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Respostas do réu na prática
Você vai entender o que significa a resposta do réu na prática, isto é, a manifestação do réu após a
citação. O réu poderá adotar algumas posturas, como: oferecer contestação; oferecer reconvenção; e não
fazer nada, o que ocasionará a decretação da sua revelia.
Prof. Yves Lima
1. Itens iniciais
Propósito
A importância do conteúdo tem um nítido caráter de proteção do réu de eventuais excessos ou equívocos nos
pedidos elaborados pelo autor, de modo que a compreensão da resposta do réu (ou sua ausência) permite o
exercício da ampla defesa e do contraditório pelo réu.
Objetivos
Identificar as matérias de contestação e o seu papel como forma de defesa contra a pretensão do
autor.
 
Analisar o exercício do direito de ação do réu dentro do processo por meio da reconvenção.
 
Analisar as consequências da ausência de contestação do réu no processo e os seus efeitos.
Introdução
A citação é meio que integra o réu na relação jurídica processual, sendo por meio dela que o réu passa a ter
ciência da pretensão do direito do autor. Com a citação, o réu é chamado ao processo para que, querendo,
apresente sua resposta no prazo legal. A compreensão do que pode ser alegado pelo réu possibilita o
exercício do contraditório e da ampla defesa, admitindo, ainda, a pretensão do réu em exercer o direito de
ação dentro do mesmo processo originariamente exercido pelo autor.
Em nosso estudo, serão abordados os conceitos de contestação e reconvenção como respostas típicas do
réu. Note que o CPC/2015 eliminou as exceções e os incidentes de defesa, tendo em vista que a
incompetência relativa passou a ser matéria de contestação, por exemplo.
Por fim, você entenderá o conceito jurídico da ausência de contestação do réu no processo, conhecida como
revelia, bem como os seus efeitos no desenvolvimento regular do processo.
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1. Contestação
O que é a contestação?
Assista ao vídeo para entender o que é a contestação e o seu cabimento, e conferir o prazo para a sua oferta
no processo.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Notas introdutórias sobre a contestação
O réu é integrado à relação jurídica processual por meio da citação, de modo que passa a ter a plena ciência
da demanda ajuizada pelo autor contra ele. Após a ciência do processo instaurado pelo autor, o réu poderá
insurgir contra o pedido inicial formulado.
A citação do réu é requisito de sua validade, ressalvada as hipóteses de indeferimento da petição inicial ou de
improcedência liminar do pedido (art. 239, CPC). É possível que o réu compareça de forma espontânea,
suprindo a falta ou nulidade da citação (art. 239, §1º, CPC).
Ao ser citado, o réu poderá adotar três caminhos:
Contestar o pedido (arts. 355 a 342 do CPC).
Oferecer reconvenção (art. 343 do CPC).
Permanecer inerte, acarretando a decretação da sua revelia (arts. 344 a 346 do CPC).
A contestação é a peça de defesa por excelência, sendo oferecida contra a própria propositura da ação. Assim
como a petição inicial, a contestação subordina-se a uma forma, em regra, é escrita, salvo nos procedimentos
concentrados, podendo ser oferecida oralmente, como ocorre no rito da Lei nº 9.099/95.
Na contestação, o réu deverá alegar toda matéria de defesa, discorrendo sobre as razões de fato e de direito
com que impugna o pedido do autor, além de especificar as provas que pretende produzir (art. 336, CPC).
Prazo
Nos termos do art. 335 do CPC, o prazo para o réu contestar é de 15 dias. A grande problemática surge, no
entanto, para definir o termo inicial da contagem de prazo. Vamos entender melhor!
Art. 335. O réu poderá oferecer contestação, por petição, no prazo de 15 (quinze) dias, cujo termo inicial
será a data: I - da audiência de conciliação ou de mediação, ou da última sessão de conciliação, quando
qualquer parte não comparecer ou, comparecendo, não houver autocomposição; II - do protocolo do
pedido de cancelamento da audiência de conciliação ou de mediação apresentado pelo réu, quando
ocorrer a hipótese do art. 334, § 4º, inciso I; III - prevista no art. 231, de acordo com o modo como foi
feita a citação, nos demais casos. 
(Lei nº 13.105/2015)
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O CPC adota três caminho diversos. Nos termos do inciso I do art. 335 do CPC, o termo inicial será da
audiência de conciliação ou de mediação, ou da última sessão de conciliação, quando qualquer parte não
comparecer ou, comparecendo, não houver autocomposição.
Por outro lado, o termo inicial do prazo será contado da data do protocolo do pedido de cancelamento da
audiência de conciliação ou de mediação apresentado pelo réu, quando a audiência não ocorrer em razão do
desinteresse das partes na composição consensual, nos termos do art. 335, inciso II do CPC.
Não havendo audiência de conciliação ou mediação e não existindo qualquer protocolo de cancelamento de
audiência, a contagem do prazo será nos termos do art. 231 do CPC, isto é, a depender de como foi feita a
citação, tal como preconiza o inciso III do CPC.
Caso a contestação seja apresentada fora do prazo legal, não se deve realizar o seu desentranhamento se:
Contiver defesas que podem ser suscitadas mesmo após o prazo de contestação (art. 342, CPC).
 
For demonstrado que os fatos indicados pelo autor são irrazoáveis para elidir a presunção da
veracidade decorrente da revelia (art. 345, inciso IV, CPC).
 
