Prévia do material em texto
1 0.1.Introdução O presente estudo tem como tema: Prostituição Infantil na Baixa da Cidade de Maputo, 2018-2019. A prostituição infantil vem se destacando na população mundial, um conflito que a sociedade vem enfrentando nos últimos tempos, pois a maioria dessas crianças e adolescentes é de mulheres. Segundo a UNICEF, em dados de 2010, cerca de 250 mil crianças estão em um mundo de prostituição, onde na maioria dos casos ocorre nas regiões mais pobres. De maneira geral, crianças em situações de extrema pobreza, sem auxílio dos pais, acabam tornando-se presas fáceis para os pervertidos que em buscam sexo barato e fácil e acabam aliciando-as e levando-as para um mundo de prostituição. Um dos aspectos facilitadores de prostituição infantil e da violência contra a mulher é a convivência familiar. Vendo muitas das vezes suas mães sendo maltratadas, as crianças sentem-se revoltadas e acabam saindo de casa e entrando em um mundo de prostituição para sua própria sobrevivência. Segundo o autor Paulo Silvino Ribeiro, outro aspecto que leva as crianças e os adolescentes à prostituição são as condição socioeconómicas, onde se sentem obrigadas a trabalhar para ajudar na subsistência da casa. Essa convivência com a rua acaba colocando-as em situações de risco, onde pessoas desconhecidas oferecem drogas e se tornam outro factor que fragiliza as crianças à prostituição. Em Moçambique no geral e em particular na cidade de Maputo, a Prostituição infantil é um fenómeno social complexo que representa um desafio para o país. Nalguns casos as crianças envolvidas são “empurradas” por gente adulta, incluindo os próprios pais, animados com a possibilidade de obter rendimentos monetários para o sustento das famílias. 2 0.2.OBJECTIVOS: 0.2.1.Objectivo Geral: Compreender o Impacto da Prostituição Infantil na cidade de Maputo ( Baixa da Cidade) 0.2.2.Objectivos Específicos Analisar o panorama da Prostituição em Moçambique. Identificar os factores e elementos que levam à prostituição infantil. Propor mecanismos e Estratégias para a redução da problemática de prostituição infantil. 1.Conceitos Básicos Para a realização do trabalho, deu-se primazia a três conceitos-chave que dão alicerces a pesquisa que são: Criança, Prostituição, Prostituição Infantil. Impacto. a) Criança Muitas organizações consideram a idade entre 0 e 14 anos como a infância apesar da UNICEF estender o grupo etário até os 18 anos. A Convenção Sobre os Direitos da Criança considera criança todo o ser humano menor de dezoito anos, salvo se, em termos da lei que lhe for aplicável, e a maioridade for atingida mais cedo. b) Prostituição Segundo Holanda (1986:1405) prostituição é acto ou efeito de prostituir-se, pode ser comércio habitual ou profissional do amor sexual. Por sua vez Gaspar (1984) diz que a prostituta é aquela que vende serviços sexuais em troca de uma quantia em dinheiro, uma prática onde se oferece sexo pra qualquer homem que dispões de valor combinado. Segundo Andrade (2002) a prostituição pode ser praticada tanto em ambientes fechados, assim como em abertos. A autora distingue as duas formas de prostituição. A primeira é a prostituição em casas, na qual as mulheres são subordinadas à uma gerência superior. E a segunda forma é a prostituição de rua, na qual atrai-se o cliente em ambiente público. 3 c) Prostituição Infantil É uma forma de exploração de crianças onde essas são levadas a prostituírem-se. Ocorre sobretudo em locais com condições socioeconómicas desfavoráveis. Muitas vezes as crianças são levadas à prostituição pelos próprios pais, ou por meio de aliciadores. A prostituição infantil pode ser causada quando uma garota tem sua primeira relação sexual prematuramente e é um mal presente em todas as partes do país, normalmente envolvendo o crime organizado que alicia crianças e jovens para essa actividade. A prostituição infantil pode acontecer: Quando uma criança ou adolescente se prostitui nas ruas de qualquer cidade em busca de dinheiro. A criança leva este fim quando é submetida à violência dentro de casa e resolve fugir. Para fugir, necessita de ajuda de terceiros e faz qualquer coisa para ficar livre de casa e de sua família, se submetendo a qualquer tipo de pagamento. Desse modo, iniciam a vida sexual e posteriormente tornam-se escravas do sexo para ganharem dinheiro para comer, se vestir e, principalmente, para se drogar. Normalmente são aliciadas por outras pessoas, que permanecem por trás da organização, mas há casos de menores que encontram “um ponto” e ali permanecem para vender seu corpo. Estudos sobre o fenómeno em Moçambique mostraram que a maioria dos clientes envolvidos na prostituição infantil é adultos com estabilidade financeira, comportando-se como sujeitos activos. Do outro lado encontram-se adolescentes, prostitutas e vitimas que são agentes passivos e cúmplices no processo e acção. d) Impacto Assumido como um dos critérios de avaliação da ajuda ao desenvolvimento pelo CAD/OCDE, o impacto é definido, de forma abrangente, no glossário desta organização como sendo os “efeitos de longo prazo, tanto positivos como negativos, primários e secundários, produzidos por uma intervenção de desenvolvimento, previstos ou não. (p.6). 