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Gestão Educacional e Empreendedorismo Empreendedorismo: Principais Conceitos e Características Responsável pelo Conteúdo: Prof. Ms. Marcos Evandro Galini Revisão Textual: Prof. Ms. Claudio Brites 5 Un id ad e Empreendedorismo: Principais Conceitos e Características Os objetivos desta unidade são analisar os tipos de empreendedorismo e identificar as características do comportamento empreendedor necessárias para uma boa gestão educacional. Também refletiremos sobre a necessidade do autoconhecimento e da aplicação de ações empreendedoras para o desenvolvimento de uma gestão educacional inovadora. Ainda, serão apresentados casos práticos de ação empreendedora dentro do ambiente escolar e links para materiais complementares importantes para a formação do gestor educacional. Nesta unidade, abordaremos os principais conceitos, tipos e as principais características do empreendedorismo e dos empreendedores, com foco no intraempreendedor ou o empreendedor interno. Também trataremos do processo de autoconhecimento, ação necessária para o desenvolvimento das características do comportamento empreendedor. Nesta unidade, trabalharemos os seguintes tópicos: • O que é Empreendedorismo • Tipos de Empreendedores • Empreendedor Social • Intraempreendedor • Características do Comportamento Empreendedor T hinkstock/G etty Im ages 6 Unidade: Empreendedorismo: Principais Conceitos e Características Para iniciarmos esta unidade, convido você a assistir ao vídeo exibido no Fantástico da rede Globo sobre a mudança realizada por um gestor educacional numa escola pública da periferia de um grande centro urbano. Reflita sobre as ações tomadas pelo gestor para mudar a sua realidade. http://globotv.globo.com/rede-globo/fantastico/v/diretor-de-escola-publica-muda- realidade-de-alunos-em-uma-das-maiores-favelas-do-brasil/3233196 Após assistir ao vídeo, responda: Quais comportamentos podem ser ressaltados nesse gestor escolar? Como a comunidade se envolveu? O que aconteceria se o gestor não tomasse uma atitude? Contextualização 7 Iniciamos com as seguintes perguntas: - Qual a relação entre empreendedorismo e gestão escolar? - Empreendedor é somente aquele que quer abrir ou tem uma empresa? As definições encontradas na literatura sobre empreendedorismo são abrangentes. É um termo muito utilizado no mundo empresarial e, em geral, está relacionado com a criação de um negócio. Mas não se resume a isso. Digamos que empreendedorismo significa “empreender” algo, podendo ser uma empresa, mas também agregar valor a um processo, identificar uma oportunidade de melhoria dentro de uma organização. Historicamente, o conceito de empreendedorismo foi apresentado pelo economista Joseph Schumpeter (1934): Empreendedorismo é criar riqueza através de novos produtos, novos métodos de produção, novos mercados, novas formas de organização etc. O empreendedor é responsável pelo empreendedorismo, para gerar lucro para a organização, e valor para o cliente. Para o autor, o empreendedorismo é fundamental nas sociedades para inovar e modificar as organizações. Temos 6 grandes escolas que estudam o empreendedorismo sob diferentes perspectivas: 1. A escola bibliográfica: seu foco é a vida de grandes empreendedores, apontando os seus traços “inatos”; 2. A escola psicológica: seu foco é o estudo das características e personalidades dos empreendedores. Entende que o empreendedor constrói ao longo da vida uma série de atitudes, crenças e valores que favorecem o sucesso empreendedor; 3. A escola clássica: o foco é a inovação, pois entende que o empreendedor “cria” algo; 4. A escola da administração: sua visão é que o empreendedor organiza e administra um negócio e assume os riscos dessa empreitada. Dá importância para a elaboração do Plano de Negócios, instrumento de planejamento; 5. A escola da liderança: reconhece que o empreendedor é um líder que mobiliza as pessoas em torno de objetivos; 6. A escola corporativa: aponta que as habilidades empreendedoras podem ser úteis dentro de organizações complexas. O que é Empreendedorismo Vih Realce Vih Realce 8 Unidade: Empreendedorismo: Principais Conceitos e Características Uma definição abrangente de ser empreendedor nos é dada por Augusto Cury: Ser um empreendedor é executar os sonhos, mesmo