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2012
Ética e administração 
Pública
Prof.ª Isabella Maria Nunes Ferreirinha
Copyright © UNIASSELVI 2012
Elaboração:
Prof.ª Isabella Maria Nunes Ferreirinha
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri 
UNIASSELVI – Indaial.
 350
F383e Ferreirinha, Isabella Maria Nunes
 Ética e administração pública / Isabella Maria Nunes Ferreirinha.
 Indaial : Uniasselvi, 2012. 
 198 p. : il 
 
 
 ISBN 978-85-7830- 552-9
 1. Administração pública.
 I. Centro Universitário Leonardo da Vinci
 II. Núcleo de Ensino a Distância III. Título
 
III
aPresentação
A vida vem nos apresentando situações em que as condutas morais 
vêm se transformando constantemente. Mas em meio às transformações das 
condutas morais, dos costumes, que a sociedade vem sofrendo, os valores 
vão se transformando em outros e em outros mais.
A ética e a moral são os condutores para a sustentabilidade de uma 
sociedade mais humana, mais justa, mais igualitária. É o bem comum que 
subsidia as condições para as condutas morais, para a manutenção de valores 
que coadunam com o interesse coletivo.
Não basta fazer, é preciso saber fazer! Esse é o princípio da UNIASSELVI, 
em que o processo de aprendizagem torna-se uma constante, num eterno 
movimento de aprender a aprender. A ética nos proporciona isso, um eterno 
exercício de reflexão frente ao comportamento humano e suas ações.
Saber fazer requer, portanto, que as reflexões sejam fomentadas, 
para que as nossas ações estejam pautadas num alicerce coeso de princípios, 
conhecimento e criticidade. Criticidade voltada para anunciar, porque anunciar 
denota movimento, um novo olhar, uma nova ação, um novo saber fazer.
Então, querido(a) acadêmico(a), espero que você aproveite esse Caderno 
de Estudos, e que se torne um disseminador de condutas éticas e morais, para 
que os setores de nossa sociedade se enriqueçam de profissionais capazes, 
eficientes, conscientes, proativos e transformadores na geração do bem comum.
Bons estudos!
Prof.a Isabella Maria Nunes Ferreirinha
IV
Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto 
para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há 
novidades em nosso material.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é 
o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um 
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. 
O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova 
diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também 
contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.
Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, 
apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade 
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. 
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para 
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto 
em questão. 
Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas 
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa 
continuar seus estudos com um material de qualidade.
Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de 
Desempenho de Estudantes – ENADE. 
 
Bons estudos!
NOTA
V
VI
VII
UNIDADE 1 - INTRODUÇÃO À ÉTICA ............................................................................................ 1
TÓPICO 1 - ÉTICA .................................................................................................................................. 3
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 3
2 CONCEITO DE ÉTICA ........................................................................................................................ 4
3 O CAMPO DA ÉTICA ......................................................................................................................... 7
4 POLÍTICA E ÉTICA ............................................................................................................................. 8
5 CÓDIGO DE ÉTICA ............................................................................................................................ 9
6 O VALOR DA ÉTICA ........................................................................................................................... 14
7 ÉTICA E FILOSOFIA ........................................................................................................................... 16
RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................................... 17
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 18
TÓPICO 2 - PRINCIPAIS DOUTRINAS ÉTICAS ............................................................................ 21
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 21
2 IDADE ANTIGA ................................................................................................................................... 21
3 IDADE MÉDIA ..................................................................................................................................... 24
4 IDADE MODERNA ............................................................................................................................. 25
5 IDADE CONTEMPORÂNEA ............................................................................................................. 27
RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................................... 29
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 30
TÓPICO 3 - MORAL ............................................................................................................................... 31
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 31
2 CONCEITO DE MORAL ..................................................................................................................... 31
3 O CAMPO DA MORAL ...................................................................................................................... 34
3.1 A PRÁTICA MORAL ...................................................................................................................... 35
3.2 A MORAL E O COMPORTAMENTO HUMANO ..................................................................... 36
3.3 A PRÁTICA MORAL EM NOSSA SOCIEDADE ........................................................................ 38
4 MORAL, AMORAL E IMORAL ........................................................................................................ 41
5 PROBLEMAS MORAIS E PROBLEMAS ÉTICOS ........................................................................ 41
RESUMO DO TÓPICO 3 .......................................................................................................................45
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 46
TÓPICO 4 - RELAÇÕES HUMANAS .................................................................................................. 49
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 49
2 RELAÇÕES SOCIAIS .......................................................................................................................... 49
2.1 URBANIDADE E CIVILIDADE .................................................................................................... 53
2.2 SOLIDARIEDADE ........................................................................................................................... 54
3 RESPONSABILIDADE SOCIAL ....................................................................................................... 56
3.1 GESTÃO PÚBLICA E A RESPONSABILIDADE SOCIAL ........................................................ 59
4 DIREITOS .............................................................................................................................................. 59
5 CIDADANIA ......................................................................................................................................... 61
5.1 CONCEITO DE CIDADANIA ....................................................................................................... 61
sumário
VIII
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 66
RESUMO DO TÓPICO 4 ....................................................................................................................... 70
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 71
UNIDADE 2 - ÉTICA PROFISSIONAL .............................................................................................. 73
TÓPICO 1 - PROFISSÃO E SUAS CONDUTAS ............................................................................... 75
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 75
2 FUNÇÃO SOCIAL DA PROFISSÃO ................................................................................................ 75
2.1 VALOR SOCIAL DA PROFISSÃO ................................................................................................ 75
2.2 RESPONSABILIDADE DA PROFISSÃO ..................................................................................... 77
3 TOMADA DE DECISÃO E ÉTICA ................................................................................................... 78
3.1 RACIONALIDADE ÉTICA ............................................................................................................ 80
3.2 ÉTICA DA CONVICÇÃO E ÉTICA DA RESPONSABILIDADE ............................................. 84
4 DEVERES PROFISSIONAIS .............................................................................................................. 86
4.1 OS DILEMAS ÉTICOS..................................................................................................................... 86
4.2 ASPECTOS DA CONSCIÊNCIA ÉTICA E DA LEI .................................................................... 86
4.3 DISCRICIONARIEDADE E ÉTICA .............................................................................................. 88
RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................................... 89
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 90
TÓPICO 2 - O ATO ADMINISTRATIVO .......................................................................................... 93
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 93
2 A LEI Nº 8.112/90 ................................................................................................................................... 93
3 CONCEITO DE ATO ADMINISTRATIVO..................................................................................... 99
3.1 COMPETÊNCIA DO ATO ADMINISTRATIVO .......................................................................100
3.2 FINALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO ............................................................................101
3.3 FORMA DO ATO ADMINISTRATIVO ......................................................................................101
3.4 MOTIVO DO ATO ADMINISTRATIVO ....................................................................................102
3.5 OBJETO DO ATO ADMINISTRATIVO ......................................................................................102
4 DEVERES DO SERVIDOR PÚBLICO ............................................................................................103
RESUMO DO TÓPICO 2 .....................................................................................................................104
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................106
TÓPICO 3 - AS ORGANIZAÇÕES PÚBLICAS ...............................................................................107
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................107
2 OS DIFERENTES TIPOS DE ORGANIZAÇÕES.........................................................................107
3 ÉTICA COMO INSTRUMENTO DE GESTÃO ............................................................................108
3.1 GESTÃO E LIDERANÇA .............................................................................................................108
4 DIFERENTES TIPOS DE INTERESSES .........................................................................................110
4.1 O BEM COMUM ............................................................................................................................110
4.2 O INTERESSE INDIVIDUAL .......................................................................................................111
4.3 O INTERESSE COLETIVO ...........................................................................................................111
4.4 O INTERESSE PÚBLICO ..............................................................................................................112
4.5 O INTERESSE PROFISSIONAL ...................................................................................................112
5 TENSÕES ÉTICAS NA ORGANIZAÇÃO ....................................................................................113
5.1 VALORES NAS ORGANIZAÇÕES.............................................................................................113
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................115
RESUMO DO TÓPICO 3 .....................................................................................................................119
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................120
IX
UNIDADE 3 - GESTÃO PÚBLICA E ÉTICA ...................................................................................121
TÓPICO 1 - PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ....................................................123
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................1232 A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 ........................................................................................124
3 OS PRINCÍPIOS BÁSICOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA PREVISTOS NA 
 CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 ............................................................................................124
3.1 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE ...................................................................................................125
3.2 PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE .........................................................................................126
3.3 PRINCÍPIO DA MORALIDADE .................................................................................................126
3.4 PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE ..................................................................................................127
3.5 PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA ......................................................................................................127
4 OUTROS PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA .....................................................128
RESUMO DO TÓPICO 1 .....................................................................................................................130
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................131
TÓPICO 2 - ÉTICA E QUALIDADE EM GESTÃO PÚBLICA .....................................................135
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................135
2 CONCEITO DE QUALIDADE .........................................................................................................135
3 PROGRAMAS DE QUALIDADE E PARTICIPAÇÃO NA ADMINISTRAÇÃO 
 PÚBLICA – CADERNO MARE ........................................................................................................137
3.1 A QUALIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ...............................................................138
3.2 QUALIDADE E PARTICIPAÇÃO ...............................................................................................140
4 COMISSÃO DE ÉTICA PÚBLICA ..................................................................................................142
4.1 MISSÃO ...........................................................................................................................................144
4.2 GESTÃO DE ÉTICA - ENTIDADE - COMPETÊNCIAS/ATRIBUIÇÕES ..............................144
RESUMO DO TÓPICO 2 .....................................................................................................................148
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................149
TÓPICO 3 - O PERFIL MODERNO DO SERVIDOR PÚBLICO .................................................151
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................151
2 DEVER DO SERVIDOR PÚBLICO .................................................................................................151
3 QUALIDADES DO SERVIDOR PÚBLICO ...................................................................................153
3.1 INICIATIVA ....................................................................................................................................153
3.2 HONESTIDADE .............................................................................................................................154
3.3 RESPONSABILIDADE ..................................................................................................................155
3.4 SIGILO .............................................................................................................................................156
3.5 COMPETÊNCIA ............................................................................................................................157
4 FRAGILIDADES DO SERVIDOR PÚBLICO ...............................................................................158
4.1 OPORTUNISMO ............................................................................................................................158
4.2 ORGULHO......................................................................................................................................159
5 ASSÉDIO MORAL .............................................................................................................................159
5.1 OBJETIVOS E ESTRATÉGIA DO AGRESSOR NO ASSÉDIO MORAL .................................163
5.2 EXEMPLOS DE ASSÉDIO MORAL ............................................................................................163
5.3 PROCEDIMENTOS AO ASSÉDIO MORAL ..............................................................................164
6 ÉTICA E RESPONSABILIDADE SOCIAL NAS ORGANIZAÇÕES .......................................165
7 MODELOS DE HOMEM ..................................................................................................................166
7.1 HOMEM OPERACIONAL ...........................................................................................................167
7.2 HOMEM REATIVO .......................................................................................................................167
7.3 HOMEM PARENTÉTICO .............................................................................................................168
7.4 HIERARQUIA DE NECESSIDADES ..........................................................................................168
X
8 ÉTICA E JUSTIÇA ..............................................................................................................................170
9 ÉTICA E A MELHORIA DOS SERVIÇOS PÚBLICOS ...............................................................172
10 CÓDIGO DE ÉTICA DA ADMINISTRAÇÃO ...........................................................................175
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................178
RESUMO DO TÓPICO 3 .....................................................................................................................188
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................189
REFERÊNCIAS ......................................................................................................................................193
1
UNIDADE 1
INTRODUÇÃO À ÉTICA
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade tem por objetivos:
• compreender o conceito de ética e o conceito de moral;
• identificar a aplicabilidade dos conceitos de ética e moral na administração 
pública;
• verificar as transformações das condutas morais ao longo dos anos;
• identificar as relações humanas e suas interações;
• perceber o papel do Estado diante das relações humanas.
Esta unidade está dividida em quatro tópicos e, no final de cada um deles, 
você encontrará atividades que reforçarão o seu aprendizado.
TÓPICO 1 – ÉTICA
TÓPICO 2 – PRINCIPAIS DOUTRINAS ÉTICAS
TÓPICO 3 – MORAL
TÓPICO 4 – RELAÇÕES HUMANAS
2
3
TÓPICO 1
UNIDADE 1
ÉTICA
1 INTRODUÇÃO
Neste tópico iniciaremos nosso aprendizado compreendendo os conceitos 
de ética e moral e a sua verdadeira contribuição na prática da administração 
pública. Você verá o quanto o campo da ética e da moral é vasto e a sua importância 
para as ações administrativas.
Para iniciarmos a disciplina de Ética e Administração Pública, é importante 
destacarmos os liminares da disciplina. Quando se fala em ética, existe uma 
tendência natural de associarmos ao campo da filosofia, e é claro que não poderia 
ser diferente,pois o alicerce e o desenvolvimento da ética têm seus primórdios 
nos campos filosóficos.
Ao longo da história da humanidade, várias têm sido as áreas que 
fomentam reflexões acerca da ética, até porque a humanidade necessita de 
acordos para que a sua interação e convivência se tornem sustentáveis.
Quando falamos em administração pública, a ética torna-se parte implícita 
aos atos administrativos. Mesmo que não tenhamos um aprofundamento 
filosófico, ainda assim, as diretrizes éticas são as premissas que permeiam o 
campo da administração pública.
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ÉTICA
4
FIGURA 1 – ÉTICA
FONTE: Disponível em: <http://www.coladaweb.com/filosofia/moral-e-etica-dois-conceitos-de-
uma-mesma-realidade>. Acesso em: 20 jan. 2012.
2 CONCEITO DE ÉTICA
Ao falarmos em ética, a princípio, pode nos parecer um assunto meramente 
conceitual, em que as práticas encontram-se distanciadas do nosso dia a dia, mas, 
na verdade, ao estudarmos a ética poderemos observar que a mesma se encontra 
em todo momento implícita nas ações humanas.
É nas ações cotidianas, sejam no nosso trabalho, na nossa família, no 
nosso lazer, enfim, em todo e qualquer lugar em que haja interações humanas, 
que podemos observar atitudes éticas ou não.
Uma boa percepção de ética vem de Solomon (2006, p. 12), segundo o 
qual “estudar ética não é escolher entre o bem e o mal, mas é se sentir confortável 
diante da complexidade moral”. E ainda acrescentaria: diante da complexidade 
moral e humana. Nesse sentido, estudar, refletir e entender ética, a sua mais-
valia, se faz ao pensarmos no contexto da nossa sociedade, nas atitudes humanas.
TÓPICO 1 | ÉTICA
5
Como se já não bastasse entender o que é ética, ainda temos que saber 
a diferença entre ética e moral, porque a interface entre uma e outra está 
permanentemente articulada. Você sabe a diferença entre ética e moral?
Diversas questões éticas e morais são facilmente confundidas, como coloca 
Valls (1994, p. 7): “A ética é daquelas coisas que todo mundo sabe o que são, mas 
que não são fáceis de explicar, quando alguém pergunta”.
Vejamos então algumas definições sobre ética dentre as referências 
bibliográficas pesquisadas para nos auxiliar na formação do conceito de ética:
Tradicionalmente, ela é entendida como um estudo ou uma reflexão, 
científica ou filosófica, e eventualmente até teológica, sobre os costumes 
ou sobre as ações humanas. Mas também chamamos de ética a própria 
vida, quando conforme aos costumes, e pode ser a própria realização 
de um tipo de comportamento. (VALLS, 1994, p. 7).
“A ética é a teoria ou ciência do comportamento moral dos homens em 
sociedade, ou seja, é a ciência de uma forma específica de comportamento humano.” 
(VÁZQUEZ, 2003, p. 23).
Ética é a ciência da conduta humana, segundo o bem e o mal, com 
vistas à felicidade. É a ciência que estuda a vida do ser humano, sob o 
ponto de vista da qualidade da sua conduta. Disto precisamente trata 
a Ética, da boa e da má conduta e da correlação entre boa conduta e 
felicidade, na interioridade do ser humano. A Ética não é uma ciência 
teórica ou especulativa, mas uma ciência prática, no sentido de que 
se preocupa com a ação, com o ato humano. (ALONSO, LÓPEZ e 
CASTRUCCI, 2010, p. 3).
A Ética é um saber científico que se enquadra no campo das Ciências 
Sociais. É uma disciplina teórica, um sistema conceitual, um corpo de 
conhecimentos que se torna inteligível aos fatos morais. Mas o que 
são fatos morais? São os fatos sociais que dizem respeito ao bem e ao 
mal, juízos sobre as condutas dos agentes, convenções históricas sobre 
o que é certo e errado, justo e injusto, o que é certo ou errado? Toda 
coletividade formula e adota os padrões morais que mais lhe convém. 
(SROUR, 2003, p. 7 e 8).
Ética é derivada do grego ethos, que significa costume, hábitos e valores 
de determinada coletividade. A palavra moral deriva do latim mos – ou mores no 
plural – que também significa costume ou as normas adquiridas como hábito. 
Segundo o Dicionário (1989, p. 323), ética é:“1) Estudo dos juízos de apreciação 
que se referem à conduta humana, do ponto de vista do bem e do mal; 2) Conjunto 
de normas e princípios que norteiam a boa conduta do ser humano”.
Portanto, do ponto de vista etimológico, ética e moral significam a mesma 
coisa, contudo há o limiar tênue entre uma e outra. E isso você poderá observar à 
medida que vamos nos aprofundando no assunto.
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ÉTICA
6
 “A ética é teoria, investigação ou explicação de um tipo de experiência humana 
ou forma de comportamento dos homens, ou da moral, considerado, porém, na sua 
totalidade, diversidade e variedade”. (VÁZQUEZ, 2003, p. 21). A moral é o estudo 
dos costumes de uma determinada sociedade numa determinada época e lugar.
IMPORTANT
E
Como destaca Srour (2003, p. 7), “A ética é perene, a moral pertence ao tempo”.
O que Srour (2003) quer observar é que a ética será sempre o estudo dos 
valores morais, e esses se relativizam conforme a história da humanidade, haja visto 
alguns exemplos que hoje consideramos chocantes, mas que em algum momento 
da história e em algum lugar eram (e muitos ainda são) práticas morais aceitáveis:
a) infanticídio: no Império Romano e na China contemporânea como exigência 
oficial do filho único;
b) poligamia: difundida entre os povos antigos e ainda praticada em alguns países 
mulçumanos;
c) excisão feminina ou circuncisão feminina: ainda é uma prática de países da 
África e Ásia.
Vários outros exemplos de práticas da coletividade mundial poderiam se 
perfilar aqui. E chegaríamos à conclusão de que as condutas morais, independente 
de serem aceitáveis ou não do nosso ponto de vista, são práticas de uma sociedade.
NOTA
Infanticídio significa assassínio de recém-nascido ou de criança; o ato de matar o 
próprio filho, sob a influência do estado puerperal, durante o parto ou logo depois. O infanticídio 
feminino é prática que ainda acontece na China, em função da política do único filho.
FONTE: Ferreira (2001, p. 417)
TÓPICO 1 | ÉTICA
7
NOTA
Excisão feminina ou circuncisão feminina é a mutilação genital feminina, prática 
realizada em meninas adolescentes para que não tenham prazer no ato sexual.
3 O CAMPO DA ÉTICA
Embora a ética seja um assunto basicamente filosófico, seu campo de atuação 
e reflexão pode ser estendido por todas as áreas. A ética também se divide em 
vários campos do saber: teologia, filosofia, psicologia, direito, economia e outros.
A ética como disciplina teórica busca explicar e indicar o melhor 
comportamento do ponto de vista moral, mas como toda teoria que não se distancia 
da prática, porque é a prática do comportamento humano que a sustenta e tem 
como função fundamental “explicar, esclarecer ou investigar uma determinada 
realidade, elaborando os conceitos correspondentes”. (VÁZQUEZ, 2003. p. 20).
Os problemas teóricos da ética podem ser divididos em dois campos:
1) os problemas gerais e fundamentais - liberdade, consciência, bem, valor, lei 
e outros;
2) os problemas específicos - aplicação concreta, ou seja, ética profissional, ética 
política, entre outros.
FONTE: Adaptado de: Valls (1994, p. 8)
Srour (2011) aborda sobre as acepções e confusões que a ética provoca. 
Ele considera que existam três tipos de acepções que podem causar confusões, 
porque ampliam demais as concepções da ética: 
1- A ética é descritiva – que corresponde a juízo de valor, ou seja, quem tem boa 
conduta pode ser considerado como uma pessoa ética, ou seja, uma pessoa 
virtuosa e íntegra. Enquanto quem não condiz com as expectativas sociais pode 
ser considerado ‘sem ética’. Nesse sentido, Srour (2011) considera que a ética 
assume uma ideia simplista reduzida a um valor social, ou apenas um adjetivo.
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ÉTICA
8
2- A ética é prescritiva – a ética como “sistemade normas morais ou a um código 
de deveres” (SOUR, 2011, p. 19), ou seja, os padrões morais que deveriam 
conduzir categorias sociais ou organizações passam a se chamar de código 
de ética; nesse sentido de prescrição a ética e moral tornam-se sinônimo 
indistinguível.
3- A ética é reflexiva – que corresponde à teoria de um estudo sistemático 
como objeto de investigação que, ao transitar por diferentes áreas, pode ser 
considerada como:
• Ética filosófica – que reflete sobre a melhor maneira de viver (ideais morais).
• Ética científica – que estuda, observa, descreve e explica os fatos morais (a 
moralidade como fenômeno).
A Ética filosófica quer refletir sobre a maneira de viver.
A Ética científica quer observar e descrever a maneira de viver.
ATENCAO
Visto tudo isso, você pode estar pensando: então estudar ética é muito 
complicado? Claro que não, a ética dá a oportunidade para refletir a maneira de 
viver e entender os costumes do nosso tempo.
A ética pode ajudar na prática da administração pública. A administração 
pública, imbuída de servir aos seus cidadãos e de produzir práticas morais 
exemplares, deve fazer uso do corpo teórico e do conhecimento da ética dentro 
dos padrões morais ou normas convencionadas.
4 POLÍTICA E ÉTICA
De acordo com Aristóteles (1989, p. 30), “a política é um desdobramento 
natural da ética”. A ética preocupa-se com a felicidade do homem, que é a 
doutrina moral individual. Enquanto que a política preocupa-se com a felicidade 
da cidade, que é a doutrina moral social.
TÓPICO 1 | ÉTICA
9
ÉTICA – preocupa-se com a felicidade individual do homem, e a doutrina moral 
individual.
POLÍTICA – preocupa-se com a felicidade coletiva da cidade (polis), e doutrina moral social.
ATENCAO
Portanto, é a soma dessa felicidade individual e coletiva que nos interessa e 
que podemos chamar de bem comum, assim como aponta Aristóteles (1989, p. 12):
Vemos que toda cidade é uma espécie de comunidade, e toda 
comunidade se forma com vistas a algum bem, pois todas as ações 
de todos os homens são praticadas com vistas ao que lhes parece um 
bem; se todas as comunidades visam a algum bem, é evidente que a 
mais importante de todas elas, e que inclui todas as outras, tem mais 
que todas este objetivo e visa ao mais importante de todos os bens; ela 
se chama cidade e é a comunidade política.
Hoje, quando se fala em política, logo vem à mente a ideia do Estado, 
dos políticos, das questões eleitorais, partidos políticos etc. De acordo com o 
Dicionário da Língua Portuguesa (FERREIRA, 2001, p. 579), verificam-se cinco 
explicações para a palavra política:
1 Conjunto de fenômenos e das práticas relativos ao Estado ou a uma 
sociedade.
2 Arte e ciência de bem governar, de cuidar dos negócios públicos.
3 Qualquer modalidade de exercício de política.
4 Habilidade no trato das relações humanas.
5 Modo acertado de conduzir uma negociação, estratégia.
Então, do ponto de vista dos sinônimos apresentados, a política abrange 
uma gama enorme de competências, mas se preferirmos o modo simplório de 
Aristóteles, que é cuidar de todos, cuidar do bem comum, parece resumir a 
verdadeira preocupação das reflexões éticas.
5 CÓDIGO DE ÉTICA
Código de ética é um instrumento muito utilizado nas organizações, a fim 
de estabelecer os limites de atuação de seus funcionários, seja numa organização 
pública ou privada. É esse instrumento, a ética prescritiva caracterizada por Srour 
(2011), que pode contribuir na confusão entre ética e moral. Segundo a maioria dos 
autores, o termo correto para o código que estabelece a conduta dos profissionais 
deveria se chamar Código de Moral e não Código de Ética, como é costume usar.
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ÉTICA
10
IMPORTANT
E
Códigos de ética deveriam se chamar códigos morais.
A maioria das empresas privadas, conselhos federais, entre outras 
organizações, faz uso de um código de ética, como instrumento que visa colocar 
para toda a organização e também seu público quais são os princípios, valores e 
missão da empresa ou organização. Os códigos de ética, na verdade, deveriam 
buscar a inspiração em Rousseau (2006), que escreveu sobre o contrato social, 
que estabelece um acordo para que os indivíduos possam criar uma sociedade e 
viver em harmonia, mas no sentido da associação e não da submissão; ou ainda 
melhor, de acordo com Camargo (apud SÁ, 2009, p. 34):
Quando a consciência profissional se estrutura em um trígono, formado 
pelos amores à profissão, à classe e à sociedade, nada existe a temer 
quanto ao sucesso da conduta humana; o dever passa então a ser uma 
simples decorrência das convicções plantadas nas áreas recônditas do 
ser, ali depositadas pelas formações educacionais básicas.
Deontologia vem do grego deon, que significa dever, obrigação; logia vem 
de logos, que significa ciência, então seria a ciência do dever ou obrigação. 
Consiste no conjunto de regras e princípios que regem a conduta de um 
profissional, uma ciência que estuda os deveres de uma determinada profissão. 
FONTE: Disponível em: <http://www.garraconcursos.com.br/videoblog/wp-content/uploads/201
1/04/%C3%89tica.pdf>. Acesso em: 27 mar. 2012.
Conforme explica Ávila (1967, p. 145), deontologia “é a ciência que 
estabelece normas diretoras da atividade profissional sob o signo da retidão moral 
ou da honestidade; busca o bem a fazer e o mal a evitar no exercício da profissão”.
TÓPICO 1 | ÉTICA
11
NOTA
Deontologia é um termo criado por Jeremy Bentham (1748-1832) para designar 
uma ciência do “conveniente”, ou seja, uma moral fundada na tendência a perseguir o prazer 
e fugir da dor que, portanto, não lance mão de apelo à consciência, ao dever, etc. “A tarefa 
do deontólogo”, segundo Bentham, é ensinar ao homem como dirigir suas emoções de tal 
modo que as subordine, na medida do possível, a seu próprio bem-estar. 
FONTE: Abbagnano (2007, p. 280)
Embora a deontologia esteja estabelecida em vários dos códigos de ética 
profissionais, é uma diretriz que não só diz respeito ao comportamento técnico 
profissional, mas, principalmente, à conduta pessoal. Nesse sentido, o diagrama 
representa o cumprimento de regras deontológicas, no que diz respeito à 
administração pública, quanto às duas esferas humanas: pessoal e profissional.
FIGURA 2 – VISÃO PRÁTICA DA DEONTOLOGIA
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
E A SOCIEDADE
O SER HUMANO
ESFERA PESSOAL
O SER HUMANO
ESFERA
PROFISSIONAL
CÓDIGO DE ÉTICA
PROFISSIONAL
FONTE: Adaptado de: Guariglia; Vidiella (2011, p. 97)
O Governo Federal, em junho de 1994, aprovou seu Código de Ética 
Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal, denominado 
Decreto no 1.171 (BRASIL, 1994). Em seu capítulo I, Seção I, a lei estabelece as regras 
deontológicas, distribuídas em 13 itens, que vamos analisar resumidamente:
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ÉTICA
12
ESTUDOS FU
TUROS
O Decreto no 1.171, de 1994, será abordado também na Unidade 2, Tópico 2.
O texto da lei que segue está resumido. Para compreender a lei é importante 
estudá-la em seu texto original. Para tanto, acesse o site: <http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/decreto/d1171.htm>. Nele, você encontra o Decreto na íntegra.
ATENCAO
I - A dignidade, o decoro, o zelo, a eficácia e a consciência dos princípios 
morais são os norteadores dos servidores públicos.
II - O servidor não terá que decidir entre o legal e o ilegal, o justo ou injusto, 
mas entre o honesto e o desonesto, como elemento ético de sua conduta.
III - A moralidade da administração pública é ter o fim no bem comum.
IV - A remuneração do servidor público é paga pelos tributos pagos direta 
ou indiretamente por todos, e até por ele próprio, por isso que se exige 
a contrapartida.
V - O trabalho desenvolvido pelo servidor público perante a comunidade 
deve ser entendido como acréscimo ao seu próprio bem-estar.VI - A função pública deve ser tida como exercício profissional e, portanto, se 
integra na vida particular de cada servidor público.
VII - A publicidade de qualquer ato administrativo constitui requisito de 
eficácia e moralidade, salvo em casos de segurança nacional, investigação 
policial ou de interesse superior do Estado e da administração pública.
VIII - Toda pessoa tem direito à verdade.
IX - A cortesia, a boa vontade, o cuidado e o tempo dedicados ao serviço 
público caracterizam esforço pela disciplina, não tratar bem a uma pessoa 
que paga seus tributos direta ou indiretamente e causar-lhe dano moral. 
Da mesma forma, deve-se preservar o patrimônio público.
TÓPICO 1 | ÉTICA
13
X - É ato de grave dano moral deixar qualquer pessoa à espera de solução na 
prestação de serviços por parte do serviço público.
XI - O servidor deve prestar atenção às ordens superiores e estar atento ao seu 
cumprimento, a fim de não configurar negligência.
XII - A ausência do servidor do local de trabalho é fator de desmoralização do 
serviço público e isso implica desordem nas relações humanas.
XIII - O trabalho em harmonia do servidor público com suas funções e com 
a estrutura organizacional, em respeito aos seus colegas e concidadãos, 
contribui para o crescimento e engrandecimento da nação.
FONTE: Adaptado de: Brasil (1994)
Na Seção III, o Decreto no 1.171/94 dá as providências quanto às Vedações 
ao Servidor Público, em 15 itens, aqui apresentados em síntese:
a) obter favorecimento no uso do cargo e função para si ou outrem;
b) prejudicar a reputação de outrem;
c) ser solidário a qualquer infração ao Código de Ética de sua profissão;
d) dificultar o direito de qualquer pessoa;
e) deixar de utilizar avanços técnicos e científicos;
f) permitir que interesses de ordem pessoal (simpatia, antipatias, paixões, etc.) 
interfiram no trato com público e/ou colegas;
g) receber qualquer ajuda financeira, doação ou vantagem no cumprimento de 
sua missão; 
h) alterar ou deturpar o teor de documentos que deva encaminhar para 
providências;
i) iludir ou tentar iludir qualquer pessoa que necessite de atendimento em 
serviços públicos;
j) desviar qualquer servidor para atendimento de interesse particular;
k) retirar qualquer documento da repartição pública sem estar legalmente 
autorizado;
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ÉTICA
14
l) fazer uso de informações privilegiadas;
m)apresentar-se embriagado no serviço ou fora dele habitualmente;
n) dar afluência a qualquer instituição que atente contra a moral, honestidade 
ou a dignidade da pessoa humana;
o) exercer atividade profissional sem ética ou ligar seu nome a empreendimentos 
de cunho duvidoso.
FONTE: Adaptado de: Brasil (1994)
E o Capítulo II, último do Decreto no 1.171/94, vem dispor dos 
procedimentos para se compor as comissões de ética nas “entidades da 
administração pública federal direta, indireta, autárquica e fundacional, ou 
em qualquer órgão ou entidade que exerça atribuições delegadas pelo poder 
público”. (BRASIL, 1994).
Para quem pretende ingressar na carreira pública através de processo seletivo, o 
Decreto no 1.171/94 é tema de prova na maioria dos concursos públicos federais.
ATENCAO
6 O VALOR DA ÉTICA
Qual seria mesmo o valor da ética para a administração pública? A ética é 
o discernimento de que embora existam práticas que poderiam ser consideradas 
‘morais’, por se tratarem de recorrentes na sociedade, ainda assim são práticas 
que não se suportam do ponto de vista ético. A corrupção, por exemplo, tem sido 
ato recorrente no cenário político nacional e nem por isso tornou-se moralmente 
e eticamente aceitável.
Então podemos dizer que tudo que é legal é moral? Ou se é moral é legal? 
Falamos anteriormente sobre as práticas que com o passar do tempo tornavam-se 
costumes e hábitos. Mas não quer dizer que práticas como a corrupção passarão a 
ser aceitas, pela sua recorrência ou porque a sociedade já se acostumou.
Práticas que prejudicam a maioria, que não preservam o bem comum, que não 
beneficiam a sociedade, que não preservam a felicidade apontam ao valor da ética, 
porque é através da ética que é possível fundamentar a moralidade e a legalidade.
TÓPICO 1 | ÉTICA
15
Então é por isso que a ética tem enorme valor para a administração 
pública, porque seu papel é fazer reflexões acerca do comportamento humano e 
a preservação do bem comum e da felicidade da ‘cidade’.
Nem tudo que é legal é moral e nem tudo que é moral é legal.
ATENCAO
As questões de legalidade, ilegalidade, moralidade e imoralidade, 
apresentadas por Srour (2003), são muito importantes para que se possa observar 
na prática o que há de legal e moral nas ações do nosso cotidiano.
Nem tudo que é legal é moral e nem tudo que é moral é legal. Vejamos 
algumas situações apresentadas por Srour (2003, p. 59), de acordo com o 
quadro que segue:
QUADRO 1 – LEGALIDADE E MORALIDADE
Quanto à legalidade? Quanto à moral? Exemplo:
LEGAL MORAL
Treinamento de funcionários patrocinado por 
uma empresa.
LEGAL IMORAL
Falta de correção da tabela do Imposto de Renda 
por longos anos, sob a alegação de que fazê-lo seria 
introduzir o instituto de correção monetária.
ILEGAL MORAL
Desrespeito aos sinais vermelhos de madrugada 
nas grandes cidades pelo receio de assaltos.
ILEGAL IMORAL As fraudes em licitações públicas.
FONTE: Adaptado de: Srour (2003, p. 59)
Estudar ética, falar de ética, refletir sobre a ética é, portanto, entender toda 
a dimensão da sociedade, da humanidade. A ética, por si só, não vai elaborar um 
manual de condutas, nem tampouco elencar um rol de atitudes certas e erradas.
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ÉTICA
16
7 ÉTICA E FILOSOFIA
A ética tornou-se um campo vasto nas diversas áreas científicas. Na área 
médica, por exemplo, existe uma grande preocupação quanto ao que é ético ou 
não nas pesquisas de campo, por se tratarem de pesquisas que lidam com o ser 
humano. Existe um código de moral, na verdade chamado de código de ética, que 
limita e/ou exige que a integridade do ser humano seja respeitada.
Apesar de hoje a ética ser uma disciplina adotada em quase a totalidade de 
áreas existentes, seja nas ciências exatas, humanas, biomédicas, sociais, entre outras, 
ainda assim, para que se possa entender a complexidade de seu dinamismo e, por 
que não, a simplicidade de sua reflexão, não se pode fugir da sua origem filosófica.
A filosofia é o arcabouço para os desdobramentos da ética, por isso 
que existem algumas correntes que argumentam contra o caráter científico e 
independente da ética. A respeito disso, Vázquez (2003, p. 25) observa:
Mas, já como assinalamos, isso se aplica a um tipo determinado de 
ética – a normativa –, que se atribui a função fundamental de fazer 
recomendações e formular uma série de normas e prescrições morais; 
mas esta objeção não atinge a teoria ética, que pretende explicar a 
natureza, fundamentos e condições da moral, relacionando-a com as 
necessidades sociais do homem.
Nesse sentido, a apropriação da ética, seja no sentido filosófico ou científico, 
busca na fonte filosófica a doutrina para melhor entender a ética, seja em qual 
área for. No intuito de perpassar pela raiz filosófica, veremos sinteticamente a 
trajetória filosófica da ética, no próximo tópico.
17
Nesse tópico você pôde observar:
● Os principais conceitos de ética.
● Os campos em que a ética se aplica.
● Os códigos de moral, comumente chamados de código de ética, e sua 
aplicabilidade na vida profissional.
● O que são regras deontológicas.
● O Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo 
Federal.
● Legalidade e moralidade.
● A importância da ética e a filosofia.
RESUMO DO TÓPICO 1
18
1 Baseado na leitura sobre ética e nos conceitos apresentados, como você, com 
suas palavras,conceituaria ética?
2 Apresente a definição de Código de Ética. Qual o contexto de sua realização? 
Qual o seu objetivo?
3 Qual a função do código de ética da administração pública – Decreto no 1.171/94?
4 Apresente o modo (onde e como) como o Código de Ética estabelece cada 
um dos valores norteadores da administração pública com princípios 
fundamentais da administração. 
Caro(a) acadêmico(a)! Vários concursos públicos em que se exigem 
conhecimentos de ética e administração pública, ou Direito Administrativo, 
têm como conteúdo o Decreto no 1.171/94. Teste o seu conhecimento com 
algumas das questões:
5 (Fundação Carlos Chagas (FCC) – Empresa Brasileira de Infraestrutura 
Aeroportuária – INFRAERO – 2011 – Analista Superior III – Desenvolvimento 
e Manutenção).
João, servidor público civil do Poder Executivo Federal, retirou da repartição 
pública, sem estar legalmente autorizado, documento pertencente ao patrimônio 
público. Já Maria, também servidora pública civil do Poder Executivo Federal, 
deixou de utilizar avanços técnicos e científicos do seu conhecimento para 
atendimento do seu mister. Sobre os fatos narrados, é correto afirmar que:
a) ( ) Nenhuma das condutas narradas constitui vedação prevista no Código de 
Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal.
b) ( ) Apenas João cometeu conduta vedada pelo Código de Ética Profissional 
do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal.
c) ( ) Apenas Maria cometeu conduta vedada pelo Código de Ética 
Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal.
d) ( ) Ambos praticaram condutas vedadas pelo Código de Ética Profissional 
do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal.
e) ( ) João e Maria não estão sujeitos a Código de Ética; portanto, suas 
condutas, ainda que eventualmente irregulares, deverão ser apreciadas 
na seara própria.
FONTE: Disponível em: <http://www.questoesdeconcursos.com.br/imprimir?og=1&ss=460&
di=2&md=>. Acesso em: 26 mar. 2012.
AUTOATIVIDADE
19
6 (Fundação Carlos Chagas (FCC) – Tribunal Regional Eleitoral - TRE/TO – 
2011 – Analista Judiciário). 
Em face do Código de Ética do Servidor Público Federal, considere as seguintes 
afirmações:
I - A função pública deve ser tida como exercício profissional e, portanto, 
se integra na vida de cada servidor público. Entretanto, os fatos e atos 
verificados na conduta do dia a dia em sua vida privada não poderão 
acrescer ou diminuir o seu bom conceito na vida funcional.
II - A ausência injustificada do servidor de seu local de trabalho não é fator de 
desmoralização do serviço público.
III - Ter respeito à hierarquia, porém sem nenhum temor de representar contra 
qualquer comprometimento indevido da estrutura em que se funda o 
Poder Estatal, é dever fundamental do servidor público.
IV - O servidor público não poderá jamais desprezar o elemento ético de sua 
conduta. Assim, não terá que decidir somente entre o legal e o ilegal, o justo 
e o injusto, o conveniente e o inconveniente, o oportuno e o inoportuno, 
mas principalmente entre o honesto e o desonesto.
V - Salvo os casos de segurança nacional, investigações policiais ou interesse 
superior do Estado e da administração pública, a serem preservados em 
processo previamente declarado sigiloso, nos termos da lei, a publicidade 
de qualquer ato administrativo constitui requisito de eficácia e moralidade, 
ensejando sua omissão comprometimento ético contra o bem comum, 
imputável a quem a negar.
Está correto o que se afirma apenas em:
a) ( ) I, II e IV. 
b) ( ) I e III.
c) ( ) II, III e V.
d) ( ) II e IV.
e) ( ) III, IV e V.
FONTE: Disponível em: <http://www.concursocec.com.br/_files/cursos/arquivos/provas/49c
0f31e67ef548ecab93fec9eaf5404.pdf>. Acesso em: 26 mar. 2012.
7 (MTE – 2003) 
 No âmbito das regras deontológicas do Código de Ética do Servidor Público 
Civil do Poder Executivo Federal, assinale a afirmativa falsa.
a) Toda ausência injustificada do servidor de seu local de trabalho é fator de 
desmoralização do serviço público, o que quase sempre conduz à desordem 
nas relações humanas.
b) O servidor deve prestar toda a sua atenção às ordens legais de seus 
superiores, velando atentamente por seu cumprimento e, assim, evitando a 
conduta negligente.
20
c) A cortesia, a boa vontade, o cuidado e o tempo dedicados ao serviço público 
caracterizam o esforço pela disciplina.
d) O equilíbrio entre a legalidade e a finalidade, na conduta do servidor público, 
é que poderá consolidar a moralidade do ato administrativo.
e) A função pública deve ser tida como exercício profissional e, portanto, não se 
integra na vida particular de cada servidor público.
FONTE: Disponível em: <http://www.garraconcursos.com.br/videoblog/wp-content/uploads/
2011/04/%C3%89tica.pdf>. Acesso em: 26 mar. 2012.
8 (Centro de Seleção e Promoção de Eventos (CESPE) - 2011 – Fundação 
Universidade de Brasília (FUB) - Analista de Tecnologia da Informação).
 Em cada um dos itens a seguir é apresentada uma situação hipotética 
seguida de uma assertiva a ser julgada com relação à conduta dos agentes 
em conformidade com o que dispõe o Código de Ética do Servidor Público.
a) Um servidor público vem sendo pressionado por seu chefe a, deliberadamente, 
procrastinar a entrega de um relatório a fim de favorecer os interesses de 
terceiro. Nessa situação, o servidor agiria de acordo com o que prevê o referido 
código de ética se resistisse às pressões e denunciasse o chefe.
