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2015
Perícia contábil
e arbitragem
Profª. Arlete Regina Floriani
Copyright © UNIASSELVI 2015
Elaboração:
Profª. Arlete Regina Floriani
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri 
UNIASSELVI – Indaial.
Impresso por:
657.450
F635p Floriani, Arlete Regina
 Perícia contábil e arbitragem/ Arlete Regina Floriani. 2.ed. Indaial : 
UNIASSELVI, 2015.
 192 p. : il.
 ISBN 978-85-7830-894-0
 
 1.Perícia contábil - auditoria. 
 I. Centro Universitário Leonardo Da Vinci. 
III
aPresentação
Prezado acadêmico, a partir deste momento você terá a oportunidade de 
conhecer o que é perícia contábil e arbitragem. Trata-se de um tema de grande 
importância na sua formação profissional, pois lhe dará a base necessária para 
que você possa encontrar excelentes oportunidades no mercado de trabalho. 
Isso depende apenas do seu comprometimento com o estudo. 
Serão abordados os aspectos introdutórios, nos quais buscaremos registrar 
as regras da perícia atribuídas ao contador, a origem da perícia de âmbito geral e 
o surgimento da perícia contábil no Brasil. Dando prosseguimento, buscaremos 
identificar os objetivos, conceituar o sentido e também os elementos da perícia. 
Trataremos também do perfil do profissional habilitado para o exercício da 
perícia. Esforçamo-nos para conceituar e esclarecer que a tomada de decisão 
cabe aos Juízes Estaduais e Federais, que conduzem os processos de acordo com 
o Código de Processo Civil. Também procuramos esclarecer questões sobre o 
início e as características da matéria pericial, fundamentos doutrinários, a ética 
profissional, bases contextuais, exercício profissional, a função contábil e o perito.
Teremos por assunto uma abordagem histórica e as características que 
levaram à realização da perícia, como classificação, requerimento e trabalhos 
técnicos da contabilidade. 
Para nos tornarmos afins de nossas atribuições, tornaremos evidente 
o exercício profissional e ressaltaremos que, ao realizar uma perícia, podem 
ocorrer irregularidades administrativas e irregularidades contábeis. No que 
diz respeito a essas irregularidades, o assunto abordado deve ser demonstrado 
em um laudo elaborado pelo profissional da área denominado de perito.
Por fim, versaremos sobre as funções contábeis que se subdividem 
em fundamentais e complementares. As funções fundamentais são também 
conhecidas como funções peculiares da contabilidade e contemplam três 
subfunções, assim identificadas: escritural, expositiva e interpretativa. As funções 
complementares são conhecidas como funções corretivas que complementam 
sua utilidade, tais como função administrativa, função revisora e função pericial, 
em que acontece o registro das transações ou dos negócios contratados, a 
conciliação das contas segundo os registros realizados e a realização da perícia 
é feita, oportunamente, apenas quando há necessidade de testemunhar a 
existência de elementos patrimoniais e/ou de situações do direito.
Com esta exposição é possível percebermos a relevância desta 
matéria. Desejo a você bom estudo e que este caderno lhe forneça subsídios 
para sua aprendizagem. 
Então mãos à obra!
 Profª Msc. Arlete Regina Floriani
IV
NOTA
Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto 
para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há 
novidades em nosso material.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é 
o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um 
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. 
O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova 
diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui 
para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.
Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, 
apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade 
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. 
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para 
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto 
em questão. 
Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas 
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa 
continuar seus estudos com um material de qualidade.
Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de 
Desempenho de Estudantes – ENADE. 
 
Bons estudos!
V
VI
VII
UNIDADE 1 – DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA 
 O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E TRABALHOS 
 TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO 
 PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL ................................................................ 1
TÓPICO 1 – DADOS HISTÓRICOS ................................................................................................... 3
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 3
2 ASPECTOS INTRODUTÓRIOS ........................................................................................................ 4
3 ORIGEM ................................................................................................................................................. 4
4 O SURGIMENTO DA PERÍCIA CONTÁBIL NO BRASIL ......................................................... 5
5 OBJETIVO .............................................................................................................................................. 6
6 CONCEITUAÇÕES .............................................................................................................................. 7
6.1 PERÍCIA ............................................................................................................................................ 7
6.2 O PERITO .......................................................................................................................................... 16
6.2.1 O conceito ............................................................................................................................... 17
6.2.2 Normas profissionais do perito ............................................................................................ 20
6.3 O ASSISTENTE TÉCNICO ............................................................................................................. 22
6.4 USUÁRIOS DA PERÍCIA ............................................................................................................... 23
7 NOMEAÇÃO, CONTRATAÇÃO E ESCOLHA DO PERITO-CONTADOR OU 
 INDICAÇÃO DO PERITO-CONTADOR ASSISTENTE ............................................................. 24
8 INDEPENDÊNCIA ............................................................................................................................... 25
9 IMPEDIMENTO E SUSPEIÇÃO ....................................................................................................... 25
10 HONORÁRIOS ................................................................................................................................... 27
11 O SIGILO ..............................................................................................................................................31
12 RESPONSABILIDADE E ZELO....................................................................................................... 31
13 UTILIZAÇÃO DE TRABALHO DE ESPECIALISTA .................................................................. 34
14 A ÉTICA PROFISSIONAL ................................................................................................................ 34
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 38
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 40
TÓPICO 2 – PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, 
 CLASSIFICAÇÃO, E TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE .......... 43
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 43
2 ASPECTOS INTRODUTÓRIOS ........................................................................................................ 43
3 PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA .......................... 45
4 A CLASSIFICAÇÃO DA PERÍCIA .................................................................................................. 45
5 REQUERIMENTO ................................................................................................................................ 47
6 TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE ...................................................................... 47
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 48
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 49
TÓPICO 3 – EXERCÍCIO PROFISSIONAL ........................................................................................ 51
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 51
2 EXERCÍCIO PROFISSIONAL ............................................................................................................ 51
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 61
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 62
sumário
VIII
TÓPICO 4 – FUNÇÕES CONTÁBEIS ...............................................................................................65
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................65
2 FUNÇÕES CONTÁBEIS ...................................................................................................................65
3 FUNÇÕES FUNDAMENTAIS .........................................................................................................65
4 FUNÇÕES COMPLEMENTARES ...................................................................................................66
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................69
RESUMO DO TÓPICO 4......................................................................................................................71
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................72
UNIDADE 2 – PERÍCIA CONTÁBIL .................................................................................................75
TÓPICO 1 – ABORDAGENS GERAIS SOBRE A PERÍCIA CONTÁBIL ..................................77
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................77
2 LEGISLAÇÃO PERICIAL .................................................................................................................77
2.1 NBC TP 01 ......................................................................................................................................78
RESUMO DO TÓPICO 1......................................................................................................................97
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................98
TÓPICO 2 – CARACTERÍSTICAS DOS TRABALHOS PERICIAIS .........................................101
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................101
2 PLANO DE TRABALHO ...................................................................................................................101
3 EXECUÇÃO DO TRABALHO PERICIAL .....................................................................................106
RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................112
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................113
TÓPICO 3 – EXERCÍCIO PROFISSIONAL DO PERITO ..............................................................115
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................115
2 LAUDO PERICIAL .............................................................................................................................115
2.1 ESTRUTURA DOS LAUDOS .......................................................................................................120
2.2 REQUISITOS DE UM LAUDO CONTÁBIL ..............................................................................121
RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................125
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................126
TÓPICO 4 – FUNÇÕES CONTÁBEIS ...............................................................................................129
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................129
2 PARECER PERICIAL CONTÁBIL ...................................................................................................129
3 ENCAMINHAMENTO DO PARECER PERICIAL CONTÁBIL ...............................................131
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................133
RESUMO DO TÓPICO 4......................................................................................................................136
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................137
UNIDADE 3 – ARBITRAGEM ............................................................................................................139
TÓPICO 1 – LEGISLAÇÃO QUE REGULAMENTA A ARBITRAGEM ....................................141
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................141
2 A ARBITRAGEM ................................................................................................................................141
2.1 LEGISLAÇÃO ................................................................................................................................141RESUMO DO TÓPICO 1......................................................................................................................153
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................154
IX
TÓPICO 2 – ÉTICA NO EXERCÍCIO DA ARBITRAGEM ............................................................159
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................159
2 CÓDIGO DE ÉTICA ..........................................................................................................................160
RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................164
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................166
TÓPICO 3 – ITENS RELEVANTES NO EXERCÍCIO DA ARBITRAGEM ................................169
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................169
2 ORIGEM DA ARBITRAGEM ..........................................................................................................169
3 ÁRBITRO E PERITO .......................................................................................................................170
4 PERÍCIA ARBITRAL .......................................................................................................................173
5 TÉCNICAS DE ARBITRAMENTO .................................................................................................174
6 LAUDO ARBITRAL ...........................................................................................................................175
7 SENTENÇA ARBITRAL ....................................................................................................................175
8 PERITO DO JUÍZO: ESTIMATIVA E ARBITRAMENTO DOS HONORÁRIOS .................179
8.1 EM JUÍZO ARBITRAL ...............................................................................................................181
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................182
RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................184
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................186
REFERÊNCIAS .......................................................................................................................................189
X
1
UNIDADE 1
DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS 
CARACTERÍSTICAS PARA O 
SURGIMENTO DA PERÍCIA, 
CLASSIFICAÇÃO E TRABALHOS 
TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, 
BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO 
PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade você será capaz de:
• entender os conceitos de perícia contábil;
• conhecer o código de ética;
• identificar os quesitos;
• elaborar laudo (parecer) pericial contábil;
• entender arbitragem.
A Unidade 1 será apresentada com a estrutura de quatro tópicos, sendo 
que ao final de cada tópico encontrarás atividades que auxiliarão no seu 
aprendizado.
TÓPICO 1 – DADOS HISTÓRICOS
TÓPICO 2 – PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO 
 DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO, E TRABALHOS TÉCNICOS 
 DA CONTABILIDADE
TÓPICO 3 – EXERCÍCIO PROFISSIONAL
TÓPICO 4 – FUNÇÕES CONTÁBEIS
2
3
TÓPICO 1
UNIDADE 1
DADOS HISTÓRICOS
1 INTRODUÇÃO
Na maioria das vezes o aluno se questiona: por que estudar história? Que 
ligação tem com a contabilidade? Conhecer os dados históricos é de fundamental 
importância, pois, desta maneira, temos a oportunidade de entender qual era o 
pensamento dos precursores da matéria. Acerca deste tema buscamos apresentar 
aspectos doutrinários da perícia contábil, as datas que marcaram este período 
que iniciou em 1939 e mostrar que sete anos foram necessários para que a perícia 
contábil se institucionalizasse, pois, somente em 1946, com a criação do Conselho 
Federal de Contabilidade, Decreto-Lei nº 9.295, é que foi institucionalizada a 
perícia contábil no Brasil. 
Hoog (2005, p. 48) descreve que: 
Após edição da lei 8455, de 24.08.1992 que introduziu alterações 
relativas à perícia e aos peritos, visualizamos a ocupação de espaço 
significativo na mídia quanto ao trabalho executado por profissionais 
e, em especial, os seus resultados querem na área de engenharia, 
acidentes aéreos, construção civil, quer na área médica, especialmente 
nos casos de atentado contra a vida e a honra; igual importância tem 
na área contábil envolvendo fatores como aferição de contas relativas 
às campanhas políticas, fraudes em grandes e renomadas instituições 
financeiras e até mesmo no âmbito familiar, na separação conjugal, 
quando abrange grandes fortunas. 
Mais uma razão para se estudar a historicidade dos fatos para conhecer 
como eram resolvidos estes tipos de problema antes da normatização. 
Complementamos este item abordando a relação do CPC – Código de 
Processo Civil com a Contabilidade aplicada a esta área específica, que é a perícia, 
a legislação pertinente e onde iniciou e o surgimento da perícia no Brasil. É 
recomendável que quando você iniciar o estudo de um novo tema, sempre inicie 
com a leitura da parte histórica. Isto enriquecerá seu conhecimento específico.
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E 
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL
4
2 ASPECTOS INTRODUTÓRIOS
No Brasil, analisando os primeiros sinais do surgimento da perícia 
contábil, observamos que o período remonta a 1939, quando o Código de Processo 
Civil (promulgado pelo Decreto-Lei nº 1.608, de 18.09.1939, em seus arts. 57, 117, 
129, 131, 132, 208, 254, 255, 256, 257, 267, e 268) descreveu, de maneira sucinta e 
precisa, admitindo a perícia como prova de fato, que depende de conhecimento 
especial, inclusive expôs sobre o laudo, a recusa do perito, a substituição deste, os 
esclarecimentos pelo perito em audiência, a indicação de assistentes técnicos, as 
despesas com o ato e as penalidades aplicáveis por eventual ato ilícito ou dolo do 
perito, explica Hoog (2010).
Em 2011, mencionou Hoog, que Oscar Castelo Branco (1941) realizou um 
estudo sobre perícia contábil, que pela sua notoriedade foi intitulado de “A função 
do contador na perícia contábil”, e publicado pela Companhia Melhoramento de 
São Paulo (indústria de papel).
Continua Hoog (2011), face a acontecimentos mais recentes, é possível concluir 
que com a criação do Conselho Federal de Contabilidade – CFC, via Decreto-Lei nº 
9.295/1946, é que foram impressas as primeiras atribuições legais do contador, ou seja, 
a parametrização da perícia contábil, conferindo trabalho privativo aos contadores 
diplomados ou a eles equiparados legalmente, naquela época. 
A partir de 1966 com o advento da nº Lei 4.983; e Decreto-Lei nº 7.661/45 
que foi revogado pela Lei nº 11.101/2005, relativo à Lei de Falências, tivemos 
grande evolução que estabeleceu as regras de perícia contábil. Em 1973, com a 
edição do Código de Processo Civil promulgado pela Lei nº 5.869, as perícias 
judiciais contempladas com tratamento mais transparente. 
Decorridas mais de duas décadas e os procedimentos de perícia são emanados 
das resoluções do CFC; Lei nº 8.455/92; Lei nº 8.748/93, e legislação complementar.
MAGALHÃES et al. (2008) corroboram com Hoog (2011) e mencionam 
quefoi com o segundo Código de Processo Civil, criado pela Lei nº 5.869/73, e com 
as modificações atribuídas pelas Leis Complementares ao Código de Processo 
Civil, que as perícias judiciais tiveram legislação ampla, clara e aplicável.
3 ORIGEM
A origem da perícia conta com o apoio dos dados históricos na formação do seu 
processo, pois nos leva a conhecer a cultura dos povos que os levaram a introduzi-la. 
TÓPICO 1 | DADOS HISTÓRICOS
5
Não é possível afirmar que a Perícia Contábil surgiu com os 
primórdios da civilização, assim como é comentado em relação à 
Contabilidade, haja vista que nesta época a animalidade era maior do 
que a racionalidade. Vestígios de perícia são encontrados, registrados, 
e, documentados na civilização antiga do Egito, e também, na Grécia, 
onde se iniciou a sistematização dos conhecimentos jurídicos, com a 
utilização de especialistas em determinados campos do conhecimento 
para proceder à verificação e ao exame de algumas questões. Disponível 
em: <http://analgesi.co.cc/html/t13379.html>. Acesso em: 6 maio 2011.
No Direito Romano também é possível perceber, com maior clareza, a 
figura do perito, sem estar dissociada do árbitro, no momento em que a decisão 
necessitava de apreciação técnica de um fato, ou seja, o magistrado tinha a 
faculdade de deferir o juízo da causa a homens que, através de seus conhecimentos 
técnicos, melhor pudessem pronunciar-se sobre os fatos, transformando-se em 
perito e juiz simultaneamente. Nessa época, a adequação do direito civil não era 
devido ao conteúdo material de sua legislação, mas sim, à estrutura uniforme 
e racional, baseada na aplicação de leis escritas, previamente estabelecidas por 
tribunais compostos por técnicos, que atendiam a critérios racionais de prova e 
de argumentação no processo judicial, explica Wolkmer (1996). A superioridade 
do direito romano para a prática mercantil em suas bem-definidas noções 
de propriedade absoluta residia nos critérios racionais de prova, e na ênfase 
atribuída a uma magistratura profissional, vantagens estas que os tribunais 
normalmente não atribuíam, porém, de extrema importância ao perito na época, 
pela valorização profissional.
A necessidade da verificação dos fatos constatados foi o que conduziu 
a perícia à condição de instrumento auxiliar da instância decisória, pessoal ou 
coletiva, judicial ou extrajudicial, mesmo nos mais remotos tempos. 
No Brasil, a perícia contábil começou a surgir com maior intensidade no 
início deste século, e se mantém ativa até os dias atuais, cada vez mais 
ocupando seu espaço para dirimir as discrepâncias existentes entre 
as pessoas, buscando a resolução dos problemas não equacionados 
segundo a racionalidade. Disponível em: <http://analgesi.co.cc/html/
t13379.html>. Acesso em: 6 maio 2011.
4 O SURGIMENTO DA PERÍCIA CONTÁBIL NO BRASIL
Conhecer quando ocorreu o surgimento da “Perícia Contábil” no Brasil é 
muito importante, porque esta informação nos proporciona entender melhor todo 
o contexto da matéria, como eram realizados os encontros dos profissionais da 
época, e a sua valorização. Embora as informações ocorressem de forma precária, o 
que se sabe é que a perícia surgiu em um evento da classe contábil em 1924, quando 
aconteceu o primeiro Congresso Brasileiro de Contabilidade, comenta Sá (2009).
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E 
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL
6
Na mesma ocasião, os profissionais oficializaram a necessidade da “Perícia 
Judicial”, cujos trabalhos seriam atribuídos privativamente aos membros das 
Câmaras periciais, e que seriam fiscalizados pelos Conselhos de Contabilidade 
no momento de sua criação. Outro item importante, que foi decidido no mesmo 
evento, foi a remuneração do trabalho do perito. 
Prossegue Sá (2009) afirmando, que somente na década de 40, foi 
regulamentada a Profissão de Contador, e na mesma época oficializado que a 
perícia é função privativa do Contador, através do Decreto-Lei nº 9.295/46, e 
que o Decreto nº 5.746, em 1929, veio para regular a atribuição da tarefa pericial 
apenas ao Contador.
Magalhães et al. (2008) corroboram com Sá (2009) e citam que foi com 
o advento do “segundo” Código de Processo Civil, criado pela Lei nº 5.869/73, 
através das Leis Complementares atribuídas ao Código de Processo Civil, que 
as perícias judiciais tiveram ampliada a sua legislação, ficando de forma clara e 
aplicável. Neste mesmo contexto foi inclusa a Legislação Trabalhista e o Direito 
Comercial, que adotam a mesma metodologia que as jurisprudências de natureza 
processual civil, ampliando ainda mais a área atingida pela perícia.
Diante do exposto no parágrafo acima, e apoiados no entendimento 
dos autores Magalhães et al. (2008), é possível observar que a Perícia Contábil 
é disciplinada através de um conjunto de normas de natureza técnica-contábil 
emanadas pelo CFC, por apresentar um conteúdo elucidativo e esclarecedor, que 
permite ao magistrado decidir sobre as questões que se apresentam para serem 
resolvidas entre partes adversas. 
5 OBJETIVO
A perícia contábil, segundo Hoog (2010), tem por objetivo verificar atos 
das empresas ou fatos ligados a sua riqueza, com o objetivo de oferecer opinião 
científica contábil, prova cabal, solucionando as questões propostas. Para oferecer 
opinião, laudo ou parecer revelador de prova, são realizados exames, vistorias, 
indagações, investigações, avaliações, arbitramento, procedimento necessário 
para dar sustentação científica contábil. 
De acordo com Magalhães et al. (2008), a perícia pode ser realizada em 
qualquer área científica, ou, até mesmo em situações empíricas, apesar de que é 
a natureza do processo que a classificará; a perícia pode ser de origem judicial, 
extrajudicial, administrativa ou operacional. No que tange à natureza dos fatos 
que se deparam, a perícia pode ser classificada como criminal, contábil, médica, 
trabalhista, entre outras. 
TÓPICO 1 | DADOS HISTÓRICOS
7
Para melhor entendimento do tema, utilizou-se a ideia de Barboza (2010), 
que explica que a perícia tem como objetivo a busca da VERDADE REAL em 
determinado caso judicial, onde haja alguma dúvida voltada para o julgador, 
sobre a Ação Judicial lhe apresenta um fato, que é contestado pelo réu, nascendo 
destes dois pontos de vista “duas verdades”, as quais poderão ser diferentes 
da VERDADE REAL, e cuja resposta somente poderá ser demonstrada ou 
encontrada com a ajuda do perito, que deve agir com imparcialidade e se atentar 
aos aspectos técnicos e científicos, que lhe qualifica para a tarefa. Complementa 
o autor: a perícia tem por objeto principal e centralizador os fatos pertinentes à 
lide, os quais merecem análise e verificação pelo perito. 
Em outras palavras é possível dizer que a perícia visa avaliar, verificar, 
e, analisar as situações, coisas e fatos, e atinge as relações, efeitos, e haveres 
patrimoniais. Sua procedência acontece depois de estabelecido requerimento ou 
ofício, devendo restringir-se especificamente ao objeto merecedor de análise. O 
objeto não pode ser o objetivo da perícia, haja vista que o objeto se refere aos fatos 
de natureza técnica, e o objetivo se destina a apresentar uma prova ou constatação, 
de forma final e verdadeira.
O trabalho pericial materializa-se através do laudo elaborado pelo perito, 
e deve refletir de forma nítida e imparcial a verdade dos fatos técnicos analisados 
por este profissional (perito). Embora se saiba que existem diferentes tipos de 
pesquisas, neste caderno, nosso objetivo é explorar o que foi escrito sobre perícia 
contábil, razão pela qual abordaremos com superficialidade as outras espécies.
6 CONCEITUAÇÕES
Antes de iniciar qualquer atividade prática, o primeiro passo é conhecer o 
conceito do que se propõe analisar.Neste subtópico serão abordados os seguintes 
itens: perícia, perito, assistente e usuários da perícia para que você, acadêmico, 
tenha o conhecimento necessário para a realização das atividades pertinentes, bem 
como conheça e reconheça a função de cada profissional envolvido no processo.
6.1 PERÍCIA
A expressão perícia é derivada do latim peritia, que significa conhecimento. 
(SÁ, 2009). A forma de se elaborar a perícia é a que enseja opinião sobre a verificação 
feita, ao patrimônio individualizado de empreendimentos ou de pessoas, cujo 
procedimento, por sua natureza, é determinado ou requerido quando alguém, 
interessado no tema, pede a opinião.
Para maior entendimento Sá (2009, p. 3), conceitua a “perícia contábil 
como sendo a verificação de fatos ligados ao patrimônio individualizado visando 
oferecer opinião, mediante questão proposta”.
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E 
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL
8
Dessa forma, explica Wakim (2012, p. 4), pode-se definir perícia contábil 
como “uma tecnologia da contabilidade que significa pesquisa, exame acerca da 
verdade dos fatos, efetuada por pessoa com reconhecida habilidade ou experiência 
na matéria investigada”.
Magalhães et al. (2008), ao se reportarem à perícia, divergem parcialmente 
seu entendimento do conceito apresentado por Sá (2009), e explicam que a perícia, 
de forma mais ampla, pode ser entendida como qualquer trabalho de natureza 
específica que tenha rigor na execução se em nível mais profundo, com o objetivo 
de obtenção de prova ou opinião que permita orientar uma autoridade formal no 
julgamento de um fato, ou para desfazer conflito em interesses de pessoas. Esta 
afirmação nos faz entender que pode haver perícia em qualquer área científica ou 
até em situações empíricas.
A definição ou conceito de perícia ainda não está contemplada no Código 
de Processo Civil, apesar de estabelecer normas e procedimentos processuais, bem 
como as condições legais quanto à habilitação do profissional para o exercício da 
Perícia Judicial. Outro diploma legal que contribui para o entendimento do que 
seja Perícia Contábil Judicial é o Decreto-Lei nº 9.295/46, que em seu art. 25, alínea 
“e”, combinado com o art. 26, expressa que a Perícia Contábil é de competência 
dos contadores. 
O Conselho Federal de Contabilidade, através da Resolução nº 1.243/2009, 
fez sua parte e alterou o conceito de Perícia Contábil como o
conjunto de procedimentos técnico-científicos destinados a levar à 
instância decisória elementos de prova necessários a subsidiar a justa 
solução do litígio ou constatação de um fato, mediante laudo pericial 
contábil e/ou parecer pericial contábil, em conformidade com as normas 
jurídicas e profissionais, e a legislação específica no que for pertinente.
Para ampliar o assunto e deixar claro quais são as atribuições profissionais 
cabíveis aos profissionais da contabilidade, foi verificado o Decreto-Lei nº 9.295/46, 
que regulamenta a profissão do Contador, e no artigo 25, alínea “c” foi constatado 
que são atribuições privativas dos contadores diplomados, 
as perícias contábeis ou extrajudiciais, revisão de balanços e de haveres, 
revisão permanente ou periódica de escritas, regulações judiciais ou 
extrajudiciais de avarias, grossos ou comuns, assistência aos conselhos 
Fiscais das Sociedades Anônimas e quaisquer outras atribuições de 
natureza técnica conferidas por lei aos profissionais de contabilidade. 
Com o intuito de que não ocorra qualquer dúvida sobre este campo 
de atuação privativa dos contadores, buscou-se dar maior abrangência ao 
tema, e assim permitir ao acadêmico entender melhor quais são, de fato, suas 
oportunidades de trabalho enquanto contador diplomado.
TÓPICO 1 | DADOS HISTÓRICOS
9
Sá (2009) vai além e explica que a formação do conceito de perícia contábil 
exige razões do raciocínio, como a necessidade de se conhecer uma opinião de 
profissional contábil, a qualquer tempo, de forma qualitativa e quantitativa, sobre 
uma determinada realidade patrimonial, através de exame do especialista. 
Os procedimentos periciais são realizados através de exame, 
levantamentos, vistorias, indagações, investigações, avaliação e arbitragem 
(procedimento este realizado quando da falta de elementos mais concretos), de 
forma a fazer o necessário para ter segurança sobre o que será dito, escrito sobre 
determinada opinião, uma vez que os procedimentos periciais são aplicados 
segundo a pertinência de cada caso.
Não se pode confundir perícia com informe. O informe serve à perícia, na 
geração de um parecer ou um ponto de vista lógico.
Perícia é conhecimento e experiência das coisas. A função pericial é, 
portanto, aquela pela qual uma pessoa conhecedora e experimentada 
em certas matérias e assuntos examina as coisas e os fatos, reportando 
sua autenticidade e opinando sobre as causas, essência e efeitos da 
matéria examinada. (D’AURIA, 1962, p. 35)
Complementa Sá (2009), a perícia pode ser “parcial” ou “total”, dependendo 
do que se pretende detectar (realidades ou existências, valores, forças de provas 
ou configurações de situações da riqueza aziendal. 
Uma perícia pode requerer outra perícia quando o interesse de opinião 
abrange um objetivo que requer amplo conhecimento de uma questão postulada. 
A “abrangência” está relacionada ao caráter da perícia, e tem por finalidade atingir 
a “especificidade” para a qual a perícia foi requerida. Entre os seus objetivos, está 
o “pleno alcance da realidade”. 
Ressalta Sá (2009) que todos os meios são válidos para a formação de 
uma opinião que se apoie na “realidade”, na “plenitude”, na “essencialidade” 
e nas “formas” dos fatos em exame, e explica que o perito ao realizar a perícia, 
busca a “verdade” sobre o que se pretende evidenciar e deve ter sustentação 
documental. Sua finalidade é ser utilizada para fins diversos e para isso deve 
ser suficientemente “confiável”. Entre os principais fins da perícia estão os de 
matéria: (I) pré-judicial, que ilustra a abertura dos processos; (II) judiciais; (III) 
regimentais, que são utilizados para decisões administrativas, para decisões de 
âmbito social, e para finalidades fiscais. A matéria a ser periciada deve ater-se ao 
objeto para a qual a perícia foi requerida. 
As perícias são contratadas para tomada de “decisões” de diversas 
naturezas, como de gestão, de direito etc. e o fim é sempre a obtenção de “prova 
competente”, mas para isso é necessário que se lastreie em bases consistentes e de 
plena materialidade, isto é, competentes e verdadeiras.
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E 
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL
10
Sá (2009) vai além, e explica que os fins para os quais se pode requerer uma 
perícia são vários, precisando para isso que se baseie em elementos “verdadeiros” 
e “competentes”. 
Para que você, acadêmico, tenha um conhecimento mais amplo, buscou-
se um case apresentado por Magalhães et al. (2008, p. 110-115), referente a uma 
perícia extrajudicial, pertinente a uma Prestação de Contas de Administradores/
Procuradores, que descrevemos a seguir.
Inicialmente apresenta-se o perito e as partes, conforme demonstrado no 
item 1.
1	 Apresentação
Identificação do perito: (..........)
Matéria Periciada: litígio entre outorgante e outorgados quando do 
encerramento da gestão administrativa-comercial de empresa concessionária 
de derivados de petróleo.
Outorgante: Parte 1 (Contratante da Perícia Extrajudicial)
 Parte 2 (Praticante do Ilícito)
 Parte 3 (Praticante do Ilícito)
Síntese: Atendendo às condições expressas no CONTRATO DE 
SERVIÇOS DE PERÍCIA CONTÁBIL EXTRAJUDICIAL,firmado em 31-07-x5, 
periciamos os registros contábeis e os documentos que nos foram apresentados, 
mencionados na sequência:
Livros: Diário, nº (...) registrado na JCP/(...), sob nº(...), em 8-7-x5, fls. (...); 
 Registro de Entradas da Matriz, nº (...), fls. (...); 
 Registro de Saídas da Matriz, nº (...), fls. (...); 
 Registro de Apuração de ICMS da Matriz, nº (...), fls. (...); 
Registro de Inventário da Matriz, nº (...), fls. (...)
Registro de Entradas da Filial de BF, nº (...), fls. (...); 
Registro de Saídas da Filial de BF, nº (...), fls. (...); 
Registro de Apuração de ICMS da Filial de BF, nº (...), fls. (...);
Registro de Inventário da Filial de BF, nº (...), fls. (...).
Documentos: Notas fiscais de compras e de vendas;
CMD (Controle de Movimento Diário de Combustíveis); 
Extratos de Contas Correntes;
Canhotos de Cheques;
Ordens de Pagamento;
Recibos de Depósitos, dos seguintes bancos: BANCO 1, BANCO 2, 
BANCO 3, BANCO 4.
TÓPICO 1 | DADOS HISTÓRICOS
11
De posse da documentação, os autores fazem uma explanação de como 
foram desenvolvidos os trabalhos, conforme é apresentado no item 2.
2 Visão do conjunto
 A perícia foi desenvolvida em todos os registros, aplicando-se os 
procedimentos usuais, com aprofundamento específico nas áreas identificadas 
a seguir: disponibilidades, estoques, compras e vendas, registros fiscais e 
registros contábeis. 
2.1 Caixa e Equivalentes de Caixa
 Nos exames efetuados nos controles auxiliares e facultativos das contas 
que registram as disponibilidades, constatou-se as seguintes irregularidades:
a) Banco conta Movimento – BANCO 1
- omissão de lançamentos contábeis de alguns fatos ocorridos nos meses de 
abril a junho de 19x5;
- encontramos na documentação cinco canhotos de talões de cheques 
pertencentes a uma conta não identificada, cujas anotações envolvem 
operações comerciais idênticas às da empresa periciada, por exemplo: o 
cheque nº 143891, no valor de R$ 6.000.000,00 (seis milhões de reais), tendo 
como beneficiário um posto de gasolina; o cheque nº 333103, no valor de R$ 
3.000.000,00 (três milhões de reais), também para pagamento de um posto; os 
cheques nº 143904 e 143907, todos ao mesmo beneficiário.
b) Banco Conta Movimento – BANCO 2 
- omissão de lançamentos contábeis dos fatos ocorridos nos meses de abril a 
junho de 19x5;
- um comprovante de depósito em nome de outra empresa (...) Ltda., 
autenticado com o número “055, de 13/FEV./x5”, no valor de R$ 5.000.000,00 
(cinco milhões de reais), foi encontrado junto com os comprovantes de 
depósitos bancários da empresa periciada.
c) Banco Conta Movimento – BANCO 3
- este sem registro de movimento em nome da empresa periciada, porém está 
documentado um registro de lançamento a crédito, no extrato expedido 
pelo banco, na conta da Outorgada: Parte 3 (PRATICANTE DO ILÍCITO), 
procuradora da empresa periciada, no valor de R$ 38.000.000,00 (trinta e oito 
milhões de reais), emitido em 01/02/x5.
2.2 Estoques, compras e vendas
 Nos exames desses controles, foram constatadas as seguintes irregularidades:
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E 
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL
12
a) Estoques: MCD – Movimentação de Controle Diário de Combustíveis – foi 
constatado omissão do registro da entrada de 9.800 (nove mil e oitocentos 
litros) de ÓLEO DIESEL, adquiridos da fornecedora “[...] Distribuidora S/A”, 
conforme nota fiscal nº 29.301, no valor de custo igual a R$ 10.923.570,00 (dez 
milhões, novecentas e vinte e três mil, quinhentos e setenta reais).
b) Compras: no Registro de Entradas a NF nº 9.804, de “[...] e Representações de 
Produtos Derivados de Petróleo Ltda., foi lançada com um erro de valor; R$ 
3.000,00 (três mil reais), que representa uma saída fictícia de caixa.
c) Vendas: no exame dos talonários de notas fiscais e no registro de Saídas, 
constatamos omissão de registro de vendas dos meses de ABRIL a MAIO/x5, 
da Filial de BF, no valor de R$ 5.395.520,00 (cinco milhões, trezentos e noventa 
e cinco mil, quinhentos e vinte reais) e mais uma diferença nas vendas do 
dia 10/março/x5 no valor de R$ 549.000,00 (quinhentos e quarenta e nove mil 
reais), que comprovam omissão na entrada de caixa, no valor de R$ 5.944.520,00 
(cinco milhões, novecentos e quarenta e quatro mil, quinhentos e vinte reais). 
2.3 Registros Fiscais
 Os registros fiscais não estão revestidos das formalidades legais, pelas 
razões enunciadas a seguir:
a) Registro de entradas da Matriz: erro de valor no lançamento da segunda 
linha às fls (...); rasurado às fls. [...]; soma a lápis.
b) Registro de Saídas da Matriz: rasurado às fls [...]; somas a lápis.
c) Registro de Entradas da Filial de BF: rasurado às fls [...].
d) Registro de saídas da Filial de BF: o valor das vendas de MAR./x5 e ABRIL/
x5 não conferem com os valores registrados no Registro de Apuração do 
ICMS para os mesmos meses. 
2.4 Registros contábeis
 Os registros contábeis, também, não estão feitos em conformidade com a 
legislação comercial e tributária, pelos motivos que enunciamos a seguir:
a) Omissão de lançamentos de fatos contábeis, principalmente, nas contas 
“Banco Conta Movimento”, nos meses de ABRIL a JUNHO/x5.
b) Lançamento indevido a débito da conta “Venda de Lubrificantes isentos”, 
no valor de R$ 12.480.640,00 (doze milhões, quatrocentos e oitenta mil, 
seiscentos e quarenta reais), implicando em erro de classificação da conta. 
c) Lançamentos sintéticos da conta “Caixa” com ausência de Livro Caixa 
Analítico ou Boletins Diários de Caixa.
d) Alteração do sistema contábil utilizado, no curso da gestão administrativa, 
sem justificativa de mudança. 
TÓPICO 1 | DADOS HISTÓRICOS
13
3 Comentários periciais (CONCLUSÕES)
 As conclusões apresentadas são pela existência de: 
(a) Fraudes e erros, efetivamente comprovados;
(b) Indícios de fraudes, que podem ser investigadas;
(c) Ausência de prestação de contas dos atos praticados pelos procuradores, na 
gestão administrativa, a seguir especificados:
a) Fraudes e erros constatados
b) Indícios de fraudes
Histórico R$
Compra de mercadoria sem a competente entrada do 
estoque, o que significa desvio da mercadoria, NF nº 29.301.
10.923.570,00
Venda de mercadoria sem a competente entrada do 
valor recebido, NFVC nº 051 a 165.
5.393.520,00
Saída fictícia de caixa, por compra lançada com valor 
maior do que o real: valor lançado: valor lançado 
R$ 695.935,00; valor correto conforme NF.9804 – R$ 
692.935,00; diferença encontrada
3.000,00
TOTAL 16.322.090,00
Histórico R$
Depósito em nome de outra empresa (...) Ltda., no 
Banco 3.
5.000.000,00
Depósito de grande valor em nome da Parte 3, 
procuradora da empresa periciada, no Banco 4.
38.000.000,00
TOTAL 43.000.000,00
c)	Ausência	de	prestação	de	contas
- Não consta dos registros contábeis que os procuradores tenham prestado 
contas ao deixarem a empresa; a Contabilidade registra elevados saldos de 
CAIXA, conforme provam os balancetes dos últimos quatro meses, a saber:
Histórico R$
- MARÇO/x5 (nas duas filiais) 16.817.301,00
- ABRIL/x5 (matriz e filiais) 86.278.793,00
- MAIO/x5 (matriz e filiais) 78.331.986,00
		JUNHO/x5	(matriz	e	filiais) 80.144.048,00
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E 
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL
14
4 Documentos Probantes
 Os documentos comprobatórios das irregularidades, fraudes e erros 
constatados, dos indícios de fraudes e dos saldos de caixa, estão elencados, a seguir:
a) Nota Fiscal nº 29.301, de “[...] Distribuidora S/A”;
b) Notas Fiscais de Venda a Consumidor nº 051 a 200:
c) NotaFiscal nº 9.804, de “[...] Derivados de Petróleo Ltda.”;
d) Controles de Movimento Diário dos meses de FEV. a MAR./x5 das bombas 
de GASOLINA, ÓLEO DIESEL e ÁLCOOL HIDRATADO;
e) RECIBO DE Depósito Nº 998907, do BANCO 3;
f) Extrato de Conta Corrente, BANCO 4, emitido em 1-2-x5, conta em nome da 
Parte 3;
g) Talonários de cheques (canhotos), nºs 143891 a 143900; 332371 a 332390; 
332391 a 332410; 333101 a 333120; 833891 a 833910; 299911 a 299930 (conta 
não identificada);
h) Balancetes dos meses de março a junho de 19x5.
5	 Recomendações
a) Seja o contabilista responsável pela Contabilidade da empresa convidado 
a regularizar os registros contábeis, efetuando os lançamentos omitidos e 
reclassificando os lançamentos incorretos, no prazo legal.
b) Sejam os procuradores, Parte 2 e Parte 3 (PRATICANTES DO ILÍCITO) 
convidamos a prestar contas amigavelmente ou em juízo, se assim o 
preferirem, requerendo-se o depoimento pessoal de cada um deles sobre os 
fatos não esclarecidos.
6	 Contribuição	ao	aprendizado
Os aspectos mais relevantes desse caso, como contribuição ao aprendizado, 
estão circunscritos nos seguintes pontos:
a) Os atos preparatórios para a Perícia Extrajudicial são expressos no contrato, 
portanto, diferentes daqueles usuais na Perícia Judicial, pois, nesse caso, o 
perito não é nomeado pelo juiz, mas contratado pela(s) parte(s).
b) Na Perícia Extrajudicial, podem ser elaborados quesitos ou não, porém 
seguidas as regras básicas definidas no contrato.
c) A essência da Perícia Extrajudicial está no exame do sistema contábil, dos 
livros e dos documentos que formam o suporte da escrita contábil e dos atos 
da gestão social.
d) A apresentação do Laudo da Perícia Extrajudicial deve ser feita com 
observação da seguinte estrutura: introdução, visão do conjunto, documentos 
e livros examinados, comentários periciais.
TÓPICO 1 | DADOS HISTÓRICOS
15
7	 Críticas	ao	laudo	e	sugestões	para	os	casos	futuros
Prezado Acadêmico, 
como você pode observar, não basta apenas levantar e apresentar os 
fatos, é necessário fundamentar segundo a legislação, pertinente.
A estrutura do laudo pericial está ótima, bem sistematizada, escrita 
de tal forma a combinar síntese e clareza. Os comentários periciais, embora 
escritos de forma elucidativo, estão sem fundamentação expressa (leis, normas 
etc. que qualificam as fraudes e erros encontrados, os indícios de fraudes, a 
ausência de prestação de contas). Comentamos autores (2008).
FONTE: Magalhães et al. (2008, p. 110-115)
Existem diferentes fins para serem realizadas as perícias, os quais são 
qualificados da seguinte forma: 
• Para fins administrativos a perícia pode ser realizada, por exemplo, para 
verificar se o almoxarife está controlando os estoques sem permitir de haja 
desvio dos mesmos. Este tipo de perícia pode ser requerido dentro da própria 
empresa, por seu setor de contabilidade caso não disponha de outros meios.
• Para fins regimentais as perícias são realizadas para as Comissões Parlamentares 
de Inquérito, e quem as solicita é a Câmara dos Deputados.
• Para fins sociais as perícias são promovidas pelos sindicatos para que haja 
clareza na forma como os acordos salariais foram realizados.
• Para fins de observar se as empresas possuem meios de remunerar melhor, a 
perícia apura as condições em que os aumentos se suportam, tão como se há 
boa-fé na apuração. 
• Para confirmar se as afirmações dos autores estão em conformidade, buscou-se 
o que contempla o Código de Processo Civil, e no artigo 420 está disposto que 
“a prova pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação”.
O texto da lei nº 5.869/1973 fala em “prova pericial” que é o elemento 
competente para instruir decisão. 
No que se refere ao método de realização da perícia, este depende sempre 
do objeto que se examina. Sá (2009) explica e destaca que:
a) Quando a matéria é parcial, alcançável, é examinado tudo, isto é, todo o 
universo de exame. 
b) Quando a matéria é demasiadamente ampla, com risco de não alcançar o objetivo 
da perícia pela totalidade, é utilizada “excepcionalmente” uma amostra.
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E 
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL
16
As normas de auditoria podem ajudar o desempenho da perícia, mas 
como elemento subsidiário, isto é, valemo-nos da auditoria como ajuda para 
alguns poucos casos apenas, uma vez que, o método da perícia contábil não se 
confunde com o da auditoria. (SÁ, 2009)
A metodologia da perícia é basicamente analítica, detalhada sempre 
que necessário, uma vez que é preciso: I) identificar bem o objetivo; II) planejar 
competentemente o trabalho; III) executar o trabalho baseado em evidências 
inequívocas, plenas e confiáveis; IV) ser prudente na conclusão e emiti-la somente 
depois que tenha absoluta certeza sobre os resultados; V) a conclusão deverá ser 
de forma clara, precisa, e, inequívoca.
O método básico da perícia contábil de maior abrangência é o analítico, 
visando à confiabilidade da opinião, como prova que deverá ser para terceiros. 
Infere-se que a perícia contábil deve ser elaborada de forma imparcial, ampla, 
segura e sigilosa, utilizando-se o perito de fontes seguras, não permitindo que os 
resultados sejam tratados de forma que venham a beneficiar alguma das partes.
6.2 O PERITO
No início deste caderno foi abordado o surgimento da perícia, e observou-
se que os primeiros sinais surgiram em 1939. Daquela época para os dias atuais 
já houve muitas mudanças e adequações, porém, devido à crescente evolução e a 
relevância do trabalho pericial, necessário se faz atualização e aprimoramento das 
normas, daí mais uma vez a necessidade, do Conselho Federal de Contabilidade, 
fazer novos ajustes. Em 10 de dezembro de 2009 foi aprovada a Resolução nº 
1.244/09 (que está ainda vigente, e sem nenhuma alteração, até esta data), a qual 
entrou em vigor em 1º de janeiro de 2010, e estabelece o seguinte: o artigo 1º 
aprovou NBC PP 01 que dispõe sobre o Perito Contábil; o artigo 2º aprova a data 
de início de vigência, e o artigo 3º revoga, a partir de 1º de janeiro de 2010, as 
Resoluções CFC nº 857/99, 1.050/05, 1.051/05, 1.056/05 e 1.057/05, publicadas no 
Diário Oficial da União – D.O.U, seção I, de 29/10/99, 08/11/05, 08/11/05, 23/12/05 
e 23/12/05, respectivamente.
Esta resolução tem por objetivo normatizar os procedimentos inerentes à 
atuação do contador na condição de perito, e conceituar quem de fato pode ser 
perito, quais as reais necessidades para que seja habilitado como tal, e conhecer 
os deveres e obrigações. 
Nesse contexto observa-se o que explica Hoog (2011, p. 69) sobre o perito 
“[...] o perito não é funcionário público concursado, trata-se de um profissional liberal 
devidamente habilitado de livre escolha do magistrado, por ser pessoa de sua confiança”. 
TÓPICO 1 | DADOS HISTÓRICOS
17
Infere-se que qualquer profissional da contabilidade devidamente 
habilitado pode ser perito, cabe a este fazer seu cadastro no poder judiciário em 
site específico, ou então, dependendo do porte da Comarca em que deseja prestar 
seus serviços, entregar seu currículo na forma impressa.
6.2.1 O conceito 
Conforme pesquisa realizada para a elaboração deste caderno, ainda 
não existe nada escrito quanto ao conceito de perito, e nossas bibliografias são 
carentes no que concerne a este tema, explicam Magalhães et al. (2008), porém, 
as Normas de Perícia Judicial conceituam, e é aceito, da seguinte forma: Perito 
Judicial é o profissional habilitado e nomeado pelo juiz para emitir sua opinião 
sobre questões técnicas de sua especialidade. 
Ressaltam Magalhães et al. (2008) que o profissional para poder atuar como 
perito necessita ter nível universitário, ser inscrito no órgão de classecompetente, 
e no caso do contador, este profissional deve ser inscrito no Conselho Regional 
de Contabilidade do Estado onde estiver inserido, devendo comprovar sua 
especialidade mediante certidão do órgão profissional em que estiverem inscritos.
A lei processual denomina perito o profissional que é nomeado por 
iniciativa do juiz, podendo, após este ato, as partes ou uma delas, indicar o 
assistente técnico “Perito da Parte”. 
Wakim e Wakim (2012) entendem que o art. 145 do CPC considera o perito 
como cientista, isto porque ele fornecerá ao condutor do litígio informações 
técnicas e científicas que permitam o juiz tomar sua decisão, e complementam 
citando o que preveem os parágrafos 1º e 2º:
§ 1º Os peritos são escolhidos entre profissionais de nível universitário, 
devidamente inscritos no órgão de classe competente.
§ 2º Os peritos comprovarão sua especialidade na matéria sobre que 
deverão opinar, mediante certidão do órgão profissional em que 
estiverem inscritos.
Até a alteração do Código de Processo Civil, que ocorreu com a promulgação 
da Lei nº 8.455/92, perito ou assistente técnico era nomeado para fazer perícia, os 
quais mencionavam o que viam e o que constatavam em suas investigações e o 
faziam com bases reais e com absoluta intenção de justiça, mencionam Magalhães 
et al. (2008). Foi a partir desta alteração, que coube ao perito fazer a perícia, lavrar 
e assinar o laudo.
Já não é mais possível mencionar que não há nada escrito que conceitue o 
Profissional Perito, haja vista que a Resolução nº 1.244/09 do CFC, foi instituída 
e está em vigor desde 1º de janeiro de 2010 (sem alteração), a qual apresenta de 
forma clara três conceitos que apresentamos a seguir: 
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E 
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL
18
1) Perito é o contador regularmente registrado em Conselho Regional 
de Contabilidade, que exerce a atividade pericial de forma pessoal, 
devendo ser profundo conhecedor, por suas qualidades e experiências 
da matéria periciada; 2) Perito-contador nomeado é o designado pelo 
juiz em perícia contábil judicial; contratado é o que atua em perícia 
contábil extrajudicial; e escolhido é o que exerce sua função em 
perícia contábil arbitral; 3) Perito-contador assistente é o contratado 
e indicado pela parte em perícias contábeis, em processos judiciais e 
extrajudiciais, inclusive arbitral. 
Barboza (2010) conceitua o profissional perito como um agente ativo da 
perícia, uma pessoa entendida sobre determinado assunto, expert, que tem como 
objetivo esclarecer os aspectos técnicos dos fatos, mediante elaboração de exame, 
ou de vistoria, indagação, investigação, arbitramento, avaliação ou até certificação.
A visão de Peleias (2010) é divergente. Para este autor o Perito Contábil é o 
profissional que prepara e fornece informações relativas ao patrimônio de pessoas e 
sociedades. Seu trabalho é realizado para atender a uma classe especial de tomadores 
de decisão, com a finalidade de subsidiar seus processos decisórios. Para melhor 
compreensão deste parágrafo, buscamos identificar quem são os tomadores de 
decisão. Observamos que são os Juízes Federais ou Estaduais que conduzem os 
processos segundo as determinações do Código de Processo Civil. Para os casos em 
que houverem questões controversas de natureza patrimonial, e que não possuir o 
conhecimento necessário, estes, se utilizarão do trabalho do Perito contábil.
Para dirimir eventuais dúvidas, no que diz respeito ao que significa perito, 
utilizamo-nos do dicionário da Língua Portuguesa, de autoria de Ferreira (1999) 
que explica: “perito é a pessoa sabedora ou especialista em determinado assunto; 
ou ainda, é o profissional nomeado judicialmente para exame ou vistoria”.
Apesar de já estar normatizado o significado de perito, conforme 
conceituamos anteriormente, nosso entendimento como Profissional da 
Contabilidade vem de encontro com o exposto pelo CFC, através da Resolução 
nº 1.244/2009. Perito é o profissional formado em Ciências Contábeis, que tem 
seu diploma registrado no Conselho Regional de Contabilidade, e que realiza 
trabalhos profissionais com profundo conhecimento da contabilidade e matérias 
afins, para produzir prova amparado em elementos verdadeiros e competentes, 
que garantam a veracidade dos fatos. 
De acordo com o item 7 da Resolução CFC 1.244/2009, o perito deve 
comprovar sua habilitação profissional,
por intermédio da Declaração de Habilitação Profissional – DHP, 
de que trata a Resolução CFC nº 871/00. É permitida a utilização 
da certificação digital, em consonância com a legislação vigente 
e as normas estabelecidas pela Infraestrutura de Chaves Públicas 
Brasileiras – ICP – Brasil.
TÓPICO 1 | DADOS HISTÓRICOS
19
No âmbito geral, a habilitação profissional significa o conhecimento de 
determinado assunto, que permite apresentar a quem de direito, os fatos que 
comprovem a realização de atos ilícitos, e permita às autoridades dirimir dúvidas 
pertinentes. Para isso é necessário comprovar sua habilitação, que segundo Sá 
(2009, p. 277), “devem o perito-contador e o perito-contador assistente, fazê-lo 
mediante apresentação de certidão específica, cujo documento é emitido pelo 
Conselho Regional de Contabilidade, de acordo com a forma a ser regulamentada 
pelo Conselho Federal de Contabilidade”. 
A referida certidão deverá ser juntada ao processo no primeiro momento 
que o perito-contador, ou o perito-contador assistente se manifestarem nos autos, 
ficando habilitados para o exercício da função pericial contábil.
O CRC de cada estado é o órgão que emite a DHP, a qual é fornecida ao 
profissional da contabilidade que está em dia com suas obrigações profissionais, 
através do acesso à internet, na página do CRC.SC.
FIGURA 1 - SITE DO CRC.SC.
Certidão de Regularidade Profissional 
Certidão de Regularidade - Sociedade / Empresário
Certidão de Regularidade - Escritório Individual
Emitir Certidões, Acesso Público
FONTE: Site do Conselho Regional de Contabilidade de santa Catarina – CRCSC.
Acesso em: 5 jan. 2015.
A declaração fornecida está demonstrada a seguir, e foi baixada pela 
autora deste caderno, que é Contadora e Perita Judicial.
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E 
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL
20
CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE DE SANTA CATARINA
CERTIDÃO DE REGULARIDADE PROFISSIONAL
 O CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADA DE SANTA CATARINA
certifica que o(a) profissional identificado(a) no presente documento encontra-
se em situação regular.
 IDENTIFICAÇÃO DO REGISTRO
NOME: ................ 
REGISTRO: ..........
CATEGORIA: ....... 
CONTADOR: .........................
CPF: ...................
A presente CERTIDÃO não quita nem invalida quaisquer débitos ou 
infrações que posteriormente, venham a ser apurados pelo CRCSC contra o 
referido registro. 
A falsificação deste documento constitui-se em crime previsto no 
Código Penal Brasileiro, sujeitando o autor à respectiva ação penal. 
Emissão: Florianópolis, 05.01.2015 as 12:31:07.
Válido até: 05.04.2015.
Código de Controle: 74580. 
Para verificar a autenticidade deste documento consulte o site do CRCSC.
6.2.2 Normas profissionais do perito
Sempre que temos matéria nova sobre determinado assunto, o primeiro 
passo é conhecer a sua normatização, para uma perfeita aplicação.
TÓPICO 1 | DADOS HISTÓRICOS
21
Dada a relevância do tema Perícia Contábil, o Conselho Federal de 
Contabilidade que é o órgão máximo de fiscalização do exercício profissional do 
Contador, no Brasil, absorveu também a matéria relativa à Perícia Contábil. 
A constanteevolução e a crescente importância da perícia exigem 
atualização e aprimoramento das normas endereçadas à sua regência para manter 
permanente justaposição e ajustamento entre o trabalho a ser realizado e o modo 
ou o processo dessa realização.
O Conselho Federal de Contabilidade, no exercício de suas atribuições 
legais e regimentais, através da Resolução nº 1.243, de 10 de dezembro de 2009, 
resolve aprovar a NBC PP 01, que trata do Perito Contábil a qual entrou em vigor 
em 1º de janeiro de 2010 e ainda permanece vigente sem sofrer alteração, a qual 
revogou as resoluções anteriores. 
A NBC PP 01 que trata do Perito Contábil quando se refere ao item 5 – 
Competência Profissional, ressalta que para o exercício da função deve manter:
Competência técnico-científica pressupõe ao perito manter adequado 
nível de conhecimento da ciência contábil, das Normas Brasileiras de 
Contabilidade, das técnicas contábeis, da legislação relativa à profissão 
contábil e aquelas aplicáveis à atividade pericial, atualizando-se, 
permanentemente, mediante programas de capacitação, treinamento, 
educação continuada e especialização. 
E complementa que para isso, o perito deve demonstrar capacidade para 
pesquisar, examinar, analisar, fundamentar de forma sintética a prova no laudo 
pericial contábil e/ou no parecer pericial contábil, quando se tratar do perito-
contador assistente.
IMPORTANT
E
Realizar seus trabalhos com a observância da equidade significa que o perito-
contador e o perito-contador assistente devem atuar com igualdade de direitos, adotando os 
preceitos legais técnicos inerentes à profissão contábil.
De acordo com Sá (2009), o espírito de solidariedade do perito-contador 
e do perito-contador assistente não pode induzir, como também não justifica 
a participação ou ser conivente com erros ou atos infringentes às normas 
profissionais e éticas que regem o exercício da profissão, devendo sempre buscar a 
verdade fática a fim de esclarecer o objeto da perícia de forma técnica e imparcial.
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E 
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL
22
Prezado acadêmico! Você teve a oportunidade de conhecer as normas 
profissionais do perito, a sua aplicação, competência profissional, enfim, a legislação 
necessária para a prática da perícia contábil, e chamo a sua atenção no sentido de 
nunca esquecer a prática da justiça e o reconhecimento dos direitos de cada um.
6.3 O ASSISTENTE TÉCNICO
Quando se fala em assistente logo se associa a alguém que assiste a outrem, 
e este tipo de função é comum na área da saúde onde algum profissional assiste a 
alguém que é incapaz de realizar suas necessidades pessoais etc. Na elaboração da 
perícia não é diferente, ou seja, pode o perito em algum momento necessitar de um 
assistente que lhe atenda com informações precisas à realização do serviço para o 
qual foi contratado, e sobre o qual o perito não possui o conhecimento necessário. 
O Perito-Contador pode exercer a figura de Perito-Contador Judicial como 
também Perito-Contador Assistente. 
O assistente é um perito, porém, é indicado pelas partes para acompanhar 
o trabalho desenvolvido pelo perito designado pelo juiz, haja vista que em muitos 
casos o problema a ser resolvido não é passível de acordo amigável, o que leva à 
contratação do assistente, para sentir-se mais seguro dos resultados apresentados. 
De acordo com o § 1º, inciso I, art. 421 do CPC, o juiz incumbe às partes a 
“indicação” do assistente técnico, dentro do prazo de cinco dias, a contar da data 
de intimação do despacho de nomeação do perito.
De acordo com o art. 421:2c. “A falta de intimação do despacho de 
nomeação de perito pode ser suprida, pelo juiz, com a ampliação do prazo do art. 
421, § 1º, do CPC, para garantia da participação do assistente técnico na perícia”. 
(STJ – 3ª T., Resp. 1.932, Min. Gueiros Leite, j.14.5.90, DJU 11.6.90).
Prossegue ainda o CPC, art. 421: 3, mencionando que a indicação do 
assistente técnico é facultativa.
O assistente técnico é um mero assessor dos litigantes e não perito do juízo. 
Por isso as partes são livres para indicar ou não seu assistente, especialmente no 
caso de interesses distintos. De acordo com Magalhães et al. (2008), o assistente 
técnico, diferente do perito, apenas emite parecer. O que a lei não deixa claro é, 
se o parecer se baseia na matéria sob exame, ou, somente no conteúdo do laudo. 
Segundo Sá (2009), nas perícias contábeis judiciais, três são os peritos: um 
perito é nomeado pelo juiz, e as partes indicam os assistentes quando assim desejarem. 
Os peritos das partes, denominados assistentes, devem ser indicados no prazo de 
cinco dias, a partir da data da nomeação do perito, e, no mesmo prazo devem ser 
apresentados os quesitos pelas partes, conforme prevê o art. 421 do CPC – Código do 
Processo Civil, com as alterações da Lei nº 8.455, de 24 de agosto de 1992. 
TÓPICO 1 | DADOS HISTÓRICOS
23
Se os assistentes aceitarem a indicação, então o perito do juiz se 
compromete, e, pode conectar-se com os assistentes indicados, explica Sá 
(2009), que nos faz lembrar que os peritos devem ser Contadores, devidamente 
registrados no Conselho Regional de Contabilidade. 
Outro detalhe importante, quando da solicitação da perícia, é a escolha 
do perito, pois é dele que depende o sucesso dos trabalhos. Quando se trata de 
causas mais complexas, a decisão sobre a contratação do perito deve considerar 
o grau de experiência e cultura que ele deve ter, isto gerará maior confiabilidade 
no trabalho realizado.
Quando se trata do assistente técnico (de ambas as partes) é importante 
ressaltar que este profissional toma conhecimento de sua indicação pelas partes 
em litígio ou pelos advogados; não existe mais a obrigatoriedade de notificação 
para que se procedesse à assinatura de termo de compromisso em cartório. Os 
assistentes não se compromissam, apenas são indicados e depois avaliam o laudo 
do perito do juízo. (SÁ, 2009).
Corrobora Sá (2009), com Magalhães et al. (2008), quando menciona que o 
CPC prevê que aos assistentes técnicos cabe a manifestação em forma de parecer 
do laudo do perito do juízo, no prazo de dez dias contados da juntada do laudo 
nos autos, quando estes deverão concordar ou então apresentar as ressalvas, 
porém, na prática o que acontece é a permissão aos assistentes a terem amplo 
acesso durante a elaboração do trabalho de campo, antes mesmo da elaboração 
do laudo final, para que haja benefício na qualidade técnica e na doutrina contábil 
por parte do perito do juízo. 
Pelo fato de que a perícia judicial é do tipo de trabalho que se realiza 
“em conjunto”, este procedimento tem favorecido a manifestação dos assistentes, 
evitando interpretações diferentes, uma vez que as divergências podem ser 
discutidas e sanadas na fase de trabalho de campo, eliminando as concordâncias 
e discordâncias que poderiam vir a ocorrer posteriormente.
6.4 USUÁRIOS DA PERÍCIA
De acordo com Wakin; Wakin (2012), os usuários básicos que utilizarão as 
informações geradas pelo perito são: I) o magistrado; II) os advogados; III) as partes. 
I) O magistrado precisa de informações técnicas de determinada área para 
formar opinião e tomar sua decisão, apontando a parte que realmente possui 
o direito dentro de um litígio.
II) Os advogados que defendem as partes envolvidas utilizarão os resultados 
encontrados no laudo pericial como base para buscar a verdade de seus 
clientes e defender os interesses de seus contratantes.
III) As partes envolvidas no processo são os mais interessados nas informações 
apresentadas no laudo pericial, porque é através deste que se conhecerá o 
vencedor em um litígio. 
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DAPERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E 
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL
24
7 NOMEAÇÃO, CONTRATAÇÃO E ESCOLHA DO PERITO-
CONTADOR OU INDICAÇÃO DO PERITO-CONTADOR 
ASSISTENTE
A nomeação, a contratação e a escolha do perito-contador, ou a 
indicação do perito-contador assistente, para o exercício da função 
pericial contábil, em processo judicial, devem ser consideradas 
como distinção e reconhecimento da capacidade e honorabilidade do 
Contador, (SÁ 2009, p. 277). 
Sempre que o perito-contador reconhecer que não tem competência ou 
não dispõe de estrutura profissional adequada para desenvolver a função pericial 
contábil, deverá escusar ou renunciar os serviços, contemplada a utilização do 
serviço de especialistas de outras áreas, quando parte do objeto da perícia assim 
o requerer, dispõe o art. 146 do CPC: 
O perito tem o dever de cumprir o ofício, no prazo que lhe assina a lei, 
empregando toda a diligência: pode, todavia, escusar-se do encargo 
alegando motivo legítimo.
Parágrafo único. A escusa será apresentada dentro de cinco dias, 
contados da intimação ou do impedimento superveniente, sob pena 
de se reputar renunciado o direito de alegá-lo (art. 423). 
O fato de os peritos-contadores e peritos-contadores assistentes terem que 
utilizar serviços de especialistas de outras áreas, quando parte do objeto da perícia 
assim o requerer, não implica presunção de incapacidade dos profissionais, 
devendo tal fato ser, formalmente, relatado no Laudo Pericial Contábil ou no 
Parecer Pericial Contábil para conhecimento do julgador, das partes ou dos 
contratantes, explica Sá (2009). 
Esta indicação ou a contratação, menciona Sá (2009, p. 278):
Ocorre quando as partes ou contratantes necessitarem comprovar algo 
que depende de conhecimento técnico específico, razão pela qual o 
contador só deverá aceitar o encargo se reconhecer sua capacidade 
com conhecimento técnico suficiente, discernimento e irrestrita 
independência para a realização do trabalho.
Quando o profissional não se sentir preparado para assumir determinado 
serviço, deve ter conhecimento e ética para reconhecer o ato de recusa da função 
específica para aquele caso.
TÓPICO 1 | DADOS HISTÓRICOS
25
8 INDEPENDÊNCIA
Um profissional independente é aquele que toma suas próprias decisões, 
que tem autonomia para a realização de suas funções. De acordo com o item 15, 
das Normas Brasileiras de Contabilidade PP 01 – Perito Contábil, alterada segundo 
a Resolução do CFC – Conselho Federal de Contabilidade nº 1244/2009, o “Perito 
deve evitar qualquer interferência que possa constrangê-lo em seu trabalho, 
não admitindo, em nenhuma hipótese, subordinar sua apreciação a qualquer 
fato, pessoa, situação ou efeito que possa comprometer sua independência, 
denunciando a quem de direito a eventual ocorrência da situação descrita”. Pelo 
exposto entende-se que o profissional da perícia contábil deve realizar seu trabalho 
conforme sua autonomia, ética, caráter, e livre de qualquer compromisso. 
Hoog (2012) faz seus comentários e conclui que o perito-contador judicial 
ou perito-contador assistente têm total liberdade para firmar sua opinião no laudo, 
não podendo subordinar o resultado do seu trabalho à anuência de quem quer 
que seja, advogados, partes, magistrados, inclusive os outros peritos assistentes 
ou nomeados que são colegas de trabalho, devendo denunciar por escrito, nos 
autos, se houver algum tipo de tráfico de influência, ameaça, constrangimento 
de ordem física entre outros. Ressalta o autor que discutir sobre o resultado da 
análise é saudável, e isto prestigia e valoriza o contraditório e a ampla defesa.
9 IMPEDIMENTO E SUSPEIÇÃO
Continuando com o estudo das Normas Brasileiras de Contabilidade PP 01 – 
Perito Contábil, alteradas de acordo com a Resolução CFC nº 1244/2009, averiguou-se 
os itens 16 a 19, que tratam do impedimento e suspeição observando o seguinte:
• O item 16 explica que são situações de fatos que impossibilitam o perito de 
realizar atividade pericial em processo judicial ou extrajudicial, inclusive arbitral, 
segundo legislação vigente e Código de ética Profissional do contabilista.
• Para que o perito possa exercer suas atividades com imparcialidade, segundo o 
item 17, é fator determinante que ele se declare impedido, depois de nomeado, 
contratado, escolhido ou indicado quando ocorrerem as situações previstas 
nesta Norma.
• O item 18 disciplina que quando nomeado em juízo, o perito deve dirigir 
petição, no prazo legal, justificando a escusa ou o motivo do impedimento.
• O item 19 trata do perito-contador assistente: prevê que quando for indicado 
pela parte e não aceitar o encargo, este deve comunicá-la sobre sua recusa, 
devidamente justificada por escrito, com cópia ao juízo. 
Os casos de impedimento não param por aí, e então novamente 
consultamos a Resolução CFC 1.244/09, item 20, que trata do impedimento legal, 
que contempla a seguinte redação:
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E 
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL
26
O perito-contador nomeado ou escolhido deve se declarar impedido 
quando não puder exercer suas atividades com imparcialidade e sem 
qualquer interferência de terceiros, ou ocorrendo pelo menos uma das 
seguintes situações: (a) for parte do processo; (b) tiver atuado como 
perito-contador contratado ou prestado depoimento como testemunha 
no processo; (c) tiver mantido, nos últimos dois anos, ou mantenha 
com alguma das partes ou seus procuradores, relação de trabalho 
como empregado, administrador ou colaborador assalariado; (d) tiver 
cônjuge ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou em linha 
colateral até o terceiro grau, postulando no processo ou entidades 
da qual esses façam parte de seu quadro societário ou de direção; (e) 
tiver interesse, direto ou indireto, mediato ou imediato, por si, por seu 
cônjuge ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou em linha 
colateral até o terceiro grau, no resultado do trabalho pericial; (f) exercer 
cargo ou função incompatível com a atividade de perito-contador, em 
função de impedimentos legais ou estatutários; (g) receber dádivas 
de interessados no processo; (h) subministrar meios para atender às 
despesas do litígio; (i) receber quaisquer valores e benefícios, bens ou 
coisas sem autorização ou conhecimento do juiz ou árbitro.
Finalizamos os casos de impedimento, item 21 da mesma Resolução, com 
a abordagem do impedimento técnico-científico a ser declarado pelo perito, que 
abrange, a autonomia, a estrutura profissional e a independência para poder 
realizar de forma isenta o seu trabalho, e apresenta os seguintes motivos: 
(a) a matéria em litígio não ser de sua especialidade; (b) a constatação 
de que os recursos humanos e materiais de sua estrutura profissional 
não permitem assumir o encargo; cumprir os prazos nos trabalhos em 
que o perito-contador for nomeado, contratado ou escolhido; ou em 
que o perito-contador assistente for indicado; (c) ter o perito-contador 
da parte atuado para a outra parte litigante na condição de consultor 
técnico ou contador responsável, direto ou indireto em atividade 
contábil ou em processo no qual o objeto de perícia seja semelhante 
àquele da discussão, sem previamente comunicar ao contratante.
Na sequência trataremos ainda da suspeição que contempla os itens 22, 
23 e 24 da resolução 1.244/2009. O perito-contador nomeado ou escolhido deve 
declarar-se suspeito segundo o item 22, quando, após, nomeado, contratado ou 
escolhido observar a ocorrência de situações que venham suscitar suspeição face 
da sua imparcialidade ou independência, comprometendo o resultado do seu 
trabalho em relação à decisão.
O item 23 apresenta os casos de suspeiçãoaos quais está sujeito o perito-
contador: 
TÓPICO 1 | DADOS HISTÓRICOS
27
(a) ser amigo íntimo de qualquer das partes; (b) ser inimigo capital de 
qualquer das partes; (c) ser devedor ou credor em mora de qualquer 
das partes, dos seus cônjuges, de parentes destes em linha reta ou 
em linha colateral até o terceiro grau ou entidades das quais esses 
façam parte de seu quadro societário ou de direção; (d) ser herdeiro 
presuntivo ou donatário de alguma das partes ou dos seus cônjuges; 
(e) ser parceiro, empregador ou empregado de alguma das partes; 
(f) aconselhar, de alguma forma, parte envolvida no litígio acerca do 
objeto da discussão; (g) houver qualquer interesse no julgamento da 
causa em favor de alguma das partes.
O item 24 dispõe que o perito pode declarar-se suspeito por motivo íntimo.
Os casos de impedimento e suspeição estão previstos também no CPC, e 
contemplados nos artigos 134; 135; 136; 137; e 138.
Caput do art. 134 – É defeso ao juiz exercer as suas funções no processo 
contencioso ou voluntário.
Caput do art. 135 – Reputa-se fundada a suspeição de parcialidade do 
juiz, quando:
Caput do art. 136 – Quando dois ou mais juízes forem parentes [...] 
remetendo o processo ao seu substituto legal.
Caput do art. 137 – Aplicam-se os motivos de impedimento e suspeição 
aos juízes de todos os tribunais.
 Entretanto é o caput do artigo 138 que prevê que aplicam-se também os 
motivos de impedimento e de suspeição:
III. ao perito.
 
