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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ CENTRO DE CIENCIAS EXATAS E TECNOLÓGICAS ENGENHARIA CIVIL ESTRUTURAS METÁLICAS Prof. Leila Cristina Meneghetti Cascavel- PR 2008 Sumário CAPÍTULO 1 ................................................................................................................................. 1 INTRODUÇÃO AO ESTUDO DAS ESTRUTURAS METÁLICAS................................................... 1 1.1 HISTÓRICO ............................................................................................................................. 1 1.3 PRINCIPAIS APLICAÇÕES DOS AÇOS ESTRUTURAIS .................................................................... 4 1.4 PRODUTOS SIDERÚRGICOS ..................................................................................................... 5 CAPÍTULO 2 ................................................................................................................................. 8 AÇOS ESTRUTURAIS .................................................................................................................. 8 2.1 PROPRIEDADES ...................................................................................................................... 8 2.2 AÇOS ESTRUTURAIS COMUNS ................................................................................................ 11 2.2.1 Aço Carbono ................................................................................................. 11 2.2.2 Aços de Baixa-Liga e Alta Resistência ......................................................... 12 2.3 CLASSIFICAÇÃO DE AÇOS PARA PERFIS DE ELEMENTOS ESTRUTURAIS SEGUNDO A ABNT ........ 13 2.4 CLASSIFICAÇÃO DE AÇOS PARA PERFIS DE ELEMENTOS ESTRUTURAIS SEGUNDO A ASTM ........ 13 CAPÍTULO 3 ............................................................................................................................... 14 AÇÕES........................................................................................................................................ 14 3.1 CLASSIFICAÇÃO DAS AÇÕES.................................................................................................. 14 3.1.1 Classificação quanto à origem....................................................................... 14 3.1.2 Classificação quanto à variabilidade ............................................................. 15 3.1.3 Classificação quanto ao modo de atuação..................................................... 15 3.2 CARGAS ACIDENTAIS VERTICAIS (SOBRECARGAS) .................................................................. 16 3.3 CARGAS DEVIDO AO VENTO ................................................................................................. 16 3.3.1 Pressão Dinâmica ......................................................................................... 17 3.3.2 Coeficientes aerodinâmicos e ação estática do vento.................................... 26 3.3.3 Força Devida ao Vento.................................................................................. 34 3.3.4 Exemplos de Determinação da Força Devida ao Vento................................ 35 3.4 PRINCÍPIOS GERAIS PARA O DIMENSIONAMENTO – MÉTODO DOS ESTADOS LIMITES ................ 40 3.5 CRITÉRIOS DA NBR 8800 ..................................................................................................... 41 3.6 EXEMPLOS DE COMBINAÇÕES DE AÇÕES ............................................................................... 45 CAPÍTULO 4.................................................................................................................................50 PEÇAS COMPRIMIDAS................................................................................................................50 4.1 TEORIA DE EULER - CARGA CRÍTICA DE FLAMBAGEM (PCR) ..................................................... 50 4.2 DIMENSIONAMENTO DE BARRAS COMPRIMIDAS ...................................................................... 54 4.3 FLAMBAGEM EM CANTONEIRAS ............................................................................................ 70 4.4 PEÇAS COMPOSTAS ............................................................................................................ 74 4.4.1 Limitações quanto a Flambagem Local ..................................................... 75 CAPÍTULO 5 ............................................................................................................................... 85 PEÇAS TRACIONADAS ............................................................................................................. 85 5.1 GENERALIDADES .................................................................................................................... 85 5.2 DIMENSIONAMENTO DE BARRAS À TRAÇÃO ............................................................................... 85 5.3 ÁREAS DA SEÇÃO TRANSVERSAL PARA DIMENSIONAMENTO ......................................................... 86 5.4 ÁREA LÍQUIDA EFETIVA (AE) ..................................................................................................... 87 5.5 DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS.................................................................................................... 91 5.6 ÍNDICE DE ESBELTEZ LIMITE......................................................................................................... 92 CAPÍTULO 6 ............................................................................................................................... 93 DIMENSIONAMENTO DE BARRAS FLEXIONADAS .................................................................. 99 6.1 CLASSIFICAÇÃO DA FLEXÃO EM BARRAS.................................................................................. 99 6.2 FLEXÃO DE PEÇAS ISENTAS DE FLAMBAGEM LATERAL .............................................................. 99 6.3 FLAMBAGEM LATERAL .......................................................................................................... 125 6.4 FLEXÃO COMPOSTA ............................................................................................................. 135 BIBLIOGRAFIA ..........................................................................................................................141 Estruturas Metálicas Capítulo 1 1 CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO AO ESTUDO DAS ESTRUTURAS METÁLICAS 1.1 Histórico O primeiro material siderúrgico empregado na construção foi o ferro fundido. Entre 1780 e 1820 construíram-se pontes em arco treliçado, com elementos de ferro fundido trabalhando à compressão. Mas, devido aos inúmeros acidentes ocorridos com estas estruturas, sentiu-se a necessidade de utilizar um material de melhor qualidade. Partiu-se, então, para a utilização do aço, que já era conhecido, mas não era utilizado pois estava disponível no mercado a preços muito altos, por causa da falta de um sistema industrial de fabricação. Resolveu-se este problema com a invenção dos fornos para produção do aço em escala comercial com preços competit ivos. Houve então, um grande desenvolvimento da ciência das construções e da metalurgia. As estruturas metálicas adquiriram formas funcionais e arrojadas, constituindo-se em verdadeiros triunfos da tecnologia, o que permitiu que o aço competisse no mercado juntamente com o concreto na construção de edifícios, pontes, torres de transmissão, etc. Em 1921 foi implantada no Brasil a Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira para produzir fio máquina, arame farpado, perfis leves, etc. Em 1940 foi instituída no Brasil a Comissão Executiva do Plano Siderúrgico Nacional,e em plena guerra (1941) foi fundada no Rio de Janeiro, em Volta Redonda, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que entrou em operação em 12 de outubro de 1946 com a finalidade de produzir chapas, trilhos e perfis nas bitolas americanas, e com uma previsão de produção de 500.000 t/ano. Na década de 60, entraram em operação a Usiminas e a Cosipa, para a produção de chapas. A partir daí, grandes expansões foram realizadas no setor siderúrgico, produzindo o Brasil, hoje, perto de 25 milhões de toneladas de aço, ocupando assim, o 8º lugar em termos de produção mundial. 1.2 Vantagens e desvantagens das estruturas de aço em comparação com as estruturas de concreto armado Quando da comparação entre o aço e o concreto, é inconveniente dizer que o concreto é melhor que o aço e vice-versa, pois ambos dependem do uso a que se destinam. Por exemplo, na construção civil o aço trabalha melhor à tração e à flexão, enquanto o concreto é mais adequado à compressão. Para vãos de mais de 15 m, o aço torna-se mais adequado. Estruturas Metálicas Capítulo 1 2 As principais vantagens da estrutura metálica sobre a estrutura de concreto armado são: - Fabricação das estruturas com precisão milimétrica, possibilitando um alto controle de qualidade do produto acabado; - Material resistente a vibração e choques; - Maior resistência mecânica O módulo de elasticidade do aço é aproximadamente igual a dez vezes o do concreto. Dessa forma, consegue-se, com a estrutura metálica, maiores vãos de vigamentos, colunas de menores dimensões e vigas com menor altura. Logicamente que, diminuindo as dimensões das peças estruturais, consegue-se maior área útil na edificação. − Maior rapidez na execução Sendo a estrutura metálica composta de peças pré-fabricadas, a montagem pode ser executada com grande rapidez, terminando a obra num prazo menor e com isso permitindo uma antecipação na amortização do capital investido. − Utilização mais racional da mão-de-obra A estrutura metálica pode ser toda ou quase toda executada na fábrica. Com isso, o trabalho de campo se restringirá a montagem das peças, o que pode ser feito por uma equipe reduzida. − Canteiro de obras mais organizado São desnecessários depósitos de cimento e agregados, fôrmas e andaimes, além de locais de estocagem de restos de construção, tais como partes de fôrmas, pedaços de ferragens e alvenarias. Observa-se também uma grande redução no consumo de energia e água. − Facilidade de reforço e ampliação Em uma obra executada com estrutura metálica, caso necessário, os elementos de aço podem ser desmontados e substituídos facilmente, assim como a estrutura pode ser facilmente ampliada, ao contrário daquelas feitas em concreto armado. − Possibilidade de reaproveitamento A estrutura metálica, principalmente quando as ligações são parafusadas, possibilita sua desmontagem e posterior montagem em outro local. Estruturas Metálicas Capítulo 1 3 − Correspondência entre consumo e previsão Sendo a estrutura metálica composta de perfis pré-fabricados, é possível se ter uma correspondência perfeita entre o consumo e a previsão de materiais indicada em orçamentos. − Métodos de ligação O aço apresenta métodos de ligação mais seguros e mais próximos das hipóteses teóricas que o concreto armado. − Aproximação teoria-realidade Como o aço é um material homogêneo e praticamente isotrópico, suas características são bem definidas. Com isso, consegue-se uma grande aproximação entre os esforços calculados e aqueles que efetivamente ocorrem na prática. As principais desvantagens apresentadas pela estrutura de aço em relação a de concreto armado. − Custo mais elevado As estruturas em concreto armado apresentam um custo global inferior às do aço. − Possibilidade de corrosão Define-se corrosão nos materiais metálicos como sendo a sua deterioração por ação química ou eletroquímica do meio-ambiente. Trata-se de um processo espontâneo, prejudicando a durabilidade e desempenho das peças de aço, que se tornam inválidas para os fins projetados. Para evitar a corrosão, deve ser feita uma proteção da estrutura, que consiste em limpar totalmente a superfície das peças após a fabricação e pintá-las posteriormente com tintas adequadas. A qualidade da limpeza e das tintas empregadas são função da agressividade do ambiente onde estará a estrutura, por exemplo, sujeito a vapores ácidos industriais, a proximidade do mar, etc. Estima-se que 15% do custo total da estrutura são gastos com a conservação. Existem aços com alta resistência à corrosão, que podem dispensar a proteção anti-corrosiva, mas que, no entanto, tem preços mais elevados. − Influência de altas temperaturas As estruturas de aço são mais afetadas por temperaturas elevadas que as de concreto. O aço é um material incombustível, mas sua resistência é enormemente influenciada pelo acréscimo de temperatura. Estruturas Metálicas Capítulo 1 4 A uma temperatura de 538ºC, o limite de escoamento do aço é cerca de 70% daquele a temperatura normal (cerca de 25ºC) e o limite de resistência 60%, sendo que à medida que a temperatura vai atingindo valores mais altos, os limites de escoamento e resistência vão reduzindo também. As normas exigem que, em edificações onde há materiais inflamáveis, a estrutura de aço seja protegida contra o fogo, para controlar a temperatura do metal por um tempo suficiente para que os ocupantes sejam postos em segurança, antes do colapso da estrutura. A proteção da estrutura contra altas temperaturas é feita através de materiais anti-térmicos, normalmente obtidos de produtos a base de gesso ou concreto celular, que podem ser moldados em volta do perímetro da barra ou colocados sob a forma de placas. Para determinação da espessura deve ser consultada bibliografia especializada. É importante notar que, após o incêndio, quando as peças metálicas se esfriam, recuperam sua resistência original. Dessa forma, os elementos que permanecem retos poderão ser reaproveitados, enquanto que os deformados ou flambados deverão ser substituídos. − Necessidade de mão-de-obra especializada As estruturas metálicas necessitam de um grande número de operários especializados, ao contrário das do concreto armado. 1.3 Principais aplicações dos aços estruturais O aço pode ser aplicado como elemento estrutural em praticamente todo tipo de construção, por exemplo: − Edifícios de vários andares, residenciais ou comerciais; − Galpões e instalações industriais; − Pontes ferroviárias e rodoviárias; − Torres de transmissão e sub-estações; − Construção mecânica em geral; − Construção aeronáutica e naval; − Comportas, silos, reservatórios, etc.; − Antenas e chaminés; − Construção de vagões; − Telhados; − Hangares; − Pontes rolantes e equipamentos de transporte; − Reservatórios; − Guindastes; − Escadas. Estruturas Metálicas Capítulo 1 5 1.4 Produtos Siderúrgicos As estruturas metálicas devem ser constituídas, preferencialmente, por produtos siderúrgicos padronizados, de forma a minimizar custos. A adoção de formas diferentes das padronizadas pode aumentar o custo final. Então, o projetista quando do desenvolvimento de seus projetos deve estar com os catálogos das siderúrgicas à mão, para que as peças especificadas atendam aos padrões siderúrgicos. Os perfis laminados são obtidos pela passagem de blocos de aço (lingotes) por rolos de laminação que levam à forma final, com dimensões padronizadas e com pequena tolerância. Como os laminadores são equipamentos muito caros, não é economicamente viável trocar o padrão dos perfis ou criar um novo. Os tipos mais comuns, para a construção metálica, são os perfis I (ou duplo T), U (ou canal, ou C), as cantoneiras (ou L) e as barrasredondas. Cantoneira de abas Iguais b b t aba: b espessura da aba: t a b t htwd bftf htwd bf aba: b aba: a Cantoneira de abas Desiguais espessura da alma: tw Perfil I ou duplo T espessura da mesa: tf espessura da aba: t largura da mesa: bt altura da alma: h altura do perfil: dtf espessura da alma: tw espessura da mesa: tf largura da mesa: bt altura da alma: h altura do perfil: d Perfil H ou duplo T espessura da alma: twh tw altura da alma: h bf espessura da mesa: tf largura da mesa: bf Perfil T tf altura: d b t espessura: t aba: b Perfil U ou canal d t Estruturas Metálicas Capítulo 1 6 Ainda existem as Barras redondas e chatas, os Tubos circulares, retangulares ou quadrados, as Chapas em bobinas com medidas variáveis em comprimento e largura, e Chapas finas ou grossas em formatos específicos. 1.5 Produtos Metalúrgicos As empresas metalúrgicas produzem perfis compostos por chapas dobradas ou compostos por chapas soldadas. Os perfilados obtidos por dobramento de chapas estão sujeitos ao limite da capacidade de dobramento das chapas que, por isso, não podem ser espessas. São empregados em geral em coberturas de galpões e ginásios de esportes. Existem empresas especializadas em fabricá-los, dispondo de catálogos com dimensões padronizadas e propriedades geométricas das seções (perfis leves). Como exemplo, temos: Tê Soldado Duplo Tê Soldado Chapas Trapezoidais Cantoneira enrijecido Perfil U Perfil U ou C ou canal Perfil cartola Perfil Z Estruturas Metálicas Capítulo 1 7 1.6 Entidades normativas para o projeto e cálculo de Estruturas Metálicas Entidades normativas são associações representativas de classes, ou organismos oficiais, que determinam os procedimentos a serem seguidos para a execução de uma determinada atividade. No caso de projetos e obras em estruturas metálicas, temos normalizadas as características mecânicas e químicas dos materiais, a metodologia para o cálculo estrutural e o detalhamento em nível de projeto executivo. As unidades a serem adotadas no Brasil são as do SI (Sistema Internacional). Nos desenhos as medidas lineares são todas em milímetros, não havendo necessidade de explicitar este fato. A seguir apresentamos as siglas das principais entidades normativas para atividades que envolvam estruturas metálicas. Brasil: ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas Estados Unidos: AISC American Institute of Steel Construction ANSI American National Standards Institute AWS American Welding Society AASHTO American Association of State and Highway Transportation Officials API American Petroleum Institute ASTM American Society for Testing and Materials AISE Association of Iron and Steel Engineers AISI American Iron and Steel Institute ASCE American Society of Civil Engineers AREA American Railway Engineering ABS American Bureau Shipping ASA American Standards Association SAE Society of Automotive Engineers SSPC Steel Structures Painting Council USBPR United States Bureau of Public Roads Uniform Building Code Estruturas Metálicas Capítulo 2 8 CAPÍTULO 2 AÇOS ESTRUTURAIS Os aços estruturais são fabricados conforme as características mecânicas e/ou químicas desejáveis no produto final. A escolha do tipo de aço a ser utilizado em uma estrutura será determinante no dimensionamento dos elementos que a compõem. 2.1 Propriedades As propriedades mecânicas dependem da composição química, processo de laminação e tratamento térmico do aço. Outros fatores podem influenciar, tais como técnica de ensaio, temperatura, geometria do corpo-de-prova, etc. As propriedades dos aços estruturais são: Ductibilidade é a capacidade do material de se deformar sob a ação de cargas. Fragilidade é o oposto da ductibilidade. Os aços podem ter características de elementos frágeis em baixas temperaturas ambientes. Resiliência é a capacidade do material de absorver energia mecânica em regime elástico. Tenacidade é a capacidade do material de absorver energia mecânica com deformações elásticas e plásticas. Dureza resistência ao risco ou abrasão. Fadiga resistência a carregamentos repetitivos. Do ponto de vista do engenheiro estrutural, o ensaio mais importante, de onde se obtém as propriedades que mais interessam, é o ensaio de tração. Este ensaio é feito com um corpo-de-prova cilíndrico ou prismático, com a parte central de dimensões menores para evitar ruptura na região das garras da máquina de ensaio, que será tracionado até sua ruptura. Traça-se, então um gráfico relacionando tensão (ordenadas) e deformação (abcissas). Um diagrama típico de aço carbono, conforme indicado na figura 2.1, é caracterizado por um trecho inicial linear, zona de proporcionalidade, seguido por um trecho plástico de considerável deformação (patamar de escoamento), sem acréscimo importante de tensões, terminando com um trecho de aumento de deformações onde seu crescimento se faz com algum aumento de tensões que é denominado de encruamento do aço. Durante o escoamento ocorre uma redução localizada na seção do corpo-de-prova, denominada estricção de seção. Como é difícil controlar o valor da seção durante o ensaio, considera-se, para o cálculo da Estruturas Metálicas Capítulo 2 9 tensões, o valor inicial da área da seção transversal como constante. A deformação correspondente ao fim da zona de plastificação é cerca de 10 a 20 vezes maior do que a deformação correspondente ao limite de proporcionalidade . Figura 2.1 – Diagrama tensão vs. deformação para o aço Onde: f - Tensão no material fu - Tensão última fy - Tensão de escoamento fp - Tensão de proporcionalidade ε - Deformação específica εu - Deformação específica quando ocorre a última tensão εy - Deformação específica limite quando ocorre a tensão de escoamento εp - Deformação específica quando ocorre a tensão de proporcionalidade α - Ângulo de inclinação da reta da região elástica 1 - Região Elástica 2 - Região Elastoplástica f f f ε α 1 2 Deformação Permanente ε ε u y p εp y u Estruturas Metálicas Capítulo 2 10 Tensão de escoamento ou ponto de escoamento (fy) – o patamar de escoamento costuma apresentar uma tensão de escoamento máxima seguida de uma tensão de escoamento mínima. Genericamente, refere-se à tensão superior como tensão de escoamento, a qual corresponde a deformação (εy). Para aços que não apresentam, patamar de escoamento, a tensão de escoamento é obtida com a intersecção de uma reta traçada paralela ao trecho reto do gráfico a partir de um ponto no eixo das abcissas correspondente a uma deformação específica de 0,2%, com o próprio gráfico tensão vs. deformação. Tensão de ruptura ou ponto de ruptura (fu) – É o valor máximo de tensão que se obtém na peça. Corresponde ao ápice da curva tensão vs. deformação. Limite de proporcionalidade – É o valor de tensão correspondente ao final da reta de proporcionalidade. Módulo de elasticidade ou módulo de Young (E) – É a razão entre tensões e deformações (σ = E*ε), conhecida como Lei de Hooke. Corresponde ao coeficiente angular da reta de proporcionalidade. Para os aços estruturais o módulo de elasticidade varia pouco E = tg α = 205GPa → α = 89,9999999997º Coeficiente de Poisson (µ) – É a razão entre as deformações transversais e longitudinais sob carga axial. Para o aço seu valor situa-se entre 0,25 e 0,33 na zona elástica. A NBR 8800 adota o valor de µ = 0,30 para todos os aços estruturais. Módulo de elasticidade transversal – É a razão entre as deformações transversais e as tensões cisalhantes na zona de proporcionalidade. Pode serdeterminado através da equação: G = E/2(1 + µ) Para os aços estruturais pode-se adotar G = 79.230 MPa. Resistência à fadiga – é definida coma a tensão para a qual o aço rompe após repetidas aplicações de carga. Está relacionada com o número de ciclos de carga e com a amplitude de variação das cargas. Coeficiente de dilatação térmica – Na faixa normal de temperaturas ambientais, adota-se o valor, de acordo com a NBR 8800, β = 12 x 10-6 / ºC-1. Peso específico (γ) – adotar o valor de 77 kN/m3. Estruturas Metálicas Capítulo 2 11 2.2 Aços estruturais comuns 2.2.1 Aço Carbono O elemento ferro, quando puro, não apresenta propriedades adequadas para o emprego industrial. É necessário estar composto com outros elementos formando ligas. As ligas com predominância de ferro são denominadas aços. Os aços mais comuns são denominados aços-carbono. A presença de carbono modifica as características do aço e definem uma primeira classificação de quatro categorias. Baixo carbono C < 0,15 % Moderado 0,15 % < C< 0,29 % Médio carbono 0,30 % < C < 0,59 % Alto carbono 0,6 % < C < 1,7 % Quanto maior a quantidade de carbono na liga, maior a resistência esperada para o aço. Entretanto isso não se dá gratuitamente, isto é, com o aumento de carbono o aço fica mais suscetível à fragilização e aos efeitos de tratamento térmico. Os aços comuns, ditos comerciais, são denominados no Brasil de MR 240 e MR 250 e têm as seguintes propriedades: MR 240 fy = 240 MPa fu = 370 MPa MR 250 fy = 250 MPa fu = 400 MPa O aço estrutural mais utilizado é o MR 250, que corresponde ao americano ASTM A36. Pode ser útil para o engenheiro de estruturas conhecer as propriedades estimadas para os aços de acordo com a classificação SAE, cujos valores das resistências são estimados, não havendo obrigatoriedade de serem atendidas em ensaios. Obs: Os aços 10xx são aços carbono e os valores xx indicam a quantidade de carbono. Por exemplo, o aço 1020 apresenta 0,2 % de carbono. Estruturas Metálicas Capítulo 2 12 Tabela 2.1 – Aços com classificação SAE Tensão de escoamento mínima(MPa) Tensão de ruptura mínima(MPa) Aço SAE Laminado a quente Laminado a frio Laminado a quente Laminado a frio 1010 180 300 330 370 1020 210 350 380 420 1030 260 450 470 530 1040 290 490 530 590 1050 340 590 630 700 1060 370 - 680 - 2.2.2 Aços de Baixa-Liga e Alta Resistência São os aços estruturais que possuem limites de escoamento iguais ou superiores a 290 MPa, cuja resistência é devida à adição de pequenas quantidades de elementos na liga, ao invés de tratamentos térmicos. Os aços de baixa-liga apresentam a vantagem de serem soldáveis sem necessidade de precauções especiais, sendo excelentes para a construção civil. Tabela 2.2 – Aços de baixa liga Especificação Principais elementos de liga fy (MPa) Fu (MPa) ASTM A242 C<0,22 % Mn<0,25% 290 – 350 435 – 480 DIN ST52 C<0,20% Mn<1,50% 360 520 – 620 Existem aços de alta resistência e baixa liga que apresentam elevada resistência à corrosão atmosférica, a qual é obtida pela formação de uma película de corrosão superficial (pátina) protetora que reduz sua corrosão posterior de maneira apreciável. A Companhia Siderúrgica Nacional dispõe do aço ASTM A242 com elementos de liga níquel-cobre que o tornam resistente à corrosão atmosférica. Comercialmente é denominado Nio-Cor, enquanto que a Usiminas fabrica um aço semelhante denominado SAC-50, com o limite de resistência de 500 MPa. Estruturas Metálicas Capítulo 2 13 2.3 Classificação de aços para perfis de elementos estruturais segundo a ABNT NBR 6648 –(EB 255) Chapas espessas para uso em estruturas em aço-carbono CG-24: fy = 235 MPa; fu = 380 MPa CG-26: fy = 255 MPa; fu = 410 MPa NBR 6649 –(EB 276-I/II) Chapas finas laminadas a frio, para uso em estruturas CF-24: fy = 240 MPa; fu = 370 MPa CF-26: fy = 260 MPa; fu = 410 MPa NBR 6650 –(EB 276-I/II) Chapas finas laminadas a quente, para uso em estruturas CF-24: fy = 240 MPa; fu = 370 MPa CF-26: fy = 260 MPa; fu = 410 MPa CF-28: fy = 280 MPa; fu = 440 MPa CF-30: fy = 300 MPa; fu = 490 MPa NBR 7007 –(EB 583) Aço para perfis laminados MR-250: fy = 250 MPa; fu = 400 MPa AR-290: fy = 290 MPa; fu = 415 MPa AR-345: fy = 345 MPa; fu = 450 MPa AR-COR-345A: fy = 345 MPa; fu = 485 MPa AR-COR-345B: fy = 345 MPa; fu = 485 MPa 2.4 Classificação de aços para perfis de elementos estruturais segundo a ASTM A36 - É usado em perfis, chapas e barras, para construção de edifícios, pontes e estruturas pesadas. fy = 250 MPa; fu = 400 a 550 MPa A572 - Empregado em estruturas que necessitem de alto grau de resistência. Perfis Grau 42: fy = 290 MPa; fu = 415 MPa Grau 50: fy = 345 MPa; fu = 450 MPa Estruturas Metálicas Capítulo 3 14 CAPÍTULO 3 AÇÕES 3.1 Classificação das Ações Denominam-se ações, todas as causas de tensões e/ou deformações e/ou movimentos do corpo rígido em uma estrutura. As ações podem ser classificadas de três maneiras: quanto à origem, quanto à sua variabilidade com o tempo e quanto ao seu modo de atuação. 