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EFEITOS EFEITOS DOS RECURSOS: OBSTATIVO (adiamento da formação da coisa julgada, Denomina-se coisa julgada material a autoridade que torna imutável e indiscutível a decisão de mérito não mais sujeita a recurso (art. 502, CPC), enquanto há pendência de recurso, não há a formação da coisa julgada.); EFEITO EXPANSIVO (consiste na possibilidade de o julgamento do recurso ensejar decisão mais abrangente do que o reexame da matéria impugnada, que é o mérito do recurso. O efeito expansivo pode ser subjetivo ou objetivo e, este, interno ou externo. Há efeito expansivo objetivo interno “quando o tribunal, v.g., ao apreciar apelação interposta contra sentença de mérito, dá-lhe provimento e acolhe preliminar de litispendência, que atingirá todo o ato impugnado (sentença). Há efeito expansivo objetivo externo quando o julgamento do recurso atinge outros atos além do impugnado, v.g., com o provimento do agravo, que atinge todos os atos processuais que foram praticados posteriormente à sua interposição. O efeito expansivo subjetivo ocorre quando o julgamento do recurso atinge outras pessoas além do recorrente e do recorrido. É o caso, por exemplo, do recurso interposto apenas por um dos litisconsortes sob o regime de unitariedade: a decisão atingirá também o outro litisconsorte”.). EFEITO DEVOLUTIVO (Geralmente, o recurso tem o efeito de devolver (transferir) ao órgão jurisdicional hierarquicamente superior (tribunal ad quem) o exame de toda a matéria impugnada. Trata-se do efeito devolutivo, que decorre logicamente do princípio dispositivo, segundo o qual o órgão julgador age mediante provocação da parte ou do interessado e nos limites do pedido (arts. 2º, 141 e 492). Conforme entendimento majoritário, aplica-se a todos os recursos, e não só à apelação, o aforismo tantum devolutum quantum appellatum, ou seja, todo e qualquer recurso devolve ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada. A regra, portanto, é a devolução, a transferência ao tribunal de toda matéria impugnada. Necessário registrar, todavia, entendimento de parte da doutrina no sentido de que os embargos de declaração não possuem o efeito devolutivo, porquanto, além de serem julgados pelo próprio órgão prolator da decisão embargada, não se destinam exatamente ao reexame de matéria já decidida, mas apenas ao esclarecimento de ponto obscuro ou contraditório, integração de ponto omisso ou correção de erro material (art. 1.022).); EFEITO TRANSLATIVO (O efeito translativo, como dito, constitui uma particularidade do efeito devolutivo, entendido como a possibilidade de o julgamento recursal extrapolar os limites do que foi efetivamente impugnado. Como existe relação entre esses efeitos, alguns doutrinadores costumam afirmar que o efeito translativo relaciona-se com a extensão (dimensão horizontal) e profundidade (dimensão vertical) do efeito devolutivo. Rompida a barreira da admissibilidade, em regra, a instância recursal limita-se a analisar o que foi objeto de impugnação (art. 1.013). Contudo, os parágrafos do art. 1.013 trazem regras que definem o horizonte (a extensão) da pretensão recursal. O efeito translativo é decorrência direta da dimensão vertical ou profundidade do efeito devolutivo. Como a interposição do recurso devolve as matérias que, mesmo não impugnadas, se relacionam com o objeto do recurso, devolve também as matérias de ordem pública, pois estão ligadas aos pressupostos processuais e às condições para o provimento final, que são antecedentes lógicos da própria análise do mérito.); EFEITO SUSPENSIVO (Com relação ao efeito suspensivo, embora boa parte dos recursos não contemple tal efeito, a regra é a suspensividade (art. 995). Omissa a lei, o recurso produz o efeito suspensivo, ou seja, impede a produção imediata das consequências e dos resultados da decisão recorrida.48 Entretanto, como se disse, algumas leis expressamente preveem a concessão apenas de efeito devolutivo aos recursos interpostos, constituindo o efeito suspensivo medida excepcional, a ser deferida quando houver risco de dano irreparável à parte. O efeito suspensivo decorre, em um primeiro momento, do simples fato de a decisão ser recorrível. Isso porque o fato de a decisão estar sujeita à interposição de recurso faz que não seja imediatamente eficaz, dependendo tal eficácia do trânsito em julgado ou da não atribuição de efeito suspensivo ao recurso eventualmente interposto. Caso seja interposto recurso com efeito suspensivo, prolonga-se a ineficácia da decisão.); EFEITO SUBSTITUTIVO (Consiste em substituir a decisão recorrida no que tiver sido objeto de recurso (art. 1.008). ocorre somente se houver julgamento do mérito recursal (error in judicando, error in procedendo). Saliente-se que a substituição é apenas da parte impugnada. Quanto à parte não impugnada, esta permanece íntegra. Assim, sendo a apelação apenas parcial, o título executivo é formado pela sentença, na parte transitada em julgado, e pelo acórdão. Na hipótese de provimento do recurso para invalidação da decisão impugnada (em virtude de error in procedendo), não há que se falar em substituição da decisão recorrida, mas sim em anulação ou cassação, com a conseguinte remessa dos autos ao juízo de origem para que outra decisão seja proferida em lugar da anulada. Mesmo assim, sendo cassada sentença terminativa (de extinção do processo sem resolução do mérito), o tribunal pode julgar desde logo a lide, se presente uma das hipóteses do § 3º do art. 1.013. TIPO: Total, Parcial); EFEITO ATIVO (se refere à possibilidade de o relator conceder, antes do julgamento pelo órgão colegiado, a pretensão recursal almejada pelo recorrente. Na verdade, o efeito ativo nada mais é do que a tutela antecipatória recursal.). EFEITO SUSPENSIVO (É o efeito que permite ao próprio juiz prolator da decisão impugnada rever sua decisão. Sempre que for aberto um juízo de retratação ao órgão prolator da decisão, pode-se falar em efeito regressivo. O efeito regressivo é a regra em alguns recursos, como no caso do agravo. A apelação, por sua vez, em regra, não tem este efeito. Excepcionalmente, no entanto, o juiz pode cassar a própria sentença e determinar o regular prosseguimento do processo em primeira instância diante de apelação. São duas as hipóteses: a) apelação contra sentença liminar de improcedência da demanda - Artigo 285-A, 1º, CPC. b) apelação contra sentença que indefere a petição inicial Artigo 296, CPC. São as únicas sentenças proferidas antes da citação do réu. CLASSIFICAÇÃO DOS RECURSOS RECURSOS ORDINÁRIOS (os recursos ordinários não são excepcionais e são aqueles que garantem a tutela dos direitos subjetivos das partes, inclusive o direito ao duplo grau de jurisdição. Nestes recursos, basta que seja alegada e fundamentada a injustiça da decisão de primeiro grau, para que então a discussão seja reanalisada – sempre observando aos requisitos. E ainda, nesta hipótese, a correção no que tange à incidência correta da lei se dá mediatamente apenas. Por fim, observa-se também, que é também permitida a revisão da matéria fática e probatória, sem que se demonstre a aplicação de um exato texto legal.); RECURSOS EXCEPCIONAIS OU EXTRAORDINÁRIOS (Eles visam somente averiguar se a lei foi corretamente aplicada aquele determinado caso concreto, não buscam, portanto, a correção da “injustiça” da decisão. Com isso, o próprio sistema impõe a estes recursos certos requisitos peculiares ao juízo de admissibilidade muito mais complexos, como por exemplo: não permitem exame de matéria fática; é necessário o esgotamento de todos os recursos na instância ordinária; somente permitem a reavaliação da questão já decidida. Estes recursos estão previstos na própria Constituição Federal, e são: (i) recurso extraordinário, cabível em caso de afronta à CF(art. 102, III da CF/88); (ii) recurso especial, em casos de afronta à lei infraconstitucional (art. 105, III da CF/88); (iii) e embargos de divergência, que visam obter do STF e do STJ seu real entendimento a respeito de determinada matéria (art. 546 do CPC).) REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE: recursos com juízo único (negativo: não conhecimento; positivo: conhecimento); juízo de mérito (posterior ao juízo de admissibilidade; verifica se o recurso é ou não fundado: positivo: provimento; negativo: desprovimento); recursos com duplo juízo (análise prévia pelo órgão de interposição). REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE: exigências legais para que o órgão julgador possa ingressar no mérito recursal: classificação: INTRÍNSECOS (CABIMENTO (utilização do recurso adequado, dentre os existentes); LEGITIMIDADE RECURSAL (somente pode ser interposto por quem possui autorização legal, amicus curiae – legitimidade para ED e IRDR, juiz no incidente de incompetência ou de suspeição e advogado para majorar honorários); INTERESSE RECURSAL (Quando o autor formula pedidos alternativos, pretendendo ver seu pleito satisfeito de um ou de outro modo.); INEXISTÊNCIA DE FATO EXTINTIVO OU IMPEDITIVO DO DIREITO DE RECORRER (FATOS EXTINTIVOS: RENÚNCIA AO DIREITO DE RECORRER (A renúncia ao direito de recorrer independe da aceitação da outra parte, abdicação ao direito de recorrer, após