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ANESTÉSICOS LOCAIS Atuam bloqueando os canais de Na+ controlados por voltagem, inibindo, dessa forma, a geração do potencial de ação; A cocaína foi isolada em 1860 e proposta como anestésico local para procedimentos cirúrgicos, inclusive oftalmológicos. Para substituí-la, foram criados compostos sintéticos, como, por exemplo, a procaína; Aspectos químicos: As moléculas de anestésico local consistem em uma parte aromática (confere à molécula grande parte de seu caráter hidrofóbico) unida por uma ligação éster (ex: lidocaína) ou amida (ex: buvacaína) a uma cadeia lateral básica - A benzocaína é um anestésico local atípico, não tem grupo básico; A presença da ligação éster ou amida nas moléculas de anestésico local é importante em razão de sua suscetibilidade à hidrólise metabólica. - Compostos com ligação éster são rapidamente inativados no plasma e nos tecidos (principalmente no fígado) por esterases inespecíficas. - Compostos com ligação amidas são mais estáveis, e apresentam, em geral, meias-vidas plasmáticas mais longas. Os componentes dos anestésicos locais são bases fracas de modo que podem ser ionizadas em pH fisiológico. Isso é importante em relação à sua capacidade em penetrar a bainha nervosa e a membrana do axônio. Mecanismos de ação: Os anestésicos locais bloqueiam o início e a propagação dos potenciais de ação por impedirem o aumento de condutância de Na+ voltagem-dependente; Em concentrações pequenas, reduzem a taxa de aumento do potencial de ação, prolongando a sua duração, e aumentam o período refratário, reduzindo a sua taxa de resposta. Além disso, são capazes de suprimir a descarga espontânea do potencial de ação em neurônios sensitivos que ocorre na dor neuropática; Em concentrações mais elevadas, impedem o disparo do potencial de ação. Eles bloqueiam os canais de sódio, fechando fisicamente o poro transmembrana; Período Refratário 1) Período refratário absoluto – representa um momento em que a célula não consegue receber um segundo estímulo. Isso representa o maior tempo de um potencial de ação. A célula não consegue receber um segundo estímulo, pois os canais de sódio estarão inativados nesse momento. Lembrem que uma célula só é estimulada quando um canal de sódio é aberto. Se o mesmo está fechado, não teremos como estimulá-la, independente da grandeza do estímulo. 2) Período refratário relativo – Esse momento representa uma pequena parcela do potencial de ação e durante esse período a célula poderá receber um segundo estímulo e responder ao mesmo, mas sua intensidade deverá ser maior, pois a célula estará hiperpolarizada e mais distante do atingir seu limiar de excitação. O sítio de ligação dos AL localiza-se no poro do canal de sódio regulado por voltagem e é acessível pela entrada intracelular do canal. Esta é a razão pela qual as bases fracas moderadamente hidrofóbicas são tão efetivas como anestésicos locais. Em pH fisiológico, uma fração significativa das moléculas de base fraca está na forma neutra, a qual, devido à sua hidrofobicidade moderada, pode atravessar as membranas para penetrar nas células nervosas. Uma vez no interior da célula, o fármaco pode adquirir rapidamente um próton, assumir uma carga positiva e ligar-se com maior afinidade ao canal de sódio. Becca Realce Becca Realce Becca Realce Becca Realce Becca Realce Becca Realce Becca Realce Becca Realce Becca Realce Becca Realce Becca Realce Becca Realce Becca Realce Becca Realce Becca Realce Becca Realce A atividade dos anestésicos locais é fortemente dependente do pH, aumentando em pH extracelular alcalino (quando a proporção de moléculas ionizadas é baixa) e reduzindo-se em pH ácido. Isso porque o composto precisa penetrar a bainha nervosa e a membrana do axônio para chegar à extremidade interna do canal de sódio (onde está o local de ligação aos anestésicos locais). Como a forma ionizada não passa