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101 APOSTILA DE ENSINO RELIGIOSO Fundamental II 6º ano – Família - Relacionamento entre pais e filhos Texto 1: A tartaruga Quando menino eu era impaciente, arreliado e áspero no tratamento com as outras pessoas. Quando desejava alguma coisa, ao invés de solicitar com educação, azucrinava os ouvidos alheios até que, para se livrarem de mim, davam-me o que pretendia. Assim, transformara-me em uma criança pouco simpática. Eu percebia que aquilo aborrecia muito os meus pais, porém pouco me importava com isso. Desde que obtivesse o que queria, dava- me por satisfeito. Mas, está claro, se eu importunava e agredia as pessoas, estas passaram a tratar-me de igual maneira. Cresci um pouco e de certa feita me apercebi de que a situação era desconfortável e me preocupei sem, entretanto, saber como me modificar. O aprendizado me foi dado em um domingo em que fui, com meus pais e meus irmãos, passar o dia no campo. Corremos e brincamos muito até que, para descansar um pouco, dirigi-me para a margem do riacho que coleava entre um pequeno bosque e os campos. Ali encontrei uma coisa que parecia uma pedra capaz de andar. Era uma tartaruga. Examinei-a com cuidado e quando me aproximei mais o estranho animal encolheu-se e fechou-se dentro de sua casca. Foi o que bastou. Imediatamente pretendi que ela devia sair e, tomando um pedaço de galho, comecei a cutucar os orifícios que haviam na carapaça. Mas os meus esforços resultavam vãos e eu estava ficando, como sempre, impaciente e irritado. Foi quando meu pai se aproximou de mim. Olhou por um instante o que eu estava fazendo e, em seguida, pondo-se de cócoras junto a mim, disse calmamente: Meu filho, você está perdendo o seu tempo. Não vai conseguir nada, mesmo que fique um mês cutucando a tartaruga. Não é assim que se faz. Venha comigo e traga o bichinho. Acompanhei-o e ele se deteve perto na fogueira que havia acendido com gravetos do bosque. E me disse: Coloque a tartaruga aqui, não muito perto do fogo. Escolha um lugar morno e agradável. Eu obedeci. Dentro de alguns minutos, sob a ação do leve calor, a tartaruga pôs a cabeça de fora e caminhou tranquilamente em direção a mim. Fiquei muito satisfeito e meu pai tornou a se dirigir a mim, observando: Filho, as pessoas podem ser comparadas às tartarugas. Ao lidar com elas procure nunca empregar a força. O calor de um coração generoso pode, às vezes, levá-las a fazer exatamente o que queremos, sem que se aborreçam conosco e até, pelo contrário, com satisfação e espontaneidade. Autor Desconhecido Versículos do capítulo 6 do livro de Efésios da Bíblia. Filhos e pais Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa), 3 para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra. ATIVIDADES Responda É difícil obedecer aos pais? Por quê? Na prática, quando é que os filhos desrespeitam os seus pais? Fale sobre o dom da paciência. Relate um caso real. Escreva Escreva um agradecimento a seus pais ou responsáveis pelo que eles têm feito por você. Texto 2: EU NÃO O CONHECI Meu filho foi embora e eu não o conheci. Acostumei-me com ele em casa e me esqueci de conhecê-lo. Agora que sua ausência me pesa é que vejo como era necessário tê-lo conhecido. Lembro-me dele. Lembro-me em bem poucas ocasiões. Um dia, na sala, ele me puxou a barra do paletó e me fez examinar seu pequeno dedo machucado. Foi um exame rápido. Uma outra vez me pediu que lhe consertasse um brinquedo velho. Eu estava com pressa e não consertei. Mas lhe comprei um brinquedo novo. Na noite seguinte, quando entrei em casa, ele estava deitado no tapete, dormindo e abraçado ao brinquedo velho. O novo estava a um canto. Eu tinha um filho e agora não o tenho mais porque ele foi embora. E este meu filho, uma noite, me chamou e disse: —Fica comigo. Só um pouquinho, pai. Eu não podia; mas a babá ficou com ele. Sou um homem muito ocupado. Mas meu filho foi embora. Foi embora e eu não o conheci. Osvaldo França Júnior http://pensador.uol.com.br/frase/NzQ1Njkx/ ATIVIDADE Responda Compartilhe experiências de aprendizado que você adquiriu na convivência familiar: Texto 3: O fazendeiro e seus filhos Um rico fazendeiro, sentindo próxima a sua morte, chamou seus filhos e lhes falou em segredo: Não vendam estas terras que herdamos de nossos antepassados, nelas existe um tesouro escondido. Eu não sei onde, mas com coragem vocês o encontrarão; vocês vão conseguir. Remexam todo o campo, não deixem de cavar nenhum lugar, até onde a mão alcançar. Quando o pai morreu, os filhos começaram a cavar, aqui, ali, por todo lugar; e no ano seguinte eles tiveram uma grande colheita. Riqueza escondida não havia. Mas o pai foi sábio, ao mostrar-lhes, antes da sua morte, que o trabalho é um tesouro. Jean de La Fontaine http://ensinoreligiosoemdestaque.blogspot.com.br/2012/07/texto-e-atividade- 2.html ATIVIDADES Responda Que tipo de trabalho a família realizava? O que o fazendeiro, além da terra, deixou de herança para os filhos? Texto 4: A Tigela de Madeira Um senhor de idade foi morar com seu filho, nora e o netinho de quatro anos de idade. As mãos do velho eram trêmulas, sua visão embaçada e seus passos vacilantes. A família comia reunida à mesa. Mas, as mãos trêmulas e a visão falha do avô o atrapalhavam na hora de comer. Ervilhas rolavam de sua colher e caíam no chão. Quando pegava o copo, leite era derramado na toalha da mesa. O filho e a nora irritaram-se com a bagunça. –“Precisamos tomar uma providência com respeito ao papai”, disse o filho. –“Já tivemos suficiente leite derramado, barulho de gente comendo com a boca aberta e comida pelo chão. Então, eles decidiram colocar uma pequena mesa num cantinho da cozinha. Ali, o avô comia sozinho enquanto o restante da família fazia as refeições à mesa, com satisfação. Desde que o velho quebrara um ou dois pratos, sua comida agora era servida numa tigela de madeira. Quando a família olhava para o avô sentado ali sozinho, ás vezes ele tinha lágrimas em seus olhos. Mesmo assim, as únicas palavras que lhe diziam eram admoestações ásperas quando ele deixava um talher ou comida cair no chão. O menino de quatro anos de idade assistia a tudo em silêncio. Uma noite, antes do jantar, o pai percebeu que o filho pequeno estava no chão, manuseando pedaços de madeira. Ele perguntou delicadamente à criança: -“O que você está fazendo?” O menino respondeu docemente: - “Oh, estou fazendo uma tigela para você e mamãe comerem, quando eu crescer.” O garoto de quatro anos de idade sorriu e voltou ao trabalho. Aquelas palavras tiveram um impacto tão grande nos pais que eles ficaram mudos. Então lágrimas começaram a escorrer de seus olhos. Embora ninguém tivesse falado nada, ambos sabiam o que precisava ser feito. Naquela noite o pai tomou o avô pelas mãos e gentilmente conduziu-o à mesa da família. Dali para frente e até o final de seus dias ele comeu todas as refeições com a família. E por alguma razão, o marido e a esposa não se importavam mais quando um garfo caía, leite era derramado ou toalha da mesa sujava... Reflexão De uma forma positiva, aprendi que não importa o que aconteça, ou quão ruim pareça o dia de hoje, a vida continua, e amanhã será melhor. Aprendi que se pode conhecer bem uma pessoa, pela forma como ela lida com três coisas: um dia chuvoso, uma bagagem perdida e os fios das luzes de uma árvore de natal que se embaraçaram. Aprendi que, não importa o tipo de relacionamento que tenha com seus pais, você sentirá falta deles quando partirem. Aprendi que “saber ganhar” a vida não é a mesma coisa que “saber viver”. Aprendi que a vida às vezes nos dá uma segunda chance. Aprendi que a vida não é só receber, é também dar. Aprendi que se você procurar a felicidade, vai se iludir. Mas, se focalizar a atenção na família, nos amigos, nas necessidades dos outros, no trabalho e procurar fazer o melhor, a felicidadevai encontrá-lo. Aprendi que quando decido algo com o coração aberto, geralmente acerto. Aprendi que quando sinto dores, não preciso ser uma dor para os outros. Aprendi que diariamente preciso alcançar e tocar alguém. As pessoas gostam de um toque humano – segurar na mão, receber um abraço afetuoso, ou simplesmente um tapinha amigável nas costas. Aprendi que ainda tenho muito que aprender. Aprendi que você deveria passar esta mensagem para todos os seus amigos, às vezes eles precisam de algo para iluminar seu dia. As pessoas se esquecerão do que você disse... Esquecerão o que você fez... Mas nunca se esquecerão como você as tratou. Autor Desconhecido http://www.miniweb.com.br/cantinho/infantil/38/Estorias_miniweb/tigela_madeira .htm ATIVIDADES Responda Como você tem tratado seus pais? Se você tivesse um filho daria a mesma atenção e educação que seus pais lhe deram ou o que faria de diferente? Complete a frase: “Posso colaborar para uma boa convivência em casa, na escola e com meus vizinhos se eu for mais........................................”. Sugestão de filme: O FAROL (RELACIONAMENTO ENTRE PAI E FILHO) (7’30’’) https://www.youtube.com/watch?v=atTr7uwCVQI Atividade interdisciplinar: Como ter uma família feliz - A importância da família na formação religiosa Texto 1: A importância da família Para os cristãos, e também para muitos adeptos de outras religiões, como muçulmanos, judeus e hindus, a família representa uma das uniões mais vitais. É da família bem estruturada e amorosa que provém a força necessária para que o indivíduo se faça pessoa de bem, segura e consciente de seus direitos e deveres na sociedade. No último século, porém, diversas críticas foram feitas à família. Muitos consideram-na uma instituição autoritária e repressora do indivíduo. Alega-se que a família quer exercer controle sobre a pessoa, impedindo-a de realizar-se livremente e ser feliz. Há dois fatores a serem analisados nesta questão. Por um lado, essa felicidade que as pessoas do mundo atual querem é muitas vezes um prazer egoísta. É fazer o que se quer sem ter de dar satisfações a ninguém. A vida em família envolve preocupação com o outro, responsabilidade, cuidado e também por vezes ceder aos próprios desejos em prol da convivência familiar e da boa harmonia entre todos. O homem e a mulher contemporâneos não aceitam bem isso, porque a sociedade de consumo prega uma ideia de prazer absoluto, sem compromisso nem preocupação com ninguém. Por outro lado, é verdade que a família às vezes é autoritária e não respeita as opiniões, os gostos e as vocações dos indivíduos. Houve época (e ainda há religiões em que isso acontece) em que os pais escolhiam com quem os filhos iriam casar-se ou que profissão deveriam seguir. A melhor proposta é aprendermos a viver numa família democrática, na qual todos possam expressar-se livremente e ainda assim ser amados e respeitados. Mas, sobretudo, que todos se preocupem com todos, que haja união e alegria de estarem juntos e que a família possa ser o refúgio e o aconchego para o homem, a mulher, a criança, o idoso e o jovem. É preciso revalorizar a família. Muito da insegurança, da depressão e da solidão que vemos no homem e na mulher contemporâneos vêm do esfacelamento dos laços familiares. Existem os lares desfeitos e as pessoas que moram sozinhas, mas, ainda que a família more junto, existem casos em que fica cada um num canto, ninguém sabe do outro. Muitas vezes pai, mãe, filhos e avós mal se veem e mal conversam entre si. A desculpa é que a vida é corrida, que há muito trabalho e é preciso cuidar da sobrevivência. Mas de que adianta sobreviver sem amor? Trabalhar para usufruir sozinho? Ganhar dinheiro, viajar, consumir sem ter alguém para compartilhar? Autor Desconhecido ATIVIDADES Responda Com quem você mora? Como está a sua família? Está bem ou passando por problemas? O que você proporia para resolvê-los? Você se sente feliz nela? O que você pode fazer para melhorá-la? Exercício em grupo Sugestão nº1 – Tempestade de ideias. “Como podemos ajudar nosso lar?” Sugestão nº2 – Formar grupos para a confecção de cartazes a partir da frase: “Eu e minha casa serviremos ....” Atividade interdisciplinar: Teatro: A parábola do filho pródigo – pág.78. Texto 2: Amor de criança, reflexo do amor de Deus Rafael, de quatro anos e meio é esperto, vivo, comunicativo. Gosta de chamar à atenção e é tão carinhoso que ninguém consegue negar-lhe nada. Seus pais e avós diante dele tentam ser severos e exigir que ele deixe espaço também para sua irmãzinha de 2 anos. Na pressa de querer participar de tudo, Rafael fica às vezes impaciente, teimoso, enquanto não consegue o que quer. Todos sentem que sua maneira de agir esconde uma necessidade grande de se sentir amado. O avô não mora com Rafael. Sua casa é no mesmo bairro. Pela manhã, caminhando, passa pela casa de Rafael e vê seu filho, o pai de Rafael, regando as plantas antes de ir para o trabalho. Conversam sobre tudo, mas sempre há algum fato novo do filho e netinho para levar os dois a sorrirem felizes. O avô de Rafael sabe fazer pipoca como ninguém e o neto sabe disso. O melhor dia é quinta-feira à noitinha, quando o avô, que tem um trabalho com horário variável, coloca-se à disposição. A mãe, ao ir a uma reunião, deixa Rafael na casa do avô. Os dois têm assunto. Sempre há novidades. Rafael gosta de ver, com ele, desenho na televisão. O avô assiste junto com o netinho, enquanto os pais ainda não chegam do trabalho. Rafael pede: “Vô, vamos preparar nossa pipoca antes de assistir ao filme?” Os dois vão para a cozinha. Rafael sobe na cadeira. O avô fica por trás. Deixa-o participar na feitura da pipoca. Deixa-o firme na cadeira para que não caia, pois ele se mexe muito, rindo alto, feliz em seu trabalho. A pipoca vai estalando, enchendo a panela, misturando o barulho com as risadas estrepitosas de Rafael feliz. Naquela noite, bem no meio da preparação, Rafael encostou a cabeça no peito do avô, abraçou-o e disse com aquele jeitinho carinhoso muito dele: “Obrigado, vovô”! O avô sentiu subir dentro de si uma emoção gostosa, como quando um sentimento de felicidade toma conta de todo o seu ser. Pensou: Deus está conosco, cuidando de nós. Mostra grande amor por nós, com carinhos como este do neto. Deus está sempre acompanhando nossa vida, ajudando-nos, deixando que aprendamos a enxergar em cada gesto sua presença carinhosa. Deus nos ama de maneira que está além de nossa compreensão e do que esperamos. O amor de Deus é perfeito, sempre se mostra, se comunica. Precisamos ter olhos de fé para enxergar e comover-nos com este amor e dizer com gratidão: “Obrigado, muito obrigado, Senhor por tua atenção e carinho.” Mons. Paulo Daher (adaptado) ATIVIDADES Escreva Conte um caso que tenha acontecido com sua família e que lhe tenha trazido muita felicidade. Caça-palavras Encontre 10 palavras que se encontram no texto acima. Escreva-as abaixo. Q C J V D U Q T É F B O G F E L I Z E M E M H X U Ç S H S M M P R C S F R O M A O R T T B G P C T T Ç E U J N H P A E E Ã E D G H I L R A N O N S A D A S I R Ç L S F A O M L N S Ã M A T T R A R H T O F O O L M D P O R T G S P L L O I P Ç O F E L _ I _ C I D A D E Texto 3: Nossa família, nossa vida A vida nos ensina que tudo o que aprendemos em nossa infância é o que vai dirigir nossa vida. É fundamental para as ideias e para os sentimentos. Margarida, abandonada pelos pais aos 6 anos, foi criada em internato de órfãos. Aos 15 anos saiu para trabalhar numa família, que a teve quase como filha. Deu-se muito bem. Continuava a estudar. Aos vinte anos tinhasempre problemas em relação às amizades. Não gostava de se aprofundar, embora tratasse todos bem e fosse simpática. Teve um namorado que a entendeu bem e a ajudou a superar imagens erradas da vida de família que lhe ficaram gravadas em sua primeira infância. Foi a sua salvação. A família dá-nos por antecipação as imagens do que será nossa vida. Toda confiança que temos de pessoas, profissões e situações, são vividas antes em família. Esta deve dar a segurança interior dos valores que firmam nossa felicidade futura. Então a esperança, a certeza de bens que precisaremos começam a despontar em nossa própria família. Por isso Cristo quis ter uma família (Lc 2,51). Mons. Paulo Daher ATIVIDADES Responda O que é, afinal, uma família? Quais as problemáticas pelas quais a família está passando hoje? A adoção é um ato de amor ao próximo. O que você acharia de ter um irmão adotivo? Copie o quadro e responda: Em sua casa, como são divididas as tarefas entre os membros da família? Membros Tarefas Escreva Escreva um texto apontando aspectos positivos da família de ontem e de hoje. Para aprofundamento do tema texto complementar: - A importância da formação religiosa na família – pág.84. - Fraternidade Texto 1: Quem doa com amor recebe mais amor Antônio, jovem do interior, viera para a cidade terminar o segundo grau. Ficou em uma pensão de estudantes. Um comerciante lhe deu mercadorias para vender. Certo dia, já havia passado a hora de almoço. Vendera pouco. Ele já vinha se alimentando mal. Com poucas moedas, a fome apertava. O sol lhe dava até vertigem. Tocou a campainha na primeira casa que viu. Uma senhora ainda jovem abriu-lhe a porta. Ele, todo embaraçado, em vez de pedir comida pediu um copo d’água. Ela reparou na palidez do rapaz. Parecia faminto. Pediu que aguardasse um pouco. Voltou com um copo grande de leite morno. Os olhos de Antônio brilharam agradecidos. Foi bebendo devagar o leite... Quando terminou perguntou: “Quanto devo?” “Não me deve nada”, respondeu ela com sorriso simpático. “Minha mãe me ensinou a nunca aceitar pagamento por uma oferta caridosa”. Ele: “Eu lhe agradeço de coração. Deus a proteja.” Ela: “Deus o abençoe também, filho.” Antônio continuou seu trabalho, que até rendeu bastante. Estava bem mais forte com sua fé em Deus e nas pessoas. Aquele fato e aquela senhora lhe deram novo ânimo. Continuou seus estudos. Terminou-os e foi para Belo Horizonte para a universidade. Os anos se passaram e Antônio conseguiu formar-se. Depois de visitar sua família decidiu ficar mesmo em Belo Horizonte, porque aí já fizera vários estágios. Anos depois, a senhora que ajudara o estudante em sua necessidade ficou gravemente doente. Os médicos esgotaram suas possibilidades. Aconselharam que a transferissem para Belo Horizonte. Com muito sacrifício conseguiram levá-la. O médico especialista estava no exterior. Chegando ao hospital foi chamado para ver a enferma. Lendo a ficha deu com o nome da cidade onde cursara o segundo grau. Ficou curioso. Estranha luz encheu seus olhos. Dirigiu-se ao quarto da paciente. Dr. Antônio reconheceu-a imediatamente. Deu-se a conhecer relembrando o fato de anos atrás quando ela lhe dera um copo de leite. A senhora, embora muito enfraquecida, reconheceu no médico o jovem franzino de anos atrás. E sorriu. Dr. Antônio fez tudo para salvar aquela vida, para ele, preciosa. Ela superou o estado crítico. Dr. Antônio pediu à administração do hospital a fatura total dos gastos da senhora. Depois escreveu algo e mandou entregá-la no quarto da paciente. Ela tinha medo de abri-la. Sua situação financeira atual era precária. Sabia que levaria o resto de sua vida para pagar todos os gastos. Ao ver a fatura leu comovida o seguinte: “Pago totalmente faz muitos anos, com um copo de leite”. Dr. Antônio. Lágrimas de alegria correram de seus olhos. Seu coração comovido rezou assim: “Graças, Deus, porque teu amor se manifestou nas mãos e nos corações humanos”. Ao se despedir do Dr. Antônio, abraçando-o feliz, repetiu o que há tantos anos dissera: “Deus o abençoe, meu filho.” Autor Desconhecido ATIVIDADES Escreva Deus nos ama e quer que sejamos felizes. O que você pode fazer para que seus pais, amigos, irmãos e parentes vivam felizes? Faça uma lista das coisas em que você pensou. Para refletir Destaque a importância do servir. Texto 2: Ser amigo e ter amigos faz bem Conversando com o médico, comentei a pouca melhoria de um doente, parecia piorar. Ele disse: é porque ele recebe pouca visita, sente-se sozinho. A solidão é doença terrível. É como um desânimo de viver que vai corroendo por dentro. Cristo, com sua atividade constante criou sua imagem de amigo, interessado e preocupado com todos. Insistia em aumentar sempre maior confiança nas pessoas. Ter fé ou esperança dá condição cada vez maior de ter certeza de aceitação. As amizades verdadeiras trazem muita alegria porque firmam dentro de nós a confiança. Na educação, é fator importante. Uma criança para quem resolvemos todos os problemas, sem lhe dar chance de ela mesma tentar solução, torna-se insegura e insatisfeita. Criar confiança em si mesmo é dar condições de amadurecer a personalidade na educação. A aproximação de Deus não é para sermos menos gente e pedir que faça tudo por nós. Ele nos valoriza porque espera muito de nós. Seu apoio é dar maior valor às qualidades que ele mesmo nos deu. Mons. Paulo Daher ATIVIDADES Cruzadas Procure nos textos 1 e 2 as respostas para os conceitos abaixo. Condição, estado de quem está ou vive só (7 letras – S) Abnegação; renúncia, desprendimento (10 letras – S) Qualidade, talento; merecimento (5 letras – V) Sentimento de quem confia; crédito, fé (9 letras – C) Característica de uma coisa; modo de ser; dote, predicado (9 letras – Q) Convicção, segurança; coisa certa (7 letras – C) Contente, alegre (5 letras – F) Crença, crédito; religiosidade; confirmação, prova; confiança (2 letras – F) Aquilo que é absolutamente necessário; aperto (11 letras – N) Ato de esperar o que se deseja; expectativa na aquisição de um bem que se deseja (9 letras – C) Que possui caridade (8 letras – C) Ato ou efeito de aceitar (9 letras – A) Texto 3: O pequeno raio de sol Era uma vez uma menininha chamada Elza. Ela tinha uma avó muito idosa, com cabelos brancos e o rosto enrugado. O pai de Elza tinha uma casa enorme no alto de uma colina. Todos os dias, o sol entrava pelas janelas do sul. E tornava tudo claro e bonito. A avó morava na ala norte da casa. O sol nunca chegava ao seu quarto. Um dia, Elza disse ao pai: Por que o sol não aparece no quarto da vovó? Eu sei que ela gostaria de vê-lo. O sol não pode entrar pelas janelas do norte - disse o pai. Então vamos virar a posição da casa, papai. Ela é muito grande para isso -, disse o pai. A vovó nunca terá os raios de sol em seu quarto? – perguntou Elza. —Claro que não, minha filha, a menos que você consiga levar alguns até lá. Depois desta conversa, Elza pensou e pensou num jeito de carregar os raios de sol até a sua avó. Quando ela brincava nos campos, via a grama e as flores balançando. Os pássaros cantavam docemente enquanto voavam de árvore em árvore. Tudo parecia dizer: — “Nós amamos o sol. Nós amamos o sol quente e luminoso.” Vovó também amaria o sol, pensou a criança. Eu preciso levar um pouco para ela. Quando ela estava no jardim, uma certa manhã, sentiu os raios dourados e quentes do sol em seus cabelos louros. Sentou-se e viu os raios em seu colo. Vou apanhá-los com o meu vestido - pensou -, e levá-los até o quarto da vovó. - Então, ela se levantou e correu para dentro da casa. Veja, vovó, veja! Eu trouxe uns raios de sol para você -, ela gritou. E abriu o vestido, mas não havia nenhum raio de sol. O sol vem nos seus olhos, minha criança - disse a avó -, e ele brilha nos seus ensolarados cabelos dourados. Eu não preciso desol quando tenho você comigo. Ela não entendia como o sol podia vir em seus olhos. Mas ficava contente de fazer sua querida avó feliz. Todas as manhãs, ela brincava no jardim. Então, corria para o quarto de sua avó para levar-lhe o sol nos seus olhos e cabelos. A compaixão é um presente como outro qualquer. Muitas vezes, o que vale é a intenção. Autor Desconhecido http://www.bomjesus.br/virtudes/fabulas_exibir.vm?id=20720150 ATIVIDADE Pense e responda Você sabe o que é compaixão? Já teve este sentimento por alguém? Compartilhe sua experiência com os colegas: 1.4- Sou importante: por quê? Texto 1: Amar e ser amado: eis a questão! Uma senhora, observando os caminhos de Deus em nossas vidas, escreveu: Fui visitar minha filha. Já fazia um pouco de tempo que não a via. Queria também rever minha netinha Beth, que era um encanto de criança. Descansando na varanda que dava para um jardim muito florido, divisei a pequena Beth de três anos, que dançava pelo jardim. Parecia uma pequena fada, saltitando depressa, quase voando por entre as flores, tão feliz. Começou a cantar alto com sua voz tão sonora: “Eu amo a mamãe, o papai, o Luizinho, a vovó e...” Ela parou um instante. Sua expressão pensativa logo se transformou num sorriso brilhante e num rodopio muito leve. Ela continuou num sorriso angélico: “... e eu amo a mim mesma.” Continua a avó: Fiquei surpresa e emocionada pela facilidade com que minha