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Bardonista_ A Corrupção Moderna da Magia

Artigo que critica a magia ocidental contemporânea e enumera dez causas da sua “corrupção”, defendendo prática e experiência sobre saber teórico; discute treinamento inadequado, supervalorização de manuscritos, materialismo, preguiça, perda da sucessão iniciática e ênfase em poderes.

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25/09/2019 Bardonista: A Corrupção Moderna da Magia
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A Corrupção Moderna da Magia
Um artigo escrito por
Introdução
Esta será uma lição longa, portanto, ao trabalho. Não pule partes por causa de
seu tamanho. Leia cada palavra dela, e tome notas diligentemente.
A predominante abordagem à magia, nos dias atuais, deve ser abolida. O
processo iniciatório dos maçons e a ideia do avanço espiritual através apenas do
conhecimento devem ser deixados como relíquias do passado. Como a Jnana Yoga atesta,
e como Francis Bacon declara, existe, certamente, poder no conhecimento. Porém, o
melhor poder é aquele ganhado da prática e, consequentemente, da experiência. Um
pouco de prática valem muitos livros. Essa deve ser a ideia predominante dos anos
vindouros, se a humanidade quiser reviver a irmandade de magos no mundo e
redistribuir a carga de trabalho espiritual que, no momento, cai quase inteiramente nos
ombros de iogues.
A incompreensão da magia legítima criou uma ameaçadora carência de adeptos
ocidentais iluminados. Esses adeptos mestres, reais Deuses-Homens do passado, estão
raramente reencarnando. Parece, portanto, que, no geral, existem poucos grandes magos
disponíveis. O número deles se tornou escasso; seu nível, baixo. Nos meus tempos de
garoto, antes de as minhas memórias retornarem, eu procurei aqui e ali alguma faísca de
sabedoria, estudei muitos sistemas de magia e de xamanismo, e, no fim, me senti como
Abraão, o Judeu, depois de seus anos de procura pela Ciência Divina, antes de ser
abençoado por seu guru, Abramelin. Em lugar algum, eu pude encontrar alguém que
merecesse o título de professor da ciência divina. Fraudes e charlatãos eram numerosos,
e pessoas pensavam que eles eram magos só porque nunca conheceram um mago
verdadeiro. Hoje, essas mesmas pragas ainda infectam bastante as buscas de jovens
aspirantes ao redor do mundo.
Existe um número de razões para a escassez atual de sábios na tradição oculta
ocidental. Eu me esforçarei aqui para compartilhar com vocês algumas das razões que as
minhas experiências com aspirantes esperançosos, os ensinamentos de várias ordens e
paradigmas, e meu tempo com as “vítimas” de vários movimentos new age, me levaram a
classificar como causas para o problema. Eu baseei essas conclusões nas súplicas de
aspirantes esperançosos buscando por iniciação, e nos meus encontros pessoais com
alguns dos ditos adeptos de vários grupos e ordens. Ao fazê-lo, eu compreendo
totalmente que falar com alguns estudantes e alguns membros superiores nunca pode
dar uma representação compreensiva. Porém, eu também compreendo que, não importa
quão ideais as condições internas de uma ordem possam ou não ser, ela não deveria levar
seus estudantes externos à procrastinação ou a um treinamento inadequado.
Eu identifiquei dez problemas principais na magia de hoje. O primeiro é que o
treinamento proposto por certas ordens nos últimos 200 anos ou mais era incompleto, e
por eles terem ditado a regra para as ordens de hoje, os problemas continuaram. O
segundo é que os materiais originais e manuscritos para certos sistemas são atribuídos
com mais valor do que aquele eles realmente possuem. O terceiro é que a mente
ocidental transformou a magia em algo feito para se realizar os desejos materiais. A
quarta razão para o problema presente é que, na medida em que nossa cultura propaga a
concessão à preguiça, a abordagem ocidental à magia se torna mais e mais preguiçosa. A
PROPHECY
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quinta razão é a tendência peculiar da mente ocidental de se tornar altamente investida
em sua própria personalidade. A sexta razão é a destruição da sucessão de mestre e
discípulo, a causa que é a raiz para muitos outros problemas. A sétima razão, que é um
verdadeiro veneno para a evolução, é o movimento presente, na magia ocidental, de se
tentar remover a ideia essencial de Deus e o valor da moralidade da magia. A oitava razão
é a popularidade crescente de charlatãos, e seu poder sobre as massas ignorantes. A nona
razão é a tendência de magos legitimamente treinados permanecerem silenciosos,
aceitarem poucos estudantes e escreverem pouco ou nada. A décima e última razão que
discutiremos é a atenção dada, no Ocidente, ao desenvolvimento dos poderes mágicos em
vez do desenvolvimento de estados elevados de consciência. Essas dez razões primárias
bastarão para nossa consideração, embora mais razões pudessem ser listadas.
A Primeira Razão
Treinamento Inadequado em Ordens Modernas
Entre aproximadamente 1850 e 1920, o mundo ocultista presenciou a formação
de várias ordens que se ergueram no mundo como realizações gloriosas. De seus
ensinamentos, vieram muitos dos livros influentes que agora são considerados clássicos
do ocultismo, e os quais agora muitos estudantes otimistas estudam. Infelizmente, essas
ordens não eram tão ideais quanto tentavam parecer. A maioria delas usava como fonte
manuscritos desatualizados, sobre os quais falaremos mais daqui a um momento, e o
resto usava métodos que se baseavam inteiramente sobre estimulação intelectual ou
emocional, e muito pouco sobre a consciência da alma.
Essas ordens iludidas criaram muitos iniciados igualmente ou até mais iludidos.
Um número considerável deles publicou livros, muitos dos quais agora são considerados
clássicos do ocultismo no mundo da literatura ocidental ocultista. Em alguns casos, esses
livros tinham riqueza de informação teórica, mas a maioria deles não tinha quase um
momento de percepção prática. O aspirante esperançoso é levado a folhear um livro de
centenas de páginas, para perceber que ele não absorveu nada dele além de filosofia. Até
mesmo os livros chamados de “teoria e prática” deveriam ser renomeados para “teoria e
possível aplicação ritual”.
Isso pode parecer uma afirmação iconoclástica. Ela é, e com razão, porque a
iconologia da magia está falhando gravemente. Portanto, o que não produz resultados
deve ser jogado de lado. “E agora também o machado é enterrado nas raízes das
árvores: desse modo, qualquer árvore que não traga bons frutos é cortada, e jogada no
fogo. (Mateus 3:10)”. A série de ações à qual a magia ocidental foi levada não trouxe
muitos frutos. Essas ações produziram pseudoiniciados que conseguem executar truques
de salão, que eles, erradamente, chamam de magia. Enquanto magos de cadeira
estiveram gastando seu tempo, exercitando suas mentes com teorias e filosofias, o
trabalho prático que realmente cria um mago esteve apodrecendo. Quem pode culpá-los,
quando cada livro que lêem diz que precisam saber essa ou essa outra palavra hebraica
ou magia simbólica para serem efetivos? Tudo isso compõem as armadilhas postas para o
teste de iniciados, testes nos quais essas “autoridades” não passaram.
Um indivíduo pode memorizar sigilos do sol, kameas planetários, selos e
talismãs salomônicos, e compreender intelectualmente os muitos processos que
compõem a Maquinaria Universal. Ainda assim, ele não será um mago aos olhos de
iniciados verdadeiros. Eu conheci pessoas que poderiam ser chamadas de enciclopédias
de filosofia ocultista, e, ainda assim, não possuíam rotina diária de prática estabelecida, e
nenhuma faculdade mágica de qualquer tipo. Eles estão presos à ilusão de Maya do
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mesmo modo que os homens comuns também o estão. A única diferença é que eles
sabem que existe uma ilusão, enquanto a maioria nem se apercebe disso. Pessoas assim
gostam de falar muito, porque, ao se ouvirem, tentam apoiar sua abordagem à magia,
psicologicamente, para eles mesmos. Tais pessoas sempre terão uma opinião, sempre
parecerão ter respostas prontas, e esse tipo de “aspirante em potencial” torna-se
particularmente perigoso aosbuscadores genuínos da verdade. Você não pode construir
uma base confiável somente nas palavras! Ao mago treinado, aos irmãos e irmãs de
minha Ordem (N.T.: Fraternidade Rosa-Cruz), e os verdadeiros mestres reinantes deste
mundo, essas pessoas estão mais enganadas do que o mais cru dos iniciantes neste
caminho. O grupo deles é o pior, e, infelizmente, não é sempre a culpa deles. Para essas
pessoas, eu farei muito esforço para desligar suas mentes e abrir seus corações para
receber instrução prática. É por isso que eu aconselho a todos não se tornarem ligados
demais a livros. Eu já li todos esses livros, e extraí seus pontos importantes em artigos
no fórum do Veritas para o benefício de todos.