3.1.1 Classificação quanto à origem � Ações inerentes à própria estrutura e aos materiais utilizados para sua execução Neste grupo enquadram-se: o peso próprio da estrutura, pré-tensões e pré- deformações planejadas, recalques de apoios planejados, entre outros. � Ações decorrentes da finalidade da estrutura Aqui se incluem, por exemplo: - em edifícios comerciais e habitacionais: as sobrecargas nos pisos, devidas as pessoas, móveis e utensílios; os pesos de coberturas, paredes, revestimentos, forros, etc.; as cargas de elevadores e de outras utilidades (com respectivas forças de inércia); cargas de caixas d’água, sobrecargas na cobertura, etc. - em edifícios industriais: todas as citadas anteriormente e mais as cargas de diversos equipamentos (com respectivas forças horizontais e verticais de inércia). - em pontes rodoviárias e ferroviárias: as cargas móveis dos veículos com seus respectivos impactos e forças horizontais; pesos de defensas, revestimento de tabuleiro, passarelas para pedestres (incluindo suas sobrecargas), etc. - em reservatórios de fluídos: a pressão do fluído sobre as paredes. - em torres de transmissão: o peso dos cabos e respectivas forças horizontais, peso dos isoladores, etc. � Ações decorrentes do meio ambiente Dependem da localização da estrutura e abrangem: vento, terremotos, neve, chuvas, variações de temperatura, empuxos de terra, pressão hidrostática, recalques de apoio, movimentos de águas marítimas ou fluviais, etc. � Ações decorrentes de acidentes Em alguns casos, as estruturas são dimensionadas para resistir a certos acidentes, devido à sua importância, à conseqüência de seu colapso ou à exigência do proprietário. As estruturas de proteção de reatores nucleares e as barragens são casos típicos em que a ocorrência de colapso pode trazer conseqüências imprevisíveis. Estruturas Metálicas Capítulo 3 15 3.1.2 Classificação quanto à variabilidade � Ações permanentes São as ações praticamente invariáveis ao longo da vida útil da estrutura, tais como: peso próprio da estrutura, peso de elementos fixados definitivamente à estrutura (paredes, materiais de acabamento, etc.), entre outros. � Ações variáveis São aquelas para as quais uma ou mais características (intensidade, sentido, direção, posição) podem variar ao longo da vida útil da estrutura. Nas combinações de carregamentos as ações variáveis podem aparecer com valores extremos ou valores reduzidos probabilisticamente (quando combinadas com outras ações variáveis) ou mesmo nãoaparecer, se sua não ocorrência for mais desfavorável para o ponto particular em estudo e se seu valor puder se anular fisicamente. 3.1.3 Classificação quanto ao modo de atuação � Ações externas São aquelas que podem ser representadas por um conjunto de esforços externos, concentrados e/ou distribuídos, agindo nos nós ou nos elementos da estrutura. Por exemplo, pesos próprios da estrutura e de outros materiais, sobrecargas em geral, vento, neve, etc. � Ações internas Não podem ser representadas por esforços externos, não exigem a presença de apoios ou de meio equilibrante para equilíbrio global da estrutura. São exemplos: variação de temperatura, pré-tensão, pré-deformação, recalque de apoio, etc. 3.2 Cargas Acidentais Verticais (sobrecargas) São as cargas que podem atuar ou não na estrutura. Em geral, em edifícios de porte pequeno e médio, fora de zonas de acúmulo de poeira, adota-se, para sobrecargas na cobertura, 15 kgf/m2 para cobrir chuvas, etc.; para galpões em zonas siderúrgicas adota-se um mínimo de 50 kgf/m2. A NBR 6120/80 preconiza no item 2.2.1.4 que para elementos isolados de cobertura, como terças e banzos superiores de treliça, seja feita verificação adicional para uma carga concentrada de 1kN = 100kgf aplicada na posição mais desfavorável, além da carga permanente. Portanto, nestes casos devem ser feitas ambas as verificações. Outras cargas eventuais podem atuar na estrutura, sendo fruto da análise do projetista. Por outro lado, no caso das estruturas metálicas, a NBR 8800 estabelece o valor de 25 kgf/m2 como sobrecarga para todas as estruturas. Estruturas Metálicas Capítulo 3 16 3.3 Cargas Devido ao Vento A ação do vento nas estruturas metálicas é umas das mais importantes a considerar, porque a sua não consideração pode levar a estrutura ao colapso. As considerações para avaliação das forças devidas ao vento, para efeito de cálculo em edifícios, são regidas pela Norma Brasileira NBR 6123/88 “Forças devidas ao vento nas edificações”. A descrição a seguir é um resumo desta norma. O item 4 da NBR 6123/88 diz que as forças devidas ao vento sobre uma edificação devem ser calculadas separadamente para: 1. Elementos de vedação e suas fixações (telhas, vidros, esquadrias, painéis de vedação, etc.); utilizando os coeficientes de pressão; 2. Partes da estrutura (paredes, telhados, etc.), utilizando os coeficientes de forma; 3. A estrutura como um todo. A ação do vento em edificações depende necessariamente de dois aspectos: meteorológicos e aerodinâmicos. Os aspectos meteorológicos são responsáveis pela determinação da velocidade do vento a se considerar no desenvolvimento do projeto. Por outro lado, a análise da edificação e de sua forma definem o outro aspecto importante na análise do vento, o aerodinâmico, pois a forma da edificação tem um papel importante na determinação da força devida ao vento que a solicitará. 3.3.1 Pressão Dinâmica A pressão dinâmica depende essencialmente da velocidade “V0” do vento e dos fatores que a influenciam, tais como: fator topográfico (S1), fator de rugosidade (S2) e fator estatístico (S3). A velocidade básica do vento “V0”, é a velocidade natural do vento, medida por equipamentos padronizados assim como as condições de instalação. Estas condições são: - localização dos anemômetros ou anemógrafos em terrenos planos sem obstrução; - posicionados a 10 metros de altura; - inexistência de obstruções que possam interferir diretamente na velocidade do vento. Estruturas Metálicas Capítulo 3 17 A NBR-6123/88 estabelece para a velocidade básica, um gráfico de isopletas, figura 3.1, baseado nas seguintes condições: - velocidade básica para uma rajada de três segundos; - período de retorno de 50 anos; - probabilidade de 63% de ser excedida pelo menos uma vez no período de retorno de 50 anos; - altura de 10 metros; - terreno plano, em campo aberto e sem obstruções. As velocidades básicas “V0” foram determinadas por processo estatístico, com base nos valores de velocidades máximas anuais medidas em cerca de 49 cidades brasileiras, compreendendo o período de 1954 a 1974, além de diversas considerações de caráter estatístico, usando um período de recorrência de 50 anos, que representa a vida útil média de uma edificação. A NBR 6123/88 desprezou as velocidades básicas “V0” inferiores a 30 m/s. Considerou-se que o vento básico possa atuar em qualquer direção com igual probabilidade e sempre no sentido horizontal. Figura 3.1 – Isopletas da Velocidade Básica Estruturas Metálicas Capítulo 3 18 Velocidade característica Como pode ser observado, a velocidade básica é praticamente um padrão de referência a partir do qual é necessário determinar a velocidade que atuará em uma dada edificação, ou seja, a velocidade característica. Esta velocidade característica deverá considerar os aspectos particulares da edificação, entre estes podemos citar: - Topografia do local - Rugosidade do terreno - Altura da edificação - Dimensões de edificação - Tipo de ocupação e risco de vida Portanto, a NBR-6123/88 prevê que a velocidade característica será obtida pela expressão: Vk = V0 x S1 x S2 x S3 Fator topográfico “S1” O fator topográfico “S1” leva em consideração as grandes variações na superfície do terreno, ou seja, acelerações encontradas perto de colinas, proteções conferidas por vales profundos e os efeitos de afunilamento em vales. A figura 3.2 ilustra estes aspectos. Figura 3.2 – Aspectos de alteração das linhas de fluxo em função da topografia Ponto A – Terreno plano Ponto B – Aclive com aumento de velocidade A B C Estruturas Metálicas Capítulo 3 19 Ponto C – Vale protegido com diminuição da velocidade O fator topográfico “S1” é determinado do seguinte modo. Tabela 3.1 – Fator topográfico “S1” Caso Topografia S1 A Terreno plano ou fracamente acidentado 1,0 B Taludes e morros: a correção da velocidade básica será realizada a partir do ângulo de inclinação do talude ou do morro e a figura 3.3 ilustra os valores prescritos. 1,0 C Vales profundos, protegidos de ventos de qualquer direção 0,9 Figura 3.3 – Fator S1 Taludes e Morros d S1=1 A Z S1(Z)S2 Z Z 4d S1(Z) B C S1=1 θ a) Talude S1(Z)S2 Z θA S1=1 d S1(Z) B Z Estruturas Metálicas Capítulo 3 20 No ponto B, S1 é uma função S1(z): θ ≤ 3º : S1(z)=1,0 6º ≤ θ ≤ 17º : 0,1)º3(5,2(0,1)(1 ≥− −+= θtg d z zS θ ≥ 45º : 0,131,05,2(0,1)(1 ≥ −+= d z zS Interpolar linearmente para 3º < θ < 6º e 17º < θ < 45º. Sendo: Z – altura medida a partir da superfície do terreno no ponto considerado; d – diferença de nível entre a base e o topo do talude ou morro; θ - inclinação média do talude ou encosta do morro. Entre A e B e entre B e C o fator S1 é obtido por interpolação linear. Fator de rugosidade do terreno e dimensões da edificação “S2” O fator S2 considera as particularidades de uma dada edificação no que se refere às suas dimensões, bem como a rugosidade média geral do terreno no qual a edificação será construída. A rugosidade do terreno está diretamente associada ao perfil de velocidade que o vento apresenta quando interposto por obstáculos naturais ou artificiais. A figura 3.4 ilustra o perfil da velocidade do vento para três tipos de terreno, proposto por Davenport. Figura 3.4 – Perfil da velocidade média proposto por Davenport 0 100 200 300 400 500 160 145 129 110 83 160 148 133 109 160 153 137 (m) Estruturas Metálicas Capítulo 3 21 A NBR-6123/88 estabelece cinco categorias de terrenoem função de sua rugosidade, transcritas a seguir: Categoria I: Superfícies lisas de grandes dimensões, com mais de 5km de extensão, medida na direção e sentido do vento incidente. Exemplos: mar calmo, lagos e rios, e pântanos sem vegetação. Categoria II: Terrenos abertos em nível ou aproximadamente em nível, com poucos obstáculos isolados, tais como árvores e edificações baixas. Exemplos: zonas costeiras planas, pântanos com vegetação rala, campos de aviação, pradarias e charnecas, fazendas sem sebes ou muros. A cota média do topo dos obstáculos é considerada igual ou inferior a 1 metro. Categoria III: Terrenos planos ou ondulados com obstáculos, tais como sebes e muros, poucos quebra ventos de árvores, edificações baixas e esparsas. Exemplos: granjas e casas de campo (com exceção das partes com matos), fazendas com sebes e/ou muros, subúrbios a considerável distância do centro, com casas baixas e esparsas. A cota média do topo dos obstáculos é considerada igual a 3 metros. Categoria IV: Terrenos cobertos por obstáculos numerosos e pouco espaçados, em zona florestal, industrial ou urbanizada. Exemplos: zonas de parques e bosques com muitas árvores, cidades pequenas e seus arredores, subúrbios densamente construídos de grandes cidades, áreas industriais plena ou parcialmente desenvolvidas. A cota média do topo dos obstáculos é considerada igual a 10 metros. Esta Categoria também inclui zonas com obstáculos maiores e que ainda não possam ser consideradas na Categoria V. Categoria V: Terrenos cobertos por obstáculos numerosos, grandes, altos e pouco espaçados. Exemplos: florestas com árvores altas de copas isoladas, centros de grandes cidades, complexos industriais bem desenvolvidos. A cota média do topo dos obstáculos é considerada igual ou superior a 25 metros. É necessário então, adotar uma categoria para definição do fator S2. As dimensões da edificação estão relacionadas diretamente com o turbilhão (rajada) que deverá envolver toda a edificação. Quanto maior é a edificação maior deve ser o turbilhão que a envolverá e por conseqüência menor a velocidade média. A norma brasileira define três classes de edificações e seus elementos, considerando os intervalos de tempo de 3,5 e 10 segundos para as rajadas. As classes são: Estruturas Metálicas Capítulo 3 22 Classe A: todas as unidades de vedação, seus elementos de fixação e peças individuais de estruturas sem vedação. Toda edificação ou parte da edificação na qual a maior dimensão horizontal ou vertical da superfície frontal não exceda 20 metros. Classe B: toda edificação ou parte da edificação para a qual a maior dimensão horizontal ou vertical da superfície frontal esteja entre 20 e 50 metros. Classe C: toda edificação ou parte da edificação para a qual a maior dimensão horizontal ou vertical da superfície frontal exceda 50 metros. O cálculo de S2 pode ser obtido através da expressão: S2 = b x Fr x (Z/10)p onde: Z – é a altura acima do terreno (limitado à altura gradiente) Fr – fator de rajada correspondente a classe B, categoria II b – parâmetro de correção da classe da edificação p – parâmetro meteorológico. Os parâmetros Fr, b e p adotados pela norma brasileira estão apresentados na tabela 3.2. Tabela 3.2 – Parâmetros meteorológicos para o fator S2 Classe Categoria Zg (m) Parâmetro A B C I 250 b p 1,10 0,06 1,11 0,065 1,12 0,07 II 300 b Fr p 1,00 1,00 0,085 1,00 0,98 0,09 1,00 0,95 0,10 III 350 b p 0,94 0,10 0,94 0,105 0,93 0,115 IV 420 b p 0,86 0,12 0,85 0,125 0,84 0,135 V 500 b p 0,74 0,15 0,73 0,16 0,71 0,175 Estruturas Metálicas Capítulo 3 23 A tabela 3.3 apresenta os valores de S2 para algumas alturas das edificações. Estruturas Metálicas Capítulo 3 24 Tabela 3.3 – Fator S2 CATEGORIAS I II III IV V Classes Classes Classes Classes Classes Z (m) A B C A B C A B C A B C A B C ≤5 10 15 20 30 1.06 1.10 1.13 1.15 1.17 1.04 1.09 1.12 1.14 1.17 1.01 1.06 1.09 1.12 1.15 0.94 1.00 1.04 1.06 1.10 0.92 0.98 1.02 1.04 1.08 0.89 0.95 0.99 1.02 1.06 0.88 0.94 0.98 1.01 1.05 0.86 0.92 0.96 0.99 1.03 0.82 0.88 0.93 0.96 1.00 0.79 0.86 0.90 0.93 0.98 0.76 0.83 0.88 0.91 0.96 0.73 0.80 0.84 0.88 0.93 0.74 0.74 0.79 0.82 0.87 0.72 0.72 0.76 0.80 0.85 0.67 0.67 0.72 0.76 0.82 40 50 60 80 100 1.20 1.21 1.22 1.25 1.26 1.19 1.21 1.22 1.24 1.26 1.17 1.19 1.21 1.23 1.25 1.13 1.15 1.16 1.19 1.22 1.11 1.13 1.15 1.18 1.21 1.09 1.12 1.14 1.17 1.20 1.08 1.10 1.12 1.16 1.18 1.06 1.09 1.11 1.14 1.17 1.04 1.06 1.09 1.12 1.15 1.01 1.04 1.07 1.10 1.13 0.99 1.02 1.04 1.08 1.11 0.96 0.99 1.20 1.06 1.09 0.91 0.94 0.97 1.01 1.05 0.89 0.93 0.95 1.00 1.03 0.86 0.89 0.92 0.97 1.01 120 140 160 180 200 1.28 1.29 1.30 1.31 1.32 1.28 1.29 1.30 1.31 1.32 1.27 1.28 1.29 1.31 1.32 1.24 1.25 1.27 1.28 1.29 1.23 1.24 1.26 1.27 1.28 1.22 1.24 1.25 1.27 1.28 1.20 1.22 1.24 1.26 1.27 1.20 1.22 1.23 1.25 1.26 1.18 1.20 1.22 1.23 1.25 1.16 1.18 1.20 1.22 1.23 1.14 1.16 1.18 1.20 1.21 1.12 1.14 1.16 1.18 1.20 1.07 1.10 1.12 1.14 1.16 1.06 1.09 1.11 1.14 1.16 1.04 1.07 1.10 1.121 1.14 250 300 350 400 420 450 500 1.34 -- -- -- -- -- -- 1.34 -- -- -- -- -- -- 1.33 -- -- -- -- -- -- 1.31 1.34 -- -- -- -- -- 1.31 1.33 -- -- -- -- -- 1.31 1.33 -- -- -- -- -- 1.30 1.32 1.34 -- -- -- -- 1.29 1.32 1.34 -- -- -- -- 1.28 1.31 1.33 -- -- -- -- 1.27 1.29 1.32 1.34 1.35 -- -- 1.25 1.27 1.30 1.32 1.35 -- -- 1.23 1.26 1.29 1.32 1.33 -- -- 1.20 1.23 1.26 1.29 1.30 1.32 1.34 1.20 1.23 1.26 1.29 1.30 1.32 1.34 1.18 1.22 1.26 1.29 1.30 1.32 1.34 Estruturas Metálicas Capítulo 3 25 Fator estatístico “S3” A tabela 3.4 fixa os valores para o fator estatístico S3. Esta tabela considera o grau de segurança requerido e a vida útil da edificação, tendo por base o período de recorrência de 50 anos para determinação da velocidade V0 e a probabilidade de 63% de que esta velocidade seja ultrapassada ou igualada nesse período. Tabela 3.4 – Fator estatístico S3 Grupo Descrição S3 1 Edificação cuja ruína total ou parcial pode afetar a segurança ou possibilidade de socorro de pessoas após uma tempestade destrutiva (hospitais, quartéis de bombeiros e de forças de segurança, centrais de comunicação etc.) 1,10 2 Edificações para hotéis e residências. Edificações para comércio e indústria com alto fator de ocupação. 1,00 3 Edificações e instalações industriais com baixo fator de ocupação (depósitos, silos, construções rurais etc.) 0,95 4 Vedações (telhas, vidros, painéis de vedação etc.) 0,88 5 Edificações temporárias. Estruturas do Grupo 1 a 3 durante a construção. 0,83 3.3.2 Coeficientes aerodinâmicos e ação estática do vento É possível imaginar que o vento, ao incidir sobre um telhado do tipo duas águas, um arco ou um edifício de andares múltiplos, terá sua “trajetória” alterada emfunção da forma diferenciada destas edificações. A visualização da alteração do ar pode ser feita através das linhas de fluxo. A figura 3.5 ilustra as linhas de fluxo sobre um edifício com telhado tipo duas águas. Estruturas Metálicas Capítulo 3 26 Figura 3.5 – Linhas de fluxo para um edifício com cobertura tipo duas águas A velocidade característica do vento permite determinar a pressão dinâmica “q” pela expressão encontrada a partir do Teorema de Bernoulli: - para: q em kgf/m2 e Vk em m/s qk = vk2/16 - para: q em N/m2 e Vk em m/s qk = 0,613 x Vk2 Cabe salientar a importância da pressão dinâmica, pois será utilizada como padrão para todos os demais pontos onde deseja-se determinar a pressão estática total, enfatizando que esta pressão é perpendicular à superfície da estrutura. Coeficientes de Pressão Coeficiente de pressão externa (Cpe ) A NBR 6123/88 apresenta uma série de tipos de edificações com os respectivos valores de Cpe . Os valores de Ce, podem ser obtidos ponto a ponto, porém o cálculo seria extremamente complicado e as normas técnicas recomendam valores médios para as superfícies que compõem a edificação. A figura 3.6 esquematiza, respectivamente, os valores do coeficiente de pressão Ce observados em ensaios e os valores médios em cada superfície plana para um edifício com telhado tipo duas águas. Estruturas Metálicas Capítulo 3 27 Figura 3.6 – Distribuição esquemática do Ce Como pode ser observado na figura 3.6, a distribuição do Ce apresenta valores elevados em pequenas regiões das paredes e dos telhados. Se para o dimensionamento de toda a estrutura os valores médios do Ce, representados no item b), são muito razoáveis, permitindo assim facilitar o cálculo, os valores elevados de Ce não podem ser simplesmente ignorados. Para efeito de dimensionamento de partes da estrutura (telhas, caixilhos, ou mesmo terças) é necessário adotar estes altos valores de Ce (a NBR 6123/88 adota como nome para estes coeficiente, Cpe médio). A seguir, nas tabelas 3.5, 3.6, e 3.7, estão reproduzidos os valores de Ce, respectivamente, para paredes, telhado tipo uma água e telhado tipo duas águas, especificados pela NBR 6123/88. Notas referentes a tabela 3.5 Nota 1 – Para a/b entre 3/2 e 2, interpolar linearmente. Nota 2 – Para vento a 0º, nas partes A e B o coeficiente de forma Ce tem os seguintes valores: a/b = 1 (valor das partes A2 e B2); a/b ≥ 2: Ce = -0,2; 1 < a/b < 2: interpolar linearmente. Nota 3 – Para cada uma das duas incidências do vento (0º ou 90º) o coeficiente de pressão médio externo, Cpe médio, é aplicado à parte de barlavento das paredes paralelas ao vento, em uma distância igual a 0,2b ou h, considerando-se o menor destes valores. a) b) Estruturas Metálicas Capítulo 3 28 Tabela 3.5 – Coeficiente de pressão e de forma, externos, para paredes de edificações de planta retangular. Valores de Ce para Cpe médio αααα = 0º αααα = 90º Altura Relativa A1 e B1 A2 e B2 C D A B C1 e D1 C2 e D2 -0,8 -0,5 +0,7 -0,4 +0,7 -0,4 -0,8 -0,4 -0,9 2b ou 2h (o menor dos 2) h/b ≤ 1/2 1 ≤ a/b ≤ 3/2 2 ≤ a/b ≤ 4 -0,8 -0,4 +0,7 -0,3 +0,7 -0,5 -0,9 -0,5 -1,0 -0,9 -0,5 +0,7 -0,5 +0,7 -0,5 -0,9 -0,5 -1,1 1/2 ≤h/b≤ 3/2 1 ≤ a/b ≤ 3/2 2 ≤ a/b ≤ 4 -0,9 -0,4 +0,7 -0,3 +0,7 -0,6 -0,9 -0,5 -1,1 -1,0 -0,6 +0,8 -0,6 +0,8 -0,6 -1,0 -0,6 -1,2 3/2 ≤ h/b ≤ 6 1 ≤ a/b ≤ 3/2 2 ≤ a/b ≤ 4 -1,0 -0,5 +0,8 -0,3 +0,8 -0,6 -1,0 -0,6 -1,2 h b 0 2h ou b/2 90 b a C1 C2 A B D1 (o menor dos 2) D2D B3 B1 B2 C A1 A2 A3 b/3 ou a/4 (o maior dos 2, porém 2h) o o Estruturas Metálicas Capítulo 3 29 Tabela 3.6 – Coeficiente de pressão e de forma, externos, para telhados tipo uma água. Y = h ou 0,15b (tomar o menor dos dois valores) As superfícies H e L referem-se a todo respectivo quadrante. Valores de Ce para ângulo de incidência do vento de 90º 45º 0º -45º -90º θ H L H L H e L (A) H e L (B) H L H L 5º 10º 15º 20º 25º 30º -1,0 -1,0 -0,9 -0,8 -0,7 -0,5 -0,5 -0,5 -0,5 -0,5 -0,5 -0,5 -1,0 -1,0 -1,0 -1,0 -1,0 -1,0 -0,9 -0,8 -0,7 -0,6 -0,6 -0,6 -1,0 -1,0 -1,0 -0,9 -0,8 -0,8 -0,5 -0,5 -0,5 -0,5 -0,5 -0,5 -0,9 -0,8 -0,6 -0,5 -0,3 -0,1 -1,0 -1,0 -1,0 -1,0 -0,9 -0,6 -0,5 -0,4 -0,3 -0,2 -0,1 0 -1,0 -1,0 -1,0 -1,0 -0,9 -0,6 CPE MÉDIO θ H1 H2 L1 L2 HE LE 5º 10º 15º 20º 25º 30º -2,0 -2,0 -1,8 -1,8 -1,8 -1,8 -1,5 -1,5 -0,9 -0,8 -0,7 -0,6 -2,0 -2,0 -1,8 -1,8 -0,9 -0,5 -1,5 -1,5 -1,4 -1,4 -0,9 -0,5 -2,0 -2,0 -2,0 -2,0 -2,0 -2,0 -2,0 -2,0 -2,0 -2,0 -2,0 -2,0 (A) Até uma profundidade igual a b/2. (B) De b/2 até a/2. (C) Considerar valores simétricos do outro lado do eixo de simetria paralelo ao vento. Nota: Para vento a 0º, nas partes I e J (que se referem aos respectivos quadrantes) o coeficiente de forma Ce tem os seguintes valores: a/b = 1 – mesmo valor das partes H e L; a/b = 2 – Ce = -0,2; interpolar linearmente para valores intermediários de a/b. y y A A b a b b L H L2L1 Le He H1 H2 VE NT O α θ VENTO 0,1b h Corte A - A Estruturas Metálicas Capítulo 3 30 Tabela 3.7 – Coeficiente de pressão e de forma, externos, para telhados tipo duas águas. Valores de Ce para Cpe médio α= 90º (A) α = 0º Altura Relativa θ EF GH EG FH h/b ≤ 1/2 0º 5º 10º 15º 20º 30º 45º 60º -0,8 -0,9 -1,2 -1,0 -0,4 0 +0,3 +0,7 -0,4 -0,4 -0,4 -0,4 -0,4 -0,4 -0,5 -0,6 -0,8 -0,8 -0,8 -0,8 -0,7 -0,7 -0,7 -0,7 -0,4 -0,4 -0,6 -0,6 -0,6 -0,8 -0,6 -0,6 -2,0 -1,4 -1,4 -1,4 -1,0 -0,8 -- -- -2,0 -1,2 -1,4 -1,2 -- -- -- -- -2,0 -1,2 -- -- -- -- -- -- -- -1,0 -1,2 -1,2 -1,2 -1,1 -1,1 -1,1 ½ < h/b ≤ 3/2 0º 5º 10º 15º 20º 30º 45º 60º -0,8 -0,9 -1,1 -1,0 -0,7 -0,2 +0,2 +0,6 -0,6 -0,6 -0,6 -0,6 -0,5 -0,5 -0,5 -0,5 -1,0 -0,9 -0,8 -0,8 -0,8 -0,8 -0,8 -0,8 -0,6 -0,6 -0,6 -0,6 -0,6 -0,8 -0,8 -0,8 -2,0 -2,0 -2,0 -1,8 -1,8 -1,0 -- -- -2,0 -2,0 -2,0 -1,5 -1,5 -- -- -- -2,0 -1,5 -1,5 -1,5 -1,5 -- -- -- -- -1,0 -1,2 -1,2 -1,0 -1,0 -- -- 3/2 < h/b ≤ 6 0º 5º 10º 15º 20º 30º 40º 50º 60º -0,8 -0,8 -0,8 -0,8 -0,8 -1,0 -,02 +0,2 +0,5 -0,6 -0,6 -0,6 -0,6-0,6 -0,5 -0,5 -0,5 -0,5 -0,9 -0,8 -0,8 -0,8 -0,8 -0,8 -0,8 -0,8 -0,8 -0,7 -0,8 -0,8 -0,8 -0,8 -0,7 -0,7 -0,7 -0,7 -2,0 -2,0 -2,0 -1,8 -1,5 -1,5 -1,0 -- -- -2,0 -2,0 -2,0 -1,8 -1,5 -- -- -- -- -2,0 -1,5 -1,5 -1,5 -1,5 -- -- -- -- -- -1,0 -1,2 -1,2 -1,2 -- -- -- -- Continua... θ 0,1b h b b h b h Estruturas Metálicas Capítulo 3 31 Notas referentes a tabela 3.7 Nota 1 – O coeficiente de forma Ce na face inferior do beiral é igual ao da parede correspondente. Nota 2 – Nas zonas em torno de partes de edificações salientes ao telhado (chaminés, reservatórios, torres, etc.) deve ser considerado um coeficiente de forma Ce = -1,2, até uma distância igual a metade da dimensão diagonal da saliência em planta. Nota 3 – Na cobertura de lanternins, Cpe médio = -2,0. Nota 4 – Para vento a 0º, nas partes I e J o coeficiente de forma Ce tem os seguintes valores: a/b = 1: mesmo valor das partes F e H; a/b ≥ 2: Ce = -0,2; para valores intermediários de a/b, interpolar linearmente. Coeficiente de pressão interna (Cpi) O coeficiente de pressão interna está diretamente associado ao fato que as edificações, em sua grande maioria, têm aberturas onde o vento pode adentrar. Este coeficiente será obtido a partir das sobrepressões e sucções externas que irão atuar nas várias aberturas da edificação. A figura 3.7 ilustra os efeitos de aberturas a barlavento (de onde vem o vento) e de sotavento (de onde sai o vento) e é evidente que, para o primeiro caso, tem-se sobrepressões internas e para o segundo sucções internas. E G F H I J a b b/3 ou a/4 (o maior dos 2, porém 2h) y=h ou 0,15b (o menor dos2) y vento externa sobrepressão Zona de a) Abertura a Barlavento D.V. Interna Sobrepressão Estruturas Metálicas Capítulo 3 32 Figura 3.7 – Coeficientes de pressão interna – Abertura a barlavento e a sotavento Verificamos através da figura 3.7, que o coeficiente de pressão interna será obtido em função das dimensões, localização das aberturas e da direção do vento. O conceito de permeabilidade está associado à presença de aberturas, estas podem ser decorrentes de janelas, portões, frestas no próprio assentamento de telhas e não se descartando as aberturas que porventura possam ocorrer decorrentes de danos em elementos da cobertura, paredes, vidros, etc. Descreve-se, a seguir, os principais tópicos referentes ao coeficiente de pressão interna prescritos na NBR 6123/88. - Definições: a) Elementos impermeáveis: lajes e cortinas de concreto, paredes de alvenaria, blocos ou pedras sem nenhuma abertura; b) Índice de permeabilidade: é a relação entre a área das aberturas e a área total da superfície considerada; c) Abertura dominante: abertura com área igual ou superior à soma das áreas das outras aberturas da edificação. d) A pressão interna é considerada uniforme e atua sobre todas as faces; e) O sinal positivo de Cpi indica sobrepressão interna; f) O sinal negativo de Cpi indica sucção interna. - Ítens da NBR 6123/88 Valores de Cpi a) Duas faces opostas permeáveis e outras duas impermeáveis: a-1) Vento perpendicular a face permeável Cpi = +0,2 a-2) Vento perpendicular a face impermeável Cpi = - 0,3 b) Quatro faces igualmente permeáveis: b-1) adotar Cpi = -0,3 ou Cpi = 0 externa sucção Zona de b) Abertura a Sotavento Interna Sucção D.V. Estruturas Metálicas Capítulo 3 33 c) Abertura dominante com as outras faces permeáveis c-1) Abertura dominante na face de barlavento: Relação entre a área da abertura dominante e a área total das aberturas succionadas nas outras faces: Relação de áreas Cpi 1.0 1.5 2.0 3.0 6.0 +0.1 +0.3 +0.5 +0.6 +0.8 c-2) Abertura dominante na face de sotavento Cpi = Ce correspondente a face de sotavento que contém esta abertura c-3) Abertura dominante nas faces paralelas ao vento: - Não situada em zona alta de sucção externa: Cpi = Ce correspondente à região da abertura nesta face. - Situada em zona de alta sucção externa: Relação entre a área da abertura dominante e demais áreas de aberturas succionadas externamente. Relação entre áreas Cpi 0.25 0.50 0.75 1.0 1.5 ≥3.0 -0.4 -0.5 -0.6 -0.7 -0.8 -0.9 Obs: zonas de alta sucção externa são indicadas nas tabelas de Ce e denominadas na NBR 6123/88 como Cpe médio. A determinação dos coeficientes de pressão interna deve ser feita de maneira a reproduzir, o mais fielmente possível, as condições gerais e as possibilidades de abertura numa edificação. Esta análise deve ser criteriosa, “buscar” situações extremas não parece ser a mais indicada para este índice. 3.3.3 Força Devida ao Vento Após a definição dos coeficientes de pressão externa e interna é necessário calcular a força que irá atuar numa dada superfície de uma edificação. Sabe-se que a força do vento dependerá da diferença da pressão nas faces opostas (interna e externa) da parte da edificação considerada e, para isto, pode-se definir o coeficiente de pressão que, multiplicado pela área analisada, determinará a força atuante nesta parte da edificação. ∆∆∆∆P = ∆∆∆∆Pe - ∆∆∆∆Pi Estruturas Metálicas Capítulo 3 34 onde: ∆P – pressão resultante ∆Pe – pressão externa ∆Pi – pressão interna o que permite obter; ∆∆∆∆P = (Cpe – Cpi) q ou reescrevendo ∆∆∆∆P = Cp q Este coeficiente será aplicado em cada superfície que compõe uma edificação objetivando determinar as situações críticas para a estrutura em questão. 3.3.4 Exemplos de Determinação da Força Devida ao Vento 01) Determinar a velocidade característica do vento para um edifício industrial a ser construído na cidade de Foz do Iguaçu em terreno plano, zona industrial. Solução: Vk = V0 x S1 x S2 x S3 Do gráfico das Isopletas retiramos a velocidade básica do vento para a cidade de Foz do Iguaçu, que vale: V0 = 50 m/s Como foi indicado que o terreno, no qual será construído o edifício, é plano, da tabela 3.1 obtemos o valor do fator topográfico: S1 = 1,0 O fator S2 é obtido da seguinte forma: - enquadra-se o terreno em uma categoria; Área industrial parcialmente desenvolvida: CATEGORIA IV - enquadra-se a edificação em uma classe; DV90º DV0º 55m 25m 25m 10m 5m Estruturas Metálicas Capítulo 3 35 Dependendo da direção do vento, varia a dimensão frontal e as classes são: D.V. = 0º Dimensão frontal = 25m - CLASSE B D.V. = 90º Dimensão frontal = 55m - CLASSE C - determina-se a altura da edificação; Altura = 15m Com esses dados obtemos na tabela 3.3 os valores de S2 para D.V. 0º e D.V. 90º. - Para vento à 0º - S2 = 0,88 - Para vento à 90º - S2 = 0,84 O fator estatístico S3 é obtido na tabela 3.4. Adotamos que a industria seja de alto fator de ocupação, pois esta é a situação mais desfavorável, e assim: S3 = 1,0 Temos, então, duas velocidades características em função da direção do vento: - Para vento à 0º Vk = 50 x 1 x 0,88 x 1 = 44m/s - Para vento à 90º Vk = 50 x 1 x 0,83 x 1 = 41,5m/s 02) Determinar a velocidade característica do vento, os coeficientes de pressão e a força devida ao vento, para um edifício industrial (dimensões e especificações vide figura) situado no núcleo industrial da cidade de Cascavel e destinado a uma indústria de altofator de ocupação. Solução: Velocidade Característica: Vk = V0 x S1 x S2 x S3 V0 – velocidade básica, retirada da figura 3.1 (Isopletas): Localidade Cascavel – V0 = 47m/s S1 – fator topográfico, obtido da tabela 3.1: Terreno fracamente acidentado – S1 = 1,0 DV90º DV0º 40m 20m 8m 2m 8 janelas (6m2/janela) portão 16m2 Estruturas Metálicas Capítulo 3 36 S2 – o fator de rugosidade do terreno e dimensões da edificação é retirado da tabela 3.3 e depende das seguintes classificações: - Categoria do terreno: Área industrial – CATEGORIA IV - Classe da edificação: Dimensão entre 20 e 50 m – CLASSE B - Altura da edificação: Z = 10m Assim S2 = 0,83 S3 – o fator estatístico é retirado da tabela 3.4: Indústria com alto fator de ocupação (grupo 2) – S3 = 1,0 Logo, a velocidade característica vale: Vk = 47 x 1 x 0,83 x 1 = 39,01m/s E a pressão do vento vale: qk = 0,613Vk2 (N/m2) qk = 0,613 x 39,012 = 932,85N/m2 Coeficientes de Pressão: Coeficiente de pressão externa – Ce Sendo: h = 8m b = 20m a = 40m θθθθ = 10º h/b = 0,4 a/b = 2 Vento incidindo na edificação à 90º: Nas tabelas 3.5 e 3.7 obtemos os valores de sobrepressão externa, indicada pelo sinal positivo, e de sucção externa, indicada pelo sinal negativo, que atuam em cada região da edificação: Paredes Telhado A = +0,7 C1 e D1 = -0,9 E e F = -1,2 B = -0,5 C2 e D2 = -0,5 G e H = -0,4 Vento incidindo na edificação à 0º Das tabelas 3.5 e 3.7 obtemos os valores de Ce: Paredes Telhado E e G = -0,8 A1 e B1 = -0,8 C = +0,7 F e H = -0,6 A2 e B2 = -0,4 D = -0,3 I e J = -0,2 10 m DV 0,9 0,5 0,7 0,5 0,9 0,5 1,2 0,4 0,7 0,5 0,41,2 Estruturas Metálicas Capítulo 3 37 Coeficiente de pressão interna - Ci Analisando os casos citados na NBR – 6123/88 a) Duas faces permeáveis e as outras impermeáveis: é um caso que não ocorre; b) Quatro faces igualmente permeáveis: é um caso possível, pois no oitão sem portão existirão frestas entre a alvenaria e as telhas, e então para vento à 90º e a 0º Cpi = -0,3 ou Cpi = 0; c) Abertura dominante com as outras faces permeáveis: também é uma situação possível, e assim temos à 0º e à 90º: Vento à 0º a) abertura dominante na face de barlavento: Abertura dominante: portão – Ad = 16m2 Demais aberturas: - 1 janela succionada (6m2) - frestas da cobertura (10cm) A = 6 + (2 x 20 x 0,1) A = 10m2 Relação entre a abertura dominante e as demais aberturas: Ad/A = 16/10 = 1,6 ≅ 1,5 → Cpi = +0,3 Vento à 90º a) abertura dominante na face de barlavento: Abertura dominante: considerando 3 janelas próximas – Ad = 18m2 Demais aberturas: - 1 janela de sotavento (6m2) - frestas do portão (5% da área) - frestas da cobertura (10cm) A = 6+ (0,05x16) + (2x20x0,1) = 10,8m2 Relação entre a abertura dominante e as demais aberturas: Ad/A = 18/10,8 = 1,6 ≅ 1,5 → Cpi = +0,3 b) abertura dominante na face de sotavento: Abertura dominante: portão Cpi = Ce Cpi = -0,3 b) abertura dominante na face de sotavento: Abertura dominante: 3 janelas Cpi = Ce Cpi = -0,5 d) Abertura dominante na face paralela ao vento: é uma situação que também pode ocorrer, assim: DV 0,3 0,2 0,8 0,4 0,7 0,8 0,4 0,210m 10m 10m 0,8 0,8 0,60,6 0,20,2 0,80,8 0,8 0,8 0,4 0,4 0,6 0,6 0,2 0,2 0,2 0,2 Estruturas Metálicas Capítulo 3 38 Vento à 0º a) Abertura dominante = abertura das janelas Cpi = Ce (na região central) Cpi = -0,5 b) Abertura dominante em alta sucção externa: c) Não ocorre, pois há probabilidade desprezível de ocorrer uma janela aberta nesta região. Vento à 90º a) Abertura dominante = portão Cpi = Ce Cpi = -0,5 Supondo que meio portão permaneça aberto. b) Abertura Dominante em alta sucção externa: Esta situação não ocorre, pois o portão não está situado nesta região. Então, como para uma estrutura similar a esta, tem-se o objetivo de obter os valores máximos associados ao Cp de sucção e sobrepressão, adota-se: a) Vento à 90º → Cpi = +0,3 Cpi = -0,5 b) Vento à 0º → Cpi = +0,3 Cpi = -0,5 Determinados os valores de Cpe e Cpi, faz-se a combinação entre eles de forma a obter os valores mais nocivos à edificação: Cp – sucção no telhado Vento à 90º Vento à 0º Cp – sobrepressão no telhado Vento à 90º 0,5 0,41,2 0,7 0,3 1,5 0,4 0,7 0,8 1,1 0,3 0,8 0,8 0,8 0,8 1,1 1,1 1,1 0,71,2 0,7 0,4 0,5 1,2 1,0 0,5 0 Estruturas Metálicas Capítulo 3 39 Vento à 0º Força Devida ao Vento F = qk x Cp (N/m2) Existirão duas situações críticas, a de sucção e a de sobrepressão no telhado, consequentemente o dimensionamento da estrutura deverá levar em conta a força de sucção e a força de sobrepressão. Sucção no telhado Sobrepressão no telhado 3.4 Princípios Gerais para o Dimensionamento – Método dos Estados Limites Por estados limites entende-se a ruptura mecânica do elemento estrutural ou o deslocamento excessivo que tornem a estrutura imprestável. No método dos estados limites temos a inclusão dos estados elástico e plástico na formação de mecanismos nas peças estruturais. O dimensionamento de componentes de uma estrutura civil é colocado na lógica simples de: 0,2 0,5 0,2 0,2 0,2 0,3 0,3 0,3 0,3 932, 85x1 ,1 932,85x1,1 93 2, 85 x1 , 1 932 ,85 x1 ,1 1025,75N/m2 10 25 , 75 N/ m 2 1025 ,7 5N/m 2 932,85x1 93 2 , 85 x1 , 2 932, 85x0 ,7 932 ,85 x0 932,85N/m2 11 19 , 42 N /m 2 653N /m2 Estruturas Metálicas Capítulo 3 40 � Majorar o esforço teórico solicitante pela multiplicação por um fator de ponderação que torne pequena a probabilidade de que ele seja superado durante a vida útil da estrutura e, � De minorar a resistência teórica de cada componente, multiplicando-a por um coeficiente (menor que um) que, também, torne pequena a probabilidade dela ser menor do que o valor calculado. Sendo os valores determinados com base na estatística, os coeficientes de ponderação das cargas (coeficientes de segurança) dependem da sua natureza, sendo pequeno para cargas de pouca dispersão e grande para as cargas de muita dispersão. Raciocínio análogo é feito para o coeficiente minorador da resistência, que deve ser próximo da unidade para materiais cujos valores característicos de resistência apresentam, pouca dispersão (maior confiabilidade) e afastado para o caso contrário (menor confiabilidade). Este é o princípio do método de dimensionamento denominado de estados limites últimos. A NBR 8800/86 estabelece que a solicitação de cálculo não pode ser maior do que a resistência de cálculo da peça: Sd ≤ Rd Onde a solicitação de cálculo é dada pelo somatório das ações multiplicadas pelos seus correspondentes fatores de majoração: Sd = ∑ γf Qi E a resistência de cálculo pela multiplicação da resistência nominal por um fator redutor, menor do que a unidade: Rd = φ Rn Nas equações acima: Sd = solicitação de cálculo; Rd = resistência de cálculo; Rn = resistência nominal; γf = coeficiente de majoração das solicitações; Qi = solicitações que atuam simultaneamente. 3.5 Critérios da NBR 8800 Para as condições normais de utilização ou durante a construção da estrutura, obtém-se o esforço de cálculo com o emprego da equação: ( ) ( )[ ]∑ ∑ = ++= n j jjqjqgd QQGS 211 ψγγγ Estruturas Metálicas Capítulo 3 41 Onde: G = ações permanentes; Q1 = ação predominante para o efeito considerado; Qi = demais ações variáveis que atuam simultaneamente com a ação principal;γg = coeficiente de majoração das ações permanentes; γq1 = coeficiente de majoração da ação predominante; γq = coeficiente de majoração das demais ações variáveis; ψi = fator de combinação. Quando existirem ações excepcionais, tais como, choque de veículos, efeitos de sismos (terremotos), etc., a equação anterior torna-se: ( )[ ]∑∑ ++= QEGS qgd ψγγ )( Onde E = ação excepcional. Os fatores de majoração das ações, que são chamados de coeficientes de ponderação na NBR 8800/86, encontram-se na tabela 3.8. Obs: Algumas explicações adicionais são necessárias para se aplicar a tabela 3.8. 1) Os valores entre parênteses correspondem aos coeficientes de segurança para ações permanentes favoráveis à segurança; ações variáveis e excepcionais favoráveis à segurança não entram nas combinações. 2) O efeito de temperatura citado não inclui o gerado por equipamentos, o qual deve ser considerado como ação decorrente do uso e ocupação da edificação. 3) As ações permanentes diretas que não são favoráveis à segurança podem, opcionalmente, ser consideradas todas agrupadas, com coeficiente de ponderação igual a 1,35 quando as ações variáveis decorrentes do uso e ocupação forem iguais ou superiores a 5 kN/m2, ou 1,40 quando isso não ocorrer. 4) Se as ações permanentes diretas que não são favoráveis à segurança forem agrupadas, as ações variáveis que não são favoráveis à segurança podem, opcionalmente, ser consideradas também todas agrupadas, com coeficiente de ponderação igual a 1,40 quando as ações variáveis decorrentes do uso e ocupação forem iguais ou superiores a 5 kN/m2, ou 1,50 quando isso não ocorrer (mesmo nesse caso, o efeito da temperatura Estruturas Metálicas Capítulo 3 42 pode ser considerado isoladamente, com o seu próprio coeficiente de ponderação). Tabela 3.8 – Coeficientes de ponderação de acordo com a NBR 8800 (2004) Ações permanentes (γg)1)3) Diretas Combinações Peso próprio das estruturas metálicas Peso próprio das estruturas pré- moldadas Peso próprio de estruturas moldadas no local e de elementos construtivos industrializados Peso próprio dos elementos construtivos industrializados com adições “in loco” Peso próprio de elementos construtivos em geral e equipamentos Indiretas Normais 1,25 (1,00) 1,30 (1,00) 1,35 (1,00) 1,40 (1,00) 1,50 (1,00) 1,20 (0) Especiais ou de construção 1,15 (1,00) 1,20 (1,00) 1,25 (1,00) 1,30 (1,00) 1,40 (1,00) 1,20 (0) Excepcionais 1,10 (1,00) 1,10 (1,00) 1,15 (1,00) 1,20 (1,00) 1,30 (1,00) 0 (0) Ações Variáveis (γg)1)4) Efeito da temperatura2) Ação do vento Demais ações variáveis, incluindo as decorrentes do uso e ocupação Normais 1,20 1,40 1,50 Especiais 1,00 1,20 1,30 Excepcionais 1,00 1,00 1,00 Para se levar em conta que as solicitações variáveis provavelmente não ocorrem em seus valores máximos simultaneamente, a NBR 8800 introduz na equação o fator ψi, que é apresentado na tabela 3.9. Estruturas Metálicas Capítulo 3 43 Tabela 3.9 – Fatores de combinação de acordo com a NBR 8800 Ações Ψ0j1) Ψ1j Ψ2j Variações uniformes de temperatura em relação a média anual local 0,6 0,5 0,3 Pressão dinâmica do vento nas estruturas em geral 0,6 0,3 0 Ações decorrentes do uso e ocupação: • Sem predominância de equipamentos que permanecem fixos por longos períodos de tempo, nem de elevadas concentração de pessoas • Com predominância de equipamentos que permanecem fixos por longos períodos de tempo, ou de elevadas concentrações de pessoas • Bibliotecas, arquivos, depósitos, oficinas e garagens 0,5 0,7 0,8 0,4 0,6 0,7 0,3 0,4 0,6 Cargas móveis e seus efeitos dinâmicos: • Vigas de rolamento de pontes rolantes • Passarelas de pedestres 1,0 0,6 0,8 0,4 0,5 0,3 NOTA: 1) Os coeficientes Ψ0j devem ser admitidos com 1,0 para ações variáveis de mesma natureza da ação variável principal FQ1. Estruturas Metálicas Capítulo 3 44 3.6 Exemplos de Combinações de Ações 1) Combinação de ações atuantes em coberturas Carregamentos que podem atuar: - Ação permanente: Peso próprio (G) - Ações variáveis: Sobrecarga (Q1) Vento (Q2) Coeficientes de ponderação (tabela 3.8) - Peso próprio = peso próprio de estruturas metálicas - γg = 1,25 ou 1,0 - Sobrecarga = ações normais decorrentes do uso da edificação γq1 = 1,5 - Vento = ações variáveis, normais γq2 = 1,4 Fatores de combinação (tabela 3.9) - Sobrecarga – ações decorrentes do uso ψ1 = 0,5 - Vento – cargas de vento ψ2 = 0,60 Combinações possíveis: a) G + Q1 = peso próprio + sobrecarga b) G + Q2 = peso próprio + vento c) G + Q1 + Q2 = peso próprio + sobrecarga + vento Logo: a) G + Q1 = γg x G + γq1 x Q1 = 1,25 G + 1,5 Q1 b) G + Q2 = γg x G + γq2 x Q2 = 1,25 G + 1,4 Q1 ou 1,0 G + 1,4 Q1 c) G+ Q1 + Q2 Sobrecarga preponderante: γg x G + γq1 x Q1 + γq2 x ψ2 x Q2 = 1,25 G + 1,5 Q1 + 1,4 x 0,6 x Q2 Vento preponderante: γg x G + γq1 x ψ1 x Q1 + γq2 x Q2 = 1,25 G + 1,5 x 0,5 x Q1 + 1,4 Q2 2) Seja o reservatório da figura 3.8, para o qual se desejam os esforços nos chumbadores no topo das fundações. Solução Adotando como convenção o sinal negativo para compressão, teremos os esforços de peso próprio da estrutura em cada fundação: kNG 0,10 4 0,40 −= − = A capacidade do reservatório é de 5.000 l, que corresponde ao esforço por apoio: kNQágua 5,124 0,50 −= − = Sendo a resultante dos esforços de vento uma carga de 8 kN aplicada a uma altura de 10,0 m, para uma base de 1,0 m, teremos por apoio: kNQvento 0,402 1 0,1 0,100,8 ±=××±= Estruturas Metálicas Capítulo 3 45 O sinal ± se deve ao vento poder soprar de qualquer direção, acarretando compressão em dois pés e tração nos outros dois. Figura 3.8 – Reservatório d’água Duas alternativas devem ser discutidas aqui. A primeira é a busca do maior valor de compressão no chumbador e a segunda o maior valor de tração. A razão da busca de valores máximos de sentidos diferentes é o comportamento distinto do aço para compressão (flambagem) e tração. Também para a fundação, pois no caso presente, uma carga de tração pode arrancá-la do terreno, que é um comportamento diferente de compressão. Cada carga temporária deve ser analisada como plena, enquanto que as demais ações temporárias concomitantes sofrem uma redução (não atuam plenamente) com a introdução de coeficiente Ψ, onde se descarta a possibilidade de todas ocorrerem com seus valores plenos ao mesmo tempo. � Para compressão Aplicando a equação 1, tendo a sobrecarga devida ao líquido no reservatório como efeito analisado, vem: kNSd 65,53))0,40(4,04,1()5,12(5,1()0,10(25,1( −=−××+−×+−×= No caso presente estamos considerando que o reservatório esteja totalmente carregado. O valor Ψ=0,6 corresponde à redução da carga de vento, que tem probabilidade pequena de ocorrer em seu valor também máximo. Tendo, agora, o vento como efeito predominante, isto é, considerando que o vento atue com seu valor máximo possível( a carga atua plenamente): kNSd 25,87))0,40(4,1()5,12(0,15,1()0,10(25,1( −=−×+−××+−×= Agora, o fator Ψ=0,75 corresponde a supor que o reservatório não esteja totalmente cheio quando soprar o vento máximo. � Para tração Reserv. 5.000 L Peso Próprio = 40kN Vento = 8kN 1m 10m Estruturas Metálicas Capítulo 3 46 Os valores dos coeficientes de majoração de cargas entre parênteses correspondem a solicitaçõespermanentes que aliviem o esforço da peça estudada. Se tivermos buscando o maior valor possível de compressão o peso próprio da estrutura é desfavorável, isto é, aumenta a solicitação, mas quando buscamos o máximo valor de tração, o peso próprio é favorável à tração, pois reduz o esforço atuante. Então, se majorarmos o peso próprio da estrutura para tração, estaremos diminuindo a segurança da peça tracionada. Os esforços variáveis que aliviam o efeito desejado não são computados. Assim, temos: kNSd 0,46))0,40(4,1()0,10(0,1( =+×+−×= Então, a envoltória de esforços de cálculo nos chumbadores será: Máxima de compressão: -83,06 kN Máxima de tração: 46,0 kN 3) A cobertura da figura 2 está submetida às seguintes cargas: � Peso próprio = 0,75 kN/m; � Peso próprio da talha (pendurada em C) = 15,0 kN; � Capacidade da talha = 150,0 kN; � Vento frontal = -3,0 kN/m (de baixo para cima); � Vento detrás = 2,0 kN/m (de cima para baixo). Determinar a envoltória de esforços na barra AB. Figura 3.9 - Tesoura Solução Peso próprio: Sendo a carga de peso próprio uma carga distribuída na treliça, temos que concentrá-la em pontos. A resposta (esforços internos) varia com a forma de distribuição de carga nos nós da treliça. Aplicando nos nós inferiores, temos: 1,5m 1,5m 1,5m 1,5m 1,5m A F G H I E DCB Estruturas Metálicas Capítulo 3 47 � Nós A e E Figura 3.10 – Cargas de peso próprio kNQ 56,0 2 5,175,0 1 = × = � Nós B, C e D kNQ 13,15,175,02 =×= Para calcular o esforço na barra AB, usando o método de Ritter, traça-se uma seção S, conforme a figura 3 e arbrita-se a carga FAB como sendo de tração. Fazendo nulo o somatório (equilíbrio) dos momento das forças à direita da seção, em torno do nó G e, lembrando que as forças FBG e FHG, concorrentes em G não causam momento, temos: ××+×++×= 5,1 4 35,456,0)0,35,1(13,10 ABF FAB=-6,76kN O sinal “-“ indica que o sentido da carga FAB é inverso ao arbitrado, ou seja, de compressão. Vento: As cargas de vento são sempre normais à superfície onde incidem. Em uma cobertura são normais à superfície das telhas. Concentrando as cargas nos nós da corda superior, teremos: − Comprimento da corda superior: ml 18,65,10,6 22 =+= 1,5m A F 1,5m CB 1,5m 1,5m D 1,5m H G I E Peso Próprio = 0,75kN/m Q1 Q2 Q2 Q2 Q1 S Estruturas Metálicas Capítulo 3 48 Figura 3.11 – Cargas de vento nos nós Vento frontal: kNQ 32,2 4 18,65,00,3 −=××−= � Nós F e E kNQ 55,1 4 18,65,00,2 =××= � Nós G, H e I Vento frontal kNQ 64,4 4 18,60,3 −=×−= Vento detrás kNQ 09,3 4 18,60,2 =×= Procedendo analogamente para o peso próprio, lembrando que as cargas são inclinadas, temos: Vento frontal ××+ ××+ ×+×−= 5,1 4 3 4 18,6355,1 4 18,62 4 18,664,40 ABF FAB=28,68kN Vento detrás ××+ ××+ ×+×= 5,1 4 3 4 18,6355,1 4 18,62 4 18,609,30 ABF FAB=-19,12kN Cargas provenientes da talha 1,5m 1,5m Q1 A F H C Q2 B 1,5m Q2 Q2 1,5m D 1,5m I Q1 E G S Estruturas Metálicas Capítulo 3 49 Fazendo o equilíbrio das cargas à direita (momentos em torno do nó G): Peso próprio da talha ××+×= 5,1 4 35,10,150 ABF FAB=-20,0kN Analogamente para a sobrecarga na talha, teremos FAB=-200,0kN Combinação das cargas para a máxima compressão Aplicando a equação ( ) ( )[ ]∑ ∑ = ++= n j jjqjqgd QQGS 211 ψγγγ , obtemos as hipóteses de carregamento. As hipóteses de combinação de cargas que produzem compressão na barra AB, sabendo que os pesos próprios da talha e da estrutura são de pequena variabilidade, temos: 1. Peso próprio da estrutura; 2. Peso próprio da estrutura + peso próprio da talha; 3. Peso próprio da estrutura + peso próprio da talha + sobrecarga da talha; 4. Peso próprio da estrutura + vento de trás; 5. Peso próprio da estrutura + peso próprio da talha + vento de trás; 6. Peso próprio da estrutura + peso próprio da talha + sobrecarga da talha + vento de trás. É evidente que os maiores esforços serão obtidos com o maior número de ações desfavoráveis, ou seja, a hipótese 6,a qual nos dá duas formas de combinação; Sobrecarga da talha como ação preponderante (plena): [ ] kNFAB 16,349)12,19(4,04,1)0,200(5,1)0,20(5,1)76,6(25,1 −=−××+−×+−×+−×= Vento de trás como ação preponderante: [ ] kNFAB 19,245)12,19(4,1)0,200(60,05,1)0,20(5,1)76,6(25,1 −=−×+−××+−×+−×= Para tração na barra AB A talha é um equipamento móvel, isto é, pode não estar presente quando da ação de outras cargas. Então, como suas cargas provocam esforços de compressão, não será considerada para determinação dos esforços de tração. O peso próprio da estrutura provoca compressão, isto é, alivia o efeito estudado, devendo, neste caso, ser minimizado. Isto significa que usaremos coeficientes de ponderação (entre parênteses). Obviamente, a combinação de cargas que provoca o máximo esforço de tração é o peso próprio + vento frontal: Estruturas Metálicas Capítulo 3 50 kNFAB 39,33)68,28(4,1)76,6(0,1 =×+−×= Então, na barra AB, temos a envoltória: Máxima compressão: 349,16kN Máxima tração: 33,39kN PROBLEMAS PROPOSTOS 1. Repita o exemplo 3 para as barras AG, FG, HC e CI. 2. Sabendo-se que as barras de uma treliça (exemplo 3) têm desempenho à tração melhor do que à compressão, existe vantagem em substituir a barra AB por uma barra FB? 3. Determine a envoltória de esforços nas barras FG, AG, AB, BH e CI do exemplo 3, para a talha colocada em D. 4. Repita o problema anterior, com a hipótese de que o proprietário da estrutura deseja armazenar peças de madeira entre as barras da tesoura, totalizando uma carga de 5,0 kN/m. 5. Determine o momento máximo de cálculo da viga metálica da doca de descarga da figura 3.7, sabendo que: � Peso próprio da viga = 1,5 kN/m; � Peso próprio do estrado de madeira (grande variabilidade) = 3,0 kN/m; � Sobrecarga = 20 kN/m. Figura 3.12 – Viga metálica 6. determine a envoltória de esforços de cálculo nos apoios do problema 5. 