( ) certo ( ) errado
b) João, servidor público, é muito religioso e não consegue admitir que Paulo, 
seu colega de setor, seja ateu. Sempre que Paulo está presente, João perde a 
paciência ao realizar seus afazeres, permitindo que sua antipatia pelo colega 
interfira no trato com o público. Nesse caso, João deve ser advertido em razão 
de sua conduta, vedada aos servidores públicos.
( ) certo ( ) errado
c) Marcos exerce cargo de chefia em determinado órgão público. Ao 
recepcionar os servidores recém-empossados, exorta-os a cumprir fielmente 
seus compromissos éticos com o serviço público, afirmando que a atividade 
pública é a grande oportunidade para o crescimento e o engrandecimento 
da nação. Nessa situação, Marcos descumpre o código de ética, de acordo 
com o qual o servidor deve evitar comentários exagerados e ufanistas.
( ) certo ( ) errado
FONTE: Disponível em: <http://www.questoesdeconcursos.com.br/imprimir?og=2&ss=1310&
di=25&md=>. Acesso em: 26 mar. 2012.
21
TÓPICO 2
PRINCIPAIS DOUTRINAS ÉTICAS
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
O conceito de ética foi apresentado no tópico anterior, bem como foi feita 
uma introdução sobre ética e filosofia. Dada a grande contribuição e importância 
da corrente filosófica ao mundo da ética e da moral, esse tópico pretende 
apresentar as principais doutrinas éticas de acordo com o seu tempo.
2 IDADE ANTIGA
A Idade Antiga é representada pelos filósofos Sócrates, Platão e Aristóteles, 
e é nessa época que a ética adquire extremo valor. Esses filósofos se preocupavam 
com o ser no mundo físico, voltados aos problemas sociais e morais. Embora não 
haja propriamente coesão no pensamento e doutrina dos três, ainda assim suas 
ideias tornam-se próximas no sentido da reflexão acerca do homem e da cidade. 
O estudo da Ética pode-se dizer que teve início com os filósofos Sócrates, 
Platão e Aristóteles. O livro Ética a Nicômaco é uma obra de referência, em que a 
ética vai determinar que a finalidade suprema é a felicidade (eudaimonia).
NOTA
Eudaimonia – quer dizer felicidade para a filosofia. “Em geral, estado de satisfação 
de alguém com sua situação no mundo”. 
FONTE: Abbagnano (2007, p. 455-505)
Nessa época, a questão da ética era o bem supremo da vida humana e, de 
acordo com Passos (2004, p. 32), “não devia consistir em ter a sorte ou ser rico,por 
exemplo, e sim em proceder e ter uma alma boa”.
Para Socrátes, a questão ética era o que bastava o homem saber, ter bondade 
para ser bom. O conhecimento, para Sócrates, era uma virtude, porque pensava 
que com o conhecimento o homem conseguia ser bom e ter a felicidade. Por esse 
motivo é que há um entrelaçamento entre bondade, conhecimento e felicidade.
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ÉTICA
22
Para Platão, o conceito de cidade (polis) perfeita estava baseado em valores 
éticos e morais. Platão aborda que os conceitos da mente humana não são reais, 
mas sim imagens reflexas. Diferente de Socrátes, Platão considerava que a moral é a 
arte de preparar o indivíduo para a felicidade que não se encontra na vida terrena.
Em Aristóteles a felicidade, finalidade suprema da ética, só pode 
ser alcançada se o homem fosse capaz de moderar suas paixões. Aristóteles 
preocupou-se com a forma como as pessoas viviam na sociedade e contribuiu 
muito para o entendimento da ética e a busca da felicidade individual e coletiva. 
De acordo com Passos (2004, p. 34), Aristóteles propunha:
Sua ética era finalista, no sentido de visar um fim, no caso, que o ser 
humano pudesse alcançar a felicidade. Entendia a moral como um 
conjunto de qualidades que definia a forma de viver e de conviver das 
pessoas, uma espécie de segunda natureza que guiaria o homem para 
a felicidade, considerada a aspiração da vida humana.
Sócrates foi considerado um marco da filosofia, de modo que todos os 
filósofos que antecederam a época dos filósofos citados são conhecidos por pré-
socráticos. Os pré-socráticos também eram conhecidos como naturalistas, ou 
filósofos da natureza. Esses filósofos preocupavam-se mais em entender as coisas, 
em dar explicação para a natureza e para o mundo.
NOTA
Sócrates (469-399 a. C.) – é responsável pelo método da indagação, o que se 
restringe ao homem, sem interesse na natureza. “Identificação entre ciência e virtude, no 
sentido de que só é possível ensinar e aprender a virtude, e não é possível praticar o bem sem 
conhecê-lo”. (ABBAGNANO, 2007, p. 1085).
Platão (427 – 347 a. C.) – responsável pela doutrina das ideias, sabedoria e dialética. 
(ABBAGNANO, 2007, p. 892).
Aristóteles (394 – 322 a. C.) – responsável pelo conceito da metafísica, da lógica, inspirou 
várias outras tendências do mundo medieval e moderno. 
FONTE: Abbagnano (2007, p. 90)
A ideia da polis (cidade) para a administração pública é muito importante, 
porque é referência na organização social da sociedade em prol do bem comum. 
É que os homens se reuniam e decidiam o melhor para todos, assim como aborda 
Passos (2004, p.32):
TÓPICO 2 | PRINCIPAIS DOUTRINAS ÉTICAS
23
O surgimento da polis fez com que o centro da cidade passasse a ser a 
praça pública, o ágora. Nela aconteciam as discussões e era permitida 
a participação de todos os cidadãos, quais sejam: os homens adultos, 
excetuando-se os escravos e os estrangeiros. Nessa nova forma de 
organização social e política, a democracia, o logos, ou seja, a razão, a 
palavra e o discurso tornaram-se mais importantes do que a condição 
social e econômica do indivíduo. Isso porque entendia-se que os 
assuntos públicos dependiam do poder de argumentação.
Passos (2004), em seu livro “Ética nas organizações”, discorre e elucida 
resumidamente sobre as principais doutrinas éticas, apresentando como 
principais filósofos:
● Sócrates (469-399 a. C.):
dedicou-se à busca da verdade, que deveria ser uma forma de juízo 
universal, capaz de dirigir a vida das pessoas, no plano pessoal e 
político”. Para Sócrates, “as questões morais não são puramente 
convenções influenciadas pelas circunstâncias, mas problemas que 
devem ser resolvidos à luz da razão. (PASSOS, 2004, p. 32 e 33).
● Platão (427-347 a. C.): sua teoria ética relaciona-se com a política e a razão 
(prudência), sua maior contribuição foi vislumbrar a cidade perfeita guiada 
pelos princípios morais.
● Aristóteles (384-322 a. C): “O bem moral consistia em agir de forma equilibrada 
e sob a orientação da razão. O ‘meio-termo’, o ponto justo, levaria à felicidade, 
a uma vida ‘boa e bela’, não como privilégio individual e sim coletivo”. 
(PASSOS, 2004, p. 35).
● Epicuro (341-270 a. C): teve sua filosofia dividida em três partes: canônica, física 
e ética; “uma vida feliz é impossível sem a sabedoria, a honestidade e a justiça, 
e estas, por sua vez, são inseparáveis de uma vida feliz”. (CARBISIER apud 
PASSOS, 2004, p. 35).
● Zenão (324-263 a. C.): doutrina do estoicismo, que é uma ética, uma forma de 
viver em que a natureza consistia na orientação central, que significava viver 
conforme a virtude.
Vistos os principais nomes da filosofia da Idade Antiga, é interessante o 
seu estudo e sua contribuição à ética, na medida em que o pensamento filosófico, 
também como os costumes, se embebe de novas fontes, contudo sem perder o fio 
condutor em relação à sua reflexão quanto aos aspectos morais e às virtudes.
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ÉTICA
24
3 IDADE MÉDIA
A Idade Média, conhecida pelo Renascimento, que foi considerado um 
movimento literário, artístico e filosófico que teve duração entre o fim do século 
XIV ao fim do século XVI. Suas características principais foram o humanismo, a 
renovação religiosa, a renovação das concepções políticas e o naturalismo (novo 
interesse pela investigação da natureza).
Nessa época, a situação política e social era mais complexa, por esse 
motivo não se podia pretender a mesma harmonia da polis. De acordo com Passos 
(2004, p. 37), “também por questões ideológicas houve o predomínio da teoria 
sobre a prática”, e o cristianismo tornou-se a religião oficial, o que influenciou as 
condutas morais.
As concepções filosóficas destacadas por Passos (2004), ou seja, os 
principais filósofos, foram:
● Santo Agostinho (354-430): ‘compreender para crer, crer para compreender’. 
Para Agostinho, o dom divino era o único capaz de resgatar o homem de seus 
pecados. Nesse sentido, a ética estava ligada aos valores da moral cristã.
● Tomás de Aquino (1225-1274): a ética consiste em agir de acordo com a ordem 
natural, o homem tem livre-arbítrio e, orientado pela consciência, tem uma 
capacidade de captar, pela intuição, a ordem moral – ‘faz o bem e evita o mal’.
DICAS
Na Idade Média, a ética tem sua base na moral cristã.
De acordo com Passos (2004, p. 39), a Idade Média inaugura uma novidade 
na questão da moral:
ao deslocar o eixo fim último da vida humana, de um valor bom em 
si mesmo para um bem que está em Deus. Se, para as concepções 
anteriores, a felicidade era atingida no próprio ser, agora ele se 
encontra no plano transcendental, e atingi-la requer apreender o fim 
último que se encontra em Deus.
A ética na Idade Média, portanto, foi considerada a fase da era cristã, em que 
os desígnios morais do cristianismo tornavam-se os ditames do comportamento 
moral. Na Idade Média, portanto, o conceito de felicidade não pode ser atingido 
nem pela razão, nem pela filosofia, mas pela fé cristã.
TÓPICO 2 | PRINCIPAIS DOUTRINAS ÉTICAS
25
4 IDADE MODERNA
Como estudamos, a ética, na Idade Antiga, era explicada pela perspectiva 
da natureza ou pela perspectiva cristã, em que tudo vinha da natureza ou de Deus. 
Na Idade Moderna essa perspectiva muda e traz o homem como responsável 
pelas suas ações.
A Idade Moderna, que ocorreu entre os séculos XVI e XIX, difere das 
anteriores, porque passa a existir uma complexidade ainda maior referente aos 
aspectos econômico, político, social e espiritual, principalmente em virtude do 
capitalismo, desenvolvimento científico e estados centralizados.
Na Idade Moderna, a ética passa a ter uma perspectiva diferente, rompe 
com essa ideia suprema de felicidade e traz para a ação humana a responsabilidade 
de suas ações, e não como explicação divina e abstrata, assim como aprofundaPassos (2004, p. 40):
A ética que surge e vigora nesse período é de tendência antropocêntrica, 
em que o ser humano é o seu fim e fundamento, apesar de ainda 
consistir na ideia de um ser universal e possuidor de uma natureza 
instável. Assim mesmo, ele aparece como o centro de tudo: da ciência, 
da politica, da arte e da moral.
Na verdade, o período da Idade Moderna é rico em teorias sobre a ética, 
mas segundo Passos (2004), destaca-se Kant.
DICAS
O homem é o responsável por suas ações.
Immanuel Kant foi um dos primeiros pensadores responsáveis por esse 
rompimento. De acordo com Guariglia e Vidiella (2011, p. 97), “Kant estabelece 
de maneira categórica a concepção do dever como o centro neurológico da 
moralidade e imprimindo assim a ética, ou seja, a ética torna-se o fim do ser 
humano, que é a felicidade (ideal de perfeição)”.
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ÉTICA
26
NOTA
Immanuel Kant (1724-1804) – nasceu e morreu na Alemanha. Foi o grande 
responsável pela escola do criticismo e dentre a filosofia moderna e contemporânea.
Kant nos apresentou dois imperativos em que a ética pode ser 
compreendida: hipotético e categórico. No imperativo hipotético as condições 
são subordinadas, dessa forma a ética não se explica, porque as ações humanas 
são consequências de um interesse.
Já no imperativo categórico, em Kant, é o axioma básico para o 
comportamento moral, em que se pode explicar ética. Para Kant, a moralidade, 
o comportamento moral, vem da razão, vem do rigor do raciocínio, é uma lei 
inflexível, ou seja, as suas ações não são subordinadas a condições, são desprovidas 
de interesse, e, portanto, são de interesses gerais, podem tornar-se leis universais.
NOTA
“Imperativo categórico, em analogia ao termo mandamento, indica a norma da 
razão”. (ABBAGNANO, 2007, p. 628).
Na Idade Moderna, então, se pode perceber que a razão ao cumprimento 
das leis, da moral, torna-se por efeito o dever do cidadão. Assim como destaca 
Passos (2004, p. 41):
Enquanto as doutrinas éticas anteriores tinham por objetivo atingir 
uma felicidade ou um bem, esta é uma moral da pura razão e do puro 
dever. A prática moral devia basear-se apenas nas orientações da razão, 
deixando totalmente de lado o mundo empírico. Assim, ele construiu 
uma moral desinteressada, desprovida de qualquer finalidade e de 
qualquer motivação, que não fosse o ‘cumprimento do dever pelo 
dever’, pois, para ele (Kant), a única coisa verdadeiramente boa seria, 
como dissemos, ‘uma boa vontade’, a disposição em seguir a lei 
moral em detrimento de vantagens que ela pudesse proporcionar ao 
indivíduo. Assim, a lei moral seria incondicional e absoluta.
Então, para Kant, a felicidade só seria possível se o dever se submetesse 
à moralidade. Dessa forma, a ética e a moral nesse tempo estão relacionadas ao 
cumprimento do dever.
TÓPICO 2 | PRINCIPAIS DOUTRINAS ÉTICAS
27
5 IDADE CONTEMPORÂNEA
A Idade Contemporânea é marcada pelo progresso científico e pela 
valorização do ser humano concreto. Essa época não busca a humanidade perfeita, 
ou seja, a ideia de cidade (polis) perfeita ou da suprema felicidade, nem tampouco 
a moral cristã dá conta de responder aos novos anseios.
É a época da igualdade e liberdade, marcada pelos direitos fundamentais, 
“não pela imposição ou obrigação, com códigos a serem estabelecidos”. (PASSOS, 
2004, p. 42). Destacam-se três grandes concepções: marxismo, pragmatismo e 
existencialismo, que brevemente podemos entender:
O marxismo se refere às ideias filosóficas, políticas e sociais elaboradas 
por Karl Marx e Friedrich Engels. O marxismo entende o homem como ser social e 
histórico e também aborda a questão da sociedade produtiva e as lutas de classes.
O pragmatismo é uma doutrina filosófica que adota a utilidade prática. O 
pragmatismo está ligado ao senso prático, em que a verdade está relacionada à 
utilidade.
O existencialismo tem como ponto de partida o ser humano. O indivíduo, 
pelas suas ações, sentimentos, então essa doutrina preocupa-se com o ser humano 
em relação ao mundo.
Os principais pensadores destacados por Passos (2004) são:
● Karl Marx (1818-1883):
Entendia que o ser humano era ao mesmo tempo social e histórico, 
objetivo e subjetivo, capaz de criar e de interferir na realidade e 
transformá-la à sua medida. Nesse processo, ele não só contribuía a 
seu mundo concreto, como também à sua fundamentação valorativa. 
(PASSOS, 2004, p. 42).
● Friedrich Nietzsche (1844-1900): procurou estudar a origem dos valores e 
entender o porquê da valorização de uns atos e não de outros, ou seja, a 
dicotomia entre o bem e o mal.
● Charles Sanders Peirce (1854-1914): apresentou o pragmatismo como um 
método e não como teoria. A moral é algo quando o fim é bom; nesse sentido, 
quanto aos valores, são absolutos. “O que é bom ou mau é relativo, variando 
de situação para situação. Depende de sua utilidade para a atividade prática”. 
(PASSOS, 2004, p. 45).
● Habermas (1929): as argumentações morais servem para que os conflitos sejam 
desfeitos pelo consenso. O processo reflexivo, intersubjetivo, argumentativo, 
leva os participantes ao comum acordo.
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ÉTICA
28
DICAS
O ser humano é concreto, real e histórico.
A Idade Contemporânea marca então uma nova forma de comunicação 
entre a sociedade, com base na premissa de que o homem é um ser concreto, real 
e histórico. E é pelo diálogo, num processo de argumentação mútuo, que pode 
haver o consenso entre os homens e, assim, as definições morais de conduta.
29
RESUMO DO TÓPICO 2
O Tópico 2 foi apresentado de forma breve, para que o panorama das 
influências teóricas e filosóficas pudesse constituir o pensamento ético e a 
sua contribuição aos tempos de hoje e, mais tarde, ajudar na prática da gestão 
pública. Assim foi possível observar que:
● A Idade Antiga foi a época do surgimento da ética.
● A Idade Média determina a ética pelos princípios da moral cristã.
● A Idade Moderna, através de Kant, traz ao homem a responsabilidade de seus atos.
● A Idade Contemporânea reflete sobre as novas formas de interação humana 
dentre a sua complexidade e novas relações, para assim descobrir novas formas 
consensuais e conceituais.
30
1 As principais doutrinas éticas apresentaram as ideias de filósofos que em 
seu tempo contribuíram para a ética e a moral. Resumidamente, como você 
escreveria sobre ética e moral em cada tempo?
2 O que representa a polis para a administração pública?
3 Quais foram os principais filósofos comentados no livro “Ética nas 
organizações”, de Passos (2004), e que foram apresentados nesse Caderno 
de Estudos como referência sobre doutrinas éticas?
AUTOATIVIDADE
31
TÓPICO 3
MORAL
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Nesse tópico 3 da Unidade 1 abordaremos a visão conceitual da moral. 
Embora o Tópico 1 sobre a ética já tenha adiantado alguns aspectos da moral, como 
dito anteriormente, existe uma interface entre moral e ética que é indissociável. 
O importante desse tópico, portanto, é dar destaque ao conceito de moral e você 
compreender o comportamento humano em relação ao que é moral.
2 CONCEITO DE MORAL
De acordo com Srour (2003), a ética é perene e a moral é mutável. A ideia 
de ética é que ela não muda, a ética faz reflexões acerca dos costumes, que é o 
campo da moral. Para melhor compreendermos, no Brasil, temos a história da 
mulher como um bom exemplo de mudança de costumes e, por conseguinte, 
mudança de valores morais.
Até a década de 30 a mulher não podia votar e nem ser votada, portanto o 
sufrágio feminino foi uma conquista de equiparar a mulher ao homem e torná-la 
um membro da sociedade como qualquer um, ou seja, uma pessoa participativa 
aos desígnios políticos do país.
No cenário político nacional, a primeira mulher a se tornar deputada 
federal foi em 1933, e somente em 1979foi eleita a primeira senadora. Em 2011 
o país elege pela primeira vez uma mulher como Presidente da República. Se 
você observar os anos - 1933, 1979 e 2011 -, verá o quanto demora para que os 
valores se transformam e, ao mesmo tempo, depois de estabelecida a mudança, 
esses valores tornam-se tão familiares que nem mais pensamos nessa trajetória de 
conquista e transformação.
32
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ÉTICA
FIGURA 3 – A CONQUISTA DA MULHER
FONTE: Disponível em: <http://2.bp.blogspot.com/_downz5jC7EU/SdjYjhkp8AI/
AAAAAAAAAMQ/1fH40DR7WIU/s400/Image180.gif>. Acesso em: 15 jan. 2012.
No mundo do trabalho a mulher conquistou espaço tardiamente, e por 
esse motivo, várias são ainda as desigualdades entre a mulher e o homem no 
mundo do trabalho. Existem diversas pesquisas que apontam mulheres e homens 
com mesmo nível de escolaridade e mesma função e que têm salários diferentes.
Não se pretende aqui fazer nenhum tipo de apologia à mulher, muito pelo 
contrário, a mulher é só um bom exemplo para que possamos perceber o quanto 
ela se transformou perante a sociedade. Antes ela não votava e nem era votada, 
antes ela não trabalhava fora de casa, antes a sua vida limitava-se a cuidar de 
filhos e marido. E hoje?
IMPORTANT
E
A moral é temporal e é reflexo dos costumes da sociedade.
TÓPICO 3 | MORAL
33
Portanto, a moral são os costumes, são as práticas do comportamento 
humano e as práticas aceitáveis de uma sociedade. Então, como esses costumes, 
práticas e culturas mudam? Mudam quando a própria sociedade clama por 
mudanças ou quando, a partir de um movimento de um grupo, procura-se 
conscientizar o resto da sociedade da importância de pensar e agir diferente. Foi 
dado o exemplo da mulher, mas muitos são outros exemplos que se enquadrariam 
nesse momento para ilustrar essa transformação de valor e costume, a exemplo 
do homossexualismo, doenças que carregavam preconceitos e hoje não mais, 
entre outros grandes exemplos.
Então se pode dizer que a moral é mutável, como diziam os romanos – “o 
tempora, o mores” – ou seja, os costumes mudam com o tempo. Srour (2003, p. 56) 
elenca alguns itens para a compreensão do que vem a ser moral:
● É um sistema de normas culturais que pauta as condutas dos agentes sociais 
de uma determinada coletividade e lhes diz o que é certo ou não fazer.
● Depende da adesão de seus praticantes aos pressupostos e valores que lhe 
servem de fundamentos.
● Representa um posicionamento diante das questões polêmicas ou sensíveis 
e constitui um discurso que justifica interesses coletivos.
● Organiza expectativas coletivas ao selecionar e definir melhores práticas a 
serem observadas.
● Tem natureza simbólica, essência histórica e caráter plural, e seus cânones 
variam à medida que espelham as coletividades históricas que o cultivam.
Srour (2003, p. 57) ainda resume a moral comparativamente à ética:
Por isso mesmo, as morais são as nervuras sensíveis das culturas e dos 
imaginários sociais, as peças de resistência que armam as identidades 
organizacionais, códigos genéticos das condutas sociais requeridas 
pelas coletividades. Assim sendo, enquanto as morais correspondem 
às representações mentais que dizem aos agentes sociais o que se 
espera deles, quais comportamentos são recomendados e quais não 
o são, a ética diz respeito à disciplina teórica e ao estudo sistemático 
dessas morais e de suas práticas efetivas.
Portanto, o quadro que segue auxilia na formulação de um comparativo 
entre ética e moral, para que essas palavras-chave possam ajudar na diferenciação 
de uma e outra.
34
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ÉTICA
QUADRO 2 – COMPARATIVO ENTRE ÉTICA E MORAL
ÉTICA MORAL
Perene Temporal
Universal Cultural
Regra Conduta da regra
Teoria Prática
FONTE: A autora
A ética é perene porque as suas reflexões são num curso contínuo e eterno, 
sempre haverá reflexões sobre a ética. Já a moral é temporal, porque de acordo 
com o tempo, os costumes e valores de uma sociedade se modificam.
A ética é universal porque as suas reflexões independem da cultura, 
sociedade ou tempo histórico, as suas reflexões cabem em qualquer lugar e em 
qualquer tempo, porque se referem ao comportamento humano. A moral é cultural 
porque em cada sociedade, em cada lugar, os costumes e valores serão diferentes.
A ética é regra, porque não existe mutabilidade em suas reflexões, as 
suas reflexões é que podem ser realizadas perante as mudanças. A moral é 
conduta de regra, porque é preciso relacionar os valores para que a moral possa 
instituir a sua conduta.
A ética é teoria porque está situada no campo das reflexões, enquanto 
a moral se refere às práticas do comportamento humano, seus costumes, seus 
hábitos e seus valores.
Essas as principais diferenças entre ética e moral, que ajudam para auxiliar 
na compreensão quanto às suas ramificações e desdobramentos.
3 O CAMPO DA MORAL
O campo da moral, pela sua mutabilidade, se torna um campo vasto, em 
que se possibilita uma multiplicidade de ações. Até porque a moral é oriunda das 
ações e interações humanas. A moral, portanto, está em toda parte, nas escolas, 
nas igrejas, nos hospitais, nas organizações privadas e públicas.
É através da moral que os códigos de convivência são estipulados, para 
que as pessoas se comportem adequadamente e também para que haja harmonia 
na interação humana e da instituição.
Do ponto de vista dessas ações humanas existem dois universos que se 
constroem perante o fim de suas ações: universal e particular.
TÓPICO 3 | MORAL
35
Na administração pública, os atos administrativos devem estar voltados 
ao universal, porque as suas ações sempre devem preservar o interesse coletivo, 
portanto no meio da administração pública não cabem atos administrativos 
voltados ao interesse particular.
O campo da moral é vasto, a moral é o alicerce para que a sociedade 
possa estipular as suas regras de convivência. Portanto, condutas morais não são 
exclusividade da administração pública, as condutas morais estão presentes a 
todo tempo e em qualquer lugar.
3.1 A PRÁTICA MORAL
Se você for um servidor público, legislador, ou quem sabe um responsável na 
elaboração de políticas públicas, ou simplesmente um cidadão, deve se perguntar: 
Quem são as pessoas que irão se beneficiar com a minha ação? Quais são as atitudes 
mais apropriadas para que um maior número de pessoas possam se beneficiar com 
as minhas atitudes? A minha ação é de interesse próprio ou de interesse coletivo?
Essas perguntas e tantas outras ajudam a sinalizar em qual campo da 
moral se encaminham as nossas ações.
Segundo Srour (2011), existem dois universos que se podem tomar como o 
início para melhor compreensão da prática moral: particularismo e universalismo.
FIGURA 4 – UNIVERSALISMO E PARTICULARISMO
UNIVERSALISMO PARTICULARISMO
• É consensual porque interessa 
a todos: o bem de uns e o bem 
de outros não rivalizam.
• Os interesses pessoais, grupais 
ou gerais se realizam sem 
prejudicar ninguém.
• É abusivo porque o bem de 
uns causa mal aos outros.
• Os interesses pessoais ou 
grupais se realizam à custa dos 
interesses alheios.
FONTE: Srour (2011, p. 9)
O universalismo dita as condutas morais positivas, em que existe o 
consenso para que o bem comum seja preservado. Nesse sentido, mesmo quando 
existem ações voltadas ao interesse de uma minoria ou de um grupo específico, 
ainda assim esses interesses não vão se confrontar com o interesse dos demais. 
Não há uma rivalidade de interesses, pelo contrário, a satisfação dos interesses se 
dá de forma consensual.
36
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ÉTICA
No particularismo, os interesses pessoais ou de um grupo se prevalecem 
em detrimento do interesse de outros, por isso são práticas negativas. Não 
há um consenso de quem precisa mais, para que as práticas nesse universo 
sejam realizadasde forma consensual e em preservação do bem comum. Pelo 
contrário, existe uma rivalidade de interesses para que a vontade de uns se realize 
independente da necessidade de um ou de outro ser maior.
A administração pública, com certeza, está na esfera do universalismo, 
e é por isso que ela existe e é dessa forma que ela deve servir aos cidadãos. Mas 
o servidor público, que é o condutor da prática do serviço público, poderá se 
encontrar na polaridade da escolha entre universalismo e o particularismo, em 
pequenas atitudes do seu cotidiano.
3.2 A MORAL E O COMPORTAMENTO HUMANO
De acordo com Alonso, López e Castrucci (2010, p. 29), “a ética é a arte de 
administrar a própria liberdade, de administrar os chamados atos humanos”. Por 
essa concepção pode-se dizer que exista uma discricionariedade ou livre-arbítrio 
no uso da liberdade. Parece que não. A liberdade é restrita se a analisarmos ao pé 
da letra, a liberdade de administrar cabe aqui como deferência à felicidade coletiva.
Na verdade, o que os autores querem dizer é que por trás de toda 
liberdade existe uma condição moral e um fim no bem comum, como afirmam: 
“Uma primeira afirmação da ética consiste em que a liberdade não está para fazer 
qualquer coisa, ou a serviço do agir sem rumo ou irresponsável, mas deve estar a 
serviço do bem”. (ALONSO; LÓPEZ; CASTRUCCI, 2010, p. 29).
De acordo com Chiavenato (2004, p. 82), que trata da natureza humana 
diante das teorias das organizações, “o homem diante do seu contexto histórico 
sofre mudanças que explicam e justificam o seu comportamento humano”. O 
autor perpassa pelas diversas concepções ao longo da história da administração 
que sustentam o comportamento e/ou demanda comportamental que em cada 
época se exige ou se configura.
O quadro a seguir exemplifica e sintetiza as diversas concepções de 
homem relacionadas por Chiavenato (2004, p. 83):
TÓPICO 3 | MORAL
37
QUADRO 3 – DIVERSAS CONCEPÇÕES DO HOMEM SEGUNDO AS TEORIAS DAS ORGANIZAÇÕES
Concepção de Teoria Motivação básica
Homem econômico Administração Científica Recompensas salariais e financeiras
Homem social Relações humanas Recompensas sociais e simbólicas
Homem organizacional Estruturalista Recompensas salariais e sociais
Homem administrativo Comportamental Processo de decisões e busca de soluções satisfatórias
Homem complexo Contingência Microssistemas individual e complexo
FONTE: Chiavenato (2004, p. 83)
Na teoria da Administração Científica, que tem seu marco em Taylor, o 
homem trabalhava exclusivamente para ganhar dinheiro. Nesse sentido, a única 
maneira de motivá-lo era com recompensas financeiras, salariais, econômicas ou 
materiais.
NOTA
Frederick Winslow Taylor (1856-1915) foi o fundador da Administração Científica, 
nasceu na Filadélfia, nos Estados Unidos. Taylor foi o responsável por estudar os problemas 
de produção, a fim de buscar soluções que atendessem às necessidades tanto dos patrões 
como dos empregados. 
FONTE: Chiavenato (2003, p. 54)
A concepção de homem social, fruto da teoria administrativa de 
Relações Humanas e, principalmente, influenciada pela área da psicologia, teve 
a influência pioneira de Hugo Munsterberg, embora outros autores também 
tenham se destacado e contribuído com essa concepção, tais como: Ordaw Tead, 
Elton Mayo. Na verdade nessa corrente não houve uma consolidação teórica, a 
concepção da teoria administrativa de Relações Humanas surgiu pela necessidade 
de humanizar mais as relações nas organizações, como revisão e reflexão crítica à 
teoria da Administração Científica.
38
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ÉTICA
NOTA
Hugo Munsterberg (1863-1916) nasceu em Danzig (Polônia e mais tarde tomada 
pela Alemanha), foi o introdutor da psicologia aplicada nas organizações, com o uso de testes 
de seleção de pessoal. Ordawy Tead (1869-1933) foi o pioneiro a tratar a liderança democrática 
na administração. Georges Elton Mayo (1880-1949), cientista social australiano, conhecido 
pela sua atuação à frente de uma organização em Chicago no bairro de Hawthorne, depois 
conhecida como a Experiência Hawthorne.
FONTE: Chiavenato (2003, p. 98)
Diante da incompatibilidade entre a teoria Clássica (formal) e a teoria das 
Relações Humanas (informal), surgiu a necessidade de uma nova composição 
que integrasse e harmonizasse as duas teorias. A teoria Estruturalista surge com 
seus princípios inspirados em Max Weber e Karl Max. “O estruturalismo está 
voltado para o todo e para o relacionamento das partes na constituição do todo”. 
(CHIAVENATO, 2003, p. 289).
O homem administrativo surge da Teoria Comportamental, no início da 
década de 50, em que se preocupa com o homem diante das diversas organizações 
das quais ele faz parte. Nessa teoria o homem deve tomar decisões e ter as suas 
necessidades satisfeitas, não só perante a organização laboral da qual ele faz 
parte, mas também em suas outras relações como pessoa.
A Teoria da Contingência, década de 70, dá a ideia do homem complexo, 
porque leva em consideração as percepções, valores, cognições e motivações 
do homem em seus microssistemas, ou seja, da complexidade do homem e 
suas diversidades.
Nesse sentido abordado pela natureza humana diante das teorias da 
administração foi possível perceber que o seu comportamento é reflexo da 
corrente histórica, portanto é temporal aos valores.
3.3 A PRÁTICA MORAL EM NOSSA SOCIEDADE
A variedade de relações do ser humano diante da sociedade é imensa, ou 
seja, o ser humano se relaciona com a família, no trabalho, na igreja, no clube, 
com seus amigos, e para cada relação existem as práticas morais estabelecidas em 
cada um desses grupos sociais. Assim como destaca Vázquez (2003, p. 88):
TÓPICO 3 | MORAL
39
Todas estas diversas formas de comportamento – tanto com o mundo 
exterior quanto entre os próprios homens – supõem um mesmo 
sujeito: o homem real, que diversifica assim o seu comportamento de 
acordo com o objeto com o qual entra em contato (a natureza, as obras 
de arte, Deus, os outros homens etc.) e de acordo também com o tipo 
de necessidade humana que procura satisfazer (produzir, conhecer, 
expressar-se e comunicar-se, transformar ou manter uma ordem social 
determinada etc.).
Vejamos dois exemplos de práticas brasileiras em relação à conduta moral, 
apresentadas no livro de Srour (2011, p. 107):
Em junho de 2005, a direção da Schincariol, segunda maior cervejaria 
brasileira, foi presa e autuada por sonegação fiscal, evasão de divisas, 
lavagem de dinheiro, corrupção de funcionários públicos e formação 
de quadrilha. Foram expedidos 77 mandados de prisão.
Os principais indícios encontrados pela Polícia Federal foram: 
empresas de fachada que emitiam notas fiscais frias; pagamentos de 
propinas para fiscais da Receita Federal; emissão de notas fiscais com 
ICMS menor do que o real; uso da mesma nota fiscal mais de uma 
vez; vendas subfaturadas ou sem emissão da respectiva nota fiscal; 
exportações fictícias e importações com declarações falsas de conteúdo.
O que podemos observar nesse caso? Que tudo o que a empresa fez está 
completamente errado e que as suas ações estão no universo do particularismo. 
Contudo, Srour (2011, p. 106-107) aprofunda um pouco mais no que ele chama de 
“moral da parcialidade”, ou seja, “existem pessoas e organizações que pensam 
que existem erros na sociedade, tais como impostos muito caros e que se acham 
no direito de transgredir a lei por não concordarem com as normas”.
Sobre a moral da parcialidade, Srour (2011, p. 107) discorre sobre algumas 
“práticas justificadas” de atitudes antiéticas e imorais, dentre várias se destacam:
● adota normas mistas de condutas ao exigir estrita lealdade dos que 
fazem parte da empresa (“os de dentro”), ao mesmo tempo em que 
advoga a malícia nas relações com os demais (“os de fora”);
● parte do pressuposto de que um pouco de desonestidade faz as 
coisasacontecerem;
● confere à venalidade o estatuto de “lubrificante do mundo dos 
negócios”, à semelhança da famosa fórmula populista “rouba, mas 
faz” que, implicitamente, absolve o político salafrário enquanto 
generaliza a falta de caráter das autoridades.
O segundo exemplo apresentado por Srour (2011, p. 116), também de uma 
empresa privada brasileira, já adota um sistema de parceria com a sociedade, a 
fim de ver seu negócio crescer dentro dos parâmetros éticos e morais.
40
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ÉTICA
Em 2000, a Natura, fabricante de cosméticos, tinha 60 atendentes em 
sua central de atendimento ao cliente e gastava R$ 8 milhões por ano 
com o serviço. Recebia uma média mensal de 100 mil ligações.
Em agosto desse mesmo ano, um cliente ligou dizendo que o 
desodorante que usara havia manchado a sua camisa. O que fez o 
atendente? Perguntou na hora o preço da roupa – uns 70 reais – e se 
prontificou a enviar um cheque ao cliente com o valor correspondente. 
A camisa manchada foi recolhida e encaminhada imediatamente ao 
departamento de pesquisa da Natura. Em uma semana, descobriu-
se o componente do desodorante responsável pela mancha. Em 
consequência, a fórmula do produto foi alterada!
Srour (2011, p. 116) aponta como moral da história: “O serviço de 
atendimento não se restringiu a agradar o consumidor: foi capaz de acionar 
mudanças nos produtos e nos processos da empresa, dando corpo a uma relação 
de parceria”.
Isso que o autor chama de parceria é o que se espera da sociedade, é a 
moral da boa convivência e de práticas éticas. Com certeza, algumas pessoas, 
ao saberem dessa história, podem pensar: também vou ligar e dizer que minha 
camisa estragou e ganhar dinheiro! Isso é má-fé, são atitudes imorais, isso é um 
universo particularista. Além de faltar com a verdade, não contribui em nada 
para o crescimento da sociedade.
É assim que se dão as práticas morais, conforme as necessidades humanas. 
E essas novas necessidades humanas vão transformando o ser humano, as suas 
relações e, também, as práticas morais. Alguns dizem que a ética e a moral são a 
encruzilhada entre o bem e o mal. Se você optar pelo bem, trilhará o caminho da 
ética e da moral, caso contrário, não existe meia ética e ‘moral da parcialidade’.
IMPORTANT
E
Fatos sociais – são ações neutras.
Fatos morais – são ações positivas ou negativas.
Srour (2011) propõe um exercício que se encontra ao final desse tópico 
como autoatividade para a distinção do que vem a ser um fato social de fatos 
morais.
O que o autor chama de fato social é qualquer ação neutra, por exemplo, 
cumprir com as minhas obrigações no trabalho. Fato moral já implica uma atitude 
positiva ou negativa, ser conivente ou agente de práticas ilícitas no trabalho 
(negativa), denunciar práticas negativas no trabalho (positiva). Então:
TÓPICO 3 | MORAL
41
● Fatos sociais - são aqueles que não afetam os outros, nem para o bem e nem 
para o mal, portanto são eticamente neutros.
● Fatos morais - podem ter efeito positivo, numa visão universalista (causam 
benefícios aos outros) ou particularista (não causam benefícios aos outros).
Nesse sentido, muitas vezes, principalmente na administração pública, 
não se pode efetuar somente fatos sociais, muito pelo contrário, é preciso que os 
fatos morais universalistas e positivos se tornem recorrentes para que se evitem 
práticas irregulares ou ilícitas.
4 MORAL, AMORAL E IMORAL
No item anterior foi possível diferenciar fatos morais de fatos sociais, e 
dissemos ainda que um fato moral pudesse afetar positivamente ou negativamente 
outrem. Então fato moral se divide em moral, quando positivo, e imoral quando 
negativo. E fato social seria o que alguns autores chamam amoral.
Então, o que é agir conforme a moral? O que é o agir imoralmente? Ou 
o que é uma atitude amoral? Como podemos diferenciá-los? De forma bem 
resumida pode-se dizer que:
● Moral – é agir conforme os valores da sua organização ou sociedade sem 
prejudicar os outros.
● Imoral – é uma atitude que vai contra as normas e valores de uma organização 
ou sociedade e que prejudica os outros.
● Amoral – quando uma atitude não influi nem positivamente e nem 
negativamente, ou seja, uma ação neutra.
Pode-se concluir que uma atitude moral é uma ação positiva, uma atitude 
imoral é uma ação negativa e uma atitude amoral é uma ação neutra. Dessa forma, 
o âmbito da moral é decidir como agir, é uma questão da prática, enquanto que o 
âmbito da ética é refletir sobre essas ações e suas implicações na felicidade humana.
5 PROBLEMAS MORAIS E PROBLEMAS ÉTICOS
Vázquez (2003, p. 15), no princípio de seu livro “Ética”, propõe diversas 
questões práticas para a decisão do ser humano, tais como: “Devemos sempre 
dizer a verdade ou há ocasiões em que devo mentir? Com respeito aos crimes 
cometidos na Segunda Guerra Mundial, os soldados que os executaram, 
cumprindo ordens militares, podem ser moralmente condenados?”
42
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ÉTICA
O que o autor quer alertar é que todos esses problemas são práticos e reais 
e se apresentam nas relações afetivas dos seres humanos. As decisões práticas 
humanas podem afetar um pequeno grupo ou um grande grupo.
Em várias das situações que se apresentam ao ser humano o que está em 
jogo são os problemas morais que ele deve decidir. Os valores e as normas que 
são reconhecidos numa sociedade como os mais corretos, são os juízos que se 
formulam diante das ações humanas. Os problemas éticos se diferenciam, como 
elucida Vázquez (2003, p. 17):
À diferença dos problemas prático-morais, os éticos são caracterizados 
pela sua generalidade. Se na vida real um indivíduo concreto enfrenta 
uma determinada situação, deverá resolver por si mesmo, com a ajuda 
de uma norma que reconhece e aceita internamente, o problema de 
como agir de maneira que a sua ação possa ser boa, isto é, moralmente 
valiosa. Será inútil recorrer à ética com a esperança de encontrar nela 
uma norma de ação para cada situação concreta.
Daí surgem então os problemas morais e éticos, a respeito da legalidade 
também, porque o ideal é que nossas ações sejam éticas, morais e legais. Mas 
é possível agirmos de forma moral, mas ilegal? Por exemplo, se estamos num 
grande centro, às 4 horas da manhã, dirigindo um carro, o sinal fica vermelho, 
você respeita e para, ou, de forma consciente, verificando se é possível avançar, 
você avança o sinal. Você se vê no dilema interessante: ou respeita a lei e para, ou 
se previne de um suposto assalto e avança o sinal.
Mesmo que você considere a atitude avançar o sinal moral, porque é 
melhor pagar uma multa do que ser assaltado, ainda assim ela não é legal. O ideal 
é que seja legal e moral, principalmente quando se fala em administração pública.
O exemplo dado é de referência a uma decisão pessoal e que pode gerar 
consequências, uma multa de trânsito, portanto essa ação é bem particular e de 
consequência particular.