Isso não significa que a informação teórica é ruim. Um conhecimento sólido da
filosofia ocultista é necessário para que o mago compreenda tudo que faz. Ele deveria se
orgulhar de conhecer todas as operações em funcionamento quando ele manipula um
tipo de energia, e, quando uma operação mágica se manifesta, ele deveria ser capaz de
explicar perfeitamente os mecanismos envolvidos. De fato, ele deve ser um cientista.
Contudo, mais e mais pessoas se contentam apenas com o conhecimento da filosofia e o
“como fazer”, sem nunca colocarem nada na prática, e, normalmente, sem terem ideia de
como fazê-lo. Em muitas ocasiões, estudantes vieram a mim e disseram, “Eu li todos os
livros que as pessoas me recomendaram, mas não tenho ideia alguma de como começar o
caminho.” Isso acontece porque só a estimulação intelectual não faz de alguém um mago,
e, lá no fundo, o estudante inteligente sabe isso. A mente procura por fórmulas e
símbolos; a alma busca por prática e experiência.
Que utilidade há em se conhecer como as estrelas afetam as nossas atividades, e
não ser capaz de meditar por nem dez minutos? Que utilidade há em se conhecer todas as
filosofias sobre quem Deus é, sem nunca experimentar Deus diretamente? Essas pessoas
nunca se tornam nada na verdade, mas sim só aparentam ser magos. Você não pode
alcançar o Reino através de inquisição intelectual somente. Você precisa viajar até lá.
O ponto ao qual eu quero chegar aqui é que o estudo intenso da Tábua de
Bembine de Ísis, ou do selo da Rosa-Cruz, ou do dodecaedro mágico etc. é incorreto. Eu
não estou sugerindo que, por exemplo, a investigação das fórmulas do Etz Chaim e dos
Nomes Divinos é inútil. Eu não estou dizendo que uma pessoa não deveria compreender
os usos mágicos do pentagrama e do hexagrama. Do contrário, eu sou um forte defensor
de tudo isso. Porém, tudo deve ser aprendido ao tempo certo! Um aspirante não tem
razão alguma para estudar os pentagramas, hexagramas, etc. Ele não deveria passar seus
dias praticando magia ritual. Sim, com o passar do tempo isso gerará resultados no
termo de crescimento de poder, mas afetará muito pouco a consciência e a realização
geral do mago, posteriormente, em sua carreira mágica. Por, pelo menos, os dois ou três
anos iniciais, dependendo da aptidão do estudante, o foco deveria ser colocado no
treinamento da mente, do corpo material, e do corpo astral para a verdadeira execução
da magia. Uma vez que o estudante se preparou dessa maneira, e criou uma excelente
base em sua consciência, então ele pode continuar, a fim de compreender e apreciar
totalmente o poder de tal conhecimento e do simbolismo oculto.
A razão pela qual esses autores, embora não intencionalmente, cobriram o
mundo ocultista ocidental em filosofia, é a de que eles nunca receberam o treinamento
correto que deveria dá-los a base da experiência espiritual autêntica. Eles serviam como
enciclopédias que regurgitavam o que eles foram ensinados. Juntos, eles criaram uma
imagem contraprodutiva de que a prática diária não era necessária para se tornar um
adepto. Eles se referiam a pessoas que nem tinham conquistado suas emoções primitivas
e desejos como adeptos! Desse modo, eles baixaram muito o nível para as gerações
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seguintes, que seriam forçadas a olhar os ensinamentos dessas pessoass se quisessem
saber alguma coisa sobre magia. Agora que o nível está tão baixo, as pessoas em geral são
incapazes de alcançar grandeza espiritual. Portanto, esse nível deve ser elevado
novamente, certo?
O que exatamente essas ordens estão fazendo de errado? Seus dois problemas
principais foram que eles tentaram ensinar aos iniciados a correr antes de mostrá-los
como engatinhar e andar, e eles não incluíram o desenvolvimento do caráter como parte
de seu treinamento. O aspirante egoísta, glutão, e de pavio curto, entraria na ordem
como neófito, e sairia como um “adepto” ainda contendo essas falhas de caráter. Eles são
todos capazes de pequenos feitos de magia, e pelo fato de o nível ser baixo, pensam que
são adeptos.
Muitas vezes o aspirante começaria a trabalhar com ritual e forças espirituais
muito antes de ter aprendido a como sensibilizar seu corpo astral ou desenvolver suas
faculdades mágicas. Através de repetição contínua, alguma proficiência poderia ser
alcançada, talvez algumas pancadas fantasmais durante uma evocação ou coisa do tipo,
mas o resto de seu ser nunca era desenvolvido. O caminho para a evocação deveria ser
um caminho longo e frutífero, que preparasse o estudante de modo que, pela primeira
vez que ele execute um ritual, ele receba a total experiência, por causa de seu treinamento
e as faculdades que ele já desenvolveu. Pessoas que entram na sala ritual para evocar sem
tal treinamento estão apenas enganando a si mesmas. Elas irão, é claro, ser as primeiras
a lhe contar que são magos bem-sucedidos, e que elas conversam regularmente com esse
ou aquele espírito. Eles dirão que “sentiram” isso ou aquilo, ou receberam essa ou aquela
“impressão”, e desse modo “sabiam” que um espírito estava presente. Deixe essas
pessoas continuarem desse modo em suas práticas. Na verdade, o que você pode
experimentar em uma evocação real não são “sensações” ou “impressões”, mas
fenômenos muito reais!
Quantos aspirantes perdidos pensam que executar o Ritual Menor do
Pentagrama cem vezes por dia os levará às alturas espirituais? Até mesmo o mago
aspirante que medita somente 10 minutos por dia para controle e foco mental fará um
progresso em um ano que o outro estudante fará em cinquenta!
A Segunda Razão
Manuscritos originais Sobrestimados
Um número das ordens populares que surgiram no século 19 estilizou uma parte
de suas práticas e rituais, baseando-se em coisas que não continham, na verdade, o valor
atribuído a elas. Desses manuscritos, talvez aquele que foi mais usado (e abusado) foi o
Livro Egípcio dos Mortos. Embora seja uma bela série de rituais e de invocações, os
fundadores de uma pretensa ordem oculta não deveriam precisar de se basear em antigos
pergaminhos empoeirados e da interpretação de seus hieróglifos para serem capazes de
ensinar magia! Se a fonte deles para muitas de suas práticas e filosofias vem de tais
coisas, então isso só serve para demonstrar que eles não tinham experiência prática real
através da qual organizavam seus ensinamentos, e não eram treinados por adeptos
verdadeiros que podiam iniciá-los numa linha de sucessão de mestre e discípulo.
Simplesmente o fato de se ler algo que está disponível num Museu de História Egípcia
nunca poderia ser o suficiente para permitir que alguém iniciasse uma ordem ocultista.
O Livro Egípcio dos Mortos não foi a única coisa atacada pela ignorância dos
autoproclamados adeptos, no entanto. Sua hostilidade os levou também ao coração de
Jerusalém, onde eles se uniram, com suas facas, para despejar terror sobre a Cabala.
Usando dois ou três textos hebraicos pobremente traduzidos, eles presumiram ter diante
deles informação cabalística suficiente para uma compreensão do sistema inteiro. Assim
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sendo, eles roubaram uma pequena parte desse sistema glorioso de misticismo e a
levaram de volta a suas ordens, onde eles tentaram ao máximo fazer com que um
fragmento se parecesse com algo completo.
