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Estudo de Caso: Teoria versus Prática 
 
"Se soubesse que iria perder meu tempo, não teria aceitado o convite" pensou 
o consultor Sérgio Ozawa, ao final de uma visita frustrada a um empresário. Ele 
imaginava que o empresário seria um potencial cliente. "Mas nem tudo está 
perdido. Pelo menos, ganhei mais um pouco de experiência sobre empresários 
centralizadores." 
Sérgio Ozawa é um bem-sucedido consultor de administração. Tem vários que 
são empresas multinacionais de grande porte. 
A visita de Sérgio 
Há uma semana, Sérgio fez uma visita à Alfa Monitores (AM), empresa que está 
crescendo rapidamente. A empresa fabrica monitores para hospitais: aparelhos 
que acompanham variáveis como pulsação, respiração e batimentos 
cardíacos de pacientes. Fundada há três anos, a empresa tem único dono, 
Pedro Batalha, engenheiro electrónico que anteriormente trabalhava em um 
instituto de pesquisas. Nesse instituto, Pedro havia desenvolvido os 
equipamentos que formaram a base dos negócios da empresa. 
Há um mês, ele contratou um assistente para ajudá-lo a organizar a empresa. 
Marcos Delverde, o assistente, havia conhecido Sérgio como professor em um 
curso de gestão no banco em que trabalhava antes. Marcos convidou Sérgio 
para passar um dia na empresa, a fim de analisar a situação e dar a sua opinião 
de especialista. Marcos concluíra que a empresa precisava urgentemente 
definir uma estrutura organizacional e dissera isso a Pedro. Este havia 
concordado com a visita de Sérgio. 
Para começar, Sérgio e Marcos deram uma volta pelas instalações da empresa. 
Era um conjunto de duas salas em prédios diferentes e uma casa. Na casa 
ficavam o escritório do empresário, um grupo de engenheiros que desenhavam 
os novos produtos e alguns funcionários administrativos. Em uma das salas 
ficavam os empregados que faziam a montagem dos produtos e estoque de 
peças técnicas. Em outra sala ficavam os vendedores. Nenhum desses grupos 
tinha supervisor. Todos eles subordinavam-se directamente a Pedro. 
A conversa com Pedro 
Logo em seguida, Sérgio foi apresentado a Pedro, que lhe contou como havia 
começado o negócio, sozinho, e o transformara em uma empresa de 50 
funcionários. A conversa foi interrompida duas vezes. Na primeira, um 
funcionário disse que não conseguia encontrar certo tipo de parafuso. O 
empresário respondeu que o parafuso se encontrava " na prateleira 25-B do 
estoque". Na segunda interrupção, um engenheiro veio pedir explicação sobre 
como o chefe queria que um detalhe de um novo produto fosse projectado. A 
entrevista foi então suspensa, porque Pedro foi trabalhar nesse produto. 
Depois, a conversa com Pedro continuou. Ele disse que o objectivo da empresa 
era sempre ter uma receita do ano actual maior que a do ano anterior. A 
empresa não tinha nenhum programa de treinamento de funcionários. Havia 
dois benefícios, além dos obrigatórios por lei: um programa de crédito a juros 
irrisórios, para a compra de imóveis ou automóveis, e participação nos lucros da 
empresa, proporcional ao salário. Marcos, mais tarde, disse que, apesar dos 
benefícios, havia insatisfação entre os funcionários, pois Pedro era um patrão 
duro, que vivia dando ordens e ficava muito impaciente quando via alguém 
sem fazer nada. Um dos principais engenheiros da empresa havia pedido 
demissão por causa disso. O escritório de contabilidade contratado pela 
empresa cuidava dos procedimentos da administração de pessoal. Por fim, 
Pedro perguntou: 
- E então, Sérgio, o que achou? 
Sérgio propôs-se a fazer um relatório e Pedro concordou. Para fazer o relatório, 
Sérgio conversou com um cliente, director de um grande hospital. O cliente 
disse que estava satisfeito com a empresa, mas que o atendimento poderia ser 
melhor. Às vezes, quando os produtos precisavam de assistência, os funcionários 
da empresa demoravam a chegar e o serviço tinha de ser refeito. O hospital 
tinha outros fornecedores, que eram muito mais rápidos e cuidadosos. Além 
disso, empresas multinacionais poderosas também actuavam nesse mercado. 
A vantagem da empresa de Pedro era a proximidade com o cliente. Essa 
vantagem seria perdida se as multinacionais aprendessem a ter um contacto 
mais próximo com os clientes. A empresa de Pedro também ficaria ameaçada 
se não fosse capaz de acompanhar a evolução da tecnologia. O Sérgio 
terminou ser relatório que era muito enxuto e directo, e o enviou para Pedro. 
A reacção de Pedro 
Hoje Sérgio foi conversar com Pedro sobre o relatório. 
-Sérgio, você tem razão eu sei disso (mostrando o relatório), já percebi. No 
entanto, você esqueceu alguns pontos importantes. Quem desenvolveu esses 
produtos, fui eu e quem faz o acompanhamento da tecnologia sou eu. Acho 
que sou muito capaz de cuidar dos aspectos mais importantes da empresa. De 
seu relatório, só gostei de quando você fala do lucro. Tem muita teoria aqui. Isso 
pode funcionar nas grandes multinacionais que você atende. Não aqui. Na 
minha empresa, a teoria é dar resultados, e isso está acontecendo. Deixe-me 
dizer, tudo vai ficar exactamente como está. a empresa é minha e eu faço dela 
o que quiser. 
-Bem Pedro, então tenho o direito de saber: por que você me chamou? 
-Foi Marcos quem insistiu. E, escute, Marcos, daqui para a frente, acho que você 
deveria manter-se em sua missão. Sérgio foi um prazer conhecê-lo. Até mais. 
Na saída, Sérgio disse: 
-Marcos foi muito constrangedor. Acho que você deveria ter-me dito que esse 
cara não queria saber de consultoria. Ele não acredita em princípios da 
administração profissional. Será que Ele não percebe que está colocando em 
risco o emprego de seus funcionários, se a empresa não der certo? 
-Puxa Sérgio, eu disse a ele que você viria. Desculpe-me, acho que deveria ter 
esclarecido melhor as coisas. 
 
Principais Questões 
a) O que você acha da opinião de Pedro, de que “as teorias só funcionam 
nas grandes multinacionais”? 
b) Você faria a defesa das teorias que Pedro atacou? 
c) Como se explica o comportamento de Pedro? 
d) Sérgio deveria ter feito algo para evitar o que aconteceu? 
e) Quais deviam ser os objectivos da empresa segundo a opinião de Sérgio? 
Apresente, no mínimo, três. 
f) Quais seriam as principais recomendações de Sérgio no que diz respeito 
a: 
 Estrutura da empresa; 
 Princípios da Gestão a serem aplicados na empresa; 
 Papel do Pedro dentro da empresa.

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