netinha expressava o amor a si mesma, como Cristo pediu. Pensei: será que nós amamos aos outros e a nós mesmos assim tão prontamente? Diz ainda a avó: “as lembranças e experiências de minha infância haviam limitado minha percepção do amor. A separação de meus pais, quando eu tinha a idade de Beth me levou a duvidar do amor deles. Meu próximo passo foi acreditar que Deus não me amava, que eu devia ter feito algo muito ruim para merecer tal castigo. Seria terror e culpa intensa. Daí para frente, para evitar ser magoada novamente, mantive as pessoas a distância. Amar e ser amada ficaram bloqueados.” Muitos anos depois, Deus usou uma sábia amiga cristã para me ajudar. Ela disse: “Quando na oração, nós nos permitimos inundar pela maravilhosa verdade do amor incondicional de Deus, damos espaço a Ele para curar nossa dor interior e nos libertar para amar a nós mesmos e aos outros.” Gostei deste pensamento, e durante muito tempo procurei senti-lo em minha vida. Mas hoje descobri que suas palavras eram verdadeiras. Vendo minha netinha tão feliz confirmei esta minha certeza. Quando aceitamos que Deus nos ama de verdade,somos libertados para amar aos outros e a nós mesmos. A vida vai nos ensinando que de fato amar e ser amado é fundamental em nossa vida. Quando em nossa existência somos feridos pelo desamor, precisamos buscar a cura rápida dele, pois é um veneno mortal para nossos sentimentos. Se isso acontece na infância marca por muito tempo nosso espírito. Deus nos disponha a amar sempre as pessoas, e jamais magoá-las. Que ao errar possamos corrigir com mais amor o mal que tivermos feito. Com as crianças jamais lhes negar todo o carinho e amor sinceros. Mons. Paulo Daher (adaptado) ATIVIDADE Dobradura Faça a dobradura de um adolescente, enfeite-a e depois comente as suas características: descreva seus hábitos, gostos, dúvidas, conflitos, medos, etc. Após a apresentação de todos, monte um mural com o perfil adolescente de todos. PIRES, Cristina do Valle G., GANDRA, Fernanda Rodrigues e LIMA, Regina Célia Villaça. O dia a dia do professor: adolescência afetividade sexualidade e drogras.Angelotti, 2007. Texto 2: Um simples gesto O dever de servir, indicado no Evangelho (Mt 20,28 e Mc 10,45), transforma-se em alegria quando posto em prática. Servir ao próximo toma diferentes formas, segundo as circunstâncias da vida de cada um. Tanto pode ser uma ajuda material, quanto um conselho, uma palavra confortadora, um gesto amigo. Dona Irene voltava das compras quando reparou num jovem, numa banca de jornais. Era um rapaz preto franzino, com uma “coleira ortopédica” no pescoço. Atraída por seu olhar triste, D. Irene parou e puxou conversa. Soube então que o rapaz tinha 15 anos, que um desvio da coluna vertebral o fazia sofrer muito, estava em tratamento, e trabalhava para o jornaleiro, dono da banca. A senhora comprou umas revistas, e encompridou a prosa. Disse-lhe que avaliava como devia ser penosa aquela “coleira”, mas que era o meio para ele ficar bom, tinha de ser perseverante, e em breve estaria recuperado. Depois, tirou da bolsa um saco de bombons (que destinava aos netos) e com um sorriso deu-o ao rapaz: “Estas balas são para você se distrair...” O gesto tão simples iluminou de alegria aquele rosto triste: alguém se importara com ele; participara de sua situação dolorosa. Dera-lhe atenção e carinho. Sentiu-se feliz! Lucia Jordão Vilela (Adaptado) ATIVIDADES Exercício individual Descubra quais são as palavras que estão embaralhadas e dê o significado. A V DI G A E LA IR G A MA I Z T EA CR E ÇA TÃ E ON S R OR OSI Escolha algumas palavras da atividade anterior e escreva no seu caderno um texto sobre: “Eu sou importante.” Para lembrarEu acredito que, no coração dos homens, ainda possa existir amor. Anne Frank - Relacionamento com os outros - Conhecer e aceitar minhas qualidades e as dos outros A Raça Humana Nós, os seres humanos, somos diferentes. Uns são do sexo masculino; outros, do feminino. Somos asiáticos, americanos, europeus, africanos, oceânicos; crianças, jovens, adultos ou anciãos. Temos ideias políticas diferentes e fomos educados em culturas diferentes. Apesar de todas essas diferenças, formamos uma só espécie: a raça humana. Texto 1: A ratoeira Havia numa fazenda uma família de trabalhadores: pai, mãe e três filhos. Iniciavam seu dia bem cedo. Tiravam leite das vacas, faziam queijo, vendiam o leite. Iam para a lavoura de café, de milho; da horta produziam verduras viçosas. Preocupados com os ratos que estavam acabando com o milho no celeiro, foram comprar ratoeiras. À tarde, a caminhonete chegou. O filho mais velho que fora fazer as compras, mostrou tudo o que buscara e, abrindo um pacote, mostrou as ratoeiras. Logo foram prepará-las com iscas para atrair os ratos. Alvoroçada, a ratazana chefa correu a comunicar a todos os seus parentes a situação perigosa. Disseram: é melhor avisar a todos os animais. Vários roedores percorreram a fazenda avisando do ocorrido. A galinha ouviu e disse: “que é que eu tenho a ver com isso? Ratoeira não foi feita para pegar galinha!” Virou as costas e saiu batendo as asas e ciscando despreocupada. O rato mais velho, esperto chegou perto do porco que estava roncando no chiqueiro. Disse: “Porco, acorda! Tenho uma péssima notícia para você: Compraram ratoeiras e já as armaram para pegar a gente.” O porco mexeu as orelhas para cá e pra lá. Grunhiu sonolento: “Ora rato velho, que é que eu tenho a ver com isso? Já viu porco cair em ratoeira?” E saiu fuçando os cantos. O rato falador foi dizer ao boi: “Boi, escuta!” Para se livrar do rato, o boi disse: “qual é agora a novidade que você inventou?” Você não imagina o que os donos da fazenda arranjaram! Que é que aconteceu seu rato inquieto, mugiu o boi babando verde. O rato continuou em disparada: “Eles compraram grandes ratoeiras para pegar a gente!” Ora, rato fofoqueiro, que é que pode uma ratoeira contra minhas patas pesadas? À noitinha toda a família dos ratos se reuniu. Estavam tristes, desanimados e preocupados. Nenhum animal havia se incomodado com as ratoeiras. Morreriam de fome sem poder entrar no celeiro de milho, com as ratoeiras armadas, ou arriscariam suas vidas tentando não cair nelas. Já era bem tarde... As luzes da fazenda ainda estavam acesas. A família reunida na sala maior estava quieta, conversando baixinho. Foi quando se ouviu um estalo bem forte, como o de uma ratoeira desarmando. Vinha lá do celeiro. Todos se levantaramcomo num salto. Mas a senhora, mais ágil, saiu da sala correndo para o celeiro. Enquanto tentava acender a lamparina para ver o rato preso, levou uma forte picada na perna. A ratoeira pegara uma cobra, que agitada para se soltar viu a senhora se aproximar e feriu-a. Deu um grito de dor que ecoou pelo vale. O marido, que vinha logo atrás, deu uma machadada na cobra e a matou. Carregando a esposa, mandou o filho mais velho levá-la para a cidade. A senhora foi medicada. Precisou de repouso. O marido mandou matar a galinha, para com a canja gostosa levantar as forças da esposa. Mas não melhorava. Leva para um médico, para outro. Gastou dinheiro. Mandou matar o porco, para com a venda pagar o que devia. A senhora ficou boa. Veio toda a vizinhança para visitá-la. O marido, para atender a tanta gente, mandou matar o boi para dar de comer a todos. Moral da história: tudo o que interessa a alguém deve interessar a todos. O cristão verdadeiro se une aos problemas dos outros mesmo que talvez não lhe diga respeito. ATIVIDADES Responda Quando acontece um fato importante em nossa vida, gostamos de contá-lo para que as pessoas participem de nossa alegria. O que o leva a contar o que acontece com você? Compare sua resposta com as de seus colegas e converse com eles sobre o assunto. Leia as afirmações abaixo. Você concorda com elas? Justifique sua resposta. A ignorância da humanidade a respeito de si própria é causa de muitos males e desgraças. A viagem mais venturosa do homem é, com certeza, ao encontro de si mesmo para tornar-se mais humano... Para refletir Escreva o que você diria em situações semelhantes. SCHNEIDERS, Amélia & CORREA, A. Avelino. De mãos dadas: educação religiosa. São Paulo, Scipione, 1997. ATIVIDADES Para refletir Escolha um(a) colega e escreva seis qualidades que ele possui: O que você tem a dizer sobre as pessoas que não respeitam as diferenças entre os seres humanos, praticam a discriminação e tratam mal os que são de outra etnia, nacionalidade ou crença religiosa? Texto 3: O padeiro Levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abro a porta do apartamento – mas não encontro o pão costumeiro. No mesmo instante me lembro de ter lido alguma coisa nos jornais da véspera sobre a “greve do pão dormido”. De resto não é bem uma greve, é um lock-out, greve dos patrões, que suspenderam o trabalho noturno; acham que obrigando o povo a tomar seu café da manhã com pão dormido conseguirão não sei bem o que do governo. Está bem. Tomo o meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. Enquanto tomo café vou me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente. Quando vinha deixar o pão à porta do apartamento ele apertava a campainha, mas, para não incomodar os moradores, avisava gritando: “Não é ninguém, é o padeiro!” Interroguei-o uma vez: como tivera a ideia de gritar aquilo? “Então você não é ninguém?” Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes lhe acontecera bater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou outra pessoa qualquer, e ouvir uma voz que vinha lá de dentro perguntando quem era; e ouvir a pessoa que o atendera dizer para dentro: “não é ninguém, não, senhora, é o padeiro”. Assim ficara sabendo que não era ninguém... Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo. Eu não quis detê-lo para explicar que estava falando com um colega, ainda que menos importante. Naquele tempo eu também, como os padeiros, fazia o trabalho noturno. Era pela madrugada que deixava a redação de jornal, quase sempre depois de uma passagem pela oficina – e muitas vezes saía já levando na mão um dos primeiros exemplares rodados, o jornal ainda quentinho da máquina, como o pão saído do forno. Ah, eu era rapaz, eu era rapaz naquele tempo! E às vezes me julgava importante porque no jornal que levava para casa, além de reportagens ou notas que eu escrevera sem assinar, ia uma crônica ou artigo com o meu nome. O jornal e o pão estariam bem cedinho na porta de cada lar; e dentro do meu coração eu recebi a lição de humildade daquele homem entre todos útil e entre todos alegre; “não é ninguém, é o padeiro!” E assobiava pelas escadas. Rio, maio, 1956. Rubem Braga http://cmais.com.br/aloescola/literatura/cronicas/rubembraga.htm ATIVIDADES Você já se sentiu rejeitado por alguém ou já viu alguma pessoa sofrer algum tipo de preconceito? Conte como isso aconteceu e se desejar converse sobre isso com seus colegas. Pesquise e descubra Deus ama a todos os povos de qualquer raça, língua, nação, e quer ensinar- nos a agir assim também! Nosso país é o resultado da mistura de muitos povos e raças. Observando ao nosso redor, em nossa própria cidade, podemos comprovar isso. Qual a origem do povo de sua cidade? Que raças podem ser observadas em sua cidade? Quais as contribuições que esta “miscigenação” (mistura de raças) trouxe ao local onde você vive? Que tipos de preconceitos podemos perceber bem próximos de nós? Como, por exemplo, em nossa casa, escola, família. Exercício individual Faça um pequeno exercício de autoconhecimento Conhece-te a ti mesmo! Complete as frases: Qualidades de que gosto em mim: Meus principais defeitos: O que mais desejo na vida: Qualidades que mais valorizo nas pessoas: Do que mais gosto na minha família: Leia e pense sobre estas questões: Como você reage quando: lhe pedem um favor? riem de você? lhe fazem elogios? lhe fazem críticas? simplesmente olham para você? Faça uma colagem usando gravura que demonstrem a diversidade entre as pessoas. Depois, dê um título à sua obra! Dinâmica A vida é uma novidade vibrante! Desenvolvimento: sentados em pequenos círculos (5 pessoas), cada participante pega um giz de cera de cor diferente da que o companheiro escolher. Ao som da música, cada um inicia um desenho, procurando expressar um problema ou uma ideia. Ao comando do animador, cada participante passa o desenho para a pessoa da direita, recebe o desenho da pessoa da sua esquerda (sem mudar a cor do seu lápis) e prossegue a atividade, observando o que recebeu e completando o desenho com o que considerar oportuno para a solução do problema ou enriquecendo a ideia. Quando a folha com a qual cada participante iniciou a atividade, retornar às suas mãos, fazem-se os comentários e reflexões. www.educacional.com.br Sugestão de filme: O Presente (1h52’) – sinopse pág.98. https://www.youtube.com/watch?v=HLJh9BywCxI - Amizade Texto 1: O desvio Eu e meus irmãos mais novos vivíamos brigando uns com os outros, quando éramos crianças. Teimosos e obstinados, cada qual queria a coisa a seu modo. Um dia papai levou-nos à estação da estrada-de-ferro para assistir à chegada de um trem de passageiros. Mal chegamos, ouvimos o apito de um trem de carga que vinha na direção oposta. — Estão vendo? disse-nos papai. Dois trens vêm chegando, em direções contrárias. Que é que vai acontecer? Nem respondemos. Deixamo-nos ficar ali, mudos de espanto e de medo, à espera da colisão que julgávamos inevitável. Mas, dali a pouco o trem de carga mudou de direção e entrou em um desvio. O trem de passageiros ganhou a estação sem nenhuma dificuldade. Enquanto os viajantes desciam tranquilamente, papai se voltou para nós e disse: — Vocês viram? O mesmo sucede às pessoas. Todos nós tentamos seguir em direções diversas, no mesmo leito da estrada, que é a vida. E se não usarmos os desvios, podemos esperar por um desastre na certa. Há muitos desvios à nossa disposição: chamam-se paciência, amor fraterno, tolerância e bom-senso. Não só as crianças, mas os adultos também, e até as nações se entenderiam muito melhor se se lembrassem de usar os desvios. Nunca mais nenhum de nós esqueceu a lição. Todas as vezes que há choque de opiniões, que levam a consequências ruins, lembrando-nos daquele desvio e sempre conseguimos, com bons resultados, resolver os problemas. O laré um templo sagrado De vida superior, Onde começa no mundo A lei sublime do amor. (Casimiro Cunha) ATIVIDADES Responda O que você costuma fazer quando discorda dos seus amigos? E quando os seus amigos discordam de você? Texto 2: O valor de uma amizade Dois primos saíram de férias. Fizeram viagem cheia de contratempos. Chegaram a uma encruzilhada. João havia decidido ir pela direita. Filipe o ofendeu dizendo que ele era desconfiado e por isso achava que seu caminho seria o melhor. João, aborrecido, parou. Escreveu na areia: “Hoje, meu melhor amigo me ofendeu seriamente. Sinto-me ferido, sem amigo e solitário”. Sem se comunicarem e de mau humor, seguiram viagem. Com sede, a reserva de água havia terminado. Chegaram a um verdadeiro oásis. Havia uma nascente de água. Filipe e João se refrescaram. Descansaram. O calor estava forte. Resolveram tomar banho no pequeno lago. Filipe entrou na água e disse que dava pé. João se animou e entrou no pequeno lago. Estava muito contente e feliz. Deu mais braçadas para o centro, mas o local era bem mais fundo. Como não soubesse nadar bem, começou a afundar. Gritou por socorro a Filipe. Este não ligou, pensando que gritava para se divertir. Quando viu que a coisa era séria, Filipe foi nadando, alcançou o amigo, e puxou-o com braçadas fortes para a parte mais rasa. João deitou-se, procurou botar para fora a água que havia engolido. Descansou. Agradeceu muito a Filipe por tê-lo salvo. Refeito do susto e cansaço, João foi até uma pequena rocha que havia ali e, com uma pedra pontuda, escreveu sobre ela o seguinte: “Hoje, meu melhor amigo salvou-me a vida.” Filipe, intrigado, perguntou: “Por que quando brigamos, você escreveu na areia: ‘Hoje meu melhor amigo ofendeu-me seriamente.’ E agora você escreveu na pedra: ‘Hoje meu melhor amigo salvou-me.” João respondeu sorrindo: “Quando um grande amigo nos ofende, devemos escrever na areia, onde o vento do esquecimento e do perdão se encarrega de apagar a ofensa. Quando faz algo de grandioso, devemos gravar na pedra da memória do coração, que vento nenhum deste mundo poderá apagar.” Chegando a manhã do dia seguinte, com o sol convidando para a alegria de um novo dia, os dois amigos partiram felizes e continuaram sua viagem de férias. Mons. Paulo Daher (adaptado) ATIVIDADES Copie o quadro e complete Amar os outros é Não amar os outros é Divirta-se Bingo da Amizade Neste bingo cada aluno recebe uma cartela com 4 ou 6 espaços em branco. O aluno deve colocar o próprio nome no primeiro espaço e escolhe os nomes dos amigos da sala para completar o restante dos espaços. O professor confecciona os números constantes no diário e coloca-os num saquinho. Depois é só ir chamando os números e verificando no diário. Ganha o bingo quem completa toda a cartela. O prêmio pode ser um saquinho com 4 a 6 balas para que o ganhador distribua com os amigos que colocou os nomes. http://ensinoreligiosoemfoco.blogspot.com.br/ Sugestão de filme: Wall.E (1h37’) – - Convivência Texto 1: Fábula da convivência Há milhões de anos, durante uma era glacial, quando parte de nosso planeta esteve coberto por grandes camadas de gelo, muitos animais, não resistiram ao frio intenso e morreram indefesos, por não se adaptarem às condições. Foi, então, que uma grande quantidade de porcos-espinhos, numa tentativa de se proteger e sobreviver, começaram a se unir, juntar-se mais e mais. Assim, cada um podia sentir o calor do corpo do outro. E todos juntos, bem unidos, agasalhavam uns aos outros, aqueciam-se mutuamente, enfrentando por mais tempo aquele frio rigoroso. Porém, vida ingrata, os espinhos de cada um começaram a ferir os companheiros mais próximos, justamente aqueles que lhes forneciam mais calor, aquele calor vital, questão de vida ou morte. E afastaram-se, feridos, magoados, sofridos. Dispersaram-se, por não suportarem mais tempo os espinhos dos seus semelhantes. Doíam muito... Mas essa não foi a melhor solução! Afastados, separados, logo começaram a morrer de frio, congelados. Os que não morreram voltaram a se aproximar pouco a pouco, com jeito, com cuidado, de tal forma que, unidos, cada qual conservava a uma certa distância do outro, mínima, mas o suficiente para conviver sem magoar, sem causar danos e dores uns nos outros. Assim, suportaram-se, resistindo à longa era glacial. Sobreviveram. É fácil trocar palavras, difícil é interpretar o silêncio! É fácil caminhar lado a lado, difícil é saber como se encontrar! É fácil beijar o rosto, difícil é chegar ao coração! É fácil apertar as mãos, difícil é reter o calor! É fácil conviver com pessoas, difícil é formar uma equipe! Autor desconhecido http://www.betafm.com.br/fabuladaconvivencia.htm Para sermos uma equipe, "precisamos descobrir a alegria de conviver" Carlos Drummond de Andrade ATIVIDADES Responda Qual é a moral da História? Continue o pensamento. Para que possamos viver em união sem ofender, prejudicar, injuriar, criticar e insultar alguém devemos ter em mente a REGRA DE OURO: "NÃO FAÇA COM OS OUTROS O QUE VOCÊ NÃO GOSTARIA ... “ Texto 2: A alegria é que dá sabor à vida Visitando favelas, muitas vezes, vemos pessoas trabalhando, cuidando da casa, dos filhos, lavando roupa ou cozinhando, cantando ou acompanhando a música que o rádio ligado alto tocava. Aquela favela era toda assim. E todos se entendiam, davam-se bem. As reuniões com eles eram mais fáceis. Tudo ali dava certo. Qualquer iniciativa que se propunha ou que eles apresentavam ia para frente. Era impressionante. O que movia ali nesta favela para que tudo desse certo era a alegria de todos. Aquela era uma favela alegre. As pessoas se comunicavam com facilidade. Crianças e adolescentes dali puderam estudar e continuar seus estudos até a universidade. O segredo de todo aquele progresso era a alegria, pois é um grande dom de Deus, que tudo transforma. Uma pessoa alegre, otimista toca tudo para frente. Todas as pessoas alegres vivem satisfeitas com o que têm, não se lamentam da vida, estão felizes na pobreza ou na riqueza, em bons empregos ou em empregos médios. A alegria transforma a vida, é maneira mais fácil de a amizade se comunicar. O amor sincero se mostra pela alegria, pela felicidade que transmite. Olhem a criança: criança triste deve estar doente ou sofrendo. A criança é alegre, interessada, encontra sempre na vida coisas que lhe chamam a atenção. A curiosidade da criança é uma forma de alegria. A tristeza fecha a pessoa. A alegria a abre para fora, para querer saber, querer descobrir. Enquanto as pessoas tiverem este espírito da criança de olhar e querer saber e se comunicar, a vida vai crescendo. Quando a pessoa para no tempo e no espaço e se fecha, não mostra interesse, vai morrendo aos poucos. A alegria é vida e dá vida. Ela mexe até com a saúde. Uma pessoa alegre é sempre saudável. E, se estiver doente, facilita a cura. A alegria é como a luz do sol para nós. Dia triste e fechado, com nuvens escuras não convida a nada. Traz-nos tristezas também. Um dia claro, céu azul, brilhante, comunica a vida, dá vontade de sair, de ver, de se comunicar com todos. A alegria é sempre um dia de sol, convidativo. Não temos nenhuma razão para ficarmos tristes. A razão de nosso viver é a certeza de que somos amados e queridos por Deus que se mostra sempre Pai. Aconteça o que acontecer nunca Deus me abandona. Ele jamais se cansa comigo. Está sempre disposto porque Ele é um Deus de alegria. Está sempre, contente e satisfeito. Inventa mil maneiras na vida para nos ver sorrir e nos ver também satisfeitos. Texto 3: Seis Lições de Relações Humanas Seis palavras mais importantes: → “Eu admito que cometi um erro” Cinco palavras mais importantes: → “Você fez um bom trabalho” Quatro palavras mais importantes: → “Qual a sua opinião?” Três palavras mais importantes: → “Pode, por favor” Duas palavras mais importantes: → “Muitoobrigado” Uma palavra mais importante: → “Nós” Uma palavra menos importante: → “Eu” A sabedoria divina criou o homem como um ser social, portanto, para viver em sociedade. Parece a coisa mais simples do mundo e é, na teoria e na prática. Encontramos na relação acima os sinais indeléveis do Cristianismo e da Doutrina Espírita que é a mesma coisa. Admitir que se cometem erros, pois afinal somos todos imperfeitos, é uma atitude positiva no combate ao orgulho. Elogiar sinceramente o trabalho de alguém é dar prova de valorização do próximo. Pedir a opinião de alguém é repartir responsabilidades, tendo em estima a experiência do próximo. Ser acessível, dar abertura para que o próximo se aproxime sem receio de levar um “não” como resposta, muitas vezes por questões singelas. Agradecer, como é fácil ser grato. Duas palavras apenas – muito obrigado – com o poder de afastar pesadas nuvens de incompreensão. E a palavra “nós” é um convite a partilhar, ao invés de “eu”, tem o poder de derrubar muralhas. Se o relacionamento humano muitas vezes se torna difícil é porque muitos se sentem desobrigados de exercitar modos civilizados, que são perfeitamente passíveis de serem praticados, trazendo mais qualidade à vida de todos. Ninguém aguenta por muito tempo olhar uma fisionomia fechada, enigmática, de alguém que parece estar de mal com o mundo inteiro. É tão mais fácil sorrir, compartilhar, repartir... conjugar o verbo amar: Eu amo, tu amas, ele ama, nós amamos, vós amais, eles amam... Assim ensinava Jesus. Helena Delphino Bragatto Núcleo Kardecista Paz, Amor e Fraternidade http://www.usesaocarlos.com.br/Mensagens/seis_licoes.htm ATIVIDADES Copie o acróstico em seu caderno e complete-o: Q o homem se conhecer U suas forças na luta E busca de um mundo melhor, M de paz, sem arma e disputa. S de seu valor O ao redor com amor. U , pois, aprender a lição: E _ o eu verdadeiro, U -se aos outros, fazer-se irmão. Para refletir Que atitudes você precisa melhorar para conviver em grupo na classe? E em casa? E com seus amigos? FUNDAMENTAL II - 7 º ano - Meios de Comunicação e redes sociais Texto 1: Mafalda/Quino TUFANO, Douglas. Estudos de língua portuguesa. São Paulo: Moderna, 1990. Texto 2: Calvin TUFANO, Douglas. Estudos de língua portuguesa. São Paulo: Moderna, 1990. ATIVIDADES Responda Quais seus programas favoritos na televisão? Por quê? Você acha que a televisão faz com que as pessoas não pensem mais? Em que sentido? Em vez de ver televisão, que outras atividades você poderia praticar, que fossem mais proveitosas? Texto 3: INTERNET, QUE ESPAÇO É