A Cabala ocidental moderna, frequentemente chamada de Cabala Rosacruz
(erradamente), se tornou apenas uma fina camada de manteiga espalhada em muito pão.
Interpretações e mais interpretações bombardearam o sistema, e o tornaram
inteiramente sujeito aos caprichos filosóficos de intelectuais e estudantes de simbolismo.
Agora, reconhecidamente, a beleza da Cabala é a de que ela é um sistema universal, cuja
ideia pode ser aplicada fora do esquema judaico. Porém, tudo deve ter seus limites
razoáveis, e esses limites foram ultrapassados há muito tempo atrás pela maioria dos
autores desse assunto. Se você quiser relacionar a esse esquema os deuses de outras
religiões, os nomes divinos judaicos, plantas, animais, ações, planetas etc, tudo bem com
isso, mas essas relações deveriam fazer ao menos sentido!
A mais infeliz destruição da Cabala não ocorreu em relação ao simbolismo
empregado ou a seu papel como um método de categorização conveniente. Embora essas
duas coisas tenham saído do controle, elas não são a jóia da Cabala. A jóia, o verdadeiro
tesouro, é sua real aplicação prática na ciência da magia. Essa jóia tem sido quase
inteiramente esquecida por ordens modernas e autores, que proclamam que a aplicação
prática da Cabala reside somente em se conhecer quais nomes divinos ou cartas de tarô
correspondem a quais sephiroth e a quais caminhos. Esse é um dos usos da Cabala, mas
não é a verdadeira essência da Cabala prática posta em execução. Em sua raiz, anterior a
todas as culturas, num nível muito mais profundo do que qualquer associação religiosa, a
Cabala é uma bela síntese de forma, de som e de virtude. Isso pode ser dito de outra
maneira, ao se afirmar que a Cabala combina, numa maneira prática, os três pilares
primários de quantidade, vibração e qualidade. Isso se torna aplicado tangivelmente
como luz, som e vibração. Quando isso é compreendido pelo iniciado, então, muitas
portas são abertas a ele, e o uso prático da Cabala é entendido. Então, em vez de passar
horas num devaneio espiritual, tentando fazer “pathworking” de uma esfera para outra, o
adepto consegue absorver praticamente as autoridades e poderes daquela esfera e
conquistá-los diretamente, de uma maneira mágica. Não apenas tal abordagem é muito
mais eficiente, mas, por causa do maior número de habilidades conseguidas, artigos de
sabedoria que se tornam compreensíveis, e por causa de mais trabalho meticuloso em
todos os três reinos, é, dessa maneira, uma experiência mais significativa. Passar tempo
se contemplando os símbolos de uma esfera pode ser uma prática útil, mas torná-la o
curso principal é um erro. A consciência se expande mais quando todo o ser se torna
imergido nas energias através de suas utilizações, não apenas através de sua
contemplação.
A Cabala e sua aplicação apropriada devem ser, necessariamente, reservadas
para um trabalho posterior em minha vida, mas é importante para o estudante sincero da
magia de hoje compreender que uma das pedras angulares da magia ocidental moderna
foi enormemente corrompida, e que ela não é tudo que as pessoas tentam fazê-la parecer.
É meu conselho ao aspirante, se ele deseja aprender a Cabala, que espere até que um
professor apropriado seja conseguido. Deixo que o estudante avançado contemple, nesse
meio tempo, o significado da sabedoria de Poimandres a Hermes Trismegisto, quando ele
disse, “A vida é união da palavra e mente.” O estudante que consegue entender isso, mais
especialmente em conexão à formula Abracadabra, começará a pegar a essência da
Cabala prática.
Portanto, acontece que os fundadores das ordens mágicas eram, simplesmente,
intelectuais. No início, eles só eram mais avançados que o homem comum, em vista de
sua compreensão superior de linguística e sua vontade de visitar frequentemente os
museus. Por causa de sua habilidade de apenas traduzir, não por sua proeza mágica, tais
homens eram tratados como adeptos. Embora houvesse alguns raros, como MacGregor
Mathers, que eventualmente se tornou um adepto por um curto tempo, em essência, a
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maioria deles era simplesmente de intelectuais. Intelectuais podem treinar intelectuais,
mas eles não têm nem uma ideia de como criar magos.
A Terceira Razão
A Corrupção da Magia para a Realização de Desejos Pessoais
Quando se folheia livros sobre espiritualidade, e até livros que, supostamente,
ensinam a evolução espiritual, descobre-se que a maioria dos ensinamentos espirituais se
adequou à satisfação de paixões e desejos mundanos. Ironia peculiar, porque o indivíduo
iluminado compreende que essas duas coisas (evolução espiritual e desejos materiais)
não podem vir juntos, porque um é contraprodutivo à consumação do outro. Eu não
consigo deixar de rir alto ao ler títulos tais como “Tornando-se um Mestre Ascencionado:
Como Materializar Todos os Seus Desejos”. Seria igual a intitular um livro de “Tornando-
se Elevado: Como ser Inferior.”
A poluição da tecnologia espiritual foi uma inevitabilidade quando alguns
relances das leis espirituais foram obtidos pelas massas indisciplinadas. O homem
normal, abatido pela tristeza, procura um caminho fácil de sair dela, e erradamente
acredita que ele encontrou a alegria dentro dos salões da espiritualidade. Realmente,
nada poderia ser mais distante da verdade. Essas pessoas, desejando modos de
alcançarem facilmente todos os seus desejos mundanos e terem sucesso, glória, honra,
riquezas etc, se trancam ao pequeno número de leis espirituais que foi publicado, nas
esperanças de usá-las para seus próprios fins egoísticos. Eles lêem um livro que discute
alguns dos pequenos mistérios, e então corrompem essas chaves para fins egoísticos. Se
eles tiverem algum sucesso, eles ficam cheios de excitação e, ansiosamente, escrevem
livros ou criam websites que pregam os bons ensinamentos do egoísmo. Desse modo, em
apenas poucas décadas, a vasta maioria de livros “ocultistas” se tornou livros que
prometem ao homem fraco e egoísta um caminho fácil, ao se usar leis ocultas básicas
para abastecerem seu animalismo. As pérolas foram jogadas aos porcos, e, tão certo
quanto o sol deva nascer e se pôr novamente, também os porcos pisaram sobre essas
pérolas, aprofundando-as na lama.
Muito mais perigosos do que o homem de negócios ambicioso desejando modos
de aumentar seu portfólio, ou do que aquelas pessoas em sofrimento que procuram por
um modo fácil de sair dele, são aqueles que perseguem seriamente a magia prática e
ainda assim a corrompem numa arte egoística. Eles proclamam, ignorantemente, “A
Magia é uma ferramenta do homem, e deixemos o homem usá-la para conseguir tudo
que ele deseja!”. Eles gritam orgulhosamente, “Faça como quiser, tudo é caos mesmo, e
não existem repercussões negativas”. Tais pessoas cegaram a si mesmas a até a mais
básica das operações, observada até na própria natureza. Elas são tão cegas, contudo, que
nem percebem que suas “realizações” não são realmente mágicas. Elas são egoístas e
egoísticas, e, realmente, executam apenas truques de salão. Elas ficam tão presas em suas
ilusões de sucesso por terem sido capazes de ganhar um aumento de salário ou seduzir
alguém que não percebem quão fracos e inferiores esses pequenos truques são. Quando
essas pessoas, iludidas como são, passam para os mundos espirituais depois da morte
física, eles percebem imediatamente o tempo que gastaram, e depois de servirem o seu
tempo, voltam ao mundo para levarem uma vida mais frutífera. Por eles nunca terem
buscado uma realização imortal, e não “construíram seu tesouro no céu”, eles não estão
mais distantes no caminho supremo do que o homem mediano. Esse é um ponto
importante, que todosaqui deveriam dedicar à memória: você NÃO CARREGA poderes
mágicos com você para a sua próxima encarnação. Até que você alcance henosis, que é a
deificação e a imortalidade do corpo astral, a única coisa que continuará a crescer e
expandir, de uma vida a outra, é a sua consciência. Isso irá, naturalmente, carregar
algumas siddhis, que são poderes inerentes, mas não os frutos de uma grande parte de
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seu treinamento mágico. O corpo astral cresce e evolui de uma vida a outra, como
resultado de treinamento mágico, e discutiremos isso mais no futuro.
