é o que nos ensina Levinzon (2006, p. 25). 
Elucida Mota (2000, p. 137) que: 
 
Há alguns aspectos a serem considerados na consideração dos 
candidatos a adotantes, tais como a forma como falam de outras 
pessoas, principalmente seus parentes; a maneira como se tratam 
mutuamente; a forma como tratam a pessoa que está realizando as 
entrevistas; a capacidade de enfrentar dificuldades com coragem e de 
refletir com sensatez sobre a melhor maneira de lidar com elas. 
Característica indispensável para os pais adotivos, pois é essencial 
que tenham capacidade de assumir alguns riscos, assim como o é para 
os pais naturais. 
 
 A família é a opção mais saudável para o desenvolvimento da criança, visto que 
permanecer