ESSE? Desde menina ouço que a internet surgiu de forma a encurtar distâncias e minimizar custos para qualquer empresa, na escola acelera o ensino e a aprendizagem dos alunos, sendo uma nova modalidade a ser usada pelo corpo docente como metodologia; e nas casas, para que ela serve? Seria para a comodidade dos usuários na compra de produtos, no pagamento de contas, no recebimento de cartas eletrônicas, na consulta de material didático, informação rápida e uma forma de lazer? Percebemos que na atualidade esse espaço cibernético já não é exclusividade da classe alta e que não depende de um computador para existir. Ele simplesmente invade a vida das grandes massas de menor poder aquisitivo também, através de aparelhos tecnológicos de custo acessível como alguns telefones celulares. Através de um clic muitas realidades são transformadas. As relações sociais aumentaram com o surgimento de alguns aplicativos e sites de relacionamento. Mas será que as relações humanas continuam com o mesmo calor que seriam longe das frias redes virtuais? Onde beijos e abraços não são sentidos e mensagens de carinho são “despersonalizadas”, pois estão fadadas ao ctrl C e Ctrl V. Por que trocamos o útil pelo fútil, o humano pela máquina e o calor humano por vãs palavras trocadas em bate-papos com palavras distorcidas, será que é por isso que estamos embrutecendo e sendo dominados pela tecnologia? Afinal, em que espaço nós vivemos? Será o virtual ou o real? Ou já não dá para separar ambos? Internet, quem não a usa? Será um espaço infinito de oportunidades e armadilhas? Vale a pena usá-la, mas com moderação! ATIVIDADES Maria Aparecida de Souza Responda Como você tem usado a Internet? Diga quais as vantagens que você observa no primeiro parágrafo do texto. Através de quais aparelhos podemos acessar a internet, segundo o texto? Quais os perigos que esse espaço virtual pode trazer às pessoas? Você concorda com a autora que as redes sociais (virtuais) esfriaram as relações humanas? Explique. Defina o que é a Internet para você. Você acredita que na atualidade o homem consegue ter uma vida normal sem a internet em seu cotidiano? Por quê? http://ensinoreligiosoemdestaque.blogspot.com.br Texto 4: REDES SOCIAIS: exposição ou intromissão? As redes sociais instalaram-se definitivamente no dia-a-dia das pessoas, seja por diversão, amizade ou motivos profissionais. O certo mesmo é que a internet trouxe o universo para dentro de nossas casas. E por esse motivo, a exposição das pessoas nas redes sociais não para de crescer. Essa maneira rápida de se comunicar que a internet proporciona, aproxima quem está longe, assim como pode distanciar quem está perto. Ou seja, além de unir pessoas e criar laços também pode servir de palco para confusões e intrigas. Tudo depende do uso que dela se faz. Parece que o fato de não ficarem olho no olho faz com que algumas pessoas ignorem os perigos e acabem publicando informações demais. Sobram informações sobre rotina diária, compras, e por vezes fotos íntimas. Qualquer um pode acessar essas informações. Existem histórias de pessoas que sofreram ameaças de sequestro que podem ter vindo de qualquer lugar do mundo. Ou seja, no mundo virtual, como no mundo real, é necessário preservar a própria privacidade. Afinal, o mundo virtual, faz parte do mundo real. Não é um "universo paralelo”. Aqui vão algumas dicas para evitar excesso de exposição: Tenha sempre bom senso e cautela ao compartilhar informações em redes sociais. Nunca adicione pessoas desconhecidas. Evite ao máximo postar fotos e vídeos de caráter mais íntimo. Nunca compartilhe posts que possam identificar seu endereço ou demonstre situações de seu nível socioeconômico. Lembre-se de que, além de compartilhar informações com seus amigos diretos, há pessoas nas listas deles que verão seus posts, dependendo das configurações de privacidade que você adotar. - Antes de postar qualquer material, pense sempre no seu perfil como se ele fosse totalmente aberto a todos. Configurações de segurança podem falhar e acabar expondo dados que você não pretendia disponibilizar. - Fique atento: informações nas redes sociais são, em alguns casos, indexadas a ferramentas de busca online e facilmente rastreadas por terceiros. - Sempre revise suas configurações de privacidade. Christiane Lima http://elo.com.br/portal/colunistas/ver/228974/redes-sociais-exposicao-ou- intromissao.html ATIVIDADE Compartilhe Você conhece algum caso de exposição pessoal na internet que levou a sérios problemas? Para lembrar Com certeza o amor que não damos é o mesmo que não recebemos. Charles Chaplin – Qualidade Humana Texto 2: O Barbeiro Um senhor estava no barbeiro cortando os cabelos e fazendo a barba. Conversava com o barbeiro e falava da vida e de Deus. Depois de algum tempo de conversa, o barbeiro incrédulo não aguentou e falou: Deixa disso, meu caro, Deus não existe!!! Por quê?- perguntou - Ora, se Deus existisse não haveria tantos miseráveis passando fome! Olhe em volta e veja quanta tristeza. É só andar pelas ruas e reparar! Bem, esta é a sua maneira de pensar, não é? Sim,claro! - respondeu o barbeiro. O freguês pagou o corte e foi saindo, quando avistou um maltrapilho imundo, com longos e feios cabelos, barba comprida, suja, abaixo do pescoço, não aguentou, deu meia volta e interpelou o barbeiro: Sabe de uma coisa, não acredito em barbeiros! Como? - perguntou o barbeiro. Sim, se existissem barbeiros, não haveria pessoas de cabelos e barbas compridas! Ora, eles estão assim porque querem. Se desejassem mudar, viriam até mim!!! ROSSI, Pe. Marcelo.Parábolas que transformam a vida. Curitiba: Novo rumo, 2003. p. 57. Texto 3: A Resposta Numa viagem para sua terra natal, um homem de muita fé e oração dirigia seu carro quando foi surpreendido por uma enchente. A barragem de uma grande represa havia rompido e o local estava todo alagado. A situação era séria, e ele dirigindo seu carro, subiu num lugar alto. A água continuou subindo, e o lugar onde ele estava abrigado, não seria seguro por muito mais tempo. Então apareceu um rapaz num caminhão, e o alertou para o perigo de estar ali, oferecendo-se para tirá-lo do local. Para sua surpresa, o homem lhe respondeu: “Muito obrigado, mas eu tenho fé e o meu Deus vai me salvar. Não se preocupe comigo”. Passado algum tempo, já com o local totalmente alagado, passou uma lancha que acenava para que ele saísse do carro para salvar-se. Outra vez, ele disse não necessitar de ajuda, pois era um homem de muita fé, e Deus não iria desampará-lo. A água subiu tão rapidamente, que ele teve que se refugiar no teto do carro, que já começava a ser carregado pela correnteza. Um helicóptero de resgate sobrevoando o lugar, jogou uma boia amarrada a uma corda, mas ele gritou bem alto: “Eu não preciso, eu tenho fé. Deus vai me salvar”! Em pouco tempo, a enxurrada levou o carro, e o homem de tanta fé morreu afogado. Já no céu, muito triste ele pergunta a Deus porque não foi salvo. “Senhor eu tinha tanta fé, por que me deixou morrer afogado?”. “Meu filho, eu não queria que você morresse afogado. Tanto, que tentei salvá- lo três vezes”. — respondeu Deus para ele. “Três vezes Senhor, como?” — ele perguntou. “Eu enviei um rapaz para alertá-lo, mas você não o ouviu. Depois mandei uma lancha, e você não aceitou ajuda. Por fim mandei um helicóptero de resgate, mas você também recusou a ajuda”. Quantos de nós estamos surdos e cegos para os sinais de Deus, e não somos capazes de reconhecer quando Deus age através de um irmão! ROSSI, Pe. Marcelo.Parábolas que transformam a vida. Curitiba: Novo rumo, 2003.p.14-15 SCHNEIDERS, Amélia & CORREA, A. Avelino. De mãos dadas: educação religiosa. São Paulo, Scipione, 1997. - Qualidade religiosa Texto 1: O REI E A FÉ Certa vez, um rei foi caçar com um súdito que tinha muita fé e um imenso amor por Deus. Este súdito sempre dizia ao rei que seu Deus era maravilhoso e tudo o que Ele fazia era correto. Durante a caçada foram surpreendidos por um animal feroz, que atacou o rei. O rei logo gritou ao súdito que pedisse ao seu Deus que o salvasse, apesar de sua incredibilidade. Eis, que a vida do rei foi salva, porém a fera comeu-lhe um dedo. O rei ficou furioso e mandou prendê-lo por trinta dias na masmorra. Novamente, o rei foi caçar, perdendo-se na mata e deparou-se com uma tribo de canibais, que o aprisionou para devorá-lo. Ao passar pela apreciação da hierarquia da tribo, perceberam que o rei era imperfeito, pois lhe faltava um dedo. Então soltaram-no. Ao chegar no palácio, foi logo solto o súdito que muito feliz, repetiu como sempre: Meus Deus é maravilhoso e tudo o que ele faz é correto. O Rei perguntou: Se o seu Deus é tão maravilhoso e correto, por que ele permitiu que eu o prendesse? – Meu rei, se eu não estivesse preso, eu estaria com o senhor na caçada, e como eu tenho o corpo perfeito, a quem os canibais devorariam? ATIVIDADES Responda: Na sua opinião, em que momento o rei valorizou a fé do seu súdito? Na sua opinião, pode-se identificar no texto a manifestação do sagrado? Que situação é essa? Em que momentos você pensa num ser superior? Quem nesse texto vivencia sua fé? http://jucienebertoldo.files.wordpress.com/ Texto 3: O alpinista Um homem tinha um grande sonho, e durante anos treinava para realizá-lo. Escalar a montanha KX, a segunda maior do mundo, onde muitos haviam morrido na ânsia de chegar. Este era o seu grande sonho! Ele sabia da dificuldade que enfrentaria, mas por ser orgulhoso, queria as glórias de alcançar o topo da montanha sozinho, feito inédito até então. Chegado o grande dia, o alpinista começou sua escalada rumo ao pico, e escolheu o lado mais difícil e perigoso. Apesar do seu preparo físico, o cansaço o venceu quando estava quase atingindo o pico da montanha. Escorregando, começou a cair muitos metros pela encosta, até que um dos ganchos que ele havia colocado para sua segurança o sustentou. Ali, ele ficou pendurado, bastante machucado, por horas seguidas, à espera de uma equipe de salvamento. Já era noite, e uma neblina intensa encobria a montanha. No desespero de salvar-se e sem saber em que altitude se encontrava, ele gritou aos céus pedindo socorro: “Deus, se você existe, me ajude agora”! Não obteve nenhuma resposta, e mais uma vez ele clamou: “Deus, para quem minha mãe tanto rezou, se você existe, me socorra”! Nesse instante, uma voz forte respondeu: “Você me chamou meu filho?” O alpinista desconfiado, porém muito assustado, perguntou: “Quem está falando?” “Você não me chamou? Eu existo sim, e estou aqui para ajudá-lo”, respondeu a voz em tom acolhedor. “Então Deus, ajude-me a sair desta situação, caso contrário morrerei” - o desespero já tinha tomado conta do alpinista, tão confiante das suas habilidades. “Você se lembra daquele presente que sua mãe lhe deu no seu último aniversário?” - perguntou Deus a ele. “Aquele canivete todo especial? Sim, está aqui comigo”. “Pois bem, disse Deus, pegue-o agora e corte esta corda que o segura. Pode confiar em mim”! Fez-se um grande silêncio, o alpinista pensou, pensou... No dia seguinte o encontraram morto, agarrado à corda a exatamente um metro, isso mesmo, a um metro de distância do chão. Ele não confiou em Deus, e você? ROSSI, Pe. Marcelo.Parábolas que transformam a vida. Curitiba: Novo rumo, 2003.p.12-13 “Compreendi que, acima de minha parca e mutável sabedoria, havia uma verdade eterna, imutável. Atentei, então, para o fato de que tal verdade é Deus.” (S. Agostinho) SCHNEIDERS, Amélia & CORREA, A. Avelino. De mãos dadas: educação religiosa. São Paulo, Scipione, 1997. – Amizade AMIGOS DE TODOS OS TIPOS AMIGO ÍMÃ - Carrega você para todos os passeios. AMIGO IRMÃO - Muitas vezes você acha que ele é até melhor que seu próprio irmão. AMIGO PARCEIRO - Sempre pronto para o que der e vier. AMIGO “VIAGEM NA MAIONESE” - Embarca junto com você em seus sonhos mais mirabolantes. AMIGO BARULHO - Quando sai, deixa um silêncio enorme… AMIGO BANQUEIRO - Sempre dá uma força você nas horas mais difíceis. AMIGO POPULAR - Você tem que agendar uma hora na lista de espera para falar com ele AMIGO PROTETOR - Defende você em situações difíceis. AMIGO ESOTÉRICO - Acredita que há “uma razão” para tudo. AMIGO OTIMISTA - Esse tem a solução para tudo. AMIGO CONSELHEIRO - Vive lhe dando conselhos, mesmo que você não queira. AMIGO ANTIGO - Para ser preservado. AMIGO NOVO - Para ser conquistado. AMIGO SÁBIO - Sabe quando falar e quando ficar quieto. AMIGO EXPERIENTE - Sempre sabe como desenrolar as coisas. AMIGO ANUAL - Você encontra uma vez por ano, e nota que o tempo não matou o sentimento de amizade… AMIGO MÃE - Sempre pronto a dar um colinho. Reconheceu seu amigo em algum tipo? Seja qual for, ter amigos é uma maravilhosa benção! Preserve sempre suas amizades! http://www.belasmensagens.com.br/amizade/amigos-de-todos-os-tipos-164.html Fundamental 8º ANO Estatutos para a escola Você e um grupo de colegas vão elaborar novos estatutos para a escola. Formem grupos de quatrocolegas. Cada membro do grupo escolhe um tema e escreve as normas. 1º Para o bom funcionamento do colégio e das classes (horário de entrada, de saída, de intervalo, pontualidade). 2º Para uso dos livros e objetos comuns da escola, da sala e da biblioteca. 3º Para comportar-se corretamente no recreio. 4º Para a conservação dos ambientes da escola. Normas para Faça um cartaz para ilustrar ou esclarecer a norma que você escreveu. Exponha as normas e os cartazes do grupo na escola. Como ter uma família feliz Desenhe ou cole uma foto de sua família. Escreva algumas atividades que cada membro de sua família realiza para o bem-estar e o conforto de todos. Pesquise sua história. Preencha os ramos da árvore com o nome de cada um dos seus antepassados, por parte de mãe e de pai. Como fazer bons amigos Pergunte a quatro colegas: Como você consegue fazer amigos? Por que você aceita essas pessoas como amigas? Como você sabe que essas pessoas são amigas? Você gosta do modo como essas pessoas são? Escreva as informações recolhidas. Formas de fazer amigos Por que se aceitam os amigos Como gostaria que eles fossem Formas de saber que são amigos Apresente seu resultado para o seu grupo. Comentem os critérios que vocês escolheram para estabelecer amizades. Anotem as conclusões a que o grupo chegou. Escreva em seu caderno as atitudes que tornam as pessoas bem amigas. perdoar-se ajudar-se mentir brigar insultar-se confiar mutuamente compartilhar objetos divertir-se trair a confiança respeitar-se colaborar ouvir uns aos outros Textos Complementares 1 – Família 1.1 - Relacionamento entre pais e filhos Redação do menino A professora pediu aos alunos que fizessem uma redação e nessa redação o que eles gostariam que Deus fizesse por eles. À noite, corrigindo as redações, ela se depara com uma que a deixa muito emocionada. O marido, nesse momento, acaba de entrar, a vê chorando e diz: “O que aconteceu?” Ela respondeu: “Leia”. Era a redação de um menino. “Senhor, esta noite te peço algo especial: me transforme em um televisor. Quero ocupar o seu lugar. Viver como vive a TV de minha casa. Ter um lugar especial para mim e reunir minha família ao redor. Ser levado a sério quando falo. Quero ser o centro das atenções e ser escutado sem interrupções nem questionamentos. Quero receber o mesmo cuidado especial que a TV recebe quando não funciona. E ter a companhia do meu pai quando ele chega em casa, mesmo que esteja cansado. E que minha mãe me procure quando estiver sozinha e aborrecida, em vez de ignorar-me. E ainda que meus irmãos "briguem" para estar comigo. Quero sentir que a minha família deixa tudo de lado, de vez em quando, para passar alguns momentos comigo. E, por fim, que eu possa divertir a todos. Senhor, não te peço muito... Só quero viver o que vive qualquer televisor!" Naquele momento, o marido da professora disse: "Meu Deus, coitado desse menino. Nossa, que coisa esses pais". E ele olha e diz: "Essa redação é do nosso filho". Autor Desconhecido http://www.bilibio.com.br/mensagem/841/Redacao+de+Menino.html Exercício individual Responda às questões abaixo e depois some um ponto para cada resposta afirmativa: Eu converso sempre com meus pais sim não Eu lhes falo sobre meus problemas sim não Regularmente, eu oro em favor do meu lar sim não A minha família é mais importante que meus amigos sim não Eu amo muito meus pais sim não Eu dou exemplo de cuidado e atenção com meus familiares sim não Total de pontos: Hoje Nas noites de verão, ou todas as noites, depois do jantar, o pai abandona a mesa. Ainda com a xícara de café na mão, ele se dirige à caixa quadrada. A deusa dos raios azulados espera o toque. Para emitir som e luz, imagem e movimento. Todos se ajeitam. O lugar principal é para o pai. Ninguém conversa. Não há o que falar. O pai não traz nada da rua, do dia-a-dia, do escritório. Os filhos não perguntam, estão proibidos de interromper. A mulher mergulha na telenovela, no filme. Todos sabem que não virá visita. E se vier alguma, vai chegar antes da telenovela. Conversas esparsas durante os comerciais. A sensação é que basta estar junto. Nada mais. Silenciosa, a família contempla a caixa azulada. Os olhos excitados, cabeças inflamadas. Recebendo, recebendo. Enquanto o corpo suportar, estarão ali. Depois, tocarão o botão e a deusa descansará. Então, as pessoas vão para as camas, deitam e sonham. Com as coisas vistas. Sempre vistas através da caixa. Nunca sentidas ou vividas. Imunizadas que estão contra a própria vida. Ignácio de Loyola Brandão TUFANO, Douglas. Estudos de língua portuguesa. São Paulo: Moderna, 1990. ATIVIDADES Responda Para responder às perguntas abaixo, considere o texto “Hoje” e o texto “Redação do menino” acima. Você e sua família costumam reunir-se para assistir à televisão? Você acha importante haver um momento para desligar a televisão e conversar? Comente. 1.2 - A importância da família na formação religiosa A importância da formação religiosa na família O núcleo familiar é o primeiro grupo social do qual participamos e recebemos, não somente herança genética ou material, mas principalmente moral. Nossa formação de caráter depende, fundamentalmente, do exemplo ou modelo familiar que temos na formação de nossa personalidade. O ensino religioso na família tem um papel importantíssimo na formação do indivíduo, ou melhor, na formação da pessoa como um todo. Vejamos alguns dos benefícios que o Ensino Religioso, pode produzir no indivíduo e na sociedade, seja este ensino católico, protestante, judaico, islâmico etc., desde que haja seriedade e coerência familiar: A Espiritualidade - A prática do culto doméstico (evangélicos), as novenas (católicos), o estudo da Torah (Judeus) dentre outras práticas domésticas do ensino religioso promovem a espiritualidade no lar. Vivemos em um mundo globalizado, onde a individualidade, o materialismo-consumista tem ocupado a primazia no ambiente familiar, portanto valores espirituais são importantes na vida familiar. A Moralidade - O comportamento moral tem tudo a ver com a conduta religiosa da família. O apelo à sensualidade é muito grande. Os jovens são instruídos pela mídia a usar a camisinha, em uma atitude amoral, pois toda a cristandade baseia-se no casamento como sendo uma manifestação da graça divina como propósito para o homem e mulher (fica isto bem definido em Gênesis, livro sagrado para católicos, protestantes e judeus). A Fraternidade - O amor fraternal é o fundamento religioso na maioria das religiões, sejam elas cristãs ou não-cristãs. A identidade de que todos partimos de uma mesma origem divina nos irmana. A Solidariedade - O princípio básico religioso é a questão do amor ao próximo e atendimento aos mais necessitados. A Intelectualidade - A leitura diária do livro sagrado (Bíblia Sagrada, A bíblia segundo Allan Kardec, Alcorão etc.), promove o ambiente de intelectualidade e interesse pelas diversas formas de leitura. A Musicalidade - A música é a linguagem universal, e que na realidade é um dos excelentes meios pela qual a religiosidade se expressa. Dizem que quem canta, ora duas vezes. A Sociabilidade - A prática de princípios litúrgicos, bem como o cumprimento das atividades eclesiásticas, promovem no religioso um maior desenvolvimento de expressão de liderança e facilidade de comunicação. A Prosperidade - A religiosidade sendo expressa na família estabelece princípios e objetivos do clã, oferecendo-lhe uma melhor forma de administração, bem como definição de objetivos. A Busca do Divino - O ensino religioso na família permite ao indivíduo a enxergar além deste momento imediato, mas levando-o a uma dimensão que somente o divino pode oferecer. A Humanidade - Nada torna mais o homem ser humano do que a sua própria religiosidade, e, paradoxalmente, nada torna o homem mais divino que a expressão desta religiosidade.Texto adaptado do site: http://www.mundodosfilosofos.com.br/vanderlei4.htm ATIVIDADES Comente Com base no texto, comente a afirmativa: "Instrui o menino no caminho que ele deve andar, que até quando envelhecer não se desviará dele". Prov.22:6 1.3 – Fraternidade As longas colheres Uma vez, num reino não muito distante daqui, havia um rei que era famoso tanto por sua majestade como por sua fantasia meio excêntrica. Um dia ele mandou anunciar por toda parte que daria a maior e mais bela festa de seu reino. Toda a corte e todos os amigos do rei foram convidados. Os convidados, vestidos nos mais ricos trajes, chegaram ao palácio, que resplandecia com todas as suas luzes. As apresentações transcorreram segundo o protocolo, e os espetáculos começaram: dançarinos de todos os países se sucediam a estranhos jogos e aos divertimentos mais refinados. Tudo, até o mínimo detalhe, era só esplendor. E todos os convidados admiravam fascinados e proclamavam a magnificência do rei. Entretanto, apesar de primorosa organização da festa, os convidados começaram a perceber que a arte da mesa não estava representada em parte alguma. Não se podia encontrar nada para aclamar a fome que todos sentiam mais duramente à medida que as horas passavam. Essa falta logo se tornou incontrolável. Jamais naquele palácio nem em todo o país aquilo havia acontecido. Os organizadores se esforçavam para que a festa atingisse o auge, oferecendo ao público uma profusão de músicos maravilhosos e excelentes dançarinos. Pouco a pouco o mal-estar dos espectadores se transformou numa surda, mas visível contrariedade. Ninguém, no entanto, ousava elevar a voz diante de um rei tão notável. Os cantos continuaram por horas e horas. Depois foram distribuídos presentes, mas nenhum deles era comestível. Finalmente, quando a situação se tornou insustentável, o rei convidou seus hóspedes a passarem para uma sala especial, onde uma refeição os aguardava. Ninguém se fez esperar. Todos, como um conjunto harmonioso, correram em direção ao delicioso aroma de uma sopa que estava num enorme caldeirão no centro da mesa. Os convidados quiseram servir-se, mas grande foi sua surpresa ao descobrirem, no caldeirão, enormes colheres de metal, com mais de um metro de comprimento. E nenhum prato, nenhuma tigela, nenhuma colher de formato mais acessível. Houve tentativas, mas só provocaram gritos de dor e decepção. Os cabos desmesurados não permitiam que o braço levasse à boca a beberagem suculenta, porque não se podiam segurar as escaldantes colheres a não ser por uma pequena haste de madeira em suas extremidades. Desesperados, todos tentavam comer, sem resultado. Até que um dos convidados, mais esperto ou mais esfaimado, encontrou a solução: sempre segurando a colher pela haste situada em sua extremidade, levou-s à boca de seu vizinho, que pôde comer à vontade. Todos o imitaram e se saciaram, compreendendo enfim que a única forma de alimentar-se, naquele palácio magnífico, era um servindo o outro. GRILLO, Nicia de Queiroz. Histórias da Tradição Sufi. Editora Dervish, 1993. 