Por causa da obsessão com os pequenos mistérios, que podem ser aprendidos até
antes de alguém ter alcançado um caráter iluminado, as pessoas se tornaram satisfeitas
com o aperitivo e esqueceram até que a entrada principal exista. O resultado disso é que
o termo “magia” tomou um significado ambíguo, que nunca pretendeu de ter: na mão
esquerda, refere-se simplesmente à mudança de acordo com a vontade, e, na mão direita,
significa a perseguição da evolução espiritual. Se o mundo fosse um lugar bom e o último
significado de magia o mais bem conhecido, todos compreenderiam que a magia é uma
maneira de se buscar Deus. Esse não é o caso, contudo, e o mundo é um lugar
predominantemente egoístico. Assim, a mais comum compreensão do quê magia
significa é fenomenalmente egoísta e corrompida. Através da graça de Deus, o século por
vir verá uma evolução acontecer dentro do mundo da magia, no qual esse grande e
glorioso caminho será exaltado à sua altura correta em seu mérito espiritual.
A Quarta Razão
Preguiça
Na medida em que a tecnologia avança e o mundo material se torna mais e mais
uma parte do ser de alguém, as pessoas têm se tornado mais e mais preguiçosas. A
preguiça, é claro, é um instinto diretamente conectado ao egoísmo, o qual vimos acima
como um desejo dominante no modo com o qual as pessoas abordam a magia. Assim, a
preguiça também é inerente na maioria das abordagens das pessoas à magia.
Hoje, as pessoas se acostumaram a ter tudo em suas mãos. O sucesso se tornou
definido como se fazer o mínimo possível para alcançar alguma coisa. Pessoas ao redor
do mundo, todos os dias, prefeririam passar dez minutos em busca de um controle
remoto do que levantarem e ligarem ou desligarem a televisão em poucos segundos de
esforço físico. Essas pessoas abordam a magia do mesmo modo. Querem saber onde o
controle remoto para a evolução espiritual está, de modo que eles possam se ligar em
Samadhi quando não estão muito ocupados para Deus, e então o desligam novamente
quando eles têm coisas “melhores” para fazer. Do mesmo modo que se procura por um
controle remoto, eles gastarão uma hora numa livraria procurando por um livro “torne-
se um mago rapidamente”, quando o fato de se gastar até mesmo dez minutos daquela
hora em meditação teria sido muito mais benéfico.
A profundidade do egoísmo da pessoa comum nunca cessa de me impressionar.
Eu falo a eles sobre magia, e sobre se procurar Deus e evolução espiritual, e eles desistem
porque soa como “muito trabalhoso”. As mesmas pessoas que não jogarão nem dez
dólares para um dízimo também não darão a Deus nem dez minutos de seu dia. “Eu dou
a Ele uma hora por semana todo domingo”, dizem para si mesmos. “Se isso não é bom o
bastante para Ele, Ele precisa superar isso. Eu estou ocupado.”
A falta de habilidade de se perturbar a rotina usual de preguiça por até poucos
minutos, por Deus, é precisamente o que muitos autores e os chamados professores
pregam hoje. Eles ganham centenas de milhares de dólares ao escreverem livros
especificamente criados para esse tipo de pessoa, dizendo a ela “É normal ser
preguiçoso”. Nos olhos desse autor, é claro que é normal. Essas pessoas irão torná-lo
rico!
Formas de magia que estão surgindo hoje estão refletindo essa preguiça. As
pessoas estão tentando convencer outras de que a magia pode ser um esporte de um tipo
fácil, e que tudo estará bem. O que eles estão ganhando? Eles estão convencendo pessoas
de que magia não é real, porque, depois de tentarem essas tentativas preguiçosas e não
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verem nenhum resultado, proclamam que, uma vez, tentaram fazer magia e descobriram
que era tudo mentira. Nunca diriam que talvez eles só estivessem sendo preguiçosos. O
homem comum se levanta orgulhosamente e grita, “Eu, com certeza, não sou o
problema!”.
Não espere ter uma boa colheita sem primeiro trabalhar o solo e cultivar as
plantas com cuidado. Não espere ter uma boa refeição sem primeiro cozinhá-la. Não
espere chegar a um lugar distante sem viajar até lá. O universo não é mau; mas ele não
atenderá à sua egoística letargia.
A Quinta Razão
Egomania
A quinta razão que eu observei como fonte dos problemas de hoje na magia, é a
egomania geral que infesta o mundo ocidental. No mundo de hoje, somos
constantemente ensinados a sermos individuais, que ser único é o sonho humano, que
você é especial e diferente de todo mundo, e que tudo isso é bom e verdadeiro.
Infelizmente, o incorreto nessas autoafirmações é uma ligação fenomenalmente
resistente à falsa percepção de quem se é. As pessoas se tornaram absolutamente
investidas em suas cascas de ego que permeiam a parte mais externa de sua
personalidade, e a defendem selvagemente.
Um dos medos mais comuns que as pessoas têm no que diz respeito à evolução
espiritual é a perda de autoidentidade. Esse medo é baseado sobre duas percepções
inteiramente falsas: a falsa percepção do que a iluminação é, e a falsa percepção de si
mesmo. Quando esses dois se unem, um medo intrínseco surge, colocando muralhas
entre a mente e a ideia de realização espiritual. Em algum ponto, as pessoas colocaram
em suas cabeças que a destruição do ego é a destruição de sua personalidade, de seu
caráter, e isso é, simplesmente, não verdadeiro. É, na realidade, simplesmente, a
purificação do seu caráter, de modo que se eliminem os vícios e defeitos maiores,
removendo-se assim o desequilíbrio espiritual. O problema real surge quando alguém é
tão defensivo de sua personalidade que defenderá até mesmo seus vícios. Eles dirão
coisas como “Claro, eu sou um mentiroso crônico, mas isso é quem eu sou, é assim que
Deus me fez”. Tal ideia é inteiramente sem fundamento. Você não é um mentiroso
crônico, porque, em sua essência, você é Deus. Apenas sua casca de ego mais externa é
mentirosa, e não foi porque Deus o fez, mas por causa de suas ações que você,
conscientemente, escolheu perseguir. Contudo, as pessoas não aceitarão isso.
Isso cai novamente no quarto problema, o da preguiça. As pessoas desejam tudo
por nada, ou, se elas investem dez dólares, querem instantaneamente cem dólares de
volta. Elas não acreditam que um relacionamento com Deus é um relacionamento
recíproco, mas sim que é um relacionamento de “servidão”, onde Deus dá tudo, enquanto
nós recebemos. Não funciona dessa maneira; nunca funcionou, nunca funcionará. Deus é
um pai melhor que isso. Infelizmente, as pessoas prefeririam se apegar a seus vícios do
que oferecerem seus aspectos negativos ao fogo alquímico para que sejam destruídos. A
uma pessoa assim, o “ser único” é sempre mais importante que a Divindade. Existe
esperança para tal pessoa? Você não pode ajudar alguém que não ajuda a si mesmo.
A falta de desejo de se sacrificar as falhas pecaminosas de caráter resultou não
apenas na corrupção da magia, mas contribuiu grandemente à queda de um grande
número de ordens ocultistas. No campo geral da magia, autores não treinados, que não
são mais maduros do que uma criancinha de um ponto de vista mágico estão lançando
livros que são absolutamente corrompidos por suas falhas pessoais. No campo das
ordens ocultistas, os “adeptos superiores” são ainda crianças egoístas que tramarãovários dramas dentro da ordem, normalmente a fim de abolirem a autoridade do Grão-
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Mestre, de modo que possam competir com esse poder. Uma ordem ocultista genuína
consiste de adeptos que ultrapassaram tais simples preocupações, e que nunca tentarão
se elevar para prejudicar outras pessoas ou ao risco de prejudicarem um bem maior.