que haja riscos. É enfrentar os problemas, mesmo não tendo forças. É caminhar por lugares desconhecidos, mesmo sem bússola. É tomar atitudes que ninguém tomou. É ter consciência de que quem vence sem obstáculos triunfa sem glória. É não esperar uma herança, mas construir uma história... Quantos projetos você deixou para trás? Quantas vezes seus temores bloquearam seus sonhos? Ser um empreendedor não é esperar a felicidade acontecer, mas conquistá-la. (Disponível em: http://pensador.uol.com.br/ser_um_empreendedor_e_executar/ Acesso em: 11 set. 2014). O autor destaca as características do comportamento de um empreendedor apontando o papel de realizador. Veja outras definições “práticas” de quem respira empreendedorismo. São relatos inspiradores de destacados empresários brasileiros. Acesse em: http://www.endeavor.org.br/artigos/start-up/aprendendo-a-ser-empreendedor/15- definicoes-de-empreendedorismo. Disponível em: 01 set de 2014. O empreendedor é alguém que define metas, busca informações, é criativo, lida com o desconhecido e é obstinado. Mas essas características podem ser desenvolvidas? No decorrer desta unidade, abordaremos os comportamentos empreendedores e veremos se é possível desenvolvê-los. Na essência, o empreendedor é aquele que sonha e busca tornar realidade seu sonho. E não é qualquer sonho, é aquele que traz sentido para a vida do empreendedor, uma realização pessoal. Essa realização não precisa estar ligada a um novo negócio ou a uma recompensação financeira, podendo ser uma realização positiva no ambiente organizacional. Daí aparece a figura do intraempreendedor que falaremos a seguir. Tipos de Empreendedores Podemos apresentar 3 tipos de empreendedores: Empreendedor de negócio É o empreendedor clássico que almeja a sobrevivência financeira (lucro) do seu negócio. Seus objetivos no negócio são: criar diferenciais competitivos; vencer a concorrência; aumentar o número de clientes; aumentar o lucro, resultando na sobrevivência do empreendimento. Vih Realce 9 Esse empreendedor pode ser classificado em dois tipos: Por necessidade São aqueles que iniciam um empreendimento por não possuírem melhores opções de ocupação, abrindo um negócio a fim de obter renda para si e para sua família. A falta de planejamento e de preparação para abrir um negócio é presente nesse tipo de empreendedor. Por oportunidade São os que identificam uma oportunidade ou uma chance de negócio e decidem empreender, mesmo possuindo alternativas de emprego e renda. Em geral, esse tipo de empreendedor planeja suas ações antes de iniciar um negócio e obtêm melhor sustentabilidade financeira do empreendimento. A pesquisa “Empreendedorismo no Brasil”, realizada em 2013 pelo Global Entrepreneurship Monitor (GEM), em parceria com o Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBPQ) e o Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios da Fundação Getúlio Vargas (FGV), com o apoio do Sebrae, revela que praticamente 40 milhões de brasileiros estão empreendendo, demonstrando a importância econômica e social do tema e a necessidade de ações governamentais ou não governamentais para sua consolidação. O Brasil ocupa a quarta posição no ranking em número absoluto de empreendedores, atrás da China, Índia e Nigéria. A amostra traz 68 países pesquisados, com cobertura de 75% da população e 89% do PIB global. O Brasil é considerado pela pesquisa um país em transição entre um modelo orientado da eficiência para ainovação. Em relação às nove condições chaves para empreender, o Brasil apresenta um quadro acima da média da América Latina e do Caribe em todos os itens, à exceção dos impostos/regulamentação e da infraestrutura física – itens também verificados como hiato em relação à média total dos países pesquisados. A população economicamente ativa (TEA) no Brasil é estimada em 123 milhões de indivíduos correspondendo às idades de 18 a 64 anos. Temos que 21 milhões (17,1%) são iniciais (17ª posição no ranking GEM) e 19 milhões (15,5%) estabelecidos (8ª posição – GEM). Tais percentuais são superiores à média mundial de 7,9% e 6,7%, respectivamente. A faixa etária com a maior taxa de empreendedores (TEA) é a de 25 a 34 anos (21,9%), seguida pela faixa etária de 35 a 44 anos (19,9%). No grupo empreendedores iniciais, essas faixas etárias representam percentual de 33,1% e de 25,8% do universo, respectivamente. Essas taxas são diferentes no caso do empreendedorismo estabelecido. No Brasil, a maior incidência de empreendedores estabelecidos ocorre na faixa entre 45 a 54 anos (24,3%) seguida das faixas de 35 a 44 anos e 55 a 64 anos, ambas acima de 18,5%. Em 2013, mais de 80% dos entrevistados no Brasil consideraram que abrir um negócio é uma opção desejável de carreira. Tal constatação coloca o Brasil na sexta posição no ranking global da pesquisa nesse quesito. 