Na administração pública os dilemas morais normalmente são de âmbito 
universal e de consequência universal, portanto, a atenção à legalidade e à 
moralidade deve ser de bem mais rigor, para que as consequências não se voltem 
ao próprio agente e, pior, para que as consequências não causem dano maior à 
comunidade ou à sociedade.
Robbins (2000), em seu livro “Administração: mudanças e perspectivas”, 
traz um novo modelo de administração. Na verdade, o autor percorre o seu livro 
sob a perspectiva da analogia entre a velha e a nova administração.
Robbins (2000, p. 133) apresenta um esquema que auxilia as organizações 
a se manterem na linha ética, a partir de três perguntas:
TÓPICO 3 | MORAL
43
1 A ação política é motivada por interesses oportunistas à exclusão das 
metas da organização?
2 A ação política respeita os direitos dos indivíduos envolvidos?
3 A atividade política é razoável e justa?Uma vez respondidas essas perguntas e vistas no diagrama a seguir, pode-
se observar que a conduta da organização será realizada dentro da moralidade e 
eticidade.
FIGURA 5 – PROCESSO ÉTICO
1ª pergunta
A ação política é motivada 
por interesses oportunistas 
à exclusão das metas da 
organização?
2ª pergunta
A ação política respeita os direitos 
dos indivíduos envolvidos?
3ª pergunta
A atividade política é razoável e 
justa?
NÃO
NÃO
NÃO
SIM
SIM
SIM
ANTIÉTICA
ANTIÉTICAÉTICA
ANTIÉTICA
FONTE: Robbins (2000); Adaptado de: Cavanagh; Moberg; Valasquez (1981, p. 368)
Nesse diagrama não podemos tomar decisões oportunistas de interesse 
próprio ou que fujam aos objetivos da organização ou da missão da organização. É 
muito importante que os direitos individuais sejam respeitados, não só pela força da 
lei, mas principalmente porque as organizações se tornam mais eficientes quando o 
seu recurso humano está comprometido, envolvido e com elevado grau de satisfação.
A atividade política é razoável e justa? Toda tomada de decisão, principalmente 
no que se refere à administração pública, deve ter como pano de fundo se a ação é 
razoável e justa, caso contrário, com certeza estará infringindo princípios.
44
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ÉTICA
Decidir como agir é um problema moral, mas investigar o modo pelo 
qual a responsabilidade moral se relaciona com a liberdade dos atos é um 
problema teórico. (VÁZQUEZ, 2003). Então os problemas éticos perpassam 
pelo “tipo de razões e argumentos para demonstrar a validade do juízo moral, 
e particularmente, das normas morais”. (VÁZQUEZ, 2003, p. 19). Os problemas 
morais são do campo da prática, das ações humanas, enquanto os problemas 
éticos são do campo da teoria.
45
RESUMO DO TÓPICO 3
Nesse Tópico 3 sobre moral, as principais considerações são:
● O conceito de moral.
● As principais distinções entre ética e moral.
● As esferas da aplicabilidade da moral: universalismo e particularismo.
● A natureza humana no decorrer das teorias da administração.
● A diferença entre fatos morais de fatos sociais.
● Os aspectos de moral, imoral e amoral.
● Os problemas éticos e morais dentre os fatos que acontecem na sociedade.
46
1 Nesse exercício proposto por Srour (2011) em seu livro “Casos de ética 
empresarial: chaves para entender e decidir”, o autor propõe situações 
cotidianas para distinguir fato social de fato moral. Na coluna intitulada 
“Fato” coloque a letra S para fato social e a letra M para fato moral. Em 
seguida, justifique a sua escolha, tendo em vista as questões universalistas 
e particularistas.
AUTOATIVIDADE
Objeto de estudo Fato Justifique
1
Uma moça saudável estaciona o carro em vaga 
reservada aos portadores de deficiência física.
2 Um sujeito circula nas ruas e observa as vitrines.
3
Uma mulher grávida e uma mãe com criança no 
colo fumam em ambiente fechado.
4
Uma mulher estaciona o seu carro em vaga 
autorizada.
5
Na concessão de um empréstimo a um cliente, um 
gerente de banco pratica a venda casada, ou seja, 
força a aquisição de outro produto financeiro.
6
Um funcionário, que cuida das fichas de clientes, 
rechaça a investida de um colega que deseja 
obter informações confidenciais para montar um 
negócio.
7
Um funcionário, que cuida das fichas dos clientes, 
repassa informações confidenciais a um colega que 
quer montar um negócio.
8
Um funcionário, que lida com informações 
confidenciais constantes das fichas de clientes, 
preserva o sigilo.
9
Uma mulher estaciona seu veículo em vaga 
autorizada e verifica se mantém equidistância em 
relação às duas faixas amarelas pintadas no chão.
10
Uma empresa não só proíbe, mas vigia com rigor o 
fumo em ambiente fechado de uso coletivo.
11
Um fiscal de obras resiste às pressões de 
empreiteiro e se recusa a medir serviço que não 
atende às especificações do projeto executivo.
12
Um fiscal de obras mede rotineiramente os serviços 
realizados por empreiteiro, seguindo as regras que 
o contrato estipula.
47
13
Um fiscal de obras cede às pressões de empreiteiro 
e mede serviços inexistentes mediante propina.
14
Um gerente de banco concede um empréstimo a 
um cliente que preencheu requisitos exigidos pela 
área de crédito.
15
Um vendedor de loja de eletrônicos orienta 
detalhadamente o cliente a respeito das vantagens 
e desvantagens de um produto, fornecendo-lhe 
especificações técnicas e um quadro comparativo 
dos preços dos concorrentes.
16
Um vendedor de loja de eletrônicos consegue 
efetivar uma venda sem revelar que o produto 
tem um defeito de fabricação que só aparece após 
alguns meses de uso.
17
Um camelô garante a um cliente que o produto 
”made in China”, embora muitíssimo mais barato, 
é absolutamente idêntico àquele que se vende nas 
lojas.
18
Um comprador exige a emissão de Nota Fiscal 
Paulista dando o número de seu CPF, embora a 
caixa da loja nada tenha perguntado a respeito.
19
Um comprador fornece o número de seu 
CPF depois que a caixa da loja lhe perguntou 
rotineiramente se queria a Nota Fiscal Paulista.
20
Um cliente faz questão, no restaurante, de que não 
se emita a nota fiscal ou cupom fiscal e prefere 
pagar em dinheiro vivo e não com cartão de crédito 
ou cheque.
FONTE: Srour (2011, p. 26-27)
2 Quais são as principais diferenças que você pode apontar entre ética e moral?
3 Do ponto de vista ético e moral, o que você acha da afirmação: sempre houve 
e sempre haverá corrupção no Brasil quando se fala de política. 
4 Do ponto de vista ético e moral, diante de uma distribuição desigual de carga 
tributária, de mau uso dos governantes e da fragilidade de mecanismo de 
controle, a sonegação fiscal se justifica? Seja você pessoa física ou jurídica? 
48
49
TÓPICO 4
RELAÇÕES HUMANAS
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Esse quarto e último tópico da Unidade 1 vem apresentar as relações 
humanas, no sentido de dar conta da visão multidimensional do ser humano em 
relação às suas possibilidades de se relacionar.
2 RELAÇÕES SOCIAIS
Ninguém vive sozinho, o sentido de interdependência já se adquire 
desde o nascimento. Somos afetados todo tempo por relações humanas, seja no 
nosso condomínio, na universidade, igreja, ou em quaisquer dos lugares que 
frequentamos ou que intercedemos. Então, relações humanas é toda e qualquer 
interação humana.
FIGURA 6 – GENTILEZA
FONTE: Disponível em: <http://oimpressionista.files.wordpress.com/2006/04/gentileza.
JPG?w=395&h=294>. Acesso em: 15 jan. 2012.
50
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ÉTICA
NOTA
O Profeta Gentileza foi uma pessoa que viveu nas ruas da cidade do Rio de 
Janeiro, em que escrevia mensagens de paz, amor e gentileza. Ele passou a viver na rua após 
ter perdido toda a família no incêndio em Niterói-RJ.
Gentileza é um modo de agir, um jeito de ser, uma maneira de 
enxergar o mundo. Ser gentil, portanto, é um atributo muito mais 
sofisticado e profundo que ser educado ou meramente cumprir regras 
de etiqueta, porque, embora possamos (e devamos) ser educados, a 
gentileza é uma característica diretamente relacionada com caráter, 
valores e ética; sobretudo, tem a ver com o desejo de contribuir para 
um mundo mais humano e eficiente para todos. Ou seja, para se tornar 
uma pessoa mais gentil, é preciso que cada um reflita sobre o modo 
como tem se relacionado consigo mesmo, com as pessoas e com o 
mundo. (BRAGA, 2011).
Rosana Braga (2011) dá dicas práticas para que a gentileza seja exercitada 
no dia a dia das pessoas. É uma relação de atitudes básicas para que as pessoas 
possam se harmonizar. Vejamos as dez ações de gentileza:
1 Tente se colocar no lugar do outro - isso o ajuda a entender melhor as pessoas, 
seu modo de pensar e agir.2 Aprenda a escutar - ouvir é muito importante para solucionar qualquer 
desavença ou problema.
3 Pratique a arte da paciência - evite julgamentos e ações precipitadas.
4 Peça desculpas - isso pode prevenir a violência e salvar relacionamentos.
5 Pense positivo - procure valorizar o que a situação e o outro têm de bom e 
perceba que este hábito pode promover verdadeiros milagres.
6 Respeite as pessoas - quando elas pensarem e agirem de modo diferente de 
você. As diferenças são uma verdadeira riqueza para todos.
7 Seja solidário e companheiro - demonstre interesse pelo outro, por seus 
sentimentos e por sua realidade de vida.
8 Analise a situação. Alcançar soluções pacíficas depende de se descobrir a 
raiz do problema.
TÓPICO 4 | RELAÇÕES HUMANAS
51
9 Faça justiça. Esforce-se para compreender as diferenças e não para ganhar, 
como se as eventuais desavenças fossem jogos ou guerras.
10 Mude a sua maneira de ver os conflitos. A gentileza nos mostra que o conflito 
pode ter resultados positivos e ainda tornar a convivência mais íntima e confiável.
Toda sociedade é composta por pessoas, toda organização é movida e depende 
de pessoas, que se chamam recursos humanos. Por esse motivo é muito importante 
que as organizações estejam atentas e se preparem para gerir seus recursos humanos. 
O campo de estudo de recursos humanos é muito vasto, desde o recrutamento e 
seleção até os mecanismos motivacionais e de permanência na organização.
As pessoas por si só carregam em si uma diversidade e pluralidade que 
podem ajudar a organização, e ao mesmo tempo a unidade da organização exige 
que o comportamento humano seja voltado aos princípios dessa organização. 
A pessoa, portanto, passa a desenvolver dois papéis fundamentais quando 
inserida na organização: o papel de pessoa e o papel de recurso, como se observa 
na figura a seguir:
FIGURA 7 – PESSOAS COMO PESSOAS E COMO RECURSOS
PESSOAS
Personalidade e individualidade,
aspirações, valores, atitudes,
motivações e objetivos pessoais.
Habilidades, capacidades,
experiências, destrezas e
conhecimentos necessários.
Como pessoas Como recursos
FONTE: Chiavenato (2004, p. 59)
O ser cidadão é compreendido como um fenômeno multidimensional, 
porque se relaciona com a família, em grupos religiosos, no trabalho, na escola 
ou universidade, em clubes etc. As relações sociais nada mais são que todas essas 
relações isoladas e ao mesmo tempo em intersecção.
52
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ÉTICA
Cada pessoa possui uma personalidade própria e diferenciada e influi 
no comportamento e nas atitudes das outras com quem mantém 
contatos e é, por outro lado, igualmente influenciada pelas outras. 
As pessoas procuram ajustar-se às demais pessoas e grupos: querem 
ser compreendidas, aceitas e participar, no intuito de atender a seus 
interesses e aspirações pessoais. (CHIAVENATO, 2003, p. 107).
A pessoa, portanto, diante dessas múltiplas relações humanas e sociais, se 
apresenta a uma organização como pessoa com suas demandas pessoais e como 
recurso também, com suas habilidades e competências:
O comportamento humano é influenciado pelas atitudes normais 
e informais existentes nos grupos dos quais participa. É dentro da 
organização que surgem novas oportunidades de relações humanas, 
devido ao grande número de grupos e interações resultantes. 
(CHIAVENATO, 2003, p. 107).
O diagrama que segue permite visualizar e compreender melhor essa dupla 
via da pessoa inserida numa organização diante das variáveis intervenientes, 
com seus anseios enquanto pessoas (objetivos pessoais) e como servidora de uma 
organização (objetivos coletivos).
FIGURA 8 – VARIÁVEIS INTERVENIENTES
FONTE: Chiavenato (2004, p. 61)
As relações sociais são importantes, porque favorecem a diversidade de 
vidas que, aliadas, podem favorecer em recursos criativos e dinâmicos para a 
organização; em contrapartida, podem apresentar conflitos de valores e pessoais.
Mas, dentro de uma organização as relações sociais devem ser entendidas 
no limite da política da organização, respeitando o seu código de moral. É por 
esse motivo que o campo de estudo dos Recursos Humanos é enorme, porque 
além de ter que dar conta da complexidade do ser humano, ainda se encarrega de 
motivar e se adequar às transformações da sociedade, no que diz respeito às leis, 
à moralidade, aos valores e aos costumes.
Fatores internos Fatores externos
▪ Personalidade
▪ Aprendizagem
▪ Motivação
▪ Percepção
▪ Valores
▪ Ambiente organizacional
▪ Regras e regulamentos
▪ Cultura
▪ Políticas
▪ Métodos e processos
▪ Recompensa e punições
▪ Grau de confiança
Comportamento
da pessoa
dentro da
organização
A pessoa na 
organização
TÓPICO 4 | RELAÇÕES HUMANAS
53
Na administração pública também existe uma política para seus recursos 
humanos, e se você observar as principais leis, planos de carreiras, estatutos de 
servidores, você observará que todos procuram limitar a ação do servidor público 
para que ele não aja contra a moral e a ética. Como também observará que os seus 
direitos de cidadão procuram ser preservados.
De acordo com Chiavenato (2004, p. 123-124), os recursos humanos 
devem seguir uma política que irá beneficiá-los, mas em contrapartida os exigirá 
na otimização de seus deveres e trabalho para que a organização se desempenhe 
melhor, como o autor coloca:
Em função da racionalidade organizacional, da filosofia e da cultura 
organizacional, surgem políticas. Políticas são regras estabelecidas 
para governar funções e assegurar que elas sejam desempenhadas 
de acordo com os objetivos desejados. Constituem uma orientação 
administrativa para impedir que as pessoas desempenhem funções 
indesejáveis ou ponham em risco o sucesso de suas funções específicas. 
Assim, políticas são guias para a ação. Servem para prover respostas 
às questões ou aos problemas que podem ocorrer com frequência [...].
Como na gestão pública deve-se administrar essa diversidade? O grau de 
discricionariedade das pessoas e da gestão pública é mínimo, o servidor público 
e as organizações públicas seguem uma linearidade dentre as múltiplas leis que o 
regem e também dentre a convenção de ser um servidor público.
2.1 URBANIDADE E CIVILIDADE
O que a palavra urbanidade significa para você? Com certeza logo 
associamos a urbano, ou seja, à cidade; e esquecemos ou desconhecemos o outro 
significado, que é cortesia. Em algumas das leis que discorrem pelos deveres dos 
servidores, é comum encontrarmos: “tratar com urbanidade”.
De acordo com o Dicionário Aurélio (2001, p. 736), urbanidade é qualidade 
de urbano; cortesia; civilidade, e ainda aponta urbanidade: antônimo de grosseria.
Urbanidade é cortesia.
ATENCAO
Um dos sinônimos, portanto, de urbanidade, dado pelo dicionário, é 
civilidade. Então, urbanidade e civilidade são a mesma coisa? Vejamos novamente 
o que o dicionário diz sobre civilidade: “Conjunto de formalidades observadas 
pelos cidadãos entre si, em sinal de respeito mútuo”. (FERREIRA, 2001, p. 166).
54
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ÉTICA
FIGURA 9 – CIVILIDADE
FALTA CIVILIDADE
AOS MOTORISTAS! REPETE SE
FOR HOMEM!
FONTE: Disponível em: <http://4.bp.blogspot.com/-FcrAfQWH0ZM/T081HpjhVlI/AAAAAAAALLU/
ngy-ALo51do/s640/Civilidade-transito.jpg>. Acesso em: 15 jan. 2012.
DICAS
Civilidade é respeito às normas de convívio.
Civilidade é o respeito das normas de convívio da sociedade. É a civilidade 
que permite que as pessoas convivam dentro das organizações e façam interações, 
mas tendo os valores morais como norteadores.
2.2 SOLIDARIEDADE
A solidariedade é um aspecto destacado, porque é através dela que o ser 
humano pode dispor de seu objetivo pessoal em prol do objetivo coletivo.
TÓPICO 4 | RELAÇÕES HUMANAS
55
FIGURA 10 – SOLIDARIEDADE
AS PESSOAS ESPERAM
QUE O ANO QUE ESTÁ
COMEÇANDO SEJA MELHOR
 QUEO ANTERIOR
APOSTO QUE O ANO QUE
ESTÁ COMEÇANDO ESPERA
QUE AS PESSOAS É
QUE SEJAM MELHORES
FONTE: Disponível em: <http://www.perguntascretinas.com.br/wp-content/uploads/2008/01/
mafalda.jpg>. Acesso em: 15 jan. 2012.
De acordo com Srour (2011, p. 45), existem dois tipos de interesses 
pessoais: egoísta, “quando beneficia exclusivamente o indivíduo à custa dos 
outros e, portanto, assume feições abusivas e particularistas; e autointeresse, 
“quando beneficia o indivíduo sem prejudicar outrem, e, portanto, assume feições 
consensuais e universalistas, pois salvaguarda a individualidade e interessa a 
todos”. Tal como pode ser observado no esquema que segue:
FIGURA 11 – O AUTOINTERESSE E O EGOÍSMO
A satisfação de
interesses pessoais
gera bem restrito
Indivíduo age de forma
benigna e não prejudica
outros
Autointeresse
(individualidade)
Egoísmo
(exclusividade)
Indivíduo age de forma
nociva e prejudica 
outros
PR
Á
TI
C
A 
C
O
N
SE
N
SU
A
L
PR
Á
TI
C
A 
 A
B
U
SI
VA
FONTE: Srour (2011, p. 45)
56
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ÉTICA
Nesse pensamento Srour (2011) aborda a questão do altruísmo, que de acordo 
com o senso comum o tem colocado no sentido de abnegação, filantropia, amor ao 
próximo, entre outros. De acordo com o dicionário, altruísmo é um sentimento de 
quem põe o interesse alheio acima do seu próprio. É exatamente sobre esse aspecto 
que o autor quer considerar, longe do senso comum, de que altruísmo é sacrificar-
se, mas sim valorizar o outro, valorizar os interesses dos outros.
Srour (2011) classifica estágios de altruísmo, o interesse é continuar a tese 
de que a solidariedade está ao lado do altruísmo e, portanto, é prática da esfera 
do universalismo, enquanto que pensar somente em seus interesses é uma prática 
do universo do particularismo.
O interessante nas questões sobre altruísmo é que não é uma atitude 
apenas de instituições de caridade ou similares, pode ser uma ação prática do dia 
a dia. É um sentimento como dita o dicionário, um sentimento a ser interiorizado 
e praticado, como observa:
Agir de forma altruísta, por conseguinte, não exige necessariamente 
uma atitude de franco desprendimento, pois basta adotar uma postura 
cooperativa e solidária, ou basta exercitar o senso de interdependência. 
Equivale a levar em conta os interesses dos outros para não prejudicá-
los; procurar beneficiá-los; procurar beneficiá-los na medida do 
possível; cuidar de si e dos demais para induzi-los à reciprocidade. 
(SROUR, 2011, p. 29).
A solidariedade, o altruísmo, é a máxima do cristianismo, é fazer ao próximo 
o que gostaria que fizesse com você. E todas essas virtudes da solidariedade estão 
imbuídas no serviço público, em que o bem comum é o fim em si mesmo.
3 RESPONSABILIDADE SOCIAL
A responsabilidade social sempre foi o tema principal da gestão pública 
e se expandiu às empresas privadas. E no meio empresarial têm se tornado 
crescentes os instrumentos e mecanismo de adesão, implantação e controle.
A responsabilidade social se desenvolve a partir da sustentabilidade, 
ou seja, que os recursos sejam usados e não comprometam as futuras gerações. 
A princípio pensa-se em recursos naturais, por isso o crescimento enorme de 
controlar a interação do ser humano com o meio ambiente.
Contudo, a responsabilidade social vai além do meio ambiente, ela se 
constrói no tripé do ambiental, social e econômico.
TÓPICO 4 | RELAÇÕES HUMANAS
57
DICAS
Sustentabilidade – é a capacidade do ser humano de interagir com o meio 
ambiente sem comprometer os recursos naturais das gerações futuras.
Observemos o que Chiavenato (2003, p. 472) escreve sobre a 
responsabilidade social:
EXISTE UMA NOVA ORDEM MUNDIAL. A globalização dos negócios 
está derrubando fronteiras, queimando bandeiras e ultrapassando diferentes 
línguas e costumes e criando um mundo inteiramente novo e diferente: o 
mundo globalizado. Além disso, vivemos em um mundo mutável e turbulento, 
onde a mudança é a única certeza e o elemento constante. A tecnologia – e 
principalmente a tecnologia da informação – está alterando profundamente 
o trabalho nas organizações e proporcionando facilidade nas comunicações e 
interações, além de impactar profundamente a vida das pessoas. Muito mais 
do que em qualquer momento da história da civilização, as organizações 
fazem parte integrante e inclusiva da sociedade moderna. Mais do que isso, as 
organizações constituem a mais inventiva e sofisticada das invenções humanas. 
E elas estão transpondo suas tradicionais fronteiras e envolvendo a sociedade 
a seu redor. Estão se tornando cada vez mais visíveis e transparentes. Elas 
precisam dar conta do seu trabalho à sociedade e prestar benefícios à sociedade. 
De outra maneira, seriam perfeitamente descartáveis. A responsabilidade social 
está se tornando um imperativo para o sucesso organizacional.
A forma como se utilizam recursos, a preocupação provinda dos limites 
de recursos naturais, o atendimento às necessidades dos recursos humanos, o seu 
bem-estar como um todo dentro e fora da organização, a comunidade na qual 
a organização está inserida e a sociedade como um todo são temas e objetos da 
responsabilidade social.
Sob o ponto de vista da responsabilidade empresarial, Alonso, López e 
Castrucci (2010, p. 184) definem: “é uma tomada de consciência da empresa que 
a leva a assumir livremente atividades e encargos em prol da sociedade em que 
está inserida”.
58
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ÉTICA
A responsabilidade social ajuda todos a viverem melhor.
ATENCAO
FIGURA 12 – A RESPONSABILIDADE É DE TODOS
FONTE: Disponível em: <http://jmcconsult.com.br/wp-content/uploads/2011/04/
responsabilidade-social.jpg>. Acesso em: 15 mar. 2012.
Os autores ainda observam a distinção entre responsabilidade social de 
ações sociais e emergenciais. A responsabilidade social é proativa, se antecipa 
diante das necessidades de sua comunidade ou sociedade. Diferentemente 
de uma ação emergencial, por exemplo, numa calamidade ou num estado de 
enchente, as ações que o governo, empresas privadas possam tomar para ajudar 
se configuram em ações emergenciais. As ações sociais já se configuram dentre as 
medidas contratuais de cunho social, por exemplo, o pagamento de salários, as 
contribuições à Previdência Social, o pagamento de impostos e taxas etc.
TÓPICO 4 | RELAÇÕES HUMANAS
59
3.1 GESTÃO PÚBLICA E A RESPONSABILIDADE SOCIAL
Como visto anteriormente, não basta à gestão pública cumprir suas 
ações sociais e emergenciais, ela deve sempre estar atenta às necessidades de 
sua sociedade. Para tanto, para que haja civilidade, algumas medidas da boa 
convivência precisam ser tomadas, bem como as políticas públicas de inclusão e 
de equidade.
A responsabilidade social da gestão pública tem como premissa o artigo 
3º da Constituição Federal de 1988 (BRASIL, 1988), que assim determina:
I – construir uma sociedade livre, justa e solidária;
II – garantir o desenvolvimento social;
III – erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades 
sociais e regionais;
IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, 
cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.
A implantação e implementação de políticas públicas vêm ao encontro 
dos chamados novos direitos, como subterfúgios da sociedade e do Estado em 
prover ações voltadas aos direitos humanos. E é nesse sentido que novos arranjos 
entre Estado-sociedade, empresa-sociedade, organizações civis-sociedade vêm se 
organizando e compondo novas formas de gerir e avaliar o serviço público, as 
políticas públicas e a produção do bem comum.
4 DIREITOS
Com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1948, no calor do 
fim da Segunda Guerra Mundial, os direitos do ser humano tomaram consciência 
e força. E com o passar dos anos tornou-secada vez mais interveniente, uma vez 
que a história humana foi marcada por muitas barbáries.
60
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ÉTICA
FIGURA 13 – DECLARAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS
FONTE: Disponível em: <http://4.bp.blogspot.com/-wtiW0aElgKU/TlI61Z0pS6I/AAAAAAAAAfE/
uJ6NNL6ijiM/s640/declaracao_direitos_humanos_1.jpg>. Acesso em: 15 jan. 2012.
No Brasil contamos com diversas leis que têm como princípio observar 
e garantir os direitos humanos, tal como a própria Constituição Federal de 1988 
(BRASIL, 1988), artigos 5 e 6 do Título II – Dos Direitos e Garantias Fundamentais, 
a Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003, conhecida como o Estatuto do Idoso, 
a Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990, com alterações dadas pela Lei nº 8.242, de 
12 de outubro de 1991, conhecida como o Estatuto da Criança e do Adolescente, 
e a Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, que institui o Código Civil, ou seja, as 
principais normas de civilidade e direitos sociais.
TÓPICO 4 | RELAÇÕES HUMANAS
61
5 CIDADANIA
A cidadania vem da ideia de polis, que quer dizer cidade, em que na Grécia 
antiga as pessoas se reuniam e participavam nas decisões do bem comum. Com o 
passar do tempo, o conceito de cidadania foi ampliado aos deveres e direitos dos 
seres humanos e ao conjunto de valores da sociedade, mas no senso comum está 
sempre mais ligado à preservação dos direitos e identidade dos seres humanos e 
capacidade de participação.
FIGURA 14 – CIDADANIA
FONTE: Disponível em: <http://www.canalkids.com.br/cidadania/genteboa/
index.htm>. Acesso em: 15 jan. 2012.
5.1 CONCEITO DE CIDADANIA
A origem da palavra cidadania vem do latim civitas, que quer dizer 
cidade, assim como a polis do grego, dando o sentido da participação de todos 
nos processos decisórios, frente aos deveres e direitos. Como define Dallari 
(1998, p. 14), “a cidadania expressa um conjunto de direitos que dá à pessoa a 
possibilidade de participar ativamente da vida e do governo de seu povo”. 
Nesse sentido dado à cidadania, as pessoas eximidas de seus direitos tornam-se 
excluídas do processo de cidadania.
Para efeito da cidadania, parece que o ser humano, pessoa, indivíduo ou 
cidadão tenha singularidades, pelo contrário, nos parece mesmo que, qualquer 
que seja a etimologia ou simbologia, os seres humanos – pessoas – indivíduos - 
cidadãos são iguais em plenos direitos e deveres.
Corrêa (2002) classifica o ser, a fim de mostrar que a cidadania abrange mais 
os seres sob o ponto de vista dos direitos e deveres e também do ponto de vista das 
atitudes e comportamentos, como podemos observar no quadro a seguir:
62
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ÉTICA
QUADRO 4 – A EVOLUÇÃO DO SER
O SER HUMANO O SER INDIVÍDUO O SER PESSOA O SER CIDADÃO
Diz respeito à espé-
cie, à classificação, 
àqueles que possuem 
razão.
Um representante en-
tre a espécie. Pode-se 
considerar também os 
animais.
Pertence ao mundo 
civilizado, ou a soma 
de valores morais, éti-
cos, jurídicos próprios 
da civilização.
Pertencente a um Es-
tado livre, com direi-
tos civis e políticos, e 
também desempenha 
os deveres.
FONTE: Disponível em: <www.portaldosfilosofos.com.br>. Acesso em: 4 abr. 2012.
As questões filosóficas sempre trouxeram a questão do ser e do devir, e 
essa ontologia do ser transformou-se ao longo do seu contexto histórico, da sua 
prática, por que não dizer, até de seu espaço geográfico. 
Dessa forma, poderíamos observar o Ser cada vez mais abrangente, no 
sentido de participação, comprometimento, autonomia e criticidade. A figura a 
seguir demonstra essa evolução:
FIGURA 15 – AS DIMENSÕES DO SER
* Ser Cidadão
* Ser Indivíduo
* Ser Humano
* Ser Pessoa
FONTE: Adaptado de: Corrêa (2002)
Contudo, não se pretende aqui reafirmar a importância da classificação 
apresentada por Corrêa (2002), mas sim apresentar que a equação dos seres 
sofre evolução naturalmente, da mesma forma que a sociedade transforma suas 
atitudes, seus pensamentos e seus comportamentos.
TÓPICO 4 | RELAÇÕES HUMANAS
63
A vida a todo tempo nos dá oportunidade de fazer escolhas, e são essas 
escolhas que nos possibilitam sermos. Embora em cada ambiente ou organização 
em que estejamos inseridos possamos desempenhar distintos papéis, ainda 
assim a essência do ser humano não se distingue porque exercermos uma ou 
outra função. Em outras palavras, quando falamos de ética, devemos ser éticos 
em qualquer que seja a nossa função em determinada organização, e mais, 
continuarmos sendo em nossas atitudes cotidianas, assim como prevê o Decreto 
no 1.171 de 1994, item VI do Capítulo I (BRASIL, 1994):
A função pública deve ser tida como exercício profissional e, portanto, 
se integra na vida particular de cada servidor público. Assim, os fatos 
e atos verificados na conduta do dia a dia em sua vida privada poderão 
acrescer ou diminuir o seu bom conceito na vida funcional. 
Vejamos algumas das questões colocadas por Vázquez (2003, p. 15) a esse 
respeito: 
Devo dizer sempre a verdade ou há ocasiões em que devo mentir? 
Quem, numa guerra de invasão, sabe que o seu amigo Z está 
colaborando com o inimigo, deve calar, por causa da amizade, ou deve 
denunciá-lo como traidor? Podemos considerar bom o homem que se 
mostra caridoso com o mendigo que bate à sua porta e, durante o dia – 
como patrão – explora impiedosamente os operários e os empregados 
da sua empresa?
Diante dessas questões, e com um pouco de observação, podemos tirar no 
dia a dia muitas atitudes humanas que ora permitem a coerência do ser humano 
com seus princípios éticos e morais, mas ora divergem conforme os interesses 
pessoais e momentâneos.
A relação entre meios e fins pressupõe que a pessoa moral não existe 
como um fato dado [...], mas é instaurada pela vida intersubjetiva e social, 
precisando ser educada para os valores morais e para as virtudes.
FONTE: Disponível em: <http://www.seuconcurso.com.br/interpretsss/inter09.htm>. Acesso em: 
28 mar. 2012.
A cidadania é, portanto, reflexo das ações do Estado, e o ensino público 
torna-se também reflexo de como essa cidadania pode ser absorvida. Demo 
(1995) destaca um comparativo entre cidadania e formas de Estado, que pode ser 
observado no quadro que segue:
64
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ÉTICA
QUADRO 5 – O ESTADO PELO PONTO DE VISTA DA CIDADANIA
 ESTADO VISTO PELOS TIPOS DE CIDADANIA 
CIDADANIA DEFINIÇÃO FUNÇÃO CONSTITUIÇÃO TAMANHO
EMANCIPADA Serviço público
Equalização de 
oportunidades; 
redistributivo
Democrático 
(direito)
Legítimo e 
necessário
TUTELADA
Apropriada 
privadamente
Reserva de 
privilégios e 
vantagens
Força, exceção, 
privilégio Mínimo
ASSISTIDA Proteção Distributivo Assistencial Máximo
FONTE: Demo (1995, p. 16)
Na verdade, o título do quadro acima sugere o Estado consequente à 
cidadania, quando na verdade a cidadania é eminente ao Estado. De qualquer 
forma, o quadro é ilustrativo para que possamos observar, dentro do ensino 
público, o tipo de cidadania que está sendo fomentada.
Como se poderá observar posteriormente, no Brasil, o Estado é Democrático 
e de Direito, posto pela Constituição Federal de 1988 (BRASIL, 1988), mas será que 
a nossa cidadania é emancipada? O que se tem nas escolas são políticas públicas 
voltadas à cidadania assistida, tais como: bolsa escola, alimentação escolar, 
uniforme e materiais gratuitos, livros, leite e pão como reforço para os fins de 
semana. Essa dicotomia entre emancipação e assistência é contribuição que o 
Estado impõe à educação, sobrecarregando-a de ações sociais que distorcem a 
sua contribuição à efetividade da cidadania emancipada.
Demo (1995, p. 16) conceitua cidadania como a “competência humana de 
fazer-se sujeito, para fazer história própria e coletivamente organizada”. Covre 
(1991), em seu livro dedicado ao tema, além de considerar as questões históricas,filosóficas e sociológicas que permeiam o conceito, de forma simples, resume 
cidadania ao direito pleno à vida.
Numa perspectiva diferente sobre cidadania, sob aspectos na mão dupla 
entre Estado e cidadão, Demo (1995) desdobra a cidadania em três tipos: cidadania 
tutelada, cidadania assistida e cidadania emancipada. Essa ideia coaduna com 
os autores Alonso, López e Castrucci (2010) quando das obrigações sociais e 
emergenciais do governo.
● Cidadania tutelada: é a cidadania que a elite econômica e política pratica, 
excludente e de privilégios (Paternalismo).
● Cidadania assistida: a sociedade começa a ter noção de seus direitos e estes 
devem ser garantidos pelo Estado (Assistencialismo).
● Cidadania Emancipada: é o governo proativo, que faz uso da democracia e tem 
o entendimento de que o Estado deve servir e buscar medidas que conduzam 
ao bem comum.
TÓPICO 4 | RELAÇÕES HUMANAS
65
QUADRO 6 – ESTADO VISTO PELOS TIPOS DE CIDADANIA
CIDADANIA DEFINIÇÃO FUNÇÃO CONSTITUIÇÃO
Emancipada Serviço público Equidade Democrático
Tutelada
Apropriada 
privadamente
Reserva de privilégio
Força, exceção, 
privilégio
Assistida Proteção Distributivo Assistencial
FONTE: Demo (1995, p. 17)
O quadro a seguir demonstra que a administração pública vestida de 
Estado deve superar os estágios de assistencialismo e tutelar, a fim de propor 
a emancipação de servir aos seus cidadãos as diretrizes dos valores morais do 
âmbito do universalismo.
QUADRO 7 – DESENVOLVIMENTO DO HOMEM EM RELAÇÃO AOS FINS
Desenvolvimento humano sustentado
Com respeito aos FINS
Equidade
Democracia
Direitos Humanos
Bem comum
Superar a pobreza política (ignorância)
Promover formação do sujeito histórico coletivamente competente
Educação de qualidade para todos
Associativismo
FONTE: Demo (1995, p. 18)
O conceito de cidadania emancipada transforma o desenvolvimento 
humano sustentado no que diz respeito aos fins, ou seja, as premissas de uma 
sociedade democrática e que visa ao bem comum.
UNI
A leitura complementar é muito importante, porque além de dar maiores referências 
sobre os temas discutidos, permite um aprofundamento do tema principal e suas ramificações. 
Nesse sentido, a proposta da leitura complementar a seguir é indicar um estudo que proporcionará 
o enriquecimento do conteúdo e também o descobrimento de novos conhecimentos.
Esse texto é resultado de uma entrevista realizada pela professora Maria Lúcia Toralles-
Pereira (Instituto de Biociências de Botucatu, Universidade Estadual Paulista/UNESP), com 
colaboração de Adriana Ribeiro (assistente editorial da Revista Interface, Fundação Uni) ao 
Doutor Roberto Romano.
66
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ÉTICA
NOTA
Roberto Romano é filósofo, com doutorado na École des Hautes Études en 
Sciences Sociales, Paris, professor adjunto da Faculdade de Educação da Universidade Estadual 
de Campinas - Unicamp, onde exerce o cargo de vice-diretor. Com inúmeras publicações na 
área de Ciências Sociais, é figura incontestável no cenário intelectual brasileiro, por expressar 
posicionamentos críticos sobre temas extremamente complexos e de grande relevância atual.
FONTE: Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-328320
02000100012>. Acesso em: 28 mar. 2012.
LEITURA COMPLEMENTAR
SOBRE ÉTICA E MORAL
Roberto Romano
Procuro sempre, no interior da vida intelectual brasileira, discutir criticamente 
o conceito imperante de ética, porque vejo nele um grande perigo. No Brasil de hoje, 
quando se fala no assunto, o termo recebe quase imediatamente a conotação de algo 
positivo, desejável e bom. A ética definiria as regras de ação recomendáveis para o 
coletivo e os indivíduos. Semelhante identificação do ético com o bom é problemática. 
O conceito de ética é mais abrangente do que as noções de bem e de mal, pois significa 
o conjunto de hábitos introduzidos e reiterados num determinado tempo e sociedade, 
tornando-se quase automáticos nas consciências humanas, como se fossem uma 
segunda natureza. Qualquer ato nosso, reflexivo ou ativo, pode ter conotação boa ou 
má. Muitos hábitos coletivos, introduzidos no transcurso da história, sobretudo no 
Ocidente, na Europa e Américas, são nocivos à vida espiritual. Há o campo enorme 
de representações coletivas que a Filosofia do século XVII ou XVIII definia como 
"preconceitos". Que um valor seja aceito por sociedades nacionais ou transnacionais 
como inquestionável é um ponto. Que ele seja inquestionável é algo muito diferente.
Por exemplo, temos o antissemitismo. Trata-se de uma forma de 
comportamento presa ao conjunto de valores surgidos na Idade Média, a partir 
de equívocos doutrinários, históricos e religiosos. Ao longo da Idade Média e no 
início do Estado Moderno, ele foi ampliado por problemas de ordem econômica 
e política, sendo reiterado por juízos equivocados, emitidos por grandes 
homens e líderes religiosos, como é o caso de Lutero. Na História Moderna ele 
foi repetido pelos seguidores de Lutero e também do catolicismo. No século 
XIX o antissemitismo uniu-se às doutrinas supostamente científicas, de cunho 
racista. Tais doutrinas foram espalhadas por meio da imprensa, das cátedras 
universitárias, dos livros, e tornaram-se uma forma "espontânea" de pensar entre 
largas camadas da população. Na Alemanha, quando surgiu o nazismo, ele já 
encontrou um solo fértil de atitudes diante do judeu, do árabe etc. O nazismo 
TÓPICO 4 | RELAÇÕES HUMANAS
67
vem coroar um costume plenamente ético, mas hediondo e imoral, já que sapa a 
consciência moral que exige a unidade do ser humano: judeus, árabes ou negros, 
todos integram o ser humano. O ético, assim entendido, tem um atrativo muito 
grande, porque nele se descreve o “concreto”, a vida do povo.
O moral é mais abstrato, porque apela para a consciência invisível. Mas o 
moral é importante para verificarmos a veracidade, a bondade do ético. Este último 
é necessariamente coletivo: não existe ética individual. Já o moral apresenta-se 
coletivamente, mas tem sua vigência na individualidade. O juízo moral exige 
que se suspenda temporariamente o juízo ético, pois ele é mais exigente que o 
ético. Quem defende uma linha puramente ética da cultura, critica o chamado 
“moralismo” - o moralismo abstrato - porque ele seria uma afirmação de valores 
que não se corporifica imediatamente, enquanto o contrário ocorre com o ético.
O ético, pois, é muito mais atraente. A “opinião pública” quase sempre é 
ética (o que não quer dizer que é exata!). Há casos horrendos de costumes éticos, 
como, por exemplo, no caso brasileiro, a falta de respeito pelas leis de trânsito. Esta 
atitude coletiva entre nós pode ser vista, pelos estudiosos do fato ético, como um 
costume sancionado. Mas trata-se de algo plenamente imoral, porque nele tem-se 
em mente a prioridade do material sobre o espiritual. Se alguém possui condições 
econômicas para adquirir um veículo importado da marca Audi, consegue o 
direito de matar. Na consciência dos atores sociais existe esse direito, o que é 
profundamente imoral e antiético, no sentido correto da palavra. Não há dono de 
carro Audi (a não ser que ele seja um sujeito moral extremamente elevado), que 
não acredite: sua posse de um Audi goza do privilégio de andar a 170 quilômetros 
por hora numa estrada pública. A própria propaganda da Audi incentiva isso: 
“quando você enxergar esse logotipo, passe para a direita”. Atribui-se aos donos 
de veículos o estatuto de semideuses, acima do bem e do mal. 
Por tudo isso eu me preocupo muito com a veiculação sem prudência 
da “ética” como se ela fosse um corretivo para a sociedade brasileira. Acho 
que a nossa vida social, inclusive a universidade e a pesquisa brasileiras, estão 
profundamente marcadas por traços éticos indesejáveis.
FONTE: Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-32832002000100012>. Acesso em: 28 mar. 2012.
68
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ÉTICA
UNI
Existem algumas referências técnicas que poderão ajudá-lo(a) no aprofundamento 
do conceito de ética e moral, como também existem obras literárias e filmes que ajudarão 
você a ampliar o seu conhecimento, principalmente no que se refere às condutas morais. 
Vejamos:
• Ética: BOFF, Leonardo. Ética e Moral: a busca dos fundamentos. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2003.
• Ética profissional: SÁ, Antônio L. de. Ética profissional. São Paulo. Atlas, 1996.