Quando pessoas são permitidas a carregarem todas as suas falhas mundanas para uma
posição de, supostamente, autoridade divina, o caos deve, necessariamente, resultar.
Precisa-se meramente olhar a história do Papa para ver as evidências.
Deveria ser suficiente, nesse meio tempo, enfatizar que aspirantes nunca são
postos em algum programa de lavagem cerebral que faz com que eles pensem e ajam de
um modo determinado. Isso não poderia ser mais verdadeiro. Cada pessoa tem uma
personalidade absolutamente única, e essa personalidade é uma expressão muito real do
próprio Deus. Desse modo, todos são um avatar, uma manifestação de uma
Personalidade Divina. A diferença entre uma pessoa comum e um santo realizado,
porém, é a de que a pessoa comum turvou e sujou sua personalidade divina com uma
lama imunda, enquanto o santo realizado poliu sua alma de modo que sua verdadeira
personalidade pudesse brilhar. Você não é quem pensa que é! As pessoas acreditam que
são tão velhas quanto seus corpos físicos, mas, na verdade, você é muito mais velho. Pelo
fato de que a única personalidade que você pode lembrar é aquela em seu presente corpo,
que tem apenas alguns anos de idade, você pensa que é você. A verdade é que você tem
uma personalidade universal, uma personalidade muito única, sendo a única expressão
total de Deus em essa forma exata, que esteve por aí por muito mais tempo do que o seu
corpo. Deslocar a sua identidade de si mesmo da falsa percepção de seu corpo, para o
supremo local de sua alma, é a meta da Grande Obra, a Verdadeira Alquimia. Para fazer
isso, você deve remover gradualmente a lama que se acumulou como um grosso muco
sobre sua alma, de modo que você se torne o você verdadeiro, em vez de esse você mortal
e temporário. A personalidade que você tem neste momento tem todas as virtudes
positivas da sua alma, mas você adicionou a elas os vários vícios e defeitos que você
adquiriu nesta e nas últimas encarnações. A sua personalidade pode ser vista como uma
parede cheia de buracos. A luz que brilha através desses buracos é sua personalidade
real, enquanto o resto da parede é a imundície e o muco com o qual você se cobriu. A
meta da sublimação pessoal é fazer com que o seu inteiro ser brilhe com pura luz.
Isso é, como muitos assuntos do oculto são, uma coisa difícil de ser explicada se
usando a linguagem humana. Até com a explicação acima, será difícil, até para os mais
inteligentes leitores, absorverem exatamente o que eu estou tentando dizer, até se
pensam que compreendem. É algo que deve ser experimentado individualmente para
saber, e, portanto, eu evitarei qualquer discussão compreensiva sobre isso.
A Sexta Razão
A Destruição da Sucessão de Mestre e Discípulo
A sexta maior razão para o deplorável estado da magia moderna é a destruição de
uma linha de sucessão entre o guru e chela, mestre e discípulo. Quanto mais pessoas
lançaram vários livros contendo os Pequenos Mistérios, mais pessoas começaram a,
lentamente, substituir o mestre pela estante. Eles colocam em suas cabeças que, desde
que consigam ler muito, nunca precisarão de um professor. Não é preciso dizer que essa
abordagem raramente encontra sucesso. Por razões que já foram clarificadas, a vasta
maioria dos livros de hoje é quase inteiramente inútil para alguém que esteja procurando
por um meio prático e eficiente de autoavanço. Seu conhecimento pode crescer, mas sua
alma normalmente não.
Uma razão para essa substituição, que deveria agora ser óbvia ao leitor, é o fato
de que as pessoas hoje simplesmente não gostam da ideia de um professor, de um guru.
Um mentor é, às vezes, bem recebido, mas apenas sob a exigência de que o mentor não
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seja saudado com muita apreciação, e a de que ele possa ser facilmente afastado. O ego
da maioria das pessoas as leva a odiar a ideia de serem subservientes a um verdadeiro
professor, por até mesmo pouco tempo, para assegurarem sua evolução espiritual. Isso as
faria sentir menos sagradas que o guru, o que, de fato, elas são, e isso machucaria demais
os seus egos. Dessa forma, elas não tolerarão isso.
Isso tudo fez com que muitos autores de hoje não tenham recebido treinamento
legítimo de um professor verdadeiro. O conhecimento que eles apresentam em seus
livros é, simplesmente, a mesma informação reprocessada que qualquer um poderia
armazenar com tempo suficiente numa biblioteca, e eles, portanto, não se tornaram
melhores que seus predecessores uma centena de anos atrás, os quais pensavam ser
adeptos simplesmente por causa de sua habilidade de compilar a informação disponível.
Tais autores, assim, começaram uma tendência que infectará totalmente os autores do
amanhã, e, dessa maneira, solidificará essa tendência infeliz e autodestrutiva. Eu rezo
seriamente para que, no futuro, mais adeptos que tenham passado por treinamento real
nas mãos de um professor treinado dêem um passo à frente e passem os ensinamentos de
seus mestres para o mundo. Até se isso acontecesse, cada livro deveria dizer dentro de
suas páginas o que eu estou precisamente para dizer: embora o conhecimento ajude e
ilumine a mente, a iluminação da alma deve ser recebida de um bom professor.
Por que você não pode fazer tudo sozinho? Por que você não pode ser aquele
“lobo solitário” sobre o qual você ouviu falar? Aquele lobo solitário e durão que nunca
precisa da ajuda de ninguém? Supere você mesmo. Você não pode fazer isso sozinho
porque você nem sabe o que fazer ou onde começar, e se você soubesse, você não
entenderia como fazê-lo mesmo assim. Se você pode derrotar o seu ego o suficiente para
admitir isso, então você pode ainda ter esperança para o Reino de Deus. Se não, então
você está muito mais interessado em si mesmo do que em Deus. Um livro pode sugerir
lugares para começar, pode fornecer fórmulas e técnicas práticas (embora poucos, muito
poucos o fazem) e podem até suprir uma rotina de treinamento completa. Até se você
tenha esses livros memorizados, a quem você se voltaria quando um obstáculo surgisse
que você não pudesse superar intelectual ou espiritualmente? Se você, embora com
treinamento rigoroso, não visse resultados, como adivinharia o porquê disso? De qual
lugar você receberia a informação que nunca foi antes publicada? Além disso, você seria
forçado a aceitar a legitimidade de qualquer sistema de treinamento ou séries de
informação, baseado inteiramente sobre a sua própria crença. Quando você tem um bom
professor que está lhe iniciando diretamente, numa linha de mestre e discípulo, na magia
genuína, então você tem alguém para se referir como um modelo e um exemplo. Você
consegue ver quão efetiva essa abordagem à magia é, toda vez que você vê o seu
professor. Através das ações dele, você pode decidir se o sistema é válido ou não. Dessa
forma, o professor destruirá níveis de dúvida que, frequentemente, infectam pessoas que
se submetem ao que agora é popularmente chamado de “autoiniciação”.
Neste ponto, nós dificilmente poderíamos continuar sem uma rápida
consideração de uma jóia em particular, o livro O Caminho do Adepto, pelo Mestre
Arion, Grande Iniciador Rosacruz, o S.F.C.R. (Sagrado Frater Christian Rosencreutz),
que vocês conhecem pelo nome de Franz Bardon. Essa grande alma, um dos doze
maiores adeptos mestres na inteira Fraternidade Branca, que governa particularmente
sobre a iniciação, veio ao mundo em total Nirvikalpa Samadhi, na glóriade seu corpo
astral imortal, por toda a humanidade. Houve um grande sacrifício nisto.
