Limites da Jurisdição
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Limites da Jurisdição


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Limites da jurisdição


Introdução



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Significação de jurisdição

Inicialmente, iremos estudar sobre o que seria os limites da jurisdição, além de analisarmos de que forma ela se apresenta nas tratativas do Processo Civil e qual seu embasamento jurídico.


Quem poderá exercer a jurisdição civil?

Temos que a jurisdição civil pode ser exercida através dos juízes e tribunais estando diante de quaisquer ações ajuizadas em território nacional, em que ocorre que a validade e eficácia das decisões se sujeitam às restrições territoriais na esfera da comunidade internacional, uma que vez que existe uma pluralidade de Estados soberanos organizados e regidos pelos seus próprios ordenamentos jurídicos.


Quais são as hipóteses que estão de acordo com a jurisdição nacional?

Ao verificarmos os artigos 21 e 22 do diploma, é possível observarmos as hipóteses de temas que se sujeitam à jurisdição nacional, mas que, em alguma medida, se relacionam com a jurisdição de outros Estados, e, por esta razão, também podem se submeter às jurisdições estrangeiras.

Dessa maneira, quando inferirmos o que Fredie Didier tenta abstrair, ocorre que a delimitação da competência internacional se justifica em face do princípio da efetividade, segundo o qual o Estado deve se abster de julgar se a sentença não tem como ser reconhecida onde deve exclusivamente produzir efeitos. Dessa forma, temos que a Justiça brasileira deve reconhecer a sua devida competência apenas para julgar as demandas cuja decisão venha a gerar efeitos em território nacional ou em um determinado Estado estrangeiro que reconheça tal decisão.

Com isso, o artigo 21 versa que irá competir à autoridade judiciária brasileira todo o processamento e julgamento das ações em que o réu, qualquer que seja a sua nacionalidade, estiver domiciliado no Brasil; de outro modo, se no Brasil tiver de ser cumprida a obrigação; tendo também o fundamento de que seja fato ocorrido ou ato praticado no Brasil. Já o artigo 22 é uma inovação do atual diploma processual, dado que acrescentou novas hipóteses de competência internacional concorrente, sendo que o referido dispositivo prevê que irá competir, ainda, à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações que forem referentes a alimentos, quando (a) o credor tiver domicílio ou residência no Brasil; de outro modo será também quando o réu mantiver vínculos no Brasil, tais como posse ou propriedade de bens, recebimento de renda ou obtenção de benefícios econômicos, dentre outros.


Relações de consumo e autonomia das partes



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Código de Processo Civil regula as relações sobre autonomia

Temos que a inclusão das ações envolvendo relações de consumo e da autonomia das partes em optar pela jurisdição nacional são pontos que merecem destaque, visto que o artigo 22, inciso II inovou ao estabelecer a competência concorrente da jurisdição brasileira nas causas em que o consumidor figurar como o autor da demanda.

Com isso, a convenção das partes que fixa a competência da jurisdição nacional para apreciar determinada demanda pode ser realizada de forma expressa ou tácita, sendo que essa convenção expressa ocorre por cláusula de eleição de foro, enquanto que a tácita ocorre com o mero ajuizamento da ação. Logo, quando observamos essas duas situações, verificamos que o juízo nacional analisará o acordo das partes sob a ótica do princípio da efetividade, mesmo que tenha havido a inclusão de novas hipóteses de competência internacional concorrente, o rol dos artigos 21 e 22 não conseguiu exaurir todas as situações jurídicas passíveis de julgamento pela autoridade judiciária brasileira. Dessa forma, podemos citar como exemplo disso o artigo 83 do CPC, segundo o qual afirma que o autor, brasileiro ou estrangeiro, que residir fora do Brasil ou deixar de residir no país ao longo da tramitação de processo prestará caução suficiente ao pagamento das custas e dos honorários de advogado da parte contrária nas ações que propuser, se não tiver no Brasil bens imóveis que lhes assegurem o pagamento.


De que forma a jurisprudência do STF entende essa temática?

Iremos inferir que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça5 é consolidada a partir do sentido de que as empresas estrangeiras, para litigarem no Brasil, precisam prestar uma caução quando não dispuserem de bens suficientes para suportar o ônus de eventual sucumbência.

Dessa forma, isso serve como um mecanismo processual que busca o tratamento isonômico dos litigantes para "não tornar melhor a sorte dos que demandam no Brasil, residindo fora, ou dele retirando-se, pendente a lide", em que não existirá fiança, em eventual responsabilização da empresa demandante pelos ônus sucumbenciais, estando incólume dos eventuais prejuízos causados ao demandado.

Por fim, a competência internacional concorrente prevista no antigo diploma era no sentido de que o artigo 88 definia um rol exemplificativo de hipóteses específicas, em que no Recurso Ordinário 64/SP o STJ fixou que o rol previsto no artigo 88 do CPC de 1.973 não é taxativo, visto que algumas demandas são passíveis de julgamento pela autoridade judiciária brasileira, ainda que a situação jurídica não se enquadre em nenhuma das hipóteses ali previstas. Contudo, verificando-se que existem hipóteses de competência internacional concorrente, as quais estão estabelecidas no Código de Processo Civil de 2015, além daquelas previstas no artigo 21 e 22, podemos concluir que o entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça continua vigorando quanto a não se tratar de rol taxativo.