2 - Relacionamento com os amigos – Convivência A vidraça e os lençóis Um casal, recém-casado, mudou-se para um bairro muito tranqüilo. Na primeira manhã que passavam na casa, enquanto tomavam café, a mulher reparou através da janela em uma vizinha que pendurava lençóis no varal e comentou com o marido: - Que lençóis sujos ela está pendurando no varal! Está precisando de um sabão novo! Se eu tivesse intimidade perguntaria se ela quer que eu a ensine a lavar as roupas! O marido a tudo escutava, calado. Alguns dias depois, novamente, durante o café da manhã, a vizinha pendurava lençóis no varal e a mulher comentou com o marido: Nossa vizinha continua pendurando os lençóis sujos! Se eu tivesse intimidade, perguntaria se ela quer que eu a ensine a lavar as roupas! E assim, a cada dois ou três dias, a mulher repetia seu discurso, enquanto a vizinha pendurava suas roupas no varal. Passado um mês, a mulher se surpreendeu ao ver os lençóis muito brancos sendo estendidos e, toda empolgada, foi dizer ao marido: Veja, ela aprendeu a lavar as roupas! Será que a outra vizinha a ensinou? Porque eu não fiz nada! O marido calmamente respondeu: Não, hoje eu levantei mais cedo e lavei os vidros da nossa janela! Moral fatos. E assim é. Tudo depende da janela, através da qual observamos os Antes de condenar, verifique se você fez alguma coisa para contribuir; depois, verifique seus próprios defeitos e limitações. E, se necessitar, não se acanhe: lave sua vidraça. Você jamais será o único a ter de fazê-lo... Autor Desconhecido https://www.catequisar.com.br/mensagem/reflexoes/04/msn_91.ht m 2.4 - Meios de Comunicação e redes sociais A verdade na mídia Uma discussão muito atual diz respeito à verdade na mídia, isto é, nos meios de comunicação. As emissoras de tevê, os jornais, as revistas e as rádios estão nas mãos de grandes empresas de comunicação, que têm seus interesses econômicos e políticos e veiculam as notícias de acordo com esses interesses. A verdade jornalística fica, desse modo, sujeita à manipulação da informação. Pesquisadores da comunicação indicam que hoje há uma unanimidade das posições da mídia: todos os órgãos falam a mesma coisa, da mesma forma. Não há visões diferentes para que o leitor ou espectador forme uma opinião própria. Alguns fatos são omitidos, outros são contados pela metade, outros, ainda, são exagerados. Como reação a essa crise da mídia, vêm sendo criados, no mundo todo, sobretudo na internet, centros de mídia independente. Pretende-se com isso dar possibilidade ao público de conhecer o que se passa por trás da notícia, o que não aparece nos jornais de grande circulação e no noticiário da televisão. INCONTRI, Dori & BIGHETO, Alessando César. Todos os jeitos de crer. São Paulo: Ática, 2004. v. 4, p. 15-16. ATIVIDADES Responda Que contribuição a mídia poderia dar à sociedade? Ela consegue fazê-lo? 3 – A Fé 3.2 - Qualidade religiosa Loja de Deus Entrei numa loja e vi um senhor no balcão. Maravilhado com a beleza da loja, perguntei: Senhor, o que vendes aqui? Todos os dons de Deus. E custa muito? Voltei a perguntar. Não custa nada; aqui tudo é de graça! Contemplei a loja e vi que havia jarros de amor, vidros de fé, pacotes de esperança, caixinhas de salvação, muita saúde, fardos de perdão, pacotes de paz e muitos dons de Deus. Tomei coragem e pedi: Por favor, quero o maior jarro de amor de Deus, todos os fardos de perdão, um vidro grande de fé, muita saúde, esperança, bastante felicidade e salvação eterna para mim e toda minha família. Então o senhor preparou tudo e entregou-me um pequenino embrulho que cabia na palma da minha mão. Incrédulo disse: Mas como é possível estar tudo que pedi aqui? Sorrindo o senhor respondeu: Meu querido irmão, na loja de Deus não vendemos fruto, só sementes. Plante-as. Plante essas sementes, cultive no coração e distribua-as gratuitamente ao próximo. http://www.pauloangelim.com.br/20000822.html 3.3 - O valor da oração na religião Por que os Médicos Hoje Acreditam que a Fé Cura? Eles Estão Descobrindo as Evidências Clínicas Um grupo de alunos de medicina cerca um leito no Hospital Universitário de Georgetown. O paciente deitado na cama, Tom Long, fora esfaqueado no coração, estômago e baço durante uma briga. Depois de sete cirurgias, foi liberado do hospital com uma grande ferida no abdome coberta por um enxerto cutâneo. Decorrido um ano, a lesão ainda não tinha cicatrizado. Assim, em dezembro de 1999, ele voltou ao hospital para se submeter à operação que por fim lhe fechou o abdome. Long relata a sensação de ser uma das poucas pessoas a sobreviver a uma facada no coração. Uma aluna então pergunta com nervosismo: Onde encontrou forças? É uma boa pergunta - diz Long. Ele conta que deve a vida a algo mais do que excelentescuidados médicos que recebeu. Deve-a a Deus. Faz-se silêncio. Os alunos cuja atenção havia se dispersado durante o relato do histórico médico do paciente ficam alerta. Começam a surgir perguntas. A religião e a medicina têm uma relação inseparável - afirma a condutora da entrevista. - Vemos isso todos os dias. Mas não é apenas a religião organizada que dá força a alguns pacientes. Todo mundo tem espiritualidade – diz ela - É isso, basicamente, que dá sentido à vida. A ligação entre corpo e espírito pode ser milenar, mas, conforme a cura foi se tornando uma ciência, os clínicos ocidentais se afastaram da espiritualidade e da fé religiosa. Agora, as necessidades dos pacientes, combinadas às pesquisas científicas que relacionam fé e boa saúde, vêm pouco a pouco convertendo uma comunidade médica cética. Publicações científicas e livros abordam o assunto. Um número cada vez maior de médicos frequenta conferências sobre fé e cura. “Acho tudo isso parte de um retorno generalizado à espiritualidade”, diz Carol Hausmann, psicóloga clínica que há seis anos fundou a Rede de Cura Judaica de Washington. A organização mantém grupos de apoio espiritual para pessoas enfermas. Mesmo os médicos que incluem a espiritualidade em sua maleta aceitam a importância de usar a fé apenas como complemento à assistência médica e somente se o paciente estiver aberto a falar sobre suas crenças. Lydia Strohl. Reader’s Digest. Seleções. Agosto 2001. p. 43-47 ATIVIDADES Comente Você conhece algum caso em que a pessoa estava sem perspectiva de cura pelos médicos, mas que com sua fé ficou curado? SUGESTÕES DE FILMES Item 2.1 O Presente (1h52’) https://www.youtube.com/watch?v=HLJh9BywCxI Sinopse: Este filme conta a história de um jovem que tem uma relação difícil com seu avô. Ele tem um estilo de vida caro e vai herdar a fortuna da família quando seu avô morrer. Quando isso finalmente acontece, para colocar a mão no dinheiro, ele precisa cumprir algumas tarefas que o falecido deixou. Nessas tarefas, o herdeiro terá que aprender algumas coisas importantes e perceber que alguns valores irão seguir com ele para sempre, ensinando-o a valorizar coisas que antes não dava importância. Item 2.2 Wall.E (1h37’) Sinopse: Após entulhar a Terra de lixo e poluir a atmosfera com gases tóxicos, a humanidade deixou o planeta e passou a viver em uma gigantesca nave. O plano era que o retiro durasse alguns poucos anos, com robôs sendo deixados para limpar o planeta. Wall-E é o último destes robôs, que se mantém em funcionamento graças ao autoconserto de suas peças. Sua vida consiste em compactar o lixo existente no planeta, que forma torres maiores que arranha- céus, e colecionar objetos curiosos que encontra ao realizar seu trabalho. Até que um dia surge repentinamente uma nave, que traz um novo e moderno robô: Eva. A princípio curioso, Wall-E logo se apaixona pela recém-chegada. Item 2.3 Crônicas de Nárnia- O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa Sinopse: Lúcia (Georgie Henley), Susana (Anna Popplewell), Edmundo (Skandar Keynes) e Pedro (William Moseley) são quatro irmãos que vivem na Inglaterra, em plena 2ª Guerra Mundial. Eles vivem na propriedade rural de um professor misterioso, onde costumam brincar de esconde-esconde. Em uma de suas brincadeiras eles descobrem um guarda-roupa mágico, que leva quem o atravessa ao mundo mágico de Nárnia. Este novo mundo é habitado por seres estranhos, como centauros e gigantes, que já foi pacífico, mas hoje vive sob a maldição da Feiticeira Branca, Jadis (Tilda Swinton), que fez com que o local sempre estivesse em um pesado inverno. Sob a orientação do leão Aslam, que governa Nárnia, as crianças decidem ajudar na luta para libertar este mundo do domínio de Jadis. FUNDAMENTAL II - 9 º ano Texto 3: As religiões e seus líderes Um interesse comum no estudo das religiões é sua capacidade de reunir pessoas. Em todo o mundo são conhecidos admiradores de Moisés, Jesus, Buda, Maomé, entre outros. Verdadeiras multidões se formam para seguir o exemplo dos grandes líderes da humanidade. Graças ao gênio e à capacidade de percepção de Moisés, o povo judeu deixou o modo primitivo de culto à natureza no Egito para cultuar o monoteísmo baseado em leis de justiça social e de conduta ética. Moisés continua a ser um exemplo de moralidade social, de lei e de justiça não apenas entre os judeus, mas a inúmeros outros grupos, inclusive os sem filiação religiosa. Com a notícia de que ressuscitou dos mortos Jesus conseguiu um dos mais admiráveis feitos da humanidade: reunir um rebanho de seguidores estimado hoje em quase 2 bilhões de fiéis. Criado como um judeu comum, apesar da descendência com o rei Davi, Jesus frequentou a sinagoga local e o templo de Jerusalém. Ao iniciar seu ministério, com 30 anos, inova com seu principal ensinamento: o amor. O cristão deveria amar até mesmo os seus inimigos. Mais que renovação do judaísmo, é inegável que Jesus institui algo novo com sua mensagem. O príncipe Sidarta Gautama, o Buda, chama a atenção no seu exemplo de busca pela iluminação. Criado num palácio, protegido pelo pai a não conhecer o sofrimento do mundo, flagrou momentos de velhice, doença e morte nas vezes que saiu para passear com os empregados. Em busca de respostas abandona a família e torna-se um simples indiano. Pela meditação compreendeu a natureza real do sofrimento e como superá-lo. Ensina que a iluminação é alcançada pela própria pessoa, sem interlocutores. No caminho de busca do verdadeiro Deus, Maomé, ou Mohamed, como é chamado entre os islâmicos, foi visitado pelo anjo Gabriel e requisitado a escrever no Corão (ou Alcorão) as palavras mais vezes repetidas no mundo: “Alá é Deus e Maomé seu profeta”. Sua persistência levou-o a fundar o islamismo, religião que mais cresce no mundo, com um número de adeptos estimado em um quarto da população mundial (1,2 bilhão). Os líderes em geral são cada vez mais fundamentais na vida de um grupo. Um líder de sucesso consegue prever situações de risco para o grupo, planejar as ações mais adequadas para realização dos ideais coletivos, controlar as diferenças entre os membros, defender os interesses e a sobrevivência do grupo, preparar os membros para desempenho de suas funções, representar o grupo no sucesso e na crise, estimular os membros ao trabalho e renovar em tempos de mudança. ATIVIDADE Responda Por que Moisés pode ser considerado um grande líder da humanidade? Como Jesus conseguiu reunir multidões? Que descobertas fez o príncipe Sidarta Gautama tornar-se o Buda? Qual a história de sucesso do profeta Maomé? De que modo o líder é importante num grupo? http://alinemarcaledreligiosa.spaceblog.com.br/757044/AS-RELIGIOES-E- SEUS-LIDERES/ Para aprofundamento do tema texto complementar: Os amigos de Jesus – pág.95. Sugestão de filmes: A VIDA DE BUDA https://www.youtube.com/watch?v=8vN7UCK6WD8 ENSINAMENTOS DE BUDA https://www.youtube.com/watch?v=B5mqbNT3CNs O PROTESTANTISMO https://www.youtube.com/watch?v=Ax9SqTNV4Cg A HISTÓRIA DA BÍBLIA E DOS CRISTÃOS https://www.youtube.com/watch?v=jsQFd0G_uYQ ORIGEM DO JUDAÍSMO https://www.youtube.com/watch?v=kRzS7wMPYy0 ORIGEM DO CATOLICISMO https://www.youtube.com/watch?v=QOv72nlbetg HISTÓRIA DO ISLAMISMO https://www.youtube.com/watch?v=nZZ1DGkHnM0 AS ANTIGAS RELIGIÕES DO MEDITERRÂNEO https://www.youtube.com/watch?v=2o5SVFEpybk SÉRIE AS RELIGIOES DO MUNDO Moisés e a Ceia de Páscoa - As religiões do mundo https://www.youtube.com/watch?v=2UYgFhim5E0&list=PL8SSYf70- shgdUxkrCefnrTtttUhIpUhY A vida de Jesus https://www.youtube.com/watch?v=EP0AKATkDUw&index=2&list=PL8SSYf70- shgdUxkrCefnrTtttUhIpUhY A vida de Maomé https://www.youtube.com/watch?v=8ehgewzYHIU&index=3&list=PL8SSYf70- shgdUxkrCefnrTtttUhIpUhY O Ramayana https://www.youtube.com/watch?v=QWrYzO2yBOM&index=4&list=PL8SSYf70- shgdUxkrCefnrTtttUhIpUhY A infância de Krishna https://www.youtube.com/watch?v=wzKfB2X5m8E&list=PL8SSYf70-shgdUxkrCefnrTtttUhIpUhY&index=5 A vida de Buda https://www.youtube.com/watch?v=iCOj-gCynlY&list=PL8SSYf70- shgdUxkrCefnrTtttUhIpUhY&index=6 DIVERSIDADE RELIGIOSA https://www.youtube.com/watch?v=C6d6H-llZZk DIVERSIDADE RELIGIOSA E DIREITOS HUMANOS https://www.youtube.com/watch?v=QeTkdpcO2TY OS 10 MANDAMENTOS E MOISÉS (1h28’) https://www.youtube.com/watch?v=SgjJ9hOcBJs AS PARÁBOLAS DE JESUS (31’24’’) https://www.youtube.com/watch?v=c75pbNsHvNI AO LADO DE JESUS (1h19’) https://www.youtube.com/watch?v=1q0yUw1uVBE Exemplos de vida Aleijadinho, um Gênio da Arte, um Criador descrição feita do nosso maior artista barroco. Aos 47 Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, nasceu em 1730 em Minas Gerais, na cidade de Vila Rica, atual Ouro Preto. Morreu em 18 de novembro de 1814, com 84 anos. Sua contribuição para a arte sacra brasileira do período colonial é tida como uma das mais importantes. Baixo, gordo, cabeçudo, de testa larga, pardo, de lábios grossos e orelhas enormes. É essa a anos, Antônio Francisco foi atacado por uma doença, até hoje não diagnosticada, que deformou seus pés e mãos e inspirou o apelido: Aleijadinho. Impossibilitado de andar, o escultor era carregado às costas de escravos até a oficina. Então o cinzel era amarrado às suas mãos deformadas e ele trabalhava desesperadamente, em suas belíssimas esculturas, como quem sabia que seu fim se aproximava. Suas esculturas mais famosas são as estátuas criadas entre 1796 e 1799, que se encontram no Santuário de Bom Jesus de Matozinhos, em Congonhas do Campo (MG). Elas formam dois conjuntos: Os Passos da Paixão, esculpidas em madeira e Os doze profetas, esculpida em pedra-sabão. Aleijadinho foi vítima de discriminação e preconceito, principalmente por ser mulato, filho de uma escrava com um português. No século XVII, as confrarias forneciam as cartas de habilitação para que os artesãos pudessem exercer seu ofício. A seleção que as confrarias realizavam periodicamente discriminava os mulatos, pardos, mouros e judeus, privilegiando os brancos, chamados “puros”. A muito custo Aleijadinho conseguiu a habilitação de carpinteiro e iniciou sua arte. As mesmas confrarias, que antes o discriminavam, passaram a disputar seus trabalhos, agora feitos em pedra-sabão. Para Refletir Junte-se a alguns colegas para discutir sobre os tipos de discriminação e preconceitos que as pessoas podem sofrer no Brasil e no mundo nos dias atuais. Dom Bosco Padre João Bosco, viveu o século 19. Órfão de pai, mas bem orientado por sua mãe teve de buscar meios para estudar. Desde criança tinha facilidade de estar com crianças e adolescentes em brincadeiras e jogos. Foi sapateiro, ferreiro, carpinteiro e ainda em tempos livres estudava música. Conseguiu preparar-se e se tornou padre. Logo procurou crianças, adolescentes e jovens que vagavam pelas ruas sem ocupação. Criou o Oratório Festivo onde reunia os jovens para esporte, procurava ajudá-los no estudo e na orientação religiosa. Abriu escolas de alfabetização, artesanato, casas de hospedagem, campos de diversão para os jovens e locais para orientação profissional. Compunha músicas para eles cantarem, peças de teatro que eram apresentadas para todos. Tinha pensamentos que o guiavam em todo o seu trabalho: Basta que sejam jovens para que eu lhes queira todo o bem. “Prometi a Deus que até meu último suspiro seria para os jovens”. “O que somos é presente de Deus. No que nos transformamos é nosso presente a Ele.” “Procurem ganhar o coração dos jovens querendo-lhes todo o bem”. “A música dos jovens se escuta com o coração e não com os ouvidos. Criou uma comunidade de padres, irmãos e religiosas para continuarem seu trabalho de educação da juventude. Chamam-se salesianos. Ele mandou fundar o Colégio Santa Rosa em Niterói e o Liceu de Jesus em S. Paulo. Funcionam até hoje! Responda Escolha uma frase do Padre João Bosco e explique todo o seu sentido para nossa vida: Fidelidade ao ideal A vida do célebre médico alsaciano Albert Schweitzer, dedicada aos negros do Gabão, na África, é bem conhecida. Filho de um pastor protestante, ele próprio formou-se em teologia e estudou também música: aos 22 anos já era admirável organista, dando concertos nas catedrais da Europa com imenso sucesso. Estava noivo de uma encantadora jovem — Helene Breslau — e a vida acenava-lhe com risonho e brilhante futuro. Mas havia no seu íntimo o premente anseio de servir a Cristo nos pobres e desamparados. A leitura de um opúsculo das Missões Evangélicas descrevendo o completo abandono das tribos do Gabão teve influência decisiva em sua vida. Matriculou-se na Faculdade de Medicina, enquanto Helene seguia cursos de enfermagem. Oito anos depois, o casal partiu então para Lambarene, em plena selva africana. Os doentes de lepra, úlceras tropicais, malária, febre amarela, hérnias, acorriam às centenas para serem atendidos pelo Doutor e sua esposa. Fiel a seu ideal, Schweitzer morreu no seu posto, em 1965, aos 90 anos de idade. Escreveu numerosos livros, nos quais afirma sempre sua solidariedade humana: “Ai de nós, se nossa sensibilidade se embotar... O respeito à vida e a participação na vida dos outros — eis a grande aventura do mundo!” Lucia Jordão Vilela (Adaptado) Responda Procure num dicionário o que significa “ideal” e “ideologia”. Qual o seu ideal de vida? Explique o significado de “Ai de nós, se nossa sensibilidade se embo- tar... O respeito à vida e a participação na vida dos outros — eis a grande aventura do mundo!” Atividades Interdisciplinares Peça Teatral: Parábola do filho pródigo Etapas: Escolher a equipe que apresentará a peça. A escolha das personagens deverá ser espontânea, respeitando o gosto de cada um. P E R D Ã O Todos poderão ajudar nas tarefas a seguir. Formar as equipes de apoio: divulgação, sonoplastia, figurino, maquiagem, cenário, fotografia, ajudante geral. Pedir ao professor(a) de Português para auxiliá-los na adaptação do texto bíblico para uma peça teatral. Antes de cada apresentação, cabe uma breve explicação sobre o que foi estudado em classe e por que a peça foi feita (demonstrar a importância do perdão). As classes envolvidas no projeto poderão confeccionar um marcador de páginas, em cartolina, com um acróstico, para ser distribuído após a apresentação. TRADIÇÕES RELIGIOSAS TEXTOS SAGRADOS As tradições religiosas preservam seus ensinamentos e normas através de textos que são considerados sagrados. Atribui-se a eles uma origem divina através de um mensageiro, um iluminado ou um discípulo. Os textos são expressões da relação do humano com o divino. Neles há um forte apelo do Criador e das forças sobrenaturais para que o ser humano torne-se mais justo, compassivo, bom e santo. O leitor sabe que, ao acolher os ensinamentos dos textos sagrados, pode tornar-se perfeito ou aproximar-se da divindade, dando maior sentido à sua existência. Os livros sagrados revelam o desejo de transcendência presente nas culturas e povos das mais diferentes regiões do planeta nos diversos períodos da história. São exemplos de escrituras sagradas: o Torah do judaísmo; o Novo Testamento do cristianismo e o Alcorão dos muçulmanos. Há muitos textos e saberes sagrados difundidos pelo globo, mas estes são alguns dos mais conhecidos. TRADIÇÕES RELIGIOSAS 9 – História das Religiões e atualidade O fenômeno religioso é um fenômeno de caráter universal. Todas as sociedades manifestam alguma expressão religiosa. A religiosidade constitui-se num aspecto inerente ao ser humano. Por isso, muitas pessoas buscam, por meio da religião, respostas para suas perguntas existenciais mais profundas: quem sou? Por que estou aqui? Para onde vou? Qual é o sentido da vida? O que acontece depois da morte? A partir da busca por respostas a estas indagações, surgiram diversas religiões e filosofiasde vida e muitas outras ainda continuam sendo criadas.[1: Cf. BEZERRA, K. História geral das religiões, UNICAP, pp. 1-27. Disponível em http://www.unicap.br/observatorio2/wp-content/uploads/2011/10/HISTORIA-GERAL-DAS-RELIGIOES-karina-Bezerra.pdf. Acessado em 18/12/2014.] O indício mais antigo de prática relacionada à religião pelo homem é o sepultamento. A descoberta das ossadas revela que havia uma preocupação com a vida após a morte. Os detalhes descobertos nas sepulturas demonstram isso. Por exemplo, a posição em que o corpo é encontrado é cheia de significado. Ele é virado para o leste, desejando que o destino da alma seja solidário com o curso do Sol, ou seja, direcionado para a luz e na esperança de um renascimento. Também é posto em posição fetal, tendo a terra o simbolismo do útero. O homem do período Paleolítico deixou registrado em grutas e santuários explícitas formas de culto religioso, como pinturas e estatuetas. Já a criatividade do homem do Neolítico foi marcada pelo mistério do nascimento, da morte e do renascimento, baseado no ritmo da vegetação. As crises como secas e inundações, que põem a colheita em perigo, são traduzidas em dramas mitológicos. Neste período, a religião é centrada no culto à deusa, por causa da fecundidade e da fertilidade da mulher, ligada ao mistério da criação. Depois deste período, em suas grandes caminhadas, os homens vão criando vários grupos e várias culturas nas diversas direções que iam tomando ao longo do caminho. Assim, suas culturas e religiões, seus mitos, seus deuses e suas leis serão muito diferentes. Cada qual produto do seu contexto, do seu ambiente, com verdades que atendam aos seus anseios. Na África em geral, temos várias formas de manifestação religiosa. Na África Ocidental encontramos a religião dos iorubas, que predominou no Brasil. Para eles, no momento da morte, as componentes do ser humano retornam para os orixás, que as redistribuem através dos recém-nascidos. Na África Oriental, a maioria das pessoas fala línguas bantos. As religiões dos povos bantos têm características comuns, como a crença num deus criador, as divindades ativas que são os heróis e os ancestrais, consultados em seus santuários por médiuns em estado de transe. Todos os povos da África Oriental conhecem a iniciação pubertária e a maioria pratica a circuncisão e a clitoridectomia. Na África do Sul temos também povos bantos emigrados. Eles possuem vários mitos do equilíbrio dos contrários: do calor e da umidade, do fogo e da chuva. Na África Central vivem também grupos bantos, destacando-se os pigmeus da floresta tropical. Um desses grupos acredita que deus é o habitat, a mata. Atualmente, o continente africano abriga numerosos povos que falam mais de 800 línguas. E as fronteiras religiosas não acompanham o contorno das fronteiras linguísticas. Pois, hoje em dia basicamente “três religiões” dominam a África moderna. As religiões autóctones, o cristianismo e o islamismo. Na América, além das religiões dos povos indígenas no Brasil, tivemos as três grandes culturas religiosas dos Incas, Astecas e Maias. Um dos principais elementos da religião maia eram o sacrifício humano e de animais. Acreditava-se que o sangue era primordial para o funcionamento do universo. Os astecas também acreditavam nos sacrifícios humanos e que estes eram necessários para que o sol mantivesse seu curso. Os incas acreditavam que a terra era viva e fundida com a espiritualidade, animada pelos ancestrais. A fusão da geografia física e sagrada é evidente em Machu Pichu. No centro da cidade, o pilar entalhado em pedra conhecido como “Lugar do Sol” pode ter tido fins astronômicos, ou com o culto à montanha, pois está localizado em um ponto onde os picos sagrados estão alinhados com os pontos cardeais. Tinham um panteão de deuses. Bastante conhecida é a mitologia grega, rica em simbolismos e utilizada até nas ciências, como é o caso do “complexo de Édipo”, na psicanálise. Várias outras práticas e conselhos vêm até nós através de religiões e filosofias de vida. Por exemplo, os ensinamentos de Confúcio ou Kung-fu-Tzu (551 a.C. – 479 a.C) que ensinou um código social de comportamento rígido e completo, baseado nos costumes, que buscava manter a harmonia na sociedade. A virtude era dever de todos, e em especial dos governantes. Ele ensinou a “regra de prata” do “não faça aos outros o que você não quer que façam a você”. Também práticas de meditação do hinduísmo, do budismo e de outras correntes religiosas orientais têm influenciado bastante a busca por equilíbrio espiritual e harmonia de vida entre os ocidentais. Atualmente, com o desenvolvimento dos meios de comunicação e com a migração das práticas religiosas de um país ou de uma região geográfica para outra, o sincretismo e práticas de religiões estrangeiras se tornaram mais intenso e comum. Importante é não “importar” simplesmente ritos, práticas e linguagens sem aprofundar seu significado profundo e sua contextualização. Também essencial é que haja respeito e tolerância por todos os tipos de ritos, mitos e manifestações religiosas que possuem suas raízes em memórias e arquétipos culturais tradicionais. E o Ensino Religioso é o ambiente que precisa abordar com destreza, sabedoria, metodologia e didática tais tradições, a partir de seus símbolos e suas manifestações. Alguns fenômenos contemporâneos têm contribuído fortemente para uma nova configuração religiosa. Há uma verdadeira explosão de busca religiosa, de “espiritualidades”, que se manifesta em várias direções. Este fenômeno é chamado de “retorno do sagrado” ou “volta de Deus”. Essa atração nova pelo mistério e pelo sagrado desmentiu os prognósticos feitos no início do século XX. Pensava-se que a razão instrumental daria conta de toda a realidade humana. E não foi isso que aconteceu. As guerras, a crise da família, o isolamento do indivíduo nas sociedades desarticuladas, o aumento da poluição, o desnível gritante da distribuição de renda no planeta. Tudo isso contradisse os prognósticos feitos. Tal realidade reafirma que o transcendente é parte essencial do homem. Há nele esta dimensão sem a qual não se realiza de forma plena. Aliás, é o motor propulsor da sua existência. Sobretudo no Ocidente, hoje se verifica um “novo fermento religioso”, um “despertar da espiritualidade”, caracterizado pela justaposição de elementos vindos de tradições heterogêneas. Este fenômeno já se deu várias vezes na história, por causa do contato de diferentes culturas e da troca ou fusão de elementos e sistemas religiosos. É o que chamamos de sincretismo. Atualmente, principalmente elementos do budismo e do hinduísmo têm sido agregados às práticas religiosas ocidentais. O teólogo cristão Panikkar, de pai hindu, escreveu: “o budismo traz um complemento poderoso à religião do Livro e da Palavra”. Hoje se pode encontrar lugares de espiritualidade e grupos de pessoas que associam orações cristãs, meditação no espírito do zen e práticas de yoga. A espiritualidade caracteriza-se pela busca do emocional, desconfiança com relação às instituições eclesiásticas, tendência a agregar práticas de diversas religiões, busca da felicidade plena e secular, inclusive na saúde. Configura-se com o que se resolveu chamar “Nova Era” ou New Age. Afirmam que o divino está presente em todo homem. Na “era de Aquário”, as religiões tradicionais cederão lugar a uma espiritualidade que permita a todas as potencialidades humanas exprimir-se em perfeita harmonia com a ordem do universo. O risco disso tudo é uma mistura de elementos sem a necessária fundamentação. Corre-se o risco de ficar somente nos fenômenos e não enraizá-los coerentemente numa linha comum. Misturar psicanálise, religiões orientais, xamanismo, encontro com anjos e poder do tarô muitas vezes transforma a espiritualidade em produto de consumo ou algo meramente transitório e de certa forma imediatista. Só para vermos um exemplo, antes de agregar qualquer prática a um conjunto de manifestação religiosa, para se ter acesso ao budismo tibetano da “Clara Luz”, é precisoficar recluso por três anos, três meses e três dias. Em todas as religiões, a espiritualidade intensa só é acessível a preço de uma rigorosa e paciente disciplina.