Ressaltamos que a base dos itens 16 a 24 da resolução 1.244/2009, 
mencionada anteriormente, vem de encontro ao que prevê o CPC (art.134; 135; 
136; 137; e 138), razão pela qual entende o Conselho Federal de Contabilidade que 
não há necessidade de transcrevê-los, ficando apenas o lembrete que em caso de 
dúvidas, o CPC deve ser consultado face à complexidade da matéria.
10 HONORÁRIOS
O profissional, ao ser convocado a realizar um trabalho pericial, inicialmente 
deve elaborar a proposta de honorários, e para isso o perito deve considerar os 
seguintes fatores: 1) a relevância; 2) o vulto; 3) o risco; 4) a complexidade; 5) a 
quantidade de horas; 6) o pessoal técnico; 7) o prazo estabelecido; 8) a forma de 
recebimento; e, 9) os laudos interprofissionais, entre outros fatores. Para maior 
compreensão buscamos identificar o que as Normas Brasileiras de Contabilidade 
PP 01 – Perito Contábil, alteradas de acordo com a Resolução CFC nº 1244/2009, 
entende de cada um dos fatores:
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E 
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL
28
1) a relevância é entendida como a importância da perícia no contexto social 
e sua essencialidade para dirimir as dúvidas de caráter técnico-científico 
contábil, suscitadas em demanda judicial ou extrajudicial; 
2) o vulto está relacionado ao valor da causa no que se refere ao objeto da 
perícia; à dimensão determinada pelo volume de trabalho; e, à abrangência 
pelas áreas de conhecimento envolvidas; 
3) o risco compreende a possibilidade do honorário pericial não ser integralmente 
recebido; o tempo necessário ao recebimento; bem como, a antecipação das 
despesas necessárias à execução do trabalho. Igualmente, devem ser levadas 
em consideração as implicações cíveis, penais, profissionais e outras de 
caráter específico a que pode estar sujeito o perito; 
4) a complexidade está relacionada à dificuldade técnica para a realização 
do trabalho pericial em decorrência do grau de especialização exigido; à 
dificuldade em obter os elementos necessários para a fundamentação do 
laudo pericial contábil; e, ao tempo transcorrido entre o fato a ser periciado 
e a realização da perícia. Deve ser considerado também o ineditismo da 
matéria periciada; 
5) as horas estimadas para a realização de cada fase do trabalho é o tempo 
despendido para a realização da perícia, mensurado em horas trabalhadas 
pelo perito-contador, quando aplicável; 
6) o pessoal técnico é formado pelos auxiliares que integram a equipe de trabalho do 
perito, estando os mesmos sob sua orientação direta e inteira responsabilidade; 
7) o prazo determinado nas perícias judiciais ou contratado nas extrajudiciais 
deve ser levado em conta nas propostas de honorários, considerando-se 
eventual exiguidade do tempo que requeira dedicação exclusiva do perito e 
da sua equipe para a consecução do trabalho; 
8) o prazo médio habitual de liquidação compreende o tempo necessário para 
recebimento dos honorários; 
9) os laudos interprofissionais e outros inerentes ao trabalho são peças técnicas 
executadas por perito qualificado e habilitado na forma definida no Código de 
Processo Civil e de acordo com o conselho profissional ao qual estiver vinculado. 
FONTE: Disponível em: <www.cfc.org.br>. Acesso em: 28 dez. 2014.
No parágrafo acima foram apresentados nove fatores iniciais a serem 
observados na elaboração dos honorários, previstos nos itens 47 a 57 das Normas 
Brasileiras de Contabilidade PP 01 – Perito Contábil, alteradas de acordo com a 
Resolução CFC nº 1244/2009. Mas não é somente isto. Na elaboração da proposta 
de honorários, o perito deve estimar, sempre que possível, o número de horas 
necessárias para a realização do trabalho a cada etapa, e também para cada 
profissional envolvido, assim entendidos os auxiliares, assistentes, seniores 
etc., considerando as seguintes atividades: a) a retirada e entrega dos autos; b) a 
leitura e interpretação do processo; c) a elaboração de termos de diligências para 
arrecadação de provas e comunicações às partes, terceiros e peritos-contadores 
assistentes; d) a realização de diligências; e) a pesquisa documental e exame de livros 
contábeis, fiscais e societários; f) a realização de planilhas de cálculos, quadros, 
TÓPICO 1 | DADOS HISTÓRICOS
29
gráficos, simulações e análises de resultados; g) os laudos interprofissionais; h) a 
elaboração do laudo; i) as reuniões com peritos-contadores assistentes, quando 
for o caso; j) a revisão final; k) as despesas com viagens, hospedagens, transporte, 
alimentação; e, l) outros trabalhos com despesas supervenientes.
De acordo com o item 58 das Normas Brasileiras de Contabilidade NBC 
PP 01 – Norma Profissional do Perito. “O Perito deve considerar, na proposta 
de honorários, os seguintes itens: I) relevância e valor da causa; II) prazos 
para execução da perícia; III) local da coleta de provas e realização da perícia”. 
Disponível em: <www.cfc.org.br>. Acesso em: 20 mar. 2015.
 