a prolação da decisão e antes da interposição do recurso, independe da vontade da outra parte e dos litisconsortes) ACEITAÇÃO DA DECISÃO (A parte que aceitar expressa ou tacitamente a decisão não poderá recorrer. Considera-se aceitação tácita a prática, sem nenhuma reserva, de ato incompatível com a vontade de recorrer.)). FATOS IMPEDITIVOS: DESISTÊNCIA DO RECURSO (O recorrente poderá, a qualquer tempo, sem a anuência do recorrido ou dos litisconsortes, desistir do recurso. A desistência do recurso não impede a análise de questão cuja repercussão geral já tenha sido reconhecida e daquela objeto de julgamento de recursos extraordinários ou especiais repetitivos, momento: até o julgamento do recurso, não depende da concordância da outra parte ou litisconsorte.)); EXTRÍNSECOS (TEMPESTIVIDADE (A lei fixa prazo para interposição de todos os recursos. Em geral, o prazo é de 15 dias, com exceção dos embargos de declaração, cujo prazo é de 5 dias (arts. 1.003, § 5º, e 1.023). Os prazos processuais, repita-se, serão contados sempre em dias úteis (art. 219). Além disso, os dias do começo (termo inicial) e do vencimento do prazo (termo final) serão protraídos para o primeiro dia útil seguinte, se coincidirem com dia em que o expediente forense for encerrado antes ou iniciado depois da hora normal ou houver indisponibilidade da comunicação eletrônica. O prazo para recorrer será em dobro quando o recorrente for o Ministério Público (art. 180), a Fazenda Pública (art. 183) ou a Defensoria Pública (art. 186). O prazo para recorrer também será contado em dobro quando os litisconsortes tiverem diferentes procuradores, de escritórios de advocacia distintos, mas desde que os processos não tramitem na forma eletrônica (art. 229). O termo a quo do prazo deve observar o disposto nos arts. 230 e 231. Entretanto, se a decisão tiver sido proferida em audiência, é a partir desta que será contado o prazo. Essa regra, ressalte-se, vale para todos os sujeitos previstos no caput do art. 1.003 – Defensoria Pública, Ministério Público, Advocacia Pública, advogados particulares e sociedade de advogados. O prazo de interposição é, em regra, peremptório, isto é, não admite alteração ou prorrogação. Caso haja flexibilização procedimental (art. 190), poderão os prazos ser dilatados, reduzidos ou até mesmo suspensos, mediante acordo entre as partes. Há uma particularidade que merece registro no que tange à tempestividade do recurso interposto antes da publicação da decisão no órgão oficial. É o denominado “recurso prematuro”. De acordo com o novo CPC, só será necessária a ratificação quando a apreciação dos embargos for capaz de alterar a conclusão do julgamento anterior (art. 1.024, § 5º). Ainda no campo da tempestividade, vale mencionar duas novas regras trazidas pelo CPC. A primeira, relacionada ao prazo do recurso interposto por correio (para aferição da tempestividade do recurso remetido pelo correio, será considerada como data de interposição a data de postagem), e a segunda, envolvendo a comprovação de feriado local (o recorrente comprovará a ocorrência de feriado local no ato de interposição do recurso). Por fim, cabe falar do prazo para o terceiro prejudicado e para o litisconsorte necessário não citado. Uma vez que não existe um meio eficiente de comunicação ao terceiro prejudicado que satisfaça as exigências do contraditório, a jurisprudência vem assegurando a ele o acesso ao mandado de segurança, cujo prazo decadencial inicia-se com a ciência dos efeitos da decisão que o atinge. Já quanto ao prazo para recurso do litisconsorte necessário não citado, segundo entendimento do STF, “não corre da publicação da decisão recorrida – que só é forma de intimação das partes já integradas na relação processual –, mas do momento em que dela tenha ciência”.). REGULARIDADE FORMAL (recurso deve ser apresentado de acordo com a forma estabelecida em lei, A apelação, interposta por petição dirigida ao juízo de primeiro grau, conterá: o s nomes e a qualificação das partes; a exposição do fato e do direito; as razões do pedido de reforma ou de decretação de nulidade; o pedido de nova decisão. O apelado será intimado para apresentar contrarrazões no prazo de 15 (quinze) dias. Se o apelado interpuser apelação adesiva, o juiz intimará o apelante para apresentar contrarrazões. Após as formalidades previstas nos §§ 1o e 2o, os autos serão remetidos ao tribunal pelo juiz, independentemente de juízo de admissibilidade, impugnação dos fundamentos da decisão recorrida, procuração, possibilidade de se relevar deficiências) e PREPARO (De modo geral, os recursos estão sujeitos a preparo, ou seja, ao pagamento das despesas processuais correspondentes ao recurso interposto, que compreendem as custas e o porte de remessa e de retorno (art. 1.007).). Para certos recursos, o preparo é dispensado, por exemplo, nos embargos de declaração (art. 1.023, parte final). Também são dispensados de preparo o recursos interpostos pelo Ministério Público, pela União, pelo Distrito Federal, pelos Estados, pelos Municípios, e respectivas autarquias, e pelos que gozam de isenção legal (art. 1.007, § 1º), como os beneficiários da gratuidade judiciária e o curador especial de réu revel a que se refere o art. 72, II. Especificamente em relação ao porte de remessa e de retorno, há dispensa de seu recolhimento nos processos em autos eletrônicos (art. 1.007, § 3º). Essa disposição somente tem aplicabilidade quando todo o processo tramitar em meio digital. Se o processo for físico, mas o recurso puder ser transmitido pela via eletrônica, deve-se observar a legislação local referente ao pagamento das despesas processuais ou o regimento interno do tribunal para o qual será remetido o recurso. Quando exigido pela legislação pertinente, o preparo, inclusive porte de remessa e de retorno, deve ser comprovado no ato de interposição do recurso. Trata-se da regra do preparo imediato, que encontra respaldo na jurisprudência do STJ. Caso o recorrente não o faça, será intimado para recolher o dobro do valor (art. 1.007, § 4º), sob pena de deserção. Nessa hipótese, se depois de intimado, o recorrente não tiver providenciado o pagamento integral do dobro do valor do preparo, não será possível posterior complementação (art. 1.007, § 5º).). PARTE Quem integra polo ativo ou passivo (litisconsortes); 3º interveniente; 3º PREJUDICADO:O recurso pode ser interposto pela parte vencida e pelo terceiro prejudicado. Cumpre ao terceiro demonstrar a possibilidade de a decisão sobre a relação jurídica submetida à apreciação judicial atingir direito de que se afirme titular ou que possa discutir em juízo como substituto processual; intervenção de 3º na fase recursal; demonstração do interesse jurídico; legitimado para agir como substituto; não pode interpor recurso adesivo. MINISTÉRIO PÚBLICO: O recurso pode ser interposto pelo Ministério Público, como parte ou como fiscal da ordem jurídica. como parte (pode interpor recurso adesivo); como fiscal da ordem jurídica (não é obrigado a recorrer, não depende da anuência de quaisquer das partes e não pode interpor recurso adesivo). INTERESSE RECURSAL Necessidade e utilidade; art. 996, CPC – “parte vencida”; sucumbência; interesse nos limites da sucumbência; recurso interposto pela parte vencedora; interesse recursal do Ministério Público; interesse recursal do amicus curiae PRECEDENTES JUDICIAIS SISTEMAS JURÍDICOS O sistema jurídico brasileiro sempre foi filiado à Escola da Civil Law (legislador como criador do direito), assim como os dos países de origem romano-germânica. Essa Escola considera que a lei é a fonte primária do ordenamento jurídico e, consequentemente, o instrumento apto a solucionar as controvérsias levadas ao conhecimento do Poder Judiciário. As jurisdições dos países que adotam o sistema da Civil Law são estruturadas preponderantemente com a finalidade de aplicar o direito escrito, positivado. Em outras palavras, os adeptos da Civil Law consideram que o juiz é o intérprete e o aplicador da lei, não lhe reconhecendo os poderes de criador do Direito. O sistema do Common Law (juiz como criador do direito), também conhecido como sistema anglo-saxão, distingue-se do Civil Law especialmente em razão das fontes do Direito. Como dito, no Civil Law o ordenamento consubstancia-se principalmente em leis, abrangendo os atos normativos em geral, como decretos, resoluções, medidas provisórias etc. No sistema anglo-saxão os juízes e tribunais se espelham principalmente nos costumes e, com base no direito consuetudinário, julgam o caso concreto, cuja decisão, por sua vez, poderá constituir-se em precedente para julgamento de casos futuros. Esse respeito ao passado é inerente à teoria declaratória do Direito e é dela que se extrai a ideia de precedente judicial. No sistema do Civil Law, apesar de haver preponderância das leis, há espaço para os precedentes judiciais. A diferença é que no Civil Law, em regra, o precedente tem a função de orientar a interpretação da lei, mas não obriga o julgador a adotar o mesmo fundamento da decisão anteriormente proferida e que tenha como pano de fundo situação jurídica semelhante. PRECEDENTE JUDICIAL São os entendimentos firmados pelos tribunais que poderão servir de diretriz