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Sistema urinário 
O que é o sistema urinário? 
O sistema urinário é composto pelos rins e vias urinárias: ureteres, bexiga e uretra. Os rins filtram 
o sangue e produzem a urina. 
A urina é transportada pelos ureteres em direção à bexiga. Nela, a urina é armazenada até ser 
excretada pela uretra. 
As funções dos rins são: 
1- Manter a homeostase – manter o equilíbrio sanguíneo de água, eletrólitos, ácidos e bases. 
2- Excretar os resíduos metabólicos, principalmente ureia, ácido úrico e creatinina. 
3- Evitar o excesso de líquido no espaço intersticial e a formação de edema 
Isso é feito a partir de três processos: 
a. Filtração glomerular. 
b. Reabsorção tubular. 
c. Secreção tubular. 
Os rins também exercem uma função endócrina, produzindo ou degradando substâncias como 
eritropoietina, renina, paratormônio, insulina, prostaglandina e bradicinina, além de participar 
juntamente com o fígado da conversão de vitamina D em sua forma ativa. 
Rins 
São estruturas semelhantes a uma semente de feijão, com cerca de 12 cm de altura. Eles 
localizam-se na parede posterior do abdome, atrás do peritônio parietal (são retroperitoneais). 
Estão dispostos na região lombar, aproximadamente ao nível das vértebras T11 a L3. O rim direito 
é um pouco inferior ao esquerdo, em virtude da posição do fígado acima dele. 
Os rins estão voltados um para o outro, ou seja, em ambos a margem lateral é convexa e a 
margem medial é côncava. Na borda côncava está localizado o hilo renal, por onde entram ou 
saem vasos renais, nervos e ureter.Sobre a extremidade superior de cada rim situa-se a glândula 
suprarrenal (ou adrenal). Na verdade, as glândulas suprarrenais não têm relação funcional com os 
rins; elas participam do sistema endócrino. 
O rim é revestido por quatro camadas que o protegem contra traumas e ajudam a manter sua 
posição fixa. Elas estão dispostas na seguinte ordem: 
1. Cápsula renal ou cápsula fibrosa – camada fina de tecido conjuntivo aderida diretamente à 
superfície renal. 
2. Gordura perirrenal ou cápsula adiposa – circunda os rins e se estende até o seio renal. 
3. Fáscia renal – além do rim e da gordura perirrenal, envolve a glândula suprarrenal, os vasos 
renais e o ureter (prolonga-se como fáscia periureteral) 
4. Gordura pararrenal – localiza-se principalmente na região posterior do rim, externamente à 
fáscia renal. 
Se fizermos um corte frontal no rim (imagine dividir as metades de um feijão), veremos que 
internamente ele se organiza em duas camadas e uma região central: 
Córtex - Camada mais periférica e contínua, ocupa o espaço entre as pirâmides e a cápsula. Forma 
extensões entre as pirâmides chamadas colunas renais. No córtex, localizam-se os glomérulos. 
Medula - Camada central, forma de 8 a 12 pirâmides renais (você pode observar os triângulos com 
o ápice voltado para o centro do rim). Nelas se localizam os túbulos do néfron. As papilas renais 
(ápice do triângulo) são recebidas pelos cálices menores. Cada pirâmide com o córtex que a 
circunda forma um lobo renal. 
Seio renal - Região central, onde os cálices menores se convergem em cálices maiores, que se 
unem formando a pelve renal – a extremidade superior do ureter. 
Vejamos uma ilustração da vista central das pelves renais e ureteres. 
 