pela membrana, a penetração é muito pequena em pH ácido. Uma vez dentro do axônio, é sobretudo a forma ionizada da molécula de anestésico local que se liga ao canal e o bloqueia. Essa dependência do pH pode ser clinicamente importante, uma vez que o líquido extracelular dos tecidos inflamados é, muitas vezes, relativamente ácido e tais tecidos são, por isso, de algum modo resistentes aos anestésicos locais. Propriedade de bloqueio “dependente do uso” dos canais de sódio: - Quanto mais frequentemente os canais são abertos, maior se torna o bloqueio; - Ocorre porque a molécula que causa o bloqueio entra no canal muito mais rapidamente quando ele está aberto do que quando está fechado. Para os anestésicos locais que se dissociam rapidamente do canal, o bloqueio somente ocorre com frequências elevadas de disparo do potencial de ação, quando o tempo para o fármaco separar-se do canal entre os potenciais de ação é muito curto. O canal de Na+ pode existir em três estados funcionais: em repouso, aberto e inativado. Muitos anestésicos locais ligam-se mais fortemente ao estado inativado do canal. Por isso, em qualquer potencial de membrana, o equilíbrio entre os canais em estado de repouso e inativos poderá, na presença de um anestésico local, ser privilegiado em relação ao estado inativo, e este fator contribui para o efeito de bloqueio geral, reduzindo o número de canais disponíveis para a abertura e prolongando o período refratário após um potencial de ação. O que é pKa? É o pH onde 50% das moléculas estão sob forma ionizada (carregada) e 50% estão em forma não ionizada (neutra). Becca Realce Becca Realce Becca Realce Becca Realce A passagem de uma série de potenciais de ação, por exemplo quando um estímulo doloroso é aplicado em um nervo sensorial, provoca um ciclo entre o estado aberto e o estado inativo, tendo ambos maior probabilidade de se ligarem a moléculas de anestésicos locais do que no estado de repouso; assim, ambos os mecanismos contribuem para o efeito dependente do uso do receptor, o que em parte explica o motivo da transmissão da dor ser bloqueada mais eficazmente do que outras experiências sensoriais. Os anestésicos locais aminas quaternárias somente funcionam quando atravessam a membrana e os canais devem estar ciclando entre seu estado aberto várias vezes antes que o efeito do bloqueio ocorra (para que eles consigam adentrar a membrana); Com as aminas terciárias, o bloqueio pode ocorrer mesmo se os canais não estiverem no estado aberto, e é provável que a molécula bloqueadora (sem carga) alcance o canal tanto diretamente, a partir da fase da membrana, quanto através do gate (portão) aberto. A importância relativa dessas duas vias de bloqueio – a via hidrofóbica da membrana (sem carga - mesmo com canal fechado) e a via hidrofílica (com carga - com os canais abertos) interior do canal – varia de acordo com a lipossolubilidade do fármaco. * As formas neutras dos AL atravessam as membranas com muito mais facilidade do que as formas com cargas positivas. Todavia, as formas com cargas positivas ligam-se com muito mais afinidade ao sítio alvo de ligação do fármaco. Em geral, os anestésicos locais bloqueiam a condução mais rapidamente em neurofibras de pequeno diâmetro do que em fibras com diâmetros maiores. - Em fibras menores (ex: Aδ e C ), a sensação de dor é bloqueada mais rapidamente que outras modalidades sensitivas (tátil, propriocepção etc.). - Os axônios motores, tendo diâmetro maior,também são relativamente resistentes. O local de bloqueio no canal pode ser alcançado através do gate (portão) aberto na superfície interna da membrana pela molécula química carregada BH + (via hidrofílica) ou diretamente da membrana pela molécula química B não carregada (via hidrofóbica). Becca Realce Becca Realce Não é possível bloquear a sensibilidade dolorosa sem afetar as outras modalidades sensitivas. Durante o início da anestesia local, os diferentes tipos de fibras dentro de um nervo periférico também são bloqueados em diferentes momentos, em virtude de sua sensibilidade intrínseca ao bloqueio e ao gradiente de concentração do AL dentro do nervo. 