para o julgamento de casos semelhantes. Nas disposições gerais do Título sobre os processos nos tribunais, o legislador positivou algumas regras que buscam adequar os entendimentos dos tribunais superiores em todos os níveis jurisdicionais, evitando a dispersão da jurisprudência e, consequentemente, a intranquilidade social e o descrédito nas decisões emanadas pelo Poder Judiciário. STARE DECISIS ET NON QUIETA MOVERE: Significa aquilo que foi decidido deve ser respeitado e é utilizada há muito tempo pelos países da common law. No caso, deve-se garantir a confiabilidade e a estabilidade do precedente, sendo que, inclusive, os próprios membros da Corte que o formaram devem respeitá-lo. O seu ASPECTO pode ser retrospectivo ou prospectivo. Os precedentes judiciais podem ainda ser classificados quanto ao seu poder declarativo ou criativo do direito, ou quanto ao seu caráter vinculante ou meramente persuasivo. O precedente judicial declarativo é aquele que tem por base direito já existente, seja uma norma legislada, seja um precedente judicial anterior, ao passo que o precedente judicial criativo constitui o próprio direito. Por outro lado, quanto à sua autoridade vinculante ou persuasiva, diz-se que o precedente judicial é persuasivo quando os juízes, ao julgarem posterior caso análogo, não tem obrigatoriedade de decidir conforme decisão anterior. Desta forma, os precedentes persuasivos, ou melhor, a sua ratio decidendi somente será seguida a depender do grau de convencimento, que estará relacionado com diversos fatores como a correção da proposição, a posição hierárquica do órgão que proferiu a decisão, o prestígio do Juiz condutor da decisão, dentre outros. Já os precedentes vinculantes são os que obrigatoriamente devem ser seguidos quando do julgamento de posteriores casos análogos, independentemente do convencimento do juiz quanto à sua correção. Neste caso, “a norma jurídica geral (tese jurídica, ratio decidendi) estabelecida na fundamentação de determinadas decisões judiciais tem o condão de vincular decisões posteriores, obrigando que os órgãos jurisdicionados adotem aquela mesma tese jurídica na sua própria fundamentação. Os precedentes obrigatórios são, conforme dito, a regra na teoria do stare decisis, e sua força vinculante está ligada, dentre outros fatores, à posição hierárquica do órgão jurisdicional que cria o precedente. São obrigatórios os precedentes proferidos pelo próprio órgão e os que emanam dos tribunais a ele superior (denominado de precedente vertical). Por outro lado o precedente horizontal são os que emanam de órgãos de mesma hierarquia, e que funcionam como mero precedente persuasivo. Enquanto o precedente persuasivo poderá ser observado em casos posteriores, o vinculante deverá obrigatoriamente ser seguido. Por conseqüência, caso uma decisão seja proferida na ignorância de um precedente obrigatório, que se fosse levado em consideração acarretaria em uma conclusão diversa, é denominada de decisão per incuriam. INCIDENTE DE ASSUNÇÃO DE COMPETÊNCIA Objetivando assegurar que demandas de semelhante natureza tenham desfechos similares, o Novo Código de Processo Civil, em seu artigo 947, contemplou o “Incidente de Assunção de Competência”. A assunção de competência consiste no deslocamento da competência funcional de órgão fracionário que seria originariamente competente para apreciar o recurso, processo de competência originário ou remessa necessária, para um órgão colegiado de maior composição, devendo a lide ser isolada e envolver situação de relevante questão de direito com repercussão social. O acórdão proferido pelo órgão colegiado consubstanciará em um precedente que vinculará todos os órgãos daquele tribunal, que diante de outro caso igual não poderão decidir de maneira diversa. Propósitos: formar pronunciamento judicial qualificado, prevenir ou compor divergência interna no tribunal, fazer com que questão relevante seja julgada por colegiado maior. IRDR (INCIDENTE DE RESOLUÇÃO DE DEMANDAS REPETITIVAS) O incidente de resolução de demandas repetitivas (ou IRDR) tem cabimento quando, estando presente o risco de ofensa à isonomia e à segurança jurídica, for constatada uma multiplicação de ações fundadas em uma mesma tese jurídica. Com o objetivo de evitar decisões conflitantes, o juiz ou relator, as partes, o Ministério Público ou a Defensoria Pública (art. 977, I a III) poderão requerer a instauração do incidente, que será dirigido ao presidente do tribunal onde a demanda estiver sendo processada. O tribunal que processa o incidente tem o dever de velar pela uniformização e pela estabilização de sua jurisprudência. Para tanto, antes de decidir a questão, poderá ouvir as partes e os demais interessados, inclusive pessoas, órgãos e entidades com interesse na controvérsia (art. 983). Trata-se, portanto, de clara manifestação do amicus curiae, cuja finalidadeé, sem dúvida, democratizar e enriquecer o debate. RESP e RE REPETITIVOS É um grande sistema processual voltado, precipuamente, para uniformizar e tornar previsível a interpretação e aplicação da lei, com vistas à segurança jurídica, que por sua vez pressupõe previsibilidade e repugna a instabilidade como fonte do direito (artigos 926 ao 928) – compreende, basicamente, três mecanismos organizados com igual objetivo: (i) a técnica de julgamentos dos recursos extraordinário e especial repetitivos (artigos 1.036 a 1.041); (ii) o incidente de demandas repetitivas (artigos 976 a 987); e (iii) o incidente de assunção de competência (artigo 947). Os dois primeiros nascem da pluralidade de processos sobre questão igual, caracterizando-se imediatamente pelo objetivo de evitar decisão contraditória; e o último se justifica pela repercussão social que o julgamento haverá de ter sobre a relevante questão de direito em discussão no processo. Em todos eles, portanto, a proteção à segurança jurídica e à isonomia se faz presente justificando a adoção de medidas processuais aptas a preservá-las. OS RECURSOS ESPECIAL E EXTRAORDINÁRIO REPETITIVOS: não são instrumentos de revisão dos julgamentos dos tribunais locais em toda extensão da lide, mas apenas de reapreciação da tese de direito federal ou constitucional em jogo. O mecanismo de processamento dos recursos especial e extraordinário diante de causas seriadas caracteriza-se pelos seguintes objetivos: Evitar a subida dos recursos especiais e extraordinários repetitivos, represando-os provisoriamente no tribunal de origem; Julgamento de questão repetitiva numa única e definitiva manifestação da Corte Especial do STJ ou do STF e; Repercussão do julgado definitivo da Corte Especial sobre o destino de todos os recursos represados, sem necessidade de subirem ao STJ ou STF, sempre que possível. a sistemática criada pela Lei 11672/2008 e mantida pelo NCPC, não cuidou de impor condição de admissibilidade diferente daquelas previstas na Constituição. Apenas instituiu procedimentos especial a ser observado na tramitação do recurso, quando inserido no episódio das causas repetitivas ou seriadas. ESCOLHA DOS PROCESSOS-PILOTO: Requisito: art. 1.036, § 6º, CPC (Somente podem ser selecionados recursos admissíveis que contenham abrangente argumentação e discussão a respeito da questão a ser decidida.). Competência: Presidente do órgão a quo (O presidente ou o vice-presidente de tribunal de justiça ou de tribunal regional federal selecionará 2 (dois) ou mais recursos representativos da controvérsia, que serão encaminhados ao Supremo Tribunal Federal ou ao Superior Tribunal de Justiça para fins de afetação, determinando a suspensão do trâmite de todos os processos pendentes, individuais ou coletivos, que tramitem no Estado ou na região, conforme o caso.); não vinculação do órgão ad quem (A escolha feita pelo presidente ou vice-presidente do tribunal de justiça ou do tribunal regional federal não vinculará o relator no tribunal superior, que poderá selecionar outros recursos representativos da controvérsia.) e relator do órgão ad quem (O relator em tribunal superior também poderá selecionar 2 (dois) ou mais recursos representativos da controvérsia para julgamento da questão de direito independentemente da iniciativa do presidente ou do vice-presidente do tribunal de origem. SLIDES: suspensão do processamento de todos os processos pendentes, individuais ou coletivos, que versem sobre a questão; requisição da remessa de mais feitos; requisição de informações aos órgãos inferiores; intimação das partes nos demais feitos sobrestados; julgamento deverá ocorrer em um ano; possibilidade de desistência (do recurso (A desistência do recurso não impede a análise de questão cuja repercussão geral já tenha sido reconhecida e daquela objeto de julgamento de recursos extraordinários ou especiais repetitivos.) da ação (A desistência ou o abandono do processo não impede o exame de mérito do incidente. Se não for o requerente, o Ministério Público intervirá obrigatoriamente no incidente e deverá assumir sua titularidade em caso de desistência ou de abandono.)) PRONUNCIAMENTOS QUALIFICADOS ELEMENTOS COMUNS PARA FORMAÇÃO: ampla divulgação/publicidade; dever de congruência (delimitação da matéria/tese discutida); ampliação do debate (admissão de amicus curiae); designação de audiências