O débito sanguíneo dos rins é de 1,2 l/min, correspondendo a 1/5 do débito cardíaco! Isso significa 
que, a cada minuto, 1,2 litro de sangue passa pelos rins, onde é filtrado. 
As artérias renais derivam diretamente da aorta. Elas ramificam-se até o nível das arteríolas 
aferentes, que entram nos glomérulos. O sangue então percorre os capilares glomerulares e sai 
pelas arteríolas eferentes, seguindo pelos vasos retos na medula renal e depois por veias, até as 
veias renais, tributárias, da veia cava inferior. 
A inervação do rim é dada pelo plexo renal, formado por fibras nervosas autônomas simpáticas 
que influenciam o diâmetro das artérias renais e a formação de urina nos túbulos renais. 
Os glomérulos e os túbulos constituem a estrutura microscópica do rim. A unidade funcional do 
rim é chamada néfron, que é formado por: 
> Glomérulo. 
> Cápsula glomerular (cápsula de Bowman). 
> Túbulo contorcido proximal. 
> Alça de Henle – ramo descendente delgado e ramo ascendente espesso. 
> Túbulo contorcido distal. 
IMPORTANTE 
Você se lembra dos epônimos, mencionado anteriormente? Pois bem, no estudo do sistema 
urinário, eles ainda são muito utilizados. A cápsula glomerular é conhecida também como cápsula 
de Bowman. O espaço entre o glomérulo e sua cápsula (espaço capsular) é denominado espaço de 
Bowman. 
Além disso, o conjunto do glomérulo e da cápsula glomerular pode ser chamado de corpúsculo de 
Malpighi (ou corpúsculo renal). A alça de Henle (corresponde a um trecho do túbulo renal) é um 
epônimo que não tem substituto, portanto, vamos continuar utilizando-o neste livro. Você 
consegue imaginar quantos néfrons nós temos? Cerca de 1 milhão em cada rim! E cada um deles 
tem funcionamento independente. 
O glomérulo contém as seguintes estruturas: 
Polo vascular – entrada da arteríola aferente e saída da eferente. 
Capilares glomerulares – enrolam-se como um novelo de lã. 
Cápsula glomerular – camada visceral e parietal. 
Espaço capsular (espaço de Bowman). 
O glomérulo filtra o sangue e forma um líquido chamado ultrafiltrado, que contém água, ureia, 
glicose e pequenas proteínas (proteínas de baixo peso molecular). Mas como ele seleciona essas 
substâncias? Existe uma estrutura especial chamada barreira de filtração glomerular, que limita as 
moléculas que passam do sangue para o espaço capsular, de acordo com seu tamanho e sua carga 
elétrica. Essa barreira é formada por três componentes: 
1. Endotélio fenestrado do capilar glomerular. 
2. Membrana basal. 
3. Podócitos, com prolongamentos chamados pedicelos – são as células da camada visceral da 
cápsula glomerular. 
Observemos as ilustrações a seguir: 
 
O ultrafiltrado formado no espaço capsular passa, então, para os túbulos renais (túbulo contorcido 
proximal, alça de Henle e túbulo contorcido distal) e, em seguida, para os dutos coletores. Esses 
túbulos e dutos estão próximo dos capilares peritubulares e dos vasos retos da medula renal, que 
são vasos sanguíneos. 
Assim, nos túbulos ocorrem mecanismos de reabsorção de substâncias (da luz tubular para o 
sangue) e de secreção de outras (do sangue para a luz tubular). 
Com isso, a composição do ultrafiltrado se altera, ele fica mais concentrado, porque há grande 
reabsorção de sódio e água, e passa a ser chamado de urina. Esta é drenada pelos dutos coletores 
até as papilas renais, seguindo depois pelo seio renal até chegar ao ureter. 
 
 
Algo Mais 
Essa concentração do ultrafiltrado é muito importante. Imagine, se os rins filtram cerca de 1/5 de 
todo o nosso sangue por minuto, como seria produzir tanta urina? Quanto de água teríamos de 
beber para repô-la? Por isso, os túbulos reabsorvem aproximadamente 99% da água do 
ultrafiltrado. Assim, produzimos apenas 2 litros de urina por dia. 
 
Existe uma estrutura próxima ao glomérulo conhecida como aparelho justaglomerular ou 
complexo justaglomerular. Ele atua na regulação da pressão arterial por meio da produção do 
hormônio renina (participa do sistema renina-angiotensina-aldosterona). 
É formado por: 
> Polo vascular do glomérulo. 
> Mácula densa – região do túbulo contorcido distal que passa próximo ao polo vascular. 
> Células mesangiais. 
Ureteres 
São tubos delgados com cerca de 25 cm de comprimento. Seguem inferiormente na posição 
retroperitoneal do abdome e entram na pelve. De cada rim sai um ureter, que transporta a urina 
coletada na pelve renal até a bexiga urinária, desembocando nesse órgão pelo óstio ureteral.Apresenta três camadas: 
1. Mucosa (o muco produzido protege as células do contato com a urina). 
2. Músculo liso. 
3. Tecido conjuntivo. 
O ureter tem uma luz estreita, e há três locais que normalmente apresentam constrição: 
> Junção pieloureteral (JUP). 
> Cruzamento com os vasos ilíacos. 
> Intramural (passagem pela parede da bexiga). 
 