10 Unidade: Empreendedorismo: Principais Conceitos e Características Se elencarmos os principais sonhos dos brasileiros, a prioridade é a aquisição da casa própria, com 45,2%, viajar pelo Brasil, com 42,5%, e, logo após, ter seu próprio negócio, com 34,6% das opiniões. Nota-se que a atividade empreendedora como carreira é fundamental para o desenvolvimento do empreendedorismo, mas também é importante que essa opção esteja relacionada ao empreendedorismo por oportunidade e não por necessidade, já constatado por dados da pesquisa, com a elevação da razão oportunidade/ necessidade de 2,3 (2012) para 2,5 (2013). Outro dado da pesquisa que merece destaque se refere à participação feminina nos empreendimentos iniciais no Brasil (participação de 52,2%). Comparativamente aos outros países, o Brasil se situa em 12º lugar, junto com países como Colômbia, Panamá e Tailândia. O empreendedorismo vem sendo uma opção de carreira e renda para as mulheres brasileiras. Com relação à taxa de empreendedores masculinos e femininos iniciais por necessidade, o Brasil apresenta em 2013 média superior à regional e global e muito próximas às regionais para oportunidades. Noruega é o destaque para empreendedorismo masculino para oportunidade e Líbia, Singapura e Suíça para o feminino nesse quesito. Disponível em: http://ois.sebrae.com.br/wp-content/uploads/2013/01/Relatorio-Executivo- GEM-Brasil-2013.pdf. Acesso em: 11 set. 2014. Empreendedor Social Empreendedorismo social tem como objetivo pensar em negócios de impacto social e não somente em soluções que resultam em lucro para o empreendedor. Também almeja a sustentabilidade e a sobrevivência do seu negócio, seja com ou sem fins lucrativos A Artemisia, organização que atua na “aceleração” desse tipo de negócio, considera que os negócios podem gerar impacto social em cinco principais dimensões: 1) Diminuem custos de transação: oferecem produtos e serviços que diminuam ou eliminem barreiras de acesso a bens e serviços essenciais; 2) Reduzem condições de vulnerabilidade: oferecem produtos que facilitem a proteção de bens conquistados e a antecipação ou prevenção de riscos futuros; 3) Ampliam possibilidades de aumento de renda: atuam no aumento das oportunidades de emprego estável ou na melhoria das condições de trabalho do microempreendedor; 4) Promovem oportunidades de desenvolvimento: promovem oportunidades para que pessoas de baixa renda fortaleçam seu capital humano e social; 5) Fortalecem a cidadania e os direitos individuais: contribuem para o fortalecimento da cidadania por meio de produtos e serviços essenciais para uma qualidade de vida digna. (Disponível em: <http://www.artemisia.org.br/conteudo/negocios/impacto-social.aspx> Acesso em: 11 set. 2014). Vih Realce 11 Um caso de negócio de impacto social na área educacional é a GEEKIE. Essa empresa tem como propósito “melhorar o aprendizado, tornando-o mais rápido, mais eficiente e mais prazeroso, sempre respeitando a individualidade e a liberdade de cada um na sua melhor forma de aprender, inspirando assim cada indivíduo a realizar seu potencial e atingir seus sonhos e contribuindo para elevar o nível da educação no Brasil e no mundo.” Disponível em: <http://www.geekie.com.br/a-geekie> Acesso em: 17 ago 2014. Assista ao vídeo do Cláudio Sassaki, cofundador da Geekie, durante a terceira edição da série de diálogos O Futuro se Aprende, e reflita sobre as inovações educacionais propostas pela empresa: http://youtu.be/lU5l68GTelA Intraempreendedor O termo intraempreendedor foi apresentado por Gifford Pinchot (1989) para apontar o “empreendedor interno”. O intraempreendedor, a partir de uma ideia, busca transformá-la em um produto de sucesso que transforme a realidade da empresa onde trabalha. O intraempreendedor necessita de uma