Urgaya o invocou e ordenou que, enquanto estivesse aqui, ele lançasse ao mundo
os primeiros três dos vinte e dois estágios de iniciação da Fraternidade Branca. Ele o fez,
mas, do mesmo modo que Veos e eu fizemos, ele suavizou o sistema consideravelmente,
para alcançar e ajudar o maior número possível de pessoas, enquanto tomava como
estudantes pessoais aqueles poucos que estavam prontos para os ensinamentos mais
sérios. O resultado desse serviço altruísta foram os três livros que ele escreveu, que foram
feitos para levar o estudante até o ponto em que ele atraia um mestre espiritual que o
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inicie nos Grandes Mistérios. Embora essa trilogia seja excelente, particularmente seu
primeiro livro, O Caminho do Adepto, eles ainda contém todas as inibições que um livro
traz. Você não pode perguntar questões ao livro, não pode receber experiências
espirituais dele, não pode chorar nos seus ombros quando o mundo parece ter se voltado
contra você. O livro não irá assumir o seu karma para te ajudar, não limpará suas nadis e
trabalhar nos seus chakras, não imergirá você, amavelmente, em sua própria aura. Acima
de tudo, não servirá como um canal de mediação entre sua Kundalini pequena e a
Kundalini Cósmica superior.
É minha convicção, baseada na experiência, que existe somente um tipo de
pessoa que pode se submeter à autoiniciação com sucesso sem nunca ter tido um
professor. Deve ser um adepto reencarnado que está simplesmente recapitulando seu
desenvolvimento mágico de vidas passadas. Para tal pessoa, na medida em que ele
aprende até apenas técnicas básicas, suas memórias mágicas começarão a, quietamente,
voltar a ele, na forma de intuição acurada sobre como certas coisas deveriam ser
executadas. Essa intuição mágica guiará suas ações, e sua alma guiará a consciência aos
lugares corretos. Essa pessoa não precisa de um professor. Porém, a um tempo atrás ele
certamente teve um, e se não tivesse sido pelo professor, ele nunca teria se tornado o
adepto que se tornou.
A Sétima Razão
A Remoção de Deus da Situação
Na medida em que o mundo se torna, gradualmente, mais materialista, uma
escuridão começa a envolver o intelecto de pessoas inteligentes. É um tipo de doença que
dá a uma pessoa cegueira e a torna surda; de fato, deixa-a quase completamente
insensível a qualquer estímulo. O nome dessa aflição, que paralisa e torna mudos todos
os três corpos, é chamado Ateísmo. Quando algumas pessoas são afligidas por ele,
tornam-se totalmente desafiantes contra todos os impulsos espirituais que sugiram a
existência de Deus. Eles são uma ninhada de pessoas peculiar, sendo ignorantes ao grau
de se tornarem engraçados aos olhos do iniciado.
Existe uma ninhada particular de ateístas que é mais divertida que todas as
outras. É uma ninhada relativamente nova, que apareceu apenas neste século passado.
Esse tipo de pessoa é um ateísta que acredita que fenômenos espirituais são, na verdade,
fenômenos físicos num nível altamente refinado, e dessa forma buscam explicações para
as coisas espirituais. Eles não negarão que as energias dos elementos, por exemplo,
existem. Eles simplesmente pensarão em alguma teoria absurda e estúpida de como
essas energias são apenas divisões de uma substância mental física, mas enormemente
refinada, e que suas qualidades atribuídas são algum tipo de ilusão. Eles dirão que
espíritos são as expressões externas de arquétipos subconscientes na psique, e sugerem
que, quando eles são conjurados à aparência visível, tudo que está ocorrendo é
autohipnotismo. Essa estranha espécie de pessoa fará tudo pelo motivo de ser capaz de
sugerir que Deus não existe, que mundos espirituais não são reais, que não existe alma,
etc, etc.
É óbvio ao iniciado que qualquer pessoa que se submeta ao treinamento
adequado possa provar a si mesma além de qualquer possibilidade de dúvida que
espíritos não são arquétipos pessoais, que mundos espirituais existem, que existem
energias externas diferenciadas, que a alma é real e imortal, e que Deus é uma verdade
eterna. Qualquer pessoa que sugere ao contrário está fazendo-o do ponto de vista da
teoria e especulação somente, e não tem base prática na magia. Embora o iniciado
devesse sempre mostrar respeito sobre a opinião da outra pessoa, de modo a não causar
conflito imediato e desconforto, ele não deveria permitir ser persuadido por tais
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argumentos. Frequentemente, essas pessoas são ótimas em argumentar e debater, mas
não podem fazer quase nada a esse respeito com magia verdadeira. Dessa forma, deixe-os
falarem a si mesmos enquanto você quietamente volta a sua mente à meditação sagrada.
Isso precisa que consideremos um ponto importante, contudo. Apenas você, no
fim, pode provar a si mesmo a realidade de todas essas coisas. Apesar de todos os meus
poderes e siddhis, eu não posso fazê-lo. A mente animal duvidará da sua escolha de
perseguir esse caminho a cada virada, e, acima de tudo, também tentará me fazer
duvidar, não importa o que eu faça. Alguns exemplos podem ilustrar bem este ponto. Ano
passado, quando eu estava morando com um grupo de oito aprendizes (com mais cinco
visitando regularmente) num belo lote de 5 acres firmado entre árvores e invisível a
todos os vizinhos ou à estrada, uma grande tempestade apareceu sobre nós. O vento
uivava ferozmente, a chuva parou por um momento, e, então, no pátio próximo a nós, um
tornado começou a descer. Os aprendizes, até Veos (até hoje eu brinco com ele sobre
isso!) ficaram muito assustados. Na verdade, eu estaria assustado também, apesar da
minha confiança para lidar com a situação, se eu não tivesse aberto meus olhos de uma
maravilhosa hora de meditação profunda no momento em que o tornado começou a
surgir. A mim, naquele estado elevado de felicidade, o tornado era apenas uma
demonstração da natureza para ser amada e reverenciada. Apesar disso, eu me esforcei o
suficiente para me convencer de que o tornado, tão próximo à casa, era uma coisa ruim.
Eu me coloquei na direção da tempestade, com Veos ao meu lado e ajudando, e nós dois
elevamos o tornado de volta ao céu e redirigimos a direção da tempestade para longe da
casa. Isso foi feito com todos os estudantes assistindo. Em outra ocasião, apenas quatro
semanas antes, eu usei um sigilo para criar uma chama sólida e negra no coração de um
grande fogo ritual que todos viram e cuja realidade de sua presença atestaram. No
momento em que começou a chover, por ele ser um importante ritual do fogo, eu chamei
um espírito que me serve para nos proteger da chuva. A chuva parou, mas os estudantes
logo notaram que estava chovendo em todos os lugares da propriedade, menos no lugar
onde estávamos!
Eu estou relembrando essas coisas não para glorificar a mim mesmo, mas para
ajudar a ilustrar este assunto. Embora eu demonstrasse essas aparentemente
“maravilhosas” ocorrências, sem pouco esforço meu, eu rudemente exibia a magia aos
meus estudantes como um prêmio por sua devoção duradoura aos meus ensinamentos,
e, mesmo assim, essas coisas não preveniam suas mentes de, às vezes, duvidar que magia
não existia. Pouco menos de um mês depois do incidente com o tornado, um dos meus
estudantes melancolicamente veio a mim e confessou que ele estava tendo de lutar com a
dúvida, porque ele nunca tinha visto antes um poder mágico. Numa classe do Veritas
quatro anos atrás, eu tive um estudante para o qual, um dia, eu mandei uma mensagem e
informei que ele estava desenvolvendo uma infecção de sinus. Sendo alguém que duvida
por natureza, ele decidiu não tomar nenhum remédio. Quatro dias depois, ele pegou uma
infecção de sinus, e, num instante, eu o curei da infecção completamente.Eu não
consegui mais informações desse estudante, que terminou aquela classe como um
estudante de magia muito devotado, por um longo tempo depois que a classe terminou.
Eu descobri, poucos meses atrás, que, pouco depois da minha classe terminar, ele decidiu
que eu era uma fraude e um mentiroso, e que eu não tinha habilidade mágica ou
consciência elevada, e que ele estava convencido de que magia em si pudesse nem ser
real.