O tema honorários não para por aí. Existem os quesitos suplementares, 
cujos honorários não estão contemplados em sua proposta inicial, ressaltando que 
se estes forem formulados pelo juiz e/ou pelas partes, poderá haver incidência de 
honorários suplementares a serem requeridos, observados os mesmos critérios 
adotados para elaboração da proposta anteriormente apresentada.
Quanto aos quesitos de esclarecimentos formulados pelo juiz e/ou pelas 
partes, podem não gerar novos honorários periciais, se estes quesitos forem 
apresentados para obtenção de detalhes do trabalho realizado. Os quesitos de 
esclarecimentos devem ser analisados com zelo pelo perito-contador, uma vez 
que as partes podem formulá-los com essa denominação, mas serem quesitos 
suplementares, situação em que o trabalho deve ser remunerado na forma 
prevista no item 63. Para tanto, o perito-contador poderá requerer honorários 
suplementares, justificando o pleito, pela caracterização de quesito suplementar.
Uma vez definidos os honorários, estes devem ser apresentados, e sua 
proposta deve ser devidamente fundamentada, ao juízo ou contratante, podendo 
conter o orçamento, ou então, constituir-se em uma documentação anexa, 
conforme menciona o subitem 62 das Normas Brasileiras de Contabilidade PP 
01 – Perito Contábil,alteradas de acordo com a Resolução CFC nº 1244/2009. 
Contempla também o subitem 62 que cabe ao perito-contador assistente 
apresentar de forma detalhada a sua proposta de honorários no contrato, que, 
obrigatoriamente, celebrará com o seu cliente, sempre observando as NBC PP 01, 
estabelecidas pelo CFC. 
Deve também o perito-contador assistente, estabelecer, em “Contrato 
Particular de Prestação de Serviços Profissionais de Perícia Contábil”, o objeto, 
as obrigações das partes, e os honorários profissionais, podendo, para tanto, 
utilizar-se dos parâmetros estabelecidos no item 64 das Normas Brasileiras de 
Contabilidade PP 01 – Perito Contábil, alteradas de acordo com a Resolução CFC 
nº 1244/2009 (vigente), com relação aos honorários do perito-contador. O perito-
contador assistente deve adotar, no mínimo, o modelo constante nesta Norma 
referente ao seu contrato de prestação de serviços.
Uma vez definidos os honorários, o próximo passo é a apresentação 
destes, que deverá fazê-lo através de uma petição.
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TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL
30
Yee (2011, p. 15) sugere um modelo de proposta de honorários periciais 
pelo valor fixo.
 EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA .....ª VARA CÍVEL DA COMARCA 
DE CURITIBA – ESTADO DO PARANÁ.
 AUTOS
 REQUERENTES:
 REQUERIDO:
 ZUNG CHE YEE, Engenheiro Agrônomo, portador da carteira do 
CREA-PR sob n. 3.729-D, perito judicial nomeado nos presentes autos, vem 
mui respeitosamente à presença de Vossa Excelência para dizer que aceita o 
honroso cargo de perito para o qual foi nomeado, e apresenta a proposta de 
honorários no valor de R$ 2.000,00 (dois mil reais).
 Termos em que
 Pede e espera deferimento
 Curitiba, .................................................................
 _____________________________
 ZUNG CHE YEE
 CREA-PR n. 3.729-D
O requerimento dos honorários periciais depositados é um dever do 
perito-contador, que deverá fazê-lo na mesma petição em que requerer a juntada 
do laudo pericial aos autos, conforme notas 1, 2, e 3, a seguir.
NOTA 1: de acordo com o item 66, o perito-contador pode requerer a 
liberação parcial dos honorários quando julgar necessário, para o custeio de 
despesas durante a realização dos trabalhos.
NOTA 2: quando os honorários periciais forem fixados por decisão 
judicial, estes podem ser executados, judicialmente, pelo perito-contador em 
conformidade com os dispositivos do Código de Processo Civil.
NOTA 3: se houver necessidade de desembolso para despesas 
supervenientes (viagens e estadas, para a realização de outras diligências) 
deve o perito requerer ao juízo ou então solicitar ao contratante que efetue o 
pagamento das despesas, mediante apresentação da comprovação, desde que 
TÓPICO 1 | DADOS HISTÓRICOS
31
não estejam contempladas ou quantificadas na proposta inicial de honorários, 
dispõe o item 68 das Normas Brasileiras de Contabilidade PP 01 – Perito 
Contábil, alteradas de acordo com a Resolução CFC nº 1244/2009.
FONTE: Disponível em: <www.cfc.org.br>. Acesso em: 28 dez. 2014.
11 O SIGILO
Manter-se em sigilo é um ato obrigatório por qualquer profissional, na 
realização de qualquer função, mas no exercício pericial contábil é ainda mais 
importante, haja vista a legislação específica que trata deste assunto.
De acordo com os itens 25; 26; e, 27, respectivamente, das Normas Brasileiras 
de Contabilidade PP 01 – Perito Contábil, alteradas de acordo com a Resolução 
CFC nº 1244/2009, em obediência ao Código de Ética Profissional do Contabilista, 
o perito deve respeitar e assegurar o sigilo das informações a que teve acesso, 
proibida a sua divulgação, salvo quando houver obrigação legal de fazê-lo.
Hoog (2012) faz seus comentários e menciona que a supremacia ética do 
sigilo proíbe total divulgação de atos e fatos apurados pelos peritos durante as 
diligências, devendo inclusive abster-se de expender a sua convicção pessoal, ou 
ainda, utilizá-las como elementos de publicidade pessoal. Este dever de sigilo 
subsiste mesmo na hipótese de o profissional se desligar do trabalho antes de tê-
lo concluído.
De acordo com pesquisa realizada no site <www.cfc.org.br>, os empregados 
designados pelo Conselho Federal de Contabilidade e Conselhos Regionais de 
Contabilidade, para efetuarem a fiscalização do exercício profissional devem ter 
competência legal similar à requerida do perito para o trabalho por ele realizado, 
e assumem compromisso de sigilo profissional semelhante, o que vem a confirmar 
nosso entendimento exposto no início deste item.
12 RESPONSABILIDADE E ZELO
Cabe ao perito conhecer as responsabilidades sociais, éticas, profissionais 
e legais, às quais está sujeito no momento em que aceita o encargo para a execução 
de perícias contábeis judiciais e extrajudiciais, inclusive arbitral, segundo dispõe 
o item 28 das Normas Brasileiras de Contabilidade PP 01 – Perito Contábil, 
alteradas de acordo com a Resolução CFC nº 1244/2009.
O termo “responsabilidade” refere-se à obrigação do perito em respeitar 
os princípios da moral, da ética e do direito, atuando com lealdade, idoneidade 
e honestidade no desempenho de suas atividades, sob pena de responder civil, 
criminal, ética e profissionalmente por seus atos. (CFC, 2003). 
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E 
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL
32
O item 30 das Normas Brasileiras de Contabilidade PP 01 – Perito Contábil, 
dispõe que a responsabilidade do perito decorre da relevância que o resultado de 
sua atuação pode produzir.
A responsabilidade é dividida em: responsabilidade ética; e, 
responsabilidade civil e penal. A responsabilidade ética do perito, segundo o 
item 31 das Normas Brasileiras de Contabilidade PP 01 – Perito Contábil, decorre 
da necessidade do cumprimento dos princípios éticos, em especial, aqueles 
estabelecidos no Código de Ética Profissional do Contabilista e nesta Norma. 
A responsabilidade civil determina responsabilidades e penalidades para 
o profissional que exerce a função de perito-contador, as quais consistem em 
multa, indenização e inabilitação.
A legislação penal estabelece penalidades como: multa, detenção e 
reclusão para os profissionais que exercem a atividade pericial que vierem a 
descumprir as normas legais.
Wakim e Wakim (2012) explicam que a responsabilidade civil do perito 
pode ser dividida em duas, sendo: subjetiva e objetiva, e comentam o que Hoog 
(2005, p. 65) esclarece:
A responsabilidade civil subjetiva é considerada um dano causado 
diretamente pelo Perito, em função de ato doloso ou culposo, onde 
devem estar presentes os seguintes elementos:
1 – a ação praticada deve ser comprovada, ou, a sua omissão deve ser 
provada. Exemplo: a entrega do laudo fora do prazo, sem motivo;
2 – o dano deve estar provado, mensurado e fundamentado como elo 
de ligação;
3 – o dolo ou a culpa, deve estar presente.
Continua Hoog (2007a, p. 65-66), “a responsabilidade civil objetiva decorre 
de ausência da ação dolosa ou culposa; é presumível em relação aos riscos da 
atividade ou descuido, o que assegura direito de ação regressiva”.
IMPORTANT
E
A responsabilidade civil objetiva caracteriza-se quando o perito-contador é 
induzido ao erro.
A responsabilidade civil subjetiva é aquela onde o perito age de forma dolosa ou culposa, 
podendo causar danos aos envolvidos no processo.
TÓPICO 1 | DADOS HISTÓRICOS
33
Portanto, zelo, para o profissional da perícia contábil refere-se ao cuidado 
que o mesmo deve dispensar na execução de suas tarefas, em relação à sua conduta, 
documentos, prazos, tratamento dispensado às autoridades, aos integrantesda 
lide e aos demais profissionais, de forma que sua pessoa seja respeitada, seu 
trabalho levado a bom termo e, consequentemente, o laudo pericial contábil e 
o parecer pericial contábil dignos de fé pública, dispõe o item 37 das Normas 
Brasileiras de Contabilidade PP 01 – Perito Contábil.
O item 38 das Normas Brasileiras de Contabilidade PP 01 – Perito Contábil, 
dispõe que o zelo profissional do perito na realização dos trabalhos periciais 
compreende: 
(a) cumprir os prazos fixados pelo juiz em perícia judicial e nos termos 
contratados em perícia extrajudicial, inclusive arbitral; (b) assumir a 
responsabilidade pessoal por todas as informações prestadas, quesitos 
respondidos, procedimentos adotados, diligências realizadas, valores 
apurados e conclusões apresentadas no Laudo Pericial Contábil e no 
Parecer Pericial Contábil; (c) prestar esclarecimentos determinados 
pelo juiz ou pelo árbitro, respeitados os prazos legais ou contratuais; 
(d) propugnar pela celeridade processual, valendo-se dos meios 
que garantam eficiência, segurança, publicidade dos atos periciais, 
economicidade, o contraditório e a ampla defesa; (e) prudência, no 
limite dos aspectos técnico-científicos, e atento às consequências 
advindas dos seus atos; (f) receptividade aos argumentos e críticas, 
podendo ratificar ou retificar o posicionamento anterior. Disponível 
em: <www.cfc.org.br/2014>. Acesso em: 28 dez. 2014.
Por último, para completar responsabilidade e zelo, o item 39 das Normas 
Brasileiras de Contabilidade PP 01 – Perito Contábil, contempla que a transparência 
e o respeito recíproco entre o perito-contador e o perito-contador assistente 
pressupõem tratamento impessoal, restringindo os trabalhos, exclusivamente, ao 
conteúdo técnico-científico.
No que diz respeito ao trabalho de sua equipe técnica, cabe ao perito a 
responsabilidade pelo que compreende os auxiliares para execução do trabalho 
complementar do laudo pericial contábil e/ou parecer pericial contábil, tais como: 
digitação, pesquisas e análises contábeis, cálculos e pesquisas pertinentes.
Na eventualidade do perito, contratar serviços profissionais de outras 
profissões regulamentadas. O perito deve certificar-se de que os contratados se 
encontram em situação regular perante o seu Conselho Profissional. 
Os laudos interprofissionais para subsidiar a perícia contábil, são assim 
identificados: 
(a) avaliação de engenharia; (b) de medicina para subsidiar a perícia 
contábil em cálculo de indenização de perdas e danos, para apuração 
de danos emergentes ou lucros cessantes; (c) de perito criminal em 
documentos, cópia e grafotécnica para reconhecer a autenticidade ou 
a falsidade de documentos. Disponível em: <www.cfc.org.br/2014>. 
Acesso em: 28 dez. 2014.
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E 
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL
34
Observa-se neste item (39) que a obrigatoriedade pela regulamentação 
da profissão atinge a todos os profissionais liberais, independente da área de 
atuação, e portanto, é responsabilidade do perito, ao necessitar a contratação de 
serviços profissionais complementares, inicialmente averiguar a situação deste 
profissional junto ao Conselho em que estiver inserido.
13 UTILIZAÇÃO DE TRABALHO DE ESPECIALISTA
Conforme foi mencionado no item acima, o perito pode valer-se de 
especialistas de outras áreas para a realização do trabalho, desde que a matéria-
objeto da perícia assim o requeira, é o que prevê o item 46 das Normas Brasileiras 
de Contabilidade PP 01 – Perito Contábil.
Essa obrigação assumida pelo perito perante o julgador ou o contratante, 
não exime o especialista contratado da responsabilidade pelo trabalho executado. 
Os trabalhos realizados por especialista podem ser das áreas: analista de sistema, 
atuário, tecnólogo, geólogo, especialista em obras de artes e outros avaliadores. 
Necessitando profissional de uma dessas áreas, o especialista nomeado 
pelo juiz deve protocolizar o seu laudo em juízo e o perito-contador, ou perito-
contador assistente, pode valer-se das apurações e conclusões ali constantes, 
realizadas pelo profissional contratado.
Hoog (2012) comenta que o trabalho de perito-especialista está previsto no 
art. 431-B. do CPC, que contempla a seguinte redação: tratando-se de perícia com a 
lide complexa, isto é, que abranja diferentes áreas de conhecimento especializado, 
o juiz poderá nomear mais de um perito e as partes poderão indicar mais de um 
assistente técnico.
IMPORTANT
E
O art. 431-B:1 prevê que é causa de nulidade da perícia a indicação do 
segundo expert pelo perito originalmente designado; a nomeação daquele deve ser feita 
necessariamente pelo juiz (STJ-2ª T., REsp 866.240, Min. Castro Meira, j.22.5.07, DJU 8.8.07).
14 A ÉTICA PROFISSIONAL
O trabalho pericial é de extrema importância nos casos em que há 
discordância na tomada de decisão. Conforme citado anteriormente, para que 
haja responsabilidade ética do perito, deve haver cumprimento dos princípios 
éticos, razão pela qual se entende imprescindível a exposição do Código de Ética 
TÓPICO 1 | DADOS HISTÓRICOS
35
Profissional do Contador. Este código de ética foi alterado segundo a Resolução 
CFC 1.307/2010, e aprovado em 9 de dezembro de 2010, segundo considerações 
do Presidente Contador JUAREZ DOMINGUES CARNEIRO.
O novo Código de Ética Profissional do Contador não se divide mais em 
capítulos, mas está composto de 29 artigos, os quais comentamos a seguir: 
O art. 1º dispõe que o Código de Ética Profissional do Contabilista – 
CEPC passa a se chamar Código de Ética Profissional do Contador – CEPC.
O art. 2° contempla sobre o objetivo do CEPC, que a resolução 803/96 
previa no art.1º.
O art. 3º aborda sobre os deveres do Profissional da Contabilidade.
O art. 4º contempla o inciso I do art. 2° da Resolução CFC n° 803/1996, 
que passa a vigorar com nova redação: “I – exercer a profissão com zelo, 
diligência, honestidade e capacidade técnica, observada toda a legislação 
vigente, em especial aos Princípios de Contabilidade e as Normas Brasileiras de 
Contabilidade, e resguardados os interesses de seus clientes e/ou empregadores, 
sem prejuízo da dignidade e independência profissionais”.
Art. 5º cria o inciso X do art. 2° da Resolução CFC n° 803/1996 com 
a seguinte redação: “X – cumprir os Programas Obrigatórios de Educação 
Continuada estabelecidos pelo CFC”.
Art. 6º cria o inciso XI do art. 2° da Resolução CFC n° 803/1996, com 
a seguinte redação: “XI – comunicar, ao CRC, a mudança de seu domicílio 
ou endereço e da organização contábil de sua responsabilidade, bem como a 
ocorrência de outros fatos necessários ao controle e fiscalização profissional”. 
Art. 7º cria o inciso XII do art. 2° da Resolução CFC n° 803/1996 com a 
seguinte redação: “XII – auxiliar a fiscalização do exercício profissional”.
Art. 8º o caput do art. 3° da Resolução CFC n° 803/1996 passa a vigorar 
com nova redação: “art. 3º - no desempenho de suas funções, é vedado ao 
Profissional da Contabilidade:”
Art. 9º o inciso I do art. 3° da Resolução CFC n° 803/1996 passa a vigorar 
com a seguinte redação: “I – anunciar, em qualquer modalidade ou veículo de 
comunicação, conteúdo que resulte na diminuição do colega, da Organização 
Contábil ou da classe, em detrimento aos demais, sendo sempre admitida a 
indicação de títulos, especializações, serviços oferecidos, trabalhos realizados 
e relação de clientes”.
Art. 10 o inciso XIII do art. 3° da Resolução CFC n° 803/1996 passa a vigorar 
com a seguinte redação: “XIII – aconselhar o cliente ou o empregador contra 
disposições expressas em lei ou contra os Princípios de Contabilidade e as Normas 
Brasileiras de Contabilidade editadas pelo Conselho Federal de Contabilidade”.
Art. 11 o incisoXX do art. 3° da Resolução CFC n° 803/1996 passa a 
vigorar com a seguinte redação: “XX – executar trabalhos técnicos contábeis 
sem observância dos Princípios de Contabilidade e das Normas Brasileiras de 
Contabilidade editadas pelo Conselho Federal de Contabilidade”.
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E 
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL
36
Art. 12 cria o inciso XXIII do art. 3° da Resolução CFC n° 803/1996 
que vigora com a seguinte redação: “XXIII – Apropriar-se indevidamente de 
valores confiados a sua guarda”.
Art. 13 cria o inciso XXIV do art. 3° da Resolução CFC n° 803/1996 com 
a seguinte redação: “XXIV – Exercer a profissão demonstrando comprovada 
incapacidade técnica.”
Art. 14 cria o inciso XXV do art. 3° da Resolução CFC n° 803/1996 com 
a seguinte redação: “XXV – Deixar de apresentar documentos e informações 
quando solicitado pela fiscalização dos Conselhos Regionais.”
Art. 15 o caput do art. 4° da Resolução CFC n° 803/1996 passa a vigorar 
com a seguinte redação: “art. 4º o Profissional da Contabilidade poderá 
publicar relatório, parecer ou trabalho técnico-profissional, assinado e sob sua 
responsabilidade.”
Art. 16 o inciso VII do art. 5° da Resolução CFC n° 803/1996 passa a 
vigorar com a seguinte redação: “VII – assinalar equívocos ou divergências 
que encontrar no que concerne à aplicação dos Princípios de Contabilidade e 
Normas Brasileiras de Contabilidade editadas pelo CFC”.
Art. 17 o caput do art. 6° da Resolução CFC n° 803/1996 passa a 
vigorar com nova redação: “art. 6º - o Profissional da Contabilidade deve 
fixar previamente o valor dos serviços, por contrato escrito, considerados os 
elementos seguintes:”.
Art. 18 - o art. 7° da Resolução CFC n° 803/1996 passa a vigorar com a 
seguinte redação: “art. 7º o Profissional da Contabilidade poderá transferir o 
contrato de serviços a seu cargo a outro profissional, com a anuência do cliente, 
sempre por escrito, de acordo com as normas expedidas pelo Conselho Federal 
de Contabilidade.”
Art. 19 o Parágrafo único do art. 7° da Resolução CFC n° 803/1996 
passa a vigorar com a seguinte redação: “Parágrafo único. O Profissional da 
Contabilidade poderá transferir parcialmente a execução dos serviços a seu cargo 
a outro profissional, mantendo sempre como sua a responsabilidade técnica.”
Art. 20 o caput do art. 8° da Resolução CFC n° 803/1996 passa a vigorar 
com a seguinte redação: “art. 8º é vedado ao Profissional da Contabilidade 
oferecer ou disputar serviços profissionais mediante aviltamento de honorários 
ou em concorrência desleal.”
Art. 21 o caput do art. 9° da Resolução CFC n° 803/1996 passa a vigorar 
com a seguinte redação: “art. 9º a conduta do Profissional da Contabilidade com 
relação aos colegas deve ser pautada nos princípios de consideração, respeito, 
apreço e solidariedade, em consonância com os postulados de harmonia da classe.”
Art. 22 o caput do art. 10 da Resolução CFC n° 803/1996 passa a vigorar 
com nova redação: “art. 10 - o Profissional da Contabilidade deve, em relação 
aos colegas, observar as seguintes normas de conduta:”
Art. 23 o caput do art. 11 da Resolução CFC n° 803/1996 passa a vigorar 
com a seguinte redação: “art. 11 - o Profissional da Contabilidade deve, com 
relação à classe, observar as seguintes normas de conduta:”.
TÓPICO 1 | DADOS HISTÓRICOS
37
Art. 24 o parágrafo único, incisos I, II e III do Art. 12 passa a ser o § 1° e 
incisos I, II e III e passa a vigorar com a seguinte redação: “§ 1º Na aplicação das 
sanções éticas, podem ser consideradas como atenuantes: I – ação desenvolvida 
em defesa de prerrogativa profissional; II – ausência de punição ética anterior; 
III – prestação de relevantes serviços à Contabilidade.”
Art. 25 cria o § 2° e incisos I e II do art. 12: “§ 2º - na aplicação das 
sanções éticas, podem ser consideradas como agravantes: I – ação cometida 
que resulte em ato que denigra publicamente a imagem do Profissional da 
Contabilidade; II – punição ética anterior transitada em julgado.”
Art. 26 o caput do art. 14 da Resolução CFC n° 803/1996 passa a vigorar 
com a seguinte redação: “art. 14 o Profissional da Contabilidade poderá 
requerer desagravo público ao Conselho Regional de Contabilidade, quando 
atingido, pública e injustamente, no exercício de sua profissão.”
Art. 27 Fica criado o Capítulo VI – Das Disposições Gerais.
Art. 28 Fica criado o Art. 15 com a seguinte redação: “art. 15. Este Código 
de Ética Profissional se aplica aos Contadores e Técnicos em Contabilidade 
regidos pelo Decreto-Lei nº 9.295/46, alterado pela Lei nº 12.249/10.”
Art. 29 A presente Resolução entra em vigor na data de sua aprovação.
FONTE: Disponível em: <www.cfc.org.br>. Acesso em: 28 dez. 2014. 
Caro acadêmico! A partir deste item é possível perceber a abrangência 
do código de ética, a importância que ele representa no desempenho do trabalho 
do perito, a relevância da profissão por essa característica tão nobre que é a ética 
pessoal e profissional.
38
Neste tópico vimos:
• As abordagens históricas sobre precursores da perícia contábil, as datas que 
marcaram o início da perícia, como e quando surgiu, a legislação pertinente, 
onde iniciou e o surgimento da perícia no Brasil.
• A expressão Perícia é derivada do latim, que quer dizer Peritia, o que significa 
Conhecimento e o profissional responsável pela elaboração da perícia 
denomina-se Perito, o qual deve ser Bacharel em Ciências Contábeis, e deve 
ser registrado no Conselho Regional de Contabilidade do estado onde tem sua 
residência e/ou domicílio. 
• As características, os fundamentos doutrinários, a ética profissional, bases 
contextuais, exercício profissional, função contábil e o perito. 
• Sobre os aspectos históricos da perícia é possível dizer que foi em 1939 que 
ela iniciou, segundo explicam Magalhães et al. (2008) através do Código de 
Processo Civil (CPC). 
• A matéria sobre “Perícia Contábil”, no Brasil, surgiu em um evento da classe 
em 1924, no primeiro Congresso Brasileiro de Contabilidade. 
• O objetivo da perícia é a busca da VERDADE REAL em determinado caso judicial. 
• A legislação que rege as Normas Profissionais do Perito são Resoluções do 
CFC - Conselho Federal de Contabilidade, e atualmente são as de nº 1.243/2009 
e 1.244/2009, datadas de 10 de dezembro. 
• Sobre as Normas Profissionais do Perito, a NBC PP 01 é aquela que está vigente 
atualmente. Cabe lembrar que as normas profissionais preveem que o perito-
contador e o perito-contador assistente devem comprovar sua habilitação 
profissional mediante apresentação de certidão específica, emitida pelo 
Conselho Regional de Contabilidade. Ainda sobre as Normas Profissionais do 
Perito, estas contemplam que o perito-contador e o perito-contador assistente 
devem evitar, mas principalmente denunciar qualquer interferência que 
possam constrangê-los em seu trabalho, não admitindo, em hipótese alguma, 
subordinar sua apreciação a qualquer fato, pessoa, situação ou efeito que 
possam comprometer sua independência.
• O exercício da perícia também faz jus a cobrança de honorários pretendidos 
pelo perito-contador e pelo perito-contador assistente os quais devem ser 
estabelecidos previamente, mediante avaliação dos serviços a serem prestados. 
RESUMO DO TÓPICO 1
39
• Não basta apenas ter o conhecimento da legislação que trata da perícia, 
habilitação, ética, é preciso conhecer e obedecer as determinações previstas 
pelo Código de Ética Profissional do Contador – CEPC, que dispõe sobre o 
sigilo profissional, em que o perito-contador e o perito-contador assistente, 
devem respeitar e assegurar sigilo sobre as informações que apurarem durante 
a execução do trabalho, proibida a sua divulgação, salvo noscasos em que 
houver obrigação legal de fazê-lo. 
• É item fundamental no exercício pericial, o cumprimento dos prazos 
estabelecidos no processo ou contrato, assim como deve o profissional da 
perícia zelar por suas prerrogativas profissionais, o que leva a legitimar que o 
trabalho foi realizado com seriedade e responsabilidade. 
O Tópico 1 é extenso, e certamente lhe restaram algumas dúvidas. Para 
isso, e também com o objetivo de aprimorar o seu conhecimento, elaborou-se um 
conjunto de questões objetivas e subjetivas que certamente contribuirão para o 
desempenho profissional, as quais são apresentadas a seguir.
Bom estudo!
40
1 Assinale a alternativa correta. Segundo Magalhães et al. (2008), a Legislação 
Falimentar através do Decreto-Lei nº 7.661/45, com alterações da Lei nº 
4.983/66, arts. 63; 93; 169; 211 e 212 estabeleceu regras de:
a) ( ) Perícia judicial.
b) ( ) Auditoria independente. 
c) ( ) Auditoria interna.
d) ( ) Perícia contábil.
e) ( ) Perícia extrajudicial.
2 Preencha as lacunas:
a) Para Barboza (2010) o objetivo da perícia é a _______________________ em 
_________________, no qual surge _______________ para o ___________, 
quando, o _________ lhe apresenta um ________, que é contestado pelo 
___________. 
b) O mesmo autor (2010) complementa, _________________________
___________________ os fatos pertinentes à lide, os quais merecem 
____________________________. Genericamente é possível dizer que 
_____________________, ________________________, ____________________, 
__________________, _______________________.
3 Magalhães et al (2008) explicam que as Normas de Perícia Judicial conceituam 
o perito contábil da seguinte forma:
a) ( ) Profissional de nível Universitário formado em Ciências Contábeis.
b) ( ) Profissional técnico designado pelo promotor.
c) ( ) Profissional de nível universitário formado na escola de magistratura.
d) ( ) Profissional de nível universitário formado em Direito.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.
4 Coloque V para verdadeiro e F para falso, quanto a seguinte frase: O perito-
contador pode ser impedido de executar perícia contábil, segundo dispõe o 
item 20 da Resolução nº 1.244/2009, nos seguintes casos: 
( ) Quando o seu cônjuge ou qualquer parente seu, consanguíneo ou afim, em linha 
reta, ou em linha colateral até o segundo grau, não estiver postulando no processo.
( ) Quando for parte do processo.
( ) Quando a matéria em litígio não for de sua especialidade.
( ) Quando tiver interesse, direto ou indireto, imediato ou mediato, por si ou 
qualquer de seus parentes, consanguíneos ou afins, em linha reta ou em 
linha colateral até o segundo grau, no resultado do trabalho pericial.
( ) Quando houver atuado como perito-contador assistente ou prestado 
depoimento como testemunha no processo.
AUTOATIVIDADE
41
Assinale a alternativa com sequência CORRETA.
a) ( ) F – V – V – V – V. 
b) ( ) F – F – V – V – V. 
c) ( ) F – V – V – V – F. 
d) ( ) F – V – F – F – V. 
e) ( ) F – V – V – F – F.
5 Assinale a alternativa correta. Segundo Antonio Lopes de Sá (2009), nas 
realizações das perícias contábeis são designados peritos:
a) ( ) Um perito designado pelo juiz.
b) ( ) Um perito designado pelo juiz e dois assistentes indicados pelas partes.
c) ( ) Um perito designado pelo juiz e um assistente técnico.
d) ( ) Um perito designado pelo juiz, um perito-auditor, e, um assistente.
e) ( ) Nenhuma das questões acima.
42
43
TÓPICO 2
PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA 
PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO, E TRABALHOS TÉCNICOS
DA CONTABILIDADE
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Prezado acadêmico! Agora vamos avançar rumo ao tema perícia com as 
características e classificação da perícia, requerimento e por fim abordaremos os 
trabalhos técnicos da contabilidade.
2 ASPECTOS INTRODUTÓRIOS
No que tange às características para o surgimento da perícia é possível 
dizer que no início do século XX a auditoria era denominada de “Perícia 
Administrativa”, entretanto, não é mais possível confundir nos dias atuais, 
explica Sá (2009).
Barboza (2010), quando se refere ao assunto, explica que a perícia e a 
auditoria são campos férteis na área de qualquer profissão, especialmente quando 
trilhamos no caminho das normas, da conduta, do conhecimento científico, 
da criatividade nas ações de planejamento etc. Porém, as suas diferenças são 
marcantes quando nos aprofundamos na sua execução, especialmente no campo 
do interesse de consumo dos seus resultados.
A execução das pesquisas é efetuada em moldes muito próximos, isto é, a 
conduta do perito não deve diferir da conduta do auditor na definição e elaboração 
do planejamento, compreendendo proposta, plano e programa. A perícia é de 
procedimento eventual, constituindo-se em meio de prova judicial, tendo como 
universo exclusivamente o juiz e as partes, e destina-se, tão somente, a ajudar 
o convencimento do juiz (único a quem realmente importa a sua realização) ao 
proferir decisão. (BARBOZA, 2010).
A prova pericial é produzida através do exame de todos os documentos, 
dados, fatos, coisas, individualmente, de forma bastante analítica, sendo assim 
chamada de pesquisa global, enquanto que a prova advinda da auditoria, embora 
também criteriosa e séria, é pela própria forma de execução e necessidade de uso 
do resultado, aceitável o exame por seleção e amostragem.
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E 
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL
44
Wakim e Wakim (2012) mencionam que os principais procedimentos 
utilizados para a elaboração do laudo pericial são: exame, vistoria e avaliação. O juiz 
pode indeferir o pedido de produção de prova se ele tiver informações suficientes 
para emitir a sentença judicial, ou se for impossível a verificação dos fatos.
O art. 420 do CPC dispõe que,
a prova pericial consiste em exame, vistoria, ou avaliação. Parágrafo 
único. O juiz indeferirá a perícia quando: I – a prova do fato não 
depender do conhecimento especial de técnico; II – for desnecessária em 
vista de outras provas produzidas; III – a verificação for impraticável.
A importância da prova pericial evidencia-se, pois, o juiz sustentado na 
mesma ao proferir decisão, assume função social de extrema relevância, qual seja, 
evitar o enriquecimento ilícito de um, e o empobrecimento injusto, de outro.
No que se refere à auditoria, Barboza (2010) explica que ela constitui-
se num conjunto de procedimentos técnicos, que tem por objetivo examinar a 
integridade, adequação e eficácia dos controles internos, informações contábeis 
financeiras, administrativas, econômicas e operacionais da entidade.
Outro aspecto relevante da auditoria é que ela é habitual e pode ser feita 
por seleção e amostragem; visa atingir um público bem maior do que a perícia, 
como por exemplo: os sócios, diretores, credores, investidores, fisco e demais 
usuários interessados na informação. Conforme alteração realizada na Resolução 
nº 560/83, §1º, art. 3º, a auditoria de maneira geral não é mais de competência 
exclusiva do contador, conforme exposto pelo CFA – Conselho Federal de 
Administração, e pelo CFE - Conselho Federal de Economia.
A Resolução CFA nº 183 de 2 de agosto de 1996, art. 1º - dispõe:
Os trabalhos de auditoria nos campos de Administração, como 
Administração e Seleção de Pessoal, Organização, Sistemas e Métodos, 
Administração de Material, Administração Financeira, Administração 
Mercadológica, Administração de Produção, Relações Industriais, 
bem como outros campos em que esses se desdobrem ou aos quais 
sejam conexos, tanto nas organizações públicas como privadas, serão, 
obrigatoriamente, desenvolvidos por Administrador devidamenteregistrado no Conselho Regional de Administração. 
A Resolução CFE, nº 1.612, de 27 de maio de 1995, regulamenta os serviços 
profissionais do economista quando no exercício de atividades de auditoria, e dispõe:
“São inerentes ao campo profissional do Economista as atividades de 
auditoria interna e externa, em especial as auditorias de Gestão nos setores 
públicos e privado”.
TÓPICO 2 | PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO,
E TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE
45
Pelo exposto não podemos confundir a perícia, objeto deste estudo, com a 
auditoria, que é um item permitido também aos administradores e economistas 
executarem.
3 PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO
DA PERÍCIA
A necessidade de se fazer uma perícia ocorre sempre que se apresentam 
as seguintes características: 
• Surge de um conflito latente e manifesto que se quer esclarecer.
• Constata prova ou demonstra veracidade de alguma situação, coisa ou fato.
• A perícia se fundamenta em requisitos técnicos, científicos, legais e profissionais.
• Sua materialização deve ocorrer segundo forma especial, à instância decisória, 
a transmissão da opinião técnica ou científica sobre a verdade dos fatos, de 
modo que a verdade jurídica corresponda àquela. (BARBOZA, 2010).
4 A CLASSIFICAÇÃO DA PERÍCIA
Para o seu melhor entendimento, buscou-se identificar as formas de se 
classificar uma perícia, e para isso nos amparamos dos estudos realizados por Sá 
(2009), que aborda a perícia de três formas distintas, classificadas em três grandes 
grupos gerais:
1- Perícia Judicial, podemos exemplificar como sendo a verificação de uma 
empresa para que o juiz possa homologar a concorda que ela pediu.
2- Perícia Administrativa pode ser exemplificada como a verificação contábil para 
apurar corrupção.
3- Perícia Especial é aquela que se faz para a fusão de sociedades.
Ressalta o autor que existe uma enorme tendência para que se classifique 
as perícias administrativas e especiais no campo da auditoria, entretanto estes 
fatos não podem ser confundidos. 
Magalhães et al. (2008) divergem seu entendimento e classificam a perícia 
apenas como Perícia Contábil Judicial, e comentam que a perícia contábil judicial 
pode ser solicitada para servir de prova ou opinião, o que exige conhecimento 
dessa área profissional, afim de que auxiliem o Juiz no julgamento de uma matéria.
Alberto (2009) quando se refere ao tema, vai além do entendimento 
proferido por Sá e Magalhães et al., e classifica como espécies de perícia quatro 
diferentes modalidades, sendo: (a) perícia judicial; (b) perícia semijudicial; (c) 
perícia extrajudicial; (d) perícia arbitral, e na sequência explica cada uma delas, 
permitindo desta forma que você, acadêmico, possa entender de fato o sentido e 
a finalidade de cada uma delas.
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E 
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL
46
(a) Perícia judicial – é aquela realizada segundo os procedimentos processuais 
do Poder Judiciário, por determinação, requerimento ou necessidade de 
seus agentes ativos, e se processa de acordo com as regras legais específicas. 
A perícia judicial subdivide-se em meio de prova ou de arbitramento, 
segundo suas finalidades essenciais no processo judicial. 
Em outras palavras o autor explica que a perícia judicial será prova quando, 
no processo de conhecimento ou de liquidação por artigos, tiver o propósito de 
trazer a verdade real, demonstrável científica ou tecnicamente, para subsidiar 
a decisão do julgador; e será arbitramento, quando, determinada no processo 
de liquidação de sentença, tiver por objeto quantificar a obrigação mediante 
critério técnico em que ela se constituir.
(b) Perícia semijudicial – é aquela realizada dentro da grandiosidade institucional 
do Estado, não afetando o Poder Judiciário, e com finalidade principal 
ser meio de prova nos ordenamentos institucionais usuários. A perícia 
semijudicial subdivide-se em: (I) policial (nos inquéritos); (II) parlamentar 
(nas comissões parlamentares especiais); e, (III) administrativo-tributária 
(nos conselhos de contribuintes). Ressalta ou autor que são classificadas 
em semijudiciais porque as autoridades policiais, parlamentares ou 
administrativas têm algum poder jurisdicional, e, por estarem sujeitas às 
regras legais e regimentais semelhantes às judiciais.
(c) Perícia extrajudicial – é aquela realizada fora do Estado, não submetíveis a 
uma outra pessoa encarregada de arbitrar a matéria conflituosa, inclusive 
fora do juízo arbitral. A perícia extrajudicial subdivide-se segundo as 
finalidades para as quais foram designadas em: demonstrativas (a finalidade 
é demonstrar a veracidade ou não do fato ou coisa previamente especificadas 
na consulta); discriminativas (esta via é instada a colocar nos justos termos 
os interesses de cada um dos envolvidos na matéria conflituosa); e, 
comprobatórias (quando visa à comprovação das manifestações da matéria 
periciada, assim entendido: fraudes, desvios simulações etc.).
(d) Perícia arbitral – é aquela perícia realizada no juízo arbitral, e não se 
enquadra em nenhuma das espécies anteriores. Essa espécie subdivide-se 
em probante e decisória, de acordo com a destinação de funcionamento.
FONTE: ALBERTO, 2009
Alberto (2009) finaliza o tema ressaltando que as espécies de laudos não 
dependem diretamente das espécies de perícias, e que estes estão mais ligados 
aos objetivos e procedimentos periciais empregados. 
Cabe-nos lembrar que, se perícia significa conhecimento, a classificação 
das perícias é uma forma de separar cada espécie segundo o que elas efetivamente 
proporcionam ao tomador de decisão.
TÓPICO 2 | PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO,
E TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE
47
5 REQUERIMENTO
Nos itens anteriores foi tratado sobre o objetivo de perícia e observou-se 
que ela busca expor a “verdade real” em determinado caso judicial. Considerando 
o exposto é possível concordar com Barboza (2010), quando menciona que a 
perícia pode ser requerida por uma das partes, ou então, é determinada de ofício 
pelo juiz, com o objetivo exclusivo de fazer prova judicial.
O tipo de perícia a ser requerida depende do problema a ser esclarecido 
e sanado.
6 TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE
No campo cível, a perícia encontra-se disciplinada no Código de Processo 
Civil que, embora não a definindo, estabelece de forma clara os procedimentos 
do profissional.
O art. 145, do Código de Processo Civil estabelece que a execução da 
perícia deve ser efetuada por profissional de nível universitário, devidamente 
registrado no Órgão de Classe Competente. 
A norma ainda obriga o expert a fazer prova de sua especialidade na 
matéria, sobre as questões que deva opinar, através de certidão expedida pelo 
Órgão a que estiver inscrito.
A legislação da regência da profissão contábil, DL nº 9.295/46, estatui que 
a perícia contábil judicial ou extrajudicial é prerrogativa exclusiva dos contadores 
diplomados.
Neste sentido ressalta Barboza (2010) que o art. 25 do DL 9.295/46 considera 
trabalho técnico de contabilidade:
a) [...]
b) [...]
c) perícias judiciais ou extrajudiciais, revisão de balanços [...], e confirma que este 
serviço é de competência exclusiva do contador, segundo o item 4 (quatro) da 
resolução 1.243/2009 (vigente), cuja matéria é objeto da formação profissional 
do Contador, vista, analisada e estudada durante o período previsto para a 
formação de Bacharel em Ciências Contábeis.
48
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico vimos:
• As principais características que contribuíram para o surgimento da perícia, 
sua classificação e os trabalhos técnicos da contabilidade. 
• Inicialmente,no século XX, houve a confusão entre a perícia e a auditoria; a 
auditoria era denominada de Perícia Administrativa. Outro item discutido 
era, quando fazer perícia, e quando deve ser feita a auditoria. A partir dessa 
dúvida é possível dizer que deve-se requerer uma perícia sempre que surgir 
um conflito latente e manifesto a se esclarecer, ou então, quando se deseja 
constatar ou demonstrar a veracidade de alguma situação, coisa ou fato.
• A perícia é de procedimento eventual, constituindo-se em meio de prova 
judicial, tendo como universo exclusivamente o juiz e as partes. Entretanto, 
destina-se, tão somente, a ajudar o convencimento do juiz (único a quem 
realmente importa a sua realização) ao proferir decisão.
• Diferentemente da perícia, a auditoria é habitual, podendo ser feita por seleção 
e amostragem e visa atingir um público bem maior, como: sócios, diretores, 
credores, investidores, fisco e demais usuários interessados na informação
• A perícia se fundamenta em requisitos técnicos, científicos, legais e profissionais, 
e sua materialização deve ocorrer, segundo forma especial, de modo que a 
verdade jurídica corresponda àquela perícia. 
• Quanto a sua classificação apresenta-se em três grupos: perícia judicial; perícia 
administrativa; perícia especial, entretanto, para Alberto (2009), as espécies 
de perícia são classificadas em: (a) perícia judicial; (b) perícia semijudicial; 
(c) perícia extrajudicial; (d) perícia arbitral. Finaliza o tema ressaltando que 
as espécies de laudos não dependem diretamente das espécies de perícias, 
e que os mesmos estão mais ligados aos objetivos e procedimentos periciais 
empregados.
• Sobre o requerimento da perícia Barboza (2010) menciona que ela pode ser 
requerida pela parte, ou então, é determinada de ofício pelo juiz, com o objetivo 
exclusivo de fazer prova judicial.
• Referente aos trabalhos técnicos da contabilidade a perícia é disciplinada pelo 
código de processo civil e a regência da profissão contábil, é decorrente DL nº 
9.295/46, e estatui que a perícia contábil judicial ou extrajudicial é prerrogativa 
exclusiva dos contadores diplomados.
49
1 De acordo com o que explica Sá (2009), no início do século XX a auditoria 
era denominada de:
a) ( ) Perícia Seletiva
b) ( ) Perícia Progressiva
c) ( ) Perícia Real
d) ( ) Perícia Administrativa 
e) ( ) Perícia Competitiva
2 Preencha as lacunas.
Barboza (2010) afirma que a perícia e a auditoria são ___________________
_______________, especialmente quando trilhamos no caminho __________, 
___________, _________________, _____________, _______________ porém, 
as suas diferenças são _________ quando ________________________, 
especialmente no campo do interesse ______________________. 
3 Coloque V para verdadeiro e F para falso, quanto à seguinte frase: A perícia 
é de procedimento eventual, constituindo-se em meio de prova judicial, 
tendo como universo exclusivamente o juiz e as partes. A prova pericial é 
produzida através do exame de:
( ) Documentos.
( ) Dados.
( ) Fatos.
( ) Coisas. 
Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V – V – F – V. 
b) ( ) V – F – F – F. 
c) ( ) V – V – V – F. 
d) ( ) V – V – V – V. 
e) ( ) F – F – V – F.
4 A pesquisa global é também chamada de:
a) ( ) Prova Possessória.
b) ( ) Prova Falimentar.
c) ( ) Prova Experimental.
d) ( ) Prova Pericial.
e) ( ) Todas as alternativas estão incorretas.
AUTOATIVIDADE
50
5 Segundo Barboza (2010), a auditoria constitui-se num conjunto de procedimentos 
técnicos, com o objetivo de examinar a integridade, adequação e eficácia 
dos controles internos, informações contábeis, financeiras, administrativas, 
econômicas e operacionais da entidade. Diferentemente da perícia, a auditoria é: 
a) ( ) Habitual.
b) ( ) Esporádica.
c) ( ) Processual.
d) ( ) Anual.
e) ( ) Mensal.
6 De acordo com Sá (2009), as perícias são classificadas em três, assim 
identificadas:
a) ( ) Perícia Judicial, Perícia Especial, Perícia Processual.
b) ( ) Perícia Judicial, Perícia Administrativa, Perícia Especial.
c) ( ) Perícia Judicial, Perícia Administrativa, Perícia Arbitral.
d) ( ) Perícia Judicial, Perícia Especial, Perícia Litigiosa.
e) ( ) Perícia Judicial, Perícia Esporádica, Perícia Amigável.
7 Alberto (2009) quando se refere às espécies de perícia, assim classifica: (a) 
perícia judicial; (b) perícia semijudicial; (c) perícia extrajudicial; (d) perícia 
arbitral. A perícia semijudicial é aquela realizada dentro da grandiosidade 
institucional do Estado, não afetando o Poder Judiciário, e com finalidade 
principal, ser meio de prova nos ordenamentos institucionais usuários. A 
perícia semijudicial subdivide-se em: 
a) ( ) Policial, administrativa, trabalhista.
b) ( ) Policial, regimental, administrativo-tributária.
c) ( ) Policial, parlamentar, administrativo-tributária.
d) ( ) Policial, fiscal, parlamentar. 
e) ( ) Policial, estatutária, cível.
8 Perícia extrajudicial é realizada:
a) ( ) Fora do Estado.
b) ( ) Por pessoa encarregada de arbitrar.
c) ( ) Conflituosa.
d) ( ) Em regime comprobatório.
e) ( ) Por advogado aprovado no exame da ordem.
9 Assinale a afirmativa CORRETA.
a) ( ) No campo cível a perícia encontra disciplina no Código de Processo Civil.
b) ( ) A execução da perícia pode ser efetuada por Economista.
c) ( ) A Lei que rege a profissão contábil, DL nº 9.295/46 estatui que a perícia 
contábil é prerrogativa dos contadores diplomados.
d) ( ) A perícia pode ser requerida pela parte, ou determinada pelo juiz.
e) ( ) A norma obriga o profissional a fazer prova de sua especialidade na matéria.
51
TÓPICO 3
EXERCÍCIO PROFISSIONAL
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Prezado acadêmico! A partir de agora o tema começa a exigir de você 
maior atenção, pois seu nível de compreensão é mais difícil, porém fundamental 
para a realização da perícia. 
2 EXERCÍCIO PROFISSIONAL
Reforçando o que já foi explicado anteriormente, o grau de formação 
exigido para o exercício da função pericial é o bacharelado em Ciências Contábeis, 
porém, isto não é suficiente. 
O profissional que se candidata a exercer a função de perito precisa ter 
um profundo conhecimento técnico do exercício da contabilidade e maturidade 
profissional que lhe permita ter vivenciado experiências profissionais tanto no campo 
da contabilidade como no administrativo. O exercício profissional do perito é função 
tão relevante que exige-se do profissional sólidos conhecimentos da disciplina, que 
devem ser adquiridos além daquele da graduação, haja vista que os profissionais 
devem se especializar continuamente para poder exercê-la com proficiência. 
A necessidade de se fazer uma perícia se manifesta nas imperfeições e 
inadequações, explicam Magalhães et al. (2008), e expõem o entendimento de D’Auria 
(1962) que classifica as irregularidades em: (a) administrativas, e, (b) contábeis. 
a) Irregularidades administrativas 
É possível dizer que equivalem às tarefas realizadas sem obedecer à legislação. 
Se subclassificam em: (I) imperfeições; (II) negligências; (III) erros; (IV) 
infrações; (V) simulações; (VI) adulterações; (VII) fraudes; (VIII) culpas; e, (IX) 
responsabilidades, segundo Magalhães et al. (2008).
52
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E 
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL
De maneira geral as irregularidades administrativas demonstram que a ação 
econômico-administrativa desenvolve-se por manifestações voluntárias do indivíduo 
a quem estejam vinculados uma soma de interesses, relativos a agentes, e por agentes 
que aplicam suas técnicas na consecução de objetivos, de acordo com as regras legais 
e com as normasprofissionais, e observância da ética peculiar às pessoas envolvidas 
na gestão empreendedora. (MAGALHÃES et al. 2008). Continuam os autores 
mencionando que as consequências danosas decorrentes das irregularidades da 
gestão administrativa, quando identificadas incriminam e culpam seus causadores. 
Daí a imposição de identificação dos culpados para que respondam criminal, civil e/
ou administrativamente por seus atos, fixando-se responsabilidades em consonância 
com as leis e as normas administrativas, assim exemplificadas:
• Responsabilidade criminal, decorrente do ilícito penal.
• Responsabilidade civil, decorrente do ilícito civil.
• Responsabilidade administrativa, decorrente da culpa por falta, imprudência 
etc., pelas quais se aplicam punições.
NOTA
Através da perícia são descobertas e evidenciadas as irregularidades 
administrativas, fundamentadas em sanções, estabelecendo-se a verdade dos fatos com 
definições de responsabilidades, e justa atribuição de direitos e obrigações pecuniárias. 
(MAGALHÃES et al. 2008).
Caro Acadêmico! Para ampliar o seu entendimento, apresentamos a seguir 
explicação de cada uma das irregularidades administrativas, começando pelas 
imperfeições. A ação administrativa desenvolve-se de acordo com os fins a que 
se destina a massa patrimonial. A partir da prática de atos e realizando fatos para 
esses fins, o administrador, colaboradores e prepostos, usam os bens materiais a 
sua disposição e estabelecem relações de negócios com terceiros.
As ações administrativas, normalmente, tendem à vigilância patrimonial 
e defesa dos interesses dos investidores, sem ofensa aos terceiros. Em qualquer 
das manifestações das ações administrativas pode haver contaminação de 
imperfeições, que perturbam a normalidade que deve predominar. 
TÓPICO 3 | EXERCÍCIO PROFISSIONAL
53
NOTA
Magalhães et al. (2008) comentam que as imperfeições podem ser conscientes 
ou inconscientes.
Imperfeições administrativas fundamentais consideradas por Magalhães 
et al. (2008): 
a) acúmulo de funções incompatíveis; e,
b) a subordinação a parentes próximos. 
NOTA
Magalhães et al. (2008) comentam que as imperfeições são evidentes ou 
transitoriamente ocultas, mas sempre determináveis por suas causas e efeitos.
Negligência é a irregularidade administrativa a ser apresentada, e prevê 
que a vigilância, o zelo e a ordem devem presidir os atos e fatos de gestão para 
que atinjam os fins propostos e não perturbem a ação executiva ou danos na 
substância patrimonial. Todavia, ocorrem falhas humanas, físicas ou psíquicas 
por omissões na vigilância, no zelo e na ordem. As falhas físicas e psíquicas do 
ser humano enfraquecem a eficiência da ação e a vontade de fazer, decorrendo 
daí a imperfeição e a omissão, o que compromete a integridade patrimonial dos 
direitos e das obrigações contratuais legais.
NOTA
A negligência pode ser decorrente da falta de conhecimento sobre o tema que está 
sendo abordado, ao qual o profissional disse estar preparado para exercê-lo enquanto profissional.
As negligências têm efeitos imediatos ou remotos. Os efeitos devem ser 
investigados e os culpados devem ser identificados, que quando conscientes, 
ressaltam a responsabilidade dos causadores. 
54
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E 
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL
Em terceiro lugar vêm os erros que, segundo Magalhães et al. (2008), 
representam expressões de irregularidades. Os erros podem ser de duas espécies: 
voluntários ou involuntários. 
Podemos considerar como erros voluntários as faltas, as culpas, as 
simulações, as fraudes, e os crimes. Os erros involuntários são: a ignorância, a boa-
fé, as falhas físicas ou psíquicas. 
Em outras palavras é possível traduzir os erros da seguinte forma: pela 
omissão, pela imprevisão, pela incompreensão, por cálculos incorretos, pela 
aplicabilidade incorreta das técnicas, por decisões inconvenientes etc.
NOTA
Magalhães et al. (2008) comentam que as consequências dos erros, na gestão 
administrativa, são sempre prejudiciais e podem ter efeitos morais e psicológicos com 
repercussão direta ou indireta sobre interesses pecuniários, podendo ferir, além dos próprios 
interesses, também os interesses de terceiros.
As infrações ocupam o lugar e explicam que a ação administrativa deve 
processar-se de conformidade com normas gerais estatuídas, por órgão volitivo 
ou deliberativo, observando os seguintes itens:
a) pelo proprietário, orientado e dirigido por órgãos executores; 
b) pelas leis especiais que regem a organização, leis gerais que regem as relações 
entre pessoas e coisas. 
Neste sentido estamos falando dos princípios fundamentais a serem 
observados na gestão de negócios.
NOTA
Caso não forem cumpridas as normas e leis estaremos cometendo irregularidades 
que prejudicam a ordem administrativa.
TÓPICO 3 | EXERCÍCIO PROFISSIONAL
55
Em quinto lugar estão as simulações que consistem em aparentar 
regularidade em determinado ato ou negócio, quando, na realidade a simulação 
contraria as normas jurídicas e a ética. 
Magalhães et al. (2008) ressaltam que uma vez descoberta a simulação, 
torna-se necessário investigar com profundidade a consistência dos indícios não 
se deixando iludir por aparências enganosas.
NOTA
Comentam Magalhães et al. (2008) que a simulação pode ser detectada quando 
realizada para adiar negócios ou para usar de expedientes que protelem a realização de obrigações.
As adulterações estão em sexto lugar. Acerca das irregularidades 
administrativas, elas compreendem as alterações de coisas e fatos, com o fim 
predito de enganar a outrem em proveito próprio. Como exemplo de adulteração 
podemos citar a adição de ingredientes ou elementos que venham a diminuir o 
teor de qualidade, o peso ou a medida etc., que venham a enganar os compradores. 
Na sequência estão as fraudes. Fraudar significa enganar outrem para proveito 
próprio. A fraude não pode ser presumida: quem acusa deve provar a fraude. 
Assim, segundo Magalhães et al. (2008) podemos exemplificar como 
fraude as adulterações de pesos e medidas, os furtos nas transações, o roubo e o 
desvio de mercadorias e valores, o abuso de poder e de funções, a apropriação 
indébita, os cálculos errados, a documentação falsa, a falta de caixa etc.
Ainda, Magalhães et al. (2008) notificam:
Nota 1: há fraude contra o fisco, em matéria tributária, quando é subtraído 
pagamento de impostos etc., mediante sonegação, declarações falsas e outras. 
Nota 2: o contador desempenha função relevante quando verifica ou 
investiga a fraude para ameaçar com pena.
Em oitavo lugar estão as culpas. Aquele que por negligência comete 
omissão é culpado. 
A culpa era classificada no direito romano em quatro níveis: levíssima, 
leve, grave e gravíssima, mencionam D’Auria (1962 apud Magalhães et al., 2008). 
56
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E 
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL
Em outras palavras, culpa é causa de dano e seu autor responde 
moralmente, quando ineficiente e de boa-fé, e de direito quando não cumpre 
obrigações explícitas ou tendenciosas, a má-fé. 
A apuração das culpas, em qualquer caso, é uma indagação para fixar 
responsabilidades materiais ou morais. Nesse caso age a Perícia Contábil, 
referindo-se às situações e fatos ou investigando-se as respectivas origens, além de 
apurar os efeitos materiais que tenham prejudicado ou que venham a prejudicar 
determinada situação patrimonial.
Por último, estão as responsabilidades, que, segundo confirmam 
Magalhães et al. (2008), em matéria administrativa, é responsável aquele que se 
obriga pela guardae conservação das coisas, e pela execução de atos como agente 
de legítimo dono da coisa administrada. 
A responsabilidade resume-se em termos monetários.
À consequência, no caso de fraude, é que cabe ação pela responsabilidade 
criminal, além da civil nos processos judiciais. Cabe ao perito, quando da investigação 
de tais casos, fixar limites da obrigação pecuniária, justificando e comprovando-os. 
NOTA
A responsabilidade pode originar-se de peculato, de má-fé ou de estelionato, 
(fraude).
b) Irregularidades Contábeis
De maneira geral, e conforme o entendimento (MAGALHÃES et al., 2008), 
irregularidades contábeis concorrem para as falhas de administração e podem 
causar prejuízos em diferentes níveis, desde os de menor importância até aqueles 
que comprometem a estabilidade patrimonial ou a reputação do administrador.
A organização e as suas escritas contábeis devem assegurar e confirmar 
a regularidade administrativa, porém a falha administrativa pode ser causa de 
irregularidade contábil. As causas de imperfeições contábeis podem ser: 
a) o grande volume de trabalho; 
b) a complexidade da matéria; 
c) quaisquer fatores físicos ou psíquicos como: 
TÓPICO 3 | EXERCÍCIO PROFISSIONAL
57
	 o			fraqueza de conhecimento; 
	 o			de boa-fé;
	 o			premeditação;
	 o			exigências técnicas; 
	 o			rigor nas aplicações de contabilidade.
Os indícios de uma execução irregular podem ser considerados: 
a) a ausência ou deficiência de método de trabalho; 
b) a falta de dedicação;
c) a precipitação, 
d) as falhas de origem física ou psíquica como:
	 o		doenças;
	 o		revolta;
	 o		desatenção;
	 o		distração;
	 o		fraquezas de memória e outras, todas a título de negligência, quando não 
 classificam como intencionais. 
NOTA
O profissional comete irregularidades por incapacidade, desconhecimento ou 
convicção, que podem causar dano, e, desta forma, ele tem culpa passível de advertência, 
punição e penalidade.
Magalhães et al. (2008) ressaltam o que o Decreto-lei nº 9.295/46, que 
regulamentou e criou o CFC, dispõe em seu artigo 27, alínea “e”: 
a) suspensão do exercício da profissão, pelo prazo de 6 (seis) meses a 1 (um) ano, 
ao profissional com comprovada incapacidade técnica no desempenho de suas 
funções, a critério do Conselho Regional de Contabilidade a que estiver sujeito, 
facultada, porém, ao interessado a mais ampla defesa; (Redação dada pela Lei 
nº 12.249, de 2010). 
As irregularidades contábeis são identificadas da seguinte forma: 
(a) imperfeições técnicas; (b) negligência profissional; (c) erros técnicos e de 
escrituração; (d) infrações; (e) simulações; (f) adulteração; (g) fraudes; (h) culpas 
profissionais; (i) responsabilidades profissionais. 
58
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E 
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL
b) Segundo Magalhães et al. (2008), a contabilidade, ao organizar seu trabalho, 
obedece a planos previamente elaborados, e sua execução é guiada por 
normas predeterminadas. Os planos incompletos ou defeituosos são causas 
de imperfeições, normas deficientes ou mal orientadas, entre outras. Contas 
inadequadas e titulações impróprias produzem confusão e induzem a 
interpretações erradas; função de conta mal definida também é causa de erros. 
Síntese excessiva ou desdobramento desnecessário de contas produzem 
dificuldades. 
O processo de escrituração quando não obediente a método racional torna 
os registros obscuros, dificultando sua leitura. 
Má redação gera deficiência de histórico, prejudicando o valor qualitativo 
da Contabilidade. 
A boa guarda e conservação dos livros e o perfeito arquivo dos documentos 
(comprovantes) são requisitos irrecusáveis para sua valorização. 
D’Auria (1962 apud Magalhães et al., 2008) destacam como indícios de 
fraude as seguintes imperfeições: 
•	 Desordem geral na escrituração, confusão e atraso.
• Ausência de evidências.
• Insuficiência de quadratura (falta de balancetes e conferências).
• Excesso de estornos.
b) Negligência profissional, representam negligência profissional: (I) má guarda 
e má conservação dos livros; (II) má apresentação de trabalho; (III) acúmulo 
de documentos por escriturar; (IV) falta de asseio nos trabalhos e ausência 
ou atraso nas verificações. Nas conciliações, as omissões de elementos, dados 
ou referências nos lançamentos são falhas de Contabilidade que podem ser 
irregularidades administrativas. Ressaltam, ainda, Magalhães et al. (2008) 
que as omissões e imperfeições de lançamentos por negligência dificultam 
o trabalho do perito, diminuem a força probante da escrituração e podem 
comprometer o administrador, concorrendo para a agravação de situações 
fraudulentas ou dificultando a apreciação administrativa. 
NOTA
Todo contador que é responsável pela Contabilidade de uma organização tem 
obrigação moral de manter a respectiva escrituração em dia.
TÓPICO 3 | EXERCÍCIO PROFISSIONAL
59
Quando a contabilidade não é mantida com esmero, a escrituração 
também não é realizada diariamente e o acúmulo de trabalho não realizado, gera 
erros, levando a empresa a cometer infrações.
c) Erros técnicos e de escrituração, a primeira coisa a se fazer é a distinção do erro 
substancial ou formal.
 Erro substancial o que se refere à essência. Erro formal o que faz referência 
à representação. Portanto, erro formal é a representação gráfica defeituosa ou 
viciada. Em contabilidade o erro é de substância ou conceito quando o plano 
de contas ou os livros são organizados com impropriedades de indicação ou 
defeitos de função. Magalhães et al. (2008) consideram erro técnico quando 
a impropriedade ou a inexatidão contrariam os princípios contábeis e suas 
convenções. Os erros de escrituração são de redação ou quantitativos; erro de 
conta ou de posição na conta, a débito ou a crédito indevidamente. No processo 
revisional ou pericial, o erro de escrituração é procurado mediante exame crítico 
da compilação e de seu confronto com a matéria transcrita com as respectivas 
fontes elementares. Localizar erro é fase necessária de observação. A evidência 
de erros na escrituração leva o revisor ou o perito a ficarem de sobreaviso para as 
conclusões em virtude dos efeitos respectivos.
d) Infrações caracterizam-se pelo descumprimento de uma determinação 
administrativa e, principalmente, legal; cumpri-la parcialmente é infringir 
normas ou preceitos a serem observados na contabilidade. Na escrituração 
fiscal ocorre a infração quando não se obedecem as determinações estabelecidas 
nas leis tributárias. (MAGALHÃES et al., 2008).
e) Simulações, teremos a simulação caracterizada quando:
• coisas e fatos administrativos não corresponderem à verdade;
• quando houver contrariedade às normas e preceitos; ou, 
• quando são arquitetadas situações irreais e irregularidades, afirmam Magalhães 
et al. (2008).
Há simulações de diferentes formas, assim descritas: 
• simulações de inventários;
• simulações de operações;
• simulações de débitos e créditos;
• simulações de despesas ou prejuízos etc. 
Simulação de inventário pode ser de omissão ou inclusão de elementos etc.
Simulações de operações são as que não se verificaram ou omissão de 
operações e negócios legítimos.
Simulação de débitos e créditos que não se justificam, respaldados em 
comprovantes falsos ou duvidosos, omissões etc., feitas de acordo com estes ou 
à sua revelia. 
60
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E 
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL
Despesas ou prejuízos, lucros inexistentes ou omitidos, sem comprovantes 
ou com falsa documentação, suas inclusões em contas elementares, de ativo 
e passivo,são simulações que podem ser apuradas em exames ou tomada de 
contas. (MAGALHÃES et al., 2008).
A falta de esmero na contabilidade pode levar o profissional a cometer 
adulteração, para reparar alguma ação não realizada quando do prazo, ou até 
mesmo com a finalidade de modificar algum resultado previsto erroneamente.
f) Adulteração, de acordo com Magalhães et al. (2008), elencado como adulteração 
não apenas o simples fato de alterar a escrituração em alguma de suas 
partes, mas também, a emenda, as eliminações ou os acréscimos que alterem, 
propositadamente, os registros. As adulterações podem ser de contas, históricos, 
datas, quantias, lançamentos ou peças contábeis já elaboradas. A adulteração 
pode encontrar-se em inventários, na escrituração dos livros, nos resultados 
econômicos etc. As adulterações são descobertas mediante atenta observação da 
representação gráfica e comprovam-se com exames, por meio de raciocínio lógico, 
confronto com outras partes da escrituração e com documentos, principalmente 
por vestígios materiais assim identificados: raspagens, borrões, emendas, erros 
de soma e subtração, e outras formas são meios de adulteração da contabilidade 
que envolvem falsidade com fins preconcebidos.
g) Fraudes, o que motiva cometer fraudes em Contabilidade são as intenções 
de lesão de interesses alheios. Daí a falsificação de lançamentos nas falências, 
as falsas situações de contas, lucros líquidos alterados, receitas e despesas 
classificadas erroneamente. (MAGALHÃES et al., 2008).
h) Culpas profissionais, de acordo com Magalhães et al. (2008) são culpas 
profissionais: as imperfeições técnicas de organização e execução de 
contabilidade, as negligências profissionais, erros técnicos e de escrituração e 
outras irregularidades de escrita. Conhecendo o que gera culpa profissional, 
poderão ser evitadas as irregularidades.
i) Responsabilidades profissionais, independente de a ação de dolo ou fraude 
ser involuntária ou intencional, o profissional que não tenha cumprido as 
determinações legais sofre as respectivas consequências que se traduzem em 
perda de emprego, ressarcimento de prejuízos ou responsabilidade criminal. A 
função pericial investiga e denuncia as causas de irregularidade, e o respectivo 
laudo é fundamentado para promoção da responsabilidade, aplicando-se 
a penalidade que couber, na esfera administrativa, pelo proprietário e por 
autoridade judiciária nos processos fiscais ou de responsabilidade profissional. 
(MAGALHÃES et al., 2008).
61
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico vimos:
• Temas sobre o exercício profissional do perito. Mostramos as irregularidades 
no exercício profissional e as dividimos em administrativas e contábeis, 
deixando claro que as irregularidades administrativas são decorrentes da 
gestão. Apresentamos as irregularidades individualmente: (I) imperfeições; 
(II) negligências; (III) erros; (IV) infrações; (V) simulações; (VI) adulterações; 
(VII) fraudes; (VIII) culpas; e, (IX) responsabilidades. 
• As irregularidades contábeis são decorrentes do exercício da contabilidade, 
e têm como causas de imperfeições contábeis: o grande volume de trabalho, 
a complexidade da matéria, e quaisquer fatores físicos ou psíquicos como, 
por exemplo, fraqueza de conhecimento, de boa-fé e premeditação, além das 
exigências técnicas e do rigor nas aplicações de contabilidade.
• Para facilitar sua compreensão demonstramos e explanamos individualmente 
as irregularidades contábeis a saber: (a) imperfeições técnicas; (b) negligência 
profissional; (c) erros técnicos e de escrituração; (d) infrações; (e) simulações; 
(f) adulteração; (g) fraudes; (h) culpas profissionais; (i) responsabilidades 
profissionais. 
• Ressaltamos que todo contador que é responsável pela Contabilidade de uma 
organização tem obrigação moral de manter a respectiva escrituração em dia.
62
1 Identifique a alternativa CORRETA. A necessidade de se fazer uma perícia 
se manifesta nas imperfeições e inadequações (MAGALHÃES et al., 2008). 
As irregularidades são classificadas em:
a) ( ) Administrativas, contábeis, dimensionais.
b) ( ) Administrativas, imperfeita, confiabilidade inequívoca.
c) ( ) Administrativas, contábeis, fraudulentas.
d) ( ) Administrativas, fraudulentas, culposa.
e) ( ) Administrativas, contábeis, irregularidades administrativas.
2 Acerca das irregularidades administrativas destacadas por Magalhães et al. 
(2008), classifique as opções a seguir com V e F para a(s) verdadeira(s) e falsa(s).
( ) Por eficácia social.
( ) Por culpas.
( ) Por responsabilidade.
( ) Por fraudes.
( ) Por simulações.
Assinale a sequência correta:
a) ( ) F – F – F – V – V. 
b) ( ) F – V – F – F – V. 
c) ( ) F – F – V – V – F.
d) ( ) F – V – V – V – V. 
e) ( ) F – V – V – F – F.
3 De acordo com Magalhães et al. (2008), irregularidades contábeis 
________________________ e podem ________________, desde os de 
_____________ até aqueles que ______________________________________
_____ ou a reputação do _______________.
4 Marque, nas opções a seguir, V para verdadeira(s) ou F para falsa(s). São 
consideradas irregularidades contábeis: 
( ) Erros técnicos e de escrituração.
( ) Fraudes.
( ) Negligência profissional.
( ) Imperfeições técnicas.
( ) Obediência às normas contábeis.
AUTOATIVIDADE
63
Assinale a sequência correta:
a) ( ) V – V – F – F – F. 
b) ( ) V – V – V – F – F. 
c) ( ) V – V – V – V – F. 
d) ( ) V – F – F – F – F. 
e) ( ) V – F – F – V – V.
5 D’Auria (1962 apud Magalhães et al., 2008) destaca como indícios de fraude 
as seguintes imperfeições: 
a) ( ) A desordem geral na escrituração, confusão e atraso.
b) ( ) A accountability.
c) ( ) A insuficiência de quadratura.
d) ( ) A ausência de evidências.
e) ( ) O excesso de estornos. 
6 De acordo com Magalhães et al. (2008), assinale a alternativa que define infração: 
a) ( ) A lógica das relações essenciais.
b) ( ) O não cumprimento de uma determinação administrativa.
c) ( ) A obediência às normas contábeis.
d) ( ) Estética e exatidão rigorosa.
e) ( ) É o cumprimento a ordem cronológica.
7 De acordo com Magalhães et al. (2008) são elencadas como adulterações não 
apenas o simples fato de alterar a escrituração em alguma de suas partes, 
mas também a emenda, as eliminações ou os acréscimos que alterem, 
propositadamente, os registros.
a) ( ) Históricos.
b) ( ) Datas.
c) ( ) Contas.
d) ( ) Lançamentos.
e) ( ) As normas periciais.
8 Preencha as lacunas. 
De acordo com Magalhães et al. (2008) são culpas profissionais: 
as ________________ de organização e __________________, as 
__________________, ______________ e de ___________ e outras 
_____________________.
9 De acordo com Magalhães et al. (2008), o profissional que não tenha 
cumprido as determinações legais sofre as respectivas consequências que se 
traduzem em:
64
a) ( ) Reajuste salarial.
b) ( ) Aumento no quadro de colaboradores.
c) ( ) Registro em carteira profissional.
d) ( ) Perda de emprego.
65
TÓPICO 4
FUNÇÕES CONTÁBEIS
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Neste tópico abordaremos as funções contábeis. O perito é um profissional 
da contabilidade e, como tal, deve conhecer como essas funções contábeis 
acontecem no cotidiano, no exercício da profissão.
2 FUNÇÕES CONTÁBEIS
As irregularidades administrativas e contábeis, cujo tema foi estudado 
no tópico anterior, estabelecem classificações assim identificadas: funções 
fundamentais e funções complementares.
3 FUNÇÕES FUNDAMENTAIS
Funções fundamentais da contabilidade são conhecidas, também, como funções 
peculiares da contabilidade, pois descrevem os fatos em determinado momento. 
A variedade dos patrimônios individualizados, a complexidade de cada 
conjunto patrimonial e os inúmeros aspectosdas transformações dos componentes 
agregados na riqueza tornam necessário seu desdobramento para classificar essa 
função geral em três subfunções fundamentais, assim identificadas: (1) escritural 
ou de registro; (2) expositiva ou demonstrativa; (3) interpretativa ou de análise. 
1) A subfunção mais comum é a escritural ou de registro, que ocorre quando 
da realização dos registros contábeis. Seu processo se inicia com a observação 
dos documentos objeto de registro e na sequência vem o exame da matéria 
a registrar, a coordenação dos elementos segundo a homogeneidade das 
espécies, e a anotação metódica, observando-se as técnicas contábeis. Sua 
revelação ocorre pela anotação fiel e continuada dos fatos ocorridos na gestão 
administrativa do patrimônio.
66
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E 
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL
2) A subfunção expositiva tem efeito na reprodução sintetizada, denominada 
balanço, e a analítica considerada a evidenciação da matéria registrada. Nesse 
contexto, assume caráter mais profundo pela realização como afirmação 
categórica das situações patrimoniais, em conjunto e em suas partes.
3) A subfunção interpretativa ou interpretação técnica do balanço ou das 
demonstrações é traduzida em análise dos elementos expostos. É fundamental 
como testemunho autorizado da significação de situações presentes e previsão 
de situações futuras. (MAGALHÃES et al., 2008). 
4 FUNÇÕES COMPLEMENTARES
Como o próprio nome indica, estas funções complementam as rotinas do 
cotidiano da contabilidade, e delas derivam, funções corretivas que complementam 
sua utilidade, tais como:
a) Função administrativa
b) Função revisora
c) Função pericial
a) Função administrativa: cabe a esta função o adequado registro das transações 
ou dos negócios contratados, nos casos de: obrigações a cumprir, títulos de 
créditos a vencer, riscos ou compromissos recíprocos, orçamentos, autorizações 
de despesa, entrega futura de bens ou valores, entre outras operações de 
realização prevista. 
A função administrativa se traduz como cooperação na gestão 
administrativa/patrimonial, assim traduzida a elaboração:
• do planejamento contábil; 
•	 da sistematização de controles; 
• do desenho de impressos necessários à atividade administrativa; 
• das normas sobre os elementos patrimoniais; 
• dos cálculos das operações; 
• do inventário dos bens e seus processos de avaliação, elaboração de orçamentos, 
redação dos atos contratuais das operações, enfim, colaboração justificada com 
os meios da contabilidade. 
De maneira geral, é possível dizer que funções complementares são os 
fatos patrimoniais a registrar, segundo os preceitos contábeis, revelando-se em 
função previsora ou preditiva, que prefixa direitos e obrigações relativos a um ou 
mais componentes da riqueza individualizada. (MAGALHÃES et al., 2008). 
TÓPICO 4 | FUNÇÕES CONTÁBEIS
67
b) Função revisora: esta função é emanante da Contabilidade, explicam 
(MAGALHÃES et al., 2008), porque dela depende a eficácia e o valor da 
elaboração técnica. Quando se realiza a conciliação das contas, segundo 
os registros realizados, as demonstrações contábeis devem expressar com 
rigor a verdade dos fatos, mas, mesmo assim, é necessária a certificação da 
fidedignidade através do exame dos lançamentos, verificação dos cálculos, 
rigor das transcrições. 
A revisão deve ser feita continuadamente para assegurar exatidão e 
verdadeira representação gráfica dos fatos contábeis. Além de ser inerente 
ao exercício profissional da Contabilidade, a revisão também se revela pela 
certificação do que existe em matéria patrimonial, assim entendida, a situação 
presente e os fatos que a produziram, tudo realizado em confrontação dos 
elementos comprobatórios e das anotações feitas. Logo, trata-se de função formal 
e eminentemente técnica. 
As finalidades da função revisora são diversas, segundo as características 
da matéria que envolvem os aspectos administrativos, técnico, psicológico, social 
e profissional.
c) Função pericial: esta função é esporádica. A perícia é feita oportunamente, 
ou seja, quando há necessidade em testemunhar a existência dos elementos 
patrimoniais e de situações do direito e ou econômico-jurídicas. 
A perícia contábil é incumbência confiada ao contador (bacharel em 
Ciências Contábeis) a fim de informar de modo específico, mediante exame da 
matéria, e opinar tecnicamente quando solicitado por pessoa interessada, sendo 
geralmente uma das partes litigantes.
Magalhães et al. (2008) ressaltam quanto ao aspecto administrativo que a 
revisão é o processo apto à confirmação rigorosa dos fatos reais.
Quanto ao aspecto técnico, a finalidade é assegurar a exatidão do registro 
dos fatos em relação aos documentos comprobatórios quanto à veracidade dos 
históricos dos lançamentos, rigor matemático da expressão quantitativa e quanto 
à forma adequada das partidas contábeis.
No que se refere ao aspecto psicológico, Magalhães et al. (2008) ressaltam 
que a revisão dos documentos visa prestigiar a ação profissional do contador, 
conferindo-lhe idoneidade e gera fidedignidade das ações de quem decide. 
Relativo ao aspecto social a função revisora concorre para a consolidação da 
ordem e da estabilidade das instituições, respeito aos administradores e ao equilíbrio 
entre o trabalho contábil e o contexto no qual as instituições estão inseridas. 
68
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E 
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL
Por fim, quanto ao aspecto profissional, a revisão é uma das mais altas 
expressões da qualidade do trabalho contábil. Por isso ela somente é exequível 
por meio de contador com domínio dos conhecimentos técnicos.
d) Função pericial: esta função é esporádica. A perícia é feita oportunamente, 
ou seja, quando há necessidade em testemunhar a existência dos elementos 
patrimoniais e de situações do direito e/ou econômico-jurídicas. A perícia 
contábil é incumbência confiada ao contador (bacharel em Ciências Contábeis) 
a fim de informar de modo específico, mediante exame da matéria, e opinar 
tecnicamente quando solicitado por pessoa interessada, sendo geralmente uma 
das partes litigantes.
Magalhães et al. (2008) mencionam que além das funções nominadas 
acima como “a”, “b”, “c”, existe, ainda, uma função intermediária pela qual 
cabe ao contador realizar o exame de questões administrativas, cujo andamento 
depende da certificação de matérias e fatos, e de orientação técnica para decisões 
de negócios, denominada de auditoria.
Como já mencionado anteriormente a auditoria acontece habitualmente e 
nos diversos segmentos profissionais, diferentemente da perícia que é esporádica, 
e tem por finalidade auxiliar o juiz, com a elaboração do laudo, ao tomar uma 
decisão sobre determinado caso.
NOTA
Na sequência você terá um texto para análise e reflexão do conteúdo estudado 
nesta unidade. Boa leitura!
TÓPICO 4 | FUNÇÕES CONTÁBEIS
69
LEITURA COMPLEMENTAR
PERICIA CONTÁBIL
A área de Perícia Contábil foi desenvolvida apoiada no empirismo e na 
necessidade de se obterem informações precisas para esclarecimentos de fatos 
que demandavam conhecimento contábil apurado. Por essa razão, a atividade 
foi desenvolvida como se apenas a utilização como prova em processo judicial 
fosse seu universo. Sim, pois a necessidade de esclarecimentos sobre fatos veio, 
como imposição, da regra do Código de Processo Civil e, à míngua de normas 
preexistentes, a Perícia Contábil se desenvolveu quanto aos seus aspectos formais, 
sem contrapartida de desenvolvimento de sua essência técnica. 
Desse impulso externo, algumas faculdadesde Ciências Contábeis, iniciaram 
as cadeiras de Perícia Contábil, ao que pude obter, na década de 1970, mas tendo 
como centro de observação o exame das normas do Código de Processo Civil, o que 
se espalha até hoje nos centros de graduação universitária. Portanto, passou-se a 
lecionar sobre a forma mais que sobre a essência; daí porque muitos cursos dão ênfase 
à função de perito-judicial e, não, à profissão ou especialização de perito-contador.
O fato, porém, é que o mercado jamais se confundiu e jamais trocou a 
essência pela forma. O mercado não se restringe à utilização como em processo 
judicial, mas abrange todas as necessidades de “exame investigativo integral de 
matéria que dependa de conhecimento da ciência contábil efetuado por contador 
e destinado a esclarecer técnicos e leigos”. Esse conceito, que tenho desenvolvido 
em todos os trabalhos e apresentações em núcleos de classe e universitários, 
permite que se entenda que, além de servir como instrumento de prova objetivo 
em processo civil, a Perícia Contábil é o trabalho destinado a esclarecer e informar; 
(i) o Poder Judiciário; (ii) os Tribunais Arbitrais; (iii) a Polícia Federal e as Polícias 
Estaduais; (iv) os Ministérios Públicos Federais e Estaduais; (v) as Pessoas, naturais 
ou jurídicas, que buscam seus direitos no poder Judiciário ou perante Tribunais 
Arbitrais; (vi) os Contribuintes, perante os Tribunais Tributários Administrativos, 
os órgãos da administração tributária e para segurança interna dos princípios 
tributários; e (vii) as Empresas, entidades em geral, administradores e gestores 
para detecção de falhas específicas de sistemas, de controles ou de pessoas.
Assim, os profissionais contadores já encontram, e os profissionais do 
futuro encontrarão, o mercado carente de peritos-contadores que assim se façam 
ser conhecidos pela prevalência da qualificação sobre a mera habilitação funcional 
e pela capacidade de apurar o fato exato e trazê-lo a lume, na sua essência técnica. 
O mercado exigirá aprimoramento técnico constante dos peritos-contadores e 
estes, por sua vez, obrigarão ao desenvolvimento das especializações, mestrados 
e doutorados em matérias técnicas, que se repetirão no dia a dia de pessoas e 
empresas, com a finalidade de tornar esclarecidos fenômenos que se conhecem, 
hoje, apenas em decorrência de existirem. Haverá um avanço profissional e de 
mercado, pois haverá a ampliação do uso da Perícia Contábil em temas nos quais 
hoje se utilizam relatórios imperfeitos por suas ressalvas de escopo. 
70
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E 
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL
Evidentemente, a consequência desse avanço profissional e desse 
desenvolvimento científico será a retribuição aos usuários e, em especial, à 
prova pericial contábil pelo albergar da profissão durante quase um século, de 
premissas técnicas de consistência científica aprimorada de modo a eliminar 
uma importante parcela de divergências técnicas que ocorrem mais da falta de 
qualificação do que da existência de fatos controvertidos.
Neste cenário, os profissionais deverão fazer seu desenvolvimento 
científico ser acompanhado de capacidade de comunicação em linguagem objetiva 
e compreensível, aprimorar sua capacidade de pensamento sistêmico, evoluir em 
mais de um idioma, desenvolver a competência de se comunicar em público e 
manter-se sempre em trabalho de aprimoramento pessoal, de modo a alcançar 
um saber que poderá sempre lhe permitir apresentar resultados que informem, 
de fato, aos interessados, sem se curvar aos objetivos desses interessados e sem se 
afogar na soberba de um conhecimento ou função efêmeros. 
FONTE: Simonaggio, Silvio. Perícia Contábil. Revista Brasileira de Contabilidade. set/out. 2010, p. 24.
71
RESUMO DO TÓPICO 4
Neste tópico vimos:
• As funções contábeis, que se dividem em funções fundamentais e funções 
complementares. A função da contabilidade é em última análise descritiva, 
explicam (MAGALHÃES et al. 2008). A variedade dos patrimônios 
individualizados; a complexidade de cada conjunto patrimonial, e os inúmeros 
aspectos das transformações dos componentes agregados na riqueza, torna 
necessário seu desdobramento para classificar essa função geral em três 
subfunções fundamentais: (1) escritural ou de registro; (2) expositiva ou 
demonstrativa; (3) interpretativa ou de análise. 
• Das funções complementares derivam funções corretivas tais como: 
a) Função administrativa.
b) Função revisora.
c) Função pericial. 
• À função administrativa cabe o adequado registro das transações ou dos 
negócios contratados. A função administrativa se traduz como cooperação na 
gestão administrativa/patrimonial. Em outras palavras é possível dizer que são 
fatos patrimoniais a registrar, segundo os preceitos contábeis. 
• A função revisora, segundo Magalhães et al. (2008) é emanante da Contabilidade, 
porque dela depende a eficácia e o valor da elaboração técnica. Os registros e as 
demonstrações contábeis devem expressar com rigor a verdade dos fatos, sendo 
necessária a certificação da fidedignidade através do exame dos lançamentos, 
verificação dos cálculos, rigor das transcrições. A revisão é feita continuadamente 
para assegurar exatidão e verdadeira representação gráfica dos fatos contábeis. 
Trata-se de função formal e eminentemente técnica. As finalidades da função 
revisora são diversas, segundo as características da matéria que envolvem os 
aspectos administrativo, técnico, psicológico, social e profissional.
• A função pericial é esporádica. A perícia é feita oportunamente, ou seja, quando 
há necessidade e testemunhar a existência dos elementos patrimoniais e de 
situações do direito e/ou econômico-jurídicas. A perícia contábil é incumbência 
confiada ao contador, assim entendido o bacharel em Ciências Contábeis, a 
fim de informar de modo específico, mediante exame da matéria, e opinar 
tecnicamente quando solicitado por pessoa interessada, sendo geralmente uma 
das partes litigantes.
72
AUTOATIVIDADE
1 Preencha as lacunas.
A função da contabilidade é, em última análise, _________________________
______________________________________________. São também conhecidas 
como _____________________________. A variedade dos ______________
__________________; a complexidade de cada ______________________, 
e os inúmeros aspectos das transformações dos componentes agregados 
na riqueza, são ____________ em três subfunções fundamentais: (1) 
_____________________________; (2) ________________________ (3) 
________________________.
2 A subfunção fundamental mais comum é:
a) ( ) Expositiva.
b) ( ) Escritural.
c) ( ) Interpretativa.
d) ( ) Narrativa.
e) ( ) Metódica.
3 A função administrativa pode ser entendida como cooperação na gestão 
administrativa/patrimonial, assim traduzida a elaboração, exceto:
a) ( ) Redação dos atos contratuais das operações.
b) ( ) Das normas sobre os elementos patrimoniais.
c) ( ) Dos empréstimos entre empresas ligadas.
d) ( ) Do inventário dos bens e seus processos de avaliação.
e) ( ) Da elaboração de orçamentos.
4 Classifique as opções a seguir em verdadeira e falsa, com V e F, 
respectivamente. Função revisora, segundo Magalhães et al. (2008), é 
emanante da contabilidade, e tem por finalidade os seguintes aspectos: 
( ) Administrativos.
( ) Técnico.
( ) Psicológico.
( ) Social.
( ) Sustentável.
Assinale a alternativa que contêm a sequência correta.
a) ( ) V – V – F – V – V. 
b) ( ) V – V – V – F – V. 
c) ( ) V – F – F – V – V. 
d) ( ) F – V – V – V – F. 
e) ( ) V – V – V – V – F.
73
5 Preencha as lacunas: 
a) Quanto ao aspecto administrativo que, _______________ apto à 
_________________________.
b) Quanto ao aspecto técnicoa finalidade é, _____________________________
________ em relação aos ________________________, quanto à veracidade 
dos _____________________, rigor matemático _______________________ e 
quanto à forma __________________________. 
6 Quando há necessidade de testemunhar a existência dos elementos 
patrimoniais, realiza-se a perícia. A perícia é feita:
a) ( ) Frequentemente.
b) ( ) Oportunamente.
c) ( ) Mensalmente.
d) ( ) Raramente.
e) ( ) Eventualmente.
7 A fim de informar de modo específico, mediante exame da matéria, e opinar 
tecnicamente quando solicitado por pessoa interessada, realiza-se a Perícia 
Contábil, cuja incumbência é confiada ao:
a) ( ) Engenheiro (bacharel em Engenharia).
b) ( ) Economista (bacharel em Ciências Econômicas).
c) ( ) Contador e ao Técnico em Contabilidade.
d) ( ) Contador (bacharel em Ciências Contábeis).
e) ( ) Advogado aprovado no exame da Ordem.
8 A revisão além de ser inerente ao exercício profissional da contabilidade, 
também se revela pela certificação do que existe em matéria patrimonial, 
assim entendida a situação presente e os fatos que a produziram, tudo 
realizado em confrontação dos elementos comprobatórios e das anotações 
feitas. Para assegurar exatidão e verdadeira representação gráfica dos fatos 
contábeis, a revisão é feita:
a) ( ) Todos os dias.
b) ( ) Uma vez ao mês.
c) ( ) Continuadamente. 
d) ( ) Esporadicamente.
e) ( ) Quando o auditor solicitar.
74
75
UNIDADE 2
PERÍCIA CONTÁBIL
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade você será capaz de:
• conhecer os dados históricos da perícia contábil;
• entender as características do surgimento da perícia;
• conhecer os trabalhos técnicos da contabilidade;
• conhecer a função do perito;
• saber evidenciar as irregularidades administrativas e contábeis;
• identificar funções fundamentais e complementares.
A Unidade 2 será apresentada com a estrutura de quatro tópicos, sendo que ao 
final de cada tópico encontrarás atividades que auxiliarão no seu aprendizado.
TÓPICO 1 – ABORDAGENS GERAIS SOBRE A PERÍCIA CONTÁBIL
TÓPICO 2 – CARACTERÍSTICAS DOS TRABALHOS PERICIAIS
TÓPICO 3 – EXERCÍCIO PROFISSIONAL DO PERITO
TÓPICO 4 – FUNÇÕES CONTÁBEIS
76
77
TÓPICO 1
ABORDAGENS GERAIS SOBRE A PERÍCIA CONTÁBIL
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Prezado acadêmico! Esta unidade contempla a legislação da perícia 
contábil, que prevê os atos preparatórios da perícia, a execução do trabalho 
pericial, o laudo pericial e, por último, trataremos do parecer pericial contábil.
A perícia contábil é uma atividade muito requisitada pelo judiciário e não 
basta apenas ser bacharel em Ciências Contábeis para exercê-la. Para candidatar-
se à sua execução, o profissional precisa ter no mínimo: 
• amplo conhecimento da legislação contábil, prevista segundo as Normas 
Brasileiras de Contabilidade, Lei nº 6.404/1976, Lei nº 11.638/2007, Lei nº 
11.941/2009, Pronunciamentos Técnicos etc.
• conhecer a legislação pertinente à perícia contábil que contempla: Resolução 
CFC nº 1.243/2009, que trata da elaboração da perícia, o planejamento da 
perícia, a execução da perícia, os procedimentos de perícia, os documentos 
decorrentes da perícia assim entendidos, o laudo pericial, o parecer pericial etc.
• conhecer os reflexos do código do processo civil na perícia contábil.
Como a legislação contábil já foi abordada na Unidade 1, prosseguiremos, 
na Unidade 2 estudando a legislação pericial.
2 LEGISLAÇÃO PERICIAL
Ao identificarmos a atual legislação pertinente ao exercício da perícia 
contábil, amparados na matéria, destacamos a Resolução nº 1.243/2009, que 
aprovou a NBC TP 01 – Perícia Contábil, e está vigente desde 1º de janeiro de 
2010 até a presente data.
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL
78
2.1 NBC TP 01 
Acadêmico! Agora você terá contato direto com a legislação que trata 
da perícia contábil, que é promulgada pelo Conselho Federal de Contabilidade 
através de resolução. 
Atualmente é a Resolução nº 1.243/2009 que rege a perícia contábil, a qual 
revogou, a partir de 1º de janeiro de 2010, as Resoluções CFC nº 858/99, nº 938/02, nº 
939/02, nº 940/02, nº 985/03, nº 1.021/05 e nº 1.041/05, publicadas no D.O.U., Seção I, de 
29/10/99, 11/06/02, 11/06/02, 11/06/02, 28/11/03, 22/04/05 e 22/09/05, respectivamente.
O item 1 desta Norma trata do objetivo da perícia, que, 
Estabelece regras e procedimentos técnico-científicos a serem 
observados pelo perito, quando da elaboração de perícia contábil, 
no âmbito judicial, extrajudicial, inclusive arbitral, mediante o 
esclarecimento dos aspectos e dos fatos do litígio por meio de 
exame, vistoria, indagação, investigação, arbitramento, avaliação, ou 
certificação. (CFC, 2003).
O item 2 que conceitua a perícia contábil, está contemplado na Unidade 1, 
Tópico 1, conceituações.
Já o item 3 dispõe que “o laudo pericial contábil e o parecer pericial 
contábil têm por limite os próprios objetivos da perícia deferida ou contratada”.
Ressalta o item 4 que “a perícia contábil, tanto a judicial como a 
extrajudicial, é de competência exclusiva de contador registrado em Conselho 
Regional de Contabilidade. Entende-se como perícia judicial aquela exercida sob 
a tutela da justiça. A perícia extrajudicial é aquela exercida no âmbito arbitral, 
estatal ou voluntária”. 
No que diz respeito a execução da perícia, a NBC TP 01 trata este tema nos 
itens 6 ao 17, que dispõem:
Item 6 – o perito-contador assistente pode, tão logo tenha conhecimento 
da perícia, manter contato com o perito-contador, colocando-se à disposição 
para realizar o planejamento, o fornecimento de documentos em poder da parte 
que o contratou e ainda para a execução conjunta da perícia. Recusando-se da 
participação, o perito-contador pode permitir ao assistente técnico acesso aos 
autos e aos elementos de prova arrecadados durante a perícia, indicando local e 
hora para exame pelo assistente técnico. 
Já o item 7 dispõe que o perito-contador assistente pode, logo após 
sua contratação, manter contato com o advogado da parte que o contratou, e 
requerer dossiê completo do processo para conhecimento dos fatos para melhor 
acompanhamento dos atos processuais pertinentes à perícia.
TÓPICO 1 | ABORDAGENS GERAIS SOBRE A PERÍCIA CONTÁBIL
79
O item 8 trata do zelo na guarda e segurança do processo ou dos 
documentos, que o perito deve ter, enquanto estes estiverem em sua posse. 
Item 9 “para a execução da perícia contábil, o perito deve ater-se ao objeto 
e ao lapso temporal da perícia a ser realizada”. 
Inerentes ao termo de diligência, o item 10 da NBC TP 01, dispõe que o 
perito deve solicitar por escrito todos os documentos e informações relacionadas 
ao objeto da perícia.
Continua o item 11, relatando que, 
a eventual recusa no atendimento a diligências solicitadas ou qualquer 
dificuldade na execução do trabalho pericial deve ser comunicada, 
com a devida comprovação ou justificativa, ao juízo, em se tratando de 
perícia judicial; ou à parte contratante, no caso de perícia extrajudicial.
O item 12 dispõe que “o perito deve utilizar os meios que lhe são facultados 
pela legislação e normas concernentes ao exercício de sua função, com vistas a 
instruir o laudo pericial contábil ou parecer pericial contábil com as peças que 
julgarem necessárias”.
Item 13 dispõe que,
O perito deve manter registros dos locais e datas das diligências, 
nomes das pessoas que os atenderem, livros e documentos ou coisas 
examinadas ou arrecadadas, dados e particularidades de interesse 
da perícia, rubricando a documentação examinada, quando julgarem 
necessário e possível, juntando o elemento de prova original, cópia ou 
certidão.
O item 14 dispõe que no que diz respeito à execução da perícia, quando 
utilizar equipe técnica, deve ser realizadasob a orientação e supervisão do perito, 
que assume a responsabilidade pelos trabalhos, devendo assegurar-se que as 
pessoas contratadas estejam profissionalmente capacitadas à execução. Quanto 
aos deveres do perito, o item 15 dispõe que, 
o perito deve documentar os elementos relevantes que serviram 
de suporte à conclusão formalizada no laudo pericial contábil e no 
parecer pericial contábil, por meio de papéis de trabalho, que foram 
considerados relevantes, visando fundamentar o laudo ou parecer e 
comprovar que a perícia foi executada de acordo com os despachos e 
decisões judiciais, bem como as normas legais e Normas Brasileiras de 
Contabilidade.
E o item 16 esclarece o que são papéis de trabalho, e de que maneira eles 
integram a documentação.
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL
80
Documentação preparada pelo perito para a execução da perícia. 
Eles integram um processo organizado de registro de provas, por 
intermédio de termos de diligência, informações em papel, meios 
eletrônicos, plantas, desenhos, fotografias, correspondências, 
depoimentos, notificações, declarações, comunicações ou outros 
quaisquer meios de prova fornecidos e peças que assegurem o objetivo 
da execução pericial. 
Por fim, o item 17, que finaliza a parte de execução da perícia segundo a 
NBC TP 01, dispõe: “o perito-contador assistente que assessorar o contratante, na 
elaboração das estratégias a serem adotadas na proposição de solução por acordo 
ou demanda, cumprirá, no que couber, os requisitos desta Norma”. Os requisitos 
são tratados no desenrolar desta unidade.
NOTA
Segundo Dal Pizzol (2003), é importante destacar que o trabalho de perícia social 
deve ser realizado levando em conta todo o conhecimento técnico-operativo, assim como 
os preceitos contidos no Código de Ética Profissional. Como vimos, a perícia judicial reveste-
se de aspectos legais a serem observados pelos peritos a serviço do juízo.
Dando prosseguimento ao disposto na NBC TP 01, abordamos os 
procedimentos de perícia contábil, que se inicia com o item 18 da referida norma, 
abrangendo até o item 30 da mesma. 
O item 18 dispõe, que os procedimentos de perícia visam fundamentar 
as conclusões que serão levadas ao laudo pericial contábil ou parecer pericial 
contábil, e abrangem, total ou parcialmente, segundo a natureza e a complexidade 
da matéria, através de: I) exame, II) vistoria, III) indagação, IV) investigação, V) 
arbitramento, VI) mensuração, VII) avaliação, e, VIII) certificação. 
I) O exame, contemplado no item 19, é a análise de livros, registros das transações 
e documentos examinados.
II) O item 20 trata da vistoria que é entendida como “a diligência que objetiva a 
verificação e a constatação de situação, coisa ou fato, de forma circunstancial”.
III) A indagação tratada no item 21, é a busca de informações mediante entrevista 
com conhecedores do objeto ou de fato relacionado à perícia.
IV) O item 22 dispõe que, a investigação é a pesquisa que busca trazer ao laudo 
pericial contábil ou parecer pericial contábil o que está oculto por quaisquer 
circunstâncias.
V) Já o item 23, que compreende o arbitramento, dispõe: “é a determinação de 
valores ou a solução de controvérsia por critério técnico-científico”.
VI) Quanto à mensuração que é abordada no item 24, é entendida como o ato de 
qualificação e quantificação física de coisas, bens, direitos e obrigações.
TÓPICO 1 | ABORDAGENS GERAIS SOBRE A PERÍCIA CONTÁBIL
81
VII) O item 25, que trata sobre a avaliação, dispõe que esta é “o ato de estabelecer 
o valor de coisas, bens, direitos, obrigações, despesas e receitas”.
VIII) Por fim, vem a certificação, que é tratada no item 26 da NBC TP 01, a qual 
consiste no “o ato de atestar a informação trazida ao laudo pericial contábil 
pelo perito-contador, conferindo-lhe caráter de autenticidade pela fé pública 
atribuída a este profissional”.
Prosseguindo com o tema procedimentos de perícia, abordamos os itens 
27, 28, 29 e 30 da NBC TP 01, que dispõem: 
Item 27 - “Concluídas as diligências, o perito-contador apresentará laudo 
pericial contábil, e o perito-contador assistente seu parecer pericial contábil, 
obedecendo aos respectivos prazos”.
Item 28 - “O perito-contador, depois de concluído seu trabalho, fornecerá, 
quando solicitado, cópia do laudo, ao perito-contador assistente, informando-lhe 
a data em que o laudo pericial contábil será protocolizado”. 
Item 29 – Cabe ao perito-contador assistente apresentar um parecer 
pericial contábil sobre a matéria investigada quando o documento tiver sido 
elaborado por leigo ou profissional de outra área, não podendo firmar o laudo 
pericial. O item 30 complementa e dispõe que o “perito-contador assistente, ao 
apor a assinatura, em conjunto com o perito-contador, em laudo pericial contábil, 
não pode emitir parecer pericial contábil contrário ao laudo”.
Após a abordagem dos procedimentos de perícia contábil, o próximo 
tema tratado pela NBC TP 01, é o planejamento da perícia, que é dividido em: I) 
aspectos introdutórios; II) objetivos; III) desenvolvimento; IV) riscos e custos; V) 
equipe técnica; VI) cronograma; e, VII) conclusão.
I- Aspectos introdutórios
Os itens 31 e 32 do planejamento da perícia contemplam a etapa inicial dos 
trabalhos, e antecedem as diligências, pesquisas, cálculos e respostas dadas a cada 
quesito, tanto no âmbito judicial, como extrajudicial. É um procedimento prévio de 
forma abrangente que deve estabelecer todas as etapas da perícia, especificando cada 
etapa a ser realizada, segundo os questionamentos apresentados, ou o objeto da perícia.
II- Objetivos
O item 33 apresenta os objetivos do planejamento da perícia subdivididos 
em oito itens, que demonstramos a seguir:
a) Conhecer o objeto da perícia para a adoção de procedimentos que permitam 
a revelação da verdade, que subsidiará o Juiz, o Árbitro, ou o interessado a 
tomar a decisão sobre a lide.
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL
82
b) Definir a natureza, a oportunidade e a extensão dos exames necessários, em 
concordância com o objeto da perícia, os termos constantes da nomeação, dos 
quesitos ou da proposta de honorários do perito.
c) Fixar condições para que o trabalho seja cumprido no prazo instituído.
d) Identificar possíveis problemas e riscos que possam vir a ocorrer no 
desenvolvimento da perícia.
e) Identificar fatos que possam ser importantes para a solução da demanda de 
forma que não passe sem ser visto ou que não recebam a atenção necessária.
f) Identificar a legislação aplicável ao objeto da perícia.
g) Estabelecer como serão divididas as tarefas entre os membros da equipe de 
trabalho, sempre que o perito necessitar de auxiliares.
h) Facilitar a execução e a revisão dos trabalhos. 
III- Desenvolvimento
Os itens 34 a 38 da NBC TP 01 abordam o tema desenvolvimento e 
mencionam:
Item 34 – “Os documentos dos autos servem como suporte para obtenção 
das informações necessárias à elaboração do planejamento da perícia”.
 Item 35 – havendo necessidade de realização de diligências, na etapa de 
elaboração do planejamento, devem ser considerados, se não declarada a perda de 
capacidade processual de prova documental, a legislação aplicável, documentos, 
registros, livros contábeis, fiscais e societários, laudos e pareceres já realizados e 
outras informações que forem identificadas como pertinentes para determinar a 
natureza do trabalho a ser executado.
Item 36 – “o planejamento da perícia deve ser mantido por qualquer meio 
de registro que facilite o entendimento dos procedimentos a serem adotados e 
sirva de orientação adequada à execução do trabalho”.
Item 37 – “o planejamento deve ser revisado e atualizado sempre que 
fatos novos surjam no decorrer da perícia”. 
Item 38 – cabe ao perito-contador a realização do planejamento dos 
trabalhos, mesmo que o trabalho venha a ser realizado de formaconjunta com 
o perito-contador assistente, podendo este orientar-se no referido planejamento.
IV– Riscos e custos
O item 39 trata deste tema, e dispõe que “o perito, na fase de elaboração 
do planejamento, com vistas a elaborar a proposta de honorários, deve avaliar 
os riscos decorrentes de responsabilidade civil, despesas com pessoal e encargos 
sociais, depreciação de equipamentos e despesas com manutenção do escritório”.
V– Equipe técnica
Os itens 40 e 41 da NBC 01 tratam da equipe técnica que realizam o 
trabalho pericial, e dispõem:
TÓPICO 1 | ABORDAGENS GERAIS SOBRE A PERÍCIA CONTÁBIL
83
Quando a perícia exigir a necessidade de utilização de trabalho de terceiros, 
assim entendido, equipe de apoio, trabalho de especialistas ou profissionais 
de outras áreas de conhecimento, o planejamento deve prever a orientação e a 
supervisão do perito, que assumirá responsabilidade pelos trabalhos executados 
exclusivamente por sua equipe de apoio.
Quando a perícia exigir a utilização de perícias interdisciplinares ou 
trabalho de especialistas, estes profissionais devem estar devidamente registrados 
em seus conselhos profissionais, quando aplicável, devendo o planejamento 
contemplar tal necessidade.
VI– Cronograma
Os itens 42, 43, 44, e 45 da NBC TP 01 tratam sobre o cronograma do 
planejamento dos trabalhos periciais. O item 42 dispõe:
O perito-contador deve levar em consideração que o planejamento da 
perícia, quando for o caso, inicia-se antes da elaboração da proposta 
de honorários, considerando-se que, para apresentá-la ao juízo, árbitro 
ou às partes no caso de perícia extrajudicial, há necessidade de se 
especificar as etapas do trabalho a serem realizadas. Isto implica que 
o perito-contador deve ter conhecimento prévio de todas as etapas, 
salvo aquelas que somente serão identificadas quando da execução 
da perícia, inclusive a possibilidade da apresentação de quesitos 
suplementares, o que será objeto do ajuste no planejamento.
Já o item 43 dispõe sobre as evidências que o planejamento deve prever.
O planejamento da perícia deve evidenciar as etapas e as épocas em que 
serão executados os trabalhos, em conformidade com o conteúdo da 
proposta de honorários a ser apresentada, incluindo-se a supervisão e 
a revisão do próprio planejamento, os programas de trabalho quando 
aplicáveis, até a entrega do laudo. 
O cronograma de trabalho também deve evidenciar, quando aplicáveis, 
diversos itens inerentes ao trabalho de execução da perícia, os quais o item 44 da 
Norma esclarece: I) diligências a serem realizadas; II) deslocamentos; III) necessidade 
de trabalho de terceiros; IV) pesquisas que serão feitas; V) elaboração de cálculos e 
planilhas; VI) respostas aos quesitos; VII) prazo para entrega do laudo e outros, de forma 
a assegurar que todas as etapas necessárias à realização da perícia sejam cumpridas.
Ressaltamos o que dispõe o item 45:
Para cumprir o prazo determinado ou contratado para realização dos 
trabalhos de perícia, o perito deve considerar em seus planejamentos, 
quando aplicáveis, entre outros, os seguintes itens:
(a) o conteúdo da proposta de honorários apresentada pelo perito-
contador e aceita pelo juízo, pelo árbitro ou pelas partes, no caso de perícia 
extrajudicial, ou pelo perito-contador assistente; b) o prazo suficiente para 
solicitar e receber os documentos, bem como para a execução e a entrega 
do trabalho; c) a programação de viagens, quando necessárias.
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL
84
Por fim, temos a conclusão (item 46) do planejamento da perícia, que 
ocorre quando o perito-contador completar as análises preliminares. Do momento 
dá origem, quando for o caso, à proposta de honorários (nos casos em que o juízo 
ou o árbitro não tenha fixado, previamente, honorários definitivos), aos termos 
de diligências e aos programas de trabalho. 
QUADRO 1 - MODELO PLANEJAMENTO PARA PERÍCIA JUDICIAL
Fase pré-operacional
ITEM ATIVIDADE AÇÕES
TEMPO PRAZO
ESTIMADO REAL ESTIMADO REAL
1 Carga ou 
recebimento 
do processo
Após receber a intimação 
do juiz, quando for o 
caso, retirar o processo 
da Secretaria.
h h XX/XX/XX
XX/XX/
XX
2 Leitura do 
processo
Conhecer os detalhes 
acerca do objeto da 
perícia, realizando a 
leitura e o estudo dos 
autos.
h h XX/XX/XX
XX/XX/
XX
3
Aceitação 
ou não da 
perícia
Após estudo e análise 
dos autos, constatando-
se que há impedimento 
ou suspeição, não 
havendo interesse do 
perito-contador ou não 
estando habilitado para 
fazer a perícia, devolver 
o processo justificando o 
motivo da escusa.
h h XX/XX/XX
XX/XX/
XX
Aceitando o encargo 
da perícia, proceder ao 
planejamento.
h h XX/XX/XX
XX/XX/
XX
4
Proposta de 
honorários
Com base na relevância, 
no vulto, no risco e 
na complexidade dos 
serviços, entre outros, 
estimar as horas para 
cada fase do trabalho, 
considerando ainda a 
qualificação do pessoal 
que participará dos 
serviços, o prazo para 
entrega dos trabalhos e 
a confecção de laudos 
interdisciplinares.
h h XX/XX/XX
XX/XX/
XX
TÓPICO 1 | ABORDAGENS GERAIS SOBRE A PERÍCIA CONTÁBIL
85
Execução da perícia
5 Sumário
Com base na documentação 
existente nos autos 
elaborar o sumário dos 
autos indicando tipo do 
documento e folha dos autos 
onde pode ser encontrado.
h h XX/XX/XX
XX/XX/
XX
6 Assistentes 
técnicos
Uma vez aceita a 
participação do perito-
contador assistente, ajustar 
a forma de acesso do mesmo 
aos trabalhos.
7 Diligências
Com fundamento no 
conteúdo do processo e 
nos quesitos, preparar o(s) 
termo(s) de diligência(s) 
necessário(s), onde será 
relacionada a documentação 
ausente nos autos.
h h XX/XX/XX
XX/XX/
XX
8 Viagens
Programar as viagens 
quando necessárias. h h XX/XX/XX
XX/XX/
XX
9 P e s q u i s a 
documental
Com fundamento no 
conteúdo do processo, 
definir as pesquisas, os 
estudos e o catálogo da 
legislação pertinente.
h h XX/XX/XX
XX/XX/
XX
10 P r o g r a m a 
de trabalho
Exame de documentos 
pertinentes à perícia.
h h XX/XX/XX
XX/XX/
XX
Exame de livros contábeis, 
fiscais, societários e outros.
h h XX/XX/XX
XX/XX/
XX
Análises contábeis a serem 
realizadas.
h h XX/XX/XX
XX/XX/
XX
Entrevistas, vistorias, 
indagações, investigações, 
informações necessárias.
h h XX/XX/XX
XX/XX/
XX
Laudos interdisciplinares e 
pareceres técnicos.
h h XX/XX/XX
XX/XX/
XX
Cálculos, arbitramentos, 
mensurações e avaliações a 
serem elaborados.
h h XX/XX/XX
XX/XX/
XX
Preparação e redação do 
laudo pericial.
h h XX/XX/XX
XX/XX/
XX
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL
86
11 Revisões 
técnicas
Proceder a revisão final 
do laudo para verificar 
eventuais correções, bem 
como verificar se todos os 
apêndices e anexos citados 
no laudo estão na ordem 
lógica e corretamente 
enumerados.
h h XX/XX/XX
XX/XX/
XX
12
Prazo 
suplemen-
tar
Diante da expectativa 
de não concluir o laudo 
no prazo determinado 
pelo juiz, requerer, antes 
do vencimento do prazo 
determinado, por petição, 
prazo suplementar, 
reprogramando o 
planejamento.
h h XX/XX/XX
XX/XX/
XX
13
Entrega 
do laudo 
pericial 
contábil
Devolver os autos do 
processo e peticionar 
requerendo a juntada do 
laudo e levantamento ou 
arbitramento dos honorários. 
h h XX/XX/XX
XX/XX/
XX
FONTE: NBC TP 01. Disponível em: <www.cfc.org.br>. Acesso em: 10 jan. 2015.
NOTA
Sempre que novos fatores exigirem ou recomendarem, deve acontecer a revisão 
e a atualização dos trabalhos.
Dando prosseguimento ao disposto na NBC TP 01, o próximo tema a ser 
tratado é termo de diligência. 
Anteriormente, já foi comentado de forma superficial à visão de estudiosos.
A matéria prevista na NBC TP 01 é apresentada através dos itens 47 até o56, dividido da seguinte forma: I) aspectos introdutórios (47 e 48); II) aplicabilidade 
(49 ao 54); III) estrutura (55 e 56).
I) Aspectos Introdutórios
Termo de diligência é o instrumento por meio do qual o perito solicita 
documentos, coisas, dados, bem como quaisquer informações necessárias à 
elaboração do laudo pericial contábil ou do parecer pericial contábil. Mas, não é 
só para a realização de perícia, serve também para a realização de trabalhos que 
tenham sido determinados ou solicitados ao perito, por quem de direito, desde que 
tenha a finalidade de orientar ou colaborar nas decisões judiciais ou extrajudiciais.
TÓPICO 1 | ABORDAGENS GERAIS SOBRE A PERÍCIA CONTÁBIL
87
II) Aplicabilidade
 