Divergir das conclusões jurídicas pleiteadas pelo autor, sobre as quais não ocorrerão os efeitos da
revelia.
Atenção: A legislação especial pode estabelecer prazos diferenciados para a contestação, como ocorre no art.
7º, inciso IV da Lei n. 4.717/1965, em que o prazo para contestar é de 20 dias. 
Matérias alegadas na contestação
Assista ao vídeo e confira quais matérias podem ser alegadas na contestação, sejam as prévias ao mérito
sejam as defesas de mérito.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Matérias que podem ser alegadas antes da discussão de mérito
As defesas processuais, também chamadas de defesas indiretas, por não terem como objeto a essência do
litígio, estão previstas no art. 337 do CPC, sendo tratadas na prática como defesas preliminares.
As defesas preliminares devem ser alegadas pelo réu antes de discutir o mérito (art. 337, CPC). O art. 337 do
CPC indica 13 hipóteses. Confira!
I - inexistência ou nulidade da citação; II - incompetência absoluta e relativa; III - incorreção do valor da
causa; IV - inépcia da petição inicial; V - perempção; VI - litispendência; VII - coisa julgada; VIII -
conexão; IX - incapacidade da parte, defeito de representação ou falta de autorização; X - convenção de
arbitragem; XI - ausência de legitimidade ou de interesse processual; XII - falta de caução ou de outra
prestação que a lei exige como preliminar; XIII - indevida concessão do benefício de gratuidade de
justiça.
(Lei nº 13.105/2015)
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Sob a ótica da defesa, as questões acima trazidas pelo art. 337 do CPC inviabilizam a ação e o processo que
antecedem o mérito, por isso a lei as denomina como questões preliminares, cuja discussões gravitam acerca
dos aspectos meramente formais. Excetuadas a convenção de arbitragem e a incompetência relativa, o juiz
conhecerá de ofício as matérias enumeradas no art. 337.
O CPC de 2015 inovou em relação às antigas exceções, que caíram de sua independência de peça e
passaram a figurar nas questões preliminares da contestação. Tal fato ocorre em decorrência da
razoável duração do processo (art. 5º, LXXVIII, CF), abarcada pelo CPC/2015 nos seus arts. 1º e 4º, a
fim de eliminar o formalismo desnecessário que era feito no CPC/1973. Simplificou-se, portanto, o
procedimento para a defesa.
As defesas processuais, por meio de questões preliminares, são divididas de acordo com a consequência do
seu acolhimento. Elas podem ser:
Dilatórias
Nesse caso, o acolhimento não põe fim ao
processo, mas tão somente alarga seu tempo
de duração.
Peremptórias
Nesse caso, quando acolhidas, o processo é
extinto sem resolução de mérito.
No CPC de 2015,contudo, esse raciocínio não pode ser adotado com absoluto rigor, tendo em vista que o art.
282, §2º do CPC preceitua que, quando o juiz puder decidir o mérito a favor da parte a quem aproveita a
decretação de nulidade, o juiz não a pronunciará.
Vejamos alguns exemplos de defesas dilatórias!
Inexistência ou nulidade de citação (art. 337, I, CPC).
Incompetência do juízo (art. 337, II, CPC).
Conexão/continência (art. 337, VIII, CPC).
Agora, vejamos os exemplos de defesas peremptórias!
Inépcia da petição inicial (art. 337, IV, CPC).
Perempção (art. 337, V, CPC).
Litispendência (art. 337, VI, CPC).
Coisa julgada (art. 337, VII, CPC).
Convenção de arbitragem (art. 337, X, CPC).
Carência de ação por falta de interesse de agir e ilegitimidade (art. 337, XI, CPC).
Caso não haja a alegação da existência de convenção de arbitragem, haverá a aceitação da jurisdição estatal
e renúncia ao juízo arbitral (art. 337, §6º).
Atenção
Se o réu alegar não ser parte ilegítima ou não ser o responsável pelo prejuízo invocado, o juiz facultará
ao autor, em 15 dias, a alteração da petição inicial para substituição do réu, possibilitando uma
diminuição dos honorários advocatícios do procurador do réu excluído, que serão fixados entre 3% e 5%
do valor da causa (art. 338, CPC). 
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Em caso de ilegitimidade, há a obrigação do réu em indicar o sujeito passivo sempre que tiver conhecimento,
sob pena de arcar com os prejuízos pela falta de indicação (art. 339, CPC).
Defesa de mérito
Ao contrário das questões preliminares, as defesas de mérito dizem respeito ao próprio direito material
reivindicado ou violado pelo autor. Nesse sentido, na defesa de mérito, o réu pretende sustentar que o direito
material alegado pelo autor não é adequado ao caso concreto ou que ele simplesmente não existe. Desse
modo, impugna-se a pretensão material do direito do autor. Essa impugnação, caso acolhida, acarretará a
improcedência do pedido do autor e, por consequência, a extinção do processo com resolução de mérito, nos
termos indicados no art. 487 do CPC.
A defesa do mérito pode ser direta ou indireta. Vamos entender as diferenças entre elas!
Entende-se por fatos impeditivos aqueles que são anteriores ou simultâneos ao fato constitutivo do direito,
impedindo que gere seus regulares efeitos. Por fatos extintivos, entende-se que são aqueles que colocam fim
a direito, sendo posteriores ao surgimento da pretensão do autor, por exemplo, a prescrição. Já os fatos
modificativos são aqueles que geram uma modificação subjetiva ou objetiva na demanda. Na modificação
subjetiva, pode ocorrer a cessão de crédito com a mudança do credor, ao passo que, na modificação objetiva,
pode ocorrer o parcelamento do crédito – hipótese em que o crédito não poderá ser exigido em sua
totalidade.
Depois da contestação, o réu só poderá suscitar novas alegações quando forem:
Supervenientes ao fato ocorrido.
Cognoscíveis de ofício pelo juiz.
Por expressa disposição legal.
Nesse sentido, a contestação tem o efeito de impedir que o autor desista da ação sem o seu consentimento
(art. 485, §4º do CPC), além de que a extinção do processo por abandono da causa pelo autor dependerá de
requerimento do réu.
É importante pontuar que a ordem da contestação não traduz, necessariamente, uma preferência do
legislador no exame das questões processuais em relação ao mérito da causa. Caso assim fosse, haveria uma
preferência na extinção do processo sem resolução do mérito (art. 485, CPC) no lugar da extinção com
resolução de mérito (art. 487, CPC), contrariando o que preceitua o princípio da primazia do mérito estampado
no art. 6º do CPC.
Ônus da impugnação específica
Assista ao vídeo e aprenda o que é o ônus da impugnação especificada, os deveres inerentes e as
consequências de seu descumprimento.
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Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Defesa direta
O réu enfrenta frontalmente os fatos e os
fundamentos jurídicos expostos pelo autor na
petição inicial, com a finalidade de expurgar
todas as alegações do autor, ou seja, quando
os fatos não ocorreram ou quando o quadro
fático não se adéqua ao caso concreto.
Defesa indireta 
O réu não enfrenta o quadro fático
trazido pelo autor, mas colaciona fato
novo capaz de impedir, modificar ou
extinguir o direito do autor, ampliando,
por conseguinte, o objeto da cognição.
O juiz, portanto, após uma defesa de
mérito indireta, passará a analisar o
contexto fático de forma mais ampla.
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Conceituação e características
O pedido do autor gera para o réu o ônus de impugnar especificadamente os fatos narrados. Nesse sentido, a
defesa, por meio da contestação, deve rebater todos os fatos expostos pelo autor, sob pena de se
presumirem verdadeiros os fatos não impugnados, tal como preconiza o art. 341 do CPC.
No entanto, o art. 341 prevê três exceções. Vamos conhecê-las!
a
Quando não for admissível, a seu respeito, a
confissão.
b
Quando a petição inicial não estiver
acompanhada de instrumento que a lei
considerar da substância do ato.
c
Se estiverem em contradição com a defesa,
considerada em seu conjunto.
Observe que a exceção “c)” exige que o magistrado exerça uma cognição muito maior, porquanto deverá
analisar o processo como um tudo para excetuar o ônus de impugnação específica do réu.
O ônus da impugnação específica dos fatos não se aplica ao defensor público, ao advogado dativo e ao
curador especial (parágrafo único do art. 341 do CPC). Apesar de não ser expresso, há uma ideia de que
esses personagens podem se valer de uma negativa geral dos fatos narrados pelo autor.
O parágrafo único do art. 341 do CPC tem duas diferenças com o correspondente do Código de 1973, pois
exclui o Ministério Público e inclui o defensor público no rol de sujeitos que têm a prerrogativa da negativa
geral. De todo modo, a participação do Ministério público no polo passivo é situação excepcional, de modo
que, quando atuar como curador especial, terá a prerrogativa de negativa geral.
Verificando o aprendizado 
Questão 1
A famosa Jornalista Luciana anunciou, em seu programa, que estava com depressão. João, inimigo número 1
de Luciana, começou a fazer piadas sobre a doença, além de divulgar nas redes sociais todo o seu
tratamento, em tom jocoso. Irritada e triste, Luciana procura um advogado e ajuíza uma ação indenizatória em
face de João, demonstrando que as ofensas de João são irrazoáveis e abalaram ainda mais seu estado
psicológico. Na petição inicial, Luciana deixa claro seu pedido para que não tenha audiência de conciliação. A
juíza, ao receber a petição inicial, não marca a audiência de conciliação e cita João para apresentar sua
resposta. João foi citado no dia 14/04/2023 e o aviso de recebimento foi juntado aos autos no dia útil seguinte
(15/04/2023). Desesperado com a citação, João procura você para advogar para ele, e faz duas perguntas:
 