7. Uma barra componente de um edifício industrial está submetida aos esforços: � Peso próprio da estrutura metálica = -540,0 kN; � Peso próprio de lajes de concreto pré-moldadas = -1200,0 kN; 1,8m4,0m Apoio Apoio Estrado de madeira Estruturas Metálicas Capítulo 3 51 � Cargas permanentes oriundas de paredes de alvenaria = -220,0 kN; � Vento incidindo do quadrante sul = -120 kN; � Vento incidindo do quadrante leste = +360,0 kN; � Sobrecarga em pisos de depósitos que produzem tração = -2300,0 kN; � Variação de temperatura = +330,0 kN. Determine a envoltória de esforços na barra. 8. A seção crítica de um edifício comercial apresenta os momentos fletores: � Peso próprio da viga metálica = 6,0 kN.m; � Peso próprio da laje pré-moldada = 11,0 kN.m; � Sobrecarga da biblioteca = 15,0 kN.m; � Sobrecarga do escritório = 9,0 kN.m; � Sobrecarga dos pisos do vão contíguo = -14,0 kN.m. Determine a envoltória de momentos na seção. 9. Para a estrutura da figura 3.8 determinar a envoltória de esforços nas barras verticais da coluna. Observar que a sobrecarga pode ser aplicada parcialmente na cobertura de modo a obter o efeito mais desfavorável possível. Figura 3.8 – Estrutura submetida a diversos carregamentos Sobrecarga = 3kN/m 0,8m 2m 5m 12m Vento = 8kN 1m P.Próprio = 15kN Estruturas Metálicas Capítulo 4 50 H P δ Figura 4.1 Capítulo 4 PEÇAS COMPRIMIDAS Umabarra comprimida pode chegar ao estado de ruína por esmagamento, quando as tensões atingem valores limites de ruptura ou por instabilidade geométrica (flambagem) sem que as tensões cheguem necessariamente aos valores de ruptura. A ruína por esmagamento se dá em peças que o comprimento é pequeno quando comparado às dimensões transversais e, neste caso, os estados limites podem ser determinados da mesma forma que para peças tracionadas. Desse modo, tem-se o estado limite de plastificação para a área bruta da seção transversal e estado limite de ruína para a área líquida efetiva. Para o dimensionamento de barras à compressão devemos levar em conta, principalmente, a flambagem das peças. Deve-se ao matemático suíço Euler a primeira formulação para o problema de uma haste submetida a uma carga de compressão que contempla a possibilidade de instabilidade geométrica. 4.1 Teoria de Euler - Carga crítica de flambagem (Pcr) Definimos como carga crítica de flambagem a carga a partir da qual a barra que está sendo comprimida mantém-se em posição indiferente. Para a determinação da carga crítica (Pcr) que produz o colapso da barra aplicamos a carga (P) e o deslocamento horizontal (δδδδ) através da força horizontal (H) e retiramos (H) (figura 4.1) quando a barra encontra-se deformada. A seqüência experimental é: 1º passo: a barra reta é submetida à compressão axial sem excentricidade, isto é H = 0 (figura 4.2). P ≤≤≤≤ Pcr δδδδ = 0 Com a retirada de P a barra retorna à posição inicial. Estruturas Metálicas Capítulo 4 51 P F ig u ra 4 .2 P δ ∆ F igura 4.3 P δ Figura 4.4 2º passo: a barra reta é submetida à compressão axial de maior intensidade, e a barra começa a ter uma deformação lateral (δδδδ) (figura 4.3). P = Pcr δδδδ = δδδδinicial A barra mantém-se em posição indiferente. 3º passo: a barra reta é submetida à compressão axial de intensidade maior que a crítica, e a barra entra em colapso (figura 4.4). P > Pcr δδδδ é de colapso A barra rompe ou a sua deformação é muito grande. Normalmente tomamos como referência o valor da carga crítica para uma barra bi-rotulada. Segundo Euler: critPl EIP == 2 2pi Onde: E - Módulo de elasticidade do aço I - Menor momento de inércia da barra l - Comprimento da barra A razão entre a carga crítica e a área da seção da haste fornece a tensão crítica de flambagem: A PF critcrit = Estruturas Metálicas Capítulo 4 52 A fórmula de Euler apresentada considera as hastes com duas extremidades rotuladas, mas pode ser aplicada para outros casos de vinculação, conforme mostra a tabela 4.1, extraída da NBR 8800. Para calcular os comprimentos de flambagem para vários casos de vinculação de hastes comprimidas usa-se o coeficiente K obtido na tabela 4.1, com os quais se calculam os comprimentos equivalentes (de flambagem) da haste bi-rotulada Kl. Deve-se rescrever a fórmula de Euler, para o comprimento corrigido: 2 2 λ pi EFcrit = sendo r Kl =λ Onde: K - Parâmetro de flambagem r - Menor raio de giração da barra Tabela 4.1 – Valores de K para cálculo do índice de esbeltez A linha tracejada indica a linha elástica de flambagem Valores teóricos de K 0,5 0,7 1,0 1,0 2,0 2,0 Valores recomendados para o dimensionamento 0,65 0,80 1,2 1,0 2,1 2,0 Rotação e translação impedidas Rotação livre, translação impedida Rotação impedida, translação livre Código para a condição de apoio Rotação e translação livres Estruturas Metálicas Capítulo 4 53 4.2 Dimensionamento de barras comprimidas Relação largura/espessura em elementos comprimidos (Flambagem local) Em peças de aço com paredes finas, onde a espessura é muito pequena diante da largura, pode ocorrer instabilidade localizada, antes da flambagem global da peça, denominada flambagem local. Esta instabilidade se caracteriza pelo colapso das paredes sob tensões inferiores às tensões de escoamento do aço. Uma forma simples de se obter experimentalmente flambagem localizada é comprimir um copo descartável de PVC ou lata de refrigerante. Um processo semelhante ao observado no copo descartável se desenvolve em paredes finas de hastes metálicas comprimidas. As estruturas metálicas, conforme as seções transversais que apresentam são classificadas, segundo a tabela 4.2, em classes de acordo com a análise estrutural adequada. Tabela 4.2 – Significado das classes Classe Significado das classes 1 Seções que permitem ser atingido o momento de plastificação e a subseqüente redistribuição de momentos fletores, portanto, adequadas para análise plástica. 2 Seções que permitem ser atingido o momento de plastificação, mas não a redistribuição de momentos fletores. 3 Seções cujos elementos componentes não sofrem flambagem local no regime elástico, quando sujeitas às solicitações indicadas na tabela 4.3, podendo entretanto, sofrer flambagem inelástica. 4 Seções cujos elementos componentes podem sofrer flambagem no regime elástico, devido às solicitações indicadas na tabela 1. Nota: Para as classes 1 e 2 as ligações entre flanges e alma têm que ser contínuas. Para quantificar a flambagem local a NBR 8800 apresenta um coeficiente Q, minorador da resistência. A tabela 4.3, obtida da tabela 1 da norma, apresenta os valores limites da relação b/t, abaixo dos quais não existe flambagem local (Q=1). Para perfis onde a relação b/t ultrapassar o valor da tabela 4.3, deve-se consultar o Anexo E da norma para se obter o valor de Q. Para as hastes comprimidas sujeitas à flambagem elástica, é necessário que as seções sejam, pelo menos, classe 3 para que não haja flambagem local. O índice de esbeltez (λ) é limitado a um valor máximo: λλλλmáx = 200 Obs: Caso uma barra apresente um índice de esbeltez maior que o valor limite deve-se trocar a barra. Estruturas Metálicas Capítulo 4 54 Tabela 4.3 – Valores limites das relações largura/espessura Casos Descrição do elemento Elementos Clas- se Tipo de solicita- ção da seção (b/t)máx Para fy = 250 Para fy = 290 Para fy = 345 Aplicações Limitações 1 M e N y E f 30,0 × 8,5 8 7 2 M y E f 38,0 × 11 10 9 Aplicável somente a perfis “I” e “H” 1 Mesas de perfis “I”, “H”, e “T”. Abas em projeção de cantoneiras duplas ligadas continuamente 3 N y E f 55,0 × 16 15 13 1 - Não aplicável - - - 2 M y E f 38,0 × 11 10 9 2 Mesas de perfis “U” 3 N y E f 55,0 × 16 15 13 M e N y E f 94,0 × 27 25 23 Perfis tubulares 1 M e N y E f 12,1 × 32 30 27 Exceto perfis “U” 2 M y E f 12,1 × 32 30 27 y E f 38,1 × 40 37 34 Perfis tubulares 3 Mesas de seções caixão quadradas e retangulares, ou de seções tubula- res com paredes de espessura uni- forme; almas de perfis “U” chapas contí- nuas de reforço de mesas, entre linhas de parafusos e soldas. Todos esses ele- mentos sujeitos à compressão uni- forme. 3 N y E f 47,1 × 42 39 36 t b b t t b t b médio b tt b t b t b b t b t t b Estruturas Metálicas Capítulo 4 55 Tabela 4.3 – Valores limites das relações largura/espessura Ca- sos Descrição do elemento Elementos Cl Tipo de solicitação (b/t)máx Para fy = 250 Para fy = 290 Para fy = 345 Aplicações Limitações 1 M e N 0,064 E/fy 52 45 38 2 M 0,087E/fy 71 62 52 4 Elementos tubulares de seção circular 3 N 0,11 E/fy 90 78 65 M y E f 35,2 × 67 63 57 × −×× ycy E N Nd6,11 f 35,2 φ - - - Para 1 M e N y E f 47,1 × 42 39 36 Para Somen- te para perfis “I”, “H”, caixão dupla- mente simétri- cos M y E f 50,3 × 100 93 85 × −×× ycy E N Nd8,21 f 50,3 φ - - - Para 2 M e N y E f 47,1 × 42 39 36 Para 5 Almas sujeitas à compressão, uni- forme ou não, contidas ao lon- go de abas as bordas longitudi- nais. A flexão considerada é relativa ao eixo perpendicular à alma, e a maior tensão de compressão na alma, devida ao momento fletor, deve ser igual ou inferior à de tração 3 N y E f 47,1 × 42 39 36 b t b t b m éd iot b t Com p. T ração t b t 234,0> cNy Nd φ 234,0≤ cNy Nd φ 207,0≤ cNy Nd φ 207,0> cNy Nd φ Estruturas Metálicas Capítulo 4 56 Tabela 4.3 – Valores limites das relações largura/espessura Casos Descrição do elemento Elementos Clas- se Tipo de solicita- ção da seção (b/t)máx Para fy = 250 Para fy = 290 Para fy = 345 Aplicações Limitações 6 Almas de perfis “T” 3 N y E f 94,0 × 21 20 18 7 Abas de cantonei- ras simples; abas de cantoneiras du- plas providas de espaçadores; ele- mentos comprimi- dos não enrijeci- dos em geral. 3 N y E f 44,0 × 13 12 11 8 Abas em projeção de cantoneiras li- gadas continua- mente com o per- fil principal; enri- jecedores de almas 3 N y E f 55,0 × 16 15 13 9 Larguras não su- portadas de chapas perfuradas de mesas com su- cessão de abertu- ras de acesso. 3 N y E f 85,1 × 53 49 45 Notas: a) N = Força Normal b) M = Momento Fletor c) φc = 0,90 d) Nd = Força Normal de Compressão de Cálculo t b b t b b tt b t t b t b Estruturas Metálicas Capítulo 4 57 Podemos então definir: Classes 1 e 2 – seções compactas ( λ ≤ λp ) Classe 3 – seções semicompactas ( λp < λ ≤ λr ) Classe 4 – seções esbeltas ( λ > λr ) Resistência de cálculo de barras comprimidas A resistência de cálculo de uma barra comprimida é obtida pela redução da resistência nominal da peça através introdução de um coeficiente de segurança (minorador) φc = 0,90, na equação: ncR NN φ= O coeficiente minorador da resistência é introduzido para reduzir a possibilidade de ocorrer uma peça de resistência menor do que a teórica ou nominal. A resistência nominal de uma barra de aço submetida à compressão é dada por: ygyn fQAQNN ρρ == sendo: para 0 ≤ λ ≤0,20 ρ = 1 para λ ≥ 0,20 2 2 1 λ ββρ −−= +−+= 22 2 04,01 2 1 λλα λ β E Qf r Kl y ××= pi λ 1 ⇒ E Qf y pi λλ = Os valores de α variam conforme os tipos de seção e eixos de flambagem, de acordo com a tabela 4.4, valendo: Tabela 4.4 – Valores de αααα Tipo de curva Valores de α “a” 0,158 “b” 0,281 “c” 0,384 “d” 0,572 Estruturas Metálicas Capítulo 4 58 O valor de ρ pode ser obtido alternativamente na tabela 4.6 (a, b, c ou d), determinando-se primeiramente a curva de flambagem a qual pertence a peça (tabela 4.5) e o valor de λ . Considerando que a norma brasileira adota sempre o mesmo valor para o módulo de elasticidade (E=205.000 MPa) para os aços estruturais e, particularizando para os casos em que Q=1, obtém-se: 7,1439 yfλλ = No caso do aço MR-250, com fy=250 MPa, vem: λλ .011,0= Tabela 4.5 – Classificação de seções e curvas de flambagem Seção Transversal Flambagem em torno do eixo Curva de Flambagem Perfil caixão Soldado X - X Y - Y a Soldas de grande espessura b/t1 < 30 d/t2 < 30 X - X Y - Y c Outros casos X - X Y - Y b d/b > 1,2 t ≤ 40mm X - X Y - Y a b (a) d/b ≤ 1,2 t ≤ 40mm X - X Y - Y b (a) c (b) t > 40mm X - X Y - Y d d ti ≤ 40mm X - X Y - Y b c Perfis I ou H Soldados Ti > 40mm X - X Y - Y c d X - X Y - Y c t b y d x y x t 1 2 y yy y x x x y x x x y x y y x t b Perfis I ou H laminados x y t2t y x x y y 1 x t y y x x y x x yy x y x y x y x x y x y U, L, T e perfis de seção cheia Estruturas Metálicas Capítulo 4 59 Notas da tabela 4.5: a) Seções não incluídas na tabela devem ser classificadas de forma análoga; b) As curvas de flambagem indicadas entre parênteses podem ser adotadas para aços de alta resistência, com fy > 430MPa; c) Para barras compostas comprimidas, sujeitas às limitações do item 5.3.6 da NB-14, deverá ser adotada a curva “c”, para flambagem em relação ao eixo que não intercepta os perfis componentes. Estruturas Metálicas Capítulo 4 60 Tabela 4.6a – Valores de ρρρρ para curva a λ 0.00 0.01 0.02 0.03 0.04 0.05 0.06 0.07 0.08 0.09 λ 0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1.0 1.1 1.2 1.3 1.4 1.5 1.6 1.7 1.8 1.9 2.0 2.1 2.2 2.3 2.4 2.5 1.000 1.000 1.000 0.978 0.954 0.923 0.884 0.845 0.796 0.739 0.675 0.606 0.542 0.480 0.427 0.331 0.341 0.306 0.277 0.251 0.228 0.208 0.191 0.175 0.162 0.149 1.000 1.000 0.998 0.977 0.953 0.919 0.881 0.842 0.791 0.734 0.668 0.599 0.533 0.474 0.422 0.375 0.337 0.303 0.274 0.248 0.226 0.206 0.189 0.174 0.160 ----- 1.000 1.000 0.996 0.973 0.948 0.916 0.877 0.836 0.786 0.727 0.661 0.593 0.527 0.469 0.417 0.372 0.333 0.300 0.271 0.246 0.224 0.204 0.187 0.172 0.159 ---- 1.000 1.000 0.994 0.971 0.945 0.912 0.873 0.831 0.781 0.721 0.654 0.585 0.521 0.463 0.412 0.368 0.330 0.298 0.269 0.243 0.222 0.202 0.186 0.170 0.158 ---- 1.000 1.000 0.992 0.968 0.942 0.908 0.869 0.826 0.775 0.714 0.647 0.579 0.515 0.456 0.408 0.364 0.326 0.294 0.266 0.242 0.219 0.201 0.184 0.168 0.156 ---- 1.000 1.000 0.990 0.966 0.939 0.904 0.866 0.821 0.769 0.708 0.640 0.573 0.509 0.453 0.403 0.360 0.323 0.291 0.264 0.239 0.217 0.199 0.183 0.167 0.155 ---- 1.000 1.000 0.988 0.963 0.936 0.900 0.861 0.816 0.763 0.701 0.634 0.565 0.503 0.447 0.398 0.356 0.319 0.288 0.261 0.236 0.215 0.197 0.181 0.166 0.154 ---- 1.000 1.000 0.985 0.961 0.933 0.896 0.857 0.812 0.758 0.695 0.629 0.559 0.497 0.442 0.394 0.352 0.316 0.285 0.258 0.234 0.213 0.196 0.180 0.165 0.153 ---- 1.000 1.000 0.983 0.958 0.930 0.892 0.854 0.807 0.752 0.688 0.619 0.553 0.491 0.437 0.389 0.348 0.312 0.282 0.256 0.232 0.211 0.194 0.179 0.164 0.152 ---- 1.000 1.000 0.981 0.956 0.926 0.889 0.849 0.802 0.746 0.681 0.613 0.547 0.485 0.432 0.386 0.344 0.309 0.280 0.253 0.230 0.209 0.192 0.177 0.163 0.150 ---- 0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1.0 1.1 1.2 1.3 1.4 1.5 1.6 1.7 1.8 1.9 2.0 2.1 2.2 2.3 2.4 2.5 Tabela 4.6b – Valoresde ρρρρ para curva b λ 0.00 0.01 0.02 0.03 0.04 0.05 0.06 0.07 0.08 0.09 λ 0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1.0 1.1 1.2 1.3 1.4 1.5 1.6 1.7 1.8 1.9 2.0 2.1 2.2 2.3 2.4 2.5 1.000 1.000 1.000 0.965 0.925 0.885 0.838 0.785 0.727 0.663 0.598 0.537 0.480 0.429 0.383 0.343 0.307 0.277 0.250 0.227 0.207 0.190 0.175 0.161 0.148 0.138 1.000 1.000 0.997 0.961 0.921 0.881 0.833 0.780 0.721 0.656 0.592 0.531 0.475 0.424 0.379 0.339 0.304 0.274 0.248 0.225 0.205 0.188 0.173 0.160 0.147 ---- 1.000 1.000 0.993 0.957 0.917 0.876 0.828 0.774 0.715 0.650 0.586 0.526 0.470 0.419 0.375 0.335 0.301 0.271 0.246 0.224 0.203 0.186 0.172 0.159 0.146 ---- 1.000 1.000 0.989 0.953 0.913 0.872 0.823 0.768 0.709 0.643 0.580 0.521 0.465 0.415 0.370 0.332 0.298 0.268 0.243 0.221 0.202 0.185 0.170 0.157 0.145 ---- 1.000 1.000 0.986 0.950 0.909 0.867 0.817 0.762 0.702 0.636 0.574 0.515 0.459 0.410 0.366 0.328 0.295 0.265 0.241 0.219 0.200 0.183 0.169 0.156 0.144 ----- 1.000 1.000 0.983 0.945 0.905 0.862 0.812 0.757 0.695 0.631 0.558 0.509 0.454 0.405 0.362 0.324 0.292 0.263 0.239 0.217 0.198 0.182 0.168 0.154 0.143 ---- 1.000 1.000 0.980 0.941 0.901 0.858 0.807 0.751 0.690 0.624 0.562 0.503 0.449 0.401 0.358 0.321 0.289 0.260 0.236 0.215 0.197 0.180 0.166 0.153 0.142 ---- 1.000 1.000 0.977 0.937 0.897 0.853 0.802 0.745 0.683 0.618 0.555 0.497 0.444 0.396 0.354 0.317 0.286 0.258 0.234 0.213 0.195 0.179 0.165 0.152 0.141 ---- 1.000 1.000 0.972 0.933 0.893 0.849 0.796 0.739 0.677 0.611 0.549 0.491 0.439 0.392 0.350 0.314 0.283 0.255 0.232 0.211 0.193 0.178 0.164 0.151 0.140 ---- 1.000 1.000 0.969 0.929 0.889 0.843 0.791 0733 0.670 0.605 0.544 0.486 0.434 0.387 0.346 0.311 0.279 0.253 0.230 0.209 0.191 0.176 0.162 0.149 0.139 ---- 0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1.0 1.1 1.2 1.3 1.4 1.5 1.6 1.7 1.8 1.9 2.0 2.1 2.2 2.3 2.4 2.5 Estruturas Metálicas Capítulo 4 61 Tabela 4.6c – Valores de ρρρρ para curva c λ 0.00 0.01 0.02 0.03 0.04 0.05 0.06 0.07 0.08 0.09 λ 0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1.0 1.1 1.2 1.3 1.4 1.5 1.6 1.7 1.8 1.9 2.0 2.1 2.2 2.3 2.4 2.5 1.000 1.000 1.000 0.951 0.900 0.844 0.783 0.719 0.654 0.593 0.537 0.486 0.438 0.395 0.357 0.323 0.293 0.265 0.241 0.220 0.202 0.186 0.172 0.159 0.147 0.137 1.000 1.000 0.995 0.946 0.895 0.838 0.776 0.712 0.647 0.587 0.532 0.481 0.434 0.391 0.353 0.320 0.290 0.263 0.238 0.218 0.201 0.185 0.170 0.157 0.146 ---- 1.000 1.000 0.990 0.941 0.890 0.832 0.770 0.706 0.642 0.581 0.526 0.476 0.429 0.387 0.350 0.318 0.287 0.261 0.236 0.217 0.199 0.184 0.169 0.156 0.145 ---- 1.000 1.000 0.985 0.936 0.884 0.826 0.764 0.700 0.635 0.575 0.521 0.471 0.425 0.383 0.346 0.314 0.284 0.258 0.234 0.215 0.197 0.182 0.167 0.155 0.144 ---- 1.000 1.000 0.980 0.931 0.878 0.820 0.757 0.693 0.629 0.570 0.517 0.466 0.421 0.379 0.343 0.311 0.281 0.256 0.232 0.213 0.196 0.181 0.166 0.154 0.142 ---- 1.000 1.000 0.975 0.926 0.873 0.814 0.753 0.687 0.623 0.565 0.511 0.461 0.416 0.375 0.339 0.308 0.277 0.253 0.230 0.212 0.194 0.179 0.165 0.152 0.141 ---- 1.000 1.000 0.970 0.921 0.867 0.808 0744 0.680 0.617 0.559 0.506 0.457 0.412 0.372 0.336 0.305 0.275 0.250 0.228 0.210 0.192 0.177 0.164 0.151 0.140 ---- 1.000 1.000 0.965 0.915 0.861 0.802 0.738 0.674 0.611 0.553 0.501 0.452 0.408 0.368 0.333 0.302 0.273 0.248 0.226 0.208 0.191 0.176 0.162 0.150 0.139 ---- 1.000 1.000 0.960 0.910 0.856 0.795 0.731 0.667 0.605 0.547 0.496 0.447 0.403 0.364 0.329 0.299 0.270 0.245 0.224 0.206 0.189 0.175 0.161 0.149 0.139 ---- 1.000 1.000 0.955 0.905 0.850 0.789 0.726 0.661 0.599 0.542 0.491 0.443 0.399 0.360 0.326 0.296 0.268 0.243 0.222 0.204 0.187 0.173 0.160 0.148 0.138 ---- 0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1.0 1.1 1.2 1.3 1.4 1.5 1.6 1.7 1.8 1.9 2.0 2.1 2.2 2.3 2.4 2.5 Tabela 4.6d – Valores de ρρρρ para curva d λ 0.00 0.01 0.02 0.03 0.04 0.05 0.06 0.07 0.08 0.09 λ 0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1.0 1.1 1.2 1.3 1.4 1.5 1.6 1.7 1.8 1.9 2.0 2.1 2.2 2.3 2.4 2.5 1.000 1.000 1.000 0.917 0.840 0.769 0.698 0.632 0.572 0.517 0.468 0.424 0.385 0.350 0.318 0.290 0.285 0.242 0.222 0.203 0.187 0.173 0.160 0.148 0.138 0.128 1.000 1.000 0.991 0.909 0.833 0.762 0.962 0.626 0.566 0.511 0.463 0.420 0.381 0.347 0.315 0.287 0.262 0.240 0.220 0.202 0.186 0.171 0.158 0.147 0.137 ---- 1.000 1.000 0.982 0.901 0.825 0.754 0.685 0.620 0.560 0.506 0.458 0.416 0.378 0.343 0.313 0.286 0.260 0.238 0.218 0.200 0.184 0.170 0.157 0.146 0.136 ---- 1.000 1.000 0.974 0.894 0.818 0.747 0.678 0.614 0.554 0.501 0.454 0.412 0.374 0.340 0.310 0.282 0.258 0.236 0.216 0.198 0.183 0.169 0.156 0.145 0.135 ---- 1.000 1.000 0.965 0.886 0.811 0.740 0.671 0.607 0.549 0.496 0.450 0.408 0.371 0.337 0.307 0.280 0.255 0.233 0.214 0.197 0.181 0.167 0.155 0.144 0.134 ---- 1.000 1.000 0.957 0.879 0.804 0.733 0.665 0.601 0.543 0.491 0.445 0.404 0.367 0.334 0.304 0.277 0.253 0.231 0.212 0.195 0.180 0.166 0.154 0.143 0.133 ---- 1.000 1.000 0.948 0.871 0.797 0.726 0.658 0.595 0.538 0.487 0.441 0.400 0.364 0.331 0.301 0.274 0.251 0.229 0.210 0.193 0.178 0.165 0.153 0.142 0.132 ---- 1.000 1.000 0.940 0.863 0.790 0.719 0.652 0.589 0.532 0.482 0.437 0.396 0.360 0.328 0.298 0.272 0.248 0.227 0.209 0.192 0.177 0.163 0.151 0.141 0.131 ---- 1.000 1.000 0.932 0.856 0.783 0.712 0.645 0.583 0.527 0.477 0.432 0.393 0.357 0.325 0.295 0.270 0.246 0.225 0.207 0.190 0.175 0.162 0.150 0.140 0.130 ---- 1.000 1.000 0.924 0.848 0.776 0.705 0.639 0.577 0.522 0.472 0.426 0.389 0.353 0.321 0.293 0.267 0.244 0.223 0.205 0.189 0.174 0.161 0.149 0.169 0.129 ---- 0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1.0 1.1 1.2 1.3 1.4 1.5 1.6 1.7 1.8 1.9 2.0 2.1 2.2 2.3 2.4 2.5 Estruturas Metálicas Capítulo 4 62 A seguir são apresentadas as tabelas com as propriedades de cada perfil: Tabela 4.7 – Cantoneiras de abas iguais Aba Espessura Massa Área Eixos X e Y Eixo Z pol. Mm pol. mm Kg/m cm2 Ix = Iy cm4 Wx=Wy cm3 rx = ry cm x ou y cm rz cm 8” 203.2 1 1/8 1 7/8 3/4 5/89/16 1/2 28.6 25.4 22.2 19.1 15.9 14.3 12.7 84.68 75.90 66.97 57.89 48.66 44.05 39.29 107.74 96.77 85.16 73.55 62.00 56.00 50.00 4079 3704 3313 2901 2472 2252 2023 286.8 258.9 229.4 199.9 168.8 153.1 137.0 6.15 6.20 6.22 6.27 6.32 6.35 6.35 6.12 6.02 5.89 5.79 5.66 5.61 5.56 3.96 3.96 3.99 4.01 4.01 4.04 4.04 6” 152.4 1 7/8 3/4 5/8 9/16 1/2 7/16 3/8 5/16 25.4 22.2 19.1 15.9 14.3 12.7 11.1 9.5 7.9 55.66 49.26 42.71 36.01 32.59 29.17 25.60 22.17 18.45 70.97 62.77 54.45 45.87 41.48 37.10 32.65 28.13 23.54 1478 1328 1174 1007 920 828 737 641 541 140.4 125.0 109.1 92.8 84.2 75.5 66.9 57.8 48.7 4.57 4.60 4.65 4.67 4.70 4.72 4.75 4.78 4.80 4.72 4.62 4.52 4.39 4.34 4.27 4.22 4.17 4.11 2.97 2.97 2.97 3.00 3.00 3.00 3.02 3.02 3.05 5” 127,0 7/8 3/4 5/8 1/2 7/16 3/8 5/16 22.2 19.1 15.9 12.7 11.1 9.5 7.9 40.48 35.12 29.76 24.11 21.28 18.30 15.33 51.48 44.77 37.81 30.65 26.97 23.29 19.55 741 653 566 470 416 364 309 84.7 74.2 63.3 51.8 45.7 39.7 33.4 3.78 3.84 3.86 3.91 3.94 3.96 3.99 3.99 3.86 3.76 3.63 3.58 3.53 3.48 2.47 2.48 2.48 2.50 2.50 2.51 2.52 4” 101.6 3/4 5/8 1/2 7/16 3/8 5/16 1/4 19.1 15.9 12.7 11.1 9.5 7.9 6.40 27.53 23.36 19.05 16.82 14.58 12.20 9.82 35.10 29.74 24.19 21.35 18.45 15.48 12.52 319 277 231 207 181 154 127 46.0 39.3 32.3 28.7 24.9 21.1 17.2 3.02 3.05 3.10 3.12 3.12 3.15 3.18 3.23 3.12 3.00 2.95 2.90 2.84 2.77 1.98 1.98 1.99 1.99 2.00 2.01 2.02 Z y X x y CANTONEIRAS DE ABAS PROPRIEDADES PARA IGUAIS PROJETO Estruturas Metálicas