organização que ofereça relativa liberdade e recursos para colocar em prática suas ideias. Com sua paixão e dedicação, ele faz a inovação acontecer. As organizações, por outro lado, devem apoiar pessoas com ideias inovadoras e iniciativa a se tornarem agentes da mudança. O papel do gestor educacional, além de ser o exemplo de ações empreendedoras, deve criar condições para que os demais colaboradores possam oferecer suas ideias e colocá-las em prática. Para Marcos Hashimoto (2006, p. 13), o intraempreendedorismo “foca o funcionário individualmente e sua propensão a agir sozinho de forma empreendedora.” Para a empresa, “o intraempreendedorismo acontece quando atitudes individuais são valorizadas, não necessariamente por meio de processos formais”. Uma coordenadora de escola de ensino médio, incomodada com a baixa participação de pais e responsáveis nas “reuniões de pais”, resolveu inovar. Em uma de suas conversas com os pais, ficou tocada com um relato de uma mãe, a qual diz: “Não quero ir mais à reunião, pois só falam mal do meu filho. Volto para casa muito chateada”. Em acordo com os alunos, mudaram a estrutura das reuniões: quem as organizaria seriam os alunos, confeccionando convites e, a Vih Realce 12 Unidade: Empreendedorismo: Principais Conceitos e Características cada encontro, um grupo ficaria responsável, dentro de um limite de tempo, em apresentar para os pais todas as novas aprendizagens do trimestre. Os pais ficaram muito orgulhosos dos filhos. Para os alunos, a aprendizagem se tornou significativa e eles receberam um papel de autonomia importante dentro da escola. A coordenadora inovou? Foi intraempeendedora? O que aconteceria se a instituição limitasse a liberdade da coordenadora na tomada de decisão? O tema empreendedorismo é tão amplo que hoje temos gestores públicos sendo premiados pelas ações empreendedoras, como é o caso do Prêmio Prefeito Empreendedor, concedido a prefeitos municipais de todo o Brasil que tenham implantado projetos com resultados comprovados, ainda que parciais, de estímulo ao surgimento e ao desenvolvimento de pequenos negócios e à modernização da gestão pública, contribuindo de forma efetiva para o desenvolvimento econômico e social do município. Veja um exemplo de projeto ganhador na sua 7ª Edição - Biênio 2011/2012: Região: Sudeste Categoria(s): Implantação da Lei Geral Prefeito(a): Reinaldo Landulfo Teixeira Habitantes: 14.206 Descrição: Situada numa região que sofre com os reflexos da pobreza e das adversidades climáticas aliados à proximidade com a cidade polo Montes Claros, que por força de seu tamanho exerce forte atrativo sobre os consumidoresdos municípios próximos, era muitos os obstáculos encontrados pela administração municipal e que mereciam atenção e capacidade para enfrentá-los. A opção decisiva pelos pequenos negócios tinha que se ancorar numa política pública estruturante, foi quando a implementação da Lei Geral Municipal e a adoção de uma nova política de compras públicas se tornaram o carro-chefe do aquecimento da economia local. As mudanças produzidas no cenário local permitiram o resgate da autoestima da população e foi uma das razões para o sucesso do projeto. Entre 2004 e 2011, a participação das MPEs no fornecimento das licitações municipais atingiu 70% do total. Outra ação que assumiu papel primordial foi a reforma da administração com a criação de novas secretarias, fusão de algumas delas, qualificação dos servidores públicos, dentre outras iniciativas as quais tornaram a administração mais eficaz, eficiente e competitiva Disponível em: http://www.prefeitoempreendedor.sebrae.com.br. Acesso em: 11 set. 2014. 13 Características do Comportamento Empreendedor Um empreendedor não espera as coisas acontecerem, é uma pessoa pró-ativa, ou seja, faz as coisas ocorrerem. Ele é motivado, tem boas ideias e sabe como implementá-las para alcançar os seus objetivos. O empreendedor acredita no seu potencial, tem capacidade de liderança e consegue facilmente trabalhar em equipe. Além disso, ele, ou ela, sabe que um fracasso é apenas uma oportunidade de aprender e ser melhor, e não se deixa abalar com isso. No texto acima, identificamos várias características de comportamento empreendedor, por exemplo: iniciativa, pró-atividade, liderança, trabalho em equipe, objetivos