a) Qual o instrumento processual cabível para responder a demanda indenizatória de Luciana?
b) Qual o prazo para apresentar tal petição?
Chave de resposta
a) Conforme art. 335 do CPC, O réu poderá oferecer contestação, por petição, para impugnar as alegações
do autor. A contestação é a peça de defesa por excelência. O réu que contesta pugna pelo desacolhimento
do pedido da inicial.
b) O prazo é de 15 dias úteis a contar da juntada do aviso de recebimento (AR), nos termos do art. 335 c/c
art. 231, inciso I, ambos do CPC.
2. Reconvenção
O que é a reconvenção?
Assista ao vídeo e confira uma introdução sobre o que é a reconvenção, seu papel dentro do processo e quais
os seus requisitos.
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Notas introdutórias sobre a reconvenção
A reconvenção é um direito de ação do réu dentro do mesmo processo que foi instaurado pelo autor. Ela não
se confunde com a contestação, pois haverá uma ampliação objetiva ulterior do processo, uma vez que
passará a contar com duas ações: a proposta pelo autor e a proposta pelo réu. Não há uma pluralidade de
processos, poiso processo será o mesmo, mas haverá uma ação de natureza reconvencional.
Por outro lado, a reconvenção exige que o réu preencha alguns requisitos que torne possível sua propositura,
já que não é qualquer pretensão do réu que pode ser objeto de reconvenção, devendo haver uma conexão
entre o que está sendo discutido.
Exemplo
Imagine que o autor discute um contrato “A”. Ao propor a reconvenção, o réu deverá fundamentar seu
pedido com base no contrato “A”, cuja discussão foi trazida pelo autor. Há, portanto, a necessidade de
uma similitude entre o que foi proposto pelo autor e o que foi proposto pelo réu. 
Segundo Fux (2019), a reconvenção existe com base no princípio da economia processual, com a finalidade de
que o processo seja capaz de resolver uma maior quantidade de problemas com a menor atividade possível.
Isso porque a reconvenção faz “exsurgir no processo uma cumulação objetiva de pedidos, de caráter
contrastante, viabilizando ao juiz, numa só sentença, julgar a ação e a reconvenção” (Fux, 2019, p. 267).
Além disso, para conferir maior economia processual e efetividade, é necessário que sejam preenchidos
alguns requisitos.
Procedimento da reconvenção
Assista ao vídeo e confira as características e fases procedimentais da reconvenção, bem como uma
discussão se ela é uma faculdade ou ônus do réu.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Características e fases procedimentais
A reconvenção poderá ser proposta conexa com a ação principal ou com fundamento da defesa. Ao propor a
reconvenção, o réu assume uma posição ativa no processo, da mesma forma que o autor também pleiteia a
proteção de um direito material. O réu se tornará autor (autor/reconvinte) e o autor se tornará réu (réu/
reconvindo).
Por ter natureza de nova ação, haverá a necessidade de recolhimento de custas iniciais. Uma vez proposta,
mesmo que o autor desista da ação principal, com ou sem resolução do mérito, a reconvenção não será
prejudicada (art. 343, §2º, CPC).
Nesse sentido, a reconvenção pode ser formulada na própria contestação, a teor do que dispõe o art. 343 do
CPC. No Código de 1973, o tratamento era diverso, pois a reconvenção era apresentada por petição autônoma
e simultânea à contestação. A reconvenção só será admitida se o juízo da causa originária for competente
para dela conhecer.
O termo conexão existente no art. 343 do CPC não é empregado da mesma forma que em outras
passagens no CPC, como no art. 55. Isso porque a reconvenção como pressuposto da própria
reconvenção deve ser compreendida a partir da exigência de algum traço de similitude entre a
reconvenção e a ação originária que justifique a pretensão do réu em propor reconvenção.
Em outro giro, por ter uma natureza jurídica de ação, haverá a necessidade de pressupostos processuais
específicos, como os indicados por Daniel Assumpção Amorim Neves. Confira!
(a) litispendência: para que exista reconvenção é indispensável que exista a demanda originária; (b)
identidade procedimental: considerando-se que a ação originária e a ação reconvencional seguirão
juntas, sendo inclusive decididas por uma mesma sentença, o procedimento de ambas deve ser o
mesmo; (c) competência: o juízo da ação originária é absolutamente competente para a ação
reconvencional, de forma que, sendo a competência absoluta dessa ação diferente da ação originária,
será proibido o ingresso de ação reconvencional, devendo a parte ingressar com a ação autônoma
perante o juízo absolutamente competente; (d) conexão com a ação originária ou com os fundamentos
de defesa.
(Neves, 2017a)
O juiz, ao receber a reconvenção, poderá indeferir a petição inicial (arts. 330 e 356), sendo cabível agravo de
instrumento dessa decisão (art. 356, §5º do CPC).
A reconvenção, em regra, é uma demanda do réu em face do autor. Isso não afasta, por outro lado, que o réu-
reconvinte faça litisconsórcio com terceiro para ajuizar demanda reconvencional em face do autor-reconvindo
(art. 343, §4º, CPC). Como exemplo, é o caso de o autor ajuizar ação em face de apenas um dos codevedores
solidários e, o réu, em litisconsórcio com seu codevedor, reconvir para requerer a invalidação do contrato em
discussão.
Se o autor for substituto processual, o reconvinte deverá afirmar ser titular de direito em face do substituído, e
a reconvenção deverá ser proposta em face do autor, que nessa hipótese também ocorrerá na qualidade de
substituto processual (art. 343, §5º do CPC).
Proposta a reconvenção, deve ser intimado o autor para apresentar sua resposta, no prazo de 15 dias. Poderá,
ainda, oferecer reconvenção para a reconvenção, apresentando ambas na mesma peça processual.
Faculdade do réu
A reconvenção é uma faculdade do réu. Da mesma forma, o réu poderá, ao invés de contestar, opor apenas a
reconvenção. Não há qualquer vedação legal na oposição de reconvenção desacompanhada de contestação.
Se o réu não propuser a reconvenção, poderá ajuizar uma ação autônoma que poderia ser manejada no prazo
da reconvenção, que é o mesmo da contestação.
Para Neves (2017a), não há qualquer situação de desvantagem para o réu que deixa de reconvir. Observe!
Não é possível vislumbrar qualquer situação de desvantagem processual ao réu que deixa de reconvir,
situação diametralmente oposta àquele que deixa de contestar, que será considerado revel. Nesse
sentido, afirma-se corretamente que a contestação constitui um ônus do réu, enquanto a reconvenção
constitui tão somente uma faculdade. A própria natureza de ação dessa espécie de resposta fundamenta
sua natureza de mera faculdade processual, não se podendo admitir que o réu perca o seu direito de
ação por uma simples omissão processual. O prazo para a reconvenção, portanto, é meramente
preclusivo, significando que o réu não mais poderá reconvir após o seu transcurso, mas a via autônoma
continuará a existir para o exercício de seu direito de ação.
(Neves, 2017a, p. 684)
Caso o réu não proponha a reconvenção, a propositura de ação autônoma pode gerar um resultado similar,
isto é, não há qualquer prejuízo direto com a ausência de reconvenção. Com efeito, havendo a propositura de
ação autônoma, havendo conexão, as demandas serão reunidas perante juízo prevento que ficará responsável
pelo julgamento conjunto dos processos (art. 58, CPC).
Verificando o aprendizado
Questão 1
João e Guilherme, advogados conceituados na cidade de João Pessoa, discutem sobre alguns aspectos
processuais em um caso comum do escritório em que dividem a sociedade. João fala a Guilherme que vai
defender o cliente por meio de contestação, pois era incabível a propositura de reconvenção caso ele optasse
por fazer a contestação. Guilherme retruca o sócio e diz que a reconvenção pode ser proposta
independentemente da contestação. Sobre o caso narrado, discorra sobre a opinião de João e Guilherme.
Chave de resposta
Conforme §6º do art. 336 do CPC, o réu pode propor reconvenção independentemente de oferecer
contestação. Além disso, o art. 343 do CPC admite, inclusive, que a reconvenção seja trazida na própria
peça de contestação. Nesse sentido, resta claro que João está equivocado e que Guilherme respondeu de
forma correta. Vale dizer que a resposta por meio de contestação não impede a propositura de
reconvenção.
3. Revelia
A revelia e os seus efeitos
Assista ao vídeo e aprenda o que é a revelia e quais são seus efeitos, tanto materiais – presunção relativa de
veracidade das alegações de fato autorais – como processuais.
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Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Notas introdutórias sobre a revelia
O réu pode, caso queira, não se manifestar acerca da pretensão deduzida pelo autor no processo ou
simplesmente perder o prazo para apresentar sua resposta. Nesses casos, como não há defesa, o réu será
considerado revel e, por consequência, serão presumidas como verdadeiras as alegações de fato formuladas
pelo autor, vide art. 344: “Se o réu não contestar a ação, será considerado revel e presumir-se-ão verdadeiras
as alegações de fato formuladas pelo autor”.
Apesardo art. 344 do CPC confundir o conceito de revelia com os seus efeitos, trata-se de elementos
independentes. A revelia é a ausência de contestação. Se o réu apresentar a contestação, mas de forma
intempestiva, será revel, porque apesar da contestação existir, não foi oposta no prazo legal, atraindo para o
caso concreto os efeitos da revelia. Vale dizer que a revelia não é um efeito jurídico, ela está no plano dos
fatos, sendo um ato-fato jurídico.
Efeitos
Caso não exista contestação do réu ou sendo oposta fora do prazo legal, haverá revelia. Quatro são os efeitos
dessa conduta do réu, confira!
Fatos alegados pelo autor são reputados como verdadeiros (efeito material).
 