4 Entendido desta forma, como afirma Van der Berg, o impacto “não é definido como uma relação mas como um tipo de estado final ou uma fotografia dos efeitos passado bastante tempo depois do fim da intervenção (Berg, 2011:11). Ora, impacto tem vindo a ser interpretado cada vez mais como uma relação, a relação causal entre as acções de uma determinada intervenção e as alterações provocadas por estas nos indicadores e nos comportamentos dos beneficiários finais. São estas relações causais que estão no centro da avaliação do impacto. 1.2.Breve Historial da Prostituição O primeiro registo sobre a prostituição foi há dois mil anos a.C., na antiga Suméria. A prostituição, na antiguidade, era interligada a cultura, a religião e a sexualidade, e por isso, o sexo era a sagrado Gois (2008). A representação social da prostituta vária segundo a época e a cultura, nem sempre foi acompanhada do estigma que o Ocidente lhe atribui. Nas sociedades em que a propriedade privada inexistia e a família não era monogâmica, por exemplo, o sexo era encarado de forma bem diferente que a nossa, e ao que tudo indica, não havia prostituição. Na Grécia antiga, havia as hierodule, mulheres sagradas que ofereciam serviços sexuais em ocasiões especiais, mas não correspondiam exactamente ao que entendemos por prostitutas. Eram vistas como a encarnação de Afrodite e respeitadas pela população e pelos governantes por evocarem o amor, o êxtase e a fertilidade. Embora fossem escravas como as deikteriades (prostitutas cujos donos eram cidadãos comuns) tinham mais regalias que elas (Ceccarelli 2008:2). Na antiga civilização grega, a prostituição fazia parte da paisagem quotidiana, era um meio de obtenção de rendimento igual a qualquer outro e uma prática controlada pelo estado. As prostitutas deviam pagar altos impostos e vestir-se de forma a serem identificadas como tal , Segundo Gois (2008) Na Idade Média, as prostitutas eram parte integrante da vida urbana. As mulheres entravam na prostituição por razões de pobreza, perda de status, um passado familiar perturbado, violento e incestuoso. Entretanto para Fragoso (1965:633) com o 5 advento do cristianismo a prostituição foi a princípio, severamente proibida e punida. Porém, os Concílios sob influência de grandes doutrinadores,como Santo Agostinho, passaram a considerar a prostituição um mal necessário. A Revolução Industrial trouxe um elemento significativo à prostituição, pois as mulheres tiveram de enfrentar condições desiguais no trabalho em relações aos homens. Prostituir- se em troca de favores, de melhores condições de vida, revelou-se uma opção (Ceccarelli, 2008:4). Goffman (2002) defende que a prostituição é fruto das transformações sociais, decorrentes do início da Revolução industrial na Europa, século XVIII, como “resultado do processo do êxodo rural, migração. Por isso, a prostituição antes de ser um acto desviante, é de facto um problema que começa com o desenvolvimento das sociedades e das cidades”. Nesta época, a situação das prostitutas reflectia as lutas que estavam ocorrendo em toda sociedade. Os bordéis começaram a ser associados - no que diz respeito às autoridades - à dissensão e desordem públicas, pois era o lugar onde as pessoas da classe trabalhadora podiam se reunir e expor suas queixas. Na segunda metade do século XIV, muitas cidades e vilas francesas viram seus distritos de prostituição reduzidos a “ruas quentes” (Roberts 1998:122). 1.3.Prostituição em Moçambique Para Nambale (2009) em Moçambique a prostituição vem desde a tempo colonial, embora o governo português não tenha legalizado mas dava grande cobertura a prática da prostituição. Na antiga Rua Araújo, havia grandes casas, bordéis de prostituição onde eram encontradas raparigas de origem europeia de rara beleza para atraírem os homens, negócios legais de porta aberta. As prostitutas eram praticamente todas brancas, a maioria francesas e sul-africanas. De acordo com Maschamba (2010) na Rua Araújo o negócio da noite não era só para os ricos, era socialmente círculo vertical os bares, cabarets e salas de jogo a Rua anualmente atendiam milhares e milhares de marinheiros, viajantes, homens de negócios, vindo de lugares diferentes pelo porto e no caminho-de-ferro. Segundo Muianga (2009) na Rua 6 Araújo havia uma tabela de preços, por hora ou por noite. Esta prática também era visível