públicas e participação do Ministério Público, dever de motivação, coerência e integridade, disciplina de superação (overruling = modificações normativas ou sociais acerca da matéria, que impactam o próprio precedente formado, demandando a sua releitura por não mais se coadunar com a realidade jurídica ou social. por se tratar da "derrubada" de um precedente firmado, pode ser feita pelo parlamento (mediante alteração legislativa), pela própria corte que o proferiu ou por corte hierarquicamente superior.), disciplina de distinção (distinguishing = análise mediante contra-analogia das peculiaridades fáticas entre o caso a ser decidido e o caso paradigma, que se prestam a afastar o precedente e a conferir tratamento diferenciado ao que lhe foi dado. o afastamento do precedente se dá apenas por se tratar de direito não aplicável ao caso concreto, de modo que a técnica possa ser aplicada por qualquer órgão julgador (ainda que de hierarquia inferior àquele que elaborou o precedente)). CONSEQUÊNCIAS COMUNS DO JULGAMENTO: aplicação aos feitos futuros; autorização de julgamento monocrático de recursos; autorização para sentença liminar de improcedência; impedimento da remessa necessária e autorização de julgamento monocrático de CPC (O relator poderá julgar de plano o conflito de competência quando sua decisão se fundar em tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em incidente de assunção de competência.) PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DOS RECURSOS PRINCÍPIO DA TAXATIVIDADE Conforme o princípio da taxatividade, consideram-se recursos somente aqueles designados por lei federal, pois compete privativamente União legislar sobre essa matéria (art. 22, I, da CF/1988). Por conseguinte, não há como admitir a criação de recursos pelos tribunais brasileiros, razão pela qual se deve reputar inconstitucional a previsão, em regimento interno de tribunal, de qualquer espécie de recurso. Dando ênfase a tal princípio, o art. 994 estabelece um rol de recursos cabíveis no âmbito do processo civil. Em que pese a literalidade do dispositivo transcrito transmitir a ideia de que apenas os recursos nele enumerados são admitidos, o rol ali descrito não é exaustivo, existindo outros recursos previstos em leis extravagantes, a exemplo do recurso inominado no âmbito dos Juizados Especiais Comuns (Lei nº 9.099/1995) e Juizados Especiais Federais (Lei nº 10.259/2001). PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO Resultado de construção jurisprudencial, que não tem previsão expressa em lei e que não interfere na contagem de prazo para a interposição do recurso próprio, o pedido de reconsideração deve ser interposto no prazo recursal, aguardando-se uma solução ao pedido ainda dentro de tal prazo, e no caso de omissão judicial até o vencimento do prazo recursal, deve a parte interpor o recurso adequado, que poderá perder o objeto na hipótese de acolhimento do pedido de reconsideração. Seu objetivo não seria substituir o recurso cabível, poderia ser utilizado tão somente nas hipóteses de decisões que não sofrem os efeitos da preclusão, porque nesse caso o juiz poderia modificar sua decisão mesmo de ofício (matérias de ordem pública), devendo-se permitir o pedido de reconsideração. Fora dessas hipóteses, a possibilidade de o juiz se retratar de sua decisão estaria limitada à interposição de recurso que permita o juízo de retratação. CORREIÇÃO PARCIAL Apenas as sentenças, osacórdãos e as decisões interlocutórias, enfim, os atos com conteúdo decisório, em face da possibilidade de causarem gravame à parte, ensejam a interposição de recurso. De acordo com o art. 1.001, dos despachos não cabe recurso. Entretanto, para evitar prejuízo, decorrente da inversão tumultuária da ordem processual, a praxe forense instituiu uma medida sui generis, que não se confunde com recurso, denominada correição parcial. Tal medida, que consta apenas em regimentos de alguns tribunais e na lei que disciplina a Justiça federal (arts. 6º, I, e 9º da Lei nº 5.010/1966), tem um prazo de 5 dias para ser interposto e destina-se à reparação de ato do juiz para o qual não haja previsão de recurso e que, em razão de erro (in procedendo) ou abuso, pode causar dano irreparável à parte. No que tange à adequação, cumpre observar que tal pressuposto relaciona-se com o princípio da singularidade, mas com ele não se confunde. Em razão da singularidade, a parte há que escolher, no elenco dos recursos, apenas um, não se admitindo, como regra, a interposição de dois recursos simultâneos. REMESSA NECESSÁRIA A remessa necessária, ou reexame necessário como já conhecido no CPC ainda vigente (art. 475). O artigo 496 do NCPC, inserido no Capítulo XIII, “Da Sentença e da Coisa Julgada”, trata da remessa necessária. A ideia é bastante simples: não produzirá efeitos senão após confirmada pelo tribunal (duplo grau de jurisdição obrigatório), a sentença: i) proferida contra a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias e fundações de direito público; e ii) que julgar procedentes, no todo ou em parte, os embargos à execução fiscal. Nesses casos, ultrapassado o prazo de 15 dias para a interposição de recurso de apelação (lembre-se de que os prazos recursais, à exceção dos embargos de declaração – 05 dias –, foram unificados em 15 dias – NCPC, art. 1.003, §5º), o juiz ordenará o envio dos autos ao tribunal respectivo. Se não o fizer, o presidente do aludido tribunal poderá avocar a demanda. Até esse ponto, não há muita novidade além das alterações terminológicas. As inovações aparecem nos §§ 3º e 4º do artigo 496, que trazem exceções à remessa necessária. Em um primeiro momento, em vez dos atuais 60 salários mínimos como parâmetro geral (CPC, art. 475, §2º), o NCPC utiliza três critérios diferentes tendo como base o valor da condenação ou do proveito econômico obtido, fazendo, ainda, distinções entre os entes federativos. Desse modo temos: §3º – Não se aplica o disposto neste artigo quando a condenação ou o proveito econômico obtido na causa for de valor certo e líquido inferior a: 1.000 salários mínimos (para a União e as respectivas autarquias e fundações de direito público); 500 salários mínimos (para os Estados, o Distrito Federal, as respectivas autarquias e fundações de direito público, e os Municípios que constituam capitais dos Estados) e 100 salários mínimos (para todos os demais municípios e respectivas autarquias e fundações de direito público). Num segundo momento, as exceções à remessa necessária trazem como balizas as hipóteses de coerência da sentença em relação a entendimentos consolidados. Dessa forma, também não haverá remessa necessária quando a sentença estiver fundamentada em: súmula de tribunal superior; acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos; entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de assunção de competência; ou entendimento coincidente com orientação vinculante firmada no âmbito administrativo do próprio ente público, consolidada em manifestação, parecer ou súmula administrativa. Além de fortalecer a desejada solidificação de um sistema brasileiro de respeito ao precedente judicial, o dispositivo também se mostra atento às orientações vinculantes firmadas na esfera administrativa, largamente utilizadas nas procuradorias e consultorias jurídicas em geral. Isso impedirá a contradição de haver remessa necessária em relação a uma decisão que se fundamentou num parecer vinculante do próprio ente administrativo que é parte. RECURSO ADESIVO Antes tratado no art. 500 do CPC/1973, o conhecido recurso adesivo também aparece no CPC/2015 em seu art. 997, §2º, sendo, agora, admissível na apelação, no recurso extraordinário e no recurso especial (inciso II). Tecnicamente, não se trata de uma nova espécie recursal, por óbvio, constituindo, em verdade, uma forma especial de interposição desses recursos (apelação, RE e REsp) no prazo em que a parte dispõe para responder. O Novo Código deixa de mencionar os embargos infringentes, tendo em vista que atualmente configuram espécie recursal extinta (v. rol do art. 994), notadamente em função da adoção da técnica de julgamento prevista no vigente art. 942 do CPC/2015. O recurso adesivo, portanto, é espécie de recurso subordinado, contrapondo-se ao recurso independente, interposto regularmente no prazo legal previsto pelo Código. Suas características essenciais são: i) interposição no prazo para resposta do recurso principal interposto pela outra parte; ii) subordinação ao recurso independente, de modo que, havendo desistência ou inadmissibilidade no recurso principal, o recurso adesivo automaticamente não será conhecido; iii) cabível apenas nos casos de sucumbência recíproca, a fim de garantir, à parte que recorre adesivamente, o necessário interesse recursal. A interposição adesiva do recurso de apelação, recurso especial ou recurso extraordinário (a eles somado o recurso ordinário constitucional quando fizer as vezes de uma apelação – v. CPC/2015, arts. 1.027 e 1.028), permite que a parte aguarde eventual recurso da parte contrária para, só então, apresentar também a sua irresignação no prazo para resposta, subordinando-se ao recurso principal independente inicialmente interposto. Caso nenhuma das partes