Desnecessidade de intimação do réu revel.
 
Preclusão em desfavor do réu do poder de alegar algumas matérias de defesa (efeito processual,
ressalvadas aquelas previstas no art. 342 do CPC).
 
Julgamento antecipado do mérito, caso ocorra o efeito material da revelia.
Em razão da ausência de resposta do réu, é comum considerar presumidamente verdadeiros os fatos narrados
pelo autor. Por outro lado, o juiz não estará vinculado aos argumentos do autor simplesmente porque o réu
não apresentou sua defesa, ao revés, essa presunção é relativa, podendo ser afastada no caso concreto. A
revelia, portanto, não implica vitória do autor, uma vez que sua existência não significa o reconhecimento da
procedência do pedido pelo réu.
Deve-se, portanto, tomar cuidado com o efeito material da revelia, visto que sua presunção está condicionada
à expressa advertência de sua possibilidade no momento da citação do réu. Com a finalidade de reduzir o uso
indiscriminado da revelia, é possível notar que o art. 345 do CPC estabelece que, em certas situações, não se
operará a presunção de veracidade. Confira!
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Audiência.
Art. 345. A revelia não produz o efeito mencionado no art. 344 se: I - havendo pluralidade de réus, algum
deles contestar a ação; II - o litígio versar sobre direitos indisponíveis; III - a petição inicial não estiver
acompanhada de instrumento que a lei considere indispensável à prova do ato; IV - as alegações de fato
formuladas pelo autor forem inverossímeis ou estiverem em contradição com prova constante dos autos.
(Lei Nº 13.105/2015)
Sobre a presunção relativa quanto aos efeitos da revelia, veja, a seguir, o que Alexandre Câmara preceitua.
O efeito material é a presunção da veracidade das alegações de fato formuladas pelo autor (art. 344).
Dito de outro modo, caso o réu não conteste, o juiz deverá presumir que tudo aquilo que o autor tenha
alegado na petição inicial a respeito dos fatos da causa é verdadeiro. Essa presunção é relativa, iuris
tantum, o que implica dizer que ela admite prova em contrário. E é exatamente por isso que ao réu revel
é autorizada a produção de contraprovas, ou seja, de provas que busquem afastar a presunção de
veracidade das alegações de fatos formuladas pelo autor, desde que ingresse no processo a tempo de
produzi-las (art. 349). E isto porque, nos termos do art. 346, parágrafo único, o revel pode intervir no
processo em qualquer fase, recebendo-o no estado em que se encontre (o que impede, então, de
praticar atos que já estejam cobertos pela preclusão).
(Câmara, 2017)
O art. 346 do CPC aduz que os prazos contra o réu revel que não tenha patrono fluirão da data de publicação
do ato decisório no órgão oficial. Nesse sentido, não haveria necessidade de intimação do réu revel, bastando
a publicação do ato decisório no diário oficial. Contudo, em determinadas hipóteses de intimação pessoal,
deverá ser observada a intimação pessoal do réu revel, por exemplo, o depoimento pessoal e a exibição de
documentos.
Caso o réu revel tenha advogado constituído nos autos, o patrono deverá ser intimado de todos os atos
processuais.
Ainda nos efeitos da revelia, é importante
registrar que o art. 355, inciso II do CPC,
permite o julgamento antecipado do mérito se o
réu for revel e não houver requerimento de
prova. Por outro lado, se o juiz considerar
presumidamente verdadeiros os fatos alegados
pelo autor, não haveria, em tese, a necessidade
de produção de provas, mesmo que requeridas
pelo réu revel.
Além disso, mesmo o réu sendo revel, não é
permitido ao autor aditar ou alterar o pedido ou
a causa de pedir, salvo caso promova nova
citação do réu, nos termos do art. 329, inciso II
do CPC.
Ingresso do réu revel no processo
Assista ao vídeo e confira as consequências do ingresso do réu revel no curso do processo, bem como as do
não ingresso, esclarecendo quando isso pode ensejar o ajuizamento da querela nullitatis.
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Participação do revel no processo
Antigamente, havia um entendimento que a ausência de manifestação do réu seria uma ofensa ao Poder
Judiciário. Em realidade, a não atuação do réu se traduziria em pouco caso com o processo. Com efeito, a
doutrina entende que o réu não deve ser punido por seu estado de revelia, ao revés, a ausência de
manifestação do réu é uma escolha.
Em linhas gerais, após a citação, é possível que o réu:
Apareça e apresente sua resposta.
Apareça e não apresente resposta.
Não apareça.
Caso o réu apareça e não apresente defesa ou apresente fora do prazo, nada impede que produza prova (art.
349 do CPC e enunciado nº 231 do STF).
A participação do réu revel no procedimento probatório não deve ser vista com tanta simplicidade como se
poderia entender pela mera leitura do art. 346 do CPC, tal como preconiza Daniel Assumpção Amorim Neves.
Confira!
No campo probatório, entretanto, a aparente simplicidade da regra prevista no art. 346, parágrafo único,
do CPC pode esconder algumas complicações. Naturalmente a regra continua a ser aplicada, mas é
imprescindível para fixar o seu exato alcance a percepção de que a prova surge no processo mediante
um procedimento probatório, sendo a participação do réu revel condicionada no momento desse
procedimento probatório quando ingressa no processo. A súmula 231 do Supremo Tribunal Federal
permite a produção de prova pelo réu revel, mas há limitações que dependem no momento do ingresso
no processo. Na tentativa de solucionar os dilemas surgidos quanto à participação do réu revel na
instrução probatória, o CPC prevê em seu art. 349 que ao réu revel será lícita a prova produção de
provas, contrapostas às alegações do autor, desde que se faça representar nos autos a tempo de
praticar os atos processuais indispensáveis a essa produção. A regra está posta, mas cabe à doutrina
esmiuçá-la. 
(Neves, 2017a)
Nesse sentido, o réu revel pode ingressar no processo e participar a qualquer momento, recebendo o
processo no exato estado em que ele se encontra. Obviamente, deve o réu respeitar todas as preclusões
operadas no processo, de modo que sua participação ocorra no momento de sua intervenção, tal como
consta expressamente no art. 346, parágrafo único, do CPC.
Querela nullitatis
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Caso o réu seja revel e tenha sido proferida sentença em seu desfavor, sem que tenha havido citação válida
(art. 525, §1º, I e art. 535, I, ambos do CPC), ele poderá ajuizar uma ação autônoma chamada de querela
nullitatis, cuja o objeto é a impugnação da sentença nula.
Essa ação autônoma é mais um instrumento de proteção do réu revel, pois, se for constatado algum vício na
sentença que tenha prejudicado o réu, o ato judicial deverá ser declarado nulo, especialmente em se tratando
de ausência ou nulidade da citação, com a finalidade de preservar o exercício da ampla defesa e do
contraditório do réu.
Verificando o aprendizado
Atividade Discursiva
Sandoval, em sua caminhada habitual pela manhã, no Rio Grande do Sul, foi atingido no peito por uma faca do
apartamento 1726, do Condomínio Vista Alegre. Com o impacto, Sandoval teve um corte profundo e perdeu
muito sangue, momento em que foi socorrido por pessoas que passavam no local do acidente. Julia e João
Paulo levaram Sandoval para o hospital mais próximo, onde ficou internado por 20 dias.
 
Durante a internação, Sandoval ficouabalado psicologicamente, pois é raro imaginar que um indivíduo,
durante uma caminhada matinal, pudesse ser ferido com uma faca jogada por um morador de outro
apartamento – no caso, morador do apartamento 1726, do Condomínio Vista Alegre. Sandoval alega que ficar
tanto tempo no hospital foi algo que ele jamais imaginava que fosse acontecer e que tal conduta deve ser
reparada.
 
Sandoval é advogado renomado e ganha em média R$ 2.000,00 por dia trabalhado, mesmo aos finais de
semana. Durante o período internado, ele deixou de receber R$ 40.000,00.
 
Após receber alta, Sandoval resolveu ajuizar uma ação indenizatória em face do condomínio, sustentando que
todos os danos da sua internação foram causados pela faca oriunda do apartamento 1726, além dos danos
morais decorrentes. Desse modo, nos pedidos, Sandoval requereu a condenação do condomínio em R$
40.000,00 a título de danos materiais e R$ 20.000,00 a título de danos morais.
 