claros, dentro outras. O empreendedor tem comportamentos que o diferenciem do restante das pessoas? Ele nasce com esses comportamentos ou os desenvolve? T hinkstock/G etty Im ages Com base em pesquisas e estudos sobre empreendedorismo, o SEBRAE defende que o empreendedor de sucesso possui 10 características de comportamento empreendedor, em maior ou menor grau. São elas: 1. Busca de Oportunidades e Iniciativa: Desenvolve a capacidade de se antecipar aos fatos e de criar oportunidades de negócios com novos produtos e serviços. Um empreendedor com essas características bem trabalhadas age com proatividade, antecipando-se às situações, busca a possibilidade de expandir seus negócios e aproveita oportunidades incomuns para progredir; 2. Persistência Desenvolve a habilidade de enfrentar obstáculos para alcançar o sucesso. A pessoa com essas características não desiste diante de obstáculos, reavalia e insiste ou muda seus planos para superar objetivos e se esforça além da média para atingir seus objetivos; Vih Realce 14 Unidade: Empreendedorismo: Principais Conceitos e Características 3. Correr Riscos Calculados Envolve a disposição de assumir desafios e responder por eles. O empreendedor com essa característica procura e avalia alternativas para tomar decisões, busca reduzir as chances de erro e aceita desafios moderados com boas chances de sucesso; 4. Exigência de Qualidade e Eficiência Relaciona-se com a disposição e a inclinação para fazer sempre mais e melhor. Um empreendedor com essa característica melhora continuamente seu negócio ou seus produtos, satisfaz e excede as expectativas dos clientes e cria procedimentos para cumprir prazos e padrões de qualidade; 5. Comprometimento Característica que envolve sacrifício pessoal, colaboração com os funcionários e esmero com os clientes. O empreendedor traz para si mesmo as responsabilidades sobre sucesso e fracasso, atuando em conjunto com a sua equipe para atingir os resultados. Além disso, ele coloca o relacionamento com os clientes acima das necessidades de curto prazo; 6. Busca de Informações Característica que envolve a atualização constante de dados e informações sobre clientes, fornecedores, concorrentes e sobre o próprio negócio. O empreendedor com essa característica se envolve pessoalmente na avaliação de seu mercado, investiga sempre como oferecer novos produtos e serviços e busca a orientação de especialistas para decidir; 7. Estabelecimento de Metas Compreende saber estabelecer objetivos que sejam claros para a empresa, tanto a longo quanto a curto prazo. Assim, o empreendedor persegue objetivos desafiantes e importantes para si mesmo, além de ter clara visão a longo prazo. Ele cria objetivos mensuráveis com indicadores de resultado; 8. Planejamento e Monitoramento Sistemáticos Desenvolve a organização de tarefas de maneira objetiva, com prazos definidos, a fim de que possam ter os resultados medidos e avaliados. O empreendedor com essa característica bem trabalhada enfrenta grandes desafios, agindo por etapas. Ele adequa rapidamente seus planos às mudanças e variáveis de mercado e acompanha os indicadores financeiros, levando-os em consideração no momento de tomada de decisão; 9. Persuasão e Rede de Contatos Engloba o uso de estratégias para influenciar e persuadir pessoas e se relacionar com pessoas- chave que possam ajudar a atingir os objetivos do seu negócio. Dessa forma, o empreendedor cria estratégias para conseguir apoio para seus projetos, obtém apoio de pessoas-chave para seus objetivos e desenvolve redes de contatos, construindo bons relacionamentos comerciais; 15 10. Independência e Autoconfiança Desenvolve a autonomia para agir e manter sempre a confiança no sucesso. Um empreendedor que possui essa característica confia em suas próprias opiniões mais do que nas dos outros, sendo otimista e determinado mesmo diante da oposição e transmitindo essa confiança em sua própria capacidade. Entende-se que as características do comportamento empreendedor podem ser desenvolvidas. É fundamental identificar seu potencial empreendedor e desenvolver suas características de comportamento empreendedor. Faça os testes abaixo e identifique o seu perfil empreendedor: • http://arquivopdf.sebrae.com.br/atendimento/teste-aqui-seu-perfil-empreendedor • http://www.labconhecimento.com.br • http://www.perfildoempreendedor.com.br • http://www.trilhadoempreendedor.com.br Leia das páginas 63 a 66 do artigo intitulado Empreendedorismo e resiliência: mapeamento das competências técnicas e comportamentais exigidas na atualidade, autoria de Myrt Thânia de Souza Cruz e Isabel Mingotti Machado Moraes. Disponível em: <http://revistas.pucsp.br/index.php/pensamentorealidade/article/ view/16430/12352>. Acesso em: 27 jun. 2014. Reflita sobre quais características acredita que sejam necessárias reforçar em você para obter um bom desenvolvimento como gestor educacional. Locos interno x lócus externos Um aspecto importante para o desenvolvimento das características do comportamento empreendedor é o que se refere ao controle interno e externo sobre o resultado de uma ação, o que chamam de reforço. Quando um reforço é percebido pelo sujeito como seguido a uma ação sua, mas percebido como o resultado de sorte, acaso, destino, sob o controlo do poder de outros, diz-se que possui uma crença de controle externo. Se o sujeito percebe que o acontecimento é resultado do seu próprio comportamento ou de características suas, então, diz-se que apresenta uma crença de controle interno. Vih Realce Vih Realce 16 Unidade: Empreendedorismo: Principais Conceitos e Características Resumindo, enquanto o lócus (local) de controle interno se refere à percepção de controle pessoal sobre o resultado da situação e, por isso, tende-se a percebê-lo como resultante das próprias ações, o lócus de controle externo refere-se à percepção da falta de controle pessoal sobre a situação, ou de que o resultado não é/está dependente do próprio comportamento e, por isso, há uma tendência a percebê-lo como resultante de fatores exteriores – como sorte ou acaso. Ossujeitos podem ser classificados ao longo de um continuum, desde uma internalidade extrema a uma externalidade extrema: os predominantemente internos têm tendência a categorizar as situações em função da própria competência e, por isso, sob o seu controle pessoal; os predominantemente externos tendem a categorizá-las em função da sorte e, por isso, fora do próprio controle. Assim, é de esperar que o comportamento do empreendedor em situações de realização pessoal e profissional seja influenciado pelo lócus de controle interno, ou seja, o empreender assume o controle da própria vida. O mesmo vale para o gestor educacional, pois não adianta colocar a “culpa” dos resultados educacionais da sua organização no governo, nas leis, no mercado, nos alunos, nos professores, nas condições sociais, dentre outras. Essas situações já são de conhecimento do gestor, ele tem que trabalhar com essa realidade para transformá-la. Autoconhecimento - Janela de Johari A Janela de Johari idealizada por Joseph Luft e Harry Ingham é uma representação das dinâmicas das relações interpessoais e dos processos de aprendizagem em grupo. A figura das janelas das casas com o perímetro externo rígido e no local em que se encaixariam os vidros encontram-se as áreas separadas por divisões (caixilhos) que podem ser móveis. A palavra JOHARI é uma configuração dos nomes Joseph e Harry. Cego Aberto Matriz de Johari Desconhecido Desconhecido D es co nh ec id o Conhecido + + – Co nh ec id o O s ou tr os EU Oculto Vih Realce 17 Como interpretar a janela? Área aberta: onde se incluem todos os comportamentos sobre os quais você e os outros têm conhecimento. As pessoas veem você do mesmo modo como você se vê; Área fechada: onde estão os comportamentos que vemos em nós mesmos, mas que escondemos dos outros. Ex.: “Eu sou tímido, mas no grupo de trabalho procuro me destacar, ser comunicativo e amigável”; Área cega: onde estão as características de comportamento que as outras pessoas percebem em você, mas que você não consegue perceber. Ex.: “Os colegas de trabalho percebem que eu sou autoritário e centralizador, mas eu não percebo”; Área desconhecida: onde há características nossas que nem nós mesmos e nem as outras pessoas percebem. Geralmente são as memórias, aspectos escondidos que ainda não se mostraram. Alguns desses componentes desconhecidos podem tornar-se conscientes com o aumento da abertura para autoexposição. A mudança em um dos quadrantes provoca uma modificação em todos os demais. Um processo de autoexposição e autoconhecimento