O item 49 dispões que: Quem redige o termo de diligência é o perito e deve 
ser apresentado diretamente à parte, ao seu procurador, ou ao terceiro, através de 
qualquer meio escrito que possa ficar documentada a entrega, contendo de forma 
minuciosa o rol de documentos, livros, coisas ou outros dados de que se necessite 
para a elaboração do laudo pericial ou parecer pericial contábil. 
Segundo o item 50, uma vez emitido o termo de diligência, este é entregue 
ao diligenciado, que é qualquer pessoa física ou jurídica, inclusive de direito 
público, que tenha a posse dos documentos, coisas, dados ou informações úteis e 
indispensáveis para subsidiar a elaboração do laudo pericial contábil ou do parecer 
pericial contábil, e que o diligenciado, por decorrência legal ou determinação de 
autoridade competente, esteja obrigado a fornecer elementos de prova.
O item 51 determina que o perito deve observar os prazos a que está obrigado 
por força de determinação legal, e dessa forma, deve sempre mencionar o tempo 
máximo para o cumprimento da solicitação a que está obrigado o diligenciado.
O termo de diligência deve conter, quando possível, a relação dos 
documentos, coisas ou dados que o perito tenha mencionado em petição de 
honorários judicial ou em contrato, conforme dispõe o item 52.
Inerente ao item 53, deve ser apensada ao laudo ou parecer cópia do termo de 
diligência, o qual deve conter o ciente do diligenciado ou do seu representante legal. 
Deve compor o texto do laudo, as informações colhidas ou não durante as buscas das 
provas, bem como as providências tomadas para o cumprimento do seu ofício.
Por fim, o item 54 inerente a aplicabilidade, dispõe que, 
caso ocorra a negativa da entrega dos elementos de prova ou para 
a colaboração na busca da verdade, deve o perito se reportar diretamente a 
quem o nomeou, contratou ou indicou, narrando os fatos por meio de provas e 
solicitando as providências cabíveis e necessárias, para que não seja imputado 
responsabilidade por omissão na atividade profissional.
III) Estrutura
A estrutura do termo de diligência é formada pelos itens 55 e 56 da norma.
O termo de diligência deve conter os seguintes elementos: 
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL
88
a) identificação do diligenciado; b) identificação das partes ou dos 
interessados, e, em se tratando de perícia judicial ou arbitral, o número do 
processo, o tipo e o juízo em que tramita; c) identificação do perito com 
indicação do número do registro profissional no Conselho Regional de 
Contabilidade; d) indicação de que está sendo elaborado nos termos do 
item 49 desta Norma; e) indicação detalhada dos livros, documentos, coisas 
e demais elementos a serem periciados, consignando as datas e/ou períodos 
abrangidos, podendo identificar o quesito a que se refere; f) indicação do 
prazo e do local para a exibição dos livros, documentos, coisas e elementos 
necessários à elaboração do laudo pericial contábil ou parecer pericial 
contábil, devendo o prazo ser compatível com aquele concedido pelo juízo, 
contratante ou convencionado pelas partes, considerada a quantidade de 
documentos, as informações necessárias, a estrutura organizacional do 
diligenciado e o local de guarda dos documentos; g) após atendidos os 
requisitos da alínea (e), quando o exame dos livros, documentos, coisas e 
elementos, tiver de ser realizado junto à parte ou ao terceiro que detém em 
seu poder tais provas, haverá a indicação da data e hora para sua efetivação; 
e, h) local, data e assinatura. 
De acordo com o item 56, o perito elaborará o termo de diligência, podendo adotar 
os modelos sugeridos em anexo ao final desta Norma, que demonstramos a seguir.
Modelo nº 1: Termo de Diligência na Perícia Judicial
TERMO DE DILIGÊNCIA Nº.../PROCESSO Nº...
IDENTIFICAÇÃO DO DILIGENCIADO
SECRETARIA:
PARTES:
PERITO-CONTADOR: (categoria e nº do registro)
PERITO-CONTADOR ASSISTENTE: (categoria e nº do registro)
 
Na condição de perito-contador, nomeado pelo Juízo em referência e/ou 
perito-contador assistente indicado pelas partes, nos termos do artigo 429 do 
Código do Processo Civil e das Normas Brasileiras de Contabilidade, solicita-
se que sejam fornecidos ou postos à disposição, para análise, os documentos a 
seguir indicados:
1.
2.
3. 
4.
etc.
 
Para que se possa cumprir o prazo estabelecido para elaboração e 
entrega do laudo pericial contábil ou parecer pericial contábil, é necessário 
que os documentos solicitados sejam fornecidos ou postos à disposição deste 
perito-contador ou perito-contador assistente até o dia __-__-__, às __h, no 
endereço ........(do perito-contador e/ou perito-contador assistente, e/ou parte). 
Solicita-se que seja comunicado quando os documentos tiverem sido remetidos 
ou estiverem à disposição para análise.
TÓPICO 1 | ABORDAGENS GERAIS SOBRE A PERÍCIA CONTÁBIL
89
Em caso de dúvida, solicita-se esclarecê-la diretamente com o signatário 
no endereço e telefones indicados.
Local e data
Assinatura
Nome do perito-contador ou perito-contador assistente
Contador – Nº de registro no CRC
Modelo nº 2: Termo de Diligência na Perícia Extrajudicial
TERMO DE DILIGÊNCIA Nº.../PROCESSO Nº... 
ENDEREÇAMENTO DO DILIGENCIADO
EXTRAJUDICIAL
PARTE CONTRATANTE:
PERITO-CONTADOR: (categoria e nº do registro)
PERITO-CONTADOR ASSISTENTE: (categoria e nº do registro)
Na condição de perito-contador e/ou perito-contador assistente, escolhido 
pelas partes, em consonância com as Normas Brasileiras de Contabilidade, nos 
termos contratuais, solicita-se que sejam fornecidos ou postos à disposição, 
para análise, os documentos a seguir indicados:
1.
2.
3. 
4.
etc.
 
