Prévia do material em texto
CONSUMO E SUSTENTABILIDADE: EM BUSCA DE NOVOS PARADIGMAS NUMA SOCIEDADE PÓS-INDUSTRIAL CONSOMMATION ET DÉVELOPPEMENT DURABLE: LA RECHERCHE DE NOUVEAUX PARADIGMES DANS UNE SOCIETE POST-INDUSTRIELLE Ana Karmen Fontenele Guimaraes Lima RESUMO As inúmeras mudanças ocasionadas pela Revolução Industrial e intensificadas pela globalização trouxeram o consumo não apenas como meio para acesso a uma diversidade crescente de produtos, mas, especialmente, como hábito estimulado para satisfazer desejos e necessidades supérfluas. O crescente e descontrolado ritmo de produção aliado ao consumo irracional promoveu a degradação do meio ambiente em níveis exorbitantes. Considerando que o meio ambiente sadio e ecologicamente equilibrado é um direito fundamental ainda a ser concretizado, deve-se buscar instrumentos que possam conciliar o progresso econômico e a preservação dos recursos ambientais. Acredita-se que a adoção de uma nova ética no consumo, através da educação ambiental, seja a forma mais eficiente para se alcançar um modelo sustentável de desenvolvimento, formando consumidores conscientes e responsáveis pelo seu papel atualmente na sociedade. PALAVRAS-CHAVES: CONSUMISMO. CRISE AMBIENTAL. ÉTICA NO CONSUMO. RESUME Les plusiers changements apportés par la révolution industrielle et la mondialisation a été exacerbée par la consommation, non seulement comme un moyen d'accès à une diversité croissante de produits, mais surtout comme une habitude encouragée à satisfaire des besoins et des besoins superflus. La vitesse croissante et incontrôlée de la production associée à la consommation irrationnelle favorisé la dégradation de l'environnement dans les niveaux exorbitants. Considérant que l'environnement sain et écologiquement équilibré est un élément fondamental reste encore à réaliser, doit chercher les outils qui peuvent concilier le progrès économique et la préservation des ressources environnementales. On croit que l'adoption d'une nouvelle éthique pour la consommation à travers l'éducation environnementale, est le moyen le plus efficace de réaliser un modèle durable de développement, de rendre les consommateurs conscients et responsables de son rôle actuel dans la société. MOT-CLES: CONSOMMATION. CRISE D L’ENVIRONNEMET. L'ÉTHIQUE DANS LA CONSOMMATION 1. Introdução Por mais importantes que tenham sido as mudanças proporcionadas pela industrialização e, mais adiante, pela globalização, o intenso ritmo de produção, aliado ao consumo exacerbado acarretou a depredação ambiental, de forma a comprometer a própria vida no planeta. A utilização desenfreada dos recursos naturais ocasionou impactos no meio ambiente, de modo a gerar uma crise sem precedentes na história: devastação de florestas, chuvas ácidas, desertificação, aquecimento global, atmosfera poluída pela emissão de partículas tóxicas, diminuição das calotas polares. A partir da grave conjuntura ambiental, surgiu a inquietação no que diz respeito ao destino da vida, o que impulsionou as sociedades e os Estados a iniciarem um processo de busca de soluções para evitar o esgotamento dos recursos naturais existentes. Em 1972, com a Convenção de Estocolmo, abriu-se o precedente para que os Estados passassem a reconhecer o meio ambiente como direito e dever fundamental. Ocorre que, a gradativa inserção de elementos ambientais pelo sistema jurídico, tornando os recursos naturais como bens objetos de proteção, não é suficiente para romper com a atual crise. Verifica-se que a lógica dos mercados, a determinar o consumo exagerado, desnecessário, deve ser modificada. Além de o crescimento econômico dever ser orientado por práticas de sustentabilidade, o consumo deve seguir novos hábitos, pois a liberdade de compra e gozo de produtos não deve ser desvinculada do dever de manter um ambiente saudável. Será, no entanto, possível, diante das inúmeras dificuldades que envolvem a efetividade das normas ambientais, alcançar uma forma eficiente que garanta a proteção do meio ambiente? De que forma a adoção de novas práticas de consumo pode permitir a construção de um meio ambiente sadio e ecologicamente equilibrado? É com base em tais questionamentos, pois, que enfocaremos o presente estudo. O tema, que alberga certa complexidade e, certamente, uma diversidade de temáticas e críticas, não será, contudo, This version of Total HTML Converter is unregistered. * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de 2010 1686 exaurido. Através de um exame bibliográfico, com uma abordagem descritiva, de cunho ora dedutivo, ora indutivo, serão apresentados os elementos essenciais que envolvem o assunto, permitindo-se verificar que diversos interesses, especialmente orientados por direitos fundamentais, podem ser conciliados. Acredita-se, pois, no grande valor desta pesquisa, pois seu objetivo está ligado à análise de alternativas para o equilíbrio entre o desenvolvimento econômico, através da sustentabilidade e de práticas de consumo conscientes, e a efetividade do direito fundamental ao meio ambiente, de modo a atender critérios de eficiência, no qual toda a coletividade possa sair vitoriosa. Conquanto a presente pesquisa possa suscitar eminentemente interesse jurídico, verifica-se que o objeto ora pretendido é matéria de elevado relevo social, na medida em que garante todos os outros direitos fundamentais, por constituir-se corolário indispensável do próprio direito à sobrevivência humana. 2. O Capitalismo, a globalização e a mídia: o progresso econômico e o incentivo ao consumo A evolução gradativa acelerada pelo modo de produção capitalista provocou sérias mudanças no contexto global desde o século XVIII. De uma organização social e político-econômica baseada na produção artesanal, agrícola e feudal passou-se para uma sociedade onde a economia é marcada pela fabricação de produtos e pelo uso de poderoso arsenal tecnológico em busca da alta produtividade e de crescentes lucros com o mínimo de perdas. A Revolução Industrial consolidou mais que uma revolução técnica e científica. Ao substituir as ferramentas pelas máquinas, a energia humana em energia motriz e o modo de produção artesanal em sistema fabril, a industrialização inaugurou o início de uma era marcada pela produção de bens, competitividade acirrada, disputa por novos mercados, pelo consumo exacerbado. Consolidou-se o comércio em escala mundial. O crescente processo de industrialização passou a ser visto como forma de progresso econômico, inclusive determinando a divisão dos países do globo em desenvolvidos e subdesenvolvidos. O advento da globalização intensificou o comércio e o consumo, na medida em que elevou, ao plano internacional, a concorrência, forçando os agentes econômicos a reduzirem, a qualquer preço, os custos, sob pena de perda da competitividade. Aliada ao avanço tecnológico no campo da informática e das telecomunicações, as distâncias se encurtaram, os mercados romperam fronteiras, costumes e hábitos homogeneizaram-se. A sociedade de consumo deu primazia ao homem consumidor e todas as classes sociais