interponha qualquer recurso, contentando-se com os capítulos da decisão que lhe foram favoráveis (ainda que tenha sucumbido em outros), haverá imediato trânsito em julgado do pronunciamento judicial, evitando-se o prolongamento da demanda e prestigiando a celeridade processual. PRINCÍPIO DA COLEGIALIDADE Dentre vários princípios processuais penais, existe o princípio da colegialidade, pelo qual a parte tem o direito de, no seu recurso a um tribunal, ter o julgamento por um órgão colegiado. Consoante entendimento doutrinário, o princípio da colegialidade está ligado ao princípio do duplo grau de jurisdição, este que, ainda que não absoluto, decorre da própria estrutura do poder judiciário do Brasil, por isso entendido como implícito, bem como de expressa disposição do Pacto de San José da Costa Rica (artigo 8, item 2, h) – o que o torna, em verdade, explícito. Com o princípio da colegialidade a reavaliação do caso, ao invés de ser feita por um único magistrado, passa a ser analisada e discutida por um grupo deles, o que garantiria, em tese, uma melhor decisão. Nesse sentido, ele é um dos princípios processuais penais mais proeminentes, de acordo com Nucci, que ensina que “o relevante consiste em proporcionar a discussão de teses, a contraposição de ideias, enfim, o nobre exercício do convencimento e da evolução da aplicação do Direito.” (Manual de Processo Penal e Execução Penal, 6 ed., RT, página 111). Não obstante, esse princípio não é absoluto, enseja, para alguns, a oportunidade de exceção. Dessarte, em alguns casos excepcionais é possível que o princípio da colegialidade, aparentemente, seja afastado, quando o regimento interno do tribunal permite que determinada matéria seja julgada monocraticamente pelo relator. Mas isso só é possível quando a matéria tenha jurisprudência consolidada do tribunal, sumulada ou não.Assim, parece que realmente não existe exceção ao princípio da colegialidade porque a matéria julgada monocraticamente já foi discutida pelo tribunal. Com efeito, nessas hipóteses, o tribunal delega a um membro seu (relator), em favor do princípio da celeridade processual, a decisão de acordo com o que é entendimento costumeiro do tribunal. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DO JULGAMENTO DO MÉRITO Necessidade de se revelar vícios não graves. O objetivo a ser alcançado pelo CPC é a satisfação do pedido em tempo razoável, mediante a decisão de mérito, sendo que o princípio da cooperação, ou seja, da ação de boa-fé das partes, deve ser apreciado no interesse de todos. Dessa forma verifica-se que a orientação do novo CPC, desde o primeiro grau até a apreciação de recursos no STF, é toda no sentido de prestigiar o julgamento de mérito que é, efetivamente, o interesse de quem procura a Justiça. Sendo possível de ser sanada a irregularidade, o erro material, ou o pequeno defeito, não se admite mais a não apreciação do processo em decorrência de uma falha que pode ser sanada, dando- se às partes o direito à apreciação do mérito de seu pedido e, ao mesmo tempo, acelerando-se a decisão dos processos, transmitindo ao jurisdicionado maior confiança no poder judiciário. É interessante ressaltar que vícios sanáveis são aqueles que, concretamente podem ser sanados, pois a nulidade insanável é incompatível com o processo. Exemplifica-se como sanáveis os vícios quanto à representação das partes, a regularização de procuração, a comprovação de que houve o pagamento de custas, todos vícios que podem, inclusive, ser conhecidos sem provocação das partes, de ofício. artigos 4, 932 - §único, 938 - §1º, 1007 - §2º e §7º, 1.107 - §3º e 1029 - § 3º. PRINCÍPIO DA SINGULARIDADE Em decorrência do princípio da singularidade ou unirrecorribilidade, cada decisão comporta uma única espécie de recurso. Consequentemente, não se admite a divisão do ato judicial para efeitos de recorribilidade, devendo-se ter em mente, para aferir o recurso cabível, o conteúdo mais abrangente da decisão no sentido finalístico. Exemplo: no caso de a sentença que resolve uma mesma relação processual conter uma parte agravável – na qual se decidiu questão incidente – e outra apelável – na qual se decidiu a lide –, o recurso mais amplo (apelação) absorve o menos amplo (agravo de instrumento). A única exceção que se poderia invocar ao princípio da unirrecorribilidade refere-se à previsão, contemplada no art. 1.031 (art. 543 do CPC/1973), de interposição simultânea de recursos extraordinário e especial. Todavia, nessa hipótese a infringência ao princípio é apenas aparente, uma vez que cada um dos recursos se refere a uma parte ou capítulo da decisão recorrida: o recurso extraordinário relaciona-se à matéria constitucional; o recurso especial à matéria infraconstitucional. O que o princípio da unirrecorribilidade ou singularidade veda é a interposição simultânea de dois ou mais recursos contra a mesma parte ou capítulo da decisão. Observe-se também que, na eventualidade de se oporem embargos de declaração em face da sentença ou acórdão contra o qual, posteriormente, se vai recorrer, também não há infringência do princípio da singularidade. Isso porque sequer há simultaneidade entre os embargos de declaração e o recurso que lhes suceder, uma vez que primeiro são interpostos os embargos e só depois da decisão destes é que há ensejo para outro recurso. Por fim, cabe mencionar julgamento do STJ que envolveu o princípio da singularidade. Segundo a corte, desde que respeitada a adequação formal, o princípio da unirrecorribilidade não veda a interposição de um único recurso para impugnar mais de uma decisão, a despeito de ser prática incomum (REsp 1.112.559/TO, Rel. Min. Nancy Andrighi, j. 28.08.2012). No caso, a parte interpôs um agravo de instrumento em face de duas decisões interlocutórias: a primeira, que extinguiu a exceção de pré-executividade, e a segunda, que autorizou o levantamento da quantia depositada. O agravo não foi conhecido pelo Tribunal local, o que ensejou a reforma pelo STJ. PRINCÍPIO DA CONSUMAÇÃO "A prática de qualquer ato processual produz "imediatamente a constituição, a modificação ou a extinção de direitos processuais" (art. 158) [art. 200 do CPC/2015]. É o fenômeno da preclusão consumativa, segundo a qual "realizado o ato, não será possível pretender tornar a praticá-lo, ou acrescentar-lhe elementos que ficaram de fora e nele deveriam ter sido incluídos, ou retirar os que, inseridos, não deveriam tê-lo sido". Logo, interposto o recurso, extingue-se, tout court, o direito de impugnar o provimento, não importa se admissível ou não". "O princípio da consumação tem larga aplicação no campo dos recursos. Conforme já assinalado, as razões de apelação, por exemplo, não comportam ampliações ou modificações. É irrelevante, a esse propósito, a manifestação dentro do prazo de 15 dias iniciado com a intimação da sentença, porque tal prazo se extinguiu, no ato da interposição, a teor do art. 158 [art. 200 do CPC/2015]. Por outro lado, a interposição do apelo parcial, significa aquiescência com a parte remanescente da sentença e, por idêntico motivo, é inadmissível a parte interpor outra apelação. Tal comportamento infringiria o princípio da singularidade. [O princípio da consumação subsidiou, de modo relativamente bem-sucedido, a impossibilidade de a parte realizar o preparo no dia seguinte ao da interposição. E a correta formação do instrumento de agravo, instruído com as peças obrigatórias, representa ônus do agravante, não se tolerando, em homenagem ao princípio da consumação, a correção ulterior dos traslados]". 34 Impugnação no bojo de contrarrazões? Dispõe o § 1.º do art. 1.009 que "As questões resolvidas na fase de conhecimento, se a decisão a seu respeito não comportar agravo de instrumento, não são cobertas pela preclusão e devem ser suscitadas em preliminar de apelação, eventualmente interposta contra a decisão final, ou nas contrarrazões" (grifei). Essa possibilidade também não afetaria o princípio da unirrecorribilidade? PRINCÍPIO DA COMPLEMENTARIEDADE Os recursos devem ser interpostos no prazo previsto no CPC, juntamente com as razões do inconformismo, sob pena de preclusão. "Pelo princípio da complementaridade, o recorrente poderá complementar a fundamentação de seu recurso já interposto se houver alteração ou integração da decisão, em virtude de acolhimento de embargos de declaração. Não poderá interpor novo recurso, a menos que a decisão modificativa ou integrativa altere a natureza do pronunciamento judicial, o que se nos afigura difícil de ocorrer". Há que se atentar para a jurisprudência que veda o conhecimento da apelação interposta quando da sentença ainda pende decisão de embargos de declaração a ela opostos (apelação prematura) e a posição adotada pelo art. 1.024, § 5.º, do CPC/2015: "Se os embargos de declaração forem rejeitados ou não alterarem a conclusão do julgamento anterior o recurso interposto pela outra parte antes da publicação do julgamento dos embargos de declaração será processado e julgado independentemente de ratificação". Para Daniel Amorim Assumpção Neves "O princípio da complementaridade, aceito pela doutrina e jurisprudência, mas não presente explicitamente no CPC/1973, vem expressamente consagrado no art. 1.024, § 3.