A pedra no rim (cálculo renal ou litíase urinária) é mais frequente nesses locais de constrição. 
A entrada de urina distende a parede do ureter e estimula a contração de sua musculatura, 
produzindo ondas peristálticas que impulsionam a urina em direção à bexiga. 
O ureter tem uma entrada oblíqua na bexiga, de forma que o músculo da bexiga comprime o 
ureter durante a micção, evitando o refluxo de urina da bexiga para o ureter. 
Bexiga urinária 
É uma víscera oca que funciona como reservatório de urina e se caracteriza por sua 
distensibilidade. Situa-se na região anterior da pelve, posteriormente à sínfise púbica. Na mulher, 
fica anterior ao útero e à vagina; no homem, fica diretamente anterior ao reto. 
Imagine uma pirâmide de cabeça para baixo, com a base voltada para cima. Esse é o formato de 
uma bexiga vazia. Ela pode ser dividida em quatro partes: 
Ápice da bexiga – ângulo anterior da base da pirâmide. 
Fundo da bexiga – face posterior da pirâmide. 
Corpo da bexiga – região principal, entre o ápice e o fundo. 
Colo da bexiga – região inferior, formada pelo fundo e pelas faces inferolaterais. 
No colo da bexiga existe uma área chamada de trígono vesical. Trata-se de um triângulo definido 
pelas aberturas dos ureteres e da uretra. Os dois ângulos posterolaterais são os óstios de entrada 
dos ureteres. O ângulo inferior é o esfíncter interno da uretra, que veremos adiante. 
 
A parede é formada por três camadas: 
1. Mucosa, repleta de pregas (rugas) que se aplainam com o enchimento da bexiga. 
2. Músculo detrusor, camada espessa de músculo liso que tem grande capacidade de distensão 
com a entrada de urina, ficando mais fino. Quando cheia, a bexiga adquire uma forma esférica e se 
expande superiormente na cavidade abdominal. 
3. Adventícia (nas superfícies laterais e inferior) ou peritônio parietal (na superfície superior). 
O suprimento arterial da bexiga provém das artérias vesicais superior e inferior, ramos das artérias 
ilíacas internas. 
A drenagem venosa tributa nas veias ilíacas internas. 
A inervação é dada por fibras eferentes parassimpáticas (nervos esplâncnicos pélvicos), fibras 
eferentes simpáticas (nervos hipogástricos) e fibras aferentes/sensoriais viscerais. A micção (ato 
de esvaziar a bexiga) é realizada pela contração do músculo detrusor e controlada pelo encéfalo, 
por meio dessas fibras aferentes e eferentes. 
Algo Mais 
É muito interessante observar como a anatomia é adequada à função. No caso da bexiga, ela 
apresenta uma capacidade de distensão única, graças à parede muscular espessa que se afina e às 
pregas mucosas que se aplainam. Isso permite que ela armazene volumes de urina maiores sem 
que haja um grande aumento da pressão interna (até cerca de 300 mL de urina). 
No adulto, a bexiga pode acumular até 500 mL de urina, o que equivale a 15 vezes o volume de 
quando está vazia. 
Uretra 
A uretra é um tubo formado por músculo liso e revestido internamente por uma camada mucosa. 
Ela transporta urina da bexiga para fora do corpo. Esse órgão apresenta dois esfíncteres: 
Esfíncter uretral interno - Formado por um espessamento do músculo detrusor, na junção da 
bexiga com a uretra. É involuntário e mantém a uretra fechada enquanto a urina não está 
passando. 
Esfíncter uretral externo - Formado pelo músculo esquelético, no cruzamento da uretra com uma 
camada muscular, conhecida como diafragma urogenital. Tem controle voluntário, permitindo 
inibir a urinação até o momento desejado. 
A uretra tem tamanho e funções diferentes em cada sexo. Nas mulheres, possui de 3 a 4 cm de 
comprimento e se abre no orifício uretral externo, localizado acima da entrada da vagina e 
posterior ao clitóris. Nos homens, apresenta cerca de 20 cm de comprimento e é dividida em três 
regiões: 
1. Uretra prostática – passa pela próstata. 
2. Uretra membranosa – faz conexão entre a uretra prostática e a esponjosa, e passa pelo 
diafragma urogenital. 
3. Uretra esponjosa – passa pelo corpo esponjoso do pênis e se abre no orifício uretral externo, 
localizado na ponta do pênis. 
Enquanto na mulher funciona apenas para drenar urina, no homem a uretra transporta, em 
momentos distintos, a urina e o sêmen da ejaculação.

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