foram chamadas a consumir. Com produtos baratos, proporcionados pela produção em larga escala, pôde-se atender a uma enorme variedade de consumidores com “status” e poder aquisitivo diversos. As facilidades no momento da compra aumentaram, proporcionando que produtos antes considerados “artigos de luxo” se tornassem acessíveis a parcelas mais amplas da população. [1] O desenvolvimento tecnológico permitiu o aumento da produção e a imposição do crescente hábito de consumo. [2] O ter passou a ser mais importante que o ser. As pessoas são valorizadas pelo patrimônio que possuem, pelos produtos que lhes são disponíveis. O padrão de consumo transformou-se, inclusive, em forma de afirmação social, em integração de determinadosgrupos na sociedade. Como bem salienta Buarque, Há dois vetores que se juntam criando as bases ideológicas da chamada sociedade de consumo. Um primeiro vetor corresponde à visão otimista da história e da capacidade infinita de inovação tecnológica. [...] O segundo vetor corresponde à ânsia consumista que o capitalismo conseguiu disseminar na consciência da humanidade. [3] Nunca se consome o objeto em si, no seu valor de uso. O consumo, neste momento, submete-se à lógica do desejo e não de necessidades reais. São forjadas necessidades e impostas aos indivíduos por mecanismos sofisticados, provocadas artificialmente para aumentar o consumo e tornar as pessoas felizes. Ademais, o consumo não se limita na divulgação e na venda somente de mercadorias e serviços, mas em desejos, sonhos e símbolos. Consumir determinado produto pode passar a imagem de sucesso, beleza, poder. Nesse caso, o que está em evidência é uma representação social. This version of Total HTML Converter is unregistered. * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de 2010 1687 Nesse contexto, destaca-se o poder da mídia, em suas mais diversificadas e sutis formas de manifestação, a impulsionarem desejos e sentimentos na consciência coletiva. Outdoors, paredes de propaganda, anúncio de revistas, rádios, televisões, tudo a fazer a apresentação da cultura de massa e de seus produtos. Os anúncios, as relações públicas, a doutrinação não são mais custos improdutivos, mas elementos básicos da produção. A publicidade constitui papel indispensável na consolidação deste consumismo. Ela suscita o desejo, cria o estímulo para a compra. Depois, reforça seu uso, fazendo com que o consumidor crie o hábito pelo consumo do produto, tornando-o, ao final, fiel a uma marca. Nesse intenso e complexo processo, há a coisificação do homem. O cidadão perde tal qualidade para se transformar em simples receptor da demanda empresarial. Acarreta, ainda, a discriminação social, pelos “estilos de vida” que são criados, o incentivo ao desperdício e ao descartável, banalizando valores e esvaziando o sentido das coisas. O ato de consumir se exaure como um ato completo de significado, sem se cogitar do que ou para o que se consome. A produção e os serviços não se baseiam nas necessidades individuais, mas na possibilidade de lucro. A construção desta realidade, no entanto, não resulta tão somente em aspectos econômicos e culturais. Essa sociedade tecnológica e globalizada, para alcançar o almejado progresso econômico, determinou a destruição de dezenas de florestas, poluiu rios, desmatou áreas verdes, extinguiu animais. O consumo irresponsável ocasionou inúmeros (alguns certamente ainda desconhecidos) impactos sobre o meio ambiente, de maneira a questionar a sustentabilidade do planeta e a viabilidade de uma existência digna para as gerações seguintes. . 3. Breves considerações acerca do processo de importância do meio ambiente e do seu reconhecimento como direito fundamental A intensa degradação dos recursos naturais despertou a preocupação com os limites do progresso econômico. Os impactos do atual estilo de vida e de consumo suscitaram diversos debates em torno das conseqüências da irracionalidade do modelo de desenvolvimento capitalista. Considerando a imprescindibilidade dos recursos naturais na manutenção de um patamar mínimo de existência, surgiu a necessidade de compreender o meio ambiente sadio e ecologicamente equilibrado como direito fundamental. Seu reconhecimento no âmbito constitucional, no entanto, data de época bem recente. Os primeiros direitos fundamentais a ingressarem no ordenamento jurídico decorrem do pensamento liberal burguês do século XVIII, surgindo como direitos do indivíduo oponíveis ao Estado, dirigidos a uma abstenção por parte dos poderes públicos. Como descreve Ingo Wolfgang Sarlet, são “direitos de defesa, demarcando uma zona de não-intervenção do Estado e uma esfera de autonomia individual em face de seu poder. [4] Por muito tempo, estes direitos não eram nada mais que deveres de abstenção do Estado, que deveria manter-se inerte para não violá-los. O essencial era salvaguardar as liberdades privadas do indivíduo, o que impunha o estabelecimento de limites ao exercício do poder político. O Estado era visto como um adversário da liberdade, e por isso cumpria limitá-lo, em prol da garantia dos direitos do homem. Sob este prisma, foi de enorme utilidade a técnica de separação de poderes, divulgada por Montesquieu, que tinha como finalidade conter o poder estatal para assegurar o governo moderado. Esta era a engenharia institucional do Estado Liberal, que tinha como telos a liberdade individual. [5] O reconhecimento desses direitos é reflexo do período histórico que traduz a primeira noção de Estado de Direito, que surge da oposição histórica, na Idade Moderna, entre a liberdade do indivíduo e o absolutismo do governante. [6] O Estado Moderno surge com o papel fundamental de defender e proteger a liberdade, como interesse burguês, assim como submeter os monarcas à vontade da lei. A grande bandeira do liberalismo era a manutenção da liberdade do indivíduo e a limitação do poder absoluto. Os assim chamados “direitos de resistência” são os direitos de liberdade, os que em primeiro passaram a constar do instrumento normativo constitucional. São os direitos civis e políticos, “que, em sua maioria, correspondem à fase inicial do constitucionalismo oriental”. [7] Os direitos fundamentais de cunho liberal, no entanto, mostraram-se insuficientes para assegurar This version of Total HTML Converter is unregistered. * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de 2010 1688 uma existência digna. A consagração tão somente formal da liberdade e da igualdade não gerava a garantia de seu efetivo gozo. A exploração do homem, acentuada com o advento da industrialização, não poderia ser resolvida por um Estado absenteísta. O alheamento estatal no aspecto social, agravado pela Revolução Industrial não poderia resistir. Com as idéias socialistas e marxistas, o operário era conclamado a resistir à intensa exploração a que era submetido. O capitalismo era questionado. A união dos trabalhadores conferia temor à burguesia, que antevia a possibilidade de ruptura violenta do Estado Liberal. [8] A neutralidade forjada do Estado, aliada às novas contingências