1. Primeira dor; 2. Segunda dor; 3. Temperatura; 4. Tato; 5. Pressão; 6. Tônus muscular esquelético. Efeitos adversos (na tabela da última página): Quando utilizados clinicamente como anestésicos locais, os principais efeitos adversos envolvem o sistema nervoso central (SNC) e o sistema cardiovascular (a sua ação no coração também pode ser relevante no tratamento de arritmias cardíacas). Embora os anestésicos locais sejam, geralmente, administrados de maneira a minimizar sua distribuição para outras partes do corpo, eles são, por fim, absorvidos para a circulação sistêmica. Algumas vezes, há reações de hipersensibilidade com os anestésicos locais, geralmente sob a forma de dermatite alérgica, mas raramente como reação anafilática aguda. Outros efeitos adversos específicos de fármacos em particular incluem irritação das mucosas (cocaína) e metemoglobinemia (que ocorre depois de grandes doses de prilocaína, em razão da produção de um metabólito tóxico). A maioria dos anestésicos locais produz uma mistura de efeitos depressores e estimulantes sobre o SNC. - Os efeitos depressores predominam em baixas concentrações plasmáticas, abrindo caminho para a estimulação em concentrações maiores, que resultam em inquietação, tremor e, algumas vezes, convulsões, acompanhadas por efeitos subjetivos, que vão da confusão mental à agitação extrema. Aumentar ainda mais a dose produz profunda depressão do SNC e morte devido à depressão respiratória. Becca Realce Becca Realce Becca Realce Becca Realce Becca Realce Becca Realce Becca Realce - O único anestésico local com efeitos acentuadamente diferentes no SNC é a cocaína, que produz euforia em doses bem abaixo daquelas que causam outros efeitos no SNC. - A procaína é particularmente associada à produção de efeitos centrais adversos, e tem sido suplantada no uso clínico por agentes como a lidocaína e a prilocaína. Ação dos AL: Os anestésicos locais impedem a geração do potencial de ação por bloqueio dos canais de sódio; Muitos anestésicos locais mostram dependência do uso (a profundidade do bloqueio aumenta com a frequência do potencial de ação). Isso ocorre: - Porque as moléculas de anestésico têm acesso ao canal mais rapidamente quando ele está aberto - Porque as moléculas de anestésico têm afinidade maior por canais inativados do que por canais em repouso. Os anestésicos locais bloqueiam a condução na seguinte ordem: axônios curtos mielinizados, axônios não mielinizados, axônios longos mielinizados. A transmissão nociceptiva e simpática é, portanto, bloqueada antes. Os efeitos cardiovasculares adversos dos anestésicos locais devem-se principalmente à depressão do miocárdio, ao bloqueio de condução e à vasodilatação. A redução de contratilidade do miocárdio provavelmente resulta indiretamente da inibição da corrente de Na+ no músculo cardíaco. A diminuição de [Na + ] i resultante, por sua vez, reduz as reservas de Ca2+ intracelulares, minimizando a força de contração. A interferência na condução atrioventricular pode resultar em bloqueio cardíaco parcial ou completo, bem como em outros tipos de disritmias. Vasodilatação, afetando principalmente arteríolas, deve-se, em parte, ao efeito direto sobre o músculo liso vascular e, em parte, à inibição da parcela simpática do sistema nervoso. Isto leva à queda na pressão arterial, que pode ser súbita e colocar a vida em risco. A ropivacaína apresenta menor cardiotoxicidade do que a bupivacaína. A cocaína é exceção com respeito a efeitos cardiovasculares em razão de sua capacidade de inibir a captura de norepinefrina (noradrenalina), intensificando a atividade simpática, levando a taquicardia, vasoconstrição aumento do débito cardíaco e da pressão arterial. Aspectos