é o feedback. Entendemos feedback como uma “devolução” sobre o comportamento do outro, e do outro para você. O feedback deve trazer elementos da realidade, sem avaliações estritamente pessoais. Para tal, importante incentivarmos o feedback na organização para identificarmos a percepção dos outros sobre nós, avaliando se nossos comportamentos estão afetando os outros – o contrário também é fundamental, pois devemos oferecer a nossa percepção do outro. Os comportamentos de autoexposição e o de buscar feedback são ferramentas indispensáveis ao funcionamento da Janela de Johari, na qual pessoas e grupos são observados e observadores quanto às características do comportamento. Os professores mais atentos percebem o “feedback” dado por uma turma ou por um grupo de alunos em sala de aula e aproveitam essa oportunidade para crescer. Uma professora de escola de ensino fundamental no interior do país desenvolveu um projeto de empreendedorismo com os seus alunos. A ação era plantar verduras na horta da escola e vendê-las em uma feira cultural na própria escola. Os alunos tinham que planejar todas as ações, desde o plantio até as estratégias de marketing e de preço para venda na feira. No entanto, na etapa de plantar as verduras, por desconhecimento do grupo, as formigas comeram todas as folhas, o que estragou o plantio. A professora em desespero comprou verduras na quitanda e não contou para os alunos o ocorrido com as verduras originais. No entanto, os alunos perceberam a troca e ficaram chateados com a atitude da professora. A professora entendeu o recado: era melhor trabalhar a frustração da perda das verduras e pensar numa estratégia para superar a situação do que tentar acobertar a questão. E você? Já passou por um momento assim no trabalho? Vih Realce 18 Unidade: Empreendedorismo: Principais Conceitos e Características Nesta unidade, vimos as diferenças entre empreendedorismo social, de negócio e intraempreendedor. Também tratamos da importância do empreendedorismo para a economia. Continuamos nossa trajetória com a análise das características do comportamento empreendedor, destacando os 10 comportamentos do SEBRAE. Vimos que é possível aplicar tais comportamentos empreendedores na gestão educacional. No processo de autoconhecimento, observamos o funcionamento da janela de Johary e a necessidade presente de dar e receber feedbacks. Devemos destacar que o empreendedor está sempre criando, inovando, antecipando ações e consequências, tomando decisões, agindo e empreendendo, seja fora ou dentro de uma organização. Esse tipo de comportamento é necessário na organização educacional e cabe ao gestor dar o exemplo e incentivá-lo. A educação brasileira necessita de gestores capazes de conduzir as mudanças organizacionais. Eles têm que ter a coragem de flexibilizar o currículo, tornando-o mais atrativo, incluir conteúdos e tecnologias que favoreçam a aprendizagem significativa e a autônoma dos alunos. Além disso, os gestores precisam saber trabalhar com os diferentes grupos escolares para a avaliação e o incremento do projeto político pedagógico da instituição, criando uma organização que realmente aprenda e ensine. Vih Realce Vih Nota 19 Material Complementar Artigos sobre empreendedorismo: BRUNELLI, Mariana; COHEN, Marcos. Definições, Diferenças e Semelhanças entre Empreendedorismo Sustentável e Ambiental: Análise do Estado da Arte da Literatura entre 1990 e 2012. In: XXXVI Encontro da ANPAD. Rio de Janeiro, set. 2012. Disponível em: http://www.anpad.org.br/admin/pdf/2012_ESO2100.pdf CARVALHO, Marco A.; BACK, Nelson; OGLIARI, André. TRIZ no Desenvolvimento de Produto: encontrando e Resolvendo Contradições Técnicas e Físicas. XXV Encontro Nac. de Eng. de Produção. In: ENGEPE 2005. Porto Alegre, 2005, p. 2830 a 2837. Disponível em: http://www.abepro.org.br/biblioteca/ENEGEP2005_Enegep0502_0503.pdf CRUZ, Myrt Thânia de Souza Cruz; MORAES, Isabel Mingotti Machado. Empreendedorismo e resiliência: mapeamento das competências técnicas e comportamentais exigidas na atualidade. Revista Pensamento e Realidade. São Paulo, v.28, p. 59-76, n.2/2013. Disponível em: http://revistas.pucsp.br/index.php/pensamentorealidade/article/view/16430/12352 DIAS, Tania Regina Frota Vasconcelos et al. 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