Citado, o Condomínio Vista Alegre, representado pelo síndico, procura você para atuar com o caso em juízo.
Já que advogará para o condomínio, elabore a peça processual cabível para a defesa dos interesses do seu
cliente.
Chave de resposta
A peça processual cabível é uma contestação (art. 335, CPC) à ação indenizatória proposta por Sandoval.
O condomínio deverá alegar sua ilegitimidade passiva (art. 337, CPC) em relação ao ferimento da faca
ocasionado pelo apartamento 1726, isto é, como há a identificação do condômino, o proprietário da
unidade autônoma é responsável pela prática do ato danoso, nos termos do art. 938 do Código Civil.
Deverá, ainda, alegar que o condomínio não tem obrigação de arcar com nenhuma indenização, pois é
responsabilidade do proprietário do apartamento 1726. Registre-se que a ilegitimidade passiva deverá ser
alegada antes de adentrar o mérito, nos termos do art. 337 do CPC. O condomínio deverá, ainda, impugnar
todos os fatos que foram alegados equivocadamente, utilizando o art. 341 do CPC. Por fim, deve requerer
a improcedência do pedido autoral e extinção do processo sem resolução do mérito, com base no art. 485,
inciso VI do CPC e requerer o arbitramento de honorários advocatícios em seu favor.
4. Praticando
Ação de Usucapião de Bem Imóvel em Condomínio
Maria e João residem em um imóvel urbano de 200 m² há mais de 15 anos, ocupando-o sem interrupções ou
oposição. Durante esse período, eles realizaram melhorias significativas no imóvel, incluindo reformas
estruturais, pagamento integral das taxas condominiais e tributos relacionados. Inicialmente, Maria e João
eram apenas locatários, mas, devido ao encerramento do contrato de locação há muitos anos, o proprietário
original deixou de entrar em contato, e eles passaram a se comportar como proprietários, assumindo todos os
encargos financeiros e responsabilidades de manutenção do bem.
 
Em 2004, João adquiriu metade do imóvel em hasta pública, mantendo-se como co-proprietário do bem junto
ao antigo proprietário. Desde então, ele e Maria afirmam ter mantido a posse exclusiva e pacífica do imóvel.
 
Em 2023, ambos decidiram ingressar com uma ação de usucapião para regularizar sua situação. O caso gira
em torno da possibilidade de reconhecimento da usucapião do imóvel completo, apesar de João ser co-
proprietário da metade adquirida em leilão.
Fundamentação Jurídica
Para a resolução deste caso, os alunos devem considerar os seguintes dispositivos da legislação brasileira,
veja.
Constituição Federal de 1988
Direito à propriedade (art. 5º, XXII) e função social da propriedade (art. 5º, XXIII).
Código Civil
Art. 1.238 - Disposições sobre usucapião extraordinária, que trata da posse mansa, pacífica e
com ânimo de dono, por 15 anos ininterruptos, sem oposição.
Art. 1.240 - Usucapião especial urbano, aplicável em caso de posse por cinco anos, limitado a
250 m² e sem ser proprietário de outro imóvel urbano ou rural.
Art. 1.240-A - Usucapião especial familiar, permitindo que cônjuges ou companheiros
requeiram a usucapião da totalidade de um bem de propriedade exclusiva.
Código de Processo Civil de 2015
Art. 343, que regulamenta a reconvenção, onde o réu pode propor um pedido próprio em face
do autor no mesmo processo.
Art. 335 e seguintes, que estabelecem o prazo para contestação e as matérias que podem ser
levantadas.
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Neste caso, há uma análise de se João e Maria preenchem os requisitos de posse mansa e pacífica, com
exclusividade e animus domini, para usucapir a totalidade do bem, considerando as peculiaridades de sua
posse.
Jurisprudência
Para aprofundar a análise, é fundamental que os alunos confrontem os detalhes do caso com jurisprudências
atualizadas do STJ, especialmente sobre o direito de usucapir um bem em condomínio e a possibilidade de
usucapião por co-proprietário. As decisões recentes, como o REsp 1909276 - RJ (2019/0300693-7),
estabelecem que o condômino pode usucapir a outra parte do imóvel, desde que comprove a posse exclusiva
e com animus domini sobre o bem.
 
Nesta decisão, o STJ entendeu que a posse do co-proprietário pode ser convertida em propriedade exclusiva,
caso ele detenha posse exclusiva e pacífica do bem e que a contestação por si só não interrompe o prazo da
usucapião, devendo haver uma oposição efetiva que interrompa o decurso do prazo aquisitivo.
 
Pontos-chave da decisão:
 
O reconhecimento de que o condômino pode usucapir a outra parte do bem, desde que comprove
posse exclusiva e o exercício de todos os direitos e encargos como se fosse o único proprietário.
 
A usucapião pode ocorrer mesmo quando o prazo legal é completado durante o processo.
 