farmacocinéticos: Os anestésicos locais variam muito na rapidez com que penetram nos tecidos, e isso afeta a taxa em que causam bloqueio nervoso quando neles injetados, a taxa de início de ação e a recuperação da anestesia. Também afeta sua utilidade como anestésicos de superfície para aplicação a mucosas. A maioria dos anestésicos locais ligados a ésteres (ex. tetracaína) é rapidamente hidrolisada pela colinesterase plasmática, de modo que sua meia-vida no plasma é curta. A procaína – agora raramente usada – é hidrolisada em ácido p-aminobenzoico, um precursor do folato que interfere no efeito antibacteriano das sulfonamidas. Os fármacos ligados a amidas (ex. lidocaína e prilocaína) são metabolizados principalmente no fígado, geralmente por N-desalquilação, e não por clivagem da ligação amida, e os metabólitos costumam ser farmacologicamente ativos. A benzocaína é um anestésico local incomum, de solubilidade muito baixa, usado como pó para curativo em úlceras de pele dolorosas ou como pastilhas para a garganta. Este fármaco é lentamente liberado e produz anestesia de superfície com longa duração. A maioria dos anestésicos locais tem ação vasodilatadora direta, que aumenta a taxa em que são absorvidos para a circulação sistêmica, expandindo sua toxicidade Becca Realce Becca Realce Becca Realce Becca Realce Becca Realce Becca Realce Becca Realce Becca Realce Becca Realce Becca Realce Becca Realce Becca Realce Becca Realce Becca Realce em potencial e reduzindo sua ação como anestésico local. A epinefrina (adrenalina) ou a felipressina, um análogo da vasopressina de curta ação, podem ser acrescentadas às soluções de anestésico injetadas localmente com a finalidade de promover vasoconstrição. A epinefrina absorvida na circulação é capaz de provocar efeitos cardiovasculares indesejáveis, tais como taquicardia e vasoconstrição, e a felipressina pode causar constrição das artérias coronárias. Sua utilização em pacientes com doença cardiovascular é contraindicada. Becca Realce Becca Realce Metabolismo e excreção: AL com ligação éster: - Esterases teciduais e plasmáticas; - Excreção renal. AL com ligação amida: - Enzimas de Cyp 450; - Excreção renal. OBS: Pacientes com doenças que alteram a perfusão renal (ex: cirrose) diminuem a metabolização. Agentes individuais: AL com ligação éster: - Procaína: Ação curta e fraca ligação aos sítios ativos - Baixa Hidrofobicidade; Baixa potência - Rapidamente removida e metabolizada pelas pseudocolinesterases; Utilização em procedimentos dentários. - Cocaína: Protótipo e único AL natural; Estrutura incomum para AL; Acentuada ação vasoconstrictora e potencial cardiotóxico; Uso restrito à Anestesia Oftálmica e ao Anestésico Tópico TAC (tetracaína, adrenalina, cocaína). - Tetracaína: Ação longa e altamente potente - Alta Hidrofobicidade; Por ter alta hidrofobicidade, ela é liberada apenas gradualmente dos tecidos para a corrente sanguínea, o que lhe confere um metabolismo lento apesarda rápida hidrólise pelas esterases. AL com ligação amida: - Lidocaína: É o anestésico local mais utilizado - Ação rápida e duração média (1-2h); Dupla metila no anel aromático - que aumentam a sua hidrofobicidade em relação à procaína e que reduzem a sua velocidade de hidrólise. Valor baixo de pKa - uma grande fração do fármaco encontra-se presente na forma neutra em pH fisiológico. Isso resulta em rápida difusão da lidocaína através das membranas e em rápido bloqueio. - Bupivacaína: Altamente hidrofóbico - Altamente potente; Fármaco racêmio (R e S); Enantiômetro S - Levobupivacaína é mais seguro por ser menos cardiotóxico; Administrada como anestesia epidural, tem mais efeito sobre a nocicepção do que sobre a atividade locomotora. EMLA (Mistura Eutética de Anestésico Local). Becca Realce Becca Realce Becca Realce Becca Realce Becca Realce Becca Realce Becca Realce Becca Realce Becca Realce Becca Realce Becca Realce Becca Realce