[2: Cf. DELUMEAU, J. opus cit., pp. 369-375.] Portanto, tal fenômeno religioso abriu algumas portas importantes, porém, deve ser visto sempre com o devido sempre crítico e com um posicionamento sensato, sempre aberto ao diálogo e sempre de forma aprofundada, a fim de se fazer uma leitura justa e promotora de vida neste âmbito. 10 – As diferentes religiões e os fenômenos religiosos Vamos nos ater aqui apenas às grandes tradições religiosas. O HINDUÍSMO O hinduísmo é um conjunto de concepções e práticas religiosas que têm a Índia por berço. O hinduísmo não tem fundador, nem credo comum, nem clero e nem uma instituição que defina a ortodoxia. É interpretado e ensinado por mestres espirituais (gurus), cada um à sua maneira. O hinduísmo é a principal religião da Índia, onde conta com mais de 600 milhões de adeptos. O sistema social hindu está baseado em regras e costumes que regem as relações entre os grupos sociais. O sistema de castas é um sistema hierárquico no qual os grupos sociais diferenciados carecem de igualdade e não têm os mesmos deveres, nem os mesmos direitos e privilégios. O Hinduísmo apresenta as seguintes características: respeito da antiguidade e da tradição; fé na autoridade dos livros sagrados; permanência do sistema de castas; confiança nos guias espirituais, os chamados gurus; crença em sucessivas reencarnações. Para ser hindu é necessário aceitar as escrituras védicas e participar, por nascimento, da estrutura social. Os hindus são politeístas, ou seja, acreditam em vários deuses. Os principais são: Brahma (representa a força criadora do universo); Ganesha (deus da sabedoria e da sorte); Matsya (aquele que salvou a espécie humana da destruição); Sarasvati (deusa das artes e da música); Shiva (deus supremo, criador da Ioga); Vishnu (responsável pela manutenção do universo). O BUDISMO O budismo não é só uma religião, mas também um sistema ético e filosófico, originário da Índia. Foi criado por Sidarta Gautama (563-483 a.C.), também conhecido como Buda, “o desperto”. Ele é considerado pelos seus seguidores como um guia espiritual e não como um deus. O início do budismo está ligado ao hinduísmo, religião na qual Buda é considerado a encarnação ou avatar de Vishnu. O Buda conservara do hinduísmo a crença no ciclo dos renascimentos, em função dos atos realizados em vidas anteriores, e a convicção de que o objetivo último dos seres humanos deve ser escapar às reencarnações. Segundo Buda, o nirvana, palavra que significa “extinção”, é uma espécie de repouso indescritível, comparável à situação de um candeeiro soprado pelo vento. O Budismo se caracteriza pela busca do equilíbrio entre a arte de viver e a renúncia. Esse caminho leva à serena tranquilidade e à paz. A doutrina budista consiste basicamente nas “quatro verdades sagradas”: a) A própria vida é sofrimento porque tudo é instável; b) a origem é a sede ou desejo, que provém da ignorância; c) o fim da dor - consequência do bom êxito, da santidade ou do ser digno – é, negativamente, nirvana e positivamente, felicidade; d) as vias sagradas para chegar ao ponto culminante que é o nirvana, são: conhecimento da verdade; intenção de resistir ao mal; não ofender aos outros; respeitar a vida; exercer um trabalho que não fira aos outros; lutar para libertar a mente do mal; controlar os sentimentos e os pensamentos; praticar as formas adequadas de concentração. A ética budista pode ser resumida numa moral dialética, ou seja, negativa: não matar (nem mesmo animal); não furtar; não tomar a mulher do próximo; não mentir; não tomar bebidas alcoólicas; e positiva: meditação sobre o sofrimento dos vivos; participar de suas dores e alegrias; a benevolência; a piedade; o perdão das ofensas e o sacrifício por outrem. O JUDAÍSMO O judaísmo é considerado a primeira religião monoteísta a aparecer na história. Tem como crença principal a existência de apenas um Deus, o criador de tudo. O judaísmo é a mais antiga das religiões abraâmicas. Tem Abraão como seu profeta, e Sarah como símbolo da mulher ideal. Tem na base de sua crença a vinda do Messias. O livro sagrado dos judeus é a Torá. O Talmude é o livro que reúne muitas tradições orais e é dividido em quatro livros: Mishnah, Targumin, Midrashim e Comentários. Os cultos judaicos são realizados num templo chamado sinagoga e são comandados por um sacerdote conhecido por rabino. O símbolo sagrado do judaísmo é o menorá, candelabro de sete braços. A maioria dos judeus está nos EUA e em Israel, nação criada para eles pela ONU em 1948. Além de formarem uma religião, formam também um grupo étnico historicamente muito unido entre si. Os judeus sofreram grandes períodos de perseguições. Na Idade Média, eram mal vistos por toda a parte e acusados de terem matado Jesus. No Renascimento, foi proibido que possuíssem terras; daí a conhecida tradição deles no comércio, única alternativa que lhes restou. A última grande perseguição foi a da Alemanha nazista, acabando com quase metade da população judia no mundo. Um grande movimento judeu é o sionismo: a volta dos judeus para Israel. Por não serem bem aceitos em outros países, essa ideia foi muito defendida. Com a criação do estado de Israel, houve uma imigração em massa, principalmente de judeus russos. No judaísmo, é permitido o álcool - desde que com moderação - e o tabaco é tolerado. O vinho deve vir de produtores judeus. Jogos de azar são desaconselhados. A circuncisão é tradição, devendo ser feita oito dias após o nascimento. O homem - aos 13 anos - passa pelo Bar Mitsvá, cerimônia de passagem para a vida adulta. A mulher tem o Bat Mitsvá, aos 12 anos e é função dela conhecer muito bem as regras alimentares. A família e o casamento são de suma importância para os judeus. O casamento é considerado o modo de vida ideal, próximo da Vontade de Deus. Judeus ortodoxos costumam se casar entre si apenas. O judaísmo tem uma concepção antropológica muito diferente da nossa concepção ocidental. Para os judeus, a memória de alguém é perpetuada através de seus filhos. Eles têm uma visão unitária de todas as coisas, ou seja, não concebem dualismos, como por exemplo entre corpo e alma, céu e terra, etc. O ISLAMISMO Os muçulmanos têm em Allah o seu Deus e em Maomé o seu profeta. Maomé não é um ser divino - como Jesus é para os Cristãos - mas sim um mensageiro de Allah. “Não há Deus senão Allah, e Maomé é seu profeta” é a frase que resume a máxima muçulmana. O Livro sagrado do Islamismo é o Corão (Al Corão), que reúne as revelações que o profeta Maomé recebeu do anjo Gabriel. Os cinco pilares da religião são, nessa ordem: o credo ou profissão de fé; a oração ritual; a caridade ou esmola legal; o jejum do Ramadã e a peregrinação a Meca, que deve ser feita pelo menos uma vez na vida por todo muçulmano que tiver condições financeiras e saúde para isso. Álcool, tabaco, drogas em geral e jogos de azar são totalmente proibidos. As mulheres devem vestir o “Chador” (véu), a partir da menarca até o fim da vida. O divórcio é permitido, ainda que Maomé tenha dito que “é a atividade legal menos preferida por Deus”. Apesar dessa diretriz, o índice de divórcio nos países de maioria muçulmana são os mais altos do mundo. Para os muçulmanos existem três locais sagrados: a cidade de Meca, onde fica a pedra negra, também conhecida como Caaba (que significa cubo de pedras); a cidade de Medina, local onde Maomé construiu a primeira Mesquita (templo religioso dos muçulmanos); e a cidade de Jerusalém, cidade onde o profeta subiu ao céu e foi ao paraíso. O CRISTIANISMO A religião cristã surgiu na região da atual Palestina no século I. O Cristianismo é a maior religião do mundo em número de fiéis, contando com cerca de 2,1 bilhões deles. Acredita em um só Deus - aquele que criou tudo e todos - embora a base da sua crença seja a figura de Jesus de Nazaré, o Salvador. Nasceu como uma seita do Judaísmo, que acreditavana vinda de um messias. Para muitos, então, o messias é Jesus. Os cristãos foram muito perseguidos durante o Império Romano e para continuarem com a prática religiosa usavam as catacumbas para encontros e realização de cultos. O livro sagrado dos cristãos é dividido em duas partes: Antigo e Novo Testamento. Ao longo do tempo, o Cristianismo se desenvolveu em múltiplas correntes. As mais expressivas são: O Catolicismo Romano: O Catolicismo Romano é a maior vertente do Cristianismo, abrangendo cerca de um bilhão de pessoas, quase metade dos Cristãos do mundo. Os cristãos católicos têm na figura do Papa o descendente de Pedro; tendo ele, portanto, o poder de decidir as leis da Igreja. Além de venerar Cristo e o próprio Deus, têm o costume de venerar e pedir graças a pessoas ditas “santas”; além de reverenciar suas imagens. O Protestantismo: A Igreja em si geralmente é vista como um caminho até Cristo, mas é Ele quem salva; é Ele a quem se deve reverenciar. A Igreja Protestante desmembrou-se em Calvinistas, Batistas, Anglicanos, Mórmons, Testemunhas de Jeová, entre outros. Igrejas Pentecostais e Neo-pentecostais: Pregam que o homem pode e deve buscar a felicidade na terra, mas sempre respeitando as leis e a Vontade de Deus. Veem outras religiões e pessoas que não creem como gente que necessita de iluminação. Por isso, têm por missão levar a Palavra de Deus a todos. O TAOÍSMO O taoismo é uma tradição filosófica e religiosa originária da China que enfatiza a vida em harmonia com o Tao (romanizado atualmente como "Dao"). O termo chinês tao significa "caminho", "via" ou "princípio", e também pode ser encontrado em outras filosofias e religiões chinesas. No taoismo, especificamente, o termo designa a fonte, a dinâmica e a força motriz por trás de tudo que existe. É, basicamente, indefinível: "O Tao do qual se pode discorrer não é o eterno Tao". A principal obra do taoismo é o Tao Te Ching, um livro conciso que contém os ensinamentos atribuídos a Lao Zi ou Lao Tzu. (chinês: 老子). Juntamente com os escritos de Zhuangzi, estes textos formam os alicerces filosóficos do taoismo. Este taoismo filosófico, individualista por natureza, não foi institucionalizado. Ao longo do tempo, no entanto, foram sendo criadas formas institucionalizadas do taoismo na forma de diferentes escolas que, frequentemente, misturaram crenças e práticas que antecediam até mesmo os textos-chave do taoismo - como, por exemplo, as teorias da Escola dos Naturalistas, que sintetizaram conceitos como o do yin-yang e o dos cinco elementos. As escolas taoistas tradicionalmente reverenciam Lao Zi e os "imortais" ou "ancestrais" e possuem diversos rituais de adivinhação e exorcismo, além de práticas que visam a atingir o êxtase e obter maior longevidade ou mesmo a imortalidade. As tradições e éticas taoistas, no geral, enfatizam a serenidade , a não ação (wu-wei), o vazio, a moderação dos desejos , a simplicidade , a espontaneidade, a contemplação da natureza e os Três Tesouros: compaixão, moderação e humildade. 11 – Manifestações religiosas No Brasil, há um sincretismo cultural-religioso, desde o início de sua colonização, fruto das diversas etnias e com elas suas manifestações religiosas. Ganhamos desta pluralidade cultural-religiosa as de influências indígenas e suas culturas, as europeias, surgiram as religiões de origem judaico-cristã (catolicismo-protestantismo-judaísmo), as africanas com suas variações de cultos e ritos. Surgem o Candomblé, a Umbanda e outras. Atualmente há uma influência oriental muito grande, com suas diversas vertentes. Na região Nordeste, algumas manifestações religiosas são a festa de Iemanjá e a lavagem das escadarias do Bonfim. A festa mais popular da região Norte é o Círio de Nazaré, em Belém do Pará. Também realizam a folia de reis e celebram as festas do Divino. Na região Sudeste as manifestações mais comuns são festa do divino, festejos da páscoa e dos santos padroeiros, congada, cavalhadas, bumba meu boi, dança de velhos, batuque, samba de lenço, festa de Iemanjá, folia de reis, caiapó. Na região Centro-Oeste festejam a cavalhada e o fogaréu. O Brasil é marcado por uma grande diversidade de religiões, assim como pela liberdade de escolha e pela tolerância. A maior parte da população é católica. Mas muitas outras religiões se manifestam por aqui. Mais recentemente, começou a se manifestar no país o espiritismo, e hoje o Brasil concentra o maior número de espíritas do Mundo. O protestantismo também possui muito espaço aqui, sendo a segunda religião em adeptos; caracteriza-se pela livre interpretação da Bíblia e pela grande variedade de denominações e grupos. Também estão muito presentes as religiões afro-brasileiras, formadas por religiões trazidas da África pelos escravos e também pelo sincretismo de religiões. O candomblé é um exemplo, com cultos, cantos e danças sobreviventes da África Ocidental. Há também a Umbanda, um misto de candomblé, com catolicismo e espiritismo. Existem ainda manifestações de muitas outras religiões, vindas dos mais diversos lugares do mundo, como o islamismo, o judaísmo, o neopaganismo ou o mormonismo. Com relação às diversas manifestações religiosas no Brasil, temos inúmeras práticas e caminhos próprios de cada religião. Por exemplo, é na meditação que os praticantes do budismo fortalecem a fé do espírito. Eles seguem os ensinamentos de Buda, referência maior da religião que prega a descoberta de si mesmo por meio da força do pensamento. Na Umbanda, as pessoas vão à busca de conselhos espirituais. As sessões, baseadas em rituais africanos e cercadas de misticismo, são coordenadas por um líder que, com o auxílio dos orixás, oferece ajuda para quem procura e precisa. Os judeus celebram anualmente a festa da Páscoa com um ritual próprio e rico de simbolismo, segundo antiga tradição, celebrando e fazendo memória da libertação do povo de Israel da escravidão do Egito, a Hagadá de Pêssach. 12 – Religiões no Brasil – A diversidade cultural e religiosa do Brasil A formação da sociedade brasileira traz em seu bojo o pluralismo, refletindo assim uma diversidade cultural vasta e rica, caracterizada pelas diferentes raças, culturas e religiões. Este pluralismo desperta para a necessidade do respeito ao diferente e para a busca do diálogo. Deste modo a cultura permite ao homem passar suas crenças fundamentais de geração a geração. Neste contexto, a religião está intimamente ligada à cultura, pois é por meio desta que o homem realiza a sua experiência com o Transcendente. Desta forma diversidade cultural e diversidade religiosa andam juntas.[3: CARDOSO C., ARAÚJO D., SANTOS S. A diversidade cultural presente no Ensino Religioso. PUCPR, p. 115. Disponível em http://www.pucpr.br/eventos/educere/educere2005/anaisEvento/documentos/painel/TCCI141.pdf Acessado em 16/12/2014.] Os fundamentos da tradição religiosa brasileira nasceram de diferentes culturas e religiões não pertencentes ao Brasil. Trata-se de um processo de contato entre culturas diferentes que desencadeia a mudança cultural, também conhecida como aculturação. No Brasil a aculturação religiosa foi introduzida pelas diversas etnias e é composta de religiões oriundas da África, pela presença dos escravos; da Europa, com os colonizadores portugueses e dos povos indígenas, entre outras tradições religiosas. Porém, em pleno Século XXI podemos ensaiar que já contamos com uma diversidade cultural religiosa própria, formada em solo nacional. Não resta dúvida que a nossa tradição religiosa tem em sua formação, no passado, as influências intercontinentais. Mas, atualmente já podemos contemplar uma tradição religiosa própria.[4: Ibid. p, 119.] Os documentos mais recentes que se referem às políticas nacionais, tais como a Constituição de 1988, a LDB 9394/96, os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental – Pluralidade Cultural de 1997, o Plano Nacional de Educação de 2001, as Conferências Nacionais de Educação de 2008 e 2010 e as Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para Educação Básica de 2010, apontamque na prática escolar é importante considerar a diversidade cultural presente na sociedade, como uma forma de viabilizar o multiculturalismo, criar espaço democrático e dar lugar ao encontro e a convivência respeitosa entre a multiplicidade de culturas existentes nesse contexto. A diversidade religiosa é um desses aspectos da diversidade cultural aportados pelos documentos oficiais e educacionais do Brasil, a qual deve ser trabalhada na educação básica, com vistas a formar cidadãos multiculturalistas e superar a discriminação, o preconceito, a exclusão e perseguição das religiões minoritárias presentes em nossa sociedade.[5: Cf. KADLUBITSKI, L. Diversidade e o Ensino Religioso, in II JOINTH (Jornada Interdisciplinar de Pesquisa em Teologia e Humanidades): Religião e Educação, PUCPR, 08/2012, pp. 29-34. Disponível em www2.pucpr.br/reol/index.php/2jointh?dd99=pdf&dd1=7436, acessado em 16/12/2014.] “Na sociedade brasileira, estão presentes inúmeras religiões, advindas justamente da diversidade cultural presente no Brasil. Como a religiosidade brasileira é bastante diversificada, ela se manifesta de múltiplas maneiras, de um lado como parte do modo de ser de muitos indivíduos ainda que não professem uma religião em especial e de outro, em decorrência das diferentes religiões praticadas. Entre esses, o cristianismo é o mais expressivo e o catolicismo é o mais numeroso, mas este vem reduzindo nas últimas décadas, devido principalmente, ao crescimento de evangélicos, sobretudo das correntes pentecostais e neopentecostais. Também no Brasil vêm crescendo o número dos que se identificam sem religião e do despontar de outras presenças religiosas que por vezes subsistiram de forma abafada. Neste contexto, ganha visibilidade os seguidores do espiritismo, as Religiões de matriz Africana como a da Umbanda e o Candomblé, religiões indígenas e outras”.[6: Ibid., p. 34.] Com a entrada de outros grupos como africanos, japoneses, árabes, entre outros grupos, o Brasil torna-se palco da diversidade cultural e religiosa. Dentro dessa perspectiva, os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Religioso de 1997 (PCNER) propõem para essa disciplina de Ensino Religioso, a valorização do pluralismo e a diversidade cultural presente na sociedade brasileira, facilitando a compreensão das formas que exprimem o Transcendente. Por isso necessita: propiciar o conhecimento dos elementos básicos que compõem o fenômeno religioso, a partir das experiências religiosas percebidas no contexto do educando; subsidiar o educando na formulação do questionamento existencial para dar sua resposta devidamente informada; analisar o papel das tradições religiosas na estruturação e manutenção das diferentes culturas e manifestações socioculturais; facilitar a compreensão do significado das afirmações e verdades de fé das tradições religiosas; refletir o sentido da atitude moral, como consequência do fenômeno religioso e expressão da consciência e da resposta pessoal e comunitária do ser humano; possibilitar esclarecimentos sobre o direito à diferença na construção de estruturas religiosas que têm na liberdade o seu valor inalienável.