O animus domini é um elemento central, devendo ser demonstrado com evidências de que a posse do
imóvel é exercida com caráter de dono.
Discussão Doutrinária
Para ajudar os alunos a entenderem o embasamento teórico do caso, sugerimos o estudo das seguintes
doutrinas:
1
Rizzardo, Arnaldo. Direito das Coisas
Este autor comenta as peculiaridades do instituto da usucapião e a possibilidade de usucapião entre
co-proprietários, enfatizando a necessidade da posse exclusiva e pacífica para se caracterizar o
animus domini.
2
Fux, Luiz. Curso de Direito Processual Civil
A análise de Fux sobre a economia processual, especialmente na reconvenção, pode ser um ponto
importante ao tratar do direito do réu de propor reconvenção nos casos onde há litígios sobre a
posse.
3
Amorim Neves, Daniel Assumpção
O autor destaca os requisitos processuais da reconvenção e a importância da identidade
procedimental para que as demandas relacionadas ao mesmo bem possam ser julgadas
conjuntamente, maximizando a eficiência do processo judicial.
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• 
Essa discussão doutrinária permite que os alunos aprofundem sua análise sobre como os requisitos
processuais e materiais se integram ao conceito de usucapião em condomínio. As doutrinas devem levar os
alunos a refletirem sobre a evolução da interpretação dos requisitos para a usucapião e a relevância do direito
de propriedade alinhado à função social, abordando também a responsabilidade de quem ocupa o imóvel em
manter o ânimo de posse pacífica.
Questão 1
Na qualidade de advogado(a), elabore um parecer jurídico sobre o caso proposto. Analise o problema,
identifique os fundamentos jurídicos pertinentes, como artigos da Constituição, leis ordinárias ou
complementares, decisões recentes dos tribunais superiores e teorias doutrinárias. Fundamente o parecer nos
termos da legislação brasileira vigente e jurisprudências aplicáveis. Apresente recomendações práticas, com
embasamento jurídico sólido, justificando cada posição adotada, e discuta os riscos e possíveis implicações
legais para as partes envolvidas.
Chave de resposta
I. Contextualização e Análise do Problema
Trata-se de uma análise do direito à usucapião por coproprietário em condomínio, especificamente no
contexto em que João e Maria, ocupantes de um imóvel de 200 m², buscam usucapir a totalidade do bem
após a aquisição de metade dele em hasta pública por João. Eles exercem posse pacífica, contínuae
exclusiva, com animus domini, há mais de 15 anos, além de arcarem com todas as despesas e tributos
referentes ao imóvel.
A questão central é a possibilidade de João e Maria usucapirem a totalidade do bem, considerando que
João já possui metade do imóvel. Para isso, será necessário verificar o preenchimento dos requisitos legais
para a usucapião extraordinária, bem como analisar a aplicabilidade de jurisprudência e doutrina sobre o
tema.
II. Fundamentos Jurídicos
Constituição Federal: A Constituição de 1988 garante o direito à propriedade (art. 5º, XXII) e o
princípio da função social da propriedade (art. 5º, XXIII), ambos fundamentais para o embasamento
da usucapião, especialmente para assegurar que o uso prolongado e pacífico de um bem imóvel
possa ser convertido em propriedade.
Código Civil de 2002:
Artigo 1.238: Trata da usucapião extraordinária, permitindo a aquisição da propriedade para
quem possua um imóvel de forma contínua e pacífica, com animus domini, pelo prazo de 15
anos.
Artigo 1.240: Define a usucapião especial urbana, estabelecendo que o possuidor não deve
ser proprietário de outro imóvel urbano ou rural.
Artigo 1.240-A: Trata da usucapião especial familiar, que permite a usucapião integral de um
imóvel de co-propriedade entre cônjuges ou companheiros.
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2. 
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◦ 
◦ 
Código de Processo Civil de 2015:
Art. 343: Trata da reconvenção, que possibilita ao réu apresentar um pedido no mesmo
processo movido pelo autor.
Art. 335 e seguintes: Definem o prazo para contestação e as matérias que podem ser
alegadas pelo réu.
III. Jurisprudência
O Recurso Especial nº 1909276/RJ (2019/0300693-7) do STJ estabelece precedentes relevantes,
indicando que o co-proprietário pode usucapir a parte restante do imóvel desde que exerça posse
exclusiva e mansa, com animus domini. O acórdão ainda confirma que a contestação do proprietário não
interrompe o prazo de usucapião, pois é necessária uma oposição efetiva.
No caso específico do REsp 1909276/RJ, o STJ decidiu que:
É admissível que um co-proprietário usucapir o imóvel em sua totalidade, desde que comprove a
posse exclusiva, duradoura e com ânimo de dono.
A usucapião pode ser reconhecida mesmo que o prazo aquisitivo seja completado durante o curso
da ação de usucapião.
Não é suficiente a simples contestação; o direito do proprietário deve ser exercido efetivamente
para interromper o prazo.
IV. Discussão Doutrinária
Para consolidar o entendimento jurídico sobre a usucapião em condomínio, recomenda-se a leitura de
autores como Arnaldo Rizzardo e Luiz Fux:
Arnaldo Rizzardo: Em Direito das Coisas, o autor destaca que a usucapião em condomínio é possível
quando o co-proprietário exerce posse exclusiva e incontestada do bem, sob uma ótica de função
social e estabilidade na propriedade. Esse entendimento reforça a possibilidade de usucapião no
caso de João e Maria, onde a posse é pacífica e sem oposição.
Luiz Fux: Em Curso de Direito Processual Civil, o autor discute a economia processual no contexto
da reconvenção e da necessidade de o réu ter a oportunidade de responder no mesmo processo.
Essa abordagem fundamenta a atuação de João e Maria ao proporem um pedido consolidado para
adquirir a propriedade integralmente.
V. Riscos e Implicações Legais
Probabilidade de Sucesso: João e Maria apresentam uma boa chance de êxito na ação de
usucapião, considerando o longo período de posse pacífica e ininterrupta, bem como o fato de que
o STJ vem aceitando a possibilidade de usucapião por co-proprietários que exercem posse
3. 
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• 
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1. 
exclusiva.
Riscos Jurídicos: Um dos principais riscos é a eventual contestação do proprietário da outra
metade, caso ele alegue que a posse de João e Maria foi inicialmente precária, por conta do vínculo