º, do novo CPC ao prever que, caso o acolhimento dos embargos de declaração implique modificação da decisão embargada, o embargado que já tiver interposto outro recurso contra a decisão originária tem o direito de complementar ou alterar suas razões, nos exatos limites da modificação, no prazo de 15 dias, contados da intimação da decisão dos embargos de declaração". PRINCÍPIO DA PERSONALIDADE O princípioda personalidade dos recursos determina que o recurso somente poderá beneficiar a parte que recorreu, de modo que segundo a proibição de reformatio in pejus, quem recorreu não pode ter sua situação agravada no julgamento do recurso. Mas há exceções, que são: Quando se tratar de assistência simples, de litisconsórcio unitário e de litisconsórcio simples, nos casos, apenas, de defesas comuns para solidariedade passiva. PRINCÍPIO DA VOLUNTARIEDADE Conforme afirmado em linhas anteriores, a parte não está obrigada a interpor recurso contra a decisão que lhe for desfavorável. Contudo, se não o fizer, arcará os ônus respectivos. Por exemplo, se a sentença condena o réu a pagar determinada quantia e este não interpõe apelação, a decisão transita em julgado, sujeitando-o, em caráter definitivo, ao que restou decidido. A voluntariedade também está presente na desistência do recurso. Consoante o art. 998, “o recorrente poderá, a qualquer tempo, sem a anuência do recorrido ou dos litisconsortes, desistir do recurso”. Trata-se de ato voluntário que, diferentemente do que ocorre com a desistência da ação após a contestação, independe da manifestação (concordância ou discordância) por parte do recorrido. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE Ao interpor recurso, exige-se que ele seja formulado por meio de petição pela qual a parte não apenas manifeste sua inconformidade com o ato judicial impugnado, mas, também e necessariamente, indique os motivos de fato e de direito pelos quais requer o novo julgamento da questão nele cogitada. Na apelação, constata-se a presença do princípio da dialeticidade no inciso II do art. 1.010, que traz como requisito da peça recursal a indicação das razões do pedido de reforma ou de decretação da nulidade da sentença. No agravo de instrumento, do mesmo modo, o legislador elenca como um dos requisitos da petição inicial “as razões do pedido de reforma ou de invalidação da decisão e o próprio pedido” (art. 1.016, III). Na jurisprudência, as Súmulas nº 282, 284 e 287 do Supremo Tribunal Federal8 e as Súmulas nº 126 e 182 do STJ também se referem ao princípio da dialeticidade. Vale ressalvar que apesar da exigência de impugnação específica, o STJ considera que a reiteração de argumentos elencados na petição inicial ou na contestação não implica, por si só, a ausência de requisito objetivo de admissibilidade do recurso de apelação, constem no apelo recursal os fundamentos de fato e de direito evidenciadores do desejo de reforma da sentença. PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE RECURSAL Como decorrência do princípio da singularidade, analisado no tópico anterior, a impugnação do ato judicial deve ser realizada por meio do recurso adequado para tal mister, sob pena de inadmissão da via recursal utilizada por ausência de um dos requisitos de admissibilidade (cabimento). Não obstante, em certas situações em que há dúvida objetiva a respeito do recurso cabível para impugnar determinada decisão, admite-se o recebimento de recurso inadequado como se adequado fosse, de modo a não prejudicar a parte recorrente por impropriedades do ordenamento jurídico ou por divergências doutrinárias e jurisprudenciais. A possibilidade de admissão de um recurso pelo outro decorre da aplicação do princípio da fungibilidade, não contemplado expressamente no CPC/1973, mas que ganha força no novo Código. O § 3º do art. 1.024, por exemplo, prevê a possibilidade de recebimento e processamento dos embargos de declaração como agravo interno, entendimento que já era contemplado na jurisprudência (STJ, EDcl nos EAREsp 252.217/ES, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, 3ª Seção, julgado em 11.06.2014). No âmbito dos recursos extraordinários, o novo CPC também admite a fungibilidade entre o REsp e o RE. É o que se pode perceber da leitura dos arts. 1.032 e 1.033. A admissão do princípio da fungibilidade exigia, segundo a doutrina majoritária, a presença de dois requisitos: dúvida objetiva sobre qual é o recurso cabível (inexistência de erro grosseiro) e interposição do recurso “inadequado” no prazo do recurso cabível. Com o novo Código de Processo Civil, excetuados os embargos de declaração, o prazo para interposição dos demais recursos (apelação; agravo de instrumento; agravo interno; recurso ordinário; recurso especial e extraordinário; agravo em recurso especial ou extraordinário; e embargos de divergência) será de quinze dias. Creio, assim, que a discussão quanto à observância (ou não) do prazo recursal para aplicação da fungibilidade só terá relevância quando a parte pretender efetivamente impugnar a decisão, mas, para tanto, utilizar os embargos de declaração. Ainda assim, se adotada a precaução anterior – interposição no prazo do recurso escolhido –, não deve mais haver discussão. PRINCÍPIO DA PROIBIÇÃO DA REFORMATIO IN PEJUS Consoante o princípio da proibição da reformatio in pejus, é vedada a reforma da decisão impugnada em prejuízo do recorrente e, consequentemente, em benefício do recorrido. Desse modo, sendo interposto recurso por determinado motivo, o órgão julgador só pode alterar a decisão hostilizada nos limites em que ela foi impugnada, não podendo ir além. Trata-se, como se vê, de consectário lógico do princípio do dispositivo, segundo o qual o órgão jurisdicional somente age quando provocado (art. 2º), e do princípio da congruência, pelo qual o julgador está vinculado ao pedido formulado pela parte (arts. 141 e 492, por extensão). Caso ambas as partes interponham recurso contra uma decisão, a princípio, não haverá que se falar em aplicação do princípio em comento. É que, em tal situação, o provimento de um recurso em detrimento do outro pode ensejar, nos limites dos recursos interpostos, prejuízo a um dos recorrentes. Entretanto, mesmo na hipótese descrita pode ocorrer a incidência do princípio da proibição da reformatio in pejus em favor de um dos recorrentes, como demonstra o seguinte exemplo: em demanda proposta por “A” visando à condenação de “B” ao pagamento da quantia de R$ 10.000,00, a título de danos materiais, o pedido foi julgado parcialmente procedente para condenar “B” ao pagamento de R$ 8.000,00. Inconformado, “A” interpõe apelação buscando majorar a condenação para R$ 10.000,00, ao passo que “B”, também irresignado, interpõe apelação pleiteando tão somente a redução da condenação para R$ 5.000,00. Nesse caso, poderá o tribunal dar provimento a um ou outro recurso, majorando ou reduzindo a verba condenatória sem que haja infringência ao princípio da reformatio in pejus. Todavia, com base no mesmo princípio, não poderá o tribunal entender que não restaram preenchidos os requisitos para que surja o dever de indenizar de “B”, porquanto tal questão não foi objeto dos recursos interpostos e, por conseguinte, a modificação da sentença quanto a essa parte implica prejuízo a “A” sem que haja pedido de “B” a esse respeito. Constitui exceção ao princípio sob análise a apreciação de questões de ordem pública, porquanto conhecíveis de ofício em qualquer tempo e grau de jurisdição (arts. 485, § 3º, e 337, § 5º). Situação interessante ocorre com relação à resolução de mérito realizada pelo tribunal depois de cassar sentença, nos moldes do art. 1.013, § 3º. Conquanto o autor6 recorra da sentença objetivando sua cassação e, posteriormente, julgamento da lide em seu favor, nada obsta a que o tribunal julgue improcedente o pedido formulado na inicial. Não há que se falar em reformatio in pejus, haja vista que, em virtude de a sentença ter sido cassada pelo tribunal, todas as questões discutidas nos autos devem ser apreciadas, o que pode resultar em resolução do mérito em favor ou em prejuízo do autor. Por fim, cumpre ressaltar que, também com fundamento nos princípios do dispositivo e da congruência, não é admitida a reformatioin melius, isto é, a reforma da decisão para melhorar a situação do recorrente além do que foi pedido. PRINCÍPIO DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO Os recursos, por terem como objetivo a impugnação e o reexame de uma decisão judicial, relacionam-se intimamente com o princípio do duplo grau de jurisdição, segundo o qual se possibilita à parte que submeta matéria já apreciada e decidida a novo julgamento, por órgão hierarquicamente superior. O princípio do duplo grau de jurisdição está implicitamente previsto na Constituição, seja como consectário do devido processo legal, seja em decorrência de previsão constitucional acerca da existência de tribunais, aos quais foi conferida competência recursal (arts. 92 a 126 da CF/1988). Embora se trate de princípio ínsito ao sistema constitucional, a sua aplicação não é ilimitada, tanto que a própria Constituição estabelece hipóteses de competência originária de tribunais superiores, nas quais não há possibilidade de interposição de recurso