Essas, e outras experiências parecidas, me convenceram de que não é o dever do
professor fazer o estudante acreditar em magia, e, realmente, que o professor não é capaz
de fazê-lo, não importa quais habilidades ele possa ter demonstrado. No final, a última
evidência convincente que o estudante será capaz de usar para conquistar a dúvida de
seu ser inferior é a evidência que surge de suas próprias práticas continuadas, as
recompensas de sua fé douradoura em seu caminho.
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Mas, voltando ao assunto à mão, é uma grande má sorte ao mundo dos
aspirantes sinceros que esses mesmos ateístas estão realmente se juntando para formar
sistemas de “magia” juntos, embora esses, na realidade, sejam feitiçaria astral no
máximo. Ao fazê-lo, eles estão apelando aos lados animalistas e mundanos da
consciência do ego que governa sobre os não iniciados antes de alma ter uma chance de
se agarrar a algo significativo. Por tais sistemas de feitiçaria não terem nenhuma ênfase
real na moral, por eles não terem ideia nenhuma de Deus ou de avanço espiritual, as
pessoas estão se unindo para achar uma desculpa para praticar o que eles pensam que é
magia sem ter de desistir de seus modos pecaminosos de viver. Tais pessoas adoram se
ostentar, dizendo “Eu descobri que magia é tão efetiva sem o componente espiritual
desnecessário”. Eu juro a todos vocês, pelo meu grande amor por essa ciência, que, nos
meus anos de magia, eu nunca encontrei, nunca mesmo, nenhum estudante dessa escola
de feitiçaria que poderia produzir até a mais simples das demonstrações mágicas. Eu
nunca descobri um estudante dessa escola que possuísse alguma das faculdades mágicas
a um grau demonstrável ou talvez significativo. Por quê? Porque eles estão praticando
ideias, não verdades. Eles estão tentando fazer com que o universo satisfaça os seus
próprios desejos egoísticos, em vez de quererem sacrificar qualquer coisa que seja para se
tornarem magos reais.
A Oitava Razão
Charlatãos
À luz de todas as razões previamente mencionadas, deveria se tornar óbvio que
charlatãos e fraudes naturalmente surgiriam. A falta quase total de iniciados verdadeiros
e adeptos conhecidos às pessoas comuns tornou impossível se comparar uma fraude
contra a coisa real. Os fraudadores, é claro, saberão isso, e usam isso ao seu favor. O fato
de que existam tantos enganadores que se tornaram muito bem-sucedidos não sugere em
momento algum que eles tenham alguma habilidade, mas, em vez disso, simplesmente
mostra o quão mal informada e enganada a pessoa comum é nesses assuntos.
Bem como fizeram no início dos anos 1900, médiuns começaram a ir e vir e a
escreverem pilhas de lixo para encherem as estantes das livrarias modernas. Essas
pessoas, que são normalmente tão boas em enganar a si mesmas quanto a enganar os
outros, lançam livro após livro. Eles escrevem centenas de páginas, e ainda, de alguma
forma, não dizem nada nelas. Eles citam seres espirituais como a fonte de sua sabedoria,
ou guias espirituais, ou animais totem, ou trevos de quatro folhas e tal nonsense. Embora
eu ainda não o tenha encontrado, eu estou certo de que exista um médium por aí que
alega receber instruções místicas de seu sanduíche de presunto. Não seria mais absurdo
que as alegações anteriores. Embora, é claro, uma vez, eu tive uma conversa muito
reveladora com uma garrafa de coca-cola, e um espírito decidiu, por uma razão qualquer,
falar comigo numa voz audível que até os não iniciados poderiam ter ouvido.
Se tais médiuns estão de fato conversando com seres espirituais, então esses
espíritos são muito misteriosos ou são muito estúpidos. Se esses médiuns estão
conversando com guias espirituais, eles devem estar precisando despedir seus guias e
encontrar novos. Em minhas experiências com seres espirituais, animais totem e guias
espirituais, nenhum deles era tão mal informado quanto os desses médiuns. Dessa
forma, podemos concluir que é muito provável que eles não estejam falando com
nenhum dos acima, mas, em vez disso, que eu estou terrivelmente enganado, e que todos
estão, na verdade, conversando com sanduíches de presunto. Se eles estivessem
conversando com garrafas de coca, então, baseado na experiência, eu seria levado a
acreditar que seus livros poderiam ter sido melhores.
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Nada disso implica que todos os médiuns são fraudes. É, porém, um infeliz fato
que a vasta maioria de fraudadores alegue ser médium, e, se o resto da comunidade de
bons médiuns não quiser ser associada com esses charlatãos, então eles deveriam
aparecer e lutar contra eles. Eu conheci vários bons médiuns em meu tempo, alguns
deles naturais e outros treinados, portanto, essas declarações, de modo algum, se aplicam
a esses tipos de pessoa. O leitor observador, porém, será capaz de fazer uma caminhada,
achar uma estante de New Age numa livraria popular e ser capaz de ver precisamente de
quais autores eu estou falando.
O grupo de médiuns impostores é apenas uma das duas maiores categorias de
fraudadores na comunidade ocultista. Para a pessoa firmada em pensamento racional e
com pelo menos alguma educação em literatura ocultista, os médiuns impostores são
comparativamente fáceis de serem reconhecidos. Embora eles agarrem um número
entristecedor de otimistas da New Age, os mais eruditos tendem a ficar longe deles. É,
portanto, minha opinião que o mais perigoso dos dois grupos não é o médium impostor,
mas o sim mago impostor.
O mago impostor é muito mais difícil de distinguir, e apenas alguém que é
firmemente enraizado na experiência prática pode descobrir o disfarce. Existem autores
que escrevem livros que fascinam seus leitores sobre simbolismo oculto, aparente
conhecimento da Cabala, algumas correspodências ocultas etc, e mostram isso como se a
experiência os tivesse levado a acreditar nessas coisas. Eu não estou falando aqui de
meros ocultistas. Um ocultista é um filósofo, portanto ele se preocupa com as várias
cosmogonias filosóficas, em vez de experimentar o lado prático da espiritualidade. Desse
modo, é perfeitamente normal para um ocultista falar num nível puramente intelectual,
igual ao filósofo. Não, eu não estou me referindo a esses autores, mas aos autores que
criam um véu de suposto conhecimento experimental. Essas pessoas são geralmente
indivíduos que aprenderam e, subsequentemente, praticaram apenas duas ou três
técnicas básicas, e, então, se consideraram a si mesmos grandes magos. Eles escrevem
livros sob esse propósito, e prescrevem ridículos regimes de treinamento para seus
leitores.
Tudo isso naturalmente resultou numa situação na qual pessoas que queiram
aprender magia, queiram comprar um livro e, por causa da probabilidade, pegarão um
livro escrito por um autor fraudulento. Percebendo como pessoas que são
completamente novas à magia não são tão sábias, elas acreditam em muito do que é dito,
e assim a corrupção começa. Muitos desses aspirantes promissores vieram à minha casa
por um curto tempo, e eu descobri que, depois de alguns anos de encherem suas mentes
com tal lixo, eles se tornaram ligados demais a esses mundos ilusórios para serem salvos
pela luz da experiência prática. Espero que, nas próximas vidas deles, suas almas levarão
suas mentes a buscarem algo mais elevado.
A Nona Razão
O Silêncio dos Adeptos
Durante o período do Renascimento,e por um tempo após, houve um número de
adeptos que escrevia. O advento do aparecimento público dos rosacruzes na Europa, por
um pouco tempo, gerou informação suficiente para os autores discutirem por muitos
anos. Pessoas como Paracelso, Agrippa e Francis Bacon forneceram suficientemente os
Pequenos Mistérios às pessoas. Autores rosacruzes como Francis Bacon promoviam a
iluminação intelectual das pessoas, como a Ordem Exterior Rosacruz (que
eventualmente gerou a Maçonaria), focada primariamente no avanço espiritual através
de conhecimento e de sabedoria em vez da prática. As práticas estavam presentes, mas
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eram normalmente ritualísticas e reservadas para dias especiais. Os exercícios mágicos
verdadeiros eram mantidos para o próximo nível de iniciados.
Autores como esses forneciam tanto uma vantagem quanto uma desvantagem.