Para que se possa cumprir o prazo estabelecido para elaboração e 
entrega do laudo pericial contábil ou parecer pericial contábil, é necessário 
que os documentos solicitados sejam fornecidos ou postos à disposição deste 
perito-contador ou perito-contador assistente até o dia __-__-__, às __h, no 
endereço ........(do perito-contador e/ou perito-contador assistente, e/ou parte). 
Solicita-se que seja comunicado quando os documentos tiverem sido remetidos 
ou estiverem à disposição para análise.
Em caso de dúvida, solicita-se esclarecê-la diretamente com o signatário 
no endereço e telefones indicados.
Local e data
Assinatura
Nome do perito-contador ou perito-contador assistente
Contador – Nº de registro no CRC
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL
90
Modelo nº 3: Termo de Diligência na Perícia Arbitral
TERMO DE DILIGÊNCIA Nº.../PROCESSO Nº...
ENDEREÇAMENTO DO DILIGENCIADO
ARBITRAL
CÂMARA ARBITRAL:
ÁRBITRO:
JUIZ ARBITRAL:
PARTES:
PERITO-CONTADOR: (categoria e nº do registro)
Na condição de perito-contador, escolhido pelo árbitro, e/ou perito-
contador assistente, indicado pelas partes, nos termos da Lei nº 9.307/96 ou do 
regulamento da Câmara de Mediação e Arbitragem, ......, e ainda em consonância 
com as Normas Brasileiras de Contabilidade, solicita-se que sejam fornecidos 
ou postos à disposição, para análise, os documentos a seguir indicados:
1.
2.
3. 
etc. 
Para que se possa cumprir o prazo estabelecido para elaboração e 
entrega do Laudo PericialContábil ou Parecer Pericial Contábil, é necessário 
que os documentos solicitados sejam fornecidos ou postos à disposição deste 
perito-contador ou perito-contador assistente até o dia __-__-__, às __h, no 
endereço ........(do perito-contador e/ou perito-contador assistente, e/ou parte). 
Solicita-se que seja comunicado quando os documentos tiverem sido remetidos 
ou estiverem à disposição para análise.
Em caso de dúvida, solicita-se esclarecê-la diretamente com o signatário 
nos endereços e telefones indicados.
Local e data
Assinatura
Nome do perito-contador ou perito-contador assistente
Contador – Nº de registro no CRC
TÓPICO 1 | ABORDAGENS GERAIS SOBRE A PERÍCIA CONTÁBIL
91
LAUDO E PARECER PERICIAL CONTÁBIL
Os itens 57 a 86 da NBC TP 01 tratam do laudo e parecer pericial contábil, e 
estes itens são desdobrados da seguinte forma: I) do item 57 a 59 são abordados os 
aspectos introdutórios; II) do item 60 ao 66 é tratado sobre a apresentação do laudo 
e do parecer pericial contábil; III) nos itens 67 a 79 é tratado a terminologia; IV) item 
80 trata da estrutura; V) nos itens 81 a 83 é tratada a assinatura em conjunto; VI) no 
item 84 é tratado o laudo e parecer de leigo ou profissional não habilitado; VII) os 
itens 85 e 86 contemplam os esclarecimentos do laudo e do parecer pericial contábil 
em audiência; VIII) quesitos e respostas; IX) quesitos novos.
I- Aspectos introdutórios
Os itens 57 a 59 determinam:
• que o laudo e o parecer pericial contábil sejam somente elaborados por contador 
registrado e habilitado em Conselho Regional de Contabilidade;
• que o laudo pericial contábil e o parecer pericial contábil são documentos 
escritos, nos quais os peritos devem registrar, de forma abrangente, o conteúdo 
da perícia e narrar os aspectos e os pormenores que envolvam o seu objeto e as 
buscas de elementos de prova necessários para a conclusão do seu trabalho;
• que os peritos, no encerramento do laudo pericial contábil ou do parecer 
pericial contábil, declarem, de forma clara e precisa, as suas conclusões.
II-	Apresentação	do	laudo	e	do	parecer	pericial	contábil
Os itens 60 a 66 da NBC TP 01, que abordam sobre apresentação do laudo 
e do parecer pericial contábil, são orientados e conduzidos pelo perito-contador 
e pelo perito-contador assistente, respectivamente, que devem adotar padrão 
próprio, respeitada a estrutura prevista nesta Norma. Neles devem ser registrados 
de forma pormenorizada, claro e objetivo, sequencial e lógico, o objeto da perícia, 
os estudos e observações realizadas, as diligências executadas para a busca de 
elementos de prova necessários, a metodologia e critérios adotados, os resultados 
devidamente fundamentados e as suas conclusões.
O perito não deve utilizar-se dos espaços marginais ou interlineares para 
lançar quaisquer escritos no laudo pericial contábil e parecer pericial contábil, 
como também não pode ter emendas ou rasuras.
 
Quanto à linguagem adotada pelo perito, deverá ser acessível aos 
interlocutores, possibilitando aos julgadores e as partes da demanda conhecimento 
e interpretação dos resultados obtidos nos trabalhos periciais contábeis. Devem 
ser utilizados termos técnicos e o texto conter informações de forma clara. A 
redação deve ser técnica, de forma que qualifique o trabalho pericial, respeitando 
as NBC, e legislação de regência da profissão contábil. Os termos técnicos devem 
ser inseridos na redação do laudo pericial contábil e do parecer pericial contábil. 
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL
92
Considerando-se que são termos técnicos atinentes à profissão contábil, 
sempre que necessário, ser acrescidos de esclarecimentos adicionais e ser 
recomendada a utilização daqueles de maior domínio público.
O laudo pericial contábil e o parecer pericial contábil deverão ser 
escritos de forma direta, devendo atender às necessidades dos julgadores e dos 
interessados e ao objeto da discussão, sempre com conteúdo claro e limitado ao 
assunto da demanda, de forma que possibilite os julgadores a proferirem justa 
decisão. O laudo pericial contábil e o parecer pericial contábil não devem conter 
documentos, coisas, e/ou informações que possam levar a duvidosa interpretação, 
evitando a indução dos julgadores e interessados a erro. 
Os peritos devem elaborar o laudo pericial contábil e o parecer pericial 
contábil utilizando-se do vernáculo, sendo admitidas apenas palavras ou 
expressões idiomáticas de outros idiomas de uso comum nos tribunais judiciais 
ou extrajudiciais. 
O laudo pericial contábil e o parecer pericial contábil devem contemplar 
o resultado final de todo e qualquer trabalho alcançado por meio de elementos 
de prova inclusos nos autos ou adquiridos em diligências que o perito-contador 
tenha efetuado, por intermédio de peças contábeis e quaisquer outros documentos, 
tipos e formas. 
III- Terminologia
Os itens 67 a 79 da NBC TP 01 tratam da terminologia do laudo e parecer 
pericial contábil: 
• Forma circunstanciada: a redação pormenorizada, minuciosa, efetuada com 
cautela e detalhamento em relação aos procedimentos e aos resultados do 
laudo pericial contábil e o parecer pericial contábil.
• Síntese do objeto da perícia: o relato sucinto de forma que resulte numa leitura 
compreensiva dos fatos relatados ou na transcrição resumida dos fatos da lide sobre 
as questões básicas que resultaram na nomeação ou na contratação do perito.
• Diligência: todos os procedimentos e atos adotados pelo perito na busca de 
documentos, coisas, informações ou quaisquer outros elementos de prova, 
bem como todos os subsídios necessários à elaboração do laudo pericial 
contábil e do parecer pericial contábil, mediante termo de diligência, 
quando possível, desde que tais provas não estejam insertas nos autos. 
Ainda são consideradas diligências, as comunicações às partes, aos peritos-
contadores assistentes ou a terceiros, ou petições judiciais, em decorrências 
de necessidade de arrecadar elementos de prova.
TÓPICO 1 | ABORDAGENS GERAIS SOBRE A PERÍCIA CONTÁBIL
93
• Critérios da perícia: procedimentos que servem de norma para julgar 
ou decidir o caminho que deve seguir o perito na elaboração do trabalho 
pericial. É a faculdade que tem de distinguir como proceder em torno dos 
fatos alegados.
• Metodologia: conjunto dos meios dispostos convenientemente para alcançar 
o resultado da perícia por meio do conhecimento técnico-científico, de 
maneira que possa ao final inseri-lo no corpo técnico do laudo pericial 
contábil e do parecer pericial contábil.
• Resultados fundamentados: representam as consequências do trabalho 
técnico-científico do perito, por meio da explicitação da forma pela qual o 
perito chegou às conclusões da perícia.
• Conclusão: é a quantificação, quando possível, do valor da demanda, podendo 
reportar-se a demonstrativos apresentados no corpo do laudo pericial contábil 
e do parecer pericial contábil ou em documentos. É na conclusão que o perito 
colocará outras informações que não foram objeto de quesitação, porém, as 
encontrou na busca dos elementos de prova inerentes ao objeto da perícia e 
que, de alguma forma, servirão de apoio para a opinião ou julgamento.
• Anexos: são documentos elaborados pelas partes ou terceiros com o intuito 
de complementar a argumentação ou elementos de prova, arrecadados ou 
requisitados, pelo perito durante as diligências.
• Apêndices: são documentos elaborados pelo perito com o intuito de 
complementar a argumentação ou elementos de prova.
• Palavras e termos ofensivos: o perito que se sentir ofendido por expressões injuriosas, 
de forma escrita ou verbal, no processo, poderá tomar as seguintes providências:
(a) sendo a ofensa escrita ou verbal, por qualquer das partes, peritos ou 
advogados, o perito ofendido pode requerer a autoridade competente que 
mande riscar os termos ofensivos dos autos ou cassadaa palavra;
(b) sendo a ofensa escrita ou verbal, por qualquer dos peritos, o perito ofendido 
pode requerer a autoridade competente que mande riscar os termos ofensivos 
dos autos ou cassada a palavra. Pode ainda, ser comunicado o ocorrido 
mediante protocolo ao Conselho Regional de Contabilidade da sua jurisdição;
(c) as providências adotadas, na forma prevista nos itens precedentes, não 
impedem outras medidas de ordem civil ou criminal.
• Esclarecimentos: havendo determinação de esclarecimentos do laudo pericial 
contábil ou do parecer pericial contábil sem a realização de audiência, o perito 
a fará por escrito, observando em suas respostas os mesmos procedimentos 
adotados quando da feitura do esclarecimento em audiência, no que for aplicável.
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL
94
• Quesitos novos e honorários suplementares: o perito deve observar os 
quesitos suplementares formulados pelas partes ou pelo julgador. 
Os peritos devem, na conclusão do laudo pericial contábil e do parecer 
pericial contábil, considerar as formas explicitadas nos itens seguintes:
(a) Omissão de fatos: o perito-contador não pode omitir nenhum fato relevante 
encontrado no decorrer de suas pesquisas ou diligências, mesmo que não tenha 
sido objeto de quesitação e desde que esteja relacionado ao objeto da perícia.
(b) A conclusão com quantificação de valores é viável em casos de: apuração 
de haveres; liquidação de sentença, inclusive em processos trabalhistas; 
resolução de sociedade; avaliação patrimonial, entre outros.
(c) Pode ocorrer que na conclusão seja necessária a apresentação de 
alternativas, condicionada às teses apresentadas pelas partes, casos em que 
cada uma apresenta uma versão para a causa. O perito deve apresentar 
ao juiz as alternativas condicionadas às teses apresentadas, devendo, 
necessariamente, serem identificados os critérios técnicos que lhes deem 
respaldo. Tal situação deve ser apresentada de forma a não representar a 
opinião pessoal do perito, consignando os resultados obtidos, caso venha a 
ser aceita a tese de um ou de outro demandante, como no caso de discussão 
de índices de atualização e taxas.
(d) A conclusão pode ainda reportar-se às respostas apresentadas nos quesitos.
(e) A conclusão pode ser, simplesmente, elucidativa quanto ao objeto da 
perícia, não envolvendo, necessariamente, quantificação de valores.
FONTE: Disponível em: <http://www.ead.cesumar.br/moodle2009/lib/ead/arquivosApostilas/1323.
pdf>. Acesso em: 20 jan. 2015.
IV- Estrutura
Quanto à estrutura do laudo pericial contábil e do parecer pericial contábil, o 
item 80 dispõe que estes devem conter, no mínimo, os seguintes itens: a) identificação 
do processo e das partes; b) síntese do objeto da perícia; c) metodologia adotada 
para os trabalhos periciais; d) identificação das diligências realizadas; e) transcrição 
e resposta aos quesitos: para o laudo pericial contábil; f) transcrição e resposta aos 
quesitos: para o parecer pericial contábil, onde houver divergência, transcrição dos 
quesitos, respostas formuladas pelo perito-contador e as respostas e comentários 
do perito-contador assistente; g) conclusão; h) anexos; i) apêndices; j) assinatura do 
perito: fará constar sua categoria profissional de contador e o seu número de registro 
em Conselho Regional de Contabilidade, comprovada mediante Declaração de 
Habilitação Profissional – DHP. É permitida a utilização da certificação digital, em 
consonância com a legislação vigente e as normas estabelecidas pela Infraestrutura 
de Chaves Públicas Brasileiras – ICP – Brasil.
TÓPICO 1 | ABORDAGENS GERAIS SOBRE A PERÍCIA CONTÁBIL
95
V- Assinatura em conjunto
Os itens 81, 82, e 83 da NBC TP 01 tratam do assunto, e dispõem:
Quando se tratar de laudo pericial contábil assinado em conjunto, pelo 
perito-contador e perito-contador assistente, há responsabilidade solidária sobre 
o referido documento.
Em se tratando de laudo pericial contábil realizado por peritos contadores 
não oficiais para a área criminal, o exame só pode ser realizado após a prestação 
de compromisso de bem e fielmente desempenhar o encargo.
Quando se tratar de laudo pericial contábil realizado para área criminal, 
assinado em conjunto pelos peritos não oficiais, há responsabilidade solidária 
sobre o referido documento.
VI-	 Laudo	e	parecer	de	leigo	ou	profissional	não	habilitado
O Decreto-Lei nº 9.295/46 e a Norma Brasileira de Contabilidade, em seu 
item 84, consideram leigo ou profissional não habilitado para a elaboração de 
laudos periciais contábeis e pareceres periciais contábeis, qualquer profissional 
que não seja contador habilitado perante Conselho Regional de Contabilidade. 
VII- Esclarecimentos do laudo e do parecer pericial contábil em audiência
Por fim, abordamos os itens 85 e 86 para expor os esclarecimentos do 
laudo e do parecer pericial em audiência.
Esclarecimentos são respostas atribuídas pelo perito aos pedidos de 
esclarecimentos do laudo pericial contábil e parecer pericial contábil, determinados 
pelas autoridades competentes, quando estas por algum motivo entenderem a 
necessidade da presença do perito na audiência, para descrever e explicar de 
maneira ordenada e pormenorizada o conteúdo do laudo pericial. 
Os quesitos de esclarecimentos efetuados podem ser respondidos de duas 
maneiras:
1) De forma escrita: os quesitos de esclarecimentos deferidos e apresentados ao 
perito, no prazo legal, podem ser respondidos por escrito e, neste caso, deverá 
ser entregue o original, na audiência, para a juntada nos autos.
2) De forma oral: os quesitos de esclarecimentos deferidos e apresentados ao 
perito, no prazo legal, podem ser respondidos de forma oral, cuidando para 
sanar as obscuridades, omissões, contradições ou interpretações distintas 
daquelas constantes no laudo pericial contábil.
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL
96
Se for necessário efetuar diligências para arrecadar novos documentos ou 
outros elementos de prova, o perito deve adotar todas as providências constantes 
nesta Norma, não podendo, no entanto, requerer honorários complementares 
para aquele feito. Disponível em: <http://www.cfa.org.br/servicos/publicacoes/
manual-pericia/manual-fiscal-final.pdf>.
VIII– Quesitos e respostas
O item 87 da NBC TP 01 dispõe sobre quesitos e respostas: “o perito 
deve observar as perguntas efetuadas pelas partes, no momento próprio dos 
esclarecimentos, pois tal ato se limita às respostas a quesitos integrantes do laudo 
pericial, ou do parecer pericial contábil às explicações sobre o conteúdo da lide 
ou sobre a conclusão”.
IX– Quesitos novos
O item 88 trata que o perito-contador deve observar se os quesitos 
formulados nesta fase processual são pedidos de esclarecimentos sobre o seu 
laudo pericial contábil ou se tratam de quesitos novos. Mesmo atinente ao objeto 
da discussão, as respostas a esses novos quesitos ficam sujeitas ao deferimento do 
julgador da causa.
Prezado acadêmico! Com a abordagem feita dos 88 itens acima, você tem a 
resolução 1.243/2009, separada por tema, que é a atual resolução CFC sobre o trabalho 
de perícia, a qual representa parte da base legal para o exercício da perícia contábil.
97
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico vimos:
• De forma sucinta a atual legislação aplicável à elaboração da perícia contábil, 
constituída pela NBC TP 01 criada conforme Resolução CFC nº 1.243/2009. 
Esta resolução entrou em vigor em 1º de janeiro de 2010, e revogou as 
Resoluções CFC nº 858/99, nº 938/02, nº 939/02, nº 940/02, nº 985/03, nº 1.021/05 
e nº 1.041/05, publicadas no D.O.U., Seção I, de 29/10/99, 11/06/02, 11/06/02, 
11/06/02, 28/11/03, 22/04/05 e 22/09/05, respectivamente. 
• A Resolução nº 1.243/09 contempla os seguintes temas inerentes à perícia como: 
a) objetivo; b) conceito; c) forma de execução; d) procedimentos; e) planejamento 
dos trabalhos periciaissubdividido em: I) objetivos; II) desenvolvimento; III) 
riscos e custos; IV) equipe técnica; V) cronograma; VI) conclusão; f) termo de 
diligência: 1) aplicabilidade; 2) estrutura; g) laudo e parecer pericial contábil: 
(i) apresentação do laudo e do parecer pericial contábil; (ii) terminologia; 
(iii) estrutura; (iv) assinatura em conjunto; (v) laudo e parecer de leigo ou 
profissional não habilitado; (vi) esclarecimentos do laudo e do parecer pericial 
contábil em audiência; (vii) quesitos e respostas; (viii) quesitos novos.
• Além destes temas, foram apresentados três modelos de termo de diligência, e 
um modelo de planejamento para perícia judicial, sendo: 
 Modelo nº 01: Termo de Diligência na Perícia Judicial
 Modelo nº 02: Termo de Diligência na Perícia Extrajudicial
 Modelo nº 03: Termo de Diligência na Perícia Arbitral
• O modelo de planejamento para perícia judicial é dividido em duas partes: 
na primeira delas é apresentada a fase pré-operacional, e na segunda a 
execução da perícia.
98
AUTOATIVIDADE
1 De acordo com o Conselho Federal de Contabilidade, a matéria que aborda 
sobre perícia contábil é oriunda de: 
a) ( ) Portaria.
b) ( ) Lei.
c) ( ) Resolução.
d) ( ) Relatório.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.
2 De acordo com a Resolução nº 1.243/2009 a perícia contábil constitui:
a) ( ) Regras e procedimentos técnicos-científicos a serem observados pelo 
perito.
b) ( ) O núcleo central da contabilidade elaborada pelos auxiliares contábeis. 
c) ( ) A independência profissional do auditor.
d) ( ) A influência do cargo de assistente preliminar.
e) ( ) Atuação como membro da equipe de juízes.
3 De acordo com o Conselho Federal de Contabilidade, tanto a perícia 
judicial, como a perícia extrajudicial e a perícia arbitral são de competência 
exclusiva de:
a) ( ) Auditor Independente com registro na Comissão de Valores Mobiliários.
b) ( ) Contador registrado em Conselho Regional de Contabilidade.
c) ( ) Auditor Interno e Auditor Independente, em conjunto.
d) ( ) Contador e Técnico em Contabilidade, em conjunto.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.
4 De acordo com o Conselho Federal de Contabilidade, o exercício da perícia 
interprofissional é de competência exclusiva de:
a) ( ) Competência exclusiva do Auditor Independente registrado no 
Ibracon.
b) ( ) Competência exclusiva do Gerente Administrativo registrado no CRA.
c) ( ) Competência exclusiva do Técnico em Contabilidade.
d) ( ) Competência exclusiva do Fiscal do Ministério do Trabalho.
e) ( ) Competência exclusiva de Contador registrado em Conselho Regional 
de Contabilidade.
5 Marque V para verdadeira e F para falsa, quanto às considerações importantes 
a serem reconhecidas pelo planejamento, na execução dos trabalhos: 
99
( ) Conhecer detalhadamente: os fatos concernentes à demanda.
( ) Tempo de experiência do perito assistente.
( ) Elaborar com clareza os quesitos.
( ) Informar ao Juiz o nome completo do perito assistente.
( ) O tempo necessário para a elaboração do trabalho.
Assinale a alternativa com a sequência correta.
a) ( ) V– F– F– V– V. 
b) ( ) V– F– V– V– V. 
c) ( ) V– V– V– F– F. 
d) ( ) V– F– F– F– V. 
e) ( ) V– V– F– F– V.
6 Na perícia judicial deve o perito-contador comunicar, sempre que não 
houver publicação oficial da concessão do prazo suplementar, aos:
a) ( ) Requerentes da perícia.
b) ( ) Aos peritos-contadores assistentes.
c) ( ) Proprietários da parte acusada.
d) ( ) Assistentes do Juiz, através de ofício.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.
7 Descreva, no mínimo, cinco subitens que abordam sobre execução da perícia, 
previstos na Resolução nº 1.243/2009, identificando a qual subitem se refere:
8 A guarda e segurança dos documentos, durante o processo, cabe ao:
a) ( ) Perito-contador e auditor interno.
b) ( ) Perito-contador assistente, isoladamente.
c) ( ) Perito-contador e o perito-contador assistente.
d) ( ) Perito-contador, isoladamente.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.
9 Complete a sentença. 
Nas diligências, o perito-contador e o perito-contador assistente, a fim 
de agilizar o processo, devem solicitar os livros, documentos, e os dados, 
______________________.
10 Preencha as lacunas:
a) O exame é a _____________, ___________________e 
________________________.
b) A vistoria é a ________________________________________, 
_________________, ______________________________.
c) O arbitramento é a _________________________________________________
__________.
100
d) A avaliação é o _______________________, ____________, 
___________________, ______________________, _______________ e 
____________________.
e) A indagação é a ___________________________________________________
___________.
11 Uma vez concluídas as diligências, o perito-contador e o perito-contador 
assistente apresentarão.
a) ( ) Certificado investigatório; exame pericial.
b) ( ) Laudo pericial; parecer de arbitragem.
c) ( ) Ambos apresentarão o parecer pericial contábil
d) ( ) Laudo pericial; parecer pericial contábil.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.
101
TÓPICO 2
CARACTERÍSTICAS DOS TRABALHOS PERICIAIS
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Prosseguindo com o objeto de estudo deste caderno, o passo seguinte é a 
abordagem do plano de trabalho.
Assim como o médico prepara o paciente para fazer uma cirurgia, a 
realização da perícia contábil também requer preparação. Daí a realização do 
plano de trabalho.
2 PLANO DE TRABALHO
Podemos equiparar o plano de trabalho aos atos preparatórios da perícia, 
que estando de posse do processo judicial, e conhecido o trabalho a ser realizado, 
deve o perito traçar com antecedência a maneira de executar e os pontos que deve 
tanger o seu trabalho, inclusive os correlatos. 
Espelhando-nos em Lopes de Sá (2009) é possível dizer que o plano de 
trabalho é um guia a ser seguido, de forma organizada e harmônica, que deve 
conter as reflexões necessárias e os procedimentos a serem adotados para 
responder cada quesito ou questão. 
NOTA
“[...] plano de trabalho em perícia contábil é a previsão, racionalmente organizada, 
para a execução das tarefas, no sentido de garantir a qualidade dos serviços, pela redução dos 
riscos sobre a opinião ou resposta”. (SÁ, 2009 p. 32).
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL
102
Para se ter uma visão mais ampla do plano de trabalho, este é dividido em 
etapas, que segundo Sá (2009), são sete, assim decifradas: 
1) o perito tem que ter pleno conhecimento da questão, ou, se for judicial, deve ter 
conhecimento do processo que está sendo executado;
2) pleno conhecimento dos fatos que motivam a tarefa;
3) levantamento prévio dos recursos disponibilizados para exame;
4) prazo necessário para a execução das tarefas e entrega do laudo ou parecer, 
conforme o caso;
5) acessibilidade aos dados, uma vez que muitas vezes há necessidade de 
deslocamento etc., para o levantamento dos mesmos;
6) conhecimento dos sistemas contábeis adotados, e, confiabilidade de documentação;
7) natureza de apoios, caso seja necessário.
Ressalta Sá (2009) que não se pode afirmar que as sete etapas sejam um 
guia, uma vez que o elenco contempla apenas o que as partes normalmente 
desejam saber e requerem como opinião do perito; e explica de forma mais 
circunstanciada o que significa cada uma das etapas apresentadas: 
1ª- Pleno conhecimento da questão
Para Lopes de Sá (2009) toda perícia envolve um pedido de opinião de 
quem é competente a dar. O perito, para que possa participar do processo, deve 
ter conhecimento sobre: todos os itens que motivou a questão, os argumentos de 
cada uma das partes (autor) e (réu), os documentos apresentados etc. 
Se for perito nomeado pelo juiz, absorve toda a responsabilidade,que é 
ampla, e espera-se que o laudo seja o de maior confiabilidade.
Se for perito das partes (ou do réu, ou do autor), deve o profissional 
aprofundar-se nas razões de seu cliente e procurar, através de todos os meios lícitos 
e éticos, segundo seus conhecimentos - as razões em favor da parte que o constituiu.
Se for perito assistente ou da parte, é exigido o dever ético.
Se não for perícia judicial, mas sim administrativa, é necessário conhecer 
tudo o que a motivou, e porque se deseja a opinião, ou ainda, o que se espera 
com ela, e não para por aí. A perícia vai exigir muito mais detalhamento e 
especificidade no plano de trabalho, explica Sá (2009).
NOTA
Para Sá (2009, p. 34), “[...] o pleno conhecimento das razões pelas quais a perícia se 
realiza deve determinar a filosofia e a política do plano de trabalho a ser elaborado como guia”.
TÓPICO 2 | CARACTERÍSTICAS DOS TRABALHOS PERICIAIS
103
2ª- Pleno conhecimento dos fatos
Sá (2009) explica que são muitos os fatos que envolvem a tarefa pericial, e 
não se pode confundir com o conhecimento da “questão”. Ressalta que a questão 
nos dá a razão para a metodologia enquanto que os fatos nos informam o que já 
aconteceu e está por suceder. 
Para maior entendimento, Sá (2009) apresenta um exemplo que se constitui 
no seguinte: um sócio entra na justiça contra o outro, reclamando que o gerente 
não está cumprindo o contrato social; a razão pode ser “obter maior distribuição 
de lucro”, mas os fatos que circulam a questão podem denunciar que, além do 
contrato social, houve um acordo de quotista onde o sócio de capital concordou 
que as distribuições só se fizessem quando o lucro fosse superior a determinado 
percentual do patrimônio líquido, corrigido até a época da distribuição.
Neste caso a intenção da pessoa que o faz é uma, e essa é sua razão, porém 
os fatos militam contra ele.
Assim, o perito pode concluir que os lucros foram apurados erroneamente 
por subavaliação de estoques, ou que houve omissão de receitas etc., mas isto só 
mudará, no futuro, se a perícia tiver meios de emitir uma opinião sólida.
Diante do exposto, explica Sá (2009), existem razões e fatos, porém, nem 
sempre as razões são apoiadas pelos fatos e às vezes a perícia pode reverter os 
fatos ou apoiar as razões, depende sempre do que se tem para verificar.
NOTA
De acordo com Sá (2009), “[...] os fatos são ocorrências que não se confundem 
com as razões que motivaram a perícia, mas, para planejar é preciso conhecer a ambos”. 
3ª- Levantamento prévio dos recursos disponibilizados para exame
O planejamento requer o conhecimento dos recursos disponíveis explica Sá (2009), 
quer humanos ou materiais, competentes para produzir em um laudo de qualidade. 
A partir dos quesitos e das questões, com que elementos pode o perito 
contar para responder?
Responde Sá (2009) que nem sempre os elementos à disposição do profissional 
são suficientes para a realização da tarefa, assim como os quesitos ou questões, e 
exemplifica que se for requerido um exame de custos, e se a empresa não tiver escrita 
contábil pertinente, o perito terá grande dificuldade para realizar a tarefa.
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL
104
Se forem requeridos dados que exigem determinados tipos de controle e 
a empresa a ser examinada não dispuser deles, complicam-se os levantamentos, 
ou ainda, se for requerido opinião sobre a qualidade do produto e a empresa não 
dispuser de meios para estes cuidados, dificilmente se chegará a conclusões. 
NOTA
Segundo Sá (2009), antes de planejar é necessário conhecer o que se pode 
dispor para examinar; só assim será possível fazer um plano de trabalho pericial.
4ª-	 Prazo	necessário	para	a	execução	das	tarefas
É procedimento normal nas perícias ser fixado prazo para a realização 
do trabalho. A Lei nº 8.455, de 24-08-1992, art. 1º, fixa limites de prazos para as 
perícias judiciais, que mencionamos a seguir: a) de pelo menos vinte dias antes 
da audiência de instrução e julgamento; b) os assistentes têm dez dias de prazo 
após a entrega do laudo. 
Nos casos de inquéritos, muitas vezes, também acontece. 
Uma vez conhecidas as razões, os fatos e os recursos, necessário se faz 
mensurá-los diante do tempo que se dispõe para tal. Para isto Sá (2009) explica que o 
melhor critério é a realização de um cronograma, onde o perito coloca: de um lado a 
TAREFA, isto é, os exames a serem feitos, e de outro lado o TEMPO PREVISTO. 
Esta medida permitirá que o perito peça mais tempo, ou desista de realizar 
o serviço para não fazê-lo mal.
QUADRO 2 - CALCULAR TAREFAS EM HORAS DE SERVIÇOS
FONTE: Antônio Lopez de SÁ, 2009, p. 36
Tarefas Tempo/horas Quesito nº
Exame de livros – legalidade
Exame p. __ a p. __ diário
Exame conta Sr. ____________
Exame razão conta _______________
Exame contrato ____________
Exame pagamentos Sr. _____________
1
92
6
19
2
450
............
............
...........
...........
...........
..........
Horas do prazo
Horas do cronograma
622
570
TÓPICO 2 | CARACTERÍSTICAS DOS TRABALHOS PERICIAIS
105
O quadro acima acusa que é possível, dentro das previsões, realizar a tarefa.
O cronograma deve ser realizado com margem de segurança, ou seja, as 
margens devem ser suficientes para cobrir os imprevistos, que são naturais.
A partir deste cronograma prévio é elaborado outro prevendo a 
distribuição de tarefas por auxiliares, se houver. 
5ª- Acessibilidade aos dados
Segundo Sá (2009), nem sempre os dados que o perito necessita são de 
fácil acesso, ou seja, se encontram no local onde o perito reside; muitas vezes 
se espalham por regiões até longínquas. Cabe ressaltar que, segundo SÁ 
(2009), existem situações onde estes dados se encontram em péssimo estado de 
conservação, exigindo grande esforço para leitura.
 
Outro fato que ocorre é a dependência de informes de terceiros não 
implicados na questão e que dificultam o fornecimento (às vezes até instigados 
por uma das partes litigantes ou envolvidas no processo pericial). Pelos motivos 
expostos, deve o perito prever para o plano a questão do acesso aos dados. 
Em empresas que possuem muitas filiais, como por exemplo, os bancos, 
se não houver um bom sistema de arquivo de dados e documentos, a tendência é 
de haver dificuldade na obtenção dos mesmos. 
NOTA
De acordo com Sá (2009), ao planejar o trabalho pericial é necessário ter 
conhecimento sobre o acesso aos dados que são objeto de exames, assim como a qualidade 
para a leitura e manuseio dos elementos.
6ª-	 Conhecimento	dos	sistemas	contábeis	adotados	e	confiabilidade	na	documentação
O perito precisa ter conhecimento razoável de sistemas, e como se processam 
os diferentes sistemas de registros contábeis e de arquivos. Os sistemas não são 
iguais, mas apresentam muitas semelhanças, explica Sá (2009). Precisa testar a 
confiabilidade dos sistemas, dos arquivos de documentos, de fitas, discos etc. 
Para planejar é preciso saber como se chega aos dados e se é possível ter 
confiança neles.
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL
106
7ª- Natureza de apoios
O perito precisa saber que pode contar com apoios para auxiliá-lo no que 
for necessário, e assim, planejar seu trabalho de acordo com as circunstâncias. 
Se for necessário um programa de computador, o perito precisa saber se 
vai poder dispor de pessoal da empresa, ou, se deve contratar. Ressalta Sá (2009) 
que muitas vezes é preferível contratar. 
O perito deverá elencar os apoios de que necessita e onde poderá encontrá-
los, e somente após deverá realizar o plano. 
Exemplo:
Apoios Necessários Fonte
Programador para............ Empresa .........
Auxiliar de cálculos Sr. ........(nosso funcionário)
Auxiliar de digitação Solicitar ao periciado .........
Auxiliar de análise Sr. ........ (nosso funcionário)
................ ....................
FONTE:SÁ, Antônio Lopes de. Perícia Contábil. São Paulo: Atlas, 2009.
Nota do autor (2009): quando a matéria a ser examinada é muito grande, 
há necessidade de ajuda de auxiliares e/ou de técnicos especialistas que 
resolvam	problemas	específicos	mais	complexos.
3 EXECUÇÃO DO TRABALHO PERICIAL
A execução do trabalho pericial é realizada através de técnicas que consideram 
os modos de operação decorrentes da própria ciência (ALBERTO, 2009).
De acordo com Sá (2009), os planos periciais possuem o conteúdo suficiente 
para que a opinião seja transmitida pelo perito, de forma que satisfaça os que a 
requereram. Não é possível padronizar, pois muitos são os casos que ocorrem. 
O importante é que os planos sigam os itens que compõem o objeto de 
indagação.
Exemplo: 
Imaginemos uma perícia administrativa em que se examina a atuação do 
chefe de almoxarifado. 
TÓPICO 2 | CARACTERÍSTICAS DOS TRABALHOS PERICIAIS
107
Objetivo: saber se ele desviou materiais do estoque. 
Motivo: existe uma acusação de que o chefe tem vendido os mesmos 
materiais a atravessadores, em proveito próprio, e no último inventário feito este 
não conseguiu apurar diferenças. 
Percepção: existe a possibilidade de manipulação nos registros de 
movimentação. 
Hipóteses básicas: compras registradas com entradas “a menor” ou saídas 
“a maior”.
O plano deve girar em torno de tais verificações. 
O conteúdo seria verificar as “entradas” contra as notas de compras e as 
“saídas” contra as requisições e estas contra as ordens de produção. Isto porque, 
partindo-se das notas fiscais de compras, se o registro de entrada foi “a menor”, 
logo será apurado; partilhando-se das ordens de fabricação contra as notas de 
requisições de estoques, deve-se, também, se houver, detectar a diferença. Isto 
porque os “saldos” de cada item do estoque conferem com os “levantamentos 
físicos” que foram realizados. (SÁ, 2009).
O exemplo exposto menciona que o programa de trabalho do perito 
giraria em torno dessas ocorrências. 
Alberto (2009) dividiu as técnicas do trabalho pericial contábil em três: (1) 
Técnicas preliminares; (2) Técnicas básicas; e, (3) Técnicas científicas.
1) Técnicas preliminares: compreende o objeto, o objetivo e as diligências. Toda 
ciência tem seu objeto e seus princípios, e também sua adaptação aos métodos 
a se expressarem através da metodologia própria da referida ciência. A ciência 
deve estar ligada a aplicação prática e fundamentada em princípios e deve 
utilizar metodologia adequada a seu objeto e a seus objetivos.
 