[7: Cf. ibid.] 13 – Religião e tradições indígenas Em relação à espiritualidade e religiosidade indígena, primeiramente é importante entender que suas religiões, de modo geral, são marcadas pela praticidade. Em várias nações indígenas a vida e a existência estão impregnadas de sentido do sagrado, tudo está ligado. “Tudo que move é sagrado”. O ser humano nasce puro e pode viver em plena comunhão com o Grande Espírito sem medo da condenação eterna ou do pecado original. Não há necessidade de religar-se, pois já está ligado à Mãe Vida, à Natureza, de modo que tudo o que nos foi dado pelo Grande Espírito é sagrado, e é dever de cada membro da comunidade viver em harmonia com toda a vida. Apesar de serem vistos pelo senso comum, impregnado por uma falsa concepção da realidade, como ingênuos, incapazes e primitivos, os povos indígenas conseguem preservar ou resgatar seus valores e seus referenciais na convivência com a sociedade atual. Há uma riqueza enorme de crenças, ritos e tradições que ajudam a preservar sua cultura. Desde a colonização, assegurar a identidade indígena não tem sido tarefa fácil para estes povos, pois sofreram influência impositiva de costumes e crenças da cultura branca. O Artigo 231 da Constituição Federal garante aos povos indígenas o direito a preservar e cultivar suas tradições. Resistência é a palavra exata para expressar a atitude indígena diante da ameaça dos povos brancos na tentativa de impor sua cultura. Vários povos indígenas foram dizimados no período da colonização. O objetivo era catequizá-los e convertê-los a fim de dominá-los. Dessa forma, muitos saberes, culturas e tradições se perderam para sempre ao longo do tempo. Mas, diversos povos conseguiram preservar suas tradições. Uma das formas de resistir e preservar foram a conservação e a prática das suas crenças e da religiosidade. Isso porque a religião indígena é muito vivencial, prática. O cotidiano indígena é impregnado de religiosidade e a religião é parte integrante da vida. O contato com a Mãe Terra permite a experiência harmoniosa e imediata do transcendente. A experiência do sagrado não é uma questão teórica ou uma filosofia; é algo inerente ao sentir humano e está sempre relacionada com os mitos. Os rituais ajudam a reviver os mitos e a invocar as divindades, os espíritos bons, a fim de combater os maus presságios e os espíritos maus, para que a paz e a harmonia sejam instauradas. Eles realizam esses rituais com danças, instrumentos típicos feitos com materiais da natureza, transes e uso de remédios feito de plantas e ervas medicinais e aromáticas. Há uma diversidade de crenças entre as várias tribos indígenas. O Transcendente é visto como um ser bondoso, intrínseco à natureza e que deseja a paz e o bem de todos. Acreditam em um mundo espiritual povoado pelos espíritos dos ancestrais, das florestas, das plantas, etc. O sol, a chuva, a lua, as estrelas e diversos outros elementos da natureza têm relevância mística para os indígenas. A sabedoria dos antepassados é passada de pai para filhos de forma oral. Lendas e mitos ajudam a transmitir a memória dos ancestrais. A ética religiosa indígena se baseia exatamente na honra e no respeito aos antepassados. Os mediadores entre as divindades (espíritos) e os membros da comunidade são os pajés, também chamados “xamãs”. Estes constituem os sacerdotes e médicos das tribos. Os ritos celebrados por eles têm sempre o objetivo de espantar os espíritos maus e invocar os espíritos bons para a cura e a manutenção da paz. Os pajés são a autoridade religiosa das aldeias. A religiosidade indígena é marcada por ritos, principalmente os de passagem. É o rito que fundamenta toda a realidade, define a organização da vida social e é fonte de memória e preservação da tradição e do conhecimento. Há rituais para celebrar o fim das estações da chuva ou seca, outros para comemorar a chegada das colheitas; há rituais de casamento e vitórias em guerras com outras tribos; há rituais para o nascimento e para a passagem do adolescente para a vida adulta. Como dissemos, os mitos resguardam a memória e a tradição e dão sentido e explicação ao presente. Os mitos falam geralmente da origem e transformação do universo, da vida, das outras nações indígenas, dos fenômenos de ordem espiritual ou sobrenatural que acontecem com as pessoas na aldeia. Contam como os homens aprenderam a cultivar a terra, a fabricar os instrumentos, qual a posição de sua sociedade tribal em relação às outras, quem instituiu as suas regras sociais e ritos religiosos, o que acontece com as pessoas depois da morte, etc. De modo geral, nas diversas nações indígenas, acredita-se que cada pessoa possui um espírito imortal. A ideia de espírito difere de um grupo para outro. Há comunidades que acreditam que não somente os seres humanos possuem espírito, mas todos os seres sejam animais, vegetais ou minerais. Algunsdividem a alma em duas forças, uma das quais permanece na terra em situação de perigo para os seres vivos e outra parte vai para o paraíso. Há povos que acreditam que o indivíduo, após a morte, torna-se outra vez jovem, vivendo mais uma vida em outro plano existencial. Morre novamente, transformando-se num pequeno inseto, formiga preta ou mosquito. Outros acreditam que o espírito ou alma tem uma parte sublime, de origem celeste e outra parte menos boa da alma que se desenvolve durante a existência do indivíduo. Para estes, a reencarnação só é possível para as almas das crianças que morreram. De modo geral, predomina a crença de que a morte é o corte abrupto da vida e início de outra vida repleta de alegrias. Por fim, merece atenção a relação que o índio tem com a terra. A terra é de todos, é a propriedade coletiva. A relação com a terra passa pela questão religiosa. A terra é o espaço de vida, lugar para se viver bem; ela é chamada de “Mãe Terra”. O índio sente-se acolhido pela Mãe Terra. Deus, “o Grande Espírito”, “o Grande Pai” ou “o Grande Avô” ordena e orienta para que se trate bem a natureza por que a vida de todos na comunidade depende dela. 14 – Os símbolos sagrados e suas funções Uma educação que é vida, parte da vida e volta-se para a vida com seu significado último. Nesse sentido, há de proporcionar ao ser humano os meios e oportunidades para o desenvolvimento de todas as suas potencialidades, entre as quais está o senso do simbólico. No universo simbólico redescobre, também, as razões de suas buscas, tendo como intermediários os símbolos, as imagens e os mitos. Para isso o estudo do simbolismo é oportuno, em colaboração com a estética literária, antropologia filosófica, a psicologia, levando-se em conta a história das religiões, da etnologia, do folclore, dos ritos e demais práticas religiosas da comunidade local, principalmente, daquelas realizadas pela família ou grupo a que pertencem os educandos e educandas.[8: Cf. FIGUEIREDO, A. P. opus cit., pp. 10-16.] São inúmeras as ocasiões, hoje, para redescoberta da importância de se trabalhar as diversas configurações simbólicas e o valor do símbolo tanto no desenvolvimento psicológico do ser humano, como na qualidade de sua experiência religiosa, como tendência natural, ou seja, como produções do inconsciente, como diz Jung: “pela via da chamada revelação ou intuição”. [9: JUNG, C, G. A energia psíquica. Petrópolis, Vozes, 6ª ed., 1997, p. 47.] O mesmo psicólogo admite que “a transformação da energia por meio do símbolo é um processo que vem se realizando desde os inícios da humanidade, e ainda continua. Os símbolos nunca foram inventados conscientemente”. Entende como símbolo aquelas representações que podem dar uma expressão equivalente à libido e assim canalizá-las para uma forma diferente do original. É desta forma que a mitologia nos oferece numerosos equivalentes deste gênero, dos objetos sagrados até a figura dos deuses. Assim, “os ritos com que se cercam os objetos sagrados frequentemente nos revelam, de modo bastante mais claro, a natureza como sendo um transformador de energia”. [10: Ibid, p. 46][11: Ibid., p. 46.] Psicólogos, teólogos, antropólogos, pedagogos, sociólogos, cientistas e historiadores da religião, filósofos e outros pesquisadores no assunto têm contribuído com diferentes teorias sobre a questão. Para Jung, o mecanismo psicológico que transforma a energia é o símbolo real e não o seu sinal. Teólogos, como FRANCISCO TABORDA, admitem que “o símbolo é também sinal”. Esclarece, no entanto, que o símbolo difere do sinal: “o símbolo é o sinal, cujo significante é transparente a outro significado que não o seu primeiro significado (...) na imediatidade de uma bandeira transparece o significado ‘pátria’; não é necessário refletir antes sobre as cores da bandeira, porque o símbolo precede qualquer hermenêutica”.[12: TABORDA, F. Sacramentos, Práxis e Festa. Petrópolis, Vozes, 1987, pp. 65-66.] Para Mirceia Eliade, “ As imagens, os símbolos e os mitos não são criações irresponsáveis da psique; elas respondem a uma necessidade e preenchem uma função: revelar as mais secretas modalidades do ser. Por isso seu estudo nos permite melhor conhecer o homem, o homem simplesmente”. Do ponto de vista da psicologia, os símbolos não podem ser construídos conscientemente, mas são originados do inconsciente, através da revelação ou intuição, do contato do ser humano com seu próprio inconsciente, para resolver uma questão vital pessoal. São produções espontâneas da psique, carregadas de energia, algo vivo que apoia, orienta e motiva o ser humano a buscar razões de ser e estar no mundo, em contínua relação com os demais. Não são fabricados, mas descobertos, identificados por seu significado.[13: ELIADE, Mircea. Imagens e Símbolos. São Paulo, Martins Fontes, 1991, pp. 8-9.] O ser humano necessita do mundo dos símbolos, assim como de um sistema de signos. Tanto sinal, como símbolo são necessários, mas não se confundem. O primeiro é um elemento de significação que representa algo conhecido. Nesse sentido “a língua é um sistema de signos e não de símbolos. O símbolo, por outro lado, é uma imagem ou representação que indica algo essencialmente desconhecido, um mistério. O signo veicula um significado abstrato e objetivo, ao passo que o símbolo um significado vivo, subjetivo. (...) Podemos dizer, portanto, que o signo é morto e o símbolo vivo”. [14: EDINGER, F. Edward. Ego e Arquétipo. Tradução de SOBRAL, Adail Ubirajara. S. Paulo, Cultrix, 1995, p. 158] Dourley compara concepções de Jung, como psicológico, e de Tillich, como teólogo, sobre a função do símbolo em “unir os níveis conscientes e inconscientes da psique - no afã de produzir uma consciência equilibrada e ampliada e um fluxo renovado de energia psíquica - como parte daquilo que o mesmo psicólogo chama de função transcendente”. Daí a sua ligação com o sagrado, de forma mais imediata, evidenciando a importância da função simbólica para o desenvolvimento do “ser religioso”.[15: DOURLEY, John P. A Psique como Sacramento. São Paulo, Paulinas, 1985, p. 66.] Os símbolos nascem da necessidade de equilíbrio pessoal em se tratando dos opostos, ou da superação do conflito, principalmente em relação às polaridades matéria e espírito, imanente e transcendente. O pensamento simbólico atende a qualquer desejo de superação do limite e se manifesta, também, como expressão da afetividade e da religiosidade. Dewey, como pedagogo, admite que esta experiência acontece independente de religião, mas pode precedê-la ou fortalecer as predisposições do ser humano para encaminhar-se a ela e realizar esta experiência também nela. Para facilitar a compreensão de uma possível distinção entre religioso que precede a religião e religioso dentro de uma religião, o autor de que tratamos procura emancipar “religioso” como adjetivo, de “religião” como substantivo. Este último termo normalmente portador de um significado atribuído. O que diz em se tratando do primeiro: “Toda atividade em favor de um objetivo ideal, contra obstáculos e a despeito de ameaças de prejuízo pessoal, por causa da certeza de seu valor geral e duradouro, é religiosa em qualidade”. Nesta proposição deixa clara a qualidade religiosa do ser humano como predisposição natural que pode ser desenvolvida e trabalhada dentro ou fora da religião. [16: DEWEY, John. A Fé Comum. Yale Universit Press, New Haven, 1931. Tradução de Rodolfo Lautner, Diamantina- MG, 1996, p. 27.] O ser humano é sujeito do desejo, dos sonhos, das aspirações, das angústias, historicamente condicionado a um mundo espiritual mais potente e aberto para acolhê-lo na sua fragilidade. Ao mesmo tempo é alguém dependente do tempo, do espaço, das circunstâncias, da matéria. Entre uma realidade e outra, busca respostas aos seus questionamentos existenciais; procura responder ao irrespondível. Assim o mito tem implicações de suma importância para a educação ao senso do simbólico e experiências religiosas que dessa decorrem, em se tratando da buscasentido ou das razões de viver. “O mito é a expressão simbólica, por imagens, de valores. Esta expressão é carregada de conotações afetivas, o que caracteriza o poder de sedução do mito. Este sintetiza, recorrendo ao símbolo, conteúdos que se referem às mais profundas aspirações do ser humano: sua sede de absoluto e de transcendência, sua deslumbrada busca de plenitude”. O pensamento mítico tem sido assunto de debates em várias áreas do saber, não apenas da psicologia do inconsciente, a partir das contribuições de Jung, mas sobretudo naquelas envolvidas na questão do modernismo e/ou pós-modernismo. Destaca-se o seu papel na mídia, nos meios de comunicação, no imaginário coletivo de diferentes povos, na política, na economia, nas ciências, no esporte e, principalmente, na religião.[17: CÉSAR, Constança Marcondes. Implicações contemporâneas do Mito. In. MORAIS, Regis (org.). As razões do Mito. Campinas –SP, Papirus, 1988, pp. 37-38.] Não é possível ir de encontro ao sentido da vida, sem conhecer o ser humano, condicionado a um mundo espiritual, impulsionado para além da história, agente de criações que implicam na atração do espírito pela matéria e vice-versa; enfim, no desejo de equilíbrio entre os opostos, das polaridades. A força que permite o equilíbrio, a superação da distância entre as polaridades está nas imagens, nos símbolos, nos mitos. Ainda que “moderno e livre para descartar as mitologias e as teologias, o ser humano continua a se alimentar de mitos decadentes e de imagens desgastadas”. Vive, ainda, imerso no simbolismo das imagens, das criações que retratam os arquétipos, não esgotados, mas aguçados pela ciência e pela técnica, quase sempre inspiradoras de novas formas de expressão, ou diante das quais se mantém numa condição de resistência.[18: ELIADE, M., opus cit., p. 15.] A compreensão da forma como se manifestam e desempenham a sua função no desenvolvimento da sensibilidade religiosa é papel da educação, através do Ensino Religioso. Exige-se para tanto que este seja trabalhado com metodologia adequada, tendo como pressuposto uma linguagem mediante a qual esse ensino estabeleça um diálogo com as diferentes áreas do conhecimento. Nessa condição, o Ensino Religioso Boa parte das religiões possuem símbolos que se tornam tradicionais entre seus fiéis. Apresentamos a seguir os símbolos das grandes religiões e seus significados para efeito de concurso. CRUZ (Cristianismo) O principal símbolo da religião cristã . Os romanos a utilizavam para executar criminosos. Por conta disso, ela nos remete ao sacrifício que Jesus Cristo ofereceu pelos pecados das pessoas. Símbolos semelhantes já apareciam em culturas pagãs, antes de Cristo. Ela só foi adotada pelos cristãos quando o imperador romano Constantino aboliu as condenações na cruz, no início do século 4. ESTRELA DE DAVI (Judaísmo) Duas pirâmides - uma apontando para cima e outra invertida - representam a união ou equilíbrio entre o céu e a terra. Diz-se que Davi, importante rei de Israel, mandava gravar o símbolo nos escudos de seu exército como amuleto de proteção. Quando este símbolo foi gerado, não sabemos ao certo, no entanto sabemos que este símbolo é geometricamente construído em forma de estrela com as duas letras Dálet que compunham o nome David (entrelaçando-as, e girando uma das letras em 180o. para que seu vértice se colocasse para baixo). Com o tempo, este símbolo tornou-se símbolo da nação de Israel e do povo judeu, estando presente na própria bandeira de Israel. LUA CRESCENTE COM ESTRELA (Islamismo) Este símbolo admite várias interpretações: para uns, é o casamento da lua com a Estrela D’Alva, fenômeno que ocorre em outubro com a “aproximação” aparente dos dois astros. A lua crescente com uma estrela também é o símbolo do Islã. Tal símbolo pode ser observado em branco na bandeira vermelha da Turquia, nesse país cerca de 99% da população pertence ao islamismo. Estudiosos supõem que, mesmo antes do islamismo, árabes nômades cultuavam a Lua por viajarem à noite. Quando o símbolo foi adotado na bandeira do islâmico império turco-otomano, passou a ser identificado com os muçulmanos. Mesmo assim, muitos fiéis negam a utilização de qualquer símbolo para representar a fé islâmica. OM (Hinduísmo) É o mantra mais importante do hinduísmo e outras religiões. Diz-se que ele contém o conhecimento dos Vedas e é considerado o corpo sonoro do Absoluto É a forma escrita, em sânscrito, do principal mantra hindu. Os mantras são palavras, poemas ou textos entoados durante a meditação para auxiliar na concentração e invocar divindades. Vários textos dos Vedas - as escrituras sagradas hinduístas - começam com Om - pronuncia-se Aum - e significa "aquilo que protege". DHARMACAKRA (Budismo) Conhecido como Roda do Dharma, o Dharmacakra é o símbolo do Budismo. Embora muitos não considerem o budismo como religião, a filosofia também carrega sua marca. O círculo de onde partem oito raios é conhecido como Roda do Dharma. Por sua vez, dharma são os ensinamentos de Buda para que se alcance a iluminação, entre eles o Nobre Caminho Óctuplo, com oito vias que levam ao fim do sofrimento. YIN-YANG (Taoísmo) De acordo com a filosofia tradicional Chinesa, Yin e Yang são os dois principios cósmicos primários do universo. Yin (Mandarin para lua) é o principio passivo, feminino. Yang (Mandarin para sol) é o principio ativo, masculino. De acordo com a lenda, o imperador Chinês Fu Hsi afirmou que o melhor estado para tudo no universo é o estado de harmonia representado pelo equilibrio entre yin e yang. Estudando as sombras projetadas pelo movimento do Sol, os chineses montaram um tipo de infográfico indicando a duração de dias e de noites ao longo do ano. Esse equilíbrio, fundamental para a agricultura, passou a representar a importância dos opostos e a presença de um dentro do outro - bolinha preta na parte branca, e vice-versa. O que tenho oferecido ao mundo Rosângela Trajano Exijo tantas coisas do mundo: respeito, dignidade, amor, compreensão, conhecimento... putzs! Se eu for fazer uma lista do que exijo do mundo vai ficar enorme. Mas o que tenho oferecido ao mundo? Nunca pensei nisso e nem sei se tenho resposta, porque sempre pensei que o mundo nunca precisasse de mim para alguma coisa ou será que precisa? O que posso oferecer ao mundo se nem sei o que oferecer a mim? Como faço para dá minha contribuição ao mundo? O que é o mundo? O que é oferecer? O que é exigir? Sei lá! Acho que é melhor voltar a estudar, pois amanhã tem prova. Exercícios para reflexão. 1) Depois de ler o texto como você se sente? 2) O que é oferecer para você? 3) Quando fazemos uma pergunta ao mundo estamos oferecendo alguma coisa para ele? Por quê? 4) No texto a autora faz algumas perguntas. O que pode surgir de uma pergunta? Explique. 5) Por que exigimos tantas coisas do mundo? 6) Existe um mundo dentro de nós. Qual seu mundo interior? 7) Você tem cuidado do seu mundo interior? 8) Se você pudesse escolher entre morar no seu mundo interior ou no nosso mundo qual você escolheria? Por quê? Não sei... Rosângela Trajano Não sei se quero Ou se não quero Se tem cheiro Ou se não tem Se é amargo Ou doce Não sei se gosto Ou se não gosto Não sei se sei Ou se não sei. 8º ano Exercícios para reflexão. 1) Elabore 5 indagações sobre escolhas que você precisa fazer na sua vida com base no poema acima. 2) Você é uma pessoa decidida ou indecisa? Por quê? 3) Por que temos tantas dificuldades em fazer escolhas? 4) O que as escolhas nos proporcionam? 5) Uma escolha errada pode modificar a nossa vida. O que você acha disso? 6) Seria justo não podermos fazer escolhas? 7) O que é melhor: matar aula ou dormir até mais tarde? E se pudéssemos escolher os dois como faríamos? 8) O meio em que vivemos influencia nas nossas escolhas? Anos finais 15 – Autoconhecimento De acordo com o imperativo socrático “Conhece-te a ti mesmo”, toda pessoa humana está fadadaa se confrontar consigo mesmo, se quiser aperfeiçoar o seu ser e entender o sentido de sua existência. O autoconhecimento é uma dimensão essencial na formação do cidadão. Ele está na base das relações humanas. Embora devamos pensar a educação firmada em valores humanos, políticos e éticos, tal dimensão pessoal é imprescindível para o todo da formação. Dentro dos aspectos antropológicos a serem abordados pelo Ensino Religioso, o autoconhecimento deve estar enfocado nas dimensões filosófica, psicológica e existencial. Segundo a teoria da evolução de Darwin, a adaptabilidade, exigida pela seleção natural, não corresponde à força ou à capacidade física para se manter vivo, mas sim se refere à capacidade de mudar, agir, prevalecer e reproduzir diante à todas as dificuldades apresentadas pelo meio e por suas mudanças. Portanto, o autoconhecimento nos auxilia em nossa capacidade de entendimento e adaptação às circunstâncias da existência. Segundo Gabriela Cabral, “O autoconhecimento, segundo a psicologia, significa o conhecimento de um indivíduo sobre si mesmo. A prática de se conhecer melhor faz com que uma pessoa tenha controle sobre suas emoções, independente de serem positivas ou não. Tal controle emocional provocado pelo autoconhecimento pode evitar sentimentos de baixa autoestima, inquietude, frustração, ansiedade, instabilidade emocional e outros, atuando como importante exercício de bem-estar e ocasionando resoluções produtivas e conscientes acerca de seus variados problemas. Toda pessoa possui o refúgio dos seus recursos pessoais, mas esse pode ser acionado de forma a não se desgastar se houver o controle das emoções ou ainda ser utilizado de forma a obter futura recomposição. Ela também consegue permanecer equilibrada em casos de fatores externos como críticas, perda de emprego, término de relacionamento e outros que vulneram o emocional. O conhecimento de si próprio não dá prioridade a opiniões ou respostas e sim estimula seus fatores positivos a detectar os negativos a fim de modificá-los favoravelmente. Pode-se buscar o autoconhecimento a partir da detecção dos defeitos e qualidades, sendo esses externos (corporais) e internos (emocionais). O equilíbrio entre os fatores internos e externos deve ser buscado para que não haja espaço para manipulação e fragilidade. Também pode haver reflexão de vida, analisando o comportamento obtido até então e as atitudes tomadas para que se consiga detectar maus atos e comportamentos, a fim de que não mais ocorram”.[19: Disponível em http://www.brasilescola.com/psicologia/autoconhecimento.htm. Acessado em 30/11/2014.] A aprendizagem integral depende, portanto, do desenvolvimento harmonioso de todos os canais de relação homem-mundo. Isto porque a aprendizagem – no sentido holístico – não objetiva apenas capacitar o indivíduo para entender o funcionamento do mundo e, com isso, resolver problemas de ordem prática postos no cotidiano do existir humano. O ato de aprender é fundamentalmente um processo de autoconhecimento em busca da realização plena do homem no sentido ético último. Ser feliz é celebrar a vida, é sentir-se em comunhão com todos os seres na experiência da vida e da morte. Na abordagem holística, a aprendizagem implica uma mudança de valores. A aprendizagem é uma conversão. A compreensão do universo só tem sentido ético se levar o homem a uma maior compreensão de si mesmo. A escola, mediante os desafios atuais, em seus aspectos sócio-culturais (banalização da vida, redução da felicidade à satisfação imediata, diversas formas de violência e degradação dos direitos humanos, destruição do meio ambiente, péssimas condições para uma vida digna para milhões de pessoas), sócio-político-econômicos (falta de iniciativa para a justa participação política e econômica da sociedade) e sócio-religioso-culturais deverá reencontrar seu papel diante deste quadro. Para tanto, as relações estabelecidas no ambiente escolar há de fazer emergir as coordenadas dialéticas da realização da pessoa humana, em quatro níveis: o da condição de ser alguém que digno de sua grandeza, procura construir sua identidade, o da condição de estar no mundo que necessita ser conhecido e transformado, gerando ciência, cultura, tecnologia, o da condição de ser alguém, em convivência com os demais, num aprendizado de crescimento mútuo pela dimensão da sociabilidade, o da condição de ser alguém que busca as razões de ser, que se pergunta sobre o significado de sua existência. 