locatício. Contudo, o STJ já decidiu que a posse do locatário pode ser convertida em posse com
animus domini quando há mudança substancial na situação fática e comportamentos de
proprietário.
Consequências para o Autor da Ação: Caso o pedido seja deferido, João e Maria se tornarão
proprietários integrais do imóvel. Caso a usucapião seja negada, ambos poderão manter o imóvel na
condição de co-proprietários, ficando João com 50% do bem. A negativa também permitiria que o
antigo proprietário exigisse aluguel proporcional referente à parte de que é titular.
VI. Recomendações Práticas
Documentação da Posse: João e Maria devem reunir provas de sua posse pacífica e exclusiva (ex.:
comprovantes de pagamento de tributos e taxas de condomínio, documentos de melhorias e
reformas), além de testemunhas que comprovem sua presença contínua no imóvel.
Estratégia Processual: Recomenda-se que João e Maria argumentem, com base no REsp 1909276/
RJ, que sua posse não é contestada formalmente e que sua conduta no imóvel caracteriza um
comportamento de proprietários. Eles devem enfatizar que a usucapião não prejudica o direito de
terceiros e visa regularizar a situação de posse prolongada.
Acompanhamento de Alterações Legislativas: A legislação sobre posse e propriedade pode ter
modificações que impactem o entendimento sobre usucapião. Recomenda-se que João e Maria
mantenham-se atentos a eventuais mudanças para adequar a argumentação.
Assista ao vídeo a seguir para obter mais explicações sobre o assunto.
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Tema: Prática Civil
Módulo: Respostas do réu na prática
Título: Notas introdutórias sobre a contestação 
“A contestação é a peça de defesa por excelência, sendo oferecida contra a própria propositura da ação.
Assim como a petição inicial, a contestação subordina-se a uma forma, em regra, é escrita, salvo nos
procedimentos concentrados, podendo ser oferecida oralmente, como ocorre no rito da Lei no 9.099/95.”
RECURSO ESPECIAL No 1909276 - RJ (2019/0300693-7 
Desafio 1
2. 
3. 
1. 
2. 
3. 
Carlos emprestou R$ 100.000,00 a João, que reconheceu a dívida por e-mail. Carlos, diante do não
pagamento, pretende utilizar a ação monitória para reaver o valor. Com base nas opções processuais de
resposta, analise o que João poderá fazer ao ser citado na ação monitória.
A Apresentar uma contestação dentro do prazo, sem necessidade de juntar provas. 
B Apresentar reconvenção como defesa exclusiva. 
C Permanecer inerte, mas evitar qualquer efeito prejudicial. 
D Contestar e requerer a improcedência do pedido, oferecendo provas. 
E Ignorar a citação, pois a dívida reconhecida por e-mail não é válida como prova em juízo.
A alternativa D está correta.
A ação monitória visa cobrar uma dívida baseada em documento escrito, como o e-mail enviado por João.
Para se defender, ele deve contestar a ação e requerer a improcedência, conforme permite o CPC (art.
335). A contestação, segundo o art. 336 do CPC, exige que o réu apresente as provas necessárias para
fundamentar sua defesa. Permanecer inerte (alternativa c) resultaria em revelia e presumiria como
verdadeiros os fatos alegados por Carlos, conforme o art. 344 do CPC. A reconvenção (alternativa b) é
facultativa e deve estar relacionada a uma demanda autônoma, o que não se aplica neste caso.
Para saber mais sobre esse conteúdo, acesse: 
Módulo: Resposta do réu na prática
Título: Notas introdutórias sobre a contestação
“Na contestação, o réu deverá alegar toda matéria de defesa, discorrendo sobre as razões de fato e de
direito com que impugna o pedido do autor, além de especificar as provas que pretende produzir (art. 336,
CPC). “
Desafio 2
Ao analisar a possibilidade de Maria e João usucapirem a totalidade do imóvel, é fundamental considerar os
requisitos legais para a usucapião. O Código Civil brasileiro prevê a usucapião extraordinária. Sobre os
requisitos exigidos, assinale a alternativa correta:
A São necessários 10 anos de posse ininterrupta com oposição.
B O animus domini deve ser provado apenas por meio de declarações.
C A posse deve ser mansa, pacífica e sem interrupção por 15 anos.
D João não precisa provar posseexclusiva, bastando comprovar copropriedade.
E Usucapião não é possível se o imóvel tiver dívidas tributárias pendentes.
A alternativa C está correta.
A posse para usucapião deve ser sem interrupção ou oposição por 15 anos, conforme o art. 1.238 do
Código Civil. O animus domini deve ser demonstrado por comportamento de proprietário, e a posse não
pode ser meramente declaratória.
Para saber mais sobre esse conteúdo, acesse: 
Módulo: Resposta do réu na prática
Título: Notas introdutórias sobre a contestação
" O réu é integrado à relação jurídica processual por meio da citação, de modo que passa a ter a plena
ciência da demanda ajuizada pelo autor contra ele. Após a ciência do processo instaurado pelo autor, o réu
poderá insurgir contra o pedido inicial formulado. "
5. Conclusão
Considerações finais
Este conteúdo enumerou e esclareceu as respostas do réu na prática, desde a apresentação da contestação e
a propositura de reconvenção até aos efeitos da sua não apresentação. A obrigatoriedade de ouvir o réu
torna-se imprescindível para o cânone constitucional do contraditório.
Nesse sentido, o direito de defesa do réu tem origem no próprio contraditório e no devido processo legal. A
não apresentação de defesa, por sua vez, pode ser uma opção do próprio réu, mas não escapará da
decretação da revelia, que não confunde o seu conceito com seus efeitos, como se pretendeu diferenciar no
decorrer do estudo. Isso porque a revelia é apenas a ausência de contestação, ao passo que seus efeitos são
aplicados de forma relativa, podendo ser afastados pelo juiz no caso concreto.
Não houve pretensão de exaurimento do conteúdo, mas de demonstrar os principais pontos para
compreensão da apresentação formal da resposta do réu, cujo conteúdo é bastante variado, admitindo-se a
defesa direta e indireta, bem como a divisão entre a contestação e a reconvenção.
Explore +
Para saber mais sobre as respostas do réu, consulte Processo Civil, de Daniel Mitidiero, publicado pela
Thomson Reuters Brasil em 2021. Vale a leitura!
Referências
CABRAL, A. do P.; CRAMER, R. (Coords). Comentários ao Novo Código de Processo Civil. Rio de Janeiro:
Forense, 2015.
 