Capítulo 4 63 Aba Espessura Massa Área Eixos X e Y Eixo Z pol. mm pol. mm Kg/m cm2 Ix = Iy cm4 Wx=Wy cm3 rx = ry cm x ou y cm rz cm 3 ½” 88.9 1/2 7/16 3/8 5/16 1/4 12.7 11.1 9.5 7.9 6.40 16.52 14.58 12.65 10.71 8.63 20.97 18.52 16.00 13.48 10.90 152 136 119 102 83.7 24.4 21.6 18.8 16.0 13.0 2.69 2.72 2.72 2.74 2.77 2.69 2.64 2.57 2.51 2.46 1.73 1.74 1.74 1.75 1.76 3” 76.2 1/2 7/16 3/8 5/16 1/4 3/16 12.7 11.1 9.5 7.9 6.40 4.80 13.99 12.35 10.71 9.08 7.29 5.52 17.74 15.68 13.61 11.48 9.29 7.03 92.4 82.8 73.3 62.9 51.6 40 17.5 15.6 13.7 11.6 9.46 7.23 2.25 2.30 2.32 2.34 2.36 2.39 2.37 2.31 2.26 2.21 2.14 2.08 1.48 1.49 1.49 1.50 1.50 1.51 2 ½” 63.5 1/2 3/8 5/16 1/4 3/16 12.7 9.5 7.9 6.40 4.80 11.46 8.78 7.44 6.10 4.57 14.52 11.16 9.42 7.68 5.94 51.2 41 35.3 29.3 22.8 11.9 9.28 7.9 6.46 4.97 1.88 1.91 1.93 1.95 1.98 2.05 1.94 1.88 1.82 1.76 1.24 1.24 1.24 1.25 1.26 2” 50.8 3/8 5/16 1/4 3/16 1/8 9.5 7.9 6.40 4.8 3.2 6.99 5.83 4.75 3.63 2.46 8.77 7.42 6.05 4.61 3.12 19.9 17.3 14.5 11.3 7.91 5.75 4.92 4.05 3.11 2.15 1.51 1.53 1.55 1.57 1.59 1.62 1.56 1.50 1.45 1.39 0.99 0.99 0.99 1.00 1.01 1 ¾” 44.45 1/4 3/16 1/8 6.40 4.8 3.2 4.12 3.15 2.14 5.25 4.01 2.72 9.45 7.45 5.24 3.05 2.36 1.62 1.34 1.36 1.39 1.34 1.29 1.23 0.87 0.87 0.88 1 ½” 38.1 1/4 5/32 3/16 1/8 6.40 4.8 4.0 3.2 3.48 2.68 2.26 1.83 4.44 3.40 2.86 2.32 5.79 4.56 3.91 3.25 2.20 1.70 1.44 1.18 1.14 1.16 1.17 1.19 1.18 1.13 1.10 1.07 0.74 0.74 0.75 0.75 1 ¼” 31.75 1/4 3/16 1/8 6.40 4.8 3.2 2.86 2.20 1.50 3.63 2.8 1.92 3.20 2.54 1.83 1.49 1.16 0.80 0.94 0.96 0.98 1.02 0.97 0.91 0.62 0.62 0.62 1” 25.4 1/4 3/16 1/8 6.40 4.8 3.2 2.22 1.73 1.19 2.83 2.19 1.51 1.54 1.25 0.92 0.92 0.72 0.51 0.74 0.75 0.77 0.86 0.81 0.73 0.50 0.50 0.50 Estruturas Metálicas Capítulo 4 64 Tabela 4.8 – Perfis I Eixo x Eixo y Designação nominal Massa Área d b tf tw Ix Wx rx Zx Iy Wy ry Zy rT Cw It (d x tw) kg/m cm2 mm mm mm mm cm4 Cm3 cm Cm3 cm4 cm3 cm cm3 cm cm6 cm4 102x4,9 11.5 14.6 101.6 67.6 7.44 4.9 253 49.8 4.17 57.5 31.8 9.41 1.48 15.8 1.68 703 3.03 152x5,9 18.5 23.6 152.4 84.6 9.11 5.9 919 121 6.24 139 76 17.9 1.79 30.3 2.07 3890 7.00 203x6,9 27.3 34.8 203.2 101.6 10.79 6.9 2400 236 8.30 270 155 30.5 2.11 51.8 2.47 14360 14.0 254x7,9 37.7 48.1 254.0 118.4 12.47 7.9 5140 405 10.3 465 282 47.7 2.42 81.3 2.87 41080 25.14 305x11,7 60.6 77.3 304.8 133.4 16.72 11.7 11330 743 12.1 870 563 84.0 2.70 145 3.25 117000 73.3 457x11,7 81.4 103.7 457.2 152.4 17.55 11.7 33460 1464 18.0 1721 867 114 2.89 198 3.58 418900 98.6 508x15,2 121.2 154.4 508.0 177.8 23.30 15.2 61640 2430 20.0 2810 1872 211 3.48 360 4.29 1100000 257 d b tw tf x y Perfis I - padrão americano fabricação CSN tabela parcial Estruturas Metálicas Capítulo 4 65 Tabela 4.9 – Perfis U ou C c.g. c. cisal. Eixo x Eixo y Designação nominal Massa Área d b tf tw __ X e Ix Wx rx Iy Wy ry Cw It (d x tw) Kg/m cm2 mm mm mm mm Mm mm cm4 cm3 cm cm4 cm3 cm cm6 cm4 76x4,32 6.1 7.8 76.2 35.8 6.93 4.32 11.1 11.7 69.1 18.0 2.97 8.2 3.31 1.03 82.4 1.12 102x4,67 8.04 10.3 101.6 40.2 7.52 4.67 11.6 12.8 160 31.6 3.96 13.3 4.64 1.14 247 1.66 152x5,08 12.2 15.5 152.4 48.8 8.71 5.08 13.0 15.2 546 72.0 5.94 28.8 8.06 1.36 1270 3.12 203x5,59 17.1 21.8 203.2 57.4 9.91 5.59 14.5 17.7 1357 133.0 7.90 54.9 12.8 1.59 4430 5.45 254x6,10 22.7 29.0 254.0 66.0 11.1 6.10 16.1 20.2 2805 221.0 9.83 94.9 19.0 1.81 12200 8.78 305x7,16 30.7 39.3 304.8 74.7 12.7 7.16 17.7 22.1 5369 352.0 11.7 161 28.3 2.03 30000 15.4 t b d x y tw f x e c.g. Centro de cisalhamento tabela parcial fabricação CSN Perfis U - padrão americano Estruturas Metálicas Capítulo 4 66 Exemplo 1) Determinar a resistência de cálculo do pilar da figura 4.5, em aço MR250: Solução: O problema em questão tem, na verdade, duas possibilidades de instabilidade por flambagem. Obser- vando-se os esquemas estruturais unifilares que mostram os dois planos que compõem o pórtico na estrutura, conclui-se que a flambagem pode se desenvolver em dois planos distintos. Obviamente, a configuração de flambagem que exigir menor quantidade de energia será eleita para caracterizar a resistência da barra. Da tabela do fabricante de perfilados, Companhia Siderúrgica Nacional, obtém-se as propriedades da seção da barra: A=48,1 cm2 rx=10,3 cm ry=2,42 cm Na figura 4.6, que mostra a vista de frente, está representada a flambagem em torno do eixo y, que está de topo com o plano da figura. A elástica apresenta duas concavidades com os valores recomendados Ky=1,0 e Ky=0,80, obtidos da tabela 4.1. É importante notar que o perfil tem Ix>Iy e, conseqüentemente, rx>ry. Então, a flambagem em torno do eixo y, pela geometria da peça, tende aser mais crítica, obrigando a introdução de contraventamentos de forma a reduzir os comprimentos livres no plano ortogonal ao eixo. Figura 4.5- Pilar metálico Figura 4.6 – Diagramas unifilares planos da estrutura e configurações possíveis de flambagem por flexão. I254x7,9mm Travejamento P Travejamento 6m k = 1,0 k = 0,8 k = 0,8 Estruturas Metálicas Capítulo 4 67 Os índices de esbeltez valem: - eixo x: 60,46 3,10 6008,0 = × == x x r Klλ - eixo y: 124 42,2 3000,1 = × == y y r Klλ - Verificação da flambagem local Da tabela 4.3, vem: - mesa 74,4 47,12 4,1185,0 = × = ft b 8,15 250 000.20555,0 =×= máxt b - alma 99,28 9,7 47,122254 = ×− = ft b 09,42 250 000.20547,1 =×= máxwt b Estando os dois elementos do perfil (alma e mesa) dentro dos limites de esbeltez para a classe 3, que significa inexistência de flambagem local para a flambagem elástica, Q=1. Da tabela 4.5 obtém-se as curvas de flambagem: - eixo “x”: curva “a” Com a equação 51,06,46011,0 =×=xλ , que corresponde a ρ=0,919 na tabela 4.6a - eixo “y”: curva “b” 36,1124011,0 =×=xλ , que corresponde a ρ=0,401 na tabela 4.6b Figura 4.7 – Dimensões da seção do perfil I 254 x 7,9. x 118,4 12,47 254 7,9 y Estruturas Metálicas Capítulo 4 68 - Resistência nominal - eixo “x”: kNfQAN ygn 1,1105251,481919,0 =×××== ρ - eixo “y”: kNfQAN ygn 2,482251,481401,0 =×××== ρ Como a resistência de uma peça é dada pela sua parte mais fraca, a resistência nominal corresponde à de flambagem em torno do eixo “y”. Assim, a resistência de cálculo será: kNNN nd 98,4332,4829,09,0 =×=×= 4.3 Flambagem em Cantoneiras Cantoneiras de paredes muito finas podem sofrer flambagem por flexo-torção, que se caracteriza por uma superposição de deformações de flexão e torção, originando uma flambagem de curvatura complexa. Para cantoneiras laminadas a flambagem por flexo-torção só é determinante nas peças de pequena esbeltez. O procedimento de cálculo é o mesmo adotado para os perfis I ou H, mas com a possibilidade de mais um plano de flambagem, como será visto. Pelo centro de gravidade de uma superfície qualquer pode passar uma infinidade de pares de eixos cartesianos, obtendo-se os momentos de inércia respectivos. Dentre estes eixos um par goza da propriedade de apresentar, um deles, o máximo momento de inércia e, o outro, o mínimo, denominados de eixos principais de inércia. Estes eixos fornecem os momentos principais de inércia. Se houver eixo de simetria ele será um dos eixos principais. No caso de cantoneiras, os catálogos de fabricantes apresentam as propriedades geométricas de eixos paralelos às abas (x e y) e dos eixos principais de inércia (t e z). Figura 4.8 – Seção transversal de cantoneira de abas iguais. X z C.G. t Estruturas Metálicas Capítulo 4 69 Para uma cantoneira da abas iguais, os eixos principais de inércia são o eixo de simetria (t) e seu ortogonal (z) e facilmente se conclui que Iz<It. No caso de cantoneiras de abas desiguais não há simetria e o eixo t deixa de ser a bissetriz. Exemplo 2) Dimensionar a barra AB da treliça da figura abaixo em cantoneira de abas iguais - aço MR-250. A barra tem ligações soldadas. São dados os esforços atuantes na barra (sinal negativo indica compressão): - carga permanente de pequena variabilidade: G= -28,8 kN; - sobrecarga: Q= -18,2 kN; - carga devida ao vento: Q= -7,1 kN. Figura 4.9 – Diagrama unifilar parcial da tesoura Solução: Determinação do esforço de cálculo: Uma das combinações é: kNPd 26,69)1,7(6,04,1)2,18(5,1)8,28(25,1 −=−××+−×+−×= e a outra: kNPd 59,59)1,7(4,1)2,18(5,05,1)8,28(25,1 −=−×+−××+−×= Arbitrando uma cantoneira de abas iguais L 63,5x63,5x4,8 mm cujas propriedades geométricas, obtidas do catálogo do fabricante, são: A=5,94 cm2; rx=ry=1,98 cm; rz=1,26 cm. As barras de uma treliça são dimensionadas com a suposição de serem rotuladas em suas extremidades. Para uma haste bi-rotulada submetida a esforço de 1,8m 1,8m A C B Estruturas Metálicas Capítulo 4 70 compressão, a flambagem se dá em torno do eixo de menor inércia: o eixo z. Então: 143 26,1 1801 = × =zλ Como a barra tem dimensões adequadas, Q=1,0 (ausência de flambagem local). 57,1143011,0 =×=λ Figura 4.10 – Detalhes da barra AB Na tabela 4.5, determina-se a curva de flambagem “c”, de onde se obtém o valor de ρ=0,302. A resistência de cálculo vale: kNfQAN ygR 36,402594,51302,09,09,0 =××××== ρ Como a resistência da barra é menor do que a ação de cálculo, torna-se necessário reforçar. Para isso, duas alternativas podem ser seguidas: aumentar as dimensões da seção transversal ou interferir nos comprimentos de flambagem. A alternativa de aumentar as dimensões do perfil faz-se da mesma forma acima, arbitrando-se novas seções, até que se consiga uma resposta adequada. Tal tarefa é deixada para o leitor executar. A outra alternativa requer a introdução de barras adicionais para reduzir os comprimentos de flambagem. A figura 4.11 mostra uma alternativa para detalhe da barra AB, com suas ligações de extremidade. A flambagem da barra, para a configuração da figura se dá em um plano inclinado a 45º em relação ao plano da treliça, o qual é normal ao eixo “z” de uma seção genérica da haste. Em outras palavras, todas as seções da haste sofrem uma translação no plano β da figura 4.12, exceto as de extremidade Chapa de nó (gousset) Ponto de Trabalho do nó A Ponto de Trabalho do nó C do nó B Ponto de Trabalho A A X Yz Corte AA Plano da treliça Estruturas Metálicas Capítulo 4 71 (apoios) e todas sofrem uma rotação em torno do eixo “z”, normal ao plano β. Este deslocamento pode ser decomposto em dois, segundo os eixos “x” (δx) e “y” (δy). Basta agora, impedir o deslocamento em qualquer dos eixos coordenados de uma seção para que o deslocamento em “z” seja igual a zero (δz=0). A introdução de uma barra, dita redundante, DC no plano da treliça até o meio da barra AB, faz com que o deslocamento δx seja nulo no nó D recém criado. A partir de agora, a flambagem da barra AB pode ter as configurações: 1. plano da treliça (pi) em torno do eixo “y”, em dois trechos iguais (AD e DB) bi-rotulados; 2. plano normal ao da treliça; a flambagem se dá com rotação das seções em torno do eixo “x”, rotulada nas extremidades e comprimento de 1,8 m (AB). Nota- se que a vinculação no meio da barra (δx=0) não impede o deslocamento da seção do meio da haste (D) na direção “y”, que permanece livre; 3. plano bissetor (β): este é o plano em que a barra AB flamba quando não há barra redundante e corresponde ao mínimo consumo de energia, sendo normal ao eixo de menor inércia da barra. Com a introdução da vinculação (δx=0) vem que δz=0 no nó D. Então, a flambagem em torno do eixo “z” ainda pode ocorrer, mas com comprimento igual ao da flambagem em torno de “y”. Figura 4.11 – Planos de Flambagem – deslocamento de uma seção genérica Descartando-se a hipótese de flambagem em torno de “y”, por ser obviamente menos crítico que em torno de “z” com o mesmo comprimento, tem- se: - eixo “x”: Figura 4.12 – Treliça c/ barra redundante DC 91 98,1 180 ==xλPlano da treliça ( ) Vértice da cantoneira antes da flambagem Vértice da cantoneira após a flambagem Plano bissetor ( )β pi X Y z δ t δx δy Plano bissetor ( )β pi CA B D Estruturas Metálicas Capítulo 4 72 que fornece, para a curva “c”, ρ = 0,537 - eixo “z”: que fornece, para a curva “c”, ρ = 0,661 A resistência de cálculo corresponde ao menor valor, ou seja, NR = 71,7kN e atende ao esforço de cálculo. A barra redundante não é solicitada estaticamente, pois não havendo ações aplicadas no nó D, que está em equilíbrio, o esforço na barra DC tem que ser nulo. O seu dimensionamento deve ser feito para suportar uma fração do esforço atuante contida por ela. Segundo a NBR 8800 o esforço na barra redundante é de 2% do esforço de compressão e seu índice de esbeltez “l/r” não deve ultrapassar 140. O critério para a tomada de decisão entre colocar ou não uma barra redundante costuma ser econômico. O procedimento mais comum é estabelecer a massa de aço que se aplica em cada solução, isto é, o projetista calcula as duas soluções e escolhe a que acarreta menor quantidade de material. 4.4 Peças Compostas Seguidamente o projetista se defronta com o problema prático de não dispor de um perfil laminado que seja adequado para o problema estrutural, tanto por não existir, como por não ser disponível com a urgência que a obra necessita. Quando isso ocorre, é necessário fazer uma composição com dois ou mais perfilados, obtendo-se o que se denomina de barra composta. Por outro lado, a economia de materiais em peças comprimidas é feita buscando-se o máximo de rigidez (momento de inércia) da seção empregando-se o mínimo de material, isto é, com a menor área de seção transversal possível. Essa busca levará à seções de grandes dimensões transversais, pois quanto mais afastada estiver a massa do centro de gravidade, maior é o momento de inércia. No entanto, estas seções, são limitadas pela esbeltez das paredes, quando a flambagem local passa a governar a resistência. Sabe-se que, por definição, o momento de inércia de uma superfície plana em relação a um eixo genérico “x” é dado por: 0,191011,0 _ =×=xλ kNfQAN ygR 77,712594,51537,09,09,0 =××××== ρ 71 26,1 90 ==zλ 0,171011,0 _ =×=zλ kNfQAN ygR 34,882594,51661,09,09,0 =××××== ρ dAyI Ax ∫= 2 Estruturas Metálicas Capítulo 4 73 sendo dA um infinitésimo de área de y a uma distância do elemento ao eixo. Sabe-se ainda que para uma superfície geometricamente definida, pode-se sempre obter a posição do baricentro e por ele passar um eixo arbitrário qualquer e calcular o momento de inércia da superfície em relação a ele, pela equação acima. Se o eixo “X” em relação ao qual se deseja o momento de inércia não passar pelo baricentro, e se dispõe do momento de inércia de um eixo que lhe seja paralelo e que passe pelo centro de gravidade (eixo “x”) da figura, pode ser vantajoso usar o teorema de Steiner, que se resume na equação: Figura 4.13 – Transposição de eixos sendo: IX = momento de inércia procurado; Ix = momento de inércia em relação ao eixo baricêntrico da figura, paralelo a X; A = área da superfície; = distância entre os dois eixos. 4.4.1 Limitações quanto a Flambagem Local No dimensionamento de barras compostas comprimidas continua sendo válido que o índice de esbeltez do conjunto, não pode ser superior a 200. Todos os elementos componentes de barras compostas comprimidas, devem ter relações largura/espessura inferiores ou iguais aos valores (b/t)máx da tabela 4.3 para seções classe 3, sujeitas a força normal de compressão. 2 _ )(yAII xX += _ y r lk × Estruturas Metálicas Capítulo 4 74 Exemplo 3) Projetar uma coluna com dois perfis U, para um esforço de cálculo Nd=450kN. A coluna pode ser engastada na base e rotulada no topo, isto é, considera- se que na rótula não seja possível haver deslocamentos transversais, e mede 5 metros de comprimento. Usar aço MR-250. Figura 4.14 – Seção transversal típica Figura 4.15 – Seção transversal U Solução: O problema é resolvido por tentativas. Tanto a geometria como as dimensões devem ser arbitrados. Como primeira tentativa, seja um perfil U 102 x 4,67 mm, cujas propriedades geométricas são: d= 102 mm b= 40,2 mm tw= 4,67 mm tf= 7,52 mm x = 11,6 mm A= 10,3 cm2 Ix= 160 cm4 rx=3,96 cm Iy= 13,3 cm4 ry=1,14 cm - flambagem local (tabela 4.3) - Mesa →=<=== 1655,04,5 52,7 2,40 yf E t bλ mesa classe 3 - Alma →=<= ×− == 4247,16,18 67,4 52,72102 yf E t hλ mesa classe 3 Portanto, o perfil é classe 3 e não está sujeito ao fenômeno de flambagem local para compressão uniforme. d x x Y X a y y x X espaçador d x x y tw tf Estruturas Metálicas Capítulo 4 75 - flambagem por flexão - Eixo X Observando-se que o eixo global X coincide com os eixos locais “x” de cada perfil, isto é, 0=y , tem-se: xxX IAII .20.2.2 2 =×+= Conseqüentemente, ( ) x x tot X X rA I A I r === .2 .2 Então, rX=rx=3,96 cm Pode-se estudar o comportamento da coluna quanto à flambagem em torno do eixo X. Sendo engastada na base e rotulada no topo: 101 96,3 5008,0 = × =Xλ Sendo aço MR-250, tem-se: 11,1101011,0011,0 =×=×= λλ Da tabela 4.5 obtém-se a curva que governa a flambagem. Para perfis U, a flambagem é comandada pela curva “c”. Da curva “c” (tabela 4.6c), vem que ρ=0,481 − Resistência nominal kNfAQN ygn 7,24725)3,102(1481,0... =××××== ρ − Resistência de cálculo kNfAQN ygR 9,2227,2479,0....9,0 =×== ρ Que é insuficiente. Testa-se, então, um novo perfil, maior. Seja U 152 x5,08 mm que tem as propriedades geométricas: d= 152 mm b= 48,8 mm tw= 5,08 mm tf= 8,71 mm x = 16,1 mm A= 15,5 cm2 Ix= 546 cm4 rx=5,94 cm Iy= 28,8 cm4 ry=1,36 cm - flambagem local (tabela 4.3) - Mesa →=<=== 1655,06,5 71,8 8,48 yf E t bλ mesa classe 3 Estruturas Metálicas Capítulo 4 76 - Alma →=<= ×− == 4247,15,26 08,5 71,82152 yf E t hλ mesa classe 3 Portanto, o perfil é classe 3 e não está sujeito ao fenômeno de flambagem local para compressão uniforme. - flambagem por flexão - Eixo X Procedendo-se analogamente, tem-se: rX=rx=5,94 cm 3,67 94,5 5008,0 = × =Xλ Sendo aço MR-250, tem-se: 74,03,67011,0011,0 =×=×= λλ Da tabela 4.5 obtém-se a curva que governa a flambagem. Para perfis U, a flambagem é comandada pela curva “c”. Da curva “c” (tabela 4.6c), vem que ρ=0,693 − Resistência nominal kNfAQN ygn 1,57325)5,152(1693,0... =××××== ρ − Resistência de cálculo kNfAQN ygR 4,4831,5739,0....9,0 =×== ρ que é suficiente. − Eixo “Y” Para que a flambagem do eixo “Y” atenda os requisitos de resistência pode-se buscar uma distância entre perfis “a”, tal que se obtenha um índice de esbeltez igual ao obtido para o eixo “X”. Usando-se o teorema de Steiner, vem: 42 092.12..2 cmIXAII xyY =×=+= x aX −= 2 Substituindo os valores tabelados, vem: 092.1 2 5,158,282 2 = −×+× x a Que tem como raiz positiva a=14,77 cm Estruturas Metálicas Capítulo 4 77 Com isso, tem-se: ( ) cmA I r tot Y Y 94,55,152 092.1 = × == Então, o índice de esbeltez será o mesmo, isto é: 3,67 94,5 5008,0 = × =Yλ 74,03,67011,0011,0 =×=×= λλ A flambagem se dará de acordo com a curva “c”, obtendo-se o mesmovalor para a resistência de cálculo NR=483,4 kN. - Comportamento dos elementos isolados Para que haja interação entre os elementos componentes da coluna (no caso presente são dois fustes), é necessário que se coloquem elementos de ligação entre eles, formando quadros ou retículos de treliça. Cada fuste estará isolado no intervalo que se situa entre os espaçadores, podendo sofrer flambagem para este comprimento. Seu índice de esbeltez não pode ser maior do que o da barra global. Assim, 3,67 36,1 ≤== d r d y λ de onde se obtém cmd 5,91≤ Para um vão de 5 m tem–se o número de intervalos: 46,5 5,91 500 ==n O número de intervalos deve ser número inteiro. Então, tomam-se 6 intervalos que levam ao espaçamento: cmd 3,83 6 500 == Figura 4.16 – Detalhe dos espaçadores A figura 4.16 mostra como se distribuem os espaçadores na barra. Estruturas Metálicas Capítulo 4 78 Exemplo 4) Dimensionar a corda inferior de tesoura mostrada na figura 4.17 em cantoneiras duplas de abas iguais, para aço MR-250 e para o esforço máximo de compressão de 35 kN. Figura 4.17 – Tesoura – Diagrama parcial Solução: O emprego de duas ou mais cantoneiras formando uma barra é bastante comum na prática da estrutura metálica. Arbitrando-se uma seção composta de duas cantoneiras L 51 x 51 x 4,8 mm, cujas propriedades geométricas são: A=4,61 cm2 Ix=Iy=11,3 cm4 rx=ry=1,57 cm rz=1,0 cm cmx 45,1= Figura 4.18 – Cantoneira de abas iguais O espaçamento entre as cantoneiras deve ser o mesmo em toda a barra e deve atender os requisitos de resistência das chapas de nó. Neste caso será arbitrado em 5 mm. Esta medida é de importância para se determinar o momento de inércia IY (da seção global) e seu raio de giração correspondente. Para diferenciar os eixos de cada componente e da seção global será adotado o critério de minúsculos para seção de componente e maiúsculo para a seção global. Barras Transversais z X tY x Estruturas Metálicas Capítulo 4 79 − Eixo “X” Como não há transposição de eixos, isto é, os eixos local e global coincidem, o momento de inércia global será: IX=2.Ix E o raio de giração ( ) x x tot X X rA I A I r === .2 .2 rx=1,57 cm Figura 4.19 – Seção transversal da barra − Eixo “Y” Aplicando-se o teorema de Steiner, vem: [ ] 422 45,4945,1 2 5,061,43,1122 cmAII eyY = +×+×=+×= e o raio de giração ( ) cmA I r tot Y Y 31,261,42 45,49 = × == Figura 4.20 – Formas de flambagem por flexão da barra AB 5 x X Y y xx y A A C B C B Barra redundante a) Flambagem em torno do eixo Y (plano do eixo X) b) Flambagem em torno do eixo X (plano do eixo Y) Estruturas Metálicas Capítulo 4 80 É notória a predominância do momento de inércia em relação ao eixo “Y”. Então, vale a pena pensar em reduzir o comprimento de flambagem em torno do eixo “X”. Com a colocação de uma barra redundante vertical no meio da barra chegando ao ponto “C”. Considerando para a treliça a recomendação da NBR 8800 que as barras sejam rotuladas, tem-se: 119 57,1 5,1871 = × == X X r klλ 162 31,2 3751 = × == Y Y r klλ Sendo o eixo “Y” o mais esbelto, vem: 78,1162011,0011,0 =×=×= YY λλ Para a curva de flambagem “c”, obtém-se ρ=0,245 − Resistência de cálculo ( ) kNfAQN ygR 8,502561,421245,09,0....9,0 =×××××== ρ que está folgado em relação ao esforço de cálculo de 35,0 kN Pode-se tentar outra cantoneira de dimensões menores. Seja L 44 x 44 x 4,8 mm, cujas propriedades geométricas são: A=4,01 cm2 Ix=Iy=7,45 cm4 rx=ry=1,36 cm rz=0,87cm cmx 29,1= Recalculando de forma análoga, obtém-se: rX=1,36 cm rY=2,11 cm com os índices de esbeltez 138 36,1 5,1871 = × == X X r klλ 178 11,2 3751 = × == Y Y r klλ 96,1178011,0011,0 =×=×= YY λλ Para a curva de flambagem “c”, obtém-se ρ=0,210 − Resistência de cálculo ( ) kNfAQN ygR 9,372501,421210,09,0....9,0 =×××××== ρ que é maior e bem próximo da solicitação de cálculo. Estruturas Metálicas Capítulo 4 81 − Dimensionamento dos espaçadores O índice de esbeltez do elemento isolado não deve ser maior do que o conjunto. 178 87,0 ≤== d r dλ Então, a distância máxima entre os espaçadores será: cmd 15587,0178 =×≤ Lembrando que os espaçadores nas extremidades são necessários (usualmente as chapas de nó), e que há um espaçador no nó “C”, devido à ligação, será adotado um intervalo tal que o vão fique dividido em quatro, conforme pode ser visualizado na figura 4.21. Figura 4.21 – Detalhes da barra PROBLEMAS PROPOSTOS 1. Dimensionar uma coluna em perfis I laminados, cujo comprimento total é de 4 m. O pilar está engastado no apoio (fundação) e é rotulado na extremidade superior onde é contido contra os deslocamentos transversais. Usar aço ASTM A-572 Grau 50. Os esforços atuantes no topo da coluna são: − Peso próprio da estrutura metálica = -15 kN; − Peso próprio da estrutura de concreto e alvenarias = -50 kN; − Sobrecarga = -30 kN. Corte AA A A Linha de centro da diagonal Montante Gousset (chapa de nó) Espaçador Espaçador Estruturas Metálicas Capítulo 4 82 Resposta: Sd = 131,25kN; o perfil “I 203x6,9” satisfaz a solicitação sendo possível escolher ainda um perfil mais econômico (Nr = 232kN). 2. Dimensionar os montantes de uma torre treliçada em cantoneiras de abas iguais, aço ASTM A-572 Grau 50, cuja geometria está na figura 4.22. O esforço de cálculo de compressão é de 300 kN em cada montante. Resposta: O perfil “L 127x12,7” satisfaz a solicitação sendo possível escolher ainda um perfil mais econômico (Nr = 495,83kN). Figura 4.22 – Torre do problema 2 3. Dimensionar uma barra de treliça em cantoneiras de abas iguais, para uma envoltória de esforços de : − Tração = 25 kN; − Compressão = -70 kN A barra mede 2,4 m entre centros de ligações e está ligada por parafusos apenas em uma da abas, tendo 3 parafusos por linha na direção dos esforços. Usar aço ASTM A-36. 