sociais e econômicas ditadas pela Revolução Industrial, determinara um vácuo na proteção dos interesses e ideais de liberdade e igualdade da parcela hipossuficiente da população, ensejando tensões sociais impossíveis de serem reguladas pelo modelo de Estado burguês até então adotado. [9] Diante de tal situação, no decorrer dos séculos XIX e XX, surgiu a necessidade de rever o papel do Estado, a quem é atribuído o comportamento ativo na realização do bem-estar de todos os indivíduos na sociedade. Tal Estado de Direito estaria vocacionado a minimizar as contradições do individualismo, de forma a construir uma sociedade mais justa e igualitária. Apresenta-se engajado na melhoria das condições de vida e de trabalho da população, que não poderia ser lançada livremente às diretrizes econômicas, já que evidentes os abusos dos agentes do capital e não terem os mesmos controle por parte do mercado. Surgia, assim, o Estado Social, positivamente atuante, para ensejar o desenvolvimento e a realização da almejada justiça social, consubstanciada na proclamação de um novo conjunto de direitos que demandavam a atuação estatal em prol da garantia de condições mínimas de vida. Nesse contexto, é que se surgem os direitos sociais, culturais e econômicos (direitos de segunda geração), como direitos fundamentais, compreendendo,dentre outros, o direito ao trabalho, à saúde, ao lazer, à educação e à moradia. Enquanto os direitos de defesa se identificam por sua natureza preponderantemente negativa, tendo por objeto abstenções do Estado, no sentido de proteger o indivíduo contra ingerências na sua autonomia pessoal, os direitos sociais prestacionais têm por objeto precípuo conduta positiva do Estado, consistente numa prestação de natureza fática. Enquanto a função precípua dos direitos de defesa é a de limitar o poder estatal, os direitos sociais reclamam uma crescente posição ativa do Estado na esfera econômica e social. Diversamente dos direitos de defesa, mediante os quais se cuida de preservar e proteger determinada posição, os direitos sociais de natureza positiva (prestacional) pressupõem seja criada ou colocada à disposição a prestação que constitui seu objeto, já que objetivam a realização da igualdade material, no sentido de garantirem a participação do povo na distribuição pública dos bens materiais e imateriais. [10] Em decorrência das consequências nefastas do segundo pós-guerra, aliadas ao impacto tecnológico, com a consciência de um mundo dividido entre nações desenvolvidas e subdesenvolvidas, abriu- se espaço para que se buscasse uma outra dimensão de direitos fundamentais, que não compreendesse apenas uma feição individualista, mas a normatização de interesses transindividuais. A terceira geração de direitos fundamentais refere-se àquela assentada sobre a fraternidade e provida de sentido que não compreende apenas os direitos individuais. Nesse contexto é que o direito ao meio ambiente é reconhecido como direito fundamental. [11] Como bem preceitua Ingo Wolfgang Sarlet, A nota distintiva destes direitos da terceira dimensão reside basicamente na sua titularidade coletiva, muitas vezes indefinida e indeterminável, o que se revela, a título de exemplo, especialmente no direito ao meio ambiente e qualidade de vida, o qual, em que pese ficar preservada sua dimensão individual, reclama novas técnicas de garantia e proteção. A atribuição da titularidade de direitos fundamentais ao próprio Estado e à Nação (direito à autodeterminação dos povos, paz e desenvolvimento) tem suscitado sérias dúvidas no que concerne à própria qualificação de grande parte destas reivindicações como autênticos direitos fundamentais. Compreende-se, portanto, porque os direitos da terceira dimensão são denominados usualmente como direitos de solidariedade ou fraternidade, de modo especial em face de sua implicação universal ou, no mínimo, transindividual, e por exigirem esforços e responsabilidades em escala até mesmo mundial para sua efetivação. [12] A constitucionalização do direito ao meio ambiente significou um importante passo para consolidar a importância do bem ambiental diante da voracidade do capitalismo globalizado. Deve-se salientar, no entanto, que o reconhecimento deste direito, enquanto indispensável para uma vida com dignidade, remonta muito mais à força dos movimentos ambientalistas. [13] As preocupações com o meio ambiente surgiram bem antes da inserção deste direito nas Constituições dos países. [14] Em 1950 e 1960, a partir da constatação dos efeitos depredatórios da ação humana sobre a natureza, surge um ambientalismo dos cientistas e, logo em seguida, a articulação da sociedade civil, através das organizações não-governamentais, chamando a atenção do mundo para a This version of Total HTML Converter is unregistered. * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de 2010 1689 destruição do ecossistema planetário. Somente depois os atores políticos estatais tomaram consciência da crise ambiental e albergaram em suas legislações instrumentos de proteção e preservação dos recursos naturais. Em 1972, com a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano (Convenção de Estocolmo), reunindo 113 países, 250 organizações não-governamentais e organismos da Organização das Nações Unidas (ONU),[15] abriu-se o precedente para que os Estados passassem a reconhecer o meio ambiente como direito e dever fundamental. [16] Outro importante evento internacional sobre a matéria ambiental, intensificando os debates e a mobilização da comunidade internacional em torno da necessidade de uma urgente mudança de comportamento em prol da preservação da vida na Terra, foi a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada em 1992 no Rio de Janeiro. Um dos resultados dessa conferência foi a aprovação da Agenda 21, plano a ser implementado pelos diversos governos, e que visa, primordialmente, ao estabelecimento de um modelo de desenvolvimento sustentável. No Brasil, a Constituição de 1988 foi a responsável pelo rompimento com os paradigmas históricos individualistas então predominantes no país - o que se compreende pela implantação do Estado Democrático de Direito - e, com ele, a consagração de valores de respeito à dignidade humana e à solidariedade. [17] Sob essa perspectiva, no caput do artigo 225 reconheceu-se o direito fundamental ao meio ambiente ecologicamente equilibrado como bem comum de todo o povo brasileiro. A CF de 1988, como tem sido amplamente sublinhado pelos constitucionalistas, trouxe imensas novidades em relação às Cartas que a antecederam, notadamente na defesa dos direitos e garantias individuais e no reconhecimento de uma nova gama de direitos, dentre os quais se destaca o meio ambiente. As leis Fundamentais anteriores não se dedicaram ao tema de forma abrangente e completa: as referências aos recursos ambientais eram feitas de maneira não sistemática, com pequenas menções aqui e ali, sem que se pudesse falar na existência de um contexto constitucional de proteção do meio ambiente. Os constituintes anteriores a 1988 não se preocuparam