CÂMARA, A. F. O Novo Processo Civil Brasileiro. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2017.
 
DIDIER JR., F. Curso de Direito Processual Civil: introdução ao direito processual civil, parte geral e processo
de conhecimento. 20. ed. Salvador: Juspodivm, 2018.
 
FUX, L. Teoria Geral do Processo Civil. 3. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2019.
 
MEDINA, J. M. G. Código de Processo Civil Comentado. 6. ed. rev., atual. e ampliada. São Paulo: Thomson
Reuters Brasil, 2020.
 
NEVES, D. A. A. Manual de Direito Processual Civil. 8. ed. Salvador: Juspodivm, 2017a.
 
NEVES, D. A. A. Novo Código de Processo Civil Comentado. 2. ed. Salvador: Juspodivm, 2017b.
	Respostas do réu na prática
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	1. Contestação
	O que é a contestação?
	Conteúdo interativo
	Notas introdutórias sobre a contestação
	Prazo
	Matérias alegadas na contestação
	Conteúdo interativo
	Matérias que podem ser alegadas antes da discussão de mérito
	Dilatórias
	Peremptórias
	Atenção
	Defesa de mérito
	Ônus da impugnação específica
	Conteúdo interativo
	Conceituação e características
	a
	b
	c
	Verificando o aprendizado
	Questão 1
	2. Reconvenção
	O que é a reconvenção?
	Conteúdo interativo
	Notas introdutórias sobre a reconvenção
	Exemplo
	Procedimento da reconvenção
	Conteúdo interativo
	Características e fases procedimentais
	Faculdade do réu
	Verificando o aprendizado
	Questão 1
	3. Revelia
	A revelia e os seus efeitos
	Conteúdo interativo
	Notas introdutórias sobre a revelia
	Efeitos
	Ingresso do réu revel no processo
	Conteúdo interativo
	Participação do revel no processo
	Querela nullitatis
	Verificando o aprendizado
	4. Praticando
	Ação de Usucapião de Bem Imóvel em Condomínio
	Fundamentação Jurídica
	Constituição Federal de 1988
	Código Civil
	Código de Processo Civil de 2015
	Jurisprudência
	Discussão Doutrinária
	Rizzardo, Arnaldo. Direito das Coisas
	Fux, Luiz. Curso de Direito Processual Civil
	Amorim Neves, Daniel Assumpção
	Conteúdo interativo
	5. Conclusão
	Considerações finais
	Explore +
	Referências

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