4. Dispõem-se de várias barras de perfil IP 200, aço ASTM A-36, que serão aplicadas como estroncas em um escoramento, sendo simplesmente apoiadas em placas de base, de tal forma que se pode considerar como rotuladas. Tais barras suportarão vigas com detalhes que não produzirão restrições a rotações. As estroncas medirão 8 m e poderão ser contraventadas no plano de rigidez. Determinar como deve ser o contraventamento transversal para que as estroncas atinjam a máxima resistência à compressão e o valor desta resistência. Figura 4.23 – Seção transversal do perfil IP 2m 2m 2m 2m Frente Perfil d b tw tf x Estruturas Metálicas Capítulo 4 50 Dados do perfil IP 200: d= 200 mm b= 100 mm tw= 5,6 mm tf= 8,5 mm A= 28,5 cm2 rx=8,26 cm ry=2,24 cm 5. Uma coluna treliçada em cantoneiras tem a geometria da figura 4.24. Determinar qual a resistência de cálculo definida pelo montante da coluna em função do espaçamento do contraventamento. Observar que o contraventamento é defasado em cada face. Os montantes são em perfil L 63,5 x 4,8 mm.Figura 4.24 – Coluna contraventada 6. Dimensionar uma barra de treliça em cantoneiras de abas iguais opostas pelo vértice, conforme mostra a figura 4.25. O esforço normal de compressão é de 70 kN, sabendo que a barra mede 3,2 m. Determinar, também a distribuição dos espaçadores. Usar aço MR-250. Figura 4.25 – Seção transversal de barra em cantoneiras opostas pelo vértice 7. Determinar a resistência de cálculo à compressão de uma coluna composta de dois perfis I 152 x 5,9 mm, conforme a figura 4.26. A coluna é engastada na base e tem uma contenção transversal a 4 m acima da base e mede 7 m. Considerar a base como engaste e o topo como apoio rotulado. Dimensionar as diagonais de contraventamento para que a coluna resista ao esforço calculado. Aço MR-250 1, 2m 0, 6m Montante Contraventamento Espaçadores #6mm Estruturas Metálicas Capítulo 4 84 Figura 4.26 – Coluna do problema 7 8. Determinar a resistência de cálculo à compressão da barra AB da figura 4.27 e a distribuição dos espaçadores. Usar aço MR-250. Observar que os nós A e B são contraventados no plano transversal ao da treliça, enquanto que em C e D formam-se nós planares. As cantoneiras utilizadas são L 60 x 40 6 mm, cujas propriedades são: A=5,68 cm2 Ix= 20,1 cm4 Iy=7,12 cm4 rx=1,88 cm ry=1,12 cm rz=0,86cm cmx 0,2= cmy 01,1= Figura 4.27 – Diagrama unifilar da treliça do problema 8 Espaçador #5mm A A C D B Contraventamento transversal ao plano da treliça Corte AA AA Contraventamento 800 800 800 300 Estruturas Metálicas Capítulo 5 85 Capítulo 5 PEÇAS TRACIONADAS 5.1 Generalidades O aço é um material de bom desempenho quando solicitado à tração, sendo, também de fácil emprego, pela facilidade de se unirem barras tracionadas. O dimensionamento de peças tracionadas de aço é bastante simples, mas são necessários conhecimentos sobre o comportamento do material, pois existe divergência entre a realidade e a distribuição hipotética e simplista de que as tensões se distribuem uniformemente ao longo de uma seção transversal genérica de uma barra tracionada. De forma geral, as peças de aço tracionadas podem ser: - cabos de aço; - barras redondas rosqueadas; - barras laminadas ou compostas. Os cabos de aço são usados como estais ou cabos de suspensão de pontes, estaiamento de torres ou suporte de cobertura. Sua eficiência é notável dado serem compostos de vários fios de pequeno diâmetro, que são obtidos por trefilação, obtendo-se tensões de ruptura muito altas. Têm como desvantagem não resistirem a esforços de compressão o que os torna inaplicáveis em muitas situações. Barras redondas são usadas como reforço de terças de telhado, como barras tracionadas de treliças de madeira ou concreto armado, como contraventamentos e tirantes de arcos. Barras laminadas ou compostas são usadas em estruturas reticuladas (treliças) em todos os seus empregos na engenharia. 5.2 Dimensionamento de barras à tração Uma barra de aço sujeita ao esforço normal de tração terá – em seu dimensionamento no método dos estados limites – duas regiões distintas (fig. 5.1): Estruturas Metálicas Capítulo 5 86 Figura 5.1 – Regiões limites de dimensionamento Onde: Nd = Esforço normal de cálculo; Nn = Resistência nominal de plastificação ou ruína; NR = Resistência de cálculo; φ = Coeficiente de resistência; Ag = Área bruta da seção; Ae = Área líquida efetiva. Trecho Y = Região onde não se permite o escoamento generalizado, pois a ocorrência de alongamento excessivo pode inutilizar a peça. Trecho U = Região onde as tensões atuam de forma desigual nas proximidades dos furos. Permite-se o escoamento localizado, mas não poderá haver ruptura última da peça. O dimensionamento da peça tracionada se dá conforme a NBR 8800: 1. Na seção de área bruta, que eqüivale ao trecho Y: e φ = 0,9 2. Na seção de área líquida efetiva, região dos furos, trecho U: e φ = 0,75 O menor valor de resistência nominal encontrado nos dois trechos, será a resistência nominal da peça. Se o menor valor obtido seja em (1.), a peça será dimensionada com tendo fator limitante o escoamento excessivo no trecho Y; caso seja em (2.), a peça será dimensionada tendo como fator limitante a ruptura no trecho U. No método dos estados limites temos a condição básica: ygn fAN ×= uen fAN ×= nd NN φ= Tensão de controle: fu Trecho: U fy Y fu U NdNd Estruturas Metálicas Capítulo 5 87 5.3 Áreas da seção transversal para dimensionamento Para a determinação da área da seção transversal de uma peça, o estudo é realizado em duas seções distintas como segue: 1. Seção reta É uma seção perpendicular ao eixo longitudinal da barra. Essa seção pode ou não conter furos. Figura 5.2 – Seção reta onde: S1 = seção sem furos S2 = seção com furos b = largura bruta da seção t = espessura da peça A área bruta será → Para cantoneiras → Figura 5.3 – Cantoneira A área bruta também pode ser obtida das tabelas dos fabricantes de perfis metálicos. Sendo: d = diâmetro do parafuso P = espessura da parede danificada pela punção (2,0mm) f = folga entre o parafuso e o furo (2,0mm) df = diâmetro efetivo do furo An = área líquida bn = largura líquida da seção df = d + P +f, portanto, para um furo padrão: df = (d + 2,0 + 2,0) = d + 4mm Obs: Caso o furo seja perfurado com brocas, pode-se adotar P=0 e, para parafusos e furos ajustados, isto é, parafusos usinados e furos perfurados por brocas, pode-se reduzir a folga entre o furo e o fuste do conector. A área líquida da seção reta com furos será: , , No caso de peças soldadas → An = Ag tbAg ×= ttBAAg ×−+= )( ∑−= furosgn AAA tdA ffuro ×= fgn dbb −= tbA nn ×=→ Nd Nd S1 S1S2 S2 b Seção S1 Seção S2 b t t dfdf B A r1 r2 r1 r1 = r2 = t t tA - tA - t BA Estruturas Metálicas Capítulo 5 88 ∑ ∑+−= g sdbb fn 4 2 2. Seção Ziguezague Quando há furos em diagonal, a linha de ruptura pode não ocorrer numa seção reta normal ao eixo da peça (A). A linha de ruptura pode ser em ziguezague (B, C e D). Assim o projetista deve verificar todas as possibilidades. Quando a ruptura se dá em ziguezague ocorre um aumento da resistência, que é expresso como um aumento de área líquida: Figura 5.4 – Seções ziguezague Onde: s = espaçamento longitudinal entre dois furos consecutivos g = espaçamento transversal entre dois furos consecutivos Obs: No caso de cantoneiras devemos desenvolver o perfil para determinar as seções ziguezague entre as duas abas das cantoneiras. Figura 5.5 – Cantoneira desenvolvida Portanto: Exemplo 1) Determinar a área líquida da chapa da figura 5.6. Figura 5.6 ∑ tg s 4 2 tbA nn ×=→ NdNd A B C D g s g s b = A+B-t A 60 E G 25 160 50 45 40 B C D 20 F H T #6mm 4 paraf. d=16mm Estruturas Metálicas Capítulo 5 89 Solução: Diâmetro efetivo: d =f 16+2+2=20mm Para as superfícies de ruptura possíveiscom 2 ou3 furos, tem-se as larguras líquidas (equação fig. 5.4): - ABCD b n = 160 - 2 x 20 = 120mm - ABCDE b mm xx xn 138454 60 504 60203160 22 =++−= - ABEF b mm x xn 138504 60202160 2 =+−= - ABEGH b mm xx xn 120454 20 504 60203160 22 =++−= Sendo, então, bn = 12,0 cm área líquida vale: A 220,76,00,12 cmxn == Exemplo 2) Seja a área líquida da cantoneira da figura 5.7. Figura 5.7 Solução: A largura bruta pode ser calculada por B = 20,0 + 10,0 – 2,0 = 28,0 cm E a área bruta 40 63 20 37 50 50 50 50 50 90 70 200 100 Parafusos d = 20mm Estruturas Metálicas Capítulo 5 90 A =g b.t = 28,0 x 2,0 = 56,00 cm 2 Para estudar as superfícies de ruptura faz-se o rebatimento de uma das faces, tornando a cantoneira plana. Devemos tomar o cuidado para que a distância entre os furos de faces diferentes seja reduzida de uma espessura, conforme mostra a figura 5.8. Figura 5.8 Duas superfícies de ruptura possíveis são obtidas: ABCD e EFGHI, pois qualquer outra recai em uma das anteriores. Diâmetro efetivo do furo: d =f 20,0 + 2,0 + 2,0 = 24,0 mm Larguras líquidas: - ABCD: b cm xx xn 04,223,114 0,5 0,94 0,54,230,28 22 =++−= A área líquida vale: A 208,440,204,22 cmxn == 5.4 Área líquida efetiva (Ae) Quando a distribuição de tensões não é uniforme devemos adotar um coeficiente de redução Ct para determinação da área líquida efetiva. nte ACA .= Ct é um coeficiente que depende da forma como é feita a ligação. A NBR 8800 estabelece os seguintes valores para o coeficiente Ct: 5050 50 50 50 70+63-20=113 90 40 37 280 G A B C D I H F E Estruturas Metálicas Capítulo 5 91 Ct = 1,0 A área líquida efetiva é considerada igual à área líquida quando uma barra tracionada é solicitada na ligação em todos seus elementos (alma e mesas). Ct = 0,9 Para perfis I ou H cujas mesas tenham uma largura não inferior a 2/3 da altura do perfil e perfis T cortados desses perfis, com ligações nas mesas, tendo um mínimo de 3 parafusos por linha na direção do esforço para o caso de ligação aparafusada. Ct = 0,85 Para perfis definidos acima e que não atendam os requisitos anteriores e todos os demais perfis, incluindo barras compostas tendo um mínimo de 3 parafusos por linha na direção da solicitação. Ct = 0,75 Em todas as barras com ligações parafusadas, tendo somente dois parafusos por linha na direção do esforço. Os valores de Ct são aplicáveis às ligações soldadas, dispensando-se a condição de número mínimo de parafusos na direção da força. Para exemplificar e discutir o texto acima observe os exemplos: Figura 5.9 Figura 5.10 Figura 5.11 T T T T dT T/2 T/2 Estruturas Metálicas Capítulo 5 92 5.5 Disposições construtivas A localização de parafusos nas peças deve levar em conta: 1. Uma distribuição mais uniforme das tensões, evitando-se concentração de tensões, escoamento e/ou rupturas prematuras; 2. Facilitar ou possibilitar o manejo de chaves fixas, torquímetros, etc; 3. Evitar que as arruelas, porcas ou cabeças de parafusos apoiem-se em regiões curvas de perfis laminados ou dobrados; 4. Evitar a interferência de parafusos. Segundo a NBR 8800 temos os seguintes espaçamentos: Distâncias mínimas - centro a centro de furos: 2,7d sendo o ideal 3d → d = diâmetro nominal do parafuso. - centro de furo à borda: - Tabela 5.1 – Distâncias mínimas em função do diâmetro e tipo de corte da borda Centro de furo à borda d Borda cortada com serra ou tesoura (mm) Borda laminada ou cortada a maçarico (mm) ½” 22 19 5/8” 29 22 ¾” 32 26 7/8” 38 29 1” 44 32 1 1/8” 50 38 1 ¼” 57 41 >1 ¼” 1,75d 1,25d Distâncias máximas às bordas: 12t ou 150mm 5.6 Índice de esbeltez limite O índice de esbeltez (λ) de barras tracionadas, executando-se tirantes de barras redondas pré-tensionadas, não pode, em princípio, exceder os seguintes valores limites: a) 240 para barras principais; b) 300 para barras secundárias. Estruturas Metálicas Capítulo 5 93 33,1)()( x A ANN g e plastRruinaR = Exemplo 3) Determinar a resistência de cálculo da peça do exemplo 2, para aço ASTM-36. Solução: Sabe-se do que a peça apresenta A 256cmg = e 208,44 cmAA ne == pois C 0,1=t . O aço ASTM A-36 apresenta as resistências características: f MPay 250= e f =u 400 MPa. Tem-se para o estado limite de escoamento da seção bruta (ou de plastificação) a resistência de cálculo de: (ELP) N KNcmKNxcmxR 260.1)/(25)(5690,0 22 == Para o estado limite de ruptura da seção líquida: (ELR) N KNcmKNxcmxR 40,322.1)/(40)(08,4475,0 22 == Neste caso a resistência de cálculo da peça é dada pelo escoamento da seção. Caso a peça fosse soldada, desaparecendo os furos, teríamos para área efetiva o mesmo valor da área bruta, o que daria o estado limite de ruína o valor: N KNxxR 680.1405675,0 == E a resistência de cálculo seria a do estado de plastificação. Exemplo 4) Determinar a relação entre as áreas bruta e efetiva de uma barra tracionada de aço MR-250, que estabeleça o limite de governo dos estados limites ELP e ELR. Solução: O aço MR-250 tem as mesmas características do ASTM A-36: f MPay 250= e f =u 400Mpa. Para o estado limite de plastificação: N 000.225.000.2509,0. ggR AxA == Para o estado limite de ruína: N 000.300.000.40075,0. eeR AxA == A relação entre eles: 000.300. 000.225. )( )( e g RUINAR plastR A A N N = ou, o que significa que a resistência à ruína só será determinante em peças em que A g .33,1 eA≥ Estruturas Metálicas Capítulo 5 94 Exemplo 5) Dimensionar a barra AB da treliça da figura 5.12, para aço MR-250. Considerar que a estabilidade dos nós no plano ortogonal à figura é garantida por elementos não representados. As cargas P e Q valem: P = 200 KN – carga permanente de elementos industrializados com adição in loco; P = 230 KN – sobrecarga; Q =20 KN – vento. Figura 5.12 Solução: A – Cálculo das solicitações nominais na barra AB. Devidas a P: tg 8,0 5,1 =α Figura 5.13 Figura 5.14 .: =α arc tg 093,61 8,0 5,1 = Do equilíbrio do nó A: F .AB cos 2 P =α .: F PAB 06,1= QA B P 1,5m 0,8m 1,5m 70 70 70 35 50 50 parafusos d=13mm P B A P/2 P/2 FAB α V B A Q Q V ABFV Estruturas Metálicas Capítulo 5 95 Devidas a Q: Reação vertical: V = QQ 27,0 0,3 .8,0 = Do equilíbrio do nó A: V = F αcosAB .: F Q Q AB .57,0 cos .27,0 == α B – Determinação das solicitações de cálculo. Como todas as cargas têm mesmo sinal e a sobrecarga é preponderante, nitidamente, sobre o vento, aplica-se a equação de combinação da NBR 8800: S )2057,0(6,04,1)23006,1(5,1)20006,1(4,1 xxxxxxxd ++= S =D 672,08 KN C – Determinação das resistências do perfil. 1. Quando as ligações são parafusadas o dimensionamento deve ser feito por tentativas, ou seja, por verificações sucessivas. Caso o leitor tenha dificuldade no arbítrio da seção, pode-se sugerir determinar a área bruta necessária para atender ao estado limite de escoamento. No caso presente: A 22 87,29)/(0,259,0 )(08,672 cm cmKNx KN g =≥ Figura 5.15 Tentando-se uma cantoneira L127x127x12,7mm, que tem, de acordo com o catálogo do fabricante (CSN), A 26,30 cmg = . Tem-se B= 2 x 12,7 – 1,27 = 24,13 cm df = 1,3 + 0,2 + 0,2 = 1,7 cm Rebatendo-se a cantoneira conclui-se que há 2 linhas de ruptura possíveis: Linha I: b =n 24,13 – 1,7 = 22,43cm I I II II 35 87,3 35 35 Estruturas Metálicas Capítulo 5 96 Linha II: b cm x xn 08,2173,84 5,37,1213,24 2 =+−= Então, A 208,2627,108,21 cmxn == Havendo apenas dois furos na direção do esforço, C 75,0=t e A 21,2075,08,26 cmxe == . Resistência de cálculo no ELP: N kNXXR 5,6880,256,309,0 == Resistência de cálculo no ELR: N =R 0,75X20,1X40=603,0 KN Como vemos, a resistência de cálculo no ELR é inferior à solicitação de cálculo, concluindo-se que a cantoneira deve ser reforçada. Duas alternativas podem resolver o problema. A primeira é a de se aumentar a seção da barra e a segunda é a de alterar a ligação, com o acréscimo de mais um furo em cada linha (passar para 3 parafusos na direção da solicitação), obtendo-se Ct= 1,0. Nesse caso a resistência de cálculo no ELR será: N =r 0,75x26,8x40=804,0 KN E a resistência de cálculo da peça passa a ser a do ELP e a condição de estabilidade é preenchida: N 0,804=R > S =d 688,5 KN Exemplo 6) Determinar qual o comprimento máximo que pode ter uma barra tracionada principal executada com uma cantoneira L 88,9x88,9x9,5mm. Solução: A cantoneira especificada tem como raio de giração mínimo r =z 1,74 cm. Então: ≤l 1,74x240 = 417,6 cm é o comprimento máximo para a barra tracionada. PROBLEMAS PROPOSTOS 1. Determinar a espessura da chapa da figura 5.16 para um esforço de cálculo de tração P =d 850 KN. Propriedades do aço: f =y 300 MPa f =u 460 MPa Parafusos d = 19mm Furos executados por puncionamento. Estruturas Metálicas Capítulo 5 97 Figura 5.16 2. Determinar a resistência de cálculo de um tirante construído de barra redonda de diâmetro 5/8”, aço MR –250, sabendo-se que sua fixação nas extremidades é feita por roscas e porcas. A área do núcleo para rosca do tipo (whitworth) usado no tirante é A =n 1,31 cm 2 . 3. Uma cantoneira de abas iguais L 21/2” x 3/16” está ligada a uma chapa de nó por 2 parafusos de diâmetro ¾” colocados na mesma aba. Determinar a resistência de cálculo a tração para aço ASTM A-572 grau 50. Figura 5.17 4. Projetar uma barra chata para resistir aos esforços abaixo (sinal + indica tração): - Permanente proveniente da estrutura metálica = +55 KN; - Permanente devido a permanência de equipamento = +30 KN; - Sobrecarga (comum) = + 70 KN; - Variação de Temperatura = ± 40 KN. Sabe-se que a barra será ligada por 6 parafusos d = ¾”, cujo espaçamento mínimo é 44mm. Aço ASTM A – 36. T 30 30 30 30 30 30 30303030 35 T Estruturas Metálicas Capítulo 5 98 Figura 5.18 5. Dimensionar os tirantes AB e BC da figura 5.18, para cargas P como segue: - Peso próprio da estrutura metálica = 120 KN; - Peso próprio de peças de madeira permanentes ao estado = 250 KN; - Sobrecarga = 400 KN. As barras devem ser em cantoneiras que serão soldadas em apenas uma de suas abas. 6. Determinar a resistência de cálculo do perfil da figura 5.19. Aço A-570 grau 40. Figura 5.19 A 3,2m B D C 2,5m 4,8m 2,5m PP T/2 T/2 140 T 250 9 15 Perfil Cobre-juntas Parafusos d=7/8" Estruturas Metálicas Capítulo 6 99 Capítulo 6 DIMENSIONAMENTO DE BARRAS FLEXIONADAS Para o dimensionamento de barras à flexão é necessário determinarmos quais são os esforços internos solicitantes que atuam na barra além do momento fletor. Faz-se então a classificação da flexão em barras segundo esses esforços atuantes, como segue. 6.1 Classificação da flexão em barras Flexão Pura: ocorre quando atua na barra apenas o momento fletor, e pode ser dividida em: Plana ou reta: quando o plano de atuação do momento fletor coincide com um dos planos principais de inércia; Oblíqua: quando o plano de atuação do momento fletor é inclinado em relação aos planos principais de inércia. Flexão Simples: ocorre quando atua na barra o momento fletor combinado com o esforço cortante. Flexão Composta: neste caso o momento fletor, com ou sem o esforço cortante, atua combinado com a força normal ou o momento torsor ou ambos. 6.2 Flexão de peças isentas de flambagem lateral Flexão elástica e plástica - Sabe-se, da resistência dos materiais, que para uma barra de seção reta com dois eixos de simetria, em regime elástico, submetida a momento fletor atuante em um plano paralelo ao eixo longitudinal que contenha um dos eixos de simetria da seção, as tensões normais podem ser calculadas por: y I M x =σ (1) onde: σ = tensão normal num ponto P; M X = momento fletor no eixo x (plano ortogonal a x que contém y); Y = distância do ponto P ao eixo x. Estruturas Metálicas Capítulo 6 100 Figura 6.1 – Tensões normais em uma seção submetida a momento fletor A equação (1) fornece a tensão normal em qualquer ponto da seção. Para garantir que nenhuma fibra da seção ultrapasse o limite elástico do material deve- se estudar as tensões máximas na seção, as quais ocorrem nas fibras mais afastadas da linha neutra e garantir que elas não ultrapassem tal limite que para o aço pode ser aproximadamente a tensão de escoamento. Para uma viga com seção retangular de altura “d” a tensão na borda é dada por: == 2max d I Mfb σ (2) Definindo-se módulo resistente W como sendo: 2 d IW = (3) Vem: W Mfb = (4) Então, o momento que leva a peça ao limiar do escoamento (limite elástico) é dado por: yy fWM .= (5) O momento My caracteriza o limite do comportamento elástico da peça, isto é, qualquer incremento no valor do momento fletor vai obter de resposta um incremento não linear (inelástico) na deformação. Para momentos atuantes de valores iguais ou menores do que My as deformações são reversíveis, isto é, cessado o carregamento a estrutura volta a sua posição original. Por outro lado, as fibras submetidas a tensões maiores do que o limite elástico do material apresentarão deformações residuais, uma vez cessada a solicitação. Para momentos atuantes maiores do que My as deformações não desaparecem totalmente após a descarga. y P XMx P y b d d σ Pσ cσ cσ Pσ tσ Estruturas Metálicas Capítulo 6 101 Seja o diagrama tensão/deformação de um material elasto-plástico ideal (figura 6.2) onde a reta de proporcionalidade termina ao ser atingida a tensão de escoamento e, a partir daí, transforma-se em uma reta paralela ao eixo das deformações, o que significa alongamento sob tensão constante. Figura 6.2 – Diagrama tensão/deformação de material elasto-plástico ideal A equação (3) mostra que uma seção submetida ao momento My tem atuando em sua fibra mais solicitada a tensão de escoamento, ou seja, o alongamento dessa fibra é o alongamento εy. Se, neste momento, é dado um incremento de deformação (giro) na seção, mais fibras vão atingir ou ultrapassar o alongamento εy (ver figura 6.3b), nas quais as tensões permanecem constantes no valor fy, de acordo com o diagrama da figura 6.2. Diz-se, então, que a seção está se plastificando, pois as deformações das fibras que ultrapassam o limite de proporcionalidade não são mais reversíveis. À medida que a deformação (giro da seção) aumenta,maior fica o patamar de tensões constantes. No limite, quando as deformações longitudinais tendem a infinito, obtém-se um diagrama de tensões como o da figura 6.3c e diz-se que a seção está totalmente plastificada. Toda a superfície da seção acima da linha neutra fica comprimida sob tensão constante igual à tensão de escoamento, cuja resultante para uma seção retangular vale: yc fAR .2= (6) onde A = área da seção. Figura 6.3 – Plastificação total de uma seção retangular σ ε f y yε ε ε εt y c b d fy fy LN Rt Rc z (c) parcial (d) total(b) deformações(a) seção Estruturas Metálicas Capítulo 6 102 Analogamente, considerando-se que o comportamento do material a tração seja o mesmo que a compressão, a resultante das tensões de tração vale: yt f AR . 2 = (7) O momento resistente é um conjugado dado por: zRzRM tcpl .. == (8) onde z é o braço de alavanca interno. Substituindo-se os valores de Rc e Rt vem: ypl fzAM .2= (9) ou ypl fZM .= (10) onde Z é o módulo plástico da seção. Observando-se que o momento pode ser obtido da soma dos momentos da resultante de compressão e da resultante de tração em relação à linha neutra, tem- se: - momento da resultante de compressão em relação à linha neutra: yc fzAM ××= 22 (11) Sendo: A/2 = área da seção transversal submetida a tensões de compressão ou área comprimida; Z/2 = distância do c.g. da área comprimida à linha neutra. Ora, o produto de uma área pela distância do seu c.g. a um eixo é a definição de momento estático. Então: ycc fMM .= (12) analogamente ytt fMM .= (13) ytctcpl fMMMMM ).( +=+= (14) ou seja, tc MMZ += (15) Que significa que o módulo plástico é a soma dos momentos estáticos da seção em relação à linha neutra. Estruturas Metálicas Capítulo 6 103 Exemplo 1) Determinar o módulo plástico de uma seção retangular e o momento que provoca a plastificação total da seção. Solução: Para uma seção retangular: 4 dzz tc == Substituindo-se na equação (15), vem: 4 . 42 . 42 . 2dbddbddbZ = ×+ ×= (16) E o momento que provoca a plastificação total da seção, definido como momento de plastificação da seção transversal, é dado por: ypl f dbM 4 . 2 = (17) Figura 6.4 Exemplo 2) Determinar o módulo plástico de um perfil I, conforme a figura 6.4. Solução: O módulo plástico pode ser determinado por diferença; o do retângulo que envolve a figura menos os dois retângulos que estão vazios. Empregando-se a equação (16), vem: 4 )2()( 4 . 22 fw tdtbdbZ −×− −= (18) Em uma seção que tenha atingido o momento de plastificação Mpl todas as fibras, tanto de compressão como de tração, encontram-se em regime plástico. Um incremento na deformação (giro da seção) vai aumentar o alongamento das fibras, mas não vai aumentar as suas tensões normais, ou seja, não há aumento no momento resistente. Consequentemente, a seção se deforma sob momento constante, como se fosse uma rótula. Define-se, assim, o que se denomina rótula plástica. A adoção de um diagrama elasto-plástico ideal para o aço é uma aproximação. Para deformações de valores até não muito maiores do que os da deformação de escoamento a aproximação é válida. Em determinados casos, a deformação das fibras mais afastadas pode ser muito grande, acarretando a ruptura do material antes da plastificação total da seção. Por isso, a NBR 8800 limita o valor da relação entre o módulo plástico e o módulo elástico em 1,25, isto é, não se deve tomar para Z um valor maior do que 1,25W. b twd - 2tf d tf tf Estruturas Metálicas Capítulo 6 104 Tensões residuais - O resfriamento desuniforme das vigas laminadas ou soldadas provoca o surgimento de tensões residuais que afetam o comportamento para momentos próximos ao momento de plastificação. Quando existem tensões residuais o início da plastificação se dá para um valor menor do que My, pois as tensões residuais antecipam o escoamento, mas deve-se notar que após a plastificação total o momento resistente da seção será o mesmo Mpl (figura 6.5). Figura 6.5 – Diagrama momento/rotação de uma seção de viga A NBR 8800 admite que seja adotada a tensão residual fr= 115 MPa, quando não for medida, para perfis laminados e soldados. O valor do momento residual pode ser obtido de: rr fWM .