• Política: ARISTÓTELES. Política. Tradução Mário da Gama Kury, Brasília: UnB, 1989.
• Infanticídio: XINRAN, Sue. Mensagem de uma mãe chinesa desconhecida. Tradução 
Caroline Chang. São Paulo. Companhia das Letras, 2011.
Xinran é jornalista e nesse livro conta as histórias verídicas de mulheres 
chinesas em relação à cultura machista do único filho homem. São dez 
histórias que contam a interrupção da relação mãe e filha.
• Poligamia: CHIZIANE, Paulina. NIKETCHE: uma história de poligamia. São Paulo: Companhia 
das Letras, 2004.
Esse livro é um romance que aborda a questão da poligamia. Rami, a 
personagem do livro, é casada com Tony por 20 anos, até que ela descobre 
que o marido possui várias outras mulheres e filhos. Esse livro retrata a 
cultura de Moçambique em relação à prática e costume da poligamia.
TÓPICO 4 | RELAÇÕES HUMANAS
69
• Excisão feminina ou circuncisão feminina: WARIS, Dirie; MILLER, Cathleen. Flor no deserto. 
São Paulo: Editora Hedra, 2001.
Esse livro é um relato de Waris Dirie, modelo internacional e 
embaixadora das Organizações das Nações Unidas – ONU, em que luta 
pela erradicação da mutilação genital feminina. Nascida no deserto da 
Somália, Waris Dirie foi mutilada igualmente a muitas outras meninas. 
Ela foge de seu país e chega a Londres, onde desenvolveu trabalhos 
domésticos até se projetar mundialmente como modelo e porta-voz da 
luta contra a circuncisão feminina.
• História da mulher no Brasil: DEL PRIORE, Mary (Org.). História das mulheres no Brasil. São 
Paulo: Contexto, 1997.
Essa obra conta a trajetória das mulheres, desde o Brasil colonial. O 
livro conta a história da mulher, os principais aspectos de seu tempo e 
interseções como: família, trabalho, mídia, literatura, violência, entre outros.
• VIDEOTECA
Flor do Deserto (2009)
Filme baseado no livro de autobiografia da modelo somali Waris Dirie, 
circuncidada aos cinco anos e vendida para um casamento arranjado. 
A garota fugiu, atravessando o deserto por dias e passou o resto da 
adolescência sem ser alfabetizada. Foi para os Estados Unidos, descoberta 
por um fotógrafo e se tornou uma modelo mundialmente conhecida, além 
de ser embaixadora da ONU no combate à mutilação genital feminina.
70
RESUMO DO TÓPICO 4
No Tópico 4 apresentaram-se as relações humanas dentre as suas 
principais interações entre indivíduos e Estado. Foi possível, portanto:
● Compreender as relações humanas e sociais.
● Introdução à responsabilidade social pelas organizações públicas e privadas.
● O entendimento quanto aos direitos humanos.
● O conceito de cidadania.
● Os desdobramentos da cidadania do ponto de vista do cidadão e do Estado.
71
AUTOATIVIDADE
1 Depois de efetuar a leitura do Tópico 4, como você conceitua relações sociais?
2 O que você entendeu como urbanidade e civilidade?
3 Como você poderia explicar o conceito de responsabilidade social?
4 O que é cidadania? Para responder a essa pergunta, sugiro que você, caro(a) 
acadêmico(a), faça uma pesquisa aos dicionários de filosofia e ciência 
política. Você verá como é prazeroso conhecer as palavras pela sua gênese 
para contextos diferentes.
5 De acordo com Pedro Demo (1995), classifique os tipos de cidadania e 
explique-os.
6 De acordo com Srour (2011, p. 132):
No renomado Hospital das Clínicas de São Paulo há uma fila dupla 
ou “dupla entrada”: os pacientes particulares e de convênio enfrentam 
filas bem menores do que os pacientes do Sistema Único de Saúde 
(SUS), público e gratuito. Na radiologia, por exemplo, um paciente 
do SUS pode esperar quatro meses para fazer um exame de raios X, 
enquanto um paciente de convênio leva poucos dias para conseguir 
o mesmo exame. A situação se repete para conseguir fazer uma 
ressonância magnética, exames laboratoriais, consultas e cirurgias. 
Do ponto de vista da cidadania, como você caracteriza essa situação?
72
73
UNIDADE 2
ÉTICA PROFISSIONAL
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir desta unidade você será capaz de:
• compreender o conceito de ética profissional;
• verificar a importância dos ofícios e em especial da administração pública;
• identificar o ato administrativo;
• compreender as organizações públicas em relação às suas funções sociais.
Esta unidade está dividida em três tópicos e, no final de cada um deles, 
você encontrará atividades que o(a) ajudarão a assimilar cada vez mais o 
conteúdo proposto.
TÓPICO 1 – PROFISSÃO E SUAS CONDUTAS
TÓPICO 2 – O ATO ADMINISTRATIVO
TÓPICO 3 – AS ORGANIZAÇÕES PÚBLICAS
74
75
TÓPICO 1
PROFISSÃO E SUAS CONDUTAS
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Esse Tópico 1 procura colocar as questões éticas e morais em reflexão 
às práticas profissionais, para que essas práticas possam ser entendidas e 
interiorizadas não só pela força da lei, mas, principalmente, pelos valores 
humanos e pela função principal da administração pública, que é servir e primar 
pelo bem comum.
2 FUNÇÃO SOCIAL DA PROFISSÃO
Toda profissão tem sua função social, seja em qual nível for. A sociedade 
precisa dos garis, dos advogados, dos pintores, dos artistas, dos médicos, 
entre tantas outras profissões. É o conjunto dos ofícios que faz a sociedade se 
desenvolver e se harmonizar. 
Visto dessa forma, não há hierarquia de importância, todas são 
importantes. O que acontece é que uma ou outra, pela sua remuneração e 
exigência de maior empenho de conhecimento, eleva a uma escala social mais 
prestigiada e privilegiada.
As empresas privadas visam lucros e as suas prestações de serviços compõem 
a sociedade em suas demandas, mas não deixam de ter a sua função social. Já a 
administração pública, desprendida do lucro financeiro, tem como função social 
redobrada servir aos cidadãos e contribuir para uma sociedade cada vez melhor.
2.1 VALOR SOCIAL DA PROFISSÃO
Qual seria então o valor social da profissão de gestor público? Essa 
pergunta é importante, porque fará com que você, acadêmico(a) do curso de 
Gestão Pública, possa vislumbrar as suas responsabilidade e contribuição perante 
a sociedade. Então vamos discuti-las.
Em primeiro lugar é preciso que, para que haja qualidade de vida e 
desenvolvimento das organizações públicas, o valor social do gestor público deve 
estar baseado em valores e virtudes, como observa Camargo (2009) em relação 
aos valores primários:
UNIDADE 2 | ÉTICA PROFISSIONAL
76
FIGURA 16 – VALORES PRIMÁRIOS DO GESTOR PÚBLICO
FONTE: Adaptado de: Camargo (2009, p. 35)
Os valores primários significam:
● Prudência: “Qualidade de quem age com comedimento, buscando evitar tudo que 
julga fonte de erro ou de dano; cautela, precaução”. (FERREIRA, 2009, p. 602).
● Justiça: “A virtude de dar a cada um aquilo que é seu; a faculdade de julgar 
segundo o direito e melhor consciência”. (FERREIRA, 2009, p. 441).
● Fortaleza: “Qualidade ou virtude dos fortes; solidez, segurança; força, energia 
moral; forte”. (FERREIRA, 2009, p. 357).
● Temperança: “Qualidade ou virtude de quem modera apetite e paixões. 
(FERREIRA, 2009, p. 704).
Ao percorrer os principais livros do tema em ética e administração 
pública, dificilmente se deixam de observar tais valores como primários à função 
do gestor público.
“A prudência é a reta noção daquilo que se deve fazer ou evitar, exigindo 
o conhecimentodos princípios gerais da moralidade e das contingências 
particulares da ação”. (CAMARGO, 1999, p.35). Em outras palavras, a prudência 
para o gestor público é ter ações administrativas em acordo com os princípios da 
administração pública.
A justiça, de acordo com Camargo (1999, p. 35-36), é a vontade de respeitar 
todos os direitos e deveres, “é a disposição de dar a cada um o que é seu de 
acordo com a natureza, a igualdade ou a necessidade”, é a justiça a base da vida 
em sociedade em comum.
A fortaleza é a determinação de caráter diante das inúmeras possibilidades 
de se corromper em vícios. Como discorre Camargo (1999, p. 36), “a fortaleza é 
uma firmeza interior contra tudo o que molesta a pessoa neste mundo, fazendo-a 
vencer as dificuldades e os perigos que excedem a medida comum e sofrer as 
penas mais pesadas”.
FORTALEZA
JUSTIÇA
PRUDÊNCIA
TEMPERANÇA
TÓPICO 1 | PROFISSÃO E SUAS CONDUTAS
77
A temperança é a regra, é a moderação, a sobriedade, “é o meio justo entre 
o excesso e a falta”; “exige sensatez baseada num pensamento flexível e firme”. 
(CAMARGO, 1999, p. 36).
2.2 RESPONSABILIDADE DA PROFISSÃO
Os valores vistos anteriormente que determinam o valor social e moral da 
profissão de gestor público intensificam a responsabilidade da profissão. A profissão 
do gestor público é permeada de diversas questões, pois ele, mais do que nunca, está 
inserido num contexto social e político. Ao mesmo tempo, ele é referência, é exemplo 
das questões morais para os demais cidadãos.
Por esses e tantos outros motivos é que o funcionário, servidor, gestor 
público é investido dos anseios e necessidades da sociedade. O serviço público, 
além de garantir o bom andamento da sociedade, é constituído de representantes 
dessa mesma sociedade.
FIGURA 17 – AÇÕES DO ADMINISTRADOR
RESPONSABILIDADES
CONSCIÊNCIA
RACIONALIDADE SUBSTANCIAL
RACIONALIDADE FUNCIONAL
AÇÕES DO ADMINISTRADOR
FONTE: Adaptado da preleção de Brito (2005)
A figura anterior representa a ação do administrador público que é 
provinda da sua consciência e responsabilidade. A consciência são as convicções 
do administrador como ser humano, ou seja, os valores morais baseados na 
prudência, justiça, fortaleza e temperança.
A responsabilidade está baseada nos princípios da administração pública, 
nas regras da organização, nos códigos morais vigentes e, principalmente, na 
finalidade do administrador quando em exercício de sua função e profissão.
UNIDADE 2 | ÉTICA PROFISSIONAL
78
A consciência permite que o administrador possa fazer escolhas do ponto 
de vista humano, que se denomina racionalidade substancial, enquanto que a 
responsabilidade o permite fazer escolhas úteis, baseadas em critérios racionais 
que vêm a ser melhor e mais adequadas, sob o ponto de vista da vantagem.
3 TOMADA DE DECISÃO E ÉTICA
De acordo com Chiavenato (2003, p. 605-606), a ética somada à 
responsabilidade social beneficia as organizações em três aspectos:
1. Aumento da produtividade – quando a organização enfatiza a 
ética como determinante para as ações, isso afeta os funcionários 
positivamente. E também incentiva que o bem-estar de todos é 
importante e deve ser preservado e assegurado.
2. Melhoria da saúde organizacional – práticas éticas melhoram a saúde 
dos funcionários e dão visibilidade positiva aos que não fazem parte da 
organização.
3. Minimização de regulamentação governamental – quando as 
organizações são confiáveis quanto à ação ética, a sociedade deixa 
de pressionar por uma legislação que regule mais intensamente os 
negócios.
FIGURA 18 – SER OU NÃO SER
FONTE: Disponível em: <http://englishmaze.files.wordpress.com/2011/07/
hamlet_shakespeare1.jpg>. Acesso em: 20 jan. 2012.
TÓPICO 1 | PROFISSÃO E SUAS CONDUTAS
79
Em toda profissão a tomada de decisão é sempre presente, os profissionais 
têm que fazer escolha. As escolhas na gestão pública são engessadas em 
princípios e leis, ainda assim cabe ao gestor ou ao servidor público fazer escolhas, 
principalmente no que se refere à sua consciência e responsabilidade.
A próxima figura se refere a uma atividade que é desenvolvida para 
ajudar na escolha profissional, mas aqui proposta com uma finalidade maior, 
que é tomar a decisão da escolha, fazer a justificativa baseada na racionalidade 
substancial e funcional e, por fim, agir como um gestor público em prol do bem 
comum. A escolha é bem difícil!
FIGURA 19 – NAVE DE NOÉ
O planeta Terra será destruído e uma 
nave especial será enviada a outro 
planeta para iniciar uma nova vida. Só 
cabem sete pessoas nesta nave. Indique 
quais, dentre as pessoas da lista abaixo, 
você acha que deveriam ser escolhidas.
Médico Administrador
Cozinheiro Lixeiro
Professor Jornalista
Músico Engenheiro
Artista Plástico Dentista
Advogado Psicólogo
Prostituta Filósofo
Orientador religioso
FONTE: A autora
No caso aqui proposto, essa atividade poderá ser respondida no exercício, 
mas é importante a sua apresentação para que o(a) acadêmico(a) possa iniciar 
seu pensamento a respeito tanto da tomada de decisão, quanto do tipo de 
racionalidade que deve ser investido na solução desse caso. Vamos entender 
melhor o que é a racionalidade substancial e funcional do ponto de vista da ética!
UNIDADE 2 | ÉTICA PROFISSIONAL
80
3.1 RACIONALIDADE ÉTICA
Na ação administrativa em diversas situações, desde as tomadas de 
decisões mais rotineiras até as ações maiores de escolhas de políticas públicas, 
o gestor público tem que decidir baseado na discricionariedade que lhe cabe e, é 
claro, sempre visando ao bem comum, ao melhor para todos, enfim, ao interesse 
da coletividade.
NOTA
“Poder discricionário é o que o Direito concede à administração, de modo 
explícito ou implícito, para a prática de atos administrativos com liberdade de escolha de sua 
conveniência, oportunidade e conteúdo”. (MEIRELLES, 2006, p. 118).
A razão vem do latim ratio, que por sua vez origina-se do verbo reor, 
que quer dizer: contar, reunir, medir, calcular. De acordo com o Dicionário de 
Filosofia, existem quatro principais significados fundamentais (ABBAGNANO, 
2007, p. 969-970):
1. É a faculdade própria do homem que o distingue dos animais, 
dando-lhe capacidade de indagação e investigação.
2. Fundamento e a razão de ser do homem.
3. Argumento ou prova, é estar com a verdade.
4. Relação no sentido matemático, ou seja, a razão nesse sentido deve 
ter condições de ser explicada e demonstrada.
Nesse sentido, baseado em Max Weber, pode-se dizer que existam duas 
racionalidades que regem a ação administrativa: racionalidade substancial e a 
racionalidade funcional. Weber define ação social associando-a aos alicerces do 
conceito sociológico de racionalidade. Weber distingue a ação social: a racional 
no tocante aos fins, a racional no tocante aos valores.
NOTA
Maximilian Carl Emil Weber (1864-1920) foi um intelectual alemão, jurista, 
economista e considerado um dos fundadores da Sociologia. Suas principais obras são 
Economia e sociedade e A ética protestante e o espiríto do capitalismo.
FONTE: Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Max_Weber>. Acesso em: 29 mar. 2012.
TÓPICO 1 | PROFISSÃO E SUAS CONDUTAS
81
Na racionalidade funcional não se aprecia propriamente a qualidade 
intrínseca das ações, mas o seu maior ou menor concurso, numa série de 
outras, para atingir uns fins preestabelecidos, independente do conteúdo que 
possam ter tais ações. 
A racionalidade substancial é todo ato intrinsecamente inteligente, que 
se baseia num conhecimento lúcido e autônomo das relações entre os fatos. A 
razão preside o ato.
FONTE: Disponível em: <ftp://bbs.quasarbbs.net/universi/tesi2/Tesi04/040131MF.pdf>. Acesso em: 
29 mar. 2012.
A racionalidade substancial está relacionada à preservação da liberdade, e 
é pertinente à ética das convicções, “envolve não apenasa consideração da ação, 
como a sua finalidade e consequências”. (FISCHER, 1984, p. 280). A racionalidade 
funcional centra-se em fins e objetivos, a partir dos seguintes critérios: focaliza 
um objetivo definido e pressupõe ações que atingirão um rendimento máximo.
Por fim, a contribuição dos textos percorrida nessa dissertação infere no 
entendimento da evolução histórica da administração pública e dos serviços 
públicos e nas transmutações dos paradigmas.
Embora uma ou outra racionalidade esteja baseada nos significados 
fundamentais apresentados por Abbagnano (2007), e também nos princípios 
morais de prudência, justiça, fortaleza e temperança, ainda assim existe uma 
tenuidade que as distingue.
No quadro a seguir, observa-se que a ação administrativa é provinda da 
consciência e da responsabilidade e essas faculdades humanas possibilitam o uso 
de uma ou outra racionalidade. Então a ação administrativa pode ser realizada 
por duas racionalidades:
QUADRO 8 – ANÁLISE DA RACIONALIDADE SUBSTANTIVA E INSTRUMENTAL
Tipos de racionalidades
 X 
Processos organizacionais
Racionalidade Substantiva Racionalidade Instrumental
Hierarquia e normas
Entendimento
Julgamento ético
Fins
Desempenho
Estratégia interpessoal
Valores e objetivos
Autorrealização
Valores emancipatórios
Julgamento ético
Utilidade
Fins
Rentabilidade
Tomada de decisão
Entendimento
Julgamento ético
Cálculo
Utilidade
Maximização de 
recursos
UNIDADE 2 | ÉTICA PROFISSIONAL
82
Controle Entendimento
Maximização de 
recursos
Desempenho
Estratégia interpessoal
Divisão do trabalho
Autorrealização
Entendimento
Autonomia
Maximização de 
recursos
Desempenho
Cálculo
Comunicação e relações 
interpessoais
Autenticidade
Valores emancipatórios
Autonomia
Desempenho
Êxito/resultados
Estratégia interpessoal
Ação social e
relações ambientais
Valores emancipatórios Fins
Êxito/resultados
Reflexão sobre a organização
Julgamento ético
Valores emancipatórios
Desempenho
Fins
Rentabilidade
Conflitos
Julgamento ético
Autenticidade
Autonomia
Cálculo
Fins
Estratégia interpessoal
Satisfação individual
Autorrealização
Autonomia
Desempenho
Utilidade
Dimensão simbólica
Autorrealização
Valores emancipatórios
Utilidade
Êxito/resultados
Desempenho
FONTE: Serva (1997, p. 22)
Racionalidade substantiva se manifesta pelos valores intrínsecos.
ATENCAO
Serva (1997) baseia seu artigo em Guerreiro Ramos e Habermas para a 
identificação das duas racionalidades e a predominância de uma delas, como 
demonstrado no quadro anterior.
A racionalidade substantiva é composta de duas dimensões: individual e 
coletiva. Na dimensão individual, que se refere à autorrealização; na dimensão 
coletiva, que se refere ao entendimento da responsabilidade e satisfação sociais. 
Nesse sentido, existem algumas ações a serem entendidas:
TÓPICO 1 | PROFISSÃO E SUAS CONDUTAS
83
a) autorrealização: é a satisfação do ser humano na concretização de suas ações;
b) entendimento: são os acordos e consensos, mediados pela comunicação livre;
c) julgamento ético: deliberação baseada em juízos de valor (bom, mau, 
verdadeiro, falso, certo, errado etc.);
d) autenticidade: integridade, honestidade e franqueza dos indivíduos nas 
interações;
e) valores emancipatórios: valores de mudança e aperfeiçoamento do social nas 
direções do bem comum, da solidariedade, do respeito à individualidade, 
da liberdade e do comprometimento, presentes nos indivíduos e no contexto 
normativo do grupo;
f) autonomia: condição plena dos indivíduos para poderem agir e expressarem-
se livremente nas interações.
FONTE: Adaptado de: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034-76122011000500005&script
=sci_arttext>. Acesso em: 29 mar. 2012.
DICAS
Racionalidade instrumental se manifesta pelo valor do custo-benefício.
A racionalidade instrumental e seus elementos têm sua ação baseada 
no cálculo, orientada para o alcance de metas técnicas ou de finalidades 
ligadas a interesses econômicos ou de poder social, através da maximização 
dos recursos disponíveis:
a) cálculo: projeção utilitária das consequências dos atos humanos;
b) fins: são as metas de natureza técnica, econômica ou política;
c) maximização dos recursos: busca da eficiência e da eficácia máximas, 
no tratamento de recursos disponíveis, quer sejam humanos, materiais, 
financeiros, técnicos;
d) êxito/resultados: alcançar padrões, níveis, que são considerados como 
vitoriosos em face de processos competitivos numa sociedade capitalista;
UNIDADE 2 | ÉTICA PROFISSIONAL
84
e) desempenho: performance individual elevada na realização de atividades, 
centrada na utilidade;
f) utilidade: dimensão econômica considerada na base das interações como 
um valor generalizado;
g) rentabilidade: medida de retorno econômico dos êxitos e dos resultados 
esperados;
h) estratégia interpessoal: influência sobre outrem.
FONTE: Adaptado de: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034-76122011000500005&script=s
ci_arttext>. Acesso em: 29 mar. 2012.
A racionalidade substancial, que é determinada pela consciência do 
ser humano, são ações administrativas comprometidas com a humanidade, a 
exemplo dos valores morais. A racionalidade funcional está comprometida com 
os aspectos da finalidade administrativa, a exemplo dos códigos de ética, leis, 
regimentos, regulamentos, entre tantos outros registros de procedimentos e 
condutas administrativas.
3.2 ÉTICA DA CONVICÇÃO E ÉTICA DA RESPONSABILIDADE
Nesse sentido, pode-se dizer que existam duas racionalidades que 
regem a ação administrativa: racionalidade substancial (ética das convicções) e a 
racionalidade funcional (ética da utilidade).
A) Ética da responsabilidade: corresponde à ação racional referida 
a fins. Seu critério fundamental é a racionalidade funcional ou 
pragmática. Os que a adotam se acham sob o vínculo de um 
compromisso: o de, pelo autodomínio dos impulsos, das preferências 
e até das crenças e ideologias, autorracionalizarem a sua conduta, 
tornando-a parte funcionalmente racional da ação administrativa. 
B) Ética do valor absoluto/da convicção: está implícita em toda ação 
referida a valores, isto é, por estimações e avaliações, das quais decorre 
a sua concepção de mundo, e seu ideal de realização própria e social. 
(RAMOS, 1983 p. 42 e 44).
TÓPICO 1 | PROFISSÃO E SUAS CONDUTAS
85
FIGURA 20 – AÇÃO ADMINISTRATIVA: ÉTICA DAS CONVICÇÕES E ÉTICA DA UTILIDADE
RACIONALIDADE SUBSTANCIAL
ÉTICA DAS CONVICÇÕES
RACIONALIDADE FUNCIONAL
ÉTICA DA UTILIDADE
AÇÃO
ADMINISTRATIVA
FONTE: Adaptado de Ramos (1983)
A racionalidade substancial está ligada à ética das convicções ou do valor 
absoluto, ou seja, a ação administrativa deve estar pautada nos critérios racionais, ou 
seja, para todos ou para nenhum. Na racionalidade funcional, a ação administrativa 
está ligada à ética da utilidade, ou seja, uma ação voltada para beneficiar um maior 
número de pessoas, ou melhor, para determinado segmento da sociedade.
O que na gestão pública pode-se ter como exemplo quanto aos dois tipos 
de racionalidade?
Quanto à racionalidade substancial tem-se como exemplos: farmácia popular 
(remédios de pressão), ensino fundamental público; nesses dois exemplos não precisa 
comprovar renda, qualquer pessoa pode fazer uso, do mais rico ao mais pobre.
Na racionalidade funcional, a vacina contra a Influenza A, também conhecida 
como H1N1, é um exemplo; foi distribuída gratuitamente à sociedade para 
determinados segmentos, como: pessoas mais idosas, com idade igual ou superior a 
60 anos, mulheres grávidas, pessoas com problemas crônicos de saúde, profissionais 
da área da saúde e também crianças com idade entre seis meses e dois anos.
NOTA
A Influenza A é uma doença respiratória aguda (gripe), causadapelo vírus A 
(H1N1). Este vírus da influenza é transmitido de pessoa a pessoa, principalmente por meio da 
tosse ou espirro, e de contato com secreções respiratórias de pessoas infectadas.
UNIDADE 2 | ÉTICA PROFISSIONAL
86
4 DEVERES PROFISSIONAIS
Qualquer que seja a profissão, ela está imbuída de deveres próprios de sua 
função, de seu ofício. Os deveres não são só para serem cumpridos, como também 
são norteadores para que o exercício seja realizado dentre os padrões éticos.
4.1 OS DILEMAS ÉTICOS
Os dilemas éticos podem ser considerados numa situação em que o gestor 
público só pode privilegiar uma ação dentre várias. No exemplo dado sobre a 
vacina contra a Influenza A, pode-se supor que não haveria condições do governo 
conceder a toda a população a vacina gratuitamente. Então, qual segmento escolher?
Não se pretende aprofundar no mérito aqui, mas sim buscar o exemplo 
como situação hipotética. Se não havia condições de distribuir a vacina para toda 
a população, passa então a existir um dilema ético. Determinar os segmentos que 
receberão a dose torna-se, então, uma decisão motivada pelas maiores necessidades, 
e o critério final foi distribuir vacina às faixas etárias com maior fragilidade à 
doença (crianças e terceira idade), um grupo com acesso direto à iminência da 
doença (profissionais da saúde) e também a um grupo com grande risco da doença 
provocar complicações de saúde (grávidas e pessoas com doenças crônicas).
4.2 ASPECTOS DA CONSCIÊNCIA ÉTICA E DA LEI
Já foi abordada a consciência como algo do ser humano individualmente. 
De acordo com Camargo (1999, p. 86), “a consciência é a resposta da pessoa para 
si mesma”, e o autor ainda diferencia consciência da lei, assim completando: 
“enquanto a lei é a resposta da sociedade para pessoa”.
Contudo, nem sempre a consciência concorda com a lei. Muitas vezes, as 
pessoas gostariam que as leis fossem diferentes, ou por que são licenciadas de alguma 
coisa, ou muitas vezes porque discorrem por pura crença, haja vista as manifestações 
religiosas em muitas das decisões governamentais, entre outros exemplos.
TÓPICO 1 | PROFISSÃO E SUAS CONDUTAS
87
FIGURA 21 – GREVE
FONTE: Disponível em: <http://4.bp.blogspot.com/-zFIgxavfimI/Tx4TkFvByLI/
AAAAAAAADLg/SR6dmKdECxo/s1600/greve-onibus.jpg>. Acesso em: 23 jan. 2012.
Dessa forma, os conflitos entre consciência e lei podem surgir, como 
alguns exemplos apresentados na obra de Camargo (1999):
● Greves: existem duas situações: 1) se a greve for da sua categoria, você se 
encontrará no dilema de querer ou não participar, muito embora, nem sempre a 
situação lhe dará escolha; 2) se a greve não for da sua categoria, você poderá ser 
afetado diretamente e assim ser licenciado de um serviço, mesmo que você não 
concorde com a motivação do movimento, como na greve dos trabalhadores de 
transporte público.
● Segurança nacional: impedem a liberdade de associação e toda população pode 
sentir-se privada do seu direito de ir e vir livremente sem sentir-se vigiada.
● Taxas e impostos: arrecadação proposta para melhoria do bem comum, embora 
por vezes pode qualquer cidadão colocar em dúvida se essa aplicação é feita 
adequadamente.
Esses conflitos apresentados por Camargo (1999) representam situações que 
podem levar à desordem da sociedade, uma vez que ela pode perder a credibilidade 
no Estado e nas leis.
Entretanto, para cada tomada de decisão, seja em aderir à greve ou 
licenciar-se do direito de ir e vir por uma causa maior ou contestar a aplicação 
dos recursos financeiros do Estado, toda manifestação e movimentação deve ter a 
consciência ética como condutora ou refreadora da ação escolhida.
UNIDADE 2 | ÉTICA PROFISSIONAL
88
4.3 DISCRICIONARIEDADE E ÉTICA
A discricionariedade, como aborda Meirelles (2006, p. 118-119), “é a 
liberdade de ação administrativa, dentro dos limites permitidos em lei”. O autor 
ainda destaca com veemência para que não se confunda com arbitrariedade, que 
é uma ação administrativa contrária à lei.
IMPORTANT
E
O ato discricionário dá liberdade ao administrador público, embora nos limites 
permitidos em lei.
Discricionariedade e arbitrariedade são completamente diferentes. 
A discricionariedade é a liberdade dentro do limite da lei, enquanto que a 
arbitrariedade é uma ação contra a lei. Portanto, qualquer ato arbitrário é ilícito e 
inválido; qualquer ato discricionário é lícito e válido.
IMPORTANT
E
O ato arbitrário é qualquer ato contrário à lei.
O ato discricionário, embora pareça dotar de liberdade na ação 
administrativa, é sempre relativo e parcial quanto à competência, à forma e à 
finalidade do ato. Ou seja, essa liberdade de ação não é total, tem que estar nos 
limites da lei.
 
Um exemplo de ato discricionário é a nomeação de cargos de comissão. O 
governante tem a liberdade de escolha, ou seja, ele poderá nomear quem quiser. 
Mas se houver limites imputados por lei, tal como: nível de escolaridade, esse 
governante terá que fazer a sua escolha conforme os ditames da lei.
89
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste Tópico 1 foi possível desenvolver a reflexão acerca dos principais 
elementos da ética profissional e sua principal função social, abordados pelos 
principais itens:
● Compreender os limites da ética profissional.
● Identificar o valor social da profissão.
● Diferenciar racionalidade substancial da racionalidade instrumental.
● Conceituar ética das convicções e ética da utilidade.
90
AUTOATIVIDADE
1 O planeta Terra será destruído e uma nave especial, chamada Noé, será 
enviada a outro planeta para iniciar uma nova vida. Só cabem sete pessoas 
nesta nave. Faça uma análise pela questão da racionalidade substancial 
e instrumental e indique quais, dentre as pessoas com suas respectivas 
profissões da lista a seguir, você acha que deveriam ser escolhidas.
Médico Administrador
Cozinheiro Lixeiro
Professor Jornalista
Orientador religioso Engenheiro
Artista plástico Dentista
Advogado Psicólogo
Prostituta Filósofo
Músico
2 Analise o caso que segue sob a orientação da racionalidade substancial e 
instrumental, bem como a ética das convicções e utilidade. Srour (2008, 
p. 133) apresenta o caso das ‘Escolhas de Sofia’ para ser analisado sob a 
perspectiva da ética, acompanhem o texto:
O famoso romance A Escolha de Sofia, de William Styron, conta-nos que, na 
fila em direção à câmara de gás do campo de concentração de Auschwitz, Sofia recebeu 
uma proposta de um guarda alemão: se quisesse salvar a própria vida e a de um filho, 
tinha de deixar um dos dois filhos na fila! Dilacerada diante de tão hediondo dilema, 
Sofia entregou Eva de oito anos e foi poupada com seu filho Jan. Se tivesse exercido a 
ética da convicção, na sua vertente de princípio, Sofia recusaria a oferta que lhe foi feita 
nos seguintes termos: “Ou os três se salvam ou morrem os três.” E por quê? Porque 
vidas humanas não são negociáveis. Há como lhes definir um preço? Duas valendo 
mais do que uma? A ética da convicção não tolera especulação alguma a este respeito.
Para muitos leitores, a opção de Sofia foi imoral. Outros a veem como amoral, 
já que, refém de uma situação extrema, Sofia não tinha condições de fazer uma escolha. 
Vamos e convenhamos: Sofia fez, sim, uma escolha – a de salvar a própria vida e a do 
filho. Em troca, entregou a filha. A morte provocada nunca deixa de ser uma escolha, 
haja vista os prisioneiros dos campos de concentração que preferiam o suicídio à morte 
planejada que lhes era reservada. Sofia adotou a ética da responsabilidade em sua 
vertente da finalidade: raciocinou que a salvação de duas vidas, em troca de uma só, 
justificava a escolha; fez um cálculo; pensou cometer um mal menor para evitar um mal 
maior. Ademais, imaginou provável que outros tantos milhares de irmãos de infortúnio 
seguiriam seu caminho se a alternativa lhes fosseapresentada.
91
De fato, no mundo ocidental, as “escolhas de Sofia” (situações extremas em 
que as opções implicam graves concessões em troca de objetivos maiores) encontram 
respaldo coletivo a despeito do horror que suscitam. Num navio que afunda e que não 
possui botes salva-vidas em quantidade suficiente, o que se costuma fazer? Sacrificam-
se todos os passageiros e tripulantes, ou salvam-se quantos couberem nos botes?
Consumado o fato, porém, o remorso corroeu a Sofia do romance. Ela carregou 
sua angústia pela vida afora e acabou matando-se com cianureto de potássio. Ao fim e 
ao cabo, no recôndito de sua consciência, venceu a ética da convicção.
3 Analise “as disposições preliminares” do Código de Ética da Administração 
Pública (visto na Unidade 1) à luz do conceito de ação administrativa.
92
93
TÓPICO 2
O ATO ADMINISTRATIVO
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
O Tópico 2 apresentará ao(à) acadêmico(a) um aprofundamento maior 
quanto à prática da gestão pública do ponto de vista da Lei no 8.112, de 1990, que 
rege o servidor público federal e também ao conceito e, por conseguinte, à prática 
do ato administrativo.
2 A LEI Nº 8.112/90
Vivemos num mundo moderno em que se tem a necessidade de postular 
em lei todas as condutas das organizações e pessoas enquanto ser individual e 
ser profissional. Por esse motivo, criamos uma infinidade de leis. É lei para as 
relações de trânsito, trabalhistas, civis, direitos dos idosos e das crianças, é lei 
para tudo. O que você acha das leis? É possível vivermos sem elas?
Passos (2004, p. 155), sobre a ética do serviço público, aborda essa questão 
quanto à qualidade do serviço público e seus problemas:
Há quem acredite que esses decorram da falta de regras explícitas 
sobre como devem ou não ser as ações do serviço público; há também 
quem afirme que o problema não é da falta de normas escritas, que 
elas existem em número mais que suficiente, e que o problema consiste 
na ausência de ações educativas, de informação e conscientização. Há 
ainda quem afirme que tanto uma coisa quanto a outra existem e que 
faltam ações governamentais de caráter repressivo.
Então temos a Lei nº 8.112/91 (BRASIL, 1990), que irá dispor aos 
servidores públicos esses limites, seus deveres e as repreensões em virtude de 
ações indesejáveis.
UNIDADE 2 | ÉTICA PROFISSIONAL
94
DICAS
Para quem pretende ingressar na carreira pública através de processo seletivo, 
a Lei nº 8.112/91 (BRASIL, 1990) é tema de prova na maioria dos concursos públicos federais.
A Lei nº 8.112 (BRASIL, 1990), de 11 de dezembro de 1990, “dispõe sobre 
o Regime Jurídico dos Servidores Públicos Civis da União, das Autarquias e das 
Fundações Públicas Federais”, assegura aos servidores públicos federais garantias 
individuais e também dá base de condutas quanto aos seus deveres.
Todas essas leis que regem a administração pública existem para que cada 
vez mais se possa garantir que os atos administrativos estejam de comum acordo 
com os princípios éticos e morais.
Já vimos que na Constituição Federal (BRASIL, 1988) existem os princípios 
administrativos que norteiam a conduta do servidor público. Vimos também o 
Código de Ética, que trata de maneira bem específica o que pode ou não ser feito 
pelo servidor público investido de sua função, e em alguns itens até sem estar 
investido de sua função. E agora temos a Lei nº 8.112/90, que estabelece quanto 
aos deveres, Título IV, capítulo I, artigo 116:
QUADRO 9 – LEI Nº 8112/90 – ARTIGO 116
Art. 116. São deveres do servidor:
I- exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo;
II- ser leal às instituições a que servir;
III- observar as normas legais e regulamentares;
IV- cumprir as ordens superiores, exceto quando manifestamente ilegais;
V- atender com presteza:
a) ao público em geral, prestando as informações requeridas, ressalvadas as 
protegidas por sigilo;
b) à expedição de certidões requeridas para defesa de direito ou esclarecimento 
de situações de interesse pessoal.
FONTE: Brasil (1990)
“Exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo”. Esse item se 
refere à eficiência, também prevista no artigo 37, da Constituição Federal de 1988 
(BRASIL, 1988), quanto aos princípios da administração pública.
TÓPICO 2 | O ATO ADMINISTRATIVO
95
O item II, “ser leal às instituições a que servir”, é ter firmeza e consciência 
quanto ao compromisso assumido ao se vincular num cargo público. Nesse caso, 
é ser leal à sua instituição. É a velha frase: “vestir a camisa” da organização.
Quanto a “observar as normas legais e regulamentares”, é ser conhecedor, 
cumpridor e divulgador das normas e leis que dizem respeito ao seu cargo, função 
e à sua organização, também prevista no artigo 37 da Constituição Federal de 
1988 (BRASIL, 1988), quanto ao princípio da legalidade.
“Cumprir as ordens superiores, exceto quando manifestamente ilegais”, 
dever de obediência e cumprir o poder hierárquico, mas com a ressalva de que é 
dever do servidor público se manifestar contra qualquer ato arbitrário.
O atendimento com presteza coaduna com o item I, comentado anteriormente, 
que se estabelece pelo princípio da eficiência. Contudo, ainda se apresenta: 
a) ao público em geral, prestando as informações requeridas, ressalvadas as 
protegidas por sigilo; 
b) à expedição de certidões requeridas para defesa de direito ou esclarecimento 
de situações de interesse pessoal. 
FONTE: BRASIL. Lei nº 8.027, de 12 de abril de 1990. Dispõe sobre normas de conduta dos servidores 
públicos civis da União, das Autarquias e das Fundações Públicas, e dá outras providências. Disponível 
em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8027.htm>. Acesso em: 29 mar. 2012.
Quanto a prestar informações, é direito de qualquer cidadão o acesso à 
informação, como previsto no artigo 5, item XIV, da Constituição Federal de 1988 
(BRASIL, 1988), ressalvadas quando há necessidade de sigilo. Todo cidadão pode 
solicitar expedições de certidões para fins pessoais, cabe ao servidor público o 
atendimento com prontidão.
A Lei nº 8112/90 ainda estabelece as proibições do servidor público federal, 
artigo 117, capítulo II:
UNIDADE 2 | ÉTICA PROFISSIONAL
96
Art. 117. Ao servidor é proibido:
I- ausentar-se do serviço durante o expediente, sem prévia autorização do chefe 
imediato;
II- retirar, sem prévia anuência da autoridade competente, qualquer documento 
ou objeto da repartição;
III- recusar fé a documentos públicos;
IV- opor resistência injustificada ao andamento de documento e processo ou 
execução de serviço;
V- promover manifestação de apreço ou desapreço no recinto da repartição;
VI- cometer a pessoa estranha à repartição, fora dos casos previstos em lei, 
o desempenho de atribuição que seja de sua responsabilidade ou de seu 
subordinado;
VII- coagir ou aliciar subordinados no sentido de filiarem-se a associação 
profissional ou sindical, ou a partido político;
VIII- manter sob sua chefia imediata, em cargo ou função de confiança, cônjuge, 
companheiro ou parente até o segundo grau civil;
IX- valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento 
da dignidade da função pública;
X- participar de gerência ou administração de empresa privada, sociedade 
civil, salvo a participação nos conselhos de administração e fiscal de empresas 
ou entidades em que a União detenha, direta ou indiretamente, participação 
do capital social, sendo-lhe vedado exercer o comércio, exceto na qualidade de 
acionista, cotista ou co manditário;
XI- atuar, como procurador ou intermediário, junto a repartições públicas, salvo 
quando se tratar de benefícios previdenciários ou assistenciais de parentes até 
o segundo grau, e de cônjuge ou companheiro;
XII- receber propina, comissão, presente ou vantagem de qualquer espécie, em 
razão de suas atribuições;
XIII- aceitar comissão, emprego ou pensãode Estado estrangeiro;
XIV- praticar usura sob qualquer de suas formas;
XV- proceder de forma desidiosa;
XVI- utilizar pessoal ou recursos materiais da repartição em serviços ou 
atividades particulares;
XVII- cometer a outro servidor atribuições estranhas ao cargo que ocupa, exceto 
em situações de emergência e transitórias;
XVIII- exercer quaisquer atividades que sejam incompatíveis com o exercício 
do cargo ou função e com o horário de trabalho;
XIX - recusar-se a atualizar seus dados cadastrais quando solicitado.