16 – De onde vim e para onde vou? Desde que a natureza se dobrou sobre si mesma e começou a refletir sobre o presente, o passado e o futuro, surgiu a consciência e apareceu o ser humano. Surge com ele, também, sua pergunta fundamental: o sentido da vida. Então, começa a se perguntar sobre o tempo, os limites da condição humana e as possibilidades de transcendê-los. Em todos os períodos da história, diversas tentativas de dar respostas a estas perguntas foram engendradas. E a religião, em suas diversas manifestações, através de mitos, lendas, ritos, símbolos, arquétipos, sempre contribuiu para direcionar o sentido último da existência. O ser humano é na essência um ser em relação. E, buscando sobreviver e dar significados para a sua existência, ao longo da história, vai construindo formas desse relacionamento, na tentativa sempre de superar sua provisoriedade, sua limitação, ou seja, sua finitude. Assim, questões fundamentais acompanham o ser humano ao longo da História: Quem sou eu? De onde vim? Para onde vou? Para que vivo? Essas indagações vão se complexificando cada vez mais num mundo moderno marcado pela industrialização, técnica, secularização, materialismo. O fato é que o ser humano sempre vai desenvolvendo novas formas de se relacionar e, perante suas indagações, constrói conhecimentos que lhe permitem interferir no meio e em si próprio. E, o conjunto dessas suas atividades e conhecimentos representa o ser humano dotado de outro nível de relações: a Transcendência. Assim, a hominização se constrói no relacionamento do homem consigo mesmo, com os outros, com o mundo e com o Transcendente (Deus). Em toda produção de cultura, desencadeada sempre pela tentativa de superação de suas limitações, está presente o religioso. Pode-se afirmar que cada cultura tem em sua estruturação e manutenção o substrato religioso que a caracteriza e o unifica à vida coletiva diante de seus desafios e conflitos. Logo, a Transcendência é companheira de toda busca de superar-se do ser humano. Daí poder-se dizer que o ser humano é essencialmente um ser religioso e que ao longo da existência quer entender e explicitar essa sua busca de Transcendência, o fenômeno religioso. O ser humano cresce, humaniza-se, na medida em que o sentido que confere a sua vida vai se aproximando do sentido que ela tem de si mesma, do Transcendente. O homem finito, inconcluso, tende a buscar fora de si respostas para o desconhecido. Como não se lhe aparecem respostas imediatas, prontas, acabadas, ele fica inseguro e procura soluções que venham apaziguar sua ansiedade. Daí a importância de se educar o que está na pessoa que busca o Transcendente, pois é na busca de respostas que transcendem os próprios limites que o ser humano procura reorientar o próprio pensamento sobre a vida e a sua finalidade. Esta é a raiz do fenômeno religioso: o somatório das variadas perguntas que surgem em determinado tempo, nas diferentes culturas religiosas que buscam o sentido da vida. O Ensino Religioso, como disciplina integrante do currículo escolar, tem como compromisso o estudo do desejo de transcendência dos educandos, das suas comunidades e da sua história. A religiosidade, nas suas diferentes expressões, é uma dimensão constitutiva do ser humano, já que, desde os primórdios constata-se a sua manifestação nas culturas, servindo de referência para as pessoas que buscam respostas. O fenômeno religioso, nesta perspectiva, é uma forma histórica que assume a capacidade de abertura ao Transcendente, inscrita na experiência de vida, e o Ensino Religioso oportunizao estudo das diferentes possibilidades e as razões pelas quais temos acesso à percepção do Transcendente. Então, é de suma importância informar e comunicar sobre as manifestações e símbolos das culturas religiosas no contexto em que elas estão inseridas. Este conhecimento aberto e não doutrinário, em meio a essa pluralidade, leva o educando a fazer relações consigo mesmo, com os outros e com o universo numa atitude de construção do próprio caminho. O fenômeno religioso, na perspectiva da pluralidade, não definitivo, precisa ser analisado a partir de inúmeras manifestações, para que se possa chegar a uma compreensão positiva e diversificada dos caminhos pelos quais o ser humano se orienta para o Transcendente. Enquanto histórico, o fenômeno religioso é base concreta do ser humano, adaptado às circunstâncias de determinado tempo em função da sobrevivência. Por isto, o discurso religioso deve estar sempre amarrado na experiência cotidiana das comunidades que fazem a história. Este ponto de vista dá importância fundamental à universalidade do fenômeno religioso – fato cultural indispensável à compreensão da vida humana. A dimensão cultural abrange as dimensões materiais, intelectuais e espirituais, e o fenômeno religioso vai se formando e transformando à base de uma contínua experiência histórica. A Escola, sendo um espaço de construção de conhecimentos e de socialização dos conhecimentos historicamente produzidos e acumulados, assume a tarefa de educar do ponto de vista religioso, colocando o conhecimento religioso à disposição de todos os que quiserem acessá-lo. A Metodologia do Ensino Religioso garante que todos os educandos tenham a possibilidade de estabelecer um diálogo aberto e permite que, na sala de aula, educador e educandos realizem intercâmbios, num respeito profundo à alteridade.[20: Cf. Fundamentos epistemológicos do Ensino Religioso, pp. 234-235. Disponível em http://www.sed.sc.gov.br/secretaria/documentos/doc_download/373-educacao-religiosa. Acessado em 18/12/2014.] 17 – O Eu em relação ao mundo A maneira como o homem percebe o mundo ao seu redor é muito interessante. O homem sempre está interagindo com coisas e pessoas ao seu redor, porém essa interação não é algo padronizado para todas as pessoas. Com relação às coisas com as quais ele interage, estas se lhe apresentam, na maioria das vezes, sob a condição de objeto. Por quê? O puro objeto é algo inexistente. Nenhum homem enxerga um objeto de forma pura, ou seja, o que ele realmente é. Sempre na interação do homem com o objeto, o objeto carregará algum significado diferente, sob circunstâncias diferentes. Uma caneta para uma pessoa não necessariamente é a mesma caneta para outra pessoa. Enquanto uma pessoa enxerga a caneta como um objeto onde é guardada tinta para que essa, ao contato de sua ponta, deixe essa tinta sobre uma folha de papel, outra pessoa pode enxergá-la simplesmente como um objeto comprido, com um formato um tanto quanto cilíndrico. Um mesmo objeto é visto de perspectivas diferentes por pessoas diferentes. Não só nesse sentido, mas também na história que um determinado objeto pode carregar. Portanto, na sua relação com o mundo das coisas, o ser humano é alguém capaz de apontar e de criar sentidos. Citemos um exemplo para compreendermos melhor. Um amigo de um homem lhe presenteou com um belo par de tênis. Para esse homem, logo nos dias que prosseguiram, quando este objeto fora avistado por ele, não lhe veio à mente apenas a relação de que aquilo é um tênis calçado para proteger os pés durante uma caminhada ou da chuva e um dia de frio, mas sim que aquele objeto é um presente de seu amigo. O tênis, nesse caso, está carregando uma história por trás de si mesmo e dificilmente ele será visto puramente como um objeto.[21: Cf. MARANHÃO M. Fenomenologia, “O homem e o mundo”, pp. 8-10. Disponível em http://www.trabalhosfeitos.com/ensaios/Fenomenologia/538372.html. Acessado em 18?12?2014.] É a partir da experiência cotidiana e da vivência diária, que desenvolvemos todas nossas atividades, e evidenciamos o quanto estamos implicados no mundo, situados no tempo e no espaço, e precisamos do mundo para saber onde estamos e quem somos. O mundo é o conjunto de relações na qual a pessoa existe; sendo assim, temos os mundos: circundante, humano, e próprio. O mundo circundante logo se denomina pelo relacionamento da pessoa com o ambiente, pelas situações vividas, os elementos desse mundo (natureza, animais, clima, estações do ano, entre outros), e as necessidades do corpo. É caracterizado pelo determinismo, e a adaptação é o modo mais apropriado para se relacionar com o mundo. O mundo humano sem a ver com a convivência das pessoas com seu semelhante. Temos a capacidade de nos compreendermos por sermos semelhantes, embora cada um apresente algumas diferenças ao perceber e compreender situações. O ser humano possui potencialidade própria, tendo consciência de si e do mundo, porque nossa existência consiste em ser-no-mundo. E o mundo próprio consiste na nossa relação consigo mesmo, no nosso ser-si-mesmo, na consciência de si e no autoconhecimento. À medida que vou descobrindo quem sou é que tomo consciência de mim. Eu comigo são meus próprios pensamentos, sentimentos, sensações e comportamentos, e minhas reflexões sobre minhas atitudes. Eu compreendo o meu existir com um sentimento pré-reflexivo que posso identificar se estou preocupado, tranquilo, com bem ou mal estar, em relação a mim e ao mundo que me cerca. No decorrer de nossa vida refletimos a respeito da nossa vivência cotidiana, levantando hipóteses e chegando a algumas conclusões a respeito dela e do nosso existir no mundo. A partir de sua vivência no mundo o ser humano faz suas escolhas, de acordo com a sua realidade. A existência é uma abertura da percepção e compreensão, é a condição da liberdade humana. A compreensão deve estar de acordo com a realidade; ao escolhermos contamos com nossa abertura à compreensão que estamos diante de possibilidades, que exige uma responsabilidade de assumir o risco da imprevisibilidade de consequências boas e ruins. A vivência que mais se encontra próxima do nosso existir consiste em experienciar o tempo (temporalizar). O fundamento básico da existência humana é a temporalidade, que constitui o sentido originário do existir. No existir de nosso cotidiano, vivenciamos o tempo como uma totalidade, que consiste em um presente perene, tanto do já acontecido como do que esperamos que venha acontecer. A vivência de sintonia e contentamento expande o meu temporalizar enquanto a preocupação e contrariedade o restringem. O ser humano se encontra concretamente num determinado lugar, tem compreensão do seu existir no mundo, o nosso espacializar é passível de expansividade, que ultrapassa limites do corpo e do ambiente, pois podemos estar em um lugar cheio de pessoas, mas se sentindo como se não houvesse ninguém ali. Espacializar é o modo como vivenciamos o espaço em nossa existência.[22: Cf. LORRAYNE, S. Características básicas do existir. PUG: 2014, pp. 2-5. Disponível em http://www.trabalhosfeitos.com/ensaios/Caracter%C3%ADsticas-B%C3%A1sicas-Do-Existir-Psicologia-Da/48892755.html. Acessado em 18/12/2014.] Diante do seu estar no mundo, o ser humano busca sentido para a sua existência. É na relação consigo mesmo, na relação com o mundo, na relação com o outro e na relação com o transcendente que ele vai construindo sua identidade. O Ensino Religioso ajuda a trabalhar as relações pessoais e interpessoais, no sentido de possibilitar escolhas e atitudes que possam levar a uma realização mais plena do educando. E este será tanto mais livre quanto mais parâmetros tiver para julgar por si só suas atitudes e escolhas e as consequências delas. 18 – Relações interpessoais A pessoa humana encontra-se impulsionada a se relacionar com o próximo, na integração de sua singularidade pessoal com a pluralidade da família humana. Isso significa conceber o homem como um ser de relação, isto é, como pessoa (liberdade que se doa e se recebe).A visão do homem como pessoa não é derivada da filosofia grega, para quem o homem é fundamentalmente espírito (o corpo, como realidade individualizante, é experimentado como limitação e decadência para o espírito humano). A antropologia personalista tem como pano de fundo a experiência dialógica na relação do homem com o mundo, com seus semelhantes e com o transcendente, quando este se percebe como chamado a ser colaborador e interlocutor na construção da existência e da história. A dignidade do homem está na capacidade de relacionar-se de forma saudável com tudo e todos que o cercam e com sua dimensão espiritual transcendente. O conceito clássico de pessoa, expresso por Boécio como “substância individual de natureza racional" é uma visão estática que obscurece a dimensão relacional do homem. Já Duns Scoto vai dizer que o homem é ek-sistência, existe a partir de outro e na relação com ele; pessoa como relação com transcendente. Apontamos a seguir ois aspectos básicos do conceito clássico de pessoa que nos ajudam a compreender melhor tal categoria: o caráter único e irrepetível de toda pessoa singular e sua abertura ao horizonte ilimitado em virtude de sua natureza transcendente. Para completar a visão clássica, a antropologia moderna chega ressaltando o caráter dinâmico, histórico e funcional do ser pessoal. A pessoa é vista como intersubjetividade. A intersubjetividade é característica do viver humano. Reflete a interação de dois sujeitos como sujeitos. "Eu mesmo, a partir da minha subjetividade, conheço o outro e sou conhecido pelo outro, a partir da subjetividade dele". O outro equivale também a um mediador, que me permite descobrir a mim mesmo como sou constitutivamente, posto que o caminho da interioridade passa pelo outro. O homem, diz Sartre, "é um ser que implica o ser do outro em seu ser", um "ser-para-o-outro" (O Ser e o Nada). Afirmam os personalistas (Mounier, Buber) que a intersubjetividade precede à subjetividade; apenas no âmbito do "nós" pode surgir um autêntico "eu" e "tu". Como, então, relacionar liberdade e intersubjetividade? No pensamento de Sartre, o outro é aquele que me vê, e o fazendo, faz-me objeto de seu olhar, domina-me, limita-me. A intersubjetividade geraria, assim, a negação, não havendo relação sujeito-sujeito, e sim, sujeito-objeto. Resolvemos esta aporia afirmando que o encontro de duas liberdades só é possível mediante a irrupção de um terceiro, uma coisa, um projeto, outra pessoa, o transcendente. A relação harmoniosa entre dois sujeitos acontece pela convergência de dois olhares para uma mesma realidade. Em outras palavras, pelo reconhecimento da finitude e limitação mútuas e orientação de ambos para uma meta comum. Na ótica do individualismo, a comunidade se estabelece via acordo ou contrato entre partes individuais. Sendo a dignidade da pessoa o bem supremo, tudo o mais se torna secundário. Na teoria do coletivismo, a comunidade como um todo é anterior às partes. O bem-comum situa-se acima da felicidade individual. Urge, no entanto, dialetizar ambas as ideias. Pessoa e comunidade não existem sem a outra. O indivíduo, por mais autônomo que seja, é um ser de comunidade. A identidade do "eu" mediatiza-se apenas socialmente, através de "outros significativos". A consciência de mim mesmo como ser livre requer a interpelação dos outros. Por outro lado, não há comunidade sem reconhecimento livre. Mesmo se uma tendência “natural” à vida em comum – p.ex. a atração sexual entre homem e mulher – está na origem duma comunidade, contudo esta somente se torna humana pela livre aceitação. Casamento, p.ex., não é o mesmo que acasalamento. Ou seja, entre pessoa e sociedade ou comunidade há uma dialética: a pessoa só é de fato o que o conceito designa na medida em que ela se transcende na direção da comunidade, na autodoação, no serviço, na cooperação. E a comunidade somente é uma autêntica comunidade humana - e não uma máquina anônima e despersonalizante - na medida em que tem na liberdade dos indivíduos a substância sustentadora e o fim a ser concretizado. 19 – Concepção de ser humano Existe um dado fundamental: experimentamo-nos a nós mesmos como unidade, ainda que com uma pluralidade de aspectos irredutíveis entre si. A diversificação é posterior à unidade. Psiquismo e corporeidade vão juntos. Em sua totalidade, o homem é espiritual e corporal. No homem só existe um espírito corporalizado e um corpo espiritualizado. Espírito traduz a capacidade do homem em constituir unidade na diversidade, de comungar com o diferente e não perder a própria identidade. Corpo é o próprio espírito se realizando num determinado espaço e tempo dentro do mundo. O corpo revela o homem inteiro para fora dele mesmo. É o espírito mesmo em sua encarnação, a visibilização do espírito. A corporeidade não é uma propriedade do ser humano, e sim, a sua identidade mesma. Como personalidade corpóreo-espiritual, o ser humano é o único ser na ordem do mundo que e-xiste. Embora sejam, os objetos não existem. Existir traduz a capacidade do ser de sair de si e regressar a si (reflexão) e de objetivar e distanciar-se do mundo. O ser humano se define, pois, não tanto por aquilo que recebeu, mas por aquilo que se tornou e assumiu de forma consciente e responsável. Hoje é inaceitável a noção de alma como "substância espiritual". Teologicamente, a "alma" equivaleria ao ser do homem enquanto resultado do convite do Transcendente à participação de sua vida. Dizer "espírito" é dizer que Transcendente faz algo do homem: torna-o seu interlocutor. Espírito: é o corpo como transcendência. Somos, com efeito, uma unidade vital. Não abstrata e estática, mas concreta e dinâmica. A famosa trilogia corpo-mente-espírito adquire, nessa perspectiva unitária, um trato bem novo. De componentes estruturais, passam a designar modalidades de expressão e realização do ser uno no espaço-tempo e para além do tempo. Dizer corpo é retratar o movimento de exteriorização do ser, a partir do qual o eu humano se autocomunica e se expressa no mundo circundante, estabelecendo com ele múltiplas relações. Dizer mente significa evocar o movimento de interiorização do ser, em que o eu humano cresce em identidade, auto-afirmando-se e auto-reconhecendo-se como consciência e liberdade. A dinâmica do espírito, por sua vez, traduz a transcendentalidade do ser humano, quando o eu se percebe tencionado para um futuro em aberto, chamado a viver na liberdade do outro e do "Totalmente Outro". A propósito da transcendentalidade espiritual do homem, L. Boff lega-nos o belíssimo comentário: "Todas as ciências verificam o fenômeno: o homem é um ser aberto à totalidade da realidade. Ele é abertura. Para quem e para que está aberto? Para o mundo? Mas ele se mostra maior que o mundo; modifica-o constantemente em paisagem humana e fraterna; ele não é a resposta adequada ao seu perguntar. Para a cultura? Mas ele cria sempre novas e as utopias constituem o fermento permanente da contestação criadora. A abertura do homem se orienta para um vis-à-vis, para uma meta que lhe seja correspondente. A linguagem cunhou a palavra Deus [Transcendente] para significar a meta total e absoluta da busca insaciável do homem. Deus [Transcendente], nesse sentido, possui um significado antropológico imponderável".[23: Cf. BOFF, L. “A personalidade como unidade de dimensões plurais”..., in: Ressurreição de Cristo. A nossa ressurreição na morte. 7ª.ed. Vozes, 1986. p.81-91.] Exteriorização, interiorização e transcendência: eis a dialética existencial permanente da liberdade humana. Nessa dinâmica insuperável nos movemos e somos. Crescemos em interioridade psíquica na medida em que nos relacionamos corporalmente com o mundo exterior, acolhendo e superando a diferença do outro no elã integrador espiritual do Amor. O homem participa da evolução. A matéria leva ao espírito que, por sua vez, a transcende. Mas transcende-a incluindo-a. A plenificação do homem é um crescendo que integra tanto sua corporeidade quanto seu psiquismo espiritual. A evolução se regepela convergência do distinto à unidade no Amor. 20 – Religiosidade como fenômeno próprio da vida humana A vida do ser humano tem como característica superar as limitações e necessidades de sua própria condição de ser humano. É um ser que está sempre em busca. É o único na ordem da existência que deve “construir-se” ao longo da vida. É um ser de desejos e metas. A experiência do sagrado capacita o ser humano para superar as incertezas, a realidade fragmentada, entender os seus limites e transcender à sua finitude. Quando o ser humano faz a experiência do mistério descobre a força da transcendência e do sentido da vida. Em contato com o sagrado, experimenta o maravilhoso. O sagrado é uma dimensão da vida humana que se manifesta em circunstâncias especiais, “quebrando” a rotina do cotidiano e da dura realidade. A própria etimologia da palavra já nos diz do seu significado: “aquilo ou aquele que é separado, que é reservado”. Várias linguagens são utilizadas para expressar a experiência do sagrado. Dentre elas, as mais consistentes e plenificadoras são os mitos, os ritos e os símbolos. Através dessas linguagens o ser humano busca preencher o significado de sua existência.[24: Cf. DA SILVA, Y. G. Fenômeno Religioso: uma busca pela verdade, pp. 1-9. Acessível em http://seer.ucg.br/index.php/fragmentos/article/viewFile/2550/1583 Acessado em 18/12/2014.] O símbolo nos remete à ideia que ele representa. Torna forte a presença do seu significado. No símbolo, há uma multiplicidade de sentidos, mas que sempre levam a uma experiência unificadora. Coisas concretas de nosso mundo fenomênico são (ou podem ser) transformadas ou constituídas em símbolos. Há uma transignificação em relação ao objeto natural. Vimos acima que o ser humano é um ser fundamentalmente simbólico. Vive cercado de símbolos e constrói símbolos o tempo todo. E no campo do sagrado, tal linguagem é primordial. Outra linguagem importante no campo religioso-sagrado é a do mito. “O mito conta uma história sagrada; ele relata um acontecimento ocorrido no tempo primordial, o tempo fabuloso do ‘princípio’. Em outros termos, o mito narra como, graças às façanhas do Entes Sobrenaturais, uma realidade passou a existir, seja uma realidade total, o Cosmo, ou apenas um fragmento: uma ilha, uma espécie vegetal, um comportamento humano, uma instituição. É sempre, portanto, a narrativa de uma ‘criação’: ele relata de que modo algo foi produzido e começou a ser. O mito fala apenas do que realmente ocorreu, do que se manifestou plenamente. Os personagens dos mitos são os Entes Sobrenaturais. Eles são conhecidos sobretudo pelo que fizeram no tempo prestigioso dos ‘primórdios’. Os mitos revelam, portanto, sua atividade criadora e desvendam a sacralidade (ou simplesmente a ‘sobrenaturalidade’) de suas obras. Em suma, os mitos descrevem as diversas, e algumas vezes dramáticas, irrupções do sagrado (ou do ‘sobrenatural’) no Mundo”.[25: ELIADE, M. O sagrado e o profano. São Paulo: Martins Fontes, 1992, p. 11.] Mito é sempre relato de uma história verdadeira com referência aos tempos primordiais. É a narrativa de uma criação, de algo que não era e passou a ser, a existir. Renova experiências passadas através de novas experiências. O ser humano estrutura sua religiosidade na crença dos mitos que são repassados de geração em geração fazendo com que algo ou situação vivida no passado faça sentido ou sirva de orientação para uma experiência no presente. O mito é uma narrativa passada de geração em geração contada coletivamente como bases que servem de estruturas para o entendimento da realidade. Embora ocorrido em tempos passados, dão sentido à história atual. O mito tenta explicar o mundo, tenta explicar os fenômenos, a origem de todas as coisas, os mistérios e a manifestação do sobrenatural na vida humana. O mito possui uma relação com o rito. O rito é uma maneira de colocar em ação o mito na vida do homem através de cerimônias (casamentos, batizados), danças, orações, sacrifícios, celebrações, cultos e outros. São atividades organizadas e se repetem através de palavras, gestos e comportamentos que permitem um significado ao ritual. O rito reproduz algo com certa invariabilidade. Aliás, esta é a sua função. A repetição representa exatamente a sua eficácia. Trata-se de uma cerimônia que não tem outra justificação senão a de repetir exatamente o que se fazia outrora. Pode-se concluir que o rito é o momento em que o símbolo e o mito são revelados em gestos. A mensagem divina contida nos mitos é expressada por meio dos ritos. “Ao lado dos símbolos como a linguagem fundamental da experiência religiosa (imagem) e dos mitos como a expressão narrativa ou discursiva de elementos religiosos (palavra), os ritos constituem a linguagem ‘gestual’ da vivência religiosa. Simbolicamente, o rito imita algum gesto primordial referido à divindade ou coloca em prática determinados conteúdos narrados em um mito. Ao mito como palavra corresponde o rito como o gesto. Trata-se de uma ação de dramatização, em que uma vivência das origens é transformada em gestos”.[26: REIMER, H. Elementos e estrutura do fenômeno religioso: o sagrado e as construções de mundo. Goiânia: Ed. da PUC Goiás; Brasília: Universa, 2004, p. 88.] Por fim, podemos dizer que a fé é uma experiência de sentido e a religião é exatamente um dos meios de buscar e de se exprimir esta fé. *(Ver o anexo 1 sobre crença, fé e religião). 