nos bairros periféricos de Caniço Mafalala, Xipamanine, nos anos de 1940 e 50, onde se concentrava a população indígena. Com a “chegada da independência no país, o governo do partido Frelimo tenta construir uma nova sociedade, prostitutas e todos improdutivos foram levados para o campo, considerados fonte de instabilidade social e delinquência nas grandes cidades, Muianga (2009). Ma-schamba (2010) afirma que depois da independência de Moçambique as novas autoridades políticas tentaram inverter o cenário banindo terminantemente a prática da prostituição foram sumariamente fechadas as casas de e os bordéis em todo o território nacional, as profissionais do sexo foram encarceradas e algumas enviadas aos campos de afirmação na província de Niassa. 1.4.Factores e elementos que levam à prostituição infantil. a) Pobreza Em Moçambique e em particular cidade de Maputo, há um ambiente propício para a prostituição infantil, uma vez que existem enormes desigualdades económicas e sociais onde a renda se concentra na mão de poucos e a maioria não tem o que comer. Não há dúvida que esses são factores que estimulam o desenvolvimento da prostituição infantil. Os próprios pais encaminham as filhas à prostituição, porque não encontram um modo de sobrevivência para a sua família. Conforme “Condições de miserabilidade material geram miséria psicológica e pressionam no sentido da obtenção de qualquer recurso para minorar sofrimentos. Desta forma, nesta situação de vale-tudo para sobreviver, a criança toma-se uma mercadoria. Ou é alugada pelos próprios pais a alguém que a usa sexualmente ou é explorada por terceiros, cujos lucros são auferidos através do lenocínio”. Algumas famílias da cidade de Maputo tem, na prostituição de seus filhos, uma possibilidade de ajuda na renda familiar. As famílias pobres “vendem” seus filhos para 7 garantir a manutenção do grupo. Então, a criança toma-se uma mercadoria com vários fins: escravidão, prostituição, entre outros. A vitimização sexual na família é um fenómeno importante que leva à prostituição infantil. A filha é vitimizada sexualmente pelo pai, pelo cunhado e outros parentes. Então, para fugir da violência no lar, a menina sai de casa e vai para a rua. Ela aprendeu em casa que o corpo é a única maneira que tem para sobreviver. Na rua, a mesma não tem muitas opções de sobrevivência a não ser a prostituição. Está muito próximo da prostituição o abuso sexual de crianças na família. O que leva o agressor a vitimar as crianças não é amor e sim o poder que tem sobre os menores. b) O Incesto O incesto tem um papel relevante na história da prostituição. O pai geralmente terá grandes chances de ter relações sexuais com sua filha, pois tem poder, é a autoridade máxima da família e detentor de respeito e confiança dos filhos. A menina, vítima da violência sexual, trata do seu corpo como meio de conseguir o que quer. A experiência do incesto facilita-lhe a venda do seu corpo, aprendendo com isso a fazer comércio com o mesmo. Na família, aprende a receber carinho por sexo. Os reducionistas, segundo SAFFIOTI (2006), afirmam que “condições de miserabilidade material ensinam as mulheres que seus corpos podem ser comercializados como qualquer outra mercadoria. Ainda que a necessidade de sobreviver tenha certo poder de determinar comportamentos, parece mais profícuo reflectir sobre a vivência da troca de favores sexuais por atenção como o locus privilegiado da emergência da percepção do corpo como algo vendável, portanto, como mercadoria”. Desse modo, emocionalmente, o incesto levaria a prostituta a continuar essa vida, ainda que as necessidades materiais sejam eliminadas. c) A violência física, psicológica e sexual presentes no trabalho ou na família A violência física, psicológica e sexual presentes no trabalho ou na família conduzem à prostituição infanto-juvenil. Há também outros elementos constitutivos da prostituição 8 considerados relevantes, como o papel da sexualidade na cultura moçambicana e ocidental. Na nossa sociedade, a ética sexual é da família monogâmica, porém há também a prostituta e a amante que estão incluídas na imagem da família moçambicana o que contribui para a prostituição da criança e do adolescente, pois torna-se um comportamento aceito pela sociedade. 