ordinário. Assim, em virtude de o duplo grau de jurisdição não possuir incidência ilimitada, permite-se ao legislador infraconstitucional restringir o cabimento dos recursos, como ocorre, por exemplo, no caso do art. 1.007, § 6º, que prevê a irrecorribilidade da decisão que releva a pena de deserção se provado justo impedimento do recorrente. PRINCÍPIO DO ESGOTAMENTO DAS VIAS RECURSAIS Existe uma ordem natural de interposição de recursos. Não se pode recorrer diretamente para o Supremo quando a parte bem quiser. As vias recursais têm que ser gradualmente esgotadas. O não esgotamento acarreta o não conhecimento do recurso interposto diretamente no tribunal superior. O sistema não pode ser abreviado. Portanto deve-se utilizar todos os recursos cabíveis na instância a quo, não se admite recurso per saltum, normalmente há aplicação na interposição de RE e REsp. Súmula 281 do STF - é inadmissível o recurso extraordinário, quando couber na justiça de origem, recurso ordinário da decisão impugnada. Súmula 207 do STJ - e inadmissível recurso especial quando cabíveis embargos infringentes contra o acórdão proferido no tribunal de origem APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO Os sistemas de resolução de conflitos de lei processual no tempo são: Sistema de Unidade Processual: Iniciado o processo sobre uma lei, esta será aplicada até o final, não incidindo a lei nova sobre ele; Sistema de Isolamento dos Atos: A lei nova será aplicada imediatamente, atingindo diretamente o ato processual, independentemente da fase processual e; Sistema de Fases Processuais: A relação jurídica processual é iniciada quando o autor apresenta em juízo petição inicial, sendo a demanda encerrada por meio de sentença. A relação processual é composta por várias fases (postulatória, ordenatória, saneamento, instrutória e decisória) e dentro delas são praticados inúmeros atos processuais. A lei nova será aplicada quando for dado início a uma nova fase, cabendo às partes controlar a aplicação eletiva da nova lei. No Brasil utilizam-se o Sistema de Isolamento dos Atos e o Sistema das Fases Processuais. Com relação aos recursos, a particularidade é que a aplicabilidade da lei vigente se dará ao tempo da decisão e o novo CPC traz a regulamentação sobre o tema do direito intertemporal em seus artigos 1046, 1047, 1049, 1052, 1053, 1056 e 1063. PROVAS 01 – ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA: (A) O princípio da fungibilidade recursal permite que a parte interponha mais de um recurso contra mesma decisão judicial; (B) Segundo entendimento exarado pelo STF, o princípio do duplo grau de jurisdição é uma garantia constitucional; (C) Tendo sido julgado parcialmente procedente o pedido de danos morais, condenando-se o réu a indenizar o autor em R$ 50.000,00, o autor e réu recorrem e o Tribunal reduz a condenação para R$ 20.000,00. Há, no caso, afronta ao princípio da proibição da reformatio in pejus, vez que agrava a situação do autor; (D) Pelo princípio da consumação. Veda-se que o recorrente modifique recurso já interposto; (E) Uma vez interposta uma espécie recursal incorreta contra uma decisão judicial, se a parte dela desistir, é-lhe autorizada a interposição de espécie recursal correta, se ainda não houver esgotado o prazo. 02 – ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA: (A) O recorrente pode desistir do recurso a qualquer tempo, inclusive após o seu julgamento; (B) Quanto ao juízo de admissibilidade e de mérito, há a possibilidade de o recurso ser não reconhecido e provido; (C) O acórdão proferido no julgamento do incidente de resolução de demandas repetitivas e no do incidente de resolução de demandas repetitivas são de observância obrigatória pelo juiz de primeiro grau; (D) No julgamento da remessa necessária, pode haver a reforma da sentença, inclusive em benefício do particular; Havendo sucumbência recíproca, qualquer espécie recursal pode ser interposta adesivamente. 03 – ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA: (A) Ocorre o efeito substitutivo, quando, tratando-se de error in iudicando, o tribunal mantém a sentença por seus próprios fundamentos; (B) O efeito devolutivo somente está presente nos recursos que permitem a retratação pelo próprio julgador; (C) O efeito obstativo impede que a decisão recorrida surta efeitos; (D) Pelo efeito expansivo, outras matérias, que não aquelas efetivamente impugnadas, são transferidas para o órgão julgador; (E) O efeito regressivo ocorre quando a decisão recorrida é anulada e é determinado o retorno dos autos ao órgão de origem para que nova decisão seja proferida. 04 – ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA: (A) A apelação deve ser julgada pelo órgão colegiado competente (turma ou câmara), não lhe sendo aplicável as hipóteses de julgamento monocrático previstas no Art. 932 do CPC; (B) O CPC de 2015 permite que o juiz profira várias decisões parciais de mérito. No início ou final da fase cognitiva. Independentemente do momento em que proferida a decisão do mérito, caberá apelação; (C) A apelação está sujeita a duplo juízo de admissibilidade; (D) A apelação é cabível contra a decisão, de juiz ou tribunal, que põe fim à fase cognitiva ou extingue a execução; (E) A apelação, como regra, possui efeito suspensivo. 05 – ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA: (A) Em se tratando de autos físicos, a petição de agravo de instrumento deverá ser acompanhada de cópias das peças obrigatórias pela legislação. A falta de qualquer peça obrigatória, impede a admissibilidade do recurso e, ante a preclusão consumativa, não poderá haver a sua juntada posteriormente ao protocolo do recurso; (B) No agravo de instrumento, de regra, não se aplica a técnica de julgamento de ampliação do colegiado; (C) O agravo de instrumento é cabível contra qualquer decisão interlocutória; (D) Proferida decisão interlocutória constante no rol do art. 1.015 do CPC, a parte pode escolher entre a impugnação, por meio de agravo de instrumento, ou ao final, por meio de apelação; (E) Se, na sentença, o juiz proferir decisão interlocutória que faz parte da lista do art. 1.015 do CPC, a parte deverá interpor, concomitantemente apelação e agravo de instrumento. 06 – ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA: (A) O agravo interno pode ser decidido monocraticamente ou pelo órgão colegiado, conforme se enquadre ou não em alguma das hipóteses do art. 932 do CPC; (B) Desprovido o agravo interno por unanimidade, a parte será sancionada, ipso fato, com uma multa processual impeditiva de recursos; (C) O recurso inominado é cabível apenas de sentenças proferidas nos juizados especiais cíveis estaduais; nos federais, caberá apelação; (D) No recurso inominado o preparo deve ser comprovado no ato de interposição do recurso; (E) No recurso inominado, a presença do advogado é obrigatória, ainda que o valor da causa seja inferior a 20salários mínimos. 07 – ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA: (A) Não cabem embargos de declaração contra decisão que a Lei estabelece ser irrecorrível; (B) Interpostos nos tribunais, os embargos serão julgados por órgão colegiado, ainda que interpostos contra decisão monocrática; (C) Não se admitirão novos embargos de declaração, sucessivamente, se os dois primeiros forem considerados protelatórios; (D) Os embargos de declaração devem ser interpostos por escrito, ainda que se trate de decisão proferida na audiência de instrução e julgamento dos juizados especiais; (E) Havendo vários vícios (omissão, obscuridade, contradição e erro material) na decisão judicial, a parte poderá interpor, sucessivamente, tantos embargos de declaração quantos forem os vícios. 08 – ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA: (A) Cabendo contra uma decisão recurso especial e recurso extraordinário, deverá ser interposto apenas o primeiro. (B) Só depois de julgado o recurso especial terá início o prazo para a interposição do recurso extraordinário; (C) O recurso extraordinário somente é cabível, quando se aponta contrariedade à CF de 1988, sendo incabível se for apontada contrariedade à Constituição não mais em vigor, ainda que o fato tenha ocorrido antes de 05 de Outubro de 1988; (D) A repercussão geral da questão é exigida tanto para o recurso especial, quanto para o recurso extraordinário; (E) O CPC estabeleceu a possibilidade de o prequestionamento para a admissibilidade dos recursos especial e extraordinário se dar fictamente; Cabe recurso especial contra acórdão de turma recursal que esteja fundada na interpretação de Lei Federal. 09 – ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA: (A) Para a aplicação do princípio da fungibilidade recursal é necessário que haja dúvida objetiva acerca do recurso adequado para impugnar uma determinada decisão judicial; (B) Segundo o STF, o princípio do duplo grau de jurisdição é uma garantia constitucional (C) Em razão do princípio da proibição da reformatio in pejus, é vedado ao tribunal proferir decisão que agrave a situação do único recorrente, ainda que se trate de matéria de ordem pública; (D) Quanto à aplicação da Lei processual no tempo, em se tratando de recursos, vale a Lei vigente ao tempo da intimação da decisão; (E) Quanto ao juízo de admissibilidade e de mérito, há possibilidade de o recurso ser não conhecido e provido. 