com a conservação dos recursos naturais e com a sua utilização racional. Na verdade, meio ambiente não existia como um conceito jurídico merecedor de tutela autônoma, coisa que só veio a ocorrer após a lei de Política Nacional do Meio Ambiente. [18] A despeito de muitos produtos primários serem essenciais à economia de nosso país desde a Constituição de 1824, apenas há pouco mais de 20 anos uma Constituição brasileira reserva um capítulo próprio para as questões ambientais. [19] Com o objetivo de tornar efetivo o exercício do direito ao meio ambiente sadio, estabeleceu-se uma gama de incumbências ao Poder Público, que se constituem em direitos públicos subjetivos, exigíveis por qualquer cidadão. Vê-se, com clareza, que há, no contexto constitucional, um sistema de proteção do meio ambiente que ultrapassa as meras disposições esparsas. Aqui reside a diferença fundamental entre a Constituição de 1988 e as demais que a precederam. Em 1988, buscou-se estabelecer uma harmonia entre os diferentes dispositivos voltados para a defesa do meio ambiente. A norma constitucional ambiental é parte integrante de um complexo mais amplo e podemos dizer, sem risco de errar, que ela faz a interseção entre as normas de natureza econômica e aquelas destinadas à proteção dos direitos individuais. [20] Embora a atual Carta Política brasileira tenha trazido uma ampla percepção ecológica e política ao inserir normas que exigem um novo comportamento perante o meio ambiente, questões relativas à eficácia das normas ambientais ainda não foram muito bem enfrentadas pela doutrina. Sobre o assunto, são necessárias algumas considerações. 4. Da promoção e da efetividade do direito fundamental ao meio ambiente Conforme visto anteriormente, o direito fundamental ao meio ambiente é considerado um direito de solidariedade, portanto de terceira dimensão, que impõe aos Estados o respeito a interesses individuais, coletivos e difusos. Ocorre que, pelo seu recente reconhecimento, referido direito aindacarece de concretização jurídica, mesmo quando expressamente previsto no texto constitucional. [21] Aliás, consoante Bobbio, o problema basilar em relação aos direitos do homem, atualmente, não é tanto o de justificá-los, mas o de protegê-los.[22] Ressalte-se que a permanente atualidade do tema recorrente, de modo especial, de outorgar às normas definidoras de direitos e garantias fundamentais sua plena operatividade e eficácia como condição This version of Total HTML Converter is unregistered. * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de 2010 1690 para sua efetividade, não se restringe apenas aos direitos de terceira dimensão. [23] Os direitos sociais, por exemplo, inseridos no bojo nas Constituições no início do século passado, por requererem uma atuação positiva por parte do Estado, ainda rendem amplos e calorosos debates doutrinários e jurisprudenciais acerca de sua plena efetividade. No que diz respeito ao direito ao meio ambiente, vários problemas podem ser suscitados. Sem pretender exaurar o assunto, citemos alguns. Um importante fator que condiciona sua aplicabilidade refere-se, como já indicado, na sua constitucionalização recente. Persiste, ainda, certa imaturidade político-jurídica para tratar da matéria e consolidar um verdadeiro Estado Ambiental. Outrossim, considerando que, por natureza, o direito ao meio ambiente é um interesse difuso, cuja individualização é difícil ou quase impossível, surgem, em virtude de tal circunstância, inúmeros entraves para que um tratamento jurídico seja realizado de forma adequada. Recontextualizados os interesses difusos, conclui-se que a sua máxima conflituosidade decorre de que, dada em grande parte a natureza de princípio das normas que os acolhem, não se referem a situações jurídicas determinadas. Saindo do plano normativo, onde estes interesses são harmonizados com outros e não produzem conflitos, para o campo dos fatos, estes princípios entram em choque com outros igualmente admitidos, aglutinando ao seu redor massas de interesses que se coletivizam em ambos os pólos. Como os direitos difusos não podem ser considerados interesses públicos, pacificamente aceitos, estando disseminados fluidamente pela sociedade, pelo fato de referirem-se a titulares indeterminados ou indetermináveis [...], é em cada situação emergente que se define os pólos do conflito. A pretensão é também pouco definida, estando igualmente aberta, bem como a resistência que se define por esta. Estes pólos são ainda variáveis e circunstanciais, não contendo uma litigiosidade definida como no caso de indivíduos ou grupos coletivos bem organizados em torno de um vínculo comum. Assim é que os interesses difusos invocam sempre uma litigiosidade intensa que implica, na solução dos casos concretos, uma infinidade de possibilidades. [24] Ademais, deve-se considerar a característica de duração efêmera dos interesses difusos, apontando para a adoção de uma solução imediata, antes que a situação se modifique. Disso resulta que, no caso do meio ambiente, para evitar danos à natureza, em que a irreparabilidade se dá em termos substanciais, o sistema jurídico deve privilegiar medidas de precaução ou prevenção de danos, o que implica, nesse sentido, um forte aparato estatal de fiscalização e de punição de infratores. [25] Por outro, há um motivo bem definido – e, quiçá, o mais importante – qual seja, a delicada relação entre a preservação ambiental e o desenvolvimento econômico. Por vezes, num conflito concreto entre estes dois valores, a proteção ao meio ambiente acaba por sucumbir ao poderio dos detentores do capital. Numa sociedade onde o crescimento significativo de riqueza resulta em altos níveis de poluição e exploração desgovernada, torna-se problemático harmonizar na práxis os dispositivos reservados às diretrizes da ordem econômica como o dever de assegurar “a defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação”, conforme dispõe a redação do artigo 170, VI, da Constituição da República de 1988. Estando em risco a conquista de novos mercados e crescentes lucros há, ainda, outro aspecto não menos salutar a se considerar, acrescentado pelos estudos da Análise Econômica do Direito: o empresário, para manter sua influência e lucros ascendentes avalia a possibilidade de ganho ao cometer um ato ilegal. A utilidade de se cometer o ato – ou seja, infringir uma norma ambiental – pode ser influenciada pelo valor da multa ou da severidade da punição e pelo tempo de permanência na prisão. [26] Considerando que as penalidades previstas nas legislações ambientais não são aplicadas com rigor, a certeza da impunidade ou da reversibilidade das sanções em recursos judiciais revela, decerto, na baixa eficácia das normas que protegem o meio ambiente. [27] Desta feita, o fato de a ordem constitucional brasileira de 1988 conceder força normativa de direito fundamental [28] ao direito ao meio ambiente é uma conquista importante, porém traz também consigo a necessidade de novos impulsos, para difundir a proteção ambiental nas normas infraconstitucionais e nas políticas públicas do Estado. Apesar das disposições do art. 225 do texto constitucional de 1988, assim como das diversas leis This version of Total HTML Converter is unregistered. * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de 2010 1691 que tratam da matéria ambiental, verificam-se dificuldades de garantir a efetividade das normas ambientais, fato que prejudica a perspectiva de um legado dessa civilização para as gerações futuras. Para reverter essa situação, faz-se indispensável uma ampla mobilização, no sentido de tentar buscar a efetividade do direito ao meio ambiente, para que o conjunto de suas normas não perca a credibilidade. 