= (19) Resistência à flexão de vigas - O momento resistente de cálculo de uma seção genérica de uma viga é dado por: nbR MM .φ= (20) onde: bφ = 0,90 = coeficiente minorador da resistência; nM = momento resistente nominal, que depende de várias condições, vistas a seguir. Vigas com contenção lateral contínua - Vigas com contenção lateral contínua estão isentas de flambagem lateral. Para estes casos a resistência a flexão é definida pelo limite suportado pela seção transversal da viga. Nem todas as seções são capazes de desenvolver tensões e deformações tais que atinjam o estado limite de plastificação (Mpl), devido ao fenômeno de M φ Mpl = Z . fy My = W . fy M r = W(fy - fr) sem efeito de fr com efeito de fr Estruturas Metálicas Capítulo 6 105 flambagem local. Seções de paredes grossas têm bom desempenho, chegando à plastificação, enquanto que vigas de paredes finas podem sofrer flambagem local para baixas tensões normais de compressão na flexão. Para considerar o fenômeno, a NBR 8800 estabelece quatro classes de seção, conforme visto na tabela 4.2 do capítulo 4. Na tabela 6.1 temos as classes de seção com os respectivos momentos (resistência) normais. Para se determinar em que classe se situa a seção deve-se calcular os índices de esbeltez λ dos elementos que a compõe e compará-los com os valores de referência rppl λλλ ,, . Figura 6.6 – Distribuição gráfica do índice de esbeltez λ . As seções classe 1 (seções super-compactas) admitem plastificação e, mais ainda, permitem redistribuição dos momentos (análise plástica). São denominadas seções supercompactas. A resistência nominal é dada por: ypln fZMM .== As seções classe 2 (seções compactas) também admitem plastificação (Mpl) mas não são capazes de suportar as deformações necessárias à redistribuição dos momentos, obrigando ao projetista avaliar esforços internos por análise elástica. A resistência é a mesma que para classe 1. Seções classe 3 (seções não-compactas) não suportam as deformações de plastificação podendo sofrer flambagem local, mas não apresentam problemas para regime elástico. A resistência nominal deve ser calculada interpolando-se linearmente entre Mpl e My. A resistência nominal é dada por: )( rpl r p pln MMMM − − − −= λλ λλ (21) Seções classe 4 (seções esbeltas) apresentam problemas de flambagem local e requerem a determinação da resistência crítica Mcrit. A resistência nominal é dada por:critn MM = Deve-se notar que perfis que não apresentam simetria em relação ao plano do momento fletor, caso dos perfis U para flexão no plano da alma, não admitem plastificação pois surgem tensões secundárias que impedem que seja atinja o momento de plastificação. A NBR 8800 admite que se calcule o momento de plastificação desde que as tensões secundárias sejam levadas em conta na análise, mas não admite análise plástica, ou seja, sem simetria em relação ao plano do carregamento não existe seção super-compacta (classe 1) λ pλ0 λpl λ r Classe 1 Classe 2 Classe 3 Classe 4 Estruturas Metálicas Capítulo 6 106 Tabela 6.1 – Classes de seções Classe Índice de Esbeltez Significado Resistência Nominal 1 plλλ ≥<0 Seções supercompactas pln MM = 2 ppl λλλ ≤< Seções compactas pln MM = 3 rp λλλ ≤< Seções não-compactas Interpolar entre Mr e Mpl 4 rλλ > Seções esbeltas crn fWM .= Figura 6.7 – Variação da resistência nominal a flexão de perfis I ou H solicitados no plano da alma com o índice de esbeltez λλλλ (indicador da flambagem local), sem efeito de flambagem lateral. Exemplo 3) Determinar a resistência de cálculo a momento fletor dos perfis I abaixo, em aço MR- 250, não sujeito ao efeito de flambagem lateral. Propriedades geométricas do perfil I10”x7,87mm: d=254mm; tw=7,87 mm; b=118,4mm; tf= 12,47mm; Wx= 405cm3; Zx= 465cm3. Figura 6.8 – Seção típica do perfil I laminado Seção Compacta p M 0 λ M r pl Mn Seção Não-Compacta rλ Seção Esbelta λ d b tw tf x Estruturas Metálicas Capítulo 6 107 Solução: Para determinar a classe de seção consulta-se a tabela 1 da NBR 8800 (tabela 4.3 do capítulo 4). Mesa (caso 1): 5,830,07,4 47,122 4,118 2 =<===→ yf f E xt b t b λ (classe 1) Alma (caso 5): 6735,21,29 87,7 47,122254 =<= − ==→ yw f Ex t h t b λ (classe 1) Sendo mesa e alma classe 1, o perfil tem seção classe1. Então, cmKNxfZMM ypln .625.1125465. ==== cmKNxMM nbR .10462625.119,0. === φ Exemplo 4) Determinar a resistência de cálculo a momento fletor dos perfis U abaixo, em aço MR-250, sem efeito de flambagem lateral. Propriedades geométricas do perfil U 203x5,59 mm: d= 203mm; tw= 5,59mm; b= 57,4mm; tf= 9,91mm; Wx= 133cm3. Figura 6.9 – Perfil U Solução: Sendo um perfil que não apresenta simetria em relação ao plano do momento fletor, não admite plastificação. Verificando a esbeltez: Mesa (caso 2): 1138,08,5 =<==→ yf f E t b t b λ (classe 2) Alma (caso 5) yt h t b =→ λ = 4247,18,32 59,5 91,92203 =<= − yf Ex (classe2) Não se considerando as tensões devidas à assimetria, o perfil deve ser verificado como classe 3. Então, vem: b tw d x y tf Estruturas Metálicas Capítulo 6 108 cmkNfWMM yyn .332525133. =×=== cmkNMM nbR .5,299233259,0. =×== φ Exemplo 5 – Determinar a resistência de cálculo a momento fletor dos perfis coluna soldada abaixo, em aço MR- 250, sem efeito de flambagem lateral. Propriedades geométricas do perfil CS250x52Kg/m: D = 250mm; tw= 8,0mm; b = 250mm; tf = 9,5mm; Wx = 615,5cm3. Figura 6.10 Solução: Verificação da flambagem local. Mesa (caso 1): 2,13 5,92 250 ==→ xt b λ λ situa-se entre os valores (b/t)max 11 e 16, caracterizando um perfil de mesa classe 3. Alma (caso 5): 426,28 8,0 95,0225 <= − =→ x t b λ (classe 1) O perfil é classe 3 e o momento resistente será calculado por interpolação entre Mpl e Mr. Não se dispondo de valor tabelado para o módulo plástico, pode-se calculá-lo usando a equação 18. 3 22 9,677 4 )95,0225)(8,025( 4 2525 cm xZ =−−−×= Tem-se: cmKNfZM ypl .5,947.16259,677. =×== cmKNffwM ryr .3,309.8)5,1125(5,615)( =−×=−= Com o emprego da equação 21, obtém-se )3,309.85,947.16( 1116 112,135,947.16)( − − − −=− − − −= rpl pr p pln MMMM λλ λλ b tw d - 2tf d tf tf x y Estruturas Metálicas Capítulo 6 109 Mn = 13.146,7 KN.cm Finalmente: MR = 0,9x13.146,7 = 11.832 KN.cm Limite de deformações - Além da estabilidade estática, ou verificação dos Estados Limites de Ruína, deve-se garantir adequada utilização limitando-se as deformações a valores aceitáveis, ou seja, atender à verificação dos Estados Limites de Utilização. Os limites de deformação estão ligados ao uso específico, estético e conforto. Estruturas que apresentam deformações elevadas podem estar sujeitas a vibrações induzidas pelo vento ou equipamentos mecânicos que impossibilitem instalação e uso de equipamentos de precisão, causar desconforto e fadiga em pessoas ou mesmo entrar em ruína por efeito dinâmico. A NBR 8800 define limites para deformações, observando-se que os limites podem ser alterados em função do tipo de ocupação do edifício. Podem ser ultrapassadas em construções temporárias e para locais sensíveis a deformações, tais como laboratórios, salas de cirurgia, etc., devem ser reduzidos. A tabela 6.2, extraída da NBR 8800, mostra os limites de deformações recomendados com as ações a considerar para seu cálculo. Como as deformações compõem o Estado Limite de Deformações, devem ser calculadas com os valores nominais das cargas, ou seja, sem coeficientes de ponderação (segurança). A NBR 8800 ainda comenta que o valor tolerável para edifícios industriais pode ser diferente do recomendado. Para casas de força de usina de geração de eletricidade e aciarias é comum haver limitação das deformações para atender às especificações de fabricantes de equipamentos como pontes-rolantes, elevadores, etc. Cabe ao projetista pesquisar se outras deformações devem ser limitadas para que a edificação seja eficientemente utilizada. Estruturas Metálicas Capítulo 6 110 Tabela 6.2 – Limites de deformações de acordo com a NBR 8800 Edifícios Industriais Sentido das Deformações Ações a considerar Tipo de elemento Deformação máxima Vertical Sobrecarga Barra biapoiadas suportando elementos de cobertura inelásticos 240 l Vertical Sobrecarga Barra biapoiadas supotando elementos de cobertura elásticos 180 l Vertical Sobrecarga Barras biapoiadas suportando pisos 360 l Vertical Carga máxima por roda (sem impacto) Vigas de rolamento biapoiadas para pontes-rolantes com capacidade de 200 KN ou mais 800 l Vertical Carga máxima por roda (sem impacto) Vigas de rolamento biapoiadas para pontes-rolantes com capacidade inferior a 200 KN 600 l Horizontal Força transversal da ponte Vigas de rolamento biapoiadas para pontes-rolantes 600 l do vão Horizontal Força transversal da ponte ou vento Deslocamento horizontal da coluna, relativo à base 400 1 a 200 1 da altura Outros Edifícios Verticais Sobrecarga Barras biapoiadas de pisos e cobetura, suportando construções e acabamentos sujeitos à fissuração 360 l Verticais Sobrecarga Idem, não sujeitos à fissuração 300 l Horizontais Vento Deslocamento horizontal do edifício, relativo à base, devido a todos os efeitos 400 1 da altura do edifício Horizontais Vento Deslocamento horizontal relativo entre dois pisos consecutivos, devido à força horizontal total no andar entre os dois pisos considerados, quando fachadas e divisórias (ou suas ligações com aestrutura) não absorverem as deformações da estrutura 500 1 da altura do andar Horizontais Vento Idem, quando absorverem 400 1 da altura do andar Estruturas Metálicas Capítulo 6 111 Para facilitar verificações corriqueiras, apresentam-se, a seguir, alguns casos comuns de vigas e suas respectivas flechas máximas. Figura 6.11 – Viga engatada e apoiada com carga unifomemente distribuída: EI qLd máx 185 4 = Figura 6.12 – Viga apoiada e engastada com carga concentrada no centro do vão: EI PLd máx 485 1 3 = Figura 6.13 – Viga biapoiada com carga concentrada no meio do vão: EI PLd 48 3 max = Figura 6.15 – Vigas em balanço com carga concentrada na ponta: EI PLd 3 3 max = L L PL/2 L PL/2 L Pa P a Estruturas Metálicas Capítulo 6 112 Figura 6.14 – Viga biapoiada com cargas concentradas simétricas em relação ao centro: −= 22 max 4 3 6 aL EI Pad Figura 6.16 – Viga biapoiada com carga distribuída uniforme: EI qLd 4 max 384 5 = Resistência a esforços cortantes - Figura 6.17 – Tensões em barra submetida a esforços de flexão. Do estudo da resistência dos materiais sabe-se que o esforço cortante é a variação do momento fletor ao longo do comprimento. Pode-se compreender a propriedade acima estudando a viga da figura 6.17, na qual se representa parcialmente uma barra com os momentos M1 e M2 atuando nas seções S1 e S2. Isolando-se um prisma definido por uma seção paralela à linha neutra da viga entre as seções, tem-se à esquerda (seção S1) uma resultante de tensões de compressão Rc1 e, à direita (seção S2), a resultante Rc2. Como são diferentes, por serem diferentes os momentos fletores atuantes, percebe-se que, para se estabelecer o equilíbrio, são necessárias tensões cisalhantes ao longo da superfície horizontal, uma vez que não há nenhuma ação paralela à linha neutra entre as seções. Como as tensões cisalhantes são iguais nos planos ortogonais L P q L Trecho de uma barra com momentos aplicados em suas extremidades Tensões cisalhantes na superfície ab M1 M2a b S1 S2 Rc1 Rc2 a b Estruturas Metálicas Capítulo 6 113 σc σc τ τ τ τ de uma faceta infinitesimal, surgem tensões cisalhantes verticais na seção. Em resumo, só é possível surgir tensões normais na flexão se houverem tensões cisalhantes. Figura 6.18 – Tensões normais e cisalhantes em elemento infinitesimal. Supondo que as tensões são uniformes ao longo da superfície horizontal, as tensões cisalhantes em um ponto P genérico são dadas por: tI MV x xy . . =τ (22) onde: Vy = esforço cortante na seção (na direção do eixo y) Ix = Momento de inércia em relação ao eixo neutro (x) t = espessura do material, determinado por um segmento que passa no ponto P, paralelo ao eixo x. Mx = momento estático da superfície definida pelo contorno da seção e o segmento que passa pelo ponto P em relação ao eixo x. Note-se que são definidas duas superfícies (uma acima do segmento e outra abaixo )e que ambas têm o mesmo momento estático. Para o caso do perfil I da figura 6.19, o ponto P está colocado na alma. Pelo ponto P traça-se um segmento horizontal que define a espessura da alma (t) e uma superfície acima deste segmento e outra abaixo. O valor máximo da equação (22) é obtido para P colocado no eixo neutro e diminui levemente à medida que P se afasta do eixo. Há um salto no diagrama das tensões (descontinuidade) provocado pela variação brusca na largura da peça quando o ponto P passa da alma para a mesa. Estruturas Metálicas Capítulo 6 114 b t d tf x y y P P' Diagrama de tensões cisalhantes na mesa Diagrama de tensões cisalhantes na alma Figura 6.19 – Distribuição das tensões cisalhantes em viga com seção tipo I. Seja, agora, um ponto P’ situado na mesa do perfil. Neste caso a espessura é medida por um segmento vertical e a seção divide-se em duas como no caso anterior. O diagrama de tensões cisalhantes na mesa também está mostrado na figura 6.19. Como se vê, há uma divergência entre as tensões calculadas para o segmento paralelo ao eixo neutro e para segmento ortogonal a ele, no caso de tensões na mesa. O motivo dessa divergência está no fato de que a tensão τ calculada pela equação (22) fornece um valor médio ao longo da largura t. Para seções em que a altura é grande em relação à espessura, os resultados da equação (22) são próximos dos reais ao longo do segmento de comprimento t. Para barras fletidas prismáticas cuja seção transversal possui um ou dois eixos de simetria, onde as forças cortantes agem em um plano de simetria ou num plano ortogonal de simetria e que passa pelo centro de cisalhamento, a NBR 8800 apresenta o critério abaixo, para determinação da resistência ao esforço cortante. No caso de perfis I, H, U e caixão, fletidos em relação ao eixo perpendicular à alma, a resistência de cálculo cortante é dada por: nvR VV .φ= (23) onde: =vφ (coeficiente de minoração da resistência) Vn = resistência nominal ao esforço cortante, que é determinada como segue: a) para plnp VV =→≤ λλ (24) b) para plpnrp VV λ λ λλλ =→≤< (25) c) para plpnr VV 2 28,1 =→< λ λ λλ (26) Estruturas Metálicas Capítulo 6 115 tw dh sendo: wt h =λ = parâmetro de esbeltez da alma. y p f Ek.08,1=λ (27) y r f Ek.49,1=λ (28) para a/h < 1 ( )2/ 34,54 ha K += (29) para 1 3/ ≤≤ ha ( )2/ 434,5 ha K += (30) para a/h > 3 K = 5,34 ywpl fAV 6,0= para análise elástica ywpl fAV 55,0= para análise plástica A = distância entre enrijecedores transversais; H = altura livre da alma entre mesas; tw = espessura da alma Figura 6.20 – Casos a) e b). As normas técnicas geralmente consideram que as tensões são distribuídas uniformemente nas seções por razões de simplificação dos cálculos. No caso da NBR 8800, a resistência da seção é dada pelo produto de uma área líquida efetiva de cisalhamento (Aw) pela tensão crítica de cisallhamento ( yf×55,0 a yf×60,0 ). A área efetiva de cisalhamento (Aw) é calculada por: a) almas de perfis laminados I, H e U : WW tdA .= b) almas de perfis soldadas I e H: WW thA .= c) almas simétricas de perfis caixão: WW thA .2= d) perfis de seção cheia, quadrados e retangulares: gW AA 67,0= e) perfis de seção cheia circulares: gW AA 75,0= f) perfis tubulares de seção circular: gW AA 50,0= g) almas de perfis I, H, e U, quando existirem dois recortes de encaixe nas ligações de extremidade de vigas: WW tdA ..67,0 0= , sendo d0 a altura líquida e tw a espessura da alma. Estruturas Metálicas Capítulo 6 116 h twtw twd0 Figura 6.21 – Caso c) Figura 6.22 – Caso g) Quando houver um ou dois recortes para encaixes em perfis I, H, e U e furos para parafusos, deve-se verificar a possibilidade de rasgamento. Quando existirem furos para parafusos, no cálculo da área líquida efetiva, devem ser feitas deduções para levar em conta esses furos, com base nas dimensões dos mesmos. Exemplo 6) Determinar a resistência de cálculo ao esforço cortante de uma viga composta de um perfil I 457 x 11,7 mm, aço MR-250 sabendo-se que não possui enrijecedoresfora dos apoios e que vão da viga é 6m. Dados do perfil: d = 457mm; tw = 11,7mm; b = 152,4mm; tf = 17,55mm. Solução: Não havendo enrijecedores entre os apoios, a = L. Então, 14 755,127,45 600 = − = xh a Sendo maior do que 3, implica em K = 5,34 O índice de esbeltez da alma é 36 7,11 55,172457 = − == x t h w λ Os limites para comparação são rλ e pλ . 5,71 25 500.2034,508,1.08,1 === xf EK y pλ Sendo λ<λp torna-se desnecessário calcular λr e a resistência nominal é dada por: yWpln fAVV .6,0== Sendo perfil laminado 247,5317,17,45. cmxtdA WW === KNxxVV pln 04,8022547,536,0 === Finalmente, a resistência de cálculo é KNxVV nR 83,72104,8029,0. ===φ Estruturas Metálicas Capítulo 6 117 Pilar V1 V2 V2 V2V1 V1 V1 V1 V1 V1 V1 A' A B B' V1 V2Pilar Laje 8 8 PilarLaje V1 V2 V1 Planta Corte AA' Corte BB' 2, 2m 2, 2m 2, 2m 6,0m6,0m Exemplo 7) Dimensionar as vigas de piso da figura para aço MR-250. O presente exemplo trata de um piso de edifício cujas cargas são: a) cargas permanentes da laje: laje: 25 x 0,08 =20, kN/m2 piso e forro: 0,8 kN/m2 divisórias: 0,5 kN/m2 total: 3,3 kN/m2 b) Sobrecarga: 2,5kN/m2 Figura 6.23 – Piso de edifício (planta em diagrama unifilar) e cortes. Solução: Cálculo das vigas V1. Cada painel de laje apresenta as dimensões de 6,0 x 2,2 m. Em uma laje apoiada nos quatro lados, com um deles maior do que o dobro do outro, pode-se considerar que o apoio do lado menor não suporta cargas. Neste caso, as lajes se apoiam apenas nas vigas V1 (lajes armadas em uma direção). As cargas nas vigas proveniente do piso, são: Permanentes (laje): 2,2 x 3,3 = 7,26 kN/m Temporárias (sobrecarga): 2,2 x 2,5 = 5,50 kN/m Falta ainda o peso-próprio da viga e seu revestimento anti-incêndio, que será arbitrado em 1,2 kN/m. Estruturas Metálicas Capítulo 6 118 V1 V2 V1 Figura 6.24 – Detalhe de ligação. Carga de cálculo na viga V1. mKNqd /2055,1950,55,126,735,120,125,1 ≈=×+×+×= As vigas V1 podem ser analisadas como contínuas ou, de forma mais simples, como barras biapoiadas. Para análise como vigas contínuas é necessário que o detalhe da vinculação das vigas nos apoios seja tal que transmita os momentos fletores, tendo como vantagem um diagrama melhor distribuído possibilitando um perfil mais leve. Por outro lado, é mais fácil executar um detalhe de ligação de pouca rigidez. Tal consideração obriga o projetista a desprezar a contribuição dos momentos negativos nos apoios, calculando os esforços como viga em dois apoios, levando a um perfil mais robusto. Optando pela segunda alternativa, vem: Momento de cálculo: mKNLqM d .0,908 620 8 22 = × = × = Dimensionamento para momento fletor. As lajes são eficientes apoios transversais e impedem a flambagem lateral. Supondo- se que o perfil solução seja classe 1 ou 2, para atender ao caso estado limite de ruína para flexão, a NBR 8800 estabelece que: 259,0. ××==≤ ZMMM nRd φ 3400 259,0 0,90 cmZ = × ≤ Um perfil que atende o módulo plástico acima é I 250 x 7,9mm que tem: Ix = 5140cm4; Zx = 465cm3; d = 254mm; tw = 7,9mm ; b = 118 mm; tf = 12,47mm. Flambagem local: Mesa: 6,83,05,4 47,122 4,118 2 ==<=== y pl f f E xt b λλ (mesa classe 1) Alma: 6835,232 79,0 4,25 ==<=== y pl w f E t d λλ (alma classe 1) Sendo alma e mesa classe 1 , o perfil tem seção super-compacta e vale a hipótese de que: ypln fZMM .== . Estruturas Metálicas Capítulo 6 119 Esforço cortante. Esforço de cálculo: Sendo uma viga em dois apoios com carga uniforme: kNLqVd 0,606 620 2 = × = × = O detalhe usual para ligação de apoio de perfil I em outro perfil I é com recorte da mesa comprimida do perfil suportado. Supondo que baste um recorte de 30% na altura da viga, fica-se com a área de cisalhamento: 249,879,0)242,124,25(7,067,0..67,0 cmthA wow =××−××== Não tendo enrijecedores fora dos apoios, tem-se que a = 6 m. 319,26 247,124,25 600 >= ×− = h a acarretando K = 5,34 Esbeltez da alma: pln y p w VVf EK t h =→==<= ×− == 5,71.08,129 79,0 247,124,25 λλ kNfAVV ywpln 35,1272549,86,0..6,0 =××=== A resistência de cálculo vale: kNVkNVV dnR 6062,11435,1279,0. =>=×== φ E o perfil atende ao estado limite de ruína para esforço cortante. Falta a verificação do perfil ao estado limite de utilização para deformação. Sendo uma viga de edifício não-industrial, suportando pisos sujeitos a fissuração, a NBR 8800 estabelece a flecha máxima para sobrecarga de serviço (sem coeficiente de ponderação): cm Ld 67,1 360 600 360max === Para uma viga biapoiada com carga uniformemente distribuída a flecha é dada por: cmdcm EI qLd 67,188,0 140.5500.20 600055,0 384 5 384 5 max 24 =<= × × ×=×= Cálculo das vigas V2. As vigas V2 são solicitadas pelas vigas V1 (em seus apoios) sob a forma de carga concentrada P cujo valor é duas vezes a reação de apoio de uma V1, lembrando que existem duas V1 (uma em cada lado da V2). kNVP dd 1206022 =×== Estruturas Metálicas Capítulo 6 120 q 2,2m2,2m2,2m Cargas DMF cargas distribuídas DMF cargas concentradas Figura 6.25 – Diagrama de momentos fletores da viga V2. Arbitrando peso-próprio e revestimento 1,2 kN/m, tem-se para momento máximo de cálculo: mkNM d .17,2722,21208 6,6)2,125,1( 2 =×+ ×× = Procedendo analogamente às vigas V1, tem-se: 363,1209 259,0 27217 cmf MZ y d = ×× ≥ φ O perfil I 380 x 14,0 mm tem as propriedade geométricas: Ix = 20300cm4; Zx = 1270cm3; d = 381mm; tw = 14,0mm; b = 143mm; tf = 15,8mm. Flambagem local: Mesa: 6,85,4 8,152 143 2 =<= × == pl ft b λλ (mesa classe 1) Alma 6896,24 14 1582381 =<= ×− == pl wt h λλ (alma classe 1) Alma e mesa são classe 1, e confirma-se a hipótese feita. Comprovando, tem-se: Estruturas Metálicas Capítulo 6 121 L Pa P a Figura 6.26 – Viga biapoiada com duas cargas simétricas. dR McmkNM >=××= .575.2825270.19,0 Esforço cortante. Esforço de cálculo: kNVd 95,1242 6,620,125,1120 =××+= Não tendo recortes na alma, tem-se: 292,484,1)58,121,38(. cmthA ww =×−== A cada 2,2 m existe um apoio de viga V1, que forma naturalmente um enrijecedor de alma. Então a =2,2 m 34,533,6 58,121,38 220 =→>= ×− = K h a Esbeltez: plnp VV =→=<= 5,719,24 λλ (analogamente à viga V1) Resistência nominal: kNfAV ywn 80,7332592,486,0.6,0 =××== Resistência de cálculo: dnR VkNVV >=×== 42,66080,7339,0.φ Verificação no estado limite de utilização. Flecha máxima segundo a NBR 8800: cm Ld 83,1 360 660 360max === A flecha deve ser calculada para sobrecarga, em serviço, cujo valor é determinado pelas reações de apoio das vigas secundárias: Q = 5,5 x 6,0 = 33,0 kN Sendo a flecha: −= 22 4 3 6 . aL EI aPd = − ×× × 22 220660 4 3 300.20500.206 22033 = 0,8cm Que atende perfeitamente a exigência da NBR 8800. Exemplo 8) Dimensionar uma viga para um vão de 6,0 m e carga permanente de elementos industrializados com adição in loco de 19 KN/m e sobrecarga de 8 KN/m. Dispõem-se de um perfil I 254 x 7,9 mm que deve ser usado com reforço de mesas sabendo-se que não há possibilidade de flambagem lateral. Estruturas Metálicas Capítulo 6 122 d tw t t tf b bf Chapas de reforçoFigura 6.27 – Perfil I com lamelas Dados do perfil: d = 254mm; tw = 7,9mm; bf = 118,4mm; tf = 12,47mm; Ix = 5.140cm4; Zx = 465 cm3 ; A = 48,1 cm2. Solução: Esforços de cálculo. Não se conhecendo ainda o peso final do perfil com os esforços, este deve ser arbitrado e verificado ao final. Seja 800 N/m. Lembrando que peso próprio de estrutura metálica é pequena variabilidade: tem-se, mkNqd /60,390,85,10,194,18,025,1 =×+×+×= Momento de cálculo: cmkNmkNM d .820.17.2,1788 66,39 2 == × = Esforço cortante de cálculo: KNVd 8,1182 66,39 = × = Estados limites de ruína; Resistência a momento fletor. Uma vez que o perfil está escolhido previamente, pode-se determinar qual a parcela que lhe cabe na resistência ao momento fletor. Flambagem local: Mesa: →=<=== 5,830,08,4 47,122 4,118 2 yf f f E xt b λ classe 1 Alma: →=<= − == 6735,229 9,7 47,122254 yw f Ex t hλ classe 1 Sendo um perfil classe 1, sua parcela de resistência de cálculo: == nR MM .