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ENSAIO DE COMPRESSÃO Prof. Fernando Ferreira Del Monte. Universidade de Franca Notas de Aula 2 Ensaio de Compressão consiste na aplicação de carga de compressão uniaxial crescente em um corpo de prova específico. A deformação linear, obtida pela medida da distância entre as placas que comprimem o corpo versus a carga de compressão, consiste na resposta desse tipo de ensaio. Na utilização na indústria de construção civil (concretos e madeira) deve-se levar em conta o teor de água contido nos corpos de prova e sua idade. Quando um material é submetido a cargas de compressão, as relações entre tensão e deformação são similares àquelas obtidas no ensaios de tração. Até a tensão de escoamento o material comporta-se elasticamente, sendo aplicável a lei de Hooke. Ultrapassando esse valor, ocorre deformação plástica, e , com o avanço da deformação, o material endurece (encruamento), e, à medida que o corpo é comprimido na direção longitudinal, ocorre um aumento no diâmetro da seção transversal do corpo de prova. Industria da Construção Civil a) Esboço do ensaio de compressão em corpo de prova cilíndrico b) Resultado da fratura observada em materiais frágeis c) Resultado do embarrilhamento observado em materiais dúcteis a) Corpo de prova com razão Lₒ/Dₒ inadequada b) Flambagem para corpos de prova dúcteis c) Flambagem devida ao cisalhamento das placas de compressão Distribuição das tensões de compressão e cisalhamento no corpo de prova de material dúctil, com destaque para o perfil de deformação e a formação do embarrilhamento Limite de Escoamento à Compressão (σe) Para determiná-lo quando o material ensaiado não apresenta um patamar de escoamento nítido, utiliza-se a mesma metodologia empregada no ensaio de tração, em que se adota um deslocamento da origem no eixo da deformação de 0,002 ou 0,2% de deformação e a construção de uma reta paralela à região elástica do gráfico tensão-deformação. Limite de Resistência à Compressão (σu) Máxima tensão que o material pode suportar antes da fratura. É determinada dividindo-se a carga máxima pela área inicial do corpo de prova Dilatação Transversal (φ) Esse parâmetro equivale ao coeficiente de estricção determinado no ensaio de tração e está relacionado com a plasticidade do material. Os materiais extremamente dúcteis raramente são submetidos ao ensaio de compressão devido a seu comportamento instável de deformação Observa-se que cada grão tem sua própria linha de escorregamento, ocorrendo interferência entre direções de escorregamento e produzindo uma deformação bastante irregular Material: Cobre Os materiais frágeis, como o concreto e o ferro fundido, em função da presença de trincas microscópicas, são geralmente fracos em condições de tração, já que tensões de tração tendem a propagar essas trincas, que se orientam perpendicularmente ao eixo de tração. Nessas condições, a resistência à tração apresentada é baixa e varia de modo considerável com a amostra utilizada. Por outro lado, esses materiais são resistentes à compressão; para materiais frágeis, o limite de resistência à compressão pode chegar à ordem de 8 a 10 vezes o valor correspondente no ensaio de tração. Comparação entre Tração e Compressão Materiais Frágeis Embora a deformação elástica máxima em materiais cristalinos (metais em geral) seja geralmente muito pequena, a tensão necessária para produzir essa deformação é relativamente elevada. Essa relação tensão/deformação é alta porque a tensão aplicada trabalha em oposição às forças de restauração das ligações primárias. O comportamento elástico desses materiais sob compressão é o mesmo que em condições de tração, e a curva tensão-deformação em compressão será meramente uma extensão da curva de tração, embora o limite de escoamento na compressão geralmente se apresente mais elevado que o equivalente na tração. Curva Tensão Compressão-Deformação Materiais Cristalinos Alguns materiais não cristalinos, como o vidro e alguns polímeros, podem também apresentar elasticidade linear, contudo, nos materiais não cristalinos (polímeros e elastômeros) é mais comum o comportamento elástico não linear. Esses materiais, na maioria dos casos, apresentam maiores níveis de resistência mecânica na compressão. As tensões de compressão aplicadas aos elastômeros causam, inicialmente, uma maior eficiência no preenchimento do espaço interno do material. Na proporção em que esse espaço disponível diminui, aumenta a resistência a uma compressão ainda maior, até que, finalmente, as forças de ligação primária dentro das cadeias dos elastômeros começam a se opor à tensão aplicada. Dessa forma, a curva tensão-deformação em compressão aumenta mais rapidamente sua inclinação à medida que a deformação cresce. Curva Tensão Compressão- Deformação para Elastômeros Algumas substâncias celulares, como a madeira, podem apresentar razoável rigidez em condições de compressão, até que a tensão seja suficiente para causar um empilhamento elástico das paredes das células, quando então pode-se verificar uma deformação considerável sem aumento significativo da tensão, voltando a aumentar a rigidez quando as células ficarem bem compactadas. Curva Tensão Compressão- Deformação Materiais Celulares (Madeira) Durante o ensaio, devem ser monitoradas continuamente tanto a aplicação da carga quanto o deslocamento das placas ou a deformação do corpo de prova. Algumas precauções devem ser tomadas para a correta determinação das propriedades durante o ensaio, sendo a principal com relação à flambagem do corpo de prova, que pode ocorrer devido a: • Instabilidade elástica causada pela falta de uniaxialidade na aplicação da carga • Comprimento excessivo do corpo de prova • Torção do corpo de prova no momento inicial de aplicação da carga Os corpos de provas utilizados deverão ser preferencialmente confeccionados na forma cilíndrica, sendo divididos em três categorias para o caso de materiais metálicos: Curto, Médio e Longo. No que diz respeito ao aspecto da fratura, em materiais frágeis a ruptura ocorre nos planos de máximas tensões cortantes, normalmente a 45° do eixo de aplicação da carga. Os materiais dúcteis apresentam uma deformação excessiva no centro do comprimento devido ao embarrilhamento. Esse fato pode levar o material a fraturar internamente durante o ensaio, e a fratura deverá se apresentar no centro longitudinal do corpo de prova. Dimensões dos Corpos de Provas ensaiados em Compressão (ASTM E 9:2000) Relação entre porcentagem de água e tensão de ruptura em compressão longitudinal em madeiras Imperfeições crescimento do caule Relação entre a incidência de defeitos versus a tensão máxima suportada pela madeira O concreto é um material cerâmico e capaz de suportar elevadas cargas compressivas, mas é bastante fraco quando se trata de cargas de tração. Cimento é definido como um aglomerante hidráulico obtido pela moagem simultânea de pedras de minerais calcários e argilosos e gesso. O cimento adquire propriedade adesiva quando misturado à água. Isso acontece porque a reação química do cimento com a água, gera produtos que possuem características de aderência e endurecimento. Deve-se observar que os diferentes minerais no cimento reagem de forma diferente durante a hidratação. Dessa forma, as propriedades finais do composto deverão dependerda composição relativa do tipo de mineral constituinte. Geralmente, são necessárias algumas semanas para que o concreto atinja suas características finais. Endurecimento como função do tempo de reação para diferentes minerais da composição do cimento Curva Tensão-Deformação para Compressão do Concreto σcd resistência de cálculo do concreto OBRIGADO !