5. Ética no consumo: a educação com um importante instrumento para alcançar um meio ambiente ecologicamente equilibrado O agravamento dos problemas associados à degradação do meio ambiente aponta para a necessidade de modelos sustentáveis de desenvolvimento, em que se permita a conciliação entre o progresso econômico e a preservação dos recursos naturais. O grande desafio a ser enfrentado hodiernamente reside na busca de um equilíbrio entre o homem e suas infinitas necessidades e desejos e um meio ambiente ecologicamente equilibrado e sadio. Nesse sentido, inúmeras propostas foram discutidas e ações implementadas. Entre as legislações editadas destacam-se a Lei nº. 6.938/1981, ao estabelecer a Política Nacional do Meio Ambiente, criada com o objetivo de preservar, melhorar e recuperar a qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar, no País, condições de desenvolvimento sócio-econômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana, bem como a Lei nº. 9.605/1998, que prevê sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente. Referida lei traz importantes avanços no âmbito da proteção ambiental, ao definir a responsabilidade da pessoa jurídica, inclusive a responsabilidade penal, e permitindo a responsabilização da pessoa física autora da infração, bem como a possibilidade de interdição temporária de estabelecimento cuja atividade seja ofensiva à natureza. Ademais, práticas como a racionalização do uso do solo e do subsolo foram adotadas, o gerenciamento de recursos hídricos conta com legislação própria (Lei nº. 9433/1997), para as atividades potencial ou efetivamente poluidoras aplica-se um controle e zoneamento, pesquisas de tecnologias orientadas para o uso racional e a proteção dos recursos ambientais recebem grandes e crescentes parcelas deinvestimentos por parte do Poder Público e da iniciativa privada. Ressaltem-se, ainda, os recentes estudos na área tributária, em que se admite a utilização da extrafiscalidade [29] dos tributos para reordenar a economia e as relações sociais, através de incentivo ou desestímulo[30] de determinados comportamentos em relação ao meio ambiente. [31] A despeito das inúmeras conquistas alcançadas, verifica-se que a proteção da natureza e a efetiva concretização do direito fundamental ao meio ambiente sadio e equilibrado necessitam de novos e eficientes instrumentos. A sociedade precisa se dissociar da visão antropocêntrica do mundo, que autoriza o homem a dominar a natureza, utilizando-a de modo predatório, apenas para satisfazer suas necessidades, muitas vezes orientadas por interesses falsos e supérfluos. O meio ambiente, no entanto, dispõe de bens escassos e limitados e, certamente, entrará em total colapso se não deixar de ser visto apenas sob o aspecto econômico. A exploração deve ceder lugar à responsabilidade, pois de nada adiantará um crescimento econômico acelerado ou um grande desenvolvimento tecnológico se não houver um ambiente saudável. Deste modo, O foco da sociedade contemporânea não pode mais estar direcionado apenas para a produção de riquezas, mas para a sua distribuição e melhor utilização. É necessária uma verdadeira e efetiva mudança de postura na relação entre o homem e a natureza, onde não há a dominação, mas a harmonia entre eles. [32] Sob tal perspectiva, acredita-se que a adoção de uma nova ética no consumo, voltada para a consciência de preservação de um meio ambiente para as futuras e presentes gerações, além de ser urgente e necessária, apresenta-se como medida de intenso grau de eficácia para alcançar o equilíbrio entre o homem e a natureza. Como bem salienta Geovana Freire, [...] A nova ética que se faz hoje necessária não é resultante apenas da reflexão acerca do papel do homem no planeta. Infelizmente, o homem se defronta com uma realidade impositiva e decisiva, fadada a condicionar as formas de vida na terra e a própria sobrevivência da espécie humana. [33] This version of Total HTML Converter is unregistered. * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de 2010 1692 As pessoas devem estar orientadas a agir com preocupação e responsabilidade, pois seu ato de consumir e seus hábitos em sociedade possuem reflexos diretos no meio ambiente. A preservação dos recursos naturais depende da construção de uma consciência ecológica, formada especialmente através de uma educação ambiental. [34] Preparando o homem para conviver harmonicamente com seus semelhantes e com a natureza, com a mudança de hábitos e valores, pode-se alcançar um desenvolvimento econômico que não seja desvinculado do conceito de sustentabilidade. Necessita-se de uma mudança fundamental na maneira de pensarmos acerca de nós mesmos, nosso meio, nossa sociedade, nosso futuro; uma mudança básica nos valores e crenças que orientam nosso pensamento e nossas ações; uma mudança que nos permita adquirir uma percepção holística e integral do mundo com uma postura ética, responsável e solidária. [35] O cerne do desenvolvimento sustentável e autônomo é uma educação que alcance todos os membros da sociedade, em novas modalidades e através de novas tecnologias com a finalidade de proprocionar a todos verdadeiras oportunidades de aprender ao longo de toda a vida. Deve-se formar consumidores com atitudes e conduta propícias à cultura da sustentabilidade. Nesse sentido, a UNESCO orienta que: [...] Para alcançar a meta da sustentabilidade é fundamental modificar radicalmente as atitudes e o comportamento dos seres humanos. Os progressos, nesse sentido, dependem, pois, fundamentalmente, da instrução e da sensibilização dos cidadãos. O conceito de desenvolvimento sustentável [...] não é simples e não dispomos de guias que nos indiquem o que fazer. Entretanto, o tempo urge e devemos atuar sem demora. Devemos agora, com o espírito de exploração e coragem de experimentar, com o leque mais amplo possível de parceiros a fim de contribuir, graças à educação, para a correção dos modelos de comportamento que colocam em perigo nosso futuro comum. [36] O conceito de desenvolvimento sustentável traduz a idéia da adequação entre as exigências ambientais e as necessidades de desenvolvimento, e que satisfaz as necessidades atuais da sociedade sem comprometer a capacidade das gerações futuras para satisfazer as suas. Deve-se salientar que a determinação de mudar o estilo de vida ou do modo de consumo próprio e essencial não é, porém, suficiente para provocar uma mudança da sociedade. Analogamente, os atos dos individuais de cada cidadão, por mais responsável e prospectivo que seja, são inadequados se o comportamento e o estilo de vida pessoal supõem desperdício ou são destrutivos. O desenvolvimento sustentável exige, pois, um trabalho de esclarecimento e de formação de responsabilidade individual. O consumo deve ser visto como uma relação obrigacional, pois importa não somente em direitos, mas, principalmente, em uma parcela indissociável de deveres. Se por um lado, o consumidor é amparado pelo poder estatal em relação aos abusos cometidos por fornecedores, concebe-se, ainda, que aquele há de cumprir o dever de observar a mais extrema ética ao consumir, cuidando para que sua atitude não comprometa o equilíbrio do meio ambiente.