De um lado, as pessoas estavam engajando suas mentes, pela primeira vez, no feijão-e-
arroz da magia teórica. Em vez de lerem sobre demônios e feitiços mágicos, eles podiam
aprender sobre o magnetismo espiritual, o archeus, os éteres, a lei de atração, a lei do
microcosmo, e por aí vai. Alguns dos Pequenos Mistérios mais básicos tinham finalmente
se tornado disponíveis às pessoas. Isso permitiu que leitores da época checassem duas
vezes os escritos de pessoas sobre ocultismo contra autoridades conhecidas. Embora
fraudes e charlatãos estivessem ainda rampantes, eles não estavam se focando tanto nas
contribuições literárias ao ocultismo e assim não deixaram uma impressão duradoura
sobre aspirantes das gerações futuras.
Por outro lado, a explosão de informação intelectual sem uma fundação de
trabalho prático levaria gerações futuras ao engajamento somente na filosofia, em vez de
na magia verdadeira. Isso permitiria a todos que tivessem lido alguns livros a
regurgitarem a informação em novos livros e chamá-los seus. Acima de tudo, deixaria
muitas questões sem resposta nas mentes de muitos aspirantes sinceros, sobre onde
começar e como avançar na magia. A tendência de alguns dos grandes magos do passado
de não aceitarem discípulos diretos resultou numa falta de sucessão de mestre e
discípulo, como foi falado anteriormente, e o fato de nenhum manual real de avanço na
magia ter sido publicado resultaria em autores lançando livros em assuntos puramente
teóricos, em vez de terem investigado praticamente suas ideias.
Nos últimos cinqüenta anos, quase não houve adeptos escritores, e até aqueles
que escreveram algo normalmente não forneceram uma base prática para os leitores.
Toda uma geração surgiu e desapareceu sem ter quase informação publicada confiável
sobre magia. É claro, tudo isso aconteceu de acordo com a Providência Divina, e há
razões exatas para os períodos históricos de silêncio que os adeptos escritores assumiram
e assumem. Ainda assim, é importante considerar os efeitos desses períodos.
Os poucos adeptos que ainda estão por aí no hemisfério ocidental têm
permanecido silenciosos, e talvez por razão, porque o dom de expressar ideias na
linguagem escrita não pertence a todas as pessoas. Pelo fato de existirem tão poucos
adeptos, existem poucos autores entre eles. Eu espero honestamente que, num futuro
próximo, isso comece a mudar.
A Décima Razão
A Falta de Expansão da Consciência
A natureza incompleta das deploráveis desculpas de muitas ordens modernas
para rotinas de treinamento resultou na quase extinção da real expansão de consciência
entre os chamados iniciados. Seus estudantes recebem complicado “pathworking” e
várias invocações para executarem, mas esses são meios tão indiretos de progresso que
uma inteira vida de prática renderia pouco sucesso. Infelizmente, a lavagem cerebral de
muitos aspirantes hoje os convenceu de que um conhecimento simplesmente
experimental dos símbolos das esferas elevadas, e até seu funcionamento, é a realização
de modos superiores de consciência. Isso simplesmente não é verdadeiro. Até se você
colocar sua mente regularmente na contemplação de reinos nos quais vibrações são
muito mais elevadas e puras que as suas, nunca se produzirão os mesmos resultados se
você tivesse elevado sistematicamente sua consciência a esse nível. Isso dá um bom
suplemento, mas não deveria ser a completa abordagem.
Existem duas principais maneiras de se expandir a consciência:
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1) Imergir-se em energias, como em invocação ou viagem esférica.
2) A ascensão gradativa da Kundalini psicossexual da base da espinha e órgãos
sexuais até o córtex cerebral.
Nenhum desses métodos resultará necessariamente na realização do outro. A
ativação dos seis maiores centros inteiros da consciência na espinha não resultará no
aumento de vibração no seu corpo astral, para se adequar às vibrações das esferas
elevadas, e passar tempo em esferas mais elevadas não despertará automaticamente a
Schechinah-Kundalini e despertar as fortalezas, de modo que ela possa entrar e estar
com Elohim-Siva. No mago, ambos deveriam ser realizados. O primeiro é a deificação de
si de fora para dentro, e o segundo de dentro para fora.
Até os sistemas de treinamento que utilizam pelo menos o primeiro método de
ascensão da consciência, sendo o mais comum no mundo ocidental hoje, não prestam
tanta atenção a ele quanto deveriam. Muito frequentemente, ênfase excessiva é dada
sobre as habilidades mágicas, ou pelo professor ou na mente do estudante. A meta da
magia se torna o poder, em vez da evolução da consciência pessoal. Quando nenhuma
habilidade é conseguida, ou uma vez que a curiosidade científica do estudante seja
satisfeita, o caminho para. É por essa razão que as escrituras orientais advertem tão
ferozmente que poderes mágicos devam ser rejeitados, e não porque tais poderes são
inerentemente maus. Os iniciados do Oriente compreendiam simplesmente que, se o
estudante acreditasse, do primeiro dia de seu treinamento, que habilidades mágicas eram
ruins, ele provavelmente não sacrificaria depois sua evolução espiritual por causa da
tentação dessas siddhis. Ele não se distrairia. Na realidade, isso não é ruim, e o estudante
é altamente encorajado a adquirir várias habilidades mágicas para manifestar a Vontade
Divina mais efetivamente no mundo, mas isso deve ser abordado muito metodicamente e
apenas de uma base muito bem estabelecida, com os motivos corretos.
“Pathworking” se tornou, infelizmente, o modo principal com o qual as escolas
ocidentais tentam fazer com que seus estudantes expandam sua consciência, mas existem
muitas desvantagens nisso. O estudante consegue captar uma compreensão intuitiva de
esferas superiores ao elevar suas vibrações às delas diretamente. Quando ele tem um
flash e uma visão de Tzaphqiel, ele percebe o simbolismo de Luna e de Hécate, e
compreende o tridente e os quatro minotauros índigo que cercam o Templo da Deusa de
Três Faces e o Homem Nu, e começa a acreditar que ele realmente elevou seu status
espiritual à esfera de Yesod. A iluminação intelectual sobre simbolismo universal é
confundida com realização espiritual legítima. O resultado é que o tolo que consegue
superar as imagens do Demônio de Face de Cachorro e o Portador do Vinho no limiar do
abismo intelectual acredita ter fatualmente cruzado esse abismo e emergido no outro
lado como “Magister Templi” ou qualquer cargo sua facção possa ter designado para essa
realização. A direção do simbolismo, e a natural habilidade da mente de entrar num
modo de resolução de problemas, quando confrontada com a diversidade, levou, neste
caso, a mente racional a uma série de equações lineares, resultando na compreensão de
certos símbolos ocultos. Embora essa compreensão tenha um efeito positivo sobre o
espírito, é quase uma blasfêmia dizer que essa estimulação intelectual sozinhapode ser
considerada como uma cruzada do Abismo. Quando a respiração cessa, quando a pele se
torna gelada e as suturas entre os ossos parietal e occipital do crânio ficam quentes,
quando visões de anjos e personificações de Deus aparecem no olho da mente, quando
todas as escrituras se tornam instantaneamente compreendidas, quando os joelhos de
cada anjo e arcanjo se dobram em reverência, quando a aura se estende para
encompassar um inteiro vale, quando a palavra se torna universalmente criativa, então
saiba que o abismo foi cruzado. Procure o homem com o inteiro universo em seus olhos;
ele é um deus.
Isso deve bastar por agora. O estudante terá agora uma sólida compreensão dos
problemas no modo com o qual a magia é frequentemente praticada hoje, e, com esse
25/09/2019 Bardonista: A Corrupção Moderna da Magia
www.bardonista.com/2009/06/corrupcao-moderna-da-magia.html 17/17
conhecimento, ele pode escolher começar seu caminho com uma compreensão correta e
a salvação resultante desta bela ciência. Eu forneci nesta aula meras linhas de direção
pelas quais o estudante pode checar a si e àqueles que se chamam gurus. Busque o
homem que fala da autoridade da experiência, e não da autoridade dos livros.

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