Na aplicação prática da Ciência Contábil, da qual a perícia é uma delas, 
devem ser considerados os “modos de operação” decorrentes da própria ciência, 
que em outras palavras quer dizer que a aplicação prática dos resultados das 
pesquisas das ciências se expressa através de técnicas desenvolvidas para abordar 
determinadas situações. (ALBERTO, 2009).
Como modus operandi, são mutáveis, a técnica não é a ciência, mas é parte da 
aplicação desta ciência. Da técnica modus operandi nasce a tecnologia modus faciendi.
No caso da perícia, para que o laudo possa ser elaborado, o perito deve se 
valer de técnicas usuais e especiais. As técnicas preliminares são: 
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL
108
a. Definir o objeto da perícia – neste caso o perito deve procurar 
estabelecer e definir o objeto pericial, haja vista que nem sempre o 
objeto está claro para o usuário do serviço pericial.
b. Estabelecer, com base no objeto e demais elementos disponíveis, qual 
o objetivo da perícia, ou seja, qual a finalidade para a qual está sendo 
examinada determinada matéria. Esta finalidade, na maioria das vezes, 
não está claramente estabelecida pelo usuário. Este procedimento é 
importante, pois dependendo da finalidade da perícia, deverá o perito 
estabelecer a metodologia que empregará, ou em suma, as técnicas de 
abordagem que adotará. Trata-se da investigação em sentido lato sensu, 
ou seja, investigar junto aos próprios autos ou conjunto de elementos 
que lhe são submetidos.
c. Se o objeto e os objetivos tornarem necessária a pesquisa de campo, o 
profissional deverá comparecer no local onde será efetuada a pesquisa, 
ou ainda, onde serão solicitados os documentos, ouvidas pessoas ou 
efetuadas as medições ou reproduções da coisa, ou fato de qualquer 
espécie. (ALBERTO, 2009, p. 120).
Ressalta Alberto (2009, p. 26): “[...] é aconselhável que essa técnica 
seja empregada com os cuidados devidos, devendo o perito lavrar termo 
circunstanciado da solicitação, pesquisa ou verificação efetuada”. 
A diligência é importante ato técnico para a realização do laudo. É através 
deste ato que muitos atos, fatos e situações ocultos podem vir à tona. A disposição 
mental apropriada do perito, sua observação e capacidade de apreensão são 
fatores decisivos para o encaminhamento que terá o laudo propriamente dito.
2) Técnicas básicas: de acordo com Alberto (2009), técnicas básicas são exame, 
vistoria, indagação, investigação, arbitramento, avaliação e certificação. 
Dependendo da finalidade da perícia solicitada, esta se valerá de técnicas 
específicas. Ressalta o autor que não se pode confundir procedimentos técnicos 
típicos da atividade pericial, com “espécies de perícia”.
A maior parte das técnicas de perícia que apresentamos são comuns a 
todas as espécies de perícia. Para melhor compreensão Alberto (2009) explica 
cada uma das técnicas, a partir da conceituação das Normas Contábeis. 
Exame: é a análise dos elementos constitutivos da matéria, que pode ser 
em relação a um elemento qualquer (uma pessoa, um documento, um móvel etc.). 
Pressupõe a separação dos elementos da matéria examinada em tantas partes 
quanto necessário for, para formar convicção sobre elas. 
Vistoria: é o ato de verificar o documento redigido relativo ao objeto 
pericial concreto (pessoa, máquina, documento, condições ambientes etc.). Em 
outras palavras é possível dizer que é apreensão do estado do objeto no momento 
do exame e seu testemunho na instância usuária. 
Indagação: é o documento pericial de obtenção do testemunho pessoal 
daqueles que tem, ou deveriam ter, conhecimento dos fatos ou atos concernentes 
à matéria periciada. 
TÓPICO 2 | CARACTERÍSTICAS DOS TRABALHOS PERICIAIS
109
Investigação: a investigação é a pesquisa que busca trazer ao laudo que 
está oculto por quaisquer circunstâncias. As manifestações que habitualmente 
surgem são: astúcia, má-fé, fraude, malícia e outros procedimentos aéticos que 
visam obscurecer a verdade. 
Arbitramento: está relacionado à solução de controvérsia por critério 
técnico, como constante das normas contábeis. Do ponto de vista estritamente 
pericial, é a técnica de determinar valores através de procedimentos estatísticos 
como média, mediana, desvio-padrão etc., e situações mensuráveis conhecidas, 
utilizadas como parâmetro para se determinar o valor de situação capazes de 
fundamentar o valor encontrável. 
Avaliação: é a análise e identificação do valor de coisas, bens, direitos, 
obrigações, despesas e receitas, por critério objetivo, calculável ou demonstrável. 
É a constatação do valor real das coisas, ou de sua determinação por critério 
comparativo direto, como pesquisas, valor de mercado etc.
Certificação: é a informação trazida ao laudo pelo perito com caráter 
afirmativo, cuja autenticidade é reconhecida em função da fé pública atribuída ao 
profissional. Tais informações podem ter naturezas diversas ou mesmo estarem 
ligadas às técnicas de vistoria, indagação ou investigação. 
NOTA
as técnicas de arbitramento e avaliação não se aplicam a todas as perícias. Devem 
ser encaradas como técnicas de mensuração de valor, e podem ser usadas por contadores 
ou engenheiros, e outros, mas não podem ser usadas por médicos ou grafotécnicos, por 
exemplo. (ALBERTO, 2009).
3) Técnicas científicas: assim entendidas a análisee síntese. Toda a técnica pericial 
presume o emprego da metodologia científica, uma vez que só é possível dizer 
que é perícia se houver o emprego de conhecimentos técnicos ou científicos. 
(ALBERTO, 2009). 
Todas as metodologias científicas, como lógica aplicada, resultado da 
observação pura e simples, estão sustentadas pela análise e pela síntese, isto é, 
pela decomposição do todo em partes. A ciência, ao ser aplicada, age na realidade 
concreta, e a realidade com ela interage, de maneira que ao perito não é dado 
desconhecer ou não perceber essa influência de bom argumentador da realidade 
e da abstração da realidade. 
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL
110
Deve o profissional estar atento para poder agir conscientemente, conduzindo 
com rigor científico a realização do trabalho pericial, de maneira que seu resultado se 
afirme pela própria força de suas convicções e certezas. (ALBERTO, 2009). 
Para maior entendimento do assunto, Sá (2009) apresenta o seguinte 
Programa de Trabalho Pericial, baseado no exemplo exposto no início deste tópico.
PROGRAMA DE TRABALHO PERICIAL
Empresa ............. Data ............ Inquérito administrativo nº ............. Perito .........
Local de Exame: Almoxarifado da fábrica ................. na cidade de .....................
Unidade .............................
Almoxarife Responsável Sr. .................. Auxiliares ............ e ................e ..........
Sistema de registro de estoques ............ Último inventário físico em ..................
I – NOTAS DE COMPRAS
Confrontar as notas de compras do artigo ............ fornecedor .......... contra 
os registros de estoques ......... código .......... no mês de .........................................
Aplicar o mesmo critério para os artigos ................. fornecedores 
.......................
Partir dos registros de estoques dos artigos ............... para as notas de 
compras .................. dos fornecedores .................................
II – ORDENS DE FABRICAÇÃO
Partir das notas de fabricação nºs ............. dos materiais .............. para o 
Registro dos estoques códigos ......................
Partir dos estoques códigos .................. para as notas de fabricação nºs .........
(listar todos os exames e destacar as discrepâncias encontradas).
No caso de perícia judicial, os programas seguem os quesitos, 
determinando-se, em cada um, o que vai ser examinado.
Exemplificando:
PROGRAMA DE TRABALHO PERICIAL
Processo nº ........ Vara ....... Juiz ........Partes: autores .......réus .........Data ...... 
Natureza da ação .............Fórum de ......... Advogados: Autores .......Réus ........
Peritos ............. Do juiz .......... Do autor ................. Do réu ................. 
Compromisso em ............................. Prazo .............................
TÓPICO 2 | CARACTERÍSTICAS DOS TRABALHOS PERICIAIS
111
Quesito nº 1
Solicitar os livros Diário do período ............ a ...............
Verificar: Termos de abertura, rubricas nas páginas, nº registro ..........................
Verificar o estado de encadernação das listagens.
Verificar se contém as assinaturas do contabilista, dos proprietários.
Observar e relatar em que páginas estão lançados os demonstrativos 
contábeis de encerramento dos exercícios de .......... e ..............
Solicitar os registros de Razão (listagens)
Destacar, por digitações, imprimindo a seguir, as contas de Razão 
relativas aos Srs. .................................... e ........................... de .......................................
Quesito nº 2
Destacar do arquivo o contrato nº .............. entre ............ e............. de..............
Verificar se o destacado pela cláusula ........................ tem registro contábil 
pertinente em ........................................
Realizar o mesmo procedimento em relação à cláusula ......................................
Quesito nº 3
Obter o total de registros de pagamentos da conta ..............................................
Observar se de ......... a ......... existem créditos na conta do Sr. ..........................
Confrontar tais registros com a conta bancária ....................................................
NOTA: 
“Os planos periciais têm o conteúdo compatível com os objetos de 
exames, adaptando-se tudo a cada caso na conformidade dos regimes contábeis 
e documentais e natureza do serviço”. (SÁ, 2009 p. 41).
112
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico vimos:
• Para que o trabalho pericial tenha sucesso, o planejamento é fundamental. 
• A legislação inerente à perícia contábil, que contém a matéria sobre o 
planejamento segundo a resolução CFC 1.243/09.
• Quando o contador-perito é notificado para realizar a perícia, o primeiro passo 
é a retirada do processo judicial para análise; uma vez conhecido o trabalho a ser 
realizado deve o perito esboçar com antecedência a maneira como executará, 
bem como os pontos-chave. Isto permitirá apurar o tempo necessário para e 
execução da perícia.
• As etapas para a realização da perícia são sete e, segundo Sá (2009), contemplam as partes 
normais do processo; de forma geral é possível dizer que o perito tem que conhecer o 
processo; os fatos que motivaram a tarefa; levantar os recursos disponibilizados para 
exame; prazo para execução da tarefa; acesso aos dados; conhecimento dos sistemas 
contábeis adotados; e, natureza de apoio, se necessário for. 
• A execução do trabalho pericial é realizada através de técnicas que consideram 
os modos de operação. Para melhor entendimento do aluno foram apresentados 
exemplos no desenvolvimento do tema. 
• Técnicas do trabalho pericial contábil, o que é necessário para a elaboração do 
laudo. O profissional deve estar atento para poder agir conscientemente.
113
AUTOATIVIDADE
1 Preencha as lacunas:
a) De posse do ___________, e conhecido o ___________________, 
deve o _________ traçar com antecedência, ________________ e os 
__________________, inclusive os _____________.
b) O plano de trabalho é __________________, de forma ________________ 
e _________________, que deve conter as ___________________ e os 
__________________ a serem adotados para ____________________________.
2 Classifique as opções em verdadeiras e falsas com V e F, respectivamente. 
De acordo com Sá (2009), são etapas do plano de trabalho:
( ) Pleno conhecimento dos fatos.
( ) Prazo necessário para a execução das tarefas.
( ) Verificação das atas registradas pelo perito-contador assistente.
( ) Acessibilidade aos dados.
( ) Conhecimento dos sistemas contábeis adotados.
Assinale a alternativa com a sequência correta.
a) ( ) F– F– V– F– F. 
b) ( ) V– F– F– F– V. 
c) ( ) V– V– F– V– V. 
d) ( ) F– V– F– F– V. 
e) ( ) F– V– V– V– F.
3 Sá (2009) explica que são muitos os fatos que envolvem a tarefa pericial, e 
não se confundem com o conhecimento da “questão”, e ressalta, a questão 
nos dá a razão para a metodologia enquanto que os fatos nos informam: 
a) ( ) O que está previsto no contrato social.
b) ( ) O que foi designado pelo Oficial da Justiça.
c) ( ) O que é devido pelo Requerente da perícia.
d) ( ) O que já aconteceu e está por suceder.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.
4 Segundo Sá (2009), se na perícia forem requeridos dados que exigem 
determinados tipos de controle e a empresa a ser examinada não dispor 
deles, complicam-se os levantamentos, ou ainda, se for requerido opinião 
sobre a qualidade do produto e a empresa não dispuser de meios para estes 
cuidados, dificilmente se chegará a conclusões. Por este motivo, antes de 
planejar é necessário:
114
a) ( ) Conhecer o regime tributário do réu.
b) ( ) Conhecer o que se pode dispor para examinar.
c) ( ) Conhecer o parecer do perito-assistente.
d) ( ) Conhecer a capacidade degerar lucro da empresa.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.
5 As técnicas do trabalho pericial, segundo Alberto (2009), são as seguintes:
a) ( ) Preliminares; básicas; científicas.
b) ( ) Preliminares; básicas; complexas.
c) ( ) Preliminares; científicas; metodológicas.
d) ( ) Preliminares; básicas; objetivas
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.
6 Os planos periciais têm o conteúdo compatível com os:
a) ( ) Recursos disponibilizados.
b) ( ) Regimes contábeis.
c) ( ) Modus faciendi.
d) ( ) Modus de operandi.
e) ( ) Objetos de exames.
115
TÓPICO 3
EXERCÍCIO PROFISSIONAL DO PERITO
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Dando prosseguimento aos nossos estudos, abordaremos laudos. Em 
tópicos anteriores já foram abordados aspectos formais do tema, entretanto, 
aqui será apresentado de forma mais ampla e esmiuçada, para que você consiga 
compreender melhor este assunto que é extremamente complexo. 
2 LAUDO PERICIAL
Laudo foi conceituado por Alberto (2009, p. 108) como “[...] peça escrita, 
na qual os peritos contábeis expõem, de forma circunstanciada, as observações e 
estudos que fizeram e registram as conclusões fundamentadas da perícia”. 
Sá (2009) explica que o laudo é a informação que o perito produz sobre 
determinado trabalho que realizou. Em outras palavras, o laudo é a opinião do 
perito onde relata seu ponto de vista e emite justificativa, oferecendo as bases ou 
elementos de que fez uso. 
A manifestação exata do perito, sobre os fatos, de forma minuciosa gera a 
peça tecnológica denominada Laudo Pericial Contábil.
Conceitua Sá (2009, p. 42), “Laudo é uma palavra que provém da expressão 
verbal latina substantivada laudare (laudo, laudare), no sentido de ‘pronunciar’, tal 
como a empregou Marco Túlio Cícero em Pro Murema (75)”. Em outras palavras, 
explica o autor, laudo é um pronunciamento ou manifestação de um especialista 
sobre uma ou várias questões, que se submetem a sua apreciação.
Para confirmar o conceito de laudo pericial, buscou-se o entendimento de 
Ornelas (2003) no qual menciona que o laudo pericial contábil é a peça técnica 
elaborada pelo perito nomeado. Isto confirma o entendimento dos demais autores 
anteriormente citados.
116
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL
Continua Sá (2009):
[...] os laudos podem ser: (I) isolados; ou, (II) de uma Junta ou Colegiado 
de Peritos.
(I) Isolados: de um só perito.
(II) Junta ou Colegiado de Peritos: na perícia judicial são três ou mais peritos. 
O laudo pode obedecer a critérios diferentes, depende de cada caso. 
NOTA
Segundo Sá (2009, p. 11), “[...] preferivelmente o laudo deve expor a metodologia 
que foi seguida, a justificativa da escolha da mesma, a divisão por itens ou quesitos formulados”.
Dependendo do caso, os laudos são acompanhados de anexos que demonstram 
ou provam as conclusões. Assim, destaca-se a análise da síntese feita em cada quesito. 
Exemplo: 
Quesito nº ... – A empresa.... no período de .... a .... utilizou-se de suas 
reservas para aumentos de capital? 
Resposta ao Quesito nº ... – No período referido, a empresa destinou 
suas reservas para finalidades distintas, sendo, para fins de aumento de capital, 
utilizados valores que montam ......., de acordo com o demonstrado no anexo 
a esta perícia de nº .... onde se espelham as datas, os valores, o registro das 
alterações contratuais na Junta Comercial.
FONTE: SÁ, (2009 p. 11)
NOTA
Sá (2009) comenta no exemplo anterior, que o perito respondeu à pergunta 
de forma positiva, globalizou o valor que era o interesse, e o analisou em anexo, de forma a 
detalhar todo caminho do evento.
TÓPICO 3 | EXERCÍCIO PROFISSIONAL DO PERITO
117
Considerando que os anexos podem (às vezes) formar a parte mais volumosa 
do trabalho, sobretudo nas perícias judiciais, é tolerável que o perito, ao verificar 
a veracidade do anexo, apenas mencione: “como consta das folhas.... dos autos”.
Nas perícias administrativas, nas quais, muitas vezes, o que se busca 
investigar é a fraude, os laudos passam a ter diferentes conotações, haja vista que 
o importante não são os quesitos, mas sim as apurações de fatos. Nesse caso, o 
perito passa a expor seu plano de trabalho, a matéria verificada, as irregularidades 
detectadas, onde recaiu a responsabilidade. 
Independente do tipo de perícia o laudo traz a opinião e é preciso que tenha 
requisitos de qualidade. São requisitos de qualidade, segundo Sá (2009, p. 12):
1. identificação completa do caso (Processo nº .... de tal lugar, data, 
partes envolvidas etc.);
2. identificação do perito;
3. identificação da autoridade a que se destina;
4. se for o caso, qual a metodologia adotada;
5. identificação de quesito por quesito ou do caso sobre o qual se opina;
6. resposta a cada um dos quesitos;
7. conclusões precisas sobre os quesitos;
8. anexos que comprovem os casos que merecem análises;
9. data e assinatura do perito.
Se, ao final, não for possível a conclusão, o perito dará sua negativa. Isto pode 
acontecer nos casos de a matéria estar fora do alcance contábil, ou na falta de convicção. 
Se a conclusão só puder ser dada com ressalvas, estas deverão ser expressas 
e bem identificadas.
No caso de a conclusão ser negativa o perito deve sempre detalhar. Por exemplo: 
Não pode este perito afirmar que o limite de depreciações utilizado foi 
o adequado porque a empresa desde ..... não possuía seus registros de bens do 
imobilizado, nem os controlava de modo a permitir a plena identificação, nem 
nos apresentou qualquer laudo técnico que comprovasse a vida útil dos bens, 
apesar de solicitados, conforme carta à diretoria de produção, de tal data, com 
a prova de recebimento assinada pelo diretor .... em ..... . 
FONTE: Sá (2009, p. 12)
NOTA
Uma resposta com apenas um NÃO, não qualificaria o laudo, gerando margens 
para dúvidas.
118
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL
Sá (2009) destaca que nos casos de avaliação o perito precisa valer-se de 
muitos elementos como: fotografias, publicações, informes e até laudos emitidos 
por outros especialistas; nesse caso, o perito precisa explicar toda sua metodologia 
e descrever a qualidade das fontes consultadas. 
O perito não deve poupar explicações que justifiquem seu trabalho e que 
ofereçam confiança aos que dele se vão utilizar. 
Sá (2009) menciona que o laudo pericial é uma peça de alta responsabilidade, 
assim entendida, uma prova que requer qualidade, devendo atender a requisitos 
especiais que lhe são pertinentes, não podendo conter defeitos.
Para o seu melhor entendimento, apresentamos um modelo de laudo 
elaborado por Sá (2009, p. 42-43):
Em um processo judicial, um advogado precisa argumentar sobre o 
valor de quotas da sociedade da qual seu cliente saiu; o sócio egresso entende 
que foi prejudicado, e, inconformado, entrou na justiça para discutir. O 
advogado sabe que pela lei o sócio tem direito a receber o valor de suas quotas 
na forma que o contrato estabelecia, mas não há conhecimentos contábeis 
suficientes para atestar isto; o Juiz, por sua vez, sendo também advogado, não 
dispõe de conhecimento especializado para julgar. Requer-se, então, a um 
perito contador sua opinião. 
No processo, como é usual, formulam-se os quesitos ou perguntas 
(tanto o “autor” como o “réu” podem formular, através de seus advogados, 
tais quesitos). 
O perito do juiz examina a questão e dá sua opinião através de seu 
Laudo.
Exemplo de laudo:
Exmo. Sr. Doutor
Juiz de Direito da ...... Vara ............... da Comarca de..................
Antônio Lopes de Sá, perito nomeado e compromissado nos autos do Processo 
de nº ..... em que são partes, como autores, ...... e como réus ....., requer a juntada de seu 
laudo pericial contábil, concluído tempestivamente, cujo teor é o seguinte:
QUESITOS DOS AUTORES
1º O valor atribuído ao Patrimônio Líquido para efeito dedeterminar o 
valor da sociedade ...................... está correto?
TÓPICO 3 | EXERCÍCIO PROFISSIONAL DO PERITO
119
Resposta do Perito: Conforme demonstramos no Anexo 01, que fica 
fazendo parte integrante deste laudo, o valor atribuído de R$......... pelos réus 
não está correto.
Militam contra a correção os itens 1 a 3 do Anexo 01, supra-aludido, ou 
seja, não foram corretas as reavaliações dos bens do Ativo Permanente, nem, 
como se demonstra nos itens 4 a 6, do anexo 01 já referido, os valores imateriais 
de “fundo de comércio” ou aviamento, como o previsto na cláusula ..... do 
contrato social registrado sob nº ........................ na Junta .................... 
2º No entender do perito, qual o valor a ser atribuído às quotas dos 
autores ............... pelas quotas que possuíam na sociedade .............................?
Resposta do Perito: No entender deste perito e como se acha 
demonstrado no Anexo nº 02, que fica fazendo parte integrante deste laudo, o 
valor de Patrimônio Líquido Reavaliado, ao qual se agrega o valor do aviamento, 
produz um total de R$..........; calculando-se o percentual de participação dos 
autores e que era de..........%, o valor de suas quotas é de R$..................... (itens 
9 e 10 do Anexo nº 02). 
QUESITOS DOS RÉUS
1º O valor de R$ .......... de Patrimônio Líquido do balanço encerrado 
em ................ foi reavaliado para servir de base de cálculo de quotas dos 
sócios..................... egressos? 
Resposta do Perito: Sim. Houve reavaliação, porém a mesma deixou de 
incluir elementos, e outros os fez com insuficiência, conforme está demonstrado 
no Anexo nº 01, apenso. 
2º O Patrimônio Líquido Reavaliado foi, percentualmente, atribuído 
como valor de resgate das quotas dos sócios egressos?
Resposta do Perito: Sim. Tal valor, todavia, como já foi esclarecido, não 
é. Este perito o considera correto.
Valor correto seria, como respondeu este perito no presente laudo, 
R$......................... .
3º Entende o senhor perito que, diante da situação de juízo verificada 
nos exercícios de ....... e ........, seria o caso de calcular-se o valor de aviamento, 
conforme determina a cláusula ...... do contrato social?
Resposta do Perito: Entende este perito, conforme a melhor doutrina 
contábil e de acordo com normas consagradas, que o valor de aviamento se 
calcula sobre as “perspectivas de lucros” e não sobre os resultados passados. 
120
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL
Em razão disto, como demonstra no Anexo nº 02, o aviamento deve 
ser calculado e agregado ao valor de patrimônio líquido para que se tenha o 
valor de cálculo a que se refere a cláusula .... do Contrato Social. Para reforço 
da opinião deste perito, em anexo de nº 03, relaciona as opiniões dos maiores 
mestres da atualidade sobre o assunto.
Belo Horizonte, ....................
Antônio Lopes de Sá – Contador CRC 1086 MG.
2.1 ESTRUTURA DOS LAUDOS
“Não existe um padrão de laudo, o que existem são formalidades que 
compõem a estrutura dos mesmos”, explica Sá (2009, p. 44). Geralmente, a 
estrutura deles deve ser composta dos seguintes elementos.
I. Prólogo do encaminhamento – assim entendida a identificação e o 
pedido de anexação aos autos, conforme foi visto no exemplo anterior. 
Por este motivo o laudo é dirigido ao Juiz, identificada a Vara, a 
Comarca, o número do processo, os autores e os réus, a natureza da 
ação, bem como o perito, nas perícias judiciais. 
Nas perícias administrativas ou de outro gênero, o laudo será 
encaminhado a quem o requereu e identificada a razão. 
II. Quesitos – nas perícias judiciais os quesitos são divididos em: 
quesitos dos autores; e, quesitos dos réus. 
Nas perícias administrativas os quesitos são identificados pelas áreas 
de interesse que foram objeto de indagação (que podem ser setores da 
empresa, grupo de pessoas, filiais, agente etc.).
III. Respostas – as respostas devem seguir-se aos quesitos, conforme 
pode ser observado no exemplo apresentado acima.
IV. Assinatura do Perito.
V. Anexos – os anexos ilustram as respostas, para evitar que se tornem 
longas demais, ou, então reforçam a opinião. 
VI. Pareceres (se houver) – de outros especialistas ou de notáveis 
profissionais podem ser requeridos para efeito de reforço da opinião 
do perito ou até para suplementá-la e, nesse caso, ficam apensos ao 
laudo. (SÁ, 2009 p. 45).
NOTA
Conforme comenta Sá (2009), de acordo com cada caso, a estrutura pode ser 
ampliada, porém, o mínimo que deve conter é o que foi exposto.
TÓPICO 3 | EXERCÍCIO PROFISSIONAL DO PERITO
121
2.2 REQUISITOS DE UM LAUDO CONTÁBIL
Para que um laudo possa classificar-se como de boa qualidade, Sá (2009) 
explica que ele precisa atender, no mínimo, aos seguintes requisitos: (1) objetividade; 
(2) rigor tecnológico; (3) concisão; (4) argumentação; (5) exatidão; (6) clareza.
1. Objetividade: é um princípio que se estriba no preceito acolhido pelas 
ciências, ou seja, a exclusão do julgamento em bases pessoais ou subjetivas. 
Os princípios, as leis, e as normas da contabilidade existem há milênios. A 
caracterização como ciência se dá pelo fato da generalidade da aplicação do 
conhecimento. O que é objetivo é racional, explica SÁ (2009) e, no campo 
tecnológico da perícia, deve inspirar-se na ciência contábil. 
O perito não deve divagar, mas, de forma concreta, o laudo deve estar 
focado na matéria, respeitando sua disciplina de conhecimentos.
Exemplo de resposta objetiva: 
“As depreciações calculadas no exercício de ....... na base percentual aplicada 
sobre o saldo das contas ....... não espelham a realidade. Os valores deveriam ser 
R$..... R$...... R$........ Considerando-se a vida útil dos bens relacionados no anexo 
nº.... e os laudos do Instituto Tecnológico de ....... que a fixou. 
Não ocorrendo fatores, outros como os de obsolescência, sinistros etc. 
que possam vir a interromper a vida útil, a depreciação deve limitar-se a uma 
razão que considere a vida útil e o valor para se encontrarem as quotas de 
depreciação pertinentes”. 
Exemplo de resposta não objetiva: “As depreciações parecem-se aceitáveis 
porque a empresa naturalmente as calculou dentro de suas conveniências”.
FONTE: Sá (2009)
Neste caso, o perito precisa ater a questão com a realidade e estar de 
acordo com os parâmetros da contabilidade. Não deve utilizar-se de expressões 
do tipo “parece-me”; o perito não deve emitir opiniões vagas e imprecisas em 
matéria definida no conhecimento contábil, menciona SÁ (2009).
2. Rigor Tecnológico: o laudo deve limitar-se ao que é reconhecido como científico 
no campo da especialidade. O rigor tecnológico expulso por si é subjetivo. 
3. Concisão: exige que as respostas evitem o difuso. Um laudo deve evitar 
palavras e argumentos inúteis ao caso, deve ser bem redigido, e precisa ater-se 
ao assunto, e responder satisfatoriamente. 
122
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL
A concisão não deve excluir os argumentos. 
Exemplo de resposta concisa inadequada. 
Quesito: o valor dos estoques foi determinado corretamente no exercício de ......?
Resposta: Não. 
Exemplo de resposta concisa adequada.
Não. O valor dos materiais foi tomado apenas pelo preço da fatura, 
sem considerar os demais custos de compra que devem aumentar o custo dos 
materiais. “O anexo nº.... demonstra a irregularidade. Além deste procedimento,
 Ferir o que dispõe a lei ......, fere a Norma de Avaliação Contábil do CFC 
nº .... e altera o resultado da empresa para menor”. 
FONTE: Sá (2009)
NOTA
De acordo com o que comenta Sá (2009), a parte colocada “entre aspas” 
representa um acréscimo que não pode ser tomado como concisão, mas completa 
objetivamente a orientação que o perito deve dar sobre as consequências do fato.
4.	Argumentação: deve o perito alegar por que concluiu ou em que se baseou para 
apresentar a sua opinião. Quandoas argumentações forem longas, demandando 
a evocação de muitos argumentos, o perito pode utilizar-se de anexo para 
discorrer sobre suas razões, tornando, desta forma, mais concisa a resposta. 
Exemplificando o caso de anexo de argumentação, apresenta-se o modelo a seguir:
Resposta ao quesito nº ...... – o valor de aviamento não foi considerado no 
cálculo de valor das quotas, mas faz parte do valor de cessão de quotas e ações. Sobre a 
questão o anexo nº ....., que fica fazendo parte deste laudo, apresenta as argumentações 
sobre o assunto e faz citações às principais obras sobre a questão, com opinião de 
valiosos luminares da contabilidade, e às normas editadas a esse respeito.
Tal procedimento visa tornar mais prática a leitura e utilização do laudo. 
A leitura do Anexo pode complementar razões, se for do interesse dos advogados. 
FONTE: Adaptado de SÁ (2009)
TÓPICO 3 | EXERCÍCIO PROFISSIONAL DO PERITO
123
5. Exatidão: é condição essencial de um laudo, explica Sá (2009). O perito não deve 
“supor”, mas só afirmar quando tem absoluta segurança sobre sua opinião. Um 
laudo é uma opinião baseada em realidades inequívocas; se houver insegurança 
para opinar, o perito deve abdicar, declarando impossibilidade para responder. 
NOTA
De acordo com Sá (2009), se o laudo se basear só em “depoimentos de 
testemunhas” não é um laudo pericial contábil, porque falta materialidade para concluir.
A exatidão de um laudo só acontece se as provas que conduzem à opinião 
forem consistentes e obtidas por critérios eminentemente contábeis. 
6. Clareza: a clareza é um requisito importantíssimo, uma vez que o laudo é feito 
para terceiros, os quais não necessariamente são especialistas no assunto e 
que também não possuem obrigação de entender a terminologia tecnológica e 
científica da contabilidade. Ressalta Sá (2009, p. 47- 48) que
[....] a clareza envolve frases inequívocas quanto a seu entendimento; 
deve o perito evitar interpretações do que afirma; deve afirmar 
claramente. Frases vagas, de dupla interpretação, com abuso de 
terminologia contábil específica, rebuscada demasiadamente em seu 
vernáculo, impedem a clareza. 
Desta forma é possível inferir que quando nos referimos à clareza, a 
resposta a um quesito não deve gerar nova pergunta. A clareza considera que 
uma resposta deve ser abrangente e completa dentro do que se pergunta. 
Dentro do exposto, pergunta-se: quando alguma pergunta estiver 
incompleta, como deve agir o perito? 
A esta pergunta, Sá (2009, p. 48) responde: “[...] algumas vezes, as 
perguntas ao perito são incompletas, por desconhecimento contábil de quem as 
faz (por isso é que o perito precisa conhecer as ‘razões’ dela”. Nesse caso, o perito 
pode “complementar” sua resposta, dentro do tema”. 
Exemplo apresentado por Sá (2009, p. 48):
124
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL
Quesito nº ....... – O valor dos estoques foi determinado corretamente no 
exercício de ......?
A resposta poderia ser apenas NÃO.
Isto seria responder sem perguntar. 
Além de argumentar, pode o perito complementar: 
Resposta: .............. Além de tal procedimento ferir a lei......art...... § ..... 
fere a Norma de Contabilidade nº ....... do ........ e provocou a redução do lucro 
apurado no mesmo exercício.
Sá (2009) explica que a parte grifada em itálico (provocou) é a complementação 
que ajuda o propósito da pergunta, embora não esteja contido nela.
O simples NÃO na resposta ao quesito, denota má qualidade do laudo. 
O objetivo do laudo é esclarecer e não, apenas, cumprir uma obrigação de 
resposta da qual o profissional se desincumbe com um simples NÃO. 
A apresentação de uma resposta, apenas negativa, conforme se 
exemplificou anteriormente, responde, mas não esclarece o motivo. É parte 
integrante do dever do profissional, como comportamento ético, exibir as razões 
de sua conclusão. 
125
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico vimos:
• Um dos temas mais complexos da perícia contábil é o laudo. 
• Conceitos de laudo, na visão de diferentes autores. 
• Quesitos, que são os questionamentos apresentados pelas partes envolvidas, 
assim divididos: quesitos dos autores e quesitos dos réus. 
• Segundo Sá (2009), não existe um modelo padrão de laudo, mas o que existe 
são formalidades que compõem sua estrutura. 
• Abordagem dos requisitos de um laudo contábil. Vimos que para que o laudo seja 
classificado de boa qualidade, deve contemplar seis itens, assim denominados: 
(1) objetividade; (2) rigor tecnológico; (3) concisão; (4) argumentação; (5) 
exatidão; e (6) clareza. 
• O perito não deve divagar, utilizando-se de expressões do tipo “parece-me”, 
mas, deve posicionar-se de forma concreta, pois o laudo deve estar focado na 
matéria, respeitando sua disciplina de conhecimentos.
126
1 Laudo foi conceituado por Alberto (2009) como:
a) ( ) Exame do exercício social.
b) ( ) Resultado escrito de perguntas formuladas.
c) ( ) Exposição de ideias.
d) ( ) Peça escrita.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.
2 Classifique as opções em verdadeiras e falsas com V e F, respectivamente. 
Segundo Lopes de SÁ (2009), os laudos podem ser:
( ) De um só perito.
( ) De um perito juntamente com o seu assistente.
( ) De uma Junta ou Colegiado de Peritos. 
( ) De dois peritos.
( ) Nenhuma das alternativas anteriores é correta.
Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V– V– V– F– F. 
b) ( ) V– F– F– V– F. 
c) ( ) V– F– V– V– F. 
d) ( ) V– V– F– F– F. 
e) ( ) V– F– V– F– F.
3 Considerando que os anexos podem, em determinados momentos, formar 
a parte mais volumosa do trabalho, principalmente nas perícias judiciais, é 
tolerável que o perito, ao verificar a veracidade do anexo, apenas mencione:
a) ( ) Como consta do apêndice ... dos autos.
b) ( ) Como consta das folhas.... dos autos.
c) ( ) Como consta do anexo .... dos autos.
d) ( ) Como consta da lista .... dos autos.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.
4 Preencha as lacunas:
a) Nas perícias ___________, nas quais, muitas vezes, o que se busca investigar 
é _____________, os laudos passam a ter _________________, haja vista que 
________________________, mas sim _______________________. Nesse 
caso o perito passa a expor _________________, a _________________, as 
_____________________, onde recaiu a responsabilidade. 
AUTOATIVIDADE
127
5 Classifique as opções em verdadeiras e falsas com V e F, respectivamente. 
Independente do tipo de perícia, o laudo traz a opinião e é preciso que tenha 
requisitos de qualidade. São requisitos de qualidade, segundo Sá (2009):
( ) Identificação do perito.
( ) Identificação de quesito por quesito ou sobre o qual se opina.
( ) Identificação do oficial da justiça.
( ) Identificação da autoridade a que se destina.
( ) Identificação completa do caso.
Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V– F– F– V– V. 
b) ( ) V– V– F– F– V. 
c) ( ) V– V– F– V– V. 
d) ( ) V– F– V– V– V. 
e) ( ) V– F– V– F– V.
6 Identifique quais são os elementos de que o perito precisa valer-se, nos 
casos de avaliação.
a) ( ) Fotografias, publicações, laudos emitidos por outros especialistas.
b) ( ) Fotografias, anotações, informes.
c) ( ) Fotografias, publicações, parecer.
d) ( ) Fotografias, anotações, parecer.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.
7 De acordo com Sá (2009), não existe um padrão de laudo, mas existem formalidades 
que compõem a estrutura dos mesmos. Identifique a resposta CORRETA:
a) ( ) Quesitos; apêndice; publicações em jornais locais.
b) ( ) Assinatura do perito; publicações em jornais locais; fotografias.
c) ( ) Prólogo do encaminhamento; anexos; publicações em jornais locais.
d) ( ) Quesitos; respostas; anexos.
e) () Nenhuma das alternativas anteriores.
8 Classifique as opções em verdadeiras e falsas com V e F, respectivamente. 
Segundo Sá (2009), para que um laudo possa classificar-se como de boa 
qualidade, precisa atender no mínimo aos seguintes requisitos:
( ) Objetividade, concisão, argumentação.
( ) Objetividade, concisão, análise.
( ) Objetividade, clareza, subjetividade.
( ) Objetividade, exatidão, concisão.
( ) Objetividade, rigor tecnológico, clareza.
128
Agora assinale a alternativa CORRETA.
a) ( ) F– V– V– F– F. 
b) ( ) V– F– V– V– F. 
c) ( ) V– F– F– V– V. 
d) ( ) F– F– V– V– F. 
e) ( ) V– V– F– V– V.
129
TÓPICO 4
FUNÇÕES CONTÁBEIS
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Prezado Acadêmico! Vamos, agora, abordar o tema parecer pericial 
contábil, que merece destaque pela sua relevância no contexto geral. Trataremos 
também do parecer pericial contábil, antes e depois da Lei nº 8.455/92 e o 
encaminhamento do parecer pericial contábil a quem de direito.
2 PARECER PERICIAL CONTÁBIL
Com o advento da Lei nº 8.455/92, surgiu um novo tipo de laudo de 
responsabilidade do assistente técnico, comenta Ornelas (2003).
Anteriormente, os assistentes técnicos costumavam oferecer seus trabalhos 
técnicos denominando-os, nos casos de divergência, de Laudo Pericial Contábil. 
Era considerado divergente ou parcialmente divergente, segundo o nível de 
discordâncias técnicas observadas, em conformidade com o art. 431, do CPC 
14 que explica: “se houver divergência entre o perito e os assistentes técnicos, 
cada qual escreverá o laudo em separado, dando as razões em que se fundar” 
menciona Ornelas, (2003, p. 104). Este dispositivo foi revogado a partir da citada 
lei. Naquela época, este laudo era denominado também de Laudo Crítico.
 
Segundo a Lei nº 8.455/92, art. 433 o perito apresentará o laudo em cartório, 
no prazo fixado pelo juiz, pelo menos vinte dias antes da audiência de instrução 
e julgamento. Já o parágrafo único que trata dos assistentes técnicos, prevê que 
estes oferecerão seus pareceres no prazo comum de dez dias após a apresentação 
do laudo, independentemente de intimação.
Atualmente a legislação prevê que o perito, na função de assistente técnico, 
é responsável pela oferta de parecer pericial contábil, isto é, por meio de trabalho 
próprio emite sua opinião técnica a respeito do laudo pericial contábil elaborado 
pelo perito judicial, que pode ser crítica ou concordante. 
130
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL
Para Alberto (2009) parecer pericial contábil é uma espécie de laudo, onde 
o profissional sobre determinada matéria, o faz segundo as técnicas e abrangências 
periciais, gerados por quem deles tenha de fazer uso para a defesa de interesses 
próprios, ou para elucidar algum assunto, e o classifica em: extrajudicial, judicial, 
e, própria opinião.
Para o seu maior entendimento, utilizamos a abordagem de Alberto (2009) 
que explica o significado de cada um dos itens:
Extrajudicial: quando a parte necessita de opinião fundamentada de 
um técnico, sobre determinado assunto contábil, ou caso necessite dele para a 
realização de um negócio. 
Judicial: pode ser gerado pela parte para instruir a inicial da ação a ser 
proposta ou para servir de razões a contestar em ações que esteja sofrendo, 
segundo admite o CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis.
Própria Opinião: é o parecer técnico do assistente indicado pela parte para 
uma perícia judicialmente determinada. 
Segundo Ornelas (2003), o fato do assistente técnico gerar trabalho técnico 
denominado de parecer pericial contábil, não o desobriga de tomar os mesmos 
cuidados técnicos adotados pelo perito judicial, isto é, acompanhar as pesquisas 
realizadas, desenvolver levantamentos específicos de seu interesse que suportem 
o trabalho que oferece. 
“O trabalho do assistente técnico não perde as características de laudo, à medida 
que emite juízo técnico ou defende tese ou critério técnico divergente do laudo pericial 
contábil oficial”. (ORNELAS, 2003 p. 104). Por este motivo deve obedecer a algumas 
regras básicas assim denominadas: (a) resumo do laudo oficial; (b) comentários 
técnicos ao laudo pericial contábil; (c) parecer pericial contábil; (d) encerramento.
(a) resumo do laudo oficial – sintetiza toda a matéria técnica tal qual consta do 
laudo pericial contábil gerado pelo perito judicial.
(b) comentários técnicos ao laudo pericial contábil – nesta regra o assistente 
técnico desenvolve toda a sua criatividade técnica no sentido de realçar os 
aspectos do laudo oficial, favoráveis às razões técnicas de quem o indicou 
para a função. Destacará eventuais interpretações não adequadas geradas 
pelo perito contábil. O assistente técnico deve ter cuidado especial no uso 
da linguagem, não gerando elogios ou críticas de cunho pessoal. Em outras 
palavras deve manter-se neutro. O uso de linguagem agressiva e ataques 
gratuitos, além de ferirem as normas de civilidade, geralmente denunciam 
a ausência de bons e consistentes argumentos técnicos e teóricos. Essa é a 
parte que considera todas as razões técnicas necessárias para fundamentar 
sua opinião técnica, seu parecer técnico.
TÓPICO 4 | FUNÇÕES CONTÁBEIS
131
(c) parecer pericial contábil – nesta regra o assistente técnico oferece sua opinião 
técnica favorável, desfavorável, ou, parcialmente favorável, a respeito do 
laudo pericial contábil que foi submetido a sua apreciação técnica. 
(d) encerramento – o encerramento do parecer é realizado nos mesmos moldes 
do laudo pericial contábil, comentado no tópico anterior. Poderá ser feita a 
juntada de anexos que tenha elaborado e documentos que tenha colhido. 
FONTE: Ornelas (2003)
Contempla esse tipo de laudo, como complemento, segundo Ornelas 
(2003), os anexos e documentos.
3 ENCAMINHAMENTO DO PARECER PERICIAL CONTÁBIL
Uma vez encerrados os trabalhos periciais, o parecer é encaminhado ao juiz 
responsável pelo processo objeto da perícia contábil realizada, explica Ornelas (2003).
O parecer pericial contábil contém uma página de apresentação em que é 
identificado, a qual juiz deve ser dirigido o processo, sendo especificado o processo 
e as respectivas partes, e também, que se trata de parecer pericial contábil.
Sugere Ornelas (2003) que o parecer não seja entregue no dia em que é 
terminado. Após o término, é importante deixá-lo em repouso por uns dois dias. 
Depois, é recomendado fazer uma nova leitura do conteúdo do trabalho técnico, 
para saber se mantém sua opinião. Essa leitura é uma oportunidade de verificar 
eventuais erros ou equívocos, este é o momento em que o perito avalia se sua 
peça contábil está clara aos leitores ou usuários. Se o perito estiver seguro de tudo 
o que escreveu, e é aquilo mesmo que irá apresentar, então estará apto a sustentar 
seu trabalho técnico em qualquer circunstância, e então poderá entregá-lo. 
 O encaminhamento do parecer pericial contábil é feito mediante a 
entrega da via original no protocolo central de cada ramo do Poder Judiciário, 
acompanhado de uma segunda via, que será protocolada e ficará em seu poder 
como prova do trabalho finalizado e entregue.
Sugere Ornelas (2003) que esta via seja guardada juntamente com os 
demais documentos e provas utilizadas na execução do trabalho, para servir de 
guia a eventual resposta às impugnações ou pedidos de esclarecimentos feitos 
pelo juiz ou pelas partes.
O assistente técnico tem prazo de dez dias após a entrega do laudo pericial, 
segundo a Lei nº 10.358/2001, para oferecer seu parecer pericial contábil sobre a 
peça técnica oferecida pelo judicial, conforme dispõe o parágrafo único do art. 433. 
132
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL
Ressalta Ornelas (2003) que segundo a Lei nº 5.584/70, parágrafo único do 
art. 3º, o prazo do assistente técnico é o mesmo do perito, sob pena de seu trabalho 
ser tirado dos autos.Na justiça do trabalho esta prática é conjunta e harmoniosa 
entre perito e assistente técnico. O perito não pode entregar o laudo sem antes o 
assistente técnico ter preparado seu parecer pericial contábil.
As reações das partes, face ao conteúdo do parecer pericial contábil 
do assistente técnico, poderão ser de concordância absoluta ou parcial, ou de 
discordância absoluta ou parcial. Estas reações poderão vir acompanhadas de 
pedido de esclarecimentos, que pode, ou não, ser aceito pelo juiz.
NOTA
Segundo Ornelas (2003, p.107), “[...] nem sempre os comentários oferecidos 
referem-se ao conteúdo. Muitas vezes o objetivo do comentário é atingir a pessoa do perito, 
a fim de sensibilizar o Juiz para a realização de nova prova técnica, por outro profissional, 
geralmente quando o resultado técnico é desfavorável à parte que critica”.
Quando ocorre este tipo de situação, a primeira reação do perito será, na 
petição de esclarecimentos, requerer ao juiz que mande riscar todas as palavras 
ofensivas e injuriosas à honra e dignidade do perito, nos termos do art. 15, CPC. O 
art. 15 dispõe que “[...] é defeso às partes e seus advogados empregar expressões 
injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao juiz, de ofício ou a 
requerimento do ofendido, mandar riscá-las”. Feito isso, passa então a esclarecer 
os quesitos requeridos e deferidos.
É importante ressaltar que, nesse caso, antes de responder aos quesitos de 
esclarecimentos, é necessário informar o juiz quanto à matéria nova e requerer 
orientação do procedimento a ser adotado. 
TÓPICO 4 | FUNÇÕES CONTÁBEIS
133
LEITURA COMPLEMENTAR
PERÍCIA CONTÁBIL
A resposta à pergunta sobre o que a sociedade e o mercado de trabalho, 
especificamente na área de Perícia Contábil, esperam dos futuros profissionais, 
em termos de habilidade, competências e conhecimentos necessários requer que 
se fale sobre atuação profissional como perito contábil.
A Perícia Contábil é uma função privativa dos contadores. É a forma de 
demonstrar, por meio de trabalho especializado, materializado em relatórios 
periciais contábeis (laudo ou parecer), a verdade dos fatos. O contador, como perito 
contábil, exerce função de grande interesse para a sociedade e para os envolvidos 
nas demandas judiciais e extrajudiciais, nestas incluídas as de natureza arbitral.
O perito contábil prepara e fornece informações sobre a matéria contábil 
relativa ao patrimônio de pessoas e sociedades. Atende a uma classe especial de 
tomadores de decisões, para subsidiar seus processos decisórios. Na esfera judicial, o 
tomador de decisões é o juiz federal ou estadual, que conduz os processos de acordo 
com o Código de Processo Civil. Sempre que o juiz se defrontar, no momento de 
suas decisões, com questões controversas de natureza patrimonial, para as quais não 
possui conhecimentos, se vale do auxílio do Perito Contábil. Na esfera extrajudicial, 
há os procedimentos arbitrais. Na esfera privada, estão as pessoas e as sociedades 
interessadas em resolver questões patrimoniais complexas. 
Como nas demais alternativas profissionais ao alcance dos contadores, 
atuar como perito contábil pressupõe alguns requisitos. O profissional deve ser 
Bacharel em Ciências Contábeis e possuir o registro regular no Conselho Regional 
de Contabilidade. A justiça de alguns estados possui instruções específicas 
sobre como se habilitar, nas Unidades judiciárias, para exercer a função pericial 
contábil. Na esfera federal, é preciso requerer a inclusão no rol de peritos das 
unidades judiciárias. É muito útil possuir experiência profissional, acumulada 
com a passagem em organizações de setores, portes e origens variados.
É preciso conhecer a legislação. Na esfera Cível, estão o Código de 
Processo Civil, o Código Civil, a legislação societária, a tributária (nas esferas 
federal, estadual e municipal) e outras específicas, a depender da matéria 
que será enfrentada. Na esfera trabalhista, é primordial conhecer a legislação 
pertinente. Os interessados em atuar nos casos de falência e recuperação de 
empresas (aérea, a meu ver, muito mal explorada pelos peritos contábeis) devem 
dominar a legislação aplicável; e os interessados em exercer atividade pericial em 
procedimentos arbitrais precisam conhecer a Lei de Arbitragem.
134
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL
Exceto nas funções do serviço público (polícias Federal e Civil estaduais), 
atuar como perito contábil requer a escolha entre ser profissional liberal ou 
empresário contábil. O interessado precisa ter ou desenvolver um conjunto 
de habilidades, competências e conhecimentos para bem exercer a função. Os 
requisitos necessários ao empreendedor ou empresário são mandatários. É preciso 
capacidade de planejamento e de administração do tempo (para lidar com vários 
casos ao mesmo tempo), habilidade de comunicação oral (para interlocução 
com pessoas ao longo do trabalho pericial) e escrita (para preparar e apresentar 
laudos organizados, inteligíveis e agradáveis de ler). Os interessados em atuar em 
procedimentos arbitrais devem dominar um segundo idioma, pelo menos o inglês, 
pois há tribunais arbitrais internacionais cuidando de causas em nosso País. 
Os interessados em exercer a função de perito contábil enfrentarão 
desafios técnicos variados. É preciso estar em permanente educação continuada. 
Isso ocorre com a frequência em instituições de ensino e entidades que oferecem 
cursos e palestras, pelo estudo dos temas a serem enfrentados, pela troca de 
ideias com colegas e acompanhamento da legislação e das normas contábeis. 
Há alguns cursos de pós-graduação que, em meu entendimento, precisam de 
professores com preparo específico, além de melhorias da grade de disciplinas, 
das atividades extrassala e dos trabalhos de conclusão de curso. Os cursos que 
vierem a atender esses requisitos poderão oferecer uma melhor preparação dos 
futuros peritos contábeis e propiciar a reciclagem dos atuantes na função.
Salvo raras exceções, não há um plano de carreira para o perito contábil. 
O que se observa são profissionais exercendo a função de forma individual, em 
parceria com peritos contábeis mais experientes (mentores ou formadores de novos 
profissionais), ou em (pouquíssimas) empresas de serviços contábeis que realizam 
atividades de natureza pericial. Com o passar do tempo, aliando o bom trabalho e 
o relacionamento desenvolvido, o profissional poderá ser convidado a atuar como 
assistente técnico indicado pelas partes de um processo, a elaborar pareceres para 
instruir processos judiciais e extrajudiciais, a realizar Perícia Contábil em Tribunais 
Arbitrais ou a realizar exames periciais contratados por empresas. 
A sociedade deve esperar e exigir que os peritos contábeis auxiliem 
os tomadores de decisões (juízes da esfera pública, presidentes de Tribunais 
Arbitrais na esfera privada, empresários, gestores de empresas e pessoas físicas) 
com o resultado de seu trabalho. Os relatórios periciais contábeis (laudo e parecer) 
subsidiam decisões complexas, sobre a preservação, ou não, do patrimônio de 
pessoas e sociedades. Além do rigor técnico, a celeridade na realização do trabalho 
(sempre que possível), a imparcialidade, a ética e a clareza no entendimento do 
resultado do trabalho pericial são esperados do perito contábil.
Para finalizar, é preciso dizer que a sociedade e o mercado de trabalho 
podem e devem colaborar com eles mesmos em relação à Perícia Contábil. Sempre 
que em uma demanda se constatar a nomeação (no Judiciário) ou a indicação (na 
esfera extrajudiciária) de um não contador para realizar o exame pericial contábil, 
é preciso alertar os envolvidos. É primordial requerer, pelos meios legais e 
TÓPICO 4 | FUNÇÕES CONTÁBEIS
135
regulamentares, a substituição do profissional e a indicação de alguém habilitado. 
Nesse ponto em particular, os peritos contábeis na função de assistentestécnicos 
têm uma grande responsabilidade, uma vez que, ao não alertarem seus clientes 
nessas circunstâncias, estarão legalmente impedidos de avaliar tecnicamente o 
que vier a ser produzido. 
Ivam Ricardo Peleias:
Perito, parecerista e consultor contábil. Doutor em Ciências Contábeis. 
Professor e pesquisador contábil do Centro Universitário FECAP e da 
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Atua na De Ornelas & 
Associados – Perícias Contábeis e Arbitragem.
 
FONTE: Revista Brasileira de Contabilidade, setembro/outubro 2010, p. 22- 23, nº 185. 
136
RESUMO DO TÓPICO 4
Neste tópico vimos:
• O parecer pericial contábil, que inicia com o advento da Lei nº 8.455/92, quando 
surgiu um novo tipo de laudo de responsabilidade do assistente técnico, 
denominado Laudo Crítico (ORNELAS, 2003). 
• Para enfatizar a conceituação do parecer pericial contábil, utilizamos as ideias 
de Alberto (2009) o qual menciona que o parecer pericial contábil é uma espécie 
de laudo, classificado em: extrajudicial, judicial e própria opinião. Para maior 
entendimento do leitor, Alberto (2009) explica o que significa cada um dos itens. 
• Encaminhamento do parecer pericial contábil, assim considerada a etapa final 
da perícia, que acontece após o encerramento dos trabalhos, quando então é 
entregue uma via original no protocolo central de cada vara do Poder Judiciário, 
acompanhado de uma segunda via, que será protocolada e ficará em poder do 
perito assistente técnico, como prova da realização e entrega.
137
1 Com o advento da Lei nº 8.455/92, surgiu um novo tipo de laudo de 
responsabilidade do assistente técnico, denominado:
a) ( ) Laudo gerencial.
b) ( ) Laudo especial.
c) ( ) Laudo básico.
d) ( ) Laudo crítico.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.
2 O perito, na função de assistente técnico, é responsável pela oferta de:
a) ( ) Parecer pericial contábil.
b) ( ) Opinião pessoal técnica.
c) ( ) Parecer essencial contábil.
d) ( ) Parecer pessoal contábil.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.
3 Preencha as lacunas: 
 Para Alberto (2009) ________________ é uma __________________, 
onde o ____________________________, o faz segundo as 
_______________________, gerados por ______________________________ 
para a ________________________, ou para ______________________, e o 
classifica em: __________, ____________ e ________________.
4 Classifique as opções a seguir em verdadeiras ou falsas usando V e F, 
respectivamente. Segundo Ornelas (2003) o fato de o assistente técnico gerar 
trabalho técnico denominado de parecer pericial contábil, não o desobriga 
de tomar os mesmos cuidados técnicos adotados pelo perito judicial, isto é:
 
( ) Acompanhar as pesquisas realizadas.
( ) Realizar estudos generalizados.
( ) Apurar laudos gerais.
( ) Desenvolver levantamentos específicos.
( ) Não emitir juízo técnico.
Agora assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V– F– F– V– F. 
b) ( ) V– F– F– F– V. 
c) ( ) V– F– V– V– F. 
d) ( ) V– V– F– F– V. 
e) ( ) V– V– F– V– V.
AUTOATIVIDADE
138
5 “O trabalho do assistente técnico não perde as características de laudo, à 
medida que emite juízo técnico ou defende tese ou critério técnico divergente 
do laudo pericial contábil oficial”. (ORNELAS, 2003 p. 104). Por este motivo 
deve-se obedecer algumas regras básicas. Classifique as opções a seguir em 
verdadeira e falsas usando V e F, respectivamente.
( ) Resumo do laudo oficial.
( ) Comentários pessoais ao laudo pericial contábil.
( ) Parecer pericial contábil.
( ) Encerramento.
( ) Desenvolvimento.
Agora assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) F– F– V– F– V. 
b) ( ) V– F– V– V– F. 
c) ( ) V– F– F– V– V. 
d) ( ) F– V– F– V– V. 
e) ( ) V– V– V– F– F.
6 Uma vez encerrados os trabalhos periciais, o parecer é encaminhado ao:
a) ( ) Perito-contador.
b) ( ) Promotor Público.
c) ( ) Juiz Responsável.
d) ( ) Oficial da Justiça.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.
7 Preencha as lacunas: 
 O encaminhamento do ______________ é feito _______________________ 
no _____________________________________________, acompanhado de 
____________________, que será _____________ e ficará _______________ 
como ________________________ e ______________.
8 Nem sempre os comentários oferecidos referem-se ao conteúdo. Muitas 
vezes, o objetivo do comentário é atingir a pessoa do perito, a fim de 
sensibilizar o juiz para a realização de nova prova técnica, por outro 
profissional, geralmente quando o resultado técnico é desfavorável à parte 
que critica. Quando ocorre este tipo de situação, a primeira reação do perito 
será, na petição de esclarecimentos:
a) ( ) Requerer ao juiz orientação do procedimento a ser adotado.
b) ( ) Requerer ao juiz a liberação da prestação de esclarecimentos.
c) ( ) Requerer ao juiz que notifique os agressores verbais.
d) ( ) Requerer ao juiz que mande riscar as palavras ofensivas e injuriosas.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.
139
UNIDADE 3
ARBITRAGEM
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir desta unidade você será capaz de:
• conhecer a Lei nº 9.307/96;
• conhecer o código de ética para árbitros; 
• conhecer dados históricos da arbitragem;
• distinguir árbitro e perito;
• identificar espécies de perícia arbitral;
• entender as técnicas de arbitramento;
• conhecer laudo arbitral;
• entender a sentença arbitral;
• entender sobre estimativa dos honorários do perito do juízo.
A Unidade 3 será apresentada com a estrutura de três tópicos, sendo que ao 
final de cada tópico encontrarás atividades que auxiliarão no seu aprendizado.
TÓPICO 1 – LEGISLAÇÃO QUE REGULAMENTA A ARBITRAGEM
TÓPICO 2 – ÉTICA NO EXERCÍCIO DA ARBITRAGEM
TÓPICO 3 – ITENS RELEVANTES NO EXERCÍCIO DA ARBITRAGEM
140
141
TÓPICO 1
LEGISLAÇÃO QUE REGULAMENTA A ARBITRAGEM
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Na Unidade 3 trataremos de um tema com o qual você, acadêmico, não 
está acostumado a lidar no seu cotidiano, a arbitragem. Não é a arbitragem que 
nos é comum no esporte e, sim, a arbitragem utilizada para dirimir pendências 
entre pessoas e negócios.
Inicialmente, buscamos conhecer a legislação que aborda este tema, porque 
pensamo-la como guia que nos orienta o caminho a ser seguido e como devemos 
percorrê-lo. Uma vez conhecida a legislação, nosso próximo passo é conhecer o 
código de ética. Não podemos concordar que basta fazer. O cumprimento do 
código de ética é necessário para que nosso trabalho seja confiável. Por último, 
abordaremos temas gerais que contemplam a arbitragem e são necessários para o 
complemento deste caderno.
2 A ARBITRAGEM
Conforme já mencionamos no Tópico 1, contemplamos a legislação que 
ampara a arbitragem e é composta de sete capítulos que apresentam, entre os 
principais assuntos, o profissional (árbitro), o procedimento arbitral, a sentença 
arbitral, e o reconhecimento e execução.
2.1 LEGISLAÇÃO
Para iniciar este item, buscamos identificar a data e a lei que regulamentam 
a arbitragem, e obtivemos a seguinte informação: foi no dia 23 de setembro de 
1996 que Fernando Henrique Cardoso aprovou a Lei nº 9.307, para regulamentar 
a arbitragem, a qual foi publicada no D.O.U, de 24/09/96.
Esta lei é composta de sete capítulos, cada um com sua abordagem. Inicia 
com as disposições gerais, procedimentos periciais, o profissional árbitro, entre 
outros, até as disposições finais da lei. 
UNIDADE 3 | ARBITRAGEM
142
Estudar legislação é um procedimento cansativo para qualquer 
profissional, sobretudo para o aluno que ainda está iniciando o exercício da 
profissão. No entanto, faz-se necessário este conhecimento, pois não é possível 
ser um profissionalqualificado sem conhecer as determinações legais, razão pela 
qual pedimos a sua compreensão e determinação.
O	capítulo	 I	 trata	 das	disposições	 gerais	 da	 referida	Lei	 nº	 9.307,	 e	 é	
composto pelo artigo 1º e artigo 2º e parágrafos 1º e 2º.
O art. 1º - dispõe que as pessoas capazes de contratar poderão valer-se da 
arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis.
 