QUADRO 10 – LEI Nº 8.112/90 – ARTIGO 117
FONTE: Brasil (1990)
Entendendo de forma simplificada os itens do artigo 117 da Lei nº 8.112/90, 
quanto ao que o servidor público federal não pode fazer:
TÓPICO 2 | O ATO ADMINISTRATIVO
97
I- o servidor público não pode sair sem autorização do seu chefe imediato 
durante o expediente de trabalho;
II- retirar quaisquer documentos da repartição sem a devida autorização da 
autoridade competente;
III- não obrigar qualquer usuário que traga documentos autenticados em 
cartório, dar fé é reconhecer a autenticidade de cópias de documentos em 
conferência com o original;
IV- a impessoalidade é um dos princípios constitucionais e por esse motivo 
o servidor não deve dar andamento de documentos, processos e execução 
de serviços;
V- o artigo 5 da Constituição Federal de 1988 confere que “todos são iguais 
perante a lei”, e também pelo princípio da isonomia, por esse motivo não cabe 
ao servidor apreço ou desapreço;
VI- não pode o servidor empenhar outra pessoa estranha à repartição de suas 
atribuições;
VII- de acordo com a Constituição Federal de 1988, artigo 5 XX, prevê a 
liberdade associativa genericamente: “ninguém será compelido a associar-se 
ou a permanecer associado”; ratificando tal direito de forma mais específica 
no caput do artigo 8°: “É livre a associação profissional ou sindical [...]”; e, 
para não deixar dúvidas, no mesmo artigo, inciso V: “ninguém será obrigado a 
filiar-se ou manter-se filiado a sindicato”. A filiação partidária e sindical é um 
direito do servidor e não uma imposição legal;
VIII- a chefia imediata do servidor pode ser cônjuge, companheiro ou parente até o 
segundo grau civil (pais, avós, filhos, netos e irmãos) apenas em cargo efetivo, cuja 
investidura se dá mediante aprovação em concurso público, não lhe permitindo 
ocupar cargo ou função de confiança, de livre nomeação e exoneração;
IX- novamente pode-se citar o princípio da impessoalidade do artigo 37 da 
Constituição Federal de 1988: nenhum servidor público pode valer-se do cargo 
para lograr proveito pessoal ou de outrem;
X- é proibido ao servidor público participar de gerência ou administração 
de empresa privada, sociedade civil, salvo a participação nos conselhos de 
administração e fiscal de empresas ou entidades em que a União detenha, é 
possível trabalhar em empresa privada desde que não haja incompatibilidade 
de carga horária;
XI- ao servidor é proibido defender ou pleitear direta ou indiretamente, direito 
alheio perante a administração pública, valendo-se da qualidade de funcionário; 
UNIDADE 2 | ÉTICA PROFISSIONAL
98
XII - receber propina, comissão, presente ou vantagem de qualquer espécie, em 
razão de suas atribuições. O servidor não pode receber propina ou qualquer 
vantagem;
XIII- “aceitar comissão, emprego ou pensão de Estado estrangeiro”, não pode 
o servidor pôr em risco a soberania do Estado;
XIV- usura é sinônimo de agiotagem, nesse sentido não pode o servidor obter 
vantagem em nenhuma hipótese;
XV- o servidor não pode ser negligente, indolente e preguiçoso, ou ainda agir 
com descaso e apatia, e sim deve ter atenção, cuidado e eficiência no exercício 
de sua função;
XVI- o servidor não pode desviar de sua finalidade e de recursos para 
atividades particulares;
XVII- não pode o servidor público modificar atribuições próprias do cargo, 
que foi criado por lei e com vencimentos próprios, exceto em situações de 
emergência;
XVIII- as questões éticas e morais devem nortear a conduta do servidor público, 
dentro e fora do exercício da função, devendo evitar quaisquer atitudes contra 
o princípio da moralidade administrativa;
XIX- não pode o servidor recusar a atualização de dados cadastrais.
FONTE: Adaptado de: <http://pt.scribd.com/doc/54295493/2/Secao-II-Do-Afastamento-para-
Exercicio-de-Mandato-Eletivo>. Acesso em: 30 mar. 2012.
Ao verificarmos mais essa lei, pode-se perceber que muitas questões se 
repetem de uma para outra lei, e ao mesmo tempo se aprofundam no que se 
trata das condutas morais e éticas. Pode parecer até enfadonho, em virtude de as 
condutas éticas serem universais. Como já aprendido, as questões morais sofrem 
mudanças conforme o tempo e lugar. Não só cabe conhecê-las, mas também, no 
desenvolvimento que a sociedade impõe, tudo deve estar devidamente registrado, 
para que a contrapartida possa ser um ato punível.
TÓPICO 2 | O ATO ADMINISTRATIVO
99
3 CONCEITO DE ATO ADMINISTRATIVO
O conceito de ato administrativo é fundamentalmente o mesmo do 
ato jurídico, o que os diferencia é a finalidade pública. O ato administrativo 
está relacionado diretamente ao seu fim imediato, que é o bem comum. O ato 
jurídico também se preocupa com o bem comum, mas a sua finalidade pública 
é resguardar, modificar ou extinguir direitos.
FONTE: Adaptado de: <http://jus.com.br/revista/texto/12903/controle-jurisdicional-na-atividade-
das-agencias-reguladoras/2>. Acesso em: 30 mar. 2012.
O ato jurídico tem como fim imediato adquirir, resguardar, transferir, modificar 
ou extinguir direitos.
ATENCAO
O ato administrativo, de acordo com Meirelles (2006, p. 149):
É toda manifestação unilateral de vontade da administração pública 
que, agindo nessa qualidade, tenha por fim imediato adquirir, 
resguardar, transferir, modificar, extinguir e declarar direitos, ou 
impor obrigação aos administrados ou a si própria.
Esse é o conceito primário de ato administrativo, mas é possível perceber 
que existem desdobramentos mais complexos quando se refere à vontade 
unilateral, existem atos administrativos bilaterais também.
O ato administrativo é típico da administração pública, por requerer 
argumentos e fundamentos que são de interesse público e coletivo.
NOTA
Ato administrativo é adquirir, resguardar, transferir, modificar, extinguir ou declarar 
direitos, ou impor obrigação aos seus administrados ou a si própria.
FONTE: Adaptado de: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Ato_administrativo>. Acesso em: 30 mar. 2012.
UNIDADE 2 | ÉTICA PROFISSIONAL
100
NOTA
Fato administrativo é a realização material da administração pública.
FONTE: Disponível em: http://pt.shvoong.com/law-and-politics/1656030-atos-administrativo
s-seus-requisitos/>. Acesso em: 30 mar. 2012.
Não devemos confundir ato com fato administrativo, pois fato 
administrativo é toda realização material da administração pública em 
cumprimento de decisões administrativas, como construir uma ponte, uma 
escola, uma instalação de serviço público etc.
FONTE: Adaptado de: <http://pt.shvoong.com/law-and-politics/1656030-atos-administrativos-
seus-requisitos/>. Acesso em: 30 mar. 2012.
3.1 COMPETÊNCIA DO ATO ADMINISTRATIVO
A competência é a primeira condição para o ato administrativo. O ato 
administrativo só pode ser validado se houver um agente com poder legal. A 
competência é no ato administrativo, quer dizer que o ato só pode ser efetuado 
por quem tem o poder de fazê-lo.
Entende-se por competência administrativa o poder atribuído ao 
agente da administração para o desempenho específico de suas 
funções. A competência resulta da lei e por ela delimitada. Todo ato 
emanado de agente incompetente, ou realizado além do limite de que 
dispõe a autoridade incumbida de sua prática, é inválido, por lhe faltar 
um elemento básico de sua perfeição, qual seja, o poder jurídicopara 
manifestar a vontade da administração. (MEIRELLES, 2006, p. 151).
Não é competente quem quer, mas quem pode.
ATENCAO
E essa competência é intransferível e inadiável pela vontade dos 
interessados, contudo, se for delegada e avocada, deve ser feita pelas normas 
reguladoras da administração.
TÓPICO 2 | O ATO ADMINISTRATIVO
101
3.2 FINALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO
A finalidade do ato administrativo é o objetivo que o interesse público 
quer atingir. Como menciona Meirelles (2006, p. 152), “a administração pública 
só se justifica como fator de realização do interesse coletivo, seus atos hão de se 
dirigir sempre e sempre para um fim público”.
A finalidade é o objetivo do interesse público.
ATENCAO
A finalidade do ato administrativo é aquela que a lei indica explícita 
ou implicitamente. Não cabe ao administrador escolher outra, ou 
substituir a indicada na norma administrativa, ainda que ambas 
colimem fins públicos. (MEIRELLES, 2006, p. 152).
A finalidade é, portanto, o objetivo-fim do ato administrativo. Para quem 
serve o ato? Quem se beneficia? É de interesse público e coletivo? Na finalidade 
deve estar bem claro que o ato atingirá o interesse público.
3.3 FORMA DO ATO ADMINISTRATIVO
Todo ato administrativo a rigor é formal, por esse motivo deve existir em 
forma, e essa forma é material, ou seja, deve ser por escrito, salvo em casos de 
urgência. A forma é o documento, enquanto que o procedimento é “o conjunto de 
operações exigidas para a sua perfeição”. (MEIRELLES, 2006, p. 153).
A forma é o revestimento material do ato.
ATENCAO
A forma do ato distingue-se do procedimento administrativo, ou 
seja, a forma é o revestimento material do ato, enquanto que o procedimento 
administrativo é o conjunto de operações para a sua perfeição.
A exemplo de uma concorrência, existe um procedimento que se inicia 
com edital e se finda com a execução da obra ou do serviço. Dessa forma, Meirelles 
(2006, p. 153) coloca que “o procedimento é dinâmico e a forma é estática”.
UNIDADE 2 | ÉTICA PROFISSIONAL
102
NOTA
Concorrência pública é uma modalidade de licitação para contratos de grande 
vulto, que se realiza com ampla publicidade, para assegurar a participação de quaisquer 
interessados que preencham os requisitos previstos no edital convocatório.
FONTE: Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Concorr%C3%AAncia_p%C3%BAblica>. 
Acesso em: 30 mar. 2012.
3.4 MOTIVO DO ATO ADMINISTRATIVO
É a situação de direito ou de fato que autoriza ou determina a realização 
do ato administrativo, podendo ser expresso em lei - atos vinculados - ou pelo 
critério do administrador - ato discricionário. 
FONTE: Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Ato_administrativo>. Acesso em: 30 mar. 2012.
Todo ato administrativo deve ter uma motivação (ou causa) para que o 
ato administrativo seja considerado válido.
Todo ato administrativo deve ser motivado pelo interesse público.
ATENCAO
3.5 OBJETO DO ATO ADMINISTRATIVO
Todo ato administrativo tem como objeto a criação, modificação ou 
comprovação de situações jurídicas, concernentes a pessoas, coisas 
ou atividades sujeitas à ação do poder público. Nesse sentido, o 
objeto identifica-se com o conteúdo do ato, através do qual a 
administração pública manifesta seu poder e sua vontade [...] 
(MEIRELLES, 2006, p. 154-155).
TÓPICO 2 | O ATO ADMINISTRATIVO
103
O objeto é o conteúdo do ato.
ATENCAO
O objeto é o efeito jurídico que o ato produz. O objeto decorre da lei, por 
esse motivo, ele tem que ser lícito possível de fato e de direito. Em conformidade 
com a lei, o objeto também está imbuído de moralidade.
4 DEVERES DO SERVIDOR PÚBLICO
Os deveres do servidor público, embora explorados quando do estudo 
das Leis nº 1.171 de 1994 – Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil 
do Poder Executivo Federal, Lei nº 8112 de 1990, Regime Jurídico dos Servidores 
Públicos Civis da União, das Autarquias e das Fundações Públicas Federais, ainda 
assim merecem sempre destaque no que se refere ao estudo da ética e moral.
FIGURA 22 – DEVER
LEVANTA
A MÃO QUEM
FEZ O DEVER
DE CASA !!!
FONTE: Disponível em: <http://evaristoesportes.files.wordpress.com/2010/05/
raposa-faz-o-seu-dever-de-casa.jpg>. Acesso em: 15 fev. 2012.
UNIDADE 2 | ÉTICA PROFISSIONAL
104
O dever, de acordo com a filosofia, é uma ação segundo uma ordem 
racional ou uma norma. Nesse sentido, gestor, servidor, funcionário público 
devem ter o exato conhecimento das questões morais que regem seus deveres, 
bem como ter conhecimento do que está determinado pelas leis e pelas bases 
limítrofes da sua função e cargo.
De acordo com Meirelles (2006), existem alguns deveres gerais e 
fundamentais do servidor público:
● Dever de eficiência: a eficiência é o princípio norteador da atividade 
administrativa, compreende a produtividade, excelência do trabalho e 
adequação técnica aos fins visados pela administração pública.
● Dever de probidade: a probidade está associada à conduta do administrador 
público como elemento à legitimidade de seus atos, que se associa diretamente 
ao dever de prestar contas.
● Dever de prestar contas: é ação natural da administração que se encarrega da 
gestão de bens públicos e de interesses alheios.
NOTA
Probidade significa “qualidade de quem é honesto; honradez; integridade de 
caráter”. (BUENO, 2000, p. 625).
De acordo com Meirelles (2006), esses deveres cercam de ética e conduta 
moral as ações dos servidores públicos: eficiência, boa conduta e transparência.
105
RESUMO DO TÓPICO 2
Esse Tópico 2 adentrou para as questões da prática da administração 
pública baseada em seus conceitos teóricos e favorecendo o seu entendimento pelo 
prisma das questões morais e éticas, que são a base dos atos administrativos, como:
● Perceber deveres e proibições do administrador público postulados pela Lei nº 
8.112/90.
● Conceituar o ato administrativo.
● Compreender a dimensão do dever do agente público.
106
AUTOATIVIDADE
1 É toda manifestação unilateral de vontade da administração pública que, 
agindo nessa qualidade, tenha por fim imediato adquirir, resguardar, 
transferir, modificar, extinguir e declarar direitos, ou impor obrigações aos 
administrados ou a si própria. Esta é a definição correspondente a de:
a) ( ) Fato administrativo.
b) ( ) Fato da administração.
c) ( ) Ato jurídico.
d) ( ) Ato administrativo.
e) ( ) Ato da administração.
FONTE: Disponível em: <http://atepassar.com/questoes-de-concursos/bancas/conesul/>. 
Acesso em: 30 mar. 2012.
2 Quais são os elementos ou requisitos do ato administrativo? Explique-os 
resumidamente.
3 O ato administrativo, como emanação do poder público, apresenta 
determinados atributos que os distingue do ato jurídico do direito privado. 
Estes atributos são:
a) ( ) Competência, finalidade, forma, motivo e objeto.
b) ( ) Presunção de legitimidade, imperatividade e autoexecutoriedade.
c) ( ) Legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
d) ( ) Legalidade, impessoalidade, moralidade, igualdade, publicidade e 
probidade administrativa.
e) ( ) Finalidade, legalidade e legitimidade.
FONTE: Disponível em: <http://atepassar.com/questoes-de-concursos/bancas/conesul/>. 
Acesso em: 30 mar. 2012.
4 (Técnico Judiciário - TRE-BA - CESPE/UnB - 2010) O servidor público é 
proibido de ausentar-se do serviço sem prévia autorização do chefe imediato.
FONTE: Disponível em: <http://atepassar.com/questoes-de-concursos/bancas/conesul/>. 
Acesso em: 30 mar. 2012.
Essa afirmação é:
a) ( ) Verdadeira.
b) ( ) Falsa.
107
TÓPICO 3
AS ORGANIZAÇÕES PÚBLICAS
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Inicia-se o Tópico 3 sobre as organizações públicas, mas sempre buscando 
no cerne das reflexões as questões éticas e morais. Embora essas questões pareçamrepetitivas, as suas ratificações são permanentes a cada lei, regimento e/ou 
simplesmente no que tange ao tema.
2 OS DIFERENTES TIPOS DE ORGANIZAÇÕES
Existem diversos tipos de organizações, associações, cooperativas, 
fundações, institutos, entre tantas outras. Nesse caderno a administração pública 
direta é o principal objeto de estudo, muito embora as questões de moral e ética 
possam ser estendidas a tantos quantos forem os tipos de organizações.
Por esse motivo, a ética e os valores morais têm sido difundidos com 
muita seriedade e com bastante destaque em quaisquer das organizações, mesmo 
nas privadas. O que as difere são os seus segmentos de atuação e, principalmente, 
os seus interesses.
FIGURA 23 – DIVERSIDADE DE ORGANIZAÇÕES
FONTE: Disponível em: <http://www.promenino.org.br/Portals/0/especiais/e7_(1).
jpg>. Acesso em: 15 fev. 2012.
108
UNIDADE 2 | ÉTICA PROFISSIONAL
De acordo com Etzioni (1974, p. 53), as organizações podem ser divididas em:
a) normativas: instituições religiosas, partidos, associações profissionais/políticas, 
universidades etc.;
b) utilitárias: empresas industriais, serviços, organizações militares em tempo de 
paz etc.;
c) coercitivas: instituições correcionais, campos de concentração, sindicatos etc.
Etzioni (1974) recorre que sentidos de alienação, envolvimento, poder e 
compromisso são o que determinam o tipo de organização e, ao mesmo tempo, 
geram o sentimento norteador para que o interesse coletivo seja estipulado.
3 ÉTICA COMO INSTRUMENTO DE GESTÃO
No livro de Robert Henry Srour (2011, p. 29), capítulo 3, o autor coloca 
uma grande questão como epígrafe para início de conversa: “Por que se importar 
com a “ética”?
Como bem abordado pelo autor, muitos podem pensar que ética não tem 
nada a ver! Vejamos o que Srour (2011, p. 29) coloca:
Ética! Nada a ver! Ninguém ‘se comporta direito’ com impostos insanos, 
bandalheira na máquina pública, lerdeza da Justiça, desperdício de 
recursos, obras superfaturadas, infraestrutura em petição de miséria, 
descalabro da educação pública, subsídios obscenos ao grande capital, 
esperteza em todas as transações, precariedade dos serviços públicos, 
incúria das autoridades, sanhas fiscais que achacam... Quer mais?
Parece bastante! Mas diante de tanta negatividade, deve-se desistir de 
todos os preceitos morais e éticos? Parece que não, e é a isso que cada vez mais 
as organizações têm demonstrado que ética pode ser um instrumento de gestão.
Muitos têm sido os exemplos em empresas privadas em que seus clientes 
perdem a fidelidade quando se deparam com ações antiéticas.
3.1 GESTÃO E LIDERANÇA
A liderança é a influência exercida para modificar o comportamento dos 
indivíduos. A influência que esses indivíduos recebem vai além da concordância 
mecânica de instruções rotineiras, ou melhor, é através de uma boa liderança que 
bons valores podem ser propagados e o desenvolvimento de uma sociedade mais 
justa e equitativa pode ser garantida.
TÓPICO 3 | AS ORGANIZAÇÕES PÚBLICAS
109
FIGURA 24 – LIDERANÇA
VIU SÓ, VIREI
 SUA CHEFE!
MAS VOU CONTINUAR
SENDO A MESMA
AMIGONA DE SEMPRE!
AGORA PODE
LAMBER
MEUS PÉS!
FONTE: Disponível em: <http://1.bp.blogspot.com/_mt1Wcocj5iY/TBgSsAJq2KI/AAAAAAAAAR8/
soWWYCi1G0M/s1600/ChargeLideranca1.jpg>. Acesso em: 20 fev. 2012.
Chiavenato (2003, p. 213) apresenta três tipos diferentes de liderança:
QUADRO 11 – MODELOS DE LIDERANÇA
Aspectos Liderança autocrática Liderança liberal Liderança democrática
Tomada de 
decisões
Apenas o líder decide 
e fixa as diretrizes, sem 
nenhuma participação 
do grupo.
Total liberdade ao 
grupo para tomar as 
decisões, com mínima 
intervenção do líder.
As diretrizes são 
debatidas e decididas 
pelo grupo, que 
são estimulados e 
orientados pelo líder.
Programação 
dos trabalhos
O líder dá ordens e 
determina providências 
para a execução de 
tarefas, sem aplicá-las 
ao grupo.
Participação limitada 
do líder. Informações e 
orientações são dadas 
desde que solicitadas 
pelo grupo.
O líder aconselha e dá 
orientação para que o 
grupo esboce objetivo 
e ações. As tarefas 
ganham perspectivas 
com os debates
Comunicando visão dos fatos, esclarecendo propósitos, tornando o 
comportamento compatível com as crenças e alinhando procedimentos 
com princípios, funções e objetivos. As pessoas poderão, então, 
alcançar um elevado sentido de compromisso com os objetivos da 
organização. (COVEY, 1994, p. 47).
E assim como cita Covey (1994), gestão e liderança podem criar uma nova 
fórmula para que as suas ações sejam voltadas ao bem coletivo, e não somente 
aos interesses particulares dos indivíduos e/ou de interesse direto e tão somente 
da organização.
110
UNIDADE 2 | ÉTICA PROFISSIONAL
Divisão do 
trabalho
O líder determina a 
tarefa a cada um e qual 
o seu companheiro de 
trabalho.
A divisão das tarefas 
e escolhas dos colegas 
é do grupo. Nenhuma 
participação do líder.
O grupo decide sobre a 
divisão das tarefas e cada 
membro tem liberdade 
para escolher os colegas.
Comportamento 
do líder
O líder é dominador e 
pessoal nos elogios e 
nas críticas ao grupo.
O líder assume o papel 
de membro do grupo e 
atua somente quando é 
solicitado.
O líder é objetivo e 
limitado aos fatos nos 
elogios ou críticas. 
Trabalha como 
orientador da equipe.
FONTE: Chiavenato (2003, p. 213).
No nosso dia a dia, em várias organizações que frequentamos, podemos 
observar os diferentes tipos de liderança.
O quadro apresenta os modelos de liderança em relação ao trabalho, mas 
se pararmos para pensar, na escola em que estudamos, numa equipe desportiva, 
nas organizações religiosas, podemos observar que já passamos por diferentes 
tipos de liderança.
Na liderança autocrática o líder é pessoa dominadora, que determina as 
tarefas e não permite o diálogo, é uma pessoa dominadora.
Na liderança liberal, a sua participação é limitada e os trabalhadores têm 
grande liberdade de participação nas tomadas de decisões.
Na liderança democrática o grau de participação do grupo em conjunto 
é bem maior que nos outros exemplos, o que configura o comprometimento de 
todos em relação ao trabalho e às tomadas de decisões.
4 DIFERENTES TIPOS DE INTERESSES
Como já visto, cada organização e cada pessoa tem um interesse diferente. 
Esse hibridismo de interesses forma a sociedade em uma imensidão sectária.
4.1 O BEM COMUM
De acordo com Alonso, López e Castrucci (2010, p. 90), o bem comum “é o 
conjunto de condições sociais que permite e favorece aos membros da sociedade 
o seu desenvolvimento pessoal e integral”.
O bem comum, de forma bem simples, é a felicidade de todos. Pelo ponto 
de vista da administração pública, é buscar ações que favoreçam que a sociedade 
seja cada vez melhor, visto que os princípios de legalidade, impessoalidade, 
moralidade, publicidade e eficiência (artigo 37 da Constituição Federal de 
1988(BRASIL, 1988)) sejam elementos fundamentais.
TÓPICO 3 | AS ORGANIZAÇÕES PÚBLICAS
111
Alonso, López e Castrucci (2010, p. 92) abordam três aspectos essenciais 
do bem comum:
1 O bem comum tem composição análoga à do bem da pessoa.
2 É próprio da sociedade.
3 Deve ser compatível com o bem comum das outras sociedades.
Esses aspectos essenciais apontam para que o bem comum só seja possível se 
houver o bem-estar das pessoas com elas mesmas (individual e coletivo), e também 
em qualquer espaço, seja a sua própria comunidade ou com a sociedade em geral.
4.2 O INTERESSE INDIVIDUAL
De acordo com Abbagnano (2007, p. 665), interesse é a “participação 
pessoal numa situação qualquer e a dependência que dela resulta para a pessoa 
interessada”. Interesse individual é quando a pessoa deseja algo para si mesma.
O interesse individual, quando a pessoa é investida de servidorpúblico, 
deve ficar aquém do interesse público. Mas há algum mal na pessoa desejar fazer 
carreira pública? Claro que não! Seja como representante do povo pelos cargos 
de voto direto (prefeito, vereador, deputado, senador, entre outros), seja também 
pela investidura de algum cargo público pelo processo seletivo legal, qualquer 
cidadão pode almejar fazer uma carreira profissional na esfera pública.
O que não pode são as pessoas, ao se investirem em algum cargo público, 
visarem única e exclusivamente o seu interesse individual e particular.
4.3 O INTERESSE COLETIVO
O interesse coletivo é o bem de todos e para todos. Na verdade, tanto as 
organizações públicas quanto as privadas, entre outras organizações, visam ao 
interesse coletivo. O interesse coletivo é, portanto, a reunião da vontade de pessoas.
De acordo com o Código de Defesa do Consumidor, Lei nº 8.078/90, 
interesses coletivos são um tipo de interesse transindividual ou metaindividual, 
isto é, pertencem a um grupo, classe ou categoria de pessoas determinadas, 
que são reunidas entre si pela mesma relação jurídica básica. 
FONTE: Adaptado de: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Interesses_coletivos>. Acesso em: 30 mar. 2012.
112
UNIDADE 2 | ÉTICA PROFISSIONAL
Os interesses coletivos são de natureza indivisível, são compartilhados 
em igual medida por todos os integrantes do grupo, por esse motivo devem 
representar a vontade e interesse de um todo.
4.4 O INTERESSE PÚBLICO
O interesse público também é conhecido como princípio da supremacia 
do interesse público ou da finalidade pública. Segundo Meirelles (2006, p. 103):
O princípio do interesse público está intimamente ligado ao da 
finalidade. A primazia do interesse público sobre o privado é inerente 
à atuação estatal e domina-a, na medida em que a existência do Estado 
justifica-se pela busca do interesse geral. Em razão dessa inerência, 
deve ser observado mesmo quando as atividades ou serviços públicos 
forem delegados aos particulares.
Nesse sentido, mesmo que o Estado repasse a terceiros a incumbência 
de serviços, ainda assim haverá supremacia do interesse público, ou seja, essa 
organização que prestará serviço deverá colocar o interesse público acima do seu 
interesse particular.
4.5 O INTERESSE PROFISSIONAL
As pessoas, no geral, ao ocuparem um cargo e função, seja numa 
organização pública ou privada, levam consigo seus interesses individuais, 
pessoais e profissionais. Essa motivação faz com que as pessoas vislumbrem 
uma carreira bem-sucedida. Entretanto, a respeito da ética profissional, Camargo 
(1999, p. 31- 32) apresenta:
A ética profissional e a aplicação da ética geram no campo das 
atividades profissionais; a pessoa tem que estar imbuída de certos 
princípios e valores próprios do ser humano para vivê-los nas suas 
atividades de trabalho.
Os valores e desejos que as pessoas carregam devem estar numa escala 
menor aos interesses públicos ou coletivos, e quanto mais valor humano a pessoa 
levar para a organização, melhor para a organização e ao bem comum.
TÓPICO 3 | AS ORGANIZAÇÕES PÚBLICAS
113
5 TENSÕES ÉTICAS NA ORGANIZAÇÃO
Os interesses, racionalidades, criam tensões éticas nas organizações que 
impõem às pessoas tomadas de decisões e conflitos intermitentes. Qual o grau 
de tensão entre as duas éticas? A tensão é condicionada pelo estado geral da 
sociedade, “um mínimo de consenso social é necessário para que a tensão entre 
as duas éticas se mantenha num grau que permita às organizações operarem 
segundo as expectativas normais de produtividade e eficiência”. (GUERREIRO 
RAMOS, 1983, p. 44).
A tensão é uniforme ou varia segundo os tipos de organização? Etzioni 
(1974, p. 54) distingue seis esferas de consenso:
a) aos valores gerais da sociedade;
b) aos objetivos da organização;
c) aos meios, normas e táticas;
d) à participação na organização;
e) às especificações de execução;
f) às perspectivas de conhecimento dos fatos.
Vimos os diferentes tipos de liderança e de interesses e esses, entre 
tantos outros, ajudam a construção da cultura e clima organizacional, além de 
proporcionar tensões nas organizações.
Portanto, as tensões em relação à ética nas organizações podem ser provindas 
de diferentes influências. Para tanto, para minimizar as tensões, procura-se manter 
condutas éticas e morais e na disseminação dos valores consensuais.
5.1 VALORES NAS ORGANIZAÇÕES
Abrahamson (2006) aborda sobre a questão da mudança organizacional. 
Que a cultura organizacional se dá num movimento constante em que os valores, 
normas e papéis devem ser revitalizados a todo o momento.
Valores são simplesmente convicções compartilhadas por pessoas 
de uma empresa ou de parte dela – o que se preza, com frequência 
inconscientemente. Nós nos conscientizamos desses valores 
incutidos somente quando examinamos o seu lado negativo, isto é, 
o que uma empresa desvaloriza com base nesses valores culturais. 
(ABRAHAMSON, 2006, p. 87).
Embora Abrahamson (2006) tenha seu trabalho voltado às empresas 
privadas, vale destacar que apesar de as organizações privadas e públicas 
serem extremamente diferentes, ainda assim não devem isolar-se em si. Tanto 
as organizações públicas quanto as privadas podem espelhar-se para que uma e 
outra apresentem sinalizações positivas de transformações.
114
UNIDADE 2 | ÉTICA PROFISSIONAL
Dessa forma, Abrahamson (2006) apresenta um mapa que auxilia a 
desenvolver a cultura organizacional sobre os valores, normas e papéis:
• valores – o que é valorizado e, em contraste, é desvalorizado;
• papéis – papéis informais desejáveis e, em contraste, papéis que fazem falta 
quando ausentes;
• normas – o que é considerado um comportamento normal e, em contraste, é 
considerado anormal.
Ao colocar na balança o que é valorizado ou não, o que é aceitável ou não, 
o que faz falta, você constrói a cultura organizacional, como também oportuniza 
na revitalização de valores.
UNI
Na outra unidade falamos da importância do estudo complementar, o quanto é 
possível aprofundar no assunto aqui apresentado, como também descobrir outras formas de 
conhecimento e reflexão através de livros literários ou filmes.
TÓPICO 3 | AS ORGANIZAÇÕES PÚBLICAS
115
LEITURA COMPLEMENTAR
A IMPORTÂNCIA DA ÉTICA NAS ORGANIZAÇÕES
Rosilene Marton
A sociedade contemporânea está resgatando comportamentos que 
possibilitem o cultivo de relações éticas. São frequentes as queixas sobre a falta 
de ética na sociedade, na política, na indústria e até mesmo nos meios esportivos, 
culturais e religiosos. 
Um dos campos mais carentes no que diz respeito à aplicação da ética é 
o do trabalho e exercício profissional. Por esta razão, executivos e teóricos em 
administração de empresas voltaram a se debruçar sobre as questões éticas. Nos 
Estados Unidos, após o escândalo envolvendo a Enron, a Harvard Business School 
está mais cautelosa na seleção de seus alunos. O ex-diretor geral da Enron, Jeffrey 
Skilling, formou-se em Harvard em 1979. A famosa escola de negócios passou a 
incluir um questionário de ética na prova aplicada aos candidatos a uma vaga 
no curso MBA. Além disso, cada um dos estudantes aprovados é entrevistado 
individualmente. Os escândalos da Enron e outras companhias dos Estados 
Unidos mostraram que esquecer-se da ética pode ser um mau negócio. 
Nas universidades e escolas brasileiras nota-se uma modificação gradativa 
nos currículos, com a inclusão e ênfase ao estudo da ética. Hoje, fundações também 
estão desenvolvendo estudos em ética organizacional. 
A Fundação Instituto de Desenvolvimento Empresarial e Social (FIDES), 
desde a sua fundação em 1986, atua em quatro grandes vertentes que visam 
mobilizar a sociedade civil brasileira na busca do Bem Comum: o Balanço Social, a 
Ética na Atividade Empresarial, o Diálogo Social e a Formação de Novas Alianças. 
Para a vertenteque busca o Bem Comum pautado na Ética na Atividade 
Empresarial, é indiscutível que as boas decisões empresariais resultem de 
decisões éticas.
Uma empresa é considerada ética se cumprir com todos os compromissos 
éticos que tiver, se adotar uma postura ética como estratégia de negócios, ou seja, 
agir de forma honesta com todos aqueles que têm algum tipo de relacionamento 
com ela. Estão envolvidos nesse grupo os clientes, os fornecedores, os sócios, 
os funcionários, o governo e a sociedade como um todo. Seus valores, rumos e 
expectativas devem levar em conta todo esse universo de relacionamentos e seu 
desempenho também deve ser avaliado quanto ao seu esforço no cumprimento 
de suas responsabilidades públicas e em sua atuação como boa cidadã. 
116
UNIDADE 2 | ÉTICA PROFISSIONAL
Percebe-se claramente a necessidade da moderna gestão empresarial em 
criar relacionamentos mais éticos no mundo dos negócios para poder sobreviver 
e, obviamente, obter vantagens competitivas. A sociedade como um todo também 
se beneficia deste movimento. 
As organizações necessitam investir continuamente no desenvolvimento 
de seus funcionários por meio da educação. 
A maior parte das organizações, independentemente do porte, pode 
desenvolver mecanismos para contribuir para a satisfação dos funcionários. 
Ter padrões éticos significa ter bons negócios a longo prazo. Existem 
estudos indicando a veracidade dessa afirmativa. Na maioria das vezes, contudo, 
as empresas e organizações reagem a situações de curto prazo. 
O Center for Ethics da Universidade do Arizona concluiu que as empresas 
norte-americanas que renderam dividendos por cem anos ou mais, eram 
exatamente aquelas que viam na ética uma de suas maiores prioridades. 
A integridade e o desempenho não são extremidades opostas de um 
contínuo. Quando as pessoas trabalham para uma organização que acreditam ser 
justa, onde todos estão dispostos a dar de si para a realização das tarefas, onde 
as tradições de fidelidade e cuidado são marcantes, as pessoas trabalham em um 
nível mais elevado. Os valores ao seu redor passam a fazer parte delas e elas veem 
o cliente como alguém a quem devem o melhor produto ou serviço possível.
Bons negócios dependem essencialmente do desenvolvimento e 
manutenção de relações de longo prazo, e falhas éticas levam as empresas a 
perderem clientes e fornecedores importantes, dificultando o estabelecimento de 
parcerias, cada vez mais comum hoje em dia.
A reputação das empresas e organizações é um fator primário nas relações 
comerciais, formais ou informais, quer estas digam respeito à publicidade, ao 
desenvolvimento de produtos ou a questões ligadas aos recursos humanos.
Nas atuais economias nacionais e globais, as práticas empresariais dos 
administradores afetam a imagem da empresa para a qual trabalham. Assim, se 
a empresa quiser competir com sucesso nos mercados nacional e mundial, será 
importante manter uma sólida reputação de comportamento ético.
FONTE: Disponível em: <http://www.eticaempresarial.com.br/arigos_eticaempresarial.htm>. Acesso 
em: 15 fev. 2012.
TÓPICO 3 | AS ORGANIZAÇÕES PÚBLICAS
117
DICAS
LIVROS
ASHLEY, Patrícia A. (Org.). Ética e responsabilidade social nos negócios. 2. ed.
São Paulo: Saraiva, 2005.
BAUMAN, Zygmunt. A ética é possível num mundo de consumidores? Tradução Alexandre 
Werneck. Rio de Janeiro: Zahar, 2011.
DRUCKER, Peter F. Administrando em tempos de grandes mudanças. 3. ed. São Paulo: 
Pioneira, 1996.
VIDEOTECA
Filme: A Rede Social (2010)
Direção: David Fincher
Atores: Jesse Eisenberg, Andrew Garfield, Justin Timberlake, Rooney Mara. 
O roubo de ideias entre colegas de trabalho é um problema que muitos já 
enfrentaram. A falta de ética nas relações profissionais é o pano de fundo 
do filme. Mas como saber de quem foi a ideia original em um ambiente de 
desenvolvimento de projetos em que todos participam?
FONTE: Disponível em: <http://www.qualidadebrasil.com.br/noticia/como_lidar_com_roubo_
de_ideias_na_empresa>. Acesso em: 30 MAR. 2012.
Filme: Obrigado por fumar (2006)
Direção: Jason Reitman
Atores: Aaron Eckhart, Maria Bello, Cameron Bright, Adam Brody. 
Nick Naylor é o principal porta-voz das grandes empresas de cigarros, 
ganhando a vida defendendo os direitos dos fumantes nos Estados 
Unidos. Nick conta com a ajuda de um poderoso agente de Hollywood 
para fazer com que o cigarro seja promovido nos filmes. Sua fama faz com 
que Nick atraia a atenção dos principais chefes da indústria do tabaco e 
também da repórter de um jornal de Washington que deseja investigá-lo. 
Nick repetidamente diz que trabalha apenas para pagar as contas, mas a atenção cada vez 
maior que seu filho Joey dá ao seu trabalho começa a preocupá-lo.
FONTE: Disponível em: <http://www.cranik.com/critica_obrigadoporfumar.html>. Acesso 
em: 30 mar. 2012.
118
UNIDADE 2 | ÉTICA PROFISSIONAL
Filme: O sucesso a qualquer preço (Estados Unidos)
Direção: James Foley
Atores: Al Pacino, Alec Baldwin, Jack Lemmon, Kevin Spacey, Ed Harris e 
Jonathan Pryce.
O filme funciona como uma denúncia de como o dinheiro, a competição 
e a falta de ética corrompem tudo em seu caminho. O filme aborda a 
angústia dos personagens em situações-limite. Filme interessante pela 
perspectiva da ética de mercado.
FONTE: Disponível em: < http://livraria.folha.com.br/catalogo/1150422/sucesso-a-qualquer-
preco-o>. Acesso em: 30 mar. 2012.
Filme: Ensaio sobre a cegueira (2008)
Direção: Fernando Meirelles
Atores: Mark Ruffalo, Julianne Moore, Alice Braga e Gael García Bernal.
Esse filme é uma adaptação da obra de José Saramago. A esposa de um 
médico é a única pessoa capaz de enxergar numa cidade onde todas 
as pessoas são misteriosamente tomadas por uma repentina cegueira. O 
fato acaba criando o caos e a desordem entre a população. É interessante 
assistir pela perspectiva da ética geral e profissional.
FONTE: Disponível em: <http://www.cinedica.com.br/Filme-Ensaio-Sobre-a-Cegueira-1916.
php>. Acesso em: 30 mar. 2012.
119
RESUMO DO TÓPICO 3
O Tópico 3 apresentou os diferentes interesses e tipos de organização e a 
ética como instrumento fundamental de fundo de análise, assim desenvolvidos 
em objetivos:
● Compreender o sentido das organizações.
● Entender a gestão, liderança como instrumento de ética.
● Analisar os interesses, individual, coletivo e público.
120
1 Defina o bem comum de uma sociedade.
2 Quais são os três aspectos essenciais do conceito de bem comum?
3 Quais são os consensos que podem minimizar ou exterminar as tensões 
éticas das organizações?
AUTOATIVIDADE
121
UNIDADE 3
GESTÃO PÚBLICA E ÉTICA
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade tem por objetivos:
• compreender os princípios da administração pública e a sua interface em 
relação à ética e à moral;
• verificar a importância da qualidade na administração pública;
• identificar o perfil do moderno servidor público.
Esta unidade está dividida em três tópicos e no final de cada um deles você 
encontrará atividades que reforçarão o seu aprendizado.
TÓPICO 1 – PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
TÓPICO 2 – ÉTICA E QUALIDADE EM GESTÃO PÚBLICA
TÓPICO 3 – O PERFIL MODERNO DO SERVIDOR PÚBLICO
122
123
TÓPICO 1
PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
O conceito de princípio pela filosofia é dividido em duas épocas da 
filosofia: antiga e moderna. Na filosofia antiga, princípio seria então “ponto de 
partida e fundamento de um processo qualquer” (ABBAGNANO, 2007, p. 928), e 
na filosofia contemporânea a noção de princípio perde sua importância e “inclui 
a noção de um ponto de partida privilegiado, não de modo relativo (em relação 
a certos objetivos), mas absoluto em si”. (ABBAGNANO, 2007, p. 929). Embora 
exista uma delonga sobre o que vem a ser princípio dentre afilosofia, em virtude 
das contribuições filosóficas no decorrer dos anos e pela própria história.
O que de fato esses conceitos querem nos dizer? Na verdade, tanto na 
filosofia antiga como na moderna, o que demonstram é que o princípio deva ter 
alguma coisa de norteador para validar-se em si mesmo, ou seja, estar encarregado 
de dar o ensinamento de questões a serem observadas, seguidas e cumpridas.
De acordo com o Dicionário de Português (FERREIRA, 2001, p. 594), 
princípio pode ser apreciado por três significados:
1 Momento ou local ou trecho em que algo tem origem.
2 Causa primária, origem.
3 Preceito, regra.
Seja no sentido etimológico da palavra ou no sentido filosófico, princípio, 
entretanto, se refere a uma conduta moral, às regras de preceitos morais, enfim, 
às condições éticas e morais que formam a ideologia de convivência e das ações a 
serem seguidas por toda uma sociedade.
UNIDADE 3 | GESTÃO PÚBLICA E ÉTICA
124
2 A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988
A Constituição Federal (BRASIL, 1988) é a organização jurídica fundamental 
de um Estado, em que se encontra a convenção nacional sobre os direitos e deveres 
dos cidadãos, sejam eles individuais, coletivos, sociais ou políticos; e também em 
que se limita o poder dos governantes.
Martins (2006, p. 18) discute em artigo sobre a ética e a Constituição 
Federal, destacando o capítulo da administração pública como aquele que mais 
impõe questões éticas:
É, todavia, no capítulo da administração pública, que está a serviço 
da sociedade, onde mais clara fica a imposição da “necessidade 
ética”, no exercício da honrosa função de servir à sociedade — muitas 
vezes distorcida, no país, pelo corporativismo que permeia mais os 
direitos e menos os deveres dos servidores públicos, mesmo que 
tais “direitos” que se auto-outorgam sacrifiquem excessivamente o 
povo —, pois este princípio é colocado entre os cinco mais relevantes 
da administração pública, a saber: legalidade, impessoalidade, 
moralidade, publicidade e eficiência.
A moralidade, como destaca o autor, é a mais relevante, pois por si só 
garante que qualquer ação da administração pública esteja de acordo com a 
necessidade do povo, o interesse público e o bem comum.
3 OS PRINCÍPIOS BÁSICOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
PREVISTOS NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988
Os princípios da administração pública que se apresentam no artigo 
37 da Constituição Federal (BRASIL, 1988) são: legalidade, impessoalidade, 
moralidade, publicidade e eficiência. Esses princípios você já deve ter aprendido 
em outra disciplina, mas convido-o a entendê-los pelo prisma da ética.