[37] A despeito de inúmeros avanços em mecanismos de proteção do meio ambiente, é imprudente esperar que tão somente a ciência e a tecnologia encontrem uma solução para todos os problemas que a humanidade é capaz de criar para si própria. Por outro lado, é ilusório supor que a vida no planeta poderá se manter através da capacidade humana de inventar soluções ou depender do senso de vontade das empresas para que estas absorvam a idéia de responsabilidade com o meio ambiente. Tendo em vista que a válvula de propulsão do capitalismo globalizado é o consumo, devem-se considerar medidas que trabalhem com a forma desta conduta. Certamente, quando a produção de um determinado produto não encontre mercado por se conhecer sua natureza depredatória do meio ambiente, os donos do capital serão compelidos à comercialização de produtos que causem menos impactos na natureza. O consumidor consciente, assim, tem um enorme poder de construir um mundo melhor ao considerar que consumir de forma consciente é satisfazer as necessidades individuais sem perder de vista a preservação do meio ambiente e a promoção do desenvolvimento humano. O objetivo não é estigmatizar produto, culpabilizar consumidores ou condenar as empresas. Pretende-se, na verdade, mudanças de comportamento, promover uma pressão que cause, a partir da valorização pelo consumidor da responsabilidade social empresarial, o efeito de estimular as empresas a This version of Total HTML Converter is unregistered. * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de 2010 1693 mudarem comportamentos, considerando - no momento de confeccionar seus produtos – as demandas da sociedade e do meio ambiente. Nesse contexto, importante ressaltar a existência da Lei nº. 9.795/1999, que dispõe acerca da educação ambiental. A lei prevê que esta será desenvolvida como uma prática integrada, contínua e permanente em todos os níveis e modalidades do ensino formal (art. 10). A educação ambiental tem como objetivos o desenvolvimento de uma compreensão integrada do meio ambiente em suas múltiplas e complexas relações, envolvendo aspectos ecológicos, psicológicos, legais, políticos, sociais, econômicos, científicos, culturais e éticos; a garantia de democratização das informaçõesambientais; o estímulo e o fortalecimento de uma consciência sobre a problemática ambiental e social; o incentivo à participação individual e coletiva permanente e responsável, na preservação do meio ambiente; o fomento e o fortalecimento da integração da ciência e a tecnologia (art. 5º). A Lei nº 9.795/1999 é uma interessante proposta como componente para sensibilizar a sociedade sobre as questões ambientais e incentivar o engajamento de cidadãos na defesa da qualidade do meio ambiente. Só resta que seja devidamente aplicada, para alcançar os fins pretendidos. Tem-se, assim, que a educação pode contribuir para a formação de um consumo ético. O ato de comprar deve ser compreendido como forma para satisfazer às necessidades básicas e nãos às supérfluas. O consumidor deve estar comprometido com a aquisição de mercadorias, cuja produção não agrida os recursos naturais, que respeite os animais e, ainda, como muitos apontam, não explore a mão-de-obra, sem reconhecer os direitos do trabalhador. A ordem atual, portanto, orienta para o controle da impulsividade, para evitar desperdícios. Por mais que o progresso econômico e a livre iniciativa seja uma realidade presente nas sociedades capitalistas, deve-se buscar um almejado bem-estar coletivo, em que o homem e a natureza podem conviver com harmonia. Somente deste modo garantir-se-á um meio ambiente sadio e ecologicamente equilibrado para as presentes e futuras gerações. 6. Considerações Finais O reconhecimento do meio ambiente como direito fundamental representou uma importante conquista, entretanto traz, ainda, a necessidade de novos impulsos para difundir a proteção ambiental. A problemática harmonização da equação entre o consumo de massas e o modelo econômico de sustentabilidade requer mecanismos eficientes que possam conciliar os inúmeros interesses em conflito. Do contrário, o conjunto das normas ambientais pode ser banalizado, perdendo sua credibilidade. Nesse sentido, acredita-se que a formação de uma nova ética no consumo seja um instrumento eficiente na conquista de um meio ambiente sadio e ecologicamente equilibrado, conforme preceitua o at. 225 da Constituição Federal de 1988. Neste contexto, o consumidor exerce um papel fundamental. Nas suas escolhas, pode determinar o comportamento das empresas e, assim, ajudar a construir uma sociedade mais sustentável e justa. As pessoas devem estar orientadas a agir com preocupação e responsabilidade, pois seu ato de consumir e seus hábitos em sociedade possuem reflexos diretos no meio ambiente. A preservação dos recursos naturais depende da construção de uma consciência ecológica, formada especialmente através de uma educação ambiental. 7. Referências ANTUNES, Paulo de Bessa. Direito Ambiental. 11 ed. Rio de Janeiro: Lúmen Júris, 2008. ARAÚJO, Romana Coelho de. Economia e Direito na avaliação do dano ambiental. In BENJAMIN, Antônio Herman (org.) 10 anos da ECO-92: O direito e o desenvolvimento sustentável. São Paulo: IMESP, 2002. BARROSO, Luis Roberto. O direito constitucional e a efetividade de suas normas. Limites e possibilidades da Constituição brasileira. 8. Ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2006. This version of Total HTML Converter is unregistered. * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de 2010 1694 BOBBIO, Norberto. Da estrutura à função: novos estudos de teoria do direito. Trad. Daniela Beccaria Verisiani. São Paulo: Manole, 2007. ________. A era dos direitos. 17ª tiragem. Rio de Janeiro: Campus, 1992. BONAVIDES, Paulo. Do Estado Liberal ao Estado Social. 8 ed. São Paulo: Malheiros, 2007. ________. Curso de Direito Constitucional. 25 ed. São Paulo: Malheiros, 2010. BUARQUE, Cristovam. A desordem do progresso: o fim da era dos economistas e a construção do futuro. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990. CASTRO, Flávia Viveiros. Danos à pessoa nas relações de consumo. Uma abordagem civil constitucional. