Norma Penal em Branco
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Norma Penal em Branco


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Norma Penal em Branco


Introdução



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Direito Penal rege todas as leis penais

Inicialmente, iremos estudar sobre o que seria a norma penal em branco, como ela atua e quais são suas principais características jurídicas.


O que seria as normas penais em branco?



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Retroatividade das normas penais em branco

Primeiramente, temos que a norma seria considerada como sendo um imperativo que deve resultar exclusivamente da primeira parte da lei penal, ou seja, sem o acréscimo da segunda parte (sanção), caso contrário, a proibição e a sanção seriam concomitantes, e, do mesmo modo, não teria sentido falar-se na sanção como consequência jurídica.

Logo, a norma tem a forma de um mandamento (um imperativo derivado da primeira parte da lei penal), enquanto o conteúdo é uma proibição ou comando; a designação de um ato que o indivíduo deve praticar ou abster-se.

Por conseguinte, podemos analisar que as normas penais são todas as disposições jurídicas segundo as quais de um determinado delito resulta ou deixa de resultar um direito ou um dever de punir - são regras jurídicas que estabelecem a normatividade da formação, do conteúdo e do desaparecimento da obrigação de punir do Estado.

Dessa forma, sendo a norma o preceito jurídico que obriga primariamente, o dever de obediência acha-se em face do direito à observância desta, enquanto a lei penal, ao contrário, não é uma ordem, mas uma disposição que autoriza a punir e que, na verdade, estabelece e regula uma relação jurídica entre o criminoso e quem está investido do direito de punir, sendo a sua finalidade (da lei penal) estabelecer quais os delitos puníveis e como deverá ser graduada a respectiva pena.


O que determinam as leis penais em branco?

Podemos inferir que as normas penais em branco são lex imperfectas (Binding), pois determinam integralmente somente a sanção, sendo que o preceito, descrito de modo impreciso, remete-se a outra disposição legal para a sua complementação (a maioria das normas penais são completas e determinam o preceito e sua sanção - penas e medidas de segurança, que não podem ser incluídas aqui). No Brasil, a sanção é chamada de nomen iuris, ou seja, nome próprio. Sendo assim, são normas penais incriminadoras (que podem ser incriminadoras e não incriminadoras), sendo também normas que fixam a cominação penal, mas que descrevem o conteúdo da matéria de proibição de maneira generalizada, remetendo expressa ou tacitamente a outros dispositivos de lei (formal), ou emanados de órgão de categoria inferior.

Por conseguinte, temos que a norma penal compreende duas partes, a primeira define a matéria de proibição e a segunda estabelece a sanção aplicável, sendo que na norma penal em branco a primeira parte (matéria de proibição) não se encontra disposta integralmente com precisão, remetendo-se a outros dispositivos para que se dê o preenchimento (norma de preenchimento).

Dessa forma, as normas penais em branco são muito flexíveis, pois a matéria de proibição se modifica facilmente segundo as vicissitudes que sofrem os acontecimentos a que se referem, sendo que essas normas penais em branco são tipos que necessitam de complementação.


Norma Penal em Branco e os Tipos Abertos

Temos que os tipos abertos possuem uma ampla margem de liberdade semântica e com isto abrem ao juiz, obrigatoriamente, margens de espaço de decisão, dentro das quais ele deve se movimentar sem a instrução da lei - o complemento, em face da amplitude, é produzido pelo juiz por meio de um juízo de valor (valoração).

Com isso, na norma penal em branco, o preenchimento do tipo é feito a partir de outras disposições, de modo que para sua realização remete-se a outras disposições jurídicas (remissão interna e externa) ou atos administrativos. Face à imprecisão do conteúdo do tipo, ou seja, para que se possa concretizar uma determinada norma, o intérprete irá precisar recorrer a estas, sem as quais não se torna possível, visto que tais disposições buscam limitar as margens de espaço de decisão.


Elementos Normativos do Tipo

iremos analisar que os elementos normativos do tipo são aqueles que contem, de fato, um elemento físico sensível da realidade que, porém, só é intelectualmente compreensível e que pode ser apresentado ou pensado apenas sob o pressuposto lógico de uma norma, p. ex. funcionário público, documento, dentre outros. Logo, utiliza-se de outras normas legais de modo a valorar determinados elementos do tipo, além disso, podem ser culturais (ex. ato obsceno, mulher honesta, etc.) e jurídicos.


Normas penais em branco em sentido reduzido

Por fim, temos que existe uma fonte formal heteróloga, pois remetem a individualização (especificação) do preceito a regras cujo autor é um órgão distinto do poder legislativo, o qual realiza o preenchimento do branco por meio de sua individualização, p. exemplo, via ato administrativo. Logo, nas normas penais em branco em sentido estrito a complementação necessária está incluída em uma lei de outra instância legislativa.