 O art. 2º - prevê que a arbitragem poderá ser de direito ou de equidade, 
que quer dizer: reconhecer igualmente o direito de cada um, a critério das partes.
 
§ 1º - as partes poderão escolher, livremente, as regras de direito que 
serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos bons costumes e 
à ordem pública.
§ 2º - as partes poderão convencionar que a arbitragem se realize com base nos 
princípios gerais de direito, nos usos e costumes, e nas regras internacionais de comércio. 
O	capítulo	II	é	mais	amplo,	e	trata	da	Convenção	de	Arbitragem	e	seus	
efeitos. É composto pelos artigos 3º ao 12º, incisos, e parágrafo único.
Art. 3º - as partes interessadas podem submeter à solução de seus litígios 
[pendências] ao juízo arbitral mediante Convenção de Arbitragem, assim 
entendida a cláusula compromissória e o compromisso arbitral. 
Art. 4º - a cláusula compromissória é a convenção através da qual as partes 
em um contrato comprometem-se a submeter à arbitragem os litígios que possam 
vir a surgir, relativamente a tal contrato.
§ 1º - a cláusula compromissória deve ser estipulada por escrito, podendo 
estar inserta no próprio contrato ou em documento apartado que a ela se refira.
§ 2º - nos contratos de adesão, a cláusula compromissória só terá 
eficácia se o aderente tomar a iniciativa de instituir a arbitragem ou concordar, 
expressamente, com a sua instituição, desde que por escrito em documento anexo 
ou em negrito, com a assinatura ou visto especialmente para essa cláusula. 
 
 Art. 5º - reportando-se às partes, na cláusula compromissória, às regras 
de algum órgão arbitral institucional ou entidade especializada, a arbitragem 
será instituída e processada de acordo com tais regras, podendo, igualmente, 
as partes estabelecerem na própria cláusula, ou em outro documento, a forma 
convencionada para a instituição da arbitragem.
TÓPICO 1 | LEGISLAÇÃO QUE REGULAMENTA A ARBITRAGEM
143
Art. 6º - não havendo acordo prévio sobre a forma de instituir a 
arbitragem, a parte interessada manifestará à outra parte sua intenção de dar 
início à arbitragem, por via postal ou por outro meio qualquer de comunicação, 
mediante comprovação de recebimento, convocando-a para, em dia, hora e local 
certos, firmar o compromisso arbitral. 
Parágrafo único - se a parte convocada não comparecer, ou, se comparecer, 
recusar-se a firmar o compromisso arbitral, poderá a outra parte propor a 
demanda de que trata o art. 7º desta lei, perante o órgão do Poder Judiciário a 
que, originariamente, tocaria o julgamento da causa. 
 
 Art. 7º - existindo cláusula compromissória e havendo resistência quanto 
à instituição da arbitragem, poderá a parte interessada requerer a citação da outra 
parte para comparecer em juízo a fim de lavrar-se o compromisso, designando o 
juiz audiência especial para tal fim. 
 
 § 1º - o autor indicará, com precisão, o objeto da arbitragem, instruindo o 
pedido com o documento que contiver a cláusula compromissória. 
§ 2º - se as partes comparecerem à audiência, o juiz tentará, previamente, 
a conciliação acerca do litígio. Não obtendo sucesso, tentará o juiz conduzir as 
partes à celebração, de comum acordo, do compromisso arbitral. 
§ 3º - se as partes não concordarem sobre os termos do compromisso, 
decidirá o juiz, após ouvir o réu, sobre seu conteúdo, que poderá ser na própria 
audiência, ou, no prazo de dez dias, respeitadas as disposições da cláusula 
compromissória e atendendo ao disposto nos artigos 10 e 21, § 2º, desta lei.
§ 4º - se a cláusula compromissória nada dispuser sobre a nomeação 
de árbitros, caberá ao juiz, após ouvidas as partes, estatuir a respeito podendo 
nomear árbitro único para a solução do litígio.
§ 5º - a ausência do autor, sem justo motivo, à audiência designada para 
a lavratura do compromisso arbitral, importará a extinção do processo sem 
julgamento de mérito.
§ 6º - não comparecendo o réu à audiência, caberá ao juiz, ouvido o autor, 
estatuir a respeito do conteúdo do compromisso, nomeando árbitro único.
 
 § 7º - a sentença que julgar procedente o pedido valerá como compromisso arbitral.
Art. 8º - a cláusula compromissória é autônoma em relação ao contrato em 
que estiver inserta, de tal sorte que a nulidade deste não implica, necessariamente, 
a nulidade da cláusula compromissória.
Parágrafo único - caberá ao árbitro decidir de ofício, ou por provocação 
das partes, as questões acerca da existência, validade e eficácia da convenção de 
arbitragem e do contrato que contenha a cláusula compromissória. 
UNIDADE 3 | ARBITRAGEM
144
Art. 9º - o compromisso arbitral é a convenção, através da qual as partes 
submetem um litígio à arbitragem de uma ou mais pessoas, podendo ser judicial 
ou extrajudicial.
§ 1º - o compromisso arbitral judicial celebrar-se-á por termo nos autos, 
perante o juízo ou tribunal, onde tem curso a demanda.
§ 2º - o compromisso arbitral extrajudicial será celebrado por escrito 
particular, assinado por duas testemunhas, ou por instrumento público. 
 
 Art. 10 - itens que são obrigados a constar no compromisso arbitral:
I- nome, profissão, estado civil e domicílio das partes;
II- nome, profissão e domicílio do árbitro, ou dos árbitros, ou, se for o caso, a 
identificação da entidade à qual as partes delegarem a indicação de árbitros; 
III- a matéria que será objeto da arbitragem; e, 
IV- o lugar em que será proferida a sentença arbitral.
 
Art. 11- Este artigo prevê que o compromisso arbitral poderá conter também:
I- o local, ou locais, onde se desenvolverá a arbitragem; 
II- a autorização para que o árbitro ou os árbitros julgue(m) por equidade, se 
assim for convencionado pelas partes;
III- o prazo para a apresentação da sentença arbitral;
IV- a indicação da lei nacional ou das regras corporativas aplicáveis à arbitragem, 
quando assim convencionarem as partes;
V- a declaração da responsabilidade pelo pagamento dos honorários e das 
despesas com a arbitragem; e,
VI- a fixação dos honorários do árbitro, ou dos árbitros.
 
Parágrafo único - fixando as partes o valor dos honorários do árbitro, ou dos 
árbitros, no compromisso arbitral, este [o árbitro] constituirá título executivo extrajudicial; 
não havendo tal estipulação, o árbitro requererá ao órgão do Poder Judiciário que seria 
competente para julgar, originalmente, a causa, que o fixe por sentença. 
 
 Art. 12 - extingue-se o compromisso arbitral: 
I- escusando-se qualquer dos árbitros, antes de aceitar a nomeação, desde que 
as partes tenham declarado, expressamente, não aceitar substituto;
II- falecendo ou ficando impossibilitado de dar o seu voto algum dos árbitros, 
desde que as partes declarem, expressamente, não aceitar substituto; e, 
III- tendo expirado o prazo a que se refere o art. 11, inciso III, desde que a 
parte interessada tenha notificado o árbitro, ou o presidente do tribunal 
arbitral, concedendo-lhe o prazo de dez dias para a prolação e apresentação 
da sentença arbitral. 
TÓPICO 1 | LEGISLAÇÃO QUE REGULAMENTA A ARBITRAGEM
145
O capítulo III trata dos árbitros, e destaca quem pode ser árbitro; número 
de	árbitros	que	podem	ser	nomeados;	nomeação	de	árbitros	em	número	par;	
procedimento	do	árbitro	no	desempenho	da	função,	quem	não	pode	ser	árbitro,	
deveres,	recusa,	momento	da	recusa,	equiparação	dos	árbitros	no	exercício	de	
suas	funções,	o	que	é	árbitro.	É	composto	pelos	artigos13	ao	18,	e	parágrafos.
O art. 13 dispõe que pode ser árbitro qualquer pessoa capaz, e que tenha 
a confiança das partes.
§ 1º - as partes nomearão um ou mais árbitros, sempre em número ímpar, 
podendo nomear, também, os respectivos suplentes.
§ 2º - quando as partes nomearem árbitros, em número par, estes estão 
autorizados, desde logo, a nomear mais um árbitro. Não havendo acordo, 
requererão as partes ao órgão do Poder Judiciário, a quem tocaria, originalmente, 
o julgamento da causa, a nomeação do árbitro, aplicável, no que couber, o 
procedimento previsto no art. 7º desta lei.
§ 3º - as partes poderão, de comum acordo, estabelecer o processo de 
escolha dos árbitros, ou adotar as regras de um órgão arbitral institucional ou de 
uma entidade especializada.
§ 4º - sendo nomeados vários árbitros, estes, por maioria, elegerão o 
presidente do tribunal arbitral. Não havendo consenso, será designado presidente 
o mais idoso.
§ 5º - o árbitro ou o presidente do tribunal designará, se julgar conveniente, 
um secretário, que poderá ser um dos árbitros.
§ 6º - o árbitro deverá proceder com imparcialidade, independência, 
competência, diligência e discrição, no desempenho de sua função.
§ 7º - poderá o árbitro, ou o tribunal arbitral, determinar às partes o 
adiantamento de verbas para despesas e diligências que julgar necessárias.
 
O art. 14 prevê que estão impedidos de funcionar como árbitros as pessoas 
que tenham com as partes, ou com o litígio que lhes for submetido, algumas 
das relações que caracterizam os casos de impedimento ou suspeição de juízes, 
aplicando-se-lhes, no que couber, os mesmos deveres e responsabilidades, 
conforme previsto no Código de Processo Civil.
§ 1º - as pessoas indicadas para funcionar como árbitro têm o dever de 
revelar, antes da aceitação da função, qualquer fato que denote dúvida justificada 
quanto à sua imparcialidade e independência.
UNIDADE 3 | ARBITRAGEM
146
§ 2º - o árbitro somente poderá ser recusado por motivo ocorrido após a 
sua nomeação, quando:
a) não for nomeado, diretamente, pela parte; ou, 
b) o motivo para a recusa do árbitro for conhecido posteriormente à sua nomeação. 
 
Art. 15 - a parte interessada que arguir a recusa do árbitro apresentará, nos 
termos do art. 20, a respectiva exceção, diretamente ao árbitro ou ao presidente 
do tribunal arbitral, deduzindo suas razões e apresentando as provas pertinentes.
Parágrafo único - acolhida a exceção, será afastado o árbitro suspeito ou 
impedido, que será substituído, na forma do art. 16 desta lei. 
 
Art. 16 – na eventualidade do árbitro escusar-se antes da aceitação da 
nomeação, ou, após a aceitação, vier a falecer, tornar-se impossibilitado para o 
exercício da função ou for recusado, assumirá seu lugar o substituto indicado no 
compromisso, se houver.
§ 1º - não havendo substituto indicado para o árbitro, aplicar-se-ão as 
regras do órgão arbitral institucional ou entidade especializada, se as partes as 
tiverem invocado na Convenção de Arbitragem.
§ 2º - nada dispondo a Convenção de Arbitragem sobre a escusa, e não chegando 
as partes a um acordo sobre a nomeação do árbitro a ser substituído, procederá a 
parte interessada da forma prevista no art. 7º desta lei, a menos que as partes tenham 
declarado, expressamente, na Convenção de Arbitragem, não aceitar substituto.
 
Art. 17 - os árbitros, quando no exercício de suas funções, ou em razão delas, 
ficam equiparados aos funcionários públicos, para os efeitos da legislação penal.
 
Art. 18 - o árbitro é juiz de fato e de direito, e a sentença que proferir não 
fica sujeita a recurso ou a homologação pelo Poder Judiciário. 
O	capítulo	IV	trata	do	Procedimento	Arbitral	e	contempla	a	instituição	
da	 arbitragem,	 o	 momento	 da	 arguição,	 a	 obediência	 aos	 procedimentos	
previstos	na	convenção	e	o	depoimento	das	partes.	É	composto	pelos	artigos	19	
ao 22, e parágrafos.
O art. 19 considera instituída a arbitragem quando tiver sido aceita a 
nomeação pelo árbitro, se for único, ou por todos, se forem vários.
Parágrafo único - instituída a arbitragem, e entendendo o árbitro ou o 
tribunal arbitral que há necessidade de explicitar alguma questão disposta 
na Convenção de Arbitragem, será elaborado, juntamente com as partes, um 
adendo, firmado por todos, que passará a fazer parte integrante da Convenção 
da Arbitragem.
TÓPICO 1 | LEGISLAÇÃO QUE REGULAMENTA A ARBITRAGEM
147
Art. 20 - a parte que pretender arguir questões relativas à competência, 
suspeição ou impedimento do árbitro ou dos árbitros, bem como nulidade, 
invalidade ou ineficácia da Convenção de Arbitragem, deverá fazê-lo na primeira 
oportunidade que tiver de se manifestar, após a instituição da arbitragem. 
§ 1º - uma vez acolhida a arguição de suspeição ou impedimento, será o 
árbitro substituído, nos termos do art. 16 desta lei, reconhecida a incompetência 
do árbitro ou do tribunal arbitral, bem como a nulidade, invalidade ou ineficácia 
da Convenção de Arbitragem, serão as partes remetidas ao órgão do Poder 
Judiciário competente para julgar a causa.
§ 2º - não sendo acolhida a arguição, terá normal prosseguimento a 
arbitragem, sem prejuízo de vir a ser examinada a decisão pelo órgão do Poder 
Judiciário competente, quando da eventual propositura da demanda de que trata 
o art. 33 desta lei.
Art. 21 - a arbitragem obedecerá ao procedimento estabelecido pelas 
partes na Convenção de Arbitragem, que poderá reportar-se às regras de um 
órgão arbitral institucional ou entidade especializada, facultando-se, ainda, às 
partes delegar ao próprio árbitro, ou ao tribunal arbitral, regular o procedimento.
§ 1º - não havendo estipulação acerca do procedimento, caberá ao árbitro 
ou ao tribunal arbitral discipliná-lo.
§ 2º - serão, sempre, respeitados no procedimento arbitral os princípios 
do contraditório, da igualdade das partes, da imparcialidade do árbitro e de seu 
livre convencimento.
§ 3º - as partes poderão postular por intermédio de advogado, respeitada, sempre, 
a faculdade de designar quem as represente ou assista no procedimento arbitral.
§ 4º - competirá ao árbitro ou ao tribunal arbitral, no início do procedimento, 
tentar a conciliação das partes, aplicando-se, no que couber, o art. 28 desta lei.
 
 Art. 22 - poderá o árbitro ou o tribunal arbitral tomar o depoimento das 
partes, ouvir testemunhas e determinar a realização de perícias ou outras provas 
que julgar necessárias, mediante requerimento das partes ou de ofício.
§ 1º - o depoimento das partes e das testemunhas será tomado em local, 
dia e hora previamente comunicados, por escrito, e reduzido a termo, assinado 
pelo depoente, ou a seu rogo, pelos árbitros.
§ 2º - em caso de desatendimento, sem justa causa, da convocação para 
prestar depoimento pessoal, o árbitro ou o tribunal arbitral levará em consideração 
o comportamento da parte faltosa, ao proferir sua sentença; se a ausência for de 
testemunha, nas mesmas circunstâncias, poderá o árbitro ou o presidente do 
tribunal arbitral requerer à autoridade judiciária que conduza a testemunha 
renitente, comprovando a existência da Convenção de Arbitragem.
UNIDADE 3 | ARBITRAGEM
148
§ 3º - a revelia da parte não impedirá que seja proferida a sentença arbitral. 
 
 § 4º - ressalvado o disposto no § 2º, havendo necessidade de medidas 
coercitivas ou cautelares, os árbitros poderão solicitá-las ao órgão do Poder 
Judiciário que seria, originalmente, competente para julgar a causa. 
§ 5º - se, durante o procedimento arbitral um árbitro vier a ser substituído, 
fica a critério do substituto repetir as provas já produzidas. 
O	capítulo	V	trata	da	sentença	arbitral	e	destaca	o	prazo	de	proferimento	da	
sentença	arbitral,	 em	que	será	expressa	a	decisão	do	árbitro,	 controvérsia	sobre	os	
direitos,	prazo	para	correção,	requisitosobrigatórios	na	sentença	final,	sentença	arbitral,	
nulidade	da	sentença	arbitral,	e	é	composto	pelos	artigos	23	ao	33,	e	parágrafos.
O art. 23 prevê que a sentença arbitral será proferida no prazo estipulado pelas 
partes. Nada tendo sido convencionado, o prazo para a apresentação da sentença é 
de seis meses, contados da instituição da arbitragem ou da substituição do árbitro.
Parágrafo único - as partes e os árbitros, de comum acordo, poderão 
prorrogar o prazo estipulado.
Art. 24 - a decisão do árbitro ou dos árbitros será expressa em documento escrito.
§ 1º - quando forem vários os árbitros, a decisão será tomada por maioria. Se 
não houver acordo majoritário, prevalecerá o voto do presidente do tribunal arbitral. 
§ 2º - o árbitro que divergir da maioria poderá, querendo, declarar seu 
voto em separado. 
Art. 25 - sobrevindo no curso da arbitragem controvérsia acerca de 
direitos indisponíveis e verificando-se que de sua existência, ou não, dependerá 
o julgamento, o árbitro ou o tribunal arbitral remeterá as partes à autoridade 
competente do Poder Judiciário, suspendendo o procedimento arbitral.
Parágrafo único - resolvida a questão prejudicial e juntada aos autos a 
sentença ou acórdão transitados em julgado, terá normal seguimento a arbitragem. 
 
 Art. 26 - serão requisitos obrigatórios da sentença arbitral:
I- o relatório, que conterá os nomes das partes e um resumo do litígio;
II- os fundamentos da decisão, onde serão analisadas as questões de fato e de 
direito, mencionando-se, expressamente, se os árbitros julgaram por equidade;
III- o dispositivo, em que os árbitros resolverão as questões que lhes forem 
submetidas e estabelecerão o prazo para o cumprimento da decisão, se for o 
caso; e, 
IV- a data e o lugar onde foi proferida.
TÓPICO 1 | LEGISLAÇÃO QUE REGULAMENTA A ARBITRAGEM
149
Parágrafo único - a sentença arbitral será assinada pelo árbitro ou por 
todos os árbitros. Caberá ao presidente do tribunal arbitral, na hipótese de um ou 
alguns dos árbitros não poder ou não querer assinar a sentença, certificar tal fato. 
 
 Art. 27 - a sentença arbitral decidirá sobre a responsabilidade das partes 
acerca das custas e despesas com a arbitragem, bem como sobre verba decorrente 
de litigância de má-fé, se for o caso, respeitadas as disposições da Convenção de 
Arbitragem, se houver.
Art. 28 - se, no decurso da arbitragem, as partes chegarem a acordo quanto 
ao litígio, o árbitro ou o tribunal arbitral poderá, a pedido das partes, declarar tal 
fato mediante sentença arbitral, que conterá os requisitos do art. 26 desta lei.
 
 Art. 29 - proferida a sentença arbitral, dá-se por finda a arbitragem, 
devendo o árbitro, ou o presidente do tribunal arbitral, enviar cópia da decisão 
às partes, por via postal ou por outro meio qualquer de comunicação, mediante 
comprovação de recebimento, ou, ainda, entregando-a diretamente às partes, 
mediante recibo.
Art. 30 - no prazo de cinco dias, a contar do recebimento da notificação ou 
da ciência pessoal da sentença arbitral, a parte interessada, mediante comunicação 
à outra parte, poderá solicitar ao árbitro ou ao tribunal arbitral que: 
I- corrija qualquer erro material da sentença arbitral; 
II- esclareça alguma obscuridade, dúvida ou contradição da sentença arbitral, ou se 
pronuncie sobre ponto omitido a respeito do qual devia manifestar-se a decisão.
Parágrafo único - o árbitro ou o tribunal arbitral decidirá, no prazo de dez 
dias, aditando a sentença arbitral e notificando as partes na forma do art. 29. 
 
 Art. 31 - a sentença arbitral produz, entre as partes e seus sucessores, os 
mesmos efeitos da sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário e, sendo 
condenatória, constitui título executivo. 
 
 Art. 32 - é nula a sentença arbitral se: 
I- for nulo o compromisso; 
II- emanou de quem não podia ser árbitro; 
III- não contiver os requisitos do art. 26 desta lei; 
IV- for proferida fora dos limites da Convenção da Arbitragem;
V- não decidir todo o litígio submetido à arbitragem; 
VI- comprovado que foi proferida por prevaricação, concussão ou corrupção passiva; 
VII- proferida fora do prazo, respeitando o disposto no art. 12, inciso III, desta lei; e,
VIII- forem desrespeitados os princípios de que trata o artigo 21, § 2º, desta lei. 
 
 Art. 33 - a parte interessada poderá pleitear ao órgão do Poder Judiciário 
competente a decretação da nulidade da sentença arbitral, nos casos previstos nesta lei.
UNIDADE 3 | ARBITRAGEM
150
§ 1º - a demanda para a decretação de nulidade da sentença arbitral 
seguirá o procedimento comum, previsto no Código de Processo Civil, e deverá 
ser proposta no prazo de até noventa dias após o recebimento da notificação da 
sentença arbitral ou de seu adiamento.
§ 2º - a sentença que julgar procedente o pedido: 
I- decretará a nulidade da sentença arbitral, nos casos do art. 32, incisos I, II, VI, 
VII e VIII; 
II- determinará que o árbitro ou o tribunal arbitral profira novo laudo, nas demais 
hipóteses. 
§ 3º - a decretação na nulidade da sentença arbitral também poderá ser 
arguida mediante ação de embargos do devedor, conforme o art. 741 e seguintes 
do Código de Processo Civil, se houver execução judicial. 
O	 capítulo	 VI	 trata	 do	 Reconhecimento	 e	 da	 Execução	 de	 Sentenças	
Arbitrais	 Estrangeiras,	 e	 trata	 do	 reconhecimento	 ou	 execução	 da	 sentença	
arbitral,	homologação	da	sentença	arbitral	estrangeira,	negação	da	homologação	
e	denegação	da	homologação.	É	composto	pelos	artigos	34	ao	40,	e	parágrafos.
Art. 34 - a sentença arbitral estrangeira será reconhecida ou executada no 
Brasil em conformidade com os tratados internacionais com eficácia no ordenamento 
interno e, na sua ausência, estritamente de acordo com os termos desta lei. 
Parágrafo único - considera-se sentença arbitral estrangeira a que tenha 
sido proferida fora do território nacional. 
Art. 35 - para ser reconhecida ou executada no Brasil, a sentença arbitral 
estrangeira está sujeita, unicamente, à homologação do Supremo Tribunal Federal. 
 
 Art. 36 - aplica-se a homologação para reconhecimento ou execução de 
sentença arbitral estrangeira, no que couber, o disposto nos artigos 483 e 484 do 
Código de Processo Civil. 
 
 Art. 37 - a homologação de sentença arbitral estrangeira será requerida pela 
parte interessada, devendo a petição inicial conter as indicações da lei processual, 
conforme o art. 282 do Código de Processo Civil, a ser instruída, necessariamente, com: 
I- o original da sentença arbitral ou uma cópia devidamente certificada, 
autenticada, pelo consulado brasileiro e acompanhada de tradução oficial; 
II- o original da Convenção de Arbitragem ou cópia devidamente certificada, 
acompanhada de tradução oficial.
Art. 38 - somente poderá ser negada a homologação para o reconhecimento 
ou execução de sentença arbitral estrangeira, quando o réu demonstrar que: 
TÓPICO 1 | LEGISLAÇÃO QUE REGULAMENTA A ARBITRAGEM
151
I- as partes na Convenção de Arbitragem eram incapazes; 
II- a Convenção de Arbitragem não era válida segundo a lei à qual as partes 
se submeteram, ou, na falta de indicação, em virtude da lei do país onde a 
sentença arbitral for proferida;
III- não foi notificado da designação do árbitro ou do procedimento de arbitragem, ou 
tenha sido violado o princípio do contraditório, impossibilitando a ampla defesa; 
IV- a sentença arbitral foi proferida fora dos limites da Convenção de Arbitragem, 
e não foi possível separar a parte excedente daquela submetida à arbitragem; 
V- a instituição da arbitragem não está de acordo com o compromisso arbitral ou 
cláusula compromissória; 
VI- a sentença arbitral não se tenha, ainda, tornado obrigatória para as partes, 
tenha sido anulada, ou, ainda, tenha sido suspensa por órgão judicial do país 
onde a sentençaarbitral for prolatada. 
Art. 39 - também será denegada a homologação para o reconhecimento 
ou execução da sentença arbitral estrangeira, se o Supremo Tribunal Federal 
constatar que:
I- segundo a lei brasileira, o objeto do litígio não é suscetível de ser resolvido por 
arbitragem; 
II- a decisão ofende a ordem pública nacional. 
Parágrafo único - não será considerada ofensa à ordem pública nacional 
a efetivação da citação da parte residente ou domiciliada no Brasil, nos moldes 
da Convenção de Arbitragem ou da lei processual do país onde se realizou a 
arbitragem, admitindo-se, inclusive, a citação postal como prova inequívoca de 
recebimento, desde que assegure à parte brasileira tempo hábil para o exercício 
do direito de defesa. 
 
Art. 40 - a denegação da homologação para reconhecimento ou execução de 
sentença arbitral estrangeira por vícios formais não obsta que a parte interessada 
renove o pedido, uma vez sanados os vícios apresentados. 
O	 capítulo	 VII	 trata	 das	 disposições	 finais	 e	 apresenta	 outros	 itens	
legais	que	contemplam	a	arbitragem	e	alteram	a	 redação	de	diversos	artigos	
do Código de Processo Civil. É composto pelos artigos 41 ao 44 da referida lei.
O art. 41 expõe nos artigos 267, inciso VII; 301, inciso IX; e 584, inciso III, 
do Código de Processo Civil que passam a ter a seguinte redação: 
Art. 267........................................................... 
VII- pela convenção de arbitragem; 
 
 Art. 301........................................................... 
 IX convenção de arbitragem; 
 
 Art. 584........................................................ 
III- sentença arbitral e a sentença homologatória de transação ou de conciliação; 
UNIDADE 3 | ARBITRAGEM
152
Art. 42 - o art. 520 do Código de Processo Civil passa a ter mais um inciso, 
com a seguinte redação: 
Art. 520........................................................... 
VI- julgar procedente o pedido de instituição de arbitragem.
O art. 43 confirma que esta lei entra em vigor sessenta dias após a data de 
sua publicação. 
 
 O art. 44 expõe sobre a revogação dos artigos: 1.037 a 1.048 da Lei nº 3.701, 
de 1º de janeiro de 1916, Código Civil Brasileiro; 
Art. 101, e, 1.072 a 1.102 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código 
de Processo Civil; e demais disposições em contrário. 
UNI
Voltamos a recomendar que o estudo e entendimento da Lei nº 9.307/96 são 
indispensáveis para o sucesso profissional.
Caro acadêmico! Você acaba de mergulhar no contexto geral da legislação 
arbitral. Esperamos que tenha conseguido entender a mensagem que ela nos traz 
e reconhecer que não é possível desenvolver qualquer atividade profissional, com 
qualidade, sem o amparo da lei que a regulamenta.
153
Neste tópico vimos: 
• A legislação que trata da arbitragem. O que levantamos foi a Lei nº 9.307, de 23 
de setembro de 1996, publicada no D.O.U. em 24 de setembro de 1996. 
• A Lei nº 9.307 compreende sete capítulos. O capítulo I permite entender suas 
disposições gerais e compõe-se pelo artigo 1º e artigo 2º e parágrafos 1º e 2º. 
O capítulo II é mais amplo e aborda a Convenção de Arbitragem, seus efeitos, 
e é composto pelos artigos 3º ao 12º, incisos e parágrafo único. Prosseguimos 
com o Capítulo III, no qual tratamos dos árbitros. Vimos, neste capítulo, quem 
pode ser árbitro, número de árbitros que podem ser nomeados, nomeação de 
árbitros em número par, procedimento do árbitro no desempenho da função, 
quem não pode ser árbitro, deveres, recusa, momento da recusa, equiparação 
dos árbitros no exercício de suas funções, o que é árbitro, que é composto 
pelos artigos 13º a 18º e parágrafos. Na sequência foi analisado o Capítulo IV, o 
qual trata do procedimento arbitral e contempla a instituição da arbitragem, o 
momento da arguição, a obediência aos procedimentos previstos na convenção 
e o depoimento das partes. É composto pelos artigos 19º ao 22º e parágrafos. O 
Capítulo V, que aborda a sentença arbitral, destacou o prazo de proferimento 
da sentença arbitral, no qual será expressa a decisão do árbitro, controvérsia 
sobre os direitos, prazo para correção, requisitos obrigatórios na sentença final, 
sentença arbitral, nulidade da sentença arbitral. É composto pelos artigos 23º 
ao 33º e parágrafos. 
• O capítulo VI trata do reconhecimento e da execução de sentenças arbitrais 
estrangeiras. Este capítulo aborda o reconhecimento ou execução da 
sentença arbitral, homologação da sentença arbitral estrangeira, negação da 
homologação e denegação da homologação. É composto pelos artigos 34º ao 
40º e parágrafos. Finalizou-se com a apresentação do capítulo VII, que trata das 
disposições finais e apresenta outros itens legais que contemplam a arbitragem 
e altera a redação de diversos artigos do Código de Processo Civil. É composto 
pelos artigos 41º ao 44º da Lei nº 9.307/96.
RESUMO DO TÓPICO 1
154
1 Em 23 de setembro de 1996, Fernando Henrique Cardoso aprovou a Lei nº 
9.307, a qual foi publicada no D.O.U em 24/09/96, para regulamentar: 
a) ( ) a Perícia
b) ( ) o Laudo Pericial
c) ( ) a Figura do árbitro
d) ( ) a Arbitragem
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.
2 Assinale a alternativa CORRETA. 
a) ( ) As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem para 
dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis.
b) ( ) As partes não poderão escolher, livremente, as regras de direito que 
serão aplicadas na arbitragem.
c) ( ) As partes não poderão convencionar que a arbitragem se realize com 
base nos usos e costumes e nas regras internacionais de comércio. 
d) ( ) As pessoas capazes de contratar poderão ser de direito ou de fato a 
critério das partes. 
e) ( ) Todas as alternativas estão corretas.
3 Classifique as assertivas em verdadeiras e falsas usando, respectivamente, V e F.
 
( ) As partes interessadas podem submeter a solução de seus litígios ao juízo 
arbitral mediante Convenção de Arbitragem. 
( ) A cláusula compromissória deve ser estipulada por escrito, podendo estar 
inserta no próprio contrato ou em documento apartado que a ela se refira.
( ) Nos contratos de adesão, a cláusula compromissória só terá eficácia se 
o aderente tomar a iniciativa de instituir a arbitragem ou concordar, 
expressamente, com a sua instituição, por escrito. 
( ) Na cláusula compromissória a arbitragem não será instituída e processada 
segundo acordo com tais regras, e pode estabelecer em qualquer situação 
a forma convencionada para a instituição da perícia.
( ) Se não houver acordo prévio sobre a forma de instituir a arbitragem, a 
parte interessada manifestará à outra parte sua intenção de dar início à 
arbitragem, por via postal ou por outro meio qualquer de comunicação, 
mediante protocolo de recebimento.
Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V– F– F– F– V. 
b) ( ) V– V– F– F– V. 
c) ( ) V– V– V– F– V. 
d) ( ) V– F– V– V– F. 
e) ( ) V– V– V– F– F.
AUTOATIVIDADE
155
4 Classifique as assertivas a seguir em verdadeiras e falsas usando, 
respectivamente, V e F. 
( ) Se a parte convocada não comparecer, ou, caso compareça, recusar-se 
a firmar o compromisso arbitral, poderá a parte interessada requerer 
a citação da outra parte para comparecer em juízo a fim de lavrar-se o 
compromisso, designando o juiz audiência especial para tal fim.
( ) De acordo com o parágrafo 1º, é o autor quem indicará, de forma precisa, 
o objeto da arbitragem.
( ) Mesmo que as partes compareçam à audiência, o juiz não permitirá a 
conciliação acerca do litígio. 
( ) Se não houver acordo entre as partes sobre os termos do compromisso, 
decidirá o juiz, após ouvir o réu.
( ) Caberá ao árbitro decidir de ofício, ou por provocação das partes, asquestões acerca da existência, validade e eficácia da Convenção de 
Arbitragem.
Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V– F– F– V– V. 
b) ( ) V– V– F– F– V. 
c) ( ) V– V– V– F– V. 
d) ( ) V– V– F– V– V. 
e) ( ) V– F– F– F– V.
5 Preencha as lacunas. 
 O compromisso arbitral é ________________________ as partes 
submetem ____________________________________________, podendo 
ser ______________ ou _____________. O compromisso arbitral judicial 
celebrar-se-á por _______________, perante o _________ ou ___________, 
onde tem curso _______________. O compromisso arbitral extrajudicial será 
celebrado por _______________, assinado por __________________, ou por 
________________________. 
6 Classifique as assertivas a seguir em verdadeiras e falsas usando, 
respectivamente, V e F. O compromisso arbitral obriga a presença dos 
seguintes itens: 
( ) Nome, profissão, estado civil e domicílio das partes.
( ) A titulação do árbitro.
( ) Nome, endereço profissional do árbitro, tempo de registro na empresa. 
( ) A matéria que será objeto da arbitragem.
( ) O lugar em que será proferida a sentença arbitral.
156
Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V– F– V– F– V. 
b) ( ) V– F– V– V– V. 
c) ( ) V– F– F– F– V. 
d) ( ) V– V– F– F– V. 
e) ( ) V– F– F– V– V.
7 Classifique as assertivas a seguir em verdadeiras e falsas usando, respectivamente, 
V e F. O compromisso arbitral poderá conter os seguintes itens: 
( ) O local e horário, onde se desenvolverá a arbitragem. 
( ) A autorização para que o árbitro ou os árbitros julgue(m) por equidade. 
( ) O prazo para a apresentação da sentença arbitral.
( ) A indicação do nome do legislador que instituiu a Lei da Arbitragem.
( ) A declaração da responsabilidade pelo pagamento dos honorários e das 
despesas com a arbitragem. 
( ) A fixação dos honorários do árbitro, ou dos árbitros. 
Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) F– F– V– V– F– V. 
b) ( ) F– V– V– V– F– V. 
c) ( ) F– V– V– F– V– V. 
d) ( ) F– F– F– V– F– V. 
e) ( ) F– V– V– V– F– V.
8 Classifique as assertivas a seguir em verdadeiras e falsas usando, 
respectivamente, V e F. Extingue-se o compromisso arbitral nos seguintes casos:
( ) Escusando-se qualquer dos árbitros, antes de aceitar a nomeação, não 
aceitar substituto.
( ) Falecimento.
( ) Na impossibilidade de algum dos peritos julgadores dar seu voto.
( ) Tendo expirado o prazo, desde que a parte interessada tenha notificado 
o árbitro, ou o presidente do tribunal arbitral, concedendo-lhe o prazo de 
dez dias para a prolação e apresentação da sentença arbitral. 
( ) Caso o juiz responsável seja transferido para outra comarca.
Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA.
a) ( ) V– V– F– V– F. 
b) ( ) V– F– F– V– F. 
c) ( ) V– V– V– F– F. 
d) ( ) V– F– V– V– F. 
e) ( ) V– F– V– F– F. 
9 Classifique as assertivas a seguir em verdadeiras e falsas usando, respectivamente, 
V e F. De acordo com o art. 13 da Lei nº 9.307, pode ser árbitro qualquer pessoa capaz, 
e que tenha a confiança das partes, e complementa através de seus parágrafos.
157
( ) As partes nomearão um ou mais árbitros, sempre em número ímpar.
( ) As partes poderão, de comum acordo, estabelecer o processo de escolha 
dos árbitros.
( ) O árbitro ou o presidente do tribunal designará, se julgar conveniente, um 
secretário, que poderá ser um dos árbitros.
( ) O árbitro deve proceder com imparcialidade, independência, competência, 
diligência e discrição, no desempenho de sua função.
( ) Pode o árbitro, ou o tribunal arbitral, determinar às partes o adiantamento 
de verbas para despesas e diligências que julgar necessárias.
Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V– F– F– F– V. 
b) ( ) V– V– F– F– V. 
c) ( ) V– V– V– F– F. 
d) ( ) V– V– V– V– V. 
e) ( ) V– F– F– V– V. 
10 Assinale a alternativa que completa CORRETAMENTE as lacunas dos 
itens a seguir:
I- Estão impedidos de funcionar como árbitros ____________ que tenham 
com as partes, ou com ______________ que lhes for submetido, algumas 
das relações que caracterizam os casos de impedimento ou suspeição de 
juízes, aplicando-se-lhes, no que couber, os mesmos ___________________
_____________, conforme previsto no _____________________________.
II- O árbitro somente poderá ser recusado por motivo ocorrido após a sua 
_____________, quando:
a) não for nomeado ______________________; ou, 
b) o motivo para a recusa do árbitro for ______________________ à sua 
___________________. 
a) ( ) As pessoas, nomeação, indiretamente pela parte, contratado, 
responsabilidades, deveres, reconhecido antecipadamente, indicado, 
b) ( ) Diretamente, Código de Processo Civil, sua nomeação, litigante, 
litigioso, já conhecido, de forma indireta, contratado.
c) ( ) As pessoas, o litígio, deveres e responsabilidades, Código de Processo Civil, 
nomeação, diretamente pela parte, conhecido posteriormente, nomeação.
d) ( ) Código de Processo civil, nomeação, litígio, conhecido posteriormente, 
indicado pelo árbitro, contratado, litigioso, por intermediação.
e) ( ) Código de Processo Civil, conhecido posteriormente, pelas pessoas, litígio, 
Constituição Federal, magistrado, reconhecido pela comunidade, indicação.
158
159
TÓPICO 2
ÉTICA NO EXERCÍCIO DA ARBITRAGEM
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
A abordagem ética está cada vez mais presente nos dias atuais e serve de 
atributo aos profissionais da área para o bom desempenho de sua profissão. 
De acordo com o CFC (2003), 
[...] a humanidade se encontra em crise moral refletida pela violência, 
pelo egoísmo, pela indiferença para com o seu semelhante, pelo 
desejo desenfreado pelo poder e não respeita as diferenças entre os 
indivíduos, causando assim uma crise ética tanto no âmbito pessoal 
quanto no profissional.
Com este tópico pretendemos levar ao seu conhecimento a ética no 
exercício da arbitragem e, para isso, busca-se apresentar o código de ética e fazê-
lo de maneira que permita ao profissional de cada área exercer com dignidade e 
honradez a sua profissão. 
Para complementar, utilizaremos a escritura de Sá (1996, p. 151), o qual 
afirma que as “[...] virtudes básicas profissionais são aquelas indispensáveis, sem 
as quais não se consegue a realização de um exercício ético competente, seja qual 
for a natureza do serviço prestado”. 
Apoiados nas palavras de Sá (1996), fica mais fácil transmitir a relevância 
do tema que abordaremos a seguir, e pedimos que estude com dedicação, pois lhe 
servirá de base para o seu desempenho profissional.
Este tópico é curto, se observados outros itens abordados neste caderno, 
porém não devemos medir o valor da informação pela quantidade de páginas, e 
sim, pela sua essência. 
 
Finalizamos esta etapa amparados em Vasquez (1999, p. 23), que explica a 
Ética como sendo “[...] a teoria ou ciência do comportamento moral dos homens 
em sociedade, ou seja, é a ciência de uma forma específica do comportamento 
humano”. Nesta visão, percebemos que a ética está voltada para a racionalidade 
humana, uma vez que o homem deve se questionar e descobrir os seus limites 
quanto aos direitos e deveres, à sua essência, aos seus valores e crenças, aos seus 
princípios e à sua capacidade de viver em grupo com outros seres.
160
UNIDADE 3 | ARBITRAGEM
2 CÓDIGO DE ÉTICA
O Código de Ética para Árbitros, nos termos aprovados pelo CONIMA – 
Conselho Nacional das Instituições de Mediação e Arbitragem, se aplica à conduta 
de todos os árbitros, quer nomeados por órgãos institucionais ou partícipes de 
procedimentos "ad hoc". Está dividido em oito partes, que apresentaremosa 
seguir, e faremos uma abordagem rápida do que cada uma representa.
I- AUTONOMIA DA VONTADE DAS PARTES 
Significa que o árbitro deve reconhecer que a arbitragem se fundamenta na 
autonomia da vontade das partes, devendo centrar sua atuação nesta premissa, e explica:
O princípio da autonomia da vontade é o principal sustentáculo do 
instituto da arbitragem. 
É consagrado desde a liberdade das partes em: 
• transacionar direitos patrimoniais disponíveis em um negócio;
• livre escolha de optar pela arbitragem para solucionar suas controvérsias, 
com a inclusão da cláusula compromissória no contrato celebrado, passando 
pelo estabelecimento de regras quanto ao procedimento arbitral, até; 
• a fixação de prazo para prolatar a sentença arbitral. 
Esse princípio, em nenhum momento, deverá ser relegado a segundo 
plano pelo árbitro no desempenho de suas funções, posto ser sua investidura 
delegada pelas partes e delimitada, por elas próprias, em aspectos relativos a 
seus interesses no âmbito da controvérsia. 
II- PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS 
No desempenho de sua função, o árbitro deverá proceder com 
imparcialidade, independência, competência, diligência e confidencialidade, 
bem como exigir que esses princípios sejam rigidamente observados pela 
instituição em que for escolhido, visando proporcionar aos demandantes uma 
decisão justa e eficaz da controvérsia, e explica:
A investidura do árbitro é derivada da confiança a ele depositada pelas 
partes ou pela instituição que o escolher, desde o início, com sua nomeação, durante 
todo o decorrer do procedimento, até seu final, com a elaboração da sentença. 
Essa confiança a ele delegada é imanente à decisão que será proferida, 
bem como à sua conduta quanto ao desenrolar de todo o procedimento arbitral, 
motivo pelo qual o árbitro deverá sempre ser:
TÓPICO 2 | ÉTICA NO EXERCÍCIO DA ARBITRAGEM
161
• imparcial, no sentido de evitar qualquer privilégio a uma das partes em 
detrimento da outra; 
• independente, entendendo-se não estar vinculado a qualquer das partes 
envolvidas na controvérsia; 
• competente, no sentido de conhecer profundamente os parâmetros ditados 
pelas partes para elaboração de sua decisão; e,
• diligente, pressupondo-se que não poupará esforços para proceder da 
melhor maneira possível quanto à investigação dos fatos relacionados à 
controvérsia. 
 
III- DO ÁRBITRO FRENTE À SUA NOMEAÇÃO
O árbitro aceitará o encargo se estiver convencido de que pode cumprir sua 
tarefa com: competência, celeridade, imparcialidade e independência, e explica:
• O árbitro somente deverá aceitar sua nomeação quando possuir as 
qualificações necessárias, e disponibilidade de tempo para satisfazer as 
expectativas razoáveis das partes. 
• O árbitro deverá revelar às partes, frente à sua nomeação, interesse ou 
relacionamento de qualquer natureza (negocial, profissional ou social) que 
possa ter, ou que tenha tido com qualquer uma delas, e que possa afetar 
a sua imparcialidade e sua independência, ou comprometer sua imagem 
decorrente daqueles fatores. 
IV- DO ÁRBITRO FRENTE À ACEITAÇÃO DO ENCARGO
Uma vez aceita a nomeação, o árbitro se obrigará com as partes, devendo 
atender aos termos convencionados por ocasião de sua investidura.
 