21 – Valores fundamentais para promoção da vida em comunidade e do desenvolvimento das relações humanas O cultivo dos valores básicos é fundamental para o estabelecimento de relações humanas saudáveis e para a construção da cidadania. O homem é essencialmente um ser social. E viver em sociedade demanda princípios e organização. Regras, leis e normas regulamentam a sociedade em busca de ordem e harmonia para a felicidade e bem-estar de todos. Os valores nos ajudam a viver uma saudável vida moral, que é a regra da boa conduta. Para viver em sociedade, três atitudes básicas são necessárias: para consigo mesmo, autoestima; para com o próximo, socialização; para com Deus, espiritualidade. O homem bom é, por si mesmo, independente da sociedade, completo em sua interioridade; a justiça lhe é uma virtude vivida, por meio da ação voluntária. A moral obedece às regras, a ética possui seus próprios valores. Os valores são apreendidos na infância e adolescência e são aprimorados no decorrer da vida. As duas grandes fontes educacionais dos valores são a família e a escola. Podemos distinguir duas condições nos valores: a intrínseca e a extrínseca. A primeira refere-se aos valores que o ser humano formou e os vive de uma maneira interna, a partir de dentro. A segunda refere-se aos valores adaptados e seu efeito pode durar tanto quanto os seus objetivos permaneçam disponíveis. Aqueles que possuem valores intrínsecos têm maior chance de resistir às atribulações que a vida reserva. Sofrem; porém, encontram sustentação diante das dificuldades existentes. É como se encontrassem uma companhia vital para continuar a jornada. Por outro lado, quem cultiva somente os valores extrínsecos, é presa fácil dos problemas. Sucumbe, quase sempre, ao primeiro vento que sopra ao contrário. O Ensino Religioso, bem como as disciplinas em geral, têm um papel fundamental na formação e desenvolvimento dos valores, principalmente os intrínsecos. Em parceria com as famílias, é necessário declarar valores pessoais e incentivar o seu cultivo em qualquer etapa do processo educativo. Levar os alunos a planejar metas e a buscar perspectivas. Se não há valores profundos e positivos, não há, em essência, o que vislumbrar e tentar tornar real. Tal infortúnio, num convívio grupal, desmotiva aquele que é desprovido de valores fundamentais. Quer apenas resultados imediatos e se frustra quando não os obtêm. Não consegue aprender com os erros, condição fundamental para a evolução humana. São imediatistas e não conseguem desenvolver a virtude da paciência ou da resiliência. Quando a pessoa carrega valores internos, é capaz deempreender atividades que busquem se aproximar de seus sonhos. Avaliar as novas situações, respeitando as mudanças e resultados que surjam, diferentemente do que antevia. Compreender o valor do tempo e saber esperar quando assim se faz necessário. É crente de suas convicções e sabe articulá-las com as diferenças que encontra no grupo. Busca adaptar-se, até certo limite, aos valores da comunidade que faz parte. Alinha seus valores, sonhos e metas. Encontra na própria estrutura desses conceitos um objetivo a ser alcançado em cada lugar e em cada tempo. É o conjunto de valores que rege o comportamento ético da vida em sociedade, entrelaçando e interligando educação, cultura, tradição e cotidiano. O que foi apreendido na infância forma a pessoa que prima pela honestidade, respeito ao próximo, cuidado com o meio-ambiente, cultivo da solidariedade e tantos outros valores fundamentais para a relação social. Em qualquer cultura, a ética é a reflexão do ser humano sobre a sua ação, e pode torná-lo mais sensível e sensato, consciente de suas praticas no seu espaço de vida. A forma de ver o próximo, as ações solidárias, depende da experiência de vida individual. O compromisso com a ética parte da consciência crítica de cada indivíduo que se torna sujeito. Os valores não surgem na vida em sociedade por “combustão espontânea”. São construídos na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas escolas, nas manifestações culturais, nos movimentos e organizações locais. Conhecê-los, compreendê-los e praticá-los é uma questão fundamental para a vida em sociedade. Em se tratando de educação para a vida em sociedade, a escola tem sido, historicamente, a instituição escolhida pelo Estado e pela família como o melhor lugar para o ensino-aprendizagem dos valores, de modo a cumprir a finalidade do pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o mundo do trabalho. Sem a prática de valores, não podemos nem falar em cidadania. Sendo assim, caberá às instituições de ensino a missão de ensinar valores no âmbito do desenvolvimento moral dos educandos. Através da seleção de conteúdos e metodologias que favoreçam temas transversais (Justiça, Solidariedade, Ética etc.), presentes em todas as disciplinas do currículo escolar, os valores podem ser conhecidos e aplicados na vida diária. 22 – Limites da vida individual e coletiva Segundo CECCHETTI, “os valores e limites éticos (re)produzidos pelas culturas ou tradições/movimentos religiosos constituem-se em ‘margens’ pelas quais o grande rio da vida (individual e coletiva) se realiza, porque influenciam a maneira como as pessoas escolhem e se comportam”. [27: CECCHETTI, E. (Org.). Reorganização curricular do ensino religioso: versão preliminar. Florianópolis: GEREDs, 2008-2010, p. 12.] Sendo assim, é necessário ter uma ampla percepção do aluno como sujeito único, com identidade própria e que está inserido em um determinado grupo social. É a partir desta percepção que o educando identificará e trabalhará a sua constituição pessoal, social e religiosa, sabedor das suas possibilidades e dos seus limites. O FONAPER destaca esta perspectiva ao afirmar que “é na dinâmica da educação que o anseio de aprender a totalidade da vida e do mundo é explicitado, campo esse onde o Ensino Religioso contribui para a vida individual e coletiva dos educandos na perspectiva unificadora que a expressão religiosa tem, de modo próprio e diverso, diante dos desafios e conflitos”.[28: FONAPER. Parâmetros curriculares nacionais: ensino religioso. São Paulo: Mundo Mirim, 2009, pp. 45-46. ] O mesmo FONAPER analisa que é no “período escolar em que o educando começa a aprender a pensar sobre coisas imaginárias e ocorrências possíveis, passando da lógica indutiva para a dedutiva, experimentando transformações físicas, afetivas, cognitivas e sociais, buscando valores novos, interessando-se pelos problemas da vida e tendo facilidade para ação e reflexão”.[29: Ibid., p. 73.] Neste sentido, Japiassu (1996, p. 93 apud CECCHETTI, 2008-2010, p. 12) ressalta que “os valores e limites éticos configuram a identidade singular de cada indivíduo e de um grupo social, o diferenciando dos demais, apontando os sentidos da vida humana, os fundamentos da obrigação e do dever, a natureza do bem e do mal, o valor da consciência ética fundamentada nos conjuntos das regras de conduta”. Diante de todas estas citações, percebemos que o Ensino Religioso precisa ter uma visão processual e totalizante do ensino-aprendizagem neste campo específico, pois diz respeito a toda a formação do educando. Dessa forma, faz perceber como se estrutura o universo pessoal e social do aluno, levando-o a se conscientizar das suas potencialidades e dos seus limites. Tal ferramenta será um instrumental precioso ao longo da vida do sujeito, pois ele terá capacidade de tomar decisões livres e conscientes, respeitosas e solidárias. O limite é a fronteira que demarca até onde cada um pode ir. A vida social o exige e mostra que não se pode fazer o que se quer ou o que se deseja. A própria existência em si já tem os seus limites naturais. A vida será um aprendizado constante, a partir de erros, frustrações, desafios e conquistas. É a partir dessa consciência do limite que aparece a noção e a dimensão do transcendente na vida de cada um. Como ser situado no espaço e no tempo, o homem vai se percebendo finito e necessitado, tendo que dimensionar sua vida a partir dessas constatações. Só se realiza quem melhor se adapta ao meio e tem sabedoria para conduzir sua vida em meio aos desafios que ela apresenta. é a partir dessas constatações que tanto o Ensino Religioso quanto as outras disciplinas vão trabalhar, em parceria com as famílias e a sociedade em geral, os limites e as regras da boa convivência social. 23 – Os quatro pilares da educação para o século XXI: foco no aprender a conviver e no aprender a ser O exercício de elaborar a identidade pedagógica do Ensino Religioso no contexto brasileiro está sendo estabelecido através da pedagogização do mesmo, ou seja, a partir da reflexão e operacionalização do estudo do mesmo dentro da elaboração de uma proposta de educação, hoje fundamentada dentro dos quatro pilares propostos no relatório da UNESCO: - aprender a conhecer, que pressupõe saber selecionar, acessar e integrar os elementos de uma cultura geral, suficientemente extensa e básica, com o trabalho em profundidade de alguns assuntos, com espírito investigativo e visão crítica; em resumo, consiste na capacidade de aprender a aprender ao longo de toda a vida; - aprender a fazer, que pressupõe desenvolver a competência do saber se relacionar em grupo, saber resolver problemas e adquirir uma qualificação profissional; - aprender a viver com os outros, que consiste em desenvolver a compreensão do outro e a percepção das interdependências, na realização de projetos comuns, preparando-se para gerir conflitos, fortalecendo sua identidade e respeitando a dos outros, respeitando valores de pluralismo, de compreensão mútua e de busca da paz; - aprender a ser, para melhor desenvolver sua personalidade e poder agir com autonomia, expressando opiniões e assumindo as responsabilidades pessoais. ANEXO 1: [30: Este texto nos foi cedido pelo Prof. Luis Eustáquio Nogueira, fruto de suas reflexões sobre FOWLER J. W., Estágios da fé: A psicologia do desenvolvimento humanoe a busca de sentido. São Leopoldo, Ed. Sinodal, 1992. 278pp. Material usado em sala de aula.] I. FÉ HUMANA 1.1. Fé humana Reflita: - O que você está gastando e para que está sendo gasto? O que requer e recebe o melhor de seu tempo e de sua energia? - Em que causas, sonhos, alvos ou instituições você está investindo sua vida? - Em seu dia-a-dia, que poder ou poderes você teme? Em que poder ou poderes confia? - Com o que ou com quem você está comprometido em sua vida? E na morte? - Com quem ou com que grupo você compartilha suas esperanças mais sagradas e íntimas, para a sua vida e para a vida daspessoas que você ama? - Quais são as esperanças mais sagradas, os alvos e propósitos mais compulsórios de sua vida? Nem sempre religiosa em seu conteúdo ou contexto, a fé é o modo em que uma pessoa ou grupo penetra no campo de força da vida. É o nosso modo de achar coerência nas múltiplas forças e relações que constituem a nossa vida e de dar sentido a elas. A fé o modo pelo qual uma pessoa vê a si mesma em relação aos outros, sobre um pano de fundo de significados e propósitos partilhados. Ernest Becker nos chama de homo poeta, ou seja, homem, o criador de sentido. Não vivemos apenas de pão, de sexo, de sucesso, e certamente não vivemos dos instintos. Nós exigimos sentido. Necessitamos de propósito e prioridades, precisamos de algum tipo de percepção do quadro completo. Que valores nos tocam incondicionalmente, que valores têm poder centralizador em nossa vida? A fé é uma preocupação humana universal. Antes de sermos religiosos ou irreligiosos, antes de nos concebermos como católicos, protestantes, judeus ou muçulmanos, já estamos engajados em questões de fé. Quer nos tornemos incrédulos, agnósticos ou ateus, estamos preocupados com as formas pelas quais ordenamos a nossa vida e com o que torna a vida digna de ser vivida. Procuramos algo para amar e que nos ame; algo para valorizar e que nos dê valor; algo para honrar e respeitar e que tenha o poder de sustentar o nosso ser. 1.2. Fé, religião e crença W. Smith apresenta-nos uma importante distinção entre fé e religião. Fala das religiões como “tradições cumulativas” que recolhem as várias expressões da fé das pessoas no passado. Podem ser constituídas por textos de escrituras ou leis, incluindo narrativas, mitos, profecias, relatos de revelações; pode incluir símbolos visuais, tradições orais, música, dança, ensinamentos éticos, teologias, credos, ritos, liturgias, arquitetura e muitos outros elementos. A fé, mais profunda e pessoal do que a religião, traduz a maneira pela qual uma pessoa ou grupo responde ao valor e poder transcendentes, conforme são percebidos e apreendidos através das formas da tradição cumulativa. Fé e religião, nesta concepção, são recíprocas. Ambas são dinâmicas, cada uma cresce ou é renovada através de sua interação com a outra. A tradição cumulativa é renovada seletivamente à medida em que seus conceitos provam ser capazes de evocar e modelar a fé de novas gerações. A fé é despertada e nutrida pelos elementos da tradição. Quando esses elementos chegam a expressar a fé dos novos aderentes, a tradição é ampliada e modificada, ganhando, assim, nova vitalidade. Para Smith esta explicação representa um ideal - a interação entre fé e religião. Reconhece também que para muitos modernos o relacionamento entre fé e religião tornou-se problemático. Segundo seu parecer, esta situação resulta em parte de certas confusões surgidas em nossa compreensão de religião, fé e crença. Não só é preciso distinguir a primeira da segunda como a segunda da terceira. A identificação moderna de fé com crença constitui um grande equívoco. Com efeito, declara Smith, o “homem-padrão”, onde quer que o achemos, tem sido o homem sustentado pela fé e unido a comunidades de fé. Se examinarmos grandes e pequenas tradições religiosas à luz do conhecimento contemporâneo sobre a história das religiões iremos reconhecer que a variedade de crença e prática religiosa é muito maior do que poderíamos imaginar. Do mesmo modo, porém, descobriremos que as semelhanças na fé religiosa também revelam-se maiores do que poderíamos esperar. Comparada à crença, a fé é mais profunda, rica e pessoal. Embora engendrada por uma tradição religiosa, a fé é uma qualidade da pessoa e não do sistema. Constitui uma orientação da personalidade em relação a si mesma, ao próximo e ao universo. É uma resposta total, uma forma de ver as coisas e de lidar com elas, de sentir e de agir em termos de uma dimensão transcendente. A crença, por sua vez, é “o esposar certas idéias”. Pelo menos em contextos religiosos, surge do esforço de traduzir experiências da transcendência e relações com ela em conceitos ou proposições. A crença pode ser um dos modos pelos quais a fé se expressa. Contudo, ninguém tem fé em uma proposição ou conceito. Ao contrário, a fé clama por uma relação de confiança e de lealdade ao transcendente a respeito do qual se forjam conceitos ou proposições. Se a secularização moderna reduziu o sentido de crer a um mero assentimento racional a um conjunto de proposições, tornando o seu objeto uma realidade impessoal de significação neutra ou não compromissiva, os escritos clássicos das grandes tradições religiosas interpretam a linguagem da fé muito diferentemente. Para estes, a fé implica num alinhamento do coração ou da vontade, num compromisso de lealdade e confiança. Donde o sentido do termo hindu designativo de fé, sraddha, o qual se traduz por “colocar o coração em”. Os correspondentes hebraico (aman he’min), grego (pisteuo, pistis) e latino (credo, credere = cor+ do) seguem com o mesmo significado. Superficializar a fé, igualando-a à moderna compreensão de crença, significa perpetuar e ampliar ainda mais o divórcio moderno entre fé e crença. Reduzi-la a declarações doutrinárias levaria pessoas sensíveis e responsáveis julgar preferível viver “sem fé”. Se se compreende, porém, a fé como confiança no outro e como lealdade a um centro transcendente de valor e poder, então a questão da fé - e a possibilidade de fé religiosa - torna-se novamente viva e aberta. Em suma: a. Fé, e não crença ou religião, constitui a categoria mais fundamental na busca humana de relacionamento com a transcendência. A fé, parece, é genérica, uma característica universal da vida humana, reconhecivelmente similar em toda parte, a despeito da notável variedade de formas e conteúdos das práticas e crenças religiosas. b. Cada uma das grandes tradições religiosas estudadas fala da fé em formas que tornam visível o mesmo fenômeno. Em cada uma e em todas a fé implica um alinhamento da vontade, um repousar do coração, desde um horizonte de sentido e preocupação última. c. A fé, classicamente entendida, não é uma dimensão separada da vida, uma especialidade compartimentada. Equivale a uma orientação da pessoa toda, dando propósito e alvo para as suas lutas e esperanças, pensamentos e ações. d. A unidade da fé e a possibilidade de reconhecê-la, não obstante as miríades de variantes de religiões e crenças, apóiam a luta para manter e desenvolver uma teoria da relatividade religiosa na qual as religiões - e a fé que elas evocam e moldam - sejam vistas - sem cair no relativismo que nega a validade das experiências religiosas para além dos limites da comunidade que as expressam - como apreensões relativas de nosso relacionamento com aquilo que é universal. 1.3. Fé e relacionamento Enquanto forma ativa de ser e comprometer-se, a fé sempre é relacional, ou seja, sempre há um outro na fé (“eu confio em e sou leal a...”). Nossas primeiras experiências de fé e fidelidade começam com o nascimento. Somos recebidos e acolhidos com algum grau de fidelidade por aqueles que cuidarão de nós. E antes que possamos usar a linguagem, formar conceitos ou mesmo ser considerados conscientes, começamos a formas nossas primeiras intuições rudimentares acerca de como é o mundo, de como ele nos considera, e se podemos nos sentir em casa aqui. Já nesta forma rudimentar a fé exibe aquilo que podemos chamar de um “padrão pactual de relacionamento”. À medida que o amor, a vinculação e a dependência ligam o recém-nascido à família, ele começa a formar uma disposição de confiança e lealdade compartilhadas ao etos da fé familiar. A fé, portanto, é um empreendimento relacional triádico, como resultante da interação eu - outros - centro(s) compartilhado(s) de valor e poder. Nossos comprometimentos e confianças moldam nossa identidade. Num sentido real, nós nos tornamos parte daquilo que amamos e em que confiamos. “Onde está o teu tesouro, ali estará o teu coração”, disse Jesus. Somos membros de muitas e diferentestríades de fé-relacionamento. Em cada um dos papéis que desempenhamos, em cada relacionamento significativo que temos com outros, em cada instituição de que fazemos parte, estamos ligados a outros em confianças e lealdades partilhadas. Como a nossa fé e identidade integram as muitas tríades às quais pertencemos? Podemos considerar três grandes tipos de relação fé-identidade. O primeiro é o politeísta. Com este termo caracterizamos um padrão fé-identidade que não possui qualquer centro de valor e poder com transcendência suficiente para enfocar e ordenar a vida de uma pessoa. Para o politeísta, nem mesmo o eu - o mito pessoal do próprio valor e destino da pessoa - pode fazer uma reivindicação suficientemente compulsória para unificar suas lutas e esperanças, disperso como se encontra em meio a muitos pequenos centros de valor e poder. Pessoas com esta característica fazem uma série de investidas relativamente intensas ou totais de identidade e fé, mas seus comprometimentos mostram-se transitórios e mutáveis. Assim, passam difusamente de uma tríade fé-relacionamento para outra, freqüentemente com agudas descontinuidades e com abruptas mudanças de direção. O segundo padrão o intitulamos henoteísta (lealdade a um só deus). Caracteriza a situação de uma pessoa que investe profundamente em um centro transcendente de valor e poder, achando nele uma unidade focal de personalidade e perspectiva. Todavia, esse centro é inapropriado, falso, não é algo que lhe toque incondicionalmente. O deus henoteísta é, em última análise, um ídolo. Representa a elevação de um bem finito e limitado à condição de valor e poder central. Não raro encontramos subjacente a esse padrão a perspectiva de um eu autojustificador, em busca de garantias de valor e significância para si mesmo, colocado no centro. Pode, no entanto, adquirir formas mais nobres. Instituições e causas que fazem surgir sacrifício desinteressado são, muitas vezes, dignos deuses tribais. Nações, igrejas, universidades, partidos políticos, a libertação e capacitação de minorias, filosofias e movimentos ideológicos, são todos centros de valor e poder potencialmente henoteístas. Acha-se aqui a identidade perdendo o eu no serviço de uma causa transcendentalmente importante, embora finita. O terceiro padrão vamos chamá-lo de monoteísmo radical. Designa uma espécie de confiança e lealdade supremas em um centro transcendente de valor e poder que não é nem uma extensão consciente ou inconsciente do ego pessoal ou grupal, nem uma causa ou instituição finita. Implica, ao contrário, uma lealdade ao princípio do ser e à fonte de todo valor e poder. Este centro transcendente tem sido simbolizado ou conceitualizado, tanto em formas teístas como não teístas, nas principais tradições religiosas do mundo, não se limitando à cultura ocidental. O monoteísmo não significa a negação de centros de valor e poder menos universais ou menos transcendentes; significa, sim, a sua relativização e ordenamento. Convoca as pessoas a uma identificação com uma comunidade e uma fé vindoura universal, questionando o caráter provinciano de nossas representações religiosas, não raro confundidas com a realidade em si. 1.4. A fé como imaginação Em alemão, um dos termos para designar imaginação é a palavra composta Einbildungskraft, literalmente, o poder (kraft) de formar (Bildung) uma unidade (Ein). A fé, enquanto imaginação, apreende as condições últimas de nossa existência, unificando-as em uma imagem abrangente à luz da qual modelamos as nossas respostas e iniciativas. Em outras palavras, a fé representa um modo ativo de conhecer, de compor um senso ou imagem sentida da condição de nossa vida tomada como um todo, unificando os seus campos de força. Por que imagem? Evidências provenientes de uma variedade de fontes sugerem que a maior parte do que conhecemos é armazenada em imagens; que o nosso conhecer registra o impacto de nossas experiências em formas muito mais abrangentes do que aquelas que a nossa percepção consciente pode monitorar (como as experiências feitas na lactância). Uma imagem começa como uma vaga e sentida representação interior de algum estado de coisas e de nossos sentimentos a seu respeito. Informação e sentimento, orientação e significado afetivo seguem juntos no arranjo imaginário. Como tais, as imagens são anteriores e mais profundas do que os conceitos. Quando nos perguntam o que pensamos ou conhecemos sobre algo ou alguém, convocamos primordialmente as nossas imagens e narramos a respeito delas. Com efeito, sabemos mais do que somos capazes de expressar. A fé, ao formar imagens do ambiente último, nunca encontra análogos que expressem plenamente ou com total exatidão o seu conhecimento. Esta é a razão prática da crucial importância de nossas distinções anteriores entre fé, crença e religião. A fé, como temos visto, “unifica” uma imagem abrangente de um ambiente último, um ambiente de ambientes, em relação ao qual damos sentido ao campo de forças de nossa vida. Esta imagem global formada pode ser, em grande parte, tácita e não-examinada, e funcionar sem que se tenha consciência dela ou se reflita sobre ela. Por outro lado, partes significativas da mesma podem ter achado expressão ou ter sido explicitadas em ritos, mitos, símbolos ou estórias, ou na elaboração conceptual mais sistemática de uma teologia ou filosofia. A imaginação não deve ser identificada com fantasia ou faz-de-conta. Pelo contrário, é uma força poderosa que subjaz a todo conhecimento. O símbolo judeu-cristão do “reino de Deus”, por exemplo, desperta imagens do ambiente último como algo unificado e que tem certo caráter em virtude do domínio de Deus como criador, justo juiz e redentor-libertador. As imagens compostas pela fé não são estáticas; mudam conforme os estágios desenvolvimentais percorridos pela personalidade humana. São também colocadas em prova em situações históricas de grande adversidade. Depois de seis milhões de judeus terem sido mortos no holocausto, pergunta-se R. Rubenstein, poderão os sobreviventes colocar ainda seus corações em um Deus que se diz ser aquele que dirige a história e que chamou Israel para um relacionamento pactual ao qual esse Deus é fiel? Seja como for, a “dúvida substantiva” faz parte da vida de fé. O niilismo, e não a dúvida, se opõe a fé, quando se perde a capacidade de imaginar qualquer ambiente transcendente ou mesmo uma situação negativa de total desespero. ********************************************* ANEXO 2: Diferença entre espiritismo e espiritualismo: Espiritualismo é a doutrina ou sistema que admite a presença, no homem e no mundo em geral, do elemento espiritual. Desse modo, a maior parte das religiões são espiritualistas, uma vez que creem na existência da dualidade corpo e alma. O Espiritualismo é o oposto do materialismo, que afirma não existir nada além da matéria. Espiritismo, contudo, significa Doutrina dos Espíritos. Ou seja, há um parentesco significativo entre ambas, mas não são a mesma coisa. Aliás, posso afirmar que elas apresentam práticas bastante diferentes. O Espiritismo compreende alguns pontos que o afastam do Espiritualismo das religiões tradicionais. São eles: a crença na reencarnação; a descrença na doutrina das penas eternas; a crença na pluralidade dos mundos habitados e a crença na comunicabilidade dos Espíritos através da mediunidade. Além disso, para o espírita o estudo necessita ser constante e a busca por sua melhoria íntima idem.