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2006. COMPARATO, Fábio Konder. A afirmação histórica dos direitos humanos. São Paulo: Saraiva, 2007. FALCÃO, Raimundo Bezerra. Tributação e mudança social. Rio de Janeiro: Forense, 1981. FIORILLO, Celso Antônio Pacheco. Curso de direito Ambiental Brasileiro. 10. Ed. São Paulo: Saraiva, 2009. FREIRE, Geovana Maria Cartaxo de Arruda. O direito ambiental como instrumento para a participação comunitária na defesa do meio ambiente. 151f. Dissertação – Faculdade de Direito, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 1998. GOMES, Daniela Vasconcellos. Educação para o consumo ético e sustentável. In Revista Eletrônica do Mestrado em Educação Ambiental, nº. 16. Rio Grande do Sul: Fundação Universidade Federal Rio Grande, 2006. Versão eletrônica disponível em: <http://www.remea.furg.br/edicoes/vol16/art02v16.pdf>. Acesso: 19 nov. 2009. GUERRA FILHO, Willis Santiago. Processo Constitucional e Direitos Fundamentais. 2. Ed. São Paulo: Celso Bastos Editor, 2001. GUGLISKI, Vitor. A cultura do consumo de massas e o Estado Democrático de Direito. Disponível em: . Acesso em: 20 nov 2009. JACINTHO, Jussara Maria Moreno. Dignidade humana: princípio constitucional. Curitiba: Juruá, 2006. MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 28. Ed. São Paulo: Malheiros, 2007. MACHADO, Paulo Affonso Leme. Direito Ambiental Brasileiro. 17 Ed. São Paulo: Malheiros, 2009. MENDES, Ana Stela Vieira. O ICMS ecológico como instrumento de preservação do meio ambiente: a experiência nos Estados brasileiros e perspectivas de implementação no Ceará. 86f. Monografia – Faculdade de Direito, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2007. SARMENTO, Daniel. Direitos Fundamentais e relações privadas. 2. Ed. Rio de Janeiro: Lúmen Júris, 2008. SILVA, Enedina Maria Teixeira da; GARZON, Iara Canto; NOGUERA, Jorge Orlnado Cuellar. A ética para o consumo sustentável. Disponível em: <http://www.abepro.org.br/biblioteca/ENEGEP20001_TR100_0985.pdf>. Acesso em 20 nov 2009. SILVA, Virgílio Afonso da. Direitos fundamentais: conteúdo essencial, restrições e eficácia. São Paulo: Malheiros, 2009. SOARES, Claudia Alexandra Dias. O imposto ecológico – contributo para o estudo dos instrumentos econômicos de defesa do ambiente. Coimbra: Coimbra, 2001. TAVARES, André Ramos. Direito Constitucional Econômico. São Paulo: Método, 2006. TEIXEIRA, Zaneir Gonçalves. Direito e crise ambiental – condições para a efetivação do direito fundamental ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. 189f. Dissertação – Faculdade de Direito, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2002. UNESCO. Educação para um futuro sustentável: uma visão transdisciplinar para ações compartilhadas. UNESCO: Brasília: Ed. IBAMA, 1999. [1] Nesse sentido, ressalte o uso do aparelho de telefonia móvel e de outros artefatos tecnológicos com o computador. Hodiernamente, dificilmente se pode apontar quem não os possua ou não tenha tido acesso a This version of Total HTML Converter is unregistered. * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de 2010 1695 eles. [2] TAVARES, André Ramos. Direito Constitucional Econômico. São Paulo: Método, 2006, p. 176. [3] BUARQUE, Cristovam. A desordem do progresso: o fim da era dos economistas e a construção do futuro. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990, p. 152. [4] SALET, Ingo Wolfgang. A eficácia dos direitos fundamentais. Uma Teoria geral dos direitos fundamentais na perspectiva constitucional. 10. Ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2009, p. 46-47. [5] SARMENTO, Daniel. Direitos fundamentais e relações privadas. 2. Ed. Rio de Janeiro: Lúmen Júris, 2008, p. 8. [6] BONAVIDES, Paulo. Do Estado Liberal ao Estado Social. 8. Ed. São Paulo: Malheiros, 2007a, p. 41. [7] BONAVIDES,Paulo. Curso de Direito Constitucional. 25. Ed. São Paulo: Malheiros, 2010, p. 562. [8] Importante destacar, sobre o assunto, que “as críticas ao pensamento liberalista partiram das mais variadas fontes. Não por ter sido liberal, porém por ser liberalista, quer dizer, por haver assumido as tinturas de insensibilidade que assumiu em face da coletividade, para entronizar, inatacável, o indivíduo. Todas as correntes que se lhe seguiram envolveram-se nesses ataques, inclusive a Igreja, às vezes excessivamente cautelosa em assuntos dessa natureza”. FALCÃO, Raimundo Bezerra. Tributação e mudança social. Rio de Janeiro: Forense, 1981, p. 107. [9] JACINTHO, Jussara Maria Moreno. Dignidade humana: princípio constitucional. Curitiba: Juruá, 2006, p. 186. [10] SARLET, Ingo Wolfgang. Op., cit, p. 282. [11] Sobre o assunto, destaque importante decisão do STF: "O direito à integridade do meio ambiente — típico direito de terceira geração — constitui prerrogativa jurídica de titularidade coletiva, refletindo, dentro do processo de afirmação dos direitos humanos, a expressão significativa de um poder atribuído, não ao indivíduo identificado em sua singularidade, mas, num sentido verdadeiramente mais abrangente, à própria coletividade social. Enquanto os direitos de primeira geração (direitos civis e políticos) — que compreendem as liberdades clássicas, negativas ou formais — realçam o princípio da liberdade e os direitos de segunda geração (direitos econômicos, sociais e culturais) — que se identificam com as liberdades positivas, reais ou concretas— acentuam o princípio da igualdade, os direitos de terceira geração, que materializam poderes de titularidade coletiva atribuídos genericamente a todas as formações sociais, consagram o princípio da solidariedade e constituem um momento importante no processo de desenvolvimento, expansão e reconhecimento dos direitos humanos, caracterizados, enquanto valores fundamentais indisponíveis, pela nota de uma essencial inexauribilidade." (MS 22.164, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 30-10-95, DJ de17-11-95). No mesmo : RE 134.297, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 13-6-95, DJ de 22-9-95. [12] SARLET, Ingo Wolfgang. Op. cit., p. 49. [13]O Direito Ambiental emerge da crítica ao modelo econômico produtivista-consumista e à visão antropocêntrica que lhe é subjacente, deve se concluir que os fatos que lhe deram origem estão relacionados, justamente, à emergência dos movimentos ambientalistas que trouxeram à baila a discussão da questão ecológica. MELO, João Alfredo Telles. Direito Ambiental e mudança social na Constituição de 1988. 227f. Dissertação – Faculdade de Direito, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 1995, p. 28-29. [14] Sobre o assunto, conferir: MACHADO, Paulo Affonso Leme. Direito Ambiental Brasileiro. 17 Ed. São Paulo: Malheiros, 2009. [15] SILVA, Enedina Maria Teixeira da; GARZON, Iara Canto; NOGUERA, Jorge Orlnado Cuellar. A ética para o consumo sustentável. Disponível em: <http://www.abepro.org.br/biblioteca/ ENEGEP20001_TR100_0985.pdf>. Acesso em: 20 nov. 2009. [16] Sobre a Convenção relativa à proteção do patrimônio mundial, cultural e natural, ver os comentários de COMPARATO, Fábio Konder. A afirmação histórica dos direitos humanos. São Paulo: Saraiva, 2007. [17] Sobre o assunto, conferir: MENDES, Ana Stela Vieira. O ICMS ecológico como instrumento de preservação do meio ambiente: a experiência nos Estados brasileiros e perspectivas de implementação no Ceará. 