FIGURA 25 – PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA ADMINISTRAÇÃO 
PÚBLICA
IMPESSOALIDADE
EFICIÊNCIA
PUBLICIDADE
MORALIDADE
LEGALIDADEL
M
E
I
P
FONTE: Adaptado de: Brasil (1988)
TÓPICO 1 | PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
125
Os princípios se desdobram em outros e são encontrados na literatura da 
área do Direito Administrativo, tais como: supremacia do interesse público sobre 
o privado, isonomia, presunção da legalidade, autoexecutariedade, razoabilidade, 
proporcionalidade, motivação, entre outros.
3.1 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE
A legalidade sob o princípio da Constituição Federal de 1988, artigo 37, 
significa dizer: “que o administrador público está, em toda a sua atividade funcional, 
sujeito aos mandamentos da lei e às exigências do bem comum, e deles não se pode 
afastar ou desviar, sob pena de praticar ato inválido”. (MEIRELLES, 2006, p. 87).
Na administração pública só se pode fazer o que está na lei.
ATENCAO
No Dicionário de Filosofia (ABBAGNANO, 2007, p. 693) encontra-se, a 
princípio, legalidade com simples significado de “conformidade de uma ação com 
a lei”. Mas para a filosofia não basta essa simples conformidade que se encontra 
em lei, e observa-se em Kant (apud ABBAGNANO, 2007, p. 693) que se tem uma 
tênue distinção:
A conformidade ou a desconformidade pura de uma ação em relação à 
lei, sem referência móbil da ação, denomina-se legalidade (conformidade 
à lei); quando, porém, a ideia do dever, derivada da lei, é ao mesmo 
tempo móbil da ação, tem-se a moralidade (doutrina moral).
Na verdade, o que Kant (apud ABBAGNANO, 2007) nos apresenta é que 
a conformidade da lei, por si só, é o cumprimento da lei, mas deve-se considerar 
principalmente a moralidade do ato, ou seja, o que o autor chama de referência 
móbil. Dessa forma é possível distinguir duas das normas que sustentam os atos: 
norma jurídica e norma moral.
O que o administrador ou gestor público pode aprender com isso? É que 
para qualquer princípio ou cumprimento de lei há uma conduta moral, e essa é 
importante, para que as ações administrativas se aproximem do bem comum.
UNIDADE 3 | GESTÃO PÚBLICA E ÉTICA
126
3.2 PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE
O princípio da impessoalidade, de acordo com Meirelles (2006, p. 91-92), é 
também o princípio da finalidade, “o qual impõe ao administrador público que só 
pratique o ato para seu fim legal. E o fim legal é unicamente aquele que a norma de 
Direito indica expressa ou virtualmente como objetivo do ato, de forma impessoal”.
DICAS
Impessoalidade é não fazer nada em direito próprio.
Impessoalidade é fazer pelo bem comum.
Meirelles (2006, p. 92) também não deixa de frisar que o princípio da 
impessoalidade também deve ser entendido como o princípio responsável de 
“excluir a promoção pessoal” sobre as realizações administrativas.
Dessa forma, a doutrina moral que cerca esses princípios é que toda 
prática da administração pública deve ser realizada pelo interesse público e pela 
conveniência da administração.
3.3 PRINCÍPIO DA MORALIDADE
O princípio da moralidade vem reafirmar ou ratificar conceitos morais que 
podem parecer evidentes aos atos administrativos públicos. Embora os preceitos 
de moralidade pareçam evidentes a qualquer ato administrativo, ainda assim é 
preciso colocá-los à regra, porque esses atos são praticados por agentes públicos 
e, dessa forma, podem ser passíveis de desvios.
DICAS
Moralidade é a conduta do agente público para fim do bem comum.
TÓPICO 1 | PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
127
De acordo com Meirelles (2006, p. 89), a moral administrativa é “imposta 
ao agente público para sua conduta interna, segundo as exigências da instituição 
a que serve e a finalidade de sua ação: o bem comum”.
3.4 PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE
“Publicidade é a divulgação oficial do ato para conhecimento público e início 
de seus efeitos externos”. (MEIRELLES, 2006, p. 94). A importância da publicidade, 
além de assegurar seus efeitos externos, é também propiciar que os interessados 
diretos e o povo de maneira geral possam ter conhecimento dos atos administrativos.
DICAS
Publicidade é a divulgação oficial do ato.
Nesse sentido, o princípio da publicidade é oficializar e divulgar o ato 
administrativo, para que qualquer pessoa, em qualquer tempo, possa ter ciência 
e, através dos meios constitucionais, possa exercer ampla defesa dos direitos, 
solicitar esclarecimentos ou até impetrar.
3.5 PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA
O princípio da eficiência determina que os serviços prestados pela 
administração pública sejam realizados com a máxima presteza. Assim como 
define Meirelles (2006, p. 96): “o princípio da eficiência exige que a atividade 
administrativa seja exercida com presteza, perfeição e rendimento funcional”.
O princípio da eficiência surgiu depois dos outros quatro princípios 
anteriores, através da Emenda Constitucional nº 019/98 (BRASIL, 1998), 
especificamente seu artigo 3º deu nova redação ao caput do artigo 37, acrescentando-
lhe, como princípio constitucional da administração, a eficiência.
DICAS
Eficiência é fazer da melhor forma possível.
UNIDADE 3 | GESTÃO PÚBLICA E ÉTICA
128
A eficiência exige que os atos administrativos não estejam somente 
em conformidadeda lei (legalidade), exige que os atos apresentem resultados 
positivos para os serviços públicos e a satisfação das necessidades da comunidade.
4 OUTROS PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
Existem outros princípios que compõem a administração pública, a fim de 
garantir que os atos administrativos não sejam efetuados em vícios e tampouco se 
afastem do seu fim principal: o bem comum. Meirelles (2006) define os princípios:
● Princípio da razoabilidade e proporcionalidade: esse princípio deve 
observação à “adequação entre os meios e fins” (razoabilidade) (MEIRELLES, 
2006, p. 93) e também veda “imposição de obrigações, restrições e sanções em 
medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse 
público” (proporcionalidade). (MEIRELLES, 2006, p. 93-94). 
● Princípio da motivação: “a motivação, portanto, deve apontar a causa e 
os elementos determinantes da prática do ato administrativo, bem como o 
dispositivo legal em que se funda”. (MEIRELLES, 2006, p. 101).
● Princípio do interesse público ou supremacia do interesse público: também 
conhecido como princípio da finalidade pública ou da supremacia do interesse 
público sobre o privado. Esse princípio corresponde ao “atendimento a fins de 
interesse geral, vedada a renúncia total ou parcial de poderes ou competência, 
salvo autorização em lei”. (MEIRELLES, 2006, p. 106). 
● Princípio da isonomia: “esse princípio dá tratamento igual aos especificamente 
iguais perante a lei”. (MEIRELLES, 2006, p. 482).
● Princípio da autoexecutoriedade: “consiste na possibilidade de que certos atos 
administrativos ensejam de imediata e direta execução pela própria administração, 
independentemente de ordem judicial”. (MEIRELLES, 2006, p. 161).
● Princípio da presunção e legitimidade: 
os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, 
nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de 
norma legal que a estabeleça. Já a presunção de veracidade, inerente 
à de legitimidade, refere-se aos fatos alegados e afirmados pela 
administração para a prática do ato, os quais são tidos e havidos como 
verdadeiros até prova em contrário. (MEIRELLES, 2006, p. 158).
TÓPICO 1 | PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
129
DICAS
O princípio da isonomia é dar tratamento igual aos realmente iguais, muito 
embora, por exemplo, cargos de igual denominação podem ser funcionalmente desiguais, 
como também podem se diferenciar em tempo de serviço, habilitação profissional, entre outros.
QUADRO 12 – OUTROS PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
PRINCÍPIOS DEFINIÇÃO
Supremacia do interesse público sobre 
o privado
O interesse público é supremo sobre os interesses 
individuais.
Isonomia Tratamento igual aos realmente iguais.
Presunção de legitimidade e veracidade Os atos da administração presumem-se legítimos, 
até prova em contrário.
Autoexecutoriedade
É a possibilidade de que certos atos administrativos 
ensejam de imediata e direta execução pela própria 
administração, independente de ordem jurídica.
Razoabilidade e proporcionalidade Adequação entre os meios e fins dos atos 
administrativos.
Motivação
Todo ato administrativo deve ter uma motivação 
baseada nos princípios do interesse público e do 
bem comum.
FONTE: Adaptado de: Meirelles (2006)
O importante de se estudar os princípios da administração pública é 
verificar que o conjunto dos princípios leva ao bem comum, preservação da ética 
e moral, que as pessoas sejam tratadas com equidade e isonomia e, também, pela 
transparência dos atos.
Essa breve passagem pelos princípios da administração pública 
analogicamente pode dar a entender que a ética é propriamente o princípio e 
moral são as condutas em questão; ora moralidade, ora impessoalidade, ora 
legalidade etc.
A questão da ética pública está relacionada aos princípios fundamentais, é 
por esses princípios que o comportamento humano dos agentes públicos pode ser 
regido, a fim de garantir a preservação do interesse público, do bem comum, maior 
eficácia na prestação de serviços à sociedade e no atendimento às suas necessidades.
130
A importância de rever os princípios constitucionais nesse caderno 
de Ética é que os princípios têm preceitos na conduta ética e moral, portanto 
passíveis de serem observados e analisados pelo prisma da ética e da moral e 
não somente sob a ótica do regime jurídico e administrativo. Nesse Tópico 1 
você pôde observar:
● A definição de princípio pela lógica da filosofia e ética.
● Os princípios da Constituição Federal de 1988 previstos no artigo 37.
● A contribuição dos princípios constitucionais na formação moral do agente 
público.
RESUMO DO TÓPICO 1
131
1 (FUMARC - SEPLAG/MG – 2008 – Gestor Governamental) 
Sobre os princípios constitucionais da administração pública, é INCORRETO:
a) ( ) O da impessoalidade e o da legalidade são expressos na Constituição 
Federal.
b) ( ) O da publicidade e o da eficiência são expressos no art. 37 da Constituição 
Federal.
c) ( ) O da indisponibilidade e o da razoabilidade não estão expressos na 
Constituição Federal.
d) ( ) O da legalidade e o da igualdade estão expressos no caput do art. 37 da 
Constituição Federal.
FONTE: Disponível em: <www.provasbrasil.com.br/.../gestor-governamental-direito-administrati
vo_-_SEPLAG_MG_2008_-_FUMARC.pdf>. Acesso em: 30 mar. 2012.
2 (Prova 1 - MPOG - 2005) 
Os princípios da administração pública estão presentes em todos os institutos 
do Direito Administrativo. Assinale, no rol abaixo, aquele princípio que 
melhor se vincula à proteção do administrado no âmbito de um processo 
administrativo, quando se refere à interpretação da norma jurídica.
a) ( ) Legalidade.
b) ( ) Proporcionalidade.
c) ( ) Moralidade.
d) ( ) Ampla defesa.
e) ( ) Segurança jurídica.
FONTE: Disponível em: <http://www.concursospublicosonline.com/informacao/view/Provas/
MPOG-2005/Direito-Administrativo-Prova-1-MPOG-2005>. Acesso em: 30 mar. 2012.
3 (MTE – 2003) 
Entre os seguintes princípios constitucionais da administração pública, assinale 
aquele que é mais diretamente vinculado aos costumes, reconhecidos também 
como fonte de Direito:
a) ( ) Moralidade.
b) ( ) Eficiência.
c) ( ) Publicidade.
d) ( ) Legalidade.
e) ( ) Impessoalidade.
FONTE: Disponível em: <http://www.concursospublicosonline.com/informacao/view/Provas/Fiscal-
do-Trabalho-2003/Etica-na-Administracao-Publica-Prova-1-MTE-2003/>. Acesso em: 30 mar. 2012.
AUTOATIVIDADE
132
4 (Auditor Fiscal do Trabalho – ESAF – 2003) 
A Emenda Constitucional nº 19, de 1998 (EC 19/98), acrescentou aos 
princípios constitucionais da administração pública o princípio da 
eficiência, que é composto de algumas características básicas. Entre elas, 
não se inclui:
a) ( ) Direcionamento da atividade e dos serviços públicos à efetividade do 
bem comum.
b) ( ) Imparcialidade.
c) ( ) Participação e aproximação dos serviços públicos da população.
d) ( ) Desburocratização.
e) ( ) Liberdade de ação para o servidor.
FONTE: Disponível em: <http://www.concursospublicosonline.com/informacao/view/
Provas/Fiscal-do-Trabalho-2003/Direito-Comercial-Prova-2-MTE-2003/>. Acesso em: 
30 mar. 2012.
5 (FAPERP/2011 – Auditor Público Interno - Pref. Pontes e Lacerda/MT). 
“[...] Concluindo: perante o direito positivo brasileiro, o princípio em questão 
continua presente na Constituição tal como previsto na redação original dos 
artigos 37, caput, e 5º, II. Em consequência, a discricionariedade continua sendo 
um poder jurídico, ou seja, um poder limitado pela lei. A abrangência deste 
princípio é estrita quando se trata de impor restrições ao exercício dos direitos 
individuais e coletivos e em relação àquelas matérias que constituem reserva 
de lei, por força de exigência constitucional. Em outras matérias, pode-se falar 
nesteprincípio em sentido amplo, abrangendo os atos normativos baixados 
pelo Poder Executivo e outros entes com função dessa natureza, sempre tendo-
se presente que no direito brasileiro não têm fundamento os regulamentos 
autônomos, que inovam na ordem jurídica, criando direito ou impondo 
obrigações sem prévia previsão. [...]”
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Discricionariedade administrativa na 
Constituição de 1988. 2ª. ed. 4ª. reimp. São Paulo: Atlas, 2007. p. 64-65. (com 
adaptação).
Qual é o princípio fundamental da administração pública a que o texto acima 
se refere?
a) ( ) Legalidade.
b) ( ) Impessoalidade.
c) ( ) Moralidade.
d) ( ) Publicidade.
133
6 (FAPERP/2011 – Auditor Público Interno - Pref. Pontes e Lacerda/MT). 
“Consideremos como hipótese, em exemplificação à teoria, um município 
que detém escassa verba para investir, segundo a rubrica orçamentária “em 
atendimento e promoção da dignidade da criança e do adolescente”, e em 
lugar de construir uma Casa de Abrigo para acolher menores órfãos e em 
outras situações de risco, sobretudo porque não existe na cidade qualquer 
lugar que atenda a esta finalidade, opta por despender exatamente a 
mesma e única quantia para a construção de um parque. A premência da 
vida, a concreta periclitação das integridades física e moral dos menores, 
são valores jurídicos a sobreporem-se a uma oportunidade de lazer que é 
almejada com o parque. É possível, num caso com tais contornos, reconhecer 
que a discricionariedade administrativa deixa de existir e passa a haver uma 
só opção, um ato de competência vinculada a ser praticado: a construção e 
aparelhamento da Casa de Abrigo.”
PIRES, Luis Manuel Fonseca. Controle judicial da discricionariedade 
administrativa: dos conceitos jurídicos indeterminados às políticas públicas. 
Rio de Janeiro: Elsevier, 2009. p. 217.
Assinale a opção em que se expressa corretamente o princípio fundamental da 
administração pública (art. 37, CF/88) a ser lesado, caso não ocorra a construção 
da Casa de Abrigo.
a) ( ) Legalidade.
b) ( ) Impessoalidade.
c) ( ) Moralidade.
d) ( ) Publicidade.
7 (CESPE/MPTO/2006) 
Acerca dos princípios do direito administrativo, julgue os itens seguintes:
I- Apesar do princípio da publicidade e do direito de acesso do cidadão, dados 
a seu respeito, nem toda informação pode ser transmitida ao interessado, 
mesmo que se relacione com sua pessoa.
II- Os princípios do direito administrativo são monovalentes, isto é, aplicam-
se exclusivamente a esse ramo do direito.
III- A despeito do princípio da supremacia do interesse público, nem sempre 
o interesse público secundário deverá prevalecer sobre o direito de um 
cidadão individualmente considerado.
IV- O princípio da presunção de legitimidade dos atos administrativos abrange 
apenas os aspectos jurídicos desses atos, mas não diz respeito aos fatos nos 
quais eles supostamente se basearam.
134
Estão certos apenas os itens:
a) ( ) I e III.
b) ( ) I e IV.
c) ( ) II e III.
d) ( ) II e IV.
FONTE: Disponível em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAQ_UAH/direito-administra
tivo>. Acesso em: 30 mar. 2012.
8 (FUNDEP – FHEMIG / 2009 – Gestão Pública) 
CITE e DESCREVA os princípios constitucionais da administração pública 
expressos no art. 37 da Constituição da República (com a redação dada pela 
Emenda Constitucional no 19, de 1998).
ATENÇÃO – A resposta a ser elaborada deve conter, no máximo, 20 linhas.
135
TÓPICO 2
ÉTICA E QUALIDADE EM GESTÃO PÚBLICA
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Nesse Tópico 2 vamos estudar sobre a qualidade na gestão pública, nos 
serviços públicos. Na década de 80, com maior ênfase se falou constantemente 
em qualidade nas diversas organizações, e nessa mesma época difundiram-
se inúmeros programas que visavam mensurar e certificar a qualidade das 
organizações, principalmente na iniciativa privada. E com a reforma gerencial da 
administração pública também houve a forte preocupação pela qualidade.
2 CONCEITO DE QUALIDADE
Pode-se dizer que a história da qualidade teve seu início com a Revolução 
Industrial e a disseminação em série nos modos de produção. A partir da Segunda 
Guerra Mundial, os Estados Unidos incentivaram a utilização dos métodos 
estatísticos de Shewhart pelos seus fornecedores, divulgando os novos métodos 
de controle de qualidade no mundo.
NOTA
Walter Andrew Shewhart (1891-1967) – Estatístico, responsável pelo controle 
de qualidade. A aplicação da estatística aos problemas de qualidade começou com ele no 
decorrer da Segunda Guerra Mundial. “A partir de suas ideias, dois gurus iriam revolucionar 
o conceito de qualidade, inicialmente no Japão: Deming e Juran”. Foi o idealizador do ciclo 
PDCA (Plan/Planejamento-Do/Execução-Check/Verificação-Act/Ação), de melhoria contínua. 
Esse ciclo também é conhecido pelo nome de Deming, que foi quem efetivamente o aplicou. 
FONTE: Chiavenato (2003, p. 452).
136
UNIDADE 3 | GESTÃO PÚBLICA E ÉTICA
O Dicionário de Português, dentre alguns significados, destaca qualidade 
como “superioridade, excelência de alguém ou algo”. (FERREIRA, 2001, p. 608). 
A partir da difusão de inúmeros programas de qualidade e do que qualidade 
representa nos dias de hoje, podemos considerar esse sinônimo de excelência 
como o que melhor define qualidade.
Para muitos autores a qualidade é subjetiva, assim como define Deming 
(1990, p. 11): “a qualidade só pode ser definida em termos de quem avalia”. 
Portanto, a mensurabilidade da qualidade adota um padrão subjetivo, por tratar-
se de seres humanos que a produzem e a avaliam.
NOTA
William Edwards Deming (1900-1993) foi um estatístico reconhecido pela 
melhoria dos processos produtivos nos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial, 
sendo, porém, mais conhecido pelo seu trabalho no Japão. 
FONTE: Chiavenato (2003, p. 452).
Segundo Gentili (1995, p. 140), “a mensurabilidade sempre foi (ontem e 
hoje, com a mesma ênfase) o aspecto capaz de materializar qualquer aspiração que 
tenha que gerar melhorias nos níveis de qualidade”. É por esse motivo que surgiu 
a necessidade de materializar mecanismos, programas, sistemas e tantos quanto 
forem necessários para que os serviços e produtos se aproximem da excelência.
Sob outro ponto de vista, Chiavenato (2003, p. 629) conceitua qualidade pela 
perspectiva de uma organização (preferencialmente privada): “é o atendimento 
das exigências do cliente; ou a adequação à finalidade ou uso; ou a conformidade 
com as exigências” (destaca-se cliente, seja ele interno ou externo).
Então, excelência na qualidade sugere uma escala entre o bom e o ruim, entre 
o melhor e o pior, para determinar, por fim, que excelência seja o melhor, o ponto 
mais alto da escala. Para Demo (1995, p. 11), a expectativa torna-se mais ampla do 
que simplesmente adotar uma escala entre o bem e o mal; “qualidade, por sua vez, 
aponta para a dimensão da intensidade. Tem a ver com profundidade, perfeição, 
principalmente com participação e criação. Está mais para o ser que para o ter”.
É por esses e outros muitos que surgiu a necessidade de qualificar a qualidade 
como ‘qualidade total’, ou seja, a subjetividade envolta do termo qualidade designou 
um termo superlativo: qualidade total é a excelência da qualidade. Qualidade total 
associa-se aos Programas de Qualidade Total, técnicas administrativas adotadas 
para o melhoramento da produtividade e serviços de uma empresa.
TÓPICO 2 | ÉTICA E QUALIDADE EM GESTÃO PÚBLICA
137
Conclui-se, portanto, que qualidade não é estática, não se estabelece uma 
única vez e fim. Trata-se de uma conquista ou construção ao longo do tempo, 
através de um aperfeiçoamento contínuo. Hoje, o que pode ser considerado de 
“qualidade”, amanhã poderá ser superado por um “novo” padrão de qualidade.
3 PROGRAMAS DE QUALIDADE E ParticiPação NA 
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA– CADERNO MARE
A administração pública, em virtude de seus serviços ficarem defasados, 
principalmente em função do grande avanço tecnológico e pela ‘cultura’ criada em 
torno de que todo serviço público é burocrático e moroso, procurou mecanismos 
urgentes de reforma.
Então, no primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso começaram 
ações para transformar o aparelho do Estado burocrático para gerencial. A visão 
de empresa foi o grande referencial para esses novos programas. E o grande 
marco dessa nova postura organizacional e serviços públicos foi a instituição do 
Ministério da Administração e Reforma do Estado, MARE.
O MARE – Ministério da Administração e Reforma do Estado surgiu das 
necessidades urgentes de orientar e reformar o aparelho do Estado sob várias 
vertentes: recursos humanos e físicos, instalações e equipamentos, tecnologias, 
procedimentos, entre outros.
NOTA
Em 1995, no primeiro governo Fernando Henrique Cardoso, surge, por 
transformação da Secretaria de Administração Federal, o Ministério da Administração Federal 
e Reforma do Estado (MARE). O órgão foi criado por força da Medida Provisória nº 813/95, 
reeditada várias vezes, que apenas em 1998 foi convertida na Lei nº 9.649/98. Deu-se início 
ao que ficou conhecido como Reforma Gerencial do Estado Brasileiro. O MARE foi extinto em 
1999, pela Medida Provisória nº 1.795/99. O Decreto presidencial nº 2.923/99 transfere para 
o então Ministério do Orçamento e Gestão, atual Ministério do Planejamento, as atribuições 
que pertenciam ao MARE.
FONTE: MARE (2011)
O MARE instituiu diversos cadernos que pudessem abordar a diversidade 
de temas em torno do aparelho do Estado e de sua funcionalidade. E sua missão 
é definida como: “ajudar o governo a funcionar melhor, ao menor custo possível, 
promovendo a administração pública gerencial, transparente e profissional, em 
benefício do cidadão”. (MARE, 1998, p. 11).
138
UNIDADE 3 | GESTÃO PÚBLICA E ÉTICA
Bresser-Pereira foi o ministro do MARE, por esse motivo seu nome é 
associado à implementação gerencial na administração pública. Outros três nomes 
ocuparam o cargo interinamente nos cinco anos de existência do ministério.
Em 1999, através de decreto presidencial, as funções do MARE se 
transferem para o então Ministério do Orçamento e Gestão, cabendo ao atual 
Ministério do Planejamento as atribuições que pertenciam ao MARE.
Como dito anteriormente, o Ministério da Administração e Reforma 
do Estado preocupou-se em ajustar o modelo gerencial de gestão, sucesso 
nas empresas privadas, à organização pública, a fim de minimizar ranços da 
administração burocrática e valorizar principalmente o princípio da eficiência do 
artigo 37 da Constituição Federal de 1988.
Em 1º de janeiro de 1999, com a modificação feita pela Medida Provisória 
nº 1.795, o MPO passa a se chamar Ministério do Orçamento e Gestão - MOG. A 
partir de 30 de julho de 1999, com a Medida Provisória nº 1.911-8, o MOG recebeu 
o nome atual de Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão - MPOG.
FONTE: Disponível em: <http://www.planejamento.gov.br/secretaria.asp?cat=229&sec=24>. 
Acesso em: 31 mar. 2012.
3.1 A QUALIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
A preocupação com a qualidade na administração pública surgiu, 
principalmente, a partir da iniciativa da reforma do aparelho do Estado, conhecida 
pela Reforma Bresser-Pereira, ou ainda como implantação da Administração 
Gerencial, introduziu mudanças no comportamento dos agentes públicos para 
que os serviços públicos fossem ofertados com maior eficácia e eficiência.
NOTA
Entende-se por aparelho do Estado a administração pública em sentido amplo, 
ou seja, a estrutura organizacional do Estado, em seus três poderes (Executivo, Legislativo e 
Judiciário) e três níveis (União, estados membros e municípios). 
FONTE: Brasil (1995, p. 9)
TÓPICO 2 | ÉTICA E QUALIDADE EM GESTÃO PÚBLICA
139
Com a ideia dessa reforma iniciou-se na administração pública um 
programa que teria a finalidade de cumprir com os objetivos de reforma e 
reconstrução do Estado no que diz respeito aos seus serviços e processos. 
Esse programa foi denominado Programa da Qualidade e Participação na 
Administração, que se introduz da seguinte maneira:
É o principal instrumento de aplicação do Plano Diretor da Reforma 
do Aparelho do Estado, propondo-se a introduzir no setor público 
as mudanças de valores e comportamentos preconizados pela 
Administração Pública Gerencial, e, ainda, viabilizar a revisão dos 
processos internos da administração pública com vistas à sua maior 
eficiência e eficácia. (BRASIL, 1997, p. 9).
O programa buscou, fundamentalmente, transformar a administração 
pública de burocrática para gerencial. O que de ética e moral pode-se aprender 
nesses programas? Toda mudança esbarra inicialmente e fortemente na resistência 
das pessoas. É comum, em organizações públicas, ouvir pronunciamentos: “Isso 
não faz parte do meu serviço.”; “Eu não ganho para fazer isso.”; “Por que mudar? 
Deixa como está.”; “Se eu ganhasse mais, eu faria melhor”; etc. Foram apresentados 
nesse programa quatro objetivos para a valorização do servidor público.
A qualidade dos serviços, pelo ponto de vista ético e moral, é inerente 
ao estímulo remuneratório. As mudanças, embora pareçam trabalhosas porque 
alteram hábitos, vícios, devem ser compartilhadas, pois só assim seria possível 
alçar resultados, como elucida Enguita (1995, p. 95):
A qualidade se converte assim em uma meta compartilhada, no que 
todos dizem buscar. Inclusive aqueles que se sentem desconfortáveis 
com o termo não podem se livrar dele, vendo-se obrigados a empregá-
lo para coroar suas propostas, sejam lá quais forem.
As metas compartilhadas tornam-se mais eficazes no sucesso dos 
objetivos propostos. Então, num ambiente de trabalho, quando se propõem 
mudanças, é ético cumprir com as obrigações dessas novas mudanças, como é 
moral interiorizar essas mudanças de valores e hábitos. Então, se você trabalha 
numa organização e a mesma sofre mudanças em seus processos, o que é correto, 
sob a perspectiva da ética e da moral?
Compartilhar e comprometer-se não significam total falta de reflexão 
crítica e consciente, a ética é fazer as reflexões e a moral é conscientizar-se das 
mudanças e absorver os novos valores e costumes.
140
UNIDADE 3 | GESTÃO PÚBLICA E ÉTICA
3.2 QUALIDADE E PARTICIPAÇÃO
A palavra qualidade e seu conceito são inerentes aos serviços públicos. Não 
há como imaginarmos que organizações públicas possam querer economizar sob 
o aspecto da qualidade. Porque tudo o que se viu até o momento foram amarras, 
seja na lei do código de ética, seja nos princípios fundamentais da administração 
pública, para que a administração pública seja exemplo de conduta moral e de 
prestação de serviços com excelência.
Todo serviço público depende da ação humana, então não há como pensar 
no serviço público como processo isolado. Para cada processo ou procedimento do 
serviço público há uma ação humana, existem recursos humanos que devem estar 
envolvidos. Nos estudos e teorias de Administração a isso se chama Metodologia 
de Planejamento Participativo.
A participação passa a ser fundamental para que os mecanismos do 
serviço público sejam melhorados continuadamente.
IMPORTANT
E
Um fator crítico para o sucesso da aplicação de um programa é a vontade e 
o compromisso dos servidores públicos, inclusive daqueles que ocupam cargos no nível 
estratégico das organizações.
FONTE: MARE (2011)
De acordo com Gandin (2000), o planejamento participativo nasce da 
premissa de ser uma ferramenta capaz de intervir na realidade. Diferentemente 
da administração gerencial, é uma corrente que nasceu não para visar lucro, mas 
para ser desenvolvida em movimentos e grupos, a fim de realizar mudanças na 
realidade social.
A visão do planejamento participativo é a identificação de doispontos: 
ponto real (onde está) e ponto ideal (aonde quer chegar).
TÓPICO 2 | ÉTICA E QUALIDADE EM GESTÃO PÚBLICA
141
FIGURA 26 – PONTO REAL X PONTO IDEAL
PONTO IDEALPONTO REAL
FONTE: Adaptado de Gandin (2000)
O ponto real é o lugar onde está; ele tanto pode ser útil na diretriz de um 
planejamento, pois identifica os pontos positivos e negativos e auxilia apontar 
novos caminhos, ou simplesmente pode não servir de nada; pode significar o 
ponto da zona de conforto, da estagnação.
A utilização do ponto real como indicador é moral, caso contrário, 
identifica uma parte dos serviços públicos em que as mudanças são morosas e 
acarretam em serviços lentos e ineficientes.
O ponto ideal deve ser entendido como aquele ponto em que se quer chegar, 
repleto de inserções de influências políticas, econômicas, sociais etc. Esse ponto 
é o ponto em processo espiral, num processo contínuo de evolução e melhoria. 
Nesse corpo espiral, a esfera ética e moral pode ser analisada e discutida.
Gandin (2000, p. 88) apresenta e conceitua a participação em três níveis:
● Nível de colaboração – é o nível mais frequente de participação, 
em que as pessoas com maior autoridade participam das decisões 
já tomadas para a sua comunidade. A comunidade confirma essas 
decisões com apoio ou em silêncio. Exemplo: políticas públicas em que 
não houve a participação da sociedade.
● Nível de decisão – muito parecida com o nível de colaboração, em 
que autoridades levam as decisões que a comunidade irá decidir, 
ou seja, assembleias, reuniões, em que, mediante discursos parciais 
e persuasivos, levam o todo a ‘levantar o dedo’ de concessão com a 
decisão. Exemplo: assembleias em diversos segmentos da sociedade, 
como condomínio, sindicatos, associações diversas.
● Nível de construção em conjunto – este nível envolve a complexidade 
da sociedade, as suas relações de poder, os princípios morais, ética, 
entre outros. É o nível que parte da ideia da igualdade de força em 
relação à participação e decisão. Exemplo: um modelo de organização 
em que todos que nela trabalham participam das decisões e ações. 
Nessa organização, as autoridades são os mediadores e não despóticos.
142
UNIDADE 3 | GESTÃO PÚBLICA E ÉTICA
O nível de construção em conjunto é o mais difícil de atingir, por inúmeros 
problemas: porque por vezes não é de interesse dos que estão no poder, existem 
práticas de abertura de participação e as pessoas não participam, é muito mais 
trabalhoso gerir dessa forma, a democracia é mais trabalhosa, porque dá abertura 
a discussões e com isso despertam consensos e dissensos.
4 COMISSÃO DE ÉTICA PÚBLICA
A comissão de ética surge pela necessidade de avaliar atos e 
comportamentos da administração pública federal. É mais que um simples Código 
de Ética, os códigos são diretrizes de condutas morais, qualquer atitude, ato ou 
comportamento que fira o código de ética é passível de processo administrativo 
ou instância superior. Hoje, nas grandes organizações de variados ramos, existe 
uma comissão de ética para acompanhar e avaliar procedimentos.
FIGURA 27 – COMISSÃO DE ÉTICA PÚBLICA
FONTE: Disponível em: <http://etica.planalto.gov.br/>. Acesso em: 20 jan. 2012.
A partir do decreto de 26 de maio de 1999 foi criada a Comissão de Ética:
QUADRO 13 – DECRETO DE 26 DE MAIO DE 1999
Decreto de 26 de maio de 1999
Cria a Comissão de Ética Pública e dá outras providências
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 
84, Inciso VI, da Constituição,
D E C R E T A :
Art. 1º Fica criada a Comissão de Ética Pública, vinculada ao Presidente da 
República, competindo-lhe a revisão das normas que dispõem sobre conduta 
ética na Administração Pública Federal, elaborar e propor a instituição do 
Código de Conduta das Autoridades, no âmbito do Poder Executivo Federal. 
Art 2º (Revogado pelo Decreto nº 6.029, de 2007)
TÓPICO 2 | ÉTICA E QUALIDADE EM GESTÃO PÚBLICA
143
I - subsidiar o Presidente da República e os Ministros de Estado na 
tomada de decisão concernente a atos de autoridade que possam implicar 
descumprimento das normas do Código de Conduta;
II - receber denúncias sobre atos de autoridade praticados em contrariedade 
às normas do Código de Conduta, e proceder à apuração de sua veracidade, 
desde que devidamente instruídas e fundamentadas, inclusive com a 
identificação do denunciante;
III - comunicar ao denunciante as providências adotadas, ao final do 
procedimento;
IV - submeter ao Presidente da República sugestões de aprimoramento do 
Código de Conduta;
V - dirimir dúvidas a respeito da interpretação das normas do Código de 
Conduta e deliberar sobre os casos omissos;
VI - dar ampla divulgação do Código de Conduta; e
VII - elaborar o seu regimento interno.
Art. 3º (Revogado pelo Decreto nº 6.029, de 2007)
§ 1º A atuação no âmbito da Comissão de Ética não enseja qualquer 
remuneração para seus membros e os trabalhos nela desenvolvidos são 
considerados prestação de relevante serviço público.
§ 2º Cabe à Comissão de Ética escolher o seu Presidente.
§ 3º Os membros da Comissão de Ética cumprirão mandato de três anos, 
podendo ser reconduzidos.
§ 4º O Presidente terá o voto de qualidade nas deliberações da Comissão 
de Ética.
§ 5º Os mandatos dos primeiros membros serão de um, dois e três anos, a 
serem estabelecidos no decreto de designação.
§ 6º A Comissão de Ética contará com uma Secretaria-Executiva, vinculada 
à Casa Civil da Presidência da República, à qual competirá prestar o apoio 
técnico e administrativo aos trabalhos da Comissão. (Incluído pelo Decreto 
de 30.8.2000)
§ 7o As comissões de ética setoriais de que trata o Decreto no 1.171, de 22 
de junho de 1994, atuarão como elemento de ligação com a Comissão de 
Ética Pública, cabendo-lhes, no âmbito dos respectivos órgãos e entidades: 
(Incluído pelo Decreto de 18.5.2001)
I - supervisionar a observância do Código de Conduta da Alta Administração 
Federal e comunicar à Comissão de Ética Pública situações que possam 
configurar descumprimento de suas normas;
II - promover a adoção de normas de conduta ética específicas para seus 
servidores e empregados.
144
UNIDADE 3 | GESTÃO PÚBLICA E ÉTICA
§ 8o Nos órgãos e nas entidades em que não hajam sido criadas comissões 
de ética setoriais, caberá ao seu titular designar a pessoa que exercerá as 
atribuições previstas no § 7o. (Incluído pelo Decreto de 18.5.2001)
Art. 4º Eventuais despesas com a execução do disposto neste Decreto, 
inclusive as decorrentes de deslocamentos dos membros da Comissão de 
Ética, correrão à conta da Presidência da República.
Art. 5º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 26 de maio de 1999; 178º da Independência e 111º da República.
FONTE: Disponível em: <http://etica.planalto.gov.br/legislacao/etica1>. Acesso em: 31 mar. 2012.
4.1 MISSÃO
A missão da Comissão de Ética da Administração Pública Federal é “zelar 
pelo cumprimento do Código de Conduta da Alta Administração Federal, orientar 
as autoridades para que se conduzam de acordo com suas normas e inspirar o 
respeito à etica no serviço público”. (BRASIL, 2011).
Além de cumprir com a sua missão de inspiração à ética, a Comissão 
preocupa-se em promover cursos e seminários da difusão de condutas morais:
Buscando o cumprimento de sua missão e objetivando contribuir para 
a divulgação e promoção da ética nas entidades e órgãos que integram 
o Poder Executivo Federal, fazendo com que o respeito à ética ocorra 
em todo o funcionalismo público, a Comissão de Ética Pública incluiu 
em seu plano de trabalho a realização de cursos e seminários que 
possibilitem formar uma rede de profissionais com responsabilidades 
pela gestão da ética e conhecimentos necessários à implementação da 
gestão da ética em seus respectivos órgãos e entidades. (BRASIL, 2011).
Tal como colocado,a Comissão de Ética tem o dever de difundir os 
elementos necessários que favoreçam na disseminação de conhecimento e 
na implementação da gestão ética. Nesse sentido, a Comissão torna-se uma 
articuladora da ética e não somente uma auditora de condutas desacordadas com 
os princípios e normas da administração pública federal.
4.2 GESTÃO DE ÉTICA - ENTIDADE - COMPETÊNCIAS/
ATRIBUIÇÕES
No site da Comissão de Ética (BRASIL, 2011) encontram-se orientações 
quanto às competências e atribuições e suas entidades e parceiros para que a gestão 
ética possa ser exercida nas diversas entidades que compõem o Governo Federal.
TÓPICO 2 | ÉTICA E QUALIDADE EM GESTÃO PÚBLICA
145
QUADRO 14 – COMPETÊNCIAS E ATRIBUIÇÕES DA COMISSÃO DE ÉTICA
ENTIDADE COMPETÊNCIAS/ATRIBUIÇÕES
1. Comissão de Ética Pública
Tem a incumbência de proceder à revisão das normas 
que dispõem sobre conduta ética, tem competência para 
acompanhar e aferir a observância das normas estabelecidas no 
Código de Conduta da Alta Administração Federal e aplicar as 
penalidades nele previstas.
2. Comissões de Ética 
Têm por finalidade orientar e aconselhar sobre a ética 
profissional do servidor, no tratamento com as pessoas e com 
o patrimônio público, competindo-lhe conhecer concretamente 
de imputação ou de procedimento suscetível de censura (Itens 
XVI e XVII do Decreto no 1.171/94). Compete-lhes, também, 
no âmbito dos respectivos órgãos e entidades, funcionar como 
projeção da Comissão de Ética Pública, supervisionando a 
observância do Código de Conduta da Alta Administração 
Federal e, quando for o caso, comunicar a essa Comissão a 
ocorrência de fatos que possam configurar descumprimento 
daquele Código, bem como promover a adoção de normas de 
conduta ética específicas para os servidores dos órgãos a que 
pertençam (§ 7º do art. 3º do Decreto de 26 de maio de 1999, 
acrescentado pelo art. 1º do Decreto de 18 de maio de 2001).
3. Controladoria-Geral da 
União
Compete-lhe defender o patrimônio público, supervisionar, 
coordenar e fiscalizar a atuação dos demais órgãos do Poder 
Executivo, no que tange à apuração de desvios de condutas que 
importem em prejuízo ao erário; pode instaurar procedimentos 
administrativos para apurar atos lesivos ao erário, realizar 
inspeções e avocar processos administrativos em curso na 
Administração Pública Federal, dentre outras atribuições (arts. 
6º, 14-A e 14-B da Lei n° 9.649, de 27 de maio de 1998, com a 
redação dada pelo art. 1º da Medida Provisória n° 2.143-35).
4. Corregedorias específicas 
de determinados órgãos e 
entidades
Têm, entre outras funções, a de apuração de infrações 
disciplinares dos servidores do respectivo órgão ou entidade.
5. Secretaria de Recursos 
Humanos do Ministério do 
Planejamento, Orçamento e 
Gestão
Exerce as funções de Órgão Central do Sistema de Pessoal 
Civil do Poder Executivo, competindo-lhe supervisionar e 
fiscalizar a obrigação da autoridade competente de promover 
a apuração imediata, quando tiver ciência de irregularidade no 
serviço público e, em caso de omissão dela, designar a comissão 
disciplinar, ressalvada a competência da Controladoria-Geral 
da União, quando se tratar de infração que cause lesão ao 
patrimônio público.
6. Tribunal de Contas da 
União
Tem, entre outras funções, as de: 
a) fiscalizar e julgar as contas dos administradores e demais 
responsáveis por dinheiros públicos, analisando-as sob o aspecto 
da legalidade, legitimidade e economicidade (art. 70 da CF), 
aplicando as penalidades cabíveis, nos casos de irregularidades;
b) exercer o controle da legalidade e legitimidade dos bens e 
rendas declarados pelas pessoas nominadas no art. 1º da Lei no 
8.730/93 (item 7.2.2, supra), podendo, para tal mister, "proceder 
ao levantamento da evolução patrimonial do seu titular e ao exame de 
sua compatibilidade com os recursos e as disponibilidades declarados" 
(art. 4º, § 2º).
146
UNIDADE 3 | GESTÃO PÚBLICA E ÉTICA
7. Secretaria Federal de 
Controle
Tem competência para realizar auditoria sobre gestão dos 
recursos públicos federais sob responsabilidade de órgãos 
e entidades públicos e privados, bem como apurar os atos 
ou fatos inquinados de ilegais ou irregulares, praticados por 
agentes públicos ou privados, na utilização de tais recursos 
e, quando for o caso, comunicar à unidade responsável pela 
contabilidade para as providências cabíveis (Lei no 10.180, de 6 
de fevereiro de 2001, art. 24, VI e VII).