φ 0,9 x 465 x 25 = 10.463 kN.cm A parcela correspondente ao esforço será: mkNM R .357.7463.10820.17 =−=∆ Estruturas Metálicas Capítulo 6 123 cmKNMM Rn .174.89,0 375.7 == ∆ =∆ φ que corresponde a um acréscimo no módulo plástico de 3327 25 174.8 cmZ ==∆ A chapa de reforço é determinada arbitrando-se uma de suas dimensões. Seja a espessura de 8 mm. O acréscimo no módulo plástico é o acréscimo no momento estático. Chamando de b à largura da chapa, vem: ).8,0( 2 8,0 2 4,252327 b +≤ b ≥ 15,60 cm As chapas de reforço devem ter dimensões diferentes da mesa do perfil para facilitar a soldagem. No caso presente adotando-se uma largura de 16 cm tem-se uma folga de aproximadamente 2 cm de cada lado. Para o conjunto: 336,800)168,0( 2 8,0 2 4,252465 cmxZ = +×+= Confirmando-se a classe da chapa de reforço, caso 3 da tabela 4.3, NBR 8800: →=<=== 2794,020 8 16 yf E t bλ classe 1 Esforço cortante. Esbeltez da alma: 5,71 25 500.2034,508,1.08,129 9,7 47,122254 ==<= − == x f EKx t h yW λ .: ywplR fAVV ..6,0== Sendo perfil laminado, tem-se que: 207,204,2579,0. cmtdA WW =×== E a resistência de cálculo é kNVV nR 9,2702507,206,09,0. =×××== φ que é folgado. Estado limite de utilização. A flecha máxima para viga suportando piso passível de fissuração é 1/360 do vão. Para determinação da flecha é necessário conhecer o momento de inércia da viga. Usando o teorema de Steiner, tem-se: Estruturas Metálicas Capítulo 6 124 dn d yplnp MM MM fZMM ≥× ×= ×==→≤ φ γ λλ y d dyd f M Z MMfZM × ≥ =×≥××= φ γφ yfW ××≤ 25,1 4 232 _ 9535 2 8,0 2 4,258,016 12 8,0162140.52 cmyAIII chxX = +×+ × += ++= Verificando a deformação para sobrecarga de serviço, tem-se a flecha máxima: cm EI Lqd 7,1 360 6007,0 9535500.20 60008,0 384 5. 384 5 44 =<= × × == (folgado) Pré- Dimensionamento – Pode-se fazer um pré-dimensionamento de uma barra sujeita a flexão, partindo-se da condição que a mesma estará trabalhando no máximo no estado limite plástico. Devemos então procurar uma seção transversal para a viga que possa atender à condição limite de utilização. Então, adota-se: mas: e: onde: Md = momento de dimensionamento Mn = momento fletor correspondente ao início do escoamento Mpl = momento de plastificação M = momento fletor atuante fy = tensão limite de escoamento para o aço Z = módulo resistente plástico da seção, relativo ao eixo de flexão γ = coeficiente de majoração de esforços φ = coeficiente de segurança para a flexão Portanto: Então: (31) Logo, devemos adotar como pré-dimensionamento de uma viga à flexão, uma seção transversal que tenha um valor de Z conforme a equação (31). Obs: O maior valor de Mn deve ser (NBR 8800). Estruturas Metálicas Capítulo 6 125 PROBLEMAS PROPOSTOS 1. Dimensionar uma viga em Perfil I para um vão de 2,8m. As cargas aplicadas na viga são: Md = 20kN.m; Vd = 25kN; qd = 10kN/m. Utilizar aço MR-250. Resposta: Um perfil que satisfaz as solicitações é “I 152 x 5,9”, sendo MR = 31,3kN.m; Vpl = 134,85kN; d = 4,2mm. 2. Uma viga biapoiada está sujeita a uma carga uniformemente distribuída (q). Se o perfil utilizado é o “U 102 x 4,67” de aço MR-250 e o vão a ser vencido pela viga é igual à 2,5m. Determinar a máxima carga q que pode ser aplicada na viga. Resposta: qmax = 4,45kN/m. 6.3 Flambagem lateral Conceito - A seção transversal de uma barra fletida apresenta, de um lado da linha neutra, tensões de compressão. Tais tensões fazem com que a parte comprimida da barra se comporte como uma coluna estando sujeita ao fenômeno de flambagem, isto é, há uma possibilidade de desalinhamento da parte comprimida da seção transversalmente ao plano do momento fletor. Por outro lado, a parte tracionada da seção tem o comportamento de um tirante, que tende a trazer a parte comprimida de volta à posição de repouso, provocando uma torção da barra. A este fenômeno denomina-se flambagem lateral. O comportamento de uma viga quanto à flambagem lateral depende de vários fatores: 1. Esbeltez transversal da mesa comprimida - Fazendo-se analogia com as colunas, o momento de inércia da mesa, em relação ao eixo paralelo ao do plano do momento tem grande importância no comportamento das vigas, pois quanto maior o momento de inércia transversal, maior a resistência à flambagem lateral. É importante saber que não há flambagem lateral em vigas fletidas em torno de seu eixo de menor inércia. Figura 6.28 – Flambagem lateral – deslocamento de uma seção típica: a) posição inicial antes da flambagem; b) posição deslocada após a flambagem. a) b) Estruturas Metálicas Capítulo 6 126 2. Comprimento não contraventado - Também se faz analogia com a flambagem de barras comprimidas. Para que haja flambagem lateral é necessário que a mesa possa se deslocar transversalmente e girar em torno de seu eixo longitudinal. Peças com contraventamento contínuo não estão sujeitas à flambagem lateral, como é o caso das vigas que suportam lajes de concreto. 3. Rigidez à torção da seção - Seções com grande rigidez à torção têm, obviamente, melhor comportamento quanto à flambagem lateral. Critérios da NBR 8800. Chamando de Lb ao comprimento não contraventado e de Lp e Lr aos parâmetros de comparação, onde muda o comportamento das vigas, tem-se: 1. Vigas curtas (Lb ≤ Lp): não há flambagem lateral. 2. Vigas longas (Lb ≥ Lr): o estado limite de ruína será definido pela flambagem lateral elástica da viga. O momento resistente nominal Mn será o valor dito momento crítico Mcr que deve ser calculado. 3. Vigas intermediárias (Lp > Lb > Lr): o limite de resistência destas vigas é a flambagem lateral inelástica, isto é, a flambagem lateral ocorre com o escoamento de algumas fibras da seção. Para seções com Ix > Iy fletidas em relação ao eixo x, a resistência de cálculo ao momento fletor é dado por nR MM .φ= , onde 90,0=φ e Mn é a resistência nominal calculada conforme segue, em função do comprimento sem contenção lateral Lb. Para Lb ≤ Lp pln MM = Seções Lp I e H com dois eixo de simetria e U y yp f E rL .75,1= Retangular cheia e caixão Ai M rE L T pl y p . ..13,0 = Estruturas Metálicas Capítulo 6 127 Para rbp LLL ≤< pr pb rplpln LL LL MMMM− − = )__( Seções Lr Mr I e H com dois eixos de simetria 2 2 11 /.9,19 X X Adr L ftr ++= ( )2/)( . 75,40 fTry b Adrff EC X −= )( ryxr ffWM −= U fry b r Adff CE L /)( ..69,0 − = )( ryxr ffWM − Retangular cheia e caixão r Tyb r M ArrEC L ....95,1 = yxr fWM .= (retangular cheia) M )( ryxr ffW −= (caixão) Nota: Para valor mais exato de Lr, para seções I, procurar anexo D da NBR 8800. Para rb LL > crn MM = Seções M cr I e H com dois eixos de simetria 2 2 2 1. ffWCM xbcr += fb AdL Ef /. .69,0 1 = ( )22 / .7,9 Tb rL Ef = U fb xb cr AdL WCE M /. ...69,0 = Retangular cheia e caixão Ai L rCE M T b yb cr . ...95,1 = Nota: Para valor mais exato de Mcr, para seções I, procurar anexo D da NBR 8800. Sendo: Wx = módulo resistente elástico relativo ao eixo de flexão; rT = raio de giração, relativo ao eixo de menor inércia, da seção formada pela mesa comprimida mais 1/3 da região comprimida da alma; d = distância entre faces extremas das mesas (altura da seção) Af = área da mesa comprimida; fr = tensão residual, considerada igual a 115 MPa; ry raio de giração da seção transversal, relativo ao eixo de menor inércia; Estruturas Metálicas Capítulo 6 128 3,2.3,0.05,175,1 2 2 1 2 1 ≤ + += M M M MCb Onde M1 é o menor e M2 o maior dos dois momentos fletores de cálculo nas extremidades do trecho não contido lateralmente. A relação M1/M2 é positiva quando esses momentos provocarem curvatura reversa, e negativa em caso de curvatura simples. Quando o momento fletor em alguma seção intermediária for superior, em valor absoluto, a M1 ou M2, Cb deve ser tomado igual a 1,0. Também no caso de balanços Cb deverá ser tomado igual a 1,0. Nota: A expressão dada para a determinação de Cb pressupõe que o diagrama de momentos fletores se aproxime de uma linha reta entre M1 e M2. Caso isto não ocorra, tal expressão poderá conduzir a valores de Cb superiores aos corretos. Em qualquer caso o valor Cb = 1,0 será o correto ou estará a favor da segurança. Exemplo 9) Determinar a resistência de cálculo ao momento fletor de um perfil I 203 x 6,9mm, aço MR-250, com contraventamentos laterais espaçados de : a) 0,90 m; b) 4,00 m; c) 6,00 m. Considerar que o momento fletor é constante no trecho entre contramentamentos transversais. Dados do perfil I 203 x 6,9 mm: d = 203mm; t =w 6,9mm; b = 101,6mm; t =f 10,79mm; I =x 2.400cm4; W =x 236cm3; Zx = 270cm3; ry = 2,11cm; rT = 2,47cm. Solução: Verificando o comportamento quanto à flambagem local. Mesa: →<= × = 5,871,4 79,10 6,1015,0λ classe1 Alma: →<= ×− = 673,26 9,6 79,102203λ classe 1 .: M pln M= Verificação quanto à flambagem lateral. Cálculo de L p . cmf E rL y yp 7,10525 500.2011,275,1.75,1 =×== Cálculo de L r : Estruturas Metálicas Capítulo 6 129 cmkNffWM ryxr .186.3)5,1125(236)( =−×=−= Como o momento fletor não varia no trecho, adota-se Cb = 1,0. cm A d f /85,1= 56,0)85,147,2)(5,1125( 500.201 75,40)( . 75,40 2 2 =×−= −= xA d rff EC X f Try b cmX X A d r L f T r 6,58756,01156,0 85,147,29,1911 ..9,19 2 2 2 2 =++ ×× =++= a) Comprimento não contraventado de 90 cm. Neste caso cmLcmL pb 10690 =<= , onde não há flambagem lateral. Então: cmkNfZMM ypln .750.625270. =×=== cmkNMM nR .607567509,0.9,0 =×== b) Comprimento não contraventado de 400 cm. Para este caso tem-se: rbp LcmLL <=< 400 , que caracteriza uma faixa onde pode haver flambagem lateral inelástica. De acordo com a NBR 8800, interpola-se entre Mpl e Mr: cmKN LL LL MMMM pr pb rplpln .576.4106588 106400)186.3750.6(750.6)( = − − −−= − − −−= cmkNMM nR .119.4.9,0 == c) Comprimento não contraventado de 600 cm. Tem-se que Rb LL > , que corresponde à zona onde existe flambagem lateral em regime elástico. 2 222 /37,3 47,2 600 500.2070,9.70,9 cmKN r L Ef T b = × = = 222 2 2 1 37,374,122360,1. +××=+= ffWCM xbcr cmkNMM crn .110.3== cmkNMM nR .799.2.9,0 == 2 1 /74,1285,1600 2050069,0.69,0 cmkN A dL Ef f b = × × == Estruturas Metálicas Capítulo 6 130 Exemplo 10) Dimensionar as terças de cobertura de um galpão para telhas de alumínio com massa de 4,0 kg/m2, sendo a distância horizontal entre terças de 1,875 m e vão de 6,0 m. Aço MR-250. Sabe-se que as cargas de vento valem: - água de barlavento: 600 N/m2 de sucção; - água de sotavento: 257 N/m2 de sucção. Solução: Basicamente o dimensionamento de terças de cobertura é um problema de flexão oblíqua. As cargas permanentes e a sobrecarga atuam na vertical, enquanto que os eixos principais de inércia do perfil são, um deles, ortogonal e, o outro, paralelo ao plano das telhas. As cargas de vento, que sempre atuam perpendicularmente à superfície das telhas, incidem na direção de um dos eixos principais, provocando flexão reta. As cargas permanentes atuantes na terça são: a) peso das telhas; b) peso das terças, que deve ser estimado pelo projetista; c) peso dos tirantes e contraventamentos, se houver, também devem ser estimados. Peso das telhas: mNq /2,7610cos40875,1 0 =÷×= O peso-próprio da terça pode ser estimado com base no tamanho que se espera que a mesma possa ter. Um perfil U101 x 4,6mm tem massa de 8kg/m e deve suportar as solicitações para o vão de 6m. Desprezando-se o peso das ferragens (tirantes e contraventamentos), tem-se como carga permanente de pequena variabilidade: mNqG /2,1562,7680 =+= Adotando-se uma sobrecarga de manutenção de 250N/m2 tem-se: mNqG /469875,1250 ≈×= As cargas de vento atuam na direção do eixo y e valem: - Barlavento: mNq y /142.110cos 875,1600 0 −=×−= - Sotavento: mNq y /48910cos 875,1257 0 −=×−= As cargas verticais devem ser decompostas segundo os eixos principais de inércia. Estruturas Metálicas Capítulo 6 131 Permanentes: mNqGy /15310cos.155 0 == mNqGx /2710sen.155 0 == Sobrecarga: mNqqy /46210cos.469 0 == mNqqx /8110sen.469 0 == Deve-se, agora, combinar as cargas de forma a obter as envoltórias de esforço. a) peso-próprio e sobrecarga: - eixo y: 1,25 x 153 + 1,5 x 462 = 884,25 N/m - eixo x: 1,25 x 27 + 1,5 x 81 = 155,25 N/m b) peso-próprio e vento. Deve-se observar que quando houver ação de vento intenso não é provável que haja sobrecarga de manutenção no telhado. Observando que a ação das cargas de gravidade se dá no sentido inverso do vento (para cima), sendo estabilizante, usam-se os coeficientes de ponderação que aparecem entre parênteses na tabela da NBR 8800 e tem-se: - eixo y: 1,0 x 153 –1,4 x 1142 = - 1.445,8 N/m - eixo x: 1,0 x 27 = 27 N/m As terças são apoiadas nas tesouras, o que significa um vão igual ao seu espaçamento, no caso presente de 6,0 m. Como as terças, em geral, apresentam um momento de inércia predominantemente maior em um dos eixos principais, costumam apresentar problemas no plano das telhas, onde o valor é menor. Para resolver o problema podem-se colocar tirantes que reduzam os momentos fletores nesse plano e reduzam as deformações. Há várias soluções possíveis, com um ou mais tirantes por vão. Quando o telhado é simétrico pode-se tirar partido da simetria, equilibrando as ações dos tirantes, que vêm de cada água, nas terças da cumeeira, com um pequeno tirante de equilíbrio. Adotando-se um tirante em cada terça, surgeum apoio que funciona apenas no plano das telhas, na seção onde ocorre a interseção do tirante. Os momentos fletores no plano que contém o eixo x (em relação ao eixo y) estão mostrados na figura para análise elástica. Para uma viga contínua de dois vãos simétrica, o momento máximo vale: 8 . 2 max lqM = Estruturas Metálicas Capítulo 6 132 y x Mx My B A Figura 6.29 – Momentos fletores e respectivas tensões normais. y x L.N. Figura 6.30 – Tensões normais devidas à flexão oblíqua. Então: Caso a) mNM dy /6,1748 0,325,155 2 = × = Caso b) mNM dy /308 0,327 2 = × = No plano que contém o eixo y o momento fletor (em relação ao eixo x) vale: Caso a) mNM dx .12,39798 0,625,884 2 = × = Caso b) mNM dx .506.68 0,68,445.1 2 = ×− = As cargas aplicadas a perfis U devem passar pelo centro de cisalhamento para não provocarem torção. No caso de telhas metálicas, pode-se tirar partido da rigidez das telhas e do detalhe de fixação das mesmas nas terças, que impedem o giro e, consequentemente, minimizam os esforços de torção, que podem ser desprezados. Flexão oblíqua de perfis que não apresentam dois eixos de simetria exige que se restrinja ao regime, na fase elástica a tensão máxima ocorrerá no ponto A ou no ponto B, dependendo do sentido dos momentos Mx ou My, e será a soma das tensões normais de flexão provocadas por Mx e My. Mas quaisquer que sejam os sentidos dos momentos, em um dos dois pontos haverá soma de tensões (ambas de tração ou compressão) e, no outro, haverá diferença. No ponto mais solicitado a tensão de serviço em regime elástico vale: y y x x b W M W Mf += O limite elástico será atingido quando a tensão máxima valer fy. Isso é o mesmo que dizer que a resistência elástica da seção é o momento fletor que provoca a Estruturas Metálicas Capítulo 6 133 tensão de escoamento fy na fibra mais solicitada. Então, a seção de cálculo é apresentada pela tensão máxima fb e a resistência de cálculo por: yyd ffF .9,0. == φ O perfil é escolhido por tentativas. Seja um perfil U 102 x 4,67 mm, cujas propriedades geométricas são: d = 102mm; tw = 4,67mm b = 40,2mm; tf = 7,52mm; A = 10,2cm2; massa = 8,04kg/m; Ix = 161cm4; Wx = 31,6cm3; Iy = 13,2cm4; Wy = 4,65cm3. Inicialmente deve-se verificar o perfil para flambagem local. Mesa: →<=== 114,5 52,7 2,40 ft bλ classe 2 Alma: →<=−== 322,20 67,4 52,7102 wt hλ classe 2 Sendo classe 2 não há flambagem local. Verificação do limite elástico. A tensão máxima vale: Caso a ) 2/346.16 65,4 460.17 6,31 912.397 cmNfb =+= Caso b) 2/233.21 65,4 000.3 6,31 600.650 cmNfb =+= E em ambos casos vale menos do que o limite elástico 2/500.22000.259,0. cmNfF yb =×== φ Estado limite de utilização. Há duas deformações a serem estudadas; uma no sentido do eixo y, no meio da terça, e, outra, no sentido do eixo x, próximo aos quartos de terça, que são os pontos onde ocorrem as máximas flechas, entre o tirante e os apoios da terça. Segundo a NBR 8800 deve-se verificar a deformação máxima para sobrecarga em serviço e comparar com o valor máximo definido para terças suportando elementos de cobertura elásticos (telhas de alumínio) 180max Ld = . Eixo y (vão = 6,0 m): cmd 3,3 180 600 max == Estruturas Metálicas Capítulo 6 134 Eixo x (vão = 3,0 m): cmd 67,1 180 300 max == Para uma viga biapoiada com carga uniformemente distribuída, a flecha máxima é dada por: IE Lqd . . 284 5 4 ×= Eixo y (vão = 6,0 m): max 4 4.2 161000.500.20 60062,4 384 5 dcmxd <= × ×= Eixo x (vão = 3,0 m): max 4 3,0 2,13000.500.20 30081,0 384 5 dcmd <= × × ×= PROBLEMAS PROPOSTOS 1. Repetir o exemplo 9 para o aço ASTM A572 grau 50 e comparar os resultados. Resposta: a) MR = 8384kN.m; b) MR = 4367kN.m; c) MR = 2799kN.m; 2. Dimensionar uma viga em três apoios com vãos de 9m em aço ASTM A242, para a carga permanente de 15,0 KN/m (estrutura metálica) e a sobrecarga de 13,0 KN/m, sabendo-se que existem contraventamentos transversais a cada 2,25m. Propriedades do aço para grupos 1 e 2: fy =345 MPa; fu = 480 MPa 3. Determinar a sobrecarga de cálculo de uma viga de vão 4m biapoiadas do tipo VS 300 x 50,9 Kg/m, aço MR-250, sabendo-se que não é contida lateralmente fora dos apoios e que a carga é uniformemente distribuída. Dados da viga: d = 300mm; t =w 9,5mm; b = 150mm; t =f 16,0mm; Ix = 10.700cm4; Zx = 795cm3; Wx = 713cm3; rT = 4,1cm; ry = 3,73cm. Figura 6.31 – Seção típica de perfil I soldado b tw d tf Estruturas Metálicas Capítulo 6 135 6.4 Flexão composta Critério da NBR 8800. Caso de perfis com eixo de simetria. A NBR 8800 resolve os casos de flexão composta de seções simétricas através de duas equações de iteração, sendo que ambas devem ser atendidas. Valem as limitações definidas para flexão isenta de flambagem local ou o contrário, conforme o caso. 1ª. Equação de iteração para efeitos combinados de momento fletor e força normal de compressão ou tração. 0,1≤++ nyb dy nxb dx n d M M M M N N φφφ (32) sendo: Nd = força normal de cálculo, suposta constante ao longo da barra; Mdx, Mdy = momentos fletores de cálculo na seção considerada, agindo em torno dos eixos x e y, respectivamente; == ntn NN .. φφ resistência de cálculo à tração; === ygyn fQNqN ..9,0..9,0.φ resistência de cálculo para força normal de compressão sem flambagem; =nybnxb MM .,. φφ resistências de cálculo aos momentos fletores em torno dos eixos x e y, respectivamente, determinados com ou sem flambagem lateral, conforme o caso, tomando C 0,1=b e alterando o valor de λp para o estado limite de flambagem local da alma de perfis I ou H (flexão em torno do eixo de maior inércia) e caixão, quando Nd for de compressão, como a seguir: ygy fAN .= (33) −×= y d y p N N f E .9,0 8,215,3λ para 207,0 .9,0 ≤ y d N N (34) y p f E47,1=λ para 207,0 .9,0 > y d N N (35) 2ª equação de iteração. 0,1 .73,0 1 . .73,0 1 . ≤ − + − + nyb ey d dymy nxb cx d dxmx nc d M N N MC M N N MC N N φφφ (36) Estruturas Metálicas Capítulo 6 136 Sendo: =nybnxbdydxd MMMMN .,.,,, φφ definições dadas para a 1ª equação de iteração; Cmx, Cmy = coeficientes correspondentes à flexão em torno dos eixos x e y, respectivamente, determinados a seguir, onde as considerações são válidas para cada plano de flexão independentemente: - para barras de estruturas indeslocáveis, não sujeitas a cargas transversais entre apoios 4,04,06,0 2 1 ≥−= M MCm (37) Sendo 2 1 M M a relação entre o menor e o maior dos momentos fletores de cálculo, em valor absoluto, nas extremidades da barra; a relação 2 1 M M é positiva se os momentos provocarem curvatura reversa e negativa em caso contrário; - para barras de estruturas indeslocáveis, sujeitas a cargas transversais entre apoios, o valor de Cm pode ser determinado por análise ou ser tomado igual a 0,85 no caso de barra com ambas extremidades engastadas e 1,0 nos demais casos; - para barrasde estruturas descoláveis, Cm = 0,85, caso não se faça análise de 2ª ordem; caso esta análise seja feita, o valor de Cm será determinado como se a estrutura fosse indeslocável; =nc N.φ resistência de cálculo à compressão determinada para flambagem por flexão; para o caso Q<1,0, no cálculo dos valores bef deverá ser usada a nota c referente à tabela 28 do anexo D em lugar do item E-3 do anexo E da NBR 8800; Q a é determinado conforme item E-32 do anexo E da NBR 8800; =eyex NN , cargas de flambagem elástica por flexão em torno dos eixos x e y, respectivamente; para cada um dos eixos tem-se 2 _ . = λ yg e fA N , onde _ λ é determinado conforme procedimentos para flambagem por flexão, fazendo Q = 1,0 e tomando-se r Kl em relação ao eixo x para Nex e em relação ao eixo y para Ney. Estruturas Metálicas Capítulo 6 137 3, 6m 15kN 300kN Exemplo11) Verificar a coluna da figura 6.32 que é parte de uma estrutura em pórtico espacial. Há uma carga horizontal aplicada ao nível da viga localizada no topo, a qual tem momentos de inércia muito grande em relação à coluna. A coluna não tem contraventamentos transversais fora das extremidades. No sentido ortogonal ao plano da figura 6.32 a coluna é contida para deslocamentos horizontais, havendo uma viga com pequena rigidez à rotação. As cargas indicadas são de cálculo. O perfil da coluna é aço MR-250 laminado, I 254 x 7,9 mm, cujas propriedades são: Figura 6.32 - Coluna do exemplo 11 d = 254mm; tw = 7,9mm; bf = 118,4mm; tf = 12,47mm; rx = 10,3cm; ry = 2,42cm; rT = 2,87cm; A = 48,1cm2; Wx = 405cm3 Zx = 465cm3. Solução: Trata-se de uma coluna submetida a esforços combinados de flexão e compressão. Inicialmente, deve-se determinar quais são os esforços seccionais atuantes na peça. O diagrama de momentos fletores pode ser facilmente obtido a partir das reações de apoio. Estruturas Metálicas Capítulo 6 138 300kN 15kN 27kN.m 300kN 27kN.m 15kN a) Esquema Estrutural b) Reações de Apoio c) Curvatura d) DMF Figura 6.33 – Comportamento estático da coluna Flambagem local Mesa: →=<== 5,88,4 47,122 4,1 p x λλ mesa classe 1 Alma: 29 9,7 47,122254 = − = xλ Tem-se que KNxN y 5,1202251,48 == 207,028,0 5,12029,0 300 9,0 >== xN N y d Então, 09,42 25 500.2047,147,1 === y p f Eλ E conclui-se que pλλ < e que a alma é classe 1. 1ª. Equação de interação. Como só há flexão no plano da alma, isto é, em torno do eixo x, a 3ª parcela das equações de interação não existem. A 1ª equação torna-se: Estruturas Metálicas Capítulo 6 139 0,1≤+ nxb dx n d M M N N φφ e necessita-se obter os argumentos dos denominadores. - Cálculo de M nx . Como o perfil não apresenta contenções laterais, é possível a ocorrência do fenômeno de flambagem lateral para um comprimento não contraventado de 3,6 m. Verificando o comportamento do perfil para flambagem lateral, tem-se: - cálculo de L p : b y yp Lcmxf E rL <=== 121 25 500.2042,275,175,1 Que caracteriza que a resistência nominal da seção é inferior ao momento de plastificação. - cálculo de L r : ( ) cmKNffWM ryxr .5468)5,1125(405 =−=−= Com 172,1 247,184,11 4,25 − == cm xA d f e com 0,1=bC , tem-se: 65,0)72,187,2)(5,1125( 500.200,1 75,40)( . 75,40 2 2 =−= −= x xA d rff EC X f Try b cm xxX X A d r L f T r 64265,01165,0 72,187,29,1911 9,19 2 2 2 2 =++=++= Sendo L pbr LL << , deve-se interpolar linearmente, com cmKNxM pl .625.1125465 == cmKN LL LL MMMM pr pb rplpln .801.8121642 121360)468.5625.11(625.11)( = − − −−= − − −−= Então, cmKNM nx .801.8= - Cálculo de N n : Sendo um pórtico que apresenta uma viga de rigidez muito grande no seu plano, mas que não apresenta a mesma rigidez no plano ortogonal, pode-se fazer uma análise considerando que a coluna seja engastada na base e rotulada no topo para flambagem em torno do eixo y (eixo que passa pela alma do perfil da coluna), que é evidentemente o eixo crítico para compressão desta peça. Estruturas Metálicas Capítulo 6 140 K = 1,0 Figura 6.35 – Flambagem em torno do eixo x Índice de esbeltez: 119 42,2 3607,0 === x r Kl y yλ Sendo aço MR-250, pode-se obter λ __ por: 31,1119011,0 __ =⋅=yλ Para curva b, vem 424,0=ρ kNxxxfAQN ygn 510251,480,1424,0.. === ρ Aplicando a 1ª equação de iteração: 99,0 801.89,0 700.2 5109,0 300 =+=+ xxM M N N nxb dx n d φφ que é inferior ao valor limite 1,0 2ª. Equação de iteração Analogamente ao caso da 1ª, a equação se simplifica 0,1 .73,0 1 ≤ − + nxb ex d dxmx nc d M N N MC N N φφ A curvatura provocada pelos momentos nas extremidades é reversa, ou seja, é positiva a razão 2 1 M M . Por ser um pórtico com uma viga rígida no topo e não apresentando contraventamentos, é uma estrutura deslocável, sendo então: C 85,0=mx - Cálculo de N ex : Aqui faz-se a análise de flambagem em torno do eixo x (eixo em torno do qual ocorre a flexão), independentemente ser ou não ser o caso crítico. 35 3,10 3600,1 === x r Kl x xλ __ 38,035011,0 == xxλ Obtém-se, então: kNx fA N x yg ex 327.838,0 251,48 )( . 2__ 2 === λ K = 0,8 Figura 6.34 – Flambagem em torno de y Estruturas Metálicas Capítulo 6 141 Aplicando-se, finalmente a 2ª equação de iteração, tem-se: 0,187,0 242.89,0 327.873,0 3001 700.285,0 6129,0 300 .73,0 1 <= − += − + xx x x x M N N MC N N nxb ex d dxmx nc d φφ Como a peça passou nas duas verificações, está verificada para o carregamento. BIBLIOGRAFIA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TECNICAS, ABNT, NBR 8800, Projeto e execução de estruturas de edifícios de aço. abril, 1986. ______, NBR 6123, Forças devidas ao vento em edificações. junho, 1988. BELLEI, I. 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