1.5.Consequências provocadas pela exploração sexual infantil. Muitas crianças se prostituem com certeza de que não correm riscos de gravidez ou doenças sexualmente transmissíveis. Segundo as estatísticas os índices de gravidez são preocupantes. Prostituição infantil pode levar directamente a gravidez indesejada ou a doenças sexualmente transmissíveis entre elas a infecção pelo HIV influenciado sobre o uso de anticoncepcionais e sobre adopção de práticas de autocuidado assim como o grande impacto sobre o estado psicológico da mulher. Para Amparo (2008, p.8), relaciona três factores que levam a uma criança ou um adolescente a sofrer após passar por abusos sexuais: A prostituição pode gerar problemas sociais, emocionais, psicológicos e cognitivos durante toda a vida, podendo apresentar também comportamentos prejudiciais á saúde. Em geral se manifesta por meio do abuso de substâncias psicoactivas, do álcool e outras e da iniciação precoce à actividade sexual, tornando-os os mais vulneráveis à gravidez e a prostituição. Os problemas de saúde mental e social relacionados com a violência em crianças e adolescentes podem gerar consequências com ansiedade, transtornos depressivos, alucinações, baixo desempenhona escola e nas tarefas de casa, alterações de memória, comportamento agressivo, violento e até tentativas de suicídio. A exposição precoce de crianças e adolescentes à violência pode estar relacionada com o comportamento do desenvolvimento físico e mental, além de enfermidades em etapas posteriores da vida como as doenças transmissíveis a SIDA , aborto espontâneo e outros. 9 As vítimas de violência apresentam ainda tendencialmente comportamentos de risco que por sua vez as colocam em situações de maior vulnerabilidade. Nisto, o abuso sexual em criança está associado a maiores níveis de comportamentos de risco sexual como sejam a iniciação sexual precoce, múltiplos parceiros, e sexo desprotegido. É ainda frequente o recurso ao abuso de substâncias e vulnerabilidade a novas situações de vitimização. Cada um destes comportamentos está associado portanto a outros riscos para a saúde. 1.6.Estratégias para a redução da problemática de prostituição infantil. Quanto às estratégias de redução da exploração sexual de crianças para fins comerciais a ECPAT International (2001) salientou vários avanços governamentais e ofereceu recomendações estratégicas na sua redução como: o desenvolvimento de uma estratégica específica na redução da exploração sexual de crianças para fins comerciais; estudos no âmbito das crenças, e práticas culturais prejudiciais; a necessidade de criar um protocolo de identificação e acompanhamento de crianças em situações de abuso sexual no geral, e exploração sexual para fins comerciais em particular; incentivar as comunidades a reportarem e denunciarem os casos às entidades formais e trabalhar no sentido de controlar e reduzir o conflito entre leis comunitárias e leis formais; proporcionar maior acesso as meninas à educação. A estratégia para a inibição do abuso sexual e violação de menores, mais do que efectuar campanhas de advocacia para inibir a violência sexual, torna-se prioritário melhorar o acesso das raparigas à educação, criando incentivos para a família de modo a que a permanência desta na escola resulte em benefícios imediatos para a família. Um outro aspecto importante para prevenir o abuso sexual de menores é a necessidade da promoção da participação da criança e adolescentes como essencial na criação de estratégias de desenvolvimento no direito das crianças e direitos humanos (igualdade de géneros, entre outros). Segundo Amparo, (2009, p.8) são quatro passos importantes que podem contribuir com a prevenção ao combate à prostituição infantil: 1. Promover acções de sensibilização e mobilização da defesa de tão importante causa; 10 2. Conversar com crianças e adolescentes orientando-os sobre os riscos de violência no quotidiano e suas formas de prevenção; 3. Adoptar posturas proactivas frente a qualquer situação de violência; 4. Debater o assunto nas escolas, comunidades, família, serviços de saúde, entre outros sectores da sociedade. Existem vários mecanismos que podem contribuir para amenizar o crime de exploração sexual infantil, como o combate ao analfabetismo, prática de Desporto, trabalho profissionalizante, políticas públicas, acompanhamento familiar. São medidas eficazes para dar a eles uma vida melhor longe da prostituição. Pela legalidade, a família e a própria casa são a maior protecção que uma criança pode ter contra os perigos do mundo. É nesse meio que ela ganha confiança para enfrentar os desafios da idade adulta. Porém nem todas as famílias tem uma base sólida para garantir o processo de desenvolvimento integral da criança. Muitas crianças, ao invés de contarem com o amor e a protecção de adultos responsáveis, são vitimas da acção violenta e escrupulosa dos próprios familiares, no lugar do cuidado e da atenção que a sua fragilidade requer, e que são directos garantidos pela Constituição, são confrontadas e expostas a pressão psicológica para que se mantenham calada. 