8. Ministério Público
Compete-lhe promover, privativamente, a ação penal pública, 
nos casos de crime contra a administração pública, bem 
como o inquérito civil e a ação civil pública para proteção do 
patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros 
interesses difusos e coletivos (art. 129, I e III, da CF); compete-
lhe, também, de forma concorrente com a pessoa jurídica de 
direito público interessada, a propositura de ação civil por ato 
de improbidade administrativa, consoante o disposto no art. 17 
da Lei nº 8.429/92.
9. As comissões temáticas 
de cada uma das casas do 
Congresso Nacional
Competem-lhes receber petições, reclamações, representações 
e queixas de qualquer pessoa contra atos ou omissões das 
autoridades ou entidades públicas (art. 58, IV, da CF).
10. Comissões parlamentares 
de inquérito
Podem ser criadas para apurar fato determinado, sendo suas 
conclusões, se for o caso, encaminhadas ao Ministério Público 
para que promova a responsabilidade civil ou criminal dos 
infratores (art. 58, § 3º, da CF).
11. Polícia Federal
Compete-lhe apurar as infrações penais praticadas contra bens, 
serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas 
e empresas públicas (art. 144, § 1º, da CF).
12. O cidadão
Em razão de a Constituição Federal atribuir a qualquer cidadão 
legitimidade para propor ação popular visando a anular ato lesivo 
ao patrimônio público e/ou à moralidade administrativa (art. 5º, 
LXXIII, da CF), também pode ser incluído no rol destas entidades.
13. Poder Judiciário
Compete-lhe impor as sanções penais, nos crimes contra a 
administração pública, as sanções civis por ato de improbidade 
administrativa, bem como autorizar, quando solicitado pelo 
Ministério Público ou pela Polícia Federal, o acesso desses 
órgãos a dados acobertados por sigilo ou protegidos pelo 
direito à intimidade ou à privacidade, bem como decretar as 
medidas cautelares de busca, apreensão e sequestro de bens, 
quando para tanto for provocado.
14. Entidades encarregadas 
de capacitação e 
treinamento, como a ESAF 
– Escola de Administração 
Fazendária, a ENAP – Escola 
Nacional de Administração 
Pública, e a Academia 
Nacional de Polícia
Essas entidades têm por atribuição específica a realização de 
cursos de formação e de capacitação de servidores. Logo, têm 
responsabilidade com a questão prospectiva da ética, qual seja, 
desenvolver valores e princípios éticos.
FONTE: Brasil (2011)
TÓPICO 2 | ÉTICA E QUALIDADE EM GESTÃO PÚBLICA
147
O importante na análise desse quadro é a percepção de que a preservação 
da ética está distribuída pelas diversas entidades da sociedade, não só como órgãos 
punitivos, mas também como órgãos responsáveis na capacitação e treinamentos 
dos servidores públicos e também na valorização da participação da sociedade.
O quadro 14 demonstra que a sociedade está cercada de entidades e 
mecanismos para coibir qualquer ação que não seja favorável ao bem público e ao 
bem comum. Mas é impossível não deixar de perguntar: Como ainda é possível 
haver corrupção, desvio de verbas públicas, condutas antiéticas?
148
Nesse Tópico 2 foi apresentado o Programa de Qualidade e Participação 
da Administração Pública, porque é uma referência na iniciativa de 
profissionalizar e instituir processos gerenciaisao Estado e, é claro, dentro 
de uma perspectiva ética e moral. Não nos preocupou nesse momento entrar 
no mérito das reflexões acerca desse programa, tais como: a nomenclatura de 
cliente-cidadão, gestão de resultados, gestão de processos, entre outras. A ideia 
principal desse tópico foi analisar as mudanças de comportamento do servidor 
público no que diz respeito à ética e à moral. Resumidamente:
● Entender melhor o conceito de ética e qualidade na gestão pública.
● Perceber o conceito de qualidade e sua indissociabilidade em ética e moral.
● Conhecer o programa que institui no Governo Federal normas de procedimentos 
para eficiência.
● Compreender as entidades, sua formação e competências na preservação e 
garantia da ética na esfera da administração pública federal.
RESUMO DO TÓPICO 2
149
AUTOATIVIDADE
1 Como você conceituaria qualidade e sua interface para o âmbito da 
administração pública?
2 De acordo com Gandin (2000), descreva os níveis de participação e dê alguns 
exemplos de como ocorre em nossa comunidade.
3 Em uma organização pública, os servidores encontram-se desmotivados. Há 
um ambiente entre eles de desconfiança e individualismo. Essa atmosfera 
está causando uma série de impactos na organização.
Considerando a situação hipotética acima, julgue os itens a seguir em C 
certo ou E errado, relativos ao trabalho em equipe e à qualidade no atendimento 
ao público.
a) No contexto apresentado, os impactos são negativos para a organização, no 
que diz respeito aos processos internos e no relacionamento com os usuários.
b) A atuação em equipe poderia modificar a situação descrita, por meio de um 
trabalho de liderança que adaptasse os aspectos individuais dos servidores 
às expectativas da organização e dos usuários.
Agora, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) C, C 
b) ( ) C, E 
c) ( ) E, C 
d) ( ) E, E 
FONTE: Disponível em: <http://www.acheiconcursos.com.br/simulado_novo04.asp?seleciona 
=(2623,4581,4580,2622,2618,2624,4582,2627,4579,2621)&disciplina=22&materia=3>. Acesso 
em: 31 mar. 2012.
4 Leia atentamente o seguinte texto.
Sem o senso comum, não nos comunicamos. Ele marca a nossa 
linguagem, está nos nossos valores básicos, agrega-se aos nossos costumes. No 
entanto, se contarmos apenas com ele, pouco ou nada criamos, na vida, na arte, 
na política. Há o momento da ousadia, do risco, da invenção, que costumam 
contrariar o senso comum. O desejável, portanto, parece estar em alguma 
forma de equilíbrio em que não se perca o reconhecimento do senso comum, 
que nos une, e da criação do novo e do surpreendente, que nos desenvolve.
O já conhecido é necessário, mas o novo é imprescindível.
150
Com base nas ideias do texto anterior, escreva uma dissertação na qual 
deverá ser discutida a afirmação em negrito.
FONTE: Disponível em: <http://www.professormarcelobraga.com.br/%5Btermalias-raw%5D/1a-
redacao-on-line-2012>. Acesso em: 31 mar. 2012.
151
TÓPICO 3
O PERFIL MODERNO DO SERVIDOR PÚBLICO
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
O Tópico 3 vai tratar do novo perfil do servidor público. Qual seria o 
perfil ideal do servidor público? Qual seria o principal verbo para ser adotado ao 
servidor? É necessário realmente tratar e estudar esse novo perfil?
2 DEVER DO SERVIDOR PÚBLICO
Como em qualquer profissão, os deveres profissionais existem e devem 
ser cumpridos. Por que os deveres dos servidores públicos são tão importantes 
de serem discutidos e elencados? Porque são os servidores públicos os principais 
responsáveis de ofertarem os serviços primordiais para que a sociedade se 
preserve de sua sustentabilidade, cidadania e necessidades básicas supridas. 
O Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder 
Executivo Federal, Decreto no 1.171 (BRASIL, 1994), já foi apresentado na Unidade 
1, Tópico 1 – Ética, item 4. Em seu capítulo I, Seção II, estabelece os Principais 
Deveres do Servidor Público:
a) desempenhar a tempo as atribuições do cargo;
b) exercer suas atribuições com rapidez, perfeição e rendimento;
c) ser probo (íntegro, honesto), reto, leal e justo, sempre voltando as suas ações 
ao bem comum;
d) jamais retardar qualquer prestação de contas;
e) tratar cuidadosamente os usuários dos serviços, aperfeiçoando o processo 
de comunicação e contato com o público;
f) ter consciência de que seu trabalho é regido pelos princípios éticos;
g) ser cortês, ter urbanidade, disponibilidade e atenção, respeitando a 
capacidade e limitações dos usuários do serviço público e sem qualquer 
espécie de preconceito;
UNIDADE 3 | GESTÃO PÚBLICA E ÉTICA
152
h) ter respeito à hierarquia;
i) resistir a qualquer pressão, interesses ou vantagens em decorrência de ações 
ilegais e ainda deve denunciá-las;
j) no exercício de greve, zelar pela defesa à vida e segurança coletiva;
k) ser assíduo e frequente ao trabalho;
l) comunicar imediatamente aos seus superiores qualquer ato contrário ao 
interesse público;
m) manter limpo e em perfeita ordem o local de trabalho;
n) participar dos movimentos e estudos que visam à melhoria do exercício de 
suas funções;
o) apresentar-se ao trabalho com vestimentas adequadas ao exercício de sua 
função;
p) manter-se atualizado quanto às normas, instruções e legislação do órgão no 
qual exerce as suas funções;
q) cumprir as tarefas de seu cargo ou função e as instruções superiores, com 
critério, segurança e rapidez, mantendo a boa ordem;
r) facilitar a fiscalização de todos os atos ou serviços por quem de direito;
s) exercer com moderação a função que lhe é atribuída e em legítimo interesse 
dos usuários do serviço público e dos jurisdicionados (poder e competência) 
administrativos;
t) abster-se de exercer sua função, poder ou autoridade sem que a finalidade 
seja de interesse público;
u) divulgar e informar sobre o Código de Ética aos integrantes de sua classe e 
estimular o seu cumprimento.
Essas recomendações por si só garantem que qualquer servidor e também 
os serviços públicos sejam praticados de forma ética e de acordo com os princípios 
fundamentais da administração pública.
Você deve se perguntar: precisa estar escrito que um servidor público 
deve ser cortês? Precisa estar escrito que a sua principal função tem a finalidade 
do interesse público? Que o servidor público deve ser assíduo ao seu trabalho?
TÓPICO 3 | O PERFIL MODERNO DO SERVIDOR PÚBLICO
153
Parece que não. É certo que o comprometimento e a qualidade de quaisquer 
serviços, sejam públicos ou privados, estão implicitamente embaralhados de 
questões éticas e, principalmente, no cumprimento de seus deveres, sejam eles 
descritos em lei ou não.
Na atualidade observa-se mais o enaltecimento dos direitos que dos 
deveres, mas a velha cartilha do ‘faça o bem’, ‘seja educado’, ‘o bem comum é 
mais importante’, ou qualquer outra nessa linha, ainda é a cartilha certa a seguir 
em qualquer que seja a profissão.
3 QUALIDADES DO SERVIDOR PÚBLICO
As qualidades do servidor, assim como seus deveres, devem ser atenuados 
porque se pode considerar o principal patrimônio das organizações públicas. 
Pode parecer óbvio que as qualidades são inerentes a quaisquer profissionais, mas 
vejamos algumas que se encontram em algumas fontes bibliográficas e que devem 
ser bem clarificadas e interiorizadas pelos profissionais dos serviços públicos.
3.1 INICIATIVA
O Dicionário da Língua Portuguesa (FERREIRA, 2001, p. 420) apresenta 
três significados para a palavra iniciativa: “1) Ação de quem é o primeiro a propor 
e/ou empreender algo; 2) Ação, empreendimento; 3) Qualidade de saber agir, de 
passar do pensamento ou decisão à ação. Ao ‘pé da letra’, pode-se considerar a 
iniciativa como uma boa qualidade ao administrador público”.
FIGURA 28 – INICIATIVA COMPARTILHADA
FONTE: Disponível em: <http://mogeiroemfoco.blogspot.com/2011/03/
cultive-iniciativa.html>.Acesso em: 20 fev. 2012.
UNIDADE 3 | GESTÃO PÚBLICA E ÉTICA
154
Mas como ter iniciativa na administração pública, uma vez que a 
liberdade de ações é restringida em leis, princípios, normas etc.? Mesmo com 
tanta limitação, ainda assim é possível para o servidor público usar da iniciativa 
em favorecimento do seu trabalho.
A iniciativa do servidor público demonstra que o mesmo tem 
responsabilidade e comprometimento com seu trabalho. Fazer além de suas 
atribuições e de sua função é estar imbuído dos valores morais da profissão.
A iniciativa, tal como o interesse público, está acima do interesse particular, 
nesse sentido deve ser compartilhada, para que juntos somem forças que farão do 
serviço público um bem comum.
3.2 HONESTIDADE
A honestidade é uma virtude que deve ser desenvolvida tanto no 
campo pessoal como profissional. A honestidade não permite relatividade ou 
subjetividade, não existe, por exemplo, uma pessoa parcialmente honesta. A 
honestidade deve ser exercida na plenitude.
FIGURA 29 – HONESTIDADE
FONTE: Disponível em: <http://5anocomoestrelasnaterra.blogspot.com/2011/02/
vamos-falar-sobre-honestidade.html>. Acesso em: 20 fev. 2012.
Seu irmão
vive quebrando
as coisas.
Não pai,
fui eu que
quebrei.
TÓPICO 3 | O PERFIL MODERNO DO SERVIDOR PÚBLICO
155
Na administração pública, como em qualquer outra organização, haverá 
situações em que a honestidade do profissional possa ser colocada em xeque, e 
será nesses momentos que os princípios e as virtudes do servidor público deverão 
emanar para que haja preservação do interesse público.
3.3 RESPONSABILIDADE
A responsabilidade social tem sido um termo muito difundido nos 
últimos anos, é uma cobrança mundial que as organizações façam uso de sua 
responsabilidade perante a sua comunidade e ao mundo.
Ser responsável é uma virtude que nem deveria ser pontuada, porque é 
implícita a qualquer atividade profissional.
FIGURA 30 – RESPONSABILIDADE
1
ACABAR COM A FOME
E A MISÉRIA
4
REDUZIR A
MORTALIDADE INFANTIL
6
COMBATER A AIDS,
A MALÁRIA E OUTRAS
DOENÇAS
5
MELHORAR A SAÚDE
DAS GESTANTES
2
EDUCAÇÃO BÁSICA
DE QUALIDADE PARA
TODOS
7
QUALIDADE DE VIDA
E RESPEITO AO MEIO
AMBIENTE
3
IGUALDADE ENTRE
SEXOS E VALORIZAÇÃO
DA MULHER
OITO METAS
ESTABELECIDAS
PELA (ONU)
ATÉ 2015
8
TODO MUNDO
TRABALHANDO PELO
DESENVOLVIMENTO
FONTE: Disponível em: <http://www.artsete.com.br/responsabilidade.htm>. Acesso em: 15 fev. 2012.
UNIDADE 3 | GESTÃO PÚBLICA E ÉTICA
156
A figura anterior apresenta as oito metas estabelecidas pela ONU – 
Organização das Nações Unidas. Essas metas transferem para cada nação a 
responsabilidade de contribuir para um mundo melhor no que se refere à fome, 
miséria, educação, valorização da mulher, mortalidade infantil, saúde, qualidade 
de vida, entre tantos outros temas que contribuam para os direitos humanos e 
pela sustentabilidade das nações.
NOTA
A ONU é uma organização internacional e tem como objetivo zelar pelos 
direitos humanos, paz e segurança mundial. A ONU foi fundada em 1945, após a Segunda 
Guerra Mundial.
Cada ínfima parte de contribuição na cadeia da responsabilidade 
favorecerá a criação de uma grande rede do bem, podendo metas como essas 
serem realmente alcançadas.
3.4 SIGILO
O sigilo torna-se uma virtude importante porque, dependendo da função que 
o servidor público ocupe na organização, exigirá dele discrição e sigilo de informações, 
caso contrário pode-se dizer que esse funcionário estaria sendo antiético.
FIGURA 31 – SIGILO
AGORA,
DIGITE O SEU
PARTIDO.
FONTE: Disponível em: <http://www.minasdehistoria.blog.br/2008/10/dia-de-fiscal/>. 
Acesso em: 20 fev. 2012.
TÓPICO 3 | O PERFIL MODERNO DO SERVIDOR PÚBLICO
157
O sigilo é uma virtude do funcionário que favorece não só na preservação 
de assuntos confidenciais da organização, como também pessoais, caso contrário 
pode-se até considerar crime de abuso de informação privilegiada.
3.5 COMPETÊNCIA
Competência, a rigor, é capacidade, aptidão. Na literatura encontra-se 
competência na capacidade de o servidor público exercer sua função na organização 
com conhecimento, atitude e habilidade, tal como pode ser observado na figura:
FIGURA 32 – COMPETÊNCIA
CONHECIMENTO
ATITUDEHABILIDADE
COMPETÊNCIA
FONTE: A autora
O conhecimento é saber técnico (o que fazer e por que) sobre as suas 
funções, a habilidade é fazer e saber como fazer com desenvoltura, e atitude é a 
vontade de fazer. A inserção dessas três habilidades é a competência.
Chiavenato (2004, p. 267) distingue quatro tipos de competência que, 
aliadas, compõem a capacidade do servidor melhor desenvolver a sua função para a 
organização e para a sociedade:
● Competência pessoal – a capacidade de aprendizagem da pessoa e 
absorção de novos e diferentes conhecimentos e habilidades.
● Competência tecnológica – a capacidade de assimilação do 
conhecimento de diferentes técnicas necessárias ao desempenho da 
generalidade e multifuncionalidade.
● Competência metodológica – a capacidade de empreendimento e 
de iniciativa para resolução de problemas de diversas naturezas. Algo 
como espírito empreendedor e solucionador espontâneo de problemas.
● Competência social – a capacidade de se relacionar eficazmente com 
diferentes pessoas e grupos, bem como desenvolver trabalhos em equipe.
UNIDADE 3 | GESTÃO PÚBLICA E ÉTICA
158
De acordo com Chiavenato (2004), a competência se ramifica em mais 
habilidades, uma vez que o dinamismo do mundo e das organizações exige não 
só a competência pessoal e de formação profissional, mas novas habilidades que 
possam acompanhar as transformações e as mudanças.
4 FRAGILIDADES DO SERVIDOR PÚBLICO
4.1 OPORTUNISMO
O oportunismo, de acordo com o Dicionário da Língua Portuguesa, 
significa: “acomodação às circunstâncias para se chegar mais facilmente a um 
resultado”. (FERREIRA, 2001, p. 534). Essa definição leva à conclusão de que 
oportunismo é um defeito, porque fere o princípio da eficiência.
O oportunismo, muitas vezes, é associado à oportunidade. Nesse sentido, a 
oportunidade, quando apresentada, não deve ser desperdiçada, porque por vezes se 
apresenta uma única vez.
No sentido da fragilidade do servidor público, existem duas vertentes: o 
oportunismo da etimologia da palavra, fazer de um jeito mais fácil para chegar a 
um resultado; e também, no sentido da oportunidade, o oportunismo da profissão 
para fins pessoais, o que fere o princípio da impessoalidade.
FIGURA 33 – OPORTUNISMO
FONTE: Disponível em: <http://falando-peloscotovelos.blogspot.
com/2010/07/oportunismo-virtude-ou-defeito.html>. Acesso em: 25 fev. 2012.
TÓPICO 3 | O PERFIL MODERNO DO SERVIDOR PÚBLICO
159
A figura anterior representa o percurso de dois profissionais: o equilibrista 
seguiu o caminho do oportunismo, enquanto que o outro seguiu o caminho da 
competência, por esse motivo a sua ascensão foi mais sólida.
4.2 ORGULHO
O orgulho em relação a si mesmo e a outrem, a princípio, pode parecer 
com virtude. A fragilidade do orgulho é ser demasiadamente acerbado e, por esse 
motivo, quando em relação a si mesmo, impede de enxergar no outro qualidades 
superiores às suas.
Dessa forma, o orgulho fragiliza a pessoa em desenvolver seu trabalho de 
acordo com o princípio da impessoalidade e eficiência.
Numa situação de trabalho em equipe, o orgulho pode obstruir o 
desenvolvimento do trabalho, principalmente no sentido de novas ideias, gestão 
participativa, objetivos compartilhados, entre outras situações que solicitam o 
comprometimento de equipe das pessoas.
5 ASSÉDIO MORAL
O assédio moral é um tema relativamente novo, mas que merece destaque. 
Hoje existem diversas cartilhas para auxiliar as pessoas no que fazer quando 
sentirem que estão sendo assediadas.
De acordo com o Ministériodo Trabalho e Emprego (2009, p. 13), assédio 
moral é:
São atos cruéis e desumanos que caracterizam uma atitude violenta e sem 
ética nas relações de trabalho, praticada por um ou mais chefes contra seus 
subordinados. Trata-se da exposição de trabalhadoras e trabalhadores a 
situações vexatórias, constrangedoras e humilhantes durante o exercício 
de sua função. É o que chamamos de violência moral. Esses atos visam 
humilhar, desqualificar e desestabilizar emocionalmente a relação da 
vítima com a organização e o ambiente de trabalho, o que põe em risco a 
saúde, a própria vida da vítima e seu emprego.
A importância de tratar o assédio nesse Caderno de Ética é que se trata de ações 
que impactam as relações de trabalho e a vida dos seres humanos negativamente.
Passos (2004, p. 127) aborda o assunto e alerta: “O assédio moral é um ato 
perverso, pois visa manipular o outro e desapossá-lo de sua liberdade”. Na verdade, 
o assédio moral é provindo normalmente de um abuso de poder e da manipulação.
UNIDADE 3 | GESTÃO PÚBLICA E ÉTICA
160
FIGURA 34 – ASSÉDIO MORAL
SORRIA,
ASSEDIAD
O
SENDOESTÁ
VOCÊ
SORRINDO?!
NÃO ESTÁ
POR QUE VOCÊ
FONTE: Disponível em: <http://3.bp.blogspot.com/-SY5LjKN5RN0/TbnyzSy2ItI/
AAAAAAAAAPM/-dUboZCakJk/s1600/cameras755.jpg>. Acesso em: 25 fev. 2012.
Em 1997, o Congresso Nacional sancionou uma lei sobre tortura que 
também se enquadra no caso do assédio moral, a Lei nº 9.455, de 7 de abril:
O Presidente da República. Faço saber que o Congresso Nacional 
decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1º Constitui crime de tortura:
I- constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-
lhe sofrimento físico ou mental:
a) com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de 
terceira pessoa;
b) para provocar ação ou omissão de natureza criminosa;
c) em razão de discriminação racial ou religiosa;
II- submeter alguém, sob sua guarda, poder ou autoridade, com emprego de 
violência ou grave ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental, como forma 
de aplicar castigo pessoal ou medida de caráter preventivo.
TÓPICO 3 | O PERFIL MODERNO DO SERVIDOR PÚBLICO
161
Pena - reclusão, de dois a oito anos.
§ 1º Na mesma pena incorre quem submete pessoa presa ou sujeita à medida 
de segurança a sofrimento físico ou mental, por intermédio da prática de ato 
não previsto em lei ou não resultante de medida legal.
§ 2º Aquele que se omite em face dessas condutas, quando tinha o dever de 
evitá-las ou apurá-las, incorre na pena de detenção de um a quatro anos.
§ 3º Se resulta lesão corporal de natureza grave ou gravíssima, a pena é de reclusão 
de quatro a dez anos; se resulta morte, a reclusão é de oito a dezesseis anos.
§ 4º Aumenta-se a pena de um sexto até um terço:
I- se o crime é cometido por agente público;
II- se o crime é cometido contra criança, gestante, deficiente e adolescente;
III- se o crime é cometido mediante sequestro.
§ 5º A condenação acarretará a perda do cargo, função ou emprego público e a 
interdição para seu exercício pelo dobro do prazo da pena aplicada.
§ 6º O crime de tortura é inafiançável e insuscetível de graça ou anistia.
§ 7º O condenado por crime previsto nesta Lei, salvo a hipótese do § 2º, iniciará 
o cumprimento da pena em regime fechado.
Art. 2º O disposto nesta Lei aplica-se ainda quando o crime não tenha sido 
cometido em território nacional, sendo a vítima brasileira ou encontrando-se o 
agente em local sob jurisdição brasileira.
Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 4º Revoga-se o art. 233 da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 - Estatuto da 
Criança e do Adolescente.
Brasília, 7 de abril de 1997; 176º da Independência e 109º da República.
Fernando Henrique Cardoso
Nélson A. Jobim
(Publicado no DOU de 08 de abril de 1997).
FONTE: Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9455.htm>. Acesso em: 31 
mar. 2012.
UNIDADE 3 | GESTÃO PÚBLICA E ÉTICA
162
O Ministério do Trabalho e Emprego (BRASIL, 2009, p. 8-9) dispõe em seu 
site uma cartilha sobre assédio moral e sexual, observe a sua apresentação:
CARTILHA SOBRE ASSÉDIO MORAL E SEXUAL NO TRABALHO
Esta cartilha aborda, por meio de conceitos e exemplos, um dos 
relevantes temas de interesse e discussão atual no cenário das relações 
entre as categorias profissionais e econômicas: o assédio moral e sexual no 
trabalho. Muito embora o assédio moral seja ainda figura em construção no 
meio doutrinário – diferentemente do que ocorre com o assédio sexual –, o 
Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) promove ampla divulgação dessas 
duas modalidades a empregados e empregadores, com o objetivo de contribuir 
para eliminar tais práticas abusivas no ambiente de trabalho.
O MTE é o órgão responsável pela fiscalização do cumprimento 
de todo ordenamento jurídico que trata das relações de trabalho, dentro do 
compromisso assumido pelo governo brasileiro de atender efetivamente às 
disposições da Convenção nº 111 da Organização Internacional do Trabalho 
(OIT). A Convenção nº 111 define discriminação como toda distinção, 
exclusão ou preferência, que tenha por efeito anular ou alterar a igualdade 
de oportunidades ou de tratamento em matéria de emprego ou profissão. 
Abrangendo, nessas situações, os casos de assédios, seja moral ou sexual, no 
ambiente de trabalho.
[...]
A Comissão de Ética Setorial do Ministério do Trabalho e Emprego tem a 
atribuição regimental de orientar e aconselhar sobre a conduta ética do servidor 
e dar ampla divulgação ao regulamento ético, motivo pelo qual a diretriz desta 
Cartilha se soma ao esforço pedagógico e preventivo interno, enquanto a definição 
de assédio moral no serviço público seja elaborada e publicada pela instituição 
competente. A iniciativa procura subsidiar os atores sociais na consolidação de 
relações de trabalho mais dignas para a classe trabalhadora brasileira. Ao gestor 
público também é endereçado esse esforço de conscientização da conduta ética, 
com o que se espera evitar práticas que se aproximem dos condenáveis assédios 
moral e sexual.
NOTA
Embora a cartilha descreva sobre assédio moral e sexual, nesse caderno optamos 
pela análise somente do assédio moral.
TÓPICO 3 | O PERFIL MODERNO DO SERVIDOR PÚBLICO
163
O assédio moral e quaisquer formas de violência no trabalho, com certeza, 
devem ser denunciados, porque o dano que essas práticas causam ao trabalhador, 
na maioria das vezes, é irreversível, e são casos de danos à integridade moral e 
também à saúde do trabalhador.
Contudo, é preciso muito cuidado e não confundir assédio moral com 
sobrecarga de trabalho ou estresse, a não ser que esses tenham sido provocados 
intencionalmente.
5.1 OBJETIVOS E ESTRATÉGIA DO AGRESSOR NO ASSÉDIO 
MORAL
De acordo ainda com a cartilha do Ministério do Trabalho e Emprego, os 
objetivos do agressor são (BRASIL, 2009, p. 19):
“● Desestabilizar emocional e profissionalmente.
● Livrar-se da vítima: forçá-lo(a) a pedir demissão ou demiti-lo(a), em geral, por 
insubordinação”.
E como estratégia o agressor costuma (BRASIL, 2009, p. 19):
● Escolher a vítima e o(a) isolar do grupo.
● Impedir que a vítima se expresse e não explicar o porquê.
● Fragilizar, ridicularizar, inferiorizar, menosprezar em seu local de 
trabalho.
● Culpar/responsabilizar publicamente, levando os comentários sobre 
a incapacidade da vítima, muitas vezes, até o espaço familiar.
● Destruir emocionalmente a vítima por meio da vigilância acentuada 
e constante. Ele(a) se isola da família e dos amigos, passa a usar 
drogas, principalmente o álcool, com frequência, desencadeando ou 
agravando doenças preexistentes.
● IMPOR À EQUIPE SUA AUTORIDADE PARA AUMENTAR A 
PRODUTIVIDADE.
5.2 EXEMPLOS DE ASSÉDIO MORAL
A cartilha também apresenta exemplos, confira alguns (BRASIL, 2009, p. 21):● Ameaçar constantemente, amedrontando quanto à perda do emprego.
● Subir na mesa e chamar a todos de incompetentes.
● Repetir a mesma ordem para realizar tarefas simples, centenas de vezes, até 
desestabilizar emocionalmente o(a) subordinado(a).
● Sobrecarregar de tarefas ou impedir a continuidade do trabalho, negando 
informações.
● Desmoralizar publicamente.
UNIDADE 3 | GESTÃO PÚBLICA E ÉTICA
164
● Rir, à distância e em pequeno grupo, direcionando os risos ao trabalhador.
● Querer saber o que se está conversando.
● Ignorar a presença do(a) trabalhador(a).
● Desviar da função ou retirar material necessário à execução da tarefa, 
impedindo sua execução.
● Troca de turno de trabalho sem prévio aviso.
● Mandar executar tarefas acima ou abaixo do conhecimento do trabalhador.
● Dispensar o trabalhador por telefone, telegrama ou correio eletrônico, 
estando ele em gozo de férias.
● Espalhar entre os(as) colegas que o(a) trabalhador(a) está com problemas 
nervosos.
● Sugerir que o trabalhador peça demissão devido a problemas de saúde.
● Divulgar boatos sobre a moral do trabalhador.
Esses são alguns dos exemplos apresentados na cartilha. Será que 
conseguiríamos enumerar mais algum? Como alerta Passos (2004), é preciso 
muito cuidado, para que não confundamos o estresse do trabalho com assédio.
Pense eticamente e moralmente uma situação de assédio moral. Se 
realmente não for assédio, você, ao denunciar um suposto agressor, estará 
cometendo um outro crime, de denunciar quem realmente não é um agressor.
5.3 PROCEDIMENTOS AO ASSÉDIO MORAL
De acordo com a cartilha, o Ministério do Trabalho e Emprego (BRASIL, 2009, 
p. 24) orienta a pessoa que está sofrendo assédio moral às seguintes providências:
● Resistir. Anotar, com detalhes, todas as humilhações sofridas: dia, 
mês, ano, hora, local ou setor, nome do(a) agressor(a), colegas que 
testemunharam os fatos, conteúdo da conversa e o que mais achar 
necessário.
● Dar visibilidade, procurando a ajuda dos colegas, principalmente 
daqueles que testemunharam o fato ou que sofrem humilhações do(a) 
agressor(a).
● Evitar conversa, sem testemunhas, com o(a) agressor(a).
● Procurar seu sindicato e relatar o acontecido.
● Buscar apoio junto a familiares, amigos e colegas.
Vistos os procedimentos apresentados pela cartilha, para configurar um 
assédio moral é necessário juntar diversas provas e até testemunhas. Ou seja, é 
processo bastante árduo, pela angústia e sofrimento do oprimido, bem como na 
reunião de provas que configurem a ação.
TÓPICO 3 | O PERFIL MODERNO DO SERVIDOR PÚBLICO
165
6 ÉTICA E RESPONSABILIDADE SOCIAL NAS ORGANIZAÇÕES
A responsabilidade social é um termo inerente à administração pública, 
quaisquer serviços prestados pelas organizações sociais estão imbuídos dos preceitos 
da responsabilidade social.
A responsabilidade social, portanto, está associada às empresas privadas, 
porque a sociedade atual globalizada exige que medidas de sustentabilidade e 
contribuição social (tais como as da ONU) sejam de corresponsabilidade de todas 
as esferas, seja pública ou privada.
Vamos entender melhor o que significa responsabilidade social:
Atuação responsável socialmente dos seus membros, as atividades de 
beneficência e os compromissos da organização com a sociedade em 
geral e de forma mais intensa com aqueles grupos ou parte da sociedade 
com a qual está mais em contato. (CHIAVENATO, 2004, p. 472).
O Instituto Ethos (2011) define a responsabilidade social empresarial 
como:
É forma de gestão que se define pela relação ética e transparente 
da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona 
e pelo estabelecimento de metas empresariais compatíveis com o 
desenvolvimento sustentável da sociedade, preservando recursos 
ambientais e culturais para gerações futuras, respeitando a diversidade 
e a redução das desigualdades sociais.
NOTA
O Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social foi criado em 1998, é 
uma organização sem fins lucrativos, caracterizada como OSCIP (organização da sociedade 
civil de interesse público). Sua missão é mobilizar, sensibilizar e ajudar as empresas a gerir 
seus negócios de forma socialmente responsável, tornando-as parceiras na construção de 
uma sociedade justa e sustentável. 
FONTE: Instituto Ethos (2011)
A responsabilidade social, embora seja uma exigência no mundo 
competitivo das empresas privadas (e muito tem se avançado nesse campo), ainda 
assim é preciso aproximar as esferas públicas e privadas a fim de garantirem bons 
resultados sociais. Rico (2004, p.73) assim destaca:
As empresas, adotando um comportamento socialmente responsável, 
são poderosos agentes de mudança ao assumirem parcerias 
com o Estado e a sociedade civil, na construção de um mundo 
economicamente mais próspero e socialmente mais justo.
UNIDADE 3 | GESTÃO PÚBLICA E ÉTICA
166
O desenvolvimento social e econômico sustentável só pode ser alcançado 
verdadeiramente sobre a plataforma da ética e de condutas morais.
7 MODELOS DE HOMEM
Ramos (1984) foi um sociólogo que muito contribuiu para a gestão pública, 
principalmente ao relacionar modelos de homem e as teorias administrativas.
Ramos (1984) identificou a existência de três modelos de homem, 
influenciado pela realidade histórica administrativa ao longo do século XX. 
Os modelos são: homem operacional, homem reativo e homem parentético. 
Inicialmente o autor descreveu somente os dois primeiros modelos, mas as 
circunstâncias sociais o fizeram acrescentar o último modelo: parentético, que é 
considerado hoje o modelo ideal.
FIGURA 35 – IDENTIDADE
QUAL É A SUA IDENTIDADE?
FONTE: Disponível em: <http://cotidianonaperiferia.files.wordpress.com/2011/08/banner-post-lid.
jpg>. Acesso em: 25 fev. 2012.
As primeiras teorias administrativas, a exemplo da abordagem científica 
da administração, percebiam o homem pelo conceito de Homo economicus, homem 
econômico, ou seja, “toda pessoa é concebida como influenciada exclusivamente 
por recompensas salariais, econômicas e materiais”. (CHIAVENATO, 2003, p. 61). 
Esse modelo de homem é de um ser passivo, programado para o trabalho e com 
o único objetivo da recompensa econômica e material.
O modelo de homem reativo surge na teoria da administração de relações 
humanas. A abordagem humanística para a administração foi uma revolução 
conceitual de organização, porque transferiu a ênfase de tarefa para a ênfase 
nas pessoas. O desenvolvimento das ciências sociais, aliado às abordagens da 
psicologia, corroborou para que a administração despendesse maior atenção às 
pessoas que trabalhavam na organização. O homem reativo, então, é constituído de 
valores e sentimentos e suas atitudes influenciam nos processos e na organização.
TÓPICO 3 | O PERFIL MODERNO DO SERVIDOR PÚBLICO
167
O que difere o homem operacional do homem reativo é a valorização do 
homem reativo como ser dotado de sentimentos e valores, embora tanto um quanto 
o outro sejam instrumentos para a organização atingir seus objetivos e metas.
O homem parentético surge mediante a complexidade das relações 
humanas e pelas novas circunstâncias sociais. Nesse modelo de homem é dada 
a liberdade para que ele possa intervir com seu pensamento reflexivo e crítico; 
“apto a graduar o fluxo da vida diária para examiná-lo e avaliá-lo como um 
espectador”. (RAMOS, 1984, p. 8).
7.1 HOMEM OPERACIONAL
O homem operacional é o homem calculista, que trabalha para receber 
sua recompensa econômica. Está inserido numa constituição física na lógica de 
mercado e da burocracia.
De acordo com Bondarik e Pilatti (2007, p. 6), o homem operacional 
“era apto apenas a conduzir a máquina e por ela ser conduzido, em operações 
previamente ordenadas”. Na verdade, o homem operacional lembra o trabalhador 
de fábrica em que a execução de tarefa não precisa de reflexão, é somente na 
execuçãoautomática de tarefas.
O homem operacional não tem preocupações éticas, pois para a organização 
é só mais um recurso que levará a resultados de produção. Ele, por si mesmo, 
corresponde como um operador aos processos determinados pela organização, 
por esse motivo não faz reflexões éticas sobre suas práticas e nem da organização.
7.2 HOMEM REATIVO
O homem reativo é um ser inserido em circunstâncias sociais, por isso seus 
sentimentos, a motivação, as suas necessidades são importantes e valorizadas, para 
que seu rendimento frente à organização seja reflexo dessa constituição do sujeito.
O homem reativo preocupa-se com o ambiente social externo ou 
contextual da organização, sendo esta encarada como um sistema 
aberto e passível de mudanças. Não desconsidera a importância dos 
valores, dos sentimentos e das suas atitudes sobre a efetivação do 
processo produtivo. (BONDARIK; PILATTI, 2007, p. 6).
O homem reativo, diferentemente do operacional, possui uma visão mais 
ampla do significado do trabalho, em que somente a recompensa material não 
é suficiente. O homem reativo tem como motivação ao trabalho a qualidade de 
vida e a recompensa material.
UNIDADE 3 | GESTÃO PÚBLICA E ÉTICA
168
7.3 HOMEM PARENTÉTICO
O homem parentético é um modelo de homem em que as suas capacidades 
de crítica, reflexão e autoconhecimento são importantes no desenvolvimento 
do seu trabalho na organização. O homem parentético deixa de ser o robô e 
exclusivamente operador do homem operacional, e também a sua motivação 
humana do homem reativo faz parte de um contexto mais dinâmico social. 
O homem parentético é aquele que busca a sua realização pessoal, mas numa 
dimensão social em que o bem-estar deve ser compartilhado por toda sociedade 
(o bem comum).
O quadro a seguir resume esses modelos de homem e dinamiza as 
transformações de atitude e de alocação no tempo e espaço.
QUADRO 15 – MODELOS DE HOMEM BASEADO EM RAMOS
SER 
HUMANO DIMENSÃO
ESPAÇOS DE 
EXISTÊNCIA CONSTITUIÇÃO
MODELO 
DE 
HOMEM
MOTIVOS NA 
ORGANIZAÇÃO
Ú
N
IC
O
 E
 
M
U
LT
ID
IM
EN
SI
O
N
A
L POLÍTICA ESPAÇO 
PESSOAL
RAZÃO
Ética da convicção
Ética da 
responsabilidade
REFLEXIVO
REALIZAÇÃO 
PESSOAL 
(Consciência 
crítica, autoestima)
SOCIAL
COMUNIDADE/
SOCIEDADE
CONVIVIALIDADE
REATIVO
RECONHECI-
MENTO DO 
GRUPO
BIOLÓGICA
ECONOMIA 
(MERCADO E 
BUROCRACIA)
FÍSICA
OPERACIO-
NAL
DINHEIRO 
(Trabalho por 
recompensa 
material)
FONTE: Salm; Menegasso (2005, p. 48)
Esse quadro apresenta uma dimensão interessante do modelo de homem 
em relação à dimensão predominante da sociedade. As questões éticas surgem 
somente na medida em que a participação do homem na organização torna-se 
maior enquanto ser atuante e reflexivo.
7.4 HIERARQUIA DE NECESSIDADES
Maslow (1968) foi um psicólogo americano, conhecido por apresentar 
a hierarquia das necessidades do ser humano, no formato de pirâmide, como 
podemos observar:
TÓPICO 3 | O PERFIL MODERNO DO SERVIDOR PÚBLICO
169
FIGURA 36 – HIERARQUIA DE NECESSIDADES EM MASLOW
FISIOLÓGICAS
SEGURANÇA
AFETIVO-SOCIAL
AUTOESTIMA
AUTOR-
REALIZAÇÃO
Alimentação, moradia,
conforto físico,
descanso, lazer, etc.
Amparo legal, orientação precisa,
segurança no trabalho,
estabilidade, remuneração.
Bom clima, respeito, aceitação,
interação com colegas,
superiores e clientes, etc.
Desafios mais complexos,
trabalho criativo, autonomia,
participação nas decisões.
Ser gostado, reconhecimento, promoções,
responsabilidades por resultados.
FONTE: Disponível em: <http://www.conexaorh.com.br/images/piramide.gif>. Acesso em: 25 
fev. 2012.
Essa pirâmide foi interessante quando apresentada na época, porque 
revolucionou as organizações no trato com seus funcionários. Era preciso que as 
organizações oportunizassem um plano motivacional para que seus trabalhadores 
pudessem chegar ao topo da pirâmide.
Não bastava mais o trabalho para assegurar as necessidades básicas.
Em analogia aos modelos de homem apresentado anteriormente, podemos 
relacionar aproximadamente a pirâmide da seguinte forma:
● Homem operacional – nível da hierarquia fisiológica.
● Homem reativo – nível das necessidades fisiológicas, segurança e talvez 
também do afetivo-social, uma vez que esse modelo de homem já busca a 
qualidade de vida.
● Homem parentético – nível fisiológico, de segurança, afetivo-social, autoestima 
e realização pessoal.
O que podemos perceber é que a pirâmide é um referencial para que as 
organizações construam seus mecanismos motivadores, bem como contribuam na 
formação de homens trabalhadores para o seu fim último que é a realização pessoal.
UNIDADE 3 | GESTÃO PÚBLICA E ÉTICA
170
8 ÉTICA E JUSTIÇA
O trabalho em sociedade implica tomar decisões. A todo tempo se decide 
sobre questões gerais e específicas, internas e externas de uma organização.