10 – ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA: (A) A desistência do recurso depende da anuência da parte contrária; (B) Mesmo se houver alguma particularidade no caso concreto, o acórdão proferido no julgamento do incidente de resolução de demandas repetitivas e no incidente de resolução de demandas repetitivas são de observância obrigatória pelo juiz de primeiro grau; (C) A remessa necessária é aplicável, quando houver decisão contrária à Fazenda Pública, seja ela sentença, decisão interlocutória, acórdão ou decisão monocrática; (D) É intempestivo o recurso interposto antes de a parte ser intimada; (E) Não se conta em dobro o prazo para recorrer quando apenas um dos litisconsortes haja sucumbido. 11 – ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA: (A) O efeito devolutivo ocorre quando a decisão recorrida é anulada e é determinado o retorno dos autos ao órgão de origem para que a nova decisão seja proferida; (B) Pelo novo CPC, a regra é que os recursos em geral possuam efeito suspensivo; (C) Ocorre o efeito substitutivo quando, tratando-se de error in iudicando, o tribunal cassa a decisão recorrida por constatar error in procedendo; (D) Pelo efeito expansivo objetivo, outras decisões, que não aquela efetivamente impugnada pelo recurso, são atingidas pelo julgamento deste.; (E) O efeito regressivo está presente em todos os recursos. 12 – ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA: (A) A correição parcial não pode ser utilizada contra atos omissivos do juiz; (B) Segundo a Doutrina brasileira predominante, os recursos possuem natureza jurídica de extensão do direito de ação; (C) O pedido de reconsideração não tem natureza recursal porém, uma vez apresentado, suspende o prazo para interposição do recurso adequado contra a decisão; (D) No julgamento de remessa necessária, pode haver a reforma de sentença, inclusive em benefício do particular; (E) Segundo a doutrina prevalecente, a desistência do recurso pode ocorrer mesmo se já iniciada a votação. 13 – ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA: (A) O terceiro prejudicado possui legitimidade recursal para interpor recurso, somente pela via independente; (B) A renúncia ao direito de recorrer é passível de retratação; (C) Havendo sucumbência recíproca, qualquer espécie recursal pode ser interposta adesivamente; (D) O beneficiário da gratuidade da justiça não se sujeita ao recolhimento da multa por reiteração de embargos de declaração protelatórios. A multa, para ele, é inexigível mesmo após o trânsito em julgado; (E) Não se sujeita a preparo o recurso interposto em autos que tramitam eletronicamente. 14 – ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA: (A) Quanto ao juízo de admissibilidade e de mérito, há a possibilidade de o recurso ser não conhecido e provido; (B) Como regra, o recurso interposto por um litisconsorte não aproveitará os demais, exceção feita no caso de litisconsórcio unitário; (C) A suspensão do processo sempre implicará a suspensão do prazo recursal; (D) Os prazos recursais não podem ser objeto de redução ou prorrogação, seja pelas partes, seja pelo juiz; (E) O provimento de recurso em que se aponta error in iudicando do juízo a quo leva à cassação da decisão recorrida. 15 – ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA: (A) Pelo princípio da primazia do julgamento do mérito, qualquer vício formal é passível de ser sanado; (B) Pelo princípio da dialeticidade, basta que a parte traga em seu recurso as razões recursais, mesmo que dissociadas da decisão recorrida; (C) O princípio da fungibilidade, quando aplicado, excepciona o requisito de admissibilidade concernente ao cabimento da decisão recorrida; (D) Em razão do princípio da proibição da reformatio in peius, é vedado ao tribunal proferir decisão que agrave a situação do único recorrente, ainda que se trate de matéria de ordem pública; (E) Constitui uma exceção ao princípio da singularidade a interposição conjunta de apelação e agravo de instrumento quando, no mesmo ato decisório, o juiz concede tutela provisória e põe fim à faze cognitiva. 16 – ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA: (A) O agravo interno é o recurso adequado para impugnar decisão monocrática de presidente ou de vice-presidente de tribunal que determina o sobrestamento do recurso especial para aguardar o julgamento do recurso representativo da controvérsia; (B) O cabimento do recurso ordinário para o STJ está condicionado à existência de matéria de Lei Federal; (C) Uma vez desprovido o agravo interno, haverá aplicação imediata da multa prevista no art. 1.021, §4º do CPC; (D) Embargos de declaração não tem o condão de levar à reforma ou invalidação de uma decisão judicial, mas somente integrá-la; (E) Uma vez considerados protelatórios os embargos de declaração, a parte não mais poderá se valer dos embargos de declaração sem que haja os recolhimentos da multa aplicada. 17 – ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA: (A) Ainda que haja matéria constitucional, é incabível recurso extraordinário de acórdão de turma recursal; (B) Mesmo nos casos de presunção de repercussão geral previstos no CPC ou quando o STF já tiver reconhecido a repercussão geral da matéria, a parte não está dispensada de demonstrar a repercussão geral da questão constitucional veiculada em seu recurso extraordinário; (C) O pré-questionamento somente se perfaz, quando a parte interpões embargos de declaração contra a decisão recorrida. Sem a interposição de embargos de declaração, não há pré-questionamento;(D) O recurso extraordinário é cabível quando se apontar contrariedade a dispositivo constitucional. Seja ele da Constituição Federal, seja da Constituição Estadual; (E) Cabendo contra uma mesma decisão recurso especial e recurso extraordinário, deverá ser interposto apenas o primeiro. Só depois de julgado o recurso especial terá início o prazo para a interposição do recurso extraordinário. 18 – ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA: (A) A correição parcial pode ser utilizada contra atos omissivos do juiz; (B) Segundo a doutrina brasileira predominante, os recursos possuem natureza jurídica de extensão do direito de ação; (C) O pedido de reconsideração não tem natureza recursal e, uma vez apresentado, não suspende, nem interrompe o prazo para interposição do recurso adequado contra a decisão; (D) No julgamento da remessa necessária, pode haver a reforma de sentença, inclusive em benefício do particular; (E) Havendo sucumbência reciproca, qualquer espécie recursal pode ser interposta adesivamente. 19 – ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA: (A) O terceiro prejudicado possui legitimidade recursal para interpor recurso, somente pela via independente; (B) Para que haja interesse recursal, é necessária a sucumbência formal; (C) A renúncia ao direito de recorrer é passível de retratação; (D) A desistência do recurso pode se dar a qualquer tempo, inclusive após o seu julgamento; (E) O beneficiário da gratuidade da justiça não se sujeita ao recolhimento da multa por reiteração de embargos de declaração protelatórios. A multa, para ele, é inexigível mesmo após o trânsito em julgado. 20 – ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA: (A) O beneficiário da gratuidade da justiça não se sujeita ao recolhimento da multa por reiteração de embargos de declaração protelatórios. A multa, para ele, é inexigível mesmo após o trânsito em julgado; (B) o recurso interposto por um litisconsorte não aproveitará os demais, exceção feita no caso de litisconsórcio unitário; (C) A suspensão do processo sempre implicará a suspensão do prazo recursal; (D) Os prazos recursais não podem ser objeto de redução ou prorrogação, seja pelas partes, seja pelo juiz; (E) Havendo a insuficiência do valor do preparo, o recurso será considerado deserto se a parte, intimada, não recolher em dobro a diferença verificada. COLOQUE V OU F (V) Na Justiça Federal, o preparo da apelação pode ser comprovado até 5 dias após a interposição do recurso (V) Em razão do princípio da consumação, a parte não pode interpor novamente recurso já interposto, ainda que tenha havido desistência do 1º. (V) Constatado o error in judicando, o órgão ad quem reforma a decisão recorrida (V) No processo civil, somente há remessa necessária de sentenças; jamais de decisões interlocutórias. (F) Constitui hipótese de renúncia ao direito de recorrer o cumprimento espontâneo da decisão, sem reserva alguma (F) O Ministério Público tem legitimidade recursal, inclusive para interpor recurso adesivo, que quando atua como parte, quer como fiscal da lei (F) Ao órgão de interposição somente compete o juízo de admissibilidade do recurso, competindo ao órgão julgador efetuar unicamente o juízo de mérito (F) O efeito devolutivo permite que o órgão prolator da decisão recorrida, reveja o seu entendimento (F) O efeito regressivo faz com que a decisão recorrida seja anulada e os autos retornem para novo julgamento pelo órgão prolator de origem (F) Passado o prazo para contrarrazões, a desistência do recurso somente é válida se houver a concordância do recorrido.