1.7.A importância da família no desenvolvimento da criança Hodiernamente, a família se identifica com base nas relações de afecto. Trata-se de uma entidade social primária, que influencia e é influenciada por cidadãos e por instituições. Para Morin (2005, p. 172), “as personagens do pai e da mãe imprimem-se nas almas infantis para sempre”. As famílias podem ser um caminho seguro ou uma prisão: no primeiro caso, considera-se a dificuldade da separação e, no segundo, as evasões e revoltas (MORIN, 2005). A influência das relações inicia já na embriogénese e se acentua e se diversifica mais tarde, ao longo da vida da pessoa. Em outras palavras, no decorrer da infância e da juventude, o crescimento de cada um será sensível aos fatos, acontecimentos e traumas presenciados desde que vem sendo gerado no ventre materno. A mesma crise, adolescentes poderão responder de maneira 11 bastante diferente, uns superarão e serão fortalecidos, outros sucumbirão ao peso neurótico que os marcará por toda a vida. São, portanto, de extrema importância os cuidados a serem dispensados pela família às crianças, que, se receberem afecto, carinho e cuidados na infância, terão um desenvolvimento completo e harmonioso de sua personalidade. No entanto, se a criança se desenvolver num ambiente familiar onde convive com violências, além de estar exposta a factores de perigo, tende, futuramente, a ter um comportamento violento (COSTA; VERONESE, 2006). A falta de afecto adequado com as figuras parentais, principalmente no desenvolvimento emocional da criança e do adolescente, em especial com a figura materna, é factor contribuinte para a ocorrência de conduta agressiva do indivíduo. Podendo até mesmo ser factor decisivo para o desenvolvimento de personalidade entendida como anti-social. Distúrbio este que se caracteriza, principalmente, por atitudes de extrema violência, as quais encobrem sentimentos vinculados à recuperação dos objectos amorosos perdidos, bem como, intensa necessidade de punição por causa da culpa gerada pela agressão voltada, em fantasia, aos pais. Sendo assim, a harmonia familiar é de suma necessidade para o desenvolvimento e o crescimento sadio do infanto-juvenil. Gama (2000) explica que a coesão familiar exerce figura de relevo na família contemporânea. Isso posto, constata-se que é indiscutível o papel da família no desenvolvimento das crianças. 12 2.REFERENCIAS AMPARO, Caridade. Ministério da Saúde. Secretaria de políticas de saúde. Área de Saúde do Adolescente e do Jovem- Cadernos- juventude saúde, desenvolvimento. Vol I- Brasília, 1999. ANDRADE, Ivanise (2011) Prostituição e exploração: comercialização de sexo jovem. Disponível em: <http://www.caminhos.ufms.br/reportagens/view.htm?a=45>. Acesso em: 15 de setembro de 2015 ANDRADE, Maria Cristina Castilho de. (2002) Mulheres prostituídas. Videtur-Letras, São Paulo, n. 5, abr. AMARAL, Pedro. Documento de Trabalho nº 1/13 Avaliação do Impacto: Breve Introdução. 2013. CASTELLS, Manuel. (1999). O poder da identidade. Tradução Klauss Brandini Gerhardt. São Paulo, Volume II, Paz e Terra. SAFFIOTI, Stuart. (2006) A identidade Cultural na pós-Modernidade, Rio de Janeiro, tradução Tomaz Tadeu da Silva, Guaracira Lopes Louro, 11ª edição. Editora DP&A. HOLANDA, Aurélio Buarque de. (1986) Novo Dicionário Aurélio. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. COSTA; VERONESE. (2006) “Territorialidades Sociais e Identidades com Referência a Moçambique”. In: SERRA, Carlos. Identidade, Moçambicanidade e Moçambicanização. Maputo, UEM, Pp. 112-135. 13 Indice 0.1.Introdução .....................................................................................................................1 0.2.OBJECTIVOS: ............................................................................................................. 2 0.2.1.Objectivo Geral: ......................................................................................................... 2 0.2.2.Objectivos Específicos ............................................................................................... 2 1.Conceitos Básicos ............................................................................................................ 2 1.2.Breve Historial da Prostituição ..................................................................................... 4 1.3.Prostituição em Moçambique ....................................................................................... 5 1.4.Factores e elementos que levam à prostituição infantil. ............................................... 6 1.5.Consequências provocadas pela exploração sexual infantil. ........................................ 8 1.6.Estratégias para a redução da problemática de prostituição infantil. ............................ 9 1.7.A importância da família no desenvolvimento da criança .......................................... 10 2.REFERENCIAS ............................................................................................................. 12