 Não deve o árbitro renunciar, salvo excepcionalmente, por motivo grave 
que o impossibilite para o exercício da função, e explica:
• Uma vez que o árbitro aceitou o encargo, se subentende que ele já avaliou 
o fato de que é imparcial, e que poderá atuar com independência, com 
celeridade e com competência.
• Não é admitida a renúncia do árbitro. Sua nomeação e aceitação do cargo o 
vinculam ao processo até o fim. Sua renúncia poderá acarretar a finalização 
desse procedimento, e o começo de um novo, em face de designação de um 
novo árbitro. 
162
UNIDADE 3 | ARBITRAGEM
V- DO ÁRBITRO FRENTE ÀS PARTES
O árbitro frente às partes deve:
1 utilizar a prudência e a veracidade, se abstendo de promessas e garantias a 
respeito dos resultados;
2 evitar conduta ou aparência de conduta imprópria ou duvidosa;
3 ater-se ao compromisso constante da convenção arbitral, bem como não 
possuir qualquer outro compromisso com a parte que o indicou;
4 revelar qualquer interesse ou relacionamento que provavelmente afete 
a independência ou que possa criar uma aparência de parcialidade ou 
tendência; 
5 ser leal, bem como fiel ao relacionamento de confiança e confidencialidade 
inerentes ao seu ofício, e explica: 
• O árbitro deverá atuar com suma prudência na sua relação com as partes. 
Seu relacionamento não deve gerar nenhum vestígio de dúvida quanto à sua 
imparcialidade e independência.
• O árbitro é o juiz do procedimento arbitral, portanto, seu comportamento 
deverá ser necessariamente acorde com a posição que ele detém. 
• O fato de o árbitro ter sido nomeado por uma das partes não significa que a 
ela esteja vinculado; ao contrário, deverá manter-se independente e imparcial 
frente a ambas.
• Deverá manter comportamento probo e urbano para com as partes, dentro e 
fora do processo. 
VI- DO ÁRBITRO FRENTE AOS DEMAIS ÁRBITROS
A conduta do árbitro em relação aos demais árbitros deverá: 
1 obedecer aos princípios de cordialidade e solidariedade;
2 ser respeitoso nos atos e nas palavras; 
3 evitar fazer referências de qualquer modo desabonadoras a arbitragens que 
saiba estar ou ter estado a cargo de outro árbitro;
4 preservar o processo e a pessoa dos árbitros, inclusive quando das eventuais 
substituições. 
VII- DO ÁRBITRO FRENTE AO PROCESSO
O árbitro deverá:
1 manter a integridade do processo;
2 conduzir o procedimento com justiça e diligência;
3 decidir com imparcialidade, independência e de acordo com sua livre 
convicção;
TÓPICO 2 | ÉTICA NO EXERCÍCIO DA ARBITRAGEM
163
4 guardar sigilo sobre os fatos e as circunstâncias que lhe forem expostos pelas 
partes antes, durante e depois de finalizado o procedimento arbitral;
5 comportar-se com zelo, empenhando-se para que as partes se sintam 
amparadas e tenham a expectativa de um regular desenvolvimento do 
processo arbitral; 
6 incumbir-se da guarda dos documentos quando a arbitragem for "ad hoc" 
e zelar para que essa atribuição seja bem realizada pela instituição que a 
desenvolve, e explica:
Todos os deveres elencados neste item pressupõem uma conduta do 
árbitro de forma inatacável, no sentido de não ser objeto de qualquer crítica 
pelas partes ou por outras pessoas eventualmente interessadas na controvérsia. 
Daí ser imprescindível sua atribuição de manter a integridade do 
processo, conduzindo-o de forma escorreita, com extrema retidão em todas as 
suas ações e atitudes. 
VIII- DO ÁRBITRO FRENTE A ÓRGÃO ARBITRAL INSTITUCIONAL OU 
ENTIDADE ESPECIALIZADA
Deverá o árbitro frente a órgão institucional ou entidade especializada:
1 cooperar para a boa qualidade dos serviços prestados pela entidade 
especializada;
2 manter os padrões de qualificação exigidos pela entidade; 
3 acatar as normas institucionais e éticas da arbitragem; 
4 submeter-se a este Código de Ética e ao Conselho da instituição ou entidade 
especializada, comunicando qualquer violação às suas normas.
FONTE: Disponível em: <www.conima.org.br/codigo_etica_arb>. Acesso em: 15 jan. 2015.
Para finalizar este tópico, nos amparamos nas palavras proferidas por 
Senge (1994, p. 4-6), que, ao referir-se sobre ética, menciona:
Nós partimos do princípio de que a ética é unicamente humana, só que 
a ética existe em todas as sociedades humanas e, talvez, mesmo entre 
nossos parentes não humanos mais próximos, e dizemos ainda que ela 
pode ser um conjunto de regras, princípios ou maneiras de pensar que 
guiam, ou chamam a si a autoridade de guiar as ações de um grupo em 
particular (moralidade), ou é o estudo sistemático da argumentação 
sobre como nós devemos agir (filosofiamoral), e nos comportar no 
nosso cotidiano, seja ele profissional e/ou pessoal.
164
Neste tópico vimos: 
• O posicionamento de diferentes autores quanto à ética. 
• O código de ética aprovado pelo Conselho Nacional das Instituições de 
Mediação e Arbitragem, o qual é aplicado à conduta de todos os árbitros. Sua 
composição divide-se em oito partes: 
 o I– Autonomia da vontade das partes. O árbitro deve reconhecer que a 
arbitragem fundamenta-se na autonomia da vontade das partes, 
devendo centrar sua atuação nesta premissa.
 o II– Princípios fundamentais. O árbitro, ao desempenhar sua função, 
deverá proceder com imparcialidade, independência, competência, 
diligência e confidencialidade, bem como exigir que esses princípios 
sejam rigidamente observados pela instituição em que for escolhido, 
visando proporcionar aos demandantes uma decisão justa e eficaz da 
controvérsia.
 o III– Do árbitro frente à sua nomeação. O árbitro aceitará o encargo se 
estiver convencido de que pode cumprir sua tarefa com: competência, 
celeridade, imparcialidade e independência. 
 o IV– Do árbitro frente à aceitação do encargo. Uma vez aceita a nomeação, 
o árbitro se obrigará com as partes, devendo atender aos termos 
convencionados por ocasião de sua investidura. Não deve o árbitro 
renunciar, salvo excepcionalmente, por motivo grave que o impossibilite 
para o exercício da função. 
 o V– Do árbitro frente às partes. Deve o árbitro frente às partes: utilizar 
a prudência e a veracidade, se abstendo de promessas e garantias 
a respeito dos resultados; evitar conduta ou aparência de conduta 
imprópria ou duvidosa; ater-se ao compromisso constante da convenção 
arbitral, bem como não possuir qualquer outro compromisso com a 
parte que o indicou; revelar qualquer interesse ou relacionamento que 
provavelmente afete a independência ou que possa criar uma aparência 
de parcialidade ou tendência; ser leal, bem como fiel ao relacionamento 
de confiança e confidencialidade inerentes ao seu ofício.
 o VI– Do árbitro frente aos demais árbitros. A conduta do árbitro em relação 
aos demais árbitros deverá: obedecer aos princípios de cordialidade 
e solidariedade; ser respeitoso nos atos e nas palavras; evitar fazer 
RESUMO DO TÓPICO 2
165
referências de qualquer modo desabonadoras a arbitragens que saiba 
estar ou ter estado a cargo de outro árbitro; preservar o processo e a 
pessoa dos árbitros, inclusive quando das eventuais substituições. 
 o VII– Do árbitro frente ao processo. O árbitro deverá: manter a integridade do 
processo; conduzir o procedimento com justiça e diligência; decidir com 
imparcialidade, independência e de acordo com sua livre convicção; 
guardar sigilo sobre os fatos e as circunstâncias que lhe forem expostos 
pelas partes antes, durante e depois de finalizado o procedimento arbitral; 
comportar-se com zelo, empenhando-se para que as partes se sintam 
amparadas e tenham a expectativa de um regular desenvolvimento 
do processo arbitral; incumbir-se da guarda dos documentos, quando 
a arbitragem for “ad hoc”, e zelar para que essa atribuição seja bem 
realizada pela instituição que a desenvolve.
 o VIII- Do árbitro frente a órgão arbitral institucional ou entidade especializada. 
Deverá: cooperar para a boa qualidade dos serviços prestados pela 
entidade especializada; manter os padrões de qualificação exigidos 
pela entidade; acatar as normas institucionais e éticas da arbitragem; 
submeter-se a este Código de Ética e ao Conselho da instituição ou 
entidade especializada, comunicando qualquer violação às suas normas.
• Pelo exposto é possível confirmar as palavras de Lopes de Sá (1996, p.65) em seu 
livro Ética Profissional, quando relata: “Na conduta ética, a virtude é condição 
basilar, ou seja, não se ode conceber o ético sem o virtuoso como princípio, nem 
deixar de apreciar tal capacidade em relação a terceiros”. 
• Infere-se que a virtude do homem tem ligação com a justiça praticada no exercício 
profissional e no comportamento pessoal com o meio em que está inserido.
166
AUTOATIVIDADE
1 Assinale a alternativa CORRETA. O Código de Ética para Árbitros, nos 
termos aprovados pelo Conselho Nacional das Instituições de Mediação e 
Arbitragem, se aplica à:
a) ( ) Natureza dos árbitros.
b) ( ) Conduta do perito.
c) ( ) Conduta do contador assistente.
d) ( ) Conduta de todos os árbitros.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.
2 O Código de Ética para Árbitros, nos termos aprovados pelo CONIMA, está 
dividido em oito partes. Assinale a única alternativa que não corresponde 
com o escrito no código.
a) ( ) Do árbitro frente às partes
b) ( ) Do árbitro frente ao processo
c) ( ) Do árbitro frente à nomeação do perito
d) ( ) Do árbitro frente à sua nomeação 
e) ( ) Do árbitro frente à aceitação do encargo.
3 Classifique em V (verdadeiro) e F (falso). O princípio da autonomia da 
vontade é o principal sustentáculo do instituto da arbitragem. É consagrado 
desde a liberdade das partes em: 
a) ( ) a fixação de prazo para prolatar a sentença arbitral; 
b) ( ) transacionar ativos contábeis disponível;
c) ( ) livre negociação entre os árbitros, para liberalidade das partes;
d) ( ) transacionar direitos patrimoniais disponíveis em um negócio;
e) ( ) livre escolha de optar pela arbitragem para solucionar suas controvérsias. 
4 Preencha os espaços tornando a frase correta. 
 A investidura ___________ derivada da ___________________________ pelas 
partes ou pela _______________, _________________, com sua nomeação, 
___________________________________, até ___________, _____________ 
elaboração da sentença. _________________________ imanente à decisão 
___________________________, bem como _______________ quanto ao ____
__________________________________, motivo pelo qual ________________ 
deverá sempre ser: (a) ______________, no sentido de ____________________ 
uma das partes em detrimento da outra; (b) _______________, entendendo-
se ___________________ qualquer das partes _______________________; 
(c) __________________, no sentido de conhecer profundamente 
___________________________ para _____________________; (d) 
167
____________, pressupondo-se ____________________ para proceder 
_____________________ quanto à ____________________________________
_ _____________________. 
5 Assinale a alternativa CORRETA. Quando se trata do Árbitro frente à aceitação 
do encargo é possível dizer que, uma vez que aceita a nomeação, o árbitro:
a) ( ) Realiza as atividades conforme sua disponibilidade.
b) ( ) Se obrigará com as partes.
c) ( ) Não precisa atender aos termos convencionados.
d) ( ) Pode renunciar.
e) ( ) Sua nomeação e aceitação do cargo não têm vínculo com o processo.
6 Assinale a alternativa CORRETA. O árbitro frente às partes não deverá:
a) ( ) Utilizar a prudência e a veracidade, se abstendo de promessas e garantias 
a respeito dos resultados.
b) ( ) Evitar conduta ou aparência de conduta imprópria ou duvidosa. 
c) ( ) Ater-se ao compromisso constante da convenção arbitral, bem como 
não possuir qualquer outro compromisso com a parte que o indicou.
d) ( ) Revelar qualquer interesse ou relacionamento que provavelmente afete 
a independência ou que possa criar uma aparência de parcialidade ou 
tendência. 
e) ( ) Ser infiel ao relacionamento de confiança e confidencialidade inerentes 
ao seu ofício.
168
169
TÓPICO 3
ITENS RELEVANTES NO EXERCÍCIO DA ARBITRAGEM
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Para elaborar este tópico, selecionamos alguns itens que entendemos ser 
relevantes para a sua formação. Desejamos que você tenha um bom estudo e que 
aproveite bem este material que lhe proporcionamos. 
A matéria pertinente ao tema arbitragem é, ainda, escassa, mas dentro do 
que esteve ao nosso alcance buscamos explorar o máximo, semprepensando na 
sua formação profissional e pessoal.
2 ORIGEM DA ARBITRAGEM
Desde os tempos mais remotos, buscamos apaziguar os problemas 
inerentes aos conflitos. 
As civilizações primitivas buscavam uma forma amigável de solução 
imparcial através de árbitros (pessoas de confiança mútua em que as partes se 
louvavam para resolver os seus conflitos). Esta interferência, em geral, recaía sobre os 
sacerdotes que garantiam soluções acertadas, de acordo com a vontade dos deuses, 
em face de suas ligações com as divindades, ou então buscavam a solução através 
dos anciões (sábios) que conheciam os costumes do grupo social da comunidade a 
que pertenciam as partes. A decisão do árbitro pautava-se pelos padrões acolhidos 
pela convicção coletiva, inclusive pelos costumes. Disponível em: <http://www.
inpecon.com.br/arbitragem_e_mediacao.html>. Acesso em: 14 ago. 2011.
A origem da arbitragem, como meio de composição de litígios, é bem 
anterior à jurisdição pública. Isto nos permite dizer que a arbitragem foi norma 
primitiva de justiça e que os primeiros juízes nada mais foram do que árbitros. 
 
A arbitragem no Brasil encontrava-se em desuso e a Lei nº 9.307/96 
resgatou de nossas instituições jurídicas o acordo de vontades por meio do qual 
as partes, preferindo não se submeter à decisão judicial, confiam a árbitros a 
solução de seus conflitos de interesses. Porém, os próprios interessados, mediante 
concessões mútuas, dirimem suas controvérsias de comum acordo, transferindo 
a terceiros a solução, por não se sentirem habilitados a resolvê-las pessoalmente. 
É um meio rápido e racional de solução paralelo ao Poder Judiciário, tornando 
mais célere a aplicação da justiça. 
UNIDADE 3 | ARBITRAGEM
170
A sentença, sendo condenatória, constitui título executivo e independente 
de homologação. A inexistência da homologação judicial é um dos possíveis 
atrativos do juízo arbitral, bem como o seu caráter sigiloso.
Nada impede que a sociedade se ampare em alternativas mais baratas 
e rápidas, como a arbitragem, podendo, sempre que necessário, recorrer ao 
poder público para obrigar os vencidos a cumprirem a decisão proferida. E, de 
acordo com o parágrafo 1º do artigo 4º da Lei nº 9.307/96 - Lei da Arbitragem, as 
relações de negócios que tenham por objeto direitos patrimoniais disponíveis 
facultam às partes estipular preventivamente que eventuais dúvidas ou 
conflitos de interesses que venham a surgir durante a sua vigência, sejam 
submetidos preferencialmente a decisão do Juízo Arbitral. Para tal deliberação 
inserir-se-á "Cláusula Compromissória" nos contratos.
Nesse contexto globalizado, o profissional deve estar preparado mediante 
especialização, procurando sempre ampliar os conhecimentos contábeis, como 
também em outras áreas, para ocupar o espaço a ele destinado e atuar nesta 
nova forma alternativa de solução de controvérsias e litígios, originados de 
relações contratuais ou extracontratuais, originária da vontade das partes. 
A possibilidade de maior rapidez na solução do conflito, a especialização 
do árbitro das questões levadas à sua apreciação, o menor custo e também o 
sigilo da questão em debate, principalmente questões comerciais, muitas delas 
envolvendo segredos industriais ou questões técnicas, são aspectos inerentes à 
decisão arbitral e ao próprio negócio da empresa. 
FONTE: Disponível em: <http://www.inpecon.com.br/arbitragem_e_mediacao.html>. Acesso em: 
14 ago. 2011.
Uma vez identificada e abordada, em nossos estudos, a origem da perícia 
contábil, o passo seguinte é conhecer as figuras do árbitro e do perito e distingui-
las uma da outra.
3 ÁRBITRO E PERITO 
De acordo com Alberto (2009), a perícia existe desde os mais remotos 
tempos da humanidade, assim que esta iniciou o processo civilizatório para 
caminhar da animalidade à racionalidade, e quem comandava a sociedade 
primitiva eram, a bem dizer, o perito, o juiz, o legislador etc., uma vez que 
julgavam, faziam e executavam as leis.
Continua explicando Alberto (2009) que a figura do árbitro surgiu na milenária 
Índia e, segundo registros, era eleito pelas partes. Na verdade, ele era perito e juiz, 
simultaneamente, pois lhe cabia a verificação direta dos fatos, o exame do estado das 
coisas e lugares, como também lhe cabia a decisão judicial a ser homologada, pelo 
que detinha o poder real, feudal, no sistema de castas e privilégios indianos. 
TÓPICO 3 | ITENS RELEVANTES NO EXERCÍCIO DA ARBITRAGEM
171
Superados os tenebrosos tempos da Idade Média, com seus tribunais de 
inquisição, seus “juízos de deus” estruturaram-se novamente, renascendo então 
um direito mais positivo e consentâneo com o novo surto ocidental que se seguiu. 
Embora todas as legislações, desde o século XVII, inclusive a legislação 
brasileira, institucionalizassem a figura do árbitro, que não é o perito, sem a 
exigência de conhecimentos especiais, judicialmente, não mais se permitiu a 
delegação da entrega da prestação jurisdicional ao profissional detentor de 
conhecimentos técnico-científicos, mas sim, passou a ser exigida a perícia como 
auxiliar da justiça, ou seja, o juiz não mais deve ficar ligado à opinião do expert se 
sua àquela se opõe. (ALBERTO, 2009).
Continua Alberto (2009, p. 6): “[...] por outro lado, extrajudicialmente 
também se esvaiu o caráter dinâmico, de modo que o resultado anteriormente 
obtido, mais próximo do trabalho do árbitro, a arbitragem, passou a ser uma 
opinião técnica”.
Então, judicialmente, o resultado material da atividade pericial, isto é, o 
laudo pericial, é uma prova altamente valorizada, porque representa a afirmativa 
ou opinião fundamentada científica ou tecnicamente.
Extrajudicialmente o laudo vai além de seu valor probante, para se 
consubstanciar em opinião equilibrada, isenta e independente, que pode 
oferecer uma visão clara e detalhada de uma situação de disputa que pode estar 
subentendida ou manifestada.
UNI
Em outras palavras, é possível dizer que o laudo representa um ponto de equilíbrio, 
a solução sugerida para conflitos ou dúvidas sobre determinadas situações, coisas ou fatos.
Em se tratando do árbitro, buscamos o entendimento de Arenhart (2005), 
ao explicar que a lei disciplina a figura do árbitro, estabelecendo que qualquer 
pessoa, que seja capaz e que goze da confiança das partes, pode sê-lo, independente 
de formação específica, qualidade própria ou outra condição especial, segundo 
prevê o art. 13 do Código de Processo Civil.
UNIDADE 3 | ARBITRAGEM
172
Arenhart (2005) ressalta que mais importante do que a qualificação 
possuída pelo sujeito, importa que ele tenha a confiança dos sujeitos que pretendem 
submeter certo litígio à arbitragem. Essa característica é essencial à própria 
função da arbitragem. A renúncia à jurisdição tradicional e a impossibilidade 
de insurgir-se contra a decisão arbitral, pela inexistência, no processo arbitral, 
da figura do recurso, faz com que se ponha sobre os ombros do árbitro severa 
responsabilidade, que somente pode ser bem desenvolvida se ele tiver a plena 
confiança das partes. Além disso, este crédito pode tornar-se fundamental para 
coagir as partes a aceitar a decisão arbitral, evitando-se ao máximo possível 
submeter a sentença arbitral à posterior execução frente ao Poder Judiciário. 
A lei, por outro lado, autoriza a formação de um tribunal arbitral, composto 
por mais de um árbitro. Desta forma, explica Arenhart (2005), não é necessário que 
as partes designem apenas uma pessoa para decidir sua controvérsia. A faculdade é 
certamente elogiável, seja porque permite que cada qual dos interessados indique 
alguns dos julgadores, seja porque permite a formação de corpo de árbitros que 
reúna pessoas com formações ou especializações diferentes, oferecendo órgão 
multidisciplinar para o julgamento de questões de maior complexidade. 
A única ressalva feita pela lei é nosentido de que os árbitros, no caso 
do tribunal arbitral, sejam em número ímpar, prevê o art. 13, § 1º, do Código de 
Processo Civil, o que se justifica para evitar qualquer possibilidade de “empate” 
na solução da arbitragem. Não optando pela escolha destes, poderão as partes 
estabelecer procedimento para a sua eleição, ou utilizar-se de critérios empregados 
por entidade ou instituição especializada em arbitragem, afirma o autor Arenhart 
(2005). De qualquer forma, sempre que as partes se limitarem a indicar árbitros 
em número par, presume a lei estarem os árbitros nomeados autorizados a 
indicar um outro profissional, a fim de compor o quorum suficiente para instituir a 
arbitragem. Para a escolha deste outro árbitro, não havendo acordo entre estes, a 
solução será recorrer ao Poder Judiciário para a sua indicação, competindo, então, 
ao magistrado, a quem competiria originalmente conhecer do litígio, decidir a 
respeito da nomeação do outro árbitro, conforme dispõe o art. 13, § 2º do Código 
de Processo Civil.
Arenhart (2005) ressalta que não poderão funcionar como árbitros as 
pessoas que possuam, com as partes ou com o litígio, qualquer comprometimento 
apurado segundo as causas de impedimento e suspeição previstas pela lei 
processual, segundo prevê o art. 134 a 136, do Código de Processo Civil. Havendo 
qualquer desses motivos, compete ao árbitro apontá-los desde logo, a fim de que 
a parte o substitua, se assim entender conveniente. Do mesmo modo, cumpre a 
ele, diante dessa causa, recusar sua nomeação, sob pena de poder ser futuramente 
responsabilizado por isso. 
Por seu turno, a parte não pode, após estar ciente da causa de impedimento 
ou de suspeição do árbitro, pretender recusá-lo, apesar de ter aceito sua indicação.
TÓPICO 3 | ITENS RELEVANTES NO EXERCÍCIO DA ARBITRAGEM
173
 A recusa, em tais casos, apenas pode ocorrer por razão superveniente 
à nomeação, admitindo-se a recusa, por fato anterior, apenas quando a parte 
não tiver nomeado diretamente o árbitro ou quando o motivo para recusa deste 
somente veio a ser conhecido ulteriormente, dispõe o art. 14, § 2º do Código de 
Processo Civil, menciona Arenhart (2005).
Para os casos em que o árbitro, ou os árbitros não puderem desempenhar 
sua atividade por qualquer razão, isto é, ou por sua recusa, ou por seu falecimento, 
de acordo com a legislação, haverá a indicação de árbitro(s) substituto(s), que 
deverá(ão) ser indicado(s) no compromisso celebrado ou, sendo omisso este 
pacto, cumprirá às partes acordarem o modo de sua escolha. Não havendo acordo 
a respeito, e não tendo estabelecido as partes algum critério para a escolha deste 
substituto, será necessário recorrer ao Poder Judiciário para a eleição deste, ou, 
caso as partes tivessem pactuado não aceitar substituto para a solução judicial da 
controvérsia, destaca o art. 16, §§ 1º e 2º, do Código de Processo Civil.
A lei de arbitragem 9.307/96 equipara o árbitro a um servidor público para 
fins penais, dispõe o art. 17 do Código de Processo Civil. Significa dizer que o 
árbitro, em agindo de forma ilícita, sujeita-se às penas previstas para os tipos 
específicos contemplados como crimes contra a administração pública praticados 
por funcionários públicos. Desta forma, pode o árbitro ser sujeito ativo de crimes 
como o de corrupção passiva, prevaricação ou concussão. 
Pelo que expusemos, você pode observar a abrangência que tem a figura 
do árbitro e do perito na perícia.
4 PERÍCIA ARBITRAL 
Alberto (2009), ao explicar sobre a perícia contábil, ressaltou as distintas 
espécies de perícia, que são identificáveis e definíveis segundo os ambientes 
em que estão instadas a atuar, cujos ambientes delinearão suas características 
intrínsecas e o modus faciendi, para o perfeito atendimento do objeto. Os ambientes 
de atuação que lhe definirão as características podem ser: ambiente judicial, 
ambiente semijudicial, ambiente extrajudicial e o ambiente arbitral.
Daí decorre serem quatro as espécies de perícias detectáveis segundo 
o raciocínio amparado: (1) perícia judicial; (2) perícia semijudicial; (3) perícia 
extrajudicial; (4) perícia arbitral.
A perícia arbitral, de acordo com Alberto (2009), é aquela realizada no 
juízo arbitral, cujo pedido decisório é criado pelas partes, não se enquadrando 
em nenhuma das outras espécies de perícia citadas, devido a suas características 
especiais de atuar parcialmente como se judicial ou extrajudicial fosse. A perícia 
arbitral subdivide-se em: probante (que prova) e decisória (que decide) de acordo 
com que se destine a funcionar como meio de prova do juízo arbitral, como 
subsidiadora da convicção do árbitro, ou é ela própria a arbitragem, ou seja, 
funciona seu agente ativo como o próprio árbitro da discussão.
UNIDADE 3 | ARBITRAGEM
174
UNI
Alberto (2009) ressalta que as espécies de laudo não dependem diretamente das 
espécies de perícias. Estão mais ligados aos objetivos e procedimentos periciais empregados.
5 TÉCNICAS DE ARBITRAMENTO
Segundo Alberto (2009), a finalidade da perícia determinada ou solicitada 
se valerá de técnicas específicas. Alberto (2009) explica que não podemos 
confundir procedimentos técnicos típicos da atividade pericial com “espécies 
de perícia”, pois são coisas completamente diversas, entretanto cabe considerar 
que em sua maior parte estas técnicas são comuns a todas as espécies de perícia, 
embora parte-se da conceituação das Normas Contábeis, assim identificadas: 
exame, vistoria, indagação, investigação, arbitramento, avaliação, certificação.
Para que o acadêmico relembre, faremos um breve comentário sobre 
cada uma das técnicas comuns a todas as espécies de perícia, segundo Alberto 
(2009): (I) exame – é a análise dos elementos que constituem a matéria, e pode 
ser em relação a uma pessoa, documento etc.; (II) vistoria – é o ato de verificar 
a condição do objeto pericial concreto, que pode ser pessoa, máquina etc.; (III) 
indagação – é o ato pericial de obtenção do testemunho pessoal daqueles que 
têm conhecimento dos fatos ou atos concernentes à matéria periciada; (IV) 
investigação – a definição dada pelas normas de contabilidade pertinentes a esta 
técnica pericial é suficientemente abrangente para ser tomada para qualquer 
perícia, decorrente de astúcia, fraude, malícia e outros procedimentos que visam 
obscurecer a verdade; (V) avaliação – é a análise e identificação do valor das 
coisas, bens, direitos etc., por critério objetivo, calculável ou demonstrável. É a 
constatação do valor real das coisas; (VI) certificação – é a informação trazida ao 
laudo pelo perito com caráter afirmativo, cuja autenticidade é reconhecida em 
função de fé pública atribuída ao profissional. 
Arbitramento, de acordo com Alberto (2009), em seu aspecto puro está 
relacionado à solução de debate por critério técnico, como previsto nas normas contábeis. 
Do ponto de vista pericial é a técnica de determinar valores por 
procedimentos estatísticos, como média, mediana, desvio-padrão etc., e 
analógicos, isto é, situações mensuráveis conhecidas são utilizadas como 
parâmetro para se determinar o valor de situação não diretamente mensurável, 
capaz de fundamentar o valor possível de ser encontrado. 
TÓPICO 3 | ITENS RELEVANTES NO EXERCÍCIO DA ARBITRAGEM
175
Ressalta Alberto (2009) que as técnicas de arbitramento e avaliação não 
são aplicáveis a todas as espécies de perícias e por isso devem ser encaradas como 
técnicas de mensuração de valor, possíveis de serem usadas por contadores, 
economistas ou até engenheiros. Entretanto, não podem ser usadas por médicos 
ou profissionais que estudam a escrita (grafotécnicos).
6 LAUDO ARBITRAL
O laudo arbitral, segundo Alberto (2009), diverge, em parte, das 
características gerais elencadas, pois a conclusão arbitral é uma decisão sobre a 
questão proposta.
O laudo arbitral deverá utilizar-se da forma descritiva,isto é, deverá 
descrever em forma de relatório, fundamentos e dispositivo final, que tem 
semelhança apurada com as características de sentença judicial. O laudo arbitral 
é, assim, o resultado do trabalho do árbitro, e esta função, em determinados casos, 
é mais adequada aos peritos, razão pela qual está sendo considerada neste estudo 
não como atividade pericial, mas de instância decisória.
7 SENTENÇA ARBITRAL
Arenhart (2005), doutor em Direito Processual Civil, estudioso da área, 
realizou estudos pertinentes à arbitragem e faz breves observações sobre o 
procedimento arbitral, conforme segue.
Arenhart (2005) denomina de sentença arbitral o ato do árbitro ou do 
tribunal arbitral decidir a discussão submetida à arbitragem. Este ato é em tudo 
assimilado à sentença judicial, ressalvado, entretanto, de que não pode conter, 
entre seus efeitos, qualquer expressão de imperium, por não se tratar de ato estatal. 
O julgamento contido na sentença arbitral pode revestir-se de resultado 
positivo não situado no exercício de imperium estatal. Neste caso, menciona Arenhart 
(2005), esta sentença pode ser declaratória, constitutiva ou condenatória, porém, 
jamais terá caráter de mando ou executivo. Ressalta ainda que esta classificação 
tem em vista a eficácia preponderante da sentença, o que não impede que esta 
decisão contenha mais de uma destas eficácias, nem que, em havendo cumulação 
de pedidos, possa esta sentença encaixar-se em mais de um destes tipos. 
A sentença arbitral opera seus efeitos não apenas em relação às partes, entre 
as quais é dada, mas também, à semelhança do que ocorre com a sentença judicial, 
e é impositiva também frente aos sucessores das partes, conforme prevê o art. 31. 
UNIDADE 3 | ARBITRAGEM
176
Para Szklarowsky (2008), a sentença arbitral condenatória constitui título 
executivo judicial, assim como a sentença homologatória de transação ou de 
conciliação, ainda que verse matéria não posta em juízo, ex vi do disposto nos 
incisos III e VI, do artigo 584 do Código de Processo Civil, com a redação dada 
pelo artigo 1º da Lei nº 10.358, de 27 de janeiro de 2001. 
Arenhart (2005) ressalta que, do mesmo modo que ocorre com a sentença 
judicial, pode a sentença arbitral operar efeitos, naturais e reflexos, em face de 
terceiros, não podendo, porém, ser exigida em relação aos mesmos, nem sendo 
estes efeitos indiscutíveis para terceiros. 
Novamente, Arenhart (2005) menciona que, com o objetivo de melhor 
esclarecer esta ideia, utilize-se o exemplo a seguir apresentado: 
[...] uma sentença arbitral que anule determinado contrato de compra 
e venda não opera seus efeitos apenas em relação às partes, mas 
também terceiros, que tivessem interesse indireto no cumprimento 
daquele pacto, são indiretamente prejudicados e frustrados com a 
decisão judicial, isto é, pessoas que utilizariam o bem adquirido, 
credores que poderiam pretender o crédito resultante da compra 
e venda etc.; a sentença arbitral, portanto, surtiria efeitos também 
para estes terceiros, apenas não admitindo que estes efeitos possam 
ser imutáveis ou indiscutíveis para os terceiros que revelem possuir 
legitimidade e interesse para discuti-los judicialmente.
Arenhart (2005) menciona que em se tratando de sentença arbitral de 
cunho condenatório, esta decisão constituirá título executivo, e em caso de não 
cumprimento voluntário do preceito, subsidiará o processo de execução na via 
judicial conforme art. 31, in fine. 
Continua Arenhart (2005) mencionando que a sentença arbitral também 
poderá revestir-se de caráter meramente homologatório. Quando as partes, no 
curso da arbitragem, chegarem a algum acordo a respeito do litígio, poderão 
elas solicitar ao árbitro, ou ao tribunal arbitral, a homologação desta transação 
por sentença, mesmo para que se revista ela da eficácia de título executivo, à 
semelhança da sentença arbitral condenatória. 
A sentença arbitral deve ser promulgada no prazo previsto pela 
Convenção de Arbitragem. Em sendo omisso este pacto, o prazo para a sentença 
será de seis meses, contados da instituição da arbitragem ou da substituição do 
árbitro, segundo prevê o art. 23 do Código de Processo Civil. Uma vez que a 
parte interessada tenha notificado o árbitro, concedendo-lhe prazo de dez dias 
para a entrega da sentença, o descumprimento desse prazo acarretará a extinção 
do compromisso arbitral e, consequentemente, a nulidade daquele julgamento, 
dispõe o art. 32, inciso VII. O prazo poderá ser prorrogado por acordo entre as 
partes e o árbitro, tantas vezes quantas corresponderem ao interesse dos litigantes. 
TÓPICO 3 | ITENS RELEVANTES NO EXERCÍCIO DA ARBITRAGEM
177
De acordo com o art. 24 do Código de Processo Civil, exige a lei que a 
sentença arbitral seja dada em documento escrito, que contenha inclusive os 
requisitos do art. 26. Assim, deverá esta sentença, de forma similar ao que ocorre 
com a sentença judicial, conter relatório, fundamentação e dispositivo. Além de 
indicar a data e o local em que tenha sido proferida, deve estar assinada pelo 
árbitro ou pelos árbitros que a elaboraram. No relatório deve haver menção aos 
nomes dos litigantes, sendo o espaço para que os árbitros apresentem uma síntese 
do litígio a eles submetido. Na fundamentação da sentença arbitral deverão os 
árbitros avaliar as questões de fato e de direito componentes das razões do litígio, 
indicando as razões que os levam a decidir de tal ou qual forma. É nesse momento 
que se estabelecem as premissas do julgamento, com o exame dos argumentos 
trazidos pelas partes, das provas produzidas e dos elementos relevantes para a 
formação do convencimento dos árbitros, ressalta Arenhart (2005). 
É ainda imposição da lei que na fundamentação seja expressa a menção de 
que a decisão se funda em equidade, quando este for o caso, amparada no art. 26, 
inc. II. Estabelecidas as razões do julgamento, o próximo passo é o dispositivo da 
sentença arbitral, que é o local em que os árbitros resolvem os pedidos que lhes 
foram apresentados, oferecendo a solução à controvérsia sujeita à arbitragem. 
Se necessário for, é nesse momento que se fixa o prazo para o cumprimento da 
sentença arbitral pelas partes. Cabe ainda, na sentença arbitral, a decisão a respeito 
das despesas e custos referentes à arbitragem. Compete aos árbitros imputar esta 
responsabilidade às partes, segundo critérios de equidade ou segundo a previsão 
contida na Convenção de Arbitragem, não havendo a obrigatoriedade de seguir-
se a disciplina prevista no Código de Processo Civil a esse respeito. Do mesmo 
modo, havendo previsão na convenção de arbitragem sobre a questão, caberá aos 
árbitros, na sentença arbitral, decidir a respeito de eventual litigância de má-fé, 
impondo ao responsável as sanções contempladas no pacto. 
No caso de ser proferida por tribunal arbitral, a sentença arbitral é tomada 
por maioria de votos, prevalecendo, no caso de dissidência invencível, o voto do 
presidente do tribunal, conforme dispõe o art. 24, § 1º. O árbitro vencido poderá, 
se assim entender necessário, declarar seu voto em separado, o que não alterará a 
substância da decisão, nem terá repercussões em termos de resultado positivo da 
decisão ou de impugnabilidade da sentença. 
Uma vez concluída a sentença arbitral, será dado ciência às partes, através 
do envio de cópia da decisão, pessoalmente, com recibo, por via postal ou por 
qualquer outro meio de comunicação, desde que comprove o seu recebimento. 
A partir desse processo, dar-se-á início ao prazo para o cumprimento da 
decisão, que uma vez descumprido sujeitará o infrator à competente demanda 
judicial executiva. (ARENHART, 2005).
UNIDADE 3 | ARBITRAGEM
178
Ressalta Arenhart (2005) que a sentença arbitral não se sujeita a recurso 
de qualquer espécie, nem a homologação judicial, conforme prevê o art. 18, 
entretanto, poderá a parte interessadarequerer ao árbitro, ou ao tribunal arbitral, 
no prazo de cinco dias, contados da ciência da sentença arbitral e comunicado ao 
seu adversário, que corrija eventual erro material contido naquela decisão, ou até 
mesmo que esclareça alguma obscuridade, dúvida ou contradição ali presente ou 
mesmo supra possível omissão verificada. Essa situação, que se assemelha aos 
embargos de declaração previstos na legislação processual comum, visa, como 
pode ser observado, evitar a entrega de decisão defeituosa, que gere dificuldade 
de cumprimento ou mesmo de entendimento pelas partes, e, eventualmente, 
pelo Poder Judiciário, havendo a necessidade de sua execução ulterior. Se houver 
requerimento de esclarecimento/retificação da sentença, deverão os árbitros 
a seu respeito pronunciar-se em dez dias, aditando a sentença se for o caso, e 
comunicando as partes de forma idêntica à comunicação referente à sentença.
Há requisitos ou elementos da sentença arbitral que devem ser cumpridos 
à risca, e estão previstos no artigo 26 da Lei nº 9307, de 1996. Sua ausência 
produzirá a nulidade. Esta será absoluta ou relativa, conforme o caso. Esse 
dispositivo deve ser interpretado em consonância com o artigo 32, que trata da 
nulidade da sentença. (SZKLAROWSKY, 2008).
Szklarowsky (2008) apresenta a manifestação do juiz em uma sentença e cita 
que são requisitos necessários da sentença judicial, segundo o disposto no artigo 458: 
I - o relatório que deverá conter os nomes das partes, a suma do 
pedido e da resposta do réu, bem como o registro dos principais 
acontecimentos ocorridos no processo; 
II – os fundamentos em que o juiz apreciará as questões de fato (ponto, 
objeto da controvérsia) e de direito; o dispositivo em que o juiz decidirá 
as questões que lhe foram submetidas.
Wambier (2007) apud Szklarowsky (2008) prefere adotar a expressão 
elementos, ao invés de requisitos, e descreve os elementos da sentença: relatório, 
fundamentação e decisório. 
Os pressupostos para a validade da decisão arbitral são em número 
de cinco, assim identificados: (1) relatório; (2) fundamentos da decisão; (3) 
disposição legal e o prazo para o cumprimento do decisório; (4) data e o lugar em 
que foi proferida; (5) assinatura do(s) árbitro(s) ou a certificação pelo presidente 
do tribunal arbitral, se algum árbitro não quiser assinar. Não se admite decisão 
oral. O juízo arbitral deverá obrigatoriamente fazê-la por escrito, para servir de 
sustentáculo para sua execução em caso de a parte não cumpri-la voluntariamente. 
TÓPICO 3 | ITENS RELEVANTES NO EXERCÍCIO DA ARBITRAGEM
179
Wambier (2007) apud Szklarowsky (2008), ao mencionar sobre os elementos, 
comenta que o relatório deverá conter o nome das partes, o resumo da disputa, e 
as ocorrências e incidentes havidos durante o procedimento, bem como o pedido 
do demandante e a resposta do demandado, de forma sucinta, sem rodeios. Pelo 
relatório é possível verificar que o juiz apoderou-se dos principais fatos, devendo 
ele registrar os pontos controversos, de forma simples e objetiva, prescindindo da 
retórica. A clareza, contudo, é de fundamental importância.
A	fundamentação, assim entendida como a essência da sentença, ganha 
importância não só na sentença judicial, ex vi da determinação do citado artigo 
458 do Código de Processo Civil, mas também na sentença arbitral, em atenção ao 
comando do inciso II do artigo 26, e deriva do princípio da motivação. O artigo 93 
da Constituição exige a fundamentação das decisões, sob pena de nulidade. Este 
princípio, sem dúvida, aplica-se às sentenças arbitrais.
De acordo com Arenhart (2005), a fundamentação deve ser feita com a 
máxima clareza, transparência e compreende a descrição da forma por que foi julgado 
o litígio, ou seja, se o foi por equidade, por apreciação dos fatos, pelas questões de 
fato e de direito, por razões de seu convencimento, a análise das provas, da perícia, 
das testemunhas, das preliminares ou das questões prejudiciais, se já não o fez.
 Outro detalhe importante é o dispositivo que fundamentou a decisão, o 
qual não pode faltar, explica Alvim (2000 apud ARENHART, 2005). É a parte 
mais importante, porque aí reside a sentença sobre o mérito, ou seja, sobre a 
parte central da dissidência, julgando, pois, o juiz procedente ou improcedente o 
pedido. A lei de arbitragem estabelece a obrigatoriedade de o juiz arbitral fazer 
constar o local em que foi proferida a sentença, em consonância com a ordem do 
artigo 10, IV. A data também é necessária, devido ao prazo para a apresentação da 
decisão, e o inciso III do artigo 11 faculta a estipulação no compromisso do prazo 
para a apresentação da sentença.
Uma vez encerrado este item, você pode confirmar a escassez de matéria 
sobre o tema. São poucos autores que abordam este conteúdo e cada qual comenta 
algum ponto diferente, sempre amparado na legislação pertinente.
8 PERITO DO JUÍZO: ESTIMATIVA E ARBITRAMENTO DOS 
HONORÁRIOS
Quando buscamos resposta sobre os honorários para os casos de perito 
nomeado em juízo, nos amparamos em Alberto (2009), que explica que a 
remuneração está prevista no Código de Processo Civil, o qual determina que os 
honorários periciais são de responsabilidade da parte que requereu o exame, uma 
vez que lhe cabe o pagamento de cada ato processual à medida que estes ocorram, 
ou do autor, quando este vier a ser determinado por ofício pelo magistrado, ou 
requerido por ambas as partes, conforme prevê o art. 33 do Código de Processo 
Civil. Decorrentes das disposições processuais, temos os honorários periciais que 
UNIDADE 3 | ARBITRAGEM
180
são considerados despesas do processo, os quais devem ser pagos a cada ato, 
mediante depósito antecipado que será liberado no todo ou em parte, quando da 
entrega do laudo. Nestes casos o procedimento normal é o de que o perito nomeado 
em juízo examine os autos e verifique se há necessidade ou não de solicitar o 
depósito prévio dos honorários provisórios ou definitivos para a realização da 
perícia. A determinação de que se faça ou não este depósito prévio de honorários 
não é uma faculdade do juízo. O perito, judicialmente nomeado, deverá solicitar, 
mediante petição, fundamentando o pedido, estimando o montante necessário 
para os primeiros trabalhos periciais. 
Apresentada a estimativa dos honorários provisórios, cabe ao juiz arbitrá-
los e determinar que a parte responsável efetue o depósito correspondente em 
estabelecimento oficial de crédito, à ordem do juízo, a favor do perito e em seu 
próprio nome. (ALBERTO, 2009). 
Dentro de uma situação de normalidade, o profissional apresentará, 
juntamente com o Laudo Pericial Contábil, uma petição estimando o valor dos 
honorários periciais totais. Ressalta Alberto (2009) que o perito submete seu 
pedido e estimativa dos honorários ao juízo e, mediante ato de arbitramento, o 
juiz fixará o montante da remuneração. Através deste ato, que é privativo do juiz, 
é arbitrado o valor da remuneração pericial, considerando cinco itens relevantes: 
1) a importância e complexidade do trabalho apresentado; 2) a perfeição técnica; 
3) a fundamentação e os custos demonstrados pelo perito; 4) a capacidade 
econômico-financeira das partes envolvidas; e, 5) a importância econômica da 
ação, para as partes.
NOTA
Alberto (2009) ressalta que as espécies de laudo não dependem diretamente das 
espécies de perícias. Estão mais ligados aos objetivos e procedimentos periciais empregados.
As manifestações, positivas, negativas ou até mesmo a omissão da(s) 
parte(s) sobre o tema é levada em conta pelo juiz no momento do arbitramento 
dos honorários do perito. 
Ressaltamos que nos casos das ações trabalhistas, com raras exceções, 
os autores são pessoas de capacidade econômica reduzidíssima, que não têm 
capacidade de antecipar ou de suportar os honorários, bem como, se pensarmos 
do ponto de vista social da Justiça Trabalhista,é possível concluir que não existe a 
possibilidade de exigir depósitos prévios ou antecipações, ou até mesmo pagamento 
imediatamente posterior à entrega do laudo à maioria dos casos. 
TÓPICO 3 | ITENS RELEVANTES NO EXERCÍCIO DA ARBITRAGEM
181
Não queremos dizer que o profissional da perícia não tenha o direito 
de requerer tais depósitos, mas existe o dever social de, assumindo o encargo, 
aguardar a liquidação da ação para receber seus honorários. Se o condenado ao 
pagamento dos honorários for o empregado, por sua insuficiência financeira, 
dificilmente o perito receberá seus honorários. A garantia de justiça gratuita às 
pessoas menos favorecidas e a necessidade de realização da prova farão com que 
o perito desista dos honorários, se a situação concreta assim o exigir. 
8.1 EM JUÍZO ARBITRAL 
O juízo arbitral, segundo Alberto (2009), como sendo o juízo instituído 
pela vontade das partes está disposto nos arts. 1.072 a 1.102 do Código de Processo 
Civil. A atual legislação que rege tal juízo é instituível por compromisso, judicial 
ou extrajudicial, não se admitindo a cláusula compromissória. 
Ainda segundo Alberto (2009), as pessoas que instituírem o juízo arbitral 
farão constar do compromisso arbitral a declaração de responsabilidade pelo 
pagamento dos honorários dos peritos e das despesas processuais, além de 
outros requisitos, sob pena de nulidade. Desta forma, as partes assumem o dever 
de responder pelos honorários dos peritos, que possam vir a ser nomeados nos 
autos, e assim também dos honorários do árbitro.
Para Alberto (2009), se o profissional estiver atuando como perito no 
juízo arbitral, independente se for indicado pelo árbitro ou se for como assistente 
técnico indicado pela parte, serão adotados os mesmos procedimentos aplicados 
no caso da perícia judicial, inclusive no que diz respeito à estimativa de honorários, 
lembrando de antemão que as partes já se comprometeram a realizar o pagamento 
do montante fixado.
Se o profissional estiver atuando diretamente como árbitro, este terá o 
direito a receber os honorários contratados pelo desempenho de sua função. Se 
não houver acordo quanto aos honorários, ou se não constar do compromisso este 
dispositivo, o árbitro deverá requerer ao juiz, a quem compete a homologação do 
próprio laudo arbitral, sua fixação por sentença, de maneira que o árbitro possa 
promover sua execução. 
Finalizamos a abordagem dos itens mencionados como relevantes, 
amparados em legislação específica, e na visão de alguns estudiosos, haja 
vista que pouco é o material disponível sobre o assunto. Assim mesmo, nosso 
entendimento é de que o material foi bem explorado. 
UNIDADE 3 | ARBITRAGEM
182
LEITURA COMPLEMENTAR
A IMPORTÂNCIA DA PERÍCIA DENTRO DA ARBITRAGEM
O contador, especialmente aquele que destina a sua atividade profissional 
à área da perícia contábil, está inserido na atividade de arbitragem. Esta afirmativa 
deve-se ao fato de que o trabalho do perito-contador tem muita semelhança com 
aquele desenvolvido na arbitragem. 
Atuando como perito indicado pelo juízo ou por indicação das partes, como 
assistente técnico, o contador deve buscar a solução do conflito por meio da prova 
pericial. Na arbitragem, o objetivo é o mesmo, o que muda é a forma de atingir a 
finalidade. Portanto, os peritos contábeis estão aptos a atuar na arbitragem.
A perícia contábil, segundo a Norma Brasileira de Contabilidade – NBC 
TP 01 – Perícia Contábil, constitui-se no conjunto de procedimentos técnicos 
e científicos destinado a levar à instância decisória os elementos de prova 
necessários a subsidiar a justa solução do que está sendo discutido, mediante 
laudo pericial contábil e/ou parecer pericial contábil, em conformidade com as 
normas profissionais e a legislação específica no que for pertinente. 
Consta de forma expressa, na NBC TP 01, que a perícia contábil, tanto a 
judicial como a extrajudicial e a arbitral, é de competência exclusiva de contador 
registrado em Conselho Regional de Contabilidade.
A presente norma aplica-se ao perito-contador nomeado em juízo, ao 
contratado pelas partes para a perícia extrajudicial ou ao escolhido na arbitragem; 
e, ainda, ao perito-contador assistente indicado ou contratado pelas partes.
A atividade profissional do perito-contador está atualmente mais próxima 
da arbitragem, pois assim está determinando o mercado, tanto na esfera do 
Judiciário quanto na esfera extrajudicial. Esta afirmação tem por base a constante 
nomeação de profissionais para atuarem como peritos-contadores para auxiliar 
como árbitros em processos judiciais, nomeados pelo juiz, principalmente em 
processos na fase de liquidação de sentença.
De forma natural, o contador que atua na área da perícia contábil, 
recebendo de forma repetitiva o voto de confiança dos juízes e/ou das partes para 
a apuração de haveres, atuará com muita familiaridade como árbitro.
A importância da perícia na arbitragem está tanto para auxiliar na solução do 
conflito quanto na formação do árbitro, face aos seus conhecimentos técnicos específicos 
sobre matéria que envolve os direitos patrimoniais disponíveis e a sua quantificação.
TÓPICO 3 | ITENS RELEVANTES NO EXERCÍCIO DA ARBITRAGEM
183
Na arbitragem, mesmo não havendo a estrutura do Judiciário, o objetivo a 
ser alcançado pelas partes litigantes é o mesmo, ou seja, a solução da controvérsia, 
mas a escolha das partes pelo juízo arbitral é que irá desencadear uma forma de 
obter o resultado diverso daquele tradicionalmente celebrado pela via judicial. 
A perícia, como meio de prova para auxiliar na solução de conflitos, é 
tão importante no âmbito judicial como no juízo arbitral, pois ela é, de fato, uma 
prova com o respaldo e credibilidade necessários tanto para convencimento do 
juiz togado quanto para o juiz arbitral.
O mercado de trabalho se amplia quando se vê a arbitragem como um 
meio de decisão de litígios e, principalmente, de desafogo do Judiciário. Pode o 
contador atuar como perito no processo, como assistente técnico de uma das partes 
no processo e, extrajudicialmente, como juiz arbitral ou como perito na arbitragem. 
A prova pericial poderá ser determinada pelas partes interessadas em função de 
ser necessário o conhecimento contábil específico não afeto às partes julgadoras.
Abordar ou refletir sobre a importância da perícia na arbitragem é alertar para 
um campo de atuação que também deve ser valorizado pelo perito-contador, pois a 
Reforma do Judiciário, que reduziu a atuação dos profissionais na área da Justiça do 
Trabalho, trouxe muitas mudanças para os profissionais que atuam neste segmento.
Assimilar essas alterações compreende uma adequação do profissional 
atentando não só para as restrições delas advindas, mas também para as 
possibilidades de novas frentes de trabalho que se abrem, tornando-se a arbitragem 
um mercado em desenvolvimento. A formação profissional e a experiência 
adquirida pelos contadores que atuam no segmento do Judiciário como peritos 
ou assistentes técnicos são fundamentais para a formação de um árbitro.
Notamos que o profissional da Contabilidade apresenta todas as condições 
necessárias para atuar como árbitro. Todos os requisitos para o desempenho 
da função de árbitro são inerentes ao perito-contador, que, em não procedendo 
desta forma em seu mister, não permanecerá por certo atuando neste segmento 
profissional; pelo contrário, será naturalmente repelido pelas partes que o indicarem.
Por todo o exposto, verifica-se, por meio da arbitragem, um crescimento 
da atuação do contador, que diz respeito à sua natural formação técnica.
FONTE: Comissão de Estudos de Mediação e Arbitragem. Mediação e arbitragem: a decisão por 
especialistas da contabilidade. CRCRS: Porto Alegre, 2005.
184
Neste tópico vimos:
• A origem da arbitragem.
• Qual a civilização que iniciou o trabalho arbitral

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