De acordo com Alonso, Lopes e Castrucci (2010, p. 110), existem três tipos 
de características na tomada de decisões: 
1) decisão pessoal – é o ato humano, livre e de inteira responsabilidade 
de quem toma a decisão; 
2) decisão ética – é o ato do homem, em que a moralidade norteia; 
3) decisão que afeta outrem – é a decisão que considera princípios 
éticos e toma conhecimento dos direitos e limita-se a tais aspectos.
O que os autores querem esclarecer é que as decisões envolvem essas três 
características, o aspecto pessoal da decisão, a moralidade e a ética do quanto a 
decisão pode interferir no outro.
A ética influencia o processo de tomada de decisão para determinar quais 
são os principais valores. A tomada de decisão envolve momentos de escolha 
entre o bem e o mal e entre o bem e o bem. É nesse momento que a alteridade e a 
justiça tomam parte.
A tomada de decisão envolve a alteridade, que é o senso de justiça, porque 
diz respeito aos outros. Dessa forma, existem tipos de justiça a conhecer que não 
se esgotam por si só, mas organizam a sociedade e dão as prioridades.
● Justiça social – a justiça social apresenta duas vertentes: a) justiça legal – que 
são as obrigações dos cidadãos para com o Estado; b) justiça distributiva – que 
são as obrigações do Estado para com seus cidadãos.
● Justiça legal – “compreende as obrigações dos cidadãos para a sociedade 
politicamente organizada, tais como pagamento de impostos, prestação de 
serviços públicos (serviço militar, serviços emergenciais) etc.” (ALONSO; 
LOPES; CASTRUCCI; 2010, p. 111).
● Justiça distributiva – leva em consideração o mérito, ou seja, procura 
respostas às desigualdades e regula as relações entre a comunidade, tais 
como o imposto de renda: quem ganha mais paga mais e quem ganha menos 
paga menos ou não paga.
● Justiça comutativa – vem do direito positivo, também conhecida como corretiva, 
é a justiça que intercede entre as pessoas físicas ou jurídicas, em virtude de 
contratos em que são fixadas as obrigações das partes.
● Justiça equitativa – é aquela que parte do pressuposto de que todos são iguais.
TÓPICO 3 | O PERFIL MODERNO DO SERVIDOR PÚBLICO
171
Essa caracterização dos tipos de justiça contribui para que a administração 
pública possa perceber seu âmbito de atuação e melhor conduza as suas ações. 
Para melhorar a compreensão, propõe o diagrama que segue e suas respectivas 
atuações no seio da sociedade.
Toda ação responde às perguntas:
1) O quê? - qual é a ação devida.
2) Como? - qual é a melhor forma para manter justiça.
3) Por quê? – os direitos do ser humano devem ser preservados.
A justiça, junto à moral e à ética, conduz a administração pública a práticas 
mais eficientes. Nesse caso, não estamos falando da justiça como entidade jurídica, 
mas da justiça de realizar ações que sejam de consciência ética e moral e, é claro, legal.
FIGURA 37 – PANORAMA DAS AÇÕES ADMINISTRATIVASBEM COMUM
DECLARAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS
Proteção de efetivação dos direitos declarados
POR QUÊ?
AÇÃO ADMINISTRATIVA
ÉTICA DAS TOMADAS DE DECISÃO
ÉTICA DA CONVICÇÃO
ÉTICA DA RESPONSABILIDADE
O QUÊ?
DISTRIBUIÇÃO DAS LIBERDADES
JUSTIÇA (Aplicação do princípios da igualdade)
Justiça Geral
Justiça Distributiva
Justiça Comutativa
Justiça Equitativa
O QUÊ?
FONTE: Adaptado de: Brito (2005)
UNIDADE 3 | GESTÃO PÚBLICA E ÉTICA
172
A figura anterior apresenta a grande dimensão das ações administrativas numa 
sociedade. Entende-se ação administrativa toda e qualquer ação das organizações, 
sejam elas públicas ou privadas. As ações nesse diagrama correspondem a todo o 
universo da sociedade instituído de ações da administração pública direta ou indireta, 
que juntas são corresponsáveis pelo único objetivo do bem público.
Na ação administrativa deve ser respondida a pergunta: o que fazer? E 
nesse momento os critérios racionais e morais devem ser considerados para a 
tomada de decisão, ora pela ética da convicção, ora pela ética da responsabilidade.
No momento da distribuição das liberdades, a avaliação de justiça pelo 
princípio da igualdade, ou seja, deve-se propor um modelo de organização 
de sociedade de maneira justa. O Estado tem a função e responsabilidade de 
distribuir igualdades.
E, por último, o momento da ação administrativa, em que a preservação 
dos direitos humanos deve ser observada. O porquê das ações é a distribuição da 
liberdade individual, garantia de seus direitos e o bem comum.
9 ÉTICA E A MELHORIA DOS SERVIÇOS PÚBLICOS
Como já foi possível observar, a qualidade dos serviços públicos caminha 
com as questões éticas e morais.
Ao observarmos os deveres previstos no Código de Condutas, Decreto no 
1.171/94 (BRASIL, 1994), e se cumpridos esses deveres, com certeza a qualidade 
de atendimento aos cidadãos estará garantida.
A ética passa a ser um elemento catalisador para que a qualidade e a 
melhoria dos serviços públicos estejam em constante melhoria.
Essa complexidade das relações humanas, as regras de competição do 
capitalismo e os valores ‘o que ganho com isso’, ‘ no que eu levo vantagem’, 
trazem uma lógica louca em relação aos valores morais e éticos que existem na 
sociedade, que é chamada de competitividade.
A competitividade e os valores que ela traz são contrários aos valores do 
bem comum e interesse público. A competitividade, por si só, remete a ‘quem vai 
chegar primeiro’, ‘quem é o melhor’, ‘comando de segmentos’, e outras ideias nesse 
sentido. Mas mesmo na lógica de mercado podem-se vislumbrar aspectos éticos, e 
a responsabilidade social contribui muito para isso.
A responsabilidade social tem sido determinante para que o cidadão, 
enquanto consumidor, mude o seu comportamento e valorize aspectos éticos 
das empresas. Mendes (2009, p. 4) aponta que o consumidor apresenta um 
comportamento ético que se manifesta em dois níveis:
TÓPICO 3 | O PERFIL MODERNO DO SERVIDOR PÚBLICO
173
• Das práticas cotidianas de consumo, isto é, as escolhas pessoais de 
rotina que refletem valores, formados a partir dos sentimentos morais 
relativamente a si mesmo e aos próximos (familiares, vizinhos etc.).
• Do consumo ético, isto é, a adesão a um campo emergente de práticas 
comerciais e de políticas públicas que explicitamente desenvolvem as 
disposições éticas implícitas nas práticas cotidianas de consumo – o 
que podemos genericamente designar por consumo sustentável.
O consumidor responsável situa-se num plano em que a sua motivação 
para o comportamento ético no consumo é dicotômica. Muitas vezes, o ‘produto’ 
mais ético pode ser o mais caro, e aí se instala o dilema: ser ético ou favorecer a 
minha situação econômica? Exemplo disso são os produtos piratas.
Mendes (2009, p. 5) apresenta um diagrama sobre a motivação dos 
cidadãos em relação ao consumo:
QUADRO 16 – MOTIVAÇÃO ÉTICA FRENTE AO CONSUMO
MOTIVAÇÃO JUÍZO ÉTICO DETERMINADO
JUÍZO ÉTICO 
INDETERMINADO
Alta Consumo sustentável Dilema ético
Baixa Conformismo Laxismo
FONTE: Mendes (2009, p. 5)
NOTA
Laxismo é uma doutrina em que predomina o princípio da moral relaxada. 
Restringe a obrigação moral. Conjunto de comportamentos pouco rigorosos, pouco 
cuidadosos ou demasiado permissivos. 
FONTE: Abbagnamo (2007, p. 1016).
Quanto maior a motivação, mais os conceitos éticos podem ser discutidos 
e reflexionados para favorecer os movimentos das organizações (públicas e 
privadas) da sociedade.
Peck (2009), do Departamento dos Assuntos Econômicos e Sociais 
das Nações Unidas, Divisão de Desenvolvimento Sustentável, apresenta um 
diagrama do Ministério Sueco do Ambiente, de junho de 2007, apresentado aqui 
parcialmente e com acréscimo a partir da analogia aos serviços públicos.
UNIDADE 3 | GESTÃO PÚBLICA E ÉTICA
174
FIGURA 38 – A COMPLEXIDADE DA VIDA DIANTE DO CONSUMO E DO BEM COMUM
ECONOMIA
Crescimento e competição
Aumento de produtividade
Redução de preços
Marketing e publicidade
Maximização do bem
CULTURAL E HISTÓRICO
Diferenças culturais
História social
Histórias de vida
Religião
POLÍTICO
Modelo de crescimento
Proteção do consumidor
Informação
Qualidade de vida
Segurança
Questões ambientais
PSICOLÓGICO
Emoções e desejos
Sentimento de controle
Tomada de decisões
Construção de identidade
Necessidade
SOCIAL
Instituições e valores
Família e amigos
Educação
Classe social
Simbolismo
Moda e sabores
TECNOLÓGICO
Inovação
Infraestrutura
Tecnologias
Desenvolvimento do produto
BEM COMUM
CONSUMO
FONTE: Adaptado de Peck (2009)
O diagrama demonstra a complexidade das dimensões que levam o 
cidadão ao bem comum (e ao consumo). A cada tomada de decisão, seja o mais 
simples ato administrativo, ou pelas políticas públicas, formulação de leis, justiça 
etc., todas essas decisões estão carregadas de inúmeros aspectos que, levados em 
consideração, enriquecem o campo da ética.
E essas dimensões são a todo tempo sofríveis de mudanças, ou seja, a 
mutabilidade de valores, de comportamentos, dá conta da complexidade da vida.
Não é pela quantidade de inserções (econômica, tecnológica, psicológica, 
social, política, cultural e histórica), mas é pela qualidade dessas questões. É a 
valorização das questões éticas que fará com que a administração pública e a 
sociedade corporativa buscarão o bem comum e um consumo mais consciente, 
ético e sustentável.
Você deve se perguntar: qual é a relação da responsabilidade social 
com a administração pública? Num primeiro momento, pode-se pensar: 
nenhuma. Entretanto, se houver aprofundamento, pode significar muito para 
os serviços públicos.
Ao fazer uma análise mais profunda é possível observar que o consumidor, 
nessa lógica corporativa, está mais exigente, e também mais consciente das práticas 
éticas das organizações, e isso não se restringe somente à lógica do mercado. Com 
certeza, essa mesma lógica e conscientização da ética são transportadas para os 
serviços públicos.
TÓPICO 3 | O PERFIL MODERNO DO SERVIDOR PÚBLICO
175
10 CÓDIGO DE ÉTICA DA ADMINISTRAÇÃO
A Resolução Normativa nº 393, de 6 de dezembro de 2010, estabelece o 
Código de Ética do Administrador. A resolução é composta por 57 artigos, mas 
destacam-se aqui os principais, para apreciação de como a ética é assunto a ser 
preservado nas profissões e relações de trabalho.
CÓDIGO DE ÉTICA DOS PROFISSIONAIS DE ADMINISTRAÇÃO
(Aprovado pela Resolução Normativa CFA nº 393, de 6 de dezembro de 
2010)
PREÂMBULO
I- De forma ampla, a Ética é definida como a explicitação teórica do fundamento 
último do agir humano na busca do bem comum e da realização individual.
II- O exercício da atividade dos profissionais de Administração implica 
compromisso moral com o indivíduo, cliente, empregador, organização e com 
a sociedade, impondo deveres e responsabilidadesindelegáveis.
III- O Código de Ética dos Profissionais de Administração (CEPA) é o guia 
orientador e estimulador de novos comportamentos e está fundamentado 
em um conceito de ética direcionado para o desenvolvimento, servindo 
simultaneamente de estímulo e parâmetro para que o administrador amplie 
sua capacidade de pensar, visualize seu papel e torne sua ação mais eficaz 
diante da sociedade.
CAPÍTULO I
DOS DEVERES
Art. 1º São deveres do profissional de Administração:
I- exercer a profissão com zelo, diligência e honestidade, defendendo os 
direitos, bens e interesse de clientes, instituições e sociedades sem abdicar 
de sua dignidade, prerrogativas e independência profissional, atuando como 
empregado, funcionário público ou profissional liberal;
II- manter sigilo sobre tudo o que souber em função de sua atividade profissional;
III- conservar independência na orientação técnica de serviços e em órgãos que 
lhe forem confiados;
IV- comunicar ao cliente, sempre com antecedência e por escrito, sobre as 
circunstâncias de interesse para seus negócios, sugerindo, tanto quanto 
possível, as melhores soluções e apontando alternativas;
UNIDADE 3 | GESTÃO PÚBLICA E ÉTICA
176
V- informar e orientar o cliente a respeito da situação real da empresa a que serve;
VI- renunciar, demitir-se ou ser dispensado do posto, cargo ou emprego, se, por 
qualquer forma, tomar conhecimento de que o cliente manifestou desconfiança 
para com o seu trabalho, hipótese em que deverá solicitar substituto;
VII- evitar declarações públicas sobre os motivos de seu desligamento, desde 
que do silêncio não lhe resultem prejuízo, desprestígio ou interpretação 
errônea quanto à sua reputação;
VIII- esclarecer o cliente sobre a função social da organização e a necessidade 
de preservação do meio ambiente;
IX- manifestar, em tempo hábil e por escrito, a existência de seu impedimento 
ou incompatibilidade para o exercício da profissão, formulando, em caso de 
dúvida, consulta ao CRA no qual esteja registrado;
X- aos profissionais envolvidos no processo de formação dos profissionais de 
Administração cumpre informar, orientar e esclarecer sobre os princípios e 
normas contidas neste Código;
XI- cumprir fiel e integralmente as obrigações e compromissos assumidos, 
relativos ao exercício profissional;
XII- manter elevados o prestígio e a dignidade da profissão.
CAPÍTULO III
DOS DIREITOS
Art. 3º São direitos do profissional de Administração:
I- exercer a profissão independentemente de questões religiosas, raça, 
sexo, nacionalidade, cor, idade, condição social ou de qualquer natureza 
discriminatória;
II- apontar falhas nos regulamentos e normas das instituições, quando as julgar 
indignas do exercício profissional ou prejudiciais ao cliente, devendo, nesse caso, 
dirigir-se aos órgãos competentes, em particular ao Tribunal Regional de Ética 
dos Profissionais de Administração e ao Conselho Regional de Administração;
III- exigir justa remuneração por seu trabalho, a qual corresponderá às 
responsabilidades assumidas a seu tempo de serviço dedicado, sendo-lhe livre 
firmar acordos sobre salários, velando, no entanto, pelo seu justo valor;
IV- recusar-se a exercer a profissão em instituição pública ou privada onde as 
condições de trabalho sejam degradantes à sua pessoa, à profissão e à classe;
TÓPICO 3 | O PERFIL MODERNO DO SERVIDOR PÚBLICO
177
V- participar de eventos promovidos pelas entidades de classe, sob suas 
expensas ou quando subvencionados os custos referentes ao acontecimento;
VI- a competição honesta no mercado de trabalho, a proteção da propriedade 
intelectual sobre sua criação, o exercício de atividades condizentes com sua 
capacidade, experiência e especialização.
FONTE: Disponível em: <http://www.crars.org.br/arquivos/codigo_etica.pdf >. Acesso em: 31 mar. 2012.
Nessa última unidade apresentam-se como estudo complementar 
referências bibliográficas, técnicas da área da administração, filmes que ajudarão 
você a refletir melhor sobre as regras de convivência. E também o Decreto no 
1.171/94, para que você possa ler na íntegra. Aproveite as dicas e bons estudos!
UNIDADE 3 | GESTÃO PÚBLICA E ÉTICA
178
LEITURA COMPLEMENTAR
DECRETO Nº 1.171, DE 22 DE JUNHO DE 1994.
Aprova o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder 
Executivo Federal.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 
84, incisos IV e VI, e ainda tendo em vista o disposto no art. 37 da Constituição, 
bem como nos artigos. 116 e 117 da Lei n° 8.112, de 11 de dezembro de 1990, e nos 
arts. 10, 11 e 12 da Lei n° 8.429, de 2 de junho de 1992,
DECRETA:
Art. 1° Fica aprovado o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do 
Poder Executivo Federal, que com este baixa.
Art. 2° Os órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta e indireta 
implementarão, em sessenta dias, as providências necessárias à plena vigência 
do Código de Ética, inclusive mediante a constituição da respectiva Comissão de 
Ética, integrada por três servidores ou empregados titulares de cargo efetivo ou 
emprego permanente.
Parágrafo único. A constituição da Comissão de Ética será comunicada à Secretaria 
da Administração Federal da Presidência da República, com a indicação dos 
respectivos membros titulares e suplentes.
Art. 3° Este decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 22 de junho de 1994, 173° da Independência e 106° da República.
ITAMAR FRANCO
Romildo Canhim
Código de Ética Profissional do 
Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal
CAPÍTULO I
Seção I
Das Regras Deontológicas
I- A dignidade, o decoro, o zelo, a eficácia e a consciência dos princípios morais 
são primados maiores que devem nortear o servidor público, seja no exercício do 
cargo ou função, ou fora dele, já que refletirá o exercício da vocação do próprio 
poder estatal. Seus atos, comportamentos e atitudes serão direcionados para a 
preservação da honra e da tradição dos serviços públicos.
TÓPICO 3 | O PERFIL MODERNO DO SERVIDOR PÚBLICO
179
II- O servidor público não poderá jamais desprezar o elemento ético de sua 
conduta. Assim, não terá que decidir somente entre o legal e o ilegal, o justo 
e o injusto, o conveniente e o inconveniente, o oportuno e o inoportuno, mas 
principalmente entre o honesto e o desonesto, consoante as regras contidas no art. 
37, caput, e § 4°, da Constituição Federal.
III- A moralidade da Administração Pública não se limita à distinção entre o bem 
e o mal, devendo ser acrescida da ideia de que o fim é sempre o bem comum. O 
equilíbrio entre a legalidade e a finalidade, na conduta do servidor público, é que 
poderá consolidar a moralidade do ato administrativo.
IV- A remuneração do servidor público é custeada pelos tributos pagos direta 
ou indiretamente por todos, até por ele próprio, e por isso se exige, como 
contrapartida, que a moralidade administrativa se integre no Direito, como 
elemento indissociável de sua aplicação e de sua finalidade, erigindo-se, como 
consequência, em fator de legalidade.
V- O trabalho desenvolvido pelo servidor público perante a comunidade deve 
ser entendido como acréscimo ao seu próprio bem-estar, já que, como cidadão, 
integrante da sociedade, o êxito desse trabalho pode ser considerado como seu 
maior patrimônio.
VI- A função pública deve ser tida como exercício profissional e, portanto, 
se integra na vida particular de cada servidor público. Assim, os fatos e atos 
verificados na conduta do dia a dia em sua vida privada poderão acrescer ou 
diminuir o seu bom conceito na vida funcional.
VII- Salvo os casos de segurança nacional, investigações policiais ou interesse 
superior do Estado e da Administração Pública, a serem preservados em processo 
previamente declarado sigiloso, nos termos da lei, a publicidade de qualquer atoadministrativo constitui requisito de eficácia e moralidade, ensejando sua omissão 
comprometimento ético contra o bem comum, imputável a quem a negar.
VIII- Toda pessoa tem direito à verdade. O servidor não pode omiti-la ou 
falseá-la, ainda que contrária aos interesses da própria pessoa interessada ou 
da Administração Pública. Nenhum Estado pode crescer ou estabilizar-se sobre 
o poder corruptivo do hábito do erro, da opressão ou da mentira, que sempre 
aniquilam até mesmo a dignidade humana, quanto mais a de uma Nação.
IX- A cortesia, a boa vontade, o cuidado e o tempo dedicados ao serviço público 
caracterizam o esforço pela disciplina. Tratar mal uma pessoa que paga seus 
tributos direta ou indiretamente significa causar-lhe dano moral. Da mesma forma, 
causar dano a qualquer bem pertencente ao patrimônio público, deteriorando-o, 
por descuido ou má vontade, não constitui apenas uma ofensa ao equipamento e 
às instalações ou ao Estado, mas a todos os homens de boa vontade que dedicaram 
sua inteligência, seu tempo, suas esperanças e seus esforços para construí-los.
UNIDADE 3 | GESTÃO PÚBLICA E ÉTICA
180
X- Deixar o servidor público qualquer pessoa à espera de solução que compete 
ao setor em que exerça suas funções, permitindo a formação de longas filas, ou 
qualquer outra espécie de atraso na prestação do serviço, não caracteriza apenas 
atitude contra a ética ou ato de desumanidade, mas principalmente grave dano 
moral aos usuários dos serviços públicos.
XI- 0 servidor deve prestar toda a sua atenção às ordens legais de seus superiores, 
velando atentamente por seu cumprimento, e, assim, evitando a conduta 
negligente Os repetidos erros, o descaso e o acúmulo de desvios tornam-se, às 
vezes, difíceis de corrigir e caracterizam até mesmo imprudência no desempenho 
da função pública.
XII- Toda ausência injustificada do servidor de seu local de trabalho é fator de 
desmoralização do serviço público, o que quase sempre conduz à desordem nas 
relações humanas.
XIII- O servidor que trabalha em harmonia com a estrutura organizacional, 
respeitando seus colegas e cada concidadão, colabora e de todos pode receber 
colaboração, pois sua atividade pública é a grande oportunidade para o 
crescimento e o engrandecimento da Nação.
Seção II
Dos Principais Deveres do Servidor Público
XIV- São deveres fundamentais do servidor público:
a) desempenhar, a tempo, as atribuições do cargo, função ou emprego público de 
que seja titular;
b) exercer suas atribuições com rapidez, perfeição e rendimento, pondo fim ou 
procurando prioritariamente resolver situações procrastinatórias, principalmente 
diante de filas ou de qualquer outra espécie de atraso na prestação dos serviços pelo 
setor em que exerça suas atribuições, com o fim de evitar dano moral ao usuário;
c) ser probo, reto, leal e justo, demonstrando toda a integridade do seu caráter, 
escolhendo sempre, quando estiver diante de duas opções, a melhor e a mais 
vantajosa para o bem comum;
d) jamais retardar qualquer prestação de contas, condição essencial da gestão dos 
bens, direitos e serviços da coletividade a seu cargo;
e) tratar cuidadosamente os usuários dos serviços, aperfeiçoando o processo de 
comunicação e contato com o público;
f) ter consciência de que seu trabalho é regido por princípios éticos que se 
materializam na adequada prestação dos serviços públicos;
TÓPICO 3 | O PERFIL MODERNO DO SERVIDOR PÚBLICO
181
g) ser cortês, ter urbanidade, disponibilidade e atenção, respeitando a capacidade 
e as limitações individuais de todos os usuários do serviço público, sem qualquer 
espécie de preconceito ou distinção de raça, sexo, nacionalidade, cor, idade, 
religião, cunho político e posição social, abstendo-se, dessa forma, de causar-lhes 
dano moral;
h) ter respeito à hierarquia, porém sem nenhum temor de representar contra 
qualquer comprometimento indevido da estrutura em que se funda o Poder Estatal;
i) resistir a todas as pressões de superiores hierárquicos, de contratantes, 
interessados e outros que visem obter quaisquer favores, benesses ou vantagens 
indevidas em decorrência de ações morais, ilegais ou aéticas e denunciá-las;
j) zelar, no exercício do direito de greve, pelas exigências específicas da defesa da 
vida e da segurança coletiva;
k) ser assíduo e frequente ao serviço, na certeza de que sua ausência provoca 
danos ao trabalho ordenado, refletindo negativamente em todo o sistema;
l) comunicar imediatamente a seus superiores todo e qualquer ato ou fato 
contrário ao interesse público, exigindo as providências cabíveis;
m) manter limpo e em perfeita ordem o local de trabalho, seguindo os métodos 
mais adequados à sua organização e distribuição;
n) participar dos movimentos e estudos que se relacionem com a melhoria do 
exercício de suas funções, tendo por escopo a realização do bem comum;
o) apresentar-se ao trabalho com vestimentas adequadas ao exercício da função;
p) manter-se atualizado com as instruções, as normas de serviço e a legislação 
pertinente ao órgão onde exerce suas funções;
q) cumprir, de acordo com as normas do serviço e as instruções superiores, as 
tarefas de seu cargo ou função, tanto quanto possível, com critério, segurança e 
rapidez, mantendo tudo sempre em boa ordem;
r) facilitar a fiscalização de todos os atos ou serviços por quem de direito;
s) exercer, com estrita moderação, as prerrogativas funcionais que lhe sejam 
atribuídas, abstendo-se de fazê-lo contrariamente aos legítimos interesses dos 
usuários do serviço público e dos jurisdicionados administrativos;
t) abster-se, de forma absoluta, de exercer sua função, poder ou autoridade com 
finalidade estranha ao interesse público, mesmo que observando as formalidades 
legais e não cometendo qualquer violação expressa à lei;
UNIDADE 3 | GESTÃO PÚBLICA E ÉTICA
182
u) divulgar e informar a todos os integrantes da sua classe sobre a existência deste 
Código de Ética, estimulando o seu integral cumprimento.
Seção III
Das Vedações ao Servidor Público
XV- É vedado ao servidor público:
a) o uso do cargo ou função, facilidades, amizades, tempo, posição e influências, 
para obter qualquer favorecimento, para si ou para outrem;
b) prejudicar deliberadamente a reputação de outros servidores ou de cidadãos 
que deles dependam;
c) ser, em função de seu espírito de solidariedade, conivente com erro ou infração 
a este Código de Ética ou ao Código de Ética de sua profissão;
d) usar de artifícios para procrastinar ou dificultar o exercício regular de direito 
por qualquer pessoa, causando-lhe dano moral ou material;
e) deixar de utilizar os avanços técnicos e científicos ao seu alcance ou do seu 
conhecimento para atendimento do seu mister;
f) permitir que perseguições, simpatias, antipatias, caprichos, paixões ou interesses 
de ordem pessoal interfiram no trato com o público, com os jurisdicionados 
administrativos ou com colegas hierarquicamente superiores ou inferiores;
g) pleitear, solicitar, provocar, sugerir ou receber qualquer tipo de ajuda financeira, 
gratificação, prêmio, comissão, doação ou vantagem de qualquer espécie, para 
si, familiares ou qualquer pessoa, para o cumprimento da sua missão ou para 
influenciar outro servidor para o mesmo fim;
h) alterar ou deturpar o teor de documentos que deva encaminhar para providências;
i) iludir ou tentar iludir qualquer pessoa que necessite do atendimento em 
serviços públicos;
j) desviar servidor público para atendimento a interesse particular;
k) retirar da repartição pública, sem estar legalmente autorizado, qualquer 
documento, livro ou bem pertencente ao patrimônio público;
l) fazer uso de informações privilegiadas obtidas no âmbito interno de seu serviço, 
em benefício próprio, de parentes, de amigos ou de terceiros;
m) apresentar-se embriagado no serviço ou fora dele habitualmente;TÓPICO 3 | O PERFIL MODERNO DO SERVIDOR PÚBLICO
183
n) dar o seu concurso a qualquer instituição que atente contra a moral, a 
honestidade ou a dignidade da pessoa humana;
o) exercer atividade profissional aética ou ligar o seu nome a empreendimentos 
de cunho duvidoso.
CAPÍTULO II
Das Comissões de Ética
XVI- Em todos os órgãos e entidades da Administração Pública Federal 
direta, indireta autárquica e fundacional, ou em qualquer órgão ou entidade 
que exerça atribuições delegadas pelo poder público, deverá ser criada 
uma Comissão de Ética, encarregada de orientar e aconselhar sobre a ética 
profissional do servidor, no tratamento com as pessoas e com o patrimônio 
público, competindo-lhe conhecer concretamente de imputação ou de 
procedimento susceptível de censura.
XVII- Cada Comissão de Ética, integrada por três servidores públicos e respectivos 
suplentes, poderá instaurar, de ofício, processo sobre ato, fato ou conduta que 
considerar passível de infringência a princípio ou norma ético-profissional, 
podendo ainda conhecer de consultas, denúncias ou representações formuladas 
contra o servidor público, a repartição ou o setor em que haja ocorrido a falta, 
cuja análise e deliberação forem recomendáveis para atender ou resguardar o 
exercício do cargo ou função pública, desde que formuladas por autoridade, 
servidor, jurisdicionados administrativos, qualquer cidadão que se identifique 
ou quaisquer entidades associativas regularmente constituídas.
XVII - À Comissão de Ética incumbe fornecer, aos organismos encarregados da 
execução do quadro de carreira dos servidores, os registros sobre sua conduta 
ética, para o efeito de instruir e fundamentar promoções e para todos os demais 
procedimentos próprios da carreira do servidor público.
XIX- Os procedimentos a serem adotados pela Comissão de Ética, para a apuração 
de fato ou ato que, em princípio, se apresente contrário à ética, em conformidade 
com este Código, terão o rito sumário, ouvidos apenas o queixoso e o servidor, ou 
apenas este, se a apuração decorrer de conhecimento de ofício, cabendo sempre 
recurso ao respectivo Ministro de Estado.
XX- Dada a eventual gravidade da conduta do servidor ou sua reincidência, 
poderá a Comissão de Ética encaminhar a sua decisão e respectivo expediente 
para a Comissão Permanente de Processo Disciplinar do respectivo órgão, 
se houver, e, cumulativamente, se for o caso, à entidade em que, por exercício 
profissional, o servidor público esteja inscrito, para as providências disciplinares 
cabíveis. O retardamento dos procedimentos aqui prescritos implicará 
comprometimento ético da própria Comissão, cabendo à Comissão de Ética do 
órgão hierarquicamente superior o seu conhecimento e providências.
UNIDADE 3 | GESTÃO PÚBLICA E ÉTICA
184
XXI- As decisões da Comissão de Ética, na análise de qualquer fato ou ato 
submetido à sua apreciação ou por ela levantado, serão resumidas em ementa e, 
com a omissão dos nomes dos interessados, divulgadas no próprio órgão, bem 
como remetidas às demais Comissões de Ética, criadas com o fito de formação 
da consciência ética na prestação de serviços públicos. Uma cópia completa de 
todo o expediente deverá ser remetida à Secretaria da Administração Federal da 
Presidência da República.
XXII- A pena aplicável ao servidor público pela Comissão de Ética é a de censura 
e sua fundamentação constará do respectivo parecer, assinado por todos os seus 
integrantes, com ciência do faltoso.
XXIII- A Comissão de Ética não poderá se eximir de fundamentar o julgamento 
da falta de ética do servidor público ou do prestador de serviços contratado, 
alegando a falta de previsão neste Código, cabendo-lhe recorrer à analogia, aos 
costumes e aos princípios éticos e morais conhecidos em outras profissões.
XXIV- Para fins de apuração do comprometimento ético, entende-se por servidor 
público todo aquele que, por força de lei, contrato ou de qualquer ato jurídico, 
preste serviços de natureza permanente, temporária ou excepcional, ainda que 
sem retribuição financeira, desde que ligado direta ou indiretamente a qualquer 
órgão do poder estatal, como as autarquias, as fundações públicas, as entidades 
paraestatais, as empresas públicas e as sociedades de economia mista, ou em 
qualquer setor onde prevaleça o interesse do Estado.
XXV- Em cada órgão do Poder Executivo Federal em que qualquer cidadão 
houver de tomar posse ou ser investido em função pública, deverá ser prestado, 
perante a respectiva Comissão de Ética, um compromisso solene de acatamento 
e observância das regras estabelecidas por este Código de Ética e de todos os 
princípios éticos e morais estabelecidos pela tradição e pelos bons costumes.
TÓPICO 3 | O PERFIL MODERNO DO SERVIDOR PÚBLICO
185
DICAS
LIVROS
DAVIS, K., NEWSTROM, J. W. Comportamento humano no trabalho: uma 
abordagem psicológica. São Paulo: Pioneira, 1992.
Esse livro faz reflexões sobre pessoas no trabalho em todos os tipos de 
organizações e sugere procedimentos para que elas se motivem a trabalhar 
em conjunto de forma mais produtiva. A obra resume conhecimentos no 
campo de comportamento organizacional.
DEMING, W. E. Qualidade: A revolução da administração. Rio de Janeiro: 
Marques-Saraiva, 1990.
Um marco da década de 90. Revolucionou o conceito de qualidade e 
qualidade total nas organizações. Seus 14 pontos foram para a administração 
um referencial para a construção de gerência coesa e efetiva.
VIDEOTECA
Filme: Código de Honra (Estados Unidos, 2003)
Direção: Adam Kassen
Atores: Chris O’Donnell, Ben Affleck, Matt Damon e Brendan Fraser
David Greene é um jovem de classe operária que consegue uma bolsa 
de estudos numa tradicional escola de uma pequena cidade norte-
americana. Ao descobrirem que ele é judeu, tudo muda e questões morais 
e éticas serão colocadas à prova.
Filme: Questão de Honra (Estados Unidos, 2001)
Direção: Rob Reiner
Atores: Tom Cruise, Demi Moore, Jack Nicholson, Kavin Bacon, Kevin 
Pollack e Kiefer Sutherland.
Esse filme discute questões da ordem de relações de poder, e o impasse entre 
seguir a sua própria consciência ou as ordens da organização e de superiores.
UNIDADE 3 | GESTÃO PÚBLICA E ÉTICA
186
Filme: A Vila (Estados Unidos, 2005)
Direção: M. Night Shyamalan
Elenco: William Hurt, Sigourney Weaver, Adrien Brody e Bryce Dallas 
Howard 
Esse filme é interessante para repensar os códigos de convivência. Uma 
cidade vive sob constante ameaça e um homem determinado decide 
enfrentar o desconhecido e mudar para sempre o futuro da comunidade.
NA INTERNET
O poder de uma atitude
Esse vídeo apresenta a iniciativa de um 
menino em fazer algo completamente 
impossível sozinho, mas com a ajuda 
e participação de todos ao redor a sua 
iniciativa tornou-se possível. Muito 
emocionante!
FONTE: Disponível em: <http://www.youtube.
com/user/CarlosOdon#p/f/26/JsiNL9LwZBw>. 
Acesso em: 31 mar. 2011.
Honestidade
Esse vídeo curto é daqueles que pretende 
passar a mensagem de bons valores. O 
interessante nesse filme é fazer analogia 
às oportunidades que aparecem no dia a 
dia e que por vezes colocam em xeque a 
firmeza do caráter das pessoas.
FONTE: Disponível em: <http://www.youtube.
com/watch?v=jIzhP1ynESM&feature=related>. 
Acesso em: 31 mar. 2012.
TÓPICO 3 | O PERFIL MODERNO DO SERVIDOR PÚBLICO
187
O funcionário público
Essa é uma produção da Rede Globo de 
Televisão, em que exibia um programa de 
humor chamado TV Pirata. Esse vídeo é 
sátira à burocracia e morosidade dos serviços 
públicos. Vale a pena assistir pela comédia, mas 
principalmente para que se faça uma reflexão 
sobre como deve ser o serviço público e como 
ele é visto por outrem. Apesar da produção 
ter sido entre o final da década de 80 e início 
da década de 90, ainda é atual em diversos 
setores e organizações de serviços públicos. 
Esse episódio contoucom a atuação de Regina 
Casé, Diogo Vilela e Guilherme Karam.
FONTE: Disponível em: <http://www.youtub
e.com/watch?v=AGR_3R5pvBs>. Acesso em: 
31 mar. 2012.
Tempos Modernos
Esse filme de Charles Chaplin, de 1936, é uma 
produção que satiriza o homem operacional 
diante do mundo moderno. É um filme que 
faz forte crítica ao capitalismo e da relação 
árdua do trabalho operacional da era da 
Revolução Industrial.
FONTE: Disponível em: <http://www.youtub
e.com/watch?v=XFXg7nEa7vQ>. Acesso em: 
31 mar. 2012.
188
Nesse último tópico foi possível observar que a administração pública 
bebe da fonte da ética a todo o momento. As suas ações estão calcificadas 
nos preceitos morais e só por eles pode-se vislumbrar uma sociedade com 
liberdade, igualdade e de bem. O novo perfil do servidor público perpassa por 
essas questões e se antecipa às ações que fomentarão sustentabilidade no que 
se refere às relações sociais e humanas, à paz, ao meio ambiente. Os principais 
elementos discutidos foram:
● Identificar os motivos que têm levado as organizações públicas a se preocuparem 
com a qualidade de seus serviços e no atendimento.
● Conhecer os princípios que contribuem na tomada de decisões.
● Identificar o melhor perfil do profissional de serviços públicos.
RESUMO DO TÓPICO 3
189
AUTOATIVIDADE
1 Descreva cinco deveres do Decreto no 1.171/94 que você considera os mais 
importantes para o desenvolvimento dos serviços públicos e que estão 
diretamente relacionados com questões de ética e moral.
2 Quais foram as qualidades apresentadas do servidor público? Descreva-as.
3 Chiavenato (2004) apresenta quatro tipos de competências. Como você as 
descreveria?
4 Quais foram as fragilidades apresentadas do servidor público? Descreva-as.
5 Ramos (1984) apresentou modelos de homem que contribuíram para o 
entendimento das pessoas dentro de suas organizações, bem como para 
refletir diante das teorias da administração. Quais foram esses modelos de 
homem? Descreva-os.
6 A ética apresenta uma interface com justiça. Explique os tipos de justiça 
apresentados nesse caderno.
7 (Centro de Seleção e Promoção de Eventos (CESPE) - 2011 – Fundação 
Universidade de Brasília (FUB) - Analista de Tecnologia da Informação).
 Em cada um dos itens a seguir é apresentada uma situação hipotética, 
seguida de uma assertiva a ser julgada com relação à conduta dos agentes 
em conformidade com o que dispõe o Código de Ética do Servidor Público.
A) Jair sempre procurou manter-se atualizado com as instruções, as normas de 
serviço e a legislação pertinentes ao órgão público onde exerce suas funções. 
Nesse caso, o servidor age de acordo com o que dispõe o mencionado 
código de ética. 
 ( ) CERTO ( ) ERRADO
B) A servidora pública Jane, irritada com o fato de uma colega ter sido designada 
para fiscalizar o seu trabalho, não fez nada para prejudicar ou facilitar o 
trabalho de fiscalização. Nessa situação, a atitude de Jane é aceitável, visto que 
não há qualquer obrigação da sua parte em facilitar o trabalho de fiscalização. 
 ( ) CERTO ( ) ERRADO
FONTE: Disponível em: <http://www.cespe.unb.br/concursos/fub2010/arquivos/FUB11_CB_00
1_01.PDF>. Acesso em: 31 mar. 2012.
8 Essa atividade foi retirada do livro “Casos de Ética Empresarial”, de Robert 
Henry Srour (2011, p. 150-151).
190
SITUAÇÃO RESPOSTA
1 Você cometeu um erro cujos reflexos serão negativos, embora sejam de difícil detecção.
O QUE VOCÊ 
FAZ?
A Você se abstém de pensar no caso, pois errar é humano e, somente se 
o fato for detectado, relatará o que aconteceu.
B Você comunica imediatamente o fato a seu superior hierárquico.
C
Você procura encobrir o equívoco para não comprometer sua 
reputação profissional: dilui efeitos negativos ao longo do tempo e 
manobra de modo a afastar quaisquer checagens.
D
Você procura entender objetivamente o que aconteceu, sem deixar 
de assumir o erro diante de seu superior hierárquico, e formula um 
procedimento preventivo que põe à disposição da organização.
SITUAÇÃO RESPOSTA
2
Você recebe de seu superior orientação contrária aos valores da 
organização e questiona na hora seu fundamento. A tentativa de 
esclarecimento, entretanto, revela-se inútil.
O QUE VOCÊ 
FAZ?
A Você deduz que, sendo assim, não há razões para esquentar a cabeça 
com valores enunciados, mas não praticados.
B
Você comunica imediatamente o fato a seu diretor e lhe diz que 
precisa de uma urgente transferência de área para não ter de 
desobedecer às ordens recebidas.
C Você se conforma porque vai ver que não entendeu direito a relação 
entre a orientação dada e os valores da organização.
D
Você verifica com os colegas se a interpretação que fez é correta. 
Caso assim seja, procura formalmente seu diretor e lhe diz que irá 
desobedecer ao superior.
SITUAÇÃO RESPOSTA
3
Você está sendo cogitado para uma promoção e dirige uma equipe 
que costuma ter boas ideias. Foi convidado para um encontro de 
trabalho com superiores.
O QUE VOCÊ 
FAZ?
A Você apresenta algumas ideias inovadoras sem indicar a origem.
B Você aproveita a oportunidade para lançar as melhores ideias e dá a 
quem as formulou o respectivo crédito.
C
Você relata que, em seus limites orçamentários, planeja colocar em 
prática uma ou outra inovação que sua equipe desenvolveu e lança 
ideia que ultrapassa sua seara, dizendo que seu pessoal está ansioso 
para pôr mãos à obra.
D
Você se abstém de dar ideias, ainda que a organização incentive as 
iniciativas e as inovações, porque acha que alguém irá se apropriar 
delas.
191
9 (ESAF - TRF 2003) 
Não se inclui entre os deveres do servidor, elencados no Estatuto dos Servidores 
Públicos Civis da União:
a) ( ) Levar ao conhecimento da autoridade superior as irregularidades de 
que tiver ciência.
b) ( ) Tratar com urbanidade as pessoas.
c) ( ) Guardar sigilo sobre assunto da repartição.
d) ( ) Manter conduta compatível com a moralidade administrativa.
e) ( ) Cumprir as ordens superiores, exceto quando manifestamente ilegais.
FONTE: Disponível em: <http://atepassar.com/questoes-de-concursos/disciplinas/etica-na-admi
nistracao-publica/?page=14>. 31 mar. 2012.
192
193
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