86f. Monografia – Faculdade de Direito, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2007. [18] ANTUNES, Paulo de Bessa. Direito Ambiental. 11 ed. Rio de Janeiro: Lúmen Júris, 2008, p. 57. [19] “Um balanço geral das competências constitucionais em matéria ambiental demonstra que o tema, até a Constituição de 1988, mereceu tratamento apenas tangencial e que a principal preocupação do constituinte sempre foi a infra-estrutura para o desenvolvimento econômico. O aspecto que foi privilegiado, desde que o tema passou a integrar a ordem jurídica constitucional, foi o de meio de produção”. FIORILLO, Celso Antônio Pacheco. Curso de direito Ambiental Brasileiro. 10. Ed. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 60. This version of Total HTML Converter is unregistered. * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de 2010 1696 [20] FIORILLO, Celso Antônio Pacheco. Op., cit., p. 61. [21] GUERRA FILHO, Willis Santiago. Processo Constitucional e Direitos Fundamentais. 2. Ed. São Paulo: Celso Bastos Editor, 2001, p. 118. [22] BOBBIO, Norberto. A era dos direitos. 17ª tiragem. Rio de Janeiro: Campus, 1992, p. 24. [23] Sobre o assunto, conferir: SILVA, Virgílio Afonso da. Direitos fundamentais: conteúdo essencial, restrições e eficácia. São Paulo: Malheiros, 2009. [24] TEIXEIRA, Zaneir Gonçalves. Direito e crise ambiental – condições para a efetivação do direito fundamental ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. 189f. Dissertação – Faculdade de Direito, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2002, p. 150-151. [25] TEIXEIRA, Zaneir Gonçalves. Op., cit, p. 151-152. [26] ARAÚJO, Romana Coelho de. Economia e Direito na avaliação do dano ambiental. BENJAMIN, Antônio Herman (org.) 10 anos da ECO-92: O direito e o desenvolvimento sustentável. São Paulo: IMESP, 2002, p. 697. [27] Chamando a atenção para a efetividade das normas constitucionais, Luis Roberto Barroso salienta: “Sem embargo, descartados os comportamentos individuais isolados, há casos de insubmissão numericamente expressiva, quando não generalizada, dos preceitos normativos, inclusive os de hierarquia constitucional. Assim, se passou, por exemplo, quando uma norma confronta-se com um sentimento social arraigado, contrariando as tendências prevalecentes na sociedade. Quando isto ocorre, ou a norma cairá em desuso ou sua efetivação dependerá da freqüente utilização do aparelho de coação estatal. De outras vezes, resultará difícil a concretização de uma norma que contrarie interesses particularmente de poderosos, influentes sobre os próprios organismos estatais, os quais, por acumpliciamento ou impotência, relutarão em acionar os mecanismos para impor sua observância compulsória”. BARROSO, Luis Roberto. O direito constitucional e a efetividade de suas normas. Limites e possibilidades da Constituição brasileira. 8. Ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2006, p. 83. [28] “Com efeito, um novo pólo jurídico de alforria do homem se acrescenta historicamente aos da liberdade e da igualdade. Dotados de altíssimo teor de humanismo e universalidade, os direitos da terceira geração tendem a cristalizar-se neste fim de século enquanto os direitos que não se destinam especificamente à proteção dos interesses de um indivíduo, de um grupo ou de um determinado Estado. Têm por primeiro destinatário o gênero humano mesmo, num momento expressivo de sua afirmação como valor supremo em termos de existencialidade concreta (...) A teoria, com Vasak e outros, já identificou cinco direitos de fraternidade, ou seja, da terceira geração: o direito ao desenvolvimento, o direito à paz, o direito ao meio ambiente, o direito sobre o patrimônio comum da humanidade e o direito de comunicação”. In BONAVIDES, Paulo. Curso de Direito Constitucional. 25. Ed. São Paulo: Malheiros, 2010, p. 569. [29] “No estágio atual das finanças públicas, dificilmente um tributo é utilizado apenas como instrumento de arrecadação. Pode ser a arrecadação o seu principal objetivo, mas não é o único. O tributo também é largamente utilizado com o objetivo de interferir na economia privada, setores econômicos ou regiões, desestimulando o consumo de certos bens e produzindo, finalmente, os mais diversos efeitos na economia” In MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 28. Ed. São Paulo: Malheiros, 2007, p. 46 [30] “existem três modos de impedir uma ação não desejada:torná-la impossível, torná-la difícil e torná-la desvantajosa. De modo simétrico, pode-se afirmar que um ordenamento promocional busca atingir o próprio fim pelas três ações contrárias, isto é, buscando tornar a ação desejada necessária, fácil e vantajosa”. BOBBIO, Norberto. Da estrutura à função: novos estudos de teoria do direito. São Paulo: Manole, 2007, p.15. [31] Sobre estudos acerca do “imposto ecológico”, como instrumento destinado a proteger o meio ambiente conferir: SOARES, Claudia Alexandra Dias. O imposto ecológico – contributo para o estudo dos instrumentos econômicos de defesa do ambiente. Coimbra: Coimbra, 2001. [32] GOMES, Daniela Vasconcellos. Educação para o consumo ético e sustentável. In Revista Eletrônica do Mestrado em Educação Ambiental, nº. 16. Rio Grande do Sul: Fundação Universidade Federal Rio Grande, 2006. Versão eletrônica disponível em: <http://www.remea.furg.br/edicoes/vol16/art02v16.pdf>. Acesso: 19 nov. 2009. [33] FREIRE, Geovana Maria Cartaxo de Arruda. O direito ambiental como instrumento para a participação comunitária na defesa do meio ambiente. 151f. Dissertação – Faculdade de Direito, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 1998. [34] A importância da educação foi destacada no décimo nono Período Especial das Sessões da Assembléia Geral, realizada no período de 23 a 27 de Juno de 1997, convocado para examinar a aplicação da Agenda 21. Na oportunidade, destacou-se o sistema educativo adequadamente financiado e eficaz é um requisito prévio fundamental para o desenvolvimento sustentável. [35] MEDINA, Naná Mininni; SANTOS, Elizabeth da Conceição apud GOMES, Daniela Vasconcellos. Educação para o consumo ético e sustentável. In Revista Eletrônica do Mestrado em Educação This version of Total HTML Converter is unregistered. * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de 2010 1697 Ambiental, nº. 16. Rio Grande do Sul: Fundação Universidade Federal Rio Grande, 2006. Versão eletrônica disponível em: <http://www.remea.furg.br/edicoes/vol16/art02v16.pdf>. Acesso: 19 nov. 2009. [36] UNESCO. Educação para um futuro sustentável: uma visão transdisciplinar para ações compartilhadas. UNESCO: Brasília: Ed. IBAMA, 1999, p. 4. [37] No mesmo sentido GUGLISKI, Vitor. A cultura do consumo de massas e o Estado Democrático de Direito. Disponível em: . Acesso em 20 nov 2009. This version of Total HTML Converter is unregistered. * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de 2010 1698